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<p>Texto e discurso</p><p>Prof. Luís Cláudio Dallier Saldanha</p><p>Descrição Vamos estudar os conceitos de texto e de discurso e a noção de gêneros textuais, abordando</p><p>suas implicações na produção e leitura de textos.</p><p>Propósito Ao compreender a distinção entre texto e discurso, além das características dos gêneros textuais,</p><p>você poderá identificar estratégias e cuidados necessários à elaboração e à leitura de um texto.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 1/58</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>O conceito de</p><p>texto e de</p><p>discurso</p><p>Distinguir os conceitos de texto e de</p><p>discurso.</p><p>Módulo 2</p><p>A elaboração do</p><p>texto</p><p>Identificar aspectos da distinção entre</p><p>texto e discurso na produção textual.</p><p>Módulo 3</p><p>Gêneros textuais</p><p>Reconhecer o conceito de gêneros</p><p>textuais e suas implicações na leitura</p><p>de textos.</p><p>A escrita e a leitura são duas práticas fundamentais na vida acadêmica e</p><p>profissional. Vivemos num mundo letrado, em ambientes físicos ou virtuais que</p><p>são povoados por textos. Cada texto desempenha uma determinada função,</p><p>atende a um objetivo, está relacionado com certa prática social ou situação de</p><p>comunicação e interação.</p><p>Escrevemos textos para serem lidos e lemos textos que foram escritos com</p><p>determinadas intenções. Tudo isso nos conduz à relação entre texto, discurso e</p><p>Introdução</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 2/58</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato</p><p>PDF.</p><p>Download material</p><p>gêneros textuais. Por isso, vamos estudar esses conceitos e conhecer algumas</p><p>recomendações para ler e escrever melhor.</p><p>Vamos aos estudos!</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 3/58</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>1 - O conceito de texto e de discurso</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir os conceitos de texto e de</p><p>discurso.</p><p>Intencionalidade da nossa fala ou</p><p>escrita</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 4/58</p><p>Todas as vezes em que você se comunica ou interage com alguém, há sempre uma</p><p>intenção ao falar ou ao escrever.</p><p>Representação de atos de comunicação.</p><p>Dependendo dessa intenção ou da finalidade do ato de comunicação, haverá maneiras</p><p>diferentes de construir sua fala e sua escrita, ou seja, você acabará usando modos</p><p>específicos para se expressar ou interagir por meio da língua.</p><p>As formas características do uso da língua se manifestam em</p><p>determinadas estruturas, isto é, dito de outra forma, aparecem em</p><p>modos peculiares de organizar o discurso ou o ato de</p><p>comunicação. Independentemente da finalidade, sua escrita ou</p><p>sua fala se organizam a partir de estruturas definidas, que muitas</p><p>vezes até passam despercebidas.</p><p>Convidamos você a analisar a seguinte situação:</p><p>Imagine que Rodrigo chegou em casa ansioso por contar à sua esposa, Cristina, algo</p><p>que aconteceu no trabalho, uma situação ocorrida que lhe deu muita esperança de ser</p><p>promovido.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 5/58</p><p>Marido contando uma novidade para a sua esposa.</p><p>Falamos e escrevemos com as mais diferentes intenções, adequando nosso ato de</p><p>comunicação a partir delas, por isso devemos concluir que há diversas formas de</p><p>organizar o discurso. Isso também implica dizer que existem diversos gêneros</p><p>textuais, além daquelas moda lidades que você deve ter aprendido na escola, como</p><p>narração, descrição e dissertação.</p><p>Rodrigo - Eu acho que vou ser promovido!</p><p>Cristina - Como assim?</p><p>Rodrigo - Hoje eu estava em minha sala quando o chefe abriu a porta e disse que em</p><p>breve terei uma boa notícia.</p><p>Atividade discursiva</p><p>No diálogo anterior, qual modalidade você acha que Rodrigo utilizou para contar o fato</p><p>ocorrido?</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 6/58</p><p>Digite sua resposta aqui</p><p>Chave de resposta</p><p>Intencionalidade da nossa fala ou</p><p>escrita</p><p>Confira neste vídeo situações de comunicação e interação por meio da escrita e da</p><p>fala que mostram a intencionalidade no uso da língua.</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 7/58</p><p>A distinção e interdependência</p><p>entre texto e discurso</p><p>Para compreender tudo isso e identificar possíveis aplicações no uso da língua, você</p><p>aprenderá os conceitos de discurso e de texto para, então, verificar como o</p><p>conhecimento dos diferentes gêneros textuais o ajudará a escrever e a ler melhor.</p><p>Para distinguir texto e discurso, primeiramente é preciso conceituá-los, além de</p><p>identificar a utilidade dessa distinção. Mas, em vez de começar logo com uma</p><p>definição, vamos pensar um pouco sobre a prática, ou seja, vamos considerar uma</p><p>situação concreta de uso da língua. Imagine que alguém diga a um colega o seguinte:</p><p>Colegas de trabalho conversando.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 8/58</p><p>A resposta "sei" provavelmente frustrou quem perguntou. A decepção ou mesmo o</p><p>estranhamento diante de tal resposta ocorre porque a intenção de quem pergunta não</p><p>é obter uma informação sobre o conhecimento ou não do horário, mas pedir um dado</p><p>que traga sentido, referência e clareza.</p><p>A intenção de quem pergunta é um elemento fundamental na</p><p>enunciação, assim como a forma como o texto é recebido pelo</p><p>enunciatário. A enunciação refere-se à atividade social e</p><p>interacional em que a língua é colocada em funcionamento por um</p><p>enunciador, aquele que fala ou escreve, tendo em vista um</p><p>enunciatário, aquele para quem se fala ou se escreve.</p><p>O produto da enunciação é chamado enunciado. No campo dos estudos da</p><p>linguagem, o conceito de enunciação, assim como tantos outros, apresenta variações</p><p>na forma como é definido, conforme a abordagem teórica em que seja tomado.</p><p>A enunciação está presente na maioria dos textos. No caso da nossa hipotética</p><p>situação de comunicação, pode-se imaginar a presença explícita dessa enunciação do</p><p>seguinte modo:</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 9/58</p><p>Colega de trabalho perguntando a João que horas são.</p><p>É possível que um texto não explicite as intenções do autor, ou seja, a enunciação</p><p>pode estar implícita. Nesse caso, será preciso ouvir ou ler o texto, entendê-lo e</p><p>perceber as intenções do autor. Teremos, então, uma decodificação desse texto.</p><p>Além da intenção, que pode estar implícita ou explícita na interação por meio da</p><p>linguagem, temos sujeitos que interagem em determinado tempo ou contexto a partir</p><p>de um texto ou mensagem.</p><p>Os aspectos relacionados com a pessoa (quem fala/ouve ou</p><p>quem escreve/lê) e com o tempo (em que momento ou contexto a</p><p>comunicação se dá) também fazem parte da enunciação.