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A GÍRIA SEU USO PELOS FALANTES, OS TIPOS E TRATAMENTO 2.1. A GÍRIA Segundo o dicionário da língua portuguesa Michaelis, gíria é uma linguagem especial, usadas por certos grupos sociais pertencentes a uma classe ou uma profissão, ou um jargão. [1] Analisaremos outros conceitos sobre gíria: Gíria é um fenômeno de linguagem especial que consiste no uso de uma palavra não convencional para designar outras palavras da língua formal. Pode ser empregada no intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo dos demais, muitas vezes usando um jargão próprio.[2] Uma linguagem de caráter popular, criada e usada por determinado grupos sociais ou profissionais. São criadas para substituir termos ou conceitos oficiais usados tradicionalmente[3] Dialeto social reduzido ao léxico, de caráter parasita, empregado numa determinada camada social que se põe em oposição às outras. Tem por finalidade só ser compreendida por iniciados numa determinada camada social ou mostrar que eles pertencem a um determinado grupo[4] Ao pesquisarmos sobre o assunto deparamos com muitos conceitos para gíria. Usaremos estas conceituações para apontarmos como gramáticos e lingüísticos analisam a gíria. Usado atualmente por diversos gêneros textuais e em muitas formas de linguagem. Ela já faz parte do vocabulário cotidiano das pessoas, nas mais diferentes camadas social. Confundindo em muitas situações com a linguagem formal. . A Gíria nem sempre tem sido alvo de um estudo detalhado. Pois faz parte predominantemente, da modalidade da língua falada e num registro informal. Mesmo considerando que para alguns estudiosos do assunto ela é a segunda língua falada do brasileiro. Tradicionalmente sempre se valorizou o estudo da língua escrita padrão e não havia lugar para o tipo de vocabulário como a gíria. Pois alguns estudiosos da língua como lingüistas, gramáticos, filólogos, ensaístas, doutores e bacharéis em letras a consideram como linguagem sem expressão. Além disto, a gíria no Brasil continua sofrendo os efeitos do processo de marginalização. Falar da gíria ainda é uma missão desconfortável. Segundo o Estudioso da gíria J. B Serra, a presença da gíria é ignorada pelos estudiosos, que fingem desconhecer que a língua é a segunda língua dos brasileiros.[5] “Para Gurgel gíria é um recurso legítimo, empregado pelos brasileiros, que não conhecendo a linguagem padrão e precisam se comunicar-se e fazer-se entender”. Para o estudioso da gíria, professor Dino Preti, o estudo da gíria, poderia começar pelo seu problema mais sério: a limitação do próprio fenômeno dentro da linguagem popular. Segundo o mesmo, estudar a gíria significa penetrar também nas estruturas sociais dos grupos que a usam. Mais também a gíria se apresenta como um vocabulário agregado a linguagem corrente. Sendo usada nas mais variadas situações e pelos mais diversos tipos de pessoas e classes sociais.[6] A gíria está presente nas conversas de jovens, velhos adultos e crianças de todas as classes sociais, de todas as categorias profissionais de todos os credos, o português formal nem sempre é utilizado pelas pessoas. Segundo o antropólogo e estudioso da gíria J.B Serra E Gurgel, a giria é adotada sem restrições por uns e rejeitada por outros. Mesmo assim tem lugar garantido na língua portuguesa. A gíria é a segunda língua brasileira porque é a mais falada. Todas elas nasceram para grupos fechados, mas quando saem desse círculo, torna-se de todos nós. Ela é usada hoje na música, na poesia, nas telenovelas e até mesmo em alguns clássicos da literatura brasileira. A gíria não é uma forma de expressar da classe marginalizada da sociedade, como os analfabetos e pessoas de condições social precária que não tiveram acesso a educação formal. Mais a gíria não é uma forma de empobrecer a linguagem formal? O uso da gíria não empobrece o vocabulário do falante da língua portuguesa? A gíria pode ser aplicada em qualquer ocasião? O porquê as pessoas preferem o uso da gíria ao invés de usarem a linguagem formal que aprende na escola? Para entendemos a gíria procuraremos focar nosso estudo em autores que aprofundaram no estudo da sócio lingüística, como o antropólogo J.B Serra e Gurgel. Focaremos também em sua origem, quando ela começou a ser usada pelos falantes da língua portuguesa e desta forma procuraremos entender o seu uso no cotidiano dos falantes. A ORIGEM DO USO DA GÍRIA NO BRASIL É comum associarmos à origem da gíria as classes marginalizadas. Os penitenciários, traficantes e usuários de drogas, prostitutas. Porém o uso da gíria no Brasil remota a quase trezentos anos atrás. O uso da gíria no Brasil, segundo o mais antigo dos estudos conhecidos sobre a gíria portuguesa data de 1712. Quando o padre D. Raphael Bluteau, clérigo regular, doutor em teologia, publicou o Vocabulário português e latino (Aulico,anatomico, Aechitectonico, Bellico, botânico etc.), oferecido ao rei de Portugal D. João V. No livro, o padre D. Raphael Bluteau, observa que gíria é uma palavra “jocosa ou afetada circunlocução com que se diz muitas palavras o que se poderia declarar em poucas” . Ele acrescenta dizendo que “ segundo o P. Guadix, é um nome arábico que vale o mesmo que comida, com galhofa e abundancia. Em 1712, já se observa algumas gírias comum, por exemplo: Bola significava cabeça, bayuca taverna, cachimbo os pés, cazebre casa, encanha meias, facho pão, rata fome arame espada. Estes são os primórdios da gíria. Um marco importante da gíria na literatura brasileira é o livro Memória de um sargento de milícias de 1854, de Antônio Manuel de Almeida, segundo o antropólogo J.B Gurgel o livro marca o início da gíria na literatura brasileira, pois contém muitas gírias do Rio de Janeiro daquela época. No ano de 1901, é publicado por Alberto Bessa “A gíria portuguesa: esboço de um dicionário de calão” ... linguagem popular do Brasil e Portugal, em 1903 José Ângelo Viera de Brito (J.Brito) publicou no Rio de Janeiro o “Dicionário Moderno”, nele a gíria constitui apenas parte do seu conteúdo que é quase inteiramente voltado para linguagem erótica. Após esta publicação seguem se diversos dicionários que tratam da gíria e do regionalismo. Os principais estudiosos da gíria que destacaremos neste trabalho é Dino Pretti que é um dos percussores do estudo da giria no Brasil e também o antropólogo e estudioso da gíria J.B Serra E Gurgel. A GÍRIA E O MODISMO LINGUÍSTICO A gíria constituí, sem dúvida, o componente mais importante do modismo lingüístico. Ela destaca pelo maior número de palavras, frases, expressões para linguagem usual e equipamento falado. A gíria associa-se ao módulo de situação. Costumamos dizer que cada época tem sua gíria. E em nossa pesquisa, constatamos que realmente é verdade. Desde que se estuda a gíria, percebe se que ele varia com a época. Desta forma podemos concluir que a gíria se relaciona com a moda. Geralmente ela surge, tem seu tempo de permanência, deixa sua marca, desempenha sua função e finalmente desaparece. Existem gírias que perduram por um tempo maior. Muitas vezes são absorvidas pela linguagem usual e passam a linguagem padrão. Por esta razão ela não pode ser considerada como linguagem de malandros e tampouco apenas da população de pouca cultura. No caso dos brasileiros, a gíria rompeu este isolamento ou confinamento da esfera social. A gíria tem se tornado uma linguagem generalizada, utilizada por todas as classes sociais. Embora seja muito mais usada pela classe dos excluídos da escola formal. A gíria acha-se difusa, espalhada, como manifestação cultural. Desta forma é assegurada no modismo lingüístico, uma classificação bem mais abrangente como fenômeno lingüístico. 2.4. ONDE A GÍRIA É USADA A gíria não é como muitos pensam uma linguagem usada apenas por malandros, marginais pessoas de pouco prestígio social e excluído da sociedade. Os que afirmam isto estão errados, segundo o antropólogo Gurgel, pessoas de todos os níveis sociais falam gíria. Ela faz parte do vocabulário do falante da língua portuguesa. Não são apenas os brasileirosque não tiveram oportunidade de estudar, que fazem uso dela. Mais sim todos os falantes da língua portuguesa. Para estudiosos da língua da gíria J.B. Serra e Gurgel a gíria é a linguagem de todos os brasileiros de todas as cores, raças, etnias, níveis, instrução, educação, cultura, classes sociais, posse de bens etc. Por ser um fenômeno de linguagem especial que consiste no uso de uma não convencional para designar outras palavras formais da língua. Pode ser usada no intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo que usa dos demais. Muitas vezes criando um jargão próprio. Assim como uma expressão idiomática, é uma palavra por não permiti a identificação do seu significado através do seu sentido literal. Por essa razão, também não é possível traduzi-lo para outra língua de modo literal. As gírias geralmente se originam de acordo com a cultura e peculiaridade de cada região. Desta forma ela é usada em situações diversas. Em maior freqüência nas conversas informais entre amigos. Porém não raras vezes a gíria é usada em discursos para criar uma aproximação com o público presente. Políticos, lideres religiosos, oradores em geral recorrem a gíria para aproximar seu discurso com o publico. 