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Ensaios de 
Antropologia
Antropologia e Educação: Diálogos
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Edgar da Silva Gomes
Revisão Textual:
Profª. Ms. Rosemary Toffoli
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• Introdução
• Antropologia e Educação: uma relação complexa
• Estratégias de atuação segundo Dauster
Auxiliá-los na compreensão de algumas contribuições 
interdisciplinares no desenvolvimento dessa Ciência que, entre 
aproximações e conflitos, busca, através dessa abordagem, 
aprimorar e compreender o homem e questionar seu processo 
de aprendizagem por meio do respeito às culturas na relação 
positiva entre Antropologia e Educação. 
Antropologia e Educação: Diálogos
 
Atenção 
Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar 
as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 
• Dificuldades no caminho
• A possibilidade de um diálogo
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Contextualização
A questão interdisciplinar é um fato indispensável para as Ciências humanas. O homem é 
um ser complexo e sua complexidade não pode ser patrimônio exclusivo de um determinado 
tipo de saber. 
A relação Antropologia/Educação não é algo tranquilo, mas, apesar dos estranhamentos e 
dificuldades inerentes à relação não só com a educação, mas com a história e outras áreas de 
conhecimento, o saber antropológico pode ser enriquecedor para a reflexão pedagógica. 
Tomemos um exemplo como parâmetro dessa relação Antropologia/Educação para perceber 
como as ferramentas fornecidas pelos antropólogos nos ajudam a ver o mundo com um olhar 
crítico mais aguçado e menos preconceituoso, isso se devidamente aplicado pelos educadores 
os métodos e conceitos da antropologia. 
A escola culturalista com o método etnográfico é de fundamental importância para sabermos 
introduzir na educação uma visão menos homogeneizante do mundo e respeitar as diferenças 
culturais, pois tais diferenças estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. 
Para Pensar
faça um pequeno exercício: tente se colocar no lugar do estrangeiro, como, por exemplo, os bolivianos 
que buscam uma vida “melhor” em São Paulo, os quais, a todo o momento, são apontados nas ruas 
por serem “diferentes”. 
 
 Explore
Agora, veja algumas festas e fotos de comemorações da cultura boliviano. Tire a máscara do precon-
ceito e pense na riqueza e no aprendizado que podemos ter ao nos relacionarmos com o outro, sem 
tomar seu lugar ou mesmo impor a nossa visão de mundo a eles.
http://www.boliviacultural.com.br/
http://www.boliviacultural.com.br/ver_noticias.php?id=1454
http://www.revelacaoonline.uniube.br/cultura03/bolivia2.html
http://www.boliviacultural.com.br/ver_noticias.php?id=383
http://www.boliviacultural.com.br/
http://www.boliviacultural.com.br/ver_noticias.php%3Fid%3D1454
http://www.revelacaoonline.uniube.br/cultura03/bolivia2.html
http://www.boliviacultural.com.br/ver_noticias.php%3Fid%3D383
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Introdução
Alguns especialistas em antropologia e educação tem tentado dar uma cara a essa discussão 
– antropologia e educação – entre eles podemos citar alguns pesquisadores, como, por exemplo, 
Mauricio Rodrigues de Souza, Ana Luiza Carvalho da Rocha, Tânia Dauster, Neusa Maria Mendes 
de Gusmão, Ana Lúcia Valente, Gilmar Rocha, Sandra Pereira Tosta, além de contribuições 
valiosas de comunicações em encontros e revistas especializadas de pesquisadores que estão 
contribuindo e enriquecendo a discussão, entre eles, Eric Carlos de Mari, Clélia Aparecida 
Martins e Carlos Williams Jaques Morais. 
Não podemos falar em educação e antropologia sem levar em consideração uma questão 
cara às duas disciplinas e que estão cada dia mais em realce no mundo contemporâneo: a 
Cultura. Não que essa questão não tenha feito parte dos diálogos interdisciplinares propostos 
pela antropologia desde os culturalistas, mas é que, ultimamente, é impossível não entrar nesta 
questão de forma mais direta que o tenha sido num passado recente. 
E, mais do que a “questão” étnica hoje no mundo globalizado, precisamos estar atentos a 
outras formas culturais, que fazem e farão parte do nosso dia a dia, apesar das controvérsias 
que elas possam carregar em si. São expressões de grupos que vão se firmando como novas 
formas de cultura, seja de jovens que se identificam com um determinado “jeito de ser”, seja por 
“minorias” que pretendem se firmar como expressão cultural. Nesses quesitos, podemos citar a 
cada vez mais abrangente pesquisa sobre gênero, de grupos GLBT ou mesmo expressões que 
se “mundializaram” e que, via de regra, carregam cada vez um maior contingente de pessoas a 
assumirem determinadas posturas que começam a fazer parte de uma ”nova cultura” como os 
cosplays, passível de serem analisadas e inseridas como ponto de reflexão interdisciplinar em 
seus processos de desenvolvimento pelos antropólogos. 
