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Texto e discurso
Vamos estudar os conceitos de texto e de discurso e a noção de gêneros textuais, abordando suas
implicações na produção e leitura de textos.
Prof. Luís Cláudio Dallier Saldanha
1. Itens iniciais
Propósito
Ao compreender a distinção entre texto e discurso, além das características dos gêneros textuais, você
poderá identificar estratégias e cuidados necessários à elaboração e à leitura de um texto.
Objetivos
Distinguir os conceitos de texto e de discurso.
Identificar aspectos da distinção entre texto e discurso na produção textual.
Reconhecer o conceito de gêneros textuais e suas implicações na leitura de textos.
Introdução
A escrita e a leitura são duas práticas fundamentais na vida acadêmica e profissional. Vivemos num mundo
letrado, em ambientes físicos ou virtuais que são povoados por textos. Cada texto desempenha uma
determinada função, atende a um objetivo, está relacionado com certa prática social ou situação de
comunicação e interação. 
Escrevemos textos para serem lidos e lemos textos que foram escritos com determinadas intenções. Tudo
isso nos conduz à relação entre texto, discurso e gêneros textuais. Por isso, vamos estudar esses conceitos e
conhecer algumas recomendações para ler e escrever melhor. 
Vamos aos estudos! 
• 
• 
• 
1. O conceito de texto e de discurso
Intencionalidade da nossa fala ou escrita
Todas as vezes em que você se comunica ou interage com alguém, há sempre uma intenção ao falar ou ao
escrever. 
Representação de atos de comunicação.
Dependendo dessa intenção ou da finalidade do ato de comunicação, haverá maneiras diferentes de construir
sua fala e sua escrita, ou seja, você acabará usando modos específicos para se expressar ou interagir por
meio da língua. 
As formas características do uso da língua se manifestam em determinadas estruturas, isto é, dito
de outra forma, aparecem em modos peculiares de organizar o discurso ou o ato de comunicação.
Independentemente da finalidade, sua escrita ou sua fala se organizam a partir de estruturas
definidas, que muitas vezes até passam despercebidas.
Convidamos você a analisar a seguinte situação: 
Imagine que Rodrigo chegou em casa ansioso por contar à sua esposa, Cristina, algo que aconteceu no
trabalho, uma situação ocorrida que lhe deu muita esperança de ser promovido. 
Marido contando uma novidade para a sua esposa.
Falamos e escrevemos com as mais diferentes intenções, adequando nosso ato de comunicação a partir
delas, por isso devemos concluir que há diversas formas de organizar o discurso. Isso também implica dizer
que existem diversos gêneros textuais, além daquelas modalidades que você deve ter aprendido na escola,
como narração, descrição e dissertação.
Rodrigo - Eu acho que vou ser promovido!
Cristina - Como assim?
Rodrigo - Hoje eu estava em minha sala quando o chefe abriu a porta e disse que em breve terei uma boa
notícia.
Atividade discursiva
No diálogo anterior, qual modalidade você acha que Rodrigo utilizou para contar o fato ocorrido?
Chave de resposta
Narração
Ao contar o episódio, tentando mostrar as chances de ter uma promoção, ele utilizou aspectos
característicos da narração, que é um tipo específico de se organizar o discurso, assim como nós fazemos
comumente no dia a dia.
Enquanto ele contava sua história, provavelmente nem se deu conta de elementos típicos da narração,
como: personagem, espaço, tempo etc.
Intencionalidade da nossa fala ou escrita
Confira neste vídeo situações de comunicação e interação por meio da escrita e da fala que mostram a
intencionalidade no uso da língua.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A distinção e interdependência entre texto e discurso
Para compreender tudo isso e identificar possíveis aplicações no uso da língua, você aprenderá os conceitos
de discurso e de texto para, então, verificar como o conhecimento dos diferentes gêneros textuais o ajudará a
escrever e a ler melhor. 
Para distinguir texto e discurso, primeiramente é preciso conceituá-los, além de identificar a utilidade dessa
distinção. Mas, em vez de começar logo com uma definição, vamos pensar um pouco sobre a prática, ou seja,
vamos considerar uma situação concreta de uso da língua. Imagine que alguém diga a um colega o seguinte: 
Colegas de trabalho conversando.
A resposta "sei" provavelmente frustrou quem perguntou. A decepção ou mesmo o estranhamento diante de
tal resposta ocorre porque a intenção de quem pergunta não é obter uma informação sobre o conhecimento
ou não do horário, mas pedir um dado que traga sentido, referência e clareza. 
A intenção de quem pergunta é um elemento fundamental na enunciação, assim como a forma como
o texto é recebido pelo enunciatário. A enunciação refere-se à atividade social e interacional em que
a língua é colocada em funcionamento por um enunciador, aquele que fala ou escreve, tendo em
vista um enunciatário, aquele para quem se fala ou se escreve.
O produto da enunciação é chamado enunciado. No campo dos estudos da linguagem, o conceito de
enunciação, assim como tantos outros, apresenta variações na forma como é definido, conforme a abordagem
teórica em que seja tomado. 
A enunciação está presente na maioria dos textos. No caso da nossa hipotética situação de comunicação,
pode-se imaginar a presença explícita dessa enunciação do seguinte modo: 
Colega de trabalho perguntando a João que horas são.
É possível que um texto não explicite as intenções do autor, ou seja, a enunciação pode estar implícita. Nesse
caso, será preciso ouvir ou ler o texto, entendê-lo e perceber as intenções do autor. Teremos, então, uma 
decodificação desse texto. 
Além da intenção, que pode estar implícita ou explícita na interação por meio da linguagem, temos sujeitos
que interagem em determinado tempo ou contexto a partir de um texto ou mensagem. 
Os aspectos relacionados com a pessoa (quem fala/ouve ou quem escreve/lê) e com o tempo (em
que momento ou contexto a comunicação se dá) também fazem parte da enunciação.
Mesmo que esses aspectos nem sempre estejam explicitados ou claros no texto, a produção textual envolve
os seguintes elementos da enunciação:
intenção;
interlocutores; e
contexto.
Sobre a enunciação, Antônio Suárez Abreu diz o seguinte: 
• 
• 
• 
O entendimento do texto implica a decodificação da intenção de quem o produziu, por isso mesmo, às
vezes, pode-se perguntar: mas o que é que você quis dizer com isso?Temos, assim, uma pergunta sobre
a enunciação.
(ABREU, 2004, p. 10)
A partir dessa abordagem inicial sobre enunciação, vamos a uma primeira caracterização de texto e de
discurso. Segundo Abreu (2004), podemos dizer que: 
Texto
O texto é um produto da enunciação, estático,
definitivo e, muitas vezes, com algumas marcas
da enunciação que nos ajudarão na tarefa de
decodificá-lo.
Discurso 
O discurso, por sua vez, é dinâmico: principia
quando o emissor realiza o processo de
codificação e só termina quando o destinatário
cumpre sua tarefa de decodificá-lo. Por isso,
também se afirma que o discurso é histórico.
Quando um texto é escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser considerado algo acabado e estático. No
entanto, o discurso teve seu início juntamente com o texto e vai se completando à medida que o texto vai
