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Direito Civil Professora Raquel Bueno 1 BENS JURÍDICOS 1. BEM – OBJETO DE DIREITO RELAÇÃO JURÍDICA DE DIREITO MATERIAL Sujeito ativo ⬛ Sujeito passivo Objeto Patrimônio – “o complexo de relações jurídicas apreciáveis economicamente (ativas e passivas) de uma determinada pessoa. (...)” Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, Direito Civil: Teoria Geral, 4ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 312. Classificação adotada: Caio Mário da Silva Pereira e Orlando Gomes Bem – lato senso (gênero) Bem em sentido estrito – imaterial ou abstrato. Coisas – bens materiais ou concretos CONCEITO BÁSICO - “bens são coisas que, por serem úteis e raras, são suscetíveis de apropriação e contêm valor econômico.” Silvio Rodrigues, Direito Civil, 33.ed.. São Paulo: Saraiva, 2003, v. I, p. 116. TEORIA DO PATRIMÔNIO MÍNIMO/MÍNIMO VITAL Repersonalização do Direito Civil ou despatrimonialização do Direito Civil – é preciso assegurar um mínimo de direitos patrimoniais às pessoas, como forma de proteger o princípio estruturante de índole constitucional denominado Dignidade da Pessoa Humana. Súmula 364 STJ Artigo 548 do CC/02 – Nulidade da doação universal Lei 8.009/90 Recurso Especial 621.399/RS CLASSIFICAÇÃO DOS BENS 1. Quanto à tangibilidade Bens corpóreos, materiais ou tangíveis – possuem existência palpável e concreta. Bens Incorpóreos, imateriais ou intangíveis – possuem existência abstrata (direitos do autor, propriedade industrial, fundo empresarial, hipoteca, penhor e anticrese) 2. Quanto à mobilidade BENS IMÓVEIS – não admitem movimentação por comprometimento de sua essência. Artigos 79-81 do CC/02 BENS MÓVEIS – Podem ser transportados ou removidos por força própria ou de terceiro, sem comprometimento de sua essência ou destinação. Bem imóvel por natureza ou essência – o solo e tudo aquilo que se incorpora a ele naturalmente (solo com sua superfície, subsolo e espaço aéreo). Bem móvel por natureza ou essência – São os bens móveis propriamente ditos (artigo 81 do CC/02) e os semoventes (animais) Bem imóvel por acessão física industrial ou artificial – aquele bem incorporado ao solo permanentemente, por intervenção humana (construções e plantações) Bem móvel por antecipação – “(...) são os bens que eram imóveis, mas foram mobilizados por uma atividade humana.” Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, volume único, Editora Método: São Paulo, 6ª edição, 2016, p. 199. Exemplos: colheita de uma plantação e artigo 84 do CC/02, segunda parte. Bem imóvel por acessão física intelectual “(...) tudo que foi empregado intencionalmente para a exploração industrial, aformoseamento e comodidade.” (Maria Helena Diniz, Código Civil Anotado, 15.ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 129). Fala-se em ficção jurídica, já que se trata de um bem móvel que foi imobilizado por seu titular (Polêmica das PERTENÇAS ESSENCIAIS). Enunciado 11 e 535 das Jornadas de Direito Civil. Bem móvel por determinação legal – artigo 83 do CC/02 Exemplos: energia elétrica, sêmen do boi, direitos autorias (artigo 3º, da Lei 9.610/1998) Bem imóvel por disposição legal Direito à sucessão aberta Direitos reais sobre imóveis (hipoteca, penhor agrícola). NAVIOS E AERONAVES – bens móveis especiais ou sui generis, mas tratados pela lei como imóveis 2 Direito Civil | Raquel Bueno 3. Quanto à fungibilidade BENS INFUNGÍVEIS/ PERSONALIZADOS/ INDIVIDUALIZADOS BENS FUNGÍVEIS Não podem ser substituídos por outros bens de mesma espécie, quantidade e qualidade. OBSERVAÇÕES • Os bens infungíveis são objetos dos contratos de comodato. • Os bens imóveis são sempre infungíveis. Admitem substituição. Artigo 85 do Código Civil. OBSERVAÇÕES • Os bens fungíveis são objetos dos contratos de mútuo (exemplo do dinheiro). ATENÇÃO: comodato ad pompam vel ostentationem 4. Quanto à consuntibilidade A consuntibilidade pode ser: • fática (de fato ou física) – o consumo implica na destruição da coisa. • jurídica (de direito) – admite alienação. BENS CONSUMÍVEIS BENS INCONSUMÍVEIS Permitem a consuntibilidade física e/ou jurídica. Permitem reiteradas utilizações e/ ou são inalienáveis. ♥ Vide artigo 26 do CDC (bem durável e não durável) 5. Quanto à divisibilidade BENS DIVISÍVEIS BENS INDIVISÍVEIS Artigo 87 do CC/02. Sua divisão implica desvalorização ou perda de suas qualidades essenciais. Subdividem-se em: a. Indivisibilidade natural - b. Indivisibilidade legal – (herança, hipoteca e servidão). c. Indivisibilidade convencional - 6. Quanto à individualidade BENS SINGULARES OU INDIVIDUAIS BENS COLETIVOS OU UNIVERSAIS Artigo 89 do CC/02 Podem ser simples ou compostos. “(...) São os bens que se encontram agregados em um todo. Os bens coletivos são constituídos por várias coisas singulares, consideradas em conjunto e formando um todo individualizado. Os bens universais podem decorrer de uma união fática ou jurídica. (...)” Flávio Tartuce, op. cit., p. 202. • Universalidade fática ou de fato – artigo 90 do CC/02. • Universalidade de direito – artigo 91 do CC/02. Exemplos: patrimônio, herança/espólio, massa falida, etc. 7. Quanto à dependência em relação a outro bem (bens reciprocamente considerados) BENS PRINCIPAIS OU INDEPENDENTES BENS ACESSÓRIOS OU DEPENDENTES Artigo 92 do CC/02 “(...) bens cuja existência e finalidade dependem de um outro bem, denominado bem principal.” Flávio Tartuce, op. cit., p. 204. • Aplicação do PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA – “acessorium sequeatur principale” (regra geral, o bem acessório segue o principal) Exemplos: frutos, produtos, pertenças (artigo 93/94 do CC/02), partes integrantes, benfeitorias (artigo 96 do CC/02) FRUTOS quanto a sua origem Naturais Industriais Civis (rendimentos) FRUTOS quanto ao estado em que se encontram Pendentes Percebidos Estantes Percepiendos Consumidos • PERTENÇAS – (res annexa) bens acessórios sui generis (possuem uma individualidade peculiar). Não há incorporação à coisa principal, no sentido genuíno do termo. Por tal razão, regra geral, não se aplica às pertenças o Princípio da Gravitação Jurídica. Admite-se uma classificação dentro da categoria das pertenças, qual seja: » Pertenças essenciais – o professor Flávio Tartuce afirma que, neste caso, quando o bem for móvel, tratar-se-á de um imóvel por acessão intelectual, submetendo-se ao princípio da gravitação jurídica. (exemplo de Maria Helena Diniz: piano em um conservatório musical) » Pertenças não essenciais – conceito tradicional de bem acessório que serve ao uso, ao serviço ou aformoseamento de outro. Exemplo: as cortinas de uma casa, o aparelho externo de ar condicionado. • PARTES INTEGRANTES – “(...) são desprovidas de existência material própria.” Flávio Tartuce, op. cit., p. 206. • BENFEITORIAS – (não confundir com as acessões artificiais ou industriais = construções e plantações – vide artigo 97 do CC/02). Subdividem-se em: a. Necessárias – caráter de essencialidade. b. Úteis – tornam a coisa mais útil (aumento ou facilitação do uso da coisa) c. Voluptuárias – visam o luxo, o lazer, o aformoseamento, o deleite. 