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GESTÃO DO TEMPO E PRODUTIVIDADE Fabiano Caxito Fabiano Caxito Gestão do tempo e produtividade ISBN 978-65-5821-101-3 9 786558 211013 Código Logístico I000550 Gestão do tempo e produtividade Fabiano Caxito IESDE BRASIL 2022 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2022 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C377g Caxito, Fabiano Gestão do tempo e produtividade / Fabiano Caxito. - 1. ed. - Curitiba [PR] : Iesde, 2022. 118 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-65-5821-101-3 1. Administração do tempo. 2. Tempo. 3. Planejamento estratégico. 4. Produtividade. 5. Autogerenciamento (Psicologia). I. Título. 21-75166 CDD: 640.43 CDU: 005.962.11 Fabiano Caxito Mestre em Administração Estratégica pela Universidade Nove de Julho (Uninove). Na área da Administração, é MBA em Recursos Humanos pela Fundação Instituto de Administração (FIA); em Economia e Finanças e em Gestão de Equipes e Liderança, ambos pela Faculdade Dynamus de Campinas (Fadyc). É pós-graduado em Business Intelligence, Big Data e Analytics pela Universidade Anhanguera. Na área da educação, é pós- graduado em Língua Portuguesa: redação e oratória pela Universidade São Francisco; em Educação Corporativa e em Tecnologias e Educação a Distância pela Faculdade UniBF; em Filosofia pela Universidade Estácio de Sá; em Antropologia e Sociologia Política e Urbana pela UniBF; e em Ciências Políticas pela Fadyc. É graduado em Administração Financeira pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e tem licenciatura em Filosofia pela Faculdade Mozart de São Paulo (Famosp). Atuou nas áreas comercial, de logística e de recrutamento e seleção, bem como em treinamento e desenvolvimento em empresas de distribuição de produtos de consumo. Foi coordenador de cursos de pós-graduação lato sensu. É consultor empresarial, professor universitário e influenciador digital. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO 1 O que é o tempo 9 1.1 Tempo: conceito e perspectivas 10 1.2 Tempo e trabalho 15 1.3 Tempo e vida pessoal 19 1.4 Disciplina e rotina 23 1.5 Ócio criativo 24 2 Gestão do tempo 30 2.1 Conceito de gestão do tempo 31 2.2 Planejamento e controle do tempo 35 2.3 Gestão do tempo e produtividade 43 2.4 Desperdício de tempo 45 2.5 Delegação de tarefas 47 3 Gestão da agenda 53 3.1 Priorização: importante, urgente, circunstancial 54 3.2 Checklists 62 3.3 Interrupções e distrações 64 3.4 Procrastinação 66 3.5 Monitoramento e avaliação da agenda 69 4 Modelos de gestão de tempo 74 4.1 Ferramentas e técnicas de gestão do tempo 75 4.2 Software para gestão do tempo 81 4.3 Organização do ambiente de trabalho 84 4.4 Tecnologias da informação e gestão do tempo 88 5 Gestão do tempo e qualidade de vida 94 5.1 Plano de vida 95 5.2 Plano de carreira 98 5.3 Objetivos e metas pessoais e profissionais 103 5.4 Planos de ação e gestão do tempo 108 Resolução das atividades 114 Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! Esta obra tem por objetivo discutir a importância da gestão do tempo para que possamos atingir os nossos objetivos pessoais e profissionais mantendo a qualidade de vida, pois saber gerenciá- lo e equilibrar a vida pessoal e profissional é uma das mais importantes competências no mundo contemporâneo. O primeiro capítulo do livro discute a evolução do conceito de gestão do tempo, desde os primórdios da civilização até o presente. Para isso, segue os conceitos de diversos filósofos sobre a relação do ser humano com o tempo. Tais discussões ganharam ainda mais relevância a partir da Revolução Industrial, momento no qual o trabalho passou a ocupar o papel central na vida dos indivíduos. O capítulo também aborda o impacto das tecnologias da informação e da revolução digital sobre a forma como as pessoas organizam o seu tempo entre as atividades pessoais e profissionais. A gestão do tempo é crucial às empresas na busca por produtividade, eficiência e eficácia. Assim, o foco do segundo capítulo é a compreensão sobre a importância do tempo como um dos principais recursos utilizados pelas empresas para atingir os seus objetivos. Da mesma forma que a empresa precisa gerenciar seus recursos financeiros, tecnológicos e humanos, gerenciar o uso e controlar os resultados obtidos por meio do uso do recurso tempo é fundamental para o sucesso das organizações. O capítulo ainda aborda as ferramentas e metodologias utilizadas pelas empresas na gestão do tempo dedicado pelos colaboradores a cada uma das atividades desenvolvidas, com exemplos e exercícios que podem ser usados para entender na prática os conceitos discutidos. O terceiro capítulo da obra tem o objetivo de discutir as principais ferramentas e metodologias usadas na gestão do tempo. Conceitos fundamentais ao contexto, como objetivos, prazos, motivação e disciplina são apresentados e estudados. O processo de identificação das atividades a serem realizadas – sua classificação e priorização de acordo com a