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supranuclear progressiva) apresentam desempenho quase normal em testes de memória episódica, mas revelam acentuada incapacidade de aprender novas habilidades motoras, visuoespaciais e linguísticas. Para as demências vasculares, inclusive a demência após AVC, os tipos de memória comprometidos (de trabalho, episódica, semântica ou de procedimentos) dependem muito de fatores como tipo de AVC, volume, número de AVCs e localização das lesões vasculares. Portanto, as perdas de memória nas demências vasculares são muito heterogêneas (Kalaria et al., 2016). De modo geral, esse tipo de memória não fica gravemente prejudicado na demência de Alzheimer, apresentando-se mais deteriorado (sobretudo como perda da capacidade de aprendizado motor) em outras doenças degenerativas que envolvem habilidades psicomotoras. ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA MEMÓRIA: ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS Hipermnésias Em alguns pacientes em mania ou hipomania, representações (elementos mnêmicos) afluem rapidamente, uma tempestade de informações ou imagens, ganhando em número, perdendo, porém, em clareza e precisão. A hipermnésia, nesses casos, traduz mais a aceleração geral do ritmo psíquico que uma alteração propriamente da memória (Nobre de Melo, 1979). Há outro tipo de hipermnésia, chamada hipermnésia para memória autobiográfica. Trata-se de um fenômeno raro, no qual o indivíduo tem uma memória autobiográfica quase perfeita (Parker et al., 2006). Foi estudado detalhadamente o caso de HK, um rapaz de 20 anos, cego de nascença, que apresentava hipermnésia autobiográfica. Sua memória para detalhes de vários eventos de sua vida passada era profunda e minuciosa, quase perfeita. Por meio de várias fontes, a memória de HK foi checada em relação ao diário de sua avó, entrevistas com vários familiares e registros de prontuários médicos do hospital onde ele era tratado, revelando-se altamente fidedigna (Ally et al., 2013). HK apresentava, em relação a controles, hipertrofia da amígdala direita (de cerca de 20%) e conectividade aumentada entre a amígdala e o hipocampo (10 vezes acima do desvio-padrão). A hipermnésia autobiográfica é considerada um 1. 2. 3. 4. fenômeno complexo, dependente de intricada interação entre memória episódica, memória semântica, habilidades visuoespaciais, memória para emoções, viagem mental no tempo, teoria da mente e funções executivas. Embora muito rara, ela fornece elementos valiosos para a compreensão da memória autobiográfica. Amnésias (ou hipomnésias) Denomina-se amnésia, de forma genérica, a perda da memória, seja da capacidade de fixar, seja da capacidade de manter e evocar antigos conteúdos mnêmicos. Em relação às amnésias associadas à memória episódica autobiográfica, cabe citar a Lei da regressão mnêmica, de Théodule Ribot (1839-1916), formulada em seu livro Les Maladies de la Mémoire, de 1881. Apesar de ter sido formulada há mais de um século, ela pode ser ainda de utilidade (Harand et al., 2012). Segundo a lei de Ribot (atualmente denominada temporally graded amnesia), no indivíduo que sofre uma lesão ou doença cerebral, sempre que esse processo patológico atinja seus mecanismos mnêmicos de codificação, armazenamento e recordação, a perda dos elementos da memória (esquecimento) segue algumas regularidades: O sujeito perde as lembranças e seus conteúdos na ordem e no sentido inverso que os adquiriu. Consequência do item anterior, ele perde primeiro elementos recentemente adquiridos e, depois, os mais antigos. Perde primeiro elementos mais complexos e, depois, os mais simples. Perde primeiro os elementos mais estranhos, menos habituais e, só posteriormente, os mais familiares. Em relação aos processos fisiopatológicos, as amnésias podem ser divididas em dois grandes grupos: psicogênicas ou dissociativas e orgânicas. Nas amnésias dissociativas, ou psicogênicas, há perda de elementos mnêmicos seletivos, os quais podem ter valor psicológico específico (simbólico, afetivo). O indivíduo esquece, por exemplo, uma fase ou um evento de sua vida (que teve um significado especial para ele), mas consegue lembrar de tudo que ocorreu “ao seu redor”. É quase sempre uma amnésia retrógrada (ver adiante). A amnésia dissociativa pode surgir em sequência a um episódio de trauma emocional e/ou relacionada a fuga dissociativa (quando o indivíduo foge de sua casa, em estado dissociativo). 1. Já nas amnésias orgânicas, a perda de memória é geralmente menos seletiva, em relação ao conteúdo emocional e/ou simbólico do material esquecido, do que na amnésia psicogênica. Em geral, perde-se primeiramente a capacidade de memorização de fatos e eventos recentes, e, em estados avançados da doença (geralmente demência), o indivíduo passa gradualmente a perder conteúdos mais antigos. Amnésia anterógrada e retrógrada Na amnésia anterógrada, o indivíduo não consegue mais fixar elementos mnêmicos a partir do evento que lhe causou o dano cerebral. Por exemplo, ele não lembra o que ocorreu nas semanas (ou meses) seguintes a um trauma craniencefálico. A amnésia anterógrada é um distúrbio-chave e bastante frequente na maior parte dos distúrbios neurocognitivos, transtornos de base orgânica. Já na amnésia retrógrada (verificável na amnésia dissociativa), o indivíduo perde a memória para fatos ocorridos antes do início do transtorno (ou trauma). Sua ocorrência, sem amnésia anterógrada, é observada em quadros dissociativos (psicogênicos), como a amnésia dissociativa e a fuga dissociativa (Othmer, 1994). De modo geral, é comum, após trauma craniencefálico, a ocorrência de amnésias retroanterógradas, ou seja, déficits de fixação para o que ocorreu dias, semanas ou meses antes e depois do evento patógeno. Alterações qualitativas (paramnésias) As alterações qualitativas da memória envolvem sobretudo a deformação do processo de evocação de conteúdos mnêmicos previamente fixados. O indivíduo apresenta lembrança deformada que não corresponde à sensopercepção original. Os principais tipos de paramnésias são: Ilusões mnêmicas. Nesse caso, há o acréscimo de elementos falsos a elementos da memória de fatos que realmente aconteceram. Por isso, a lembrança adquire caráter fictício. Muitos pacientes informam sobre seu passado indicando claramente deformações marcantes de lembranças reais: “Tive 20 filhos com minha mulher” (teve, de fato, 4 filhos com ela, mas não 20). Se não for uma deformação marcante, é difícil diferenciar a ilusão mnêmica do processo normal de recordação (pois a memória é um processo construtivo, que se refaz e modifica normalmente). As ilusões mnêmicas podem ocorrer na esquizofrenia, no transtorno delirante e, menos 2. 1. 2. 3. frequentemente, nos transtornos da personalidade (borderline, histriônica, esquizotípica, etc). Alucinações mnêmicas. São criações imaginativas, dotadas de sensorialidade, marcadamente com a aparência de lembranças ou reminiscências que não correspondem a qualquer elemento mnêmico, a qualquer lembrança verdadeira. Podem surgir de modo repentino, sem corresponder a qualquer acontecimento. Ocorrem principalmente na esquizofrenia e em outras psicoses. As ilusões e as alucinações mnêmicas constituem, muitas vezes, o material básico para a formação e a elaboração de delírios (delírio imaginativo ou delírio mnêmico). Confabulações (ou fabulações) (Dalla Barba; La Corte, 2015) Confabulações são produções de relatos, narrativas e ações que são involuntariamente incongruentes com a história passada do indivíduo, com sua situação presente e futura. As confabulações são caracterizadas por três aspectos básicos: Elas são memórias ou recordações falsas; a falsidade repousa ou no seu conteúdo,ou no seu contexto. A pessoa que confabula não sabe da falsidade de suas recordações. Confabulações são recordações plausíveis, ou seja, elas se parecem com o que poderia ter acontecido, mas que não aconteceu. As chamadas confabulações de embaraço são produzidas e estimuladas quando, na entrevista, se pergunta “se lembra de um encontro que tivemos há dois anos, em uma festa, em seu bairro?” ou “o que você fez no domingo anterior?”