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Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D ASPECTO GLOBAL DO PACIENTE 1. Postura 2. Aparência e Higiene Pessoal 3. Atitudes CONSCIÊNCIA 1. Nível de consciência: onde armazena, identifica, integra as experiências vividas 2. Delirium: rebaixamento leve a moderado do nível de consciência à estado confusional de base orgânica a. Desorientação temporo-espacial, dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus variáveis, agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico, delírios, ilusões ou alucinações. 3. Campo de consciência: soma total das experiências conscientes de um individuo em determinado momento a. Dissociação: quadro de fragmentação do campo de consciência, o qual se caracteriza por uma perda parcial ou completa das funções normais de integração da consciência, da lembrança, identidade e até sensações. Dificuldade de associar o que acontece, mesmo com nível de consciência normal ATENÇÃO Estado de concentração da atividade mental 1. Tenacidade: capacidade de fixação da atenção 2. Vigilância: capacidade de mudar o foco da atenção ORIENTAÇÃO 1. Autopsiquica: orientação em relação a si mesmo (nome, data de nascimento...) 2. Alopsiquica: orientação em relação ao tempo e espaço HUMOR E AFETIVIDADE 1. Humor: estado basal de leitura dos sentimentos (hipotimia, eutimia, hipertimia) 2. Afeto: expressividade afetiva a. Síntone: tristeza b. Hiporreativo: reage pouco a estímulos c. Expansivo d. Embotado: dificuldade de expressar emoções e sentimentos PENSAMENTO 1. Curso: aceleração, lentificação, bloqueio 2. Forma: afrouxamento das associações, descarrilamento (se distancia das perguntas), desagregação (não formula frase) 3. Conteúdo: a. Persecutório: ser perseguido b. Depreciativo: depreciar tudo que faz, viés pessimista c. Místico-religioso d. Sexual e. Ruína ou culpa SENSOPERCEPÇÃO Fenômeno gerado por estímulos dos órgãos do sentido 1. Ilusão: percepção deformada de objeto real e presente 2. Alucinação: alteração de sensopercepção (voz, ruído, imagem). Percepção de um objeto sem a presença do mesmo à esquizofrenia 3. Alucinose: alucinação reconhecida pelo paciente, onde se tem a consciência de que está vivenciando o fenômeno à abstinência alcoólica VOLIÇÃO E PSICOMOTRICIDADE Capacidade em realizar uma atividade à planejamento executivo 1. Hipobulia/abolia: sem força e iniciativa 2. Agitação psicomotora 3. Impulsividade patológica: ação automática, sem reflexão e decisão prévia 4. Compulsão: ação motora reconhecida pelo paciente como inadequada e indesejável, na qual tenta resistir, mas sente alivio ao realiza-la (limpeza, uso de substancia, compras) Iniciar a consulta sempre por perguntas abertas. Avaliar uso de álcool ou drogas à alterações comportamentais Avaliar sempre o grau de acometimento funcional. Caracterizar HF à transtornos psiquiátricos Detalhar histórico de tratamentos psiquiátricos prévios A consulta é espaço do paciente e a construção deve ser feita por ele EXAME DE ESTADO MENTAL MEMÓRIA Perceber (fase de registro), reter (fase de conservação ou de retenção), e evocar (fase de evocação) dados apreendidos com a experiência 1. Perda de memória episódica: lei de ribot, perde-se primeiro fatos recentes, depois complexo, por fim habituais 2. Amnésia anterógrada: incapacidade de fixar elementos mnêmicos a partir do evento que causou dano 3. Amnésia retrógrada: perda de memória para fatos ocorridos antes do evento que causou dado 4. Confabulações: elementos de imaginação ou lembrança que completam lacunas de memória em déficits de memória evocativa à inicio de quadros demenciais JUÍZO DE REALIDADE Quando alterada à delírio Delírio: alteração do pensamento © Certeza subjetiva © Irremovível por argumentos lógicos © Conteúdo impossível © Não há dúvida da veracidade © Produção associal à não compartilhada pelo grupo cultural - Primário: psicologicamente incompreensível, quebra da biografia do sujeito - Secundário: alterações em outras áreas da atividade mental que não o pensamento (humor, consciência) que faz com que produza juízos falsos Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Critérios Diagnósticos e Sintomas Notas especiais e Diagnósticos Diferenciais Tratamento Efeitos colaterais do tratamento e refratariedade De pr es sã o Critério: Presença de sintomas (pelo menos 1 nuclear e 4 comuns) por no mínimo 2 semanas Sintomas nucleares: © Humor depressivo (hipotimia) © Perda de interesse ou prazer (anedonia) © Redução da energia e fadiga constante Sintomas comuns: redução da concentração e atenção, redução na autoconfiança e na autoestima, presença de ideais de culpa e ruína, agitação ou retardo psicomotor, ideais ou atos contra si mesmo e ideação suicida, sono prejudicado e alterações no apetite. Classificação: © Leve: não causa disfunção sócio-ocupacional importante © Moderada: causa prejuízo claro no funcionamento sócio-ocupacional © Grave: cursa com incapacidade sócio- ocupacional e frequentemente com pensamentos suicidas Tendência de viés: estímulos provenientes do ambiente são processados cognitivamente pelo individuo com uma tendência negativa. Especificadores: © Ansiosa © Melancólicas: sensação de inutilidade e desanimo © Atípicas: apetite e sono, reatividade exagerada Secundária à: hipotireoidismo, câncer de pâncreas, doença de Parkinson, doenças infecciosas (HC, HIV), LES, uso de corticoides, AR, anti-hipertensivos (propranolol), ACO. Associada à outras comorbidades: TEPT, ansiedade generalizada, agorafobia, pânico, fobia