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5. AÇÕES TRABALHISTAS
Classificação das ações
As ações na Justiça do Trabalho podem ser classificadas quanto ao número de
autores, sendo individuais quando há um único autor no polo ativo, plúrimas quando existem
vários autores no polo ativo da ação, e coletivas, como nos casos dos dissídios coletivos de
trabalho que beneficiam um número indeterminado de pessoas.
As ações individuais, por sua vez, podem ser classificadas em: conhecimento,
execução, cautelares e mandamentais.
As ações de conhecimento são aquelas em que se busca a solução de um dado
conflito de interesses ou de uma pretensão resistida. Nessa fase processual, apenas se
assegura se o direito é devido ou não, sem compelir a parte contrária a cumprir o resultado
que for proclamado. As ações de conhecimento podem ser divididas em condenatórias,
constitutivas e declaratórias. As condenatórias são aquelas em que se busca a obtenção de
um título judicial, assegurando o direito material pretendido (ex.: pagamento de férias não
concedidas no momento oportuno). As constitutivas pretendem a criação, modificação ou
extinção de determinada relação jurídica (ex.: pedido de fixação de salário não ajustado ou
para desconstituir penalidade sofrida). Nas declaratórias, o objetivo é obter a declaração pelo
juízo da existência ou inexistência de determinada relação jurídica (ex.: reconhecimento da
relação de emprego).
As ações executórias visam à execução daquilo que já foi determinado na fase de
conhecimento ou de cognição, quando se assegurou o direito material pretendido. Pretende-
se apenas que o devedor cumpra, com o auxílio do juízo, a obrigação que lhe foi imposta na
fase de conhecimento, mediante execução forçada, se for o caso. No processo do trabalho,
são executadas as sentenças transitadas em julgado, os acordos não cumpridos, os termos de
ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho, os termos de
conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia, além dos créditos
previdenciários em decorrência de sentença proferida pela Justiça do Trabalho.
As ações cautelares visam à concessão a uma pessoa de uma providência
jurisdicional acautelatória, de cunho processual, visando a possibilidade de propositura de
futura ação principal, na qual será discutido o mérito da questão. São as medidas cautelares
previstas no Código de Processo Civil (CPC), principalmente arresto, sequestro, protestos,
justificações, exibições, produção antecipada de prova, etc.
As ações mandamentais têm por escopo que a autoridade cumpra uma ordem,
fazendo ou deixando de fazer algo.
Os dissídios coletivos podem ser divididos em econômicos (ou de interesse) e
jurídicos (ou de direito) e de greve. Os dissídios de natureza econômica objetivam a criação
de novas condições de trabalho ou a modificação das já existentes. Os dissídios de natureza
jurídica visam apenas interpretar norma, declarando seu conteúdo ou sua aplicação correta.
Nos dissídios de greve, o objetivo, em regra, é a declaração da legalidade ou ilegalidade da
greve. Nos dissídios coletivos, não existem ações de natureza condenatória, mas apenas de
natureza constitutiva ou declaratória. A sentença normativa apenas cria ou interpreta norma,
que posteriormente pode ser objeto de ação de cumprimento na Vara do Trabalho.
Condições da ação
Conforme dispõem os artigos 3º, 330 e 485 do CPC, o legislador brasileiro adotou a
teoria do trinômio no que tange às condições da ação, ou seja: a possibilidade jurídica do
pedido, o interesse de agir e a legitimidade da parte (ou ad causam).
A possibilidade jurídica do pedido exige que o pedido do autor esteja amparado em
norma de direito material que o assegure. Exemplo: o pleito pelo adicional de atividade
penosa será carecedor de ação ante a impossibilidade jurídica do pedido. O juízo trabalhista
não tem o poder de criar a norma, cuja competência pertence ao Congresso Nacional.