</p><p>Mesmo que esses aspectos nem sempre estejam explicitados ou claros no texto, a</p><p>produção textual envolve os seguintes elementos da enunciação:</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 10/58</p><p>intenção;</p><p>interlocutores; e</p><p>contexto.</p><p>Sobre a enunciação, Antônio Suárez Abreu diz o seguinte:</p><p>O entendimento do texto implica a decodificação da intenção de</p><p>quem o produziu, por isso mesmo, às vezes, pode-se perguntar:</p><p>mas o que é que você quis dizer com isso?</p><p>Temos, assim, uma pergunta sobre a enunciação.</p><p>(ABREU, 2004, p. 10)</p><p>A partir dessa abordagem inicial sobre enunciação, vamos a uma primeira</p><p>caracterização de texto e de discurso. Segundo Abreu (2004), podemos dizer que:</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 11/58</p><p>O texto é um produto da enunciação, estático,</p><p>definitivo e, muitas vezes,</p><p>com algumas marcas</p><p>da enunciação que nos ajudarão na tarefa de</p><p>decodificá-lo.</p><p>O discurso, por sua vez, é dinâmico: principia</p><p>quando o emissor realiza o processo de</p><p>codificação e só termina quando o destinatário</p><p>cumpre sua tarefa de decodificá-lo. Por isso,</p><p>também se afirma que o discurso é histórico.</p><p>Quando um texto é escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser considerado algo</p><p>acabado e estático. No entanto, o discurso teve seu início juntamente com o texto e</p><p>vai se completando à medida que o texto vai sendo lido por seus leitores. Por isso,</p><p>Abreu nos afirma que o discurso</p><p>[...] é sempre dinâmico e pode ser repetido infinitamente, sempre</p><p>de formas diferentes, dependendo dos repertórios de seus</p><p>leitores.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 12/58</p><p>(ABREU, 2004, p. 12)</p><p>As concepções de texto e de discurso nos permitem, então, mais do que fazer uma</p><p>distinção, perceber que eles são complementares.</p><p>Discurso é o texto em atividade comunicativa; vindo a público e se</p><p>realizando.</p><p>É bom observar que o texto pode ser escrito ou oral, embora enfatizemos na maioria</p><p>das vezes o texto escrito. O discurso também pode se realizar tanto a partir de um</p><p>texto escrito quanto de um texto oral.</p><p>Atenção</p><p>Não confunda discurso com a fala de um orador!</p><p>Podemos, então, concluir que todas as vezes que escrevemos ou falamos temos um</p><p>texto que se realiza como discurso. Isso acontece porque quem fala e escreve tem</p><p>uma intenção ou objetivo contido na mensagem e até na forma de comunicá-la. Quem</p><p>ouve e lê precisa decifrar (compreender) a mensagem e a sua intenção a partir do</p><p>próprio conhecimento de mundo e, claro, do próprio texto.</p><p>Mas, você pode se perguntar:</p><p>Para que serve definir texto e discurso, além de fazer a distinção</p><p>entre eles? Qual a utilidade desses conceitos?</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 13/58</p><p>Quando entendemos os conceitos de texto e discurso, podemos perceber que o modo</p><p>como escrevemos ou falamos é tão importante quanto aquilo que dizemos, assim</p><p>como o contexto da nossa interação. A situação de comunicação e a maneira como</p><p>construímos nosso texto escrito ou elaboramos a nossa fala têm muita importância.</p><p>A distinção e interdependência</p><p>entre texto e discurso</p><p>Neste vídeo, vamos explicar e mostrar exemplos da definição de texto e de discurso a</p><p>partir de alguns conceitos. Assista!</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 14/58</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A enunciação é um conceito importante para compreender o que é um discurso. Ela</p><p>está relacionada, por exemplo, com a intenção que o falante ou escritor tem ao</p><p>comunicar sua mensagem. Assim, quando alguém, antigamente, perguntava a outra</p><p>pessoa na rua “Você tem relógio?”, podemos identificar o seguinte:</p><p>A</p><p>A pergunta “Você tem relógio?” como um texto ou enunciado e o</p><p>desejo de saber as horas como a intenção na enunciação.</p><p>B</p><p>A pergunta “Você tem relógio?” como um discurso e a intenção de</p><p>saber as horas como o texto.</p><p>C</p><p>A pergunta “Você tem relógio?” como uma enunciação e a</p><p>necessidade de saber as horas como um enunciado.</p><p>D</p><p>A intenção de saber se a pessoa estava com seu relógio e a</p><p>elaboração de uma pergunta como a própria enunciação.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 15/58</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>A enunciação está relacionada com a atividade social e interacional por meio da</p><p>qual a língua é colocada em funcionamento por um enunciador (aquele que fala ou</p><p>escreve), tendo em vista um enunciatário (aquele para quem se fala ou se escreve).</p><p>Quando alguém pergunta a outra pessoa se ela tem um relógio, a pergunta é um</p><p>enunciado resultado de uma enunciação na qual a intenção é saber as horas e não</p><p>simplesmente certificar-se de que o outro possui um relógio.</p><p>Questão 2</p><p>Texto e discurso são conceitos que devem ser compreendidos como distintos e ao</p><p>mesmo tempo complementares porque</p><p>E O desejo de alguém de informar-se sobre o relógio da outra pessoa e</p><p>a elaboração de uma pergunta para esconder sua intenção.</p><p>A o texto é a parte abstrata e o discurso é a parte concreta.</p><p>B o texto é escrito e o discurso é oral.</p><p>C</p><p>o discurso é o texto em atividade comunicativa, vindo a público e se</p><p>realizando.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 16/58</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>O texto é um produto da enunciação, estático, definitivo. O discurso, por sua vez, é</p><p>dinâmico: principia quando o emissor realiza o processo de codificação e só termina</p><p>quando o destinatário cumpre sua tarefa de decodificá-lo. O discurso é histórico.</p><p>Quando um texto é escrito, finalizado pelo seu autor, pode ser considerado algo</p><p>acabado e estático. No entanto, o discurso teve seu início juntamente com o texto e</p><p>vai se completando à medida que o texto vai sendo lido por seus leitores. Por isso, o</p><p>discurso “é sempre dinâmico e pode ser repetido infinitamente, sempre de formas</p><p>diferentes, dependendo do repertório de seus leitores” (ABREU, 2004, p. 12).</p><p>D</p><p>o texto é dinâmico e indefinido enquanto o discurso é estático e</p><p>definitivo.</p><p>E</p><p>o texto pode ser repetido infinitamente, sempre de formas diferentes,</p><p>dependendo da bagagem cultural de seus leitores, já o discurso pode</p><p>ser considerado algo acabado e estático.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 17/58</p><p>2 - A elaboração do texto</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car aspectos da distinção entre</p><p>texto e discurso na produção textual.</p><p>Cuidados na leitura e na</p><p>elaboração do texto</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 18/58</p><p>A noção de discurso e sua</p><p>implicação na leitura</p><p>Ao compreendermos a relação entre texto e discurso, podemos perceber melhor a</p><p>necessidade de determinados cuidados tanto na leitura quanto na produção de um</p><p>texto.