2.5. QUEM SÃO OS FALANTES DA GIRÍA A Gíria está presente nos diversos setores da sociedade. As camadas sociais menos favorecidas são as que usam com maior freqüência. Fator que não é difícil de entender. Pois geralmente são os recursos de linguagem disponíveis a esta classe. Pois não tiveram acesso, ou não concluíram a escola formal. Enquanto as pessoas com menor grau de instrução fazem uso da gíria com maior freqüência. Observamos que eles não são os únicos que usam a gíria. Pois a classe dos mais instruídos também usam gíria. Embora como menor freqüência. Sendo assim gíria não é exclusividade deste primeiro grupo. Entre os falantes da gíria os menos escolarizados destacam-se de todos os grupos sociais, pois usam a gíria com maior intensidade. Algumas vezes apenas a gíria própria do grupo em que estão inseridos. Muitas vezes suas passam também caem no uso dos falantes, agrupando-se ao idioma formal. Todos os grupos sociais possuem certa quantidade de palavras ou expressões que usam em seu ambiente. Estas são chamadas de gírias de grupos. Estas gírias são usadas por grupos específicos como os estudantes, advogados, jogadores de futebol, médicos, policiais vendedores entre outros. 2.6. O PORQUÊ DO USO DA GÍRIA Os estudiosos da gíria apontam algumas razões específicas pela quais as pessoas usam a gíria. Segundo o pesquisador de giria o sociólogo J.B Serra e Gurgel, os fatores são: A urbanização forçada e descontrolada, desequilíbrio econômicos e sociais, disfunções políticas e jurídicas, baixa escolarização, exclusão social e massificação dos veículos de comunicação. Estes fatores contribuem para o processo de difusão das gírias no país. Sendo a gíria cada vez mais divulgado indagamos o porque que ela é usada pelos falante? Segundo o mesmo estudioso a razão das pessoas usarem a gíria é: Para que se entendam com mais facilidades, rapidez e flexibilidade. A gíria funciona como um código de decodificação imediata, inicialmente restrita aos membros do próprio grupo. Neste caso são gírias exclusivas. Quando rompem o grupo e são usadas por diversos grupos, se transformam em gíria de amplo uso. 2.7. TIPOS DE GÍRIA Há pelo menos dois tipos de gíria que queremos abordar em nosso estudo sobre o uso da gíria. Como nosso estudo limita-se a expor a gíria no contraste com a linguagem formal, não estenderemos sobre outros eventuais tipos de gíria.Tratando da gíria em termos de dimensões, podemos classificá-las de duas formas: A gíria de grupo e a gíria comum.Explicaremos e exemplificaremos as formas de gíria tanto a de grupo como a gíria comum. 2.7.1. GÍRIA DE GRUPO A gíria de grupo é aquela que é usada por grupos sociais fechados e restritos, que têm comportamento diferenciado. Possui caráter criptográfico, ou seja, é uma linguagem codificada de tal forma que não é entendida por aqueles que não pertencem ao grupo. Ao usar a gíria os falantes sentem-se mais importantes, e até mesmo superiores, isto serve como um diferencial do grupo contribuindo para o processo de auto afirmação do indivíduo. Expressa a oposição aos valores tradicionais da sociedade e preserva a segurança do grupo, pois em determinadas situações a comunicação não existe com aqueles que não pertencem a ele. Quando o significado das gírias sai do âmbito do grupo, novos termos são criados para que se mantenha seu caráter criptográfico. Por isto trata-se de algo efêmero, em constante renovação. Os termos são criados quase sempre a partir do vocabulário comum, com alteração do significante, mudança de categorias gramaticais e criação de metáforas e metonímias que expressão a visão de mundo do grupo, refletindo ironia, agressividade ou humor. Seu processo de criação baseia-se no espírito lúdico, tornando-se um jogo de adivinhação para quem é estranho ao grupo A gíria de grupo é objeto de interesse de estudo de sociólogos e historiadores da linguagem, que utilizam o fenômeno para pesquisas de grupos sociais, a gíria de grupo está sendo objeto de estudo de alguns lingüísticas recentes. Podemos dar um exemplo de gíria de grupo, algumas expressões próprias dos adolescentes internos de “Fundação Casa” antiga FEBEM, onde os adolescentes internos tem uma forma própria de se comunicar e usam a gíria em grande parte de sua comunicação. Os funcionários que trabalham com os internos da Fundação, recebem uma “Cartilha” com algumas expressões das gírias comumente usadas pelos internos. Exemplo de Gíria de grupo Pedrinha = Adolescente de pequena estatura Naifa = Faca artesanal, pequeno estilete.[7] Estas gírias em alguns casos passam a ser usados pelos ex internos em suas comunidades, a partir daí eles vão se espalhando e tornando comum entre as pessoas de diversas comunidades em que esses internos fazem parte. 2.2.2. GÍRIA COMUM Quando o uso da gíria de grupo expande-se, passa a fazer parte do léxico popular e torna-se uma gíria comum. A gíria comum usada para aproximar os interlocutores, passar uma imagem de modernidade, quebrar a formalidade, possibilitar a identificação com hábitos e falantes jovens e expressar agressividade e injúria atenuada. Torna-se um importante recurso da comunicação devido a sua expressividade. A gíria comum é usada na linguagem falada por todas as camadas sociais e faixas etárias, por isto deixa de estar ligada a falta de escolaridade, á ignorância, a falta de leitura. A gíria comum é também usada pela imprensa, por escritores contemporâneos, sendo que é possível encontrar muitos termo no dicionário da língua portuguesa formal. Como exemplo de gíria comum podemos mostrar as expressões abaixo: Acabar em pizza = Acabar em nada. Própria do meio político a gíria ganhou força graças aos meios de comunicação. Tá tirando = Está zombando. A expressão ganha força pela difusão entre os adolescentes e programas de televisão que tem este público como alvo, como por exemplo o programa “Malhação” exibido pela rede globo de televisão. Um outro exemplo de gíria comum é a palavra “Mano” usada geralmente por grupos fechados de comunidades “carentes” e por “marginalizados” “malandros” para designar “companheiro” . Hoje a palavra “mano” para designar companheiro é comumente usada por pessoas de diversos grupos social. 2.8. A GÍRIA E O PRECONCEITO A gíria, devido a suas variações e usos contínuos de grupos marginalizados, que fazem dela sua bandeira principal. Sendo que a gíria é usada com muita freqüência pelos detentos, pelos presidiários, grupos marginalizados e traficantes de drogas. Em um sistema prisional, por exemplo, o preso usa a gíria não apenas para se comunicar com os membros do grupo. A gíria é usada para comunicar também com pessoas que não fazem parte do grupo fechado. Geralmente as pessoas que moram em comunidades onde o tráfico de drogas o crime organizado dominam. A identificação com a gíriadestes grupos geralmente são mais comum a estes pessoas. O uso da gíria neste caso muitas vezes demonstram ser para impressionar. Seria uma forma de mostrar afinidade com criminosos que ostentam poder através da gíria. Não seria esta a razão de a gíria gerar um grande preconceito por parte da sociedade? Para muitos cidadão a gíria é uma linguagem feia que deve ser evitada a todo custo. Gíria é a linguagem de ladrão, de marginal, de presidiário e de drogados esta é a definição de gíria, para determinada parcela de pessoas que vêem na gíria uma linguagem bem próxima ao calão ou até mesmo a palavra chula. Embora os excluídos da sociedade sejam os principais usuários da gíria. Eles não são os únicos já que a gíria é usada por todos os setores da sociedade. O que observamos é que a gíria usada pelas comunidades de pouca expressão social, ou menos favorecida são consideradas gírias feias. Que devem ser evitadas pois representam a afinidade com estes grupos. Ou ainda por ser uma linguagem usual de pessoas de pouca escolaridade. Mesmos as gírias comum a malandros e presidiários estão se tornando comum na sociedade atual. Devido a popularização das musicas difundidas na letras do “FUNK” ritmo preferido por estes grupo. Desta formas palavras comum para este grupo vai se tornando comum a sociedade que nem sempre sabem o que significa para este grupo restrito. Podemos citar dois exemplos de gíria que certamente teriam uma aceitação diferente para muitas pessoas. Mesmo escutando estas gírias não tratariam da mesma forma. Exemplo Gíria: É isto memo mano é nóis na fita! Do jeito que as coisas estão rolando vão acabar em pizza! Exemplo Português Formal: É isto mesmo companheiro somos nós na situação! Do jeito que as coisas estão andando vão acabar em nada No primeiro caso a gíria marginalizada, nota se que o uso da gíria em uma única frase é bem maior que no segundo caso. As palavras memo, mano, nóis e fita, facilmente é identificada como gíria e seu uso considerado incorreto. Até mesmo nas conversas informais. Esta gíria é comum nas classes menos favorecidas, menos escolarizadas que não detém o poder nem espaço nos meios de comunicação. No segundo caso, as palavras rolando e pizza mesmo tratando se de uma gíria, muitas pessoas não considerariam como tal. Seu uso está sempre ligado a classe favorecida, a políticos que detém o poder e espaço garantido nos meios de comunicação. Desta forma a palavra soa como palavra formal da língua portuguesa e seu uso é considerado por muitas pessoas como correto. Entendemos que o preconceito com a gíria caminha junto com o preconceito social e lingüístico. As gírias comumente faladas pelos menos favorecidos, são as gírias que são mais discriminadas pelas pessoas. Há quem vincule a gíria essencialmente a fraseologia, ao palavrão ao baixo calão, à obscenidade, ao que fere ao ouvido e ao bom gosto ou ainda a delinqüência, à marginalidade, à sub raça, à subgente, ao subpovo e aos subfalares. É um procedimento radical e preconceituoso, estereotipado e elitista, que em nada favorece a inclusão, o conhecimento e forma democrática de ensino e aprendizagem. A EXPANSÃO DO USO DA GÍRIA 3.1. FATORES QUE CONTRIBUIRAM PARA EXPANSÃO Os movimentos político-sociais para democratização da sociedade refletem-se também nos hábitos da linguagem. Esta é uma das razões do aumento do uso da gíria. A mudança da sociedade brasileira de predominantemente rural para urbana, ampliou o uso da linguagem e dos costumes urbanos por todo o país. Atualmente a sociedade é instável, e está em constante transformação e a gíria está sempre se modificando. Palavras novas das mais diversas origens são incorporadas a giria e logo são absorvidas pelos falantes, que passam a utilizá-las no seu processo diário de comunicação. Alguns fenômenos contribuíram para a expansão da gíria na sociedade atual trataremos de alguns que de forma direta e indireta, contribuem para a expansão da gíria. 