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Práticas Pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos Apresentação São perceptíveis as mudanças significativas na sociedade, nos meios de produção, na economia e sobretudo na educação. Nesse cenário, é evidente o movimento de transposição de paradigmas na educação. As práticas pedagógicas atuais buscam o entrosamento dos indivíduos e das sociedades nos processos cíclicos de evolução e levam a uma tendência de superação da abordagem conservadora para dar lugar a uma práxis docente que leve a uma nova maneira de investigar, de ensinar e de aprender. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai refletir sobre as práticas pedagógicas no contexto educacional atual, numa perspectiva de educação inovadora, baseada no protagonismo do estudante e no desenvolvimento de competências e habilidades, conforme destaca a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Você vai aprender que os materiais curriculares utilizados nas práticas pedagógicas não podem ser escolhidos aleatoriamente. Faz-se necessário um planejamento com vistas a evidenciar e relacionar os materiais curriculares à sua intencionalidade e aos seus objetivos. Você também vai conhecer alguns recursos didáticos que podem ser considerados como potencializadores das práticas pedagógicas na atualidade, trata-se de recursos que envolvem ou não tecnologias digitais, mas que são considerados como instrumentos facilitadores no processo de ensino e aprendizagem. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar como se constituem as práticas pedagógicas no contexto educacional atual.• Relacionar materiais curriculares e intenções pedagógicas.• Reconhecer os recursos didáticos como potencializadores das prática pedagógicas.• Desafio Deparar-se com estudantes hiperestimulados tecnologicamente causa uma enorme preocupação. Portanto, aliar as tecnologias existente a um aprendizado criativo é uma estratégia de ensino que tem por objetivo incentivá-los a aprender de forma autônoma e participativa, partindo de problemas e situações reais. Dessa forma, o estudante está no centro do processo de aprendizagem, participando ativamente e sendo responsável pela construção do conhecimento. Pode-se entender como tecnologia um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam à resolução de problemas que, por meio das metodologias ativas, podem apresentar benefícios aos estudantes, entre eles a aquisição do conhecimento feita de modo mais lúdico e eficiente. É importante destacar que diferentes metodologias de ensino têm objetivos distintos, no caso das metodologias ativas, a intenção é formar um aluno mais crítico e proativo. E como fazer isso na prática? Antes de mais nada é essencial que se tenha bem definido o conteúdo a ser abordado, lembre-se: a educação é um processo solidário e não solitário, por isso reúna uma equipe multidisciplinar. Times com diversos saberes facilitam a troca de informação, melhoram o desempenho das atividades e das relações individuais e coletivas. Com isso, a equipe trabalha focada no mesmo objetivo, e quando o problema ou desafio é visto por olhares diferente é muito mais fácil de resolver. É fundamental definir a metodologia ativa a ser utilizada, levando em conta que são instrumentos para a construção do conhecimento usando procedimentos analíticos e dialógicos. Estimulando processos de ensino e aprendizagem crítico-reflexivos, o estudante participa e se compromete com seu aprendizado. Observe a situação a seguir: Após a definição de um tema (conteúdo) a ser trabalhado com a turma, escolha uma metodologia ativa que melhor se adapte ao conteúdo selecionado. a) Qual tema (conteúdo) você escolheria? Qual a metodologia ativa escolheria e por quê? b) Ao escolher a metodologia ativa, qual é o resultado esperado? Como faria para atingir o objetivo? Quais questões levantaria para instigar os estudantes? Infográfico A educação está passando por profundas mudanças, sair do tradicional já não é mais uma opção e sim mandatório. A escola padronizada, que ensina e avalia todos da mesma forma, ignora que a sociedade do conhecimento é alicerçada em competências pessoais, sociais e cognitivas. Os métodos tradicionais, que tinham a transmissão de informações pelos docentes, faziam sentido quando as informações eram restritas aos professores, como os livros do professor, materiais exclusivos aos docentes. Com o advento da internet, pode-se aprender em qualquer lugar e em qualquer hora. Dessa forma, a sala de aula precisa ser mais atrativa, empolgante, um espaço que abrigue a interdisciplinaridade e desperte o desejo de aprender das formas mais variadas e criativas. Neste Infográfico, você vai conhecer alguns recursos didáticos considerados como metodologias ativas e que podem ser aplicados no cotidiano escolar. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/aee27e3c-aae8-43bf-accd-86f01d669ecb/483c050f-7f5b-46c6-a5a1-14b33e1662ef.jpg Conteúdo do livro O objetivo do desenvolvimento das metodologias inovadoras na educação é estimular a autonomia intelectual dos alunos por meio de atividades planejadas e contextualizadas. No contexto atual podemos contar com o uso das tecnologias como ferramentas para potencializar o aprendizado, num processo que visa estimular a autoaprendizagem e a curiosidade do aluno para pesquisar, refletir e analisar possíveis situações, o que é necessário para uma tomada de decisão assertiva. No capítulo Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a mudança de paradigma da educação de uma perspectiva conservadora para uma inovadora de educação. Você também vai aprender o conceito de materiais curriculares, bem como sua tipologia, sua função e seus aspectos do planejamento para o uso dos materiais curriculares em práticas educativas. Por último, são apresentados alguns recursos didáticos, materiais e estratégias, que podem ser utilizados como potencializadores de sua prática educativa. Boa leitura. PESQUISA E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS I OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Identificar como se constituem as práticas pedagógicas no contexto educacional atual. > Relacionar materiais curriculares e intenções pedagógicas. > Reconhecer os recursos