</p><p>Em relação à leitura, você deve lembrar que o discurso é um conceito relacionado com</p><p>as intenções presentes no texto (de forma explícita ou implícita) e outros elementos</p><p>da comunicação. Alguns desses aspectos têm a ver com algumas perguntas como:</p><p>Quem escreve?</p><p>Quem lê?</p><p>Em que contexto o texto foi produzido?</p><p>Em que momento o texto é lido?</p><p>O discurso é algo situado, ou seja, ele é produzido por alguém, com determinada</p><p>intenção, em algum contexto e tendo em vista determinado interlocutor. Para a</p><p>compreensão ou interpretação adequada do texto, será preciso considerar também</p><p>esses elementos ou aspectos, muitas vezes escondidos nas entrelinhas.</p><p>O professor Sírio Possenti (2014) nos lembra de que na escola, durante muito tempo,</p><p>os textos ou enunciados eram analisados desconsiderando o momento em que eles</p><p>foram proferidos, por quem, se eles eram contra ou a favor de outros enunciados etc.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 19/58</p><p>Esse tipo de análise tinha o foco na forma e no conteúdo do texto, mas deixava de fora</p><p>a situação e o contexto histórico.</p><p>A situação de comunicação e o contexto social e histórico que</p><p>permitem uma melhor compreensão do texto, de como ele</p><p>funciona, se ele contradiz ou apoia outros textos e por aí adiante.</p><p>Segundo Possenti (2014), quando consideramos o discurso, não nos preocupamos</p><p>apenas em responder quantos parágrafos o texto tem, a qual gênero ele pertence ou a</p><p>somente perguntar pelos sentidos gerais do texto.</p><p>Como consequência de uma leitura que vai além dos aspectos formais do texto e de</p><p>seu conteúdo mais explícito, poderemos descobrir aquilo que eventualmente está</p><p>implícito no texto:</p><p>se é uma informação, uma resposta, a quem se dirige etc.</p><p>Portanto, levar em conta a noção de discurso na leitura do texto permite identificar</p><p>mais elementos na sua interpretação.</p><p>Cuidados que você deve ter ao</p><p>elaborar seu texto</p><p>Ao elaborar um texto, você deve ter em mente que não escreve para si mesmo, pois</p><p>seu texto é produzido para que outros o leiam, ele se transformará em discurso. Por</p><p>isso, deve haver cuidado na elaboração, na forma pela qual suas intenções estarão</p><p>marcadas ou presentes na mensagem.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 20/58</p><p>Se escrevemos e falamos para que outros nos entendam ou mesmo atendam aos</p><p>objetivos de nossa comunicação, precisamos nos esforçar para irmos além da</p><p>simples expressão do que temos em mente. Isso tem a ver com um importante</p><p>mecanismo da comunicação, que foi resumido pelo professor Blikstein (1990), em seu</p><p>livro Técnicas de comunicação escrita. Estes seriam os princípios do mecanismo da</p><p>comunicação:</p><p> Toda comunicação escrita deve gerar uma resposta a uma determinada ideia ou</p><p>necessidade que temos em mente.</p><p> A comunicação escrita será correta e eficaz se produzir uma resposta igualmente</p><p>correta.</p><p> Resposta correta é a que esperamos, isto é, aquela que corresponde à ideia ou</p><p>necessidade que temos em mente.</p><p> Para avaliarmos a correção e a eficácia de uma comunicação escrita, temos que</p><p>verificar sempre se houve uma resposta e se ela corresponde à ideia ou necessidade</p><p>l it</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 21/58</p><p>Veja o exemplo:</p><p>Dois homens conversando em uma videochamada.</p><p>É preciso, então, cuidado em relação a vários aspectos no uso da língua nas situações</p><p>de comunicação.</p><p>Vejamos três deles:</p><p>Vocabulário</p><p>que queremos passar ao leitor.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 22/58</p><p>Dona Maria em uma consulta médica.</p><p>Devemos optar por palavras e</p><p>expressões que, além de expressar o que</p><p>pensamos, ajudem o leitor ou ouvinte a</p><p>identificar a nossa intenção ou o objetivo</p><p>do texto. Palavras pouco conhecidas ou</p><p>rebuscadas, termos técnicos e</p><p>vocabulário restrito a uma área diferente</p><p>da do nosso interlocutor podem oferecer</p><p>alguma dificuldade.</p><p>O vocabulário sempre deve estar</p><p>adequado ao contexto em que</p><p>comunicamos nossa mensagem e ao</p><p>nosso interlocutor. Se precisarmos usar</p><p>uma palavra difícil ou pouco conhecida, é</p><p>recomendável que ela venha</p><p>acompanhada de alguma explicação,</p><p>evitando deixar o texto pedante ou</p><p>pretensioso. Não é um vocabulário</p><p>excessivamente formal ou com</p><p>preciosismos que vai demonstrar nosso</p><p>domínio da língua.</p><p>Dona Maria em uma consulta médica.</p><p>Adequação da linguagem às situações e</p><p>aos leitores que temos em vista</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 23/58</p><p>O estilo e o nível de linguagem que usamos em nossa escrita ou fala devem estar</p><p>adequados ao contexto da comunicação, ao objetivo ou à intenção da nossa</p><p>mensagem e ao interlocutor (o receptor, a pessoa com quem nos comunicamos):</p><p>Se o objetivo, por exemplo, for escrever um</p><p>manual com procedimentos e orientações para o</p><p>uso de um celular, o texto deverá ter um estilo</p><p>que respeite a língua culta, mas que seja simples,</p><p>objetivo e claro, com predomínio de verbos no</p><p>imperativo ou infinitivo, além de descrições e</p><p>outras características desse gênero textual.</p><p>Se escrevermos um bilhete ou enviarmos um</p><p>recado por um aplicativo de mensagens,</p><p>usaremos uma linguagem mais coloquial, um</p><p>tom pessoal e talvez algumas abreviaturas, entre</p><p>outras características.</p><p>Mais adiante você aprenderá outros aspectos importantes na produção e na</p><p>elaboração do texto em função de seu gênero.</p><p>Construção das fra ses e correção</p><p>gramatical</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 24/58</p><p>Organizar cada parágrafo do texto, os períodos e as frases que o compõem é uma</p><p>forma de deixar o texto claro, coeso e coerente.</p><p>Se queremos elaborar uma mensagem objetiva e que demande</p><p>uma resposta clara do nosso leitor, é melhor colocar as orações</p><p>na ordem direta, sem muita inversão, e reservar para cada</p><p>parágrafo uma ideia ou um aspecto do que queremos tratar.</p><p>Escrever e falar sem incorreções gramaticais também contribui para o melhor</p><p>entendimento da mensagem, além de dar credibilidade ao autor em virtude do seu</p><p>domínio da língua padrão.</p><p>Há outros cuidados na elaboração do texto que destacamos para ajudá-lo a escrever</p><p>melhor. São aspectos que o auxiliarão a perceber características que devem estar</p><p>presentes em todos os textos e, além disso, a aprender uma outra forma de definir o</p><p>que é um texto. Vamos, então, conhecer quatro importantes recomendações que você</p><p>precisa considerar ao escrever e ao ler um texto:</p><p>Um texto deve ser um todo orgânico com encadeamentos que interliguem as</p><p>suas partes. Isso im plica, na leitura, que não devemos tomar as frases ou</p><p>partes do texto isoladamen te, sem considerar o seu contexto.