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POR QUE A REGULAÇÃO EMOCIONAL É IMPORTANTE? Todos nós vivenciamos emoções de vários tipos e tentamos lidar com elas de manei- dos casos, um componente interpessoal. Assim, ao ter a emoção "ansiedade", você ras tanto eficazes quanto ver- reconhece que está preocupado com o fato dadeiro problema não é sentir ansiedade, e de que não conseguirá concluir o trabalho sim nossa capacidade de acei- a tempo (avaliação), o ritmo cardíaco ace- tá-la, usá-la quando possível e continuar a lera (sensação), você se concentra em sua funcionar apesar dela. Sem emoções, nossas competência (intencionalidade), tem sen- vidas não teriam significado, textura, rique- timentos terríveis em relação à vida (sen- za, contentamento e conexão com outras timento), torna-se fisicamente agitado e pessoas. As emoções nos lembram de nos- inquieto (comportamento motor) e pode sas necessidades, nossas frustrações e nos- muito bem dizer a seu parceiro que está em direitos nos levam a fazer mudanças, um dia ruim (interpessoal). Em virtude da fugir de situações difíceis ou saber quando natureza multidimensional das emoções, estamos satisfeitos. Ainda assim, há muitas os clínicos podem considerar qual dimen- pessoas que se sentem sobrecarregadas por são deve ser o foco primordial, escolhendo suas emoções, temerosas dos sentimentos entre várias abordagens, cada uma delas e incapazes de lidar com eles por acreditar representada neste livro. Por exemplo, ao que a tristeza e a ansiedade impedem um escolher as técnicas a serem utilizadas com comportamento efetivo. Este livro destina- cada paciente, os profissionais podem con- -se a todos os clínicos que ajudam essas siderar suas escolhas técnicas com base no pessoas a lidar mais efetivamente com as problema que se apresenta no momento. emoções. Por exemplo, se a luta de um paciente con- Consideramos que as emoções com- tra a sensação de agitação for muito proble- preendem um conjunto de processos, dos mática, o terapeuta pode empregar técnicas quais nenhum é por si só suficiente para de manejo do estresse (p. ex., relaxamen- denominar uma experiência como "emo- to, exercícios respiratórios), intervenções ção". As emoções, como a ansiedade, en- baseadas na aceitação, estratégias focadas volvem avaliação, sensação, intencionali- nos esquemas emocionais ou atenção ple- dade (um objeto), "sentimento" (ou qua- na (mindfulness). Se o paciente se confron- lia), comportamento motor e, na maioria ta com a sensação de que uma situação é20 Tirch & Napolitano insuportável. o terapeuta pode considerar o indivíduo a experimentar seu de reestruturação cognitiva ou resolução de emoções, porém, evitando à problemas para colocar as coisas em pers- de qualquer estado pectiva e considerar possíveis modificações da situação estressante. Assim, a regulação emocional pode envolver reestruturação 0 QUE É REGULAÇÃO EMOCIONAL? cognitiva, relaxamento, ativação compor- tamental ou estabelecimento de metas, to- Os indivíduos que lidam com lerância aos esquemas emocionais e afetos, estressantes vivenciam as emoções em in- mudanças comportamentais e modificação tensidade crescente, o que, por si só, pode das tentativas problemáticas de obter vali- ser mais uma causa de estresse e intensi- dação. Em cada um dos capítulos deste vo- ficação das emoções. Por exemplo, um lume, oferecemos sugestões aos clínicos de homem que passa pelo término de uma como avaliar quais dessas técnicas podem relação íntima sente tristeza, raiva, ansie- ser mais adequadas para cada tipo de pa- dade, falta de esperança e até sensação de ciente. alívio. À medida que essas emoções se in- As emoções têm um longo histórico tensificam, ele pode vir a abusar de drogas na filosofia ocidental. Platão as conside- ou álcool, comer compulsivamente, ter in- rava como parte de uma metáfora em que sônia, adotar um comportamento sexual o cocheiro tenta controlar dois cavalos: ou criticar-se. Uma vez que as emoções um é facilmente domável e não precisa ser de ansiedade, tristeza ou raiva surgem, conduzido, enquanto o outro é selvagem e formas problemáticas de lidar com sua possivelmente perigoso. Filósofos estoicos intensidade podem determinar se as ex- como Epíteto, Cícero e Sêneca viam a emo- periências estressantes vão levá-lo a novos ção como experiência que perturbava a ca- comportamentos problemáticos. A desre- pacidade de raciocínio, que deveria sempre gulação emocional pode a quei- dominar e controlar as decisões. Contudo, xar-se, provocar e atacar ou afastar-se dos as emoções e sua expressão são altamente outros. Ele pode ficar ruminando sobre valorizadas na cultura ocidental. De fato, suas emoções, tentando descobrir o que o panteão dos deuses gregos representava está acontecendo, o que o faz mergulhar uma gama completa de emoções e dilemas. ainda mais na depressão, no isolamento e A peça As bacantes, de Eurípedes, represen- na inatividade. Os estilos problemáticos ta o perigo de ignorar e desonrar o espírito de enfrentamento dos problemas podem livre e selvagem de Dionísio. As emoções reduzir temporariamente a agitação (p. desempenham papel central em todas as ex., beber álcool reduz a ansiedade a cur- grandes religiões do mundo que valorizam to prazo), mas também prejudicar a ad- a gratidão, a compaixão, a reverência, o ministração das emoções posteriormente. amor e até a paixão. o movimento Tais soluções temporárias (comer com- tico rebelou-se contra a "racionalidade" do pulsivamente, esquiva, ruminação e abuso Iluminismo, ressaltando a natureza livre de substâncias) podem funcionar em um do homem, a criatividade, o entusiasmo, a primeiro momento; contudo, as soluções inovação, o amor intenso e até o valor do podem se tornar um problema. sofrimento. Na tradição religiosa oriental, Definimos desregulação emocional a prática budista diferencia as emoções como a dificuldade ou inabilidade de lidar construtivas das destrutivas, encorajando com as experiências ou processar as emo-Regulação emocional em psicoterapia 21 ções. A desregulação pode se manifestar as emoções e mantê-las em "nível con- tanto como intensificação excessiva quanto trolável" para que se possa lidar com elas. como desativação excessiva das emoções. Ou a modulação para mais ou para me- A intensificação excessiva inclui qualquer nos pode desequilibrar as coisas de aumento de intensidade de uma emo- ma a ponto de criar uma situação ção que seja sentida pelo indivíduo como "quente demais ou "fria demais". A regu- indesejada, intrusiva, opressora ou proble- lação emocional como qualquer estilo de mática. A intensificação de emoções que enfrentamento: depende do contexto da resultem em pânico, terror, trauma, temor situação. Ela não problemática ou ou senso de urgência, de forma que o in- tativa independentemente da pessoa e da divíduo se sinta sobrecarregado e com difi- situação presente. culdade de tolerar tais emoções, encaixa-se A adaptação é definida aqui como a nesses critérios. A desativação excessiva de implementação de estratégias de enfrenta- emoções inclui experiências dissociativas, mento adaptativas que incrementam o re- como despersonalização e desrealização, conhecimento e processamento de reações cisão ou entorpecimento emocional em si- úteis que estimulam, tanto a longo quan- tuações nas quais normalmente se esperaria to a curto prazo, um funcionamento mais que as emoções fossem sentidas em alguma produtivo, definido por metas e propósitos