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CS- DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO - 2025.1

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DIRE ITO
PROCESSUAL DO TRABALHO
Revisada
Atualizada
Ampliada
Edição 
2025.1
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 1 
 
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 5 
ASPECTOS INICIAIS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ............................................... 6 
1. CONCEITO ................................................................................................................................... 6 
2. NATUREZA JURÍDICA ................................................................................................................. 6 
3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ............................................................ 6 
 FONTES MATERIAIS ........................................................................................................... 6 
 FONTES FORMAIS .............................................................................................................. 6 
4. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ..................................................... 7 
 PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL ...................................................................... 7 
 PRINCÍPIO DA FINALIDADE SOCIAL DO PROCESSO ..................................................... 7 
 PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL ..................................................................... 8 
 PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE .................................................................................. 8 
 PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO ............................................................................................ 9 
 PRINCÍPIO DA NORMATIZAÇÃO COLETIVA .................................................................... 9 
 OUTROS PRINCÍPIOS DO PROCESSO TRABALHISTA ................................................. 10 
 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS AO PROCESSO DO TRABALHO ....... 11 
5. CAPACIDADE POSTULATÓRIA ............................................................................................... 12 
6. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA ......................................................................................... 14 
 CARACTERÍSTICAS DOS HONORÁRIOS........................................................................ 16 
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA ...................................................................................................... 19 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 19 
2. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA ............................................................................... 19 
3. COMPETÊNCIA MATERIAL ...................................................................................................... 20 
 AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO, ABRANGIDOS OS ENTES DE 
DIREITO PÚBLICO EXTERNO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA DA 
UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS ................................. 21 
 AÇÕES QUE ENVOLVAM EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE .................................. 26 
 AÇÕES SOBRE REPRESENTAÇÃO SINDICAL............................................................... 28 
 MANDADOS DE SEGURANÇA, HABEAS CORPUS E HABEAS DATA .......................... 29 
 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA ENTRE ÓRGÃOS COM JURISDIÇÃO TRABALHISTA
 29 
 AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL OU PATRIMONIAL ............................. 31 
 AÇÕES RELATIVAS ÀS PENALIDADES ADMINISTRATIVAS IMPOSTAS AOS 
EMPREGADORES PELOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO 32 
 EXECUÇÃO, DE OFÍCIO, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVISTAS NO ART. 195, 
I, A, E II, E SEUS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DECORRENTES DAS SENTENÇAS QUE 
PROFERIR ..................................................................................................................................... 32 
 OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO ............ 33 
4. COMPETÊNCIA TERRITORIAL ................................................................................................ 36 
 LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO ........................................................................... 37 
 EMPREGADO AGENTE OU VIAJANTE COMERCIAL ..................................................... 37 
 EMPRESA QUE PROMOVE ATIVIDADE FORA DO LUGAR DA CELEBRAÇÃO DO 
CONTRATO ................................................................................................................................... 39 
 EMPREGADO BRASILEIRO QUE TRABALHA NO ESTRANGEIRO ............................... 39 
ATOS, TERMOS E PRAZOS PROCESSUAIS ................................................................................. 41 
1. ATOS PROCESSUAIS ............................................................................................................... 41 
 QUANTO ÀS PARTES ........................................................................................................ 41 
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CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 2 
 
 QUANTO AO JUIZ .............................................................................................................. 42 
 HORÁRIO DOS ATOS PROCESSUAIS ............................................................................ 42 
 PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS ..................................................................... 43 
 ATOS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS ............................................................................ 43 
2. TERMOS PROCESSUAIS ......................................................................................................... 45 
3. PRAZOS PROCESSUAIS .......................................................................................................... 46 
 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................ 46 
3.1.1. Quanto à origem da fixação ......................................................................................... 46 
3.1.2. Quanto à natureza ....................................................................................................... 46 
3.1.3. Quanto aos destinatários ............................................................................................. 47 
 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS ................................................................... 47 
 SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DOS PRAZOS .............................................................. 48 
4. NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS .................................................................................. 49 
 PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS .................................................. 50 
 PRINCÍPIO DO PREJUÍZO OU DA TRANSCENDÊNCIA ................................................. 50 
 PRINCÍPIO DA CONVALIDAÇÃO OU PRECLUSÃO ........................................................ 51 
 PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL ..................................................................... 52 
 PRINCÍPIO DA UTILIDADE ................................................................................................ 52 
 PRINCÍPIO DO INTERESSE .............................................................................................. 52 
PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS ............................................................................................... 54 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 54 
2. TIPOS DE PROCEDIMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO ............................................. 54 
3. RITO ORDINÁRIO ......................................................................................................................de imunidade jurisdicional. Correto. 
3) “E da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios” 
Refere-se aos entes de direito público interno. 
Sobre o trecho final do inciso I, importante verificar o contexto histórico no qual está inserido. 
No texto original do art. 39 da CF/88, estava previsto o regime jurídico único estatutário. 
Ocorre que em 1998, a Emenda Constitucional 19 alterou o art. 39 da CF/88 para prever a 
possibilidade de um regime jurídico misto, pelo qual o servidor público poderia ser estatutário ou 
celetista. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 25 
 
Tal previsão perdurou até o julgamento da ADI 2.135-4, que determinou o retorno ao regime 
jurídico único, mas salvaguardou o ato jurídico perfeito, de maneira que a decisão possuiu efeitos 
ex nunc, de acordo com o trecho do acórdão: 
O Tribunal, por maioria, vencidos os Senhores Ministros Nelson Jobim, 
Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, deferiu parcialmente a medida 
cautelar para suspender a eficácia do art. 39, caput, da Constituição 
Federal, com a redação da Emenda Constitucional n. 19, de 4 de junho 
de 1998, tudo nos termos do voto do relator originário, Ministro Néri da 
Silveira, esclarecido, nesta assentada, que a decisão – como é próprio das 
medidas cautelares – terá efeitos ex nunc, subsistindo a legislação 
editada nos termos da emenda declarada suspensa. Votou a Presidente, 
Ministra Ellen Gracie, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação a 
Senhora Ministra Cármen Lúcia e o Senhor Ministro Gilmar Mendes por 
sucederem, respectivamente, aos Senhores Ministros Nelson Jobim e Néri da 
Silveira. (Plenário, 2-8-2007. ADI n. 2.135-4 do STF, DJe 6-3-2008). 
 
Assim, por força dos efeitos ex nunc adotados pelo STF no julgamento da ADI 2.135-4, 
remanesce a competência residual da Justiça do Trabalho para as contratações temporárias pelo 
regime celetista (desde que a lei disponha expressamente que o regime da contratação temporária 
é o da CLT) celebradas antes da decisão liminar proferida pelo Pretório Excelso. 
Vale salientar que na ADI 3.395-6, o STF decidiu que os servidores estatutários, de cargo 
comissionado e do REDA - Regime Especial de Direito Administrativo, não pertencem à Justiça do 
Trabalho, pois possuem vínculo de natureza administrativa e não trabalhista e, como tal, devem 
recorrer à Justiça Comum (estadual ou federal, a depender do caso), conforme ementa abaixo 
colacionada: 
CONSTITUCIONAL E TRABALHO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO 
TRABALHO. ART. 114, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EMENDA 
CONSTITUCIONAL N. 45/2004. AUSÊNCIA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. EXPRESSÃO ‘RELAÇÃO DE 
TRABALHO’. INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. 
EXCLUSÃO DAS AÇÕES ENTRE O PODER PÚBLICO E SEUS 
SERVIDORES. PRECEDENTES. MEDIDA CAUTELAR CONFIRMADA. 
AÇÃO DIRETA JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. O processo 
legislativo para edição da Emenda Constitucional n. 45/2004, que deu nova 
redação ao inciso I do art. 114 da Constituição Federal, é, do ponto de vista 
formal, constitucionalmente hígido. 2. A interpretação adequadamente 
constitucional da expressão ‘relação do trabalho’ deve excluir os 
vínculos de natureza jurídico-estatutária, em razão do que a 
competência da Justiça do Trabalho não alcança as ações judiciais 
entre o Poder Público e seus servidores. 3. Medida Cautelar confirmada e 
Ação Direta julgada parcialmente procedente. (ADI 3.395, Tribunal Pleno, rel. 
Min. Alexandre de Moraes, DJe 1º-7-2020). 
 
Ressalta-se, ainda, que há posicionamento do STJ no sentido de que compete à Justiça 
Comum o julgamento de controvérsia envolvendo direitos de servidor contratado para exercer cargo 
em comissão regido pela CLT. Assim segue: 
De acordo com entendimento sumulado do STJ, “Compete à Justiça dos 
Estados processar e julgar ação de servidor estadual decorrente de direitos 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 26 
 
e vantagens estatutárias no exercício de cargo em comissão” (Súmula 218). 
Isso porque o servidor ocupante de cargo em comissão mantém um vínculo 
jurídico-administrativo com o Poder Público, não sendo uma relação 
empregatícia. Não importa, para fins de competência, que a lei municipal diga 
que a relação jurídica seria regida pela CLT. Isso porque, neste caso, houve 
um desvirtuamento do vínculo do cargo em comissão feito pela lei municipal. 
Justamente por essa razão, o STF já decidiu que a competência para julgar 
controvérsia envolvendo direitos de servidor contratado para exercer cargo 
em comissão é da Justiça Comum mesmo se o servidor ocupante de cargo 
em comissão for regido pela CLT. STJ. 1ª Seção. EDcl no AgInt no CC 
184065-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 25/10/2022 (Info 
760). 
 AÇÕES QUE ENVOLVAM EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE 
Insta verificar, a priori, o conceito analítico de greve trazido por Rodrigues Pinto, sendo 
compreendida como: 
1) Cessação do trabalho, acertada por um grupo de trabalhadores, com o objetivo de 
defender seus interesses profissionais; 
2) Recusa coletiva e combinada de trabalho, manifestando a intenção dos assalariados de 
se colocarem provisoriamente fora do contrato, a fim de assegurar o sucesso de suas 
reivindicações; 
3) Suspensão de caráter temporário do trabalho, pactuada e acertada por um grupo 
organizado de trabalhadores, com o abandono dos locais de trabalho, com o objetivo de 
fazer pressão sobre os empregadores, na defesa de seus interesses profissionais e 
econômicos. 
Além do conceito doutrinário, o art. 2º da Lei 7.783/89 trouxe também o conceito legal, nos 
seguintes termos: 
Art. 2º Para os fins desta lei, considera-se legítimo exercício do direito de 
greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de 
prestação pessoal de serviço a empregador. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(CRF-PR - Advogado - Quadrix - 2019): O exercício da jurisdição pelo 
Estado busca restabelecer a ordem jurídica. Já a competência, no caso da 
justiça trabalhista, é a medida da jurisdição e tem como fundamento jurídico 
principal o art. 114 da Constituição Federal de 1988. Dessa forma, com 
relação à competência da Justiça do Trabalho, é correto afirmar que compete 
à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações que envolvam o exercício 
do direito de greve. Correto. 
Ante a visualização do conceito de greve, importante salientar existem 2 tipos de ações que 
envolvem o exercício do direito de greve: 
1) Ações típicas: ocupam-se dos dissídios coletivos, que visam sanar eventual divergência 
entre sindicatos ou sindicatos e empresas. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 27 
 
Em se tratando de ações típicas, refere-se ao dissídio coletivo de ação de greve. 
De acordo com a Súmula 189 do TST, a greve é matéria de competência da Justiça do 
Trabalho: 
 Súmula 189 do TST. GREVE. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO 
TRABALHO. ABUSIVIDADE. A Justiça do Trabalho é competente para 
declarar a abusividade, ou não, da greve. 
 
Já o dissídio coletivo tem um tratamento diferenciado para a competência funcional. O 
dissídio é sempre de origem de Tribunal, pois NÃO existe dissídio coletivo em Vara do Trabalho. 
Desse modo, importante traçar 2 distinções: 
a) Será de competência do TRT quando a abrangência territorial do sindicato for menor 
ou igual que a competência territorial de um TRT. Ex.: TRT-5 (Bahia) x Sindicato dos 
Trabalhadores Urbanos de Salvador ou Sindicato dos Trabalhadores Urbanos da Bahia. 
b) Por outro lado, será de competência do TST quando a abrangência territorial do 
sindicato for maior do que a competência territorial de um TRT ou quando a abrangência 
territorial do sindicato for nacional. Ex.: TRT-5 (Bahia) e TRT-20 (Sergipe) x Sindicato 
dos Trabalhadores Urbanos da Bahia e Sergipe. Não é possível escolher um dos TRTs, 
devendo o dissídio coletivo ser direcionado ao TST.Obs.: o art. 12 da Lei 7.520/86 determina que quando a abrangência 
do sindicato envolver o TRT-2 e o TRT-15, a competência será do 
TRT-2. Envolvendo mais um estado, deverá ser encaminhado ao TST. 
Art. 12. Compete exclusivamente ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª 
Região processar, conciliar e julgar os dissídios coletivos nos quais a decisão 
a ser proferida deva produzir efeitos em área territorial alcançada, em parte, 
pela jurisdição desse mesmo Tribunal e, em outra parte, pela jurisdição do 
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. 
 
Ressalta-se, por fim, que o art. 114, § 3º da CF/88 prevê que o dissídio coletivo somente 
poderá ser suscitado pelo MPT se houver lesão ou ameaça de lesão a interesse público. 
2) Ações atípicas: ações possessórias e ações de indenização por danos morais ou 
patrimoniais por atos ilícitos praticados no curso da greve ou em decorrência do exercício 
do direito de greve. 
Frisa-se, inicialmente, que nas ações possessórias no âmbito da Justiça do Trabalho NÃO 
se discute a legalidade do direito de greve. O objeto dessa ação é a posse, uma vez que o exercício 
da posse (que deveria ser pleno) está sendo turbado, ameaçado ou esbulhado por um movimento 
grevista. Ex.: bancários que fazem uma greve e impedem a entrada na agência com piquetes ou 
com a troca da chave das fechaduras. 
À vista disso, se a ameaça, turbação ou esbulho ao imóvel decorrem do exercício do direito 
de greve, é possível ingressar com um interdito proibitório, cuja competência de julgamento é da 
Vara da Justiça do Trabalho, na forma da Súmula Vinculante 23: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 28 
 
Súmula Vinculante 23: A Justiça do Trabalho é competente para processar 
e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de 
greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. 
 
Todavia, é preciso salientar que a competência será da Justiça do Trabalho apenas quando 
houver entre possuidor e grevista uma relação de trabalho. Ex.: greve dos rodoviários, ocasião na 
qual os grevistas colocam um piquete no shopping. Entre rodoviária e shopping não há relação de 
trabalho, de modo que a competência deixa de ser da Justiça do Trabalho. Diferentemente seria se 
os rodoviários fechassem a garagem dos ônibus. 
Isto posto, com o advento da Súmula Vinculante 23 do STF, não há mais dúvida acerca da 
competência da Justiça do Trabalho para as ações possessórias, incluído o interdito proibitório, 
decorrentes do exercício do direito de greve dos trabalhadores da iniciativa privada. Só não será da 
competência da Justiça do Trabalho se se tratar de ação possessória que envolva o exercício do 
direito de greve de servidores públicos estatutários ou regidos por regime jurídico-administrativo, 
nos termos da ADI 3.395. 
Evidencia-se, por fim, que as ações de indenização por danos morais ou patrimoniais por 
atos ilícitos praticados no curso da greve ou em decorrência do exercício do direito de greve, por 
força do art. 114, II, da CF, passaram para a competência da Justiça do Trabalho. 
Exemplifica-se com uma ação civil pública, promovida pelo MPT (ou outro colegitimado ativo) 
em face do empregador que exige a desfiliação sindical dos grevistas e ameaça dispensá-los por 
justa causa se não retornarem ao trabalho, cujo pedido consiste na obtenção de tutelas inibitória 
(impedir a reiteração da prática empresarial ilegal e antissindical) e ressarcitória (danos morais 
coletivos por ofensa aos direitos de imagem de toda categoria profissional que, in casu, ficaria 
fragilizada para exercer o direito fundamental de greve). A competência, neste caso, é 
materialmente da Justiça do Trabalho e, funcionalmente, da Vara do Trabalho, e não do TRT, pois 
não se trata de dissídio coletivo de greve. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): A justiça do trabalho é competente 
para processar e julgar interdito proibitório que tenha por objeto assegurar o 
livre acesso de trabalhadores ao local de trabalho que corre o risco de ser 
interditado em razão de movimento grevista de trabalhadores da iniciativa 
privada. Correto. 
 AÇÕES SOBRE REPRESENTAÇÃO SINDICAL 
Importante salientar, a priori, que apesar de a CF/88 ter utilizado o termo sindicato, a 
competência abrange TODOS os entes da estrutura sindical e não somente o sindicato, incluindo-
se, portanto, as federações, confederações e centrais sindicais. 
Dentre os exemplos de ações sobre representação sindical, pode-se destacar a própria ação 
de representação sindical, ações que envolvam cobranças para o sindicato (ex.: taxa assistencial e 
contribuição sindical), ações relativas aos direitos dos dirigentes sindicais e direitos de filiação e 
desfiliação, bem como ações que versem sobre problemas relativos ao processo eleitoral no 
sindicato. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 29 
 
(TRT-1 - Analista Judiciário - Instituto AOCP - 2018): À Justiça do Trabalho 
compete processar e julgar as ações que envolvam representação sindical 
entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, entre sindicatos e 
empregadores e demandas de qualquer natureza entre empregadores que 
façam parte de um mesmo sindicato patronal. Errado. 
 MANDADOS DE SEGURANÇA, HABEAS CORPUS E HABEAS DATA 
No julgamento da ADI 3.684, o STF decidiu que a competência da Justiça do Trabalho para 
julgar habeas corpus, habeas data e mandados de segurança ocorrerá quando o ato questionado 
envolver matéria sujeita à sua jurisdição, referindo-se à competência material. 
No entanto, tais ações possuem especificidades quanto a competência funcional. Deve-se, 
portanto, verificar quem é o coator para, então, definir a competência, conforme abaixo explicitado: 
1) Autoridade externa ao Poder Judiciário: Vara do Trabalho. 
2) Juiz de Vara do Trabalho: TRT. 
3) Desembargador: TRT, conforme competência definida no Regimento Interno. 
4) Ministro do TST: TST, conforme competência definida no Regimento Interno. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): Ao TST não compete apreciar, 
originariamente, mandado de segurança impetrado contra decisão de TRT. 
Correto. 
 
(TRT-1 - Analista Judiciário - Instituto AOCP - 2018): A Justiça do Trabalho 
é competente para processar e julgar mandados de segurança, habeas 
corpus e habeas data quando o ato questionado envolver matéria sujeita à 
sua jurisdição. Correto. 
 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA ENTRE ÓRGÃOS COM JURISDIÇÃO 
TRABALHISTA 
Há 2 tipos de conflitos de competência: 
1) Positivo: quando 2 juízes se declaram competentes. 
2) Negativo: quando todos os juízes se declaram incompetentes. 
Para solucionar os conflitos de competência, é possível elencar 5 regras: 
1) O conflito entre Varas do Trabalho submetidas ao mesmo TRT, será por ele solucionado: 
Art. 808 - Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: 
a) pelos Tribunais Regionais, os suscitados entre Juntas e entre Juízos de 
Direito, ou entre uma e outras, nas respectivas regiões. 
 
2) O conflito entre Varas do Trabalho submetidas a TRTs distintos ou entre TRTs, será 
solucionado pelo TST: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 30 
 
Art. 808 - Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: 
b) pela Câmara de Justiça do Trabalho, os suscitados entre Tribunais 
Regionais, ou entre Juntas e Juízos de Direito sujeitos à jurisdição de 
Tribunais Regionais diferentes. 
 
3) NÃO se configura conflito de competência entre TRT e Vara do Trabalho a ele vinculada: 
SÚMULA 420 DO TST. COMPETÊNCIA FUNCIONAL. CONFLITO 
NEGATIVO. TRT E VARA DO TRABALHO DE IDÊNTICA REGIÃO. NÃO 
CONFIGURAÇÃO. Não se configura conflito de competência entre 
Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. Res. 
137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005. 
 
Como o tema foi cobrado emconcurso? 
(Prefeitura de Contagem - Procurador - FUNDEP - 2021): Conforme 
entendimento do TST, não se configura conflito de competência entre 
Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. Correto. 
4) O conflito de competência entre a jurisdição trabalhista de 1º e 2º graus e a jurisdição 
comum (1º e 2º graus) será solucionado pelo STJ: 
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
I - processar e julgar, originariamente: 
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o 
disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não 
vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos. 
 
5) O conflito de competência envolvendo Tribunal Superior será solucionado pelo STF: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e 
quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer 
outro tribunal. 
 
É de suma importância vislumbrar, por fim, o disposto no art. 112 da CF/88: 
Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas 
não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso 
para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. 
 
Trata-se de hipótese de delegação de competência em razão da inexistência de Varas do 
Trabalho em determinada jurisdição. Frisa-se, nesse liame, que na delegação não se transfere a 
responsabilidade, mas apenas a execução daquilo que não é possível fazer por si próprio. 
Pode-se inferir que uma localidade não é abrangida por Vara do Trabalho quando não há 
nenhuma Vara que cubra aquele lugar. Assim, a competência será delegada para o Juiz de Direito 
da localidade. 
Salienta-se que o Juiz de Direito atua no processo como se Juiz do Trabalho fosse, ainda 
que o processo permaneça sendo trabalhista e pertencente à Justiça do Trabalho, de maneira que 
eventual recurso será direcionado para o TRT. Nesse mesmo sentido, havendo conflito de 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 31 
 
competência com essa Vara, ela não será colocada como uma Vara Comum, mas como se Vara 
do Trabalho fosse. 
Ressalta-se, no entanto, que nos termos da Súmula 10 do STJ, sendo instalada Vara do 
Trabalho que abranja a localidade, todos os processos a ela serão encaminhados: 
Súmula 10 do STJ: Instalada a junta de conciliação e julgamento, cessa a 
competência do juiz de direito em matéria trabalhista, inclusive para a 
execução das sentenças por ele proferidas. 
 AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL OU PATRIMONIAL 
Evidencia-se, a priori, o disposto na Súmula Vinculante 22: 
Súmula Vinculante 22: A Justiça do Trabalho é competente para processar 
e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes 
de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, 
inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro 
grau quando da promulgação da Emenda Constitucional n. 45/04. 
 
Importante verificar também a Súmula 392 do TST: 
Súmula 392/TST - 20/04/2005 - Responsabilidade civil. Dano moral. Dano 
material. Empregado. Competência. Sucessão. Dependência. Acidente de 
trabalho. Doença do trabalho. Sucessores e dependentes. Julgamento pela 
Justiça do Trabalho. CF/88, art. 5º, V e X e CF/88, art. 114, VI. Nos termos 
do art. 114, VI, da CF/88, a Justiça do Trabalho é competente para 
processar e julgar ações de indenização por dano moral e material, 
decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de 
trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos 
dependentes ou sucessores do trabalhador falecido. 
 
Pode-se constatar, portanto, que as ações de indenização propostas por empregado ou seus 
sucessores contra empregador, fundadas em acidente do trabalho, são da competência da Justiça 
do Trabalho. 
Isto posto, infere-se que a Justiça Comum detém competência para processar e julgar 
apenas as ações em que figure sozinho no polo passivo o INSS, diante de sua responsabilidade 
objetiva para assegurar ao trabalhador acidentado ou incapacitado em decorrência de doença 
ocupacional, por conta dos recursos (oriundos do SAT - Seguro de Acidente do Trabalho) que 
administra. 
Para todas as demais ações concernentes a acidentes do trabalho oriundas da relação de 
trabalho, inclusive as que tenham por objeto indenização por dano material ou moral ou que visem 
o cumprimento das normas de segurança e saúde do trabalhador, incluídas as relativas ao meio 
ambiente do trabalho, a competência é da Justiça do Trabalho. 
Além disso, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação de indenização 
por danos morais em ricochete ajuizada pelo espólio ou por herdeiros do empregado falecido em 
face do seu ex-empregador em decorrência de acidente do trabalho, de acordo com julgado abaixo: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 32 
 
RECURSO DE REVISTA DOS RECLAMANTES – ACIDENTE DE 
TRABALHO – ÓBITO DO EMPREGADO – DANO MORAL REFLEXO (EM 
RICOCHETE) – IRMÃOS – PRESUNÇÃO. 1. A indenização por danos morais 
destina-se a compensar a afronta ao direito da personalidade sobre o qual 
incidiu o comportamento culposo lato sensu do agente causador do dano. 2. 
O falecimento do trabalhador autoriza o pagamento de dano moral 
reflexo (em ricochete ou indireto) para a sua família e qualquer pessoa 
com relação especial afetiva com o acidentado. 3. É presumido o abalo 
moral dos descendentes, cônjuge, ascendentes e irmãos, pois incluídos nos 
limites do núcleo familiar. 4. A presunção da ofensa ao direito da 
personalidade do grupo familiar restrito é apenas relativa e pode ser afastada 
por prova em contrário. 5. No caso, em razão do acidente de trabalho fatal 
sofrido pelo empregado, as irmãs têm direito à indenização por danos 
morais em ricochete, não tendo ficado comprovada a inimizade ou 
desafeição ao parente falecido. 6. A independência econômica e o fato de 
não residirem na mesma casa são absolutamente irrelevantes para o 
deferimento do dano moral indireto. Recurso de revista das reclamantes 
conhecido e provido (TST-ARR 480-20.2012.5.18.0102, 7ª T., Rel. Min. Luiz 
Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 7-6-2019). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): Ações de indenização por dano 
moral oriundas de acidente de trabalho devem ser analisadas na justiça 
federal, e não na justiça do trabalho, pois não dizem respeito à relação de 
trabalho. Errado. 
 
(PGE-AM - Procurador - CESPE - 2018): A ação de indenização por dano 
moral decorrente da relação de trabalho proposta por sucessores de 
trabalhador falecido é de competência da justiça do trabalho. Correto. 
 AÇÕES RELATIVAS ÀS PENALIDADES ADMINISTRATIVAS IMPOSTAS AOS 
EMPREGADORES PELOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE 
TRABALHO 
Quando o inciso VII do art. 114 da CF menciona "ações", é evidente que inclui as ações de 
execução fiscal, bem como quaisquer outras que guardem conexão com as penalidades impostas 
pelas Delegacias Regionais do Trabalho. Na mesma linha, quando tais penalidades houverem sido 
inscritas na Dívida Ativa da União, as ações de execução fiscal para cobrança do crédito fiscal serão 
ajuizadas perante a Justiça do Trabalho. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Compete à Justiça do 
Trabalho processar e julgar as ações relativas às penalidades administrativas 
impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização tributária. Errado. 
 EXECUÇÃO, DE OFÍCIO, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVISTAS NO ART. 
195, I, A, E II, E SEUS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DECORRENTES DAS SENTENÇAS QUE 
PROFERIR 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 33 
 
É uma execução de ofício, feita pelo próprio Poder Judiciário, das contribuiçõeselencadas 
no art. 195, I, a e II, da CF/88: 
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma 
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos 
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e 
das seguintes contribuições sociais: 
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da 
lei, incidentes sobre: 
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, 
a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo 
empregatício; 
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo 
ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de 
contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão 
concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social. 
 
A Súmula 454 do TST definiu que essa competência abrange também as contribuições para 
o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT): 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.EXECUÇÃO DE OFÍCIO. 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL REFERENTE AO SEGURO DE ACIDENTE DE 
TRABALHO (SAT). ARTS. 114, VIII, E 195, I, “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 414 da SBDI-1). 
Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, da contribuição 
referente ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), que tem natureza de 
contribuição para a seguridade social (arts.114, VIII, e 195, I, “a”, da CF), 
pois se destina ao financiamento de benefícios relativos à incapacidade 
do empregado decorrente de infortúnio no trabalho (arts. 11 e 22 da Lei 
nº 8.212/1991). DJ-E em 21-5-2014. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-16 - Analista Judiciário - FGV - 2022): No curso de relação processual 
no âmbito da Justiça do Trabalho, foram acolhidos, em sentença transitada 
em julgado, os pedidos formulados pelo reclamante, com a consequente 
condenação do antigo empregador ao pagamento dos valores almejados. 
Ressalte-se que a condenação decorreu do não pagamento de horas 
extraordinárias, sendo que, durante toda a relação de emprego, as 
contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário normal foram 
pontualmente recolhidas pelo empregador. Nesse caso, as contribuições 
previdenciárias concernentes ao objeto da referida condenação devem ser 
objeto de execução no âmbito da Justiça do Trabalho, devendo ser iniciada 
de ofício. Correto. 
 
(CRM-PR - Advogado - Quadrix - 2018): No que toca à execução das 
contribuições previdenciárias, a competência da Justiça do Trabalho limita-se 
às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de 
acordo homologado, que integrem o salário de contribuição. Correto. 
 OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 34 
 
Verifica-se, primeiramente, que o art. 652, f, da CLT, trata da competência para homologar 
acordos extrajudiciais: 
Art. 652. Compete às Varas do Trabalho: 
f) decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em matéria de 
competência da Justiça do Trabalho. 
 
Os acordos extrajudiciais estão previstos nos arts. 855-B e seguintes da CLT: 
Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início 
por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por 
advogado. 
§ 1º As partes não poderão ser representadas por advogado comum. 
§ 2º Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de 
sua categoria. 
 
Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição, o 
juiz analisará o acordo, designará audiência se entender necessário e 
proferirá sentença. 
 
Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o 
prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados. 
Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte 
ao do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do 
acordo. 
 
No que se refere ao § 1º do art. 855-B, pode-se inferir que não cabe jus postulandi e é 
necessário advogados distintos para a homologação do acordo. 
Caso o juiz negue a homologação, pondo fim ao processo, caberá Recurso Ordinário. Nesse 
sentido, importante vislumbrar a Súmula 418 do TST: 
MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO 
(nova redação em decorrência do CPC de 2015). A homologação de acordo 
constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável 
pela via do mandado de segurança. 
 
Importante ressaltar, ainda, que NÃO cabe homologação parcial de acordo extrajudicial. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Jataí - Procurador - UFG - 2018): Juscelino era empregado 
de empresa de terceirização de mão de obra contratada por um município do 
interior de Goiás e teve seu contrato rescindido unilateralmente pela 
empregadora no mês de julho de 2018. Considerando-se lesado no 
recebimento das verbas rescisórias, que considera devidas, mas receoso de 
propor ação judicial em virtude das inovações trazidas pela reforma 
trabalhista, o trabalhador busca firmar acordo extrajudicial com a antiga 
empregadora. Na hipótese narrada, o juiz do trabalho, ao deferir o pedido, 
poderá executar de ofício as contribuições sociais relativas ao objeto do 
acordo que homologar. Correto. 
Por fim, importante trazer à tona alguns aspectos específicos acerca da competência 
material: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 35 
 
1) Trabalho do menor de idade 
O trabalho do menor envolve 2 momentos importantes. 
O primeiro momento se refere à autorização do trabalho do menor, que ocorre na fase pré-
contratual e cuja competência é da Justiça Comum e não da Justiça do Trabalho, nos termos da 
ADI 5.326: 
[...]. COMPETÊNCIA – JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA – CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES – EVENTOS ARTÍSTICOS – PARTICIPAÇÃO – 
AUTORIZAÇÃO. Ausente controvérsia a envolver relação de trabalho, 
compete ao Juízo da Infância e da Juventude, inserido no âmbito da 
Justiça Comum, apreciar, no campo da jurisdição voluntária, pedido de 
autorização visando a participação de crianças e adolescentes em 
eventos de caráter artístico. (STF - ADI: 5326 DF, Relator: MARCO 
AURÉLIO, Data de Julgamento: 27/09/2018, Tribunal Pleno, Data de 
Publicação: 20/03/2020). 
 
Já no segundo momento, na fase pós-contratual, em que o menor já está trabalhando, é de 
competência da Justiça do Trabalho. 
2) Trabalho do preso 
Foi regulamentado na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84). 
A LEP fala claramente que o trabalho do preso não gera vínculo empregatício: 
Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade 
humana, terá finalidade educativa e produtiva. 
§ 2º O trabalho do preso não está sujeito ao regime da Consolidação das 
Leis do Trabalho. 
 
Em razão disso, questões relativas ao trabalho do preso não são de competência da Justiça 
do Trabalho. 
3) Trabalhadores em cartórios 
A Constituição Federal estabelece que os serviços notariais e de registro prestados pelos 
cartórios extrajudiciais são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público (art. 236, 
CF/88). A Lei 8.935/94 regulamenta as atividades dos cartórios e, completando o disposto no art. 
236 da CF/88, estabelece que, a partir da data da sua publicação, os escreventes dos cartórios 
serão contratados sob o regime da legislação trabalhista, sendo que aos escreventes que já 
prestassem serviços naquele momento foi assegurado o direito de, no prazo de 30 dias, optar pela 
legislação trabalhista, deixando, nesse caso, o regime jurídico especial que vigorava para os 
cartórios até aquela data. 
Dessa forma, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir as controvérsias entre os 
escreventes regidos pela legislação trabalhista e os cartórios extrajudiciais. 
 
Como o tema foi cobradoem concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 36 
 
(TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): José presta serviços na 
qualidade de trabalhador avulso. Carla trabalha como concursada, desde 
2010, em um Cartório de Registro Civil. Monalisa é atleta profissional de 
futebol. No caso de ajuizamento de reclamações referentes a direitos 
trabalhistas, são competentes para as hipóteses apresentadas, a Justiça do 
Trabalho, em todos os casos. Correto. 
4. COMPETÊNCIA TERRITORIAL 
A competência em razão do lugar (ratione loci), também chamada de competência territorial, 
é determinada com base na circunscrição geográfica sobre a qual atua o órgão jurisdicional. 
Geralmente, a competência ratione loci é atribuída às Varas do Trabalho, que são os órgãos de 
primeira instância da Justiça do Trabalho. A competência territorial das Varas do Trabalho é 
determinada por lei federal. 
Cumpre reiterar, no entanto, que os Tribunais Regionais do Trabalho têm competência para 
processar e julgar as causas trabalhistas, originariamente (ex.: dissídio coletivo) ou em grau de 
recurso (ex.: recurso ordinário), dentro do espaço geográfico, normalmente correspondente a um 
estado da federação. 
Na mesma linha, o TST possui competência territorial para processar e julgar, 
originariamente, os dissídios coletivos que extrapolem a área geográfica de uma região (ou melhor, 
ultrapassem a área territorial sob a jurisdição de um Tribunal Regional do Trabalho) e, em grau 
recursal, as decisões dos TRTs nos dissídios individuais ou coletivos. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Porto Alegre - Procurador - FUNDATEC - 2022): O Sindicato 
Patronal “X” e o Sindicato Profissional “Y”, ambos com abrangência territorial 
municipal, entraram em acordo para a instauração de Dissídio Coletivo. 
Quanto à tramitação judicial, a competência originária para processar e julgar 
esse Dissídio Coletivo é de Tribunal Regional do Trabalho, sendo que o 
recurso cabível a ser interposto em face da Sentença Normativa proferida 
será o “Recurso Ordinário”, direcionado ao Tribunal Superior do Trabalho. 
Correto. 
O regramento da competência em razão do lugar tem previsão expressa no art. 651 da CLT: 
Art. 651 - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é 
determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, 
prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local 
ou no estrangeiro. 
 
Trata-se, portanto, de competência relativa e somente pode ser arguida por meio de 
exceção. Logo, não pode ser declarada de ofício. 
A competência territorial das Varas do Trabalho possui 4 classificações: 
1) Quanto ao local da prestação do serviço; 
2) Quando se tratar de empregado agente ou viajante comercial; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 37 
 
3) Empregado brasileiro que trabalhe no estrangeiro; 
4) Empresa que promova atividade fora do lugar da celebração do contrato. 
Passa-se, então, a verificar cada uma delas. 
 LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO 
Nos termos do art. 651, caput, da CLT, a competência das Varas do Trabalho é determinada 
pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, 
ainda que tenha sido contratado em outro local ou no estrangeiro. 
A regra prevista no referido artigo visa à facilitação da instrução processual, pois as provas, 
especialmente a testemunhal, são, em regra, encontradas no local da prestação do serviço. Assim, 
de acordo com a interpretação literal do preceptivo em causa, a ação trabalhista deve ser ajuizada 
no local em que o empregado prestou serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado em 
outra localidade ou em outro país. Ex.: se o empregado A é contratado pela empresa B em Vitória 
(ES), mas vai prestar serviços no Rio de Janeiro (RJ), terá competência territorial para processar e 
julgar eventual ação trabalhista uma das Varas do Trabalho do local da prestação do serviço, in 
casu, Rio de Janeiro (RJ). 
Importante ressaltar que na hipótese de transferência do empregado, a competência é do 
último local da prestação do serviço. Ex.: João foi contratado em Salvador e trabalhou em 
Salvador. Depois de 1 ano, foi transferido para o Rio de Janeiro. Após 1 ano trabalhando no Rio de 
Janeiro, foi transferido para São Paulo e, passados 6 meses, foi demitido. Nesse caso, a ação 
trabalhista deve ser promovida em São Paulo. 
Há, contudo, entendimento jurisprudencial minoritário no sentido de que o empregado 
poderá ingressar com ação em quaisquer das localidades que ele tenha trabalhado. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): A 
competência da vara do trabalho é determinada pela localidade em que tenha 
sido firmado o contrato de trabalho, ainda que o empregado, reclamante, 
preste serviços ao empregador em localidade diversa. Errado. 
 
(TRT-1 - Técnico Judiciário - Instituto AOCP - 2018): João tem domicílio 
na cidade do Rio de Janeiro/RJ e foi chamado para uma entrevista de 
emprego pela empresa Colchões Ortopédicos Ltda., com sede na cidade de 
Campinas/SP, ocasião em que foi contratado no próprio local. Já no momento 
da contratação, a empresa informou ao novo empregado que ele iria trabalhar 
na filial da empresa na cidade de São José do Rio Preto/SP. Depois de 3 
anos de trabalho, João foi dispensado sem justa causa, não recebendo as 
verbas rescisórias, dentre outros pleitos que considera devidos, razão pela 
qual almeja buscar a efetivação de seus direitos na Justiça do Trabalho. 
Nesse seguimento, João deve pleitear seus direitos em São José do Rio 
Preto/SP, pois é o local da prestação de serviços. Correto. 
 EMPREGADO AGENTE OU VIAJANTE COMERCIAL 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 38 
 
Trata-se do empregado que não tem fixação a uma localidade determinada. Ex.: vendedor 
de vela na Bahia que caminha por várias cidades do interior em datas comemorativas específicas 
para realizar as vendas. 
A competência está disposta no § 1º do art. 651 da CLT, in verbis: 
Art. 651, § 1º - Quando for parte de dissídio agente ou viajante comercial, a 
competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha agência 
ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente 
a Junta da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade 
mais próxima. 
 
Isto posto, o empregado agente ou viajante comercial poderá propor a ação trabalhista: 
1) No foro da Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial “e a esta o 
empregado esteja subordinado”, isto é, no domicílio do réu (reclamado) para quem se 
encontra, de fato, prestando serviços; 
OU 
2) No foro da Vara do seu domicílio ou da localidade mais próxima. 
Obs.: agência ou filial é diferente de matriz. Desse modo, se o 
empregado se reporta diretamente à matriz da empresa, é porque não 
existe agência ou filial, de modo que poderá ingressar com a ação no 
domicílio. Não se trata, portanto, de uma escolha de foro, mas “última 
opção” caso a empresa não possua agência ou filial no local da 
prestação dos serviços. 
Salienta-se, contudo, que a jurisprudência não é pacífica acerca da competência territorial 
do empregado viajante, conforme pode ser visualizado no julgado abaixo colacionado: 
COMPETÊNCIA TERRITORIAL – EMPREGADO VIAJANTE – ACESSO À 
JUSTIÇA – Conforme regra prevista no art. 651, § 1º, da CLT, a competência 
territorial na Justiça do Trabalho, quando for parte no dissídio agente ou 
viajante comercial, é fixada pelo local em que a empresa tenha agência ou 
filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a 
Vara da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade 
mais próxima. Todavia, a garantia individual do acesso à Justiça, expresso 
no art. 5º, XXXV, da CF/88, se sobrepõe à regra do art. 651 da CLT, tendoem vista as situações em que a aplicação de sua literalidade implica grave 
prejuízo ao empregado, hipossuficiente na relação, impedindo que ele exerça 
seu direito constitucional de ação. É o caso do empregado contratado na 
sede da empresa, localizada em Estado diferente do domicílio do 
obreiro, e que, como viajante comercial, prestou serviços em diversos 
locais (TRT 17ª R., RO 85400-12.2011.5.17.0191, 2ª T., Rel. Des. Marcello 
Maciel Mancilha, DJe 4-5-2012, p. 125). 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-15 - Analista Judiciário - FCC - 2018): Em uma situação hipotética, 
Júlio, residente e domiciliado na cidade de Bauru/SP, foi contratado pela 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 39 
 
empresa Mach Tech Ltda., com sede na cidade de São Paulo, para trabalhar 
como vendedor viajante, em 4 cidades. Júlio estava subordinado à filial da 
empresa Mach Tech Ltda., localizada na cidade de Campinas/SP, 
reportando-se ao Gerente de Vendas. Em fevereiro de 2018, Júlio foi 
dispensado sem justa causa, sem que, no entanto, fossem quitadas as verbas 
rescisórias a que tinha direito, razão pela qual pretende ajuizar reclamação 
trabalhista em face da empresa Mach Tech Ltda. A reclamação trabalhista 
deverá ser ajuizada na cidade de Campinas/SP, porque Júlio está 
subordinado à filial ali localizada. Correto. 
 EMPRESA QUE PROMOVE ATIVIDADE FORA DO LUGAR DA CELEBRAÇÃO 
DO CONTRATO 
Quando o empregador realiza atividades fora do lugar da celebração do contrato de trabalho, 
dispõe literalmente o § 3º do art. 651 da CLT que: 
Art. 651, § 3º - Em se tratando de empregador que promova realização de 
atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao 
empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no 
da prestação dos respectivos serviços. 
 