didáticos como potencializadores das práticas pedagógicas. Introdução Política, social, econômica e culturalmente, a sociedade está em constante evolução. Não há dúvidas de que as mudanças decorrentes dessa evolução impactam o contexto educacional, sobretudo no que concerne à organização do trabalho pedagógico: o que e como ensinar. De fato, as práticas pedagógicas atuais nos orientam para o rompimento de práticas estanques e consideradas tradicionais de ensino, visando a abrir espaço para novas formas de ensinar e aprender, contextualizando a educação da contemporaneidade. Neste capítulo, você vai conhecer, a partir da visão de autores que versam sobre o assunto, como se constituem as práticas pedagógicas no contexto educacional atual. Você também vai aprender a respeito da importância de Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos Karina Gomes Rodrigues relacionar materiais curriculares a objetivos e intenções pedagógicas. Por fim, serão apresentados alguns recursos didáticos que podem potencializar as práticas pedagógicas nas circunstâncias atuais de ensino. As práticas pedagógicas no contexto educacional atual As teorias contemporâneas da educação apresentam-se em diferentes versões, das abordagens conservadoras às consideradas críticas e modernas. Essa classificação considera a natureza do trabalho pedagógico, a relação entre sociedade e educação, os objetivos da formação, as metodologias de ensino, o papel do professor e o do aluno, a concepção de sociedade, a relação edu- cativa e a interaçãoentre professor e aluno. Na literatura, são encontradas classificações para as teorias, tendências, correntes e paradigmas da educação. As abordagens teóricas que resultaram nas diferenciações de teorias pedagógicas são conhecidas como liberais e imperaram até o século XIX. As teorias liberais da educação são classificadas em: � pedagogia tradicional; � tecnicismo educacional; � Escola Nova. Há, também, as teorias progressistas da educação, consideradas as pe- dagogias críticas inspiradas na tradição moderna. Elas são classificadas em: � pedagogia libertária; � pedagogia libertadora; � pedagogia crítico-social. Os modelos e as teorias da educação evoluem e acompanham as mudanças estruturais econômicas, sociais, políticas e culturais da sociedade. Isso resulta em profundas reflexões e adaptações acerca do modo como se concebem e desenvolvem as práticas pedagógicas. Um olhar sobre as práticas pedagógicas da atualidade revela que as prá- ticas pedagógicas modernas têm peculiaridades e sofrem inovações que objetivam a superação do paradigma newtoniano, ou cartesiano, da fragmen- tação do conhecimento e da racionalidade científica, na busca de um modelo de educação que seja coerente com o perfil dos estudantes da atualidade. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos2 Nesse sentido, essas práticas são constituídas por distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, as interações interpessoais, a coopera- ção na construção do conhecimento, a função da ciência e os conceitos de autonomia, democracia e liberdade. Em consonância com a legislação educacional, as práticas pedagógi- cas atuais convergem para uma educação inovadora, contextualizada, que estimula a subjetividade, a criatividade e a liberdade de criação do estudante. Assim, convergem para uma concepção de educação a partir da compreensão da realidade do estudante, com o intuito de estimular a construção de novas relações sociais para a transformação da realidade social. A contemporaneidade é marcada por um mundo em constante mutação, em processo de globalização e individuação, impactando os sentidos e sig- nificados de indivíduos e grupos. O resultado são múltiplas culturas, diver- sidade e sujeitos plurais. Se, de um lado, a práxis pedagógica centra as suas preocupações em tornar explícito o seu objeto e a sua intencionalidade, por outro lado, esse objeto demanda ser pensado em toda a sua complexidade. Nesse contexto, Libâneo e Santos (2010), ao se referirem às exigências da pedagogia em um mundo em constante mudança, destacam que é im- prescindível que aqueles que se dedicam à educação escolar façam opções pedagógicas. Isso significa assumir um posicionamento sobre objetivos e modos de promover o desenvolvimento e a aprendizagem de sujeitos inse- ridos em contextos socioculturais e institucionais concretos. É necessário reconhecer, sobretudo, que já não cabem práticas pedagógicas passivas, em que o estudante apenas consome a informação transmitida pelo professor. Carbonell (2016) direciona o olhar para ações concretas por meio do cru- zamento entre a teoria e a prática, apresentando uma pedagogia contempo- rânea. Ele explica por que é tão difícil introduzir mudanças significativas para clarear a compreensão sobre o que significa ensinar e aprender e direciona a reflexão para como se constroem os novos discursos e as novas práticas pedagógicas. O autor exemplifica por meio do campo da medicina. Segundo ele, um médico não utiliza somente ensinamentos de 20 anos atrás na sua prática profissional; pelo contrário, deve estar sempre atualizado (CARBONELL, 2016). Então por que com a educação se pensaria de forma diferente? Por que ainda há tanta resistência à mudança? Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 3 Diante de constantes e diversas transformações sofridas pela sociedade com o decorrer do tempo, Gadotti (2000, p. 6) afirma que: De um novo milênio, a educação apresenta-se numa dupla encruzilhada: de um lado, o desempenho do sistema escolar não tem dado conta da universalização da educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não apresentam ainda a consistência global necessária para indicar caminhos realmente seguros numa época de profundas e rápidas transformações. Há, de fato, um intercâmbio que possibilita reconhecer a relevância das pedagogias sistêmicas, lentas, críticas, inclusivas, não diretivas ou relacio- nadas a projetos de trabalho ou a inteligências múltiplas. Inclusive, Carbonell (2016) divide os capítulos da sua obra em “As pedagogias não institucionais”, “As pedagogias críticas”, “As pedagogias livres não diretivas”, “As pedago- gias de inclusão e de cooperação”, “A pedagogia lenta, serena e sustentá- vel, “A pedagogia