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Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais Ciências Naturais e Cotidiano Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Andressa Ribeiro de Queiroz 1ª Edição Copyright © 2022, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Lúcia Inês Kronemberger Andrade Sumário Ciências Naturais e Cotidiano Para início de conversa... ................................................................................ 4 Objetivos ......................................................................................................... 4 1. Trabalhando com as Ciências Naturais no Dia a Dia ........................ 5 2. Ensino por Investigação ............................................................................. 7 3. Experimentos: Requisitos Técnicos e de Segurança ....................... 16 Referências ......................................................................................................... 20 Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 3 Para início de conversa... Neste capítulo, daremos ênfase à aprendizagem de forma mais ativa, com investigação e experimentação. A educação tradicional, expositiva e com foco na memorização ainda é empregada de forma expressiva em nosso sistema de ensino, neste estudo, vamos abordar formas que levem o professor a inovar na didática, linguagem e nas metodologias adotadas. A investigação e a experimentação estimulam a autonomia, o pensamento crítico e reflexivo e a criatividade, a ponto de que aluno e professor trabalhem de forma colaborativa e motivada para, a partir do conhecimento prévio do discente e com uma abordagem associada ao cotidiano, o professor possa envolvê-lo na resolução de problemas. Após a exposição das atividades, fecharemos a unidade com um tema de extrema relevância: a segurança e integridade do aluno, assim, conversaremos sobre o cuidado no ambiente externo à sala de aula. Objetivos ▪ Trabalhar com conteúdo das ciências naturais com foco no cotidiano vivenciado pelos alunos. ▪ Utilizar estratégias inovadoras e adequadas à aprendizagem das ciências naturais no dia a dia. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 4 1. Trabalhando com as Ciências Naturais no Dia a Dia Você deve conhecer os pesquisadores americanos Ausubel, Novak e Hanesian, especialistas em psicologia educacional, que criaram teorias afirmando, em linhas gerais, que o fator isolado mais importante que influencia o aprendizado é tudo que o aprendiz já conhece. É consenso, hoje, que o conhecimento prévio do aluno é de extrema importância e, a partir deste, são trilhados novos caminhos mentais para o aprendizado. Figura 1: Trabalhando com as Ciências Naturais. Fonte: Dreamstime. Ausubel defende, em sua teoria, que, para aprender novos conteúdos, o aluno precisaria acessar, ampliar e reconfigurar os seus conhecimentos prévios. Essa teoria está alinhada aos pensamentos de Vygotsky e Piaget, no sentido de que, para haver aprendizagem significativa, o conteúdo deve fazer algum sentido na vida do aluno. E que sentido é esse? É ser interessante e estimulante, de modo a prender a atenção do aluno no percurso desenvolvido pelo professor; sendo ainda mais significativo quando o aprendizado se relaciona com o cotidiano e os conhecimentos prévios de quem está aprendendo. ‘‘ É necessário que as atividades em aula consigam possibilitar momentos de reflexão, para que não sejam automatizadas e o aluno possa compreender o que o professor falou. (GONÇALVES, 2016, p. 32) ’’ Quando faz sentido, a aprendizagem se torna significativa para o aluno, ou seja, ela foca na relação entre as ideias com as informações já existentes do aluno, de modo não arbitrário e substantivo. Para trabalhar uma aprendizagem significativa com ciências, precisamos entender o importante papel que o professor desempenha e entender como deve ser o processo de formação desse profissional para que o ensino-aprendizagem seja efetivo. Figura 2: Aprendizagem significativa com ciências. Fonte: Dreamstime. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 5 Atualmente, vemos uma nova perspectiva da educação, focada, prioritariamente, em inovação, tecnologia e metodologias inovadoras. Para tanto, a formação docente é imprescindível, assim, a didática deve ser bem trabalhada. Segundo Carvalho, (2004, p. 8): ‘‘ A Didática e a prática de ensino são duas faces de uma mesma moeda, como o são o ensino e a aprendizagem. Nenhuma mudança educativa formal tem possibilidades de sucesso, se não conseguir assegurar a participação ativa do professor, ou seja, se, da sua parte, não houver vontade deliberada de aceitação e aplicação dessas novas propostas de ensino. ’’ A didática, quando bem explorada na formação docente, precisa dispor de teoria, mas, principalmente, de prática, ou seja, o professor precisa ser ensinado a saber e a saber fazer. Outra questão muito importante é que o professor precisa ser ensinado a entender o gênero discursivo e o gênero científico, ou seja, precisa ser ensinado a passar o conhecimento e a pesquisar, experimentar, investigar, explorar os conteúdos