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MARKETING PESSOAL RESUMO DA UNIDADE Esta unidade analisará alguns conceitos e práticas do marketing, entendendo os elementos que constituem essa área profissional, as estratégias e os itens que devem ser levados em conta em um planejamento empresarial. Também será discutida a necessidade de revisitar práticas de marketing no ambiente digital e entender como se configura o portfólio de produtos. As discussões culminam, nesta unidade, com a construção do marketing pessoal, o planejamento de carreira e como elementos da área de marketing podem ser revertidos para a lógica pessoal-profissional. Por fim, pretende-se elencar alguns aspectos importantes para construção da marca pessoal, como a comunicação verbal e não-verbal, a postura profissional em diferentes ocasiões, a construção de redes de relacionamento de trabalho e a gestão do tempo em ambientes e tarefas profissionais. Palavras-chave: Marketing. Carreira. Marketing pessoal. Promoção pessoal. Marca Pessoal. Desenvolvimento pessoal. SUMÁRIO RESUMO DA UNIDADE ............................................................................................. 2 SUMÁRIO ................................................................................................................... 3 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO ............................................................................... 4 CAPÍTULO 1 - MARKETING E PORTFÓLIO DO PRODUTO ................................. 6 1.1 AVALIAÇÃO DE MERCADO E MARKETING ................................................ 6 1.2 MARKETING DIGITAL ................................................................................. 13 CAPÍTULO 1 – RECAPITULANDO .......................................................................... 22 QUESTÕES DE CONCURSOS ................................................................................ 22 CAPÍTULO 2 - MARKETING PESSOAL ................................................................ 29 2.1 MUNDO DO TRABALHO E TRANSFORMAÇÕES ...................................... 29 2.2 PLANEJAMENTO DE CARREIRA ............................................................... 32 2.3 MARKETING PESSOAL .............................................................................. 40 CAPÍTULO 2 – RECAPITULANDO .......................................................................... 44 QUESTÕES DE CONCURSOS ................................................................................ 44 CAPÍTULO 3 - COMUNICAÇÃO, MARCA PESSOAL E POSTURA PROFISSIONAL ................................................................................................. 52 3.1 CONSTRUINDO A MARCA PESSOAL ........................................................ 52 3.2 COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL ................................................ 55 3.3 POSTURA PROFISSIONAL ........................................................................ 60 CAPÍTULO 3 – RECAPITULANDO .......................................................................... 66 QUESTÕES DE CONCURSOS ................................................................................ 66 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 71 FECHANDO A UNIDADE ......................................................................................... 72 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 75 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO O marketing é um conjunto de atividades para entender, analisar e dar atendimento às necessidades dos clientes. Isso ocorre em diferentes etapas, desde a concepção de produto, serviço ou ideia até o atendimento pós-venda. A partir do desenvolvimento das organizações, da transformação da cultura, das relações de consumo e das lógicas de trabalho, o marketing passou a ser presença obrigatória em diferentes tipos de organizações, fundações, empresas e até no setor público. A compreensão da área e do campo de estudos é fundamental não apenas para quem deseja trabalhar com criação de valor ou estratégia, mas para todos os profissionais que estão inseridos em uma realidade que sofre cada vez mais transformações ágeis, onde negócios ascendem e desaparecem todos os dias. As escolhas que fazemos diariamente como consumidores estão permeadas, mesmo quando não pensamos nisso, em estratégias e ações de marketing. Por isso, o estudo desta área se afirma como necessário para diferentes áreas, mesmo aquelas em que, aparentemente, não há conexão direta. Assim, entender o composto de marketing, estratégia, lógicas de comunicação para produtos, serviços e ideias é algo que permeia não apenas unidades como empresas, mas a sociedade como um todo. Atualmente, diante de um cenário cada vez mais complexo, onde algoritmos têm determinado a forma como conduzimos nossa vida pessoal e profissional na internet, também se faz estratégico compreender como empresas se posicionam nesse meio e como diferentes ferramentas têm sido usadas para alcançar os clientes. Da mesma forma, faz-se necessário para quem está no mundo dos negócios saber como se compõe um portfólio de produtos e serviços diante das possibilidades que surgem e como se customizam processos e sistemas de comunicação. Analisar oportunidades, neste sentido, permite, além da própria capacitação, entender de forma sistêmica porque alguns itens ganham terreno e outros não, em um mercado extremamente competitivo. E se todas essas análises se aplicarem a serviços, produtos e até ideias, como fica o profissional envolvido? A mera capacitação, sabe-se, não é capaz de alavancar uma carreira ou estimular o desenvolvimento pessoal. Para tanto, é necessário pensar em um planejamento, entendendo as evidências oferecidas pelo mercado e trabalhando dentro das possibilidades e demandas existentes. O mundo do trabalho, aliás, conta com diversas inovações que rompem ciclos de forma cada vez mais dinâmica, oferecendo uma margem cada vez mais exígua de tempo para análise, compreensão e posicionamento. O planejamento visa justamente minimizar incertezas, assegurar o mapeamento de competências e permitir a atuação dentro das lacunas existentes. A partir disso, tem-se o marketing aplicado ao profissional. Trata-se de um espaço rico para apresentar ferramentas, estratégias e possibilidades na leitura de realidade, visando exaltar características e incrementar relacionamentos, pensando sempre na conquista de espaços, evolução de capacidades e avanço profissional. Para tanto, é necessário, como em uma empresa ou produto, constituir uma marca pessoal. É como um profissional poderá ser conhecido, identificado e sua reputação será estruturada no mercado. Entender e pensar em formas de atingir essa marca pessoal, seja se relacionando com outros profissionais, promovendo capacitações pessoais ou atacando limitações e restrições nas habilidades, é pensar não apenas na empregabilidade, mas na capacidade de ser um agente protagonista em um mercado de múltiplas disrupções. Essa construção de marca pode ser feita através de diferentes contextos, realidades e etapas, mas não pode desprezar a comunicação, em todas as suas formas, verbal e não-verbal, a edificação de uma rede de contatos e relacionamentos no mercado de trabalho bem como a administração do tempo e das tarefas, visando não apenas ser um profissional mais completo, mas realizado, pertinente e relevante. CAPÍTULO 1 - MARKETING E PORTFÓLIO DO PRODUTO 1.1 AVALIAÇÃO DE MERCADO E MARKETING Falar sobre marketing é adentrar em um campo bastante conhecido na rotina de quem vive em um país como o Brasil. Quando você vai ao mercado, paga por uma capacitação, quando almoça, quando escolhe uma viagem, o marketing está em tudo. Não se trata de uma atividade aleatória, demanda planejamento e cuidados éticos, técnicos e sociais. Falar em marketing é compreender um conjunto de atividades para atender necessidades de diferentes clientes. Isso não é apenas na venda ou na sedução de uma propaganda. O marketing está em todas as etapas desse relacionamento, e para atenderficará e o quanto representará para seus projetos, realização profissional e até para ganhos pessoais? Aliás, olhar o currículo não apenas em desemprego, mas em diferentes contextos e situações de mercado, com capacitações, atualizações e contatos. Em momentos de dificuldade, evite expor empresas ou colegas em redes sociais ou mesmo em entrevistas, isso costuma contar pontos negativos. Também não deve ser evitado afirmar o problema, a crise, a busca por mudança ou recolocação, lembre-se que muitos profissionais já passaram pela mesma situação que você. Portanto, é importante, passada a crise ou a dificuldade, não esquecer que momentos de prosperidade podem vir sucedidos de contextos adversos, e demandam uma preparação contínua. Fonte: CIAMPA, Amábile de Lourdes Ciampa [et al.]. Marketing pessoal e empregabilidade: do planejamento de carreira ao networking. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. PARA SABER MAIS Vídeo sobre o assunto: Entrevista sobre marketing pessoal com Ana Paula Assis, presidente da IBM para a América Latina para a revista Forbes https://www.youtube.com/watch?v=BXO-5mNJwqA Série Selfie - Uma mulher chamada Eliza preocupada em demasia com a imagem nas redes sociais se torna vítima de um vídeo viral e ganha muitos seguidores e pede ajuda de um especialista em marketing para reparar sua imagem. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS CIAMPA, Amábile de Lourdes Ciampa [et al.]. Marketing pessoal e empregabilidade: do planejamento de carreira ao networking. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. Oliveira, Djalma de Pinho Rebouças de Como elaborar um plano de carreira para ser um profissional bem-sucedido / Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira. – 3. ed. – São Paulo: Atlas, 2018 CAPÍTULO 3 - COMUNICAÇÃO, MARCA PESSOAL E POSTURA PROFISSIONAL 3.1 CONSTRUINDO A MARCA PESSOAL É comum que muitas pessoas se dediquem incessantemente à formação, cursos, palestras, desenvolvimento de técnicas, mas não consigam projetar isso de forma sólida. De outro lado, há quem se relacione muito bem, consiga projetar contatos, vender seu capital social de forma extraordinária, mas o conteúdo não sustenta a projeção. Ritossa (2011) lembra que nos dois casos o sucesso profissional está distante. Isso porque, se de um lado o planejamento é fundamental para que não se perca esforços de maneira improdutiva, também temos que o mercado não é um espaço meramente de aparências ou visibilidade (embora isso também exista). Ao longo dos anos, a responsabilidade pelo gerenciamento das carreiras foi transferida da organização para o colaborador e é aí que o marketing pessoal pode ajudar. Como já mencionado, qualquer profissional pode usá-lo, embora seja comum ouvirmos que está associado a freelancers ou autônomos por necessariamente deverem obter clientes de maneira recorrente. Ter autenticidade, consistência na comunicação, equilibrar estilo e conteúdo, buscar feedbacks e reavaliar motivações e caminhos são ideias importantes para saber se a sua marca pessoal está no caminho que desenha. Muitas vezes, tendemos a pensar a construção da marca pessoal apenas quando ela ocorre de maneira formal, como em um currículo, mas isso ocorre diariamente. Embora seu currículo possa ser adaptado para distintas oportunidades, você não pode mostrar que tem um atributo e não mostrar. Da mesma forma, não pode ter um currículo moderno e dinâmico disponível online e um currículo formal e conservador em uma seleção de uma grande empresa. É comum, quando se estuda gestão, falar da missão, visão e dos valores de cada empresa. É praticamente o alicerce para um planejamento. A visão é a percepção de futuro, e no caso do plano de carreira pessoal, também pode funcionar como um norte, algo como "alcançar a posição de diretor de arte em uma agência nos próximos 5 anos". Os valores, no caso das empresas representam atitudes esperadas dos funcionários, e para o profissional, também pode ser um rumo. O que é certo ou errado para cada pessoa? Até onde vai o limite para determinadas técnicas, práticas, rotinas? É pensar nisso que vai permitir, por exemplo, que um profissional busque se direcionar para uma empresa ou empreender sozinho. Por último, a missão, que é o propósito de vida. Embora pareça relativamente simples descrever, é o que pode tomar alguns anos da vida de qualquer profissional, já que não é uma reflexão simples. Na verdade, a missão deve ser encarada como um compromisso, como algo que dá sentido a nossas vidas e se torna um ponto para o qual todas as nossas ações convergem. Um exemplo simples seria uma pessoa que considera como sua missão de vida cuidar de seus filhos enquanto pequenos e que não aceitaria uma oportunidade de trabalho em outra cidade, a não ser que pudesse levá-los consigo. Em outras palavras, missão de vida é algo que não pode ser substituído por dinheiro (RITOSSA, 2011, p. 56). Conhecer os limites e potencialidades profissionais é algo fundamental para que a decisão sobre continuidade, mudança ou investimento na carreira seja tomada com base na consistência. Saber os limites é entender até onde se pode chegar, por diversas razões, técnicas, sociais, econômicas, culturais, familiares. Já as potencialidades são o que tornam possível realizar algo. Outro aspecto importante na definição, construção e desenvolvimento de uma marca pessoal é diagnosticar o ambiente. Quando falamos em ambiente, queremos dizer cenários, variáveis para o futuro. No caso da carreira, é buscar informações e referências. É claro que algumas projeções podem ser falhas, mas organizar um programa sobre o mercado de trabalho nos permite tirar proveito de chances. Imagine um advogado na área trabalhista. É importante que ele acompanhe um noticiário sobre reforma trabalhista, acesse artigos, debates porque isso impacta de forma determinante não apenas o que faz agora, mas o que fará no futuro. 