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LISTA 2 - BENS JURÍDICOS

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Questões resolvidas

A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, acionista principal de uma das corporações fornecedoras, descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução jurídica adequada.
Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
(A) Com base na teoria menor, é possível a desconsideração da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado o abuso de personalidade, bastando a comprovação do débito.
(B) O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a desconsideração da personalidade jurídica.
(C) A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, que dispensa a prova de abuso da personalidade.
(D) A desconsideração da personalidade jurídica não é cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do quadro societário.
(E) Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não para fornecedores e locadores.

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Questões resolvidas

A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, acionista principal de uma das corporações fornecedoras, descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução jurídica adequada.
Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
(A) Com base na teoria menor, é possível a desconsideração da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado o abuso de personalidade, bastando a comprovação do débito.
(B) O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a desconsideração da personalidade jurídica.
(C) A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, que dispensa a prova de abuso da personalidade.
(D) A desconsideração da personalidade jurídica não é cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do quadro societário.
(E) Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não para fornecedores e locadores.

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Direito Civil
Professora Raquel Bueno
1
BENS JURÍDICOS
1. BEM – OBJETO DE DIREITO
RELAÇÃO JURÍDICA DE DIREITO MATERIAL
Sujeito ativo ⬛ Sujeito passivo
Objeto
Patrimônio – “o complexo de relações jurídicas apreciáveis 
economicamente (ativas e passivas) de uma determinada pessoa. 
(...)” Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, Direito Civil: 
Teoria Geral, 4ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 312.
Classificação adotada: Caio Mário da Silva Pereira e Orlando 
Gomes
Bem – lato senso (gênero)
Bem em sentido estrito – imaterial ou abstrato.
Coisas – bens materiais ou concretos
CONCEITO BÁSICO - “bens são coisas que, por serem úteis e raras, 
são suscetíveis de apropriação e contêm valor econômico.” Silvio 
Rodrigues, Direito Civil, 33.ed.. São Paulo: Saraiva, 2003, v. I, p. 116.
TEORIA DO PATRIMÔNIO MÍNIMO/MÍNIMO VITAL
Repersonalização do Direito Civil ou despatrimonialização 
do Direito Civil – é preciso assegurar um mínimo de direitos 
patrimoniais às pessoas, como forma de proteger o princípio 
estruturante de índole constitucional denominado Dignidade da 
Pessoa Humana.
Súmula 364 STJ
Artigo 548 do CC/02 – Nulidade da doação universal
Lei 8.009/90
Recurso Especial 621.399/RS
CLASSIFICAÇÃO DOS BENS
1. Quanto à tangibilidade
Bens corpóreos, materiais ou tangíveis – possuem existência 
palpável e concreta.
Bens Incorpóreos, imateriais ou intangíveis – possuem 
existência abstrata (direitos do autor, propriedade industrial, 
fundo empresarial, hipoteca, penhor e anticrese)
2. Quanto à mobilidade
BENS IMÓVEIS – não 
admitem movimentação por 
comprometimento de sua essência. 
Artigos 79-81 do CC/02
BENS MÓVEIS – Podem ser 
transportados ou removidos por 
força própria ou de terceiro, sem 
comprometimento de sua essência 
ou destinação.
Bem imóvel por natureza ou 
essência – o solo e tudo aquilo que 
se incorpora a ele naturalmente 
(solo com sua superfície, subsolo e 
espaço aéreo).
Bem móvel por natureza ou 
essência – São os bens móveis 
propriamente ditos (artigo 81 do 
CC/02) e os semoventes (animais)
Bem imóvel por acessão física 
industrial ou artificial – aquele 
bem incorporado ao solo 
permanentemente, por intervenção 
humana (construções e plantações)
Bem móvel por antecipação – “(...) 
são os bens que eram imóveis, 
mas foram mobilizados por uma 
atividade humana.” Flávio Tartuce, 
Manual de Direito Civil, volume 
único, Editora Método: São Paulo, 
6ª edição, 2016, p. 199. 
Exemplos: colheita de uma 
plantação e artigo 84 do CC/02, 
segunda parte.
Bem imóvel por acessão física 
intelectual “(...) tudo que foi 
empregado intencionalmente 
para a exploração industrial, 
aformoseamento e comodidade.” 
(Maria Helena Diniz, Código Civil 
Anotado, 15.ed. São Paulo: Saraiva, 
2010, p. 129). Fala-se em ficção 
jurídica, já que se trata de um bem 
móvel que foi imobilizado por seu 
titular (Polêmica das PERTENÇAS 
ESSENCIAIS). Enunciado 11 e 535 
das Jornadas de Direito Civil.
Bem móvel por determinação 
legal – artigo 83 do CC/02 
Exemplos: energia elétrica, sêmen 
do boi, direitos autorias (artigo 3º, 
da Lei 9.610/1998)
Bem imóvel por disposição legal 
Direito à sucessão aberta 
Direitos reais sobre imóveis 
(hipoteca, penhor agrícola).
NAVIOS E AERONAVES – bens móveis especiais ou sui generis, 
mas tratados pela lei como imóveis
2
Direito Civil | Raquel Bueno
3. Quanto à fungibilidade
BENS INFUNGÍVEIS/
PERSONALIZADOS/
INDIVIDUALIZADOS
BENS FUNGÍVEIS
Não podem ser substituídos por 
outros bens de mesma espécie, 
quantidade e qualidade. 
OBSERVAÇÕES
• Os bens infungíveis são objetos 
dos contratos de comodato. 
• Os bens imóveis são sempre 
infungíveis.
Admitem substituição. Artigo 85 do 
Código Civil. 
OBSERVAÇÕES 
• Os bens fungíveis são objetos 
dos contratos de mútuo 
(exemplo do dinheiro). 
ATENÇÃO: comodato ad pompam 
vel ostentationem
4. Quanto à consuntibilidade
A consuntibilidade pode ser:
• fática (de fato ou física) – o consumo implica na destruição 
da coisa.
• jurídica (de direito) – admite alienação.
BENS CONSUMÍVEIS BENS INCONSUMÍVEIS
Permitem a consuntibilidade física 
e/ou jurídica.
Permitem reiteradas utilizações e/
ou são inalienáveis.
♥ Vide artigo 26 do CDC (bem durável e não durável)
5. Quanto à divisibilidade
BENS DIVISÍVEIS BENS INDIVISÍVEIS
Artigo 87 do CC/02.
Sua divisão implica desvalorização ou 
perda de suas qualidades essenciais. 
Subdividem-se em:
a. Indivisibilidade natural - 
b. Indivisibilidade legal – (herança, 
hipoteca e servidão).
c. Indivisibilidade convencional - 
6. Quanto à individualidade
BENS SINGULARES OU 
INDIVIDUAIS BENS COLETIVOS OU UNIVERSAIS
Artigo 89 do CC/02
Podem ser simples ou 
compostos.
“(...) São os bens que se encontram 
agregados em um todo. Os bens coletivos 
são constituídos por várias coisas 
singulares, consideradas em conjunto 
e formando um todo individualizado. 
Os bens universais podem decorrer de 
uma união fática ou jurídica. (...)” Flávio 
Tartuce, op. cit., p. 202. 
• Universalidade fática ou de fato – 
artigo 90 do CC/02. 
• Universalidade de direito – artigo 
91 do CC/02. Exemplos: patrimônio, 
herança/espólio, massa falida, etc.
7. Quanto à dependência em relação a outro bem (bens 
reciprocamente considerados)
BENS PRINCIPAIS OU 
INDEPENDENTES BENS ACESSÓRIOS OU DEPENDENTES
Artigo 92 do CC/02
“(...) bens cuja existência e finalidade 
dependem de um outro bem, denominado 
bem principal.” Flávio Tartuce, op. cit., p. 204. 