3 Direito Civil | Raquel Bueno STJ - RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO DE CAMINHÃO, DADO EM GARANTIA FIDUCIÁRIA EM CONTRATO DE EMPRÉSTIMO. PROCEDÊNCIA, DECORRENTE DO INADIMPLEMENTO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO EQUIPAMENTO DE MONITORAMENTO ACOPLADO AO CAMINHÃO. PERTENÇA. RESTITUIÇÃO AO DEVEDOR FIDUCIÁRIO. NECESSIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Ainda que se aplique aos bens acessórios a máxima de direito, segundo a qual “o acessório segue o principal”, o Código Civil conferiu tratamento distinto e específico às pertenças, as quais, embora tidas como bens acessórios, pois, destinadas, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de um bem principal, sem dele fazer parte integrante, não seguem a sorte deste, salvo se houver expressa manifestação de vontadenesse sentido, se a lei assim dispuser ou se, a partir das circunstâncias do caso, tal solução for a indicada. 2. O equipamento de monitoramento acoplado ao caminhão consubstancia uma pertença, a qual atende, de modo duradouro, à finalidade econômico-social do referido veículo, destinando-se a promover a sua localização e, assim, reduzir os riscos de perecimento produzidos por eventuais furtos e roubos, a que, comumente, estão sujeitos os veículos utilizados para o transporte de mercadorias, caso dos autos. Trata-se, indiscutivelmente, de “coisa ajudante” que atende ao uso do bem principal. Enquanto concebido como pertença, a destinação fática do equipamento de monitoramento em servir o caminhão não lhe suprime a individualidade e autonomia o que permite, facilmente, a sua retirada , tampouco exaure os direitos sobre ela incidentes, como o direito de propriedade, outros direitos reais ou o de posse. 2.1 O inadimplemento do contrato de empréstimo para aquisição de caminhão dado em garantia, a despeito de importar na consolidação da propriedade do mencionado veículo nas mãos do credor fiduciante, não conduz ao perdimento da pertença em favor deste. O equipamento de monitoramento, independentemente do destino do caminhão, permanece com a propriedade de seu titular, o devedor fiduciário, ou em sua posse, a depender do título que ostente, salvo se houver expressa manifestação de vontade nesse sentido, se a lei assim dispuser ou se, a partir das circunstâncias do caso, tal solução for a indicada, exceções de que, no caso dos autos, não se cogita. 2.3 O contrato de financiamento de veículo, garantido por alienação fiduciária, ao descrever o veículo, objeto da avença, não faz nenhuma referência à existência do aludido equipamento e, por consectário, não poderia tecer consideração alguma quanto ao seu destino. Por sua vez, o auto de busca e apreensão, ao descrever o veículo, aponta a existência do equipamento de monitoramento, o que, considerada a circunstância anterior, é suficiente para se chegar a compreensão de que foi o devedor fiduciário o responsável por sua colocação no caminhão por ele financiado. 3. Recurso especial provido. (REsp 1667227/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/06/2018, DJe 29/06/2018) STJ - RECURSO ESPECIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. APARELHOS DE ADAPTAÇÃO PARA CONDUÇÃO VEICULAR POR DEFICIENTE FÍSICO OU COM MOBILIDADE REDUZIDA. PERTENÇAS QUE NÃO SEGUEM O DESTINO DO PRINCIPAL (CARRO). DIREITO DE RETIRADA DAS ADAPTAÇÕES. SOLIDARIEDADE SOCIAL. CF/1988 E LEI N. 13.146/2015. 4. Segundo lição de conceituada doutrina e a partir da classificação feita pelo Código Civil de 2002, bem principal é o que existe por si, exercendo sua função e finalidade, independentemente de outro; e acessório é o que supõe um principal para existir juridicamente. 3. Os instrumentos de adaptação para condução veicular por deficiente físico, em relação ao carro principal, onde estão acoplados, enquanto bens, classificam-se como pertenças, e por não serem parte integrante do bem principal, não devem ser alcançados pelo negócio jurídico que o envolver, a não ser que haja imposição legal, ou manifestação das partes nesse sentido. 4. É direito do devedor fiduciante retirar os aparelhos de adaptação para direção por deficiente físico, se anexados ao bem principal, por adaptação, em momento posterior à celebração do pacto fiduciário. 5. O direito de retirada dos equipamentos se fundamenta, da mesma forma, na solidariedade social verificada na Constituição Brasileira de 1988 e na Lei n. 13.146 de 2015, que previu o direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, assim como no preceito legal que veda o enriquecimento sem causa. 6. Recurso especial provido. (REsp 1305183/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 21/11/2016) 8. Quanto ao titular do domínio BENS PARTICULARES OU PRIVADOS BENS PÚBLICOS OU DO ESTADO Artigo 98 do CC/02 Enunciado 287 da JDC e artigo 99-102 do CC/02 Subdivisão: a. Bens públicos de uso geral ou comum do povo (praças, mares, rios, ruas, estradas, jardins, etc.) b. Bens públicos de uso especial – AFETAÇÃO (prédios e repartições públicas) c. Bens dominiais ou dominicais – patrimônio disponível e alienável (terras devolutas, terrenos de marinha, estradas de ferro, etc). OBSERVAÇÃO - Item a e b = bens do domínio público do Estado Item c = bens do domínio privado do Estado. STJ - RECURSO ESPECIAL. CIVIL. USUCAPIÃO DE BEM PÚBLICO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO - SFH. COLISÃO DE PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. DIREITO À MORADIA E SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PARTICULAR. IMÓVEL ABANDONADO. PRESCRIÇÃO AQUISITIVA. IMPOSSIBILIDADE. 4 Direito Civil | Raquel Bueno 1. Recurso especial interposto em 12/7/2019 e concluso ao gabinete em 19/8/2020. 2. Na origem, cuida-se de embargos de terceiro, opostos pelos ora recorrentes, por meio do qual pretendem a manutenção na posse do imóvel público objeto da lide, ao argumento de ocorrência de usucapião. 3. O propósito recursal consiste em dizer se seria possível reconhecer a prescrição aquisitiva de imóveis financiados pelo SFH, quando ocorre o abandono da construção pela CEF. 4. Regra geral, doutrina e jurisprudência, seguindo o disposto no parágrafo 3º do art. 183 e no parágrafo único do art. 191 da Constituição Federal de 1988, bem como no art. 102 do Código Civil e no enunciado da Súmula nº 340 do Supremo Tribunal Federal, entendem pela absoluta impossibilidade de usucapião de bens públicos. 5. O imóvel vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, porque afetado à prestação de serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, pois, imprescritível. Precedentes. 6. Na eventual colisão de direitos fundamentais, como o de moradia e o da supremacia do interesse público, deve prevalecer, em regra, este último, norteador do sistema jurídico brasileiro, porquanto a prevalência dos direitos da coletividade sobre os interesses particulares é pressuposto lógico de qualquer ordem social estável. 7. Mesmo o eventual abandono de imóvel público não possui o condão de alterar a natureza jurídica que o permeia, pois não é possível confundir a usucapião de bem público com a responsabilidade da Administração pelo abandono de bem público. Com efeito, regra geral, o bem público é indisponível. 