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19
JULIANA BRAZ DE LIMA
B
ESTUPRO DE VULNERÁVEL VIRTUAL
 
SÃO BERNARDO DO CAMPO
2019
JULIANA BRAZ DE LIMA
ESTUPRO DE VULNERÁVEL VIRTUAL
Projeto apresentado ao Curso de pós graduação DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL da Instituição LEGALE EDUCACIONAL
Orientador: 
SÃO PAULO
2019
15
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	4
1.1 O PROBLEMA	5
2 OBJETIVOS	5
2.1 OBJETIVO GERAL OU PRIMÁRIO	5
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS OU SECUNDÁRIOS	6
3 JUSTIFICATIVA	7
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA	8
5 METODOLOGIA	12
6 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO	13
REFERÊNCIAS	14
1 INTRODUÇÃO
A atual Legislação Penal Brasileira, em seu (artigo 217-A), da Lei n. 12.015 de 2009, relaciona que só é caracterizado estupro de vulnerável com ato da conjunção carnal, porém há pontos contravertidos na sociedade entre o direito e a tecnologia com a influência americanizada a juventude evoluiu o conceito de sexualidade. Este trabalho é relevante para compreensão de que; falar de sexo e violência é assuntos delicados, e quando tratamos de crianças vítimas no ambiente virtual requer atenção. Por intermédio da interpretação Dogmática à Luz do Direito Penal “Fumus boni juris” podemos observar cumulativamente a somatória de condutas, á saber o artigo 213- CP prevê o tipo misto e alternativo do crime de estupro, “constrangimento ilegal”, “violência ou grave ameaça” mais a “conjunção carnal” ou “outro ato libidinoso” sendo praticados no mesmo contexto, no ambiente virtual e com vítimas vulneráveis, comprovados os fatos, trataremos então do artigo 217-A, crime qualificado, de forma hedionda, com a divulgação de cenas de estupro e estupro de vulnerável artigo 218-C (Lei n.13.718 de setembro de 2018). O objetivo é analisar a possibilidade jurídica de imputação ao crime de dignidade sexual em relação ao estupro de vulnerável sem o contato físico, isso implica responsabilidade dos operadores do direito à não cometerem injustiças. Esclarecer a distinção entre duas vertentes que se manifestam a respeito da vulnerabilidade Absoluta ou Relativa demonstrando um paralelo bibliográfico e análises jurisprudenciais a cerca atos libidinosos e tecnologia.
1.1 DIREITO VIRTUAL
	O mundo digital facilitou a prática dos crimes contra a Dignidade Sexual, ou seja, quando usamos esse termo “virtual” parecem-nos até que estamos em outro mundo e não se tratando de pessoas cometendo crimes. O Termo “Virtual” é a forma em que o agente trouxe para atingir seu objetivo, constrangendo alguém mediante a violência ou grave ameaça, a cometer algum ato que venha satisfazer a própria lascívia, sexualmente falando um desejo íntimo próprio, praticado atrás das câmeras, webcam, computadores, ou através de um próprio celular. Hoje, sabemos que as pessoas ao acordarem, o primeiro momento é pegar o celular e observar o que está acontecendo na tela, é intuitivo iniciar o dia fazendo uso da internet, esse hábito de conversar com outra pessoa implica grande responsabilidade. 
	A codificação das relações sociais em relações virtuais, o jovem contemporâneo busca por identificação a partir da criação de um perfil forma a identidade no mundo virtual, porém esta independe de lugar, cultura, etnia e nacionalidade. As pessoas que cometem esse tipo de crime “Estupro Virtual”, não observam que existem meios para localizar e identificar o agente, não imaginando que existem formas de rastreabilidade criam perfis falsos. 
	O crime virtual nada mais é do que cometer o delito através de um computador, uma rede social, um aplicativo do próprio aparelho celular para extorquir a vítima coagida, apesar de a sociedade ter uma visão ultrapassada da presença do contato físico para o crime de estupro. Essa é a “força”, o domínio mental da vítima constrangida atacando o psicológico com vantagens, palavras de ordem, ameaças e extorsão. Basta uma foto íntima para entrar num labirinto de vantagem, assim também os parentes mais próximos podem entrar nesse jogo se a vítima não atender as exigências e finalidades de satisfazer seus desejos sexuais. Esse meio propício para obter a satisfação da lascívia agora não necessita especificamente do contato físico basta o cometimento de outros atos libidinosos da conjunção carnal sobre violência ou grave ameaça, esse é o grande enfoque que iremos discorrer adiante.
1.2 DIGNIDADE SEXUAL, CRIME HEDIONDO: ESTUPRO
A Dignidade Sexual está interligada à Dignidade Humana, são princípios basilares e norteadores da pessoa de direito e garantias constitucionais, uma vez violados esses direitos da intimidade abrange o Direito Civil, á reparação do dano moral, quando uma pessoa encontra-se afetada em seu ânimo psíquico, moral e intelectual, seja por ofensa à sua honra, na sua privacidade, intimidade, imagem, nome ou em seu próprio corpo físico, e poderá estender-se ao dano patrimonial se a ofensa de alguma forma impedir ou dificultar a liberdade sexual da vítima.
Tutela-se, com maior zelo, como no crime de estupro, a liberdade sexual, a honra sexual do homem e da mulher, crime hediondo, conceito que aprofundaremos no item Crimes Hediondos Lei nº 8.072/90, visto que o uso da violência física ou grave ameaça a ter conjunção carnal se arrastam danos e proporções irreparáveis.
Hedionda: não há chance de defesa á vítima, cruel, repugnante, escatológico, desumano, depravado, vicioso, sórdido, imundo, repelente, horrendo, sinistro, pavoroso, medonho, que cheira mal, fedorento. 
Os crimes hediondos estão elencados no art. 1º da Lei, em oito incisos (a Lei nº 9.695, de 20-8-1998, acrescentou o inciso VII-B; o VII-A foi vetado; o inciso VIII foi incluído pela Lei nº 12.978, de 21-5-2014) e parágrafo único. São os seguintes: 1) homicídio simples, quando praticado em atividade típica de grupo, e homicídio qualificado; 2) latrocínio; 3) extorsão comum qualificada pela morte; 4) extorsão mediante sequestro nas formas simples e qualificadas; 5) estupro nas formas simples e qualificadas; 6) estupro de vulnerável nas formas simples e qualificadas; 7) epidemia com resultado morte; 8) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destilado a fins terapêuticos ou medicinais; 9) genocídio. 
Contudo, exclusivamente hediondez, toda vez que uma conduta dolosa permanente coberta de gravidade, seja na execução, quando o agente revela total desprezo pela vítima, insensível ao sofrimento físico ou moral a que reprime, seja quanto à natureza do bem jurídico ofendido, seja ainda pela especial condição das vítimas ou a intensidade da repulsa causada na comunidade, o Legislador quis destacar Crimes Hediondos inafiançáveis e insuscetíveis de anistia, graça e indulto (CF art.5º, XLIII. Lei 8.072/90).
Assim, como vimos a Constituição Federal de 1988 no seu art.5º inciso XLIII, qualifica o delito imperativo à tipificação por força do princípio da reserva legal, o crime de estupro, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, antes de 2009, respondia pelo artigo 214, hoje pelo artigo 213; crime único, ação múltipla de conteúdo variável (art. 213, caput e §§ 1º, 2º) três são as formas qualificadas: duas tradicionais com resultado qualificado e outra em razão de vítimas menores (idades entre 14 e 18 anos); estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º) prevê duas formas qualificadas pelo resultado: no § 3º do art. 217-A se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave, no § 4º se resultar morte. Passamos então a compreender o crime de estupro e exploração sexual nas redes sociais, o mais conhecido estupro virtual.
1.3 O QUE É ESTUPRO VIRTUAL
Esse termo especificamente falando é um tema totalmente novo, inclusive não está expressamente no Código Penal, essa novidade surgiu em meados de 2010 com a expressão americana “sextors”, ou seja, sexo sobre extorsão, e ele está classificado atualmente no Código Penal Brasileiro no (Artigo 213- CP), mas anteriormente desta novidade em 2009, ocorreram algumas alterações na redação da Lei, no corpo dessa nova redação (Lei nº 12.015, de 7-8-2009), introduziu algumas palavras que atualmente o legislador trouxe a interpretaçãoliterária, onde podemos agora conseguir penalizar através dessa simples leitura da redação:
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena- reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
A extorsão é uma forma de chantagem online, envolve persuadir a vítima para que ela realize atos relacionados a práticas sexuais. A tipicidade do “comportamento de estupro virtual” para parcela da doutrina, ele pode ser uma das formas do sextorsão, hoje já temos um caso concreto e com base nele já temos parcela dos operadores do direito adotando uma corrente, e outra parte adotando outra corrente, então fica muito mais fácil entendermos o “estupro virtual” partindo do caso ocorrido em (Teresina, Piauí), o exemplo: 
Vamos imaginar que o Ex-namorado tem fotos íntimas da Ex- namorada, fotos dela “pelada”, fotos em pleno ato de libidinagem, então ele armazena consigo essas fotos; passando a constrangê-la ameaçando-a publicá-las se forem contrariados seus desejos. 
Vejam; aqui é importante percebermos o seguinte: O caso hipotético da Ex-namorada, ele passa a constrangê-la a publicar fotos nas redes sociais. Sextorsão podem configurar vários delitos, tudo vai depender do sextorsão, o caso é; o agente empregar grave ameaça; consistente na promessa de divulgação de material íntimo da vítima, caso esta se recuse a atender suas exigências, a depender das circunstâncias três podem ser os crimes:
1º) Se o agente simplesmente constranger a vítima, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda, estamos diante do delito de constrangimento ilegal (artigo 146- CP) : se o agente com aquelas imagens por exemplo, ele fala pra ela; “ou você rompe esse seu novo relacionamento, ou eu vou divulgar essas fotos”. Vejam; ele não buscou vantagem econômica, ou buscou satisfazer a lascívia ou apetite, ou desejo sexual. Não, “ele simplesmente com fotos queria ver a Ex-namorada terminando com o atual namorado” isso configura o constrangimento ilegal.
2º) Se o Ex-namorado constrange a vítima com intensão “intuito de obter para si ou para outrem de indevida vantagem econômica”; vantagem econômica; estamos diante de extorsão (art. 158- CP). Nesse caso ele acabou exigindo constrangê-la com indevida vantagem econômica. Lembrando que o delito de Extorsão de acordo com a Súmula 96 do STJ é crime formal ou de consumação antecipada, consuma-se o constrangimento ilegal, dispensa o locupletamento ilícito, se ele consegue a indevida vantagem, ele consegue o exaurimento, o juiz vai considerar na fixação da pena base.
3º) Ele constrange a Ex-namorada sob pena de divulgar aquelas imagens para que ela mande mais fotos; pra que ela mande vídeos; pra que ela fique na webcam por exemplo praticando atos de libidinagem e ele possa à distância satisfazer a sua lascívia; ele obriga que essa Ex-namorada fique se tocando, fique explorando o seu próprio corpo. Neste caso, (ROGÉRIO SANCHES) defende que a sextorsão configura sim o delito de estupro (...). 
O STJ vem decidindo reiteradamente que o crime de estupro dispensa contato físico entre os envolvidos. É “o estupro virtual”. Vejam; então o sextorsão, ou a conduta “Sextorsão” termo americano, pode configurar três crimes a depender do caso concreto; 1º) Constrangimento ilegal (art. 146-CP),2º) Extorsão (art. 158-CP), se o constrangimento visar indevida vantagem econômica, 3º) Estupro (art. 213-CP) se o constrangimento buscar a satisfação de desejo sexual. Neste sentido (JEFERSON BOTELHO, delegado de polícia) defende Sextorsão com a finalidade libidinosa não praticada especificamente com a vítima, ele entende que existe uma lacuna e nessa lacuna não podemos supri-las em prejuízo do réu (...).
Se a conduta da sextorsão buscar vantagem sexual e sendo a vítima pessoa vulnerável podemos eventualmente nos deparar com a possibilidade da infiltração de agentes na internet (art. 190-A do ECA), vejamos a seguir a vulnerabilidade absoluta e relativa lembrando sempre que “conjunção carnal” é a introdução total ou parcial do pênis na cópula vagínica e “ato libidinoso diverso” são todos os atos preliminares que antecedem a conjunção carnal, revestido de conotação sexual, a exemplo do sexo oral, do sexo anal, dos toques íntimos, da introdução de dedos ou objetos na vagina ou no ânus, da masturbação etc. Entretanto, praticados quaisquer condutas contra vulnerável constitui a consumação do delito de estupro de vulnerável, sendo que no estupro de vulnerável necessita do dolo, mas o legislador diz que; só o fato de praticar conjunção carnal com menores de 14 anos é considerado Estupro, inobservados o caráter volitivo, a coação física irresistível afastando a voluntariedade, livre, consciente e desembaraçada.
Igualmente, desta vez no interior do Estado de Goiás, a polícia civil investiga o crime virtual. A delegacia de crimes cibernéticos cumpriu o mandado de busca e apreensão na casa de um homem suspeito de praticar o estupro virtual. A delegada Sabrina Lélis explica o estupro é tipificado no (art. 213 do Código Penal), quando a vítima, no caso a adolescente de 16 anos foi constrangida e ameaçada a praticar “Atos libidinosos em si mesmas e enviar vídeos para o autor que manteve contato através de um perfil de rede social”, a delegacia estadual de repressão de crimes cibernéticos através de investigações e ferramentas próprias de computação forense chegou até o proprietário desse perfil no qual teve busca e apreensão em sua residência, serão realizadas perícias no computador, no Smartfone, em pen draves que foram apreendidos.
Anteriormente as ameaças, os envolvidos mantinham contato virtual através de perfis social, que ela acreditava ser um relacionamento com suposto namorado, com base nessa crença, confiança e crédito que depositou nele enviou imagens pornográficas; o criminoso depois de posse das imagens obtidas dela passou então ameaça-la e obriga-la a produzir e enviar mais. Se comprovados os fatos, ele responderá pelo crime de estupro artigo 213 do Código Penal com pena de reclusão de até 10 anos, também responderá pelo art. 241-A do ECA pelo compartilhamento de imagens pornográficas do infanto juvenil.
1.3 VULNERABILIDADE ABSOLUTA E RELATIVA
A vulnerabilidade do adolescente menor de 14 anos nos crimes sexuais encontra-se pontos controvertidos no que tange ao seu caráter absoluto ou relativo, frente às evoluções sociais que afetam o desenvolvimento dos adolescentes nessa fase de transição da vida infantil para a vida adulta.
Trata-se de um estupro qualificado pelas circunstancias já existentes, crime previsto no artigo 217-A, tutela-se com maior zelo, como no estupro do art. 213, a liberdade sexual, agora dos vulneráveis, conceito que aprofundaremos:
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: 
Pena- reclusão, de 8(oito) a 15(quinze) anos.
§1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.
§2º (vetado)
§3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena- reclusão, de 10(dez) a 20 (vinte) anos.
§4º Se da conduta resulta morte:
Pena- reclusão, de 12(doze) a 30(trinta) anos. 
A vulnerabilidade pode ser no momento do ato da conjunção carnal ou praticado com qualquer pessoa descrita no art. 217-A, pouco importando se a pessoa consentiu ou não, se ela tinha experiência ou não, se era capaz de consentir de fato. Cuidado; no caso de vulnerabilidade por idade, menor de 14 anos o STJ seguido do STF entende que a vulnerabilidade é absoluta. Não importa se consentiu, não importa se os envolvidos eram namorados, não importa a experiência sexual da vítima, existe o “Estupro de Vulnerável”.
O beijo lascivo, por exemplo; se praticado com menores de 14 anos pode ser considerado estupro de vulnerável, a culpa nunca é da vítima, não importa se ela falou “Sim”sendo ameaçada. No momento em que ele fala “Não”, esse “Não” deve ser respeitado, no momento em que essa pessoa ficou sem reação, ou estava dopada, a vítima não tem culpa porque não existe o caráter volitivo, portanto sendo menores de 14 anos, independe de violência ou grave ameaça é estupro de vulnerável.
Para (Rogério Sanches, Código Penal especial e Código de Processo Penal para concurso, p.305, edição 2019) ele entende que não basta a condição da vítima, é imprescindível ainda comprovar-se que a vítima não tinha discernimento para a prática do ato, logo nesses dois últimos casos a vulnerabilidade é relativa. Por exemplo; uma pessoa portadora da doença “Síndrome de Dwoh” mantém atos de libidinagem com outra, o outrem não vai responder pelo artigo 217-A, salvo se ficar comprovada que a vítima portadora da “Síndrome de Dwoh” não tinha capacidade de discernimento para a prática do ato, outra conclusão é colocar a pessoa com deficiência mental no total escanteio da vida sexual, e não é isso que se quer, se o Estatuto da pessoa com deficiência já colocou um ponto final radicalmente nesse assunto. Eventual interdição é para fins meramente patrimoniais, a pessoa portadora de necessidades especiais, a pessoa com deficiência se quer precisa ser acompanhada para a vida no matrimônio. Cuidado; o Estatuto da pessoa com Deficiência deixa claro que não é porque a pessoa, por exemplo; portadora da doença “Síndrome de Dwoh” deve ser encarada como incapaz e ser interditada para todos os atos da vida civil. Não!. A incapacidade, a interdição hoje é quase que restrita, as questões patrimoniais, e mesmo assim de forma muito temperada, (...). 
Nesse entendimento, se estivermos diante de uma vulnerabilidade em razão da idade, os Tribunais Superiores já fecharão a tese de que a vulnerabilidade é Absoluta, mas as demais hipóteses de vulnerabilidade precisam ficar comprovadas não só a condição da vítima, mas a sua incapacidade de discernimento para a prática do ato, se o agente mantiver atos de libidinagem consentidos por uma pessoa “Síndrome de Dwoh”, e se essa pessoa consentir e não ficar comprovado que não tinha discernimento para a prática doa ato, não existe o crime, basta lembrar que a Rede Globo de televisão fez uma novela onde pessoas portadoras da doença praticavam atos de libidinagem, não chegavam obviamente à conjunção carnal, mas praticavam atos de libidinagem no sentido amplo.
Os Crimes Sexuais trata-se de matéria híbrida que aborda o Direito Penal e Processo Penal, sendo assim a Ação Penal é Pública Incondicionada, ora alterada o artigo 225 do CP pela Lei 13.718 de 2018, conceito que estudaremos o capítulo subsequente. 
2 AÇÃO PENAL
	Nos crimes sexuais, até 2009 eram de ação penal privada e passou-se ação penal pública condicionada a representação. O referido artigo 225 do Código Penal de 2018 inexiste ação penal condicionada, hoje é ação incondicionada.
	As alterações trazidas pela Lei 13.718 de setembro de 2018 nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada: de metade à 2/3 se do crime resulta gravidez; de 1/3 à 2/3 se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com deficiência.
2.1 PEDERASTIA
	Pederastia é crime de ato libidinoso praticado por militares, esse termo “Pederastia” de acordo com o STF é inconstitucional, em 28 de outubro de 2015, a Corte declarou como não recepcionados na Constituição Federal os termos “Pederastia ou outro” e “homossexual ou não”, no dispositivo do CPM não afasta a recepção da norma na íntegra, mas as expressões que revelam postura discriminatória, a violação dos Princípios da isonomia, liberdade, dignidade da pessoa humana, pluralidade e do direito a privacidade. 
	A redação do artigo 235 do Código Penal Militar criminaliza o sexo consensual, a prática de ato sexual ou de atos libidinosos, ainda que consensuais, no local de trabalho, pode e frequentemente constituirá conduta imprópria, seja no ambiente civil ou militar, e no direito é um comportamento sancionado. O relator Ministro Luís Roberto Barroso alinhou-se ao entendimento majoritário, votando pela parcial procedência da ação com fundamentos nos princípios da Lesividade e Ofensividade.
	A existência de uma jurisdição militar se justifica com muita propriedade, nas palavras de João Uchoa Cavalcanti: 
Para os crimes previstos pela Lei Militar, uma jurisdição especial deve existir não como privilégio dos indivíduos que os praticam, mas atenta à natureza desses crimes, e à necessidade, a bem da disciplina, de uma repressão pronta e firme, com formulas sumárias. (...).
	Da ação penal os artigos 34 e 35 do CPPM, assim como no processo penal comum, competem ao Ministério Público, como representante da lei e fiscal de sua execução, artigo 34 do CPPM, inicia-se com o recebimento da denúncia, efetivando-se com a citação do acusado, e claro terá sua extinção no momento em que for prolatada a sentença definitiva, sem possibilidade de recurso e a consequente resolução do mérito, ou não.
	
2.2 A RESPONSABILIZAÇÃO DO GARANTE POR CONDUTA OMISSIVA
	As estatísticas alarmantes dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes no âmbito familiar, por muitas vezes são silenciados, passando por despercebidos pela sociedade em geral. Os comissivos por omissão estão fundamentados no artigo 13, § 2º do Código Penal. Um exemplo; a esposa sabia que o padrasto estuprava o filho e o enteado que este estuprou, matou e ateou fogo. Ela sabia disso, ela poderia e deveria impedir o resultado e não fez, ela está sendo responsabilizada pelo resultado que é o estupro e o homicídio, então esta mulher está presa porque ela tinha como impedir que matasse e queimasse as crianças, mas não fez.
	A relevância da omissão mencionada no § 2º do artigo 13 do Código Penal diz que a omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incube a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do resultado: a inobservância do dever de cuidado, altruísmo, empatia, frivolidade, egoísmo e soberba, estabelecendo a ruptura com os direitos.
	Consoante o Fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF BRASIL, 2016), em 2015, segundo dados do Disque 100, foram registrados 17.588 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, equivalentes a duas denúncias por hora. Foram 22.851 vítimas, sendo 70% delas meninas.
	Nesse sentido, por estarem em desenvolvimento, tanto físico como mental, merecem máximo amparo e proteção pelo Estado, de acordo com informações obtidas através do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FORUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÙBLICA, 2015), apenas 35% dos crimes sexuais são notificados.
5
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
 A importância do tema Estupro de vulnerável digital é conscientizar as vítimas e a sociedade para que denunciem a prática desses crimes, prevenindo o uso das redes sociais adequadamente, identificando e punindo os agressores.
O grande desafio imposto hoje é atender o direito de todos e não apenas dos que mais necessitam. Superando assim a visão do Código de Menores, que dispunha sobre a “assistência, proteção e vigilância aos menores até 18 anos de idade que se encontre em situação irregular“, e fortalecendo a visão do Estatuto, que trata da proteção integral à criança e ao adolescente, sem qualquer discriminação.
Ao mesmo tempo em que a revolução científico-tecnológica permitiu um crescimento extraordinário da produção e circulação de riquezas, ela também facilitou a expansão dos crimes e alterações profundas na cultura e no comportamento do indivíduo. As comunidades virtuais e muitas formas de networking que fazem parte hoje do cotidiano permitem o acesso de bilhões de crianças, jovens e adultos em todo o planeta.
Um trabalho interdisciplinar é absolutamente imprescindível para o enfrentamento do abuso sexual,principalmente digital porque não temos o controle absoluto de supervisão. Nós, operadores do direito, precisamos dos profissionais da área do Serviço Social e da Psicologia, por exemplo, e eles precisam de nós.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
______. (HISTÓRIA das cavernas ao terceiro milênio, do avanço imperialista no século XIX aos dias atuais 3, Patrícia Ramos Braick- Myriam Becho Mota, EDITORA MODERNA, p, 240, 2019).
_____. Supremo Tribunal Federal, Brasília, 7 de julho de 2019, ás 18:09, Imprensa> Notícias STF> (www.stf.jus.br>acesso em 70de julho de 2019).
______. Fernando Capez. Rodrigo Colnago; Prática Forense Penal 8ª Edição; Saraiva.
______.Antonio Lopes Monteiro; Crimes Hediondos; textos comentários e aspectos polêmicos; 10ª edição revista e atualizada de acordo com as Leis n. 13.142 e 13.104, de 2015, e 12.978/2014.
______. Denise Cardia Saraiva; Direito Penal Ilustrado; Parte Especial; revisto e atualizado 3ª edição. Editora destaque.
______.Tratado de Direito Penal; Cezar Roberto Bitencourt; Volume 4; Parte Especial; Editora Saraiva.
_______.Rogério Greco; Curso de Direito Penal. Parte Especial; volume 3; 13ª edição; Revista, ampliada e atualizada até 1º de janeiro de 2016, artigos 213 a 361 do Código Penal. Editora Ímpetos.
______.Cleber Masson; Direito Penal volume 3; Parte especial (arts. 213 a 359- H), esquematizado em consonância com a jurisprudência atualizada do STF e do STJ, Gráficos e quadros esquemáticos, Questões de Concursos Públicos; 6ª edição; revista; atualizada e ampliada; GEN; Editora Método.

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