social e fobia simples. Fatores agravantes: © Presença de psicose © Ideação suicida © Incapacidade funcional © Cronicidade dos sintomas © Presença de comorbidades © Ausência de resposta a tto prévio. DEPRESSÃO X TRISTEZA “NORMAL” Depressão: © Mais intensa © Não reage a estímulos positivos © Prejuízo funcional © Piora com o tempo © Não há fator causal (porém, pode existir) © Lentificação psicomotora Tristeza “normal”: © Menos intensa © Reage a estímulos positivos © Prejuízo funcional limitado © Melhora com o tempo © Possui fator causal © Não tem lentificação psicomotora 20 a 50% dos pacientes depressivos têm resposta inadequada ao primeiro antidepressivo utilizado. Após 1º episodio tratado à 50% de novo episódio Após 2º episodio tratado à 70% de novo episódio Após 3º episodio tratado à 80-90% de novo episódio Tricíclico: inibidores da recaptação de noradrenalina e serotonina. A classe promove boa resposta terapêutica. - Amitriptilina, Nortriptilina, Imipramina e Climipramina ISRS: Ação pontual de serotonina à redução dos efeitos colaterais quando comparado aos tricíclicos. Possuí menor eficácia. - Paroxetina, Fluoxetina, Sertralina, Citalopram e Escitalopram Duais: inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina, e não apresentam efeitos colaterais dos tricíclicos. - Venlafaxina, Desvenlafaxina e Duloxetina Outros: © Bupropiona: inibem a recaptação de noradrenalina e dopamina (ausência dos efeitos colaterais de ISRS). Redução na eficácia para tratamento da ansiedade. © Trazadona: Diminuí a disfunção sexual © Mirtazapina: inibe a2, serotonina à potencializa o tto quando associado a Dual © Vortioxetina: potencializa a serotonina Efeitos colaterais: © Tricíclico: Efeitos colaterais anticolinérgicos (boca seca, constipação...), histaminérgicos (ganho de peso e sonolência) e alfa adrenérgico (hipotensão postural). © ISRS: epigastralgia, cefaleia e disfunção sexual Na falta de resposta ou resposta parcial: 1. Otimização do tto (aumenta a dose); ou 2. Combinação de dois antidepressivos de classes diferentes; ou 3. Estratégia de potencialização (AD + lítio/antipsicótico atípico); ou 4. Substituição para um novo; 5. Considerar eletroconvulsoterapia em casos graves Realizar acompanhamento psicológicoconcomitante ao tratamento medicamentoso Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Critérios Diagnósticos e Sintomas Notas especiais e Diagnósticos Diferenciais Tratamento Efeitos colaterais do tratamento e refratariedade Tr an st or no B ip ol ar Critério: Alternância entre fases depressivas, mania e “normal”. © Necessário avaliar se os quadros de mania e hipomania não são causados por outros fatores. ! Não é depressão unipolar se o paciente cicla com mania. © Questionar paciente sobre história prévia de tto com AD e suspensão após melhora do quadro Diagnóstico: depressão por no mínimo 14 dias, mania por 7 dias e/ou hipomania por 4 dias. Sintomas: © Fase depressiva: períodos de rebaixamento do humor associado a redução da energia e atividade (tristeza e anedonia) à semelhante à depressão unipolar. © Fase mania: elevação do humor associado a aumento de energia e atividade, delírios de grandiosidade, taquipsiquismo, irritabilidade, redução da necessidade de sono, desinibição, e atividades de risco potencial. - Em ambos há enviesamento do humor. - Ressaca da fase mania: depressão resultante pós fase mania. Cicladores rápidos: + 4 episódios depressivos no ano Misto: ao mesmo tempo tem sintoma dos 2 polos (ex.: eufórico, mas apresenta anedonia) DD: Depressão unipolar, abuso ou abstinência de álcool e drogas, esquizofrenia, psicose puerperal, transtornos de personalidade, transtornos ansiosos, corticoterapia, tireoideopatia, epilepsia, delirium, demência, TDAH. A duração das fases maníacas e depressivas são variáveis e sofre interferência da medicação adotada. Quadros maníacos são atenuados após cerca de 2 a 3 semanas com o uso de estabilizadores e quadros depressivos se atenuam com 4 semanas após introdução de AD. Tratamento PERMANENTE, podendo haver diminuição da dose com o tempo. Mania: uso de estabilizadores de humor e antipsicóticos © Estabilizadores de humor: - Lítio: 1º escolha à ação no controle de impulsividade e potencialização de antidepressivos. Necessário monitorização sérica (litemia). Quadros confusionais à suspeitar de intoxicação por lítio - Ácido Valpróico: anticonvulsionante utilizado como estabilizador de humor. Monitoramento de função hepática e hematológica - Carbamazepina: anticonvulsionante utilizado como estabilizador de humor. - Oxacarbazepina: menor potencial de interação medicamentosa. Não é 1ª linha e não está disponível no SUS © Antipsióticos: Quetiapina (1º escolha), Lurasidona, Haloperidol, Olanzapina, Risperidona, Ziprasidona e Aripiprazol. Depressão: associação à Olanzapina + Fluoxetina ou Quetiapina + Lurasidona © Lamotrigina: antiepiléptico e estabilizador de humor à usado para manutenção (paciente com predominância da fase depressiva) © Lurasidona: antipsicótico à eficácia em sintomas cognitivos, melhorando funções como atenção, memória e função executiva. Gabapentina e topiramato são utilizados para controle dos efeitos colaterais Efeitos colaterais: © Lítio: irritação gástrica, diarreia, náuseas, poliúria e litemia © Ácido Valpróico: distúrbios gastrointestinais, náuseas, vômitos, tremor e sedação © Carbamazepina: leucopenia, elevação de enzimas hepáticas, hiponatremia e alterações na tireoide. Interação medicamentosa significativa com anticoncepcionais. Casos