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APOSTILA CRIMES DE TORTURA IASES

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Pedro Rangel

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@juscursospreparatorios 1 @ 
 
 
@juscursospreparatorios 2 @ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 3 @ 
LEI QUE DEFINE OS CRIMES DE TORTURA 
LEI 9.455, DE 07 DE ABRIL DE 1997 
 
INTRODUÇÃO: 
Após a 2ª Grande Guerra nasce um movimento de repúdio à tortura. 
 
 Aprovações de várias Convenções e Tratados contra a tortura (alguns ratificados pelo 
Brasil). 
 
 No Brasil, após a CF/88, foi consagrado como direito fundamental do cidadão não ser 
submetido à tortura. (art.5ºIIICF). 
 
 “Art.5ºIII,CF ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante;” 
 
 Lei 8.069/90 – art. 233 (ECA): 1º diploma a definir crime de tortura (vítima apenas 
criança e adolescente). 
 
 Lei 8.072/90: Equiparou tortura a crimes hediondos – prevê para a tortura as mesmas 
consequências de um crime hediondo. 
 
 Lei 9.455/97: Definiu tortura no Brasil, revogando o art. 233 ECA (conceito extraído de 
tratados internacionais). 
 
 Lei 12.847/13 (institui o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura). 
 
“De início, cumpre esclarecer que o conceito de tortura, tomado a partir dos 
instrumentos de direito internacional, tem um viés estatal, implicando que o crime só 
poderia ser praticado por agente estatal (funcionário público) ou por um particular no 
exercício de função pública, consubstanciando, assim, crime próprio. A despeito disso, 
o legislador pátrio, ao tratar do tema na Lei n. 9.455/1997, foi além da concepção 
estabelecida nos instrumentos internacionais, na medida em que, ao menos no art. 1º, 
I, ampliou o conceito de tortura para além da violência perpetrada por servidor 
público ou por particular que lhe faça as vezes, dando ao tipo o tratamento de crime 
comum. A adoção de uma concepção mais ampla do tipo supracitado, tal como 
estabelecida na Lei n. 9.455/1997, encontra guarida na Convenção contra a Tortura e 
outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, que ao tratar do 
conceito de tortura estabeleceu –, em seu art. 1º, II –, que: o presente artigo não será 
interpretado de maneira a restringir qualquer instrumento internacional ou legislação 
nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo” (REsp 
 
@juscursospreparatorios 4 @ 
1.738.264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, por maioria, julgado em 23/08/2018, 
DJe 14/09/2018). 
 
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUEIS, 
DESUMANOS OU DEGRADANTES. 
 
Conceito de tortura - Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa 
qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos 
intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, 
informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha 
cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou 
outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer 
natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público 
ou outra pessoa no exercício de funções publicas, ou por sua instigação, ou com o seu 
consentimento ou aquiescência. 
 
Não se considerara como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência 
unicamente de sanções legitimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas 
decorram. (Art. 1° da Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas 
Cruéis, Desumanos ou Degradantes). 
 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
 
Art. 5º, inciso III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante; Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de 
graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
As hipóteses de IMPRESCRITIBILIDADE estão previstas no art. 5º, XLII e XLIV da CF/88: 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena 
de reclusão, nos termos da lei; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a 
ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado 
Democrático; 
 
BEM JURÍDICO TUTELADO 
 
 O bem protegido pela norma é a dignidade humana, a integridade física e psíquica e 
até a vida das pessoas. 
 
 
 
@juscursospreparatorios 5 @ 
O bem protegido pela norma é a dignidade humana, a integridade física e psíquica e 
até a vida das pessoas. Trata-se de um crime pluriofensivo. 
 
SUJEITO ATIVO 
A maioria da doutrina entende que o delito de tortura é crime comum, já que a lei não 
previu tal qualidade especial. Em algumas figuras típicas, pode ser crime próprio, ou 
seja, praticado por funcionário público. 
 
SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. 
 