Curiosidade: Cosplay é abreviação de “costume play” ou, ainda ,costume “roleplay” 
(ambos em inglês), que podem traduzir-se por “representação de personagem a 
caráter” (...) para referir-se à atividade lúdica praticada principalmente – mas não 
exclusivamente – por jovens e que consiste em fantasiar-se de algum personagem real 
ou ficcional, concreto ou abstrato – anime, comics, videojogos, mangas ou ainda de 
grupos musicais – acompanhado da tentativa de interpretá-los na medida do possível. 
Fonte: http://wikipedia.org/wiki/Cosplay
Trocando Ideias
Num contexto de enorme diversidade cultural, e em consideração com o tipo de educação oferecido 
nas escolas, onde todo saber está homogeneizado e se desconsidera o valor da diversidade cultural, 
em particular, do povo brasileiro, falar em uma antropologia da educação não será uma tarefa fácil. 
O que pretendemos neste caso é expor aos alunos alguns apontamentos para que esses percebam 
em sua prática cotidiana esta questão da educação e o papel que o antropólogo pode desempenhar 
para contribuir com uma educação mais inserida na realidade brasileira.
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Tratar dessas novas expressões não é nosso foco nesta unidade, mas serve para levantar 
questões sobre antropologia e educação que, no processo de afunilamento e homogeneização 
educacional globalizada, deve ser repensada com seriedade pelos pesquisadores, para que a 
educação e a cultura não se perca no processo de hiper-qualificação atual.
Antropologia e Educação: uma relação complexa 
O aparato teórico e metodológico no fazer de outros campos e áreas de 
saber, além de implementar o diálogo interdisciplinar, é uma tarefa que 
expõe a situação curricular em que a antropologia é inserida em diferentes 
cursos e áreas do conhecimento (...) especificamente, a realidade do atual 
dialogo entre antropologia e educação [2000-2008], bem como apreender 
possíveis avanços e limites na dimensão da existência de uma Antropologia 
da Educação no Brasil e dos objetos, dos métodos e dos temas que contempla 
(...) O que se apresenta (...) pelos múltiplos temas e abordagens, pelos 
projetos, pelas pesquisas e pelas experiências de ensino diz de um debate 
ainda em aberto em termos de uma antropologia da educação. No entanto, 
são ainda pequenos os esforços para se pensar criticamente as relações entre 
antropologia e educação, em razão das formas de apropriação da antropologia 
pelos outros campos e em razão de um humanismo que embota a visão e 
gera uma banalização do fazer antropológico, de seus conceitos centrais e 
de seus respectivos suportes teóricos. (Neusa Maria Mendes de Gusmão – 
Entrelugares: antropologia e educação no Brasil). 
Para a especialista no tema, Neusa Gusmão, ainda é preciso percorrer um bom caminho para 
se forjar essa relação entre antropologia e educação no Brasil. Como já mencionado acima, o 
diálogo entre antropologia e educação não é tarefa fácil e exige de partida, bastante cuidado em 
sua abordagem, primeiro por ser um tema em desenvolvimento, segundo por sabermos que as 
escolas antropológicas partemde pressupostos complexos de analise de seus objetos de estudo 
e a educação, por si só, é um tema bastante complexo e, ao se apropriar do fazer antropológico, 
pode gerar alguns conflitos com especialistas. 
Vamos tentar seguir alguns raciocínios de como a relação entre a antropologia e a educação 
tem se feito ao longo da história da educação. Para Tania Dauster, antropóloga e pesquisadora 
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, naquela universidade, “o professor deve 
articular ensino e pesquisa, atuando na pós e na graduação”. Ainda segundo a pesquisadora, 
não se trata de uma área nova de trabalho, onde autores consagrados da antropologia, pelo 
mundo, já deram sua contribuição para esse campo de pesquisa, ou seja, antropologia e 
educação. Ainda sobre esta observação, para não parecer contraditório, é no Brasil que as 
pesquisas estão sendo encaminhadas neste sentido, enquanto que, por exemplo, nos Estados 
Unidos, lá pelos idos dos anos 30 do século passado, Margaret Mead, fez da educação um 
objeto da antropologia, com enfoque em Cultura e Personalidade. 
9
Como nos aponta Dauster, sua obra clássica neste sentido foi 
o livro intitulado “Growing up in New Guinea”. Neste trabalho, 
Mead buscava entender aspectos da cultura de Nova Guiné, 
como valores, gestos, atitudes e crenças eram transmitidos pelos 
adultos às crianças, com “o objetivo de formá-las para viver 
dentro de sua sociedade”. Neste trabalho foi observado como 
era feita a transmissão do saber pelas gerações mais velhas aos 
seus descendentes, a formação da personalidade e as formas 
de aprendizagem utilizadas para se conseguir esse objetivo. 