A competência será do local da contratação ou no local da prestação. É faculdade do 
empregado optar por um dos locais. 
Trata-se da hipótese de arregimentação de mão de obra. O trabalhador arregimentado é 
aquele que é levado de sua cidade para trabalhar em outro município ou estado. Ex.: empresa de 
extração de petróleo com sede no Rio de Janeiro que contrata empregados de Salvador para 
trabalhar no polo petrolífero de Camaçari, na Bahia. 
Registra-se que, de acordo com a OJ 149 da SBDI-2 do TST, não cabe declaração de ofício 
de incompetência territorial no caso do uso, pelo trabalhador, da faculdade prevista no art. 651, § 
3º, da CLT. Nessa hipótese, resolve-se o conflito pelo reconhecimento da competência do juízo do 
local onde a ação foi proposta. 
 EMPREGADO BRASILEIRO QUE TRABALHA NO ESTRANGEIRO 
Dispõe o § 2º do art. 651 da CLT que: 
Art. 651, § 2º - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento, 
estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou 
filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja 
convenção internacional dispondo em contrário. 
 
Ante o exposto, a Justiça do Trabalho do Brasil será competente quando: 
1) O empregado for brasileiro; 
2) Não existir convenção internacional em sentido contrário; 
3) A empresa possuir atividade no Brasil. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 40 
 
Acerca do último requisito, Carlos Henrique Bezerra Leite – adotando posicionamento 
minoritário – aponta que pouco importa se a empresa é brasileira ou estrangeira, pois o critério 
específico adotado pelo art. 651, § 2º, da CLT diz respeito ao empregado brasileiro, nato ou 
naturalizado, que prestar serviços no estrangeiro e desde que não exista tratado internacional 
fixando outro critério de competência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 41 
 
ATOS, TERMOS E PRAZOS PROCESSUAIS 
1. ATOS PROCESSUAIS 
Os atos processuais são os acontecimentos voluntários que ocorrem no processo e 
dependem de manifestações dos sujeitos do processo. 
 QUANTO ÀS PARTES 
Considerando que as partes são os sujeitos que atuam com parcialidade no processo, os 
atos processuais representam as suas condutas voluntárias no processo, distanciando-se dos 
chamados fatos processuais, que são aqueles acontecimentos involuntários que geram 
consequências no processo (ex.: morte das partes). 
Os atos jurídicos processuais podem ser: 
1) Bilaterais: pode-se destacar a transação (acordo). 
Sobre a transação, importante salientar que a decisão que homologa o acordo é uma 
decisão com trânsito em julgado no próprio ato de homologação, e não do ato da publicação da 
decisão de homologação. Além disso, o processo é extinto com resolução do mérito, nos termos do 
art. 487, III, b, do Código de Processo Civil: 
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
III - homologar: 
b) a transação. 
 
Ainda referente ao tema, destaca-se o entendimento da Súmula 100 do TST, que trata sobre 
a ação rescisória: 
O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na 
forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo conciliatório transita em 
julgado na data da sua homologação judicial. 
 
Dessa forma, sendo irrecorrível a decisão de homologação do acordo realizado entre as 
partes na Justiça do Trabalho, a única medida processual cabível é a ação rescisória, prevista no 
art. 966 e seguintes do Código de Processo Civil. 
A ação rescisória possui hipóteses específicas de cabimento, apenas manejável em casos 
de nulidade processual, por vício grave de consentimento das partes ou por violação às normas 
legais. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Acordo homologado judicialmente 
tem força de decisão irrecorrível, exceto no que se refere às contribuições 
previdenciárias. Correto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 42 
 
2) Unilaterais: a título de exemplificação, pode-se mencionar a petição inicial e a 
desistência. 
A desistência, enquanto instituto, está prevista expressamente no art. 200, parágrafo único 
do CPC: 
Art. 200. Os atos das partes consistentes em declarações unilaterais ou 
bilaterais de vontade produzem imediatamente a constituição, modificação ou 
extinção de direitos processuais. 
Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeitos após 
homologação judicial. 
 
A desistência gera a extinção do processo sem resolução de mérito. 
Outrossim, insta evidenciar que o art. 841, § 3º da CLT tornou a defesa no Processo do 
Trabalho um ato complexo, de 2 momentos: oferecimento e recebimento. Sendo assim, há 2 
situações: 
1) Até o oferecimento da defesa, a aceitação da desistência é livre. 
2) Após o oferecimento da defesa, a desistência somente será aceita com a anuência do 
Reclamado. 
Art. 841, § 3º Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o 
reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. 
 QUANTO AO JUIZ 
Os atos processuais praticados pelo Juiz estão previstos no art. 203 do CPC: 
Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões 
interlocutórias e despachos. 
 
Assim, necessário visualizar a distinção entre cada um deles: 
1) Sentença: ato que põe fim à fase de conhecimento ou execução do processo, com ou 
sem resolução de mérito. 
2) Decisão interlocutória: toda aquela que possui conteúdo decisório, mas que não seja 
sentença. 
Há ainda, as decisões proferidas pelos Tribunais, podendo ser: 
1) Decisão monocrática: decisão proferida pelo Juízo singular. 
2) Acórdão: decisão colegiada. 
Outrossim, tanto as Varas quanto os Tribunais proferem despacho, que é um ato de mero 
impulso do processo, sem conteúdo decisório. Ex.: designação de audiência. 
 HORÁRIO DOS ATOS PROCESSUAIS 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 43 
 
Os atos processuais trabalhistas físicos devem ser realizados nos dias úteis, das 6h às 20h, 
nos termos do art. 770 da CLT: 
Art. 770 - Os atos processuaisserão públicos salvo quando o contrário 
determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 
20 (vinte) horas. 
Parágrafo único - A penhora poderá realizar-se em domingo ou dia feriado, 
mediante autorização expressa do juiz ou presidente. 
 
A jurisprudência, no entanto, tem mitigado a literalidade da norma em apreço, de acordo 
com a praxe forense ou previsão diversa nos regimentos internos dos Tribunais. 
Ademais, a limitação de horário não se aplica aos atos eletrônicos, que podem ser 
praticados a qualquer hora, uma vez que a utilização de meio eletrônico na tramitação de processos 
judiciais, a comunicação de atos processuais e a transmissão de peças processuais por meio 
eletrônico constitui faculdade dos jurisdicionados em qualquer processo judicial e em qualquer grau 
de jurisdição, seja de natureza civil, penal, trabalhista, eleitoral ou tributária, bem como nos 
processos submetidos aos Juizados Especiais. 
Com relação à penhora, conforme apontado no parágrafo único do art. 770, ela pode ser 
realizada em domingos e feriados, desde que haja autorização expressa do Juiz. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Os atos processuais serão 
públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-
ão nos dias úteis das 8 às 18 horas. Errado. 
 PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS 
A publicidade dos atos processuais está expressa no art. 779 da CLT, in verbis: 
Art. 779 - As partes, ou seus procuradores, poderão consultar, com ampla 
liberdade, os processos nos cartórios ou secretarias. 
 
Ressalta-se, todavia, que a publicidade não é uma regra absoluta. Nesse liame, o art. 189 
do CPC menciona quais atos tramitarão em segredo de justiça: 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo 
de justiça os processos: 
I - em que o exija o interesse público ou social; 
II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, 
separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e 
adolescentes; 
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à 
intimidade; 
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta 
arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja 
comprovada perante o juízo. 
 ATOS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 44 
 
A Lei 11.419/06, que dispõe sobre a informatização do processo judicial, estabelece que: 
Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, 
comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido 
nos termos desta Lei. 
§ 1º Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal 
e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de 
jurisdição. 
 
Percebe-se que o comando normativo do § 1º do art. 1º da Lei 11.419/06 apresentou um 
mecanismo de facilitação de acesso à justiça e de efetivação do processo quando instituiu o uso de 
meio eletrônico na tramitação de processos judiciais. 
Com efeito, o art. 1º da Resolução CSJT 136/2014 determina que: 
Art. 1º A tramitação do processo judicial no âmbito da Justiça do Trabalho, a 
prática de atos processuais e sua representação por meio eletrônico, nos 
termos da Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006, serão realizadas 
exclusivamente por intermédio do Sistema Processo Judicial Eletrônico da 
Justiça do Trabalho – PJe-JT regulamentado por esta Resolução. 
 
A Lei 11.419/06 preocupou-se em estabelecer definições dos institutos que passariam a ser 
utilizados na informatização do processo judicial, ocasião na qual o seu art. 3º estabeleceu as 
seguintes definições: 
1) Certificado digital: meio eletrônico de identificação de seu titular, pessoa física ou 
jurídica, destinado a identificá-lo eletronicamente em todos os acessos ao meio 
eletrônico; 
2) Assinatura eletrônica, que compreende as seguintes formas de identificação 
inequívoca do signatário: 
a) Assinatura digital, baseada em certificado digital, emitido por Autoridade Certificadora 
credenciada, na forma de lei ou regulamentação específica; 
b) Usuário (nome de login) e senha, mediante cadastro no PJE-JT. 
3) Autos do processo eletrônico ou autos digitais: conjunto de metadados e 
documentos eletrônicos correspondentes a todos os atos, termos e informações do 
processo; 
4) Digitalização: processo de reprodução ou conversão de fato ou coisa produzido 
originalmente em meio não digital para o formato digital; 
5) Documento digital: documento originalmente produzido em meio digital; 
6) Documento digitalizado: reprodução digital de documento originalmente físico; 
7) Meio eletrônico: ambiente de armazenamento ou tráfego de informações digitais; 
8) Transmissão eletrônica: toda forma de comunicação a distância com a utilização de 
redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 45 
 
9) Usuários internos: magistrados e servidores da Justiça do Trabalho, bem como outros 
a que se reconhecer acesso às funcionalidades internas do sistema de processamento 
em meio eletrônico, tais como estagiários e prestadores de serviço; 
10) Usuários externos: todos os demais usuários, incluídas as partes, os advogados, os 
membros do Ministério Público do Trabalho, os auxiliares da justiça e os terceiros 
intervenientes. 
Por fim, sobre a comprovação da prática de ato processual por meio eletrônico, importante 
verificar o disposto no art. 3º da Lei 11.419/06: 
Art. 3º Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no 
dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser 
fornecido protocolo eletrônico. 
Parágrafo único. Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo 
processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 
(vinte e quatro) horas do seu último dia. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A parte poderá apresentar 
defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. 
Correto. 
 
(TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Quanto ao Processo Judicial 
Eletrônico, a suspensão dos prazos processuais não impedirá o 
encaminhamento de petições e a movimentação processual, podendo a 
apreciação dos pedidos decorrentes desses prazos ocorrer, a critério do juiz, 
após o término do prazo de suspensão, ressalvados os casos de urgência. 
Correto. 
2. TERMOS PROCESSUAIS 
Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite, termo, a rigor, é a redução escrita do “ato”. Em 
outras palavras, termo é a reprodução gráfica do ato processual. 
A CLT dispõe sobre termos processuais nos arts. 771 a 773, o que permite a aplicação 
subsidiária, no que couber, dos arts. 206 a 211 do CPC, ou seja, desde que observada a 
principiologia peculiar do Direito Processual do Trabalho. 
A intenção do legislador é a de que os registros sejam feitos de forma indelével, insuscetíveis 
de rasuras que não sejam evidentes. Logo, não são admitidos no processo os termos lançados a 
lápis. 
Os atos e termos processuais devem ser assinados pelas partes interessadas. Todavia, 
quando estas, por motivo justificado, não puderem fazê-lo, serão os atos firmados a rogo, na 
presença de 2 testemunhas, sempre que não houver procurador legalmente constituído. 
Destaca-se, ainda, que os termos relativos ao andamento dos processos constarão de 
simples notas, datadas e rubricadas pelo chefe de secretaria ou escrivão. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 46 
 
3. PRAZOS PROCESSUAIS 
 CLASSIFICAÇÃO 
3.1.1. Quanto à origem da fixação 
1) Prazos legais: são os fixados pela própria lei. Ex.: prazo para interposição de recursos, 
que, no Processo do Trabalho, é, em regra, de 8 dias. 
2) Prazos judiciais: são os fixados pelo juiz. Ex.: prazo para o perito apresentar o laudotécnico, nos termos do art. 852-H, § 4º, da CLT. 
3) Prazos convencionais: são os que podem ser objeto de acordo entre as partes. 
3.1.2. Quanto à natureza 
1) Prazos dilatórios ou prorrogáveis: são os que decorrem de normas de natureza 
dispositiva, isto é, normas que permitem à parte dispor do prazo para a prática de 
determinado ato. Os prazos convencionais também são dilatórios. 
Obs.: a prorrogação do prazo dilatório somente pode ser autorizada 
pelo Juiz antes do seu término. Se for requerida a prorrogação depois 
do término do prazo, já haverá ocorrido a preclusão. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(CELESC - Advogado - FEPESE - 2018): Incumbe ao juízo dilatar os prazos 
processuais para adequar às necessidades do conflito de modo a conferir 
maior efetividade à tutela do direito. Correto. 
2) Prazos peremptórios, fatais ou improrrogáveis: são os que decorrem de normas 
cogentes, imperativas ou de ordem pública. Os prazos peremptórios não podem ser 
reduzidos pelo Juiz, salvo se houver concordância de todas as partes (CPC, art. 222, § 
1º). 
Segundo a prof. Thais Mendonça, os prazos peremptórios estão submetidos à preclusão, 
isto é, à perda da faculdade de praticar um ato processual. Nesse sentido, infere-se que existem 3 
tipos de preclusão: 
1) Preclusão lógica: ocorre quando se pratica um ato processual logicamente contrário 
àquele que a parte deseja praticar. Ex.: parte que faz renúncia ao direito de recorrer e 
recorre. 
2) Preclusão consumativa: perda da faculdade de praticar um ato processual porque a 
parte já o praticou, ou seja, o ato já foi consumado. Ex.: não é possível que a mesma 
parte recorra novamente de decisão que já foi recorrida. 
3) Preclusão temporal: refere-se à não observância do prazo de praticar um ato 
processual. Ex.: perda do prazo de apresentar um recurso. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 47 
 
3.1.3. Quanto aos destinatários 
1) Prazos próprios: são os destinados às partes. Os prazos próprios são também 
peremptórios e se sujeitam ao instituto da preclusão. 
2) Prazos impróprios: são os legalmente previstos e destinados aos juízes e aos 
servidores do Poder Judiciário. Diz-se impróprios porque não são vulneráveis ao instituto 
da preclusão, razão pela qual mesmo praticados fora do prazo, são válidos. 
 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS 
A contagem dos prazos no processo do trabalho é feita com base nos arts. 774 e 775 da 
CLT: 
Art. 774 - Salvo disposição em contrário, os prazos previstos neste Título 
contam-se, conforme o caso, a partir da data em que for feita 
pessoalmente, ou recebida a notificação, daquela em que for publicado 
o edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da Justiça do 
Trabalho, ou, ainda, daquela em que for afixado o edital na sede da Junta, 
Juízo ou Tribunal. 
Parágrafo único - Tratando-se de notificação postal, no caso de não ser 
encontrado o destinatário ou no de recusa de recebimento, o Correio ficará 
obrigado, sob pena de responsabilidade do servidor, a devolvê-la, no 
prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Tribunal de origem. 
 
Isto posto, constata-se que a regra geral é que os prazos são contados a partir do 
conhecimento (do notificando) sobre os termos da notificação. 
Em sequência, o art. 775 da CLT estabelece o seguinte: 
Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, 
com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. 
§ 1º Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, 
nas seguintes hipóteses: 
I - quando o juízo entender necessário; 
II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. 
§ 2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de 
produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de 
modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. 
 
Há que distinguir, portanto, 2 momentos de fruição dos prazos processuais: 
1) Dia do começo do prazo: o dia do começo é excluído da contagem do prazo e ocorre 
no momento em que a parte ou terceiro toma ciência do ato processual a ser praticado. 
Significa que o dia do começo não se computa no prazo. 
2) Início da contagem do prazo: o início da contagem do prazo ocorre no dia seguinte ao 
do começo do prazo. Dito de outro modo, a contagem do prazo processual inicia-se no 
dia seguinte ao da ciência do ato processual pela parte ou terceiro interessado e vai até 
o seu término, que é o último dia do prazo processual. Portanto, o dia do vencimento 
inclui-se na contagem do prazo. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 48 
 
Obs.: os prazos que se vencerem em sábado, domingo e feriado ou 
não onde houver expediente forense terminarão no primeiro dia útil 
seguinte. 
Para melhor compreensão da contagem dos prazos, seguem alguns exemplos trazidos pelo 
por Carlos Henrique Bezerra: 
1) Notificação postal: o começo do prazo ocorre no dia da ciência do ato pela parte, 
presumindo-se recebida a notificação em 48 horas da data de sua postagem (Súmula 16 
do TST). Se a notificação postal foi expedida no dia 10/5/2013 (sexta-feira), presume-se 
o seu recebimento 48 horas depois (na prática, contam-se 2 dias úteis), ou seja, no dia 
14-5-2013 (terça-feira). O início da contagem do prazo se deu no dia 15/5/2013 (quarta-
feira). 
2) Notificação eletrônica: considera-se como data da publicação o primeiro dia útil 
seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico (CPC, art. 
224, § 2º) e o início da contagem do prazo ocorrerá no primeiro dia útil que se seguir ao 
da publicação (CPC, art. 224, § 3º). As intimações serão feitas por meio eletrônico em 
portal próprio aos que se cadastrarem na forma da Lei 11.419/06, dispensando-se a 
publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. Neste caso, o começo do prazo é o dia 
em que o intimando efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se 
nos autos do PJE. A data do início da contagem do prazo é o primeiro dia útil seguinte. 
 SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DOS PRAZOS 
A suspensão ocorre quando se paralisa a contagem do prazo processual. Cessada a causa 
suspensiva, recomeça-se a contagem do prazo, isto é, retoma-se a contagem do prazo no estado 
em que parou. 
Dentre as causas suspensivas, pode-se destacar: 
1) Art. 775-A da CLT: 
Art. 775-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias 
compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive. 
 
Obs.: a suspensão do curso do prazo processual entre 20 de 
dezembro e 20 de janeiro NÃO se confunde com o período do recesso 
forense, que ocorre do dia 20/12 a 06/01. 
2) Súmula 262 do TST: 
PRAZO JUDICIAL. NOTIFICAÇÃO OU INTIMAÇÃO EM SÁBADO. 
RECESSO FORENSE. I - Intimada ou notificada a parte no sábado, o início 
do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. 
II - O recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal 
Superior do Trabalho suspendem os prazos recursais. DJE em 21-5-
2014. 
3) Art. 799 da CLT: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 49 
 
Art. 799 - Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem 
ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou 
incompetência. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Jundiaí - Procurador - VUNESP - 2021): A Consolidação das 
Leis do Trabalho dispõe que, nas demandas de competência da Justiça do 
Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções 
de suspeição ou de incompetência. Correto. 
4) Aplicam-se de forma subsidiária todas as hipóteses de suspensão previstas no art. 313 
do CPC: 
Art. 313. Suspende-se o processo: 
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das 
partes, de seu representante legal ou de seu procurador. 
II - pela convenção das partes; 
III - pela arguição de impedimento ou desuspeição; 
IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; 
V - quando a sentença de mérito: 
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou 
de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro 
processo pendente; 
b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a 
produção de certa prova, requisitada a outro juízo; 
VI - por motivo de força maior; 
VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos 
da navegação de competência do Tribunal Marítimo; 
VIII - nos demais casos que este Código regula. 
IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada 
responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; 
X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono 
da causa e tornar-se pai. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Durante a suspensão dos prazos 
processuais, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento. 
Correto. 
Por outro lado, na interrupção, apesar de o prazo ser reiniciado quando cessada a causa 
interruptiva, ele é devolvido integralmente à parte interessada, como se ele nunca tivesse iniciado. 
Assim, o prazo volta a “ser contado do 0”. Um exemplo de interrupção do prazo ocorre com 
interposição dos embargos de declaração, nos termos do art. 897-A, § 3º da CLT: 
Art. 897-A, § 3º Os embargos de declaração interrompem o prazo para 
interposição de outros recursos, por qualquer das partes, salvo quando 
intempestivos, irregular a representação da parte ou ausente a sua 
assinatura. 
4. NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 50 
 
Consoante Carlos Henrique Bezerra, do ponto de vista do direito processual, a nulidade de 
um ato processual deve levar em conta o estado em que ele se encontra em determinada fase do 
processo e que pode privá-lo de produzir seus próprios efeitos ou destituir os efeitos de outros atos 
já produzidos. 
É importante destacar que, diferentemente do direito material não penal, atos processuais, 
no processo civil ou trabalhista, embora nulos, produzem efeitos, sendo, portanto, necessária a 
interposição de recurso ou, quando cabível, o ajuizamento de ação própria para que cessem tais 
efeitos. 
Importante destacar que as nulidades se subdividem em: 
1) Absoluta: ocorre quando determinado ato fere norma de ordem pública, portanto 
indisponível pelas partes. Esta espécie de nulidade pode comprometer a validade total 
ou parcial do processo e não se sujeita, em princípio, à preclusão. Assim, o Juiz pode 
corrigir de ofício e a qualquer tempo. 
2) Relativa: corresponde a um vício sanável, porquanto decorrente de ato praticado no 
interesse da parte. A nulidade relativa depende de provocação do interessado, uma vez 
que não pode ser pronunciada ex officio. 
Pode-se dizer que o sistema processual trabalhista de nulidades é regido por normas 
(princípios e regras) que levam em conta, sobretudo, as especificidades e institutos peculiares do 
Processo do Trabalho. Isto posto, passa-se a verificar, então, as regras ou princípios das 
nulidades processuais. 
 PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS 
O Princípio da instrumentalidade das formas, também chamado de princípio da finalidade, 
considera que quando a lei prescrever determinada forma para o ato processual, sem cominar 
nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, alcançar a sua finalidade. 
Este princípio também é encampado pelo direito processual do trabalho, como se infere da 
interpretação sistemática e teleológica dos arts. 795, 796, a, e 798 da CLT, in verbis: 
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação 
das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar 
em audiência ou nos autos. 
 
Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: 
a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. 
 
Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele 
dependam ou sejam consequência. 
 PRINCÍPIO DO PREJUÍZO OU DA TRANSCENDÊNCIA 
Tal princípio está intimamente ligado ao princípio da instrumentalidade das formas. Segundo 
o princípio da transcendência, não haverá nulidade processual sem prejuízo manifesto às partes 
interessadas. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 51 
 
Importante destacar que ele está positivado no art. 794 da CLT: 
Art. 794 - Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só 
haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às 
partes litigantes. 
 
É preciso salientar que o prejuízo disposto no art. 794 é de natureza processual, isto é, não 
se aplica em caso de prejuízo material, financeiro, econômico ou moral decorrente do conflito de 
direito material. 
Sobre o princípio, importante verificar o julgado abaixo colacionado: 
NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO 
RECLAMANTE. ERRO DE PROCEDIMENTO. PRINCÍPIO DA 
TRANSCENDÊNCIA. PREJUÍZO CONFIGURADO. De acordo com o 
princípio da transcendência, ligado umbilicalmente ao princípio da 
instrumentalidade das formas, não haverá nulidade sem prejuízo 
manifesto às partes litigantes. Entretanto, existente o erro de 
procedimento ou de julgamento que resulte em prejuízo à parte 
processual, impõe-se a anulação dos atos que não podem ser 
aproveitados, a fim de que se observe o procedimento legal, nos termos 
do art. 794, da CLT. (TRT 3ª R., RO 0010122-37.2018.5.03.0033, Rel. Juiz 
Conv. Vitor Salino de Moura Eca, 8ª T. DEJT 19-9-2018). 
 PRINCÍPIO DA CONVALIDAÇÃO OU PRECLUSÃO 
Está consagrado no art. 795 da CLT: 
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação 
das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de 
falar em audiência ou nos autos. 
§ 1º - Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em 
incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos 
decisórios. 
§ 2º - O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma 
ocasião, que se faça remessa do processo, com urgência, à autoridade 
competente, fundamentando sua decisão. 
 
Tem-se entendido que a oportunidade para a parte arguir a nulidade em audiência encerra-
se com a apresentação das razões finais. 
Se a parte não suscitar a nulidade na primeira oportunidade que tiver para falar em audiência 
ou nos autos, haverá a convalidação do ato, ou seja, o ato anteriormente nulo passa à condição de 
ato válido, caso em que estará precluso o direito de a parte, novamente, vir a alegar a nulidade do 
ato. 
Consagrou-se, na prática processual trabalhista, o famoso “protesto nos autos”, mediante 
registro na ata de audiência. Trata-se de um costume processual adotado pelas partes, geralmente 
representadas por advogados, para evitar a preclusão. 
Salienta-se, entretanto, que o princípio da convalidação só é aplicável às nulidades relativas, 
que são aquelas que dependem de provocação da parte interessada. Dito de outro modo, o princípio 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 52 
 
da convalidação ou preclusão não se aplica às nulidades absolutas ou quando a parte provar 
legítimo impedimento para a prática do ato. 
Outrossim, conforme apontado anteriormente, quando o § 1º do art. 795 da CLT prescreve 
que deverá ser declarada ex officio a nulidade fundada em “incompetência de foro”, deve-se 
compreender a jurisdição, ou seja, o foro trabalhista. 
 PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL 
O princípio da economia processual está implicitamente contido no art. 796, a, da CLT: 
Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: 
a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. 
 
Não somente, o princípio também está consagrado no art. 797: 
Art. 797 - O juiz ou Tribunal que pronunciar a nulidade declarará os atos a 
que ela se estende. 
 
Comefeito, se, ao pronunciar a nulidade, o juiz deve declarar os atos a que ela se estende, 
é óbvio que, por economia (e celeridade) processual, declarará, também, explícita ou 
implicitamente, os atos válidos que serão aproveitados. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(FAPESP - Procurador - VUNESP - 2018): A nulidade processual trabalhista 
não será declarada quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. 
Correto. 
 PRINCÍPIO DA UTILIDADE 
O princípio da utilidade processual, que possui nítida aproximação com o princípio do 
prejuízo (ou transcendência) já examinado, constitui corolário do princípio da economia processual 
e está consagrado literalmente no art. 798 da CLT, que diz: 
Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele 
dependam ou sejam consequência. 
 
Segundo o princípio da utilidade, devem-se aproveitar ao máximo os atos processuais 
posteriores, desde que estes não sofram reflexos da nulidade decretada judicialmente. Desse modo, 
os atos válidos anteriores à decretação de nulidade não são alcançados, nem aqueles que dela 
sejam independentes. 
 PRINCÍPIO DO INTERESSE 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra, a parte tem o direito de demonstrar manifesto 
prejuízo ao seu direito de demandar em juízo, mas somente estará autorizada a arguir a nulidade 
do ato somente se, não concorreu direta ou indiretamente para a ocorrência da irregularidade. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 53 
 
Trata-se, pois, do princípio do interesse, que está previsto no art. 796, b, da CLT, segundo 
o qual: 
Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: 
b) quando arguida por quem lhe tiver dado causa. 
 
Significa, portanto, que quem causou a nulidade processual não pode argui-la 
posteriormente. 
Destarte, o princípio do interesse constitui postulado ético do processo e corolário do 
princípio da boa-fé, o qual não admite que alguém obtenha vantagem valendo-se de sua própria 
torpeza. Dito de outro modo, nenhum participante do processo poderá postular decretação de sua 
invalidade se ele mesmo lhe deu causa, pois, ao praticar o ato viciado, a parte vê logicamente 
preclusa a possibilidade de alegar vício a que deu causa (preclusão lógica). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 54 
 
PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Não se confundem, do ponto de vista conceitual, ação, processo e procedimento. Sendo 
assim, importante verificar em que consiste cada um deles: 
1) Ação: direito constitucional de procurar o Poder Judiciário sempre que haja lesão ou 
ameaça de lesão a um direito. 
2) Processo: é o instrumento pelo qual se tem acesso ao Poder Judiciário, materializando, 
portanto, o direito constitucional de ação. Segundo Carlos Henrique Bezerra, o processo 
constitui um conjunto de atos processuais que vão se sucedendo de forma coordenada 
dentro da relação processual, até atingir a coisa julgada. 
3) Procedimento: é a forma, o modo, a maneira como os atos processuais vão se 
projetando e se desenvolvendo dentro da relação jurídica processual. 
2. TIPOS DE PROCEDIMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO 
No Processo do Trabalho de conhecimento, há 2 tipos de procedimentos: 
1) Procedimento comum, que se subdivide em ordinário, sumário e sumaríssimo; 
2) Procedimento especial, que é adotado para as ações especiais previstas na própria 
CLT, como o inquérito judicial para apuração de falta grave, o dissídio coletivo e a ação 
de cumprimento. 
No que tange ao procedimento comum, insta salientar que apesar de cada uma de suas 
subdivisões possuir especificidades que serão aprofundadas posteriormente, a forma mais utilizada 
de distingui-las é por meio do valor da causa, ocorrendo da seguinte maneira: 
1) Rito sumário ou de alçada: até 2 salários-mínimos. 
2) Rito sumaríssimo: superior a 2 e inferior a 40 salários-mínimos. 
3) Rito ordinário: acima de 40 salários-mínimos. 
Passa-se, então, a discorrer acerca do procedimento comum ordinário, que é o mais usual 
no âmbito do Processo do Trabalho. 
3. RITO ORDINÁRIO 
 PETIÇÃO INICIAL 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 55 
 
A petição inicial é o veículo, o meio, o instrumento pelo qual o autor exerce o direito 
fundamental de acesso à justiça. Trata-se, pois, do ato processual mais importante para o exercício 
desse direito. Nesse sentido, a petição inicial é pressuposto processual de existência da própria 
relação jurídica que se formará em juízo. 
Diferentemente do Processo Civil (CPC, art. 319), a CLT (art. 840) não utiliza o termo “petição 
inicial”. Na verdade, o texto consolidado confunde petição inicial com “reclamação”, sendo que esta 
é apenas o nomen iuris atribuído à ação trabalhista. 
Transplantando a norma inscrita no art. 839 da CLT para a linguagem da ciência processual, 
pode-se dizer que a petição inicial da ação trabalhista pode ser formulada: 
1) Pelos sujeitos da relação de emprego, isto é, pelos empregados e empregadores ou pelos 
trabalhadores avulsos por equiparação constitucional, pessoalmente (jus postulandi), ou 
por seus representantes; 
2) Pelos sindicatos, em defesa dos interesses ou direitos coletivos ou individuais da 
categoria que representam; 
3) Pelo Ministério Público do Trabalho, nos casos previstos em lei. 
Com a ampliação da competência da Justiça do Trabalho (CF, art. 114, com nova redação 
dada pela EC 45/2004), a petição inicial no Processo do Trabalho também poderá ser apresentada: 
1) Por outros titulares da relação de trabalho, como os trabalhadores autônomos, eventuais, 
voluntários, estagiários e os tomadores dos seus serviços; 
2) Pela união, na hipótese de ação de cobrança das multas impostas aos empregadores 
pela SRT (superintendência regional do trabalho); 
3) Pelos sindicatos, nas hipóteses de lides intersindicais ou entre eles e seus representados 
ou filiados; 
4) Pelos empregadores ou tomadores de serviços, quando sujeitos de uma relação de 
emprego ou de trabalho, respectivamente. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Dourados - Procurador - IBFC - 2022): A petição inicial 
trabalhista é o instrumento de que se vale o reclamante para invocar a 
prestação jurisdicional do Estado, é o ato processual com que se inicia a ação 
trabalhista e que delimita o objeto da lide, especificando os fatos e os 
fundamentos jurídicos do pedido. Correto. 
O art. 840 da CLT diz que a petição inicial poderá ser escrita ou verbal. 
a) Reclamação trabalhista verbal 
Na hipótese de intentar uma reclamação trabalhista verbal, o requerente deve comparecer 
na Secretaria da Vara (quando for Vara única) ou no Setor de Distribuição (quando houver mais de 
uma Vara). 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 56 
 
Após informar a intenção de litigar, há a distribuição da ação. A partir deste momento, nasce 
um prazo de 5 dias (que pode ser dilatado pelo Juiz na hipótese de força maior) para o reclamante 
comparecer à Secretaria da Vara para narrar os fatos, conforme determina o art. 786 da CLT: 
Art. 786 - A reclamação verbal será distribuída antes de sua redução a termo. 
Parágrafo único - Distribuída a reclamação verbal, o reclamante deverá, salvo 
motivo de força maior, apresentar-se no prazo de 5 (cinco) dias, ao cartório 
ou à secretaria, para reduzi-la a termo, sob a pena estabelecida no art. 731. 
 
Caso o reclamante não se apresente, ocorrerá o arquivamento da reclamação e ele sofrerá 
a penalidade de suspensão do direito de ação pelo prazo de 6 meses, nos termos do art. 731 
da CLT: 
Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, 
não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à 
Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, 
pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do 
Trabalho. 
 
Trata-se da denominada54 
 PETIÇÃO INICIAL ............................................................................................................... 54 
 AUDIÊNCIA ......................................................................................................................... 59 
3.2.1. Características da audiência trabalhista ..................................................................... 59 
3.2.2. Presença das partes em audiência ............................................................................. 61 
3.2.3. Ausência das partes em audiência .............................................................................. 63 
3.2.4. Conciliação ................................................................................................................... 69 
 CONTESTAÇÃO ................................................................................................................. 71 
3.3.1. Contestação contra o processo ................................................................................... 72 
3.3.2. Contestação contra o mérito ........................................................................................ 72 
 EXCEÇÕES ......................................................................................................................... 74 
3.4.1. Exceção de suspeição ................................................................................................. 74 
3.4.2. Exceção de incompetência .......................................................................................... 75 
 RECONVENÇÃO ................................................................................................................ 77 
 MANIFESTAÇÃO SOBRE A DEFESA ............................................................................... 78 
 INSTRUÇÃO ORAL ............................................................................................................ 79 
3.7.1. Prova testemunhal ....................................................................................................... 79 
3.7.2. Prova pericial ............................................................................................................... 83 
 RAZÕES FINAIS ................................................................................................................. 86 
 CONCILIAÇÃO PRÉ-DECISÓRIA ...................................................................................... 88 
 SENTENÇA ......................................................................................................................... 88 
4. RITO SUMARÍSSIMO ................................................................................................................ 89 
5. RITO SUMÁRIO OU DE ALÇADA ............................................................................................. 94 
TEORIA GERAL DOS RECURSOS .................................................................................................. 96 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 96 
2. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS ........................................................................................ 96 
 QUANTO À FORMA DE RECORRER ............................................................................... 96 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 3 
 
 QUANTO À AUTORIDADE À QUAL SE DIRIGEM ............................................................ 98 
 QUANTO À MATÉRIA......................................................................................................... 98 
3. ATOS SUJEITOS A RECURSO ................................................................................................. 98 
 PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES ............................... 98 
 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE ......................................................................................... 101 
 PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE ...................................................................... 103 
3.3.1. Cabimento .................................................................................................................. 103 
3.3.2. Legitimidade ............................................................................................................... 104 
3.3.3. Preparo trabalhista ..................................................................................................... 105 
4. CUSTAS PROCESSUAIS E DEPÓSITO RECURSAL............................................................ 105 
 CUSTAS ............................................................................................................................ 105 
 DEPÓSITO RECURSAL ................................................................................................... 107 
 ISENÇÃO .......................................................................................................................... 109 
RECURSOS EM ESPÉCIES ........................................................................................................... 112 
1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ............................................................................................. 112 
2. RECURSO ORDINÁRIO .......................................................................................................... 114 
3. AGRAVO DE PETIÇÃO ........................................................................................................... 118 
4. AGRAVO DE INSTRUMENTO ................................................................................................. 120 
5. RECURSO DE REVISTA ......................................................................................................... 121 
6. EMBARGOS NO TST ............................................................................................................... 127 
 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ..................................................................................... 127 
 EMBARGOS INFRINGENTES ......................................................................................... 130 
EXECUÇÃO TRABALHISTA ........................................................................................................... 133 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 133 
2. TÍTULOS EXECUTIVOS .......................................................................................................... 133 
 TÍTULOS JUDICIAIS ......................................................................................................... 133 
 TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS............................................................................................. 134 
 EXEQUIBILIDADE DOS TÍTULOS ................................................................................... 135 
3. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA ................................................................................................. 136 
 LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS ....................................................................................... 136 
3.1.1. Liquidação por artigos (ou pelo procedimento comum) ............................................ 137 
 LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO ............................................................................. 138 
4. EXECUÇÃO DEFINITIVA ......................................................................................................... 139 
5. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA ....................................................................... 142 
6. EXECUÇÃO CONTRA A MASSA FALIDA OU EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL 143 
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TRABALHISTAS ........................................................................ 146 
1. INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE ............................................ 146 
1.1 CONCEITO ........................................................................................................................perempção trabalhista ou temporária. 
Obs.: o arquivamento da petição inicial se refere à extinção do 
processo sem resolução do mérito. 
Cumprida a pena de perda pelo prazo de 6 meses do direito de reclamar perante a Justiça 
do Trabalho, uma vez que houve extinção do processo sem resolução do mérito, o reclamante 
poderá ingressar novamente com a reclamação trabalhista, seja de forma verbal ou escrita. 
Frisa-se, por fim, que na hipótese de comparecimento do reclamante, será feita a redução da 
petição inicial a termo (termo de reclamação), em 2 vias datadas e assinadas pelo Diretor de 
Secretaria ou escrivão. Salienta-se, ainda, que petição inicial verbal deve observar, no que couber, 
os requisitos exigidos para a petição inicial escrita (CLT, art. 840, § 2º). 
b) Reclamação trabalhista escrita 
Dispõe o § 1º do art. 840 da CLT que: 
Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. 
 
§ 1º Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a 
qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o 
dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de 
seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante. 
Da leitura do dispositivo normativo acima exposto, pode-se concluir que NÃO se exige a 
fundamentação jurídica prevista no art. 319 do CPC. Entende-se que houve o silêncio eloquente 
com a Reforma Trabalhista de 2017, que optou por exigir somente a fundamentação fática. 
Isto posto, importante vislumbrar 2 teorias que implicam na necessidade (ou não) da 
fundamentação jurídica na petição inicial: 
1) Teoria da individuação da causa de pedir: a causa de pedir é pautada apenas em um 
fundamento. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 57 
 
2) Teoria da substanciação da causa de pedir: exige 2 fundamentos, o fato e o direito. É 
a teoria adotada no CPC. 
No Direito Processual do Trabalho, considerando a informalidade, a simplicidade e, 
sobretudo, o jus postulandi, adota-se da teoria da individuação da causa de pedir, bastando 
apenas a fundamentação fática na petição inicial trabalhista. 
Outrossim, os pedidos devem ter indicação do seu valor. De acordo com a IN 41/18 do TST, 
que regulamenta a Reforma Trabalhista, os pedidos poderão conter uma indicação aproximada de 
valor: 
Art. 12, § 2º Para fim do que dispõe o art. 840, §§ 1º e 2º, da CLT, o valor da 
causa será estimado, observando-se, no que couber, o disposto nos arts. 
291 a 293 do Código de Processo Civil. 
 
Ressalta-se, no entanto, que no Rito Ordinário, a ausência de indicação do valor implica na 
extinção do pedido: 
Art. 840, § 3º Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1º deste artigo 
serão julgados extintos sem resolução do mérito. 
 
Sobre o tema, importante verificar, ainda, que a IN 39/16 do TST, que trata sobre a aplicação 
do CPC ao Processo do Trabalho, define que o art. 292, inciso V do CPC é aplicável à Justiça do 
Trabalho: 
Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da reconvenção e 
será: 
V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor 
pretendido. 
 
Exige-se, pois, a quantificação do dano moral, uma vez que é dever da parte indicar o valor 
do dano moral. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): De acordo com o que prevê a 
Consolidação das Leis do Trabalho, e com base na interpretação conferida 
pelo Tribunal Superior do Trabalho à Lei nº 13.467/2017, a chamada Reforma 
Trabalhista, não há a necessidade de atribuição de valor certo a cada pedido 
realizado na petição inicial do Processo do Trabalho, eis que se admite a 
atribuição de valor estimado para o pedido, aplicando-se o Código de 
Processo Civil, no que couber, na matéria pertinente. Correto. 
Por outro lado, não é necessário o requerimento de provas em sede de petição inicial 
trabalhista, uma vez que a CLT dispõe que as partes apresentarão suas provas na audiência, 
conforme prelecionam os arts. 825 e 845: 
Art. 825 - As testemunhas comparecerão a audiência independentemente 
de notificação ou intimação. 
 
Art. 845 - O reclamante e o reclamado comparecerão à audiência 
acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, 
as demais provas. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 58 
 
Por fim, importante evidenciar que não é necessário ao reclamante falar sobre o interesse na 
audiência de conciliação, eis que se trata de uma consequência do procedimento. Nesse liame, 
salienta-se que o art. 2º, inciso IV da IN 39/16 do TST prevê que o art. 334 do CPC (audiência de 
conciliação ou de mediação) NÃO se aplica ao Processo do Trabalho. 
No Rito Ordinário, protocolizada a petição inicial, de acordo com o art. 841 da CLT, a 
Secretaria da Vara irá, no prazo de 48h, expedir a(s) notificação(ões) na forma indicada por lei: 
Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, 
dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou 
do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à 
audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 
(cinco) dias. 
 
Obs.: o nome técnico no Processo do Trabalho é notificação, e não 
citação como ocorre no Processo Civil. 
A notificação ao reclamado pode ser: 
Art. 841, § 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o 
reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-
se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o 
expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. 
§ 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou 
na forma do parágrafo anterior. 
1) Postal: sendo postal, a notificação poderá ser recebida por qualquer pessoa ou preposto 
responsável pelo recebimento da correspondência. 
Sobre a notificação postal, importante verificar o disposto na Súmula 16 do TST: 
Súmula 16 do TST: Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) 
horas depois de sua postagem. O seu não-recebimento ou a entrega após o 
decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. 
 