. A pessoa premida pela pergunta, sem perceber suas dificuldades de memória, passa a relatar fatos falsos relacionados às perguntas; plausíveis, mas falsos. Tradicionalmente, a psicopatologia considerou por muitas décadas que as confabulações eram formadas por elementos da imaginação do sujeito que completariam artificialmente lacunas de memória. Essas lacunas ou falhas seriam produzidas por déficit da memória de fixação, sobretudo da memória episódica. Além do déficit de fixação, a pessoa não seria capaz de reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia. As confabulações seriam, portanto, invenções involuntárias, produtos da imaginação do paciente, que preencheriam um vazio da memória. Atualmente, outras teorias têm sido propostas. Não cabe aqui apresentá-las detalhadamente. Algumas enfatizam a deslocação temporal das memórias, outras chamam atenção a déficits na monitoração das fontes de memórias (Dalla Barba, 1993). Outras, ainda, afirmam que as confabulações, sendo memórias falsas, mas plausíveis, se baseiam em lembranças de eventos pessoais que se repetiram, mas que são erroneamente associadas a eventos específicos e únicos falsos (Shakeel; Docherty, 2015). As confabulações ocorrem principalmente na síndrome de Wernicke- Korsakoff, frequentemente secundária ao alcoolismo crônico associado a déficit de tiamina (vitamina B1). Elas também podem ocorrer em traumatismo craniencefálico, encefalites que implicam os lobos temporais (como a encefalite herpética), intoxicação por monóxido de carbono, aneurisma da artéria comunicante anterior e doença de Alzheimer. No passado, pensava-se que ela praticamente só ocorria em transtornos psico-orgânicos; entretanto, constatou-se que também pode ocorrer, não muito raramente, na esquizofrenia (ver revisão em Shakeel; Docherty, 2015). As alterações anatômicas relacionadas às confabulações compreendem lesões nos corpos mamilares, no núcleo dorsomedial do tálamo, assim como no córtex orbitofrontal. Entretanto, cerca de outras 20 áreas lesadas já foram associadas às confabulações, indicando a complexidade de sua fisiopatologia (Dalla Barba; La Corte, 2015). Outras alterações qualitativas da memória Alguns autores (Alonso-Fernández, 1976; Sims, 2001) classificam como alteração qualitativa da memória (talvez por sua semelhança com as confabulações) a pseudologia fantástica, ou mentira patológica (histórias e construções fantasiosas, extensas e geralmente mescladas com a realidade, experimentadas com tanta intensidade que o sujeito quase crê nelas). Embora tal fenômeno possa utilizar elementos do passado, este não é o capítulo mais adequado para situá-lo. Ele será abordado no Capítulo 21, que trata do juízo de realidade. Criptomnésias Trata-se de um falseamento da memória, em que as lembranças aparecem como fatos novos ao paciente, que não as reconhece como lembranças, vivendo- as como uma descoberta. Por exemplo, um indivíduo com demência (como do tipo Alzheimer) conta aos amigos uma história muito conhecida como se fosse inteiramente nova, mas que, há poucos minutos, foi relatada por outra pessoa do grupo. Ecmnésia Trata-se da recapitulação e da revivescência intensa, abreviada e panorâmica da existência, uma recordação condensada de muitos eventos passados, que ocorre em breve período. Na ecmnésia, o indivíduo tem a vivência perceptiva de visão de cenas passadas, como forma depresentificação do passado. Esse tipo de ecmnésia pode ocorrer em alguns pacientes com crises epilépticas. O fenômeno denominado visão panorâmica da vida, associado às chamadas experiências de quase-morte, é, de certa forma, um tipo de ecmnésia, que ocorre geralmente associado à iminência da morte por acidente (sobretudo afogamento, sufocamento ou intoxicação). Quando a ecmnésia ocorre associada à proximidade da morte, alguns indivíduos que sobreviveram relatam ter visto um túnel, uma luz forte e uma névoa luminosa, associados a essa visão de “filme condensado da própria vida”. Lembrança obsessiva A lembrança obsessiva, também denominada ideia fixa ou representação prevalente, manifesta-se como o surgimento espontâneo de imagens da memória ou conteúdos ideativos do passado que, uma vez instalados na consciência, não podem ser repelidos voluntariamente pelo indivíduo. A imagem da memória, embora reconhecida como indesejável, reaparece de forma constante e permanece, como um incômodo, na consciência do paciente. Manifesta-se em indivíduos com transtornos do espectro obsessivo-compulsivo. ALTERAÇÕES DO RECONHECIMENTO As alterações do reconhecimento dividem-se em dois grandes grupos: as diferentes formas de agnosias, de origem essencialmente cerebral, e as alterações de reconhecimento psicopatológicas, mais frequentemente associadas aos transtornos mentais, sem base orgânica definida. Agnosias As agnosias são fenômenos relativamente raros, definidos como déficits do reconhecimento de estímulos sensoriais de objetos e fenômenos, que não podem 1. 1.1 1.2 ser explicados por um déficit sensorial elementar, por distúrbios da linguagem e da atenção ou por perdas cognitivas globais (Heiman; Valenstein, 1993). As agnosias são sempre de modalidades sensoriais específicas, nas quais o indivíduo perde a capacidade de reconhecimento (de objetos, faces, sons, etc.) por determinada via sensorial (visão, audição ou tato), mas pode reconhecer os objetos por outra via sensorial. As agnosias mais importantes são as visuais e as auditivas. Um longo e antigo debate científico entre os neuropsicólogos visa determinar se as agnosias são fundamentalmente alterações neuropsicológicas da percepção ou da memória. Uma vez que são transtornos do reconhecimento, elas podem ser descritas como transtornos do acoplamento da percepção à memória (Heiman; Valenstein, 1993). Os principais tipos de agnosia são: As agnosias visuais são aquelas nas quais o paciente não consegue mais reconhecer, pela visão, determinados objetos (ou faces, cores, etc.); enxerga- os, pode descrevê-los, mas não sabe o que realmente são. Se puder tocá-los, palpá-los ou cheirá-los (outra via sensorial), então poderá reconhecê-los. A representação dos objetos nas áreas visuais associativas occipitais e occipitotemporais é danificada (por tumor, lesão vascular, etc.). Frequentemente, em associação com a agnosia visual, há alterações (perdas) do campo visual, sobretudo superior. A prosopagnosia é um tipo de agnosia visual no qual o reconhecimento de faces humanas está prejudicado ou abolido. Atualmente, o conceito de prosopagnosia inclui também a incapacidade de reconhecer membros específicos de determinada classe semântica (ou grupo de objetos), como o caso real de um especialista/amante de aves (birdwatcher) que, após lesão cerebral, não mais reconhecia e diferenciava distintas aves entre o conjunto (habilidade que antes da prosopagnosia ele dominava perfeitamente). Lesões que produzem prosopagnosia são geralmente bilaterais e envolvem as áreas mesiais das regiões occipitotemporais, inclusive a área fusiforme. A agnosia para cores se caracteriza pela incapacidade do indivíduo de dizer o nome da cor quando esta lhe é mostrada, ou de apontar para a cor certa quando se lhe diz o nome dela. Entretanto, ele consegueter desempenho normal em testes não verbais de percepção de cores. A acromatopsia central é a perda da capacidade de ver cores. Ocorre por lesões na parte inferior ventromedial dos lobos occipitais (incluindo os 2. 2.1 2.2 2.3 giros fusiforme e lingual). A agnosia auditiva é a incapacidade de reconhecer sons (sem haver déficit auditivo), sejam não linguísticos (agnosia auditiva seletiva), sejam linguísticos (agnosia verbal). Os principais tipos de agnosia auditiva são: A agnosia verbal, ou surdez verbal pura, ocorre mais frequentemente por lesão da área auditiva primária, bilateral (giro de Heschl). O paciente pode falar, ler e escrever correta e fluentemente; entretanto, não entende as palavras faladas que ouve, apenas as reconhece como ruídos. Há também a cegueira verbal pura, na qual o indivíduo fala, escreve e entende palavras faladas normalmente; porém, não pode ler de forma compreensível um texto (alexia agnósticasem disgrafia, em geral acompanhada de inabilidade em nomear cores, apesar de percebê-las corretamente). A amusia sensorial é uma forma de agnosia auditiva, relativamente frequente, na qual a pessoa nasce sem a capacidade de reconhecer e usufruir da audição de sons musicais (diferenciar notas, melodias, harmonias, ritmo) ou a perde por lesões posteriores. As amusias se dividem em congênita (2-4% das pessoas) e adquirida (35-69% nos acidentes vasculares de artéria cerebral média). As áreas cerebrais disfuncionais na amusia estão localizadas principalmente no hemisfério direito e envolvem estruturas como os giros temporais inferior, médio e superior, os giros