3.1.1 Personal branding Até agora falamos muito de construção de marca, mas para alguns autores e consultores de carreiras, no entanto, merece uma atenção específica a percepção dos demais. Isso porque é comum reconhecermos escolhas de empregadores e empresas a partir das percepções. O marketing comunica o que a pessoa está fazendo. O branding é como o público percebe o que a pessoa faz, acredita e porque existe. A mais simples definição de marca que podemos dar é compará-la à reputação. É como o público sente e o que pensa a respeito da pessoa. Branding é sobre entendimento. Ou seja, como um consumidor acha que a empresa pensa e porque ela existe. O que nos traz de volta à comparação de que marca é igual a reputação (BALDANZA, 2003, p. 88). O branding, então, para diferentes autores, é a tradução da marca e para Baldanza (2003, p. 58) há aspectos importantes para entender o branding, que coadunam, de alguma forma, com o que mencionamos anteriormente: a pessoa é o resultado dos sinais que emite, a pessoa não é o que está colocado no seu cartão de visitas e a pessoa é um empreendimento, e um empreendimento precisa de gestão. A internet oferece ferramentas no sentido de promover a marca pessoal. Martins (2011) cita, por exemplo, o blog e o Linkedin, rede social corporativa. Produzir conteúdos, análises ou fazer curadoria nos dá margem para criar credibilidade, gerar reputação e nutrir a imagem. Não se deve esquecer, no entanto, da constância. Um blog bem escrito, com conteúdos originais e uma rede social aberta que se envolve em discussões e prolifera preconceito, por exemplo, pode ser a barreira para um profissional deixar de ascender. Uma pesquisa da Carrerbuilder, realizada em 2017, mostra que 7 em cada 10 recrutadores olham redes sociais para avaliar um candidato antes de contratá-lo. É possível dizer, inclusive com base no levantamento em anos anteriores, que o dado não para de crescer, tornando a perspectiva de um marketing pessoal cada vez mais importante. Segundo a pesquisa, algumas razões encontradas simplesmente eliminaram candidatos de disputas ou processos. Alguns indicadores encontrados foram fotografias, vídeos ou informações inadequadas (39%), informações sobre beber ou usar drogas(38%), comentários discriminatórios sobre raça, gênero e religião (32%), comentários negativos sobre empresa ou colega anterior (30%), o candidato mentiu sobre qualificações (27%), o candidato estava ligado a comportamento criminoso (26%) e o candidato compartilhou informações confidenciais de empregadores anteriores (23%). São indicativos de que a marca pessoal não sustenta eventuais pesquisas ou aprofundamentos. É impossível se descolar de uma construção diária do trabalho ou das práticas profissionais apenas para tentar uma vaga ou uma oportunidade. Por isso, a importância da análise e reconhecimento de forças e fraquezas mencionadas anteriormente. 3.2 COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL É indissociável, ao falar de planejamento de marketing pessoal, falarmos em comunicação. Normalmente, ao abordar essa ideia é comum pensarmos em comunicação para momentos específicos, como em entrevistas de emprego, apresentação de projetos ou relatórios, venda de ideias ou convencimento de equipes. Falar em comunicação, no entanto, é referir algo mais amplo. A comunicação é um próprio campo do conhecimento, aliando estudos sobre filosofia, sociologia, política, semiótica, etc. Embora não seja o propósito deste texto referir detalhamento sobre isso, é importante pensar que a comunicação não ocorre apenas em uma situação. Comunicar significa, em essência, tornar comum, compartilhar. Portanto, comunicar não é apenas falar, mas se fazer entender, ter a mensagem assimilada e processada da maneira mais adequada. Mas o que isso tem a ver com marketing pessoal? Tudo: Tendo na comunicação a maneira de transmitir ao mundo mensagens que destacam valores, pensamentos, posicionamentos, é necessário que todo o profissional esteja ciente dos efeitos de uma comunicação realizada com ruídos ou as consequências de uma má comunicação (LIGIDA dos SANTOS, 2000, p. 55). Maxwell lembra que comunicação e conexão estão associadas, à medida que se comunicar bem se conecta com a capacidade de aumentar a influência e se posicionar de modo a incrementar relacionamentos e aumentar habilidades. Planos e projetos bem sucedidos estão ligados a uma boa comunicação. Toda comunicação passa por um esquema que envolve emissor, mensagem, canal, receptor e resposta, dentro de um contexto. Emissor é quem emite, a mensagem é o que é transmitida, o canal é por onde se transmite, o receptor é aquele que receberá a mensagem ou a quem se destina e a resposta é o feedback. É importante lembrar, como diz Torquato (1986) que a codificação e decodificação de mensagens são vitais na comunicação. A eficácia da comunicação se mede pela resposta, ou seja, se alguém recebeu, mas não deu a resposta esperada, pode ter havido eficiência, mas não eficácia. Um ruído, como é chamado um problema na transmissão da mensagem, pode colocar tudo a perder. Ritossa (2011) enumera alguns aspectos e fatores emocionais e ambientais que podem atrapalhar a comunicação na sua trajetória mercadológica. Em um primeiro grupo, podemos encontrar bloqueios, que ocorrem por motivos afetivos. Como destaca a autora, é possível evitar esse tipo de restrição por conta de pré-julgamentos ao "perceber se estamos realmente ouvindo o outro ou se estamos apenas olhando e mantendo nosso preconceito em relação a ele" (p. 126). Também pode haver restrição na comunicação por conta de filtragem. Ao falar dessa palavra aqui, estamos alertando para algo comum, reconhecer que sempre que ouvimos, seja uma pessoa, palestra, notícia, o fazemos com algum filtro, e que isso ocorre também quando recebemos algum tipo de crítica. Assim, é importante entender esse procedimento e compreender os pontos de vista alheios, sabendo reconhecer sua contribuição. Há também o ruído, que não é necessariamente um ruído sonoro, mas algo que atrapalha a decodificação da mensagem. Neste caso, devemos exercitar a atenção para oferecer clareza nessa comunicação. A partir disso, é importante conhecer os obstáculos que ocorrem durante a comunicação, que podem ser de múltiplas ordens: A autossuficiência comumente nos leva a ignorar interpretações de mundo e falas alheias por entendermos que já sabemos tudo. No mundo corporativo, há inúmeros projetos e ideias que deixam de transitar ou evoluir diariamente por conta da autossuficiência de um profissional, que acaba bloqueando a comunicação e fechando a porta para eventuais contribuições construtivas. Os preconceitos são extremamente nocivos na construção de uma comunicação eficaz e podem afetar de forma determinante a construção pessoal. É comum que usemos uma espécie de óculos da nossa realidade para avaliar o mundo exterior. Seja por nossa perspectiva social, econômica, religiosa, política ou geográfica, não é incomum olharmos para o interlocutor antes mesmo da mensagem. Em tempos de extrema polarização política, isso pode afetar de forma determinante não apenas projetos corporativos, mas construções de carreira. Imagine um curso feito por alguém que você discorda em várias esferas. Esse alguém comenta sobre o curso, o quanto foi produtivo e importante para a trajetória, e você se inclina a diminuir a importância, a assimilação ou mesmo a validade, já que tem ressalvas à pessoa que informou. Talvez o curso pudesse ser uma boa oportunidade para você, também. O emprego incorreto de palavras também pode ser nocivo. É comum que profissionais de alguma área, ainda que sem intenção, usem o vocabulário técnico para referendar sua formação. Assim é com médicos, advogados, economistas etc. Não há um problema, se os profissionais estiverem se comunicando com colegas, mas quando o interlocutor é de fora da área, isso pode ocasionar perda de interesse. A fala deve sempre ser direcionada para as pessoas que vão ouvi-la. Pensando em comunicação para uma marca pessoal, isso também pavimenta um caminho de acessibilidade, comunicabilidade e didatismo. A dificuldade de expressão é um desafio na comunicação das organizações. Isso ocorre quando "o emissor não possui um fluxo de pensamento lógico e não consegue achar palavras adequadas para expressar sua mensagem" (p. 128). Ao falar em público, em especial, Ciampa et al (2014) lembra que alguns aspectos devem ser observados. A idade, que pressupõe modelos mentais distintos, o gênero, que está ligado a diferentes processos no mercado. Por exemplo, ao falar de políticas salariais para mulheres, reconhecer a desigualdade que o Brasil tem é um passo para criar empatia. Ao abrir a opção gênero não identificado em um questionário, é possível fazer com que pessoas se sintam acolhidas e se abram à comunicação de uma organização. O nível sociocultural, que pode tornar mais fácil ou complexa a decodificação de um dado ou contexto. O ambiente e o espaço, que são questões físicas, mas podem determinar a audição ou não de uma fala. A expectativa elinha de pensamento e o preparo dos ouvintes são contextos fundamentais no preparo de uma fala, seja para 10 ou para 300 pessoas. 3.2.1 Comunicação não-verbal Até agora, falamos de discursos, práticas e conversas. Mas, nem toda comunicação é feita de forma verbal. Expressões corporais, faciais, roupas, penteados, comportamentos, imagens, códigos, tudo isso pressupõe mensagens, que podem ser decodificadas de formas distintas. A partir dissoé importante que os profissionais aprendam a se perceber e a controlar seus comportamentos desfavoráveis para que o diálogo se desenvolva eficazmente dentro do ambiente corporativo (Ciampa et al, 2014, p. 132).Para tanto, é importante perceber a si mesmo. A cada comunicação temos gestos, expressões, tons de voz, vícios, formas. Lembra do planejamento para sua marca? Digamos que um profissional queira se reafirmar como um professor, palestrante ou até mesmo youtuber didático, acessível, inteligível. Uma comunicação corporal tímida, sem gestos, recolhida pode depor contra esse profissional, ainda que seu conteúdo seja impactante.Não é tão simples entendermos dificuldades e desvantagens, no entanto, há elementos como medo, preocupação, autoestima, que são emocionais. Há também questões deordem física, como a voz (tom, altura, etc.), dicção, velocidade de fala, expressões corporais e aparência, que determinam de forma objetiva o quanto de compreensão pode ser adquirido. Por último, existem elementos técnicos, como ideias desorganizadas, vícios de linguagem e uso inadequado de recursos audiovisuais (como softwares de apresentação).É comum lermos em sites, blogs e afins recomendações muito explícitas ou taxativas sobre imagem na comunicação. Mas a verdade é que, ainda que exista uma lógica de apresentação e códigos sociais entre grupos e empresas, há margem para cada área. Um profissional para trabalhar em uma academia de musculação se apresenta de forma distinta de um corretor de imóveis. Um funcionário de atendimento de uma loja de vestuário jovem se apresenta diferentemente de um fisioterapeuta de uma casa de repouso para idosos. O mais importante é que Nossa imagem deve transparecer competência e seriedade, pois estamos representando a classe profissional da qual fazemos parte. No entanto, cada cargo ou função tem particularidades e características próprias a serem observadas, ou seja, não há regra que possa ser aplicada igualmente a todas as áreas profissionais, há diferenças entre empresas e cargos que devem ser respeitadas ( Ciampa et al, 2014, p. 136). Embora pareça uma assertiva óbvia, é muito comum passar por dúvidas sobre imagem, especialmente estética em oportunidades como apresentações, novos trabalhos, etc. Na dúvida, a recomendação é de sobriedade, até que se possa conhecer profundamente o contexto ou área. Ainda se tratando de uma apresentação formal, também é importante levar em conta alguns aspectos que comunicam tanto quanto as palavras ditas. Usar o espaço físico de forma adequada, com movimentos harmônicos e calmos, ficar mais próximo dos interlocutores para gerar confiança, evitar repetições excessivas de movimentos, não deixar as mãos no bolso, descruzar os braços, evitar dar as costas para o público, manter o contato visual, sorrir e se certificar do domínio da apresentação, evitando apenas ler o que está escrito nas páginas ou slides. IMPORTANTE Algumas dicas importantes para expressão oral são atentar à dicção, olhando para a pronúncia dos sons e palavras, do corpo, atentando para questões como braços cruzados, que geram desconfiança, evitar escorar-se para trás na cadeira (pode denotar hostilidade). Outros sinais não-verbais: nem muitos, nem poucos gestos em uma apresentação, evitar mãos nos bolsos, evitar cruzar os braços e atentar para tiques nervosos, prestar atenção ao público, mas evitar concentrar o olhar em apenas uma pessoa. Como destacam Adler e Rodman (2003), comunicar com um clima emocional, expressando as mensagens, ajudar a desenvolver um clima harmônico, valorizando o receptor. Manter a comunicação clara e mostrar confiança no assunto debatido ajudam a gerar uma boa imagem profissional. Sobre roupas, ainda que existam inúmeros códigos e recomendações, a melhor escolha sempre é seguir o protocolo, mesmo que não declarado do seu trabalho. Entender a área de atuação, se há atendimento ao público, o grau de formalidade, a necessidade de cada área. Na dúvida, buscar orientações e manuais de organizações, ou mesmo orientações do Departamento de Recursos Humanos. 