O interesse de agir diz respeito ao interesse da parte em se socorrer do Judiciário
para obtenção da tutela jurisdicional relativa a um direito ameaçado ou violado. É a
necessidade de obter o provimento postulado pelo fato de que não foi satisfeito pela parte
contrária ou, então, quando se tratar de necessidade decorrente de imposição legal. Faltará
interesse de agir se a parte puder obter a sua postulação sem a intervenção do Poder
Judiciário. O interesse de agir está atrelado à obtenção de uma utilidade em razão de uma
necessidade que somente pode ser alcançada de modo adequado via jurisdição. Exemplo: o
empregado não pode pretender indenização decorrente de ser estável se não foi despedido,
pois nesse caso lhe falta interesse de agir.
A legitimidade da parte (ad causam) relaciona-se com a identidade do autor com a
pessoa que a lei assegura o direito material. O mesmo ocorre no lado passivo da ação, pois
esta deve ser proposta contra a pessoa que nega o direito pretendido pelo autor. A
legitimação para a causa significa o direito de ação para determinada demanda. É a
legitimação para agir. Exemplo: o autor não pode mover ação contra a empresa na qual não
trabalhou. O sindicato não pode ajuizar ação como substituto processual se não detém essa
qualidade, pois será parte ilegítima para propô-la.
6. PROCESSO E PROCEDIMENTO
Diferença
O processo sintetiza a relação jurídica que há entre os seus sujeitos, bem como o
seu aspecto extrínseco, ou seja, a sequência de atos que leva ao seu nascimento,
desenvolvimento e término, enquanto que o procedimento é a sequência lógica e cronológica
dos atos processuais, denotando o aspecto formal do processo.
Do ponto de vista político, o processo é o instrumento pelo qual se opera a
jurisdição. O processo é imprescindível como mecanismo de solução dos conflitos de
interesses, fazendo com que se tenha a atuação concreta da lei.
Pressupostos processuais
Os pressupostos da existência do processo são: jurisdição, pedido e partes. Quanto
à jurisdição, o órgão ao qual é dirigida a ação deve estar investido do poder de dizer o direito
no caso concreto que lhe é submetido, para que possa solucionar o conflito. No que diz
respeito ao pedido, o processo se inicia com a petição inicial encaminhada ao órgão
judiciário competente. Nela será descrita a pretensão resistida pela parte contrária, onde será
feito o pedido, exposto o mérito da questão, que se pretenda ver solucionada pelo órgão
investido de jurisdição. Em relação às partes, estas são as pessoas que têm as pretensões
resistidas, que entraram em conflito e que pretendem vê-lo solucionado pelo Poder
Judiciário.
Além dos pressupostos processuais, há também os pressupostos de validade do
processo: competência (espaço geográfico e a matéria objeto de discussão), insuspeição (o
juiz não pode ser amigo ou inimigo das partes, muito menos parcial), inexistência de coisa
julgada (não pode haver decisão de matéria anteriormente decidida por outro juiz, assim
sendo entendido quando ocorrer identidade de partes, pedido e causa de pedir), inexistência
de litispendência (uma ação com identidade de partes, pedido e causa de pedir em
andamento impede o ajuizamento de uma segunda ação), capacidade processual dos
litigantes (os maiores de 18 anos possuem capacidade, os menores devem ser assistidos),
regularidade da petição inicial (a petição inicial que não atender aos pressupostos
processuais será considerada inepta), regularidade da citação (a comunicação ao réu deve ser
realizada de modo regular, sob pena de nulidade), pressupostos objetivos (pedido formulado
ao juiz, citação do réu, inexistência de litispendência e coisa julgada) e pressupostos
subjetivos (relativos ao juiz: jurisdição, competência e imparcialidade; relativos às partes:
capacidade de ser parte, de estar em juízo e postulatória).