</p><p>Se o texto é um todo orgânico, então sua com preensão não pode se basear</p><p>apenas em um fragmento isolado do contexto.</p><p>Não confunda texto com a mera soma ou aglomerado de frases </p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 25/58</p><p>Os professores Fiorin e Savioli (2003, p. 17) nos lembram, em seu livro Lições</p><p>de texto: leitura e redação, que o texto deve ser “delimitado por dois espaços de</p><p>não sentido, dois brancos, um antes de começar o texto e outro depois”, ou</p><p>seja, tem início e fim, está delimitado num determinado espaço. Isso implica</p><p>uma organização textual. Se o texto é uma unidade, ele deve ter começo, meio</p><p>e fim.</p><p>O que você escreve tem que fazer sentido para quem vai ler. Caso isso não</p><p>aconteça, não se produzirá um discurso, o texto não se realizará.</p><p>Os sentidos têm de ser marcados pela coerência; devem ser, também,</p><p>confirmados a partir de seu contexto.</p><p>De acordo com Fiorin e Savioli (2003, p. 17), o texto é o produto de um sujeito</p><p>que pertence “a um grupo social num tempo e num espaço”, alguém que expõe</p><p>em seus textos as ideias, os anseios, os temores, as expectativas de seu</p><p>tempo e de seu grupo social.</p><p>Delimite o seu texto! </p><p>Faça com que seu texto seja um gerador de sentido </p><p>Esteja atento a elementos do contexto durante a produção </p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 26/58</p><p>Assim, é necessário entender as concepções existentes na época e na sociedade em</p><p>que o texto foi produzido para não correr o risco de compreendê-lo de maneira</p><p>distorcida.</p><p>Cuidados na leitura e na</p><p>elaboração do texto</p><p>Acompanhe neste vídeo as implicações do conceito de discurso no trabalho com os</p><p>textos, destacando a ergonomia do texto, o vocabulário, a adequação da linguagem e</p><p>construção das frases.</p><p>A de�nição de texto e a coesão</p><p>textual</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 27/58</p><p>Os cuidados na elaboração do texto correspondem a uma forma de entender o que é</p><p>um texto. Por isso, é hora de apresentar a seguinte definição: o texto é um todo</p><p>orgânico gerador de sentido.</p><p>Essa definição nos ajuda a perceber que um texto tem que fazer sentido e possui</p><p>princípio e fim, mesmo que ele seja um texto muito pequeno.</p><p>Imagine que alguém, diante de um princípio de</p><p>incêndio, grite: “Fogo!”.</p><p>Ou vamos supor que uma professora, diante de</p><p>uma sala de aula muito barulhenta, escreva numa</p><p>lousa a palavra: “Silêncio”.</p><p>Nos dois casos temos um exemplo de texto, por menor que seja sua estrutura. Isso</p><p>acontece porque nessas situações de comunicação existe uma unidade linguística</p><p>delimitada e que produz sentido a partir da intenção de quem</p><p>fala ou escreve.</p><p>Linguística</p><p>Estudo científico da linguagem e das línguas naturais. A utilização deste termo depende das perspectivas</p><p>metodológicas, das teorias e das disciplinas que estudam os diferentes fenômenos.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 28/58</p><p>(Portal da Língua Portuguesa)</p><p>Todo falante de uma língua tem a capacidade de distinguir um</p><p>texto coerente de um aglomerado incoerente de enunciados e</p><p>essa competência é linguística [...] O texto consiste, então, em</p><p>qualquer passagem falada ou escrita que forma um todo</p><p>significativo independentemente de sua extensão.</p><p>(FÁVERO, 1998, p. 6-7)</p><p>Compreender que o texto é um todo orgânico que produz sentido também traz como</p><p>desdobramento estabelecer correspondência e articulação entre suas partes. As</p><p>frases não podem ser soltas ou simplesmente amontoadas numa sequência sem</p><p>sentido e sem unidade.</p><p>Dica</p><p>A palavra texto está relacionada, em sua origem, com a palavra tecido. Daí que podemos falar na "tecitura de</p><p>um texto", em "tecer um texto". É preciso tecer os fios, ou tecer as palavras, de tal forma que o texto se</p><p>apresente coeso e orgânico: uma unidade articulada.</p><p>O processo de articulação do texto, que permite a integração entre suas partes, é</p><p>chamado de encadeamento semântico (semântico = sentido). Ele é que produz a</p><p>textualidade ou a “trama semântica”. A coesão, segundo Abreu (2004), é exatamente</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 29/58</p><p>esse processo de encadeamento que produz a textualidade, que cuida da estruturação</p><p>da sequência superficial do texto.</p><p>Conforme nos ensinam Fiorin e Savioli (2003, p. 370), podemos também dizer que a</p><p>coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou</p><p>frases do texto, por meio de “elementos formais que assinalam o vínculo entre os</p><p>componentes do texto”. Quando um conteúdo escrito apresenta repetições</p><p>desnecessárias, retomando uma palavra ou ideia sempre com o mesmo termo, temos</p><p>um caso de falta de coesão. O exemplo a seguir, retirado do livro Curso de redação, do</p><p>professor Antônio Suárez Abreu, é uma boa oportunidade para verificar a falta de</p><p>coesão num texto.</p><p>"As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os</p><p>automóveis para vender os automóveis mais caro. O cliente vai à</p><p>revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver que</p><p>pagar mais caro o automóvel, desiste de comprar o automóvel e</p><p>as revendedoras de automóveis têm prejuízo." (ABREU, 2004, p.</p><p>24).</p><p>Se você levar em conta que o termo “revendedoras de automóveis” pode ser</p><p>substituído por agência, concessionária ou loja, e “automóveis” pode ser substituído</p><p>por carros, veículos, produto ou mercadoria, é possível reescrever o texto</p><p>estabelecendo a coesão. Veja:</p><p>"As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os</p><p>carros para vendê-los mais caro. O cliente vai lá com pouco</p><p>dinheiro e, se tiver que pagar mais caro pelo produto, desiste e as</p><p>agências têm prejuízo."</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 30/58</p><p>Perceba que, além de evitar a repetição de “revendedoras de automóveis” e da palavra</p><p>“automóveis”, substituindo esses termos por sinônimos, foram utilizados mecanismos</p><p>de coesão como a elipse, ou seja, omissão de um termo.</p><p>Nesse exemplo, na oração desiste de comprar o automóvel, foi omitido o</p><p>complemento da forma verbal “desiste”, sem prejuízo à compreensão do texto.</p><p>Também se substituiu o termo “os automóveis” na frase para vender os automóveis</p><p>mais caro pelo pronome oblíquo átono junto ao verbo vender: “para vendê-los mais</p><p>caro”. Outro mecanismo de coesão utilizado foi a retomada do termo “revendedora de</p><p>automóveis” valendo-se de um advérbio, no caso, o advérbio de lugar “lá”: “o cliente vai</p><p>lá...”. Há diversas outras formas de articular as partes de um texto, as sentenças ou</p><p>frases que formam cada período ou parágrafo, garantindo a coesão textual.