• Aplicação do PRINCÍPIO DA 
GRAVITAÇÃO JURÍDICA – “acessorium 
sequeatur principale” (regra geral, o 
bem acessório segue o principal)
Exemplos: frutos, produtos, pertenças 
(artigo 93/94 do CC/02), partes integrantes, 
benfeitorias (artigo 96 do CC/02)
FRUTOS quanto a sua origem Naturais
Industriais
Civis (rendimentos)
FRUTOS quanto ao estado em que se 
encontram
Pendentes
Percebidos
Estantes
Percepiendos
Consumidos
• PERTENÇAS – (res annexa) bens acessórios sui generis 
(possuem uma individualidade peculiar). Não há incorporação 
à coisa principal, no sentido genuíno do termo. Por tal 
razão, regra geral, não se aplica às pertenças o Princípio da 
Gravitação Jurídica. Admite-se uma classificação dentro da 
categoria das pertenças, qual seja:
 » Pertenças essenciais – o professor Flávio Tartuce afirma 
que, neste caso, quando o bem for móvel, tratar-se-á de 
um imóvel por acessão intelectual, submetendo-se ao 
princípio da gravitação jurídica. (exemplo de Maria Helena 
Diniz: piano em um conservatório musical)
 » Pertenças não essenciais – conceito tradicional de bem 
acessório que serve ao uso, ao serviço ou aformoseamento 
de outro. Exemplo: as cortinas de uma casa, o aparelho 
externo de ar condicionado.
• PARTES INTEGRANTES – “(...) são desprovidas de existência 
material própria.” Flávio Tartuce, op. cit., p. 206.
• BENFEITORIAS – (não confundir com as acessões artificiais 
ou industriais = construções e plantações – vide artigo 97 do 
CC/02). Subdividem-se em:
a. Necessárias – caráter de essencialidade.
b. Úteis – tornam a coisa mais útil (aumento ou facilitação 
do uso da coisa)
c. Voluptuárias – visam o luxo, o lazer, o aformoseamento, 
o deleite.
3
Direito Civil | Raquel Bueno
STJ - RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO 
DE CAMINHÃO, DADO EM GARANTIA FIDUCIÁRIA EM 
CONTRATO DE EMPRÉSTIMO. PROCEDÊNCIA, DECORRENTE DO 
INADIMPLEMENTO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO EQUIPAMENTO 
DE MONITORAMENTO ACOPLADO AO CAMINHÃO. PERTENÇA. 
RESTITUIÇÃO AO DEVEDOR FIDUCIÁRIO. NECESSIDADE. RECURSO 
ESPECIAL PROVIDO. 
1. Ainda que se aplique aos bens acessórios a máxima de direito, 
segundo a qual “o acessório segue o principal”, o Código Civil 
conferiu tratamento distinto e específico às pertenças, as 
quais, embora tidas como bens acessórios, pois, destinadas, 
de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento 
de um bem principal, sem dele fazer parte integrante, não 
seguem a sorte deste, salvo se houver expressa manifestação 
de vontadenesse sentido, se a lei assim dispuser ou se, a partir 
das circunstâncias do caso, tal solução for a indicada. 
2. O equipamento de monitoramento acoplado ao caminhão 
consubstancia uma pertença, a qual atende, de modo 
duradouro, à finalidade econômico-social do referido veículo, 
destinando-se a promover a sua localização e, assim, reduzir 
os riscos de perecimento produzidos por eventuais furtos 
e roubos, a que, comumente, estão sujeitos os veículos 
utilizados para o transporte de mercadorias, caso dos autos. 
Trata-se, indiscutivelmente, de “coisa ajudante” que atende ao 
uso do bem principal. Enquanto concebido como pertença, a 
destinação fática do equipamento de monitoramento em servir 
o caminhão não lhe suprime a individualidade e autonomia o 
que permite, facilmente, a sua retirada , tampouco exaure os 
direitos sobre ela incidentes, como o direito de propriedade, 
outros direitos reais ou o de posse.
2.1 O inadimplemento do contrato de empréstimo para 
aquisição de caminhão dado em garantia, a despeito de importar 
na consolidação da propriedade do mencionado veículo nas 
mãos do credor fiduciante, não conduz ao perdimento da 
pertença em favor deste. O equipamento de monitoramento, 
independentemente do destino do caminhão, permanece 
com a propriedade de seu titular, o devedor fiduciário, ou em 
sua posse, a depender do título que ostente, salvo se houver 
expressa manifestação de vontade nesse sentido, se a lei 
assim dispuser ou se, a partir das circunstâncias do caso, tal 
solução for a indicada, exceções de que, no caso dos autos, 
não se cogita.
2.3 O contrato de financiamento de veículo, garantido 
por alienação fiduciária, ao descrever o veículo, objeto 
da avença, não faz nenhuma referência à existência do 
aludido equipamento e, por consectário, não poderia tecer 
consideração alguma quanto ao seu destino. Por sua vez, o 
auto de busca e apreensão, ao descrever o veículo, aponta 
a existência do equipamento de monitoramento, o que, 
considerada a circunstância anterior, é suficiente para se 
chegar a compreensão de que foi o devedor fiduciário o 
responsável por sua colocação no caminhão por ele financiado. 
3. Recurso especial provido. (REsp 1667227/RS, Rel. Ministro 
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 
26/06/2018, DJe 29/06/2018)
STJ - RECURSO ESPECIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. 
AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. APARELHOS DE ADAPTAÇÃO 
PARA CONDUÇÃO VEICULAR POR DEFICIENTE FÍSICO OU COM 
MOBILIDADE REDUZIDA. PERTENÇAS QUE NÃO SEGUEM O DESTINO 
DO PRINCIPAL (CARRO). DIREITO DE RETIRADA DAS ADAPTAÇÕES. 
SOLIDARIEDADE SOCIAL. CF/1988 E LEI N. 13.146/2015.
4. Segundo lição de conceituada doutrina e a partir da classificação 
feita pelo Código Civil de 2002, bem principal é o que existe 
por si, exercendo sua função e finalidade, independentemente 
de outro; e acessório é o que supõe um principal para existir 
juridicamente.
3. Os instrumentos de adaptação para condução veicular por 
deficiente físico, em relação ao carro principal, onde estão 
acoplados, enquanto bens, classificam-se como pertenças, e 
por não serem parte integrante do bem principal, não devem 
ser alcançados pelo negócio jurídico que o envolver, a não ser 
que haja imposição legal, ou manifestação das partes nesse 
sentido.
4. É direito do devedor fiduciante retirar os aparelhos de 
adaptação para direção por deficiente físico, se anexados 
ao bem principal, por adaptação, em momento posterior à 
celebração do pacto fiduciário.
5. O direito de retirada dos equipamentos se fundamenta, 
da mesma forma, na solidariedade social verificada na 
Constituição Brasileira de 1988 e na Lei n. 13.146 de 2015, 
que previu o direito ao transporte e à mobilidade da pessoa 
com deficiência ou com mobilidade reduzida, assim como no 
preceito legal que veda o enriquecimento sem causa.
6. Recurso especial provido. (REsp 1305183/SP, Rel. Ministro LUIS 
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/2016, 
DJe 21/11/2016)
8. Quanto ao titular do domínio
BENS PARTICULARES
OU PRIVADOS BENS PÚBLICOS OU DO ESTADO
Artigo 98 do CC/02
Enunciado 287 da JDC e artigo 99-102 do 
CC/02
Subdivisão:
a. Bens públicos de uso geral ou 
comum do povo (praças, mares, 
rios, ruas, estradas, jardins, etc.)
b. Bens públicos de uso especial 
– AFETAÇÃO (prédios e 
repartições públicas)
c. Bens dominiais ou dominicais – 
patrimônio disponível e alienável 
(terras devolutas, terrenos de 
marinha, estradas de ferro, etc).
OBSERVAÇÃO - Item a e b = bens do domínio 
público do Estado
Item c = bens do domínio privado do 
Estado.
STJ - RECURSO ESPECIAL. CIVIL. USUCAPIÃO DE BEM PÚBLICO. 