além da teoria (CARVALHO, 2004). Mas por que afirmamos isso? Porque o professor precisa saber fazer com que seus alunos aprendam a argumentar e a reconhecer as afirmações contraditórias, as evidências que dão ou não suporte às afirmações, além da capacidade de integração dos méritos de uma afirmação. Um detalhe fundamental nesse processo de formação docente é o professor também conseguir trabalhar com o tipo de linguagem que deseja explorar em sala de aula. Cada professor tem uma linguagem própria, uma forma e dinâmica de ensinar, mas atente a uma questão: as salas de aula, as gerações e os alunos são diferentes e, portanto, a linguagem do professor precisa ser dinâmica e flexível. O professor precisa ter essa percepção para se ajustar à dinâmica escolar. Muito se fala das gerações X, Y, Z, millennials e essas gerações ditaram e ditam muitas modificações no ensino, assim, dessa reflexão a dica que fica é: Devemos aprender, sempre, a sermos flexíveis e atentos às mudanças de nossos alunos e modificarmos a linguagem constantemente para estar sempre alinhados aos alunos. Um bom exercício para você praticar quando uma turma não estiver sendo receptiva é fazer uma “reflexão na ação” e uma “reflexão sobre a ação” (SCHÖN, 1992; ZEICHNER, 1993). Figura 3: Busca pelo diálogo. Fonte: Dreamstime. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 6 Essa ação reflexiva leva o professor a pensar sobre seus próprios procedimentos ou processos intelectuais, sendo levado a um olhar de outra natureza sobre o que ele fez, ensinou ou aprendeu. Cada ação de reflexão sobre a didática escolar irá induzir, no professor, um desapego que se torna mais receptivo a críticas e a mudanças, sendo, dessa maneira, uma atividade facilitadora na busca da reelaboração didática. Em tempos de tantas inovações científicas, tais como realidade aumentada, laboratórios 3D, gamificação e inteligência artificial, os professores precisam construir, cada vez mais, atividades inovadoras que levem os alunos a evoluírem, em seus conceitos, habilidades e atitudes. Infelizmente, ainda nos deparamos com professores que ensinam de forma tradicionalmente expositiva, isso se dá pelo fato de que esses docentes foram ensinados assim. Nossageração precisa de mudanças significativas no comportamento em sala de aula para que vocês não continuem repetindo estratégias monótonas e repetitivas. Para isso, vocês precisam aprender metodologias que os conduzam, a partir de suas próprias concepções, a ampliar seus recursos e modificar suas ideias e atitudes de ensino. Mas não se preocupe porque, nessa disciplina, falaremos de diversas estratégias ligadas à aprendizagem por investigação e experimentação. ‘‘ O ensino baseado em pressupostos construtivistas exige novas práticas docentes e discentes, inusuais na nossa cultura escolar. Introduz um novo ambiente de ensino e de aprendizagem, que apresenta dificuldades novas e insuspeitadas ao professor. Ele precisa sentir e tomar consciência desse novo contexto e do novo papel que deverá exercer na classe. (CARVALHO, 2004, p.19) ’’ 2. Ensino por Investigação Pensando em um ensino baseado no construtivismo, temos o ensino por investigação, que trata de uma forma positiva e inovadora de trazer problemas para os alunos resolverem de forma descontraída e bem planejada. Figura 4: Ensino por investigação. Fonte: Dreamstime. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 7 Para Hodson (1992), os estudantes aprendem mais sobre a ciência e desenvolvem melhor seus conhecimentos conceituais quando participam de investigações científicas, semelhantes às feitas nos laboratórios de pesquisa. Propostas pedagógicas que utilizam investigação tanto podem ser resolvidas nos laboratórios (virtuais e presenciais) como empregando o famoso termo “mão na massa”, com lápis e papel (CARVALHO, 2004). Mas vale salientar que, no ensino por investigação, a teoria e a prática devem ser feitas conjuntamente, se não for assim, o aluno pode sair dessa atividade com uma visão deformada do que é e de como se pratica a ciência. O cientista só desenvolve bem uma pesquisa com muito estudo, leitura e realizando experimentos, essa ideia também deve ser adotada em sala de aula para que a investigação científica seja efetiva. E o que uma educação baseada em atividades investigativas propõe? A ideia é levar os alunos a pensar, debater, justificar ideias e aplicar seus conhecimentos em situações novas, usando criatividade, inovação e exercendo autonomia e pensamento crítico ao longo do processo. Nesse sentido, qual o papel do professor? Segundo Dewey (1938), os professores desempenham um papel muito importante na moldagem e na criação das experiências das crianças, por meio de suas interações. Esse profissional precisa ser, segundo Vickery (2014, p. 13), “proativo em relação ao desenvolvimento de oportunidades para trabalho colaborativo em que existam interações adequadas e intervenções oportunas de todos os adultos”. Deve haver muito diálogo entre o professor e o aluno para que se estabeleça confiança e o desenvolvimento das habilidades de pensamento. Vickery (2014) afirma que, é por meio