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INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – EAD OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Identificar as profissões que atuam numa equipe de EAD. > Comparar as atividades dos profissionais da modalidade presencial e da EAD. > Apontar os principais fornecedores do mercado EAD. Introdução A educação a distância (EAD) apresenta particularidades ímpares se comparada à educação presencial. Nos seus primórdios, percebia-se claramente carên- cias na equipe de apoio ao desenvolvimento desta modalidade de ensino e aprendizagem, bem como no perfil de professores. Porém, gradativamente as paredes que separavam a educação presencial da EAD foram demolidas, até que, com o advento da pandemia, tudo veio ao chão. Projetos pedagógicos que eram puramente presenciais tiveram que se adaptar para garantir a continuidade de seus serviços educacionais, reduzindo as impressões — às vezes equivocadas — sobre a modalidade virtual. Atualmente, as competên- cias de docentes e da equipe multidisciplinar de suporte à EAD fundem-se com a educação presencial. Em muitas instituições de ensino superior (IES), os quadros funcionais são compostos pelo mesmo conjunto de pessoas. Da mesma forma, expandiu-se a quantidade de fornecedores de EAD. Diz-se no Os profissionais e fornecedores da EAD Claudio Marlus Skora meio econômico que, se há demanda, o mercado encontrará meios de ofertar soluções para atendê-la. Diante do conjunto de tecnologias disponíveis, é bom saber selecionar aquelas que poderão atender as demandas dos projetos pedagógicos das IES neste novo ambiente de aprendizado, em que o presencial e o virtual convivem quase sem distinção. Neste capítulo, você estudará os principais aspectos do trabalho de pro- fissionais fornecedores no âmbito de EAD que prestam serviços para projetos pedagógicos a distância promovidos por instituições de ensino. A equipe da EAD A oferta de EAD apresenta complexidades diferentes daquelas formas tra- dicionais de ensino, e a principal razão disso é que a preparação de quase todo processo deve ocorrer antecipadamente ao momento do encontro entre alunos e professores. Enquanto o momento da aula ocorre necessariamente de maneira síncrona na educação presencial, para aquela mediada por tecno- logias de informação e comunicação (TICs) uma série de eventos anteriores se faz necessária. Para que esses momentos ocorram, uma equipe multidisciplinar de profis- sionais deve atuar. De acordo com os Referenciais de qualidade para educação superior a distância trata-se de uma: Equipe responsável por elaborar e/ou validar o material didático. Conta com professores responsáveis por cada conteúdo de cada disciplina, bem como os demais profissionais nas áreas de educação e técnica (webdesigners, desenhistas gráficos, equipe de revisores, equipe de vídeo, etc.) (BRASIL, 2007, p. 19). Apesar da diversidade de maneiras de se ofertar a EAD, em todas as modalidades existe uma infraestrutura humana, tecnológica e física res- ponsável para que a experiência didática seja disponibilizada ao aluno. Vejamos a seguir uma lista dos profissionais essenciais para a composição da equipe de EAD: � Analista de back-office — mantém a boa apresentação e eficiência das informações do site e do curso on-line, atualizando a interface da página de acordo com o interesse dos alunos. Os profissionais e fornecedores da EAD2 � Coordenador de EAD — gerencia a equipe de EAD, reunindo os esforços para o cumprimento do planejamento da área. � Curador — coordena todos os fatores que promovem melhor aprendi- zagem dentro das mais inovadoras técnicas didáticas. � Designer de multimídias — responsável por planejar e desenvolver projetos nos ambientes digitais. � Designer gráfico — desenvolve os projetos de comunicação e entretenimento. � Designer instrucional — responsável por planejar, coordenar e ava- liar os processos e estratégias educacionais com o uso de novas tecnologias. � Mediadores — responsáveis pelo controle e acompanhamento de informações, cumprimento de cronograma e tarefas no ambiente virtual. � Professor