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7 PONTO 4 – ELEMENTOS DA CONSTRUÇÃO Segundo Souza (1997), o princípio que deve nortear qualquer construção, grande ou pequena é o de fazer uma obra no menor tempo possível e ao menor custo, aproveitando o máximo rendimento das ferramentas e da mão-de-obra. Para que isso seja possível, torna-se necessário, acentuada atenção em todas as fases da construção. Estas fases são: a) Trabalhos preliminares: São os trabalhos iniciais que antecedem a construção. É nesse momento que se define a finalidade que determinada obra vai atender, com elaboração do programa de obra; escolha do local; organização da praça de trabalho ou canteiro de obra; estudo do subsolo, sondagens de solo; terraplenagem ou acerto do terreno; elaboração do projeto e orçamento e locação; obra; b) Execução: Consta da abertura das valas de fundação; consolidação do terreno; alicerces; baldrames; obras de concreto armado ou simples; aterros e apiloamento; levantamento das paredes; armação de andaimes; engradamento, cobertura ou telhado; pisos; forros; esquadrias; assentamento das tubulações de água, esgoto e eletricidade; revestimento das paredes; c) Acabamento: Assentamento de ferragem nas esquadrias; rodapés; aparelhos elétricos; aparelhos sanitários; equipamentos; vidros; pintura; acabamento nos pisos (raspação e synteko em tacos, polimento em mármores, etc.); limpeza geral. Para alguns autores (Emrich e Curi, 2017) a etapa de assentamento das tubulações se constitui como um serviço da fase de acabamento. Neste manuscrito serão abordados aspectos gerais referentes às etapas das construções, englobando serviços das fases de execução e acabamento. Inicialmente serão apresentados aspectos gerais pertencentes à grande maioria das edificações e em seguida serão apresentados aspectos pormenorizados e pertencentes a edificações específicas. Segundo Rocha, Rocha e Rocha (1982), antes de iniciar a construção propriamente dita é necessário preparar o terreno escolhido (com o desmatamento, destocamento e nivelamento da região) e, em seguida, realizar a locação da obra, que é realizada a partir da planta baixa, considerando o eixo das paredes para que se tenha uma distribuição adequada da espessura destas. Após a locação da obra inicia-se o processo de locação dos alicerces das paredes e fundações dos elementos estruturais (pilares). Em seguida, dão-se início as escavações e as medidas adotadas para abertura da vala são tomadas considerando-se metade da largura da vala para cada lado da linha de marcação (Figura 1). Segundo Rocha, Rocha e Rocha (1982), a largura das valas varia de acordo com o tipo de parede que sustentarão: Parede de ½ tijolo – vala com largura de 50cm; para de 1 tijolo: vala de 60 cm. Já segundo Pereira (1986), podem ser adotadas as seguintes dimensões para as valas: em terrenos turfosos, 0,40m de largura e 0,40m de profundidade para prédios de um pavimento e 0,50 de largura por 0,60 de profundidade para prédios de 2 a 3 pavimentos. Após a escavação dá-se início a execução dos alicerces e fundações. Em terrenos de resistência satisfatória, para construções simples, os alicerces podem ser feitos em alvenaria de Pedra, de tijolos ou concreto ligeiramente armado. Em alguns casos, quando a camada sólida do terreno é encontrada a uma profundidade de 1,00 a 1,50m, empregam-se as sapatas ou blocos de concreto simples ou armado. As sapatas ou os blocos são ligados entre si, um pouco abaixo da superfície do solo, atrás de vigas de concreto armado que servirão de cintas de amarração. As dimensões das fundações dependem da razão entre as cargas dos pilares e a resistência do solo (Equação 1) e segundo a ABNT NBR 6222/2019 não podem ter dimensões menores do que 60cm. As dimensões fornecidas para a largura do alicerce estão baseadas em recomendações da literatura da área de construções rurais (Rocha, Rocha e Rocha, 1982; Pereira (1986), mas é importante mencionar que em estruturas de maior porte, onde as alvenarias fazem parte do sistema estrutural (estruturas em alvenaria estrutural), a largura do alicerce também precisa ser dimensionada como uma razão da carga atuante nas paredes e a resistência do solo. Figura 