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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ G A S T R O E N T E R O L O G I A DOENÇA PÉPTICA, HELICOBACTER PYLORI E DISPEPSIA FUNCIONAL JANEIRO/2022 P R O F . É L I O C A S T R O m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ http://med.estrategia.com m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional PROF. ÉLIO DE CASTRO APRESENTAÇÃO: /estrategiamedt.me/estrategiamed Estratégia MED @profeliocastro @estrategiamed Olá, caro colega. Tudo bem? Este material aborda temas muito frequentes no consultório, tanto do médico generalista quanto do gastroenterologista: doença ulcerosa péptica (DUP) e infecção crônica pela bactéria Helicobacter pylori. Por essa razão, são assuntos bastante lembrados na prova do Revalida, correspondendo a 16,9% das questões, ou seja, tão importante quanto hemorragia digestiva e pancreatite aguda. Veja a prevalência dos temas no gráfico abaixo: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://t.me/estrategiamed https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://www.instagram.com/estrategiamed/ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Tradicionalmente, as questões do Revalida são longas e detalhadas, por isso, para não se perder nos enunciados, você deve estar atento aos conceitos principais sobre o assunto, como as indicações para pesquisa e tratamento do Helicobacter pylori, o momento certo de realizar endoscopia digestiva, o diagnóstico diferencial com outras doenças que provocam síndrome dispéptica, entre outros conceitos. Este livro será bastante objetivo, mas, no capítulo inicial, será necessário revisarmos alguns conceitos de anatomofisiologia para que você entenda e domine bem os temas seguintes. Portanto, sem perder mais tempo, vamos arregaçar as mangas e seguir em frente! PREVALÊNCIA DOS TEMAS DE GASTROENTEROLOGIA NA PROVA DO REVALIDA Hemorragia Digestiva Pancreatite Aguda Úlcera péptica e H. pylori CA colorretal e pólipos Doença inflamatória intestinal DRGE Distúrbios disabsortivos CA estômago CA pâncreas CA esôfago Outras 16,90% 16,90% 16,90% 11,30% 8,45% 8,45% 7,00% 4,25% 4,25% 2,80% 2,80% m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 4 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 SUMÁRIO 1.0 ANATOMOFISIOLOGIA GÁSTRICA 6 1.1 ANATOMIA 6 1.2 FISIOLOGIA 8 2.0 DOENÇA PÉPTICA 10 2.1 DEFINIÇÕES E ETIOLOGIAS 10 2.2 HELICOBACTER PYLORI 10 2.2.1 INDICAÇÕES PARA PESQUISA E TRATAMENTO 11 2.2.2 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS INVASIVOS 12 2.2.3 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NÃO INVASIVOS 14 2.2.4 ESQUEMAS DE TRATAMENTO 16 2.3 GASTRITES 20 2.4 DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA (DUP) 24 2.4.1 ETIOPATOGENIA 24 2.4.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 26 2.4.3 INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR 26 2.4.4 TRATAMENTO CLÍNICO 29 2.4.4.1 INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS 29 2.4.5 COMPLICAÇÕES 33 2.4.6 TRATAMENTO CIRÚRGICO 35 2.4.6.1 INTRATABILIDADE CLÍNICA 35 2.4.6.2 HEMORRAGIA DIGESTIVA 38 2.4.6.3 PERFURAÇÃO 38 2.4.6.4 OBSTRUÇÃO 39 2.4.7 COMPLICAÇÕES APÓS GASTRECTOMIA 41 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 5 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 3.0 DISPEPSIA FUNCIONAL 42 3.1 CONCEITO E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS 42 3.2 TRATAMENTO 43 4.0 RESUMO DA ABORDAGEM CLÍNICA DA 44 SÍNDROME DISPÉPTICA 44 5.0 LISTA DE QUESTÕES 47 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 48 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 49 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 6Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 1.0 ANATOMOFISIOLOGIA GÁSTRICA 1.1 ANATOMIA O estômago pode ser dividido em 4 regiões: cárdia, fundo, corpo e antro. Nessas 4 regiões, existem 2 tipos de mucosa com funções distintas (oxíntica e pilórica), conforme você vê na figura e nas descrições abaixo: CÁRDIA: está logo abaixo do esôfago e é a primeira porção do estômago, fazendo parte do esfíncter esofágico inferior. FUNDO: é a região que acomoda o alimento que chega ao estômago, funcionando como reservatório. É no fundo que fica o marca-passo gástrico, responsável por gerar ondas motoras rítmicas. CORPO: local das glândulas oxínticas onde ficam as células parietais (que produzem o ácido clorídrico e o fator intrínseco) e as células principais (produtoras do pepsinogênio que se torna pepsina na luz gástrica). A MUCOSA OXÍNTICA, localizada principalmente no corpo gástrico, está presente no corpo e fundo gástricos, sendo composta das GLÂNDULAS OXÍNTICAS, onde ficam as células PARIETAIS que produzem ácido clorídrico e fator intrínseco, além das células PRINCIPAIS produtoras do pepsinogênio. CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 7Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional ANTRO: é a região mais distal do estômago, funcionando como bomba de “moagem” dos alimentos. Além disso, tem as glândulas pilóricas que contêm as células G produtoras de gastrina (hormônio que comanda a produção ácida) e as células D produtoras de somatostatina, que inibe a secreção de gastrina quando os níveis de ácido estão muito altos. A MUCOSA PILÓRICA, localizada basicamente no antro e no canal pilórico, é composta das GLÂNDULAS PILÓRICAS, onde ficam as células G produtoras de gastrina e as células D produtoras de somatostatina, as principais reguladoras da produção de ácido no estômago. O interior do estômago pode ser examinado em detalhes pela endoscopia digestiva alta. Veja na figura abaixo a imagem endoscópica de todas essas regiões: A vascularização do estômago é feita basicamente por ramos do tronco celíaco, um pequeno tronco arterial que surge diretamente da aorta abdominal e divide-se em três vasos: artéria gástrica esquerda, artéria esplênica e artéria hepática. Fique atento, pois isso é cobrado por muitas bancas! A irrigação é feita em 2 arcos pelas pequena e grande curvaturas, da seguinte forma: • PEQUENA CURVATURA: irrigada pelas artérias gástrica direita (ramo da artéria hepática comum) e gástrica esquerda (ramo direto do tronco celíaco). • GRANDE CURVATURA: é irrigada pelas artérias gastroepiploica (ou gastro- omentais) esquerda (que é ramo da artéria esplênica) e gastroepiploica direita (que é ramo da artéria gastroduodenal). Veja na ilustração abaixo: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 8Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 1.2 FISIOLOGIA PRODUÇÃO E REGULAÇÃO DO ÁCIDO CLORÍDRICO No corpo gástrico, dentro das glândulas oxínticas, estão as células parietais (secretoras do ácido clorídrico) e as células principais (secretoras do pepsinogênio, que se transforma em pepsina em contato com o pH ácido do estômago). Três substâncias podem estimular a bomba de prótons a produzir ácido clorídrico: acetilcolina, gastrina e histamina, sendo a gastrina a principal delas. Com a bomba de prótons ativada, o ácido clorídrico reduz o pH da luz gástrica para algo em torno de 2, permitindo a ativação do pepsinogênio em pepsina, uma potente enzima proteolítica. Os bloqueadores do receptor H2, como ranitidina, cimetidina e famotidina, fazem um bloqueio apenas parcial da secreção ácida, impedindo apenas o estímulo histamínicoque não melhora com antiácidos. Quinze a vinte anos após cirurgia, há risco de adenocarcinoma gástrico. DISTÚRBIOS METABÓLICOS Deficiência de ferro, B12 e cálcio. ANTRO RETIDO Segmento antral remanescente produzindo gastrina que estimula produção de ácido clorídrico e formação de úlceras recorrentes. 2.4.7 COMPLICAÇÕES APÓS GASTRECTOMIA Cerca de 25% dos pacientes submetidos a gastrectomias com reconstruções de trânsito podem desenvolver sintomas subagudos ou crônicos após o procedimento. São as chamadas “síndromes pós- gastrectomia”. As duas síndromes mais comuns estão relacionadas ao rápido esvaziamento gástrico para o intestino delgado, chamadas de síndrome de dumping precoce e tardio. Embora tenham pouca chance de cair na prova do Revalida, achamos importante resumir as principais características de algumas dessas síndromes na tabela abaixo: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 42Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 3.0 DISPEPSIA FUNCIONAL 3.1 CONCEITO E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS Como você já aprendeu, dispepsia ou síndrome dispéptica caracteriza-se por dor ou desconforto no andar superior do abdome, também incluindo distensão, plenitude pós-prandial, empachamento, náuseas e/ou vômitos. Você viu que tanto as gastrites quanto a úlcera péptica podem provocar esses sintomas. Já a DISPEPSIA FUNCIONAL é a presença de sintomas dispépticos crônicos na ausência de doenças que os justifiquem, como gastrite e úlcera. Também é preciso que a infecção pela Helicobacter pylori tenha sido descartada antes de considerar funcional a dispepsia. Esse tipo de dispepsia ocorre por desajuste na percepção dos estímulos dolorosos no trato gastrointestinal, quadro conhecido como hipersensibilidade visceral. A produção maior de ácido ou a simples distensão da musculatura gástrica estimulam os receptores de dor, que enviam sinais superdimensionados para o sistema nervoso central. Como resultado, o paciente tem maior percepção de dor ou desconforto abdominal. É muito comum a dispepsia funcional estar associada a outros transtornos funcionais do tubo digestivo, como a síndrome do cólon irritável, por exemplo. Vários fatores podem deflagrar essa síndrome, principalmente os emocionais (ansiedade, estresse, depressão) e infecciosos (gastroenterite), a intoxicação alimentar ou os medicamentos (múltiplos antibióticos ou anti-inflamatórios) que funcionariam