sendo lido por seus leitores. Por isso, Abreu nos afirma que o discurso 
[...] é sempre dinâmico e pode ser repetido infinitamente, sempre de formas diferentes, dependendo dos
repertórios de seus leitores.
(ABREU, 2004, p. 12)
As concepções de texto e de discurso nos permitem, então, mais do que fazer uma distinção, perceber que
eles são complementares. 
Discurso é o texto em atividade comunicativa; vindo a público e se realizando.
É bom observar que o texto pode ser escrito ou oral, embora enfatizemos na maioria das vezes o texto escrito.
O discurso também pode se realizar tanto a partir de um texto escrito quanto de um texto oral. 
Atenção
Não confunda discurso com a fala de um orador! 
Podemos, então, concluir que todas as vezes que escrevemosou falamos temos um texto que se realiza como
discurso. Isso acontece porque quem fala e escreve tem uma intenção ou objetivo contido na mensagem e até
na forma de comunicá-la. Quem ouve e lê precisa decifrar (compreender) a mensagem e a sua intenção a
partir do próprio conhecimento de mundo e, claro, do próprio texto. 
Mas, você pode se perguntar: 
Para que serve definir texto e discurso, além de fazer a distinção entre eles? Qual a utilidade desses
conceitos?
Quando entendemos os conceitos de texto e discurso, podemos perceber que o modo como escrevemos ou
falamos é tão importante quanto aquilo que dizemos, assim como o contexto da nossa interação. A situação
de comunicação e a maneira como construímos nosso texto escrito ou elaboramos a nossa fala têm muita
importância. 
A distinção e interdependência entre texto e discurso
Neste vídeo, vamos explicar e mostrar exemplos da definição de texto e de discurso a partir de alguns
conceitos. Assista!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A enunciação é um conceito importante para compreender o que é um discurso. Ela está relacionada, por
exemplo, com a intenção que o falante ou escritor tem ao comunicar sua mensagem. Assim, quando alguém,
antigamente, perguntava a outra pessoa na rua “Você tem relógio?”, podemos identificar o seguinte:
A
A pergunta “Você tem relógio?” como um texto ou enunciado e o desejo de saber as horas como a intenção na
enunciação.
B
A pergunta “Você tem relógio?” como um discurso e a intenção de saber as horas como o texto.
C
A pergunta “Você tem relógio?” como uma enunciação e a necessidade de saber as horas como um
enunciado.
D
A intenção de saber se a pessoa estava com seu relógio e a elaboração de uma pergunta como a própria
enunciação.
E
O desejo de alguém de informar-se sobre o relógio da outra pessoa e a elaboração de uma pergunta para
esconder sua intenção.
A alternativa A está correta.
A enunciação está relacionada com a atividade social e interacional por meio da qual a língua é colocada
em funcionamento por um enunciador (aquele que fala ou escreve), tendo em vista um enunciatário (aquele
para quem se fala ou se escreve). Quando alguém pergunta a outra pessoa se ela tem um relógio, a
pergunta é um enunciado resultado de uma enunciação na qual a intenção é saber as horas e não
simplesmente certificar-se de que o outro possui um relógio.
Questão 2
Texto e discurso são conceitos que devem ser compreendidos como distintos e ao mesmo tempo
complementares porque
A
o texto é a parte abstrata e o discurso é a parte concreta.
B
o texto é escrito e o discurso é oral.
C
o discurso é o texto em atividade comunicativa, vindo a público e se realizando.
D
o texto é dinâmico e indefinido enquanto o discurso é estático e definitivo.
E
o texto pode ser repetido infinitamente, sempre de formas diferentes, dependendo da bagagem cultural de
seus leitores, já o discurso pode ser considerado algo acabado e estático.
A alternativa C está correta.
O texto é um produto da enunciação, estático, definitivo. O discurso, por sua vez, é dinâmico: principia
quando o emissor realiza o processo de codificação e só termina quando o destinatário cumpre sua tarefa
de decodificá-lo. O discurso é histórico. Quando um texto é escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser
considerado algo acabado e estático. No entanto, o discurso teve seu início juntamente com o texto e vai
se completando à medida que o texto vai sendo lido por seus leitores. Por isso, o discurso "é sempre
dinâmico e pode ser repetido infinitamente, sempre de formas diferentes, dependendo do repertório de
seus leitores" (ABREU, 2004, p. 12).
2. A elaboração do texto
Cuidados na leitura e na elaboração do texto
A noção de discurso e sua implicação na leitura
Ao compreendermos a relação entre texto e discurso, podemos perceber melhor a necessidade de
determinados cuidados tanto na leitura quanto na produção de um texto.
Em relação à leitura, você deve lembrar que o discurso é um conceito relacionado com as intenções presentes
no texto (de forma explícita ou implícita) e outros elementos da comunicação. Alguns desses aspectos têm a
ver com algumas perguntas como:
Quem escreve?
Quem lê?
Em que contexto o texto foi produzido?
Em que momento o texto é lido?
O discurso é algo situado, ou seja, ele é produzido por alguém, com determinada intenção, em algum contexto
e tendo em vista determinado interlocutor. Para a compreensão ou interpretação adequada do texto, será
preciso considerar também esses elementos ou aspectos, muitas vezes escondidos nas entrelinhas.
O professor Sírio Possenti (2014) nos lembra de que na escola, durante muito tempo, os textos ou enunciados
eram analisados desconsiderando o momento em que eles foram proferidos, por quem, se eles eram contra ou
a favor de outros enunciados etc. Esse tipo de análise tinha o foco na forma e no conteúdo do texto, mas
deixava de fora a situação e o contexto histórico.
A situação de comunicação e o contexto social e histórico que permitem uma melhor compreensão
do texto, de como ele funciona, se ele contradiz ou apoia outros textos e por aí adiante.
Segundo Possenti (2014), quando consideramos o discurso, não nos preocupamos apenas em responder
quantos parágrafos o texto tem, a qual gênero ele pertence ou a somente perguntar pelos sentidos gerais do
texto.
Como consequência de uma leitura que vai além dos aspectos formais do texto e de seu conteúdo mais
explícito, poderemos descobrir aquilo que eventualmente está implícito no texto: se é uma informação, uma
resposta, a quem se dirige etc.
Portanto, levar em conta a noção de discurso na leitura do texto permite identificar mais elementos na sua
interpretação.
Cuidados que você deve ter ao elaborar seu texto
Ao elaborar um texto, você deve ter em mente que não escreve para si mesmo, pois seu texto é produzido
para que outros o leiam, ele se transformará em discurso. Por isso, deve haver cuidado na elaboração, na
forma pela qual suas intenções estarão marcadas ou presentes na mensagem.
Se escrevemos e falamos para que outros nos entendam ou mesmo atendam aos objetivos de nossa
comunicação, precisamos nos esforçar para irmos além da simples expressão do que temos em mente. Isso
tem a ver com um importante mecanismo da comunicação, que foi resumido pelo professor Blikstein (1990),
em seu livro Técnicas de comunicação escrita. Estes seriam os princípios do mecanismo da comunicação:
 