1 Onde: A é a área da fundação a ser determinada, P é a carga atuante obtida por levantamento de carga e é a tensão resistente do solo; Equação 1 Em solos compressíveis, de natureza turfosa ou formados por aterros a fundação mais indicada é o estaqueamento, que podem ser de madeira, aço ou concreto armado (PEREIRA, 2017). Após a execução dos alicerces e fundações, é realizada a execução das cintas de fundação ou amarração que terão a função de anular os esforços horizontais provenientes dos alicerces e também, de travamento dos pilares. Este elemento também evita o aparecimento de fissuras ou trincas nas paredes em situações em que o terreno ceder em algum ponto. Em situações em que a cinta tiver a função de viga, ela deverá ser dimensionada seguindo as recomendações das normativas próprias de dimensionamento de elementos em concreto armado (NBR 6118/2014). A Figura 2 apresenta um esquema indicando a disposição dos elementos: alicerce, vigas ou cintas e alvenaria. Após a execução dos alicerces e fundações, dá-se início à execução das alvenarias, mas antes dessa etapa, é importante que seja aplicada nas fundações uma camada de impermeabilização, a fim de evitar que a umidade do solo atinja as paredes. Em paralelo à etapa de alvenaria, pode-se executar a elevação dos pilares, utilizando o espaço entre tijolos como forma, inclusive. Em algumas situações, é preferível executar os pilares de amarração para depois executar as paredes. As vigas e cintas de cobertura são executadas sobre as alvenarias e apoiando-se nos pilares. Em algumas situações, as vigas são executadas logo após os pilares, antes das alvenarias. Mas um ponto positivo de executar os elementos em paralelo, é porque as alvenarias podem servir como forma para as vigas, gerando economia na obra. Em algumas construções não é considerada a execução de vigas e pilares, principalmente quando são obras de menor vulto, mas esta prática pode gerar problemas estruturas como o surgimento de fissuras em cantos de parede ou na região superior das paredes, onde a cobertura e/ou laje se apoiam. Após a execução das paredes dá-se início a execução dos revestimentos (chapisco, emboço e reboco), da instalação das esquadrias e das instalações hidrossanitárias. A etapa de pintura ocorre ao final da obra ou após a execução dos revestimentos. Por fim, a cobertura é executada. Quando estiver planejada a execução de lajes, estas serão executadas após a viga de cobertura e terão a função de receber as cargas da cobertura. O tópico 2.1 a seguir apresenta melhores definições dos elementos mencionados, fornecendo maiores detalhes sobre a execução e características deles. Além disso, ao longo dos itens respectivos são apresentadas particularidades inerentes à alguns tipos de construções rurais. a.1 Descrição dos elementos construtivos a) Fundação: Segundo Pereira (1986), devem ser tomados alguns cuidados com o local onde as fundações serão executadas, e devem ser evitados solos fracos, com lençol freático muito próximo a superfície e com má natureza geológica. São elementos estruturais destinados a transmitir ao terreno as cargas da estrutura e devem ter resistência adequada para suportar as tensões causadas pelos esforços solicitantes causados pelas cargas atuantes nas estruturas (pesos dos elementos constituintes das obras somados à sobrecarga que será proveniente da utilização da edificação). A resistência do solo pode ser determinada por meio de métodos como percussão, picareta ou sondagem. Além disso, o conhecimento das características gerais do solo também permite a definição sobre o melhor tipo de fundação a ser utilizado. Sendo assim, as fundações são classificadas em diretas ou indiretas. a.1) Fundações diretas: As fundações diretas são as que transmitem a carga recebida pela estrutura diretamente ao solo. São valas relativamente rasas, que podem chegar ao máximo de 3.0m de profundidade, podendo ser construídas por viga de fundação, blocos, alicerces, sapatas e radiers. A viga de fundação, também conhecida como “baldrame” (Figura 3.A), é normalmente utilizada como fundações rasas e econômicas em terrenos firmes, cujas cargas são pequenas. O baldrame é uma viga construída em uma