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LEI DE TORTURA – Lei 9455/97. MATERIAL COM QUESTÕES DE CONCURSO e ALGUMAS REFERÊNCIAS À SÚMULAS E JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES Material confeccionado por Eduardo B. S. Teixeira. Última atualização legislativa: Nenhuma. Última atualização jurisprudencial: Info 633 STJ (art. 1º, II); Julgado STJ (art. 1º, §5º) Última atualização questões de concurso: 16/01/2022. Observações quanto à compreensão do material: 1) Cores utilizadas: · EM VERDE: destaque aos títulos, capítulos, bem como outras informações relevantes, etc. · EM ROXO: artigos que já foram cobrados em provas de concurso. · EM AZUL: Parte importante do dispositivo (ex.: questão cobrou exatamente a informação, especialmente quando a afirmação da questão dizia respeito à situação contrária ao que dispõe na Lei 9455/97). · EM AMARELO ou EM LARANJA: destaques importantes (ex.: critério pessoal) 2) Siglas utilizadas: · MP (concursos do Ministério Público); M ou TJPR (concursos da Magistratura); BL (base legal), etc. LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997. Define os crimes de tortura e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º CONSTITUI CRIME DE TORTURA: (MPGO-2014): No que tange aos crimes de tortura, tipificados na Lei 9.455/97, assinale a alternativa correta: No crime de tortura será admissível a tentativa e a desistência voluntária, quando, no último caso, o agente interromper voluntariamente sua conduta, antes que a vítima tenha algum sofrimento físico ou psíquico. Nesse último caso, poderá subsistir a prática de crime de constrangimento ilegal. Não é admissível no crime de tortura o arrependimento eficaz. ##Atenção: Sobre os assuntos trazidos na questão, Fernando Capez explica: “Tentativa: Se forem empregados os meios de violência ou grave ameaça, mas a ação tiver sido interrompida por circunstâncias alheias à vontade do agente, antes que se caracterize o sofrimento, o crime fica na esfera tentada. Necessário frisar que nem sempre é fácil a prova do sofrimento, pois muitas vezes se trata de um questão de cunho interno, subjetivo do ofendido. Desistência voluntária: Se o agente, antes de completar o constrangimento, interrompe voluntariamente a sua ação, antes que a vítima venha a ter, comprovadamente, algum sofrimento físico ou psíquico, não responderá pelo crime de tortura, mas pelos atos até então praticados (constrangimento ilegal, por exemplo). É que, na desistência voluntária, o sujeito responde apenas pelos atos até então praticados, ficando afastada a tentativa. Arrependimento eficaz: Não é possível, uma vez que, encerrado o constrangimento, ou resultou sofrimento e o crime está consumado, ou não resultou e o delito ficou na esfera tentada. É impossível que a vítima tenha padecido de mal físico ou mental e o agente, após o encerramento de sua atividade, arrependa-se e faça desaparecer tal sofrimento”. (CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, v. 4: leg. penal especial. 10 ed. São Paulo: Saraiva 2015. p. 645) I - CONSTRANGER alguém com emprego de violência ou grave ameaça, CAUSANDO-LHE sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter INFORMAÇÃO, DECLARAÇÃO ou CONFISSÃO da vítima ou de terceira pessoa; [Obs.: Tortura Probatória, Persecutória, Institucional ou Inquisitorial.] (DPESP-2009) (PCPB-2009) (MPSP-2008/2010) (MPF-2011) (TJMG-2012) (DPESE-2012) (MPAC-2014) (DPEPB-2014) (MPGO-2016) (MPRO-2017) (TJSP-2018) ##Atenção: ##MPPE-2014: ##FCC: Sujeito ativo: Todas as figuras previstas no inciso I do art. 1º são crimes comuns, ou seja, podem ser praticados por qualquer pessoa. ##Atenção: ##MPSP-2008: ##MPPE-2014: ##DPEPB-2014: ##TJSP-2018: ##FCC: ##VUNESP: Ao contrário do que ocorre nos outros países, no Brasil, mesmo o particular, ou seja, quem não é funcionário público, também pode praticar crime de tortura. As Convenções internacionais preveem, inclusive, a tortura como crime próprio. Isso, contudo, não interfere no Brasil, Vejamos: “O art. 1.