Para Tânia Dauster, esse trabalho é importante – além de ter sido elaborado por um dos 
antropólogos americanos mais respeitados de sua época – pela forma como o trabalho foi conduzido, 
pois ao lado da dimensão cientifica, houve a preocupação pedagógica que Mead buscou em sua 
experiência etnográfica, “influenciar as atitudes em face de crianças e adolescentes no seu país, no 
sentido de uma menor repressão”. Para Mead as características dos adolescentes conhecidas por 
nós, “é um fenômeno sociocultural e não uma questão fisiológica”. (P. Erny, 1982. Apud, Dauster, 
T.). Por exemplo, enquanto na Nova Guiné, um adolescente acha importante ser mãe e deixar 
uma descendência, garotas americanas, normalmente estão entrando na universidade. 
A abordagem realizada por Maragret Mead tendo como objeto de pesquisa a Nova Guiné 
revelou as especificidades de uma cultura e sustentou a existência de “personalidades culturais”, 
num diálogo interdisciplinar com a psicologia e a psicanálise.
Seguindo ainda as indicações da professora Tânia Dauster em suas experiências de pesquisa, 
ela observa que existiu uma outra tendência investigativa, desde a Segunda Guerra Mundial, 
onde pesquisadores passaram a tomar,
as instituições educativas como palco de fenômenos culturais que podem ser 
examinados, segundo o enfoque antropológico. Acreditando ser este um caminho 
de acesso aos valores abrangentes da sociedade, dada à transmissão de valores, 
própria do sistema escolar, examinando os conflitos de cunho cultural que ocorrem 
na sociedade, ou ainda, investigando os processos de aprendizagem e os efeitos 
do ensino em contextos pluriculturais (P. Bonte e M. Izard, 1991. Apud, Dauster, T.)
A Escola Sociológica Francesa, segundo Dauster, nos apresenta Pierre Bourdieu, que trabalha 
com a noção de habitus em vistas do processo educativo, “que, por intermédio de sua teoria, 
surge, de forma dinâmica, como inculcação de disposições duráveis, matriz de percepções, juízos 
e ações que configuram uma ‘razão pedagógica’”, ou seja, são como uma lógica e estratégias 
que uma cultura desenvolve para transmissão de seus valores às gerações futuras. 
Trocando Ideias
O conceito de habitus foi desenvolvido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu com o objetivo de por 
fim à antinomia individuo/sociedade dentro da sociologia estruturalista. Relaciona-se à capacidade 
de uma determinada estrutura social ser incorporada pelos agentes por meio de disposições para 
sentir, pensar e agir. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Habitus
OLPC - Flickr.com
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
 Para Dauster, essas escolas sinalizam ângulos pelos quais pode haver uma relação entre a 
antropologia e a educação articulando seu trabalho na graduação e pós-graduação da PUC-RJ. 
Apesar de ter havido transformações histórico-teóricas, desde que Claude Lévi-Strauss definiu o 
que é antropologia e os problemas do ensino. Segundo Dauster, Lévi-Strauss apontou o legado 
da antropologia para o ensino,
Ao definir o que é antropologia, Lévi-Strauss explica que ela emerge 
de uma forma especifica de colocar problemas, a partir do estudo das 
chamadas sociedades simples, tendo no seu desenvolvimento voltado-
se para a investigação das sociedades complexas, com o sentido de 
entender a cultura e a vida social. Uma das vias para a construção deste 
conhecimento é a etnografia concebida como descrição, observação, 
trabalho de campo a partir de uma experiência pessoal. Segundo o 
mesmo autor, o antropólogo visa elaborar a ciência social do observado, 
a partir deste ponto de vista, ultrapassando suas próprias categorias. 
Construindo um conhecimento fundado na experiência etnográfica, na 
percepção do “outro” do ângulo de suas razões positivas e não de sua 
privação, buscando o sentido emergente das relações entre sujeitos, ele 
estaria transpondo suas próprias referências como aquelas do contexto 
observado. (DAUSTER, Op. cit.).
Para Dauster esse é um legado da antropologia para a educação, “é este outro olhar, 
esta forma alternativa de problematização dos fenômenos que busco evocar, a princípio, 
no uso da etonografia dentro do campo da educação”. Portanto, como podemos perceber, 
no Brasil entre as pesquisas realizadas e utilizadas para fazer o diálogo antropologia-
educação está o método etnográfico. Mas ainda segundo a pesquisadora, não é tão 
simples assim, porque não basta reduzir a etnografia a uma simples técnica. É necessário 
tratar esse método de investigação como “uma opção teórico-metodológica ancoradas 
nas perguntas provenientes da teoria antropológica”, a citação para justificar esse ponto 
de vista se faz pertinente na colocação de Peirano – apud Dauster – “que insiste em que 
não existe dissociação entre pesquisa teórica e empírica, sendo a história da disciplina ao 
mesmo tempo história e teoria, e as monografias constitutivas do próprio desenvolvimento 
da disciplina e da teoria antropológica”. 
 
 Atenção
Dauster lembra que a postura de base antropológica visão entendimento das diferenças culturais 
ou da alteridade, a partir de um projeto universalista. Como diz Peirano, neste mesmo ensaio, a 
antropologia pretende não só o conhecimento contextualizado de cada universo cultural, mas, nos 
seus horizontes universalistas, supõe que o que se encontra em uma dada cultura estará em outra, 
embora de forma distinta. 
