Prévia do material em texto
12. AUDIÊNCIA Na audiência são produzidos diversos atos processuais, sendo que a mesma, em regra, é pública, exceto quando envolver as hipóteses elencadas pelo artigo 189 do CPC. Ainda, ocorre em dias úteis, previamente fixadas, entre 08 e 18 horas, não podendo ultrapassar 05 horas, conforme estabelece o artigo 813 da CLT. A ampliação da competência material da Justiça do Trabalho promovida pela EC 45/04, em anda alterou o procedimento das audiências trabalhistas, mesmo nas ações oriundas de relação de trabalho diversas de emprego. À audiência deverão estar presentes os serventuários da Justiça do Trabalho, pois são os encarregados da parte burocrática da mesma, termos do artigo 814 da CLT. De acordo com o previsto pelo artigo 825 da CCLT, na hora marcada o juiz declarará aberta a audiência, sendo feito o pregão das partes e demais pessoas que devem participar. Conforme dispõe o § único de referido dispositivo legal, os presentes poderão se retirar quando o juiz não comparecer no prazo de até 15 minutos após a hora marcada. Caberá ao juiz, consoante prevê o artigo 826 da CLT, manter a ordem na audiência, inclusive mandado retirar-se àqueles que perturbarem a sua realização. O registro da audiência será feito em livro próprio, assim dispondo o artigo 817 da CLT, contudo, atualmente os processos são eletrônicos, de modo que os termos de audiência não são mais manuscritos, mas digitados eletronicamente, bem como gravados (ex.: depoimentos de partes e testemunhas), de modo que os termos digitalizados ou gravados são disponibilizados no sistema através do portal do TRT, mediante identificação e cadastro do usuário. 12.1 Audiência de conciliação, instrução e julgamento A audiência nos processos que tramitam pelo procedimento ordinário e sumário, encontram suas fundamentações legais nos artigos 813 a 817 da CLT, bem como 843 a 852 igualmente da CLT, e artigos 2º, 3º e 4º da Lei 5584/70. A audiência pelo procedimento sumaríssimo encontra seu amparo legal no artigo 852-C e seguintes da CLT. Em razão dos princípios gerais do processo trabalhista, que se concentra fundamentalmente na audiência, como decorrência da oralidade, esta assume especial relevância, por isso que nela se realizam os atos mais significativos do processo laboral, a saber: 1) presença obrigatória das partes; 2) proposta inicial de conciliação; 3) articulação da defesa oral ou apresentação de defesa escrita; 4) depoimento pessoal das partes; 5) oitiva de testemunhas; 6) proposta final de conciliação; 7) razões finais orais; 8) sentença. Em suma, enquanto a audiência no processo civil é apenas mais uma etapa do processo, no processo trabalhista ela abrange os atos mais significativos e de especial relevância. Neste sentido o artigo 849 da CLT ao dispor que “a audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação”, bem como o artigo 852-C ao mencionar que “as demandas sujeitas ao rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência única”. Todavia, na impossibilidade da realização de todos os atos do processo numa única audiência, esta se desdobrará em sessões subsequentes. Portanto, importante destacar que muito embora a audiência seja contínua, pode o juiz fraciona-la por motivo de força maior. O costume processual acabou fracionando a audiência em 03 momentos (audiência de conciliação, audiência de instrução e audiência de julgamento), cabendo advertir que nem todos os juízes fracionam as audiências, o que recomenda-se verificar com antecedência o comportamento do juízo a respeito, a fim de evitar surpresas. O ideal é que as partes e advogados se comportem como se a audiência fosse uma, pois é o juiz, em razão da ampla liberdade na condução do processo de que trata o artigo 765 da CLT, que poderá fracionar ou não a audiência. A audiência de conciliação é destinada apenas à tentativa de conciliação. Aberta a audiência o juiz, assim dispondo o artigo 846 da CLT, proporá a conciliação. Frustrada a conciliação, o reclamado terá 20 minutos para apresentar sua defesa, após leitura da petição inicial, seguindo o que dispõe o artigo 847 da CLT. Na prática não ocorre leitura de peça processual, terminada a defesa (na prática e, em regra, a defesa é protocolada) inicia-se a instrução, podendo o juiz, de ofício, interrogar aas partes. Na prática o juiz designa a audiência de prosseguimento, também chamada de audiência de instrução, destinada à produção das provas. Finda a audiência de instrução as partes poderão apresentar razões finais orais por 10 minutos cada um. Em