Frisa-se que se trata de uma presunção relativa, admitindo-se prova em contrário. 
2) Através de oficial de justiça 
3) Por edital: inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, 
afixado na sede da Junta ou Juízo. 
Recebida a notificação e sendo o caso, haverá um prazo de 5 dias para que o reclamado 
(querendo ou cabendo) apresente exceção de incompetência (que será abordada posteriormente) 
em peça própria. 
Apresentada a exceção de incompetência, há 2 consequências: 
1) A suspensão do processo; 
2) Desmarcação da audiência. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 59 
 
Em seguida, os autos irão conclusos ao Juiz. Nesse momento, o Magistrado pode optar por: 
1) Rejeitar liminarmente a exceção; ou 
2) Determinar a notificação da parte contrária, para que no prazo de 5 dias apresente a sua 
manifestação à exceção. 
Caso o reclamante tenha optado por apresentar manifestação à exceção, após a sua 
manifestação, deve-se observar se há ou não necessidade de audiência. 
Havendo a audiência, é facultada a oitiva do réu no Juízo que ele declarou competente, o 
que deverá ser feito por carta precatória inquiritória. 
Depois da audiência, haverá a decisão de exceção, que é uma decisão interlocutória. Ela 
será recorrível, de imediato, na forma da Súmula 214, c, do TST: 
SÚMULA Nº 214 - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. 
Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões 
interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: 
c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos 
autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo 
excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, daCLT. Res. 
127/2005, DJ 14, 15 e 16.03.2005 
 
Após isso, o processo retomará o seu curso, deixando a garantia da apresentação da defesa 
no Juízo competente. 
 AUDIÊNCIA 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Técnico Judiciário - FUMARC - 2022): A audiência inicial 
trabalhista é aquela em que há tentativa de conciliação e o recebimento da 
defesa, com o agendamento de audiência de instrução, se for o caso. Correto. 
3.2.1. Características da audiência trabalhista 
1) A audiência deve ser marcada observado o interstício mínimo de 5 dias (não há interstício 
máximo); 
Obs.: o prazo de apresentação da defesa no Processo do Trabalho é 
ATÉ a primeira audiência após a notificação do reclamado. 
2) A audiência pode ser adiada em virtude de qualquer motivo que evidencie a necessidade 
de adiamento; 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A audiência de julgamento 
será contínua, mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la 
no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira 
desimpedida, independentemente de nova notificação. Correto. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 60 
 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Ocorrendo motivo 
relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. 
Correto. 
3) A audiência será realizada entre 8h e 18h de dias úteis; 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Senado Federal - Advogado - FGV - 2022): Numa terça-feira, dia útil, um 
oficial de justiça compareceu às 20h na residência de um reclamado, visando 
a intimá-lo a comparecer a uma audiência trabalhista designada para a sexta-
feira da semana seguinte, dia útil, às 7h30min, a ocorrer na sede do juízo. 
Considerando os fatos narrados e a previsão contida na CLT, a audiência não 
poderia ser designada para as 7h30min, mas o ato praticado pelo oficial de 
justiça poderia ocorrer às 20h. Correto. 
4) Após 5 horas consecutivas de pauta, o Juiz PODE suspender e adiar a audiência em 
curso e todas aquelas ainda não realizadas; 
5) Quanto ao local, as audiências (ou sessões) são públicas e realizadas na sede do Juízo 
(ou Tribunal). Todavia, em casos especiais, poderá ser designado outro local para a 
realização das audiências, mediante edital afixado na sede do Juízo do Tribunal, com a 
antecedência mínima de 24 horas; 
6) Se, até 15 minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, 
os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de registro das 
audiências; 
7) Se, até 30 minutos após a hora marcada, a audiência, injustificadamente, não houver sido 
iniciada, as partes e os advogados poderão retirar-se, consignando seus nomes, devendo 
o ocorrido constar do livro de registro das audiências; 
Sobre tal característica, é importante evidenciar o disposto nos parágrafos do art. 815 da 
CLT, com redação dada pela Lei 14.657/2023: 
Art. 815, § 1º Se, até 15 (quinze) minutos após a hora marcada, o juiz ou 
presidente não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, 
devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências. 
§ 2º Se, até 30 (trinta) minutos após a hora marcada, a audiência, 
injustificadamente, não houver sido iniciada, as partes e os advogados 
poderão retirar-se, consignando seus nomes, devendo o ocorrido 
constar do livro de registro das audiências. 
§ 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, a audiência deverá ser remarcada 
pelo juiz ou presidente para a data mais próxima possível, vedada a 
aplicação de qualquer penalidade às partes. 
8) Segundo o disposto no art. 814 da CLT, às audiências deverão estar presentes, 
comparecendo com a necessária antecedência, os escrivães ou os chefes de Secretaria 
(atualmente, Diretores de Secretaria). Esta norma tem por destinatários os servidores 
encarregados da parte burocrática da audiência. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 61 
 
Significa, portanto, que a presença obrigatória na audiência é do Juiz e do servidor, de modo 
que a audiência ocorrerá normalmente sem a presença das partes e/ou seus advogados. 
3.2.2. Presença das partes em audiência 
O art. 843 da CLT exige que na audiência de julgamento deverão estar presentes o 
reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes, salvo 
nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão 
fazer-se representar pelo sindicato de sua categoria. 
No Processo do Trabalho, portanto, é obrigatória a presença das partes em todas as 
audiências na primeira instância, isto é, nas Varas do Trabalho. 
a) Presença do reclamante 
O empregado se faz presente de forma pessoal. No entanto, também pode se fazer presente 
na forma prevista pelo art. 843, § 2º da CLT: 
Art. 843 - Na audiência de julgamento deverão estar presentes o 
reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus 
representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de 
Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo 
Sindicato de sua categoria. 
§ 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente 
comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, 
poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma 
profissão, ou pelo seu sindicato. 
 
Em que pese o § 2º utilize o verbo “representar”, na hipótese de não ser possível ao 
empregado comparecer pessoalmente, o outro empregado que pertença à mesma profissão 
comparece na audiência exclusivamente para: 
1) Justificar a ausência do empregado; 
2) Provocar o adiamento da audiência; 
3) Evitar a aplicação de penalidade por ausência. 
Desse modo, tal empregado não pode transigir, depor, confessar, receber, renunciar, dar 
quitação, de modo que comparece à audiência para exercer apenas as 3 funções acima 
estabelecidas. 
Salienta-se, por fim, que o “motivo poderoso” que pode ensejar a ausência do empegado 
constitui um conceito jurídico indeterminado, devendo ser avaliado pelo Juiz mediante 
comprovação. 
b) Presença do reclamado 
Com relação à presença do empregador, insta evidenciar, a priori, aqueles que poderão ser 
representados em Juízo, de acordo com o art. 75 do CPC: 
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 62 
 
I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão 
vinculado; 
II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores; 
III - o Município, por seu prefeito, procurador ou Associação de 
Representação de Municípios, quando expressamente autorizada; 
IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente 
federado designar; 
V - a massa falida, pelo administrador judicial; 
VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador; 
VII - o espólio, pelo inventariante; 
VIII - a pessoa jurídica, por quem os respectivos atos constitutivos 
designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores; 
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados 
sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração 
de seus bens; 
X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou 
administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil; 
XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico. 
 
Acerca da representação processual do procurador da União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal, suas autarquias e fundações públicas, importante verificar o disposto na Súmula 436 do 
TST: 
SÚMULA N.º 436 - REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. PROCURADOR DA 
UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS E DISTRITO FEDERAL, SUAS 
AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS. JUNTADA DE INSTRUMENTO 
DE MANDATO. I - A União, Estados, Municípios e Distrito Federal, suas 
autarquias e fundações públicas, quando representadas em juízo,ativa e 
passivamente, por seus procuradores, estão dispensadas da juntada de 
instrumento de mandato e de comprovação do ato de nomeação. II - Para 
os efeitos do item anterior, é essencial que o signatário ao menos declare-
se exercente do cargo de procurador, não bastando a indicação do 
número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Res. 185/2012, 
DEJT divulgado em 25-9-2012. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Câmara de Orlândia - Procurador - VUNESP - 2022): Tratando-se a parte 
reclamada de pessoa jurídica de direito público, não estará sujeita à revelia 
em caso de não comparecimento à audiência. Errado. 
A forma de o empregador se fazer presente na audiência está disposta nos §§ 1º e 3º do art. 
843 da CLT: 
Art. 843, § 1º É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou 
qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas 
declarações obrigarão o proponente. 
§ 3º O preposto a que se refere o § 1º deste artigo não precisa ser 
empregado da parte reclamada. 
 
Sobre a desnecessidade de que o preposto seja empregado do reclamado, bastando apenas 
que tenha conhecimento dos fatos, insta evidenciar o que dispõe o art. 12, § 3º, da IN 41/18 do TST: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 63 
 
Art. 12, § 3º Nos termos do art. 843, § 3º, e do art. 844, § 5º, da CLT, não se 
admite a cumulação das condições de advogado e preposto. 
 
Dessa forma, se o reclamado que não comparecer à audiência inaugural será revel, já que 
seu advogado não pode cumular a função de preposto, mas a confissão será confrontada com a 
contestação e os documentos eventualmente apresentados, eis que de acordo com o § 5º do art. 
844 da CLT, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a 
contestação e os documentos eventualmente apresentados. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): É facultado ao empregador 
fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha 
conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. Correto. 
3.2.3. Ausência das partes em audiência 
a) Ausência do reclamante 
Determina o art. 844 que a ausência do reclamante na audiência (trabalhador ou 
empregador) ocasiona: 
Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o 
arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado 
importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. 
§ 1º Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, 
designando nova audiência. 
§ 2º Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao 
pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, 
ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo 
de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente 
justificável. 
§ 3º O pagamento das custas a que se refere o § 2º é condição para a 
propositura de nova demanda. 
 
Ante o exposto, a ausência do reclamante importa no arquivamento dos autos, isto é, na 
extinção do processo sem resolução do mérito e na condenação do autor ao pagamento das custas 
processuais, ainda que beneficiário da justiça gratuita. 
Apesar de o § 2º do art. 844 dispor que caso a ausência tenha ocorrido por motivo justificável, 
ocasião que o reclamante não será condenado ao pagamento das custas processuais, o processo 
não será desarquivado, tendo em vista a sua extinção sem resolução do mérito. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): Determinado empregado ajuizou, 
no início do ano corrente, reclamação trabalhista, obteve os benefícios da 
justiça gratuita, mas deixou de comparecer à audiência de instrução, sem 
motivo legalmente justificável. A reclamação foi arquivada, e o reclamante, 
condenado ao pagamento das custas processuais. A partir dessa situação 
hipotética, o reclamante não poderá propor nova demanda caso não recolha 
as custas decorrentes do arquivamento da reclamação. Correto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 64 
 
Salienta-se que se o reclamante der causa 2 vezes seguidas ao arquivamento em virtude 
da ausência na audiência inaugural, ele ficará 6 meses sem poder litigar perante a Justiça do 
Trabalho, nos termos do art. 732 da CLT: 
Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, 
não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à 
Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, 
pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do 
Trabalho. 
 
Art. 732 - Na mesma pena do artigo anterior incorrerá o reclamante que, 
por 2 (duas) vezes seguidas, der causa ao arquivamento de que trata o 
art. 844. 
 
Obs.: apesar de a pena ser a mesma, a aplicação da penalidade 
prevista nos arts. 731 e 732 da CLT se dá diante de situações diversas. 
O art. 731 se refere à petição inicial trabalhista verbal, ocasião na qual 
o reclamante não comparece no prazo de 5 dias para narrar os fatos. 
O art. 732, por sua vez, se refere ao não comparecimento do 
reclamante à audiência inaugural. 
Ressalta-se, a priori, que a pena de 6 meses é para a mesma reclamação trabalhista. Sendo 
assim, o reclamante pode ingressar com outra reclamação diversa. 
É importante verificar o que acontece caso ocorra um 3º arquivamento por conta do não 
comparecimento do reclamante à audiência. Para tanto, há 3 correntes: 
1) A corrente minoritária afirma que não há nenhuma penalidade, uma vez que a CLT prevê 
apenas em caso de ausência do reclamante à audiência por 2 vezes seguidas. 
2) A corrente mais aplicada traz a ideia de que a pena de suspensão do direito de ação por 
6 meses não é do duplo arquivamento, mas dos múltiplos arquivamentos. Logo, a partir 
da 2ª vez que o reclamante não comparecer à audiência, não poderá litigar por 6 meses, 
prazo esse que se iniciará a cada vez que o reclamante se ausentar. 
3) A terceira corrente que, apesar de ser aplicada, é menos usual, defende que a CLT 
trouxe somente a pena pelo duplo arquivamento, não tratando da pena nos demais 
casos, de maneira que no triplo arquivamento, deve ser aplicada a perempção do 
Processo Civil, com base nos seguintes termos: 
Art. 486, § 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada 
em abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o 
mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar 
em defesa o seu direito. 
 
Por fim, evidencia-se que o § 3º do art. 11 da CLT preleciona que a interrupção da 
prescrição somente ocorrerá uma vez pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que 
em Juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos 
apenas em relação aos pedidos idênticos. Significa, portanto, que o somente a primeira 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 65 
 
reclamação proposta vai interromper a prescrição, apenas interrompendo quanto a pedidos 
idênticos. Quanto aos pedidos não feitos, a prescrição vai seguir correndo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na audiência inicial designada 
na reclamação trabalhista movida por Davi em face de Fábrica de Tecidos 
São João Ltda., o autor deixou de comparecer, estando presente seu 
advogado. A Juíza do Trabalho determinou o arquivamento da reclamação, 
condenando o reclamante ao pagamento das custas processuais, calculadas 
em 2% do valor dado à causa. Nesse ato, seu advogado reiterou o pedido de 
concessão dos benefícios da justiça gratuita, formulado na petição inicial e 
instruído com declaração do autor de hipossuficiência, o que restou deferido 
pela Magistrada. De acordo com a CLT, Davi terá o prazo de quinze dias para 
comprovar o motivo legalmente justificável de sua ausência, quando entãoficará isento do pagamento das custas processuais por ter dado causa ao 
arquivamento da reclamação. Correto. 
b) Ausência do reclamado 
Determina o caput do art. 844 da CLT que: 
Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o 
arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado 
importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. 
 
Isto posto, aplica-se a revelia acrescida da pena de confissão ficta/presumida sobre a 
matéria de fato, uma vez que não existe confissão de matéria de direito. 
No Processo Civil, o ato que implica revelia é a não apresentação de defesa. Já no Processo 
do Trabalho, é a ausência do reclamando na audiência (desde que devidamente notificado). 
Portanto, na Justiça do Trabalho, a revelia não possui relação direta com o ânimo de defesa. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): O Sr. Firmino está indo para a 
audiência da reclamação trabalhista movida por sua ex-empregada 
doméstica, Solange. Seu advogado avisou que já foram protocolados a 
contestação, a procuração ad-judicia e os documentos, eletronicamente. 
Apregoadas as partes, o advogado do Sr. Firmino não chegou a tempo e ele 
ingressou sozinho na sala de audiências, com a reclamante e sua advogada. 
Nessa oportunidade, ante a intenção das partes em não se conciliarem, o juiz 
informa ao reclamado que a contestação não foi juntada, somente a 
procuração de seu advogado. Nessa situação hipotética, nos termos da CLT, 
poderá o reclamado fazer sua defesa oralmente, em 20 minutos. Correto. 
Importante evidenciar, em sequência, que a Súmula 122 do TST preleciona que ainda que 
presente advogado munido de procuração e defesa, se o reclamado estiver ausente, ele será 
considerado revel, aplicando-se a pena de confissão: 
REVELIA. ATESTADO MÉDICO. A reclamada, ausente à audiência em que 
deveria apresentar defesa, é revel, ainda que presente seu advogado 
munido de procuração, podendo ser ilidida a revelia mediante a 
apresentação de atestado médico, que deverá declarar, expressamente, 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 66 
 
a impossibilidade de locomoção do empregador ou do seu preposto no 
dia da audiência. Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. 
 
No entanto, conforme apontado anteriormente, deve ser aceita a defesa e os documentos 
apresentados, nos termos do art. 844, § 5º da CLT: 
Art. 844, § 5º Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na 
audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente 
apresentados. 
 
Ressalta-se, ainda, que para a elisão/afastamento/retirada da revelia, é necessária a 
apresentação de atestado médico que comprove expressamente a impossibilidade de 
locomoção à audiência, conforme disposto na parte final da Súmula 122 do TST. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-13 - Analista Judiciário - FGV - 2022): Eduarda ajuizou reclamação 
trabalhista contra o seu empregador, que foi distribuída para a 5ª Vara do 
Trabalho de Itaporanga/PB. A juíza titular designou audiência telepresencial. 
No dia e hora marcados, Eduarda compareceu com seu advogado, a 
empresa restou ausente, mas o advogado da reclamada estava presente, 
informando que no dia anterior havia protocolizado pelo Processo Judicial 
Eletrônico (PJe) sua defesa com documentos. O advogado de Eduarda 
requereu a aplicação da revelia e confissão, bem como a exclusão imediata 
da defesa e documentos apresentados. Nesse caso, deverão ser aceitos a 
contestação e os documentos apresentados. Correto. 
A revelia não se confunde com os efeitos da própria revelia. Desse modo, é possível que a 
parte seja revel sem, necessariamente, sofrer os seus efeitos. 
Isto posto, é necessário verificar quais são os efeitos da revelia: 
1) Confissão ficta sobre a matéria de fato 
O principal efeito da revelia incide sobre a prova, uma vez que, se o réu não contestar a ação, 
serão considerados verdadeiros os fatos alegados pelo autor na petição inicial, dispensando-se a 
produção de outras provas sobre tais fatos. Se a matéria for de direito, no entanto, não há falar em 
confissão ficta. 
Todavia, sendo ficta, é uma confissão relativa, admitindo prova em contrário. 
Ademais, o réu será revel, mas não será confesso se: 
A REVELIA NÃO PRODUZ OS EFEITOS SE: 
Art. 345 do CPC § 4º do art. 844 da CLT 
I - havendo pluralidade de réus, algum deles 
contestar a ação; 
I - havendo pluralidade de reclamados, algum 
deles contestar a ação; 
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; 
III - a petição inicial não estiver acompanhada 
de instrumento que a lei considere 
indispensável à prova do ato; 
III - a petição inicial não estiver acompanhada 
de instrumento que a lei considere 
indispensável à prova do ato; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 67 
 
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor 
forem inverossímeis ou estiverem em 
contradição com prova constante dos autos. 
IV - as alegações de fato formuladas pelo 
reclamante forem inverossímeis ou estiverem 
em contradição com prova constante dos autos. 
 
Com relação ao inciso I, havendo litisconsórcio unitário, a defesa de um réu aproveita a 
do outro. 
Referente ao inciso III, o réu revel não será confesso sempre que a petição inicial estiver 
desacompanhada de documento essencial à prova do fato. Ex.: reclamante que pleiteava 
estabilidade de gestante e não apresentou nenhuma prova da gravidez ou do nascimento da 
criança. 
O inciso IV, por fim, se refere a alegações notadamente inverídicas. Ex.: trabalhador que 
alega que trabalhava 24 horas por dia todos os dias. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Câmara de Campinas - SP - Procurador - VUNESP - 2024): Na audiência 
do processo do trabalho, é correto afirmar que a revelia não produz o efeito 
de confissão quanto à matéria de fato quando a petição inicial não estiver 
acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do 
ato. Correto. 
 
(Câmara de Orlândia - Procurador - VUNESP - 2022): A vedação à 
produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não 
afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o 
processo. Correto. 
 
(TRT-22 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Sendo a audiência trabalhista 
um momento relevante para o processo, as partes deverão nela estar 
presentes. Assim, de acordo com a CLT e jurisprudência sumulada do TST, 
a revelia produz efeitos mesmo se, havendo pluralidade de reclamados, 
algum deles contestar a ação. Errado. 
2) Possibilidade de julgamento antecipado do mérito 
Não será necessária uma dilação probatória vasta, uma vez que houve a confissão ficta. 
Importante ressaltar, todavia, que o art. 195 da CLT traz uma observação com relação aos 
adicionais de insalubridade ou periculosidade: 
Art. 195, § 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por 
empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz 
designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, 
requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. 
 
Neste caso, ainda que o reclamado seja revel, será necessária a perícia para verificação da 
insalubridade ou periculosidade, não cabendo o julgamento antecipado do mérito. Há, contudo, 2 
exceções: 
a) OJ 278, SDI-1 do TST: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 68 
 
A realização de perícia é obrigatória para a verificação de insalubridade. 
Quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento 
da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova. 
b) Súmula 453 do TST: 
ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. 
CARACTERIZAÇÃO DE FATO INCONTROVERSO. DESNECESSÁRIA A 
PERÍCIA DE QUE TRATA O ART. 195 DA CLT. (conversão da Orientação 
Jurisprudencial nº 406 da SBDI-1). O pagamentode adicional de 
periculosidade efetuado por mera liberalidade da empresa, ainda que de 
forma proporcional ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior 
ao máximo legalmente previsto, dispensa a realização da prova técnica 
exigida pelo art. 195 da CLT, pois torna incontroversa a existência do 
trabalho em condições perigosas. DJ-E em 21-5-2014. 
3) Fluência dos prazos independentemente da notificação do revel 
Tal efeito NÃO se aplica em 2 hipóteses: 
a) O advogado do réu revel deverá ser intimado de todos os atos do processo. 
O art. 346 do CPC dispõe que: 
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da 
data de publicação do ato decisório no órgão oficial. 
 
Prestigiou-se, assim, o papel do advogado constituído pelo revel, o qual deverá ser intimado 
dos atos processuais. 
b) O réu revel, ainda que não tenha advogado constituído nos autos, deverá ser notificado 
da sentença: 
Art. 852 - Da decisão serão os litigantes notificados, pessoalmente, ou por 
seu representante, na própria audiência. No caso de revelia, a notificação 
far-se-á pela forma estabelecida no § 1º do art. 841. 
 
Ainda sobre a revelia, importante trazer à tona 2 observações: 
1) O parágrafo único do art. 346 do CPC – aplicável ao Processo do Trabalho – determina 
que o revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que 
se encontrar. 
2) A Súmula 398 do TST estabelece que a revelia não produz confissão na ação rescisória, 
nos termos abaixo expostos: 
SÚMULA Nº 398 - AÇÃO RESCISÓRIA. AUSÊNCIA DE DEFESA. 
INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. Na ação rescisória, o que se 
ataca na ação é a sentença, ato oficial do Estado, acobertado pelo manto da 
coisa julgada. Assim sendo, e considerando que a coisa julgada envolve 
questão de ordem pública, a revelia não produz confissão na ação 
rescisória. Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 69 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPT - Procurador do Trabalho - MPT - 2022): A parte revel na ação 
rescisória não tem contra si produzidos os efeitos da confissão em razão da 
coisa julgada envolver questão de ordem pública. Correto. 
3.2.4. Conciliação 
Presentes as partes na audiência, o Juiz irá fazer a primeira Proposta Obrigatória de 
Conciliação (POC), nos termos do art. 846 da CLT: 
Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. 
 
O entendimento predominante é no sentido de que se a POC não for proposta e tal 
inobservância não tiver ocasionado algum prejuízo para as partes ou for possível suprir-se a falta 
ou repetir-se o ato, não há nulidade. Nesse sentido, segue posicionamento jurisprudencial adotado 
pelo TST: 
A ausência de renovação da proposta conciliatória, por si só, não gera 
nulidade processual, porquanto de tal procedimento não decorre, em 
princípio, nenhum prejuízo às partes, visto que a liberdade das partes para 
pôr fim ao processo por meio da autocomposição não se extingue com o 
procedimento conciliatório, consoante dispõe o art. 763, § 3º, da CLT (...). 
(TST-AIRR 4731220115050462, Rel. Des. Conv. Marcelo Lamego Pertence, 
1ª T., DEJT 22-3-2016). 
 
Entretanto, a nulidade somente poderá ser declarada se a parte manifestar seu 
inconformismo na própria audiência ou na primeira vez que teve oportunidade de se manifestar nos 
autos. Nesse sentido: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. NULIDADE 
PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DA PROPOSTA DE 
CONCILIAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DECISÃO DENEGATÓRIA. 
MANUTENÇÃO. Dada oportunidade às partes para apresentar razões finais, 
incumbia a qualquer uma delas arguir a nulidade processual em questão por 
meio de suas razões finais, consoante o que estabelece o art. 795 da CLT. 
Se assim não o fez, restou preclusa a oportunidade de fazê-lo. Portanto, não 
há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo 
de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão 
denegatória, que, assim, subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de 
instrumento desprovido. (TST-AIRR 10124020105050194, Rel. Min. Mauricio 
Godinho Delgado, 3ª T., DEJT 6-6-2014). 
 
Por outro lado, se o Juiz lograr êxito na sua proposta de conciliação, isto é, se houver acordo 
entre os litigantes, será lavrado um termo assinado pelo Juiz Titular ou Substituto da Vara e pelas 
partes. 
Tal termo de conciliação, por ser irrecorrível, produz os mesmos efeitos de uma sentença. 
Aliás, trata-se de uma sentença homologatória de transação entre as partes, porém irrecorrível, o 
que levou o TST a editar a Súmula 259, dispondo que somente por ação rescisória é possível 
desconstituir o referido termo de conciliação. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 70 
 
Sobre o tema, também é importante relembrar o disposto nas Súmulas 100 e 418 do TST: 
Súmula 100: V - O acordo homologado judicialmente tem força de decisão 
irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo conciliatório 
transita em julgado na data da sua homologação judicial. (ex-OJ 
104/TST-SDI-II - DJ 29/04/2003). 
SÚMULA Nº 418 - MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À 
HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC de 
2015). A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo 
direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. 
 
Obs.: na hipótese de ação de homologação de acordo extrajudicial, 
em petição conjunta assinada por advogados distintos, a decisão que 
nega a homologação é uma sentença, da qual caberá recurso 
ordinário. 
Importante reiterar, ainda, que NÃO cabe homologação parcial do acordo. 
No processo, em sede de conciliação, caso o juiz negue o acordo, significa que não houve 
conciliação e o processo vai seguir. Nesse caso, trata-se de uma decisão interlocutória, razão pela 
qual a única medida que a parte poderá adotar é o ajuizamento de uma reclamação correicional, 
caso o Juiz tenha praticado o ato com abuso de direito ou visando tumultuar o processo. 
Vale salientar que do termo de acordo devem constar o prazo, se for o caso, e as demais 
condições para o seu cumprimento. É o que dizem os §§ 1º e 2º do art. 846 da CLT: 
Art. 846, § 1º - Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo presidente 
e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais condições para seu 
cumprimento. 
§ 2º - Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, poderá ser 
estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada a 
satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma indenização 
convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo. 
 
Em caso de conciliação, como visto, a parte não poderá recorrer, mas o INSS sim. Para a 
Previdência Social, a decisão que homologa o acordo NÃO possui força de decisão recorrível, 
conforme dispõe o art. 831 da CLT, in verbis: 
Art. 831, Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado 
valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto 
às contribuições que lhe forem devidas. 
 
Logo, a União (sucessora do INSS) poderá interpor recurso ordinário relativamente às 
contribuições previdenciárias que entender devidas, na fase de conhecimento/cognição e, na fase 
de execução, pode interpor agravo de petição. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(UNICAMP - Professor - VUNESP - 2018): Na hipótese de conciliação 
trabalhista, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, exceto 
para a Previdência Social, que poderá interpor o recurso ordinário, por meio 
da União, quanto às contribuições que lhe forem devidas, se a demanda 
estiver na fase de conhecimento. Correto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 71 
 
Outrossim, não havendo conciliação entre as próprias partes, deve-se dar continuidade ao 
processo, nos termos estabelecidos pelo art. 847 da CLT: 
Art. 847 - Não havendo acordo,o reclamado terá vinte minutos para aduzir 
sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada 
por ambas as partes. 
Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema 
de processo judicial eletrônico até a audiência. 
 
Isto posto, não havendo acordo, isto é, frustrada a primeira proposta de conciliação, o 
reclamado terá 20 minutos para apresentar a sua defesa, após a leitura da petição inicial, quando 
esta não for dispensada por ambas as partes. Na prática, porém, a peça de defesa do reclamado é 
escrita e entregue ao juiz que, incontinenti, entrega-a ao reclamante (ou seu representante), não 
havendo leitura alguma das peças processuais. 
Salienta-se que a peça de defesa poderá consistir em contestação ou reconvenção. 
 CONTESTAÇÃO 
A contestação é uma das modalidades de resposta do réu pela qual ele exerce seu direito 
fundamental de defesa em face da ação ajuizada pelo autor. Segundo Carlos Henrique Bezerra, 
trata-se de ato processual pelo qual o réu se insurge, de todos os modos legalmente previstos e 
moralmente aceitos, contra a pretensão deduzida pelo autor, na inicial. 
A CLT não define a contestação, uma vez que emprega genericamente o vocábulo “defesa”. 
Importante evidenciar que não se aplica ao Processo do Trabalho o prazo de 15 dias para a 
contestação do réu (CPC, art. 335), pois o reclamado terá 20 minutos para aduzir sua defesa em 
audiência, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. 
Também é necessário relembrar que o § 3º do art. 841 da CLT dispõe que, depois de 
oferecida a contestação, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da 
ação. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): No bojo da reclamação 
trabalhista movida por Sandra em face de Tecidos de Seda Ltda., na qual 
atuou como vendedora durante 2 anos, na audiência UNA, tendo a reclamada 
previamente apresentado defesa, a Juíza do Trabalho tentou a conciliação 
entre as partes, o que restou infrutífera. Ao tomarem conhecimento da 
contestação apresentada, a reclamante e seu advogado requereram a 
desistência da reclamação trabalhista. Considerando a legislação vigente, 
nesse caso, se a reclamada não concordar com a desistência formulada, a 
Juíza não poderá homologá-la, porque a contestação já foi oferecida e a 
desistência depende da concordância da reclamada. Correto. 
Ocorre que no âmbito do sistema do PJe (Processo Judicial Eletrônico), o parágrafo único 
do art. 847 prevê que a parte poderá apresentar defesa escrita até a audiência. Nesse sentido, a 
Resolução CSJT 241/2020 dispõe, em seu art. 22, que: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 72 
 
Art. 22. A contestação ou a reconvenção e seus respectivos documentos 
deverão ser protocolados no PJe até a realização da proposta de 
conciliação infrutífera, com a utilização de equipamento próprio, sendo 
automaticamente juntados, facultada a apresentação de defesa oral, na 
forma do art. 847, da CLT. 
 
Ademais, a contestação pode ser dirigida contra o processo ou contra o mérito. 
3.3.1. Contestação contra o processo 
A contestação contra o processo, também conhecida por defesa processual ou 
simplesmente objeção, está prevista no art. 337 do CPC, que, segundo Carlos Henrique Bezerra, é 
aplicável com algumas adaptações ao Processo do Trabalho. 
Aqui o réu limita-se a alegar que não estão satisfeitos os pressupostos processuais (CPC, 
arts. 337, I, II, III, V, VI, VII e VIII, e 485, IV) ou as condições da ação (CPC, arts. 301, XI, e 485, VI). 
Assim, compete ao reclamado, antes de discutir o mérito, isto é, antes de se insurgir contra 
os fatos e o pedido constantes da petição inicial, alegar: 
1) Inexistência ou nulidade da citação; 
2) Incompetência absoluta e relativa (vide CLT, arts. 799, § 2º e 800); 
3) Incorreção do valor da causa; 
4) Inépcia da petição inicial; 
5) Perempção; 
6) Litispendência; 
7) Coisa julgada; 
8) Conexão; 
9) Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; 
10) Convenção de arbitragem; 
11) Ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
12) Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; 
13) Indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. 
3.3.2. Contestação contra o mérito 
Na contestação indireta do mérito, também denominada de “exceção substancial”, o réu 
reconhece o fato constitutivo do direito do autor, mas opõe outro fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do pedido formulado na petição inicial. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 73 
 
Fatos impeditivos são os que provocam a ineficácia dos fatos constitutivos alegados pelo 
autor. Aqui o reclamado não ataca o direito alegado pelo autor, apenas opõe um fato que impede o 
exercício daquele direito. 
Ex. 1: o reclamante pede pagamento de aviso prévio, alegando ter sido despedido sem justa 
causa, e o reclamado reconhece a despedida, mas alega que ela se deu em virtude de ato de 
improbidade do reclamante. 
Ex. 2: o reclamante pede equiparação salarial, apontando o paradigma, e o reclamado se 
defende alegando e provando que a empresa possui quadro de carreira homologado pelo Ministério 
do Trabalho e Emprego que assegura promoção alternada por antiguidade e merecimento, o que 
impedirá a apreciação do fato constitutivo do direito à equiparação salarial. 
Fatos modificativos são os que implicam alteração dos fatos constitutivos alegados pelo 
autor. Nesse caso, o reclamado chega a reconhecer parcialmente o direito alegado pelo autor, mas 
opõe um fato que altera a relação jurídica material alegada pelo reclamante. 
Ex. 1: ao alegar que o reclamante era trabalhador autônomo e não empregado, o reclamado 
atrai para si o ônus de provar o fato modificativo do direito do autor, qual seja, a existência de uma 
relação jurídica de natureza autônoma diversa da relação empregatícia. 
Ex. 2: o reclamante pede o pagamento de horas extras por ter trabalhado como bancário em 
jornada superior a 6 horas diárias e o reclamado reconhece a jornada superior a 6 horas, mas alega 
um fato modificativo no sentido de que o reclamante passou a ocupar cargo de gerente-geral da 
agência durante o período vindicado na petição inicial. 
Fatos extintivos, por fim, são os que eliminam, extinguem ou tornam sem valor a obrigação 
assumida pelo réu, por não ser ela mais exigível. Ex.: o reclamante pede o pagamento de saldo de 
salários, e o reclamado alega que efetuou o respectivo pagamento, tendo o ônus de provar o fato 
extintivo do direito do autor (colacionar aos autos o correspondente comprovante de quitação). 
A renúncia, a transação, a prescrição e a decadência são também fatos extintivos do direito 
do autor. Além disso, para Carlos Henrique Bezerra, a compensação e a retenção, previstas 
expressamente no art. 767 da CLT, são também modalidades de fatos extintivos do direito alegado 
pelo autor: 
Art. 767 - A compensação, ou retenção, só poderá ser arguida como 
matéria de defesa. 
 
Se o reclamado não alegar a compensação na contestação, não poderá fazê-lo em outra 
oportunidade, uma vez que estará preclusa a matéria, nos termos da Súmula 48 do TST: 
SÚMULA Nº 48 - COMPENSAÇÃO. A compensação só poderá ser arguida 
com a contestação. 
 
Na compensação, que é forma indireta de extinção das obrigações, 2 pessoas reúnem 
reciprocamente as qualidades de credor e devedor. Assim, sempre que o reclamado entender que 
é credor do reclamante poderá requerer ao juiz que a dívida do empregado possa ser compensada 
com os eventuais créditos deste. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 74 
 
A compensação, todavia, restringe-se à dívida de natureza trabalhista, como adiantamentos 
salariais, aviso prévio, danos causados pelo empregado oriundos da relação empregatícia, 
conforme dispõe a Súmula 18 do TST:SÚMULA Nº 18 - COMPENSAÇÃO. A compensação, na Justiça do Trabalho, 
está restrita a dívidas de natureza trabalhista. 
 
A retenção, por fim, consiste no direito que o reclamado tem de reter alguma coisa do 
reclamante até que este quite sua dívida em relação àquele. A retenção, tal como a compensação, 
deve ser requerida pelo reclamado na contestação (CLT, art. 767), sob pena de preclusão. 
 EXCEÇÕES 
Dispõe o art. 799 da CLT que: 
Art. 799 - Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem 
ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou 
incompetência. 
§ 1º - As demais exceções serão alegadas como matéria de defesa. 
§ 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, 
quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no 
entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da 
decisão final. 
 
No Processo do Trabalho, de acordo com Carlos Henrique Bezerra, as exceções de 
suspeição, não obstante suspendam o processo, devem ser apresentadas juntamente com a 
contestação, isto é, na audiência para a qual fora notificado o reclamado. 
Em outras palavras, os arts. 799 e 847 da CLT devem ser interpretados sistematicamente, 
de maneira que, em homenagem ao princípio da concentração dos atos processuais, as exceções 
de suspeição, a contestação e a reconvenção devem ser apresentadas na mesma audiência 
inaugural (ou audiência una). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(DOCAS - PB - Advogado - VUNESP - 2022): Das decisões sobre exceções 
de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, 
não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no 
recurso que couber da decisão final. Correto. 
3.4.1. Exceção de suspeição 
A exceção de suspeição visa incompatibilizar o Juiz para o exercício da função jurisdicional 
em determinado processo, a fim de evitar que ele aja com parcialidade em razão de por motivos 
intrínsecos. 
A suspeição constitui, pois, matéria de relevante interesse público, porque diz respeito à 
imparcialidade do juiz e à credibilidade do próprio Poder Judiciário perante a sociedade. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 75 
 
De acordo com o art. 801 da CLT, o Juiz, titular ou substituto, é obrigado a dar-se por 
suspeito, e pode ser recusado, por alguns dos seguintes motivos, em relação à pessoa dos 
litigantes: 
Art. 801, a) inimizade pessoal; 
b) amizade íntima; 
c) parentesco por consanguinidade ou afinidade até o terceiro grau civil; 
d) interesse particular na causa. 
 
Mesmo havendo suspeição do Juiz, o parágrafo único do art. 801 da CLT, todavia, considera 
suprida a irregularidade se: 
1) O recusante houver praticado algum ato pelo qual haja consentido na pessoa do Juiz, 
não mais podendo alegar exceção de suspeição, salvo sobrevindo novo motivo; 
2) Constar do processo que o recusante deixou de alegá-la anteriormente, quando já a 
conhecia, ou que, depois de conhecida, aceitou o Juiz recusado ou, finalmente, se 
procurou de propósito o motivo de que ela se originou. 
O procedimento da exceção de suspeição está regulado no art. 802 e seus §§ 1º e 2º, da 
CLT, in verbis: 
Art. 802 - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou Tribunal 
designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para instrução 
e julgamento da exceção. 
§ 1º - Nas Juntas de Conciliação e Julgamento e nos Tribunais Regionais, 
julgada procedente a exceção de suspeição, será logo convocado para 
a mesma audiência ou sessão, ou para a seguinte, o suplente do membro 
suspeito, o qual continuará a funcionar no feito até decisão final. Proceder-
se-á da mesma maneira quando algum dos membros se declarar suspeito. 
§ 2º - Se se tratar de suspeição de Juiz de Direito, será este substituído na 
forma da organização judiciária local. 
3.4.2. Exceção de incompetência 
Com o advento da Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), houve alteração do procedimento 
da exceção de incompetência territorial, pois o art. 800 da CLT passou a ter a seguinte redação: 
Art. 800. Apresentada exceção de incompetência territorial no prazo de 
cinco dias a contar da notificação, antes da audiência e em peça que 
sinalize a existência desta exceção, seguir-se-á o procedimento 
estabelecido neste artigo. 
§ 1º Protocolada a petição, será suspenso o processo e não se realizará 
a audiência a que se refere o art. 843 desta Consolidação até que se 
decida a exceção. 
§ 2º Os autos serão imediatamente conclusos ao juiz, que intimará o 
reclamante e, se existentes, os litisconsortes, para manifestação no 
prazo comum de cinco dias. 
§ 3º Se entender necessária a produção de prova oral, o juízo designará 
audiência, garantindo o direito de o excipiente e de suas testemunhas serem 
ouvidos, por carta precatória, no juízo que este houver indicado como 
competente. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 76 
 
§ 4º Decidida a exceção de incompetência territorial, o processo retomará 
seu curso, com a designação de audiência, a apresentação de defesa e 
a instrução processual perante o juízo competente. 
 
No que tange à eficácia temporal do preceptivo em causa, o art. 11 da IN 41/18 do TST 
dispõe que: 
Art. 11. A exceção de incompetência territorial, disciplinada no art. 800 da 
CLT, é imediatamente aplicável aos processos trabalhistas em curso, 
desde que o recebimento da notificação seja posterior a 11 de novembro de 
2017 (Lei n. 13.467/2017). 
 
Se o reclamado não apresentar exceção de incompetência ou apresentá-la tardiamente 
ocorrerá a preclusão e, consequentemente, o Juízo a quem fora endereçada a petição inicial será 
o competente territorialmente para processar e julgar a demanda. Nesse sentido: 
EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL. PRAZO. PRECLUSÃO. O 
art. 800 da CLT, com redação que lhe foi conferida pela Lei n. 13.467/17, 
estabelece o prazo peremptório de 5 dias para a apresentação da exceção 
de incompetência territorial, contados da citação. Ultrapassado esse 
quinquídio, opera-se a preclusão temporal e prorroga-se a competência 
da Vara perante a qual foi proposto o feito (TRT 3ª R., RO 0010096-
07.2019.5.03.0097, Rel. conv. Juíza Olivia Figueiredo Pinto Coelho, 10ª T., 
DEJT 30-5-2019). 
 