graves: lítio + lamotrigina. Em casos refratários (pouca remissão e diferentes tentativa medicamentosas) e muito graves: eletroconvulsoterapia Realizar acompanhamento psicológico concomitante ao tratamento medicamentoso Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Critérios Diagnósticos e Sintomas Notas especiais e Diagnósticos Diferenciais Tratamento Efeitos colaterais do tratamento e refratariedade Es qu iz of re ni a Critérios: No mínimo 2 sintomas com trajetória de 6 meses ou 1 mês de sintomas agudos à cada paciente apresenta um grupo de sintomas Sintomas: © Positivos: delírios, alucinações e desorganização do pensamento e do comportamento © Negativos: afeto embotado, hipopraxia (dificuldade de planejar e executar tarefas), hipobulia (dificuldade de ter iniciativa) e menor interação social. © Cognitivos: perda cognitiva com a evolução do quadro à quanto maior a frequência de sintomas positivos não tratados, maior é o grau de perda. DD: intoxicação por cocaína/crack, transtorno bipolar em fase maníaca, transtornos orgânicos (tumor cerebral e epilepsia de lobo temporal), transtorno delirante persistente (acometido apenas por delírio, havendo preservação da cognição e ausência de sintomas negativos). Uso de substâncias: pode ser um gatilho ou fator de complicação para o quadro. Pacientes que nunca apresentaram o quadro podem vir a apesentar sintomas Fisiopatologia: © Hiperatividade da via mesolímbica ( dopamina) à positivos. © Hipoatividade da via mesocortical (¯ dopamina) à negativos. - No tto queremos ¯ dopamina na via mesolímbica e na via mesocortical, contudo, os medicamentos atuam predominantemente nos sintomas positivos. © Via nigro-estriatal está relacionada a coordenação motora, por isso a ¯ dopamina com o uso dos medicamentos (bloqueio não restrito) cursa com parkinsonismo Antipsicóticos típicos: bloqueiam receptores de D2 de dopamina © Alta potência: bloqueio mais intenso dos receptores D2 - Haloperidol, Trifluperazina © Baixa potência: bloqueio mais fraco dos receptores D2 - Clorpromazina e Levomepromazina Antipsicóticos atípicos: bloqueiam receptores D2 e 5HT2A. Menos efeitos extrapiramidais e não agravam sintomas negativos - Risperidona, Olanzapina, Quetiapina (menor efeito extrapiramidal), Ziprasidona Medicamentos de depósito: Opção para pacientes que não aderem ao tratamento - Haloperidol decanoato (disponível no SUS), Risperdal (risperidona) e Paliperidona Efeitos colaterais: © Antipsicóticos típicos de alta potencia: maior efeito extrapiramidal © Antipsicóticos típicos de baixa potencia: sonolência e hipotensão postural © Antipsicóticos atípicos: aumento do apetite e ganho de peso Em casos refratários: uso de Clozapina à obrigatoriedade na realização de hemograma semanalmente durante 18 semanas e em seguida mensalmente, devido a possibilidade de agranulocitose. Efeitos extrapiramidais: associar biperideno para atenuação dos sintomas agudos (biperideno + típico à não há atípico no SUS) © Parkinsonismo secundário: tremor de repouso, bradicinesia e rigidez muscular. © Distonia aguda: intensa contração muscular © Acatasia: inquietação constante © Sindrome neuroepilética maligna: efeito colateral mais grave à quadro confusional associado a hipertemia de difícil controle e rigidez muscular Realizar acompanhamento psicológico concomitante ao tratamento medicamentoso Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Critérios Diagnósticos e Sintomas Tratamento Tr an st or no s d e An si ed ad e Transtorno do Pânico: ataques recorrentes de ansiedade grave (pânico) não circunscritos a uma dada situação ou determinada circunstância à podem vir de maneira repentina, sem fator desencadeante, mas podem também ser fruto de agente estressor intenso. © Cada crise dura alguns minutos e é seguida do medo persistente de um outro ataque de pânico recorrer (DIAGNÓSTICO) © Pode ser diagnosticado com ou sem agorafobia à marcador de gravidade Sintomas: palpitações, sudorese, tremores, dificuldade de respirar, sensação de sufocamento, desconforto ou dor no peito, náusea ou mal-estar, desrealização (estranheza em relação ambiente) ou despersonalização (estranheza em relação a ela mesma), tontura, cabeça vazia, perda de controle ou enlouquecimento, medo de morrer. Psicofarmacoterapia: BZD e antidepressivos com ação serotoninérgica © Antidepressivos: no TOC, eles demoram a ter efeitos o Inicia-se com ISRS (sertralina ou paroxetina), e caso não haja melhora, pode-seutilizar Clomipramina (tricíclico). o Se há muita somatização à Dual (Venlafaxina) © BZD: seu uso deve ser bem criterioso, utilizando pelo menor tempo necessário. Não medicamentoso: prática de atividades físicas e alimentação adequada e equilibrada à mudança dos hábitos de vida Psicoterapia: expor o individuo ao elemento fóbico, para que a pessoa seja dessensibilizada. Transtorno de ansiedade generalizada: © Critérios: o Pelo menos 6 meses de ansiedade e preocupação excessiva e persistente; o Paciente considera difícil controlar a preocupação; o Apresenta prejuízo funcional (sócio-ocupacional) e/ou sofrimento clinicamente significativo; o Não se deve a efeito fisiológico direto de uma substância ou condição médica. © Deve estar associada a pelo menos 3 dos seguintes sintomas: inquietação ou nervos a flor da pele, fatigabilidade, dificuldade em concentrar-se ou sensação de “branco na mente”, irritabilidade, tensão muscular e alteração do sono Fobia Social: © Critérios: o Medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho à medo de ser humilhado