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À luz desse importante princípio educativo, no processo de avaliação, é preciso que se fixem objetivos coerentes com os diferentes estágios evolutivos de pensamento dos alunos, concebendo-se a aprendizagem como uma sucessão de aquisições constantes e dependentes das oportunidades que o meio oferece. Isto implica considerar as diferenças individuais, assim como os diferentes entendimentos que cada aluno tem acerca de diferentes questões propostas na avaliação, já que essa compreensão decorre de sua experiência anterior, do entendimento próprio que tem de cada situação vivenciada. Toda atividade avaliativa é decorrente de um processo caracterizado por recolher informação; analisar essa informação e emitir um juízo sobre ela. Tudo isto para tomar decisões de acordo com o juízo emitido ”SANMARTÍ, 2009). Nesta perspectiva é proposta uma nova relação entre o professor, o aluno e o conhecimento. Ela parte do princípio de que o aluno é o construtor do próprio conhecimento. Mas, esse conhecimento é construído com a intervenção do professor que, através da mediação, estimula e propicia condições para que o aluno elabore ou aperfeiçoe seu conhecimento. Assim, a avaliação pode ser feita de diversas formas e com instrumentos variados, competindo ao professor organizar de forma eficiente o processo da avaliação da aprendizagem ”MORETTO, 2002, p. 101). Para Vasconcellos ”2002, p. 55), não se pode conceber uma avaliação reflexiva, crítica, emancipatória, num processo de ensino passivo, repetitivo, alienante . Uma avaliação significativa somente se processa, quando o conteúdo ministrado é significativo para o aluno. Sem mudar a forma de trabalhar em sala de aula, dificilmente o professor mudará sua prática de avaliação formal, decorativa, destituída de sentido. É preciso que o professor considere a avaliação no seu verdadeiro sentido, o de fazer parte do processo ensino e aprendizagem, pois o professor não pode propiciar aprendizagem se não estiver constantemente avaliando as condições de interação de seus alunos. Referindo-se ao processo educativo e ao aluno, Hoffmann ”2005, p. 68) enfatiza que: todos os aprendizes estarão sempre evoluindo, mas em diferentes ritmos e por caminhos singulares e únicos. O olhar do professor precisará abranger a diversidade de traçados provocando- os a prosseguir sempre . • Oportunizar aos alunos muitos momentos de expressar suas idéias; • Oportunizar discussões entre os próprios alunos a partir de situações desencadeadoras; • Ao invés de simplesmente atribuir uma nota pelo que o aluno produziu, é preciso tecer comentários, auxiliando-os a localizar as dificuldades, e oferecendo- lhes oportunidades de descobrirem melhores soluções; • Transformar registros de avaliação em anotações significativas sobre o acompanhamento dos alunos em sue processo de construção de conhecimento (HOFFMANN, 2005, p. 58). Para esta autora é preciso elencar alguns princípios que norteiam a ação avaliativa mediadora: Freire ”1996), explica que acreditar que conceitos ou notas possam por si só explicar a aprovação ou retenção de um aluno, sem que seja analisado todo o processo ensino e aprendizagem, as condições que foram oferecidas para promover a aprendizagem deste aluno e levando em conta o resultado da continuidade do processo de estudos é, sobretudo, tornar o processo avaliativo redutivista, diminuindo as possibilidades dos alunos de se tornarem detentores de um conhecimento autônomo. Segundo Perrenoud ”1999, p.31), por meio da avaliação o professor pode acompanhar o processo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, monitorar o seu ensino, realizando uma investigação didática. Numa avaliação que busque a autonomia do nosso alunado deve haver um planejamento coerente, organização didática, direção segura nas ações. A flexibilidade precisa substituir a rigidez, a organização metódica ”o passo a passo) do ensinar dá lugar à necessidade de aproveitar todas as oportunidades para aprender, a intervenção dos alunos que passam a ocupar seu tempo e espaço de perguntar, substitui a hierarquia de conteúdos, a verbalização de suas dificuldades. Como resultado desta investigação, baseado na avaliação da aprendizagem, ele pode vir, a saber, que situações e experiências tiveram efeito positivo e que mudanças precisam ser feitas para melhorar seu ensino. Essa forma de conceber a avaliação permite elaborar hipóteses sobre a eficácia da ação docente, pois é pela aferição da aprendizagem que se verifica se essa ação promove a construção de novos conhecimentos ”PERRENOUD, 1999, p. 31). Diag ósticaFor ativa So ativa Nesta linha de pensamento Sanmartí ”2009, p. 30) afirma que a investigação sobre a avaliação demonstra que somente quando se reforça seu caráter formativo, e quando está integrada no processo ensino e aprendizagem, os resultados finais melhoram . Isto implica pensar nas finalidades e características que cada uma das modalidades de avaliação possui. Para Schmidt e Cainelli ”2004, p.148), as várias atitudes de avaliação têm características que podem ser enumeradas com base em sua finalidade, sua utilização, seus objetivos