vala pouco profunda, capaz de suportar as cargas de uma construção, transferindo-as para o solo. Já o bloco é uma fundação caracterizada pela distribuição de carga de forma pontual (Figura 3.B). Desta forma, onde existir um bloco, existirá um pilar de sustentação. Esses blocos podem ser construídos de pedras, tijolos e concreto, e apresentam grande resistência à compressão. As sapatas são elementos de apoio de concreto com grande resistência à flexão (Figura 3.C). É considerada uma fundação direta que normalmente é construída em concreto armado, podendo ter a forma de uma placa ou de um tronco de pirâmide, que serve como suporte para colunas, pilares ou mesmo paredes. É aconselhada para solos que apresentem argila rija. Ela pode ser corrida ou isolada. Outro tipo de fundação direta é o radier (Figura 1.9 B). Os radiers são elementos construídos de forma contínua, uma laje que recebe as cargas provenientes de todos os pilares. A B C D Figura 3. a.2) Fundações indiretas: As fundações indiretas são compostas por estruturas apoiadas sobre estacas que são penetradas no solo. Este tipo de fundação apresenta, na verdade, dois tipos de resistências distintas. A primeira baseia-se na distribuição do peso atuante sobre ela na superfície da extremidade inferior, que, consequentemente, transmite essa força sobre o solo. E a segunda resistência é gerada pela força de atrito entre a sua superfície lateral da estaca que a compõe e o solo. As estacas são peças alongadas, cilíndricas ou prismáticas, podendo ser de concreto armado, madeira ou aço, com as funções específicas de transmitir a carga recebida às camadas mais profundas, conter os empuxos laterais e/ou compactar o terreno. Nas construções rurais as estacas mais utilizadas são as de madeira, que podem ter seção circular, quadrada ou hexagonal, com diâmetro variando de 15 a 35 cm, conforme o seu comprimento. Sendo de madeira, esta deve ser de lei, com as pontas afiladas. As cabeças são protegidas com abraçadeiras de ferro, para evitar rachaduras resultantes da percussão durante a cravação que é feita com bate-estacas, manual ou mecanicamente. Como a estaca estará mergulhada no solo, é aconselhável, antes da aplicação da estaca, que esta seja imunizada contra insetos com pintura apropriada. A fim de evitar apodrecimento, a cabeça da estaca deve ficar abaixo do nível da superfície, cerca de 0,50m para não entrar em contato com o ar. As estacas de concreto armado são normalmente utilizadas em construções de maior vulto, em que se deseja absoluta segurança quanto à duração e resistência. Estas podem ser do tipo pré-moldadas (transportadas após 7 dias da moldagem e cravadas após 28 dias) ou moldadas in loco. A seção da estaca pré-moldada é, no geral, quadrada e protegida na extremidade inferior por uma ponteira de aço. Durante a sua cravação é necessário colocar uma almofada de madeira entre o martelo do bate-estaca e a cabeça da estaca para evitar o esfacelamento do concreto. Como as cabeças das estacas não ficam no mesmo nível, devido às resistências encontradas no terreno, completam-se as alturas das mesmas com blocos de concreto. Na cravação da estaca, a penetração diminui bastante ao alcançar o terreno firme. OS serviços podem ser dados como concluídos quando o recalque for de 2 a 4cm. Dentre as estacas in loco, as do tipo broca são as mais utilizadas, pois são de fácil manuseio. Esse tipo de material é executado por meio de um trado ou sistema hidráulico. Procede-se a abertura de um furo no solo, compacta-se o fundo do furo e lança-se concreto para preencher os espaços vazios com concreto. Existem também estacas escavadas, nas quais o solo é perfurado por meio de trado helicoidal; estaca tipo raiz, recomendada para locais onde não se podem utilizar máquinas de grande porte, e estacas tipo strauss, nas quais tubos metálicos rosqueáveis são utilizados com concretagem em seu interior. b) Lajes, vigas e pilares: Quando tratarmos de construções rurais, outras importantes estruturas estarão envolvidas nos processos construtivos, além das fundações, sendo elas: as lajes, vigas, pilares e paredes. b.1 Lajes: Normalmente são elementos confeccionados em concreto armado, podendo ser do