do diálogo, que as crianças começam a tomar consciência sobre os seus próprios pensamentos e os de outras pessoas e a entendê-los. Esse ambiente fomentará o debate, a criatividade, a reflexão e a capacidade de correr riscos. Em uma investigação, é preciso realizar diferentes atividades acompanhadas de situações problematizadoras, questionadoras e de diálogo, mas tudo deve acontecer a partir da introdução de conceitos prévios associados ao cotidiano do aluno (CARVALHO et al., 1995). A atividade investigativa deve partir da ação do aluno e o professor deve trabalhar para que o aluno desenvolva um trabalho bem prático, ou seja, o professor irá instruir os alunos e estes desenvolvem ações para a resolução dos problemas propostos sempre com a mediação promovida pelo professor. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 8 Ao formular hipóteses, preparar experiências, realizá-las, recolher dados, analisar resultados, quer dizer, encarar trabalhos de laboratório como “projetos de investigação”, o professor favorece a motivação dos estudantes, fazendo-os adquirir atitudes e tais informações com curiosidade, desejo de experimentar, fará com que eles tenham o hábito de duvidar de certas afirmações, a confrontar resultados, a obterem profundas mudanças conceituais, metodológicas e atitudinais (LEWIN; LOMASCÓLO, 1998). O aluno precisa ser envolvido na atividade, ou seja, ele precisa pensar, sentir e fazer para que a atividade tenha como conclusão a aprendizagem conceitual. Para Garret (1988), pensar é parte do processo de solucionar problemas, e inclui o reconhecimento da existência de um problema e as ações que são necessárias para seu enfrentamento. E, além disso, atividades investigativas propõem raciocínio, flexibilidade, astúcia, argumentação e ação. Não se esqueça de que se o professor pretende a construção de um conhecimento, o processo é tão importante quanto o resultado. Assim, o ponto de partida deverá ser as atividades investigativas para o desenvolvimento da compreensão de conceitos, essa ação levará o aluno a imergir no processo de aprendizagem, saindo de uma postura passiva para ativa, na medida que age sobre o objeto de estudo relacionando-o com acontecimentos cotidianos procurando uma explicação causal para o resultado de suas ações e/ou interações. Nessa situação, pode surgir um conflito cognitivo, ou seja, um questionamento por parte do aluno ou como diz Carvalho (1992), uma estratégia segundo a qual o aluno aprende se suas concepções espontâneas são colocadas em confronto com os fenômenos ou com resultados experimentais. Cruz (2007, p. 29) afirma que: ‘‘ A experiência, como recurso didático, deve estar intimamente relacionada aos conhecimentos teóricos. Para associá-los, devem-se indicar os objetivos a serem alcançados e as relações entre eles e os conteúdos curriculares; a prática experimental deve levar o aluno à descoberta de maneira cada vez mais autônoma e por meios diversificados. Dessa forma, desenvolve-se um aprendizado crítico e consciente, em que o aluno cria suas próprias soluções para os problemas de sala de aula e da vida. ’’ Gil e Castro (1996) descrevem alguns aspectos da atividade científica que podem ser explorados em uma atividade investigativa, pois ressaltam a importância dessas atividades. Dentre eles, estão: Gil e Castro (1996) destacam alguns benefícios são bem relevantes de serem elencados e explorados numa atividade investigativa: Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 9 Apresentar situações problemáticas abertas. 1 Favorecer a reflexão dos estudantes sobre a relevância e o possível interesse das situações propostas. 2 Potencializar análises qualitativas significativas, que ajudem a compreender e acatar as situações planejadas e a formular perguntas operativas sobre o que se busca. 3 Considerar a elaboração de hipóteses como atividade central da investigação científica, sendo esse processo capaz de orientar o tratamento das situações e de fazer explícitas as pré-concepções dos estudantes. 4 Considerar as análises, com atenção nos resultados (sua interpretação física, confiabilidade etc.), de acordo com os conhecimentos disponíveis, das hipóteses manejadas e dos resultados das demais equipes de estudantes. 5 Conceder uma importância especial às memórias científicas que reflitam o trabalho realizado e possam ressaltar o papel da comunicação e do debate na atividade científica. 