ou embaraçado; o A exposição a situação social provoca ansiedade e até ataque de pânico; o Reconhecimento do medo excessivo e irracional; o Situações sociais são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade e sofrimento; o A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento interferem no funcionamento do indivíduo; o Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração dos sintomas precisa ser de no mínimo 6 meses para o diagnóstico ser feito à importante conseguir diferenciar a pessoa tímida de uma pessoa com fobia social; o O temor ou esquiva não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de outra condição médica. © Situações comuns: falar em publico, reuniões, festas, iniciar uma conversa, fazer amizades, comer em publico, escrever em publico. Fobia específica: quadro de ansiedade significativa provocada pela exposição a objeto ou situação. © Acrofobia (medo de altura), agorafobia, aiulurofobia (medo de gatos), hidrofobia, claustrofobia, cinofobia, zoofobia Transtorno Obsessivo-Compulsivo © Obsessões: o Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes experimentados como intrusivos e inadequados, além de não serem meramente preocupações; o Individuo tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, ou neutraliza-los com ações, mas não consegue à ansiedade intensa; o Individuo reconhece que os pensamentos são produtos da própria mente o Conteúdos: contaminação, medo de que algo terrivel possa acontecer, rezar excessivamente, numeros da sorte ou azar, necessidade de simetria, ordem e exatidão... © Compulsão: o Comportamentos repetitivos (lavar as mãos) ou atos mentais (contar ou repetir palavras em silêncio) que o individuo se sente compelido a realizar de forma rigidamente aplicada; o Comprotamentos ou atos mentais que visam prevenir ou reduzir o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida o Exemplos: lavar as mãos e banhos excessivos, rituais de repetição (entrar e sair pela mesma porta), verificar protas, janelas e fechaduras, limpeza excessiva, tocar e rearranjar objetos, guardar e colecionar. Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Mecanismo de ação Efeitos sobre órgãos e sistemas Precauções Intoxicação, overdose e abuso Uso correto São fármacos utilizados primordialmente com o objetivo de combater um estado de ansiedade à alivio de crises (estado de ansiedade aguda), como a crise de pânico. Utilizado como coadjuvante de um medicamento principal, como os ISRS no tratamento dos estados ansiosas crônicos. Ansiedade, medo e preocupação à causados pela hiperexcitação dos circuitos da amigdala à BZD (agentes GABAérgicos) aumentam as ações inibitórias nos receptores GABA pós sinápticos na amigdala aliviando esses sintomas. Importante ressaltar, que a amigdala recebe estímulos de neurônios serotoninérgicos, assim, agentes serotoninérgicos podem aliviar também a ansiedade e o medo ao aumentar os impulsos serotoninérgicos para a amigdala. © Potencialização do neurotransmissor inibitório GABA por ação imediata no complexo receptor GABA. Os BZD potencializam uma inibição do SNC à efeitos ansiolíticos, sedativos, miorrelaxantes, anticonvulsivante e dificuldade de coordenação motora (efeito colateral). © SNC: efeito depressor à altas doses de BZD causam sonolência excessiva, confusão mental, pensamento obnubilado, ataxia e disartria o Efeitos potencializados com uso associado de barbitúricos ou álcool. o Amnésia anterógrada e déficits cognitivos: quanto maior o tempo e a dose maior a chance de ocorrência. o Efeito anticonvulsivante: utilizado na sindrome de abstinência do álcool e intoxicações que causem convulsões. © AR e ACV: altas doses e uso EV podem levar à depressão cardiorrespiratória, principalmente quando combinados com outros depressões (barbitúricos e álcool) o ATENÇÃO! Pacientes com DPOC e apneia do sono à uso de BZD podem prolongar a frequência e a duração da apneia © Uso crônico leva a dependência e ao prejuízo cognitivo o Importante realizar desmame da medicação com cautela © Cuidado com o uso em idosos: metabolização é 2 a 5 vezes mais lenta em idosos à efeitos adversos mais intensos © Pacientes com insuficiência hepática: meia vida está aumentada à preferencia em utilizar lorazepam (menos hepatotóxico) o Pacientes com dependência alcoólica deve-se prestar atenção na dose à maioria necessitam de BZD no tratamento da abstinência © Tolerância aos efeitos sedativos a longo prazo, mas não nos efeitos ansiolíticos: nesses pacientes deve-se ter maior cuidado, pois aqui há chance de abuso da substância. © Sonolência, diminuição dos reflexos, relaxamento muscular, depressão cardiorrespiratória, confusão, podendo evoluir para coma © Avaliar sinais vias e medidas de suporte © Esvaziamento gástrico pode ser necessário © Se em coma à flumazenil pode ser necessário (0,3 mg EV a cada 60s até atingir 2mg) à antagonista à ação dos BZD (ocupa receptor GABA) © Usar pelo menor tempo e menor dose possível © Não realizar retirada abrupta à sindrome de abstinência (insônia, mal estar, irritabilidade e tremores) o Ex de desmame: iniciar clonazepam em gotas e ir diminuindo a quantidade ao longo do tempo © Equilibrar riscos e benefícios: sempre que possível compara-lo com outras intervenções disponíveis o Intervenções não farmacológicas: atividade física, higiene do sono, realizar técnicas de relaxamento, etc o Investigar doenças de base: depressão grave, por exemplo. Encaminhar para acompanhamento psicoterapêutico © Sempre esclarecer sobre plano terapêutico: explicar sobre medicamento e dose mínima, assim como seu uso em crises e não a longo prazo. Explicar sobre riscos e efeitos colaterais e definir tempo de uso pré-determinado. © Participação e disciplina do paciente é fundamental ANSIOLÍTICOS BENZODIAZEPÍNICOS PRINCIPAIS: © Diazepam: cp de 5 a 10mg: amp de 10mg (Valium). © Clonazepam: cp de 0,25: 0,5 e 2mg, solução gotas de 2,5mg/ml (Rivotril). © Lorazepam: cp de 1 e 2mg (Lorax). © Bromazepam: cp de 3 e 6mg (Lexotam). © Alprazolam – meia vida curta. Cp de 0,25: 0,5: 1 e 2mg (Frontal). © Clozazolam – meia vida curta. Cp de 1, 2 e 4mg (Olcadil). © Nitrazepam – mais sedativo, meia vida longa. Cp de 5mg (Sonebom). © Midazolam – muito sedativo, meia vida curta; praticamente nao usado em ambulatório, mais utilizado em hospitais. Cp de 7,5 e 15mg: amp de 5 e 15mg (Dormonid). Mais comuns do meio ambulatorial são: Meia vida longa: diazepam, clonazepam, bramazepam. Meia vida curta: alprazolam. Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Endócrinas Neurotransmissores (SNC) Imunológicas Induzem o sono, com menor ação ansiolítica e menor potencial de causar dependência pela ação próxima a receptores GABAespecíficos relacionados a indução do sono. © Menor chance de prejudicar a cognição, a memória e de causar dependência à isso não significa que ele não cause dependência, porem nesse caso é em menor grau que os BZD. © Limitação do uso no que tange a ação ansiolítica à não conseguem conter uma crise de pânico © São considerados medicamentos de entrada para o inicio do tratamento à após a tentativa das praticas não farmacológicas © Induzem o sono rapidamente: orientar paciente a tomar sempre que for dormir, já na cama. A principal resposta é o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal à produção de cortisol. © Estímulo estressor à produção de CRH (hormônio liberador de corticotrofina à ativa a adenohipófise para produção de ACTH (corticotrofina) à ativa a adrenal à produção de cortisol. Ativado em duas situações: © Situação de perigo para fuga ou luta (desativado quando o momento cessa) à fisiológico © Situações ambientais ruins que fazem com que esse estimulo estressor seja contínuo, sem ser desativado à hipercortisolemia © Noradrenalina: o Aumento da descarga autonômica em estados de estresse agudo à fisiológico o Maior reatividade ao estresse crônico (pessoas que apresentam reatividade exagerada a eventos simples, por exemplo) à hipercortisolemia © Serotonina o Sofre influência do aumento de glicocorticoides nos estados de estresse. O aumento crônico dos glicocorticoides provoca a diminuição da serotonina à configura quadros de depressão e ansiedade. © Dopamina o Aumento do estresse agudo em via mesocortical o Esquizofrênicos tem uma hipofunção da via mesocortical O estado de estresse agudo promove aumento da resposta imune, já o estresse crônico promove diminuição da resposta imune. HIPNÓTICOS NÃO-BENZODIAZEPÍNICOS PRINCIPAIS: © Zolpidem 10mg (Stilnox) © Zopiclona 7,5mg (Imovane) ESTRESSE E TRANSTORNOS DE ADAPTAÇÃO RESPOSTAS AO ESTRESSE Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Critérios diagnósticos e sintomas Tratamento Di st úr bi os p si qu iá tr ic os a ss oc ia do s a o es tr es se Re aç ão a gu da a o es tr es se É um distúrbio agudo que ocorre em resposta ao estresse físico ou mental. © Ocorre: catástrofes naturais, acidente, assalto, estupro, perdas sócio familiares ou profissionais, doença infectocontagiosa o A vulnerabilidade individual e a capacidade de adaptação são fatores que influenciam o surgimento da reação © Sintomas: atordoamento com o estreitamento do campo de consciência, diminuição da atenção, desorientação, hiperatividade (reação de fuga) e sinais autonômicos de pânico (taquicardia, sudorese, tremor) o Desaparecem dentro de horas ou no máximo em 2-3 dias Quando se configura em crise aguda dissociativa com estreitamento, ou ansiosa: BZD (doses muito baixas) + suporte psicológico Tr an st or no d e es tr es se p ós - tr au m át ic o É um distúrbio crônico, sendo uma resposta tardia a um evento ou situação estressante, ameaçadora ou catastrófica. Tende a ser pior do que a reação aguda, porque aqui uma memória traumática é criada para proteção individual à no sentido de fazer com que o individuo evite vivenciar aquelas situações estressantes e ameaçadoras novamente à é incapacitante na maioria das vezes. © Exemplos: soldados de guerra (não voltarão a guerra pois a memória traumática está consolidada); acidentes de carro (individuo permanecerá com medo constante de estar/dirigir um carro) Caracteriza-se (tríade): 1. Episódios de revivescências do trauma (memórias intrusas, sonhos...) 2. Embotamento emocional com “evitação” de situações recordativas do trauma 3. Hiperexcitação autonômica com hipervigilância o Podem apresentar reação de choque (assombramento) aumentada e insônia Inicio após poucos dias do trauma a meses (raramente excede 6 meses) Quando se configura em crise crônica: ISRS + BZD como adjuvante + suporte psicológico Tr an st or no d e aj us ta m en to (d e ad ap ta çã o) É um distúrbio crônico, caracterizado por um estado de perturbação emocional com repercussão funcional que surge em um período de adaptação a um evento de vida estressante à transtorno NÃO surge sem esse estresse © Exemplos: atualmente no contexto de isolamento pela COVID-19, penitenciários Caracteriza-se: humor deprimido, ansiedade, preocupações, sentimentos de incapacidade de adaptação e de continuar na situação atual Inicio usualmente