Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Mycobacterium 
 
As bactérias do gênero Mycobacterium são bacilos álcool-ácido-resistentes (BAAR), 
o que significa que não podem ser coradas pelo método de Gram. Isso ocorre 
porque sua parede celular apresenta uma composição única, distinta das bactérias 
Gram-positivas e Gram-negativas. Essa característica exige o uso de métodos de 
coloração especiais, como a Ziehl-Neelsen, que as fazem adquirir uma coloração 
vermelha. 
Esses microrganismos são bastonetes aeróbios e imóveis, ou seja, não possuem 
flagelos para locomoção. Além disso, não formam endósporos (Relembrando: 
endósporos são estruturas de resistência bacterianas, permitindo que essas células 
atravessem períodos hostis e garantam sua persistência ao longo do tempo). 
Mycobacterium é conhecido por ser nutricionalmente exigente, o que significa que 
muitas espécies necessitam de meios de cultura enriquecidos e condições 
específicas para crescer, dificultando o estudo em laboratório. 
Embora a maioria das espécies seja de vida livre e não patogênica, algumas são 
agentes causadores de doenças graves em humanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Parede Celular 
 
A parede celular das bactérias do gênero Mycobacterium é altamente complexa e 
única, composta por diversas camadas que conferem propriedades especiais à 
bactéria. A primeira camada é formada por peptídeoglicanos, uma estrutura comum 
em bactérias que fornece rigidez e suporte à célula. Acima dela, encontra-se o 
arabinogalactano, uma molécula essencial das micobactérias, que serve como 
ponte estrutural para os componentes mais externos. 
A camada mais externa é composta pelos ácidos micólicos, moléculas lipídicas de 
cadeia longa que conferem à parede celular um alto conteúdo lipídico, tornando-a 
hidrofóbica e resistente a ácidos e ressecamento, por exemplo. É o principal 
componente da parede celular dessas bactérias. 
A parede celular também apresenta baixa permeabilidade, dificultando a entrada de 
muitos antimicrobianos e contribuindo para a resistência intrínseca dessas 
bactérias. Por causa dessas características, as micobactérias são extremamente 
difíceis de eliminar do ambiente. 
A estrutura complexa da parede celular, especialmente a síntese de componentes 
como os ácidos micólicos, também é responsável pelo crescimento lento das 
micobactérias. 
Além disso, outros componentes importantes da parede celular incluem os 
lipoarabinomananas (LAM), glicolipídios localizados na superfície da célula que 
atuam como antígenos de superfície, interagindo com o sistema imunológico do 
hospedeiro. Há também algumas proteínas ancoradas na membrana. 
Todas essas características tornam as espécies do gênero Mycobacterium 
notavelmente resistentes e persistentes, sendo difícil de eliminar do ambiente. 
Essas característica servem para todas as espécies de Mycobacterium. 
 
 
 
 
 
 
 Mycobacterium tuberculose 
 
O Mycobacterium tuberculosis é o principal agente etiológico da tuberculose, 
embora não seja o único. Outras espécies do Complexo Mycobacterium tuberculosis 
também podem causar tuberculose em seres humanos ou animais, como 
Mycobacterium bovis e Mycobacterium africanum. 
Uma característica importante da resposta imunológica contra o M. tuberculosis é 
que os anticorpos formados durante a infecção dificilmente conseguem controlar a 
doença. O controle da infecção depende, em grande parte, da resposta imunológica 
celular, enquanto a resposta humoral (mediada por anticorpos) tem pouca eficácia. 
Após a infecção, o M. tuberculosis pode permanecer em estado latente (dormente) 
por muitos anos no organismo, sem causar sintomas. Isso permite que a pessoa 
esteja infectada sem saber, até que condições favoráveis, como imunossupressão, 
permitam sua reativação. 
No laboratório, as colônias de M. tuberculosis apresentam um crescimento lento 
devido às exigências nutricionais e à complexidade de sua parede celular. Em 
meios de cultura, algumas colônias têm aparência característica e, por vezes, 
podem lembrar colônias de fungos. 
A bactéria também possui cinco sistemas de secreção na superfície celular. Esses 
sistemas desempenham funções importantes, como a liberação de proteínas para o 
ambiente e a captação de ferro, um nutriente essencial para o metabolismo da 
bactéria. Desses sistemas o ESX-1 é importante e vamos falar dele posteriormente. 
A parede celular de M. tuberculosis segue o padrão do gênero Mycobacterium, com 
algumas peculiaridades. Então tem membrana citoplasmática, temos proteínas 
proteína imersas nessa membrana, proteína na parede celular. 
Sobre a membrana, encontra-se o peptídeoglicano, composto por ligações 
glicosídicas entre açúcares. No entanto, diferentemente de outras bactérias, o M. 
tuberculosis não possui N-acetilmurâmico (NAM). Em seu lugar, há o ácido N-
glicolilmurâmico, o que confere uma singularidade ao peptídeoglicano 
micobacteriano. Essa camada de peptídeoglicano é fina, lembrando a parede de 
bactérias Gram-negativas. 
Acima do peptídeoglicano estão o arabinogalactano e o LAM (lipoarabinomanana), 
além de uma camada espessa de ácidos micólicos. Esses ácidos lipídicos, já 
discutidos anteriormente, conferem resistência química, impermeabilidade e 
persistência ambiental à bactéria. 
Associada aos ácidos micólicos tem moléculas de glicolipídios conhecidos como 
fator corda, que confere uma característica marcante ao M. tuberculosis. Esse fator 
promove o agrupamento das bactérias em estruturas semelhantes a "cordas", que 
podem ser visualizadas ao microscópio e são características no diagnóstico 
laboratorial. Além disso, o fator corda está associado à progressão clínica da 
tuberculose. 
 