sistêmica, “As pedagogias do conhecimento integrado” e “As pedagogias das diversas inteligências”, que são oito formas de entender a educação sob diferentes concepções. Adentrando algumas pedagogias citadas pelo autor, ao falar sobre peda- gogias não institucionais, Carbonell (2016) faz referência à educação fora da escola, aquela que acontece, por exemplo, com a aprendizagem-serviço ou com a Wikipedia, experiências representativas das pedagogias não institucionais. Howard (2001) utiliza o termo academic service-learning para definir ações que vão além do estágio ou da prestação de um serviço à comunidade. É um modelo de aprendizagem efetivado pela integração ao currículo de um curso do serviço comunitário para o aprendizado acadêmico e a prática da cidadania. Ao tratar das pedagogias livres e não diretivas, Carbonell (2016) fala em educação em liberdade, educação multidimensional para além da razão, escolha do que se quer aprender, jornada de ensino flexível, sem horários e disciplinas, e ambientes, materiais e possibilidades diversificados, como acontece na escola psicopedagógica O Pelouro, na Galícia. Já a pedagogia do conhecimento integrado é relacionada, pelo autor, a projetos de trabalho, conhecimento integrado, embasado na aprendizagem relacional entre conhe- cimento e contexto, e visão transdisciplinar. Para ele, por si só, a informação não é conhecimento; ela se torna conhecimento quando se estabelecem conexões, contextualiza-se, detectam-se diferenças e similitudes, organiza-se e interpreta-se (CARBONELL, 2016). Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos4 Vale, neste ponto, lembrar o leitor a respeito das inteligências múlti- plas, de Howard Gardner, dos pressupostos da inteligência funcional, da inteligência acadêmica ou analítica, da inteligência criativa e da inteligência prática, elaborados por Robert Sternberg, e o conceito de inteligência emocional, popularizado por Daniel Goleman. Trata-se de estudos que demonstram a im- portância da interconexão entre as diversas inteligências e como isso reflete no contexto escolar, transformando a informação em conhecimento, o pensamento em ação, e habilidades e competências em inovações. Desse modo, reforça-se que tanto os sujeitos que ensinam quanto os que aprendem são concebidos como autores e responsáveis pelos seus próprios processos, exercendo as capacidades de ser e de aprender sem serem subor- dinados um ao outro. Assim, o conhecimento não é conceitual, um conjunto de preposições, mas um diálogo permanente entre aprendizes e professores. A relação pedagógica não tem o docente como ator principal, mas o aluno, que é estimulado a se desenvolver e dar o melhor de si. A avaliação não busca medir o quanto o estudante sabe sobre o assunto, mas avalia a qualidade dos processos, os resultados alcançados e a capacidade de transferência para diferentes situações. As alternativas pedagógicas, então, focam em melhorar as relações edu- cativas, fomentar maior cooperação, estimular o protagonismo dos alunos e a participação e a democratização da gestão escolar, incentivar a curiosidade dos alunos, transformar a sala de aula em um espaço de pesquisae diálogo e aproximar a escola da realidade e a realidade da escola. Assim, escola e professores precisam sempre estar atentos às tendências pedagógicas, ao que está sendo aplicado no momento e, principalmente, às leis que estão regendo a educação. Quando se trata de pedagogias educacionais, é muito importante olhar para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que regulamenta os processos educacionais na educação básica. A BNCC, homologada em 20 de dezembro de 2017, é norteada por princípios éticos e políticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Somada aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade, é baseada na democracia, direcionando o desenvolvimento de habilidades e os conhecimentos dos estudantes durante a escolaridade básica (BRASIL, 2018). Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 5 A BNCC deve nortear os currículos dos sistemas e das redes de ensino das unidades federativas, bem como as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio em território nacional (BRASIL, 2018). Quando a escola utiliza a BNCC, significa que as decisões pedagógicas estarão orientadas para o desenvolvimento de competências, por meio da: [...] indicação clara do que os alunos devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretudo, do que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho) (BRASIL, 2018, p. 13). Essa explicação elucida a relação da BNCC com as pedagogias do século XXI, em uníssono com a ideia de que alunos devem estar em movimento, colocando em prática os seus conhecimentos para resolver situações diver- sas. Isso vai ao encontro do que afirma Carbonell (2016), segundo o qual a informação se torna conhecimento quando o professor a contextualiza para o aluno, de modo que este estabeleça conexões entre o seu aprendizado e a aplicação deste em situações distintas, como acontece na pedagogia do conhecimento integrado. Veja, então, como é importante a relação do aluno com a sua vivência, com a sua experiência, com a sociedade, com conteúdo que possa explorar de forma palpável. Segundo Davis e Oliveira (1990), a concepção interacionista de desenvolvimento se apoia na ideia do processo de aprendizagem e na interação entre organismo e meio. Assim, a aquisição de conhecimento é considerada um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida, não estando pronto ao nascer nem sendo adquirido passivamente graças à pressão do meio. O interacionismo transforma todos os espaços em ambientes de aprendizagem, ensinando o indivíduo a pensar. Esse intercâmbio entre o indivíduo e o meio, a sua interação com o espaço onde vive e com os ambientes de aprendizagem que frequenta, é abordado por Vygotsky (2007) quando este apresenta a sua premissa de que o ser humano se constitui por meio das suas interações sociais. Logo, segundo o psicólogo russo, ele é transformado pelo meio, e isso ocorre de forma contextualizada, mediada e relacionada às atividades do dia a dia. O aprendizado real não acontece apenas lendo, decorando dados e acumulando informações, mas também despertando, no aluno, a curiosidade de