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Como então conciliar a antropologia que privilegia os estudos das diferenças culturais com um 
projeto educacional de intervenção na realidade? Para Dauster, o ensino da antropologia deve 
permitir ao educador apreender outras relações e posturas, e absorver da literatura antropológica o 
máximo que puder, pois esta é uma outra linguagem e suas ferramentas podem auxiliar o educador 
a perceber outras dúvidas sobre os fenômenos tidos como educativos, não apenas dentro do 
ambiente escolar, mas aquilo que está fora. Assim, o diferente passa a ser visto com outros olhos e 
não como inferior; outras culturas podem também proporcionar assim, novos aprendizados, novas 
abordagens na forma de educar, ou seja, não se “privatiza a cultura”, destruindo estereótipos a 
partir de novas referencias, “buscando entender uma outra racionalidade nos seus termos. Esta 
atitude de estranhamento visa, por meio da analise de relações sociais concretas, o questionamento 
de categoriasabstratas e o conhecimento mais complexo da realidade” (DUSTER, Tânia. op. cit.). 
Trocando Ideias
Recordando: A etonografia (do grego ethno -> nação, povo e, graphein -> escrever) é por excelência 
o método utilizado pela antropologia na coleta de dados. Baseia-se no contato intersubjetivo entre 
o antropólogo e o seu objeto, seja ele uma tribo indígena ou qualquer outro grupo social sob o qual 
o recorte analítico seja feito. Exemplos famosos de etnografias contemporâneas são: Xamanismo, 
Colonialismo e o homem selvagem, de Michael Taussig e Os Araweté: Os Deuses Canibais de 
Eduardo Viveiros de Castro. http://www.pt.wikipedia.org/wiki/etonografia
Estratégias de atuação segundo Dauster
A proposta de trabalho de Tânia Dauster passa pelo conhecimento e qualificação do profissional 
que está desempenhando o papel de utilizar a antropologia com ferramenta na educação, 
citando Clifford Geertz (1978), que diz que, “o entendimento do que é uma ciência passa pelo 
conhecimento de seu exercício”, ela chegou a conclusão de que, segundo a orientação de Geertz, 
como proposta de ensino o trabalho intensivo sobre as práticas de investigação 
etnográfica, conhecendo diretamente autores e suas monografias, discutindo 
escolhas, trabalhando conceitos forjados no âmbito da disciplina, no contexto 
da obra dos autores, com particular destaque para as definições de cultura. 
(DAUSTER, Tânia. op.cit.).
Ou seja, a antropologia, na visão da pesquisadora, e na nossa, oferece uma forma 
eficiente e privilegiada para a pesquisa dos educadores, ou seja, o método etnográfico, da 
escola culturalista, que ajuda a repensar casos de conceitos sobre educar muito fechados, 
principalmente no mundo globalizado, que ao invés de perceber e trabalhar as diferenças 
tem a tendência/tentação de homogeneizar o processo educativo, correndo o perigo de não 
quebrar barreiras de entre as culturas forjados pela ignorância sobre a cultura do “outro”. 
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Este espaço – o diálogo entre antropologia e educação - é muito importante para a sociedade 
contemporânea, pois pode trazer à luz discussões necessárias, como por exemplo, a 
complexidade das relações entre as culturas, provocados por fenômenos como a globalização. 
Para Dauster também se deve “acrescentar outras discussões sobre o trabalho de campo em 
uma perspectiva dialógica1, investindo-se nas polêmicas sobre a descrição etnográfica”.
Nesta lógica, é necessário, para haver um diálogo pertinente entre antropologia/educação, 
além do conhecimento da literatura antropológica, de seus métodos, conceitos e teorias sobre 
sociedade e cultura, colocar em prática este aprendizado. Na experiência de Dauster, “os 
trabalhos se passam no meio urbano, e vêm buscando a ótica da antropologia das sociedade 
complexas”. Segundo Gilberto Velho (1980), “as grandes cidades são reveladoras da 
complexidade institucional e de heterogeneidade oriunda de diferentes tradições culturais 
ou religiosas e daquela proveniente do mundo do trabalho”. Esta observação confirma a 
riqueza que esse diálogo pode proporcionar à sociedade, valorizando os aspectos dinâmicos 
e relacionais entre as culturas. 
Dificuldades no caminho 
Apesar da tentativa cada vez maior de aproximar antropologia e educação, se faz necessário 
observar que para se superar processos mais “universalizantes e democráticos”, com tantas 
mudanças na sociedade que não estão resolvidas e que renascem com mais intensidade nos 
contextos em transformação, “o interesse central é trazer o aluno da pedagogia para uma 
aproximação no campo teórico da antropologia, que lhe é inteiramente desconhecido (...) 
por outro lado [o antropólogo] também desconhece o itinerário da antropologia no campo da 
educação” (Gusmão, 1997). Este desconhecimento mútuo é caracterizado pelo descaso em 
fazer da educação um campo privilegiado de suas pesquisas. 