Tipos de procedimentos (comum e especial)Quanto ao procedimento, as ações podem ser divididas em procedimentos comum e
especial. São processadas pelo procedimento comum as ações que seguem os ritos ordinário,
sumaríssimo e sumário. O ordinário compreende ações em que o valor da causa é superior a
40 salários-mínimos. No sumaríssimo, o valor da causa é de até 40 salários-mínimos. No
sumário, o valor dado à causa é de até 02 salários-mínimos. Os procedimentos especiais
compreendem ritos diferenciados para certas ações, que, após contestadas, seguem o rito
ordinário.
Procedimento comum
O procedimento ordinário é aquele que se caracteriza pela observância de um maior
número de atos e prazos. Nele, o devido processo legal encontra a mais dilatada de suas
formas procedimentais, sendo aquela que melhor propicia a reconstituição completa dos
fatos, bem como os debates em torno das várias facetas do litígio. Exceto os processos que
tramitam pelos procedimentos sumaríssimo, sumário e especial, este no seu início, os demais
seguem o rito ordinário.
O procedimento sumaríssimo (Lei nº 9.957/00) exige que a petição inicial
contenha, com exatidão: o nome e endereço do reclamado, não se admitindo a citação por
edital (artigo 852-B, inciso II, da CLT); o pedido deve ser certo e determinado, indicando,
outrossim, o valor correspondente, não sendo admitido pedido ilíquido (artigo 852-B, inciso
I, da CLT), sendo que o valor dado à causa não pode ultrapassar quarenta vezes o salário-
mínimo vigente na data do ajuizamento da ação (artigo 852-A da CLT). Não atendido o
disposto nos incisos I e II do artigo 852-B da CLT, ou seja, correta indicação do nome e
endereço do reclamado e pedido certo com indicação dos valores correspondentes, importará
no arquivamento da reclamação e condenação ao pagamento de custas sobre o valor da
causa (artigo 852-B, §1º, da CLT). O procedimento sumaríssimo, objetivando celeridade no
processamento dos feitos trabalhistas, estabelece as seguintes regras: 1ª) audiência única,
com manifestação das partes nesta (artigo 852-C da CLT), salvo motivo ponderoso, a
critério do juiz, sendo que todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e
julgamento, ainda que não requeridas pelas partes; 2ª) conquanto omissa a Lei nº
9.957/2000, a defesa deve ser apresentada na audiência (oral ou escrita); 3ª) a qualquer
tempo, o juiz proporá às partes a conciliação; 4ª) as testemunhas, em número de duas para
cada parte, devem ser comprovadamente convidadas, e, não comparecendo, serão intimadas;
o não atendimento da intimação implica condução coercitiva; 5ª) a prova técnica (perícia) só
é deferida quando os fatos o exigirem ou for legalmente imposta (pedidos de insalubridade e
periculosidade); 6ª) o eventual adiamento da audiência implica o seu prosseguimento no
prazo máximo de trinta dias. A sentença deve ser proferida no prazo máximo de quinze dias
a contar da audiência de instrução, devendo ser sucinta, dispensando-se o relatório, fazendo-
se, porém, resumo dos fatos relevantes ocorridos na audiência. Com o veto ao parágrafo 2º
do artigo 852-I da CLT, é admitida a sentença ilíquida, obviamente se assim concluir o juiz
da vara do trabalho. Da sentença proferida no procedimento sumaríssimo cabe recurso
ordinário (sem restrição quanto à matéria de fato e de direito) para o Tribunal Regional do
Trabalho. No procedimento sumaríssimo só é admitido o recurso de revista por
contrariedade a súmula do TST ou violação direta da Constituição Federal (artigo 896, §6º
da CLT).
No procedimento sumário (Lei nº 5.584/70), a petição inicial deve observar as
regras estabelecidas no artigo 840 da CLT. É indispensável, para valer-se do rito sumário,
que o valor dado à causa não ultrapasse dois salários-mínimos. A audiência, em princípio, é
única (artigo 849 da CLT), salvo determinação em contrário do juiz da vara do trabalho.