3.3 POSTURA PROFISSIONAL Em alguns momentos mais específicos, as discussões sobre projeção pessoal, postura e desenvolvimento de marca aparecem com mais proeminência. Um deles é a entrevista de emprego. Em diferentes carreiras, áreas, segmentos e oportunidades, se demandam distintos formatos de entrevista. Muitas vezes individual, algumas vezes em dinâmicas de grupo, em outras ocasiões são séries de entrevistas com diferentes profissionais. Ciampa et al (2014) propõe algumas orientações que se alinham à construção de um plano de marketing pessoal. A primeira é "nunca mentir no currículo". Isso significa que o profissional deve se certificar integralmente de que as informações disponíveis no CV são verdadeiras, sustentáveis e críveis. A segunda, ainda sobre currículo é que, se houver alguma mudança, reimprima o novo currículo e leve-o consigo. Isso pode ocorrer quando há algum curso, trabalho, prêmio etc., que o profissional queira destacar. Outra recomendação é a pontualidade. Muitas vezes, como mencionado, o primeiro impacto que um recrutador ou gestor pode ter a seu respeito está ligado a essa entrevista. Chegar atrasado pode influenciar no juízo de quem seleciona. Como destacado antes, falar claramente, especialmente em uma entrevista, é ainda mais importante, já que, além de denotar segurança, pode ser determinante na forma como a mensagem é passada. Uma recomendação relevante é pesquisar sobre a empresa: Toda informação sobre a empresa que o está contratando é importante e certamente servirá para demonstrar ao entrevistador o seu interesse. Mas onde buscar essas informações? Você̂ pode visitar o site da empresa, buscar notícias sobre ela nas diversas mídias e até́ mesmo com os concorrentes. Dessa forma, estará́ preparado para a entrevista, e isso é fundamental para ter sucesso no processo seletivo (CIAMPA ET AL, 2014, p. 72). Sabemos que é impossível que um candidato saiba com exatidão o que será perguntado e qual a dinâmica de avaliação do(a) recrutador(a). Ritossa (2011), alerta, no entanto, que existem assuntos mais passíveis de questionamento, como aqueles envolvendo habilidades, experiências e projetos. Sendo assim, o ideal é refletir com antecedência. Um levantamento publicado em 2005 em Portugal, mas que encontra eco no Brasil, aponta que antipatia e comentários depreciativos são causas determinantes para uma má impressão por parte dos recrutadores. Figura 9 -Os erros mais graves que um candidato pode cometer numa entrevista de emprego Fonte: Hays Recruting Experts Guia do mercado laboral, 2015 A chamada etiqueta envolve um conjunto de normas de conduta para diferentes ocasiões, desde um escritório até solenidades, enquanto a empresarial, elenca regras de comportamento para que sejam usadas no ambiente de trabalho, buscando a promoção do convívio entre todos e evitar situações constrangedoras. Dentro dessa lógica, estão vestimentas, pontualidade, trato pessoal, etc. 3.3.1 Networking Como já desenvolvido anteriormente, o marketing pessoal depende não apenas de planejamento ou organização de ações, mas da sintonia delas com as aspirações pessoais. Uma das ferramentas para desenvolver isso é o networking. A palavra significa a construção de uma rede de relacionamento. É comum que os profissionais recorram a sua agenda de contatos em momentos necessários, por exemplo, na busca por uma indicação, parceria, troca ou proposta. No entanto, dentro de um planejamento de marketing pessoal, deve-se levar em conta que Toda vez que construímos uma nova relação, podemos ampliar a nossa gama de conhecimentos, competências, habilidades e novos hábitos. Isso estimula a inteligência e a criatividade e nos permite ter uma visão mais ampla das coisas e do mundo. Vamos ver o lado prático dessa questão. Adquirindo uma extensa rede de contatos, automaticamente você̂ passa a ter maior facilidade em realizar novos negócios para a empresa. Sua influência no mercado passa a ser maior, inclusive para procurar um novo emprego (CIAMPA ET AL, 2014, p. 55). Diferentes estudos mostram que a maior parte das oportunidades de trabalho não são publicadas. Isso significa que a única forma de alçar a esses postos é ter o caminho certo e isso não é demérito algum para qualquer profissional. Em alguns casos, um contato rápido pode ajudar a construir um networking, mas é necessário analisar caso a caso, porque a impessoalidade pode ser deveras prejudicial para a construção da rede. Outro aspecto importante é que os laços de comunicação devem ser construídos de forma periódica. Isso não é tão difícil, especialmente levando em conta as possibilidades trazidas pelas redes sociais, especialmente aquelas relacionadas a carreiras e negócios, como o Linkedin. Também evite fazer disparos massivos de pedidos de indicação ourespaldo e inicie esse processo por pessoas próximas, depois conhecidas e só depois, eventualmente, pessoas de fora do ciclo de conhecimento. É improvável que alguém responda a uma demanda percebendo que não foi diretamente acionado, mas em um grupo de conversas ou e-mails, por exemplo. O conteúdo, neste sentido, é uma boa ferramenta. Compartilhar reportagens, textos, artigos, desde que, claro, com caráter técnico, jornalístico ou científico, pode ser um veículo para conectar pessoas. Outra técnica é participação em eventos na área. Fóruns, palestras, seminários, simpósios costumam, além de trazer preciosa bagagem, criar interlocuções com outros profissionais. Para levar em conta a construção dessa rede, é importante lembrar da ideia de carreiras horizontais e verticais, sendo a promoção horizontal aquela quando se recebe um aumento mesmo sem mudar o nível hierárquico e a vertical o deslocamento entre áreas da mesma empresa. Além disso, são possíveis parcerias, como no caso de prestadores de serviços, co-workings, fóruns de economia colaborativa, cooperativas etc., e até mesmo com concorrentes que ajudam a agregar competências, dividir visibilidade e compartilhar custos e possibilidades. SAIBA MAIS Para conquistar mais espaço e tirar proveito do uso da rede social Linkedin, não basta ter muitas conexões, as chamadas amizades, mas produzir engajamentos com esses contatos. Exemplos disso são postagem que podem ser realizadas para estimular a interação com usuários, e fazer isso com outras pessoas, desde que haja interesse real no assunto. Quando se trata de um processo seletivo, é importante manter o perfil completo e atualizado, porque a própria rede valoriza esses atributos. Vale acrescentar trabalhos, projetos acadêmicos, voluntariado, extensões, tudo pode contribuir, desde que faça sentido no todo, para uma colocação profissional. O uso de vídeos também é uma boa dica, desde que alinhado com o perfil e a marca pessoal 3.3.2 Gestão do tempo Embora não pareça ter uma conexão direta, administrar o tempo nas atividades, buscas, relacionamentos e práticas é uma parte essencial na execução de um plano de marketing pessoal. Com a chegada de inúmeras ferramentas para medir produtividade, se tornou mais fácil otimizar o tempo de trabalho. Para gerir o tempo deve-se analisar duas dimensões: o urgente e o importante. Assim, todas as atividades deverão ser classificadas segundo estas variáveis. Pode parecer simples, mas na prática administrar tarefas é algo que exige atenção. Com muitas soluções no celular, computador ou nas estratégias corporativas, no entanto, há algum grau de ansiedade. É justamente isso que deve ser evitado ao definir uma hierarquia nas tarefas. Essa divisão entre urgente e importante é necessária, sobretudo em tempos de hiperconectividade em devices como smartphones, notebooks e tablets. Segundo uma pesquisa da empresa americana de coaching Triad Consulting, um profissional de gestão recebe em torno de 55 e-mails por dia e gasta cerca de 3 horas para responder todas as mensagens. O importante a ser compreendido pelo profissional que está desenvolvendo uma prática de planejamento de marketing pessoal na carreira é que ferramentas sempre devem ajudar. Isso é óbvio? Talvez, mas muitas vezes o uso de ferramentas, especialmente as de gerenciamento de tempo, se torna uma razão por si só. Não é incomum um profissional perseguir o preenchimento de tabelas, horários, rotinas e até de custos sem compreender ou quantificar o que isso realmente incrementa no seu trabalho. Outra coisa importante é entender quais tarefas do cotidiano profissional são estratégicas e quantas são utilitárias ou automáticas. Pensemos no caso de um secretário de um escritório de advocacia. O atendimento ao telefone, descarte de documentos, apagamento de e-mails antigos são tarefas mais rotineiras, mas a criação de projetos para gerenciar tempo, o envio de comunicações para clientes, o desenvolvimento de eventos ou conteúdos internos demandam mais criatividade. Há um risco de gastar parte da rotina e do dia atribuindo energia demais às tarefas mais operacionais e não às criativas. Ainda sobre prioridades, é importante tentar, nem que não seja sempre possível, estabelecer prazos para as tarefas do cotidiano. Mesmo para uma busca de trabalho, como mencionamos anteriormente: quanto tempo para contatos telefônicos? Quanto tempo para eventos? Ainda que seja necessário ampliar o prazo dado, ter uma meta de tempo ajuda a construir uma rotina mais harmônica. Por fim, diferentes manuais sobre gestão e administração do tempo fazem referência ao saber negar. Por aspectos culturais e históricos, é comum encontrar dificuldades de dizer não, tanto para tarefas, quanto para oportunidades, desafios, apoios. Saber reconhecer os limites (dentro do plano pessoal de carreira) contribui para que a progressão de carreira ocorra dentro das perspectivas construídas. Dizer não a uma oferta de trabalho não parece sábio, certo? Mas dizer não a uma empresa que notadamente não se alinha à perspectiva ética e técnica do profissional pode ser uma condição para que seu planejamento seja cumprido adiante. Sugere-se o uso da Matriz de Eisenhower: Tabela 2 - Matriz de Eisenhower Fonte: Covey, 2017. A partir disso, permite-se a organização e evita-se a procrastinação que, por muitas vezes, faz o profissional ser improdutivo. FIQUE ATENTO Nem sempre procrastinar é algo que demanda organização ou estratégia pura e simplesmente. Há casos em que pode ser mais sério, como parte de transtornos, como o obsessivo-compulsivo e do déficit de atenção. Nesses casos, segundo diferentes profissionais da psicologia, o sofrimento vivido não necessariamente faz a pessoa mudar de comportamento. A recomendação para profissionais é adotar planilhas, ferramentas, técnicas e estratégias, mas quando isso não for suficiente, procurar ajuda de profissionais que possam dar suporte em saúde mental pode ser uma necessidade. NA MÍDIA CONTRA O BURNOUT, EMPRESAS CONTRATAM PSICÓLOGO VIRTUAL Um robô virtual acompanha diariamente o humor dos funcionários de uma empresa. Uma plataforma oferece terapia on-line e presencial. Um selo indica as companhias que cuidam do bem-estar de seus colaboradores. Aos poucos, iniciativas ligadas à saúde mental no trabalho começam a se destacar no Brasil para fazer frente ao cenário de crescente ansiedade e esgotamento causado pelo trabalho que caracterizam a síndrome conhecida como burnout. Fonte: Revista Época Negócios Data: 09 de fevereiro de 2020. Leia a notícia na íntegra: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/n oticia/2020/02/contra-o-burnout-empresas-contratam-psicologo-virtual.html NA PRÁTICA É necessário ter cuidado para que ferramentas de produtividade, gestão de tempo e organização não se tornem uma obsessão, um tormento profissional. Entre muitos coaches e orientadores da área, é comum perceber que as tecnologias que deveriam ajudar se tornam controladoras da vida pessoal e profissional. É necessário saber lidar com o fluxo excessivo de informações, dados e estímulos a todo momento, e deve-se ter cuidado com as ferramentas: um aplicativo, uma tabela, uma planilha, um calendário… Qual funciona melhor para cada perfil profissional e como usar? Para alguns, registrar todas atividades cotidianamente não é um problema, enquanto para outros, há uma severa dificuldade de fazer isso. Aplicativos como o Wunderlist, por exemplo, permitem que se crie tarefas e agende por meio de um calendário, e cada ferramenta tem listas separadas. O Trello, por sua vez, funciona de maneira colaborativa, permitindo organizar atividades e distribuindo com uma equipe e todos podem monitorar o que está se desenrolando naquela tarefa. Nele, é possível separar em quadros, listas e cartões. Há ainda modelos de matriz como a citada anteriormente, que podem ser feitas com recursos mais simples, como softwares de teto e tabelas. Outro método recorrente é o 5W2H, que pressupõe a sequência de perguntas: What (o quê), why (por que), where(onde), when(quando), who(por quem), how (comoserá) e how much(quanto vai custar). A partir da resposta das questões, se tem o passo inicial para iniciar um trabalho, podendo dividir a responsabilidade em objetivos menores. O importante é, claro, conhecer a ferramenta adequada para cada perfil e até mesmo mudá-la se for necessário. Da mesma forma, é importante medir quanto tempo se gasta para usar o aplicativo e se ele está apresentando resultados adequados. Fonte: SANTANA, Fabiano. 