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Cap. 12 - Consciência 
 
Alterações patológicas quantitativas da 
consciência: rebaixamento do nível de consciência 
 
As alterações patológicas da consciência podem ser divididas em dois grandes grupos: as quantitativas (quanto o 
nível de alerta diminui) e as qualitativas (quando a qualidade da percepção da realidade muda) 
 
1. Alterações Quantitativas (Rebaixamento do Nível de Consciência): Neste grupo, a consciência diminui de 
forma progressiva, como se o "brilho" da mente estivesse apagando 
 
Os graus são: 
 
● Obnubilação: É um rebaixamento leve a moderado. A pessoa parece sonolenta ou apenas "lenta" para 
entender as coisas e se concentrar, sentindo-se um tanto perplexa e confusa 
 
● Torpor: O paciente está visivelmente sonolento. Ele só acorda se for chamado ou estimulado com energia, 
mas volta a dormir logo em seguida. 
 
● Sopor: Um estado profundo de sonolência onde a pessoa só desperta por curtíssimos instantes após 
estímulos muito dolorosos. Ela não consegue realizar nenhuma ação voluntária sozinha. 
 
● Coma: É a perda completa da consciência. Não há qualquer atividade voluntária ou sinal de consciência, 
podendo haver perda de reflexos básicos. 
 
Também existem as perdas abruptas, como desmaios e síncopes, que duram de segundos a minutos e podem ser 
causadas por emoções fortes ou problemas físicos 
 
2. Síndromes Clínicas Importantes 
 
As fontes destacam quadros específicos que envolvem o rebaixamento da consciência: 
 
● Delirium: Muito comum em hospitais e idosos, é uma confusão mental aguda que oscila durante o dia e 
piora muito à noite. O paciente fica desorientado, não consegue se concentrar e pode ter alucinações 
visuais, como ver bichos (zoopsias). 
 
● Estado Onírico: O indivíduo entra em um estado de "sonho vívido" enquanto está acordado. Geralmente 
envolve visões fantásticas ou aterrorizantes de cenas complexas, como lutas ou incêndios 
 
3. Alterações Qualitativas (Mudanças no Campo da Consciência). 
 
Aqui, o foco da consciência se estreita ou se fragmenta, mesmo que o nível de alerta não tenha caído tanto. 
 
● Estados Crepusculares: A consciência fica "afunilada" em algumas ideias ou sentimentos específicos. O 
paciente pode realizar atos automáticos (como caminhar ou gesticular) de forma coordenada, mas sem 
plena consciência, e costuma ter amnésia total depois. É comum em casos de epilepsia 
 
● Dissociação da Consciência: É uma perda da unidade psíquica. O indivíduo costuma se "desligar" da 
realidade para não sofrer, geralmente após um trauma ou ansiedade extrema. 
 
● Transe e Hipnose: São estados de atenção muito concentrada e consciência reduzida. O transe é comum 
em contextos religiosos, enquanto a hipnose é uma técnica induzida por outra pessoa. 
 
4. Outras Vivências. 
 
● Perplexidade Patológica: O paciente perde a sensação de que o mundo é "natural" e óbvio. Tudo parece 
estranho, bizarro e impossível de entender, o que causa muita angústia. É muito comum no início de surtos 
psicóticos. 
 
● Experiência de quase-morte (near death experience – NDE): Um estado especial de consciência é 
verificado em situações críticas de ameaça grave à vida. Quando alguns sobreviventes afirmam ter 
vivenciado as chamadas experiências de quase-morte (EQMs). São experiências muito rápidas (de 
segundos a minutos) em que um estado de consciência particular é vivenciado e registrado por essas 
pessoas. 
 