frontais e occipitais médios, a ínsula, a amígdala, o hipocampo, o núcleo caudado e o putâmen (Sihvonen et al., 2017). Outras alterações orgânicas do reconhecimento A anosognosia é a incapacidade do indivíduo em reconhecer um déficit ou uma doença que o acomete. Tipicamente, o paciente não reconhece, por exemplo, que tem a parte esquerda do corpo paralisada, chegando mesmo a não identificar a existência de um membro, como a perna esquerda. Já a simultanagnosia é a incapacidade de reconhecer mais de um objeto ao mesmo tempo. Por fim, a grafestesia é o reconhecimento da escrita pelo tato. Escrevem-se, na mão do paciente, letras ou números com um objeto semelhante a uma caneta (mas sem a tinta) e pede-se que ele os reconheça com os olhos fechados. O comprometimento da grafestesia é um indicativo de perturbação do reconhecimento por déficit da integração sensório-motora no nível cortical (Yudofsky; Hales, 1996). Alterações do reconhecimento associadas a transtornos mentais Alterações do reconhecimento/identificação de origem delirante (delusional misidentification syndrome) Essas alterações incluem os falsos desconhecimentos e falsos reconhecimentos produzidos por processos delirantes. São quadros delirantes muito peculiares, que envolvem desconhecimentos, reconhecimentos e falsas identificações. Nos falsos desconhecimentos, o paciente não reconhece pessoas muito familiares (como a mãe, a esposa ou marido, o filho, uma irmã) ou próximas. Ao ser visitado pelos pais, outros familiares ou amigos, o indivíduo afirma não os conhecer, diz nunca os ter vistos anteriormente. Com frequência, os falsos desconhecimentos são fenômenos delirantes, associados a quadros psicóticos, como esquizofrenia, mania ou depressão psicóticas. Os falsos reconhecimentos também ocorrem com certa frequência em quadros psicóticos agudos (p. ex., esquizofrenia, depressão psicótica, mania psicótica), em que o paciente identifica alguém desconhecido previamente (como um enfermeiro, uma médica ou um psicólogo da equipe) como se fosse seu conhecido há muito tempo; por exemplo, diz ao enfermeiro “você é meu avô”, ou à médica, “você é minha vizinha”. O paciente acredita fortemente em tais falsos reconhecimentos. Há falsos reconhecimentos, também delirantes, que se inserem em um dos tipos de síndromes delirantes de falsa identificação (delusional misidentification syndrome). Tais síndromes são apresentadas a seguir. Na síndrome de Capgras, o indivíduo afirma que uma pessoa próxima e familiar que o visitou dizendo ser seu pai ou sua mãe é, na verdade, um sósia quase idêntico, uma falsa cópia. Aquele que afirma ser o pai é um duplo, um sósia impostor, uma falsificação quase perfeita que o substituiu e quer que o paciente acredite tratar-se do seu verdadeiro pai. Um caso descrito por nós (Dalgalarrondo; Fujisawa; Banzato, 2002) foi o de uma jovem cega com a síndrome de Capgras que reconhecia seu marido (real) como um sósia. Esse falso reconhecimento ocorria não pela aparência física visual (pois a paciente era completamente cega), mas pelo tato e pelo odor. Ela dizia que a pele e o cheiro deles (marido e sósia) eram muito parecidos, mas, de fato, não era o verdadeiro marido que a visitava; era um impostor, uma cópia quase idêntica. Tal caso corrobora a ideia de que, na síndrome de Capgras, o ponto central não é a questão perceptiva (visual ou de outra modalidade), ou mesmo de memória, mas a alteração delirante implicada no reconhecimento de alguém significativo para o paciente. Na chamada síndrome de Capgras inversa (reverse Capgras), o sujeito acredita que houve transformação radical em si mesmo, que ele próprio é um impostor, e esse impostor passou a habitar seu corpo, não reconhecendo o corpo como o seu próprio e verdadeiro. O paciente afirma: “Este sujeito aqui é, na verdade, um sósia, uma cópia quase idêntica de mim mesmo”. A síndrome do duplo subjetivo é um tanto semelhante (e mesmo conceitualmente sobreposta) à de Capgras inversa. Nesse caso, o paciente acredita que outra pessoa se transformou fisicamente a ponto de tornar-se idêntica a ele, vindo a ser o seu próprio Eu, um duplo perfeito (Sims, 1995). Assim, essa psicopatologia é análoga à síndrome de Capgras, porém, o sósia, nesse caso, é o próprio Eu do indivíduo (ver: Rank, 1939). A síndrome de Frégoli é um falso reconhecimento delirante, em que o indivíduo identifica falsamente uma pessoa estranha como se fosse alguém de seu círculo pessoal. Na prática clínica, é frequente observar pacientes psicóticos que identificam o médico, o psicólogo ou o enfermeiro como uma pessoa de sua família ou como um velho conhecido, a quem atribuem o mesmo nome e com quem conversam como se fossem velhos amigos. Por sua vez, na síndrome de Frégoli inversa (reverse Frégoli), há a crença delirante de que houve (ou está havendo) uma mudança radical da própria aparência física, sem alteração do self psicológico. O corpo e a aparência física do paciente não são mais os mesmos, mas sua identidade psicológica permanece igual. Na síndrome de intermetamorfose, o indivíduo relata que certa pessoa de seu círculo familiar, geralmente percebida como perseguidora, e uma terceira, estranha, também perseguidora, têm características físicas e psicológicas em comum. Com o termo paramnésia reduplicativa se descreve um grupo de alterações delirantes do reconhecimento no qual a pessoa tem certeza subjetiva de que lugares familiares (como sua casa ou o hospital em que está internada), pessoas, partes do corpo ou objetos foram duplicados (ou triplicados, quadruplicados, etc.) (Politis; Loane, 2012). Em relação à duplicação de lugares, o paciente acredita, por exemplo, que o hospital onde está internado fora duplicado e ele foi trazido para lá (para o lugar duplicado). Sente que existem cópias (duas ou mais) de um mesmo lugar. É como se existissem dois mundos paralelos. A paramnésia reduplicativa pode ocorrer associada a outros quadros delirantesde falsos reconhecimentos. A paramnésia reduplicativa pode ser causada por afecções cerebrais como encefalopatia pós-traumática, tumores do terceiro ventrículo, acidentes vasculares, encefalopatias tóxicas ou metabólicas. Também pode ocorrer nas demências, na esquizofrenia e em outros transtornos psicóticos (Hakim et al., 1988). Valor diagnóstico De modo geral, os falsos desconhecimentos delirantes e os falsos reconhecimentos delirantes, assim como as demais síndromes delirantes dessa natureza, ocorrem com mais frequência associados a esquizofrenia, depressões graves psicóticas e síndromes psico-orgânicas agudas ou crônicas, com sintomas psicóticos, incluindo as demências. Entretanto, também podem se manifestar de forma isolada, sendo, então, classificados como transtorno delirante. O Quadro 17.3 apresenta um resumo das síndromes delirantes de falso reconhecimento e identificação. Quadro 17.3 | Resumo das síndromes delirantes de falso reconhecimento e identificação SÍNDROME DESCRIÇÃO Falso desconhecimento Não reconhecimento, durante episódio psicótico, de familiares (mãe, esposa, filho, etc.) ou de pessoas próximas. Síndrome de Capgras Uma pessoa próxima e familiar é considerada um sósia quase idêntico, uma cópia falsa. Síndrome de Capgras inversa O próprio Eu é percebido como um impostor, uma cópia falsa de si mesmo. Síndrome do duplo subjetivo Outra pessoa transformou-se fisicamente a ponto de tornar-se idêntica ao próprio paciente, um duplo quase perfeito de si mesmo. Falso reconhecimento ou síndrome de Frégoli Identificação falsa e delirante de uma pessoa estranha como se fosse alguém do círculo pessoal do paciente, disfarçada de estranho, enfermeiro ou médico. Síndrome de Frégoli inversa O próprio Eu físico do paciente é percebido como se transformando radicalmente; sua aparência não é mais a mesma, apenas sua identidade psicológica permanece igual. Síndrome de intermetamorfose Pessoa do círculo familiar do paciente, tida como perseguidor, e um estranho, também perseguidor, são percebidos apresentando características físicas e psicológicas em comum. • • • • • • • • Para uma boa revisão e análise das síndromes delirantes de falso reconhecimento e falsa identificação, ver Rodrigues e Banzato (2006). Alterações do reconhecimento não delirantes Os fenômenos apresentados a seguir não são, de modo geral, associados a psicose e podem estar presentes em condições neurológicas, psicopatológicas e em indivíduos sadios. Fenômenos do já visto (mais raramente do já ouvido, já vivido; do francês déjà-vu, déjà