TIPO OBJETIVO 
 Art. 1º Constitui crime de tortura: 
 I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe 
sofrimento físico ou mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa; 
 b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
 
 
Núcleo - CONSTRANGER - forçar, obrigar pela força, coagir, compelir. 
• COM EMPREGO DE VIOLÊNCIA - vis corporalis - violência física sobre o corpo da 
vítima , para afastar sua resistência. 
 • OU GRAVE AMEAÇA - vis compulsiva - violência moral, exercida sobre o psiquismo 
da vítima, viciando sua vontade 
 
 
@juscursospreparatorios 6 @ 
Elemento normativo do tipo: 
“causando-lhe sofrimento físico ou mental” 
 TIPO SUBJETIVO: Dolo - vontade livre e consciente de infligir sofrimento físico ou 
mental na vítima, através de violência ou grave ameaça. 
O ESPECIAL FIM DE AGIR, segundo boa parte da doutrina, é exigido nas três figuras 
típicas, que se classificam como crimes de intenção ou de tendência interna 
transcendente, em que o elemento subjetivo não se esgota no dolo, é necessária uma 
finalidade ulterior. 
Em sentido diverso, há quem entenda que a terceira figura (DISCRIMINATÓRIA), 
exigiria em vez de especial fim de agir, um motivo determinante (EM RAZÃO DE). 
Delitos de intenção ou tendência interna transcendente (Mezger) 
 O agente age com seu dolo, mas além do dolo possui elemento subjetivo que está 
para além do dolo, algo a mais, especial fim de agir, intenção específica. 
 Pode ser: 
Delitos de resultado cortado - São delitos nos quais o agente pratica a conduta com o 
seu dolo e visa obter um resultado ulterior que está além do seu dolo. 
A obtenção deste resultado ulterior não depende da intervenção do agente. Exemplo: 
Art. 333 e 159 do CP e Art. 1º, I, “a” e “b” da lei de tortura. 
Delitos mutilados de dois atos – São delitos nos quais o agente pratica um delito e 
esse depende da intervenção do agente. Exemplos: Art. 288 e 289, caput do CP. 
Art. 1º, I: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de 
terceira pessoa (Tortura prova/probatória/persecutória/inquisitorial) 
 Exemplo: credor tortura devedor para confessar uma dívida 
Consumação: se consuma com a provocação do sofrimento, físico ou mental, dispensa 
a obtenção da declaração, informação ou confissão da vítima. Trata-se portanto de 
crime formal. 
a) (...) 
 Informação é a comunicação ou notícia acerca de fato;  
 Declaração é o esclarecimento, explicação ou revelação referente a algum 
fato; Confissão é a admissão da prática de algum fato. 
 
@juscursospreparatorios 7 @ 
Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum) 
Sujeito passivo: qualquer pessoa (crime comum) 
Trata-se um crime bi-comum 
Conduta punida: constrangimento + violência ou grave ameaça +provocação de 
sofrimento físico ou mental 
Voluntariedade: o agente age com dolo (dolo + fins especiais (“a”, “b”, e “c”). 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa (tortura crime) 
 Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum) 
 Sujeito passivo: qualquer pessoa (crime comum) 
Consumação: se consuma com a provocação do sofrimento. Dispensa a 
consumação da prática delituosa pelo torturado. Trata-se de crime formal. 
Exemplo: João tortura Antônio para que este ceife a vida de JosÉ. 
 
E se ocorrer a conduta criminosa pelo torturado (Antônio mata José)? 
 João (torturador): o torturador responderá pelo crime previsto no art. 1º, I, “b” 
da lei que define os crimes de tortura + o crime correspondente praticado pelo 
torturado, na condição de autor mediato, em concurso material. 
 Antônio (torturado, que matou José): Ocorrendo o crime, o torturado, que 
agiu em coação irresistível, estará amparado de exculpante de inexigibilidade de 
conduta diversa. 
 
AUTORIA MEDIATA 
Haverá autoria mediata se houver coação física ou moral irresistível. 
1ª Corrente: incluem-se as contravenções penais, em função da inexistência de 
diferença ontológica entre crime e contravenção - configura analogia in malam 
partem. 
 2ª Corrente: Só admite a prática de crime, em função da distinção legal (art. 1º, LCP). 
Se a conduta visar à prática de contravenção penal, há crime de constrangimento 
ilegal (art. 146, CP). 
ATENÇÃO 
E se o agente constranger alguém a praticar uma contravenção penal? 
 