Apresentada a exceção de incompetência territorial, os autos serão imediatamente 
conclusos ao Juiz, devendo este determinar a imediata intimação do reclamante e, se existentes, 
dos litisconsortes, para manifestação no prazo comum de até 5 dias úteis. 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra, o juiz poderá, de plano, rejeitar a exceção se sua 
decisão estiver fundada em elementos constantes dos autos, inexistindo, nessa hipótese, qualquer 
prejuízo ao reclamante, ao seu litisconsorte ou ao reclamado, desde que o Juiz tenha a cautela de 
verificar a possibilidade de intimar as partes de sua decisão que rejeitar a exceção e observar o 
prazo de 5 dias úteis entre a intimação da decisão e a realização da audiência. 
Com efeito, o § 4º do art. 800 da CLT permite que o Juiz, se entender desnecessária a 
produção de provas, rejeite, de plano, a exceção de incompetência territorial, caso em que o 
processo continuará seu curso normal, com o aproveitamento da audiência já designada, se não 
houver prejuízos para as partes. 
Entretanto, se entender necessária a produção de prova oral (CLT, art. 800, § 3º), o Juízo 
designará audiência, garantindo o direito de o reclamado e de suas testemunhas serem ouvidas, 
por carta precatória, no Juízo que este houver indicado como competente. Nesse caso, o processo 
ficará suspenso para instrução e prolação da decisão sobre o incidente processual provocado pelo 
reclamado. 
Insta salientar que a expressão “exceção de incompetência terminativa do feito”, disposta no 
§ 2º do art. 799 da CLT, significa que, se o Juiz acolhê-la,deverá remeter os autos para outro órgão 
jurisdicional diverso da Justiça do Trabalho. Significa, portanto, que a decisão que acolhe a 
“exceção terminativa do feito”, embora interlocutória, implica a “terminação” (saída) do processo na 
Justiça do Trabalho e sua remessa a outro ramo do Judiciário. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 77 
 
Segundo Carlos Henrique Bezerra, a decisão “terminativa do feito” concerne à declaração 
judicial de incompetência absoluta, isto é, incompetência em razão da matéria, sendo que a 
alegação de incompetência absoluta não deve ser objeto de exceção e, sim, de preliminar 
apresentada na própria contestação. Tanto é assim que o art. 795, § 1º da CLT determina que a 
incompetência de “foro” deverá ser declarada de ofício pelo juiz. Ora, se deve ser declarada de 
ofício, salta aos olhos que se trata, in casu, de incompetência absoluta em razão da matéria. 
Nesse liame, reitera-se que a “incompetência de foro” prevista no art. 795, § 1º da CLT diz 
respeito ao “foro trabalhista”, isto é, concerne à incompetência absoluta em razão da “matéria 
trabalhista”, e não à incompetência territorial, como pode parecer à primeira vista. 
Tratando-se a hipótese do art. 800 da CLT de incompetência relativa, isto é, incompetência 
territorial, o processo continua tramitando no âmbito da Justiça do Trabalho, uma vez que o Juiz de 
uma Vara do Trabalho, ao acolher a exceção de incompetência oposta pelo réu e declarar-se 
incompetente territorialmente, simplesmente remeterá os autos do processo a outro órgão judicial 
da Justiça do Trabalho que entender competente para processar e julgar a demanda. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Péricles ingressou com 
reclamação trabalhista em face da sua ex-empregadora, a Casa de Saúde 
Doutores de Excelência, perante o Juízo de Rondonópolis-MT, onde reside e 
local onde assinou o contrato de trabalho, tendo prestado serviços na cidade 
de Cuiabá-MT. Citada a Casa de Saúde, a mesma, conforme previsão da 
Consolidação das Leis do Trabalho, poderá arguir exceção de incompetência 
territorial no prazo de 5 dias contados da sua citação, em peça apartada à 
contestação onde sinalize a existência da exceção. Correto. 
 RECONVENÇÃO 
Consoante Carlos Henrique Bezerra Leite, a reconvenção é uma ação que o réu propõe, em 
face do autor, dentro do mesmo processo em que o primeiro é demandado, buscando tutela 
jurisdicional em que se resguarde um direito seu que alega ter sido lesado ou ameaçado de lesão 
pelo autor. 
Aplica-se integralmente o disposto no CPC quanto à reconvenção, eis que apenas o art. 
791-A, § 5º da CLT menciona tal modalidade de resposta do réu: 
Art. 791-A, § 5º São devidos honorários de sucumbência na 
reconvenção. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-RS - Procurador - FUNDATEC - 2021): No processo do trabalho 
brasileiro não são devidos honorários de sucumbência na hipótese de 
reconvenção. Errado. 
Sendo assim, a reconvenção trabalhista deve obedecer ao seguinte: 
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para 
manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o 
fundamento da defesa. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 78 
 
§ 1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu 
advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. 
§ 2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça 
o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto 
à reconvenção. 
§ 3º A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. 
§ 4º A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com 
terceiro. 
§ 5º Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser 
titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser 
proposta em face do autor, também na qualidade de substituto 
processual. 
§ 6º O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer 
contestação. 
 
Apresentada a defesa (contestação ou reconvenção), o próximo passo no processo será a 
abertura do contraditório. Portanto, o Juiz deverá abrir um prazo para que o reclamante se manifeste 
sobre a defesa apresentada. 
 MANIFESTAÇÃO SOBRE A DEFESA 
A manifestação do reclamante sobre a defesa e eventuais documentos apresentados pelo 
reclamado pode ocorrer de 2 formas: 
1) O juiz pode optar (é uma faculdade) por dar vistas ao reclamante na própria audiência; 
OU 
2) Conceder prazo para manifestação escrita, ocasião na qual a audiência será adiada. 
No último caso, trata-se da audiência fracionada, visto que a audiência será dividida em mais 
de uma sessão, conforme previsão legal do art. 849 da CLT: 
Art. 849 - A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, 
por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente 
marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente 
de nova notificação. 
 
Ocorre que com a nova sessão de audiência, também pode ocorrer a ausência das partes. 
Sendo assim, ausente alguma das partes, será aplicada ao ausente a pena de confissão 
ficta/presumida sobre a matéria de fato, seja ele o reclamante ou reclamado. 
Acerca da ausência na segunda sessão de audiência, importante verificar o disposto nas 
Súmulas 9 e 74 do TST: 
Súmula 9 do TST: A ausência do reclamante, quando adiada a instrução após 
contestada a ação em audiência, não importa arquivamento do processo. 
 
SÚMULA Nº 74 - CONFISSÃO. I - Aplica-se a confissão à parte que, 
expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à 
audiência em prosseguimento, na qual deveria depor. II - A prova pré-
constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 79 
 
confissão ficta (art. 400, I, CPC), não implicando cerceamento de defesa o 
indeferimento de provas posteriores. III - A vedação à produção de prova 
posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não afetando o 
exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. 
 
Ante o exposto, não obstante o art. 849 da CLT disponha em sua parte final 
“independentemente de nova notificação”, a regra da pena de confissão em sede da segunda 
sessão de audiência é que somente será aplicada se tal penalidade foi cominada, isto é, se a parte 
foi notificada para comparecer à audiência sob pena de confissão. 
Outrossim, conforme supramencionado, é aplicada a confissão ficta sobre a matéria de fato, 
de modo que a confissão não impede que o Juiz: 
1) Se valha de provas pré-constituídas, ou seja, provas que já estão no processo; 
2) Determine a realização de eventual diligência probatória. 
No entanto, as partes comparecendo, a audiência ocorrerá normalmente, dando seguimento 
à instrução oral. 
 INSTRUÇÃO ORAL 
A instrução é a fase do processo de conhecimento em que são colhidas as provas que 
formarão o convencimento do juiz acerca dos fatos narrados pelo autor, réu ou terceiro. Daí por que 
o art. 832 da CLT prevê que, na sentença, o Juiz deve apreciar provas produzidas nos autos. 
Nos termos do art. 848 e seus §§ 1º e 2º da CLT, a instrução do processo trabalhista inicia-
se logo após a apresentação da defesa do réu, in verbis: 
Art. 848 - Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do processo, podendo 
o presidente, ex officio ou a requerimento de qualquer juiz temporário, 
interrogar os litigantes. 
§ 1º - Findo o interrogatório, poderá qualquer dos litigantes retirar-se, 
prosseguindo a instrução com o seu representante. 
§ 2º - Serão, a seguir, ouvidas as testemunhas, os peritos e os técnicos, se 
houver. 
 
Divergem os doutrinadores acerca da delimitação da instrução processual: para uns a 
instrução abrange as provas e as alegações; para outros, apenas as provas são objeto desta fase. 
Os meios de prova na CLT estão previstos basicamente nosarts. 818 a 830. Em função dos 
princípios da celeridade e da simplicidade, que residem com maior ênfase no Processo do Trabalho, 
o legislador optou por regular a instrução de forma bastante singela. 
Assim, em face da escassez de normas trabalhistas sobre a temática da prova, há 
necessidade de o intérprete utilizar a lei processual civil como fonte subsidiária, com devidas 
cautelas, como exige o art. 769 da CLT. 
3.7.1. Prova testemunhal 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 80 
 
Consoante Carlos Henrique Bezerra Leite, pode ser testemunha qualquer pessoa natural 
que esteja no pleno exercício da sua capacidade civil e que, não sendo impedida ou suspeita, tenha 
conhecimento dos fatos relativos ao conflito de interesses veiculado no processo no qual irá depor. 
A testemunha, portanto, é a pessoa física estranha ao feito que tem impressões sensoriais 
sobre os fatos narrados nos autos. Todavia, não podem ser testemunhas as pessoas incapazes, 
impedidas ou suspeitas. 
Ocorre que os §§ 4º e 5º do art. 447 do CPC dispõem, in verbis: 
Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as 
incapazes, impedidas ou suspeitas. 
§ 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas 
menores, impedidas ou suspeitas. 
§ 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente 
de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. 
 
Estabelecem os arts. 828 e 829 da CLT que: 
Art. 828 - Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será 
qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, 
quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando 
sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. 
 
Art. 829 - A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo 
íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e 
seu depoimento valerá como simples informação. 
 
A norma consolidada, sem o primor metodológico do art. 447 do CPC, trata, ao mesmo 
tempo, da suspeição ou impedimento da testemunha. 
A interpretação sistemática do art. 829 da CLT e do art. 447 do CPC, segundo Carlos 
Henrique Bezerra, autoriza a ilação de que não poderão ser ouvidas como testemunhas, e sim como 
simples informantes: os parentes, em linha reta, colateral ou por afinidade, de qualquer das partes 
até o terceiro grau, por aplicação analógica dos arts. 1.591 a 1.595 do CC (pais, filhos, irmãos, avós, 
bisavós, netos, bisnetos, tios, sobrinhos, cônjuge ou companheiro), o tutor, o representante legal da 
pessoa jurídica, o amigo íntimo ou o inimigo capital de qualquer das partes, o condenado por falso 
testemunho, o que por seus costumes não for digno de fé, o interessado no litígio. 
No que respeita à testemunha que litiga em face do mesmo empregador em outro processo, 
o TST editou a Súmula 357, segundo a qual: 
SÚMULA Nº 357 - TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA 
RECLAMADA. SUSPEIÇÃO. Não torna suspeita a testemunha o simples 
fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. 
Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Antes de ingressar na sala de 
audiência, o preposto da Empresa reclamada avisa seu advogado que a 
testemunha trazida pelo autor trabalhou na empresa por 4 anos; frequentava 
a casa do autor; tendo sido, inclusive, padrinho de batismo do filho do 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 81 
 
reclamante. Diante de tais fatos, o advogado da empresa reclamada poderá 
contraditar a testemunha por ser amigo íntimo do autor, após sua 
qualificação, mas antes de prestar o compromisso legal. Correto. 
 
(Câmara de Jandira - SP - Procurador - IGECS - 2020): A testemunha que 
for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das 
partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples 
informação. Correto. 
O Processo do Trabalho, dispondo de forma diferente do Processo Civil, admite, em regra, 
que cada parte indique apenas 3 testemunhas, salvo no caso de inquérito judicial para apuração 
de falta grave, quando esse número pode ser elevado a 6, nos termos do art. 821 da CLT: 
Art. 821 - Cada uma das partes não poderá indicar mais de 3 (três) 
testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito, caso em que esse número 
poderá ser elevado a 6 (seis). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): No rito ordinário de uma ação 
trabalhista normal, cada uma das partes não poderá indicar mais de três 
testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento 
independentemente de intimação. Correto. 
 
(TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Aristóteles é detentor de 
estabilidade provisória no emprego, em virtude de ser dirigente sindical, 
laborando na Metalúrgica Ferro a Toda Prova Ltda.. Sua empregadora 
pretende rescindir o seu contrato de trabalho por justa causa, entendendo 
que Aristóteles cometeu falta grave que torna impossível a manutenção do 
vínculo empregatício. Nessa hipótese, de acordo com o que prevê a 
Consolidação das Leis do Trabalho, deverá propor o competente inquérito 
para apuração de falta grave, após prazo máximo de 30 dias do afastamento 
do empregado, podendo ouvir em audiência a ser designada até 6 
testemunhas, independente de comunicação ao sindicato. Correto. 
Salienta-se que a doutrina e jurisprudência entendem que é possível, no litisconsórcio 
passivo unitário, mais de 3 testemunhas no processo. No litisconsórcio ativo NÃO é possível. Assim, 
quando os litisconsortes tiverem interesses conflituosos, o bom senso recomenda que a regra rígida 
do número de testemunhas possa ser mitigada, a fim de permitir ao juiz um melhor convencimento 
acerca dos fatos alegados pelos litisconsortes. 
O art. 820 da CLT determina que a inquirição será conduzida pelo magistrado: 
Art. 820 - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, 
podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das 
partes, seus representantes ou advogados. 
 
Nesse sentido, a IN 39/16 também prevê que: 
Art. 11. Não se aplica ao Processo do Trabalho a norma do art. 459 do CPC 
no que permite a inquirição direta das testemunhas pela parte (CLT, art. 820). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 82 
 
(Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): As 
testemunhas arroladas pelas partes deverão ser intimadas para comparecer 
à audiência de instrução e julgamento, com cinco dias de antecedência da 
realização do ato. Errado. 
No que tange ao rol de testemunhas, no Processo do Trabalho, ao contrário do Processo 
Civil, não há obrigatoriedade de sua apresentação (CLT, arts. 825 e 845). Somente quando a 
testemunha não comparecer espontaneamente à audiência é que o Juiz poderá, de ofício ou a 
requerimento da parte, determinar a sua intimação, nos termos do parágrafo único do art. 825 da 
CLT. Caso a testemunha, sem motivo justificado, não atenda à intimação, poderá ser conduzida 
coercitivamente, e estará sujeita ao pagamento da multa prevista no art. 730 da CLT. 
Ademais, os depoimentos das testemunhas serão resumidos pelo Juiz e reduzidos a termo, 
de acordo com o art. 828 da CLT: 
Art. 828 - Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será 
qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, 
quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando 
sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. 
Parágrafo único - Os depoimentos das testemunhas serão resumidos, por 
ocasião da audiência, pelo secretário da Junta ou funcionário para esse fim 
designado, devendo a súmula ser assinada pelo Presidente do Tribunal e 
pelos depoentes. 
 
Em sequência, importante verificar que o art. 819 da CLT trata do intérprete: 
Art. 819- O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar 
a língua nacional será feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou 
presidente. 
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de 
surdo-mudo, ou de mudo que não saiba escrever. 
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da 
parte sucumbente, salvo se beneficiária de justiça gratuita. 
 
Com relação ao § 2º do art. 819, nota-se que o pagamento do intérprete é realizado pelo 
sucumbente no processo, salvo se beneficiário da justiça gratuita. Desse modo, se a parte 
sucumbente é beneficiária da justiça gratuita, ela não pagará nenhum intérprete do processo. Nesse 
caso, a União será responsável por realizar o pagamento. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-8 - Técnico Judiciário - CESPE - 2022): No caso em que a testemunha 
seja surda-muda, um interprete será nomeado pelo juiz e as custas referentes 
a essa diligência serão pagas pelo sucumbente, ainda que beneficiário da 
justiça gratuita. Errado. 
 
(TRT-23 - Analista Judiciário - FCC - 2022): O reclamante em determinada 
reclamação trabalhista arrolou como testemunha um ex-colega de trabalho 
que é mudo. Nessa hipótese, conforme prevê a Consolidação das Leis do 
Trabalho, o juiz deverá nomear intérprete desde que a testemunha não saiba 
escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, 
salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. Correto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 83 
 
Insta evidenciar, por fim, o disposto no art. 793-D da CLT: 
Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à 
testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir 
fatos essenciais ao julgamento da causa. 
Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos 
mesmos autos. 
 
Tal dispositivo permite ao Juiz aplicar a penalidade de litigância de má-fé como uma multa 
à testemunha que o próprio Magistrado considera que alterou a verdade dos fatos para beneficiar 
alguém, não necessitando de qualquer prova da má-fé, eis que a multa pode ser aplicada de ofício: 
Art. 793-C. De ofício ou a requerimento, o juízo condenará o litigante de 
má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a 1% (um por cento) e 
inferior a 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, a indenizar a 
parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários 
advocatícios e com todas as despesas que efetuou. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-5 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Zeus foi testemunha do 
reclamante em audiência trabalhista, tendo o juiz da causa entendido que o 
mesmo alterou intencionalmente a verdade dos fatos, omitindo ainda fatos 
essenciais ao julgamento da causa. Nessa hipótese, com base na 
Consolidação das Leis do Trabalho, Zeus poderá ser multado em no mínimo 
1% e no máximo em 10% sobre o valor corrigido da causa, correspondendo 
à mesma multa por litigância de má-fé da parte. Correto. 
3.7.2. Prova pericial 
Quando a prova de determinados fatos alegados pelas partes depender de conhecimentos 
técnicos ou científicos, o Juiz será assistido por um perito, que é considerado um auxiliar da justiça 
(CPC, art. 156). Nesse sentido, a prova pericial somente será deferida se for útil ao processo. 
Nos termos do parágrafo único do art. 464 do CPC, aplicável ao processo do trabalho (CLT, 
art. 769), o juiz indeferirá a perícia quando: 
Art. 464, § 1º O juiz indeferirá a perícia quando: 
I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; 
II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; 
III - a verificação for impraticável. 
 
A produção da prova pericial no processo do trabalho poderá ser requerida pela parte ou 
determinada, de ofício, pelo Juiz. Deferida a perícia, o Juiz deverá nomear o perito, além de indicar 
o objeto da perícia e fixar o prazo para entrega do laudo. 
Isto posto, na Seção IX, que trata das provas, a CLT traz as 2 disposições abaixo acerca da 
perícia: 
Art. 826 - É facultado a cada uma das partes apresentar um perito ou 
técnico. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 84 
 
Art. 827 - O juiz ou presidente poderá arguir os peritos compromissados ou 
os técnicos, e rubricará, para ser junto ao processo, o laudo que os primeiros 
tiverem apresentado. 
 
Importante salientar que se o pedido da perícia versar sobre pagamento de adicional de 
insalubridade ou periculosidade, o Juiz estará obrigado a determinar a realização da prova pericial, 
ainda que o réu seja revel e confesso quanto à matéria de fato. É o que se depreende do art. 195, 
caput e § 2º, da CLT, in verbis: 
Art. 195 - A caracterização e a classificação da insalubridade e da 
periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão 
através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do 
Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. 
§ 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, 
seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito 
habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia 
ao órgão competente do Ministério do Trabalho. 
 
Dispõe o art. 790-B da CLT que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais 
é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita. 
Neste caso, vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em Juízo, 
ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes 
de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser 
executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o 
credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a 
concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário 
(CLT, art. 791-A, § 4º). 
Além disso, somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em 
Juízo créditos capazes de suportar as despesas relativas ao pagamento de honorários periciais, 
ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo (CLT, art. 790, § 4º). 
Ocorre que a ADI 5766, conforme apontado anteriormente, declarou que tal dispositivo é 
inconstitucional1, conforme ementa abaixo: 
São inconstitucionais as normas trabalhistas que determinam o 
pagamento de honorários periciais e advocatícios por beneficiários da 
justiça gratuita, caso percam a ação, mas obtenham créditos suficientes 
para o pagamento dessas despesas, ainda que em outra demanda. STF. 
Plenário. ADI 5766/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, redator do acórdão Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 20/10/2021 (Info 1035). 
 
Para o STF, esses dispositivos violam o art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, que 
determina que o Estado preste assistência judicial, integral e gratuita, aos que comprovem 
insuficiência de recursos. 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O art. 790-B, caput e § 4º e o art. 791-A da CLT, com redação dada pela Lei 13.467/2017, são 
inconstitucionais; por outro lado, é constitucional o art. 844, § 2º. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 27/11/2023. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 85 
 
De acordo com o prof. Márcio André Lopes Cavalcante, entender que o mero fato de alguém 
ser vencedor de um processo retira a sua hipossuficiência seria uma presunção absoluta da lei e 
representaria um obstáculo à efetiva aplicação da regra constitucional. 
Nesse aspecto, a Reforma Trabalhista estipulou restrições inconstitucionais a direito 
fundamental, pois não é razoável nem proporcional a imposição do pagamento146 
1.2 TRABALHADORES DESTINATÁRIOS DO INQUÉRITO ................................................ 146 
1.3 PROCEDIMENTO ............................................................................................................. 147 
1.4 CUSTAS ............................................................................................................................ 148 
1.5 NATUREZA DÚPLICE DO INQUÉRITO .......................................................................... 148 
1.6 CONVERSÃO DA REINTEGRÇÃO EM INDENIZAÇÃO ................................................. 148 
2. DISSÍDIO COLETIVO ............................................................................................................... 149 
2.1 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA ............................................................................. 149 
2.2 CLASSIFICAÇÃO .............................................................................................................. 149 
2.3 PRESSUPOSTOS DE CABIMENTO ................................................................................ 150 
2.4 CONDIÇÕES DA AÇÃO COLETIVA STRICTO SENSU ................................................. 151 
2.5 SENTENÇA NORMATIVA ................................................................................................ 151 
2.6 PROCEDIMENTO ............................................................................................................. 151 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 4 
 
2.7 RECURSO ORDINÁRIO ................................................................................................... 153 
2.8 DISSÍDIO COLETIVO DE EXTENSÃO X REVISIONAL .................................................. 153 
3. AÇÃO DE CUMPRIMENTO ..................................................................................................... 153 
AÇÕES ESPECIAIS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO DO TRABALHO ........................................ 155 
1. MANDADO DE SEGURANÇA ................................................................................................. 155 
1.1 COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 155 
1.2 CONDIÇÕES GENÉRICAS DO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL ................ 156 
1.3 CONDIÇÕES ESPECIAIS DO MANDADO DE SEGURANÇA ........................................ 156 
1.4 CABIMENTO NA JUSTIÇA DO TRABALHO ................................................................... 156 
2. AÇÃO RESCISÓRIA ................................................................................................................ 157 
2.1 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA ............................................................................. 157 
2.2 BASE LEGAL .................................................................................................................... 157 
2.3 COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 158 
2.4 HIPÓTESES DE ADMISSIBILIDADE ............................................................................... 158 
2.5 PRAZOS ............................................................................................................................ 159 
3. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO ...................................................................... 159 
3.1 CABIMENTO ..................................................................................................................... 159 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 5 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno Sistematizado de Direito Processual do Trabalho foi formulado tomando-se como 
base as aulas da professora Thais Mendonça, complementado em alguns pontos com o livro Curso 
de Direito Processual do Trabalho, de Carlos Henrique Bezerra Leite, editora SaraivaJur, ano 2023. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.buscadordizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade 
Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o 
Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia 
da semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos! Bons estudos! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 6 
 
ASPECTOS INICIAIS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
1. CONCEITO 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, o Direito Processual do Trabalho é o ramo 
da ciência jurídica, constituído por um sistema de valores, princípios, regras e instituições próprias, 
que tem por objeto promover a concretização dos direitos sociais fundamentais individuais, coletivos 
e difusos dos trabalhadores e a pacificação justa dos conflitos decorrentes direta ou indiretamente 
das relações de emprego e de trabalho, bem como regular o funcionamento e a competência dos 
órgãos que compõem a Justiça do Trabalho. 
2. NATUREZA JURÍDICA 
Em se tratando de segmento do Direito Público, para Carlos Henrique Bezerra Leite, pode-
se dizer que o Direito Processual do Trabalho encontra suas fontes normativas no próprio 
ordenamento jurídico estatal, porquanto somente o Estado tem o poder de editar normas de direito 
processual, com observância estrita do princípio da legalidade. Nesse sentido, a própria 
Constituição Federal de 1988 prescreve, em seu art. 22, I, que compete privativamente à União 
legislar sobre direito processual, estando incluído o direito processual do trabalho. 
A constatação de que o Direito Processual do Trabalho integra o elenco das disciplinas do 
Direito Público decorre, ainda, do fato de que ele tem por objeto a regulação da relação jurídica 
processual, que tem sempre um dos seus sujeitos o Estado-Juiz atuando com supremacia sobre os 
demais sujeitos do processo. 
3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
 FONTES MATERIAIS 
As fontes materiais são as fontes potenciais do Direito Processual do Trabalho e emergem, 
em regra, do próprio Direito material do Trabalho. Este, por sua vez, encontra a sua fonte substancial 
nos fatos sociais, políticos, econômicos, culturais, éticos e morais de determinado povo em dado 
momento histórico. 
 FONTES FORMAIS 
As fontes formais do Direito Processual do Trabalho são as que lhe conferem o caráter de 
direito positivo, ou seja, são aquelas que estão positivadas no ordenamento jurídico. Dividem-se 
em: 
1) Fontes formais diretas: abrangem a lei em sentido genérico (atos normativos e 
administrativos editados pelo Poder Público) e o costume. 
CURSOS 
GRÁTIS
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SITES
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CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 7 
 
2) Fontes formais indiretas: aquelas extraídas da doutrina e da jurisprudência. 
3) Fontes formaisde honorários 
periciais e de sucumbência pelo beneficiário da justiça gratuita sem que se prove que ele 
efetivamente deixou de ser hipossuficiente. 
Portanto, o beneficiário da justiça gratuita não tem o ônus de pagar honorários periciais, se 
sucumbente no objeto da perícia, devendo tal encargo ser suportado pela União2. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPT - Procurador - MPT - 2022): A partir do julgamento da ADI 5766 pelo 
Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o artigo 790-B, 
caput, da Consolidação das Leis do Trabalho, é correto afirmar que a 
responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte 
sucumbente na pretensão objeto da perícia, salvo se beneficiária da justiça 
gratuita. Correto. 
Não obstante, o § 3º do art. 790-B da CLT dispõe que o Juízo não poderá exigir 
adiantamento de valores para realização de perícias. Assim, em qualquer ação na Justiça do 
Trabalho não é permitido o adiantamento de honorários periciais, sendo vedada a cobrança de 
honorários provisionais (honorários “de entrada”). 
Todavia, se ainda assim for determinado o pagamento de honorários provisionais, caberá 
mandado de segurança, nos termos da OJ 98 da SDI-2: 
Orientação Jurisprudencial 98/TST-SDI-II - - Mandado de segurança. Prova 
pericial. Cabível o writ para atacar exigência de depósito prévio de honorários 
periciais. Súmula 236/TST. CPC/1973, art. 33. Lei 1.533/1951, art. 1º. É ilegal 
a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, 
dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o 
mandado de segurança visando à realização da perícia, 
independentemente do depósito. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): É facultado ao Juiz, dentro do 
seu poder de direção e condução do processo, solicitar que a reclamada 
adiante valor a título de antecipação de honorários periciais, valor que poderá 
ser compensado em eventual procedência. Errado. 
 
(MPT - Procurador - MPT - 2022): O juízo poderá deferir parcelamento dos 
honorários periciais, mas não poderá exigir adiantamento de valores para 
realização de perícias, sendo cabível, no caso de exigência de depósito 
prévio de honorários periciais, mandado de segurança visando à realização 
da perícia sem o depósito, dada a incompatibilidade com o Processo do 
Trabalho. Correto. 
 
2 Disponível em: https://www.conjur.com.br/2022-ago-08/igor-zwicker-justica-gratuita-honorarios-sucumbenciais. Acesso em: 
27/11/2023. 
https://www.conjur.com.br/2022-ago-08/igor-zwicker-justica-gratuita-honorarios-sucumbenciais
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 86 
 
Frisa-se, ademais, que o valor da perícia segue uma tabela do Conselho Superior da Justiça 
do Trabalho (CSJT), sendo permitido o parcelamento dos honorários periciais. 
Importante destacar também que a parte poderá (trata-se de uma faculdade) ter assistente 
técnico. Ressalta-se, todavia, que o assistente técnico deverá entregar o parecer no prazo do 
laudo do perito, sob pena de desentranhamento. 
Quanto aos honorários do assistente técnico, o TST editou a Súmula 341, segundo a qual: 
SÚMULA Nº 341 - HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO. A indicação 
do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos 
respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Suzana ajuizou ação trabalhista 
em face da Metalúrgica Master S/A, requerendo indenização por horas extras 
não pagas e adicional de insalubridade, tendo atribuído valor à causa de R$ 
20.000,00. Na audiência, foi deferida a perícia, nomeando-se Perito Técnico 
do Juízo, sendo que tanto a reclamante quanto a reclamada nomearam 
Assistentes Técnicos. A perícia concluiu que Suzana estava exposta a agente 
insalubre em grau máximo, mas, no curso da instrução processual, não foram 
provadas as horas extras, sendo a mesma sucumbente em tal pedido, e 
vitoriosa no pedido de adicional de insalubridade. Conforme a CLT e o 
entendimento sumulado do TST, tendo Suzana sido vitoriosa no pedido 
objeto da perícia, os honorários periciais serão arcados pela parte 
sucumbente, a reclamada. Outrossim, os honorários do Assistente Técnico 
indicado por Suzana, serão por ela custeados, independentemente de ser 
beneficiária da justiça gratuita. Correto. 
 RAZÕES FINAIS 
Encerrada a instrução, as partes poderão oferecer razões finais. 
As razões finais, também chamadas de alegações finais, constituem faculdades conferidas 
às partes para se manifestarem nos autos logo depois da instrução e antes da prolação da sentença. 
Embora importantes, as razões finais não são obrigatórias. 
O art. 850 da CLT prescreve que: 
Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, 
em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, 
o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando 
esta, será proferida a decisão. 
 
De acordo com o dispositivo normativo acima exposto, as razões finais podem ser orais, a 
serem apresentadas no prazo de 10 minutos. 
Contudo, quando a sentença não é proferida na própria audiência, os Juízes têm permitido 
que as partes ofereçam razões finais por escrito, isto é, em forma de memoriais. Nesse caso, há a 
conversão das razões finais orais em memoriais (peça escrita). 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 87 
 
Tal conversão constitui faculdade do julgador e é extraída por aplicação analógica do § 2º 
do art. 364 do CPC, in verbis: 
Art. 364, § 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou 
de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, 
que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério 
Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 
(quinze) dias, assegurada vista dos autos. 
 
Conforme supramencionado, não há obrigatoriedade da apresentação das razões finais 
pelas partes. Isso significa que se a parte não manifestar interesse em apresentá-las ou se o Juiz 
não conceder tal oportunidade e a parte não formular seu inconformismo na própria audiência, 
nenhuma nulidade será declarada, restando, portanto, preclusa a matéria. 
Tendo em vista que o Processo do Trabalho adota a audiência una (ou única), as razões 
finais, embora facultativas, assumem um papel importantíssimo não apenas para a arguição de 
nulidades (CLT, art. 795) ocorridas no curso da instrução, como também para facilitação do 
convencimento do Juiz. Se a parte não protestar contra nulidades na própria audiência de instrução, 
poderá fazê-lo no momento de apresentar suas razões finais e, neste caso, não haverá preclusão. 
Nesse sentido: 
RECURSO DE REVISTA. LEI N. 13.467/2017. CERCEAMENTO DO 
DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRAZO PARA 
APRESENTAÇÃO DE CONTESTAÇÃO, DOCUMENTOS E PROVA ORAL 
FORMULADA PELA ADVOGADA DE RÉU REVEL. AUSÊNCIA DE 
PROTESTOS NA AUDIÊNCIA. DEFERIMENTO DE PRAZO PARA 
APRESENTAÇÃO DE RAZÕES FINAIS ESCRITAS. CERCEAMENTO DE 
DEFESA ALEGADO EM RAZÕES FINAIS ESCRITAS. AUSÊNCIA DE 
PRECLUSÃO. TRANSCENDÊNCIA. (...) A arguição de nulidade deve ser 
realizada “na primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos 
autos”. A conjunção coordenada alternativa nos induz à conclusão de que a 
parte pode realizar o protesto de forma imediata ao indeferimento, sem 
necessidade de renová-lo em razões finais ou pode apresentá-lo apenas em 
razões finais, orais ou escritas. No caso, o protesto não foi feito de forma 
imediata em audiência, mas foi realizado em razões finais escritas, 
conforme facultado pelo magistrado condutor da audiência. Dessa 
forma, não houve preclusão para se insurgir quanto ao indeferimento 
do pleito de prazo para apresentação de defesa, documentos e 
produção de prova oral. Embora afastada a preclusão, não há como acolhera irresignação da reclamada. Isso porque, no período anterior à Lei n. 
13.467/2017, como no caso dos autos, a ausência da reclamada na audiência 
inicial resulta em revelia, mesmo que o seu advogado tenha comparecido a 
audiência (Súmula 122 do TST). Sendo a parte revel, o indeferimento de 
prazo para apresentação de contestação, documentos e prova oral não 
constitui cerceamento do direito de defesa, nos termos da Súmula 74, II, do 
TST e art. 847 da CLT. Recurso de revista de que não se conhece (TST-RR 
106374420165090011, Rel. Des. Conv. Cilene Ferreira Amaro Santos, 6ª T., 
DEJT 7-6-2019). 
 
Portanto, a apresentação das razões finais pode se dar em virtude das seguintes finalidades: 
1) Renovar arguições de nulidade, sob pena de preclusão; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 88 
 
2) Ressaltar pontos importantes da instrução dignos de nota para o Magistrado que vai 
julgar o processo. 
 CONCILIAÇÃO PRÉ-DECISÓRIA 
Findas as alegações finais, o Juiz, por força do art. 850 da CLT, deve renovar a proposta de 
conciliação. No mesmo sentido, o art. 831 do mesmo diploma legal determina que a decisão 
somente será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Trata-se, 
portanto, da segunda Proposta Obrigatória de Conciliação (POC). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-CE - Procurador - CESPE - 2021): De acordo com a CLT, as propostas 
de conciliação no processo trabalhista ocorridas após a abertura da audiência 
de instrução e julgamento e depois de apresentadas as razões finais pelas 
partes são obrigatórias nos dois casos. Correto. 
Havendo conciliação, a decisão de homologação do acordo terá força de decisão de trânsito 
em julgado. 
Obs.: conforme mencionado anteriormente, se o Juiz não realizar a 
segunda POC, não haverá problema se não acarretar prejuízo às 
partes. 
Não havendo acordo, o Juiz proferirá a sentença. 
 SENTENÇA 
No Processo do Trabalho, o art. 832 da CLT dispõe expressamente sobre os elementos que 
devem constar da sentença. São eles: 
Art. 832 - Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do 
pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão 
e a respectiva conclusão. 
§ 1º - Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará 
o prazo e as condições para o seu cumprimento. 
§ 2º - A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela 
parte vencida. 
§ 3º - As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a 
natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo 
homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo 
recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. 
 
A sentença, portanto, demandará relatório, fundamentação e dispositivo. 
O relatório da sentença tem por objetivo registrar o objeto da lide, com o resumo do pedido 
e da resposta, bem como as principais ocorrências processuais, como provas, propostas de 
conciliação, razões finais etc. Também objetiva a comprovação de que o Juiz examinou e estudou 
as questões discutidas nos autos, sendo essa, segundo a doutrina, a função mais importante do 
relatório. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 89 
 
A fundamentação constitui a base intelectual da sentença ou as razões de decidir do órgão 
judicial. Nela, o Juiz revela todo o raciocínio desenvolvido acerca da apreciação das questões 
processuais, das provas produzidas e das alegações das partes, que são os dados que formarão o 
alicerce da decisão. 
O dispositivo ou conclusão, por fim, refere-se à parte final da sentença que será, 
posteriormente, coberta pelo manto da coisa julgada. É no dispositivo que o Juiz cumpre a sua 
função no processo de cognição, acolhendo ou rejeitando as pretensões das partes ou, ainda, 
declarando extinto o processo sem resolução do mérito. 
A sentença poderá desafiar 2 recursos (que serão abordados de maneira aprofundada 
posteriormente): 
1) Embargos de declaração, a serem apresentados em 5 dias; 
2) Recurso ordinário, que podem ser interpostos em 8 dias. 
Apresentado o recurso ordinário, o processo será encaminhado para o TRT. Do julgamento 
desse recurso, caberá recurso de revista em 8 dias, que será encaminhado para o TST. 
De acordo com o art. 896 da CLT, é cabível recurso de revista para o TST das decisões 
proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelo TRT nas seguintes hipóteses: 
1) Quando derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe 
houver dado outro TRT, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do 
Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa 
Corte ou súmula vinculante do STF; 
2) Quando derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, 
Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância 
obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da 
decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da primeira hipótese; 
3) Quando proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e 
literal à Constituição Federal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): À luz da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), a interposição de recurso de revista por empresa privada na 
fase de execução pode ocorrer na hipótese de ofensa direta e literal de norma 
da Constituição Federal. Correto. 
4. RITO SUMARÍSSIMO 
O procedimento sumaríssimo só tem lugar nas ações trabalhistas individuais (simples ou 
plúrimas), cujo valor da causa seja superior a 2 salários-mínimos e inferior a 40 salários 
mínimos na data da propositura da ação. Isto porque, nas causas de até 2 salários-mínimos, o 
procedimento legal é o sumário (que será abordado a seguir) e, nas causas de valor superior a 40 
salários-mínimos, o ordinário. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 90 
 
Isto posto, importante visualizar a redação do art. 852-A da CLT: 
Art. 852-A. Os dissídios individuais cujo valor não exceda a quarenta vezes 
o salário-mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação ficam 
submetidos ao procedimento sumaríssimo. 
Parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as 
demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e 
fundacional. 
 
Quanto ao parágrafo único do art. 852-A da CLT, é mister ressaltar que apenas não poderão 
ser parte ou interveniente no procedimento sumaríssimo a administração pública direta, autárquica 
ou fundacional. Portanto, empresa pública ou sociedade de economia mista PODEM se 
submeter ao rito sumaríssimo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Porto Alegre - Procurador - FUNDATEC - 2022): Julia 
ajuizou reclamatória trabalhista em face de seu ex-empregador e do ente 
municipal, este responsável subsidiário em razão da terceirização de 
serviços, postulando o pagamento das suas verbas rescisórias, horas extras 
e adicional de penosidade. O valor atribuído à causa foi de R$ 15.000,00. 
Apesar do valor da causa, o rito será obrigatoriamente ordinário e Julia poderá 
levar até três testemunhas. Correto. 
 
(TRT- 9 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Josias está estudando para um 
concurso e ao se deparar com o procedimento sumaríssimo na Justiça do 
Trabalho encontrou características próprias que deverão ser observadas 
pelas partes. Com base na legislação federal vigente, mesmo que o valor 
objeto do pedido for até 40 vezes o salário mínimo, não podem ser parte a 
Administração Pública Direta, autárquica e fundacional, devendo 
obrigatoriamente o reclamante optar pela reclamação sob o rito ordinário. 
Correto. 
Em sequência, determina o art. 852-B da CLT que, nas ações enquadradas no procedimento 
sumaríssimo, deverão ser observados 2 requisitos de validade da relação processual: 
Art. 852-B.Nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo: 
I - o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor 
correspondente; 
II - não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação 
do nome e endereço do reclamado; 
§ 1º O não atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e II deste 
artigo importará no arquivamento da reclamação e condenação ao 
pagamento de custas sobre o valor da causa. 
 
A primeira diferença, portanto, entre o rito sumaríssimo e o rito ordinário está na petição 
inicial. A petição verbal segue o mesmo trâmite do rito ordinário. A petição escrita, por sua vez, 
precisa de uma qualificação precisa do reclamado, devendo-se fornecer o endereço de maneira 
precisa. 
No que concerne ao requisito constante do inciso I supracitado, no procedimento 
sumaríssimo, o pedido deve ser certo, determinado e líquido. Em razão disso, Carlos Henrique 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 91 
 
Bezerra defende que o valor da causa é requisito essencial na petição inicial da demanda sujeita 
ao procedimento sumaríssimo e deve corresponder exatamente ao valor do pedido (líquido). 
Além da qualificação precisa do reclamado, os pedidos devem ser líquidos (não sendo 
possível o valor aproximado como ocorre no rito ordinário) e precisamente indicados no processo, 
sob pena de arquivamento, isto é, extinção do processo sem resolução do mérito e condenação ao 
pagamento das custas sobre o valor da causa. 
A respeito do requisito previsto no inciso II do art. 852-B da CLT, Carlos Henrique Bezerra 
argumenta que não há razoabilidade, sob pena de maltrato ao princípio do amplo acesso à Justiça 
(CF, art. 5º, LV), inviabilizar-se o procedimento sumaríssimo quando o autor desconhecer o 
endereço do réu. Ademais, se a notificação citatória for devolvida por “mudança de endereço do 
réu”, deverá o Juiz intimar o autor para fornecer o novo endereço e se este não souber ou não 
indicar outro endereço, aí, sim, poderia o Juiz invocar o preceptivo em causa e extinguir o processo 
sem resolução do mérito. 
Obs.: apesar de ser a medida adotada na prática, o legislador NÃO 
prevê a possibilidade de o Juiz determinar emenda à inicial para o 
reclamante apresentar o endereço do reclamado de maneira precisa. 
A apreciação da ação submetida ao procedimento sumaríssimo deverá ocorrer no prazo 
máximo de 15 dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de 
acordo com o movimento judiciário da Vara do Trabalho (CLT, art. 852-B, III). 
Quanto à conciliação, o art. 852-E da CLT dispõe o seguinte: 
Art. 852-E. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre 
as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão 
para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Sobre o procedimento 
sumaríssimo, aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre 
as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para 
a solução conciliatória do litígio, já que após a produção probatória, estará 
precluso o direito à conciliação. Correto. 
Há, portanto, tentativa de conciliação em todo o rito sumaríssimo, e somente em não 
momentos específicos (apesar de ser possível de realizar durante todo o processo) de apresentação 
de propostas obrigatórias de conciliação como ocorre no rito ordinário. 
O processo sujeito ao rito sumaríssimo deverá ser instruído e julgado em audiência única, 
salvo na hipótese do § 1º do art. 852-H da CLT, a critério do Juiz: 
Art. 852-H. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e 
julgamento, ainda que não requeridas previamente. 
§ 1º Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se-
á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo 
absoluta impossibilidade, a critério do juiz. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 92 
 
Absoluta impossibilidade seria, por exemplo, a necessidade de realização de perícia ou 
quando a quantidade de documentos for muito grande, bem como se um dos documentos 
apresentados for um vídeo. Nesses casos, ocorreria, excepcionalmente, uma segunda audiência 
em virtude da necessidade de adiamento/fracionamento. 
No procedimento sumaríssimo, todos os incidentes e exceções que possam interferir no 
prosseguimento da audiência e do processo deverão ser decididos de plano. As demais questões 
serão decididas na sentença (CLT, art. 852-G). 
Cada parte somente poderá apresentar 2 testemunhas, que deverão ser, 
comprovadamente, convidadas pelo autor ou pelo réu. Só haverá intimação de testemunha se esta, 
comprovadamente convidada pela parte, não comparecer à audiência (CLT, art. 852-H, §§ 2º e 3º). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-9 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Josias está estudando para um 
concurso e ao se deparar com o procedimento sumaríssimo na Justiça do 
Trabalho encontrou características próprias que deverão ser observadas 
pelas partes. Com base na legislação federal vigente, a testemunha que, 
convidada, não comparecer à audiência e após comprovação de seu convite 
for intimada e novamente não comparecer, acarretará à parte que a convidou 
a desistência de sua oitiva, uma vez que não existe a possibilidade de 
condução coercitiva. Errado. 
Além disso, apenas quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta (ex.: 
verificação de ambiente insalubre ou perigoso), será deferida prova técnica, incumbindo ao Juiz, 
desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito. As partes serão intimadas a 
manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de 5 dias. 
Na apreciação das provas, o Juiz deverá: 
Art. 852-D. O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas 
a serem produzidas, considerado o ônus probatório de cada litigante, 
podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes 
ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às 
regras de experiência comum ou técnica. 
 