entendu, déjà vécu) São também chamados de fenômenos déjà. O indivíduo tem a nítida impressão de que o que está vendo, ouvindo ou vivenciando no momento já foi visto, já foi experimentado no passado. As experiências do tipo déjà (já visto, já ouvido, já vivido) são mais frequentes em quadros de epilepsia, sobretudo do lobo temporal, nas crises parciais simples. Tem sido proposto que disfunções nos lobos temporais, sobretudo nas áreas para-hipocampais, estariam relacionadas à base orgânica desses fenômenos (Illman N. A. et al, 2012). Em pessoas sadias, os fenômenos déjà são também observados, não estando claro seu significado neuropsicológico (O’Connor; Moulin, 2013). Além disso, são observados em pessoas sadias em estado de fadiga importante ou em estados de ansiedade (Wells et al., 2014). Fenômenos do jamais visto Mais raramente, descrevem-se os fenômenos do jamais visto (jamais-vu), assim como os do jamais ouvido e jamais vivido. Eles ocorrem quando o paciente, apesar de já ter passado por determinada experiência, tem a forte sensação de que nunca a viu, ouviu, pensou ou viveu. Seu significado ainda não é claro. Para semiotécnica da memória, ver Quadro 17.4. Para instrumentos neuropsicológicos de avaliação da memória, ver Quadro 17.5. Quadro 17.4 | Semiotécnica da memória PERGUNTAS RELATIVAS À MEMÓRIA RECENTE (APRESENTAR-SE INICIALMENTE AO PACIENTE) Há quanto tempo está nesta enfermaria (ou neste serviço de saúde, consultório)? Onde dormiu na última noite? Onde esteve ontem? E há uma semana? No mês passado? O que comeu ontem? E hoje? A que horas se levantou da cama? Trabalhou ou estudou ontem? E hoje? Há quanto tempo estamos conversando? Quem sou eu e qual é meu nome? • • • • • • • • • • • • • • • • • • 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. PERGUNTAS RELATIVAS À MEMÓRIA REMOTA Estado civil? Com que idade casou? Como se chama seu cônjuge? Que idade tem seu cônjuge? Em que cidade casou? Tem filhos? Como se chamam? Que idade têm? Como se chamam seus pais? Vivem ainda? Que idade têm? Onde nasceu? Foi à escola? Qual é o nome da escola/faculdade que cursou? Lembra-se do nome de algum professor? De algum colega de escola? Como era a cidade de sua infância e a de sua juventude? O que fez, em termos de trabalho ou atividade, no passado? Como aprendeu? Em que eleições você votou? Lembra-se do nome dos últimos presidentes? Se for viúvo/a, qual a data e causa da morte do cônjuge? Se for divorciado/a (separado/a), qual a data e motivo do divórcio (separação)? TESTES SIMPLIFICADOS DE MEMÓRIA Testes de memória verbal simples: Pedir ao paciente que preste atenção em quatro palavras aleatórias que serão ditas (p. ex., rua, cadeira, paz e chapéu). Solicitar que ele as repita em seguida, assegurando que prestou atenção e registrou imediatamente o que foi dito. Deixar passar 5 a 10 minutos (fazer alguns exames de força muscular e reflexos neurológicos ou solicitar ao paciente que conte de frente para trás, a partir de 10). Solicitar, então, que ele repita as palavras (ele deve recordar 3 ou 4 palavras). Teste de memória visual: Esconder quatro objetos (p. ex., caneta, relógio, chave e livro) diante do paciente, que repete imediatamente o nome dos objetos e diz onde eles estão. Continuar a testagem (outros testes ou perguntas) e, após 10 minutos, solicitar ao indivíduo que diga onde estão os objetos escondidos. Pessoas com memória visual normal (e sem afasias) tendem a lembrar de 3 a 4 locais. Teste de memória verbal por associação de palavras: Dizer ao paciente que vai ler uma lista de 10 pares de palavras, relacionadas logicamente entre si (p. ex., alto-baixo). Depois, pronunciar a primeira palavra do par e pedir ao indivíduo que diga a palavra correspondente. Por exemplo, “Quando eu disser alto, você deve dizer baixo”. Ler, primeiramente, todos os pares devagar e de forma bem pronunciada, pedindo ao paciente para que preste atenção. Em seguida, falar a primeira palavra do par e solicitar que ele diga a correspondente. Exemplo de lista de palavras: grande-pequeno/livro-caderno/cadeira-móvel/chuva-barro/criança-brinquedo/sol-verão/monstro-medo/rio- água/dinheiro-luxo/professor-escola. O indivíduo adulto, sem déficit de memória verbal, acerta, pelo menos, cerca de seis palavras. Teste de memória lógica (repetição imediata de uma história): Contar ao paciente uma história simples com 16 itens distintos. Por exemplo: (Pedro); (de 23 anos); (ajudante de mecânico); (morador de Hortolândia); (foi ao cinema); (com sua namorada); (na saída da sessão); (viu um assalto); (dois homens fortes); (com revólveres na mão); (disseram a uma velha); (que entregasse a bolsa); (ela ficou nervosa); (caiu no chão); (bateu a cabeça); e 16. (foi levada para o hospital). Solicitar, em seguida, que o paciente repita a história completa. De modo geral, o indivíduo sadio consegue lembrar pelo menos 5 a 6 segmentos narrativos. Quadro 17.5 | Instrumentos neuropsicológicos padronizados para a avaliação da memória TESTE DESCRIÇÃO Subtestes Dígitos e Vocabulário do WISC-IV e do WAIS- III Avaliam memória imediata e memória semântica. As escalas de inteligência e esses subtestes foram validados no Brasil. São de uso exclusivo por psicólogos. Subteste de Memória Lógica da Wechsler Memory Scale (WMS)1 A WMS é o instrumento padronizado mais utilizado nomundo para avaliar a memória. Ele não foi integralmente traduzido e validado no Brasil. Entretanto, os subtestes para avaliar memória episódica recente e de longo prazo já foram traduzidos e validados. Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT)2 Um dos testes mais utilizados, avalia memória episódica recente e processo de evocação. Padronizado e validado por vários estudos internacionais e também no Brasil. Seu uso não é restrito ao psicólogo. Figuras Complexas de Rey Teste de memória visuoespacial que avalia memória recente visual e processo de evocação. Uso restrito por psicólogos (disponível Editora Pearson). Teste de Aprendizado Verbal da Califórnia3 Teste equivalente ao RAVLT. Um rival de peso que tem sido utilizado no mundo todo. No Brasil, está em fase de validação. Subtestes de Memória das baterias CERAD4 e CAMCOG5 Avaliam memória auditiva, visual, recente, de longo prazo, evocação e semântica. São subtestes análogos aos citados anteriormente. Foram padronizados no Brasil e não são restritos ao psicólogo. Devem ser usados, no entanto, apenas para triagem, e não para substituir a avaliação neuropsicológica mais ampla. Teste de Retenção Visual de Benton Teste, validado no Brasil, que avalia memória visual. Teste Comportamental de Memória de Rivermead Um dos testes mais completos, com melhor validade ecológica e valorizado pelos neuropsicólogos que atuam com idosos. Está em fase de estudos no Brasil. Memória Visual de Rostos e Teste de Memória de Reconhecimento Testes brasileiros, recentemente criados, para avaliar memória visual e episódica. WISC-III, Escala de Inteligência Wechsler para Crianças; WAIS-III, Escala de Inteligência Wechsler para Adultos; CERAD, Consortium to Establish a Registry for Alzheimer’s Disease; CAMCOG, Cambridge Cognitive Examination. 1 Martins et al., 2015; 2 Malloy-Diniz et al., 2007; 3 Selaimen et al., 2007; 4 Ribeiro et al., 2010; 5 Paradela et al., 2009. 1. 2. 3. 4. 5. 18. A afetividade e suas alterações Súbita, uma angústia... Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma! Fernando Pessoa DEFINIÇÕES BÁSICAS A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas. Sem afetividade, a vida mental torna-se vazia, sem sabor. “Afetividade” é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas, como o humor, as emoções e os sentimentos. Segundo o psicopatólogo hispano-cubano Emílio Mira y López (1896-1964), quanto mais os estímulos e os fatos ambientais afetam o indivíduo (até a intimidade do ser), mais nele aumenta a alteração e diminui a objetividade. Quanto menor a distância (real ou virtual) entre quem percebe e o que é percebido, mais o objeto se confunde com quem o percebe (Mira y López,1974). Assim, vai desaparecendo a possibilidade de configurar ou formar imagens delimitadas, e surge uma nova modalidade de experiência íntima, que afeta a totalidade individual e que, por isso mesmo, recebe o qualificativo de afetiva. Nesse sentido, para Mira y López (1974), “a fronteira entre a percepção e a afeição, entre a sensação e o sentimento, entre o saber e o sentir é a mesma fronteira entre o Eu e o não Eu”. Embora seja controversa a ordenação das experiências da vida afetiva, na tradição psicopatológica distinguem-se cinco tipos básicos de vivências afetivas: Humor ou estado de ânimo Emoções Sentimentos Afetos Paixões Capa Folha de Rosto Créditos Dedicatória Epígrafe Prefácio à 3ª edição Sumário PARTE I - Aspectos gerais da psicopatologia Capítulo 1 | Introdução geral à semiologia psiquiátrica O que é semiologia (em geral e semiologia médica e psicopatológica) Dimensão dupla do sintoma psicopatológico: indicador e elemento simbólico ao mesmo tempo Divisões da semiologia Síndromes e entidades nosológicas (transtornos específicos) Capítulo 2 | Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos Forma e conteúdo dos sintomas: patogênese e patoplastia A ordenação dos fenômenos em psicopatologia Capítulo 3 | Os principais campos e tipos de psicopatologia Psicopatologia descritiva versus psicopatologia dinâmica Psicopatologia médica versus psicopatologia existencial Psicopatologia comportamental e cognitivista versus psicopatologia psicanalítica Psicopatologia categorial versus psicopatologia dimensional Psicopatologia biológica versus psicopatologia sociocultural Psicopatologia operacional-pragmática versus psicopatologia fundamental Contribuições da psicologia à psicopatologia Relações da psicopatologia com a psicologia geral Capítulo 4 | A questão da normalidade e da medicalização A questão da normalidade em psicopatologia Critérios de normalidade Medicalização, psiquiatrização, psicologização Capítulo 5 | Contribuições das neurociências à psicopatologia Visão geral dos sistemas neuronais Desenvolvimento do cérebro no ciclo vital Funções e áreas cerebrais Porção anterior (frontal) versus posterior do cérebro Hemisfério esquerdo versus direito Neuropsicologia e psicopatologia Limites da aplicação da neuropsicologia e dos testes neuropsicológicos em psiquiatria Plasticidade neuronal: o cérebro transforma-se positiva e negativamente com a experiência Experiências negativas, transtornos mentais e neuroplasticidade (aspectos da epigenética) Genética molecular, neurociências e psicopatologia Capítulo 6 | Contribuições da filosofia à psicopatologia A relação mente-cérebro Perspectivas dualistas Dualismo interacionista ou cartesiano Dualismo paralelista Dualismo epifenomenista Perspectivas monistas Monismo espiritualista Monismos materialistas ou fisicalismos Fisicalismo 1: Teoria da identidade mente-cérebro ou espírito-matéria Fisicalismo 2: Eliminacionismo Fisicalismo 3: Teorias do duplo aspecto ou monismo anômalo Fisicalismo 4: Teoria da mente como emergente Fisicalismo 5: Behaviorismo analítico Fisicalismo 6: Funcionalismo em filosofia da mente Argumentos contra o fisicalismo O problema da causalidade em psicopatologia O problema da verdade em psicopatologia A questão dos valores em psicopatologia e na prática clínica Capítulo 7 | Princípios gerais do diagnóstico psicopatológico PARTE II - Avaliação do paciente e funções psíquicas alteradas Capítulo 8 | A avaliação do paciente Avaliação psicopatológica Avaliação física Avaliação neurológica Avaliação psicológica: o psicodiagnóstico Exames complementares Capítulo 9 | A entrevista com o paciente A(s) primeira(s) entrevista(s) O profissional se apresenta ao paciente Transferência e contratransferência A avaliação psicopatológica como um todo: anamnese, exame psíquico, exames somáticos e exames complementares Alguns pontos adicionais sobre a anamnese em psicopatologia Entrevista e dados fornecidos por um “informante” Sobre a confiabilidade dos dados obtidos: simulação e dissimulação Crítica do paciente e insight em relação a sintomas e transtornos Perspectiva transversal versus longitudinal Relato do caso por escrito Avaliação inicial e perguntas introdutórias Entrevistas diagnósticas padronizadas em psicopatologia Capítulo 10 | Aspecto geral do paciente e comunicação não verbal Aspecto geral do paciente Psicopatologia e semiologia da comunicação não verbal Comunicação não verbal Comunicação não verbal e psicopatologia Comunicação não verbal nas principais síndromes e transtornos psicopatológicos Depressão Ansiedade Esquizofrenia Autismo Mania Semiotécnica do aspecto geral do paciente e da comunicação não verbal Funções psíquicas elementares e suas alterações no exame do estado mental Capítulo 11 | Introdução às funções psíquicas elementares Advertência: limitações de uma psicopatologia das funções psíquicas Capítulo 12 | A consciência e suas alterações Definições básicas Neuropsicologia da consciência As bases neuroanatômicas e neurofuncionais do nível de consciênciaCampo da consciência O inconsciente Características funcionais do inconsciente Caráter dinâmico do inconsciente Alterações normais da consciência Ritmos circadianos Sono O sono normal O sonho Alterações patológicas da consciência Alterações patológicas quantitativas da consciência: rebaixamento do nível de consciência Perdas abruptas da consciência Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento prolongado do nível de consciência Delirium (ver também o tema no capítulo “Transtornos neurocognitivos”) Outras síndromes com rebaixamento prolongado do nível de consciência próximas ao delirium Alterações qualitativas da consciência Outras alterações da consciência Perplexidade patológica (perplexidade como experiência psicopatológica) Experiência de quase-morte (near death experience – NDE) Capítulo 13 | A atenção e suas alterações Definições básicas Psicologia da atenção Conceitos da psicologia e da psicopatologia clássicas da atenção Hábito e sensibilização A neuropsicologia contemporânea da atenção Neuropsicologia da atenção Atenção e funções executivas frontais Atenção e memória de trabalho Neuroanatomia e redes neurais da atenção1 Psicopatologia da atenção Valor diagnóstico das alterações da atenção Distúrbios neuropsiquiátricos e neuropsicológicos Transtornos mentais Semiotécnica da atenção: a avaliação do processo atencional (Ver quadro 13.1) Testes de atenção Os continuous performance tests Outros testes de atenção Capítulo 14 | A orientação e suas alterações Definições básicas Orientação espacial Orientação temporal Neuropsicologia da orientação Neuropsicologia da orientação espacial ou topográfica Neuropsicologia da orientação temporal Psicopatologia da orientação (alterações segundo a alteração de base) Capítulo 15 | As vivências do tempo e do espaço e suas alterações Definições básicas Percepção do tempo e senso de realidade Qualidades da vivência de tempo Espaço e tempo profanos e sagrados Anormalidades da vivência do tempo e ritmo psíquico nas síndromes depressivas e maníacas Ilusão sobre a duração do tempo Atomização do tempo Inibição da sensação de fluir do tempo (inibição do devir subjetivo) Alterações da vivência do tempo na esquizofrenia Anormalidades da vivência do espaço Capítulo 16 | A sensopercepção e suas alterações (incluindo a representação e a imaginação) Definições básicas Delimitação dos conceitos de imagem, representação e imaginação Novas perspectivas sobre fenômenos perceptivos: estudos sobre visão cega e percepção cega de odores Alterações da sensopercepção Alterações quantitativas da sensopercepção (Biller; Gruener; Brazis, 2011; Fuller, 2013) Alterações qualitativas da sensopercepção Tipos de ilusão Alucinações Alucinose Possíveis causas e teorias etiológicas das alucinações Abordagem fenomenológica das alucinações Perspectivas psicanalíticas das alucinações Teoria irritativa ou disfuncional cortical Alucinações como fenômeno de deaferentação/liberação neuronal Teoria da desorganização global do funcionamento cerebral e mental Teorias neurobioquímicas das alucinações Teoria da alucinação como transtorno da linguagem interna (inner speech) Estudos de neurociências e neuroimagem funcional (RM Funcional, PET, SPECT) das alucinações Psicopatologia da imaginação e da representação Alterações da representação (imagens representativas) Alucinação e delírio Capítulo 17 | A memória e suas alterações Definições básicas Fases ou elementos básicos da memória Memória segundo o tempo de aquisição, armazenamento e evocação Bases neurobiológicas da memória Fatores associados ao processo de memorização (codificação e armazenamento) Tipos específicos de memória Tipos dependentes do caráter consciente ou não consciente do processo mnêmico (memória explícita/declarativa versus implícita/não declarativa) Memórias, devaneios e viagem mental no tempo Tipos de memória classificados segundo a estrutura cerebral envolvida (ver