6 Ressaltar a dimensão coletiva do trabalho científico, por meio de grupos de trabalho, que interajam entre si.7 Figura 5: Benefícios que podem ser explorados em uma atividade investigativa. Fonte: Dreamstime. Em um laboratório com uma metodologia tradicional, o aluno seguiria as instruções predeterminadas de um manual ou do professor e chegaria a conclusões previsíveis. Porém, se adotarmos a metodologia de investigação, o laboratório seria um espaço onde o que se busca não é a verificação pura e simples de uma lei já definida, a ideia seria mobilizar os alunos para a soluçãode um problema científico e, a partir daí, levá- los a procurar uma metodologia para chegar à solução do problema, às implicações e às conclusões dela advindas (CARRASCO, 1991). Percebe a mudança metodológica? Blosser (1988) determinou cinco objetivos pedagógicos nessa abordagem investigativa: Objetivos Pedagógicos Habilidades – de manipular, questionar, investigar, organizar e comunicar. Conceitos – por exemplo: hipótese, modelo teórico e categoria taxionômica. Habilidades cognitivas – pensamento crítico, solução de problemas, aplicação e síntese. Compreensão da natureza da ciência – empreendimento científico, cientistas e como eles trabalham, a existência de uma multiplicidade de métodos científicos, inter-relações entre ciência e tecnologia e entre várias disciplinas científicas. Atitudes – por exemplo: curiosidade, interesse, correr risco, objetividade, precisão, perseverança, satisfação, responsabilidade, consenso, colaboração e gostar de ciência. Figura 6: Os cinco objetivos pedagógicos. Fonte: Adaptada de Blosser (1988). Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 10 As atividades investigativas são, em sua essência, atividades práticas. Cientes da limitação que ainda existe, principalmente nas escolas públicas brasileiras, sabemos que nem sempre uma atividade investigativa deve ocorrer em um laboratório. O pátio da escola, o parque próximo, a mata vizinha, o terreno baldio próximo podem ser “palcos” de grandes aulas inovadoras e investigativas para observação de pássaros, vegetação, tipos de solo, animais invertebrados e que serão suficientes para proporcionar um contato direto com os fenômenos, identificar questões de investigação, organizar e interpretar dados, entre outros. E, veja só, a sala de aula também pode ser o ambiente de incríveis experimentos sem, necessariamente, ter equipamentos sofisticados, por exemplo, é possível observar folhas de plantas, flores, rochas etc. Na sua infância, você fez o experimento com o “feijão no algodão”? Trata-se de um simples experimento em que dentro de um copo, o professor coloca um grão de feijão em um algodão embebido de água exposto ao sol. Ao longo dos dias, os alunos mantêm o algodão úmido e começam a observar o crescimento da raiz, caule e folhas. Com esse experimento, o professor pode falar das plantas, da fotossíntese, do Sol, da importância da água, ou seja, uma simples atividade pode ser marcante para o aluno. E se o feijão apodrecer? E se não houver o cuidado necessário, a luz requerida ou se o aluno tiver colocado água demais? O ideal seria o professor plantar o feijão (Radolpho Caniato) na terra, assim, além de o aluno se deparar com a situação do que acontece na natureza, poderia acompanhar o crescimento e desenvolvimento da planta até se tornar pronta para a merenda. Krasilchik (2004) e o Commitee on High School Biology Education (2008) elencaram algumas funções aulas práticas no ensino de Ciências, vejamos: ▪ Despertar e manter o interesse dos alunos. ▪ Envolver os estudantes em investigações científicas. ▪ Desenvolver a capacidade de resolver problemas. ▪ Estimular a compreensão de conceitos básicos. ▪ Desenvolver habilidades. ▪ Formular e elaborar métodos para investigar e resolver problemas individualmente ou em grupo. ▪ Analisar cuidadosamente os resultados e significados de pesquisas, voltando a investigar quando ocorrem eventuais contradições conceituais. ▪ Compreender as limitações do uso de um pequeno número de observações para gerar conhecimento científico. ▪ Distinguir observação de inferência, comparar crenças pessoais com compreensão científica e entender as funções que exercem na Ciência, bem como são elaboradas e testadas as hipóteses e teorias. Prezado(a) futuro(a) professor(a), embora saibamos da existência de fatores limitantes para a proposição de aulas práticas (ausência de Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 11 laboratório, falta de tempo para preparação, falta de equipamentos, entre outros), inove, renove, resiginifique seus materiais e aulas para que aquele momento seja único e inesquecível para o aluno. Precisamos que a sala de aula seja atrativa e a aprendizagem ativa. De acordo com Vickery (2014) esse ambiente deve estar profundamente preocupado com a busca das crianças por significado e maestria, com o esforço delas para assumir o controle de si mesmas e de seu mundo e, assim, conseguir participar plenamente dele e não necessariamente com o “fazer” que observamos constantemente nas crianças pequenas, embora estar fisicamente ativo é algo intrínseco ao seu comportamento de aprendizagem. Figura 7: Demonstração prática no trato com as plantas. Fonte: Dreamstime. Agora, para melhor compreensão de que tipo de aula prática adotar e de como você poderá inovar, vamos analisar a classificação de Campos e Nigro (1999) e Carvalho (2004), em relação aos tipos de atividades práticas: 1. Demonstrações práticas: Atividades realizadas pelo professor possibilitam, ao aluno, maior contato com os fenômenos já conhecidos e com equipamentos, instrumentos, fenômenos e até seres vivos. 2. Experimentos ilustrativos: Atividades que os alunos podem realizar e que cumprem as mesmas finalidades das demonstrações práticas. 