conteudista — responsável pelos assuntos abordados e por uma comunicação eficaz, trazendo informações que servirão de dados para atender a proposta de aprendizagem. � Revisor de textos — com formação em linguagens, responsável por escrita correta, dinâmica e coerente, mantendo coesão textual. � Tutor — efetua a apresentação dos conteúdos e domina o ambiente virtual de aprendizagem. Elabora os planos de aula e tutoria, efetuando a mediação entre alunos e professor. � Videomaker — sugere roteiros, faz a orientação técnica aos professores e trabalha na edição dos materiais audiovisuais. A equipe técnica e administrativa tem como fundamento de trabalho propiciar todo o suporte da atividade-meio, de modo a: [...] oferecer o apoio necessário para a plena realização dos cursos ofertados, atuando na sede da instituição junto à equipe docente responsável pela gestão do curso e nos polos descentralizados de apoio presencial (BRASIL, 2007, p. 22-23). Os escopos de trabalho desses profissionais podem ser classificados como aqueles com propósitos administrativos e aqueles com atribuições tecnológicas, como observado no Quadro 1. Os profissionais e fornecedores da EAD 3 Quadro 1. Dimensões do trabalho das equipes multidisciplinares Administrativo Tecnológico � Acompanhamento do cumprimento de prazos processuais e de produção de materiais � Avaliação e certificação dos estudantes � Cuidados com as exigências legais em todas as instâncias acadêmicas � Funções de secretaria acadêmica � Registro e acompanhamento de procedimentos de matrícula � Apoio aos professores conteudistas na produção de materiais didáticos em diversas mídias � Manutenção e zeladoria de materiais e equipamentos tecnológicos � Responsabilidade pelo suporte e desenvolvimento dos sistemas de informática � Suporte técnico aos estudantes � Suporte técnico para laboratórios e bibliotecas Fonte: Adaptado de Brasil (2007). Entre todos os integrantes da equipe multidisciplinar Behar (2013) e Brasil (2007) destacam a importância dos professores e dos tutores. Behar (2013) descreve que o docente na EAD cumpre mais do que atividades pedagógicas, pois se encarrega de outros afazeres. Concordando com essa premissa, os Referenciais de qualidade para educação superior a distância (BRASIL, 2007) ressaltam que o trabalho dos docentes na EAD compreende um escopo mais amplo quando comparado às funções daqueles presenciais. Nas IES que promovem EAD, os professores devem ser capazes de: � estabelecer os fundamentos teóricos do projeto; � selecionar e preparar todo o conteúdo curricular articulado a proce- dimentos e atividades pedagógicas; � identificar os objetivos referentes a competências cognitivas, habili- dades e atitudes; � definir bibliografia, videografia, iconografia, audiografia, tanto básicas quanto complementares; � elaborar o material didático para programas a distância; � realizar a gestão acadêmica do processo de ensino-aprendizagem, em particular motivar, orientar, acompanhar e avaliar os estudantes; � avaliar se continuamente como profissional participante do coletivo de um projeto de ensino superior a distância. Os profissionais e fornecedores da EAD4 O outro agente importante na equipe de EAD é o tutor, profissional com formação igual ou superior à graduação que atua em sua área de formação como suporte aos alunos para as eventuais dificuldades encontradas quando do uso do ambiente virtual de aprendizagem, bem como na compreensão de algum ponto específico da disciplina (BRASIL, 2007). Na visão de Gabarrone (2017), cabe a esse profissional assumir o papel de criação, orientação e apoio em diversos momentos da jornada do aluno, assumindo essencialmente a responsabilidade de mediar a aprendizado com o uso das TICs seleciona- das pela IES no projeto de EAD implantado. Suas atribuições específicas variam de uma organizaçãopara outra, mas podem incluir atividades de feedback, correção de exercícios e provas, esclarecimento de pontos das disciplinas, interação em fóruns assíncronos, condução de chats síncronos, entre outras funções. Os tutores podem exercer suas atividades de maneira presencial ou a