dentro de um mês à pode evoluir para um transtorno depressivo ou ansioso, principalmente se o evento for persistente © Depressão e transtornos ansiosos: Acontece pela resposta serotoninérgica (há uma diminuição da serotonina com o aumento do cortisol) e pela fragilidade do organismo ocasionado pelo estresse à pode ocorrer em reação aguda ao estresse, TEPT, de adaptação Abuso de substâncias são comuns complicadores dos transtornos de adaptação à utiliza para fuga/medicação para “sobreviver” ao momento, porém cria-se uma dependência que é prejudicial no tratamento Remoção do agente estressor Em caso de evolução para depressão e ansiedade: vide tratamento para ambas condições Tr an st or no s ps ic ót ic os Podem surgir no contexto de uma situação estressante vivenciada pelo paciente a partir da vulnerabilidadeda pessoal a tais transtornos Melhor prognóstico quando identificado em estágio precoce à geralmente em quadros de reação aguda ao estresse Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Farmacodinâmica e Farmacocinética Intoxicação e tratamento Abstinência e tratamento Dependência e tratamento Tr an st or no s m en ta is d ec or re nt es d o ab us o de á lc oo l Farmacocinética: absorção intestinal (90%) e metabolismo hepático (10%) © Metabolismo do álcool: etanol à aldeído acético (tóxico) à acetato + acetilCoA (não tóxico). o Esse metabolismo hepático é capaz de realizar a desintoxicação, porém o motivo para que a pessoa continue bêbada é pelo fato de que em geral, quando se termina a depuração, ocorre mais ingestão do álcool. Farmacodinâmica: atua no receptor GABA à amplia a ação inibitória do álcool, ou seja, inibe a região que controla © Inibe primeiro o córtex pré-frontal (mais sensível) à área que inibe nosso comportamento, se essa inibição for inibida, o que ocorre é a retirada do controle fino das emoções, deixando-a desinibida. © Ocorre também uma inibição do hipocampo à amnésia alcóolica Conceito: Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e mal- adaptativas desenvolvidas durante ou logo aos a ingestão de álcool Sinais e sintomas: fala arrastada; incoordenação; marcha instável e nistagmo Tratamento: SEMPRE FAZER A MEDIÇÃO DA GLICEMIA (rapidamente metabolizado à se não houver ingestão de carboidrato antes de beber há maior consumo de glicemia à hipoglicemia) e avaliação dos dados vitais. Realizar sempre TIAMINA ANTES OU CONCOMITANTE COM GLICOSE à evitar encefalopatia de Wernicke. © Casos mais graves: suporte ventilatório, atenção para equilíbrio ácido-base, eletrólitos, avaliação de TCE (hematomas subdurais), fraturas, aspiração de vômito (deixar sempre em decúbito lateral) © NUNCA prescrever BZD para paciente intoxicado por álcool, por mais agitado que esteja à depressão respiratória e coma o Utilizar: inicio com haloperidol (antipsicótico), mas se o paciente continuar muito agitado, posso associar a prometazina (fernegan) à sedação por via histaminérgica, para contenção de agitação o Em serviços privados ao invés de sedar por haloperidol + prometazina, posso utilizar olanzapina. Conceito: cessação ou redução do uso pesado e prolongado de álcool. Aqui, o cérebro do paciente já acostumou com aquela substância, pois estava trabalhando sempre com a inibição em decorrência do uso crônico, ao retira-la,ocorre um disparo dos neurotransmissores excitatórios. Sinais e sintomas: hiperatividade autonômica (sudorese; FC > 100); tremor intenso, insônia, náuseas e vômitos, alucinações ou ilusões, agitação psicomotora, ansiedade e convulsões. © Delirium tremens: quadro com rebaixamento leve e moderado do nível de consciência, acompanhado de desorientação temporo- espacial, dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus variáveis, agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico e ilusões ou alucinações. Tratamento: BZD para melhorar os sintomas excitatórios à titulo a dose de acordo com a necessidade do caso. © Chance de abuso de BZD nesses pacientes é altíssima; © Após a retirada do BZD utiliza-se carbamazepina; © Beta-bloqueador pode ser necessário para contenção da hiperatividade adrenérgica. Conceito: A dependência alcoólica ou alcoolismo é uma doença, frequentemente crônica e progressiva, que se caracteriza pelo consumo regular e contínuo de bebidas alcoólicas, apesar da recorrência repetida de problemas relacionados com o álcool. © Associado muitas vezes a sensação de prazer secundário ao uso à esses pacientes são os mais difíceis de serem identificados, pois não gostam de abordar sobre o assunto. Tratamento: © Manutenção da abstinência: internações em clínicas especializadas, acompanhamento psiquiátrico e psicológico, grupos de autoajuda... © Reposição de tiamina, nutrição e correção de distúrbio hidroeletrolíticos © Tratamento das comorbidades clinicas e psiquiátricas: TEPT, fobias, hepatopatias, depressão... © Medicamentoso: o Dissulfiram: causa efeito antabuse à inibe o metabolismo de acetaldeído para acetato, o que ocasiona um efeito extremamente desagradável (palpitações, sudorese, cefaleia, náuseas e vômitos) mesmo em pequena quantidade consumida de álcool. § Ponderar sempre riscos e benefícios e obter consentimento do paciente o Naltrexona: antagonista opióide que, em alguns estudos, demonstrou eficácia na redução dos efeitos de recompensa (prazer) produzidos pelo álcool § Avaliar função hepática antes da prescrição. Diferença entre intoxicação x abstinência: na abstinência ocorre um excesso de excitação e na intoxicação ocorre um excesso de inibição. Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Farmacodinâmica e Farmacocinética Intoxicação Abstinência Dependência Tr an st or no s m en ta is d ec or re nt es d o ab us o de c ra ck /c oc aí na Crack é uma apresentação da cocaína para ser fumada com o proposito de produzir efeitos mais rápidos e intensos do que a apresentação em pó (cocaína). Ambos se referem a mesma substância, o que muda é apenas sua apresentação. © Os efeitos do crack são mais rápidos e intensos em decorrência do tamanho da superfície de absorção (pulmonar > mucosa nasal) © Crack: cristal/pedra produzido a partir de cloridrato de cocaína, aquecido com água, amônia e bicabornato à são usualmente fumadas em cachimbos o Características: curta duração (5-15 minutos) dos sintomas, preço inferior, impurezas da amalgama, seus efeitos são sentidos imediatamente. Farmacodinâmica: ação direta no sistema de recompensa cerebral (vias dopaminérgicas, mesolímbicas e mesocorticais) à tem ação inibitória dos transportadores de monoaminas, principalmente a dopamina à quantidade na sinapse é ampliada em cerca de 1000 vezes. © O crack é extremamente deletério ao cérebro por ser agressivo no seu mecanismo de ação na área tegumentar ventral e núcleo accumbens o Área tegumentar ventral é onde se localizam os corpos neuronais dopaminérgicos responsável pelas projeções à demais estruturas de recompensa o Núcleo accumbens é responsável pelo aprendizado e pela motivação, bem como a valorização dos estímulos. o O sistema mesolímbico está relacionado ao mecanismo de condicionamento ao uso da substância, bem como à fissura, à memória e às emoções ligadas ao uso o O sistema mesocortical é composto pela área tegumentar ventral, córtex pré frontal, giro do cíngulo e córtex orbito- frontal. As alterações que ocorrem nesse sistema em decorrência do consumo de substancias psicoativas estão relacionadas com a compulsão e a perda do controle para o consumo de drogas © Os sistemas mesolímbica e mesocortical funcionam paralelamente entre si e com as demais estruturas cerebrais configurando o sistema de recompensa cerebral sendo que a dopamina é o principal neurotransmissor. © A ação dessas drogas nesse sistema de recompensa leva ao desenvolvimento de dependência. Sinais e sintomas: © Efeitos inicias e desejados (são desejados por são motivo pelo qual a pessoal utiliza a substância): Euforia, sensação de bem-estar e autoconfiança, aumento da acuidade mental e estado de alerta, redução do apetite, redução da necessidade de sono, taquipsiquismo, aumento da libido e prazer sexual. © Efeitos e comportamentos adversos (cérebro cansa de ser psicoestimulado): irritabilidade, labilidade emocional (fragilidade emotiva), fadiga, hiperatividade motora, sintomas paranoides transitórios (conhecido como nóia) à transitórios pois o sistema mesolímbica volta a funcional, apenas deixa de ser transitório se o paciente for esquizofrênico. © Efeitos físicos: PA, FC, Tax, FR; tremor e sudorese; dilatação das pupilas; espasmos musculares © Overdose: intensa ansiedade, sintomas psicóticos nítidos, hipertermia, AVC, convulsões, IAM, taquicardia com irritabilidade ventricular que evolui para uma falência cardíaca. Tratamento: suportivo. Três fases: 1. Crash (4 dias): depressão, agitação e fissura que aos poucos é substituída por um estado de hipersônia e hiperfadiga à período menos critico 2. Abstinência propriamente dita (1- 10 semanas): falta de motivação com picos de intensa fissura e irritabilidade à período mais difícil de passar 3. Fase de extinção (duração indefinida): fissuras cada vez mais episódicas, induzidas por gatilhos ambientais a. Momento em que o sistema dopaminérgico está se recuperando nessa fase de extinção. b. Não há como afirmar aqui que o paciente está tratado, uma vez que os gatilhos ambientais são riscos para recaídas; por isso, é importante orientar o paciente para buscar ajuda se necessário. Critérios (geralmente o paciente possuí os 6 ao mesmo tempo) 1. Forte desejo ou compulsão para consumir a substancia 2. Dificuldade em controlar inicio e termino de uso, assim como níveis de consumo à comparação com álcool, esse controle com a cocaína/crack é mais difícil. 3. Sindrome de abstinência 4. Aumento da tolerância 5. Abandono progressivo de outros interesses em favor do uso da substância à ocorre um estreitamento do repertório 6. Persistência no uso do crack/cocaína, a despeito das claras evidencias das consequências nocivas Uso crônico: © Complicações psíquicas: psicose paranoide (delírios, alucinações), transtornos de humor, déficit cognitivo (sequela da hipóxia tecidual no cérebro nos momentos de pico da intoxicação) © Complicações físicas: disfunção cardíaca (risco de arritmias); disfunção respiratória (pneumonite química), deficiência nutricional (anorexígeno), doenças infectocontagiosas (ambiente nocivo dos usuários) © Complicações psicossociais: degradação do caráter (começa a se envolver com roubos e agressões em prol da compra da substância); perda do convívio familiar, estudos e emprego; contravenções penais Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Conceitos basicos para o manejo Tratamento não farmacológico Tratamento farmacológico Tr an st or no s m en ta is d ec or re nt es d o ab us o de c ra ck /c oc aí na São 3: 1. A dependencia é uma doença crônica e recidivante (reicidiva é REGRA e não EXCEÇÃO) 2. A sindrome de dependência pode se reinstalar em poucos dias, mesmo após um longo periodo de abstinencia 3. Antes de se instalar a dependencia há o primeiroconsumo