3. Experimentos descritivos: Atividades que o aluno realiza e que não são obrigatoriamente dirigidas o tempo todo pelo professor. Nelas, o aluno tem contato direto com coisas ou fenômenos que precisa apurar, sejam ou não comuns ao seu dia a dia. Aproximam-se das atividades investigativas, porém, não implicam a realização de testes de hipóteses. 4. Experimentos investigativos: Atividades práticas que exigem participação ativa do aluno durante sua execução. Esse tipo de aula parte da apresentação de um problema ou de um fenômeno a ser estudado e levam à investigação a respeito desse fenômeno. Diferem-se das outras por partir, inicialmente, sempre de um problema e trata obrigatoriamente de uma discussão de ideias, elaboração de hipóteses investigativas e experimentos para testá- Demonstrações práticas Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 12 las. Esse problema é proposto pelo professor aos alunos e, por meio de questionamentos e direcionamentos, o professor irá procurar “detectar” que tipo de pensamento, seja ele intuitivo ou de senso comum, eles possuem sobre o assunto. Com isso, a atividade experimental deixa de ser apenas uma ilustração da teoria e torna- se um instrumento riquíssimo do processo de ensino. Em seguida, o professor deve sistematizar as explicações dadas ao fenômeno, preocupando-se em enfatizar como a ciência o descreve e, algumas vezes, quando necessário, chegando às representações que o expressam. Podemos dizer que o papel do professor nesse tipo de atividade é o de construir com os alunos essa passagem do saber cotidiano para o saber científico, por meio da investigação e do próprio questionamento acerca do fenômeno. Esse tipo de atividade prática pode proporcionar os benefícios a seguir: ▪ Percepção de concepções espontâneas por meio da participação do aluno nas diversas etapas da resolução de problemas. ▪ Valorização de um ensino por investigação. ▪ Aproximação de uma atividade de investigação científica. ▪ Maior participação e interação do aluno em sala de aula. ▪ Valorização da interação do aluno com o objeto de estudo. ▪ Valorização da aprendizagem de atitudes e não apenas de conteúdos. ▪ Possibilidade da criação de conflitos cognitivos em sala de aula. Ajustes também precisam ser feitos, por exemplo, se não houver disponibilidade de material para todos os alunos, o professor pode recorrer às demonstrações, desde que sejam bem planejadas e permitam a visualização e as intervenções dos alunos. As sugestões acima devem ser trabalhadas para levar os alunos a refletirem sobre os problemas experimentais propostos e a capacidade de resolução, o quepossibilita que eles pensem cientificamente e construam sua visão de mundo (CARVALHO et al., 1998). Independentemente da atividade escolhida, se estimule a usar imagens no ensino de ciências. Recortada, imagens da internet, imagens 3D, existem diversos tipos e formatos, mas é importante que saiba que esse recurso enriquece o processo de aprendizagem, explora sentidos, facilita a compreensão de sistemas e esquemas dentro dos conteúdos de ciências. Pense como uma criança: não há nada mais interessante do que animais e plantas coloridos e diferentes, de sistemas dentro do organismo humano ou animal, ecossistemas a serem descobertos, entre outros. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 13 5. Laboratório aberto: É uma atividade que busca, como as outras atividades de ensino por investigação, a solução de uma questão, que, no caso, será respondida por uma experiência. Essa busca de solução pode ser dividida basicamente em seis momentos: ▪ Proposta do problema: Primeiro, o professor propõe uma pergunta que estimula a curiosidade científica dos estudantes sem ser muito específica, de modo que possa gerar uma discussão bastante ampla. Essa resposta irá direcionar o objetivo principal do experimento. ▪ Levantamento de hipóteses: Estabelecendo o problema de forma clara para os alunos, estes devem levantar hipóteses sobre a solução por meio de uma discussão. ▪ Elaboração do plano de trabalho: Hipóteses estabelecidas, deve-se discutir como será realizado o experimento. Em conjunto com os alunos, o professor discutirá o plano de trabalho, ou seja, materiais, montagem do experimento, coleta e análise de dados. Essa ação em conjunto visa mostrar para os alunos que nem todas as hipóteses podem ser testadas por meio da realização de um único experimento e que arranjos experimentais precisam ser elaborados. ▪ Montagem do arranjo experimental e coleta de dados: Esta é a parte de pôr a “mão na massa”, quando os alunos manipulam o material. Em seguida, é feita a coleta de dados. Nesse momento, o professor percorre os grupos, verificando se todos estão montando o material como combinado, e se estão coletando os dados e anotando de forma organizada, para o trabalho posterior. ▪ Análise dos dados: Por fim, professor e alunos analisam os dados do experimento para que possam fornecer informações sobre a questão-problema. ▪ A conclusão: Pode ser apresentada na forma de desenhos, vídeos, textos entre outros. A criança aprende ao fazer suas próprias conexões físicas com o mundo, por meio de explorações sensoriais, esforço pessoal, experiências sociais e busca ativa de significado a partir de experiências. Isso foi estabelecido pelas teorias de psicólogos e educadores como Froebel, Montessori, Isaacs, Steiner, Vygotsky e, posteriormente, Piaget e Bruner. (COLLINS; INSLEY; SOLER, 2001, p. 11) Vale destacar que o laboratório aberto pode ser também associado às saídas de campo (ou saídas de estudo) planejadas para complementar os conteúdos abordados em sala de aula. Essas saídas podem ser em trilhas ecológicas, museus, jardim botânico ou parques e os resultados podem ser apresentados em feiras de ciências na escola, por exemplo, no final do semestre letivo. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 14 6. Questões Abertas: São atividades que visam propor para os alunos fatos relacionados ao seu dia a dia, cuja explicação está ligada ao conceito discutido e construído nas aulas anteriores. Tais questões podem ser respondidas em grupos pequenos ou propostas como desafio para a classe, e as respostas podem ser discutidas no grupo maior com os alunos colocados em círculo, buscando que um complete a resposta do outro. O professor media o processo ao juntar informações no quadro conduzindo os alunos à resposta certa. 7. Problemas abertos: São atividades ou situações gerais apresentadas aos grupos ou à classe, nas quais se discute desde o início do processo até as possíveis soluções para a situação apresentada. A resolução de problemas abertos é uma atividade bastante demorada, por incluir diversos aspectos, por esse motivo, deve ser interessante e motivadora para o aluno, e de preferência envolver a relação Ciência/ Tecnologia/Sociedade. A atividade consiste em duas etapas: primeiro, os alunos vão enfrentar essa situação problemática de uma forma qualitativa, ou seja, buscando elaborar hipóteses, identificar situações de contorno e limites de suas hipóteses. Em seguida, passam para uma fase quantitativa em que vão realizar a resolução, verbalizando o que faz, analisa os resultados obtidos, confrontando com as hipóteses e as condições de contorno estudadas. É importante lembrar que as crianças apresentam experiências e habilidades linguísticas limitadas e que elas buscam significados em um mundo complexo. Segundo Vickery (2014, p.23), para participar plenamente, as crianças “precisam ampliar sua experiência ativa e encontrar maneiras de expressar sua curiosidade, de modo que consigam fazer conexões entre o conhecido e o ainda não conhecido.” Em todas as atividades que instiguem investigação, experimentação e aprendizagem ativa, dois fatores são cruciais: motivação e autoconfiança, já que essas características permitem que as crianças se envolvam ativamente como aprendizes em seu ambiente imediato e com novas ideias e habilidades (VICKERY, 2014). Outro fator crucial é o fato de o professor entender o potencial das crianças: ‘‘ Permitir às crianças se beneficiarem de suas próprias características e atitudes de aprendizagem positivas depende de nossas próprias convicções sobre as crianças e seu potencial. Um dos princípios globais do novo documento sobre educação infantil é que “[...] toda criança é uma criança única, que está constantemente aprendendo e pode ser resiliente, capaz, confiante e segura de si”. (UNITED KINGDOM, 2012, p. 3) ’’ Destaco, por último, que todas as atividades listadas acima precisam estar condicionadas ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Para isso, o professor pode utilizar os estágios de desenvolvimento propostos por Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 15 Piaget. Esse importante pesquisador considerava que o desenvolvimento cognitivo era inato, progressivo e relacionado com a idade. ‘‘ Utilizando uma série de experimentos, Piaget se convenceu de que as crianças progrediram em estágios, desde conceitos simples até complexos e desde modos de pensar concretos e abstratos. Ele acreditava que o movimento de um estágio para outro depende da “prontidão” inata da criança, ligada a faixas etárias específicas. Encarava as crianças como alunos que se envolviam na aprendizagem conectando as novas experiências com os conhecimentos anteriores, lidando com conceitos cada vez mais abstratos, à medida que elas amadurecem. Sua teoria de estágios percebia a evolução das crianças, movendo-se desde a dependência de trabalhar com objetos concretos até o envolvimento com representações simbólicas e pensamento abstrato. (VICKERY, 2014, p. 23) ’’ Portanto, em suas práticas pedagógicas, futuro professor(as), adapte os temas aos devidos estágios cognitivos das crianças para a obtenção da aprendizagem e fixação do conteúdo. 