º da Lei 9.455/97, ao tipificar o crime de tortura como crime comum, não ofendeu o que já determinava o art. 1º da Convenção da ONU Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, de 1984, em face da própria ressalva contida no texto ratificado pelo Brasil. STJ. 5ª T. REsp 1.299.787/PR, Min. Laurita Vaz, DJe 3/2/2014.” ##Atenção: Consumação: O crime se consuma com o sofrimento (físico ou mental) causado pelo emprego da violência ou da grave ameaça. Não importa, para fins de consumação, que o agente tenha conseguido seu objetivo. Assim, mesmo que a vítima não dê a informação, declaração ou confissão exigida, o crime já estará consumado. A tentativa é possível, considerando que se trata de crime plurissubistente. ##Atenção: Elemento subjetivo: É o dolo com o especial fim de agir (com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa). b) para PROVOCAR ação ou omissão de natureza criminosa; [Obs.: Tortura Crime] (DPESP-2006) (MPSP-2008) (MPF-2011) (DPEPB-2014) (MPGO-2016) (PCMS-2017) (TJSP-2018) ##Atenção: Natureza criminosa: Não se enquadra neste dispositivo o agente que tortura a vítima para que ela pratique contravenção penal. c) em razão de discriminação RACIAL ou RELIGIOSA; [Obs.: Tortura Discriminatória, Preconceituosa ou Tortura Racismo] (MPSP-2008) (MPPR-2008) (DPESP-2009) (PCRJ-2009) (TJSC-2010) (MPF-2011) (MPPI-2012) (DPEPB-2014) (MPBA-2015) (MPGO-2016) (TJMG-2018) (TJSP-2018) (PCSE-2018) (MPMS-2018): Assinale a alternativa correta: É crime de tortura (Lei n. 9.455/1997) a conduta de constranger alguém com emprego de grave ameaça, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação religiosa. BL: art. 1º, I, “c”, Lei 9455. (DPU-2015-CESPE): Em relação aos crimes de tortura, julgue o item a seguir: Caracteriza uma das espécies do crime de tortura a conduta consistente em, com emprego de grave ameaça, constranger outrem em razão de discriminação racial, causando-lhe sofrimento mental. BL: art. 1º, I, “c”, Lei 9455. II - SUBMETER alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar CASTIGO PESSOAL ou MEDIDA DE CARÁTER PREVENTIVO. [Obs.: Tortura Castigo ou Punitiva.] (TJMS-2008) (MPPR-2008) (DPESP-2006/2009) (DPEMA-2009) (PCRO-2009) (MPF-2011) (TJMG-2012) (MPGO-2016) (TJRJ-2016) (TJSC-2017) (TJSP-2018) Pena - reclusão, de dois a oito anos. (TJAC-2012) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: ##TJSP-2018: ##VUNESP: Somente pode ser agente ativo do crime de tortura-castigo , também denominada de tortura-vingativa ou intimidatória (art. 1º, II, da Lei 9.455/97), aquele que detiver outra pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade (crime próprio). STJ. 6ª Turma. REsp 1738264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 23/8/18 (Info 633). ##Atenção: Intenso sofrimento: Veja que o legislador estabeleceu uma diferenciação: • inciso I: exige apenas sofrimento (físico ou mental); • inciso II: exige intenso sofrimento (físico ou mental). ##Atenção: ##TJSP-2018: ##VUNESP: O crime de tortura pode ser crime próprio ou crime comum. Assim, exemplificativamente, no caso do inciso I, é crime comum. Por outro lado, no inciso II, é crime próprio, porque é necessário ser detentor de guarda ou poder. § 1º Na mesma pena INCORRE quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. [Obs.: Tortura Equiparada.] (DPESP-2006/2009) (DPEMA-2009) (DPEGO-2010) (MPMS-2015) (MPGO-2016) § 