Semiotécnica da consciência-I 
Lembrar que qualquer alteração do nível de consciência repercute no funcionamento global do psiquismo. O 
nível de consciência deve ser averiguado no início da avaliação do paciente. 
Observar a fácies e a atitude do paciente e, se possível, notar se ele está desperto, levemente sonolento ou 
claramente sonolento. 
Notar se o paciente está perplexo, com dificuldade de integrar coerentemente os estímulos ambientais, se a 
atenção está diminuída e a concentração prejudicada. 
Lembrar que é por meio da orientação (sobretudo temporoespacial) que, muitas vezes, se verifica a alteração no 
nível de consciência. Perguntar sobre dia da semana, do mês, em que mês e ano estamos e, 
aproximadamente, que horas são no momento. 
Teste da parede ou do papel branco: pedir ao paciente que olhe atenta e fixamente para uma parede branca (ou 
papel grande branco); o indivíduo com leve rebaixamento do nível de consciência pode, ao fazer isso, apresentar 
alucinações visuais simples ou complexas. 
 
 
Perdas abruptas da consciência 
 
As perdas abruptas da consciência são episódios geralmente transitórios, durando de segundos a minutos, que 
podem ser provocados por fatores emocionais, neuro funcionais ou orgânicos. 
 
Essas ocorrências recebem diferentes denominações, como lipotimia, síncope e o termo popular desmaio. 
 
● Lipotimia: Caracteriza-se pela perda parcial e rápida da consciência (apenas segundos), acompanhada de 
visão borrada, palidez, suor frio e vertigens. O indivíduo tem a sensação desagradável de que vai desmaiar, 
mas o quadro é rápida e completamente reversível. 
 
● Síncope: Designa um colapso súbito com perda abrupta e completa da consciência e do tônus muscular, 
levando à queda ao chão. Seu mecanismo básico é a interrupção ou insuficiência da irrigação sanguínea 
cerebral por causas diversas. 
 
As fontes detalham as condições que mais frequentemente produzem essas perdas abruptas: 
 
● Hipotensão Ortostática: Ocorre quando a pessoa se levanta rapidamente, causando uma queda na pressão 
arterial e redução do fluxo cerebral; a recuperação é rápida ao deitar-se. 
 
● Hipoglicemia: Nível baixo de açúcar no sangue, comum em períodos de jejum, manifestando-se com 
tremores, sudorese, palpitações e confusão mental. 
 
● Síncope Vasovagal: Desencadeada por emoções fortes, medo, dor ou visões desagradáveis; gera uma 
vasodilatação periférica súbita que diminui a irrigação do cérebro. 
 
● Hipocapnia por Hiperventilação: Associada a crises de ansiedade ou pânico, onde a respiração acelerada 
provoca a constrição dos vasos cerebrais. 
 
● Síncopes Cardíacas: Resultam de doenças como arritmias ou infarto, podendo ocorrer em qualquer 
posição física. 
 
● Crise Dissociativa: Queda curta e brusca, com movimentos bizarros, geralmente sem que o paciente se 
machuque; costuma ocorrer em situações estressantes na presença de outras pessoas. 
 
● Crises Convulsivas (Epilepsia): Caracterizam-se por despolarização intensa do córtex cerebral, podendo 
haver perda de urina e uma recuperação lenta marcada por fadiga, confusão e dor muscular 
 
● Síncopes por Estímulo Vagal: Podem ser disparadas por tosse paroxística intensa, micção, defecação ou 
dor visceral. 
 
Cap. 13 - Atenção 
 
Transtornos mentais 
 
A atenção é afetada em diferentes condições psicopatológicas graves. De modo geral, as alterações mais frequentes 
são encontradas no TDAH, nos transtornos do humor, no TOC e na esquizofrenia. 
 
1. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). 
 
No TDAH, há uma dificuldade marcante em direcionar e manter a atenção tanto a estímulos internos quanto 
externos 
 
● O paciente apresenta capacidade prejudicada para organizar e completar tarefas; 
 
● Existe uma falha na inibição de respostas (impulsividade), o que dificulta o autocontrole necessário para a 
regulação emocional; 
 
● Neurologicamente, associa-se a uma hipofunção do circuito atencional cíngulo-frontal-parietal. 
. 
2. Transtornos do Humor (Depressão e Mania) 
 
Mania: O indivíduo apresenta uma diminuição acentuada da atenção voluntária e um aumento da atenção 
espontânea. Isso gera um estado de hipervigilância e hipotenacidade, no qual a atenção "salta" rapidamente de um 
estímulo para outro sem se fixar em nada. 
 