como “gatilhos” dessa hipersensibilidade visceral. Os critérios dessa doença são descritos pelo consenso internacional Roma IV (2016). Veja a seguir: CAPÍTULO FIQUE ATENTO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 43Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Critérios diagnósticos da dispepsia funcional segundo o ROMA IV (2016) Um ou mais dos seguintes sintomas, presentes nos últimos 3 meses e iniciados, no mínimo, há 6 meses: Dor, queimação ou desconforto epigástrico Plenitude pós-prandial Saciedade precoce 3.2 TRATAMENTO Para fins de tratamento, consideramos didaticamente que há 2 tipos de dispepsia funcional: a síndrome da dor epigástrica e a síndrome do desconforto pós-alimentar. Ambos são mais comuns em mulheres jovens com alguma alteração da saúde mental, como depressão, ansiedade, transtorno de humor ou síndrome do pânico. A conduta na dispepsia funcional é a seguinte: • Dieta: reduzir gorduras, frituras e condimentados, aumentar fibras e fracionar as refeições, praticar atividade física regularmente e melhorar a qualidade do sono. • Terapia prolongada com IBP (8 a 12 semanas), podendo-se associar procinéticos (domperidona, metaclopramida) se houver predomínio de sintomas de retardo do esvaziamento gástrico, como plenitude ou empachamento. • Ausência de resposta a todas as medidas acima: avaliação da saúde mental (psiquiatra), associar antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) ou inibidores da recaptação de serotonina (escitalopram, sertralina, fluoxetina). • Se a investigação dessas doenças for negativa, tratar como dispepsia funcional (medidas descritas acima). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 44Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 4.0 RESUMO DA ABORDAGEM CLÍNICA DA SÍNDROME DISPÉPTICA Como vimos, a síndrome dispéptica pode ter várias causas, como uma gastrite superficial ou uma úlcera péptica. Porém, até mesmo o câncer gástrico pode apresentar-se de forma oligossintomática, gerando sintomas compatíveis com a síndrome dispéptica. Então, como distinguir os pacientes que merecem uma investigação invasiva desde o início daqueles que poderiam ser tratados apenas com inibidor da bomba de prótons empiricamente? A conduta variará conforme a cronicidade dos sintomas e a faixa etária do paciente. Veja, qualquer indivíduo pode apresentar sintomas dispépticos eventuais após uma libação alimentar, episódios de estresse ou, até mesmo, após o uso de um anti- inflamatório por alguns dias. Isso significa que ele precisaria de um tratamento prolongado com IBP ou ser 1. Dispepsia crônica (> 4 semanas) em pessoas que residem em áreas de alta prevalência de H. pylori. Essa bactéria pode ser investigada por método não invasivo, sendo erradicada se o teste for positivo. É o que chamamos de estratégia “teste e trate”. O principal método diagnóstico usado é o teste respiratório da ureia marcada com carbono 13 ou 14. 2. Pacientes com quaisquer sinais de alarme, como emagrecimento, anemia, suspeita de sangramento digestivo, disfagia, impactação alimentar e vômitos cíclicos, devem ser investigados, obrigatoriamente, com endoscopia digestiva alta. 3. Dispepsia crônica em pacientes acima dos 40 anos também exige investigação com endoscopia digestiva alta. submetido a uma endoscopia digestiva? Claro que não! Portanto, a primeira coisa que você precisa definir é se há CRONICIDADE dos sintomas, ou seja, frequência de pelo menos 2 vezes por semana por, no mínimo, 4 semanas. Nos pacientes com dispepsia crônica, avalie sua FAIXA ETÁRIA e a presença dos SINAIS DE ALARME. A grande maioria dos pacientes jovens (abaixo de 40 anos) pode apresentar dispepsia crônica por diversos motivos, como má alimentação, excesso de álcool, medicamentos ou ansiedade, não sendo necessário realizar qualquer investigação complementar, apenas mudança de hábitos de vida e o uso empírico de um IBP por 2 a 4 semanas. Fique atento às situações que exigem a investigação complementar de pacientes com sintomas dispépticos: CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 45Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Sendo realizada a EDA, o tratamento será direcionado aos achados do exame, lembrando que a droga de escolha para reduzir os sintomas da gastrite e diminuir a inflamação gástrica são os inibidores da bomba de prótons (IBPs), tendo os bloqueadores H2 como alternativa menos efetiva. VEJA AGORA COMO APLICAR ESSES CONCEITOS EM UMA QUESTÃO ANTERIOR DO REVALIDA (REVALIDA INEP 2015) Um homem de 35 anos de idade procura a unidade básica de saúde com queixa de epigastralgia em queimação, há 4 semanas. Relata que, em geral, essa queimação se inicia entre 1 e 3 horas após cada refeição e melhora com o uso de pastilhas de antiácido. Refere que a dor, em algum momento, já o despertou à noite e nega uso de medicamentos anti-inflamatórios. Relatou ainda perda ponderal e informou que, eventualmente, elimina fezesenegrecidas. É tabagista e consome 20 cigarros a cada dois dias. Comenta ser etilista eventual. O exame físico não revela alterações significativas, exceto palidez cutâneo-mucosa. Qual é a conduta imediata indicada para esse paciente? A) Solicitar exames parasitológicos de fezes, administrar bloqueadores de receptores H2, orientar cessação do tabagismo e do etilismo, e solicitar endoscopia digestiva alta, se os sintomas persistirem. B) Submeter o paciente a testes não invasivos para pesquisa de Helicobacter pylori e iniciar terapia empírica com antimicrobianos e inibidores de bomba de prótons, enquanto aguarda os resultados. C) Realizar endoscopia digestiva alta, com biópsias da mucosa gástrica e pesquisa de Helicobacter pylori, e instituir tratamento com antimicrobianos e inibidores de bomba de prótons, se confirmada presença de H. pylori. D) Submeter o paciente a testes não invasivos para Helicobacter pylori – se forem positivos, instituir tratamento específico, confirmar erradicação após tratamento e referenciar a especialista, se os sintomas persistirem. COMENTÁRIOS: Temos um paciente jovem (menos de 40 anos) com sintomas de dispepsia crônica, já que sua epigastralgia já dura 4 semanas. Não há uma ritmicidade constante, já que ora a dor piora após a refeição, ora piora após o jejum prolongado. Poderíamos fazer apenas terapia empírica com IBP ou teste não invasivo para Helicobacter pylori? Nesse caso, não! Perceba que esse paciente tem 2 sinais de alarme importantes, ele tem perda ponderal e fezes enegrecidas (provável melena, sinal de hemorragia digestiva alta). Ou seja, deve ser obrigatoriamente investigado com endoscopia digestiva alta para descartar doença mais grave (câncer) ou complicações da úlcera péptica, como sangramento. GABARITO: alternativa C. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 46Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Vamos trazer agora um fluxograma resumindo alguns conceitos fundamentais abordados neste livro: Outras indicações para pesquisa e tratamento do H. Pylori: ABSOLUTAS: linfoma, adenoCA RELATIVAS: PTI, anemia ferropriva, uso crônico de AAS/AINEs, dispepsia refratária, parentes de 1o grau de casos de adenoCA gástrico Classificação de Forrest Forrest Ia: sangramento em jato Forrest Ib: sangramento em lençol Forrest IIa: vaso visível Forrest IIb: coágulo aderido Forrest IIc: hematina Forrest III: úlcera de fundo limpo Úlcera pilórica ou duodenal Empachamento, plenitude, náuseas, emagracimento, vômitos não biliosos = ALCALOSE HIPOCLORÊMICA TRATAMENTO: estabilização clínica + EDA + dilatação da estenose Estenose refratária = CIRURGIA Sinal de JOBERT (exame clínico) Hipertimpanismo na área hepática Sinal de RIGLER (radiológico): Identificação das paredes gástrica e intestinal na radiografia de abdome. Pneumoperitônio supradiafragmático TRATAMENTO: CIRURGIA Outras opções menos efetivas: • Bloqueador H2: RANITIDINA • Citoprotetor: SUCRALFATO • Antiácidos (tamponam o HCI): BICARBONATO DE SÓDIO, HIDRÓXIDO DE ALUMÍNIO e HIDROXIDO DE MAGNÉSIO → Provocam DIARRÉIA ÚLCERA DUODENAL Bx apenas para pesquisa de H. pylori EDA TRATAMENTO COMPLICAÇÕES ÚLCERA PÉPTICA ÚLCERA GÁSTRICA Bx da úlcera + Bx para pesquisa de H. pylori H PYLORI Amoxi+Clarito+ IBP 14d Levo+Amoxi+IBP IBP+Metro+Tetra+ IBP CONTROLE DE CURA Tinha úlcera ativa? Teste respiratório ou antígeno fecal Teste rápido da urease e sorologia. NÃO SERVE PARA CONTROLE DE CURA SIM. Nova EDA com Bx NÃO. Teste não invasivo CLASSIFICAÇÃO DE JOHNSON Tipo I: Corpo distal, inscisura, HCI --- ou ↓↓ Tipo II: Gástrico + duodenal: HCI ↑↑↑ Tipo III: Pré-pilórica; HCI ↑↑↑ Tipo IV: Múltiplas, todo estômago; HCI --- Tipo V: Corpo proximal (alta); HCI --- ou ↓↓ 30 a 60 minutos antes das refeições 4 a 6 semanas EVENTOS ADVERSOS: Cefaleia, diarreia, náuseas, dor abdominal, constipação. EFEITOS DE LONGO PRAZO: Colite por Clostridium, def. vit. B12, def. Cálcio (risco de fraturas), pneumonias comunitárias. MAIS COMUM: Duodeno: parede posterior Artéria gastroduodenal CONDUTA: 1) Restauração volêmica 2) EDA com hemostasia térmica, hemoclipe, adrenalina Ideal: combinar 2 métodos 3) Refratários: angiografia ou cirurgia INIBIDOR DA BOMBA DE PRÓTONS HEMORRAGIA DIGESTIVA PERFURAÇÃO OBSTRUÇÃO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 47 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/HW66 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://estr.at/HW66 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 48Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Coelho LGV, Marinho JR, Genta R, Ribeiro LT, Passos MCF, Zaterka S et al. IVth Brazilian Consensus Conference on Helicobacter pylori Infection. Arq. Gastroenterol. [Internet]. 2018 June [cited 2021 Feb 07]; 55( 2 ): 97-121. Epub Apr 16, 2018. https://doi.org/10.1590/s0004-2803.201800000-20. 