aprender, levando-o para Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos6 ambientes onde os processos educativos serão conduzidos de uma forma prática e significativa. Com o interacionismo, então, é possível adotar e promover uma visão de mundo diferenciada, mais ampla e humana, possibilitando o estabelecimento de conexões com conhecimentos anteriores de uma forma bem mais signi- ficativa (assim como ocorre na pedagogia por competências na educação contemporânea). Conforme previsto na BNCC (BRASIL, 2018) e discutido por Carbonell (2016), a valorização da experiência é mencionada na visão interacio- nista da aprendizagem, que prevê que o fazer de fato, o colocar em prática, é o que transformará a informação em conhecimento. Considere o seguinte exemplo. O professor vai trabalhar o tema “alimentação saudável” e falar sobre os benefícios da vitamina C, presente, por exemplo, em laranjas. Assim, pode realizar uma aula expositiva dialogada, mas também pode levar os alunos a um ambiente externo à sala de aula, onde haja um pomar, com laranjeiras, para ministrar a sua aula. Desse modo, possibilita o estabelecimento de conexões com outras áreas do conhecimento, permitindo que os alunos observem o contexto, troquem informações e, por consequência, construam conhecimentos por meio de um processo de aprendizagem efetivo. O contexto educacional atual demanda proatividade por parte dos alunos. Assim, ao professor, não basta simplesmente repassar o conteúdo. É pre- ciso buscar alternativas para transformá-lo em aprendizagem significativa, gerando conhecimento. É preciso colocar o aluno para agir, relacionando a sua experiência extraclasse com o conteúdo proposto, explicando claramente os objetivos e mediando o processo de ensino e aprendizagem para que ele construa o seu conhecimento de forma colaborativa. Na próxima seção, serão abordados materiais curriculares, estratégias e ações pedagógicas que podem ser desenvolvidas pelo professor. Além disso, será explicado como relacioná-los com as propostas pedagógicas, visando a tornar as aulas mais atrativas e a colocar o aluno em movimento, como protagonista do seu aprendizado. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 7 Os materiais curriculares e as intenções pedagógicas Pensar na melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem na contemporaneidade requer pensar e planejar os tipos de materiais curriculares que serão utilizados nas práticas educativas. Nesse aspecto, cabe a reflexão sobre a intencionalidade da utilização de recursos materiais nos processos educativos. Pedreira e Carneiro (2017, p. 1.344) destacam que: O professor, ao planejar a sua aula, define os conteúdos, estabelece os objetivos, escolhe o método e, naturalmente, os materiais de ensino que serão usados. Nesse sentido, o conteúdo, o objetivo e o método são variáveis determinantes na seleção e no uso dos materiais curriculares. Mas não podemos esquecer que essa escolha não é feita de forma isolada, ela está vinculada a uma determinada ideologia educativa. O professor se depara com muitos desafios em sala de aula, sobretudo em busca de acompanhar a atualização do conteúdo, mantendo a sua prática profissional sempre em evolução. Assim, deve buscar treinamento constante, estar atento às diversas mudanças, encontrar formas de despertar e prender a atenção dos alunos e permanecer motivado para se reinventar. Segundo Pedreira e Carneiro (2017, p. 1.344), materiais curriculares: São todos aqueles instrumentos que proporcionam, ao educador, referências e critérios para tomar decisões, tanto no planejamento quanto na intervenção direta no processo de ensino/aprendizagem e em sua avaliação. Assim, pois, considera- mos materiais curriculares aqueles meios que ajudam os professores a responder aos problemas concretos que as diferentes fases dos processos de planejamento, execução e avaliação lhes apresentam. Os tipos de materiais curriculares que serão utilizados pelos professores podem variar de acordo com os critérios adotados nas suas práticas edu- cativas. Nesse sentido, destaca-se a importância do planejamento, que diz respeito ao alinhamento das intenções pedagógicas aos desafios e às ações necessárias para atingir determinados objetivos. Para Libâneo (2013, p. 222), “o planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social”. Ou seja,planejar não é uma ação isolada, que envolve somente pensar Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos8 sobre o conteúdo didático que será trabalhado. Pelo contrário, planejar envolve refletir sobre o contexto da escola, a organização do trabalho pedagógico, as possibilidades de inovação e a disponibilidade dos recursos. Castro, Tucunduva e Arns (2008, p. 53) complementam: Planejar é organizar ações. Essa é uma definição simples, mas que mostra uma dimensão da importância do ato de planejar, uma vez que o planejamento deve existir para facilitar tanto o trabalho do professor quanto do aluno. O planejamento deve ser uma organização das ideias e informações. Para planejar as ações pedagógicas, é fundamental entender que os ma- teriais curriculares desempenham funções variadas, que podem ser gerais e específicas. Segundo Pedreira e Carneiro (2017), as funções dos materiais curriculares incluem as seguintes: � motivadora, que diz respeito a captar a atenção do aluno; � estruturadora da realidade, que está relacionada à forma como se apresenta a realidade; � configuradora do tipo de relação que o aluno estabelece com o conteúdo; � controladora do conteúdo que será ensinado; � solicitadora, que atua como um guia metodológico, organizando os processos formativos e comunicativos; � formativa, global ou didática, pois o material pode ajudar no desen- volvimento de atitudes; � de depósito de métodos, pois, muitas vezes, esses materiais curriculares se adaptam às necessidades dos professores e condicionam os seus métodos e a sua atuação. Hoje, há uma multiplicidade de materiais curriculares que podem ser utilizados nas práticas educativas. Entre outros, destacam-se o livro didático, o quadro, o projetor multimídia, os diferentes equipamentos para realizar experimentações, filmes, podcasts, recursos de realidade virtual e aumentada, jogos, simuladores, material concreto, material desestruturado e materiais recicláveis. Ou seja, há uma infinidade de recursos. Porém, indepen- dentemente do recurso utilizado, o professor deve se colocar como facilitador, incentivador e motivador da aprendizagem, colaborando ativamente para que o aluno atinja os objetivos de aprendizagem (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2000). Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 9 Como mentor e orientador do processo de ensino e aprendizagem, o professor, ao definir as estratégias das suas práticas educativas, precisa considerar a realidade do aluno. Planejar uma aula inovadora, com recursos digitais, é insuficiente se a escola não oferece os materiais necessários ou se algum aluno da classe não tem condições de adquiri-los. Nesse caso, o planejamento não seria assertivo, pois o aluno que não possui o recurso didático seria excluído da atividade ou exposto a uma situação constrangedora diante dos demais colegas de classe. Por esse e outros motivos, o professor precisa associar o conteúdo a exemplos e situações que o educando perceba como significativos para a sua vida, a partir da sua realidade. Preferencialmente, o professor deve tornar o processo de ensino e aprendizagem mais dinâmico, como envolvendo os alunos na construção e na produção dos próprios materiais curriculares (cultura maker). Assim, precisa ampliar o seu repertório de práticas e pensar em aulas mais interessantes e contextualizadas, que atinjam os objetivos propostos no projeto político-pedagógico (PPP) da escola. Ampliando a reflexão sobre planejamento, vale lembrar o conceito de pla- nejamento reverso, cunhado por Wiggins e McTighe (2019). Os autores sugerem que os planejadores iniciem com uma declaração muito mais criteriosa dos resultados desejados e desenvolvam o currículo a partir dos desempenhos requeridos ou implicados pelos objetivos. Para isso, indicam três estágios do planejamento reverso e orientam a busca pelas respostas de algumas perguntas. Veja a seguir. 1. Identificar os resultados desejados. O que os alunos devem saber, compreender e ser capazes de fazer? Que conteúdos merecem ser trabalhados e avaliados? 2. Determinar evidências aceitáveis. Como saber se o aluno atingiu o resultado esperado? O que considerar para concluir a proficiência desse aluno? 3. Planejar experiências de aprendizagem e ensino. Quais conhecimentos e habilidades os alunos precisam ter e desenvolver para atingir os objetivos? Que atividades vão equipar os alunos com as habilidades e os conhecimentos necessários? A preocupação a respeito de como os alunos aprendem vem aumentando, pois, compreendendo esse processo, o professor tem mais chances de garantir um aprendizado efetivo. Veja, a seguir, a pirâmide de aprendizagem proposta pelo psiquiatra norte-americano William Glasser. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos10 Figura 1. A pirâmide da aprendizagem proposta por William Glasser. Fonte: Adaptada de Lyceum (2021). Por meio da pirâmide de Glasser, é possível concluir que as ações classifi- cadas como de aprendizagem ativa são muito mais efetivas para concretizar o aprendizado. Até aqui, nenhuma surpresa, certo? Mas a pergunta é: quais materiais curriculares o professor deve utilizar para alcançar as porcentagens mais altas previstas por William Glasser? Segundo Schneider e Krajcik (2002), os materiais curriculares podem apresentar informações como sequenciamento de ações, exemplos de pla- nejamento, narrativas de professores, vídeos de aula, etc., a fim de apoiar o trabalho dos professores. Além disso, o uso de novas tecnologias na edu- cação permite ampliar as possibilidades de materiais, incluindo, além de impressos, materiais audiovisuais e midiáticos. Percebe-se, nesse contexto, que os elementos educativos são valiosos para os alunos e professores, pois consistem em fonte de novas aprendizagens, além de oferecer alternativas para a organização da aula. Assim, é importante destacar que não há um material curricular mais adequado para essa ou aquela prática: a sua escolha vai depender das suas intenções. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 11 O principal objetivo das metodologias ativas é incentivar o apren- dizado dos alunos de forma autônoma e participativa, a partir de situações reais ou problemas. Também possibilitam que os alunos tenham autonomia e desenvolvam habilidades envolvendo resolução de problemas, colaboração, confiança, protagonismo, senso crítico, empatia e responsabilidade. Na próxima seção, você descobrirá como os recursos didáticos podem contribuir para potencializar as práticas pedagógicas da atualidade. Especi- ficamente, serão apresentados recursos didáticos que podem ser aplicados no processo de ensino e aprendizagem de aulas inovadoras. O recurso didático como potencializador das práticas pedagógicas atuais Conforme Machado (2017), os recursos didáticos têm diversas funções. Entre elas, estão: � desenvolvimento da capacidade de observação; � ilustração de situações mais abstratas; � aproximação do aluno da sua realidade e da realidade do outro; � motivação; � concretização dos conteúdos da aprendizagem; � fixação da aprendizagem; � desenvolvimento da experimentação concreta. A aplicação de metodologias pedagógicas propicia maior envolvimento do aluno na produção do próprio conhecimento, sobretudo aquelas que preconizam a ludicidade, leituras e debates, estudos de casos e trabalhos práticos, com pesquisa de campo, jogos e brincadeiras, estudos de grupos, etc. De fato, o ensino convencional, caracterizado pela mera exposição do conteúdo pelo professor, revelou-se ineficaz, principalmente após a disruptiva evolução tecnológica encabeçada pela invenção da internet. Mais do que nunca, os alunos precisam enxergar a aplicabilidade da teoria, associá-la a atividades do seu cotidiano. Assim, é fundamental que, antes de mais nada, os professores reconheçam a inevitabilidade da aplicação de tecnologias em sala de aula. Práticas pedagógicas:materiais curriculares e recursos didáticos12 Há inúmeras ferramentas e estratégias à disposição do educador hoje, mas é preciso avaliar quais realmente serão mais adequadas aos objetivos de aprendizagem de determinado público-alvo. Para utilizar os recursos didáticos adequados, é preciso que