Depressão: Frequentemente ocorre uma diminuição geral da atenção (hipoprosexia). Em casos graves, pode haver 
hipertenacidade focada em temas depressivos (como fracasso e culpa), acompanhada de hipovigilância (dificuldade 
de mudar o foco para outros estímulos) 
 
3. Transtorno Obsessivo-Compulsivo(TOC) 
 
Pessoas com TOC apresentam uma vigilância e atenção excessivas e desreguladas. Esses déficits frequentemente 
se sobrepõem a alterações nas funções executivas, como dificuldades no planejamento e na alternância do foco da 
atenção (set-shifting) 
 
4. Esquizofrenia 
 
O déficit de atenção é considerado um aspecto central da esquizofrenia. 
 
● O paciente tem grande dificuldade em filtrar informações irrelevantes, sendo facilmente distraído por 
estímulos visuais e auditivos externos; 
 
● Sob testes, esses indivíduos revelam lentificação no tempo de reação e dificuldade marcante com a atenção 
sustentada; 
 
● Essas dificuldades atencionais estão correlacionadas à presença de sintomas positivos, como alucinações e 
delírios. 
 
A avaliação clínica desses pacientes (semiotécnica) deve incluir perguntas sobre a facilidade de distração, 
capacidade de organização e conclusão de tarefas, além de testes psicológicos padronizados como o teste de dígitos 
e o teste de códigos. 
 
SEMIOTÉCNICA DA ATENÇÃO: A AVALIAÇÃO DO PROCESSO 
ATENCIONAL 
Testes de atenção 
 
Os testes de desempenho contínuo (CPTs) são as ferramentas mais utilizadas para medir a atenção sustentada e o 
nível de alerta, especialmente no diagnóstico de TDAH. Durante o CPT, o sujeito deve focar em uma sequência 
rápida de estímulos e responder apenas quando um alvo específico aparece, inibindo respostas para estímulos 
distratores. O desempenho é medido por quatro índices: detecções corretas, tempo de reação, erros por omissão 
(que indicam distraibilidade) e erros por co-omissão (que sugerem impulsividade). 
 
A avaliação do processo atencional, ou semiotécnica da atenção, inicia-se com uma triagem clínica baseada em 
perguntas ao paciente e seus familiares sobre dificuldades em se concentrar, facilidade de distração e incapacidade 
de organizar ou terminar tarefas. 
 
Testes Específicos de Atenção: 
 
● BPA (Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção): É um instrumento abrangente que avalia os tipos 
sustentada, seletiva, dividida e alternada da atenção; 
 
● CTT (Teste das Trilhas Coloridas) e TMT (Teste de Trilhas A e B): Focam na atenção seletiva e 
alternada, além de planejamento e sequenciamento. O Teste de Trilhas B também é sensível à memória de 
trabalho. Por serem rápidos, não são ideais para medir a atenção sustentada; 
 
● Teste de Cancelamento dos Sinos: Avalia a atenção seletiva e sustentada por meio da busca visual de 
sinos entre diversos estímulos; 
 
● Teste FDT (Teste dos Cinco Dígitos): Mede o controle inibitório (um aspecto das funções executivas) e o 
efeito de interferência atencional, utilizando informações conflitantes entre números e quantidades; 
 
● Teste Stroop (Stroop Test): Avalia o controle inibitório e as atenções alternada e seletiva. O "efeito 
Stroop" testa a capacidade de inibir interferências cognitivas (ex: ler a palavra "verde" escrita em tinta azul) 
 
● Teste n-Back: Embora focado em memória de trabalho, é utilizado para avaliar a atenção sustentada ao 
solicitar que o paciente identifique letras que surgem em sequências específicas. 
 