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO - SFH. COLISÃO DE 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. DIREITO À MORADIA E SUPREMACIA 
DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PARTICULAR. IMÓVEL 
ABANDONADO. PRESCRIÇÃO AQUISITIVA. IMPOSSIBILIDADE.
4
Direito Civil | Raquel Bueno
1. Recurso especial interposto em 12/7/2019 e concluso ao 
gabinete em 19/8/2020.
2. Na origem, cuida-se de embargos de terceiro, opostos pelos 
ora recorrentes, por meio do qual pretendem a manutenção 
na posse do imóvel público objeto da lide, ao argumento de 
ocorrência de usucapião.
3. O propósito recursal consiste em dizer se seria possível 
reconhecer a prescrição aquisitiva de imóveis financiados pelo 
SFH, quando ocorre o abandono da construção pela CEF.
4. Regra geral, doutrina e jurisprudência, seguindo o disposto 
no parágrafo 3º do art. 183 e no parágrafo único do art. 191 
da Constituição Federal de 1988, bem como no art. 102 do 
Código Civil e no enunciado da Súmula nº 340 do Supremo 
Tribunal Federal, entendem pela absoluta impossibilidade de 
usucapião de bens públicos.
5. O imóvel vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, porque 
afetado à prestação de serviço público, deve ser tratado como 
bem público, sendo, pois, imprescritível. Precedentes.
6. Na eventual colisão de direitos fundamentais, como o 
de moradia e o da supremacia do interesse público, deve 
prevalecer, em regra, este último, norteador do sistema 
jurídico brasileiro, porquanto a prevalência dos direitos da 
coletividade sobre os interesses particulares é pressuposto 
lógico de qualquer ordem social estável.
7. Mesmo o eventual abandono de imóvel público não possui 
o condão de alterar a natureza jurídica que o permeia, pois 
não é possível confundir a usucapião de bem público com a 
responsabilidade da Administração pelo abandono de bem 
público. Com efeito, regra geral, o bem público é indisponível.
8. Na hipótese dos autos, é possível depreender que o imóvel 
foi adquirido com recursos públicos pertencentes ao Sistema 
Financeiro Habitacional, com capital 100% (cem por cento) 
público, destinado à resolução do problema habitacional no 
país, não sendo admitida, portanto, a prescrição aquisitiva.
9. Eventual inércia dos gestores públicos, ao longo do tempo, não 
pode servir de justificativa para perpetuar a ocupação ilícita 
de área pública, sob pena de se chancelar ilegais situações de 
invasão de terras.
10. Não se pode olvidar, ainda, que os imóveis públicos, mesmo 
desocupados, possuem finalidade específica (atender a 
eventuais necessidades da Administração Pública) ou genérica 
(realizar o planejamento urbano ou a reforma agrária). 
Significa dizer que, aceitar a usucapião de imóveis públicos, 
com fundamento na dignidade humana do usucapiente, é 
esquecer-se da dignidade dos destinatários da reforma 
agrária, do planejamento urbano ou de eventuais beneficiários 
da utilização do imóvel, segundo as necessidades da 
Administração Pública.
11. Recurso especial não provido. (REsp 1874632/AL, Rel. Ministra 
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/11/2021, 
DJe 29/11/2021)
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. 
RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. USUCAPIÃO 
ESPECIAL. IMÓVEL URBANO, FINANCIADO PELO SFH E COM 
GARANTIA HIPOTECÁRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. REQUISITOS 
LEGAIS À AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE. REFORMA DO JULGADO. 
SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA.
1. Inaplicabilidadedo NCPC neste julgamento ante os termos do 
Enunciado Administrativo nº 2 aprovado pelo Plenário do STJ na 
sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento 
no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março 
de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade 
na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então 
pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
2. Esta eg. Terceira Turma já consolidou o entendimento de que 
o imóvel da Caixa Econômica Federal vinculado ao Sistema 
Financeiro de Habitação, porque afetado à prestação de 
serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, 
pois, imprescritível (REsp nº 1.448.026/PE, Rel. Ministra 
NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe 21/11/2016).
3. No caso, a revisão do entendimento a que chegaram as 
instâncias ordinárias acerca do preenchimento dos requisitos 
autorizadores e necessários para que o imóvel urbano fosse 
adquirido por usucapião, seria necessário o reexame dos 
elementos fático-probatórios dos autos, soberanamente 
delineados pelas instâncias de base, o que é defeso nesta fase 
recursal a teor da Súmula nº 7 desta Corte.
4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de 
evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela 
decisão agravada, o presente recurso não se revela apto a 
alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser 
integralmente mantido em seus próprios termos.
5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1487677/AL, 
Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 
27/04/2017, DJe 22/05/2017)
• OUTRAS CLASSIFICAÇÕES IMPORTANTES
 » Bem difuso – bem ambiental (artigo 225 da CF/88).
 » Res nullius/Res derelicta (coisas de ninguém)
2. BEM DE FAMÍLIA
LEI 8.009/90 – IMPENHORABILIDADE 
DO BEM DE FAMÍLIA LEGAL
Proteção do HOMESTEAD (local do lar) - Instituto nascido na 
República do Texas – Direito Norte Americano.
Proteção do direito social e fundamental à moradia (direito da 
personalidade) – artigo 6º, da CF/88
(PATRIMÔNIO MÍNIMO/MÍNIMO VITAL de Robert Alexy)
“É possível dizer que se trata de uma qualidade que se agrega a um 
bem imóvel e seus móveis, imunizando-os em relação a credores, 
como forma de proteger a família que nele reside.” 
Fls. 627. Maria Berenice Dias (Manual de Direito das 
Famílias, 9ª edição, Revista dos Tribunais)
5
Direito Civil | Raquel Bueno
3. ESPÉCIES DE BEM DE FAMÍLIA
3.1. Bem de Família Convencional ou 
voluntário – 1711 – 1722 do CC/02
Quem pode instituí-lo?
Cônjuges, entidade familiar e terceiros.
Forma ou modo de instituição
Escritura pública/testamento
Limites
1/3 do patrimônio líquido da pessoa que o instituiu (proteção 
de credores)
• Torna o bem impenhorável e inalienável
3.2. Bem de Família Legal 
Proteção automática, independentemente de inscrição do imóvel 
residencial (urbano ou rural), no Cartório de Imóveis.
Lei 8009/90 - . 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou 
da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por 
qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou 
de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou 
filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas 
hipóteses previstas nesta lei.
Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel 
sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as 
benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, 
inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a 
casa, desde que quitados.
Súmula 364 do STJ - “O conceito de impenhorabilidade de bem 
de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas 
solteiras, separadas e viúvas.”
Súmula 205 do STJ - 1 - Súmula 205/STJ - 20/04/1998 - 
Penhora. Execução. Hermenêutica. Impenhorabilidade do bem 
de família. Lei 8.009/90. Aplicação imediata.
A Lei 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua 
vigência.
RETROATIVIDADE MOTIVADA OU JUSTIFICADA
Art. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de 
transporte, obras de arte e adornos suntuosos.
Parágrafo único. No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade 
aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência 
e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto 
neste artigo.
A jurisprudência do STJ tem reconhecido a proteção do bem de 
família legal para os seguintes bens móveis quitados: televisão, 
freezer, computador, ar condicionado e até mesmo um teclado 
musical – REsp 218.882/SP).
“(...) Leciona Theotonio Negrão que, de acordo com a Lei 
8.009/90, a jurisprudência tem considerado impenhoráveis, 
quando guarnecem a residência do devedor, os seguintes bens: 
aparelhos de som e de televisão, armários de cozinha; dormitório; 
estofados; fogão; freezer e geladeira; guarda-roupas; jogo de 
jantar; máquina de lavar louças e roupas; passadora e secadora 
de roupas; micro-ondas, teclado musical (Código de Processo 
Civil..., 39. ed., 2007, p. 1.310. Por outro lado, são considerados 
penhoráveis: aparelho de ar-condicionado, telefone sem fio, 
filmadora, máquina fotográfica, aparelhos elétricos e eletrônicos 
sofisticados, bicicletas e piscina de fibra de vidro. Alguns desses 
bens são reputados como bens suntuosos pela jurisprudência.” 