@juscursospreparatorios 8 @ 
 Constranger com violência alguém para praticar contravenção penal (ex. jogo do 
bicho) NÃO constitui tortura. 
(art. 146, CP – constrangimento ilegal). 
Este é o entendimento que prevalece! 
CONFLITO APARENTE DE NORMAS 
Lei 13.689/19 (abuso de autoridade) 
X 
Lei 9.455/97 (define os crimes de tortura) 
 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa“ (tortura preconceituosa, 
discriminatória, racista) 
Não houve previsão de outras modalidades de discriminação (Ex.: orientação 
sexual, gênero, idade). 
Consuma-se com o sofrimento físico ou mental. É possível a ocorrência de 
concurso material entre os crimes de tortura e racismo (lei 7716/89). 
LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEI 7.210/84 
Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não 
atingidos pela sentença ou pela lei. 
 Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa 
ou política. 
 
 
 
@juscursospreparatorios 9 @ 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Trata-se de crimes formais. Consumam-se com a causação do sofrimento, mesmo 
que o resultado almejado pelo agente não ocorra. 
São crimes de resultado cortado, pois a ocorrência do fim pretendido pelo agente 
independe de sua vontade, está fora da esfera de controle deste. 
 
TORTURA CASTIGO (ou punitiva, vindicativa ou intimidatória) 
Sujeito ativo - só pode ser quem tem a vítima sob sua guarda, poder ou 
autoridade. 
Sujeito passivo - é a pessoa que se encontra sob sua guarda, poder ou autoridade 
do sujeito ativo. 
Crime próprio - Exige-se essa especial relação entre os sujeitos ativo e passivo. 
TIPO OBJETIVO 
Núcleo - SUBMETER - subjugar, sujeitar, tornar objeto de. Elemento normativo do 
tipo - "INTENSO SOFRIMENTO físico ou mental“ 
 • Com emprego de violência - vis corporalis - violência física sobre o corpo da 
vítima , para afastar sua resistência. 
• Ou grave ameaça - vis compulsiva - violência moral, exercida sobre o psiquismo 
da vítima, viciando sua vontade. 
TIPO SUBJETIVO 
 Dolo - vontade livre e consciente de impor intenso sofrimento físico ou mental à 
vítima, através de violência ou grave ameaça. Especial Fim de Agir - (Animus 
corrigendi) - “como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter 
 
@juscursospreparatorios 10 @ 
preventivo". 
• castigo – reprimenda por alguma falta. 
• medida de caráter preventivo – disciplina para evitar futuras faltas. 
 
CONFLITO APARENTE DE NORMAS ART. 136 CP 
Maus-tratos Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, 
guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer 
privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho 
excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: 
 Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. 
 
Na lei de tortura trata-se de um crime de perigo, a intenção, o dolo, é castigar a 
vítima, causar sofrimento intenso, e no art. 136 do CP intenção é repreender uma 
indisciplina, há o caráter educativo, crime de perigo. 
 
 
 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Crime material, consuma-se com o resultado de intenso sofrimento físico ou psíquico 
suportado pela vítima em razão da violência ou grave ameaça. 
É cabível a tentativa, se a prática da violência ou grave ameaça não chega a causar o 
intenso sofrimento requerido pelo tipo. 
 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 11 @ 
Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Núcleo de Concursos 
e Promoção de Eventos (NUCEPE) - 2018 - Polícia Civil - PI - Agente de Polícia Civil 
 
 Acerca do crime de tortura, marque a alternativa CORRETA. 
A. Constitui-se crime de tortura, somente quando causar dano psíquico a outrem. 
B. Caso o crime de tortura seja cometido por agente público, aumenta-se a pena de 
um terço à metade. 
C. Nas situações previstas em lei, no crime de tortura, o juiz poderá arbitrar fiança. 
D. Constitui-se crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, poder ou 
autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico 
ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. 
E. Em qualquer situação o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da 
pena em regime fechado. 
 
FORMA EQUIPARADA 
Art. 1, II (...) 
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de 
segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não 
previsto em lei ou não resultante de medida legal. 
 
Sujeito ativo - Crime próprio, só pode ser praticado por quem tem a vítima sob 
custódia, em razão de prisão ou medida de segurança detentiva (funcionário público 
ou não). Ex.: agente penitenciário, médico, enfermeiro. 
 