No mesmo sentido, o art. 852-I da CLT, além de dispensar o relatório nas sentenças sujeitas 
ao rito sumaríssimo, prescreve que o Juiz deverá adotar, em cada caso, a decisão que reputar mais 
justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. 
Outrossim, as partes serão consideradas notificadas na própria sentença. 
O procedimento sumaríssimo admite a interposição de embargos declaratórios, inclusive 
com efeito modificativo, quando, na sentença, houver omissão ou contradição (CLT, art. 897-A) e 
recurso ordinário (CLT, art. 895, I), mas o cabimento de recurso de revista é restritivo (CLT, art. 896, 
§ 9º). 
Sendo assim, pode-se inferir que não há mudança quanto ao prazo recursal, mas sim quanto 
ao procedimento e cabimento dos recursos no rito sumaríssimo. 
Para o recurso ordinário, aplica-se o disposto nos parágrafos do art. 895: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 93 
 
Art. 895, § 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o 
recurso ordinário: 
II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo 
o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal 
ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem 
revisor; 
III - terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à 
sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro 
na certidão; 
IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com 
a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir 
do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios 
fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, 
servirá de acórdão.§ 2º Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma 
para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças 
prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo. 
 
O relator, ao receber o processo, tem o prazo de 10 dias para enviar para a secretaria da 
turma para imediata inclusão em pauta. Para que o relator consiga liberar o processo de forma 
rápida, o acórdão poderá ser dispensado, bastando apenas a certidão de julgamento. Além disso, 
também é possível confirmar a sentença por seus próprios fundamentos. 
No que se refere ao recurso de revista, há diferença do rito ordinário quanto ao cabimento: 
Art. 896, § 9º Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente 
será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de 
jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula 
vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da 
Constituição Federal. 
 
Insta vislumbrar, por fim, o disposto na Súmula 442 do TST, que preleciona que não é cabível 
recurso de revista com fundamento em contrariedade à Orientação Jurisprudencial (OJ): 
SÚMULA N.º 442. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. RECURSO DE 
REVISTA FUNDAMENTADO EM CONTRARIEDADE A ORIENTAÇÃO 
JURISPRUDENCIAL. INADMISSIBILIDADE. ART. 896, § 6º, DA CLT, 
ACRESCENTADO PELA LEI Nº 9.957, DE 12.01.2000. Nas causas sujeitas 
ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista 
está limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da 
Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior 
do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação 
Jurisprudencial deste Tribunal (Livro II, Título II, Capítulo III, do RITST), 
ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT. Res. 185/2012, DEJT 
divulgado em 25-9-2012. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Nas causas sujeitas ao procedimento 
sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por violação à CLT 
ou contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do TST. Errado. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 94 
 
(TRT-13 - Analista Judiciário - FGV - 2022): Vanessa trabalha como 
mecânica numa loja localizada em Conde/PB. Em setembro de 2022, 
Vanessa foi dispensada sem justa causa e não recebeu nenhum de seus 
direitos. Então, a ex-empregada procurou um advogado para ajuizar 
reclamação trabalhista cobrando os valores devidos pela saída e horas extras 
sonegadas ao longo do pacto laboral, que foram quantificados em R$ 
36.360,00. Considerando o caso retratado e as normas da CLT, o 
procedimento que a ação de Vanessa deverá observar e a quantidade de 
testemunhas que cada parte poderá ouvir em juízo é o procedimento 
sumaríssimo, com até duas testemunhas para cada parte. Correto. 
5. RITO SUMÁRIO OU DE ALÇADA 
O procedimento comum sumário, no âmbito do processo laboral, foi introduzido pela Lei 
5.584/70, cujo objetivo fundamental era empreender maior celeridade às causas trabalhistas com 
valor de até 2 salários mínimos. 
Adverte-se, a priori, que o procedimento sumaríssimo não extinguiu o procedimento sumário 
previsto na Lei 5.584/70, uma vez que, a par de não ter havido revogação expressa na lei nova, 
inexiste qualquer incompatibilidade entre os 2 textos legais da qual se possa inferir a revogação 
tácita da norma mais antiga. 
A Lei 5.584/70, portanto, instituiu a chamada “causa de alçada”, que, na verdade, é uma 
ação submetida ao procedimento sumário, cuja regulação está prevista nos §§ 3º e 4º do art. 2º da 
referida lei, segundo os quais: 
1) Quando o valor fixado para a causa não exceder de 2 vezes o salário mínimo vigente na 
sede do Juízo, será dispensável o resumo dos depoimentos, devendo constar da ata a 
conclusão do juiz quanto à matéria de fato; 
2) Salvo se versarem sobre matéria constitucional, nenhum recurso caberá das sentenças 
proferidas nos dissídios da alçada, considerado, para esse fim, o valor do salário 
mínimo à data do ajuizamento da ação. 
Nos processos de exclusiva alçada das Varas, portanto, é dispensável, a critério do Juiz, o 
resumo dos depoimentos, devendo constar da ata de audiência a conclusão a que se chegou quanto 
à matéria de fato. 
Ademais, não há vedação legal expressa para o procedimento sumário nas causas em que 
figurem pessoas jurídicas de direito público. 
Por fim, conforme apontado, somente caberá recurso da sentença proferida no 
procedimento sumário por violação direta e literal da CF/88. Trata-se de um recurso extraordinário 
com matéria limitada, eis que não há mais discussão do fato em si, razão pela qual se aplica o 
princípio da instância única ao rito de alçada. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(CAU - MS - Advogado - IADES - 2021): João foi contratado por uma 
empresa (prestadora) para laborar como zelador, atuando para uma 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 95 
 
sociedade de economia mista federal (tomadora). Ao final do contrato de 
trabalho, João ajuizou reclamação trabalhista em face da empresa que o 
contratou (prestadora) e em face da sociedade de economia mista federal 
(tomadora), requerendo o pagamento de horas extras e vale-transporte. O 
valor total dos pedidos efetuados foi de 15 mil reais. Considerando o valor 
dos pedidos efetuados por João, a reclamação deverá se submeter ao rito 
sumário e, da decisão que vier a ser proferida, não caberá recurso. Errado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 96 
 
TEORIA GERAL DOS RECURSOS 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, a palavra recurso pode ser entendida em 
sentido amplo e em sentido restrito. Em sentido amplo, é um remédio, isto é, um meio de proteger 
um direito: ações, recursos processuais ou administrativos, exceções, contestações, reconvenção, 
medidas cautelares. Em sentido restrito, é a provocação de um novo julgamento, na mesma relação 
processual, da decisão por ela ou por outra autoridade judiciária superior. 
Para Luiz Guilherme Marinoni, recurso é um meio voluntário de impugnação de decisões 
judiciais, interno ao processo, que visa à reforma, à anulação ou ao aprimoramento da decisão 
atacada. 
Independentemente do conceito adotado para os recursos, diante de uma decisão judicial, 
o ser humano, na sua insatisfação, pode ter o direito de impugnar uma decisão. Essa impugnação, 
portanto, pode ser realizada através de 2 formas: 
1) Meios não recursais: referem-se às ações autônomas de impugnação. 
As ações autônomas são um meio de impugnação da decisão judicial através da criação de 
uma nova relação jurídica processual (outro processo), cujo objeto é a decisão impugnada. Ex.: 
mandado de segurança, ação rescisória, embargos de terceiro. 
2) Meios recursais: são os próprios recursos. Trata-se da impugnação típica, ou seja, que 
está sempre prevista em lei, voluntária, com o objetivo de reformar (modificar o 
conteúdo), anular ou integrar a decisão impugnada. 
Nesse caso, o recurso acontece no mesmo processo, não gera uma nova relação jurídica 
processual. Sendo assim, Carlos Henrique Bezerra defende que o recurso é a continuação do 
procedimento, atuando como prolongamento do exercício do direito de ação dentro do mesmo 
processo. 
Obs.: a diferença, portanto, entre as ações autônomas e os recursos 
é que as ações autônomas geram um novo processo. 
2. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS 
 QUANTO À FORMA DE RECORRER 
1) Independente ou principal: aquele que é proposto de forma principal no prazo recursal. 
2) Subordinado ou adesivo: apresentado de forma adesiva, no prazo de contrarrazões. 
O principal exemplo de recurso subordinado é o recurso adesivo, que ocorre na hipótese, 
por exemplo, em que o reclamado perdeu o prazo principal, mas o reclamante apresentou recurso 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUALDO TRABALHO 2025.1 97 
 
ordinário no prazo de 8 dias. Conforme o recurso principal foi dado entrada, existe o prazo de 8 dias 
para que o reclamado (querendo e precisando), apresente contrarrazões de recurso adesivo. 
O recurso adesivo, por sua vez, deve observar alguns requisitos: 
1) Deve haver sucumbência recíproca; 
2) Deve haver o recurso principal de alguma parte no processo; 
3) É preciso da aceitação tácita da decisão pela parte que apresenta o recurso adesivo, 
sob pena de se configurar preclusão consumativa; 
Significa dizer que se a parte já apresentou o recurso principal, ela não pode apresentar 
recurso adesivo, em razão da preclusão consumativa. Assim, se ela não interpôs o 
recurso principal, subentende-se que, tacitamente, ela aceitou o conteúdo da decisão. 
4) O recurso adesivo deve observar os mesmos requisitos de admissibilidade e julgamento 
que seriam exigidos dele caso fosse principal. 
Obs.: o recurso adesivo é dependente/subordinado do principal. 
Portanto, se houver desistência do recurso principal, ou ele for 
declarado inadmissível, o recurso adesivo não será conhecido. 
Importante destacar, por fim, que a Súmula 283 do TST esclarece que só cabe recurso 
adesivo do recurso ordinário, recurso de revista, agravo de petição e embargos no TST, in 
verbis: 
RECURSO ADESIVO. PERTINÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO. 
CORRELAÇÃO DE MATÉRIAS (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 
21.11.2003. O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho e 
cabe, no prazo de 8 (oito) dias, nas hipóteses de interposição de recurso 
ordinário, de agravo de petição, de revista e de embargos, sendo 
desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do 
recurso interposto pela parte contrária. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): A Reclamada Confecções Beija 
Flor Ltda. foi sucumbente em parte dos pedidos requeridos por seu ex-
gerente Augusto em sua reclamação trabalhista. No prazo legal, Augusto 
interpôs recurso ordinário pleiteando a reforma da sentença que indeferiu seu 
pedido de danos morais. A Reclamada deixou de interpor recurso ordinário 
no prazo legal, mas, no prazo em que deveria apresentar suas contrarrazões 
ao recurso ordinário interposto por Augusto, apresentou recurso adesivo 
pretendendo a reforma da decisão de 1o grau no tocante às diferenças de 
comissões sobre as vendas, parte em que Augusto ganhou a ação. Diante do 
exposto, e tendo em vista a legislação vigente e o entendimento sumulado do 
TST, o recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho, mas deve 
o recorrente observar os requisitos para sua interposição, como o 
recolhimento das custas processuais e o valor do depósito recursal, como 
qualquer outro recurso principal. Correto. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 98 
 
(PGE- PA - Procurador - CESPE - 2022): Mesmo sem previsão na 
Consolidação das Leis do Trabalho, a interposição de recurso de revista 
adesivo é compatível com o processo do trabalho, segundo jurisprudência do 
Tribunal Superior do Trabalho, sendo desnecessário que a matéria nele 
vinculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária. 
Correto. 
 QUANTO À AUTORIDADE À QUAL SE DIRIGEM 
1) Próprios: julgados por órgão de jurisdição superior, como o recurso ordinário, a 
apelação cível, o recurso de revista, os agravos, o recurso extraordinário etc. 
2) Impróprios: dirigidos e julgados ao mesmo órgão prolator da decisão impugnada, como 
os embargos de declaração, os embargos infringentes. 
 QUANTO À MATÉRIA 
1) Ordinários: referem-se aos recursos que têm por escopo a tutela do direito subjetivo 
das partes, pois visam obter a revisão da matéria fática e/ou jurídica contida na decisão 
recorrida. 
Os recursos ordinários, portanto, atendem ao direito (ou garantia) constitucional ao duplo 
grau de jurisdição, uma vez que “devolvem” ao Tribunal ad quem o exame completo da 
matéria impugnada, como o recurso ordinário trabalhista. 
2) Extraordinários: são os recursos que têm por escopo a tutela do direito objetivo e, por 
isso, não se destinam a corrigir a injustiça da decisão recorrida, nem permitem 
rediscussão de matéria fática ou reexame de provas, como ocorre com o recurso de 
revista, o recurso de embargos (no TST), o recurso extraordinário. 
3. ATOS SUJEITOS A RECURSO 
 PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES 
O princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias é também chamado de 
princípio da concentração. De forma diversa do que ocorre com o Processo Civil, cujas decisões 
interlocutórias proferidas no curso do processo podem ser impugnadas por agravo de instrumento, 
o Direito Processual do Trabalho não admite recurso específico contra tais espécies de atos 
judiciais, salvo situações específicas que serão adiante analisadas. 
É sabido que na Vara do Trabalho, há sentença e decisão interlocutória. Por outro lado, no 
TRT e TST existem acórdãos e decisões monocráticas. Todos eles proferem despacho, que não 
tem conteúdo decisório, é ato de mero expediente e tem por função apenas o impulso do processo. 
Em razão disso, os despachos são IRRECORRÍVEIS. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 99 
 
Todas as demais espécies de decisão são recorríveis, observado o seguinte: vige no 
Processo do Trabalho o princípio da irrecorribilidade IMEDIATA das decisões interlocutórias. 
Significa, portanto, que as decisões são recorríveis, apenas não são recorríveis de imediato. 
Nesse sentido, dispõe o § 1º do art. 893 da CLT que: 
Art. 893, § 1º - Os incidentes do processo são resolvidos pelo próprio Juízo 
ou Tribunal, admitindo-se a apreciação do merecimento das decisões 
interlocutórias somente em recursos da decisão definitiva. 
 
Importante vislumbrar, ainda, o previsto no art. 795 da CLT: 
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação 
das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de 
falar em audiência ou nos autos. 
 
Ante o exposto, pode-se inferir que na primeira oportunidade a parte DEVE arguir nulidade 
processual, ao falar em audiência ou manifestar nos autos. Não arguindo nulidade, ocorrerá 
preclusão, isto é, não será possível recorrer da decisão interlocutória posteriormente. Frisa-se, 
ainda, que é necessário renovar a nulidade em razões finais. 
Em linha de princípio, portanto, somente na interposição de recurso contra a decisão final 
(efeito diferido do recurso ordinário), poderá o recorrente suscitar, como matéria preliminar de suas 
razões recursais, todas as decisões interlocutórias proferidas no curso do processo, desde que 
tenha manifestado o seu inconformismo (o conhecido “protesto nos autos”) nos termos do art. 795, 
in fine, da CLT, sob pena de preclusão. 
Todavia, havendo urgência no pedido que foi negado, caberá mandado de segurança, na 
hipótese de violação a direito líquido e certo: 
SÚMULA Nº 414 - MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DE 
TUTELA (OU LIMINAR) CONCEDIDA ANTES OU NA SENTENÇA. 
I - A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela 
via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso 
ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário 
mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao 
vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo 
do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015. 
II - No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes 
da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência de 
recurso próprio. 
III - A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o objeto 
do mandado de segurança que impugnava a concessão ou o indeferimento 
da tutela provisória. 
 
Existem outras exceções que permitem à parte recorrer de imediato, são elas: 
1) Súmula 214do TST: 
SÚMULA Nº 214 - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 100 
 
Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões 
interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de 
decisão: 
a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação 
Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; 
b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; 
c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos 
autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo 
excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. 
 
Com relação à alínea “b” da Súmula, insta salientar que o recurso é, geralmente, o agravo 
interno. 
Além disso, no que tange à alínea “c”, importante ressaltar que sendo uma arguição de 
suspeição, por exemplo, não será recorrível de imediato, estando tal hipótese limitada à decisão 
que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para TRT distinto 
daquele a que se vincula. 
Ex.: o Juízo de São Paulo (TRT-2, SP) acolheu a exceção de incompetência e remeteu para 
Salvador (TRT-5, BA). Nesse caso, cabe recurso imediato para o TRT da Vara do Trabalho que 
proferiu a decisão, que seria o recurso ordinário no prazo de 8 dias. 
A IN 39/16 estabelece, ainda, a regra do art. 893, § 1º da CLT: 
Art. 1º, § 1º Observar-se-á, em todo caso, o princípio da irrecorribilidade 
em separado das decisões interlocutórias, de conformidade com o art. 
893, § 1º da CLT e Súmula nº 214 do TST. 
2) Art. 855-A da CLT: 
Art. 855-A. Aplica-se ao processo do trabalho o incidente de 
desconsideração da personalidade jurídica previsto nos arts. 133 a 137 
da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. 
§ 1º Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente: 
I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na forma do § 1º 
do art. 893 desta Consolidação; 
II - na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de 
garantia do juízo; 
III - cabe agravo interno se proferida pelo relator em incidente instaurado 
originariamente no tribunal. 
 
Ante a disposição legal acima exposta, pode-se verificar que em se tratando do Incidente de 
Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ), na: 
a) Fase de conhecimento/cognição: NÃO cabe recurso de imediato. 
b) Fase de execução: cabe agravo de petição, independentemente de garantia do Juízo. 
c) IDPJ instaurado originariamente no tribunal: cabe agravo interno. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 101 
 
(PGE-ES - Residência Jurídica - Instituto Consulplan - 2022): A empresa 
Orange Distribuidora Agrícola Ltda. foi demanda na Justiça do Trabalho, 
sendo requerida a concessão de tutela provisória de urgência em incidente 
de desconsideração da personalidade jurídica. Assim, da decisão 
interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente na fase de cognição, não 
cabe recurso de imediato. Correto. 
3) §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei 5.584/70: 
Art 2º Nos dissídios individuais, proposta a conciliação, e não havendo 
acordo, o Presidente, da Junta ou o Juiz, antes de passar à instrução da 
causa, fixar-lhe-á o valor para a determinação da alçada, se este for 
indeterminado no pedido. 
§ 1º Em audiência, ao aduzir razões finais, poderá qualquer das partes, 
impugnar o valor fixado e, se o Juiz o mantiver, pedir revisão da decisão, 
no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Presidente do Tribunal Regional. 
§ 2º O pedido de revisão, que não terá efeito suspensivo deverá ser 
instruído com a petição inicial e a Ata da Audiência, em cópia autenticada 
pela Secretaria da Junta, e será julgado em 48 (quarenta e oito) horas, a partir 
do seu recebimento pelo Presidente do Tribunal Regional. 
 
Quando o Juiz mantiver o valor da causa fixado para fins de alçada, poderá a parte formular 
pedido de revisão que será julgado pelo Presidente do Tribunal ao qual está vinculado o Juiz prolator 
da decisão. 
4) Art. 897, b, da CLT 
Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: 
b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de 
recursos. 
 
Refere-se à possibilidade de interposição imediata de agravo de instrumento contra decisão 
(denominada impropriamente de “despacho”) que denega seguimento a recurso. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-13 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Não há recurso de 
nenhuma decisão interlocutória no processo do trabalho, em atenção ao 
princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. Errado. 
 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 
O juízo de admissibilidade consiste na avaliação acerca do preenchimento dos pressupostos 
de admissibilidade dos recursos. Sendo assim, ele implica no conhecimento ou não do recurso, 
precedendo a análise do mérito. 
Via de regra, no Processo do Trabalho, o juízo de admissibilidade é realizado em 2 
momentos: 
1) Pelo Juízo a quo (prolator da decisão recorrida); 
2) Posteriormente, pelo Juízo ad quem (destinatário do recurso). 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 102 
 
Esses juízos são independentes, portanto, se o Juízo a quo conhecer o recurso, não 
significa, necessariamente, que o Juízo ad quem adotará o mesmo posicionamento. 
Ressalta-se, entretanto, que nos embargos de declaração, o Juízo a quo é também o Juízo 
ad quem, não havendo duplo juízo de admissibilidade. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(EBSERH - Advogado - VUNESP - 2020): Determinada empresa pública 
municipal, intimada da sentença trabalhista no dia 06.11.2019 (4ª feira), 
interpôs recurso ordinário em 27.11.2019 (4ª feira). Considerando que o 
mencionado recurso foi processado pelo juízo a quo, é correto afirmar que o 
deverá ser conhecido pelo juízo ad quem, pois está vinculado ao juízo de 
admissibilidade da instância inferior. Errado. 
Outra exceção que também precisa ser mencionada é acerca do conhecimento parcial do 
recurso de revista, prevista no art. 1º da IN 40/16 do TST: 
Art. 1° Admitido apenas parcialmente o recurso de revista, constitui ônus da 
parte impugnar, mediante agravo de instrumento, o capítulo denegatório 
da decisão, sob pena de preclusão. 
 
Por fim, insta evidenciar que a Súmula 435 do TST determina a aplicação subsidiária do art. 
932 do CPC – que trata das competências do relator – ao Processo do Trabalho, in verbis: 
DECISÃO MONOCRÁTICA. RELATOR. ART. 932 DO CPC DE 2015. ART. 
557 DO CPC DE 1973. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA AO PROCESSO DO 
TRABALHO (atualizada em decorrência do CPC de 2015; Res. n. 208/2016, 
DEJT divulgado em 22, 25 e 26-4-2016). Aplica-se subsidiariamente ao 
processo do trabalho o art. 932 do CPC de 2015 (art. 557 do CPC de 1973). 
 
Art. 932. Incumbe ao relator: 
I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção 
de prova, bem como, quando for o caso, homologar autocomposição das 
partes; 
II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de 
competência originária do tribunal; 
III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha 
impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; 
IV - negar provimento a recurso que for contrário a: 
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça 
ou do próprio tribunal; 
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior 
Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas 
repetitivas ou de assunção de competência; 
V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao 
recurso se a decisão recorrida for contrária a: 
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça 
ou do próprio tribunal; 
b) acórdão proferido pelo Supremo TribunalFederal ou pelo Superior 
Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 103 
 
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas 
repetitivas ou de assunção de competência; 
VI - decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, 
quando este for instaurado originariamente perante o tribunal; 
VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso; 
VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do 
tribunal. 
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator 
concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado 
vício ou complementada a documentação exigível. 
 PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 
3.3.1. Cabimento 
Conforme preleciona Carlos Henrique Bezerra, o primeiro pressuposto objetivo digno de 
consideração é o do cabimento do recurso. Significa dizer que é necessário verificar se o ato judicial 
atacado é recorrível. 
Isto posto, infere-se que existem 3 subprincípios que tratam dos pressupostos de 
admissibilidade dos recursos: 
1) Taxatividade: só existem os recursos taxativamente previstos em lei. 
2) Singularidade: para cada decisão, em cada situação, caberá um recurso. 
3) Fungibilidade: não havendo erro grosseiro, e respeitado o prazo recursal, é possível 
aceitar um recurso por outro. 
Obs.: em se tratando da fungibilidade, aplica-se a teoria do menor 
prazo, isto é, deve-se seguir o prazo recursal que for mais curto. 
A título de exemplificação da aplicabilidade dos subprincípios, segue entendimento 
consolidado na Súmula 421 do TST: 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA 
DO RELATOR CALCADA NO ART. 932 DO CPC DE 2015. ART. 557 DO 
CPC DE 1973. (atualizada em decorrência do CPC de 2015) – Res. 
208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e 26.04.2016. 
I – Cabem embargos de declaração da decisão monocrática do relator 
prevista no art. 932 do CPC de 2015 (art. 557 do CPC de 1973), se a parte 
pretende tão somente juízo integrativo retificador da decisão e, não, 
modificação do julgado. 
II – Se a parte postular a revisão no mérito da decisão monocrática, cumpre 
ao relator converter os embargos de declaração em agravo, em face dos 
princípios da fungibilidade e celeridade processual, submetendo-o ao 
pronunciamento do Colegiado, após a intimação do recorrente para, no 
prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a 
ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1º, do CPC de 2015. Res. 
137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 104 
 
Ante o exposto, verifica-se que na hipótese de ter no processo uma decisão monocrática de 
relator que nega seguimento, nega provimento ou dá provimento a um recurso, havendo 
irresignação da parte em face da decisão monocrática, é possível opor embargos de declaração ou 
agravo interno. 
Se a parte optou pelos embargos de declaração e o relator verificar que há possibilidade de 
efeito modificativo, ele vai, de ofício, aplicar a fungibilidade e receber os embargos declaratórios 
como um agravo. 
3.3.2. Legitimidade 
Trata-se de um pressuposto de admissibilidade subjetivo ou intrínseco. 
A legitimidade recursal é a habilitação outorgada por lei àquele que tenha participado, como 
parte, do processo em primeiro grau de jurisdição, ainda que revel. 
Além das partes originárias da relação processual, têm legitimação para interpor recurso, na 
qualidade de terceiro prejudicado ou juridicamente interessado: 
1) O sucessor ou herdeiro; 
2) A empresa condenada solidária ou subsidiariamente; 
3) O subempreiteiro, o empreiteiro principal ou o dono da obra; 
4) Os sócios de fato nas sociedades não juridicamente constituídas, além das pessoas 
físicas e jurídicas por força de normas de direito civil, que se vinculem à parte que figurou 
na demanda; 
5) Os litisconsortes e assistentes; 
6) O substituto processual. 
Sobre o terceiro interessado, insta evidenciar o art. 793-D: 
Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à 
testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir 
fatos essenciais ao julgamento da causa. 
 
Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos 
mesmos autos. 
 
Portanto, a testemunha que discorde da aplicação da multa por litigância de má-fé prevista 
no art. 793-D recorre da aplicação da multa como terceiro interessado no mesmo processo. 
Outrossim, imperioso salientar que o Ministério Público do Trabalho (MPT) possui 
legitimidade para recorrer em um processo trabalhista em 2 situações: 
1) Quando o MPT atuar como parte; 
2) Em virtude da atuação como fiscal da ordem jurídica, o MPT somente pode recorrer na 
defesa de interesse público. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 105 
 
Sobre o tema, importante vislumbrar o disposto na OJ 237 da SDI-1: 
MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. LEGITIMIDADE PARA 
RECORRER. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. EMPRESA PÚBLICA 
(incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 338 da SBDI-I) - Res. 210/2016, 
DEJT divulgado em 30.06.2016 e 01 e 04.07.2016. 
I - O Ministério Público do Trabalho não tem legitimidade para recorrer 
na defesa de interesse patrimonial privado, ainda que de empresas 
públicas e sociedades de economia mista. 
II - Há legitimidade do Ministério Público do Trabalho para recorrer de 
decisão que declara a existência de vínculo empregatício com 
sociedade de economia mista ou empresa pública, após a Constituição 
Federal de 1988, sem a prévia aprovação em concurso público, pois é 
matéria de ordem pública. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): Estados e municípios possuem 
legitimidade para recorrerem em nome de suas autarquias e fundações 
públicas. Errado. 
3.3.3. Preparo trabalhista 
Diferentemente do Processo Civil, que exige apenas o pagamento das custas para fins 
recursais, no Processo do Trabalho há, em alguns casos, exigência não só do recolhimento das 
custas, como também do depósito recursal (ou depósito prévio pecuniário). 
4. CUSTAS PROCESSUAIS E DEPÓSITO RECURSAL 
 CUSTAS 
As custas são taxas devidas ao Estado como contraprestação do serviço público de natureza 
jurisdicional. Desse modo, se a prestação jurisdicional é um serviço público lato sensu, então pode 
o Estado instituir taxa para pagamento do serviço utilizado pelo jurisdicionado (usuário). 
Como a Justiça do Trabalho integra o Poder Judiciário Federal, as custas no processo 
trabalhista devem ser fixadas por lei federal. Nessa linha, o art. 790 da CLT dispõe que: 
Art. 790. Nas Varas do Trabalho, nos Juízos de Direito, nos Tribunais e no 
Tribunal Superior do Trabalho, a forma de pagamento das custas e 
emolumentos obedecerá às instruções que serão expedidas pelo Tribunal 
Superior do Trabalho. 
 
Para fins de interposição de recursos no processo de conhecimento, o art. 789 da CLT 
determina que: 
Art. 789. Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos do trabalho, nas 
ações e procedimentos de competência da Justiça do Trabalho, bem como 
nas demandas propostas perante a Justiça Estadual, no exercício da 
jurisdição trabalhista, as custas relativas ao processo de conhecimento 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 106 
 
incidirão à base de 2% (dois por cento), observado o mínimo de R$ 10,64 
(dez reais e sessenta e quatro centavos) e o máximo de quatro vezes o 
limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, e 
serão calculadas: 
 
Isto posto, o cálculo das custas deverá observar as seguintes regras: 
Art. 789, I – quando houver acordo ou condenação, sobre o respectivo 
valor; 
II – quando houver extinção do processo, sem julgamento do mérito, ou 
julgado totalmente improcedente o pedido, sobre o valor da causa; 
III – no caso de procedênciado pedido formulado em ação declaratória e 
em ação constitutiva, sobre o valor da causa; 
IV – quando o valor for indeterminado, sobre o que o juiz fixar. 
 
As custas serão pagas pelo vencido, após o trânsito em julgado da decisão. No caso de 
recurso, as custas serão pagas e comprovado o recolhimento dentro do prazo recursal. 
Se a sentença for omissa sobre custas, deverá a parte interpor embargos de declaração, 
ficando, pois, interrompido o prazo respectivo para o recurso e, consequentemente, para o 
pagamento das custas. Nesse caso, o prazo para o pagamento das custas recomeçará a correr a 
partir da intimação da sentença (dos embargos declaratórios) que fixar o valor das custas, 
consoante determina a Súmula 53 do TST. 
As custas também são espécies de despesas processuais. Logo, de acordo com Carlos 
Henrique Bezerra, pode-se concluir que se autor e réu, não sendo empregado e empregador (ou, 
por extensão, trabalhador avulso e tomador do seu serviço), tiverem seus pedidos acolhidos 
parcialmente, ambos deverão recolher as custas, de modo proporcional, como pressuposto de 
admissibilidade do recurso correspondente. É o que se extrai do § 3º do art. 3º da IN 27/05 do TST, 
in verbis: 
Art. 3º Aplicam-se quanto às custas as disposições da Consolidação das Leis 
do Trabalho. 
§ 1º As custas serão pagas pelo vencido, após o trânsito em julgado da 
decisão. 
§ 2º Na hipótese de interposição de recurso, as custas deverão ser pagas 
e comprovado seu recolhimento no prazo recursal (artigos 789, 789-A, 
790 e 790-A da CLT). 
§ 3º Salvo nas lides decorrentes da relação de emprego, é aplicável o 
princípio da sucumbência recíproca, relativamente às custas. 
 
Ademais, na hipótese de acordo, as custas incidirão sobre o valor do acordo. Salienta-se, 
no entanto, que se de outra forma não dispuserem as partes, as custas serão rateadas, em 
consonância com o § 3º do art. 789 da CLT: 
Art. 789, § 3º Sempre que houver acordo, se de outra forma não for 
convencionado, o pagamento das custas caberá em partes iguais aos 
litigantes. 
 
Sendo assim, infere-se que o acordo pode estabelecer diferentes formas de pagamento das 
custas. No silêncio, por outro lado, elas serão rateadas. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 107 
 
Importante frisar, por fim, que o reclamante só vai pagar custas na improcedência, 
independentemente de ser empregado ou empregador. Já o reclamado deverá pagar as custas na 
procedência, seja ela total ou parcial, a teor do disposto na Súmula 25 do TST: 
I - A parte vencedora na primeira instância, se vencida na segunda, está 
obrigada, independentemente de intimação, a pagar as custas fixadas 
na sentença originária, das quais ficara isenta a parte então vencida; 
II - No caso de inversão do ônus da sucumbência em segundo grau, sem 
acréscimo ou atualização do valor das custas e se estas já foram 
devidamente recolhidas, descabe um novo pagamento pela parte vencida, 
ao recorrer. Deverá ao final, se sucumbente, reembolsar a quantia; 
III - Não caracteriza deserção a hipótese em que, acrescido o valor da 
condenação, não houve fixação ou cálculo do valor devido a título de 
custas e tampouco intimação da parte para o preparo do recurso, 
devendo ser as custas pagas ao final; 
IV - O reembolso das custas à parte vencedora faz-se necessário mesmo 
na hipótese em que a parte vencida for pessoa isenta do seu pagamento, 
nos termos do art. 790-A, parágrafo único, da CLT. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): As custas relativas ao 
processo de conhecimento incidirão à base de 2% (dois por cento), 
observado o mínimo de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e 
o máximo de duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de 
Previdência Social. Errado. 
 DEPÓSITO RECURSAL 
O depósito recursal, diferentemente das custas, não tem natureza jurídica de “taxa” (tributo), 
e sim de garantia do Juízo recursal para futura execução em ação trabalhista individual que veicule 
verba de natureza alimentar, o que pressupõe a existência de decisão (sentença ou acórdão) 
condenatória de obrigação de pagamento em pecúnia, com valor líquido ou arbitrado pelo órgão 
judicial. 
Por outro lado, tratando-se de sentença condenatória de obrigação de fazer, não fazer ou 
entregar coisa, ou, ainda, sentença meramente declaratória ou constitutiva, bem como sentença 
mandamental ou executiva lato sensu, não há falar em depósito recursal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Mairinque - Procurador - Instituto Mais - 2021): Ainda que 
não haja condenação a pagamento em pecúnia, é imprescindível o depósito 
recursal para admissibilidade do recurso. Errado. 
Obs.: o depósito é um requisito do recurso trabalhista, razão pela qual 
a IN 27/05 preleciona que é também devido nas ações que não versem 
sobre relação de emprego. 
O valor depositado é o valor suficiente para garantir a futura execução, podendo ser o valor 
arbitrado à condenação (sentenças ilíquidas) ou o valor da condenação quando a sentença é 
líquida, observados os tetos anualmente expedidos pelo TST. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 108 
 
A Súmula 128 do TST traz 3 pontos importantes sobre o depósito recursal: 
I - É ônus da parte recorrente efetuar o depósito legal, integralmente, em 
relação a cada novo recurso interposto, sob pena de deserção. Atingido 
o valor da condenação, nenhum depósito mais é exigido para qualquer 
recurso. 
II - Garantido o juízo, na fase executória, a exigência de depósito para 
recorrer de qualquer decisão viola os incs. II e LV do art. 5º da CF/88. 
Havendo, porém, elevação do valor do débito, exige-se a complementação 
da garantia do juízo. 
III - Havendo condenação solidária de duas ou mais empresas, o depósito 
recursal efetuado por uma delas aproveita as demais, quando a empresa 
que efetuou o depósito não pleiteia sua exclusão da lide. 
 
No que tange ao item III da Súmula, verifica-se que em caso de litisconsórcio, se a tese de 
defesa é única, o depósito é aproveitado a todos os litisconsortes. Por outro lado, se a tese de 
defesa é de exclusão do processo, cada réu deverá apresentar seu depósito recursal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TST - Juiz - FGV - 2023): Duas empresas foram condenadas solidariamente 
a satisfazer as obrigações da primeira para com determinada trabalhadora. 
Ambas apresentam recursos ordinários, em separado. A primeira discute a 
extensão da condenação e a natureza dos títulos devidos. A segunda, por 
sua vez, alega ser parte manifestamente ilegítima, já que seria uma empresa 
estrangeira, sem sede no país, sujeita às leis de seu país de origem e, por 
isso, com total autonomia em relação à primeira litisconsorte passiva. 
Apresentam uma guia de custas paga pela primeira empresa e uma guia de 
depósito recursal no valor vigente, recolhida está em nome da segunda 
empresa. Ao exercer o juízo de admissibilidade prévio, o juiz deve negar 
seguimento ao recurso da primeira empresa a dar prosseguimento ao da 
segunda. Correto. 
Além disso, a Súmula 245 do TST consolidou entendimento acerca do prazo de realização 
do depósito recursal com base nos seguintes termos: 
SÚMULA Nº 245 - DEPÓSITO RECURSAL. PRAZO. O depósito recursal 
deve ser feito e comprovado no prazo alusivo ao recurso. A interposição 
antecipada deste não prejudica a dilação legal. 
 
As disposições legais acerca do depósito recursal estão elencadas no art. 899 da CLT, 
podendo-se evidenciar a necessidade de pagamento ou não do depósito conforme a tabela abaixo: 
REQUER DEPÓSITO NÃO REQUER DEPÓSITO 
Recurso ordinário Embargos de declaração 
Recurso de revista Embargos infringentes 
Agravo de instrumento Agravo interno 
Embargos de divergência Recurso extraordinário 
 
É mister salientar que quando o agravo de instrumento tem a finalidadede destrancar 
recurso de revista que se insurge contra decisão que contraria a jurisprudência uniforme do TST, 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 109 
 
consubstanciada nas suas Súmulas ou em Orientação Jurisprudencial (OJ), não haverá 
obrigatoriedade de se efetuar o depósito recursal, conforme disposto no § 8º do art. 899 da CLT. 
Quanto ao recurso extraordinário, evidencia-se que o STF decidiu que não é necessário o 
depósito recursal para admissibilidade de RE em matéria trabalhista somente em 2020, entendendo 
que a exigência é incompatível com a Constituição Federal: 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO – DEPÓSITO – 
INCONSTITUCIONALIDADE. Surge incompatível com a Constituição 
Federal exigência de depósito prévio como condição de admissibilidade 
do recurso extraordinário, no que não recepcionada a previsão constante 
do § 1º do artigo 899 da Consolidação das Leis do Trabalho, sendo 
inconstitucional a contida na cabeça do artigo 40 da Lei nº 8.177 e, por 
arrastamento, no inciso II da Instrução Normativa nº 3/1993 do Tribunal 
Superior do Trabalho. (STF - RE: 607447 PR, Relator: MARCO AURÉLIO, 
Data de Julgamento: 22/05/2020, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 
03/06/2020). 
 
Frisa-se, ainda, que consoante o § 11 do art. 899 da CLT, o depósito recursal poderá ser 
substituído por fiança bancária ou seguro garantia judicial. 
Por fim, importante destacar que nos termos da OJ 140 da SDI-1, a insuficiência de preparo, 
ou seja, o preparo a menor, demandará complementação em 5 dias: 
140. DEPÓSITO RECURSAL E CUSTAS PROCESSUAIS. 
RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. DESERÇÃO. (nova redação em 
decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 
25.04.2017. Em caso de recolhimento insuficiente das custas processuais ou 
do depósito recursal, somente haverá deserção do recurso se, concedido 
o prazo de 5 (cinco) dias previsto no § 2º do art. 1.007 do CPC de 2015, 
o recorrente não complementar e comprovar o valor devido. 
 ISENÇÃO 
Para facilitar a memorização daqueles que estão isentos de custas e/ou do depósito recursal, 
colaciona-se a tabela abaixo: 
ISENTOS DE CUSTAS ISENTOS DE DEPÓSITO 
RECURSAL 
DEPÓSITO RECURSAL 
PELA METADE (50%) 
Beneficiários da justiça gratuita Beneficiários da justiça gratuita Entidades sem fins lucrativos 
União, Estados, Distrito Federal, 
Municípios, autarquias e 
fundações públicas que NÃO 
explorem atividade econômica 
União, Estados, Distrito Federal, 
Municípios, autarquias e 
fundações públicas que NÃO 
explorem atividade econômica 
Empregador doméstico 
Ministério Público do Trabalho 
(MPT) 
Ministério Público do Trabalho 
(MPT) 
Microempreendedores 
individuais (MEI) 
Massa falida Massa falida Empresas de Pequeno Porte 
(EPP) 
- Entidades filantrópicas Microempresas (ME) 
- Empresas em recuperação 
judicial 
- 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 110 
 
 
Ainda sobre a isenção, é preciso evidenciar que nos termos do art. 790-A da CLT, as 
entidades fiscalizadoras do exercício da profissão NÃO estão isentas do pagamento de custas: 
Art. 790-A, Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo não alcança as 
entidades fiscalizadoras do exercício profissional, nem exime as pessoas 
jurídicas referidas no inciso I da obrigação de reembolsar as despesas 
judiciais realizadas pela parte vencedora. 
 
