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O que é Priapismo? 
 
Vamos conhecer mais um assunto importante para a saúde dos 
homens o Priaprismo. Muito pouco comentado a partir de agora é 
hora de entender como age e como é o tratamento. 
 
 
O Priapismo é expresso como uma ereção firme e dolorosa do pênis ou 
do clitóris sem relação ao desejo e estimulação sexual. O Priapismo significa 
uma fatalidade urológica que exige uma análise rápida. 
De acordo com dados clínicos em hospitais dos Estados Unidos 5% das 
reclamações urológicas representam cerca de 5% das visitas e uma das mais 
graves dessas emergências é o Priapismo, podendo ocorrer em homens de 
qualquer idade, mas com pico entre 5 a 10 anos e dos 20 aos 50 anos de idade, 
sendo regularmente associado à anemia falciforme. 
Podemos destacar três tipos principais de Priapismo: 
 Isquêmico; 
 Não isquêmico; 
 Isquêmico recorrente (também chamado de Priapismo intermitente). 
 
Vamos conhecer cada um deles: 
Priapismo Isquêmico 
 
 
É uma síndrome comportamental peniana e representa 95% 
dos casos, tornando-se uma verdadeira emergência e solicita uma 
intercessão rápida. Pois nesse tipo de Priapismo, ocorre uma 
imperfeição de reduzir a tumescência devido à alteração do 
relaxamento e à paralisia da musculatura lisa do corpo cavernoso. 
Com esta anomalia, a alteração isquêmica, pode ocorrer 
hipóxia e acidose; com 12 horas de ereção, podendo acarretar em 
um edema intersticial significativo com progressão causando lesões 
e ativação de trombócitos em 24 horas, com alterações 
microscópicas na circulação perceptível entre 4 a 6 horas após a 
instalação do Priapismo. 
Aproximadamente, depois de 48 horas, ocorre necrose do 
músculo liso e aumentam os fibroblastos, de modo que, em 48 horas 
de Priapismo isquêmico, quase 100% dos enfermos desenvolvem 
algum grau de fibrose irreversível do corpo cavernoso que afeta sua 
função erétil negativamente e pode levar à impotência permanente, 
com 90% dos homens não conseguindo mais ter relações sexuais 
após esse acontecimento. 
O risco do aparecimento de Priapismo isquêmico para um 
homem com anemia falciforme durante toda sua vivência varia de 29 
a 42%. O Priapismo não isquêmico, também determinado de alto 
fluxo, menos contínuo, ocorrendo particularmente pelo surgimento de 
tumores entre a circulação arterial e os sinusoides cavernosos, 
levando à retenção vascular e a uma ereção semirrígida. 
Sua razão principal são choques penianos ou perineais, em 
particular em atividades específicas como exemplo os ciclistas. Pode 
ocorrer, ainda, por estimulação parassimpática ou malformações 
congênitas da artéria cavernosa. O Priapismo não isquêmico não é 
uma conjuntura de emergência médica, pois o sangue da artéria é 
bem oxigenado. 
O Priapismo recorrente, é uma forma incomum de Priapismo 
isquêmico, que também é frequente em pacientes com anemia 
falciforme, mas geralmente é de duração limitada aproximadamente 
menos de 4 horas com episódios repetindo-se usualmente durante a 
madrugada, persistindo ao despertar. 
O Priapismo recorrente não está relacionado à disfunção erétil 
a longo prazo, num sentido global o intervalo entre os episódios se 
torne menor e a duração das ocorrências incremente; nesse caso, 
pode ocorrer progressão para Priapismo isquêmico e fibrose peniana 
pelo mesmo mecanismo do Priapismo isquêmico. 
 
