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1 INTRODUÇÃO Barry Marshall, após fazer a ingestão de conteúdo contendo H. Pylori, provou que a gastrite e úlceras seriam causadas também por bactérias, assim ganhou um prêmio Nobel em medicina no ano de 2005, juntamente com J. Robin Warren pela descoberta. ANATOMIA DO ESTÔMAGO O bolo alimentar após passar pelo esôfago, entra no estômago e fica depositado em região de fundo e corpo. O estômago se dilata e se acomoda para receber o bolo alimentar. Além disso, são ativados receptores, que iniciam movimentos para emulsificar o bolo e passar o alimento para o antro. Ao chegar ao antro, o bolo alimentar segue sendo emulsificado, para que o bolo seja passado para o duodeno. Durante esse processo de passagem do alimento pelo estômago, há a estimulação hormonal, ativação de neuro-receptores e assim, uma rede autônoma e uma via vagal para o cérebro, para que haja uma secreção hormonal, que estimula a secreção de HCL, pepsina, entre outras substâncias cruciais para a digestão. Além disso, o estômago é dividido em camadas, sendo essas a mucosa, submucosa, camada muscular (circular, obliqua e longitudinal) e uma camada serosa. Possui uma pequena curvatura, que é concava e uma grande curvatura que é convexa. Possui a cárdia, presente na região gastroesofágica → é uma transição entre o epitélio escamoso do esôfago e o epitélio colunar do estômago. O fundo tem forma de cúpula, à esquerda da cárdia. O corpo é o responsável pela formação do quimo. O quimo é o fluido viscoso, resultado do processamento do bolo alimentar. O piloro tem forma de funil, contém o esfíncter pilórico, que controla a liberação do quimo para a região de duodeno. HISTOLOGIA DO ESTÔMAGO É constituído de um epitélio cilíndrico/colunar simples, com presença de células secretoras de muco e invaginações no epitélio para dentro da lâmina própria (tecido conjuntivo frouxo com presença de células musculares lisas e células linfoides), denominadas de fossetas gástricas. H. PYLORI 2 CÉLULAS PRESENTES EM FUNDO E CORPO Parietais ou oxínticas → são responsáveis pela produção dos componentes do HCL. Principais ou zimogênicas → são produtoras de pepsinogênio, a forma inativa da enzima pepsina. CÉLULAS PRESENTES EM ANTRO Células G → produtoras de gastrina Células D → produtoras de somatostatina Motor e endócrino CÁRDIA A cárdia é a transição esôfago-estômago e nela estão presentes algumas características: • Glândulas tubulares simples ou ramificadas • Produzem muco e lisozima • Presença de poucas células parietais produtoras de H+CL- FUNDO/CORPO Istmo → • Células mucosas • Células tronco • Células parietais – oxínticas Colo → • Células parietais – oxínticas Base → • Células parietais – oxínticas • Células principais – zimogênicas Assim, entendemos que há a presença de glândulas com várias células especializadas. CONTROLE DA SECREÇÃO ÁCIDA De forma simples, a secreção ácida se dá pelo estímulo de gastrina, acetilcolina e histamina. A presença desses 3 ativa canais na célula que resulta na produção de ácido. A secreção ácida se inicia pela alimentação: pensar, cheirar ou saborear o alimento estimula uma via vagal, estimulando as células G localizadas no terço distal (antro) do estômago. A chegada de proteína ao estômago estimula mais ainda a liberação de gastrina. A gastrina circulante causa a liberação de histamina pelas células