revisão em Matthews, 2015) Memória de trabalho Memória episódica (Pause et al., 2013) Memória semântica Memória de procedimentos Alterações patológicas da memória: alterações quantitativas Hipermnésias Amnésias (ou hipomnésias) Amnésia anterógrada e retrógrada Alterações qualitativas (paramnésias) Confabulações (ou fabulações) (Dalla Barba; La Corte, 2015) Outras alterações qualitativas da memória Alterações do reconhecimento Agnosias Outras alterações orgânicas do reconhecimento Alterações do reconhecimento associadas a transtornos mentais Alterações do reconhecimento/identificação de origem delirante (delusional misidentification syndrome) Alterações do reconhecimento não delirantes Capítulo 18 | A afetividade e suas alterações Definições básicas Humor ou estado de ânimo Emoções Sentimentos Afetos Paixões Emoção versus razão Reação afetiva Tipos e classificações das emoções Experiências afetivas negativas e positivas Polos ou valências da afetividade: domínios e construtos do Research Domain Criteria São as emoções das pessoas as mesmas em todo o mundo? Emoções universais, primárias ou básicas Emoções secundárias ou sociais (não universais) Emoções de fundo Emoções não conscientes (revisão em Lee et al., 2016) Teorias da afetividade e das emoções Teoria de James-Lange (1884) Teoria de Cannon-Bard (1927, 1929) Teoria de Schachter-Singer, ou teoria dos dois fatores (1962) Teoria de Lazarus (1966, 1977) Aspectos cerebrais e neuropsicológicos das emoções O sistema límbico e as emoções: contribuição de Papez-MacLean A amígdala Os lobos frontais e as emoções: córtex orbitofrontal e córtex frontal ventromedial (Franks, 2010; Lindquist et al., 2012) O lobo parietal direito O circuito septo-hipocampal Aspectos psicodinâmicos das emoções e vida afetiva Concepção freudiana Concepção de Melanie Klein Alterações psicopatológicas da afetividade Alterações do humor Catatimia Ansiedade, angústia e medo Alterações das emoções e dos sentimentos Medo Fobias Pânico: crises de pânico e transtorno de pânico Apatia Sentimento de falta de sentimento Anedonia Indiferença afetiva e “bela indiferença” Labilidade afetiva e incontinência afetiva Redução dos afetos nas psicoses Hipomodulação do afeto Distanciamento afetivo e pobreza de sentimentos Embotamento afetivo e devastação afetiva Afetos qualitativamente alterados nas psicoses Ambivalência afetiva Inadequação do afeto ou paratimia Neotimia Valor diagnóstico Transtorno depressivo Mania Esquizofrenia Transtornos da personalidade Demências e outras condições neuropsiquiátricas (revisões em Baquero; Martín, 2015; Kratz, 2017) Emoções não conscientes em pessoas com transtornos mentais (revisão em Lee et al., 2016) Instrumentos padronizados de avaliação da afetividade Capítulo 19 | A vontade, a psicomotricidade, o agir e suas alterações Definições básicas Ato volitivo ou ato de vontade Processo volitivo Comportamento moral, agressividade e funcionamento cerebral A ação do indivíduo sobre o mundo e os lobos frontais: funções executivas Atos volitivos, comportamentos morais e variabilidade cultural Alterações da vontade Hipobulia/abulia Atos impulsivos e atos compulsivos Atos impulsivos Atos compulsivos (ou compulsão) Bases neurobiológicas da impulsividade e da compulsividade (revisão em Fineberg et al., 2014) Tipos de impulsos e compulsões patológicas Impulsos e compulsões agressivas auto ou heterodestrutivas Impulsos e compulsões relacionados à ingestão de substâncias ou alimentos Atos e compulsões relacionados ao desejo e ao comportamento sexuais Outros impulsos e compulsões Outras alterações da vontade Alterações da psicomotricidade Estupor e catatonia Estupor Catatonia (revisão em Gazdag et al., 2017) Cascata de defesa, freezing e reações de imobilidade (revisão em Kozlowska et al., 2015) Desamparo aprendido (Maier; Seligman, 2016) Estereotipias motoras e maneirismos Tiques múltiplos, motores e/ouvocais Conversão Alterações da marcha Outras alterações psicopatológicas da psicomotricidade Apraxias (revisão em Park, 2017) Alterações motoras relacionadas ao uso de psicofármacos e a doenças neurológicas Alterações motoras decorrentes do uso de psicofármacos Alterações motoras e movimentos involuntários decorrentes de doenças e condições neurológicas Instrumentos padronizados de avaliação das alterações da volição Capítulo 20 | O pensamento e suas alterações Definições básicas Conceitos (ver Harky-Vallée, 2013) Juízos Raciocínio Pensamento lógico Pensamento indutivo e dedutivo Pensamento intuitivo Pensamento crítico Pensamentos errôneos e vieses de pensamento em pessoas sem alterações psicopatológicas O processo do pensar Psicopatologia do pensamento Alterações dos conceitos, dos juízos e do raciocínio Desintegração e transformação dos conceitos Condensação dos conceitos Alterações dos juízos Juízo deficiente ou prejudicado Juízos de realidade ou de existência Tipos alterados de pensamento (incluindo juízo e raciocínio) Pensamento mágico, pensamento dereístico e wishful thinking Pensamento inibido Pensamento vago Pensamento prolixo Pensamento concreto ou concretismo Pensamento deficitário (relacionado à deficiência intelectual) Pensamento demencial Pensamento confusional Pensamento desagregado Pensamento obsessivo Ruminações ou pensamento ruminativo perseverativo Alterações do processo de pensar (do curso, forma ou conteúdo) Alterações do curso do pensamento Aceleração do pensamento Lentificação do pensamento Bloqueio ou interceptação do pensamento Roubo do pensamento Fuga de ideias Alterações formais do pensamento (ver Radanovic et al., 2013) Afrouxamento das associações Descarrilhamento do pensamento Dissociação e incoerência do pensamento Desagregação do pensamento Valor diagnóstico das alterações formais do pensamento Alterações do conteúdo do pensamento Semiotécnica do pensamento e instrumentos padronizados para avaliar alterações do pensamento Capítulo 21 | O juízo de realidade e suas alterações (o delírio) Definições psicológicas Distinção fundamental: erro simples versus delírio Preconceito Crenças culturais e superstições Alterações patológicas do juízo Ideias prevalentes ou sobrevaloradas (ideias errôneas por superestimação afetiva) O delírio Dimensões do delírio Delírio primário ou ideias delirantes verdadeiras Delírio secundário, ou ideias deliroides, e os delírios compartilhados Estrutura dos delírios Surgimento e evolução do delírio: estados pré-delirantes Os mecanismos constitutivos do delírio Interpretação: delírio interpretativo (ou interpretação delirante) Intuição: delírio intuitivo (ocorrência ou intuição delirante) Imaginação: delírio imaginativo Afetividade: delírios catatímicos da mania e da depressão (Keck et al., 2003) Memória: delírio mnêmico (recordação delirante) Alteração da consciência: delírio onírico Alterações sensoperceptivas: delírio alucinatório Relações entre delírio e alucinação Mecanismos de manutenção do delírio Os tipos de delírio segundo seus conteúdos ou temáticas delirantes (delusion content ou Wahnthemen) Delírios de perseguição Delírio de referência (de alusão ou autorreferência) Delírios de perseguição e o mecanismo de projeção Delírio de relação Delírio de influência ou controle (também denominado vivência de influência) Delírio de grandeza ou missão (ou de enormidade) Delírio religioso ou místico (revisão em Bhavsar; Bhugra, 2008; Cook, 2015) Delírio de ciúmes e de infidelidade Delírio erótico (erotomania, síndrome ou delírio de Clerambault) Delírios de falsa identificação (misidentification delusion) (revisão em Rodrigues; Banzato, 2006) Delírios de conteúdo depressivo Delírio de ruína (ou niilista) Delírio de culpa e de autoacusação Delírio de negação de órgãos Delírio hipocondríaco Delírio cenestopático Frequência dos delírios segundo seus conteúdos Fatores que determinam os conteúdos dos delírios Delírios, internet e mundo tecnológico contemporâneo Possíveis causas e teorias etiológicas dos delírios Hipóteses causais: modelos psicanalíticos e psicodinâmicos Hipóteses causais: modelos existenciais Hipóteses causais: afetividade, emoções negativas, estresse diário e delírio Hipóteses causais: psicologia cognitivista (processamento de informações) e delírio (Connors; Halligan, 2015) Hipóteses causais: modelos neurobiológicos e neuropsicológicos Diagnóstico diferencial do delírio Ideias prevalentes versus ideias delirantes Ideias obsessivas versus ideias delirantes Delírio versus alucinação Mitomania versus ideias delirantes Pseudologia