8. Na hipótese dos autos, é possível depreender que o imóvel foi adquirido com recursos públicos pertencentes ao Sistema Financeiro Habitacional, com capital 100% (cem por cento) público, destinado à resolução do problema habitacional no país, não sendo admitida, portanto, a prescrição aquisitiva. 9. Eventual inércia dos gestores públicos, ao longo do tempo, não pode servir de justificativa para perpetuar a ocupação ilícita de área pública, sob pena de se chancelar ilegais situações de invasão de terras. 10. Não se pode olvidar, ainda, que os imóveis públicos, mesmo desocupados, possuem finalidade específica (atender a eventuais necessidades da Administração Pública) ou genérica (realizar o planejamento urbano ou a reforma agrária). Significa dizer que, aceitar a usucapião de imóveis públicos, com fundamento na dignidade humana do usucapiente, é esquecer-se da dignidade dos destinatários da reforma agrária, do planejamento urbano ou de eventuais beneficiários da utilização do imóvel, segundo as necessidades da Administração Pública. 11. Recurso especial não provido. (REsp 1874632/AL, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/11/2021, DJe 29/11/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. USUCAPIÃO ESPECIAL. IMÓVEL URBANO, FINANCIADO PELO SFH E COM GARANTIA HIPOTECÁRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS À AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE. REFORMA DO JULGADO. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inaplicabilidadedo NCPC neste julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2 aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2. Esta eg. Terceira Turma já consolidou o entendimento de que o imóvel da Caixa Econômica Federal vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, porque afetado à prestação de serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, pois, imprescritível (REsp nº 1.448.026/PE, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe 21/11/2016). 3. No caso, a revisão do entendimento a que chegaram as instâncias ordinárias acerca do preenchimento dos requisitos autorizadores e necessários para que o imóvel urbano fosse adquirido por usucapião, seria necessário o reexame dos elementos fático-probatórios dos autos, soberanamente delineados pelas instâncias de base, o que é defeso nesta fase recursal a teor da Súmula nº 7 desta Corte. 4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente recurso não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1487677/AL, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/04/2017, DJe 22/05/2017) • OUTRAS CLASSIFICAÇÕES IMPORTANTES » Bem difuso – bem ambiental (artigo 225 da CF/88). » Res nullius/Res derelicta (coisas de ninguém) 2. BEM DE FAMÍLIA LEI 8.009/90 – IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA LEGAL Proteção do HOMESTEAD (local do lar) - Instituto nascido na República do Texas – Direito Norte Americano. Proteção do direito social e fundamental à moradia (direito da personalidade) – artigo 6º, da CF/88 (PATRIMÔNIO MÍNIMO/MÍNIMO VITAL de Robert Alexy) “É possível dizer que se trata de uma qualidade que se agrega a um bem imóvel e seus móveis, imunizando-os em relação a credores, como forma de proteger a família que nele reside.” Fls. 627. Maria Berenice Dias (Manual de Direito das Famílias, 9ª edição, Revista dos Tribunais) 5 Direito Civil | Raquel Bueno 3. ESPÉCIES DE BEM DE FAMÍLIA 3.1. Bem de Família Convencional ou voluntário – 1711 – 1722 do CC/02 Quem pode instituí-lo? Cônjuges, entidade familiar e terceiros. Forma ou modo de instituição Escritura pública/testamento Limites 1/3 do patrimônio líquido da pessoa que o instituiu (proteção de credores) • Torna o bem impenhorável e inalienável 3.2. Bem de Família Legal Proteção automática, independentemente de inscrição do imóvel residencial (urbano ou rural), no Cartório de Imóveis. Lei 8009/90 - . 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei. Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados. Súmula 364 do STJ - “O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas.” Súmula 205 do STJ - 1 - Súmula 205/STJ - 20/04/1998 - Penhora. Execução. Hermenêutica. Impenhorabilidade do bem de família. Lei 8.009/90. Aplicação imediata. A Lei 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência. RETROATIVIDADE MOTIVADA OU JUSTIFICADA Art. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos. Parágrafo único. No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo. A jurisprudência do STJ tem reconhecido a proteção do bem de família legal para os seguintes bens móveis quitados: televisão, freezer, computador, ar condicionado e até mesmo um teclado musical – REsp 218.882/SP). “(...) Leciona Theotonio Negrão que, de acordo com a Lei 8.009/90, a jurisprudência tem considerado impenhoráveis, quando guarnecem a residência do devedor, os seguintes bens: aparelhos de som e de televisão, armários de cozinha; dormitório; estofados; fogão; freezer e geladeira; guarda-roupas; jogo de jantar; máquina de lavar louças e roupas; passadora e secadora de roupas; micro-ondas, teclado musical (Código de Processo Civil..., 39. ed., 2007, p. 1.310. Por outro lado, são considerados penhoráveis: aparelho de ar-condicionado, telefone sem fio, filmadora, máquina fotográfica, aparelhos elétricos e eletrônicos sofisticados, bicicletas e piscina de fibra de vidro. Alguns desses bens são reputados como bens suntuosos pela jurisprudência.” Flávio Tartuce, Direito Civil: Direito de Família, 15ª edição, p. 746, 2020, Editora Forense, Rio de Janeiro.. Bens móveis em duplicidade: Recurso Especial 875.687/RS e AgRg no REsp. 606.301/RJ Caso do teclado musical -PROCESSUAL CIVIL. LEI 8.009/90. BEM DE FAMÍLIA. HERMENÊUTICA.FREEZER, MÁQUINA DE LAVAR E SECAR ROUPAS E MICROONDAS.IMPENHORABILIDADE. TECLADO MUSICAL. ESCOPOS POLÍTICO E SOCIAL DO PROCESSO. HERMENÊUTICA. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.I - Não obstante noticiem os autos não ser ele utilizado como atividade profissional, mas apenas como instrumento de aprendizagem de uma das filhas do executado, parece-me mais razoável que, em uma sociedade marcadamente violenta como a atual, seja valorizada a conduta dos que se dedicam aos instrumentos musicais, sobretudo quando sem o objetivo do lucro, por tudo que a música representa, notadamente em um lar e na formação dos filhos, a dispensar maiores considerações. Ademais, não seria um mero teclado musical que iria contribuir para o equilíbrio das finanças de um banco. O processo, como cediço, não tem escopo apenas jurídico, mas também político (no seu sentido mais alto) e social.II - A Lei 8.009/90, ao dispor que são impenhoráveis os equipamentos que guarnecem a residência, inclusive móveis, não abarca tão-somente os indispensáveis à moradia, mas também aqueles que usualmente a integram e que não se qualificam como objetos de luxo ou adorno.III -Ao juiz, em sua função de intérprete e aplicador da lei, em atenção aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum, como admiravelmente adverte o art. 5º, LICC, incumbe dar exegese construtiva e valorativa, que se afeiçoe aos seus fins teleológicos, sabido que ela deve refletir não só os valores que a inspiraram mas também as transformações culturais e sócio-políticas da sociedade a que se destina.