Subtestes das Baterias Wechsler (WISC-III/IV e WAIS-III) 
 
Esses subtestes são comumente usados para inferir capacidades atencionais dentro de uma avaliação de 
inteligência: 
 
● Códigos: Avalia a atenção sustentada, alternada e seletiva, além da velocidade de processamento e 
coordenação motora. O paciente deve preencher símbolos associados a números o mais rápido possível em 
2 minutos; 
 
● Aritmética: Foca na atenção para cálculos mentais e na memória de trabalho; 
 
● Outros subtestes: As fontes citam também Procurar Símbolos, Completar Figuras, Sequência de Números 
e Letras, Cancelamento e Cubos como ferramentas que auxiliam na avaliação atencional. 
 
Na prática clínica, recomenda-se o uso de uma bateria de testes (como a BPA ou o conjunto Wechsler) para uma 
visão completa. Na ausência de recursos, uma avaliação mínima deve incluir, no mínimo, o Teste de Dígitos 
(atenção geral) e o Teste de Códigos (atenção sustentada e seletiva). 
 
 
Cap. 14 - Orientação 
 
A orientação e suas alterações 
 
A orientação, definida como a capacidade mental de situar-se em relação a si mesmo e ao ambiente. Essa função é 
um indicador sensível do estado geral da cognição, sendo afetada por perturbações no nível de consciência, 
atenção, memória e percepção. 
 
1. Tipos de Orientação 
A psicopatologia clássica, influenciada por Carl Wernicke, divide a orientação em duas categorias principais 
 
● Orientação Autopsíquica: Refere-se à capacidade do indivíduo de saber quem é (nome, idade, profissão, 
estado civil) 
 
● Orientação Alopsíquica: Diz respeito à capacidade de situar-se em relação ao mundo externo, 
subdividindo-se em: 
 
○ Espacial: Reconhecimento do local atual, orientação topográfica (arranjo da casa/quarto), 
geográfica e navegação (seguir rotas); 
 
○ Temporal: Reconhecimento do momento cronológico (hora, dia, mês, ano) e da duração e sucessão 
dos eventos. A orientação temporal é considerada mais sofisticada e complexa que a espacial, sendo 
geralmente a primeira a ser prejudicada em transtornos mentais. 
. 
2. Neuropsicologia da Orientação 
 
A desorientação temporoespacial ocorre geralmente por lesões corticais difusas (como no Alzheimer), lesões no 
sistema límbico (Síndrome de Korsakoff) ou patologias que afetam o tronco cerebral e o nível de consciência 
(delirium). 
 
● Áreas da Orientação Espacial: Relaciona-se a áreas posteriores do córtex (lobos parietais, occipitais e 
temporais), especialmente no hemisfério direito. Estruturas como o hipocampo e o córtex para-hipocampal 
são essenciais para reconhecer cenas e localidades. 
 
● Áreas da Orientação Temporal: Envolve redes amplas e complexas nos córtices frontal, parietal e 
temporal, além dos núcleos da base, ínsula e cerebelo. A percepção do tempo é influenciada por emoções e 
eventos sensoriais. 
. 
3. Psicopatologia (Tipos de Desorientação) 
 
A desorientação é classificada de acordo com a causa de base: 
 
● Por redução do nível de consciência (Torporosa/Confusa): É a forma mais comum, onde a turvação da 
consciência impede a apreensão clara da realidade; 
 
● Amnéstica: Incapacidade de fixar informações novas, perdendo o fluxo do tempo e espaço (ex: Síndrome 
de Korsakoff e demências); 
 
● Apática/Abúlica: Decorre de desinteresse ou apatia profunda (comum em depressão grave) 
 
● Delirante: O indivíduo acredita estar vivendo em um lugar ou tempo ditado por seus delírios. Pode haver a 
dupla orientação, onde a orientação falsa e a correta coexistem; 
 
● Por déficit intelectual: Dificuldade em compreender convenções sociais como calendários e horários; 
 
● Por dissociação (Histérica): Acompanha quadros de perda de identidade pessoal; 
 
● Por desagregação: Desorganização mental profunda que impede a orientação adequada (ex: esquizofrenia 
crônica); 
 
● Quanto à própria idade: Discrepância de 5 anos ou mais entre a idade real e a relatada (indicador de 
déficit cognitivo na esquizofrenia). 
 