Iniciados os trabalhos, cabe ao juiz que preside a audiência (titular ou auxiliar) verificar a
presença das partes e se estão regularmente representadas. Ato contínuo, o juiz proporá a
conciliação, que, se rejeitada, enseja o estabelecimento do contraditório pelo reclamado,
através da defesa, que poderá ser escrita ou oral. Seguir-se-á a oitiva das partes e suas
testemunhas, sendo dispensado o resumo dos depoimentos na ata de audiência (artigo 2º,
§3º, da Lei nº 5.584/70), passando o juiz da respectiva vara à decisão (sentença), da qual não
cabe recurso, salvo se versar sobre matéria de ordem constitucional.
Procedimentos especiais
A competência da Justiça do Trabalho é determinada pelo artigo 114 da
Constituição Federal. A CLT não prevê muitos dos procedimentos indicados no CPC. Com
exceção da leve referência que faz à ação rescisória no artigo 836 da CLT e ao mandado de
segurança, nada mais é tratado na norma consolidada, ao nível de procedimentos especiais.
Pelo fato de que alguns direitos materiais necessitam de procedimentos especiais para a
exteriorização da relação processual, por ser diversa da maioria dos casos comuns, há
necessidade da utilização desses procedimentos. Sendo os procedimentos especiais
compatíveis com o processo do trabalho (artigo 769 da CLT), iremos socorrer-nos do CPC,
fazendo pequenas adaptações dos primeiros para inseri-los no processo do trabalho. São
exemplos de procedimentos especiais: inquérito para apuração de falta grave (artigos 853 a
855 da CLT), ação rescisória (artigo 966 e seguintes do CPC), mandado de segurança (Lei nº
12.016/09), ação de consignação em pagamento (artigo 539 e seguintes do CPC), ações
cautelares (artigo 305 e seguintes do CPC), ação cominatória (artigo 700 e seguintes do
CPC), ações possessórias (artigo 554 e seguintes do CPC), habeas corpus (artigos 647 e 667
do Código de Processo Penal - CPP), habeas data (Lei nº 9.507/97), ação civil pública (Lei
nº 7.347/85) e execução fiscal trabalhista (Lei nº 6.830/80).
7. ATOS, TERMOS E PRAZOS PROCESSUAIS
Atos processuais
O processo é representado por um encadeamento lógico de atos processuais que
culminam em um fim: a sentença. No direito processual, vige o princípio da publicidade dos
atos processuais, somente podendo ser restringida a publicidade dos mesmos em razão da
defesa da intimidade ou do interesse social (artigo 5º, inciso LX da CF). O artigo 93, inciso
IX da CF estabelece que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos,
porém a lei pode limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. Esclarece o artigo 189
do CPC que certos atos correm em segredo de justiça. Os atos processuais são realizados em
dias úteis, das 06h00 às 20h00 (artigo 770 da CLT). É possível a prática de atos processuais
inclusive fora do expediente forense habitual, que encerra às 18h00, desde que os atos sejam
iniciados antes das 20h00 e o adiamento prejudique a diligência ou cause grave dano (artigo
212, §1º do CPC). Nos domingos e feriados poderá ser realizada a penhora quando houver
autorização expressa do juiz (artigo 770 do CPC). Quando o ato tiver que ser praticado em
determinado prazo, por meio de petição física, esta deverá ser apresentada no protocolo,
dentro do horário de expediente, nos termos da lei de organização judiciária do local (artigo
172, §3º do CPC), devendo, nesse caso, ser obedecido, em princípio, o horário das 06h00 às
20h00. O atendimento de prazo processual via sistema eletrônico considera tempestiva a
transmissão realizada até as 24h00 do seu último dia (artigo 3º, parágrafo único da Lei nº
11.419/06).