(REsp 218.882/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 02/09/1999, DJ 25/10/1999, p. 92) SÚMULA 486 STJ - É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família. Data da Publicação - DJ-e 1-8-2012 BEM DE FAMÍLIA – IMÓVEL LOCADO – IMPENHORABILIDADE – INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA LEI Nº 8.009/90.O fato de o único imóvel residencial vir a ser alugado não o desnatura como bem de família, quando comprovado que a renda auferida destina-se à subsistência da família.Recurso especial provido. (REsp 439.920/SP, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 280). 6 Direito Civil | Raquel Bueno BEM DE FAMÍLIA INDIRETO Penhora de imóvel – bem de família – locação a terceiros – STJ – AGA 385692/RS. (Recursos Especiais 114.119RS, 302.781/SP, 159.213/ES e 183.042/AL)Único imóvel do devedor em usufruto (moradia da mãe idosa) REsp. 950.663/SC PROCESSO CIVIL – PENHORA – BEM DE FAMÍLIA – LEI N. 8.009/90 – REEXAME DE PROVA – SÚMULA 7/STJ – AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.1. Esta Corte Superior assentou entendimento de que é possível a afetação da impenhorabilidade do imóvel em razão da Lei n. 8.009/90, ainda que o imóvel esteja locado a terceiros.2. Todavia, in casu, o Tribunal de origem destacou que o agravante ‘não demonstra que utilize efetivamente a renda de seu imóvel, locado para fins comerciais, para pagamento de seu aluguel residencial. Incumbia-lhe, além do ônus da alegação do fato na petição inicial, o ônus da prova de sua veracidade’.3. Documento comprobatório da situação jurídica do imóvel (contrato de locação) juntado aos autos apenas por ocasião da interposição do recurso especial, operando-se a preclusão temporal.4. Aferir a destinação dada ao imóvel demanda a reanálise do contexto fático-probatório dos autos, o que é defeso a este Tribunal em vista do óbice da Súmula 7/STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 975.858/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2007, DJ 07/12/2007, p. 356). “constitui bem de família, insuscetível de penhora, o único imóvel residencial do devedor em que resida seu familiar, ainda que o proprietário nele não habite.” EREsp. 1.216.187/SC DESTAQUES RELEVANTES SOBRE O TEMA BEM DE FAMÍLIA VAZIO – Direito à moradia potencial – Recurso Especial 825.660 SP. Bem de Família de elevado valor – Recurso Especial 326.171/GO e Recurso Especial 1.351.571/SP. Ver a Ferramenta Jurisprudência em Teses – Edição 44. (Leitura obrigatória) 1. A impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, III, da Lei n. 8.009/90 não pode ser oposta ao credor de pensão alimentícia decorrente de vínculo familiar ou de ato ilícito. 2. Os integrantes da entidade familiar residentes no imóvel protegido pela Lei n. 8.009/90 possuem legitimidade para se insurgirem contra a penhora do bem de família. 3. A proteção contida na Lei n. 8.009/1990 alcança não apenas o imóvel da família, mas também os bens móveis indispensáveis à habitabilidade de uma residência e os usualmente mantidos em um lar comum. 4. É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família (Súmula n. 486/STJ). 5. A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. (Súmula n. 449/STJ) 6. O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. (Súmula n. 364/STJ) 7. A impenhorabilidade do bem de família é oponível às execuções de sentenças cíveis decorrrentes de atos ilícitos, salvo se decorrente de ilícito previamente reconhecido na esfera penal. 8. A exceção à impenhorabilidade prevista no artigo 3º, II, da Lei n. 8.009/90 abrange o imóvel objeto do contrato de promessa de compra e venda inadimplido. 9. É possível a penhora do bem de família para assegurar o pagamento de dívidas oriundas de despesas condominiais do próprio bem. 10. O fato do terreno encontrar-se desocupado ou não edificado são circunstâncias que sozinhas não obstam a qualificação do imóvel como bem de família, devendo ser perquirida, caso a caso, a finalidade a este atribuída. 11. Afasta-se a proteção conferida pela Lei n. 8.009/90 ao bem de família, quando caracterizado abuso do direito de propriedade, violação da boa-fé objetiva e fraude à execução. 12. A impenhorabilidade do bem de família hipotecado não pode ser oposta nos casos em que a dívida garantida se reverteu em proveito da entidade familiar. 13. A impenhorabilidade do bem de família não impede seu arrolamento fiscal. 14. A preclusão consumativa atinge a alegação de impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão anterior acerca do tema. 15. É legítima a penhora de apontado bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, ante o que dispõe o art. 3º, inciso VII, da Lei n. 8.009/1990 (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 708)(Súmula n. 549/STJ) 16. É possível a penhora do bem de família de fiador de contrato de locação, mesmo quando pactuado antes da vigência da Lei n. 8.245/91, que acrescentou o inciso VII ao art. 3º da Lei n. 8.009/90. 17. A impenhorabilidade do bem de família é questão de ordem pública, razão pela qual não admite renúncia pelo titular. 18. A impenhorabilidade do bem de família pode ser alegada em qualquer momento processual até a sua arrematação, ainda que por meio de simples petição nos autos. 19. A Lei n. 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência. (Súmula n. 205/STJ) 7 Direito Civil | Raquel Bueno ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL RECONHECIDO COMO BEM DE FAMÍLIA DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL RECONHECIDO COMO BEM DE FAMÍLIA. POSSIBILIDADE. CONDUTA QUE FERE A ÉTICA E A BOA-FÉ. 1. Ação declaratória de nulidade de alienação fiduciária de imóvel reconhecido como bem de família. 2. Ação ajuizada em 23/08/2013. Recurso especial concluso ao gabinete em 26/08/2016. Julgamento: CPC/73. 3. O propósito recursal é dizer se é válida a alienação fiduciária de imóvel reconhecido como bem de família. 4. A questão da proteção indiscriminada do bem de família ganha novas luzes quando confrontada com condutas que vão de encontro à própria ética e à boa-fé, que devem permear todas as relações negociais. 5. Não pode o devedor ofertar bem em garantia que é sabidamente residência familiar para, posteriormente, vir a informar que tal garantia não encontra respaldo legal, pugnando pela sua exclusão (vedação ao comportamento contraditório). 6. Tem-se, assim, a ponderação da proteção irrestrita ao bem de família, tendo em vista a necessidade de se vedar, também, as atitudes que atentem contra a boa-fé e a eticidade, ínsitas às relações negociais. 7. Ademais, tem-se que a própria Lei 8.009/90, com o escopo de proteger o bem destinado à residência familiar, aduz que o imóvel assim categorizado não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, mas em nenhuma passagem dispõe que tal bem não possa ser alienado pelo seu proprietário. 