2. Harrison - Medicina Interna, Mc Graw Hill, 20ª ed, 2020. 3. Laine, Loren; Jensen, Dennis. Management of Patients With Ulcer Bleeding, American Journal of Gastroenterology: March 2012 - Volume 107 - Issue 3 - p 345-360. doi: 10.1038/ajg.2011.480. 4. Malfertheiner P, Megraud F, O'Morain CA on behalf of the European Helicobacter and Microbiota Study Group and Consensus panel, et al. Management of Helicobacter pylori infection—the Maastricht V/Florence Consensus Report. Gut 2017;66:6-30. 5. Sabiston Textbook of Surgery, Towsend and Beauchamp, Elsevier, 21ª ed, 2021. 6. Sleisenger & Fordtran. Tratado Gastrointestinal e Doenças do Fígado. Feldman M, Friedman LS, Brandt LJ.Tradução da 9 ed. Editora Elsevier, 2017. CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://doi.org/10.1590/s0004-2803.201800000-20 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 49Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final de um material muito importante no caminho para a Revalidação de seu diploma. Volte às questões usadas como exemplos e aos principais fluxogramas, tabelas e figuras. Tudo o que foi colocado neste livro nós julgamos relevante que você memorize e revise, pois há chances reais de cair em sua prova. Alguns assuntos que você viu aqui ainda não foram cobrados em provas anteriores, mas têm muita relevância teórica e prática para o médico generalista, por isso é importante que você também os domine. Coloco-me à inteira disposição para responder a suas indagações no fórum de dúvidas ou nas redes sociais. Considere-me um parceiro no caminho até a sua Revalidação, caro colega! Um grande abraço, Élio Castro. CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 1.0 ANATOMOFISIOLOGIA GÁSTRICA 1.1 ANATOMIA 1.2 FISIOLOGIA 2.0 DOENÇA PÉPTICA 2.1 DEFINIÇÕES E ETIOLOGIAS 2.2 HELICOBACTERPYLORI 2.2.1 INDICAÇÕES PARA PESQUISA E TRATAMENTO 2.2.2 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS INVASIVOS 2.2.3 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NÃO INVASIVOS 2.2.4 ESQUEMAS DE TRATAMENTO 2.3 GASTRITES 2.4 DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA (DUP) 2.4.1 ETIOPATOGENIA 2.4.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 2.4.3 INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR 2.4.4 TRATAMENTO CLÍNICO 2.4.4.1 INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS 2.4.5 COMPLICAÇÕES 2.4.6 TRATAMENTO CIRÚRGICO 2.4.6.1 Intratabilidade clínica 2.4.6.2 Hemorragia digestiva 2.4.6.3 Perfuração 2.4.6.4 Obstrução 2.4.7 COMPLICAÇÕES APÓS GASTRECTOMIA 3.0 DISPEPSIA FUNCIONAL 3.1 CONCEITO E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS 3.2 TRATAMENTO 4.0 RESUMO DA ABORDAGEM CLÍNICA DA SÍNDROME DISPÉPTICA 5.0 Lista de questões 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAISnas células parietais. Já os inibidores da bomba de prótons (IBPs), ao bloquearem a fase final da produção do ácido clorídrico, são as drogas que mais reduzem a acidez gástrica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 9Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Existem três fases de controle e produção cloridopéptica: FASE CEFÁLICA: ocorre durante o jejum e é estimulada pela GRELINA (“hormônio do apetite”), um hormônio produzido no estômago que aumenta o apetite e estimula a busca pelo alimento. FASE GÁSTRICA: a distensão gástrica provocada pela chegada do alimento estimula a peristalse e uma grande produção de GASTRINA pelas células G antrais, aumentando a secreção de ácido clorídrico pelas glândulas oxínticas. FASE INTESTINAL: quando o alimento chega ao duodeno, dá início ao processo inibitório da fase gástrica e à estimulação da produção das enzimas pancreáticas. A primeira substância produzida é a SECRETINA, hormônio que inibe a gastrina e estimula a produção de bicarbonato e de água no duodeno, seguida pela SOMATOSTATINA, outro hormônio inibitório da produção de gastrina, produzido pelas células D antrais. A seguir, é produzida a COLECISTOQUININA (CCK), que estimula a produção das enzimas pancreáticas e a contração da vesícula biliar, além de ser um potente inibidor do apetite e da motilidade gástrica. Ao contrário da grelina, a LEPTINA é um hormônio produzido no tecido adiposo e age no SNC inibindo a fase cefálica (“hormônio da saciedade”). A figura abaixo resume a interação entre os estímulos das fases digestivas: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 10Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 2.0 DOENÇA PÉPTICA 2.1 DEFINIÇÕES E ETIOLOGIAS Usamos genericamente o termo “doença péptica” quando nos referimos às lesões da mucosa gástrica provocadas pelo efeito do ácido clorídrico e da pepsina (secreção cloridopéptica) sobre esse epitélio. Isso inclui desde as gastrites, que são lesões mais superficiais e restritas à mucosa, até a doença ulcerosa péptica, que são lesões mais profundas, capazes de ultrapassar a submucosa e até perfurar a parede gástrica ou duodenal. Do ponto de vista sintomático, essas lesões podem provocar a chamada síndrome dispéptica (ou dispepsia), cuja definição está descrita a seguir: Dispepsia (ou síndrome dispéptica) caracteriza-se por sintomas de dor ou desconforto no andar superior do abdome, incluindo epigastralgia, distensão abdominal, plenitude, empachamento e saciedade precoce, normalmente associados à alimentação ou ao jejum prolongado. Existe ainda uma forma de apresentação clínica caracterizada pela síndrome dispéptica na ausência de qualquer lesão da mucosa gástrica. É o que chamamos de dispepsia funcional, que será assunto do último capítulo deste livro. As duas causas mais comuns, tanto de gastrite quanto de úlcera, são a infecção crônica pela bactéria Helicobacter pylori e o uso dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Grande parte das questões sobre doença péptica na prova do Revalida cobra justamente sobre o manejo clínico de H. pylori, por isso começaremos este capítulo já chamando atenção para os principais conceitos relacionados a essa bactéria. 2.2 HELICOBACTER PYLORI Helicobacter pylori é um bastonete Gram- negativo, espiralado (helicoidal), flagelado (4 a 6 flagelos) e microaerofílico, o que significa que precisa de baixíssimas concentrações de oxigênio para sobreviver. O estômago humano reúne as condições ideais de adaptação para esse patógeno, sendo considerado seu único reservatório. Essa bactéria não é capaz de sobreviver fora do epitélio gástrico e só está presente em outros órgãos se houver metaplasia gástrica (surgimento de epitélio gástrico fora do estômago), a exemplo do que ocorre no bulbo duodenal. CAPÍTULO TOME NOTA! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 11Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Algumas características que garantem sua boa adaptação ao estômago são cobradas nas provas, por isso é bom você saber. Veja a ilustração abaixo: Aqui, o grande destaque é para a sua capacidade de sintetizar a UREASE, uma enzima que transforma ureia em amônia e bicarbonato, o que permite à bactéria se proteger da acidez gástrica, pois tanto a amônia (NH3 que se torna NH4+ ao receber um próton) quanto o bicarbonato tamponam o ácido ao redor de si, formando como se fosse uma “nuvem protetora”. A transmissibilidade do H. pylori é maior em áreas menos desenvolvidas, especialmente por mecanismo interpessoal, sendo facilitada por grandes aglomerações humanas, saneamento básico e hábitos de higiene precários, assim como baixo acesso à água potável. É por isso que países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento têm grandes prevalências dessa bactéria, podendo superar 90% de sua população. 2.2.1 INDICAÇÕES PARA PESQUISA E TRATAMENTO Mais da metade da população mundial está infectada por essa bactéria, porém apenas uma minoria evoluirá para doenças graves, como adenocarcinoma, linfoma MALT ou úlcera péptica. Por isso, não faz sentido tratar todos os infectados, já que estaríamos selecionando cepas de bactérias resistentes, sem benefício comprovado para a maioria dos pacientes. FIQUE ATENTO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 12Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Há critérios para a erradicação da H. pylori que são divididos entre indicações absolutas (obrigatórias), quando não há dúvida do benefício do tratamento, e as indicações relativas, que são recomendadas pela maioria dos consensos, porém com benefício questionável, não sendo necessariamente obrigatório tratar. Os critérios para erradicação são bastante cobrados nas provas, por isso você deve memorizar: Indicações para pesquisa e tratamento do Helicobacter pylori Absolutas (Obrigatórias) Úlcera péptica Adenocarcinoma gástrico Linfoma MALT Relativas Uso crônico de AAS/AINEs Adenocarcinoma gástrico em parentes de primeiro grau Púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) Anemia ferropriva sem causa definida Dispepsia crônica refratária, mesmo na ausência de úlcera 2.2.2 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS INVASIVOS A pesquisa da bactéria pode ser feita por testes INVASIVOS ou NÃO INVASIVOS. Chamamos de invasivos aqueles que dependem da realização de endoscopia digestiva alta (EDA) para retirada de fragmentos da mucosa (biópsias). Os não invasivos pesquisam a bactéria de forma indireta e não dependem de fragmentos da mucosa, por isso dispensam a EDA. Vamos começar estudando os invasivos, que são o estudo histopatológico e o teste rápido da urease. HISTOPATOLÓGICO Considerado o método padrão-ouro, tem acurácia alta tanto na detecção inicial da infecção quanto no controle de cura após o tratamento. A coloração usada é a Giemsa. A limitação vem justamente do fato de ser invasivo, tendo sua indicação atrelada às situações em que a endoscopia digestiva alta é obrigatória, assim como nos pacientes dispépticos acima de 40 anos ou na investigação de sinais de alarme (anemia, emagrecimento, sangramento). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 13Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional TESTE RÁPIDO DA UREASE Também é um testeinvasivo e baseia-se na capacidade do H. pylori em produzir urease. Um fragmento da mucosa gástrica é colocado em um líquido contendo ureia e um reator de pH. Se a bactéria estiver no fragmento, converterá a ureia em bicarbonato, deixando o pH mais alcalino e gerando mudança na coloração (de amarelo para azul ou violeta), e dizemos que o teste foi positivo. Esse teste não é recomendado para o controle de cura após o tratamento, pois o uso de antibióticos reduz muito sua acurácia. Além disso, se o paciente estiver em uso de inibidor da bomba de prótons (IBP), a sensibilidade desse teste também cai bastante. FRASCO ANTES DE INTRODUZIR O FRAGMENTO DE MUCOSA MUDANÇA DE COR APÓS CONTATO COM O FRAGMENTO = “TESTE POSITIVO” m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 14Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 2.2.3 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NÃO INVASIVOS TESTE RESPIRATÓRIO COM UREIA MARCADA Esse teste é o padrão-ouro não invasivo, pois tem alta acurácia e não requer a realização de EDA. Também se baseia na capacidade da bactéria em produzir ureia. O paciente ingere um líquido contendo ureia marcada com carbono 13 (C13-Ur) ou carbono 14 (C14-Ur). Na presença de H. pylori, a ureia será degradada em amônia e bicarbonato, este último que será convertido em H2O e CO2, com eliminação do CO2 radiomarcado pelos pulmões. O paciente soprará em um recipiente com conteúdo cuja análise medirá a concentração de CO2 marcado, confirmando a presença da bactéria. Esse teste tanto pode ser usado para diagnóstico quanto para controle de cura. PESQUISA DO ANTÍGENO FECAL Também é um teste de boa acurácia tanto para diagnóstico quanto para controle de cura, realizado por meio da pesquisa do antígeno bacteriano nas fezes do paciente. É menos utilizado em razão da sua baixa aceitação, já que depende da coleta de fezes. No Brasil, é pouco disponível. SOROLOGIA É útil para detectar se o paciente já teve contato com H. pylori, ou seja, apenas em casos de história desconhecida de infecção. Porém, se o paciente já tiver feito tratamento prévio, a sorologia é incapaz de diferenciar infecção atual de pregressa, pois o IgG permanecerá positivo por tempo indeterminado. A tabela abaixo reúne todos os testes, bem como suas indicações: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 15Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional VAMOS TREINAR ESSE ASSUNTO COM UMA QUESTÃO ANTERIOR DO REVALIDA (REVALIDA INEP 2011) Homem, com 45 anos de idade, com dor epigástrica diária, ocorrendo no período pós-prandial e à noite, e perda ponderal de 4 kg, começou uso de inibidor de bomba de próton (IBP) com alguma melhora. Informa que não usa álcool ou anti-inflamatórios não hormonais. Ainda na vigência da medicação realizou endoscopia digestiva alta que revelou gastrite nodosa de antro e corpo, e úlcera duodenal em fase de cicatrização. Biópsias de mucosa gástrica foram realizadas durante o procedimento, e submetidas ao teste rápido de urease em fase líquida, cujo resultado foi negativo. Quanto ao tratamento para Helicobacter pylori nesse paciente, conclui-se que A) Não há necessidade de tratamento, pois o agente etiológico não é o Helicobacter pylori. B) Não há necessidade de tratamento, pois a cicatrização da úlcera ocorre após a erradicação da bactéria. C) O tratamento está indicado e o uso de IBP interfere no teste de urease. D) Há necessidade de tratamento profilático contra reinfecção, mesmo havendo cura. E) Há necessidade de tratamento especial para Helicobacter pylori resistente aos antibióticos. Testes diagnósticos para o Helicobacter pylori Teste Indicação de uso Invasivo Análise histopatológica Diagnóstico e Controle de Cura Teste rápido da urease Diagnóstico Não invasivo Teste respiratório com ureia marcada (carbono 13 ou carbono 14) Diagnóstico e Controle de Cura Pesquisa de antígeno fecal Diagnóstico e Controle de Cura Sorologia Diagnóstico m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 16Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional COMENTÁRIOS: A questão apresenta-nos um paciente com síndrome dispéptica crônica, tendo mais de 40 anos de idade e um sinal de alarme importante, que é a perda de peso. Por isso é que ele foi submetido a uma endoscopia digestiva alta para investigação de sua queixa. Mas perceba que ele fez esse exame já em uso do inibidor da bomba de prótons, que é um medicamento que diminui a sensibilidade do teste rápido da urease na pesquisa da bactéria Helicobacter pylori. Dessa forma, o resultado negativo do teste, como aconteceu nesse caso, deixa de ser confiável! O que podemos fazer para investigar a presença da bactéria nesse paciente? Na realidade, a melhor resposta não está entre as alternativas. Esse paciente poderia ser submetido à sorologia para o H. pylori, pois é um método que não sofre interferência pelo uso do IBP. Outra opção seria realizar a pesquisa do antígeno fecal, ou mesmo aguardar o resultado da análise histopatológica, que poderia revelar a presença da bactéria e indicar seu tratamento. O fato é que, diante da úlcera duodenal, é altamente provável que esse paciente esteja infectado pela H. pylori e que o resultado do teste rápido tenha sido falso-negativo pelo uso do IBP. Não temos nenhuma razão para considerar que seja uma bactéria resistente ou que seja uma reinfecção. A resposta “menos errada” nesse caso é a alternativa C, embora o ideal fosse esperar um resultado positivo antes de iniciar o tratamento, o que torna essa questão mal elaborada. GABARITO: alternativa C. 2.2.4 ESQUEMAS DE TRATAMENTO Nos pacientes com alguma indicação absoluta ou relativa, que tiverem a pesquisa de H. pylori positiva, está indicado o tratamento. Sobre os esquemas de tratamento, existem alguns conceitos fundamentais: • O tratamento deve incluir, no mínimo, 2 antibióticos em associação com um IBP. • Antibióticos com atividade contra a Helicobacter pylori incluem: amoxicilina, claritromicina, metronidazol, tetraciclina, doxiciclina, levofloxacina e furazolidona. • Bismuto é uma substância com ação bacteriostática contra H. pylori, usado em alguns esquemas terapêuticos, especialmente em associação com o metronidazol. • A primeira linha de tratamento é feita com um esquema tríplice, composto de inibidor da bomba de prótons (IBP), amoxicilina 2 g/dia e claritromicina 1 g/dia, durante 14 dias. Esse esquema só deve ser evitado em regiões com conhecida resistência à claritromicina ou em pessoas alérgicas à penicilina (pois fazem alergia cruzada à amoxicilina). • Evite usar, em um mesmo esquema, a claritromicina e o metronidazol, pois são os 2 antibióticos que mais têm apresentado resistência bacteriana, que está cada vez maior. PRESTE MAIS ATENÇÃO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 17Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Veja abaixo o resumo com as principais indicações de tratamento: Esquemas de tratamento conforme o IV Consenso Brasileiro de Manejo do H. pylori, 2018 LINHAS DE TRATAMENTO ESQUEMA RECOMENDADO PRIMEIRA LINHA TERAPIA TRIPLA COM CLARITROMICINA (preferencial): IBP 2x/dia + amoxicilina 1.000 mg 2x/dia + claritromicina 500 mg 2x/dia durante 14 dias. TERAPIA QUÁDRUPLA COM METRONIDAZOL (O-MET-BIS-TET): (indicado nas regiões onde há alta resistência à claritromicina): Omeprazol (ou outro IBP) 2x/dia + METronidazol 500 mg 3x/dia + BISmuto 240 mg 2x/dia + TETraciclina 500 mg 4x/diapor 10 a 14 dias. RETRATAMENTO Após falha da primeira linha TERAPIA TRIPLA COM LEVOFLOXACINO (AMO-LEVO): IBP 2x/dia + AMOxicilina 1.000 mg 2x/dia + LEVOfloxacina 500 mg 1x/dia durante 10 dias. TERAPIA QUÁDRUPLA COM METRONIDAZOL (O-MET-BIS-TET): Esse esquema apresentado como 1ª linha também pode ser usado como retratamento. ALÉRGICOS A PENICILINA ESQUEMA CLARI-LEVO: IBP 2x/dia + CLARItromicina 500 mg 2x/dia + LEVOfloxacina 500 mg/dia por 14 dias. TERAPIA QUÁDRUPLA COM METRONIDAZOL (O-MET-BIS-TET): Esse esquema é um “curinga” e pode ser usado em alérgicos à penicilina. Existe a opção de trocar a tetraciclina pela doxiciclina 100 mg 2x/dia. O tempo de tratamento nesse caso é de 14 dias. SEGUNDA E TERCEIRA LINHAS ESQUEMA COM FURAZOLIDONA (AMO-FURA): IBP 2x/dia + AMOxicilina 1.000 mg 2x/dia + FURAzolidona 200 mg 2x/dia durante 10 a 14 dias. ESQUEMA AMO-LEVO+BISMUTO: IBP 2x/dia + AMOxicilina 1.000 mg 2x/dia + LEVOfloxacina 500 mg 1x/dia + BISmuto 240 mg 2x/dia durante 10 dias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 18Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional VAMOS TREINAR O QUE ACABAMOS DE APRENDER COM QUESTÃO ANTERIOR DO REVALIDA (REVALIDA INEP 2015) Uma paciente de 41 anos de idade, com queixa de dor epigástrica em queimação de longa data relacionada à ingesta de alimentos condimentados, retorna em consulta ambulatorial tendo como resultado de endoscopia digestiva alta o diagnóstico de úlcera duodenal e pesquisa de H. pylori positivo. Relatava uso esporádico de antiácidos, mas com pouca melhora da dor. Nega uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES). Qual a associação de medicamentos com melhor nível de evidência científica para o tratamento desse caso? A) Agente antissecretor, omeprazol e claritromicina. B) Inibidor da bomba de prótons, eritromicina e amoxicilina. C) Inibidor da bomba de prótons, amoxicilina e claritromicina. D) Antagonistas do receptor H2 de histamina, claritromicina e amoxicilina. COMENTÁRIOS: Nosso paciente tem diagnóstico de úlcera duodenal, que está relacionada à infecção pelo H. pylori em mais de 90% dos casos. Lembre-se de que a doença ulcerosa é uma das indicações absolutas para erradicação dessa bactéria. A questão exige que o candidato conheça o esquema de primeira linha de tratamento, que é a associação entre um IBP (como lansoprazol), amoxicilina e claritromicina durante 14 dias. Qualquer que seja o esquema, precisa contar com, no mínimo, 2 antibióticos efetivos contra essa bactéria, associados ao inibidor da bomba de prótons. A eritromicina não é um antibiótico efetivo contra essa bactéria, e os inibidores do receptor H2 (como ranitidina, famotidina ou cimetidina) não têm atividade bacteriostática contra o H. pylori, por isso o único antissecretório indicado é o IBP. A única opção possível é a letra C. GABARITO: alternativa C. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 19Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional (REVALIDA INEP 2014) Um paciente com 52 anos de idade, atendido no Ambulatório com queixa de dor epigástrica há quatro meses retorna ao Ambulatório com o resultado de endoscopia digestiva alta, que evidenciou úlcera duodenal com pesquisa positiva para a presença do H. pylori. Além do inibidor de bomba de prótons duas vezes ao dia, o tratamento medicamentoso recomendado para o paciente é: A) Amoxicilina na dose de 500 mg de 8/8 horas, por 7 dias. B) Claritromicina na dose de 500 mg de 12/12 horas por 10 dias. C) Claritromicina e amoxicilina, ambos na dose de 1 g, uma vez ao dia, por 7 dias. D) Claritromicina 500 mg de 12/12 horas e amoxicilina – 1 g de 12/12 horas, por 10 dias. COMENTÁRIO: Veja como esse tema cai muito na prova do Revalida! Temos mais um paciente com úlcera duodenal e pesquisa de H. pylori positiva, sendo exigido novamente que o aluno conheça o esquema de primeira linha para erradicação dessa bactéria. Já sabemos que a associação de amoxicilina e claritromicina é sempre a primeira escolha, a não ser que o paciente resida em uma área onde a resistência à claritromicina é conhecidamente alta, optando-se, nesse caso, pela combinação de metronidazol, tetraciclina, bismuto e um IBP. Porém, não é esse o caso em questão. Outra observação é que o tempo ideal do tratamento com amoxicilina e tetraciclina é de 14 dias, e não 10, mas, como a questão é de 2014, anterior ao novo consenso de 2018, está perdoada por esse deslize! GABARITO: alternativa D. (REVALIDA INEP 2012) Um homem de 40 anos de idade apresentou úlcera duodenal com biópsia positiva para Helicobacter pylori. Fez tratamento durante 7 dias com omeprazol, amoxicilina e claritromicina, em doses padrão. Endoscopia de controle repetida após oito semanas de tratamento revela persistência de H. pylori na biópsia. Qual a conduta mais adequada para o tratamento desse paciente? A) Omeprazol, amoxicilina e furazolidona por 10 dias. B) Omeprazol, levofloxacina e amoxicilina por 10 dias. C) Pantoprazol, amoxicilina e claritromicina por 14 dias. D) Pantoprazol, sais de bismuto, furazolidona e claritromicina por 10 dias. E) Pantoprazol, sais de bismuto, levofloxacina e claritromicina por 10 dias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 20Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional COMENTÁRIO: Dessa vez, temos um paciente que já fez o tratamento com o esquema de primeira linha, mas o controle de cura feito 8 semanas após revela que a bactéria ainda está presente em seu estômago. Precisamos indicar o tratamento de segunda linha, e, nesse caso, a opção mais indicada é a combinação de levofloxacina, amoxicilina e um IBP durante 10 dias. Lembre-se de que, se a bactéria não respondeu a um determinado esquema antibiótico, nós não devemos insistir naquela mesma combinação de drogas, mesmo que por um tempo de tratamento mais prolongado. Outra opção de tratamento seria o esquema quádruplo: metronidazol, tetraciclina (ou doxiciclina), bismuto e IBP por 10 dias, mas essa é uma combinação com mais efeitos colaterais, além disso, não está entre as alternativas. A combinação de levofloxacina e claritromicina só é feita nos pacientes com alergia à penicilina, e mesmo assim não utilizamos o bismuto nesse esquema. Já a furazolidona costuma ser usada em combinação com a tetraciclina como quarta linha de tratamento. GABARITO: alternativa B. 2.3 GASTRITES Por definição, gastrite é qualquer inflamação superficial que acomete a mucosa gástrica, seja por uma injúria aguda ou crônica, sendo uma condição assintomática na grande maioria das vezes. Embora seja um tema com várias classificações endoscópicas, ele não é aprofundado nas provas do Revalida nem nos concursos de Residência Médica de acesso direto. Basicamente, você só precisa conhecer sua classificação clínica, as principais etiologias e os mecanismos fisiopatológicos, que estão resumidos na tabela abaixo: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 21Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Classificações e etiologia das gastrites Conforme o tipo de infiltrado inflamatório Gastrite aguda H. pylori, AINEs, álcool, medicações ou drogas Gastrite crônica H. pylori, gastrite autoimune e alcalina Conforme a causa ou o mecanismo inflamatório Gastrite por Helicobacter pylori (antiga gastrite tipo B) Gastrite atrófica autoimune (antiga gastrite tipo A) Gastrite alcalina (por refluxo biliar) Gastrite por estresse (lesão aguda da mucosa gástrica) Tiposespeciais Doença de Ménétrier (gastrite hipertrófica gigante) Gastrites infecciosas por outros agentes (incluindo a flegmonosa) Gastrite eosinofílica Gastrite linfocítica Gastrite granulomatosa Gastrite isquêmica A seguir, optamos por fazer uma rápida revisão sobre 2 tipos especiais de gastrite que, eventualmente, podem aparecer em sua prova: gastrite autoimune e doença de Ménétrier. GASTRITE AUTOIMUNE Antigamente chamada de gastrite do tipo A, essa doença caracteriza-se pela destruição imunológica das glândulas oxínticas do corpo e fundo gástricos, com redução da produção de ácido clorídrico e do fator intrínseco, levando à hipocloridria e à redução dos níveis séricos da vitamina B12. A atrofia acontece exclusivamente no corpo gástrico, por isso há uma queda na produção do pepsinogênio tipo I (PEP-1), predominando o tipo II (PEP-2). Os autoanticorpos marcadores são o ANTIFATOR INTRÍNSECO e o ANTICÉLULA PARIETAL. Além de sintomas dispépticos, como epigastralgia, plenitude e empachamento, o principal destaque dessa doença são os sintomas da deficiência grave da vitamina B12, provocando a chamada anemia megaloblástica e sintomas neurológicos. Fique atento aos sintomas dessa doença em sua forma mais grave, pois eles podem cair na sua prova: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 22Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional • Mal-estar generalizado, fadiga, cansaço, sonolência; • Hematológicos: anemia megaloblástica (perniciosa); • Neurológicos: tremores, desequilíbrio, paraparesia espástica; • Psiquiátricos: raciocínio lento, sonolência, esquecimento, demência; • Gastrointestinais: alterações do paladar e apetite, glossite, queilite angular. Sabe o que também pode cair na prova sobre essa gastrite? Veja no quadro abaixo: A atrofia glandular do corpo também favorece o surgimento de metaplasia intestinal e displasia, aumentando bastante o risco de adenocarcinoma gástrico nesses pacientes. Também aqui é justificável a vigilância com endoscopias digestivas a cada 2 ou 3 anos. Para finalizar esse assunto, é importante que você saiba as características que diferenciam a gastrite crônica pelo H. pylori (antiga gastrite tipo B) da gastrite atrófica autoimune (antiga tipo A). Veja abaixo: Diagnóstico diferencial entre gastrite crônica por H. pylori “versus” gastrite autoimune GASTRITE AUTOIMUNE GASTRITE CRÔNICA PELO H. PYLORI Atrofia exclusiva do corpo, o antro é poupado Pangastrite, com antro “inflamado” ou “atrófico” ↓PEP-1, ↓PEP-1/PEP-2 Variável, podem cair os 2 tipos de pepsinogênio Antifator intrínseco e anticélula parietal Helicobacter pylori+ Hipergastrinemia acentuada Gastrina normal ou discretamente aumentada DOENÇA DE MÉNÉTRIER Também chamada de gastrite hipertrófica gigante, é uma forma rara de gastropatia adquirida que afeta homens entre 30 e 50 anos de idade. Há um marcado aumento de fatores de crescimento epiteliais que estimulam o crescimento das pregas gástricas, que se tornam hipertróficas e passam a secretar exageradamente muco e proteína. Veja uma ilustração das pregas gástricas hipertróficas na figura ao lado. É uma doença, portanto, com perda importante de proteínas, podendo gerar edema periférico e diarreia (pela hipersecreção de bicarbonato). Por outro lado, a secreção de ácido clorídrico está suprimida, e encontramos como marcas da doença os seguintes achados: ESTA CAI NA PROVA! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 23Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional • Hiperplasia das pregas do corpo e fundo gástricos 🡪 provoca epigastralgia, náuseas, vômitos e empachamento, além de perda do apetite e emagrecimento. • Hipocloridria. • Hipersecreção de muco e bicarbonato 🡪 gerando diarreia secretória. • Perda de proteínas 🡪 provocando edema periférico importante. O paciente pode ter remissão espontânea ou melhora sintomática com uso de antissecretórios (IBPs e anti-H2), que se mostraram úteis em reduzir a hipersecreção de muco e proteínas. Na falha de qualquer terapia medicamentosa e diante da perda grave de proteínas, há indicação de gastrectomia. Veja uma ilustração do aspecto das pregas gástricas nessa doença: ATENÇÃO DECORE! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 24Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 2.4 DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA (DUP) Úlcera é uma solução de continuidade profunda do epitélio gástrico, capaz de expor o tecido conjuntivo (submucosa), podendo também alcançar a camada muscular ou até perfurar toda a parede. O epitélio gástrico é revestido por uma camada protetora formada por muco, bicarbonato e fosfolipídios, o que “defende” a mucosa do efeito lesivo do ácido clorídrico, da pepsina e de tantas outras substâncias. A formação desse muco depende da integridade das células epiteliais, da vascularização submucosa e da produção adequada das PROSTAGLANDINAS CONSTITUTIVAS, substâncias essenciais para manter a regeneração epitelial e a vascularização submucosa e diminuir o estresse oxidativo sobre a mucosa. 2.4.1 ETIOPATOGENIA Para haver úlcera péptica, é necessário que haja o aumento dos fatores lesivos à mucosa (essencialmente o ácido clorídrico) ou a diminuição dos mecanismos de defesa, deixando o epitélio exposto à ação lesiva do próprio ácido. As duas principais etiologias da DUP são a infecção crônica pela Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que devem atuar em pelo menos um desses mecanismos para provocar lesão. Helicobacter pylori pode causar úlcera péptica tanto com hipercloridria (quando coloniza inicialmente o antro, gerando uma hiperplasia de células G e hipergastrinemia) quanto com normo ou hipocloridria (quando se espalha por todo o estômago, causando uma pangastrite atrófica que destrói as glândulas e consome o muco protetor do epitélio, havendo úlcera mesmo com baixa produção de ácido). Essa bactéria é a principal etiologia da úlcera péptica, sendo responsável por 60 a 70% das úlceras gástricas e até 95% das úlceras duodenais. Após sua erradicação adequada, a recidiva da úlcera é rara. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 25Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são inibidores da via enzimática das ciclo-oxigenases (COX). A COX-1 dá origem às prostaglandinas constitutivas, que participam da síntese do muco protetor do epitélio gástrico, enquanto a COX-2 origina as prostaglandinas inflamatórias. A maioria dos AINEs são não seletivos, inibindo tanto a COX-2 quanto a COX-1, comprometendo com isso a produção do muco protetor gástrico. Podemos citar como exemplos o ibuprofeno, cetoprofeno, naproxeno, diclofenaco, meloxicam, tenoxicam e cetorolaco. O uso dessas drogas é a segunda causa mais comum de úlcera péptica, especialmente em pacientes idosos com idade mais avançada, com múltiplas comorbidades, que fazem uso combinado de antiagregantes e anticoagulantes, que já tenham passado de úlcera péptica ou infecção pelo H. pylori. Nessa população, há discreto predomínio da úlcera gástrica sobre a duodenal. No início dos anos 2000, foram lançados os anti-inflamatórios seletivos da COX-2, sendo muito celebrados por não provocarem úlcera péptica. Entretanto, grande parte dessas drogas foi retirada do mercado por eventos adversos cardiovasculares graves, como AVC e IAM. Atualmente, apenaso celecoxibe e o etoricoxibe são comercializados, porém sob alta vigilância. Existem ainda outras etiologias especiais de úlcera péptica que, embora sejam bem menos comuns, merecem atenção, pois entram no diagnóstico diferencial em diversas questões. As mais importantes serão lembradas a seguir: • Síndrome de Zollinger-Ellison: caracteriza- se por múltiplas úlceras no estômago, no duodeno e às vezes até no esôfago, em razão de um tumor neuroendócrino produtor de gastrina (gastrinoma). A gastrina estimula a hipercloridria pelas células parietais, levando à formação de múltiplas úlceras refratárias ao tratamento com IBP, dor abdominal e, eventualmente, diarreia secretória. A investigação começa pela dosagem da gastrina, que costuma estar > 1.000 pg/mL. Valores inconclusivos indicam a realização do teste da secretina, que, após ser infundida no paciente, eleva bastante os níveis da gastrina, aumentando a suspeita do gastrinoma. A seguir, o tumor deverá ser localizado por um exame de imagem (cintilografia com infusão de octreotide radiomarcado – Octreoscan®) e removido por tratamento cirúrgico. • Úlceras de estresse: ocorrem em pacientes que sofreram lesão aguda do sistema nervoso central (trauma ou AVC hemorrágico), politraumatizados, grandes queimados e paciente com instabilidade hemodinâmica grave. A úlcera forma-se por redução abrupta de fatores de proteção à mucosa gástrica em razão da hipoperfusão e da diminuição das prostaglandinas constitutivas. No caso do trauma ao SNC, há ainda a hipercloridria em razão do grande estímulo vagal (liberação de acetilcolina estimula a produção de ácido clorídrico no estômago). Pacientes com ventilação mecânica prolongada (> 48 horas) e discrasia têm risco aumentado de hemorragia por úlceras de estresse, havendo recomendação para profilaxia com inibidores da bomba de prótons. TOME NOTA! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 26Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Há 2 importantes epônimos da úlcera de estresse: - Úlceras de estresse em pacientes com trauma do SNC 🡪 ÚLCERAS DE CUSHING. - Quando ocorrem em grandes queimados 🡪 ÚLCERAS DE CURLING. Memorize assim: CUSHING CURLING LESÃO DO SNC GRANDES QUEIMADOS 2.4.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Grande parte dos pacientes com úlcera péptica é assintomática. Porém, aqueles que apresentam queixas geralmente têm periodicidade e ritmicidade, o que significa uma certa previsibilidade dos sintomas. Por exemplo, a úlcera gástrica costuma piorar a dor quando o paciente se alimenta; já a úlcera duodenal piora após o jejum prolongado, especialmente de madrugada, acordando o paciente (sintoma conhecido como clocking). Use esta imagem para ajudá-lo a memorizar: 2.4.3 INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR O principal exame para investigação é a endoscopia digestiva alta (EDA), já que é capaz de avaliar a mucosa e realizar biópsias para estudo histopatológico. Lembre-se de que a úlcera gástrica SEMPRE deverá ser biopsiada para afastar o diagnóstico de neoplasia, já que o aspecto endoscópico da lesão nem sempre permite determinar sua natureza neoplásica ou não. Já a úlcera duodenal não requer biópsias, pois a confusão com neoplasia de duodeno é raríssima. Além disso, a histopatologia possibilita a pesquisa do Helicobacter pylori, principal etiologia da DUP. Lembre-se de que, se estiver presente, essa bactéria GÁSTRICA Quando dói? O M E DUODENAL Quando dói? J E J U M m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 27Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional ÚLCERA PÉPTICA em atividade? ÚLCERA totalmente cicatrizada • OBRIGATÓRIO repetir a EDA para controle da cicatrização • Se a úlcera for GÁSTRICA deve ser novamente biopsiada • Controle de cura do H. pylori será feito pela análise histopatológica • Se a biópsia veio negativa para neoplasia, nao precisa repetir • Controle de cura do H. pylori pode ser por testes NÃO INVASIVOS precisa obrigatoriamente ser tratada para diminuir a recorrência da úlcera, bem como suas complicações. Após 4 a 8 semanas do tratamento da bactéria, é preciso fazer o controle de cura, que deve ser feito pela EDA (histopatológico) no caso de ter havido úlcera gástrica ativa no primeiro exame. No caso da úlcera duodenal, o controle de cura não precisa obrigatoriamente ser endoscópico, podendo ser realizado por métodos não invasivos (teste rápido da urease ou pesquisa do antígeno fecal). Portanto, lembre-se: A úlcera péptica tem uma classificação muito importante, que é a classificação de JOHNSON, que, embora seja muito antiga, é bastante lembrada nos concursos. Ela informa o tipo da úlcera por sua localização e mecanismo de produção de ácido. Memorize a tabela abaixo (muito importante): Classificação de Johnson modificada para úlcera gástrica Localização Produção de ácido Tipo I: 60 a 70% Pequena curvatura junto à incisura angularis. Normo ou Hipocloridria Tipo II: 15% Gástrica e Duodenal Hipercloridria Tipo III: 20% Canal pilórico ou até 3 cm do piloro Hipercloridria Tipo IV:INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS O principal mecanismo dos IBPs é a supressão da produção do ácido clorídrico. Fazem isso ao bloquear a última etapa da síntese do HCl, que é a liberação dos íons H+ para o lúmen gástrico, feita pela enzima hidrogênio-potássio adenil-trifosfatase, conhecida como bomba de prótons. Devem ser usados em jejum, 30 a 60 minutos antes da refeição, enquanto as bombas de prótons ainda estão inativadas, formando uma forte ligação covalente com elas, bloqueando-as de forma irreversível. Levará cerca de 4 dias para que uma nova bomba seja produzida, e é por isso que o efeito máximo de bloqueio ácido é alcançando a partir do 4º dia de uso contínuo de IBP. Além do efeito antiácido, essas drogas também têm efeito bacteriostático contra o Helicobacter pylori, fazendo parte de todos os esquemas terapêuticos de erradicação. Veja a figura abaixo para memorizar o mecanismo de ação e farmacodinâmica dessas drogas: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 30Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional O assunto mais “quente” sobre os IBPs diz respeito a seus efeitos colaterais de longo prazo, embora os eventos adversos mais comuns sejam aqueles que podem ocorrer já na primeira tomada, como cefaleia, diarreia, dor abdominal e flush facial. Os tão badalados efeitos do uso crônico são pouco comuns, ganhando maior importância na população idosa, como deficiência de vitamina B12, deficiência na absorção de cálcio (facilitando fraturas), diarreia infecciosa por Clostridium difficile ou diarreia microscópica (colite linfocítica). Em pacientes com insuficiência renal crônica insipiente, o uso dos IBPs