semelhantes a enterocromafim no corpo gástrico. A histamina estimula as células parietais por meio de receptores H2. As células parietais secretam ácido, o que causa queda do pH, estimulando células D antrais a liberarem somatostatina, a qual inibe a liberação de gastrina (feedback negativo). AS DEFESAS DA MUCOSA Primeiro entende-se que necessitamos de ácido estomacal. O pepsinogênio necessita do ácido para tornar-se uma enzima ativa (pepsina). O ácido também inicia a digestão de alguns alimentos, além do fator protetor contra algumas bactérias. Sabendo disso, o estômago precisa se proteger dessa acidez e fatores agressores. • Muco Recobre o estômago. • Bicarbonato 3 Sua produção é estimulada por prostaglandinas. • Renovação celular As prostaglandinas também agem na renovação. • Fluxo sanguíneo da mucosa As prostaglandinas também estimulam esse fluxo. • Prostaglandinas OUTRAS SUBSTÂNCIAS PRODUZIDAS PELO ESTÔMAGO • Fator intrínseco → produzido pelas células parietais. Este se junta com a vitamina B12 e causando assim a sua absorção. • Pepsinogênio. • Muco espesso, alcalino e viscoso. • Bicarbonato. • Peptídeo trefoil – que estimula mitoses das células superficiais. HISTÓRIA Em 1979, Warren era um patologista que trabalhava em um hospital da Austrália. Suspeitou da presença de bactérias no epitélio estomacal. Viu a presença do H. Pylori pela coloração de prata. Marshall juntou-se a Warren na pesquisa e partir disso, descobriram correlação entre gastrite/úlcera e H. Pylori. A pesquisa feita foi do tipo Duplo-cego. Foi negada em vários âmbitos de pesquisa. Warren então ingeriu a bactéria e teve uma gastrite aguda, provada por endoscopia. Tratou-se e curou a gastrite, provando assim a teoria. A partir disso, a ulcera e a gastrite se correlacionaram ao H. Pylori. Em 2005, ambos foram agraciados com o prêmio Nobel em medicina. EPIDEMIOLOGIA O H. Pylori tem maior prevalência em locais de renda familiar mais baixa. Fumo, consumo de álcool, dieta e exposição ocupacional influenciam na aquisição da infecção. Número de habitantes por cômodo da casa → quanto maior, mais chances de infecção. População mundial 50% infectada. Países pobres tem mais chances. No Brasil, uma pesquisa feita por métodos sorológicos, identificou uma prevalência de 80% de infectados. Pesquisas realizadas em Fortaleza-Ce tem taxas similares de prevalência. PATOGÊNESE É uma bactéria espiralada, com flagelo, gram- negativa, associada à gastrite crônica, úlcera duodenal e adenocarcinoma gástrico. Fatores de virulência associados ao H. Pylori: FATORES DE VIRULÊNCIA FUNÇÃO Urease Neutraliza ácidos gástricos – resistência à acidez. Transforma urease em amônia. Flagelos Penetração no interior da camada muco- gástrica Adesinas Medeia a ligação a células do hospedeiro. Mucinase Degrada o muco gástrico. Superóxido dismutase Impede sua fagocitação, neutralizando metabólitos do oxigênio. Catalase Impede sua fagocitação, neutralizando peróxidos. Proteína inibidora de ácidos Bloqueia a secreção ácida das células parietais. Fosfolipase Degrada o muco. Citotoxina vacuolizante Induz a vacuolização em células epiteliais. Proteína de choque térmico Amplifica a produção de urease. Obs. Possui cepas CAgA → estas são mais ulcerogênicas pois há maior produção de gastrina e HCL. 4 CagA – A bactéria joga essa citotoxina nas células, separando as células, ou seja, quebrando as tag juntions. VacA – Induzem a formação de vacúolos citoplasmáticos, levando à apoptose. Diminuem também a produção de somatostatinas, e assim, há maior produção de gastrina e por consequência o HCL também aumenta. Resumidamente: H. Pylori + fatores de virulência ↧ Reduz somatostatinas ↧ Aumenta gastrina ↧ Hiperplasia de células parietais ↧ Hiperacidez ↧ Metaplasia ↧ Úlcera As várias lesões celulares, levam a atrofia e então a metaplasia → possível displasia e câncer. BIZU – Tipo de úlcera de acordo com o local da lesão: Úlcera péptica Com o acometimento no corpo, há uma lesão direta, lesão celular e atrofia, com isso, há uma inibição de somatostatina também, mas o foco é a lesão direta. Úlcera duodenal (quase 100% dos casos são por H. Pylori) Com acometimento antral, inibição de somatostatina associadaao aumento na produção de gastrina e HCL, há uma lesão duodenal. Assim: Lesão de corpo → úlcera péptica. Lesão de antro → úlcera duodenal. DESCRIÇÃO DA CASCATA DE CARCINOGÊNESE GÁSTRICA O H. Pylori entra → causa gastrite crônica → atrofia → gastrite crônica atrófica → metaplasia intestinal → displasia → adenocarcinoma gástrico. • A evolução da gastrite para o câncer é chamada de cadeia de Pelayo de Correa. • Este é um processo multifatorial, relacionado por exemplo a fatores genéticos, dieta e ao H. Pylori. TRANSMISSÃO • Via oral-oral • Via oral-fecal • Iatrogênica Geralmente por água ou alimentos contaminados. A gastrite por H. Pylori é uma doença infecciosa e mesmo quando não relacionada com sintomas e complicações será incluída no CID 11. CONSENSO GLOBAL DE KYOTO • Gastrite por H. Pylori pode causar dispepsia e certa parte dos acometidos quando tratados são curados. • Erradicação do H. Pylori é tratamento de primeira linha para melhora de sintomas dispépticos. • Erradicação de H. Pylori é melhor que placebo e a opção preferencial para tratar sintomas dispépticos. 5 • Pacientes que permanecem com sintomas após a erradicação do H. Pylori devem ser classificados como dispepsia funcional. • O H. Pylori deve sempre ser erradicado, exceto quando exista contraindicação. DOENÇAS ASSOCIADAS • Cerca de 10-20% dos acometidos tem úlcera péptica. • Cerca de 1% dos acometidos tem adenocarcinoma gástrico. • Associado ao linfoma MALT → pode ser curado tratando o H. Pylori em grande parte dos acometidos. • Anemia ferropriva. • Deficiência de vitamina B12. • Púrpura trombótica trombocitopênica. • Dispepsia funcional. Se o paciente tem dispepsia → pesquisar H. Pylori → se tem, deve-se erradicar → se melhora dos sintomas, confirma-se que foi por H. Pylori → se não tem melhora ou se tem recidiva → dispepsia funcional. DIAGNÓSTICO MÉTODOS INVASIVOS • Exame histológico Biópsia para identificação da bactéria • Reste da urease Feita biópsia de corpo e antro e é testada a urease → o marcador de Ph no teste irá mudar a cor se o meio ficar básico. 2 fragmentos de corpo, 2 fragmentos de antro e 1 fragmento de incisura, porém no mínimo 2 de corpo e 2 de antro. • Cultura Mais complicada pois demora mais tempo para a bactéria crescer. MÉTODOS NÃO INVASIVOS • Testes sorológicos Anticorpo IgG – se o paciente tiver tido H. Pylori antes, não dosar, pois ele sempre dará positivo. Pode ser usado em pessoas com gastrite funcional. • Teste respiratório Padrão ouro, porém, é caro e indisponível. A pessoa ingere ureia marcada com carbono13 → se tiver H. Pylori, ele quebra a ureia e o C13 