 Há, portanto, um distanciamento. Gusmão argumenta que uma das causas para este 
distanciamento é, “uma certa distorção de visão de que somos todos acometidos e que nos leva 
a considerar a prioris e/ou criticas insuficientes, deixando de entender a constituição da ciência 
de que somos herdeiros”, mais ainda, 
Trocando Ideias
Num contexto de enorme diversidade cultural, e em consideração com o tipo de educação oferecido 
nas escolas, onde todo saber está homogeneizado e se desconsidera o valor da diversidade cultural, 
em particular, do povo brasileiro, falar em uma antropologia da educação não será uma tarefa fácil. 
O que pretendemos neste caso é expor aos alunos alguns apontamentos para que esses percebam 
em sua prática cotidiana esta questão da educação e o papel que o antropólogo pode desempenhar 
para contribuir com uma educação mais inserida na realidade brasileira.
1 - Dialógico: que pretende provocar discussão, debate, diálogo. Fonte consultada: http://www.dicionarioinformal.com.br/dial%C3%B3gico/
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ser herdeiros não nos torna culturalistas, acríticos ou conservadores, mas 
exige que reconheçamos que o conhecimento, como ciência, não nasce e 
morre dentro de um tempo determinado, senão se alimenta do que existe 
antes dele e fornece alimento ao que lhe sucede, sem nunca deixar de existir 
como referência.(Gusmão, 1997). 
 
Gusmão defende o resgate do que está na origem da relação entre antropologia e educação, 
como por exemplo, a escola culturalista americana representada por Franz Boas, que pensava 
a educação como meio de transmissão da cultura, ou seja, defendia a relação antropologia/
educação, ao invés de fomentar preconceitos entre as ciências por falta do conhecimento. 
 
Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, 
sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo 
a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, 
a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo 
homem como membro da sociedade”. Em Roma, na língua latina, seu antepassado 
etimológico tinha o sentido de “agricultura” (significado que a palavra mantém 
ainda hoje em determinados contextos), como empregado por Varrão, por exemplo. 
Cultura é também associada, comumente, a altas formas de manifestação artística e/
ou técnica da humanidade, como a música erudita europeia (o termo alemão “Kultur” 
– cultura – se aproxima mais desta definição). Definições de cultura foram realizadas 
por Ralph Linton, Leslie White, Clifford Geertz, Franz Boas, Malinowski e outros 
cientistas sociais. Em um estudo aprofundado, Alfred Kroeber e Clyde Kluckhohn 
encontraram pelo menos 167 definições diferentes para o termo cultura. 
Seguindo esse raciocínio, a relação entre educação e cultura é fundamental, e, porque não 
dizer, um elemento fundante, para que esta relação se dê de forma a superar preconceitos e 
elevar o nível da relação ao patamar cientifico, com métodos e conceitos que signifique ganho 
para as duas ciências humanas. A cultura é o que está na base das sociedades humanas. Para 
Brandão, “a educação é uma dimensão, uma esfera interativa e interligada a outras, um elo, 
uma trama na teia de símbolos e saberes (...) de instituições que configuram uma cultura”. 
 
A possibilidade de um diálogo
Para adentrarmos a esta analise, usaremos basicamente os textos e comentários das 
pesquisadoras da Unicamp Neusa Maria Mendes de Gusmão e Janirza Cavalcante da Rocha Lima 
da FUNDAJ, outra referência nas pesquisas sobre o “diálogo” entre a antropologia e a educação.
Assim como na história, a interdisciplinaridade realizada entre a antropologia e a educação não 
está isenta de conflitos e desconfianças. Mas, as diferenças podem ser superadas se respeitados 
os limites de cada uma das ciências no que elas podem oferecer de “ferramentas” de analise à 
outra, neste caso especifico a antropologia e a educação. Segundo Gusmão,
14
Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Antropologia e educação constituem hoje, um campode confrontação 
em que a compartimentação do saber atribui à antropologia a condição 
de ciência e a educação, a condição de prática. Dentro dessa divergência 
primordial, profissionais de ambos os lados se acusam e se defendem com 
base pré-noções, práticas reducionistas e muito desconhecimento. Muitas 
coisas separam antropólogos e educadores, mas muitas outras os une (...) o 
que há de comum e de diferente em ambas as áreas com base na existência 
de um diálogo do passado que possibilite um diálogo futuro. Considera-
se assim, a possibilidade de superação dos preconceitos e, neste sentido, 
apontar para um avanço do conhecimento. (Gusmão, 1997).
 É difícil, de partida, o ato de se colocar no “lugar do outro”, e, neste caso, é uma aventura 
complicada, se não for bem fundamentada. 
 
 Atenção
Faça um pequeno exercício, tente se colocar no lugar do estrangeiro, como por exemplo, os bo-
livianos que buscam uma vida “melhor” em São Paulo, e que a todo o momento é apontado na 
rua por ser “diferente”. 
O papel do educador no diálogo com a antropologia não pode prescindir de lições como as 
elaboradas na escola culturalista, ou seja, por Malinowski, que aponta caminhos metodológicos 
a serem seguidos, onde o pesquisador deve se colocar no lugar do outro e enxergar o mundo 
com o “olhar do outro”, como também propunha Geertz. 