aumentaria o risco de deflagrar piora da função renal. Com relação à interação medicamentosa, IBPs são metabolizados no fígado e saturam o sistema enzimático do citocromo P450. As drogas que usam essa via para liberação da substância ativa, como clopidogrel e alguns antirretrovirais, teriam seu nível sérico diminuído. Enquanto as drogas que são inativadas por essa via, como os cumarínicos (varfarina), fenitoína e digoxina, têm seu nível sérico aumentado. A tabela abaixo resume os principais aspectos dos IBPs: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 31Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Principais características dos inibidores da bomba de prótons MECANISMOS DE AÇÃO ANTIÁCIDO Bloqueio irreversível da bomba de prótons (enzima H+, K+ ATPase), reduzindo a produção do ácido clorídrico em mais de 90%. Efeito máximo no 4º dia de uso contínuo. Usar 30 a 60 minutos antes das refeições. ERRADICAÇÃO DO H. PYLORI Efeito bacteriostático contra o H. pylori: inibe a UREASE bacteriana e dificulta adesão da bactéria à superfície do epitélio das glândulas oxínticas. ANTI-INFLAMATÓRIO ESOFÁGICO Inibe linfócitos T-helper 2 e interleucinas na esofagite eosinofílica, reduzindo expressão da eotaxina e diminuindo infiltrado de eosinófilos no esôfago. INDICAÇÕES Úlcera péptica, DRGE, gastrites, síndrome de Zollinger-Ellison, erradicação do Helicobacter pylori, esofagite eosinofílica e dispepsia funcional. EFEITOS COLATERAIS ESPORÁDICOS Mais comuns Cefaleia, diarreia, dor abdominal, constipação, náuseas e vômitos. USO CRÔNICO Mais relevantes Colite por Clostridium, colite microscópica, deficiência de vitamina B12, risco de fraturas, pneumonia (provável), demência (não comprovado). INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DROGAS QUE TÊM SEU NÍVEL SÉRICO REDUZIDO Clopidogrel, TARV: atazanavir e rilpivirina, itraconazol, cetoconazol DROGAS QUE TÊM SEU NÍVEL SÉRICO AUMENTADO Cumarínicos Metotrexato Diazepam, carbamazepina, fenitoína e fenobarbital Digoxina m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 32Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional VAMOS TREINAR COM UMA QUESTÃO ANTERIOR DO REVALIDA? (REVALIDA INEP 2021) Um homem, com 58 anos de idade, foi atendido em ambulatório de hospital secundário. Relatava dor e queimação epigástrica que aumentava após a ingestão de alimentos, acompanhada de plenitude pós- prandial. Realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou úlcera com 5 mm de diâmetro na parede anterior do antro gástrico, na região pré-pilórica. Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada a ser seguida. A) Solicitar endoscopia com biópsias seriadas para excluir neoplasia gástrica e pesquisar Helicobacter pylori. B) Indicar tratamento operatório pela localização da úlcera e risco de perfuração. C) Prescrever inibidor de secreção gástrica por 6 a 8 semanas e solicitar endoscopia com pesquisa de Helicobacter pylori, avaliando a cicatrização. D) Prescrever inibidor da secreção gástrica e tratar Helicobacter pylori empiricamente por sua prevalência em ulcerosos, evitando recidiva. COMENTÁRIOS: Temos um homem com mais de 50 anos e sintomas dispépticos crônicos, por isso foi necessário investigar com endoscopia digestiva alta, até mesmo para descartar doenças mais graves, como neoplasia gástrica. Perceba que a dor piorava após a alimentação, então você já devia estar desconfiado de que se tratava de uma úlcera gástrica e acertou! Bom, ele chega a seu ambulatório queixando-se de dor e já trazendo o resultado de uma endoscopia digestiva que revela a tal úlcera no antro. Mas não fizeram biópsia da úlcera? Pelo visto, não. Não fizeram pesquisa para H. pylori? Também não. E agora? O paciente está com dor, o que fazer? O mais adequado é já tratar a dor do paciente com IBP (afinal, ele foi até o consultório por causa da dor) e programar uma nova endoscopia em 6 a 8 semanas, tanto para fazer o controle de cicatrização da úlcera quanto para pesquisar a presença da bactéria. Se vier positivo, estará indicada sua erradicação com esquema antibiótico. GABARITO: alternativa C.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 33Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional 2.4.5 COMPLICAÇÕES As 3 complicações mais importantes da DUP são: sangramento, perfuração e estenose (obstrução pilórica). Todas estão caindo em frequência, ficando o sangramento como a complicação mais comum (25% dos casos), especialmente a úlcera duodenal na parede posterior do bulbo, onde passa a artéria gastroduodenal. Hemorragia digestiva alta é estudada com bastantes detalhes em outro material. Aqui é importante você memorizar o seguinte: • A 1ª conduta na abordagem da HDA é reposição volêmica (com cristaloides). • IBP é medicação obrigatória, uma vez que eleva o pH gástrico e ajuda a estabilizar o coágulo. • Não há indicação para tratar H. pylori na fase aguda. A bactéria deve ser investigada e tratada eletivamente para evitar recidiva da úlcera. • O principal exame é a endoscopia digestiva alta, usada tanto para diagnóstico quanto para tratamento, estimando o risco de ressangramento pela classificação de Forrest (não deixe de rever o material PNEUMOPERITÔNIO SUBDIAFRAGMÁTICOSINAL DE RIGLER de hemorragia digestiva para maiores detalhes). • Raramente essa complicação é tratada com cirurgia, apenas quando há falha no tratamento endoscópico e/ou instabilidade hemodinâmica refratária. Perfuração é a segunda complicação mais comum, porém é a de maior mortalidade e deve ser rapidamente conduzida, pois pode evoluir em poucas horas para sepse abdominal e óbito. Considere a hipótese de perfuração em pacientes com dor abdominal de início súbito, com sinais de irritaçãoperitoneal (rigidez, descompressão dolorosa e abdome em tábua). Ao exame físico, também é clássico o sinal de Jobert, caracterizado por hipertimpanismo na área hepática, em vez de macicez, em razão da presença de ar no espaço subdiafragmático. O tratamento dessa condição é cirúrgico e será discutido logo mais abaixo. Há 2 imagens radiológicas clássicas que caem nas provas: o sinal de Rigler (presença de gás realçando a parede das alças intestinais) e o pneumoperitônio junto às cúpulas diafragmáticas. Veja: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 34Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional A complicação menos frequente é a obstrução (estenose pilórica), principalmente porque depende de recidivas frequentes da úlcera para formar fibrose e estenosar o segmento. O tratamento atual é tão efetivo na prevenção de recidivas, que essa complicação ocorre cada vez menos. Caracteriza-se por sintomas de obstrução gástrica, como distensão abdominal, plenitude, saciedade precoce, náuseas, vômitos não biliosos e emagrecimento progressivo. Esses pacientes costumam chegar à emergência desidratados, desnutridos e com alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica, pois perdem muito ácido clorídrico (HCl) nos vômitos, e a hipocalemia desenvolve-se na tentativa de o organismo preservar íons H+ no intravascular, em detrimento dos íons K+. O tratamento é cirúrgico (ou dilatação endoscópica, se possível), porém não devem ser operados de imediato, já que estão muito descompensados. Deve-se melhorar o nível nutricional por meio de nutrição parenteral e corrigir os distúrbios hidreletrolíticos antes de se pensar na abordagem invasiva. HORA DE PRATICAR COM MAIS UMA QUESTÃO ANTERIOR DO REVALIDA (REVALIDA INEP 2011) Mulher, com 35 anos de idade, procura atendimento médico por apresentar quadro de dor de início súbito, com localização inicial na região epigástrica, inicialmente acompanhada de vômitos, com rápida expansão para o flanco e a fossa ilíaca direita e, posteriormente, para todo o abdome. A paciente apresenta extremidades frias e respiração superficial; busca manter-se imóvel e adota posição antálgica, com pernas fletidas sobre o tronco. O abdome é difusamente doloroso, sendo evidentes a contratura abdominal e a rigidez da musculatura abdominal à palpação e à respiração. A radiografia de tórax e a radiografia simples de abdome, ambas realizadas em ortostatismo, mostram pneumoperitôneo. Com relação à complicação apresentada pela paciente, é correto afirmar que A) Figura entre as causas mais frequentes de abdome agudo não traumático e metade dos casos ocorre em pacientes com idade entre 20 e 40 anos. B) Nas úlceras duodenais as perfurações ocorrem, de um modo geral, na parede posterior e na curvatura do duodeno. C) Nas úlceras gástricas as perfurações ocorrem, usualmente, na parede posterior do antro e da região pré-pilórica. D) A área mais acometida por perfurações de úlceras pépticas é o estômago, na proporção de 14:1 em relação ao duodeno. E) A mortalidade é proporcionalmente maior nas perfurações duodenais, em torno de 20%, talvez porque acometam pacientes mais idosos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 35Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional COMENTÁRIO: Essa mulher apresenta-se com dor súbita e intensa no epigástrio, que se difunde para todo o abdome e é acompanhada de vômitos. O exame físico com posição antálgica e os sinais de irritação peritoneal (contratura e rigidez abdominal) fazem-nos suspeitar de abdome agudo perfurativo. Poderia ser apendicite, pancreatite ou colecistite? Veja bem, meu caro Revalidando, diante de um quadro tão súbito, com rápida evolução para sinais de irritação peritoneal e evidência de pneumoperitônio na radiografia de abdome, devemos suspeitar de perfuração de víscera oca, algo que não acontece na colecistite ou pancreatite, tampouco tem evolução tão rápida na apendicite. A principal etiologia de abdome agudo perfurativo em pacientes jovens (20 a 40 anos) é a úlcera péptica, que deve ser o diagnóstico nesse caso. O principal local da perfuração é a parede anterior do duodeno, não a parede anterior. No caso de a perfuração ocorrer no estômago (o que é menos frequente do que no duodeno), a parede anterior do antro é o local mais acometido. GABARITO: alternativa A. 2.4.6 TRATAMENTO CIRÚRGICO Hoje em dia, o tratamento cirúrgico da úlcera está limitado às complicações agudas refratárias (sangramento, perfuração e obstrução) e à úlcera péptica intratável, definida como úlcera que não cicatriza após 8 a 12 semanas de tratamento medicamentoso adequado ou recaída após término do tratamento. Vamos resumir as técnicas indicadas em cada uma dessas situações. 