Sujeito passivo - é a pessoa que se encontra sob custódia, presa (qualquer 
modalidade de prisão) ou submetida a medida de segurança detentiva. 
 
Tipo objetivo: 
Núcleo - SUBMETER - subjugar, sujeitar, tornar objeto de. 
Elemento normativo - "ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal". 
Tipo subjetivo: Dolo - vontade livre e consciente de impor sofrimento físico ou 
mental. Não há especial fim de agir. 
Consumação e Tentativa Crime material - consuma-se com o sofrimento. 
 
TORTURA IMPRÓPRIA (OMISSIVA OU PRIVILEGIADA) 
Art. 1, II (...) 
 § 2º Aquele que SE OMITE em face dessas condutas, quando tinha o dever de EVITÁ-
LAS ou APURÁ�LAS, incorre na pena de detenção de um a quatro anos. 
 
 
 
@juscursospreparatorios 12 @ 
Sujeito ativo 
Crime próprio, só pode ser praticado por quem tem a posição de garantidor (1ªde tortura é afiançável 
B. o crime de tortura é suscetível de anistia 
C. a condenação deve acarretar a perda do cargo público e a interdição para seu 
exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada 
D. constitui crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, com emprego de 
grave ameaça, a intenso sofrimento mental, como forma de aplicar castigo pessoal 
E. o crime de tortura é suscetível de graça 
 
De acordo com o STJ: 
O fato de estar inserido no rol dos delitos hediondos ou equiparados não basta para a 
imposição da constrição cautelar, por ser necessária a existência de circunstâncias que 
demonstrem a adoção dessa medida excepcional. (HC 240.212/DF, QUINTA TURMA, 
julgado em 21/06/2012, DJe 03/08/2012) 
 
REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA 
 § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o 
cumprimento da pena em REGIME FECHADO. 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 17 @ 
Art. 1º, II (...) 
 § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o 
cumprimento da pena em REGIME FECHADO. 
 
JURISPRUDÊNCIA 
Informativo nº 789/STF 
 O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime 
fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. 
Com base nessa orientação, a Primeira Turma denegou pedido formulado em “habeas 
corpus”, no qual se pretendia o reconhecimento de constrangimento ilegal 
consubstanciado na fixação, em sentença penal transitada em julgado, do 
cumprimento das penas impostas aos pacientes em regime inicialmente fechado. 
Alegavam os impetrantes a ocorrência de violação ao princípio da individualização da 
pena, uma vez que desrespeitados os artigos 33, § 3º, e 59 do CP. Apontavam a 
existência de similitude entre o disposto no artigo 1º, § 7º, da Lei de Tortura e o 
previsto no art. 2º, § 1º, da Lei de Crimes Hediondos, dispositivo legal que já teria sido 
declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do HC 111.840/ES (DJe de 
17.12.2013). 
Salientavam, por fim, afronta ao Enunciado 719 da Súmula do STF. O Ministro Marco 
Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime 
inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. 
Asseverou não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência 
específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de 
tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria 
com a imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. 
Assinalou que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma 
opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução 
da pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em 
regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. HC 123316/SE, rel. Min. Marco 
Aurélio, 9.6.2015. 
 
 
INFORMATIVO Nº 672/STF 
O Plenário desta Corte, no julgamento do HC 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, 
declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/1990 (redação dada 
pela Lei 11.464/2007), que determinava o cumprimento de pena dos crimes 
hediondos, de tortura, de tráfico ilícito de entorpecentes e de terrorismo no regime 
inicial fechado. (HC 113250, Relator(a): Segunda Turma, PUBLIC 21-11-2012). 
 
 
@juscursospreparatorios 18 @ 
 
 
 
EXTRATERRITORIALIDADE 
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido 
em território nacional, sendo a VÍTIMA BRASILEIRA ou ENCONTRANDO-SE O AGENTE 
EM LOCAL SOB JURISDIÇÃO BRASILEIRA. 
 
Art. 2º o disposto nesta lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido 
em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local 
sob jurisdição brasileira. 
 
Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Banca não 
informada - 2017 - Polícia Civil - AC- Escrivão de Polícia Civil Consoante a Lei de 
Tortura (Lei n° 9.455/1997), assinale a alternativa correta. 
A. A Lei de Tortura aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em 
território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob 
jurisdição brasileira. 
B. Se o crime a cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, 
adolescente ou maior de 70 (setenta) anos, aumenta-se a pena um sexto até a 
metade. 
C. O condenado por crime previsto na Lei de Tortura, via de regra, iniciará o 
cumprimento da pena em regime semiaberto. 
D. O crime de tortura é inafiançável e suscetível de graça ou anistia. E. A condenação 
pela prática do crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego 
público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada. 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 19 @ 
DE ACORDO COM A DOUTRINA, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) 
configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. 
POLÊMICA QUANTO à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro 
encontrando�se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente é caso de 
extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). 
 
 
DOUTRINA 
De acordo com a doutrina, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura 
hipótese de extraterritorialidade incondicionada. 
Polêmica quanto à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro 
encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira): 
 1ª corrente: é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores 
(NUCCI, GABRIEL HABIB). 
 
 2ª corrente: é caso de extraterritorialidade e condicionada (CAPEZ, MARCELO 
AZEVEDO), uma porque a lei exige que o agente se encontre em lugar sob jurisdição 
brasileira e, a duas, porque as convenções condicionam a aplicação da lei à 
inocorrência de extradição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 20 @ 
 
 
 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Falência da Pena de Prisão: causas e alternativas. 4. ed. 
São Paulo: Saraiva, 2011. BRASIL. LEI 9.455, de 07 de abril de 1997. Diário Oficial da 
União, Brasília, 07 abr. 1997. CALDEIRA, Felipe Machado. A evolução histórica, 
filosófica e teórica da pena. Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, nº45, v.12, 2009. 
CHIAVERINI, Tatiana. Origem da pena de prisão. 2009. Dissertação (Mestrado em 
Filosofia do Direito – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. 
CUNHA, Rogério Saches, Leis Especiais para Concurso. 11. ed. Rio de Janeiro: 
Juspodvm, 2019. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, v. 1. Saraiva. 1998. P. 674 
GRECO, Rogério. Sistema prisional: colapso atual e soluções alternativas. 4ª. ed. rev., 
ampli. e atual. – Niterói, RJ: Impetus, 2017. HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. 
Volume Único. 9ª. Ed..Juspovum, 2017. MELOSSI, Dario; PAVARINI, Massimo. Cárcere 
e fábrica: As origens do sistema penitenciário (séculos XVI – XIX). Rio de Janeiro: 
Revan, 2006. WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de História do Direito. 5 
ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2010. ZAFFARONI, Eugenio Raúl et al. Direito Penal 
Brasileiro: primeiro volume. 2. ed. Rio de Janeiro: Renavan, 2003.de tortura é afiançável 
B. o crime de tortura é suscetível de anistia 
C. a condenação deve acarretar a perda do cargo público e a interdição para seu 
exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada 
D. constitui crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, com emprego de 
grave ameaça, a intenso sofrimento mental, como forma de aplicar castigo pessoal 
E. o crime de tortura é suscetível de graça 
 
De acordo com o STJ: 
O fato de estar inserido no rol dos delitos hediondos ou equiparados não basta para a 
imposição da constrição cautelar, por ser necessária a existência de circunstâncias que 
demonstrem a adoção dessa medida excepcional. (HC 240.212/DF, QUINTA TURMA, 
julgado em 21/06/2012, DJe 03/08/2012) 
 
REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA 
 § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o 
cumprimento da pena em REGIME FECHADO. 
 
 
 
 
@juscursospreparatorios 17 @ 
Art. 1º, II (...) 
 § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o 
cumprimento da pena em REGIME FECHADO. 
 
JURISPRUDÊNCIA 
Informativo nº 789/STF 
 O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime 
fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. 
Com base nessa orientação, a Primeira Turma denegou pedido formulado em “habeas 
corpus”, no qual se pretendia o reconhecimento de constrangimento ilegal 
consubstanciado na fixação, em sentença penal transitada em julgado, do 
cumprimento das penas impostas aos pacientes em regime inicialmente fechado. 
Alegavam os impetrantes a ocorrência de violação ao princípio da individualização da 
pena, uma vez que desrespeitados os artigos 33, § 3º, e 59 do CP. Apontavam a 
existência de similitude entre o disposto no artigo 1º, § 7º, da Lei de Tortura e o 
previsto no art. 2º, § 1º, da Lei de Crimes Hediondos, dispositivo legal que já teria sido 
declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do HC 111.840/ES (DJe de 
17.12.2013). 
Salientavam, por fim, afronta ao Enunciado 719 da Súmula do STF. O Ministro Marco 
Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime 
inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. 
Asseverou não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência 
específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de 
tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria 
com a imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. 
Assinalou que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma 
opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução 
da pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em 
regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. HC 123316/SE, rel. Min. Marco 
Aurélio, 9.6.2015. 
 