intensidade ou magnitude. Por exemplo, ao valorizados pelo indivíduo. Folkman e La- confrontar uma situação de perigo de vida, zarus (1988) identificaram oito estratégias uma mulher reage com entorpecimento para lidar com as emoções: confrontação emocional e relata ter se sentido como se assertividade), distanciamento, au- estivesse em uma outra dimensão de tempo tocontrole, busca de apoio social, aceitação e espaço, observando o que parecia ser um de responsabilidade, fuga-esquiva, resolu- filme. Essa desativação emocional, carac- planejada dos problemas e reavaliação terizada por desrealização, é vista como positiva. Lidar com experiências faz parte uma reação atípica a um evento traumá- da regulação emocional. Se o indivíduo lida tico. A desativação excessiva de emoções melhor por meio da resolução de proble- impede o processamento emocional e faz mas, sendo assertivo, adotando ativação parte de um estilo de enfrentamento carac- comportamental para buscar experiências terizado por esquiva. Entretanto, pode ha- mais gratificantes ou reavaliando a situação ver situações em que desativar ou tempora- -, suas emoções têm menor probabilidade riamente suprimir a emoção pode ser útil. de se exacerbar. Exemplos de estratégias Por exemplo, a reação inicial a um evento não adaptativas para lidar com as emoções catastrófico pode ser mais adaptativa pela incluem intoxicação alcoolica e automuti- supressão instantânea do medo, de modo lação. Essas estratégias podem reduzir tem- que se possa lidar com a situação no mo- a intensidade da emoção e mento. até trazer a sensação momentânea de bem- A regulação emocional pode incluir -estar, mas não condizem com as metas e qualquer estratégia de enfrentamento (seja os propósitos que o indivíduo aprovaria. ela problemática ou adaptativa) que o indi- Presume-se aqui que pouquíssimos indi- víduo usa ao confrontar a intensidade emo- víduos endossem a crença de que abuso de cional indesejada. É importante reconhe- álcool e automutilação valorizem a vida. As cer que a regulação emocional é como um estratégias adaptativas podem incluir exer- termostato homeostático capaz de regular cícios de relaxamento, distração temporária22 Leahy, Tirch & Napolitano durante as crises, exercício físico, conectar diminui. ser tolerados à medida que sua intensidade emoções a valores maiores, substituir uma emoção por outra mais agradável ou apre- A regulação emocional também ciada, consciência atenta (mindful aware- envolvida no tratamento do transtorno está ness), aceitação, atividades prazerosas, mo- de ansiedade generalizada O TAG mentos intimos compartilhados e outras é agora considerado um transtorno estratégias que ajudem a processar, lidar, cado principalmente por excesso de reduzir, tolerar ou aprender com emoções cupação e crescente excitação fisiológica intensas. Em cada caso, as metas e os pro- (American Psychiatric Association, 2000). pósitos valorizados não são comprometi- Apesar de a preocupação excessiva possuir dos, mas podem, em algumas situações, ser muitos componentes (como reafirmados. à incerteza, escassez de estratégias focadas em problemas e fatores descobriu-se que a esquiva emocional é um 0 PAPEL DA REGULAÇÃO componente central na ativação e perpe- EMOCIONAL EM VÁRIOS tuação da preocupação (Borkovec, Alcai- TRANSTORNOS ne e Behar, 2004). De forma demonstrou-se que a ruminação (pensa- Nos últimos anos, verificou-se crescente mentos negativos repetidos sobre o passado atenção dada ao papel do processamento e ou o presente) é um estilo cognitivo de alto da regulação emocional em uma variedade risco para depressão de transtornos. o processamento emocio- 2000) e também foi definida como uma es- nal por meio da ativação do "esquema do tratégia de esquiva emocional ou experien- medo" durante a exposição foi emprega- cial (Cribb, Moulds e Carter, 2006). Hayes do no tratamento de fobias específicas e e colaboradores propuseram que a esquiva em cada um dos transtornos de ansiedade experiencial é um processo subjacente a vá- (Barlow, Allen e Choate, 2004; Foa e Kozak, rias formas de psicopatologia (Hayes, Wil- 1986). A ativação do medo no tratamento son, Follette e Strosahl, 1996). Os de da fobia específica possibilita a ocorrência indivíduos que utilizam esquiva experien- um novo aprendizado e novas associa- cial ou emocional podem correr maior ris- ções durante a exposição. Entretanto, de desenvolver problemas psicológicos; uso de medicamentos tranquilizantes o comprometer o tratamento com pode contudo, aqueles que adotam a supressão impedir que novas associações exposição emocional em certas situações podem estar Se considerarmos a exposição lidando com elas de forma mais adaptativa. forma de habituação ao estímulo como uma Por exemplo, a supressão de emoções, uma inicial, ções de medo que ocorrem com a e às sensa- forma de esquiva emocional, foi identifica- fator a ativação do medo é um exposição da como fator de risco para o aumento de decorre experiencial no novo importante dificuldades Os indivíduos que do inclui da Esse aprendizado novo que foram instruídos a suprimir uma emoção do ser intensidade reconhecer uma emocional ascensão que e o e estímulo uma aprendiza- queda temi- da relataram mais emoções negativas. Em con- trapartida, a expressão das emoções foi re- lacionada à melhora do estresse psicológi- temida. Sentimentos que intensos esta não podem deve co, fazendo acreditar que escrever sobre as emoções durante um período faz mais sen- tido, talvez ajudando-os a processar melhorRegulação emocional em psicoterapia 23 a experiência e a emoção (Dalgleish, Yiend, lidar com as emoções (Fairburn et al., 2003, Schweizer e Dunn, 2009; Pennebaker, 1997; 2009; Zweig e Leahy, a ser publicado). Além Pennebaker e Francis, 1996). De fato, o do mais, a regulação emocional atua como simples ato de ativar, expressar e refletir mediadora nos transtornos da alimentação sobre as emoções pode trazer melhora da e naqueles que envolvem vergonha (Gupta, depressão. Os indivíduos deprimidos que Zachary Rosenthal, Mancini, Cheavens e apresentavam inicialmente níveis elevados Lynch, 2008). A ruminação é outra estraté- em uma medida de supressão emocional gia que pode ser usada por indivíduos com obtiveram benefício com um tratamento de transtornos da alimentação, como sugere o seis semanas de redação expressiva, o que trabalho de Nolen-Hoeksema, Stice, Wade resultou na redução dos sintomas (Gort- e Bohon (2007). ner, Rude e Pennebaker, 2006). Todavia, A supressão emocional pode resultar em um estudo, a supressão emocional foi em menor eficácia comunicativa. Em um mais efetiva do que a aceitação na redução estudo, os participantes instruídos a su- do impacto de assistir a um evento trau- primir as emoções ao discutir um assunto mático em vídeo (Dunn, Billotti, Murphy difícil apresentaram aumento na pressão e Dalgleish, 2009). Além disso, a supressão sanguínea e queda na eficácia comunicati- emocional não estava associada à compul- va. Além disso, os participantes designados são alimentar em outro estudo (Chapman, a escutar aqueles que tentavam suprimir Rosenthal e Leung, 2009). Ademais, a su- as emoções também tiveram aumento na pressão de emoções foi associada ao relato pressão sanguínea (E. A. Butler et al., 2003). de "um dia melhor" por parte de indiví- Os indivíduos diferem quanto a suas duos com altos indícios de transtorno da "filosofias" acerca da expressão e expe- personalidade borderline (TPB; Chapman riência