2.4.6.1 INTRATABILIDADE CLÍNICA A intratabilidade clínica é uma indicação ELETIVA, ou seja, não é uma urgência, e devemos investigar e descartar outros diagnósticos importantes antes de indicar cirurgia. Fique ligado no conceito: Toda úlcera péptica considerada intratável deve ser investigada para síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma) e úlcera maligna (adenocarcinoma gástrico), antes de se indicar o tratamento cirúrgico. FIQUE ATENTO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 36Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Após a definição do tratamento cirúrgico, a técnica indicada vai depender do tipo de úlcera segundo a classificação de Johnson, ou seja, levando em consideração sua localização e o grau de produção ácida. Vamos relembrar das principais técnicas: RESSECÇÃO “EM CUNHA” Excisão apenas da úlcera com pequena margem de tecido ao redor, usada para úlceras pequenas no antro ( 2 cm) quanto para tratar os casos de hipercloridria (úlceras tipo II, III e duodenal). VAGOTOMIAS A secção dos nervos vagos diminui o estímulo colinérgico para produção do ácido e pode ser feita em 3 níveis, troncular, seletiva ou superseletiva: - Troncular: secciona os nervos vagos direito e esquerdo acima da origem dos ramos celíaco e hepático, comprometendo a inervação de outros órgãos abdominais, como fígado, pâncreas e intestinos. Essa técnica compromete o esvaziamento gástrico e precisa ser associada a uma piloroplastia (abertura do esfíncter pilórico), para evitar sintomas de gastroparesia. Reduz a produção de ácido em 50%. - Seletiva: é a secção dos nervos vagos abaixo dos ramos celíaco e hepático, ou seja, não compromete a inervação de outros órgãos abdominais, mas também não preserva a motilidade gástrica. Tem sido abandonada, pois é mais trabalhosa e não tem tanto ganho. - Superseletiva: consiste na secção apenas dos ramos do nervo vago para o corpo e fundo gástricos, poupando o antro e o piloro. Dessa forma, preserva a motilidade antral e o controle do esvaziamento gástrico, não sendo necessária a realização de uma piloroplastia. A desvantagem é que a taxa de recorrência da úlcera é de 15%. Logo abaixo, veja uma ilustração da piloroplastia mais comum, que é a técnica de Heineke-Mikulicz (secção do piloro em sentido longitudinal e fechamento em sentido transversal): m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 37Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia FuncionalBILLROTH I É uma anastomose direta entre o coto gástrico e o coto duodenal, preservando a continuidade anatômica do tubo digestivo, sendo a técnica preferida em ressecções menores, quando os segmentos são aproximados sem tensão. Excisão apenas da úlcera com pequena margem de tecido ao redor, usada para úlceras pequenas no antro ( 2 cm) ou gastrectomias distais ampliadas, gastrectomias subtotais ou totais (úlceras proximais tipo IV). - Úlceras associadas à HIPERCLORIDRIA precisam de técnicas para reduzir a secreção ácida, como as vagotomias e antrectomias. Isso ocorre na úlcera duodenal e nas gástricas dos tipos II e III. RECONSTRUÇÕES DO TRÂNSITO GASTROINTESTINAL: sempre que for realizada a ressecção de segmentos gástricos (antrectomia ou gastrectomias subtotais), haverá a necessidade de reconstruir o trânsito gastrointestinal. As técnicas utilizadas são as reconstruções à Billroth I, Billroth II ou a reconstrução em Y de Roux, resumidas a seguir: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 38Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Y de ROUX É uma anastomose entre o coto gástrico e um segmento bem distal do jejuno, excluindo todo o duodeno e boa parte do jejuno do trânsito intestinal. Com isso, essa técnica afasta a drenagem biliar para bem distante do remanescente gástrico, diminuindo muito ou até anulando o risco de refluxo biliar e gastrite alcalina, porém associa-se a distúrbios disabsortivos (deficiência de vitamina B12 e ferro), além da chamada estase da alça de Roux (síndrome de Roux), que veremos logo mais. 2.4.6.2 HEMORRAGIA DIGESTIVA Cerca de 5 a 10% das hemorragias por úlcera péptica precisarão de tratamento cirúrgico, sendo a úlcera duodenal culpada pela maioria dos casos. As principais indicações são falha da terapia endoscópica - Úlcera gástrica: excisão da úlcera (ressecção em cunha). No caso das úlceras com hipercloridria, a antrectomia com vagotomia poderia ser realizada em pacientes estáveis, com critérios de intratabilidade clínica. - Úlcera duodenal: indica-se a sutura do vaso, quase sempre a artéria gastroduodenal na parede posterior do bulbo. Em pacientes estáveis e com critérios de intratabilidade, pode-se realizar a vagotomia superseletiva ou vagotomia troncular com piloroplastia. 2.4.6.3 PERFURAÇÃO Como já foi dito, essa é a complicação mais grave da úlcera péptica, com mortalidade podendo chegar a 15%, ocorrendo principalmente na parede anterior do bulbo duodenal, associada à hipercloridria e à infecção pelo H. pylori. e instabilidade hemodinâmica refratária (choque não responsivo à reposição volêmica ou à transfusão de mais de 3 concentrados de hemácias). E quais são as técnicas de emergência no sangramento refratário? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 39Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional TÉCNICAS CIRÚRGICAS RECOMENDADAS - Úlceras duodenais menores que 1 cm: rafia primária com reforço de um patch omental. - Úlceras duodenais maiores que 1 cm: para evitar a tensão da rafia, fechar com patch de um fragmento de omento livre, patch de Graham, ou um patch de omento pediculado, patch de Cellan-Jones. - Úlceras duodenais gigantes (> 3 cm): fechar o piloro e fazer um desvio do trânsito alimentar com uma anastomose gastroentérica (gastrojejunoanastomose em Y de Roux ou Billroth II). ATENÇÃO: em pacientes com peritonite e sepse, apenas feche a perfuração! Em pacientes estáveis com critérios de intratabilidade, pode-se fazer a vagotomia troncular com piloroplastia. - Úlceras gástricas: depende do tipo de úlcera e da estabilidade do paciente. Tipo I: gastrectomia distal com reconstrução à Billroth I. Se o paciente estiver instável, apenas sutura simples da lesão. Se a úlcera for gigante (> 2 cm), antrectomia ou gastrectomia distal. Tipos II e III: patch de omento, assim como as úlceras duodenais. Apenas se o paciente estiver estável e com mínima contaminação da cavidade, pode-se realizar também a vagotomia troncular com piloroplastia, como forma de controlar o estímulo ácido. 2.4.6.4 OBSTRUÇÃO Atualmente, a principal causa de estenose pilórica é neoplasia maligna, por isso deve ser sempre investigada com EDA e biópsias. Quando a causa é benigna, a causa é a úlcera duodenal ou a gástrica tipo III (pré-pilórica). Está indicada a cirurgia quando a estenose é refratária à dilatação endoscópica. O procedimento recomendado é a antrectomia com vagotomia troncular e reconstrução à Billroth I ou Billroth II, sempre após estabilização clínica do paciente. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 40Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Vamos resumir? Tratamento cirúrgico da úlcera péptica – indicações e técnicas Indicação Tipo de úlcera Técnica recomendada ÚLCERAS INTRATÁVEIS CLINICAMENTE Tipo I Excisão da úlcera (“em cunha”) ou antrectomia Tipos II e III Vagotomia troncular com antrectomia Duodenal Vagotomia troncular com piloroplastia (técnica de escolha) Vagotomia superseletiva ou Vagotomia troncular com antrectomia HEMORRAGIA Gástrica Excisão da úlcera (preferencialmente) ou antrectomia. Duodenal Apenas sutura do vaso ou associar vagotomia em paciente estáveis. PERFURAÇÃO Gástrica Pacientes instáveis: Tipo I: sutura ou patch Tipos II e III: patch omental Pacientes estáveis: Tipo I: antrectomia à BII Tipos II e III: vagotomia + antrectomia Duodenal Fechar com “patch” omental Vagotomia com piloroplastia (ou antrectomia) em paciente estáveis. OBSTRUÇÃO Duodenal ou tipo III Antrectomia com vagotomia troncular e reconstrução à BI ou à BII.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 41Prof. Élio Castro | Gastroenterologia | Janeiro 2022 Doença Peptica Helicobacter Pylori e Dispepsia Funcional Principais características dos 2 tipos de dumping DUMPING PRECOCE 15 a 20 minutos pós- refeição Predominam sintomas gastrointestinais: epigastralgia, plenitude, distensão, vômitos, cólicas e diarreia Melhora em 3 meses. Dieta com fibras, carboidratos complexos. Refratários: octreotide. DUMPING TARDIO 1 a 3 horas pós- refeição Predominam sintomas vasomotores por hipoglicemia: taquicardia, sudorese, visão turva, lipotimia ou síncope Surge anos após a cirurgia e persiste. Mesma dieta do dumping precoce. Refratários: reconstruir Y de Roux Outras complicações pós-gastrectomia SÍNDROME DA ALÇA AFERENTE Reconstruções à BII: distensão, dor e cólica abdominal aguda, com dificuldade para vomitar. Após vômitos, há alívio. GASTRITE ALCALINA E CÂNCER Reconstruções BI e BII podem gerar refluxo biliar e gastrite alcalina, sendo mais comum na BII. Cursa com epigastralgia