distância. Conforme os Referenciais de qualidade para educação superior a distância, o tutor a distância “atua a partir da instituição, mediando o processo pedagógico junto a estudantes geograficamente distantes, e referenciados aos polos descentralizados de apoio presencial” (BRASIL, 2007, p. 21). As principais atribuições correspondem a: [...] criação de espaços de construção coletiva de conhecimento, selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos e, frequentemente, faz parte de suas atribuições participar dos processos avaliativos de ensino-aprendizagem, junto com os docentes (BRASIL, 2007, p. 21). Por sua vez, o tutor presencial que atende os estudantes em horários preestabelecidos: [...] deve conhecer o projeto pedagógico do curso, o material didático e o conteúdo específico dos conteúdos sob sua responsabilidade, a fim de auxiliar os estudantes no desenvolvimento de suas atividades individuais e em grupo, fomentando o hábito da pesquisa, esclarecendo dúvidas em relação aos conteúdos específicos, bem como ao uso das tecnologias disponíveis (BRASIL, 2007, p. 21). Muitas vezes, são atribuições do tutor presencial realizar avaliações, ministrar aulas práticas e acompanhar procedimentos em laboratórios es- pecíficos e nos campos de estágio. Devido a suas atribuições, devem manter contato extremo com os demais membros da equipe multidisciplinar de modo a fornecer feedback constante sobre como os alunos estão se desenvolvendo e opinando sobre as experiências didáticas. Os profissionais e fornecedores da EAD 5 De modo geral, a complexidade da EAD exige o trabalho de uma equipe multidisciplinar composta por diversas pessoas com competências comple- mentares. À luz do que se detalha nos padrões de qualidade da educação à distância, compete a esses profissionais acompanhar todo o processo que corresponde à jornada do aluno em sua aprendizagem, exercendo atividades- -meio e atividades-fim de modo a cumprir com o modelo de EAD definido no projeto pedagógico. Competências dos profissionais de EAD Há quase uma verdadeira “guerra semântica” para definir o que é compe- tência. Isso acontece porque o termo é objeto de estudo de várias ciências, como pedagogia, psicologia e outras. Dessa forma, obter uma uniformidade de entendimento é tarefa quase impossível. Por outro lado, esse consenso nem deve ser buscado. Cada ciência tem seu campo de estudo definido e, dessa maneira, precisa de flexibilidade para o conceito de competência de forma a provar suas intencionalidades de pesquisa. Dávalos e Vásquez (2013) contribuem para as discussões semânticas abordando competências sobre os pontos de vista individual e profissional. Ao se debruçarem sobre os pensamentos e discussões do tema no âmbito individual, eles descrevem que: [...] as competências individuais são os conjuntos de características pessoais e conhecimento que dão às pessoas a capacidade de desempenhar funções cor- respondente à sua ocupação de forma satisfatória. São repertórios de comporta- mentos que algumas pessoas dominam melhor do que outras, o que torna eficaz em determinada situação. As competências representam, então, uma linha de união entre as características individuais e as qualidades necessárias para realizar missões profissionais precisas (DÁVALOS; VÁSQUEZ, 2013, documento on-line). Prosseguem os autores ao discorrer sobre a interpretação de competência profissional Dávalos e Vásquez (2013, documento on-line): [...] a capacidade de aplicar, em condições operacionais e de acordo com nível exigido, as habilidades, conhecimentos e atitudes adquiridos pelo treinamento e experiência, incluindo possíveis novas situações que possam surgir. Entre os diversos conceitos existentes para competências, opta-se pela definição de Fleury e Fleury (2001, p. 187), que as define como “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir Os profissionais e fornecedores da EAD6 conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Há a visão aqui de que um pro- fissional competente é aquele que sabe agir em situações diversas, indo além do prescrito e tomando iniciativas quando necessário. O