emocional. Na terapia conjugal, et al., 2009). Claramente, não há verdades Gottman identificou uma variedade de absolutas no que se refere ao processamen- filosofias emocionais que afetam a forma to emocional. Às vezes, a supressão ajuda; como os indivíduos pensam, avaliam e re- em outras, atrapalha. agem ao estado emocional de seu parceiro. Apesar de os transtornos da alimenta- Assim, alguns parceiros podem considerar ção poderem resultar de muitos fatores (p. as emoções como um fardo e, portanto, ex., autoimagem, perfeccionismo, dificul- adotar uma postura desdenhosa ou mesmo dades interpessoais e transtornos afetivos), depreciativa. Outros podem enxergá-las há evidências consideráveis de que a regula- como oportunidade de aproximação, de ção emocional tem um papel significativo, conhecer melhor e de ajudar seu parceiro beneficiando casos complexos (marcados (Gottman, Katz e Hooven, 1997). A regula- por uma combinação dos fatores de risco ção emocional também é parte do controle citados anteriormente) com uma estratégia da raiva, pois esses indivíduos frequente- de tratamento "transdiagnóstica" (Fairburn mente apresentam um intenso aumento et al., 2009; Fairburn, Cooper e Shafran, nas sensações de ativação (frequência car- 2003). Parte dessa estratégia transdiagnós- díaca, tensão física), junto com uma vasta tica consiste em usar técnicas de regulação gama de avaliações, estilos de comunicação emocional para auxiliar os pacientes que e ações físicas inadequados (DiGiuseppe e recorrem a comportamentos problemáticos Tafrate, 2007; Novaco, 1975). Na verdade, (comer compulsivamente, purgar, beber, a intensidade emocional pode se tornar tão mutilar-se) por não saber o que fazer para insuportável para alguns que um "tempo24 Tirch & Napolitano A conceituação de Linehan autoimposto é, às vezes, a interven- a desre- como transtorno de regulação do TPR ção de emocional encontra-se que limite" primeira linha. Finalmente, subjacente nal define sua abordagem de a terapia comportamental ao gulação comportamento de automutilação, nega- Linehan, 1993a, 1993b). A TCD é um frequência um comportamento emoções tamento comportamental baseado na tivamente com reforçado para reduzir intensas (Nock, 2008). A automutilação re- ção plena (mindfulness) que equilibra 0 aten. libera endorfinas, que temporariamente de técnicas de aceitação e mudança. Dentro uso duzem a intensidade emocional negativa da da estrutura da TCD, a regulação ansiedade e da depressão. nal é conceituada como um conjunto Talvez o primeiro e mais abrangente habilidades adaptativas, incluindo a de trabalho teórico a ressaltar o papel da des- dade de identificar as emoções e regulação emocional em um transtorno controlar os comportamentos clínico específico tenha sido o de Linehan pulsivos e usar estratégias adaptativas im. sobre o desenvolvimento do transtorno da cada situação, de forma a ajustar as respos- para personalidade borderline (TPB). Linehan tas emocionais. Uma parte essencial do tra- (1993a, 1993b) conceituou o TPB como um tamento consiste em ajudar os pacientes transtorno de desregulação emocional difu- superar o medo e a esquiva das emoções a sa que resulta da combinação de vulnerabi- a aumentar a aceitação da experiência emo- e lidade biológica às emoções e um ambiente cional. desfavorável por parte dos cuidadores. Esse Cada vez mais, os modelos cognitivo- ambiente possui três características funda- -comportamentais de psicopatologia estão mentais. Primeira, reage de forma crítica, sendo ampliados para refletir as perspecti- punitiva ou desdenhosa a uma criança emo- vas da regulação emocional. Os déficits de cionalmente vulnerável, exacerbando assim regulação emocional já foram relaciona- sua vulnerabilidade emocional. Segunda, dos a vários transtornos clínicos, incluindo reage aleatoriamente a expressões emocio- nais extremas, reforçando-as intermitente- abuso de substâncias e transtorno de estres- Terceira, superestima a facilidade de se pós-traumático (TEPT; Cloitre, Cohen resolução dos problemas. Como e Koenen, 2006). Mennin e colaboradores o ambiente adverso deixa de ensinar as ha- desenvolveram um modelo de desregulação bilidades necessárias para regular emocional do TAG no qual este é caracteri- o indivíduo emoções zado por elevada intensidade das emoções vulnerável do ponto de vista emocional pode e compreensão emocional deficiente, reati- recorrer a estratégias mal-adaptativas de vidade negativa ao próprio estado emocio- gulação emocional, como re- nal e reações desadaptativas de manejo das compulsão ma de alimentar ou overdose, como emoções (Mennin, Heimberg, Turk e Fres- escapar ou diminuir a intensidade for- co, 2002; Mennin, Turk, Heimberg e Car- proposta No centro da conceituação do das min, 2004). Barlow e colaboradores (2004) nal, De por Linehan está a esquiva TPB desenvolveram uma teoria e unificaram 0 TPB como fato, ela caracteriza indivíduo emocio- com tratamento dos transtornos do humor de sidera que medo das Con- ansiedade com base na teoria da regulação parte da negativa emoções das deriva em Uma pesquisa recente examinou as diferenciais entre o processa- mento emocional do TAG e do transtornoRegulação emocional em psicoterapia 25 de ansiedade social (Turk, Heimberg, Lu- como a altura. Ele pode paralisar ani- terek, Mennin e Fresco, 2005). Novos mo- mal, motivá-lo a fugir ou evitar e oferecer delos de tratamento do TAG demandam os meios de expressão facial e vocal para a integração de técnicas focadas nas emo- alertar os outros acerca do perigo iminente. ções (Roemer, Slaters, Raffa e Orsillo, 2005; As emoções negativas podem ser particu- Turk et al., 2005). larmente adaptativas porque são invocadas Há ampla variedade de estratégias re- em momentos de perigo ou ameaça e po- guladoras de emoções que podem ou não dem exigir reação imediata para garantir a ser Uma metanálise recente sobre sobrevivência (Nesse e Ellsworth, 2009). Os as estratégias de regulação emocional em etólogos perceberam que as emoções po- vários transtornos indicou que a mais fre- dem ser apresentadas em padrões aparente- quente é a ruminação, seguida por esqui- mente universais de expressão facial, postu- va, resolução de problemas e supressão; há ra, olhar e gestos de conciliação ou ameaça relativamente menos ênfase na reavaliação (Eibl-Eibesfeldt, 1975). e aceitação (Aldao, Nolen-Hoeksema e Darwin interessou-se particularmen- Schweizer, 2010). Essa metanálise fornece te pelas expressões faciais de várias emo- importantes informações sobre o uso rela- ções, colecionando numerosas fotogra- tivo das estratégias, mas, obviamente, não é fias de pessoas de todas as classes sociais capaz de indicar quais delas são mais úteis (incluindo um hospital psiquiátrico). A para modificar a desregulação emocional. natureza aparentemente universal das ex- De qualquer forma, a natureza transdiag- pressões faciais foi corroborada pelo tra- nóstica da desregulação emocional parece balho transcultural de Paul Ekman, que estar ganhando importância (Harvey, Wat- demonstrou que as expressões faciais e a kins, Mansell e Shafran, 2004; Kring e Sloan, percepção da expressão de emoções bási- 2010). cas são encontradas em todas as culturas, sugerindo a existência de emoções básicas universais (Ekman, 1993). De fato, a ten- TEORIA DA EVOLUÇÃO dência natural a expressar emoções facial- mente torna quase impossível escondê-las Darwin (1872/1965) é creditado como cria- (Bonanno et al., 2002). De forma similar, dor da psicologia comparativa da expressão a dificuldade em ler as emoções dos outros emocional. Suas observações e descrições pode tornar-se uma desvantagem para al- detalhadas frequentemente retratadas em guns indivíduos. fotos e desenhos indicam a similaridade entre humanos e animais e também suge- rem padrões universais de expressão facial. 