é marcado. Serve para diagnóstico e acompanhamento. • Pesquisa de antígeno fecal OBS. Não se pode usar antibióticos ou IBPs para realizar nenhum desses testes. TESTE PARA A PREVENÇÃO DE CÂNCER O indivíduo com H. Pylori está propenso a ter câncer, logo, alguns testes são recomendados. Um dos testes para medir a atrofia é pelo pepsinogênio. Um tipo de pepsinogênio é produzido pelo fundo e corpo gástrico e o outro tipo é produzido pelas glândulas pilóricas e duodeno. Gastrite atrófica no fundo tem diminuição do pepsinogênio I. Diminuição de gastrina no antro significa atrofia antral. • Eda de 2 em 2 anos em olga 3 e 4 • Gastrite atrófica presente: o Pepsinogênio tipo I: células principais o Pepsinogênio tipo II: glândula pilóricas e duodeno proximal o Na gastrite atrófica há diminuição de pepsinogênio I e o II permanece elevado. Baixa proporção de pepsinogênio I/II. o Gastrina 17 diminui quando aumenta a gastrite atrófica do antro. TRATAMENTO No Brasil e no mundo, o número de ATB que trata H. Pylori é baixa. Além disso, a bactéria tem resistência. • Amoxicilina – resistência desprezível • Tetraciclina – resistência desprezível • Claritromicina – resistência intermediária • Quinolonas – resistência intermediária • Imidazólicos – resistência alta, in vitro • Citrato de bismuto – resistência desprezível – apenas por manipulação • Furazolidona – resistência desprezível – indisponível • Rifabutina – resistência desprezível – indisponível 6 • Pylera → composto de bismuto + tetraciclina + metronidazol – indisponível • Talicia → omeprazol + rifabutina + amoxicilina – indisponível PRIMEIRA LINHA DE TRATAMENTO: • Claritromicina 500mg 12/12h • Amoxicilina 1g 12/12h • IBP dose plena 12/12h Duração de 14 dias ALTERNATIVA – QUÁDRUPLA COM BISMUTO Resistência/ alergia • IBP dose plena 12/12h • Subcitrato de bismuto coloidal 120mg 6/6h ou 240mg 12/12h • Tetraciclina 500mg 6/6h • Metronidazol 400mg 8/8h Duração de 10-14 dias CONCOMITANTE SEM BISMUTO • IBP dose plena 12/12h • Amoxicilina 1g 12/12h • Claritromicina 500mg 12/12h • Metronidazol ou tinidazol 500mg 12/12h Duração de 14 dias Após tratamento → aguardar pelo menos 4 semanas → realizar endoscopia com biópsia. Se persistir o H. Pylori, usar segunda ou terceira linha do tratamento. Nesses casos, cultura e antibiograma são recomendados. Além disso, buscar entender o porquê (ambiente vivido por exemplo). TRATAMENTO DE SEGUNDA LINHA • IBP dose plena 12/12h • Amoxicilina 1g 12/12h • Levofloxacino 500mg 1x/dia Duração de 10-14 dias TRATAMENTO DE TERCEIRA LINHA • Subcitrato de bismuto coloidal 120mg 6/6h ou 240mg 12/12h • Cloridrato de tetraciclina 500mg 6/6h • Metronidazol 400mg 8/8h Duração de 10-14 dias SUPRESSÃO ÁCIDA NA ERRADICAÇÃO DO H. PYLORI O uso de IBPs é de extrema importância, pois estes melhoram a ação do antibiótico e inibem atividade ureásica. 7 CONCEITO As gastrites são lesões celulares, com processo regenerativo e infiltração inflamatória, associado a folículos linfoides. • Gastrites agudas – maior presença neutrofílica. • Gastrites crônicas – maior presença linfocítica. • Gastrites crônicas ativas – presença de linfócitos e neutrófilos. Gastropatia é uma injúria e regeneração epitelial, edema e vasodilatação, não acompanhado de infiltrado linfocitário. SEM INFLAMAÇÃO. Ex. hipovolemia, estresse, isquemia, uso de álcool, drogas anti-inflamatórias, refluxo biliar ou congestão