7 Ferramentas práticas para turbinar a sua gestão. 2016 PARA SABER MAIS Filme sobre o assunto: O discurso do Rei (2010) Vídeo: A coordenadora de seleção da consultoria de RH Luandre, Letícia Andrade, lista as 10 perguntas mais utilizadas em entrevistas de emprego https://www.youtube.com/watch?v=gZXY8EzroY8 INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS RITOSSA, Cláudia M. Marketing Pessoal – Quando o produto é você. 1 ed. Curitiba: Ibpex, 2011. ADLER Ronald B.; RODMAN George. Comunicação humana. Rio de Janeiro: LTC. 2003 CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebemos que é importante entender as práticas de marketing, desde a própria concepção da área, os aspectos envolvidos, as formas de promover um produto, serviço ou ideia, visando incremento de vendas, posicionamento e aumento de alcance. É indissociável da vida corporativa pensar na dimensão do marketing em diferentes facetas da realidade mercadológica, especialmente na internet, onde o segmento ganha particularidades, com oportunidades para agentes de diferentes portes, lógicas, estratégias e segmentos. Se produtos, ideias e serviços podem contar com estratégias, processos e dinâmicas, percebeu-se que isso pode ser estendido à própria lógica dos profissionais. Em um mercado competitivo, transformado e acelerado, é importante que o profissional consiga fazer um planejamento pessoal, contemplando diferentes aspectos. O marketing pessoal pressupõe a valorização de qualidades profissionais e influência sobre a construção de imagem e marca pessoal. Para tanto, alguns procedimentos devem ser feitos por parte do profissional, atentando não apenas para a formação ou trabalho, especificamente, mas para a postura profissional, a comunicação em diferentes esferas, o relacionamento com outros profissionais e agentes do mercado e a gestão e administração do tempo. Ainda que para alguns profissionais pensar em administrar a própria carreira seja algo orgânico, é importante pensar de forma estratégica, visando não apenas se colocar dentro de um cenário de desafios, mas também aumentar a possibilidade de se inserir dentro de diferentes realidades que possam emergir.seus públicos, é importante conhecer bem hábitos, vontades, anseios etc. Segundo a AMA (Associação Americana de Marketing), Marketing é a atividade, o conjunto de instituições e os processos para criar, comunicar, entregar e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e sociedade em geral. Pesquisa de marketing é a função que liga o consumidor, o cliente e o público ao profissional de marketing por meio de informações - informações usadas para identificar e definir oportunidades e problemas de marketing; gerar, refinar e avaliar ações de marketing; monitorar o desempenho de marketing; e melhorar a compreensão do marketing como um processo. A pesquisa de marketing especifica as informações necessárias para resolver esses problemas, projeta o método de coleta de informações, gerencia e implementa o processo de coleta de dados, analisa os resultados e comunica os resultados e suas implicações. (AMA, 2017). Normalmente, o marketing está dividido entre quatro decisões e ações que formam uma espécie de composto de marketing, que seriam produto, preço, praça (distribuição) e promoção (comunicação). Esses 4 Ps são decisões ou ações que uma empresa ou organização usa para atender necessidades de um mercado. Antes de falar sobre como isso ocorre, é importante revisar essas atividades do composto de marketing. O Produto - É o item, ideia ou serviço negociado ou vendido pela empresa. Bens são aqueles que podem ser tocados, como um alimento, um celular, um carro ou uma garrafa de cerveja. São bens tangíveis, mensuráveis, que o consumidor é capaz de sentir. Já os serviços são intangíveis, e não podem ser separados do fabricante. Muito do que se oferece é uma combinação de bens e serviços. Quando você vai a um hotel, paga por serviços, ou quando investe em uma formação. As ideias, por sua vez incluem conceitos que também podem ser comercializados de alguma forma. Dentro do P produto é necessário entender quais características do que se está oferecendo, respondendo questões como: quando e como um cliente vai usar esse item, serviço ou ideia? Como é? Qual o nome? Como ele é diferente do que já é oferecido em outros lugares? Quais necessidades esse produto, serviço ou ideia satisfaz? O P de preço, ao contrário do que pode parecer, nem sempre é monetário. É tudo aquilo que o cliente renuncia - por exemplo, dinheiro, tempo, energia, disposição em troca de determinado item ou serviço. Há uma série de fatores que determinam o preço de algo, entre eles o valor do que se oferece para o consumidor, as faixas de preço para produtos e serviços em cada área de distribuição, o comportamento do cliente e disposição para desembolsar algo (tempo, dinheiro), a possibilidade de segmentação de acordo com públicos e ofertas e a concorrência, só para citar alguns. O preço está conectado diretamente, portanto, à percepção da marca pelo público consumidor. O terceiro P, de praça, ou distribuição, está ligado a toda cadeia necessária para levar um produto a um cliente no momento em que o cliente deseja. Trata-se, de certa forma, da colocação no mercado de um produto ou serviço, ou como algo chega ao consumidor. Está associado a como o público busca por produtos e serviços, se há estabelecimentos como pontos de venda, quais são, se há presença virtual, como ela é, e quais os canais de distribuição ou acesso disponíveis atualmente. Como podemos pensar, não adianta um item, por exemplo, um pacote de macarrão, ser saboroso, nutritivo, bem embalado, acessível para a maioria e não estar disponível em supermercados ou lojas. O último P é o da promoção ou comunicação, é como a empresa informa, comunica ou lembra os clientes em relação a um bem ou serviço para influenciar pessoas e demandar uma resposta. A comunicação é capaz de incrementar o valor de um bem ou serviço. Não confundir com a promoção como as liquidações, às quais estamos habituados em determinadas épocas do ano, aqui, está se falando de mensagens para o público, escolha de canais e ações para apresentar soluções, escolhas de estratégias e análise de concorrência. Esse mix contribui para nortear qualquer negócio, não apenas para incrementar vendas, mas no sentido de fidelizar públicos e mantê-los. SAIBA MAIS Valaria Zeithamil e Mary Jo Bitner (2003) adicionaram 3 ps ao mix de marketing tradicional, pensando no cliente como foco. O P de pessoas está ligado ao atendimento de hábitos e desejos dos consumidores, da visão sobre os colaboradores que fazem o atendimento. O P de processos está ligado a ações para deixar os clientes satisfeitos, desde o início até depois da venda. Já o P de percepção tem a ver com a expectativa ou ideia do cliente sobre a empresa, permitindo entender aspectos sobre produto ou serviço. Estratégia Quando falamos em estratégia de marketing, nos referimos à ideia de planejamento, de organização antes de qualquer medida prática por parte da empresa. Uma estratégia de marketing envolve o mercado alvo de uma empresa, os 4 Ps que mencionamos anteriormente é a base sobre a qual a empresa quer ter uma vantagem competitiva sustentável: vantagem competitiva sustentável é uma vantagem que põe a empresa à frente da concorrência, não pode ser facilmente alcançada e, dessa forma, pode ser mantida por um longo tempo. A vantagem competitiva é como um muro erguido pela empresa em torno de sua posição no merca- do. Com esse muro, os concorrentes do lado de fora têm dificuldade para manter contato com os clientes do lado de dentro – conhecidos como mercado-alvo. Se a empresa tiver construído um muro em torno de um mercado atraente, é óbvio que os concorrentes tentarão derrubá-lo. Com o tempo, as vantagens se desgastarão em virtude dessas forças competitivas. Contudo, ao construir muros altos e espessos, as empresas podem manter essa vantagem, minimizar a pressão do concorrente e impulsionar os lucros por mais tempo. Dessa forma, o estabelecimento de uma vantagem competitiva sustentável é vital para o desempenho financeiro positivo de longo prazo. (GREWAL, 2016 p. 25) Para tanto, há quatro estratégias dominantes no composto de marketing para que essa vantagem competitiva se estabeleça, sendo a excelência com clientes, a operacional, a de produto e a de localização (física ou virtual). Figura 1 - Macroestratégias para agregar valor ao cliente Fonte: GREWAL, 2016 A estratégia com clientes ocorre quando uma empresa pensa no valor para reter consumidores e oferece um atendimento acima da média. Entre as possibilidades para reter um cliente fiel, estão uma marca sólida, produtos diferenciados e atendimento para solidificar uma base. O atendimento ao cliente também é fundamental para se adquirir uma vantagem competitiva sustentável. Embora isso não seja fácil, já que deve acontecer de forma prolongada, entranhando-se na cultura da empresa, a construção de reputação pode se manter por um longo período. A excelência operacional ocorre através da eficiência com relação a suprimentos e relacionamento com fornecedores, o que pode baratear custos e tornar processos mais eficientes. A excelência de produto, ocorre quando a empresa oferece produtos com valor percebido alto, por exemplo, investindo em sua própria marca e na qualidade do que é oferecido. Por fim, a excelência de localização que pressupõe o acesso fácil por parte do consumidor aos itens. Isso não significa, necessariamente, investir em sedes físicas, mas disponibilizar canais para que seu produto ou serviço chegue ao consumidor final, por exemplo, por telefone, internet etc. Grewal (2016) lembra que eficiência, no entanto, não é algo que se alcança do dia para noite, muito menos um aspecto que se alcance e se permita relaxar posteriormente. Para tanto, é necessário pensar e tornar estratégico um plano de marketing. É um documento com a análise da situação de marketing, com oportunidades e ameaças à empresa, com objetivos e estratégias levando em conta os 4 Ps mencionados anteriormente. As três fases do planejamento de marketing são planejamento, implementação e controle. Essas fases se desdobramem cinco etapas. Como perceberemos mais adiante, isso não é apenas importante para quem pensa em vender mais, criar reputação para um serviço ou ampliar a divulgação de uma ideia, mas inclusive para quem pensa em ganhar mais projeção pessoal e profissionais. O plano de marketing conta com: 1) definição da missão e visão da empresa; 2) análise de diversas partes envolvidas que afetam o negócio; 3) segmentação, seleção e posicionamento; 4) os 4 Ps, já mencionados aqui e 5) avaliação do desempenho da estratégia através de métricas e correções. Figura 2 - O plano de marketing Fonte: Grewal, 2016 Normalmente, o plano de marketing compõe-se dessas etapas, mas é possível ler de diferentes formas, estratificando mais ou conectando uma a outra. De qualquer forma, é importante saber que o planejamento é responsável por sistematizar informações para desenvolver as metas. É ali que a empresa vai revisitar sua missão e entender como pode se projetar sem desrespeitar suas lógicas, processos e dinâmicas. É também ali que surge a matriz SWOT, uma ferramenta usada por muitas áreas, inclusive pelo marketing pessoal, como veremos adiante, capaz de identificar Forças (Strengths) e Fraquezas (Weaknesses), e o ambiente externo, considerando suas Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Uma vez que a situação está definida, é necessário identificar chances para aumentar vendas e lucros com o STP, que é a tríade: segmentation, targeting and positioning, ou em livre tradução, segmentação, seleção e posicionamento. A partir do STP, é possível dividir o mercado em segmentos, entender quais quer conquistar e pensar em como posicionar produtos e serviços. A etapa 4 compreende os 4 Ps já mencionados aqui e inerentes a qualquer debate sobre marketing. Por fim, é necessário avaliar, através de métricas construídas e padronizadas pela empresa, os resultados. Comunicação Embora a discussão sobre criação e desenvolvimento de valor seja por si só um tópico importante, é indispensável pensar que a comunicação ganha, ainda mais no cenário atual, uma dimensão estratégica absoluta em qualquer planejamento de marketing. E à medida que os estímulos que recebemos não param de aumentar, seja por número de canais, dentro da internet ou presencialmente, como eles chegam ao consumidor e são lembrados por ele é algo ainda mais complexo. Embora não seja o nosso objetivo aqui, é importante lembrar que qualquer dinâmica de comunicação está submetida a uma lógica de um emissor, que manda a mensagem, a própria mensagem, que é o que se quer dizer, através de um canal, que é por onde a mensagem vai circular, através de um código (palavras, som, estímulos visuais, etc.), para um receptor. Figura 3 - Exemplo do processo de promoção/Comunicação em unidades de informação Fonte: Portal do Grupo de Pesquisa em marketing da informação, 2005. Assim, é importante entendermos que cada receptor decodifica uma mensagem de uma forma, e nem sempre isso se dá de acordo com as intenções iniciais do emissor. E a maneira como ocorre essa decodificação tem a ver com o contexto e a realidade do público-alvo. É claro que cada etapa analisada aqui está ligada a uma série de fatores. Um dos modelos comuns para traduzir esse processo ligando ao consumo no marketing é o chamado funil de vendas. Chamada por alguns autores de AIDA (atenção, interesse, desejo, ação), envolve a busca por atenção, traduzi-la em interesse, transformar o interesse em desejo, e, por fim, o desejo virando ação de compra ou contratação. Figura 4 - Como usar CTA para melhorar resultados Fonte: PANAYOTOU, Guilherme Martins. 