e uso nocivo (momento entre o abuso esporádico e a instalação da dependencia). a. No primeiro momento deve-se manejar intervenção à conversa/explicação do que a substancia é e o que pode causar na vida do usuário. A intervenção mais útil é permitir que o sistema dopaminérgico seja restaurado por si mesmo com o tempo à prolongar ao máximo o período de abstinência. Diagnóstico clinico (comorbidades clínicas e psiquiátricas) e motivacional são diretrizes para o tratamento. © O diagnóstico motivacional passa por 3 estágios: o Pré-contemplação: paciente não tem a intenção de parar à chance pequena de intervenção efetiva o Contemplação: paciente começa a pensar sobre e considera parar o uso o Determinação: paciente está determinado a parar o uso ! ATENÇÃO! Paciente deve ser instruído a como parar, assim como deve ser orientado sobre situações de risco, tratar doenças de base, tentar se reestabelecer no trabalho e estudos. ! NÃO HÁ INTERVENÇÃO PSICOFARMACOLÓGICA TOTALMENTE EFICAZ. © Pode-se utilizar antipsicóticos de baixa potência, pois os de alta potência irá inibir em excesso a dopamina natural do corpo que o paciente está tentando produzir, © Antidepressivos podem ser utilizados para aliviar os sintomas depressivos da abstinência à reduz incômodos dessa fase e facilita a sua manutenção © Durante a abstinência propriamente dita, usa-se medicamentos de propriedade ansiolítica/sedativas (BZD à se atentar para o abuso da medicação) para conter a ansiedade e agitação PROPOSTA DE TRATAMENTO: © Desintoxicação em regime de internação hospitalar © Após 2-3 semanas: transição para ambulatório especializado com equipe multidisciplinar (psiquiatria, psicologia, assistente social, terapia ocupacional, educador físico) e grupos de autoajuda o A depender do caso, pode encaminhar paciente para moradias-assistidas habilitadas a estruturas a abstinência do paciente à reestruturação do convívio sócio familiar, retorno do estudo e trabalho... Letícia Assis Rodrigues Freitas – 70D Delirium hipoativo Delirium hiperativo DELIRIUM ! IMPORTANTE IDENTIFICAR A CAUSA DESSE DISTÚRBIO ORGÂNICO à fazer exame físico, laboratorial, como gasometria, VDRL, sorologia HIV, exame de imagem. Quadro de confusão mental por inibição do SNC à intoxicação por álcool, barbitúrico, distúrbio hidroeletrolítico, resposta metabólica ao trauma, T.C.E., D.C.V., infecção, hipoglicemia, medicação anticolinérgica em excesso © Exemplo: usa um anticolinérgico para atenuar efeitos colaterais extrapiramidais de um antipsicótico à pode gerar quadro de delirium Tratamento: suporte clinico, tratar a causa base, antipsicótico, NÃO USAR BZD à IDENTIFICAR SEMPRE A CAUSA DO QUADRO Quadro de confusão mental por excitotoxicidade do SNC © Exemplo: abstinência de álcool Tratamento: suporte clinico, usar BZD Idoso tem mais vulnerabilidade para efeitos colaterais de antipsicóticos, como o parkinsonismo medicamentoso © Dar preferência para a quetiapina à causa menos efeito extrapiramidal e aliviam o estado de agitação o Não tem no SUS à pode-se utilizar um antipsicótico típico de baixa potencia (clorpromazina), mas com cautela! Estar atento para delirium sobreposto e descompensação de comorbidades clínicas (ex: ITU, alteração glicêmica) © Pensamento, planejamento, tentativa, suicídio © 90-95% dos suicídios ocorrem em pessoas com transtorno psiquiátrico o Depressão, fase depressiva do TAB, impulsividade (personalidade borderline), dependência química, alcoolismo, esquizofrenia (paciente em surto com proeminência de sintomas positivos), dissociação após perdas pessoais, Diagnóstico de doenças graves Tratamento: vária a cada caso, sendo avaliado de acordo com diagnósticos prévios à AD, lítio, BZD © Alguns pacientes necessitam de locais específicos para tratamento, como internações e CAPS. ! VERIFICAR OS 3 Ds: desamparo (sócio familiar, assistência psicossocial), desespero, desesperança (visão desolada de futuro à “o que você pensa em relação ao seu futuro?”) Quadros psicóticos, quadros de humor (em especial quadros maníacos no TAB), agitação em pacientes com retardo mental, autismo (piorado pelo distúrbio cognitivo), intoxicação por álcool, cocaína, crack © Epilepsia: psicose ictal (ilusões e alterações visuais e auditivas), pós-ictal (alucinações, delírios ou anormalidades grosseiras de comportamento ou afeto até sete dias após a crise), interictal (crônica) © Delirium, demências em estágios mais avançados © Avaliar a ideação homicida (risco para terceiros) Tratamento: antipsicótico + sedativo © No SUS a associação mais usada é: Haloperidol + Prometazina (IM se a abordagem VO não for “possível”) ! Se há suspeita de intoxicação por álcool NÃO utilizar benzodiazepínico Contenção física à somente se extremamente necessário e com todos os cuidados de acompanhamento medico e da enfermagem ! A contenção é um ato médico à como se fosse uma prescrição e tem indicações corretas e modo/protocolos de como serem feitas © Crises de pânico: BZD + suporte psicológico na crise o Verificar se já há transtorno de pânico ou outro quadro psíquico à tratar quadro de base, nesses casos © Reação aguda ao estresse: BZD + suporte psicológico na crise o Possível evolução para TEPT (é um fator de risco de evolução para esse quadro) à o que torna necessário o encaminhamento para tratamento psiquiátrico e psicológico após o atendimento na urgência URGÊNCIAS NA PSIQUIATRIA Delirium Agitação na demência Avaliação do risco de suicídio Agressividade e agitação psicomotora Crise de ansiedade e de reação ao estresse