3. Experimentos: Requisitos Técnicos e de Segurança A aprendizagem em atividades experimentais deve ser precedida ou acompanhada de aulas teóricas. Falamos, também, da linguagem do professor, que deve ser simples e adequada ao grupo de alunos. Agora, vamos enfatizar a relevância da experimentação? Esta só é completa se a teoria, as demonstrações, o exercício prático e o experimento produzirem interação prazerosa entre o aluno e o aprendizado. Figura 8: Exemplo de atividades experimentais. Fonte: Dreamstime. Quando a experimentação ocorre no laboratório as atividades experimentais toma dimensões gigantescas e se torna de extrema valia aos professores. Mas é preciso saber como funcionam os laboratórios e como mantera segurança das atividades junto com as crianças. Mesmo sabendo do sucateamento dos laboratórios de muitas escolas brasileiras, especialmente públicas, em virtude da falta de investimentos Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 16 nesses equipamentos didáticos, a gestão escolar e os professores precisam entender que os laboratórios ajudam na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade. Segundo Cruz, (2007, p. 28) permite: • Desenvolve vários campos. • Testa e comprova diversos conceitos, favorecendo a capacidade de abstração do aluno. • Auxilia na resolução de situações-problema do cotidiano. • Permite a construção de conhecimentos e a reflexão sobre diversos aspectos, levando-o a fazer inter-relações. • Estimula o desenvolvimento das competências, as atitudes e os valores que proporcionam maior conhecimento e destaque no cenário sociocultural. • Estimula a alfabetização científica e tecnológica no processo de formação dos indivíduos. • Destaca a associação entre as diferentes teorias e o ensino experimental. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no seu Artigo 35, Inciso IV, diz: “É essencial a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina”. Assim, as escolas devem destinar um espaço físico para a construção de laboratórios pedagógicos, que devem ter Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade inseridos na proposta pedagógica, propiciando melhor organização dos conteúdos, de tal modo que sua inserção nas disciplinas possa promover a aquisição dos conhecimentos e consequentemente melhoria da qualidade de ensino. Para um bom planejamento pedagógico, as atividades experimentais podem e devem contribuir para o melhor aproveitamento acadêmico, assim, é necessário estabelecer regras e rotinas específicas para sua utilização, mantendo a segurança e se utilizando de maneira adequada dos recursos didáticos disponíveis. Vale salientar que, em tempos de novos contextos educacionais, se faz necessário que os laboratórios estimulem o aprendiz a se tornar cada vez mais inserido na produção do conhecimento e deixe de ser apenas um mero ouvinte. E como dito anteriormente, o professor não só tem o espaço do laboratório para fazer experimentos, as visitas em parques, zoológicos, fazendas, as trilhas, hortas e jardins são espaços que podem se tornar palco de diversas experimentações. Assim, tanto o laboratório como os demais espaços podem ter como objetivos: ▪ Demonstrar um fenômeno. ▪ Ilustrar um princípio teórico. ▪ Coletar dados. ▪ Testar uma hipótese. ▪ Desenvolver habilidades básicas de observação ou medida. ▪ Propiciar a familiarização com os instrumentos. ▪ Propiciar experiências com a luz e o som. ▪ Conhecer os hábitos alimentares e o modo de vida de determinadas espécies. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 17 Ainda segundo Cruz, (2007, p. 29): ‘‘ Há uma infinidade de ações e procedimentos a serem desenvolvidos em um laboratório, não apenas a observação em microscópios ou a mistura de reagentes químicos. Quando é feito um trabalho pedagógico coerente, em que o desenvolvimento do aluno é apreciado, as atividades didáticas passam a ter um perfil totalmente diferenciado. ’’ Agora, vamos falar um pouco sobre as instalações físicas de um laboratório escolar. Sabemos que um laboratório exige instalações adequadas e materiais próprios para que os usuários desenvolvam as atividades a contento. Segundo Cruz, (2007, p. 30), para que esse ambiente possa funcionar ativamente, precisamos observar vários aspectos: Iluminação: É importante que haja iluminação natural com janelas amplas. Ventilação: Deve haver uma boa circulação de ar, principalmente se, no ambiente, forem mantidos seres vivos. De preferência, munido de exaustores e extintores de incêndio, sempre observadas as condições de uso. Instalações: Tubulações de gás, parte elétrica e hidráulica, devem estar em boas condições, e a manutenção deve ser feita periodicamente. É preciso existir uma sala de preparação destinada a guardar reagentes e manter experimentos que estão em andamento junto ao laboratório. Sinalização: O laboratório deve ser sinalizado e os acessos desimpedidos de forma que permita uma evacuação rápida em caso de acidentes. Preferencialmente, devem estar situados em andar térreo, facultando o acesso de todos, inclusive de pessoas com deficiência. O laboratório poderá ser utilizado por qualquer turma, sem que haja interferência de outros alunos nos trabalhos em andamento, uma vez que muitos experimentos demandam alguns dias de espera. É interessante ter nas bancadas (quando há recurso) gás butano (gás de cozinha) canalizado para a realização de experimentos que utilizam fogo, além de tomadas de energia comum e estabilizadas. Móveis: Devem ser de fácil limpeza e baixa combustão. Deve haver pontos de rede para ligar computadores pois computadores poderão ser colocados nos laboratórios