 
 Tuberculose 
A M.tuberculosis não é transmitida por contato direto, mas sim pela inalação de 
gotículas contaminadas, expelidas por indivíduos infectados durante a tosse, fala ou 
espirro. Essas gotículas, ao serem inaladas, carregam a bactéria para os pulmões, 
que é o principal foco da infecção. 
 
Embora o pulmão seja o local primário de infecção, a doença pode apresentar 
manifestações em outras regiões. Em cerca de 3,5% dos casos, antes do 
surgimento de sintomas pulmonares, podem aparecer lesões bucais. Essas lesões, 
porém, só ocorrem após a infecção pulmonar, mesmo que os sintomas pulmonares 
ainda não sejam aparentes. Para profissionais da saúde, especialmente dentistas, é 
crucial estar atento a lesões bucais que possam estar associadas à tuberculose. 
 
 Mecanismos de Patogenicidade 
 
O M. tuberculosis é altamente adaptado para sobreviver no ambiente hostil do 
sistema imunológico humano. Seus principais mecanismos de patogenicidade 
incluem: 
 Resistência a espécies reativas de oxigênio e nitrogênio: 
A bactéria é capaz de neutralizar os radicais livres produzidos pelos 
macrófagos, que são normalmente usados para destruir patógenos. 
 Inibição da formação do fagolisossoma: 
Após ser fagocitada pelos macrófagos, a bactéria impede a fusão do 
fagossoma com o lisossoma, que seria essencial para a sua destruição. 
 Escape do fagossoma: 
Algumas bactérias conseguem escapar do fagossoma e entrar no citoplasma 
do macrófago, onde continuam a sobreviver e se multiplicar. 
 Inibição da apoptose do macrófago: 
A bactéria bloqueia o processo de apoptose do macrófago, o que permite sua 
sobrevivência prolongada dentro da célula hospedeira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Etapas da Infecção 
 
1. Transmissão e Infecção Inicial: 
A infecção ocorre pela inalação de gotículas contendo a bactéria. Essas gotículas 
são geradas por pacientes infectados que estão liberando o patógeno no ambiente. 
2. Fagocitose: 
Após a inalação, as bactérias chegam aos alvéolos pulmonares, onde são 
fagocitadas pelos macrófagos residentes. Os macrófagos reconhecem e 
internalizam o M. tuberculosis. 
3. Sobrevivência ou Eliminação no Macrófago: 
Dentro do macrófago, a bactéria pode ser eliminada se o sistema imunológico for 
eficaz.Caso contrário, a bactéria utiliza seus mecanismos de evasão para sobrevivere começar a se multiplicar no interior da célula. 
Os macrófagos infectados liberam mediadores inflamatórios, como citocinas, para 
recrutar outras células do sistema imunológico, incluindo células NK e linfócitos T. 
4. Ativação do Sistema Imunológico Adaptativo: 
Os linfócitos T ativados produzem interferon-gama, que aumenta a capacidade dos 
macrófagos de combater a infecção. 
Se mesmo assim a bactéria não for eliminada, mais células imunológicas são 
recrutadas para o local da infecção. 
5. Formação do Granuloma: 
Quando a bactéria não é eliminada, forma-se um granuloma. Esse granuloma é uma 
estrutura composta por macrófagos, linfócitos e outras células imunológicas, que 
têm o objetivo de isolar e conter a bactéria. 
Dentro do granuloma, o M. tuberculosis pode permanecer em um estado latente por 
anos. 
 