e nos principais aspectos enfatizados por ela . A avaliação apresenta basicamente três funções: diagnosticar, controlar e classificar. Relacionadas a essas três funções, existem três modalidades de avaliação: AS DIFERENTES FORMAS DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM Neste sentido, a primeira avaliação pode ser denominada inicial ou diagnóstica e tem por objetivo obter informações sobre os conhecimentos prévios dos alunos, seus gostos, interesses, atitudes. Geralmente é usada no início de um conteúdo novo, de um período letivo ou de um projeto. A avaliação diagnóstica inicial tem como objetivo fundamental analisar a situação de cada aluno antes de iniciar um determinado processo de ensino- aprendizagem, para tomar consciência ”professores e alunos) dos pontos de partida, e assim poder adaptar tal processo às necessidades detectadas. Em consequência, as atividades iniciais de todo processo de ensino deveriam ter, entre outras coisas, um componente de avaliação inicial ”SANMARTÍ, 2009, p. 31). Em outras palavras, a avaliação diagnóstica é aquela realizada no início de uma série, para verificar os pré-requisitos necessários de cada aluno, se eles possuem ou não conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. Ela subsidia o planejamento e a organização de sequências de ações e permite estabelecer o nível de necessidades iniciais para a realização de um planejamento adequado que deverá ser discutido e pensado antes de ser colocado em prática. Com isso, queremos dizer que a primeira coisa a ser feita, para que a avaliação sirva para a democratização de ensino, é modificar a sua utilização de classificatória para diagnóstica. Ou seja, avaliação deverá ser assumida como instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem do aluno, tento em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que ele possa avançar no seu processo de aprendizagem. Desse modo avaliação não seria somente um instrumento para a aprovação ou reprovação do aluno mais sim um instrumento de diagnóstico de sua situação, tendo em vista a definição de encaminhamentos adequados para sua aprendizagem ”LUCKESI, 2000, p. 52). A segunda forma de avaliar pode ser denominada formativa e tem como principal objetivo detectar problemas de ensino e aprendizagem. Através dela o professor enfatiza os resultados da aprendizagem e estabelece um comparativo entre os diferentes resultados obtidos pelo mesmo aluno, o processo de aprendizagem que permitiu a obtenção dos resultados e as causas dos fracassos na aprendizagem. A avaliação mais importante para os resultados de aprendizagem é a realizada ao longo do processo de aprendizagem. A qualidade de um processo de ensino depende, em boa parte, de se conseguir ajudar os alunos a superarem os obstáculos em espaços de tempo pequenos no momento em que são detectados. Além disso, o fundamental para aprender é que o próprio alunoseja capaz de detectar suas dificuldades, compreendê-las e autorregulá-las ”SANMARTÍ, 2009, p. 33). Neste sentido, a avaliação formativa é realizada no decorrer do ano letivo, com intuito de verificar se os alunos estão atingindo os objetivos de aprendizagem previstos. Esse tipo de avaliação é basicamente orientadora, pois encaminha tanto o estudo do aluno quanto os procedimentos do professor. Fornece dados para uma tomada de decisão que pode ser no sentido de criar condições de melhoria do ensino visando uma aprendizagem, pois o processo não está acabado. Esse tipo de avaliação desempenha um papel controlador, ou seja, localiza deficiências no ensino e informa - professor e aluno - sobre o rendimento da aprendizagem, além de possibilitar ao educador formas para que possa corrigir as falhas e aperfeiçoar mais o processo. A avaliação formativa é, então, uma importante fonte de informações para o atendimento às diferenças culturais, sociais, psicológicas dos educandos, o que se torna grande conquista na luta contra as desigualdades e o fracasso escolar ”PERRENOUD, 1999, p. 28). E mais, Quando age reflexiva e razoavelmente partindo de princípios morais, transformamos aquela atividade espontânea, natural, em atividade formativa. Pelo fato de que obtemos conhecimento a partir da avaliação, podemos intervir inteligentemente de um modo justo, equânime, eqüitativo para aumentar o conhecimento de quem aprende e de quem ensina. O que não é racional, e menos razoavelmente sustentável, é que sejam exames os que definam o conhecimento, isso é a própria perversão do conhecimento. Trivializam-no e empobrecem-no, reduzindo-o a um produto de consumo imediato para o êxito fugaz da prova, da qual se torna e é tratado como mercadoria. É a perversão também do que é aprender e do que é avaliar, considerando como evidente a pobreza intelectual de quem ensina com esse espírito ”MENDEZ, 2002 p.85). A prática formativa na avaliação tem como objetivo fazer com que todos adquiram conhecimento e apropriem-se deste saber de maneira reflexiva e construtiva. No entanto, não significa que aqueles que não atinjam esse objetivo serão eliminados. A avaliação formativa acompanha o processo de ensino e aprendizagem, verificando se os objetivos iniciais de