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@juscursospreparatorios 1 @ @juscursospreparatorios 2 @ @juscursospreparatorios 3 @ LEI QUE DEFINE OS CRIMES DE TORTURA LEI 9.455, DE 07 DE ABRIL DE 1997 INTRODUÇÃO: Após a 2ª Grande Guerra nasce um movimento de repúdio à tortura. Aprovações de várias Convenções e Tratados contra a tortura (alguns ratificados pelo Brasil). No Brasil, após a CF/88, foi consagrado como direito fundamental do cidadão não ser submetido à tortura. (art.5ºIIICF). “Art.5ºIII,CF ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;” Lei 8.069/90 – art. 233 (ECA): 1º diploma a definir crime de tortura (vítima apenas criança e adolescente). Lei 8.072/90: Equiparou tortura a crimes hediondos – prevê para a tortura as mesmas consequências de um crime hediondo. Lei 9.455/97: Definiu tortura no Brasil, revogando o art. 233 ECA (conceito extraído de tratados internacionais). Lei 12.847/13 (institui o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura). “De início, cumpre esclarecer que o conceito de tortura, tomado a partir dos instrumentos de direito internacional, tem um viés estatal, implicando que o crime só poderia ser praticado por agente estatal (funcionário público) ou por um particular no exercício de função pública, consubstanciando, assim, crime próprio. A despeito disso, o legislador pátrio, ao tratar do tema na Lei n. 9.455/1997, foi além da concepção estabelecida nos instrumentos internacionais, na medida em que, ao menos no art. 1º, I, ampliou o conceito de tortura para além da violência perpetrada por servidor público ou por particular que lhe faça as vezes, dando ao tipo o tratamento de crime comum. A adoção de uma concepção mais ampla do tipo supracitado, tal como estabelecida na Lei n. 9.455/1997, encontra guarida na Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, que ao tratar do conceito de tortura estabeleceu –, em seu art. 1º, II –, que: o presente artigo não será interpretado de maneira a restringir qualquer instrumento internacional ou legislação nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo” (REsp @juscursospreparatorios 4 @ 1.738.264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, por maioria, julgado em 23/08/2018, DJe 14/09/2018). CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUEIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES. Conceito de tortura - Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções publicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerara como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência unicamente de sanções legitimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram. (Art. 1° da Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes). CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º, inciso III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; As hipóteses de IMPRESCRITIBILIDADE estão previstas no art. 5º, XLII e XLIV da CF/88: XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; BEM JURÍDICO TUTELADO O bem protegido pela norma é a dignidade humana, a integridade física e psíquica e até a vida das pessoas. @juscursospreparatorios 5 @ O bem protegido pela norma é a dignidade humana, a integridade física e psíquica e até a vida das pessoas. Trata-se de um crime pluriofensivo. SUJEITO ATIVO A maioria da doutrina entende que o delito de tortura é crime comum, já que a lei não previu tal qualidade especial. Em algumas figuras típicas, pode ser crime próprio, ou seja, praticado por funcionário público. SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. TIPO OBJETIVO Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; c) em razão de discriminação racial ou religiosa; Núcleo - CONSTRANGER - forçar, obrigar pela força, coagir, compelir. • COM EMPREGO DE VIOLÊNCIA - vis corporalis - violência física sobre o corpo da vítima , para afastar sua resistência. • OU GRAVE AMEAÇA - vis compulsiva - violência moral, exercida sobre o psiquismo da vítima, viciando sua vontade @juscursospreparatorios 6 @ Elemento normativo do tipo: “causando-lhe sofrimento físico ou mental” TIPO SUBJETIVO: Dolo - vontade livre e consciente de infligir sofrimento físico ou mental na vítima, através de violência ou grave ameaça. O ESPECIAL FIM DE AGIR, segundo boa parte da doutrina, é exigido nas três figuras típicas, que se classificam como crimes de intenção ou de tendência interna transcendente, em que o elemento subjetivo não se esgota no dolo, é necessária uma finalidade ulterior. Em sentido diverso, há quem entenda que a terceira figura (DISCRIMINATÓRIA), exigiria em vez de especial fim de agir, um motivo determinante (EM RAZÃO DE). Delitos de intenção ou tendência interna transcendente (Mezger) O agente age com seu dolo, mas além do dolo possui elemento subjetivo que está para além do dolo, algo a mais, especial fim de agir, intenção específica. Pode ser: Delitos de resultado cortado - São delitos nos quais o agente pratica a conduta com o seu dolo e visa obter um resultado ulterior que está além do seu dolo. A obtenção deste resultado ulterior não depende da intervenção do agente. Exemplo: Art. 333 e 159 do CP e Art. 1º, I, “a” e “b” da lei de tortura. Delitos mutilados de dois atos – São delitos nos quais o agente pratica um delito e esse depende da intervenção do agente. Exemplos: Art. 288 e 289, caput do CP. Art. 1º, I: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa (Tortura prova/probatória/persecutória/inquisitorial) Exemplo: credor tortura devedor para confessar uma dívida Consumação: se consuma com a provocação do sofrimento, físico ou mental, dispensa a obtenção da declaração, informação ou confissão da vítima. Trata-se portanto de crime formal. a) (...) Informação é a comunicação ou notícia acerca de fato; Declaração é o esclarecimento, explicação ou revelação referente a algum fato; Confissão é a admissão da prática de algum fato. @juscursospreparatorios 7 @ Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum) Sujeito passivo: qualquer pessoa (crime comum) Trata-se um crime bi-comum Conduta punida: constrangimento + violência ou grave ameaça +provocação de sofrimento físico ou mental Voluntariedade: o agente age com dolo (dolo + fins especiais (“a”, “b”, e “c”). b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa (tortura crime) Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum) Sujeito passivo: qualquer pessoa (crime comum) Consumação: se consuma com a provocação do sofrimento. Dispensa a consumação da prática delituosa pelo torturado. Trata-se de crime formal. Exemplo: João tortura Antônio para que este ceife a vida de JosÉ. E se ocorrer a conduta criminosa pelo torturado (Antônio mata José)? João (torturador): o torturador responderá pelo crime previsto no art. 1º, I, “b” da lei que define os crimes de tortura + o crime correspondente praticado pelo torturado, na condição de autor mediato, em concurso material. Antônio (torturado, que matou José): Ocorrendo o crime, o torturado, que agiu em coação irresistível, estará amparado de exculpante de inexigibilidade de conduta diversa. AUTORIA MEDIATA Haverá autoria mediata se houver coação física ou moral irresistível. 1ª Corrente: incluem-se as contravenções penais, em função da inexistência de diferença ontológica entre crime e contravenção - configura analogia in malam partem. 2ª Corrente: Só admite a prática de crime, em função da distinção legal (art. 1º, LCP). Se a conduta visar à prática de contravenção penal, há crime de constrangimento ilegal (art. 146, CP). ATENÇÃO E se o agente constranger alguém a praticar uma contravenção penal? @juscursospreparatorios 8 @ Constranger com violência alguém para praticar contravenção penal (ex. jogo do bicho) NÃO constitui tortura. (art. 146, CP – constrangimento ilegal). Este é o entendimento que prevalece! CONFLITO APARENTE DE NORMAS Lei 13.689/19 (abuso de autoridade) X Lei 9.455/97 (define os crimes de tortura) c) em razão de discriminação racial ou religiosa“ (tortura preconceituosa, discriminatória, racista) Não houve previsão de outras modalidades de discriminação (Ex.: orientação sexual, gênero, idade). Consuma-se com o sofrimento físico ou mental. É possível a ocorrência de concurso material entre os crimes de tortura e racismo (lei 7716/89). LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEI 7.210/84 Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política. @juscursospreparatorios 9 @ CONSUMAÇÃO E TENTATIVA Trata-se de crimes formais. Consumam-se com a causação do sofrimento, mesmo que o resultado almejado pelo agente não ocorra. São crimes de resultado cortado, pois a ocorrência do fim pretendido pelo agente independe de sua vontade, está fora da esfera de controle deste. TORTURA CASTIGO (ou punitiva, vindicativa ou intimidatória) Sujeito ativo - só pode ser quem tem a vítima sob sua guarda, poder ou autoridade. Sujeito passivo - é a pessoa que se encontra sob sua guarda, poder ou autoridade do sujeito ativo. Crime próprio - Exige-se essa especial relação entre os sujeitos ativo e passivo. TIPO OBJETIVO Núcleo - SUBMETER - subjugar, sujeitar, tornar objeto de. Elemento normativo do tipo - "INTENSO SOFRIMENTO físico ou mental“ • Com emprego de violência - vis corporalis - violência física sobre o corpo da vítima , para afastar sua resistência. • Ou grave ameaça - vis compulsiva - violência moral, exercida sobre o psiquismo da vítima, viciando sua