 
Tudo começa com a chegada do M. tuberculosis aos alvéolos pulmonares, onde os 
macrófagos alveolares fagocitam a bactéria em uma tentativa de eliminá-la. No 
entanto, devido aos mecanismos de evasão do M. tuberculosis, a bactéria sobrevive 
e começa a se multiplicar dentro dos macrófagos. 
Percebendo que não consegue eliminar a bactéria sozinho, o macrófago libera 
mediadores inflamatórios, recrutando outras células imunológicas para o local da 
infecção. 
Conforme o granuloma se forma, alguns macrófagos se diferenciam em células 
espumosas, caracterizadas por um acúmulo de lipídios em seu citoplasma. Esses 
lipídios desempenham um papel duplo: 
 Servem como nutrientes para o M. tuberculosis caso o granuloma se rompa. 
 Contribuem para a estrutura do granuloma, ajudando a conter a infecção. 
Neoformação de vasos sanguíneos (angiogênese) ocorre no local do granuloma, o 
que melhora o suprimento de nutrientes e oxigênio para as células imunes, mas 
também pode favorecer a sobrevivência da bactéria a longo prazo. 
Externamente, os linfócitos formam uma camada ao redor do granuloma, reforçando 
a tentativa de isolar a bactéria do restante do tecido. 
O granuloma pode evoluir para necrose caseosa. Essa necrose resulta da 
destruição das células no centro do granuloma, devido à inflamação crônica e à falta 
de oxigênio. 
Caso o granuloma se rompa, ele pode liberar bactérias viáveis no ambiente 
pulmonar ou na corrente sanguínea, permitindo que a infecção se espalhe para 
outros tecidos e órgãos. A formação do granuloma é uma tentativa do sistema 
imunológico de conter a infecção, mas também cria um ambiente onde o M. 
tuberculosis pode persistir em estado latente. 
 
 Epidemiologia 
OBS: ela leu o slide, adicionando algumas coisas, mas não acho essa parte 
importante. 
 Brasil é área endêmica 
 
 
 
 Vacina BCG 
No Brasil, a vacinação contra a tuberculose foi introduzida em 1976, com a 
obrigatoriedade de vacinar todas as crianças nos primeiros anos de vida. Entre 1980 
e 1997, houve um aumento gradual na cobertura vacinal, atingindo 100%, um 
patamar que se manteve até 2015. Contudo, desde então, a cobertura vacinal tem 
diminuído, o que representa um desafio significativo para o controle e eventual 
erradicação da tuberculose. 
A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é desenvolvida a partir de uma cepa 
atenuada do Mycobacterium bovis, que perdeu sua capacidade de causar doença, 
mas ainda estimula uma resposta imunológica eficaz. Desde a sua criação, há mais 
de 100 anos, não houve grandes melhorias na formulação da BCG. 
Diferentemente de muitas vacinas, que promovem predominantemente uma 
resposta humoral (mediada por anticorpos), a BCG é projetada para gerar uma 
resposta imunológica celular, com a ativação de linfócitos T. 
Quando administrada, a BCG provoca uma reação inflamatória local, que muitas 
vezes resulta na formação de uma lesão na pele que cicatriza com o tempo. 
A proteção conferida pela BCG não previne totalmente a infecção pela M. 
tuberculosis, mas é extremamente eficaz em reduzir os casos graves da doença 
Não vai prevenir 100%, mas vai evitar as formas graves. 
Um aspecto interessante da BCG é sua capacidade de induzir imunidade inata 
treinada. Esse processo ocorre porque a vacina estimula células do sistema 
imunológico inato a responderem de forma mais eficaz não apenas ao M. 
tuberculosis, mas também a outros patógenos. 
 