a escola e os educadores, primeiramente, conheçam a multiplicidade de ferramentas disponíveis, sobretudo as tecnologias de informação e comunicação (TICs). Desse modo, será possível capacitar todos os envolvidos no uso apropriado desses recursos no processo educativo. Não é raro que o professor tenha passado pela graduação sem re- ceber as informações e a capacitação necessárias para conhecer e utilizar as tecnologias educacionais hoje disponíveis. Isso ocorre, em especial, com professores há muito formados. Por isso é importante que o educador se atualize com frequência, investindo na formação continuada. Também cabe às escolas divulgar e oferecer o constante aperfeiçoamento dos seus educadores. As TICs trazem muitos benefícios e possibilidades para o processo de ensino e aprendizagem, novas formas como um conteúdo pode ser trabalhado com a turma e novas formas de interação entre os envolvidos no processo. Quando há inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) em uníssono aos objetivos educacionais e ao público-alvo, tudo pode ser mais atrativo e motivador, considerando que os estudantes estão imersos em tecnologias digitais diariamente. Segundo Soares et al. (2015, p. 3), as TDICs consistem em um “con- junto de bases tecnológicas, envolvendo equipamentos, programas, mídias, associação de diversos ambientes e indivíduos numa rede, facilitando a comunicação entre seus integrantes, ampliando as ações e possibilidades já garantidas pelos meios tecnológicos”. Nesse contexto, o professor pode propor atividades envolvendo e-books, hipertextos e podcasts, por exemplo. Uma alternativa de atividade utilizando e-book é fazer os alunos criarem colaborativamente um livro, de modo que cada equipe escreva um capítulo. Por meio dessa atividade, observa-se o Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 13 desenvolvimento da proatividade, da criatividade, de habilidades em elabo- ração e interpretação de textos, etc. Por sua vez, o hipertexto é a criação eletrônica de um texto não sequencial, que leva o leitor a outros textos por meio de links. O hipertexto é uma boa opção para trabalhar o conteúdo de forma mais capilarizada e não hierárquica. O aluno pode seguir para uma ramificação do conteúdo e voltar para outra, explorando-o de uma forma mais dinâmica. Já podcasts são produções em áudio que podem ser ouvidas a qualquer momento, pois ficam gravadas. São estratégias interessantes para trabalhar conteúdo incluindo outras habilidades além de leitura ou escrita. Assim, é um recurso inclusivo para alunos com deficiência visual. Por exemplo, o professor pode pedir que os alunos elaborem resumos de aulas em formato de podcasts ou apresentem, por meio destes, o resultado de uma pesquisa feita em equipe sobre determinado tema. O blog é outra ferramenta interessante para a publicação de conteú- dos diversos, como notícias, poesias, diários, artigos, imagens, vídeos, etc. Em um blog, é possível permitir o comentário dos leitores, um recurso para que os alunos possam interagir com os colegas, discutindo a respeito do que foi publicado. O aplicativo Archor é uma boa opção para trabalhar com podcasts. Acesse o YouTube e procure pelo vídeo “Tutorial: Como usar o app Anchor para criar um podcast” para saber mais sobre essa ferramenta. Outra ferramenta interessante é o Blogger, criador de blog gratuito que via- biliza a interação entre os alunos, possibilitando que sejam tanto consumidores quanto produtores de informação. O trabalho com jogos também alcança excelentes resultados em sala de aula. No entanto, como acontece com qualquer outra ferramenta, o professor precisa explicar muito bem os objetivos e relacioná-los com o conteúdo, sobre- tudo, nesse caso, por se trabalhar com ludicidade. Em atividades lúdicas, não é raro que a turma se disperse. Por isso, é importante que sejam informados e frequentemente lembrados a respeito dos objetivos do jogo. Também é fértil disponibilizar alguma recompensa, pois isso desperta o interesse e pode ser motivador para os alunos. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos14 Há, ainda, outras metodologias ativas que podem ser aplicadas em sala de aula. O debate é uma delas. Ele consiste em um tipo de discussão formal cujo objetivo é desenvolver, nos alunos, argumentação fundamentada, contra-ar- gumentação, agilidade mental, conforto intelectual e lógico, autoconfiança e fluência em ouvir e aceitar opiniões alheias. Nele, são contrapostas duas ou mais opiniões sobre um tema polêmico, visando ao voto favorável ou à aprovação de um terceiro. Uma opção de aplicação é a realização por video- conferência, caso os alunos não possam ser reunidos ao mesmo tempo no mesmo local. Nesse caso, é necessário utilizar um aplicativo como o Microsoft Teams, agendar um horário e enviar para o link da participação para os alunos. Segundo Leal, Miranda e Nova (2019), outra metodologia ativa interessante é o storytelling, que consiste em uma contação de história fundamentada e com objetivo. Segundo os autores, é uma técnica que prevê um relato fictício ou real, capaz de prender a atenção das pessoas, com o objetivo de ensinar. Inicialmente, o storytelling foi pensado para que o professor introduzisse um assunto em sala de aula. No entanto, ele também pode ser aproveitado como uma atividade para trabalhar habilidades conceituais, procedimentais e atitudinais relativas à contação de histórias. Quando a história está sendo contada, o professor desperta diferentes emoções no aluno, que busca relacionar o que está ouvindo com o que está na sua memória, iniciando um processo cognitivo que levará a aprendizagem. Assim, a história precisa ter começo, meio e fim, seguindo uma estrutura, com contexto, situação dramática, clímax e desfecho. É possível utilizar o storytelling integrado às TICs. Inclusive, sites como o Storyboard That possibilitam criar histórias. Além disso, aplicativos como o Pixton permitem criar quadrinhos de forma rápida e fácil, e plataformas on-line como UTellStory, Scribble Press, Meograph, StoryKit, Puppet Pals HD, Storyboard e SonicPics possibilitam contar e compartilhar vídeos e histórias com fotos, áudio e animações. Também existem aplicativos com funcionalidades diferentes. Para gerar infográficos, pode-se utilizar o Infogr.am ou o Pictovia. Para trabalhar com realidade aumentada, há o The Elements: A Visual Exploration, o Frog Dissection e o History: Maps of World. Para interação imediata ou aplicação de questio- nários, pode-se recorrer ao Socrative ou ao Kahoot. O recurso a ser utilizado dependerá da estratégia do professor, dos objetivos a serem alcançados, do perfil da turma e do planejamento (CAMARGO; DAROS, 2018). Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos 15 O professor ainda pode utilizar mapas conceituais, ou mentais, desenvol- vidos na década de 1970 por Joseph Novak (1998). Segundo Jonassen (2000), os mapas conceituais são efetivos para o aprendizado porque, durante o processo de elaboração, o aluno identifica conceitos importantes, arranja con- ceitos espacialmente, relaciona esses conceitos, rotula esses relacionamentos e reorganiza conhecimentos. Com esse processo, melhora a lembrança e fixa melhor o conteúdo, conseguindo, posteriormente, aplicar esse conhecimento em novas situações. Atualmente, existem sites em que os alunos podem criar os mapas mentais, como o MindMeister. Os mapas mentais são ótimos recursos para potencializar a prá- tica pedagógica. No artigo “Mapas mentais como significação do conhecimento: um estudo de caso aplicado à educação infantil”, Moraes et al. (2017)explicam que eles servem como estratégia alternativa para facilitar a memorização nos estudos, bem como para comunicar, planejar, inovar e orga- nizar. Acesse o site da Editora Realize e busque por esse artigo para saber mais sobre o assunto. Por fim, o professor pode recorrer à árvore de problemas, uma estratégia que visa à análise de problemas por meio da identificação das causas e dos efeitos relativos a um problema central. No tronco, deve ser inserido o problema ou a situação a se analisar; nas raízes, a causa do problema; nos galhos e folhas, os efeitos. Trata-se de uma estratégia para associar e desenvolver ideias e habilidades de análise, reflexão, tomada de decisão e trabalho em equipe. Com todos esses exemplos, você viu quão amplas são as opções de recursos didáticos à disposição do professor. Porém, é fundamental que ele não se esqueça de alinhar os recursos a serem utilizados com os objetivos pedagó- gicos. Sobretudo, não deve ajustar o objetivo pedagógico ao recurso, mas o contrário: avaliar o objetivo do conteúdo, aonde o aluno precisa chegar, que habilidades, atitudes e valores serão desenvolvidos, qual conhecimento será adquirido, etc., e só depois pensar qual recurso vai utilizar para possibilitar e dar sentido à aprendizagem do aluno. A educação, em uníssono às mudanças políticas, econômicas e culturais da sociedade, passa por transformações ao longo dos anos. Assim, as práti- cas pedagógicas precisam se moldar e evoluir. Nesse contexto, o professor Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos16 precisa desempenhar cada vez mais um papel de facilitador dos processos de aprendizagem, mediando e impulsionando o aprendizado dos alunos, que são os verdadeiros protagonistas da construção dos seus conhecimentos, valores, habilidades e atitudes. Neste capítulo, foi abordada a relevância de o professor, antes de mais nada, ler e analisar os documentos que definem a educação da sua escola e do seu país. Só assim poderá dar início a um planejamento eficiente dos seus passos em sala de aula, de acordo com a legislação e as previsões governamentais do âmbito educacional. Inegavelmente, o planejamento tem grande impacto no processo de ensino e aprendizagem, sendo essencial para garantir os resultados almejados. Para auxiliar o educador, há muitos recursos, ferramentas, metodologias e estratégias disponíveis. Porém, é preciso saber quais empregar em cada contexto, considerando as possibilidades e os objetivos de aprendizagem. É no planejamento que isso será adequadamente avaliado e alinhado às metas do professor para a sua turma. Independentemente das metas, ele deve sempre visar a um processo de ensino e aprendizagem que preze pela construção de conhecimento com significado, em que o conteúdo e a forma de trabalhar sejam associados à realidade dos alunos. Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educar é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. CAMARGO, F. F.; DAROS, T. M. A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo. Porto Alegre: Penso, 2018. CARBONELL, J. Pedagogias do século XXI: bases para a inovação educativa. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2016. CASTRO, P. A. P. P.; TUCUNDUVA, C. C.; ARNS, E. M. A importância do planejamento das aulas para organização do trabalho do professor em sua prática docente. 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Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os edito- res declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Práticas pedagógicas: materiais curriculares e recursos didáticos18 Dica do professor As atividades guiadas pela metodologia STEAM permitem que os estudantes resolvam problemas por meio do trabalho colaborativo e como protagonistas de seu aprendizado. Conhecido como uma abordagem pedagógica que integra áreas, baseada em projetos, objetiva formar pessoas com diversos conhecimentos para que desenvolvam diferentes habilidades, trabalhando questões socioemocionais e preparando os discentes para os desafios futuros. Nesta Dica do Professor, você vai ver que as atividades norteadas por essa metodologia possibilitam que os estudantes resolvam problemas ao atrelar ideias que aparentemente são desconectadas, favorecendo o aprendizado interdisciplinar. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/3bc03ab68c9e1bef1b86d4b4383abc0c Exercícios 1) A educação pautada em metodologias ativas percebe os personagens de uma maneira totalmente diferente do ensino tradicional. Conforme Carbonell (2016), os sujeitos que ensinam e que aprendem são concebidos como autores e responsáveis por seus próprios processos, reconhecendo acapacidade de ser e de aprender sem serem subordinados um ao outro. As metodologias ativas têm por premissa estimular e desenvolver o melhor do estudante, por meio de atividades colaborativas, interativas e inventivas. Considerando o apontamento feito por Carbonell (2016), é correto afirmar que o personagem principal do processo de ensino e aprendizagem na atualidade deve ser: A) o aluno. B) o professor. C) o conteúdo. D) a informação. E) o recurso. 