vontade. TIPO SUBJETIVO Dolo - vontade livre e consciente de impor intenso sofrimento físico ou mental à vítima, através de violência ou grave ameaça. Especial Fim de Agir - (Animus corrigendi) - “como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter @juscursospreparatorios 10 @ preventivo". • castigo – reprimenda por alguma falta. • medida de caráter preventivo – disciplina para evitar futuras faltas. CONFLITO APARENTE DE NORMAS ART. 136 CP Maus-tratos Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. Na lei de tortura trata-se de um crime de perigo, a intenção, o dolo, é castigar a vítima, causar sofrimento intenso, e no art. 136 do CP intenção é repreender uma indisciplina, há o caráter educativo, crime de perigo. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA Crime material, consuma-se com o resultado de intenso sofrimento físico ou psíquico suportado pela vítima em razão da violência ou grave ameaça. É cabível a tentativa, se a prática da violência ou grave ameaça não chega a causar o intenso sofrimento requerido pelo tipo. @juscursospreparatorios 11 @ Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Núcleo de Concursos e Promoção de Eventos (NUCEPE) - 2018 - Polícia Civil - PI - Agente de Polícia Civil Acerca do crime de tortura, marque a alternativa CORRETA. A. Constitui-se crime de tortura, somente quando causar dano psíquico a outrem. B. Caso o crime de tortura seja cometido por agente público, aumenta-se a pena de um terço à metade. C. Nas situações previstas em lei, no crime de tortura, o juiz poderá arbitrar fiança. D. Constitui-se crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. E. Em qualquer situação o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. FORMA EQUIPARADA Art. 1, II (...) § 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. Sujeito ativo - Crime próprio, só pode ser praticado por quem tem a vítima sob custódia, em razão de prisão ou medida de segurança detentiva (funcionário público ou não). Ex.: agente penitenciário, médico, enfermeiro. Sujeito passivo - é a pessoa que se encontra sob custódia, presa (qualquer modalidade de prisão) ou submetida a medida de segurança detentiva. Tipo objetivo: Núcleo - SUBMETER - subjugar, sujeitar, tornar objeto de. Elemento normativo - "ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal". Tipo subjetivo: Dolo - vontade livre e consciente de impor sofrimento físico ou mental. Não há especial fim de agir. Consumação e Tentativa Crime material - consuma-se com o sofrimento. TORTURA IMPRÓPRIA (OMISSIVA OU PRIVILEGIADA) Art. 1, II (...) § 2º Aquele que SE OMITE em face dessas condutas, quando tinha o dever de EVITÁ- LAS ou APURÁ�LAS, incorre na pena de detenção de um a quatro anos. @juscursospreparatorios 12 @ Sujeito ativo Crime próprio, só pode ser praticado por quem tem a posição de garantidor (1ªde tortura é afiançável B. o crime de tortura é suscetível de anistia C. a condenação deve acarretar a perda do cargo público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada D. constitui crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, com emprego de grave ameaça, a intenso sofrimento mental, como forma de aplicar castigo pessoal E. o crime de tortura é suscetível de graça De acordo com o STJ: O fato de estar inserido no rol dos delitos hediondos ou equiparados não basta para a imposição da constrição cautelar, por ser necessária a existência de circunstâncias que demonstrem a adoção dessa medida excepcional. (HC 240.212/DF, QUINTA TURMA, julgado em 21/06/2012, DJe 03/08/2012) REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o cumprimento da pena em REGIME FECHADO. @juscursospreparatorios 17 @ Art. 1º, II (...) § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o cumprimento da pena em REGIME FECHADO. JURISPRUDÊNCIA Informativo nº 789/STF O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. Com base nessa orientação, a Primeira Turma denegou pedido formulado em “habeas corpus”, no qual se pretendia o reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado na fixação, em sentença penal transitada em julgado, do cumprimento das penas impostas aos pacientes em regime inicialmente fechado. Alegavam os impetrantes a ocorrência de violação ao princípio da individualização da pena, uma vez que desrespeitados os artigos 33, § 3º, e 59 do CP. Apontavam a existência de similitude entre o disposto no artigo 1º, § 7º, da Lei de Tortura e o previsto no art. 2º, § 1º, da Lei de Crimes Hediondos, dispositivo legal que já teria sido declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do HC 111.840/ES (DJe de 17.12.2013). Salientavam, por fim, afronta ao Enunciado 719 da Súmula do STF. O Ministro