 
 Diagnóstico 
O diagnóstico da tuberculose é realizado, inicialmente, por meio de testes de 
triagem, como o teste da tuberculina (ou teste PPD), seguido de testes 
confirmatórios em casos suspeitos. 
O teste da tuberculina consiste na injeção intradérmica de um extrato proteico 
derivado do M. tuberculosis. Após a injeção, o paciente deve retornar entre 48 e 72 
horas para avaliação da área de aplicação. Se houver formação de uma pápula 
maior que 5mm, o teste é considerado positivo. 
Essa reação cutânea, chamada de reação de Mantoux, é uma resposta imunológica 
celular, mediada por linfócitos T sensibilizados que reconhecem os antígenos do M. 
tuberculosis. 
Porém, indivíduos vacinados com BCG também apresentam resultado positivo no 
teste PPD, uma vez que a vacina induz a produção de linfócitos T reativos a 
antígenos do Mycobacterium bovis. Então o PPD não consegue identificar se a 
pessoa está infectada ou se só foi vacinada. 
Além disso, o teste apenas indica que a pessoa foi exposta a antígenos de 
micobactérias, mas não se sabe se a bactéria está ativa ou em estado latente. 
Apesar dessas limitações, o PPD continua sendo amplamente utilizado porque em 
casos de infecção recente ou ativa, a reação cutânea costuma ser maior e mais 
pronunciada. No entanto, um teste positivo no PPD é apenas indicativo e precisa ser 
complementado com outros métodos. 
O IGRA é um teste que avalia a capacidade dos linfócitos T do paciente de produzir 
interferon-gama em resposta a antígenos de M. tuberculosis. Esses antígenos são 
liberados pelo sistema de secreção ESX-1, presente em M. tuberculosis, mas 
ausente na cepa atenuada do M. bovis usada na vacina BCG. 
 
Isso significa que o IGRA consegue diferenciar uma infecção por M. tuberculosis de 
uma resposta vacinal. 
A baciloscopia é um método direto que permite a visualização de Mycobacterium 
tuberculosis em amostras clínicas, como escarro. A amostra é corada por técnicas 
específicas para identificar bacilos álcool-ácido-resistentes. 
Esse exame é feito apenas em pacientes sintomáticos, com suspeita de tuberculose 
ativa, e pode revelar bactérias viáveis dentro de macrófagos. 
 
 Tratamento 
O paciente é medicado, apesar da resistência a drogas que a bactéria apresenta. É 
uma associação de 4 drogas em 1 comprimido. 
 
 
 Hanseníase 
 História 
 
 Mycobacterium leprae 
 
O Mycobacterium leprae é o principal agente causador da hanseníase e apresenta 
diversas similaridades com o M. tuberculosis, como a composição da parede celular 
rica em lipídeos, a resistência a corantes do método de Gram e a classificação 
como bacilo álcool-ácido-resistente. Entretanto, diferentemente do M. tuberculosis, o 
M. leprae não pode ser cultivado em meios de cultura artificiais, o que limita nosso 
conhecimento sobre sua biologia, mecanismos de patogenicidade e fatores 
específicos de virulência. Se a gente sabe pouco do M. tuberculosis, do M. leprae 
sabemos menos ainda. 
O M. leprae possui uma característica marcante: ele adere e invade o sistema 
nervoso periférico, o que desempenha um papel central na sua patogênese. A 
infecção induz uma resposta imunológica predominantemente celular, com 
participação de linfócitos T. E os anticorpos produzidos durante a resposta humoral 
têm pouca ou nenhuma eficácia em combater a bactéria. 
Entre os componentes estruturais de sua parede celular, destaca-se o PGL-1,um 
glicolipídeo essencial para os processos de adesão do M. leprae. Outros 
componentes incluem peptídeoglicano, arabinogalactano e ácidos micólicos, 
presentes do gênero mycobacterium, que conferem resistência a condições 
adversas e ao ataque do sistema imunológico. 
Há duas principais formas de hanseníase. A primeira é a tuberculoide, tambémconhecida como paucibacilar, ou seja, tem poucos bacilos, e pode evoluir para o 
segundo tipo que é a lepromatosa, ou multibacilar, pois se encontra muitos bacilos 
em amostras clínicas dos tecidos. É nessa fase que a doença se torna altamente 
contagiosa. 
A hanseníase é transmitida principalmente por gotículas de saliva eliminadas por 
indivíduos infectados ao tossir, espirrar ou falar. 
Além disso, em ambientes clínicos, como em odontologia, o uso de dispositivos que 
geram aerossóis infecciosos(usados em pacientes infectados) pode aumentar o 
risco de transmissão. 
 