conceito também indica que a competência não está ligada apenas a uma relação de conhecimentos teóricos e empíricos que as pessoas dominam sobre um determinado tema. Percebe-se, então, que não basta saber tudo sobre uma determinada coisa, pois ter competência sobre algo é muito maior do que isso. Para Amaral et al. (2008), a definição de competência deve ser compreendida em três dimensões: a tríade conhecimento + habilidade + atitude (CHA). Ela pode ser compreendida de uma forma fácil: num primeiro momento, tem-se o conhecimento, que deve ser entendido como a busca pelo saber. Constantemente, deve-se buscar aprender e reaprender, uma vez que, conforme dominamos uma competência ou até mesmo subimos de posição na hierarquia das organizações, deparamos com problemas de maior complexidade. Dessa forma, quanto mais sabemos mais estamos preparados para enfrentar desafios mais complexos e, como consequência, mais capacitados nos tornamos. Em seguida, apresenta-se a habilidade, ou seja, saber utilizar o conheci- mento adquirido para resolver os problemas. Vale ressaltar que a habilidade não é a mera aplicação do conhecimento, mas também a utilização de co- nhecimentos diversos nunca pensados para cada situação. Isso é uma forma de demonstrar criatividade: encontrar novos usos para os conhecimentos adquiridos, criando ideias. A competência amadurece por completo quando demonstramos atitude, que consiste em saber fazer acontecer. Com atitude, conseguimos apresentar excelentes resultados com a melhor utilização do conhecimento e da habi- lidade. Trata-se de mobilizar de modo eficaz pessoas e recursos na direção desejada. Como resultado do desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, pode-se afirmar, como fazem Amaral et al. (2008, documento on- -line), que uma pessoa competente: “passa a ser a consequência da utilização adequada pelo profissional de seus atributos de competência, isto é, dos conhecimentos, habilidades e atitudes que possui e que são compatíveis com a função que ele desempenha”. É relevante adicionar também a compreensão de Ruas (2005, p. 39), segundo o qual o conceito de competência também assimila a ideia de capacidade: Os profissionais e fornecedores da EAD 7 Capacidades seriam conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas em diversas situações (como a formação superior, a experiência prática) e passíveis de serem mobilizadas em situações específicas no trabalho. O exercício de uma competência consistirá na combinação e na mobilização dessas capacidades para cumprir uma demanda de trabalho, ou um evento. Ruas (2005) acrescenta que é preciso contextualizar cada competência a ser realizada. Uma forma de ilustrar isso é observar em cada situação quais recursos são necessários para elaborar determinado trabalho e quais são as formas de realizá-lo. Ao fazer a melhor escolha possível, colocam- -se em prática as condições necessárias para exercer tal competência. Aqui percebe-se mais uma vez a necessidade de saber cada vez mais: ao possuirmos mais conhecimentos, podemos ter um leque maior de opções de escolha e, desta forma, aumentamos nossa competência na solução de problemas. Na EAD, há competências alusivas a um dos agentes principais do processo de ensino e aprendizado mediado pelas TICs: o docente. Esse profissional deve ter uma tríade de saberes para sua atuação: � competências de conteúdo; � competências pedagógicas; � competências tecnológicas.Ademais, é preciso identificar que o conjunto de competências dos do- centes é diferente nas modalidades a distância e presencial: � Corpo docente na modalidade a distância — conjunto de profissionais vinculados à IES com funções que envolvem o conhecimento do con- teúdo, avaliação, estratégias didáticas, organização metodológica, interação e mediação pedagógica, como autor de material didático, coordenador de curso e professor responsável por disciplina. � Corpo docente na modalidade presencial — para fins de avaliação, considera-se corpo docente o conjunto de professores com formação mínima em nível de especialização, vinculados à IES, que desenvolvam atividades de ensino na