1. Toda comunicação escrita deve gerar uma resposta a uma determinada ideia ou necessidade que temos em
mente.
 
• 
• 
• 
• 
Dona Maria em uma consulta médica.
Dona Maria em uma consulta médica.
2. A comunicação escrita será correta e eficaz se produzir uma resposta igualmente correta.
 
3. Resposta correta é a que esperamos, isto é, aquela que corresponde à ideia ou necessidade que temos em
mente.
 
4. Para avaliarmos a correção e a eficácia de uma comunicação escrita, temos que verificar sempre se houve
uma resposta e se ela corresponde à ideia ou necessidade que queremos passar ao leitor.
Veja o exemplo: 
Dois homens conversando em uma videochamada.
É preciso, então, cuidado em relação a vários aspectos no uso da língua nas situações de comunicação. 
Vejamos três deles: 
Vocabulário
Devemos optar por palavras e expressões que, além de
expressar o que pensamos, ajudem o leitor ou ouvinte a
identificar a nossa intenção ou o objetivo do texto. Palavras
pouco conhecidas ou rebuscadas, termos técnicos e
vocabulário restrito a uma área diferente da do nosso
interlocutor podem oferecer alguma dificuldade.
O vocabulário sempre deve estar adequado ao contexto em
que comunicamos nossa mensagem e ao nosso interlocutor.
Se precisarmos usar uma palavra difícil ou pouco conhecida,
é recomendável que ela venha acompanhada de alguma
explicação, evitando deixar o texto pedante ou pretensioso.
Não é um vocabulário excessivamente formal ou com
preciosismos que vai demonstrar nosso domínio da língua.Adequação da linguagem às
situações e aos leitores que
temos em vista
O estilo e o nível de linguagem que usamos em
nossa escrita ou fala devem estar adequados
ao contexto da comunicação, ao objetivo ou à
intenção da nossa mensagem e ao interlocutor
(o receptor, a pessoa com quem nos
comunicamos): 
Manaul
Se o objetivo, por exemplo, for escrever um
manual com procedimentos e orientações para
o uso de um celular, o texto deverá ter um estilo
que respeite a língua culta, mas que seja
simples, objetivo e claro, com predomínio de
verbos no imperativo ou infinitivo, além de
descrições e outras características desse
gênero textual.
Bilhete
Se escrevermos um bilhete ou enviarmos um
recado por um aplicativo de mensagens,
usaremos uma linguagem mais coloquial, um
tom pessoal e talvez algumas abreviaturas,
entre outras características.
Mais adiante você aprenderá outros aspectos importantes na produção e na elaboração do texto em função
de seu gênero. 
Construção das fra ses e correção gramatical
Organizar cada parágrafo do texto, os períodos e as frases que o compõem é uma forma de deixar o texto
claro, coeso e coerente. 
Se queremos elaborar uma mensagem objetiva e que demande uma resposta clara do nosso leitor, é
melhor colocar as orações na ordem direta, sem muita inversão, e reservar para cada parágrafo uma
ideia ou um aspecto do que queremos tratar.
Escrever e falar sem incorreções gramaticais também contribui para o melhor entendimento da mensagem,
além de dar credibilidade ao autor em virtude do seu domínio da língua padrão. 
Há outros cuidados na elaboração do texto que destacamos para ajudá-lo a escrever melhor. São aspectos
que o auxiliarão a perceber características que devem estar presentes em todos os textos e, além disso, a
aprender uma outra forma de definir o que é um texto. Vamos, então, conhecer quatro importantes
recomendações que você precisa considerar ao escrever e ao ler um texto: 
Não confunda texto com a mera soma ou aglomerado de frases
Um texto deve ser um todo orgânico com encadeamentos que interliguem as suas partes. Isso im ‐
plica, na leitura, que não devemos tomar as frases ou partes do texto isoladamente, sem considerar o
seu contexto.
Se o texto é um todo orgânico, então sua compreensão não pode se basear apenas em um fragmento
isolado do contexto.
Delimite o seu texto!
Os professores Fiorin e Savioli (2003, p. 17) nos lembram, em seu livro Lições de texto: leitura e
redação, que o texto deve ser “delimitado por dois espaços de não sentido, dois brancos, um antes
de começar o texto e outro depois”, ou seja, tem início e fim, está delimitado num determinado
espaço. Isso implica uma organização textual. Se o texto é uma unidade, ele deve ter começo, meio e
fim.
Faça com que seu texto seja um gerador de sentido
O que você escreve tem que fazer sentido para quem vai ler. Caso isso não aconteça, não se
produzirá um discurso, o texto não se realizará.
Os sentidos têm de ser marcados pela coerência; devem ser, também, confirmados a partir de seu
contexto.
Esteja atento a elementos do contexto durante a produção
De acordo com Fiorin e Savioli (2003, p. 17), o texto é o produto de um sujeito que pertence “a um
grupo social num tempo e num espaço”, alguém que expõe em seus textos as ideias, os anseios, os
temores, as expectativas de seu tempo e de seu grupo social.
Assim, é necessário entender as concepções existentes na época e na sociedade em que o texto foi