importância e nível de urgência – é explicado por meio de exercícios que auxiliam o leitor APRESENTAÇÃOVídeo 8 Gestão do tempo e produtividade a organizar um plano de gestão do tempo adequado às suas necessidades. Também são trazidos os desafios relacionados às distrações, interrupções e, principalmente, a procrastinação, que podem dificultar o processo de gestão do tempo. Diversos modelos, metodologias e sistemas de gestão podem auxiliar na gestão do tempo. Por isso, o quarto capítulo tem o objetivo de apresentar as principais ferramentas e metodologias, com exemplos práticos de como são utilizadas, seus benefícios e pontos de atenção. Tanto as ferramentas de gestão criadas em outras áreas e que podem ser adaptadas à gestão do tempo quanto as metodologias especificamente desenvolvidas com essa finalidade são apresentadas. Por fim, o último capítulo busca tratar da importância da gestão do tempo no contexto pessoal, na construção do plano de vida e de carreira do indivíduo e na busca pelo equilíbrio entre os diversos papéis que desempenha nas várias áreas da vida. Se o tempo é o mais importante dos recursos de que dispomos, saber gerenciá-lo é uma competência que precisa ser desenvolvida e constantemente atualizada. Afinal, como diz uma conhecida música brasileira, não temos tempo a perder. O que é o tempo 9 1 O que é o tempo A relação do ser humano com o tempo é um conceito discutido nas mais diversas áreas. A filosofia dedicou-se ao estudo do tempo desde os seus primórdios, e ele permanece sendo tema de discussão entre os filósofos contemporâneos. Logo, esse será o foco da primeira parte deste capítulo, que apresenta os conceitos relacionados ao tempo. Já a relação entre tempo, trabalho e vida pessoal, presentes na se- gunda e na terceira partes do capítulo, ganhou importância com o de- senvolvimento tecnológico que levouà Revolução Industrial e ao modelo econômico capitalista. No mundo contemporâneo, a importância de en- tender a relação das pessoas com o tempo dedicado à profissão e à vida pessoal é central, pois as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) borraram os limites da jornada de trabalho, principalmente com o advento do modelo de teletrabalho, conhecido por home office. Nesse contexto, gerenciar o tempo dedicado às atividades pessoais e profissionais é uma competência fundamental na atualidade. A importân- cia de criar e seguir os planos de gestão da rotina, bem como a disciplina para colocá-los em prática, também será tema de reflexão. Além do tempo dedicado ao trabalho, às relações familiares e sociais e ao lazer, para que se possa ter uma vida plena, é importante que o indivíduo dedique parte do seu tempo ao ócio, muitas vezes confundi- do erroneamente com a preguiça. Por isso, o ócio será abordado, já que incentiva a criatividade, abre espaço para o planejamento e favorece a saúde física e mental. Ao fim do capítulo, você terá condições de entender os conceitos rela- cionados ao tempo bem como de compreender a importância de geren- ciá-lo nas esferas pessoal e profissional. 10 Gestão do tempo e produtividade 1.1 Tempo: conceito e perspectivas Vídeo Para que seja possível atingir os seus objetivos, uma empresa, or- ganização, instituição ou mesmo um indivíduo utilizam-se de diversos recursos. Os recursos materiais, como plantas, minerais e elementos químicos, por exemplo, são provenientes da natureza. Já os recursos hu- manos incluem experiências, conhecimentos, saberes, tecnologias, rela- cionamentos e capacidades pessoais. Os recursos financeiros, por sua vez, são utilizados na aquisição ou remuneração referentes aos demais tipos de recursos. Figura 1 Tipos de recursos Terra, metais, elementos químicos, petróleo, plantas etc. Trabalho desenvolvido pelas pessoas (chamado, em geral, de mão de obra), que envolve conhecimento, criatividade, tecnologia, relacionamentos, liderança etc. Capital necessário ao desenvolvimento de atividades relacionadas à transformação de matérias-primas em produtos ou serviços; envolve dinheiro, equipamentos, investimentos etc Recursos materiais Recursos humanos Recursos financeiros O uso dos três tipos de recursos pode ser observado tanto em ati- vidades corriqueiras, realizadas individualmente, quanto em grandes projetos que envolvem empresas e organizações. Para exemplificar a aplicação dos recursos, imagine que uma pessoa decide fazer um bolo. Ela utilizará recursos materiais, como a farinha, os ovos, o açúcar, as frutas, gás ou eletricidade. Contará, na execução, com as suas competências ou experiências anteriores na cozinha, ou seguirá Conhecer o conceito de tempo e as várias formas de entender a sua relação com os diversos aspectos da vida. Objetivo de aprendizagem ra ze ed sg n/ Sh ut te rs to ck O que é o tempo 11 Le on ov a Iu lii a/ Sh ut te rs to ck uma receita, que pode ser entendida como os saberes e as experiências de outras pessoas e que foram transcritas e compartilhadas. Em seguida, usará outras tecnologias, como a batedeira elétrica, o forno e outros equipamentos, desenvolvidos por meio da criatividade e do trabalho de outras pessoas. Para tudo isso precisou de recursos financeiros para adquirir as matérias-primas e os equipamentos neces- sários ao seu objetivo, ou seja, fazer um bolo. De modo semelhante, um empreendimento complexo, como levar uma nave até o espaço, depende do uso de recursos materiais, como metais e combustíveis, e recursos humanos, que envolvem tanto o co- nhecimento e a criatividade de cientistas quanto as atividades buro- cráticas realizadas por diversas pessoas que trabalham em empresas, além de imensos recursos financeiros. Entretanto, para que indivíduos e empresas possam atingir objeti- vos e metas, outro recurso é fundamental: o tempo. A importância do tempo como um dos fatores relacionados ao desenvolvimento das ati- vidades empresariais está presente nos conceitos de objetivo e meta. O objetivo se realiza a longo prazo, e as metas, por sua vez, são os passos, as etapas a serem realizadas em períodos específicos. De modo complementar, Tajra (2014) define como objetivos a condição, a situação, o lugar ou a posição que se deseja atingir, já as metas estão A caminho das estrelas, produzida pela rede de TV alemã Deutsche Welle, mostra o intenso processo de desenvol- vimento tecnológico necessário à humanidade para que o objetivo de pisar na Lua fosse alcan- çado. O uso de recursos naturais, financeiros e hu- manos, a colaboração de agências e organizações de diferentes países, bem como o envolvimento de cientistas e empresas privadas foram funda- mentais para o projeto. Disponível em: https://play. ebc.com.br/programas/261/a- caminho-das-estrelas. Acesso em: 8 dez. 2021. Vídeo https://play.ebc.com.br/programas/261/a-caminho-das-estrelas https://play.ebc.com.br/programas/261/a-caminho-das-estrelas https://play.ebc.com.br/programas/261/a-caminho-das-estrelas 12 Gestão do tempo e produtividade relacionadas aos prazos e às datas a serem cumpridos para o alcance dos objetivos. Os recursos financeiros, humanos e materiais não são infinitos, con- tudo, no contexto da gestão empresarial, podem ser repostos quando são utilizados. A empresa pode buscar novos recursos financeiros, con- tratar outras pessoas ou buscar novas fontes de recursos naturais. Já o tempo é um elemento finito. Para Estrada, Flores e Schimith (2011), nenhum outro elemento ou recurso pode substituir o tempo. Assim, trata-se de um fator que, se não for bem administrado, limita as chan- ces de que as metas e os objetivos sejam atingidos, por isso deve ser gerenciado com eficiência para evitar desperdícios. Os autores con- ceituam a gestão do tempo como o processo de organizar de modo temporal as ações e atividades necessárias ao alcance de um objetivo, definindo prazos para que os compromissos sejam realizados. A relação do ser humano com o tempo é discutida desde os primór- dios da civilização. Segundo Puente (2012), na cultura grega, o tempo era visto tanto como um círculo quanto como uma linha reta. A visão circular do tempo tem como origem a observação dos ciclos da nature- za, como o dia e a noite, as estações e os padrões de deslocamento dos astros. Já a visão linear surge com o próprio desenvolvimento humano de crescimento, juventude, envelhecimento e morte. Souza (2018) aponta que, na mitologia grega, o tempo era conside- rado a origem e a substância que originava os elementos como o fogo, o ar e a água. A autora explica que três diferentes divindades estavam relacionadas a esse conceito: Aion, ligado à origem da vida e aos ciclos do tempo, personificado pela serpente que engole a própria cauda e que representa os recomeços dos dias e das estações; Chronos, rela- cionado à visão do tempo como uma linha de eventos que se sucedem e não se repetem, em que o tempo pode ser medido e controlado e flui constantemente em direção ao futuro; e Kairós, ligado ao momento presente, um tempo unidimensional relacionado ao aqui e ao agora. Alguns dos mais importantes filósofos gregos abordaram a relação do ser humano com o tempo. Como explica Souza (2018), Platão sepa- rava o tempo em duas dimensões, uma em constante mudança e evo- lução e outra imutável, ligada aos ciclos da natureza. Já para Aristóteles, o tempo era o momento presente, o agora. Os recursos naturais podem ser classificados como renováveis e não renováveis. Os renováveis são aqueles regenerados pela própria natureza e cuja utilização pelo ser humano não prejudica o equilíbrio natural. Por exemplo, a energia elétrica gerada por usinas hidrelétricas utiliza a força da água, mas não conso- me o recurso natural. Já os recursos não renová- veis são aqueles que exis- tem em quantidade finita na natureza e que não são regenerados, como os minerais e o petróleo.Saiba mais O que é o tempo 13 As discussões sobre o significado do tempo estão presentes tam- bém na obra de Santo Agostinho, um dos principais filósofos da era me- dieval. Em um de seus livros, ele discutiu a complexidade do conceito de tempo: O que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei (AGOSTINHO apud COSTA; PICHLER, 2017, p. 109). Ao abordar os conceitos de passado, presente e futuro, Santo Agosti- nho mostrou como o tempo está ligado ao movimento. Só há o passado porque o tempo se movimentou, passou; e, da mesma forma, só pode- mos falar de um futuro se o tempo se movimentar em direção a ele. Se não houvesse o movimento, o tempo presente seria eterno, imutável. Segundo Costa e Pichler (2017), na visão de Santo Agostinho, o tem- po que realmente existe é o presente, em constante mutação. O futuro, por ainda não existir, é construído por meio das ações e decisões to- madas no presente. A visão do filósofo alinha-se ao conceito de outra corrente religiosa, o budismo. Segundo Rinpoche (2021), na filosofia budista, o tempo é o momento presente, marcado pela impermanên- cia e pela mudança. Mesmo com a visão de Santo Agostinho, a filosofia católica baseia- -se na visão do tempo como uma linha reta, que tem um princípio na criação do mundo e um futuro finito. Smolniakof (2021), ao analisar a obra de Friedrich Nietzsche, diz que este rompeu com a ideia de linea- ridade do tempo presente na filosofia católica, por considerar que a vida ocorre no momento presente e que toda e qualquer criação do ser humano precisa ser considerada no contexto dos valores e da cultura do tempo em que está inserida. Tendo como base os estudos sobre o tempo desenvolvidos duran- te séculos, outro importante pensador, Martin Heidegger (1889-1976), este contemporâneo, dedicou toda uma obra ao tema. Em Ser e Tempo, publicado em 1927, Heidegger afirmava que qualquer forma de me- dição do tempo era mera ferramenta. Para ele, não são os minutos, as horas, os dias, os meses e os anos que passam: o ser humano é a verdadeira medida do tempo. 14 Gestão do tempo e produtividade Renato Russo mostra, na canção Tempo Perdido (TEMPO PERDIDO, 1986), como o tempo é visto de maneira dicotômica e trata do caminhar inevitável do tempo, em que o passado ficou para trás e não tem mais volta; entretanto, há esperança com relação ao tempo futuro. Ainda na letra, as formas de pensar o tempo são confrontadas e a estrofe final traz à tona a conclusão sobre as dúvidas levantadas. Assim, enquanto no primeiro verso o autor diz “temos todo o tempo do mundo”, na se- gunda parte afirma que “não temos tempo a perder” e conclui “temos nosso próprio tempo”, o que mostra o alinhamento com a definição de Heidegger. As discussões filosóficas sobre o tempo, apresentadas aqui breve- mente, podem parecer amplas ou desconectadas da vida cotidiana. Porém, à medida que o desenvolvimento científico possibilita que os seres humanos vivam mais e a tecnologia concede o acesso a uma quantidade cada vez maior de informação, controlar e gerenciar o tem- po passa a ser uma competência indispensável, seja no trabalho ou na vida pessoal. A enorme quantidade de informações às quais os indivíduos estão expostos e que são geradas pelas interações físicas e virtuais nos am- bientes de trabalho e na vida social provoca a percepção de inadequa- ção às pessoas, isso por elas não conseguirem acompanhar todos os fatos e não entenderem as implicações dessas informações. Para Ribeiro et al. (2019), no contexto das organizações, o excesso de informações causa alto nível de ansiedade, e, segundo os autores: Ao mesmo tempo que a internet parece ser a solução de todos os problemas referentes ao acesso das informações, ela trans- forma o acesso difícil, afinal, a internet potencializa a inserção de informações e aumenta exponencialmente o volume de informa- ções [...]. Com isso, o grande desafio não é o acesso, e sim o filtro dessas informações, pois cada vez mais cresce o volume de in- formações na internet e o processo de filtro torna-se complexo. Conforme Ribeiro et al. (2019), a ansiedade é originada pela percep- ção de que o tempo não é suficiente para realizar as atividades que devem ser executadas e, ao mesmo tempo, provoca nas pessoas a sen- sação de que elas precisam se atualizar constantemente, bem como aprender novas competências continuamente. No mundo contemporâneo, o tempo parece transcorrer de maneira cada vez mais acelerada, tornando-se insuficiente para realizar todas UncleFredDesign/Shutterstock Renato Russo mostra, na canção Tempo Perdido (TEMPO PERDIDO, 1986), como o tempo é visto de maneira dicotômica e trata do caminhar inevitável do tempo, em que o passado ficou para trás e não tem mais volta; entretanto, há esperança com relação ao tempo futuro. Ainda na letra, as formas de pensar o tempo são confrontadas e a estrofe final traz à tona a conclusão sobre as dúvidas levantadas. Assim, enquanto no primeiro verso o autor diz “temos todo o tempo do mundo”, na se- gunda parte afirma que “não temos tempo a perder” e conclui “temos nosso próprio tempo”, o que mostra o alinhamento com a definição de Heidegger. As discussões filosóficas sobre o tempo, apresentadas aqui breve- mente, podem parecer amplas ou desconectadas da vida cotidiana. Porém, à medida que o desenvolvimento científico possibilita que os seres humanos vivam mais e a tecnologia concede o acesso a uma quantidade cada vez maior de informação, controlar e gerenciar o tem- po passa a ser uma competência indispensável, seja no trabalho ou na vida pessoal. A enorme quantidade de informações às quais os indivíduos estão expostos e que são geradas pelas interações físicas e virtuais nos am- bientes de trabalho e na vida social provoca a percepção de inadequa- ção às pessoas, isso por elas não conseguirem acompanhar todos os fatos e não entenderem as implicações dessas informações. Para Ribeiro et al. (2019), no contexto das organizações, o excesso de informações causa alto nível de ansiedade, e, segundo os autores: Ao mesmo tempo que a internet parece ser a solução de todos os problemas referentes ao acesso das informações, ela trans- forma o acesso difícil, afinal, a internet potencializa a inserção de informações e aumenta exponencialmente o volume de informa- ções [...]. Com isso, o grande desafio não é o acesso, e sim o filtro dessas informações, pois cada vez mais cresce o volume de in- formações na internet e o processo de filtro torna-se complexo. Conforme Ribeiro et al. (2019), a ansiedade é originada pela percep- ção de que o tempo não é suficiente para realizar as atividades que devem ser executadas e, ao mesmo tempo, provoca nas pessoas a sen- sação de que elas precisam se atualizar constantemente, bem como aprender novas competências continuamente. No mundo contemporâneo, o tempo parece transcorrer de maneira cada vez mais acelerada, tornando-se insuficiente para realizar todas UncleFredDesign/Shutterstock as atividades e tarefas que alguém deseja ou que estão sob sua responsabilidade. “Correr contra o tempo” é uma ex- pressão corriqueira e usada em diversos contextos, originada por meio da percepção de que o tempo é irreversível, finito. Assim, torna-se cada vez mais importante conhecer as ferramentas e as metodologias de gestão do tempo. 1.2 Tempo e trabalho Vídeo O tempo dedicado diariamente ao trabalho no mundo contempo- râneo é uma consequência direta da Revolução Industrial, ocorrida a partir do século XVIII e que, além de ter transformado os processos de fabricação de produtos, foi responsável pela reorganização das rela- ções de trabalho e da própria estrutura social. Maximiano (2014) explica que, com o advento da máquina a vapor, desenvolvida por James Watt, os processos produtivos – antes basea- dos na produção de artesãos que atuavam isoladamente em suas ofi- cinas – sofreram uma grande alteração. Surgiram as indústrias que reuniamum expressivo número de operários em suas sedes, e estes realizavam as atividades organizadamente, com o apoio de máquinas e equipamentos movidos a vapor. Compreender a relação entre o tempo, a atuação profissional e a carreira. Objetivo de aprendizagem O que é o tempoO que é o tempo 1515 Ev er et t C ol le ct io n/ Sh ut te rs to ck 16 Gestão do tempo e produtividade Para Corrêa e Corrêa (2017), o modelo de fabricação industrial trouxe profundas mudanças na organização social, evidenciadas por meio do crescimento acelerado das cidades e de uma nova forma de estruturar o trabalho. Assim, para aumentar os lucros e a eficiência dos processos produtivos, os empresários buscaram entender e melhorar os processos de trabalho a fim de garantir a utilização de recursos de modo mais eficiente possível. Entre os vários pesquisadores e gestores que buscaram entender a organização do trabalho na fase inicial do processo de industrialização, destaca-se o trabalho de Frederick Taylor (1856-1915). Em sua obra Princípios da Administração Científica, publicada em 1911, há o conceito do estudo de tempos e movimentos (TAYLOR, 2019). Com o objetivo de aumentar a produtividade dos trabalhadores, Taylor analisou, por meio do método científico, os processos então usados nas fábricas, identificando cada um dos movimentos realizados pelos operários em cada etapa de produção. Ao dividir as atividades em tarefas e movimentos elementares, Taylor mediu o tempo neces- sário à execução de cada tarefa e realizou experiências com o objetivo de diminuir os tempos e melhorar a qualidade das atividades de labor. O sucesso da aplicação dos conceitos do estudo de tempos e movi- mentos nas indústrias promoveu a disseminação da definição de admi- nistração científica. Segundo Chiavenato (2014), Taylor é considerado um dos pais da Administração, mostrando que a gestão do tempo está relacionada à origem da administração como ciência. Porém, à medida que as indústrias passaram a se valer mais dos pro- cessos de trabalho baseados em sua divisão e no controle dos tempos e dos movimentos, questões relativas à qualidade de vida do trabalhador e ao excesso de trabalho passaram a ser mais discutidas por empresas, governos e organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores. Um clássico cinematográfico do início do século XX, o filme Tempos Mo- dernos, de Charles Chaplin, exemplifica como a gestão do tempo das ativida- des realizadas pelos operários tornou-se uma obsessão para as indústrias. Segundo Lima e Holzmann (2013), os direitos dos trabalhadores, es- pecialmente no que diz respeito à jornada, passaram a ser discutidos por empresas, governos e organizações representativas da classe no período compreendido entre a fase de implementação das ideias de W ik im ed ia C om m on s Em um dos filmes de Charlie Chaplin, Tempos Modernos, o personagem Carlitos representa um operário em uma indús- tria que usa os conceitos da gestão de tempos e movimentos. A obra critica as condições de trabalho dos operários, reduzidos a ferramentas na busca pelo aumento de produtividade. Em uma das cenas icônicas, Carlitos, ao tentar acom- panhar o ritmo sempre mais veloz da linha de produção, é engolido pelas engrenagens das máquinas, para ilustrar o desrespeito à condição humana dos operários. Direção: Charlie Chaplin. EUA: Estúdio MK2, 1936. Filme O que é o tempo 17 Taylor e a década de 1920, quando diversos países promulgaram le- gislações para regular as leis trabalhistas. Os autores apontam que os conceitos de gestão baseados na gestão dos tempos e movimentos, originalmente aplicados apenas nas indústrias, foram gradativamente incorporados aos processos de trabalho de outros ramos empresariais, como de serviços e comércio. No Brasil, Cord (2016) salienta que a luta dos trabalhadores pela regulação da jornada de oito horas se deu após a abolição da escrava- tura, em 1888, e a Proclamação da República, em 1889. Para o autor, a demanda das organizações de trabalhadores pela definição da jornada de trabalho está relacionada ao fim da escravidão. O trabalho, nesse sentido, é a expressão da visão nascente de cida- dania, e a organização dessas relações teve um papel fundamental na construção da nova república. Apesar de a luta pela regulamentação da jornada de trabalho ter se iniciado no século XIX, foi somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas e a promulgação do Decreto n. 21.186 (BRASIL, 1932a), que foi instituído no Brasil o limite de oito ho- ras diárias de labor, com o máximo de 48 horas semanais. Inicialmente, apenas os empregados do comércio foram abrangidos pela regula- mentação, que foi complementada alguns meses depois pelo Decreto n. 21.364 (BRASIL, 1932b) e estendida aos trabalhadores da indústria. A definição de tempo direcionado ao trabalho foi abordada na Conso- lidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi promulgada em 1943 e define pontos importantes, como o limite máximo de duas horas extras diárias e férias anuais de 30 dias (BRASIL, 1943). Já a Constituição de 1988 definiu o limite de 44 horas de trabalho semanais (BRASIL, 1988), e a reforma traba- lhista de 2017 abriu o precedente para os acordos coletivos entre empre- gadores e empregados na definição de jornadas parciais (BRASIL, 2017). O desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação permitiu, também, a realização do trabalho remotamente, e, com o advento da Pandemia de Covid-19, por exemplo, a quarentena foi insti- tuída em muitos países. Dessa forma, novas organizações do trabalho e de contagem do tempo a ele dedicado modificaram radicalmente as jornadas dos trabalhadores. Apesar de existir há décadas, o trabalho remoto, conhecido popu- larmente como home office ou teletrabalho, apresentou forte cresci- mento durante a pandemia. Regulamentado no Brasil pela Lei n. 13.467/2017, o teletrabalho é definido no artigo 75-B, Capítulo II, como aquele cujas atividades realizadas pelo empregado são feitas, preponderantemente, fora das instalações da empresa, tendo como ferramentas fundamen- tais tecnologias que possibilitam a comunica- ção entre a empresa e o empregado, sem, con- tudo, constituir-se como atividade que, necessa- riamente, tenha de ser realizada fora da empresa – por exemplo, equipes de vendedores externos ou entregadores. Saiba mais O estudo realizado por Noronha e Carrer (2021) mostra que, já nos anos de 2018 e 2019, após a promulgação da lei de regulamentação do teletrabalho, cerca de 3,8 milhões de pessoas já realizavam suas ativi- dades nessa modalidade. De modo geral, o teletrabalho é realizado pelo empregado em sua própria residência, mas Duarte (2008) aponta que as atividades podem ser executadas de diversos locais, como hotéis e espaços de trabalho que não sejam de propriedade da empresa. O autor destaca a impor- tância das tecnologias de comunicação ao propiciarem às pessoas o exercício das suas atividades remotamente. O rápido crescimento do teletrabalho, em razão da pandemia, foi marcado, em grande medida, pela urgência e improvisação, seja pelas empresas ou mesmo pelos seus funcionários, que precisaram organi- zar espaços de trabalho em suas residências. Para Noronha e Carrer (2021), com a promulgação da Medida Provi- sória n. 936/2020 – transformada na Lei