8. Não se pode concluir que o bem de família legal seja inalienável e, por conseguinte, que não possa ser alienado fiduciariamente por seu proprietário, se assim for de sua vontade, nos termos do art. 22 da Lei 9.514/97. 9. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp 1560562/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 04/04/2019) Ver também REsp. 1.677.079/SP E a vaga de garagem? “a vaga de garagem que possua matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família, podendo, portanto, ser penhorada.” Súmula 449 do STJ. 3.3. Exceções! Art. 3º Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: I. em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias; (Revogado pela Lei Complementar nº 150, de 2015) II. pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; Recurso Especial 1.658.601/SP e Recurso Especial 1.221.372/RS. III. pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; (Redação dada pela Lei nº 13.144 de 2015) » Inclui os alimentosressarcitórios – Recurso Especial 1.186.228/RS » Não se inclui entre tais débitos alimentares os honorários advocatícios – Recurso Especial 1.826.108/MS IV. para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar; STF, RE 439.003/SP STJ, REsp. 1.324.107/SP e REsp. 1.473.484/RS V. para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar; Ver AgRg no Ag 597.243/GO; REsp. 1.115.265/RS; REsp. 1.455.554/RN, e EAREsp 848.498/PR. VI. por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens. Recurso Especial 711.889/PR e Recurso Especial 1.091.236/RJ (mudança do primeiro entendimento) VII. por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. (Incluído pela Lei nº 8.245, de 1991) Súmula 549 do STJ - É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. STF, RE 352.940/SP. STJ, REsp. 699.837/RS, REsp. 1.363.368/MS VIII. Devedor que atua de má-fé, alienando todos os seus bens e fazendo restar apenas o imóvel de residência - REsp. 1.299.580/RJ, REsp. 1.364.509/RS e REsp.1.575.243/DF. EXERCÍCIOS 1. (FGV 2021) Quando os credores de Mariana investigaram o seu patrimônio, identificaram os seguintes bens: crédito decorrente de contrato de empréstimo feito a sua irmã; automóvel ano 2018 placa XXX9999; material de construção que adquirira para construir um casebre no terreno de sua irmã; direito à sucessão aberta de sua mãe, pois ainda se encontra em andamento o respectivo inventário e partilha; usufruto de ações de titularidade de sua irmã. Entre esses bens, considera-se imóvel: a. o crédito decorrente de contrato de empréstimo feito a sua irmã; b. o automóvel ano 2018 placa XXX9999; 8 Direito Civil | Raquel Bueno c. o material de construção que adquirira para construir um casebre no terreno de sua irmã; d. o direito à sucessão aberta de sua mãe, pois ainda se encontra em andamento o respectivo inventário e partilha; e. o usufruto de ações de titularidade de sua irmã. 2. (FGV 2021) Gilvan resolveu adaptar um antigo moinho para, mantendo-o com sua arquitetura histórica, transformá- lo também em uma turbina eólica. Para tanto, chamou a restauradora de vidros de janelas antigas Maria, que os retirou para depois reinseri-los nas mesmas janelas, realizando a sua manutenção. Contratou também Roberto para fabricar tijolos artesanais idênticos aos originais, mas no final não foi necessário empregá-los na construção. No que concerne à classificação dos bens considerados em si mesmos, a energia eólica, os vidros em restauração e os tijolos artesanais podem ser classificados, respectivamente, como: a. bem imóvel, bens imóveis, bens móveis; b. bem móvel, bens móveis, bens imóveis; c. bem imóvel, bens imóveis, bens imóveis; d. bem móvel, bens imóveis e bens móveis; e. bem móvel, bens móveis e bens móveis. 3. (FGV 2021) Segundo o Código Civil, os bens que compõem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, são a. bens particulares afetados ao serviço público. b. bens públicos de uso comum não sujeitos a usucapião. c. bens públicos dominicais que estão sujeitos a usucapião. d. bens públicos de uso especial que podem ser alienados, observadas as exigências legais. e. bens públicos dominicais que podem ser alienados, observadas as exigências legais. 4. (FGV 2020) Virgulino leva um estilo de vida livre e não gosta de se prender a bens materiais. Não tem residência fixa e anda pelo Estado vivendo de trabalhos temporários em cada cidade pela qual passa. Em Caxias do Sul, teve um desentendimento com Irineu, que culminou em vias de fato. Agora Irineu pretende acioná-lo judicialmente. Descobriu que depois da briga ele esteve em Canela, onde trabalhou em uma obra por alguns dias. Constatou também que ele tem uma namorada em Torres, a qual visita periodicamente. Por fim, soube que seus pais residem em Garibaldi, onde ele costuma passar as festas. Para efeitos legais, o domicílio de Virgulino será: a. Caxias do Sul; b. Canela; c. Torres; d. Garibaldi; e. onde for encontrado. 5. (FGV 2020) O direito civil identifica e classifica os diferentes tipos de bens, com o objetivo de facilitar a aplicação do direito ao caso concreto. De acordo com o Código Civil brasileiro, é correto afirmar que os bens: a. fungíveis e móveis podem ser substituídos por outros de mesma espécie e quantidade; b. singulares incluem os que se consideram de per si independentemente dos demais, embora reunidos; c. imóveis incluem tudo que for incorporado ao solo, desde que seja de forma natural, inclusive o próprio solo; d. móveis são suscetíveis de movimento próprio sem alteração da substância ou destinação econômica e social, exceto os bens de remoção por força alheia; e. divisíveis podem ser fracionados sem alterar sua substância, mesmo com diminuição considerável de valor, desde que sem prejuízo do uso a que se destina. 6. (FGV 2018) Danilo, dentista, residente no Rio de Janeiro, resolve estabelecer consultório na comarca de Sapucaia, onde passa a exercer sua profissão, de segunda a quinta-feira, ali formando sua clientela. Nessa situação, assinale a afirmativa correta. a. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece sua residência, independentemente de ânimo definitivo. b. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. c. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, apenas um destes constituirá domicílio para todas as relações correspondentes. d. Ter-se-á em relação à pessoa natural que não tenha residência habitual, a ausência de domicílio, independentemente do local onde possa ser encontrada e. A mudança de domicílio decorre da mudança de residência, haja ou não intenção manifesta de o mudar 7. (FGV 2019) Gilberto, divorciado, pai de três filhos, faleceu aos 81 anos, deixando três imóveis e dois veículos. Segundo o Código Civil, a. apenas os imóveis, individualmente considerados, são bens imóveis, diferentemente da totalidade do patrimônio do falecido. b. todos os bens do patrimônio do falecido, inclusive os imóveis, são considerados bens fungíveis. c. não se considera o patrimônio total do falecido uma universalidade de direitos dotada de valor econômico. d. o direito à sucessão aberta, atribuído aos herdeiros de Gilberto em relação à universalidade de patrimônio deste, é considerado bem imóvel. e. não se pode dizer que os imóveis, considerados em si, são bens singulares. 