Além disso, conforme a Súmula 170 do TST, a sociedade de economia mista também NÃO 
está isenta do pagamento de custas: 
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CUSTAS. Os privilégios e isenções no 
foro da Justiça do Trabalho não abrangem as sociedades de economia 
mista, ainda que gozassem desses benefícios anteriormente ao Decreto-Lei 
n. 779, de 21-8-1969. Ex-prejulgado n. 50 (TST, Súmula 170). 
 
Ressalta-se, ainda, que a isenção do depósito recursal está limitada às empresas em 
recuperação JUDICIAL. Significa, portanto, que as empresas em recuperação EXTRAJUDICIAL 
devem realizar o pagamento do depósito recursal. 
Por fim, a isenção para empresas em recuperação judicial se refere apenas ao depósito 
recursal, e não ao depósito garantidor em fase de execução, segundo posicionamento do STJ: 
As sociedades e empresários em recuperação judicial não são isentos do 
depósito garantidor do juízo na Justiça do Trabalho na fase executória. (AgInt 
no CC 205.969-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Segunda Seção, por 
unanimidade, julgado em 13/11/2024). 
 
Para o STJ, a exigência de garantia do Juízo feita pela Justiça do Trabalho como requisito 
de admissibilidade recursal deriva da competência genérica, derivada diretamente do texto 
constitucional, atribuída a todos os Tribunais pátrios, para administrar e gerir seus trabalhos. Logo, 
se atinge uma sociedade em recuperação judicial o faz no exercício de suas atribuições 
jurisdicionais, sem usurpar a competência do Juízo recuperacional. 
A solução para a crise passaria pela instituição de expressa isenção legal para as 
sociedades e empresários em recuperação judicial. No entanto, na legislação nacional não há 
previsão de isenção do recolhimento de garantia do juízo no caso de execução movida em face de 
recuperandos. 
O TST tem o entendimento uníssono de que "a isenção do depósito recursal à empresa em 
recuperação judicial, prevista no artigo 899, § 10, da CLT, é aplicável somente ao processo de 
conhecimento", pois, "em execução, há previsão legal específica – art. 884, § 6º, da CLT –, que 
somente excepciona a exigência da garantia do juízo ou penhora às entidades filantrópicas e/ou 
àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições". 
Dessa forma, conclui-se que as sociedades e empresários em recuperação judicial não são 
isentos do depósito garantidor do juízo na Justiça do Trabalho na fase executória, por ausência de 
previsão legal nesse sentido. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 111 
 
(TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): A empresa Massas Alvorada 
Ltda. está em processo de recuperação judicial. O Condomínio Edifício Lagoa 
Azul é residencial e o valor do condomínio arrecadado mensalmente tem a 
finalidade de ratear despesas ordinárias e extraordinárias dos empregados e 
das áreas comuns do condomínio. Mário é um microempreendedor individual, 
produzindo camisetas. Todos possuem reclamações trabalhistas e 
pretendem ingressar com recurso ordinário contra as sentenças em que 
foram sucumbentes. Quanto ao depósito recursal, será reduzido pela metade 
para o Condomínio Edifício Lagoa Azul e Mário, apenas. Correto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 112 
 
RECURSOS EM ESPÉCIES 
 
1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
Os embargos de declaração são cabíveis para impugnar qualquer decisão lato sensu, isto 
é, sentença, acórdão ou decisão interlocutória, estando eles previstos no art. 897-A da CLT, in 
verbis: 
Art. 897-A Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no 
prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência 
ou sessão subsequente a sua apresentação, registrado na certidão, admitido 
efeito modificativo da decisão nos casos de omissão e contradição no julgado 
e manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso. 
 
Trata-se de um recurso de fundamentação vinculada, isto é, em que a lei que traz 
expressamente as hipóteses de cabimento. Nesse sentido, podem os embargos de declaração ser 
opostos nos seguintes casos: 
1) Omissão: está vinculada à ausência ou negligência. Objetiva-se, portanto, suprir 
omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o Juiz de ofício ou a 
requerimento da parte. 
2) Contradição: a contradição, para fins de embargos de declaração, deve constar do 
corpo da própria sentença ou acórdão. Pode ocorrer contradição não apenas entre o 
relatório e a fundamentação ou entre esta e o decisum,mas também entre quaisquer 
partes da sentença ou do acórdão. 
3) Erro material: pode ser arguido a qualquer momento e por qualquer interessado, 
inclusive de ofício pelo Juiz. 
Importante verificar o disposto no § 1º do art. 897-A da CLT: 
Art. 897-A, § 1º Os erros materiais poderão ser corrigidos de ofício ou a 
requerimento de qualquer das partes. 
 
Sendo assim, as partes também podem requerer, mediante simples petição, a correção de 
erro material contido na sentença ou no acórdão. Para tanto, não haverá necessidade de 
interposição de embargos de declaração. 
4) Manifesto equívoco na apreciação dos pressupostos extrínsecos (objetivos) de 
admissibilidade dos recursos. 
5) Obscuridade: representa um vício de ininteligibilidade, compreendida como a falta de 
clareza que impeça ou dificulte a correta compreensão do julgado. 
Apesar de tal hipótese de cabimento não estar prevista na CLT, é possível a aplicação 
supletiva/complementar dos embargos declaratórios por obscuridade, conforme determina o art. 15 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 113 
 
do CPC. No entanto, ressalta-se que o cabimento de embargos de declaração por obscuridade da 
decisão embargada não autoriza o efeito modificativo, que será abordado logo a seguir. 
O prazo de interposição dos embargos de declaração é de 5 dias. Ademais, NÃO há 
incidência de custas ou depósito recursal. 
Quanto aos efeitos e processamento dos embargos de declaração, tem-se que: 
1) Interruptivo: propostos os embargos de declaração, ele interromperá o prazo para todos 
os demais recursos e para todas as partes, salvo em 3 hipóteses previstas no § 3º do 
art. 897-A da CLT: 
Art. 897-A, § 3º Os embargos de declaração interrompem o prazo para 
interposição de outros recursos, por qualquer das partes, salvo quando 
intempestivos, irregular a representação da parte ou ausente a sua 
assinatura. 
 
Assim, os embargos declaratórios NÃO poderão ser opostos se: 
a) Forem intempestivos; 
b) Houver irregularidade de representação do embargante; 
c) A petição dos for apócrifa, caso em que o recurso é considerado juridicamente 
inexistente. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Maiara, devidamente 
representada por advogado, move reclamação trabalhista contra a empresa 
Cosméticos & Afins Ltda., pleiteando o pagamento de diferenças de horas 
extras e plano de participação nos lucros e resultados. Proferida a sentença, 
a juíza do trabalho não apreciou o pedido da participação nos lucros, sendo 
que o advogado de Maiara interpôs embargos de declaração 
tempestivamente para sanar a omissão do julgado, por meio de assinatura 
digital, tendo em vista que o processo é eletrônico. Nesse caso, de acordo 
com a legislação federal vigente, interrompe-se o prazo para a interposição 
do recurso ordinário. Correto. 
2) Modificativo: quando a decisão embargada contiver omissão, contradição ou manifesto 
equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso, os embargos poderão 
ensejar a reforma da decisão embargada. 
Refere-se, destarte, à possibilidade de modificação do conteúdo da decisão, nos termos do 
§ 2º do art. 897-A da CLT: 
Art. 897-A, § 2º Eventual efeito modificativo dos embargos de declaração 
somente poderá ocorrer em virtude da correção de vício na decisão 
embargada e desde que ouvida a parte contrária, no prazo de 5 (cinco) dias. 
 
Caso a decisão não seja modificada, o Juiz deve, de imediato, proferir a decisão, em 
conformidade com o princípio da celeridade que rege o Processo do Trabalho. Por outro lado, sendo 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 114 
 
modificada a decisão, o Juiz deverá dar vistas à parte contrária para ela se manifestar, sob pena de 
nulidade. 
Debruçando-se sobre a questão do efeito modificativo dos embargos declaratórios, a SDI-1 
editou a OJ 142 do TST, segundo a qual: 
I - É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de declaração 
com efeito modificativo sem que seja concedida oportunidade de 
manifestação prévia à parte contrária. 
 
Assim como no Processo Civil, cabem embargos de declaração para fins de 
prequestionamento, nos termos da Súmula 297 do TST: 
PREQUESTIONAMENTO. OPORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I - Diz-se 
prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja 
sido adotada, explicitamente, tese a respeito. II - Incumbe à parte 
interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso 
principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento 
sobre o tema, sob pena de preclusão. III - Considera-se prequestionada a 
questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o 
Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração. 
 
Outrossim, o art. 1026 do CPC, aplicável ao Processo do Trabalho, traz a possibilidade de 
aplicação de multa por embargos declaração procrastinatórios: 
Art. 1026, § 2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de 
declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o 
embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por 
cento sobre o valor atualizado da causa. 
§ 3º Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, 
a multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da 
causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao 
depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do 
beneficiário de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final. 
§ 4º Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) 
anteriores houverem sido considerados protelatórios. 
 
Ante a leitura do § 4º do art. 1026 do CPC, pode-se inferir que se pelo menos um dos 
embargos de declaração anteriormente interpostos não forem considerados protelatórios, os novos 
embargos declaratórios não poderão, por tal motivo, deixar de ser conhecidos. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Dourados - Procurador - IBFC - 2022): A interposição dos 
Embargos de Declaração visa a sanar omissão, obscuridade ou contradição 
mediante o esclarecimento ou complementação do julgado, para corrigir 
manifesto equívoco no exame dos pressupostos de admissibilidade recursal 
e para prequestionar determinada matéria não apreciada na decisão. Correto. 
2. RECURSO ORDINÁRIO 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 115 
 
Insta salientar, a priori, que recurso ordinário de que cuida a CLT não se confunde com o 
recurso ordinário previsto nos arts. 102, II, e 105, II, da CF/88. Nesse sentido, a título de 
equiparação, Carlos Henrique Bezerra entende que recurso ordinário previsto na CLT corresponde 
ao recurso de apelação previsto no CPC, já que diversos aspectos são comuns a ambos. 
Para o referido doutrinador, pode-se dizer que a exemplo do que se dá com a apelação, o 
ordinário é o recurso clássico, por excelência, para impugnar as decisões finais desfavoráveis no 
âmbito da processualística laboral, já que, por meio dele, torna-se possível submeter ao Juízo ad 
quem o reexame das matérias de fato e de direito apreciadas pelo Juízo a quo. 
Quanto ao cabimento, o recurso ordinário não se presta apenas a atacar decisões do 
primeiro grau de jurisdição (sentenças), sendo também manejado para impugnar acórdãos 
proferidos pelos TRTs nos processos de sua competência originária, tanto nas ações individuais 
(mandado de segurança, ação rescisória etc.) como nos dissídios coletivos e nas ações anulatórias 
de cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho. 
Com efeito, dispõe o art. 895 da CLT que cabe recurso ordinário, no prazo de 8 dias, das: 
Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior: 
I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 
(oito) dias; 
II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em 
processos de sua competência originária, node explicitação ou fontes integrativas do direito processual: a 
analogia, os princípios gerais de direito e a equidade. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Câmara de Brusque - SC - Procurador - FURB - 2024): A sentença 
normativa, proferida por Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) ou do 
Tribunal Superior do Trabalho (TST) no julgamento dos dissídios coletivos, é 
uma fonte do Direito do Trabalho. Correto. 
 
(Prefeitura de São João do Paraíso - MS - Procurador - Instituto JK - 
2024): Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária 
do Direito processual do trabalho, exceto naquilo que for incompatível com as 
regras da CLT. Correto. 
 
(Prefeitura de Suzano - Assistente Jurídico - Instituto Consulplan - 2021): 
Na visão pós-positivista, a normatividade dos princípios e a centralidade da 
argumentação jurídica e dos direitos fundamentais são determinantes para 
que direito e moral sejam pensados não como esferas autônomas, mas 
complementares. Na seara processual trabalhista, são consideradas fontes 
formais os tratados internacionais, os regimentos internos dos tribunais e as 
condutas praticadas reiteradamente em juízos e tribunais. Correto. 
4. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
 PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL 
O princípio da proteção ou tutelar é peculiar tanto ao Direito do Trabalho quanto ao Direito 
Processual do Trabalho. Por meio dele, busca-se compensar a desigualdade existente na realidade 
socioeconômica (entre empregado, geralmente o reclamante, e empregador, via de regra, o 
reclamado) com uma desigualdade jurídica em sentido oposto. 
O princípio da proteção processual, portanto, deriva da própria razão de ser do Processo do 
Trabalho, o qual foi concebido para efetivar os direitos materiais reconhecidos pelo Direito do 
Trabalho, sendo este ramo da árvore jurídica criado exatamente para compensar ou reduzir a 
desigualdade real existente entre empregado e empregador, naturais litigantes do processo laboral. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(BRB - Advogado - IADES - 2019): Em regra geral, aplica-se ao processo do 
trabalho o princípio da proteção (especialmente o desdobramento do in dubio 
pro operario), razão pela qual o ônus da prova é sempre invertido, restando 
o autor desincumbido de provar o fato constitutivo de seu direito. Errado. 
 PRINCÍPIO DA FINALIDADE SOCIAL DO PROCESSO 
Segundo Humberto Theodoro Júnior, o primeiro e mais importante princípio que informa o 
processo trabalhista, distinguindo-o do processo civil comum, é o da finalidade social, de cuja 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 8 
 
observância decorre uma quebra do princípio da isonomia entre as partes, pelo menos em relação 
à sistemática tradicional do direito formal. 
O direito processual, reconhecendo que o trabalhador deve ser auxiliado durante o processo 
pela própria autoridade julgadora, de maneira que, no momento de chegar o procedimento ao 
estado de solução, a aportação processual das partes permita uma solução justa. 
Isto posto, a diferença básica entre o princípio da proteção processual e o princípio da 
finalidade social do processo é que, no primeiro, a própria lei confere a desigualdade no plano 
processual; no segundo, permite-se que o juiz tenha uma atuação mais ativa, na medida em que 
auxilia o trabalhador, em busca de uma solução justa, até chegar o momento de proferir a sentença. 
Decorre do princípio da finalidade social o princípio da efetividade social, compreendido 
como o conjunto de concepções, políticas, conceitos, ideias e mecanismos necessários que devem 
inspirar a concretização ou materialização da prestação jurisdicional, evitando-se preventivamente 
a lesão ao ordenamento jurídico que se avizinha, ou restabelecendo-se, tempestivamente e com a 
maior fidelidade possível, o direito que foi violado. 
 PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL 
O princípio processual da busca da verdade real deriva do princípio do Direito material do 
Trabalho conhecido como princípio da primazia da realidade. 
A doutrina entende que está positivado no art. 765 da CLT, que confere aos Juízos e 
Tribunais do Trabalho ampla liberdade na direção do processo. Para tanto, os magistrados do 
trabalho velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência 
necessária ao esclarecimento delas. 
Destaca-se que a jurisprudência tem acolhido o princípio em tela no campo da prova: 
SALÁRIO EXTRAFOLHA. INVALIDADE DA PROVA DOCUMENTAL. 
PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL. INAPLICABILIDADE DO ART. 
227, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO CIVIL. No Processo do Trabalho, 
vigora o princípio da busca da verdade real, que faz com que a prova 
documental ceda espaço à testemunhal, quando esta se mostra firme 
no sentido da desconstituição daquela. Diante disso, o parágrafo único do 
art. 227, do CC, segundo o qual, “qualquer que seja o valor do negócio 
jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar 
da prova por escrito”, é inaplicável ao Processo do Trabalho, porque 
incompatível com esse princípio peculiar. Assim, demonstrado pela prova 
testemunhal, firme e idônea, o pagamento de salário extrafolha, são devidas 
as diferenças reflexas decorrentes da integração daquele no salário para 
todos os efeitos legais (TRT, 3ª R., RO 0001070-73.2012.5.03.0147, Rel. 
Des. Fernando Luiz G. Rios Neto, 7ª T., DEJT 19-8-2014). 
 PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE 
Consoante Carlos Henrique Bezerra, justifica-se a peculiaridade do princípio da 
indisponibilidade nos sítios do processo do trabalho, pela considerável gama de normas de ordem 
pública do Direito material do Trabalho, o que implica a existência de um interesse social que 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 9 
 
transcende a vontade dos sujeitos do processo na efetivação dos direitos sociais trabalhistas e 
influencia a própria gênese da prestação jurisdicional especializada. 
 PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO 
Embora o princípio da conciliação não seja exclusividade do processo laboral, neste ramo 
ele se mostra mais evidente, tendo, inclusive, um iter procedimentalis peculiar. Com efeito, dispõem 
o art. 764, caput, e seus parágrafos da CLT, in verbis: 
Art. 764 - Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da 
Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação. 
§ 1º - Para os efeitos deste artigo, os juízes e Tribunais do Trabalho 
empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma 
solução conciliatória, dos conflitos. 
§ 2º - Não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á 
obrigatoriamente em arbitral, proferindo decisão na forma prescrita neste 
Título. 
§ 3º - É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda 
mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. 
 
No mesmo sentido, o art. 831 da CLT estabelece uma condição intrínseca para a validade 
da sentença trabalhista, ao determinar que ela somente “será proferida depois de rejeitada pelas 
partes a proposta de conciliação”. 
Há, no procedimento comum ordinário trabalhista, 2 momentos obrigatórios para a proposta 
judicial de conciliação. 
O primeiro está previsto no art. 846 da CLT e ocorre por ocasião da abertura da audiência, 
nos seguintes termos: 
Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. 
 
A segunda tentativa de conciliação ocorre após o término da instrução e da apresentação 
das razões finais pelas partes. Está prevista no art. 850 da CLT: 
Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em 
prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz 
ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, 
será proferida a decisão. 
 
Por fim, insta salientar que outra peculiaridade do processo do trabalho repousa na 
equiparação prática do termo de conciliação à coisa julgada. É o que diz o parágrafo únicoprazo de 8 (oito) dias, quer nos 
dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. 
 
Sendo assim, se o início do processo foi na Vara do Trabalho, o recurso ordinário será 
direcionado para o TRT. Por outro lado, se o início do processo foi no TRT, o recurso ordinário será 
para o TST, conforme também disposto na Súmula 201 do TST: 
RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Da decisão de 
Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso 
ordinário, no prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, e 
igual dilação para o recorrido e interessados apresentarem razões de 
contrariedade. 
 
Importante salientar que não somente as decisões (sentenças ou acórdãos) definitivas ou 
terminativas podem ser suscetíveis de ataque por recurso ordinário. Isso significa que o art. 895 da 
CLT não encerra preceito numerus clausus, isto é, não é taxativo, e sim exemplificativo. 
Nesse liame, algumas decisões interlocutórias, como as decisões interlocutórias 
“terminativas do feito” no âmbito da jurisdição trabalhista, desafiam a interposição imediata do 
recurso ordinário. Ex.: decisão que declara a incompetência absoluta ratione materiae da Justiça 
do Trabalho e remete os autos à Justiça Comum (CLT, art. 799, § 2º). 
No que se refere aos efeitos do recurso ordinário, pode-se destacar que possui: 
1) Efeito devolutivo: pode-se dizer que o recurso ordinário devolve ao Juízo ad quem o 
reexame da matéria efetivamente impugnada pelo recorrente. 
Significa dizer que o recurso ordinário, em princípio, possui apenas efeito devolutivo, 
permitindo, pois, a execução provisória do julgado. O Juiz não precisa declarar os efeitos em que 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 116 
 
recebe o recurso, pois, de lege lata, todos os recursos trabalhistas possuem, em regra, apenas 
efeito devolutivo, nos termos do art. 899 da CLT: 
Art. 899 - Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito 
meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a 
execução provisória até a penhora. 
 
Ainda sobre o efeito devolutivo, importante verificar o disposto na Súmula 393 do TST: 
RECURSO ORDINÁRIO. EFEITO DEVOLUTIVO EM PROFUNDIDADE. 
ART. 1.013, § 1º, DO CPC DE 2015. ART. 515, § 1º, DO CPC DE 1973. I - O 
efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário, que se extrai do 
§ 1º do art. 1.013 do CPC de 2015 (art. 515, §1º, do CPC de 1973), transfere 
ao Tribunal a apreciação dos fundamentos da inicial ou da defesa, não 
examinados pela sentença, ainda que não renovados em contrarrazões, 
desde que relativos ao capítulo impugnado. II - Se o processo estiver em 
condições, o tribunal, ao julgar o recurso ordinário, deverá decidir desde logo 
o mérito da causa, nos termos do § 3º do art. 1.013 do CPC de 2015, inclusive 
quando constatar a omissão da sentença no exame de um dos pedidos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-PR - Procurador - CESPE - 2024): No rito ordinário do processo 
trabalhista, os recursos devem ser interpostos por simples petição, tendo, em 
regra geral, efeito devolutivo apenas, permitida a execução provisória até a 
penhora. Correto. 
2) Efeito translativo: por meio dele o tribunal não examina o pedido (lide) e, sim, as 
questões de ordem pública, conhecíveis de ofício em sede de recursos de natureza 
ordinária. 
3) Efeito suspensivo: não há previsão na CLT para que o juiz possa conceder efeito 
suspensivo ao recurso ordinário. Desse modo, pretendendo o efeito suspensivo, caberá 
à parte solicitá-lo ao relator. 
Todavia, o art. 14 da Lei 10.192/01, prevê tal possibilidade em recurso ordinário contra 
sentença normativa proferida em dissídio coletivo, como se infere da IN 24/03, que dispõe sobre a 
faculdade de o Ministro Presidente do TST designar audiência prévia de conciliação, no caso de 
pedido de efeito suspensivo a recurso ordinário interposto à decisão normativa da Justiça do 
Trabalho. 
É mister evidenciar, em sequência, que a IN 39/16 do TST determina que se aplica ao 
Processo do Trabalho o § 7º do art. 485 do CPC, que trata do efeito regressivo da apelação (juízo 
de retratação) na hipótese de sentença de extinção sem resolução do mérito: 
Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face 
de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que 
regulam os seguintes temas: 
VIII - art. 485, § 7º (juízo de retratação no recurso ordinário). 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 117 
 
Quanto aos pressupostos de admissibilidade, tem-se que o recurso ordinário está sujeito 
ao pagamento de custas e, no caso de sentença contendo obrigação de pagar quantia, ao depósito 
recursal prévio. 
O recorrente deve promover dentro do prazo de 8 dias para a interposição do recurso 
ordinário o pagamento (e a sua respectiva comprovação) das custas (CLT, art. 789, § 1º) e, tratando-
se de condenação do empregador (ou tomador do serviço) em obrigação de pagar quantia, o 
recolhimento (e sua respectiva comprovação) do depósito recursal (TST, Súmula 245). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): A empresa de Cosméticos 
Babosa Ltda. pretende ingressar com recurso ordinário contra sentença que 
lhe condenou no pagamento de horas extras e férias em dobro em ação 
proposta por sua ex-vendedora. O prazo final para a interposição do referido 
recurso foi dia 10/11 (5ª feira). A advogada da empresa protocolou seu 
recurso ordinário no dia 07/11 (2ª feira), desacompanhado da comprovação 
da efetivação do depósito recursal, o que fez no último dia do prazo (10/11). 
De acordo com a CLT e o entendimento sumulado do TST, o recurso ordinário 
será recebido e processado, uma vez que o depósito recursal pode ser 
comprovado dentro do prazo do recurso, sendo que a interposição antecipada 
não prejudica tal ato. Correto. 
Também é importante verificar o que dispõe a Súmula 8 do TST, que trata da possibilidade 
da juntada de documentos em fase recursal: 
JUNTADA DE DOCUMENTO. A juntada de documentos na fase recursal só 
se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna 
apresentação ou se referir a fato posterior à sentença. 
 
À vista disso, constata-se que somente é possível apresentar documento novo em sede de 
recurso ordinário quando comprovada a impossibilidade de juntada anterior, mediante justificativa, 
ou quando se estiver diante de novo fato posterior à sentença. 
Por fim, destaca-se que o processamento do recurso ordinário no rito sumaríssimo ocorre 
de maneira diversa, com base nos seguintes termos: 
Art. 895, § 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o 
recurso ordinário: 
II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo 
o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal 
ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem 
revisor; 
III - terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à 
sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro 
na certidão; 
IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com 
a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir 
do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios 
fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, 
servirá de acórdão. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 118 
 
Frisa-se, ainda, conforme apontado anteriormente, que não cabe recurso ordinário de 
sentença proferida em sede de processo submetido ao procedimento sumário ou de alçada, isto 
é, naqueles em que o valor atribuído à causa seja igual ou inferior a 2 salários mínimos, uma vez 
que o recurso cabível em tal decisão de única instância é o recurso extraordinário, desde que a 
sentença viole literal e frontalmente a Constituição Federal. 
Comoo tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na reclamação trabalhista 
movida em face de Lojas Sinceridade Ltda., foi proferida sentença de 
procedência parcial pela Vara do Trabalho, sendo que nenhuma das partes 
recorreu. Um ano depois, a reclamada ajuizou ação rescisória perante o 
Tribunal Regional do Trabalho, tendo o acórdão julgado improcedente o 
pedido. Ainda inconformada, pretendem as Lojas Sinceridade Ltda. ingressar 
com novo recurso. Nos termos da legislação vigente e entendimento 
sumulado do TST, poderá ingressar com recurso ordinário para o Tribunal 
Superior do Trabalho. Correto. 
 
(CELEPAR-PR - Advogado - Instituto Acess - 2022): Manuel da Silva 
ajuizou Reclamação Trabalhista em face de seu ex-empregador, sendo 
julgados procedentes os pedidos, sem que houvesse interposição de recurso 
algum por nenhuma das partes. Três meses após o trânsito em julgado, seu 
empregador ajuizou ação rescisória no TRT, tendo sido julgado improcedente 
o pedido rescisório. Não satisfeito, pretende recorrer para reexame e 
consequente reforma da decisão. Diante do exposto, é correto afirmar que o 
recurso cabível será o Recurso Ordinário, para o TST. Correto. 
3. AGRAVO DE PETIÇÃO 
O agravo de petição é o recurso próprio para impugnar decisões proferidas no curso do 
processo (ou da fase) de execução. Encontra-se previsto no art. 897, a, da CLT: 
Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: 
a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções. 
 
Não cabe, pois, agravo de petição na fase (ou processo) de conhecimento, mesmo em se 
tratando de sentença proferida em ação incidental de embargos de terceiro. 
Como o legislador não referiu que tipo de decisão seria impugnável por agravo de petição, 
há 2 correntes doutrinárias que se propõem a interpretar o termo “decisões”, previsto no preceptivo 
em causa: 
1) Minoritária: defende que cabe agravo de petição contra qualquer decisão na fase de 
execução. 
2) Majoritária: entende que cabe agravo de petição contra qualquer decisão definitiva ou 
terminativa da execução (ex.: acolhimento de prescrição intercorrente) ou de incidentes 
cognitivos na execução (ex.: sentença que acolhe ou rejeita os embargos à execução). 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 119 
 
Consoante posicionamento da corrente majoritária, a regra de cabimento do agravo de 
petição se submete ao que prevê o art. 893, § 1º da CLT (irrecorribilidade imediata das decisões 
interlocutórias), salvo quando se estiver diante do art. 855-A da CLT, que discorre acerca do 
Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ) proposto na fase de execução, que 
será recorrível por agravo de petição de imediato. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(AGE-MG - Procurador - FGV - 2022): Uma execução tramita perante a 10ª 
Vara do Trabalho de Alfenas/MG e, malgrado o juiz, a pedido da exequente, 
ter acionado todas as ferramentas eletrônicas, não se conseguiu reter bens 
ou valores da sociedade empresária executada. Então, a exequente requereu 
a instauração do incidente de desconsideração de personalidade jurídica 
(IDPJ), sendo, então, citados os 2 sócios da empresa para contestação. Após 
analisar os argumentos dos sócios, o juiz julgou procedente o IDPJ em face 
de um dos sócios e improcedente em relação ao outro. Nesse caso, caberá 
agravo de petição pela exequente quanto ao sócio cujo IDPJ foi 
improcedente, bem como por parte do sócio que teve o IDPJ contra si julgado 
procedente. Correto. 
É de suma relevância salientar que o agravo de petição possui 2 requisitos específicos: 
1) Deve haver a delimitação precisa de matérias e valores impugnados 
Tal requisito está previsto no § 1º do art. 897 da CLT, in verbis: 
Art. 897, § 1º - O agravo de petição só será recebido quando o agravante 
delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a 
execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou 
por carta de sentença. 
 
Isto posto, verifica-se que é dever da parte apresentar o cálculo atualizado do valor que 
entende ser devido, de modo que a execução seguirá normalmente quanto aos valores 
incontroversos, nos termos da Súmula 416 do TST: 
MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO. LEI Nº 8.432/1992. ART. 897, § 
1º, DA CLT. CABIMENTO. Devendo o agravo de petição delimitar 
justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não fere 
direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos 
tópicos e valores não especificados no agravo. 
2) Exige-se a garantia INTEGRAL do Juízo 
A referida exigência é trazida pela Súmula 128 do TST: 
DEPÓSITO RECURSAL. I - É ônus da parte recorrente efetuar o depósito 
legal, integralmente, em relação a cada novo recurso interposto, sob pena 
de deserção. Atingido o valor da condenação, nenhum depósito mais é 
exigido para qualquer recurso. 
 
Ante o exposto, havendo a garantia integral do Juízo nos autos, não há depósito recursal. 
No entanto, se não houver a garantia integral, deverá a parte realizar o depósito recursal da 
integralidade da diferença. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 120 
 
Obs.: reitera-se que no agravo de petição em sede de IDPJ, não há 
necessidade de garantir o Juízo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-5 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Roveno está executando uma 
sentença que lhe foi favorável na Justiça do Trabalho, em face da sua ex-
empregadora, a empresa de Transporte Carga Rápida. Não encontrando 
bens da empresa para fazer frente à execução, o autor instaura Incidente de 
Desconsideração da Personalidade Jurídica, o qual é julgado procedente. A 
empresa, cientificada da decisão, poderá interpor agravo de petição, 
independente de garantia do juízo, havendo a suspensão da execução após 
a instauração do incidente. Correto. 
4. AGRAVO DE INSTRUMENTO 
Diferentemente do Processo Civil, NÃO se trata de um recurso interposto contra decisões 
interlocutórias no geral. 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, o agravo de instrumento teve inicialmente 
esse nome pelo fato de consistir num instrumento confeccionado com peças trasladadas dos autos 
por indicação das partes ou do Juiz. Nesse recurso, há, portanto, necessidade de formação de autos 
em apartado, permitindo, assim, o fluxo normal do processo, razão pela qual dele são extraídas 
cópias de algumas peças e trasladadas para novos autos, formando-se, desse modo, um novo 
instrumento, que é remetido ao Juízo ad quem. 
 O agravo de instrumento possui previsão no art. 897 da CLT: 
Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: 
b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. 
 
Isto posto, quanto ao seu cabimento, entende-se que o agravo de instrumento, no âmbito do 
Processo do Trabalho, é limitado apenas aos despachos (leia-se decisões interlocutórias) que 
denegarem a interposição de recurso. 
Cabe, portanto, agravo de instrumento, no prazo de 8 dias, contra as decisões que 
denegarem seguimento a recursos ordinário, de revista, extraordinário, adesivo, de petição e, por 
lógica, contra as decisões que denegarem seguimento ao próprio agravo de instrumento. 
Obs.: o agravo de instrumento é também o recurso cabível contra a 
decisão que não conhece do recurso extraordinário. 
Salienta-se que não cabe agravo de instrumento das decisões que denegarem seguimento 
ao recurso de embargos no TST (CLT, art. 894), pois, nesse caso, o recurso adequado é o agravo 
interno (art. 261, parágrafo único do Regimento Interno do TST), sob pena de configurar o erro 
grosseiro que afasta a aplicação do princípio da fungibilidade, pois se trata de recurso no âmbito do 
TST, o qual só pode ser interposto por advogado (TST, Súmula 425). 
O agravo de instrumento é interposto perante o órgão judiciário prolator da decisão 
agravada, o qual poderá revogá-la (reconsiderá-la)ou não. E isso ocorre porque o agravo de 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 121 
 
instrumento está sujeito ao juízo de retratação decorrente de efeito regressivo inerente a tal 
modalidade recursal. 
Interposto o agravo de instrumento, o Juiz poderá reconsiderar a decisão agravada e 
determinar a subida do recurso trancado. Se a decisão agravada for mantida, o agravado será 
intimado para, no prazo de 8 dias, oferecer respostas ao agravo e ao recurso principal, instruindo-
as com as peças que considerar necessárias ao julgamento de ambos os recursos. 
Provido o agravo, a Turma deliberará sobre a conveniência do julgamento do recurso 
principal, observando-se, se for o caso, daí em diante, o procedimento relativo a esse recurso. A 
deliberação sobre o julgamento deve atender a critérios objetivos, de modo que harmonize o 
princípio da celeridade com o princípio da ampla defesa e do contraditório. 
No que tange à necessidade de depósito recursal para interposição do agravo de 
instrumento, o § 7º do art. 899 da CLT determina que: 
Art. 899, § 7º No ato de interposição do agravo de instrumento, o depósito 
recursal corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor do 
depósito do recurso ao qual se pretende destrancar. 
 
Há, contudo, uma exceção prevista no § 8º do art. 899 da CLT, ocasião na qual haverá 
dispensa do depósito recursal: 
Art. 899, § 8º Quando o agravo de instrumento tem a finalidade de 
destrancar recurso de revista que se insurge contra decisão que 
contraria a jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho, 
consubstanciada nas suas súmulas ou em orientação jurisprudencial, 
não haverá obrigatoriedade de se efetuar o depósito referido no § 7º deste 
artigo. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-PR - Procurador - CESPE - 2024): Contra despacho que denegue a 
interposição de recurso trabalhista, cabe agravo de instrumento. Correto. 
 
(PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): No processo do trabalho, contra o 
despacho que não receber agravo de petição caberá agravo de instrumento. 
Correto. 
 
(TRT-8 - Técnico Judiciário - CESPE - 2022): Inconformada com a sentença 
que a condenou ao pagamento de verbas rescisórias, a sociedade 
empresária Alfa protocolou recurso ordinário com o objetivo de ter a decisão 
reavaliada pelo Tribunal Regional do Trabalho. No entanto, o recurso em 
comento não foi conhecido, sob a justificativa de ser intempestivo. 
Considerando a situação hipotética apresentada, e tendo como base o 
despacho que denegou a interposição do recurso ordinário da reclamada, é 
correto afirmar que caberá agravo de instrumento, no prazo de 8 dias. 
Correto. 
5. RECURSO DE REVISTA 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 122 
 
Diferentemente dos demais recursos, é importante frisar, inicialmente, que o objetivo do 
recurso de revista não é fornecer uma prestação jurisdicional para a parte, mas sim uniformizar a 
jurisprudência nacional. Justamente em razão disso, o recurso de revista possui natureza 
extraordinária. 
Em consonância com Carlos Henrique Bezerra Leite, o recurso de revista é uma modalidade 
recursal que objetiva corrigir a decisão que violar a literalidade da lei ou da Constituição Federal e 
a uniformizar a jurisprudência nacional concernente à aplicação dos princípios e regras de direito 
objetivo (Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho, Direito Constitucional, Direito Civil, 
Direito Processual Civil etc.) que guardem alguma vinculação com a atividade jurisdicional da 
Justiça do Trabalho. 
A previsão legal do recurso de revista se encontra no art. 896 da CLT, verificando-se, desde 
já, suas hipóteses de cabimento, eis que se trata de recurso de fundamentação vinculada: 
Art. 896 - Cabe Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do 
Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio 
individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho, quando: 
a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da 
que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno 
ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do 
Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa 
Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal; 
b) derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de 
Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento 
empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a 
jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação 
divergente, na forma da alínea a; 
c) proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta 
direta e literal à Constituição Federal. 
 
Quanto à alínea b, frisa-se que a divergência deve ser: 
1) Atual: 
Art. 896, § 7º A divergência apta a ensejar o recurso de revista deve ser 
atual, não se considerando como tal a ultrapassada por súmula do 
Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou 
superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do 
Trabalho. 
2) Específica: 
A especificidade é determinada pela Súmula 296 do TST: 
RECURSO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ESPECIFICIDADE. 
I - A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do 
prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, 
revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo 
dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 123 
 
II - Não ofende o art. 896 da CLT decisão de Turma que, examinando 
premissas concretas de especificidade da divergência colacionada no apelo 
revisional, conclui pelo conhecimento ou desconhecimento do recurso. 
3) Demonstração/indicação da divergência: 
Art. 896, § 1º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte: 
I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o 
prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista; 
II - indicar, de forma explícita e fundamentada, contrariedade a dispositivo 
de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho 
que conflite com a decisão regional; 
III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os 
fundamentos jurídicos da decisão recorrida, inclusive mediante 
demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição Federal, 
de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade aponte. 
IV - transcrever na peça recursal, no caso de suscitar preliminar de nulidade 
de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o trecho dos embargos 
declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal sobre 
questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional 
que rejeitou os embargos quanto ao pedido, para cotejo e verificação, de 
plano, da ocorrência da omissão. 
§ 8º Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe ao 
recorrente o ônus de produzir prova da divergência jurisprudencial, 
mediante certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, 
oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver 
sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução de julgado 
disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, mencionando, em 
qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos 
confrontados. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(AGU - Procurador da Fazenda Nacional - CESPE - 2023): A parte 
recorrente, sob pena de não conhecimento do recurso, tem o ônus de expor 
as razões do pedido de reforma, impugnando todos os fundamentos jurídicos 
da decisão recorrida, inclusive mediante demonstração analítica de cada 
dispositivo legal cuja contrariedade aponte. Correto. 
 
(PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Ao interpor recurso de revista no 
TST,com preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação 
jurisdicional, o procurador deverá transcrever em sua peça recursal o trecho 
dos embargos declaratórios em que pediu o pronunciamento do tribunal sobre 
a questão suscitada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que 
rejeitou os embargos quanto ao pedido, sob pena de não conhecimento do 
recurso. Correto. 
Além disso, o recurso de revista também é cabível na seguinte hipótese: 
Art. 896, § 10. Cabe recurso de revista por violação a lei federal, por 
divergência jurisprudencial e por ofensa à Constituição Federal nas 
execuções fiscais e nas controvérsias da fase de execução que 
envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), criada 
pela Lei n° 12.440, de 7 de julho de 2011. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 124 
 
 
No caso do rito sumaríssimo, cabe recurso de revista quando: 
Art. 896, § 9º Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente 
será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de 
jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula 
vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da 
Constituição Federal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(CELEPAR-PR - Advogado - Instituto Acess - 2022): Em reclamação 
trabalhista ajuizada pelo rito sumaríssimo, por Gildo em face de Raio de Sol 
Ltda., foram julgados procedentes todos os pedidos, e, após o recurso 
ordinário interposto não lhe ser favorável, a empresa empregadora pretende 
interpor recurso de revista. Levando-se em consideração as normas 
constantes na CLT e o entendimento sumulado do TST para a interposição 
do recurso de revista, é correto afirmar que, nas causas sujeitas ao 
procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por 
contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do 
Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação 
direta da Constituição Federal, não sendo possível quando houver 
contrariedade a orientações jurisprudenciais do TST. Correto. 
Ademais, preleciona a Súmula 126 do TST que não é possível a discussão de matéria fática 
e de provas em sede de recurso de revista: 
RECURSO. CABIMENTO. Incabível o recurso de revista ou de embargos 
(arts. 896 e 894, "b", da CLT) para reexame de fatos e provas. 
 
Ressalta-se, todavia, que é admitida a discussão legal/jurídica sobre o cabimento ou não de 
determinada prova. 
O recurso de revista possui pressupostos específicos: 
1) Sendo um recurso de natureza extraordinária, requer prequestionamento 
O prequestionamento está disposto na Súmula 297 do TST e na OJ 256 da SDI-1: 
PREQUESTIONAMENTO. OPORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I. Diz-se 
prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada 
haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito. II. Incumbe à parte 
interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso principal, 
opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, 
sob pena de preclusão. III. Considera-se prequestionada a questão jurídica 
invocada no recurso principal sobre a qual se omite o Tribunal de pronunciar 
tese, não obstante opostos embargos de declaração. 
 
PREQUESTIONAMENTO. CONFIGURAÇÃO. TESE EXPLÍCITA. SÚMULA 
Nº 297. Para fins do requisito do prequestionamento de que trata a Súmula 
nº 297, há necessidade de que haja, no acórdão, de maneira clara, 
elementos que levem à conclusão deque o Regional adotou uma tese 
contrária à lei ou à súmula. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 125 
 
Isto posto, a admissibilidade do recurso de revista pressupõe que a decisão recorrida tenha 
se pronunciado explicitamente sobre a matéria veiculada no recurso, ainda que se trate de violação 
frontal e direta à norma da Constituição Federal. Não vale, pois, o pronunciamento implícito. Mas 
não é preciso que a decisão reproduza ipsis litteris o dispositivo de lei que o recorrente alega ter 
sido violado. O importante é que a tese explícita sobre a matéria questionada faça parte da 
fundamentação do julgado. 
Havendo omissão na decisão, conforme o item II da Súmula 297, incumbe à parte opor 
embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema. 
Sendo assim, não configura prequestionamento o acórdão regional que simplesmente adota 
como razões de decidir os fundamentos da sentença. Se isso acontecer, o recorrente deverá 
interpor embargos de declaração, sob pena de não ser conhecido o recurso de revista, nos termos 
da OJ 151 da SDI-1 do TST: 
Recurso de revista. Prequestionamento. Decisão regional que adota a 
sentença. Ausência de prequestionamento. CLT, art. 896. Decisão regional 
que simplesmente adota os fundamentos da decisão de primeiro grau 
não preenche a exigência do prequestionamento, tal como previsto no 
Enunciado 297/TST. 
 