n. 14.020/2020 (BRASIL, 2020), que regulamenta a possibilidade de acordos entre empregadores e em- pregados para a redução da jornada de trabalho durante o período de quarentena –, algumas empresas adotaram o teletrabalho como sua principal modalidade e, em alguns casos, como única forma de trabalho. Os reflexos dessa rápida mudança na forma de executar as ativida- des profissionais ainda não são totalmente compreendidos e devida- mente pesquisados, mas alguns estudos mostram os benefícios e os pontos negativos para as empresas e para os seus empregados. Para Noronha e Carrer (2021), a redução de custos com instalações e verbas para o deslocamentodos funcionários são alguns dos benefí- Cr ea tiv e La b/ Sh ut te rs to ck 1818 Gestão do tempo e produtividadeGestão do tempo e produtividade O que é o tempo 19 cios observados; já a dificuldade de engajamento, a piora dos processos de comunicação e o desafio de manter a cultura organizacional são os pontos negativos do teletrabalho. Quanto ao funcionário, a diminuição no tempo de deslocamento para o trabalho, a possibilidade de as refeições serem feitas em casa, bem como o ganho de tempo livre são os pontos positivos. Por outro lado, como ponto negativo, os autores afirmam que “o isolamento social de- vido à redução do contato entre os colegas de trabalho é uma delas. A falta de estrutura em casa, dificuldade de defesa dos interesses laborais e profissionais. Além disso, muitas vezes pode se tornar complicado sepa- rar a vida profissional da vida pessoal” (NORONHA; CARRER, 2021, p. 45). As novas formas de organização e controle da jornada de traba- lho, aceleradas pela pandemia, parecem apontar para um futuro cuja separação entre as horas de trabalho e a vida pessoal será cada vez menos clara e definida. A flexibilidade de horário trazida pelo teletra- balho pode esconder, na verdade, uma armadilha, na qual o indivíduo realiza as atividades profissionais fora da jornada definida pelo seu contrato de trabalho. Para Lima e Holzmann (2013), o teletrabalho, tal como é observado, relaciona-se às atividades e às profissões que exigem alto grau de co- nhecimento e competências relativas ao uso da tecnologia, da criativi- dade e da gestão. As profissões e atividades mais operacionais, relacionadas a tra- balhos manuais e que necessariamente precisam ser realizadas nas instalações da empresa, estão menos propensas à substituição pela modalidade de teletrabalho. Todas as mudanças verificadas na forma organizacional de trabalho aumentam a insegurança dos trabalhadores – tanto no que diz respeito à sua atividade atual quanto em relação ao futuro dos seus empregos (LIMA; HOLZMANN, 2013). 1.3 Tempo e vida pessoal Vídeo Na sociedade contemporânea, é comum que os indivíduos se sintam sob pressão para se manterem atualizados devido ao acelerado desen- volvimento tecnológico que a todo momento modifica as formas de aprendizagem, de trabalho, de relacionamento e comportamento social. 20 Gestão do tempo e produtividade Para Grün (2010), a afirmação de diversas pessoas sobre não dispo- rem de tempo para as atividades e responsabilidades a elas atribuídas é uma falácia. Segundo o autor, o tempo é igual para todos e, portanto, enquanto o indivíduo estiver vivo, há tempo suficiente. Assim, as atividades profissionais, sociais, familiares e pessoais de- mandam dos indivíduos fazer escolhas sobre quais ações serão realiza- das e quanto tempo será dedicado a cada uma delas. Somada à ansiedade informacional pertinente ao ambiente de trabalho, há sensação semelhante em relação à vida social. As redes sociais e os aplicativos de comunicação ocupam grande parte do tempo das pessoas, que sentem a necessidade de estarem atualizadas constantemente. A figura a seguir mostra a quantidade de informações geradas e distribuídas no ambiente virtual a cada minuto. Figura 2 Quantidade de informações disponibilizadas a cada minuto no ambiente virtual Fonte: Adaptada de Azevedo, 2020a para o autor Li gh tly S tra nd ed /S hu tte rs to ck ZOOM Hospeda 208.333 participantes em reuniões. US$ 3.805,00 gastos em aplicativos móveis. 1.388.889 pessoas realizam chamadas de voz. WHATSAPP Usuários compartilham 41.666.667 mensagens. AMAZON Envia 6.659 encomendas. SPOTIFY Adiciona 28 trilhas à sua biblioteca de músicas. VENMO Usuários enviam US$ 239.196 em ordens de pagamentos. TIKTOK É baixado 2704 vezes. FACEBOOK Usuários compartilham 150.000 mensagens. MICROSOFT TEAMS Conecta 52.083 usuários. CONSUMIDORES Gastam US$1.000.000,00 on-line. YOUTUBE Usuários carregam 500 horas de vídeo. INSTAGRAM Usuários postam 347.222 stories. DOORDASH 555 refeições são entregues. NETFLIX Usuários assistem a 404.444 horas de vídeo. TWITTER Ganha 319 novos usuários. LINKEDIN Usuários se inscrevem para 69.444 vagas. INSTAGRAM 138.889 cliques em publicações de propaganda. FACEBOOK Usuários carregam 147.000 fotos. REDDIT 479.452 pessoas se engajam com conteúdos. Entender como a vida pessoal é impactada pela gestão do