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Delmárcio Gomes da Silva
Mariana Zuliani
Delmárcio Gomes da Silva
Mariana Zuliani
Prof. Dr. Delmárcio Gomes da Silva
Coordenador do projeto apoiado pelo CNPq - Processo: 440708/2020-6
Universidade Presbiteriana Mackenzie - Escola de Engenharia 
Idealizador e Coordenador da Plataforma EnsiNANO
Profa. Dra. Mariana Zuliani
Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Centro de Ciências e Tecnologia - Campus Campinas (SP)
1ª edição | 2021
São Paulo
Apoio
O que significa
ser humano na era
da Inteligência 
Artificial? 
Guia didático para divulgação
e ensino da Inteligência Artificial
na educação básica
www.ensinano.com.br
http://www.ensinano.com.br
SEMNEIA foi um simpósio de ensino promovido pela Escola de Engenharia da 
Universidade Presbiteriana Mackenzie, em parceria com a Plataforma EnsiNANO, 
durante a 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em outubro de 2020. 
Mais informações sobre os temas das palestras e currículo profissional 
dos convidados estão disponíveis ao final deste e-book.
Este e-book é um material didático gratuito produzido com apoio do CNPq 
(Processo: 440708/2020-6 – Coordenador: Prof. Dr. Delmárcio Gomes), a partir 
do fomento recebido para a realização do 1º Simpósio de Ensino Multidisciplinar 
sobre Nanotecnologia e Inteligência Artificial (SEMNEIA) – 2020.
Copyright © 2021 | Todos os direitos reservados 
a Delmarcio Gomes da Silva | Mariana Zuliani
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Silva, Delmarcio Gomes
O que significa ser humano na era da Inteligência Artificial? : Guia 
didático para divulgação e ensino da inteligência artificial na educação 
básica / Delmarcio Gomes Silva [coordenador e autor], Mariana Zuliani 
[autor] – São Paulo : Edição dos Autores, 2021.
PDF [livro eletrônico]
ISBN 978-65-00-21164-1
1. Inteligência artificial 2. Educação básica 3. Guia didático 4. Divulgação 
científica - Aplicações educacionais 
I. Silva, Delmarcio Gomes. II. Zuliani, Mariana. III. Título.
21 – 63011 CDD – 371.334
Índices para catálogo sistemático:
1. Inteligência artificial : Educação 371.334 
Maria Alice Ferreira – Bibliotecária – CRB-8/7964
www.ensinano.com.br
Conheça agora o canal da plataforma EnsiNANO no YouTube e tenha acesso 
a diversos conteúdos didáticos sobre nanociência e nanotecnologia. Lá você 
também pode assistir à todas as palestras do simpósio de ensino.
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Agradecimentos
À Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), por todo apoio que 
recebi da Instituição para a realização do Simpósio SEMNEIA 2020, encami-
nhando esse reconhecimento ao Magnífico Reitor, Prof. Dr. Marco Tullio de 
Castro Vasconcellos, e ao Reverendo Gildásio Reis, Capelão Universitário 
da UPM, que nos agraciou com uma mensagem devocional inspiradora na 
abertura do evento. 
De modo especial, agradeço ao Diretor da Escola de Engenharia da 
Universidade Presbiteriana Mackenzie, Prof. Dr. Marcos Massi e ao Coor-
denador do curso de Química, Prof. Dr. Thiago Canevari, pelo incentivo, 
confiança e cooperação na implementação deste simpósio de ensino. 
Estendo meus agradecimentos ao Prof. Dr. Rodrigo Vieira Dos Santos e 
à Profa. Dra. Suelene Silva Piva pelas contribuições no conteúdo, à jorna-
lista Cynthya Marangon, pela minuciosa revisão do texto e ao Charles Sola 
(Olho Nu Produções), pelo profissionalismo e qualidade agregada à trans-
missão do evento.
Por fim, agradeço pelo excelente trabalho realizado pela Comissão 
Organizadora do evento, composta pelos meus amigos e docentes: Profa. 
Ms. Ana Lucia Pinheiro, Profa. M. Eng. Gisele Szilagyi, Prof. Dr. Marcos Antô-
nio Fázio, Profa. Dra. Roberta Nunes Franzin e a secretária da Escola de 
Engenharia Fabina Rufino. E ao CNPq, pelo fomento concedido para a 
execução da proposta.
Muito obrigado! 
São Paulo | 14 de março de 2021
Prof. Dr. Delmárcio Gomes Profa. Dra. Mariana Zuliani
Autores
Currículo profissional disponível no final deste e-book.
Colaboração especial
Prof. Dr. Rodrigo Vieira Dos Santos
Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Escola de Engenharia – São Paulo (SP)
Profa. Dra. Suelene Silva Piva
Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Centro de Ciências e Tecnologia – Campus Campinas (SP)
Prefácio
O que significa ser humano na era da inteligência artifi-
cial? Para algumas pessoas, a resposta para essa pergunta 
pode depender da construção de um conhecimento que 
mostre o potencial que a Inteligência Artificial (IA) possui 
de transformar a nossa civilização como nunca. Para contri-
buir com a reflexão levantada, este e-book apresenta os 
fundamentos, avanços, aplicações e dilemas enfrentados 
pelo avanço da IA, por meio de uma linguagem didática e 
acessível. Elaboramos um conteúdo propriamente escolar, 
para mostrar os diferentes cenários e tecnologias emer-
gentes que estão surgindo nessa nova fronteira da Ciência, 
com o objetivo de contribuir para que este tema seja cada 
vez mais discutido dentro das escolas públicas e privadas, 
estimulando o debate e a pavimentação de um pensamen-
to crítico e consciente sobre o futuro da humanidade. Por 
ser um MATERIAL DIDÁTICO GRATUITO, desejamos que este 
conteúdo alcance muitos professores e alunos em nosso 
país, oferecendo a cada um que o lê, a oportunidade de 
enxergar melhor o cenário disruptivo que está sendo 
protagonizado pela Inteligência Artificial. 
Não há dúvidas de que o impacto transformador da IA 
em nossa sociedade terá implicações econômicas, jurídi-
cas, políticas e regulatórias de longo alcance, que precisa-
mos discutir e nos preparar. Determinar quem é o culpado, 
se um veículo autônomo machucar um pedestre, é apenas 
um exemplo de dilemas éticos e morais que estão entrela-
çados nessa trama de discussões. Fenômenos como o Big 
Data, a Robótica, Cidades Inteligentes e Internet das Coisas 
estão vinculados a este tema central e serão trazidos nesta 
obra para contextualizar as possíveis transformações que 
a nossa sociedade viverá, quando todas essas áreas esti-
verem plenamente aplicadas. Ao final da leitura, deseja-
mos que você encontre a sua forma de enxergar o papel 
do ser humano na era da Inteligência Artificial e descubra 
as diferentes possibilidades de profissões para trabalhar 
neste amplo e promissor mercado. Embarque nessa leitura 
e descubra o fascinante mundo da Inteligência Artificial. 
Seja muito bem-vindo(a)!
Sumário
Inteligência Natural x Inteligência Artificial ....16
Onde está a Inteligência Artificial (IA) 
no meu dia a dia? .............................................19
O que é Inteligência Artificial? ........................22
Machine Learning x Deep Learning .................26
O que é aprendizado de máquina 
(Machine Learning)? ........................................27
Aprendizado de máquina supervisionado
Aprendizado de máquina não supervisionado
Aprendizagem por Reforço
Como a nova inteligência artificial do Google 
está revolucionando a previsão do tempo?
Como funciona a Deep Learning 
(aprendizado profundo)? ..................................37
Redes Neurais Artificiais (RNA)
Algo impressionante está acontecendo com o 
sistema de IA do Google Tradutor
Explicando o processo de “ensinar as 
máquinas” .........................................................42
Como você está se sentindo? 
Inteligência Artificial e a análise de 
sentimentos nas redes sociais ........................44
Perfis de trabalho e carreira 
profissional para trabalhar 
com Inteligência Artificial ................................47
Aplicações da Inteligência Artificial 
no nosso dia a dia! ...........................................52tantos outros programas.
No Twitter, o sistema de IA já é capaz de identifi-
car discurso de ódio e linguagem terrorista em tweets. 
A empresa descobriu e baniu 300.000 contas vincula-
das a terroristas, 95% das quais foram encontradas por 
máquinas não humanas e artificialmente inteligentes. 
Nas eleições americanas em 2016, e no processo eleito-
ral do Brasil em 2018, o tema das Fakes News (notícias 
falsas) foi o grande destaque nos debates e coberturas 
jornalísticas, tornando-se uma preocupação grave em 
virtude dos prejuízos que esse fenômeno pode causar ao 
processo democrático das escolhas políticas. Hoje, alguns 
algoritmos já conseguem rastrear padrões de Fake News 
e isso tem permitido que a inteligência artificial trabalhe 
de maneira mais efetiva para identificar essas postagens 
com conteúdo falsos. Se pensarmos que, há 10 anos, os 
spans enchiam nossas caixas de e-mails e que agora 
essas mensagens indesejáveis estão mais controladas 
graças ao aperfeiçoamento dos filtros que usam Deep 
Learning, podemos imaginar que, no futuro, as postagens 
contendo Fake News possam ser removidas automatica-
mente das redes sociais. 
67Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica66 Inteligência Artificial
Aplicações da IA: Marketing
No início deste século, fazer uma pesquisa em uma loja 
online para encontrar um produto, sem saber seu nome 
exato, era algo completamente inviável. Mas hoje, quando 
procuramos um item em qualquer loja de comércio eletrô-
nico, obtemos todos os resultados possíveis relacionados 
ao item pesquisado. É como se os motores de busca esti-
vessem lendo nossas mentes e, em questão de segundos, 
nos oferecem uma lista de todos os itens relevantes. Rece-
ber recomendações de filmes na Netflix, com base nas 
suas experiências, é algo comum ao usar a plataforma de 
streaming. A Netflix usa um sistema de IA que funciona 
como uma tecnologia preditiva altamente precisa, com 
base nas avaliações dos clientes. Ele examina milhões de 
registros para sugerir programas e filmes dos quais você 
pode gostar, com base em suas ações (likes) anteriores. 
Conforme o conjunto de dados cresce, essa tecnologia fica 
mais inteligente a cada dia. 
Outra aplicação inovadora neste setor já está sendo 
usada no mercado e o diferencial dela é oferecer a possibi-
lidade de fazer pesquisas e comprar produtos tirando uma 
foto de qualquer objeto correspondente que estiver na sua 
frente. Empresas como a CamFind já estão experimentando 
isso! Basta tirar uma foto de qualquer coisa ao seu redor 
e, em seguida, você receberá informações relevantes sobre 
esse objeto, inclusive onde comprá-lo. Esse é um novo tipo 
de aplicativo, que se lança como um serviço de buscas 
baseado em imagens.
Aplicações da IA: Bancos e Sistemas 
financeiros
A Inteligência Artificial aplicada no setor bancário está 
crescendo mais rápido do que você pensa! Chatbots e 
assistentes virtuais são projetados de tal forma que fica 
difícil determinar se estamos conversando com um robô 
ou com um ser humano. Muitos bancos já adotaram siste-
mas inteligentes para fornecer suporte ao cliente, e um 
exemplo brasileiro é a BIA – Bradesco Inteligência Artificial, 
que já é capaz de fazer diversos tipos de consultas para 
os clientes, interagir com os usuários e fornecer respos-
tas simples, em menos de 2 segundos. Atualmente, a IA 
vem sendo aplicada também para a prevenção de fraudes, 
aprimorando a segurança em vários setores do banco e 
rastreando o uso do cartão de crédito em transações frau-
dulentas. Essa aplicação tem economizado milhões de 
reais aos bancos todos os anos.
Em sistemas financeiros e bolsas de valores, sabemos 
que a negociação depende principalmente da capacidade 
de prever o futuro com precisão. As máquinas são ótimas 
nisso, porque podem processar uma grande quantidade 
69Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica68 Inteligência Artificial
de dados em um curto espaço de tempo, além de apren-
der a observar padrões em dados anteriores e prever 
como eles podem se repetir no futuro. Hoje, investido-
res e organizações financeiras estão recorrendo à Inte-
ligência Artificial para melhorar seu desempenho nas 
negociações de ações e aumentar os lucros - e já existem 
empresas que criam robôs para operarem no mercado 
financeiro. Chamado de “robô trader”, esse assistente 
usado pelos investidores é, na verdade, um software que 
utiliza algoritmos inteligentes para operar ativos na bolsa 
de valores, capaz de avaliar estratégias de operação em 
renda variável e sugerir a compra ou venda de ações em 
determinados momentos. 
da (deep neural network) que é capaz de gerar composi-
ções musicais de quatro minutos de duração, utilizando até 
10 instrumentos diferentes. Além de criar composições em 
diferentes estilos musicais, o interessante é que o MuseNet 
não foi explicitamente programado para entender o que 
é uma música, mas sim, acabou descobrindo padrões de 
harmonia, ritmo e estilos ao ser alimentado com uma base 
de dados e, com isso, passou a construir suas próprias músi-
cas, replicando seu aprendizado e a descoberta de padrões 
nas notas musicais. Incrível, não?!
Aplicações da IA: Criatividade 
Artificial
Já imaginou se uma máquina artificialmente inteligente 
fosse capaz de criar músicas? Isso já é possível! MuseNet é 
um sistema baseado em IA que usa uma rede neural profun-
Você está vendo somente a ponta 
do iceberg, Delay. Há muitas outras 
aplicações e não daria para os 
autores explicarem todas elas em 
um único e-book.
AYA, estou impressionado 
com tantas aplicações 
incríveis! 
71Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica70 Inteligência Artificial
De fato, AYA, algumas pessoas pensam que a Inteligência Artificial pode 
destruir a civilização humana se cair em mãos erradas, mas hoje, nenhuma 
das aplicações de IA tem potencial de destruir ou escravizar a humanida-
de. De 1927 a 2019, foram produzidos mais de 100 filmes em todo o mundo 
abordando esse tema de robôs dotados de Inteligência Artificial. Enquanto 
em alguns deles a narrativa do filme joga esperança com a chegada da IA, o 
restante das obras de Hollywood explora consequências horríveis em nosso 
planeta e um futuro sombrio para a humanidade. Em filmes como O Extermi-
nador do Futuro, Matrix, Vingadores: Era de Ultron e muitos outros, a indústria 
cinematográfica colocou em nossa imaginação cenas que demonstram como 
as máquinas mais inteligentes dominarão o mundo e escravizarão ou elimi-
narão totalmente a civilização do planeta Terra. 