4. Ordem de Recuperação 
 
Em casos de lesão cerebral reversível, a recuperação da orientação segue um padrão fixo: primeiro o indivíduo 
recupera a orientação autopsíquica, depois a espacial e, por último, a temporal. 
 
5. Semiotécnica (Avaliação) 
 
A avaliação clínica é feita através de perguntas simples e diretas: 
 
● Tempo: "Que dia é hoje?", "Em que ano estamos?", "Que horas são aproximadamente?" 
 
● Espaço: "Onde estamos?", "Qual o nome desta cidade?", "Em que andar estamos?" 
 
● Autopsíquica: "Qual o seu nome?", "Qual a sua idade?", "Quem são seus pais?" 
 
 
 
 
Cap. 17 - Memória 
 
ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA MEMÓRIA: 
ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS 
 
1. Alterações Quantitativas 
 
● Hipermnésias: Caracterizam-se por um fluxo acelerado de representações mnêmicas, comum em estados 
de mania ou hipomania, onde a clareza é sacrificada pelo número excessivo de imagens. Existe também a 
raríssima hipermnésia autobiográfica,na qual o indivíduo recorda detalhes minuciosos de quase todos os 
dias de sua vida, associada a uma conectividade aumentada entre a amígdala e o hipocampo; 
 
● Amnésias (ou Hipomnésias): Referem-se à perda da capacidade de fixar ou evocar conteúdos. Segundo a 
Lei de Ribot, a perda segue a ordem inversa da aquisição: perdem-se primeiro os elementos mais recentes, 
complexos e estranhos, e por último os antigos e familiares. 
 
○ Amnésia Anterógrada: Incapacidade de fixar novos elementos após o evento causador (comum em 
quadros orgânicos); 
 
○ Amnésia Retrógrada: Perda de memória para fatos ocorridos antes do início do transtorno (comum 
em quadros dissociativos); 
 
○ Amnésia Psicogênica/Dissociativa: Perda seletiva de elementos com valor simbólico ou afetivo, 
frequentemente relacionada a traumas 
 
2. Alterações Qualitativas (Paramnésias) 
 
Envolvem a deformação do processo de evocação. 
 
● Ilusões Mnêmicas: Acréscimo de elementos falsos a lembranças reais, dando-lhes um caráter fictício; 
 
● Alucinações Mnêmicas: Criações imaginárias com aparência de lembranças, sem qualquer base em fatos 
reais (comum na esquizofrenia); 
 
● Confabulações: Relatos falsos, mas plausíveis, produzidos sem a intenção consciente de mentir para 
preencher lacunas de memória; são típicas da Síndrome de Wernicke-Korsakoff; 
 
● Criptomnésias: Lembranças que aparecem como fatos novos ao paciente, que não as reconhece como 
recordações (comum em demências); 
 
● Ecmnésia: Revivescência panorâmica e intensa do passado, ocorrendo em breve período, como na "visão 
panorâmica da vida" em experiências de quase-morte. 
 