 
 
Fisiopatologia e a Etiologia 
 
O pênis é composto por três partes cilíndricas: dois corpos 
cavernosos e um corpo esponjoso. Os dois corpos cavernosos no 
aspecto dorsal precisam ter sangue para começar e manter a ereção. 
O corpo esponjoso fica sob os corpos cavernosos, envolve a uretra 
e não contém tecido erétil. 
Os três corpos cilíndricos são cobertos pela fáscia de Buck, 
com fornecimento de sangue ao pênis pela artéria pudenda interna. 
A inervação sensorial do pênis dorsal é realizada pelo nervo dorsal, 
um ramo do nervo pudendo interno. A inervação ventral, por sua vez, 
se dá pelo nervo íleo-inguinal e ramos do nervo perineal e nervo 
cutâneo da coxa. 
O relaxamento dos músculos lisos ocasiona dilatação arterial 
e entrada de sangue nos sinusoides do corpo cavernoso, que 
posteriormente aumenta de tamanho e comprime o sistema venoso. 
A combinação de circulação arterial aumentada e diminuição do 
retorno venoso resulta na ereção mantida do pênis. 
 
 
Nos casos de Priapismo no contexto de trauma ou outra lesão 
medular, os enfermos constantemente apresentam déficit motor 
significativo. Se o paciente com Priapismo em um ambiente de 
trauma, as primeiras respostas no atendimento devem sempre ter 
uma alta suspeita de lesão da medula espinal e paralisar a medula 
espinal dos pacientes. 
 
Avaliação no Setor de Emergência 
 
O diagnóstico do Priapismo é direto e objetivo, pois a 
visibilidade do pênis com a confirmação de ereção confirma o 
diagnóstico, sendo necessário determinar a duração do episódio. O 
propósito é ajudar a diferenciar os vários tipos de Priapismo e facilitar 
a identificação rápida e o tratamento do Priapismo isquêmico. 
São informações relevantes: 
 Duração do acontecimento; 
 Acontecimentos prévios; 
 Fármacos utilizadas; 
 Uso de drogas; 
 Doenças hematológicas; 
 Trauma peniano ou perineal; 
 Presença de dor. 
 
O uso recente de medicamentos é uma pergunta obrigatória 
nos questionários. O uso de medicamentos intracavernosos e trauma 
ou lesão recente genital são também dados importantes. Deve-se 
ainda questionar sobre cirurgias e outras intervenções urológicas 
prévias, bem como cicatrizes. 
A necessidade de tratamento rápido no Priapismo requer um 
exame focalizado e cuidadoso dos genitais, incluindo o pênis, o 
escroto, os testículos e o períneo. Deve ser dada atenção cuidadosa 
à totalidade do pênis, busscando hematomas ou sangramentos. 
Analisar o grau de tumescência do corpo peniano, a textura de cada 
corpo cavernoso e a presença de pulsações palpáveis pode ajudar a 
diferenciar o tipo de Priapismo. 
O canal uretral precisa ser examinado quanto à presença de 
sangue. Como parte do exame genital completo, o escroto deve ser 
analisado para verificar se existem contusões e traumatismos, e a 
coxa interna deve ser avaliada na tentativa de provocar reflexo. Os 
testículos devem ser palpados para ver se há dor, edema ou 
deformidade. O períneo precisa ser investigado para averiguar a 
presença de contusões, sangramento e hipersensibilidade. 
Não existem metodologias padronizadas de atendimento do 
Priapismo, mas, especialmente fora do ambiente hospitalar, algumas 
medidas precisam ser consideradas. A aplicação da pressão perineal 
direta pode ajudar a diminuir o fluxo de sangue arterial para o pênis. 
As compressas geladas podem facilitar a analgesia e ajudar com a 
vasoconstrição arterial. O controle da dor também pode ser 
alcançado com o uso de opioides parenterais se necessário. 
 
Exames Complementares 
 
O exame diagnóstico principal no Priapismo é a gasometria de 
sangue obtido do corpo cavernoso, sendo o procedimento indicado 
em enfêrmos com ereção persistente há mais de 4 horas. O 
procedimento é realizado com uma agulha de calibre 19 ou 21, sendo 
realizada retirada de 3 a 5mL de sangue; a avaliação dessa 
gasometria pode diferenciar o Priapismo isquêmico do não 
isquêmico. 
O sangue do corpo cavernoso em pacientes com Priapismo 
isquêmico é tipicamente escuro, hipóxico e glicopênico. 
 