2º Aquele que SE OMITE em face dessas condutas, quando TINHA o DEVER DE EVITÁ-LAS ou APURÁ-LAS, INCORRE na pena de detenção de um a quatro anos. [Obs.1: Tortura Omissão ou Imprópria.] [Obs.2: Não é hedionda.] (MPPR-2008) (MPRR-2008) (DPEMA-2009) (DPESP-2009) (PCPB-2009) (PCRO-2009) (TJSC-2010) (MPMG-2010) (TJPE-2011) (DPEAM-2011) (TJMG-2012) (TJAC-2012) (MPES-2013) (TRF2-2013) (MPPE-2014) (DPEPB-2014) (MPDFT-2015) (MPMS-2015) (MPRS-2012/2017) (DPEPE-2018-CESPE):De acordo com a legislação penal especial, assinale a opção correta: Comete o crime de tortura aquele que, tendo o dever de evitar a conduta, se mantém omisso ao tomar ciência ou presenciar pessoa presa ser submetida a sofrimento físico ou mental, por meio da prática de ato não previsto legalmente. BL: art. 1º, §2º, Lei 9455. ##Atenção: Trata-se da chamada "tortura-omissão", em que o agente se omite em seu dever de evitar o resultado, consistente na tortura perpetrada por outrem. O sujeito ativo desta modalidade de tortura será, então, a pessoa que possui o dever de evitar ou apurar o resultado. ##Atenção: ##MPES-2013: ##VUNESP: ##MPDFT-2015: ##MPRS-2017: A tortura imprópria (ou tortura-omissão) não é equiparada ao crime hediondo, o que caracteriza exceção às demais espécies de tortura. Além disso, nos termos expressos do § 7º do art. 1º da Lei 9.455/97, “o condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado”. Com efeito, o condenado por crime de tortura na modalidade omissão não iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. (TJRJ-2016-VUNESP): Maximilianus constantemente agredia seu filho Ramsés, de quinze anos, causando-lhe intenso sofrimento físico e mental com o objetivo de castigá-lo e de prevenir que ele praticasse “novas artes". Na última oportunidade em que Maximilianus aplicava tais castigos, vizinhos acionaram a polícia ao ouvirem os gritos de Ramsés. Ao chegar ao local os policiais militares constataram as agressões e conduziram ao Distrito Policial Maximilianus, Ramsés e Troia, mãe de Ramsés que presenciava todas as agressões mas, apesar de não concordar, deixava que Maximilianus “cuidasse" da educação do filho sem se “intrometer". Diante da circunstância descrita, é correto afirmar que Maximilianus incorreu, nos termos da Lei 9.455/97, na prática do crime de tortura na qualidade de autor, sendo que Troia será responsabilizada pela prática do crime de omissão em face da tortura praticada por Maximilianus, também previsto na Lei 9.455/97, tendo em vista que tinha o dever de evitá-la. BL: art. 1º, II e art. 1º, §2º, Lei 9455. ##Atenção: A conduta de Maximilianus enquadra-se ao tipo penal estabelecido no art. 1º, II, da Lei 9.455/97, isto é, responderá pelo delito de tortura na qualidade de autor, uma vez que pratica os atos executórios previstos na elementar do tipo imbuído ainda com o especial fim de agir exigido pelo tipo penal. Por outro lado, Troia, ao não se intrometer a fim de evitar o intenso sofrimento físico e mental imposto por Maximilianus a Ramsés com a finalidade de castigá-lo, na condição do mãe do menor, cujo dever é de garantir a higidez física e psíquica do filho, incorre nas penas do crime de omissão quanto à tortura, previsto de forma específica no art. 1º, § 2º, da Lei 9.455/97. (MPGO-2014): No que tange aos crimes de tortura, tipificados na Lei 9.455/97, assinale a alternativa correta: Segundo dispõe a lei especial, aquele que se omite em face da conduta de tortura praticada por outrem, quando tinha o dever de evitá-la ou apurá-la, responde por crime próprio, tratando-se de uma exceção pluralística à teoria unitária do Código Penal. BL: art. 1º, §2º, Lei 9455. ##Atenção: ##MPGO-2014: Nesse