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Profa. Ms. Juliana Leonel Contribuição: Profa. Ms. Cyndi Morão juliana.leonel@fmu.br Prof.ª Ms. Cindy Morão Neuropsicóloga cindy.morao@fmu.br cindy@morao.com.br 2 3 ▪ A fim de tratar os transtornos psicológicos os clínicos devem ser primeiro capazes de diagnosticá-los ▪ Um manual diagnóstico serve para fornecer diagnósticos consistentes entre pessoas como base na presença e ausência de um conjunto de sintomas específicos ▪ Manual diagnósticos devem cumprir as funções: ▪ Confiabilidade – grau de consistência com que os clínicos fornecem diagnóstico ▪ Validade – diagnóstico caracterizar com precisão e clareza o estado psicológico de uma pessoa ▪ Na Grécia antiga, desde o século 5 a.C., Hipócrates buscou estabelecer um sistema de classificação para as doenças mentais. Palavras como histeria, mania e melancolia eram usadas para caracterizar algumas delas 4 ▪ Ao longo dos séculos seguintes, diversos termos foram sendo incorporados ao jargão médico, como, por exemplo: loucura circular, catatonia, hebefrenia, paranóia, etc. Entretanto, o primeiro sistema de classificação abrangente e de cunho verdadeiramente científico surgiu com os estudos de Emil Kraepelin (1856-1926), que reuniu diversos distúrbios mentais sob a denominação de demência precoce 5 ▪ O que Emil Kraepelin chamou de demência precoce, Bleuler definiu como esquizofrenia, ao lado de outros transtornos psicóticos, separando-os do quadro clínico da psicose maníaco-depressiva 6 ▪ Freud (1895), quase ao mesmo tempo, destacava da neurastenia uma síndrome, denominada neurose de angústia, que passou a ser classificada e estudada juntamente com outros tipos de neurose: hipocondríaca, histérica, fóbica e obsessivo-compulsiva. Esta terminologia perdurou até os anos 80, do século 20. 7 ▪ No ano de 1952, a Associação Psiquiátrica Americana (APA) publicou a primeira edição do “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais” (DSM-I), e as edições seguintes, publicadas em 1968 (DSM-II), 1980 (DSM-III), 1987 (DSM-III-R) e 1994 (DSM-IV), 2013 (DSM-5) foram revistas, modificadas e ampliadas 8 ▪ O DSM-III (1980) foi o mais revolucionário de todos e tornou-se um marco na história da psiquiatria moderna. ▪ Novas categorias diagnósticas foram descritas, como, por exemplo: ▪ Neurose de angústia - transtorno de pânico com e sem agorafobia ▪ Transtorno de ansiedade generalizada; a fobia social tornaram- se entidades nosológicas própria ▪ Psicose maníaco-depressiva - transtorno do humor bipolar, com ou sem sintomas psicóticos. ▪ O termo neurose deixou de ser usado, para não suscitar questões etiológicas, a palavra histeria desapareceu do texto, pelo mesmo motivo, a expressão doença mental foi substituída por transtorno mental, etc. 9 ▪ Em 1987, com a publicação do DSM-III-R, esta hierarquia foi abolida, e o manual passou a incentivar o uso simultâneo de dois ou mais diagnósticos num mesmo paciente. Surgiu, assim, o conceito de comorbidade, em psiquiatria, que foi confirmado pelo DSM-IV e amplamente difundido nos anos 90, sendo utilizado regularmente nos dias atuais 10 ▪ O DSM IV foi um sistema classificatório multiaxial – publicado nos anos 90 organizado de maneira a agrupar 16 classes diagnósticas distintas, que recebem códigos numéricos específicos e se distribuem por cinco grandes eixos. 11 • Eixo I – síndromes maiores • Eixo II – transtornos de personalidade + retardo mental (hoje, deficiência intelectual) • Eixo III – condições clínicas do cliente • Eixo IV – estresses psicossociais • Eixo V- nível de funcionamento global do cliente ▪ Publicado pela Associação Americana de Psiquiatria em 2013 ▪ A organização atual inicia com transtornos do neurodesenvolvimento e então segue os “transtornos internalizantes” seguidos pelos “internalizantes”. 12 13 ▪ O TEA (transtorno do espectro autista) é considerado um dos Transtornos do Neurodesenvolvimento. Existem vários transtornos do neurodesenvolvimento, como a Deficiência intelectual, TEA, Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e Dislexia. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) agrupa tais transtornos sob o nome de Transtornos do Neurodesenvolvimento, mas o que todos eles tem em comum que fazem todos serem Transtornos do Neurodesenvolvimento? 14 ▪ Esses transtornos são condições que têm início no período do desenvolvimento (infância ou adolescência) e são caracterizados por déficits que acarretam prejuízo nas atividades de vida diária, como na vida pessoal, social, acadêmico ou profissional. Esses prejuízos podem ser extensos e significativos, como nas deficiências intelectuais, em que há um atraso no neurodesenvolvimento de maneira global, como os prejuízos podem ser específicos, como na Dislexia, em que há apenas prejuízo na leitura. 