A verdade é que essas questões éticas que envolvem a adoção de IA são 
complexas, pois se a IA é boa ou ruim, descobriremos mais à frente e, para 
isso, precisamos continuar aprendendo e nos manter informados para tomar 
boas decisões para o nosso futuro. A proposta deste e-book é justamente 
ajudar as pessoas a terem uma melhor compreensão sobre os avanços dessa 
nova área da Ciência, e ajudar a refletir sobre os dilemas e desvantagens da 
Inteligência Artificial, como questionado pelo Delay. 
Exatamente, AYA! São inúmeras as aplicações de Inte-
ligência Artificial e essas citadas não correspondem em 
quantidade aos diferentes usos que ela pode ter em nosso 
dia a dia. Esperamos que, com esses exemplos mais próxi-
mos da nossa realidade, todos entendam o impacto que 
essa nova fronteira da Ciência já está promovendo em 
muitos setores da sociedade e do mercado de trabalho. 
Por isso, convidamos o nosso leitor a pesquisar mais sobre 
esse assunto e temos certeza de que encontrará novas 
áreas de estudos e inovações da IA. Bons estudos e mante-
nham-se atualizados!
Delay, meu amigo, pensar em 
vantagens e desvantagens é 
normal para toda tecnologia 
que começa a ser inserida na 
sociedade. 
Delay, os filmes sempre exploraram esse 
aspecto futurístico e catastrófico em 
suas histórias. As coisas não são bem 
assim! Claramente, a Inteligência Artificialgera alguns dilemas e desvantagens, 
mas os humanos possuem total controle 
sobre isso que vocês chamam de 
“ascensão dos robôs”. 
AYA, agora que vi essas 
aplicações, levanto a reflexão: 
não existem desvantagens com 
tantos avanços da inteligência 
artificial?
Concordo, AYA, mas como não acreditar 
nas cenas que vemos nos filmes, em 
que os robôs dominam o mundo? 
73Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica72
Dilemas éticos e 
desvantagens da 
Inteligência Artificial
De fato, a IA pode trazer dilemas éticos e morais para a 
discussão entre nós. Se os carros autônomos se espalharem 
pelas ruas, a sociedade terá que lidar com um novo fardo: 
a capacidade de programar veículos com preferências sobre 
quais vidas devem priorizar em caso de um acidente. Um 
bom exemplo, que tem sido muito discutido, é o denomi-
nado “Dilema do Bondinho”. Suponha que um carro autô-
nomo esteja em uma situação de perigo iminente e pode 
atropelar um idoso ou um cachorro. Se tivesse que optar 
por qual acidente poderia acontecer, qual você consideraria? 
Não é uma resposta fácil e diferentes justificativas podem 
ser dadas para essas escolhas. A verdade é que os motoristas 
humanos fazem escolhas instintivamente enquanto dirigem, 
mas os algoritmos serão capazes de fazê-las com antecedên-
cia, então, as montadoras e os governos escolherão progra-
mar o carro para salvar a vida do idoso ou a do cachorro? 
Foi pensando nessas situações que o Instituto de Tecno-
logia de Massachusetts (MIT) criou a “Moral Machine” (https://
www.moralmachine.net/), a fim de se avaliar o que a população 
do mundo pensa a respeito desses dilemas éticos. Milhões de 
usuários, de 233 países, responderam ao questionário, tomando 
40 milhões de decisões éticas no total. A partir desses dados, 
os autores do estudo encontraram certas preferências globais 
consistentes, como: poupar humanos em vez de animais, 
poupar mais vidas em vez de menos e salvar as crianças em vez 
de adultos. Eles sugerem que esses estudos podem ser consi-
7574
https://www.moralmachine.net/
https://www.moralmachine.net/
https://www.moralmachine.net/
derados como “blocos de construção” para os legisladores 
criarem leis para os carros autônomos, mas os autores enfa-
tizam que os resultados do estudo não são de forma algu-
ma um modelo para a tomada de decisão algorítmica e sim, 
apenas um estudo sobre dilemas éticos envolvendo carros 
autônomos com opiniões coletadas da população em geral.
específicas. Não há dúvida de que as máquinas são muito 
melhores quando se trata de trabalhar com eficiência, mas 
elas não podem substituir a conexão humana imprescindível 
para formar uma equipe de trabalho. Ou seja, “as máquinas 
não pensam fora da caixa”, então nós, humanos, ainda domi-
namos a situação, já que elas não podem desenvolver um 
vínculo “afetivo” com os humanos, que é um atributo essencial 
quando se trata de gerenciamento de pessoas nas empresas.
Outra desvantagem está relacionada aos altos custos de 
criação e a necessidade de um conjunto complexo de máqui-
nas para gerar o poder (capacidade) computacional. Pratica-
mente todos os dias, o hardware e o software que controlam 
o núcleo do sistema de IA necessitam ser atualizados, além 
disso, as máquinas precisam de reparos e manutenção, e isso 
aumenta os custos de operação. 
A frase “errar é humano” nasceu porque os huma-
nos cometem erros de vez em quando. Os computa-
dores, entretanto, não cometem esses erros se forem 
programados corretamente. É em cima disso que 
muitos dilemas éticos e morais são levantados. Com a 
Inteligência Artificial, os erros são reduzidos e a chan-
ce de atingir a exatidão com maior grau de precisão 
é uma possibilidade. Outro aspecto positivo é que a 
Inteligência Artificial pode ser utilizada durante 24 × 
7, ou seja, enquanto um humano trabalha em média 
entre 6 e 8 horas por dia, usando a IA, podemos fazer 
as máquinas trabalharem 24 horas por dia, 7 dias por 
semana, sem interrupções e elas nem mesmo ficariam 
entediadas ou cansadas. 
Como todo lado bom tem uma versão mais sombria, a 
Inteligência Artificial também tem algumas desvantagens 
e, seguramente, a preocupação maior está relacionada 
com o desemprego da população. De fato, alguns robôs 
já são usados em ambientes/empresas para exercerem 
funções antes realizadas por humanos, e isso pode causar 
um grande problema nos padrões e ofertas de emprego. 
É um processo natural do avanço tecnológico da robóti-
ca/computação e será cada vez mais comum desenvolver 
robôs para realizarem ações repetitivas e executar tarefas 
Por fim, uma curiosa desvantagem está 
associada ao fato de que nós, seres huma-
nos, estamos nos tornando cada vez mais 
preguiçosos e dependentes das tecnolo-
gias. Devido aos aplicativos que trazem 
comodidade e conforto, nós estamos 
tendendo a viciar nessas invenções e isso 
pode causar um problema de comporta-
mento para as gerações futuras. É algo que 
está sendo muito debatido e a invenção do 
controle remoto já suscitava essa questão, 
antes mesmo das televisões com alta tecno-
logia invadirem nossas casas. Seremos para 
sempre dominados pelo poder viciante 
dessas comodidades e distrações? É algo 
profundo a ser pensado!
7776 Inteligência Artificial Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica
Cidades Inteligentes e 
Internet das Coisas
É nítido nos olhos de nosso amigo Delay o fascínio 
pelos conceitos e oportunidades geradas pela Inteligência 
Artificial. Certamente, a cidade onde vive Delay se torna-
rá “inteligente” e a forma como tudo e todos se relacio-
nam mudará radicalmente. Uma Cidade Inteligente ou, 
seguindo o termo em inglês, “Smart City”, utiliza muito a 
integração da tecnologia da informação e a conectividade 
entre dispositivos para melhorar sua infraestrutura urba-
na, otimizar a mobilidade de veículos e transporte público, 
além de desenvolver soluções sustentáveis tão necessá-
rias para o aumento da qualidade de vida dos moradores. 
Os principais impulsionadores do desenvolvimento das 
Muito correta essa sua reflexão, 
Delay! Agora, há um último assunto 
importante para você aprender! 
Já ouviu falar em Cidades 
Inteligentes?
AYA, vejo que eu estava 
equivocado quando pensei 
nas histórias de filmes em 
que robôs com IA dominam o 
mundo. A maior desvantagem 
está justamente na forma 
como nós usamos essas 
tecnologias para nosso 
conforto ou interesse.
Sim, Delay, já existem vários 
exemplos no mundo! Você irá 
entender melhor com o conteúdo 
complementar que os autores 
prepararam sobre Cidades 
Inteligentes e Internet das 
Coisas. Fique à vontade para 
tirar suas dúvidas com eles. 
Que isso, AYA! Cidades 
inteligentes? Que loucura 
é essa?!
79Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica78 Inteligência Artificial
cidades inteligentes são o Big Data, a Inteligência Artificial 
e, claro, a Internet das Coisas. 
massivo de dados recebidos em tempo real. Sensores 
conectados à Internet podem ser instalados em diversos 
pontos da cidade, por meio de protocolos específicos para 
troca de informações e comunicações, para conseguir fazer 
reconhecimento inteligente, localização, monitoramento e 
gestão remota dos dispositivos. 
As melhorias que podem ser alcançadas com a imple-
mentação de sistemas que tornem as cidades inteligentes 
podem ser vistas em vários setores, tais como: transporte 
público, gerenciamento de água e energia, saneamento, 
gestão de resíduos sólidos, mobilidade urbana, governo 
mais digital e eficiente e, claro, a integração de moradores 
dentro ecossistema de inovação e conectividade. 
O termo “big data” refere-se a um grande conjunto de 
dados complexos (estruturados e não estruturados) que 
são difíceis ou impossíveis de serem processados usando 
os métodos tradicionais. O armazenamento de dados em 
nuvens permitiu seu crescimento de forma acelerada, e ele 
é o responsável por registraras enormes cargas de dados 
gerados pelas cidades inteligentes e o melhor, já faz isso 
de forma muito rápida, tanto que um dos atributos do big 
data é a teoria dos três “Vs”: Volume – Velocidade – Varie-
dade (as diferentes fontes de dados). 
Essa riqueza de dados que surgem das cidades inte-
ligentes, combinada com Machine Learning e Deep Lear-
ning, permite o desenvolvimento de algoritmos avançados 
de Inteligência Artificial, capazes de reconhecer padrões e 
ajudar na formulação e implementação de políticas públi-
cas, gerando serviços mais personalizados para a popula-
ção. Cabe à Internet das Coisas (IoT) – do inglês: “Internet 
of Things” – a responsabilidade de monitorar, gerenciar e 
controlar os dispositivos remotamente, a partir do fluxo 
Já é possível tornar as cidades mais 
inteligentes apenas com as tecnologias que 
existem atualmente?
81Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica80 Inteligência Artificial
Claro que sim! Hoje é possível utilizar câmeras com 
imagem de infravermelho para medir a temperatura e 
identificar pessoas doentes em locais de grande circula-
ção, como acontece no “novo normal” que a crise do coro-
navírus nos impôs. Em 2020, vimos milhares de estudantes 
ficarem sem acesso à educação de qualidade por conta 
da pandemia mas, em compensação, diversas iniciativas 
e tecnologias surgiram para se tornarem importantes alia-
das no processo de formação educacional e educação à 
distância. Na área da segurança pública as câmeras com 
processamento inteligente podem identificar situações 
fora de padrão e vários governos municipais já possuem 
um centro de comando integrado, que usam as imagens 
das câmeras espalhadas por toda a cidade para monito-
rar diversas situações. Em muitos casos, as câmeras estão 
conectadas com as plataformas de mobilidade, como o 
aplicativo WAZE, para dar inteligência ao controle do fluxo 
de automóveis nas principais vias da cidade. 
Além disso, a iluminação pública pode ser mais dinâ-
mica e conectada, com a instalação de sensores e micro-
controladores capazes de aumentar significativamente a 
intensidade luminosa sempre que alguém estiver passan-
do pela rua. Outra possibilidade no futuro é vender o exce-
dente de energia gerada por uma casa inteligente para 
um vizinho ou até mesmo para alguém do outro lado da 
cidade. Transação direta, rápida e fácil. Isso é absoluta-
mente fantástico, não é?! Esses exemplos e muito outros já 
podem ser implantados em qualquer cidade, Delay!
Com certeza! Há várias formas de reduzir o consumo 
de água e um exemplo muito interessante está associado 
à gestão das áreas verdes como praças, parques e áreas 
de preservação, que poderá ser feita com a instalação 
de sensores e microcontroladores conectados à inter-
net, capazes de identificar e controlar a umidade, ligar 
o sistema de irrigação e monitorar a qualidade da água 
e do solo, tudo em tempo real. Essa integração melho-
ra a eficiência dos serviços e minimiza drasticamente o 
consumo de água. Algo semelhante já vêm sendo aplica-
do em grandes áreas agrícolas, como já mencionamos lá 
atrás. Vítimas de deslizamento podem ser remanejadas e 
avisadas com antecedência, por meio do monitoramento 
da umidade do solo das encostas, antecipando a deci-
são de alertar a comunidade e o serviço de emergência 
das cidades, a partir de um possível deslocamento de 
terra com o acúmulo de chuvas. Isso vale para áreas que 
sofrem com os alagamentos, que podem ser monitoradas 
com câmeras e sensores de segurança. 
Incrível! Então, essas cidades Inteligentes 
poderão ajudar a reduzir o consumo de água 
e prever desastres naturais?
A chegada do 5G irá contribuir para o 
desenvolvimento das Cidades Inteligentes?