Marco Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria com a imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. Assinalou que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. HC 123316/SE, rel. Min. Marco Aurélio, 9.6.2015. INFORMATIVO Nº 672/STF O Plenário desta Corte, no julgamento do HC 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/1990 (redação dada pela Lei 11.464/2007), que determinava o cumprimento de pena dos crimes hediondos, de tortura, de tráfico ilícito de entorpecentes e de terrorismo no regime inicial fechado. (HC 113250, Relator(a): Segunda Turma, PUBLIC 21-11-2012). @juscursospreparatorios 18 @ EXTRATERRITORIALIDADE Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a VÍTIMA BRASILEIRA ou ENCONTRANDO-SE O AGENTE EM LOCAL SOB JURISDIÇÃO BRASILEIRA. Art. 2º o disposto nesta lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Banca não informada - 2017 - Polícia Civil - AC- Escrivão de Polícia Civil Consoante a Lei de Tortura (Lei n° 9.455/1997), assinale a alternativa correta. A. A Lei de Tortura aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. B. Se o crime a cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 70 (setenta) anos, aumenta-se a pena um sexto até a metade. C. O condenado por crime previsto na Lei de Tortura, via de regra, iniciará o cumprimento da pena em regime semiaberto. D. O crime de tortura é inafiançável e suscetível de graça ou anistia. E. A condenação pela prática do crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada. @juscursospreparatorios 19 @ DE ACORDO COM A DOUTRINA, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. POLÊMICA QUANTO à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro encontrando�se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). DOUTRINA De acordo com a doutrina, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. Polêmica quanto à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente: é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). 2ª corrente: é caso de extraterritorialidade e condicionada (CAPEZ, MARCELO AZEVEDO), uma porque a lei exige que o agente se encontre em lugar sob jurisdição brasileira e, a duas, porque as convenções condicionam a aplicação da lei à inocorrência de extradição. @juscursospreparatorios 20 @ BIBLIOGRAFIA BITENCOURT, Cezar Roberto. Falência da Pena de Prisão: causas e alternativas. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. BRASIL. LEI 9.455, de 07 de abril de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, 07 abr. 1997. CALDEIRA, Felipe Machado. A evolução histórica, filosófica e teórica da pena. Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, nº45, v.12, 2009. CHIAVERINI, Tatiana. Origem da pena de prisão. 2009. Dissertação (Mestrado em Filosofia do Direito – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. CUNHA, Rogério Saches, Leis Especiais para Concurso. 11. ed. Rio de Janeiro: Juspodvm, 2019. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, v. 1. Saraiva. 1998. P. 674 GRECO, Rogério. Sistema prisional: colapso atual e soluções alternativas. 4ª. ed. rev., ampli. e atual. – Niterói, RJ: Impetus, 2017. HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. Volume Único. 9ª. Ed..Juspovum, 2017. MELOSSI, Dario; PAVARINI, Massimo. Cárcere e fábrica: As origens do sistema penitenciário (séculos XVI – XIX). Rio de Janeiro: Revan, 2006. WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de História do Direito. 5 ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2010. ZAFFARONI, Eugenio Raúl et al. Direito Penal Brasileiro: primeiro volume. 2. ed. Rio de Janeiro: Renavan, 2003.de tortura é afiançável B. o crime de tortura é suscetível de anistia C. a condenação deve acarretar a perda do cargo público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada D. constitui crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, com emprego de grave ameaça, a intenso sofrimento mental, como forma de aplicar castigo pessoal E. o crime de tortura é suscetível de graça De acordo com o STJ: O fato de estar inserido no rol dos delitos hediondos ou equiparados não basta para a imposição da constrição cautelar, por ser necessária a existência de circunstâncias que demonstrem a adoção dessa medida excepcional. (HC 240.212/DF, QUINTA TURMA, julgado em 21/06/2012, DJe 03/08/2012) REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o cumprimento da pena em REGIME FECHADO. @juscursospreparatorios 17 @ Art. 1º, II (...) § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO A HIPÓTESE DO § 2º, iniciará o cumprimento da pena em REGIME FECHADO. JURISPRUDÊNCIA Informativo nº 789/STF O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. Com base