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DIRE ITO PROCESSUAL DO TRABALHO Revisada Atualizada Ampliada Edição 2025.1 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 1 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 5 ASPECTOS INICIAIS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ............................................... 6 1. CONCEITO ................................................................................................................................... 6 2. NATUREZA JURÍDICA ................................................................................................................. 6 3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ............................................................ 6 FONTES MATERIAIS ........................................................................................................... 6 FONTES FORMAIS .............................................................................................................. 6 4. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ..................................................... 7 PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL ...................................................................... 7 PRINCÍPIO DA FINALIDADE SOCIAL DO PROCESSO ..................................................... 7 PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL ..................................................................... 8 PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE .................................................................................. 8 PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO ............................................................................................ 9 PRINCÍPIO DA NORMATIZAÇÃO COLETIVA .................................................................... 9 OUTROS PRINCÍPIOS DO PROCESSO TRABALHISTA ................................................. 10 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS AO PROCESSO DO TRABALHO ....... 11 5. CAPACIDADE POSTULATÓRIA ............................................................................................... 12 6. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA ......................................................................................... 14 CARACTERÍSTICAS DOS HONORÁRIOS........................................................................ 16 JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA ...................................................................................................... 19 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 19 2. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA ............................................................................... 19 3. COMPETÊNCIA MATERIAL ...................................................................................................... 20 AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO, ABRANGIDOS OS ENTES DE DIREITO PÚBLICO EXTERNO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS ................................. 21 AÇÕES QUE ENVOLVAM EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE .................................. 26 AÇÕES SOBRE REPRESENTAÇÃO SINDICAL............................................................... 28 MANDADOS DE SEGURANÇA, HABEAS CORPUS E HABEAS DATA .......................... 29 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA ENTRE ÓRGÃOS COM JURISDIÇÃO TRABALHISTA 29 AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL OU PATRIMONIAL ............................. 31 AÇÕES RELATIVAS ÀS PENALIDADES ADMINISTRATIVAS IMPOSTAS AOS EMPREGADORES PELOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO 32 EXECUÇÃO, DE OFÍCIO, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVISTAS NO ART. 195, I, A, E II, E SEUS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DECORRENTES DAS SENTENÇAS QUE PROFERIR ..................................................................................................................................... 32 OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO ............ 33 4. COMPETÊNCIA TERRITORIAL ................................................................................................ 36 LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO ........................................................................... 37 EMPREGADO AGENTE OU VIAJANTE COMERCIAL ..................................................... 37 EMPRESA QUE PROMOVE ATIVIDADE FORA DO LUGAR DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO ................................................................................................................................... 39 EMPREGADO BRASILEIRO QUE TRABALHA NO ESTRANGEIRO ............................... 39 ATOS, TERMOS E PRAZOS PROCESSUAIS ................................................................................. 41 1. ATOS PROCESSUAIS ............................................................................................................... 41 QUANTO ÀS PARTES ........................................................................................................ 41 CURSOS GRÁTIS ACESSE NOSSOS SITES TIM CASTRO 1 www.rateiodosconcursos.com www.rateioecursos.com OU https://www.rateiodosconcursos.com/ https://www.rateioecursos.com/ http://www.iceni.com/unlock-pro.htm CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 2 QUANTO AO JUIZ .............................................................................................................. 42 HORÁRIO DOS ATOS PROCESSUAIS ............................................................................ 42 PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS ..................................................................... 43 ATOS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS ............................................................................ 43 2. TERMOS PROCESSUAIS ......................................................................................................... 45 3. PRAZOS PROCESSUAIS .......................................................................................................... 46 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................ 46 3.1.1. Quanto à origem da fixação ......................................................................................... 46 3.1.2. Quanto à natureza ....................................................................................................... 46 3.1.3. Quanto aos destinatários ............................................................................................. 47 CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS ................................................................... 47 SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DOS PRAZOS .............................................................. 48 4. NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS .................................................................................. 49 PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS .................................................. 50 PRINCÍPIO DO PREJUÍZO OU DA TRANSCENDÊNCIA ................................................. 50 PRINCÍPIO DA CONVALIDAÇÃO OU PRECLUSÃO ........................................................ 51 PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL ..................................................................... 52 PRINCÍPIO DA UTILIDADE ................................................................................................ 52 PRINCÍPIO DO INTERESSE .............................................................................................. 52 PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS ............................................................................................... 54 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 54 2. TIPOS DE PROCEDIMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO ............................................. 54 3. RITO ORDINÁRIO ......................................................................................................................de imunidade jurisdicional. Correto. 3) “E da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” Refere-se aos entes de direito público interno. Sobre o trecho final do inciso I, importante verificar o contexto histórico no qual está inserido. No texto original do art. 39 da CF/88, estava previsto o regime jurídico único estatutário. Ocorre que em 1998, a Emenda Constitucional 19 alterou o art. 39 da CF/88 para prever a possibilidade de um regime jurídico misto, pelo qual o servidor público poderia ser estatutário ou celetista. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 25 Tal previsão perdurou até o julgamento da ADI 2.135-4, que determinou o retorno ao regime jurídico único, mas salvaguardou o ato jurídico perfeito, de maneira que a decisão possuiu efeitos ex nunc, de acordo com o trecho do acórdão: O Tribunal, por maioria, vencidos os Senhores Ministros Nelson Jobim, Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, deferiu parcialmente a medida cautelar para suspender a eficácia do art. 39, caput, da Constituição Federal, com a redação da Emenda Constitucional n. 19, de 4 de junho de 1998, tudo nos termos do voto do relator originário, Ministro Néri da Silveira, esclarecido, nesta assentada, que a decisão – como é próprio das medidas cautelares – terá efeitos ex nunc, subsistindo a legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa. Votou a Presidente, Ministra Ellen Gracie, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação a Senhora Ministra Cármen Lúcia e o Senhor Ministro Gilmar Mendes por sucederem, respectivamente, aos Senhores Ministros Nelson Jobim e Néri da Silveira. (Plenário, 2-8-2007. ADI n. 2.135-4 do STF, DJe 6-3-2008). Assim, por força dos efeitos ex nunc adotados pelo STF no julgamento da ADI 2.135-4, remanesce a competência residual da Justiça do Trabalho para as contratações temporárias pelo regime celetista (desde que a lei disponha expressamente que o regime da contratação temporária é o da CLT) celebradas antes da decisão liminar proferida pelo Pretório Excelso. Vale salientar que na ADI 3.395-6, o STF decidiu que os servidores estatutários, de cargo comissionado e do REDA - Regime Especial de Direito Administrativo, não pertencem à Justiça do Trabalho, pois possuem vínculo de natureza administrativa e não trabalhista e, como tal, devem recorrer à Justiça Comum (estadual ou federal, a depender do caso), conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONAL E TRABALHO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ART. 114, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 45/2004. AUSÊNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. EXPRESSÃO ‘RELAÇÃO DE TRABALHO’. INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DAS AÇÕES ENTRE O PODER PÚBLICO E SEUS SERVIDORES. PRECEDENTES. MEDIDA CAUTELAR CONFIRMADA. AÇÃO DIRETA JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. O processo legislativo para edição da Emenda Constitucional n. 45/2004, que deu nova redação ao inciso I do art. 114 da Constituição Federal, é, do ponto de vista formal, constitucionalmente hígido. 2. A interpretação adequadamente constitucional da expressão ‘relação do trabalho’ deve excluir os vínculos de natureza jurídico-estatutária, em razão do que a competência da Justiça do Trabalho não alcança as ações judiciais entre o Poder Público e seus servidores. 3. Medida Cautelar confirmada e Ação Direta julgada parcialmente procedente. (ADI 3.395, Tribunal Pleno, rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe 1º-7-2020). Ressalta-se, ainda, que há posicionamento do STJ no sentido de que compete à Justiça Comum o julgamento de controvérsia envolvendo direitos de servidor contratado para exercer cargo em comissão regido pela CLT. Assim segue: De acordo com entendimento sumulado do STJ, “Compete à Justiça dos Estados processar e julgar ação de servidor estadual decorrente de direitos CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 26 e vantagens estatutárias no exercício de cargo em comissão” (Súmula 218). Isso porque o servidor ocupante de cargo em comissão mantém um vínculo jurídico-administrativo com o Poder Público, não sendo uma relação empregatícia. Não importa, para fins de competência, que a lei municipal diga que a relação jurídica seria regida pela CLT. Isso porque, neste caso, houve um desvirtuamento do vínculo do cargo em comissão feito pela lei municipal. Justamente por essa razão, o STF já decidiu que a competência para julgar controvérsia envolvendo direitos de servidor contratado para exercer cargo em comissão é da Justiça Comum mesmo se o servidor ocupante de cargo em comissão for regido pela CLT. STJ. 1ª Seção. EDcl no AgInt no CC 184065-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 25/10/2022 (Info 760). AÇÕES QUE ENVOLVAM EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE Insta verificar, a priori, o conceito analítico de greve trazido por Rodrigues Pinto, sendo compreendida como: 1) Cessação do trabalho, acertada por um grupo de trabalhadores, com o objetivo de defender seus interesses profissionais; 2) Recusa coletiva e combinada de trabalho, manifestando a intenção dos assalariados de se colocarem provisoriamente fora do contrato, a fim de assegurar o sucesso de suas reivindicações; 3) Suspensão de caráter temporário do trabalho, pactuada e acertada por um grupo organizado de trabalhadores, com o abandono dos locais de trabalho, com o objetivo de fazer pressão sobre os empregadores, na defesa de seus interesses profissionais e econômicos. Além do conceito doutrinário, o art. 2º da Lei 7.783/89 trouxe também o conceito legal, nos seguintes termos: Art. 2º Para os fins desta lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviço a empregador. Como o tema foi cobrado em concurso? (CRF-PR - Advogado - Quadrix - 2019): O exercício da jurisdição pelo Estado busca restabelecer a ordem jurídica. Já a competência, no caso da justiça trabalhista, é a medida da jurisdição e tem como fundamento jurídico principal o art. 114 da Constituição Federal de 1988. Dessa forma, com relação à competência da Justiça do Trabalho, é correto afirmar que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações que envolvam o exercício do direito de greve. Correto. Ante a visualização do conceito de greve, importante salientar existem 2 tipos de ações que envolvem o exercício do direito de greve: 1) Ações típicas: ocupam-se dos dissídios coletivos, que visam sanar eventual divergência entre sindicatos ou sindicatos e empresas. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 27 Em se tratando de ações típicas, refere-se ao dissídio coletivo de ação de greve. De acordo com a Súmula 189 do TST, a greve é matéria de competência da Justiça do Trabalho: Súmula 189 do TST. GREVE. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ABUSIVIDADE. A Justiça do Trabalho é competente para declarar a abusividade, ou não, da greve. Já o dissídio coletivo tem um tratamento diferenciado para a competência funcional. O dissídio é sempre de origem de Tribunal, pois NÃO existe dissídio coletivo em Vara do Trabalho. Desse modo, importante traçar 2 distinções: a) Será de competência do TRT quando a abrangência territorial do sindicato for menor ou igual que a competência territorial de um TRT. Ex.: TRT-5 (Bahia) x Sindicato dos Trabalhadores Urbanos de Salvador ou Sindicato dos Trabalhadores Urbanos da Bahia. b) Por outro lado, será de competência do TST quando a abrangência territorial do sindicato for maior do que a competência territorial de um TRT ou quando a abrangência territorial do sindicato for nacional. Ex.: TRT-5 (Bahia) e TRT-20 (Sergipe) x Sindicato dos Trabalhadores Urbanos da Bahia e Sergipe. Não é possível escolher um dos TRTs, devendo o dissídio coletivo ser direcionado ao TST.Obs.: o art. 12 da Lei 7.520/86 determina que quando a abrangência do sindicato envolver o TRT-2 e o TRT-15, a competência será do TRT-2. Envolvendo mais um estado, deverá ser encaminhado ao TST. Art. 12. Compete exclusivamente ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região processar, conciliar e julgar os dissídios coletivos nos quais a decisão a ser proferida deva produzir efeitos em área territorial alcançada, em parte, pela jurisdição desse mesmo Tribunal e, em outra parte, pela jurisdição do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Ressalta-se, por fim, que o art. 114, § 3º da CF/88 prevê que o dissídio coletivo somente poderá ser suscitado pelo MPT se houver lesão ou ameaça de lesão a interesse público. 2) Ações atípicas: ações possessórias e ações de indenização por danos morais ou patrimoniais por atos ilícitos praticados no curso da greve ou em decorrência do exercício do direito de greve. Frisa-se, inicialmente, que nas ações possessórias no âmbito da Justiça do Trabalho NÃO se discute a legalidade do direito de greve. O objeto dessa ação é a posse, uma vez que o exercício da posse (que deveria ser pleno) está sendo turbado, ameaçado ou esbulhado por um movimento grevista. Ex.: bancários que fazem uma greve e impedem a entrada na agência com piquetes ou com a troca da chave das fechaduras. À vista disso, se a ameaça, turbação ou esbulho ao imóvel decorrem do exercício do direito de greve, é possível ingressar com um interdito proibitório, cuja competência de julgamento é da Vara da Justiça do Trabalho, na forma da Súmula Vinculante 23: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 28 Súmula Vinculante 23: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. Todavia, é preciso salientar que a competência será da Justiça do Trabalho apenas quando houver entre possuidor e grevista uma relação de trabalho. Ex.: greve dos rodoviários, ocasião na qual os grevistas colocam um piquete no shopping. Entre rodoviária e shopping não há relação de trabalho, de modo que a competência deixa de ser da Justiça do Trabalho. Diferentemente seria se os rodoviários fechassem a garagem dos ônibus. Isto posto, com o advento da Súmula Vinculante 23 do STF, não há mais dúvida acerca da competência da Justiça do Trabalho para as ações possessórias, incluído o interdito proibitório, decorrentes do exercício do direito de greve dos trabalhadores da iniciativa privada. Só não será da competência da Justiça do Trabalho se se tratar de ação possessória que envolva o exercício do direito de greve de servidores públicos estatutários ou regidos por regime jurídico-administrativo, nos termos da ADI 3.395. Evidencia-se, por fim, que as ações de indenização por danos morais ou patrimoniais por atos ilícitos praticados no curso da greve ou em decorrência do exercício do direito de greve, por força do art. 114, II, da CF, passaram para a competência da Justiça do Trabalho. Exemplifica-se com uma ação civil pública, promovida pelo MPT (ou outro colegitimado ativo) em face do empregador que exige a desfiliação sindical dos grevistas e ameaça dispensá-los por justa causa se não retornarem ao trabalho, cujo pedido consiste na obtenção de tutelas inibitória (impedir a reiteração da prática empresarial ilegal e antissindical) e ressarcitória (danos morais coletivos por ofensa aos direitos de imagem de toda categoria profissional que, in casu, ficaria fragilizada para exercer o direito fundamental de greve). A competência, neste caso, é materialmente da Justiça do Trabalho e, funcionalmente, da Vara do Trabalho, e não do TRT, pois não se trata de dissídio coletivo de greve. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): A justiça do trabalho é competente para processar e julgar interdito proibitório que tenha por objeto assegurar o livre acesso de trabalhadores ao local de trabalho que corre o risco de ser interditado em razão de movimento grevista de trabalhadores da iniciativa privada. Correto. AÇÕES SOBRE REPRESENTAÇÃO SINDICAL Importante salientar, a priori, que apesar de a CF/88 ter utilizado o termo sindicato, a competência abrange TODOS os entes da estrutura sindical e não somente o sindicato, incluindo- se, portanto, as federações, confederações e centrais sindicais. Dentre os exemplos de ações sobre representação sindical, pode-se destacar a própria ação de representação sindical, ações que envolvam cobranças para o sindicato (ex.: taxa assistencial e contribuição sindical), ações relativas aos direitos dos dirigentes sindicais e direitos de filiação e desfiliação, bem como ações que versem sobre problemas relativos ao processo eleitoral no sindicato. Como o tema foi cobrado em concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 29 (TRT-1 - Analista Judiciário - Instituto AOCP - 2018): À Justiça do Trabalho compete processar e julgar as ações que envolvam representação sindical entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, entre sindicatos e empregadores e demandas de qualquer natureza entre empregadores que façam parte de um mesmo sindicato patronal. Errado. MANDADOS DE SEGURANÇA, HABEAS CORPUS E HABEAS DATA No julgamento da ADI 3.684, o STF decidiu que a competência da Justiça do Trabalho para julgar habeas corpus, habeas data e mandados de segurança ocorrerá quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição, referindo-se à competência material. No entanto, tais ações possuem especificidades quanto a competência funcional. Deve-se, portanto, verificar quem é o coator para, então, definir a competência, conforme abaixo explicitado: 1) Autoridade externa ao Poder Judiciário: Vara do Trabalho. 2) Juiz de Vara do Trabalho: TRT. 3) Desembargador: TRT, conforme competência definida no Regimento Interno. 4) Ministro do TST: TST, conforme competência definida no Regimento Interno. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): Ao TST não compete apreciar, originariamente, mandado de segurança impetrado contra decisão de TRT. Correto. (TRT-1 - Analista Judiciário - Instituto AOCP - 2018): A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar mandados de segurança, habeas corpus e habeas data quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Correto. CONFLITOS DE COMPETÊNCIA ENTRE ÓRGÃOS COM JURISDIÇÃO TRABALHISTA Há 2 tipos de conflitos de competência: 1) Positivo: quando 2 juízes se declaram competentes. 2) Negativo: quando todos os juízes se declaram incompetentes. Para solucionar os conflitos de competência, é possível elencar 5 regras: 1) O conflito entre Varas do Trabalho submetidas ao mesmo TRT, será por ele solucionado: Art. 808 - Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: a) pelos Tribunais Regionais, os suscitados entre Juntas e entre Juízos de Direito, ou entre uma e outras, nas respectivas regiões. 2) O conflito entre Varas do Trabalho submetidas a TRTs distintos ou entre TRTs, será solucionado pelo TST: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 30 Art. 808 - Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: b) pela Câmara de Justiça do Trabalho, os suscitados entre Tribunais Regionais, ou entre Juntas e Juízos de Direito sujeitos à jurisdição de Tribunais Regionais diferentes. 3) NÃO se configura conflito de competência entre TRT e Vara do Trabalho a ele vinculada: SÚMULA 420 DO TST. COMPETÊNCIA FUNCIONAL. CONFLITO NEGATIVO. TRT E VARA DO TRABALHO DE IDÊNTICA REGIÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005. Como o tema foi cobrado emconcurso? (Prefeitura de Contagem - Procurador - FUNDEP - 2021): Conforme entendimento do TST, não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. Correto. 4) O conflito de competência entre a jurisdição trabalhista de 1º e 2º graus e a jurisdição comum (1º e 2º graus) será solucionado pelo STJ: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos. 5) O conflito de competência envolvendo Tribunal Superior será solucionado pelo STF: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal. É de suma importância vislumbrar, por fim, o disposto no art. 112 da CF/88: Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Trata-se de hipótese de delegação de competência em razão da inexistência de Varas do Trabalho em determinada jurisdição. Frisa-se, nesse liame, que na delegação não se transfere a responsabilidade, mas apenas a execução daquilo que não é possível fazer por si próprio. Pode-se inferir que uma localidade não é abrangida por Vara do Trabalho quando não há nenhuma Vara que cubra aquele lugar. Assim, a competência será delegada para o Juiz de Direito da localidade. Salienta-se que o Juiz de Direito atua no processo como se Juiz do Trabalho fosse, ainda que o processo permaneça sendo trabalhista e pertencente à Justiça do Trabalho, de maneira que eventual recurso será direcionado para o TRT. Nesse mesmo sentido, havendo conflito de CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 31 competência com essa Vara, ela não será colocada como uma Vara Comum, mas como se Vara do Trabalho fosse. Ressalta-se, no entanto, que nos termos da Súmula 10 do STJ, sendo instalada Vara do Trabalho que abranja a localidade, todos os processos a ela serão encaminhados: Súmula 10 do STJ: Instalada a junta de conciliação e julgamento, cessa a competência do juiz de direito em matéria trabalhista, inclusive para a execução das sentenças por ele proferidas. AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL OU PATRIMONIAL Evidencia-se, a priori, o disposto na Súmula Vinculante 22: Súmula Vinculante 22: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional n. 45/04. Importante verificar também a Súmula 392 do TST: Súmula 392/TST - 20/04/2005 - Responsabilidade civil. Dano moral. Dano material. Empregado. Competência. Sucessão. Dependência. Acidente de trabalho. Doença do trabalho. Sucessores e dependentes. Julgamento pela Justiça do Trabalho. CF/88, art. 5º, V e X e CF/88, art. 114, VI. Nos termos do art. 114, VI, da CF/88, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material, decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido. Pode-se constatar, portanto, que as ações de indenização propostas por empregado ou seus sucessores contra empregador, fundadas em acidente do trabalho, são da competência da Justiça do Trabalho. Isto posto, infere-se que a Justiça Comum detém competência para processar e julgar apenas as ações em que figure sozinho no polo passivo o INSS, diante de sua responsabilidade objetiva para assegurar ao trabalhador acidentado ou incapacitado em decorrência de doença ocupacional, por conta dos recursos (oriundos do SAT - Seguro de Acidente do Trabalho) que administra. Para todas as demais ações concernentes a acidentes do trabalho oriundas da relação de trabalho, inclusive as que tenham por objeto indenização por dano material ou moral ou que visem o cumprimento das normas de segurança e saúde do trabalhador, incluídas as relativas ao meio ambiente do trabalho, a competência é da Justiça do Trabalho. Além disso, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação de indenização por danos morais em ricochete ajuizada pelo espólio ou por herdeiros do empregado falecido em face do seu ex-empregador em decorrência de acidente do trabalho, de acordo com julgado abaixo: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 32 RECURSO DE REVISTA DOS RECLAMANTES – ACIDENTE DE TRABALHO – ÓBITO DO EMPREGADO – DANO MORAL REFLEXO (EM RICOCHETE) – IRMÃOS – PRESUNÇÃO. 1. A indenização por danos morais destina-se a compensar a afronta ao direito da personalidade sobre o qual incidiu o comportamento culposo lato sensu do agente causador do dano. 2. O falecimento do trabalhador autoriza o pagamento de dano moral reflexo (em ricochete ou indireto) para a sua família e qualquer pessoa com relação especial afetiva com o acidentado. 3. É presumido o abalo moral dos descendentes, cônjuge, ascendentes e irmãos, pois incluídos nos limites do núcleo familiar. 4. A presunção da ofensa ao direito da personalidade do grupo familiar restrito é apenas relativa e pode ser afastada por prova em contrário. 5. No caso, em razão do acidente de trabalho fatal sofrido pelo empregado, as irmãs têm direito à indenização por danos morais em ricochete, não tendo ficado comprovada a inimizade ou desafeição ao parente falecido. 6. A independência econômica e o fato de não residirem na mesma casa são absolutamente irrelevantes para o deferimento do dano moral indireto. Recurso de revista das reclamantes conhecido e provido (TST-ARR 480-20.2012.5.18.0102, 7ª T., Rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 7-6-2019). Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): Ações de indenização por dano moral oriundas de acidente de trabalho devem ser analisadas na justiça federal, e não na justiça do trabalho, pois não dizem respeito à relação de trabalho. Errado. (PGE-AM - Procurador - CESPE - 2018): A ação de indenização por dano moral decorrente da relação de trabalho proposta por sucessores de trabalhador falecido é de competência da justiça do trabalho. Correto. AÇÕES RELATIVAS ÀS PENALIDADES ADMINISTRATIVAS IMPOSTAS AOS EMPREGADORES PELOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO Quando o inciso VII do art. 114 da CF menciona "ações", é evidente que inclui as ações de execução fiscal, bem como quaisquer outras que guardem conexão com as penalidades impostas pelas Delegacias Regionais do Trabalho. Na mesma linha, quando tais penalidades houverem sido inscritas na Dívida Ativa da União, as ações de execução fiscal para cobrança do crédito fiscal serão ajuizadas perante a Justiça do Trabalho. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização tributária. Errado. EXECUÇÃO, DE OFÍCIO, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVISTAS NO ART. 195, I, A, E II, E SEUS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DECORRENTES DAS SENTENÇAS QUE PROFERIR CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 33 É uma execução de ofício, feita pelo próprio Poder Judiciário, das contribuiçõeselencadas no art. 195, I, a e II, da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social. A Súmula 454 do TST definiu que essa competência abrange também as contribuições para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT): COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.EXECUÇÃO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL REFERENTE AO SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT). ARTS. 114, VIII, E 195, I, “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 414 da SBDI-1). Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, da contribuição referente ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), que tem natureza de contribuição para a seguridade social (arts.114, VIII, e 195, I, “a”, da CF), pois se destina ao financiamento de benefícios relativos à incapacidade do empregado decorrente de infortúnio no trabalho (arts. 11 e 22 da Lei nº 8.212/1991). DJ-E em 21-5-2014. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-16 - Analista Judiciário - FGV - 2022): No curso de relação processual no âmbito da Justiça do Trabalho, foram acolhidos, em sentença transitada em julgado, os pedidos formulados pelo reclamante, com a consequente condenação do antigo empregador ao pagamento dos valores almejados. Ressalte-se que a condenação decorreu do não pagamento de horas extraordinárias, sendo que, durante toda a relação de emprego, as contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário normal foram pontualmente recolhidas pelo empregador. Nesse caso, as contribuições previdenciárias concernentes ao objeto da referida condenação devem ser objeto de execução no âmbito da Justiça do Trabalho, devendo ser iniciada de ofício. Correto. (CRM-PR - Advogado - Quadrix - 2018): No que toca à execução das contribuições previdenciárias, a competência da Justiça do Trabalho limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o salário de contribuição. Correto. OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 34 Verifica-se, primeiramente, que o art. 652, f, da CLT, trata da competência para homologar acordos extrajudiciais: Art. 652. Compete às Varas do Trabalho: f) decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em matéria de competência da Justiça do Trabalho. Os acordos extrajudiciais estão previstos nos arts. 855-B e seguintes da CLT: Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. § 1º As partes não poderão ser representadas por advogado comum. § 2º Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição, o juiz analisará o acordo, designará audiência se entender necessário e proferirá sentença. Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados. Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do acordo. No que se refere ao § 1º do art. 855-B, pode-se inferir que não cabe jus postulandi e é necessário advogados distintos para a homologação do acordo. Caso o juiz negue a homologação, pondo fim ao processo, caberá Recurso Ordinário. Nesse sentido, importante vislumbrar a Súmula 418 do TST: MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC de 2015). A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. Importante ressaltar, ainda, que NÃO cabe homologação parcial de acordo extrajudicial. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Jataí - Procurador - UFG - 2018): Juscelino era empregado de empresa de terceirização de mão de obra contratada por um município do interior de Goiás e teve seu contrato rescindido unilateralmente pela empregadora no mês de julho de 2018. Considerando-se lesado no recebimento das verbas rescisórias, que considera devidas, mas receoso de propor ação judicial em virtude das inovações trazidas pela reforma trabalhista, o trabalhador busca firmar acordo extrajudicial com a antiga empregadora. Na hipótese narrada, o juiz do trabalho, ao deferir o pedido, poderá executar de ofício as contribuições sociais relativas ao objeto do acordo que homologar. Correto. Por fim, importante trazer à tona alguns aspectos específicos acerca da competência material: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 35 1) Trabalho do menor de idade O trabalho do menor envolve 2 momentos importantes. O primeiro momento se refere à autorização do trabalho do menor, que ocorre na fase pré- contratual e cuja competência é da Justiça Comum e não da Justiça do Trabalho, nos termos da ADI 5.326: [...]. COMPETÊNCIA – JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA – CRIANÇAS E ADOLESCENTES – EVENTOS ARTÍSTICOS – PARTICIPAÇÃO – AUTORIZAÇÃO. Ausente controvérsia a envolver relação de trabalho, compete ao Juízo da Infância e da Juventude, inserido no âmbito da Justiça Comum, apreciar, no campo da jurisdição voluntária, pedido de autorização visando a participação de crianças e adolescentes em eventos de caráter artístico. (STF - ADI: 5326 DF, Relator: MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 27/09/2018, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 20/03/2020). Já no segundo momento, na fase pós-contratual, em que o menor já está trabalhando, é de competência da Justiça do Trabalho. 2) Trabalho do preso Foi regulamentado na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84). A LEP fala claramente que o trabalho do preso não gera vínculo empregatício: Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva. § 2º O trabalho do preso não está sujeito ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho. Em razão disso, questões relativas ao trabalho do preso não são de competência da Justiça do Trabalho. 3) Trabalhadores em cartórios A Constituição Federal estabelece que os serviços notariais e de registro prestados pelos cartórios extrajudiciais são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público (art. 236, CF/88). A Lei 8.935/94 regulamenta as atividades dos cartórios e, completando o disposto no art. 236 da CF/88, estabelece que, a partir da data da sua publicação, os escreventes dos cartórios serão contratados sob o regime da legislação trabalhista, sendo que aos escreventes que já prestassem serviços naquele momento foi assegurado o direito de, no prazo de 30 dias, optar pela legislação trabalhista, deixando, nesse caso, o regime jurídico especial que vigorava para os cartórios até aquela data. Dessa forma, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir as controvérsias entre os escreventes regidos pela legislação trabalhista e os cartórios extrajudiciais. Como o tema foi cobradoem concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 36 (TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): José presta serviços na qualidade de trabalhador avulso. Carla trabalha como concursada, desde 2010, em um Cartório de Registro Civil. Monalisa é atleta profissional de futebol. No caso de ajuizamento de reclamações referentes a direitos trabalhistas, são competentes para as hipóteses apresentadas, a Justiça do Trabalho, em todos os casos. Correto. 4. COMPETÊNCIA TERRITORIAL A competência em razão do lugar (ratione loci), também chamada de competência territorial, é determinada com base na circunscrição geográfica sobre a qual atua o órgão jurisdicional. Geralmente, a competência ratione loci é atribuída às Varas do Trabalho, que são os órgãos de primeira instância da Justiça do Trabalho. A competência territorial das Varas do Trabalho é determinada por lei federal. Cumpre reiterar, no entanto, que os Tribunais Regionais do Trabalho têm competência para processar e julgar as causas trabalhistas, originariamente (ex.: dissídio coletivo) ou em grau de recurso (ex.: recurso ordinário), dentro do espaço geográfico, normalmente correspondente a um estado da federação. Na mesma linha, o TST possui competência territorial para processar e julgar, originariamente, os dissídios coletivos que extrapolem a área geográfica de uma região (ou melhor, ultrapassem a área territorial sob a jurisdição de um Tribunal Regional do Trabalho) e, em grau recursal, as decisões dos TRTs nos dissídios individuais ou coletivos. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Porto Alegre - Procurador - FUNDATEC - 2022): O Sindicato Patronal “X” e o Sindicato Profissional “Y”, ambos com abrangência territorial municipal, entraram em acordo para a instauração de Dissídio Coletivo. Quanto à tramitação judicial, a competência originária para processar e julgar esse Dissídio Coletivo é de Tribunal Regional do Trabalho, sendo que o recurso cabível a ser interposto em face da Sentença Normativa proferida será o “Recurso Ordinário”, direcionado ao Tribunal Superior do Trabalho. Correto. O regramento da competência em razão do lugar tem previsão expressa no art. 651 da CLT: Art. 651 - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. Trata-se, portanto, de competência relativa e somente pode ser arguida por meio de exceção. Logo, não pode ser declarada de ofício. A competência territorial das Varas do Trabalho possui 4 classificações: 1) Quanto ao local da prestação do serviço; 2) Quando se tratar de empregado agente ou viajante comercial; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 37 3) Empregado brasileiro que trabalhe no estrangeiro; 4) Empresa que promova atividade fora do lugar da celebração do contrato. Passa-se, então, a verificar cada uma delas. LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO Nos termos do art. 651, caput, da CLT, a competência das Varas do Trabalho é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado em outro local ou no estrangeiro. A regra prevista no referido artigo visa à facilitação da instrução processual, pois as provas, especialmente a testemunhal, são, em regra, encontradas no local da prestação do serviço. Assim, de acordo com a interpretação literal do preceptivo em causa, a ação trabalhista deve ser ajuizada no local em que o empregado prestou serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado em outra localidade ou em outro país. Ex.: se o empregado A é contratado pela empresa B em Vitória (ES), mas vai prestar serviços no Rio de Janeiro (RJ), terá competência territorial para processar e julgar eventual ação trabalhista uma das Varas do Trabalho do local da prestação do serviço, in casu, Rio de Janeiro (RJ). Importante ressaltar que na hipótese de transferência do empregado, a competência é do último local da prestação do serviço. Ex.: João foi contratado em Salvador e trabalhou em Salvador. Depois de 1 ano, foi transferido para o Rio de Janeiro. Após 1 ano trabalhando no Rio de Janeiro, foi transferido para São Paulo e, passados 6 meses, foi demitido. Nesse caso, a ação trabalhista deve ser promovida em São Paulo. Há, contudo, entendimento jurisprudencial minoritário no sentido de que o empregado poderá ingressar com ação em quaisquer das localidades que ele tenha trabalhado. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): A competência da vara do trabalho é determinada pela localidade em que tenha sido firmado o contrato de trabalho, ainda que o empregado, reclamante, preste serviços ao empregador em localidade diversa. Errado. (TRT-1 - Técnico Judiciário - Instituto AOCP - 2018): João tem domicílio na cidade do Rio de Janeiro/RJ e foi chamado para uma entrevista de emprego pela empresa Colchões Ortopédicos Ltda., com sede na cidade de Campinas/SP, ocasião em que foi contratado no próprio local. Já no momento da contratação, a empresa informou ao novo empregado que ele iria trabalhar na filial da empresa na cidade de São José do Rio Preto/SP. Depois de 3 anos de trabalho, João foi dispensado sem justa causa, não recebendo as verbas rescisórias, dentre outros pleitos que considera devidos, razão pela qual almeja buscar a efetivação de seus direitos na Justiça do Trabalho. Nesse seguimento, João deve pleitear seus direitos em São José do Rio Preto/SP, pois é o local da prestação de serviços. Correto. EMPREGADO AGENTE OU VIAJANTE COMERCIAL CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 38 Trata-se do empregado que não tem fixação a uma localidade determinada. Ex.: vendedor de vela na Bahia que caminha por várias cidades do interior em datas comemorativas específicas para realizar as vendas. A competência está disposta no § 1º do art. 651 da CLT, in verbis: Art. 651, § 1º - Quando for parte de dissídio agente ou viajante comercial, a competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a Junta da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima. Isto posto, o empregado agente ou viajante comercial poderá propor a ação trabalhista: 1) No foro da Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial “e a esta o empregado esteja subordinado”, isto é, no domicílio do réu (reclamado) para quem se encontra, de fato, prestando serviços; OU 2) No foro da Vara do seu domicílio ou da localidade mais próxima. Obs.: agência ou filial é diferente de matriz. Desse modo, se o empregado se reporta diretamente à matriz da empresa, é porque não existe agência ou filial, de modo que poderá ingressar com a ação no domicílio. Não se trata, portanto, de uma escolha de foro, mas “última opção” caso a empresa não possua agência ou filial no local da prestação dos serviços. Salienta-se, contudo, que a jurisprudência não é pacífica acerca da competência territorial do empregado viajante, conforme pode ser visualizado no julgado abaixo colacionado: COMPETÊNCIA TERRITORIAL – EMPREGADO VIAJANTE – ACESSO À JUSTIÇA – Conforme regra prevista no art. 651, § 1º, da CLT, a competência territorial na Justiça do Trabalho, quando for parte no dissídio agente ou viajante comercial, é fixada pelo local em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a Vara da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima. Todavia, a garantia individual do acesso à Justiça, expresso no art. 5º, XXXV, da CF/88, se sobrepõe à regra do art. 651 da CLT, tendoem vista as situações em que a aplicação de sua literalidade implica grave prejuízo ao empregado, hipossuficiente na relação, impedindo que ele exerça seu direito constitucional de ação. É o caso do empregado contratado na sede da empresa, localizada em Estado diferente do domicílio do obreiro, e que, como viajante comercial, prestou serviços em diversos locais (TRT 17ª R., RO 85400-12.2011.5.17.0191, 2ª T., Rel. Des. Marcello Maciel Mancilha, DJe 4-5-2012, p. 125). Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-15 - Analista Judiciário - FCC - 2018): Em uma situação hipotética, Júlio, residente e domiciliado na cidade de Bauru/SP, foi contratado pela CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 39 empresa Mach Tech Ltda., com sede na cidade de São Paulo, para trabalhar como vendedor viajante, em 4 cidades. Júlio estava subordinado à filial da empresa Mach Tech Ltda., localizada na cidade de Campinas/SP, reportando-se ao Gerente de Vendas. Em fevereiro de 2018, Júlio foi dispensado sem justa causa, sem que, no entanto, fossem quitadas as verbas rescisórias a que tinha direito, razão pela qual pretende ajuizar reclamação trabalhista em face da empresa Mach Tech Ltda. A reclamação trabalhista deverá ser ajuizada na cidade de Campinas/SP, porque Júlio está subordinado à filial ali localizada. Correto. EMPRESA QUE PROMOVE ATIVIDADE FORA DO LUGAR DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO Quando o empregador realiza atividades fora do lugar da celebração do contrato de trabalho, dispõe literalmente o § 3º do art. 651 da CLT que: Art. 651, § 3º - Em se tratando de empregador que promova realização de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços. A competência será do local da contratação ou no local da prestação. É faculdade do empregado optar por um dos locais. Trata-se da hipótese de arregimentação de mão de obra. O trabalhador arregimentado é aquele que é levado de sua cidade para trabalhar em outro município ou estado. Ex.: empresa de extração de petróleo com sede no Rio de Janeiro que contrata empregados de Salvador para trabalhar no polo petrolífero de Camaçari, na Bahia. Registra-se que, de acordo com a OJ 149 da SBDI-2 do TST, não cabe declaração de ofício de incompetência territorial no caso do uso, pelo trabalhador, da faculdade prevista no art. 651, § 3º, da CLT. Nessa hipótese, resolve-se o conflito pelo reconhecimento da competência do juízo do local onde a ação foi proposta. EMPREGADO BRASILEIRO QUE TRABALHA NO ESTRANGEIRO Dispõe o § 2º do art. 651 da CLT que: Art. 651, § 2º - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento, estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário. Ante o exposto, a Justiça do Trabalho do Brasil será competente quando: 1) O empregado for brasileiro; 2) Não existir convenção internacional em sentido contrário; 3) A empresa possuir atividade no Brasil. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 40 Acerca do último requisito, Carlos Henrique Bezerra Leite – adotando posicionamento minoritário – aponta que pouco importa se a empresa é brasileira ou estrangeira, pois o critério específico adotado pelo art. 651, § 2º, da CLT diz respeito ao empregado brasileiro, nato ou naturalizado, que prestar serviços no estrangeiro e desde que não exista tratado internacional fixando outro critério de competência. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 41 ATOS, TERMOS E PRAZOS PROCESSUAIS 1. ATOS PROCESSUAIS Os atos processuais são os acontecimentos voluntários que ocorrem no processo e dependem de manifestações dos sujeitos do processo. QUANTO ÀS PARTES Considerando que as partes são os sujeitos que atuam com parcialidade no processo, os atos processuais representam as suas condutas voluntárias no processo, distanciando-se dos chamados fatos processuais, que são aqueles acontecimentos involuntários que geram consequências no processo (ex.: morte das partes). Os atos jurídicos processuais podem ser: 1) Bilaterais: pode-se destacar a transação (acordo). Sobre a transação, importante salientar que a decisão que homologa o acordo é uma decisão com trânsito em julgado no próprio ato de homologação, e não do ato da publicação da decisão de homologação. Além disso, o processo é extinto com resolução do mérito, nos termos do art. 487, III, b, do Código de Processo Civil: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: III - homologar: b) a transação. Ainda referente ao tema, destaca-se o entendimento da Súmula 100 do TST, que trata sobre a ação rescisória: O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial. Dessa forma, sendo irrecorrível a decisão de homologação do acordo realizado entre as partes na Justiça do Trabalho, a única medida processual cabível é a ação rescisória, prevista no art. 966 e seguintes do Código de Processo Civil. A ação rescisória possui hipóteses específicas de cabimento, apenas manejável em casos de nulidade processual, por vício grave de consentimento das partes ou por violação às normas legais. Como o tema foi cobrado em concurso? (PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, exceto no que se refere às contribuições previdenciárias. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 42 2) Unilaterais: a título de exemplificação, pode-se mencionar a petição inicial e a desistência. A desistência, enquanto instituto, está prevista expressamente no art. 200, parágrafo único do CPC: Art. 200. Os atos das partes consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade produzem imediatamente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais. Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeitos após homologação judicial. A desistência gera a extinção do processo sem resolução de mérito. Outrossim, insta evidenciar que o art. 841, § 3º da CLT tornou a defesa no Processo do Trabalho um ato complexo, de 2 momentos: oferecimento e recebimento. Sendo assim, há 2 situações: 1) Até o oferecimento da defesa, a aceitação da desistência é livre. 2) Após o oferecimento da defesa, a desistência somente será aceita com a anuência do Reclamado. Art. 841, § 3º Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. QUANTO AO JUIZ Os atos processuais praticados pelo Juiz estão previstos no art. 203 do CPC: Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. Assim, necessário visualizar a distinção entre cada um deles: 1) Sentença: ato que põe fim à fase de conhecimento ou execução do processo, com ou sem resolução de mérito. 2) Decisão interlocutória: toda aquela que possui conteúdo decisório, mas que não seja sentença. Há ainda, as decisões proferidas pelos Tribunais, podendo ser: 1) Decisão monocrática: decisão proferida pelo Juízo singular. 2) Acórdão: decisão colegiada. Outrossim, tanto as Varas quanto os Tribunais proferem despacho, que é um ato de mero impulso do processo, sem conteúdo decisório. Ex.: designação de audiência. HORÁRIO DOS ATOS PROCESSUAIS CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 43 Os atos processuais trabalhistas físicos devem ser realizados nos dias úteis, das 6h às 20h, nos termos do art. 770 da CLT: Art. 770 - Os atos processuaisserão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. Parágrafo único - A penhora poderá realizar-se em domingo ou dia feriado, mediante autorização expressa do juiz ou presidente. A jurisprudência, no entanto, tem mitigado a literalidade da norma em apreço, de acordo com a praxe forense ou previsão diversa nos regimentos internos dos Tribunais. Ademais, a limitação de horário não se aplica aos atos eletrônicos, que podem ser praticados a qualquer hora, uma vez que a utilização de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, a comunicação de atos processuais e a transmissão de peças processuais por meio eletrônico constitui faculdade dos jurisdicionados em qualquer processo judicial e em qualquer grau de jurisdição, seja de natureza civil, penal, trabalhista, eleitoral ou tributária, bem como nos processos submetidos aos Juizados Especiais. Com relação à penhora, conforme apontado no parágrafo único do art. 770, ela pode ser realizada em domingos e feriados, desde que haja autorização expressa do Juiz. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se- ão nos dias úteis das 8 às 18 horas. Errado. PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS A publicidade dos atos processuais está expressa no art. 779 da CLT, in verbis: Art. 779 - As partes, ou seus procuradores, poderão consultar, com ampla liberdade, os processos nos cartórios ou secretarias. Ressalta-se, todavia, que a publicidade não é uma regra absoluta. Nesse liame, o art. 189 do CPC menciona quais atos tramitarão em segredo de justiça: Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I - em que o exija o interesse público ou social; II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. ATOS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 44 A Lei 11.419/06, que dispõe sobre a informatização do processo judicial, estabelece que: Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei. § 1º Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição. Percebe-se que o comando normativo do § 1º do art. 1º da Lei 11.419/06 apresentou um mecanismo de facilitação de acesso à justiça e de efetivação do processo quando instituiu o uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais. Com efeito, o art. 1º da Resolução CSJT 136/2014 determina que: Art. 1º A tramitação do processo judicial no âmbito da Justiça do Trabalho, a prática de atos processuais e sua representação por meio eletrônico, nos termos da Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006, serão realizadas exclusivamente por intermédio do Sistema Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho – PJe-JT regulamentado por esta Resolução. A Lei 11.419/06 preocupou-se em estabelecer definições dos institutos que passariam a ser utilizados na informatização do processo judicial, ocasião na qual o seu art. 3º estabeleceu as seguintes definições: 1) Certificado digital: meio eletrônico de identificação de seu titular, pessoa física ou jurídica, destinado a identificá-lo eletronicamente em todos os acessos ao meio eletrônico; 2) Assinatura eletrônica, que compreende as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário: a) Assinatura digital, baseada em certificado digital, emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei ou regulamentação específica; b) Usuário (nome de login) e senha, mediante cadastro no PJE-JT. 3) Autos do processo eletrônico ou autos digitais: conjunto de metadados e documentos eletrônicos correspondentes a todos os atos, termos e informações do processo; 4) Digitalização: processo de reprodução ou conversão de fato ou coisa produzido originalmente em meio não digital para o formato digital; 5) Documento digital: documento originalmente produzido em meio digital; 6) Documento digitalizado: reprodução digital de documento originalmente físico; 7) Meio eletrônico: ambiente de armazenamento ou tráfego de informações digitais; 8) Transmissão eletrônica: toda forma de comunicação a distância com a utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 45 9) Usuários internos: magistrados e servidores da Justiça do Trabalho, bem como outros a que se reconhecer acesso às funcionalidades internas do sistema de processamento em meio eletrônico, tais como estagiários e prestadores de serviço; 10) Usuários externos: todos os demais usuários, incluídas as partes, os advogados, os membros do Ministério Público do Trabalho, os auxiliares da justiça e os terceiros intervenientes. Por fim, sobre a comprovação da prática de ato processual por meio eletrônico, importante verificar o disposto no art. 3º da Lei 11.419/06: Art. 3º Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser fornecido protocolo eletrônico. Parágrafo único. Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. Correto. (TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Quanto ao Processo Judicial Eletrônico, a suspensão dos prazos processuais não impedirá o encaminhamento de petições e a movimentação processual, podendo a apreciação dos pedidos decorrentes desses prazos ocorrer, a critério do juiz, após o término do prazo de suspensão, ressalvados os casos de urgência. Correto. 2. TERMOS PROCESSUAIS Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite, termo, a rigor, é a redução escrita do “ato”. Em outras palavras, termo é a reprodução gráfica do ato processual. A CLT dispõe sobre termos processuais nos arts. 771 a 773, o que permite a aplicação subsidiária, no que couber, dos arts. 206 a 211 do CPC, ou seja, desde que observada a principiologia peculiar do Direito Processual do Trabalho. A intenção do legislador é a de que os registros sejam feitos de forma indelével, insuscetíveis de rasuras que não sejam evidentes. Logo, não são admitidos no processo os termos lançados a lápis. Os atos e termos processuais devem ser assinados pelas partes interessadas. Todavia, quando estas, por motivo justificado, não puderem fazê-lo, serão os atos firmados a rogo, na presença de 2 testemunhas, sempre que não houver procurador legalmente constituído. Destaca-se, ainda, que os termos relativos ao andamento dos processos constarão de simples notas, datadas e rubricadas pelo chefe de secretaria ou escrivão. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 46 3. PRAZOS PROCESSUAIS CLASSIFICAÇÃO 3.1.1. Quanto à origem da fixação 1) Prazos legais: são os fixados pela própria lei. Ex.: prazo para interposição de recursos, que, no Processo do Trabalho, é, em regra, de 8 dias. 2) Prazos judiciais: são os fixados pelo juiz. Ex.: prazo para o perito apresentar o laudotécnico, nos termos do art. 852-H, § 4º, da CLT. 3) Prazos convencionais: são os que podem ser objeto de acordo entre as partes. 3.1.2. Quanto à natureza 1) Prazos dilatórios ou prorrogáveis: são os que decorrem de normas de natureza dispositiva, isto é, normas que permitem à parte dispor do prazo para a prática de determinado ato. Os prazos convencionais também são dilatórios. Obs.: a prorrogação do prazo dilatório somente pode ser autorizada pelo Juiz antes do seu término. Se for requerida a prorrogação depois do término do prazo, já haverá ocorrido a preclusão. Como o tema foi cobrado em concurso? (CELESC - Advogado - FEPESE - 2018): Incumbe ao juízo dilatar os prazos processuais para adequar às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. Correto. 2) Prazos peremptórios, fatais ou improrrogáveis: são os que decorrem de normas cogentes, imperativas ou de ordem pública. Os prazos peremptórios não podem ser reduzidos pelo Juiz, salvo se houver concordância de todas as partes (CPC, art. 222, § 1º). Segundo a prof. Thais Mendonça, os prazos peremptórios estão submetidos à preclusão, isto é, à perda da faculdade de praticar um ato processual. Nesse sentido, infere-se que existem 3 tipos de preclusão: 1) Preclusão lógica: ocorre quando se pratica um ato processual logicamente contrário àquele que a parte deseja praticar. Ex.: parte que faz renúncia ao direito de recorrer e recorre. 2) Preclusão consumativa: perda da faculdade de praticar um ato processual porque a parte já o praticou, ou seja, o ato já foi consumado. Ex.: não é possível que a mesma parte recorra novamente de decisão que já foi recorrida. 3) Preclusão temporal: refere-se à não observância do prazo de praticar um ato processual. Ex.: perda do prazo de apresentar um recurso. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 47 3.1.3. Quanto aos destinatários 1) Prazos próprios: são os destinados às partes. Os prazos próprios são também peremptórios e se sujeitam ao instituto da preclusão. 2) Prazos impróprios: são os legalmente previstos e destinados aos juízes e aos servidores do Poder Judiciário. Diz-se impróprios porque não são vulneráveis ao instituto da preclusão, razão pela qual mesmo praticados fora do prazo, são válidos. CONTAGEM DOS PRAZOS PROCESSUAIS A contagem dos prazos no processo do trabalho é feita com base nos arts. 774 e 775 da CLT: Art. 774 - Salvo disposição em contrário, os prazos previstos neste Título contam-se, conforme o caso, a partir da data em que for feita pessoalmente, ou recebida a notificação, daquela em que for publicado o edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da Justiça do Trabalho, ou, ainda, daquela em que for afixado o edital na sede da Junta, Juízo ou Tribunal. Parágrafo único - Tratando-se de notificação postal, no caso de não ser encontrado o destinatário ou no de recusa de recebimento, o Correio ficará obrigado, sob pena de responsabilidade do servidor, a devolvê-la, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Tribunal de origem. Isto posto, constata-se que a regra geral é que os prazos são contados a partir do conhecimento (do notificando) sobre os termos da notificação. Em sequência, o art. 775 da CLT estabelece o seguinte: Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. § 1º Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas seguintes hipóteses: I - quando o juízo entender necessário; II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. § 2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. Há que distinguir, portanto, 2 momentos de fruição dos prazos processuais: 1) Dia do começo do prazo: o dia do começo é excluído da contagem do prazo e ocorre no momento em que a parte ou terceiro toma ciência do ato processual a ser praticado. Significa que o dia do começo não se computa no prazo. 2) Início da contagem do prazo: o início da contagem do prazo ocorre no dia seguinte ao do começo do prazo. Dito de outro modo, a contagem do prazo processual inicia-se no dia seguinte ao da ciência do ato processual pela parte ou terceiro interessado e vai até o seu término, que é o último dia do prazo processual. Portanto, o dia do vencimento inclui-se na contagem do prazo. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 48 Obs.: os prazos que se vencerem em sábado, domingo e feriado ou não onde houver expediente forense terminarão no primeiro dia útil seguinte. Para melhor compreensão da contagem dos prazos, seguem alguns exemplos trazidos pelo por Carlos Henrique Bezerra: 1) Notificação postal: o começo do prazo ocorre no dia da ciência do ato pela parte, presumindo-se recebida a notificação em 48 horas da data de sua postagem (Súmula 16 do TST). Se a notificação postal foi expedida no dia 10/5/2013 (sexta-feira), presume-se o seu recebimento 48 horas depois (na prática, contam-se 2 dias úteis), ou seja, no dia 14-5-2013 (terça-feira). O início da contagem do prazo se deu no dia 15/5/2013 (quarta- feira). 2) Notificação eletrônica: considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico (CPC, art. 224, § 2º) e o início da contagem do prazo ocorrerá no primeiro dia útil que se seguir ao da publicação (CPC, art. 224, § 3º). As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem na forma da Lei 11.419/06, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. Neste caso, o começo do prazo é o dia em que o intimando efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos do PJE. A data do início da contagem do prazo é o primeiro dia útil seguinte. SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DOS PRAZOS A suspensão ocorre quando se paralisa a contagem do prazo processual. Cessada a causa suspensiva, recomeça-se a contagem do prazo, isto é, retoma-se a contagem do prazo no estado em que parou. Dentre as causas suspensivas, pode-se destacar: 1) Art. 775-A da CLT: Art. 775-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive. Obs.: a suspensão do curso do prazo processual entre 20 de dezembro e 20 de janeiro NÃO se confunde com o período do recesso forense, que ocorre do dia 20/12 a 06/01. 2) Súmula 262 do TST: PRAZO JUDICIAL. NOTIFICAÇÃO OU INTIMAÇÃO EM SÁBADO. RECESSO FORENSE. I - Intimada ou notificada a parte no sábado, o início do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. II - O recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal Superior do Trabalho suspendem os prazos recursais. DJE em 21-5- 2014. 3) Art. 799 da CLT: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 49 Art. 799 - Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou incompetência. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Jundiaí - Procurador - VUNESP - 2021): A Consolidação das Leis do Trabalho dispõe que, nas demandas de competência da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou de incompetência. Correto. 4) Aplicam-se de forma subsidiária todas as hipóteses de suspensão previstas no art. 313 do CPC: Art. 313. Suspende-se o processo: I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador. II - pela convenção das partes; III - pela arguição de impedimento ou desuspeição; IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; VI - por motivo de força maior; VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo; VIII - nos demais casos que este Código regula. IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar-se pai. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Durante a suspensão dos prazos processuais, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento. Correto. Por outro lado, na interrupção, apesar de o prazo ser reiniciado quando cessada a causa interruptiva, ele é devolvido integralmente à parte interessada, como se ele nunca tivesse iniciado. Assim, o prazo volta a “ser contado do 0”. Um exemplo de interrupção do prazo ocorre com interposição dos embargos de declaração, nos termos do art. 897-A, § 3º da CLT: Art. 897-A, § 3º Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de outros recursos, por qualquer das partes, salvo quando intempestivos, irregular a representação da parte ou ausente a sua assinatura. 4. NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 50 Consoante Carlos Henrique Bezerra, do ponto de vista do direito processual, a nulidade de um ato processual deve levar em conta o estado em que ele se encontra em determinada fase do processo e que pode privá-lo de produzir seus próprios efeitos ou destituir os efeitos de outros atos já produzidos. É importante destacar que, diferentemente do direito material não penal, atos processuais, no processo civil ou trabalhista, embora nulos, produzem efeitos, sendo, portanto, necessária a interposição de recurso ou, quando cabível, o ajuizamento de ação própria para que cessem tais efeitos. Importante destacar que as nulidades se subdividem em: 1) Absoluta: ocorre quando determinado ato fere norma de ordem pública, portanto indisponível pelas partes. Esta espécie de nulidade pode comprometer a validade total ou parcial do processo e não se sujeita, em princípio, à preclusão. Assim, o Juiz pode corrigir de ofício e a qualquer tempo. 2) Relativa: corresponde a um vício sanável, porquanto decorrente de ato praticado no interesse da parte. A nulidade relativa depende de provocação do interessado, uma vez que não pode ser pronunciada ex officio. Pode-se dizer que o sistema processual trabalhista de nulidades é regido por normas (princípios e regras) que levam em conta, sobretudo, as especificidades e institutos peculiares do Processo do Trabalho. Isto posto, passa-se a verificar, então, as regras ou princípios das nulidades processuais. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS O Princípio da instrumentalidade das formas, também chamado de princípio da finalidade, considera que quando a lei prescrever determinada forma para o ato processual, sem cominar nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, alcançar a sua finalidade. Este princípio também é encampado pelo direito processual do trabalho, como se infere da interpretação sistemática e teleológica dos arts. 795, 796, a, e 798 da CLT, in verbis: Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos. Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam consequência. PRINCÍPIO DO PREJUÍZO OU DA TRANSCENDÊNCIA Tal princípio está intimamente ligado ao princípio da instrumentalidade das formas. Segundo o princípio da transcendência, não haverá nulidade processual sem prejuízo manifesto às partes interessadas. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 51 Importante destacar que ele está positivado no art. 794 da CLT: Art. 794 - Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes. É preciso salientar que o prejuízo disposto no art. 794 é de natureza processual, isto é, não se aplica em caso de prejuízo material, financeiro, econômico ou moral decorrente do conflito de direito material. Sobre o princípio, importante verificar o julgado abaixo colacionado: NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO RECLAMANTE. ERRO DE PROCEDIMENTO. PRINCÍPIO DA TRANSCENDÊNCIA. PREJUÍZO CONFIGURADO. De acordo com o princípio da transcendência, ligado umbilicalmente ao princípio da instrumentalidade das formas, não haverá nulidade sem prejuízo manifesto às partes litigantes. Entretanto, existente o erro de procedimento ou de julgamento que resulte em prejuízo à parte processual, impõe-se a anulação dos atos que não podem ser aproveitados, a fim de que se observe o procedimento legal, nos termos do art. 794, da CLT. (TRT 3ª R., RO 0010122-37.2018.5.03.0033, Rel. Juiz Conv. Vitor Salino de Moura Eca, 8ª T. DEJT 19-9-2018). PRINCÍPIO DA CONVALIDAÇÃO OU PRECLUSÃO Está consagrado no art. 795 da CLT: Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos. § 1º - Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos decisórios. § 2º - O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma ocasião, que se faça remessa do processo, com urgência, à autoridade competente, fundamentando sua decisão. Tem-se entendido que a oportunidade para a parte arguir a nulidade em audiência encerra- se com a apresentação das razões finais. Se a parte não suscitar a nulidade na primeira oportunidade que tiver para falar em audiência ou nos autos, haverá a convalidação do ato, ou seja, o ato anteriormente nulo passa à condição de ato válido, caso em que estará precluso o direito de a parte, novamente, vir a alegar a nulidade do ato. Consagrou-se, na prática processual trabalhista, o famoso “protesto nos autos”, mediante registro na ata de audiência. Trata-se de um costume processual adotado pelas partes, geralmente representadas por advogados, para evitar a preclusão. Salienta-se, entretanto, que o princípio da convalidação só é aplicável às nulidades relativas, que são aquelas que dependem de provocação da parte interessada. Dito de outro modo, o princípio CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 52 da convalidação ou preclusão não se aplica às nulidades absolutas ou quando a parte provar legítimo impedimento para a prática do ato. Outrossim, conforme apontado anteriormente, quando o § 1º do art. 795 da CLT prescreve que deverá ser declarada ex officio a nulidade fundada em “incompetência de foro”, deve-se compreender a jurisdição, ou seja, o foro trabalhista. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL O princípio da economia processual está implicitamente contido no art. 796, a, da CLT: Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. Não somente, o princípio também está consagrado no art. 797: Art. 797 - O juiz ou Tribunal que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende. Comefeito, se, ao pronunciar a nulidade, o juiz deve declarar os atos a que ela se estende, é óbvio que, por economia (e celeridade) processual, declarará, também, explícita ou implicitamente, os atos válidos que serão aproveitados. Como o tema foi cobrado em concurso? (FAPESP - Procurador - VUNESP - 2018): A nulidade processual trabalhista não será declarada quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato. Correto. PRINCÍPIO DA UTILIDADE O princípio da utilidade processual, que possui nítida aproximação com o princípio do prejuízo (ou transcendência) já examinado, constitui corolário do princípio da economia processual e está consagrado literalmente no art. 798 da CLT, que diz: Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam consequência. Segundo o princípio da utilidade, devem-se aproveitar ao máximo os atos processuais posteriores, desde que estes não sofram reflexos da nulidade decretada judicialmente. Desse modo, os atos válidos anteriores à decretação de nulidade não são alcançados, nem aqueles que dela sejam independentes. PRINCÍPIO DO INTERESSE De acordo com Carlos Henrique Bezerra, a parte tem o direito de demonstrar manifesto prejuízo ao seu direito de demandar em juízo, mas somente estará autorizada a arguir a nulidade do ato somente se, não concorreu direta ou indiretamente para a ocorrência da irregularidade. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 53 Trata-se, pois, do princípio do interesse, que está previsto no art. 796, b, da CLT, segundo o qual: Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: b) quando arguida por quem lhe tiver dado causa. Significa, portanto, que quem causou a nulidade processual não pode argui-la posteriormente. Destarte, o princípio do interesse constitui postulado ético do processo e corolário do princípio da boa-fé, o qual não admite que alguém obtenha vantagem valendo-se de sua própria torpeza. Dito de outro modo, nenhum participante do processo poderá postular decretação de sua invalidade se ele mesmo lhe deu causa, pois, ao praticar o ato viciado, a parte vê logicamente preclusa a possibilidade de alegar vício a que deu causa (preclusão lógica). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 54 PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Não se confundem, do ponto de vista conceitual, ação, processo e procedimento. Sendo assim, importante verificar em que consiste cada um deles: 1) Ação: direito constitucional de procurar o Poder Judiciário sempre que haja lesão ou ameaça de lesão a um direito. 2) Processo: é o instrumento pelo qual se tem acesso ao Poder Judiciário, materializando, portanto, o direito constitucional de ação. Segundo Carlos Henrique Bezerra, o processo constitui um conjunto de atos processuais que vão se sucedendo de forma coordenada dentro da relação processual, até atingir a coisa julgada. 3) Procedimento: é a forma, o modo, a maneira como os atos processuais vão se projetando e se desenvolvendo dentro da relação jurídica processual. 2. TIPOS DE PROCEDIMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO No Processo do Trabalho de conhecimento, há 2 tipos de procedimentos: 1) Procedimento comum, que se subdivide em ordinário, sumário e sumaríssimo; 2) Procedimento especial, que é adotado para as ações especiais previstas na própria CLT, como o inquérito judicial para apuração de falta grave, o dissídio coletivo e a ação de cumprimento. No que tange ao procedimento comum, insta salientar que apesar de cada uma de suas subdivisões possuir especificidades que serão aprofundadas posteriormente, a forma mais utilizada de distingui-las é por meio do valor da causa, ocorrendo da seguinte maneira: 1) Rito sumário ou de alçada: até 2 salários-mínimos. 2) Rito sumaríssimo: superior a 2 e inferior a 40 salários-mínimos. 3) Rito ordinário: acima de 40 salários-mínimos. Passa-se, então, a discorrer acerca do procedimento comum ordinário, que é o mais usual no âmbito do Processo do Trabalho. 3. RITO ORDINÁRIO PETIÇÃO INICIAL CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 55 A petição inicial é o veículo, o meio, o instrumento pelo qual o autor exerce o direito fundamental de acesso à justiça. Trata-se, pois, do ato processual mais importante para o exercício desse direito. Nesse sentido, a petição inicial é pressuposto processual de existência da própria relação jurídica que se formará em juízo. Diferentemente do Processo Civil (CPC, art. 319), a CLT (art. 840) não utiliza o termo “petição inicial”. Na verdade, o texto consolidado confunde petição inicial com “reclamação”, sendo que esta é apenas o nomen iuris atribuído à ação trabalhista. Transplantando a norma inscrita no art. 839 da CLT para a linguagem da ciência processual, pode-se dizer que a petição inicial da ação trabalhista pode ser formulada: 1) Pelos sujeitos da relação de emprego, isto é, pelos empregados e empregadores ou pelos trabalhadores avulsos por equiparação constitucional, pessoalmente (jus postulandi), ou por seus representantes; 2) Pelos sindicatos, em defesa dos interesses ou direitos coletivos ou individuais da categoria que representam; 3) Pelo Ministério Público do Trabalho, nos casos previstos em lei. Com a ampliação da competência da Justiça do Trabalho (CF, art. 114, com nova redação dada pela EC 45/2004), a petição inicial no Processo do Trabalho também poderá ser apresentada: 1) Por outros titulares da relação de trabalho, como os trabalhadores autônomos, eventuais, voluntários, estagiários e os tomadores dos seus serviços; 2) Pela união, na hipótese de ação de cobrança das multas impostas aos empregadores pela SRT (superintendência regional do trabalho); 3) Pelos sindicatos, nas hipóteses de lides intersindicais ou entre eles e seus representados ou filiados; 4) Pelos empregadores ou tomadores de serviços, quando sujeitos de uma relação de emprego ou de trabalho, respectivamente. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Dourados - Procurador - IBFC - 2022): A petição inicial trabalhista é o instrumento de que se vale o reclamante para invocar a prestação jurisdicional do Estado, é o ato processual com que se inicia a ação trabalhista e que delimita o objeto da lide, especificando os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. Correto. O art. 840 da CLT diz que a petição inicial poderá ser escrita ou verbal. a) Reclamação trabalhista verbal Na hipótese de intentar uma reclamação trabalhista verbal, o requerente deve comparecer na Secretaria da Vara (quando for Vara única) ou no Setor de Distribuição (quando houver mais de uma Vara). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 56 Após informar a intenção de litigar, há a distribuição da ação. A partir deste momento, nasce um prazo de 5 dias (que pode ser dilatado pelo Juiz na hipótese de força maior) para o reclamante comparecer à Secretaria da Vara para narrar os fatos, conforme determina o art. 786 da CLT: Art. 786 - A reclamação verbal será distribuída antes de sua redução a termo. Parágrafo único - Distribuída a reclamação verbal, o reclamante deverá, salvo motivo de força maior, apresentar-se no prazo de 5 (cinco) dias, ao cartório ou à secretaria, para reduzi-la a termo, sob a pena estabelecida no art. 731. Caso o reclamante não se apresente, ocorrerá o arquivamento da reclamação e ele sofrerá a penalidade de suspensão do direito de ação pelo prazo de 6 meses, nos termos do art. 731 da CLT: Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho. Trata-se da denominada54 PETIÇÃO INICIAL ............................................................................................................... 54 AUDIÊNCIA ......................................................................................................................... 59 3.2.1. Características da audiência trabalhista ..................................................................... 59 3.2.2. Presença das partes em audiência ............................................................................. 61 3.2.3. Ausência das partes em audiência .............................................................................. 63 3.2.4. Conciliação ................................................................................................................... 69 CONTESTAÇÃO ................................................................................................................. 71 3.3.1. Contestação contra o processo ................................................................................... 72 3.3.2. Contestação contra o mérito ........................................................................................ 72 EXCEÇÕES ......................................................................................................................... 74 3.4.1. Exceção de suspeição ................................................................................................. 74 3.4.2. Exceção de incompetência .......................................................................................... 75 RECONVENÇÃO ................................................................................................................ 77 MANIFESTAÇÃO SOBRE A DEFESA ............................................................................... 78 INSTRUÇÃO ORAL ............................................................................................................ 79 3.7.1. Prova testemunhal ....................................................................................................... 79 3.7.2. Prova pericial ............................................................................................................... 83 RAZÕES FINAIS ................................................................................................................. 86 CONCILIAÇÃO PRÉ-DECISÓRIA ...................................................................................... 88 SENTENÇA ......................................................................................................................... 88 4. RITO SUMARÍSSIMO ................................................................................................................ 89 5. RITO SUMÁRIO OU DE ALÇADA ............................................................................................. 94 TEORIA GERAL DOS RECURSOS .................................................................................................. 96 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 96 2. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS ........................................................................................ 96 QUANTO À FORMA DE RECORRER ............................................................................... 96 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 3 QUANTO À AUTORIDADE À QUAL SE DIRIGEM ............................................................ 98 QUANTO À MATÉRIA......................................................................................................... 98 3. ATOS SUJEITOS A RECURSO ................................................................................................. 98 PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES ............................... 98 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE ......................................................................................... 101 PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE ...................................................................... 103 3.3.1. Cabimento .................................................................................................................. 103 3.3.2. Legitimidade ............................................................................................................... 104 3.3.3. Preparo trabalhista ..................................................................................................... 105 4. CUSTAS PROCESSUAIS E DEPÓSITO RECURSAL............................................................ 105 CUSTAS ............................................................................................................................ 105 DEPÓSITO RECURSAL ................................................................................................... 107 ISENÇÃO .......................................................................................................................... 109 RECURSOS EM ESPÉCIES ........................................................................................................... 112 1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ............................................................................................. 112 2. RECURSO ORDINÁRIO .......................................................................................................... 114 3. AGRAVO DE PETIÇÃO ........................................................................................................... 118 4. AGRAVO DE INSTRUMENTO ................................................................................................. 120 5. RECURSO DE REVISTA ......................................................................................................... 121 6. EMBARGOS NO TST ............................................................................................................... 127 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ..................................................................................... 127 EMBARGOS INFRINGENTES ......................................................................................... 130 EXECUÇÃO TRABALHISTA ........................................................................................................... 133 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 133 2. TÍTULOS EXECUTIVOS .......................................................................................................... 133 TÍTULOS JUDICIAIS ......................................................................................................... 133 TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS............................................................................................. 134 EXEQUIBILIDADE DOS TÍTULOS ................................................................................... 135 3. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA ................................................................................................. 136 LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS ....................................................................................... 136 3.1.1. Liquidação por artigos (ou pelo procedimento comum) ............................................ 137 LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO ............................................................................. 138 4. EXECUÇÃO DEFINITIVA ......................................................................................................... 139 5. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA ....................................................................... 142 6. EXECUÇÃO CONTRA A MASSA FALIDA OU EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL 143 PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TRABALHISTAS ........................................................................ 146 1. INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE ............................................ 