sentido, explica Fernando Capez: “Ocorrendo a participação por omissão, o emitente em regra, responde pelo mesmo crime cometido pelo autor principal, pois nosso CP, no art. 29, caput, adotou como regra a teoria unitária ou monista, segundo a qual todo aquele que concorre de qualquer modo para um crime, seja como coautor ou partícipe, incide nas penas a ele cominadas. No caso em tela, a Lei n. 9.455/97 fugiu à regra da teoria unitária, tendo adotado como exceção, a teoria pluralística, segundo a qual cada partícipe responde por um delito diferente". (CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, v. 4: legislação penal especial. 10 ed. São Paulo: Saraiva 2015. p. 654). ##Atenção: ##TJAC-2012: ##CESPE: As penas de quem se omite diante da prática de tortura são menores que as penas atribuídas ao torturador, nos termos do §2º do art. 1º da Lei 9455/97. (DPERS-2014-FCC): Sobre a Lei 9.455/97 (Crimes de Tortura), é correto afirmar que há previsão legal de crime por omissão. BL: art. 1º, §2º, Lei 9455. ##Atenção: ##DPERS-2014: ##FCC: Na tortura por omissão (art. 1º, §2º) cabe a suspensão condicional do processo, uma vez que a pena deste delito é de 1 a 4 anos de detenção. Cumpre ressaltar que na Lei nº 9.455/97 (Crimes de Tortura) não há vedação expressa, no corpo da lei, de aplicação do sursis para os condenados por tortura. § 3º SE RESULTA LESÃO CORPORAL de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; SE RESULTA MORTE, a reclusão é de oito a dezesseis anos. [Obs.: Tortura Qualificada.] (DPEMA-2009) (PCPB-2009) (MPSP-2006/2010) (TJSC-2010) (DPESC-2012) (TJMG-2014) (TJDFT-2014) (MPRO-2017-FMP): No que tange aos crimes dolosos contra a vida, assinale a alternativa correta: O emprego de tortura pode qualificar o crime de homicídio ou caracterizar crime autônomo, dependendo do dolo do agente e das circunstâncias do caso concreto. BL: art. 121, §2º, III, CP e art. 1º, §3º, Lei 9455/97. ##Atenção: ##TJDFT-2007: ##PCPB-2009: ##MPSP-2010: ##DPESC-2012: ##MPES-2013: ##CESPE: ##VUNESP: DICA: · TORTURA com resultado MORTE: A intenção era a de torturar, a morte foi consequência, foi "sem querer"... isso caracteriza crime Preterdoloso (ou seja, Dolo na tortura e Culpa na morte). · TORTURA como meio para MATAR: A intenção era desde o início a de matar, só que o agente se utilizou da tortura para atingir o objetivo morte. Quando a questão diz que o agente assume o risco de produzir o resultado morte, refere-se ao dolo eventual (uma das modalidades do dolo), o que indica a intenção de cometer o homicídio qualificado pela tortura. (TJDFT-2007): Relativamente ao crime de homicídio, assinale a alternativa correta: A distinção fundamental entre o delito tipificado no art. 121, § 2°, inciso III, do CP (homicídio qualificado pela tortura) e o crime de tortura qualificada pela morte (art. 1°, §3°, da Lei 9.455/97), é que neste último o resultado morte se dá por culpa. BL: art. 121, §2º, III, CP e art. 1º, §3º, Lei 9455/97. (MPSC-2014): Conforme doutrina majoritária, a tortura qualificada pelo resultado morte, prevista no art. 1º, §3º, da Lei 9455/97, é classificada como de resultado preterdoloso. Entretanto, se o agressor, em sua ação, deseja ou assume o risco de produzir o resultado morte, não responde pelo tipo acima, mas por homicídio qualificado. § 4º AUMENTA-SE a pena de um sexto até um terço: I - se o crime É COMETIDO por agente público; (MPSP-2008) (MPPR-2008) (TJMG-2012) (MPPE-2014) II – se o crime É COMETIDO contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) (TJMG-2012) (DPERS-2014) (DPU-2015) (MPBA-2015): Analise a seguinte assertiva acerca das leis penais extravagantes: Configura crime de tortura a conduta de