Exames laboratoriais complementares incluem hemograma 
completo e exames bioquímicos como glicemia, função renal e 
eletrólitos, além de exame de urinálise. Um estudo de 
hemoglobinopatias pode ser realizado em pacientes sem esse 
diagnóstico, com contagem de reticulócitos e eletroforese de 
hemoglobina; esta última pesquisa pode, ainda, auxiliar o 
entendimento da gravidade da hemoglobinopatia. Exames 
toxicológicos podem ser realizados na suspeita de medicações 
induzindo o aparecimento do Priapismo. 
A ultrassonografia(USG) com Doppler pode ser uma 
alternativa à realização da gasometria em alguns casos ou servir 
como exame complementar. O paciente deve ser colocado na 
posição supina com o pênis achatado contra a parede abdominal. 
Depois da aplicação do gel no aspecto ventral do pênis, deve-
se colocar a sonda linear de alta frequência perpendicular ao pênis, 
usando uma pressão suave para ter uma vista em corte transversal. 
O fluxo mínimo ou ausente nas artérias cavernosas ocorre no 
Priapismo isquêmico, o que não se manifesta no não isquêmico. 
 
Medidas Específicas Para o Manejo 
 
A partir do diagnóstico apresentado pelo paciente sobre o 
Priapismo isquêmico, o tratamento de emergência deve ser iniciado, 
o ideal é que não demore muito tempo. O uso de analgésicos comuns 
e opioides é recomendado para a dores fortes; a consulta com um 
profissional de urologia deve ser solicitada o mais rápido possível. 
Em pacientes com anemia falciforme, devem ser aplicadas medidas 
para crise álgica como hidratação, oxigenoterapia e analgesia; em 
enfermos sem melhora clínica após 2 horas, deve-se realizar a 
transfusão sanguínea ou hemocitoaférese. 
O uso de injeções intracavernosas de medicações 
simpaticomiméticas é mais indicado em pacientes com menos de 4 
horas de evolução. Em caso de mais de 4 horas de evolução, além 
da aplicação da medicação intracavernosa, é necessário a realização 
de aspiração do corpo cavernoso. As medicações 
simpaticomiméticas induzem redução da musculatura lisa do corpo 
cavernoso, permitindo o fluxo venoso. 
Estudos indicam como procedimento de primeira escolha a 
aspiração do corpo cavernoso, apenas em pacientes não 
respondedores, é indicado o uso de medicações simpaticomiméticas. 
O sucesso da aspiração do corpo cavernoso isoladamente é de 30%, 
enquanto o uso de medicações simpaticomiméticas varia de 40 a 
80%. 
Para efetivar o procedimento de aspiração, um bloqueio 
circunferencial do anel peniano é a forma mais eficaz para facilitar a 
anestesia. Uma sonda de ultrassom estéril (transdutor linear) é 
utilizada para evitar o acesso vascular inadvertido à veia peniana 
dorsal e à artéria. Após a realização um bloqueio do anel peniano 
usando um anestésico local sem epinefrina, precisa-se realizar a 
gasometria do corpo cavernoso. 
Um único corpo cavernoso deve ser conectado com uma 
agulha anexada a uma seringa, longitudinalmente através da glande 
do pênis. Se a ereção não reduzir depois de duas experiências de 
aspiração de 25mL, considera-se irrigar o corpo cavernoso com 
25mL de solução salina estéril fria (10ºC). 
A irrigação com salina fria se sinalizou mais eficácia do que a 
solução salina à temperatura ambiente, exigindo menos volume de 
solução salina e menos tentativas. O administrador 
simpaticomimético de escolha é a fenilefrina. Para ministrar esse 
procedimento, deve-se aspirar 5mL de sangue e depois injetar a 
intracavernosa de fenilefrina. 
A fenilefrina tem alta seletividade para os receptores a-1 com 
menor potencial de efeitos colaterais sistêmicos em comparação com 
epinefrina, norepinefrina e dopamina. A fenilefrina é diluída em 
solução salina normal a uma concentração de 100 a 500mcg/mL e 
injetada em alíquotas de 1mL, aproximadamente de 3 a 5 minutos, 
diretamente no corpo cavernoso, até uma dose máxima de 1mg 
durante 1 hora. Com doses mais baixas de fenilefrina devem ser 
selecionadas para crianças (100mcg/dose, com intervalos mais 
longos entre o recomeço), idosos e pacientes com doença 
cardiovascular subjacente. 
 