tipo maciças, nervuradas, lisas, cogumelo ou pré-fabricadas. Nas construções rurais, onde os vãos são predominantemente pequenos, as lajes maciças e do tipo pré-moldadas/treliçadas são as mais utilizadas. - Lajes maciças: As lajes maciças são executadas em concreto armado e para serem executadas devem ser desenvolvidas as seguintes fases: 1. Madeiramento: Nessa fase serão realizados os escoramentos e as formas que irão receber o concreto. Este madeiramento é provisório, pois após o endurecimento do concreto poderá ser retirado e reaproveitado para a concretagem de outras lajes. Para a construção de formas deve-se dispor de tabuas de pinho de 1” que cobrirão o vão a ser concretado. Ao invés de tabuas de Pinho também poderemos utilizar chapas compensadas de madeirite, que é mais vantajoso, pois sua superfície lisa assegura também ao concreto essa característica. Essas tábuas devem ser apoiadas sobre pontaletes horizontais dispostos longitudinalmente e transversalmente. O quadro formado pelos pontaletes horizontais será apoiado ao piso por meio de pontaletes verticais (3”x3”) (ROCHA, ROCHA e ROCHA, 1982). 2. Ferragem: A ferragem das lajes deve ser cortada e dobrada de acordo com as medidas constantes em projeto. E os ferros devem ser preparados com antecedência, para que após o preparo das formas as armaduras sejam montadas sem interrupções. A malha de ferro pode ser montada sobre a forma ou no canteiro para depois ser apenas posicionada sobre a forma. Para a montagem da malha os ferros devem ser fixados com arame recozido nº 18. Na malha a distribuição dos ferros deve respeitar os espaçamos e bitolas exigidos em projeto; 3. Concretagem: O concreto é um material preparado por meio da mistura de aglomerantes, agregados e água e o concreto armado corresponde à associação do concreto simples com barras de aço. A concretagem é o momento em que o concreto é despejado sobre as formas. O concreto poderá ser preparado tanto manualmente quanto mecanicamente (preparado por meio de betoneiras, que pode proporcionar uma mistura mais homogênea, rápida e econômica). O transporte do concreto até o local onde será aplicado poderá ser por meio de bombeamento ou utilizando carrinhos de mão. Na concretagem deve-se deve-se tomar o cuidado de respeitar a dosagem, adensar bem o concreto (utilizar vibradores sempre que possível) e evitar o lançamento de grandes alturas. - Lajes pré-moldadas: Esse sistema é composto por vigotas, cuja forma promove o encaixe perfeito com as lajotas. O conjunto vigotas + lajotas receberá uma cobertura de concreto, transformando a laje num sistema monolítico. b.2 Vigas: As vigas são normalmente executadas em concreto armado e tem a função de receber as cargas provenientes das lajes e coberturas e transmiti-las aos pilares. Sua dimensão e ferragens são definidos por meio de projeto estrutural. A norma que rege o dimensionamento desses elementos é a NBR 6118/2014. Para a montagem das formas das vigas são necessários basicamente 3 elementos: 3 tábuas (que serão dispostas de forma a constituir as bases inferiores e laterais das vigas), os sarrafos que são utilizados para o cintamento das formas evitando a abertura durante a concretagem e escoramento constituído por pontaletes dispostos verticalmente e espaçados entre 0,80 e 0,90m; b.3 Pilares: Os pilares são elementos em concreto armado que recebem as cargas das lajes e vigas e transmitem para as fundações. Segundo a NBR 6118/2014 a seção mínima que os pilares devem ter é 360 cm². No caso dospilares, as armaduras presentes no concreto têm como principal função a resistência à compressão, o diâmetro das barras longitudinais que compõem esse tipo de pilar não deve ser inferior a 10 mm nem superior a 1/8 da menor dimensão da seção transversal. Assim como para as vigas e lajes, a execução de pilares requer o uso de formas, que podem ser de madeira, aço ou qualquer outro material sintético. c) Alvenaria: A alvenaria é um elemento que tem a função de vedar ou separar os ambientes. A alvenaria de tijolos é o emprego mais recorrente nas construções rurais, podendo ser revestidas ou com tijolo aparente. Segundo Pereira (1986) os tijolos mais utilizados são: maciço, furado (lajotas) ou blocos de concreto. O assentamento dos tijolos pode ser executado com argamassas de cal e areia, cal e argila ou cimento e saibro no traço 1:8. A espessura da argamassa deve ser de 5 a 10mm. c.1 Tijolos maciços: Possuem a forma de paralelepípedo, com dimensões de 25cmx10cmx6cm. Os tijolos maciços são, normalmente, produzidos em regiões onde há abundância de argila. A primeira parte da produção deles consiste no preparo do barro, onde são removidos os detritos contidos dele. A seguir, é feita a moldagem dos tijolos com a utilização de formas de madeira, onde é jogado pó de argila, para facilitar na remoção das peças depois de prontas. Dependendo do tamanho da olaria a moldagem pode ser feita manualmente, ou então com uso de máquinas próprias. As fases seguintes são a secagem e queima. c.2 Tijolos cerâmicos furados: Esses tijolos possuem geometria semelhante ao dos maciços, podendo ter furos redondos ou quadrados; c.3 Blocos de concreto: são maiores que os blocos cerâmicos e são na maior parte das situações, utilizados com função estrutural. Existem os blocos, meio blocos e as canaletas. d) Esquadria: As esquadrias constituem-se de um certo número de partes que determinam a fixação adequada de porta, janelas, portões, etc. No caso das portas, compõe-se basicamente das seguintes peças: batente, folha, guarnição e sóco. Para as janelas, dividem-se, principalmente, nas seguintes peças: batente, guilhotinas, venezianas e guarnições (Rocha, Rocha e Rocha, 1982). Esses elementos devem ser confeccionados de madeira de boa qualidade e de preço acessível. As suas dimensões irão depender da instalação rural onde serão utilizadas. Em instalações rurais elas são rústicas, e feitas de tábua com espessura de 2 a 4 cm. Para as aves é comum o emprego de portas teladas ou ripadas. Nos galpões e depósitos são também bastante utilizadas as portas de correr. Quando se trata de edificações, em que se deseja melhor acabamento, as esquadrias devem ser de melhor qualidade ou seja: portas lisas ou almofadadas; janelas do tipo venezianas ou vidros. Os marcos ou forras das portas e janelas possuem geralmente 6 a 7 cm de largura e 3 a 4cm de espessura. São fixadas nas paredes através de tacos de madeira previamente embutidos na alvenaria de tijolos. As madeiras normalmente utilizadas na fabricação de esquadrias são: cebro, canela, jequitibá e algumas vezes o pinho (Pereira, 1987); e) Revestimentos e pinturas: e.1 Revestimentos: Nas paredes de tijolos cerâmicos comuns, é necessário aplicar um revestimento, em função de dois fatores: proteger contra a penetração de umidade nos ambientes internos, evitando-se a formação de bolor na pintura dos cômodos e regularizar. Segundo Rocha, Rocha e Rocha (1982) e Pereira (1987), nas construções rurais o revestimento é aplicado em duas camadas denominadas: Revestimento grosso ou emboço, Revestimento fino ou reboco, que são argamassas feitas de areia e cimento, areia e cal, cal e cimento ou cal, areia e cimento. O emboço é o revestimento utilizado para reparar as irregularidades das paredes e é normalmente executado com argamassa de traço 1:3 (para cada volume de cal, deve-se misturar três de areia, para a sua execução é empregada areia média; recomenda-se umedecer a parede antes da sua para aumentar a aderência entre ela e o tijolo e o emboço só deve iniciado após a completa solidarização da argamassa da alvenaria, colocação das canalizações e dos tacos para fixação das esquadrias e rodapés. Para um melhor acabamento, além do emboço é realizado o reboco, onde normalmente são empregadas argamassas de cal e areia fina no traço 1:1 ou de cimento, cal e areia no traço 1:2:4. O reboco é um revestimento que tem a espessura que não deve ultrapassar 0,5cm. Em construções rurais, via de regra, o revestimento usado é o emboço alisado a régua e desempenadeira. e.2 Pinturas: Constitui a parte final de uma construção. É necessária para a conservação da obra contra os efeitos da umidade que favorece o aparecimento de mofo. A pintura, além do caráter de proteção, é indispensável para o aspecto final do prédio. Por estes motivos ela deve ser bem executada, com certos cuidados, entre os quais observar se as superfícies a