3.2. A GÍRIA NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Os meios de comunicação de massa tem influencia cada vez maior sobre os fenômenos da linguagem. Ao utilizarem gírias em seus programas e reportagens, contribuem para a difusão destes termos por todas as camadas sociais. A cultura de massa precisa uniformizar a produção, então busca seus programação e textos de forma a atingir um receptor padrão que pode ser culto ou inculto. Desta forma a mídia usa uma mistura de hábitos orais e escritos numa linguagem compreensível por todos. Mesmos nos jornais e revistas tradicionais é possível encontrar o uso da gíria , ainda que em menor proporção. Desta forma a difundi entre as classes escolarizada da sociedade. Em jornais populares o uso da gíria é amplamente usado. Estes textos são usados pela imprensa para aproximar o texto da linguagem oral, buscando a queda da formalidade e a aproximação com o leitor. Alguns termos tem seu uso tão difundido, que quase não se percebe que se trata de gíria. 3.2.1. A GÍRIA NA TELEVISÃO Alguns programas destinados a públicos jovens a exemplo de “Malhação[8]cujo uso de gíria é maior, serve também para disseminar a gírias entre os públicos de todas as idades. Os Seriados “Cidade de Deus” exibido pela Rede Globo de televisão que mostra a realidade de comunidades do Rio de Janeiro serve como grande disseminador de gírias. Da mesma forma que o Seriado a “Turma do Gueto” que foi escrito por Netinho de Paula e apresentado pela Rede Record, também contribuem para que gírias próprias da periferia, possam se expandir por diversas classes sociais. 3.2.2. A GÍRIA NOS PROGRAMAS DE RÁDIOS Programas de rádios que tem por objetivo atingir o publico jovem, sempre usam linguagem para este publico. A gíria não é poupada, pelo contrário é usada com bastante freqüência para criar uma afinidade com os jovens. Desta forma novas gírias são incorporadas e difundidas pelas programações de rádio. Outro fator que não podemos negar é o uso da gíria na narração dos jogos e campeonatos esportivos, muitos jogos tem suas gírias e os narradores esportivos, fazem uso delas com freqüência. 3.3.A GÍRIA NAS MÚSICAS POPULARES As musicas populares de diferentes ritmos têm a cada dia ganhado mais espaço em nossa sociedade. Programas de inserção cultural e o crescimento econômico com o crescente poder aquisitivo nas camadas sociais têm permitido o acesso maior de pessoas a cultura. Musicas sertanejas interpretadas por cantores de sucesso, ajudam a disseminar a gíria. Um exemplo bem atual é a música “paga pau” interpretado pela dupla sertaneja Fernando e Sorocaba cujo refrão é: “Você diz que não me ama você diz que não me qué, mais fica pagando pau ó qualé que é, todo dia seu teatro é exatamente igual você diz que me não me ama mais no fundo paga pau.”[9] Outras formas de disseminar a gírias são as música em ritmo de funk próprios de comunidades e de grupos marginalizados. Esse ritmo tem ganhado força nos bailes cariocas e de lá espalhado por todo o país. O funk usa muita gírias comum dos morros cariocas e das penitenciarias e com a popularização do ritmo esta giria ganhou espaço nacional. Expressões como: Popozuda, (mulher de nádegas grande) Tá dominado. (está sob controle) Cachorra (mulher) Essas expressões com conotação de gíria têm sido usadas com muita freqüência e propagada por meios de musicas em ritmo de funk. 3.4. A GÍRIA NO JORNALISMO Sendo um meio de comunicação que usa a língua escrita é de se esperar que os jornais usem menos gíria ou que até mesmo nem façam uso dela. Porém para aproximar o leitor os jornais populares fazem o uso da gíria com maior freqüência. Escrever uma linguagem que o leitor se identifique é o objetivos destes jornais que dão espaço a gíria, usando linguagens coloquial para que o leitor identifique melhor o texto. Evitar que se fuja da norma padrão é um dos objetivos dos jornais tradicionais, por esta razão os manuais de redação recomenda aos editores que se evitem o uso da gíria. Mais de que forma aproximar o leitor jovem dos artigos dirigidos a eles se não usar uma linguagem apropriada?Desta forma é possível ver por exemplo uma maior flexibilidade em cadernos específicos dirigidos a este público no jornal O Estado de São Paulo no caderno “Zap” dirigidos a jovens. Algumas gírias é possível encontrar em jornais tradicionais como, por exemplo, a palavra FLAGRA que é uma gíria policial que quer dizer flagrante e já se encontra na fala cotidiana dos falantes da língua portuguesa. Outra palavra comum nos jornais é a palavra “LARANJA” que significa alguém que é manipulado como marionete. Nas crônicas dos jornais também é usada uma linguagem, mais flexível, onde o autor da crônica tem mais liberdade com as palavras usando expressões que nem sempre são aceitas pela norma padrão da língua portuguesa. Mesmo assim, segundo o redator do Jornal O Estado de São Paulo Eduardo Martins, todos os casos são examinados separadamente e os mais polêmicos encaminhados à direção da redação.[10] Já no jornal “Correio Braziliense” a responsável pela redação professora Dad Squarisi explica: A gíria é aceitável quando se trata de transcrever informações sobre grupos específicos, como universitários, ou informáticos. Segundo a mesma tudo depende do contexto. Há casos que se não usar gírias os diálogos ficam artificiais. O manual de Redação e Estilo de O globo afirma que, quando a gíria aparece em transcrição de declaração no jornal, ela recebe sempre o negrito como destaque gráfico. O jornal mostra fiel a norma padrão, não dando espaço para a gíria ou outra forma coloquial da língua portuguesa.[11] 3.5. A GÍRIA NA GRAMATICA Procuramos neste estudo fazer consulta a algumas gramáticas tradicionais de português, para observar qual tratamento que os gramáticos dão a gíria, e o valores afetivos diversos que contribui para o enriquecimento da língua portuguesa. Foram consultadas três gramáticas da língua portuguesa e detalharemos o valor que cada uma das gramáticas dão a gíria. Domingo Cegalla em Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, se refere a sete modalidades da língua portuguesa, dentre elas, a popular, em que a gíria está incluída. Na definição de língua popular o autor mostra que é a fala espontânea e fluente do povo. Mostra que a gíria não respeita à disciplina gramatical. “É tanto mais incorreta como mais inculta as camadas sociais que a falam”[12] Rocha Lima, em sua Gramática Normativa da Língua Portuguesa ao falar da língua comum instrumento de comunicação geral, aceito por todos os componentes de uma coletividade para assegurar a compreensão da fala e suas e suas diferenciações. Se refere a aspectos que influenciam a língua- o regional e o grupal. Esse subdividido em três modalidades, o calão, a gíria e a linguagem profissional. Ao definir a gíria este gramático demonstra preconceito. Fala em “língua especial” (...) de um “grupo socialmente organizado” com uma “educação idiomática deficiente. [13] Evanildo Bechara, na sua edição revista e ampliada da sua Moderna Gramática Portuguesa, cita a gíria como mais uma forma de renovação lexical, através de um empréstimo feito por uma comunidade lingüística a outra comunidade lingüística dentro da mesma língua histórica. [14] Pudemos observar que os gramáticos de uma forma geral, não dão a gíria um tratamento respeitoso, não seria isto um preconceito? Vejamos ainda como os dicionários da língua portuguesa, qual a postura dos especialista. Matoso Câmara, no dicionário de Filologia e Gramática conceitua gíria como sendo um vocábulo parasita de um grupo com preocupação de distinguir-se da grande comunidade falante. Este especialista inclui a linguagem profissional dentro da gíria, mas aquela é usada por uma classe “culta” ela não tem qualquer intenção de chiste ou petulância, que caracteriza a gíria de classes populares. O dicionário Michaellis trata a gíria como uma linguagem especial de um grupo pertencente a uma classe ou a uma profissão, ou como uma linguagem de grupos marginalizados. O dicionário Aurélio define como a linguagem de malfeitores, malandros etc, usada para não ser entendidos pelas outras pessoas e fala ainda em calão e geringonça, que segundo o próprio Aurélio é coisa mau feita e de duração ou estrutura precária. Como observamos alguns gramáticos dão a gíria uma interpretação pejorativa, tratando ela como um “câncer da linguagem que deve ser eliminada. Não mencionam o que é gíria á luz da etimologia da palavra, se olhar para sua origem partindo do primeiro estudo realizado pelo padre D. Raphael Bluteau, que observa que gíria é uma palavra “jocosa ou afetada circunlocução com que se diz muitas palavras o que se poderia declarar em poucas”. 