nessa orientação, a Primeira Turma denegou pedido formulado em “habeas corpus”, no qual se pretendia o reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado na fixação, em sentença penal transitada em julgado, do cumprimento das penas impostas aos pacientes em regime inicialmente fechado. Alegavam os impetrantes a ocorrência de violação ao princípio da individualização da pena, uma vez que desrespeitados os artigos 33, § 3º, e 59 do CP. Apontavam a existência de similitude entre o disposto no artigo 1º, § 7º, da Lei de Tortura e o previsto no art. 2º, § 1º, da Lei de Crimes Hediondos, dispositivo legal que já teria sido declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do HC 111.840/ES (DJe de 17.12.2013). Salientavam, por fim, afronta ao Enunciado 719 da Súmula do STF. O Ministro Marco Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria com a imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. Assinalou que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. HC 123316/SE, rel. Min. Marco Aurélio, 9.6.2015. INFORMATIVO Nº 672/STF O Plenário desta Corte, no julgamento do HC 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/1990 (redação dada pela Lei 11.464/2007), que determinava o cumprimento de pena dos crimes hediondos, de tortura, de tráfico ilícito de entorpecentes e de terrorismo no regime inicial fechado. (HC 113250, Relator(a): Segunda Turma, PUBLIC 21-11-2012). @juscursospreparatorios 18 @ EXTRATERRITORIALIDADE Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a VÍTIMA BRASILEIRA ou ENCONTRANDO-SE O AGENTE EM LOCAL SOB JURISDIÇÃO BRASILEIRA. Art. 2º o disposto nesta lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. Legislação Especial Federal - Lei nº 9.455/1997 - Lei da Tortura - Banca não informada - 2017 - Polícia Civil - AC- Escrivão de Polícia Civil Consoante a Lei de Tortura (Lei n° 9.455/1997), assinale a alternativa correta. A. A Lei de Tortura aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. B. Se o crime a cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 70 (setenta) anos, aumenta-se a pena um sexto até a metade. C. O condenado por crime previsto na Lei de Tortura, via de regra, iniciará o cumprimento da pena em regime semiaberto. D. O crime de tortura é inafiançável e suscetível de graça ou anistia. E. A condenação pela prática do crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo triplo do prazo da pena aplicada. @juscursospreparatorios 19 @ DE ACORDO COM A DOUTRINA, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. POLÊMICA QUANTO à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro encontrando�se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). DOUTRINA De acordo com a doutrina, a primeira parte (sendo a vítima brasileira) configura hipótese de extraterritorialidade incondicionada. Polêmica quanto à segunda parte (crime de tortura praticado no estrangeiro encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira): 1ª corrente: é caso de extraterritorialidade incondicionada para alguns autores (NUCCI, GABRIEL HABIB). 2ª corrente: é caso de extraterritorialidade e condicionada (CAPEZ, MARCELO AZEVEDO), uma porque a lei exige que o agente se encontre em lugar sob jurisdição brasileira e, a duas, porque as convenções condicionam a aplicação da lei à inocorrência de extradição. @juscursospreparatorios 20 @ BIBLIOGRAFIA BITENCOURT, Cezar Roberto. Falência da Pena de Prisão: causas e alternativas. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. BRASIL. LEI 9.455, de 07 de abril de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, 07 abr. 1997. CALDEIRA, Felipe Machado. A evolução histórica, filosófica e teórica da pena. Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, nº45, v.12, 2009. CHIAVERINI, Tatiana. Origem da pena de prisão. 2009. Dissertação (Mestrado em Filosofia do Direito – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. CUNHA, Rogério Saches, Leis Especiais para Concurso. 11. ed. Rio de Janeiro: Juspodvm, 2019. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, v. 1. Saraiva. 1998. P. 674 GRECO, Rogério. Sistema prisional: colapso atual e soluções alternativas. 4ª. ed. rev., ampli. e atual. – Niterói, RJ: Impetus, 2017. HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. Volume Único. 9ª. Ed..Juspovum, 2017. MELOSSI, Dario; PAVARINI, Massimo. Cárcere e fábrica: As origens do sistema penitenciário (séculos XVI – XIX). Rio de Janeiro: Revan, 2006. WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de História do Direito. 5 ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2010. ZAFFARONI, Eugenio Raúl et al. Direito Penal Brasileiro: primeiro volume. 2. ed. Rio de Janeiro: Renavan, 2003.