2) As metodologias ativas de aprendizagem propõem o aluno como responsável pela busca e construção do conhecimento e quebram o modelo tradicional com atividades em que o aluno está no centro do processo educacional. Com isso são garantidos aprendizagem mais profunda, maior envolvimento e momentos mais complexos e significativos. Acerca das metodologias ativas, reflita a respeito das alegações: I. As metodologias ativas constituem alternativas pedagógicas que colocam o foco no processo de ensino e aprendizagem no docente. II. As metodologias ativas contrastam com a abordagem pedagógica do ensino tradicional. III. Atualmente as tecnologias digitais estão sendo utilizadas na implementação das metodologias ativas. Marque a alternativa que cita a(s) alegação(ões) correta(s). A) Apenas a afirmativa I. B) Apenas a afirmativa II. C) Afirmativas I e III. D) Afirmativas II e III. E) Afirmativas I, II e III. 3) De acordo com Sancho e Hernández (2014, p. 83) “O uso das novas tecnologias é visto agora como um meio para fortalecer um estilo mais pessoal de aprender em que os estudantes estejam ativamente envolvidos na construção do conhecimento e na busca de respostas para seus problemas específicos”. Nesse sentido, cabe a reflexão sobre a utilização de tecnologias como recursos materiais nos processos educativos. Considerando o texto e o material de estudo, avalie as alternativas acerca dos recursos didáticos: I. Promovem o desenvolvimento da capacidade de observação. II. Permitem a ilustração de situações mais abstratas. III. O uso da tecnologia como recurso material garante uma prática inovadora. IV. Aproximação do aluno da sua realidade e da realidade do outro. É correto o que se afirma em: A) I, II e III. B) II, III, e IV. C) I, II e IV. D) I e IV. E) III e IV. 4) Essa ferramenta é utilizada para fazer storytelling, ou seja, uma narrativa que conta histórias com fotos, vídeos, áudio e animações, considerado uma plataforma on-line que permite um relato fictício ou real, capaz de prender a atenção das pessoas, com o objetivo de ensinar. Seu uso é uma tendência no meio educacional. Qual ferramenta está sendo descrita? A) UtellStory. B) Pictovia. C) Socrative. D) Visual Exploration. E) Pixton. 5) O ensino convencional, caracterizado pela mera exposição do conteúdo pelo professor, revelou-se ineficaz, principalmente após a disruptiva evolução tecnológica encabeçada pela invenção da internet. Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. A tecnologia no contexto educacional pode auxiliar no processo de aprendizagem, contribuir na comunicação ou mesmo ampliar a visão de mundo do educando. PORQUE A tecnologia por si só não é capaz de transformar a prática de um professor. Porém, se utilizada de modo responsável e criativo, pode apresentar diversos benefícios para os estudantes e para os professores. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E) As asserções I e II são proposições falsas. Na prática O projeto Lançadores de Foguete, desenvolvido por uma escola estadual do Ceará, aborda uma grande quantidade de fenômenos físicos e químicos, assim permitindo a interação entre diversas áreas da física e da química. O princípio de funcionamento do motor do foguete baseia-se na terceira lei de Newton, a lei da ação e reação. Com garrafas PET é feita a montagem de um sistema de propulsão que funciona com vinagre e bicarbonato de sódio. Neste Na Prática, veja a proposta do projeto, que é desafiar estudantes, estimular a criatividade, desenvolver a empatia e o senso de trabalho coletivo, além de incitar a autonomia e o potencial inventivo. Ao colocar os estudantes no centro do processo de aprendizado, a atividade transformou a sala em um espaço riquíssimo de investigação, mostrando assim que os conteúdos de várias disciplinas podem ser interligados e trabalhados de forma interdisciplinar. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Quando sinto que já sei Este documentário registra práticas educacionais inovadoras e relatos de alunos que vivem a experiência de estarem em escolas que possibilitam a criatividade, a autonomia, a realização de projetos e atividades desafiadoras, promovendo a interdisciplinaridade. O filme partiu de questionamentos em relação à escola convencional e da percepção de que valores importantes da formação humana estavam do lado de fora da sala de aula. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Metodologias ativas e tecnologias digitais: aproximações e distinções Este artigo aborda a problemática acerca das aproximações e distinções entre o uso de tecnologias digitais e as temáticas das metodologias ativas, além de relatar a origem e seus elementos constitutivos. As metodologias consideradas no artigo foram aprendizagem por projetos, aprendizagem baseada em problemas, estudo de caso, aprendizagem por pares e metodologia da sala de aula invertida. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Escolas inovadoras: tudo sobre a educação inovadora Este artigo trata o que é uma escola inovadora e como as instituições de ensino podem se adaptar para formular processos de ensino e aprendizagem com os quais os alunos desenvolvam novas habilidades técnicas, ampliem as capacidades inventivas e amadureçam as competências socioemocionais. https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg&t=5s https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/15762/11342 Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Jogos, brincadeiras, gamificação e cultura maker no processo de ensino e aprendizagem A proposta deste artigo é fazer uma revisão bibliográfica apresentando uma visão geral e conceitos acerca de jogos, brincadeiras, gamificação e cultura maker no processo de ensino e aprendizagem. Nesta pesquisa foi possível perceber a importante função dos educadores no processo de ensino e aprendizagem e na transmissão do conhecimento por meio da adoção de estratégias didáticas que vão além dos métodos tradicionais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://sae.digital/escolas-inovadoras/ https://www.brazilianjournalofscience.com.br/revista/article/download/6/3