Frisa-se, além disso, que OJ 62 da SDI-1 do TST exige prequestionamento ainda que se 
trate de matéria de ordem pública veiculada no recurso de natureza extraordinária: 
Recurso de revista. Prequestionamento. Pressuposto de recorribilidade em 
apelo de natureza extraordinária. Necessidade, ainda que se trate de 
incompetência absoluta. CLT, art. 896. É necessário o prequestionamento 
como pressuposto de admissibilidade em recurso de natureza 
extraordinária, ainda que se trate de incompetência absoluta. 
2) Defeito formal não reputado grave 
O § 11 do art. 896 da CLT “abriu uma exceção” para permitir a admissibilidade do recurso 
de revista, nos seguintes termos: 
Art. 896, § 11. Quando o recurso tempestivo contiver defeito formal que 
não se repute grave, o Tribunal Superior do Trabalho poderá 
desconsiderar o vício ou mandar saná-lo, julgando o mérito. 
3) Transcendência: 
Trata-se de um pressuposto específico (intrínseco) de admissibilidade prévia do recurso de 
revista. Em tema de transcendência, há o objetivo de delimitar objetivamente o processamento e a 
apreciação da transcendência no recurso de revista, utilizando-se dos seguintes parâmetros: 
Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista, 
examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação 
aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. 
§ 1º São indicadores de transcendência, entre outros: 
I - econômica, o elevado valor da causa; 
II - política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada 
do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 126 
 
III - social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social 
constitucionalmente assegurado; 
IV - jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da 
legislação trabalhista. 
 
Interposto o recurso de revista no prazo de 8 dias, em petição devidamente fundamentada 
e subscrita por advogado (TST, Súmula 425), é ele desde logo submetido a exame de 
admissibilidade ao Presidente do TRT correspondente (ou outro órgão previsto no respectivo 
regimento interno), em decisão que deve ser fundamentada, sob pena de nulidade. 
É de registrar que a petição do recurso de revista é dirigida ao Desembargador Presidente 
do TRT e as razões recursais ao Ministro Relator e à Turma do TST. 
Em se tratando de decisão condenatória em pecúnia, será indispensável o recolhimento 
prévio do depósito recursal ou o seu complemento. 
Havendo acréscimo ou redução da condenação em grau recursal, o órgão prolator da 
decisão arbitrará novo valor à condenação, quer para a exigibilidade de depósito ou 
complementação do já depositado, para o caso de recurso subsequente, quer para liberação do 
valor excedente decorrente da redução da condenação. 
Além disso, a parte recorrente deve verificar se há condenação no pagamento de custas. 
Caso o acórdão hostilizado seja omisso a respeito da responsabilidadepelo pagamento das 
custas ou depósito recursal, cabe ao interessado interpor embargos de declaração para sanar a 
omissão. Se houver modificação dos valores alusivos ao preparo recursal, e a parte não interpuser 
embargos de declaração, prevalecerá o valor fixado na sentença. 
Admitido o processamento da revista, será intimado o recorrido para tomar ciência da 
decisão e, querendo, apresentar contrarrazões, oportunidade em que poderá, se for o caso, interpor 
recurso adesivo (Súmula 283 do TST), também sujeito ao controle de admissibilidade pelo 
Presidente do Tribunal a quo. Se denegada a admissibilidade do recurso de revista adesivo, 
também será cabível o agravo de instrumento. 
Decorrido o prazo para contrarrazões, com ou sem elas, o Presidente do TRT encaminhará 
os autos ao TST. Neste, a revista será submetida a 2 novos exames de admissibilidade: o primeiro 
é exercido monocraticamente pelo Ministro Relator; o segundo, pela Turma. 
Se a decisão recorrida estiver em consonância com Súmula do TST, poderá o Ministro 
Relator, indicando-a, negar seguimento ao recurso de revista. Igualmente, será denegado 
seguimento à revista nas hipóteses de intempestividade, deserção, falta de alçada e ilegitimidade 
de representação, cabendo a interposição de agravo (CLT, art. 896, § 12). 
Assim, se o Ministro Relator designado não admitir o recurso de revista, é facultado à parte 
interpor agravo de tal decisão (CLT, art. 896, § 12, e Regimento Interno, art. 243, VII), podendo 
haver reconsideração. Mantida a decisão, o agravo será submetido a julgamento pelo órgão 
colegiado (Turma). 
Sendo admitida a revista diretamente pelo Ministro Relator, ou se conhecido e provido o 
agravo regimental pela Turma, o recurso de revista será incluído em pauta e julgado pela mesma 
Turma. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 127 
 
Na sessão de julgamento, depois de lido o relatório, é facultada a sustentação oral, 
passando-se, em seguida, à votação, iniciando-se pelas questões relativas ao conhecimento do 
recurso de revista. Depois, analisa-se o mérito do recurso, que pode versar questões processuais 
ou concernentes à lide. 
Em caso de provimento do recurso de revista, o TST aplicará o direito à espécie, decidindo 
desde logo a lide, salvo na hipótese de anulação do acórdão recorrido, caso em que os autos 
deverão ser baixados ao Tribunal a quo (ou à Vara do Trabalho) para novo julgamento. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Aparecida está estudando para 
um concurso e, no tema recurso de revista, nos termos da CLT e do 
entendimento sumulado do TST, é certo que para ser conhecido, o TST 
examinará se o recurso de revista oferece transcendência com reflexos gerais 
de natureza econômica, política, social ou jurídica. Correto. 
 
(AL-MG - Procurador - FUMARC - 2023): É incabível o recurso de revista de 
ente público que não interpôs recurso ordinário voluntário contra a decisão de 
primeira instância, salvo se a condenação for agravada na segunda instância. 
Correto. 
6. EMBARGOS NO TST 
 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA 
Os embargos de divergência estão previstos no inciso II do art. 894 da CLT, in verbis: 
Art. 894. No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de 8 
(oito) dias: 
II - das decisões das Turmas que divergirem entre si ou das decisões 
proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula ou 
orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula 
vinculante do Supremo Tribunal Federal. 
 
Antes de aprofundar o estudo dos embargos, importante visualizar, a priori, a composição 
do TST: 
1) Tribunal Pleno; 
2) Primeira Seção de Dissídios Individuais (SDI-1), Segunda Seção de Dissídios Individuais 
(SDI-2) e Seção de Dissídios Coletivos (SDC); 
3) 8 Turmas. 
À vista disso, pode-se inferir que a finalidade dos embargos de divergência, também 
chamados de embargos à SDI ou embargos para a SDI, é uniformizar a divergência interna na 
interpretação de lei federal ou da Constituição Federal no âmbito do próprio TST, o que pode ocorrer 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 128 
 
entre acórdãos divergentes entre Turmas ou entre Turma e a SDI (Súmula ou OJ) ou entre SDI-1 e 
SDI-2. 
Importante verificar, ainda, que os embargos de divergência também estão previstos no art. 
258 do Regimento Interno do TST, segundo o qual: 
Art. 258. Cabem embargos das decisões das Turmas do Tribunal que 
divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Subseção I da Seção 
Especializada em Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula, a orientação 
jurisprudencial ou a precedente normativo do Tribunal Superior do Trabalho 
ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, no prazo de 8 (oito) dias 
úteis, contados de sua publicação, na forma da lei. 
Parágrafo único. Além dos casos já previstos na jurisprudência sumulada do 
Tribunal, também cabem embargos das decisões de suas Turmas proferidas 
em agravos internos e agravos de instrumento que contrariarem 
precedentes obrigatórios firmados em julgamento de incidentes de assunção 
de competência ou de incidentes de recursos repetitivos. 
 
Sendo assim, é possível afirmar que os embargos de divergência são cabíveis das decisões: 
1) Divergentes entre a SDI-1 e SDI-2 a respeito de interpretação de norma prevista em lei 
federal ou na Constituição; 
2) Divergentes entre 2 ou mais Turmas; 
3) De uma ou mais Turmas que divergirem das decisões da SDI; 
4) De uma ou mais Turmas que divergirem de Orientação Jurisprudencial (da SDI ou SDC); 
5) De uma ou mais Turmas que divergirem de Súmula do TST; 
6) De uma ou mais Turmas que divergirem de Súmula Vinculante do STF. 
Obs.: na primeira hipótese de cabimento acima exposta, a 
competência funcional originária para julgar os embargos de 
divergência é da SDI, em sua composição plena; nas demais, da SDI-
1. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-RO - Procurador - CESPE - 2022): É admissível a interposição de 
embargos à Sessão de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho 
quando a divergência jurisprudencial for oriunda de acórdãos da mesma 
turma. Errado. 
O recurso de embargos de divergência, assim como o recurso de revista, tem natureza 
extraordinária e fundamentação vinculada. Há, inclusive, alguns pontos de similitude entre essas 2 
espécies recursais, na medida em que um dos objetivos da revista é uniformizar a jurisprudência 
externa ao TST, superando as divergências entre os Tribunais Regionais, enquanto o escopo dos 
embargos de divergência reside na uniformização jurisprudencial interna no âmbito do TST. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 129 
 
É mister salientar que as controvérsias já superadas por iterativa, notória e atual 
jurisprudência do TST em matérias relacionadas a processos individuais (OJ das SDIs 1 e 2) não 
empolgam a interposição de embargos nem recurso de revista (TST, Súmula 333), salvo, 
evidentemente, se a jurisprudência do TST colidir com a do STF (Súmula 401). De acordo com 
Carlos Henrique Bezerra, há uma razão lógica para tal exceção: em matéria de interpretação de 
norma constitucional, cabe ao STF a última palavra como “guardião da Constituição”. 
Obs.: considera-se iterativa, notória e atual jurisprudência do TST 
aquela que estiver consagrada em Súmula, Orientação 
Jurisprudencial ou Precedente Normativo. Coleção de julgados, 
portanto, não equivale a iterativa, notória e atual jurisprudência para 
fins de comprovação de divergência jurisprudencial ensejadora da 
admissibilidade dos embargos de divergência para a SDI ou SDI-1. 
Nesse liame, o § 2º do art. 894 da CLT prevê que: 
Art. 894, § 2º A divergência apta a ensejar os embargos deve ser atual, não 
se considerando tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do 
Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória 
jurisprudênciado Tribunal Superior do Trabalho. 
Ademais, para a comprovação da divergência justificadora do recurso de embargos, a 
exemplo do recurso de revista, o recorrente deve observar os termos da Súmula 337 do TST: 
COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSOS 
DE REVISTA E DE EMBARGOS. 
I - Para comprovação da divergência justificadora do recurso, é 
necessário que o recorrente: 
a) Junte certidão ou cópia autenticada do acórdão paradigma ou cite a 
fonte oficial ou o repositório autorizado em que foi publicado; e 
b) Transcreva, nas razões recursais, as ementas e/ou trechos dos 
acórdãos trazidos à configuração do dissídio, demonstrando o conflito de 
teses que justifique o conhecimento do recurso, ainda que os acórdãos já se 
encontrem nos autos ou venham a ser juntados com o recurso. 
II - A concessão de registro de publicação como repositório autorizado de 
jurisprudência do TST torna válidas todas as suas edições anteriores. 
III – A mera indicação da data de publicação, em fonte oficial, de aresto 
paradigma é inválida para comprovação de divergência jurisprudencial, 
nos termos do item I, “a”, desta súmula, quando a parte pretende demonstrar 
o conflito de teses mediante a transcrição de trechos que integram a 
fundamentação do acórdão divergente, uma vez que só se publicam o 
dispositivo e a ementa dos acórdãos. 
IV – É válida para a comprovação da divergência jurisprudencial justificadora 
do recurso a indicação de aresto extraído de repositório oficial na 
internet, desde que o recorrente: 
a) transcreva o trecho divergente; 
b) aponte o sítio de onde foi extraído; e 
c) decline o número do processo, o órgão prolator do acórdão e a data da 
respectiva publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho. 
V – A existência do código de autenticidade na cópia, em formato pdf, do 
inteiro teor do aresto paradigma, juntada aos autos, torna-a equivalente ao 
documento original e também supre a ausência de indicação da fonte 
oficial de publicação. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 130 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-RS - Procurador - FUNDATEC - 2021): No Tribunal Superior do 
Trabalho cabem embargos, no prazo de oito dias das decisões das Turmas 
que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios 
Individuais, ou contrárias a súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal 
Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, 
sendo que a divergência apta a ensejar os embargos deve ser atual, não se 
considerando tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho 
ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória 
jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Correto. 
Os embargos de divergência possuem efeito apenas devolutivo, seguindo, assim, a regra 
geral prevista no art. 899, caput, da CLT, mas a matéria discutida só pode ser de direito (material 
ou processual), ou seja, por ser recurso de natureza extraordinária não se admite a reapreciação 
de matéria fática ou de prova. Nesse sentido, aplica-se aos embargos de divergência a já 
visualizada Súmula 126 do TST: 
RECURSO. CABIMENTO. Incabível o recurso de revista ou de embargos 
(arts. 896 e 894, "b", da CLT) para reexame de fatos e provas. 
No que se refere ao procedimento dos embargos de divergência, o Presidente de Turma 
poderá denegar seguimento aos embargos à SDI-1. Desta decisão, cabe agravo interno, no prazo 
de 8 dias, para a SDI-1: 
Art. 894, § 4º Da decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo 
de 8 (oito) dias. 
 
Nos termos do § 3º do art. 894 da CLT, o Ministro Relator denegará seguimento aos 
embargos nos seguintes casos: 
Art. 894, § 3º, I - se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula 
da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo 
Tribunal Federal, ou com iterativa, notória e atual jurisprudência do 
Tribunal Superior do Trabalho, cumprindo-lhe indicá-la; 
II - nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de 
representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco 
de admissibilidade. 
 
Ante o exposto, pode-se inferir que NÃO é possível se utilizar dos embargos de divergência 
se a decisão recorrida está de acordo com Súmula ou OJ, uma vez que o TST não precisa reafirmar 
o que já constitui um entendimento sumulado/consolidado. Trata-se, portanto, de um requisito 
negativo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): Os embargos de divergência 
podem ser manejados no rito sumaríssimo, caso decisão de turma do 
Tribunal Superior do Trabalho contrarie súmula vinculante do Supremo 
Tribunal Federal. Correto. 
 EMBARGOS INFRINGENTES 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 131 
 
Os embargos infringentes são espécie recursal de natureza ordinária da competência da 
Seção de Dissídios Coletivos (SDC). Trata-se de recurso cabível para impugnar decisão não 
unânime proferida em dissídio coletivo de competência originária do TST (ex.: dissídios coletivos 
envolvendo empresas que exercem sua atividade econômica em base territorial que extrapole a 
jurisdição de um TRT). 
Em síntese, os embargos infringentes são cabíveis contra decisão não unânime de turma do 
TST no julgamento de dissídio coletivo de sua competência originária e estão previstos no inciso I 
do art. 894 da CLT: 
Art. 894. No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de 8 
(oito) dias: 
I - de decisão não unânime de julgamento que: 
a) conciliar, julgar ou homologar conciliação em dissídios coletivos que 
excedam a competência territorial dos Tribunais Regionais do Trabalho e 
estender ou rever as sentenças normativas do Tribunal Superior do Trabalho, 
nos casos previstos em lei. 
 
O recurso de embargos infringentes, por ser recurso de natureza ordinária, comporta 
devolutibilidade ampla, abrangendo matérias fáticas e jurídicas, desde que restritas à cláusula 
em que não tenha havido julgamento unânime. Além disso, esta modalidade de recurso possui 
efeito meramente devolutivo. 
A competência funcional para julgar os embargos infringentes é da própria SDC, como se 
infere do art. 77, II, c, do RITST: 
Art. 77. À Seção Especializada em Dissídios Coletivos compete: 
II – em última instância, julgar: 
c) os embargos infringentes interpostos contra decisão não unânime proferida 
em processo de dissídio coletivo de sua competência originária, salvo se a 
decisão embargada estiver em consonância com Precedente Normativo 
do Tribunal Superior do Trabalho ou com Súmula de sua jurisprudência 
predominante. 
 
O procedimento dos embargos infringentes está previsto nos arts. 263 e 264 do RITST. 
Assim, registrado o protocolo na petição a ser encaminhada à Secretaria do órgão julgador 
competente (SDC), esta juntará o recurso aos autos respectivos e abrirá vista à parte contrária, para 
impugnação, no prazo legal. 
Transcorrido o prazo, o processo será remetido à unidade competente, para ser 
imediatamente distribuído. 
Não atendidas as exigências legais relativas ao cabimento dos embargos infringentes, o 
relator denegará seguimento ao recurso, facultada à parte a interposição de agravo interno. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-SC - Procurador - FGV - 2022): Foi instaurado dissídio coletivo em 
nível nacional e, por isso, a demanda foi dirigida à Seção de Dissídios 
Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Após regularmente 
processada, foi proferida decisão não unânime que não está em consonância 
com precedente jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou de 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 132 
 
Súmula de sua jurisprudência predominante. Considerando os fatos 
narrados, de acordo com a Lei de regência, quanto à possibilidade de recurso 
em face dessa decisão normativa, é correto afirmar que cabem embargos 
infringentes.Correto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 133 
 
EXECUÇÃO TRABALHISTA 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Antes de aprofundar no tema, importante verificar o disposto no art. 878 da CLT: 
Art. 878. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução 
de ofício pelo juiz ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que 
as partes não estiverem representadas por advogado. 
 
Isto posto, tem-se que no Processo do Trabalho, a execução, ou melhor, o cumprimento da 
sentença que reconheça a exigibilidade da obrigação para pagar quantia certa, poderá ser 
promovido por qualquer interessado ou, de ofício, pelo Juiz quando a parte não estiver patrocinada 
por advogado. 
Salienta-se, todavia, que o Ministério Público do Trabalho também é legitimado para 
promover a execução trabalhista, nas hipóteses em que atuou como parte no processo (ou fase) de 
conhecimento, seja na primeira instância (ex.: ação civil pública), seja na segunda instância (ex.: 
ação rescisória). 
2. TÍTULOS EXECUTIVOS 
No âmbito da Justiça do Trabalho existem 2 sistemas destinados à satisfação das 
obrigações a cargo do devedor: o sistema destinado à satisfação do título judicial e o sistema de 
execução de título extrajudicial. 
 TÍTULOS JUDICIAIS 
Os títulos executivos judiciais são aqueles produzidos em função do exercício do poder 
jurisdicional e estão dispostos na primeira parte do art. 876 da CLT: 
Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha 
havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não 
cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério 
Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as 
Comissões de Conciliação Prévia serão executadas pela forma estabelecida 
neste Capítulo. 
 
Sendo assim, pode-se elencar os seguintes títulos judiciais: 
1) Sentença com trânsito em julgado; 
2) Sentença que esteja pendente de recurso sem efeito suspensivo, conforme o art. 899 da 
CLT: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 134 
 
Art. 899 - Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito 
meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a 
execução provisória até a penhora. 
3) Acordo homologado em Juízo; 
4) Sentença arbitral. 
Com relação a este último título, insta ressaltar que a arbitragem pode ser utilizada na Justiça 
do Trabalho em 2 situações: com o empregado que recebe remuneração mensal superior a 2 vezes 
o teto dos benefícios da previdência social e nas demandas coletivas. 
No que se refere à competência para executar os títulos judiciais, ela é definida nos termos 
do art. 877 da CLT: 
Art. 877 - É competente para a execução das decisões o Juiz ou Presidente 
do Tribunal que tiver conciliado ou julgado originariamente o dissídio. 
 
Significa, portanto, que o caminho processual percorrido pelo título judicial não possui 
relevância, mas sim onde o processo que deu origem a ele se iniciou. 
Obs.: em que pese seja considerada um título judicial, apenas para 
fins de definição da competência, a sentença arbitral atuará como 
um título executivo extrajudicial, uma vez que não foi produzida pelo 
Poder Judiciário. 
 TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS 
Assim como os títulos judiciais, os títulos extrajudiciais também estão previstos no art. 876 
da CLT, mas na segunda parte do dispositivo: 
Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido 
recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não cumpridos; os 
termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do 
Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de 
Conciliação Prévia serão executadas pela forma estabelecida neste 
Capítulo. 
 
Isto posto, é possível listar os seguintes títulos extrajudiciais: 
1) Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado perante o MPT; 
Sobre o TAC, prevê a Lei 7.347/85 que: 
Art. 5º, § 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados 
compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante 
cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. 
2) Termo de Conciliação celebrado perante as Comissões de Conciliação Prévia (CCP); 
A natureza de título extrajudicial está expressa no art. 625-E da CLT, in verbis: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 135 
 
Art. 625-E. Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado pelo 
empregado, pelo empregador ou seu proposto e pelos membros da 
Comissão, fornecendo-se cópia às partes. 
Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo extrajudicial e 
terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente 
ressalvadas. 
3) Certidões de dívida ativa (CDA) decorrentes das multas aplicadas aos empregadores 
pelos órgãos de fiscalização do trabalho; 
A execução deste título extrajudicial no âmbito da Justiça do Trabalho decorre de previsão 
constitucional: 
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. 
4) Cheque e nota promissória emitidos em razão de uma relação de trabalho. 
A execução dos referidos títulos perante a Justiça do Trabalho foi definida no art. 13 da IN 
39/16 do TST: 
Art. 13. Por aplicação supletiva do art. 784, I (art. 15 do CPC), o cheque e a 
nota promissória emitidos em reconhecimento de dívida 
inequivocamente de natureza trabalhista também são títulos 
extrajudiciais para efeito de execução perante a Justiça do Trabalho, na 
forma do art. 876 e segs. da CLT. 
 
Por fim, a competência para executar os títulos extrajudiciais – que também se aplica à 
sentença arbitral, conforme apontado acima – é definida com base no art. 877-A da CLT: 
Art. 877-A - É competente para a execução de título executivo extrajudicial o 
juiz que teria competência para o processo de conhecimento relativo à 
matéria. 
 EXEQUIBILIDADE DOS TÍTULOS 
Somente é exequível a obrigação que contenha as 3 características abaixo elencadas: 
1) Certeza: quando há os elementos da obrigação, isto é, as partes e o objeto (quem deve, 
a quem deve, e o que deve). 
2) Exigibilidade: será exigível o título cuja obrigação não esteja submetida a termo ou 
condição. 
3) Liquidez: quando contiver o quantum debeatur, ou seja, o valor exato a ser pago. 
Nem todas as sentenças condenatórias que reconhecem obrigação de pagar encontram-se 
quantificadas a ponto de permitirem, desde logo, a execução. Em razão disso, a ausência da 
liquidez implicará na realização da fase de liquidação anterior à execução, em consonância com 
o art. 879 da CLT: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 136 
 
Art. 879 - Sendo ilíquida a sentença exequenda, ordenar-se-á, 
previamente, a sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo, por 
arbitramento ou por artigos. 
 
José Augusto Rodrigues Pinto argumenta que a fase de liquidação contém os “atos de 
acertamento”, pois se faz o “acertamento” do débito para seguir com a execução. 
3. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA 
Consoante Manoel Antonio Teixeira Filho, a liquidação é a preparatória da execução, em 
que um ou mais atos são praticados, por uma ou por ambas as partes, com a finalidade de 
estabelecer o valor da condenação ou de individuar o objeto da obrigação, mediante a utilização, 
quando necessário, dos diversos modos de prova admitidos em lei. 
De acordo com o supramencionado art. 879 da CLT, a fase de liquidação da sentença pode 
ocorrer de 3 formas: 
1) Por cálculos; 
2) Por artigos (“pelo procedimento comum”, como traz o CPC); 
3) Por arbitramento. 
 LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS 
Promove-se a liquidação por cálculos quando no processo existem elementos suficientes 
para o cálculo do valor da obrigaçãodo título. 
Inicialmente, a liquidação por cálculos deve seguir o comando trazido nos §§ 1º-A e 1º-B do 
art. 879 da CLT: 
Art. 879, § 1º-A. A liquidação abrangerá, também, o cálculo das contribuições 
previdenciárias devidas. 
§ 1º-B. As partes deverão ser previamente intimadas para a apresentação do 
cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente. 
 
Em sequência, o Juízo deverá: 
Art. 879, § 2º Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às 
partes prazo comum de oito dias para impugnação fundamentada com 
a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de 
preclusão. 
§ 6º Tratando-se de cálculos de liquidação complexos, o juiz poderá 
nomear perito para a elaboração e fixará, depois da conclusão do trabalho, 
o valor dos respectivos honorários com observância, entre outros, dos 
critérios de razoabilidade e proporcionalidade. 
 
A manifestação de que trata o § 2º significa que se a parte não se manifestar sobre os 
cálculos, perderá a possibilidade de discutir os valores posteriormente (sob pena de preclusão). 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 137 
 
A preclusão ora focalizada tem por destinatários as partes. Isso quer dizer que não haverá 
preclusão pro judicato, ou seja, o Juiz pode, de ofício, determinar as correções que julgar 
pertinentes, caso constate, de forma inequívoca, o desrespeito ao comando sentencial exequendo 
(coisa julgada). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Tornada líquida a sentença 
trabalhista transitada em julgado, que condenou a empresa Verdes Mares 
Turismo Marítimo Ltda. a pagar o valor lá expresso a Epaminondas, conforme 
previsão da Consolidação das Leis do Trabalho, o juiz do trabalho deverá 
abrir às partes prazo comum de 8 dias para impugnação fundamentada, com 
a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de 
preclusão. Correto. 
 
(TRT-22 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Maribela, representada por 
advogado, teve êxito em reclamação trabalhista ajuizada em face de seu ex-
empregador, que foi condenado ao pagamento de diferenças salariais 
decorrentes de redução das comissões, de adicional noturno e horas extras 
pela supressão parcial do intervalo intrajornada. Transitada em julgado a 
decisão, nos termos da CLT, as partes deverão ser previamente intimadas 
para a apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição 
previdenciária incidente. Correto. 
Apresentada a manifestação das partes sobre os cálculos, haverá, em seguida, a decisão 
de liquidação. Dessa decisão NÃO cabe agravo de petição de imediato, pois é necessário efetuar 
a garantia do Juízo, eis que ainda não há duplo grau de jurisdição. Nesse caso, a parte poderá 
apresentar embargos à penhora, nos termos do art. 884, § 3º da CLT: 
Art. 884, § 3º - Somente nos embargos à penhora poderá o executado 
impugnar a sentença de liquidação, cabendo ao exequente igual direito e 
no mesmo prazo. 
 
Caso a parte apresente os embargos à penhora, o Juiz proferirá sentença de embargos, da 
qual caberá agravo de petição. 
3.1.1. Liquidação por artigos (ou pelo procedimento comum) 
Wagner Giglio argumenta que a liquidação por artigos é a forma mais complexa de 
liquidação, constituindo um verdadeiro “processo” de conhecimento, mas de função diversa do 
processo da ação de conhecimento porque não tem por escopo a formação de uma sentença 
condenatória, mas a formação de uma sentença meramente declaratória do que virtualmente se 
contém na sentença exequenda. 
A liquidação pelo procedimento comum depende de iniciativa da parte, mediante petição 
escrita (se verbal, reduzida a termo), contendo os fatos a serem provados e os respectivos meios 
de prova. 
É importante assinalar que os fatos novos que serão objeto da liquidação por artigos visam 
à fixação do quantum já decidido por sentença no processo de cognição, uma vez que nesse 
incidente processual à execução é vedado modificar ou inovar a sentença exequenda, nem discutir 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 138 
 
as matérias e questões pertinentes à lide principal cobertas pela coisa julgada, conforme determina 
o § 1º do art. 879 da CLT: 
Art. 879, § 1º - Na liquidação, não se poderá modificar, ou inovar, a 
sentença liquidanda nem discutir matéria pertinente à causa principal. 
 
José Augusto Rodrigues Pinto afirma que na liquidação por artigos o que realmente ocorre 
é a presença de um fato cuja existência já é reconhecida pela sentença (logo, não é novo), mas 
incompletamente investigado, de modo a faltar algo, ainda, de sua exata dimensão. A investigação 
que se faz é apenas complementar da intensidade com que o fato contribui para a quantificação do 
crédito a ser exigido. Ex.: se a sentença reconhece a existência de horas extras prestadas pelo 
obreiro (fato reconhecido), mas não estabelece o quantitativo de horas prestadas, há necessidade 
de apurar esses fatos de investigação complementar. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A liquidação deve obedecer 
aos estritos limites da decisão transitada em julgado, sob pena de afronta ao 
instituto da coisa julgada e à imutabilidade da decisão. Correto. 
Quanto ao procedimento da liquidação por artigos, tem-se que o processo seguirá o rito 
ordinário e não haverá revelia, de modo que a ausência de defesa na liquidação acarretará apenas 
no fato incontroverso e confissão. 
Após isso, haverá a sentença de liquidação, que pode ter 3 resultados: 
1) Os fatos (artigos) não serem provados, ocasião na qual o exequente deverá reiniciar com 
nova petição inicial; 
2) Os fatos restarem parcialmente provados; 
3) Os fatos forem provados. 
Nas 2 últimas hipóteses, não caberá agravo de petição de imediato. Deve-se, portanto, 
aguardar a garantia do Juízo e recorrer ao disposto no § 3º do art. 884 visualizado acima. 
 LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO 
Diante da lacuna da CLT, impõe-se a aplicação subsidiária do art. 509, I, do CPC: 
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, 
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: 
I – por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado 
pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação. 
 
É preciso advertir, porém, que, não obstante tenha a sentença condenatória determinado 
que a liquidação deva ser feita por arbitramento, poderá o Juiz, verificando a desnecessidade de tal 
procedimento, ordenar, de ofício, que a liquidação seja feita por cálculo, que é o procedimento mais 
simples e célere que se afina com os princípios da celeridade e economia processuais. 
Além disso, poderá o Juiz adotar tal providência, quando verificar que a liquidação por 
cálculos, se possível, é a menos gravosa para o devedor. Em tais casos, segundo Carlos Henrique 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 139 
 
Bezerra Leite, não haverá violação à coisa julgada, pois não se estará alterando ou inovando o 
conteúdo substancial da sentença exequenda, e sim estabelecendo o procedimento que conduza 
ao resultado útil do processo. 
4. EXECUÇÃO DEFINITIVA 
Dispõe o art. 880 da CLT que: 
Art. 880. Requerida a execução, o juiz ou presidente do tribunal mandará 
expedir mandado de citação do executado, a fim de que cumpra a 
decisão ou o acordo no prazo, pelo modo e sob as cominações 
estabelecidas ou, quando se tratar de pagamento em dinheiro, inclusive 
de contribuições sociais devidas à União, para que o faça em 48 (quarenta 
e oito) horas ou garanta a execução, sob pena de penhora. 
§ 1º - O mandado de citação deverá conter a decisão exequenda ou o termo 
de acordo não cumprido. 
§ 2º - A citação será feita pelos oficiais de diligência. 
§ 3º - Se o executado, procurado por 2 (duas) vezes no espaço de 48 
(quarenta e oito) horas, nãofor encontrado, far-se-á citação por edital, 
publicado no jornal oficial ou, na falta deste, afixado na sede da Junta ou 
Juízo, durante 5 (cinco) dias. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): Quando se 
tratar de execução para o pagamento de quantia em dinheiro, o devedor 
deverá pagar o montante devido ou garantir o juízo, no prazo de quarenta e 
oito horas, após a regular cientificação, sob pena de penhora. Correto. 
Ante o exposto, depois de citado, o executado terá o prazo de 48h para: 
1) Pagar, nos termos do art. 881: 
Art. 881 - No caso de pagamento da importância reclamada, será este feito 
perante o escrivão ou secretário, lavrando-se termo de quitação, em 2 (duas) 
vias, assinadas pelo exequente, pelo executado e pelo mesmo escrivão ou 
secretário, entregando-se a segunda via ao executado e juntando-se a outra 
ao processo. 
2) Garantir a execução em dinheiro, conforme a primeira parte do art. 882: 
Art. 882. O executado que não pagar a importância reclamada poderá 
garantir a execução mediante depósito da quantia correspondente, atualizada 
e acrescida das despesas processuais, apresentação de seguro-garantia 
judicial ou nomeação de bens à penhora, observada a ordem preferencial 
estabelecida no art. 835 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código 
de Processo Civil. 
3) Indicar bens à penhora, de acordo com a segunda parte do art. 882: 
Art. 882. O executado que não pagar a importância reclamada poderá 
garantir a execução mediante depósito da quantia correspondente, atualizada 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 140 
 
e acrescida das despesas processuais, apresentação de seguro-garantia 
judicial ou nomeação de bens à penhora, observada a ordem preferencial 
estabelecida no art. 835 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código 
de Processo Civil. 
 
Ressalta-se, ainda, que na indicação de bens à penhora é preciso seguir a ordem 
preferencial estabelecida no art. 835 do CPC. 
4) Manter-se inerte, hipótese na qual: 
Art. 883 - Não pagando o executado, nem garantindo a execução, seguir-se-
á penhora dos bens, tantos quantos bastem ao pagamento da 
importância da condenação, acrescida de custas e juros de mora, sendo 
estes, em qualquer caso, devidos a partir da data em que for ajuizada a 
reclamação inicial. 
 
Importante salientar que a penhora dos bens não alcançará os bens impenhoráveis 
elencados pelo art. 833 do CPC, de acordo com a IN 39/16 do TST: 
Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face 
de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que 
regulam os seguintes temas: 
XV - art. 833, incisos e parágrafos (bens impenhoráveis). 
 
Outrossim, é mister evidenciar que o executado somente será inscrito nos órgãos de 
proteção ao crédito ou no Banco Nacional dos Devedores Trabalhistas depois que ultrapassado o 
prazo de 48h (do mandado de citação do executado) + 45 dias, conforme estabelecido no art. 883-
A da CLT: 
Art. 883-A. A decisão judicial transitada em julgado somente poderá ser 
levada a protesto, gerar inscrição do nome do executado em órgãos de 
proteção ao crédito ou no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas 
(BNDT), nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo de quarenta e 
cinco dias a contar da citação do executado, se não houver garantia do 
juízo. 
 
Ressalta-se, ainda, que a IN 39/16 do TST também determina a aplicação do art. 841 do 
CPC ao Processo do Trabalho: 
Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face 
de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que 
regulam os seguintes temas: 
XVIII - art. 841, §§ 1º e 2º (intimação da penhora). 
 
Desse modo, formalizada a penhora por qualquer dos meios legais, dela será imediatamente 
intimado o executado. A intimação da penhora será feita ao advogado do executado ou à sociedade 
de advogados a que aquele pertença e não havendo advogado constituído nos autos, o executado 
será intimado pessoalmente, de preferência por via postal. 
O art. 884 da CLT trata dos embargos à execução e sua impugnação: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 141 
 
Art. 884 - Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado 5 
(cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exequente 
para impugnação. 
§ 1º - A matéria de defesa será restrita às alegações de cumprimento da 
decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da dívida. 
§ 2º - Se na defesa tiverem sido arroladas testemunhas, poderá o Juiz ou o 
Presidente do Tribunal, caso julgue necessários seus depoimentos, marcar 
audiência para a produção das provas, a qual deverá realizar-se dentro de 5 
(cinco) dias. 
§ 3º - Somente nos embargos à penhora poderá o executado impugnar a 
sentença de liquidação, cabendo ao exequente igual direito e no mesmo 
prazo. 
§ 4º Julgar-se-ão na mesma sentença os embargos e as impugnações à 
liquidação apresentadas pelos credores trabalhista e previdenciário. 
§ 5º Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo 
declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal ou em 
aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a Constituição 
Federal. 
§ 6º A exigência da garantia ou penhora não se aplica às entidades 
filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria 
dessas instituições. 
 
O Juiz julgará tudo em sentença única (§ 4º do art. 884) e tal sentença poderá ser recorrida 
mediante agravo de petição. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Cruz Alta - RS - Procurador - FUNDATEC - 2024): Sobre a 
execução no Processo do Trabalho, é correto afirmar que a matéria de defesa 
será restrita às alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação 
ou prescrição da dívida. Correto. 
 
(Prefeitura de Osasco - SP - Procurador - VUNESP - 2024): Somente é 
possível o devedor apresentar embargos mediante garantia da execução ou 
após a penhora dos bens, exceto se tratar-se de entidades filantrópicas e/ou 
àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições. 
Correto. 
 
(TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na execução trabalhista em 
que é executada a Creche Abraça Coração, entidade filantrópica, o Juiz do 
Trabalho homologou os cálculos de liquidação do exequente no valor de R$ 
10.000,00. Após fazer uso do bloqueio on-line de contas, foi penhorado o 
valor de R$ 1.000,00, tendo interesse a executada em interpor embargos à 
execução. De acordo com a CLT, a executada poderá interpor os embargos 
à execução imediatamente, pois a exigência da garantia da execução ou 
penhora de bens no valor do débito não se aplica às entidades filantrópicas. 
Correto. 
 
(Prefeitura de Jundiaí - Procurador - VUNESP - 2021): A sentença de 
liquidação trabalhista, cujo título judicial esteja fundado em ato normativo 
declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, deve ser 
impugnada pelo devedor por meio de embargos à execução. Correto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 142 
 
5. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA 
Insta rememorar, a priori, que o termo “Fazenda Pública” abrange todas as pessoas jurídicas 
de direito público, como a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios (se 
houver), bem como as suas respectivas autarquias e fundações públicas. 
Com efeito, dispõe o art. 535 do CPC que a Fazenda Pública será intimada na pessoa de 
seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 
dias e nos próprios autos, impugnar a execução. 
Tratando-se, porém de execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será 
citada para opor embargos em 30 dias. É o que prevê expressamente o art. 910 do CPC. 
Nos embargos à execuçãofundada em título extrajudicial o ente público embargante poderá 
alegar, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 910 do CPC, qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir 
como defesa no processo de conhecimento. Ademais, a Fazenda Pública/executada poderá 
também alegar impedimento ou suspeição do órgão julgador, devendo, para tanto, observar o 
disposto nos arts. 146 e 148 do CPC. 
Se a Fazenda Pública/executada alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia 
quantia superior à resultante do título, deverá ela declarar, de imediato, na própria impugnação ou 
nos embargos à execução, o valor que entende correto, sob pena de não conhecimento da arguição. 
Finda a instrução, ou inexistindo necessidade desta, o Juiz proferirá a decisão. Caso seja 
esta desfavorável, no todo ou em parte, à Fazenda Pública, não há falar-se em remessa necessária, 
já que esta condição de eficácia da sentença tem cabimento, apenas, no processo de 
conhecimento. 
Assim, o ato que julga os embargos à execução (ou a impugnação ao cumprimento da 
sentença) desfavorável às pessoas jurídicas de direito público é passível de agravo de petição (CLT, 
art. 897, a), sendo que o prazo recursal conta-se em dobro, já que o art. 1º, III, do Decreto-Lei 
779/69 confere-lhes tal prerrogativa para todo e qualquer recurso, seja no processo cognitivo ou no 
de execução. 
Transitada em julgado a decisão da impugnação ou dos embargos, o procedimento 
trabalhista cede lugar ao procedimento específico do precatório ou da Requisição de Pequeno Valor 
(RPV), conforme o caso. 
O precatório será pago em conformidade com a ordem cronológica prevista nas Súmulas 
655 do STF e 144 do STJ: 
Súmula 655 do STF: A exceção prevista no art. 100, caput, da Constituição, 
em favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a expedição de 
precatório, limitando-se a isentá-los da observância da ordem cronológica dos 
precatórios decorrentes de condenações de outra natureza. 
 
Súmula 144 do STJ: Os créditos de natureza alimentícia gozam de 
preferência, desvinculados os precatórios da ordem cronológica dos créditos 
de natureza diversa. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 143 
 
(PGE-AM - Procurador - FCC - 2022): Aristóteles propõe reclamatória 
trabalhista em face da empresa Deuses do Olimpo Ltda., que era contratada 
do Estado W para serviços de manutenção de rodovias estaduais, 
requerendo também a responsabilidade do Estado por eventuais créditos 
decorrentes da procedência dos pedidos. Na hipótese de haver alguma 
condenação em face da empresa prestadora de serviços, em caso de sua 
insolvência, serão devidos honorários sucumbenciais também pela Fazenda 
Pública, em patamar não superior a 15% do valor que resultar da liquidação 
de sentença, independentemente de o autor estar ou não assistido pelo 
sindicato da categoria. Correto. 
6. EXECUÇÃO CONTRA A MASSA FALIDA OU EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
No caso das empresas em recuperação judicial ou da massa falida, a Justiça do Trabalho 
será competente para processar e julgar toda a fase de conhecimento. No entanto, com a formação 
do título executivo, incumbe ao exequente a habilitação do crédito no Juízo Falimentar, conforme 
prevê o art. 6º, § 2º da Lei 11.101/05. Sendo assim, a fase de execução é toda processada no Juízo 
Falimentar. 
Vale dizer, o trabalhador poderá diretamente, isto é, perante o administrador judicial, postular 
a habilitação, exclusão ou modificação dos seus créditos trabalhistas ou, caso tenha optado por 
ajuizar ação trabalhista, esta tramitará na Justiça Especializada até a apuração do respectivo 
crédito. Após a apuração do quantum debeatur, será expedida certidão em favor do credor e seu 
crédito trabalhista será habilitado perante o quadro geral de credores no Juízo Falimentar. 
Além disso, o Juiz do trabalho poderá determinar a reserva da importância que estimar 
devida na recuperação judicial ou na falência e, uma vez reconhecido líquido o direito, será o crédito 
incluído na classe própria. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-RN - Procurador - CESPE - 2024): Ainda que haja litisconsórcio 
passivo com pessoa jurídica de direito público, compete ao juízo universal 
falimentar processar e julgar demandas cíveis com pedidos ilíquidos contra a 
massa falida. Errado. 
Sobre o tema, importante visualizar o posicionamento jurisprudencial do STJ no sentido de 
que compete ao juízo falimentar a execução de contribuições previdenciárias decorrentes de 
sentença proferida pela Justiça do Trabalho e devidas por sociedade falida: 
CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DA FALÊNCIA E JUÍZO 
DO TRABALHO. EXECUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 
7º-A DA LEI 11.101/05. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE 
DE CLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO PÚBLICO. SUSPENSÃO DAS 
EXECUÇÕES. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FALIMENTAR. 1. Conflito de 
competência suscitado em 24/1/2023. Autos conclusos ao gabinete em 
27/4/2023. 2. O propósito do presente incidente é definir o juízo competente 
para a execução de contribuições previdenciárias decorrentes de sentença 
proferida pela Justiça do Trabalho e devidas por sociedade falida. 3. Em 
atenção às alterações promovidas pela Lei 14.112/20 na Lei 11.101/05, em 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 144 
 
especial às disposições integrantes do art. 7º-A, caput e §§ 2º, 4º, V, e 6º, 
deste diploma legal, é necessária a instauração, pelo juízo falimentar, para 
cada Fazenda Pública credora, de incidente de classificação de créditos 
públicos - discutidos em execuções fiscais e em execuções instauradas de 
ofício -, sendo de rigor a suspensão dessas demandas até o encerramento 
da falência. 4. A execução de crédito público devido por sociedade falida nos 
próprios autos da ação trabalhista contra ela movida invade a esfera de 
competência do juízo falimentar. 5. Conflito conhecido. Declarada a 
competência do JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DE NOVA LIMA - 
MG. (CC 202.607-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, por 
unanimidade, julgado em 13/11/2024, DJe 18/11/2024). 
 