Sem dúvidas, Delay, o 5G será vital para a implementação 
das cidades inteligentes, pois ele permitirá superar todos os 
desafios de conectividade que a Internet das Coisas precisa 
para ser mais eficiente, além de colocar bilhões de disposi-
tivos conectados sem fio ao redor do mundo. A velocidade 
do 5G promete ser muito superior à do 4G e 100 vezes maior 
que a dos sistemas sem fio atuais. Vamos baixar filmes 
nos nossos celulares em menos de três segundos. Um dos 
principais avanços do 5G é a redução do tempo de latên-
83Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica82 Inteligência Artificial
cia/resposta (termo técnico usado para medir o tempo de 
transferência de um pacote de dados na rede). A latência do 
5G será entre 1 e 4 milissegundos, enquanto a do 4G usada 
atualmente chega a 80 milissegundos. Pode parecer pouco, 
mas será essa diferença no tempo de resposta que viabili-
zará, entre outras coisas, o uso massivo dos veículos autô-
nomos, pois a tomada de decisões dos veículos sem moto-
ristas será mais rápida, algo necessário para evitar erros e 
acidentes. O 5G já está disponível em muitos países e, no 
Brasil, estamos aguardando o processo de licitação com um 
grande leilão, previsto para acontecer neste ano de 2021. Um 
pouco atrasado, mas em breve a nova tecnologia chegará 
para todos nós!
Vamos lá! Selecionamos esses exemplos de grandes cidades que estão 
em estágio avançado no conceito de “cidades inteligentes”. O que se obser-
va é uma tendência de que todas as cidades do mundo irão nessa direção, 
à medida que a integração das tecnologias, a conectividade e o avanço da 
IoT (Internet das coisas) se tornarem cada vez mais uma realidade. 
Barcelona (Espanha) está economizando bilhões de dólares por ano com a instalação de 
sistemas inteligentes de otimização de energia. A iluminação pública se adapta à ativi-
dade na rua, sensores fornecem informações em tempo real para um aplicativo sobre 
onde encontrar vagas de estacionamento e microcontroladores colocados em caçambas 
e cestos de lixo auxiliam no gerenciamento da coleta automatizada de resíduos sólidos. 
A cidade de Songdo (Coreia do Sul) se destaca quando falamos de cidades inteligentes. 
Ela foi planejada pensando totalmente na integração entre tecnologia e sustentabilidade. 
Para citar um exemplo interessante, seus edifícios possibilitam o monitoramento da ener-
gia e um sistema pneumático transfere diretamente os resíduos sólidos de dentro dos 
apartamentos para uma central de coleta de lixo.
Para encerrar, me mostre alguns 
exemplos de cidades inteligentes 
que já existem no mundo? 
85Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica84 Inteligência Artificial
O Programa Singapore Smart Nation, lançado em 2014, tem o objetivo de tornar Cingapura 
a primeira nação inteligente do mundo e, por lá, as coisas estão caminhando de forma 
muito rápida.
No Brasil, a cidade de São Paulo ocupa o primeiro lugar no Ranking Connected Smart Cities 
2020, como a mais inteligente e conectada do país. O ranking mapeou 673 municípios com 
mais de 50 mil habitantes, com o objetivo de definir as cidades com maior potencial de 
desenvolvimento do Brasil e, além de São Paulo, cidades como Florianópolis (SC), Curitiba 
(PR), Campinas (SP), Vitória (ES), São Caetano do Sul (SP), Santos (SP), Brasília (DF), Porto 
Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG) aparecem na sequência, mostrando que estão no cami-
nho para alcançarem essa maior “inteligência” com a integração das tecnologias na gestão 
urbana. Em especial, destacamos o importante projeto que está em andamento para tornar 
Croatá – São Gonçalo do Amarante (CE) – a primeira cidade inteligente do mundo voltada 
exclusivamente para habitação social. Ainda em fase inicial, os moradores de baixa renda 
poderão contar, no futuro, com uma infraestrutura tecnológica avançada na Smart City Lagu-
na – Coratá. Torcemos para que essa ideia se espalhe por diversos lugares. 
A iniciativa governamental “Smart Dubai Initiative” coloca Dubai (Emirados Árabes 
Unidos) também na vanguarda para se tornar uma cidade cada vez mais inteligente. Muito 
dinheiro circula por lá e, na mesma proporção, muita tecnologia.
Você gostou dessesexemplos, Delay?
Nossa, que demais! Muito 
obrigado! Não vejo a hora da 
minha cidade se beneficiar dessa 
integração tecnológica e se tornar 
inteligente. Vou ficar ligado nessas 
coisas daqui pra frente!
87Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica86 Inteligência Artificial
• Como será a nossa sociedade quando a inteligência artificial estiver 
em toda parte? O que pode acontecer com os empregos? 
• Você prefere novos empregos substituindo os antigos, ou uma socie-
dade sem empregos, onde todos tenham uma vida de lazer e riqueza 
produzida por máquinas artificialmente inteligentes? 
• Iremos controlar máquinas inteligentes ou elas nos controlarão? As 
máquinas inteligentes nos substituirão ou existirão em harmonia 
com a gente? 
• Qual é o papel do ser humano na era da inteligência artificial? 
Que bom que você gostou, Delay! Dessa forma, 
nos encaminhamos para o final deste guia 
didático de divulgação da Inteligência Artificial 
na educação básica. Esperamos que, assim 
como o Delay, esse conteúdo alcance muitos 
estudantes de escolas públicas e privadas e os 
ajudem a refletir sobre as perguntas feitas 
por ele lá no início:
De fato, encontrei significados e respostas muito 
claras ao chegar até aqui junto com vocês. Sei que 
algumas das perguntas que fiz somente poderão ser 
respondidas no futuro e, até lá, vou continuar lendo e 
estudando mais sobre esses assuntos para ficar por 
dentro da evolução dessas tecnologias.
Concordo com você, meu 
amigo! O “amanhã” revelará 
as próximas transformações 
da sociedade. 
Meu sistema de IA está numa fase 
mais filosófica, uma espécie de 
aprendizado profundo. 
Cheia das frases de 
efeito hein, AYA?!
Essa piada foi boa, AYA! Adorei 
esse trocadilho. Depois dessa, 
é um ótimo momento para 
nos despedirmos, não é?! 
Tchau, pessoal! Obrigado pela 
companhia e pelos momentos 
de descoberta dentro 
deste fascinante mundo da 
Inteligência Artificial. 
Tchau! Até a próxima! 
8988
Conheça os autores
Licenciado e Bacharel em Química pela Universi-
dade Federal de Juiz de Fora. Doutor em Química, 
com ênfase em Nanotecnologia pela Universidade 
de São Paulo - USP. 1º Lugar no Prêmio Jabuti 2017 
na categoria Engenharia e Tecnologias, como autor 
do livro: NANOTECNOLOGIA EXPERIMENTAL – Edito-
ra Blucher. É também autor do primeiro material 
didático gratuito voltado à difusão da nanotec-
nologia nas escolas, o e-book “NANOTECNOLOGIA 
PARA TODOS!“, material didático mais baixado 
no país nessa temática de ensino. Idealizador e 
coordenador do EnsiNANO, plataforma pionei-
ra no Brasil no ensino e divulgação científica da 
nanotecnologia e produção de materiais didáticos 
e conteúdos educativos. Atualmente, coordena o 
projeto NANOTECNOLOGIA NAS ESCOLAS, aprovado 
junto ao CNPq. Trabalhou como Professor Contra-
tado no Instituto de Química da USP por três anos 
e como Pesquisador em Química no Projeto de 
cooperação USP-PETROBRAS.
Doutora em Ciências da Saúde pelo Instituto de 
Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, Mestre 
em Física Biomolecular, Especialista em Ciência de 
Dados e Bacharela em Ciências Físicas e Biomole-
culares pelo Instituto de Física de São Carlos da 
Universidade de São Paulo - IFSC - USP. Atualmen-
te, é Professora Assistente Mestre da Universida-
de Presbiteriana Mackenzie - Campus Campinas e 
Vice-líder do grupo de Direito, Inovação e Tecnolo-
gia. Desenvolveu trabalhos de iniciação científica e 
mestrado no Instituto de Física de São Carlos nos 
laboratórios do Grupo de Cristalografia e Biotec-
nologia Molecular. Realizou estágio de iniciação 
científica na Oklahoma University, Oklahoma City, 
EUA. Tem experiência nas áreas de Física Médica, 
Pós-ocupação em ambientes hospitalares, Ergono-
mia, Biofísica, Biologia Celular e Molecular, Micro-
biologia, Expressão e purificação de proteínas em 
sistemas heterólogos, Enzimologia, Bioquímica, 
Bioinformática, Cristalografia de proteínas. 
Prof. Dr. Delmárcio Gomes
Professor e Pesquisador na 
Universidade Presbiteriana 
Mackenzie – Escola de Engenharia, 
São Paulo.
Idealizador e Coordenador da 
Plataforma EnsiNANO
Profa. Dra. Mariana Zuliani
Professora e Pesquisadora 
do Centro de Ciências e 
Tecnologia (CCT) da Universidade 
Presbiteriana Mackenzie – 
Campinas (SP).
Colaboradores convidados
Possui mestrado e doutorado em Física pela 
Universidade de São Paulo, instituição onde 
também se formou como bacharel e licenciada em 
Física. Pós-doutorado em Física no International 
Technology Center (ITC), Carolina do Norte, EUA. 
Atualmente é professora e pesquisadora no Centro 
de Ciências e Tecnologia da Universidade Presbi-
teriana Mackenzie (CCT). Atua no desenvolvimento 
de sistemas de informatização que utilizam novas 
tecnologias na área da educação, estuda e pesqui-
sa metodologias ativas de ensino-aprendizagem, 
atua em pesquisas na área de Educação Inclusi-
va, Acessibilidade, Sustentabilidade, Tecnologia 
Assistiva e Desenho Universal. Tem experiência 
nas áreas de Indústria 4.0, metodologias de ensi-
no-aprendizagem e envelhecimento populacional.
Trabalha com projetos de ensino de Robótica e 
Cidades Inteligentes dentro da Universidade Pres-
biteriana Mackenzie, instituição onde realizou sua 
graduação e mestrado em Engenharias Elétrica. É 
doutor na mesma área pela Universidade de São 
Paulo e possui grande experiência no mercado de 
engenharia, atuando por dezoito anos em empre-
sas como Siemens Ltda, Nokia Siemens Networks 
Ltda e Coriant do Brasil. Atua como docente em 
Cursos de Engenharia desde 2003 e, atualmente, é 
Professor Período Integral do Curso de Engenharia 
Elétrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, 
curso em que foi Coordenador entre os anos de 
2018 e 2021. 
Profa. Dra. Suelene 
Silva Piva
Professora e Pesquisadora 
do Centro de Ciências e 
Tecnologia (CCT) da Universidade 
Presbiteriana Mackenzie – 
Campinas (SP).
Prof. Dr. Rodrigo Vieira 
dos Santos
Professor e Pesquisador na 
Universidade Presbiteriana 
Mackenzie – Escola de Engenharia, 
São Paulo.
91Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica90 Inteligência Artificial
Conheça agora um 
pouco mais sobre o que 
rolou nos três dias do 
Simpósio SEMNEIA, em 
outubro de 2020
Foram mais de oito horas de conteúdo, distribuídas 
em seis painéis temáticos sobre Nanotecnologia e Inteli-
gência Artificial. O evento, realizado dentro da 17ª Semana 
Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), contou com parti-
cipantes de mais de 20 estados do Brasil e foi transmitido 
ao vivo para várias escolas (simultaneamente para escolas 
públicas e privadas).
93Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica92 Inteligência Artificial
Acesse agora o 
QR Code ou o link 
abaixo para assistir 
às duas palestras
https://youtu.be/ 
2pMNwbg445w
1° PAINEL TEMÁTICO: 
NANOTECNOLOGIA
Nesse painel, o Prof. Dr. Henrique Toma (Professor Titular do IQ-USP e 
um maiores especialistas em nanotecnologia no Brasil) te convida para uma 
viagem pelos mistérios que cercam as nanomáquinas. Ele apresentou diver-
sos exemplos que comprovam que as máquinas mais evoluídas estão se 
tornando tão pequenas quanto moléculas, moléculas essas inteligentes e 
inovadoras. Você vai descobrir que o seu corpo está cheio delas, fazendo 
com que você veja, se movimente, que suas células se dividam, entre outras 
funções vitais.
2° PAINEL TEMÁTICO: 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O engenheiro Sergio Gama, membro da IBM Academy of Technology 
fala da plataforma de Inteligência Artificial da IBM, a Watson, e mostra que 
transformação digital está modificando a forma como fazemos negócios e 
interagimos com as empresas. Ele destacou que a Inteligência Artificial é a 
tecnologia que nos permitir absorver todo este conhecimento, melhorar a 
experiência do usuário, fazer análise preditiva e muito mais. 
95Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica94Inteligência Artificial
https://youtu.be/
2pMNwbg445w
https://youtu.be/
2pMNwbg445w
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QR Code ou o link 
abaixo para assistir 
às duas palestras
https://youtu.be/ 
tA2BkySyZzY
1° PAINEL TEMÁTICO: 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 
Nesse painel, a professora Mariana Zuliani (autora deste e-book) e o 
engenheiro Pedro Henrique Pereira (Engenheiro de Computação Cognitiva 
da IBM), apresentaram os fundamentos e aplicações da Inteligência Artifi-
cial (IA) e quais serão as profissões do futuro. Além disso, eles traçaram um 
panorama sobre o que realmente é possível fazer com a IA na atualidade e 
como a tecnologia de aprendizado de máquina vem ajudando as diversas 
indústrias a ganhar produtividade, reduzir custos e salvar vidas.
2° PAINEL TEMÁTICO: 
NANOTECNOLOGIA
O professor Delmárcio Gomes (autor deste e-book) apresentou nesse 
painel que, apesar da Nanotecnologia ser um dos pilares do desenvolvi-
mento científico-tecnológico, contudo, sua inserção cultural e educacional 
na sociedade é muito baixa, contribuindo ainda mais para a defasagem 
cognitiva dos conhecimentos relacionados a este tema, motivo que ajuda 
a explicar o fato dele ser ainda muito pouco conhecido dentro e fora das 
escolas. Para mudar essa realidade, é necessário promover ações de ensi-
no e divulgação da nanotecnologia nas escolas e, como especialista no 
ensino desse tema na educação básica, o Prof. Delmárcio mostra o históri-
co de ações da Plataforma EnsiNANO, que têm ajudado milhares de estu-
dantes a terem acesso a conteúdo educativos e materiais didáticos sobre 
o incrível mundo da nanotecnologia. 
97Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica96 Inteligência Artificial
https://youtu.be/
tA2BkySyZzY
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abaixo para assistir 
às duas palestras
https://youtu.
be/7XvU6XKA8ns
1° PAINEL TEMÁTICO: 
NANOTECNOLOGIA 
Nesse painel, o professor Guilhermino Fechine, do Instituto Mackenzie 
de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias – MackGraphe, destacou a 
mudança de paradigma que aconteceu com a chegada da nanotecnologia 
no mundo dos plásticos, onde, agora, materiais com elevada resistência 
mecânica, condutividade, e até mesmo, plásticos condutores de eletricida-
de estão revolucionando os setores automobilístico, espacial, vestuário e 
militar, por exemplo, oferecendo inovações tecnológicas que irão transfor-
mar diversos segmentos da indústria e sociedade.
2° PAINEL TEMÁTICO: 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 
O professor Leandro Nunes de Castro, do Laboratório de Computa-
ção Natural e Aprendizagem de Máquina da Universidade Presbiteria-
na Mackenzie, mostrou nesse painel que as empresas mais valiosas do 
mundo passaram a ser aquelas capazes de coletar e analisar, via técnicas 
de Inteligência Artificial. Além disso, ele discutiu a influência das mídias 
sociais no comportamento humano, enquanto as plataformas tecnológi-
cas se adequam à realidade de cada um e operam de maneira personali-
zada, facilitando a navegação e nos mantendo engajados.
99Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica98 Inteligência Artificial
https://youtu.be/7XvU6XKA8ns
https://youtu.be/7XvU6XKA8ns
Aperte o play 
e aproveite!
Como vimos neste e-book, hoje somos 
capazes de sentir os efeitos da IA em 
nossos smartphones, computadores, 
indústria e em muitos setores da socieda-
de. Para os amantes da sétima arte, prepa-
ramos uma lista de filmes que abordam 
de forma impressionante a chegada da 
Inteligência Artificial e exploram diferentes 
pontos da relação entre robôs e humanos e 
a coexistência entre eles no planeta Terra. 
Pesquise pelos trailers na internet, veja as 
avalições e em quais plataformas de strea-
ming você pode encontrá-los. Atenção: confira as classificações e idades 
indicadas para cada filme.
101100 Inteligência Artificial Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica
103102
PASSAGEIROS (2017):
1h 57min / Ficção científica, Romance, 
Ação
Direção: Morten Tyldum
Título original: Passengers
O JOGO DA IMITAÇÃO (2015):
1h 55min / Biografia, Drama
Direção: Morten Tyldum
Título original: The Imitation Game
MORGAN - A EVOLUÇÃO (2017):
1h 32min / Suspense, Ficção científica, 
Terror
Direção: Luke Scott
Título original: Morgan
TRANSCENDENCE - A REVOLUÇÃO 
(2014):
1h 53min / Ficção científica, Suspense
Direção: Wally Pfister
Título original: Transcendence
A VIGILANTE DO AMANHÃ: GHOST IN 
THE SHELL (2017):
1h 47min / Ação, Ficção científica
Direção: Rupert Sanders
Título original: Ghost in the shell
CHAPPIE (2015):
2h 00min / Ação, Ficção científica
Direção: Neill Blomkamp
Título original: Charpie 
EX_MACHINA: INSTINTO ARTIFICIA 
(2015):
1h 48min / Ficção científica, Suspense
Direção: Alex Garland
Título original: Ex Machina
ELA (2014):
2h 06min / Drama, Romance, Ficção 
científica
Direção: Spike Jonze
Título original: Her
Inteligência Artificial Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica
THE MACHINE - SOLDADO DO FUTURO 
(2013):
1h 31min / Ficção científica, Suspense
Direção: Caradog W. James
Título original: The Machine
EU, ROBÔ (2004):
1h 55min / Ficção científica, Ação
Direção: Alex Proyas
Título original: I, Robot
INTERESTELAR (2004):
2h 49min / Ficção científica, Drama
Direção: Christopher Nolan
Título original: Interstellar
WALL-E (2008):
1h 37min / Animação, Aventura, Ficção 
científica, Fantasia
Direção: Andrew Stanton
Título original: WALL•E
FRANK E O ROBÔ (2012)
1h 25min / Comédia , Drama, Ficção 
científica
Direção: Jake Schreier
Título original Robot and Frank
O HOMEM BICENTENÁRIO (2000):
2h 12min / Fantasia, Comédia dramática
Direção: Chris Columbus
Título original: Bicentennial man
A.I. - ARTIFICIAL INTELLIGENCE (2001)
2h 20min / Ficção científica, Aventura, 
Drama 
Direção: Steven Spielberg
Título original: A.I. Artificial Intelligence
UMA MENTE BRILHANTE (2002):
2h 14min / Drama
Direção: Ron Howard
Título original: A Beautiful Mind
105104 Inteligência Artificial Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica
BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE 
ANDRÓIDES (1982)
1h 57min / Ficção científica
Direção: Ridley Scott
Título original Blade Runner
O FANTASMA DO FUTURO (1995)
1h 23min / Ação, Animação, Ficção 
científica
Direção: Mamoru Oshii
Título original: Ghost in the Shell
MATRIX (1999):
2h 15min / Ação, Ficção científica
Direção: Lana Wachowski, Lilly 
Wachowski
Título original: The Matrix
STAR WARS - GUERRA NAS ESTRELAS 
(1978):
2h 01min / Ficção científica, Aventura
Direção: George Lucas
Título original: Star Wars - A New Hope
2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO 
(1968):
2h 21min / Ficção científica
Direção: Stanley Kubrick
Título original 2001: A Space Odyssey
O EXTERMINADOR DO FUTURO (1985)
1h 48min / Ficção científica, Suspense
Direção: James Cameron
Título original: The Terminator
ROBOCOP - O POLICIAL DO FUTURO 
(1987):
1h 42min / Ação, Policial, Ficção científica
Direção: Paul Verhoeven
Título original: RoboCop
JORNADA NAS ESTRELAS – START 
TREK GENERATIONS (1994):
1h 55min / Ficção científica, Ação
Direção: David Carson
Título original: Star Trek Generations
107106 Inteligência Artificial Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica
Referências bibliográficas
www.ensinano.com.br
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a diversos conteúdos didáticos sobre nanociência e nanotecnologia. Lá você 
também pode assistir à todas as palestras do simpósio de ensino.
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	_Hlk66081716Aplicações da IA: Meio Ambiente
Aplicações da IA: Medicina
Aplicações da IA: Modelagem Química & 
Nanotecnologia
Aplicações da IA: Veículos Autônomos
Aplicações da IA: Aplicativos de mobilidade
Aplicações da IA: Assistentes virtuais e 
Reconhecimento facial
Aplicações da IA: Redes sociais
Aplicações da IA: Marketing
Aplicações da IA: Bancos e Sistemas financeiros
Aplicações da IA: Criatividade Artificial
Dilemas éticos e desvantagens 
da Inteligência Artificial ...................................74
Cidades Inteligentes e Internet das Coisas .....79
Conheça os autores ..........................................90
Assista às palestras do 1º Simpósio de 
Ensino Multidisciplinar sobre Nanotecnologia 
e Inteligência Artificial (SEMNEIA 2020) .........92
Conteúdo extra ................................................100
Lista de filmes que abordam 
o tema da Inteligência Artificial
14 15
• Como será a nossa sociedade quando a inteligência artificial esti-
ver em toda parte? O que pode acontecer com os empregos? 
• Você prefere novos empregos substituindo os antigos, ou uma 
sociedade sem empregos onde todos tenham uma vida de lazer e 
riqueza produzida por máquinas artificialmente inteligentes? 
• Iremos controlar máquinas inteligentes ou elas nos controlarão? 
As máquinas inteligentes nos substituirão ou existirão em harmo-
nia com a gente? 
Apresentação
Olá, meu nome é Delay e por vezes sou meio atrasado 
para entender essas novas tecnologias que surgem a todo 
instante. Por isso, convido você a conhecer junto comigo 
o que é essa tal de Inteligência Artificial, que permite o 
aprendizado de máquinas, e como os avanços nessa área 
irão afetar o nosso futuro. Com a ajuda da minha parcei-
ra de aventuras, AYA, uma robô muito inteligente e gentil, 
vamos explorar todo o conhecimento que será apresenta-
do neste e-book super didático, para que possamos refletir 
sobre muitas dúvidas como essas que eu tenho:
Muito bem, Delay! Suas dúvidas são muito profundas e algumas delas 
somente poderão ser respondidas no futuro. O que posso dizer é que, 
por décadas, a IA despertou medo e entusiasmo enquanto a humanidade 
contemplava a criação de robôs semelhantes à própria imagem do homem. 
Nessa sinergia entre nós e os autores, vamos juntos encontrar as respos-
tas e refletir sobre tudo isso! Há muito conhecimento para ser transmitido 
para você e para todos que acessarem este guia didático de divulgação e 
introdução da Inteligência Artificial na educação básica.
1514
Inteligência Natural X 
Inteligência Artificial
A inteligência é uma mercadoria rara e valiosa. Do cére-
bro misterioso do polvo e da inteligência organizacional 
das formigas às máquinas de aprendizagem profunda e 
veículos sem motorista, a inteligência é o recurso mais 
poderoso e precioso que existe. Quando se fala em “inte-
ligência”, logo pensamos em uma definição que reúne 
diversos elementos que formam todas as características 
intelectuais de um indivíduo, ou seja, significa que temos 
a capacidade de raciocinar, pensar, reconhecer as coisas e 
compreender contextos. Então, podemos dizer que a inte-
ligência nos conduz a uma:
• capacidade de perceber contextos para definir uma 
ação;
• capacidade de realizar uma ação;
• capacidade de associar contextos às ações realizadas.
Por essa definição, as plantas são inteligentes e o 
mesmo poderia ser dito a respeito de um termostato, pois 
eles podem perceber e responder à contextos - por exem-
plo, plantas se movem na direção da luz, e um termostato é 
capaz de “sentir” a temperatura. 
No entanto, ter um sistema cognitivo capaz de 
compreender, adaptar e dar sentido aos contextos viven-
ciados é algo que as plantas e pelo menos os termostatos 
mecânicos não possuem. Isso se aproxima da definição 
convencional de “inteligente”, ou seja, é justamente essa 
capacidade cognitiva que carregamos no cérebro que 
revela a diferença entre a inteligência natural, que nós 
humanos possuímos, e a inteligência artificial, que será 
muito bem abordada neste e-book. Por outro lado, algo 
muito importante mudou nos últimos anos e hoje domi-
namos os métodos e a capacidade de fazer as “máquinas 
pensarem” e isso está modificando radicalmente a interfa-
ce que separa o mundo dos humanos e os robôs.
Atualmente, podemos dizer que existem muitas áreas 
que contribuem para a consolidação da Inteligência Arti-
17Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica16 Inteligência Artificial
ficial, entre elas: Matemática, Sociologia, Filosofia, Ciência 
da Computação, Psicologia, Neurociência e a Biologia.
podem ser usados para traçar o perfil de indivíduos e 
prever o comportamento futuro em seus mais diversos 
segmentos. Embora alguns desses usos, como filtros de 
spam de e-mails ou itens sugeridos para compras on-li-
ne, possam parecer benignos, outros podem ter reper-
cussões mais graves e certamente podem representar 
ameaças sem precedentes ao direito à privacidade, à 
liberdade de expressão e à informação. Se implementa-
da com responsabilidade, a Inteligência Artificial pode 
beneficiar a sociedade em muitos aspectos, no entanto, 
como é o caso da maioria das tecnologias emergentes, 
existe um risco real de que o uso comercial e estatal 
tenha um impacto prejudicial sobre os direitos da priva-
cidade humana. 
Então, como garantir que a IA se torne 
tão proficiente em fazer o trabalho 
para o qual foi projetada, sem 
ultrapassar os limites éticos e legais?
Embora haja o debate sobre a probabilidade deste 
cenário acontecer, sabemos que sempre há consequên-
cias imprevistas quando uma nova tecnologia é introdu-
zida na sociedade, e esses resultados não intencionais da 
Inteligência Artificial provavelmente desafiarão a todos 
nós e, sem dúvida, somente serão interpretados e julga-
dos à medida que ela se torne cada vez acessível para as 
pessoas e faça parte do nosso cotidiano.
E você deve estar se perguntando:
“Onde está a Inteligência Artificial (IA) 
no meu dia a dia?”
Outro aspecto importante que remete ao “boom” 
da Inteligência Artificial nas últimas duas décadas está 
associado à introdução dos smartphones em nossas 
vidas, a partir de 2007. Com a chegada deles, uma abun-
dância de informações sobre o comportamento indivi-
dual e coletivo começou a ser gerada, ao amarrar uma 
grande parte da sociedade à Internet. Isso nos permitiu 
transmitir um imenso conhecimento explícito e implícito 
sobre a cultura e comportamento humano para a forma 
digital. Sabemos que o poder dos computadores cresceu 
de forma acelerada: algoritmos e modelos de IA estão 
se tornando mais sofisticados e, talvez, o mais impor-
tante de tudo, o mundo está gerando volumes inima-
gináveis de dados. Os dados, medidos em bilhões de 
gigabytes todos os dias, são coletados por dispositivos 
em rede em praticamente todos os setores. Esses dados 
19Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica18 Inteligência Artificial
AYA, de fato eu uso vários 
desses recursos no meu dia 
a dia, mas confesso que 
ainda estou curioso para 
entender, realmente, o que 
é Inteligência Artificial? 
Antes de responder a essa pergunta, mostrando alguns 
exemplos, é importante saber que a IA adiciona inteligên-
cia aos produtos existentes, ou seja, ela não será vendida 
para nós como um sistema ou dispositivo individual, que 
poderemos instalar em qualquer lugar. Muito pelo contrá-
rio, o diferencial está justamente no fato dos recursos da 
Inteligência Artificial aprimorarem muitos produtos comer-
ciais e, por isso, várias aplicações de IA já estão sendo 
usadas por você atualmente. Veja alguns exemplos! 