8. (FGV 2019) A concessionária WYZ instalou algumas torres em imóvel concedido pelo Estado, as quais têm utilidade de transmitir energia para as residências de determinado bairro. A energia transmitida, segundo o que dispõe o Código Civil, é considerada a. bem móvel. b. bem dominical. c. bem acessório às torres. d. bem público de uso comum. e. bem imóvel. 9 Direito Civil | Raquel Bueno 9. (FGV 2019) Um determinado prédio histórico de Salvador passa por reformas. Para tanto, são retiradas algumas de suas janelas e partes do piso de algumas áreas. Após determinados procedimentos, tais materiais serão reintegrados ao imóvel. Segundo o Código Civil, essas janelas e partes do piso são bens a. móveis b. imóveis. c. consumíveis d. imóveis, mas, durante o período de retirada, móveis. e. coletivos 10. (FGV 2019) O Código Civil conceitua que são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. Neste sentido, o mesmo diploma legal estabelece que o uso comum dos bens públicos a. deve ser necessariamente retribuído, por meio de tarifa por parte dos particulares usuários. b. deve ser necessariamente gratuito, já que tais bens pertencem a toda a sociedade de forma genérica.c. deve ser necessariamente oneroso, a fim de que toda a coletividade se beneficie. d. pode ser gratuito ou retribuído, conforme decidir arbitrariamente o Secretário Municipal de Governo. e. pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. 11. (FGV 2025) Um crime que tenha por objeto coisa alheia móvel, remetendo à definição do Código Civil, não poderá incidir sobre a. a viga de aço extraída de ponte que fora implodida. b. o veículo integrante de herança ainda não partilhada. c. o direito de crédito garantido por garantia imobiliária. d. a árvore de elevado valor econômico plantada no quintal. e. o material destinado à construção de um edifício, durante o transporte e depois da afetação à finalidade. 12. (FGV 2024) Bernardo Isaura, de 56 anos, possui um histórico de alcoolismo que vem se agravando ao longo do tempo, causando grande preocupação à sua família. Temendo o comprometimento de seu patrimônio, sobretudo após ele ter celebrado um contrato de empréstimo pessoal de elevado valor com uma instituição financeira, seus familiares consultam um renomado escritório de advocacia em Mato Grosso em busca de uma solução jurídica. Analise a situação apresentada e assinale a afirmativa correta. a. Comprovada a condição de ébrio habitual de Bernardo, é possível sua interdição como relativamente incapaz. b. Bernardo deve ser considerado como pródigo, sendo possível sua interdição como absolutamente incapaz. c. É possível a interdição de Bernardo como absolutamente incapaz, desde que demonstrada a vulnerabilidade clínica. d. Bernardo é relativamente incapaz, não necessitando de pronunciamento judicial, bastando depoimento pessoal dos familiares. e. Caso a família tenha comprovação do alcoolismo de Bernardo, ele será interditado como absolutamente incapaz. 13. (FGV 2024) A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, acionista principal de uma das corporações fornecedoras, descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução jurídica adequada. Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta. a. Com base na teoria menor, é possível a desconsideração da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado o abuso de personalidade, bastando a comprovação do débito. b. O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a desconsideração da personalidade jurídica. c. A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, que dispensa a prova de abuso da personalidade. d. A desconsideração da personalidade jurídica não é cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do quadro societário. e. Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não para fornecedores e locadores. 14. (FGV 2024) A sociedade Mercado Varejo Zeta Ltda., constituída pelas irmãs Isaura e Laura, encerrou suas atividades irregularmente, devido às extensas dívidas com fornecedores e locadores dos imóveis utilizados pela empresa. Gertrudes, acionista principal de uma das corporações fornecedoras, descobre que dias antes do encerramento irregular, as irmãs estabeleceram uma nova organização, utilizando ativos do Mercado Varejo Zeta Ltda. indignada, procura famoso escritório de advocacia do Mato Grosso na busca da solução jurídica adequada. Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta. a. Com base na teoria menor, é possível a desconsideração da personalidade jurídica, mesmo que não demonstrado o abuso de personalidade, bastando a comprovação do débito. b. O abuso da personalidade evidencia-se pela transferência de ativos e o encerramento irregular, o que fundamenta a desconsideração da personalidade jurídica. c. A falência de uma empresa caracteriza a desconsideração da personalidade, devendo ser aplicada a teoria menor, que dispensa a prova de abuso da personalidade. d. A desconsideração da personalidade jurídica não é cabível, pois as pessoas jurídicas são distintas com ativos e passivos próprios, havendo, apenas, a coincidência do quadro societário. 10 Direito Civil | Raquel Bueno e. Como são pessoas jurídicas distintas, a desconsideração da personalidade jurídica, com base na teoria maior, só se justifica para credores trabalhistas e tributários, mas não para fornecedores e locadores. 15. (FGV 2024) Abolitio, famoso cinegrafista, resolveu contar a vida de Arresto, craque do futebol, em um documentário. Em determinada altura da narrativa, menciona-se Precatório, goleiro que teria tomado um vergonhoso drible de Arresto. Ambos, Arresto e Precatório, processam Abolitio, demandando indenização por danos morais por violação a seus direitos autorais e de imagem. Nesse caso: a. ambos os pedidos são improcedentes; b. procede o pleito de Arresto, desde que provado o prejuízo, mas não o de Precatório; c. ambos os pedidos são procedentes, desde que haja prova do prejuízo sofrido por cada qual; d. procede o pleito de Arresto, independentemente de prova do prejuízo diante do intuito lucrativo, mas não o de Precatório; e. ambos os pedidos são procedentes, dispensada prova do prejuízo sofrido por cada qual, diante do intuito lucrativo do documentário. DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DIREITO DE IMAGEM. OBRA AUDIOVISUAL BIOGRÁFICA. “MINISSÉRIE”. REPRESENTAÇÃO DO BIOGRAFADO E FAMILIARES POR ATORES CONTRATADOS. AUTORIZAÇÃO PRÉVIA. DESNECESSIDADE. USO INDEVIDO DA IMAGEM NÃO CARACTERIZADO. ART. 20 DO CÓDIGO CIVIL. INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. ADI Nº 4.815/DF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Na hipótese, a parte agravante pretendeu a condenação da agravada ao pagamento de indenização por danos materiais e morais, em decorrência da produção e exibição de obra audiovisual biográfica, sob o pálio da inexistência de autorização prévia das pessoas retratadas. 