Também é importante trazer à tona entendimentos do STJ com relação aos créditos 
trabalhistas na recuperação judicial: 
Ultrapassado o período de blindagem (Stay Period) e inexistindo decisão do 
Juízo recuperacional determinando sua prorrogação ou a subsistência de 
seus efeitos, a execução do crédito trabalhista concursal pode prosseguir 
normalmente perante o Juízo trabalhista. (CC 199.496-CE, Rel. Ministro 
Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 
11/9/2024). 
 
Significa, portanto, que exaurido o prazo de blindagem – período de 180 (cento e oitenta) 
dias previsto no art. 6º, § 4º, da Lei 11.101/2005, em que são suspensas todas as ações e 
execuções movidas em face da empresa em recuperação judicial – e não tendo o Juízo da 
recuperacional determinado sua prorrogação ou a subsistência de seus efeitos, as execuções 
individuais, inclusive, as de crédito concursal, podem prosseguir, não mais subsistindo a 
competência do Juízo recuperacional. 
Exaurido o stay period, compete ao Juízo trabalhista a execução de crédito 
trabalhista extraconcursal, sendo vedado ao Juízo da recuperação judicial 
proceder ao controle dos atos constritivos a serem exarados. (CC 191.533-
MT, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por maioria, 
julgado em 18/4/2024, DJe 26/4/2024). 
 
Ressalta-se que a partir da entrada em vigência da Lei 14.112/2020, o Juízo da recuperação 
judicial tem a competência específica para determinar o sobrestamento dos atos de constrição 
exarados no bojo de execução de crédito extraconcursal que recaíam sobre bens de capital 
essenciais à manutenção da atividade empresarial durante o período de blindagem. Em se tratando 
de execuções fiscais, a competência do Juízo recuperacional restringe-se a substituir os atos de 
constriçãodo art. 
831 da CLT: 
Art. 831 - No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como 
decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições 
que lhe forem devidas. 
 PRINCÍPIO DA NORMATIZAÇÃO COLETIVA 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 10 
 
A Justiça do Trabalho brasileira é a única que pode exercer o chamado poder normativo, 
que consiste no poder de criar normas e condições gerais e abstratas (atividade típica do Poder 
Legislativo), proferindo sentença normativa com eficácia ultra partes, cujos efeitos irradiarão para 
os contratos individuais dos trabalhadores integrantes da categoria profissional representada pelo 
sindicato que ajuizou o dissídio coletivo. 
Essa função especial (competência) conferida aos tribunais trabalhistas é autorizada pelo 
art. 114, § 2º, da CF/88, segundo o qual: 
Art. 114, § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à 
arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio 
coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o 
conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, 
bem como as convencionadas anteriormente. 
 
O princípio da normatização coletiva não é absoluto, pois encontra limites na própria 
Constituição, nas leis de ordem pública de proteção ao trabalhador e nas cláusulas (normas) 
anteriores previstas em convenções e acordos coletivos que disponham sobre condições mínimas 
de determinada categoria profissional. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-4 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): De acordo com a Consolidação 
das Leis do Trabalho, no exame de uma convenção ou acordo coletivo, a 
Justiça do Trabalho balizará sua atuação pelo princípio da intervenção 
mínima na autonomia da vontade coletiva. Correto. 
 OUTROS PRINCÍPIOS DO PROCESSO TRABALHISTA 
1) Princípio da simplicidade das formas: o art. 899 da CLT consagra expressamente que 
os recursos serão interpostos por simples petição, isto é, sem os formalismos extremos 
exigidos nos recursos de natureza extraordinária. 
2) Princípio da celeridade: os Juízes e os Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na 
direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Juazeiro - BA - Procurador - IDIB - 2024): O processo 
trabalhista deve seguir, dentre outros, os princípios da oralidade, simplicidade 
e celeridade. O recurso ordinário é a principal forma de impugnação das 
decisões de primeira instância, e a execução definitiva só pode ocorrer após 
o trânsito em julgado da sentença. Correto. 
 
(MPT - Promotor - MPT - 2022): Em razão da necessidade de 
compatibilização com o princípio da celeridade do Processo do Trabalho, 
considera-se fundamentada a decisão judicial ainda que não enfrente todos 
os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a 
conclusão adotada pelo julgador. Errado. 
3) Princípio da extrapetição: refere-se ao julgamento extra petita, em que é permitido ao 
magistrado deferir ou determinar algo que não foi expressamente requerido pela parte, 
seja por autorização legal, seja pelo reconhecimento jurisprudencial dessa possibilidade. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 11 
 
A CLT reconhece o princípio da extrapetição, como se infere dos seus arts. 137, § 2º, 467 e 
496 abaixo elencados: 
Art. 137 - Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata 
o art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração. 
§ 2º - A sentença cominará pena diária de 5% (cinco por cento) do salário 
mínimo da região, devida ao empregado até que seja cumprida. 
 
Art. 467. Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia 
sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar 
ao trabalhador, à data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte 
incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas de 
cinquenta por cento. 
 
Art. 496 - Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, 
dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente 
quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá 
converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do artigo 
seguinte. 
 
O item II da Súmula 396 do TST também o consagra, ao dispor: “Não há nulidade por 
julgamento extra petita da decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados 
os termos do art. 496 da CLT”. 
 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS AO PROCESSO DO TRABALHO 
Por se tratar de ramo do direito processual, ao Processo do Trabalho também são aplicáveis 
os seguintes princípios: 
1) Dignidade da pessoa humana; 
2) Efetivo acesso à justiça; 
3) Devido processo legal; 
4) Duração razoável do processo; 
5) Contraditório; 
6) Ampla defesa; 
7) Razoabilidade; 
8) Proporcionalidade; 
9) Fundamentação das decisões. 
10) Imparcialidade do juiz; 
11) Juiz natural. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 12 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TST - Juiz - FGV - 2023): Em determinada comarca, na qual havia somente 
uma Vara do Trabalho, ao apresentar sua defesa em mais uma das diversas 
reclamações que já tinha respondido na mesma Vara, a empresa apresentou 
também exceção de suspeição do juiz. Alegou que o magistrado já havia 
julgado diversas outras reclamações sobre os mesmos fatos, sempre em 
desfavor dela, excipiente. Juntou cópias das diversas sentenças às quais se 
referia. O juiz, ao examinar tudo, rejeitou de plano a exceção. Estando na 
posição desse juiz, é correto afirmar que os princípios que melhor 
fundamentariam sua decisão seriam da publicidade e do juiz natural. Correto. 
5. CAPACIDADE POSTULATÓRIA 
Capacidade postulatória, também chamada de jus postulandi, é a capacidade para postular 
em juízo. Trata-se de autorização reconhecida a alguém pelo ordenamento jurídico para praticar 
atos processuais. 
Insta salientar, a priori, que a capacidade postulatória NÃO se confunde com a capacidade 
de ser parte nem com a capacidade processual. 
No entendimento de Carlos Henrique Bezerra, toda pessoa humana, também chamada de 
pessoa natural ou pessoa física, é capaz de adquirir direitos e contrair obrigações. Trata-se da 
personalidade civil, que se inicia com o nascimento com vida, muito embora a lei já garanta ao 
nascituro, desde a concepção, alguns direitos fundamentais. Assim, todo ser humano tem 
capacidade de ser parte, independentemente de sua idade ou condição psíquica ou mental, seja 
para propor ação, seja para defender-se, seja para intervir na relação processual. É, pois, um direito 
universal conferido a toda pessoa humana. 
Já a capacidade processual, ou capacidade de estar em juízo, é outorgada pelo direito 
positivo às pessoas que possuem a capacidade civil (art. 70 do CPC). Entende-se por capacidade 
civil a faculdade que tem a pessoa de praticar todos os atos da vida civil e de administrar os seus 
bens. 
Em regra, a pessoa com capacidade de ser parte também terá capacidade processual. 
Todavia, há casos em que, embora tenha capacidade de ser parte, o titular do direito material não 
tem capacidade processual, isto é, capacidade de estar em juízo. 
A capacidade civil (arts. 3º e 4º do Código Civil), por sua vez, possui 3 níveis: 
1) Capacidade plena; 
2) Relativamente incapaz; 
3) Absolutamente incapaz. 
Acerca do relativamente incapaz e do absolutamente incapaz, importante verificar o disposto 
nos arts. 4º e 5º do Código Civil: 
Art. 4° São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 13 
 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. 
 
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa 
fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará,que recaíam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial 
até o encerramento da recuperação judicial. 
Para o STJ, uma vez exaurido o período de blindagem – mormente nos casos em que 
sobrevém sentença de concessão da recuperação judicial, a ensejar a novação de todas as 
obrigações sujeitas ao plano de recuperação judicial –, é absolutamente necessário que o credor 
extraconcursal tenha seu crédito devidamente equalizado no âmbito da execução individual, não 
sendo possível que o Juízo da recuperação continue, após tal interregno, a obstar a satisfação do 
crédito, com suporte no princípio da preservação da empresa, o qual não se tem por absoluto. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 145 
 
Em continuidade, art. 151 da Lei de Falências prescreve, ainda, que os créditos trabalhistas 
de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 meses anteriores à decretação da falência, até o 
limite de 5 salários mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. 
Vale mencionar que, de acordo com o art. 83 da Lei 11.101/05, o crédito trabalhista é 
preferencial até 150 salários mínimos. Ultrapassado o referido valor, o restante do crédito 
permanecerá habilitado, mas como crédito quirografário: 
Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: 
I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e 
cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de 
acidentes de trabalho. 
 
Por fim, destaca-se que o art. 60, parágrafo único e o art. 141, II, ambos da Lei 11.101/05, 
definem que não há sucessão trabalhista entre o falido e o adquirente do falido, com base nos 
seguintes termos: 
Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação 
judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz 
ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. 
Parágrafo-único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e 
não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor de 
qualquer natureza, incluídas, mas não exclusivamente, as de natureza 
ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção, tributária e 
trabalhista, observado o disposto no § 1º do art. 141 desta Lei. 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa 
ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o 
art. 142: 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá 
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de 
natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as 
decorrentes de acidentes de trabalho. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-16 - Técnico Judiciário - FGV - 2022): Em determinada reclamação 
trabalhista que tramita perante a 30ª Vara do Trabalho de Barreirinhas/MA, 
foi homologada a quantia de R$ 10.000,00 devida ao exequente a título de 
dano moral, pois a sentença foi proferida de forma líquida e ambas as partes 
concordaram com o valor. Ocorre que, no dia seguinte, a sociedade 
empresária teve a falência decretada. Diante dos fatos narrados e da norma 
de regência, sobre o destino da execução, é correto afirmar que deverá ser 
expedida certidão de crédito ao reclamante pelo valor homologado para 
habilitação junto à massa falida. Correto. 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 146 
 
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TRABALHISTAS 
1. INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE 
1.1 CONCEITO 
À luz da teoria geral do direito processual, pode-se afirmar que o inquérito judicial para 
apuração de falta grave possui natureza de ação constitutiva (negativa) necessária para apuração 
de falta grave que autoriza a resolução do contrato de trabalho do empregado estável por iniciativa 
do empregador. 
O art. 492 da CLT estabelece o seguinte: 
Art. 492 - O empregado que contar mais de 10 (dez) anos de serviço na 
mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave 
ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas. 
Parágrafo único - Considera-se como de serviço todo o tempo em que o 
empregado esteja à disposição do empregador. 
 
Nesse sentido, o art. 494 da CLT prevê que o empregado estável acusado de falta grave 
poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito 
em que se verifique a procedência da acusação. 
1.2 TRABALHADORES DESTINATÁRIOS DO INQUÉRITO 
Alguns trabalhadores em situações especiais só podem ser validamente despedidos se 
praticarem falta grave devidamente apurada nos autos de ação de inquérito judicial, como: 
1) Dirigentes sindicais (CF, art. 8º, VIII, e Súmula 197 do STF); 
2) Representantes dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS (Lei 8.036/90, art. 3º, 
§ 9º); 
3) Dirigentes de Cooperativa de Empregados (Lei 5.764/71, art. 55); 
4) Representantes dos trabalhadores no Conselho Nacional de Previdência Social (Lei 
8.213/91, art. 3º, § 7º); 
5) Representantes dos trabalhadores nas Comissões de Conciliação Prévia (CLT, art. 625-
B, § 1º). 
Fora das hipóteses de estabilidade ou garantia provisória no emprego indicadas acima, NÃO 
há interesse processual do autor (empregador) para ajuizar a ação de inquérito judicial para 
apuração de falta grave dos seguintes trabalhadores: 
1) Empregado acidentado (Lei 8.213/93, art. 118); 
2) Empregada gestante; 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 147 
 
3) Empregado membro eleito de CIPA ou “cipeiro” (ADCT, art. 10, II); 
4) Qualquer outro empregado destinatário da garantia no emprego (CF, art. 7º, I; OIT, 
Convenção 158; Convenção ou Acordo Coletivo etc.). 
Em todos esses casos, os trabalhadores são titulares do direito de garantia provisória no 
emprego, mas a lei não exige a apuração judicial da falta grave para eles serem dispensados, razão 
pela qual o empregador não necessita de autorização judicial para extinguir o contrato de trabalho. 
Com relação a tais trabalhadores, se o empregador, inadvertidamente, ajuizar o inquérito 
judicial para apuração de falta grave, o juiz deve extinguir o processo sem resolução de mérito por 
carência de ação, em função da ausência de interesse processual (ausência de necessidade e 
inadequação da via eleita). 
1.3 PROCEDIMENTO 
O procedimento do inquérito judicial para apuração de falta grave encontra-se regulado nos 
arts. 853 a 855, bem como nos arts. 494 a 499, todos da CLT. Assim segue: 
Art. 853 - Para a instauração do inquérito para apuração de falta grave contra 
empregado garantido com estabilidade, o empregador apresentará 
reclamação por escrito à Junta ou Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) 
dias, contados da data da suspensão do empregado. 
 
Art. 854 - O processo do inquérito perante a Junta ou Juízo obedecerá às 
normas estabelecidas no presente Capítulo, observadas as disposições 
desta Seção. 
 
Art. 855 - Se tiver havido prévio reconhecimento da estabilidade do 
empregado, o julgamento do inquérito pela Junta ou Juízo não 
prejudicará a execução para pagamento dos salários devidos ao 
empregado, até a data da instauração do mesmo inquérito. 
 
Art. 494 - O empregado acusado de falta grave poderá ser suspenso de 
suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o 
inquérito e que se verifique a procedência da acusação. 
Parágrafo único - A suspensão, no caso deste artigo, perdurará até a 
decisão final do processo. 
 
Art. 495 - Reconhecida a inexistência de falta grave praticada pelo 
empregado, fica o empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a 
pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão. 
 
Art. 496 - Quando a reintegração do empregado estável for 
desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, 
especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do 
trabalho poderá converterpara os menores, a incapacidade: 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de 
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos 
completos tenha economia própria. 
 
O inciso V do art. 5º traz a hipótese de emancipação legal do relativamente incapaz, que 
ocorrerá quando o menor possuir emprego e ter economia própria. Isto posto, necessário se faz 
evidenciar 2 consequências distintas em razão da idade: 
1) Entre 16 completos e 18 anos incompletos: o menor adquire capacidade plena (por 
emancipação) para exercer todos aos atos da vida civil, desde que tenha carteira de 
trabalho devidamente anotada e percebendo os direitos sociais trabalhistas 
correspondentes. Logo, além de poder celebrar e rescindir contrato de trabalho, adquirirá 
capacidade processual para demandar pessoalmente (jus postulandi) na Justiça do 
Trabalho ou contratar advogado para representá-lo. 
2) Abaixo de 16 anos: é incapaz para a prática de atos da vida civil. Logo, será 
representado por quem detenha o poder familiar (art. 1.634 do Código Civil) ou, na sua 
falta, de forma sucessiva, pelo MPT, pelo sindicato da correspondente categoria 
profissional, pelo MP estadual ou curador nomeado pelo juiz. 
Sobre o menor de idade, a CLT traz, ainda, a seguinte disposição: 
Art. 793. A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus 
representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do 
Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador 
nomeado em juízo. 
 
Nos domínios do Processo do Trabalho, a capacidade postulatória é facultada diretamente 
aos empregados e aos empregadores, nos termos do art. 791 da CLT, in verbis: 
Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar 
pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas 
reclamações até o final. 
 
Pode-se dizer, portanto, que o jus postulandi, no Processo do Trabalho, é a capacidade (e 
faculdade) conferida por lei às partes, como sujeitos da relação de emprego, para postularem 
diretamente em juízo, sem necessidade de serem representadas por advogado. 
Todavia, o jus postulandi NÃO se aplica a toda e qualquer situação, de modo que nos casos 
abaixo elencados, a representação por advogado será necessária: 
1) Nas ações para homologação de acordo extrajudicial, nos termos do art. 855-B da CLT: 
Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início 
por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por 
advogado. 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 14 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de São José dos Campos - Procurador - VUNESP - 2019): 
Determinado empregado celebrou acordo extrajudicial com seu empregador, 
e pretende a homologação pelo juiz do trabalho da localidade. Nesta situação, 
é correto afirmar que as partes não poderão ser representadas por advogado 
comum. Correto. 
2) Nas ações que NÃO versem sobre relação de emprego, de acordo com a IN 27/05 do 
TST; 
Com a EC 45/04, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar 
outras ações oriundas da relação de trabalho, e não apenas as derivadas da relação de emprego, 
a IN 27/05 do TST deixou implícita a ilação de que nessas novas demandas que passaram para a 
competência da Justiça do Trabalho é indispensável o patrocínio das partes por advogados. 
3) No mandado de segurança e na ação rescisória, conforme a Súmula 425 do TST: 
JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE (Res. n. 
165/2010, DEJT divulgado em 30-4-2010 e 3 e 4-5-2010). O jus postulandi 
das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho 
e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, 
a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do 
Tribunal Superior do Trabalho. 
4) No TST e em recursos para o TST. 
Sobreleva reiterar, ainda, que no Processo do Trabalho o jus postulandi das próprias partes 
só pode ser exercido junto aos órgãos que integram a Justiça do Trabalho. Assim, na hipótese de 
interposição de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal, momento em que se 
esgota a “jurisdição trabalhista”, a parte deverá estar necessariamente representada por advogado. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): Segundo o TST, o jus postulandi 
das partes, estabelecido na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), limita-
se às varas do trabalho e aos TRT, não alcançando a ação rescisória, a ação 
cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do TST. 
Correto. 
 
(PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): O jus postulandi concede à parte 
no processo do trabalho litigar em qualquer instância da justiça do trabalho, 
exceto em casos de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. 
Errado. 
6. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA 
Os honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, nas lides oriundas da relação de 
emprego ou relação de trabalho avulso, eram devidos apenas na hipótese do art. 14 da Lei 5.584/70. 
Vale dizer, nos termos desse preceptivo, os honorários advocatícios no Processo do Trabalho não 
decorriam da simples sucumbência, nem seriam destinados ao advogado e, sim, ao sindicato que 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 15 
 
prestou assistência judiciária ao trabalhador. Nesse sentido era a antiga redação da Súmula 219 do 
TST. 
Com efeito, nos termos do art.16 da Lei 5.584/70, os “honorários do advogado pagos pelo 
vencido reverterão em favor do Sindicato assistente”. Ocorre que o referido artigo foi revogado 
expressamente pela Lei 13.725/18. 
Aliás, os §§ 6º e 7º do art. 22 do Estatuto da Advocacia (incluídos pela Lei 13.725/18) 
passaram a prescrever que: 
Art. 22, § 6º O disposto neste artigo aplica-se aos honorários assistenciais, 
compreendidos como os fixados em ações coletivas propostas por entidades 
de classe em substituição processual, sem prejuízo aos honorários 
convencionais. 
§ 7º Os honorários convencionados com entidades de classe para atuação 
em substituição processual poderão prever a faculdade de indicar os 
beneficiários que, ao optarem por adquirir os direitos, assumirão as 
obrigações decorrentes do contrato originário a partir do momento em que 
este foi celebrado, sem a necessidade de mais formalidades. 
 
Cumpre salientar, ainda, que invocando o tratamento da matéria pelo CPC/2015, o TST 
alterou substancialmente a Súmula 219, que passou a ter a seguinte redação: 
Súmula 219 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. 
I – Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários 
advocatícios não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a 
parte, concomitantemente: a) estar assistida por sindicato da categoria 
profissional; b) comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário 
mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita 
demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família (art. 14, 
§ 1º, da Lei n. 5.584/1970). 
II – É cabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em 
ação rescisória no processo trabalhista. 
III – São devidos os honorários advocatícios nas causas em que o ente 
sindical figure como substituto processual e nas lides que não derivem da 
relação de emprego. 
IV – Na ação rescisória e nas lides que não derivem de relação de emprego, 
a responsabilidade pelo pagamento dos honorários advocatícios da 
sucumbência submete-se à disciplina do Código de Processo Civil (arts. 85, 
86, 87 e 90). 
V – Em caso de assistência judiciária sindical ou de substituição processual 
sindical, excetuados os processos em que a Fazenda Pública for parte, os 
honorários advocatícios são devidos entre o mínimo de dez e o máximo de 
vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido 
ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valoratualizado da causa (CPC 
de 2015, art. 85, § 2º). 
VI – Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, aplicar-se-ão os 
percentuais específicos de honorários advocatícios contemplados no Código 
de Processo Civil. 
 
Entretanto, todas as teses fixadas na Súmula 219 do TST deverão ser reexaminadas em 
função do art. 791-A da CLT, acrescentado pela Lei 13.467/17, in verbis: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 16 
 
Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos 
honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) 
e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação 
da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-
lo, sobre o valor atualizado da causa. 
 
Dessa forma, continua existindo a faculdade do jus postulandi das próprias partes (CLT, art. 
791 e Súmula 425 do TST), aplicando-se, no que couber, a Súmula 219 do TST. Entretanto, caso 
a parte esteja litigando com o patrocínio de advogado, a este serão devidos honorários advocatícios 
nos termos do art. 791-A da CLT. 
No tocante à eficácia temporal do art. 791-A, o art. 6º da IN 41/18 do TST prevê que a 
condenação em honorários advocatícios sucumbenciais, prevista no art. 791-A, e parágrafos, da 
CLT, será aplicável apenas às ações propostas após 11 de novembro de 2017 (Lei 13.467/17, 
Reforma Trabalhista). Nas ações propostas anteriormente, subsistem as diretrizes do art. 14 da Lei 
5.584/70 e das Súmulas 219 do TST. 
É importante vislumbrar, ainda, que o STF, em acórdão turmário, entendeu que o direito aos 
honorários advocatícios sucumbenciais previstos no art. 791-A da CLT surge no instante da 
prolação da sentença, e não do ajuizamento da ação: 
AGRAVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO PROCESSO DO 
TRABALHO. ART. 791-A DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO, 
INTRODUZIDO PELA LEI N. 13.467/2017. INAPLICABILIDADE A 
PROCESSO JÁ SENTENCIADO. 1. A parte vencedora pede a fixação de 
honorários advocatícios na causa com base em direito superveniente – a Lei 
n. 13.467/2017, que promoveu a cognominada “Reforma Trabalhista”. 2. O 
direito aos honorários advocatícios sucumbenciais surge no instante da 
prolação da sentença. Se tal crédito não era previsto no ordenamento 
jurídico nesse momento processual, não cabe sua estipulação com base 
em lei posterior, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade da 
lei. 3. Agravo interno a que se nega provimento (STF-ARE n. 1.014.675 AgR, 
Rel. Min. Alexandre de Moraes, Primeira Turma, j. 23-3-2018, processo 
eletrônico DJe-070 divulg. 11-04-2018, public. 12-4-2018). 
 
Por fim, de acordo com o § 18 do art. 85 do CPC, aplicável subsidiariamente ao Processo 
do Trabalho, caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários 
advocatícios ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança, cuja 
competência será da Justiça do Trabalho (CF, art. 114, I). 
 CARACTERÍSTICAS DOS HONORÁRIOS 
Importante visualizar, a priori, o disposto nos parágrafos do art. 791-A: 
Art. 791-A, § 1º Os honorários são devidos também nas ações contra a 
Fazenda Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou 
substituída pelo sindicato de sua categoria. 
§ 2º Ao fixar os honorários, o juízo observará: 
I - o grau de zelo do profissional; 
II - o lugar de prestação do serviço; 
III - a natureza e a importância da causa; 
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CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 17 
 
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu 
serviço. 
§ 3º Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de 
sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários. 
§ 4º Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido 
em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a 
despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob 
condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas 
se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que 
as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de 
insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, 
extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário. 
§ 5º São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. 
 
Constata-se que os honorários advocatícios são devidos nas ações: 
1) Em que o advogado atue em causa própria; 
2) Contra a Fazenda Pública; 
3) Em que a parte estiver assistida pelo sindicato de sua categoria; 
4) Em que o sindicato atuar como substituto processual (quando atuar em nome próprio na 
defesa de interesse/direito alheio). 
Os honorários advocatícios são devidos, ainda, na reconvenção. 
Outrossim, os honorários serão fixados entre o mínimo de 5% e o máximo de 15% sobre 
o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível 
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, devendo ser utilizados, ainda, os parâmetros 
elencados no § 2º do art. 791-A. 
Cabe a sucumbência recíproca, salientando que o § 3º prevê expressamente que é vedada 
a compensação entre honorários. 
Por fim, é importante ressaltar que o § 4º do art. 791-A responsabilizava a parte sucumbente 
(vencida) pelo pagamento dos honorários de sucumbência, ainda que beneficiária da justiça 
gratuita. Contudo, o STF, na ADI 5766, declarou tal dispositivo inconstitucional: 
São inconstitucionais as normas trabalhistas que determinam o 
pagamento de honorários periciais e advocatícios por beneficiários da 
justiça gratuita, caso percam a ação, mas obtenham créditos suficientes 
para o pagamento dessas despesas, ainda que em outra demanda. STF. 
Plenário. ADI 5766/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, redator do acórdão Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 20/10/2021 (Info 1035). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Afrodite é advogada e está 
atuando em causa própria em reclamação trabalhista em face da sua ex-
empregadora a Fábrica de Cadeados Tranca Rua Ltda. Considerando o que 
dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho, na situação descrita, em caso 
de procedência da ação, seriam devidos honorários advocatícios 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 18 
 
sucumbenciais até o limite máximo de 15% do proveito econômico da ação, 
mesmo no caso de atuação do advogado em causa própria. Correto. 
 
(TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Demóstenes propôs ação 
trabalhista em face do seu ex-empregador a Churrascaria Boi no Prato, tendo 
sido a referida empresa condenada a pagar R$ 30.000,00 de verbas 
contratuais, rescisórias e diferenças de FGTS ao autor, acrescido de 
honorários sucumbenciais. Sabendo-se que Demóstenes celebrou com seu 
advogado particular contrato de honorários à base de 10% do valor da 
condenação, com base na Consolidação das Leis do Trabalho, o valor 
máximo da condenação em honorários sucumbenciais ao patrono do autor 
será de R$ 4.500,00. Correto. 
 
(PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Na justiça do trabalho, a fazenda 
pública poderá ser condenada ao pagamento de honorários de sucumbência 
nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída por sindicato de sua 
categoria. Correto. 
 
(PGE-PE - Procurador - CESPE - 2018): Ao advogado, ainda que atuando 
em causa própria, serão devidos honorários sucumbenciais, inclusive nas 
ações contra a fazenda pública. Correto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 19JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
A jurisdição é uma matéria atinente à teoria do poder. Assim, por si só, refere-se ao poder 
de dizer o direito e é ilimitada. A competência, por sua vez, é o limite do poder, uma vez que 
determina o limite do exercício do poder jurisdicional. 
Isto posto, pode-se inferir que a jurisdição tem íntima relação com a competência. 
Tradicionalmente, fala-se que a competência é a medida da jurisdição de cada órgão judicial. 
Há consenso na doutrina processual brasileira de que os critérios de competência são os 
seguintes: 
1) Funcional: estabelece quais atribuições cada órgão possui, segundo a sua hierarquia. 
2) Material: define quais relações jurídicas são da competência daquele ramo do Poder 
Judiciário. Assim, a competência em razão da matéria no Processo do Trabalho é 
delimitada em virtude da natureza da relação jurídica material deduzida em Juízo. 
3) Pessoal: é a competência definida em razão da qualidade das partes envolvidas na 
relação jurídica controvertida. No âmbito do Processo do Trabalho, é definida apenas em 
situações excepcionais, uma vez que todos que estão inseridos em uma relação jurídica 
da competência material, poderão acionar ou ser acionados na Justiça do Trabalho. 
4) Territorial: cuida do limite geográfico de atuação do órgão jurisdicional. A expressão 
competência territorial se deve à necessidade de fixar um juiz entre a pluralidade de 
outros da mesma espécie ou com o mesmo grau de jurisdição, atribuindo-se a ele uma 
porção territorial, dentro da qual está sua sede. 
Ex.: Thais é Juíza da 35ª Vara (competência funcional) do Trabalho (competência material) 
de Salvador (competência territorial). 
2. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA 
A competência absoluta é aquela atribuída em razão de interesse público. Com isso, é 
inderrogável pela vontade das partes, ou seja, não é possível modificar a regra de competência. 
Tendo em vista que a regra de competência absoluta é estabelecida em razão do interesse 
público, o interesse público trata também da declaração de incompetência, podendo ocorrer a 
qualquer tempo, por provocação de qualquer interessado ou de ofício pelo juiz, possuindo, nesse 
liame, efeitos ex tunc. 
Importante salientar que o art. 64, § 4º do CPC – e que se aplica ao Processo do Trabalho 
– prevê que: 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 20 
 
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão 
preliminar de contestação. 
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos 
de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja 
proferida, se for o caso, pelo juízo competente. 
 
Importante evidenciar que as competências absolutas são as competências material e 
funcional. 
No que tange à competência relativa, salienta-se que esta visa o maior acesso ao Poder 
Judiciário, de modo que é atribuída estritamente em razão de interesse das partes. Assim, é 
derrogável, razão pela qual se as partes quiserem alterar a regra, é possível. 
Além disso, só há declaração de incompetência relativa se a incompetência for arguida pelo 
Réu/Reclamado na primeira oportunidade, vide a Súmula 33 do STJ: 
Súmula 33 do STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada de 
ofício. 
 
Outrossim, possui efeitos ex nunc, valendo da arguição de nulidade em diante. 
No âmbito do Processo do Trabalho, a competência relativa é a territorial. 
Ainda sobre o tema competência absoluta e relativa, importante evidenciar as seguintes 
observações: 
1) O art. 795, § 1º da CLT estabelece que deverá ser declarada de ofício a nulidade fundada 
em incompetência de foro. O “foro” a que se refere o art. 795 é o foro trabalhista e, 
portanto, trata-se de competência material da Justiça do Trabalho. Sendo assim, é uma 
competência absoluta que pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, e não uma 
incompetência territorial. 
2) O art. 2º, inciso I da Instrução Normativa 39/2016 do TST – que trata da aplicação do 
CPC ao Processo do Trabalho – preleciona o seguinte: 
Art. 2° Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Trabalho, 
em razão de inexistência de omissão ou por incompatibilidade, os seguintes 
preceitos do Código de Processo Civil: 
I - art. 63 (modificação da competência territorial e eleição de foro). 
 
Portanto, em se tratando da Justiça do Trabalho, as partes NÃO podem modificar a 
competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de 
direitos e obrigações. 
3) Conexão e continência não se referem à competência, mas à prevenção do Juízo através 
da reunião de causas para evitar julgamento dissonante. 
3. COMPETÊNCIA MATERIAL 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 21 
 
De acordo com Carlos Henrique Bezerra, a competência em razão da matéria no Processo 
do Trabalho é delimitada em virtude da natureza da relação jurídica material deduzida em juízo. 
Tem-se entendido que a determinação da competência material da Justiça do Trabalho é fixada em 
decorrência da causa de pedir e do pedido. 
Assim, se o autor da demanda aduz que a relação material entre ele e o réu é a regida pela 
CLT e formula pedidos de natureza trabalhista, só há um órgão do Poder Judiciário pátrio com 
competência para processar e julgar tal demanda: a Justiça do Trabalho. 
A competência material está prevista no art. 114 da CF/88. Ela define quais relações 
jurídicas podem ser apreciadas pela Justiça do Trabalho, conforme expresso abaixo: 
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito 
público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
II as ações que envolvam exercício do direito de greve; 
III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos 
e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; 
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o 
ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; 
V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, 
ressalvado o disposto no art. 102, I, o; 
VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes 
da relação de trabalho; 
VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; 
VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, 
I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; 
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da 
lei. 
 
Passa-se, então, a discorrer de forma pormenorizada acerca de cada uma delas. 
 AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO, ABRANGIDOS OS ENTES 
DE DIREITO PÚBLICO EXTERNO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E 
INDIRETA DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS 
O inciso I do art. 114 da CF/88 é bastante complexo, razão pela qual seu estudo será dividido 
em 3 partes. 
1) “Ações oriundas da relação de trabalho” 
A relação de trabalho é um gênero que comporta a prestação de força humana de um em 
favor de outrem. Dentro do gênero “relação de trabalho”, há diversas espécies, dentre as quais está 
a relação de emprego. 
Significa dizer, portanto, que a Justiça do Trabalho não abarca apenas empregados, mas 
toda e qualquer lesão ou ameaça de lesão que ocorra em qualquer relação de trabalho. Ex.: trabalho 
voluntário, trabalho avulso, trabalho eventual. 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 22 
 
 Ante o exposto, é mister vislumbrar algumas relações jurídicas que há muito tempo se 
discutiu se estariam sujeitas à Justiça do Trabalho ou não. 
Inicialmente, não são da competência da Justiça do Trabalho as ações oriundas darelação de consumo. Vale dizer, quando o trabalhador autônomo se apresentar como fornecedor 
de serviços e, como tal, pretender receber honorários do seu cliente, a competência para a demanda 
será da Justiça Comum e não da Justiça do Trabalho, pois a matéria diz respeito à relação de 
consumo e não à de trabalho. Do mesmo modo, se o tomador do serviço se apresentar como 
consumidor e pretender devolução do valor pago pelo serviço prestado, a competência também 
será da Justiça Comum. 
Se, por exemplo, um médico labora como trabalhador autônomo em uma clínica médica 
especializada, recebendo honorários desta, e presta serviços ao paciente, pode-se verificar que há 
3 relações distintas: 
1) Entre o médico (pessoa física) e a clínica (empresa tomadora de serviços): há uma 
relação de trabalho, cuja competência para dirimir os conflitos dela oriundos é da Justiça 
do Trabalho. 
2) Entre o médico (pessoa física fornecedora de serviços) e o paciente (consumidor 
de serviços): há uma relação de consumo, pois o paciente, aqui, é a pessoa física que 
utiliza o serviço como destinatário final. A competência para apreciar e julgar as 
demandas oriundas desta relação de consumo é da Justiça Comum. 
3) Entre o paciente (pessoa física tomadora de serviços) e a clínica (pessoa jurídica 
fornecedora de serviços): há uma relação de consumo, cabendo à Justiça Comum 
dirimir o conflito. 
Além das hipóteses acima verificadas, da mesma forma seria a prestação direta de serviço 
entre o médico e o paciente, pois seria uma relação de consumo e a competência também não é 
da Justiça do Trabalho, consoante disposição da Súmula 363 do STJ: 
Súmula 363 do STJ: Compete à Justiça estadual processar e julgar a ação 
de cobrança ajuizada por profissional liberal contra cliente. 
 
Também é importante evidenciar que a Justiça do Trabalho NÃO tem competência para 
processar e julgar ações penais. 
Antigamente havia muita discussão sobre a Justiça do Trabalho ter ou não competência para 
julgar crimes relacionados com a organização do trabalho, sobretudo por conta das disposições 
constitucionais que preveem que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar “ações oriundas 
da relação de trabalho” (inciso I do art. 114), “habeas corpus” (inciso IV do art. 114), bem como 
“outras ações” (inciso IX do art. 114). 
Ocorre que a palavra “ações” prevista no inciso I do art. 114 refere-se unicamente a ações 
cíveis (não abrangendo ações penais). 
Além disso, a Justiça do Trabalho possui competência para julgar habeas corpus “quando o 
ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição” (inciso IV do art. 114). Isso significa que 
a Justiça do Trabalho é competente para julgar habeas corpus que somente se volta contra 
restrições à liberdade de locomoção que não tenham natureza penal. Ex.: se o Juiz do Trabalho 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 23 
 
decreta a prisão civil de um depositário infiel, por exemplo, caberá habeas corpus contra essa prisão 
ilegal (inconvencional) a ser julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho. 
Todavia, é mister salientar que o delito de falso testemunho em processo trabalhista é crime 
de competência da Justiça Federal, nos termos da Súmula 165 do STJ: 
Súmula 165 do STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de 
falso testemunho cometido no processo trabalhista. 
 
Da mesma forma é o crime de redução à condição análoga a de escravo: 
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. ART. 149 DO CÓDIGO PENAL. 
REDUÇÃO Á CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO. TRABALHO 
ESCRAVO. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. DIREITOS 
FUNDAMENTAIS. CRIME CONTRA A COLETIVIDADE DOS 
TRABALHADORES. ART. 109, VI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
PROVIDO. [...]. Quaisquer condutas que possam ser tidas como violadoras 
não somente do sistema de órgãos e instituições com atribuições para 
proteger os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também dos próprios 
trabalhadores, atingindo-os em esferas que lhes são mais caras, em que a 
Constituição lhes confere proteção máxima, são enquadráveis na categoria 
dos crimes contra a organização do trabalho, se praticadas no contexto das 
relações de trabalho. Nesses casos, a prática do crime prevista no art. 149 
do Código Penal (Redução à condição análoga a de escravo) se 
caracteriza como crime contra a organização do trabalho, de modo a 
atrair a competência da Justiça federal (art. 109, VI da Constituição) para 
processá-lo e julgá-lo. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF - 
RE: 398041 PA, Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 
30/11/2006, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-241 PUBLIC 19-12-
2008). 
 
Ressalta-se, ainda, que as infrações penais contidas no Título IV do Código Penal, que 
tratam dos crimes contra a organização do trabalho, são de competência da Justiça Comum, 
conforme tese acolhida pelo STF em 2020: 
A Justiça do Trabalho não tem competência para processar e julgar 
ações penais. STF. Plenário. ADI 3684, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 
11/05/2020. 
 
2) “Abrangidos os entes de direito público externo” 
São 2 os entes de direito público externo: os Estados Nacionais e os Organismos 
Internacionais. 
Com relação aos Estados Nacionais, tem-se que eles gozam de soberania, e um dos 
reflexos diretos da soberania é a imunidade de jurisdição. Nesse sentido, o Direito Consuetudinário, 
visando evitar o enriquecimento sem causa, criou uma tese adotada pelo STF de modulação da 
imunidade de acordo com a natureza do ato praticado pelo ente. 
Se for um ato de império ou ato de Estado, o ente goza de imunidade absoluta. Por outro 
lado, se for um ato de gestão (ato administrativo que permite o exercício da atividade diplomática), 
 
 
CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 24 
 
como o de contratação de um empregado, não goza de imunidade, de maneira que o Estado 
Nacional poderá acionar e ser acionado na Justiça do Trabalho. 
Obs.: há imunidade absoluta para execução forçada, pois 
configuraria invasão de um Estado Nacional a outro, salvo se houver 
renúncia expressa ou se houver bem desafetado, isto é, um bem que 
não esteja afetado à causa diplomática em território nacional. Em 
virtude da referida imunidade, o Estado estrangeiro não está sujeito à 
penhora ou a outras medidas constritivas, a não ser que haja 
expressamente renunciado a essa prerrogativa. 
No que se refere aos Organismos Internacionais, aplica-se a mesma regra de seguir a 
natureza do ato. Sendo um ato de império, há imunidade absoluta. Sendo ato de gestão, o 
Organismo Internacional pode acionar e ser acionado na Justiça do Trabalho, ficando com a 
liberação da execução forçada, salvo renúncia expressa. 
A exceção está na OJ 416 da SDI-1 do TST, que prevê: 
As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade 
absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional 
incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a 
regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. 
Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de 
renúncia expressa à cláusula de imunidade jurisdicional. 
 
Significa, portanto, que quando os Organismos Internacionais estiverem amparados em 
normas incorporadas ao direito brasileiro, eles gozarão de imunidade absoluta, salvo renúncia 
expressa. Desse modo, eles não serão acionados e nem poderão acionar no Brasil. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(Prefeitura de Foz do Iguaçu - Procurador - FAFIPA - 2019): As 
organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de 
jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao 
ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito 
Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. Excepcionalmente, 
prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à 
cláusula

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