Termos processuais
Termo é a redução por escrito de certos atos processuais praticados nos autos de um
processo (ex.: termo da ata de audiência). Os atos processuais podem ser escritos a tinta,
datilografados, a carimbo (artigo 771 da CLT) ou por intermédio do computador. Além das
especificaçõesdo artigo 771 da CLT, é possível dizer que os atos processuais podem ser
feitos por taquigrafia, estenotipia ou outro método idôneo (artigo 170 do CPC). Os termos
que se referirem ao movimento dos processos constarão de simples notas, datadas e
rubricadas pelos chefes de secretaria (artigo 773 da CLT). Devem ser assinados pelas partes
os atos e termos processuais.
Prazos processuais
Prazo é o espaço de tempo dentro do qual devem ser praticados os atos processuais.
Os prazos, quanto à origem, são de três espécies: legais, judiciais e convencionais. Os
primeiros provêm das leis, tal como ocorre com o prazo recursal e com a Lei nº 5.584/70,
que, uniformizando os prazos para recursos no processo do trabalho, fixou-os em oito dias.
Os prazos judiciais são aqueles estabelecidos pelo juiz, como ocorre, por exemplo, na
hipótese da manifestação dos documentos juntados com a contestação, ou ainda, na hipótese
prevista no artigo 222 do CPC (prorrogação). Os prazos convencionais são aqueles
livremente estabelecidos pelas partes, como sucede com a suspensão do processo, nos
termos do artigo 313, inciso II, do CPC.
Quanto à natureza, os prazos são: dilatórios e peremptórios. Dilatórios são os
prazos alteráveis por consenso das partes, podendo ser reduzidos ou prorrogados.
Peremptórios, ao contrário, são os prazos improrrogáveis, ou fatais.
A fluência dos prazos é delimitada pelo termo inicial (dies a quo) e final (dies ad
quem). Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, somente serão
computados os dias úteis (artigos 775 da CLT e 219, caput, e parágrafo único do CPC). Os
prazos serão suspensos no período compreendido entre 20 de dezembro e 20 de janeiro
(artigo 775-A da CLT), em decorrência de obstáculo criado, morte ou perda da capacidade
processual da parte, representante legal ou procurador, convenção das partes, exceção de
incompetência do juízo e nas hipóteses de suspeição ou impedimento do mesmo (artigos 221
e 313 do CPC). No recesso forense não são praticados quaisquer atos processuais, apenas as
citações, intimações, penhoras e medidas urgentes (artigo 214, inciso I e II do CPC).
A contagem dos prazos exclui o dia do começo e inclui o do vencimento, salvo se
este cair em domingo, feriado ou em dia que não houver expediente na Justiça (artigo 775,
caput, da CLT e 224, caput, do CPC). Deve haver distinção entre início de prazo e o início
da contagem. O primeiro denota o dia em que o interessado toma ciência do ato. O segundo
reflete o primeiro dia em que o prazo começa a fluir. O dia de começo deve corresponder ao
primeiro dia útil após a intimação ou publicação (artigo 224, §§1º e 3º do CPC e súmulas 1 e
262, I, do TST). Os prazos são computados: a) da data em que for feita pessoalmente a
intimação; b) pelo correio, presume-se recebida a intimação 48 horas depois de sua regular
expedição, sendo ônus da prova do destinatário provar o não recebimento (súmula 16 do
TST); c) da data da publicação do edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da
Justiça do Trabalho, ou, ainda, daquela em que for afixado o edital, na sede da vara, juízo ou
tribunal (artigo 774, caput, CLT). Tratando-se de intimação postal, caso não seja encontrado
o destinatário ou na hipótese de recusa de recebimento, o correio fica obrigado, sob pena de
responsabilidade do servidor, a devolvê-la no prazo de 48 horas ao tribunal de origem
(artigo 774, parágrafo único da CLT). Quando a parte estiver representada por advogado, as
intimações serão publicadas no Diário Oficial. As citações, com exceções, são realizadas
pelo correio.
Decorrido o prazo, ocorre preclusão; extingue-se, independentemente de declaração
judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou
por justa causa (artigo 223, caput, CPC). Todos os prazos processuais, peremptórios ou
dilatórios, são preclusivos. O objetivo da preclusão é evitar que o processo se eternize.
Prazos para as partes: Não havendo preceito legal ou imposição judicial, a parte
terá o prazo de cinco dias para a prática do ato processual (artigo 218, §3º do CPC). A parte
pode renunciar ao prazo desde que: a) o prazo não seja comum; b) o direito posto em juízo
seja disponível; c) a parte possa transigir (artigo 225 do CPC). A renúncia pode ser expressa
ou tácita. Quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores, os prazos serão
computados em dobro em caso de contestação, recurso e, de modo geral, para falar nos
autos, não se aplicando referida regra quando o processo tramitar em autos eletrônicos
(artigo 229, §§1º e 2º).
Prazo para o juiz e auxiliares: Os juízes devem despachar e praticar todos os atos
decorrentes de suas funções dentro dos prazos estabelecidos, sujeitando-se ao desconto
correspondente a um dia de vencimento para cada dia de retardamento (artigo 658, alínea
“d” da CLT). O juiz deverá proferir os despachos de expediente em cinco dias, as decisões
interlocutórias em dez dias e, em 30 dias, as sentenças (artigo 226 do CPC). Se o prazo não
for observado, as partes serão intimadas da decisão. Os chefes de secretaria e demais
funcionários sujeitam-se a prazos para a prática dos atos que lhe incumbem, devendo
cumprir os prazos previstos em lei, sob pena de sofrer sanções pelo retardamento. O prazo
para o secretário determinar que os autos sejam conclusos ao juiz será de 24h00. Os atos
pertinentes aos funcionários serão executados no prazo de 48 horas (artigo 190 do CPC).
Prazo para a Fazenda Pública e Ministério Público do Trabalho: O prazo para a
Fazenda Pública e Ministério Público do Trabalho será computado em dobro, conforme os
artigos 180 e 183 do CPC.
Principais prazos trabalhistas: a) A resposta (contestação e reconvenção) é
apresentada em audiência, podendo ser: oral em 20 minutos (artigo 847 da CLT) ou por
escrito; a audiência deve ocorrer no prazo mínimo de cinco dias, a contar da citação (artigo
841 da CLT). A exceção de incompetência territorial também integra a resposta do réu,
porém deve ser apresentada no prazo de 05 dias a contar da notificação (artigo 800 da CLT);
b) Recurso e contrarrazões em oito dias (artigo 6º da Lei nº 5.584/70); c) Embargos
declaratórios em cinco dias (artigo 897-A da CLT); d) Depósito recursal e a sua
comprovação no prazo do recurso (artigo 7º da Lei nº 5.584/70 e súmula 245 do TST); e) As
custas processuais devem ser pagas e comprovadas no prazo para a interposição do recurso
(artigo 789, §1º da CLT); f) Embargos à execução em 05 dias, após a garantia do juízo
(artigo 884 da CLT); g) O correio ficará obrigado, no prazo de 48 horas, sob pena de
responsabilidade do servidor, a devolver a notificação postal, no caso de não ser encontrado
o destinatário ou em caso de recusa de recebimento, ao tribunal ou à vara do trabalho (artigo
774, parágrafo único da CLT); h) Distribuída a reclamação verbal, o reclamante deverá,
salvo motivo de força maior, apresentar-se em cinco dias ao cartório ou à secretaria para
reduzi-la a termo (artigo 786, parágrafo único da CLT), sendo que, se assim não proceder,
incorrerá na pena de perda, pelo prazo de seis meses, do direito de reclamar perante a Justiça
do Trabalho (artigo 731 da CLT); i) A manifestação sobre a exceção de incompetência é de
05 dias (artigo 800, §2º, da CLT); j) A exceção de suspeição deve ser instruída em 48 horas
(artigo 802 da CLT); l) A audiência não pode exceder 05 horas seguidas, exceto se for o caso
de matéria urgente (artigo 813 da CLT); m) Em casos urgentes, a audiência poderá ser
realizada em outro local, mediante edital afixado na sede do juízo ou tribunal, com a
antecedência mínima de 24 horas (artigo 813, §1º da CLT); n) Se, até 15 minutos após a hora
marcada, o juiz não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o
ocorrido constar do livro deregistro de audiências (artigo 815, parágrafo único, da CLT); o
advogado poderá se retirar no prazo de 30 minutos (artigo 7º, inciso XX, da Lei 8.906/94);
o) Ação rescisória, o prazo é decadencial de dois anos (artigo 975 do CPC, súmula 100 do
TST); p) A citação da parte ré deverá ocorrer em 48 horas do recebimento da petição inicial
(artigo 841, caput, da CLT); q) Razões finais orais no prazo de dez minutos (artigo 850 da
CLT); r) Após a suspensão do empregado estável, o empregador tem o prazo decadencial de
30 dias para a propositura do inquérito para apuração de falta grave (artigo 853 da CLT e
súmula 62, I, do TST); s) A audiência de conciliação em dissídio coletivo deve ser realizada
em dez dias, a contar do seu recebimento (artigo 860, caput, da CLT); t) A garantia do juízo
deve ocorrer em 48 horas, sob pena de penhora; u) Nove dias para o oficial de justiça
cumprir as suas diligências (artigo 721, §2º da CLT).
8. NULIDADES PROCESSUAIS
O direito processual do trabalho reconhece a necessidade e conveniência de se
adotar o princípio da simplificação das formas, mas é necessário admitir a existência de
certas formalidades para o desenvolvimento válido do processo.
A CLT não faz a diferenciação entre nulidade absoluta e relativa. Nos processos
sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho, em razão, sobretudo, da sua finalidade social e
do próprio jus postulandi, só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto
prejuízo às partes litigantes. Diz o artigo 794 da CLT: "Nos processos sujeitos à apreciação
da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto
prejuízo às partes litigantes." Além do prejuízo, para que a nulidade seja declarada, é
necessário que a sentença de mérito não seja favorável à parte prejudicada (artigo 282, §2º
do CPC).
As nulidades no processo do trabalho devem ser suscitadas pelas próprias partes na
primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos, e, só excepcionalmente,
devem ser arguidas ou proclamadas de ofício. Com efeito, declara o artigo 795 da CLT: "As
nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão
arguí-las na primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos." Na prática,
esse ato de impugnação da parte é conhecido como "protesto". No processo do trabalho,
vige o princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias (artigo 893, §1º da CLT).
Nos termos do parágrafo 1º do dispositivo legal transcrito, só a nulidade fundada na
incompetência de foro deve ser arguida ou declarada ex officio, o que, todavia, implica
manifesto equívoco do legislador. A incompetência de foro, como se sabe, insere-se na
chamada incompetência relativa, que envolve a incompetência decorrente do valor da causa
e de foro, devendo ser suscitada pela parte interessada no momento processual oportuno, ou
seja, por meio de exceção (artigos 799 e 800 da CLT). Não arguida na ocasião oportuna, dá-
se a prorrogação de competência de foro. Assim, a incompetência a ser declarada ex officio
é a absoluta, que trata da competência em razão da matéria, das pessoas e das funções,
enquanto a incompetência relativa é aquela levantada pelas partes e que trata da competência
em razão do território e do valor.
A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-
se o ato (artigo 796, alínea “a” da CLT); b) quando arguida por quem lhe tiver dado causa
(artigo 796, alínea “b” da CLT). O juiz ou tribunal que pronunciar a nulidade declarará os
atos a que ela se estende (artigo 797 da CLT). Os atos válidos devem ser aproveitados por
medida de economia processual. A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que
dele dependam ou sejam consequência (artigo 798 da CLT).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SALEM NETO, José. Curso de Direito e Processo do Trabalho. Bauru: Edipro, São Paulo.
SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2018.

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