 
 Patogenicidade 
 
A infecção começa quando o bacilo entra em contato com os pulmões do 
hospedeiro, onde encontra os macrófagos alveolares. Dentro dessas células, ele 
consegue sobreviver e se multiplicar. Em seguida, pode se disseminar pela corrente 
sanguínea, alcançando o SNP. 
Um dos fatores importantes de virulência do M. leprae é o PGL-1, uma molécula 
presente na sua parede celular. O PGL-1 atua como adesina, permitindo que a 
bactéria se fixe às células de Schwann no SNP. Essa adesão é o ponto de partida 
para a sintomatologia do paciente. 
 Sintomatologia 
 Forma Tuberculoide (Paucibacilar) 
Na forma tuberculoide, o paciente apresenta uma resposta imunológica celular 
robusta, com ativação intensa de macrófagos e recrutamento de linfócitos T. Essa 
resposta é eficiente em conter a multiplicação do bacilo, resultando em uma carga 
bacteriana muito baixa. 
Essa forma da doença não é altamente contagiosa e está associada a lesões 
cutâneas bem definidas, assimétricas e indolores. Nessas lesões, não é possível 
detectar bacilos através da baciloscopia. 
 
O diagnóstico da forma tuberculoide pode ser auxiliado pela reação positiva à 
lepromina, um antígeno do M. leprae que desencadeia uma resposta celular nos 
indivíduos. 
 
 Forma Lepromatosa (Multibacilar) 
Na forma lepromatosa, a resposta imunológica celular é substituída por uma 
resposta humoral. Mas os anticorpos não são suficientes para conter a 
disseminação da bactéria, que se multiplica descontroladamente nos tecidos. 
Essa forma é altamente contagiosa, com grande quantidade de bacilos presentes 
nos tecidos e secreções nasais. O paciente pode contaminar o ambiente e outras 
pessoas através de gotículas respiratórias. 
As lesões na forma lepromatosa são mais graves, ulceradas, difusas e 
frequentemente infectadas. Também podem ocorrer deformidades devido à 
reabsorção óssea e pode ter osteomielite então fica parecendo que os dedos estão 
caídos. As vezes o tecido entra em necrose, tendo perda tecidual. 
 
Nessas lesões, a baciloscopia é altamente positiva, facilitando o diagnóstico. 
Na fase lepromatosa, o paciente apresenta uma reação negativa à lepromina, 
indicando a ausência de uma resposta celular. 
 
 
 
 
3. Forma Borderline (Intermediária) 
A forma borderline é intermediária entre as formas tuberculoide e lepromatosa. Ela 
vai apresentar lesões semelhantes à forma tuberculoide, mas são maiores e mais 
numerosas. 
Nessa etapa, há uma mistura de resposta celular e humoral, mas nenhuma das 
duas é suficiente para conter a progressão da doença. Se não tratado, o paciente 
pode evoluir para a forma lepromatosa. 
A baciloscopia na forma borderline pode variar: em fases iniciais, há poucos bacilos, 
enquanto em estágios mais avançados, o número de bactérias pode aumentar. 
A imunidade celular vai diminuindo a medida que o paciente evolui para a forma 
boderline e lepromatosa, e em compensação a resposta humoral vai aumentando. 
Entretanto, a resposta humoral é incapaz de conter a disseminação da bactéria, o 
que explica o aumento da carga bacilar e a gravidade das manifestações clínicas na 
forma lepromatosa. 
Se fizer baciloscopia: 
 Forma Tuberculoide: Poucas bactérias detectáveis. 
 Forma Lepromatosa: Grande quantidade de bacilos na baciloscopia. 
 Forma Borderline: variabilidade na baciloscopia, dependendo do momento 
que for feito. 
Então somente na fase lepromatosa que a baciloscopia vai ter valor para nos dar o 
diagnóstico. 
 
 
 Tratamento 
O tratamento para hanseníase pode ser feito em qualquer momento da doença. 
 
 Desafios 
Brasil tem alta incidência; 
Estigma: até pouco atrás espalhava-se que hanseníase não tem cura e que se 
tivesse ia perder os dedos, sendo que se tratada ainda na forma tuberculoide, não 
vai chegar na lepromatosa e ter perda tecidual. 
 
 
 
 Diagnóstico

Mais conteúdos dessa disciplina