3. Alterações do Reconhecimento 
 
● Agnosias: Déficits no reconhecimento de estímulos sensoriais que não são explicados por deficiências 
sensoriais básicas; 
 
○ Prosopagnosia: Incapacidade de reconhecer faces familiares; 
 
○ Anosognosia: Incapacidade de reconhecer o próprio déficit ou doença (ex: não reconhecer uma 
paralisia); 
 
● Síndromes de Falsa Identificação Delirante: 
 
○ Síndrome de Capgras: Crença de que uma pessoa familiar foi substituída por um sósia impostor; 
 
○ Síndrome de Frégoli: Identificar falsamente um estranho como alguém conhecido disfarçado; 
 
○ Paramnésia Reduplicativa: Convicção de que lugares, objetos ou pessoas foram duplicados 
 
● Fenômenos Não Delirantes: Incluem o Déjà-vu (impressão de já ter visto algo novo) e o Jamais-vu 
(sensação de estranheza diante do familiar) 
 
4. Semiotécnica e Avaliação 
 
A avaliação clínica utiliza perguntas sobre fatos recentes e remotos, além de testes simples como o de memória 
visual (esconder objetos) ou memória lógica (repetição de uma história curta). Instrumentos padronizados como as 
escalas Wechsler (WMS) e o Miniexame do Estado Mental auxiliam no diagnóstico de perdas cognitivas 
significativas. 
 
Cap. 18 - Afetividade 
 
ALTERAÇÕES PSICOPATOLÓGICAS DA AFETIVIDADE 
 
1. Alterações do Humor 
As fontes definem distimia como a alteração básica do humor, seja para a inibição ou exaltação. 
 
● Depressão (Hipotimia): Caracteriza-se por tristeza patológica, melancolia, anedonia (incapacidade de 
sentir prazer) e, frequentemente, ideação suicida, que deve ser sempre investigada; 
 
● Euforia e Elação: A euforia é a alegria mórbida e desproporcional; na elação, soma-se a isso a sensação de 
grandeza e poder do Eu; 
 
● Puerilidade e Moria: A puerilidade é um humor infantil e regredido; a moria é uma alegria boba e 
ingênua, comum em lesões frontais e demências; 
 
● Irritabilidade Patológica: Uma hiper-reatividade hostil a estímulos externos, comum em quadros 
maníacos, depressivos e orgânicos; 
 
● Catatimia: É o termo para a influência profunda que o afeto exerce sobre as demais funções psíquicas 
(atenção, memória, percepção). 
 
2. Ansiedade e Angústia 
 
A ansiedade manifesta-se em duas dimensões: mental (medo difuso, insegurança) e física (taquicardia, sudorese, 
tensão muscular). Existem tipos específicos como: 
 
● A angústia de castração (Freud): seria o medo de perder ou ferir os genitais, de ser castrado, no contexto 
do complexo de Édipo (angústia de perda narcisista). 
 
● Angústia de morte ou de aniquilamento (escola kleiniana): É a sensação intensa de angústia perante 
perigo; 
 
● Ansiedade depressiva (escola kleiniana): O sujeito teme perder seus objetos bons; teme que estes 
(internalizados ou reais, externos ou internos) sejam destruídos juntamente com seu próprio Eu; 
 
● Ansiedade persecutória ou paranoide (escola kleiniana): É o tipo de ansiedade vivido como temor de 
retaliação feroz aos ataques imaginários; 
 
● Angústia de separação: Seriam as reações emocionais vividas pela criança quando separada da mãe; 
 
● Angústia existencial: Para a filosofia existencialista, a angústia não seria apenas um sintoma patológico, 
mas, antes de tudo, um estado anímico básico, constituinte do ser humano; 
 
● Ansiedade de desempenho: É a reação de ansiedade associada a temores em relação à execução de uma 
tarefa; 
 
● Ansiedade antecipatória: ansiedade vivenciada antes da ocorrência de uma situação estressante. 
 
3. Alterações das Emoções e Sentimentos 
 
● Fobias: Medos psicopatológicos desproporcionais e incompatíveis com o perigo real; 
 
● Apatia: Diminuição da excitabilidade emocional; o paciente sente que "tanto faz"; 
 
● Sentimento de Falta de Sentimento: Uma vivência penosa de vazio afetivo, onde o paciente sofre por não 
conseguir sentir nada; 
 
● Indiferença Afetiva ("Bela Indiferença"): Uma frieza teatral diante de sintomas graves, classicamente 
associada à histeria; 
 
● Labilidade e Incontinência Afetiva: A labilidade é a oscilação brusca de estados afetivos; a incontinência 
é a incapacidade de conter reações emocionais, mesmo diante de estímulos pequenos. 
 