</p><p>Se queremos, por exemplo, articular duas</p><p>sentenças com o sentido de oposição,</p><p>podemos usar conectores ou</p><p>articuladores como:</p><p>Mas</p><p>Porém</p><p>Contudo</p><p>No entanto</p><p>Todavia</p><p>Se a ideia for articular sentenças</p><p>diferentes com o sentido de causalidade,</p><p>usaremos articuladores como:</p><p>Porque</p><p>Uma vez que</p><p>Já que</p><p>Visto que</p><p>Devido a</p><p>Por causa de</p><p>Veja o exemplo a seguir:</p><p>A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos</p><p>alunos para uma reunião ontem à tarde, porém poucos</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 31/58</p><p>compareceram, já que uma forte chuva inundou os principais</p><p>acessos ao colégio.</p><p>Perceba que duas informações iniciais estão articuladas com a ideia de oposição: a</p><p>convocação e o não comparecimento de quem foi convocado. Em seguida, apresenta-</p><p>se a causa para o não comparecimento: a forte chuva. A coesão também se manifesta</p><p>ao se evitar a repetição desnecessária da expressão “os pais e os responsáveis” na</p><p>oração: porém poucos compareceram, além de se retomar o termo “escola” pelo</p><p>sinônimo “colégio” na última oração.</p><p>Tudo isso deve deixar claro que, quando escrevemos, precisamos nos preocupar com</p><p>a forma como nosso leitor vai receber o texto.</p><p>Se o texto é mal escrito, cheio de repetições desnecessárias, com</p><p>ideias truncadas e sem uma articulação adequada, teremos</p><p>problemas na sua compreensão ou mesmo uma má vontade na</p><p>leitura do texto, já que ele aparenta certo descuido com a língua e</p><p>falta de preocupação com o interlocutor.</p><p>A de�nição de texto e a coesão</p><p>textual</p><p>Resolva neste vídeo algumas questões sobre a definição de texto e a necessidade de</p><p>garantir a coesão textual.</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 32/58</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Compreender que o texto é um todo organizado que produz sentido implica afirmar</p><p>que, na leitura e na produção textual, é recomendável</p><p>A</p><p>basear a leitura em fragmentos e partes isoladas do texto, sem levar</p><p>em conta o contexto.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 33/58</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A opção A está incorreta porque a leitura do texto não deve se basear em</p><p>fragmentos ou partes isoladas, sem levar em conta o contexto. As alternativas B e E</p><p>estão incorretas porque textos não se definem por serem grandes ou pequenos, mas</p><p>por serem delimitados em algum espaço e produzirem sentido. A opção D está</p><p>incorreta porque a forma como o leitor recebe o texto tem sua importância na</p><p>produção textual. A resposta correta é a C por primar pela coesão textual.</p><p>B</p><p>não identificar como texto aquelas produções muito curtas, de</p><p>apenas uma única palavra, como no exemplo em que alguém grita</p><p>“Fogo!”, diante de um princípio de incêndio.</p><p>C</p><p>estabelecer correspondência e articulação entre as partes do texto,</p><p>pois as frases não podem ser soltas ou simplesmente amontoadas</p><p>numa sequência sem sentido e sem unidade</p><p>D</p><p>dar pouca ou mesmo nenhuma importância à forma como o leitor vai</p><p>receber o texto.</p><p>E</p><p>não delimitar o texto escrito num determinado espaço, pois a</p><p>organização textual pouco importa.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 34/58</p><p>Questão 2</p><p>O texto bem escrito deve ter suas partes articuladas adequadamente, ou seja, deve</p><p>ter a marca da coesão textual. No texto abaixo, há graves problemas de coesão</p><p>textual.</p><p>A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos da escola para</p><p>uma reunião de pais e responsáveis dos alunos ontem à tarde, por isso poucos</p><p>compareceram, porém, uma forte chuva inundou os principais acessos ao colégio.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta o restabelecimento da coesão textual.</p><p>A</p><p>A diretora convocou para uma reunião ontem à tarde, pois uma forte</p><p>chuva inundou os acessos à escola, uma vez que poucos</p><p>compareceram.</p><p>B</p><p>A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos</p><p>da escola para uma reunião ontem à tarde na escola, mas poucos</p><p>pais e responsáveis dos alunos da escola compareceram, porque</p><p>uma forte chuva inundou os principais acessos à escola.</p><p>C</p><p>A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos</p><p>para uma reunião ontem à tarde, porque poucos compareceram, mas</p><p>uma forte chuva inundou os principais acessos ao colégio.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 35/58</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>A alternativa correta é a única que apresenta uma versão do texto em que as</p><p>repetições desnecessárias são evitadas, o sentido de oposição entre a primeira e a</p><p>segunda parte é estabelecido e a articulação com sentido de causa e efeito é</p><p>recuperada entre o último e o segundo período.</p><p>D</p><p>Uma vez que a diretora da escola convocou os pais e os</p><p>responsáveis dos alunos para uma reunião ontem à tarde, poucos</p><p>compareceram, porém, uma forte chuva inundou os principais</p><p>acessos ao colégio.</p><p>E</p><p>A diretora da escola convocou os pais e os responsáveis dos alunos</p><p>para uma reunião ontem à tarde, mas poucos compareceram devido</p><p>a uma forte chuva que inundou os principais acessos ao colégio.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 36/58</p><p>3 - Gêneros textuais</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o conceito de gêneros</p><p>textuais e suas implicações na leitura de textos.</p><p>Conhecendo os gêneros textuais</p><p>Você já aprendeu que, ao falar ou escrever, a intenção e outros aspectos se fazem</p><p>presentes no ato comunicativo, correspondendo a um modo característico de</p><p>construção do discurso. Esse modo específico de organizar o discurso se constitui</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 37/58</p><p>num conjunto de características relativamente estáveis, configurando diferentes textos</p><p>ou gêneros textuais.</p><p>A noção de gêneros textuais foi desenvolvida por um pensador russo, Bakhtin (1895-</p><p>1975), no começo do século XX. Ele usou a palavra gêneros para se referir aos textos</p><p>orais ou escritos que elaboramos nas diversas situações de comunicação.</p><p>Exemplo</p><p>Um bilhete que alguém deixa para sua mãe, uma piada contada em uma mesa de bar, uma ata redigida</p><p>durante uma reunião ou um artigo de opinião publicado nas redes sociais são exemplos de gêneros textuais.</p><p>Eles apresentam um conjunto de características sociocomunicativas (inseridas em um contexto social e com</p><p>função comunicativa específica), além de uma estrutura específica.</p><p>Há gêneros textuais que são típicos da vida acadêmica. Se você tiver que apresentar</p><p>os resultados de um trabalho acadêmico ou de uma pesquisa realizada ao final do</p><p>curso, provavelmente terá de escrever uma monografia ou um artigo acadêmico, que</p><p>constituem também exemplos de gêneros textuais. Caso queira apresentar os</p><p>resultados de uma visita técnica ou de uma inspeção que tenha rea lizado, poderá</p><p>elaborar um relatório, outro exemplo de gênero textual. O e-mail enviado a um colega</p><p>também faz parte de um gênero textual. A lista de exemplos poderia se estender</p><p>bastante.