seguida deve ser renovada a proposta de conciliação e, não sendo realizada, ser proferida a sentença. Na prática o juiz não profere sentença de imediato, marca uma data para sua publicação, que deverá ser juntada nos autos no prazo improrrogável de 48 horas, assim inclusive dispondo o artigo 851, § 2º da CLT. Não sendo observado referido prazo, a parte deverá ser intimada da sentença, encontrando- se a matéria, nesse aspecto, prevista na súmula 30 do TST. 12.2 Arquivamento dos autos, revelia e confissão Em conformidade com o disposto no artigo 843 da CLT, na audiência devem estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente de seus advogados, se os tiverem. A presença obrigatória das partes no processo trabalhista (ao contrário do que ocorre no processo civil) está, a nosso ver, intimamente ligada à conciliação. Como se sabe, por determinação constitucional (artigo 114 da CF), cabe à Justiça do Trabalho conciliar e julgar as questões decorrentes das relações de emprego. Sua função primeira, pois, é de conciliar, e só na eventualidade de esta se tornar impraticável é que julgará. Ora, a presença obrigatória das partes facilita sobremaneira a conciliação, permitindo ao juiz do trabalho um contato direto com o reclamante e o reclamado, esclarecendo-os sobre as questões relacionadas com o processo e concitando-os à conciliação. Nota-se que a mesma facilidade não seria encontrada se tais propostas fossem feitas aos representantes (os advogados), os quais nem sempre dispõem de poderes para firmar acordos. Em que pese a disposição contida no artigo 843 da CLT, admite a legislação processual trabalhista que as partes se façam substituir por terceiros. Por colega de serviço ou pelo sindicato. Assim é que o empregado, na ocorrência de doença ou qualquer outro motivo ponderoso, poderá fazer-se substituir por outro empregado que pertença à mesma profissão e, portanto, por um colega de serviço, ou pelo respectivo sindicato. A presença do colega de serviço ou do representante sindical, obviamente, visa dar ciência ao juiz da ocorrência de motivo relevante justificador da ausência do reclamante, evitando-se, com tal providência, o arquivamento da reclamação. O representante fará apenas com que o processo não seja extinto sem julgamento do mérito, evitará o arquivamento. A menção a colega de serviço ou a representante do respectivo sindicato é meramente exemplificativa. Assim, se por qualquer outro meio o juiz fica ciente da ocorrência de fato que impeça a presença do reclamante, é seu dever adiá-la. O empregador pode fazer-se substituir pelo gerente ou qualquer outro preposto, assim dispondo o § 1º do artigo 843 da CLT. Da mesma forma que o empregado pode fazer- se substituir por colega de serviço, ou pelo respectivo sindicato, pode o empregador, em qualquer circunstância, substituir-se por gerente ou preposto. Essa substituição do empregador objetiva permitir-lhe a continuidade das suas atividades, sem interrupções prejudiciais à produção. O preposto não há de ser, necessariamente, empregado. E o próprio artigo 843, parágrafo 1º, da CLT, deixa patentetal fato, quando declara: “qualquer outro preposto”, nenhuma exigência fazendo no sentido de que este seja empregado. Ao revés, a única exigência estabelecida é no sentido de que “tenha conhecimento do fato”. O advogado preposto não é admitido, ex vi do disposto no artigo 3º da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da ordem dos Advogados do Brasil) que diz: “É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrão e preposto do empregador ou cliente”. As partes, como já vimos, devem obrigatoriamente comparecer à audiência. O empregador pode fazer-se substituir por gerente ou preposto que tenha conhecimento dos fatos. O empregado, excepcionalmente, ou seja, na ocorrência de doença ou qualquer outro motivo ponderoso, poderá substituir-se por colega de serviço ou pelo respectivo sindicato. Todavia, pode ocorrer que nem um nem outro compareçam à audiência, daí advindo diversas consequências. Na eventualidade de o reclamante não comparecer à audiência inaugural, o processo será arquivado, com a condenação do ausente no pagamento das custas processuais, de que poderá ser isento se lhe forem concedidos os benefícios da justiça gratuita. O arquivamento, entretanto, não impede que o reclamante proponha nova ação. Todavia, se der causa a novo arquivamento, sofrerá uma penalidade que consiste em não poder formular reclamação perante a Justiça do Trabalho pelo espaço de seis meses (artigo 732 da CLT). Quando ausente