3.6. A GÍRIA NA PERSPECTIVA LINGUISTICA Sabemos que a língua é fundamental nas relações humanas, essa importância é muito mais acentuado, quando consideramos que qualquer sociedade depende da língua para divulgar suas idéias, através dos meios de comunicação de massa, para construir um sistema literário e cultural. Ao associar-se língua e sociedade, recorremos à área de estudo da Sociolingüística, que trata da relação entre as variações da estrutura social e as variações da estrutura lingüística. Para observarmos como a gíria é abordada: é o termo genérico usado para designar o fenômeno sociolingüístico no qual grupos sociais formam um vocábulo próprio que posteriormente pode vazar dos limites desse conglomerado de pessoas. Muito comumente ela é confundida com o jargão, porém aquela abrange este, que é o vocábulo técnico de uma profissão, da mesma forma a gíria abrange o calão, que é a expressão lingüística grosseira ou obscena. O Dicionário de lingüística de Dubois, define gíria a um dialeto social reduzido ao léxico, de caráter parasita. É vista como um vocábulo marginal, mais também de grupos sociais aceitos ou até mesmo da sociedade em geral. Com a introdução dos estudiosos da lingüísticas no Brasil, a gíria passou a ser analisada, aqui a partir da década de 70, em uma perspectiva descritiva e não normativa como faziam os poucos gramáticos que se dispunham a tratá-la. Quem mais se destaca, nesse estudo, é o professor Dino Preti, que com sua equipe de estudo, contribuiu muito para quebrar o sentido pejorativo em que cercava o vocabulário da gíria, até poucos anos. Os estudiosos sociolingüísticos detectam que a maior aceitação da gíria e a permissão concedida a todos os falantes a fazerem uso dela, provem do dinamismo por que passa a sociedade moderna, da velocidade das mudanças e do abandono das tradições. Esses três conceitos são definidores das características da gíria: dinamismo, mudança, renovação [15] A gíria, como era relacionada a classes pouco cultas e a grupos marginalizados, sempre foi cercada por preconceito lingüístico, decorrente de um problema mais amplo, o preconceito social, advindo do pouco prestígio social que gozam os supostos falantes de gíria(marginais, travestis, toxicômanos, pessoas iletradas, entre outros. É verdade que o vocábulo gírio surge dentro de um grupo social restrito antes de vulgarizar-se na linguagem falada por toda a comunidade, mas esta comunidade cada vez mais fala gíria, em todos os seus níveis sociais, etários, econômicos e culturais. Para Preti, o vocabulário gírio está dividido em duas grandes categorias: a gíria de grupo e a comum. A primeira categoria é específica de grupos determinados e na maioria dos casos só é acessível aos iniciados naquele grupo. Já a gíria comum faz parte da linguagem usada por todas as comunidades lingüísticas. Ela surge como signos de um grupo, mais ao incorporar-se á linguagem corrente perde seu caráter restrito e torna-se uma gíria comum, utilizada por todos os falantes da língua popular social. O próximo passo neste processo é a migração do registro informal para o formal, como o usado pelos meios de comunicação. Como a língua reflete as transformações sociais de uma comunidade e a parte mais sensível a esse dinamismo é o conjunto de palavras que dispõe o idioma, o fato de uma grande quantidade de gírias de grupo migrarem para a linguagem comum reflete uma certe flexibilização dos costumes sociaise uma maior integração entre os interlocutores. A gíria é cada vez mais usada na comunicação, principalmente se o caráter da interlocução é descontraído. Os lingüísticas vêem a gíria de forma diferente que os gramáticos, afinal eles estudam a língua a partir do falante, diferente dos gramáticos, podemos citar o texto do lingüística Marcos Bagno, que declara o seguinte: A variação lingüística tem que ser objeto e objeto do ensino de língua. Uma educação lingüística, voltada para a construção da cidadania numa sociedade verdadeiramente democrática, não pode desconsiderar que os modos de falar dos diferentes grupos sociais constituem elementos fundamentais da identidade cultural da comunidade e dos indivíduos particulares, e que denegrir ou condenar uma variedade lingüística equivale denegrir ou condenar os seres humanos que a falam, como se fossem incapazes, deficientes,ou menos inteligentes. É preciso mostrar, em sala de aula e fora dela que a língua varia tanto quanto a sociedade varia que existem muitas maneiras de dizer a mesma coisa e que todas correspondem a usos diferenciados e eficazes dos recursos que o idioma oferece aos seus falantes. Também é preciso evitar prática distorcida de apresentar a variação como se ela existisse apenas nos meios rurais ou menos escolarizados. Como se também não houvesse variação (mudança) lingüística entre os falantes urbanos, socialmente prestigiados e altamente escolarizados, inclusive nos gêneros escritos mais monitorados.[16] 3.7. A GÍRIA NA ESCOLA A gíria está presente no cotidiano da vida dos membros de uma sociedade, em seus diversos setores escola, trabalho, igreja e demais setores.Usar a gíria adequadamente, implica o domínio das diversas variedades lingüísticas, de modo que para cada situação use-se um registro pertinente. Devido à presença da linguagem gíria no dia a dia e a uma nova concepção de língua que envolve variações, os livros didáticos de língua portuguesa, começam a tratar a gíria, não mais como algo errado, de forma preconceituosa, mais como uma outra maneira de se expressar adequada a situações especiais. O gramático Roberto Melo Mesquita divide a linguagem em níveis e inclui a gíria no que ele chama nível relaxado da linguagem, no qual há desvios da linguagem – padrão. Sua abordagem é de cunho prescritivo. No livro Didático de Isabel Cabral, trata a gíria de uma perspectiva descritiva. Vejamos os exemplos: Situação 1: Um jovem falando com seu pai ao telefone. O jovem fala: ô velho, já faz um tempão que sou dono do meu nariz... sempre batalhei, arrumei um trampo, dou um duro danado! Me empresta o carango pra mim sair com a gata hoje? Exercício: Reescreva a fala do filho provando para seu pai que sabe utilizar o nível formal da linguagem nas ocasiões em que isto é necessário. [17] Uma matéria publicado pelo Jornal da Tarde em 29 de março de 2010, dá destaque ao desafio que escola tem de trabalhar a gíria no contexto didático. A matéria retirada do site do jornal da tarde destaca o seguinte: A linguagem falada acaba marcando presença nos textos de estudantes do ensino fundamental e médio, que misturam a linguagem oral ao texto escrito. Uma pesquisa feita na USP analisou as redações de estudantes de 12 a 15 anos de uma escola estadual de Campinas e constatou os coloquialismo juvenis na hora de escrever. “Muitas gírias e expressões fora do padrão ortográfico foram encontrados”, diz a professora e pesquisadora Karin Foldes de Araujo, autora da pesquisa. O estudo teve como base as variações lingüísticas e sua relação com o ensino do português. “Os alunos trazem expressões da oralidade, gírias, ritmo oral no desvio da pontuação e de ortografia, além de algumas abreviações”, explica a pesquisadora. No estudo, Karin avaliou que os alunos não sabem diferenciar a linguagem formal da informal. “Eles têm uma noção da linguagem culta, mas não sabem aplicá-la. Várias são asa possíveis causas disso, como a não compreensão do mecanismo da variação lingüística por parte dos alunos.” Para a professora de Letras do Mackenzie e da Unesp Araraquara Maria Helena de Moura Neves, o grande papel da escola é introduzir o aluno no universo da escrita.”Não se trata somente de fornecer regras, mas de fazê-lo entrar no mundo da escrita como produtor e também como leitor. Maria Helena avalia que é importante discutir em sala de aula os textos produzidos pelos alunos e necessário que a escola explique as diferenças entre a língua falada e a escrita,” Quem escreve tem controle daquilo que produz. A língua escrita é editada. A língua falada joga com a memória de curto prazo, articulamos em porções em pequenos jatos”, afirma.[18] 4.1. A LINGUAGEM FORMAL A linguagem formal ou linguagem padrão, ou ainda a norma culta, é linguagem normalmente usada para redigir texto. É a linguagem que comumente se aprende na escola como norma padrão de se comunicar. Sendo a linguagem padrão, considerada por muitos educadores como a forma correta de se comunicar, principalmente de maneira formal e normalmente usada pela classe dominante que detém os meios de comunicação e influenciam toda a sociedade, podemos entender a razão da linguagem informal ser tão discriminada e pouco estudada pelo meio acadêmico e estudiosos da lingüística. Discorreremos neste capítulo sobre a linguagem formal, mostrando o que é, e o que dizem os gramáticos sobre ela, as críticas e os principais falantes dela. Mostraremos também neste capitulo a evolução da linguagem formal ao longo dos séculos até chegar à forma que conhecemos hoje. 4.2. A LINGUAGEM FORMAL É A CORRETA? Durante muito tempo, e até hoje em muitas comunidades, as pessoas que não falam o português formal são ridicularizadas. Criticadas e vistas como analfabetos incultos e pessoas de pouco prestígio social. Mais será que esta realidade está mudando? Há certo desacordo entre os gramáticos e os lingüistas. Destacaremos em nossos estudos as análises de ambos para chegar ao nosso conceito. Segundo Celso Cunha analisa, uma gramática que pretenda registrar e mostrar os fatos da língua culta, deve se fundar num claro conceito de norma e de correção idiomática. [19] Com os progressos dos estudos lingüísticos, a noção de correto tornou se muito mais vasta. Embora contestada por muitos gramáticos ela ganha força entre os lingüistas modernos. Um determinado grupo de lingüistas defendem a idéia sempre renovada que o povo tem poder criador e a soberania em matéria de linguagem. Alguns gramáticos da linha de pensamento de Celso Cunha chama isto de “Concepção demolidora do edifício gramatical que foi pacientemente construído desde a época alexandrina com base na analogia. Porém alguns lingüísticas, modernos procuram fundamentar a correção idiomática em fatores mais objetivos. O percussor desta nova linha de pensamento, foi o lingüista sueco Adolf Noreen; Para ele há três principais critérios de correção, denominados histórico-literário, histórico natural e racional. De acordo com o critério histórico a correção estriba-se essencialmente em conformar-se com o uso encontrado nos escritores de uma época. É o critério tradicional de correção fundada nos exemplos dos clássicos. O segundo critério o histórico natural.Este critério baseia-se na doutrina de que a linguagem é um organismo vivo que desenvolve muito melhor em estado de completa liberdade, sem entraves. Dentro desse ponto de vista não pode haver em princípio nada correto ou incorreto na língua. No critério racional baseia-se na seguinte forma: “o é o que pode ser apreendido mais exata e rapidamente pela audiência presente e pode ser produzido mais facilmente por aquela que fala”. Ou em outro enunciado “ O melhor é a forma de falar que reúne a maior simplicidade possível com a necessária inteligibilidade”.Diante da conturbação do tema. Em nome de que princípio se corrige, então o falar de uma pessoa? Por que uma criança aprende de seus pais que deve dizer uma coisa em detrimento de outra? Por exemplo, porque dizer vassoura ao invés de bassoura? O lingüista Otto Jespersencontesta os critérios de Adolf Noreen ele enumera sete critérios, o da autoridade o geográfico, o literário, o aristocrático, o democrático, o lógico e o estético. Ele explica. É evidente, no entanto, que existe algo que justifica a correção algo comum para o que fala e para o que ouve e que lhe facilita a compreensão. Este elemento comum é “a norma lingüística que ambos aceitaram de fora, da comunidade da sociedade da nação. Todo o nosso comportamento social está regulado por normas a que deveras obedecer se quisermos ser corretos. O mesmo acontece com a linguagem apenas com a diferença de que suas normas de modo geral, são mais complexas e mais coercitivas. “Por isso e para simplificar as coisas, Jespersen define o “linguisticamente correto” como aquilo que é exigido pela comunidade lingüística a que pertence, o difere disto é linguisticamente incorreto” Ou com suas palavras falar correto significa o falar que a comunidade espera, e erro em linguagem equivale o desvio desta norma sem relação alguma com o valor interno das palavras ou formas. Reconhece, porém que independentemente disso. Segundo Celso Cunha que existe uma valorização da linguagem na qual o seu valor se mede com referencia ao ideal lingüístico para cuja formação colabora eficazmente a formula energética de que o mais facilmente enunciado é o que se recebe mais facilmente. Por um lado existem lingüistas que defendem o rompimento radical com as tradições clássicas da língua. Há os que aceitam sujeitar as antigas normas gramaticais. Diante dos espaços defendidos, cremos que deve haver lugar para posições moderada, que represente o aproveitamento harmônico da energia dessas forças contrárias que se harmoniza com uma forma democrática, cultural e educacional de nosso idioma. Celso Cunha vê como importante na linguagem o pólo da variedade que corresponde a expressão individual, mas também o é da unidade, que corresponde a comunicação interindividual e é garantia de intercompreensão. A linguagem expressa o indivíduo por seu caráter de criação, mas expressa também o ambiente social e nacional, por seu caráter de repetição, de aceitação de uma norma, que é ao mesmo tempo histórica e sincrônica. Existe o falar porque existem indivíduos que pensam e sentem e existem línguas como sistemas e normas ideais porque a linguagem não é só expressão, finalidades em si mesma, senão também comunicação recíproca. Cada língua abarca vários sistemas simultâneos, cada um dos quais se caracteriza por uma função diferente. [20] Se uma língua pode abarcar vários sistemas, ou seja, as formas ideais de suas realizações, a sua dinamicidade, o seu modo de fazer-se, pode também admitir várias normas, que representam modelos, escolhas que se consagraram dentro das possibilidades de realizações de um sistema lingüístico. Mas se é um sistema de realizações obrigatórias, consagradas social e culturalmente, a norma não corresponde como pensam certos gramáticos, ao que se pode ou deve dizer, mas ao que tradicionalmente se diz na comunidade considerada. O estudo da lingüística, bem como os demais estudos das ciências, vem avançando a cada dia. Cremos que isto se dá para que se possa chegar a um conceito mais preciso do que é o correto. Os Lingüistas modernos tentam estabelecer métodos que possibilite descrever de forma minuciosa as variedades que poderão ser classificadas como culta. Seja na forma falada, ou na escrita. Na análise do Celso Cunha “Sem investigação paciente, sem métodos descritivos aperfeiçoados nunca alcançaremos determinar o que, no domínio da nossa língua ou de uma área dela, é de emprego obrigatório, o que é facultativo, o que é tolerável, o que é grosseiro, o que é inadmissível; ou em termos radicais o que não é correto”. [21] 4.3. O USO DA LINGUAGEM FORMAL Em um país como o Brasil onde há uma dimensão geográfica tão grande. Onde há uma diversidade de povos e de cultura. É difícil falar entre certo e errado em matéria de fala. Conforme vimos no tópico acima o conceito de certo e errado se confundem entre os especialistas. Não podemos negar porém, que da mesma forma que uma país é regido por uma única constituição, também deve ter uma linguagem padronizada. Para isto sem dúvida alguma, faz se necessário a linguagem formal. Se nós usamos a linguagem formal para redigir documentos, transmitir informações em jornais e revistas pela imprensa escrita em geral. Será que não é de se esperar que usemos a linguagem formal também na fala? Para responder esta questão partiríamos da uma segunda questão. Para quem são publicados estes jornais e revistas? Quem são os seus principais leitores? Qual o tipo de cidadão que lê com freqüência jornais, revistas e periódicos publicados pela imprensa escrita? Não estamos falando de analfabetos, de pessoas que não tiveram oportunidade de estudar em uma escola formal. A questão no Brasil, não é apenas cultural mais é também social. Milhões de brasileiros não tem condições financeiras de ter acesso a impressa escrita. Isto com certeza contribui para que a linguagem formal seja propagada a um número reservado de cidadãos brasileiros. Nos últimos anos, tivemos um processo de ampla democratização em nosso país. Com isto muito mais pessoas passaram a ter acesso a educação formal. Ainda assim o acesso a leitura de livros clássicos da literatura brasileira, não alcança um índice satisfatório. Segundo pesquisa realizada pelo Ibope em 2008 os brasileiros lêem em média 4,7 livros ao ano. Isto incluindo bíblia, livros didáticos e técnicos.[22] Desta forma não fica difícil entender, quem são os falantes da linguagem formal. Naturalmente, aqueles que estão em maior contato com a linguagem formal tornam se os principais falantes dela. Entendemos que o processo de democratização do ensino público e os incentivos realizados nos últimos anos no país. Estão contribuindo para levar mais jovens a concluir o ensino superior. Porém ainda não estão sendo suficiente para transformar a maneira de comunicação destes universitários. Se por um lado aumenta a escolarização do cidadão brasileiro. Por outro lado, os movimentos de liberdade da linguagem também aumentam e os meios de comunicação de massa, interessados em atingir cada vez maior numero de pessoas. Tendem a usar uma linguagem mais funcional, onde todos telespectadores e ouvintes podem se identificar com as mensagens transmitidas. Recentemente, em debate de televisão transmitido em cadeia nacional. Uns dos presidenciáveis, o candidato Plínio de Arruda Sampaio, ao ser questionado sobre a forma que a imprensa vinha tratando os candidatos a presidente da república; que não tinham muita expressão retrucou: “O jornal Folha de São Paulo não cita o meu nome nem a pau”. É de se esperar que um candidato a presidente, se expresse com palavras mais rebuscadas. De preferência dentro da chamada norma “culta”. Mais o que se percebe cada vez mais é uma tentativa de identificar com as pessoas. Considerado que o atual presidente da república que goza de uma imensa popularidade é visto com muito prestígio pelos cidadãos da nação. Lula usa com bastante freqüência em seus discursos expressões regionalista e não rara vezes coloquiais. O uso da linguagem formal possivelmente seja mais freqüente em discursos acadêmicos, em situações formais onde há uma maior formalidade. Seus falantes são os mais escolarizados, que em sua maioria detém maior condições financeiras. A linguagem formal é mais usada para redigir documentos e transmitir informação por meios da imprensa escrita. Ensinada na