um trabalho estão sendo atingidos. A avaliação formativa está ligada ao mecanismo de feedback , à medida que também permite ao professor detectar e identificar deficiências na forma de ensinar, possibilitando reformulações no seu trabalho didático, visando aperfeiçoá-lo. De posse de todos aqueles educadores que se propuseram a discutir as modalidades da avaliação, bem como suas funções podemos elencar as principais características da avaliação formativa: • Tem como objetivo permitir ao professor compreender como o acadêmico elabora e constrói seu próprio conhecimento. • Pode ser feita com base em vários instrumentos, conforme as aulas foram dadas. • Não pode ser registrada quantitativamente, com notas ou mesmo conceitos, somente em forma de relatório e anotações que definirão estratégias posteriores. • Não tem o controle como finalidade. O que importa é o significado do desempenho, não o sucesso ou o fracasso. • Prevê que os acadêmicos têm ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Por isso, está ligada aos ciclos, que permitem tornar a progressão da aprendizagem mais fluida. • Levanta a necessidade de investigação do conhecimento prévio do estudante, para o planejamento do trabalho como um todo. • É favorecida pela diversificação de formas de agrupamento dos alunos, que atendem os objetivos da atividade e dos próprios estudantes. Nesse sentido Esteban ”1997, p. 53) enfatiza que, Avaliar significa deixar de fazer julgamento sobre a aprendizagem do aluno, para constituir um momento capaz de expressar os conhecimentos que os alunos já têm estruturado, o processo cognitivo que realizou para alcançar tais conhecimentos, o que o aluno ainda não sabe, o que pode vir a saber, as suas possibilidades de aprendizagem e suas necessidades para que a superação sempre transitória, do não saber, possa ocorrer. A avaliação formativa fornece informações que possibilita uma adaptação do ensino às diferenças individuais na aprendizagem. Após a avaliação formativa que possibilita um ensino eficaz e aprendizagens efetivas, temos a avaliação somativa que geralmente ocorre no final de um processo de aprendizagem. Esta avaliação somativa objetiva realizar um diagnóstico do aluno no final de um período, seja no final de uma unidade, de um bimestre, de um ano letivo. O principal aspecto enfatizado nesse tipo de avaliação é o resultado da aprendizagem baseada nos objetivos. Consiste em classificar os alunos de acordo com o nível de aproveitamento previamente estabelecido, geralmente tendo em vista sua promoção de uma série para outra, ou de um grau para outro. Para Sanmartí ”2009, p. 33), A avaliação final, que é realizada quando se termina o período de tempo dedicado ao ensino de um determinado conteúdo, orienta-se tanto a verificar o que o aluno não conseguiu interiorizar, podendo representar um obstáculo para aprendizagens posteriores, quanto a determinar aqueles aspectos da sequência de ensino que deveriam ser modificados. As principais características desta modalidade de avaliação são: • Classificar o aluno para determinar se será aprovado ou reprovado. Está vinculado à noção de medida. • É feita por meio de exercícios, questionários, estudos dirigidos, trabalhos, provas, testes. • Embora tenha como pressuposto a objetividade da nota, geralmente expressa por um número, depende dos valores do professor, que são subjetivos. • É tida como meio de manter o interesse e a motivação do aluno pelo estudo. Relaciona o desempenho só à responsabilidade. • É relacionada à punição ou premiação, de acordo com diferenças e desigualdades entre estudantes. • Parte do princípio de que existe uma verdade a ser assimilada e identifica o grau de aproximação entre a aprendizagem e essa verdade. Para Perrenoud ”1999), as funções da avaliação, na prática, são duas: diagnóstica e a classificatória. A primeira supõe-se que permite ao professor e ao aluno detectarem os pontos de maiores dificuldades deste e extrair as consequências que sejam pertinentes onde colocar posteriormente a ênfase no ensino e na aprendizagem. A segunda, a avaliação classificatória, tem por efeito hierarquizar e classificar os alunos. Visto sob esta ótica, a avaliação deve constituir um processo constante de reflexão por parte do docente ao longo do processo ensino e aprendizagem. Sem a compreensão dos porquês os alunos não aprenderam, ficará difícil gerar propostas que os ajudem a superarem suas dificuldades e progredirem no conhecimento. BIBLIOGRAFIA ARGENTO, Heloisa. Técnicas e instrumentos de avaliação. Disponível em:http://www.slideshare.net/MBUM/tcnicas-e-instrumentos-de-avaliao. Acesso em: 10 de jan. 2021. ESTEBAN, Maria Teresa ”org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A, 1997. ”Coleção O sentido da escola). FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34ed. São Paulo. Ed. Paz e Terra, 1996. HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2005. HOFFMANN, J.M.L. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 35.ed., 2005. LUCKESI, C. C. Entrevista sobre Avaliação da aprendizagem, concedida ao Jornal do Brasil e publicada no dia 21.07.00. 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