produzido para não correr o risco de compreendê-lo de maneira distorcida.
Cuidados na leitura e na elaboração do texto
Acompanhe neste vídeo as implicações do conceito de discurso no trabalho com os textos, destacando a
ergonomia do texto, o vocabulário, a adequação da linguagem e construção das frases.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A definição de texto e a coesão textual
Os cuidados na elaboração do texto correspondem a uma forma de entender o que é um texto. Por isso, é
hora de apresentar a seguinte definição: o texto é um todo orgânico gerador de sentido.
Essa definição nos ajuda a perceber que um texto tem que fazer sentido e possui princípio e fim, mesmo que
ele seja um texto muito pequeno.
Exemplo 1
Imagine que alguém, diante de um princípio de
incêndio, grite: “Fogo!”.
Exemplo 2
Ou vamos supor que uma professora, diante de
uma sala de aula muito barulhenta, escreva
numa lousa a palavra: “Silêncio”.
Nos dois casos temos um exemplo de texto, por menor que seja sua estrutura. Isso acontece porque nessas
situações de comunicação existe uma unidade linguística delimitada e que produz sentido a partir da intenção
de quem fala ou escreve. 
Todo falante de uma língua tem a capacidade de distinguir um texto coerente de um aglomerado
incoerente de enunciados e essa competência é linguística [...] O texto consiste, então, em qualquer
passagem falada ou escrita que forma um todo significativo independentemente de sua extensão.
(FÁVERO, 1998, p. 6-7)
Compreender que o texto é um todo orgânico que produz sentido também traz como desdobramento
estabelecer correspondência e articulação entre suas partes. As frases não podem ser soltas ou
simplesmente amontoadas numa sequência sem sentido e sem unidade. 
Dica
A palavra texto está relacionada, em sua origem, com a palavra tecido. Daí que podemos falar na
"tecitura de um texto", em "tecer um texto". É preciso tecer os fios, ou tecer as palavras, de tal forma que
o texto se apresente coeso e orgânico: uma unidade articulada. 
O processo de articulação do texto, que permite a integração entre suas partes, é chamado de encadeamento
semântico (semântico = sentido). Ele é que produz a textualidade ou a “trama semântica”. A coesão, segundo
Abreu (2004), é exatamente esse processo de encadeamento que produz a textualidade, que cuida da
estruturação da sequência superficial do texto. 
Conforme nos ensinam Fiorin e Savioli (2003, p. 370), podemos também dizer que a coesão textual é a
ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto, por meio de “elementos
formais que assinalam o vínculo entre os componentes do texto”. Quando um conteúdo escrito apresenta
repetições desnecessárias, retomando uma palavra ou ideia sempre com o mesmo termo, temos um caso de
falta de coesão. O exemplo a seguir, retirado do livro Curso de redação, do professor Antônio Suárez Abreu, é
uma boa oportunidade para verificar a falta de coesão num texto. 
"As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os automóveis para vender os
automóveis mais caro. O cliente vai à revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver que
pagar mais caro o automóvel, desiste de comprar o automóvel e as revendedoras de automóveis têm
prejuízo." (ABREU, 2004, p. 24).
Se você levar em conta que o termo “revendedoras de automóveis” pode ser substituído por agência,
concessionária ou loja, e “automóveis” pode ser substituído por carros, veículos, produto ou mercadoria, é
possível reescrever o texto estabelecendo a coesão. Veja: 
"As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os carros para vendê-los mais caro. O
cliente vai lá com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro pelo produto, desiste e as agências
têm prejuízo."
Perceba que, além de evitar a repetição de “revendedoras de automóveis” e da palavra “automóveis”,
substituindo esses termos por sinônimos, foram utilizados mecanismos de coesão como a elipse, ou seja,
omissão de um termo. 
Nesse exemplo, na oração desiste de comprar o automóvel, foi omitido o complemento da forma verbal
“desiste”, sem prejuízo à compreensão do texto. Também se substituiu o termo “os automóveis” na frase para
vender os automóveis mais caro pelo pronome oblíquo átono junto ao verbo vender: “para vendê-los mais
caro”. Outro mecanismo de coesão utilizado foi a retomada do termo “revendedora de automóveis” valendo-se
de um advérbio, no caso, o advérbio de lugar “lá”: “o cliente vai lá...”. Há diversas outras formas de articular as
partes de um texto, as sentenças ou frasesque formam cada período ou parágrafo, garantindo a coesão
textual. 
Oposição
Se queremos articular duas sentenças com o 
sentido de oposição, podemos usar conectores
ou articuladores como:
Mas
Porém
Contudo
No entanto
Todavia
Causalidade
Se a ideia for articular sentenças diferentes
com o sentido de causalidade, usaremos
articuladores como:
 