15 16 Transtornos Externalizantes • Transtornos que envolvem sintomas impulsivos, de conduta disruptiva e de uso de substância. Transtornos Internalizantes • Transtornos como ansiedade, depressivos e somáticos. ▪ Temos 22 capítulos – organizados de modo que os transtornos relacionados apareçam próximos uns dos outros 17 18 19 20 ▪ Indivíduos anteriormente diagnosticados como “histéricos” eram ridicularizados, nas salas de atendimento de urgência, por não terem o seu sofrimento reconhecido pelos médicos. ▪ Muitos deles sofriam, na verdade, de ataques de pânico e eram desmoralizados porque os seus sintomas eram mal interpretados por quem os atendia ▪ A fobia social, negligenciada por todas as classificações anteriores ao DSM-III, foi descrita como uma entidade nosológica separada, e os estudos subsequentes mostraram tratar-se do mais comum dos transtornos de ansiedade, atingindo cerca de 12% da população geral 21 ▪Tratamento – inclusive em hospitais ▪Reembolso planos de saúde ▪Benefícios - lesgislação 22 ▪ A Organização Mundial de Saúde desenvolveu a CID (Classificação Internacional de Doenças) como um sistema diagnóstico comum para as 110 nações membro ▪ A CID-11, que será apresentada para adoção dos Estados Membros em maio de 2019 (durante a Assembleia Mundial da Saúde), entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022. Essa versão é uma pré- visualização e permitirá aos países planejar seu uso, preparar traduções e treinar profissionais de saúde. 23 ▪ Não deve ser usado como uma lista infalível, que, sendo preenchida, fornece automaticamente um diagnóstico psiquiátrico. Em mãos inexperientes, os resultados são desastrosos. ▪ Diagnóstico clínico – percepções diferentes ▪ Pode causar estigma uma vez que divide “normal e anormal” 24 Principal Comorbido Diferencial 25 Conhecimento da queixa Conhecimento da sua história pessoal e entrevistas Exame psíquico e testes Exames médicos, complementares 26 ▪ Posturas que o entrevistador deve evitar: 1. Posturas rígidas, estereotipadas - deve buscar uma atitude flexível, que seja adequada à personalidade do doente, aos sintomas que apresenta no momento, à sua bagagem cultural, aos seus valores e à sua linguagem 2. Atitude excessivamente neutra ou fria – muito frequentemente em nossa cultura, transmite ao paciente sensação de distância e desprezo 27 3. Reações exageradamente emotivas ou artificialmente calorosas, que produzem, na maioria das vezes, uma falsa intimidade. 4. Comentários valorativos ou emitir julgamentos sobre o que o paciente relata ou apresenta 5. Reações emocionais intensas de pena ou compaixão 6. Responder com hostilidade ou agressão às investidas hostis ou agressivas de alguns pacientes. 7. Entrevistas excessivamente prolixas, nas quais o paciente fala, fala, fala, mas, no fundo, não diz nada de substancial sobre seu sofrimento 28 “Uma dificuldade comum nas entrevistas realizadas em serviços públicos é a falta de tempo dos profissionais, excesso de trabalho, estresse e condições físicas (arquitetônicas) de atendimento precárias. Assim, muitas vezes o profissionalde saúde está impaciente para ouvir pessoas com queixas pouco precisas (os “poliqueixosos”), rejeita aqueles doentes que informam de forma vaga ou que estão muito desorganizados psiquicamente. Entretanto, no atendimento em saúde, a paciência do entrevistador é fundamental”. 29 30 31 32 33 34 35 36 ▪ Pacientes com quadro demencial, déficit cognitivo, em estado psicótico grave e em mutismo geralmente não conseguem informar dados sobre sua história, sendo, nesses casos, fundamental a contribuição do acompanhante. 37 ▪ Dissimulação - o ato de esconder ou negar voluntariamente a presença de sinais e sintomas psicopatológicos. ▪ Simulação - tentativa do paciente de criar, apresentar, como o faria um ator, voluntariamente, um sintoma, sinal ou vivência que de fato não tem 38 ▪ Segundo Jung (1999), a transferência não é mais que o processo comum de projeção: o paciente tende a projetar inconscientemente no médico os afetos básicos que nutria (e nutre) pelas figuras significativas de sua vida. ▪ A contratransferência é, em certo sentido, a transferência que o profissional estabelece com seus pacientes. Da mesma forma que o paciente, o profissional de saúde projeta inconscientemente, no paciente, sentimentos que nutria no passado por pessoas significativas de sua vida 39 David (1990) propôs ser o insight composto por três componentes: consciência da doença; modo de nomear ou renomear os sintomas; adesão a tratamentos propostos 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 ▪ O Exame do estado mental (EEM) é o processo através do qual o profissional que trabalha com saúde mental (geralmente psiquiatras e psicólogos) examina sistematicamente o estado mental de um paciente. ▪ Cada função mental é considerada separadamente de uma forma paralela a um exame físico. Muito do material do EEM é coletado durante a história clínica. O resultado do exame e da entrevista clínica são combinados para se formular o diagnóstico psiquiátrico. 51 1. Internet - Facilidade para os pacientes forjarem sintomas e diagnósticos, com variadas intenções e ganhos 2. A ânsia pela rapidez e pela objetividade estimulou o desenvolvimento de entrevistas de 30 minutos, com etapas cronometradas, em que quatro minutos são dedicados ao EEM 3. Cerca de dois terços deles o instrumento de pesquisa é o Miniexame do Estado Mental (MEEM) – serve para rastreamento e monitoramento da evolução, e não de diagnóstico, sua sensibilidade deixa muito a desejar quando usado isoladamente, como indica a revisão da literatura no tema 52 53 54 55 REFERÊNCIAS