146 1.1 CONCEITO ........................................................................................................................perempção trabalhista ou temporária. Obs.: o arquivamento da petição inicial se refere à extinção do processo sem resolução do mérito. Cumprida a pena de perda pelo prazo de 6 meses do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho, uma vez que houve extinção do processo sem resolução do mérito, o reclamante poderá ingressar novamente com a reclamação trabalhista, seja de forma verbal ou escrita. Frisa-se, por fim, que na hipótese de comparecimento do reclamante, será feita a redução da petição inicial a termo (termo de reclamação), em 2 vias datadas e assinadas pelo Diretor de Secretaria ou escrivão. Salienta-se, ainda, que petição inicial verbal deve observar, no que couber, os requisitos exigidos para a petição inicial escrita (CLT, art. 840, § 2º). b) Reclamação trabalhista escrita Dispõe o § 1º do art. 840 da CLT que: Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. § 1º Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante. Da leitura do dispositivo normativo acima exposto, pode-se concluir que NÃO se exige a fundamentação jurídica prevista no art. 319 do CPC. Entende-se que houve o silêncio eloquente com a Reforma Trabalhista de 2017, que optou por exigir somente a fundamentação fática. Isto posto, importante vislumbrar 2 teorias que implicam na necessidade (ou não) da fundamentação jurídica na petição inicial: 1) Teoria da individuação da causa de pedir: a causa de pedir é pautada apenas em um fundamento. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 57 2) Teoria da substanciação da causa de pedir: exige 2 fundamentos, o fato e o direito. É a teoria adotada no CPC. No Direito Processual do Trabalho, considerando a informalidade, a simplicidade e, sobretudo, o jus postulandi, adota-se da teoria da individuação da causa de pedir, bastando apenas a fundamentação fática na petição inicial trabalhista. Outrossim, os pedidos devem ter indicação do seu valor. De acordo com a IN 41/18 do TST, que regulamenta a Reforma Trabalhista, os pedidos poderão conter uma indicação aproximada de valor: Art. 12, § 2º Para fim do que dispõe o art. 840, §§ 1º e 2º, da CLT, o valor da causa será estimado, observando-se, no que couber, o disposto nos arts. 291 a 293 do Código de Processo Civil. Ressalta-se, no entanto, que no Rito Ordinário, a ausência de indicação do valor implica na extinção do pedido: Art. 840, § 3º Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1º deste artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. Sobre o tema, importante verificar, ainda, que a IN 39/16 do TST, que trata sobre a aplicação do CPC ao Processo do Trabalho, define que o art. 292, inciso V do CPC é aplicável à Justiça do Trabalho: Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da reconvenção e será: V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido. Exige-se, pois, a quantificação do dano moral, uma vez que é dever da parte indicar o valor do dano moral. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): De acordo com o que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, e com base na interpretação conferida pelo Tribunal Superior do Trabalho à Lei nº 13.467/2017, a chamada Reforma Trabalhista, não há a necessidade de atribuição de valor certo a cada pedido realizado na petição inicial do Processo do Trabalho, eis que se admite a atribuição de valor estimado para o pedido, aplicando-se o Código de Processo Civil, no que couber, na matéria pertinente. Correto. Por outro lado, não é necessário o requerimento de provas em sede de petição inicial trabalhista, uma vez que a CLT dispõe que as partes apresentarão suas provas na audiência, conforme prelecionam os arts. 825 e 845: Art. 825 - As testemunhas comparecerão a audiência independentemente de notificação ou intimação. Art. 845 - O reclamante e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 58 Por fim, importante evidenciar que não é necessário ao reclamante falar sobre o interesse na audiência de conciliação, eis que se trata de uma consequência do procedimento. Nesse liame, salienta-se que o art. 2º, inciso IV da IN 39/16 do TST prevê que o art. 334 do CPC (audiência de conciliação ou de mediação) NÃO se aplica ao Processo do Trabalho. No Rito Ordinário, protocolizada a petição inicial, de acordo com o art. 841 da CLT, a Secretaria da Vara irá, no prazo de 48h, expedir a(s) notificação(ões) na forma indicada por lei: Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. Obs.: o nome técnico no Processo do Trabalho é notificação, e não citação como ocorre no Processo Civil. A notificação ao reclamado pode ser: Art. 841, § 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far- se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. § 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma do parágrafo anterior. 1) Postal: sendo postal, a notificação poderá ser recebida por qualquer pessoa ou preposto responsável pelo recebimento da correspondência. Sobre a notificação postal, importante verificar o disposto na Súmula 16 do TST: Súmula 16 do TST: Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não-recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. Frisa-se que se trata de uma presunção relativa, admitindo-se prova em contrário. 2) Através de oficial de justiça 3) Por edital: inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. Recebida a notificação e sendo o caso, haverá um prazo de 5 dias para que o reclamado (querendo ou cabendo) apresente exceção de incompetência (que será abordada posteriormente) em peça própria. Apresentada a exceção de incompetência, há 2 consequências: 1) A suspensão do processo; 2) Desmarcação da audiência. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 59 Em seguida, os autos irão conclusos ao Juiz. Nesse momento, o Magistrado pode optar por: 1) Rejeitar liminarmente a exceção; ou 2) Determinar a notificação da parte contrária, para que no prazo de 5 dias apresente a sua manifestação à exceção. Caso o reclamante tenha optado por apresentar manifestação à exceção, após a sua manifestação, deve-se observar se há ou não necessidade de audiência. Havendo a audiência, é facultada a oitiva do réu no Juízo que ele declarou competente, o que deverá ser feito por carta precatória inquiritória. Depois da audiência, haverá a decisão de exceção, que é uma decisão interlocutória. Ela será recorrível, de imediato, na forma da Súmula 214, c, do TST: SÚMULA Nº 214 - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, daCLT. Res. 127/2005, DJ 14, 15 e 16.03.2005 Após isso, o processo retomará o seu curso, deixando a garantia da apresentação da defesa no Juízo competente. AUDIÊNCIA Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Técnico Judiciário - FUMARC - 2022): A audiência inicial trabalhista é aquela em que há tentativa de conciliação e o recebimento da defesa, com o agendamento de audiência de instrução, se for o caso. Correto. 3.2.1. Características da audiência trabalhista 1) A audiência deve ser marcada observado o interstício mínimo de 5 dias (não há interstício máximo); Obs.: o prazo de apresentação da defesa no Processo do Trabalho é ATÉ a primeira audiência após a notificação do reclamado. 2) A audiência pode ser adiada em virtude de qualquer motivo que evidencie a necessidade de adiamento; Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A audiência de julgamento será contínua, mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 60 (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. Correto. 3) A audiência será realizada entre 8h e 18h de dias úteis; Como o tema foi cobrado em concurso? (Senado Federal - Advogado - FGV - 2022): Numa terça-feira, dia útil, um oficial de justiça compareceu às 20h na residência de um reclamado, visando a intimá-lo a comparecer a uma audiência trabalhista designada para a sexta- feira da semana seguinte, dia útil, às 7h30min, a ocorrer na sede do juízo. Considerando os fatos narrados e a previsão contida na CLT, a audiência não poderia ser designada para as 7h30min, mas o ato praticado pelo oficial de justiça poderia ocorrer às 20h. Correto. 4) Após 5 horas consecutivas de pauta, o Juiz PODE suspender e adiar a audiência em curso e todas aquelas ainda não realizadas; 5) Quanto ao local, as audiências (ou sessões) são públicas e realizadas na sede do Juízo (ou Tribunal). Todavia, em casos especiais, poderá ser designado outro local para a realização das audiências, mediante edital afixado na sede do Juízo do Tribunal, com a antecedência mínima de 24 horas; 6) Se, até 15 minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências; 7) Se, até 30 minutos após a hora marcada, a audiência, injustificadamente, não houver sido iniciada, as partes e os advogados poderão retirar-se, consignando seus nomes, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências; Sobre tal característica, é importante evidenciar o disposto nos parágrafos do art. 815 da CLT, com redação dada pela Lei 14.657/2023: Art. 815, § 1º Se, até 15 (quinze) minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências. § 2º Se, até 30 (trinta) minutos após a hora marcada, a audiência, injustificadamente, não houver sido iniciada, as partes e os advogados poderão retirar-se, consignando seus nomes, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências. § 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, a audiência deverá ser remarcada pelo juiz ou presidente para a data mais próxima possível, vedada a aplicação de qualquer penalidade às partes. 8) Segundo o disposto no art. 814 da CLT, às audiências deverão estar presentes, comparecendo com a necessária antecedência, os escrivães ou os chefes de Secretaria (atualmente, Diretores de Secretaria). Esta norma tem por destinatários os servidores encarregados da parte burocrática da audiência. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 61 Significa, portanto, que a presença obrigatória na audiência é do Juiz e do servidor, de modo que a audiência ocorrerá normalmente sem a presença das partes e/ou seus advogados. 3.2.2. Presença das partes em audiência O art. 843 da CLT exige que na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes, salvo nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo sindicato de sua categoria. No Processo do Trabalho, portanto, é obrigatória a presença das partes em todas as audiências na primeira instância, isto é, nas Varas do Trabalho. a) Presença do reclamante O empregado se faz presente de forma pessoal. No entanto, também pode se fazer presente na forma prevista pelo art. 843, § 2º da CLT: Art. 843 - Na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria. § 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. Em que pese o § 2º utilize o verbo “representar”, na hipótese de não ser possível ao empregado comparecer pessoalmente, o outro empregado que pertença à mesma profissão comparece na audiência exclusivamente para: 1) Justificar a ausência do empregado; 2) Provocar o adiamento da audiência; 3) Evitar a aplicação de penalidade por ausência. Desse modo, tal empregado não pode transigir, depor, confessar, receber, renunciar, dar quitação, de modo que comparece à audiência para exercer apenas as 3 funções acima estabelecidas. Salienta-se, por fim, que o “motivo poderoso” que pode ensejar a ausência do empegado constitui um conceito jurídico indeterminado, devendo ser avaliado pelo Juiz mediante comprovação. b) Presença do reclamado Com relação à presença do empregador, insta evidenciar, a priori, aqueles que poderão ser representados em Juízo, de acordo com o art. 75 do CPC: Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 62 I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão vinculado; II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores; III - o Município, por seu prefeito, procurador ou Associação de Representação de Municípios, quando expressamente autorizada; IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado designar; V - a massa falida, pelo administrador judicial; VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador; VII - o espólio, pelo inventariante; VIII - a pessoa jurídica, por quem os respectivos atos constitutivos designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores; IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens; X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil; XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico. Acerca da representação processual do procurador da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, suas autarquias e fundações públicas, importante verificar o disposto na Súmula 436 do TST: SÚMULA N.º 436 - REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. PROCURADOR DA UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS E DISTRITO FEDERAL, SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS. JUNTADA DE INSTRUMENTO DE MANDATO. I - A União, Estados, Municípios e Distrito Federal, suas autarquias e fundações públicas, quando representadas em juízo,ativa e passivamente, por seus procuradores, estão dispensadas da juntada de instrumento de mandato e de comprovação do ato de nomeação. II - Para os efeitos do item anterior, é essencial que o signatário ao menos declare- se exercente do cargo de procurador, não bastando a indicação do número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25-9-2012. Como o tema foi cobrado em concurso? (Câmara de Orlândia - Procurador - VUNESP - 2022): Tratando-se a parte reclamada de pessoa jurídica de direito público, não estará sujeita à revelia em caso de não comparecimento à audiência. Errado. A forma de o empregador se fazer presente na audiência está disposta nos §§ 1º e 3º do art. 843 da CLT: Art. 843, § 1º É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. § 3º O preposto a que se refere o § 1º deste artigo não precisa ser empregado da parte reclamada. Sobre a desnecessidade de que o preposto seja empregado do reclamado, bastando apenas que tenha conhecimento dos fatos, insta evidenciar o que dispõe o art. 12, § 3º, da IN 41/18 do TST: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 63 Art. 12, § 3º Nos termos do art. 843, § 3º, e do art. 844, § 5º, da CLT, não se admite a cumulação das condições de advogado e preposto. Dessa forma, se o reclamado que não comparecer à audiência inaugural será revel, já que seu advogado não pode cumular a função de preposto, mas a confissão será confrontada com a contestação e os documentos eventualmente apresentados, eis que de acordo com o § 5º do art. 844 da CLT, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. Correto. 3.2.3. Ausência das partes em audiência a) Ausência do reclamante Determina o art. 844 que a ausência do reclamante na audiência (trabalhador ou empregador) ocasiona: Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. § 1º Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. § 2º Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. § 3º O pagamento das custas a que se refere o § 2º é condição para a propositura de nova demanda. Ante o exposto, a ausência do reclamante importa no arquivamento dos autos, isto é, na extinção do processo sem resolução do mérito e na condenação do autor ao pagamento das custas processuais, ainda que beneficiário da justiça gratuita. Apesar de o § 2º do art. 844 dispor que caso a ausência tenha ocorrido por motivo justificável, ocasião que o reclamante não será condenado ao pagamento das custas processuais, o processo não será desarquivado, tendo em vista a sua extinção sem resolução do mérito. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): Determinado empregado ajuizou, no início do ano corrente, reclamação trabalhista, obteve os benefícios da justiça gratuita, mas deixou de comparecer à audiência de instrução, sem motivo legalmente justificável. A reclamação foi arquivada, e o reclamante, condenado ao pagamento das custas processuais. A partir dessa situação hipotética, o reclamante não poderá propor nova demanda caso não recolha as custas decorrentes do arquivamento da reclamação. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 64 Salienta-se que se o reclamante der causa 2 vezes seguidas ao arquivamento em virtude da ausência na audiência inaugural, ele ficará 6 meses sem poder litigar perante a Justiça do Trabalho, nos termos do art. 732 da CLT: Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho. Art. 732 - Na mesma pena do artigo anterior incorrerá o reclamante que, por 2 (duas) vezes seguidas, der causa ao arquivamento de que trata o art. 844. Obs.: apesar de a pena ser a mesma, a aplicação da penalidade prevista nos arts. 731 e 732 da CLT se dá diante de situações diversas. O art. 731 se refere à petição inicial trabalhista verbal, ocasião na qual o reclamante não comparece no prazo de 5 dias para narrar os fatos. O art. 732, por sua vez, se refere ao não comparecimento do reclamante à audiência inaugural. Ressalta-se, a priori, que a pena de 6 meses é para a mesma reclamação trabalhista. Sendo assim, o reclamante pode ingressar com outra reclamação diversa. É importante verificar o que acontece caso ocorra um 3º arquivamento por conta do não comparecimento do reclamante à audiência. Para tanto, há 3 correntes: 1) A corrente minoritária afirma que não há nenhuma penalidade, uma vez que a CLT prevê apenas em caso de ausência do reclamante à audiência por 2 vezes seguidas. 2) A corrente mais aplicada traz a ideia de que a pena de suspensão do direito de ação por 6 meses não é do duplo arquivamento, mas dos múltiplos arquivamentos. Logo, a partir da 2ª vez que o reclamante não comparecer à audiência, não poderá litigar por 6 meses, prazo esse que se iniciará a cada vez que o reclamante se ausentar. 3) A terceira corrente que, apesar de ser aplicada, é menos usual, defende que a CLT trouxe somente a pena pelo duplo arquivamento, não tratando da pena nos demais casos, de maneira que no triplo arquivamento, deve ser aplicada a perempção do Processo Civil, com base nos seguintes termos: Art. 486, § 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Por fim, evidencia-se que o § 3º do art. 11 da CLT preleciona que a interrupção da prescrição somente ocorrerá uma vez pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em Juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos idênticos. Significa, portanto, que o somente a primeira CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 65 reclamação proposta vai interromper a prescrição, apenas interrompendo quanto a pedidos idênticos. Quanto aos pedidos não feitos, a prescrição vai seguir correndo. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na audiência inicial designada na reclamação trabalhista movida por Davi em face de Fábrica de Tecidos São João Ltda., o autor deixou de comparecer, estando presente seu advogado. A Juíza do Trabalho determinou o arquivamento da reclamação, condenando o reclamante ao pagamento das custas processuais, calculadas em 2% do valor dado à causa. Nesse ato, seu advogado reiterou o pedido de concessão dos benefícios da justiça gratuita, formulado na petição inicial e instruído com declaração do autor de hipossuficiência, o que restou deferido pela Magistrada. De acordo com a CLT, Davi terá o prazo de quinze dias para comprovar o motivo legalmente justificável de sua ausência, quando entãoficará isento do pagamento das custas processuais por ter dado causa ao arquivamento da reclamação. Correto. b) Ausência do reclamado Determina o caput do art. 844 da CLT que: Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. Isto posto, aplica-se a revelia acrescida da pena de confissão ficta/presumida sobre a matéria de fato, uma vez que não existe confissão de matéria de direito. No Processo Civil, o ato que implica revelia é a não apresentação de defesa. Já no Processo do Trabalho, é a ausência do reclamando na audiência (desde que devidamente notificado). Portanto, na Justiça do Trabalho, a revelia não possui relação direta com o ânimo de defesa. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): O Sr. Firmino está indo para a audiência da reclamação trabalhista movida por sua ex-empregada doméstica, Solange. Seu advogado avisou que já foram protocolados a contestação, a procuração ad-judicia e os documentos, eletronicamente. Apregoadas as partes, o advogado do Sr. Firmino não chegou a tempo e ele ingressou sozinho na sala de audiências, com a reclamante e sua advogada. Nessa oportunidade, ante a intenção das partes em não se conciliarem, o juiz informa ao reclamado que a contestação não foi juntada, somente a procuração de seu advogado. Nessa situação hipotética, nos termos da CLT, poderá o reclamado fazer sua defesa oralmente, em 20 minutos. Correto. Importante evidenciar, em sequência, que a Súmula 122 do TST preleciona que ainda que presente advogado munido de procuração e defesa, se o reclamado estiver ausente, ele será considerado revel, aplicando-se a pena de confissão: REVELIA. ATESTADO MÉDICO. A reclamada, ausente à audiência em que deveria apresentar defesa, é revel, ainda que presente seu advogado munido de procuração, podendo ser ilidida a revelia mediante a apresentação de atestado médico, que deverá declarar, expressamente, CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 66 a impossibilidade de locomoção do empregador ou do seu preposto no dia da audiência. Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. No entanto, conforme apontado anteriormente, deve ser aceita a defesa e os documentos apresentados, nos termos do art. 844, § 5º da CLT: Art. 844, § 5º Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Ressalta-se, ainda, que para a elisão/afastamento/retirada da revelia, é necessária a apresentação de atestado médico que comprove expressamente a impossibilidade de locomoção à audiência, conforme disposto na parte final da Súmula 122 do TST. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-13 - Analista Judiciário - FGV - 2022): Eduarda ajuizou reclamação trabalhista contra o seu empregador, que foi distribuída para a 5ª Vara do Trabalho de Itaporanga/PB. A juíza titular designou audiência telepresencial. No dia e hora marcados, Eduarda compareceu com seu advogado, a empresa restou ausente, mas o advogado da reclamada estava presente, informando que no dia anterior havia protocolizado pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) sua defesa com documentos. O advogado de Eduarda requereu a aplicação da revelia e confissão, bem como a exclusão imediata da defesa e documentos apresentados. Nesse caso, deverão ser aceitos a contestação e os documentos apresentados. Correto. A revelia não se confunde com os efeitos da própria revelia. Desse modo, é possível que a parte seja revel sem, necessariamente, sofrer os seus efeitos. Isto posto, é necessário verificar quais são os efeitos da revelia: 1) Confissão ficta sobre a matéria de fato O principal efeito da revelia incide sobre a prova, uma vez que, se o réu não contestar a ação, serão considerados verdadeiros os fatos alegados pelo autor na petição inicial, dispensando-se a produção de outras provas sobre tais fatos. Se a matéria for de direito, no entanto, não há falar em confissão ficta. Todavia, sendo ficta, é uma confissão relativa, admitindo prova em contrário. Ademais, o réu será revel, mas não será confesso se: A REVELIA NÃO PRODUZ OS EFEITOS SE: Art. 345 do CPC § 4º do art. 844 da CLT I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 67 IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. Com relação ao inciso I, havendo litisconsórcio unitário, a defesa de um réu aproveita a do outro. Referente ao inciso III, o réu revel não será confesso sempre que a petição inicial estiver desacompanhada de documento essencial à prova do fato. Ex.: reclamante que pleiteava estabilidade de gestante e não apresentou nenhuma prova da gravidez ou do nascimento da criança. O inciso IV, por fim, se refere a alegações notadamente inverídicas. Ex.: trabalhador que alega que trabalhava 24 horas por dia todos os dias. Como o tema foi cobrado em concurso? (Câmara de Campinas - SP - Procurador - VUNESP - 2024): Na audiência do processo do trabalho, é correto afirmar que a revelia não produz o efeito de confissão quanto à matéria de fato quando a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato. Correto. (Câmara de Orlândia - Procurador - VUNESP - 2022): A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. Correto. (TRT-22 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Sendo a audiência trabalhista um momento relevante para o processo, as partes deverão nela estar presentes. Assim, de acordo com a CLT e jurisprudência sumulada do TST, a revelia produz efeitos mesmo se, havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação. Errado. 2) Possibilidade de julgamento antecipado do mérito Não será necessária uma dilação probatória vasta, uma vez que houve a confissão ficta. Importante ressaltar, todavia, que o art. 195 da CLT traz uma observação com relação aos adicionais de insalubridade ou periculosidade: Art. 195, § 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. Neste caso, ainda que o reclamado seja revel, será necessária a perícia para verificação da insalubridade ou periculosidade, não cabendo o julgamento antecipado do mérito. Há, contudo, 2 exceções: a) OJ 278, SDI-1 do TST: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 68 A realização de perícia é obrigatória para a verificação de insalubridade. Quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova. b) Súmula 453 do TST: ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. CARACTERIZAÇÃO DE FATO INCONTROVERSO. DESNECESSÁRIA A PERÍCIA DE QUE TRATA O ART. 195 DA CLT. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 406 da SBDI-1). O pagamentode adicional de periculosidade efetuado por mera liberalidade da empresa, ainda que de forma proporcional ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior ao máximo legalmente previsto, dispensa a realização da prova técnica exigida pelo art. 195 da CLT, pois torna incontroversa a existência do trabalho em condições perigosas. DJ-E em 21-5-2014. 3) Fluência dos prazos independentemente da notificação do revel Tal efeito NÃO se aplica em 2 hipóteses: a) O advogado do réu revel deverá ser intimado de todos os atos do processo. O art. 346 do CPC dispõe que: Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial. Prestigiou-se, assim, o papel do advogado constituído pelo revel, o qual deverá ser intimado dos atos processuais. b) O réu revel, ainda que não tenha advogado constituído nos autos, deverá ser notificado da sentença: Art. 852 - Da decisão serão os litigantes notificados, pessoalmente, ou por seu representante, na própria audiência. No caso de revelia, a notificação far-se-á pela forma estabelecida no § 1º do art. 841. Ainda sobre a revelia, importante trazer à tona 2 observações: 1) O parágrafo único do art. 346 do CPC – aplicável ao Processo do Trabalho – determina que o revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar. 2) A Súmula 398 do TST estabelece que a revelia não produz confissão na ação rescisória, nos termos abaixo expostos: SÚMULA Nº 398 - AÇÃO RESCISÓRIA. AUSÊNCIA DE DEFESA. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. Na ação rescisória, o que se ataca na ação é a sentença, ato oficial do Estado, acobertado pelo manto da coisa julgada. Assim sendo, e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública, a revelia não produz confissão na ação rescisória. Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 69 Como o tema foi cobrado em concurso? (MPT - Procurador do Trabalho - MPT - 2022): A parte revel na ação rescisória não tem contra si produzidos os efeitos da confissão em razão da coisa julgada envolver questão de ordem pública. Correto. 3.2.4. Conciliação Presentes as partes na audiência, o Juiz irá fazer a primeira Proposta Obrigatória de Conciliação (POC), nos termos do art. 846 da CLT: Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. O entendimento predominante é no sentido de que se a POC não for proposta e tal inobservância não tiver ocasionado algum prejuízo para as partes ou for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato, não há nulidade. Nesse sentido, segue posicionamento jurisprudencial adotado pelo TST: A ausência de renovação da proposta conciliatória, por si só, não gera nulidade processual, porquanto de tal procedimento não decorre, em princípio, nenhum prejuízo às partes, visto que a liberdade das partes para pôr fim ao processo por meio da autocomposição não se extingue com o procedimento conciliatório, consoante dispõe o art. 763, § 3º, da CLT (...). (TST-AIRR 4731220115050462, Rel. Des. Conv. Marcelo Lamego Pertence, 1ª T., DEJT 22-3-2016). Entretanto, a nulidade somente poderá ser declarada se a parte manifestar seu inconformismo na própria audiência ou na primeira vez que teve oportunidade de se manifestar nos autos. Nesse sentido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DA PROPOSTA DE CONCILIAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. Dada oportunidade às partes para apresentar razões finais, incumbia a qualquer uma delas arguir a nulidade processual em questão por meio de suas razões finais, consoante o que estabelece o art. 795 da CLT. Se assim não o fez, restou preclusa a oportunidade de fazê-lo. Portanto, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que, assim, subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (TST-AIRR 10124020105050194, Rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, 3ª T., DEJT 6-6-2014). Por outro lado, se o Juiz lograr êxito na sua proposta de conciliação, isto é, se houver acordo entre os litigantes, será lavrado um termo assinado pelo Juiz Titular ou Substituto da Vara e pelas partes. Tal termo de conciliação, por ser irrecorrível, produz os mesmos efeitos de uma sentença. Aliás, trata-se de uma sentença homologatória de transação entre as partes, porém irrecorrível, o que levou o TST a editar a Súmula 259, dispondo que somente por ação rescisória é possível desconstituir o referido termo de conciliação. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 70 Sobre o tema, também é importante relembrar o disposto nas Súmulas 100 e 418 do TST: Súmula 100: V - O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial. (ex-OJ 104/TST-SDI-II - DJ 29/04/2003). SÚMULA Nº 418 - MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC de 2015). A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. Obs.: na hipótese de ação de homologação de acordo extrajudicial, em petição conjunta assinada por advogados distintos, a decisão que nega a homologação é uma sentença, da qual caberá recurso ordinário. Importante reiterar, ainda, que NÃO cabe homologação parcial do acordo. No processo, em sede de conciliação, caso o juiz negue o acordo, significa que não houve conciliação e o processo vai seguir. Nesse caso, trata-se de uma decisão interlocutória, razão pela qual a única medida que a parte poderá adotar é o ajuizamento de uma reclamação correicional, caso o Juiz tenha praticado o ato com abuso de direito ou visando tumultuar o processo. Vale salientar que do termo de acordo devem constar o prazo, se for o caso, e as demais condições para o seu cumprimento. É o que dizem os §§ 1º e 2º do art. 846 da CLT: Art. 846, § 1º - Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo presidente e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais condições para seu cumprimento. § 2º - Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, poderá ser estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma indenização convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo. Em caso de conciliação, como visto, a parte não poderá recorrer, mas o INSS sim. Para a Previdência Social, a decisão que homologa o acordo NÃO possui força de decisão recorrível, conforme dispõe o art. 831 da CLT, in verbis: Art. 831, Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. Logo, a União (sucessora do INSS) poderá interpor recurso ordinário relativamente às contribuições previdenciárias que entender devidas, na fase de conhecimento/cognição e, na fase de execução, pode interpor agravo de petição. Como o tema foi cobrado em concurso? (UNICAMP - Professor - VUNESP - 2018): Na hipótese de conciliação trabalhista, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, exceto para a Previdência Social, que poderá interpor o recurso ordinário, por meio da União, quanto às contribuições que lhe forem devidas, se a demanda estiver na fase de conhecimento. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 71 Outrossim, não havendo conciliação entre as próprias partes, deve-se dar continuidade ao processo, nos termos estabelecidos pelo art. 847 da CLT: Art. 847 - Não havendo acordo,o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. Isto posto, não havendo acordo, isto é, frustrada a primeira proposta de conciliação, o reclamado terá 20 minutos para apresentar a sua defesa, após a leitura da petição inicial, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Na prática, porém, a peça de defesa do reclamado é escrita e entregue ao juiz que, incontinenti, entrega-a ao reclamante (ou seu representante), não havendo leitura alguma das peças processuais. Salienta-se que a peça de defesa poderá consistir em contestação ou reconvenção. CONTESTAÇÃO A contestação é uma das modalidades de resposta do réu pela qual ele exerce seu direito fundamental de defesa em face da ação ajuizada pelo autor. Segundo Carlos Henrique Bezerra, trata-se de ato processual pelo qual o réu se insurge, de todos os modos legalmente previstos e moralmente aceitos, contra a pretensão deduzida pelo autor, na inicial. A CLT não define a contestação, uma vez que emprega genericamente o vocábulo “defesa”. Importante evidenciar que não se aplica ao Processo do Trabalho o prazo de 15 dias para a contestação do réu (CPC, art. 335), pois o reclamado terá 20 minutos para aduzir sua defesa em audiência, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Também é necessário relembrar que o § 3º do art. 841 da CLT dispõe que, depois de oferecida a contestação, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): No bojo da reclamação trabalhista movida por Sandra em face de Tecidos de Seda Ltda., na qual atuou como vendedora durante 2 anos, na audiência UNA, tendo a reclamada previamente apresentado defesa, a Juíza do Trabalho tentou a conciliação entre as partes, o que restou infrutífera. Ao tomarem conhecimento da contestação apresentada, a reclamante e seu advogado requereram a desistência da reclamação trabalhista. Considerando a legislação vigente, nesse caso, se a reclamada não concordar com a desistência formulada, a Juíza não poderá homologá-la, porque a contestação já foi oferecida e a desistência depende da concordância da reclamada. Correto. Ocorre que no âmbito do sistema do PJe (Processo Judicial Eletrônico), o parágrafo único do art. 847 prevê que a parte poderá apresentar defesa escrita até a audiência. Nesse sentido, a Resolução CSJT 241/2020 dispõe, em seu art. 22, que: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 72 Art. 22. A contestação ou a reconvenção e seus respectivos documentos deverão ser protocolados no PJe até a realização da proposta de conciliação infrutífera, com a utilização de equipamento próprio, sendo automaticamente juntados, facultada a apresentação de defesa oral, na forma do art. 847, da CLT. Ademais, a contestação pode ser dirigida contra o processo ou contra o mérito. 3.3.1. Contestação contra o processo A contestação contra o processo, também conhecida por defesa processual ou simplesmente objeção, está prevista no art. 337 do CPC, que, segundo Carlos Henrique Bezerra, é aplicável com algumas adaptações ao Processo do Trabalho. Aqui o réu limita-se a alegar que não estão satisfeitos os pressupostos processuais (CPC, arts. 337, I, II, III, V, VI, VII e VIII, e 485, IV) ou as condições da ação (CPC, arts. 301, XI, e 485, VI). Assim, compete ao reclamado, antes de discutir o mérito, isto é, antes de se insurgir contra os fatos e o pedido constantes da petição inicial, alegar: 1) Inexistência ou nulidade da citação; 2) Incompetência absoluta e relativa (vide CLT, arts. 799, § 2º e 800); 3) Incorreção do valor da causa; 4) Inépcia da petição inicial; 5) Perempção; 6) Litispendência; 7) Coisa julgada; 8) Conexão; 9) Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; 10) Convenção de arbitragem; 11) Ausência de legitimidade ou de interesse processual; 12) Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; 13) Indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. 3.3.2. Contestação contra o mérito Na contestação indireta do mérito, também denominada de “exceção substancial”, o réu reconhece o fato constitutivo do direito do autor, mas opõe outro fato impeditivo, modificativo ou extintivo do pedido formulado na petição inicial. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 73 Fatos impeditivos são os que provocam a ineficácia dos fatos constitutivos alegados pelo autor. Aqui o reclamado não ataca o direito alegado pelo autor, apenas opõe um fato que impede o exercício daquele direito. Ex. 1: o reclamante pede pagamento de aviso prévio, alegando ter sido despedido sem justa causa, e o reclamado reconhece a despedida, mas alega que ela se deu em virtude de ato de improbidade do reclamante. Ex. 2: o reclamante pede equiparação salarial, apontando o paradigma, e o reclamado se defende alegando e provando que a empresa possui quadro de carreira homologado pelo Ministério do Trabalho e Emprego que assegura promoção alternada por antiguidade e merecimento, o que impedirá a apreciação do fato constitutivo do direito à equiparação salarial. Fatos modificativos são os que implicam alteração dos fatos constitutivos alegados pelo autor. Nesse caso, o reclamado chega a reconhecer parcialmente o direito alegado pelo autor, mas opõe um fato que altera a relação jurídica material alegada pelo reclamante. Ex. 1: ao alegar que o reclamante era trabalhador autônomo e não empregado, o reclamado atrai para si o ônus de provar o fato modificativo do direito do autor, qual seja, a existência de uma relação jurídica de natureza autônoma diversa da relação empregatícia. Ex. 2: o reclamante pede o pagamento de horas extras por ter trabalhado como bancário em jornada superior a 6 horas diárias e o reclamado reconhece a jornada superior a 6 horas, mas alega um fato modificativo no sentido de que o reclamante passou a ocupar cargo de gerente-geral da agência durante o período vindicado na petição inicial. Fatos extintivos, por fim, são os que eliminam, extinguem ou tornam sem valor a obrigação assumida pelo réu, por não ser ela mais exigível. Ex.: o reclamante pede o pagamento de saldo de salários, e o reclamado alega que efetuou o respectivo pagamento, tendo o ônus de provar o fato extintivo do direito do autor (colacionar aos autos o correspondente comprovante de quitação). A renúncia, a transação, a prescrição e a decadência são também fatos extintivos do direito do autor. Além disso, para Carlos Henrique Bezerra, a compensação e a retenção, previstas expressamente no art. 767 da CLT, são também modalidades de fatos extintivos do direito alegado pelo autor: Art. 767 - A compensação, ou retenção, só poderá ser arguida como matéria de defesa. Se o reclamado não alegar a compensação na contestação, não poderá fazê-lo em outra oportunidade, uma vez que estará preclusa a matéria, nos termos da Súmula 48 do TST: SÚMULA Nº 48 - COMPENSAÇÃO. A compensação só poderá ser arguida com a contestação. Na compensação, que é forma indireta de extinção das obrigações, 2 pessoas reúnem reciprocamente as qualidades de credor e devedor. Assim, sempre que o reclamado entender que é credor do reclamante poderá requerer ao juiz que a dívida do empregado possa ser compensada com os eventuais créditos deste. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 74 A compensação, todavia, restringe-se à dívida de natureza trabalhista, como adiantamentos salariais, aviso prévio, danos causados pelo empregado oriundos da relação empregatícia, conforme dispõe a Súmula 18 do TST:SÚMULA Nº 18 - COMPENSAÇÃO. A compensação, na Justiça do Trabalho, está restrita a dívidas de natureza trabalhista. A retenção, por fim, consiste no direito que o reclamado tem de reter alguma coisa do reclamante até que este quite sua dívida em relação àquele. A retenção, tal como a compensação, deve ser requerida pelo reclamado na contestação (CLT, art. 767), sob pena de preclusão. EXCEÇÕES Dispõe o art. 799 da CLT que: Art. 799 - Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou incompetência. § 1º - As demais exceções serão alegadas como matéria de defesa. § 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final. No Processo do Trabalho, de acordo com Carlos Henrique Bezerra, as exceções de suspeição, não obstante suspendam o processo, devem ser apresentadas juntamente com a contestação, isto é, na audiência para a qual fora notificado o reclamado. Em outras palavras, os arts. 799 e 847 da CLT devem ser interpretados sistematicamente, de maneira que, em homenagem ao princípio da concentração dos atos processuais, as exceções de suspeição, a contestação e a reconvenção devem ser apresentadas na mesma audiência inaugural (ou audiência una). Como o tema foi cobrado em concurso? (DOCAS - PB - Advogado - VUNESP - 2022): Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final. Correto. 3.4.1. Exceção de suspeição A exceção de suspeição visa incompatibilizar o Juiz para o exercício da função jurisdicional em determinado processo, a fim de evitar que ele aja com parcialidade em razão de por motivos intrínsecos. A suspeição constitui, pois, matéria de relevante interesse público, porque diz respeito à imparcialidade do juiz e à credibilidade do próprio Poder Judiciário perante a sociedade. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 75 De acordo com o art. 801 da CLT, o Juiz, titular ou substituto, é obrigado a dar-se por suspeito, e pode ser recusado, por alguns dos seguintes motivos, em relação à pessoa dos litigantes: Art. 801, a) inimizade pessoal; b) amizade íntima; c) parentesco por consanguinidade ou afinidade até o terceiro grau civil; d) interesse particular na causa. Mesmo havendo suspeição do Juiz, o parágrafo único do art. 801 da CLT, todavia, considera suprida a irregularidade se: 1) O recusante houver praticado algum ato pelo qual haja consentido na pessoa do Juiz, não mais podendo alegar exceção de suspeição, salvo sobrevindo novo motivo; 2) Constar do processo que o recusante deixou de alegá-la anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida, aceitou o Juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o motivo de que ela se originou. O procedimento da exceção de suspeição está regulado no art. 802 e seus §§ 1º e 2º, da CLT, in verbis: Art. 802 - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou Tribunal designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para instrução e julgamento da exceção. § 1º - Nas Juntas de Conciliação e Julgamento e nos Tribunais Regionais, julgada procedente a exceção de suspeição, será logo convocado para a mesma audiência ou sessão, ou para a seguinte, o suplente do membro suspeito, o qual continuará a funcionar no feito até decisão final. Proceder- se-á da mesma maneira quando algum dos membros se declarar suspeito. § 2º - Se se tratar de suspeição de Juiz de Direito, será este substituído na forma da organização judiciária local. 