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PROCESSO CIVIL PONTO A PONTO 
 
 
 
 
 
 
2 
SUMÁRIO 
 
1. NORMAS FUNDAMENTAIS ATÉ COMPETÊNCIA .............................................................................. 3 
2. A FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO E SUAS PRERROGATIVAS ............................................................. 31 
3.TUTELA PROVISÓRIA ....................................................................................................................... 42 
4. PROCESSO DE CONHECIMENTO .................................................................................................... 58 
5. ATOS PROCESSUAIS ....................................................................................................................... 80 
6. SENTENÇA, COISA JULGADA E CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ..................................................... 94 
7. REGIME CONSTITUCIONAL DE PRECATÓRIOS ............................................................................. 119 
8. TEORIA GERAL DOS RECURSOS .................................................................................................... 132 
9. RECURSOS EM ESPÉCIES .............................................................................................................. 156 
10. SISTEMA DE DECISÕES VINCULANTES ....................................................................................... 175 
11. INTRODUÇÃO AO PROCESSO COLETIVO ................................................................................... 185 
12. AÇÃO POPULAR ......................................................................................................................... 190 
13. AÇÃO CIVIL PÚBLICA .................................................................................................................. 202 
14. MANDADO DE SEGURANÇA ...................................................................................................... 227 
15. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL .............................................................................................. 237 
16. SUSPENSÃO DE SEGURANÇA ..................................................................................................... 253 
17. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ..................................................................................................... 265 
18. INTERVENÇÃO PROCESSUAL DO PODER PÚBLICO (LEI N. 9.469/97) ........................................ 276 
19. JUIZADO ESPECIAL FEDERAL ...................................................................................................... 282 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
PROCESSO CIVIL PONTO A PONTO 
 
1. NORMAS FUNDAMENTAIS ATÉ COMPETÊNCIA 
 
a) Normas Fundamentais do CPC: 
O CPC deixou expresso, em seu art. 1º, que as normas processuais devem ser interpretadas de acordo com a 
Constituição Federal. 
 As inovações do Processo Civil brasileiro decorrem de uma mistura dos modelos common law (oriundo da 
Inglaterra e desenvolvido por meio da jurisprudência) e civil law (Romano-Germânico, fundado no direito 
romano). O atual modelo é classificado como cooperativo ou coparticipativo. Importante ter em mente que 
esse "novo modelo" processual não se contrapõe ao modelo antigo (conhecido como dispositivo ou 
inquisitivo). 
 O rol das normas fundamentais do Processo Civil é meramente exemplificativo. 
Enunciado n. 369 do FPPC: O rol de normas fundamentais previsto no Capítulo I do Título Único do Livro I da 
Parte Geral do CPC não é exaustivo. 
 
As normas processuais sempre são coercitivas? 
NÃO. Elas são predominantemente cogentes. No entanto, há que destacar a existência de normas processuais 
civis não cogentes (também chamadas de dispositivas), que são aquelas que não contém um comando 
absoluto. A título de exemplo: foro de eleição e negócio jurídico processual. 
 
Segundo o STJ, os princípios não podem ser utilizados de forma genérica, sem a devida densificação 
(demonstração de aplicação no caso concreto) para acolher ou rejeitar pretensão (STJ. 2ª Turma. REsp 
1999967-AP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.08.2022 (Info 745). 
 
 As normas fundamentais que demandam maior atenção são as seguintes: 
COOPERAÇÃO (ART. 6º) 
Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, 
decisão de mérito justa e efetiva. 
Enunciado n. 373 do FPPC: As partes devem cooperar entre si; devem atuar com ética e lealdade, agindo de 
modo a evitar a ocorrência de vícios que extingam o processo sem resolução do mérito e cumprindo com 
deveres mútuos de esclarecimento e transparência. 
 
 
 
 
 
 
4 
A boa-fé gera para os sujeitos da relação obrigacional deveres de cooperação. 
Dever de esclarecimento: Se divide em dois aspectos. 1) O juiz tem o dever de esclarecer seus 
posicionamentos/decisão para as partes. 2) Dever do juiz de pedir esclarecimento para as partes. 
Dever de prevenção: Se o juiz identifica alguma falha no processo, ele tem o dever de indicar a falha processual 
e o modo como ela deve ser corrigida. 
Dever de consulta: O juiz tem o dever de consultar as partes acerca de qualquer ponto de fato ou de direito 
relevante para sua decisão, mesmo que este ponto possa ser conhecido de ofício (sem ninguém provocar) 
pelo juiz. A decisão do juiz não pode estar lastreada em ponto em que as partes não tiveram oportunidade 
de se manifestar. Evitar que a parte seja surpreendida. Ex.: Lei de execução fiscal – art. 40, § 4° - o juiz pode 
de oficio reconhecer da prescrição tributária, mas antes tem que ouvir a Fazenda Pública. 
 
PRIMAZIA DAS DECISÕES DE MÉRITO (ART. 4º) 
Relacionado ao princípio da instrumentalidade das formas. Os juízes devem, sempre que possível, tentar sanar 
as irregularidades processuais para apreciar o mérito da demanda. “Art. 4o As partes têm o direito de obter 
em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.” 
Enunciado n. 372 do FPPC: O art. 4º tem aplicação em todas as fases e em todos os tipos de 
procedimento, inclusive em incidentes processuais e na instância recursal, impondo ao órgão jurisdicional 
viabilizar o saneamento de vícios para examinar o mérito, sempre que seja possível a sua correção. 
BOA-FÉ PROCESSUAL (ART. 5º) 
Aplica-se a todos os sujeitos do processo. 
Boa-fé subjetiva: boa-fé de conhecimento. Quando a pessoa sabe ou acredita estar agindo de boa-fé. É um 
fato, uma crença. Não faz parte do princípio da boa-fé. 
Boa-fé objetiva: boa-fé de comportamento. É uma norma, que impõe comportamento eticamente exigido. O 
direito dita o comportamento a ser exercido pela parte, independentemente da sua crença sobre o que é leal 
ou não. A análise vem da norma, e não da atitude da pessoa. Apenas a boa-fé objetiva é abarcada pelo 
princípio da boa-fé. 
Enunciado n. 1 do CJF: A verificação da violação à boa-fé objetiva dispensa a comprovação do animus do 
sujeito processual. 
Enunciado n. 374 do FPPC: O art. 5º prevê a boa-fé objetiva. 
Enunciado n. 375 do FPPC: O órgão jurisdicional também deve comportar-se de acordo com a boa-fé objetiva. 
Enunciado n. 376 do FPPC: A vedação do comportamento contraditório aplica-se ao órgão jurisdicional. 
 
 
 
 
 
5 
Enunciado n. 378 do FPPC: A boa-fé objetiva impede que o julgador profira, sem motivar a alteração, decisões 
diferentes sobre uma mesma questão de direito aplicável às situações de fato análogas, ainda que em 
processos distintos. 
 
ORDEM CRONOLÓGICA (ART. 12) 
O dispositivo estabelece uma ordem preferencial de julgamento de acordo com a data de conclusão. O rol é 
meramente exemplificativo, já que pode ser aplicado em qualquer caso, desde que por decisão 
fundamentada. 
Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de conclusão para 
proferir sentença ou acórdão.Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado 
em 17.10.2018 (Info 920). 
 
ENTE FAZENDA PÚBLICA 
ENTES FEDERATIVOS SIM 
AUTARQUIAS SIM 
AGÊNCIAS REGULADORAS SIM 
AGÊNCIAS EXECUTIVAS SIM 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
(PERSONALIDADE JURÍDICA 
DE DIREITO PÚBLICO) 
SIM 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
(PERSONALIDADE JURÍDICA 
DE DIREITO PRIVADO) 
NÃO 
EMPRESAS PÚBLICAS NÃO 
SOCIEDADES DE ECONOMIA 
MISTA 
NÃO 
EBCT SIM 
 
Representação judicial: 
Art. 182. Incumbe à Advocacia Pública, na forma da lei, defender e promover os interesses públicos da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por meio da representação judicial, em todos os âmbitos 
federativos, das pessoas jurídicas de direito público que integram a administração direta e indireta. 
 
Por serem servidores públicos de carreira cuja atribuição legal é a representação judicial do ente ou entidade, 
o advogado público não precisa apresentar procuração em juízo. Seus poderes decorrem diretamente da lei 
(ex lege) e não de um negócio jurídico. 
 
 
 
 
 
34 
 
Súmula n. 644 do STF: Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de 
instrumento de mandato para representá-la em juízo. 
Súmula n. 436 do TST: 
I - A União, Estados, Municípios e Distrito Federal, suas autarquias e fundações públicas, quando 
representadas em juízo, ativa e passivamente, por seus procuradores, estão dispensadas da juntada de 
instrumento de mandato e de comprovação do ato de nomeação. 
II - Para os efeitos do item anterior, é essencial que o signatário ao menos declare-se exercente do cargo de 
procurador, não bastando a indicação do número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. 
 
Advocacia Pública Federal: 
CF, Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, 
representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser 
sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder 
Executivo. 
§ 1º - A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo 
Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação 
ilibada. 
§ 2º - O ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição de que trata este artigo far-se-á mediante 
concurso público de provas e títulos. 
 
Execução de dívida ativa: 
Na execução da dívida ativa de natureza tributária, a representação da União cabe à Procuradoria da Fazenda 
Nacional, órgão da estrutura administrativa do Ministério da Fazenda (art. 131 § 3º da CF). 
 
Procuradorias estaduais, distritais e municipais: 
CF, Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o ingresso 
dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em 
todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades 
federadas. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Parágrafo único. Aos procuradores referidos neste artigo é assegurada estabilidade após três anos de efetivo 
exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após relatório circunstanciado das 
corregedorias. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
 
 
 
 
 
35 
Prerrogativas da Fazenda Pública: 
A Fazenda Pública goza de uma série de prerrogativas processuais não extensíveis ao particular, dentre estas 
prerrogativas podemos mencionar exemplificativamente, a existência de prazo em dobro para suas 
manifestações, garantia de intimação pessoal, a remessa necessária, a existência de um rito próprio para o 
cumprimento de sentença e execução de título executivo extrajudicial. 
 
CONSTITUCIONALIDADE DAS PRERROGATIVAS PROCESSUAIS DA FAZENDA PÚBLICA 
A FAZENDA PÚBLICA PROMOVE A DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO 
BUROCRACIA INERENTE À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIFICULTA O TRÂNSITO DE INFORMAÇÕES 
A ADVOCACIA PÚBLICA NÃO PODE RECUSAR DEMANDAS POR EXCESSO TRABALHO E O ESTADO É UM 
LITIGANTE HABITUAL 
A CONTRATAÇÃO DE NOVOS ADVOGADOS PÚBLICOS EXIGE UMA SÉRIE DE ATOS E DEMANDA MUITO 
TEMPO 
 
Prazo em dobro: 
CPC, Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações 
de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem 
terá início a partir da intimação pessoal. 
 
A contagem dos prazos deve obediência a uma série de regras previstas no CPC (art. 218 e seguintes). 
Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. 
§ 1º Quando a lei for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato. 
§ 2º Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a comparecimento após 
decorridas 48 (quarenta e oito) horas. 
§ 3º Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática de 
ato processual a cargo da parte. 
§ 4º Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo. 
 
Destaque-se duas regras que representam uma inovação trazida pelo CPC/15: a contagem apenas em dias 
úteis e a suspensão dos prazos entre o dia 20 de dezembro e 20 de janeiro. 
Inicialmente, os prazos só se contam em dias úteis, seja o prazo legal ou judicial, inclusive no Juizado Especial: 
Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias 
úteis. 
 
 
 
 
 
36 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais. 
 
Obs.: A contagem do prazo em dias úteis não se aplica ao “prazo de leitura” de 10 dias da intimação 
em processos eletrônicos, devendo ser contado em dias corridos (art. 5º, §3º, da Lei nº 11.419/06). 
 
Outra regra relevante se refere à suspensão dos prazos entre o dia 20 de dezembro e o dia 20 de janeiro. 
Art. 220. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de 
janeiro, inclusive. 
§ 1º Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os juízes, os membros do Ministério 
Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições 
durante o período previsto no caput. 
§ 2º Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento. 
 
Enunciado n. 32 do II Fórum Nacional do Poder Público: “A suspensão dos prazos processuais do período de 
20 de dezembro a 20 de janeiro aplica-se à advocacia pública, sem prejuízo das demais atribuições 
administrativas do órgão”. 
 
Art. 183, (...) § 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma 
expressa, prazo próprio para o ente público. 
 
O §2º traz uma restrição à aplicação desta regra, excluindo a prerrogativa do prazo em dobro quando houver 
um prazo próprio para o ente público: 
Desse modo, vamos à análise de alguns casos específicos de aplicação desta regra do art. 183, §2º, do CPC/15. 
 
a) Prazo para contestar a ação popular 
Conforme dispõe o art. 7º, IV, da Lei 4.717/1965, o prazo para contestar a ação popular será de 20 (vinte) dias 
prorrogáveis por mais 20 (vinte) dias, se requerido pelo interessado: 
Art. 7º, (...) IV - O prazo de contestação é de 20 (vinte) dias, prorrogáveis por mais 20 (vinte), a requerimento 
do interessado, se particularmente difícil a produção de prova documental, e será comum a todos os 
interessados, correndo da entrega em cartório do mandado cumprido, ou, quando for o caso, do decurso do 
prazo assinado em edital. 
 
 
 
 
 
 
37 
Em razão da expressão “comum a todos” a doutrina entende que neste caso não se aplica a regra do prazo 
em dobro. 
 
b) Prazos nos Juizados Especiais Federais e nos Juizados Especiais da Fazenda Pública 
A regra do prazoem dobro não se aplica nos procedimentos dos juizados especiais da Fazenda Pública e nos 
Juizados especiais federais, conforme expressa previsão legal: 
Art. 9º da Lei nº 10.259/2001. Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual pelas 
pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação para audiência de 
conciliação ser efetuada com antecedência mínima de trinta dias. 
Art. 7º da Lei nº 12.153/2009. Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual pelas 
pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação para a audiência 
de conciliação ser efetuada com antecedência mínima de 30 (trinta) dias. 
 
c) Prazo para impugnação ao cumprimento de sentença ou para embargos à execução 
A defesa do executado no cumprimento de sentença é a impugnação ao cumprimento de sentença, cujo 
prazo é de 30 dias no procedimento específico aplicável à Fazenda Pública, conforme o art. 535 do CPC/15: 
Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio 
eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução [...] 
 
d) Estado estrangeiro 
Embora os Estados estrangeiros e os organismos internacionais sejam considerados pessoas jurídicas de 
direito público externo (art. 42 do CC/02), o STJ entende que a eles não se aplica a regra do prazo em dobro 
prevista no art. 183 do CPC/15. 
 
e) Prazos na ação rescisória 
O prazo para o ajuizamento da ação rescisória (dois anos contados da última decisão proferida no processo) 
tem natureza decadencial e, portanto, é de direito material. Por este motivo, não se aplica a regra do prazo 
em dobro. 
Por outro lado, o prazo para resposta à ação rescisória é processual e fixado pelo juiz entre 15 e 30 dias (art. 
970 do CPC/15). 
Para parte da doutrina, especialmente Leonardo Carneiro da Cunha, a regra do prazo em dobro não se aplica 
neste caso, pois o juiz já leva em consideração a condição do ente público ao fixar o prazo. 
Todavia, o STJ já reconheceu que a regra do prazo em dobro se aplica a esta hipótese no julgamento do REsp 
363.780/RS. Embora o julgado tenha sido sob a égide do CPC/73, a redação deste era semelhante à atual. 
 
 
 
 
 
38 
 
f) Prazos no Mandado de Segurança 
No procedimento do Mandado de Segurança, o Poder Público tem um prazo de 10 dias para prestar 
informações, conforme estabelece o art. 7º, I, da Lei 12.016/09. Para a doutrina, este prazo é próprio para o 
poder público e, por este motivo, não se sujeita à dobra prevista no art. 183 do CPC/15. 
Por outro lado, o prazo para interposição de recursos no procedimento do Mandado de Segurança não é 
específico para o Poder Público. Deste modo, aplica-se a regra do prazo em dobro quando o recurso é 
interposto pelo ente público. Porém, os recursos interpostos pela autoridade coatora ou pelo impetrante 
não se submetem à prerrogativa do prazo em dobro. 
 
g) Prazos em processos objetivos de controle de constitucionalidade 
Segundo a jurisprudência do STF, não se aplica a prerrogativa do prazo em dobro nos processos de controle 
abstrato de constitucionalidade, pois esta regra se restringe a processos subjetivos. 
 
A Fazenda Pública terá prazo em dobro para interposição de recurso extraordinário nessa hipótese 
em comento? 
NÃO. IMPORTANTE! Segundo o STF não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de 
constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública. Assim, por exemplo, a Fazenda 
Pública não possui prazo recursal em dobro no processo de controle concentrado de constitucionalidade, 
mesmo que seja para a interposição de recurso extraordinário. 
O STF entende que a previsão do prazo em dobro trazida atualmente pelo art. 183 do CPC/2015 tem incidência 
unicamente nos processos subjetivos, ou seja, que discutem situações concretas e individuais, não se 
aplicando nos processos de controle concentrado de constitucionalidade. O processo de fiscalização abstrata 
de constitucionalidade configura típico processo de caráter objetivo, destinado a viabilizar o julgamento, não 
de uma relação jurídica concreta, mas de validade de lei em tese. STF. Plenário. ADI 5814 MC-AgR-AgR/RR, 
Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727 AgR/SC, Rel. para acórdão Min. Cármen Lúcia, julgados em 06.02.2019 
(Info 929). 
 
h) Agravo na Suspensão de Segurança 
Sobre o tema, há divergência entre o STF e o STJ. 
O prazo para a Fazenda Pública interpor agravo interno em Suspensão de Liminar é de 15 dias (e não de 5 dias) 
e deve ser contado em dobro. 
STJ. Corte Especial. SLS nº 2572/DF, julgado em 15.12.2021 
STJ. Corte Especial. AgRg no AgRg na SLS 1.955/DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.03.2015; 
 
 
 
 
 
39 
 
Por outro lado, o pensamento do STF é que não se aplica o prazo em dobro: 
STF; SL-AgR-AgR 586; Tribunal Pleno; Rel. Min. Presidente; DJE 25.08.2017; 
STF; SS-AgR 4.390; Tribunal Pleno; Rel. Min. Presidente; DJE 27.02.2018. 
 
 
Intimação pessoal: 
Outra importante garantia da Advocacia Pública é a intimação pessoal. Nos termos do art. 269, §3º, do 
CPC/15: 
CONTESTAR AÇÃO POPULAR NÃO SE APLICA PRAZO EM DOBRO 
JUIZADOS ESPECIAIS DA FAZENDA PÚBLICA E 
JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS 
NÃO SE APLICA PRAZO EM DOBRO 
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E 
EMBARGOS À EXECUÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA 
NÃO SE APLICA PRAZO EM DOBRO 
ESTADO ESTRANGEIRO NÃO SE APLICA PRAZO EM DOBRO 
AÇÃO RESCISÓRIA Prazo decadencial para interposição: Não 
Prazo para contestar a ação: Sim 
PRAZO PARA DESIGNAR E CITAR O RÉU PARA A 
AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO 
SE APLICA O PRAZO EM DOBRO 
MANDADO DE SEGURANÇA Prazo para prestar informações: Não 
Prazo para recorrer: Sim 
PRAZOS NO CONTROLE CONCENTRADO DE 
CONSTITUCIONALIDADE 
NÃO SE APLICA PRAZO EM DOBRO, inclusive para 
o RE interposto em face da decisão do TJ em ADI 
Estadual 
AGRAVO NA SUSPENSÃO DE SEGURANÇA STF: NÃO 
STJ: SIM 
PRAZOS JUDICIAIS Se o juiz fixa o prazo especificamente para o 
Poder Público: NÃO 
Se o juiz fixa o prazo para o Poder Público e para 
o particular: SIM 
 
 
 
 
 
40 
§ 3º A intimação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias e 
fundações de direito público será realizada perante o órgão de Advocacia Pública responsável por sua 
representação judicial. 
 
No mesmo sentido dispõe o art. 183, caput, do CPC/15: 
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de 
direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá 
início a partir da intimação pessoal. 
 
Enunciado n. 29 do II Fórum Nacional do Poder Público. Aplica-se a intimação pessoal nos processos que 
tramitam sob o procedimento dos juizados especiais, conforme o art. 183, §1º, do CPC. 
 
Nos termos do §1º do art. 183 do CPC/15, a intimação pessoal é realizada por meio de carga, remessa ou por 
meio eletrônico. 
A intimação eletrônica é aquela que se realiza por meio do portal próprio e é efetivada quando o advogado 
público realizar a consulta da intimação ou quando decorrido o prazo de dez dias corridos, contados da data 
do seu envio, sem que tenha sido efetivada a consulta (art. 5º, §§ 1º a 3º, da Lei nº 11.419/2006). Neste caso, 
o início do prazo é o dia útil seguinte à consulta ou do fim do prazo para que a consulta ocorra (art. 231, V, 
do CPC/15). 
 
Vale ressaltar que a intimação eletrônica não se realiza por meio de endereço eletrônico e também 
não é aquela que se promove através da publicação no diário de justiça eletrônico. A publicação no diário de 
justiça é um meio de intimação que NÃO se aplica à Advocacia Pública. Neste sentido: 
Enunciado n. 8 do I Fórum Nacional do Poder Público: “A intimação pode meio eletrônico a que se refere o 
§1º doart. 183 do CPC não se realiza por Diário da Justiça eletrônico, nem por e-mail”. 
 
Na hipótese de a intimação ocorrer através da carga, o dia do começo do prazo é o dia da carga (art. 231, VIII, 
do CPC/15). No caso da intimação por meio de remessa dos autos, a contagem do prazo é iniciada através do 
dia em que estes são recebidos pelo servidor do órgão e não o dia em que o representante da advocacia 
pública atesta a ciência do teor da decisão. 
A Lei nº 14.195/2021 alterou a regra das citações e intimações (facilitando bastante a vida dos oficiais de 
justiça) ao prever como meio preferencial de comunicação o meio eletrônico (e-mail, whatsapp, telegram, DM 
no Insta...). 
 
 
 
 
 
41 
Enviada a comunicação, a parte possui 03 dias úteis para dar o “ciente”, sob pena de ser realizada a 
comunicação de outra forma e ser aplicada multa por ato atentatório à dignidade da Justiça. 
O CPC, ainda, expressamente estende essa exigência à Fazenda Pública: 
Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, 
contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de 
dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça. (Redação dada pela Lei 
nº 14.195, de 2021) 
§ 1º As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos 
eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente 
por esse meio. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-A A ausência de confirmação, em até 3 (três) dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, 
implicará a realização da citação: (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
I - pelo correio; (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
II - por oficial de justiça; (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
III - pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; (Incluído pela Lei nº 14.195, 
de 2021) 
IV - por edital. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-B Na primeira oportunidade de falar nos autos, o réu citado nas formas previstas nos incisos I, II, III e IV 
do § 1º-A deste artigo deverá apresentar justa causa para a ausência de confirmação do recebimento da 
citação enviada eletronicamente. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-C Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de até 5% (cinco por cento) do 
valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação recebida por 
meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 2º O disposto no § 1º aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da 
administração indireta. 
 
Nesse caso, o prazo se inicia no quinto dia útil seguinte ao da confirmação: 
Art. 231, IX - o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do 
recebimento da citação realizada por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
 
OBS.: As outras prerrogativas, como tutela provisória e poder público como réu, serão vistas nos tópicos 
pertinentes aos temas. 
 
 
 
 
 
 
42 
3.TUTELA PROVISÓRIA 
 
PONTOS DO EDITAL: 
1.18 Tutela antecipada. 1.18.1 Tutelas de urgência e de evidência. 1.18.2 Fundamento, conceito e finalidades. 
1.18.3 Procedimento e fungibilidade. 1.18.4 A Fazenda Pública e as tutelas de urgência. 
 
A tutela provisória tem como objetivo evitar os efeitos negativos da prolongada duração dos processos. Como 
o próprio nome diz, tutela provisória é aquela que não tem caráter definitivo, pois ela vige provisoriamente. 
Ela visa a: 
- adiantar os efeitos da decisão final no processo,ou 
- assegurar o seu resultado prático. 
 
Em resumo: 
Tutela provisória: 
 É um juízo de cognição sumária; 
 Satisfaz antecipadamente ou assegura e protege uma ou mais pretensões formuladas 
 Pode ser concedida com base na urgência, somada à probabilidade do direito substancial, ou somente 
com base na evidência; 
 Pode ser concedida a qualquer tempo, enquanto for útil; 
 Em qualquer procedimento; 
 E SEM aptidão para formar coisa julgada material; 
 Pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo; 
 Não pode ser concedida de ofício. 
 
O juiz competente para apreciar a tutela provisória é o mesmo competente para apreciar o mérito. Cabe 
observar que, no caso de juiz absolutamente incompetente e remessa dos autos para o juízo competente, não 
há automática revogação da liminar. Até decisão contrária, a liminar continua vigente. Eis o que se chama de 
translatio iudicii. 
 
Espécies de tutela: 
A tutela provisória é gênero do qual são espécies: a tutela de urgência e a tutela de evidência. 
CPC, Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. 
 
 
 
 
 
43 
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter 
ANTECEDENTE ou INCIDENTAL. 
 
Vê-se, de plano, que a tutela de urgência pode ser cautelar ou antecipada. 
 
No que se refere à tutela de urgência: 
 A tutela cautelar tem natureza assecuratória, preservando o direito em discussão. Sua missão é 
assegurar o resultado útil do processo (natureza instrumental), a fim de que a decisão final (definitiva) 
não se torne inoperante ou ineficaz sem, contudo, adiantar o gozo do direito material (usufruir o bem 
da vida). 
 A tutela antecipadatem natureza satisfativade modo a permitir a parte a antecipação do bem da vida 
que só seria eventualmente concedido após o trâmite processual. Pode ser definida como aquela que 
satisfaz, no todo ou em parte, a pretensão formulada pelo autor (natureza satisfativa), concedendo-lhe 
os efeitos ou consequências jurídicas que ele visou obter com o ajuizamento da ação. 
 
CUIDADO! A tutela antecipada não se confunde com o “julgamento antecipado do mérito”, muito menos com 
o “julgamento antecipado parcial do mérito”, previsto nos arts. 355 e 356 do CPC. 
Como visto, a tutela provisória de urgência, seja ela antecipada ou cautelar, pode ser requerida em caráter 
antecedente, ou seja, pedida antes de ser formulado o pedido de tutela definitiva (pedido principal) – vai a 
juízo só para requerer tutela provisória. 
As tutelas provisórias de urgência, sejam ela cautelar ou antecipada, podem ser requeridas em caráter 
antecedente. 
 
Já a tutela provisória incidente é aquela que é pedida junto com a tutela definitiva ou é requerida depois 
que o pedido de tutela definitiva já foi requerido, portanto, no curso do processo (a qualquer tempo). 
Obs.: A tutela provisória da evidência é sempre incidental, ou seja, só pode ser concedida incidentalmente ao 
processo da demanda principal. 
 
 
 
 
 
44 
 
 
De outro modo: 
 
 
PROVISÓRIA 
 
URGÊNCIA 
(depende da demonstração 
de possibilidade de 
perecimento do direito) 
CAUTELAR(Pedido acessório ao principal para 
garantir futura satisfação) 
ANTECIPADA(Pedido principal cuja satisfação se 
requer em momento anterior à tutela definitiva) 
EVIDÊNCIA(independe de 
urgência) 
Situações em que há grande chance de 
existência do direito ou diante de abuso do 
direito de defesa 
DEFINITIVA Concedida por sentença (ou decisão parcial de mérito) em cognição aprofundada 
 
CPC, Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter incidental independe do pagamento de custas. 
 
IMPORTANTE! Na tutela requerida em caráter antecedente, as custas já deverão ser pagas de início e já 
devem levar em consideração o pedido de tutela final, não havendo novas custas quando for apresentado 
ou aditado o pedido principal. 
Então, cuidado com pegadinhas de banca que trocam “incidental” por “antecedente”, isso porque somente a 
tutela provisória incidental independe do pagamento de custas. 
 
A tutela provisória pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo? 
SIM. Embora possuarelativa estabilidade, a decisão em tutela provisória é precária, uma vez que podem ser 
alteradas ou revogadas a qualquer tempo 
 
 
 
 
 
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Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, 
ser revogada ou modificada. 
Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia durante o 
período de suspensão do processo. 
 
A revogação ou a modificação da tutela provisória podem ser adotadas de ofício pelo Juiz? 
SIM. Quando não estabilizadas, na forma do art. 304 do CPC, a tutela provisória pode ser revogada ou 
modificada de ofício pelo Juiz, pois a concessão ocorre por meio de exame não definitivo e normalmente não 
aprofundado. 
 
E se a tutela antecipada se tratar de valores de caráter alimentar (remuneração ou complementação de 
aposentadoria), ainda haverá a necessidade de devolução, considerando a irrepetibilidade dos alimentos? 
SIM. O fato de se tratarem de valores de caráter alimentar não isenta o beneficiário de devolver o montante 
recebido por força de decisão precária, caso essa seja posteriormente cassada. 
CUIDADO. Situação diversa é se tiver recebido por força de decisão judicial transitada em julgado 
posteriormente rescindida. Nesse caso, não caberá a devolução: 
Se o servidor recebeu os valores amparado por uma decisão judicial precária, não há como se admitir a 
existência de boa-fé, pois a Administração em momento algum gerou-lhe uma falsa expectativa de 
definitividade quanto ao direito pleiteado. 
Se não fosse permitida a restituição, isso iria gerar o desvirtuamento do próprio instituto da antecipação dos 
efeitos da tutela, haja vista que um dos requisitos legais para sua concessão reside justamente na inexistência 
de perigo de irreversibilidade. 
STJ. 2ª Turma. AREsp 1711065-RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 03/05/2022 (Info 735). 
 
Se a antecipação da tutela anteriormente concedida a assistido de plano de previdência complementar 
fechada houver sido revogada em decorrência de sentença de improcedência do seu pedido, 
independentemente de culpa ou má-fé, será possível à entidade previdenciária - administradora do plano de 
benefícios que tenha suportado os prejuízos da tutela antecipada - efetuar descontos mensais no percentual 
de 10% sobre o montante total de cada prestação do benefício suplementar que vier a ser recebida pelo 
assistido, até que ocorra a integral compensação, com atualização monetária, da verba que fora antecipada, 
ainda que não tenha havido prévio pedido ou reconhecimento judicial da restituição. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.548.749-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13.4.2016 (Info 584). 
 
 
 
 
 
 
46 
Não é cabível a devolução de valores recebidos a maior a título de complementação de aposentadoria por 
força de decisão judicial transitada em julgado, mesmo que ela seja posteriormente desconstituída. 
STJ. 4ª Turma. AREsp 1.775.987-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 03/05/2022 (Info 735). 
 
Essas medidas adequadas para a efetivação da tutela provisória podem ser implementadas mesmo antes 
do trânsito em julgado? Mesmo em face do Poder Público? 
SIM. É o teor do seguinte enunciado doutrinário: 
Enunciado n. 38 do CJF: As medidas adequadas para efetivação da tutela provisória independem do trânsito 
em julgado, inclusive contra o Poder Público (art. 297 do CPC). 
 
Dispõe o art. 297 do CPC que, o juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para 
efetivação da tutela provisória. Tal dispositivo notabiliza um poder geral de cautela, onde o juiz poderá definir 
as medidas que considerar adequadas para efetivação de toda e qualquer espécie de tutela provisória 
(atipicidade dos meios executivos). 
 
De quem é a competência para decidir sobre a tutela provisória? 
Tutela incidente (após a petição inicial) Ao juízo da causa. 
Tutela Antecedente (anterior ou contemporâneo à propositura) Juízo competente para o pedido 
principal. 
Ação de competência originária de tribunal e recursos Órgão competente para analisar 
o mérito. 
Processos sobrestados por força do regime repetitivo Órgão jurisdicional onde 
estiverem os autos. 
 
No caso específico de recurso extraordinário, deve-se seguir o teor dos seguintes enunciados de súmula: 
Súmula n. 634 do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito 
suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem. 
Súmula n. 635 do STF: Cabe ao presidente do tribunal de origem o pedido de medida cautelar em recurso 
extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade. 
 
 
 
 
 
 
47 
Tutela provisória e o dever de motivar: 
Art. 298. Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogara tutela provisória, o juiz motivará seu 
convencimento de modo claro e preciso. 
 
Tutela provisória e recurso: 
Das decisões (interlocutórias) que concedem tutela provisória (cautelar ou satisfativa, antecipada ou da 
evidência), vida de regra, cabe AGRAVO DE INSTRUMENTO (art. 1.015, I). Lembre-se que o Agravo de 
Instrumento não tem efeito suspensivo automático, mas o relator pode concedê-lo. 
 
Mas e se a tutela provisória for concedida na sentença? 
Nesse caso, caberá o recurso de APELAÇÃO. 
 
Tutela provisória de urgência: 
A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o 
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
A tutela de urgência está ligada ao risco de dano ou perda do resultado útil do processo. 
 
Requisitos da tutela de urgência esquematizados: 
 PROBABILIDADE DO DIREITO + PERIGO DE DANO 
 ou 
 PROBABILIDADE DO DIREITO + RISCO AO RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO. 
 
A tutela de urgência pode levar à reparação por danos nas hipóteses do art. 302 do CPC, senão vejamos: 
Art. 302. Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a 
efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa, se: 
I -a sentença lhe for desfavorável; 
II -obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários para a citação do 
requerido no prazo de 5 (cinco) dias; 
III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal; 
IV -o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. 
Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que 
possível. 
 
 
 
 
 
 
48 
Sobre os danos advindos da tutela provisória de urgência, o informativo 649 do STJ entendeu que: 
O ressarcimento dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela provisória posteriormente revogada por 
sentença que extingue o processo sem resolução de mérito, sempre que possível, deverá ser liquidado nos 
próprios autos. O título executivo a ser executado é a própria decisão que antecipou a tutela, juntamente 
com a sentença de extinção do feito sem resolução de mérito que a revogou, sendo, portanto, perfeitamente 
possível extrair não só a obrigação de indenizar o dano causado à parte ré (an debeatur), nos termos dos 
dispositivos legais analisados (CPC/2015, arts. 302 e 309), como também os próprios valores despendidos com 
o cumprimento da tutela provisória deferida (quantum debeatur). Entendimento diverso não seria compatível 
com os princípios da economia e celeridade processual, que é justamente o objetivo da norma ao determinar 
que a indenização deverá ser liquidada nos próprios autos que a tutela provisória tiver sido concedida. 
Precedente: REsp 1.770.124-SP 
 
Há fungibilidade entre as tutelas? 
SIM. Se formulado equivocadamente o pedido de tutela provisória, não cabe ao juiz indeferi-lo pois entre elas 
há fungibilidade (art. 305, Parágrafo único). 
 
CPC, Art. 300, §1º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou 
fidejussóriaidônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser 
dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. 
 
Da reversibilidade dos efeitos da decisão: 
CPC, Art. 300, § 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de 
irreversibilidade dos efeitos da decisão. 
 
Indenização pelos prejuízos decorrentes da tutela de urgência: 
É OBJETIVA a responsabilidade da parte requerente da medida pelos danos que a tutela de urgência causar 
à parte adversa, nas seguintes hipóteses (art. 302): 
 A sentença lhe for desfavorável; 
 Obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários para a 
citação do requerido no prazo de 5 dias; 
 Ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal; 
 O juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. 
 
 
 
 
 
49 
Segundo o entendimento firmado na Segunda Seção desta Corte Superior, “Os danos causados a partir da 
execução de tutela antecipada (assim também a tutela cautelar e a execução provisória) são disciplinados pelo 
sistema processual vigente à revelia da indagação acerca da culpa da parte, ou se esta agiu de má-fé ou não. 
Com efeito, à luz da legislação, cuida-se de responsabilidade processual objetiva, bastando a existência do 
dano decorrente da pretensão deduzida em juízo para que sejam aplicados os arts. 273, § 3º, 475-O, incisos I 
e II, e 811 do CPC⁄1973 (correspondentes aos arts. 297, parágrafo único, 520, I e II, e 302 do novo CPC)” (STJ, 
AgInt no REsp Nº 1.601.267 – RS, 07.02.2017). 
 
Art. 302. (...) Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, 
sempre que possível. 
 
 Nesse sentido, também entende o STJ, vide: 
(...) Em relação à forma de se buscar o ressarcimento dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela 
provisória, o parágrafo único do art. 302 do CPC/2015 é claro ao estabelecer que “a indenização será liquidada 
nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que possível”, dispensando-se, assim, o ajuizamento 
de ação autônoma para esse fim. A obrigação de indenizar a parte adversa dos prejuízos advindos com o 
deferimento da tutela provisória posteriormente revogada é decorrência ex lege da sentença de 
improcedência ou de extinção do feito sem resolução de mérito, como no caso, sendo dispensável, portanto, 
pronunciamento judicial a esse respeito, devendo o respectivo valor ser liquidado nos próprios autos em que 
a medida tiver sido concedida, em obediência, inclusive, aos princípios da celeridade e economia processual. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.770.124-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21.05.2019 (Info 649). 
 
Tutela de urgência de Caráter Antecedente: 
A tutela antecipada diz respeito à antecipação do próprio direito da parte autora. Por outro lado, a tutela 
cautelar diz respeito à proteção, ao resguardo do direito. 
TUTELA ANTECIPADA EM CARÁTER ANTECEDENTE TUTELA CAUTELAR EM CARÁTER ANTECEDENTE 
Direito a que se busca realizar Direito a que se objetiva assegurar 
Não há previsão de oitiva prévia do Réu O Réu é citado para contestar e indicar provas no prazo 
de 05 dias 
Efetivada a tutela, o autor deve aditar a inicial em 15 
dias 
Efetivada a tutela o autor deve aditar a inicial em 30 
dias 
Pode levar à estabilização da tutela Não pode levar à estabilização da tutela 
 
 
 
 
 
 
50 
Cuidado com a diferença em caso de concessão e não concessão da tutela provisória de urgência antecipada 
antecedente: 
I- Concessão: autor deve aditar a petição inicial em 15 dias ou outro prazo que o juiz fixar sob pena de extinção 
sem resolução de mérito; 
II- Não concessão: autor deve emendar a petição inicial em 5 dias, sob pena de indeferimento e extinção sem 
resolução de mérito. 
 
Momentos para requerimento e concessão da tutela antecipada antecedente: 
CPC, Art. 303. Nos casos em que a URGÊNCIA FOR CONTEMPORÂNEA À PROPOSITURA DA AÇÃO, a petição 
inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à INDICAÇÃO DO PEDIDO DE TUTELA FINAL, 
com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do 
processo. 
 
As custas já deverão ser pagas de início e já devem levar em consideração o pedido de tutela final, não 
havendo novas custas quando for apresentado ou aditado o pedido principal. 
 
Estabilização da tutela antecipada: 
O CPC criou o instituto da estabilização da tutela antecipada (não cautelar) antecedente no art. 304, que assim 
dispõe: 
Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a 
conceder não for interposto o respectivo recurso. 
§ 1º No caso previsto no caput, o processo será extinto. 
§ 2º Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar ou invalidar a tutela 
antecipada estabilizada nos termos do caput. 
§ 3º A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada por decisão 
de mérito proferida na ação de que trata o § 2º. 
§ 4º Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi concedida a medida, para 
instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2º, prevento o juízo em que a tutela antecipada foi 
concedida. 
§ 5º O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2º deste artigo, extingue-se 
após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo, nos termos do § 1º. 
 
 
 
 
 
51 
§ 6º A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos respectivos efeitos só será 
afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar, proferida em ação ajuizada por uma das partes, nos 
termos do § 2º deste artigo. 
 
A 1ª e 3ª turmas do STJ divergem quanto à interpretação do termo “recurso” contido no caput do artigo 304 
do STJ. 
A 1ª turma diz que é necessário que haja interposição de agravo de instrumento para impedir os efeitos da 
estabilização da tutela. Precedente: Info 658. 
A 3ª turma, por sua vez, entende que “recurso” deve ser entendido como qualquer manifestação contrária à 
tutela, inclusive manifestada através de contestação. Precedente: Info 639. 
 
Estabilidade e definitividade é a mesma coisa, neste caso? 
NÃO. A estabilidade não se confunde com a definitividade, e uma medida estável não estará revestida da 
autoridade da coisa julgada material (art. 304, § 6º), porém, ela impede o juiz de, a qualquer tempo, revogar, 
modificar ou invalidar a medida, como ocorre quando há processo em curso. 
A hipótese em comento não se trata, porém, de ação rescisória! 
 
Sintetizando: 
 Juiz defere o pedido de tutela antecipada antecedente, se o réu não impugnar, a decisão se estabilizará: 
Sentença de extinção sem resolução do mérito (Decisão permanece produzindo efeitos) 
 Juiz defere o pedido de tutela antecipada antecedente, se o réu impugnar, a decisão não estabilizará: o 
autor tem 15 dias para aditar a petição inicial (art. 303, I). Se aditar, o processo prossegue. Se não aditar, 
como não houve estabilização e o processo foi extinto pelo não aditamento, a liminar perde a sua eficácia. 
 
É possível a estabilização da tutela de urgência em face da Fazenda Pública: 
Prevalece na doutrina que sim. Na II Jornada de Direito Processual Civil da CJF/STJ, foi aprovado o seguinte 
enunciado: 
Enunciado n. 130: É possível a estabilização de tutela antecipada antecedente em face da Fazenda Pública. 
 
Tutela De Evidência: 
A tutela de evidência será concedida quando o direito é evidentemente da parte Autora. Sua a concessão não 
depende da demonstração de perigo ou risco ao resultado útil do processo. 
É possível a tutela de evidência contra a Fazenda Pública. 
 
 
 
 
 
52 
 
As hipóteses de concessão da tutela de evidência estão previstas no art. 311 do CPC:Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou 
de risco ao resultado útil do processo, quando: 
I -ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; 
II -as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em 
julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso 
em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; 
IV -a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, 
a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. 
 
Tutela provisória contra a Fazenda Pública: 
Tirando as hipóteses de vedação de tutela de urgência em face da Fazenda Pública, é possível a antecipação 
de tutela e, por conseguinte, a execução provisória do julgado. 
 
Hipóteses vedadas em lei: 
Lei. 9.494, Art. 2º-B. VEDAÇÃO (somente poderá ser executada após seu trânsito em julgado): 
A sentença que tenha por objeto: 
 a liberação de recurso, 
 inclusão em folha de pagamento, 
 reclassificação, 
 equiparação, 
 concessão de aumento ou 
 extensão de vantagens a servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
inclusive de suas autarquias e fundações. 
 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Declaratória de Constitucionalidade 4, afirmou a 
constitucionalidade do art. 1º da Lei 9.494/1997. 
 
Irreversibilidade da medida: 
 
 
 
 
 
53 
A Lei 8.437/92 (§ 3°, do art. 1°), prevê a “vedação a tutela de urgência que esgote, no todo ou em parte, o 
objeto da ação”, se referindo ao caráter de reversibilidade de que deve ser dotado o provimento de urgência 
cautelar ou de tutela antecipada. 
 
Compensação de créditos tributários e previdenciários: 
Compensação é a extinção de duas ou mais obrigações, cujos credores são ao mesmo tempo devedores um 
do outro. 
Assim, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações 
extinguem-se, até onde se compensarem (art. 368 do CC). 
No Direito Tributário, ocorre compensação quando o contribuinte possui um crédito a receber do fisco, 
podendo ser feito o encontro de contas do valor que o sujeito passivo tem que pagar com a quantia que tem 
a receber da Administração. É uma modalidade de extinção do crédito tributário (art. 156, inc. II, do CTN). 
A compensação demanda lei específica, conforme prevê o art. 170 do CTN. Não existe compensação tributária 
autoaplicável. Acompanhando tal entendimento o art. 170-A do CTN, prevê ser vedada a compensação 
mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito 
em julgado da respectiva decisão judicial. 
 
O mandado de segurança pode ser manejado para veicular a pretensão de declaração do direito à 
compensação tributária? 
SIM. Suponha que um contribuinte tenha formulado um requerimento administrativo pedindo a compensação 
do crédito tributário com o um débito que possua com o fisco, e esse pedido venha a ser indeferido. Nessa 
hipótese, o contribuinte pode manejar MS buscando a declaração do direito à compensação tributária. É o 
que o diz o seguinte enunciado de súmula do STJ: 
Súmula n. 213 do STJ: O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à 
compensação tributária. 
 
Agora surge outro questionamento. É possível que essa compensação possa ser deferida por meio de liminar 
em mandado de segurança? 
Aqui o aluno deve ter atenção ao julgamento recente da ADI 4296 (09.06.2021). 
Antes do decidido pela referida ação, não era possível que a compensação de créditos tributários fosse feita 
por medida liminar. A base era o §2º art. 7º da Lei n. 12.016/2009 (LMS), vide: 
Art. 7º (...) 
 
 
 
 
 
54 
§ 2º Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega 
de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a 
concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 
 
Inclusive, vigorava o teor da seguinte súmula: 
Súmula n. 212 do STJ: A compensação de créditos tributários nãopode ser deferida em ação cautelar ou por 
medida liminar cautelar ou antecipatória. 
 
Contudo, como se verá no tópico específico sobre o julgamento da ADI 4296, o STF, por maioria dos votos do 
Plenário, julgou inconstitucional o referido dispositivo legal que restringia as hipóteses de concessão de 
medida liminar (§2º art. 7º da LMS). 
É inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida liminar na via 
mandamental. 
Impedir ou condicionar a concessão de medida liminar caracteriza verdadeiro obstáculo à efetiva prestação 
jurisdicional e à defesa do direito líquido e certo do impetrante. 
STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 09.06.2021. 
 
Dessa forma, a súmula 212 do STJ, em 16.09.2022 foi cancelada. 
Obs.: A Lei 8.437/92, art.1°, §5º, também proíbe a concessão de medida de urgência para possibilitar ao 
particular a compensação de créditos tributários ou previdenciários. Contudo, esse dispositivo não terá 
melhor sorte, e está fadado à decretação de inconstitucionalidade. 
 
NÃO CONFUNDA: 
Súmula n. 460STJ: “É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada 
pelo contribuinte”. 
 
Existem dois fundamentos jurídicos para respaldar o entendimento desta súmula: 
a) para convalidar a compensação, seria necessária dilação probatória, o que é inviável em mandado de 
segurança; 
b) a tarefa de realizar a compensação tributária é da Administração Tributária, não podendo o contribuinte 
assumir o papel do Fisco. Isso porque compete à Administração fiscalizar a existência ou não de créditos a 
serem compensados, a exatidão dos números e documentos, do quantum a compensar e da conformidade do 
procedimento adotado com os termos da legislação pertinente. 
 
 
 
 
 
55 
Nesse sentido: 
(...) 1. É cabível a impetração do mandado de segurança visando a declaração ao direito à compensação 
tributária (Súmula 213/STJ). Todavia, essa ação não tem o condão de convalidar o procedimento 
compensatório efetuado pelo contribuinte, tendo em vista a necessidade de dilação probatória e por ser essa 
tarefa reservada à Autoridade Administrativa competente. 
2. Na espécie, há pedido expresso na ação mandamental no sentido de que se reconheça válida a 
compensação efetuada pela contribuinte, por sua conta e risco, providência que não se coaduna com a via 
eleita, que não comporta a dilação probatória necessária para o reconhecimento do pleito. (...) 
STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 728.686/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28.10.2008. 
 
Lei 12.016/09 – Lei do Mandado de Segurança: 
As espécies de tutela provisória de urgência (cautelar e antecipada) são plenamente aplicáveis, de um modo 
geral, em face da Fazenda Pública. Inexiste uma vedação geral da concessão desse tipo de tutela quando em 
desfavor de uma entidade de direito pública. 
Há, todavia, hipóteses específicas previstas em lei nas quais não se admite a concessão de tutela provisória 
de urgência contra os entes públicos. A lei 12.016/09, que regula o procedimento do Mandado de Segurança, 
trouxe vedações no seu artigo 7º, §2º, cuja redação é a seguinte: 
 
Art. 7º, § 2º Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, 
a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores 
públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 
 
Esquematizando: segundo a LMS não será concedida medida LIMINAR que tenha por objeto (pedido) a:a) Compensação de créditos tributários; 
b) Entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior; 
c) Reclassificação ou equiparação de servidores públicos; e 
d) Concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 
 
Nessas hipóteses, o provimento jurisdicional que tenha esse conteúdo não pode ter eficácia e cumprimento 
antes do trânsito em julgado. A propósito, ainda que haja sentença concessiva da segurança com esses 
conteúdos ela não poderá ter efeitos imediatos, sendo a apelação que a impugnar dotada de efeito suspensivo 
ope legis, conforme disposto no art. 14, §3º, da LMS: 
 
 
 
 
 
56 
§ 3º A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente, salvo nos casos 
em que for vedada a concessão da medida liminar. 
 
Essas vedações a medidas liminares em MS são constitucionais? 
NÃO. 
IMPORTANTE! O Conselho Federal da OAB questionou, perante o STF, a constitucionalidade da vedação de 
concessão de medida liminar prevista no §2º art. 7º da LMS (ADI 4296), ao argumento de existir limitação 
indevida do alcance do mandado de segurança. Além disso, apontou violação da liberdade de atividade 
econômica e do amplo acesso ao Poder Judiciário e desrespeito ao exercício da advocacia, entre outras 
alegações. 
 
E o que entendeu o STF? 
O Supremo, em 09.06.2021, por maioria dos votos do Plenário, julgou inconstitucional o referido dispositivo 
legal que restringia as hipóteses de concessão de medida liminar (§2º art. 7º da LMS). 
O MS é um mecanismo constitucional de proteção individual ou coletiva de pessoa física ou jurídica contra 
atos ilegais ou arbitrários do poder público. 
O tratamento preferencial dado pelo dispositivo em destaque à Fazenda Pública (tratamento preferencial) é 
incompatível com o Estado Democrático de Direito (ADI, 4296, Rel. do acórdão Min. Alexandre de Moraes, j. 
em 09.06.2021). 
Com a derrubada do dispositivo, o Supremo autorizou a concessão de medida liminar que tem por objeto a 
compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a 
reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens 
ou pagamento de qualquer natureza. 
É inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida liminar na via 
mandamental. 
Impedir ou condicionar a concessão de medida liminar caracteriza verdadeiro obstáculo à efetiva prestação 
jurisdicional e à defesa do direito líquido e certo do impetrante. 
STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 09.06.2021. 
 
Esse entendimento vale só para MS? 
NÃO. Veja que o art. 1.059 do CPC faz referência ao art. 7º, §2º, da Lei n. 12.016/2009, que foi declarado 
inconstitucional. Veja: 
 
 
 
 
 
57 
Art. 1.059. À tutela provisória requerida contra a Fazenda Pública aplica-se o disposto nos arts. 1º a 4º da Lei 
nº 8.437, de 30 de junho de 1992 , e no art. 7º, § 2º, da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 . 
 
Assim o CPC puxava o que estava na LMS para seu procedimento. Porém, como o referido dispositivo foi 
declarado inconstitucional, não pode mais ser utilizado. 
Por sua vez, o art. 1º da Lei n. 8.437/92 contém a seguinte disposição: 
Art. 1° Não será cabível medida liminar contra atos do Poder Público, no procedimento cautelar ou em 
quaisquer outras ações de natureza cautelar ou preventiva, toda vez que providência semelhante não puder 
ser concedida em ações de mandado de segurança, em virtude de vedação legal. 
 
Assim, como a vedação do §2º art. 7º da LMS caiu por inconstitucionalidade, ela não pode mais ser usada em 
procedimento cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
4. PROCESSO DE CONHECIMENTO 
 
a) Formação do Processo e Petição inicial: 
 Momento da propositura da ação: 
Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação 
só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado. 
 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
 
 Causa de pedir: aplicação da TEORIA DA SUBSTANCIAÇÃO, pois a inicial deve mencionar 
expressamente o fato (CAUSA REMOTA) e os fundamentos jurídicos do pedido (CAUSA PRÓXIMA): 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido. 
 
CAUSA DE PEDIR REMOTA ATIVA 
É aquela que geriu o direito, a base sem a qual não haveria o direito. Exemplo: o contrato, o acidente, o 
casamento. 
CAUSA DE PEDIR REMOTA PASSIVA 
É o fato que leva a pessoa ao Judiciário. Exemplo: o inadimplemento, a falta de indenização. 
 
Em geral, apontam duas teorias a embasar a causa de pedir no processo civil: 
INDIVIDUAÇÃO A causa de pedir é composta apenas pelos fundamentos de fato, uma vez que cabe 
ao juiz indicar o fundamento jurídico 
SUBSTANCIAÇÃO A causa de pedir é composta pelos fundamentos de fato e de direito 
 
O CPC acatou a teoria da substanciação: 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; 
 
Mas e o princípio do “dá-me os fatos que eu te darei o direito”? 
Para entender isso, é importante diferenciar fundamento jurídico de fundamento legal: 
 
 
 
 
 
59 
I- Fundamento jurídico: liame lógico-jurídico entre os fatos e o pedido. Ou seja, a parte deve apontar qual o 
“direito” que justifica a procedência do seu pedido diante dos fatos narrados; 
II- Fundamento legal: indicação do dispositivo de lei onde se encontra o fundamento jurídico. 
 
Exemplificando, tendo o Autor narrado um caso concreto e solicitado a nulidade de um contrato por conta de 
coação, fundamentado no art. 145, do Código Civil, o fundamento jurídico é a coação e o fundamento legal o 
art. 145, do Código Civil. Nesse caso, o juiz pode “corrigir” o fundamento legal, decidindo com base no art. 
151, do Código Civil (que, de fato, trata de coação), mas não poderia julgar procedente o pedido, indicando 
que teria dolo, já que não pode julgar com base em fundamento jurídico diverso. 
 
INFORMAÇÃO ADICIONAL 
O posicionamento acima decorre logicamente da teoria da substanciação, como visto. Apesar disso, o STJ, de 
forma atécnica, já se pronunciou da seguinte forma: “não se configura julgamento extra petita quando o 
julgador, adstrito às circunstâncias fáticas e ao pedido constante nos autos, procede à subsunção normativa 
com amparo em fundamentos jurídicos diversos dos suscitados pelas partes" (AgInt no REsp n. 
1.795.148/MT, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 19.11.2019, DJe 22.11/2019)” 
 
b) Do Pedido: 
 É a pretensão que o autor leva à apreciação do Juiz. É preciso que o autor indique com clareza o pedido 
IMEDIATO, que é o tipo de provimento jurisdicional (condenatório, constitutivo, declaratório) e o pedido 
MEDIATO, que é bem da vida almejado. 
 O pedido deve ser CERTO e DETERMINADO. 
 Requisitos da petição inicial: 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
I –o juízo a que é dirigida; 
II –os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição 
no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio 
e a residência do autor e do réu; 
III - o fatoe os fundamentos jurídicosdo pedido; 
IV –o pedidocom as suas especificações; 
V –o valor da causa; 
VI –as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. 
 
 
 
 
 
60 
§ 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao 
juiz diligências necessárias a sua obtenção. 
§ 2º A petição inicial NÃO será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for 
possível a citação do réu.§ 3º A petição inicial NÃO será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a 
obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. 
 
Enunciados do Fórum Permanente de Processualistas Civis: 
Enunciado n. 281. A indicação do dispositivo legal não é requisito da petição inicial e, uma vez existente, não 
vincula o órgão julgador. 
Enunciado n. 519. Em caso de impossibilidade de obtenção ou de desconhecimento das informações 
relativas à qualificação da testemunha, a parte poderá requerer ao juiz providências necessárias para a sua 
obtenção, salvo em casos de inadmissibilidade da prova ou de abuso de direito. 
 
O nome atribuído a ação é relevante para a natureza jurídica da causa? 
NÃO. O nome atribuído à ação é irrelevante para a aferição da sua natureza jurídica, que tem a sua definição 
com base no pedido e na causa de pedir. (STJ. 4ª Turma. Aglnt no AREsp 778.247/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, 
julgado em 28.06.2016) 
 
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. Art. 321. 
O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta 
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo 
de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou 
completado. 
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. 
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que 
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento demérito, determinará que o autor, 
no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou 
completado. 
 
O STJ inclusive reafirmou como direito subjetivo da parte a emenda inicial, sendo vedado ao juiz 
indeferir de pronto sem oportunizar a correção: 
 
 
 
 
 
61 
O indeferimento da petição inicial, quer por força do não-preenchimento dos requisitos exigidos nos arts. 319 
e 320 do CPC/2015, quer pela verificação de defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de 
mérito, reclama a concessão de prévia oportunidade de emenda pelo autor, nos termos do art. 321 do 
CPC/2015. STJ. 2ª Seção. REsp 2013351-PA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14.09.2022 (Info 751). 
 
 Classificação dos pedidos: 
Art. 325. O pedido será ALTERNATIVO quando, pela natureza da obrigação, o devedor puder cumprir a 
prestação de mais de um modo. 
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz lhe assegurará o direito 
de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o autor não tenha formulado pedido alternativo. 
 
Art. 326. É lícito formular mais de um pedido em ordem SUBSIDIÁRIA, a fim de que o juiz conheça do posterior, 
quando não acolher o anterior. 
Parágrafo único. É lícito formular mais de um pedido, ALTERNATIVAMENTE, para que o juiz acolha um deles. 
 
Obs.: NÃO CONFUNDA: 
Pedido alternativo: existe apenas UM pedido, mas que pode ser satisfeito de modos alternativos, pois a 
obrigação material é alternativa (art. 325). 
Cumulação alternativa de pedidos: existe mais de um pedido que, sendo acolhido qualquer um, estará 
satisfeito o autor (art. 326, p. ú). 
 
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que 
entre eles não haja conexão. 
§ 1º São requisitos de admissibilidade da cumulação que: 
I - os pedidos sejam compatíveis entre si; 
II - sejacompetente para conhecer deles o mesmo juízo; 
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento. 
§ 2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, será admitida a cumulação se 
o autor empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego das técnicas processuais diferenciadas 
previstas nos procedimentos especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que não forem 
incompatíveis com as disposições sobre o procedimento comum. 
§ 3º O inciso I do § 1º não se aplica às cumulações de pedidos de que trata o art. 326. 
 
 
 
 
 
 
62 
 
 Pedidos implícitos: 
Art. 322. § 1º. Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de 
sucumbência, inclusive os honorários advocatícios. 
 
Súmula n. 256 do STF: É dispensável pedido expresso para condenação do réu em honorários, com 
fundamento nos arts. 63 ou 64 do Código de Processo Civil. 
 
Obs.: Os honorários configuram-se como pedido implícito, mas não como condenação implícita. Assim, ainda 
que não seja requerido, cabe ao juiz condenar o sucumbente em honorários, possibilitando a oposição de 
embargos de declaração em caso de omissão. Caso haja omissão, sem que seja manejado recurso, não é 
possível executar a sentença para cobrar honorários, mas é possível o ajuizamento de ação própria de fixação 
(art. 85, §18, CPC). 
Obs.2: A Lei nº 14.365/2022 positivou jurisprudência do STJ no sentido de ser vedada a redução equitativa 
dos honorários advocatícios se o valor da causa for alto (art. 85, §6º-A, CPC). 
 
 Hipóteses permissivas de pedido genérico: 
Art. 324. O pedido deve ser determinado. 
§ 1º É lícito, porém, formular PEDIDO GENÉRICO: 
I - Nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados; 
II - Quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato; 
III - Quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado 
pelo réu. 
 
 Cumulação imprópria de pedidos: subsidiária (art. 326, caput) e alternativa (art. 326, parágrafo 
único). Esse tipo de cumulação imprópria não demanda compatibilidade de pedidos. 
 
Alteração do pedido: 
Art. 329. O autor poderá: 
I - até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do 
réu; 
 
 
 
 
 
63 
II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, COM consentimento do 
réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 
(quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. 
 
c) Do Indeferimento da Petição Inicial: 
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: 
I –for inepta; 
II -aparte for manifestamente ilegítima; 
III - o autor carecer de interesse processual; 
IV -não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. 
§ 1ºConsidera-se inepta a petição inicial quando: 
I -lhe faltar pedido ou causa de pedir; 
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; 
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; 
IV -contiver pedidos incompatíveis entre si. 
§ 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento 
ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as 
obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do 
débito. 
§ 3º Na hipótese do § 2º, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo contratados. 
Art. 331.Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco) dias, 
retratar-se. 
§ 1º Se NÃO houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso. 
§ 2º Sendo a sentença reformada pelo tribunal, o prazo para a contestação começará a correr da intimação 
do retorno dos autos, observado o disposto no art. 334. 
§ 3º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença. 
 
 Julgamento de improcedência liminar: é a decisão de MÉRITO que, antes da citaçãodo demandado, 
julga improcedente o pedido formulado pelo autor e faz coisa julgada. 
Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará 
liminarmente improcedente o pedido que contrariar: 
I -enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; 
 
 
 
 
 
64 
II -acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de 
recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de 
competência; 
IV -enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. 
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência 
de decadência ou de prescrição. 
§2ºNão interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 
241. 
§3ºInterposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 dias. 
§4º Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu, e, se não 
houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo de 15 dias. 
 
 Alteração do prazo de retratação no caso de apelação por indeferimento da petição inicial. No CPC 
antigo, era de 48 horas. No atual CPC, é de 5 dias. 
 
Pelo CPC/2015, há apenas duas espécies de sentença liminar: indeferimento da petição inicial (sentença 
terminativa), e julgamento liminar de improcedência (sentença de mérito). 
O julgamento liminar de improcedência, preenchidos seus requisitos, passa a ser um dever do juiz, e não 
mera faculdade como é à luz do CPC/1973, e essa conclusão não depende de expressa previsão legal. 
 
Não é possível a aplicação do art. 285-A do CPC 1973 (leia-se art. 332, NCPC) quando o entendimento 
exposto na sentença, apesar de estar em consonância com a jurisprudência do STJ, divergir do 
entendimento do tribunal de origem (STJ.3a Turma. REsp 1.225.227 -MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 
em 28.5.2013 - info 524). 
 
Audiência de conciliação ou mediação: 
Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do 
pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) 
dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência. 
§ 1º O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de conciliação ou de 
mediação, observando o disposto neste Código, bem como as disposições da lei de organização judiciária. 
 
 
 
 
 
65 
§ 2ºPoderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não podendo exceder a 2 (dois) 
meses da data de realização da primeira sessão, desde que necessárias à composição das partes. 
§ 3º A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. 
§ 4º A audiência não será realizada: 
I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; 
II - quando não se admitir a autocomposição. 
§ 5º O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, 
por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência. 
§ 6º Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado por todos os 
litisconsortes. 
§ 7º A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos termos da lei. 
§ 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato 
atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem 
econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. 
§ 9º As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. 
§ 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com poderes para negociar 
e transigir. 
§ 11. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença. 
§ 12. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a respeitar o intervalo 
mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da seguinte. 
 
d) Contestação 
Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial será 
a data: 
I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte 
não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; 
II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo 
réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso I; 
III - prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos. 
§ 1º No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6o, o termo inicial previsto no inciso 
II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo pedido de cancelamento da 
audiência. 
 
 
 
 
 
66 
§ 2º Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso II, havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir da 
ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá da data de intimação da decisão que 
homologar a desistência. 
Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de 
direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. 
 
 Princípio da eventualidade: estabelece que compete ao réu, na contestação, concentrar toda a 
matéria de defesa, ainda que os eventos narrados sejam incompatíveis entre si (art. 336 do CPC). Ex.: O réu 
alega não dever ao autor e alega a inépcia da inicial. 
Em síntese, as matérias de defesa podem ser classificadas em duas categorias: a) as de ordem públicas, que 
podem ser conhecidas de ofício, e que não precluem se não alegadas na primeira oportunidade (objeções); b) 
as que não são de ordem pública, e que precluirão se não alegadas. 
 
 
 
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE 
Matérias defensivas relativas a direito ou fato 
superveniente; 
Matérias que o juiz pode conhecer de ofício (ex: 
matérias de ordem pública, prescrição, decadência); 
Matérias que por expressa previsão legal podem ser 
alegadas em qualquer momento e grau de 
jurisdição. 
 
CESPE/CEBRASPE, PGDF-ANALISTA, 2021: Decorrido o prazo para o réu apresentar a contestação, resta-lhe 
precluso o direito de deduzir questões de ordem processual e meritória. 
 
 Princípio da impugnação específica dos fatos: previsto no artigo 341 do CPC, impõe um ônus ao réu 
de rebater pontualmente todos os fatos narrados pelo autor com os quais não concorda, tornando-os 
controvertidos. 
A falta de impugnação específica não torna o fato incontroverso quando: 
a) For inadmissível a confissão sobre o fato (questão dos direitos indisponíveis); 
b) O fato somente puder ser provado por documentos. Hipótese na qual se o autor alega, mas não apresenta 
o documento hábil, o réu não precisa impugnar. 
c) O todo da contestação, seu conjunto de argumentos, contradizer os fatos não impugnados. 
 
 
 
 
 
 
67 
CESPE/CEBRSAPE, TRE-BA, 2017: Não se presumem verdadeiros os fatos não impugnados que estiverem em 
contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, EBSERH/ADVOGADO, 2018: O réu que não contestar tempestivamente os fatos a ele 
imputados pelo autor na inicial será considerado revel e os referidos fatos serão presumidos verdadeiros, 
ainda que o litígio verse sobre direitos indisponíveis. 
Errado. 
 
 Preliminares: O art. 337 do CPC enumera as preliminares, questões que devem ser apreciadas pelo 
juiz antes de passar ao exame do mérito: 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: 
I - inexistência ou nulidade da citação; 
II - incompetênciaabsoluta e relativa; 
III - incorreção do valor da causa; 
IV - inépcia da petição inicial; 
V - perempção; 
VI - litispendência; 
VII - coisa julgada; 
VIII - conexão; 
IX - incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; 
X - convenção de arbitragem; 
XI - ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
XII - falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; 
XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. 
§ 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. 
§ 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. 
§ 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. 
§ 4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. 
§ 5o Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das 
matérias enumeradas neste artigo. 
§ 6o A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, 
implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. 
 
 
 
 
 
 
68 
Como a incompetência relativa passa a ser alegada como matéria preliminar, resta apenas a petição 
autônoma para a alegação de suspeição e impedimento do juiz, nos termos do art. 146, caput, do CPC. As 
hipóteses de impedimento estão previstas no art. 144 e os de suspeição, no art. 145 do CPC. 
A incompetência relativa deve ser arguida em preliminar de contestação, sob pena de preclusão. 
 
A incompetência absoluta pode ser arguida em qualquer tempo e grau de jurisdição, inclusive de ofício pelo 
Magistrado. 
A competência para julgar o conflito é do tribunal hierarquicamente superior aos órgãos conflitantes. 
Exemplos: 
 Entre juízes vinculados ao mesmo Tribunal: TJ (TRF se forem juízes federais). 
 Entre juízes vinculados a tribunais diversos: STJ 
 Envolvendo Tribunal Superior: STF 
 Entre Juiz Federal e Juiz Estadual investido de jurisdição federal: TRF respectivo. O mesmo raciocínio para 
o exercício da jurisdição trabalhista. 
 Juizado especial federal e juiz federal: TRF se forem da mesma seção judiciária; STJ, se forem de seções 
judiciárias distintas. 
 
Obs.: O STJ será competente para julgar conflito de competência caso envolva juízes de “Justiças” diferentes, 
desde que não envolva Tribunal Superior, ainda que não tenha hierarquia sobre nenhum dos dois. Ex.: Conflito 
entre juiz do Trabalho e juiz Eleitoral. 
IMPORTANTE! A parte que arguiu incompetência absoluta em preliminar de contestação não pode suscitar 
conflito de competência, por preclusão. 
 
 
A compensação de dívida pode ser alegada em contestação, desde que as dívidas sejam líquidas, vencidas 
e de coisas fungíveis. 
A compensação é matéria possível de ser alegada em contestação, de forma a justificar o não pagamento do 
valor cobrado ou a sua redução, extinguindo ou modificando o direito do autor. 
Todavia, conforme o art. 369 do CC/2002, a compensação se dá apenas entre dívidas líquidas, vencidas e de 
coisas fungíveis. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2000288-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25.10.2022 (Info 757). 
 
 
 
 
 
 
69 
O argumento de nulidade de cláusula contratual em que se funda a cobrança pode ser deduzido em sede de 
contestação ou deve ser por reconvenção? 
Caso seja argumentado como fato extintivo do direito do autor, poderá ser feito através da contestação, 
como defesa indireta: 
 
Se a pretensão de cobrança deduzida na inicial é fundada em cláusula contratual, a alegação de nulidade dessa 
cláusula ou da própria cobrança pode ser manejada em contestação, por caracterizar fato extintivo do direito 
do autor. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2000288-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25.10.2022 (Info 757). 
 
Observação: O detalhe é que a declaração de nulidade não fará coisa julgada, diversamente do que ocorreria 
com a reconvenção, salvo se se caracterizar como questão prejudicial incidental, nos termos do art. 503, §1º, 
do CPC. 
Observação 2: No mesmo julgado, o STJ, julgando à luz do CPC73, afirmou que, para formular pedido de 
rescisão ou revisão do contrato, seria necessária a reconvenção. Com o atual CPC, provavelmente não seria 
aplicável o entendimento, uma vez que a reconvenção é formulada como tópico da contestação, tendo o 
mesmo STJ afirmado que é dispensada a formalidade caso fique claro se tratar de uma pretensão de 
reconvenção. 
 
O artigo 338 do Código de Processo Civil traz regra importante, pois flexibiliza, em parte, o princípio da 
estabilidade da demanda. O mencionado dispositivo legal permite a substituição do réu sempre que ele alegar 
ser parte ilegítima ou não ser responsável pelo dano. A antiga nomeação à autoria foi substituída por esse 
mecanismo mais amplo e eficiente. 
 
Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica 
discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o 
autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação. 
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial para 
a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338. 
§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como 
litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu. 
 
Observação: O CPC determina que, no caso da substituição, os honorários serão fixados a menor, entre 3% e 
5% do valor da causa (art. 338, par. único). O STJ reforça essa noção, mas somente se a ilegitimidade for 
 
 
 
 
 
70 
reconhecida pelo autor. Caso insista na manutenção do réu originário, deverão ser impostos honorários 
advocatícios no patamar mínimo de 10%. 
 
IMPORTANTE! A nomeação à autoria não mais conta como modalidade de intervenção de terceiros. 
 
Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação poderá ser protocolada 
no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente 
por meio eletrônico. 
Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da 
petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: 
I -não for admissível, a seu respeito, a confissão; 
II -a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; 
III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. 
Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao 
advogado dativo e ao curador especial. 
Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: 
I -relativas a direito ou a fato superveniente; 
II -competir ao juiz conhecer delas de ofício; 
III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. 
 
Contestação e a Fazenda Pública: 
As regras da eventualidade e da concentração são aplicáveis à Fazenda Pública. A regra do ônus da impugnação 
especificada dos fatos não lhe é aplicável. Como se sabe, os interesses envolvidos nas ações cujo réu é um 
Ente Público são indisponíveis, sendo vedada a respeito deles a confissão, aplicando-se o disposto no inciso 
I do art. 341 do CPC/15 (posição Leonardo da Cunha). 
Além disso, caso o Ente Público não apresente nenhuma defesa, não serão os fatos presentes na petição 
inicial presumidos como verdadeiros. 
ATENÇÃO! Essa posição cima é doutrinária e pró Fazenda Pública. Contudo, o que pega em prova objetiva é 
que o CPC apenas excluiu da incidência do referido princípio o defensor público, ao advogado dativo e ao 
curador especial (art. 341, parágrafo único, do CPC). 
Nesse sentido, há doutrina em sentido contrário, afirmando que, caso se trate de interesse(Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) 
§ 1o A lista de processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição para consulta 
pública em cartório e na rede mundial de computadores. 
§ 2o Estão excluídos da regra do caput: 
I - as sentenças proferidas em audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência liminar do pedido 
(possibilidade de o juiz rejeitar a petição inicial logo quando da petição inicial, proferindo sentença de 
mérito); 
II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica firmada em julgamento de casos 
repetitivos; (o código quer firmar um precedente para os casos repetitivos e julga-los em bloco). 
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas repetitivas; (a ideia é 
dar preferencia ao julgamento dos casos repetitivos) 
IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932; (decisões do processo sem exame do mérito e as 
decisões monocráticas de relator) 
V - o julgamento de embargos de declaração; 
VI - o julgamento de agravo interno; 
(o juiz sentencia, depois a parte embarga, não faz sentido esse processo ir para o fim da fila) 
VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça; 
VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência penal; (há órgãos que 
possuem competência penal e cível) 
IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por decisão fundamentada. (flexibilização 
da ordem cronológica para os casos de urgência). 
§ 3o Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões entre as 
preferências legais. (as preferencias legais também devem ter uma ordem cronológica, só que própria. Ex: 
processos de idosos) 
 
 
 
 
 
6 
§ 4o Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1o, o requerimento formulado pela parte não altera 
a ordem cronológica para a decisão, exceto quando implicar a reabertura da instrução ou a conversão do 
julgamento em diligência. (se o processo já está na lista para julgamento, o fato de a parte juntar uma 
petição não faz com que ele vá para o fim da fila. Isso para evitar manobras processuais, de forma que a 
parte adie o julgamento de forma proposital). 
§ 5o Decidido o requerimento previsto no § 4o, o processo retornará à mesma posição em que anteriormente 
se encontrava na lista. 
§ 6o Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1o ou, conforme o caso, no § 3o, o processo que: 
I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de diligência ou 
de complementação da instrução; 
II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II. (cuida da aplicação da tese firmada em julgamento de 
recursos repetitivos). 
 
Enunciado n. 486 do FPPC: A inobservância da ordem cronológica dos julgamentos não implica, por si, a 
invalidade do ato decisório. 
 
ESTÍMULO À RESOLUÇÃO CONSENSUAL DE CONFLITOS (ART. 3º) 
Traço característico do processo civil moderno que visa a desafogar o Poder Judiciário e a estimular o diálogo 
entre as partes. O Estado deve atuar promovendo que as pessoas resolvam seus problemas consensualmente. 
Deve ser uma meta do Estado – estimular a solução por autocomposição. Veja o que diz o §3º art. 3º do CPC: 
“A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados 
por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo 
judicial.” 
Enunciado n. 371 do FPPC: Os métodos de solução consensual de conflitos devem ser estimulados também 
nas instâncias recursais. 
 
O que é autocomposição? 
A autocomposição significa a solução do conflito pelos próprios interessados, de forma consensual, sem que 
a decisão seja imposta por um terceiro. Integram a autocomposição a negociação, a conciliação e a mediação. 
 
Negociação: 
 
 
 
 
 
7 
Na negociação as próprias partes dialogam diretamente almejando chegar em um consenso, como ocorre na 
transação. Dessa forma, percebe-se de cara que não há um terceiro intermediando esse conflito, mas sim um 
diálogo entre as partes. 
Nesse sentido, é lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas(art. 
840 do CC). 
Na esfera processual, há resolução do mérito quando o juiz homologar: a) o reconhecimento da procedência 
do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação 
ou na reconvenção (art. 487, inc. III, do CPC). 
 
Conciliação e mediação: 
Na conciliação e na mediação já há a figura do terceiro, que aproxima as partes favorecendo o diálogo entre 
elas, com o objetivo de se alcançar a pacificação consensual do conflito. 
 
O conciliador ou o mediador decide a causa? 
NÃO. Cuidado com isso, trata-se de uma espécie de autocomposição, isso quer dizer que eles não decidem e 
não impõe qualquer decisão, só guia as partes para uma forma de solução consensual. 
 
E qual a diferença de atuação entre o conciliador e o mediador? 
O conciliador sugere soluções para a composição do conflito, enquanto o mediador apenas aproxima as partes 
do diálogo, sem fazer propostas a serem por elas apreciadas (art. 165, §§2º e 3º do CPC). 
Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela 
realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas 
destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. 
§ 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas 
do Conselho Nacional de Justiça. 
§ 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as 
partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento 
ou intimidação para que as partes conciliem. 
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, 
auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, 
pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem 
benefícios mútuos. 
 
 
 
 
 
 
8 
Ao juiz incumbe promover, a qualquer tempo a autocomposição, preferencialmente com auxílio de 
conciliadores e mediadores judiciais (art. 139, inc. V, do CPC). 
 
O STF reconheceu como constitucional as medidas atípicas (no caso, suspensão de passaporte), desde 
que respeitados os direitos fundamentais, a proporcionalidade e a razoabilidade (STF. Plenário. ADI 5941/DF, 
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.02.2023 (Info 1082). 
 
VEDAÇÃO DE DECISÕES SURPRESA (ART. 10) 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual 
não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva 
decidir de ofício. 
Trata-se de uma importante consagração do dever de consulta. 
Exceção: No caso específico de improcedência liminar do pedido tendo como fundamento a ocorrência de 
prescrição e decadência, o juiz poderá decidir sem a oitiva do Autor da ação, não havendo que se falar em 
nulidade por ausência de contraditório. Veja: 
Art. 487. Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a decadência não serão 
reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. 
Art. 332. § 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a 
ocorrência de decadência ou de prescrição. 
 
O descumprimento dessa regra gera a nulidade da decisão por violação ao contraditório. 
 
O STJ, entretanto, afirmou que não há violação do dispositivo quando o juiz, respeitando os limites da 
causa de pedir, do pedido, e do substrato fático delineado nos autos, realiza subsunção do fatoeminentemente 
patrimonial, seria admissível a ocorrência dos efeitos materiais da revelia. 
 
 
 
 
 
 
 
71 
e) Reconvenção: 
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com 
a ação principal ou com o fundamento da defesa. 
§ 1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no 
prazo de 15 (quinze) dias. 
§ 2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao 
prosseguimento do processo quanto à reconvenção. 
 
Nos termos do art. 343 será apresentada na própria contestação e não mais como peça autônoma. 
Seguindo o atual entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o Enunciado 45 do Fórum Permanente dos 
Processualistas Civis (FPPC), não há necessidade de uso desse nomen iuris, ou dedução de um capítulo próprio. 
Contudo, o réu deve manifestar inequivocamente pedido de tutela jurisdicional qualitativa ou 
quantitativamente maior que a simples improcedência da demanda inicial. 
 
 É uma demanda do réu contra o autor no processo em que está sendo demandado. É um contra-
ataque. A sentença, nesse caso, irá decidir duas lides: a do autor contra o réu e a do réu contra o autor. 
 Sendo a ação ajuizada em substituição processual, o autor também será demandado na reconvenção 
nessa condição. Assim, na reconvenção, defenderá interesse alheio em nome próprio. 
 Quais são as consequências de a reconvenção ser uma demanda e não uma simples defesa? A 
primeira é a de que, na reconvenção, cabe condenação em honorários advocatícios. A segunda é a de que, na 
reconvenção, é exigido o valor da causa. A terceira é a de que, na reconvenção, o pedido deve ser 
determinado, sendo admitidas as situações de pedido genérico previstas no CPC. 
 A reconvenção tem natureza jurídica de incidente processual, visto que é demanda nova em processo 
já existente. 
 Segundo o art. 343 do CPC, a reconvenção pode ampliar os sujeitos do processo: 
Art. 343, (...) 
§ 3º. A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. 
§ 4º A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. 
 
 O prazo da reconvenção é o mesmo prazo da contestação e deve ser apresentada na peça da 
contestação, sob pena de preclusão consumativa. Todavia, o réu pode deixar de contestar e apresentar apenas 
a reconvenção. 
 A reconvenção deve ter conexão com a ação principal ou algum dos fundamentos da defesa. 
 
 
 
 
 
72 
 A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta 
o prosseguimento da reconvenção. 
 
 Compare pedido contraposto e reconvenção: 
PEDIDO CONTRAPOSTO 
Demanda com LIMITAÇÃO COGNITIVA: nos JEC e procedimento sumário, por exemplo, deve ficar restrito aos 
fatos da causa. Na ação possessória, admite-se apenas o pedido de indenização. 
RECONVENÇÃO 
AMPLA COGNIÇÃO. Pode ter variada natureza: basta que seja conexa com a ação principal ou com os 
fundamentos da defesa (art. 315). É uma demanda ampla, sem restrição. 
 
A equivocada denominação do pedido reconvencional como pedido contraposto não impede o regular 
processamento da pretensão formulada pelo réu contra o autor, desde que ela esteja bem delimitada na 
contestação. STJ. 3ª Turma. REsp 1940016-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/06/2021 
(Info 702). 
 
É possível a reconvenção sucessiva (reconvenção da reconvenção)? 
SIM, desde que, com os seguintes pressupostos: 
I- A nova pretensão foi originada a partir da apresentação da contestação ou da primeira reconvenção; 
II- Deve ser apresentada no prazo de defesa à reconvenção inicial. 
Deve-se destacar que, na ação monitória, é expressamente vedada a reconvenção sucessiva. 
 
5- Assim, também na vigência do CPC/15, é igualmente correto concluir que a reconvenção à reconvenção 
não é vedada pelo sistema processual, condicionando-se o seu exercício, todavia, ao fato de que a questão 
que justifica a propositura da reconvenção sucessiva tenha surgido na contestação ou na primeira 
reconvenção, o que viabiliza que as partes solucionem integralmente o litígio que as envolve no mesmo 
processo e melhor atende aos princípios da eficiência e da economia processual, sem comprometimento da 
razoável duração do processo. 
(...) (STJ - REsp 1690216/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY 
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22.09.2020, DJe 28.09.2020) 
 
 
 
 
 
 
73 
Art. 702. § 6º Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo vedado o oferecimento de reconvenção à 
reconvenção. 
 
f) Revelia 
 É um estado de fato gerado pela ausência jurídica de contestação. Assim, haverá revelia se o réu, 
citado, não apresentar contestação. 
 
Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações 
de fato formuladas pelo autor. 
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: 
I –havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; 
II -o litígio versar sobre direitos indisponíveis; 
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do 
ato; 
IV -as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova 
constante dos autos. 
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato 
decisório no órgão oficial. 
Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se 
encontrar. 
 
 A publicação mencionada no art. 346 é aquela do Diário Oficial (no CPC anterior, a publicação era a 
mera juntada nos autos). Assim, não é válida a intimação através do sistema processual (STJ. 3ª Turma. REsp 
1951656-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 7.2.2023 (Info 763). 
 
 Se houver revelia, NÃO SE PODERÁ ESTENDER A COISA JULGADA À RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 
PREJUDICIAL INCIDENTAL (art. 503, §1º, II), pois não terá havido contraditório suficiente. 
 
 Efeitos da revelia: 
Presunção de veracidade dos fatos 
Desnecessidade de intimação do réu revel 
Julgamento antecipado do mérito (art. 355, II, do CPC) 
 
 
 
 
 
 
74 
Em uma ação de indenização, se ocorrer a revelia, deve-se presumir a veracidade quanto aos danos narrados 
na petição inicial. No entanto, esta presunção de veracidade não alcança a definição do quantum 
indenizatório indicado pelo autor. (STJ.4a Turma.REsp 1.520.659 -81Rei. Min.Raul Araújo, julgado em 
01.10.2015 (Info 574). 
 
 
(In)aplicabilidade do efeito material da revelia à Fazenda Pública: 
Não se aplica à Fazenda Pública o efeito material da revelia, nem é admissível, quanto aos fatos que lhe dizem 
respeito, a confissão, pois os bens e direitos são considerados indisponíveis. Precedente: AgRg no REsp 
1170170. 
 
Contudo, em se tratando de ações referentes a relações tipicamente privadas, em que se discute interesse 
público secundário, como no caso de aluguéis referentes a contrato privado firmado com a Administração 
Pública, os efeitos material e processual são plenamente aplicáveis. Precedente: Resp 1.084.745. 
 
g) Saneamento do Processo: 
Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e 
de organização do processo: 
I -resolver as questões processuais pendentes, se houver; 
II -delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova 
admitidos; 
III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373 ; 
IV -delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito; 
V -designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento. 
§ 1º Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo 
comum de 5 (CINCO) DIAS, findo o qual a decisãose torna estável. 
§ 2º As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e 
de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz. 
§ 3º Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência 
para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, 
convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações. 
§ 4º Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior 
a 15 (QUINZE) DIAS para que as partes apresentem rol de testemunhas. 
§ 5º Na hipótese do § 3º, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas. 
 
 
 
 
 
75 
§ 6º O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a 
prova de cada fato. 
§ 7º O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos 
individualmente considerados. 
§ 8º Caso tenha sido determinada a produção de prova pericial, o juiz deve observar o disposto no art. 465 e, 
se possível, estabelecer, desde logo, calendário para sua realização. 
§ 9º As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 (uma) hora entre as audiências. 
 
h) Ordem da audiência: 
Art. 361. As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, preferencialmente: 
I - o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentos requeridos no prazo e 
na forma do art. 477 , caso não respondidos anteriormente por escrito; 
II -o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais; 
III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas. 
Parágrafo único. Enquanto depuserem o perito, os assistentes técnicos, as partes e as testemunhas, não 
poderão os advogados e o Ministério Público intervir ou apartear, sem licença do juiz. 
 
Jurisprudências sobre o tema: 
• Não há ofensa à prerrogativa de intimação pessoal prevista no art. 183 do CPC, quando o ente público deixa 
de realizar o necessário cadastramento no Sistema de Intimação Eletrônica do Superior Tribunal de Justiça, 
nos termos do art. 1.050 do CPC, sendo válida a intimação pela publicação no Diário de Justiça Eletrônico. 
STJ. 1ª Seção. AR 6503-CE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/10/2021 (Info 716). 
 
•O termo inicial de contagem dos prazos processuais, em caso de duplicidade de intimações eletrônicas, dá-
se com a realizada pelo portal eletrônico, que prevalece sobre a publicação no Diário da Justiça (DJe). STJ. 
Corte Especial. EAREsp 1663952-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 19/05/2021 (Info 697). 
 
•O cancelamento da distribuição, a teor do art. 290 do CPC, prescinde da citação ou intimação da parte ré, 
bastando a constatação da ausência do recolhimento das custas iniciais e da inércia da parte autora, após 
intimada, em regularizar o preparo. STJ. 3ª Turma. REsp 1906378/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
11/05/2021 (Info 696). 
 
• O STJ diferencia a situação de ausência total de recolhimento de custas e de pagamento parcial. No primeiro 
caso, o autor deve ser intimado, através de seu advogado, para pagar em 15 dias sob pena de cancelamento 
 
 
 
 
 
76 
da distribuição (art. 290); ao passo que, no segundo, deve haver a intimação pessoal do autor (não basta pelo 
advogado) para complementar em 5 dias, sob pena de extinção por abandono da causa (Art. 485, III, §1º, CPC) 
(STJ. 2ª Turma. AREsp 2020222-RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.3.2023 (Info 765). 
 
•É admissível a reconvenção sucessiva, também denominada de reconvenção à reconvenção, desde que a 
questão que justifique a propositura tenha surgido na contestação ou na primeira reconvenção. STJ. 3ª Turma. 
REsp 1690216-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22.09.2020 
(Info 680). 
 
•É assegurada a quem foi concedido os benefícios da gratuidade de justiça a suspensão da exigibilidade dos 
honorários e custas processuais, conforme o art. 98, § 3º, do CPC/2015. STJ.1ª Turma. AgInt no REsp 
1835957/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, julgado em 15/06/2020. STJ.4ª Turma. AgInt no AREsp 1310070/MS, 
Rel. Ministro Raul Araújo, julgado em 04.05.2020. STJ.2ª Turma. REsp 1738136/PE, Rel. Ministro Herman 
Benjamin, julgado em 21.06.2018 
 
•Se a ação é proposta contra indivíduo que já estava morto, o juiz não deverá determinar a habilitação, a 
sucessão ou a substituição processual. De igual modo, o processo não deve ser suspenso para habilitação de 
sucessores. Isso porque tais institutos são aplicáveis apenas para as hipóteses em que há o falecimento da 
parte no curso do processo judicial. O correto enquadramento jurídico desta situação é de ilegitimidade 
passiva, devendo ser facultado ao autor, diante da ausência de ato citatório válido, emendar a petição inicial 
para regularizar o polo passivo, dirigindo a sua pretensão ao espólio. STJ. 3ª Turma. REsp 1559791-PB, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 28.08.2018 (Info 632). 
 
•As sanções aplicáveis ao litigante de má-fé são aquelas taxativamente previstas pelo legislador, não 
comportando interpretação extensiva. Assim, apesar de reprovável, a conduta desleal, ímproba, de uma parte 
beneficiária da assistência judiciária gratuita não acarreta, por si só, a revogação do benefício, atraindo, tão 
somente, a incidência das penas expressamente cominadas no texto legal. A revogação do benefício da 
assistência judiciária gratuita - importante instrumento de democratização do acesso ao Poder Judiciário - 
pressupõe prova da inexistência ou do desaparecimento do estado de miserabilidade econômica, não estando 
atrelada à forma de atuação da parte no processo. STJ. 3ª Turma. REsp 1663193/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 20/02/2018. 
 
• As condições da ação, dentre elas o interesse processual e a legitimidade ativa, definem-se da narrativa 
formulada inicial, não da análise do mérito da demanda (teoria da asserção), razão pela qual não se 
 
 
 
 
 
77 
recomenda ao julgador, na fase postulatória, se aprofundar no exame de tais preliminares. Precedente: REsp 
1561498/RJ. 
 
• A constatação posterior ao ajuizamento da execução fiscal de que a pessoa jurídica executada tivera sua 
falência decretada antes da propositura da ação executiva não implica a extinção do processo sem resolução 
de mérito. Deve ser dada a oportunidade de o exequente retificar a CDA, fazendo constar a informação de 
que a parte devedora se encontra em estado falimentar, e emendar a Inicial. Precedente: Info 538 do STJ. 
 
• O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário diverso do requerido na inicial, desde que 
preenchidos os requisitos legais atinentes ao benefício concedido. Isso porque, tratando-se de matéria 
previdenciária, deve-se proceder, de forma menos rígida, à análise do pedido. Assim, nesse contexto, a decisão 
proferida não pode ser considerada como extra petita ou ultra petita. Precedente: Info 522 do STJ. 
 
• A emenda da petição inicial é um direito subjetivo do autor, e não mera faculdade do juiz. Precedente: Info 
511 do STJ. 
 
• O curador especial tem legitimidade para propor reconvenção em favor do réu cujos interesses está 
defendendo. Precedente: Info 613 do STJ. 
 
• O pedido de alongamento da dívida originada de crédito rural pode ser feito em sede de embargos à 
monitória ou contestação, independentemente de reconvenção. O preenchimento dos requisitos legais para 
a securitização da dívida originada de crédito rural (ou alongamento) constitui matéria de defesa do devedor, 
passível de ser alegada em embargos à monitória ou contestação, independentemente de reconvenção. 
Precedente: Info 604 do STJ. 
 
• A compensação de dívida pode ser alegada em contestação. A compensação é meio extintivo da obrigação,caracterizando-se como defesa substancial de mérito ou espécie de contradireito do réu. A compensação pode 
ser alegada em contestação como matéria de defesa, independentemente da propositura de reconvenção, 
em obediência aos princípios da celeridade e da economia processual. Precedente: Info 567 do STJ. 
 
• Depois que tiver sido oferecida a contestação, o autor só poderá desistir da ação se houver o consentimento 
do réu. Se o réu não quiser concordar com a desistência, deverá apresentar ao juízo um motivo justificável, 
sob pena de sua conduta ser considerada como abuso de direito. Desse modo, se a recusa do réu em aceitar 
 
 
 
 
 
78 
a desistência for infundada (sem um motivo razoável), o juiz poderá suprir a sua concordância e homologar a 
desistência. Precedente: Info 526 do STJ. 
 
• Em caso de desistência da ação após a citação e antes de apresentada a contestação, é devida a condenação 
do autor ao pagamento de honorários advocatícios, que deve observar a regra geral prevista no § 2º do art. 
85 do CPC/2015. O art. 1.040, § 2º, do CPC/2015, que trata de hipótese específica de desistência do autor 
antes da contestação sem pagamento de honorários advocatícios, somente se aplica dentro do microssistema 
do recurso especial repetitivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1819876-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado 
em 05/10/2021 (Info 713). 
 
• A reconvenção pode ser apresentada sempre que seja conexa com a ação principal ou com o fundamento 
da defesa. Precedente: REsp 1126130-SP. 
 
• A presunção de veracidade acarretada pela revelia em demanda indenizatória não alcança a definição do 
quantum indenizatório indicado pelo autor. Precedente: Info 574 do STJ. 
 
• Incidem os efeitos materiais da revelia contra o Poder Público na hipótese em que, devidamente citado, 
deixa de contestar o pedido do autor, sempre que estiver em litígio uma obrigação de direito privado firmada 
pela Administração Pública, e não um contrato genuinamente administrativo. Precedente: Info 508 do STJ. 
 
• Súmula 231 do STF: O revel, em processo cível, pode produzir provas, desde que compareça em tempo 
oportuno. 
 
• É admissível a juntada de documentos novos, inclusive na fase recursal, desde que não se trate de 
documento indispensável à propositura da ação, inexista má-fé na sua ocultação e seja observado o princípio 
do contraditório. Precedente: REsp 1721700/SC. 
 
• A preferência do julgador por determinada prova insere-se no livre convencimento motivado e não cabe 
compelir o magistrado a colher com primazia determinada prova em detrimento de outras pretendidas pelas 
partes se, pela base do conjunto probatório tiver se convencido da verdade dos fatos. 
Precedente: Info 817 do STF. 
 
 
 
 
 
 
79 
• Não é cabível ação de exibição de documentos que tenha por objeto a obtenção de informações detidas 
pela Administração Pública que não foram materializadas em documentos (eletrônicos ou não), ainda que se 
alegue demora na prestação dessas informações pela via administrativa. Precedente: Info 575 do STJ. 
 
• O magistrado pode negar a realização de perícia requerida pela parte sem que isso importe, 
necessariamente, cerceamento de defesa. Precedente: Info 535 do STJ. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
5. ATOS PROCESSUAIS 
 
 
Forma: 
O CPC/2015 é menos formalista. O princípio da primazia das decisões de mérito levou a uma flexibilização 
das normas processuais. 
Assim, o CPC acolheu o princípio da liberdade e instrumentalidade das formas, que estabelece que, salvo lei 
em contrário, a forma dos atos é livre; e, que, ainda que determinado expressamente em lei, se o ato 
praticado de forma diversa que a exigida, alcançar sua finalidade essencial, este ato será válido. 
 
Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei 
expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a 
finalidade essencial. 
 
• Ademais, ainda que realizado de forma distinta, o ato processual pode ser aproveitado se cumprida a sua 
finalidade e não tenha causado prejuízo. Trata-se do princípio pas de nullité sansgrief. 
• Os atos devem ser realizados apenas em língua portuguesa. Os documentos em idioma estrangeiro devem 
ser traduzidos, mas podem ser aproveitados caso seja possível a cognição. 
• Os atos processuais devem ser públicos e acessíveis a qualquer cidadão, ressalvados os casos previstos no 
rol taxativo do art. 189 do CPC. 
 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: 
I -em que o exija o interesse público ou social; 
II -que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos 
e guarda de crianças e adolescentes; 
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; 
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a 
confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. 
 
 
Negócio jurídico processual: 
O CPC/2015 ampliou os poderes das partes, para permitir que elas negociem sobre o processo, de forma geral 
e aberta. 
 
 
 
 
 
 
81 
Negócios típicos vs. Negócios atípicos: 
O negócio é típico quando há previsão expressa na legislação. É atípico, por sua vez, quando é construído 
pelas partes, não havendo previsão legal 
 
Exemplos de negócios processuais: 
Eleição de foro, prevendo inclusive a possibilidade de foro de eleição de foro internacional; 
Não alegação de incompetência relativa; 
Calendário processual (plurilateral, pois ele também envolve o juiz); 
Renúncia ao prazo; 
Acordo para suspensão do processo; 
Organização consensual do processo; 
Acordo convencional da liquidação por arbitramento; 
Escolha consensual do perito; 
Desistência do recurso; 
Aceitação da decisão; 
Convenção sobre o ônus da prova. 
 
O juiz pode controlar o negócio jurídico? 
SIM. De ofício ou a requerimento. Grave que ao juiz somente é permitido recusar o negócio jurídico nas 
hipóteses: 
a) de nulidade; 
b) de inserção abusiva em contrato de adesão; ou 
c) em que alguma das partes se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade. 
 
Enunciado n. 115: O negócio jurídico processual somente se submeterá à homologação quando 
expressamente exigido em norma jurídica, admitindo-se, em todo caso, o controle de validade da convenção. 
 
 
Obs.: Tanto as partes quanto o juiz ficam vinculados ao calendário estabelecido consensualmente (art. 191, 
§1º, CPC). 
 
 
 
 
 
 
82 
A indisponibilidade do direito material discutido no processo impede a celebração do negócio jurídico? 
NÃO. Nos termos do Enunciado 135 do FPPC a indisponibilidade do direito material discutido no processo não 
impede, por si só, a celebração do negócio jurídico. 
 
Abrangência das partes que podem celebrar negócio jurídico processual: 
 
A Fazenda Pública pode celebrá-lo (enunciado FPPC 256). 
Enunciado n. 17 do CJF/STJ: A Fazenda Pública pode celebrar convenção processual, nos termos do art. 190 
do CPC. 
 
O MP quando autor ou réu também pode (enunciado FPPC 253). E pode ocorrer em processos individuais e 
coletivos (enunciado FPPC 255). 
 
Os entes despersonalizados podem celebrar negócio processual? 
SIM. Entendimento do enunciado 114 da II Jornada de Processo Civil do CJF/STJ: Os entes despersonalizados 
podem celebrar negócios jurídicos processuais. 
 
É possível negócio jurídico processual no âmbito dos Juizados Especiais? 
SIM. Desde que não ofendam os princípios e regras previstos nas leis que regulamentam os juizados especiais. 
Enunciado n. 16 do CJF/STJ: As disposições previstas nos arts. 190 e 191 do CPC poderão aplicar-se aos 
procedimentos previstos nas leis que tratam dos juizados especiais, desde que não ofendam os princípios e 
regras previstos nas Leis n. 9.099/1995, 10.259/2001 e 12.153/2009. 
 
No processo de recuperaçãojudicial pode haver negócio processual? 
SIM. Consoante recente enunciado da segunda jornada de processo civil do CJF/STJ: 
Enunciado n. 113 do CJF/STJ: As disposições previstas nos arts. 190 e 191 do CPC poderão ser aplicadas ao 
procedimento de recuperação judicial. 
 
Classificação dos atos processuais: 
• O próprio Código de Processo Civil classificou os atos processuais em: i) atos das partes; ii) atos do juiz; iii) 
atos do escrivão ou chefe de secretaria. 
 
 
 
 
 
 
83 
• O CPC trata despachos, decisões interlocutórias e sentenças como "pronunciamentos do juiz", deixando a 
entender que existem outros atos de atribuição do Magistrado. 
 
• A sentença pode ser definida como o pronunciamento que põe fim à fase cognitiva (ou ao processo de 
execução), com ou sema apreciação do mérito. Simplificando, pode-se dizer que a sentença resolve uma etapa 
do processo. 
 
• Decisão interlocutória é todo pronunciamento de conteúdo decisório, que não seja uma sentença. O CPC 
preferiu uma conceituação residual, mas, na verdade, uma decisão interlocutória é aquela que não põe fim à 
fase cognitiva. 
Essas decisões podem abordar questões processuais ou de mérito. O CPC previu no art. 356 uma nova 
modalidade de decisão interlocutória, a decisão interlocutória definitiva: o julgamento parcial antecipado do 
mérito. 
 
• Por fim, os Despachos são todos os demais pronunciamentos judiciais, ou seja, pronunciamentos sem 
conteúdo decisório, de ofício ou a requerimento das partes. A seguinte tabela, retirada do livro de autoria de 
Rinaldo Mouzalas, ajuda na distinção: 
 
PRONUNCIAMENTO DO 
JUIZ 
CONTEÚDO APTIDÃO 
 
SENTENÇA 
Algumas das situações previstas 
nos artigos 485 ou 487. 
 
Põe fim à fase de cognição ou ao 
processo de execução. 
 
DECISÃO 
INTERLOCUTÓRIA 
Diversificado, mas podem conter 
algumas situações previstas nos 
arts. 485 ou 487. 
 
Não põe fim à fase de cognição ou ao 
processo de execução. 
 
DESPACHO 
Diversificado, mas não contempla 
qualquer das situações previstas 
nos artigos 485 ou 487. 
Não põe fim à fase de cognição ou ao 
processo de execução 
 
 
 
IMPORTANTE! Os Acórdãos são decisões proferidas por Tribunais (e seus órgãos fracionários: turmas, 
câmaras, a depender do regimento interno). Essas decisões podem ter a natureza de sentença ou de decisão 
 
 
 
 
 
84 
interlocutória. A decisão monocrática também pode assumir as duas formas. A diferença é que a decisão 
monocrática deve ficar adstrita às hipóteses do art. 932 do CPC. 
 
Tempo e lugar dos atos processuais: 
• Os atos processuais devem ser realizados nos dias úteis, entre 6h e 20h. Consideram-se feriados para efeitos 
forenses as datas assim declaradas por lei, os sábados, domingos e os dias em que não haja expediente. 
 
• Independentemente de autorização judicial, as citações, intimações e penhoras poderão ser realizadas no 
período de férias forenses, nos feriados ou dias úteis fora do horário acima indicado, respeitada a garantia 
de inviolabilidade domiciliar. 
 
• O peticionamento em processos físicos deverá ser realizado nos horários indicados, mas o peticionamento 
eletrônico poderá ser realizado até 24h do último dia de prazo. 
 
Prazos processuais: 
Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. 
§ 1o Quando a lei for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato. 
§ 2o Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a comparecimento após 
decorridas 48 (quarenta e oito) horas. (prazo mínimo) 
§ 3o Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática de 
ato processual a cargo da parte. 
§ 4o Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo. 
 
Enunciados do FPPC: 
Enunciados n. 22: O Tribunal não poderá julgar extemporâneo ou intempestivo recurso, na instância ordinária 
ou na extraordinária, interposto antes da abertura do prazo. 
Enunciados n. 23: Fica superado o enunciado 418 da súmula do STJ após a entrada em vigor do CPC (“É 
inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem 
posterior ratificação”) 
Enunciados n. 107: O juiz pode, de ofício, dilatar o prazo para a parte se manifestar sobre a prova documental 
produzida. 
Enunciados n. 266: Aplica-se o art. 218, §4º, ao processo do trabalho, não se considerando extemporâneo ou 
intempestivo o ato realizado antes do termo inicial do prazo. 
 
 
 
 
 
85 
Enunciados n. 267: Os prazos processuais iniciados antes da vigência do CPC serão integralmente regulados 
pelo regime revogado. 
 
Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias 
úteis. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais. 
 
Enunciado n. 268 do FPPC: O A regra de contagem de prazos em dias úteis só se aplica aos prazos iniciados 
após a vigência do Novo Código. 
Enunciado n. 20 da I Jornada do CFJ/STJ: Aplica-se o art. 219 do CPC na contagem do prazo para oposição de 
embargos à execução fiscal previsto no art. 16 da Lei n. 6.830/1980. 
Enunciado n. 116 da II Jornada do CFJ/STJ: Aplica-se o art. 219 do CPC na contagem dos prazos processuais 
previstos na Lei n. 6.830/1980. 
 
Art. 225. A parte poderá renunciar ao prazo estabelecido exclusivamente em seu favor, desde que o faça 
de maneira expressa. 
Art. 226. O juiz proferirá: 
I -os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; 
II -as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; 
III - as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias. 
 
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão 
prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, 
independentemente de requerimento. 
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas 
um deles. 
§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos. 
Art. 230. O prazo para a parte, o procurador, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública e o Ministério 
Público será contado da citação, da intimação ou da notificação. 
Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo: (lembrar que o dia do 
começo é excluído) 
I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo correio; 
 
 
 
 
 
86 
II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de 
justiça; 
III - a data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do escrivão ou do chefe de 
secretaria; 
IV - o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a intimação for por edital; 
V - o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para que a 
consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica; 
VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de juntada da carta 
aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a intimação se realizar em cumprimento de 
carta; 
VII - a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou eletrônico; 
VIII - o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, do cartório ou da 
secretaria. 
IX – o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento 
da citação realizada por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1o Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar corresponderá à última das 
datas a que se referem os incisos I a VI do caput. 
§ 2o Havendo mais de um intimado, o prazo para cada um é contado individualmente. 
 
ATENÇÃO! Mudança trazidapela lei 14.195/2021 no termo a quo na contagem de prazo quando realizado na 
forma do art. 246 §1º-A do CPC. Vamos exemplificar: se eu clicar na mensagem de citação por meio eletrônico 
e realizar a confirmação de recebimento em um sábado (16.10.2021), o 1º dia útil é a segunda-feira (18.10) e 
o 5º será a sexta-feira (22.10), sendo este o termo a quo. Contudo, o termo a quo não conta, então a contagem 
se inicia na segunda-feira seguinte (25.10). 
 
Obs.: São as únicas hipóteses de interrupção de prazo processual (volta a contar do início) no CPC: 
I- Pedido de limitação de litisconsórcio multitudinário (art. 113, §2º); 
II- Embargos de declaração (art. 1.026); 
III- Embargos de Divergência (art. 1.044, §1º). 
 
Prazos para a Fazenda Pública 
O CPC disciplina os prazos para a Fazenda Pública em seu art. 183, in verbis: 
 
 
 
 
 
87 
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de 
direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá 
início a partir da intimação pessoal. 
§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico. 
§ 2º NÃO se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo 
próprio para o ente público. 
 
Não têm privilégio de prazo as empresas públicas e as sociedades de economia mista, pessoas jurídicas de 
natureza privada. O Ministério Público, por sua vez, tem o prazo maior, tanto na condição de parte como na 
de fiscal da ordem jurídica. 
 
Os prazos são contados em dias úteis? 
SIM, os prazos também são contados em dias úteis. 
 
A regra é válida apenas para os prazos legais e é aplicável a qualquer procedimento, seja ordinário, seja 
sumário, seja especial. Somente não se aplica o art. 183 (prazo em dobro) quando há regra específica fixando 
prazo próprio, a exemplo do prazo de 20 dias para contestar a ação popular. 
ATENÇÃO! NÃO SE APLICA A REGRA DA CONTAGEM DO PRAZO EM DOBRO: 
1) quando o prazo é fixado exclusivamente para a Fazenda Pública - Exemplo: recurso de decisão que nega 
pedido de Suspensão de Liminar (instituto exclusivo das pessoas jurídicas de direito público); 
2) Prazo para contestar Ação Popular: segundo o art. 7º, IV, da lei nº 4.717/65 estabelece que o prazo para 
contestação é de 20 (vinte) dias, prorrogáveis por mais 20 (vinte). Como esse prazo é comum a todos os 
interessados e admite prorrogação, entende-se que não se aplica em dobro para a Fazenda Pública; 
3) Prazos nos Juizados Federais e Juizados da Fazenda Pública: Tanto a lei n. 10.259/01 quanto a lei n. 
12.153/09 são expressas ao dispor que “não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato 
processual pelas pessoas jurídicas de direito público”. 
4) Depósito do rol de testemunhas: segundo o autor, o prazo para depositar o rol de testemunhas é um prazo 
judicial, hipótese em que já é levada em conta a presença da Fazenda Pública; 
5) Prazo para Impugnação ao cumprimento de sentença e para embargos à execução pela Fazenda Pública: 
nessas hipóteses, o autor considera que os prazos também são fixados em favor da Fazenda Pública, incidindo 
o §2º do art. 183; 
6) Processos de ADC e ADIN (L 9868/99): o recurso (agravo) perante o STF só cabe diante de hipótese de 
indeferimento da inicial, sendo irrecorrível a decisão de mérito. Observe-se também que o legitimado para a 
 
 
 
 
 
88 
interposição do recurso não é a Fazenda Pública, e sim o legitimado da ação original, inserido em rol 
constitucional (art. 15, pú e 26 ); 
7) Estado estrangeiro: nas ações em que litiguem Estado estrangeiro e município ou pessoa domiciliada ou 
residente no Brasil (competência da Justiça Federal em 1.ª instância, com recurso ordinário ao STJ; art. 109, 
II, e 105, II, c, CRFB/88), não se franqueia o benefício de prazo ao ente alienígena; 
8) prazo que indefere pedido de suspensão de segurança: este prazo também é fixado em prol da Fazenda 
Pública; 
9) prazo para ajuizar Ação Rescisória: esse prazo é considerado decadencial, não se aplicando a prerrogativa 
de prazo em dobro; 
 
Da citação: 
Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a 
relação processual. 
Parágrafo único. A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da 
ação. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
 
Art. 240. A citação válida, 
- ainda quando ordenada por juízo incompetente, 
- induz litispendência, 
- torna litigiosa a coisa e 
- constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 (Código Civil). 
§ 1o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo 
incompetente, retroagirá à data de propositura da ação. 
 
A interrupção da prescrição deixou, com o CPC, de ser efeito da citação, agora é operada pelo despacho que 
ordena a citação. 
 
§ 2º Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências necessárias para viabilizar a citação, 
sob pena de não se aplicar o disposto no § 1º. 
§ 3º A parte não será prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário. 
 
 
 
 
 
 
89 
Súmula n. 106 do STJ: Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos 
inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência. 
 
§ 4º O efeito retroativo a que se refere o § 1º aplica-se à decadência e aos demais prazos extintivos previstos 
em lei. 
 
Enunciados do FPPC: 
Enunciados n. 10: Em caso de desmembramento do litisconsórcio multitudinário, a interrupção da prescrição 
retroagirá à data de propositura da demanda original. 
Enunciados n. 117: Em caso de desmembramento do litisconsórcio multitudinário ativo, os efeitos 
mencionados no art. 240 são considerados produzidos desde o protocolo originário da petição inicial. 
Enunciados n. 136: A citação válida no processo judicial interrompe a prescrição, ainda que o processo seja 
extinto em decorrência do acolhimento da alegação de convenção de arbitragem. 
 
Art. 244.Não se fará a citação, salvo para evitar o perecimento do direito: 
I -de quem estiver participando de ato de culto religioso; 
II -de cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, em linha reta ou na 
linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes; 
III - de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento; 
IV –de doente, enquanto grave o seu estado. 
Art. 245. Não se fará citação quando se verificar que o citando é mentalmente incapaz ou está 
impossibilitado de recebê-la. 
 
O comparecimento espontâneo do réu supre a nulidade da citação, iniciando o prazo para sua resposta a 
partir do momento em que comparece aos autos (art. 239, §1º, CPC). 
CUIDADO! O comparecimento espontâneo somente se admite se o advogado que peticionar possuir poderes 
especiais para receber citação: 
(...) 1. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça reafirmou o entendimento de que, "em regra, o 
peticionamento nos autos por advogado destituído de poderes especiais para receber citação não configura 
comparecimento espontâneo apto a suprir tal necessidade" (EREsp 1.709.915/CE, Rel. Ministro OG 
FERNANDES, Corte Especial, julgado em 1º.8.2018, DJe de 9.8.2018). 
 
 
 
 
 
90 
2. Na espécie, a carga dos autos por advogado sem poderes específicos para receber citação não supre a 
ausência do ato, não podendo, portanto, ser considerado comparecimento espontâneo do executado, 
máxime para ensejar decreto de prisão civil. 
3. Recurso ordinário a que se dá provimento. Ordem concedida. 
(RHC n. 168.440/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 23/8/2022.) 
 
DECISÃO AGU! Também não se configura o comparecimento espontâneono caso de a União 
peticionar nos autos, antes do despacho que ordena a citação, apenas informando o envio de ofício para o 
órgão competente, a fim de cumprir a determinação judicial: 
(...) I - Na origem foi ajuizada ação por menor, tendo como réus a União, o Estado da Paraíba e o Município de 
Cabedelo, pleiteando fornecimento de suplementação alimentar, em razão de ser portadora da doença de 
Crohn, e não possuir recursos financeiros para tanto. 
II - A liminar foi deferida e posteriormente confirmada com a procedência da ação, condenando o Estado ao 
devido fornecimento, e a União ao repasse de verba para a aquisição da respectiva suplementação. 
III - Em grau recursal, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região anulou a sentença, em razão de a União não 
ter sido citada para responder a ação. 
IV - A situação dos autos não se enquadra no entendimento jurisprudencial de que o comparecimento 
espontâneo da parte nos autos supre a eventual falta de citação. 
V - Na hipótese, a União manifestou-se nos autos tão somente para informar que teria enviado ofício ao 
Ministério da Saúde para o cumprimento da decisão liminar e, posteriormente, foi proferido despacho no juízo 
monocrático determinando a citação dos réus para responder a ação, o que não foi feito. 
VI - Diante da ausência da necessária citação da União, a hipótese dos autos é peculiar, não havendo que se 
falar, in casu, na violação do art. 239, §1º, do CPC/2015. 
VII - Recurso especial desprovido. 
(REsp 1904530/PE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 08.03.2022, DJe 
11.03.2022) 
 
Citação por meio eletrônico: 
Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, 
contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco 
de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça. (Redação dada pela 
Lei nº 14.195, de 2021): 
 
 
 
 
 
91 
§ 1º As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos 
eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente 
por esse meio. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-A A ausência de confirmação, em até 3 (três) dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, 
implicará a realização da citação: (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
I - pelo correio; (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
II - por oficial de justiça; (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
III - pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; (Incluído pela Lei nº 14.195, 
de 2021) 
IV –por edital. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-B Na primeira oportunidade de falar nos autos, o réu citado nas formas previstas nos incisos I, II, III e IV 
do § 1º-A deste artigo deverá apresentar justa causa para a ausência de confirmação do recebimento da 
citação enviada eletronicamente. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º-C Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de até 5% (cinco por cento) do 
valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação recebida por 
meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 2ºO disposto no § 1º aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da 
administração indireta. 
§ 3º Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando tiver por 
objeto unidade autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada. 
§ 4º As citações por correio eletrônico serão acompanhadas das orientações para realização da confirmação 
de recebimento e de código identificador que permitirá a sua identificação na página eletrônica do órgão 
judicial citante. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 5º As microempresas e as pequenas empresas somente se sujeitam ao disposto no § 1º deste artigo quando 
não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação 
do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 6º Para os fins do § 5º deste artigo, deverá haver compartilhamento de cadastro com o órgão do Poder 
Judiciário, incluído o endereço eletrônico constante do sistema integrado da Redesim, nos termos da 
legislação aplicável ao sigilo fiscal e ao tratamento de dados pessoais. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
Art. 247. A citação será feita por meio eletrônico ou pelo correio para qualquer comarca do País, 
exceto: (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021): 
I – nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3o; 
II - quando o citando for incapaz; 
III - quando o citando for pessoa de direito público; 
 
 
 
 
 
92 
IV - quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; 
V - quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma. 
 
Perceba que a regra agora é a citação por meio eletrônico. Somente em caso de não confirmação no prazo de 
3 dias úteis, é que o Judiciário irá recorrer às demais modalidades de citação. 
Ademais, havendo a citação por meio das modalidades distintas do meio eletrônico, o réu deverá justificar a 
ausência de confirmação (justa causa). Caso contrário, estará sujeito à multa, por ato atentatório à dignidade 
da Justiça, no valor de até 5% do valor da causa. 
Por fim, chama-se a atenção para a mudança no caput do art 247, tornando regra a citação eletrônica, além 
da realizado pelo correio. 
 
Jurisprudência importante sobre intimação eletrônica: 
 
Se houver duplicidade de intimações, ou seja, o advogado for intimado tanto pelo DJe quanto pelo 
portal eletrônico, qual deve prevalecer? 
A do portal eletrônico. Esse foi o entendimento firmado pelo STJ em sede de embargos de divergência. Foi 
definido que, quando houver duplicidade de intimações eletrônicas previstas na Lei n. 11.419/2006 – 
especificamente pelo Diário de Justiça Eletrônico (DJe) e pelo portal eletrônico -, deve prevalecer, para efeitos 
de contagem de prazos processuais, a intimação que tiver sido realizada no portal eletrônico. 
 
(...) 2. Embora não haja antinomia entre as duas formas de intimação previstas na Lei, ambas aptas a ensejar 
a válida intimação das partes e de seus advogados, não se pode perder de vista que, caso aconteçam em 
duplicidade e em diferentes datas, deve ser garantida aos intimados a previsibilidade e segurança objetivas 
acerca de qual delas deve prevalecer, evitando-se confusão e incerteza na contagem dos prazos processuais 
peremptórios. 
3. Assim, há de prevalecer a intimação prevista no art. 5º da Lei do Processo Eletrônico, à qual o § 6º do art. 
5º atribui status de intimação pessoal, por ser forma especial sobre a genérica, privilegiando-se a boa-fé 
processual e a confiança dos operadores jurídicos nos sistemas informatizados de processo eletrônico, bem 
como garantindo-se a credibilidade e eficiência desses sistemas. Caso preponderasse a intimação por forma 
geral sobre a de feitio especial, quando aquela fosse primeiramente publicada, é evidente que o advogado 
cadastrado perderia o prazo para falar nos autos ou praticar o ato, pois, confiando no sistema, aguardaria 
aquela intimação específica posterior. (STJ, EAREsp 1663952, Rel. Raul Araújo, j. em 19.05.2021) 
 
 
 
 
 
93 
A intimação deve ser realizada, em regra na pessoa do advogado constituído. Em havendo substabelecimento 
COM reserva de poderes, a intimação contendo apenas o advogado originário é plenamente válida (AgInt no 
AREsp n. 2.098.573/GO, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 14.11.2022, DJe 
de 17.11.2022.) 
 
Valor da causa: 
 Na ação indenizatória, ainda que tenha como fundamento os danos morais, é necessário quantificaro valor pretendido (art. 292, V). 
 Há possibilidade de correção do valor da causa de ofício pelo juiz. Não é necessário que o réu alegue 
(art. 292, § 3º). 
 A forma de impugnação do valor da causa pelo réu é na preliminar de contestação (art. 293). 
 
 
 
 
 
 
94 
6. SENTENÇA, COISA JULGADA E CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
 
 
Sentença: 
 
Elementos: 
São elementos da sentença: 
a) Relatório: resumo do processo, com os principais dados e ocorrências. É dispensável nos Juizados Especiais. 
b) Fundamentação: análise de todas as questões de fato e de direito postas em Juízo, bem como daquelas 
conhecíveis de ofício. O CPC inovou trazendo situações em que não considera fundamentada uma decisão. 
 
Art. 489, § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou 
acórdão, que: 
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a 
causa ou a questão decidida; 
II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão 
adotada pelo julgador; 
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos 
determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem 
demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 
 
O Juiz está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes? 
NÃO. 
O órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas tão só a declinar as 
razões de seu convencimento motivado. 
Isto é, não há obrigação de responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha 
encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, desde que firme sua convicção em decisão 
devidamente fundamentada. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1920967/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 03.05.2021. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1382885/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.04.2021. 
 
 
 
 
 
 
95 
c) Dispositivo: parte em que o juiz resolve as questões principais. 
 
Pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da transcendência dos motivos determinantes? 
Ainda não é seguro para concurso afirmar essa adoção. 
Como mencionado, apenas o dispositivo possui eficácia vinculante, fazendo coisa julgada, contudo a teoria da 
transcendência dos motivos determinantes prega que, nas ações que envolva controle de constitucionalidade, 
a ratio decidendi (razão de decidir - fundamentação principal que leva à conclusão do dispositivo) também 
expandiria seus efeitos para além do processo. 
Em outras palavras, além do dispositivo que declara a inconstitucionalidade da norma, os motivos principais 
da declaração de inconstitucionalidade teriam eficácia vinculante e erga omnes. Assim, ao declarar a 
inconstitucionalidade de determinado artigo de lei local, normas idênticas contidas em outras legislações 
também seriam consideradas automaticamente inconstitucionais. 
A aplicação dessa tese tem fundamental importância no cabimento de Reclamação Constitucional, pois, caso 
adotada, permitiria o manejo do instrumento, alegando violação à decisão de uma ADI, por exemplo, quando 
a norma discutida no processo individual tivesse idêntico conteúdo ao do declarado inconstitucional pelo STF, 
ainda que contida em lei de outra entidade federativa. 
Ocorre que ainda não é seguro para concurso afirmar que a Suprema Corte adota essa teoria. Inclusive, antes 
do CPC/2015, o STF expressamente não admitia a transcendência dos motivos determinantes: 
 
(...) II - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se consolidou no sentido de ser incabível reclamação 
fundada na teoria da transcendência dos motivos determinantes de acórdão com efeito vinculante. STF, Rcl 
8168/SC. Relator(a) p/ Acórdão: Min. EDSON FACHIN. DJ 19.11.2015. Tribunal 
 
Em concursos, já na vigência do CPC/2015, as bancas adotaram essa posição, pelo menos no que tange ao 
cabimento de reclamação com base nessa teoria. 
 
Classificação da sentença: 
 
Quanto ao conteúdo: 
Há alguma discussão quanto à quantidade de sentenças com base nesse critério, prevalecendo a teoria 
ternária 
a) Sentença meramente declaratória: 
Conteúdo: certeza jurídica quanto à existência, inexistência ou modo de ser de uma relação jurídica, bem 
como a autenticidade ou a falsidade de documento. Ex.: Sentença que reconhece paternidade. 
 
 
 
 
 
96 
Efeitos: como regra, ex tunc (retroativos), uma vez que não modifica a relação jurídica, simplesmente 
reconhece a sua (in)existência ou modo de ser. O que a ação declaratória faz é solucionar uma crise de 
incerteza. 
Obs.1: Doutrina majoritária entende que a ação meramente declaratória é imprescritível, pois a pretensão 
sempre existe. 
Obs.2: Toda sentença de improcedência é meramente declaratória. 
 
Há exceção para o caráter ex tunc da sentença meramente declaratória? 
SIM. No caso de declaração de inconstitucionalidade, pode haver a modulação dos efeitos por decisão de 2/3 
do STF, modificando seus efeitos temporais. 
 
b) Sentença constitutiva: 
Conteúdo: criação, extinção ou modificação de uma relação jurídica. Ex.: Sentença que decreta divórcio. 
As sentenças podem ser constitutivas positivas ou negativas (desconstitutivas), conforme visem a criar 
relações até então inexistentes ou desfazer as que até então existiam. 
Efeitos: Como regra, ex nunc (prospectivos), uma vez que a sentença efetua uma alteração em uma relação 
jurídica anterior. Em outros termos, produzem efeitos a partir de então, do momento em que se tornam 
definitivas, sem eficácia retroativa. Exceção: a desconstituição de um ato por nulidade pode ter efeitos 
retroativos. 
As ações constitutivas podem ser facultativas, quando presente a lide, no sentido clássico, ou necessárias, 
quando a lei determina que a relação jurídica só possa ser modificada com a intervenção do Poder Judiciário 
(ex.: divórcio envolvendo incapaz). 
 
c) Sentença condenatória: 
Conteúdo: reconhecimento de um direito e a determinação de uma prestação, criando um título executivo. 
Ela impõe ao réu uma obrigação, consubstanciada em título executivo judicial. Ex.: Sentença que determina 
uma obrigação de não fazer. 
Efeitos: As sentenças condenatórias têm eficácia ex tunc, pois retroagem à data da propositura da ação. 
 
Havendo a violação de direito, há interesse de agir em uma ação meramente declaratória? 
SIM. O artigo 19, do CPC, afirma que é possível requerer somente a declaração do direito, ainda que haja a 
violação do direito. 
 
Quanto ao mérito: 
 
 
 
 
 
97 
a) Sentenças terminativas 
Essas sentenças não analisam o mérito, razão pela qual, como regra, não impedem a repropositura da ação. 
A apelação contra qualquer sentença terminativa possui efeito regressivo, que é a possibilidade de o juiz 
poder se retratar no prazo de 05 dias (art. 485, §7º): 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
I -indeferir a petição inicial; 
II -o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; 
III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 
(trinta) dias; 
IV -verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; 
V -reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; 
VI –verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua 
competência; 
VIII - homologar a desistência da ação; 
IX -em caso demorte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e 
X -nos demais casos prescritos neste Código. 
(...) 
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) 
dias para retratar-se. 
 
b) Sentenças definitivas 
São as sentenças que fazem coisa julgada material, ainda que não analisem propriamente o mérito da 
discussão. 
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; 
III - homologar: 
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
b) a transação; 
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas 
sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. 
 
 
 
 
 
 
98 
É possível que a sentença seja condicional? 
NÃO. A precisão da sentença também deve se dar em relação ao modo da relação jurídica, devendo a 
sentença ser certa, ainda que a relação jurídica seja condicional (art. 492, parágrafo único, CPC). Assim, 
referido dispositivo impede que a sentença seja condicional. 
 
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em 
quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. 
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. 
 
Exceções ao princípio da congruência: 
a) Pedidos implícitos: são aqueles que o juiz, independentemente de pedido, deve analisar: 
I- Juros legais (art. 322, §1º, CPC); 
II- Correção monetária (art. 322, §1º, CPC); 
III- verbas de sucumbência, inclusive honorários advocatícios (art. 322, §1º, CPC); 
IV- Prestações de trato sucessivo vincendas e inadimplidas no curso do processo (art. 323, CPC). 
 
Obs.: Os juros moratórios não só são pedido implícito, como se configura como condenação implícita. 
Súmula 254 - STF: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido inicial ou a 
condenação. 
 
Obs.2: Importante destacar que, havendo fixação expressa do índice de correção monetária em ação contra a 
Fazenda de modo diverso ao fixado pelo STF (IPCA-E - tema 810), o STJ entende que não cabe o ajuste em 
sede de cumprimento de sentença, sob pena de violação da coisa julgada, caso a decisão exequenda tenha 
transitado em julgado antes da decisão do STF: 
Na fase de cumprimento de sentença não se pode alterar os critérios de atualização dos cálculos 
estabelecidos na decisão transitada em julgado, ainda que para adequá-los ao entendimento do STF 
firmado em repercussão geral. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.861.550-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 16.06.2020 (Info 676). 
 
O STF, por sua vez, entende que pode ser aplicado o entendimento imediatamente, inclusive em sede de 
cumprimento de sentença, uma vez que não houve modulação dos efeitos: 
 
 
 
 
 
99 
(...) 1. No agravo apresentado em face da decisão de inadmissão do apelo extremo foram impugnados 
todos os seus fundamentos. O recurso, portanto, não encontra óbice na Súmula 287 do STF. 2. Esta Corte, 
ao concluir pela não modulação dos efeitos da decisão proferida no RE 870.947-RG, considerou 
inconstitucional o índice de correção monetária (Taxa Referencial) desde a data da edição da Lei 
11.960/2009. Tema 810 da Repercussão Geral. 3. O acórdão recorrido, em sede de retratação, ao 
entender que já tendo ocorrido o trânsito em julgado da decisão que fixou os índices em relação aos 
juros e correção monetária estes deveriam ser mantidos em respeito à coisa julgada e ao princípio da 
segurança jurídica, decidiu a causa em dissonância com a tese fixada no mencionado Tema 810. Não 
incidência do Tema 733 da Repercussão Geral. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. 
Inaplicável o art. 85, § 11, do CPC, tendo em vista a ausência de condenação ao pagamento de honorários 
advocatícios na instância de origem. 
(ARE 1317698 AgR, Relator(a): Edson Fachin, Segunda Turma, julgado em 09.10.2021, processo eletrônico 
DJe-206 divulg 15.10.2021 public 18.10.2021) 
 
b) Fungibilidade: em ações possessórias e tutela de urgência. 
c) Concessão de resultado prático equivalente em tutelas específicas (art. 497, CPC) 
d) Inconstitucionalidade por arrastamento em controle concentrado de constitucionalidade. 
 
Remessa necessária: 
CPC, Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada 
pelo tribunal, a sentença: 
I -proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e 
fundações de direito público; 
II –que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal. 
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos 
autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. 
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará a remessa necessária. 
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for 
de valor certo e líquido inferior a: 
I -1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público; 
II -500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e 
fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados; 
 
 
 
 
 
100 
III -100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de 
direito público. 
§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em: 
I - súmula de tribunal superior; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de 
recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de 
competência; 
IV -entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente 
público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. 
 
Natureza jurídica: condição de eficácia da sentença. A remessa necessária é condição impeditiva de geração 
do trânsito em julgado, segundo o STF (Súmula 423) (segundo CPC, dos efeitos da sentença). 
 
Súmula n. 423 do STF: Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ex officio, que se 
considera interposto ex lege. 
 
Sentença proferida contra a Fazenda Pública em reconvenção atrai a remessa necessária? 
SIM. A sentença proferida contra a Fazenda Pública e que seja resultante da reconvenção também se sujeita 
à remessa necessária. 
 
Mesmo que a sentença seja contrária ao Ente Público apenas para impor condenação em honorários de 
sucumbência, deverá haver remessa necessária? 
SIM. Ainda que a sentença seja contrária ao ente público para lhe impor condenação em honorários de 
sucumbência, haverá necessidade de submissão à remessa necessária. Nesse sentido, cumpre destacar a 
jurisprudência consolidada do STJ: 
Súmula n. 325, STJ: A remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação 
suportadas pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de advogado. 
 
Há, todavia, exceções nos §§ 3º e 4º do art. 496 do Código de Processo Civil, seja em razão do valor da 
condenação, seja em razão da aplicação de precedentes obrigatórios. As hipóteses que excepcionam a 
exigência de remessa necessária serão mais bem analisadas em tópico específico. 
 
 
 
 
 
 
101 
No caso de extinção da execução fiscal após julgamento de exceção de pré-executividade há sujeição à 
remessa necessária? 
SIM. Segundo entendimento do STJ sujeita-se sim à remessa necessária, vide: 
(...)2. Na Execução Fiscal, havendo sentença de mérito contra a Fazenda Pública, é obrigatório o duplo grau 
de jurisdição, uma vez que a situação assemelha-se ao julgamento de procedência de Embargos do Devedor, 
nos termos do art. 475, II, do Código de Processo Civil.3. Recurso especial provido. (REsp 1385172/SP, Rel. 
Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17.10.2013, DJe 24.10.2013) 
 
E no caso de decisão contrária à Fazenda Pública nos embargos à execução sem ser de execução fiscal, nessa 
hipótese, sujeita-se à remessa necessária? 
NÃO. A decisão contrária à Fazenda Pública nos embargos à execução não fiscal não se sujeita à remessa 
necessária. O entendimento parte da ideia de que o legislador, ao redigir o inciso II do art. 496, quis restringir 
o instituto à execução fiscal. 
 
E no caso da decisão que rejeita os embargos à execução opostos pela Fazenda Pública, está sujeita a 
remessa necessária? 
NÃO. Vide entendimento do enunciado 158 do CJF, da segunda jornada de direito processual civil: 
Enunciado n. 158: A sentença de rejeição dos embargos à execução opostos pela Fazenda Pública não está 
sujeita à remessa necessária. 
 
Decisões que não resolvem o mérito estão sujeitas à remessa necessária? 
NÃO. Prevalece na doutrina e na jurisprudência que as decisões que não resolvem o mérito não se submetem 
à remessa necessária, especialmente pelo fato de que não são aptas a formação da coisa julgada material 
(AgRg no AREsp 335.868/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05.11.2013, 
DJe 09.12.2013). 
Obs.: Deve ser aplicada a remessa necessária mesmo havendo apelação, ainda que não haja expressa previsão 
legal; em caso de recurso parcial, quanto aos demais capítulos da sentença; ou quando o recurso da Fazenda 
Pública não seja conhecido (Enunciado 432, Fórum de Processualistas). 
Obs.2: O STJ entende que deve haver remessa necessária, por analogia, caso seja acolhida exceção de pré-
executividade (REsp 1.415.603, em 22.05.2014). 
Obs.3: Não cabe remessa necessária de sentença arbitral contra a Fazenda Pública (Enunciado 164, Fórum de 
Processualistas). 
Obs.4: Só existe reexame necessário de sentenças, assim, decisões Interlocutórias e acórdãos não necessitam 
de reexame necessário, exceto se a decisão interlocutória tiver natureza de decisão parcial de mérito: 
 
 
 
 
 
102 
Enunciado n. 17 do Fórum Nacional do Poder Público: A decisão parcial de mérito proferida contra a Fazenda 
Pública está sujeita ao regime da remessa necessária. 
 
Ação popular e remessa a necessária: 
No procedimento da ação popular há uma remessa necessária da sentença que extingue o processo sem 
resolução de mérito ou, resolvendo o mérito, julga a ação improcedente (art. 19 LAP). 
 
Ação de improbidade administrativa e a remessa necessária: 
Na jurisprudência, o STJ havia superado uma divergência, até então existente, consagrando o entendimento 
de que é cabível a remessa necessária em ação de improbidade administrativa, independentemente do valor 
atribuído à causa. Além disso, em decorrência do microssistema de tutela coletiva, o STJ entendeu que: 
(...) 4. Portanto, é cabível o reexame necessário na Ação de Improbidade Administrativa, nos termos do 
artigo 475 do CPC/1973. Nessa linha: REsp 1556576/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 
31/5/2016. 5. Ademais, por "aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65, as sentenças 
de improcedência de ação civil pública sujeitam-se indistintamente ao reexame necessário" (REsp 
1.108.542/SC, Rel. Ministro Castro Meira, j. 19.5.2009, DJe 29.5.2009). Nesse sentido: AgRg no REsp 
1219033/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25/04/2011. [...] (EREsp 1220667/MG, 
Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/05/2017, DJe 30.06.2017) 
 
Contudo, a Lei n. 14.230/2021, que promoveu a reforma legislativa na Lei de Improbidade Administrativa, 
consignou expressamente a impossibilidade de utilização de remessa necessária nas sentenças nas ações de 
improbidade administrativa. 
 
LIA, Art. 17-C. A sentença proferida nos processos a que se refere esta Lei deverá, além de observar o disposto 
no art. 489 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil): (Incluído pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
(...) 
§ 3ºNão haverá remessa necessária nas sentenças de que trata esta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Mandado de segurança e a remessa necessária: 
No procedimento do Mandado de Segurança, a sentença que concede a segurança se sujeita à remessa 
necessária. Nesse sentido, dispõe a Lei nº 12.016/09: 
 
 
 
 
 
 
103 
Art. 14 § 1º. Concedida a segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição. 
 
Em casos de sentença ilíquida, haverá remessa necessária? 
SIM, salvo se se aplicar as hipóteses II. Além de o CPC exigir que a condenação seja em valor líquido e certo, o 
STJ já tinha entendimento consolidado nesse sentido (Súmula 490). 
 
Súmula 490 do STJ: A dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou do direito 
controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas. 
 
Exceção: 
REMESSA NECESSÁRIA (INFO 658) 
Após a entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015, é dispensável a remessa necessária nas 
sentenças ilíquidas proferidas em desfavor do INSS, cujo valor mensurável da condenação ou do proveito 
econômico seja inferior a mil salários mínimos. (REsp 1.735.097-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, 
por unanimidade, julgado em 08.10.2019, DJe 11.10.2019) 
 
Dispensa da remessa: 
I- Valor da condenação ou do proveito econômico: II- Decisão no mesmo sentido de: 
- Até 1000 salários mínimos para União, autarquias 
e fundações; 
- Até 500 salários mínimos para Estado/DF, 
autarquias e fundações + Municípios que 
constituam capitais de Estados; 
- Até 100 salários mínimos para demais Municípios, 
autarquias e fundações. 
- Súmula de Tribunal Superior; 
- Julgamento do STF/STF repetitivo; 
- Julgamento de IRDR ou IAC; 
- Orientação vinculante firmada no âmbito 
administrativo do próprio ente público, como 
parecer ou súmula administrativa vinculante. 
 
Atente para o fato de os Municípios que constituam capitais dos Estados entram no limite dos Estados e 
Distrito Federal. Além disso, os entes da administração indireta seguem a regra do ente da administração 
direta ao qual estão vinculadas. 
 
Coisa julgada: 
Coisa julgada é a preclusão máxima de uma decisão, tornando-a imutável e indiscutível. Ocorre após o 
exaurimento da possibilidade recursal (ou da remessa necessária), com o trânsito em julgado. 
 
 
 
 
 
104 
 
Divide-se em: 
a) Coisa julgada formal: tem efeito apenas endoprocessual (manifestação no próprio processo), assim, 
impossibilita a rediscussão da matéria tão somente no mesmo processo. Não mais se permite a modificação 
da sentença ou acórdão quando já não caibam mais recursos, seja porque foram esgotadas as possibilidades 
recursais, seja porque o recurso adequado não foi interposto no prazo legal. 
b) Coisa julgada material: tem efeito extraprocessual, tornando indiscutível a matéria decidida inclusive em 
outras demandas. Trata-se da imutabilidade dos efeitos da decisão, que operam externamente à relação 
processual. Ela impede que seja renovada a mesma ação. Daí o art. 502 do CPC definir a coisa jugada material 
como a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. 
 
Requisitos: 
 Decisão (sentença, acórdão ou decisão interlocutória) de mérito; 
 Cognição exauriente; 
 Ausência de possibilidade recursal. 
 
Obs.1: A coisa julgada material pressupõe a formal. 
Obs.2: Não fazem coisa julgada material: sentenças terminativas e decisões proferidas em tutela de urgência. 
O CPC cuidou de conferir o conceito legal de coisa julgada material:Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de 
mérito não mais sujeita a recurso. 
 
Coisa julgada progressiva ou parcial 
O fenômeno diz respeito à possibilidade de trânsito em julgado, e consequente formação de coisa julgada, 
parcial e progressiva, quando da existência de recursos parciais, que ataquem apenas um ou alguns capítulos 
da decisão, de extrema relevância para o prazo decadencial da ação rescisória, havendo verdadeira discórdia 
jurisprudencial: 
a) STF: admite o trânsito em julgado parcial, devendo o prazo decadencial ser contado individualmente de 
cada capítulo da decisão que transitou em julgado (RE 666.689, em 25.03.2014); 
b) TST: admite a coisa julgada progressiva (Súmula 101, TST); 
c) STJ: não admite, sendo o prazo contado do último trânsito em julgado (Súmula 401, STJ). 
 
 
 
 
 
 
105 
Obs.: O STF aplicou entendimento semelhante ao admitir a expedição de precatório/RPV se houver parcela 
incontroversa na execução contra a Fazenda. Nesse caso, deve-se observar o valor global da execução para 
efeito de limite de RPV e não somente a parcela incontroversa. 
Ex.: João executou a União cobrando 100 salários mínimos; a União reconheceu 50 e impugnou os outros 50, 
vindo o juiz a julgar improcedente a impugnação; a União recorre apenas dos 50 salários que tinha impugnado. 
Nesse caso, já pode determinar o pagamento dos 50 incontroversos sem necessitar do trânsito em julgado 
total da demanda, mas deve ser feito através de precatório, pois, apesar de o limite da União ser de 60 salários 
mínimos, o valor global cobrando é de 100. 
Surge constitucional expedição de precatório ou requisição de pequeno valor para pagamento da parte 
incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial transitada em julgado, observada a importância total 
executada para efeitos de dimensionamento como obrigação de pequeno valor. 
[RE 1.205.530, voto do rel. min. Marco Aurélio, j. 8-6-2020, P, DJE de 1º-7-2020, Tema 28.] 
 
Obs.2: O STJ “temperou” sua posição quanto a exigir o trânsito em julgado total como termo inicial da ação 
rescisória, não aplicando-a quando houver má-fé: 
(…) 
2. Enquanto não estiver definitivamente decidida a questão acerca da admissibilidade de recurso interposto 
nos autos, cujo resultado terá influência direta na ocorrência ou não do trânsito em julgado, o prazo 
decadencial da ação rescisória não se inicia, sob pena de se causar insegurança jurídica, salvo comprovada 
má-fé. 
(…) 
(REsp 1887912/GO, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/09/2021, DJe 
24/09/2021) 
 
Limites objetivos 
Como regra, a decisão tem força de lei “nos limites da questão principal”, podendoa questão prejudicial 
incidental também fazer coisa julgada se, cumulativamente: 
 Houver decisão expressa sobre a questão; 
 Houver relação de dependência com o julgamento do mérito; 
 A parte tiver exercido efetivamente o contraditório prévio (não se aplica em caso de revelia); 
 Juiz detém competência material e em razão da pessoa para julgar a questão prejudicial; 
 Ausência de limitações probatórias ou de cognição do processo que impeçam o aprofundamento da 
questão prejudicial. 
 
 
 
 
 
106 
 
CPC, Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão 
principal expressamente decidida. 
§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente 
no processo, se: 
I -dessa resolução depender o julgamento do mérito; 
II -a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; 
III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. 
§ 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição 
que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. 
 
Limites subjetivos 
a) Regra: atinge apenas as partes (inclusive terceiros que atuaram no processo), não prejudicando terceiros. 
Trata-se da adoção da coisa julgada in utilibus. 
Obs.: O assistente simples não se vincula à coisa julgada (dispositivo), mas à “justiça da decisão” 
(fundamentos) se tiver atuado efetivamente. 
 
 CPC, Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. 
 
IMPORTANTE! Em se tratando de substituição processual, nas hipóteses admitidas pelo sistema jurídico, o 
substituído, por ser o titular do direito, é alcançado pelos efeitos da decisão, bem como, em princípio pela 
coisa julgada. 
 
A coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo 2005.51.01.016159-0 (impetrado pela Associação 
de Oficiais Militares do Estado do Rio de Janeiro - AME/RJ, enquanto substituta processual) beneficia os 
militares e respectivos pensionistas do antigo Distrito Federal, integrantes da categoria substituída - oficiais, 
independentemente de terem constado da lista apresentada no momento do ajuizamento do mandamus ou 
de serem filiados à associação impetrante. 
Assim, essa decisão beneficia todos os Oficiais do antigo Distrito Federal. No entanto, não irá beneficiar outros 
militares do antigo Distrito Federal que não sejam Oficiais (ex: um Terceiro Sargento). 
STJ. 1ª Seção. REsp 1865563-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/10/2021 
(Recurso Repetitivo – Tema 1056) (Info 715). 
 
 
 
 
 
 
107 
a) Coisa julgada inconstitucional (art. 525, §12, CPC): é inexigível a decisão que se baseou em lei ou ato 
normativo considerado inconstitucional ou em interpretação/aplicação tida por incompatível com a CF pelo 
STF. 
A decisão do STF pode ter sido em controle difuso ou concentrado. 
 
Momento da decisão do STF e consequência: 
 Antes do trânsito em julgado da decisão atacada: cabe impugnação ao cumprimento de sentença; 
 Depois do trânsito em julgado da decisão atacada: cabe ação rescisória em até 2 anos da decisão do STF. 
 
Obs.: Esse tratamento só se aplica às sentenças transitadas em julgado após a entrada em vigor do CPC (art. 
1.057). 
Obs.: Aplica-se também quando o STF declara a não recepção da norma pela CF, como no caso da Lei de 
Imprensa (REsp 1.531.095, em 09.08.2016). 
 
Conflito de coisas julgadas 
Como já visto, ajuizada ação contra decisão transitada em julgado, deve o feito ser extinto sem resolução de 
mérito, admitindo-se, inclusive, o seu reconhecimento de ofício. 
Ocorre que, na prática, é possível que a parte interessada e o Juízo não percebam (é comum quando o polo 
passivo é de entidade litigante contumaz), formando nova coisa julgada sobre o mesmo pedido e causa de 
pedir. 
O STJ, inicialmente, estabeleceu o entendimento de que deve prevalecer a segunda coisa julgada sobre a 
primeira, enquanto aquela não seja desconstituída por ação rescisória. Essa posição foi mitigada, 
determinando que a primeira coisa julgada prevalecerá sobre a segunda se já estiver em fase de execução. 
(...) 
2. A Corte Especial deste Tribunal, ao julgar o EAREsp nº 600.811/SP, firmou o entendimento de que havendo 
conflito entre coisas julgadas deve prevalecer a última que se formou, desde que não desconstituída por 
ação rescisória. 
3. Contudo, referida regra deve ser afastada nos casos em que já executado o título formado na primeira 
coisa julgada, ou se iniciada sua execução, hipótese em que deve prevalecer a primeira coisa julgada em 
detrimento daquela formada em momento posterior, consoante expressamente consignado na ementa e no 
voto condutor do EARESP nº 600.811/SP, proferido pelo em. Ministro Og Fernandes. 
(...) 
 
 
 
 
 
108 
(AgInt nos EDcl no REsp 1930955/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 
08.03.2022, DJe 25.03.2022) 
 
Cumprimento de sentença: 
 
Legitimidade: 
a) Ativa: credor da obrigação contida no título judicial executado (não é necessariamentea norma não 
tratada nas discussões, adotando uma terceira tese jurídica, mesmo sem oitiva prévia, não sendo o princípio 
absoluto, tampouco com aplicação automática e irrestrita (STJ. 1ª Seção. EDcl nos EREsp 1.213.143-RS, Rel. 
Min. Regina Helena Costa, julgado em 8.2.2023 (Info 763). 
Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida: 
 
Consagração, também, do princípio do contraditório. 
Veja que o artigo fala em decisão “CONTRA” uma das partes. 
 
O que isso significa? 
 
 
 
 
 
9 
Se a decisão for a favor de uma das partes é possível que esta não seja ouvida. 
Art.9o, Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
(ou seja, não há necessidade de ouvir a outra parte): 
I – à tutela provisória de urgência; 
II – às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
III - à decisão prevista no art. 701. (Ação monitoria) – o juiz pode decidir sem ouvir a parte. 
 
b) Da Aplicação das Normas Processuais: 
A norma processual não retroagirá, mas será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados 
os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. 
CPC: 
Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições 
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte. 
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, 
respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma 
revogada. 
Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as 
disposições deste Código lhes serão aplicadas SUPLETIVA e SUBSIDIARIAMENTE. 
 
Isolamento dos atos processuais: 
Mesmo entendendo-se que a norma processual atinge o processo em curso, deve-se pregar respeito aos atos 
processuais já realizados e consumados à luz da lei anterior. Já os atos que ainda deverão ser produzidos 
devem respeitar a lei processual nova, já em vigor. 
 
Por fim, deve-se atentar para o Código de Processo Civil ser norma geral, aplicável supletiva e 
subsidiariamente na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos. 
Enunciado n. 2 do FPPC: As disposições do CPC aplicam-se supletiva e subsidiariamente às Leis n. 9.099/1995, 
10.259/2001 e 12.153/2009, desde que não sejam incompatíveis com as regras e princípios dessas Leis. 
 
c) Jurisdição: 
Para a doutrina moderna, a jurisdição compreende os seguintes elementos: 
1. PODER DE DECISÃO: poder de afirmar a norma jurídica do caso concreto, solucionando a lide de forma 
definitiva. 
 
 
 
 
 
10 
2. PODER DE COERÇÃO: autoriza o juiz e o Estado, no exercício da jurisdição, utilizar quaisquer mecanismos 
de coerção para fazer cumprir a vontade da lei; 
3. PODER DE DOCUMENTAÇÃO: necessidade de documentar, instruir e fazer prova dos atos que 
fundamentem a atividade jurisdicional. 
 
Características da Jurisdição: 
1. UNIDADE: a jurisdição é a mesma em todo o território nacional. Apesar de una, a jurisdição é distribuída de 
acordo com a competência e a organização judiciária. 
2. INÉRCIA: decorre do princípio dispositivo (ne procedat iudex ex officio). Conquanto se desenvolva por 
impulso oficial, a jurisdição depende da iniciativa das partes. Exceção: incidente de restauração dos autos. 
3. INSTRUMENTALIDADE: a jurisdição é um instrumento de atuação do Estado. 
4. IMPARCIALIDADE: decorrência do princípio do juiz natural. 
5. SUBSTITUTIVIDADE: a decisão judicial substitui a vontade das partes. 
6. DEFINITIVIDADE: a decisão judicial faz coisa julgada e é imutável, salvo hipóteses excepcionais. 
 
 Princípios: 
1. INVESTIDURA: a investidura depende de aprovação em concurso de provas e títulos por bacharel em 
direito com pelo menos 03 (três) anos de atividade jurídica. Há outras hipóteses de investidura. Importante a 
leitura do art. 93 da CF. 
2. INAFASTABILIDADE: cláusula pétrea (CF, art. 5º, XXXV). A jurisdição é um poder-dever do Estado, do qual 
o juiz não pode se escusar. Da mesma forma, o legislador não pode criar hipóteses em que a jurisdição seja 
inviável. 
3. TERRITORIALIDADE OU ADERÊNCIA: A jurisdição é distribuída por regras de competência. Importante 
disposição do CPC: “Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem na mesma 
região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar, em qualquer delas, citações, intimações, 
notificações, penhoras e quaisquer outros atos executivos.” 
4. JUIZ NATURAL: art. 5º, inciso XXXVII reza que “não haverá juízo ou tribunal de exceção”. Corresponde ao 
direito de ser julgado por um juízo imparcial, seguindo regras previamente estabelecidas. 
5. INDELEGABILIDADE: por conta desse princípio, não se podem delegar atos decisórios. Como exceção, 
podem ser mencionados os atos instrutórios. 
6.INEVITABILIDADE: as partes devem cumprir as decisões, pois elas têm força de lei. 
 
 
 
 
 
11 
Jurisdição no CPC: 
Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições 
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte. 
DA JURISDIÇÃO E DA AÇÃO 
Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as 
disposições deste Código. 
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo 
ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente 
litisconsorcial. 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I –da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II –da autenticidade ou da falsidade de documento. 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. 
 
d) Limites da Jurisdição Nacional: 
Nos artigos 21 a 25, o CPC define os limites entre a jurisdição nacional e estrangeira. Os artigos devem ser 
objeto de leitura minuciosa. 
Os artigos 21 e 22 tratam da competência concorrente ou cumulativa, ou seja, a decisão estrangeira também 
terá eficácia no Brasil caso seja homologada pelo STJ. 
Nas hipóteses de competência concorrente, a ação ajuizada no estrangeiro não induz litispendência, 
ressalvadas as hipóteses em que haja tratado ou acordo internacional. Caso seja homologada sentença 
definitiva prolatada no exterior, esta caracterizará coisa julgada também no Brasil. 
 
O artigo23 prevê as hipóteses em que a jurisdição brasileira detém competência exclusiva. Trata-se 
basicamente de ações relacionadas a bens imóveis (imóveis, direito à sucessão) e partilha de bens (moveis ou 
imóveis) situados no Brasil em casos de divórcio, separação ou dissolução de união estável. A principal 
consequência da competência exclusiva é que se nega homologação e exequatur a decisões estrangeiras. 
 
e) Outras formas de solução de litígios: 
O ordenamento jurídico veda a autotutela, mas permite a autocomposição, na qual as partes decidem 
espontaneamente buscar uma solução ao litígio, desde que se trate de direito disponível. 
 
 
 
 
 
 
12 
A autocomposição pode ser realizada dentro ou fora do processo, das seguintes formas: 
1. TRANSAÇÃO: as partes fazem concessões mútuas. 
2. RENÚNCIA: quando a parte abre mão de sua pretensão deduzida em juízo. 
3. RECONHECIMENTO DO PEDIDO: quando a parte cessa a resistência do réu. 
 
A autocomposição pode ser auxiliada por terceiros: 
CONCILIAÇÃO MEDIAÇÃO 
O conciliador propõe soluções ao caso. O mediador apenas orienta os interessados acerca dos 
interesses conflitantes, mas não propõe soluções. 
Indicada para casos em queo autor da ação), o 
MP, ou sucessor. 
b) Passiva: devedor da obrigação reconhecida no título judicial, sucessores ou o responsável titular de bem 
vinculado a garantia real. 
Obs.: O fiador, coobrigado, ou corresponsável só pode ser legitimado passivo se tiver participado da fase de 
conhecimento (art. 513, §5º) 
 
Competência: 
É caso de competência absoluta funcional, como regra: 
 Do tribunal que proferiu a decisão em causa de competência originária; 
Obs.: Pode delegar ao 1º grau atos materiais de execução. 
 Do juízo que decidiu em 1º grau de jurisdição; 
 Do juízo cível competente, em caso de sentença penal condenatória, sentença arbitral, sentença 
estrangeira ou acórdão de Tribunal Marítimo. 
Obs.: Em caso de sentença estrangeira, o STJ homologa e o juiz federal cumpre. 
- Exceção (foro concorrente): nos dois últimos casos, é possível o que exequente opte por: 
a) atual domicílio do executado; 
b) local onde se encontrem bens sujeitos à execução; 
c) local de execução da obrigação. 
Obs.: A remessa dos autos deve ser solicitada ao Juízo de origem. 
 
Títulos executivos judiciais: 
Em regra, são títulos produzidos pelo Poder Judiciário. Exceção: sentença arbitral. 
 
Relação de títulos judiciais: 
Art. 515. São TÍTULOS EXECUTIVOS JUDICIAIS, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos 
neste Título: 
 
 
 
 
 
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I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de 
fazer, de não fazer ou de entregar coisa; 
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial; 
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; 
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos 
sucessores a título singular ou universal; 
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por 
decisão judicial; 
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; 
VII - a sentença arbitral; 
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; 
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal 
de Justiça; 
 
Início do cumprimento de sentença: 
No caso de pagar quantia, somente pode se iniciar mediante requerimento do exequente. 
Como, em regra, o cumprimento se procede em continuação à fase de conhecimento, o executado será 
intimado: 
 Pelo DJ, na pessoa do seu advogado constituído nos autos; 
 Carta com AR se representado pela Defensoria, ou sem representação; 
 Meio eletrônico se for litigante contumaz e não tiver advogado nos autos; 
 Por edital se tiver sido citado por edital na fase de conhecimento + revel. 
 
Obs.: Se a sentença expressamente determinar que a sentença seja liquidada antes do cumprimento, não pode 
a parte requerer a execução diretamente: 
PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRANSFERÊNCIA. PESSOA JURÍDICA. 
LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS. NÃO RECOLHIMENTOS. INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS EFETIVAMENTE 
SOFRIDOS. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. VALOR CORRESPONDENTE AOS TRIBUTOS NÃO RECOLHIDOS. 
VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. 
1. Na fase de liquidação de sentença, não se admite a alteração dos parâmetros estabelecidos no título 
executivo judicial, sob pena de violação à coisa julgada. 
 
 
 
 
 
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2. Hipótese em que a sentença transitada em julgado determinou a apuração, em liquidação de sentença, dos 
prejuízos suportados pela autora da ação decorrentes do não recolhimento de tributos e lançamentos em seu 
nome pelo fisco após a assunção da empresa pela executada (ato ilícito). 
3. Configura violação à coisa julgada a determinação para pagamento, diretamente à exequente, da quantia 
correspondente ao valor da dívida tributária da qual o credor é o fisco, cujo pagamento sequer foi alegado 
ou comprovado pela exequente. 
4. Faculta-se à exequente requerer liquidação por artigos na qual demonstre e comprove os efetivos danos 
materiais (decréscimo em seu patrimônio) em decorrência do não recolhimento dos tributos mencionados no 
dispositivo do acórdão exequendo 5. Agravo interno provido. 
(AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.832.357/DF, relator Ministro Marco Buzzi, relatora para acórdão Ministra Maria 
Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 17/10/2022.) 
 
Defesa do executado no cumprimento de sentença: 
As questões referentes à validade do procedimento de cumprimento e dos atos executivos podem ser arguidas 
nos próprios autos, por meio da impugnação ao cumprimento de sentença 
Matérias arguíveis na impugnação: art. 525, §1º: 
 
Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 
(quinze) dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos 
próprios autos, sua impugnação. 
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: 
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; 
II - ilegitimidade de parte; 
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; 
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, 
transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença. 
 
Prazo: 15 dias ÚTEIS 
Findo o prazo para pagamento voluntário inicia-se AUTOMATICAMENTE o prazo de impugnação. Prazo este 
que irá dobrar se houver litisconsortes com procuradores distintos, de escritórios diferentes, em autos não 
eletrônicos. 
 
 
 
 
 
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No mais, a 2ª Seção do STF decidiu que a substituição, na fase de cumprimento de sentença, do parâmetro da 
base de cálculo dos honorários advocatícios - de valor da condenação para proveito econômico - ofende a 
coisa julgada. (AR 5869-MS - Info 721). 
 
A partir de quando é contado o prazo para que o executado ofereça impugnação? 
O prazo de 15 dias para impugnação inicia-se imediatamente após acabar o prazo de 15 dias que o executado 
tinha para fazer o pagamento voluntário (art. 525, caput). Não é necessária nova intimação. Acabou um prazo, 
começa o outro. 
 
O prazo para impugnação se inicia após 15 dias da intimação para pagar o débito, ainda que o executado 
realize o depósito para garantia do juízo no prazo para pagamento voluntário, independentemente de nova 
intimação 
Exemplo: o credor iniciou o cumprimento da sentença. Em 19/4/2016, o devedor foi intimado para que, em 
15 dias, efetuasse o pagamento. Em 09/05/2016, o devedor depositou em juízo o valor da condenação apenas 
para fins de garantia do juízo e para obter efeito suspensivo na impugnação que ainda iria apresentar. Em 
03/06/2016, o devedor apresentou a impugnação. O exequente alegou que a impugnação foi apresentada 
fora do prazo. Isso porque o prazo de 15 dias para a impugnação deveria ser contado da data em que foi feito 
o depósito judicial (09/05/2016). O STJ não concordou e disse que o prazo de 15 dias para a impugnação 
começa a contar após terminar o prazo de 15 dias para o pagamento. STJ. 3ª Turma. REsp 1761068-RS, Rel. 
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15.12.2020 (Info 684). 
 
A impugnação possui efeito suspensivo? 
NÃO. A impugnação não possui efeito suspensivo automático, é preciso que o impugnante demonstre que 
seus fundamentos são relevantes e garanta o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes (art. 525, 
§6º). 
 
Art. 525. (...) 
§ 6º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, 
podendo o juiz, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito 
suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem relevantese se o prosseguimento da 
execução for manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. 
 
 
 
 
 
 
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Enunciado n. 95 do CJF: O juiz, antes de rejeitar liminarmente a impugnação ao cumprimento de sentença 
(art. 252, §5º, do CPC), deve intimar o impugnante para sanar eventual vício, em observância ao dever 
processual de cooperação (art. 6º do CPC) 
 
Enunciado n. 92 do CJF: “Da decisão que julga a impugnação ao cumprimento de sentença cabe apelação, 
se extinguir o processo, ou agravo de instrumento, se não o fizer” 
 
Nos casos de sentença penal condenatória transitada em julgado e decisão interlocutória estrangeira, após a 
concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça, é necessária a CITAÇÃO. 
A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, depois de transcorrido o prazo para 
pagamento voluntário de 15 dias. 
O executado que tiver proposto ação rescisória para impugnar a decisão exequenda pode requerer, às suas 
expensas e sob sua responsabilidade, a anotação da propositura da ação à margem do título protestado. 
Nas obrigações de pagar quantia certa, o prazo para cumprimento voluntário é de 15 dias. Se não houver 
cumprimento voluntário, incidirão multa de dez por cento e honorários advocatícios de dez por cento (o 
percentual não admite relativização - STJ. 3ª Turma. REsp 1701824-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
09.06.2020 (Info 673). 
Se o pagamento for parcial, incide a multa de 10% sobre a diferença. 
Não se aplica tal multa para Fazenda Pública (art. 534, § 2º, do CPC). Isso porque a Fazenda Pública não pode 
cumprir voluntariamente suas obrigações de pagar quantia certa. 
A Fazenda Pública é intimada para impugnar o cumprimento de sentença. Inexiste citação quando o título é 
judicial. 
Se a Fazenda Pública não impugna, não há condenação em honorários advocatícios, de acordo com o art. 85, 
§7º, do CPC. 
Não há necessidade de garantia de juízo para apresentação da impugnação ao cumprimento de sentença. 
 
Pode-se alegar prescrição na impugnação ao cumprimento de sentença? 
Pode somente se a prescrição for superveniente ao trânsito em julgado. Ou seja, se a pretensão sobre o 
direito estava prescrita, mas não foi reconhecida na fase de conhecimento, não cabe a alegação no 
cumprimento de sentença. 
 
 
 
 
 
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6. Apenas a prescrição superveniente à formação do título pode ser alegada em cumprimento de sentença. 
(...) (REsp n. 1.931.969/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 8/2/2022, 
DJe de 11.2.2022.) 
 
Recurso da decisão que resolve a impugnação: o recurso cabível depende do resultado da impugnação. 
RESULTADO RECURSO 
Improcedência da impugnação Agravo de instrumento 
Procedência da impugnação que não encerra a execução Agravo de instrumento 
Procedência da impugnação que encerra a execução Apelação 
 
Observação: Se houver extinção parcial da execução (exclusão de litisconsorte, p. ex.), o recurso cabível é o 
agravo de instrumento, sendo erro grosseiro a interposição de apelação (STJ. 2ª Turma. REsp 1947309-BA, Rel. 
Min. Francisco Falcão, julgado em 7.2.2023 (Info 763). 
 
Cumprimento provisório de sentença 
Art. 520. O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será 
realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime: 
I -corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar 
os danos que o executado haja sofrido; 
II –fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-
se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos; 
III - se a sentença objeto de cumprimento provisório for modificada ou anulada apenas em parte, somente 
nesta ficará sem efeito a execução; 
IV -o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem transferência de posse ou 
alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, 
dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos. 
§ 1º No cumprimento provisório da sentença, o executado poderá apresentar impugnação, se quiser, nos 
termos do art. 525. 
§ 2º A multa e os honorários a que se refere o § 1º do art. 523 são devidos no cumprimento provisório de 
sentença condenatória ao pagamento de quantia certa. 
§ 3º Se o executado comparecer tempestivamente e depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, 
o ato não será havido como incompatível com o recurso por ele interposto. 
 
 
 
 
 
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§ 4º A restituição ao estado anterior a que se refere o inciso II não implica o desfazimento da transferência de 
posse ou da alienação de propriedade ou de outro direito real eventualmente já realizada, ressalvado, sempre, 
o direito à reparação dos prejuízos causados ao executado. 
§ 5º Ao cumprimento provisório de sentença que reconheça obrigação de fazer, de não fazer ou de dar coisa 
aplica-se, no que couber, o disposto neste Capítulo. 
Art. 521. A caução prevista no inciso IV do art. 520 poderá ser dispensada nos casos em que: 
I -o crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem; 
II -o credor demonstrar situação de necessidade; 
III -pender o agravo fundado nos incisos II e III do art. 1.042; 
III –pender o agravo do art. 1.042; 
IV -a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do 
Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido 
no julgamento de casos repetitivos. 
Parágrafo único. A exigência de caução será mantida quando da dispensa possa resultar manifesto risco de 
grave dano de difícil ou incerta reparação. 
Art. 522. O cumprimento provisório da sentença será requerido por petição dirigida ao juízo competente. 
Parágrafo único. Não sendo eletrônicos os autos, a petição será acompanhada de cópias das seguintes peças 
do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade 
pessoal: 
I - decisão exequenda; 
II - certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo; 
III - procurações outorgadas pelas partes; 
IV - decisão de habilitação, se for o caso; 
V - facultativamente, outras peças processuais consideradas necessárias para demonstrar a existência do 
crédito. 
 
Possibilidade de execução invertida (art. 526 do CPC). A execução invertida é uma liberalidade do executado, 
que resolve apresentar os cálculos antes de o exequente fazê-lo. 
O cumprimento provisório é feito quando a sentença for impugnada por recurso sem efeito suspensivo. 
O cumprimento provisório é feito da mesma maneira do definitivo, correndo por conta e risco do exequente. 
No cumprimento provisório, são devidos multa de 10% e honorários. 
Se o executado comparecer tempestivamente e depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, o 
ato não será havido como incompatível com o recurso por ele interposto. 
 
 
 
 
 
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Cumprimento definitivo de sentença de pagar quantia certa 
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre 
parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o 
executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. 
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por 
cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. 
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no § 1º 
incidirão sobre o restante. 
§ 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandadode 
penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação 
 
Possibilidade de efeito suspensivo: 
Art. 525. (...) 
§ 6º. A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, 
podendo o juiz, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito 
suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem relevantes e se o prosseguimento da 
execução for manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. 
§ 7º. A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6º não impedirá a efetivação dos atos de 
substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. 
§ 12. Para efeito do disposto no inciso III do §1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação 
reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo 
Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo 
Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade 
concentrado ou difuso. 
§13. No caso do §12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, 
em atenção à segurança jurídica. 
§14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser anterior ao trânsito em julgado da 
decisão exequenda. 
§ 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação 
rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
Execução contra o Poder Público: 
Diferenças em relação ao cumprimento comum: 
 
 
 
 
 
116 
a) Intimação pessoal por carga, remessa ou meio eletrônico, para, em 30 dias, IMPUGNAR o cumprimento 
de sentença. Logo, a Fazenda Pública não é intimada a pagar. 
b) Inaplicabilidade da multa de 10% em caso de não pagamento voluntário. 
c) Possibilidade de alegação de litisconsórcio multitudinário. 
d) “Efeito suspensivo” automático da impugnação → sendo a impugnação parcial, pode cumprir 
imediatamente. 
e) Ausência de meios de constrição ou coerção para pagamento, dada à impenhorabilidade do bem público. 
Não impugnada a execução ou rejeitada, o Presidente do Tribunal determina a expedição de precatório, ou 
ordem de RPV a ser realizado em 02 meses da entrega da requisição. 
f) Por não haver a possibilidade de cumprir voluntariamente, somente haverá a incidência de honorários 
advocatícios se a execução for impugnada, salvo se o valor for sujeito a pagamento por RPV (AgInt no AREsp 
n. 2.019.637/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/6/2022, DJe de 
17/6/2022.). 
 
Execução de pagar quantia certa: impenhorabilidade dos bens públicos. 
Aplicação do art. 100: sistemática de precatórios. 
Alteração promovida pelo CPC: desnecessidade de citação e inexistência de Embargos à Execução em execução 
de título judicial. 
Os Embargos à Execução persistem na execução de título extrajudicial. Nesse ponto, vale frisar que é possível 
a execução de título extrajudicial. 
No cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, ela é intimada para em 30 (trinta) dias apresentar 
impugnação. 
Na defesa referente ao excesso à execução, há necessidade de indicar o valor que entende como correto. 
 
Súmula Vinculante n. 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não 
incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. 
Observações sobre a Súmula Vinculante 17 
1.Incidem juros de mora da data dos cálculos até a data de expedição da ordem de pagamento. Precedente: 
RE 579.431. 
2. É devida correção monetária no período compreendido entre a data de elaboração do cálculo da requisição 
de pequeno valor (RPV) e sua expedição para pagamento. Precedente: ARE 638.195. 
 
 
 
 
 
 
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Súmula n. 150 do STF: Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação. 
 
ATENÇÃO! A Emenda Constitucional 113/2021 unificou o regime de juros e correção monetária para 
todas as ações contra a Fazenda Pública, indicando ser aplicável a SELIC de uma só vez para ambas as 
hipóteses: 
Art. 3º Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda Pública, independentemente de sua 
natureza e para fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, 
inclusive do precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice da taxa 
referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente. 
 
É possível o fracionamento de honorários advocatícios proporcionalmente ao número de litisconsortes 
ativos representados pelo mesmo causídico para fins de recebimento mediante RPV? 
INFORMATIVO 929 - STF: Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo 
facultativo simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório. A quantia 
devida a título de honorários advocatícios é uma só, fixada de forma global, pois se trata de um único processo, 
e, portanto, consiste em título a ser executado de forma una e indivisível. 
Antes da decisão do plenário, que acabou por consolidar o entendimento pela impossibilidade do 
fracionamento do crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo facultativo simples em execução 
contra a fazenda pública, havia divergência entre as turmas do STF – vide informativos abaixo: 
 
Infos 826 e 884 (2ª Turma): Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio 
ativo facultativo simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório. 
Info 812 (1ª urma): É legítima a execução de honorários sucumbenciais proporcional à respectiva fração de 
cada um dos substituídos processuais em ação coletiva contra a Fazenda Pública. 
 
Assim, os honorários advocatícios podem ser pagos de forma apartada, sendo seu valor considerado para o 
teto do RPV de forma autônoma em relação ao direito do cliente. O STF entendeu que se houvesse o 
fracionamento haveria violação à sistemática do precatório. O fato de existirem vários sujeitos ativos 
representados não transforma a verba honorária em créditos múltiplos devidos a um mesmo advogado 
(STF, RE 919269/RS, julgado em 07.02.2019). 
Obs.: Esse entendimento é aplicável aos honorários sucumbenciais. Caso se trate de honorários contratuais, 
esses podem ser destacados do valor devido à parte, mas deve seguir a sistemática do crédito principal. 
 
 
 
 
 
 
118 
Além disso, importante ressaltar que os honorários advocatícios são considerados precatórios alimentares, 
nos termos do art. 85, § 14, do CPC/15 e do enunciado 47 da Súmula Vinculante do STF: 
 
Súmula Vinculante n. 47: Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante 
principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a 
expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada a ordem especial restrita aos créditos 
dessa natureza. 
 
 
 
 
 
 
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7. REGIME CONSTITUCIONAL DE PRECATÓRIOS 
 
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude 
de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à 
conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e 
nos créditos adicionais abertos para este fim. 
 
É sempre necessário a fase do cumprimento de sentença para que haja o pagamento das dívidas reconhecidas 
judicialmente, pois não é possível o pagamento voluntário pela Fazenda Pública, os valores do cumprimento 
ou são pagos por RPV ou via precatórios. 
ATENÇÃO! A sistemática de precatórios apenas se aplica para obrigações de pagar quantia certa,não se 
aplicando para obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa. 
Tema 45 da sistemática da repercussão geral: “A execução provisória de obrigação de fazer em face da 
Fazenda Pública não atrai o regime constitucional dos precatórios.” 
 
Parcela incontroversa: 
 
É possível a expedição de precatório desde já quanto a essa parcela incontroversa? 
SIM. Não é razoável impedir que o credor busque a satisfação imediata da parte do título judicial que não é 
mais passível de ser alterada. 
Surge constitucional expedição de precatório ou requisição de pequeno valor para pagamento da parte 
incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial transitada em julgado observada a importância total 
executada para efeitos de dimensionamento como obrigação de pequeno valor. 
STF. Plenário. RE 1205530, Rel. Marco Aurélio, julgado em 08.06.2020 (Repercussão Geral – Tema 28) (Info 
984). 
 
Procedimento: 
Nos termos do art. 100, §5º, da CF/88, todos os precatórios enviados até o dia 2 de abril devem ter verba 
suficiente para o seu pagamento inclusa no orçamento do ano seguinte. Deste modo, até o dia 31 de 
dezembro do ano seguinte, o débito deverá ser quitado. 
§ 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público de verba necessária ao pagamento 
de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes de precatórios judiciários 
 
 
 
 
 
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apresentados até 2 de abril, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus 
valores atualizados monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 114, de 2021) 
 
ATENÇÃO! O prazo para apresentação sempre foi dia 1 de julho de cada ano, mas a EC 114/2021 alterou 
para o dia 2 de abril. Em outras palavras, apenas os precatórios apresentados até o dia 2 de abril de cada ano 
terão seus valores incluídos no orçamento do ano seguinte para seu pagamento. Aquele apresentado no dia 
3 de abril terá o seu valor incluído no orçamento do ano subsequente ao seguinte. 
 
Natureza administrativa do Presidente do Tribunal: 
O destaque para a figura do Presidente do Tribunal que não pratica atos de natureza jurisdicional, mas de 
natureza administrativa, conforme entendimento firmado no âmbito do STF (ADI 1.098/SP) e do STJ (súmula 
nº 311. Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório 
não têm caráter jurisdicional). 
Dessa natureza administrativa decorrem algumas conclusões importantes: 
 Da decisão do presidente do tribunal não é cabível Recurso Especial ou Recurso Extraordinário (STF – 
AGRRE 213.696/SP, STJ – AGA 288.539/SP e súmula 733 do STF); 
 Caso surja alguma questão a ser resolvida após a expedição do precatório (ex.: questionar os juros 
incidentes, o índice de correção monetária), quem deverá resolvê-la é o juiz de primeiro grau, pois haverá 
atividade jurisdicional na decisão (neste sentido: STJ, 2ª Turma, REsp 141.137/SP); 
 Na hipótese acima, caso o presidente do tribunal usurpe a competência do juiz da causa e decida a 
questão, da sua decisão caberá o agravo interno e, da decisão deste, recurso especial e extraordinário, pois 
exercerá função jurisdicional, ainda que indevidamente (STJ, 2ª Turma, Edcl em EDREsp 159.275/SP); 
 Por fim, dos atos tomados pelo presidente do tribunal, de natureza administrativa, será cabível mandado 
de segurança, nos casos de atuação ilegal ou abusiva. Vale ressaltar que, caso esta autoridade retarde ou 
tente frustrar a liquidação regular dos precatórios, incorrerá em crime de responsabilidade e também 
responderá perante o CNJ, nos termos do art. 100, §7º, da CF/88. 
 
Para finalizar este tópico, alerto para as alterações promovidas pela EC n. 94/2016, com a criação de um regime 
diferenciado de pagamento de precatórios de alto valor, conforme o disposto no art. 100, §20, da CF/88: 
 
§ 20. Caso haja precatório com valor superior a 15% (quinze por cento) do montante dos precatórios 
apresentados nos termos do § 5º deste artigo, 15% (quinze por cento) do valor deste precatório serão pagos 
 
 
 
 
 
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até o final do exercício seguinte e o restante em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, 
acrescidas de juros de mora e correção monetária, ou mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de 
Conciliação de Precatórios, com redução máxima de 40% (quarenta por cento) do valor do crédito atualizado, 
desde que em relação ao crédito não penda recurso ou defesa judicial e que sejam observados os requisitos 
definidos na regulamentação editada pelo ente federado. (Incluído pela EC nº 94/16) 
 
Utilização de créditos de precatórios para celebração de negócios jurídicos 
A EC n. 113/2021 alterou a redação do §11 e incluiu os §§ 21 e 22 ao art. 100 da Constituição Federal. Esses 
dispositivos trazem regras que permitem a utilização de créditos de precatórios para a celebração de 
negócios jurídicos com o ente público devedor. 
§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei do ente federativo devedor, com auto aplicabilidade 
para a União, a oferta de créditos líquidos e certos que originalmente lhe são próprios ou adquiridos de 
terceiros reconhecidos pelo ente federativo ou por decisão judicial transitada em julgado para: 
I - quitação de débitos parcelados ou débitos inscritos em dívida ativa do ente federativo devedor, inclusive 
em transação resolutiva de litígio, e, subsidiariamente, débitos com a administração autárquica e fundacional 
do mesmo ente; 
II - compra de imóveis públicos de propriedade do mesmo ente disponibilizados para venda; 
III - pagamento de outorga de delegações de serviços públicos e demais espécies de concessão negocial 
promovidas pelo mesmo ente; 
IV - aquisição, inclusive minoritária, de participação societária, disponibilizada para venda, do respectivo ente 
federativo; ou 
V - compra de direitos, disponibilizados para cessão, do respectivo ente federativo, inclusive, no caso da União, 
da antecipação de valores a serem recebidos a título do excedente em óleo em contratos de partilha de 
petróleo. 
 
Por outro lado, os §§21 e 22 trazem a possibilidade do uso de créditos de precatórios para a amortização de 
dívidas vencidas ou vincendas: 
§ 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos montantes que lhes são próprios, desde que aceito por 
ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto de sentenças transitadas em julgado devidos a pessoa 
jurídica de direito público para amortizar dívidas, vencidas ou vincendas: (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 113, de 2021) 
I - nos contratos de refinanciamento cujos créditos sejam detidos pelo ente federativo que figure como 
devedor na sentença de que trata o caput deste artigo; Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) 
 
 
 
 
 
122 
II - nos contratos em que houve prestação de garantia a outro ente federativo; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 113, de 2021) 
III - nos parcelamentos de tributos ou de contribuições sociais; e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, 
de 2021) 
IV - nas obrigações decorrentes do descumprimento de prestação de contas ou de desvio de recursos. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) 
§ 22. A amortização de que trata o § 21 deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) 
I - nas obrigações vencidas, será imputada primeiramente às parcelas mais antigas; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 113, de 2021) 
II - nas obrigações vincendas, reduzirá uniformemente o valor de cada parcela devida, mantida a duração 
original do respectivo contrato ou parcelamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) 
 
Espécies de precatórios: 
A CF traz duas: os comuns e os alimentares. 
Os precatórios alimentares estão previstos no art. 100, § 1º, cujo conceito remete a sua origem em débitos 
de natureza alimentícia (salários, vencimentos, proventos, pensões, benefícios previdenciários,indenizações 
por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil). 
Por exclusão, os precatórios comuns são os que não se enquadram no conceito de alimentares. 
Nos termos da CF, os precatórios alimentares são pagos com preferência em relação aos precatórios comuns, 
fazendo surgir duas ordens de pagamento. 
Obs.: honorários advocatícios dão ensejo à expedição de precatórios alimentares 
Súmula Vinculante n. 47: Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante 
principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a 
expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada a ordem especial restrita aos créditos 
dessa natureza. 
 
CESPE/CEBRASPE, PGE-PE/ANALISTA, 2019: O pagamento de condenação em honorários advocatícios terá 
tratamento de verba alimentar e será realizado pela expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, 
observada a ordem especial restrita aos créditos dessa mesma natureza. 
Certo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
123 
Superpreferência: 
Precatórios alimentares especiais: aqueles “cujos titulares, originários ou por sucessão hereditária, tenham 
60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim 
definidos na forma da lei […] até o valor equivalente ao triplo fixado em lei para os fins do disposto no §3º 
deste artigo”, de modo que estes serão pagos preferencialmente sobre aqueles. 
Atente-se para os requisitos do precatório alimentar especial: (a) o titular deve ser idoso, portador de doença 
grave ou portador de deficiência + (b) o precatório ser de natureza alimentar. Se a dívida não tem natureza 
alimentar, ainda que o credor seja idoso, não fará jus ao benefício (STJ, 2ª Turma, RMS 65747/SP). 
 
No caso de cessão do precatório cujo crédito seja de natureza alimentar (§1º), ele perderá essa 
natureza? 
NÃO. De acordo com o STF, a cessão do crédito não implica a alteração da sua natureza, mantendo-se como 
sendo alimentar para fins da definição da ordem de pagamento. 
O STF afirmou que na cessão de crédito alimentar a preferência se mantem. A cessão de crédito não implica 
alteração da natureza. 
Desse modo, a cessão não altera a natureza do precatório, podendo o cessionário gozar da preferência de 
que trata o § 1º do art. 100 da Constituição Federal, quando a origem do débito assim permitir, mantida a 
posição na ordem cronológica originária. 
STF. Plenário. RE 631537, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22.05.2020 (Repercussão Geral – Tema 361) (Info 
980 – clipping). 
 
§ 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, 
independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao cessionário o disposto nos §§ 2º e 3º. 
 
No caso de sucessão hereditária de precatório de natureza alimentar, aplica-se a “super preferência” (§§2º 
e 3º)? 
SIM. Caso o sucessor tenha uma das condições pessoais previstas no §2º (idoso, portador de doença grave ou 
portador de deficiência), ele fará jus à preferência, pois o §2º aplica a preferência tanto ao titular originário 
como por sucessão hereditária. 
CESPE/CEBRASPE, CODEVASF, ASSESSOR JURÍDICO, 2021. Quanto à ordem cronológica do pagamento de 
precatório, na hipótese de falecimento do beneficiário original, a preferência dada aos maiores de 60 anos de 
idade deve ser verificada em relação à idade do titular original do precatório, sendo irrelevante, para esse fim, 
a idade dos sucessores. 
 
 
 
 
 
124 
Errado. 
 
Outros julgados: 
A preferência autorizada pela Constituição não pode ser reconhecida duas vezes em um mesmo precatório 
porque isso implicaria, por via oblíqua, a extrapolação do limite previsto na norma constitucional. Aliás, o 
próprio § 2º do art. 100 da CF/88 revela que, após o fracionamento para preferência, eventual saldo 
remanescente deverá ser pago na ordem cronológica de apresentação do precatório. Portanto, as hipóteses 
autorizadoras da preferência (idade, doença grave ou deficiência) devem ser consideradas, isoladamente, 
em cada precatório, ainda que tenha como destinatário um mesmo credor. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 
61.014-RO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 20.04.2020 (Info 670). 
 
Não é possível que o mesmo credor possa ser beneficiado, mais de uma vez, em um mesmo precatório, com 
a antecipação de crédito dotado de “superpreferência”, por motivos distintos – em razão da idade e de ser 
portador de doença grave -, com fundamento no art. 100, §2º, da Constituição Federal, considerando que essa 
interpretação contraria o dispositivo constitucional. STJ. 2ª Turma. RMS 59.661/RO, Rel. Min. Herman 
Benjamin, julgado em 19.02.2019. 
 
Caso diverso é quando há dois créditos de dois processos diferentes para o mesmo credor. Nessa 
situação, o STJ entende que é possível se utilizar da fila mais de uma vez, devendo o limite ser observado em 
cada um dos precatórios individualmente: 
A despeito de o comando constitucional estabelecer que o limitador quantitativo do pagamento com 
preferência seria o valor equivalente ao triplo do fixado para a RPV, a jurisprudência desta Corte vem 
entendendo que o limite previsto pelo art. 100, § 2º, da CF/88 deve incidir em cada precatório isoladamente, 
sendo incogitável extensão a todos os títulos do mesmo credor. Dessarte, ainda que o mesmo credor 
preferencial tenha vários precatórios contra o mesmo ente público, terá direito à preferência em todos eles, 
respeitado o limite referido em cada um isoladamente. 
Tanto é assim que o dispositivo constitucional fala em 'fracionamento', e tal termo só pode ser empregado em 
referência a um único precatório. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 44.792/RO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 01.07.2019. 
 
É devido o pedido de complementação do crédito de natureza alimentícia, dotado de superpreferência, na 
forma dos arts. 100, § 2º, da CF/88 e 102, § 2º, do ADCT, com a adoção dos limites estabelecidos por lei local 
que majorou o teto para as obrigações de pequeno valor. 
 
 
 
 
 
125 
STJ. 2ª Turma. RMS 68.549-DF, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 02.08.2022 (Info 743) 
 
Alterações na ordem de pagamento promovidas pela EC 114/2021 
A EC 114/2021 criou um limite para despesas com pagamentos em virtude de sentença judicial, de forma 
muito similar ao chamado “teto de gastos”. Esse teto deverá ser observado até o ano de 2026. 
Dentro desse teto de gastos, deverá ser observada a seguinte ordem de prioridade de pagamentos: 
1. Obrigações de pequeno valor (RPV). 
2. Precatórios de natureza alimentícia cujos titulares tenham no mínimo 60 anos de idade, ou sejam 
portadores de doença grave ou pessoas com deficiência, até o valor equivalente ao triplo da RPV. 
3. Demais precatórios de natureza alimentícia até o valor equivalente ao triplo da RPV. 
4. Demais precatórios de natureza alimentícia além do valor equivalente ao triplo da RPV. 
5. Precatórios sem natureza alimentícia. 
 
Requisição de pequeno valor: 
À regra do planejamento por precatório, o Constituinte excepcionou os créditos de pequeno valor. Trata-se 
da regra prevista no art. 100, §3º, da CF/88: 
§3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não se aplica aos pagamentos 
de obrigações definidas em leis como de pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude 
de sentença judicial transitada em julgado. 
 
O que é considerado pequeno valor? 
Nos termos do art. 100, §§3º e 4º, da CF/88, os limites para o crédito ser considerado de pequeno valor 
devem ser fixados pelos próprios entes, em lei e de acordo com sua capacidade econômica. A fixação desse 
valor deve ser de, no mínimo, o teto de benefícios do Regime Geral da Previdência Social. 
No âmbito da União, a lei 10.259/2001 fixou o valor de 60 (sessenta) salários-mínimos (art. 17, §1º) como 
limite para um crédito ser considerado de pequeno valor. 
No âmbito dos Estados,Municípios e Distrito Federal, caso não exista lei fixando o valor, deve ser adotado o 
teto previsto no art. 87 do ADCT: 
ESTADOS E DISTRITO FEDERAL: 40 salários-mínimos. 
MUNICÍPIOS: 30 salários-mínimos. 
 
 
 
 
 
 
 
126 
Caso lei superveniente que discipline a submissão de crédito ao sistema constitucional dos precatórios entre 
em vigor aplica-se a casos anteriores? 
NÃO. A lei que reduz o teto provisoriamente estabelecido pelo art. 87 do ADCT não pode retroagir para incidir 
sobre as execuções em curso, trata-se de entendimento recente do STF: 
(...) Lei disciplinadora da submissão de crédito ao sistema de execução via precatório possui natureza material 
e processual, sendo inaplicável a situação jurídica constituída em data que a anteceda. 
(RE 729107, Relator(a): Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 08.06.2020, PROCESSO eletrônico 
repercussão geral - mérito dje-228 divulg 14-09-2020 public 15-09-2020) 
 
É possível receber uma parte através de RPV e o restante através de precatório? 
Nos termos do art. 100, §8º, da CF/88 afirma que “é vedada a expedição de precatórios complementares ou 
suplementares de valor pago, bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução para 
fins de enquadramento de parcela do total ao que dispõe o §3º deste artigo”, ou seja, não é possível o 
recebimento da forma acima descrita. 
DEVO LEMBRAR: A própria CF traz uma exceção em relação ao fracionamento, que é o pagamento de débitos 
de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doença 
grave, ou pessoas com deficiência […] até o valor equivalente ao triplo fixado em lei para os fins do disposto 
no §3º deste artigo. 
 
Agora, imagine que Manoel e João ingressaram com uma ação em face da União, em litisconsórcio ativo. 
Ao final da ação, a União foi condenada ao pagamento de 100 salários-mínimos, sendo 45 salários-mínimos 
devidos a Manoel e 55 salários-mínimos devidos a João. Nesta hipótese, deve-se levar em consideração o 
valor total ou o valor de cada um para fins de aplicação da regra do RPV? 
Deve ser considerado o valor de cada um deles, sendo expedidas duas requisições de pequeno valor, uma 
para cada litisconsorte. Nesse caso, é preciso ter em mente que no litisconsórcio “há uma cumulação de 
demandas, o tratamento deve ser conferido em relação a cada uma […] se cada litisconsorte tivesse 
ingressado, isoladamente, com sua ação, não haveria precatório. Da mesma forma, se estiverem presentes, 
todos juntos, num único processo, haverá cumulação de litígios, devendo ser considerado o valor de cada um 
deles” (CUNHA, p.380). A jurisprudência é pacífica neste sentido (STF, 2ª Turma, AC-Ag 653/SP). 
Vale ressaltar que os honorários advocatícios podem ser pagos de forma apartada, sendo seu valor 
considerado para o teto do RPV de forma autônoma em relação ao direito do cliente. 
 
 
 
 
 
 
127 
CESPE/CEBRASPE, PGE-PE/ANALISTA, 2019: O pagamento de condenação em honorários advocatícios terá 
tratamento de verba alimentar e será realizado pela expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, 
observada a ordem especial restrita aos créditos dessa mesma natureza. 
Certo. 
 
Agora imagine a seguinte situação: trinta pessoas entraram com uma ação contra a União, em litisconsórcio 
ativo facultativo. O ente foi condenado a pagar R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais), sendo R$ 
40.000,00 (quarenta mil reais) para cada um dos litisconsortes. Neste caso, também houve condenação em 
10% do valor do proveito econômico (R$ 120.000,00 – cento e vinte mil reais) a título de honorários 
sucumbenciais. 
 
Para fins de expedição de precatório ou RPV em favor do advogado, esse valor deverá ser considerado na 
totalidade ou fracionado pelo número total de clientes? 
O valor deve ser considerado na sua totalidade, sendo vedado o fracionamento. O STF entendeu que se 
houvesse o fracionamento haveria violação à sistemática do precatório. O fato de existirem vários sujeitos 
ativos representados não transforma a verba honorária em créditos múltiplos devidos a um mesmo 
advogado (STF, RE 919269/RS, julgado em 07.02.2019). 
 
Atualização monetária e juros de mora: 
 
Regime anterior à EC nº 113/2021: 
 ANTES DA EC 113/2021 
 PRECATÓRIOS EM GERAL PRECATÓRIOS ORIUNDOS DE 
RELAÇÃO TRIBUTÁRIA 
Correção 
Monetária 
IPCA-E Os mesmos juros de mora pelos 
quais a Fazenda Pública remunera 
seu crédito tributário. 
Juros de Mora ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE 
POUPANÇA 
Os mesmos juros de mora pelos 
quais a Fazenda Pública remunera 
seu crédito tributário. 
 
OBS.: No caso de aplicação da SELIC, como é a situação da União, como o índice já engloba correção monetária 
e juros de mora, incidindo isoladamente e apenas uma vez, sob pena de bis in idem. 
 
 
 
 
 
128 
 
Após a Emenda constitucional n. 113/2021: 
A Emenda Constitucional n. 113, publicada em 09 de dezembro de 2021, trouxe novo regramento para a 
aplicação dos índices de correção monetária e juros de mora aplicáveis às condenações que envolvam a 
Fazenda Pública. 
A Emenda Constitucional enuncia que a partir de sua vigência (ou seja, não tem efeitos retroativos) deve-se 
aplicar de uma só vez a SELIC para os fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de 
compensação da mora, inclusive do precatório. 
Conforme dispõe o art. 3º da EC n. 113/2021, em vez de haver correção monetária cumulada com juros (IPCA-
E ou INPC + juros), como era feito até as expedições de 2021, a atualização dos créditos passa a ser feita com 
base na taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), índice que engloba tanto os juros de mora 
quanto a recomposição das perdas inflacionárias. 
Ou seja, a partir da vigência da EC 113/2021, a SELIC passou a ser o índice oficial de atualização monetária, 
de remuneração do capital e de compensação da mora, inclusive do precatório nas discussões e nas 
condenações que envolvam a Fazenda Pública. 
Art. 3º Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda Pública, independentemente de sua 
natureza e para fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, 
inclusive do precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice da taxa 
referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente. 
 
A partir da EC 113/21 houve uma unificação do regime de condenação do Poder Público, haja vista que 
a aplicação da SELIC ocorrerá independentemente da natureza do débito, conforme enunciado no texto 
da referida norma. 
RESOLUÇÃO 303/2019 - CNJ 
Art. 22. Na atualização da conta do precatório não tributário os juros de mora devem incidir somente até o 
mês de novembro de 2021, observado o disposto no § 5º do artigo anterior. (redação dada pela Resolução n. 
482, de 19.12.2022) 
§ 1º A partir de dezembro de 2021, a compensação da mora dar-se-á da forma discriminada no art. 20 desta 
Resolução, ocasião em que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic incidirá 
sobre o valor consolidado, correspondente ao crédito principal atualizado monetariamente na forma do art. 
22 desta Resolução até novembro de 2021 e aos juros de mora, observado o disposto nos §§ 5º e 6º do 
artigo anterior. (redação dada pela Resolução n. 482, de 19.12.2022) 
 
 
 
 
 
 
129 
Qual período de incidência dos juros de mora sobre o valor dos precatórios? 
Prevalece o entendimento de que, no período previsto no art. 100, §5º, da CF/88 (para precatórios 
apresentados até 2 de abril, o pagamento deve ser efetuado até 31 de dezembro do ano seguinte), a Fazenda 
Pública não está em mora, pois se trata de período conferido pela Constituição para o pagamento dos débitos 
(um período de graça constitucional). Desta forma, inexistindo mora, não há a incidência de juros de mora 
neste momento. Nesse sentido: 
 
Súmula Vinculante n.17: Durante o período previsto no §1º (obs.: atual §5º) do art. 100 da Constituição não 
incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. 
 
ATENÇÃO! Antes, os tribunais poderiam finalizar esse procedimento até o dia 1º de julho. A partir das novas 
alterações, constantes do art. 1º da EC n. 114/2021, o prazo máximo se encerrará em 2 de abril de cada ano, 
o que permitirá o pagamento desses créditos até o final do ano seguinte. 
 
O enunciado da Súmula Vinculante 17 não foi afetado pela superveniência da Emenda Constitucional 62/2009, 
de modo que não incidem juros de mora no período de que trata o §5º do art. 100 da Constituição. Havendo 
o inadimplemento pelo ente público devedor, a fluência dos juros inicia-se após o ‘período de graça’”. 
STF. Plenário. RE 1169289, Rel. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em 
16.06.2020 (Repercussão Geral – Tema 1037) (Info 984 – clipping). 
 
O STF também fixou o entendimento pela incidência de juros de mora no período compreendido entre a 
realização dos cálculos e a expedição do RPV ou precatório: 
JUROS DE MORA – FAZENDA PÚBLICA – DÍVIDA – REQUISIÇÃO OU PRECATÓRIO. Incidem juros da mora entre 
a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório. (RE 579431, Relator(a): Min. MARCO 
AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19.04.2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-
145 DIVULG 29-06-2017 PUBLIC 30.06.2017) 
 
Desse modo, os prazos de incidência dos juros compensatórios são os seguintes: 
 Incide juros de mora? 
Entre a elaboração dos cálculos e a expedição do precatório ou RPV SIM (RE 579431/RS) 
 
 
 
 
 
130 
Período de graça constitucional (02/04 – 31/12 do ano seguinte) NÃO (Súmula Vinculante 17) – 
reafirmada em sede de 
repercussão geral – tema 1037 
Após o período de graça constitucional SIM 
 
Caso a sentença determine a incidência de juros até o efetivo pagamento da obrigação, será necessária sua 
impugnação, sob pena de haver a formação de coisa julgada e o pagamento indevido ter de ser feito, conforme 
já decidiu o STJ (STJ, 6ª Turma, AgRg no REsp 639.196/RS). 
 
Os valores devidos pela Fazenda Pública a título de juros de mora devem ser pagos em precatório 
complementar. Para sua expedição, o particular apresenta seus cálculos e a Fazenda será ouvida. É neste 
sentido o entendimento dos tribunais superiores (STJ, 6ª Turma, AgRg no REsp 639.196/RS). 
A questão do período de graça volta a ser discutível diante da EC 113/2021. É que a SELIC, como visto, é, ao 
mesmo tempo correção e juros. Assim, caso se suspenda a SELIC durante o período de graça, não haveria 
correção monetária; ao contrário, caso haja a incidência, deixaria de existir o período de graça. 
Nesse ponto, o CNJ indicou que seria suspensa a SELIC durante o período, aplicando tão somente IPCA, 
voltando a incidir a SELIC no caso de não pagamento: 
 
RESOLUÇÃO 303/2019 - CNJ 
Art. 21-A § 5º A atualização dos precatórios não-tributários deve observar o período a que alude o § 5o do 
artigo 100 da Constituição Federal, em cujo lapso temporal o valor se sujeitará exclusivamente à correção 
monetária pelo índice previsto no inciso XII deste artigo. (incluído pela Resolução n. 448, de 25.3.2022) 
§ 6º Não havendo o adimplemento no prazo a que alude o § 5o do artigo 100 da Constituição Federal, a 
atualização dos precatórios tributários e não-tributários será pela taxa Selic. (incluído pela Resolução n. 448, 
de 25.3.2022) 
 
Compensação e precatórios: 
O tema foi abordado no art. 100, §§ 9º e 10, da CF/88 com a seguinte redação: 
§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do precatório e mediante comunicação da Fazenda Pública ao 
Tribunal, o valor correspondente aos eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do requisitório 
e seus substituídos deverá ser depositado à conta do juízo responsável pela ação de cobrança, que decidirá 
pelo seu destino definitivo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) 
 
 
 
 
 
131 
§ 10. Antes da expedição dos precatórios, o Tribunal solicitará à Fazenda Pública devedora, para resposta em 
até 30 (trinta) dias, sob pena de perda do direito de abatimento, informação sobre os débitos que preencham 
as condições estabelecidas no § 9º, para os fins nele previstos. 
 
A redação desses dispositivos foi alterada pela EC 113/2021, passando a prever que, no pagamento dos 
precatórios, se houver débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do ente público, o valor 
correspondente será depositado no juízo da cobrança para que este decida o seu destino. Para viabilizar esse 
abatimento, a Fazenda Pública devedora deve informar ao Tribunal, em até 30 dias, os débitos inscritos em 
dívida ativa contra o credor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
132 
 
8. TEORIA GERAL DOS RECURSOS 
 
Conceito de recurso e características: 
Segundo Daniel Assumpção, o conceito de recurso deve ser construído a partir de suas cinco características 
essenciais, quais sejam: 
1. Voluntariedade. 
2. Expressa previsão em lei federal (taxatividade). 
3. Desenvolvimento no processo no qual a decisão impugnada foi proferida. 
4. Manejo pelas partes, terceiros prejudicados e Ministério Público. 
5. Objetivo de reformar, anular, integrar ou esclarecer decisão judicial. 
 
O recurso não se confunde com o reexame necessário. É pacífico o entendimento de que o reexame necessário 
não tem natureza recursal. O reexame necessário écondição de eficácia da sentença e não tem apresenta 
qualquer voluntariedade. 
 
Relembre as características do reexame necessário: 
• ausência de voluntariedade: o reexame decorre da lei e não tem nada de voluntário. De acordo com o artigo 
496, §1º, do CPC, o juiz será obrigado a ordenar a remessa dos autos ao Tribunal e, não o fazendo, haverá 
avocação dos autos pelo presidente do tribunal. 
• ausência de dialeticidade:não existem razões nem contrarrazões, não havendo contraditório. 
• ausência de preclusão temporal: não há prazo para interposição do reexame necessário. Em verdade, ele é 
condição de eficácia da sentença e irá existir sempre que houver imposição legal, independentemente de 
eventual demora do processo chegar ao Tribunal. 
• não atende à taxatividade: apesar de estar previsto em lei federal, no CPC, não se encontra previsto como 
recurso no rol do artigo 994. 
• a legitimação recursal regulada pelo art. 996 do CPC (partes, terceiro prejudicado e Ministério Público) não 
se aplica ao reexame necessário, porque a “legitimidade” é do juízo, que determina a remessa do processo ao 
Tribunal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
133 
Princípios recursais: 
• Duplo grau de jurisdição: o princípio traduz a possibilidade de que uma decisão judicial seja novamente 
analisada pela instância superior (como regra) ou pela mesma autoridade na hipótese específica de embargos 
de declaração. É um princípio, mas não é uma garantia, de modo que pode haver processos julgados em um 
único grau de instância. 
 
• Taxatividade (legalidade): para ser recurso, lei federal tem que dizer que é recurso. São recursos aqueles 
previstos no rol do artigo 994, bem como quaisquer outros recursos previstos em leis esparsas, tal como o 
recurso inominado nos Juizados Especiais. Desse modo, nenhum tribunal pode criar recurso por meio de seu 
regimento interno. 
Art. 994. São cabíveis os seguintes recursos: 
I - apelação; 
II - agravo de instrumento; 
III - agravo interno; 
IV - embargos de declaração; 
V - recurso ordinário; 
VI - recurso especial; 
VII - recurso extraordinário; 
VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário; 
IX - embargos de divergência. 
 
• Singularidade (unirrecorribilidade ou unicidade): cada decisão deve ser impugnada com um recurso 
específico. Não é possível a utilização concomitante de dois recursos contra a mesma decisão. Há casos, 
contudo, que é possível a interposição de Recurso Especial e Recurso Extraordinário contra a mesmadecisão, 
de forma simultânea. 
 
• Voluntariedade: é necessário ato volitivo das partes, do terceiro prejudicado ou do Ministério Público para 
interposição recursal. Consequência desse princípio, está a impossibilidade de o juiz interpor recurso de ofício. 
Essa situação, aliás, não se confunde com o reexame necessário. 
 
• Dialeticidade: em regra, diz-se que o recurso é composto por dois elementos: o volitivo (vontade de recorrer) 
e descritivo (fundamentos e pedido do recurso). O princípio da dialeticidade se refere ao segundo elemento, 
pois exige do recorrente a exposição da fundamentação recursal e do respectivo pedido, permitindo ao 
 
 
 
 
 
134 
recorrido a elaboração das contrarrazões recursais. Além disso, fixa os limites de atuação do Tribunal no 
julgamento do recurso. 
 
• Fungibilidade recursal: decorre do princípio da instrumentalidade das formas, possibilitando o 
conhecimento de um recurso ainda que outro seja o adequado. Em outros termos, é a conversão de um recurso 
em outro, no caso de interposição do recurso equivocadamente pela parte. Para aplicação da fungibilidade, é 
necessário o atendimento dos seguintes requisitos: 
1.Dúvida fundada ou objetiva a respeito do recurso cabível 
2.Inexistência de erro grosseiro e de má-fé 
3.Interposição no menor prazo 
 
Existe previsão expressa do instituto no CPC: 
Art. 1024. (...) 
§3ª. O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo interno se entender ser esse o 
recurso cabível, desde que determine previamente a intimação do recorrente para, no prazo de 5 dias, 
complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1021, §1ª. 
 
INFO 613 – STJ: O conceito de "dúvida objetiva", para a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, pode 
ser relativizado, excepcionalmente, quando o equívoco na interposição do recurso cabível decorrer da 
prática de ato do próprio órgão julgador. 
Para o STJ, o princípio não se aplica quando a parte interpõe o agravo do art. 1.042 em vez do agravo interno. 
 
O CPC/2015 trouxe previsão legal expressa de que não cabe agravo para o STJ contra decisão que inadmite 
recurso especial quando o acórdão recorrido decidiu em conformidade com recurso repetitivo (art. 1.042). 
Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor 
do Novo CPC, em conformidade com o princípio tempus regit actum. Caso o Tribunal de origem decida em 
conformidade com entendimento firmado pelo STJ em recurso repetitivo, a parte deverá interpor agravo 
interno. Se, em vez disso, a parte interpuser o agravo em recurso especial para o STJ (art. 1.042), cometerá 
erro grosseiro. Chegando ao STJ este agravo, ele não será conhecido e ele não retornará para que seja 
julgado pelo Tribunal de origem como agravo interno. Assim, após a entrada em vigor do CPC/2015, não é 
mais devida a remessa pelo STJ, ao Tribunal de origem, do agravo interposto contra decisão que inadmite 
recurso especial com base na aplicação de entendimento firmado em recursos repetitivos, para que seja 
 
 
 
 
 
135 
conhecido como agravo interno. STJ. 3ª Turma. AREsp 959.991-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. em 
16/8/2016 (Info 589). 
 
• Complementariedade: as razões recursais, em regra, devem ser apresentadas no ato de interposição do 
recurso, não sendo admitido que o recurso seja interposto num momento e as razões apresentadas 
posteriormente, como ocorre no processo penal. No processo civil, aplica-se a preclusão consumativa no 
momento da interposição do recurso, de modo que, após esse momento, não é permitido ao recorrente 
complementar seu recurso já interposto com novas razões. 
 
• Consumação: Tal como corre no princípio da complementariedade, o princípio da consumação também 
possui como fundamento a preclusão consumativa, que se verifica no ato de interposição do recurso. 
Entretanto, os dois princípios não se confundem, eis que a diferença reside que no fato de que o primeiro trata 
de complementação de um recurso já interposto, enquanto o segundo proíbe que, interposto um recurso, este 
seja substituído por outro, interposto posteriormente, ainda que dentro do prazo recursal. 
 
• proibição do reformatio in pejus: 
 O recurso só pode melhorar a situação jurídica do recorrente, ou manter a situação criada pelo 
pronunciamento atacado, mas jamais piorar a sua situação. 
 O princípio não é absoluto (como nenhum outro), cedendo quando a instância recursal reconhecer 
questão de ordem pública. 
 A proibição se aplica também à remessa necessária (Súmula 45, STJ) 
 
Requisitos de admissibilidade: 
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS 
CABIMENTO: 
a) recorribilidade: o ato impugnado é recorrível. 
b) adequação: o recurso deve ser adequado à decisão 
impugnada. 
TEMPESTIVIDADE: 
Prazo que se tem para interpor recurso. 
Observação: A Fazenda Pública tem prazo em dobro 
para recorrer ou contrarrazoar o recurso. 
O § 5º do art. 1.003 da nova lei processual prevê que 
os recursos listados no art. 994 devem ser 
interpostos no prazo de quinze dias úteis (eram dias 
corridos na vigência do CPC/1973), com exceção do 
 
 
 
 
 
136 
recurso de embargos de declaração, que deve ser 
interposto no prazo de cinco dias úteis. 
LEGITIMIDADE PARA RECORRER: 
O art. 996 do CPC diz que tem legitimidade para recorre: 
as partes, o terceiro prejudicado e o Ministério Público 
(como parte ou fiscal da ordem jurídica). 
 
INTERESSE RECURSAL: 
Está ligado a própria utilidade do recurso, devendo o 
recorrente buscar uma melhora na sua situação 
jurídica. 
Lembre-se de que o interesse recursal é prospectivo. 
Ainda que a parte tenha vencido, se ela conseguir obter 
uma melhora da sua situação jurídica com o recurso, ela 
pode recorrer. 
PREPARO: 
É o adiantamento das despesas relativas ao 
processamento do recurso. 
É a soma da taxa judiciária e das despesas postais. 
O § 2º do art. 1.007 do CPC diz que a insuficiência no 
valor do preparo, inclusive porte de remessa e de 
retorno, implicará deserção se o recorrente, 
intimado na pessoa de seu advogado, não vier a 
supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias. 
 
 
Súmula n. 484 do STJ: Admite-se que o preparo seja 
efetuado no primeiro dia útil subsequente, quando 
a interposição do recurso ocorrer após o 
encerramento do expediente bancário. 
 
INEXISTÊNCIA DE FATOS EXTINTIVOS OU IMPEDITIVOS 
DO RECURSO: 
A renúncia ao recurso, por exemplo, implica preclusão 
lógica do direito de recorrer. 
 
 
REGULARIDADE FORMAL: 
Reflete a necessidade de o recorrente preencher 
todos os requisitos formais da espécie recursal. 
Art. 932, Parágrafo único. Antes de considerar 
inadmissível o recurso, o relator concederá o 
prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja 
sanado vício ou complementada a documentação 
exigível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
137 
Obs.: STJ admite recurso cuja petição foi assinada fisicamente por advogado constituído nos autos, mas 
incluída eletronicamente através de certificado digital de advogado que não possui procuração da parte (STJ. 
4ª Turma. AREsp 1917838-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/08/2022 (Info 751). 
 
Prazos em dobro: 
Possuem prazo em dobro para recorrer: 
 Ministério Público 
 União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias e fundações de direito público 
 Defensoria Pública 
 Litisconsortes representados por diferentes procuradores, desde que integrem escritórios de 
advocacia distintos e os autos não sejam eletrônicos 
A sistemática da contagem em dobro sofre restrições no âmbito dos Juizados Especiais para não comprometer 
o princípio da celeridade. 
 
Inícios dos prazos recursais: 
 O início do prazo recursal conta-se a partir da data em que os advogados, a sociedade de advogados, 
a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão (art. 1.003, CPC). O Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública gozam da prerrogativa de intimação 
pessoal, de modo que somente a partir desta que se tem início a contagem do prazo recursal. 
 As partes serão consideradas intimadas na audiência quando nesta for proferida a decisão. 
 No caso de intimação via diário oficial, a contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir 
ao da publicação. Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da 
informação no Diário da Justiça eletrônico. 
 
Interposição de recurso antes da publicação da decisão: 
O § 4º do art. 218 do Código de Processo Civil consagra que será considerado tempestivo o ato praticado 
antes do termo inicial do prazo, afastando o antigo entendimento contrário da já cancelada súmula 418 do 
STJ. 
 
Comprovação de feriado local no ato de interposição de recurso: 
O § 6º do art. 1.003 determina que o recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de 
interposição do recurso. 
Por sua vez, o parágrafo único do art. 932 do CPC ensina que: 
Art. 932. Incumbe ao relator: 
 
 
 
 
 
138 
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao 
recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. 
 
Com base nesse contexto normativo, chegou o seguinte questionamento ao STJ: é possível a comprovação 
do feriado local posteriormente à interposição do recurso? Em outras palavras, caso o recorrente não 
comprove no ato da interposição do recurso a existência de feriado local, é possível conceder prazo para 
que junte a comprovação posteriormente? 
NÃO. No AREsp 957.821, o STJ entendeu que anão comprovação do feriado local na interposição do recurso 
é vício grave e insanável, e que ao contrário do preparo, não há dispositivo legal que permita a comprovação 
posterior (STJ, AgInt no AREsp 957.821⁄MS, CORTE ESPECIAL, DJe 19.12.2017). 
 
A simples menção, no bojo das razões recursais, da ocorrência do feriado local com a remissão ao endereço 
eletrônico (link) do Tribunal de origem não é meio idôneo para comprovação da suspensão do prazo 
processual, a teor do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. (STJ. 2ª Turma. AgInt nos EDCL no REsp 1893371-RJ, julgado 
em 26/10/2021 - Info 715). 
 
A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso extraordinário, tem o ônus de explicar e comprovar que, 
na instância de origem, era feriado local ou dia sem expediente forense? 
SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe expressamente um dispositivo dizendo que a comprovação do 
feriado local deverá ser feita, obrigatoriamente, no ato de interposição do recurso: “O recorrente comprovará 
a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso.” 
Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita no ato da interposição do recurso, sendo 
intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei processual civil. 
 
Esse entendimento acima explicado está sujeito a alguma modulação de efeitos? 
Em regra: não. Depois da entrada em vigor do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado local deve 
ser feita no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na 
lei processual civil. Esse entendimento está em vigor desde o início da vigência do CPC/2015 e não se submete 
a modulação de efeitos. 
Exceção: no caso do feriado de segunda-feira de carnaval, há uma modulação dos efeitos. 
Segunda-feira de carnaval não é um feriado nacional. No entanto, em diversos Estados, trata-se de feriado 
local. 
 
 
 
 
 
139 
• Se o recurso especial foi interposto antes de 18/11/2019 (data de publicação do REsp 1.813.684-SP) e a parte 
não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal de origem: é possível a abertura de 
vista para que a parte comprove isso mesmo após a interposição do recurso, sanando o vício. 
• Se o recurso especial foi interposto depois de 18/11/2019 (data de publicação do REsp 1.813.684-SP) e a 
parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal de origem: não é possível a 
abertura de vista para que a parte comprove esse feriado, ou seja, o vício não pode mais ser sanado. 
STJ. Corte Especial. QO no REsp 1813684/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03.02.2020 (Info 666). 
 
Justa causa na interposição de recurso intempestivo: 
O CPC elenca hipóteses a se admitir a interposição de recurso intempestivo, quais sejam: 
 Justa causa em virtude de falha técnica no sistema processual (Arts. 197, parágrafo único e 223, § 1o, 
CPC) 
 
CPC, Art. 197. Os tribunais divulgarão as informações constantes de seu sistema de automação em página 
própria na rede mundial de computadores, gozando a divulgação de presunção de veracidade e confiabilidade. 
Parágrafo único. Nos casos de problema técnico do sistema e de erro ou omissão do auxiliar da justiça 
responsável pelo registro dos andamentos, poderá ser configurada a justa causa prevista no art. 223, caput e 
§ 1º . 
 
 Falecimento da parte ou do seu advogado, ou motivo de força maior, quando o prazo será restituído 
em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, contra quem começará a correr novamente depois da 
intimação (Art. 1.004, CPC): 
 
Art. 1.004. Se, durante o prazo para a interposição do recurso, sobrevier o falecimento da parte ou de seu 
advogado ou ocorrer motivo de força maior que suspenda o curso do processo, será tal prazo restituído em 
proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, contra quem começará a correr novamente depois da 
intimação. 
 
Obs.: A comprovação da justa causa deve ser efetiva, não bastando o mero “print” da indisponibilidade do 
sistema (STJ. 4ª Turma.AREsp 1.837.057-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 29/03/2022 (Info 733). 
E AgInt no AREsp 1.640.644/MT, Rel. Ministro Gurgel de faria, Primeira Turma, julgado em 31/08/2020) 
 
 
 
 
 
 
 
140 
Recolhimento da multa por litigância de má-fé: 
O § 4.º do art. 1.021 prevê que: 
Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em votação 
unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado multa 
fixada entre 1% e 5% do valor atualizado da causa. 
 
Registre-se que a mera unanimidade na decisão não se configura como manifestamente inadmissível, devendo 
ser expressamente apontado tal fato no acórdão: 
O mero não provimento de agravo interno por votação unânime não basta para fundamentar a aplicação da 
multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, sendo necessária a configuração da manifesta 
inadmissibilidade ou improcedência do recurso. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 2085942/MG, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 15/8/2022 (Info 
Especial 8). 
 
Obs.: Deve ser aplicada a multa em questão se a parte deixa de fundamentar seguidamente o seu recurso (ex.: 
tem negado seguimento a recurso por falta de fundamentação e dessa decisão recorre também sem 
fundamentação): 
O recurso que insiste em não atacar especificamente os fundamentos da decisão recorrida seguidamente é 
manifestamente inadmissível (dupla aplicação do art. 932, III, do CPC/2015), devendo ser penalizado com a 
multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC/2015. 
Caso concreto: o vice-presidente do TJ negou seguimento ao Resp com fundamento na súmula 282 do STF. A 
parte interpôs agravo em recurso especial sem impugnar esse fundamento. O Presidente do STJ não conhece 
do agravo. Contra a decisão, a parte interpõe agravo interno sem novamente impugnar o mesmo. A Turma 
não conheceu do agravo interno e aplicou multa. 
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 2092094-GO, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 16/08/2022 (Info 745). 
 
Já os §§ 2º e 3º do art. 1.026 estabelecem as seguintes regras para os embargos declaratórios: 
Art. 1.026. Os embargos de declaração NÃO possuem efeito suspensivo e interrompem o prazopara a 
interposição de recurso. 
§ 2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão 
fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre 
o valor atualizado da causa. 
 
 
 
 
 
141 
§ 3º Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez 
por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao 
depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, 
que a recolherão ao final. 
 
O efeito interruptivo não é observado para o embargante caso esse desista dos embargos de declaração, 
inexistindo restituição de prazo: 
Extintos os embargos de declaração em virtude de desistência posteriormente manifestada, não é possível 
sustentar a interrupção do prazo recursal para a mesma parte que desistiu, tampouco a reabertura desse 
prazo a contar da intimação do ato homologatório. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1833120-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/10/2022 (Info 762). 
 
Legitimidade para recorrer: parte vencida, terceiro prejudicado e Ministério Público, como parte ou como 
fiscal da ordem jurídica. 
Risco de Pegadinha: 
O amicus curiae, em regra, não pode recorrer. 
 
Art. 138. (...) 
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição 
de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3º. 
(...) 
§ 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. 
 
Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério 
Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. 
Parágrafo único. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica 
submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como 
substituto processual. 
Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir 
do recurso. 
Parágrafo único. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha 
sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. 
Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. 
 
 
 
 
 
142 
Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. 
Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a 
vontade de recorrer. 
Art. 1.001.Dos despachos não cabe recurso. 
Art. 1.002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte. 
 
Devolutividade recursal: 
A regra do tantum devolutum quantum apellatum dispõe que o recurso se limita às questões que o recorrente 
pretende que sejam reapreciadas, presumindo-se aceitas tacitamente as partes que não foram impugnadas. 
Sobre o assunto, a doutrina ensina que a devolutividade recursal deve ser interpretada na sua extensão e 
profundidade. 
Na sua extensão – dimensão horizontal, a instância recursal só pode apreciar a questão nos limites da 
irresignação recursal apresentada pela parte que se sente prejudicada com o pronunciamento. Ou seja, pela 
extensão, o recorrente determina o que pretende devolver ao Tribunal, com a fixação derivando da concreta 
impugnação à matéria devolvida. 
No que diz respeito à profundidade – dimensão vertical, a doutrina ensina que a instância recursal pode 
examinar todos os elementos processuais, incluindo argumentos, provas e fatos, ainda que a parte não os 
tenha citado por completo. 
Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. (efeito devolutivo – 
dimensão horizontal). 
§1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas 
no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. (efeito 
devolutivo – dimensão vertical). 
§2º Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação 
devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais (efeito devolutivo – dimensão vertical). 
 
A extensão do efeito devolutivo da apelação é definida pelo pedido do recorrente e qualquer julgamento 
fora desse limite não pode comprometer a efetividade do contraditório, ainda que se pretenda aplicar a teoria 
da causa madura. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1909451-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/03/2021 (Info 690) 
 
Recurso Adesivo: 
 
 
 
 
 
143 
Conforme os ensinamentos do art. 997, “caput” e § 1º e § 2º, I, II e III, existindo sucumbência recíproca, uma 
parte pode aderir ao recurso da outra. O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-
lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal. 
 O recurso adesivo deve ser proposto no mesmo órgão para onde foi interposto o recurso principal, no 
prazo de que a parte dispõe para contrarrazões. 
 É admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial. 
 Não é conhecido se houver desistência ou se for inadmissível o recurso principal. 
 
RECURSO INDEPENDENTE RECURSO ADESIVO 
é aquele oferecido pela parte dentro do 
prazo recursal sem se importar com a 
postura adotada pela parte contrária 
diante da decisão impugnada. 
é aquele interposto no prazo de contrarrazões de recurso 
apresentado pela parte contrária, motivado não pela vontade 
originária de impugnar a decisão, mas como contraposição ao 
recurso oferecido pela outra parte. 
O recurso independente condiciona-se exclusivamente ao 
preenchimento de seus próprios pressupostos de admissibilidade 
para que seja decidido no mérito, enquanto o recurso subordinado 
está condicionado ao conhecimento do recurso independente e ao 
preenchimento de seus próprios pressupostos de admissibilidade 
para que seja decidido no mérito. 
 
Requisitos para a interposição de recurso adesivo: 
1. Sucumbência recíproca: tanto o autor quanto o réu perderam na sentença. Essa “perda” não 
necessariamente é uma perda material relativa ao bem de vida discutido no processo (sucumbência material). 
Pode ser uma “perda” formal, que diz respeito à obtenção de uma sentença melhor do que a que foi dada. Isso 
ocorre no exemplo clássico de o réu conseguir uma sentença de extinção do processo sem resolução de mérito 
e perseguir uma sentença de extinção do processo com resolução de mérito por improcedência do pedido 
(sucumbência formal). 
2. Interposição de recurso na forma principal por uma das partes: o recurso adesivo é destinado para aquele 
que não pretendia recorrer. 
 
ATENÇÃO! Não se aplicam ao recurso adesivo as prerrogativas do recorrente principal. Portanto, não é porque 
a Fazenda Pública tem o prazo em dobro para recorrer que o particular também o terá para ingressar com 
recurso adesivo. 
 
 
 
 
 
144 
O recurso adesivo não é uma espécie recursal. É uma forma diferente de interpor recurso. Possui previsão 
expressa no CPC. 
Não se admite recurso adesivo de terceiro interessado e Ministério Público funcionando como fiscal da lei. 
Apenas a parte contrária que não recorreu de forma principal pode apresentar o adesivo. 
Em regra, se a parte que interpôs o recurso principal pede a sua desistência, o recurso adesivo seguirá a mesma 
sorte, e não será mais conhecido (art. 997, § 2º, III, do CPC 2015). E como é sabido, o recorrente poderá, a 
qualquer tempo, desistir do recurso, mesmo que sem a anuência do recorrido (art. 998 do CPC 2015). No 
entanto, segundo decidiu o STJ, se já foi concedida antecipação dos efeitos da tutela no recurso adesivo, não 
se admite a desistência do recurso principal de apelação 
Nãonão existe vínculo 
anterior entre as partes. 
Indicada para casos em que há vínculo anterior entre as 
partes. 
 
f) Arbitragem: 
Autorizada no art. 3º, §1º, do CPC e regulamentada pela Lei n. 9.307/96, a arbitragem é uma espécie de 
jurisdição prestada por terceiro imparcial estranho ao Poder Judiciário. Nesse caso, a jurisdição é exercida por 
particular, com permissão legal do Estado. 
A arbitragem somente se aplica a direitos patrimoniais disponíveis. 
A arbitragem pode ser de direito ou de equidade. As partes podem escolher, livremente, as regras de direito 
que serão aplicadas na arbitragem, podem escolher a aplicação de princípios gerais de direito, dos costumes 
ou de regras internacionais, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. 
A arbitragem se instaura por cláusula compromissória (anterior ao litígio) ou compromisso arbitral (posterior 
ao surgimento do litígio). 
Risco de Pegadinha: 
1.A sentença arbitral faz coisa julgada e só pode ser revista judicialmente em caso de nulidade por algum dos 
vícios presentes no art. 32 da Lei de Arbitragem1; ou seja, o judiciário não pode analisar o mérito das decisões 
arbitrais. 
2. A decisão do árbitro constitui título executivo judicial (CPC, art.515, VII). 
3. A Lei n. 13.129/15 instituiu a arbitragem na Administração Pública. O candidato deve atentar para os 
seguintes pontos: 
 
1 Lei nº 9.307/96 
 “Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nula a convenção de arbitragem; II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; V - Revogado; 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado 
o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei.” 
 
 
 
 
 
13 
Ela se aplica apenas a conflitos relativos a interesses patrimoniais. 
Quando envolver a Administração Pública, a arbitragem será sempre de direito e se respeitará a publicidade. 
A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de 
arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. 
 
 Jurisprudência em Tese STJ n. 122: 
1. A convenção de arbitragem, tanto na modalidade de compromisso arbitral quanto na modalidade de 
cláusula compromissória, uma vez contratada pelas partes, goza de força vinculante e de caráter obrigatório, 
definindo ao juízo arbitral eleito a competência para dirimir os litígios relativos aos direitos patrimoniais 
disponíveis, derrogando-se a jurisdição estatal. 
2. Uma vez expressada a vontade de estatuir, em contrato, cláusula compromissória ampla, a sua destituição 
deve vir através de igual declaração expressa das partes, não servindo, para tanto, mera alusão a atos ou a 
acordos que não tenham o condão de afastar a convenção das partes. 
 3. A previsão contratual de convenção de arbitragem enseja o reconhecimento da competência do Juízo 
arbitral para decidir com primazia sobre Poder Judiciário, de ofício ou por provocação das partes, as questões 
relativas à existência, à validade e à eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a 
cláusula compromissória. 
4.O Poder Judiciário pode, em situações excepcionais, declarar a nulidade de cláusula compromissória arbitral, 
independentemente do estado em que se encontre o procedimento arbitral, quando aposta em compromisso 
claramente ilegal. 
5. A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula arbitral, ainda que celebrados antes 
da sua edição. (Súmula n. 485/STJ). 
 
6. O prévio ajuizamento de medida de urgência perante o Poder Judiciário não afasta a eficácia da cláusula 
compromissória arbitral. 
7. O árbitro não possui poder coercitivo direto, sendo-lhe vedada a prática de atos executivos, cabendo ao 
Poder Judiciário a execução forçada do direito reconhecido na sentença arbitral. 
8. No âmbito do cumprimento de sentença arbitral condenatória de prestação pecuniária, a multa de 10% 
(dez por cento) do artigo 475-J do CPC deverá incidir se o executado não proceder ao pagamento espontâneo 
no prazo de 15 (quinze) dias contados da juntada do mandado de citação devidamente cumprido aos autos 
(em caso de título executivo contendo quantia líquida) ou da intimação do devedor, na pessoa de seu 
 
 
 
 
 
14 
advogado, mediante publicação na imprensa oficial (em havendo prévia liquidação da obrigação certificada 
pelo juízo arbitral). (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 893) 
9. A atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem possui natureza jurisdicional, o que torna possível a 
existência de conflito de competência entre os juízos estatal e arbitral, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça 
- STJ o seu julgamento. 
10. Não configura óbice à homologação de sentença estrangeira arbitral a citação por qualquer meio de 
comunicação cuja veracidade possa ser atestada, desde que haja prova inequívoca do recebimento da 
informação atinente à existência do processo arbitral. 
11. A legislação consumerista impede a adoção prévia e compulsória da arbitragem no momento da 
celebração do contrato, mas não proíbe que, posteriormente, em face de eventual litígio, havendo consenso 
entre as partes, seja instaurado o procedimento arbitral. 
12. Diante da força coercitiva de convenção condominial com cláusula arbitral, qualquer condômino que 
ingressar no agrupamento condominial está obrigado a obedecer às normas ali constantes, de modo que 
eventuais conflitos condominiais deverão ser resolvidos por meio de arbitragem, excluindo-se a participação 
do Poder Judiciário. 
13. Não existe óbice legal na estipulação da arbitragem pelo poder público, notadamente pelas sociedades de 
economia mista, para a resolução de conflitos relacionados a direitos disponíveis. 
14. A legitimidade para a impetração de mandado de segurança objetivando assegurar o direito ao 
cumprimento de sentença arbitral relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS é somente do 
titular de cada conta vinculada, e não da Câmara Arbitral ou do próprio árbitro. 
 
g) Ação: 
 Conceito de Ação: Ação pode ser definida como direito público subjetivo de provocar a atividade 
jurisdicional. É público porque é um poder-dever do Estado-juiz. Subjetivo porque cabe à parte definir acerca 
de seu exercício. O direito de ação também é autônomo, pois não se confunde com o direito material. E 
abstrato, pois independe de o resultado do processo ser positivo ou negativo. 
 
 Condições da Ação: A doutrina entende que as condições da ação não constituem mérito ou pressupostos 
processuais. Elas seriam intermediárias, mas, assim como os pressupostos processuais, condicionam a 
validade processual e a análise do mérito. Segundo o art. 17 do Código de Processo Civil de 2015: “Art. 17. 
Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade.” 
 
 
 
 
 
 
15 
A teoria eclética de Liebman propõe que o direito de ação somente será exercido se presentes as condições 
da ação: (a) legitimidade das partes; (b) interesse de agir; (c) possibilidade jurídica do pedido. A possibilidade 
jurídica do pedido não consta expressamente no atual CPC, pois entendeu-se que integraria o interesse de 
agir. Parte da doutrina entende que a possibilidade jurídica é questão de mérito. 
 
Espécies de legitimidade: 
 Legitimidade exclusiva: é a regra. Ocorre quando há apenas um legitimado para discutir determinada 
causa em juízo. Só o titular do direito pode discuti-lo em juízo. 
 Legitimidade concorrente: mais de uma pessoa pode discutir o direito em juízo. Ex. legitimação para ADI 
e ADC, legitimação para as ações coletivas, legitimação dos condôminos (cada condômino pode ir a juízo 
defender o condomínio);se exige, para a interposição de recurso adesivo, que a sucumbência recíproca ocorra na mesma lide, 
devendo aquela ser aferida a partir da análise do julgamento em seu conjunto. Logo, é possível o recurso 
adesivo mesmo sendo ele para impugnar o resultado da reconvenção (e não da ação). 
 
Diferença entre desistência e renúncia do direito de recorrer: 
A desistência ocorre após a interposição do recurso. Desse modo, o recorrente desistente deve manifestar sua 
vontade de que o recurso não seja levado a julgamento, mediante petição. A desistência é considerada a 
revogação da interposição e é exercitável a qualquer tempo, independente da manifestação da outra parte ou 
dos demais litisconsortes. 
A renúncia ao recurso ocorre antes da interposição do recurso. Nesse caso, a parte vencida previamente abre 
mão do direito de recorrer. Também não depende da manifestação da parte contrária. 
 
A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e 
daquele objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. 
 
Preparo: 
A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implica deserção se o recorrente, 
intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (CINCO) DIAS. 
O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive 
porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em 
dobro, sob pena de deserção. 
 
Risco de Pegadinha: 
No caso de insuficiência do preparo, o recorrente será intimado para suprir, ou seja, complementar o valor 
faltante. 
 
 
 
 
 
145 
Na hipótese em que o recorrente não comprova o recolhimento, ele será intimado para realizar o recolhimento 
em dobro. 
 
É dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no processo em autos eletrônicos. 
 
Efeitos dos recursos: 
EFEITO 
IMPEDITIVO 
O ingresso de qualquer recurso impede a geração da preclusão temporal, ou seja, 
impede o trânsito em julgado, que somente se verificará após o devido julgamento do 
recurso. 
Há exceções: intempestividade ou manifesto descabimento. 
EFEITO 
DEVOLUTIVO 
É a transferência ao órgão ad quem do conhecimento de matérias que já tenham sido 
objeto de decisão no juízo a quo. 
Todo recurso gera efeito devolutivo. 
Como visto, há duas dimensões do efeito: a horizontal e a vertical. 
Na horizontal, a devolução está relacionada com a extensão, estabelecida pela extensão 
que o recorrente pretende devolver ao tribunal. 
Na vertical, há devolução automática ao tribunal, dentro dos limites fixados pela 
extensão, de todas as alegações, fundamentos e questões referentes à matéria envolvida. 
EFEITO 
SUSPENSIVO 
É a impossibilidade de a decisão impugnada gerar efeitos enquanto não for julgado o 
recurso interposto. Nem todo recurso tem efeito suspensivo previsto em lei, mas é 
possível sua obtenção no caso concreto, desde que preenchidos determinados requisitos. 
Há dois critérios para a concessão do efeito suspensivo: 
1º critério: ope legis. A própria lei se encarrega da previsão de tal efeito como regra. É o 
chamado efeito suspensivo próprio. 
2º critério: ope judicis. O juiz avalia o preenchimento dos requisitos legais (artigo 955 do 
CPC). 
O recurso de apelação, ao contrário dos demais, possui efeito suspensivo automático 
como regra, salvo: 
Art. 1.012 (...), § 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos 
imediatamente após a sua publicação a sentença que: 
I – homologa divisão ou demarcação de terras; 
II - condena a pagar alimentos; 
 
 
 
 
 
146 
III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do 
executado; 
IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; 
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; 
VI - decreta a interdição. 
§ 2º Nos casos do § 1º, o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório 
depois de publicada a sentença. 
§ 3º O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1º poderá ser 
formulado por requerimento dirigido ao: 
I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, 
ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la; 
II - relator, se já distribuída a apelação. 
§ 4º Nas hipóteses do § 1º, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o 
apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante 
a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. 
 
 
EFEITO 
TRANSLATIVO 
É a possibilidade de o tribunal conhecer determinadas matérias de ofício no julgamento 
do recurso, como as de ordem pública. O efeito translativo diz respeito à apreciação pelo 
tribunal de matéria cujo exame é obrigatório por força de lei, como as matérias de 
ordem pública e cognoscíveis de ofício. 
IMPORTANTE! Não há efeito translativo apenas nos recursos especial e extraordinário, 
pois o STJ e o STF se limitarão a examinar aquilo que tenha sito prequestionado e, 
portanto, aventado nas instâncias inferiores, sem conhecer de ofício matérias que não 
tenham sido suscitadas. 
(...) 3. É cediço que mesmo as questões de ordem pública, embora passíveis de 
conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, necessitam observar o requisito do 
prequestionamento na via do recurso especial (STJ, segunda turma, AgInt no REsp 
1.431.139 RN, J. 27.08.2018). 
 
EFEITO 
EXPANSIVO 
Esse efeito existirá sempre que o julgamento do recurso ensejar decisão mais 
abrangente do que a matéria impugnada ou, ainda, quando atingir sujeitos que não 
participaram como partes no recurso, apesar de serem partes na demanda. 
 
 
 
 
 
147 
Na primeira hipótese, haverá efeito expansivo objetivo, que ainda poderá ser interno ou 
externo, a depender de a matéria atingida pelo julgamento do recurso estar localizada 
dentro ou fora da decisão impugnada. 
Na segunda hipótese, tem-se o efeito expansivo subjetivo. 
EFEITO 
SUBSTITUTIVO 
Esse efeito determina que o julgamento do recurso substituirá a decisão recorrida, nos 
limites da impugnação. Tem previsão expressa no art. 1.008. 
EFEITO 
REGRESSIVO 
Por via do recurso, a causa volte ao conhecimento do juízo prolator da decisão. Não que 
ele seja o competente para o julgamento do recurso, mas em razão de expressa previsão 
legal, ele pode rever a própria decisão. 
Esse efeito está presente em todas as espécies de agravo, além da apelação nos seguintes 
casos: 
Hipóteses: 
- Indeferimento da petição inicial; 
- Improcedência liminar da petição inicial; 
- Sentenças extintivas sem resolução de mérito. 
 
EFEITO DIFERIDO Ocorre quando o conhecimento do recurso depende de recurso a ser interposto contra 
outra ou a mesma decisão. 
No primeiro caso, pode-se dar como exemplo a necessidade de a apelação ser conhecida 
para que a impugnação da decisão interlocutória não recorrível por agravo de 
instrumento ser julgada em seu mérito. No segundo caso pode-se lembrar do recurso 
especial e do extraordinário contra o mesmo acórdão, sempre que a análise do segundo 
dependa do conhecimento e julgamento do primeiro. Também o recurso adesivo, que 
somente será julgado se o recurso principal for conhecido e julgado em seu mérito. 
 
Honorários recursais: 
Honorários recursais conta com previsão no art. 85, §11, do CPC: 
Art.85. (...) 
§11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o trabalho 
adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2º a 6º, sendo vedado 
ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os 
respectivos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º para a fase de conhecimento. 
 
 
 
 
 
148 
Obs.: O STJ entende que não cabe fixação de honoráriosem grau recursal, mas apenas a majoração. Assim, se 
não houve condenação em honorários na origem, sem que o recurso tenha versado sobre esse ponto, o TJ não 
pode fixar/majorar a verba. 
 
Julgados relevantes: 
• A alegação da ocorrência de ponto facultativo embasada em ato do Poder Executivo Estadual não é capaz, 
por si só, de comprovar a inexistência de expediente forense para aferição da tempestividade recursal. 
Precedente: Info 669 do STJ. 
 
• A tempestividade recursal pode ser aferida, excepcionalmente, por meio de informação constante em 
andamento processual disponibilizado no sítio eletrônico, quando informação equivocadamente 
disponibilizada pelo Tribunal de origem induz a parte em erro. Precedente: Info 666 do STJ. 
 
• A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de Organização 
Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso especial nos moldes do 
art. 1.003, §6º, do CPC/2015. Precedente: Info 665 do STJ. 
 
• É necessária a comprovação de feriado local no ato de interposição do recurso, sendo aplicável os efeitos 
desta decisão tão somente aos recursos interpostos após a publicação do REsp 1.813.684/SP. Precedente: Info 
660 do STJ. 
 
• Não é possível interpor novo recurso de apelação, nem complementar as razões da apelação anterior, em 
caso de morte da recorrente posterior à interposição do recurso. Com a interposição da apelação, ocorre a 
preclusão consumativa, não se reabrindo o prazo para recorrer ou complementar o recurso em favor da 
sucessora da recorrente falecida. Precedente: Info 505 do STJ. 
 
Súmula n. 272 do STF: Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão denegatória de 
mandado de segurança. 
 
• Incabível a conversão de recurso extraordinário em ordinário, na hipótese de decisão denegatória de 
mandado de segurança, prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, mediante disposição expressa prevista no 
art. 102, II, a da Constituição Federal, ocorrendo o cometimento de erro grosseiro na utilização dos 
instrumentos processuais disponíveis para o acesso à devida prestação jurisdicional. Precedente: AI 410552. 
 
 
 
 
 
 
149 
 O interessado deverá ser intimado para a realização do preparo recursal nas hipóteses de indeferimento ou 
de não processamento do pedido de gratuidade da justiça. Precedente: Info 660 do STJ. 
 
 O recurso interposto pela Defensoria Pública, na qualidade de curadora especial, está dispensado do 
pagamento de preparo. Precedente: Info 641 do STJ. 
 
Petição que menciona conteúdo de decisão não publicada revela ciência inequívoca e abre prazo para 
recurso. Se a parte peticiona espontaneamente nos autos e o conteúdo da petição não deixa dúvida de que 
ela teve conhecimento do ato decisório prolatado, mas não publicado, considera-se que houve ciência 
inequívoca e, portanto, passa a correr o prazo para interposição de recurso. Precedente: REsp 1710498/CE. 
 
 Não se aplica a pena de deserção a recurso interposto contra o indeferimento do pedido de justiça gratuita. 
Nessas circunstâncias, cabe ao magistrado, mesmo constatando a inocorrência de recolhimento do preparo, 
analisar, inicialmente, o mérito do recurso no tocante à possibilidade de concessão do benefício da assistência 
judiciária gratuita. Se entender que é caso de deferimento, prosseguirá no exame das demais questões trazidas 
ou determinará o retorno do processo à origem para que se prossiga no julgamento do recurso declarado 
deserto. Se confirmar o indeferimento da gratuidade da justiça, deve abrir prazo para o recorrente recolher o 
preparo recursal e dar sequência ao trâmite processual. Precedente: AgRg nos EREsp 1.222.355-MG 
 
A falta de recolhimento do preparo é vício formal que não pode ser suprido pelo julgamento do recurso. O 
recolhimento do preparo é requisito de admissibilidade do recurso, cabendo ao recorrente comprová-lo no 
ato de sua interposição. Se o valor recolhido for insuficiente, a lei prevê que ao recorrente deve ser 
oportunizada a complementação, no prazo de 5 dias, sob pena de deserção. A deserção é a sanção aplicada à 
parte que negligencia o recolhimento do preparo - seja quanto ao valor, seja quanto ao prazo - e tem como 
consequência o não conhecimento do recurso interposto. Trata-se, portanto, de vício formal que não pode ser 
suprido pelo julgamento do recurso. Logo, o STJ anulou o acórdão e determinou que o apelante seja 
previamente intimado para complementar o preparo, no prazo de 5 dias, sob pena de deserção. Em seguida, 
caso o apelante faça a complementação do preparo, aí sim deverá haver novo julgamento da apelação pelo TJ. 
Precedente: REsp 1523971/RS. 
 
Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos litisconsortes haja sucumbido. É inaplicável 
a contagem do prazo recursal em dobro quando apenas um dos litisconsortes com procuradores distintos 
sucumbe. Precedente: Info 636 do STJ. 
 
 
 
 
 
 
150 
Súmula n. 641 do STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos litisconsortes haja 
sucumbido. 
 
Intimada a regularizar a sua representação processual, nos termos do art. 932, parágrafo único, do CPC 
vigente, a parte que deixa de proceder à juntada no prazo de 5 (cinco) dias, faz incidir ao caso a Súmula 115/STJ. 
Precedente: AgInt no AgInt no AREsp 1053466/MS. 
 
Súmula n. 115 do STJ: Na instancia especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração 
nos autos. 
 
O fato de o Tribunal negar pedido do advogado para informar “questão de fato” após voto do Relator não 
gera nulidade do julgamento. A parte alegou que seu advogado foi indevidamente tolhido do direito de usar a 
palavra na tribuna após a prolação do voto do Relator. O STJ entendeu que não houve nulidade. Após as 
sustentações orais, o julgamento em colegiado entra na etapa de prolação do voto pelo relator e da 
apresentação de votos pelos demais ministros, não havendo previsão legal para que, nesse momento, haja 
manifestações dos defensores sobre o conteúdo decisório ou sobre as discussões travadas pelos magistrados, 
ainda que sob a justificativa de tratarem de “questões de fato”. Em deferência à advocacia, é costume que o 
presidente do órgão julgador pergunte ao relator sobre a necessidade de algum esclarecimento relacionado a 
questão de fato, mas uma eventual resposta negativa não viola o direito previsto no art. 7º, X, da Lei nº 
8.906/2004 (fazer uso da palavra em juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco 
ou dúvida que influam no julgamento). Precedente: EDcl no REsp 1643012/RS. 
 
Em razão do princípio da dialeticidade recursal, deve o recorrente impugnar de forma específica os 
fundamentos da decisão atacada. O sistema processual brasileiro consagra e positiva o princípio da 
dialeticidade. Isso significa que se exige que o recurso faça impugnação específica aos fundamentos da decisão 
judicial atacada (arts. 932, III e 1.021, § 1º, do CPC/2015). Precedente: AgInt no AREsp 897.522/SP. 
 
Se a decisão proferida pelo juiz induzir a parte a interpor o recurso errado, deve-se reconhecer que houve 
dúvida objetiva, que justifica o princípio da fungibilidade. O conceito de "dúvida objetiva", para a aplicação do 
princípio da fungibilidade recursal, pode ser relativizado, excepcionalmente, quando o equívoco na 
interposição do recurso cabível decorrer da prática de ato do próprio órgão julgador. Precedente: Info 613 do 
STJ. 
 
 
 
 
 
 
151 
A interposição descabida e desmedida de sucessivos recursos configura abuso do direito de recorrer, 
autorizando a certificação do trânsito em julgado e a baixa imediata dos autos. A interposição de sucessivos 
recursos com finalidade meramente protelatória autoriza o imediato cumprimento da decisão. Precedente: 
EDcl no AgRg nos EDcl no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 828.342/PR. 
 
A análise dos requisitos deadmissibilidade do recurso não se sujeita à preclusão pro iudicato. A decisão que 
admite o recurso não é atingida pela preclusão, de modo que o Relator poderá indeferir liminarmente ou negar 
provimento em decisão monocrática se constatar irregularidade no recurso que impeça seu processamento, 
inexistindo preclusão pro judicato. Assim, por exemplo, a decisão que admite o processamento dos embargos 
de divergência não impede o Relator de, no momento da prolação da decisão definitiva, proceder a um novo 
exame sobre os requisitos de admissibilidade do recurso. Precedente: AgInt nos EREsp 1436903/DF. AgInt nos 
EREsp 1446201/SP. 
 
Fixação de honorários recursais mesmo quando não há a apresentação de contrarrazões ou contraminuta. É 
cabível a fixação de honorários recursais, prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015, mesmo quando não 
apresentadas contrarrazões ou contraminuta pelo advogado da parte recorrida. Precedente: Info 841 do STF 
e Info 865 do STF. 
 
Para fins de arbitramento de honorários advocatícios recursais, previstos no § 11 do art. 85 do CPC/2015, é 
necessário o preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos: 1) Direito Intertemporal: a decisão contra a 
qual se recorre deve ter sido publicada após 18/03/2016, nos termos do Enunciado administrativo 7 do STJ: 
“Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016, será possível o 
arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do novo CPC”; 2) o não 
conhecimento integral ou o improvimento do recurso pelo Relator, monocraticamente, ou pelo órgão 
colegiado competente; 3) a verba honorária sucumbencial deve ser devida desde a origem no feito em que 
interposto o recurso; 4) não haverá majoração de honorários no julgamento de agravo interno e de embargos 
de declaração oferecidos pela parte que teve seu recurso não conhecido integralmente ou não provido; 5) não 
terem sido atingidos na origem os limites previstos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015, para cada fase do 
processo; 6) não é exigível a comprovação de trabalho adicional do advogado do recorrido no grau recursal, 
tratando-se apenas de critério de quantificação da verba. Precedente: EDcl no AgInt no REsp 1573573/RJ. 
 
Como regra, não se admite a juntada extemporânea de prova documental em recursos interpostos no STF. 
Assim, por exemplo, em regra, não se admite que, em um agravo regimental no STF, seja juntado algum 
documento que já existia, mas que a parte não havia trazido aos autos por omissão sua. No entanto, em um 
 
 
 
 
 
152 
caso concreto envolvendo uma apreciação de contas do TCE, o STF relativizou esta proibição e admitiu que o 
Estado/agravante trouxesse aos autos cópia da intimação do gestor público condenado. O STF considerou que, 
na situação concreta, o interesse público indisponível presente na lide justifica que se admita a análise do 
documento. Precedente: Info 850 do STF. 
 
Não é possível fixar honorários recursais quando o processo originário não preveja condenação em 
honorários. Não cabe a fixação de honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015) em caso de recurso 
interposto no curso de processo cujo rito exclua a possibilidade de condenação em honorários. Precedente: 
Info 831 do STF. 
 
Art. 932, parágrafo único, do CPC não pode ser aplicado para o caso de recurso que não tenha impugnado 
especificamente os fundamentos da decisão recorrida. O prazo de 5 dias previsto no parágrafo único do art. 
932 do CPC/2015 só se aplica aos casos em que seja necessário sanar vícios formais, como ausência de 
procuração ou de assinatura, e não à complementação da fundamentação. Assim, esse dispositivo não incide 
nos casos em que o recorrente não ataca todos os fundamentos da decisão recorrida. Isso porque, nesta 
hipótese, seria necessária a complementação das razões do recurso, o que não é permitido. Precedente: Info 
829 do STF. 
 
A doença do advogado da parte pode ser invocada como justa causa para a devolução do prazo recursal? O 
advogado somente terá direito à devolução do prazo em virtude de doença se ficar comprovado que: 1) a 
enfermidade fez com que ele ficasse totalmente impossibilitado de exercer a profissão e de substabelecer a 
outro advogado; e 2) o advogado doente era o único procurador constituído pela parte. Precedente: AgRg no 
AREsp 813.405/SP. 
 
Aplica-se o parágrafo 1º do artigo 511 do CPC, para dispensa de porte de remessa e retorno, ao exonerar o 
seu respectivo recolhimento por parte do INSS. Precedente: Info 810 do STF. 
 
Se o advogado deu entrada no recurso, no último dia do prazo, no setor da contadoria do Tribunal em vez de 
ser no protocolo, ainda assim o recurso terá que ser considerado tempestivo. Isso porque o referido erro não 
pode ser atribuído exclusivamente ao advogado, mas também ao setor da contadoria que recebeu a petição 
do recurso indevidamente. Precedente: Info 800 do STF. 
 
 
 
 
 
 
153 
O pagamento do preparo recursal pode ser comprovado por intermédio de recibo extraído da internet, desde 
que esse meio de constatação de quitação possibilite a aferição da regularidade do recolhimento. Precedente: 
Info 565 do STJ. 
 
O recorrente, ao interpor o recurso, deverá comprovar o preparo. No caso do recurso especial, o preparo 
engloba o pagamento de custas e de porte de remessa e de retorno. Se o recorrente pagou apenas a taxa 
judiciária (não tendo recolhido o valor do porte de remessa e de retorno), o preparo foi feito, mas em valor 
insuficiente. Como consequência, o Tribunal de origem, antes de decretar a deserção, deverá intimar o 
recorrente para, no prazo de 5 dias, suprir o valor do porte de remessa e de retorno, complementando o 
pagamento. Somente se não for complementado o preparo é que haverá a deserção. Esta solução está prevista 
no § 2º do art. 511 do CPC 1973 (§ 2º do art. 1.007 do CPC 2015). Assim, não ocorre a deserção do recurso 
especial no caso em que o recorrente, recolhidas as custas na forma devida, mas efetuado o pagamento do 
porte de remessa e de retorno em valor insuficiente, realize, após intimado para tanto, a complementação do 
valor. Precedente: Info 517 do STJ e Info 563 do STJ. 
 
Não ocorre a deserção do recurso especial no caso em que o recorrente, recolhidas as custas na forma devida, 
mas efetuado o pagamento do porte de remessa e de retorno em valor insuficiente, realize, após intimado 
para tanto, a complementação do valor. STJ. 2ª Turma. EDcl no REsp 1221314-SP, Rel. Min. Castro Meira, 
julgado em 21/2/2013 (Info 517). STJ. Corte Especial. REsp 844440-MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, 
julgado em 6/5/2015 (Info 563). 
 
Admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos antes da publicação do acórdão embargado 
e dentro do prazo recursal. Precedente: Info 776 do STF. 
 
Recurso adesivo pode ser manejado para majorar quantia indenizatória decorrente de dano moral. 
Precedente: Info 562 do STJ. 
 
Em regra, se a parte que interpôs o recurso principal pede a sua desistência, o recurso adesivo seguirá a 
mesma sorte. No entanto, não se admite a desistência do recurso principal de apelação se a apresentação da 
petição de desistência se dá logo após a concessão dos efeitos da tutela recursal no recurso adesivo. Isso 
porque a desistência tem nítida intenção de esvaziar o cumprimento da determinação judicial, o que é 
incompatível com o princípio da boa-fé processual. Precedente: Info 554 do STJ. 
 
 
 
 
 
 
154 
A assinatura digitalizada — ou escaneada —, por se tratar de mera inserção de imagem em documento, não 
se confunde com a assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora 
credenciada, prevista no art. 1º, § 2º, III, a, da Lei nº 11.419/2006. A assinatura eletrônica é válida. Por sua vez, 
a assinatura digitalizada (“escaneada”) não é válida. Precedente: Info 541 do STJ. 
 
A ausência de publicação depauta de julgamento, conquanto caracterize irregularidade processual (art. 552 
do CPC), somente acarretará nulidade se demonstrado efetivo prejuízo à parte. Precedente: Info 526 do STJ. 
 
Recurso adesivo pode ser interposto por parte que perdeu na reconvenção. Não se exige, para a interposição 
de recurso adesivo, que a sucumbência recíproca ocorra na mesma lide, devendo aquela ser aferida a partir 
da análise do julgamento em seu conjunto. Logo, é possível o recurso adesivo mesmo sendo ele para impugnar 
o resultado da reconvenção (e não da ação). Precedente: Info 518 do STJ. 
 
Não é possível a homologação de pedido de desistência de recurso já julgado, pendente apenas de publicação 
de acórdão. Vale ressaltar que, apesar de o Código falar em "a qualquer tempo", entende-se que é a qualquer 
tempo antes do julgamento do recurso. Isso porque não se pode desistir de algo que já não mais existe. Se o 
recurso foi julgado, ele não mais existe. Precedente: Info 517 do STJ. 
 
Mesmo que o advogado não tenha conseguido interpor recurso, via fax, por conta de um problema técnico 
do próprio Poder Judiciário, não terá ele oportunidade de ajuizar o recurso em outra data fora do prazo. Em 
outras palavras, o recurso interposto via fax fora do prazo recursal deve ser considerado intempestivo, ainda 
que tenha ocorrido eventual indisponibilidade do sistema de protocolo via fax do Tribunal no decorrer do 
referido período de tempo. São de responsabilidade de quem opta pelo sistema de comunicação por fax os 
riscos de que eventuais defeitos técnicos possam impedir a perfeita recepção da petição. Precedente: Info 517 
do STJ. 
 
Se a transação celebrada entre as partes foi objeto de homologação judicial por sentença, os efeitos deste 
negócio jurídico podem ser afastados mediante a propositura de ação anulatória, nos termos do art. 486 do 
CPC 1973. Se a sentença limita-se a homologar a transação efetuada, não tratando sobre o conteúdo da 
pactuação, a forma de desconstituí-la é por meio da ação anulatória. Precedente: Info 513 do STJ. 
 
Não há prazo em dobro para apresentação dos originais do recurso interposto por fax. Ainda que o recorrente 
detenha o privilégio do prazo em dobro, será de cinco dias o prazo para a protocolização dos originais do 
 
 
 
 
 
155 
recurso na hipótese em que se opte pela utilização de sistema de transmissão de dados e imagens do tipo fac-
símile. Precedente: Info 514 do STJ. 
 
A protocolização de petições e recursos deve ser efetuada dentro do horário de expediente regulado pela lei 
local (art.172, § 3º, do CPC 1973). Logo, é intempestivo o recurso protocolizado após o encerramento do 
expediente, no último dia do prazo recursal, no regime do plantão judiciário. Precedente: AgRg no AREsp 
96048-PI. 
 
Súmula n. 484 do STJ: Admite-se que o preparo seja efetuado no primeiro dia útil subsequente, quando a 
interposição do recurso ocorrer após o encerramento do expediente bancário. 
 
O STJ admite petição assinada fisicamente por advogado constituído nos autos, mas incluída eletronicamente 
por certificado digital de advogado que não possui procuração (STJ. 4ª Turma. AREsp 1917838-RJ, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, julgado em 23/08/2022 (Info 751). 
 
Para validade da representação, a procuração deve estar juntada no processo principal remetido ao STJ, não 
bastando constar em processo conexo ou incidental não apenso ao principal (STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 
1.806.003/RJ, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 14/11/2022 (Info 760). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
156 
9. RECURSOS EM ESPÉCIES 
 
 
Recursos em espécie 
 O agravo retido foi extinto pelo CPC. Logo, as decisões interlocutórias não agráveis de instrumento devem ser 
questionadas em preliminar de apelação ou nas contrarrazões à apelação. 
 
Os embargos infringentes foram abolidos pela técnica de julgamento prevista no art. 942 do CPC. 
 
Apelação (arts. 1.009 a 1.014): 
Cabe apelação das sentenças terminativas e definitivas. 
EXCEÇÕES: Existem 03 (três) situações em que não caberá apelação contra sentença: 
I- Recurso inominado para Turma Recursal nos Juizados Especiais; 
II- Embargos infringentes para o mesmo Juízo em execução fiscal de até 50 ORTN’s; 
III- Recurso Ordinário (ROC) para o STJ de sentenças proferidas pela Justiça Federal quando envolver, de um 
lado, Estado Estrangeiro ou Organização Internacional, e, de outro, Município ou pessoa domiciliada no país. 
 
Quando indeferida a petição inicial, após interposição da apelação, faculta-se ao juiz, no prazo de 5 (cinco) 
dias, retratar-se (art. 331 do CPC). 
O juízo de admissibilidade do recurso é feito no juízo ad quem. Caso seja realizado pelo juízo a quo, é possível 
o manejo de reclamação para garantir a competência do Tribunal. 
A apelação, em regra, terá efeito suspensivo automático. Todavia, nos casos do artigo 1.012, §1º, a sentença 
começa a produzir imediatamente seus efeitos, devendo o efeito suspensivo à apelação ser conferido ope 
judicis, mediante a comprovação dos seguintes requisitos: probabilidade de provimento do recurso ou houver 
risco de dano grave ou de difícil reparação. 
 
A quem será dirigido o pedido de efeito suspensivo? 
No período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição ao relator da apelação, o 
requerimento será dirigido ao TRIBUNAL, ficando o relator prevento. 
Se já distribuída apelação, o requerimento deverá ser dirigido ao RELATOR. 
Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação 
devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. Aplicação do efeito devolutivo vertical. 
 
 
 
 
 
 
157 
Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o 
mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. 
Trata-se da positivação da teoria da causa madura. 
 
A técnica de ampliação de julgamento prevista no artigo 942 do CPC deve ser utilizada quando o resultado da 
apelação for não unânime, independentemente de ser julgamento que reforma ou mantém a sentença 
impugnada. 
Art. 942. Quando o resultado da apelação FOR NÃO UNÂNIME, o julgamento terá prosseguimento em sessão 
a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos 
no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, 
assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos 
julgadores. 
 
Alguns entendimentos sobre a técnica de julgamento ampliado: 
O julgamento do recurso não precisa ser pela reforma da sentença 
Aplica-se ao agravo de instrumento de decisão parcial de mérito (REsp 1960580-MT) 
Deve ser aplicada no julgamento de embargos de declaração da apelação, se acarretar houver voto divergente 
capaz de alterar o resultado unânime do julgamento (REsp 1910317/PE) 
Aplica-se na apelação do mandado de segurança (REsp 1868072-RS) 
Aplica-se se a não unanimidade for sobre o juízo de admissibilidade (REsp 1798705-SC) 
Os novos julgadores devem se manifestar sobre todo o conteúdo do recurso e não somente sobre o capítulo 
não-unânime. Os julgadores originários podem mudar o voto em relação a capítulo anteriormente unânime 
(REsp 1.771.815-SP) 
Os embargos de declaração contra acórdão firmado pela composição ampliada devem ser julgados pela 
mesma composição ampliada e não pela composição original (STJ. 3ª Turma. REsp 2024874/RS, Rel. Ministro 
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 7/3/2023 (Info 766). 
 
As questões resolvidas na fase de conhecimento por decisões não agraváveis não são cobertas pela preclusão 
e devem ser suscitadas em PRELIMINAR DE APELAÇÃO, interposta contra a decisão final ou nas contrarrazões. 
 
O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga atutela provisória é impugnável na apelação. 
 
 
 
 
 
 
158 
As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que 
deixou de fazê-lo por motivo de força maior. 
 
Embargos de declaração 
Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias (art. 1.023, CPC), em petição dirigida ao juiz, com 
indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. 
O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos 
opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada (art. 1.023, § 2º, CPC). 
 
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: 
I -esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; 
II -suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; 
III - corrigir erro material. 
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que: 
I -deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção 
de competência aplicável ao caso sob julgamento; 
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º . 
 
Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado 
que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar 
suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 dias. 
Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados 
protelatórios. 
 
Segundo o artigo 1.026, §§2º e 3º, a multa por embargos protelatórios, devido ao embargado, é de até 2% 
sobre o valor da causa, e de até 10% em caso de reiteração. 
 
Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a 
interposição de recurso. 
§ 1º A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se 
demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver 
risco de dano grave ou de difícil reparação. 
 
 
 
 
 
159 
§ 2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão 
fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre 
o valor atualizado da causa. 
§ 3º Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez 
por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao 
depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, 
que a recolherão ao final. 
§ 4º Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados 
protelatórios. 
 
Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de 
recurso. Lembre-se que pode ser concedido efeito suspensivo ope judicis, caso sejam preenchidos os 
requisitos. 
Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou para fins de pré-
questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados. 
Por fim, cabe destacar que o STJ entende que os embargos de declaração com propósito de rediscutir a matéria 
não pode ser acatados como pedido de reconsideração (STJ. Corte Especial. REsp 1.522.347-ES, Rel. Min. Raul 
Araújo, julgado em 16.9.2015 (Info 575), e vice-versa (STJ. 4ª Turma. RCD no AgRg no HC 746844-SP, Rel. Min. 
Jorge Mussi, julgado em 8.11.2022 (Info 760). 
 
Agravo de instrumento 
Hipóteses de cabimento do recurso: Rol taxativo x interpretação extensiva x taxatividade mitigada. 
 
CPC, Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: 
I - tutelas provisórias; 
II - mérito do processo; 
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem; 
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; 
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; 
VI - exibição ou posse de documento ou coisa; 
VII - exclusão de litisconsorte; 
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; 
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; 
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; 
 
 
 
 
 
160 
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o; 
XII - (VETADO); 
XIII - outros casos expressamente referidos em lei. 
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase 
de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de 
inventário. 
 
A 4ª Turma do STJ flexibilizou a taxatividade das hipóteses de cabimento do agravo de instrumento: 
É cabível a interposição de agravo de instrumento contra decisão relacionada à definição de competência, 
a despeito de não previsto expressamente no rol do art. 1.015 do CPC/2015. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.679.909-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/11/2017. 
 
Dizer o Direito2: 
O STJ, ao se debruçar sobre o tema quanto à natureza jurídica do rol das hipóteses de cabimento do Agravo 
de instrumento, aprovou a tese segundo o qual “o rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por 
isso admite a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade 
do julgamento da questão no recurso de apelação” (Infos 639 e 636). 
 
O que significa isso? 
Em regra, somente cabe agravo de instrumento nas hipóteses listadas no art. 1.015 do CPC/2015. 
Excepcionalmente, é possível a interposição de agravo de instrumento fora da lista do art. 1.015, desde que 
preenchido um requisito objetivo: a urgência. 
 
Formalidades do Agravo de Instrumento: 
O art. 1.016 do CPC dispõe que o agravo de instrumento deve ser dirigido diretamente ao tribunal competente, 
por meio de petição com os seguintes requisitos: 
 Os nomes das partes; 
 A exposição do fato e do direito; 
 As razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido; 
 O nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo. 
 
 
2 Texto extraído do Dizer o Direito, informativo 639 do STJ. 
 
 
 
 
 
161 
Observação: Nas ações da JF que envolvam Estado Estrangeiro ou Organismo Internacional X Município ou 
pessoa domiciliada no Brasil, o 2º grau de jurisdição é realizado pelo STJ (o recurso contra a sentença é o ROC 
para o STJ). Desse modo, o agravo de instrumento não será manejado no TRF, mas diretamente no STJ (art. 
1.027, §1º, CPC). 
 
O art. 1.017 do CPC traz as exigências documentais do agravo de instrumento. 
 A petição deve ser instruída obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da 
petição que ensejou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da respectiva intimação ou 
outro documento oficial que comprove a tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do 
agravante e do agravado. 
 Na ausência de algum desses documentos, deve ser juntada a declaração de inexistência de qualquer 
dos documentos referidos no inciso I, feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidade 
pessoal. 
 Essas peças são dispensadas se os autos forem eletrônicos. 
 
O STJ entende que se o processo é eletrônico na 1ª instância, mas é físico no Tribunal, não se aplica a dispensa 
de juntada de documentos prevista no art. 1.017, § 5º do CPC/2015: 
 
A disposição constante do art. 1.017, § 5º, do CPC/2015, que dispensa a juntada das peças obrigatórias à 
formação do agravo de instrumento em se tratando de processo eletrônico, exige, para sua aplicação, que 
os autos tramitem por meio digital tanto no primeiroquanto no segundo grau de jurisdição. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.643.956 PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9.5.2017 (Info 605). 
 
Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso de 
aplicação do art. 932, incisos III e IV , o relator, no prazo de 5 (cinco) dias: 
I – poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, 
a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão; 
II -ordenará a intimação do agravado pessoalmente, por carta com aviso de recebimento, quando não tiver 
procurador constituído, ou pelo Diário da Justiça ou por carta com aviso de recebimento dirigida ao seu 
advogado, para que responda no prazo de 15 (quinze) dias, facultando-lhe juntar a documentação que 
entender necessária ao julgamento do recurso; 
III - determinará a intimação do Ministério Público, preferencialmente por meio eletrônico, quando for o caso 
de sua intervenção, para que se manifeste no prazo de 15 (quinze) dias. 
 
 
 
 
 
162 
 Art. 1.020. O relator solicitará dia para julgamento em prazo não superior a 1 (um) mês da intimação do 
agravado. 
 
 Cabe destacar que o CPC extinguiu o recurso do agravo retido. 
 
As decisões interlocutórias sobre a instrução probatória não são impugnáveis por agravo de instrumento ou 
pela via mandamental, sendo cabível a sua impugnação diferida pela via da apelação. 
STJ. 2ª Turma. RMS 65943-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26/10/2021 (Info 715). 
 
Art. 356, §5, do CPC. A decisão parcial do mérito é impugnável por agravo de instrumento. 
 
O agravo de instrumento SERÁ JULGADO ANTES da apelação interposta no mesmo processo. 
Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser 
designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no 
regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, 
assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos 
julgadores. A técnica de julgamento, também, se aplica ao agravo de instrumento, quando houver reforma 
da decisão que julgar parcialmente o mérito. 
 
O agravante poderá requerer a juntada, aos autos do processo, de cópia da petição do agravo de instrumento, 
do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos que instruíram o recurso. Se o juiz 
comunicar que reformou inteiramente a decisão, o relator considerará prejudicado o agravo de instrumento. 
 
 
Agravo interno: 
Contra DECISÃO PROFERIDA PELO RELATOR caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, 
observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. 
Em suma, nos termos do artigo 1.021, caput, do CPC, de toda decisão monocrática proferida pelo relator será 
cabível o agravo interno para o respectivo órgão colegiado, ou seja, para o órgão que teria proferido o 
julgamento colegiado caso não tivesse ocorrido o julgamento unipessoal pelo relator. 
O relator não pode limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o 
agravo interno. O CPC/2015 vedou essa prática. 
 
 
 
 
 
163 
O agravo será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o recurso no prazo de 15 
(quinze) dias, ao final do qual, não havendo retratação, o relator levá-lo-á a julgamento pelo órgão colegiado, 
com inclusão em pauta. 
Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão 
agravada. 
Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em votação unânime, 
o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado multa fixada ENTRE 
UM E CINCO POR CENTO do valor atualizado da causa. 
A interposição de qualquer outro recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da multa fixada entre 
um e cinco por cento do valor atualizado da causa à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade 
da justiça, que farão o pagamento ao final. 
A multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 tem como destinatário a parte contrária e não o Fundo de 
Aparelhamento do Poder Judiciário. 
Art. 1.021 (...) § 4º Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em 
votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado 
multa fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da causa. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1846734-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 11/02/2020 (Info 666). 
 
Essa multa pode ser depositada através de fiança bancária, contudo não é admissível que o banco recorrente 
ofereça a fiança a si próprio. 
Embora se reconheça que a apresentação de carta fiança serve como substituta do pagamento em dinheiro 
para fins de cumprimento do art. 1.021, §5º, do CPC, a carta fiança apresentada na qual o banco é fiador e 
afiançado não serve como garantia fidejussória. 
STJ. 3ª Turma.REsp 1997043-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25.10.2022 (Info 758). 
 
 
Recurso especial e Recurso extraordinário: 
 A finalidade dos recursos especial e extraordinário é de proteção do direito objetivo, uniformizando 
a interpretação de normas constitucionais (STF) e infraconstitucionais (STJ). 
 Os tribunais não se prestam a rever erros de julgamento ou analisar questões fáticas dos processos 
judiciais que lhe são atribuídos. 
 
 
 
 
 
 
164 
O REsp, diferentemente do RE, só é cabível contra acórdão dos tribunais. Não se admite sua interposição contra 
decisão de primeira instância, ainda que seja proferido em causas de alçada (em única instância), e muito 
menos por Turmas recursais, pois não são consideradas como Tribunal. 
O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal, serão interpostos 
perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido em petições distintas. 
 
Principais súmulas do STJ e do STF aplicáveis aos recursos especial e extraordinário 
Súmula n. 282 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a 
questão federal suscitada. 
 
 A referida súmula diz respeito à necessidade do chamado prequestionamento (também necessário 
para o conhecimento de recurso especial). 
 Em resumo, o STF e o STJ não podem examinar matéria nova, que não tenha sido suscitada e 
enfrentada na instância ordinária. A parte deve ser diligente durante o processo, alegando no momento 
devido que determinada decisão judicial teria enfrentado a norma constitucional e/ou infraconstitucional, não 
deixando para sustentar a tese apenas em recurso extremo. 
 Para se garantir o prequestionamento implícito, é necessário que o órgão julgador se manifeste 
sobre a norma. Caso isso não ocorra, a parte pode apresentar os embargos declaratórios para assegurar o 
prequestionamento implícito conforme acima exposto. 
 
Súmula n. 279 do STF: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. 
Súmula n.7 do STJ: Apretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 
 
 As súmulas vedam a interposição de recurso especial e/ou extraordinário que objetivem a simples 
reapreciação da prova produzida na fase de instrução processual e que tenha sido equivocadamente valorada 
na interpretação do recorrente. 
 
Súmula n. 281 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso 
ordinário da decisão impugnada. 
 
 Só é possível a interposição dos recursos especial e extraordinário se a parte tiver utilizado todos os 
recursos adequados ao combate e à impugnação da decisão recorrida. 
 
 
 
 
 
 
165 
Súmula n. 13 do STJ: A divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial. 
 
 O conhecimento do recurso especialexige divergência de julgados entre tribunais distintos, quando o 
fundamento do REsp for divergência jurisprudencial. 
 
Alguns dos entendimentos fixados na “Jurisprudência em Teses” do STJ: 
1) O STJ não admite o "prequestionamento ficto", que ocorre com a mera oposição de embargos 
declaratórios, sem que o Tribunal de origem tenha efetivamente emitido juízo de valor sobre as teses 
debatidas. 
2) Admite-se o prequestionamento implícito para conhecimento do recurso especial, desde que o Tribunal 
de origem tenha efetivamente debatido a matéria federal invocada, ainda que sem a indicação expressa dos 
dispositivos legais. 
3) Não há contradição em afastar a alegada violação do art. 535 do CPC73 (hoje, art. 1.022, do CPC) e, ao 
mesmo tempo, não conhecer do mérito da demanda por ausência de prequestionamento, desde que o 
acórdão recorrido esteja adequadamente fundamentado. 
4) O comprovante de agendamento do preparo não serve como prova do seu efetivo recolhimento. 
5) Admite-se que o preparo seja efetuado no primeiro dia útil subsequente, quando a interposição do recurso 
ocorrer após o encerramento do expediente bancário. (Súmula n.484/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-
C do CPC) 
6) O pedido de assistência judiciária gratuita, quando formulado no curso do processo, deve ser feito por 
petição avulsa e apensado aos autos principais, não se admitindo a postulação nas razões do recurso 
especial. 
7) A assistência judiciária deferida no curso do processo perdura até a decisão final do litígio, sendo 
desnecessária sua renovação quando da interposição do recurso especial. 
8) No recurso especial É INVIÁVEL a análise de contrariedade a ato normativo secundário, tais como 
resoluções, portarias, regimentos, instruções normativas e circulares, bem como a súmulas dos tribunais, por 
não se equipararem ao conceito de lei federal. 
 
Juízo de admissibilidade 
 O art. 1.030 do CPC dispõe que a admissibilidade é feita no segundo grau de jurisdição em todo e 
qualquer recurso especial e extraordinário, só chegando os recursos aos tribunais superiores se superado 
positivamente tal juízo. 
 
 
 
 
 
166 
 O recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias úteis e, transcorrido 
esse prazo, com ou sem resposta, os autos serão remetidos ao presidente ou vice-presidente do tribunal de 
segundo grau para o juízo de admissibilidade recursal e demais providências previstas nos incisos do art. 1.030 
do CPC. 
 
O Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça poderá desconsiderar vício formal de recurso 
tempestivo ou determinar sua correção, desde que não o repute grave. 
 
CPC, Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para 
apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou 
ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: 
I – negar seguimento: 
a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha 
reconhecido a existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário interposto contra acórdão que 
esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime de repercussão 
geral; 
b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com 
entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no 
regime de julgamento de recursos repetitivos; 
II – encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o acórdão recorrido 
divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, 
conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos; 
III – sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo 
Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional 
ou infraconstitucional; 
IV – selecionar o recurso como representativo de controvérsia constitucional ou infraconstitucional, nos 
termos do § 6º do art. 1.036; (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016)(Vigência). 
V – realizar o juízo de admissibilidade e, se positivo, remeter o feito ao Supremo Tribunal Federal ou ao 
Superior Tribunal de Justiça, desde que: (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016). 
a) o recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de repercussão geral ou de julgamento de recursos 
repetitivos; (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016)(Vigência). 
b) o recurso tenha sido selecionado como representativo da controvérsia; ou (Incluída pela Lei nº 13.256, de 
2016)(Vigência). 
c) o tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação. 
 
 
 
 
 
167 
Os parágrafos 1º e 2º ainda ensinam que da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no 
inciso V caberá agravo ao tribunal superior, enquanto que da decisão proferida com fundamento nos incisos 
I e III caberá agravo interno. 
 
Da decisão colegiada do agravo interno que confirma a inadmissibilidade do RE/REsp não cabe novo REsp 
argumentando violação ao CPC (STJ. 2ª Turma. REsp 2.028.321-RN, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, 
julgado em 06.12.2022 (Info 760). 
 
Quando, por ocasião do processamento do incidente de resolução de demandas repetitivas, o presidente do 
Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça receber requerimento de suspensão de processos 
em que se discuta questão federal constitucional ou infraconstitucional, poderá, considerando razões de 
segurança jurídica ou de excepcional interesse social, estender a suspensão a todo o território nacional, até 
ulterior decisão do recurso extraordinário ou do recurso especial a ser interposto. 
 
Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa sobre questão 
constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias para que o recorrente demonstre a existência de 
repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional. 
 
Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa a ofensa à Constituição afirmada no recurso 
extraordinário, por pressupor a revisão da interpretação de lei federal ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior 
Tribunal de Justiça para julgamento como recurso especial. 
 
O Supremo Tribunal Federal, EM DECISÃO IRRECORRÍVEL, não conhecerá do recurso extraordinário quando a 
questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral. 
 
Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões relevantes do ponto de 
vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. 
 
A existência de repercussão geral é de análise exclusiva pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
O aluno deve decorar: Haverá repercussão geral SEMPRE que o recurso impugnar acórdão que: 
I -contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal; 
 
 
 
 
 
168 
III - tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, nos termos do art. 97 da 
Constituição Federal. 
 
Do julgamento do mérito do incidente de resolução de demandas repetitivas caberá recurso extraordinário ou 
especial. E esse recurso terá efeito suspensivo, presumindo-se a repercussão geral de questão constitucional 
eventualmente discutida. 
 
O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem, que exclua da decisão 
de sobrestamento e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido interposto intempestivamente, tendo o 
recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse requerimento. Dessa decisão caberá agravo 
interno. 
 
Com efeito, a decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável 
a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo emsi mesmo. Desse modo, a 
decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é cindível e, portanto, deve ser impugnada em sua 
integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais já ressaltadas. (EAREsp n. 831.326). 
 
O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrante do acórdão para todos os fins 
legais, inclusive de prequestionamento. (art. 941 do CPC/15) 
 
IMPORTANTE! A EC 125/22 criou o filtro da relevância para REsp, semelhante à repercussão geral: 
Art. 105. § 2º No recurso especial, o recorrente deve demonstrar a relevância das questões de direito federal 
infraconstitucional discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que a admissão do recurso seja examinada 
pelo Tribunal, o qual somente pode dele não conhecer com base nesse motivo pela manifestação de 2/3 (dois 
terços) dos membros do órgão competente para o julgamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, 
de 2022) 
 
§ 3º Haverá a relevância de que trata o § 2º deste artigo nos seguintes casos: (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 125, de 2022) 
I - ações penais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, de 2022) 
II - ações de improbidade administrativa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, de 2022) 
III - ações cujo valor da causa ultrapasse 500 (quinhentos) salários mínimos; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 125, de 2022) 
IV - ações que possam gerar inelegibilidade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, de 2022) 
 
 
 
 
 
169 
V - hipóteses em que o acórdão recorrido contrariar jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça; 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, de 2022) 
VI - outras hipóteses previstas em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 125, de 2022) 
 
O STJ, entretanto, entendeu que somente será exigido o requisito após a regulamentação da norma 
constitucional (Enunciado Administrativo 8). 
 
Do Julgamento dos Recursos Extraordinário e Especial Repetitivos 
Julgamento por amostragem. Causa piloto e Causa modelo. Diferenças. 
 
Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica 
questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado 
o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. 
 
O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou 
mais recursos representativos da controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao 
Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão do trâmite de todos os processos 
pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região. 
 
O relator, no tribunal superior, poderá requisitar aos presidentes ou aos vice-presidentes dos tribunais de 
justiça ou dos tribunais regionais federais a remessa de um recurso representativo da controvérsia. Quando os 
recursos contiverem outras questões além daquela que é objeto da afetação, caberá ao tribunal decidir esta 
em primeiro lugar e depois as demais, em acórdão específico para cada processo. 
É firme o entendimento, no âmbito desta Corte de Justiça, de que é irrecorrível a decisão que determina a 
devolução dos autos ao Tribunal de origem, a fim de aguardar-se o julgamento de matéria submetida ao rito 
dos recursos repetitivos ou da repercussão geral. Precedente: AgInt no AgInt no REsp 1423253/SC. 
 
Demonstrando distinção entre a questão a ser decidida no processo e aquela a ser julgada no recurso especial 
ou extraordinário afetado, a parte poderá requerer o prosseguimento do seu processo. Atenção para quem 
será dirigido o requerimento: 
I- AO JUIZ, se o processo sobrestado estiver em primeiro grau; 
II - AO RELATOR, se o processo sobrestado estiver no tribunal de origem; 
 
 
 
 
 
170 
III-AO RELATOR DO ACORDÃO RECORRIDO, se for sobrestado recurso especial ou recurso extraordinário no 
tribunal de origem; 
IV-AO RELATOR, NO TRIBUNAL SUPERIOR, de recurso especial ou de recurso extraordinário cujo 
processamento houver sido sobrestado. 
 
Da decisão que resolver o requerimento do prosseguimento do processo em razão da distinção caberá: 
I -agravo de instrumento, se o processo estiver em primeiro grau; 
II -agravo interno, se a decisão for de relator. 
 
Obs.: O STJ não pode analisar questão constitucional em sede de REsp sob pena de usurpar a competência do 
STF, ainda que para fins de prequestionamento (EDcl no AgInt no RMS 66940-RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, 
julgado em 21/06/2022 (Info 742) 
 
Agravo em Recurso Especial ou Recurso Extraordinário: 
Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso 
extraordinário ou recurso especial, SALVO quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime 
de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. 
 
ATENÇÃO! Da decisão que ADMITE RESP ou REXT NÃO CABE RECURSO. 
 
Da decisão que INADMITE RESP ou REXT CABE RECURSO: 
1. Se o tribunal a quo inadmitir RESP ou REXT com base em entendimento firmado em regime de repercussão 
geral ou em recursos repetitivos: CABE AGRAVO INTERNO. 
2. Se o tribunal a quo inadmitir RESP ou REXT com base em outros motivos: CABE AGRAVO PARA O STF (REXT) 
OU STJ (RESP). 
 
A petição de agravo será dirigida ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem e independe do 
pagamento de custas e despesas postais, aplicando-se a ela o regime de repercussão geral e de recursos 
repetitivos, inclusive quanto à possibilidade de sobrestamento e do juízo de retratação. 
 
O agravo PODERÁ ser julgado, conforme o caso, conjuntamente com o recurso especial ou extraordinário, 
assegurada, neste caso, sustentação oral, observando-se, ainda, o disposto no regimento interno do tribunal 
respectivo. 
 
 
 
 
 
171 
 
Na hipótese de interposição conjunta de recursos extraordinário e especial, o agravante deverá interpor um 
agravo para cada recurso não admitido. 
 
Embargos de divergência: 
A interposição de embargos de divergência no Superior Tribunal de Justiça interrompe o prazo para 
interposição de recurso extraordinário por qualquer das partes. 
 
No recurso de embargos de divergência, será observado o procedimento estabelecido no regimento interno 
do respectivo tribunal superior. 
 
A divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar-se na aplicação do direito 
material ou do direito processual. 
 
Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão 
embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros. 
 
Súmulas importantes: 
• Súmula n. 518 do STJ: Para fins do art.105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial 
fundado em alegada violação de enunciado de súmula. 
• Súmula n. 399 do STF: Não cabe recurso (especial), por violação de lei Federal, quando a ofensa 
alegada for a regimento de tribunal. 
• Súmula n. 83 do STJ: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do 
tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. 
• Súmula n. 13 do STJ: A divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial. 
• Súmula n. 5 do STJ:A simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial. 
• Súmula n. 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 
• Súmula n. 389 do STF: Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da 
condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso especial. 
• Súmula n. 126 do STJ: É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em 
fundamentos, constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo,e a parte 
vencida não manifesta recurso extraordinário. 
 
 
 
 
 
172 
• Súmula n. 211 do STJ: Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de 
embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. 
• Súmula n. 86 do STJ: Cabe recurso especial contra acórdão proferido no julgamento de agravo de 
instrumento. 
• Súmula n.123 do STJ: A decisão que admite, ou não, o recurso especial deve ser fundamentada, com 
o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais. 
• Súmula n. 203 do STJ: Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau 
dos Juizados Especiais. 
• Súmula n. 322 do STF: Não terá seguimento pedido ou recurso dirigido ao Supremo Tribunal Federal, 
quando manifestamente incabível, ou apresentando fora do prazo, ou quando for evidente a incompetência 
do tribunal. 
• Súmula n. 282 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão 
recorrida, a questão federal (constitucional) suscitada. 
• Súmula n. 356 do STF: O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos 
declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. 
• Súmula n. 528 do STF: Se a decisão contiver partes autônomas, a admissão parcial, pelo presidente do 
tribunal “a quo", de recurso extraordinário que, sobre qualquer delas se manifestar, não limitará a apreciação 
de todas pelo Supremo Tribunal Federal, independentemente de interposição de agravo de instrumento. 
• Súmula n. 292 do STF: Interposto o recurso extraordinário por mais de um dos fundamentos indicados 
no art. 101, III, da Constituição, a admissão apenas por um deles não prejudica o seu conhecimento por 
qualquer dos outros. 
• Súmula n. 283 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em 
mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. 
• Súmula n. 636 do STF: Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional 
da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais 
pela decisão recorrida. 
• Súmula n. 280 do STF: Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. 
• Súmula n. 505 do STF: Salvo quando contrariarem a Constituição, não cabe recurso para o Supremo 
Tribunal Federal, de quaisquer decisões da Justiça do Trabalho, inclusive dos presidentes de seus tribunais. 
• Súmula n. 454 do STF: Simples interpretação de cláusulas contratuais não dá lugar a recurso 
extraordinário. 
 
 
 
 
 
173 
• Súmula n. 279 do STF: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. 
• Súmula n. 735 do STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. 
• Súmula n. 281 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber, na justiça de origem, 
recurso ordinário da decisão impugnada. 
• Súmula n. 640 do STF: É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro 
grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal. 
• Súmula n. 637 do STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que 
defere pedido de intervenção estadual em Município. 
• Súmula n. 733 do STF: Não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de 
precatórios. 
• Súmula n. 728 do STF: É de três dias o prazo para a interposição de recurso extraordinário contra a 
decisão do Superior Tribunal Eleitoral, contado, quando for o caso, a partir da publicação do acórdão, na 
própria sessão do julgamento, nos termos do art. 12 da lei n° 6.174 que não foi revogado pela Lei n° 8.950/94· 
• Súmula n. 289 do STF: O provimento do agravo, por uma das turmas do Supremo Tribunal Federal, 
ainda que sem ressalva, não prejudica a questão do cabimento do recurso extraordinário. 
• Súmula n. 634 do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar 
efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem. 
• Súmula n. 635 do STF: Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar 
em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade. 
• Súmula n. 284 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua 
fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. 
• Súmula n. 287 do STF: Nega do se provimento do agravo quando a deficiência na sua fundamentação, 
ou na do recurso extraordinário, não permitir a exata compreensão da controvérsia. 
• Súmula n. 456 do STF: O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a 
causa, aplicando o direito à espécie. 
• Súmula n. 331 do STJ: A apelação interposta contra sentença que julga embargos à arrematação tem 
efeito meramente devolutivo 
• Súmula n. 727 do STF: Não pode o magistrado deixar de encaminhar ao Supremo Tribunal Federal o 
agravo de instrumento interposto da decisão que não admite recurso extraordinário, ainda que referente a 
causa instaurada no âmbito dos juizados especiais. 
 
 
 
 
 
174 
• Súmula n. 118 do STJ: O agravo de instrumento é o recurso cabível da decisão que homologa a 
atualização do cálculo da liquidação 
• Súmula n. 223 do STJ: A certidão de intimação do acórdão recorrido constitui peça obrigatória do 
instrumento de agravo. 
• Súmula n. 182 do STJ: E inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os 
fundamentos da decisão agravada. 
• Súmula n. 317 do STF: São improcedentes os embargos declaratórios, quando não pedida a declaração 
do julgado anterior, em que se verificou a omissão. 
• Súmula n. 98 do STJ: Embargos de declaração, manifestados com notório propósito de 
prequestionamento, não tem caráter protelatório. 
• Súmula n. 579 do STJ: Não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do 
julgamento dos embargos de declaração quando inalterado o julgamento anterior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
175 
10. SISTEMA DE DECISÕES VINCULANTES 
 
Segundo o art. 926, do CPC, a uniformização da jurisprudência não é somente uma faculdade, mas um dever 
dos tribunais, mantendo-a, ainda, estável, íntegra e coerente, inclusive no âmbito do próprio tribunal que 
formou a jurisprudência, a fim de evitar decisões contraditórias. 
No exercício do controle concentrado de constitucionalidade, tarefa do STF, o papel de uniformização da 
interpretação da Constituição é desempenhado de forma satisfatória, já que a coisa julgada formada nas 
respectivas ações desta seara é dotada de eficácia erga omnes, aplicando-se obrigatoriamente a todos os 
jurisdicionados, evitando a proliferação de ações que versem sobre a mesma matéria. 
 
EFICÁCIA SUBJETIVA DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF EM ADI, ADC E ADPF 
Particulares 
Ficam vinculados. 
Caso haja desrespeito, cabe reclamação. 
Executivo 
Os órgãos e entidades do Poder Executivo ficam vinculados. 
Caso haja desrespeito, cabe reclamação. 
Judiciário 
Os demais juízes e Tribunais ficam vinculados. 
Caso haja desrespeito, cabe reclamação. 
STF 
A decisão vincula os julgamentos futuros a serem efetuados monocraticamente pelos 
Ministros ou pelas Turmas do STF. 
Essa decisão não vincula, contudo, o Plenário do STF. Assim, se o STF decidiu, em controle 
abstrato, que determinada lei é constitucional, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu 
entendimento e decidir que esta mesma lei é inconstitucional por conta de mudanças no 
cenário jurídico, político, econômico ou social do país. Isso se justifica a fim de evitar a 
"fossilização da Constituição". 
Esta mudança de entendimento do STF sobre a constitucionalidade de uma norma pode 
ser decidida, inclusive, durante o julgamento de uma reclamação constitucional. Nesse 
sentido: STF. Plenário. Rcl 4374/PE, rel. Min. Gilmar Mendes,18/4/2013 (Info 702). 
Legislativo 
O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. 
Isso também tem como finalidade evitar a "fossilização da Constituição". 
Assim, o legislador, em tese, pode editar nova lei com o mesmo conteúdo daquilo que foi 
declarado inconstitucional pelo STF. 
 
 
 
 
 
176 
Se o legislador fizer isso, não é possível que o interessado proponha uma reclamação ao 
STF pedindo que essa lei seja automaticamente julgada também inconstitucional (Rcl 
13019 AgR, julgado em 19/02/2014). 
Será necessária a propositura de uma nova ADI para que o STF examine essa nova lei e a 
declare inconstitucional. Vale ressaltar que o STF pode até mesmo mudar de opinião no 
julgamento dessa segunda ação. 
 
Não é cabível reclamação, tampouco pedido de uniformização de jurisprudência ao STJ contra acórdão de 
Turma Recursal do Juizado Especial da Fazenda Pública sob a alegação de que a decisão impugnada diverge 
de orientação fixada em precedentes do STJ. 
[STJ. 1ª Seção. Rcl 22033-SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 8.4.2015 (Info 559)] 
 
Desse modo, quanto ao microssistema dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, é cabível o pedido de 
uniformização de jurisprudência quando as Turmas de diferentes Estados derem à lei federal interpretações 
divergentes; ou a decisão proferida estiver em contrariedade com súmula do STJ. 
 
A parte poderá ajuizar reclamação no Tribunal de Justiça quando a decisão da Turma Recursal Estadual (ou do 
DF) contrariar jurisprudência do STJ que esteja consolidada em: 
a) incidente de assunção de competência; 
b) incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR); 
c) julgamento de recurso especial repetitivo; 
d) enunciados das Súmulas do STJ; 
e) precedentes do STJ. 
 
Modulação dos efeitos: 
O CPC/2015 trouxe previsão expressa da possibilidade da modulação dos efeitos da superação (prospective 
overruling): 
 
CPC, Art. 927 [...] § 3º Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e 
dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos 
efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. 
 
 
 
 
 
 
177 
Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF vigente à época e, posteriormente, esse 
entendimento foi alterado, não se pode dizer que essa decisão impugnada tenha violado literal disposição de 
lei. Desse modo, não cabe ação rescisória em face de acórdão que, à época de sua prolação, estava em 
conformidade com a jurisprudência predominante do STF. 
[STF. Plenário. RE 590809/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 22.10.2014 (Info 764)] 
[STF. Plenário. AR 2422/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.10.2018 (Info 921)] 
 
Sistemas de julgamento de casos repetitivos: 
No ordenamento processual brasileiro, adotou-se a causa-piloto para os recursos especial e extraordinário 
repetitivos, uma vez que segundo o art. 1.036 do CPC/2015, julga-se o recurso-paradigma (piloto), fixando-se, 
então, a tese repetitiva para os processos sobrestados: 
CPC, Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento 
em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta 
Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal 
de Justiça. 
 
Por sua vez, no âmbito do IRDR, o art. 978 do CPC/2015 afirma que o órgão incumbido de julgar o incidente e 
fixar a tese, julgará, também, o recurso: 
CPC, Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo regimento interno dentre aqueles 
responsáveis pela uniformização de jurisprudência do tribunal. 
Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o incidente e de fixar a tese jurídica julgará igualmente 
o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária de onde se originou o incidente. 
 
De acordo com o entendimento doutrinário majoritário, encabeçado por Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro 
da Cunha, o IRDR não pode ser instaurado sem que haja causa pendente no tribunal, motivo pelo qual 
também se aplica o sistema da “causa-piloto” ao referido instituto. Nesse mesmo sentido, os seguintes 
autores: Alexandre Freitas Câmara, Antônio do Passo Cabral e Daniel Amorim Assumpção Neves. 
Por outro lado, a desistência do IRDR e do Recurso Extraordinário ou Especial repetitivos não impedem a 
análise da questão de mérito, nos termos do art. 976, §1º, e art. 998, ambos do CPC/2015: 
Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas quando houver, 
simultaneamente: [...] 
§ 1º A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do incidente. 
 
 
 
 
 
178 
Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir 
do recurso. 
Parágrafo único. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha 
sido reconhecida e daquela, objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. 
 
Incidente de Assunção de Competência: 
CPC, Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa 
necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande 
repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. 
§ 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator proporá, de ofício ou a requerimento da 
parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa necessária ou o processo 
de competência originária julgado pelo órgão colegiado que o regimento indicar. 
§ 2º O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária se 
reconhecer interesse público na assunção de competência. 
§ 3º O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os juízes e órgãos fracionários, exceto 
se houver revisão de tese. 
§ 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante questão de direito a respeito do qual seja 
conveniente a prevenção ou a composição de divergência entre câmaras ou turmas do tribunal. 
 
Natureza jurídica: incidente processual em processo submetido a conhecimento de Tribunal, seja em ação 
originária, seja em sede de recursos ou de remessa necessária. 
Pode ser instaurado em QUALQUER tribunal, até mesmo nos tribunais nos superiores. 
Tem por objetivo formar precedente obrigatório sobre questão relevante questão de direito, com grande 
repercussão social, porém, que NÃO seja de causas repetitivas. 
A assunção de competência consiste no deslocamento da competência funcional de órgão fracionário, que 
seria originariamente competente para apreciar o recurso, processo de competência originário ou remessa 
necessária, para um órgão colegiado de maior composição, devendo a lide ser isolada e envolver situação de 
relevante questão de direito com repercussão social. 
Assim, cabe o incidente em caso de: a) recurso; b) remessa necessária; c) julgamento de processo de 
competência originária do Tribunal. Para o Superior Tribunal de Justiça: 
É inadmissível incidente de assunção de competência fora das situações previstas no art. 947 do CPC/2015. 
(STJ. 1ª Seção. AgInt na Pet 12642-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14.08.2019). 
 
 
 
 
 
 
179 
Legitimidade: 
a) Relator; 
b) Partes; 
c) Ministério Público; 
d) Defensoria Pública. 
 
Pressupostos: 
O CPC trabalha com duas hipóteses bem similares de propositura: 
 Art. 947, “caput”: 
o Relevante questão de direito (material ou processual) + 
o Grande repercussão social + 
o SEM repetição em múltiplos processos. 
o Vê-se, portanto, que o IAC é subsidiário ao IRDR, pois pressupõe a inexistência de repetição 
de processos, agindo como forma de prevenir ou evitar dissenso jurisprudencial.legitimação dos credores solidários. 
 Legitimidade ordinária: ocorre quando o sujeito está em juízo, em nome próprio, defendendo os próprios 
interesses. Há uma coincidência entre o legitimado e o sujeito da relação discutida. Para o CPC, a 
ilegitimidade ordinária é caso de decisão que não examina o mérito. 
 Legitimidade extraordinária: o sujeito está em juízo, em nome próprio, defendendo interesse ALHEIO. 
NÃO há coincidência entre o sujeito da relação discutida e o legitimado. Ex. legitimidade para as ações 
coletivas. É sempre com base no ordenamento jurídico. 
 
LEGITIMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA DE ORIGEM NEGOCIAL 
Legitimação Extraordinária Ativa 
A negociação pode acontecer para transferir ao terceiro a 
legitimidade ou apenas para estender a ele essa legitimidade. 
1. É possível a ampliação da legitimação ativa, permitindo que 
terceiro também tenha legitimidade para defender, em juízo, 
direito alheio. Cria-se, nesta hipótese, uma legitimação 
extraordinária concorrente. 
2. É possível, também, negociação para transferir a legitimidade ad 
causam para um terceiro, sem transferir o próprio direito, 
permitindo que esse terceiro possa ir a juízo, em nome próprio, 
defender direito alheio. 
Legitimação Extraordinária Passiva 
Não pode o futuro réu transferir sua legitimação passiva a um 
terceiro, uma vez que não se admite que alguém disponha de uma 
situação jurídica passiva por simples manifestação de sua vontade. 
 
 
 
 
 
16 
Nada impediria, porém, que o futuro autor participe desse negócio 
processual e concorde com a atribuição de legitimação 
extraordinária passiva a um terceiro. 
Assim, pode o futuro réu ampliar a legitimação passiva, atribuindo 
a terceiro, legitimação extraordinária para defender seus interesses 
em juízo. Nesse caso, não há qualquer prejuízo para o autor, que 
nem precisa ser notificado dessa negociação. Isso porque, havendo 
legitimação passiva concorrente, escolherá o autor contra quem 
quer demandar. 
ATENÇÃO! O negócio é para ampliação de legitimação ad causam 
passiva. Não se cuida de transferência da dívida. Não se trata, 
portanto, de assunção de dívida. Não há transferência da situação 
jurídica material, enfim. 
 
Convém, ainda, sintetizar as principais características da legitimação extraordinária: 
a) A legitimação extraordinária deve ser encarada como algo excepcional e somente pode ser autorizada 
pelo ordenamento jurídico (art. 18 do CPC), não se admitindo a substituição processual convencional. 
b) O legitimado extraordinário atua no processo na qualidade de parte, e NÃO de representante, ficando 
submetido, em razão disso, ao regime jurídico deste sujeito processual. Atua em nome próprio, defendendo 
direito alheio. Há incoincidência, portanto, entre as partes da demanda e as partes do litígio. 
c) A substituição processual pode ocorrer tanto no polo passivo quanto no polo ativo da demanda, muito 
embora as preocupações da doutrina se tenham concentrado na legitimação extraordinária ativa. 
d) O substituto processual também pode ser sujeito passivo de sanções processuais, como a punição pela 
litigância de má-fé, e de medidas coercitivas, como a multa diária. 
e) Quanto aos poderes processuais, o substituto processual tem, ordinariamente, apenas aqueles 
relacionados à gestão do processo, não lhe sendo autorizados poderes de disposição do direito material 
discutido. 
f) O substituto processual ativo pode se transformar em substituto processual passivo quando houver 
reconvenção (art. 343, §5º) 
g) Segundo o CPC, havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente 
litisconsorcial. A esse respeito: 
 
Enunciados Fórum Permanente de Processualistas Civis 
 
 
 
 
 
17 
110: Havendo substituição processual, e sendo possível identificar o substituto, o juiz deve determinar a 
intimação deste último para, querendo, integrar o processo 
 
Qual a diferença entre substituição processual e sucessão processual? 
É preciso distinguir substituição processual de sucessão processual. Esta ocorre quando há uma troca de 
partes. Sai uma parte, entra outra. Ex. parte morre, espólio assume a demanda. Na substituição processual, 
não há troca de sujeitos; na verdade, não há qualquer alteração da relação processual. Ocorre que um sujeito 
tem o poder (legitimidade) de estar legitimamente em um processo defendendo interesse de outrem. 
 
Qual a diferença entre substituição processual e representação processual? 
O representante processual está em juízo EM NOME ALHEIO, na defesa de INTERESSE ALHEIO. O 
representante processual não é parte. Parte é o representado. O advogado é um representante processual, 
funcionando no processo para suprir uma incapacidade da parte. Por sua vez, na substituição processual o 
substituto está em juízo em nome PRÓPRIO defendendo interesse alheio. 
 
Competência: 
O aluno deve estar ciente da regra geral: 
 
 
COMPETÊNCIA ABSOLUTA 
 
 
 
 
 
 
COMPETÊNCIA RELATIVA 
 
 
 
 
 
Obs.: Apesar de serem apontadas como competência relativa pelo CPC, nem sempre assim serão. A 
competência territorial terá caráter absoluto se se tratar de ações possessórias (art. 47, §2º). Já a competência 
 INDERROGÁVEL PELA VONTADE DAS PARTES. 
 
o MATÉRIA 
o PESSOA 
o FUNÇÃO 
 
 
 PODE SER MODIFICADA PELA VONTADE DAS PARTES. 
 
o VALOR 
o TERRITÓRIO 
 
 ELEGE O FORO ONDE SERÁ PROPOSTA A AÇÃO: 
 
o Instrumento Escrito 
o Expressamente a determinado negócio 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
pelo valor da causa somente será relativa se se tratar de ação entre particulares e com valor inferior a 40 
salários-mínimos, quando pode optar pela Vara Comum ou Juizado Especial; se o valor da causa for superior 
a 40 salários-mínimos, a Vara Comum é absolutamente competente; se a ação for proposta contra a Fazenda 
(federal, estadual ou municipal) a competência é absoluta do Juizado se o valor da causa for inferior a 60 
salários mínimos e da Vara Comum se superior. Por fim, há ainda a competência absoluta pelo valor da causa 
quando há divisão por alçada (foro central e regional). 
 
A incompetência relativa pode ser declarada de ofício? 
NÃO. Vide: 
Súmula n. 33 do STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício. 
 
Prorrogação da competência: 
A prorrogação da competência é fenômeno que pode ocorrer apenas perante o juízo relativamente 
incompetente (art. 54 e 65 do CPC). Nesse sentido, quando o réu não alega a incompetência relativa em 
preliminar de contestação (art. 337, inc. II, do CPC), ela se prorroga de forma tácita, tornando competente o 
juízo que era relativamente incompetente. 
 
Fixação ou determinação da competência: 
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo 
irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando 
suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.” 
 
Esse dispositivo consagra o Princípio da perpetuatiojurisdictionis. 
 
Do que se trata esse princípio? 
A causa se perpetua no juízo em que proposta, sendo inviável a modificação da competência, ainda que haja 
superveniência de outros fatos, salvo se o fato superveniente for referente à competência absoluta. 
 
Momento da perpetuação da jurisdição: 
A data da perpetuação da jurisdição é data do registro ou da distribuição da ação. A distribuição deve ser 
considerada no caso de haver mais de uma vara; registro é o para o caso de vara única. 
 
Alteração superveniente na competência absoluta afasta a perpetuação da jurisdição? 
 
 
 
 
 
19 
SIM. O CPC enuncia como exceção à regra da perpetuação a “competência absoluta”. Note que competência 
absoluta é gênero, possuindo diversas espécies. Portanto, qualquer mudança superveniência de mudança de 
competência absoluta tem aptidão para excepcionar a regra da perpetuação da jurisdição. 
 
O que é a supressão de órgão judiciário? Art. 947, §4o: 
o Relevante questão de direito + 
o Conveniência em se prevenir ou compor divergência entre câmaras e turmas do tribunal. 
 
Não há exigência de repetitividade de litígios subjacentes à sua instauração, ainda que se dirija à formação 
de precedentes obrigatórios. No entanto, para a existência do incidente de assunção de competência, faz-se 
necessário que existam decisões divergentes sobre uma mesma questão. 
 
O STJ, em fevereiro de 2023, entretanto, apontou um outro requisito de ordem prática: que o debate já tenha 
sido travado em outros momentos na Corte, a fim de amadurecer a discussão e evitar a fixação de uma tese 
de forma açodada: 
Não é cabível a instauração de incidente de assunção de competência (IAC) enquanto a questão de direito não 
tiver sido objeto de debates, com a formação de um entendimento firme e sedimentado, nos termos do § 4º 
do art. 927 do Código de Processo Civil. 
STJ. 2ª Seção. QO no REsp 1.882.957-SP, Min. Nancy Andrighi, julgado em 8/2/2023 (Info 764). 
 
O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os juízes e órgãos fracionários, exceto se 
houver revisão de tese. 
 
 
 
 
 
180 
O IAC é inadmissível no STJ fora das situações previstas no art. 947 do CPC/2015: julgamento de recurso, de 
remessa necessária ou de processo de competência originária. (STJ, AgInt na Pet 12.642/SP, DJe 19/08/2019). 
 
Obs.: A reclamação contra decisão que viola tese fixada no IAC independe de esgotamento da instância (STJ. 
2ª Seção.Rcl 40617-GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 24/08/2022 (Info 746). 
 
Incidente de resolução de demandas repetitivas: 
 Natureza jurídica: Incidente Processual que tem por finalidade assegurar um julgamento único da questão 
jurídica que seja objeto de demandas repetitivas, com eficácia vinculante sobre os processos em curso. 
Pressupõe-se, portanto, múltiplas demandas envolvendo a mesma questão de direito nas instâncias ordinárias. 
 
Cabimento: efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente 
de direito +risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica + ausência de afetação de recurso repetitivo em 
tribunal superior. 
 
Há divergência doutrinária se há necessidade de causa pendente no Tribunal ou se pode ser instaurado a partir 
de processo na 1ª instância: 
Enunciado n. 344 do FPPC - (art. 978, parágrafo único) A instauração do incidente pressupõe a existência de 
processo pendente no respectivo tribunal. (Grupo: Precedentes; redação revista no V FPPC-Vitória). 
 
Enunciado n. 22 do ENFAM - A instauração do IRDR não pressupõe a existência de processo pendente no 
respectivo tribunal. 
 
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que não caberá a instauração de IRDR se já encerrado 
o julgamento de mérito do recurso ou da ação originária, mesmo que pendente de julgamento embargos de 
declaração. 
(...) VI - O cabimento do IRDR, condiciona-se à pendência de julgamento, no tribunal, de uma causa recursal 
ou originária. Se já encerrado o julgamento, não caberá mais a instauração do IRDR, senão em outra causa 
pendente; mas não naquela que já foi julgada. Nesse sentido, o Enunciado n. 344 do Fórum Permanente de 
Processualistas Civis. 
[...] 
VIII - Tendo em vista a concepção dinâmica do contraditório como efetiva oportunidade de influenciar a 
decisão no procedimento (arts. 10 e 489, § 1º, do CPC/2015), o diferimento da análise da seleção da causa e 
admissibilidade do IRDR para o momento dos embargos de declaração importaria prejuízo à paridade 
 
 
 
 
 
181 
argumentativa processual, considerando que esse desequilíbrio inicial certamente arriscaria a isonômica 
distribuição do ônus argumentativo a ser desenvolvido, mesmo que os argumentos fossem pretensamente 
esgotados durante o curso do incidente. 
IX - Verifica-se que, de qualquer forma, o pedido de instauração do IRDR parece ter sido utilizado como via 
substitutiva - em uma causa multimilionária - para fins de reexame do mérito, quando já esgotadas todas as 
possibilidades recursais. Contudo, o IRDR não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. 
(AREsp 1470017/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 15.10.2019, DJe 
18.10.2019) 
 
Legitimidade: 
a) juiz ou relator (de ofício); 
b) partes; 
c) Ministério Público; 
d) Defensoria Pública. 
Nesse sentido: 
a) O juiz e o relator podem suscitar inclusive de ofício; 
b) O Presidente do Tribunal, o Presidente do colegiado e os demais integrantes do colegiado NÃO podem 
suscitar o incidente, ou seja, se o processo é no tribunal só o RELATOR poderá suscitar o IRDR; 
c) Caso não suscite o incidente, o Ministério Público participará do mesmo como fiscal da ordem jurídica 
(Lembrar que no CPC/73 era “fiscal da lei”); 
d) O membro do Ministério Público assume a titularidade do incidente caso ocorra desistência ou 
abandono do processo. 
e) Embora não esteja expressamente previsto no atual CPC, cumpre salientar que a legitimidade da 
Defensoria Pública é restrita à defesa dos necessitados ou dos hipossuficientes. 
 
Competência: O IRDR será dirigido ao Presidente do Tribunal, já o órgão competente para o julgamento será 
o indicado no regimento interno do tribunal, dentre aqueles responsáveis pela uniformização de 
jurisprudência, conforme art. 978 do CPC. 
 
Pressupostos 
São requisitos cumulativos: 
 Efetiva repetição de processos com controvérsia sobre a mesma questão unicamente de 
direito + 
 
 
 
 
 
182 
 Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica + 
 Inexistência de RE/REsp repetitivo afetado pelo STJ ou STF (art. 976, §4º). 
 
Assim, o IRDR não possui caráter preventivo, devendo já existir a repetição de processos (caso contrário, seria 
cabível o IAC se também existisse o interesse público). 
 
IRDR no STJ: 
1. O novo Código de Processo Civil instituiu microssistema para o julgamento de demandas repetitivas - nele 
incluído o IRDR, instituto, em regra, afeto à competência dos tribunais estaduais ou regionais federal -, a fim 
de assegurar o tratamento isonômico das questões comuns e, assim, conferir maior estabilidade à 
jurisprudência e efetividade e celeridade à prestação jurisdicional. 2. A instauração de incidente de resolução 
de demandas repetitivas diretamente no Superior Tribunal de Justiça é cabível apenas nos casos de 
competência recursal ordinária e de competência originária e desde que preenchidos os requisitos do art. 976 
do CPC. 
3. Quando a reclamação não ultrapassa o juízo de admissibilidade, não cabe a instauração do incidente de 
demandas repetitivas no Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo interno desprovido (STJ – Corte Especial, AgInt 
na Pet 11838 / MS, rel. Min. Lurita Vaz, rel. p. o ac. Min João Otávio de Noronha, DJe 10/09/2019) 
 
Recursos: da decisão do IRDR cabem embargos de declaração, RE ou REsp. 
 
Segundo entendimento do STJ, no sentido de que é irrecorrível o acórdão que admite ou inadmite o Incidente 
de Resolução de Demandas Repetitivas – IRDR. 
Podem ser apontadas três razões para se defender o não cabimento de recurso nestes casos: 
1) o art. 976, §3º, do CPC/2015 afirma que, mesmo depois de o IRDR não ter sido admitido é possível que se 
requeira a instauração de um novo IRDR, desde que satisfeito o pressuposto que não havia sido inicialmente 
cumprido, sanando-se o vício existente ao tempo do primeiro requerimento. 
2) o CPC só previu recurso contra a decisão que julga o mérito do IRDR; 
3) o acórdão que inadmite a instauração do IRDR não preenche o pressuposto constitucional da causa decidida 
apto a viabilizar o conhecimento de quaisquer recursos excepcionais, pois ausente o caráter de definitividade 
no exame da questão litigiosa. 
(STJ. 3ª Turma. REsp 1631846-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado 
em 05.11.2019) 
 
Juízo de admissibilidade: 
 
 
 
 
 
183 
O IRDR será distribuídoA supressão de órgão judiciário é a extinção do juízo ou do tribunal competente para julgar. Trata-se também 
de exceção a perpetuatio jurisdictionis¸ pois, uma vez extinto, não pode mais julgar o processo. 
 
ATENÇÃO! É de competência da Justiça estadual julgar insolvência civil mesmo que envolva a 
participação da União, de entidade autárquica ou empresa pública federal 
A insolvência civil está entre as exceções da parte final do artigo 109, I, da Constituição da República, para 
fins de definição da competência da Justiça Federal. 
STF. Plenário. RE 678162/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 
26.3.2021 (Repercussão Geral – Tema 859) (Info 1011). 
 
UNIÃO AUTORA UNIÃO RÉ 
Foro de domicílio do réu. Foros competentes: 
 Domicílio do Autor 
 Ocorrência o Ato ou Fato 
 Situação da coisa 
 DF 
 
ESTADO OU DF AUTOR ESTADO OU DF RÉU 
Foro de domicílio do réu. Foros competentes: 
 Domicílio do Autor 
 Ocorrência o Ato ou Fato 
 Situação da coisa 
 Na capital do respectivo estado federado 
 
CUIDADO! Quais os efeitos da Lei nº 13.876/2019 na modificação de competência? 
Antes da entrada em vigor da Lei nº 13.876/2019, a Justiça Estadual tinha competência delegada “automática” 
para julgar ações envolvendo segurado ou beneficiário contra INSS. 
 
 
 
 
 
20 
No entanto, a nova lei afirma que, nos termos do § 3º do art. 109 da CF/88, os juízes estaduais que atuarem 
em comarcas onde não houver vara federal, ficam autorizados a julgar processos da Justiça Federal desde 
que cumpridos os seguintes requisitos: 
• seja um processo envolvendo o INSS e o segurado; 
• a causa envolva benefícios de natureza pecuniária; 
• a comarca onde o segurado estiver domiciliado fica a mais de 70km da vara federal mais próxima. 
 
Os efeitos da Lei nº 13.876/2019 na modificação de competência para o processamento e julgamento dos 
processos que tramitam na Justiça Estadual no exercício da competência federal delegada insculpido no art. 
109, § 3º, da Constituição Federal, após as alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 103/2019, 
aplicar-se-ão aos feitos ajuizados após 1º de janeiro de 2020. 
As ações, em fase de conhecimento ou de execução, ajuizadas antes de 01/01/2020, continuarão a ser 
processadas e julgadas no juízo estadual, nos termos em que previsto pelo § 3º do art. 109 da Constituição 
Federal, pelo inciso III do art. 15 da Lei nº 5.010/65, em sua redação original. 
STJ. 1ª Seção. CC 170051-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 21.10.2021 (IAC 6) (Info 716). 
 
O autor pode optar pelo ajuizamento da ação contra a União na capital do Estado-membro, mesmo que 
exista Vara Federal instalada no município do interior em que ele for domiciliado: 
O art. 109, § 2º, da Constituição Federal encerra a possibilidade de a ação contra a União ser proposta no 
domicílio do autor, no lugar em que ocorrido o ato ou fato ou em que situada a coisa, na capital do estado-
membro, ou ainda no Distrito Federal. Desse modo, o autor, se quiser ajuizar demanda contra a União, terá 
cinco opções, podendo propor a ação: a) no foro do domicílio do autor; b) no lugar em que ocorreu o ato ou 
fato que deu origem à demanda; c) no lugar em que estiver situada a coisa; d) na capital do Estado-membro; 
ou e) no Distrito Federal. STF. 1ª Turma. RE 463101 AgR-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27.10.2015. 
STF. 2ª Turma. ARE 1151612 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19.11.2019 (Info 960). 
 
O uso da súmula n. 224 do STJ: 
Súmula n. 224 do STJ. Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da 
competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e NÃO suscitar conflito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
A quem compete processar e julgar ações rescisórias movidas por ente federal contra acórdão ou 
sentença da Justiça estadual? 
Compete ao Tribunal Regional Federal processar ação rescisória proposta pela União com o objetivo de 
desconstituir sentença transitada em julgado proferida por juiz estadual, quando afeta interesses de órgão 
federal. STF. Plenário. RE 598650/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 8.10.2021 (Repercussão Geral – Tema 775) (Info 1033). 
 
Obs.: Caso a demanda seja proposta na Justiça Federal e o ente da União tiver sua ilegitimidade reconhecida, 
com a consequente remessa dos autos à Justiça Estadual, competirá à JUSTIÇA FEDERAL a execução dos 
honorários sucumbenciais fixados na decisão interlocutória. STJ. 2ª Seção. CC 175883-PR, Rel. Min. Marco 
Aurélio Bellizze, julgado em 24.08.2022 (Info 747). 
 
Critério territorial (art. 46 a 53 do CPC): 
Segue quadro sintetizado acerca da competência: 
Pessoa Jurídica Ré Onde está a sede 
Obrigações que a Pessoa Jurídica 
contraiu 
Onde se acha Agência ou Sucursal 
Associação ou Sociedade sem 
personalidade jurídica 
Onde exerce suas atividades 
Exigir cumprimento Onde a obrigação deva ser satisfeita 
Direito previsto em Estatuto do Idoso Da residência do idoso 
Reparação de dano por ato praticado 
em razão do ofício 
Da sede da serventia notorial ou de registro 
Reparação de danos Do lugar do fato ou ato 
Em que for réu o administrador ou 
gestor de negócios alheios 
Do lugar do fato ou ato 
Reparação de dano sofrido em razão do 
delito ou acidente de veículos, 
inclusive aeronaves 
Do domicílio do autor ou 
Do local do fato 
Direito Obrigacional Domicílio do réu 
Direito Pessoal ou Real sobre bens 
MÓVEIS 
Domicílio do réu: 
 Mais de um domicílio: Qualquer deles 
 
 
 
 
 
22 
 Incerto ou desconhecido: Onde for encontrado ou no 
domicílio do autor 
 Sem residência ou domicílio no Brasil: Domicílio do autor 
(qualquer foro se o autor também residir fora do Brasil) 
 Dois ou mais réus de diferentes domicílios: À escolha do 
autor, em qualquer deles 
 Execução Fiscal: Domicílio do réu, no de sua residência ou 
no lugar onde for encontrado. 
Direito Pessoal ou Real sobre bens 
IMÓVEIS 
Da situação da coisa – COMPETÊNCIA ABSOLUTA 
Inventário, Partilha, ..., ainda que o 
óbito tenha ocorrido no estrangeiro. 
Do domicílio do autor da herança. Se não possui domicílio certo: 
 Situação dos bens imóveis 
 Bens imóveis em foros diferentes: qualquer 
 Não havendo bens imóveis: local de qualquer dos bens do 
espólio 
Ausente Último domicílio 
Incapaz Domicílio do seu representante ou assistente 
 
Outro fato relevante é a previsão da LINDB, em seu art. 12, que expressamente consigna: 
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver 
de ser cumprida a obrigação. 
§ 1º Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil. 
§ 2º A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pele 
lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta, quanto 
ao objeto das diligências. 
 
ATENÇÃO! 
- Em Mandado de Segurança, a competência territorial é absoluta. 
- A competência para julgar ações civis públicas é absoluta do foro em que ocorreu o dano. 
- O ECA e o Estatuto do Idoso também contam com hipótese de competência territorial absoluta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
Justiça Federal: 
Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais: 
I -processar e julgar, originariamente: 
a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos 
crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a 
competência da Justiça Eleitoral; 
b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região; 
c) os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal; 
d) os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal;e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal; 
II -julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da 
competência federal da área de sua jurisdição. 
 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal [NÃO Inclui as Sociedades de 
Economia Mista] forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de 
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
II -as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou 
residente no País; 
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; 
IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da 
União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a 
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; 
V – os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o 
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; 
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
VI –os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro 
e a ordem econômico-financeira; 
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de 
autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; 
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de 
competência dos tribunais federais; 
IX –os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; 
 
 
 
 
 
24 
X -os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a EXECUÇÃO de carta rogatória, após o 
"exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive 
a respectiva opção, e à naturalização; 
XI - a disputa sobre direitos indígenas. 
 
§ 1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte. 
§ 2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o 
autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, 
ou, ainda, no Distrito Federal. 
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em que forem parte instituição de 
previdência social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça estadual quando a comarca do 
domicílio do segurado não for sede de vara federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019) 
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na 
área de jurisdição do juiz de primeiro grau. 
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade 
de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos 
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do 
inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
 
A quem compete processar e julgar ação sobre a expedição de diploma de conclusão de curso superior, 
ainda que se limite ao pagamento de indenização? 
Justiça Federal. 
Compete à Justiça Federal processar e julgar feitos em que se discuta controvérsia relativa à expedição de 
diploma de conclusão de curso superior realizado em instituição privada de ensino que integre o Sistema 
Federal de Ensino, mesmo que a pretensão se limite ao pagamento de indenização. 
STF. Plenário. RE 1304964/SP, Rel. Min. Presidente Luiz Fux, julgado em 2.06.2021 (Repercussão Geral – Tema 
1154). 
 
Obs.: CUIDADO! A Súmula n. 570, do STJ, restringe a competência da Justiça Federal para as ações que 
discutam o credenciamento da instituição perante o MEC como obstáculo para a expedição do diploma, no 
entanto o STF não faz essa distinção, admitindo na Justiça Federal a demanda meramente indenizatória 
(Tema 1154 - Tese: Compete à Justiça Federal processar e julgar feitos em que se discuta controvérsia 
 
 
 
 
 
25 
relativa à expedição de diploma de conclusão de curso superior realizado em instituição privada de ensino 
que integre o Sistema Federal de Ensino, mesmo que a pretensão se limite ao pagamento de indenização.). 
 
Competência delegada: 
Originariamente, a redação do art. 109, §§ 3º e 4º, da CF, estabelecia que nos locais onde não houvesse vara 
federal, seriam processadas e julgadas na Justiça Estadual, no foro de domicílio dos segurados ou 
beneficiários, as causas em que fosse parte instituição de previdência social (INSS), com recurso para o 
respectivo Tribunal Regional Federal. Constava também que, observada essa condição (ausência de órgão da 
Justiça Federal na Comarca), a lei poderia permitir que outras causas de competência material da Justiça 
Federal fossem processadas na Justiça Estadual (também com recurso para o TRF). 
Pois bem, a EC 103/2019 alterou a redação do §3º art. 109 da CF no tocante às demandas previdenciárias, 
veja: 
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em que forem parte instituição de 
previdência social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça estadual quando a comarca do 
domicílio do segurado não for sede de vara federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019) 
 
Então não existe mais a possibilidade de ter a competência delegada, inclusive nas demandas 
previdenciárias? 
Não é bem isso. É que, com a redação anterior, a delegação da competência em ações que tinha o INSS de um 
lado e o segurado de outro tinha eficácia plena, porém, agora, com a nova redação, para haver a delegação 
para a Justiça Estadual deve haver integralização da norma constitucional por meio de lei federal. Caberá ao 
legislador federal definir em que situações é possível admitir a delegação de competência federal para a 
Justiça Estadual. 
 
Alterações promovidas pela Lei 13.876/2019: 
Ainda em 2019 a Lei 13.876/2019 alterou a Lei 5.010/66 (que organiza a Justiça Federal de Primeira Instância) 
para regulamentar hipóteses de processamento de ações na Justiça Estadual de causas que forem parte 
instituição de previdência social e segurado, vide: 
Lei 5.10/66, Art. 15. Quando a Comarca não for sede de Vara Federal, poderão ser processadas e julgadas na 
Justiça Estadual: (Redação dada pela Lei nº 13.876, de 2019) 
(...) 
III - os feitos ajuizados contra instituições previdenciárias por segurados ou beneficiários residentes na 
Comarca, que se referirem a benefícios de natureza pecuniária. (Vide Decreto-Lei nº 488, de 1969) 
 
 
 
 
 
26 
III - as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado e que se referirem a benefícios 
de natureza pecuniária, quando a Comarca de domicílio do segurado estiver localizada a mais de 70 km 
(setenta quilômetros) de Município sede de Vara Federal; (Redação dada pela Lei nº 13.876, de 2019) 
 
Assim, como visto do dispositivo retro, restou mantida a existência da competência material delegada, da 
Justiça Federal para a Estadual em ações para obtenção de benefício de natureza pecuniária contra o INSS 
(autarquia federal), porém, apenas se a Comarca da Justiça Estadual do domicílio do segurado estiver 
localizada a mais de 70 (setenta) quilômetros de município sede de Vara Federal. 
Lado outro, para os casos em quehaja Vara Federal em distância de até 70 km do domicílio do segurado, não 
existe mais a possibilidade de ajuizamento de ações contra o INSS na Justiça Estadual, devendo o segurado 
demandar perante a Justiça Federal em um dos foros concorrentes do art. 109, § 2º, da CF, entre os quais está 
o de seu domicílio. 
 
Outros pontos importantes: 
 A competência para julgar as causas que tenham como parte sociedade de economia mista é da 
justiça comum estadual (súmula 508 do STF). 
 A competência para julgar as causas que envolvem os Conselhos Profissionais é da justiça federal. 
 Prevalece o entendimento de que o ingresso do MPF desloca a competência para a justiça federal. 
 Repetição de indébito relacionada a tarifa de energia elétrica: justiça estadual 
 Usuário de telefonia contra concessionária: justiça estadual. 
 Ainda que haja necessidade de reconhecimento de união estável, a competência para julgar ação 
de pensão ajuizada em face do INSS ou da União Federal é da justiça federal. 
 Ações ajuizadas contra o CNJ e CNMP: 
Até pouco tempo, o STF entendia que a sua competência, no caso de ações ajuizadas contra o CNJ e o CNMP, 
se restringia aos casos em que esses órgãos figurassem no polo passivo, ou seja, no julgamento de Mandados 
de Segurança, habeas corpus e habeas data. Nesse sentido, as ações ordinárias seriam de competência da 
Justiça Federal de Primeira Instância. 
 
Ainda prevalece esse entendimento? 
NÃO. Nos termos do artigo 102, inciso I, alínea ‘r’, da Constituição Federal, é competência exclusiva do 
Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente todas as decisões do Conselho Nacional de 
Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público proferidas no exercício de suas competências 
 
 
 
 
 
27 
constitucionais respectivamente previstas nos artigos 103-B, parágrafo 4º, e 130-A, parágrafo 2º, da 
Constituição Federal (STF. Plenário. ADI 4412, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.11.2020). 
 A partir da vigência da Lei nº 13.043/14, não há mais competência delegada à justiça estadual para 
execuções fiscais da União, autarquias e fundações. 
 
A quem compete julga mandado de segurança que envolva Instituição de ensino superior particular? 
Justiça federal. 
É da Justiça estadual, via de regra, a competência para julgar a AÇÃO em que se discute a legalidade da 
cobrança de instituição de ensino superior estadual, municipal ou particular de taxa para expedição de 
diploma de curso, salvo quando se tratar de MANDADO DE SEGURANÇA cuja impetração se volta contra ato 
de dirigente de universidade pública federal ou de universidade particular, hipótese de competência da 
Justiça Federal (STJ. 2ª Turma. REsp 1295790-PE, Rel. Mauro Campbell Marques, julgado em 6.11.2012). 
 
ATENÇÃO! Percebam que, no mesmo art. 109, há o estabelecimento de algumas exceções: 
 As causas que são de competência das Justiças Especiais; 
 As que versem sobre acidente de trabalho e falência. 
 
Em se tratando de ações que envolvam acidente de trabalho, devem-se distinguir três situações: 
Segurado X INSS requerendo benefício acidentário (ação previdenciária) Justiça Estadual 
Trabalhador X Empregador requerendo indenização pelo acidente (ação 
indenizatória) 
Justiça do Trabalho 
INSS X empresa em ação regressiva pelos benefícios acidentários pagos Justiça Federal 
 
A quem compete decidir se há ou não interesse da União e entidades federais? 
UNIÃO. 
Súmula n. 150 do STJ: Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique 
a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas. 
 
Justiça Estadual: 
A competência da justiça estadual é residual. Assim, abrange os processos que não dizem respeito a jurisdição 
especial e nem são de competência da justiça federal. 
 
 
 
 
 
 
 
28 
h) Incompetência: 
A incompetência relativa deve ser arguida em preliminar de contestação, sob pena de preclusão. 
Obs.: Na Justiça do Trabalho, a incompetência relativa é arguida por meio de exceção de incompetência. 
A incompetência absoluta pode ser arguida em qualquer tempo e grau de jurisdição, inclusive de ofício pelo 
Magistrado. No CPC, o reconhecimento da incompetência absoluta não implica imediata nulidade dos atos 
decisórios. Assim, as decisões permanecem válidas até o pronunciamento do juízo competente. 
 
Súmula n. 59 do STJ. Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado, proferida 
por um dos Juízos conflitantes. 
 
i) Conexão e competência: 
Art. 54. A competência RELATIVA poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o 
disposto nesta Seção. 
Art. 55. Reputam-se conexas2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido OU a causa de pedir. 
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido 
sentenciado. 
§ 2º Aplica-se o disposto no caput: 
I -à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; 
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo. 
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões 
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. 
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partesE à 
causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. 
Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo 
relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão 
necessariamente reunidas. 
Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas 
simultaneamente. 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária, a 
competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel. 
Art. 61. A ação acessória será proposta no juízo competente para a ação principal. 
Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por 
convenção das partes. 
 
 
 
 
 
29 
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde 
será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. 
§ 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a 
determinado negócio jurídico. 
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. 
§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, 
que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. 
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena 
de preclusão. 
 
Resumindo: 
 CONEXÃO: Duas ou mais ações com PEDIDO ou CAUSA DE PEDIR comum. Não necessita identidade 
das partes. Processos conexos reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. 
 CONTINÊNCIA: Identidade quanto às PARTES e CAUSA DE PEDIR. O pedido de uma é mais amplo e 
abrange as demais. Se o processo que tiver o objeto mais amplo for distribuído primeiro: EXTINÇÃO SEM 
RESOLUÇÃO DO MÉRITO do outro. Se o contrário acontecer: REUNIÃO. 
 Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões 
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. 
 
COMPILADO JURISPRUDENCIAL 
É inadmissível a renúncia em sede de homologação de provimento estrangeiro. Precedente: SEC 8.542-EX 
 
A ausência de jurisdição brasileira conduz necessariamente à falta de interesse processual na homologação 
de provimento estrangeiro. Precedente:SEC 8.542-EX 
 
Compete à Justiça Comum Estadual o julgamento de demanda com natureza predominantemente civil entre 
ex-empregado aposentado ou demitido sem justa causa e operadoras de plano de saúde na modalidade 
autogestão vinculadas ao empregador. Precedente: CC 157.664-SP 
 
O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação civil pública que visa à anulação da tramitação 
de Projeto de Lei do Plano Diretor de município, ao argumento da falta de participação popular nos respectivos 
trabalhos legislativos. Precedente: REsp 1.687.821-SC 
 
 
 
 
 
 
30 
Com a entrada em vigor do CPC/2015, tornou-se necessário que a sentença estrangeira esteja eficaz no país 
de origem para sua homologação no Brasil. Precedente: SEC 14.812-EX 
 
Os honoraŕios advocatićios nascem contemporaneamente à sentenca̧ e não preexistem à propositura da 
demanda, devendo observar as normas do CPC/2015 nos casos de decisões proferidas a partir de 
18/3/2016. Precedente: REsp 1.636.124-AL 
 
Cabe agravo de instrumento contra o provimento jurisdicional que, após a entrada em vigor do CPC/2015, 
acolhe ou rejeita incidente de impugnacã̧o à gratuidade de justica̧ instaurado, em autos apartados, na vigência 
do regramento anterior. Precedente: REsp 1.666.321-RS 
 
A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a sucumbência é regida pela lei vigente na data da 
sentença. Precedente: REsp 1636124/AL 
 
Associacã̧o de Municiṕios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para tutelar em juiźo direitos e interesses 
das pessoas jurid́icas de direito público. Precedente: REsp 1.503.007-CE 
 
O STJ entendeu que a verba honorária pertence à Fazenda Pública e não ao advogado público, 
permitindo, inclusive, que esse valor fosse compensado com dívida do ente público a ser recebida pelo 
devedor dos honorários advocatícios (AgInt no AREsp n. 1.834.717/SP, relator Ministro Mauro Campbell 
Marques, Segunda Turma, julgado em 10.5.2022, DJe de 19.5.2022.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
2. A FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO E SUAS PRERROGATIVAS 
 
 
Fazenda Pública: 
O conceito de Fazenda Pública não abarca todas as pessoas jurídicas exercem funções descentralizadas, mas 
apenas aquelas que possuem personalidade jurídica de direito público. 
Inicialmente, os entes da Administração Direta ou Entes Federados são pessoas jurídicas com personalidade 
jurídica de direito público por excelência. 
As autarquias são entidades da administração indireta, dotadas de personalidade jurídica de direito público 
e que exercem atividades típicas de Estado, conforme definição contida no art. 5º, I, do Decreto-Lei 200/1967. 
No conceito de autarquias estão as agências reguladoras, que nada mais são do que autarquias em regime 
especial. 
Os conselhos de classe profissional também têm natureza jurídica de autarquias, pois exercem poder de 
polícia. Conforme decidido pelo STF na ADI 1.717, estas entidades não podem ter personalidade jurídica de 
direito privado. Apesar de possuírem tratamento fazendário, esses conselhos não se submetem ao regime de 
precatório - STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado 
em 19.4.2017 (repercussão geral) (Info 861). 
 
Os Conselhos de Fiscalização Profissional detêm natureza jurídica de autarquias e, dessa forma, possuem as 
prerrogativas processuais conferidas à Fazenda Pública. STJ. 2a Turma. AgRg no Ag 1388776/RJ, Rel. Min. 
Herman Benjamin, julgado em 07.06.2011. 
 
Exceção: Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: 
CREA, CRM, COREN, CRO) NÃO se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. 
Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 19.4.2017 (repercussão geral) (Info 861). 
 
As agências executivas não constituem uma nova espécie de entidade da administração indireta. Na verdade, 
são autarquias ou fundações públicas qualificadas por meio de um contrato de gestão na forma do art. 51 da 
Lei nº 9.649/98. Portanto, também estão inclusas no termo Fazenda Pública 
As fundações públicas com personalidade jurídica de direito privado serão aquelas cuja criação é autorizada 
por lei, mas se efetiva através do registro do seu ato constitutivo no registro público de pessoas jurídicas. Estas 
não estão incluídas no conceito de Fazenda Pública. 
 
 
 
 
 
32 
As fundações públicas com personalidade jurídica de direito público serão aquelas cuja criação é feita 
diretamente por lei, consistindo em uma espécie de autarquia denominada de autarquia fundacional. Deste 
modo, estão inclusas no conceito de Fazenda Pública. 
Por fim, as empresas públicas e sociedades de economia mista são entidades dotadas de personalidade 
jurídica de direito privado, especialmente por atuarem diretamente no domínio econômico através da 
prestação de serviços públicos ou de atividades econômicas em sentido estrito. 
Estas não estão incluídas no conceito de Fazenda Pública, pois caso estivessem, gozariam de benefícios que 
não são estendidos aos particulares, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal: 
Art. 173, §2º. As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios 
fiscais não extensivos às do setor privado. 
 
Há uma exceção! Segundo o Decreto-Lei nº 509/1969, “a ECT gozará [...] dos privilégios concedidos à Fazenda 
Pública, quer em relação a imunidade tributária, direta ou indireta, impenhorabilidade de seus bens, rendas 
e serviços, quer no concernente a foro, prazos e custas processuais”. 
Ou seja, mesmo a ECT sendo uma empresa pública, ela acaba tendo seu regime jurídico equiparado à Fazenda 
Pública. O STF considera que esta previsão é válida pois esta empresa pública presta serviço exclusivo da União 
(art. 22, V, da CF/88) e não há uma atuação em regime concorrencial. Neste sentido: 
(...) 1. À empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, pessoa jurídica equiparada à Fazenda Pública, é aplicável 
o privilégio da impenhorabilidade de seus bens, rendas e serviços. Recepção do artigo 12 do Decreto-lei nº 
509/69 e não-incidência da restrição contida no artigo 173, § 1º, da Constituição Federal, que submete a 
empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividade econômica ao 
regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. 2. Empresa 
pública que não exerce atividade econômica e presta serviço público da competência da União Federal e por 
ela mantido. Execução. Observância ao regime de precatório, sob pena de vulneração do disposto no artigo 
100 da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e provido. 
(RE 220906, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 16.11.2000, DJ 14-11-2002 PP-
00015 EMENT VOL-02091-03 PP-00430) 
 
Por outro lado, o STF estende a prerrogativa da Fazenda Pública de pagamento através de precatório 
caso a estatal seja prestadora de serviço público e não atue em regime concorrencial: 
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio 
do Estado e de natureza não concorrencial. 
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23.3.2017 (Info 858). 
 
 
 
 
 
33 
É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista 
prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos 
trabalhistas. 
Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de 
precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e 
serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional 
dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB,

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