crônica. CLASSIFICAÇÃO GASTRITES AGUDAS • Associada ao H. Pylori • AINES • Hemorrágica ou erosiva antral (LAMGD) GASTRITES CRÔNICAS • Associada ao H. Pylori • Associada ao uso de AINES • Autoimune • Gastrites químicas • Gastrite linfocítica • Gastrites granulomatosas • Gastrites eosinofíicas • Gastrites infecciosas (NHP) • Gastrite crônica hipertrófica Tratamento → IBP + ATB GASTRITE ATRÓFICA Quando as gastrites são atróficas e há atrofia do corpo (células parietais) e fundo, devemos pensar em gastrite autoimune. Gastrite com anticorpo anti- células parietais. Não há produção de fator intrínseco, B12 diminuída, lesão neurológica e anemias graves - perniciosa. Atrofia de antro pensa-se em atrofia por H. Pylori. CONCEITOS EM GASTRITE • Para o leigo: sintomas mal definidos que podem ser uma dispepsia funcional. • Para o endoscopista: anormalidades macroscópicas, como hiperemia ou enantema de mucosa. • Para o patologista: alterações histológicas. A gastrite real é de diagnóstico histológico. CLASSIFICAÇÃO ENDOSCÓPICA DA GASTRITE PELO SISTEMA SIDNEY POR TOPOGRAFIA • Pangastrite • Gastrite de corpo • Gastrite de antro POR CATEGORIA • Enatematosa • Erosiva plana • Erosiva elevada • Atrófica • Hemorrágica • Refluxo • Pregas mucosas hiperplásicas POR GRAU DE INTENSIDADE • Leve, moderada ou severa TERMOS DESCRITIVOS • Edema • Enantema • Friabilidade • Exsudato • Erosão plana • Erosão elevada • Nodosidade Ex. A gastrite por H. Pylori tem nodosidadesno antro. • Hiperplasia de pregas mucosas • Atrofia das pregas mucosas • Visibilidade do padrão vascular • Áreas de hemorragia intramural GASTRITES 8 CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA DE OLGA OLGA avalia anatomia e histologia. Olga em 3 e 4 na histologia, sugere uma atrofia relacionada ao desenvolvimento de câncer. Realizar EDA com biópsia de 2 em 2 anos. GASTRITE X H. PYLORI Infecção aguda inicial → após algumas semanas, a bactéria pode atingir o antro, há inibição de somatostatina, aumentando a produção de ácido e diminuindo o pH, podendo levar há uma úlcera duodenal. Pode também fazer uma pangastrite – corpo e antro. A depender dos fatores de virulência da bactéria, há uma maior estimulação de gastrina, podendo levar à úlcera duodenal. O principal significado clínico da gastrite crônica associada ao H. Pylori reside em sua estreita relação com a úlcera duodenal, carcinoma e linfoma gástrico (MALT). GASTRITE CRÔNICA DO TIPO METAPLÁSICA AUTOIMUNE • Há uma destruição (atrofia) em células de corpo e fundo. • Representa <5% dos casos • Anticorpos contra células parietais e fator intrínseco presentes • Associada a outras doenças autoimunes • Deficiência de B12 e anemia perniciosa. GASTRITES GRANULOMATOSAS • Causadas principalmente por doença de Crohn e sarcoidose • Formação de granulomas não caseosos transmurais • Espessamento de parede e estreitamento da luz • Acomete mais o antro • Tratamento com corticoide e cirurgia GASTRITES EOSINOFÍLICAS • Intenso infiltrado de eosinófilos • Alergia e eosinofilia periférica • EDA= presença de espessamento de mucosa, úlceras e quadros obstrutivos • Má absorção e enteropatia perdedora e proteínas • Tratamento com corticoide GASTRITES QUÍMICAS E REATIVAS Gastropatia hipertensiva portal: • Hepatopatias crônicas – 50% • Congestão vascular com dilatação e tortuosidade das veias da submucosa, fibrose perivascular. • Tratamento com betabloqueador GASTRITE HIPERPLÁSICA • Doença de Ménétrier • Pregas gigantes no corpo e fundo, associadas a hipoalbuminemia e hiperplasia foveolar • Etiologia desconhecida – H. Pylori e CMV • Associação com síndrome de Zollinger Ellison • Tratamento com antissecretores, corticoide e cirurgia. 