Antes de abordarmos as definições sobre IA, é necessá-
rio esclarecer que atualmente ela é dividida em duas cate-
gorias: Inteligência Artificial Estreita (ANI – sigla em inglês 
para – Artificial Narrow Intelligence) e a Inteligência Arti-
ficial Geral (AGI – sigla em inglês para – Artificial General 
Intelligence). Hoje em dia,a Inteligência Artificial é conheci-
da como IA Estreita, pois é projetada para realizar uma tare-
fa limitada, como por exemplo, um reconhecimento facial 
ou de voz, pesquisas na Internet ou recomendações de 
compra online. Por outro lado, o objetivo a longo prazo de 
muitos pesquisadores é criar a Inteligência Artificial Geral, 
denominada como “IA Forte”, que teria (ou terá) as habili-
dades cognitivas humanas generalizadas, sendo capaz de 
encontrar uma solução quando for apresentado alguma 
tarefa desconhecida, sem precisar de ajuda humana. 
Sistemas de tradução de textos
Assistentes virtuais inteligentes
Chatbots – chats de conversas/
dúvidas que aparecem 
automaticamente em sites 
Reconhecimento de fala
Reconhecimento facial e 
marcação automática nas redes 
sociais
SIRI CORTANA ALEXA GOOGLE
Como vocês dizem – “fica 
de boas” que já já você vai 
entender tudo, Delay!
21Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica20 Inteligência Artificial
Embora a IA limitada possa superar os humanos em 
qualquer tarefa específica, como jogar xadrez ou 
resolver equações, acredita-se que a Inteligência 
Artificial Geral superaria os humanos em quase 
todas as tarefas cognitivas, ou seja, é vista como 
um “Santo Graal” que pode revolucionar o mundo. 
Para o bem ou para o mal, eis a questão!
Por definição, a Inteligência Artificial é o campo da Ciên-
cia da Computação que constrói dispositivos e mecanismos 
que possam simular a capacidade do ser humano de pensar, 
ou seja, é a replicação da inteligência humana em compu-
tadores. Segundo a Academia de Inteligência Artificial da 
Intel, o ciclo da Inteligência Artificial está estruturado em 
quatro eixos: Sense (Sentido), Reason (Razão), Act (Ação) e 
Adapt (Adaptação). Basicamente, os dados de entrada 
(Sentido) são analisados e um resultado é proposto (Razão). 
A partir disso, uma ação apropriada é escolhida (Act) e com 
base nos resultados, os dados de entrada são usados para 
aperfeiçoar os cálculos (Adapt), melhorando o processa-
mento e a seleção das ações a serem tomadas.
Em uma conferência no campus do Dartmouth College, 
nos Estados Unidos em 1956, foi a primeira vez que 
o termo “Inteligência Artificial” foi utilizado. Naquela 
época, os cientistas discutiam a possibilidade de como 
construir uma máquina que pudesse pensar. Nessa confe-
rência, sob a liderança de John McCarthy – professor de matemática na 
Faculdade de Dartmouth – consta a intenção dos autores de realizar um 
estudo sobre o tópico “inteligência artificial”. Ao que tudo indica, essa 
parece ser a primeira menção oficial à essa expressão. Desde seus primór-
dios, a IA causou controvérsia, a começar pelo seu próprio nome, mas foi 
nessa época que teve início a busca por essa tal “inteligência artificial”. 
Sense
Act Adapt
Reason
Inteligência 
Artificial
IA
Delay, você sabe como 
surgiu a expressão 
“inteligência artificial”?
Claro que não, Aya! Mas 
agora eu quero ouvir 
essa história!
2322 Inteligência Artificial
As primeiras iniciativas para aplicação da IA acontece-
ram em jogos de xadrez. Os pesquisadores estavam inte-
ressados em replicar a inteligência humana e introduziram 
um grande número de regras que o computador precisava 
respeitar. Basicamente, o sistema programado tinha uma 
lista específica de ações possíveis no jogo e tomava deci-
sões com base nessas regras. No começo, os algoritmos 
perdiam para os jogadores profissionais, tendo como rivais 
os melhores enxadristas do mundo, mas com o tempo, os 
algoritmos começaram a aprender com os movimentos 
que os jogadores faziam e se tornaram invencíveis. Incrí-
vel, não?! 
Por esse exemplo é possível entender que a motiva-
ção para o desenvolvimento da Inteligência Artificial foi 
inspirada no cérebro humano, considerada a ferramenta 
mais poderosa dada a nós e que torna os seres humanos a 
espécie mais inteligente do planeta. 
Machine Learning (ML) é a prática de usar algoritmos para coletar dados 
e usá-los no processo de aprendizagem, a fim de fazer uma determinação 
ou predição sobre alguma tarefa designada. Esse tipo de aprendizado apro-
veita o poder de processamento dos computadores modernos, que podem 
analisar facilmente grandes conjuntos de dados em um curto período de 
tempo. Então, tecnicamente falando, foi a implementação da ML que permi-
tiu que os computadores fossem capazes de aprender por conta própria. 
Apesar do desenvolvimento da Machine Learning ter possibilitado 
muitas aplicações práticas dentro da grande área da Inteligência Artificial, 
foi com o nascimento da Deep Learning que os computadores passaram a 
ser capazes de “pensar”, ao ser introduzido um software que imita a rede 
de neurônios de um cérebro humano. Com a ajuda do Deep Learning, a IA 
pode ser capaz de chegar ao estado de ficção científica que imaginávamos 
(ou vemos em filmes) há tanto tempo. 
Cientistas e pesquisadores 
queriam que os 
computadores pudessem 
ser capazes de aprender 
à medida que fossem 
alimentados com uma 
base de dados, tornando-
se aptos a tomarem 
decisões com base no que 
haviam aprendido.
Na verdade, Delay, quem 
desenvolve essa capacidade 
das máquinas terem 
pensamentos são os próprios 
seres humanos. Quem 
faz isso são profissionais 
especializados, utilizando 
um conceito denominado 
Aprendizagem de Máquina, em 
inglês, Machine Learning. 
AYA, como as máquinas 
conseguem fazer tudo 
isso? De onde vem essa 
inteligência? 
25Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica24 Inteligência Artificial
Delay, será muito fácil entender as 
definições e as diferenças entre 
essas duas áreas, que inclusive 
estão aplicadas no meu sistema 
central e são responsáveis por 
moldar a minha personalidade! 
AYA, agora eu fiquei um pouco 
confuso sobre a diferença 
entre essa tal de Machine 
Learning e Deep Learning…
Machine Learning X Deep Learning
Para a maioria das pessoas, os termos Deep Learning 
(tradução – aprendizagem profunda) e Machine Learning 
(tradução – aprendizado de máquinas) parecem palavras-
-chave intercambiáveis no mundo da IA, no entanto, isso 
não é verdade. Para compreender melhor o campo da Inte-
ligência Artificial você deve começar entendendo esses 
dois termos e as suas diferenças. A boa notícia é que não é 
tão difícil quanto sugerem alguns artigos sobre o assunto. 
Visualmente, o esquema abaixo mostra que o Machi-
ne Learning é um tipo de Inteligência Artificial, enquan-
to a Deep Learning é uma parte especialmente complexa 
dentro do Machine Learning. A diferença entre essas duas 
áreas é semelhante à diferença entre seus dedos e seus 
polegares, ou seja, todos os polegares são dedos, mas nem 
todos os dedos são polegares. 
Vamos, então, ir mais afundo nesses conceitos e defini-
ções para explicar melhor essas diferenças. 
O que é aprendizado de máquina 
(Machine Learning)?
É preciso uma grande quantidade de dados para ensi-
nar uma máquina a aprender por conta própria, isso nós 
já sabemos! Por isso, o aprendizado de máquina é o termo 
geral usado para quando os computadores conseguem 
aprender, ao serem programados e alimentados com uma 
base de dados. Ele descreve a interseção entre a Ciência da 
Computação e a Estatística, em que algoritmos são capazes 
de realizar uma tarefa específica e reconhecer padrões nos 
dados, fazendo previsões assim que novos dados chegam. 
Um exemplo de uso do Machine Learning em nosso 
dia a dia é nossa caixa de e-mails, onde ocorre a separa-
ção entre o que é spam e não-spam. A partir de algumas 
palavras-chave que são comuns de aparecerem em e-mails 
spam, é criado um algoritmo, por meio de uma linguagem 
de programação, que reconhece quais são essas palavras 
e quando algum e-mail com propaganda ou mensagem 
indesejada é recebido em nossa caixa de entrada, ele é 
automaticamente colocado como spam. 
Inteligência Artificial
A teoria e o 
desenvolvimento 
de sistemas 
computacionais 
capazes de 
realizar tarefas 
quenormalmente 
requerem inteligência 
humana.
Machine Learning
dá aos 
computadores 
a capacidade 
de aprender 
sem serem 
explicitamente 
programados.
Deep Learning
algoritmos de aprendizado de 
máquina com uma estrutura 
lógica semelhante ao cérebro 
humano, chamada de Rede 
Neural Artificial.
27Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica26 Inteligência Artificial
É isso mesmo, AYA! Os métodos usados atualmente 
são: o aprendizado supervisionado (do inglês – Supervi-
sed Machine Learning) e o aprendizado não supervisio-
nado (do inglês – Unsupervised Machine Learning). Vamos 
discutir a seguir as diferenças entre eles. 
Aprendizado de máquina 
supervisionado
(Supervised Machine Learning)
O aprendizado supervisio-
nado é o mais comum entre 
os dois métodos citados e, 
nesse caso, a máquina tem 
um “supervisor” que entrega 
ao algoritmo todas as respos-
tas. Por exemplo, como ensinar 
uma máquina a identificar se é 
um cachorro ou um gato em uma 
foto? Para construir uma base de 
dados no computador, diversas imagens de cães e gatos 
são inseridas no sistema, ou seja, são dados rotulados que 
ajudarão a máquina a usar esses exemplos para apren-
der. Depois de processar e aprender com essa base de 
dados, a máquina é capaz de identificar os padrões e apli-
car essa aprendizagem quando houver uma nova entrada 
de dados. Portanto, quando você treina um sistema de IA 
usando esse método, você fornece as informações e diz 
o resultado que se espera alcançar, em outras palavras, 
estamos supervisionando o aprendizado de máquina. Se a 
saída gerada (resposta) pelo sistema de IA estiver incorre-
ta, ele reajustará seus cálculos para testar novamente. Este 
processo é feito repetidas vezes sobre o conjunto de dados 
lidos, até que a IA não cometa mais erros. Basicamente: 
Tentativa, erro, ajuste e repetição.
Que bom, Delay! Agora, 
existe algo importante 
que eu preciso te 
contar: existem duas 
abordagens diferentes 
que podem ser usadas 
nesse processo de 
aprendizagem de 
máquinas.
Claro que não, Delay! Robôs 
não aprendem as coisas 
na escola. O que eu estou 
dizendo é que há duas 
formas diferentes de usar 
os dados para alimentar os 
algoritmos que fazem com 
que nós, robôs, sejamos 
capazes de “pensar”. 
AYA, agora as coisas 
estão começando a 
fazer sentido!
Como assim, AYA?! 
Você também 
tem professores e 
matérias diferentes 
na escola, como eu?
29Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica28 Inteligência Artificial
Aprendizado de máquina não supervisionado
(Unsupervised Machine Learning)
A aprendizagem não supervisionada 
abre a possibilidade de uma máquina 
encontrar novas respostas para novas 
perguntas. Usando o exemplo ante-
rior, um conjunto de fotos de animais 
é inserida na máquina sem dizer em 
quais imagens aparecem cachorros 
ou gatos (dados não são rotulados). 
Agora, ela terá a tarefa de descobrir 
quem é quem, geralmente agrupando 
as imagens de acordo com os padrões 
e semelhanças que ela for identifican-
do por conta própria. Quando você treina 
um sistema de IA usando a abordagem de aprendizado não 
supervisionado, você permite que a IA faça classificações 
lógicas dos dados, realize o processamento e a tomada de 
decisões. É nesta a categoria em que que a Deep Learning 
se enquadra e ela será discutida mais a frente. 
Quando se faz essa pergunta – “Quais os perfis dos 
clientes que compram em uma loja on-line?” – estamos 
falando de aprendizado de máquina não supervisionado. 
O algoritmo, por exemplo, irá trabalhar para encontrar 
comportamentos semelhantes entre os clientes e aqueles 
que possuem características parecidas serão reunidos em 
uma classe, de acordo com o hábito ou comportamento 
de consumo. Nesse caso, o algoritmo criará sua própria 
classificação com base no conjunto de dados de entrada 
e determinará quais tipos de usuários têm maior proba-
bilidade de comprar um determinado produto. Vale desta-
car que essa previsão será diferente para cada pessoa 
que acessa o site de compras. Observe que, neste caso, a 
máquina não foi programada (supervisionada) para criar 
essas classificações e fazer a previsão do perfil dos clien-
tes, ela apenas processou seus dados e gerou essas predi-
ções sobre o comportamento de consumo.
E aí, Delay, conseguiu 
entender a diferença 
entre essas duas 
abordagens de 
aprendizagem de 
máquinas?
Claro que sim, AYA! Estou 
curtindo demais o e-book! 
Vamos continuar a leitura 
e aprender mais sobre o 
assunto.
Muito bem, Delay! Agora que explicamos essas duas 
abordagens diferentes de aprendizagem de máquinas, 
podemos citar um dos métodos mais novos para enrique-
cer a nossa discussão. Conhecido como Aprendizagem 
por Reforço (em inglês – Reinforcement Learning), 
esse método permite que uma máquina (algorit-
mo) aprenda com base nas consequências das 
suas ações realizadas em um ambiente especí-
fico. É o método usado atualmente para a evolu-
ção dos carros autônomos, como os produzidos pela 
empresa Tesla Motors, do bilionário Elon Musk. 
31Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica30 Inteligência Artificial
Aprendizagem por Reforço
(Reinforcement Learning) 
Esse método de aprendizagem em nada se parece 
como aprendizado supervisionado, e o não supervisiona-
do, discutidos anteriormente. Aprendizagem por reforço é 
um modelo de aprendizagem comportamental em que o 
algoritmo não recebe nenhum conjunto de dados, ou seja, 
a máquina não é treinada. Em vez disso, ela aprende por 
tentativa e erro. É como se um robô tivesse que encontrar 
a saída de um labirinto sem ter tido acesso ao mapa. É 
um ensino baseado em experiências vivenciadas, de forma 
que a máquina deve lidar com o que deu errado e buscar 
a abordagem certa em uma nova tentativa.