escola como a língua padrão da nação ela não é a mais falada pela maioria do povo, mesmo considerada por muitos como a mais correta é sem dúvida a linguagem mais usada para a forma escrita mas não a falada pelo povo. 4.4. LINGUAGEM INFORMAL E A UNIDADE LINGUÍSTICA A língua portuguesa falada no Brasil sofreu influencias de diversas culturas diferentes. Não é possível considerar que aja uma unidade lingüística do português falado no Brasil. As variações da língua são muitas, sobre este assunto, fala o lingüistaMarcos Bagno: “É preciso, portanto que a escola e todas as demais instituições voltadas para a educação e a cultura abandonem esse mito da “Unidade” do português brasileiro e passem a reconhecer a verdadeira diversidade lingüística de nosso país para melhor planejarem suas políticas de ação junto a população amplamente marginalizada dos falantes das variedades sem prestígio social. O reconhecimento da existência de muitas variedades lingüística diferentes é fundamental para que o ensino em nossa escola seja conseqüente com o fato comprovado de que a norma lingüística ensinada em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira “língua estrangeira” para o aluno que chega na escola provenientes de ambientes sociais onde a norma lingüística empregada no quotidiano é uma variedade estigmatizada de português brasileiro” [23] Sendo o português formal tão elitista e usado em sua maioria pela classe social mais favorecida. É natural que em um país onde a desigualdade social é gigantesca. A variação de linguagem também deve ser imensa. A ciência lingüística moderna afirma que não existe língua no mundo que se “una” sem que aja qualquer variação entre os seus falante. Todas as línguas apresentam algum tipo de variação em todos os seus níveis estruturais. fonológica, morfológica, sintaxe, léxico etc. Há também variação nos diferentes níveis de uso social, como variação regional, social, estilística, etária etc. Desta forma podemos entender que não há unidade de língua. No Brasil, não falamos uma língua portuguesa uniforme. O Nosso português já difere do português de Portugal. E mesmo em nosso país, as variações do português brasileiro são muitas. Alguns dos fatores que contribuem para a variação da língua portuguesa. O uso do português informal ou “não padrão” em nosso país deve se ao fato de sua extensão territorial. Este porém não é o único fator que contribui para a variação da língua. As diversidades culturas que incorporaram a língua portuguesa brasileira e também a imensa desigualdade social que assola nossa nação. São grandes diferenças de situações socioeconômicas que mostram a existência no Brasil de um imenso abismo lingüístico.Entre os moradores das áreas rural e das periferias urbanas, formam a grande parte da população brasileira. Naturalmente o acesso a cultura, a escola é mais precária.Conseqüentemente este grupo de pessoas estarão falando uma variedade do português diferente que os mais escolarizados. Mesmo entre os que não falam o português formal, muitas vezes olham para estes falantes como se estivessem falando o português errado. A variação usada comumente pelo grupos marginalizados da sociedade soa ao nossos ouvidos como algo grosseiro. Muitos vezes vítimas de preconceitos por sua posição social. Alguns destes falantes desta variação lingüista, cujo uso de gíria é bem maior que os de outras variantes. Muitas vezes deixam de usufruir diversos serviços que tem direito, simplesmente pelo fato de não conseguirem compreender a linguagem usada pelos órgão públicas, para transmitirem as informações a eles. Podemos fazer esta experiência se questionarmos para um morador de uma comunidade periférica com as seguintes abordagens: Precisa de proventos para pegar o coletivo? Necessita de dinheiro para o ônibus? Precisa de grana pro busão? Naturalmente a pergunta (a) soaria bem estranha para ele. Mesmo sendo o português falado no Brasil. A pergunta (b) seria compreensível para ele. Embora Não seja usual em sua comunidade, ele compreende perfeitamente. Na questão (c) ele não só compreenderia, mais identificaria como uma pessoa da própria comunidade. A forma de se expressar com ele, mostraria uma afinidade maior com a sua realidade lingüística. Esta variante, não é uma variante que dispensa uma grande distancia. É apenas uma variante que separe uma classe social de outra. Por exemplo, na cidade de São Paulo, há uma região no bairro do Morumbi. Neste mesmo bairro, há uma grande comunidade de moradores de favela. A simples mudança de posição social existe uma grande diferença de variação do português. Não podemos negar que a escolarização no Brasil, ainda não é o desejável, o índice de pessoas que concluem a escola formal ainda é baixo. Diante deste quadro alarmante, é compreensível que a variação da linguagem informação é muito grande. Uma criança vinda de uma zona rural, ou da periferia da zona urbana para a escola. Trará naturalmente para a escola o ensino apreendido em sua casa. Considerando que seus pais não tiveram uma educação formal desejável. Seus filhos aprenderão naturalmente a falar como os seus pais. O português informal é aprendido naturalmente por imitação e diferencia do formal. Vejamos no exemplo abaixo Formal Informal Beijo Bejô Brasileiro Brasilêro Deixa Dexâ Cheiro Cherô Arvore Arvre Córrego corgo Sábado Sabo Música Musga Pássaro Passo Tábua Tauba [24] Muitos vezes o informal é ensinado como português errado. Porém não seria apenas uma variação do português? Será que poderíamos considerar a forma que os cariocas falam errado? E formas dos sertanejos? Os interioranos? Os nortistas? Cearenses? Baianos e Nordestinos em geral? Não seria pretensão demais achar que os paulistas são únicos que sabem falar português? E o que dizer da gíria? Não pode ser considerada uma variedade da língua? Ela não é usada por milhões de brasileiros, de diversas classes sociais e em diversas situações? Entre as diversas variações do português falado no Brasil de maneira informal. Não seria a gíria também parte desta variante? A EVOLUÇÃO DA LINGUA PORTUGUESA A língua portuguesa é proveniente do latim, idioma falado por um povo de cultura rústica, que vivia no centro da Península Itálica. A língua latina veio a desempenhar um importante papel na história da civilização do Ocidente. Conforme cresciam em seus domínios, os romanos levavam para as regiões conquistadas seus hábitos de vida e sua cultura. Nas terras conquistadas os romanos ensinavam mais também aprendiam, espalhavam sua cultura, mais também carregavam diferentes culturas das terras conquistadas. Desta forma o latim deixava seu rastro por onde os romanos passavam. Desde o século III a.C sobre a influencia grega, o latim escrito com intenções artísticas foi sendo progressivamente apurado até atingir no século I a.C a alta perfeição. Com o tempo a separação entre essa língua literária, praticada por uma pequena elite, e o latim corrente a língua usada pelo colóquio diário dos mais diversos grupos sociais da Itália e das províncias. Esta diferença já era sentida pelos romanos que opunham ao conservador latim literário ou clássico o inovador latim vulgar compreendidas nesta denominação as inúmeras variedades da língua falada, que vão do colóquio polido às linguagens profissionais e até mesmo da gíria. Foi este latim vulgar, que os soldados, colonos e funcionários romanos levaram para as regiões conquistadas, que deram origem nas chamadas línguas romanas dentre ela a nossa Língua Portuguesa. LÍNGUA PORTUGUESA DO INFORMAL AO FORMAL A língua portuguesa, falada no Brasil, dispõe de diversos segmentos para que indivíduos e grupos sociais possam se comunicar. E desta forma fazer se entender em suas comunidades e grupos. Para isto aplicam o uso do equipamento lingüístico de cada grupo, isto é pela linguagem usual. A linguagem padrão apresenta o nível mais elaborado da língua portuguesa falada no país. Devido às técnicas de fluxo corrente de conhecimento e de socialização do conhecimento. É certamente concentrado nas classes mais adestradas e preparadas para as funções de liderança e de exercícios das funções de poder político. A linguagem usual desses grupos apresenta certo ordenamento lingüístico, cultivando e preservando os valores históricos e semânticos da língua. Sua identidade estrutural, sua valorização eminentemente nacional. A linguagem institucionalcomplementa e se insere numa tendência renovadora e modernizadora da linguagem usual. Fora da linguagem formal, há múltiplas variações lingüísticas na sociedade. Com diferenciações produzidas pelas mesmas técnicas de fluxo corrente do conhecimento. Associadas ao nível de educação dos indivíduos e dos grupos sociais. Desta forma percebemos não uma linguagem de classes mas , de raízes comum. Mas gradação no uso do equipamento lingüístico pelas diversas classes sociais. Nessas gradações há grupos diversos, principalmente os de cultura mais simples. Esses grupos que geralmente usam determinadas expressões distanciadas da linguagem padrão. Estes distanciamentos são identificados com um tipologia de linguagem usual, em que são transmitidos os valores dinâmicos da língua, da cultura e da civilização. Esses valores tendem a acompanhar, identificar e inter-relacionar com as mudanças estruturais que se operam na sociedade como um todo. Sofrendo sua influencia e influenciando de forma a produzir efeitos, geralmente profundos na língua.O principal deles , a estandardização da linguagem, que assegura ao equipamento lingüístico a sua expressividade, consistência, variedade e riqueza, como traço cultural de característica definidas. 