o reclamado na audiência inaugural, aplicar-lhe-á a pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato (artigo 844 da CLT). A revelia, como se sabe, decore da ausência de defesa e não propriamente da ausência do reclamado. Assim, se, embora ausente, comparece o seu advogado, munido de defesa e da respectiva procuração, não há falar em revelia, em face do ânimo de defender-se. Sua ausência, porém, para prestar depoimento pessoal, redundará na pena de confissão quanto à matéria de fato. Nesse sentido é o que se extraí da interpretação do § 5º do artigo 843 da CLT. A súmula 74 do TST assegura a aplicação da confissão à parte que, expressamente intimada sob pena de confissão, não comparecer à audiência em prosseguimento. Denota-se que a confissão pode ser estendida tanto ao reclamante quanto ao reclamado, e que a mesma, quando decorrente da ausência da parte à audiência ou quando a mesma comparece mas se recusa a prestar depoimento ou responder, é a ficta, também chamada de presumida ou tácita, enquanto que a confissão expressa decorre do próprio depoimento prestado pela parte. 12.3 Acordo e termo de conciliação O processo do trabalho é informado pelo princípio da conciliação. No processo que tramita pelo procedimento ordinário ou sumário há duas oportunidades em que o juiz deverá propor a conciliação, mais precisamente na abertura da audiência e após apresentação das razões finais, respectivamente artigos 846 e 850 da CLT. Se o juiz não propõe a conciliação haverá nulidade absoluta dos atos processuais posterior, pois trata-se de matéria de ordem pública que pode ser arguida a qualquer tempo. Terminada a leitura da reclamação, o juiz procurará conciliar os litigantes, propondo-lhe um acordo em base que entender justa. As partes, por sua vez, têm o direito de formular suas propostas de acordo. Chegando os interessados a um entendimento, será lavrado um termo de conciliação. Cumprindo as partes o acordo, a demanda chegará a seu término. Os termos de conciliação devem regulamentar os recolhimentos ao Imposto de Renda e ao INSS decorrentes das importâncias pagas ao empregado. A conciliação é um ato jurídico. Surte efeitos substanciais entre as partes e entre estas e o órgão judicante. Aplicam-se lhe os princípios que regem os contratos e os pertinentes à coisa julgada. De acordo com o parágrafo único do artigo 831 da CLT, no caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. Os acordos celebrados no curso de reclamação só podem ser atacados pela via da ação rescisória (súmula 259 do TST). A conciliação pode ocorrer em qualquer fase do processo. Os acordos podem incluir uma cláusula relativa à multa, caso o ajuste venha a ser descumprido. Ainda, nos acordos sujeitos ao pagamento de custas, deve-se mencionar quem as pagará, sendo que as partes acordantes podem ainda, incluir no pacto a quem incumbirá o encargo pertinente ao pagamento de honorários de advogado e de perito. Quando o pagamento é feito na secretaria da vara, é lavrado um termo de quitação. Não cumprindo, o prejudicado requererá a execução do acordo, o que será feito como nas execuções em geral. Salienta-se que o juiz não está obrigado a homologar o acordo, não constituindo o ato de indeferimento violação a direito líquido e certo dos interessados, assim prevendo a súmula 418 do STF. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Amador Paes de. Curso prático de processo do trabalho. 24ª ed. São Paulo: Saraiva, 2015. CAIRO JR, José. Curso de Direito Processual do Trabalho. 8ª ed. Salvador: Jus Podivm, 2015. FILHO, Manoel Antônio Teixeira. Execução no Processo do Trabalho. São Paulo. Ltr. JORGE NETO, Francisco Ferreira. CAVALCANTE, Jouberto de Quadros pessoa. Direitos processual do Trabalho. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2015. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. 16ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018 MALTA, Christovão Piragibe Tostes. Prática do Processo Trabalhista. São Paulo. LTr. 2002. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito Processual do Trabalho. São Paulo. Atlas. 2012. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito Processual do Trabalho. 24ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014. RUSSOMANO, Mozart Victor. Direito Processual do Trabalho. São Paulo. LTr. SAAD, Eduardo Gabriel. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo. LTr. 2000. SALEM NETO, José. Curso de Direito e Processo do Trabalho. Bauru. São Paulo. Edipro. SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2018.