serem pintares estão bem secas. Em construções rurais, é a caiação a pintura mais indicada para as paredes por ser mais econômica que as demais, de fácil execução, além de ser desinfetante. No preparo da tinta recomenda-se os seguintes cuidados: cal de boa qualidade e adição de água em quantidade suficiente para se obter uma pasta maleável (um leite de cal mais ou menos denso); Em esquadrias de madeira ou de ferro é utilizado o óleo. A superfície a ser pintada deverá ser preparada. No caso da madeira, ela é lixada e emassada para correção das imperfeições. Tratando-se do ferro ou outro metal, deve-se inicialmente, passar uma escova metálica ou lixa para ferro, a fim de ser retirada a ferrugem e em seguida dar uma mão de pintura antioxidante (zarcão). Em instalações para animais, em geral, a pintura consiste em caiação na alvenaria, em que se adiciona um impermeabilizante. f) Instalações: Podem ser do tipo hidráulicas, sanitárias e elétricas. f.1 Instalações hidráulicas: consistem de canalizações que podem ser de aço ou PVC, que tem a função de distribuir as águas dos reservatórios, poços ou da rede públicas para os pontos de consumo nas edificações. Os diâmetros dessas canalizações são dimensionados por meio de tabelas específicas que levam em consideração a velocidade e pressão a serem atendidos. Além das tubulações, nas redes de distribuição ainda são encontrados: registros de gaveta e globo (que tem a função de controlar a passagem da água), válvulas de descarga que são utilizados junto aos vasos sanitários e cotovelos e tês (que ficam acoplados aos canos e permitem a montagem da rede de distribuição com maior facilidade. A mudança de direção e ramificação da rede só é permitida com o uso dessas peças); f.2 Instalações sanitárias: tem a função de recolher os dejetos de vários pontos e transportá-los a um ponto comum de despejo. A rede de esgotos pode ser executada utilizando manilhas de barro, tubos de ferro fundido, tubo galvanizados para tubulações embutidas no piso (Pereira, 1987) e em PVC, sendo esse último tipo um do mais conhecidos e mais utilizados nos dias de hoje, uma vez que o policloreto de vinila (PVC) tem a vantagem de ser mais leve que a maioria dos materiais. Essa característica permite que os tubos sejam mais longos, dispensando a necessidade de fazer uma grande quantidade de emendas. Outra vantagem dos tubos de PVC é que eles são altamente resistentes à corrosão, tendo assim uma vida útil mais longa. A rede é formada de ramais e um tronco. Os ramais recolhem as águas servidas dos aparelhos, conduzindo-as para o tronco. Deste, elas são levadas para a rede do logradouro ou para fossas sépticas. Em obras rurais é comum o uso de manilhas, as quais possuem comprimento uniforme de 60 cm. Devem ser perfeitamente permeáveis, com a superfície interna vidrada. O seu assentamento é feito em solo firma para evitar deslocamentos, devendo ser executadas com as asfalto derretido misturado com areia ou com argamassa de cimento e areia. As manilhas não devem ser empregadas em canalizações que fiquem acima do solo, nem a menos de 2,00 da rede de água para possíveis infiltrações. As canalizaçõesde esgoto provenientes dos aparelhos deverão ser ligadas a uma caixa central munida de sifão para evitar o desprendimento de gases de mau cheiro e a passagem de insetos para o interior do prédio. Outro importante ponto a ser observado é que o esgoto deve ser direcionado, sempre, em linha reta e com declividade uniforme. Essa declividade é de 2% a 3% para tubos de PVC e de 5% caso sejam utilizadas manilhas. Caso seja necessária a mudança de direção, devem ser adotadas caixas de passagem. O esgoto deve desenvolver-se, preferencialmente, pelo exterior da construção, com uma rede de captação com profundidade mínima de 30 cm. Em locais onde não existe rede de esgoto, se torna necessário a construção de fossas sépticas. As fossas sépticas têm a função de receber o esgoto domiciliar e através de tratamento bioquímico transformar os efluentes em substâncias inócuas. f.3 Instalações elétricas: As mais diversas construções rurais exigem disponibilidade de energia elétrica para que sejam capazes de produzir, seja na produção e armazenamento