0 VALOR DAS EMOÇÕES As emoções são vistas na teoria da evolução como processos adaptativos que permitem As emoções ajudam-nos a avaliar as alter- aos indivíduos avaliar o perigo (ou outras nativas, oferecendo motivação para mu- condições), ativar comportamentos, comu- dar ou fazer algo, e revelam nossas neces- nicar-se com outros membros da espécie e sidades. Por exemplo, os indivíduos com incrementar aptidões adaptativas (Barkow, danos nas áreas cerebrais que conectam Cosmides e Tooby, 1992; Nesse, 2000). Por emoção e razão podem conseguir avaliar exemplo, o medo, emoção universal, é uma racionalmente prós e contras, mas não resposta adaptativa a um perigo natural, ser capazes de tomar decisões. Damasio26 Leahy, Tirch & Napolitano (2005) referiu-se às emoções como "mar- entre as emoções e os eventos é denomi- cadores somáticos" que nos dizem o que nada "alexitimia" e está associada a uma "queremos" fazer. Apesar de as aborda- grande variedade de problemas, incluindo gens racionais para a tomada de decisão abuso de substâncias, transtornos da ali- com base na teoria da utilidade sugerirem mentação, TAG, TEPT e outros problemas que os indivíduos devem avaliar (ou de (Taylor, 1984). A linguagem da emoção é fato avaliam) todas as evidências dispo- parte da socialização emocional das crian- níveis e decidir com base em trocas, pes- ças. As famílias diferem no uso das palavras quisas relativas à real tomada de decisão que se referem às emoções, em sua distin- sugerem que não raro recorremos à heu- ção e denominação e no encorajamento da rística (regras da experiência) e que as discussão sobre elas. Essa "conversa sobre emoções constituem a heurística (regra de emoções" tem efeito nas futuras tendências ouro) com a qual frequentemente conta- "alexitímicas" ou na habilidade de reconhe- mos. Essa abordagem é semelhante à ideia cer e dar nome às emoções. As famílias que popular de "reação visceral", refletida no falam sobre as emoções têm menor pro- título do livro Gut feelings: the intelligence pensão de gerar crianças alexitímicas (Be- of the unconscious, do psicológo cognitivo renbaum e James, 1994). social Gerd Gigerenzer (2007). Ao contrá- conceito de inteligência emocional rio do modelo racionalista de que as rea- engloba a natureza geral da consciência e ções viscerais são menos válidas ou con- adaptação emocional, sugerindo uma ca- há crescentes evidências de que elas racterística geral que possui implicações podem frequentemente ser mais eficazes, abrangentes no comportamento adaptati- rápidas e precisas (Gigerenzer, 2007; Gige- vo. A inteligência emocional compreende renzer, Hoffrage e Godstein, 2008). Além quatro fatores: percepção, uso, compreen- disso, as avaliações emocionais ou intuiti- são e manejo das emoções (Mayer, Salovey vas são com frequência a base da maioria e Caruso, 2004). Essas habilidades são im- dos julgamentos morais ou éticos, e não o portantes nas relações íntimas, na resolu- raciocínio moral complexo (Haidt, 2001; ção de problemas, nas tomadas de decisão, Keltner, Horberg e Oveis, 2006). Essa vi- na expressão das emoções apropriadas, no são de que há reações viscerais por trás da controle das emoções e no local de traba- tomada tradicional das decisões éticas ou lho (Grewal, Brackett e Salovey, 2006). Ao o que poderia ser chamado de "sabedoria" longo do presente volume, descrevemos as sugere que pode haver alguma base emo- técnicas de regulação emocional que en- cional em uma "mente sábia". volvem: As emoções ajudam a nos conectar com os outros e constituem uma "teoria da 1. perceber e classificar emoções, mente" compartilhada. Os indivíduos que sofrem da síndrome de Asperger ou autis- 2. a habilidade de usar as emoções para tomar decisões e esclarecer valores e mo são incapazes de avaliar com precisão metas, as emoções dos outros, muitas vezes resul- tando em um comportamento interpessoal 3. compreender a natureza das emoções, esquisito e disfuncional (Baron-Cohen et descartando interpretações negativas al., 2009). A incapacidade de reconhecer, acerca delas, e classificar, diferenciar e fazer a conexão 4. a forma como as emoções podem ser manejadas e controladas.Regulação emocional em psicoterapia 27 De fato, as técnicas de regulação emo- uma resposta a um estímulo ambiental. cional podem ser vistas como parte de uma Certos estímulos desencadeadores do am- abordagem maior e mais integrativa que biente podem ser vistos como detentores de reconhece o papel central da inteligência qualidades inerentes que provocam emo- emocional. Neste livro, oferecemos uma ções específicas nos seres humanos mode- teoria integrativa e abrangente que incor- lo também descrito como "emoção-vista- pora cada uma dessas técnicas: a teoria do (Ochs- esquema emocional, que descreve as várias ner e Gross, 2007). As pesquisas com não interpretações, estratégias e metas que po- humanos demonstraram que a amígdala dem ser utilizadas para lidar com as emo- está envolvida no aprendizado da previsão ções (Leahy, 2002, 2005a). Consideramos a de estímulos adversos e das experiências terapia do esquema emocional (TEE) como desagradáveis que se seguem à exposição a uma conceituação de caso envolvendo a eles, enquanto a extinção aparenta envol- teoria do paciente sobre as emoções, os mo- ver atividade nos córtices frontais medial delos de controle emocional e as estratégias e orbital (LeDoux, 2000; Ochsner e Gross, para lidar com as emoções. Sugerimos que 2007; Quirk e Gehlert, 2003). muitas abordagens contemporâneas da re- Os modelos "descendentes" de regu- gulação emocional podem ser vistas como lação emocional que as emoções modelos que lidam com as questões levan- emergem como resultado de um processa- tadas pela TEE. Todavia, os leitores podem mento cognitivo. Tal processamento envol- usar as técnicas deste livro sem adotar a ve discriminar quais estímulos do ambiente TEE como teoria condutora. deveriam ser buscados, evitados ou sele- cionados para se dar atenção. Isso também envolve avaliar se o estímulo será benéfico NEUROBIOLOGIA DAS EMOÇÕES ou danoso ao indivíduo, particularmen- te em termos de suas necessidades, metas As pesquisas acerca da neurociência da e motivações (Ochsner e Gross, 2007). Os regulação emocional trouxeram desco- seres humanos são os únicos qualificados a bertas importantes, mas potencialmente empregar linguagem, pensamento racional, confusas e contraditórias. Ainda assim, processamento das relações e memória para pesquisadores e teóricos começaram re- executar estratégias deliberadas e conscien- centemente a integrar essa literatura de for- tes de regulação emocional. De acordo com ma a oferecer um modelo abrangente para Davidson, Fox e Kalin (2007), os achados compreender a neurobiologia da regulação de estudos com não humanos, as pesqui- emocional. Ochsner e Gross (2007) ofe- sas de neuroimagem humana e os estudos receram um modelo teórico dos sistemas de lesões sugerem que uma série de regiões neurais interativos envolvidos na regulação inter-relacionadas do cérebro podem fun- emocional, com base em revisão da litera- cionar como "circuitos" reguladores