Flávio Tartuce, Direito Civil: Direito de Família, 15ª edição, p. 746, 
2020, Editora Forense, Rio de Janeiro..
Bens móveis em duplicidade: Recurso Especial 875.687/RS e 
AgRg no REsp. 606.301/RJ
Caso do teclado musical -PROCESSUAL CIVIL. LEI 8.009/90. 
BEM DE FAMÍLIA. HERMENÊUTICA.FREEZER, MÁQUINA DE 
LAVAR E SECAR ROUPAS E MICROONDAS.IMPENHORABILIDADE. 
TECLADO MUSICAL. ESCOPOS POLÍTICO E SOCIAL DO PROCESSO. 
HERMENÊUTICA. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.I - Não 
obstante noticiem os autos não ser ele utilizado como atividade 
profissional, mas apenas como instrumento de aprendizagem 
de uma das filhas do executado, parece-me mais razoável que, 
em uma sociedade marcadamente violenta como a atual, seja 
valorizada a conduta dos que se dedicam aos instrumentos 
musicais, sobretudo quando sem o objetivo do lucro, por tudo que 
a música representa, notadamente em um lar e na formação dos 
filhos, a dispensar maiores considerações. Ademais, não seria 
um mero teclado musical que iria contribuir para o equilíbrio das 
finanças de um banco. O processo, como cediço, não tem escopo 
apenas jurídico, mas também político (no seu sentido mais alto) 
e social.II - A Lei 8.009/90, ao dispor que são impenhoráveis os 
equipamentos que guarnecem a residência, inclusive móveis, não 
abarca tão-somente os indispensáveis à moradia, mas também 
aqueles que usualmente a integram e que não se qualificam como 
objetos de luxo ou adorno.III -Ao juiz, em sua função de intérprete 
e aplicador da lei, em atenção aos fins sociais a que ela se dirige 
e às exigências do bem comum, como admiravelmente adverte o 
art. 5º, LICC, incumbe dar exegese construtiva e valorativa, que se 
afeiçoe aos seus fins teleológicos, sabido que ela deve refletir não 
só os valores que a inspiraram mas também as transformações 
culturais e sócio-políticas da sociedade a que se destina.(REsp 
218.882/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, 
QUARTA TURMA, julgado em 02/09/1999, DJ 25/10/1999, p. 92)
SÚMULA 486 STJ - É impenhorável o único imóvel residencial do 
devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida 
com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia 
da sua família. Data da Publicação - DJ-e 1-8-2012
BEM DE FAMÍLIA – IMÓVEL LOCADO – IMPENHORABILIDADE 
– INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA LEI Nº 8.009/90.O fato 
de o único imóvel residencial vir a ser alugado não o desnatura 
como bem de família, quando comprovado que a renda auferida 
destina-se à subsistência da família.Recurso especial provido.
(REsp 439.920/SP, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 11/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 280).
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BEM DE FAMÍLIA INDIRETO
Penhora de imóvel – bem de família – locação a terceiros – STJ 
– AGA 385692/RS. (Recursos Especiais 114.119RS, 302.781/SP, 
159.213/ES e 183.042/AL)Único imóvel do devedor em usufruto (moradia da mãe idosa) 
REsp. 950.663/SC
PROCESSO CIVIL – PENHORA – BEM DE FAMÍLIA – LEI N. 8.009/90 
– REEXAME DE PROVA – SÚMULA 7/STJ – AGRAVO REGIMENTAL 
IMPROVIDO.1. Esta Corte Superior assentou entendimento de que 
é possível a afetação da impenhorabilidade do imóvel em razão 
da Lei n. 8.009/90, ainda que o imóvel esteja locado a terceiros.2. 
Todavia, in casu, o Tribunal de origem destacou que o agravante 
‘não demonstra que utilize efetivamente a renda de seu imóvel, 
locado para fins comerciais, para pagamento de seu aluguel 
residencial. Incumbia-lhe, além do ônus da alegação do fato na 
petição inicial, o ônus da prova de sua veracidade’.3. Documento 
comprobatório da situação jurídica do imóvel (contrato de 
locação) juntado aos autos apenas por ocasião da interposição 
do recurso especial, operando-se a preclusão temporal.4. Aferir 
a destinação dada ao imóvel demanda a reanálise do contexto 
fático-probatório dos autos, o que é defeso a este Tribunal em 
vista do óbice da Súmula 7/STJ: A pretensão de simples reexame de 
prova não enseja recurso especial.Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 975.858/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2007, DJ 07/12/2007, p. 356).
“constitui bem de família, insuscetível de penhora, o único imóvel 
residencial do devedor em que resida seu familiar, ainda que o 
proprietário nele não habite.” EREsp. 1.216.187/SC
DESTAQUES RELEVANTES SOBRE O TEMA
BEM DE FAMÍLIA VAZIO – Direito à moradia potencial – Recurso 
Especial 825.660 SP. 
Bem de Família de elevado valor – Recurso Especial 326.171/GO 
e Recurso Especial 1.351.571/SP.
Ver a Ferramenta Jurisprudência em Teses – Edição 44. (Leitura 
obrigatória)
1. A impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, III, 
da Lei n. 8.009/90 não pode ser oposta ao credor de pensão 
alimentícia decorrente de vínculo familiar ou de ato ilícito.
2. Os integrantes da entidade familiar residentes no imóvel 
protegido pela Lei n. 8.009/90 possuem legitimidade para se 
insurgirem contra a penhora do bem de família.
3. A proteção contida na Lei n. 8.009/1990 alcança não apenas o 
imóvel da família, mas também os bens móveis indispensáveis 
à habitabilidade de uma residência e os usualmente mantidos 
em um lar comum.
4. É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que 
esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a 
locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua 
família (Súmula n. 486/STJ).
5. A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de 
imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. 
(Súmula n. 449/STJ)
6. O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas 
e viúvas. (Súmula n. 364/STJ)
7. A impenhorabilidade do bem de família é oponível às execuções 
de sentenças cíveis decorrrentes de atos ilícitos, salvo se 
decorrente de ilícito previamente reconhecido na esfera penal.
8. A exceção à impenhorabilidade prevista no artigo 3º, II, da Lei 
n. 8.009/90 abrange o imóvel objeto do contrato de promessa 
de compra e venda inadimplido.
9. É possível a penhora do bem de família para assegurar o 
pagamento de dívidas oriundas de despesas condominiais do 
próprio bem.
10. O fato do terreno encontrar-se desocupado ou não edificado 
são circunstâncias que sozinhas não obstam a qualificação do 
imóvel como bem de família, devendo ser perquirida, caso a 
caso, a finalidade a este atribuída.
11. Afasta-se a proteção conferida pela Lei n. 8.009/90 ao bem de 
família, quando caracterizado abuso do direito de propriedade, 
violação da boa-fé objetiva e fraude à execução.
12. A impenhorabilidade do bem de família hipotecado não pode 
ser oposta nos casos em que a dívida garantida se reverteu em 
proveito da entidade familiar.
13. A impenhorabilidade do bem de família não impede seu 
arrolamento fiscal.
14. A preclusão consumativa atinge a alegação de 
impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão 
anterior acerca do tema.
15. É legítima a penhora de apontado bem de família pertencente 
a fiador de contrato de locação, ante o que dispõe o art. 3º, 
inciso VII, da Lei n. 8.009/1990 (Tese julgada sob o rito do art. 
543-C do CPC/1973 - TEMA 708)(Súmula n. 549/STJ)
16. É possível a penhora do bem de família de fiador de contrato 
de locação, mesmo quando pactuado antes da vigência da Lei n. 
8.245/91, que acrescentou o inciso VII ao art. 3º da Lei n. 8.009/90. 