Para facilitar a sua compreensão, podemos dizer que 
esse método é semelhante ao que nós, seres humanos, 
somos submetidos quando crianças, pois todos nós passa-
mos pelo processo de aprendizagem por reforço quando 
começamos a engatinhar. Por diversas vezes iremos cair e 
levantar, até chegar ao equilíbrio e começarmos a andar 
sozinhos.
Um exemplo de aprendizagem por 
reforço é a recomendação de vídeos 
feita pelo YouTube. Depois que você 
assistiu a um vídeo, a plataforma 
mostrará algumas sugestões de 
títulos semelhantes, que ela acre-
dita que você irá gostar. No entanto, 
suponha que você comece a assis-
tir o vídeo recomendado, mas não 
acompanha até o final. Nesse caso, a 
máquina entende que a recomenda-
ção não foi boa e tentará outra abor-
dagem da próxima vez. 
Como citado, a aprendizagem por reforço está sendo 
aplicada em diversas áreas, principalmente, na evolução 
dos carros autônomos. Mesmo que o piloto automático 
(algoritmo) conheça todas as regras de trânsito do mundo, 
ele não será capaz de prever todas as situações que podem 
acontecer nas estradas. Neste caso, é fácil entender que 
o objetivo do algoritmo é minimizar o erro, e não prever 
todos os movimentos e situações de trânsito. Atualmente, 
as empresas têm usado um truque muito eficaz para apri-
morar seus carros autônomos e essa estratégia passa pela 
construção de uma cidade virtual.
Nesse ambiente virtual, o self-driving-car (carro autô-
nomo) é estimulado a aprender a partir dos seus erros, ou 
seja, ele utilizará a aprendizagem por reforço para evoluir 
em suas tomadas de decisões.
Outra aplicação interessante desse método no futuro 
está relacionada com a capacidade de programar os algo-
ritmos para controlarem os semáforos de trânsito, visando 
uma melhor gestão do tráfego e de problemas de conges-
33Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica32 Inteligência Artificial
tionamentos nas grandes 
metrópoles. Já testado em 
ambiente controlado, esse 
método de aprendizagem 
por reforço apresentou 
resultados superiores aos 
métodos tradicionais e 
lançou luz sobre os possí-
veis usosem projetos de 
controle de tráfego em 
cidades inteligentes. 
Agora que aprendemos sobre os diferentes métodos de 
aprendizagem de máquinas, vamos mostrar um exemplo 
incrível de aplicação da Machine Learning desenvolvido 
pelo Google e, em seguida, explicar o que é Deep Learning 
e como ela funciona.
Como a nova inteligência artificial do Google está 
revolucionando a previsão do tempo?
 Sem dúvida, a previsão do tempo é algo imprescindí-
vel atualmente, pois ela ajuda a prever um desastre natural, 
orienta os agricultores na tomada de decisões ao saber se 
plantações receberão chuva suficiente e, até 
mesmo, as companhias aéreas podem 
mapear as rotas com antecedência ou 
decidir sobre a necessidade de cancelar 
os voos em caso de grandes tempestades. 
No momento em que as mudanças climáticas 
continuam sendo uma ameaça iminen-
te para todos nós, se torna evidente 
a necessidade de se fazer previsões 
meteorológicas quase que instantâneas.
Foi pensando em revolucionar a previsão do tempo que 
o Google desenvolveu uma nova técnica que usa a Inteli-
gência Artificial. O projeto denominado “Machine Learning 
for Precipitation Nowcasting from Radar Images” (tradução 
literal: Aprendizado de máquina para previsão de precipi-
tação a partir de imagens de radar) visa gerar previsões 
precisas de precipitação de chuvas, incorporando algorit-
mos que são capazes de fazer o processamento de imagens 
obtidas por satélites. 
Usando a técnica de Machine Learning, os computa-
dores foram capazes de aprender a identificar padrões 
complexos sobre a evolução das tempestades e chuvas 
extremas, por meio da análise de imagens de radares 
meteorológicos e deslocamento das nuvens, gerando 
previsões quase instantâneas e com alta resolução. Segun-
do os pesquisadores do Google, a previsão gerada por essa 
nova tecnologia possui uma resolução espacial de 1km, 
demorando entre 5 a 10 minutos para serem disponibili-
zadas, enquanto os sistemas convencionais se limitam a 
5 quilômetros e podem levar até três horas para produzir 
uma previsão. Em tese, isso permite que cada área receba 
uma previsão mais realística. Para alcançar essa precisão, 
35Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica34 Inteligência Artificial
os engenheiros do Google treinaram o sistema de inteli-
gência artificial usando dados de radares meteorológicos, 
coletados entre 2017 e 2019, nos Estados Unidos.
Sem dúvida, aplicar a Inteligência Artificial na previ-
são do tempo será algo indispensável no futuro, já que as 
mudanças climáticas têm se tornado uma grave ameaça 
para toda a população do planeta. A boa notícia é que essa 
nova tecnologia está em fase final de implementação e, em 
breve, poderemos acessar previsões do tempo mais preci-
sas em nossos celulares a cada minuto. 
Como funciona a Deep Learning 
(aprendizado profundo)?
Esse campo tem recebido muita atenção ultimamente e 
por um bom motivo: desenvolvimentos recentes levaram a 
resultados que antes eram considerados impossíveis. Algo-
ritmos de aprendizado profundo podem ser considerados 
uma evolução sofisticada e matematicamente complexa 
de algoritmos de aprendizado de máquina. Hoje, a 
Deep Learning é usada em assistentes virtuais 
inteligentes, como a Alexa da Amazon, que 
possui algoritmos de aprendizado profundo 
para responder aos seus comandos de voz e 
conhecer cada vez mais suas preferências.
A Deep Learning descreve algoritmos 
que analisam dados com uma estrutura lógi-
ca semelhante ao sistema cognitivo que nós, 
humanos, usamos para tirar certas conclusões. 
Para conseguir isso, os sistemas de aprendizagem 
profunda usam uma estrutura de algoritmos em 
camadas, chamada de rede neural artificial (RNA). 
O projeto dessa tal RNA é inspirado na rede neural 
do cérebro humano, levando a um processo de 
aprendizagem que é muito mais eficiente do que 
outros modelos já desenvolvidos. 
Redes Neurais Artificiais (RNA)
As redes neurais artificiais possuem recursos de 
autoaprendizagem, que lhes permitem produzir melhores 
resultados à medida que mais dados se tornam disponí-
veis para o sistema. Em outras palavras, elas são cama-
das definidas de elementos de processamento altamente 
Você ainda não viu 
nada, Delay! Com 
a implementação 
da Deep Learning, 
muito paradigmas 
serão quebrados.
AYA, cada vez mais eu 
fico impressionado com 
os diferentes usos da 
Inteligência Artificial! 
Assim você me assusta, 
AYA! Até agora, tudo que vi 
considero que é para o nosso 
bem, mas fiquei intrigado 
para saber mais sobre essa 
tal de Deep Learning.
37Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica36 Inteligência Artificial
interconectados (tais como os neurônios) que fazem, por 
meio de cálculos computacionais, uma série de transfor-
mações nos dados para gerar sua própria compreensão 
sobre eles. Essa rede neural é a base da Inteligência Arti-
ficial [Deep Learning] e tem o objetivo de fazer com que 
as máquinas imitem o funcionamento do cérebro humano. 
Enquanto no cérebro os neurônios promovem as sinapses, 
na Inteligência Artificial a RNA é responsável pelos cálculos 
e processamento computacional.
Para explicar melhor o processo de funcionamento da 
Deep Learning, vamos criar um serviço hipotético de esti-
mativa de preços de passagens aéreas. Para isso, nosso 
sistema de IA receberá alguns dados de entrada para 
calcular o preço, tais como:
• Aeroporto de origem
• Aeroporto de destino
• Data de saída
• Companhia aérea
Com base na contextualização anterior [redes neurais 
artificiais], nosso sistema de inteligência artificial que fará 
a estimativa de preços também possui “neurônios”. No 
esquema abaixo, os “neurônios” são representados pelos 
círculos e, como se pode ver, eles estão interconectados tal 
como a rede neural presente em nosso cérebro. 
Para entender como que essas quatro áreas estão 
conectadas: [Inteligência Artificial] – [Aprendizado de 
Máquina – Machine Learning] – [Aprendizado Profundo 
– Deep Learning] e [Redes Neurais Artificiais], podemos 
pensar naquela boneca russa, conhecida como matrioska, 
que é formada por uma série de bonecas que se encaixam 
uma dentro da outra. Como mostra a ilustração, cada uma 
dessas quatro áreas é, essencialmente, um componente 
importante do sistema anterior. 
Inteligência 
Artificial Aprendizado de 
Máquina Aprendizado 
Profundo
Redes Neurais 
Artificiais
Camada de 
entrada
Camada 
oculta 2
Camada 
oculta 1
Camada de 
saída
Observe que a rede neural artificial do nosso sistema 
de IA possui três tipos diferentes de camadas:
• Camada de entrada 
• Camadas ocultas 
• Camada de saída 
39Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica38 Inteligência Artificial
As camadas intermediárias – chamadas de camadas 
ocultas – são responsáveis pelo processamento dos cálcu-
los e fazem a “mágica” acontecer. O “deep” no Deep Lear-
ning se refere a ter mais de uma camada intermediária 
e quanto maior for o número de camadas ocultas, mais 
profunda (e poderosa) será essa rede neural artificial, daí 
surge o termo em inglês “deep neural network”, que signi-
fica rede neural profunda.
Voltando para o exemplo, a primeira camada recebe os 
dados de entrada, que, neste caso, está representado por 
“quatro neurônios” (quatro círculos), um para cada valor 
de entrada: aeroporto de origem, aeroporto de destino, 
data de partida e companhia aérea. O primeiro estágio 
acontece quando a camada de entrada repassa os dados 
para a primeira camada oculta e, como pode ser observa-
do, a rede neural ilustrada abaixo possui cinco camadas 
ocultas, que serão responsáveis por realizarem uma série 
de multiplicações de matrizes e transformações matemá-
ticas para fazer o processamento dos dados e otimizar os 
cálculos. Um dos desafios enfrentados pelo engenheiro 
de inteligência artificial é justamente decidir o número de 
camadas ocultas que serão usadas em cada situação, ao 
criar as redesneurais aplicadas na Deep Learning.
É dentro dessas camadas ocultas da rede neural 
da Inteligência Artificial que acontece a magia 
do Deep Learning.
Depois que o conjunto de dados de entrada passa por 
todo o processamento matemático ocorrido nas camadas 
ocultas da rede neural, ele é transformado em uma esti-
mativa de preço e o valor é apresentado na camada de 
saída, entregando para o usuário a cotação da passagem 
aérea. Incrível, não?
Algo impressionante está acontecendo com o 
sistema de IA do Google Tradutor
É isso mesmo! O Google Tradutor usa 
esse tipo de processamento baseado em 
redes neurais e, em 2016, ele passou por 
uma melhoria no seu sistema de Inteli-
gência Artificial. Recentemente, os pesquisadores do Google 
descobriram o que o seu tradutor está sendo capaz de fazer 
traduções em condições denominadas – “zero-shot” – que 
significa: traduções sem qualquer treinamento prévio. O 
Google utiliza o sistema “Neural Machine Translation” 
(tradução: Sistema de Tradução Automática Neural) que 
utiliza uma rede neural artificial para aumentar a fluência e 
a precisão. Atualmente, esse sistema é capaz de reconhecer 
um pouco mais de 103 línguas e traduzir mais de 140 bilhões 
de palavras por dia. Os engenheiros descobriram que a IA 
do Google está aprendendo a traduzir textos sem qualquer 
interferência externa, ou seja, a rede neural foi capaz de 
pegar uma frase em uma língua e traduzir para outra mesmo 
que não tenha sido treinada para isso. 
Aeroporto 
Origem
Aeroporto 
Destino
Data de 
embarque
Preço
Companhia 
Aérea
41Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica40 Inteligência Artificial
O motivo, segundo os desenvolvedores, é que talvez o 
sistema de IA tenha utilizando o inglês como base desde 
o início para conhecer as palavras e que, agora, dispensa 
a língua original em certas traduções. É como se o algo-
ritmo tivesse aprendido vários idiomas e está utilizando 
todos ao mesmo tempo ao sugerir as traduções para nós, 
pois agora ele “entende” os conceitos e experiências que 
cada palavra passou a ter ao ser sugerida numa frase. 
Basicamente, o que o sistema está fazendo é ir além de 
memorizar traduções, ele está aprendendo o significado 
das palavras. E como ele é alimentado a todo instante com 
correções e sugestões de tradução, acaba por estar imerso 
nesse processo de absorver, memorizar, aprender e aplicar. 
Mesmo que esse processo ainda funcione de forma “rudi-
mentar” (ainda está usando a IA limitada), o sistema de IA 
do Google Tradutor está aprendendo a pensar em vários 
idiomas, sem ter sido ensinado a fazer isso. É algo incrível 
e ao mesmo tempo um pouco assustador, não é?!
deste e-book entrar no mérito de como são criados esses 
algoritmos, mas, basicamente, você pode entender da 
seguinte forma: para comunicar um problema da vida real 
ao computador, você precisa criar um tipo específico de 
texto – chamado de código-fonte – que o software possa 
ler e processar. A programação consiste exatamente nisso, 
gerar uma linguagem que o computador possa entender 
e executar, inserindo uma sequência de instruções que 
explica para a máquina como executar um determinado 
cálculo ao fornecer para ela uma tarefa. As linguagens de 
programação mais utilizadas atualmente para gerar algo-
ritmos de aprendizagem de máquina são o R e o Python, 
mas muitas outras existem no mercado. 