graduação (BRASIL, 2017). Os profissionais e fornecedores da EAD8 Ao cotejar as responsabilidades dos docentes nas duas modalidades, percebe-se que, para fins de avaliação, espera-se do corpo docente na modalidade a distância um conjunto de saberes mais completo do que na modalidade presencial. Atenua-se a distinção, porém, quando se percebe que poucos são os docentes que atuam exclusivamente numa das modalidades e que, devido aos impactos da pandemia da covid-19, todos praticamente tiveram que migrar para o meio virtual, agregando, assim, competências por meio da experiência empírica forçada, subsidiada ou não por um sistema de capacitação das instituições de ensino. O construto das competências apresenta múltiplas interpretações e di- ficilmente será encontrada uma concordância semântica entre as diversas acepções do termo. Também percebe-se que, devido os acontecimentos da recente pandemia, distinguir as competências dos docentes e da equipe multidisciplinar de apoio a EAD daquela presencial faz pouco sentido, uma vez que a pandemia reduziu os hiatos e levou — mesmo que forçosamente — todos à virtualização da educação. Fornecedores na EAD Para que a EAD seja ofertada por uma IES, um conjunto de procedimentos deve ser realizado, desde a etapa de planejamento e inclusão do propósito no Plano de Desenvolvimento Institucional até o momento em que o aluno tem o seu aprendizado mediado por TICs. Em muitas situações, as faculdades, centros universitários e universida- des não asseguram internamente todos os recursos necessários para atuar na EAD. Isso ocorre por falta de recursos financeiros ou de tempo para o desenvolvimento interno, ou ainda por estratégia deliberada para que o foco fique no gerenciamento do processo-fim e não se estenda à produção de soluções para as atividades-meio. Para possibilitar que o aluno tenha uma experiência de aprendizado completa, as IES recorrem à terceirização de parte dos subsistemas de apoio à oferta da EAD, por meio da contratação de fornecedores. De acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED, [2022a], documento on-line): “a prestação de serviço consiste na contratação de uma empresa especializada para realizar uma tarefa específica para a contratante”. Para essa associação, na EAD muitas são as organizações que Os profissionais e fornecedores da EAD 9 prestam apoio para as IES realizarem a oferta da educação nessa modalidade. Entre os processos subsidiados, encontramos: [...] produção de materiais didáticos em diversos formatos, como vídeos, anima- ções, textos, etc.; digitalização de materiais; aplicação de materiais didáticos em plataformas digitais; gravação de aulas em vídeo, entre outros (ABED, [2022a], documento on-line). Expandindo a relação de fornecedores para a EAD, a Abed ([2022a]) apre- senta uma lista de possibilidades de contratação de serviços e produtos para a atuação no setor: � agência de consultoria e serviços em marketing digital; � agência de publicidade; � assessoria de imprensa; � consultoria pedagógica e educacional; � desenvolvimento de conteúdo para EAD; � editorial (produção de conteúdo textuais impressos ou digitais e/ou multimídia); � impressão e gráfica; � produção audiovisual; � recursos didáticos para metodologias ativas, simuladores e jogos educacionais; � tecnologia da informação (hardware). No censo que a Abed [2022b] realiza constantemente, verificou-se a incidência de quais são os serviços mais frequentes cuja contratação é patrocinada pelas faculdades, centros universitários e universidades, e até mesmo por organizações não educacionais, mas que estruturaram suas universidades corporativas. Na Figura 1, percebe-se que soluções para webconferência, tais como Zoom, Teams e Meet, aparecem em primeiro lugar. Na segunda posição vem a contratação de bibliotecas virtuais, seguida, por 38% das IES pesquisadas, da contratação de plataformas denominadas Learning Management System (LMS), ou Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Os profissionais e fornecedores da EAD10 Figura 1. Serviços contratados pelas instituições em 2020, por segmento, em %. Fonte: Adaptada