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Pergunta 2 Questão 9 TOMO XV Leia os textos a seguir. Texto I Miguel e Laura, duas crianças de nove anos de idade, voltaram da aula de educação física e acomodaram-se em uma carteira da sala de aula. Ambos se sentaram tortos, com má postura, mas a professora repreendeu apenas Laura, dizendo-lhe que “menina não pode se sentar de pernas abertas”. No entanto, não disse nada a Miguel. Laura protestou veementemente, em repúdio ao tratamento diferente dado pela professora a seu colega Miguel, e sua reação acabou fazendo com que a professora encaminhasse Laura à diretoria da escola, onde foi feito um registro de advertência por mau comportamento. Texto II No domínio da objetividade das ciências naturais, o corpo humano é compreendido como matéria resultante de uma organização social que constitui a individualidade. Já no domínio da subjetividade, trata-se de um corpo-sujeito afetado por diversos marcadores interseccionais (religião, classe social, gênero, cor/raça/etnia e geração) e ideológicos. Assim, os corpos são concebidos e representados de acordo com a cultura e compreendidos como resultado de diversas intervenções e interpelações em determinadas épocas e lugares impondo limitações, autorizações e obrigações para além das condições fisiológicas. O corpo, portanto, é resultado das concepções de determinada sociedade modificando-se mediante transformações no contexto. A cultura "se faz corpo" com práticas de atividades automáticas e habituais, dentre as quais se incluem as relativas à sexualidade: neste ínterim, a domesticação e a normatização do corpo feminino têm de ser reconhecidas como estratégias de controle social. Tais opressões estão em frequente manutenção, pois existe uma busca contínua por um ideal de feminilidade que exige das mulheres (independentemente de suas características interseccionais) mudanças constantes em seus corpos visando a uma padronização dos “corpos dóceis”, no sentido utilizado pelo filósofo francês Michael Foucault. (...) Mas a sujeição das mulheres nas relações entre os gêneros corresponde “à divisão sexual dos papéis sociais e culturais, impostos distintamente aos homens e às mulheres, inicialmente pelas diferenças biológicas, que deram respaldo a todas as outras discriminações em razão do sexo”. No mesmo sentido, Aquino e Kontze argumentam que as relações de poder entre os gêneros se assentam a partir de uma perspectiva androcêntrica e patriarcal que valoriza a masculinidade. TÍLIO, R. et al. Corpo feminino e violência de gênero: uma análise do documentário “Chega de fiu-fiu”. Psicol. Soc. 33, 2021 (com adaptações). Texto III Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/704878/6/. Acesso em: 12 ago. 2024. Na área da Educação e Sexualidade, para construir uma prática pedagógica que promova, a partir do respeito às diferenças, transformações no sentido da igualdade de gênero e da elucidação dos fenômenos envolvidos em questões relativas a sexo e sexualidade, espera-se que a escola incorpore transversalmente o conceito de gênero nos diferentes componentes do currículo. Para tanto, a escola não pode ignorar que o corpo representa, para além da própria corporeidade em si, um construto muito importante que serviu, historicamente, para diferenciar, controlar e reduzir as potencialidades dos sujeitos. Nesse sentido, em conformidade com uma visão mais justa e atual, a escola não pode perder de vista o fato de que o corpo: a. deve ser modificado de acordo com o que determinam a moda e os códigos de gênero socialmente vigentes. b. deve obedecer à ideia de que certos gêneros e comportamentos sexuais são preponderantes ou mais adequados do que outros. c. precisa estar livre da ideia de papéis limitadores e impostos pelo meio social. d. expressa nossa individualidade, funcionando como elemento primordial de expressão de nossas potencialidades, de acordo com os ditames da sociedade na qual o sujeito está inserido. e. é mais produtivo socialmente segundo suas potencialidades hormonais, seu vigor e sua força física.
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Miriam Pereira

há 2 meses

Respostas

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há 2 meses

Vamos analisar cada alternativa em relação ao contexto apresentado nos textos: a. deve ser modificado de acordo com o que determinam a moda e os códigos de gênero socialmente vigentes. - Falso, essa afirmação sugere que o corpo deve se adaptar a padrões externos, o que vai contra a ideia de liberdade e igualdade de gênero. b. deve obedecer à ideia de que certos gêneros e comportamentos sexuais são preponderantes ou mais adequados do que outros. - Falso, essa afirmação reforça a hierarquia entre gêneros e comportamentos, o que não é compatível com a promoção da igualdade de gênero. c. precisa estar livre da ideia de papéis limitadores e impostos pelo meio social. - Verdadeiro, essa afirmação está alinhada com a proposta de promover igualdade de gênero e liberdade em relação a papéis sociais. d. expressa nossa individualidade, funcionando como elemento primordial de expressão de nossas potencialidades, de acordo com os ditames da sociedade na qual o sujeito está inserido. - Falso, essa afirmação sugere que a expressão da individualidade é condicionada pelos ditames sociais, o que não é o foco da proposta de igualdade de gênero. e. é mais produtivo socialmente segundo suas potencialidades hormonais, seu vigor e sua força física. - Falso, essa afirmação reforça uma visão reducionista e biológica do corpo, que não se alinha com a proposta de igualdade de gênero. Com base na análise, a alternativa que contém a afirmação verdadeira é: c) precisa estar livre da ideia de papéis limitadores e impostos pelo meio social.

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