4. Afetividade nas Psicoses (Esquizofrenia) 
 
Nas psicoses, os afetos podem sofrer redução ou alterações qualitativas: 
 
Redução: Inclui hipomodulação (rigidez na resposta), distanciamento e o embotamento afetivo (perda profunda e 
visível da expressão emocional). 
 
Alterações Qualitativas: 
 
● Ambivalência Afetiva: Sentir sentimentos opostos (amor e ódio) simultaneamente por um mesmo objeto; 
 
● Paratimia (Inadequação do Afeto): Reação emocional completamente incongruente com a situação ou o 
pensamento (ex: rir ao falar de uma tragédia); 
 
● Neotimia: Sentimentos e experiências afetivas inteiramente novos e bizarros. 
 
5. Valor Diagnóstico e Processamento Não Consciente 
 
Na depressão, predomina a desesperança; na mania, a elação e a irritabilidade; e na esquizofrenia, o embotamento e 
a ambivalência. Além disso, aborda as Emoções Não Conscientes (ENCs), mostrando que pacientes com ansiedade 
têm um "viés atencional" para ameaças, enquanto deprimidos respondem mais rapidamente a faces tristes, mesmo 
quando estas são apresentadas de forma tão rápida que não são percebidas conscientemente. Para a avaliação 
clínica, a semiotécnica utiliza perguntas sobre o estado de humor, medos, irritabilidade e o histórico temporal 
desses sentimentos. 
 
6. Transtornos de personalidade 
 
● Transtorno da personalidade borderline (TPB): humor disfórico e sentimentos crônicos ou recorrentes 
de vazio. Assim, a depressão nela é descrita como depressão com sensação de vazio interno. O humor e as 
reações afetivas podem ser descontrolados, muito instáveis, revelando a dimensão de impulsividade 
associada a esse transtorno da personalidade. 
 
DICA DA DÉBORA 
Se aparecer qualquer coisa relacionada a transtorno de personalidade borderline nas suas provas, lembre-se de 
mim na época de escola: eu era fragilizada, sempre mudando de humor; chorava, mas ria; era dramática, mas 
quieta muitas vezes. Minha depressão me fazia sentir um vazio tão grande ao ponto de querer morrer. 
 
● Transtorno da personalidade histriônica: humor infantilizado, superficial, com alta vulnerabilidade a 
estímulos emocionais do ambiente. 
 
● Transtornos da personalidade esquizoide e esquizotípica: podemocorrer vivências afetivas próximas ao 
descrito para a esquizofrenia: perplexidade, incremento de sentimentos de desconfiança, hipersensibilidade a 
estímulos emocionais ou distanciamento e certo aplainamento afetivo. 
 
7. Demência 
 
Resumindo: Todos os tipos de demências fazem ter apatia e o humor deprimido. Também aparência triste ou 
chorosa, recusa alimentar e perda de peso, queixas físicas múltiplas, irritabilidade, agressividade e agitação 
psicomotora, diminuição no interesse e prazer (anedonia) pelas coisas, insônia ou hipersonia, fadiga excessiva e 
falta de energia em quase todos os dias. 
 
 
BOAS PROVAS! 
	Cap. 12 - Consciência 
	Alterações patológicas quantitativas da consciência: rebaixamento do nível de consciência 
	Perdas abruptas da consciência 
	Cap. 13 - Atenção 
	Transtornos mentais 
	SEMIOTÉCNICA DA ATENÇÃO: A AVALIAÇÃO DO PROCESSO ATENCIONAL 
	Testes de atenção 
	Cap. 14 - Orientação 
	A orientação e suas alterações 
	Cap. 17 - Memória 
	ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA MEMÓRIA: 
	ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS 
	Cap. 18 - Afetividade

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