2018 A Comunicação Integrada de Marketing, por sua vez, não pressupõe apenas a propaganda, como se convenciona, mas envolve relações públicas, marketing direto, promoção etc. Falar em Comunicação Integrada de Marketing, ou a chamada sigla CIM, é mencionar o apoio ao elemento promoção dos 4 Os. Ogden e Crescitelli (2008) lembram que há três pilares importantes para aplicar a CIM: a) o tema central, que permite agregar e integrar mensagens para diferentes formas de comunicação; b) as formas de fazer a comunicação e a CIM sempre pressupõe duas ou mais: c) público-alvo, os diferentes públicos no horizonte do produto ou serviço. O composto de marketing integrado envolve propaganda, vendas pessoais, promoção de vendas e publicidade, por exemplo. No entanto, ao mencionarmos produtos e estratégias digitais, temos um universo próprio, que conta com análises específicas. FIQUE ATENTO O mix de comunicação, que faz parte do P “promoção” pode envolver uma série de serviços, aspectos e técnicas para melhorar a imagem, alavancar vendas e aumentar alcance. Entre eles estão a propaganda, que pode ser feita de forma paga em mídias off e online para divulgar produtos e serviços; vendas diretas, que consistem no contato direto para realização das próprias vendas; promoção de vendas, que envolvem ferramentas como amostras, concursos, cupons, etc.; relações públicas, que consiste no gerenciamento de comunicação com diferentes públicos externos e internos; marketing direto, que envolve esforços direcionados para públicos que já contam com algum interesse no produto e marketing digital, como mencionado nesta unidade. 1.2 MARKETING DIGITAL É provável que este texto esteja sendo lido através da internet. É através da internet que fazemos muitas coisas atualmente, como pedir comida, carro, assistir filmes, fazer pesquisas ou agregar interesses em comum. Com a internet emerge uma mudança de paradigma, com a pulverização da informação, a fragmentação dos emissores (antes apenas alguns grupos de comunicação produziam e circulavam, enquanto agora com mídias sociais há milhões fazendo isso), a mudança na atenção e a segmentação de públicos em nichos cada vez menores. Isso, é claro, mudou o marketing, que passa a obrigar-se a olhar para esse movimento, onde há uma notória descentralização nos sistemas de comunicação: Quando você ouve falar de marketing digital, publicidade online, web marketing, mobile marketing, inbound marketing, ou quaisquer outras composições criativas que se possa fazer dessas palavras, estamos falando em utilizar efetivamente as tecnologias digitais como uma ferramenta de marketing, envolvendo comunicação, publicidade, propaganda e todo o arsenal de estratégias e conceitos já conhecidos na teoria do marketing (TORRES, 2018, p. 65). Torres (2018) acrescenta que é necessário entender os componentes da internet, visando criar uma estratégia de marketing. São eles o ecossistema digital, que é o conjunto dos agentes digitais, e dos recursos, dispositivos, etc.; os agentes digitais, que são sites, redes sociais, empresas e serviços; DNA digital, que são as características que envolvem um agente; identidade digital, nosso perfil, interações e como afetam nossa identidade; cultural digital, que são os papeis que a identidade digital representa nas interações e estratégias digitais, que envolvem o próprio marketing e a gestão do conhecimento. Mas, como isso afeta as definições e estratégias de marketing digital? É importante observar a mobilidade desse ecossistema, as oportunidades e limitações que emergem, e como isso pode afetar a estrutura de um negócio, serviço ou empresa. No caso dos agentes digitais, é importante entender suas funções, como eles podem ajudar a desenvolver ou dar algum tipo de suporte às ações de uma organização. Também é importante atentar aos componentes do chamado DNA digital. Essas informações podem balizar estratégias de marketing ou aplicação de recursos. A identidade digital, por sua vez, é a base do marketing digital e das estratégias. Torres (2018, p. 83) considera inclusive o marketing digital como uma consequência direta da identidade digital. Além disso, cada um dos papeis da cultura digital é determinante para se criar estratégias na empresa. Como vimos, com o crescente avanço da tecnologia e infraestrutura, há uma multiplicidade de informações disponíveis, de graça. Como destaca Anderson: Por um lado, a informação quer ser cara, por ser tão valiosa. A informaçãocerta no lugar certo, muda sua vida. Por outro lado, a informação quer ser grátis, porque o custo para acessá-la está sempre caindo. Então você tem essas duas forças lutando uma contra a outra (ANDERSON, 2017, p.97). A partir disso, há muitos serviços que apostaram no acesso restrito da informação ou conteúdo e agora precisam revisitar suas práticas. Para alcançar os objetivos, é necessário achar meios de se chegar lá. Algumas estratégias são: Inboud marketing - marketing de atração, que facilita ser encontrado pelo público na internet. No Inbound Marketing, busca-se entender de forma detalhada o comportamento e percepção do consumidor para, depois, estabelecer um canal de comunicação com as pessoas, buscando ter um canal de comunicação com elas. Atualmente, inbound tem sido recorrentemente traduzido como marketing de conteúdo, que é uma estratégia, outras são blogs, podcasts, vídeos, newsletters etc. Marketing de conteúdo - Consumidores procuram cada vez mais soluções na internet e o marketing de conteúdo busca ajudar a posicionar uma marca no lugar e momento certo para compra de um consumidor. Lembra-se do funil de vendas que mostramos antes? A ideia do marketing de conteúdo é que através de informações importantes, atraia, converta e depois transforme-se a audiência em consumo. Diferentes formas podem ajudar a diversificar a maneira como alcançar os clientes como: a) Blog - um canal de comunicação diretamente da organização ou do profissional, de fácil administração e edição, com fácil otimização para mecanismos de busca. b) Site institucional - Aumenta a confiança e credibilidade, se torna um canal com conexão direta entre o conteúdo e os serviços e produtos oferecidos c) Redes Sociais - Canal para comunicação, influência e diálogo, que são um espaço nobre para estimular debates, análises coletivas e conversas. Para tanto, sugere-se que, desde o início, haja uma identificação de objetivos, análise das redes (e seus algoritmos), criação de um perfil, análise da concorrência, definição de um plano e calendário de publicações e aprendizado com resultados. E-mail marketing - É o envio de mensagens com finalidades comerciais para um grupo de contatos, visando aumentar vendas, comunicar-se com clientes, propor conteúdos e até atrações especiais. Permite conhecer dados e mensurá-los através de número de aberturas, respostas etc. Eles podem ser: a) De informação - passando notícias ou ações sobre a organização (normalmente curtos e com informação de forma direta). b) De nutrição - influenciam o leitor para que tome uma ação, oferecendo conteúdos que conduzam o usuário ao clique ou à compra. c) De educação - materiais selecionados, conteúdo exclusivo que foca em solução de problemas. d) De transação - Focados na conversão do usuário, com uma oferta, sem exageros. e) Newsletters - tipo de e-mail recorrente, com materiais, mensagens e informações. SEO - O Search Engine Optimization permite que um conteúdo, informação ou dado seja encontrado nos buscadores com mais facilidade, melhorando os rankings. Existem os fatores on page, que são aspectos que podem ser otimizados dentro de páginas, como tags, títulos etc., e os off page, como tempo de carregamento, links etc. SEM - Também há o Search Engine Marketing, que envolve mídia paga, além da orgânica. Mídias pagas podem oferecer mais facilmente o acesso por parte do consumidor. Na publicidade, pode haver mídias adquiridas, que são aquelas vindas de interação com o público, possuídas, pertencente a alguém, e pagas, promoção por meio de anúncios. Já o PCC é a compra de mídia mediante número de cliques. Há também display que normalmente aparecem em páginas. O retargeting é aquele banner que aparece depois que se visita algum site ou pratica determinada ação. Importante também é o anúncio em redes sociais e a promoção de conteúdo em mídias sociais, por exemplo. Tudo isso é importante porque determina como uma empresa ou produto pode ficar mais ou menos visível na internet, seja quando se faz uma busca ou entra em uma rede como o Facebook, por exemplo. É importante, uma vez que se gera o lead, oferecer o conteúdo e analisar as métricas de engajamento e aderência por parte do cliente. Tudo isso faz parte da presença digital da marca, quando se ganham atribuições e especificações. PORTFÓLIO DE PRODUTOS Nos negócios, é muito improvável que você tome uma decisão de compra sem saber uma lista do que a empresa oferece. Imagine pedir uma pizza sem ter em mãos os sabores ou comprar um carro sem conhecer os modelos de uma concessionária. Pode-se dizer que, quanto mais organizada e com maior nível de detalhes for a lista, maiores são as chances de gerar interesse, e, posteriormente, de concretizar um negócio. O que é portfólio? É possível que você já tenha ouvido essa palavra inúmeras vezes, em diferentes áreas. Um designer que mostra suas realizações, um arquiteto que apresenta suas obras, um jornalista que une uma série de reportagens. Todos eles estão apresentando uma espécie de lista de trabalhos, de itens ou realizações. Os portfólios de produtos se referem ao grupo de produtos desenvolvidos por determinada empresa. É nele que está o leque de itens, serviços ou ideias, e esse portfólio é capaz de mostrar a produção, a qualidade e possíveis diferenciais. Existem muitas formas de se montar e apresentar um portfólio de produtos. É possível selecionar desde a plataforma até a quantidade de artigos disponibilizados ou se a oferta será segmentada por tipo de produto. No caso da plataforma, ela pode ser, por exemplo, uma estante de livros, um site. A plataforma pode ser analógica ou digital, com uma infinidade de características, possibilidades e contextos. Em relação à segmentação, empresas podem dividir produtos por matéria-prima ou público-alvo. Falar de portfólio de produto está diretamente associado ao que se vende ou desenvolve, já que toda a estratégia de marketing será feita em torno disso. Para definir a estratégia, é necessário entender que ela é imprescindível para o sucesso dos negócios, e assim deve ser planejada e desenvolvida para mostrar capacidade criativa e produtiva de um empreendimento. Pensando no marketing digital, que discutimos anteriormente, é possível elaborar o marketing de conteúdo para mostrar uma coleção de livros lançados, com vídeos no youtube e ebooks sobre os autores envolvidos. A partir disso, se faz textos para blogs e abre-se um formulário para fazer o download da obra, onde o consumidor pode entrar no funil de vendas. Uma vez que o cliente chega ao site, se não houver um portfólio com os livros bem estruturado, organizado e atrativo, como pensará o comprador? Quanto mais ele irá procurar? Algumas etapas são fundamentais na definição do gerenciamento eficaz do portfólio de produtos e serviços. A primeira delas é a identificação do mercado, do que há disponível em oportunidades e da concorrência. Estudar o mercado é fundamental para o planejamento estratégico de qualquer área, e ela deve, antes de olhar para o mercado disponível, entender o todo, que é tudo que está sendo feito em determinada área em produtos e serviços. Somente depois dessa análise, é que a empresa pode buscar uma participação de mercado estimada. Posteriormente, é importante gerenciar o que chamamos de ciclo de maturação do portfólio ou ciclo de vida de um produto. Qualquer produto ou serviço está conectado a ciclos de maturação que passam pelo lançamento, compreensão, adoção até sua substituição ou completo desaparecimento. Essas fases são importantes porque afetam o volume de vendas, e, consequentemente, a rentabilidade geral da empresa e da organização. Em cada fase, é necessário olhar para a participação no mercado, o potencial de crescimento sempre lembrando a faixa de preço, público-alvo e canais de distribuição do produto ou serviço em questão. Figura 5 - Gráfico ciclo de maturação produto e serviço TAVARES, Fernanda Marina, 2012 Pensar em portfolio de produto é, certamente, entender quais e quantos têm participação no mercado e quais os potenciais decrescimento. Para planejar, é