constranger criança, com emprego de grave ameaça, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação racial. BL: art. 1o, I, “c”, c/c §4º, Lei 9455/97. ##Atenção: ##DPERS-2014: ##FCC: O art. 233 do ECA, o tipo penal que tratava de tortura contra criança ou adolescente foi revogado pelo art. 4º da Lei nº 9.455/97 (Crimes de Tortura). Nos dias atuais, a tortura praticada contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 anos sujeita o infrator a aumento de pena de um sexto até um terço. III - se o crime É COMETIDO mediante sequestro. (MPSP-2006) (TJMG-2012) (MPGO-2014) § 5º A condenação ACARRETARÁ a PERDA do cargo, função ou emprego público e a INTERDIÇÃO para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. (MPSP-2008) (MPRR-2008) (TRF5-2009) (PCPB-2009) (DPEAM-2011) (TJSC-2013) (MPES-2013) (MPSC-2013) (MPAC-2014) (MPPE-2014) (TJPB-2011/2015) (DPERN-2015) (TRF1-2015) (MPGO-2016) (TJBA-2019) (TJSC-2019) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: ##MPES-2013: ##MPAC-2014: ##DPERN-2015:##TJBA-2019: ##TJSC-2019: ##CESPE: ##VUNESP: A perda do cargo, função ou emprego público é efeito automático da condenação pela prática do crime de tortura, não sendo necessária fundamentação concreta para a sua aplicação. Precedentes. (STJ. 6ª T. AgRg no Ag 1388953/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 20/06/13). (TJSC-2019-CESPE): Conforme o Código Penal e a legislação aplicável, constitui efeito automático da condenação criminal, que independe de expressa motivação em sentença, no caso de servidor público condenado pela prática de crime de tortura, a perda do cargo ou da função pública e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. BL: art. 1º, §5º, Lei 9455 e Entend. Jurisprud. (DPERN-2015-CESPE): Assinale a opção correta no que se refere ao crime de tortura relacionado com o processo penal: A condenação de policial civil pelo crime de tortura acarreta, como efeito automático, independentemente de fundamentação específica, a perda do cargo público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. BL: art. 1º, §5º, Lei 9455 e Entend. Jurisprud. § 6º O crime de tortura É inafiançável e INSUSCETÍVEL de graça ou anistia. (TJMG-2006) (DPU-2007) (MPSP-2008) (TJAP-2009) (PCPI-2009) (MPRO-2010) (MPSC-2010) (TJES-2011) (TJDFT-2011) (MPMG-2011) (TJSC-2013) (DPEPB-2014) § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO a hipótese do § 2º [obs.: tortura imprópria ou omissão], iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. (MPPR-2008) (PCPB-2009) (MPSE-2010) (DPEAM-2011) (TRF2-2013) (DPERS-2014) (MPDFT-2015) (MPRS-2017) ##Atenção: ##STJ: ##TJPE-2011: ##TRF2-2013: ##MPPE-2014: ##DPERS-2014: ##MPMS-2018: ##FCC: ##CESPE: Não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no regime prisional fechado. Cumpre ressaltar que o Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840-ES (DJe 17.12.13), afastou a obrigatoriedade do regime inicial fechado para os condenados por crimes hediondos e equiparados, devendo-se observar, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no art. 33 c/c o art. 59, ambos do CP. Assim, por ser equiparado a crime hediondo, nos termos do art. 2º, caput e § 1º, da Lei 8.072/90, é evidente que essa interpretação também deve ser aplicada ao crime de tortura, sendo o caso de se desconsiderar a regra disposta no art. 1º, § 7º, da Lei 9.455/97, que possui a mesma disposição da norma declarada inconstitucional. Cabe esclarecer que, ao adotar essa posição, não se está a violar a Súmula Vinculante n.