Python [pronuncia-se “pai·thaan”] 
é usado em diversos lugares dentro do 
mundo da programação de computa-
dores. Por exemplo, Python é a base de 
algumas das plataformas mais popu-
lares do mundo, incluindo YouTube, 
Reddit e Dropbox, enquanto a estru-
tura da web em Python – chamada de 
Django – alimenta o Instagram e o Pinterest. O que torna 
a linguagem de programação Python atraente é o fato 
dela estar disponível gratuitamente, mesmo para fins 
comerciais, além de ser de um código aberto, ou 
seja, qualquer pessoa pode contribuir para o seu 
desenvolvimento.
Isso é simplesmente fantástico! 
Estou completamente envolvido com 
o conteúdo, mas tenho uma dúvida: 
Como, de fato, conseguimos ensinar 
certas coisas para as máquinas?
Explicando o processo de “ensinar 
as máquinas”
Delay, para que seja possível ensinar uma máqui-
na, são necessárias as denominadas linguagens de 
programação, que servem para gerar os algoritmos 
de aprendizagem de máquina. Não é o objetivo 
Delay, como você se sentiria se 
eu te contasse que a Inteligência 
Artificial está monitorando seus 
sentimentos a todo instante? 
43Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica42 Inteligência Artificial
Quando você pensa em Inteligência Artificial (IA), a pala-
vra “emoção” normalmente não vem à mente. Mas existe 
um campo inteiro de pesquisa usando IA para entender as 
respostas emocionais dos usuários às notícias, experiências 
de produtos, filmes, restaurantes e muito mais. Essa área 
é conhecida como análise de sentimentos e, basicamente, 
cria algoritmos que possam encontrar expressões positivas, 
negativas ou neutras em textos/mensagens publicados nas 
redes sociais para compreender e avaliar as reações das 
pessoas, mapeando até mesmo tendências psicológicas.Exatamente, Delay! Sistemas 
de IA estão analisando seus 
sentimentos a todo instante, 
e isso gera dados valiosos 
para as empresas. Você 
entenderá melhor com as 
explicações a seguir!
Como assim, AYA?! 
É possível saber se eu 
estou triste ou feliz, 
dependendo das coisas 
que posto nas minhas 
redes sociais?
Como você está se sentindo?
O documentário da Netflix “Dilema das Redes” 
é recomendado se você quiser saber mais sobre 
como funciona a Inteligência Artificial e os algorit-
mos aplicados nas redes sociais. Além dos dilemas 
centrais que expõem e fazem uma crítica forte à forma 
como as grandes empresas de mídias sociais manipu-
lam os usuários, usando algoritmos que estimulam 
(viciam) a ficarem conectados em suas plataformas, 
o documentário mostra como os algoritmos coletam 
dados pessoais e fazem análise de sentimentos 
para direcionar anúncios específicos para 
os usuários. Além de trabalharem para 
roubar nossa atenção e tempo útil, o uso 
em massa das redes sociais está repro-
gramando a nossa civilização, expondo 
o lado obscuro do pensamento indivi-
dual e coletivo, enquanto a cada dia nos 
subvertemos a uma vida inteira de servi-
dão voluntária online. Vale a pena assistir!
FICA A DICA!
45Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica44 Inteligência Artificial
Hoje, muitos hotéis usam esse tipo de software que 
faz análise de sentimentos para examinar as avaliações e 
publicações em mídias sociais, com o objetivo de enten-
der e melhorar os índices de satisfação após a hospe-
dagem. A tecnologia usada envolve o Processamento 
de Linguagem Natural (PLN) ou algoritmos linguísticos 
que atribuem valores para um texto positivo, negativo 
ou neutro, convertendo as opiniões em conjuntos de 
dados. Na outra ponta, o aprendizado de máquina 
processa esse conjunto de dados para revelar tendên-
cias ao longo do tempo. 
Muitas análises de sentimentos têm sido realizadas a 
partir dos dados gerados em nossas redes sociais, pois elas 
estão cheias de comentários, avaliações e opiniões. Hoje, 
o algoritmo consegue identificar qual é o senti-
mento atribuído a uma determinada frase, 
seja de alegria, tristeza, raiva, entre outros. 
Ao final, toda a análise de sentimentos 
pode ser convertida em uma “nuvem de 
palavras”, como vemos atualmente.
Para empresas que investem na 
captação de clientes ou que desejam saber se seu 
produto tem tido boa aceitação no mercado, analisar 
cada feedback manualmente pode ser desgastante e um 
tanto quanto demorado. Por isso, a 
análise de sentimento (dentro de 
cada contexto) pode ajudar a detec-
tar problemas com antecedência 
e fornecer orientações sobre como 
melhorar os serviços ou produtos. À 
medida que a tecnologia avança, as 
empresas podemse beneficiar dessa 
análise de satisfação do cliente.
Perfis de trabalho e carreira profissional para 
trabalhar com Inteligência Artificial 
Essa é uma ótima pergunta, Delay! Este e-book fica-
ria incompleto sem que nós destacássemos alguns perfis 
que podem ser almejados para trabalhar neste fascinante 
mundo da IA. A boa notícia é que empresas como Google, 
IBM, Apple, Samsung, Twitter, Facebook e muitas outras 
gigantes da tecnologia estão investindo muito dinheiro e 
estudos na área de IA. Então, é fácil perceber que se há 
um investimento em pesquisas nessa área, logicamente 
carreiras ligadas à Inteligência Artificial vão surgindo e, 
cada vez mais, profissionais qualificados são requisitados 
nesse ramo. 
De fato, a demanda por profissionais com habilidades 
na área de IA mais do que dobrou nos últimos três anos e 
E aí, Delay, como está 
se sentido ao entender 
tantas coisas legais?
AYA, acho que nem preciso 
dizer o quanto estou feliz, 
pois meus sentimentos são 
explícitos e agora percebo 
que eles também estão sendo 
monitorados (hehehe)! Aliás, 
fiquei interessado em entender: 
que tipo de formação profissional 
eu preciso ter para trabalhar 
com Inteligência Artificial?
47Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica46 Inteligência Artificial
o número de vagas de emprego vêm aumentando cada vez mais. Portanto, 
se os avanços da Inteligência Artificial estão chamando sua atenção e você 
deseja atuar nesta área, aqui vão alguns exemplos de carreira profissional 
para trabalhar neste amplo e promissor mercado de trabalho.
1. Engenheiro de Machine Learning 
Os engenheiros de aprendizado de máquina 
são programadores sofisticados, que desen-
volvem máquinas e sistemas dotados de inte-
ligência artificial. Para trabalhar nessa área, 
você deve possuir algumas habilidades como: 
saber programar, conceitos de estatística e 
muito conhecimento sobre processamento de 
bases de dados. Esta última é uma habilidade 
muito importante, pois o profissional irá traba-
lhar, geralmente, para converter essas bases 
de dados em um formato específico para que 
os algoritmos de IA possam fazer análises e 
predições de maneira correta.
2. Cientista de Dados 
Eles trabalham com diversos elementos rela-
cionados à matemática, estatística, ciência da 
computação e análise de tendências - trata-se 
de um profissional multidisciplinar. A função 
de cientista de dados é uma posição para 
especialistas. Você pode se especializar em 
diferentes tipos de habilidades, como análise 
de fala, análise de texto (PLN), processamen-
to de imagem, processamento de vídeo e até 
mesmo em simulações na área da medicina, 
por exemplo. O Cientista de Dados recebe os 
dados brutos e faz a análise dos resultados 
para gerar escolhas com base em uma estraté-
gia, enquanto o Engenheiro de Machine Lear-
ning aplica os algoritmos para encontrar novas 
soluções e bons resultados para uma determi-
nada estratégia ou objetivo.
3. Engenheiro de Inteligência 
Artificial 
Um Engenheiro de Inteligência Artificial traba-
lha com algoritmos, redes neurais e outras 
ferramentas para aplicar no campo da inte-
ligência artificial de alguma forma, podendo 
escolher entre projetos que envolvem inteli-
gência artificial fraca ou forte. Entre as diver-
sas carreiras em Tecnologia da Informação 
(TI), provavelmente não haverá, no futuro, uma 
mais procurada do que a de engenheiro de IA.
4. Desenvolvedor de Business 
Intelligence 
Um desenvolvedor de Business Intelligence 
trabalha pesquisando e planejando soluções 
para os problemas existentes em uma empre-
sa. O Business Intelligence Developer (tradução: 
Analista de Inteligência de Negócios) é respon-
sável por agregar dados de várias fontes e proje-
tar soluções de nível corporativo, como é o caso 
dos bancos que coletam um amplo conjunto de 
dados multidimensionais. Os analistas de inte-
ligência de negócios desempenham um papel 
fundamental na melhoria da eficiência e da 
lucratividade de um negócio. É uma carreira que 
está em alta demanda no mercado. 
49Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica48 Inteligência Artificial
Concordo com seu 
comentário, Delay! Agora 
que você entendeu sobre as 
profissões mais requisitadas 
na área de Inteligência 
Artificial, não acha que já 
está na hora de saber sobre 
as diversas aplicações?
Aya, quantas carreiras 
interessantes existem 
na área de Inteligência 
Artificial! Estou muito 
empolgado com a 
abordagem didática 
deste e-book! 
Com certeza, AYA! 
5. Engenheiro de Dados 
Engenheiros de Dados são responsáveis por 
gerenciar toda a administração, construção, 
teste e manutenção de um sistema de proces-
samento de dados em grande escala de uma 
empresa. Portanto, são membros vitais de 
qualquer equipe corporativa de análise de 
dados. Eles são responsáveis por encontrar 
nos conjuntos de dados alguma tendência 
(análise preditiva) e desenvolver algoritmos 
que ajudem a transformar os dados brutos em 
informações úteis para a empresa.
6. Engenheiro de Aplicações/ 
Plataformas 
Este é um profissional que também está em 
alta no mercado atualmente. Ele trabalha 
para desenvolver sistemas e plataformas para 
serem usados em dispositivos móveis, como 
os aplicativos de smartphones e tablets. Esses 
profissionais figuram entre as profissões mais 
importantes do século, por terem habilida-
des em diferentes linguagens tecnoló-
gicas e conhecerem a fundo as ferra-
mentas para diversas aplicações e 
desenvolvimento de aplicativos. São 
muito requisitados em empresas 
de tecnologia como as 
gigantes Apple, Microsoft, 
Facebook, Google e Cisco, 
além de serem funda-
mentais em startups de 
todas as áreas. 
5150 Inteligência Artificial
Aplicações da 
Inteligência Artificial no 
nosso dia a dia
tal, localizada perto do Japão, e a Mancha de Lixo Ociden-
tal, localizada entre os estados americanos do Havaí e da 
Califórnia. Foi um capitão de um barco chamado Charles 
Moore que descobriu o vórtice de lixo e, depois, diversas 
expedições com drones e navios foram realizadas, compro-
vando a existência de uma sopa de lixo flutuante no 
Oceano Pacífico, como mostra o mapa do Greenpeace.
Aplicações da IA: Meio Ambiente
Infelizmente, sabemos que uma grande carga de lixo 
é despejada nos oceanos todos os dias e essa realidade 
faz com que o nosso primeiro exemplo seja assustador! 
Você sabia que uma massa gigante de lixo, com mais de 
1,6 milhões de Km2, flutua em uma região específica do 
Oceano Pacífico e continua a crescer a cada ano? Conheci-
da como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico (em inglês, 
Great Pacific Garbage Patch), essa imensa região coberta de 
resíduos plásticos é formada pela Mancha de Lixo Orien-
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Gr
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ce
53Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica52 Inteligência Artificial
Importantes organizações não-governamentais liga-
das à proteção do meio ambiente estão chamando a 
atenção para esse problema, já que nenhum governo 
se sente responsável pela mancha de lixo, por ficar tão 
longe da costa. A verdade é que limpar toda essa área 
de detritos poderia levar à falência qualquer país que 
tentasse resolver esse problema por conta própria. A 
estimativa mais recente, realizada em 2020, (https://
theoceancleanup.com/great-pacific-garbage-patch) é de 
que aproximadamente 88.000 toneladas de lixo estão 
flutuando em alto mar e, para se ter uma ideia do tama-
nho do problema, seriam necessários em média 67 navios 
por ano para limpar menos de 1% de toda a mancha. É 
importante dizer que a Grande Mancha de Lixo do Pacífico 
não é o único vórtice de lixo marinho já identificado, ela 
é apenas a maior. Os oceanos Atlântico e Índico também 
têm grandes áreas de lixo formadas ao redor do vórtice 
das correntes marítimas. 
Recentemente, foi criado o primeiro plano para lidar 
efetivamente com o problema dessa massa de lixo do ocea-
no Pacífico e claro, coma ajuda da Inteligência Artificial, será 
possível colocá-lo em prática muito em breve. A proposta é 
fazer funcionar uma “enfermeira autônoma flutuante”, um 
grande sistema automatizado de coleta de lixo em alto mar, 
guiado por IA. Sem precisar de muitos tripulantes a bordo, 
o sistema automatizado controlado por Inteligência Artifi-
cial parece ser muito promissor na visão dos pesquisado-
res, pois, através dos seus sensores, ele consegue mapear 
o deslocamento da mancha e trabalhar continuamente no 
processo de coleta e transporte do resíduo.
À medida que a Inteligência Artificial evolui, outras 
inovações vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de 
proteger o meio ambiente e trabalhar em prol de um plane-
ta mais limpo. Visando tornar as práticas agrícolas mais 
seguras e sustentáveis, os algoritmos de aprendizado de 
máquina, combinados com a robótica e a conectividade da 
Internet das Coisas (IoT - Internet of Things), têm permitido 
coletar muitos dados sobre as plantações, identificando os 
melhores momentos para plantar, pulverizar e colher, além 
de recomendar os tipos de fertilizantes e reconhecer os 
pesticidas que estão contaminando o solo. A IA também 
fornece ferramentas para um melhor monitoramento da 
poluição do ar e das águas, identificando fontes de conta-
minação e a qualidade com mais rapidez e precisão.