necessário olhar de forma sistêmica o conjunto de negócios que a empresa tem, com aspectos envolvendo vendas, marketing, financeiro e serviços de operação. Uma vez reconhecidos os aspectos de mercado, é necessário criar categorias por faixa de preço, público-alvo e canal de distribuição. Uma categoria pode ser formada por produtos ou serviços que oferecem uma experiência específica mais ou menos semelhante, por exemplo, computadores desktop e notebooks. A partir disso, entender as diferentes faixas de preço ofertadas, pensando nas distintas possibilidades de acordo com o público-alvo. Posteriormente, se deve identificar produtos e serviços correlatos. Os produtos correlatos são aqueles que agregam valor ao produto base da empresa, que normalmente ajudam a incrementar a receito de produtos base. Uma vez feitas, todas as análises são importantes para monetizar esse portfólio, monitorando sua corrosão e o seu crescimento. Para tanto, é necessário criar e executar estratégias de precificação, levando em conta a coerência dentro de uma série de aspectos do mercado, e pensando na rentabilidade. É a precificação que permitirá pagar custos e despesas, dentro de um ponto de equilíbrio. Para fazê-la, há uma série de aspectos internos e externos de mercado. Para saber como precificar, não basta olhar projeções com bases em vendas antigas, é necessário entender tendências de mercado, volume de vendas em diferentes canais, custos do produto (e suas variações), margem esperada e potenciais problemas que o mercado pode oferecer. Também é importante atentar para o desenvolvimento de tecnologias, sem adotá-las sem o devido conhecimento dos impactos, mas também, sem deixar o desenvolvimento técnico ameaçar os negócios da empresa. Uma forma bastante consagrada de fazer a análise de portfólio de produtos ou serviços é a matriz BCG (Boston Consulting Group), que permite pensar no melhor equilíbrio de lucro com menos recursos. Na prática, ela ajuda a entender o que pode gerar mais receita a partir de menos tempo e dinheiro investido. A matriz conta com uma visão em três áreas, de acordo com Ambrosio e Ambrosio (2005): situação estratégica, necessidades financeiras de cada unidade de negócio e abordagem para atender estratégias. Para Stern e Deimler (2007) as empresas necessitam de produtos para fortalecer o caixa, com: 1) estrelas que devem garantir o futuro; 2) vacas leiteiras que vão fornecer capital para esse crescimento futuro e; 3) pontos de interrogação que têm por objetivo virar estrela utilizando capital adicional. A matriz conta com dois eixos, sendo um a taxa de crescimento do mercado e o outro a participação do produto no mercado. Cada eixo tem dois setores, onde podem ser alocados os produtos e serviços. As vacas leiteiras são aqueles que geram grandes lucros sem necessidade de investimento de muito tempo ou dinheiro. As estrelas são produtos e serviços que geram lucro, mas demandam investimentos para alcançar bom nível de vendas. Do outro lado, os pontos de interrogação ainda não geram receita alta, mas podem ser apostas ou possibilidades. Já os abacaxis, trazidos em algumas matrizes como animais de estimação, são produtos com margem ruim ou baixo nível de vendas e devem ser analisados de forma pontual pela empresa. Tabela 1 - Participação na geração de lucros da empresa Fonte: NAKAGAWA, Marcelo. Ferramenta: Matriz BCG. Muitas empresas usam matrizes como essa ou semelhantes, por permitirem a visualização gráfica de um cenário complexo de multiplicidade de marcas e permitindo a definição de estratégias, além de dar equilíbrio a carteira de produtos. IMPORTANTE Ao utilizar a matriz BCG (Boston Consulting Group) é necessário evitar o risco de tomar decisões apenas olhando para a empresa, sempre tome o cuidado de olhar para fatores externos. A participação de mercado é importante, mas não pode ser o único fato para determinar se um produto está tendo sucesso ou não. Além disso, o crescimento de mercado não é a única coisa relevante para se atuar ou não em um segmento. Além disso, se recomenda, para uso da BCG (Boston Consulting Group), algum tempo de empresa, porque é mais possível entender como está se dando a história no mercado de cada produto ou serviço. A matriz é uma ferramenta, mas é incapaz, diante da complexidade das empresas, de dar todas respostas possíveis. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE O marketing passou por várias mudanças durante décadas, catalisadas por transformações em produtos, tecnologias e hábitos de consumo. Dessa forma, o marketing também evoluiu, passando gradualmente a aplicar abordagens diferenciadas em suas estratégias para alcançar a satisfação dos consumidores e, consequentemente, as vendas. Nesse sentido, o marketing digital vem ganhando notoriedade e importância estratégica. Disserte sobre o marketing digital, apresentando sua importância para os negócios na atualidade. TREINO INÉDITO São fases do planejamento de marketing das empresas a) Planejamento, segmentação e estratégia. b) Avaliação, controle e promoção. c) Produto, preço e praça. d) Planejamento, implementação e controle. e) Análise do contexto, criação de estratégia e pós-venda. NA MÍDIA Redes sociais devem crescer mais de 20% no Brasil até 2023 Um estudo divulgado pelo Cuponation indica que o número de usuários de redes sociais no Brasil deve crescer mais de 20% até o final de 2023, chegando a aproximadamente 114,5 milhões de pessoas acessando ativamente serviços como o Instagram e outros. Fonte: Tecmundo | Data: 20 fev. 2020. Leia a notícia na íntegra: https://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/150579-redes-sociais-devem-crescer-20-brasil-2023.htm NA PRÁTICA A empresa Alpargatas, que produz as sandálias Havaianas, é um dos grandes cases do Brasil de reposicionamento de marca e utilização adequada dos 4 Ps. Quando surgiram as sandálias o público era predominantemente das classes C e D. Os produtos tinham design confortável, simples, preços baixos e locais de vendas acessíveis. Embora não fosse um problema, a empresa buscava reposicionar sua marca e mudar o posicionamento. A partir disso, criaram a campanha "Todo Mundo Usa". Com o lançamento da marca Havaianas Top, vieram modelos mais sofisticados e gradualmente passaram a alcançar diferentes públicos. Atualmente, a marca atinge dezenas de países, com modelos distintos e franquias especializadas. Pensando nos 4 Ps, podemos pensar que em PRODUTO, houve uma mudança nas cortes, estilos, embalagens e design. É possível encontrar de modelos mais simples até alguns pensados para ocasiões especiais. A variedade, aliás, foi um atributo para mudar a percepção de marca. A abertura de franquias reconfigurou o P Praça, criando um ambiente para os potenciais públicos. Atualmente há produtos disponíveis desde mercados até franquias em ruas ou shopping centers. Com o reposicionamento, houve aumento dos Preços, o terceiro P. Isso ocorreu por conta de um reposicionamento, entregando valor adicionado e design, além da análise de concorrência, que impactou. Já no P promoção, houve um encaminhamento para uma busca pela personalização, com comerciais descontraídos, com apelo para artistas e pessoas que pudessem incorporar a diferença da marca. Fonte: Araújo; Rosas (2011) A estratégia do marketing da sandália Havaianas. PARA SABER MAIS Filme sobre o assunto: O homem que mudou o jogo (Columbia Pictures, 2011) Jerry Maguire, a grande virada (Sony Pictures, 1996) CAPÍTULO 2 - MARKETING PESSOAL 2.1 MUNDO DO TRABALHO E TRANSFORMAÇÕES Vivemos hoje em um mundo de aceleradas transformações tecnológicas e diversos fenômenos sociais, políticos, econômicos e culturais, ligados à globalização. Isso nos afeta de forma direta, e também influencia o mercado de trabalho. Diante da multiplicidade de mudanças, é comum se deparar com diversas dúvidas que vão desde a escolha de um curso, seja ele técnico, de capacitação, graduação ou pós-graduação, até a decisão sobre deixar um emprego ou investir as economias em abrir um empreendimento. Multiplicaram-se as ofertasde formação, as demandas mercadológicas e a própria complexidade do comércio e dos serviços diante de uma veloz reconfiguração. Essa reconfiguração acontece por distintas razões, que podem ser analisadas por diferentes óticas. Com a ascensão de um sistema mais liberal economicamente a partir dos anos 90, no mundo, cresceu a competitividade, o sistema ficou mais mecanizado e notadamente menos intensivo em pessoal. Cresceu, então a demanda por um trabalhador com visão mais ampla dos processos (GOMES, 2003). Os próprios ciclos de transformação acontecem cada vez mais rápido, obrigando a uma constante revisão para evitar a obsolescência. Com isso, é crescente a importância do capital humano. Segundo De Botton (2009), a partir desse cenário complexo, é importante tomar o protagonismo da carreira profissional, desenvolvendo instrumentos, criando visão estratégica e buscando se capacitar em novas competências. Competência, aliás, é uma palavra determinante nesse novo mundo do trabalho que gera expectativas e incertezas. Para Perrenoud, nas ciências da educação e do trabalho, identifica-se um amplo consenso em torno da seguinte definição: competência é o poder de agir com eficácia em uma situação, mobilizando e combinando, em tempo real e de modo pertinente os recursos intelectuais e emocionais (2013, p.45). O autor acrescenta que no mundo do trabalho, conseguir desenvolver as competências não é uma escolha, apenas uma condição essencial. É necessário saber aprender, evoluir, transformar-se. Mas competências para que e para quem? Há muitas perguntas diante de um cenário onde profissões deixam de existir a cada momento, e outras demandas emergem a partir de necessidades, dispositivos tecnológicos e possibilidades digitais. Ciampa et al, destaca sobre o mercado: tornou-se mais tecnológico e intelectualizado, ficou menos dependente de hierarquias, passou a exigir um alto e contínuo grau de preparação e educação, competências como flexibilidade, adaptabilidade, compartilhamento e cooperação, passando a valorizar também a criatividade, a inovação e as atitudes empreendedoras (2014, p. 14). As transformações passam por desenvolvimento da inteligência artificial, big data, business intelligence e vários outros termos ganhando dimensões novas nas rotinas corporativas. Com isso, a ideia de ter uma formação fixa, uma trajetória estável em uma mesma organização e funções imutáveis, como ocorreu até outrora, ficam em xeque. Diferentes consultorias de carreira apontam, inclusive, que profissionais que estão se formando agora terão até cinco carreiras diferentes ao longo da vida, uma prova da flexibilidade e dimensão mutável em que vivemos. Com isso, um cenário de maior mobilidade, liquidez e agilidade, verificamos, por vezes, um descompasso entre instituições de ensino, organizações, governos e dinâmica de desenvolvimento técnico e social, gerando tensões e dificuldades. Preconiza-se que o profissional que está inserido nessa realidade consiga ter um olhar sistêmico, amplo e complexo, compreendendo a partir da aprendizagem contínua, leitura, atualização e networking, como pode se propor enquanto protagonista. Com uma lógica empresarial desafiada pela tecnologia, algumas lógicas de regramentos, legislações e códigos se tornaram mais flexíveis. Algumas provas disso são a crescente terceirização de serviços, a economia compartilhada, como Uber, Airbnb e Netflix, onde a aposta no serviço não está na produção, mas no capital social tecnológico capaz de unir esforços existentes e oferecer ao usuário. Outra demonstração dessa transformação é a crescente ascensão da ideia de empreendedorismo, seja pela defasagem de áreas formais, seja por intenção, vontade ou ambição pessoal. Uma pesquisa apresentada em 2017, pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, mostra que dois em três jovens no Brasil pensa em empreender. Um dos dados encontrados no levantamento na comparação com outros países mostra uma disposição diferente daquela encontrada como parâmetro até agora Ainda que os jovens empreendedores brasileiros não se sintam tão aprisionados pela estrutura de trabalho das corporações, eles estão menos dispostos a sacrificar a vida pessoal em prol do trabalho e possuem menor predileção pela figura do chefe como guia para as decisões do que a média estrangeira. Dessa forma, não surpreende que eles valorizem menos a estabilidade profissional, frequentemente associada a grandes empresas e instituições sólidas, do que seus pares estrangeiros (FIRJAN, 2016, p. 8). Outra pesquisa, essa da Fundação Getúlio Vargas em parceria com a empresa PWC, divulgado em 2014, mostra que assumir responsabilidade e liderança são demandas que disparam como mais relevantes. Figura 6 - Características mais pertinentes aos novos modos de trabalho Fonte: Relatório o futuro do trabalho FGV/PWC 2014 Ciampa Et Al (2014) descreve algumas competências como fundamentais no trabalho em meio ao século XXI. São elas: lidar com problemas, inovar, aprender, empatia, conhecimento tecnológico, aprendizado contínuo, liderança, iniciativa, planejamento, relacionamento interpessoal, visão global, negociação, automotivação, equilíbrio emocional, criatividade, comunicação, comprometimento, trabalho em equipe, aceitação de risco, empreendedor. SAIBA MAIS Segundo um relatório do World Economic Forum, de 2015, algumas habilidades importantes para