e ajudarão muito no desenvolvimento das aulas, principalmente para lecionar a parte teórica. Primeiros socorros: Deve ser mantida, dentro do laboratório, uma caixa de primeiros socorros. Resíduos: Devem ser colocados em cestos de material não combustível, evitando que materiais fiquem espalhados pelo chão. Etiquetas: Gavetas e armários devem ser etiquetados com o nome dos materiais que estão ali guardados, e os frascos com reagentes devem ser devidamente etiquetados e identificados. Materiais perigosos: Devem ficar em armários fechados. O local deve estar sempre limpo e organizado. Os cacos de vidro devem ser embrulhados antes de serem colocados no cesto de lixo e o pacote, etiquetado com a inscrição “cacos de vidro”. Orientações: Os estudantes devem ser orientados sobre os cuidados a serem tomados no manuseio de materiais, reagentes e seres vivos e sempre ler com atenção o rótulo de qualquer frasco de reagente antes de usá-lo. Pias: São importantes nas bancadas para a captação de água, assepsia das mãos, na lavagem das vidrarias e no descarte de determinadas substâncias. Vestimenta: Todas as pessoas no laboratório devem usar jalecos, feitos de algodão, óculos de proteção e sapatos fechados. Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 18 Cruz (2007, p.32) reforça que o laboratório é “um local de muito trabalho e muita concentração, no entanto, pode se tornar um local muito perigoso se for usado de forma inadequada por causa dos materiais e dos equipamentos existentes nele”. Acidentes nesses ambientes existem quando existe o desconhecimento das regras básicas de segurança ou falhas no preparo prévio de experimentos pelos alunos, portanto, a prevenção de acidentes na escola deve ser uma preocupação constante na gestão de todo diretor, pois, qualquer descuido ou falta de atenção, pode resultar em um acidente. Figura 9: Acompanhamento constante nas atividades de experimentos no ambiente escolar. Fonte: Dreamstime. Medidas devem ser tomadas para tornar o local o mais seguro possível, principalmente, para crianças do Maternal e Jardim de Infância, assim, veja algumas dicas da GEO on-line (2021) para garantir a prevenção de acidentes na escola. ▪ Brigas podem causar acidentes, como empurrões, arranhões, puxões de cabelo e mordidas. Os alunos devem ser separados e chamados para conversar com profissionais na escola, sendo orientados a buscar soluções por meio do diálogo. ▪ O professor deve orientar, de forma clara, como os alunos devem utilizar os materiais escolares e equipamentos e os riscos que possuem para serem utilizados de forma segura. ▪ Quando um vidro foi quebrado durante um experimento, por exemplo, seus estilhaços devem ser removidos imediatamente pelo professor e/ou técnico do laboratório, o pessoal da limpeza precisa ser chamado para remover estilhaços e as crianças removidas do local. ▪ Toda escola deve ter extintores de incêndio com validadee manutenção em dia. O corpo de bombeiros deve indicar a quantidade necessária de extintores e o tipo adequado para cada escola. ▪ Toda escola também precisa ter saídas de emergência bem sinalizadas, orientadas e sem obstáculos impedindo o seu acesso. Mas caso um acidente aconteça, professores, técnicos e alunos devem saber como agir. Assim, uma enfermaria com um profissional disponível Conteúdos e Metodologias no Ensino de Ciências Naturais 19 para atender as crianças é imprescindível. Outro destaque deve ser dado aos treinamentos de primeiros socorros que todos os profissionais da escola devem saber para atender uma criança em casos mais urgentes. Em casos extremos, como levar a criança a um hospital, a escola deve ter uma autorização no contrato escolar para esse deslocamento para evitar qualquer problema junto aos responsáveis. E assim para sintetizar, conversamos sobre a aprendizagem ativa por experimentação, falamos da importância de uma linguagem clara e acessível que o professor precisa desenvolver para ter um diálogo efetivo com os alunos. Em seguida detalhamos a importância da experimentação por meio de diversas metodologias com ilustração, descrição, investigação e prática. A escolha de cada atividade vai depender do assunto e do planejamento docente, mas saiba: toda atividade que vai além da teoria exerce um papel de significativa importância na vivência, experiência e aprendizagem do aluno. Finalizamos com um importante tema: a segurança. Em qualquer atividade interna ou externa à sala de aula, a segurança e integridade de alunos e professores é imprescindível, assim, quanto mais instrução, esclarecimento de regras e usos adequados de recursos menos acidentes estarão propícios a ocorrer no ambiente escolar. Referências BLOSSER, P. E. O papel do laboratório no ensino de ciências. Cad. Cat. Ens. Física, 5 (2), p. 74-78, 1988. Carvalho, A. M. P. Ensino de ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. CARVALHO, A. M. P. et al. Ciências no ensino fundamental: o conhecimento físico. São Paulo: Scipione, 1998. CARVALHO, A. M. P. et al. El papel de las Actividades en la Construcción del Conocimiento en Clase. 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