9 DEFINIÇÃO Lesão de continuidade da mucosa gastrointestinal, que ultrapassa a mucosa, secundária ao efeito corrosivo do ácido clorídrico e da pepsina. Chegam a submucosa. Erosões: • Não atingem a submucosa • Não deixam cicatrizes EPIDEMIOLOGIA No Brasil, em 2008 • Prevalência de úlcera em homens era de 0,2% e em mulheres de 0,1%. • A taxa de mortalidade nacional era de 3/100 mil pessoas. 3,6 em homens e 2,3 em mulheres. • As prevalências e taxas de mortalidade aumentam com idade, a independer do sexo, com maiores valores entre homens. O QUE CAUSA A UP A UP ocorre principalmente por uma desregulação entre fatores agressores e protetores. • Mais comumente são causadas por H. Pylori – gástrica e duodenal. • AINES também causam a UP em 20-30% das UG e 5-10% das UD Causas infrequentes: • Zollinger-Ellison • Estresse • Doença de crohn • Sarcoidose • Neoplasias • Infecções, como tuberculose, sífilis, herpes simples e CMV H. PYLORI X ÚLCERA PÉPTICA • Úlcera duodenal é ligada em 90-95% das vezes. • Úlcera gástrica é ligada em 80% das vezes. • 10-15% dos infectados tem úlcera péptica. FISIOPATOLOGIA DA ÚLCERA PÉPTICA Uma alteração entre fatores de agressão e proteção levam a formação da UP. Fatores protetores: • Óxido nítrico – estimula a produção do bicarbonato e melhora a irrigação sanguínea, que são fatores protetores. • Prostaglandinas que estimulam a produção de muco e bicarbonato, além da redução do ácido. • Revestimento epitelial • Proliferação celular • Reconstituição celular Fatores agressores: • Ácido • Pepsina • AINES • Tabagismo • Álcool • Infecção por H. Pylori Uma predisposição genética também é um fator a ser considerado na fisiopatologia da úlcera péptica. O H. Pylori da cepa VacA, CagA tem maior predisponência a desenvolver UP. FISIOPATOLOGIA DA ÚLCERA DUODENAL Predisposição genética → infecção por H. Pylori → diminuição de somatostatina antral → aumento de gastrina em células G, diminuição do pH → duodeno é menos protegido e causa a úlcera. O H. Pylori pode gerar o câncer por resposta anômala. ÚLCERA PÉPTICA 10 FISIOPATOLOGIA DA ÚLCERA GÁSTRICA O tipo I é o mais comum → Corpo e fundo • Representam 60% das úlceras • Hipocloridria – diminuição do ácido • Diminuição da massa de células parietais • Pangastrite por H. Pylori Tipo II: • Presença em corpo e duodeno • Excessiva secreção de ácido Tipo III: • Pré-pilóricas • Ácido normal ou aumentado Tipo IV: • Representam 10% e não estão associadas a secreção excessiva de ácido. Os tipos I e IV não apresentam excesso de ácido gástrico, tipos II e III apresentam. Raramente antes dos 40 anos de idade, o pico de incidência é entre os 55 e os 65 anos. Apresentam maior probabilidade de ocorrer em classes socioeconômicas mais baixas. CONDIÇÕES PREDISPONENTES À ÚLCERA GÁSTRICA • AINES • Anormalidade em secreção de ácido ou pepsina • Estase gástrica pelo atraso em esvaziamento • Refluxo gastroduodenal de bile • Gastrite • Infecção por H. Pylori • Ingestão crônica de álcool • Tabagismo • Corticoide a longo prazo • Infecção e terapia intra-arterial AINES X ÚLCERA PÉPTICA Ocorre uma diminuição na produção de prostaglandinas, estas estimulam a produção de muco, bicarbonato e influenciam na hidrofobicidade, além de regularem o fluxo sanguíneo e capacidade de replicação epitelial. O risco em usuários de AINES aumenta se tem antecedente de UP, >60 anos, comorbidade, faz uso de altas doses, corticoides associados e H. Pylori. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Início, localização, irradiação, intensidade, qualidade, fatores de melhora e piora, sintomas associados, periodicidade e evolução. Úlcera péptica X Úlcera duodenal: Na úlcera duodenal, temos dor em 3 tempos → dói → come → passa. Na Úlcera péptica temos dor em 4 tempos → não dói → come → dói → passa. Perda de peso associada. Exame físico: somente complicações são visíveis → melena, hematêmese, sangue oculto, náuseas, vômitos, distensão abdominal, peritonite e choque. ENDOSCÓPICO Classificação de Sakita A de ativa → margem edemaciada quando A1 e anel eritematoso sem edema quando A2. H em cicatrização → quando H1 há convergência de pregas com depósito central de fibrina delgado e quando H2 há diminuição de base e o depósito de fibrina se torna uma fina película, predominando área cicatricial. S em cicatriz → quando S1, cicatriz vermelha, com convergência de pregas e sem fibrina, já no S2, cicatriz branca, com linha ou área esbranquiçada sem hiperemia. DIAGNÓSTICO DE H. PYLORI Sintomas dispépticos – EDA se mais de 45 anos. • Urease • Sorologia somente para diagnóstico • Teste respiratório • Antígeno fecal 11 • Biópsia • Cultura TRATAMENTO Antagonistas H2 – pouco usados. Usados para melhora rápida e passageira. IBPs (80% de recidiva) – demora de cerca de 1 semana para efeito. O tratamento hoje é feito com IBP + tratamento pra H. Pylori, que evita recidivas + refazer EDA com pelo menos 4 semanas do fim do tratamento. Parar AINES e tabagismo. COMPLICAÇÕES DA ÚLCERA PÉPTICA • Anemia crônica • Hemorragia digestiva • Perfuração • Obstrução HEMORRAGIA DIGESTIVA X ÚLCERA PÉPTICA • Sangue oculto – anemia sem explicação • Hematêmese • Melena • Enterorragia • Sinais de choque o De onde vem o sangramento? o Sangue na luva ao toque retal Abordagem geral: ABCDE • Infundir 1L de RL ou cristalóide • Classificar o choque • Necessidadede sangue nas classes 3 e 4 • Ácido tranexamico • Endoscopia digestiva alta • Cauterização • Cirurgia • Pesquisa de H. Pylori ANEMIA CRÔNICA NA ÚLCERA PÉPTICA Hemorragia digestiva alta: • Sangue oculto nas fezes • Palidez • Fraqueza • Taquicardia • Choque CLASSIFICAÇÃO DE FORREST Divide úlceras em sangramento ativo, sinais de sangramento recente e sem sinais de sangramento. TRATAMENTO NA HEMORRAGIA • Cauterização • IBP • Tratar H. Pylori • Se UD não precisa manter IBP, mas se UG, manter IBP por 4 semanas. IRRIGAÇÃO DO ESTÔMAGO A artéria gástrica esquerda se origina diretamente do tronco celíaco → sangramentos na curvatura dessa artéria podem levar ao choque complicado. PERFURAÇÃO X ÚLCERA PÉPTICA • Paciente tem dor súbita excruciante • Sinal de Jobert positivo • Pode ter peritonite • Abdome em tábua • Sirs • Sepse O tratamento é cirúrgico OBSTRUÇÃO POR ÚLCERA PÉPTICA • Dor tipo cólica • Vômitos pós-prandiais precoces com restos alimentares • Aerogastria • Sinal do vascolejo positivo O tratamento é: • Dieta zero • Sonda nasogástrica para lavagem gástrica e aspiração • Reposição hidroeletrolítica com correção de alcalose • IBP e antiácido • Nutrição parenteral