</p><p>O importante é perceber que cada texto exemplificado possui sua estrutura e suas</p><p>características comuns, que são linguística e socialmente reconhecidas.</p><p>Cada texto se relaciona com determinadas intenções</p><p>comunicativas que, por sua vez, correspondem a características</p><p>ou estilos próprios.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 38/58</p><p>Marcuschi oferece a seguinte conceituação de gêneros textuais:</p><p>[...] textos materializados que encontramos em nossa vida diária</p><p>e que apresentam características sociocomunicativas definidas</p><p>por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição</p><p>característica</p><p>(MARCUSCHI, 2002, p. 22)</p><p>Agora que você já sabe o que é um gênero textual, tenha cuidado para não cair numa</p><p>confusão muito comum que alguns estudantes fazem entre gêneros e tipos tex tuais.</p><p>Para ajudá-lo a compreender a diferença entre eles, veja o quadro a seguir:</p><p>Tipos textuais Gêneros textuais</p><p>Definem-se por propriedades</p><p>linguís ticas que vão</p><p>caracterizar os gêneros:</p><p>vocabulário, relações lógicas,</p><p>tempos verbais, construções</p><p>frasais etc.</p><p>São realizações linguísticas concretas</p><p>definidas por propriedades</p><p>sociocomunicativas, ou seja, dentro de</p><p>um contexto cultural e com função</p><p>comunicativa.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 39/58</p><p>Tipos textuais Gêneros textuais</p><p>Exemplos: narração,</p><p>argumentação, descrição,</p><p>injunção (ordem) e exposi ção</p><p>(texto informativo).</p><p>Exemplos: telefonema, sermão, carta</p><p>comercial, carta pessoal, aula</p><p>expositiva, romance, reunião de</p><p>condomínio, lista de compras, conversa</p><p>espontânea, entrevistas, cardápio,</p><p>receita culinária, inquérito policial, blog,</p><p>e-mail etc.</p><p>Podem variar entre cinco e nove</p><p>tipos.</p><p>Correspondem a um conjunto pratica ‐</p><p>mente ilimitado de características deter ‐</p><p>minadas pelo estilo do autor, conteúdo,</p><p>composição e função.</p><p>Marcuschi, 2002.</p><p>De certo modo, nossa experiência de estudo da língua portuguesa na escola está mais</p><p>relacionada com os tipos de textos, também denominados tipos textuais. Mas</p><p>precisamos ter cuidado para não achar que escrever ou ler um texto se resume a</p><p>compreender os aspectos gramaticais e linguísticos relacionados com um número</p><p>limitado de tipos textuais. Vamos entender melhor!</p><p>Estes tipos de texto mais conhecidos — descrição, narração,</p><p>dissertação/argumentação, exposição e injunção — vêm sendo ensinados e</p><p>solicitados pela escola há pelo menos uma centena de anos, o que faz deles</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 40/58</p><p>também gêneros escolares, que somente na escola circulam, para ensinar o ‘bem</p><p>escrever’. [...] Na escola, escrevemos narrações; na vida, lemos notícias, relatamos</p><p>nosso dia, recontamos um filme, lemos romances (gêneros textuais). [...] Na</p><p>escola, redigimos uma ‘composição à vista de gravura’ (descrição); fora dela,</p><p>contamos como decoramos nosso apartamento, instruímos uma pessoa sobre</p><p>como chegar a um lugar desconhecido. [...] Na escola, dissertamos sobre um</p><p>tema dado; na vida, lemos artigos de opinião, apresentamos nossa pesquisa ou</p><p>relatório, escrevemos uma carta de leitor discordando de um articulista. [...] Os</p><p>gêneros de texto, portanto, não são classes gramaticais para classificar textos.</p><p>São entidades da vida, dão nome a uma ‘família de textos’.</p><p>(Rojo, 2014)</p><p>Os gêneros textuais podem ser tanto escritos quanto orais. Há gêneros textuais que</p><p>são bem tradicionais, como os sermões, as cartas e os diários pessoais, como</p><p>podemos ver nos exemplos a seguir.</p><p>Carta pessoal</p><p>Um remetente escreve a um destinatário sobre assuntos variados, em linguagem mais afetiva, estilo</p><p>menos formal e, às vezes, em tom confessional.</p><p>Carta comercial</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 41/58</p><p>Aqui, a finalidade da mensagem impõe linguagem e aspectos formais como a disposição da data e</p><p>do local; a maneira de se dirigir ao destinatário (como escrever o vocativo ou que forma de</p><p>tratamento escolher); uso de expressões características da área ou até mesmo jargões</p><p>profissionais; a forma de o remetente assinar etc.</p><p>Um gênero relacionado ao mundo acadêmico e científico é o gênero textual</p><p>denominado divulgação científica, caracterizado por tornar o conhecimento científico</p><p>e as suas descobertas mais acessíveis ao público em geral.</p><p>Outros gêneros são mais recentes, resultado das tecnologias digitais. O</p><p>e-mail, por</p><p>exemplo, é um gênero textual digital que nos remete às cartas ou aos bilhetes,</p><p>enquanto o blog se aproxima mais dos diários pessoais ou mesmo das crônicas.</p><p>Atente para o fato de que o texto para mídias sociais é um gênero textual digital muito</p><p>próximo de gêneros como o diário pessoal e a crônica. A vantagem de estar em um</p><p>meio digital é a possibilidade de usar não somente a escrita, mas se valer também de</p><p>sons, imagens, animações e outras linguagens.</p><p>Conhecendo os gêneros textuais</p><p>Explore neste vídeo o conceito de gêneros textuais e sua relação com os diferentes</p><p>tipos de textos.</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 42/58</p><p>Leitura de diferentes gêneros</p><p>textuais</p><p>Gêneros textuais e estratégias de</p><p>leitura</p><p>Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar</p><p>muito claro que deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual,</p><p>pois eles possuem estrutura, intenções e estilos próprios. Confira!</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 43/58</p><p>Vejamos a seguinte situação:</p><p>Vamos supor que você tenha uma página</p><p>e poste um texto sobre uma viagem que</p><p>tenha realizado. Provavelmente haverá</p><p>um trecho com relato de algum</p><p>“perrengue” pelo qual você tenha</p><p>passado (narração), outra parte com</p><p>detalhes dos brinquedos de um parque</p><p>sensacional que você conheceu</p><p>(descrição) e, ao final, a defesa da ideia</p><p>de que viajar é uma das melhores coisas</p><p>da vida (argumentação). Nesse exemplo,</p><p>a postagem contém texto narrativo,</p><p>descritivo e argumentativo.</p><p>Representação de uma postagem em uma página de</p><p>uma rede social.</p><p>Vamos praticar?</p><p>Que tal ir a alguma de suas redes sociais e fazer dois posts? Em um deles, utilize os</p><p>seguintes tipos textuais: narração, descrição e argumentação. No outro, escolha</p><p>apenas uma dessas tipologias.</p><p>Em seguida, avalie qual dos dois posts produziu mais interações, como likes e</p><p>comentários.</p><p>Atente para o fato de que o texto para mídias sociais é um gênero</p><p>textual digital muito próximo de gêneros como o diário pessoal e a</p><p>crônica. A vantagem de estar num meio digital é a possibilidade</p><p>de usar não somente a escrita, mas se valer também de sons,</p><p>imagens, animações e outras linguagens.