Aplicações da IA: Medicina
Quando se trata de salvar vidas humanas, a IA pode 
fazer toda a diferença. Na área da saúde, já existem 
modelos de aprendizagem de máquina desenvolvidos para 
avaliar quais as principais variáveis preditoras para que 
5554 Inteligência Artificial
https://theoceancleanup.com/great-pacific-garbage-patch
http://
http://
uma pessoa tenha reincidência de câncer ou não. Empre-
sas como a Google e a IBM-Watson têm desenvolvido algo-
ritmos de reconhecimento de imagem e dados de exames 
médicos para avaliar se um paciente apresenta regiões do 
corpo com presença de tumor, auxiliando os médicos em 
um diagnóstico mais preciso. Essas aplicações mais avan-
çadas em diagnósticos envolveriam uma combinação de 
múltiplas fontes de dados, como tomografia computadori-
zada, ressonância magnética, perfil genético e a identifica-
ção de biomarcadores, que fornecem uma indicação mais 
realística da existência de tumores no corpo do paciente. 
A cirurgia robótica assistida por IA está quebrando 
muitos paradigmas na área da medicina, por ser possível 
analisar com mais acurácia os dados de registros pré-ope-
ratórios e fornecer orientação em tempo real aos cirurgiões 
dentro do centro cirúrgico. Além disso, o desenvolvimento 
da “enfermagem digital” é outra aplicação interessante de 
IA, em que o paciente passa a ter monitorados sua pressão 
arterial, índice de açúcar no sangue, frequência cardíaca, 
entre outros parâmetros, por meio de um aplicativo que 
também gera alertas sobre o horário certo de tomar uma 
medicação.
Na pandemia da COVID-19, que vivemos no ano de 2020, 
e ainda se estende em 2021, a IA tem sido determinante em 
vários aspectos. Seja auxiliando no diagnóstico de pacien-
tes e prevendo se alguns desenvolverão a forma grave da 
doença ou no mapeamento e predição de regiões de maior 
contágio do vírus, a Inteligência Artificial está ajudando 
a superar diversos desafios que a pandemia nos impôs. 
Poderíamos citar diversas aplicações de IA estudadas em 
outros países, mas o foco será mencionarmos duas inova-
ções brasileiras que ajudam a entender de que forma a IA 
vem sendo aplicada no combate à COVID. O LABDAPS (Labo-
ratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde da USP) 
desenvolveu uma técnica que é capaz de detectar pacien-
tes com COVID-19 a partir de exames de sangue e informa-
ções básicas reportadas pelos pacientes. Até o momento, 
ótimos resultados foram obtidos nos estudos realizados e 
aplicações semelhantes de IA em diagnósticos de COVID 
também são vistas em diversas pesquisas espalhadas pelo 
mundo. Outro exemplo nacional é um estudo desenvolvi-
do no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da 
Universidade de São Paulo (HC-FM-USP). Os pesquisado-
res desenvolveram um sistema de IA capaz de detectar a 
insuficiência respiratória, um dos principais sintomas da 
COVID-19, por meio da análise da fala de pacientes. Basi-
camente, o sistema tem sido alimentado para aprender a 
identificar se uma pessoa apresenta insuficiência respira-
tória pelos padrões de pausas e comportamento ofegante, 
detectados na voz ao proferir uma sentença, por exemplo. 
O projeto batizado de Spira – sigla de Sistema de Detecção 
Precoce de Insuficiência Respiratória – está em fase avan-
çada dos estudos.
5756 Inteligência Artificial
Aplicações da IA: Modelagem Química 
& Nanotecnologia
A Inteligência Artificial tem promovido grandes avan-
ços na área da química e na indústria farmacêutica, acele-
rando a descoberta de novos medicamentos e permi-
tindo a simulação de moléculas estratégicas, que antes 
requisitavam grande poder computacional. A previsão de 
propriedades moleculares já pode ser feita usando algo-
ritmos de aprendizado de máquina, sendo possível obter 
informações sobre bioatividade, toxicidade, solubilidade, 
pontos de fusão, energias de atomização, energias de 
orbitais moleculares (HOMO/LUMO) e muitos outros tipos 
de propriedades físico-químicas. A introdução da IA neste 
setor oferece uma oportunidade promissora à criativida-
de humana para projetar novas moléculas e estudá-las 
em sistemas complexos. Em muitos casos, os algoritmos 
alcançam um desempenho impressionante e, agora, os 
sistemas de IA já estão se expandindo inclusive no campo 
da engenharia química, oferecendo soluções em modela-
gem e controle de processos, detecção de falhas e diag-
nósticos de linhas de produção. 
Por vezes o termo “tecnologias convergentes” é parte de 
um discurso político e social muito abrangente, mas a verda-
de é que os grandes pilares que sustentam a 4ª Revolução 
Industrial estão se aproximando. Está em curso um grande 
efeito sinérgico de evolução do conhecimento científico, a 
partir da fusão de áreas como a Nanotecnologia, Biotecno-
logia, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Inte-
ligência Artificial/Robótica. Quando os cientistas preenche-
rem as lacunas que existem nas interfaces entre essas áreas, 
um novo momento se estabelecerá e modelos disruptivos de 
como se deve fazer Ciência serão criados. A Nanotecnologia 
e a Inteligência Artificial estão se unindo para gerar a medici-
na de precisão contra o câncer. Com os dados personalizados 
de cada paciente, será possível criar um design aprimorado 
de nanomateriais para interação com as células tumorais, 
melhorando substancialmente a eficiência do tratamento. 
Os algoritmos dariam sustentabilidade ao projeto da nano-
medicina, pois eles são capazes de analisar as propriedades 
de medicamentos e nanopartículas em membranas celulares 
e no sistema imunológico e vascular, para estudar as intera-
ções desses agentes e traçar indicadores importantes para a 
eficácia terapêutica. 
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59Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica58 Inteligência Artificial
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Aplicações da IA: Veículos Autônomos
Por muito tempo, carros autônomos têm sido uma 
palavra da moda na indústria de Inteligência Artificial, e 
sabemos que a introdução desses veículos revolucionará 
o sistema de transporte, onde quer que seja aplicado. Por 
meio do desenvolvimento de algoritmos de aprendizagem 
de máquina, empresas como Tesla, Google e Uber têm sido 
capazes de desenvolver carros que conseguem transportar 
passageiros sem precisar de um motorista. 
e construir veículosautônomos altamente tecnológicos, 
com um design imponente e futurístico aplicado no inte-
rior. Hoje, a Tesla é líder em valor de mercado entre todas 
as empresas automobilísticas do mundo, alcançando, em 
2020, a marca dos U$208 bilhões e ultrapassando sua rival 
Toyota, que vale atualmente U$203 bilhões de dólares. 
O mais incrível no sistema de IA da Tesla é o compartilha-
mento de informações entre os próprios veículos da empresa. 
Esse é o diferencial: fazer com que o aprendizado de máquina 
se torne exponencial e as redes neurais sejam um só corpo 
pensante do sistema de inteligência artificial usado por todos 
os veículos espalhados pelo mundo. Por exemplo, se um carro 
da Tesla aqui no Brasil aprender que em uma curva de X graus 
de inclinação não se pode passar numa velocidade acima de 
80 Km/h, ele transmite essa mesma informação para que 
os outros veículos também assimilem essa nova condição, 
evitando assim a derrapagem ou acidentes. Incrível, não? 
Essa rede neural altamente tecnológica é exatamente o que 
torna a empresa tão valiosa e a coloca em vantagem contra 
as concorrentes, no que diz respeito à inteligência artificial 
aplicada no funcionamento dos veículos.
A pioneira neste setor é a Tesla Motors, que possui 
um sistema de IA muito avançado, capaz de interpretar 
as imagens geradas pelas diversas câmeras acopladas ao 
veículo e entender tudo que está acontecendo à sua volta 
em frações de segundos. Elon Musk, fundador da empre-
sa, apostou na ideia de produzir somente carros elétricos 
©
Te
sla
61Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica60 Inteligência Artificial
Um outro exemplo vem da empresa Waymo, que 
pertence à Alphabet – dona do Google. Os pesquisado-
res da Waymo vêm realizando vários testes nos Estados 
Unidos antes de implantar no mundo o primeiro serviço 
público de transporte usando veículos autônomos, total-
mente guiados por inteligência artificial. O sistema de IA 
coleta dados dos radares, câmeras e GPS para produzir 
sinais de controle e guiar seus veículos. Muito em breve, o 
serviço público de transporte usando veículos autônomos 
se tornará uma realidade nos grandes centros urbanos ao 
redor do mundo. Muitos memes serão produzidos com o 
nosso hábito automático de cumprimentar o motorista de 
aplicativo quando entramos no carro, não é?! Ser transpor-
tado sem que haja alguém fisicamente dirigindo será algo 
espetacular, engraçado e vai gerar muita aflição ao longo 
do trajeto até nos acostumarmos.
Aplicações da IA: Aplicativos de 
mobilidade
Uma aplicação interessante de IA que é 
usada por todos nós é o aplicativo de mobi-
lidade WAZE. Usando dados de localização 
do Sistema de Navegação por Satélite – GPS 
(do inglês - Global Positioning System), esse 
aplicativo gera comandos de voz para forne-
cer dados ao algoritmo e calcular parâme-
tros de movimento do veículo, informando 
perigos e obstruções nas vias, localizando 
estabelecimentos e, principalmente, sugerindo a melhor 
rota para chegar ao destino, no menor tempo possível. Nós, 
usuários, somos os grandes parceiros e geradores de dados 
para o sistema de IA do WAZE, que utiliza o programa “Waze 
Connected Citizens”, que é capaz de construir um mapa cola-
borativo em tempo real, a chamada neocartografia, trazida 
pelo avançado da tecnologia. O algoritmo do WAZE é um 
perfeito exemplo que mostra como a mobilidade urbana 
nos grandes centros sofreu uma profunda transformação 
com a chagada da Inteligência Artificial, pois antigamente 
nós tínhamos que utilizar mapas e, muitas vezes, perguntar 
para as pessoas na rua onde ficava um determinado lugar. 
Quem nunca fez isso, não é?! 
Aplicações da IA: Assistentes virtuais 
e Reconhecimento facial
Atualmente, os assistentes virtuais se tornaram uma 
tecnologia muito usada por nós, e esses produtos vêm 
apresentando indicadores de venda cada vez maiores a 
cada ano. Hoje, tanto nos smartphones como nas resi-
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W
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m
o
63Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica62 Inteligência Artificial
dências, já utilizamos uma assistente virtual inteligen-
te para executar determinadas tarefas, e cada vez mais 
elas estão ganhando popularidade, devido à experiência 
que fornecem aos usuários, como comodidade e confor-
to. Se quisermos saber onde fica um determinado lugar, 
tudo o que precisamos fazer é dizer “OK Google, onde 
fica Roça Grande?”. A assistente virtual irá mostrar as 
informações encontradas na internet sobre este peque-
no vilarejo situado em Minas Gerais e a localização no 
Google Maps. 
Em paralelo, o Google lançou recentemente o Google 
Duplex, uma tecnologia que insere um novo recurso à 
Assistente Virtual do Google. Seu diferencial está atrela-
do à capacidade de fazer chamadas telefônicas para você, 
incorporando uma voz humana mais próxima do natural, 
em vez daquela sonoridade robótica que estamos habi-
tuados. Essa evolução é algo espetacular e algum dia você 
vai passar pela experiência de ouvir e conversar com uma 
assistente virtual sem perceber que não se tratava de uma 
pessoa. Espere por este momento!
As assistentes virtuais mais famosas são a do Google, 
a Alexa (Amazon), a Siri (Apple) e a Cortana (Microsoft). 
Em todas elas, estamos diante de um exemplo de apli-
cação da Inteligência Artificial que é capaz de traduzir a 
linguagem humana em ações desejáveis e seu funcio-
namento é baseado no reconhecimento da fala e no 
processamento de linguagem natural (PLN) para realizar 
diferentes tarefas sob seu comando de voz. Atualmente, 
elas são capazes de fazer mais do que apenas tocar suas 
músicas favoritas, elas já conseguem controlar os dispo-
sitivos em sua casa, reservar táxis, fazer ligações, pedir 
sua comida favorita, verificar as condições do tempo e 
muito mais. 
Ainda falando dessa área de aplicação, 
precisamos destacar o avanço das câmeras 
inteligentes e ferramentas com reconheci-
mento facial que já vêm sendo aplicadas 
em conjunto com algoritmos de Inteligência 
Artificial. Sejam nos aeroportos para facili-
tar os trâmites de imigração pela polícia, 
seja na identificação de possíveis infratores 
(criminosos procurados) que estejam circu-
lando em qualquer lugar da cidade, esses 
sistemas avançados de reconhecimento 
facial já são uma realidade. Atualmente, as 
empresas têm trabalhado em algoritmos 
de IA que, além de serem capazes de fazer 
65Guia didático para divulgação e ensino da Inteligência Artificial na educação básica64 Inteligência Artificial
o reconhecimento facial, podem, ao mesmo tempo, fazer 
a “análise da emoção” (inglês: Emotion Analytics) a partir 
da expressão do seu rosto, a chamada “Computação Afeti-
va”. Essa combinação começa a ser utilizada em aplicações 
inovadoras em vários segmentos de negócios e o uso da 
análise da emoção será algo predominante no varejo onli-
ne e em lojas físicas no futuro, com potencial de modificar 
as experiências dos clientes e estratégias de vendas das 
empresas. 
Aplicações da IA: Redes sociais
Curtir, seguir, compartilhar! Desde que as mídias 
sociais se tornaram nossa identidade, geramos uma quan-
tidade imensurável de dados por meio de chats, tweets, 
posts e atividades. E onde quer que haja abundância de 
dados, a Inteligência Artificial e o aprendizado de máquina 
estarão sempre presentes. Em plataformas de mídia social 
como o Facebook e Instagram, a IA é usada em cada foto 
que é postada, trabalhando para detectar características 
faciais e sugerir automaticamente quais amigos podem ser 
marcados na foto. O Deep Learning é usado para extrair 
cada detalhe minucioso de uma imagem, usando um 
monte de redes neurais profundas, enquanto algoritmos 
de aprendizado de máquina estão mapeando seu feed e 
traçando comportamentos, interesses e, até mesmo, anali-
sando seu estado emocional com base no que você posta 
e escreve. Neste sentido, a LGPD – Lei Geral de Proteção 
de Dados – surgiu para proteger os dados dos usuários de 
redes sociais, aplicativos e

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