Porque
Uma vez que
Já que
Visto que
Devido a
Por causa de
Veja o exemplo a seguir: 
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião ontem à
tarde, porém poucos compareceram, já que uma forte chuva inundou os principais acessos ao
colégio.
Perceba que duas informações iniciais estão articuladas com a ideia de oposição: a convocação e o não
comparecimento de quem foi convocado. Em seguida, apresenta-se a causa para o não comparecimento: a
• 
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• 
• 
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• 
• 
• 
forte chuva. A coesão também se manifesta ao se evitar a repetição desnecessária da expressão “os pais e os
responsáveis” na oração: porém poucos compareceram, além de se retomar o termo “escola” pelo sinônimo
“colégio” na última oração. 
Tudo isso deve deixar claro que, quando escrevemos, precisamos nos preocupar com a forma como nosso
leitor vai receber o texto. 
Se o texto é mal escrito, cheio de repetições desnecessárias, com ideias truncadas e sem uma
articulação adequada, teremos problemas na sua compreensão ou mesmo uma má vontade na
leitura do texto, já que ele aparenta certo descuido com a língua e falta de preocupação com o
interlocutor.
A definição de texto e a coesão textual
Resolva neste vídeo algumas questões sobre a definição de texto e a necessidade de garantir a coesão
textual.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Compreender que o texto é um todo organizado que produz sentido implica afirmar que, na leitura e na
produção textual, é recomendável
A
basear a leitura em fragmentos e partes isoladas do texto, sem levar em conta o contexto.
B
não identificar como texto aquelas produções muito curtas, de apenas uma única palavra, como no exemplo
em que alguém grita “Fogo!”, diante de um princípio de incêndio.
C
estabelecer correspondência e articulação entre as partes do texto, pois as frases não podem ser soltas ou
simplesmente amontoadas numa sequência sem sentido e sem unidade
D
dar pouca ou mesmo nenhuma importância à forma como o leitor vai receber o texto.
E
não delimitar o texto escrito num determinado espaço, pois a organização textual pouco importa.
A alternativa C está correta.
A opção A está incorreta porque a leitura do texto não deve se basear em fragmentos ou partes isoladas,
sem levar em conta o contexto. As alternativas B e E estão incorretas porque textos não se definem por
serem grandes ou pequenos, mas por serem delimitados em algum espaço e produzirem sentido. A opção 
D está incorreta porque a forma como o leitor recebe o texto tem sua importância na produção textual. A
resposta correta é a C por primar pela coesão textual.
Questão 2
O texto bem escrito deve ter suas partes articuladas adequadamente, ou seja, deve ter a marca da coesão
textual. No texto abaixo, há graves problemas de coesão textual.
 
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos da escola para uma reunião de pais e
responsáveis dos alunos ontem à tarde, por isso poucos compareceram, porém, uma forte chuva inundou os
principais acessos ao colégio.
 