º 10, do STF, que assim dispõe: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". De fato, o entendimento adotado vai ao encontro daquele proferido pelo Plenário do STF, tornando-se desnecessário submeter tal questão ao Órgão Especial desta Corte, nos termos do art. 949, § único, do NCPC: "Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". Portanto, seguindo a orientação adotada pela Suprema Corte, deve-se utilizar, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no art. 33 c/c o art. 59, ambos do CP e as Súmulas 440 do STJ e 719 do STF. Confiram-se, a propósito, os mencionados verbetes sumulares: "Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito." (S. 440 do STJ) e "A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea." (S. 719 do STF). STJ. 5ª T. HC 286.925/RR, Rel. Min Laurita Vaz, j. 13/5/14 (Info 540). ##Atenção: ##TJPE-2011: ##DPERS-2014: ##FCC: A execução da pena para o crime de tortura na modalidade omissão, previsto no §2º do art. 1º, da Lei nº 9.455/77, poderá ser iniciada em outro regime diverso do fechado. Isso, de acordo com o §7º do mesmo dispositivo legal. Art. 2º O disposto nesta Lei APLICA-SE ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. (MPSP-2008) (MPPR-2008) (TRF2-2009) (MPSC-2010) (MPPE-2014) (DPEPE-2015) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: Crime de tortura praticado contra brasileiro no exterior: trata-se de hipótese de extraterritorialidade incondicionada (art. 2º da Lei 9.455/97). No Brasil, a competência para julgar será da Justiça Estadual. O fato de o crime de tortura, praticado contra brasileiros, ter ocorrido no exterior não torna, por si só, a Justiça Federal competente para processar e julgar os agentes estrangeiros. Isso porque a situação não se enquadra, a princípio, em nenhuma das hipóteses do art. 109 da CF/88. STJ. 3ª S. CC 107397-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 24/9/14 (Info 549). (Anal. Ministerial/MPCE-2020-CESPE): A respeito da Lei de Crimes de Tortura (Lei 9.455/97), julgue o próximo item: A Lei de Crimes de Tortura, ao prever sua incidência mesmo sobre crimes que tenham sido cometidos fora do território nacional, estabelece hipótese de extraterritorialidade incondicionada. BL: art. 2º. Lei 9455. (MPGO-2014): No que tange aos crimes de tortura, tipificados na Lei 9.455/97, assinale a alternativa correta: A Lei 9.455/97 determina a chamada extraterritorialidade condicionada e incondicionada, além de adotar o princípio da jurisdição cosmopolita, quando disciplina ser aplicável a lei penal brasileira ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. BL: art. 2º, Lei 9455. ##Atenção: ##MPGO-2014: Assim, temos duas hipóteses em que a lei nacional aplicar-se-á ao cidadão que comete crime de tortura no estrangeiro: i) quando a vítima for brasileira: trata-se aqui da extraterritorialidade incondicional, pois não se exige qualquer condição para que a lei atinja um crime cometido fora do território nacional, ainda que o agente se encontre em território estrangeiro. ii) quando o agente encontrar-se em território brasileiro: trata-se da extraterritorialidade condicionada. (DPEPB-2014-FCC): Com relação à tortura, cabe afirmar: Pode ser aplicada a lei brasileira ao crime praticado por brasileiro no estrangeiro. BL: art. 2º, Lei 9455. (DPEBA-2010-CESPE): Com base no direito penal, julgue o item que se segue: Pela lei que define os crimes de tortura, o legislador incluiu, no ordenamento jurídico brasileiro, mais uma hipótese de extraterritorialidade da lei penal brasileira, qual seja, a de o delito não ter sido praticado no território e a vítima ser brasileira, ou encontrar-se o agente em local sob a jurisdição nacional. BL: art. 2º, Lei 9455. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Nelson A. Jobim Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 8.4.1997.