5.2. EXPANSÃO DO MODISMO LINGUÍSTICO As transformações lingüísticas, produzidas na linguagem pelas mudanças dos comportamento da fala, associada as mudanças sociais. Tem explicações e justificativas, talvez não cientificas, embora se assentem em fundamentos objetivos, concretos, mensuráveis e demonstráveis. A criatividade a expansão do equipamento, na padronização da linguagem pressionada pelo processo de unificação, simplificação e transfiguração de significados. Agrupam-se a toda hora na produção de fonemas e morfemas, derivação, composição, raízes, prefixos, sufixos, desinência, formação, estrutura, flexão e classificação de palavras constituem os elementos que edificam o equipamento. Apresentando consistência etimológica para o universo do vocabulário existente e para os neologismos que vão surgindo e se incorporando a linguagem usual. O modismo lingüístico, que forma com os vícios de linguagem e os regionalismos o tripé da padronização da linguagem, encontra na gramática e na retórica a sustentação. A gramática, comparada ou comparativa, descritiva, expositiva ou prática, geral, histórica, normativa e particular. Acompanha as lentas ou rápidas transformações de uma língua. A fonética se articula com a morfologia, considerando-se que a produção emissão e atribuição de significados aos sons se processa sobre raízes e prefixos, sufixos e desinências. Em gramática fenômenos e fatos lingüísticos, resultantes de derivação e composição, fonemas e morfemas compõem as palavras. O modismo lingüístico tem na criatividade tem na criatividade, na inventiva, na ilimitada intuitiva e inesgotável capacidade de criação do homem. Um de seus elementos para a renovação e modernização através das muitas variações do equipamento lingüístico usual. Palavras e expressões são e recriadas, inventadas e reinventadas, sem se ater a considerações de ordem morfológica e fonéticas. Desempenham porém funções específicas e revestem-se de significados.Os metaplasmos e as metafonias são unidades gramaticais igualmente tributárias na formação de palavras. Metaplasmo é o nome que se dá as alterações fonéticas que ocorrem em determinadas palavras ao longo da evolução de uma língua. O que ajuda a compreender a etimologia de muitas dessas palavras. O metaplasmo pode ocorrer pela adição supressão ou modificação dos sons. Metafonia é uma fenômeno fonético e fonológico que consiste na alteração de uma vogal tônica por influencia de vogais próximas.[25] Os metaplasmo são considerados como “designação comum a todas as figuras que acrescentam, suprimem, permutam ou traspõem fonemas nas palavras. A metafonia compreende “a alteração do timbre de vogal tônica por influencia de vogal átona posterior” Vejamos alguns exemplos de metaplasmos por adição abagunçar de bagunça apiorar de piorar Não são comum os exemplos por adição, porém a ocorrência com os exemplos por subtração são mais comuns. Isto por ocasião da simplificação e a supressão de sons é uma constante. té de até tá de está tô de estou responsa de responsabilidade pô poxa Podemos ver exemplos de expressões inteiras como: sacumé de sabe como é peraí de espere aí qualé De qual é que é simbora De deixa eu ir embora [26] A simplificação da fala, tornando se compreensível, é um fenômeno que tem se expandido muito na atualidade. Principalmente com o advento da internet, que pelo fato de comunicar com rapidez muitas vezes é feita a supressão de palavras inteiras por letras. Um exemplo comum hoje são as letras “tc” que viraram para os internautas sinônimo de “teclar”. A língua portuguesa falada no Brasil tem passado por diacronia e como toda língua passando por evolução. Existem palavras na língua portuguesa que já foi considerada padrão e que hoje não é mais. Um exemplo clássico é a palavra Vossa mercê, que virou, vos mercê e atualmente falamos você. Porém na informalidade falado pelos milhões de brasileiros usamos o cê. Com isso percebemos que este pronome de tratamento sofreu uma diacronia. Vossa mercê Vos mercê você ocê cê arcaico arcaico padrão regionalista usual Esta forma compacta de uso das palavras é bem comum na gíria. Com isto questionamos se o errado hoje não será o correto de amanhã? Diversas palavras usadas hoje na linguagem formal passaram pelo o processo de diacronia. Hoje são aceitas como palavra comum da linguagem formal. Podemos usar exemplos de palavras que evoluíram da gíria e entraram para a linguagem formal. 5.3. O JARGÕES DA GÍRIA E SUAS ORIGENS. Tratando do modismo lingüísticos, não podemos deixar de analisarmos os jargões. Expressões que vão surgindo na língua portuguesa e incorpora a ela tornando se usual.Essas expressões de jargão caminha junta com a gíria e confunde se com freqüência com a própria gíria. Observemos alguns jargão tão comum na língua portuguesa e como eles tiverem suas origens. De mãos abanando Na época da intensa imigração no Brasil, os imigrantes tinham que ter suas próprias ferramentas. As mãos abanando era um sinal que aquele imigrante não estava disposto a trabalhar. A parir daí o termo passou a ser empregado para designar alguém que não trás nada consigo. Uma aplicação comum da expressão é quando alguém vai a uma festa de aniversário sem levar presente. Tirar o Cavalo da Chuva No século XIX, quando uma visita iria ser breve, deixavam o cavalo ao relento em frente a casa do anfitrião. Caso a visita fosse demorar, colocavam o animal nos fundos da casa em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo , o convidado só poderia colocar seu cavalo protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “Pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disto a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa. Para Inglês ver A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos.No entanto todos sabiam que estas leis não seriam cumpridas. Assim as mesmas teriam sido criadas “só para inglês ver. Foi assim que surgiu a expressão[27] O USO DA GÍRIA E SUA APLICAÇÃO Acreditamos que o Brasil vive hoje, em seu maior, processo democrático. Os trabalhadores têm voz por meio de sindicatos. As representações ganham espaço a cada dia e as pessoas e intuições sentem que podem reclamar seus direitos. Diante de um quadro de pessoas não escolarizadas ou com pouca escolaridade será que podemos esperar que falem o português formal? A resposta nos parece bem obvia. Mais não podemos negar o fato de estas pessoas estão inseridas na sociedade. Como parte da sociedade eles necessitam de informação que lhe sejam compreensíveis. Sabendo que esta classe de pessoas são as que mais carecem dos benefícios do estados.Questionamoscomo poderão compreender seus direitos se o Estado se comunica com eles apenas usando a linguagem formal? Como poderão ser informados de forma compreensível sobre necessidades tão necessárias como campanhas de vacinação, conscientização sobre doenças, controle de natalidade, higienização? Não seria o caso de usar uma linguagem que torne plenamente compreensível a estas pessoas? A APLICAÇÃO DA GÍRIA ENTRE COMUNIDADES CARENTES As comunidades das pessoas excluídas da sociedade sentem muitas vezes em um país diferente. Por mais absurdo que pareça muitas palavras usadas na linguagem formal soam como uma língua estrangeira. Escolarização é necessário sem duvida alguma. O Brasil precisa acabar com analfabetismo, Ninguém questiona este fato. Da mesma forma que precisa acabar com a fome, a miséria e a desigualdade social. Se políticas estão sendo feitas para reduzir a miséria à fome a pobreza e analfabetismo já são suficientes para conformamos? Entendemos que há um conjunto de medidas necessária para que o individuo se escolarize. Questões como alimento, emprego , saúde englobam medidas fundamentais para que a pessoas procurem as escolas formais. Diante deste quadro, é necessário comunicar-se com estes grupos de forma que compreendam e a linguagem usual, o modismo e a gíria se faz necessário para que compreendam de maneira clara o que está sendo proposto. Se queremos atingir esse público com as mensagens de conscientização. Precisamos falar com eles na linguagem que lês entendem. Uma das evidencias que temos é dos meios de comunicação que procuram minimizar o uso de formalismo em suas programações. Tendo em vista atingir as camadas mais populares da sociedade. Programas que visam atingir o publico adolescente como “Malhação” exibido pela rede globo de televisão. Faz uso de gíria com bastante freqüência. Expressões do tipo demorô e vaza são usadas para criar aproximação com este publico. Compreendemos que desta forma também deve agir poder público em geral, para garantir aos mais carentes conhecimento dos seus direitos e dos benefícios que podem gozar. Sobre isto explica Marcos Bagno em seu livro Preconceito Lingüístico. Muitas vezes os falantes das variedades estigmatizadas deixam de usufruir diversos serviços a que têm direito simplesmente por não compreenderem a linguagem empregada pelos órgãos públicos. Segundo o mesmo autor, um estudo bastante revelador dessa situação foi empreendido por Stella Maris Bortoni na periferia de Brasília e publicado no artigo “Problemas de comunicação interdialetal” Diante do que descobriu a autora pode afirma: A idéia de que somos um país privilegiado, pois do ponto de vista lingüístico tudo nos une e nada nos separa, parece me contudo apenas mais um dos grandes mitos arraigados em nossa cultura. Um mito por sinal, de conseqüências danosa, pois na medida em que não se reconhecem os problemas de comunicação entre os falantes de diferentes variedade da língua, nada se faz também para resolvê-los.