de Abed [2022b]. Especificamente, nomeando em ordem alfabética os principais for- necedores de LMS no Brasil, temos: � Blackboard; � Canvas; � D2L Brasil; Os profissionais e fornecedores da EAD 11 � Digital Pages; � DTCom; � Edools; � Grupo A; � Otimize-TI; � Soluções baseadas em Moodle; � Thinkr (GUIA..., 2018). Ao se contratar um fornecedor, alguns cuidados precisam ser tomados. Pensando em seus associados, a Abed teceu algumas recomendações. A pri- meira delas consiste na análise da necessidade da contratação. Nesse aspecto: [...] é importante que a organização contratante tenha um coordenador especializado em EAD para que o projeto da ação educativa seja desenvolvido. O coordenador deve conhecer as etapas de planejamento, desenvolvimento e avaliação de um projeto de EAD (ABED, [2022a], documento on-line). Tal fato, que à primeira vista parece ser uma obviedade, é de real per- tinência, uma vez que a IES contratante vai se deparar com um ambiente com necessidades e linguagens diferentes da educação presencial, e cujas competências são mais específicas. Antes de realizar contratações de for- necedores, cabe ao coordenador realizar as seguintes indagações (ABED, [2022a], documento on-line): Qual é o público da ação educativa em EAD? Quais suas características? Quais são os objetivos da ação educativa? Quais são os recursos humanos e financeiros disponíveis na instituição para a contratação? Quais etapas do projeto podem ser desenvolvidas pela equipe da instituição contratante e quais precisam ser terceiri- zadas? Qual é o tempo disponível para a realização do trabalho a ser contratado? Quais responsáveis da instituição contratante ficarão encarregados do acompa- nhamento do trabalho da empresa contratada e como esse acompanhamento será realizado? Em quantas etapas o projeto pode ser desenvolvido? (Exemplo: planejamento, produção, implantação, entre outros). Compreendido o projeto de EAD a ser implantado, parte-se para a definição e comunicação clara do serviço desejado. Nesta etapa, a coordenação de implantação da EAD na IES já conhece o escopo do projeto e pode elaborar as premissas para avaliar as necessidades a serem incorporaras ao projeto por meio das competências de terceiros. Deve-se ter o cuidado de especificar, Os profissionais e fornecedores da EAD12 principalmente por meio de contratos, todos os pontos essenciais, de modo a evitar discordâncias entre o que é esperado pelo contratante e aquilo que é entregue pelo fornecedor. Conforme lembra a Abed ([2022a], documento on-line): “Uma organização com vasta experiência em resolver diversos pro- blemas de EAD em instituições diferentes pode oferecer soluções que não foram pensadas pela contratante e que podem ser mais efetivas e pertinentes”. Uma ação de parceria constante deve nortear as relações entre IES e empresas de suporte a EAD. Segundo a Abed ([2022a]), outra etapa a ser cumprida pelas IES quando da contratação de serviços de apoio a EAD é a pesquisa de mercado sobre pres- tadoras de serviço. É preciso conhecer de antemão os padrões de qualidade do serviço e seu respeitoaos prazos, atributos essenciais na educação, seja qual for a modalidade. Como medida efetiva, a associação sugere contactar outras IES atendidas pela empresa, bem como pesquisar se existem demandas judiciais contra o fornecedor, por exemplo. A Abed ([2022a], documento on-line) também lembra que é preciso es- tabelecer os critérios para avaliação das propostas, diante de aspectos administrativos, técnicos e financeiros, como detalhado a seguir: Do ponto de vista administrativo, por exemplo, para que uma empresa seja selecionada, ela deve apresentar documentação previamente determinada. A orientação para a definição dos documentos necessários deve ser fornecida pelo setor financeiro e administrativo da contratante (exemplo: registro, comprovação de pagamento de impostos, entre outros). Do ponto de vista técnico, é neces- sário definir os critérios usados para avaliar as propostas, como adequação ao público, originalidade, tempo para realização, entre outros. Do ponto de vista financeiro, os critérios também devem