o profissional do futuro já estão mapeadas. São elas flexibilidade cognitiva (capacidade de pensar diferente, imaginar caminhos novos), capacidade de negociação (com clientes, colegas, gestores diante das transformações recorrentes no mercado), orientação para servir (preocupação para ajudar e atender aos outros, orientando diante das mudanças), julgamento e tomada de decisões (examinar dados e usar o big data para tomar decisões estratégicas), inteligência emocional (reconhecer e avaliar emoções estabelecendo empatia), coordenação com outros (coordenar ideias, avaliações e habilidades juntas), gestão de pessoas (pensar os funcionários como recursos valiosos), criatividade (ideias inovadoras para tirar vantagem das mudanças), pensamento crítico (capacidade de usar a lógica e raciocínio) e resolução de problemas complexos (habilidade para solucionar problemas novos e distintos dos atuais). Como destacam os autores, essas competências não têm a ver apenas com os novos profissionais, mas todos os trabalhadores. E é praticamente impossível pensar que todos consigam desenvolver um conjunto completo dessas competências, então o importante é avaliar o que é mais compatível com necessidades do mercado, crenças pessoais e perspectiva a partir da área, região, interesse, etc. 2.2 PLANEJAMENTO DE CARREIRA Ciampa et al (2014) lembra que a palavra carreira deriva do latim e está ligada a história de um indivíduo profissionalmente em um determinado período. Nesse sentido, Dutra conceitua carreira como: as sequências de posições ocupadas e de trabalhos realizados durante a vida de uma pessoa. A carreira envolve uma série de estágios e a ocorrência de transições que refletem necessidades, motivos e aspirações individuais e expectativas e imposições da organização e da sociedade (2011, p. 17). Essa definição é importante porque ao debater o planejamento, faremos referência a um conceito geral, que passa por uma construção pessoal, mas também pelo que se considera mercadologicamente carreira. Uma carreira está diretamente ligada à reputação, imagem e credibilidade que determinado profissional constrói em sua trajetória. Também tem a ver com competências desenvolvidas e resultados que se alcançou ao longo de uma vida ou tempo de atuação profissional. Já, Oliveira (2013) entende que carreira está ligada a um conjunto de ações pensadas e estruturadas que mostram a evolução de cada um, a partir de demandas das organizações, dos próprios indivíduos e dos grupos onde o profissional está inserido. Como abordado anteriormente, nas últimas décadas os ambientes organizacionais tornaram-se mais mutáveis e maleáveis, diante da interdependência e velocidade dastransformações. Ciampa Et al (2014) lembra que a ideia de emprego formal, quando um profissional tinha uma capacitação que o assegurava, de certa forma definitivamente para uma área, empresa ou atuação, mudou. Essa realidade, claro, causa desconforto, desamparo. Afinal, como não se preocupar com a perda dos postos de trabalho existentes? A resposta para essa questão está ligada à capacidade de ser empregável. A empregabilidade está relacionada ao fato de adquirirmos novos conhecimentos e habilidades capazes de assegurar o emprego dentro ou fora da empresa. Portanto, perder a empregabilidade é pior do que perder o emprego. A empregabilidade agrega valor aos profissionais e às empresas e está baseada em: autoconhecimento, plano de desenvolvimento de carreira e visibilidade. Conhecer-se é ter clareza do que você̂ possui de competências, qualidades, virtudes e necessidades a serem melhoradas e desenvolvidas (Ciampa, Et Al, 2014, p. 34). É necessário, portanto, estabelecer um plano de desenvolvimento para cada profissional, visando aumentar seu nível de empregabilidade. Isso está ligado a aspectos envolvendo a formação, a personalidade e o comportamento. É importante lembrar que o nível de conhecimentos que vai existir em uma organização está diretamente ligado aos profissionais que fazem parte dela. São suas ideias, modos de agir e pensar que fazem o ecossistema de negócios. Criar estratégias para aumentar o nível de empregabilidade passa por analisar e interpretar cenários, antecipar-se a tendências e aprender, não apenas na educação formal, mas de forma autônoma por diversos instrumentos, canais e fontes. Desenvolver um plano de carreira é atentar para fatos, movimentos e perspectivas não apenas do profissional como da área onde ele atua. Ciampa et al (2014) descreve que o processo de planejamento passa por missão, análise de ambiente, autoconhecimento, plano de carreira e avaliação, como vemos na figura a seguir: Figura 7 - Processo de planejamento de carreira Fonte Ciampa Et Al (2014) Oliveira (2018, p. 71) propõe uma metodologia para elaborar e desenvolver um plano de carreira. A partir de seis fases e 17 etapas, o autor pretende discutir os componentes de um plano de carreira, os fatores condicionantes e os cuidados para planejamento nesta área. A primeira fase é de análise de mercado, onde se coleta informações sobre o mercado de trabalho, possibilidades e identificação de aspectos positivos e negativos. Essa fase é dividida em quatro etapas que são: a busca por uma visão, ou seja, entender como se projeta a vida a partir de determinado contexto, olhando para empresas, mercado, etc.; o estabelecimento de valores pessoais, que representam uma espécie de norte para cada pessoa, ou seja, crenças, ética pessoal, o que considera acertado, responsável, etc.; a identificação de oportunidades e ameaças, que pressupõe a análise de possibilidades, como chances, capacitações, investimentos e, do outro lado, coisas negativas, situações do mercado de trabalho que muitas vezes podem ser minimizadas se trabalhadas de forma antecipada; o debate de cenários permite que analise de forma sistêmica, o que vai possibilitar entender melhor critérios e medidas para se preparar para o que pode vir. Oliveira (2018, p. 78) acrescenta que a segunda fase envolve outro tipo de análise, a de vocação e capacitação profissional. A ideia é mostrar como o profissional se percebe ou se coloca dentro de suas capacidades e talentos. Também divididas em etapas, essa fase está diretamente ligada a discussão anterior, de atenção ao novo e complexo cenário. A primeira etapa dessa fase consiste em enxergar as aptidões de cada um, permitindo olhar para sua vocação como fator para progredir profissionalmente. A segunda etapa está ligada a habilidade para conquistar e aplicar diversos conhecimentos em diferentes momentos da atuação profissional. O autor avalia que esse aspecto está diretamente ligado ao reconhecimento de pontos fortes e fracos. "são esses pontos que proporcionam as diferenças das realizações profissionais de cada pessoa." (p. 78). A terceira etapa da segunda fase é estabelecer os focos de atuação, olhando para a missão. Como destaca Oliveira (2018) é o que ajuda o profissional a direcionar seu olhar para um segmento de mercado, com os esforços de carreira. É importante manter a identidade profissional, sem tirar o foco da proposta. A quarta etapa consiste em ter uma postura estratégica, permitindo que cada profissional analise sua projeção dentro de seus focos de atuação, na atualidade ou futuramente. A terceira fase chamada pelo autor de estabelecimento da vantagem competitiva está ligada a compreensão de uma realidade para otimizar o plano de carreira. Apenas duas etapas a compõem: a análise dos concorrentes, que se permite conhecer outros alunos, profissionais, colegas, etc. para entender melhor a dimensão do mercado de trabalho e o estabelecimento de vantagem competitiva, que é compreender porque o mercado assimila um profissional em detrimento de outro, perseguindo diferenciais na carreira. A fase de número quatro consiste no estabelecimento de objetivos e estratégias. É impossível falar em planejamento ou plano de carreira sem conhecer exatamente o que se persegue, como e com quais recursos. Para tanto, a etapa um dessa fase pressupõe o próprio estabelecimento de objetivos e metas, partindo da premissa de que "objetivos são resultados quantificados e com prazos a serem alcançados para se consolidar o plano de carreira. Metas são etapas ou passos intermediários para se alcançarem os objetivos do plano de carreira" (p. 79). A outra etapa da fase quatro é, tendo em vista os objetivos e metas colocados anteriormente, o desenvolvimento de estratégias e projetos, que são exatamente formas de se alcançar o que se projeta, um momento demandante de maior criatividade no plano. O estabelecimento do código de ética profissional é a fase cinco do plano de carreira. Veja que aqui não está se falando apenas no conjunto de normas de uma profissão, como advogado ou contabilista, mas de um conjunto mais sistêmico. A primeira etapa dessa fase consiste em estabelecer políticas, que são nada mais do que critérios para tomar decisões em relação a carreira, códigos pessoais que independem de área ou segmento, mas que pautam a conduta do profissional e a segunda etapa é, o código profissional, que segue um conjunto de diretrizes para cada área, organização, profissão, etc. Em suma, essa fase convida o profissional a pensar sua ética em diferentes frentes, para que ele eventualmente não se depare com uma atividade, projeto ou ideia que o coloque em conflito pessoal, trabalhando contra propósitos em que acredita. IMPORTANTE Diferentes profissões aplicam distintos códigos de ética e conduta, normalmente elaborados por conselhos e federações profissionais, e por empresas ou organizações que contratam profissionais. A ética profissional está ligada a disciplina, moral e costumes, sendo uma proposta de base para exercício profissional das funções. Se espera, a partir da implantação da ética profissional, da formação de consciência de um grupo de profissionais. Além do próprio código de ética profissional, uma empresa pode ter a própria conduta regrada por algum código. A ideia é que os objetivos da empresa, e não de uma categoria profissional, sejam alcançados. Muitas vezes, códigos de ética contam com regramentos em cartas, documentos oficiais, e até demandam juramentos específicos em formações profissionais. Já um código corporativo tenta apresentar mecanismos para que regras sejam seguidas, muitas vezes através de exemplos. A sexta fase é a análise da evolução profissional. Ela permite que se acompanhe o plano de carreira de cada um, através de diferentes etapas, sendo a primeira a análise da evolução profissional, onde se verifica, através de indicadores anteriormente definidos, como está evoluindo (ou não) a atividade do profissional. A segunda etapa é de desenvolvimento de estratégias para aprimoramento, onde se criam ou adotam ferramentas,possibilidades, pesquisas para gerar inovação e agregar valor ao que está sendo desenvolvido. A terceira, por sua vez, está ligada a qualidade do plano de carreira, que é "tudo que se faz em termos de aspectos intrínsecos, rastreados, de custos e de atendimento das expectativas das pessoas quanto ao seu futuro profissional” (p. 79). Também é importante entender que há componentes do plano de carreira, que são conhecimentos e atitudes que compõem a base de cada profissional. Os conhecimentos, por exemplo, são fundamentais em qualquer tipo de atividade. Seja você um prestador de serviços, um dono de pequeno negócio ou professor, terá que desenvolver um leque de conhecimentos para consolidar sua aplicação em algum contexto. Entre os conhecimentos estão o da própria atividade. Um profissional que trabalha em uma loja de roupas, por exemplo, deve conhecer o mercado, a precificação, o varejo como um todo, as tendências, etc. Outro conhecimento importante é o de administração ou gestão. Não se trata de necessariamente ser graduado na área ou ter lido manuais clássicos. É importante, que o profissional entenda a lógica sistêmica. Como funcionam diferentes departamentos? Como se interrelacionam? Como é o planejamento? Outro conhecimento trazido por Oliveira (2018) como fundamental para o plano de carreira é o de ser generalista, mas com especialização. Isso significa compreender o todo, na área e na empresa, também, mas se especializar ou focar em determinado segmento onde suas metodologias e diferenciais competitivos possam ser respaldados. Também é relevante o referencial de atuação, que nada mais é que cultura geral. Esteja atento ao noticiário, à cultura, às discussões sociais, às demandas humanas. Isso tudo contribui para um olhar mais complexo e menos suscetível dentro do plano profissional. Os profissionais também devem se direcionar para a inovação. Isso não significa, necessariamente, a técnica informática ou o domínio de maquinários, mas o senso de oportunidade e visão para olhar problemas de outra forma ou entender diferentes soluções possíveis. Soma-se a esses conhecimentos o de administração do tempo. É comum avaliarmos, hoje, profissionais de diferentes vertentes buscando dar cursos, palestras ou gravar vídeos sobre produtividade, procrastinação, etc. Quando se fala em conhecer e gerenciar o tempo, significa otimizar seus recursos, e não necessariamente se sobrecarregar profissionalmente. Além deste, é fundamental, por fim, ser ético e desenvolver situações alternativas, que ajudem a pensar de forma estratégica o cotidiano e as aplicações de rotinas corporativas. Acrescenta-se aos conhecimentos, habilidades importantes para desenvolver um plano de carreira. Enquanto os conhecimentos dão conta do saber, é importante o "saber fazer". São habilidades a atitude proativa, o bom relacionamento com as pessoas, o conhecimento pessoal para saber trabalhar com erros - e aprender com eles quando for o caso, ter autoavaliação recorrente (e não falamos daquelas autoavaliações corporativas ou na faculdade, mas de uma percepção própria do profissional), ser agente de mudanças, entendendo a complexidade dos cenários e se entendendo como parte do processo e ter intuição. Também deve-se considerar habilidades importantes para o planejamento de carreira saber trabalhar em equipe, ter a capacidade de resolver conflitos, saber desempenhar novas tarefas e se adaptar às mudanças no mercado: "Lembre-se que, quanto mais a pessoa demora neste processo de adaptação, mais dificuldades vai tendo em alcançar as novas realidades e necessidades do mercado" (OLIVEIRA, 2018, p 82). Por fim, é importante entender que, ainda que se trace todo um planejamento para costurar um plano de carreira, há fatores externos que são determinantes, e também devem ser levados em conta pelo profissional. São eles a qualidade e intensidade dos relacionamentos, as mudanças nas empresas, que podem ser planejadas ou não, a estrutura de poder e hierarquia e os riscos e frustrações Oliveira (2018) traduz os condicionantes e componentes do plano de carreira no quadro: Figura 8 - Componentes do plano de carreira Fonte: Oliveira, 2016. Como elaborar um plano de carreira para ser um profissional bem-sucedido. 