das tura. Esse modelo integra tanto os aspectos emoções. Essas regiões incluem a amígdala, "ascendentes" (bottom-up) quanto "des- o hipocampo, a ínsula, o córtex cingulado cendentes" (top-down) do processamento anterior (CCA) e as regiões dorsolaterais e emocional. ventrais do córtex pré-frontal (CPF) (Da- Um modelo "ascendente" de regula- vidson, 2000). Postulou-se que a atividade ção emocional descreve as emoções como pré-frontal seja um componente central da28 Tirch & Napolitano regulação emocional em humanos, em par- ticular no processamento descendente (Da- cionados em um sofisticado continuum vidson, 2000; Davidson et al., 2007; Ochs- ou explicar plenamente. os pesquisadores ainda precisam entender que e Gross, 2005). Ademais, uma atividade relativamente concentrada à esquerda do CPF pode estar envolvida em melhor capa- cidade de regular e reduzir emoções negati- PRIMAZIA: COGNIÇÃO OU EMOÇÃO? vas (Davidson et al., 2007). o modelo de Ochsner e Gross (2007) Um debate recorrente nesse campo é postula que os modos ascendente e des- questão da causalidade: as emoções têm a cendente de processamento estão envolvi- primazia ou as cognições conduzem dos na regulação Quando o ser emoções? Zajonc (1980) propôs que a às humano se depara com um estímulo ad- cepção de estímulos novos ou per- verso no ambiente, como a ameaça de um pode ocorrer quase imediatamente animal predador, uma reação emocional consciência e que as avaliações dos estímu- sem ascendente pode ocorrer. Essa reação pode los podem ocorrer após a resposta emocio- envolver a ativação de sistemas de avalia- nal ter sido ativada. Lazarus, em ção, incluindo atividade na amígdala, no tida, argumentou que as avaliações contrapar- de uma nucleus accumbens e na ínsula (Ochsner e situação resultam em respostas emocionais Feldman Barrett, 2001; Ochsner e Gross, e que a cognição tem primazia temporal 2007). sobre a emoção (Lazarus, 1982; Lazarus Esses sistemas de avaliação comuni- Folkman, 1984). Assim como em muitos e cam-se com o córtex e com o hipotálamo debates dicotomizados, há alguma vali- para gerar respostas comportamentais. A dade em ambas as posições. Em favor da resposta emocional descendente também primazia da emoção sobre a cognição, há pode começar com um estímulo do am- um volume considerável de pesquisas que biente. Contudo, pode ser um estímulo dis- demonstram que alguns estímulos (como criminativo, o qual sugere que o indivíduo aqueles desconhecidos e ameaçadores) ini- que um estímulo ou sensação adversa cialmente se desviam das seções corticais do pode estar a caminho. o estímulo no pro- cérebro e são quase instantaneamente pro- cessamento descendente pode também ser cessados pela amígdala de forma incons- neutro, capaz de provocar uma reação ne- Esse processamento inconsciente gativa em determinado contexto. Em tais do medo afeta o aprendizado, a memória, casos, processos cognitivos mais elevados a atenção, a percepção, a inibição e a regu- estão envolvidos na geração de uma res- lação das emoções (LeDoux, 1996, 2003; posta emocional ajustada. Esses processos Phelps e 2005). Fazendo a cone- envolvem sistemas de avaliação do CPF xão entre o rápido "processamento" fora da agem por meio de estruturas como o CPF que consciência com as adaptações evolutivas, lateral e medial, bem como o CCA (Ochs- a neurociência tentou colocar o condicio- ner e Gross, 2007). Assim, vê-se o namento ao medo no contexto das reações cial de entre os modos poten- de adaptativas a uma ameaça que não podem processamento emocional, o que sugere ser retardadas pelo processamento cons- possibilidade de que nenhum deles precisa a ciente. Por exemplo, o indivíduo está ca- ser visto como De fato, minhando e, de repente, sente medo, pula delos de processamento podem estar os rela- mo- assustado e em seguida diz: "Aquilo parece uma cobra". A consciência da natureza doRegulação emocional em psicoterapia 29 estímulo ocorre após a resposta emocio- tos, sensações e tendências comportamen- nal. Para complicar ainda mais o papel da tais são conectadas associativamente nas consciência, há consideráveis evidências de redes neurais. Assim, ativar um processo que ela não seja confiável como relatora dos ativa os outros. modelo da rede com fre- eventos interiores. Por exemplo, se pensar- quência utiliza a indução emocional para mos na consciência como um processo de ativar os processos fisiológicos e conteú- contabilidade dos eventos interiores, há do cognitivo que podem estar ligados nessa amplo conjunto de evidências empíricas de rede (Bower, 1981; Bower e Forgas, 2000). sua imprecisão. Frequentemente, deixamos Pesquisas de Forgas e colaboradores indi- de ter consciência dos eventos estimulantes cam que a indução da emoção afeta julga- que tiveram impacto em nossos processos mento, tomadas de decisão, percepção pes- emocionais ou mesmo cognitivos (Gray, soal, atenção e memória todos processos 2004). cognitivos (Forgas e Bower, 1987). Além Lazarus (1991) argumentou que Za- disso, o afeto induzido também afeta pro- jonc confundiu processamento cognitivo cessos de atribuição ou explicação (Forgas e com processamento consciente e que é pos- Locke, 2005). Forgas elaborou um modelo sível fazer uma avaliação cognitiva sem es- de infusão dos afetos, o qual propõe que a tar consciente disso. Assim, nesse modelo, excitação afetiva influencia o processamen- as avaliações podem ocorrer imediatamen- to cognitivo, especialmente quando a heu- te e fora da consciência. Se essa visão for rística (atalhos) ou um processamento mais adotada, pode-se argumentar que a amíg- extenso é ativado (Forgas, 1995, 2000). De dala "avalia" estímulos em termos de inten- fato, as pessoas com frequência avaliam sidade, novidade, mudança, iminência ou quão arriscada uma alternativa pode ser outras dimensões "relevantes". Ademais, com base em seu estado afetivo atual (Kun- os modelos de primazia das emoções não reuther, Slovic, Gowda e Fox, 2002). Arntz, diferenciam adequadamente aquelas que Rauner e van den Hout (1995) sugerem que podem ser caracterizadas por processos fi- essa heurística das emoções é usada como siológicos similares. Por exemplo, emoções "informação" na avaliação do perigo pelos como medo, ciúme, raiva e outras podem indivíduos fóbicos, de modo que eles pen- ser "reduzidas" a processos fisiológicos si- sam: "Se eu me sinto ansioso, deve haver al- milares de excitação, mas a experiência gum perigo". Tanto o modelo da infusão do dessas emoções depende da avaliação da afeto quanto a teoria da rede propostos por ameaça e do contexto no qual a excitação Bower sugerem que a excitação emocional ocorre. Eu posso ter medo da cobra, ter ci- pode ativar vieses cognitivos específicos, os úmes da atenção que meu parceiro dá a ou- quais provocam ainda mais desregulação. tra pessoa, sentir raiva ao ficar preso em um Consequentemente, a habilidade de apazi- engarrafamento ou ficar excitado à medida guar ou acalmar a excitação afetiva, caso ela que corro mais rápido na esteira ergomé- ocorra, e a habilidade de modificar os vieses trica. As sensações fisiológicas subjacentes cognitivos negativos ativados pelos afetos podem ser bem parecidas, mas a avaliação e devem ser úteis na facilitação da regulação o contexto ajudam a definir a emoção. emocional. A teoria da rede entre emoção e cog- Isso não resolve a questão da prima- nição de Bower compartilha alguma ênfase zia do debate emocional e, realmente, sua comum com a posição