Cirurgia 
 
Se, apesar das medidas ambulatoriais, o Priapismo ainda for 
resistente, deve-se discutir com o urologista a possibilidade de um 
procedimento cirúrgico. A criação de uma fistula cirúrgica é o 
tratamento cirúrgico de escolha usual. Se o paciente apresentar 
ereção com duração maior que 36 a 72 horas, deve-se considerar a 
cirurgia imediatamente e a implantação da prótese peniana, pois o 
diagnóstico de manutenção da função sexual é ruim. 
O Priapismo periódico não é frequentemente visto no DE, e os 
enfermos que apresentam ereção persistente, prolongada e dolorosa 
devem ser tratados como anunciado por Priapismo isquêmico. Os 
pacientes que relatam vários episódios curtos de ereções recorrentes 
naturalmente não requerem intervenção imediata, desde que tenham 
obtido remissão da ereção e sem dor. 
Muitos medicamentos, incluindo a manipulação hormonal 
foram estudados para prevenir o Priapismo isquêmico habitual, mas 
com sucesso variável. A terbutalina demonstrou ser um tratamento 
efetivo em relatos de casos recentes, embora esteja contraindicada 
em pacientes com diabetes melito, hipertensão, hipertireoidismo e 
epilepsia, o que diminui significativamente o seu potencial uso. 
O cetoconazol demonstrou-se eficaz na prevenção do 
Priapismo recorrente em uma revisão retrospectiva de 17 pacientes 
analisados. A profilaxia médica com etilefrina e efedrina foi ineficaz 
nos estudos. Como o Priapismo não isquêmico não causa disfunção 
erétil a longo prazo, o manejo inicial é tradicional e conservador, com 
curativos locais e pacotes de gelo. 
Se os sintomas não se definem, os pacientes necessitam de 
acompanhamento com um profissional urologista para discussão da 
realização de embolização seletiva e, como último recurso, ligadura 
cirúrgica. Esses pacientes podem, na maioria dos casos, serem 
manejados clinicamente sem maiores complicações. 
O tratamento do Priapismo em pacientes com mais idade e 
em pacientes com doença cardiovascular requer maior vigilância, 
caso esses indivíduos necessitem de terapia com fenilefrina. Como 
esse subconjunto de enfermos apresenta alto risco de complicações 
graves por toxicidade sistêmica de fenilefrina, doses menores devem 
ser utilizadas (100mcg/dose em intervalos aumentados). Esses 
indivíduos devem ser observados com monitoração cardíaca 
contínua no DE para efeitos colaterais sistêmicos durante, pelo 
menos, 1 hora após a injeção. 
Em crianças com idade menor a 11 anos, o Priapismo 
isquêmico é tratado de forma semelhante aos adultos, mas a maior 
parte dos estudiosos preferem o uso de adrenalina ao uso de 
fenilefrina. Por mais que não existam dados confiáveis para o uso de 
medicação vasoativa em meninos com menos de 2 anos, 
recomenda-se a adrenalina em dose reduzida. 
O Priapismo em meninos com idades entre 2 a 10 anos foi 
tratado com sucesso com irrigação diluída de epinefrina em um 
estudo prospectivo de 15 pacientes (foram 39 eventos de Priapismo). 
Em crianças acima de 11 anos, pode-se utilizar a fenilefrina 
intracavernosa em doses reduzidas de 100mcg aproximadamente de 
5 a 10 minutos, em dose máxima de 1mg. 
Pacientes que alcançaram resolução do Priapismo podem 
receber alta hospitalar. Para aqueles que fizeram uso de medicação 
simpaticomimética, é indicado a observação por 1 hora após a 
utilização da medicação. São recomendados também um curativo 
peniano e um acompanhamento com urologista após a alta 
hospitalar.

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