Assinale a alternativa que apresenta o restabelecimento da coesão textual.
A
A diretora convocou para uma reunião ontem à tarde, pois uma forte chuva inundou os acessos à escola, uma
vez que poucos compareceram.
B
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos da escola para uma reunião ontem à tarde
na escola, mas poucos pais e responsáveis dos alunos da escola compareceram, porque uma forte chuva
inundou os principais acessos à escola.
C
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião ontem à tarde, porque
poucos compareceram, mas uma forte chuva inundou os principais acessos ao colégio.
D
Uma vez que a diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião ontem à
tarde, poucos compareceram, porém, uma forte chuva inundou os principais acessos ao colégio.
E
A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos para uma reunião ontem à tarde, mas
poucos compareceram devido a uma forte chuva que inundou os principais acessos ao colégio.
A alternativa E está correta.
A alternativa correta é a única que apresenta uma versão do texto em que as repetições desnecessárias
são evitadas, o sentido de oposição entre a primeira e a segunda parte é estabelecido e a articulação com
sentido de causa e efeito é recuperada entre o último e o segundo período.
3. Gêneros textuais
Conhecendo os gêneros textuais
Você já aprendeu que, ao falar ou escrever, a intenção e outros aspectos se fazem presentes no ato
comunicativo, correspondendo a um modo característico de construção do discurso. Esse modo específico de
organizar o discurso se constitui num conjunto de características relativamente estáveis, configurando
diferentes textos ou gêneros textuais. 
A noção de gêneros textuais foi desenvolvida por um pensador russo, Bakhtin (1895-1975), no começo do
século XX. Ele usou a palavra gêneros para se referir aos textos orais ou escritos que elaboramos nas diversas
situações de comunicação. 
Exemplo
Um bilhete que alguém deixa para sua mãe, uma piada contada em uma mesa de bar, uma ata redigida
durante uma reunião ou um artigo de opinião publicado nas redes sociais são exemplos de gêneros
textuais. Eles apresentam um conjunto de características sociocomunicativas (inseridas em um contexto
social e com função comunicativa específica), além de uma estrutura específica. 
Há gêneros textuais que são típicos da vida acadêmica. Se você tiver que apresentar os resultados de um
trabalho acadêmico ou de uma pesquisa realizada ao final do curso, provavelmente terá de escrever uma
monografia ou um artigo acadêmico, que constituem também exemplos de gêneros textuais. Caso queira
apresentar os resultados de uma visita técnica ou de uma inspeção que tenha realizado, poderá elaborar um
relatório, outro exemplo de gênero textual. O e-mail enviado a um colega também faz parte de um gênero
textual. A lista de exemplos poderia se estender bastante. 
O importante é perceber que cada texto exemplificado possui sua estrutura e suas características comuns,
que são linguística e socialmente reconhecidas. 
Cada texto se relaciona com determinadas intenções comunicativas que, por sua vez, correspondem
a características ou estilos próprios.
Marcuschi oferece a seguinte conceituação de gêneros textuais: 
[...] textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características
sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica
(MARCUSCHI, 2002, p. 22)
Agora que você já sabe o que é um gênero textual, tenha cuidado para não cair numa confusão muito comum
que alguns estudantes fazem entre gêneros e tipos textuais. Para ajudá-lo a compreender a diferença entre
eles, veja o quadro a seguir: 
Tipos textuais Gêneros textuais
Definem-se por propriedades
linguísticas que vão caracterizar os
gêneros: vocabulário, relações
lógicas, tempos verbais,
construções frasais etc.
São realizações linguísticas concretas definidas por
propriedades sociocomunicativas, ou seja, dentro de
um contexto cultural e com função comunicativa.
Exemplos: narração,
argumentação, descrição, injunção
(ordem) e exposição (texto
informativo).
Exemplos: telefonema, sermão, carta comercial, carta
pessoal, aula expositiva, romance, reunião de
condomínio, lista de compras, conversa espontânea,
entrevistas, cardápio, receita culinária, inquérito
policial, blog, e-mail etc.
Podem variar entre cinco e nove
tipos.
Correspondem a um conjunto praticamenteilimitado
de características determinadas pelo estilo do autor,
conteúdo, composição e função.
Marcuschi, 2002.
De certo modo, nossa experiência de estudo da língua portuguesa na escola está mais relacionada com os
tipos de textos, também denominados tipos textuais. Mas precisamos ter cuidado para não achar que
escrever ou ler um texto se resume a compreender os aspectos gramaticais e linguísticos relacionados com
um número limitado de tipos textuais. Vamos entender melhor!
Estes tipos de texto mais conhecidos — descrição, narração, dissertação/argumentação, exposição e
injunção — vêm sendo ensinados e solicitados pela escola há pelo menos uma centena de anos, o que
faz deles também gêneros escolares, que somente na escola circulam, para ensinar o ‘bem escrever’. [...]
Na escola, escrevemos narrações; na vida, lemos notícias, relatamos nosso dia, recontamos um filme,
lemos romances (gêneros textuais). [...] Na escola, redigimos uma ‘composição à vista de gravura’
(descrição); fora dela, contamos como decoramos nosso apartamento, instruímos uma pessoa sobre
como chegar a um lugar desconhecido. [...] Na escola, dissertamos sobre um tema dado; na vida, lemos
artigos de opinião, apresentamos nossa pesquisa ou relatório, escrevemos uma carta de leitor
discordando de um articulista. [...] Os gêneros de texto, portanto, não são classes gramaticais para
classificar textos. São entidades da vida, dão nome a uma ‘família de textos’.
(Rojo, 2014)
Os gêneros textuais podem ser tanto escritos quanto orais. Há gêneros textuais que são bem tradicionais,
como os sermões, as cartas e os diários pessoais, como podemos ver nos exemplos a seguir.
1
Carta pessoal
Um remetente escreve a um destinatário sobre assuntos variados, em linguagem mais afetiva, estilo
menos formal e, às vezes, em tom confessional.
Representação de uma postagem em uma página de
uma rede social.
2Carta comercial
Aqui, a finalidade da mensagem impõe linguagem e aspectos formais como a disposição da data e
do local; a maneira de se dirigir ao destinatário (como escrever o vocativo ou que forma de
tratamento escolher); uso de expressões características da área ou até mesmo jargões profissionais;
a forma de o remetente assinar etc.
Um gênero relacionado ao mundo acadêmico e científico é o gênero textual denominado divulgação científica,
caracterizado por tornar o conhecimento científico e as suas descobertas mais acessíveis ao público em geral.
Outros gêneros são mais recentes, resultado das tecnologias digitais. O e-mail, por exemplo, é um gênero
textual digital que nos remete às cartas ou aos bilhetes, enquanto o blog se aproxima mais dos diários
pessoais ou mesmo das crônicas. 
Atente para o fato de que o texto para mídias sociais é um gênero textual digital muito próximo de gêneros
como o diário pessoal e a crônica. A vantagem de estar em um meio digital é a possibilidade de usar não
somente a escrita, mas se valer também de sons, imagens, animações e outras linguagens. 
Conhecendo os gêneros textuais
Explore neste vídeo o conceito de gêneros textuais e sua relação com os diferentes tipos de textos.
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Leitura de diferentes gêneros textuais
Gêneros textuais e estratégias de leitura
Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar muito claro que
deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual, pois eles possuem estrutura, intenções
e estilos próprios. Confira!
Vejamos a seguinte situação:
 