ser divulgados. Por exemplo, o critério para seleção pode ser o menor preço ou o valor disponível pela contratante para a realização do projeto. Também pode ser a relação entre a melhor proposta técnica e o menor preço. Por meio de critérios objetivos, a IES poderá aferir as propostas e iden- tificar aquelas que realizarão a melhor entrega de valor para os propósitos de EAD delineados pela organização. Outra medida salutar no processo de escolha e entrega de serviços dos fornecedores é o acompanhamento do processo de produção. A in- tencionalidade dessa ação reside em evitar atrasos no cumprimento de cronogramas de execução e produção realizados às pressas, comprome- tendo a qualidade. Os profissionais e fornecedores da EAD 13 É preponderante também que todas as etapas do processo tenham algum tipo de inferência do Núcleo de Educação a Distância, como prescreve a Abed ([2022a], documento on-line), ao detalhar que: [...] se a prestação de serviço é a produção de um programa de vídeo, é importante prever a análise e avaliação do roteiro antes da gravação. Quando o material ainda está no roteiro, é possível corrigir aspectos de conteúdo ou pedagógicos que seriam de difícil correção depois da gravação. Tal cuidado evita retrabalhos que incidiriam em majoração de custos. Por fim, uma última medida é ressaltada pela Abed ([2022a]) ao considerar as preocupações quanto à contratação de empresas terceirizadas para a realização de atividades educacionais a distância: a avaliação das etapas de trabalho e do projeto. As métricas de avaliação devem ser construídas em comum acordo entre contratante e contratada, de modo a perceber o mais rápido possível se algum ponto está ocorrendo fora do previsto. Segundo a Abed ([2022a], documento on-line): A avaliação nas etapas permite negociações e mudanças de rumo, quando for o caso. Evita acumular distorções nas interpretações e garante seguir uma trilha mais segura na direção do desenvolvimento dos produtos. A contratante e a con- tratada devem buscar uma parceria em que cada um colabore da melhor maneira possível no processo. A preocupação aqui é garantir aos gestores que o investimento realizado traga o retorno esperado e, ao mesmo tempo, garantir prontidão para o ajuste de rumos caso se perceba que o serviço estregue não atende às expectativas. É muito importante conhecer também os detalhes dos contratos firmados para decidir quanto à pertinência e ao ensejo de trocar de fornecedor, caso esta seja a melhor alternativa para as instituições que ofertam a EAD. Muitas IES ou universidades corporativas efetivam a oferta de seus ser- viços educacionais por meio de parcerias que colaboram com os projetos disponibilizando plataformas de webconferência, bibliotecas e ambientes virtuais de aprendizagem, entre tantas outras soluções disponíveis. Para evitar dissabores na contratação de terceiros, uma série de recomendações deve ser seguida, de modo a garantir que os investimentos realizados entreguem a qualidade esperada. Os profissionais e fornecedores da EAD14 Referências ABED. Censo EAD.BR 2020: relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil. Curitiba: InterSaberes, [2022b]. ABED. Orientações para escolha de fornecedores de soluções para a educação a dis- tância: projeto de EAD: algumas dicas para contratação de fornecedores de serviços e soluções. São Paulo: Abed, [2022a]. Disponível em: https://www.abed.org.br/site/pt/ universo_ead/orientacoes_fornecedores/. Acesso em 08/09/2022. AMARAL, R. M. et al. Modelo para o mapeamento de competências em equipes de inteligência competitiva. Ciência da Informação, v. 37, n. 2, 2008. Disponível em: https:// revista.ibict.br/ciinf/article/view/1208. Acesso em: 23 set. 2022. BEHAR, P. A. Competências em educação a distância. Porto Alegre: Penso, 2013. BRASIL. Ministério da Educação. Instrumento de avaliação de cursos de graduação presencial e a distância. Brasília: MEC, 2017. BRASIL. Ministério da Educação. Referenciais de qualidade para educação superior a distância. Brasília: MEC, 2007. DÁVALOS, C. G.; VÁSQUEZ, G. A. N. 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