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GASTRITE ASSOCIADA AO HELICOBACTER PYLORI E GASTRITE ALCALINA GASTRITE ASSOCIADA AO HELICOBACTER PYLORI ANATOMIA DO ESTÔMAGO FISIOLOGIA DO ESTÔMAGO As glândulas do estômago produzem: - HCL → mantém o ph ácido, ativa a pepsina e destroi microrganismos. - Pepsina → enzima que inicia a digestão de proteínas - Muco → protege a mucosa contra a acidez - Fator intrínseco → secretado pelas células parietais (Importante para absorver vit b12) O estômago é controlado pelo sistema nervoso e hormonal SNA → principalmente o nervo vago estimula a produção de sucos gástricos Hormônios → a gastrina secretada pelas células G do estômago, estimula a liberação de HCL Primeiro momento = infecção do antro > menor ação da célula D >↓somatostatina → ↑gastrina e HIPERCLORIDRIA → úlcera péptica Repare que a infecção começa no antro! Se não tem antro, não tem célula D para secretar somatostatina, que deixa a gastrina livre para agir e gerar hipercloridria. - Segundo momento = infecção disseminada > menor ação da célula parietal >↓ácido → HIPOCLORIDRIA E ↓BARREIRA MUCOSA ETIOLOGIA AINEs; Álcool; Infecção por H. pylori, Mycobacterium tuberculosis, Treponema pallidum, CMV, herpes-vírus; Autoimune (resposta imune contra as células parietais do estômago e na presença de anticorpos antifator intrínseco) HELICOBACTER PYLORI Bactéria gram negativa que possui o ser humano como único reservatório. → tem um tropismo pelo epitélio gástrico e em regiões com metaplasia gástrica Chega no estômago e utiliza a urease ( quebra ureia e produz amônia) para neutralizar o ácido gástrico ao redor da bactéria, criando um ambiente favorável para sua sobrevivência. Começa a infecção no antro inibindo e destruindo as células D ( - somatostatina) e (+ gastrina) → hipercloridria. Mais para frente a inflamação e toxinas reduzem a capacidade da mucosa de produzir muco protetor e bicarbonato. ● Resistência A resistência ao ácido clorídrico é muito importante pois faz com que o patógeno tenha condição de colonizar a mucosa. Enzima urease neutralizando o PH OBS → O primeiro gene cepa-específico identificado no H. pylori foi o citotoxin antigen associated (cag-A), que está fortemente associado ao risco de CA gástrico (3X mais) e é encontrado em 60% das cepas do ocidente. AINES Mecanismo: inibição da COX - COX-1: prostaglandinas “do bem”. Constituem a barreira mucosa. Inibir a COX-1 é ruim! - COX-2: prostaglandinas “do mal” = inflamação Inibir a COX-2 é bom! FORMA DE TRANSMISSÃO Fecal-oral* - alimentos mal lavados e água contaminada FATORES DE RISCO Grande densidade de pessoas por habitação; Compartilhamento de dormitórios; Condições precárias de domicílio e peridomicílio; Ausência de saneamento básico; Higiene inadequada; Condições inapropriadas de armazenamento de alimentos; Baixo nível de escolaridade; QUADRO CLÍNICO Grande parte é assintomático e quem é sintomático não é tão específico SÍNDROME DISPÉPTICA! ✓ Dor epigástrica* ✓ Saciedade precoce ✓ Plenitude pós-prandial Dispepsia → dor ou desconforto tipo queimação na região epigástrica Sensação de plenitude pós prandial Saciedade precoce Deficiência de vitamina B12 → a colonização de HP resulta em hipercloridria e atrofia gástrica que diminui a absorção Anemia ferropriva Úlcera gástrica: dispepsia PIORA com alimentação Úlcera duodenal: dispepsia PIORA 2-3H APÓS alimentação e à NOITE OBS: Dispepsia associada ao HP: paciente é tratado para HP e, diante da erradicação da bactéria, permanece assintomático por 6 a 12 meses. OBS: Os sintomas devidos à DRGE, como PIROSE e REGURGITAÇÃO, não estão associados à infecção pelo HP, assim como as complicações desse quadro como Esôfago de Barret e Adenocarcinoma Esofágico. COMPLICAÇÕES Úlceras → Úlcera duodenal é praticamente exclusivo nos pacientes com HP. * Exceção: Usuários de AINES e doença endócrina: Zollinger Ellison (gastrinoma) Câncer CLASSIFICAÇÃO DE SAKITA é um sistema que caracteriza os estágios evolutivos de uma úlcera gástrica ou duodenal. DIAGNÓSTICO - Testes não invasivos Sorologia (elisa,fixação do complemento,aglutinação, hemaglutinação) - S ~95% e E 100%. Teste respiratório (padrão ouro) - S e E > 95% Pesquisa do antígeno fecal - S e E > 92% - Teste invasivo (com endoscopia) Teste da urease - S 95% e E 87-95% histologia (padrão ouro) Suspender IBP por 2 semanas antes e ATB por 4 semanas antes do exame. cultura - usada apenas se houver falência de retratamento. Avaliar resistência bacteriana Endoscopia com biópsia quando fazer? Se paciente for maior que 40 anos/ 45 anos com sinais de alarme SINAIS → (emagrecimento, disfagia, anemia, odinofagia. Se for úlcera gastrointestinal obrigatório a biópsia se for duodenal não é obrigatório E em pacientes jovens? Como não tem indicação de EDA e não tem sinal de alarme o diagnóstico pode ser presuntivo, só com a clínica vc trata Para fazer a endoscopia: IBPs → suspender 2 semanas antes dos testes (exceto sorologia). Antibióticos → suspender 4 semanas antes dos testes. Alternativa para controle dos sintomas → antiácidos ou alginato OBS: IBPs e testes diagnósticos Os IBPs (como omeprazol, pantoprazol, esomeprazol) reduzem a produção de ácido gástrico, o que pode interferir nos testes usados para detectar H. pylori. Eles diminuem a carga bacteriana no estômago, tornando alguns testes menos sensíveis. Por isso, antes de fazer exames como o teste respiratório da ureia, teste de antígeno fecal e teste rápido da urease, recomenda-se suspender o IBP por pelo menos 2 semanas. A única exceção é a sorologia, que detecta anticorpos no sangue e não sofre essa interferência. OBS:Antibióticos e os testes Os antibióticos podem eliminar temporariamente H. pylori, levando a falsos negativos nos testes. Como resultado, os exames podem não detectar a infecção mesmo que a bactéria ainda esteja presente no organismo. Por isso, recomenda-se suspender os antibióticos pelo menos 4 semanas antes de realizar os testes diagnósticos. TRATAMENTO 1. Primeira linha – esquema TRÍPLICE: → 📌 Tempo de tratamento: 14 dias! CAO Terapia tripla com claritromicina (IBP + amoxicilina + claritromicina) Terapia quádrupla concomitante (IBP + amoxicilina + metronidazol + claritromicina) Alérgicos a penicilina, opções: Trocar a Amoxicilina por Levofloxacino*: IBP, claritromicina 500mg 2x e levofloxacina 500mg 1x por 14 dias OU 2. Se falhar: 📌 Esses tratamentos devem ser feitos por 10 a 14 dias. O paciente precisa de uma terapia de segunda linha, que pode ser uma dessas opções: 1️⃣ Terapia tripla com levofloxacina (IBP + amoxicilina + levofloxacina) 2️⃣ Terapia quádrupla com bismuto (IBP + bismuto + tetraciclina + metronidazol) 3. E se a terapia de segunda linha também falhar? Se usou levofloxacina na segunda linha e falhou → tenta a terapia com bismuto. Se usou bismuto na segunda linha e falhou → tenta a terapia com levofloxacina. CONTROLE DE CURA DO H.PILORY Sempre fazer 4 semanas após o término De preferÊncia usando testes não invasivo (exceto sorologia) Qualquer método não invasivo pode ser utilizado, exceto sorologia, pois “uma vez H.pylori positivo, para sempre H.pylori positivo” CONTROLE DE CURA: - H.PYLORI + ÚLCERA GÁSTRICA: NOVA EDA após término do tratamento - SÓ H. PYLORI: QUALQUER MÉTODO QUE NÃO SEJA A SOROLOGIA (após 4 semanas) - ÚLCERA DUODENAL: NÃO PRECISA Resumindo... A forma de conduzir vai depender do paciente! - > 40 anos OU com sinais de alarme: o diagnóstico será feito por endoscopia e sou obrigado a pesquisar H.pylori! -de 45 anos, com dispepsia que não se resolve: nesse caso, posso fazer biópsia! COMPLICAÇÕES Úlceras → pode se formar no contexto de hipercloridria mas tbm no de hipocloridria . HIPERCLORIDRIA: - DUODENAL - GÁSTRICA TIPO 2 (CORPO) → associada a duodenal - GÁSTRICA TIPO 3 (PRÉ-PILORO) HIPOCLORIDRIA: - GÁSTRICA TIPO 1 (PEQUENA CURVATURA BAIXA) - GÁSTRICA TIPO 4 (PEQUENA CURVATURA ALTA) GASTROPATIA BILIAR OU GASTRITE ALCALINA Causada pela exposição em longo prazo da mucosa gástrica aos sais biliares capazes de lesar a mucosa, seja por isquemia ou por congestão. ocorre quando a bile, em vez de seguir seu trajeto normal do fígado para o intestino, volta para o estômago. A bile contém sais biliares, que ajudam na digestão de gorduras. No estômago, esses sais biliares agem como detergentes, desestabilizando a barreira de muco que protege a mucosa gástrica → Os sais biliares e o conteúdo alcalino do duodeno irritam a mucosa gástrica, levando a uma inflamação crônica → Isso pode causar atrofia da mucosa, metaplasia intestinal e até úlceras gástricas. ETIOLOGIA Isso pode acontecer devido a alterações anatômicas ou funcionais que afetam a barreira natural entre o duodeno e o estômago. Cirurgias gástricas (gastrectomia parcial, reconstrução em Billroth I ou II, derivação biliodigestiva). Disfunção do esfíncter pilórico. Uso prolongado de AINEs. Doenças do trato biliar A GB progressiva pode ocasionar a atrofia da mucosa gástrica, metaplasia intestinal, displasia epitelial e, eventualmente, câncer gástrico. QUADRO CLÍNICO Dor epigástrica (queimação ou desconforto abdominal) Náuseas e Vômitos biliosos Sensação de plenitude gástrica Piora dos sintomas após a alimentação DIAGNÓSTICO - Endoscopia Digestiva Alta Achados: Eritema e erosões → indicam inflamação na mucosa gástrica. Presença de bile no estômago → pode sugerir refluxo biliar, mas não confirma o diagnóstico. Atrofia gástrica → pode ocorrer em casos mais avançados devido à inflamação crônica. *Como a gastropatia biliar não tem um padrão exclusivo na endoscopia, a biópsia pode ser necessária para diferenciar de outras doenças, como gastrite crônica por H. pylori, gastrite autoimune ou até metaplasia intestinal. Pontos-chaves sobre o diagnóstico 1️⃣ Não há sinais patognomônicos de gastropatia biliar → Ou seja, não existe uma alteração endoscópica ou histológica exclusiva dessa doença. 2️⃣ Apenas visualizar bile na endoscopia não confirma o diagnóstico → O refluxo biliar pode ocorrer ocasionalmente sem que haja dano significativo. 3️⃣ Diagnóstico definitivo depende da correlação clínica → Os achados endoscópicos e histológicos devem ser avaliados junto com os sintomas do paciente. TRATAMENTO Opções clínicas e cirúrgicas. IBP – mecanismo de ação não é claro. Sucralfato e antiácidos – para proteger a mucosa gástrica / melhora a histologia. Ácido ursodesoxicólico (Ursacol) – para reduzir o efeito irritante da bile. Procinéticos (Domperidona) – acelerar o esvaziamento gástrico. Derivação gastrojejunal (cirurgia em Y de Roux) – tratamento cirúrgico em casos mais graves; para desvio cirúrgico da bile