Sendo assim, este seria um obstáculo não muito complicado de ser transposto, se repito, 
“o outro” buscar conhecer melhor o que lhe é estranho e com isso se beneficiar do diálogo 
interdisciplinar para enriquecer seu conhecimento. Gusmão salienta que “A ciência como 
conhecimento é movimento que se constrói, define-se e redefine-se vinculada ao contexto 
histórico que a origina”. Se, neste contexto em que vivemos, a possibilidade de se enriquecer 
mutuamente faz parte da atualidade das ciências, por que não haver o diálogo. Afinal ainda 
parafraseando Gusmão, “não se faz ciência do nada”. 
Este diálogo não é uma “novidade” dos anos setenta, como já comentamos acima, Margaret 
Mead, nos Estados Unidos, fez ótimo trabalho ao analisar a educação da população da Nova 
Guiné que a levou a considerar a educação como parte da cultura/aprendizado desse povo. O 
que não é mais possível fazer, ainda hoje, é tentar instrumentalizar uma ciência em vantagem de 
outra. No tempo medieval isso foi possível em relação, principalmente, à teologia subordinando 
outros saberes, onde, na dúvida, a “razão teológica” estaria no controle, como se esta tivesse 
a palavra, a razão a priori. O diálogo hodierno requer o conhecimento interdisciplinar com os 
outros saberes e uma aplicação correta de métodos e conceitos, como por exemplo, a cultura de 
uma determinada sociedade.
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 Atenção
Cultura -> Antropologia - esta ciência entende a cultura como o totalidade de padrões apren-
didos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Tylor, sob a etnologia 
(ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui 
conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo 
homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de 
organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a 
partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo. 
Fonte: http://wikipedia.org/wiki/cultura
 
Gusmão cita, nessa relação necessária entre antropologia e educação, um dos mais eficazes 
meios, a meu ver, de fazer esse diálogo se tornar profícuo, que é a intersecção da cultura, conceito 
muito trabalhado – e nem por isso pouco polêmico - na antropologia. A educação está presente 
na vida, é da natureza humana, precisamos ser “educados” para a vida. Brandão, diz que:
Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de 
um modo ou de muitos todos nos envolvermos pedaços da vida com ela: 
para aprender, para ensinar para aprender e ensinar. Para saber, para fazer, 
para ser e para conviver todos os dias misturamos a vida com a educação. 
Com uma ou com várias: Educação? Educações. E já que pelo menos por 
isso sempre achamos que temos alguma coisa a dizer sobre a educação que 
nos invade a vida, porque não começar a pensar sobre ela com o que uns 
índios uma vez escreveram? (Brandão, 2007: p 7-8).
 
O dialogo Antropologia/Educação é, segundo Gusmão, “espaço para debate, reflexão e 
intervenção, que acolhe desde o contexto cultural da aprendizagem, os efeitos sobre a diferença 
cultural (...) até os sucessos e insucessos do sistema escolar em face de uma ordem social em 
mudança”. A antropologia no passado e no presente, ainda segundo Gusmão, está preocupada 
com o universo das diferenças e práticas educativas. Para Galli (Apud. Gusmão), tais questões 
fazem convergir os estudos da cultura, no caso da antropologia, e dos mecanismos educativos, 
no caso da pedagogia, o que possibilita uma “antropologia da educação”. 
Na historia ocidental, antropologia como ciência e pedagogia prática, justificaram o 
colonialismo, onde o diferente esteve sob controle do dominador, onde a diversidade caminha 
para a homogeneidade, “vinculadas e determinadas pela lógica impositiva dessa história comum, 
defrontam-se ambas com o desafio de resgatar e redimensionar o universo das diferenças”, 
referindo-se aos antropólogos, Carvalho (1989), diz que [hoje], “exige renovar a visão de 
mundo e das coisas”. Seguindo essa lógica, o diálogo antropologia / educação pode saldar uma 
dívida histórica com a sociedade e a cultura.
Franz Boas foi revolucionário no sentido de deixar para trás grande parte do preconceito 
existente no pensamento antropológico e porque não dizer também pedagógico, ao questionar 
o pensamento evolucionista, cujo mestre, L. Morgan, era o principal expoente. Para Boas,
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
A possibilidade de que a história da humanidade não tenha seguido um 
único caminho e direção (...) como história múltipla e variada, elimina o viés 
do pensamento evolucionista etnocêntrico (...) mostra a imensa riqueza do 
social humano e a natureza da cultura como não determinada biologicamente. 
A cultura, e não a biologia, torna-se referência para pensar as diferenças e 
compreende-las em suas bases constitutivas (...) possibilita também a crítica 
aos valores liberais e de igualdade postos pelo campo político do século XIX, 
como modelo autocentrado para as sociedades humanas e suas instituições, 
entre elas, a escola e seu modelo pedagógico ocidental. 