2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI nº 4.815/DF, deu interpretação conforme à Constituição, sem redução de texto, aos arts. 20 e 21 do Código Civil, reconhecendo ser inexigível a autorização de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a autorização de pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.459.915/AC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 1/10/2024, DJEN de 5/12/2024.) 16. (FGV 2024) Júlio, de 17 anos, reside permanentemente com seus pais em Belo Horizonte. No entanto, em razão da necessidade de gerir uma pequena sociedade empresária herdada de sua avó, foi recentemente emancipado e passa grande parte do tempo em São Paulo, onde aluga um apartamento para se hospedar durante os compromissos profissionais. Júlio recebe parte de sua correspondência comercial em São Paulo e também mantém documentos da empresa em seu escritório na cidade. Recentemente, ele foi citado em uma ação judicial em São Paulo, mas pretende questionar a validade da citação, argumentando que, por ser menor de idade e residir com os pais, seu domicílio é Belo Horizonte. Com base no Código Civil Brasileiro, e nas disposições sobre domicílio e capacidade civil, é correto afirmar que a. assiste razão a Júlio, pois é menor de idade e seu domicílio deve ser obrigatoriamente o local onde reside com os pais, em Belo Horizonte. b. não assiste razão a Júlio, poismesmo sendo menor, tem capacidade plena por ser emancipado e pode ter São Paulo como domicílio para efeitos legais. c. assiste razão a Júlio, pois independentemente da emancipação, possui domicílio único em Belo Horizonte, onde reside com os pais. d. não assiste razão a Júlio, pois o domicílio de uma pessoa menor de idade é modificado por atividade empresarial. e. assiste razão a Júlio, pois em razão da sua idade, não possui capacidade plena para responder em processos judiciais sem a presença dos pais. 17. (FGV2024) A Associação Cultural Horizonte, uma associação civil sem fins lucrativos, foi constituída com o objetivo de promover atividades culturais e artísticas. O estatuto da associação estabelece que qualquer alteração nas finalidades ou nos objetivos da entidade exige a aprovação de, no mínimo, dois terços dos associados. No entanto, alguns membros da associação desejam alterar o estatuto para transformar a entidade em uma organização voltada à defesa e promoção de interesses econômicos dos associados, com o propósito de desenvolver atividades que proporcionem retorno financeiro direto aos membros. Considerando as normas do Código Civil sobre associações civis, assinale a afirmativa correta quanto à possibilidade de alteração da finalidade da Associação Cultural Horizonte. a. A transformação da Associação Cultural Horizonte em uma organização de defesa e promoção de interesses econômicos é permitida desde que todos os associados aprovem a alteração do estatuto. b. A associação pode alterar livremente suas finalidades e objetivos, mesmo sem a aprovação dos associados, pois a vontade da maioria dos membros prevalece. c. A Associação Cultural Horizonte, como qualquer associação civil, não pode ser transformada em uma organização voltada à defesa e promoção de interesses econômicos, pois o Código Civil não permite que associações civis tenham finalidades lucrativas. d. A transformação da associação em uma organização de interesses econômicos é válida, desde que a alteração estatutária seja homologada pelo poder judiciário. e. A transformação em uma associação de interesses econômicos é possível desde que a maioria simples dos associados presentes em assembleia aprove a alteração do estatuto. 11 Direito Civil | Raquel Bueno 18. (FGV 2024) Carlos, proprietário de uma fazenda, decide transferir uma parte do terreno para seu sobrinho João. Essa parte inclui árvores frutíferas, uma casa de madeira e um lago artificial que foi construído para irrigação. Além disso, no terreno há uma colheitadeira que Carlos usa ocasionalmente e um sistema de irrigação fixo ligado ao solo. Durante a transferência, surgem dúvidas sobre a classificação desses bens de acordo com o Código Civil. Com base nas disposições do Código Civil sobre a classificação dos bens, é correto afirmar que a. as árvores frutíferas plantadas no terreno são classificadas como bens móveis, pois podem ser separadas do solo e transportadas. b. a colheitadeira é classificada como bem imóvel, pois é utilizada diretamente nas atividades do terreno agrícola. c. o sistema de irrigação fixo, ligado ao solo, é considerado um bem imóvel, pois integra-se de maneira permanente ao solo e atende à finalidade da propriedade. d. o lago artificial, por ser uma estrutura criada artificialmente, é classificado como um bem móvel. e. a casa de madeira é um bem móvel, pois, apesar de estar no terreno, não faz parte da propriedade rural em si e pode ser removida. 19. (FGV 2024) A empresa Beta Ltda., com sede declarada na cidade de São Paulo, possui diversas filiais em outras cidades e estados, incluindo uma filial no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte. Em um processo judicial movido por um cliente insatisfeito com determinado serviço prestado exclusivamente pela filial do Rio de Janeiro, surge a questão de onde deve ser fixado o domicílio para efeitos do processo, considerando os artigos do Código Civil sobre o domicílio das pessoas jurídicas. Com base nas disposições do Código Civil sobre o domicílio da pessoa jurídica, assinale a afirmativa correta. a. O domicílio da empresa Beta Ltda., para todos os fins legais, é sempre a sua sede, localizada na cidade de São Paulo, independentemente de onde o serviço foi prestado. b. A pessoa jurídica de direito privado, como a empresa Beta Ltda., pode ter como domicílio tanto a sede quanto a localização de qualquer uma de suas filiais, dependendo do local onde se desenvolvem suas atividades e obrigações específicas. c. O domicílio, para efeitos de processos judiciais contra a empresa Beta Ltda., é exclusivamente o local da prestação de serviço, independentemente da existência de sede ou outras filiais. d. Como a filial no Rio de Janeiro está localizada em um estado diferente da sede, o domicílio, para fins judiciais, será automaticamente a sede, pois somente esta pode ser considerada o domicílio principal da pessoa jurídica. e. A empresa Beta Ltda. pode escolher, discricionariamente, qualquer local onde tenha uma filial para ser considerada como domicílio, independentemente da relação do local com o serviço questionado no processo. 