Vamos supor que você tenha uma página e
poste um texto sobre uma viagem que tenha
realizado. Provavelmente haverá um trecho com
relato de algum “perrengue” pelo qual você
tenha passado (narração), outra parte com
detalhes dos brinquedos de um parque
sensacional que você conheceu (descrição) e,
ao final, a defesa da ideia de que viajar é uma
das melhores coisas da vida (argumentação).
Nesse exemplo, a postagem contém texto
narrativo, descritivo e argumentativo.
Vamos praticar? 
Que tal ir a alguma de suas redes sociais e
fazer dois posts? Em um deles, utilize os
seguintes tipos textuais: narração, descrição e argumentação. No outro, escolha apenas uma dessas
tipologias. 
Em seguida, avalie qual dos dois posts produziu mais interações, como likes e comentários. 
Atente para o fato de que o texto para mídias sociais é um gênero textual digital muito próximo de
gêneros como o diário pessoal e a crônica. A vantagem de estar num meio digital é a possibilidade
de usar não somente a escrita, mas se valer também de sons, imagens, animações e outras
linguagens.
Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar muito claro que
deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual, pois eles possuem estrutura, intenções
e estilos próprios. 
Uma estratégia adequada de leitura passa pela expectativa correta em relação ao texto ou seu gênero textual.
Um leitor competente deve possuir conhecimentos prévios sobre cada gênero textual para identificar no texto
características próprias de cada gênero. Você não deve ler um e-mail como lê um blog. A prática de leitura de
um romance é distinta da leitura de uma notícia ou de um artigo no jornal. Não se deve ouvir um sermão na
igreja do mesmo modo que se ouve alguém numa conversa ao telefone. 
Quando lemos um texto, precisamos identificar o gênero textual ao qual ele pertence. Ninguém deve procurar
instruções sobre procedimentos e informações precisas num gênero textual como o conto ou o poema, assim
como não se deve ler uma receita culinária procurando expressões poéticas sobre os sentimentos ou mesmo
tentando entender algum enredo de uma história. 
Vejamos um exemplo de gênero textual: o anúncio publicitário. 
Exemplo 1
Um gênero textual como o anúncio publicitário, por exemplo, tem como
intenção influenciar o leitor, persuadi-lo a consumir determinado produto
ou levá-lo a aderir ao que está sendo anunciado. Para atrair a atenção e a
adesão do leitor, além de usar verbos no imperativo e trabalhar com
efeitos criativos como os de humor ou de ironia, as mensagens
publicitárias se valem de elementos visuais e outros recursos para
“fisgar” o leitor.
Exemplo 2
O efeito que a peça publicitária provoca está relacionado não somente
com o risco no trânsito, ao se dirigir sob efeito do álcool, mas se vincula
ao próprio contexto do carnaval. A campanha vai além do mote “Se
beber, não dirija!” para mostrar que o incentivo a brincar no carnaval não
se aplica ao brincar no volante.
Esse tipo de cuidado em relação ao gênero textual pode ajudar a evitar interpretações equivocadas na leitura
de um texto. 
Atenção
Não se deve buscar uma verdade ou fato histórico em um texto ficcional, como no caso de um romance.
Já em um texto científico ou em uma bula de remédio, não é apropriada uma leitura imaginativa e de
entretenimento. 
Ao ler uma anedota ou piada, nossa expectativa deve ser encontrar algum efeito de humor. Ao ler o manual de
um celular, devemos esperar descrições objetivas das características do aparelho, assim como procedimentos
sobre sua utilização. 
Fusão de diferentes gêneros textuais
Alguns textos que pertencem a determinado gênero apresentam uma configuração típica de outro gênero
textual, ou seja, assumem a forma de outro gênero buscando maior impacto sobre o leitor ou efeitos que não
são tão comuns. O nome que se dá a essa fusão de gêneros textuais é intergenericidade ou intertextualidade
de gêneros.
Vamos conhecer alguns exemplos de intergenericidade! 
Um poema pode ser escrito como se fosse uma notícia de jornal. Aliás, isso é o que encontramos no poema de
Manuel Bandeira: 
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no Morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
(BANDEIRA, M. Antologia poética. 12. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981. p. 73)
Renato Russotambém nos dá um interessante exemplo de fusão de dois gêneros distintos: letra de música e
receita culinária. Estamos nos referindo à canção a seguir: 
Os anjos
[...] Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça [...]”.
(Os anjos, de Renato Russo e Dado Villa Lobos, 1993)
Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar muito claro que
deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual, pois eles possuem estrutura, intenções
e estilos próprios. Veja! 
Postagem do Ministério do Turismo em uma rede social.
Trata-se de um post, gênero textual digital, que simula um bilhete manuscrito, com linguagem característica
desse tipo de gênero. 
Além disso, ao final há uma intertextualidade com o conhecido meme do “bilete”, nascido de um bilhete escrito
de forma muito rudimentar por um menino de 5 anos que não queria ir à escola. 
Leitura de diferentes gêneros textuais
Confira neste vídeo exemplos sobre estratégias de leitura de diversos gêneros textuais diferentes.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(Inep Brasil – Prefeitura de Palestina de Goiás – Guarda Civil Municipal – 2023 – Adaptada). Leia o texto e as
afirmativas na sequência.
 
“Células ‘reprogramadas’ poderão criar tecidos e órgãos
 
Um dos grandes avanços na área da saúde está na ‘reprogramação’ de células adultas. Com essa conquista,
os cientistas conseguiram transformar células de pele ou sangue nas chamadas ‘células pluripotentes’ — que
possuem o potencial de se tornar qualquer tipo de célula existente no organismo. Tal descoberta é um grande
passo para o tratamento de doenças raras, pois os cientistas já estão utilizando a técnica na produção de
linhas de células voltadas a determinados pacientes. Além disso, outros genes são capazes de transformar as
células da pele em neurônios ou até mesmo em células de sangue. Outro grande objetivo desse tipo de
técnica está em poder auxiliar transplantes, criando e substituindo tecidos, células e órgãos.”(Fonte: GUERRA,
R. As 5 descobertas científicas mais interessantes dos últimos anos. Tecmundo, 31 jul. 2012. Consultado na
internet em: 20 dez. 2022)
 
I. O texto em análise é uma carta pessoal que narra as descobertas da ciência de forma bastante corriqueira.
II. O texto em análise é do gênero textual divulgação científica, pois tem o objetivo de tornar público o
conhecimento científico.
III. O texto em análise é semelhante a um post em rede social, divulgando descobertas científicas em
linguagem informal.
IV. O texto em análise é uma narrativa que apresenta o relato de uma série de eventos ou experiências de
ficção científica.
 