de produtos vegetais ou nas criações animais, principalmente granjas de suínos e aves. Esses sistemas intensivos de produção de carne são extremamente exigentes na utilização de energia, muitas vezes possuindo sistemas de automação para o controle térmico (Emrich e Curi, 2017). Sendo assim, a instalação elétrica é a estrutura física responsável por permitir que o sistema elétrico funcione numa edificação. Toda instalação elétrica, quer seja de habitações, prédios ou instalações para animais devem ser feitas com cuidado. Esse sistema compreende todos os pontos de carga ou de utilização em uma construção, sejam elas tomadas, pontos de iluminação, de refrigeração ou qualquer outro. Sendo assim, esses pontos estarão todos ligados por meio dos mesmos condutores e submetidos aos mesmos dispositivos de proteção, sendo derivados de um quadro de distribuição. Segundo (Emrich e Curi, 2017) os condutores de eletricidade são normalmente confeccionados em cobre ou alumínio e servem para o transporte da energia elétrica. O dimensionamento adequado dos condutores e dos dispositivos de proteção e conservação está diretamente ligado à economia, à segurança e à proteção dos equipamentos que utilizarão a energia elétrica transmitida pelos circuitos elétricos. Nas construções, os fios devem passar por dentro dos eletrodutos, que são tubos destinados a proteger e isolar os condutores. Esses elementos podem ser instalados em montagem aparente, embutidos em gesso, alvenaria ou parede de cimento ou ainda dentro de canaleta. Eles podem ser magnéticos ou não magnéticos, rígidos ou flexíveis. As principais funções dos eletrodutos estão relacionadas à proteção dos condutores contra ações mecânicas e corrosão, à proteção do meio contra incêndios por superaquecimento, à redução de risco de choque e à promoção de um percurso para a terra, pois pode funcionar como um condutor de proteção. g) Cobertura: O telhado é composto basicamente por dois itens: estrutura e telhas. A estrutura pode ser de madeira, metálica ou em concreto armado. Porém, nas estruturas rurais, a mais empregada é a de madeira sob as formas de simples meia água e de tesouras. Além das terças e tesouras, o madeiramento é composto por caibros e ripas que constituem de apoios para as telhas. As tesouras são estruturas dispostas transversalmente ao maior vão e normalmente são espaçadas de 2,5m a 4,0m, tendo a função de transmitir aos pilares as cargas das coberturas. As terças serão dispostas perpendicularmente as tesouras, apoiando-se sobre elas. Apresentam como funções a distribuição sobre as tesouras das cargas provenientes da cobertura, e aumento da estabilidade da estrutura. Em construções em que existam muitas paredes a tesoura de madeira poderá ser substituída por uma de alvenaria que se apoia sobre as paredes e sobre esta estrutura são então lançadas as terças, e as outras peças constituintes do madeiramento. Para vãos maiores de 10m, principalmente galpões, a estrutura de madeira em arcos é bastante utilizada por ser mais leve e de prática montagem. A cobertura utilizada na maioria das vezes é a telha francesa, que são planas e tem encaixe na extremidade. O seu número por metro quadrado é de 15 a 16 peças. De fácil colocação, constitui um material impermeável, isolante e concentra menos calor no ambiente. “Outro tipo de telha muito usual é a de cimento-amianto. Em relação à telha francesa, em certos casos, mais econômica principalmente para grandes vãos e por exigirem menos madeiramento. Entretanto, é menos isolante do calor e a sua instalação requer profissional experimentado para perfeita vedação do telhado contra chuva e quebra das telhas” (Pereira, 1987). 2.3 Referências SOUZA, J.L.M., Manual de construções rurais. Notas de aula da disciplina de construções rurais. 3ª edição. Curitiba, 1997. Pereira, M.F; Construções rurais. São Paulo, Nobel: 1986; ROCHA, J.L.V., ROCHA, L.A.R., ROCHA, L.A.R., Guia do técnico agropecuário: construções e instalações rurais. Campinas: Instituto Campinense agrícola, 1982. EMRICH. E.B., CURI, T.M.R.C.; Construções rurais. Volume único, Londrina: Editora e distribuidora Educacional, 2017. . image3.png image4.png image5.png image1.png image2.png