Nesta linha de contestação do modelo institucional escolar ocidental, podemos citar mais uma 
vez Margaret Mead e seu estudo sobre a cultura de Nova Guiné, mostrando as possibilidades 
de educação. Boas, foi um duro critico do sistema de educação americano de sua época, por 
ser um sistema ideológico que confirma a dominação e reprodução de uma sociedade centrada 
na ideia de liberdade, mas com uma prática educativa de cunho conformista e coercitivo, no 
intuito de moldar os sujeitos sociais adequados ao sistema produtivo, ideologizando o modelo de 
cidadão. Pois, para Boas, a diversidade social era desrespeitada no modelo político americano, 
baseada no evolucionismo.
O culturalismo de Boas e o funcionalismo de Malinowski, pais fundadores da etonografia, 
sistematizadores dos caminhos pelos quais “o pesquisador deve ele mesmo efetuar no campo a 
própria pesquisa” (Laplantine, 1987, p. 75). O trabalho de campo, ainda segundo Laplantine, se 
torna a própria fonte de pesquisa e a condição modular da antropologia, fazendo-se ciência da 
alteridade, onde o outro tem sua lógica particular de cultura respeitada. No campo da educação 
as alunas de Boas, Ruth Benedict e Margaret Mead dedicaram-se ao campo da educação e a 
diversidade cultural que este abarca vista por diversos ângulos, contribuição salutar para que o 
diálogo antropologia/educação não seja deixado para segundo plano.
Outros antropólogos quediscutiam a escola e a educação neste mesmo período formam M. 
Herskovitz, R. Redfield e C. Kluckhol, críticos dos “testes de inteligência” e da visão etnocêntrica 
da organização escolar muito em voga nos anos 30 e 40 do século passado, o que dificultava 
a integração cultural no âmbito do ensino, entre outras criticas direcionadas a forma de 
educação. 
Para os antropólogos as práticas educativas sempre foram uma preocupação, afinal uma 
cultura só sobrevive se for repassada para as gerações futuras, mesmo que com suas adaptações 
e modificações naturais, realizadas pelas gerações mais novas, devidas ao encontro entre as 
culturas. A educação é um dos elementos responsáveis pela manutenção de certas peculiaridades 
de uma cultura em relação à outra. 
Para Rocha Lima, “a importante questão interdisciplinar no âmbito das Ciências Sociais 
encontra, na relação entre Educação (o campo educacional) e Antropologia, talvez a 
mais profícua das experiências interdisciplinares hoje existentes”, para a pesquisadora 
a antropologia está influenciando inúmeras experiências de profissionais da educação, 
assim como a forma de abordar os temas que são importantes para a experiência deste 
profissional (da educação).
17
Trilhar novos caminhos pressupõe ultrapassar umbrais para um percurso 
iniciático, uma porta entreaberta que convida ao devaneio, à imaginação 
criadora ou, às vezes, percorrer inusitadas veredas nas instigantes 
encruzilhadas da vida profissional. Desnudar a presença da Antropologia nos 
fenômenos educacionais analisados pelos profissionais da Educação (...) é 
entender que ali se encontra expressado, de forma inequívoca, as interfaces, 
os diálogos possíveis estabelecidos com a Antropologia.
Para Edgar Morin, “os setores especializados do saber são compartimentados e fecham-se em 
um domínio, muitas vezes delimitado de maneira artificial, ao passo que deveriam estar unidos 
em um tronco comum e se comunicar entre si” (Morin, 2003, p.149, Apud. Rocha Lima), Para 
essa pesquisadora, tem brotado nos últimos anos esforços no sentido de se estreitar o diálogo, no 
Brasil, entre a Antropologia e a Educação, como por exemplo, nos encontros acadêmicos bianuais 
de educação realizados no Norte e Nordeste. Nesses encontros são apresentados avanços, além 
de se dirimirem dúvidas teóricas e metodológicas e o “lugar conferido à interdisciplinaridade no 
campo da pesquisa educacional”.
 Para Gusmão,
A relativização dos saberes e as conexões entre saberes diversos só se 
fizeram em razão das experiências vividas e da integração no mundo e na 
cultura de cada um. A exigência, portanto, de se pensar um saber e uma 
aprendizagem diversa, porém de igual valor, coloca em vigência uma ética no 
fazer antropológico e lhe dá uma dimensão política afinada com seu tempo 
(...) a perspectiva de que o homem não apenas vive, mas que, ao viver, 
questiona, cria sentidos, valores, mitos, artes e ideologias, que ordenam 
sua compreensão de mundo, revoluciona o fazer etnográfico, pois impõe o 
trabalho empírico, de campo, como fundamental na compreensão de outros 
povos e de nós mesmo. (Gusmão) 
É desta forma que ao trazer para a realidade da escola este sentido de inserir-se na vida da 
comunidade que ela representa é que pode se fazer da educação algo real para quem educa 
e quem aprende, mas reafirmamos que esse inserir-se deve obedecer a métodos e teorias 
adequados, e a antropologia neste fazer interdisciplinar pode colaborar com a educação.
Em Síntese
O objetivo desta unidade não é esgotar um tema inesgotável como a questão da interdisciplinaridade. 