É correto apenas o que se afirma em
A
I e II.
B
I, apenas.
C
II, apenas.
D
III, apenas.
E
I e IV.
A alternativa C está correta.
O texto pode ser identificado com o gênero textual divulgação científica porque busca tornar público o
conhecimento produzido por diferentes segmentos da sociedade que, por meio da pesquisa, produzem
ciência. Não se trata de uma carta pessoal ou um post, também não é uma narrativa sobre ficção científica.
Questão 2
6. (ENEM – 2013)
 
A diva
Vamos ao teatro, Maria José?
Quem me dera,
desmanchei em rosca quinze kilos de farinha,
tou podre. Outro dia a gente vamos.
Falou meio triste, culpada,
e um pouco alegre por recusar com orgulho.
TEATRO! Disse no espelho.
TEATRO! Mais alto, desgrenhada.
TEATRO! E os cacos voaram
sem nenhum aplauso.
Perfeita.
 
(PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999)
 
Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas, reconhecidas pelo leitor com base em
suas características específicas, bem como na situação comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto 
A diva
A
narra um fato vivido por Maria José.
B
surpreende o leitor pelo seu efeito poético.
C
relata uma experiência teatral profissional.
D
descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.
E
defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.
A alternativa B está correta.
A cena descrita no poema narrativo A diva leva o leitor a imaginar a experiência teatral através do diálogo
expresso no texto. Ao chegar ao final do poema, o leitor é surpreendido pela função poética, que
transforma a simples Maria José em uma diva pela sua atuação dramática espontânea.
4. Conclusão
Considerações finais
Aprendemos que o conceito de texto se refere a qualquer obra escrita ou falada que pode ser lida ou
interpretada. No sentido mais amplo, um texto não se limita apenas a obras literárias, mas abrange também
documentos, conversas, mensagens digitais, sinalizações, entre outros. Um texto é, essencialmente, uma
sequência de signos (como palavras ou símbolos) que formam um todo significativo. Ele é estático, no sentido
de que sua estrutura e seu conteúdo permanecem inalterados a partir do momento de sua criação. A
interpretação de um texto, contudo, pode variar amplamente dependendo do leitor, do contexto cultural e do
momento histórico.
Discurso, por outro lado, é um termo mais dinâmico que se refere à prática de produzir textos e à maneira
como esses textos são recebidos e interpretados dentro de um contexto social específico. O discurso envolve
a utilização da linguagem para comunicar e influenciar, estando intrinsecamente ligado ao poder, à ideologia e
às relações sociais. Diferentemente do texto, que é um objeto fixo, o discurso é um processo ativo que
engloba a produção, a distribuição e o consumo de textos em contextos sociais específicos. Assim, enquanto
o texto é a entidade concreta, o discurso é a prática que envolve essa entidade, destacando a relação entre
linguagem, poder e sociedade.
Também estudamos o conceito de gêneros textuais. Quando temos familiaridade com os diferentes gêneros
textuais, as possiblidades de leitura se ampliam e se tornam mais aderentes com as características formais e
sociocomunicativas do texto que estamos lendo. Por isso, quanto mais textos diferentes e leituras diversas
fizermos, mais enriquecido ficará nosso repertório e nossas novas leituras. É o círculo virtuoso da leitura!
Podcast
Neste podcast, acompanhe uma conversa sobre os principais tópicos abordados acerca dos conceitos
de texto e discurso.
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Para se aprofundar na compreensão dos gêneros textuais, conhecer mais exemplos e entender como
eles se realizam inclusive a partir das tecnologias digitais, leia o artigo Gêneros textuais: definição e
funcionalidade, do professor e linguista Luiz Antônio Marcuschi.
 
Você pode aprender mais sobre a articulação entre as partes de um texto estudando alguns 
mecanismos de coesão textual.
Referências
ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004.
 
ASSIS, J. A. Enunciação, enunciado. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.; BREGUNCI, M. das G. de C.
(org.). Glossário CEALE: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores [on-line]. Belo Horizonte:
CAELE, 2014. Consultado na internet em: 25 mar. 2022.
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BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. 8. ed. São Paulo: Ática, 1990.
 
FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 8. ed. São Paulo: Ática: 1998.
 
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. 4 ed. São Paulo: Ática, 2003.
 
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.;
BEZERRA, M. A. (org.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p. 19-36.
 
POSSENTI,S. Discurso. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.; BREGUNCI, M. das G. de C. (org.). Glossário
CEALE: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores [on-line]. Belo Horizonte: CAELE, 2014.
Consultado na internet em: 25 mar. 2022.
 
ROJO, R. Gêneros e tipos textuais. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.; BREGUNCI, M. das G. de C. (org.).
Glossário CEALE: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores [on-line]. Belo Horizonte: CAELE,
2014. Consultado na internet em: 25 mar. 2022.
	Texto e discurso
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O conceito de texto e de discurso
	Intencionalidade da nossa fala ou escrita
	Atividade discursiva
	Intencionalidade da nossa fala ou escrita
	Conteúdo interativo
	A distinção e interdependência entre texto e discurso
	Texto
	Discurso
	Atenção
	A distinção e interdependência entre texto e discurso
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. A elaboração do texto
	Cuidados na leitura e na elaboração do texto
	A noção de discurso e sua implicação na leitura
	Cuidados que você deve ter ao elaborar seu texto
	Vocabulário
	Adequação da linguagem às situações e aos leitores que temos em vista
	Manaul
	Bilhete
	Construção das fra­ses e correção gramatical
	Não confunda texto com a mera soma ou aglomerado de frases
	Delimite o seu texto!
	Faça com que seu texto seja um gerador de sentido
	Esteja atento a elementos do contexto durante a produção
	Cuidados na leitura e na elaboração do texto
	Conteúdo interativo
	A definição de texto e a coesão textual
	Exemplo 1
	Exemplo 2
	Dica
	Oposição
	Causalidade
	A definição de texto e a coesão textual
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Gêneros textuais
	Conhecendo os gêneros textuais
	Exemplo
	Carta pessoal
	Carta comercial
	Conhecendo os gêneros textuais
	Conteúdo interativo
	Leitura de diferentes gêneros textuais
	Gêneros textuais e estratégias de leitura
	Exemplo 1
	Exemplo 2
	Atenção
	Fusão de diferentes gêneros textuais
	Leitura de diferentes gêneros textuais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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