17. A impenhorabilidade do bem de família é questão de ordem 
pública, razão pela qual não admite renúncia pelo titular.
18. A impenhorabilidade do bem de família pode ser alegada em 
qualquer momento processual até a sua arrematação, ainda 
que por meio de simples petição nos autos.
19. A Lei n. 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua 
vigência. (Súmula n. 205/STJ)
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ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL 
RECONHECIDO COMO BEM DE FAMÍLIA
DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE 
NULIDADE DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 
DE BEM IMÓVEL RECONHECIDO COMO BEM DE FAMÍLIA. 
POSSIBILIDADE. CONDUTA QUE FERE A ÉTICA E A BOA-FÉ. 
1. Ação declaratória de nulidade de alienação fiduciária de imóvel 
reconhecido como bem de família.
2. Ação ajuizada em 23/08/2013. Recurso especial concluso ao 
gabinete em 26/08/2016. Julgamento: CPC/73.
3. O propósito recursal é dizer se é válida a alienação fiduciária 
de imóvel reconhecido como bem de família.
4. A questão da proteção indiscriminada do bem de família ganha 
novas luzes quando confrontada com condutas que vão de 
encontro à própria ética e à boa-fé, que devem permear todas 
as relações negociais.
5. Não pode o devedor ofertar bem em garantia que é sabidamente 
residência familiar para, posteriormente, vir a informar que 
tal garantia não encontra respaldo legal, pugnando pela sua 
exclusão (vedação ao comportamento contraditório).
6. Tem-se, assim, a ponderação da proteção irrestrita ao bem de 
família, tendo em vista a necessidade de se vedar, também, as 
atitudes que atentem contra a boa-fé e a eticidade, ínsitas às 
relações negociais. 
7. Ademais, tem-se que a própria Lei 8.009/90, com o escopo de 
proteger o bem destinado à residência familiar, aduz que o 
imóvel assim categorizado não responderá por qualquer tipo 
de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra 
natureza, mas em nenhuma passagem dispõe que tal bem não 
possa ser alienado pelo seu proprietário.
8. Não se pode concluir que o bem de família legal seja inalienável 
e, por conseguinte, que não possa ser alienado fiduciariamente 
por seu proprietário, se assim for de sua vontade, nos termos 
do art. 22 da Lei 9.514/97.
9. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp 1560562/SC, 
Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 
02/04/2019, DJe 04/04/2019)
Ver também REsp. 1.677.079/SP
E a vaga de garagem? “a vaga de garagem que possua matrícula 
própria no registro de imóveis não constitui bem de família, 
podendo, portanto, ser penhorada.” Súmula 449 do STJ.
3.3. Exceções!
Art. 3º Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer 
processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou 
de outra natureza, salvo se movido:
I. em razão dos créditos de trabalhadores da 
própria residência e das respectivas contribuições 
previdenciárias; (Revogado pela Lei Complementar nº 
150, de 2015)
II. pelo titular do crédito decorrente do financiamento 
destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no 
limite dos créditos e acréscimos constituídos em função 
do respectivo contrato; Recurso Especial 1.658.601/SP e 
Recurso Especial 1.221.372/RS.
III. pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os 
direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o 
devedor, integre união estável ou conjugal, observadas 
as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; 
(Redação dada pela Lei nº 13.144 de 2015) 
 » Inclui os alimentosressarcitórios – Recurso Especial 
1.186.228/RS
 » Não se inclui entre tais débitos alimentares os honorários 
advocatícios – Recurso Especial 1.826.108/MS
IV. para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e 
contribuições devidas em função do imóvel familiar;
STF, RE 439.003/SP
STJ, REsp. 1.324.107/SP e REsp. 1.473.484/RS
V. para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como 
garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;
Ver AgRg no Ag 597.243/GO; REsp. 1.115.265/RS; REsp. 
1.455.554/RN, e EAREsp 848.498/PR.
VI. por ter sido adquirido com produto de crime ou 
para execução de sentença penal condenatória a 
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
Recurso Especial 711.889/PR e Recurso Especial 1.091.236/RJ 
(mudança do primeiro entendimento)
VII. por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato 
de locação. (Incluído pela Lei nº 8.245, de 1991)
Súmula 549 do STJ - É válida a penhora de bem de família 
pertencente a fiador de contrato de locação.
STF, RE 352.940/SP. STJ, REsp. 699.837/RS, REsp. 1.363.368/MS
VIII. Devedor que atua de má-fé, alienando todos os seus bens 
e fazendo restar apenas o imóvel de residência - REsp. 
1.299.580/RJ, REsp. 1.364.509/RS e REsp.1.575.243/DF.
EXERCÍCIOS
1. (FGV 2021) Quando os credores de Mariana investigaram 
o seu patrimônio, identificaram os seguintes bens: crédito 
decorrente de contrato de empréstimo feito a sua irmã; 
automóvel ano 2018 placa XXX9999; material de construção 
que adquirira para construir um casebre no terreno de sua 
irmã; direito à sucessão aberta de sua mãe, pois ainda se 
encontra em andamento o respectivo inventário e partilha; 
usufruto de ações de titularidade de sua irmã. 
Entre esses bens, considera-se imóvel:
a. o crédito decorrente de contrato de empréstimo feito a 
sua irmã;
b. o automóvel ano 2018 placa XXX9999;
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c. o material de construção que adquirira para construir um 
casebre no terreno de sua irmã;
d. o direito à sucessão aberta de sua mãe, pois ainda 
se encontra em andamento o respectivo inventário e 
partilha;
e. o usufruto de ações de titularidade de sua irmã.
2. (FGV 2021) Gilvan resolveu adaptar um antigo moinho para, 
mantendo-o com sua arquitetura histórica, transformá-
lo também em uma turbina eólica. Para tanto, chamou a 
restauradora de vidros de janelas antigas Maria, que os retirou 
para depois reinseri-los nas mesmas janelas, realizando a 
sua manutenção. Contratou também Roberto para fabricar 
tijolos artesanais idênticos aos originais, mas no final não foi 
necessário empregá-los na construção.
No que concerne à classificação dos bens considerados em si 
mesmos, a energia eólica, os vidros em restauração e os tijolos 
artesanais podem ser classificados, respectivamente, como:
a. bem imóvel, bens imóveis, bens móveis;
b. bem móvel, bens móveis, bens imóveis;
c. bem imóvel, bens imóveis, bens imóveis;
d. bem móvel, bens imóveis e bens móveis;
e. bem móvel, bens móveis e bens móveis.
3. (FGV 2021) Segundo o Código Civil, os bens que compõem 
o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, são
a. bens particulares afetados ao serviço público.
b. bens públicos de uso comum não sujeitos a usucapião.
c. bens públicos dominicais que estão sujeitos a usucapião.
d. bens públicos de uso especial que podem ser alienados, 
observadas as exigências legais.
e. bens públicos dominicais que podem ser alienados, 
observadas as exigências legais.
4. (FGV 2020) Virgulino leva um estilo de vida livre e não gosta 
de se prender a bens materiais. Não tem residência fixa e anda 
pelo Estado vivendo de trabalhos temporários em cada cidade 
pela qual passa. Em Caxias do Sul, teve um desentendimento 
com Irineu, que culminou em vias de fato. Agora Irineu 
pretende acioná-lo judicialmente. Descobriu que depois da 
briga ele esteve em Canela, onde trabalhou em uma obra por 
alguns dias. Constatou também que ele tem uma namorada 
em Torres, a qual visita periodicamente. Por fim, soube que 
seus pais residem em Garibaldi, onde ele costuma passar as 
festas. 
Para efeitos legais, o domicílio de Virgulino será:
a. Caxias do Sul;
b. Canela;
c. Torres;
d. Garibaldi;
e. onde for encontrado.
5. (FGV 2020) O direito civil identifica e classifica os diferentes 
tipos de bens, com o objetivo de facilitar a aplicação do direito 
ao caso concreto. 