fantástica versus ideias delirantes (Thom et al., 2017) Valor diagnóstico dos delírios Instrumentos padronizados para a avaliação do delírio Capítulo 22 | A linguagem e suas alterações Definições Funções da linguagem Alterações patológicas da linguagem (revisão em Thomas; Fraser, 1994; Elvevåg et al., 2016) Alterações da linguagem secundárias a disfunção ou lesão neuronal identificável Linguagem e cérebro (revisão em Cahana-Amitay; Albert, 2014) Afasias Agrafia Alexia Disartria Parafasias Alterações da linguagem associadas a estados, condições ou transtornos psicopatológicos Dislexia (revisões em Snowling; Melby-Lervåg, 2016) Alterações da fala Disfonia (revisão em Reiter et al., 2015) Afonia Distúrbios da fala em crianças (Terband et al., 2014) Dislalia e disglossia Transtornos da fluência da fala: a gagueira (ver revisão em Neumann et al., 2017) Alterações da linguagem em crianças (revisão em Norbury et al., 2017) Acelerações psicopatológicas da linguagem mais observadas em adultos: logorreia, taquifasia e loquacidade Lentificação patológica da linguagem: bradifasia Mutismo Mutismo eletivo (revisão em Hua; Major, 2016) Mutismos com bases neurobiológicas Mutismo acinético Mutismo cerebelar Perseveração verbal Ecolalia Palilalia e logoclonia Tiques verbais ou fonéticos e coprolalia Alogia, verbigeração e mussitação Glossolalia e pararrespostas Neologismos A linguagem na esquizofrenia A linguagem nas demências Demência de Alzheimer - DA (revisão em Szatloczki et al., 2015) Alterações da linguagem nas outras demências – não Alzheimer (revisão em Reilly et al., 2010) Demência frontotemporal (DFT) Demência vascular Demência com corpos de Lewy Demência na doença de Parkinson Linguagem nos transtornos do espectro autista Linguagem em outros transtornos mentais (revisão ampla em Fine, 2007) Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade Transtornos do humor: depressão Transtornos do humor: mania Transtornos da personalidade Funções psíquicas compostas e suas alterações Capítulo 23 | Introdução às funções psíquicas compostas Capítulo 24 | O eu, o self: psicopatologia Origem e desenvolvimento do Eu (ontogenia do Eu) A noção de self e suas vicissitudes Psicopatologia do eu e do self O Eu e a consciência do Eu, segundo Karl Jaspers (1979) Consciência de unidade do Eu Consciência de identidade do Eu no tempo Consciência da oposição do Eu em relação ao mundo Consciência de atividade do Eu Despersonalização e desrealização Valor semiológico Psicopatologia do Eu corporal Definições básicas Cenestesia e cenestopatia Somatognosia e suas alterações Alterações do esquema corporal em transtornos mentais A valoração do Eu: os conceitos de narcisismo e autoestima Definições básicas Diminuição da valoração do Eu O conceito de identidade psicossocial Os transtornos de identidade Crise de identidade Estados de possessão como experiência cultural relacionada ao Eu Alterações da experiência do self ou experiências anômalas do self Alterações do self anímico (self psíquico) Alterações do self corporal Alterações do self social (alterações das identidades psicossociais e socioculturais que ocorrem com mais frequência na esquizofrenia) Alterações do self total (podem estar presentes em diferentes psicoses, mas ocorremcom mais frequência na esquizofrenia) Alterações da autoconsciência e da presença (self-awareness e self-presence) Capítulo 25 | A personalidade e suas alterações Definições básicas Constituição corporal Temperamento Caráter Tipologias humanas ou padrões de personalidade A personalidade, seu desenvolvimento e seus tipos, segundo Sigmund Freud (1856-1939) Estudo da personalidade por meio de métodos empíricos e psicométricos: traços, hipótese léxica fundamental e análise fatorial O estudo dos traços de personalidade A hipótese léxica fundamental: da linguagem cotidiana à personalidade Abordagem fatorial dos traços: a análise fatorial Modelos atuais de personalidade baseados em estudos empíricos Os modelos de Raymond B. Cattel (1905-1998) e de Hans Jürgen Eysenck (1916-1997) Modelo dos cinco grandes fatores (CGF ou Big Five) Modelo dos cinco fatores e estrutura e funcionamento cerebral O modelo de personalidade de Robert Cloninger Transtornos da personalidade Conceito Transtornos da personalidade segundo as classificações atuais Grupo B: padrão instabilidade e/ou manipulação (ou “dramáticos”, “emotivos”) Grupo A: padrão “esquisitice e/ou desconfiança” (ou “estranhos”, “excêntricos”) Grupo C: padrão “ansiedade e/ou controle e/ou insegurança” (ou “ansiosos”, “medrosos”) Personalidade e condições médicas e neurológicas Outros transtornos da personalidade e padrões de personalidade (não inclusos na CID-11 e no DSM-5) Personalidade padrão passivo-agressiva Transtornos da personalidade e traços do modelo dos cinco grandes fatores (Big Five) Traços proeminentes de personalidade e modelo alternativo para avaliar a personalidade Nível de funcionamento da personalidade (modelo do DSM-5) Relação entre personalidade e os outros transtornos mentais Personalidade, doenças físicas e psicossomáticas A avaliação da personalidade e seus transtornos: semiotécnica da personalidade Rastreamento de possíveis transtornos da personalidade e identificação do perfil de personalidade: abordagem clínica Perguntas gerais para rastrear a personalidade e possível transtorno da personalidade Avaliação padronizada da personalidade por meio de testes psicométricos e testes projetivos Entrevistas psiquiátricas padronizadas para diagnóstico de transtornos da personalidade Capítulo 26 | Inteligência e cognição social Inteligência: definições Psicologia da inteligência e neuropsicologia Desenvolvimento da inteligência na criança e no adolescente Período sensório-motor Período pré-operatório Período operatório-concreto Período operatório-formal A perspectiva de Lev S. Vygotsky Os modelos de inteligências múltiplas Inteligência geral versus inteligências múltiplas Os testes de inteligência: QI Críticas ao construto inteligência e aos testes de QI Inteligência, genética e ambiente Inteligência e cérebro Transtornos do desenvolvimento intelectual (cid-11) ou deficiências intelectuais (DSM-5) Teste de QI e DI Epidemiologia das deficiências intelectuais Os diferentes níveis de gravidade: da inteligência limítrofe às DIs profundas Inteligência limítrofe Deficiência intelectual leve Deficiência intelectual moderada Deficiência intelectual grave Deficiência intelectual profunda Causas da deficiência intelectual Fenótipo físico e comportamental Deficiência intelectual e transtornos mentais (Munir, 2016) Semiotécnica da inteligência: avaliação simplificada da inteligência QI e testes de avaliação da inteligência Testes de avaliação da inteligência e cultura Avaliação médica da DI Cognição social: definições Desenvolvimento da cognição social na criança Cognição social e cérebro (Franks, 2010) Cognição social e psicopatologia Transtornos do espectro autista Esquizofrenia Síndrome de Williams O fenômeno savant, a inteligência e o autismo Testes de avaliação da cognição social PARTE III - Psicopatologia e as grandes síndromes e transtornos psicopatológicos Capítulo 27 | Do sintoma à síndrome Transfundo ou ancoragem das vivências psicopatológicas e sintomas emergentes Componentes do surgimento, constituição e manifestação dos sintomas e dos transtornos mentais Manifestação dos transtornos mentais: patogenia, patoplastia e psicoplastia A evolução temporal dos transtornos mentais Conceito de processo, desenvolvimento, surto, fase, reação, crise e episódio (Schneider, 1976; Vallejo Nagera, 1977; Jaspers, 1979) Contextualização do sintoma em relação a sua origem neurobiológica ou sociocultural Capítulo 28 | As síndromes da psicopatologia, os transtornos e os modos de proceder em relação aos diagnósticos Prevalência de transtornos mentais no mundo e no Brasil Capítulo 29 | Síndromes depressivas Perdas e depressão Subtipos de síndromes e transtornos depressivos Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente (CID-11 e DSM-5) Transtorno depressivo persistente e transtorno distímico (CID-11 e DSM-5) Depressão atípica ou depressão com características atípicas (DSM-5) Depressão tipo melancólica ou endógena (CID-11 e DSM-5) Depressão psicótica ou depressão com sintomas psicóticos (CID-11 e DSM-5) Estupor depressivo ou depressão com catatonia (DSM-5) Depressão ansiosa ou agitada ou com sintomas ansiosos proeminentes (CID-11 e DSM-5) e transtorno misto de depressão e ansiedade (CID-11) Depressão unipolar ou depressão bipolar Depressão como transtorno disfórico pré-menstrual (CID-11 e DSM-5) Depressão mista ou depressão com características mistas (DSM-5) Depressão secundária ou orgânica (transtorno depressivo devido a outra condição médica ou induzido por substância ou medicamento, CID-11 e DSM-5) Depressão como fator de risco para doenças físicas Depressão em crianças, adolescentes e idosos Depressão e personalidade Capítulo 30 | Síndromes maníacas e transtorno bipolar Histórico Sintomas da síndrome maníaca Subtipos de síndromes maníacas Mania franca ou grave Mania irritada ou disfórica Mania com sintomas psicóticos Mania mista ou mania com características mistas (revisão em Muneer, 2017) Hipomania (ou episódio hipomaníaco) Ciclotimia ou transtorno ciclotímico (CID-11 e DSM-5) Transtorno bipolar (Goodwin; Jamison, 2010) Transtorno bipolar tipo I e tipo II Transtorno bipolar, tipo ciclagem rápida Bases genéticas e neurobiológicas do transtorno bipolar Transtorno bipolar em crianças e adolescentes (Goodwin; Jamison, 2010; Serra et al., 2017) Semiotécnica da mania Capítulo 31 | Síndromes ansiosas e síndromes com importante componente de ansiedade Síndromes ansiosas Transtorno de ansiedade generalizada Crises de ansiedade, crises de pânico Transtorno de pânico Transtorno de ansiedade de separação (CID-11 e DSM-5) Síndromes ansiosas de base orgânica Síndromes com importante componente de ansiedade (fobias e ansiedade social, dissociações, conversões, somatizações, transtorno de estresse pós--traumático e transtornos obsessivo-compulsivos) Transtornos fóbicos Transtornos dissociativos e transtornos conversivos: histeria Conversão e dissociação Transtorno de estresse pós-traumático (CID-11 e DSM-5) Transtorno obsessivo-compulsivo Condições psicopatológicas vivenciadas sobretudo no corpo Sintomas médicos inexplicados Fibromialgia e síndrome da fadiga crônica Hipocondria ou transtorno hipocondríaco Capítulo 32 | Síndromes psicóticas (quadros do espectro da esquizofrenia e outras psicoses) Esquizofrenia O conceito de esquizofrenia Sintomas negativos (síndrome negativa ou deficitária) (Dantas; Banzato, 2007) Sintomas positivos (síndrome positiva ou de sintomas produtivos) Sintomas de desorganização (síndrome de desorganização) Sintomas psicomotores e catatonia (síndrome psicomotora) Sintomas/prejuízos cognitivos Sintomas de humor Outras características e sintomas associados à esquizofrenia Transtorno delirante (paranoia) e esquizofrenia tardia (parafrenia) (APA, 2014; CID-11, 2018; Opjordsmoen, 2014) Transtornos psicóticos agudos, breves e transitórios (psicoses reativas e/oupsicoses psicogênicas) (Nugent et al., 2011; APA, 2014; CID-11, 2018) Diagnóstico diferencial Transtorno esquizoafetivo (Heckers et al., 2009; Jager et al., 2011) Capítulo 33 | Síndromes psicomotoras Síndromes de agitação psicomotora Agitação maníaca Agitação paranoide Agitação catatônica Agitação psico-orgânica (no delirium) Agitação nas demências Agitação nos quadros de deficiência intelectual com transtornos mentais e de comportamento Agitação explosiva associada a transtornos da personalidade Agitação histriônica Agitação ansiosa Alterações da volição e homicídio Síndromes de estupor e/ou catatonia Estupor/catatonia depressiva Estupor catatônico na esquizofrenia Estupor/catatonia psicogênica (traumático, de choque psicológico ou estupor histérico) Estupor/catatonia orgânica Síndromes de comportamentos disruptivos e agressivos na infância e na adolescência Transtorno disruptivo da desregulação do humor (DSM-5) Transtorno de oposição desafiante (DSM-5 e CID-11) Transtorno da conduta (DSM-5 e CID-11) Transtorno explosivo intermitente (DSM-5 e CID-11) Capítulo 34 | Síndromes relacionadas ao comportamento alimentar O comportamento alimentar Transtornos alimentares Anorexia nervosa (DSM-5 e CID-11) Bulimia nervosa (DSM-5 e CID-11) Outros transtornos do comportamento alimentar Obesidade Capítulo 35 | Transtornos devidos ou relacionados a substâncias e comportamentos aditivos Transtornos por uso de substâncias (DSM-5) Transtornos induzidos por substâncias (DSM-5) Início e desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias Álcool: transtornos por uso e transtornos induzidos (DSM-5 e CID-11) Síndromes associadas aos transtornos devidos ao álcool Maconha: transtornos por uso e transtornos induzidos (dsm-5 e cid-11) Transtornos induzidos pela maconha e consequências do uso crônico Cocaína/crack: transtornos por uso e transtornos induzidos (DSM-5 e CID-11) Semiotécnica de avaliação em pessoas com problemas ou transtornos relacionados a álcool e outras substâncias Dependências comportamentais ou transtornos aditivos não relacionados a substâncias (CID-11 e DSM-5) Transtorno do jogo e de apostas (CID-11 e DSM-5) e transtorno de dependência da internet Capítulo 36 | Síndromes relacionadas ao sono Transtorno de insônia (DSM-5) Transtorno de hipersonolência (DSM-5) Síndrome das pernas inquietas (DSM-5) Transtornos do sono relacionados à respiração (apneias do sono) Apneia e hipopneia obstrutivas do sono Apneia central do sono Transtornos do sono-vigília do ritmo circadiano Tipo fase do sono atrasada e tipo fase do sono avançada (DSM-5) Narcolepsia (DSM-5) Parassonias Capítulo 37 | Sexualidade e psicopatologia A sexualidade humana Diferenças entre homens e mulheres Fases do ciclo ou ato sexual Sobre os chamados “transtornos ou disfunções sexuais” Transtornos ou disfunções sexuais (APA, 2014) Transtornos ou disfunções do desejo e da resposta sexual Desejo sexual inibido: transtorno do interesse/excitação sexual feminino e transtorno do desejo sexual masculino hipoativo Transtorno da dor gênito-pélvica/penetração Transtorno do orgasmo feminino Transtorno erétil Transtornos da ejaculação Transtornos parafílicos e parafilias (CID-11 e DSM-5) Alguns dos principais transtornos parafílicos Transtornos do desenvolvimento sexual Hipersexualidade Variabilidades da sexualidade humana Incongruência de gênero (CID-11) ou disforia de gênero (DSM-5) Homossexualidade e bissexualidade Homofobia e transfobia (Charda et al., 2015; Costa et al., 2017) Outros problemas relacionados à sexualidade Capítulo 38 | Transtornos neurocognitivos (síndromes mentais orgânicas) Delirium Características principais do delirium (Trzepacz; Meagher; Wise, 2006; APA, 2014) Quadro clínico do delirium Evolução temporal do delirium Subtipos de delirium: hiperativo, hipoativo e misto (Camus; Burtin; Simeone et al., 2000; Trzepacz; Meagher; Wise, 2006) Classificação de subtipos de delirium de acordo com os fatores causais (etiologia) Pesquisa da etiologia e manejo dos quadros de delirium Diagnóstico diferencial do delirium Instrumentos de avaliação Capítulo 39 | Demências e outros transtornos neurocognitivos de longa duração Demências ou transtorno neurocognitivo maior Diagnóstico diferencial da síndrome demencial Transtornos neurocognitivos leves (CID-11 e DSM-5) ou comprometimento cogntivo leve (Langa; Levine, 2014; Sachs-Ericsson; Blazer, 2015) Etiologias mais frequentes dos TNCs maiores (demências) e leves Doença de Alzheimer (DSM-5 – transtorno neurocognitivo maior ou leve devido à doença de Alzheimer) (Cummings, 2004; Jack Jr. et al., 2011; Scheltens; Blennow; Breteler et al., 2016) Doença cerebrovascular (DSM-5 – transtorno neurocognitivo vascular maior ou leve) (Engelhardt et al., 2006; Battistin; Cagnin, 2010) Degeneração lobar frontotemporal ou demência frontotemporal (DSM-5 – transtorno neurocognitivo frontotemporal maior ou leve) (Askin-Edgar; White; Cummings, 2006; Warrem et al., 2013) Doença com corpos de Lewy (DSM-5 – transtorno neurocognitivo maior ou leve com corpos de lewy) (Walker; Possin; Boeve et al. 2015; Hogan; Fiest; Roberts et al., 2016) Outras formas de demência Perguntas de rastreamento aos familiares, acompanhantes ou cuidadores sobre possível TNC maior (demência) Outros transtornos neurocogntivos crônicos, de longa duração (previamente denominados síndromes mentais orgânicas focais ou localizadas) Transtorno amnéstico (síndrome amnéstica) (Spiers; Maguire; Burgess, 2001; Szabo, 2014; Small; Butler; Zabar; Barash, 2016) Outras síndromes mentais orgânicas Síndromes mentais e comportamentais associadas a outras doenças, transtornos ou condições (biomédicas) classificados em outro lugar Capítulo 40 | Síndromes relacionadas à cultura Psicopatologia e cultura Finais Referências Materiais complementares online Conheça Também Grupo A Contracapa