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 44/58</p><p>Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar</p><p>muito claro que deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual,</p><p>pois eles possuem estrutura, intenções e estilos próprios.</p><p>Uma estratégia adequada de leitura passa pela expectativa correta em relação ao</p><p>texto ou seu gênero textual. Um leitor competente deve possuir conhecimentos</p><p>prévios sobre cada gênero textual para identificar no texto características próprias de</p><p>cada gênero. Você não deve ler um e-mail como lê um blog. A prática de leitura de um</p><p>romance é distinta da leitura de uma notícia ou de um artigo no jornal. Não se deve</p><p>ouvir um sermão na igreja do mesmo modo que se ouve alguém numa conversa ao</p><p>telefone.</p><p>Quando lemos um texto, precisamos identificar o gênero textual ao qual ele pertence.</p><p>Ninguém deve procurar instruções sobre procedimentos e informações precisas num</p><p>gênero textual como o conto ou o poema, assim como não se deve ler uma receita</p><p>culinária procurando expressões poéticas sobre os sentimentos ou mesmo tentando</p><p>entender algum enredo de uma história.</p><p>Vejamos um exemplo de gênero textual: o anúncio publicitário.</p><p>Campanha publicitária para o dia dos namorados do bombom Serenata de amor.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 45/58</p><p>Um gênero textual como o anúncio publicitário, por exemplo, tem como intenção influenciar o leitor,</p><p>persuadi-lo a consumir determinado produto ou levá-lo a aderir ao que está sendo anunciado. Para</p><p>atrair a atenção e a adesão do leitor, além de usar verbos no imperativo e trabalhar com efeitos</p><p>criativos como os de humor ou de ironia, as mensagens publicitárias se valem de elementos visuais</p><p>e outros recursos para “fisgar” o leitor.</p><p>Campanha publicitária de conscientização do Denatran e do Ministério da Infraestrutura sobre os perigos de beber e dirigir.</p><p>O efeito que a peça publicitária provoca está relacionado não somente com o risco no trânsito, ao</p><p>se dirigir sob efeito do álcool, mas se vincula ao próprio contexto do carnaval. A campanha vai além</p><p>do mote “Se beber, não dirija!” para mostrar que o incentivo a brincar no carnaval não se aplica ao</p><p>brincar no volante.</p><p>Esse tipo de cuidado em relação ao gênero textual pode ajudar a evitar interpretações</p><p>equivocadas na leitura de um texto.</p><p>Atenção!</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 46/58</p><p>Não se deve buscar uma verdade ou fato histórico em um texto ficcional, como no caso de um romance. Já</p><p>em um texto científico ou em uma bula de remédio, não é apropriada uma leitura imaginativa e de</p><p>entretenimento.</p><p>Ao ler uma anedota ou piada, nossa expectativa deve ser encontrar algum efeito de</p><p>humor. Ao ler o manual de um celular, devemos esperar descrições objetivas das</p><p>características do aparelho, assim como procedimentos sobre sua utilização.</p><p>Fusão de diferentes gêneros</p><p>textuais</p><p>Alguns textos que pertencem a determinado gênero apresentam uma configuração</p><p>típica de outro gênero textual, ou seja, assumem a forma de outro gênero buscando</p><p>maior impacto sobre o leitor ou efeitos que não são tão comuns. O nome que se dá a</p><p>essa fusão de gêneros textuais é intergenericidade ou intertextualidade de gêneros.</p><p>Vamos conhecer alguns exemplos de intergenericidade!</p><p>Um poema pode ser escrito como se fosse uma notícia de jornal. Aliás, isso é o que</p><p>encontramos no poema de Manuel Bandeira:</p><p>Poema tirado de uma notícia de jornal</p><p>João Gostoso era carregador de feira livre e morava no Morro da Babilônia num</p><p>barracão sem número</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 47/58</p><p>Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro</p><p>Bebeu</p><p>Cantou</p><p>Dançou</p><p>Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.</p><p>(BANDEIRA, M. Antologia poética. 12. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981. p.</p><p>73)</p><p>Renato Russo também nos dá um interessante exemplo de fusão de dois gêneros</p><p>distintos: letra de música e receita culinária. Estamos nos referindo à canção a seguir:</p><p>Os anjos</p><p>[...] Hoje não dá</p><p>Hoje não dá</p><p>Não sei mais o que dizer</p><p>E nem o que pensar</p><p>Hoje não dá</p><p>Hoje não dá</p><p>A maldade humana agora não tem nome</p><p>Hoje não dá</p><p>Pegue duas medidas de estupidez</p><p>Junte trinta e quatro partes de mentira</p><p>Coloque tudo numa forma</p><p>Untada previamente</p><p>Com promessas não cumpridas</p><p>Adicione a seguir o ódio e a inveja</p><p>As dez colheres cheias de burrice</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 48/58</p><p>Mexa tudo e misture bem</p><p>E não se esqueça: antes de levar ao forno</p><p>Temperar com essência de espírito de porco,</p><p>Duas xícaras de indiferença</p><p>E um tablete e meio de preguiça [...]”.</p><p>(Os anjos, de Renato Russo e Dado Villa Lobos, 1993)</p><p>Todas essas informações e exemplos sobre os gêneros textuais servem para deixar</p><p>muito claro que deveremos ter estratégias de leitura adequadas a cada gênero textual,</p><p>pois eles possuem estrutura, intenções e estilos próprios. Veja!</p><p>Postagem do Ministério do Turismo em uma rede</p><p>social.</p><p>Trata-se de um post, gênero textual digital, que simula um bilhete manuscrito, com</p><p>linguagem característica desse tipo de gênero.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 49/58</p><p>Além disso, ao final há uma intertextualidade com o conhecido meme do “bilete”,</p><p>nascido de um bilhete</p><p>escrito de forma muito rudimentar por um menino de 5 anos</p><p>que não queria ir à escola.</p><p>Leitura de diferentes gêneros</p><p>textuais</p><p>Confira neste vídeo exemplos sobre estratégias de leitura de diversos gêneros textuais</p><p>diferentes.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 50/58</p><p>Questão 1</p><p>(Inep Brasil – Prefeitura de Palestina de Goiás – Guarda Civil Municipal – 2023 –</p><p>Adaptada). Leia o texto e as afirmativas na sequência.</p><p>“Células ‘reprogramadas’ poderão criar tecidos e órgãos</p><p>Um dos grandes avanços na área da saúde está na ‘reprogramação’ de células</p><p>adultas. Com essa conquista, os cientistas conseguiram transformar células de pele</p><p>ou sangue nas chamadas ‘células pluripotentes’ — que possuem o potencial de se</p><p>tornar qualquer tipo de célula existente no organismo. Tal descoberta é um grande</p><p>passo para o tratamento de doenças raras, pois os cientistas já estão utilizando a</p><p>técnica na produção de linhas de células voltadas a determinados pacientes. Além</p><p>disso, outros genes são capazes de transformar as células da pele em neurônios ou</p><p>até mesmo em células de sangue. Outro grande objetivo desse tipo de técnica está</p><p>em poder auxiliar transplantes, criando e substituindo tecidos, células e</p><p>órgãos.”