A antropologia neste sentido pode ser uma das protagonistas do diálogo “interciências” oferecendo 
ferramenta de analise teórico-metodológica adequada para educação, principalmente através dos 
estudos culturais. 
Vimos também que neste percurso a relação nem sempre é harmoniosa, mas como tudo na vida, as 
ciências humanas, precisa superar obstáculos que se impõe para encontrar senão o melhor caminho, pelo 
menos o mais adequado para fazer o que é seu sentido último, melhorar a vida e a relação das pessoas.
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Material Complementar
Para aprofundar as discussões apresentadas na unidade: Antropologia e Educação: Diálogos.
O intuito deste material é levá-lo a refletir sobre os interesses políticos que podem suplantar 
interesses educacionais em que a pedagogia está a serviço do poder. Para isso, anexei o link do 
filme “A Missão”, bem como uma ótima resenha. 
 
Relatório do filme “A Missão” 
Por: Stela Renata de Lima Camara
Dirigido por Roland Joffé e escrito por Robert Bolt, o filme A Missão é uma obra inglesa de 1986, 
baseada em fatos reais, e trata da época da expulsão dos jesuítas do reino português devido à crise 
nas relações entre Coroa portuguesa e a Companhia de Jesus. 
Irmão Gabriel (Jeremy Irons) é um padre jesuíta designado à Missão de São Carlos, logo depois 
da morte de um padre. No meio dos índios guaranis, desarmado, ele é aceito por aquele povo 
por conta da música que tira do seu oboé, e levado até onde residem. Lá ele reinicia o trabalho de 
evangelização dos índios. 
Rodrigo Mendonza (Robert De Niro) é um mercador de escravos, cuja vida é mudada completamente 
após cometer um crime passional: tira a vida do próprio irmão, Felipe Mendonza (Aidan Quinn), 
por conta de uma mulher, Carlotta (Cherie Lunghi). Como se tratou de um duelo, ele permanece 
em liberdade. Todavia, movido pelo sentimento de autopunição, exila-se por conta própria em um 
mosteiro. Entretanto, aceita o convite do irmão Gabriel para retornar com ele à Missão de São Carlos 
– ou seja, a estar do lado daqueles “seres” que antes caçava. Com o passar do tempo, o convívio 
com os índios vai transformando Mendonza, a ponto de ele se tornar um jesuíta. 
Os jesuítas são convocados a defender sua permanência numa corte, que seria analisada por Altamirano 
(Ray McAnally), funcionário da Coroa portuguesa. O território ocupado pelas missões está em vias de 
passar a pertencer aos espanhóis: que podem escravizar os índios, ao contrário dos portugueses. 
Antes de dar seu parecer final, Altamirano decide visitar as missões para conhecer o trabalho dos 
jesuítas na América do Sul. Ele visita várias missões e, em meio a uma indecisão, irmão Gabriel o 
convida a conhecer a Missão de São Carlos. 
Todavia, o destino das missões já estava traçado antes da corte ser iniciada: os jesuítas deveriam 
retirar-se do território ou serem massacrados por um exército. Todas as tentativas de persuadir os 
índios de se retirarem das missões são malogradas e, na missão de São Carlos, Mendonza abdica de 
seu voto de obediência jesuítica para liderar uma resistência. Irmão Gabriel opõe-se e decide ficar 
na missão sem lutar. 
No final, todos são dizimados: tanto o valente Mendonza – que recebe o primeiro tiro, tentando salvar 
a vida de algumas crianças –, quando o pacato irmão Gabriel – que é morto com o corpo de Cristo em 
suas mãos. E assim se faz a vontade dos homens, que se julgam os porta-vozes da vontade de Deus. 
Enfim, muitos falam das missões jesuíticas apenas por seu caráter evangelizador, no seu papel na 
quebra da identidade indígena. Mas o que moveu a Coroa portuguesa a expulsar os jesuítas não 
foi a preocupação com os índios, é óbvio, e, sim, questões políticas. Após a descoberta do Novo 
Mundo, os habitantes do paraíso só podiam ter três destinos: perder seus costumes e crenças para 
uma nova cultura, em nome de Deus; serem escravizados como animais selvagens; ou serem 
dizimados pelos colonizadores.
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Referências
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CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.
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In: Brandão, Z. (Org.) A crise dos paradigmas e a educação. São Paulo: Cortez, 1994.
_____. Construindo pontes – a prática etnográfica no campo da educação. In.Dayrell, 
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_____. Um outro olhar: entre a antropóloga e a educação. Cadernos CEDES, campinas, 
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ERNY, P. Etnologia da Educação. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
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VELHO, G. O antropologo pesquisando em sua sociedade: sobre conhecimento e heresia. 
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Janeiro: Campos, 1980.
____ Projeto e metamorfose – antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.
Artigos em sites especializados:
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http://www.scielo.br/scielo.php%3Fpid%3DS0101-32621997000200002%26script%3Dsci_abstract%26tlng%3Dpt
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Unidade: Antropologia e Educação: Diálogos
Anotações
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