De acordo com o Código Civil brasileiro, é correto afirmar que 
os bens:
a. fungíveis e móveis podem ser substituídos por outros de 
mesma espécie e quantidade;
b. singulares incluem os que se consideram de per si 
independentemente dos demais, embora reunidos;
c. imóveis incluem tudo que for incorporado ao solo, desde 
que seja de forma natural, inclusive o próprio solo;
d. móveis são suscetíveis de movimento próprio sem 
alteração da substância ou destinação econômica e 
social, exceto os bens de remoção por força alheia;
e. divisíveis podem ser fracionados sem alterar sua 
substância, mesmo com diminuição considerável de valor, 
desde que sem prejuízo do uso a que se destina.
6. (FGV 2018) Danilo, dentista, residente no Rio de Janeiro, 
resolve estabelecer consultório na comarca de Sapucaia, onde 
passa a exercer sua profissão, de segunda a quinta-feira, ali 
formando sua clientela. 
Nessa situação, assinale a afirmativa correta.
a. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece 
sua residência, independentemente de ânimo definitivo.
b. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações 
concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida.
c. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, 
apenas um destes constituirá domicílio para todas as 
relações correspondentes.
d. Ter-se-á em relação à pessoa natural que não 
tenha residência habitual, a ausência de domicílio, 
independentemente do local onde possa ser encontrada
e. A mudança de domicílio decorre da mudança de residência, 
haja ou não intenção manifesta de o mudar
7. (FGV 2019) Gilberto, divorciado, pai de três filhos, faleceu 
aos 81 anos, deixando três imóveis e dois veículos. Segundo 
o Código Civil,
a. apenas os imóveis, individualmente considerados, são 
bens imóveis, diferentemente da totalidade do patrimônio 
do falecido.
b. todos os bens do patrimônio do falecido, inclusive os 
imóveis, são considerados bens fungíveis.
c. não se considera o patrimônio total do falecido uma 
universalidade de direitos dotada de valor econômico.
d. o direito à sucessão aberta, atribuído aos herdeiros de 
Gilberto em relação à universalidade de patrimônio deste, 
é considerado bem imóvel.
e. não se pode dizer que os imóveis, considerados em si, são 
bens singulares.
8. (FGV 2019) A concessionária WYZ instalou algumas torres 
em imóvel concedido pelo Estado, as quais têm utilidade de 
transmitir energia para as residências de determinado bairro. 
A energia transmitida, segundo o que dispõe o Código Civil, é 
considerada
a. bem móvel.
b. bem dominical.
c. bem acessório às torres.
d. bem público de uso comum.
e. bem imóvel.
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Direito Civil | Raquel Bueno
9. (FGV 2019) Um determinado prédio histórico de Salvador 
passa por reformas. Para tanto, são retiradas algumas de suas 
janelas e partes do piso de algumas áreas. Após determinados 
procedimentos, tais materiais serão reintegrados ao imóvel. 
Segundo o Código Civil, essas janelas e partes do piso são bens
a. móveis
b. imóveis.
c. consumíveis
d. imóveis, mas, durante o período de retirada, móveis.
e. coletivos
10. (FGV 2019) O Código Civil conceitua que são públicos os bens 
do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de 
direito público interno; todos os outros são particulares, seja 
qual for a pessoa a que pertencerem. 
Neste sentido, o mesmo diploma legal estabelece que o uso 
comum dos bens públicos
a. deve ser necessariamente retribuído, por meio de tarifa 
por parte dos particulares usuários.
b. deve ser necessariamente gratuito, já que tais bens 
pertencem a toda a sociedade de forma genérica.c. deve ser necessariamente oneroso, a fim de que toda a 
coletividade se beneficie.
d. pode ser gratuito ou retribuído, conforme decidir 
arbitrariamente o Secretário Municipal de Governo.
e. pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido 
legalmente pela entidade a cuja administração 
pertencerem.
11. (FGV 2025) Um crime que tenha por objeto coisa alheia móvel, 
remetendo à definição do Código Civil, não poderá incidir sobre 
a. a viga de aço extraída de ponte que fora implodida. 
b. o veículo integrante de herança ainda não partilhada.
c. o direito de crédito garantido por garantia imobiliária.
d. a árvore de elevado valor econômico plantada no quintal.
e. o material destinado à construção de um edifício, durante 
o transporte e depois da afetação à finalidade.
12. (FGV 2024) Bernardo Isaura, de 56 anos, possui um histórico 
de alcoolismo que vem se agravando ao longo do tempo, 
causando grande preocupação à sua família. Temendo 
o comprometimento de seu patrimônio, sobretudo após 
ele ter celebrado um contrato de empréstimo pessoal de 
elevado valor com uma instituição financeira, seus familiares 
consultam um renomado escritório de advocacia em Mato 
Grosso em busca de uma solução jurídica. 
Analise a situação apresentada e assinale a afirmativa correta.
a. Comprovada a condição de ébrio habitual de Bernardo, é 
possível sua interdição como relativamente incapaz.
b. Bernardo deve ser considerado como pródigo, sendo 
possível sua interdição como absolutamente incapaz.
c. É possível a interdição de Bernardo como absolutamente 
incapaz, desde que demonstrada a vulnerabilidade 
clínica.
d. Bernardo é relativamente incapaz, não necessitando de 
pronunciamento judicial, bastando depoimento pessoal 
dos familiares.
e. Caso a família tenha comprovação do alcoolismo de 
Bernardo, ele será interditado como absolutamente 
incapaz.
13. (FGV 2024) A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída 
pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades 
irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores 
e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, 
acionista principal de uma das corporações fornecedoras, 
descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs 
estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos 
do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso 
escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução 
jurídica adequada. 
Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
a. Com base na teoria menor, é possível a desconsideração 
da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado 
o abuso de personalidade, bastando a comprovação do 
débito.
b. O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência 
de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a 
desconsideração da personalidade jurídica.
c. A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração 
da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, 
que dispensa a prova de abuso da personalidade.
d. A desconsideração da personalidade jurídica não é 
cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos 
e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do 
quadro societário.
e. Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração 
da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se 
justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não 
para fornecedores e locadores.
14. (FGV 2024) A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída 
pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades 
irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores 
e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, 
acionista principal de uma das corporações fornecedoras, 
descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs 
estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos 
do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso 
escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução 
jurídica adequada. 
Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
a. Com base na teoria menor, é possível a desconsideração 
da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado 
o abuso de personalidade, bastando a comprovação do 
débito.
b. O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência 
de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a 
desconsideração da personalidade jurídica.
c. A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração 
da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, 
que dispensa a prova de abuso da personalidade.
d. A desconsideração da personalidade jurídica não é 
cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos 
e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do 
quadro societário.
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e. Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração 
da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se 
justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não 
para fornecedores e locadores.
15. (FGV 2024) Abolitio, famoso cinegrafista, resolveu contar a 
vida de Arresto, craque do futebol, em um documentário. Em 
determinada altura da narrativa, menciona-se Precatório, 
goleiro que teria tomado um vergonhoso drible de Arresto.
Ambos, Arresto e Precatório, processam Abolitio, demandando 
indenização por danos morais por violação a seus direitos 
autorais e de imagem. Nesse caso:
a. ambos os pedidos são improcedentes;
b. procede o pleito de Arresto, desde que provado o prejuízo, 
mas não o de Precatório; 
c. ambos os pedidos são procedentes, desde que haja prova 
do prejuízo sofrido por cada qual; 
d. procede o pleito de Arresto, independentemente de prova 
do prejuízo diante do intuito lucrativo, mas não o de 
Precatório;
e. ambos os pedidos são procedentes, dispensada prova do 
prejuízo sofrido por cada qual, diante do intuito lucrativo 
do documentário.
DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO 
INDENIZATÓRIA. DIREITO DE IMAGEM. OBRA AUDIOVISUAL 
BIOGRÁFICA. “MINISSÉRIE”. REPRESENTAÇÃO DO BIOGRAFADO 
E FAMILIARES POR ATORES CONTRATADOS. AUTORIZAÇÃO 
PRÉVIA. DESNECESSIDADE. USO INDEVIDO DA IMAGEM NÃO 
CARACTERIZADO. ART. 20 DO CÓDIGO CIVIL. INTERPRETAÇÃO 
CONFORME À CONSTITUIÇÃO. ADI Nº 4.815/DF. AGRAVO 
INTERNO DESPROVIDO.
1. Na hipótese, a parte agravante pretendeu a condenação 
da agravada ao pagamento de indenização por danos 
materiais e morais, em decorrência da produção e exibição 
de obra audiovisual biográfica, sob o pálio da inexistência 
de autorização prévia das pessoas retratadas.
2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI nº 
4.815/DF, deu interpretação conforme à Constituição, 
sem redução de texto, aos arts. 20 e 21 do Código Civil, 
reconhecendo ser inexigível a autorização de pessoa 
biografada relativamente a obras biográficas literárias ou 
audiovisuais bem como desnecessária a autorização de 
pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. 
3. Agravo interno desprovido.
(AgInt no REsp n. 1.459.915/AC, relator Ministro Raul Araújo, 
Quarta Turma, julgado em 1/10/2024, DJEN de 5/12/2024.)
16. (FGV 2024) Júlio, de 17 anos, reside permanentemente 
com seus pais em Belo Horizonte. No entanto, em razão da 
necessidade de gerir uma pequena sociedade empresária 
herdada de sua avó, foi recentemente emancipado e passa 
grande parte do tempo em São Paulo, onde aluga um 
apartamento para se hospedar durante os compromissos 
profissionais. Júlio recebe parte de sua correspondência 
comercial em São Paulo e também mantém documentos da 
empresa em seu escritório na cidade.
 Recentemente, ele foi citado em uma ação judicial em 
São Paulo, mas pretende questionar a validade da citação, 
argumentando que, por ser menor de idade e residir com os 
pais, seu domicílio é Belo Horizonte.
Com base no Código Civil Brasileiro, e nas disposições sobre 
domicílio e capacidade civil, é correto afirmar que
a. assiste razão a Júlio, pois é menor de idade e seu domicílio 
deve ser obrigatoriamente o local onde reside com os 
pais, em Belo Horizonte.
b. não assiste razão a Júlio, poismesmo sendo menor, tem 
capacidade plena por ser emancipado e pode ter São 
Paulo como domicílio para efeitos legais.
c. assiste razão a Júlio, pois independentemente da 
emancipação, possui domicílio único em Belo Horizonte, 
onde reside com os pais.
d. não assiste razão a Júlio, pois o domicílio de uma pessoa 
menor de idade é modificado por atividade empresarial.
e. assiste razão a Júlio, pois em razão da sua idade, não 
possui capacidade plena para responder em processos 
judiciais sem a presença dos pais.
17. (FGV2024) A Associação Cultural Horizonte, uma associação 
civil sem fins lucrativos, foi constituída com o objetivo de 
promover atividades culturais e artísticas. O estatuto da 
associação estabelece que qualquer alteração nas finalidades 
ou nos objetivos da entidade exige a aprovação de, no mínimo, 
dois terços dos associados. No entanto, alguns membros da 
associação desejam alterar o estatuto para transformar a 
entidade em uma organização voltada à defesa e promoção 
de interesses econômicos dos associados, com o propósito de 
desenvolver atividades que proporcionem retorno financeiro 
direto aos membros.
Considerando as normas do Código Civil sobre associações 
civis, assinale a afirmativa correta quanto à possibilidade de 
alteração da finalidade da Associação Cultural Horizonte. 
a. A transformação da Associação Cultural Horizonte em 
uma organização de defesa e promoção de interesses 
econômicos é permitida desde que todos os associados 
aprovem a alteração do estatuto.
b. A associação pode alterar livremente suas finalidades e 
objetivos, mesmo sem a aprovação dos associados, pois a 
vontade da maioria dos membros prevalece.
c. A Associação Cultural Horizonte, como qualquer 
associação civil, não pode ser transformada em uma 
organização voltada à defesa e promoção de interesses 
econômicos, pois o Código Civil não permite que 
associações civis tenham finalidades lucrativas.
d. A transformação da associação em uma organização de 
interesses econômicos é válida, desde que a alteração 
estatutária seja homologada pelo poder judiciário.
e. A transformação em uma associação de interesses 
econômicos é possível desde que a maioria simples dos 
associados presentes em assembleia aprove a alteração 
do estatuto.
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Direito Civil | Raquel Bueno
18. (FGV 2024) Carlos, proprietário de uma fazenda, decide 
transferir uma parte do terreno para seu sobrinho João. Essa 
parte inclui árvores frutíferas, uma casa de madeira e um 
lago artificial que foi construído para irrigação. Além disso, no 
terreno há uma colheitadeira que Carlos usa ocasionalmente 
e um sistema de irrigação fixo ligado ao solo. Durante a 
transferência, surgem dúvidas sobre a classificação desses 
bens de acordo com o Código Civil.
Com base nas disposições do Código Civil sobre a classificação 
dos bens, é correto afirmar que
a. as árvores frutíferas plantadas no terreno são 
classificadas como bens móveis, pois podem ser 
separadas do solo e transportadas.
b. a colheitadeira é classificada como bem imóvel, pois é 
utilizada diretamente nas atividades do terreno agrícola.
c. o sistema de irrigação fixo, ligado ao solo, é considerado 
um bem imóvel, pois integra-se de maneira permanente 
ao solo e atende à finalidade da propriedade.
d. o lago artificial, por ser uma estrutura criada 
artificialmente, é classificado como um bem móvel.
e. a casa de madeira é um bem móvel, pois, apesar de estar 
no terreno, não faz parte da propriedade rural em si e 
pode ser removida.
19. (FGV 2024) A empresa Beta Ltda., com sede declarada 
na cidade de São Paulo, possui diversas filiais em outras 
cidades e estados, incluindo uma filial no Rio de Janeiro e 
outra em Belo Horizonte. Em um processo judicial movido por 
um cliente insatisfeito com determinado serviço prestado 
exclusivamente pela filial do Rio de Janeiro, surge a questão 
de onde deve ser fixado o domicílio para efeitos do processo, 
considerando os artigos do Código Civil sobre o domicílio das 
pessoas jurídicas.
Com base nas disposições do Código Civil sobre o domicílio da 
pessoa jurídica, assinale a afirmativa correta.
a. O domicílio da empresa Beta Ltda., para todos os fins 
legais, é sempre a sua sede, localizada na cidade de São 
Paulo, independentemente de onde o serviço foi prestado.
b. A pessoa jurídica de direito privado, como a empresa 
Beta Ltda., pode ter como domicílio tanto a sede quanto 
a localização de qualquer uma de suas filiais, dependendo 
do local onde se desenvolvem suas atividades e 
obrigações específicas.
c. O domicílio, para efeitos de processos judiciais contra 
a empresa Beta Ltda., é exclusivamente o local da 
prestação de serviço, independentemente da existência 
de sede ou outras filiais.
d. Como a filial no Rio de Janeiro está localizada em um 
estado diferente da sede, o domicílio, para fins judiciais, 
será automaticamente a sede, pois somente esta pode 
ser considerada o domicílio principal da pessoa jurídica.
e. A empresa Beta Ltda. pode escolher, discricionariamente, 
qualquer local onde tenha uma filial para ser considerada 
como domicílio, independentemente da relação do local 
com o serviço questionado no processo.
20. (FGV 2024) Marina, 16 anos, celebrou um contrato de compra 
e venda de um bem móvel de alto valor, sem a assistência de 
seus pais ou representantes legais. Após alguns dias, sua 
mãe, ao tomar conhecimento do contrato, deseja anulá-lo, 
alegando que Marina não possuía capacidade para realizar tal 
negócio jurídico sozinha.
Considerando as disposições do Código Civil sobre capacidade, 
é correto afirmar que
a. Marina tem capacidade plena para realizar negócios 
jurídicos, pois, com 16 anos, já é considerada relativamente 
capaz e pode contratar sozinha.
b. Marina, por ser menor de idade, é absolutamente incapaz e 
todos os seus atos são considerados nulos, sem qualquer 
possibilidade de serem confirmados por representante 
legal.
c. Marina é relativamente incapaz para os atos da vida 
civil, portanto o contrato pode ser anulado, pois ela 
celebrou o negócio jurídico sem assistência dos pais ou de 
representante legal.
d. o contrato celebrado por Marina é automaticamente 
válido, pois o Código Civil permite que menores de idade 
celebrem contratos de compra e venda de bens móveis.
e. o contrato de compra e venda realizado por Marina é 
considerado inexistente, pois ela não possui capacidade 
civil para praticar atos da vida civil, independentemente 
do valor do bem.
21. (FGV 2024/MAGISTRATURA) Writ, adolescente emancipada 
de 17 anos, é diagnosticada com grave doença para qual a 
medicina prescreve um tratamento que, embora não cause 
risco de vida, é proibido em sua prática religiosa. 
Nesse caso, à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, é correto afirmar que Writ: 
a. não poderá recusar tratamento, porque a legislação civil, 
dentro da lógica constitucional de proteção à vida, só o 
permitiria caso houvesse risco a sua integridade; 
b. não poderá recusar tratamento por ser menor de idade, 
ainda que haja alternativa terapêutica eficaz sem risco, 
seja emancipada e com isso concordem seus pais;
c. poderá recusar tratamento, mesmo sendo menor de 
idade, ainda que não haja alternativa terapêutica eficaz 
e sem risco, desde que, com isso, concordem seus pais, 
cujo consentimento será essencial a despeito de ela ser 
emancipada;
d. não poderá recusar tratamento por ser menor de idade, 
ainda que seja emancipada, salvo se houver alternativa 
terapêutica eficaz e sem risco e se com isso concordarem 
seus pais; 
e. poderá recusar tratamento, mesmo sendo menor de 
idade, ainda que não haja alternativa terapêutica eficaz e 
sem risco e que seus pais não concordem com isso, porque 
a emancipação é suficiente para cumprir os requisitos 
previstos pela Suprema Corte.
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Direito Civil | Raquel Bueno
TEMA 952 STF - Ementa: Direito Constitucional e Administrativo. 
Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tratamento 
alternativo à transfusão de sangue para Testemunhasde 
Jeová. Desprovimento. I. Caso em exame 1. O recurso. Recurso 
extraordinário contra decisão que determinou ao poder público 
o custeio de cirurgia fora do domicílio para paciente Testemunha 
de Jeová, em hospital credenciado pelo Sistema Único de Saúde 
– SUS que realiza o procedimento necessário sem transfusão 
de sangue. 2. Fato relevante. O paciente recusou, por convicção 
religiosa, a realização de cirurgia no seu município pela 
perspectiva de, em caso de necessidade, ter de se submeter a 
transfusão de sangue. Ele era maior, capaz e não corria risco 
iminente de vida. II. Questão em discussão 3. A questão em 
discussão consiste em saber se o direito à liberdade religiosa 
justifica o custeio, pelo poder público, de tratamento médico 
alternativo compatível com as convicções religiosas do paciente, 
inclusive despesas de locomoção para ele e um acompanhante, 
quando o tratamento não estiver disponível na rede pública 
de seu domicílio. III. Razões de decidir 4. O direito à recusa de 
transfusão de sangue por convicção religiosa tem fundamento 
nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana 
e da liberdade de religião. A dignidade humana exige o respeito 
à autonomia individual na tomada de decisões sobre a saúde e 
o corpo. Já a garantia da liberdade religiosa impõe ao Estado 
a tarefa de proporcionar um ambiente institucional e jurídico 
adequado para que os indivíduos possam viver de acordo com os 
ritos, cultos e dogmas de sua fé, sem coerção ou discriminação. 
5. A recusa de transfusão de sangue somente pode ser 
manifestada em relação ao próprio interessado, sem estender-
se a terceiros, inclusive e notadamente filhos menores. Porém, 
havendo tratamento alternativo eficaz, conforme avaliação 
médica, os pais poderão optar por ele. 6. A Organização Mundial 
da Saúde – OMS recomenda a adoção dos procedimentos 
alternativos à transfusão de sangue. Em atenção a essa diretriz, 
outros recursos terapêuticos já são oferecidos pelo SUS. Apesar 
disso, ainda não estão disponíveis de forma ampla em todo o 
território nacional. Nesse contexto, o poder público deve adotar 
medidas para, progressivamente, tornar esses procedimentos 
disponíveis e capilarizados no país, de forma compatível com os 
princípios do acesso universal e igualitário às ações e serviços 
do SUS. 7. Em uma acomodação razoável entre os direitos à 
liberdade religiosa e à saúde, pacientes Testemunhas de Jeová 
fazem jus aos tratamentos alternativos já disponíveis no SUS, 
ainda quando não disponíveis em seu domicílio. Na hipótese 
em que os métodos de tratamento no local de residência não 
forem adequados, será cabível o tratamento fora do domicílio, 
conforme as normativas do Ministério da Saúde. 
IV. Dispositivo e tese 8. Recurso extraordinário a que se nega 
provimento. Tese de julgamento: “1. Testemunhas de Jeová, 
quando maiores e capazes, têm o direito de recusar procedimento 
médico que envolva transfusão de sangue, com base na autonomia 
individual e na liberdade religiosa. 2. Como consequência, em 
respeito ao direito à vida e à saúde, fazem jus aos procedimentos 
alternativos disponíveis no Sistema Único de Saúde – SUS, podendo, 
se necessário, recorrer a tratamento fora de seu domicílio.”
(RE 979742, Relator(a): LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal 
Pleno, julgado em 25-09-2024, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 25-11-2024 
PUBLIC 26-11-2024)
22. (FGV 2024) Lúcia de 45 anos e Cláudio de 53 anos, juntamente 
com seus filhos, Henrique de 23 anos, Lucas de 19 anos e Pedro 
de 15 anos, ao retornarem de uma viagem pelo litoral, se 
envolveram em grave acidente, envolvendo o carro da família 
e uma minivan que transportava 7 passageiros.
 O acidente resultou na morte simultânea de Lúcia e de 
Cláudio e de um jovem casal que estava na minivan. Ainda em 
razão do acidente, Lucas encontra-se em coma hospitalar e 
Henrique e Pedro sofreram apenas ferimentos leves.
 Diante das consequências do acidente, Henrique 
requereu e foi deferida a guarda de Pedro e a curatela de 
Lucas. Passado cerca de um ano do acidente, Pedro manifesta 
o desejo de ser emancipado.
Diante da situação hipotética narrada e de acordo com a 
legislação vigente, assinale a afirmativa correta.
a. Lúcia e Cláudio são comorientes e Lucas e Pedro são 
absolutamente incapazes.
b. Henrique, sendo o detentor da guarda de Lucas, poderá 
atender ao pedido do irmão, declarando a sua vontade 
por instrumento público, independentemente de 
homologação judicial.
c. Em razão da idade, presume-se que Cláudio tenha falecido 
antes de Lúcia, e Lucas, mesmo em coma, é relativamente 
incapaz.
d. A emancipação pretendida por Pedro só pode ser deferida 
judicialmente, desde que ele já tenha 16 anos completos.
e. Em razão do falecimento dos pais, Pedro só poderá ser 
emancipado judicialmente e mediante comprovação de 
que possui economia própria.
GABARITO
1-D 6-B 11-D 16-B 21-E
2-D 7-D 12-A 17-C 22-D
3-E 8-A 13-B 18-C
4-E 9-B 14-B 19-B
5-B 10-E 15-A 20-C

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