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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ CAMPUS TERESINA CENTRAL CURSO: TECNOLOGIA DE ALIMENTOS DISCIPLINA: BROMATOLOGIA PROFESSOR: M.Sc. ROBSON ALVES DA SILVA DETERMINAÇÃO DE CINZAS EM ALIMENTOS OUTUBRO/2011 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------- 3 2. OBJETIVOS ----------------------------------------------------------------------------- 5 3. MATERIAIS E MÉTODO -------------------------------------------------------------- 6 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ------------------------------------------------------ 7 5. CONCLUSÃO --------------------------------------------------------------------------- 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ---------------------------------------------------- 10 1 INTRODUÇÃO Cinzas de um alimento é o resíduo inorgânico que permanece após a queima da matéria orgânica, que é transformada em CO2, H2O e NO2. A Cinza é constituída principalmente de: grandes quantidades de potássio, sódio, cálcio e magnésio; pequenas quantidades de alumínio, ferro, cobre, manganês e zinco; e traços de iodo, flúor e outros elementos. A cinza obtida não tem necessariamente a mesma composição que a matéria mineral presente originalmente no alimento, pois pode haver perda por volatilização ou algumas interação entre os constituintes da amostra. Os elementos minerais se apresentam na cinza sob a forma de óxidos, sulfatos, fosfatos, silicatos e cloretos, dependendo das condições de incineração e da composição dos alimentos. Algumas mudanças podem ocorrer, como a transformação de oxalatos de cálcio em carbonatos, ou até em óxidos. A determinação dos constituintes minerais nos alimentos pode ser dividida em duas classes: determinação da cinza (total, solúvel e insolúvel) e determinação dos componentes individuais da cinza. A determinação de cinza total é utilizada como indicativo de várias propriedades; é largamente aceito como índice de refinação para açúcares e farinhas; os níveis adequados de cinza total são um indicativo das propriedades funcionais de alguns produtos alimentícios, e também um parâmetro útil para verificação do valor nutricional de alguns alimentos e rações. Alto nível de cinza insolúvel em ácido indica a presença de areia. Os componentes individuais da cinza, minerais presentes nos sistemas biológicos podem ser divididos naqueles que são: indispensáveis para o metabolismo normal e geralmente constituem os elementos da dieta essencial; e aqueles que não têm nenhuma função conhecida ou até podem ser prejudiciais à saúde. Estes últimos podem aparecer do solo, provenientes da pulverização das plantas com agrotóxicos ou como resíduos de processos industriais. Alguns resíduos metálicos podem ter efeitos tóxicos como Pb e Hg (CECHI, 2003). 2 OBJETIVOS 2.1) OBJETIVO GERAL · Aprender a técnica para determinação de cinzas em alimentos. 2.2) OBJETIVO ESPECÍFICO · Praticar a técnica de determinação de cinzas total para alimentos – cinza seca; · Avaliar os resultados encontrados para os alimentos analisados de arroz e feijão, detectando a padronização de acordo com a legislação vigente. · Compreender a importância do trabalho com precisão no laboratório durante cada etapa da análise, com a finalidade de reduzir erros de manipulação. 3 PARTE EXPERIMENTAL 3.1 MATERIAIS - Bico de Bunsen - Balança analítica - Cadinho de Porcelana - Dessecador - Mufla - Espátula - Pinça - Suporte: triângulo - Liquidificador - Amostra: grãos de arroz e feijão 3.2 MÉTODO Inicialmente os cadinhos foram incinerados, esfriados e tarados. Em seguida, as amostras de grãos de arroz e feijão foram submetidas ao processo de amostragem por quarteamento. A amostra passou por um processo de trituração em liquidificador. Pesou-se o cadinho na balança analítica, em seguida, registrou-se a sua massa e foi transferido mais ou menos 2g da amostra de arroz triturado. Fora repetida novamente para se obter a duplicata, registrando o valor total da última pesagem. As cápsulas foram primeiramente submetidas a aquecimento em bico de bunsen com auxílio do suporte em triângulo até a amostra se apresentasse carbonizada, com a finalidade de evitar que a amostra pegasse fogo dentro da mufla. Posteriormente foram colocadas na placa aquecedora até que todos os grupos repetissem a etapa citada anteriormente. Foram colocadas em mufla em temperatura (550ºC/600ºC) até a obtenção de cinzas claras, o que ocorreu mais de 3 horas depois. Em seguida, foram retiradas com a pinça e colocadas no dessecador por 30 minutos para resfriar até temperatura ambiente. Pesou-se na balança analítica, cada cadinho registrando-se a massa obtida. A diferença entre o peso do conjunto (cadinho+amostra) e o peso do cadinho vazio dá a quantidade de cinza na amostra. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 1. Médias dos Teores de cinza das amostras de feijão e arroz e suas respectivas posições na mufla. Amostra Posição na mufla Média % Umidade Feijão triturado Na frente 4,4 Arroz triturado No fundo 0,57 Fonte: dados disponibilizados pelos grupos da prática O método utilizado para determinação do teor de umidade das amostras de feijão e arroz foi o método de cinza seca em mufla com temperatura de 550ºC/600ºC. Análise do Arroz Figura 1. Teor de cinzas totais do arroz polido triturado em relação ao percentual citado na literatura de Salinas (2002) para arroz polido. Segundo Salinas (2002), o teor de cinzas em arroz polido é de 0,5% e de arroz integral é de 1,2%. Como pode ser observado na figura 1 acima, que o valor da média encontrada foi semelhante à literatura citada. A composição nutricional do arroz branco em 100 gramas de amostra é composta de 11,1% de umidade; 7,5% de proteínas; 0,3% de lipídios; 2,1% de fibras; 78,9% de carboidratos; 2,1% de cinzas e 349 kcal (ASCHERI, 2002). O que em relação aos valores encontrados neste trabalho foram menores que o citado acima (0,57). Bortolini (2010) também encontrou valores superiores para arroz parboilizado inteiro e quebrado (3,61 e 4,09, respectivamente). Já Cechi (2003) descreve que os cereais possuem um conteúdo de cinzas totais que variam de 0,3% a 3,3%. Essa grande variação pode ter ocorrido devido a posição das amostras de arroz na mufla. Como na região do fundo da mufla atinge as mais altas temperaturas e as amostras de arroz foram colocadas nesta região, supõe-se que os grãos de arroz sofreram uma maior incineração que normalmente não ocorrem. Não foram encontrados valores padrões para arroz e feijão na legislação dos órgãos competentes para relacionar se as cinzas encontradas estão de acordo com a normalidade. Análise do feijão Figura 2. Teor de cinzas totais do Feijão Carioca triturado em relação ao percentual citado na literatura de Moretto (2008). Segundo Moretto (2008), o teor de cinza em feijão é em torno de 4%. De acordo com Barampama e Simard (1993), os teores de cinzas no feijão variam de 3,8 a 4,5%, apresentando as amostras analisadas uma média dentro do intervalo (Tabela 1). Já Esteves (2000) encontrou valores de cinzas variando entre 3,98 e 4,47% entre diferentes linhagens de feijão. 5 CONCLUSÃO A técnica de determinação do teor de cinzas em mufla é um método simples e empírico, porém na prática os resultados foram satisfatórios em relação aos valores de teor de cinzas encontrados nas referências estudadas. Não foi possível avaliar os resultados encontrados com a legislação vigente do regulamento técnico do arroz e do feijão do MAPA, porque neste não apresenta padronização para teor de cinzas. A prática foi de suma importância para a efetivação da aprendizagem, visto que a determinação de umidade dos alimentos é um trabalho cotidiano de análises em laboratórios de indústria de alimentos. REFERÊNCIAS ASCHERI, J. L. R. et al. Caracterization comparativa de harinas instantâneas por extrusionde quinoa, maiz y arroz. Rev. Alim., Madrid, v. 39, n. 331, p. 9-82, 2002. BARAMPAMA, Z.; SIMARD, R. E. Nutrient composition, protein quality and antinutritional factors of some varieties of dry beans (Phaseolus vulgaris, L.) grown in Burundi. Food Chemistry, Oxford, v. 47, n. 2, p. 15-67, 1993. BORTOLINI, V. M. S. Determinação da composição centesimal do arroz parboilizado (oriza sativa) e seu subproduto. Revista Congrega Urcamp, 2010. CECCHI, H. M. Fundamentos teóricos e práticos em análises de alimentos. São Paulo: UNICAMP, 1999. ESTEVES, A. M. Comparação química e enzimática de seis linhagens de feijão (Phaseolus vulgaris L.) Lavras – MG, 2000. 55 p. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos). Universidade Federal de Lavras . MORETO, E.; [et al.] Introdução a ciência de alimentos. Florianópolis. Ed. da UFSC, 2002. MORETTO, E.; [et al.] Introdução à Ciência de Alimentos. 2 ed. Ampliada e revisada. – Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008. SALINAS, R. D. Alimentos e Nutrição: Introdução à Bromatologia. 3 ed. – Porto Alegre: Artmed, 2002. TOLEDO, T. C. F; [et al.] Avaliação química e nutricional do feijão carioca (Phaseolus vulgaris L.) cozido por diferentes métodos. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Teor de Cinzas Totais Feijão Carioca Triturado Literatura (Moretto, 2008) 4.4000000000000004 4 Teor de Cinzas Totais Arroz Triturado polido Literatura para Arroz Polido (Salinas, 2002) 0.56999999999999995 0.5 image1.png