(Fonte: GUERRA, R. As 5 descobertas científicas mais interessantes dos</p><p>últimos anos. Tecmundo, 31 jul. 2012. Consultado na internet em: 20 dez. 2022)</p><p>I. O texto em análise é uma carta pessoal que narra as descobertas da ciência de</p><p>forma bastante corriqueira.</p><p>II. O texto em análise é do gênero textual divulgação científica, pois tem o objetivo</p><p>de tornar público o conhecimento científico.</p><p>III. O texto em análise é semelhante a um post em rede social, divulgando</p><p>descobertas científicas em linguagem informal.</p><p>IV. O texto em análise é uma narrativa que apresenta o relato de uma série de</p><p>eventos ou experiências de ficção científica.</p><p>É correto apenas o que se afirma em</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 51/58</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>O texto pode ser identificado com o gênero textual divulgação científica porque</p><p>busca tornar público o conhecimento produzido por diferentes segmentos da</p><p>sociedade que, por meio da pesquisa, produzem ciência. Não se trata de uma carta</p><p>pessoal ou um post, também não é uma narrativa sobre ficção científica.</p><p>Questão 2</p><p>6. (ENEM – 2013)</p><p>A diva</p><p>Vamos ao teatro, Maria José?</p><p>A I e II.</p><p>B I, apenas.</p><p>C II, apenas.</p><p>D III, apenas.</p><p>E I e IV.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 52/58</p><p>Quem me dera,</p><p>desmanchei em rosca quinze kilos de farinha,</p><p>tou podre. Outro dia a gente vamos.</p><p>Falou meio triste, culpada,</p><p>e um pouco alegre por recusar com orgulho.</p><p>TEATRO! Disse no espelho.</p><p>TEATRO! Mais alto, desgrenhada.</p><p>TEATRO! E os cacos voaram</p><p>sem nenhum aplauso.</p><p>Perfeita.</p><p>(PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999)</p><p>Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas,</p><p>reconhecidas pelo leitor com base em suas características específicas, bem como</p><p>na situação comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto A diva</p><p>A narra um fato vivido por Maria José.</p><p>B surpreende o leitor pelo seu efeito poético.</p><p>C relata uma experiência teatral profissional.</p><p>D descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 53/58</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>A cena descrita no poema narrativo A diva leva o leitor a imaginar a experiência</p><p>teatral através do diálogo expresso no texto. Ao chegar ao final do poema, o leitor é</p><p>surpreendido pela função poética, que transforma a simples Maria José em uma</p><p>diva pela sua atuação dramática espontânea.</p><p>Considerações �nais</p><p>Aprendemos que o conceito de texto se refere a qualquer obra escrita ou falada que</p><p>pode ser lida ou interpretada. No sentido mais amplo, um texto não se limita apenas a</p><p>obras literárias, mas abrange também documentos, conversas, mensagens digitais,</p><p>sinalizações, entre outros. Um texto é, essencialmente, uma sequência de signos</p><p>(como palavras ou símbolos) que formam um todo significativo. Ele é estático, no</p><p>sentido de que sua estrutura e seu conteúdo permanecem inalterados a partir do</p><p>momento de sua criação. A interpretação de um texto, contudo, pode variar</p><p>amplamente dependendo do leitor, do contexto cultural e do momento histórico.</p><p>Discurso, por outro lado, é um termo mais dinâmico que se refere à prática de produzir</p><p>textos e à maneira como esses textos são recebidos e interpretados dentro de um</p><p>contexto social específico. O discurso envolve a utilização da linguagem para</p><p>comunicar e influenciar, estando intrinsecamente ligado ao poder, à ideologia e às</p><p>E defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 54/58</p><p>relações sociais. Diferentemente do texto, que é um objeto fixo, o discurso é um</p><p>processo ativo que engloba a produção, a distribuição e o consumo de textos em</p><p>contextos sociais específicos. Assim, enquanto o texto é a entidade concreta, o</p><p>discurso é a prática que envolve essa entidade, destacando a relação entre linguagem,</p><p>poder e sociedade.</p><p>Também estudamos o conceito de gêneros textuais. Quando temos familiaridade com</p><p>os diferentes gêneros textuais, as possiblidades de leitura se ampliam e se tornam</p><p>mais aderentes com as características formais e sociocomunicativas do texto que</p><p>estamos lendo. Por isso, quanto mais textos diferentes e leituras diversas fizermos,</p><p>mais enriquecido ficará nosso repertório e nossas novas leituras. É o círculo virtuoso</p><p>da leitura!</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast, acompanhe uma conversa sobre os principais tópicos abordados</p><p>acerca dos conceitos de texto e discurso.</p><p></p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 55/58</p><p>Explore +</p><p>Para se aprofundar na compreensão dos gêneros textuais, conhecer mais</p><p>exemplos e entender como eles se realizam inclusive a partir das tecnologias</p><p>digitais, leia o artigo Gêneros textuais: definição e funcionalidade, do professor</p><p>e linguista Luiz Antônio Marcuschi.</p><p>Você pode aprender mais sobre a articulação entre as partes de um texto</p><p>estudando alguns mecanismos de coesão textual.</p><p>Referências</p><p>ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004.</p><p>ASSIS, J. A. Enunciação, enunciado. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.;</p><p>BREGUNCI, M. das G. de C. (org.). Glossário CEALE: termos de alfabetização, leitura e</p><p>escrita para educadores [on-line]. Belo Horizonte: CAELE, 2014. Consultado na internet</p><p>em: 25 mar. 2022.</p><p>BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. 8. ed. São Paulo: Ática, 1990.</p><p>FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 8. ed. São Paulo: Ática: 1998.</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 56/58</p><p>FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. 4 ed. São Paulo: Ática,</p><p>2003.</p><p>MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.;</p><p>MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (org.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro:</p><p>Lucerna, 2002. p. 19-36.</p><p>POSSENTI, S. Discurso. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.; BREGUNCI, M. das G.</p><p>de C. (org.). Glossário CEALE: termos de alfabetização, leitura e escrita para</p><p>educadores [on-line]. Belo Horizonte: CAELE, 2014. Consultado na internet em: 25 mar.</p><p>2022.</p><p>ROJO, R. Gêneros e tipos textuais. In: FRADE, I. C. A. da S.; VAL, M. da G. C.;</p><p>BREGUNCI, M. das G. de C. (org.). Glossário CEALE: termos de alfabetização, leitura e</p><p>escrita para educadores [on-line]. Belo Horizonte:</p><p>CAELE, 2014. Consultado na internet</p><p>em: 25 mar. 2022.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato</p><p>PDF.</p><p>Download material</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 57/58</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>O que você achou do</p><p>conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>02/09/24, 10:16 Texto e discurso</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00234/index.html?brand=estacio# 58/58</p>