20. (FGV 2024) Marina, 16 anos, celebrou um contrato de compra e venda de um bem móvel de alto valor, sem a assistência de seus pais ou representantes legais. Após alguns dias, sua mãe, ao tomar conhecimento do contrato, deseja anulá-lo, alegando que Marina não possuía capacidade para realizar tal negócio jurídico sozinha. Considerando as disposições do Código Civil sobre capacidade, é correto afirmar que a. Marina tem capacidade plena para realizar negócios jurídicos, pois, com 16 anos, já é considerada relativamente capaz e pode contratar sozinha. b. Marina, por ser menor de idade, é absolutamente incapaz e todos os seus atos são considerados nulos, sem qualquer possibilidade de serem confirmados por representante legal. c. Marina é relativamente incapaz para os atos da vida civil, portanto o contrato pode ser anulado, pois ela celebrou o negócio jurídico sem assistência dos pais ou de representante legal. d. o contrato celebrado por Marina é automaticamente válido, pois o Código Civil permite que menores de idade celebrem contratos de compra e venda de bens móveis. e. o contrato de compra e venda realizado por Marina é considerado inexistente, pois ela não possui capacidade civil para praticar atos da vida civil, independentemente do valor do bem. 21. (FGV 2024/MAGISTRATURA) Writ, adolescente emancipada de 17 anos, é diagnosticada com grave doença para qual a medicina prescreve um tratamento que, embora não cause risco de vida, é proibido em sua prática religiosa. Nesse caso, à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que Writ: a. não poderá recusar tratamento, porque a legislação civil, dentro da lógica constitucional de proteção à vida, só o permitiria caso houvesse risco a sua integridade; b. não poderá recusar tratamento por ser menor de idade, ainda que haja alternativa terapêutica eficaz sem risco, seja emancipada e com isso concordem seus pais; c. poderá recusar tratamento, mesmo sendo menor de idade, ainda que não haja alternativa terapêutica eficaz e sem risco, desde que, com isso, concordem seus pais, cujo consentimento será essencial a despeito de ela ser emancipada; d. não poderá recusar tratamento por ser menor de idade, ainda que seja emancipada, salvo se houver alternativa terapêutica eficaz e sem risco e se com isso concordarem seus pais; e. poderá recusar tratamento, mesmo sendo menor de idade, ainda que não haja alternativa terapêutica eficaz e sem risco e que seus pais não concordem com isso, porque a emancipação é suficiente para cumprir os requisitos previstos pela Suprema Corte. 12 Direito Civil | Raquel Bueno TEMA 952 STF - Ementa: Direito Constitucional e Administrativo. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tratamento alternativo à transfusão de sangue para Testemunhasde Jeová. Desprovimento. I. Caso em exame 1. O recurso. Recurso extraordinário contra decisão que determinou ao poder público o custeio de cirurgia fora do domicílio para paciente Testemunha de Jeová, em hospital credenciado pelo Sistema Único de Saúde – SUS que realiza o procedimento necessário sem transfusão de sangue. 2. Fato relevante. O paciente recusou, por convicção religiosa, a realização de cirurgia no seu município pela perspectiva de, em caso de necessidade, ter de se submeter a transfusão de sangue. Ele era maior, capaz e não corria risco iminente de vida. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o direito à liberdade religiosa justifica o custeio, pelo poder público, de tratamento médico alternativo compatível com as convicções religiosas do paciente, inclusive despesas de locomoção para ele e um acompanhante, quando o tratamento não estiver disponível na rede pública de seu domicílio. III. Razões de decidir 4. O direito à recusa de transfusão de sangue por convicção religiosa tem fundamento nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da liberdade de religião. A dignidade humana exige o respeito à autonomia individual na tomada de decisões sobre a saúde e o corpo. Já a garantia da liberdade religiosa impõe ao Estado a tarefa de proporcionar um ambiente institucional e jurídico adequado para que os indivíduos possam viver de acordo com os ritos, cultos e dogmas de sua fé, sem coerção ou discriminação. 5. A recusa de transfusão de sangue somente pode ser manifestada em relação ao próprio interessado, sem estender- se a terceiros, inclusive e notadamente filhos menores. Porém, havendo tratamento alternativo eficaz, conforme avaliação médica, os pais poderão optar por ele. 6. A Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda a adoção dos procedimentos alternativos à transfusão de sangue. Em atenção a essa diretriz, outros recursos terapêuticos já são oferecidos pelo SUS. Apesar disso, ainda não estão disponíveis de forma ampla em todo o território nacional. Nesse contexto, o poder público deve adotar medidas para, progressivamente, tornar esses procedimentos disponíveis e capilarizados no país, de forma compatível com os princípios do acesso universal e igualitário às ações e serviços do SUS. 7. Em uma acomodação razoável entre os direitos à liberdade religiosa e à saúde, pacientes Testemunhas de Jeová fazem jus aos tratamentos alternativos já disponíveis no SUS, ainda quando não disponíveis em seu domicílio. Na hipótese em que os métodos de tratamento no local de residência não forem adequados, será cabível o tratamento fora do domicílio, conforme as normativas do Ministério da Saúde. IV. Dispositivo e tese 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tese de julgamento: “1. Testemunhas de Jeová, quando maiores e capazes, têm o direito de recusar procedimento médico que envolva transfusão de sangue, com base na autonomia individual e na liberdade religiosa. 2. Como consequência, em respeito ao direito à vida e à saúde, fazem jus aos procedimentos alternativos disponíveis no Sistema Único de Saúde – SUS, podendo, se necessário, recorrer a tratamento fora de seu domicílio.” (RE 979742, Relator(a): LUÍS ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 25-09-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 25-11-2024 PUBLIC 26-11-2024) 22. (FGV 2024) Lúcia de 45 anos e Cláudio de 53 anos, juntamente com seus filhos, Henrique de 23 anos, Lucas de 19 anos e Pedro de 15 anos, ao retornarem de uma viagem pelo litoral, se envolveram em grave acidente, envolvendo o carro da família e uma minivan que transportava 7 passageiros. O acidente resultou na morte simultânea de Lúcia e de Cláudio e de um jovem casal que estava na minivan. Ainda em razão do acidente, Lucas encontra-se em coma hospitalar e Henrique e Pedro sofreram apenas ferimentos leves. Diante das consequências do acidente, Henrique requereu e foi deferida a guarda de Pedro e a curatela de Lucas. Passado cerca de um ano do acidente, Pedro manifesta o desejo de ser emancipado. Diante da situação hipotética narrada e de acordo com a legislação vigente, assinale a afirmativa correta. a. Lúcia e Cláudio são comorientes e Lucas e Pedro são absolutamente incapazes. b. Henrique, sendo o detentor da guarda de Lucas, poderá atender ao pedido do irmão, declarando a sua vontade por instrumento público, independentemente de homologação judicial. c. Em razão da idade, presume-se que Cláudio tenha falecido antes de Lúcia, e Lucas, mesmo em coma, é relativamente incapaz. d. A emancipação pretendida por Pedro só pode ser deferida judicialmente, desde que ele já tenha 16 anos completos. e. Em razão do falecimento dos pais, Pedro só poderá ser emancipado judicialmente e mediante comprovação de que possui economia própria. GABARITO 1-D 6-B 11-D 16-B 21-E 2-D 7-D 12-A 17-C 22-D 3-E 8-A 13-B 18-C 4-E 9-B 14-B 19-B 5-B 10-E 15-A 20-C