 
INFORMATIVO Nº 672/STF 
O Plenário desta Corte, no julgamento do HC 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, 
declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/1990 (redação dada 
pela Lei 11.464/2007), que determinava o cumprimento de pena dos crimes 
hediondos, de tortura, de tráfico ilícito de entorpecentes e de terrorismo no regime 
inicial fechado. (HC 113250, Relator(a): Segunda Turma, PUBLIC 21-11-2012). 
 
 
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EXTRATERRITORIALIDADE 
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido 
em território nacional, sendo a VÍTIMA BRASILEIRA ou ENCONTRANDO-SE O AGENTE 
EM LOCAL SOB JURISDIÇÃO BRASILEIRA. 
 
Art. 2º o disposto nesta lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido 
em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local 
sob jurisdição brasileira. 
 
Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Banca não 
informada - 2017 - Polícia Civil - AC- Escrivão de Polícia Civil Consoante a Lei de 
Tortura (Lei n° 9.455/1997), assinale a alternativa correta. 
A. A Lei de Tortura aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em 
território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob 
jurisdição brasileira. 
B. Se o crime a cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, 
adolescente ou maior de 70 (setenta) anos, aumenta-se a pena um sexto até a 
metade. 
C. O condenado por crime previsto na Lei de Tortura, via de regra, iniciará o 
cumprimento da pena em regime semiaberto. 
D. O crime de tortura é inafiançável e suscetível de graça ou anistia. E. A condenação 
pela prática do crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego 
público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada. 
 
 
 
 
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DE ACORDO COM A DOUTRINA, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) 
configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. 
POLÊMICA QUANTO à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro 
encontrando�se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente é caso de 
extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). 
 
 
DOUTRINA 
De acordo com a doutrina, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura 
hipótese de extraterritorialidade incondicionada. 
Polêmica quanto à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro 
encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira): 
 1ª corrente: é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores 
(NUCCI, GABRIEL HABIB). 
 
 2ª corrente: é caso de extraterritorialidade e condicionada (CAPEZ, MARCELO 
AZEVEDO), uma porque a lei exige que o agente se encontre em lugar sob jurisdição 
brasileira e, a duas, porque as convenções condicionam a aplicação da lei à 
inocorrência de extradição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Falência da Pena de Prisão: causas e alternativas. 4. ed. 
São Paulo: Saraiva, 2011. BRASIL. LEI 9.455, de 07 de abril de 1997. Diário Oficial da 
União, Brasília, 07 abr. 1997. CALDEIRA, Felipe Machado. A evolução histórica, 
filosófica e teórica da pena. Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, nº45, v.12, 2009. 
CHIAVERINI, Tatiana. Origem da pena de prisão. 2009. Dissertação (Mestrado em 
Filosofia do Direito – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. 
CUNHA, Rogério Saches, Leis Especiais para Concurso. 11. ed. Rio de Janeiro: 
Juspodvm, 2019. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, v. 1. Saraiva. 1998. P. 674 
GRECO, Rogério. Sistema prisional: colapso atual e soluções alternativas. 4ª. ed. rev., 
ampli. e atual. – Niterói, RJ: Impetus, 2017. HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. 
Volume Único. 9ª. Ed..Juspovum, 2017. MELOSSI, Dario; PAVARINI, Massimo. Cárcere 
e fábrica: As origens do sistema penitenciário (séculos XVI – XIX). Rio de Janeiro: 
Revan, 2006. WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de História do Direito. 5 
ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2010. ZAFFARONI, Eugenio Raúl et al. Direito Penal 
Brasileiro: primeiro volume. 2. ed. Rio de Janeiro: Renavan, 2003.

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