3.4.2. Exceção de incompetência Com o advento da Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), houve alteração do procedimento da exceção de incompetência territorial, pois o art. 800 da CLT passou a ter a seguinte redação: Art. 800. Apresentada exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da notificação, antes da audiência e em peça que sinalize a existência desta exceção, seguir-se-á o procedimento estabelecido neste artigo. § 1º Protocolada a petição, será suspenso o processo e não se realizará a audiência a que se refere o art. 843 desta Consolidação até que se decida a exceção. § 2º Os autos serão imediatamente conclusos ao juiz, que intimará o reclamante e, se existentes, os litisconsortes, para manifestação no prazo comum de cinco dias. § 3º Se entender necessária a produção de prova oral, o juízo designará audiência, garantindo o direito de o excipiente e de suas testemunhas serem ouvidos, por carta precatória, no juízo que este houver indicado como competente. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 76 § 4º Decidida a exceção de incompetência territorial, o processo retomará seu curso, com a designação de audiência, a apresentação de defesa e a instrução processual perante o juízo competente. No que tange à eficácia temporal do preceptivo em causa, o art. 11 da IN 41/18 do TST dispõe que: Art. 11. A exceção de incompetência territorial, disciplinada no art. 800 da CLT, é imediatamente aplicável aos processos trabalhistas em curso, desde que o recebimento da notificação seja posterior a 11 de novembro de 2017 (Lei n. 13.467/2017). Se o reclamado não apresentar exceção de incompetência ou apresentá-la tardiamente ocorrerá a preclusão e, consequentemente, o Juízo a quem fora endereçada a petição inicial será o competente territorialmente para processar e julgar a demanda. Nesse sentido: EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL. PRAZO. PRECLUSÃO. O art. 800 da CLT, com redação que lhe foi conferida pela Lei n. 13.467/17, estabelece o prazo peremptório de 5 dias para a apresentação da exceção de incompetência territorial, contados da citação. Ultrapassado esse quinquídio, opera-se a preclusão temporal e prorroga-se a competência da Vara perante a qual foi proposto o feito (TRT 3ª R., RO 0010096- 07.2019.5.03.0097, Rel. conv. Juíza Olivia Figueiredo Pinto Coelho, 10ª T., DEJT 30-5-2019). Apresentada a exceção de incompetência territorial, os autos serão imediatamente conclusos ao Juiz, devendo este determinar a imediata intimação do reclamante e, se existentes, dos litisconsortes, para manifestação no prazo comum de até 5 dias úteis. De acordo com Carlos Henrique Bezerra, o juiz poderá, de plano, rejeitar a exceção se sua decisão estiver fundada em elementos constantes dos autos, inexistindo, nessa hipótese, qualquer prejuízo ao reclamante, ao seu litisconsorte ou ao reclamado, desde que o Juiz tenha a cautela de verificar a possibilidade de intimar as partes de sua decisão que rejeitar a exceção e observar o prazo de 5 dias úteis entre a intimação da decisão e a realização da audiência. Com efeito, o § 4º do art. 800 da CLT permite que o Juiz, se entender desnecessária a produção de provas, rejeite, de plano, a exceção de incompetência territorial, caso em que o processo continuará seu curso normal, com o aproveitamento da audiência já designada, se não houver prejuízos para as partes. Entretanto, se entender necessária a produção de prova oral (CLT, art. 800, § 3º), o Juízo designará audiência, garantindo o direito de o reclamado e de suas testemunhas serem ouvidas, por carta precatória, no Juízo que este houver indicado como competente. Nesse caso, o processo ficará suspenso para instrução e prolação da decisão sobre o incidente processual provocado pelo reclamado. Insta salientar que a expressão “exceção de incompetência terminativa do feito”, disposta no § 2º do art. 799 da CLT, significa que, se o Juiz acolhê-la,deverá remeter os autos para outro órgão jurisdicional diverso da Justiça do Trabalho. Significa, portanto, que a decisão que acolhe a “exceção terminativa do feito”, embora interlocutória, implica a “terminação” (saída) do processo na Justiça do Trabalho e sua remessa a outro ramo do Judiciário. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 77 Segundo Carlos Henrique Bezerra, a decisão “terminativa do feito” concerne à declaração judicial de incompetência absoluta, isto é, incompetência em razão da matéria, sendo que a alegação de incompetência absoluta não deve ser objeto de exceção e, sim, de preliminar apresentada na própria contestação. Tanto é assim que o art. 795, § 1º da CLT determina que a incompetência de “foro” deverá ser declarada de ofício pelo juiz. Ora, se deve ser declarada de ofício, salta aos olhos que se trata, in casu, de incompetência absoluta em razão da matéria. Nesse liame, reitera-se que a “incompetência de foro” prevista no art. 795, § 1º da CLT diz respeito ao “foro trabalhista”, isto é, concerne à incompetência absoluta em razão da “matéria trabalhista”, e não à incompetência territorial, como pode parecer à primeira vista. Tratando-se a hipótese do art. 800 da CLT de incompetência relativa, isto é, incompetência territorial, o processo continua tramitando no âmbito da Justiça do Trabalho, uma vez que o Juiz de uma Vara do Trabalho, ao acolher a exceção de incompetência oposta pelo réu e declarar-se incompetente territorialmente, simplesmente remeterá os autos do processo a outro órgão judicial da Justiça do Trabalho que entender competente para processar e julgar a demanda. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Péricles ingressou com reclamação trabalhista em face da sua ex-empregadora, a Casa de Saúde Doutores de Excelência, perante o Juízo de Rondonópolis-MT, onde reside e local onde assinou o contrato de trabalho, tendo prestado serviços na cidade de Cuiabá-MT. Citada a Casa de Saúde, a mesma, conforme previsão da Consolidação das Leis do Trabalho, poderá arguir exceção de incompetência territorial no prazo de 5 dias contados da sua citação, em peça apartada à contestação onde sinalize a existência da exceção. Correto. RECONVENÇÃO Consoante Carlos Henrique Bezerra Leite, a reconvenção é uma ação que o réu propõe, em face do autor, dentro do mesmo processo em que o primeiro é demandado, buscando tutela jurisdicional em que se resguarde um direito seu que alega ter sido lesado ou ameaçado de lesão pelo autor. Aplica-se integralmente o disposto no CPC quanto à reconvenção, eis que apenas o art. 791-A, § 5º da CLT menciona tal modalidade de resposta do réu: Art. 791-A, § 5º São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-RS - Procurador - FUNDATEC - 2021): No processo do trabalho brasileiro não são devidos honorários de sucumbência na hipótese de reconvenção. Errado. Sendo assim, a reconvenção trabalhista deve obedecer ao seguinte: Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 78 § 1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. § 3º A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4º A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5º Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. § 6º O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. Apresentada a defesa (contestação ou reconvenção), o próximo passo no processo será a abertura do contraditório. Portanto, o Juiz deverá abrir um prazo para que o reclamante se manifeste sobre a defesa apresentada. MANIFESTAÇÃO SOBRE A DEFESA A manifestação do reclamante sobre a defesa e eventuais documentos apresentados pelo reclamado pode ocorrer de 2 formas: 1) O juiz pode optar (é uma faculdade) por dar vistas ao reclamante na própria audiência; OU 2) Conceder prazo para manifestação escrita, ocasião na qual a audiência será adiada. No último caso, trata-se da audiência fracionada, visto que a audiência será dividida em mais de uma sessão, conforme previsão legal do art. 849 da CLT: Art. 849 - A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. Ocorre que com a nova sessão de audiência, também pode ocorrer a ausência das partes. Sendo assim, ausente alguma das partes, será aplicada ao ausente a pena de confissão ficta/presumida sobre a matéria de fato, seja ele o reclamante ou reclamado. Acerca da ausência na segunda sessão de audiência, importante verificar o disposto nas Súmulas 9 e 74 do TST: Súmula 9 do TST: A ausência do reclamante, quando adiada a instrução após contestada a ação em audiência, não importa arquivamento do processo. SÚMULA Nº 74 - CONFISSÃO. I - Aplica-se a confissão à parte que, expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na qual deveria depor. II - A prova pré- constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 79 confissão ficta (art. 400, I, CPC), não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. III - A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. Ante o exposto, não obstante o art. 849 da CLT disponha em sua parte final “independentemente de nova notificação”, a regra da pena de confissão em sede da segunda sessão de audiência é que somente será aplicada se tal penalidade foi cominada, isto é, se a parte foi notificada para comparecer à audiência sob pena de confissão. Outrossim, conforme supramencionado, é aplicada a confissão ficta sobre a matéria de fato, de modo que a confissão não impede que o Juiz: 1) Se valha de provas pré-constituídas, ou seja, provas que já estão no processo; 2) Determine a realização de eventual diligência probatória. No entanto, as partes comparecendo, a audiência ocorrerá normalmente, dando seguimento à instrução oral. INSTRUÇÃO ORAL A instrução é a fase do processo de conhecimento em que são colhidas as provas que formarão o convencimento do juiz acerca dos fatos narrados pelo autor, réu ou terceiro. Daí por que o art. 832 da CLT prevê que, na sentença, o Juiz deve apreciar provas produzidas nos autos. Nos termos do art. 848 e seus §§ 1º e 2º da CLT, a instrução do processo trabalhista inicia- se logo após a apresentação da defesa do réu, in verbis: Art. 848 - Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do processo, podendo o presidente, ex officio ou a requerimento de qualquer juiz temporário, interrogar os litigantes. § 1º - Findo o interrogatório, poderá qualquer dos litigantes retirar-se, prosseguindo a instrução com o seu representante. § 2º - Serão, a seguir, ouvidas as testemunhas, os peritos e os técnicos, se houver. Divergem os doutrinadores acerca da delimitação da instrução processual: para uns a instrução abrange as provas e as alegações; para outros, apenas as provas são objeto desta fase. Os meios de prova na CLT estão previstos basicamente nosarts. 818 a 830. Em função dos princípios da celeridade e da simplicidade, que residem com maior ênfase no Processo do Trabalho, o legislador optou por regular a instrução de forma bastante singela. Assim, em face da escassez de normas trabalhistas sobre a temática da prova, há necessidade de o intérprete utilizar a lei processual civil como fonte subsidiária, com devidas cautelas, como exige o art. 769 da CLT. 3.7.1. Prova testemunhal CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 80 Consoante Carlos Henrique Bezerra Leite, pode ser testemunha qualquer pessoa natural que esteja no pleno exercício da sua capacidade civil e que, não sendo impedida ou suspeita, tenha conhecimento dos fatos relativos ao conflito de interesses veiculado no processo no qual irá depor. A testemunha, portanto, é a pessoa física estranha ao feito que tem impressões sensoriais sobre os fatos narrados nos autos. Todavia, não podem ser testemunhas as pessoas incapazes, impedidas ou suspeitas. Ocorre que os §§ 4º e 5º do art. 447 do CPC dispõem, in verbis: Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. § 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas. § 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. Estabelecem os arts. 828 e 829 da CLT que: Art. 828 - Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. Art. 829 - A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação. A norma consolidada, sem o primor metodológico do art. 447 do CPC, trata, ao mesmo tempo, da suspeição ou impedimento da testemunha. A interpretação sistemática do art. 829 da CLT e do art. 447 do CPC, segundo Carlos Henrique Bezerra, autoriza a ilação de que não poderão ser ouvidas como testemunhas, e sim como simples informantes: os parentes, em linha reta, colateral ou por afinidade, de qualquer das partes até o terceiro grau, por aplicação analógica dos arts. 1.591 a 1.595 do CC (pais, filhos, irmãos, avós, bisavós, netos, bisnetos, tios, sobrinhos, cônjuge ou companheiro), o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o amigo íntimo ou o inimigo capital de qualquer das partes, o condenado por falso testemunho, o que por seus costumes não for digno de fé, o interessado no litígio. No que respeita à testemunha que litiga em face do mesmo empregador em outro processo, o TST editou a Súmula 357, segundo a qual: SÚMULA Nº 357 - TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO. Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Antes de ingressar na sala de audiência, o preposto da Empresa reclamada avisa seu advogado que a testemunha trazida pelo autor trabalhou na empresa por 4 anos; frequentava a casa do autor; tendo sido, inclusive, padrinho de batismo do filho do CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 81 reclamante. Diante de tais fatos, o advogado da empresa reclamada poderá contraditar a testemunha por ser amigo íntimo do autor, após sua qualificação, mas antes de prestar o compromisso legal. Correto. (Câmara de Jandira - SP - Procurador - IGECS - 2020): A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação. Correto. O Processo do Trabalho, dispondo de forma diferente do Processo Civil, admite, em regra, que cada parte indique apenas 3 testemunhas, salvo no caso de inquérito judicial para apuração de falta grave, quando esse número pode ser elevado a 6, nos termos do art. 821 da CLT: Art. 821 - Cada uma das partes não poderá indicar mais de 3 (três) testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito, caso em que esse número poderá ser elevado a 6 (seis). Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): No rito ordinário de uma ação trabalhista normal, cada uma das partes não poderá indicar mais de três testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. Correto. (TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Aristóteles é detentor de estabilidade provisória no emprego, em virtude de ser dirigente sindical, laborando na Metalúrgica Ferro a Toda Prova Ltda.. Sua empregadora pretende rescindir o seu contrato de trabalho por justa causa, entendendo que Aristóteles cometeu falta grave que torna impossível a manutenção do vínculo empregatício. Nessa hipótese, de acordo com o que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, deverá propor o competente inquérito para apuração de falta grave, após prazo máximo de 30 dias do afastamento do empregado, podendo ouvir em audiência a ser designada até 6 testemunhas, independente de comunicação ao sindicato. Correto. Salienta-se que a doutrina e jurisprudência entendem que é possível, no litisconsórcio passivo unitário, mais de 3 testemunhas no processo. No litisconsórcio ativo NÃO é possível. Assim, quando os litisconsortes tiverem interesses conflituosos, o bom senso recomenda que a regra rígida do número de testemunhas possa ser mitigada, a fim de permitir ao juiz um melhor convencimento acerca dos fatos alegados pelos litisconsortes. O art. 820 da CLT determina que a inquirição será conduzida pelo magistrado: Art. 820 - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados. Nesse sentido, a IN 39/16 também prevê que: Art. 11. Não se aplica ao Processo do Trabalho a norma do art. 459 do CPC no que permite a inquirição direta das testemunhas pela parte (CLT, art. 820). Como o tema foi cobrado em concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 82 (Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): As testemunhas arroladas pelas partes deverão ser intimadas para comparecer à audiência de instrução e julgamento, com cinco dias de antecedência da realização do ato. Errado. No que tange ao rol de testemunhas, no Processo do Trabalho, ao contrário do Processo Civil, não há obrigatoriedade de sua apresentação (CLT, arts. 825 e 845). Somente quando a testemunha não comparecer espontaneamente à audiência é que o Juiz poderá, de ofício ou a requerimento da parte, determinar a sua intimação, nos termos do parágrafo único do art. 825 da CLT. Caso a testemunha, sem motivo justificado, não atenda à intimação, poderá ser conduzida coercitivamente, e estará sujeita ao pagamento da multa prevista no art. 730 da CLT. Ademais, os depoimentos das testemunhas serão resumidos pelo Juiz e reduzidos a termo, de acordo com o art. 828 da CLT: Art. 828 - Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. Parágrafo único - Os depoimentos das testemunhas serão resumidos, por ocasião da audiência, pelo secretário da Junta ou funcionário para esse fim designado, devendo a súmula ser assinada pelo Presidente do Tribunal e pelos depoentes. Em sequência, importante verificar que o art. 819 da CLT trata do intérprete: Art. 819- O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente. § 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo que não saiba escrever. § 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente, salvo se beneficiária de justiça gratuita. Com relação ao § 2º do art. 819, nota-se que o pagamento do intérprete é realizado pelo sucumbente no processo, salvo se beneficiário da justiça gratuita. Desse modo, se a parte sucumbente é beneficiária da justiça gratuita, ela não pagará nenhum intérprete do processo. Nesse caso, a União será responsável por realizar o pagamento. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-8 - Técnico Judiciário - CESPE - 2022): No caso em que a testemunha seja surda-muda, um interprete será nomeado pelo juiz e as custas referentes a essa diligência serão pagas pelo sucumbente, ainda que beneficiário da justiça gratuita. Errado. (TRT-23 - Analista Judiciário - FCC - 2022): O reclamante em determinada reclamação trabalhista arrolou como testemunha um ex-colega de trabalho que é mudo. Nessa hipótese, conforme prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, o juiz deverá nomear intérprete desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 83 Insta evidenciar, por fim, o disposto no art. 793-D da CLT: Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento da causa. Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos. Tal dispositivo permite ao Juiz aplicar a penalidade de litigância de má-fé como uma multa à testemunha que o próprio Magistrado considera que alterou a verdade dos fatos para beneficiar alguém, não necessitando de qualquer prova da má-fé, eis que a multa pode ser aplicada de ofício: Art. 793-C. De ofício ou a requerimento, o juízo condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-5 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Zeus foi testemunha do reclamante em audiência trabalhista, tendo o juiz da causa entendido que o mesmo alterou intencionalmente a verdade dos fatos, omitindo ainda fatos essenciais ao julgamento da causa. Nessa hipótese, com base na Consolidação das Leis do Trabalho, Zeus poderá ser multado em no mínimo 1% e no máximo em 10% sobre o valor corrigido da causa, correspondendo à mesma multa por litigância de má-fé da parte. Correto. 3.7.2. Prova pericial Quando a prova de determinados fatos alegados pelas partes depender de conhecimentos técnicos ou científicos, o Juiz será assistido por um perito, que é considerado um auxiliar da justiça (CPC, art. 156). Nesse sentido, a prova pericial somente será deferida se for útil ao processo. Nos termos do parágrafo único do art. 464 do CPC, aplicável ao processo do trabalho (CLT, art. 769), o juiz indeferirá a perícia quando: Art. 464, § 1º O juiz indeferirá a perícia quando: I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III - a verificação for impraticável. A produção da prova pericial no processo do trabalho poderá ser requerida pela parte ou determinada, de ofício, pelo Juiz. Deferida a perícia, o Juiz deverá nomear o perito, além de indicar o objeto da perícia e fixar o prazo para entrega do laudo. Isto posto, na Seção IX, que trata das provas, a CLT traz as 2 disposições abaixo acerca da perícia: Art. 826 - É facultado a cada uma das partes apresentar um perito ou técnico. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 84 Art. 827 - O juiz ou presidente poderá arguir os peritos compromissados ou os técnicos, e rubricará, para ser junto ao processo, o laudo que os primeiros tiverem apresentado. Importante salientar que se o pedido da perícia versar sobre pagamento de adicional de insalubridade ou periculosidade, o Juiz estará obrigado a determinar a realização da prova pericial, ainda que o réu seja revel e confesso quanto à matéria de fato. É o que se depreende do art. 195, caput e § 2º, da CLT, in verbis: Art. 195 - A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. § 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. Dispõe o art. 790-B da CLT que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita. Neste caso, vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em Juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário (CLT, art. 791-A, § 4º). Além disso, somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em Juízo créditos capazes de suportar as despesas relativas ao pagamento de honorários periciais, ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo (CLT, art. 790, § 4º). Ocorre que a ADI 5766, conforme apontado anteriormente, declarou que tal dispositivo é inconstitucional1, conforme ementa abaixo: São inconstitucionais as normas trabalhistas que determinam o pagamento de honorários periciais e advocatícios por beneficiários da justiça gratuita, caso percam a ação, mas obtenham créditos suficientes para o pagamento dessas despesas, ainda que em outra demanda. STF. Plenário. ADI 5766/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/10/2021 (Info 1035). Para o STF, esses dispositivos violam o art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, que determina que o Estado preste assistência judicial, integral e gratuita, aos que comprovem insuficiência de recursos. 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O art. 790-B, caput e § 4º e o art. 791-A da CLT, com redação dada pela Lei 13.467/2017, são inconstitucionais; por outro lado, é constitucional o art. 844, § 2º. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 27/11/2023. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 85 De acordo com o prof. Márcio André Lopes Cavalcante, entender que o mero fato de alguém ser vencedor de um processo retira a sua hipossuficiência seria uma presunção absoluta da lei e representaria um obstáculo à efetiva aplicação da regra constitucional. Nesse aspecto, a Reforma Trabalhista estipulou restrições inconstitucionais a direito fundamental, pois não é razoável nem proporcional a imposição do pagamento146 1.2 TRABALHADORES DESTINATÁRIOS DO INQUÉRITO ................................................ 146 1.3 PROCEDIMENTO ............................................................................................................. 147 1.4 CUSTAS ............................................................................................................................ 148 1.5 NATUREZA DÚPLICE DO INQUÉRITO .......................................................................... 148 1.6 CONVERSÃO DA REINTEGRÇÃO EM INDENIZAÇÃO ................................................. 148 2. DISSÍDIO COLETIVO ............................................................................................................... 149 2.1 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA ............................................................................. 149 2.2 CLASSIFICAÇÃO .............................................................................................................. 149 2.3 PRESSUPOSTOS DE CABIMENTO ................................................................................ 150 2.4 CONDIÇÕES DA AÇÃO COLETIVA STRICTO SENSU ................................................. 151 2.5 SENTENÇA NORMATIVA ................................................................................................ 151 2.6 PROCEDIMENTO ............................................................................................................. 151 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 4 2.7 RECURSO ORDINÁRIO ................................................................................................... 153 2.8 DISSÍDIO COLETIVO DE EXTENSÃO X REVISIONAL .................................................. 153 3. AÇÃO DE CUMPRIMENTO ..................................................................................................... 153 AÇÕES ESPECIAIS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO DO TRABALHO ........................................ 155 1. MANDADO DE SEGURANÇA ................................................................................................. 155 1.1 COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 155 1.2 CONDIÇÕES GENÉRICAS DO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL ................ 156 1.3 CONDIÇÕES ESPECIAIS DO MANDADO DE SEGURANÇA ........................................ 156 1.4 CABIMENTO NA JUSTIÇA DO TRABALHO ................................................................... 156 2. AÇÃO RESCISÓRIA ................................................................................................................ 157 2.1 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA ............................................................................. 157 2.2 BASE LEGAL .................................................................................................................... 157 2.3 COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 158 2.4 HIPÓTESES DE ADMISSIBILIDADE ............................................................................... 158 2.5 PRAZOS ............................................................................................................................ 159 3. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO ...................................................................... 159 3.1 CABIMENTO ..................................................................................................................... 159 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 5 APRESENTAÇÃO Olá! Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. O Caderno Sistematizado de Direito Processual do Trabalho foi formulado tomando-se como base as aulas da professora Thais Mendonça, complementado em alguns pontos com o livro Curso de Direito Processual do Trabalho, de Carlos Henrique Bezerra Leite, editora SaraivaJur, ano 2023. Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.buscadordizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito. Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova. Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante! As bancas costumam repetir certos temas. Vamos juntos! Bons estudos! Equipe Cadernos Sistematizados. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 6 ASPECTOS INICIAIS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1. CONCEITO De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, o Direito Processual do Trabalho é o ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de valores, princípios, regras e instituições próprias, que tem por objeto promover a concretização dos direitos sociais fundamentais individuais, coletivos e difusos dos trabalhadores e a pacificação justa dos conflitos decorrentes direta ou indiretamente das relações de emprego e de trabalho, bem como regular o funcionamento e a competência dos órgãos que compõem a Justiça do Trabalho. 2. NATUREZA JURÍDICA Em se tratando de segmento do Direito Público, para Carlos Henrique Bezerra Leite, pode- se dizer que o Direito Processual do Trabalho encontra suas fontes normativas no próprio ordenamento jurídico estatal, porquanto somente o Estado tem o poder de editar normas de direito processual, com observância estrita do princípio da legalidade. Nesse sentido, a própria Constituição Federal de 1988 prescreve, em seu art. 22, I, que compete privativamente à União legislar sobre direito processual, estando incluído o direito processual do trabalho. A constatação de que o Direito Processual do Trabalho integra o elenco das disciplinas do Direito Público decorre, ainda, do fato de que ele tem por objeto a regulação da relação jurídica processual, que tem sempre um dos seus sujeitos o Estado-Juiz atuando com supremacia sobre os demais sujeitos do processo. 3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO FONTES MATERIAIS As fontes materiais são as fontes potenciais do Direito Processual do Trabalho e emergem, em regra, do próprio Direito material do Trabalho. Este, por sua vez, encontra a sua fonte substancial nos fatos sociais, políticos, econômicos, culturais, éticos e morais de determinado povo em dado momento histórico. FONTES FORMAIS As fontes formais do Direito Processual do Trabalho são as que lhe conferem o caráter de direito positivo, ou seja, são aquelas que estão positivadas no ordenamento jurídico. Dividem-se em: 1) Fontes formais diretas: abrangem a lei em sentido genérico (atos normativos e administrativos editados pelo Poder Público) e o costume. CURSOS GRÁTIS ACESSE NOSSOS SITES TIM CASTRO 1 www.rateiodosconcursos.com www.rateioecursos.com OU https://www.rateiodosconcursos.com/ https://www.rateioecursos.com/ http://www.iceni.com/unlock-pro.htm CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 7 2) Fontes formais indiretas: aquelas extraídas da doutrina e da jurisprudência. 3) Fontes formaisde honorários periciais e de sucumbência pelo beneficiário da justiça gratuita sem que se prove que ele efetivamente deixou de ser hipossuficiente. Portanto, o beneficiário da justiça gratuita não tem o ônus de pagar honorários periciais, se sucumbente no objeto da perícia, devendo tal encargo ser suportado pela União2. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPT - Procurador - MPT - 2022): A partir do julgamento da ADI 5766 pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o artigo 790-B, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho, é correto afirmar que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, salvo se beneficiária da justiça gratuita. Correto. Não obstante, o § 3º do art. 790-B da CLT dispõe que o Juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias. Assim, em qualquer ação na Justiça do Trabalho não é permitido o adiantamento de honorários periciais, sendo vedada a cobrança de honorários provisionais (honorários “de entrada”). Todavia, se ainda assim for determinado o pagamento de honorários provisionais, caberá mandado de segurança, nos termos da OJ 98 da SDI-2: Orientação Jurisprudencial 98/TST-SDI-II - - Mandado de segurança. Prova pericial. Cabível o writ para atacar exigência de depósito prévio de honorários periciais. Súmula 236/TST. CPC/1973, art. 33. Lei 1.533/1951, art. 1º. É ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o mandado de segurança visando à realização da perícia, independentemente do depósito. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): É facultado ao Juiz, dentro do seu poder de direção e condução do processo, solicitar que a reclamada adiante valor a título de antecipação de honorários periciais, valor que poderá ser compensado em eventual procedência. Errado. (MPT - Procurador - MPT - 2022): O juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais, mas não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias, sendo cabível, no caso de exigência de depósito prévio de honorários periciais, mandado de segurança visando à realização da perícia sem o depósito, dada a incompatibilidade com o Processo do Trabalho. Correto. 2 Disponível em: https://www.conjur.com.br/2022-ago-08/igor-zwicker-justica-gratuita-honorarios-sucumbenciais. Acesso em: 27/11/2023. https://www.conjur.com.br/2022-ago-08/igor-zwicker-justica-gratuita-honorarios-sucumbenciais CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 86 Frisa-se, ademais, que o valor da perícia segue uma tabela do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), sendo permitido o parcelamento dos honorários periciais. Importante destacar também que a parte poderá (trata-se de uma faculdade) ter assistente técnico. Ressalta-se, todavia, que o assistente técnico deverá entregar o parecer no prazo do laudo do perito, sob pena de desentranhamento. Quanto aos honorários do assistente técnico, o TST editou a Súmula 341, segundo a qual: SÚMULA Nº 341 - HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO. A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Suzana ajuizou ação trabalhista em face da Metalúrgica Master S/A, requerendo indenização por horas extras não pagas e adicional de insalubridade, tendo atribuído valor à causa de R$ 20.000,00. Na audiência, foi deferida a perícia, nomeando-se Perito Técnico do Juízo, sendo que tanto a reclamante quanto a reclamada nomearam Assistentes Técnicos. A perícia concluiu que Suzana estava exposta a agente insalubre em grau máximo, mas, no curso da instrução processual, não foram provadas as horas extras, sendo a mesma sucumbente em tal pedido, e vitoriosa no pedido de adicional de insalubridade. Conforme a CLT e o entendimento sumulado do TST, tendo Suzana sido vitoriosa no pedido objeto da perícia, os honorários periciais serão arcados pela parte sucumbente, a reclamada. Outrossim, os honorários do Assistente Técnico indicado por Suzana, serão por ela custeados, independentemente de ser beneficiária da justiça gratuita. Correto. RAZÕES FINAIS Encerrada a instrução, as partes poderão oferecer razões finais. As razões finais, também chamadas de alegações finais, constituem faculdades conferidas às partes para se manifestarem nos autos logo depois da instrução e antes da prolação da sentença. Embora importantes, as razões finais não são obrigatórias. O art. 850 da CLT prescreve que: Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. De acordo com o dispositivo normativo acima exposto, as razões finais podem ser orais, a serem apresentadas no prazo de 10 minutos. Contudo, quando a sentença não é proferida na própria audiência, os Juízes têm permitido que as partes ofereçam razões finais por escrito, isto é, em forma de memoriais. Nesse caso, há a conversão das razões finais orais em memoriais (peça escrita). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 87 Tal conversão constitui faculdade do julgador e é extraída por aplicação analógica do § 2º do art. 364 do CPC, in verbis: Art. 364, § 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos. Conforme supramencionado, não há obrigatoriedade da apresentação das razões finais pelas partes. Isso significa que se a parte não manifestar interesse em apresentá-las ou se o Juiz não conceder tal oportunidade e a parte não formular seu inconformismo na própria audiência, nenhuma nulidade será declarada, restando, portanto, preclusa a matéria. Tendo em vista que o Processo do Trabalho adota a audiência una (ou única), as razões finais, embora facultativas, assumem um papel importantíssimo não apenas para a arguição de nulidades (CLT, art. 795) ocorridas no curso da instrução, como também para facilitação do convencimento do Juiz. Se a parte não protestar contra nulidades na própria audiência de instrução, poderá fazê-lo no momento de apresentar suas razões finais e, neste caso, não haverá preclusão. Nesse sentido: RECURSO DE REVISTA. LEI N. 13.467/2017. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE CONTESTAÇÃO, DOCUMENTOS E PROVA ORAL FORMULADA PELA ADVOGADA DE RÉU REVEL. AUSÊNCIA DE PROTESTOS NA AUDIÊNCIA. DEFERIMENTO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RAZÕES FINAIS ESCRITAS. CERCEAMENTO DE DEFESA ALEGADO EM RAZÕES FINAIS ESCRITAS. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. TRANSCENDÊNCIA. (...) A arguição de nulidade deve ser realizada “na primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos”. A conjunção coordenada alternativa nos induz à conclusão de que a parte pode realizar o protesto de forma imediata ao indeferimento, sem necessidade de renová-lo em razões finais ou pode apresentá-lo apenas em razões finais, orais ou escritas. No caso, o protesto não foi feito de forma imediata em audiência, mas foi realizado em razões finais escritas, conforme facultado pelo magistrado condutor da audiência. Dessa forma, não houve preclusão para se insurgir quanto ao indeferimento do pleito de prazo para apresentação de defesa, documentos e produção de prova oral. Embora afastada a preclusão, não há como acolhera irresignação da reclamada. Isso porque, no período anterior à Lei n. 13.467/2017, como no caso dos autos, a ausência da reclamada na audiência inicial resulta em revelia, mesmo que o seu advogado tenha comparecido a audiência (Súmula 122 do TST). Sendo a parte revel, o indeferimento de prazo para apresentação de contestação, documentos e prova oral não constitui cerceamento do direito de defesa, nos termos da Súmula 74, II, do TST e art. 847 da CLT. Recurso de revista de que não se conhece (TST-RR 106374420165090011, Rel. Des. Conv. Cilene Ferreira Amaro Santos, 6ª T., DEJT 7-6-2019). Portanto, a apresentação das razões finais pode se dar em virtude das seguintes finalidades: 1) Renovar arguições de nulidade, sob pena de preclusão; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 88 2) Ressaltar pontos importantes da instrução dignos de nota para o Magistrado que vai julgar o processo. CONCILIAÇÃO PRÉ-DECISÓRIA Findas as alegações finais, o Juiz, por força do art. 850 da CLT, deve renovar a proposta de conciliação. No mesmo sentido, o art. 831 do mesmo diploma legal determina que a decisão somente será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Trata-se, portanto, da segunda Proposta Obrigatória de Conciliação (POC). Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-CE - Procurador - CESPE - 2021): De acordo com a CLT, as propostas de conciliação no processo trabalhista ocorridas após a abertura da audiência de instrução e julgamento e depois de apresentadas as razões finais pelas partes são obrigatórias nos dois casos. Correto. Havendo conciliação, a decisão de homologação do acordo terá força de decisão de trânsito em julgado. Obs.: conforme mencionado anteriormente, se o Juiz não realizar a segunda POC, não haverá problema se não acarretar prejuízo às partes. Não havendo acordo, o Juiz proferirá a sentença. SENTENÇA No Processo do Trabalho, o art. 832 da CLT dispõe expressamente sobre os elementos que devem constar da sentença. São eles: Art. 832 - Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. § 1º - Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. § 2º - A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. § 3º - As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. A sentença, portanto, demandará relatório, fundamentação e dispositivo. O relatório da sentença tem por objetivo registrar o objeto da lide, com o resumo do pedido e da resposta, bem como as principais ocorrências processuais, como provas, propostas de conciliação, razões finais etc. Também objetiva a comprovação de que o Juiz examinou e estudou as questões discutidas nos autos, sendo essa, segundo a doutrina, a função mais importante do relatório. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 89 A fundamentação constitui a base intelectual da sentença ou as razões de decidir do órgão judicial. Nela, o Juiz revela todo o raciocínio desenvolvido acerca da apreciação das questões processuais, das provas produzidas e das alegações das partes, que são os dados que formarão o alicerce da decisão. O dispositivo ou conclusão, por fim, refere-se à parte final da sentença que será, posteriormente, coberta pelo manto da coisa julgada. É no dispositivo que o Juiz cumpre a sua função no processo de cognição, acolhendo ou rejeitando as pretensões das partes ou, ainda, declarando extinto o processo sem resolução do mérito. A sentença poderá desafiar 2 recursos (que serão abordados de maneira aprofundada posteriormente): 1) Embargos de declaração, a serem apresentados em 5 dias; 2) Recurso ordinário, que podem ser interpostos em 8 dias. Apresentado o recurso ordinário, o processo será encaminhado para o TRT. Do julgamento desse recurso, caberá recurso de revista em 8 dias, que será encaminhado para o TST. De acordo com o art. 896 da CLT, é cabível recurso de revista para o TST das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelo TRT nas seguintes hipóteses: 1) Quando derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro TRT, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do STF; 2) Quando derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da primeira hipótese; 3) Quando proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): À luz da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a interposição de recurso de revista por empresa privada na fase de execução pode ocorrer na hipótese de ofensa direta e literal de norma da Constituição Federal. Correto. 4. RITO SUMARÍSSIMO O procedimento sumaríssimo só tem lugar nas ações trabalhistas individuais (simples ou plúrimas), cujo valor da causa seja superior a 2 salários-mínimos e inferior a 40 salários mínimos na data da propositura da ação. Isto porque, nas causas de até 2 salários-mínimos, o procedimento legal é o sumário (que será abordado a seguir) e, nas causas de valor superior a 40 salários-mínimos, o ordinário. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 90 Isto posto, importante visualizar a redação do art. 852-A da CLT: Art. 852-A. Os dissídios individuais cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário-mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação ficam submetidos ao procedimento sumaríssimo. Parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Quanto ao parágrafo único do art. 852-A da CLT, é mister ressaltar que apenas não poderão ser parte ou interveniente no procedimento sumaríssimo a administração pública direta, autárquica ou fundacional. Portanto, empresa pública ou sociedade de economia mista PODEM se submeter ao rito sumaríssimo. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Porto Alegre - Procurador - FUNDATEC - 2022): Julia ajuizou reclamatória trabalhista em face de seu ex-empregador e do ente municipal, este responsável subsidiário em razão da terceirização de serviços, postulando o pagamento das suas verbas rescisórias, horas extras e adicional de penosidade. O valor atribuído à causa foi de R$ 15.000,00. Apesar do valor da causa, o rito será obrigatoriamente ordinário e Julia poderá levar até três testemunhas. Correto. (TRT- 9 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Josias está estudando para um concurso e ao se deparar com o procedimento sumaríssimo na Justiça do Trabalho encontrou características próprias que deverão ser observadas pelas partes. Com base na legislação federal vigente, mesmo que o valor objeto do pedido for até 40 vezes o salário mínimo, não podem ser parte a Administração Pública Direta, autárquica e fundacional, devendo obrigatoriamente o reclamante optar pela reclamação sob o rito ordinário. Correto. Em sequência, determina o art. 852-B da CLT que, nas ações enquadradas no procedimento sumaríssimo, deverão ser observados 2 requisitos de validade da relação processual: Art. 852-B.Nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo: I - o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor correspondente; II - não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado; § 1º O não atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e II deste artigo importará no arquivamento da reclamação e condenação ao pagamento de custas sobre o valor da causa. A primeira diferença, portanto, entre o rito sumaríssimo e o rito ordinário está na petição inicial. A petição verbal segue o mesmo trâmite do rito ordinário. A petição escrita, por sua vez, precisa de uma qualificação precisa do reclamado, devendo-se fornecer o endereço de maneira precisa. No que concerne ao requisito constante do inciso I supracitado, no procedimento sumaríssimo, o pedido deve ser certo, determinado e líquido. Em razão disso, Carlos Henrique CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 91 Bezerra defende que o valor da causa é requisito essencial na petição inicial da demanda sujeita ao procedimento sumaríssimo e deve corresponder exatamente ao valor do pedido (líquido). Além da qualificação precisa do reclamado, os pedidos devem ser líquidos (não sendo possível o valor aproximado como ocorre no rito ordinário) e precisamente indicados no processo, sob pena de arquivamento, isto é, extinção do processo sem resolução do mérito e condenação ao pagamento das custas sobre o valor da causa. A respeito do requisito previsto no inciso II do art. 852-B da CLT, Carlos Henrique Bezerra argumenta que não há razoabilidade, sob pena de maltrato ao princípio do amplo acesso à Justiça (CF, art. 5º, LV), inviabilizar-se o procedimento sumaríssimo quando o autor desconhecer o endereço do réu. Ademais, se a notificação citatória for devolvida por “mudança de endereço do réu”, deverá o Juiz intimar o autor para fornecer o novo endereço e se este não souber ou não indicar outro endereço, aí, sim, poderia o Juiz invocar o preceptivo em causa e extinguir o processo sem resolução do mérito. Obs.: apesar de ser a medida adotada na prática, o legislador NÃO prevê a possibilidade de o Juiz determinar emenda à inicial para o reclamante apresentar o endereço do reclamado de maneira precisa. A apreciação da ação submetida ao procedimento sumaríssimo deverá ocorrer no prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Vara do Trabalho (CLT, art. 852-B, III). Quanto à conciliação, o art. 852-E da CLT dispõe o seguinte: Art. 852-E. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-9 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Sobre o procedimento sumaríssimo, aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, já que após a produção probatória, estará precluso o direito à conciliação. Correto. Há, portanto, tentativa de conciliação em todo o rito sumaríssimo, e somente em não momentos específicos (apesar de ser possível de realizar durante todo o processo) de apresentação de propostas obrigatórias de conciliação como ocorre no rito ordinário. O processo sujeito ao rito sumaríssimo deverá ser instruído e julgado em audiência única, salvo na hipótese do § 1º do art. 852-H da CLT, a critério do Juiz: Art. 852-H. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. § 1º Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se- á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 92 Absoluta impossibilidade seria, por exemplo, a necessidade de realização de perícia ou quando a quantidade de documentos for muito grande, bem como se um dos documentos apresentados for um vídeo. Nesses casos, ocorreria, excepcionalmente, uma segunda audiência em virtude da necessidade de adiamento/fracionamento. No procedimento sumaríssimo, todos os incidentes e exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo deverão ser decididos de plano. As demais questões serão decididas na sentença (CLT, art. 852-G). Cada parte somente poderá apresentar 2 testemunhas, que deverão ser, comprovadamente, convidadas pelo autor ou pelo réu. Só haverá intimação de testemunha se esta, comprovadamente convidada pela parte, não comparecer à audiência (CLT, art. 852-H, §§ 2º e 3º). Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-9 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Josias está estudando para um concurso e ao se deparar com o procedimento sumaríssimo na Justiça do Trabalho encontrou características próprias que deverão ser observadas pelas partes. Com base na legislação federal vigente, a testemunha que, convidada, não comparecer à audiência e após comprovação de seu convite for intimada e novamente não comparecer, acarretará à parte que a convidou a desistência de sua oitiva, uma vez que não existe a possibilidade de condução coercitiva. Errado. Além disso, apenas quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta (ex.: verificação de ambiente insalubre ou perigoso), será deferida prova técnica, incumbindo ao Juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito. As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de 5 dias. Na apreciação das provas, o Juiz deverá: Art. 852-D. O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. No mesmo sentido, o art. 852-I da CLT, além de dispensar o relatório nas sentenças sujeitas ao rito sumaríssimo, prescreve que o Juiz deverá adotar, em cada caso, a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. Outrossim, as partes serão consideradas notificadas na própria sentença. O procedimento sumaríssimo admite a interposição de embargos declaratórios, inclusive com efeito modificativo, quando, na sentença, houver omissão ou contradição (CLT, art. 897-A) e recurso ordinário (CLT, art. 895, I), mas o cabimento de recurso de revista é restritivo (CLT, art. 896, § 9º). Sendo assim, pode-se inferir que não há mudança quanto ao prazo recursal, mas sim quanto ao procedimento e cabimento dos recursos no rito sumaríssimo. Para o recurso ordinário, aplica-se o disposto nos parágrafos do art. 895: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 93 Art. 895, § 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o recurso ordinário: II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem revisor; III - terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro na certidão; IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão.§ 2º Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo. O relator, ao receber o processo, tem o prazo de 10 dias para enviar para a secretaria da turma para imediata inclusão em pauta. Para que o relator consiga liberar o processo de forma rápida, o acórdão poderá ser dispensado, bastando apenas a certidão de julgamento. Além disso, também é possível confirmar a sentença por seus próprios fundamentos. No que se refere ao recurso de revista, há diferença do rito ordinário quanto ao cabimento: Art. 896, § 9º Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. Insta vislumbrar, por fim, o disposto na Súmula 442 do TST, que preleciona que não é cabível recurso de revista com fundamento em contrariedade à Orientação Jurisprudencial (OJ): SÚMULA N.º 442. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. RECURSO DE REVISTA FUNDAMENTADO EM CONTRARIEDADE A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL. INADMISSIBILIDADE. ART. 896, § 6º, DA CLT, ACRESCENTADO PELA LEI Nº 9.957, DE 12.01.2000. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal (Livro II, Título II, Capítulo III, do RITST), ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT. Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25-9-2012. Como o tema foi cobrado em concurso? (PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por violação à CLT ou contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do TST. Errado. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 94 (TRT-13 - Analista Judiciário - FGV - 2022): Vanessa trabalha como mecânica numa loja localizada em Conde/PB. Em setembro de 2022, Vanessa foi dispensada sem justa causa e não recebeu nenhum de seus direitos. Então, a ex-empregada procurou um advogado para ajuizar reclamação trabalhista cobrando os valores devidos pela saída e horas extras sonegadas ao longo do pacto laboral, que foram quantificados em R$ 36.360,00. Considerando o caso retratado e as normas da CLT, o procedimento que a ação de Vanessa deverá observar e a quantidade de testemunhas que cada parte poderá ouvir em juízo é o procedimento sumaríssimo, com até duas testemunhas para cada parte. Correto. 5. RITO SUMÁRIO OU DE ALÇADA O procedimento comum sumário, no âmbito do processo laboral, foi introduzido pela Lei 5.584/70, cujo objetivo fundamental era empreender maior celeridade às causas trabalhistas com valor de até 2 salários mínimos. Adverte-se, a priori, que o procedimento sumaríssimo não extinguiu o procedimento sumário previsto na Lei 5.584/70, uma vez que, a par de não ter havido revogação expressa na lei nova, inexiste qualquer incompatibilidade entre os 2 textos legais da qual se possa inferir a revogação tácita da norma mais antiga. A Lei 5.584/70, portanto, instituiu a chamada “causa de alçada”, que, na verdade, é uma ação submetida ao procedimento sumário, cuja regulação está prevista nos §§ 3º e 4º do art. 2º da referida lei, segundo os quais: 1) Quando o valor fixado para a causa não exceder de 2 vezes o salário mínimo vigente na sede do Juízo, será dispensável o resumo dos depoimentos, devendo constar da ata a conclusão do juiz quanto à matéria de fato; 2) Salvo se versarem sobre matéria constitucional, nenhum recurso caberá das sentenças proferidas nos dissídios da alçada, considerado, para esse fim, o valor do salário mínimo à data do ajuizamento da ação. Nos processos de exclusiva alçada das Varas, portanto, é dispensável, a critério do Juiz, o resumo dos depoimentos, devendo constar da ata de audiência a conclusão a que se chegou quanto à matéria de fato. Ademais, não há vedação legal expressa para o procedimento sumário nas causas em que figurem pessoas jurídicas de direito público. Por fim, conforme apontado, somente caberá recurso da sentença proferida no procedimento sumário por violação direta e literal da CF/88. Trata-se de um recurso extraordinário com matéria limitada, eis que não há mais discussão do fato em si, razão pela qual se aplica o princípio da instância única ao rito de alçada. Como o tema foi cobrado em concurso? (CAU - MS - Advogado - IADES - 2021): João foi contratado por uma empresa (prestadora) para laborar como zelador, atuando para uma CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 95 sociedade de economia mista federal (tomadora). Ao final do contrato de trabalho, João ajuizou reclamação trabalhista em face da empresa que o contratou (prestadora) e em face da sociedade de economia mista federal (tomadora), requerendo o pagamento de horas extras e vale-transporte. O valor total dos pedidos efetuados foi de 15 mil reais. Considerando o valor dos pedidos efetuados por João, a reclamação deverá se submeter ao rito sumário e, da decisão que vier a ser proferida, não caberá recurso. Errado. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 96 TEORIA GERAL DOS RECURSOS 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, a palavra recurso pode ser entendida em sentido amplo e em sentido restrito. Em sentido amplo, é um remédio, isto é, um meio de proteger um direito: ações, recursos processuais ou administrativos, exceções, contestações, reconvenção, medidas cautelares. Em sentido restrito, é a provocação de um novo julgamento, na mesma relação processual, da decisão por ela ou por outra autoridade judiciária superior. Para Luiz Guilherme Marinoni, recurso é um meio voluntário de impugnação de decisões judiciais, interno ao processo, que visa à reforma, à anulação ou ao aprimoramento da decisão atacada. Independentemente do conceito adotado para os recursos, diante de uma decisão judicial, o ser humano, na sua insatisfação, pode ter o direito de impugnar uma decisão. Essa impugnação, portanto, pode ser realizada através de 2 formas: 1) Meios não recursais: referem-se às ações autônomas de impugnação. As ações autônomas são um meio de impugnação da decisão judicial através da criação de uma nova relação jurídica processual (outro processo), cujo objeto é a decisão impugnada. Ex.: mandado de segurança, ação rescisória, embargos de terceiro. 2) Meios recursais: são os próprios recursos. Trata-se da impugnação típica, ou seja, que está sempre prevista em lei, voluntária, com o objetivo de reformar (modificar o conteúdo), anular ou integrar a decisão impugnada. Nesse caso, o recurso acontece no mesmo processo, não gera uma nova relação jurídica processual. Sendo assim, Carlos Henrique Bezerra defende que o recurso é a continuação do procedimento, atuando como prolongamento do exercício do direito de ação dentro do mesmo processo. Obs.: a diferença, portanto, entre as ações autônomas e os recursos é que as ações autônomas geram um novo processo. 2. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS QUANTO À FORMA DE RECORRER 1) Independente ou principal: aquele que é proposto de forma principal no prazo recursal. 2) Subordinado ou adesivo: apresentado de forma adesiva, no prazo de contrarrazões. O principal exemplo de recurso subordinado é o recurso adesivo, que ocorre na hipótese, por exemplo, em que o reclamado perdeu o prazo principal, mas o reclamante apresentou recurso CS - DIREITO PROCESSUALDO TRABALHO 2025.1 97 ordinário no prazo de 8 dias. Conforme o recurso principal foi dado entrada, existe o prazo de 8 dias para que o reclamado (querendo e precisando), apresente contrarrazões de recurso adesivo. O recurso adesivo, por sua vez, deve observar alguns requisitos: 1) Deve haver sucumbência recíproca; 2) Deve haver o recurso principal de alguma parte no processo; 3) É preciso da aceitação tácita da decisão pela parte que apresenta o recurso adesivo, sob pena de se configurar preclusão consumativa; Significa dizer que se a parte já apresentou o recurso principal, ela não pode apresentar recurso adesivo, em razão da preclusão consumativa. Assim, se ela não interpôs o recurso principal, subentende-se que, tacitamente, ela aceitou o conteúdo da decisão. 4) O recurso adesivo deve observar os mesmos requisitos de admissibilidade e julgamento que seriam exigidos dele caso fosse principal. Obs.: o recurso adesivo é dependente/subordinado do principal. Portanto, se houver desistência do recurso principal, ou ele for declarado inadmissível, o recurso adesivo não será conhecido. Importante destacar, por fim, que a Súmula 283 do TST esclarece que só cabe recurso adesivo do recurso ordinário, recurso de revista, agravo de petição e embargos no TST, in verbis: RECURSO ADESIVO. PERTINÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO. CORRELAÇÃO DE MATÉRIAS (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho e cabe, no prazo de 8 (oito) dias, nas hipóteses de interposição de recurso ordinário, de agravo de petição, de revista e de embargos, sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): A Reclamada Confecções Beija Flor Ltda. foi sucumbente em parte dos pedidos requeridos por seu ex- gerente Augusto em sua reclamação trabalhista. No prazo legal, Augusto interpôs recurso ordinário pleiteando a reforma da sentença que indeferiu seu pedido de danos morais. A Reclamada deixou de interpor recurso ordinário no prazo legal, mas, no prazo em que deveria apresentar suas contrarrazões ao recurso ordinário interposto por Augusto, apresentou recurso adesivo pretendendo a reforma da decisão de 1o grau no tocante às diferenças de comissões sobre as vendas, parte em que Augusto ganhou a ação. Diante do exposto, e tendo em vista a legislação vigente e o entendimento sumulado do TST, o recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho, mas deve o recorrente observar os requisitos para sua interposição, como o recolhimento das custas processuais e o valor do depósito recursal, como qualquer outro recurso principal. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 98 (PGE- PA - Procurador - CESPE - 2022): Mesmo sem previsão na Consolidação das Leis do Trabalho, a interposição de recurso de revista adesivo é compatível com o processo do trabalho, segundo jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, sendo desnecessário que a matéria nele vinculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária. Correto. QUANTO À AUTORIDADE À QUAL SE DIRIGEM 1) Próprios: julgados por órgão de jurisdição superior, como o recurso ordinário, a apelação cível, o recurso de revista, os agravos, o recurso extraordinário etc. 2) Impróprios: dirigidos e julgados ao mesmo órgão prolator da decisão impugnada, como os embargos de declaração, os embargos infringentes. QUANTO À MATÉRIA 1) Ordinários: referem-se aos recursos que têm por escopo a tutela do direito subjetivo das partes, pois visam obter a revisão da matéria fática e/ou jurídica contida na decisão recorrida. Os recursos ordinários, portanto, atendem ao direito (ou garantia) constitucional ao duplo grau de jurisdição, uma vez que “devolvem” ao Tribunal ad quem o exame completo da matéria impugnada, como o recurso ordinário trabalhista. 2) Extraordinários: são os recursos que têm por escopo a tutela do direito objetivo e, por isso, não se destinam a corrigir a injustiça da decisão recorrida, nem permitem rediscussão de matéria fática ou reexame de provas, como ocorre com o recurso de revista, o recurso de embargos (no TST), o recurso extraordinário. 3. ATOS SUJEITOS A RECURSO PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES O princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias é também chamado de princípio da concentração. De forma diversa do que ocorre com o Processo Civil, cujas decisões interlocutórias proferidas no curso do processo podem ser impugnadas por agravo de instrumento, o Direito Processual do Trabalho não admite recurso específico contra tais espécies de atos judiciais, salvo situações específicas que serão adiante analisadas. É sabido que na Vara do Trabalho, há sentença e decisão interlocutória. Por outro lado, no TRT e TST existem acórdãos e decisões monocráticas. Todos eles proferem despacho, que não tem conteúdo decisório, é ato de mero expediente e tem por função apenas o impulso do processo. Em razão disso, os despachos são IRRECORRÍVEIS. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 99 Todas as demais espécies de decisão são recorríveis, observado o seguinte: vige no Processo do Trabalho o princípio da irrecorribilidade IMEDIATA das decisões interlocutórias. Significa, portanto, que as decisões são recorríveis, apenas não são recorríveis de imediato. Nesse sentido, dispõe o § 1º do art. 893 da CLT que: Art. 893, § 1º - Os incidentes do processo são resolvidos pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se a apreciação do merecimento das decisões interlocutórias somente em recursos da decisão definitiva. Importante vislumbrar, ainda, o previsto no art. 795 da CLT: Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos. Ante o exposto, pode-se inferir que na primeira oportunidade a parte DEVE arguir nulidade processual, ao falar em audiência ou manifestar nos autos. Não arguindo nulidade, ocorrerá preclusão, isto é, não será possível recorrer da decisão interlocutória posteriormente. Frisa-se, ainda, que é necessário renovar a nulidade em razões finais. Em linha de princípio, portanto, somente na interposição de recurso contra a decisão final (efeito diferido do recurso ordinário), poderá o recorrente suscitar, como matéria preliminar de suas razões recursais, todas as decisões interlocutórias proferidas no curso do processo, desde que tenha manifestado o seu inconformismo (o conhecido “protesto nos autos”) nos termos do art. 795, in fine, da CLT, sob pena de preclusão. Todavia, havendo urgência no pedido que foi negado, caberá mandado de segurança, na hipótese de violação a direito líquido e certo: SÚMULA Nº 414 - MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA (OU LIMINAR) CONCEDIDA ANTES OU NA SENTENÇA. I - A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015. II - No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio. III - A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o objeto do mandado de segurança que impugnava a concessão ou o indeferimento da tutela provisória. Existem outras exceções que permitem à parte recorrer de imediato, são elas: 1) Súmula 214do TST: SÚMULA Nº 214 - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 100 Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. Com relação à alínea “b” da Súmula, insta salientar que o recurso é, geralmente, o agravo interno. Além disso, no que tange à alínea “c”, importante ressaltar que sendo uma arguição de suspeição, por exemplo, não será recorrível de imediato, estando tal hipótese limitada à decisão que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para TRT distinto daquele a que se vincula. Ex.: o Juízo de São Paulo (TRT-2, SP) acolheu a exceção de incompetência e remeteu para Salvador (TRT-5, BA). Nesse caso, cabe recurso imediato para o TRT da Vara do Trabalho que proferiu a decisão, que seria o recurso ordinário no prazo de 8 dias. A IN 39/16 estabelece, ainda, a regra do art. 893, § 1º da CLT: Art. 1º, § 1º Observar-se-á, em todo caso, o princípio da irrecorribilidade em separado das decisões interlocutórias, de conformidade com o art. 893, § 1º da CLT e Súmula nº 214 do TST. 2) Art. 855-A da CLT: Art. 855-A. Aplica-se ao processo do trabalho o incidente de desconsideração da personalidade jurídica previsto nos arts. 133 a 137 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. § 1º Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente: I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na forma do § 1º do art. 893 desta Consolidação; II - na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de garantia do juízo; III - cabe agravo interno se proferida pelo relator em incidente instaurado originariamente no tribunal. Ante a disposição legal acima exposta, pode-se verificar que em se tratando do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ), na: a) Fase de conhecimento/cognição: NÃO cabe recurso de imediato. b) Fase de execução: cabe agravo de petição, independentemente de garantia do Juízo. c) IDPJ instaurado originariamente no tribunal: cabe agravo interno. Como o tema foi cobrado em concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 101 (PGE-ES - Residência Jurídica - Instituto Consulplan - 2022): A empresa Orange Distribuidora Agrícola Ltda. foi demanda na Justiça do Trabalho, sendo requerida a concessão de tutela provisória de urgência em incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Assim, da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente na fase de cognição, não cabe recurso de imediato. Correto. 3) §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei 5.584/70: Art 2º Nos dissídios individuais, proposta a conciliação, e não havendo acordo, o Presidente, da Junta ou o Juiz, antes de passar à instrução da causa, fixar-lhe-á o valor para a determinação da alçada, se este for indeterminado no pedido. § 1º Em audiência, ao aduzir razões finais, poderá qualquer das partes, impugnar o valor fixado e, se o Juiz o mantiver, pedir revisão da decisão, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Presidente do Tribunal Regional. § 2º O pedido de revisão, que não terá efeito suspensivo deverá ser instruído com a petição inicial e a Ata da Audiência, em cópia autenticada pela Secretaria da Junta, e será julgado em 48 (quarenta e oito) horas, a partir do seu recebimento pelo Presidente do Tribunal Regional. Quando o Juiz mantiver o valor da causa fixado para fins de alçada, poderá a parte formular pedido de revisão que será julgado pelo Presidente do Tribunal ao qual está vinculado o Juiz prolator da decisão. 4) Art. 897, b, da CLT Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. Refere-se à possibilidade de interposição imediata de agravo de instrumento contra decisão (denominada impropriamente de “despacho”) que denega seguimento a recurso. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-13 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): Não há recurso de nenhuma decisão interlocutória no processo do trabalho, em atenção ao princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. Errado. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE O juízo de admissibilidade consiste na avaliação acerca do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos. Sendo assim, ele implica no conhecimento ou não do recurso, precedendo a análise do mérito. Via de regra, no Processo do Trabalho, o juízo de admissibilidade é realizado em 2 momentos: 1) Pelo Juízo a quo (prolator da decisão recorrida); 2) Posteriormente, pelo Juízo ad quem (destinatário do recurso). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 102 Esses juízos são independentes, portanto, se o Juízo a quo conhecer o recurso, não significa, necessariamente, que o Juízo ad quem adotará o mesmo posicionamento. Ressalta-se, entretanto, que nos embargos de declaração, o Juízo a quo é também o Juízo ad quem, não havendo duplo juízo de admissibilidade. Como o tema foi cobrado em concurso? (EBSERH - Advogado - VUNESP - 2020): Determinada empresa pública municipal, intimada da sentença trabalhista no dia 06.11.2019 (4ª feira), interpôs recurso ordinário em 27.11.2019 (4ª feira). Considerando que o mencionado recurso foi processado pelo juízo a quo, é correto afirmar que o deverá ser conhecido pelo juízo ad quem, pois está vinculado ao juízo de admissibilidade da instância inferior. Errado. Outra exceção que também precisa ser mencionada é acerca do conhecimento parcial do recurso de revista, prevista no art. 1º da IN 40/16 do TST: Art. 1° Admitido apenas parcialmente o recurso de revista, constitui ônus da parte impugnar, mediante agravo de instrumento, o capítulo denegatório da decisão, sob pena de preclusão. Por fim, insta evidenciar que a Súmula 435 do TST determina a aplicação subsidiária do art. 932 do CPC – que trata das competências do relator – ao Processo do Trabalho, in verbis: DECISÃO MONOCRÁTICA. RELATOR. ART. 932 DO CPC DE 2015. ART. 557 DO CPC DE 1973. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA AO PROCESSO DO TRABALHO (atualizada em decorrência do CPC de 2015; Res. n. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e 26-4-2016). Aplica-se subsidiariamente ao processo do trabalho o art. 932 do CPC de 2015 (art. 557 do CPC de 1973). Art. 932. Incumbe ao relator: I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de prova, bem como, quando for o caso, homologar autocomposição das partes; II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência originária do tribunal; III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; IV - negar provimento a recurso que for contrário a: a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária a: a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; b) acórdão proferido pelo Supremo TribunalFederal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 103 c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; VI - decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, quando este for instaurado originariamente perante o tribunal; VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso; VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do tribunal. Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 3.3.1. Cabimento Conforme preleciona Carlos Henrique Bezerra, o primeiro pressuposto objetivo digno de consideração é o do cabimento do recurso. Significa dizer que é necessário verificar se o ato judicial atacado é recorrível. Isto posto, infere-se que existem 3 subprincípios que tratam dos pressupostos de admissibilidade dos recursos: 1) Taxatividade: só existem os recursos taxativamente previstos em lei. 2) Singularidade: para cada decisão, em cada situação, caberá um recurso. 3) Fungibilidade: não havendo erro grosseiro, e respeitado o prazo recursal, é possível aceitar um recurso por outro. Obs.: em se tratando da fungibilidade, aplica-se a teoria do menor prazo, isto é, deve-se seguir o prazo recursal que for mais curto. A título de exemplificação da aplicabilidade dos subprincípios, segue entendimento consolidado na Súmula 421 do TST: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR CALCADA NO ART. 932 DO CPC DE 2015. ART. 557 DO CPC DE 1973. (atualizada em decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e 26.04.2016. I – Cabem embargos de declaração da decisão monocrática do relator prevista no art. 932 do CPC de 2015 (art. 557 do CPC de 1973), se a parte pretende tão somente juízo integrativo retificador da decisão e, não, modificação do julgado. II – Se a parte postular a revisão no mérito da decisão monocrática, cumpre ao relator converter os embargos de declaração em agravo, em face dos princípios da fungibilidade e celeridade processual, submetendo-o ao pronunciamento do Colegiado, após a intimação do recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1º, do CPC de 2015. Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 104 Ante o exposto, verifica-se que na hipótese de ter no processo uma decisão monocrática de relator que nega seguimento, nega provimento ou dá provimento a um recurso, havendo irresignação da parte em face da decisão monocrática, é possível opor embargos de declaração ou agravo interno. Se a parte optou pelos embargos de declaração e o relator verificar que há possibilidade de efeito modificativo, ele vai, de ofício, aplicar a fungibilidade e receber os embargos declaratórios como um agravo. 3.3.2. Legitimidade Trata-se de um pressuposto de admissibilidade subjetivo ou intrínseco. A legitimidade recursal é a habilitação outorgada por lei àquele que tenha participado, como parte, do processo em primeiro grau de jurisdição, ainda que revel. Além das partes originárias da relação processual, têm legitimação para interpor recurso, na qualidade de terceiro prejudicado ou juridicamente interessado: 1) O sucessor ou herdeiro; 2) A empresa condenada solidária ou subsidiariamente; 3) O subempreiteiro, o empreiteiro principal ou o dono da obra; 4) Os sócios de fato nas sociedades não juridicamente constituídas, além das pessoas físicas e jurídicas por força de normas de direito civil, que se vinculem à parte que figurou na demanda; 5) Os litisconsortes e assistentes; 6) O substituto processual. Sobre o terceiro interessado, insta evidenciar o art. 793-D: Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento da causa. Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos. Portanto, a testemunha que discorde da aplicação da multa por litigância de má-fé prevista no art. 793-D recorre da aplicação da multa como terceiro interessado no mesmo processo. Outrossim, imperioso salientar que o Ministério Público do Trabalho (MPT) possui legitimidade para recorrer em um processo trabalhista em 2 situações: 1) Quando o MPT atuar como parte; 2) Em virtude da atuação como fiscal da ordem jurídica, o MPT somente pode recorrer na defesa de interesse público. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 105 Sobre o tema, importante vislumbrar o disposto na OJ 237 da SDI-1: MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. EMPRESA PÚBLICA (incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 338 da SBDI-I) - Res. 210/2016, DEJT divulgado em 30.06.2016 e 01 e 04.07.2016. I - O Ministério Público do Trabalho não tem legitimidade para recorrer na defesa de interesse patrimonial privado, ainda que de empresas públicas e sociedades de economia mista. II - Há legitimidade do Ministério Público do Trabalho para recorrer de decisão que declara a existência de vínculo empregatício com sociedade de economia mista ou empresa pública, após a Constituição Federal de 1988, sem a prévia aprovação em concurso público, pois é matéria de ordem pública. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): Estados e municípios possuem legitimidade para recorrerem em nome de suas autarquias e fundações públicas. Errado. 3.3.3. Preparo trabalhista Diferentemente do Processo Civil, que exige apenas o pagamento das custas para fins recursais, no Processo do Trabalho há, em alguns casos, exigência não só do recolhimento das custas, como também do depósito recursal (ou depósito prévio pecuniário). 4. CUSTAS PROCESSUAIS E DEPÓSITO RECURSAL CUSTAS As custas são taxas devidas ao Estado como contraprestação do serviço público de natureza jurisdicional. Desse modo, se a prestação jurisdicional é um serviço público lato sensu, então pode o Estado instituir taxa para pagamento do serviço utilizado pelo jurisdicionado (usuário). Como a Justiça do Trabalho integra o Poder Judiciário Federal, as custas no processo trabalhista devem ser fixadas por lei federal. Nessa linha, o art. 790 da CLT dispõe que: Art. 790. Nas Varas do Trabalho, nos Juízos de Direito, nos Tribunais e no Tribunal Superior do Trabalho, a forma de pagamento das custas e emolumentos obedecerá às instruções que serão expedidas pelo Tribunal Superior do Trabalho. Para fins de interposição de recursos no processo de conhecimento, o art. 789 da CLT determina que: Art. 789. Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos do trabalho, nas ações e procedimentos de competência da Justiça do Trabalho, bem como nas demandas propostas perante a Justiça Estadual, no exercício da jurisdição trabalhista, as custas relativas ao processo de conhecimento CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 106 incidirão à base de 2% (dois por cento), observado o mínimo de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e o máximo de quatro vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, e serão calculadas: Isto posto, o cálculo das custas deverá observar as seguintes regras: Art. 789, I – quando houver acordo ou condenação, sobre o respectivo valor; II – quando houver extinção do processo, sem julgamento do mérito, ou julgado totalmente improcedente o pedido, sobre o valor da causa; III – no caso de procedênciado pedido formulado em ação declaratória e em ação constitutiva, sobre o valor da causa; IV – quando o valor for indeterminado, sobre o que o juiz fixar. As custas serão pagas pelo vencido, após o trânsito em julgado da decisão. No caso de recurso, as custas serão pagas e comprovado o recolhimento dentro do prazo recursal. Se a sentença for omissa sobre custas, deverá a parte interpor embargos de declaração, ficando, pois, interrompido o prazo respectivo para o recurso e, consequentemente, para o pagamento das custas. Nesse caso, o prazo para o pagamento das custas recomeçará a correr a partir da intimação da sentença (dos embargos declaratórios) que fixar o valor das custas, consoante determina a Súmula 53 do TST. As custas também são espécies de despesas processuais. Logo, de acordo com Carlos Henrique Bezerra, pode-se concluir que se autor e réu, não sendo empregado e empregador (ou, por extensão, trabalhador avulso e tomador do seu serviço), tiverem seus pedidos acolhidos parcialmente, ambos deverão recolher as custas, de modo proporcional, como pressuposto de admissibilidade do recurso correspondente. É o que se extrai do § 3º do art. 3º da IN 27/05 do TST, in verbis: Art. 3º Aplicam-se quanto às custas as disposições da Consolidação das Leis do Trabalho. § 1º As custas serão pagas pelo vencido, após o trânsito em julgado da decisão. § 2º Na hipótese de interposição de recurso, as custas deverão ser pagas e comprovado seu recolhimento no prazo recursal (artigos 789, 789-A, 790 e 790-A da CLT). § 3º Salvo nas lides decorrentes da relação de emprego, é aplicável o princípio da sucumbência recíproca, relativamente às custas. Ademais, na hipótese de acordo, as custas incidirão sobre o valor do acordo. Salienta-se, no entanto, que se de outra forma não dispuserem as partes, as custas serão rateadas, em consonância com o § 3º do art. 789 da CLT: Art. 789, § 3º Sempre que houver acordo, se de outra forma não for convencionado, o pagamento das custas caberá em partes iguais aos litigantes. Sendo assim, infere-se que o acordo pode estabelecer diferentes formas de pagamento das custas. No silêncio, por outro lado, elas serão rateadas. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 107 Importante frisar, por fim, que o reclamante só vai pagar custas na improcedência, independentemente de ser empregado ou empregador. Já o reclamado deverá pagar as custas na procedência, seja ela total ou parcial, a teor do disposto na Súmula 25 do TST: I - A parte vencedora na primeira instância, se vencida na segunda, está obrigada, independentemente de intimação, a pagar as custas fixadas na sentença originária, das quais ficara isenta a parte então vencida; II - No caso de inversão do ônus da sucumbência em segundo grau, sem acréscimo ou atualização do valor das custas e se estas já foram devidamente recolhidas, descabe um novo pagamento pela parte vencida, ao recorrer. Deverá ao final, se sucumbente, reembolsar a quantia; III - Não caracteriza deserção a hipótese em que, acrescido o valor da condenação, não houve fixação ou cálculo do valor devido a título de custas e tampouco intimação da parte para o preparo do recurso, devendo ser as custas pagas ao final; IV - O reembolso das custas à parte vencedora faz-se necessário mesmo na hipótese em que a parte vencida for pessoa isenta do seu pagamento, nos termos do art. 790-A, parágrafo único, da CLT. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): As custas relativas ao processo de conhecimento incidirão à base de 2% (dois por cento), observado o mínimo de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e o máximo de duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Errado. DEPÓSITO RECURSAL O depósito recursal, diferentemente das custas, não tem natureza jurídica de “taxa” (tributo), e sim de garantia do Juízo recursal para futura execução em ação trabalhista individual que veicule verba de natureza alimentar, o que pressupõe a existência de decisão (sentença ou acórdão) condenatória de obrigação de pagamento em pecúnia, com valor líquido ou arbitrado pelo órgão judicial. Por outro lado, tratando-se de sentença condenatória de obrigação de fazer, não fazer ou entregar coisa, ou, ainda, sentença meramente declaratória ou constitutiva, bem como sentença mandamental ou executiva lato sensu, não há falar em depósito recursal. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Mairinque - Procurador - Instituto Mais - 2021): Ainda que não haja condenação a pagamento em pecúnia, é imprescindível o depósito recursal para admissibilidade do recurso. Errado. Obs.: o depósito é um requisito do recurso trabalhista, razão pela qual a IN 27/05 preleciona que é também devido nas ações que não versem sobre relação de emprego. O valor depositado é o valor suficiente para garantir a futura execução, podendo ser o valor arbitrado à condenação (sentenças ilíquidas) ou o valor da condenação quando a sentença é líquida, observados os tetos anualmente expedidos pelo TST. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 108 A Súmula 128 do TST traz 3 pontos importantes sobre o depósito recursal: I - É ônus da parte recorrente efetuar o depósito legal, integralmente, em relação a cada novo recurso interposto, sob pena de deserção. Atingido o valor da condenação, nenhum depósito mais é exigido para qualquer recurso. II - Garantido o juízo, na fase executória, a exigência de depósito para recorrer de qualquer decisão viola os incs. II e LV do art. 5º da CF/88. Havendo, porém, elevação do valor do débito, exige-se a complementação da garantia do juízo. III - Havendo condenação solidária de duas ou mais empresas, o depósito recursal efetuado por uma delas aproveita as demais, quando a empresa que efetuou o depósito não pleiteia sua exclusão da lide. No que tange ao item III da Súmula, verifica-se que em caso de litisconsórcio, se a tese de defesa é única, o depósito é aproveitado a todos os litisconsortes. Por outro lado, se a tese de defesa é de exclusão do processo, cada réu deverá apresentar seu depósito recursal. Como o tema foi cobrado em concurso? (TST - Juiz - FGV - 2023): Duas empresas foram condenadas solidariamente a satisfazer as obrigações da primeira para com determinada trabalhadora. Ambas apresentam recursos ordinários, em separado. A primeira discute a extensão da condenação e a natureza dos títulos devidos. A segunda, por sua vez, alega ser parte manifestamente ilegítima, já que seria uma empresa estrangeira, sem sede no país, sujeita às leis de seu país de origem e, por isso, com total autonomia em relação à primeira litisconsorte passiva. Apresentam uma guia de custas paga pela primeira empresa e uma guia de depósito recursal no valor vigente, recolhida está em nome da segunda empresa. Ao exercer o juízo de admissibilidade prévio, o juiz deve negar seguimento ao recurso da primeira empresa a dar prosseguimento ao da segunda. Correto. Além disso, a Súmula 245 do TST consolidou entendimento acerca do prazo de realização do depósito recursal com base nos seguintes termos: SÚMULA Nº 245 - DEPÓSITO RECURSAL. PRAZO. O depósito recursal deve ser feito e comprovado no prazo alusivo ao recurso. A interposição antecipada deste não prejudica a dilação legal. As disposições legais acerca do depósito recursal estão elencadas no art. 899 da CLT, podendo-se evidenciar a necessidade de pagamento ou não do depósito conforme a tabela abaixo: REQUER DEPÓSITO NÃO REQUER DEPÓSITO Recurso ordinário Embargos de declaração Recurso de revista Embargos infringentes Agravo de instrumento Agravo interno Embargos de divergência Recurso extraordinário É mister salientar que quando o agravo de instrumento tem a finalidadede destrancar recurso de revista que se insurge contra decisão que contraria a jurisprudência uniforme do TST, CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 109 consubstanciada nas suas Súmulas ou em Orientação Jurisprudencial (OJ), não haverá obrigatoriedade de se efetuar o depósito recursal, conforme disposto no § 8º do art. 899 da CLT. Quanto ao recurso extraordinário, evidencia-se que o STF decidiu que não é necessário o depósito recursal para admissibilidade de RE em matéria trabalhista somente em 2020, entendendo que a exigência é incompatível com a Constituição Federal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – DEPÓSITO – INCONSTITUCIONALIDADE. Surge incompatível com a Constituição Federal exigência de depósito prévio como condição de admissibilidade do recurso extraordinário, no que não recepcionada a previsão constante do § 1º do artigo 899 da Consolidação das Leis do Trabalho, sendo inconstitucional a contida na cabeça do artigo 40 da Lei nº 8.177 e, por arrastamento, no inciso II da Instrução Normativa nº 3/1993 do Tribunal Superior do Trabalho. (STF - RE: 607447 PR, Relator: MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 22/05/2020, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 03/06/2020). Frisa-se, ainda, que consoante o § 11 do art. 899 da CLT, o depósito recursal poderá ser substituído por fiança bancária ou seguro garantia judicial. Por fim, importante destacar que nos termos da OJ 140 da SDI-1, a insuficiência de preparo, ou seja, o preparo a menor, demandará complementação em 5 dias: 140. DEPÓSITO RECURSAL E CUSTAS PROCESSUAIS. RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. DESERÇÃO. (nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017. Em caso de recolhimento insuficiente das custas processuais ou do depósito recursal, somente haverá deserção do recurso se, concedido o prazo de 5 (cinco) dias previsto no § 2º do art. 1.007 do CPC de 2015, o recorrente não complementar e comprovar o valor devido. ISENÇÃO Para facilitar a memorização daqueles que estão isentos de custas e/ou do depósito recursal, colaciona-se a tabela abaixo: ISENTOS DE CUSTAS ISENTOS DE DEPÓSITO RECURSAL DEPÓSITO RECURSAL PELA METADE (50%) Beneficiários da justiça gratuita Beneficiários da justiça gratuita Entidades sem fins lucrativos União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas que NÃO explorem atividade econômica União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas que NÃO explorem atividade econômica Empregador doméstico Ministério Público do Trabalho (MPT) Ministério Público do Trabalho (MPT) Microempreendedores individuais (MEI) Massa falida Massa falida Empresas de Pequeno Porte (EPP) - Entidades filantrópicas Microempresas (ME) - Empresas em recuperação judicial - CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 110 Ainda sobre a isenção, é preciso evidenciar que nos termos do art. 790-A da CLT, as entidades fiscalizadoras do exercício da profissão NÃO estão isentas do pagamento de custas: Art. 790-A, Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo não alcança as entidades fiscalizadoras do exercício profissional, nem exime as pessoas jurídicas referidas no inciso I da obrigação de reembolsar as despesas judiciais realizadas pela parte vencedora. Além disso, conforme a Súmula 170 do TST, a sociedade de economia mista também NÃO está isenta do pagamento de custas: SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CUSTAS. Os privilégios e isenções no foro da Justiça do Trabalho não abrangem as sociedades de economia mista, ainda que gozassem desses benefícios anteriormente ao Decreto-Lei n. 779, de 21-8-1969. Ex-prejulgado n. 50 (TST, Súmula 170). Ressalta-se, ainda, que a isenção do depósito recursal está limitada às empresas em recuperação JUDICIAL. Significa, portanto, que as empresas em recuperação EXTRAJUDICIAL devem realizar o pagamento do depósito recursal. Por fim, a isenção para empresas em recuperação judicial se refere apenas ao depósito recursal, e não ao depósito garantidor em fase de execução, segundo posicionamento do STJ: As sociedades e empresários em recuperação judicial não são isentos do depósito garantidor do juízo na Justiça do Trabalho na fase executória. (AgInt no CC 205.969-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 13/11/2024). Para o STJ, a exigência de garantia do Juízo feita pela Justiça do Trabalho como requisito de admissibilidade recursal deriva da competência genérica, derivada diretamente do texto constitucional, atribuída a todos os Tribunais pátrios, para administrar e gerir seus trabalhos. Logo, se atinge uma sociedade em recuperação judicial o faz no exercício de suas atribuições jurisdicionais, sem usurpar a competência do Juízo recuperacional. A solução para a crise passaria pela instituição de expressa isenção legal para as sociedades e empresários em recuperação judicial. No entanto, na legislação nacional não há previsão de isenção do recolhimento de garantia do juízo no caso de execução movida em face de recuperandos. O TST tem o entendimento uníssono de que "a isenção do depósito recursal à empresa em recuperação judicial, prevista no artigo 899, § 10, da CLT, é aplicável somente ao processo de conhecimento", pois, "em execução, há previsão legal específica – art. 884, § 6º, da CLT –, que somente excepciona a exigência da garantia do juízo ou penhora às entidades filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições". Dessa forma, conclui-se que as sociedades e empresários em recuperação judicial não são isentos do depósito garantidor do juízo na Justiça do Trabalho na fase executória, por ausência de previsão legal nesse sentido. Como o tema foi cobrado em concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 111 (TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): A empresa Massas Alvorada Ltda. está em processo de recuperação judicial. O Condomínio Edifício Lagoa Azul é residencial e o valor do condomínio arrecadado mensalmente tem a finalidade de ratear despesas ordinárias e extraordinárias dos empregados e das áreas comuns do condomínio. Mário é um microempreendedor individual, produzindo camisetas. Todos possuem reclamações trabalhistas e pretendem ingressar com recurso ordinário contra as sentenças em que foram sucumbentes. Quanto ao depósito recursal, será reduzido pela metade para o Condomínio Edifício Lagoa Azul e Mário, apenas. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 112 RECURSOS EM ESPÉCIES 1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração são cabíveis para impugnar qualquer decisão lato sensu, isto é, sentença, acórdão ou decisão interlocutória, estando eles previstos no art. 897-A da CLT, in verbis: Art. 897-A Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessão subsequente a sua apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de omissão e contradição no julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso. Trata-se de um recurso de fundamentação vinculada, isto é, em que a lei que traz expressamente as hipóteses de cabimento. Nesse sentido, podem os embargos de declaração ser opostos nos seguintes casos: 1) Omissão: está vinculada à ausência ou negligência. Objetiva-se, portanto, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o Juiz de ofício ou a requerimento da parte. 2) Contradição: a contradição, para fins de embargos de declaração, deve constar do corpo da própria sentença ou acórdão. Pode ocorrer contradição não apenas entre o relatório e a fundamentação ou entre esta e o decisum,mas também entre quaisquer partes da sentença ou do acórdão. 3) Erro material: pode ser arguido a qualquer momento e por qualquer interessado, inclusive de ofício pelo Juiz. Importante verificar o disposto no § 1º do art. 897-A da CLT: Art. 897-A, § 1º Os erros materiais poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. Sendo assim, as partes também podem requerer, mediante simples petição, a correção de erro material contido na sentença ou no acórdão. Para tanto, não haverá necessidade de interposição de embargos de declaração. 4) Manifesto equívoco na apreciação dos pressupostos extrínsecos (objetivos) de admissibilidade dos recursos. 5) Obscuridade: representa um vício de ininteligibilidade, compreendida como a falta de clareza que impeça ou dificulte a correta compreensão do julgado. Apesar de tal hipótese de cabimento não estar prevista na CLT, é possível a aplicação supletiva/complementar dos embargos declaratórios por obscuridade, conforme determina o art. 15 CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 113 do CPC. No entanto, ressalta-se que o cabimento de embargos de declaração por obscuridade da decisão embargada não autoriza o efeito modificativo, que será abordado logo a seguir. O prazo de interposição dos embargos de declaração é de 5 dias. Ademais, NÃO há incidência de custas ou depósito recursal. Quanto aos efeitos e processamento dos embargos de declaração, tem-se que: 1) Interruptivo: propostos os embargos de declaração, ele interromperá o prazo para todos os demais recursos e para todas as partes, salvo em 3 hipóteses previstas no § 3º do art. 897-A da CLT: Art. 897-A, § 3º Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de outros recursos, por qualquer das partes, salvo quando intempestivos, irregular a representação da parte ou ausente a sua assinatura. Assim, os embargos declaratórios NÃO poderão ser opostos se: a) Forem intempestivos; b) Houver irregularidade de representação do embargante; c) A petição dos for apócrifa, caso em que o recurso é considerado juridicamente inexistente. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Maiara, devidamente representada por advogado, move reclamação trabalhista contra a empresa Cosméticos & Afins Ltda., pleiteando o pagamento de diferenças de horas extras e plano de participação nos lucros e resultados. Proferida a sentença, a juíza do trabalho não apreciou o pedido da participação nos lucros, sendo que o advogado de Maiara interpôs embargos de declaração tempestivamente para sanar a omissão do julgado, por meio de assinatura digital, tendo em vista que o processo é eletrônico. Nesse caso, de acordo com a legislação federal vigente, interrompe-se o prazo para a interposição do recurso ordinário. Correto. 2) Modificativo: quando a decisão embargada contiver omissão, contradição ou manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso, os embargos poderão ensejar a reforma da decisão embargada. Refere-se, destarte, à possibilidade de modificação do conteúdo da decisão, nos termos do § 2º do art. 897-A da CLT: Art. 897-A, § 2º Eventual efeito modificativo dos embargos de declaração somente poderá ocorrer em virtude da correção de vício na decisão embargada e desde que ouvida a parte contrária, no prazo de 5 (cinco) dias. Caso a decisão não seja modificada, o Juiz deve, de imediato, proferir a decisão, em conformidade com o princípio da celeridade que rege o Processo do Trabalho. Por outro lado, sendo CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 114 modificada a decisão, o Juiz deverá dar vistas à parte contrária para ela se manifestar, sob pena de nulidade. Debruçando-se sobre a questão do efeito modificativo dos embargos declaratórios, a SDI-1 editou a OJ 142 do TST, segundo a qual: I - É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de declaração com efeito modificativo sem que seja concedida oportunidade de manifestação prévia à parte contrária. Assim como no Processo Civil, cabem embargos de declaração para fins de prequestionamento, nos termos da Súmula 297 do TST: PREQUESTIONAMENTO. OPORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I - Diz-se prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito. II - Incumbe à parte interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob pena de preclusão. III - Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração. Outrossim, o art. 1026 do CPC, aplicável ao Processo do Trabalho, traz a possibilidade de aplicação de multa por embargos declaração procrastinatórios: Art. 1026, § 2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. § 3º Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final. § 4º Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios. Ante a leitura do § 4º do art. 1026 do CPC, pode-se inferir que se pelo menos um dos embargos de declaração anteriormente interpostos não forem considerados protelatórios, os novos embargos declaratórios não poderão, por tal motivo, deixar de ser conhecidos. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Dourados - Procurador - IBFC - 2022): A interposição dos Embargos de Declaração visa a sanar omissão, obscuridade ou contradição mediante o esclarecimento ou complementação do julgado, para corrigir manifesto equívoco no exame dos pressupostos de admissibilidade recursal e para prequestionar determinada matéria não apreciada na decisão. Correto. 2. RECURSO ORDINÁRIO CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 115 Insta salientar, a priori, que recurso ordinário de que cuida a CLT não se confunde com o recurso ordinário previsto nos arts. 102, II, e 105, II, da CF/88. Nesse sentido, a título de equiparação, Carlos Henrique Bezerra entende que recurso ordinário previsto na CLT corresponde ao recurso de apelação previsto no CPC, já que diversos aspectos são comuns a ambos. Para o referido doutrinador, pode-se dizer que a exemplo do que se dá com a apelação, o ordinário é o recurso clássico, por excelência, para impugnar as decisões finais desfavoráveis no âmbito da processualística laboral, já que, por meio dele, torna-se possível submeter ao Juízo ad quem o reexame das matérias de fato e de direito apreciadas pelo Juízo a quo. Quanto ao cabimento, o recurso ordinário não se presta apenas a atacar decisões do primeiro grau de jurisdição (sentenças), sendo também manejado para impugnar acórdãos proferidos pelos TRTs nos processos de sua competência originária, tanto nas ações individuais (mandado de segurança, ação rescisória etc.) como nos dissídios coletivos e nas ações anulatórias de cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho. Com efeito, dispõe o art. 895 da CLT que cabe recurso ordinário, no prazo de 8 dias, das: Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior: I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias; II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, node explicitação ou fontes integrativas do direito processual: a analogia, os princípios gerais de direito e a equidade. Como o tema foi cobrado em concurso? (Câmara de Brusque - SC - Procurador - FURB - 2024): A sentença normativa, proferida por Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) ou do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no julgamento dos dissídios coletivos, é uma fonte do Direito do Trabalho. Correto. (Prefeitura de São João do Paraíso - MS - Procurador - Instituto JK - 2024): Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do Direito processual do trabalho, exceto naquilo que for incompatível com as regras da CLT. Correto. (Prefeitura de Suzano - Assistente Jurídico - Instituto Consulplan - 2021): Na visão pós-positivista, a normatividade dos princípios e a centralidade da argumentação jurídica e dos direitos fundamentais são determinantes para que direito e moral sejam pensados não como esferas autônomas, mas complementares. Na seara processual trabalhista, são consideradas fontes formais os tratados internacionais, os regimentos internos dos tribunais e as condutas praticadas reiteradamente em juízos e tribunais. Correto. 4. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL O princípio da proteção ou tutelar é peculiar tanto ao Direito do Trabalho quanto ao Direito Processual do Trabalho. Por meio dele, busca-se compensar a desigualdade existente na realidade socioeconômica (entre empregado, geralmente o reclamante, e empregador, via de regra, o reclamado) com uma desigualdade jurídica em sentido oposto. O princípio da proteção processual, portanto, deriva da própria razão de ser do Processo do Trabalho, o qual foi concebido para efetivar os direitos materiais reconhecidos pelo Direito do Trabalho, sendo este ramo da árvore jurídica criado exatamente para compensar ou reduzir a desigualdade real existente entre empregado e empregador, naturais litigantes do processo laboral. Como o tema foi cobrado em concurso? (BRB - Advogado - IADES - 2019): Em regra geral, aplica-se ao processo do trabalho o princípio da proteção (especialmente o desdobramento do in dubio pro operario), razão pela qual o ônus da prova é sempre invertido, restando o autor desincumbido de provar o fato constitutivo de seu direito. Errado. PRINCÍPIO DA FINALIDADE SOCIAL DO PROCESSO Segundo Humberto Theodoro Júnior, o primeiro e mais importante princípio que informa o processo trabalhista, distinguindo-o do processo civil comum, é o da finalidade social, de cuja CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 8 observância decorre uma quebra do princípio da isonomia entre as partes, pelo menos em relação à sistemática tradicional do direito formal. O direito processual, reconhecendo que o trabalhador deve ser auxiliado durante o processo pela própria autoridade julgadora, de maneira que, no momento de chegar o procedimento ao estado de solução, a aportação processual das partes permita uma solução justa. Isto posto, a diferença básica entre o princípio da proteção processual e o princípio da finalidade social do processo é que, no primeiro, a própria lei confere a desigualdade no plano processual; no segundo, permite-se que o juiz tenha uma atuação mais ativa, na medida em que auxilia o trabalhador, em busca de uma solução justa, até chegar o momento de proferir a sentença. Decorre do princípio da finalidade social o princípio da efetividade social, compreendido como o conjunto de concepções, políticas, conceitos, ideias e mecanismos necessários que devem inspirar a concretização ou materialização da prestação jurisdicional, evitando-se preventivamente a lesão ao ordenamento jurídico que se avizinha, ou restabelecendo-se, tempestivamente e com a maior fidelidade possível, o direito que foi violado. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL O princípio processual da busca da verdade real deriva do princípio do Direito material do Trabalho conhecido como princípio da primazia da realidade. A doutrina entende que está positivado no art. 765 da CLT, que confere aos Juízos e Tribunais do Trabalho ampla liberdade na direção do processo. Para tanto, os magistrados do trabalho velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas. Destaca-se que a jurisprudência tem acolhido o princípio em tela no campo da prova: SALÁRIO EXTRAFOLHA. INVALIDADE DA PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL. INAPLICABILIDADE DO ART. 227, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO CIVIL. No Processo do Trabalho, vigora o princípio da busca da verdade real, que faz com que a prova documental ceda espaço à testemunhal, quando esta se mostra firme no sentido da desconstituição daquela. Diante disso, o parágrafo único do art. 227, do CC, segundo o qual, “qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito”, é inaplicável ao Processo do Trabalho, porque incompatível com esse princípio peculiar. Assim, demonstrado pela prova testemunhal, firme e idônea, o pagamento de salário extrafolha, são devidas as diferenças reflexas decorrentes da integração daquele no salário para todos os efeitos legais (TRT, 3ª R., RO 0001070-73.2012.5.03.0147, Rel. Des. Fernando Luiz G. Rios Neto, 7ª T., DEJT 19-8-2014). PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Consoante Carlos Henrique Bezerra, justifica-se a peculiaridade do princípio da indisponibilidade nos sítios do processo do trabalho, pela considerável gama de normas de ordem pública do Direito material do Trabalho, o que implica a existência de um interesse social que CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 9 transcende a vontade dos sujeitos do processo na efetivação dos direitos sociais trabalhistas e influencia a própria gênese da prestação jurisdicional especializada. PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO Embora o princípio da conciliação não seja exclusividade do processo laboral, neste ramo ele se mostra mais evidente, tendo, inclusive, um iter procedimentalis peculiar. Com efeito, dispõem o art. 764, caput, e seus parágrafos da CLT, in verbis: Art. 764 - Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação. § 1º - Para os efeitos deste artigo, os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória, dos conflitos. § 2º - Não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á obrigatoriamente em arbitral, proferindo decisão na forma prescrita neste Título. § 3º - É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. No mesmo sentido, o art. 831 da CLT estabelece uma condição intrínseca para a validade da sentença trabalhista, ao determinar que ela somente “será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação”. Há, no procedimento comum ordinário trabalhista, 2 momentos obrigatórios para a proposta judicial de conciliação. O primeiro está previsto no art. 846 da CLT e ocorre por ocasião da abertura da audiência, nos seguintes termos: Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. A segunda tentativa de conciliação ocorre após o término da instrução e da apresentação das razões finais pelas partes. Está prevista no art. 850 da CLT: Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. Por fim, insta salientar que outra peculiaridade do processo do trabalho repousa na equiparação prática do termo de conciliação à coisa julgada. É o que diz o parágrafo únicoprazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. Sendo assim, se o início do processo foi na Vara do Trabalho, o recurso ordinário será direcionado para o TRT. Por outro lado, se o início do processo foi no TRT, o recurso ordinário será para o TST, conforme também disposto na Súmula 201 do TST: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Da decisão de Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso ordinário, no prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, e igual dilação para o recorrido e interessados apresentarem razões de contrariedade. Importante salientar que não somente as decisões (sentenças ou acórdãos) definitivas ou terminativas podem ser suscetíveis de ataque por recurso ordinário. Isso significa que o art. 895 da CLT não encerra preceito numerus clausus, isto é, não é taxativo, e sim exemplificativo. Nesse liame, algumas decisões interlocutórias, como as decisões interlocutórias “terminativas do feito” no âmbito da jurisdição trabalhista, desafiam a interposição imediata do recurso ordinário. Ex.: decisão que declara a incompetência absoluta ratione materiae da Justiça do Trabalho e remete os autos à Justiça Comum (CLT, art. 799, § 2º). No que se refere aos efeitos do recurso ordinário, pode-se destacar que possui: 1) Efeito devolutivo: pode-se dizer que o recurso ordinário devolve ao Juízo ad quem o reexame da matéria efetivamente impugnada pelo recorrente. Significa dizer que o recurso ordinário, em princípio, possui apenas efeito devolutivo, permitindo, pois, a execução provisória do julgado. O Juiz não precisa declarar os efeitos em que CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 116 recebe o recurso, pois, de lege lata, todos os recursos trabalhistas possuem, em regra, apenas efeito devolutivo, nos termos do art. 899 da CLT: Art. 899 - Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a execução provisória até a penhora. Ainda sobre o efeito devolutivo, importante verificar o disposto na Súmula 393 do TST: RECURSO ORDINÁRIO. EFEITO DEVOLUTIVO EM PROFUNDIDADE. ART. 1.013, § 1º, DO CPC DE 2015. ART. 515, § 1º, DO CPC DE 1973. I - O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário, que se extrai do § 1º do art. 1.013 do CPC de 2015 (art. 515, §1º, do CPC de 1973), transfere ao Tribunal a apreciação dos fundamentos da inicial ou da defesa, não examinados pela sentença, ainda que não renovados em contrarrazões, desde que relativos ao capítulo impugnado. II - Se o processo estiver em condições, o tribunal, ao julgar o recurso ordinário, deverá decidir desde logo o mérito da causa, nos termos do § 3º do art. 1.013 do CPC de 2015, inclusive quando constatar a omissão da sentença no exame de um dos pedidos. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-PR - Procurador - CESPE - 2024): No rito ordinário do processo trabalhista, os recursos devem ser interpostos por simples petição, tendo, em regra geral, efeito devolutivo apenas, permitida a execução provisória até a penhora. Correto. 2) Efeito translativo: por meio dele o tribunal não examina o pedido (lide) e, sim, as questões de ordem pública, conhecíveis de ofício em sede de recursos de natureza ordinária. 3) Efeito suspensivo: não há previsão na CLT para que o juiz possa conceder efeito suspensivo ao recurso ordinário. Desse modo, pretendendo o efeito suspensivo, caberá à parte solicitá-lo ao relator. Todavia, o art. 14 da Lei 10.192/01, prevê tal possibilidade em recurso ordinário contra sentença normativa proferida em dissídio coletivo, como se infere da IN 24/03, que dispõe sobre a faculdade de o Ministro Presidente do TST designar audiência prévia de conciliação, no caso de pedido de efeito suspensivo a recurso ordinário interposto à decisão normativa da Justiça do Trabalho. É mister evidenciar, em sequência, que a IN 39/16 do TST determina que se aplica ao Processo do Trabalho o § 7º do art. 485 do CPC, que trata do efeito regressivo da apelação (juízo de retratação) na hipótese de sentença de extinção sem resolução do mérito: Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que regulam os seguintes temas: VIII - art. 485, § 7º (juízo de retratação no recurso ordinário). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 117 Quanto aos pressupostos de admissibilidade, tem-se que o recurso ordinário está sujeito ao pagamento de custas e, no caso de sentença contendo obrigação de pagar quantia, ao depósito recursal prévio. O recorrente deve promover dentro do prazo de 8 dias para a interposição do recurso ordinário o pagamento (e a sua respectiva comprovação) das custas (CLT, art. 789, § 1º) e, tratando- se de condenação do empregador (ou tomador do serviço) em obrigação de pagar quantia, o recolhimento (e sua respectiva comprovação) do depósito recursal (TST, Súmula 245). Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-14 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): A empresa de Cosméticos Babosa Ltda. pretende ingressar com recurso ordinário contra sentença que lhe condenou no pagamento de horas extras e férias em dobro em ação proposta por sua ex-vendedora. O prazo final para a interposição do referido recurso foi dia 10/11 (5ª feira). A advogada da empresa protocolou seu recurso ordinário no dia 07/11 (2ª feira), desacompanhado da comprovação da efetivação do depósito recursal, o que fez no último dia do prazo (10/11). De acordo com a CLT e o entendimento sumulado do TST, o recurso ordinário será recebido e processado, uma vez que o depósito recursal pode ser comprovado dentro do prazo do recurso, sendo que a interposição antecipada não prejudica tal ato. Correto. Também é importante verificar o que dispõe a Súmula 8 do TST, que trata da possibilidade da juntada de documentos em fase recursal: JUNTADA DE DOCUMENTO. A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença. À vista disso, constata-se que somente é possível apresentar documento novo em sede de recurso ordinário quando comprovada a impossibilidade de juntada anterior, mediante justificativa, ou quando se estiver diante de novo fato posterior à sentença. Por fim, destaca-se que o processamento do recurso ordinário no rito sumaríssimo ocorre de maneira diversa, com base nos seguintes termos: Art. 895, § 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o recurso ordinário: II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem revisor; III - terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro na certidão; IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 118 Frisa-se, ainda, conforme apontado anteriormente, que não cabe recurso ordinário de sentença proferida em sede de processo submetido ao procedimento sumário ou de alçada, isto é, naqueles em que o valor atribuído à causa seja igual ou inferior a 2 salários mínimos, uma vez que o recurso cabível em tal decisão de única instância é o recurso extraordinário, desde que a sentença viole literal e frontalmente a Constituição Federal. Comoo tema foi cobrado em concurso? (TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na reclamação trabalhista movida em face de Lojas Sinceridade Ltda., foi proferida sentença de procedência parcial pela Vara do Trabalho, sendo que nenhuma das partes recorreu. Um ano depois, a reclamada ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido. Ainda inconformada, pretendem as Lojas Sinceridade Ltda. ingressar com novo recurso. Nos termos da legislação vigente e entendimento sumulado do TST, poderá ingressar com recurso ordinário para o Tribunal Superior do Trabalho. Correto. (CELEPAR-PR - Advogado - Instituto Acess - 2022): Manuel da Silva ajuizou Reclamação Trabalhista em face de seu ex-empregador, sendo julgados procedentes os pedidos, sem que houvesse interposição de recurso algum por nenhuma das partes. Três meses após o trânsito em julgado, seu empregador ajuizou ação rescisória no TRT, tendo sido julgado improcedente o pedido rescisório. Não satisfeito, pretende recorrer para reexame e consequente reforma da decisão. Diante do exposto, é correto afirmar que o recurso cabível será o Recurso Ordinário, para o TST. Correto. 3. AGRAVO DE PETIÇÃO O agravo de petição é o recurso próprio para impugnar decisões proferidas no curso do processo (ou da fase) de execução. Encontra-se previsto no art. 897, a, da CLT: Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções. Não cabe, pois, agravo de petição na fase (ou processo) de conhecimento, mesmo em se tratando de sentença proferida em ação incidental de embargos de terceiro. Como o legislador não referiu que tipo de decisão seria impugnável por agravo de petição, há 2 correntes doutrinárias que se propõem a interpretar o termo “decisões”, previsto no preceptivo em causa: 1) Minoritária: defende que cabe agravo de petição contra qualquer decisão na fase de execução. 2) Majoritária: entende que cabe agravo de petição contra qualquer decisão definitiva ou terminativa da execução (ex.: acolhimento de prescrição intercorrente) ou de incidentes cognitivos na execução (ex.: sentença que acolhe ou rejeita os embargos à execução). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 119 Consoante posicionamento da corrente majoritária, a regra de cabimento do agravo de petição se submete ao que prevê o art. 893, § 1º da CLT (irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias), salvo quando se estiver diante do art. 855-A da CLT, que discorre acerca do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ) proposto na fase de execução, que será recorrível por agravo de petição de imediato. Como o tema foi cobrado em concurso? (AGE-MG - Procurador - FGV - 2022): Uma execução tramita perante a 10ª Vara do Trabalho de Alfenas/MG e, malgrado o juiz, a pedido da exequente, ter acionado todas as ferramentas eletrônicas, não se conseguiu reter bens ou valores da sociedade empresária executada. Então, a exequente requereu a instauração do incidente de desconsideração de personalidade jurídica (IDPJ), sendo, então, citados os 2 sócios da empresa para contestação. Após analisar os argumentos dos sócios, o juiz julgou procedente o IDPJ em face de um dos sócios e improcedente em relação ao outro. Nesse caso, caberá agravo de petição pela exequente quanto ao sócio cujo IDPJ foi improcedente, bem como por parte do sócio que teve o IDPJ contra si julgado procedente. Correto. É de suma relevância salientar que o agravo de petição possui 2 requisitos específicos: 1) Deve haver a delimitação precisa de matérias e valores impugnados Tal requisito está previsto no § 1º do art. 897 da CLT, in verbis: Art. 897, § 1º - O agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença. Isto posto, verifica-se que é dever da parte apresentar o cálculo atualizado do valor que entende ser devido, de modo que a execução seguirá normalmente quanto aos valores incontroversos, nos termos da Súmula 416 do TST: MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO. LEI Nº 8.432/1992. ART. 897, § 1º, DA CLT. CABIMENTO. Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo. 2) Exige-se a garantia INTEGRAL do Juízo A referida exigência é trazida pela Súmula 128 do TST: DEPÓSITO RECURSAL. I - É ônus da parte recorrente efetuar o depósito legal, integralmente, em relação a cada novo recurso interposto, sob pena de deserção. Atingido o valor da condenação, nenhum depósito mais é exigido para qualquer recurso. Ante o exposto, havendo a garantia integral do Juízo nos autos, não há depósito recursal. No entanto, se não houver a garantia integral, deverá a parte realizar o depósito recursal da integralidade da diferença. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 120 Obs.: reitera-se que no agravo de petição em sede de IDPJ, não há necessidade de garantir o Juízo. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-5 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Roveno está executando uma sentença que lhe foi favorável na Justiça do Trabalho, em face da sua ex- empregadora, a empresa de Transporte Carga Rápida. Não encontrando bens da empresa para fazer frente à execução, o autor instaura Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, o qual é julgado procedente. A empresa, cientificada da decisão, poderá interpor agravo de petição, independente de garantia do juízo, havendo a suspensão da execução após a instauração do incidente. Correto. 4. AGRAVO DE INSTRUMENTO Diferentemente do Processo Civil, NÃO se trata de um recurso interposto contra decisões interlocutórias no geral. De acordo com Carlos Henrique Bezerra Leite, o agravo de instrumento teve inicialmente esse nome pelo fato de consistir num instrumento confeccionado com peças trasladadas dos autos por indicação das partes ou do Juiz. Nesse recurso, há, portanto, necessidade de formação de autos em apartado, permitindo, assim, o fluxo normal do processo, razão pela qual dele são extraídas cópias de algumas peças e trasladadas para novos autos, formando-se, desse modo, um novo instrumento, que é remetido ao Juízo ad quem. O agravo de instrumento possui previsão no art. 897 da CLT: Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. Isto posto, quanto ao seu cabimento, entende-se que o agravo de instrumento, no âmbito do Processo do Trabalho, é limitado apenas aos despachos (leia-se decisões interlocutórias) que denegarem a interposição de recurso. Cabe, portanto, agravo de instrumento, no prazo de 8 dias, contra as decisões que denegarem seguimento a recursos ordinário, de revista, extraordinário, adesivo, de petição e, por lógica, contra as decisões que denegarem seguimento ao próprio agravo de instrumento. Obs.: o agravo de instrumento é também o recurso cabível contra a decisão que não conhece do recurso extraordinário. Salienta-se que não cabe agravo de instrumento das decisões que denegarem seguimento ao recurso de embargos no TST (CLT, art. 894), pois, nesse caso, o recurso adequado é o agravo interno (art. 261, parágrafo único do Regimento Interno do TST), sob pena de configurar o erro grosseiro que afasta a aplicação do princípio da fungibilidade, pois se trata de recurso no âmbito do TST, o qual só pode ser interposto por advogado (TST, Súmula 425). O agravo de instrumento é interposto perante o órgão judiciário prolator da decisão agravada, o qual poderá revogá-la (reconsiderá-la)ou não. E isso ocorre porque o agravo de CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 121 instrumento está sujeito ao juízo de retratação decorrente de efeito regressivo inerente a tal modalidade recursal. Interposto o agravo de instrumento, o Juiz poderá reconsiderar a decisão agravada e determinar a subida do recurso trancado. Se a decisão agravada for mantida, o agravado será intimado para, no prazo de 8 dias, oferecer respostas ao agravo e ao recurso principal, instruindo- as com as peças que considerar necessárias ao julgamento de ambos os recursos. Provido o agravo, a Turma deliberará sobre a conveniência do julgamento do recurso principal, observando-se, se for o caso, daí em diante, o procedimento relativo a esse recurso. A deliberação sobre o julgamento deve atender a critérios objetivos, de modo que harmonize o princípio da celeridade com o princípio da ampla defesa e do contraditório. No que tange à necessidade de depósito recursal para interposição do agravo de instrumento, o § 7º do art. 899 da CLT determina que: Art. 899, § 7º No ato de interposição do agravo de instrumento, o depósito recursal corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor do depósito do recurso ao qual se pretende destrancar. Há, contudo, uma exceção prevista no § 8º do art. 899 da CLT, ocasião na qual haverá dispensa do depósito recursal: Art. 899, § 8º Quando o agravo de instrumento tem a finalidade de destrancar recurso de revista que se insurge contra decisão que contraria a jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho, consubstanciada nas suas súmulas ou em orientação jurisprudencial, não haverá obrigatoriedade de se efetuar o depósito referido no § 7º deste artigo. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-PR - Procurador - CESPE - 2024): Contra despacho que denegue a interposição de recurso trabalhista, cabe agravo de instrumento. Correto. (PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): No processo do trabalho, contra o despacho que não receber agravo de petição caberá agravo de instrumento. Correto. (TRT-8 - Técnico Judiciário - CESPE - 2022): Inconformada com a sentença que a condenou ao pagamento de verbas rescisórias, a sociedade empresária Alfa protocolou recurso ordinário com o objetivo de ter a decisão reavaliada pelo Tribunal Regional do Trabalho. No entanto, o recurso em comento não foi conhecido, sob a justificativa de ser intempestivo. Considerando a situação hipotética apresentada, e tendo como base o despacho que denegou a interposição do recurso ordinário da reclamada, é correto afirmar que caberá agravo de instrumento, no prazo de 8 dias. Correto. 5. RECURSO DE REVISTA CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 122 Diferentemente dos demais recursos, é importante frisar, inicialmente, que o objetivo do recurso de revista não é fornecer uma prestação jurisdicional para a parte, mas sim uniformizar a jurisprudência nacional. Justamente em razão disso, o recurso de revista possui natureza extraordinária. Em consonância com Carlos Henrique Bezerra Leite, o recurso de revista é uma modalidade recursal que objetiva corrigir a decisão que violar a literalidade da lei ou da Constituição Federal e a uniformizar a jurisprudência nacional concernente à aplicação dos princípios e regras de direito objetivo (Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho, Direito Constitucional, Direito Civil, Direito Processual Civil etc.) que guardem alguma vinculação com a atividade jurisdicional da Justiça do Trabalho. A previsão legal do recurso de revista se encontra no art. 896 da CLT, verificando-se, desde já, suas hipóteses de cabimento, eis que se trata de recurso de fundamentação vinculada: Art. 896 - Cabe Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho, quando: a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal; b) derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da alínea a; c) proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal. Quanto à alínea b, frisa-se que a divergência deve ser: 1) Atual: Art. 896, § 7º A divergência apta a ensejar o recurso de revista deve ser atual, não se considerando como tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. 2) Específica: A especificidade é determinada pela Súmula 296 do TST: RECURSO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ESPECIFICIDADE. I - A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 123 II - Não ofende o art. 896 da CLT decisão de Turma que, examinando premissas concretas de especificidade da divergência colacionada no apelo revisional, conclui pelo conhecimento ou desconhecimento do recurso. 3) Demonstração/indicação da divergência: Art. 896, § 1º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte: I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista; II - indicar, de forma explícita e fundamentada, contrariedade a dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional; III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os fundamentos jurídicos da decisão recorrida, inclusive mediante demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade aponte. IV - transcrever na peça recursal, no caso de suscitar preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o trecho dos embargos declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos quanto ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da ocorrência da omissão. § 8º Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Como o tema foi cobrado em concurso? (AGU - Procurador da Fazenda Nacional - CESPE - 2023): A parte recorrente, sob pena de não conhecimento do recurso, tem o ônus de expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os fundamentos jurídicos da decisão recorrida, inclusive mediante demonstração analítica de cada dispositivo legal cuja contrariedade aponte. Correto. (PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Ao interpor recurso de revista no TST,com preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o procurador deverá transcrever em sua peça recursal o trecho dos embargos declaratórios em que pediu o pronunciamento do tribunal sobre a questão suscitada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos quanto ao pedido, sob pena de não conhecimento do recurso. Correto. Além disso, o recurso de revista também é cabível na seguinte hipótese: Art. 896, § 10. Cabe recurso de revista por violação a lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à Constituição Federal nas execuções fiscais e nas controvérsias da fase de execução que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), criada pela Lei n° 12.440, de 7 de julho de 2011. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 124 No caso do rito sumaríssimo, cabe recurso de revista quando: Art. 896, § 9º Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. Como o tema foi cobrado em concurso? (CELEPAR-PR - Advogado - Instituto Acess - 2022): Em reclamação trabalhista ajuizada pelo rito sumaríssimo, por Gildo em face de Raio de Sol Ltda., foram julgados procedentes todos os pedidos, e, após o recurso ordinário interposto não lhe ser favorável, a empresa empregadora pretende interpor recurso de revista. Levando-se em consideração as normas constantes na CLT e o entendimento sumulado do TST para a interposição do recurso de revista, é correto afirmar que, nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal, não sendo possível quando houver contrariedade a orientações jurisprudenciais do TST. Correto. Ademais, preleciona a Súmula 126 do TST que não é possível a discussão de matéria fática e de provas em sede de recurso de revista: RECURSO. CABIMENTO. Incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, "b", da CLT) para reexame de fatos e provas. Ressalta-se, todavia, que é admitida a discussão legal/jurídica sobre o cabimento ou não de determinada prova. O recurso de revista possui pressupostos específicos: 1) Sendo um recurso de natureza extraordinária, requer prequestionamento O prequestionamento está disposto na Súmula 297 do TST e na OJ 256 da SDI-1: PREQUESTIONAMENTO. OPORTUNIDADE. CONFIGURAÇÃO. I. Diz-se prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito. II. Incumbe à parte interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob pena de preclusão. III. Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração. PREQUESTIONAMENTO. CONFIGURAÇÃO. TESE EXPLÍCITA. SÚMULA Nº 297. Para fins do requisito do prequestionamento de que trata a Súmula nº 297, há necessidade de que haja, no acórdão, de maneira clara, elementos que levem à conclusão deque o Regional adotou uma tese contrária à lei ou à súmula. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 125 Isto posto, a admissibilidade do recurso de revista pressupõe que a decisão recorrida tenha se pronunciado explicitamente sobre a matéria veiculada no recurso, ainda que se trate de violação frontal e direta à norma da Constituição Federal. Não vale, pois, o pronunciamento implícito. Mas não é preciso que a decisão reproduza ipsis litteris o dispositivo de lei que o recorrente alega ter sido violado. O importante é que a tese explícita sobre a matéria questionada faça parte da fundamentação do julgado. Havendo omissão na decisão, conforme o item II da Súmula 297, incumbe à parte opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema. Sendo assim, não configura prequestionamento o acórdão regional que simplesmente adota como razões de decidir os fundamentos da sentença. Se isso acontecer, o recorrente deverá interpor embargos de declaração, sob pena de não ser conhecido o recurso de revista, nos termos da OJ 151 da SDI-1 do TST: Recurso de revista. Prequestionamento. Decisão regional que adota a sentença. Ausência de prequestionamento. CLT, art. 896. Decisão regional que simplesmente adota os fundamentos da decisão de primeiro grau não preenche a exigência do prequestionamento, tal como previsto no Enunciado 297/TST. Frisa-se, além disso, que OJ 62 da SDI-1 do TST exige prequestionamento ainda que se trate de matéria de ordem pública veiculada no recurso de natureza extraordinária: Recurso de revista. Prequestionamento. Pressuposto de recorribilidade em apelo de natureza extraordinária. Necessidade, ainda que se trate de incompetência absoluta. CLT, art. 896. É necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibilidade em recurso de natureza extraordinária, ainda que se trate de incompetência absoluta. 2) Defeito formal não reputado grave O § 11 do art. 896 da CLT “abriu uma exceção” para permitir a admissibilidade do recurso de revista, nos seguintes termos: Art. 896, § 11. Quando o recurso tempestivo contiver defeito formal que não se repute grave, o Tribunal Superior do Trabalho poderá desconsiderar o vício ou mandar saná-lo, julgando o mérito. 3) Transcendência: Trata-se de um pressuposto específico (intrínseco) de admissibilidade prévia do recurso de revista. Em tema de transcendência, há o objetivo de delimitar objetivamente o processamento e a apreciação da transcendência no recurso de revista, utilizando-se dos seguintes parâmetros: Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista, examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. § 1º São indicadores de transcendência, entre outros: I - econômica, o elevado valor da causa; II - política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 126 III - social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social constitucionalmente assegurado; IV - jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista. Interposto o recurso de revista no prazo de 8 dias, em petição devidamente fundamentada e subscrita por advogado (TST, Súmula 425), é ele desde logo submetido a exame de admissibilidade ao Presidente do TRT correspondente (ou outro órgão previsto no respectivo regimento interno), em decisão que deve ser fundamentada, sob pena de nulidade. É de registrar que a petição do recurso de revista é dirigida ao Desembargador Presidente do TRT e as razões recursais ao Ministro Relator e à Turma do TST. Em se tratando de decisão condenatória em pecúnia, será indispensável o recolhimento prévio do depósito recursal ou o seu complemento. Havendo acréscimo ou redução da condenação em grau recursal, o órgão prolator da decisão arbitrará novo valor à condenação, quer para a exigibilidade de depósito ou complementação do já depositado, para o caso de recurso subsequente, quer para liberação do valor excedente decorrente da redução da condenação. Além disso, a parte recorrente deve verificar se há condenação no pagamento de custas. Caso o acórdão hostilizado seja omisso a respeito da responsabilidadepelo pagamento das custas ou depósito recursal, cabe ao interessado interpor embargos de declaração para sanar a omissão. Se houver modificação dos valores alusivos ao preparo recursal, e a parte não interpuser embargos de declaração, prevalecerá o valor fixado na sentença. Admitido o processamento da revista, será intimado o recorrido para tomar ciência da decisão e, querendo, apresentar contrarrazões, oportunidade em que poderá, se for o caso, interpor recurso adesivo (Súmula 283 do TST), também sujeito ao controle de admissibilidade pelo Presidente do Tribunal a quo. Se denegada a admissibilidade do recurso de revista adesivo, também será cabível o agravo de instrumento. Decorrido o prazo para contrarrazões, com ou sem elas, o Presidente do TRT encaminhará os autos ao TST. Neste, a revista será submetida a 2 novos exames de admissibilidade: o primeiro é exercido monocraticamente pelo Ministro Relator; o segundo, pela Turma. Se a decisão recorrida estiver em consonância com Súmula do TST, poderá o Ministro Relator, indicando-a, negar seguimento ao recurso de revista. Igualmente, será denegado seguimento à revista nas hipóteses de intempestividade, deserção, falta de alçada e ilegitimidade de representação, cabendo a interposição de agravo (CLT, art. 896, § 12). Assim, se o Ministro Relator designado não admitir o recurso de revista, é facultado à parte interpor agravo de tal decisão (CLT, art. 896, § 12, e Regimento Interno, art. 243, VII), podendo haver reconsideração. Mantida a decisão, o agravo será submetido a julgamento pelo órgão colegiado (Turma). Sendo admitida a revista diretamente pelo Ministro Relator, ou se conhecido e provido o agravo regimental pela Turma, o recurso de revista será incluído em pauta e julgado pela mesma Turma. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 127 Na sessão de julgamento, depois de lido o relatório, é facultada a sustentação oral, passando-se, em seguida, à votação, iniciando-se pelas questões relativas ao conhecimento do recurso de revista. Depois, analisa-se o mérito do recurso, que pode versar questões processuais ou concernentes à lide. Em caso de provimento do recurso de revista, o TST aplicará o direito à espécie, decidindo desde logo a lide, salvo na hipótese de anulação do acórdão recorrido, caso em que os autos deverão ser baixados ao Tribunal a quo (ou à Vara do Trabalho) para novo julgamento. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-22 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Aparecida está estudando para um concurso e, no tema recurso de revista, nos termos da CLT e do entendimento sumulado do TST, é certo que para ser conhecido, o TST examinará se o recurso de revista oferece transcendência com reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. Correto. (AL-MG - Procurador - FUMARC - 2023): É incabível o recurso de revista de ente público que não interpôs recurso ordinário voluntário contra a decisão de primeira instância, salvo se a condenação for agravada na segunda instância. Correto. 6. EMBARGOS NO TST EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA Os embargos de divergência estão previstos no inciso II do art. 894 da CLT, in verbis: Art. 894. No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de 8 (oito) dias: II - das decisões das Turmas que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Antes de aprofundar o estudo dos embargos, importante visualizar, a priori, a composição do TST: 1) Tribunal Pleno; 2) Primeira Seção de Dissídios Individuais (SDI-1), Segunda Seção de Dissídios Individuais (SDI-2) e Seção de Dissídios Coletivos (SDC); 3) 8 Turmas. À vista disso, pode-se inferir que a finalidade dos embargos de divergência, também chamados de embargos à SDI ou embargos para a SDI, é uniformizar a divergência interna na interpretação de lei federal ou da Constituição Federal no âmbito do próprio TST, o que pode ocorrer CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 128 entre acórdãos divergentes entre Turmas ou entre Turma e a SDI (Súmula ou OJ) ou entre SDI-1 e SDI-2. Importante verificar, ainda, que os embargos de divergência também estão previstos no art. 258 do Regimento Interno do TST, segundo o qual: Art. 258. Cabem embargos das decisões das Turmas do Tribunal que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula, a orientação jurisprudencial ou a precedente normativo do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, no prazo de 8 (oito) dias úteis, contados de sua publicação, na forma da lei. Parágrafo único. Além dos casos já previstos na jurisprudência sumulada do Tribunal, também cabem embargos das decisões de suas Turmas proferidas em agravos internos e agravos de instrumento que contrariarem precedentes obrigatórios firmados em julgamento de incidentes de assunção de competência ou de incidentes de recursos repetitivos. Sendo assim, é possível afirmar que os embargos de divergência são cabíveis das decisões: 1) Divergentes entre a SDI-1 e SDI-2 a respeito de interpretação de norma prevista em lei federal ou na Constituição; 2) Divergentes entre 2 ou mais Turmas; 3) De uma ou mais Turmas que divergirem das decisões da SDI; 4) De uma ou mais Turmas que divergirem de Orientação Jurisprudencial (da SDI ou SDC); 5) De uma ou mais Turmas que divergirem de Súmula do TST; 6) De uma ou mais Turmas que divergirem de Súmula Vinculante do STF. Obs.: na primeira hipótese de cabimento acima exposta, a competência funcional originária para julgar os embargos de divergência é da SDI, em sua composição plena; nas demais, da SDI- 1. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-RO - Procurador - CESPE - 2022): É admissível a interposição de embargos à Sessão de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho quando a divergência jurisprudencial for oriunda de acórdãos da mesma turma. Errado. O recurso de embargos de divergência, assim como o recurso de revista, tem natureza extraordinária e fundamentação vinculada. Há, inclusive, alguns pontos de similitude entre essas 2 espécies recursais, na medida em que um dos objetivos da revista é uniformizar a jurisprudência externa ao TST, superando as divergências entre os Tribunais Regionais, enquanto o escopo dos embargos de divergência reside na uniformização jurisprudencial interna no âmbito do TST. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 129 É mister salientar que as controvérsias já superadas por iterativa, notória e atual jurisprudência do TST em matérias relacionadas a processos individuais (OJ das SDIs 1 e 2) não empolgam a interposição de embargos nem recurso de revista (TST, Súmula 333), salvo, evidentemente, se a jurisprudência do TST colidir com a do STF (Súmula 401). De acordo com Carlos Henrique Bezerra, há uma razão lógica para tal exceção: em matéria de interpretação de norma constitucional, cabe ao STF a última palavra como “guardião da Constituição”. Obs.: considera-se iterativa, notória e atual jurisprudência do TST aquela que estiver consagrada em Súmula, Orientação Jurisprudencial ou Precedente Normativo. Coleção de julgados, portanto, não equivale a iterativa, notória e atual jurisprudência para fins de comprovação de divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade dos embargos de divergência para a SDI ou SDI-1. Nesse liame, o § 2º do art. 894 da CLT prevê que: Art. 894, § 2º A divergência apta a ensejar os embargos deve ser atual, não se considerando tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória jurisprudênciado Tribunal Superior do Trabalho. Ademais, para a comprovação da divergência justificadora do recurso de embargos, a exemplo do recurso de revista, o recorrente deve observar os termos da Súmula 337 do TST: COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSOS DE REVISTA E DE EMBARGOS. I - Para comprovação da divergência justificadora do recurso, é necessário que o recorrente: a) Junte certidão ou cópia autenticada do acórdão paradigma ou cite a fonte oficial ou o repositório autorizado em que foi publicado; e b) Transcreva, nas razões recursais, as ementas e/ou trechos dos acórdãos trazidos à configuração do dissídio, demonstrando o conflito de teses que justifique o conhecimento do recurso, ainda que os acórdãos já se encontrem nos autos ou venham a ser juntados com o recurso. II - A concessão de registro de publicação como repositório autorizado de jurisprudência do TST torna válidas todas as suas edições anteriores. III – A mera indicação da data de publicação, em fonte oficial, de aresto paradigma é inválida para comprovação de divergência jurisprudencial, nos termos do item I, “a”, desta súmula, quando a parte pretende demonstrar o conflito de teses mediante a transcrição de trechos que integram a fundamentação do acórdão divergente, uma vez que só se publicam o dispositivo e a ementa dos acórdãos. IV – É válida para a comprovação da divergência jurisprudencial justificadora do recurso a indicação de aresto extraído de repositório oficial na internet, desde que o recorrente: a) transcreva o trecho divergente; b) aponte o sítio de onde foi extraído; e c) decline o número do processo, o órgão prolator do acórdão e a data da respectiva publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho. V – A existência do código de autenticidade na cópia, em formato pdf, do inteiro teor do aresto paradigma, juntada aos autos, torna-a equivalente ao documento original e também supre a ausência de indicação da fonte oficial de publicação. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 130 Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-RS - Procurador - FUNDATEC - 2021): No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de oito dias das decisões das Turmas que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, sendo que a divergência apta a ensejar os embargos deve ser atual, não se considerando tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Correto. Os embargos de divergência possuem efeito apenas devolutivo, seguindo, assim, a regra geral prevista no art. 899, caput, da CLT, mas a matéria discutida só pode ser de direito (material ou processual), ou seja, por ser recurso de natureza extraordinária não se admite a reapreciação de matéria fática ou de prova. Nesse sentido, aplica-se aos embargos de divergência a já visualizada Súmula 126 do TST: RECURSO. CABIMENTO. Incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, "b", da CLT) para reexame de fatos e provas. No que se refere ao procedimento dos embargos de divergência, o Presidente de Turma poderá denegar seguimento aos embargos à SDI-1. Desta decisão, cabe agravo interno, no prazo de 8 dias, para a SDI-1: Art. 894, § 4º Da decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo de 8 (oito) dias. Nos termos do § 3º do art. 894 da CLT, o Ministro Relator denegará seguimento aos embargos nos seguintes casos: Art. 894, § 3º, I - se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou com iterativa, notória e atual jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, cumprindo-lhe indicá-la; II - nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco de admissibilidade. Ante o exposto, pode-se inferir que NÃO é possível se utilizar dos embargos de divergência se a decisão recorrida está de acordo com Súmula ou OJ, uma vez que o TST não precisa reafirmar o que já constitui um entendimento sumulado/consolidado. Trata-se, portanto, de um requisito negativo. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-PA - Procurador - CESPE - 2022): Os embargos de divergência podem ser manejados no rito sumaríssimo, caso decisão de turma do Tribunal Superior do Trabalho contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Correto. EMBARGOS INFRINGENTES CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 131 Os embargos infringentes são espécie recursal de natureza ordinária da competência da Seção de Dissídios Coletivos (SDC). Trata-se de recurso cabível para impugnar decisão não unânime proferida em dissídio coletivo de competência originária do TST (ex.: dissídios coletivos envolvendo empresas que exercem sua atividade econômica em base territorial que extrapole a jurisdição de um TRT). Em síntese, os embargos infringentes são cabíveis contra decisão não unânime de turma do TST no julgamento de dissídio coletivo de sua competência originária e estão previstos no inciso I do art. 894 da CLT: Art. 894. No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de 8 (oito) dias: I - de decisão não unânime de julgamento que: a) conciliar, julgar ou homologar conciliação em dissídios coletivos que excedam a competência territorial dos Tribunais Regionais do Trabalho e estender ou rever as sentenças normativas do Tribunal Superior do Trabalho, nos casos previstos em lei. O recurso de embargos infringentes, por ser recurso de natureza ordinária, comporta devolutibilidade ampla, abrangendo matérias fáticas e jurídicas, desde que restritas à cláusula em que não tenha havido julgamento unânime. Além disso, esta modalidade de recurso possui efeito meramente devolutivo. A competência funcional para julgar os embargos infringentes é da própria SDC, como se infere do art. 77, II, c, do RITST: Art. 77. À Seção Especializada em Dissídios Coletivos compete: II – em última instância, julgar: c) os embargos infringentes interpostos contra decisão não unânime proferida em processo de dissídio coletivo de sua competência originária, salvo se a decisão embargada estiver em consonância com Precedente Normativo do Tribunal Superior do Trabalho ou com Súmula de sua jurisprudência predominante. O procedimento dos embargos infringentes está previsto nos arts. 263 e 264 do RITST. Assim, registrado o protocolo na petição a ser encaminhada à Secretaria do órgão julgador competente (SDC), esta juntará o recurso aos autos respectivos e abrirá vista à parte contrária, para impugnação, no prazo legal. Transcorrido o prazo, o processo será remetido à unidade competente, para ser imediatamente distribuído. Não atendidas as exigências legais relativas ao cabimento dos embargos infringentes, o relator denegará seguimento ao recurso, facultada à parte a interposição de agravo interno. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-SC - Procurador - FGV - 2022): Foi instaurado dissídio coletivo em nível nacional e, por isso, a demanda foi dirigida à Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Após regularmente processada, foi proferida decisão não unânime que não está em consonância com precedente jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou de CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 132 Súmula de sua jurisprudência predominante. Considerando os fatos narrados, de acordo com a Lei de regência, quanto à possibilidade de recurso em face dessa decisão normativa, é correto afirmar que cabem embargos infringentes.Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 133 EXECUÇÃO TRABALHISTA 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Antes de aprofundar no tema, importante verificar o disposto no art. 878 da CLT: Art. 878. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem representadas por advogado. Isto posto, tem-se que no Processo do Trabalho, a execução, ou melhor, o cumprimento da sentença que reconheça a exigibilidade da obrigação para pagar quantia certa, poderá ser promovido por qualquer interessado ou, de ofício, pelo Juiz quando a parte não estiver patrocinada por advogado. Salienta-se, todavia, que o Ministério Público do Trabalho também é legitimado para promover a execução trabalhista, nas hipóteses em que atuou como parte no processo (ou fase) de conhecimento, seja na primeira instância (ex.: ação civil pública), seja na segunda instância (ex.: ação rescisória). 2. TÍTULOS EXECUTIVOS No âmbito da Justiça do Trabalho existem 2 sistemas destinados à satisfação das obrigações a cargo do devedor: o sistema destinado à satisfação do título judicial e o sistema de execução de título extrajudicial. TÍTULOS JUDICIAIS Os títulos executivos judiciais são aqueles produzidos em função do exercício do poder jurisdicional e estão dispostos na primeira parte do art. 876 da CLT: Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executadas pela forma estabelecida neste Capítulo. Sendo assim, pode-se elencar os seguintes títulos judiciais: 1) Sentença com trânsito em julgado; 2) Sentença que esteja pendente de recurso sem efeito suspensivo, conforme o art. 899 da CLT: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 134 Art. 899 - Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a execução provisória até a penhora. 3) Acordo homologado em Juízo; 4) Sentença arbitral. Com relação a este último título, insta ressaltar que a arbitragem pode ser utilizada na Justiça do Trabalho em 2 situações: com o empregado que recebe remuneração mensal superior a 2 vezes o teto dos benefícios da previdência social e nas demandas coletivas. No que se refere à competência para executar os títulos judiciais, ela é definida nos termos do art. 877 da CLT: Art. 877 - É competente para a execução das decisões o Juiz ou Presidente do Tribunal que tiver conciliado ou julgado originariamente o dissídio. Significa, portanto, que o caminho processual percorrido pelo título judicial não possui relevância, mas sim onde o processo que deu origem a ele se iniciou. Obs.: em que pese seja considerada um título judicial, apenas para fins de definição da competência, a sentença arbitral atuará como um título executivo extrajudicial, uma vez que não foi produzida pelo Poder Judiciário. TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS Assim como os títulos judiciais, os títulos extrajudiciais também estão previstos no art. 876 da CLT, mas na segunda parte do dispositivo: Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executadas pela forma estabelecida neste Capítulo. Isto posto, é possível listar os seguintes títulos extrajudiciais: 1) Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado perante o MPT; Sobre o TAC, prevê a Lei 7.347/85 que: Art. 5º, § 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. 2) Termo de Conciliação celebrado perante as Comissões de Conciliação Prévia (CCP); A natureza de título extrajudicial está expressa no art. 625-E da CLT, in verbis: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 135 Art. 625-E. Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu proposto e pelos membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes. Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. 3) Certidões de dívida ativa (CDA) decorrentes das multas aplicadas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização do trabalho; A execução deste título extrajudicial no âmbito da Justiça do Trabalho decorre de previsão constitucional: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. 4) Cheque e nota promissória emitidos em razão de uma relação de trabalho. A execução dos referidos títulos perante a Justiça do Trabalho foi definida no art. 13 da IN 39/16 do TST: Art. 13. Por aplicação supletiva do art. 784, I (art. 15 do CPC), o cheque e a nota promissória emitidos em reconhecimento de dívida inequivocamente de natureza trabalhista também são títulos extrajudiciais para efeito de execução perante a Justiça do Trabalho, na forma do art. 876 e segs. da CLT. Por fim, a competência para executar os títulos extrajudiciais – que também se aplica à sentença arbitral, conforme apontado acima – é definida com base no art. 877-A da CLT: Art. 877-A - É competente para a execução de título executivo extrajudicial o juiz que teria competência para o processo de conhecimento relativo à matéria. EXEQUIBILIDADE DOS TÍTULOS Somente é exequível a obrigação que contenha as 3 características abaixo elencadas: 1) Certeza: quando há os elementos da obrigação, isto é, as partes e o objeto (quem deve, a quem deve, e o que deve). 2) Exigibilidade: será exigível o título cuja obrigação não esteja submetida a termo ou condição. 3) Liquidez: quando contiver o quantum debeatur, ou seja, o valor exato a ser pago. Nem todas as sentenças condenatórias que reconhecem obrigação de pagar encontram-se quantificadas a ponto de permitirem, desde logo, a execução. Em razão disso, a ausência da liquidez implicará na realização da fase de liquidação anterior à execução, em consonância com o art. 879 da CLT: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 136 Art. 879 - Sendo ilíquida a sentença exequenda, ordenar-se-á, previamente, a sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo, por arbitramento ou por artigos. José Augusto Rodrigues Pinto argumenta que a fase de liquidação contém os “atos de acertamento”, pois se faz o “acertamento” do débito para seguir com a execução. 3. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA Consoante Manoel Antonio Teixeira Filho, a liquidação é a preparatória da execução, em que um ou mais atos são praticados, por uma ou por ambas as partes, com a finalidade de estabelecer o valor da condenação ou de individuar o objeto da obrigação, mediante a utilização, quando necessário, dos diversos modos de prova admitidos em lei. De acordo com o supramencionado art. 879 da CLT, a fase de liquidação da sentença pode ocorrer de 3 formas: 1) Por cálculos; 2) Por artigos (“pelo procedimento comum”, como traz o CPC); 3) Por arbitramento. LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS Promove-se a liquidação por cálculos quando no processo existem elementos suficientes para o cálculo do valor da obrigaçãodo título. Inicialmente, a liquidação por cálculos deve seguir o comando trazido nos §§ 1º-A e 1º-B do art. 879 da CLT: Art. 879, § 1º-A. A liquidação abrangerá, também, o cálculo das contribuições previdenciárias devidas. § 1º-B. As partes deverão ser previamente intimadas para a apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente. Em sequência, o Juízo deverá: Art. 879, § 2º Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de oito dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão. § 6º Tratando-se de cálculos de liquidação complexos, o juiz poderá nomear perito para a elaboração e fixará, depois da conclusão do trabalho, o valor dos respectivos honorários com observância, entre outros, dos critérios de razoabilidade e proporcionalidade. A manifestação de que trata o § 2º significa que se a parte não se manifestar sobre os cálculos, perderá a possibilidade de discutir os valores posteriormente (sob pena de preclusão). CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 137 A preclusão ora focalizada tem por destinatários as partes. Isso quer dizer que não haverá preclusão pro judicato, ou seja, o Juiz pode, de ofício, determinar as correções que julgar pertinentes, caso constate, de forma inequívoca, o desrespeito ao comando sentencial exequendo (coisa julgada). Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Tornada líquida a sentença trabalhista transitada em julgado, que condenou a empresa Verdes Mares Turismo Marítimo Ltda. a pagar o valor lá expresso a Epaminondas, conforme previsão da Consolidação das Leis do Trabalho, o juiz do trabalho deverá abrir às partes prazo comum de 8 dias para impugnação fundamentada, com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão. Correto. (TRT-22 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Maribela, representada por advogado, teve êxito em reclamação trabalhista ajuizada em face de seu ex- empregador, que foi condenado ao pagamento de diferenças salariais decorrentes de redução das comissões, de adicional noturno e horas extras pela supressão parcial do intervalo intrajornada. Transitada em julgado a decisão, nos termos da CLT, as partes deverão ser previamente intimadas para a apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente. Correto. Apresentada a manifestação das partes sobre os cálculos, haverá, em seguida, a decisão de liquidação. Dessa decisão NÃO cabe agravo de petição de imediato, pois é necessário efetuar a garantia do Juízo, eis que ainda não há duplo grau de jurisdição. Nesse caso, a parte poderá apresentar embargos à penhora, nos termos do art. 884, § 3º da CLT: Art. 884, § 3º - Somente nos embargos à penhora poderá o executado impugnar a sentença de liquidação, cabendo ao exequente igual direito e no mesmo prazo. Caso a parte apresente os embargos à penhora, o Juiz proferirá sentença de embargos, da qual caberá agravo de petição. 3.1.1. Liquidação por artigos (ou pelo procedimento comum) Wagner Giglio argumenta que a liquidação por artigos é a forma mais complexa de liquidação, constituindo um verdadeiro “processo” de conhecimento, mas de função diversa do processo da ação de conhecimento porque não tem por escopo a formação de uma sentença condenatória, mas a formação de uma sentença meramente declaratória do que virtualmente se contém na sentença exequenda. A liquidação pelo procedimento comum depende de iniciativa da parte, mediante petição escrita (se verbal, reduzida a termo), contendo os fatos a serem provados e os respectivos meios de prova. É importante assinalar que os fatos novos que serão objeto da liquidação por artigos visam à fixação do quantum já decidido por sentença no processo de cognição, uma vez que nesse incidente processual à execução é vedado modificar ou inovar a sentença exequenda, nem discutir CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 138 as matérias e questões pertinentes à lide principal cobertas pela coisa julgada, conforme determina o § 1º do art. 879 da CLT: Art. 879, § 1º - Na liquidação, não se poderá modificar, ou inovar, a sentença liquidanda nem discutir matéria pertinente à causa principal. José Augusto Rodrigues Pinto afirma que na liquidação por artigos o que realmente ocorre é a presença de um fato cuja existência já é reconhecida pela sentença (logo, não é novo), mas incompletamente investigado, de modo a faltar algo, ainda, de sua exata dimensão. A investigação que se faz é apenas complementar da intensidade com que o fato contribui para a quantificação do crédito a ser exigido. Ex.: se a sentença reconhece a existência de horas extras prestadas pelo obreiro (fato reconhecido), mas não estabelece o quantitativo de horas prestadas, há necessidade de apurar esses fatos de investigação complementar. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-3 - Analista Judiciário - FUMARC - 2022): A liquidação deve obedecer aos estritos limites da decisão transitada em julgado, sob pena de afronta ao instituto da coisa julgada e à imutabilidade da decisão. Correto. Quanto ao procedimento da liquidação por artigos, tem-se que o processo seguirá o rito ordinário e não haverá revelia, de modo que a ausência de defesa na liquidação acarretará apenas no fato incontroverso e confissão. Após isso, haverá a sentença de liquidação, que pode ter 3 resultados: 1) Os fatos (artigos) não serem provados, ocasião na qual o exequente deverá reiniciar com nova petição inicial; 2) Os fatos restarem parcialmente provados; 3) Os fatos forem provados. Nas 2 últimas hipóteses, não caberá agravo de petição de imediato. Deve-se, portanto, aguardar a garantia do Juízo e recorrer ao disposto no § 3º do art. 884 visualizado acima. LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO Diante da lacuna da CLT, impõe-se a aplicação subsidiária do art. 509, I, do CPC: Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: I – por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação. É preciso advertir, porém, que, não obstante tenha a sentença condenatória determinado que a liquidação deva ser feita por arbitramento, poderá o Juiz, verificando a desnecessidade de tal procedimento, ordenar, de ofício, que a liquidação seja feita por cálculo, que é o procedimento mais simples e célere que se afina com os princípios da celeridade e economia processuais. Além disso, poderá o Juiz adotar tal providência, quando verificar que a liquidação por cálculos, se possível, é a menos gravosa para o devedor. Em tais casos, segundo Carlos Henrique CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 139 Bezerra Leite, não haverá violação à coisa julgada, pois não se estará alterando ou inovando o conteúdo substancial da sentença exequenda, e sim estabelecendo o procedimento que conduza ao resultado útil do processo. 4. EXECUÇÃO DEFINITIVA Dispõe o art. 880 da CLT que: Art. 880. Requerida a execução, o juiz ou presidente do tribunal mandará expedir mandado de citação do executado, a fim de que cumpra a decisão ou o acordo no prazo, pelo modo e sob as cominações estabelecidas ou, quando se tratar de pagamento em dinheiro, inclusive de contribuições sociais devidas à União, para que o faça em 48 (quarenta e oito) horas ou garanta a execução, sob pena de penhora. § 1º - O mandado de citação deverá conter a decisão exequenda ou o termo de acordo não cumprido. § 2º - A citação será feita pelos oficiais de diligência. § 3º - Se o executado, procurado por 2 (duas) vezes no espaço de 48 (quarenta e oito) horas, nãofor encontrado, far-se-á citação por edital, publicado no jornal oficial ou, na falta deste, afixado na sede da Junta ou Juízo, durante 5 (cinco) dias. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Florianópolis - Procurador - FEPESE - 2022): Quando se tratar de execução para o pagamento de quantia em dinheiro, o devedor deverá pagar o montante devido ou garantir o juízo, no prazo de quarenta e oito horas, após a regular cientificação, sob pena de penhora. Correto. Ante o exposto, depois de citado, o executado terá o prazo de 48h para: 1) Pagar, nos termos do art. 881: Art. 881 - No caso de pagamento da importância reclamada, será este feito perante o escrivão ou secretário, lavrando-se termo de quitação, em 2 (duas) vias, assinadas pelo exequente, pelo executado e pelo mesmo escrivão ou secretário, entregando-se a segunda via ao executado e juntando-se a outra ao processo. 2) Garantir a execução em dinheiro, conforme a primeira parte do art. 882: Art. 882. O executado que não pagar a importância reclamada poderá garantir a execução mediante depósito da quantia correspondente, atualizada e acrescida das despesas processuais, apresentação de seguro-garantia judicial ou nomeação de bens à penhora, observada a ordem preferencial estabelecida no art. 835 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. 3) Indicar bens à penhora, de acordo com a segunda parte do art. 882: Art. 882. O executado que não pagar a importância reclamada poderá garantir a execução mediante depósito da quantia correspondente, atualizada CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 140 e acrescida das despesas processuais, apresentação de seguro-garantia judicial ou nomeação de bens à penhora, observada a ordem preferencial estabelecida no art. 835 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. Ressalta-se, ainda, que na indicação de bens à penhora é preciso seguir a ordem preferencial estabelecida no art. 835 do CPC. 4) Manter-se inerte, hipótese na qual: Art. 883 - Não pagando o executado, nem garantindo a execução, seguir-se- á penhora dos bens, tantos quantos bastem ao pagamento da importância da condenação, acrescida de custas e juros de mora, sendo estes, em qualquer caso, devidos a partir da data em que for ajuizada a reclamação inicial. Importante salientar que a penhora dos bens não alcançará os bens impenhoráveis elencados pelo art. 833 do CPC, de acordo com a IN 39/16 do TST: Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que regulam os seguintes temas: XV - art. 833, incisos e parágrafos (bens impenhoráveis). Outrossim, é mister evidenciar que o executado somente será inscrito nos órgãos de proteção ao crédito ou no Banco Nacional dos Devedores Trabalhistas depois que ultrapassado o prazo de 48h (do mandado de citação do executado) + 45 dias, conforme estabelecido no art. 883- A da CLT: Art. 883-A. A decisão judicial transitada em julgado somente poderá ser levada a protesto, gerar inscrição do nome do executado em órgãos de proteção ao crédito ou no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo de quarenta e cinco dias a contar da citação do executado, se não houver garantia do juízo. Ressalta-se, ainda, que a IN 39/16 do TST também determina a aplicação do art. 841 do CPC ao Processo do Trabalho: Art. 3° Sem prejuízo de outros, aplicam-se ao Processo do Trabalho, em face de omissão e compatibilidade, os preceitos do Código de Processo Civil que regulam os seguintes temas: XVIII - art. 841, §§ 1º e 2º (intimação da penhora). Desse modo, formalizada a penhora por qualquer dos meios legais, dela será imediatamente intimado o executado. A intimação da penhora será feita ao advogado do executado ou à sociedade de advogados a que aquele pertença e não havendo advogado constituído nos autos, o executado será intimado pessoalmente, de preferência por via postal. O art. 884 da CLT trata dos embargos à execução e sua impugnação: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 141 Art. 884 - Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado 5 (cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exequente para impugnação. § 1º - A matéria de defesa será restrita às alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da dívida. § 2º - Se na defesa tiverem sido arroladas testemunhas, poderá o Juiz ou o Presidente do Tribunal, caso julgue necessários seus depoimentos, marcar audiência para a produção das provas, a qual deverá realizar-se dentro de 5 (cinco) dias. § 3º - Somente nos embargos à penhora poderá o executado impugnar a sentença de liquidação, cabendo ao exequente igual direito e no mesmo prazo. § 4º Julgar-se-ão na mesma sentença os embargos e as impugnações à liquidação apresentadas pelos credores trabalhista e previdenciário. § 5º Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal ou em aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a Constituição Federal. § 6º A exigência da garantia ou penhora não se aplica às entidades filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições. O Juiz julgará tudo em sentença única (§ 4º do art. 884) e tal sentença poderá ser recorrida mediante agravo de petição. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Cruz Alta - RS - Procurador - FUNDATEC - 2024): Sobre a execução no Processo do Trabalho, é correto afirmar que a matéria de defesa será restrita às alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da dívida. Correto. (Prefeitura de Osasco - SP - Procurador - VUNESP - 2024): Somente é possível o devedor apresentar embargos mediante garantia da execução ou após a penhora dos bens, exceto se tratar-se de entidades filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições. Correto. (TRT-14 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Na execução trabalhista em que é executada a Creche Abraça Coração, entidade filantrópica, o Juiz do Trabalho homologou os cálculos de liquidação do exequente no valor de R$ 10.000,00. Após fazer uso do bloqueio on-line de contas, foi penhorado o valor de R$ 1.000,00, tendo interesse a executada em interpor embargos à execução. De acordo com a CLT, a executada poderá interpor os embargos à execução imediatamente, pois a exigência da garantia da execução ou penhora de bens no valor do débito não se aplica às entidades filantrópicas. Correto. (Prefeitura de Jundiaí - Procurador - VUNESP - 2021): A sentença de liquidação trabalhista, cujo título judicial esteja fundado em ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, deve ser impugnada pelo devedor por meio de embargos à execução. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 142 5. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA Insta rememorar, a priori, que o termo “Fazenda Pública” abrange todas as pessoas jurídicas de direito público, como a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios (se houver), bem como as suas respectivas autarquias e fundações públicas. Com efeito, dispõe o art. 535 do CPC que a Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 dias e nos próprios autos, impugnar a execução. Tratando-se, porém de execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30 dias. É o que prevê expressamente o art. 910 do CPC. Nos embargos à execuçãofundada em título extrajudicial o ente público embargante poderá alegar, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 910 do CPC, qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento. Ademais, a Fazenda Pública/executada poderá também alegar impedimento ou suspeição do órgão julgador, devendo, para tanto, observar o disposto nos arts. 146 e 148 do CPC. Se a Fazenda Pública/executada alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante do título, deverá ela declarar, de imediato, na própria impugnação ou nos embargos à execução, o valor que entende correto, sob pena de não conhecimento da arguição. Finda a instrução, ou inexistindo necessidade desta, o Juiz proferirá a decisão. Caso seja esta desfavorável, no todo ou em parte, à Fazenda Pública, não há falar-se em remessa necessária, já que esta condição de eficácia da sentença tem cabimento, apenas, no processo de conhecimento. Assim, o ato que julga os embargos à execução (ou a impugnação ao cumprimento da sentença) desfavorável às pessoas jurídicas de direito público é passível de agravo de petição (CLT, art. 897, a), sendo que o prazo recursal conta-se em dobro, já que o art. 1º, III, do Decreto-Lei 779/69 confere-lhes tal prerrogativa para todo e qualquer recurso, seja no processo cognitivo ou no de execução. Transitada em julgado a decisão da impugnação ou dos embargos, o procedimento trabalhista cede lugar ao procedimento específico do precatório ou da Requisição de Pequeno Valor (RPV), conforme o caso. O precatório será pago em conformidade com a ordem cronológica prevista nas Súmulas 655 do STF e 144 do STJ: Súmula 655 do STF: A exceção prevista no art. 100, caput, da Constituição, em favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da observância da ordem cronológica dos precatórios decorrentes de condenações de outra natureza. Súmula 144 do STJ: Os créditos de natureza alimentícia gozam de preferência, desvinculados os precatórios da ordem cronológica dos créditos de natureza diversa. Como o tema foi cobrado em concurso? CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 143 (PGE-AM - Procurador - FCC - 2022): Aristóteles propõe reclamatória trabalhista em face da empresa Deuses do Olimpo Ltda., que era contratada do Estado W para serviços de manutenção de rodovias estaduais, requerendo também a responsabilidade do Estado por eventuais créditos decorrentes da procedência dos pedidos. Na hipótese de haver alguma condenação em face da empresa prestadora de serviços, em caso de sua insolvência, serão devidos honorários sucumbenciais também pela Fazenda Pública, em patamar não superior a 15% do valor que resultar da liquidação de sentença, independentemente de o autor estar ou não assistido pelo sindicato da categoria. Correto. 6. EXECUÇÃO CONTRA A MASSA FALIDA OU EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL No caso das empresas em recuperação judicial ou da massa falida, a Justiça do Trabalho será competente para processar e julgar toda a fase de conhecimento. No entanto, com a formação do título executivo, incumbe ao exequente a habilitação do crédito no Juízo Falimentar, conforme prevê o art. 6º, § 2º da Lei 11.101/05. Sendo assim, a fase de execução é toda processada no Juízo Falimentar. Vale dizer, o trabalhador poderá diretamente, isto é, perante o administrador judicial, postular a habilitação, exclusão ou modificação dos seus créditos trabalhistas ou, caso tenha optado por ajuizar ação trabalhista, esta tramitará na Justiça Especializada até a apuração do respectivo crédito. Após a apuração do quantum debeatur, será expedida certidão em favor do credor e seu crédito trabalhista será habilitado perante o quadro geral de credores no Juízo Falimentar. Além disso, o Juiz do trabalho poderá determinar a reserva da importância que estimar devida na recuperação judicial ou na falência e, uma vez reconhecido líquido o direito, será o crédito incluído na classe própria. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-RN - Procurador - CESPE - 2024): Ainda que haja litisconsórcio passivo com pessoa jurídica de direito público, compete ao juízo universal falimentar processar e julgar demandas cíveis com pedidos ilíquidos contra a massa falida. Errado. Sobre o tema, importante visualizar o posicionamento jurisprudencial do STJ no sentido de que compete ao juízo falimentar a execução de contribuições previdenciárias decorrentes de sentença proferida pela Justiça do Trabalho e devidas por sociedade falida: CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DA FALÊNCIA E JUÍZO DO TRABALHO. EXECUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 7º-A DA LEI 11.101/05. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DE CLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO PÚBLICO. SUSPENSÃO DAS EXECUÇÕES. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FALIMENTAR. 1. Conflito de competência suscitado em 24/1/2023. Autos conclusos ao gabinete em 27/4/2023. 2. O propósito do presente incidente é definir o juízo competente para a execução de contribuições previdenciárias decorrentes de sentença proferida pela Justiça do Trabalho e devidas por sociedade falida. 3. Em atenção às alterações promovidas pela Lei 14.112/20 na Lei 11.101/05, em CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 144 especial às disposições integrantes do art. 7º-A, caput e §§ 2º, 4º, V, e 6º, deste diploma legal, é necessária a instauração, pelo juízo falimentar, para cada Fazenda Pública credora, de incidente de classificação de créditos públicos - discutidos em execuções fiscais e em execuções instauradas de ofício -, sendo de rigor a suspensão dessas demandas até o encerramento da falência. 4. A execução de crédito público devido por sociedade falida nos próprios autos da ação trabalhista contra ela movida invade a esfera de competência do juízo falimentar. 5. Conflito conhecido. Declarada a competência do JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DE NOVA LIMA - MG. (CC 202.607-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 13/11/2024, DJe 18/11/2024). Também é importante trazer à tona entendimentos do STJ com relação aos créditos trabalhistas na recuperação judicial: Ultrapassado o período de blindagem (Stay Period) e inexistindo decisão do Juízo recuperacional determinando sua prorrogação ou a subsistência de seus efeitos, a execução do crédito trabalhista concursal pode prosseguir normalmente perante o Juízo trabalhista. (CC 199.496-CE, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 11/9/2024). Significa, portanto, que exaurido o prazo de blindagem – período de 180 (cento e oitenta) dias previsto no art. 6º, § 4º, da Lei 11.101/2005, em que são suspensas todas as ações e execuções movidas em face da empresa em recuperação judicial – e não tendo o Juízo da recuperacional determinado sua prorrogação ou a subsistência de seus efeitos, as execuções individuais, inclusive, as de crédito concursal, podem prosseguir, não mais subsistindo a competência do Juízo recuperacional. Exaurido o stay period, compete ao Juízo trabalhista a execução de crédito trabalhista extraconcursal, sendo vedado ao Juízo da recuperação judicial proceder ao controle dos atos constritivos a serem exarados. (CC 191.533- MT, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por maioria, julgado em 18/4/2024, DJe 26/4/2024). Ressalta-se que a partir da entrada em vigência da Lei 14.112/2020, o Juízo da recuperação judicial tem a competência específica para determinar o sobrestamento dos atos de constrição exarados no bojo de execução de crédito extraconcursal que recaíam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial durante o período de blindagem. Em se tratando de execuções fiscais, a competência do Juízo recuperacional restringe-se a substituir os atos de constriçãodo art. 831 da CLT: Art. 831 - No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. PRINCÍPIO DA NORMATIZAÇÃO COLETIVA CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 10 A Justiça do Trabalho brasileira é a única que pode exercer o chamado poder normativo, que consiste no poder de criar normas e condições gerais e abstratas (atividade típica do Poder Legislativo), proferindo sentença normativa com eficácia ultra partes, cujos efeitos irradiarão para os contratos individuais dos trabalhadores integrantes da categoria profissional representada pelo sindicato que ajuizou o dissídio coletivo. Essa função especial (competência) conferida aos tribunais trabalhistas é autorizada pelo art. 114, § 2º, da CF/88, segundo o qual: Art. 114, § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. O princípio da normatização coletiva não é absoluto, pois encontra limites na própria Constituição, nas leis de ordem pública de proteção ao trabalhador e nas cláusulas (normas) anteriores previstas em convenções e acordos coletivos que disponham sobre condições mínimas de determinada categoria profissional. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-4 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, no exame de uma convenção ou acordo coletivo, a Justiça do Trabalho balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva. Correto. OUTROS PRINCÍPIOS DO PROCESSO TRABALHISTA 1) Princípio da simplicidade das formas: o art. 899 da CLT consagra expressamente que os recursos serão interpostos por simples petição, isto é, sem os formalismos extremos exigidos nos recursos de natureza extraordinária. 2) Princípio da celeridade: os Juízes e os Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Juazeiro - BA - Procurador - IDIB - 2024): O processo trabalhista deve seguir, dentre outros, os princípios da oralidade, simplicidade e celeridade. O recurso ordinário é a principal forma de impugnação das decisões de primeira instância, e a execução definitiva só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença. Correto. (MPT - Promotor - MPT - 2022): Em razão da necessidade de compatibilização com o princípio da celeridade do Processo do Trabalho, considera-se fundamentada a decisão judicial ainda que não enfrente todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Errado. 3) Princípio da extrapetição: refere-se ao julgamento extra petita, em que é permitido ao magistrado deferir ou determinar algo que não foi expressamente requerido pela parte, seja por autorização legal, seja pelo reconhecimento jurisprudencial dessa possibilidade. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 11 A CLT reconhece o princípio da extrapetição, como se infere dos seus arts. 137, § 2º, 467 e 496 abaixo elencados: Art. 137 - Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração. § 2º - A sentença cominará pena diária de 5% (cinco por cento) do salário mínimo da região, devida ao empregado até que seja cumprida. Art. 467. Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas de cinquenta por cento. Art. 496 - Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do artigo seguinte. O item II da Súmula 396 do TST também o consagra, ao dispor: “Não há nulidade por julgamento extra petita da decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados os termos do art. 496 da CLT”. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS AO PROCESSO DO TRABALHO Por se tratar de ramo do direito processual, ao Processo do Trabalho também são aplicáveis os seguintes princípios: 1) Dignidade da pessoa humana; 2) Efetivo acesso à justiça; 3) Devido processo legal; 4) Duração razoável do processo; 5) Contraditório; 6) Ampla defesa; 7) Razoabilidade; 8) Proporcionalidade; 9) Fundamentação das decisões. 10) Imparcialidade do juiz; 11) Juiz natural. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 12 Como o tema foi cobrado em concurso? (TST - Juiz - FGV - 2023): Em determinada comarca, na qual havia somente uma Vara do Trabalho, ao apresentar sua defesa em mais uma das diversas reclamações que já tinha respondido na mesma Vara, a empresa apresentou também exceção de suspeição do juiz. Alegou que o magistrado já havia julgado diversas outras reclamações sobre os mesmos fatos, sempre em desfavor dela, excipiente. Juntou cópias das diversas sentenças às quais se referia. O juiz, ao examinar tudo, rejeitou de plano a exceção. Estando na posição desse juiz, é correto afirmar que os princípios que melhor fundamentariam sua decisão seriam da publicidade e do juiz natural. Correto. 5. CAPACIDADE POSTULATÓRIA Capacidade postulatória, também chamada de jus postulandi, é a capacidade para postular em juízo. Trata-se de autorização reconhecida a alguém pelo ordenamento jurídico para praticar atos processuais. Insta salientar, a priori, que a capacidade postulatória NÃO se confunde com a capacidade de ser parte nem com a capacidade processual. No entendimento de Carlos Henrique Bezerra, toda pessoa humana, também chamada de pessoa natural ou pessoa física, é capaz de adquirir direitos e contrair obrigações. Trata-se da personalidade civil, que se inicia com o nascimento com vida, muito embora a lei já garanta ao nascituro, desde a concepção, alguns direitos fundamentais. Assim, todo ser humano tem capacidade de ser parte, independentemente de sua idade ou condição psíquica ou mental, seja para propor ação, seja para defender-se, seja para intervir na relação processual. É, pois, um direito universal conferido a toda pessoa humana. Já a capacidade processual, ou capacidade de estar em juízo, é outorgada pelo direito positivo às pessoas que possuem a capacidade civil (art. 70 do CPC). Entende-se por capacidade civil a faculdade que tem a pessoa de praticar todos os atos da vida civil e de administrar os seus bens. Em regra, a pessoa com capacidade de ser parte também terá capacidade processual. Todavia, há casos em que, embora tenha capacidade de ser parte, o titular do direito material não tem capacidade processual, isto é, capacidade de estar em juízo. A capacidade civil (arts. 3º e 4º do Código Civil), por sua vez, possui 3 níveis: 1) Capacidade plena; 2) Relativamente incapaz; 3) Absolutamente incapaz. Acerca do relativamente incapaz e do absolutamente incapaz, importante verificar o disposto nos arts. 4º e 5º do Código Civil: Art. 4° São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 13 I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará,que recaíam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento da recuperação judicial. Para o STJ, uma vez exaurido o período de blindagem – mormente nos casos em que sobrevém sentença de concessão da recuperação judicial, a ensejar a novação de todas as obrigações sujeitas ao plano de recuperação judicial –, é absolutamente necessário que o credor extraconcursal tenha seu crédito devidamente equalizado no âmbito da execução individual, não sendo possível que o Juízo da recuperação continue, após tal interregno, a obstar a satisfação do crédito, com suporte no princípio da preservação da empresa, o qual não se tem por absoluto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 145 Em continuidade, art. 151 da Lei de Falências prescreve, ainda, que os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 salários mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. Vale mencionar que, de acordo com o art. 83 da Lei 11.101/05, o crédito trabalhista é preferencial até 150 salários mínimos. Ultrapassado o referido valor, o restante do crédito permanecerá habilitado, mas como crédito quirografário: Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho. Por fim, destaca-se que o art. 60, parágrafo único e o art. 141, II, ambos da Lei 11.101/05, definem que não há sucessão trabalhista entre o falido e o adquirente do falido, com base nos seguintes termos: Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo-único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor de qualquer natureza, incluídas, mas não exclusivamente, as de natureza ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção, tributária e trabalhista, observado o disposto no § 1º do art. 141 desta Lei. Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o art. 142: II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-16 - Técnico Judiciário - FGV - 2022): Em determinada reclamação trabalhista que tramita perante a 30ª Vara do Trabalho de Barreirinhas/MA, foi homologada a quantia de R$ 10.000,00 devida ao exequente a título de dano moral, pois a sentença foi proferida de forma líquida e ambas as partes concordaram com o valor. Ocorre que, no dia seguinte, a sociedade empresária teve a falência decretada. Diante dos fatos narrados e da norma de regência, sobre o destino da execução, é correto afirmar que deverá ser expedida certidão de crédito ao reclamante pelo valor homologado para habilitação junto à massa falida. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 146 PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TRABALHISTAS 1. INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE 1.1 CONCEITO À luz da teoria geral do direito processual, pode-se afirmar que o inquérito judicial para apuração de falta grave possui natureza de ação constitutiva (negativa) necessária para apuração de falta grave que autoriza a resolução do contrato de trabalho do empregado estável por iniciativa do empregador. O art. 492 da CLT estabelece o seguinte: Art. 492 - O empregado que contar mais de 10 (dez) anos de serviço na mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas. Parágrafo único - Considera-se como de serviço todo o tempo em que o empregado esteja à disposição do empregador. Nesse sentido, o art. 494 da CLT prevê que o empregado estável acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito em que se verifique a procedência da acusação. 1.2 TRABALHADORES DESTINATÁRIOS DO INQUÉRITO Alguns trabalhadores em situações especiais só podem ser validamente despedidos se praticarem falta grave devidamente apurada nos autos de ação de inquérito judicial, como: 1) Dirigentes sindicais (CF, art. 8º, VIII, e Súmula 197 do STF); 2) Representantes dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS (Lei 8.036/90, art. 3º, § 9º); 3) Dirigentes de Cooperativa de Empregados (Lei 5.764/71, art. 55); 4) Representantes dos trabalhadores no Conselho Nacional de Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 3º, § 7º); 5) Representantes dos trabalhadores nas Comissões de Conciliação Prévia (CLT, art. 625- B, § 1º). Fora das hipóteses de estabilidade ou garantia provisória no emprego indicadas acima, NÃO há interesse processual do autor (empregador) para ajuizar a ação de inquérito judicial para apuração de falta grave dos seguintes trabalhadores: 1) Empregado acidentado (Lei 8.213/93, art. 118); 2) Empregada gestante; CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 147 3) Empregado membro eleito de CIPA ou “cipeiro” (ADCT, art. 10, II); 4) Qualquer outro empregado destinatário da garantia no emprego (CF, art. 7º, I; OIT, Convenção 158; Convenção ou Acordo Coletivo etc.). Em todos esses casos, os trabalhadores são titulares do direito de garantia provisória no emprego, mas a lei não exige a apuração judicial da falta grave para eles serem dispensados, razão pela qual o empregador não necessita de autorização judicial para extinguir o contrato de trabalho. Com relação a tais trabalhadores, se o empregador, inadvertidamente, ajuizar o inquérito judicial para apuração de falta grave, o juiz deve extinguir o processo sem resolução de mérito por carência de ação, em função da ausência de interesse processual (ausência de necessidade e inadequação da via eleita). 1.3 PROCEDIMENTO O procedimento do inquérito judicial para apuração de falta grave encontra-se regulado nos arts. 853 a 855, bem como nos arts. 494 a 499, todos da CLT. Assim segue: Art. 853 - Para a instauração do inquérito para apuração de falta grave contra empregado garantido com estabilidade, o empregador apresentará reclamação por escrito à Junta ou Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data da suspensão do empregado. Art. 854 - O processo do inquérito perante a Junta ou Juízo obedecerá às normas estabelecidas no presente Capítulo, observadas as disposições desta Seção. Art. 855 - Se tiver havido prévio reconhecimento da estabilidade do empregado, o julgamento do inquérito pela Junta ou Juízo não prejudicará a execução para pagamento dos salários devidos ao empregado, até a data da instauração do mesmo inquérito. Art. 494 - O empregado acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito e que se verifique a procedência da acusação. Parágrafo único - A suspensão, no caso deste artigo, perdurará até a decisão final do processo. Art. 495 - Reconhecida a inexistência de falta grave praticada pelo empregado, fica o empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão. Art. 496 - Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá converterpara os menores, a incapacidade: V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. O inciso V do art. 5º traz a hipótese de emancipação legal do relativamente incapaz, que ocorrerá quando o menor possuir emprego e ter economia própria. Isto posto, necessário se faz evidenciar 2 consequências distintas em razão da idade: 1) Entre 16 completos e 18 anos incompletos: o menor adquire capacidade plena (por emancipação) para exercer todos aos atos da vida civil, desde que tenha carteira de trabalho devidamente anotada e percebendo os direitos sociais trabalhistas correspondentes. Logo, além de poder celebrar e rescindir contrato de trabalho, adquirirá capacidade processual para demandar pessoalmente (jus postulandi) na Justiça do Trabalho ou contratar advogado para representá-lo. 2) Abaixo de 16 anos: é incapaz para a prática de atos da vida civil. Logo, será representado por quem detenha o poder familiar (art. 1.634 do Código Civil) ou, na sua falta, de forma sucessiva, pelo MPT, pelo sindicato da correspondente categoria profissional, pelo MP estadual ou curador nomeado pelo juiz. Sobre o menor de idade, a CLT traz, ainda, a seguinte disposição: Art. 793. A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador nomeado em juízo. Nos domínios do Processo do Trabalho, a capacidade postulatória é facultada diretamente aos empregados e aos empregadores, nos termos do art. 791 da CLT, in verbis: Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final. Pode-se dizer, portanto, que o jus postulandi, no Processo do Trabalho, é a capacidade (e faculdade) conferida por lei às partes, como sujeitos da relação de emprego, para postularem diretamente em juízo, sem necessidade de serem representadas por advogado. Todavia, o jus postulandi NÃO se aplica a toda e qualquer situação, de modo que nos casos abaixo elencados, a representação por advogado será necessária: 1) Nas ações para homologação de acordo extrajudicial, nos termos do art. 855-B da CLT: Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 14 Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de São José dos Campos - Procurador - VUNESP - 2019): Determinado empregado celebrou acordo extrajudicial com seu empregador, e pretende a homologação pelo juiz do trabalho da localidade. Nesta situação, é correto afirmar que as partes não poderão ser representadas por advogado comum. Correto. 2) Nas ações que NÃO versem sobre relação de emprego, de acordo com a IN 27/05 do TST; Com a EC 45/04, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar outras ações oriundas da relação de trabalho, e não apenas as derivadas da relação de emprego, a IN 27/05 do TST deixou implícita a ilação de que nessas novas demandas que passaram para a competência da Justiça do Trabalho é indispensável o patrocínio das partes por advogados. 3) No mandado de segurança e na ação rescisória, conforme a Súmula 425 do TST: JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE (Res. n. 165/2010, DEJT divulgado em 30-4-2010 e 3 e 4-5-2010). O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. 4) No TST e em recursos para o TST. Sobreleva reiterar, ainda, que no Processo do Trabalho o jus postulandi das próprias partes só pode ser exercido junto aos órgãos que integram a Justiça do Trabalho. Assim, na hipótese de interposição de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal, momento em que se esgota a “jurisdição trabalhista”, a parte deverá estar necessariamente representada por advogado. Como o tema foi cobrado em concurso? (PGE-ES - Procurador - CESPE - 2023): Segundo o TST, o jus postulandi das partes, estabelecido na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), limita- se às varas do trabalho e aos TRT, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do TST. Correto. (PGE-AL - Procurador - CESPE - 2021): O jus postulandi concede à parte no processo do trabalho litigar em qualquer instância da justiça do trabalho, exceto em casos de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Errado. 6. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA Os honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, nas lides oriundas da relação de emprego ou relação de trabalho avulso, eram devidos apenas na hipótese do art. 14 da Lei 5.584/70. Vale dizer, nos termos desse preceptivo, os honorários advocatícios no Processo do Trabalho não decorriam da simples sucumbência, nem seriam destinados ao advogado e, sim, ao sindicato que CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 15 prestou assistência judiciária ao trabalhador. Nesse sentido era a antiga redação da Súmula 219 do TST. Com efeito, nos termos do art.16 da Lei 5.584/70, os “honorários do advogado pagos pelo vencido reverterão em favor do Sindicato assistente”. Ocorre que o referido artigo foi revogado expressamente pela Lei 13.725/18. Aliás, os §§ 6º e 7º do art. 22 do Estatuto da Advocacia (incluídos pela Lei 13.725/18) passaram a prescrever que: Art. 22, § 6º O disposto neste artigo aplica-se aos honorários assistenciais, compreendidos como os fixados em ações coletivas propostas por entidades de classe em substituição processual, sem prejuízo aos honorários convencionais. § 7º Os honorários convencionados com entidades de classe para atuação em substituição processual poderão prever a faculdade de indicar os beneficiários que, ao optarem por adquirir os direitos, assumirão as obrigações decorrentes do contrato originário a partir do momento em que este foi celebrado, sem a necessidade de mais formalidades. Cumpre salientar, ainda, que invocando o tratamento da matéria pelo CPC/2015, o TST alterou substancialmente a Súmula 219, que passou a ter a seguinte redação: Súmula 219 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. I – Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários advocatícios não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a parte, concomitantemente: a) estar assistida por sindicato da categoria profissional; b) comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família (art. 14, § 1º, da Lei n. 5.584/1970). II – É cabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em ação rescisória no processo trabalhista. III – São devidos os honorários advocatícios nas causas em que o ente sindical figure como substituto processual e nas lides que não derivem da relação de emprego. IV – Na ação rescisória e nas lides que não derivem de relação de emprego, a responsabilidade pelo pagamento dos honorários advocatícios da sucumbência submete-se à disciplina do Código de Processo Civil (arts. 85, 86, 87 e 90). V – Em caso de assistência judiciária sindical ou de substituição processual sindical, excetuados os processos em que a Fazenda Pública for parte, os honorários advocatícios são devidos entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valoratualizado da causa (CPC de 2015, art. 85, § 2º). VI – Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, aplicar-se-ão os percentuais específicos de honorários advocatícios contemplados no Código de Processo Civil. Entretanto, todas as teses fixadas na Súmula 219 do TST deverão ser reexaminadas em função do art. 791-A da CLT, acrescentado pela Lei 13.467/17, in verbis: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 16 Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá- lo, sobre o valor atualizado da causa. Dessa forma, continua existindo a faculdade do jus postulandi das próprias partes (CLT, art. 791 e Súmula 425 do TST), aplicando-se, no que couber, a Súmula 219 do TST. Entretanto, caso a parte esteja litigando com o patrocínio de advogado, a este serão devidos honorários advocatícios nos termos do art. 791-A da CLT. No tocante à eficácia temporal do art. 791-A, o art. 6º da IN 41/18 do TST prevê que a condenação em honorários advocatícios sucumbenciais, prevista no art. 791-A, e parágrafos, da CLT, será aplicável apenas às ações propostas após 11 de novembro de 2017 (Lei 13.467/17, Reforma Trabalhista). Nas ações propostas anteriormente, subsistem as diretrizes do art. 14 da Lei 5.584/70 e das Súmulas 219 do TST. É importante vislumbrar, ainda, que o STF, em acórdão turmário, entendeu que o direito aos honorários advocatícios sucumbenciais previstos no art. 791-A da CLT surge no instante da prolação da sentença, e não do ajuizamento da ação: AGRAVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO PROCESSO DO TRABALHO. ART. 791-A DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO, INTRODUZIDO PELA LEI N. 13.467/2017. INAPLICABILIDADE A PROCESSO JÁ SENTENCIADO. 1. A parte vencedora pede a fixação de honorários advocatícios na causa com base em direito superveniente – a Lei n. 13.467/2017, que promoveu a cognominada “Reforma Trabalhista”. 2. O direito aos honorários advocatícios sucumbenciais surge no instante da prolação da sentença. Se tal crédito não era previsto no ordenamento jurídico nesse momento processual, não cabe sua estipulação com base em lei posterior, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei. 3. Agravo interno a que se nega provimento (STF-ARE n. 1.014.675 AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Primeira Turma, j. 23-3-2018, processo eletrônico DJe-070 divulg. 11-04-2018, public. 12-4-2018). Por fim, de acordo com o § 18 do art. 85 do CPC, aplicável subsidiariamente ao Processo do Trabalho, caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários advocatícios ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança, cuja competência será da Justiça do Trabalho (CF, art. 114, I). CARACTERÍSTICAS DOS HONORÁRIOS Importante visualizar, a priori, o disposto nos parágrafos do art. 791-A: Art. 791-A, § 1º Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua categoria. § 2º Ao fixar os honorários, o juízo observará: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; CURSOS GRÁTIS ACESSE NOSSOS SITES TIM CASTRO 1 www.rateiodosconcursos.com www.rateioecursos.com OU https://www.rateiodosconcursos.com/ https://www.rateioecursos.com/ http://www.iceni.com/unlock-pro.htm CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 17 IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. § 3º Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários. § 4º Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário. § 5º São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. Constata-se que os honorários advocatícios são devidos nas ações: 1) Em que o advogado atue em causa própria; 2) Contra a Fazenda Pública; 3) Em que a parte estiver assistida pelo sindicato de sua categoria; 4) Em que o sindicato atuar como substituto processual (quando atuar em nome próprio na defesa de interesse/direito alheio). Os honorários advocatícios são devidos, ainda, na reconvenção. Outrossim, os honorários serão fixados entre o mínimo de 5% e o máximo de 15% sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, devendo ser utilizados, ainda, os parâmetros elencados no § 2º do art. 791-A. Cabe a sucumbência recíproca, salientando que o § 3º prevê expressamente que é vedada a compensação entre honorários. Por fim, é importante ressaltar que o § 4º do art. 791-A responsabilizava a parte sucumbente (vencida) pelo pagamento dos honorários de sucumbência, ainda que beneficiária da justiça gratuita. Contudo, o STF, na ADI 5766, declarou tal dispositivo inconstitucional: São inconstitucionais as normas trabalhistas que determinam o pagamento de honorários periciais e advocatícios por beneficiários da justiça gratuita, caso percam a ação, mas obtenham créditos suficientes para o pagamento dessas despesas, ainda que em outra demanda. STF. Plenário. ADI 5766/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/10/2021 (Info 1035). Como o tema foi cobrado em concurso? (TRT-23 - Técnico Judiciário - FCC - 2022): Afrodite é advogada e está atuando em causa própria em reclamação trabalhista em face da sua ex- empregadora a Fábrica de Cadeados Tranca Rua Ltda. Considerando o que dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho, na situação descrita, em caso de procedência da ação, seriam devidos honorários advocatícios CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 18 sucumbenciais até o limite máximo de 15% do proveito econômico da ação, mesmo no caso de atuação do advogado em causa própria. Correto. (TRT-4 - Analista Judiciário - FCC - 2022): Demóstenes propôs ação trabalhista em face do seu ex-empregador a Churrascaria Boi no Prato, tendo sido a referida empresa condenada a pagar R$ 30.000,00 de verbas contratuais, rescisórias e diferenças de FGTS ao autor, acrescido de honorários sucumbenciais. Sabendo-se que Demóstenes celebrou com seu advogado particular contrato de honorários à base de 10% do valor da condenação, com base na Consolidação das Leis do Trabalho, o valor máximo da condenação em honorários sucumbenciais ao patrono do autor será de R$ 4.500,00. Correto. (PG-DF - Procurador - CESPE - 2022): Na justiça do trabalho, a fazenda pública poderá ser condenada ao pagamento de honorários de sucumbência nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída por sindicato de sua categoria. Correto. (PGE-PE - Procurador - CESPE - 2018): Ao advogado, ainda que atuando em causa própria, serão devidos honorários sucumbenciais, inclusive nas ações contra a fazenda pública. Correto. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 19JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A jurisdição é uma matéria atinente à teoria do poder. Assim, por si só, refere-se ao poder de dizer o direito e é ilimitada. A competência, por sua vez, é o limite do poder, uma vez que determina o limite do exercício do poder jurisdicional. Isto posto, pode-se inferir que a jurisdição tem íntima relação com a competência. Tradicionalmente, fala-se que a competência é a medida da jurisdição de cada órgão judicial. Há consenso na doutrina processual brasileira de que os critérios de competência são os seguintes: 1) Funcional: estabelece quais atribuições cada órgão possui, segundo a sua hierarquia. 2) Material: define quais relações jurídicas são da competência daquele ramo do Poder Judiciário. Assim, a competência em razão da matéria no Processo do Trabalho é delimitada em virtude da natureza da relação jurídica material deduzida em Juízo. 3) Pessoal: é a competência definida em razão da qualidade das partes envolvidas na relação jurídica controvertida. No âmbito do Processo do Trabalho, é definida apenas em situações excepcionais, uma vez que todos que estão inseridos em uma relação jurídica da competência material, poderão acionar ou ser acionados na Justiça do Trabalho. 4) Territorial: cuida do limite geográfico de atuação do órgão jurisdicional. A expressão competência territorial se deve à necessidade de fixar um juiz entre a pluralidade de outros da mesma espécie ou com o mesmo grau de jurisdição, atribuindo-se a ele uma porção territorial, dentro da qual está sua sede. Ex.: Thais é Juíza da 35ª Vara (competência funcional) do Trabalho (competência material) de Salvador (competência territorial). 2. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA A competência absoluta é aquela atribuída em razão de interesse público. Com isso, é inderrogável pela vontade das partes, ou seja, não é possível modificar a regra de competência. Tendo em vista que a regra de competência absoluta é estabelecida em razão do interesse público, o interesse público trata também da declaração de incompetência, podendo ocorrer a qualquer tempo, por provocação de qualquer interessado ou de ofício pelo juiz, possuindo, nesse liame, efeitos ex tunc. Importante salientar que o art. 64, § 4º do CPC – e que se aplica ao Processo do Trabalho – prevê que: CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 20 Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. Importante evidenciar que as competências absolutas são as competências material e funcional. No que tange à competência relativa, salienta-se que esta visa o maior acesso ao Poder Judiciário, de modo que é atribuída estritamente em razão de interesse das partes. Assim, é derrogável, razão pela qual se as partes quiserem alterar a regra, é possível. Além disso, só há declaração de incompetência relativa se a incompetência for arguida pelo Réu/Reclamado na primeira oportunidade, vide a Súmula 33 do STJ: Súmula 33 do STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício. Outrossim, possui efeitos ex nunc, valendo da arguição de nulidade em diante. No âmbito do Processo do Trabalho, a competência relativa é a territorial. Ainda sobre o tema competência absoluta e relativa, importante evidenciar as seguintes observações: 1) O art. 795, § 1º da CLT estabelece que deverá ser declarada de ofício a nulidade fundada em incompetência de foro. O “foro” a que se refere o art. 795 é o foro trabalhista e, portanto, trata-se de competência material da Justiça do Trabalho. Sendo assim, é uma competência absoluta que pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, e não uma incompetência territorial. 2) O art. 2º, inciso I da Instrução Normativa 39/2016 do TST – que trata da aplicação do CPC ao Processo do Trabalho – preleciona o seguinte: Art. 2° Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Trabalho, em razão de inexistência de omissão ou por incompatibilidade, os seguintes preceitos do Código de Processo Civil: I - art. 63 (modificação da competência territorial e eleição de foro). Portanto, em se tratando da Justiça do Trabalho, as partes NÃO podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. 3) Conexão e continência não se referem à competência, mas à prevenção do Juízo através da reunião de causas para evitar julgamento dissonante. 3. COMPETÊNCIA MATERIAL CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 21 De acordo com Carlos Henrique Bezerra, a competência em razão da matéria no Processo do Trabalho é delimitada em virtude da natureza da relação jurídica material deduzida em juízo. Tem-se entendido que a determinação da competência material da Justiça do Trabalho é fixada em decorrência da causa de pedir e do pedido. Assim, se o autor da demanda aduz que a relação material entre ele e o réu é a regida pela CLT e formula pedidos de natureza trabalhista, só há um órgão do Poder Judiciário pátrio com competência para processar e julgar tal demanda: a Justiça do Trabalho. A competência material está prevista no art. 114 da CF/88. Ela define quais relações jurídicas podem ser apreciadas pela Justiça do Trabalho, conforme expresso abaixo: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as ações que envolvam exercício do direito de greve; III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. Passa-se, então, a discorrer de forma pormenorizada acerca de cada uma delas. AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO, ABRANGIDOS OS ENTES DE DIREITO PÚBLICO EXTERNO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS O inciso I do art. 114 da CF/88 é bastante complexo, razão pela qual seu estudo será dividido em 3 partes. 1) “Ações oriundas da relação de trabalho” A relação de trabalho é um gênero que comporta a prestação de força humana de um em favor de outrem. Dentro do gênero “relação de trabalho”, há diversas espécies, dentre as quais está a relação de emprego. Significa dizer, portanto, que a Justiça do Trabalho não abarca apenas empregados, mas toda e qualquer lesão ou ameaça de lesão que ocorra em qualquer relação de trabalho. Ex.: trabalho voluntário, trabalho avulso, trabalho eventual. CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 22 Ante o exposto, é mister vislumbrar algumas relações jurídicas que há muito tempo se discutiu se estariam sujeitas à Justiça do Trabalho ou não. Inicialmente, não são da competência da Justiça do Trabalho as ações oriundas darelação de consumo. Vale dizer, quando o trabalhador autônomo se apresentar como fornecedor de serviços e, como tal, pretender receber honorários do seu cliente, a competência para a demanda será da Justiça Comum e não da Justiça do Trabalho, pois a matéria diz respeito à relação de consumo e não à de trabalho. Do mesmo modo, se o tomador do serviço se apresentar como consumidor e pretender devolução do valor pago pelo serviço prestado, a competência também será da Justiça Comum. Se, por exemplo, um médico labora como trabalhador autônomo em uma clínica médica especializada, recebendo honorários desta, e presta serviços ao paciente, pode-se verificar que há 3 relações distintas: 1) Entre o médico (pessoa física) e a clínica (empresa tomadora de serviços): há uma relação de trabalho, cuja competência para dirimir os conflitos dela oriundos é da Justiça do Trabalho. 2) Entre o médico (pessoa física fornecedora de serviços) e o paciente (consumidor de serviços): há uma relação de consumo, pois o paciente, aqui, é a pessoa física que utiliza o serviço como destinatário final. A competência para apreciar e julgar as demandas oriundas desta relação de consumo é da Justiça Comum. 3) Entre o paciente (pessoa física tomadora de serviços) e a clínica (pessoa jurídica fornecedora de serviços): há uma relação de consumo, cabendo à Justiça Comum dirimir o conflito. Além das hipóteses acima verificadas, da mesma forma seria a prestação direta de serviço entre o médico e o paciente, pois seria uma relação de consumo e a competência também não é da Justiça do Trabalho, consoante disposição da Súmula 363 do STJ: Súmula 363 do STJ: Compete à Justiça estadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada por profissional liberal contra cliente. Também é importante evidenciar que a Justiça do Trabalho NÃO tem competência para processar e julgar ações penais. Antigamente havia muita discussão sobre a Justiça do Trabalho ter ou não competência para julgar crimes relacionados com a organização do trabalho, sobretudo por conta das disposições constitucionais que preveem que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar “ações oriundas da relação de trabalho” (inciso I do art. 114), “habeas corpus” (inciso IV do art. 114), bem como “outras ações” (inciso IX do art. 114). Ocorre que a palavra “ações” prevista no inciso I do art. 114 refere-se unicamente a ações cíveis (não abrangendo ações penais). Além disso, a Justiça do Trabalho possui competência para julgar habeas corpus “quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição” (inciso IV do art. 114). Isso significa que a Justiça do Trabalho é competente para julgar habeas corpus que somente se volta contra restrições à liberdade de locomoção que não tenham natureza penal. Ex.: se o Juiz do Trabalho CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 23 decreta a prisão civil de um depositário infiel, por exemplo, caberá habeas corpus contra essa prisão ilegal (inconvencional) a ser julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho. Todavia, é mister salientar que o delito de falso testemunho em processo trabalhista é crime de competência da Justiça Federal, nos termos da Súmula 165 do STJ: Súmula 165 do STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de falso testemunho cometido no processo trabalhista. Da mesma forma é o crime de redução à condição análoga a de escravo: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. ART. 149 DO CÓDIGO PENAL. REDUÇÃO Á CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO. TRABALHO ESCRAVO. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. DIREITOS FUNDAMENTAIS. CRIME CONTRA A COLETIVIDADE DOS TRABALHADORES. ART. 109, VI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. [...]. Quaisquer condutas que possam ser tidas como violadoras não somente do sistema de órgãos e instituições com atribuições para proteger os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também dos próprios trabalhadores, atingindo-os em esferas que lhes são mais caras, em que a Constituição lhes confere proteção máxima, são enquadráveis na categoria dos crimes contra a organização do trabalho, se praticadas no contexto das relações de trabalho. Nesses casos, a prática do crime prevista no art. 149 do Código Penal (Redução à condição análoga a de escravo) se caracteriza como crime contra a organização do trabalho, de modo a atrair a competência da Justiça federal (art. 109, VI da Constituição) para processá-lo e julgá-lo. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF - RE: 398041 PA, Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 30/11/2006, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-241 PUBLIC 19-12- 2008). Ressalta-se, ainda, que as infrações penais contidas no Título IV do Código Penal, que tratam dos crimes contra a organização do trabalho, são de competência da Justiça Comum, conforme tese acolhida pelo STF em 2020: A Justiça do Trabalho não tem competência para processar e julgar ações penais. STF. Plenário. ADI 3684, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 11/05/2020. 2) “Abrangidos os entes de direito público externo” São 2 os entes de direito público externo: os Estados Nacionais e os Organismos Internacionais. Com relação aos Estados Nacionais, tem-se que eles gozam de soberania, e um dos reflexos diretos da soberania é a imunidade de jurisdição. Nesse sentido, o Direito Consuetudinário, visando evitar o enriquecimento sem causa, criou uma tese adotada pelo STF de modulação da imunidade de acordo com a natureza do ato praticado pelo ente. Se for um ato de império ou ato de Estado, o ente goza de imunidade absoluta. Por outro lado, se for um ato de gestão (ato administrativo que permite o exercício da atividade diplomática), CS - DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 2025.1 24 como o de contratação de um empregado, não goza de imunidade, de maneira que o Estado Nacional poderá acionar e ser acionado na Justiça do Trabalho. Obs.: há imunidade absoluta para execução forçada, pois configuraria invasão de um Estado Nacional a outro, salvo se houver renúncia expressa ou se houver bem desafetado, isto é, um bem que não esteja afetado à causa diplomática em território nacional. Em virtude da referida imunidade, o Estado estrangeiro não está sujeito à penhora ou a outras medidas constritivas, a não ser que haja expressamente renunciado a essa prerrogativa. No que se refere aos Organismos Internacionais, aplica-se a mesma regra de seguir a natureza do ato. Sendo um ato de império, há imunidade absoluta. Sendo ato de gestão, o Organismo Internacional pode acionar e ser acionado na Justiça do Trabalho, ficando com a liberação da execução forçada, salvo renúncia expressa. A exceção está na OJ 416 da SDI-1 do TST, que prevê: As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula de imunidade jurisdicional. Significa, portanto, que quando os Organismos Internacionais estiverem amparados em normas incorporadas ao direito brasileiro, eles gozarão de imunidade absoluta, salvo renúncia expressa. Desse modo, eles não serão acionados e nem poderão acionar no Brasil. Como o tema foi cobrado em concurso? (Prefeitura de Foz do Iguaçu - Procurador - FAFIPA - 2019): As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula