A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, uma espiroqueta Gram-negativa de alta capacidade invasiva e disseminação sistêmica. Trata-se de um microrganismo de difícil cultivo in vitro, razão pela qual o diagnóstico baseia-se predominantemente em métodos sorológicos. A infecção apresenta evolução clínica dividida em fases (primária, secundária, latente e terciária), podendo ocorrer transmissão vertical em qualquer estágio da doença, especialmente após a 16ª semana de gestação, quando a bactéria atravessa a barreira placentária. Do ponto de vista imunológico, a infecção pelo T. pallidum desencadeia resposta imune humoral e celular. Inicialmente, ocorre produção de anticorpos da classe IgM, seguida por IgG. A resposta humoral envolve dois tipos principais de anticorpos: (a) anticorpos específicos contra antígenos do treponema e (b) anticorpos não específicos, denominados reaginas, dirigidos contra complexos lipídicos (como cardiolipina) liberados a partir de células lesadas do hospedeiro e da membrana bacteriana. Essa distinção fundamenta a classificação dos testes diagnósticos em treponêmicos e não treponêmicos.