de Zajonc. De acor- resolução pode depender dos significados do com esse modelo, emoções, pensamen- semânticos de "avaliação", "consciência"30 Leahy, Tirch & Napolitano e "processamento cognitivo". Todavia, há ciar a qualquer outro. Por exemplo, se eu evidências consideráveis de que emoção e tivesse de a um funeral à beira de um belo cognição são interdependentes, e cada uma lago ao do sol, minhas experiências fu- pode influenciar a outra no que pode ser turas de relaxar perto de um lago no fim do visto como um ciclo de retroalimentação. dia poderiam evocar a sensação de No presente volume, reconhecemos que A TQR também sugere que, quando esses processos são interdependentes e que mentamos pensamentos ou representações não há necessidade de tomar uma posição mentais de um evento, suas propriedades quanto à primazia a fim de desenvolver téc- estimuladoras aparecem de forma nicas úteis para ajudar os pacientes. Por exemplo, quando uma pessoa com depressão vivencia pensamento negativo "ninguém nunca vai me amar", ela reage TERAPIA DE ACEITAÇÃO emocionalmente a esse pensamento como E COMPROMISSO se ele fosse real e literal, em vez de apenas um evento em sua mente. Esse processo A terapia de aceitação e compromisso (ac- é chamado de "fusão cognitiva" (Hayes, ceptance and commitment therapy, ACT, em Strosahl e Wilson, 1999). Dados os pro- é baseada na teoria comportamental cessos de resposta relacional e fusão cog- de linguagem e cognição conhecida como nitiva, encontramo-nos em uma situação teoria dos quadros relacionais (TQR), que interessante, na qual podemos relacionar oferece a perspectiva teórica dos processos um evento a qualquer outro e, quando uma centrais envolvidos na psicopatologia e na representação mental de um evento é ativa- desregulação emocional (Hayes, Barnes- da, podemos reagir às propriedades do estí- -Holmes e Roche, 2001). De acordo com mulo daquela representação mental como essa perspectiva, a causa central dos pro- se ela fosse literal. blemas relacionados às emoções envolve as formas como a natureza do processamento Uma maneira natural e razoável pela verbal humano contribuem para a "esqui- qual os seres humanos reagem a situações angustiantes e difíceis consiste em tentar va experiencial" (Luoma, Hayes e Walser, 2007). termo "esquiva experiencial" re- evitar ou fugir dessas situações. Tal estra- presenta esforços para controlar ou alterar a tégia é apropriada e eficiente em interações forma, frequência ou sensibilidade situacio- que envolvem nosso ambiente. Por exem- nal dos pensamentos, sentimentos e sensa- plo, se receio que certa caverna seja peri- ções, precisamente quando isso causa danos gosa e a evito, é muito menos provável que comportamentais (Hayes et al., 1996). eu seja atacado pelo predador faminto que De acordo com a TQR, os seres hu- mora nela. Isso é semelhante à teoria bifa- manos aprendem a relacionar eventos e torial de aquisição e conservação do medo, periências entre si em uma rede relacional ex- de Mowrer (1939). A esquiva é reforçada ao longo da vida e a reagir a eventos pela redução do medo, conservando com base, em parte, na sua relação com outros com isso o medo do estímulo. Infelizmente, a eventos, em vez de se basearem meramente natureza da resposta relacional humana é nas propriedades do estímulo representado tal que tentativas de evitar, suprimir ou eli- pelo evento em questão (Hayes et minar eventos mentais como pensamentos Dessa forma, um evento pode vir a se 2001). asso- e emoções podem, na verdade, servir para amplificar o sofrimento ou incômodo vi-Regulação emocional em psicoterapia 31 venciado (Hayes et al., 1999). Isso é fácil REAVALIAÇÃO de compreender, pois tentar "não pensar no medo" consiste, por definição, pensar Uma das estratégias mais amplamente uti- nele ou no estímulo temido, o que, por sua lizadas para lidar com as emoções é uso vez, pode evocar mais medo. Dessa forma, da avaliação ou reavaliação. Esses mode- o modelo da TQR sugere que a resposta re- los "cognitivos" às vezes não são conside- lacional humana e a fusão cognitiva contri- rados como parte da regulação emocional, buem para a esquiva experiencial, que, por no sentido de que as avaliações (presu- seu turno, contribui para a desregulação mivelmente) precedem as emoções. Por emocional, a psicopatologia e vidas insatis- exemplo, pode-se dividir as estratégias para fatórias e incompletas. lidar com emoções em antecedentes e fo- A ACT sugere que a meta da psicote- cadas na resposta. Um exemplo de estratégia rapia pode ser estabelecer e manter a "fle- antecedente seria avaliar o fator estressan- xibilidade psicológica" (Hayes e Strosahl, te como menos ameaçador ou a si mesmo 2004) ou como plenamente capaz de lidar com ele. Outros exemplos de estratégias anteceden- a capacidade de estar em contato com tes incluem arranjos de controle do estímu- o presente de maneira mais plena lo (como não manter lanches muito calóri- como ser humano consciente e, com cos dentro de casa). A reestruturação cog- base no que a situação permite, mu- dar ou persistir no comportamen- nitiva e a resolução de problemas também to para atingir os "fins almejados". são exemplos de estratégias antecedentes. (Luoma et al., 2007, p. 17; ver tam- Exemplos de estratégias focadas na resposta bém Hayes e Strosahl, 2004) incluem autoapaziguamento, supressão da emoção, distração e engajamento em ati- As intervenções da ACT utilizam seis vidades agradáveis; algumas dessas estraté- processos centrais, os quais buscam colo- gias criam mais problemas. Em um estudo car os pacientes em contato experiencial comparativo desses dois estilos, os reava- direto com suas experiências presentes, liadores comportaram-se de forma mais interromper a fusão cognitiva, promover a efetiva, experimentando mais emoções po- aceitação experiencial, ajudá-los a se livrar sitivas, menos emoções negativas e melhor da construção narrativa que têm de si mes- funcionamento interpessoal, e a tendência mos, ajudá-los a alcançar um acordo com oposta foi mais evidente nos supressores o que mais valorizam e facilitar o compro- (Gross e John, 2003). Talvez o modelo clíni- misso com as diretrizes que valorizam na CO de reavaliação mais amplamente utiliza- vida. Desse modo, o objetivo geral da ACT do seja a reestruturação cognitiva, usando- é um processo de regulação emocional e -se as muitas técnicas da terapia cognitiva tolerância dos afetos a serviço de trajetó- de Beck ou da terapia racional-emotiva rias comportamentais profundas e intrin- comportamental de Ellis (Beck, Rush, Shaw secamente compensadoras. Os pacientes e Emery, 1979; Clark e Beck, 2009; Ellis e gradualmente aprendem a expandir seu MacLaren, 1998; Leahy, 2003a). Há evi- repertório comportamental na presença de dências empíricas consideráveis da eficácia eventos internos que provocam sofrimen- da terapia cognitiva em ampla variedade de to, o que talvez seja o elemento central de transtornos (A. Butler, Chapman, Forman qualquer definição de regulação emocional. e Beck, 2006).32 Leahy, Tirch & Napolitano A reavaliação inclui o exame dos pen- de treinamento emocional que envolve a samentos acerca de uma situação que pro- pacidade de reconhecer até baixos níveis de voca excitação emocional. Por exemplo, o intensidade emocional, vendo essas "emo- modelo de Beck que os pensamen- ções desagradáveis" como oportunidades tos automáticos ocorrem de modo para obter intimidade e apoio, auxiliando tâneo frequentemente sem ser examinados a criança a nomear e diferenciar emoções ou Os pensamentos automáticos e praticando resolução de problemas com podem ser categorizados como distorções ela. Os pais que adotam o estilo de treina- ou vieses, incluindo leitura mental, pen- mento emocional têm maior probabilida- samento dicotômico, previsão do futuro, de de ter filhos capazes de autoapaziguar personalização e rotulação. Esses pensa- suas próprias emoções; ou seja, o mentos são conectados às regras condicio- mento emocional ajuda na autorregulação nais de pressupostos, como "se alguém não emocional. Além do mais, os filhos de pais gosta de mim, isso é ou "eu devo que utilizam o treinamento emocional são me odiar se você não gostar de mim". Além mais eficientes nas interações com seus disso, os pressupostos e os pensamentos au- legas, mesmo quando um comportamento tomáticos estão ligados a crenças nucleares adequado entre eles envolve a inibição da ou esquemas pessoais que o indivíduo tem expressão emocional. Assim, filhos de pais sobre si mesmo ou sobre os outros, como que usam treinamento emocional são mais considerar-se incompetente ou ver os ou- avançados no quesito inteligência emocio- tros como altamente críticos. Os modelos nal, sabendo quando expressar e quando de reavaliação tentam identificar esses pa- inibir a expressão e como processar e re- drões de pensamento e alterá-los por meio gular suas próprias emoções (veja Mayer e de reestruturação cognitiva e experimentos Salovey, 1997). treinamento emocional comportamentais. não apenas "reforça" o estilo catártico nas crianças; permite também que elas identi- fiquem, diferenciem, validem e acalmem METAEMOÇÃO suas emoções e solucionem os problemas. estilo de treinamento emocional des- Gottman e colaboradores (1996) propu- crito por Gottman e colaboradores é uma seram que um componente importante extensão da capacidade ativa de escuta e da socialização envolve a visão "filosófica" estratégias de resolução de problemas de- que os pais têm das emoções, à qual eles se fendidas pelos modelos de interação nos referem como "filosofia metaemocional". relacionamentos baseados na comunica- Especificamente, alguns pais enxergam a ção (p. ex., Jacobson e Margolin, 1979; experiência e a expressão das emoções da Stuart, 1980). criança (raiva, tristeza ou ansiedade) como um evento negativo a ser evitado. Essas vi- negativas das emoções são comunica- das nas interações parentais, de forma que TERAPIA FOCADA NA EMOÇÃO o genitor será desdenhoso, crítico ou sobre- A terapia focada na emoção (TFE) é uma carregado pelas emoções da criança. Con- terapia experiencial e humanística cujas trastando com esses estilos problemáticos de socialização emocional, Gottman e co- origens estão na teoria do apego, na neu- rociência emocional e nos conceitos de laboradores (1996) identificaram um estilo inteligência emocional (Greenberg, 2002).Regulação emocional em psicoterapia 33 A TFE é uma terapia baseada em evidên- entretanto, estas podem ser usadas para cias e empiricamente De mudar ou transformar outras emoções. A forma semelhante à descrição de Gottman TFE sugere que processos de avaliação, pro- de como os pais devem lidar efetivamente cessos de sensações físicas e sistemas afeti- com as emoções, na TFE o terapeuta tam- vos ativam-se de forma integrada para evo- bém pode atuar como um treinador (coach) car a emocional (Greenberg, emocional que ajuda os pacientes a serem 2007). A TFE, o conceito de inteligência mais efetivos e adaptativos no processa- emocional e a TEE sustentam que as expe- mento de suas reações emocionais. riências emocionais envolvem alto nível de Na TFE, considera-se que a relação atividade sintetizada e sincronizada entre entre o terapeuta e o paciente desempenha os sistemas biológicos e comportamentais a função de regulação dos afetos por meio humanos. de processos de apego (Greenberg, 2007). Vários processos encontrados na TFE tam- bém estão presentes nas modalidades de SOCIALIZAÇÃO EMOCIONAL terapia cognitivo-comportamental de ter- ceira geração, como aceitação, contato com Apesar de as emoções terem sido relacio- o presente, consciência atenta (mindful nadas à teoria da evolução e parecerem ser awareness), cultivo da empatia e ativação universalmente experimentadas, a sociali- de processos autoapaziguadores baseados zação parental tem impacto na consciência, no apego. Especificamente, diz-se que a expressão e regulação emocional. Desde a aliança terapêutica na TFE funciona como publicação do influente trabalho de Bowl- um duo (díade) apaziguador. Nessa intera- by (1968, 1973) sobre apego, houve consi- ção em díade, com as dinâmicas do apego derável interesse na importância do apego humano em ação, os pacientes podem ser seguro ou inseguro no desenvolvimento da capazes de internalizar habilidades auto- infância à vida adulta. Bowlby propôs que o apaziguadoras por meio de treinamento componente essencial do apego seguro era a emocional e aprendizado experiencial re- previsibilidade e reatividade dos pais. Bow- petidos nas sessões de terapia. Além disso, a lby e outros sugeriram que rupturas en- aliança terapêutica pode criar um ambien- volvendo apego entre pais e filhos podiam te no qual os pacientes se deparam direta e afetar o desenvolvimento de "modelos de profundamente com emoções desafiadoras, funcionamento interno" isto é, esquemas enquanto aprendem as habilidades de que ou conceitos acerca da previsibilidade e precisam para tolerar o sofrimento e regu- da capacidade de criação (nurturance). Os lar de modo efetivo suas respostas emocio- bebês e crianças privados de apego segu- nais (Greenberg, 2002). ro têm maior risco de desenvolver ansie- Apesar de a TFE reconhecer que a dade, tristeza, raiva e outros problemas cognição é um componente essencial do emocionais. Há alguma evidência de que processamento emocional, o controle (ou os padrões de apego são moderadamen- reavaliação) cognitivo da emoção não é te estáveis nos primeiros 19 anos de vida o processo central desse modelo (Green- (Fraley, 2002). Em um estudo com adultos berg, 2002). A TFE sugere que as emoções expostos a um evento traumático (o ataque influenciam a cognição, bem como a cog- de 11/09 ao World Trade Center), aqueles nição influencia as emoções. As cognições que tinham laços seguros tiveram menor podem ser usadas para afetar as emoções, propensão a desenvolver TEPT (Fraley,34 Tirch & Napolitano Bonanno e Dekel, 2006). Apesar e interpessoais sugerem que problemas de problemas precoces relativos ao apego processos de relacionamento um terem sido foco da teoria das relações ob- ponente central da regulação emocional com. jetais (Clarkin, Yeomans e Kernberg, 2006; Isso condiz com modelo interpessoal Fonagy, 2000), os processos de apego tam- depressão e que propõe que as de bém têm sido foco dos terapeutas cogniti- cessidades universais de pertencimento vos (Guidano e Liotti, 1983; Young, Klosko um senso de que não somos um fardo e e Weishaar, 2003). os outros são fatores de vulnerabilidade A compreensão que as crianças têm (Joiner, Brown e Kistner, 2006). das emoções dos outros, competência so- cial, emocionalidade positiva e ajustamen- to geral estão relacionadas a maior zelo MODELOS METAEXPERIENCIAIS parental, maior expressividade emocional positiva e menor desaprovação e hostilida- de (Isley, O'Neil, Clatfelter e Parke, 1999; As emoções constituem em si conteúdos Matthews, Woodall, Kenyon e Jacob, 1996; cognitivos sociais; ou seja, as pessoas têm Rothbaum e Weisz, 1994). A expressão suas próprias teorias acerca da natureza de emocional negativa e um menor zelo por suas emoções e das emoções Em parte dos pais estão associados à maior inci- anos recentes, propôs-se a teoria da mente dência de comportamento antissocial (Cas- como capacidade cognitivo-social geral pi et al., 2004). Eisenberg e colaboradores trás da capacidade de entender as próprias por sugeriram que a expressividade negativa por emoções e as dos outros e como uma ha- parte dos pais está associada a uma menor bilidade cujo desenvolvimento capacidade de regulação emocional, que, primeira infância e continua subsequen- na por sua vez, associa-se a mais problemas temente. Uma dimensão na conceituação externalizados e menor competência social das emoções é o grau em que se acredita (Eisenberg, Gershoff et al., 2001; Eisenberg, que elas sejam fixas (entidade) ou mutáveis Liew e Pidada, 2001). Assim, a regulação (maleáveis). Essas dimensões mostraram-se emocional medeia a relação entre expressão preditivas do ajustamento durante a uni- parental e outras capacidades sociais. versidade. Os teóricos da entidade tiveram Há uma ênfase considerável na im- maiores taxas de depressão, mais dificuldade portância da invalidação na teoria da TCD de ajustamento social, menos bem-estar e como fator precoce de o menor propensão a usar estratégias de rea- desenvolvimento de desregulação emocio- para valiação (Tamir, John, Srivastava e Gross, nal. Em um estudo recente, a 2007). ção intencional esteve associada a relatos A metacognição é similar ao pensa- retrospectivos de punição e negligência mento não egocêntrico, que foi enfatizado por parte dos pais quando a criança esta- por Flavell e outros na psicologia do de- 2009). Crianças com transtornos de va triste (Buckholdt, Parra e Jobe-Shields. senvolvimento há várias décadas (Flavell, dade tiveram mais provavelmente ansie- 2004; Selman, Jaquette e Lavin, 1977). Ins- expressavam menos afetos pais que de pirando-se no conceito de descentralização afetos negativos e tinham positivos e mais o pensamento não egocêntrico al., explanatórias sobre as emoções poucas discussões envolve a capacidade de distanciar-se e ob- 2008). Todos esses processos (Suveg de apego et servar o pensamento e a perspectiva dos outros e coordenar a interação entre as próprias perspectivas e as alheias. PensarRegulação emocional em psicoterapia 35 sobre o pensamento foi um conceito cru- sultam de mau comportamento" ou "se cial na psicologia do desenvolvimento que os outros não aprovam meus sentimentos, refletiu a natureza potencialmente recor- eu não deveria me sentir como me sinto" rente e autorreflexiva da cognição social. (Linehan, 1993a). Examinamos as crenças Quando aplicado ao pensamento acerca disfuncionais comuns sobre as emoções, das emoções em si mesmo ou nos outros crenças estas que podem perturbar a forma o conceito "evoluiu", transformando-se como se lida com elas, e ilustramos o uso na teoria da mente (Baron-Cohen, 1991), da TEE e da TCD como estratégias mais importante tanto nos modelos cognitivos efetivas de manejo das emoções. No pró- quanto nos psicodinâmicos, bem como na ximo capítulo, oferecemos um panorama neurociência (Arntz, Bernstein, Oorschot e da TEE que incorpora os diferentes com- Schobre, 2009; Corcoran et al., 2008; Fona- ponentes do processamento e da regulação gy e Target, 1996; Stone, Lin, Rosengarten, emocional discutidos ao longo deste livro, e Kramer e Quartermain, 2003; Völlm et al., propomos técnicas específicas para identifi- 2006). o modelo metacognitivo proposto car e modificar interpretações, avaliações e por Adrian Wells é a mais detalhada teoria estratégias problemáticas para lidar com as clínica para a teoria da mente e de como os emoções difíceis. processos metacognitivos estão por trás de vários transtornos (Wells, 2004, 2009). Por exemplo, pessoas cronicamente preocupa- CONCLUSÕES das acreditam que devem lidar, controlar e neutralizar pensamentos intrusivos e que A emoção não é um fenômeno simples. os pensamentos conferem responsabilidade Ela compreende avaliação, sensação física, pessoal. o modelo metacognitivo busca es- comportamento motor, metas ou intencio- clarecer as crenças acerca de como a mente nalidade, expressão interpessoal e outros funciona, em vez de modificar o conteúdo processos. Consequentemente, uma abor- dos pensamentos, e auxiliar o paciente a dagem abrangente da regulação emocional abandonar estratégias improdutivas, como deve reconhecer a natureza multifacetada tentativas de suprimir, controlar, ter certe- das emoções e oferecer técnicas que possam za e usar reasseguramento e outros méto- ser aplicadas em cada um desses processos. dos de "controle mental". Leahy foi além Esse é o propósito deste livro. Ademais, as e desenvolveu o modelo metaexperiencial estratégias de manejo variam considera- chamado terapia do esquema emocional velmente, e os indivíduos podem preferir -, sugerindo que as pessoas diferenciam- algumas delas a outras. Para alguns, a rees- -se em suas crenças sobre a natureza das truturação cognitiva pode anular as outras emoções (p. ex., controláveis, perigosas, estratégias de regulação das emoções, ao vergonhosas, exclusivas) e a necessidade modificar a resposta emocional por meio de invocar estratégias de controle emocio- da reavaliação. Já, outros, em que emoções nal, como preocupação, ruminação, culpa, intensas já foram ativadas, podem ser bene- esquiva ou abuso de substâncias (Leahy, ficiados por ampla variedade de técnicas de 2002). modelo do esquema emocional redução de estresse, atenção plena (mind- também compartilha com a TCD o reco- fulness), aceitação ou técnicas da terapia nhecimento de mitos emocionais comuns, do esquema emocional. Alguns pacientes por exemplo: "algumas emoções são real- podem ter dificuldade com a natureza in- mente estúpidas", "emoções dolorosas re- terpessoal da sua experiência emocional e36 Tirch & Napolitano obter beneficios com as técnicas voltadas à validação ou ao funcionamento interpes- truturação cognitiva; pelo controle do estímulo ou pela rees. soal (p. ex., aprender habilidades para manter amizades e apoio social). Apesar de 2. se o problema é aumento da excitação haver muitos Zeitgeist no campo da psico- e das sensações (nas quais as técnicas logia, os pacientes estão menos interessados redução de estresse, como relaxamento de nas tendências teóricas do terapeuta e mais progressivo, exercícios respiratórios na relevância e efetividade das técnicas dis- úteis); ou outros de autorrelaxamento, podem ser e Consequentemente, cada um de nós - representando interesses e áreas de 3. se o problema é como lidar com a in- conhecimento um tanto diferentes - tentou tensidade emocional uma vez que ela oferecer ao leitor uma ampla gama de téc- surja, sugerindo a utilidade da aceita- nicas que possam ser adaptadas a cada pa- ção, atenção plena, autoapaziguamento ciente. Conforme indicamos anteriormente focado na compaixão e outras neste capítulo, o clínico pode ajudar os pa- cientes a examinarem: Em cada um dos capítulos a seguir, gerimos diretrizes para a "escolha das técni- su- 1. se o problema permite modificação da situação pela resolução de problemas, com alternativas relevantes. cas" e também relacionamos cada técnicaREGULAÇÃO EMOCIONAL EM PSICOTERAPIA Um guia para O terapeuta cognitivo-comportamenta

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