2.3 MARKETING PESSOAL No início desta apostila, discutimos alguns conceitos de marketing que se aplicam a produtos e serviços e, posteriormente, discutimos como os profissionais se inserem e quais debates emergem a partir de tantas transformações tecnológicas e sociais. Discutimos, anteriormente, uma nova dinâmica que afeta as relações de trabalho, afetando de forma determinante a estabilidade e as construções rígidas no mundo corporativo. Usar ferramentas e estratégias podem ajudar profissionais a se tornarem protagonistas da própria carreira, como através de uma marca pessoal e técnicas e ferramentas no cotidiano. O marketing pessoal se configura nesse debate. Kotler conceitua marketing pessoal como: [...] uma nova disciplina que utiliza os conceitos e instrumentos do marketing em beneficio da carreira e das vivencias pessoais dos indivíduos, valorizando o ser humano em todos os seus atributos, características e complexa estrutura. É a estratégia adotada visando atrair, conquistar e desenvolver relacionamentos, melhorando constantemente sua imagem, onde seus diferenciais, seus pontos fortes são evidenciados (2003, p. 91). A perspectiva é que se usem discussões já praticadas em empresas e organizações em geral para alcançar sucesso. Há princípios e conceitos de mercado que podem ser adequados e aplicados ao desenvolvimento de cada pessoal através de uma estratégia de marketing pessoal. Dessa forma, pensando em um plano de marketing pessoal, o potencial do profissional é otimizado. Há uma valorização de habilidades, sejam elas naturais ou adquiridas. Assim como no marketing de produtos e serviços, alguns autores fazem livres adaptações para pensar no "produto pessoa". O primeiro P, que é a pessoa, portanto, está ligada a aceitação da imagem em um setor ou área de atuação. O segundo P, promoção, estaria ligado a criação de visibilidade, com a divulgação pessoal, aumentando oportunidades. O terceiro P, que seria ponto de venda ou praça, que no caso do marketing pessoal é onde o profissional expõe sua imagem, como redes sociais, currículo, redes de relacionamento etc. Por último, o quarto P, de preço, seria menos o valor financeiro, mas a valorização de atributos e qualidade. 2.3.1 Construindo o marketing pessoal Assim como no marketing de produto, convencer eventuais interessados, requer suscitar percepções e sentimentos. Isso quer dizer que o profissional deve cuidar de si assim como uma marca de uma empresa toma cuidados em relação ao seu produto e serviço. Ciampa lembra que a construção da sua marca pessoal, deve ser bem alicerçada, ou seja, requer aprimoramento contínuo, aproveitar as oportunidades de novos aprendizados, leituras que “edifiquem” a solidez da sua marca, ou seja, conteúdos de valor (livros, artigos científicos, revistas especializadas no segmento em que você̂ pretende atuar, documentários etc.); é dessa forma que você̂ agregará conteúdo e conhecimento de valor que poderá́ aplicar no seu dia a dia profissional (2014, p. 26). Construir a nossa marca, assim como um produto, passa pelas sensações despertadas nos ambientes em que interagimos. Ainda que um profissional tenha diplomas, certificações e experiências, sua construção tem a ver com a imagem construída, percebida e avaliada. Isso significa que o profissional deve evitar, a todo custo, a venda de uma imagem que ele não pode sustentar, por qualquer razão. Assim como em um produto, construir a imagem profissional de forma positiva pode demorar muito tempo, mas uma mentira pode comprometer todo esse trabalho. Para desenvolver uma marca pessoal, é necessário considerar alguns aspectos. O primeiro deles é pensar que não há um único esforço na construção dessa marca. Ela está alicerçada sobre valores, ética, qualidade do trabalho, desempenho e flexibilidade. Também se faz importantelembrar que avaliar a imagem é algo que recorrentemente fazemos com marcas de produtos, serviços, personalidades, mas que podemos fazer também profissionalmente conosco. Ritossa (2011) lembra que "uma vez que a percepção de como os outros nos veem é fundamental para compreendermos a nossa imagem, não devemos confiar apenas na nossa opinião" (p. 22). Significa dizer que ao entender a construção do seu perfil é importante ouvir colegas, clientes, amigos e contatos. Por fim, é importante estar continuamente corrigindo eventuais erros ou distorções encontradas nesse caminho. Lembre-se que a diferenciação pode vir de uma série de aspectos, inclusive intangíveis. Assim como ocorre no mercado de bens e serviços, é necessário pensar a construção da marca pessoal, tenha ela os valores que tiver, dentro da ideia de segmentação e público-alvo. É claro que aqui não estamos falando de uma segmentação como a de um produto ou serviço, porque pensar em pessoas requer compreender uma subjetividade maior. Mesmo assim, é importante entender que "a melhor maneira de evitarmos a dispersão de nossos esforços é identificarmos um nicho de mercado com o qual possamos nos relacionar positivamente" (Ritossa, 2011, p. 24). É comum ouvir de profissionais, especialmente quando há uma dificuldade relacionada a empregabilidade, como uma demissão massiva ou mesmo um fechamento de ciclo de ensino, que "vai mandar currículo para todos os lados". Essa é uma prática que deve ser evitada justamente porque, de acordo com nossa formação, experiência, resultados, trajetórias, já que nossos atributos e competências não são relevantes para todos de forma igual. É possível que você esteja se perguntando como falar em público-alvo, já que se promover profissionalmente é muito diferente de vender um automóvel ou um computador. Tal qual as corporações, devemos nos preparar para efetuar algumas pesquisas sobre o mercado de trabalho em geral e que nos municiem com informações geográficas, demográficas, psicográficas ou comportamentais a respeito das empresas, tais como: localização, área de atuação, tamanho, tendências de crescimento do segmento, cultura organizacional, políticas de recursos humanos, oportunidades de crescimento profissional e concorrência, entre outros (RITOSSA, 2011, p. 26). Uma possibilidade para diagnosticar melhor como alcançar os públicos e segmentos que mais tem a ver com o perfil do profissional é a matriz Swot. Kotler (2000) explica que a análise SWOT é uma avaliação de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças dentro de uma organização. Com ela, é possível entender onde mudar ou aprimorar uma estratégia para melhorar processos. No marketing pessoal, pontos fortes podem ser habilidades ou competências onde o profissional pode mostrar vantagens. Os pontos fracos são aqueles que demandam aprimoramento. Não necessariamente estão ligados a questões técnicas, pode ter conexão com aspectos emocionais, relações de trabalho, etc. Oportunidades são chances para aprimoramento, evolução, promoção, aspectos que influenciam positivamente a progressão profissional. Já as ameaças podem envolver competição, contextos de mercados, mudanças tecnológicas, etc. É importante lembrar que nem todas ameaças podem ser manejadas ou evitadas, por isso é bom pensar as ameaças junto das oportunidades. Uma vez reconhecidas suas características, é provável que as ideias sobre que marca se quer construir já comecem a ficar mais claras. Mesmo assim, é importante pensar num posicionamento. Assim como um produto precisa ser diferenciado, um profissional busca um posicionamento para saber onde está no cenário competitivo. Algumas características que diferenciam um profissional de outro e que podem fazer parte de um plano de marketing pessoal são consistência (manutenção do propósito e essência), inovação (criar novas perspectivas sobre problemas, produtos, ideias), comunicação (deve estar alinhado com o posicionamento), concorrência (estar informado sobre demandas e posicionamentos de concorrentes) e adaptabilidade (flexibilidade diante das novidades do mercado). FIQUE ATENTO! Embora seja comum falar em empresas e ambientes corporativos ao mencionar programas e conceitos de marketing pessoal, ele pode e deve ser aplicado em diferentes campos da vida, como educação, relações pessoais cotidianas e vivências em redes sociais e online. Isso porque, como mencionado, a marca não deixa de aparecer porque você não está em um escritório, mercado ou agência. Portanto, ao definir marketing, não atrele somente a ideia de sucesso em um ambiente, trata-se de um contexto mais amplo e complexo. CAPÍTULO 2 – RECAPITULANDO QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE A partir da reconfiguração do mundo do trabalho, mudam as concepções profissionais mais rígidas de outrora, obrigando trabalhadores a pensarem de forma mais flexível e complexa. Explique o que é marketing pessoal e como ele pode ajudar na construção de planejamento e diferenciais de carreira e construção profissional. TREINO INÉDITO O processo de construção de um planejamento de carreira passa por a. Analisar a missão pessoal, o ambiente profissional, autoconhecimento, plano de carreira e avaliação. b. Analisar o ambiente, fazer o currículo, criar um plano de carreiras e prospectar formações adicionais. c. Autoconhecimento, análise de ambiente profissional, criação de redes sociais e criação de networking. d. Analisar a missão pessoal, criação do plano de carreira, alinhamento de postura com empresas desejadas e atualização do currículo. e. Criação de plano de carreira, currículo, redes sociais, contatos profissionais e cursos de múltiplas formações. NA MÍDIA Como fazer um plano de carreira Como fazer um plano de carreira? Essa é uma pergunta muito importante quando estamos pensando em nossas trajetórias profissionais. E o começo de ano é uma excelente época para refletir sobre o assunto. Para começar a responder a indagação, o primeiro passo é analisar onde você deseja chegar. Faça um brainstorming e liste todos seus desejos de carreira de médio e longo prazo – sempre pensando em metas que trariam felicidade. Depois de rascunhar os desejos, defina de um a três objetivos claros, que são aqueles que você vai se esforçar para alcançar. Fonte: Revista Você S. A Data: fev. 2020. Leia a notícia na íntegra: https://vocesa.abril.com.br/blog/isis-borge/plano-de-carreira/ NA PRÁTICA Muitas vezes, diante de crises econômicas e aumento da informalidade, muitos profissionais tendem a pensar que é impossível planejar a carreira ou colocar em prática algumas ferramentas e estratégias para isso. Com milhares de pessoas perdendo o trabalho, é ainda mais importante orientar metas e objetivos de vida, sobretudo no aspecto profissional. O planejamento, a qualificação, a inteligência emocional, a proatividade passam a ser requisitos ainda mais importantes, porque podem definir o diferencial competitivo para oportunidades e relacionamento profissionais. É necessário controlar a ansiedade diante da dificuldade de prospectar chances profissionais, por isso, é preciso encontrar formas de manter a autoestima alta, valorizando atributos pessoais, buscando qualificação (há muitos cursos, eventos e palestras gratuitos ou oportunidades de trocas profissionais), que podem ajudar a prospectar uma colocação na área ou em um novo setor. Lembre-se que profissionais que estão em uma colocação abaixo da esperada ou mesmo o desemprego não o fazem por motivos meramente pessoais. É necessário tranquilidade e ponderação para entender efeitos de crise, problemas na empresa, relacionamento, mudanças, etc. Em tempos de contexto complexo, é importante analisar cenários para situações futuras, criando um plano de emergência, pensando nas pretensões idealmente e nas possibilidades que o mercado oferece para que você chegue até lá. É necessário evitar disparar centenas de currículos para diferentes organizações, porque isso pode inclusive depor contra você profissionalmente. Você pode até conquistar uma vaga em uma lacuna fora do planejamento, mas quanto