[28] Para nós não se trata de rebaixar ao nível de escolarização da pessoa, falando uma linguagem que seja compreensível. Mas sim de uma forma de inseri-lo na sociedade permitindo que tenham acesso aos mesmos direitos que qualquer outro cidadão. A gíria ao nosso vê é um recurso legítimo, empregado pelos brasileiros, que não conhecendo a linguagem padrão e precisam se comunicar faz uso dela. 6.2. APLICAÇÃO DA GÍRIA NO USO DE FOLHETOS INFORMATIVOS Freqüentemente os órgão públicos fazem campanha para conscientizar a população sobre temas diversos. O controle de doenças, o racionamento de água e a conscientização sobre a utilização de camisinha. Para comunicar com o publico alvo, que muitas vezes são os menos escolarizados, como os órgãos públicos se posicionam? O controle da AIDS que muitas vezes focalizam jovens drogados tem uma mensagem que atraem estes públicos? Se a linguagem usada ajuda aproximar o leitor porque não usar gírias próprias destes grupos para informá-los? Será que a gíria não tem sua função nesta hora? Será que esta classe de cidadãos não tem direito de ser comunicados em um linguagem compreensível? Alguns órgãos público entendem que isto é importante e já utilizam uma linguagem que atraem este publico. Um exemplo é a revista ilustrada publicada pelo Fundo municipal da criança e do adolescente. A Revista de titulo Descolado, usa uma linguagem apropriada para expor o tema de exploração sexual de crianças e adolescentes. Numa linguagem compreensível e atraente ao adolescente é de supor que alcançará o objetivo que propõe. 6.3. APLICAÇÃO DE GÍRIAS EM SALA DE AULA. Em nossa pesquisa sobre a gíria, observamos os diversos estudiosos do assunto. Nem mesmos os mais arrojados, que discorreram sobre o tema, sugerem uma aplicação em sala de aula. Em nosso modesto estudo sugerimos que aplique de forma moderada a gíria a educação formal. A sala de aula é um ambiente de educação formal, lá muitas vezes os alunos chocam com a educação que já trazem de suas famílias. A escola formal tem a função de educar o aluno, formando um cidadão crítico. Aprender sobre aquilo que o aluno já utiliza com certeza aguçará seu interesse. A variação lingüística tem que ser objeto e objetivo do ensino de língua. A educação deve ser voltada para a construção da cidadania numa sociedade verdadeiramente democrática. Se aprendermos a linguagem formal, que é imposta pela gramática porque não ensinar também a compreender melhor a linguagem que eles mesmo falam? Para o lingüista Marcos Bagno uma sociedade democrática não pode desconsiderar que modos de falar dos diferentes grupos sociais constituem elementos fundamentais da identidade cultural da comunidade e dos indivíduos. É preciso mostrar em sala de aula de aula e fora dela que a língua varia, tanto quanto a sociedade varia. Que existem muitas maneiras de dizer a mesma coisa e que todos correspondem a usos diferenciados e eficazes dos recursos que o idioma oferece a seus falantes. Também é preciso evitar a prática distorcida de apresentar a variação como se ela existisse apenas nos meios rurais ou menos escolarizados.[29] Uma forma de atrair o aluno é fazer com que ele se identifique com a aula. Através da gíria o professor pode trabalhar muitas questões e conteúdos diversos em sala de aula. Conteúdos que se aplicam a linguagem formal podem ser utilizados também na gíria. Vejamos exemplos 6.3.1. FIGURA DE LINGUAGEM Geralmente as gírias são cheias de metáfora, metonímias entre outras figuras de linguagem. Ao exemplificar uma figura de linguagem o professor pode usar a gíria para explicar ao aluno. Isto cria uma identidade com a linguagem usual do aluno. Não queremos dizer com isto que a escola deve ensinar gíria. Porém a escola deve aproveitar o conhecimento que o aluno já tem sobre certo conteúdo. Desta forma criar um interação maior com o aluno. A linguagem formal deve ser a base do ensino. Não questionamos isto. Mas em uma comunidade que visa atingir a democracia plena, é razoável que sê dê espaço para as comunidades excluídas. Os alunos precisam sentir que seus valores não são ignorados na escola formal. 6.3.2. ETMOLOGIA DA PALAVRA As gírias surgem e somem em uma velocidade admirável. Um exemplo bom para exemplificar a na origem da palavra. Os alunos podem compreender a questão da etimologia e até mesmo da diacronia. Muitos conteúdo podem ser exemplificado a partir dos exemplos da própria gíria. Mostrando a evolução que as palavras passam nos decorrer dos séculos. Mesmos as gírias de grupos que são usadas frequentemente pelos alunos em sala de aula, sem conhecer seu real significado. Falar sobre a origem destas gírias, onde surgiram e o que realmente eles significam. Poderão ser elementos de instrução para que os alunos não fortaleçam estes grupos e evitem determinadas gírias. 6.3.3.MORFOLOGIA Quando tratamos de gíria, é comum a supressão de palavras. O professor pode a partir daí ensinar sobre a raiz, o radical, sufixo e prefixo. Podemos partindo dos exemplos que os próprios alunos utilizam para suprimira palavra como no exemplo. Professora por prô Faculdade por facú 6.3.4. TEMAS TRANSVERSAIS As gírias surgidas em grupos marginalizado, ganham forças na atualidade. O funk que é o ritmo preferido destes grupos. Espalham suas gírias que transcendem estes grupos e atingem diversas camadas da sociedade. Uma ótima oportunidade para a partir da gíria deste grupos os professores partirem para a questão dos valores. Porque mulher símbolo de delicadeza e respeito virou para estes grupo Cachorra? O que defendem estes grupos? Porque suas gírias ganham espaço? E o que dizer dos bailes funk que pregam libertinagem? Os palavrões usadas nas musica, são temas que podem ser questionados em sala de aula. Desta forma é possível levar os alunos a debater valores perdidos pela sociedade. 6.3.5. MULTIDISCIPLINARIDADE Através da gíria é possível trabalhar disciplinas diversas, desde que aja criatividade do educador. Há muitos jargões da gíria que surgiram em períodos historico do Brasil e que trazem uma importante cultura em sua origem. Um exemplo disto é o jargão “fazer nas coxas” que mostra o período da colonização em que explorava o trabalho escravo. Desta for,a é possível ao professor de língua abordar questão históricas e sociais do Brasil partindo do tema do jargão. A expressão “para inglês ver” também é um exemplo que pode ser seguido partindo da gíria. Muitos outras questões podem ser aplicadas, de forma a inserir a cultura do aluno, partindo sempre daquilo que ele já está familiarizado. Tudo dependerá da criatividade do educador e da disposição do mesmo em querer aproveitar o conhecimento que o aluno já tem. Para isto é necessário despir-se do preconceito e partir de didáticas inovadores que poderão atingir objetivos inesperados. CONCLUSÃO Ao problematizar a questão da gíria, concluímos que ela não é uma linguagem apenas das camadas marginalizadas da sociedade. Embora a gíria tenha o seu berço nesta camada social, ela transcende esse grupo de pessoas. O uso da gíria não deve ser discriminado pelos educadores e pela sociedade em geral. A gíria não deve tomar lugar da linguagem formal. Embora algumas palavras serão incorporadas a ela com a mesma conotação. O Seu uso não deve ser exagerado mais aplicado em situações adequadas. As situações podem ser desde quebrar formalidades, criar aproximação com o publico ou o leitor em situações informais e coloquiais. A gíria de grupo deve ser tratada com respeito, não discriminando seus falantes, pois muitas vezes não entendem o seu significado real. Desta forma concluímos que a educação é melhor que a censura. O uso da gíria pelo poder público deverá ser equilibrado, trocando palavra incomum ao uso de certas comunidades pela comum. Na escola a aplicação de gíria deve ter uma caráter de inserção de cultura. A aplicação da gíria não excluí o ensino da linguagem formal, nem dá a gíria status de língua opcional. Sendo aplicada para criar aproximação com o educando e melhor compreensão de conteúdo. Também como uma forma de democratização do ensino, permitindo que as comunidades e a culturas diversas tenham seu espaço na educação formal. Finalmente concluímos que em uma comunidade democrática, não há espaço para discriminação ou censura. O estético deve ser visto como relativo. E os defensores da linguagem pura não são os detentores da verdade. [1] Michaelis p.377 [2] Site: soportuguês [3] Site: sua pesquisa. com [4] DUBOIS, Jean; p.308 [5] Gurgel. GURGEL, J.B Serra e; Dicionário de Gíria [6] PRETI, Dino. [7] Manual de Segurança. Fundação Casa p.46 [8] Programa da Rede Globo destinado a adolescentes [9] SOROCABA; FERNANDO E SOROCABA. Paga Pau. CD. São Paulo: Som Livre, [2009] [10] Novo manual de redação. São Paulo: folha de São Paulo, 1992. [11] Manual de Redação e Estilo. 25. ed.São Paulo,Globo1998 [12] CEGALLA, Domingo Paschoal. 1985, p.535 [13] ROCHA LIMA, 1972. p. 4-5 [14] BECHARA, 1999. p.351 [15] Pretti 1999) [16] BAGNO,Marcos.Preconceito Lingüístico.2002. [17] CABRAL,Isabel.Palavra Aberta. [18] JORNAL DA TARDE, São Paulo: Março, 201,29/03/2010 [19] CUNHA,Celso.2008.p.5 [20] CUNHA 2008 [21] Cunha, Celso, 2008.p.8 [22] http://www.estadao.com.br/ [23] BAGNO,Marcos.Preconceito Lingüístico [24] BAGNO,Marcos.Língua de Eulália p107 [25] Wikpédia [26] Dicionário de gíria e modismo lingüístico p 45 [27] Wikipedia [28] Preconceito lingüístico p.31 [29] Preconceito Lingüístico p.35