tempo. Objetivo de aprendizagem O que é o tempo 21 Para Sette e Bonho (2020), se a decisão de como alocar o tempo de trabalho traz grandes desafios, equilibrá-lo entre as atividades profissio- nais e a vida pessoal torna-se ainda mais complexo. Em uma sociedade cujo trabalho ocupa a centralidade da vida dos indivíduos e consome boa parte do seu tempo diário, buscar o equilí- brio do tempo demanda muita organização, planejamento e disciplina. Para Christensen, Allworth e Dillon (2012), sem esse equilíbrio, a busca por sucesso profissional pode acarretar fracasso na vida pessoal. A tabela a seguir, desenvolvida por Caxito (2020), analisa o tempo dedicado às atividades pessoais, profissionais e de aprendizagem nas diversas etapas da vida. Período Total horas dispo- níveis Dias Anos Observa- ção Idade: 0 a 6 anos Idade: 6 a 18 anos Idade: 18 a 65 anos Idade: 65 a 75 Total da vida 6 anos 12 anos 47 anos 10 anos 75 anos Por dia 24 Sono 8h 8h 8h 8h Outros 16h 12h 4h 16h Estudo 4h Trabalho Horas traba- lho + almoço + desloca- mento 12h Por semana 168 x 7 dias por semana Sono 56h 56h 56h 56h Outros 112h 92h 28h 112h x 5 dias úteis/ semana Estudo 0 20h 0 0 Trabalho Horas traba- lho + almoço + desloca- mento 0 0 60h 0 Por mês 720 x 30 dias por mês Sono 240h 240h 240h 240h Outros 480h 392h 216h 480h x 22 dias úteis/ mês Estudo 0 88h 0 0 Trabalho 0 0 264h 0 Tabela 1 Tempo dedicado às atividades pessoais e profissionais (Continua) 22 Gestão do tempo e produtividade Período Total horas dispo- níveis Dias Anos Observa- ção Idade: 0 a 6 anos Idade: 6 a 18 anos Idade: 18 a 65 anos Idade: 65 a 75 Total da vida 6 anos 12 anos 47 anos 10 anos 75 anos Por ano 8760 x 365 dias por ano Sono 2.920h 2.920h 2.920h 2920h Outros 5.840h 5.040h 2.936h 5840h x 220 dias úteis Estudo Férias de 3 meses 800h TOTAL Trabalho Férias de 1 mês 2.904h Horas % Total vida 657000 Horas Sono 17.520h 35.040h 137.240h 29.200h 219.000 33,3% Outros 35.040h 60.480h 134.492h 58.400h 288.412 43,9% Estudo Inclui 3500h/a de graduação 0 9.600h 3.500h 0 13.100 2,0% Trabalho 0 0 136.488h 0 136.488 20,8% Peso Sono 33,3% 33,3% 33,3% 33,3% Outros 66,7% 57,5% 32,7% 66,7% Estudo 0,0% 9,1% 0,9% 0,0% Trabalho 0,0% 0,0% 33,2% 0,0% Fonte: Caxito, 2020, p. 10-11. Segundo a tabela, o período compreendido entre os 18 e 65 anos de idade é considerado economicamente ativo, e um terço do tempo é dedicado ao trabalho. Ainda para Caxito (2020), se for excluída da contagem de tempo o período de sono, metade do tempo à disposi- ção dos indivíduos é dedicado ao trabalho. Os dados apresentados no quadro corroboram a visão de Chandra (2012), para quem cada fase do ciclo de vida apresenta um diferente equilíbrio entre as esferas pessoal e profissional. A própria percep- ção do tempo muda de acordo com a idade: as crianças parecem compreender a passagem do tempo mais lentamente, já os adultos percebem que o tempo corre. Essa diferença pode ser mais bem en- tendida com base na própria quantidade de tempo vivido. Um ano, para uma criança de 5 anos de idade, representa 20% de sua vida. Já para alguém de 50 anos, os mesmos 12 meses representam apenas 5% da sua existência. Idade economicamente ativa é o conceito utilizado na economia para se referir ao período da vida no qual um indivíduo está apto ao exercício profissional remunerado. A idade economicamen- te ativa pode variar de acordo com os parâme- tros aplicados; o InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conside- ra as pessoas de 15 a 65 anos de idade aptas ao trabalho. Saiba mais O que é o tempo 23 Para Sette e Bonho (2020), não é possível ao indivíduo ad- ministrar o tempo, mas sim as decisões sobre como utilizá-lo. Assim, o uso de ferramentas e processos de gestão das atividades é fundamental para quem busca o controle sobre o próprio tempo. 1.4 Disciplina e rotina Vídeo Rodrigues et al. (2018) citam a obra Sobre a brevidade da vida, do filó- sofo Sêneca, que viveu em Roma entre os anos de 4 a.C. e 65 d.C., para ilustrar como a ideia de que os indivíduos não conseguem controlar o seu tempo sempre esteve presente na sociedade. Segundo os autores, Sêneca fez três afirmações fundamentais so- bre a relação dos sujeitos com o tempo. Para o filósofo, a vida não era curta, os indivíduos é que desperdiçavam o seu tempo. Sêneca também acreditava que as pessoas gastavam o tempo realizando atividades ou aprendendo coisas inúteis. Outra afirmação do filósofo relacionava-se à forma como as pessoas cuidavam do seu patrimônio em comparação ao cuidado com o precioso tempo: os bens materiais eram defendidos com zelo; o tempo pessoal, por outro lado, era roubado ou deixado à mercê de terceiros, sendo gasto inadequadamente (RODRIGUES et al., 2018). As afirmações de Sêneca podem facilmente ser transpostas para a contemporaneidade. Em uma sociedade cujas informações são gera- das, compartilhadas e consumidas rapidamente, há o aumento gene- ralizado da percepção de que o tempo passa sempre mais rápido. Para Rodrigues et al. (2018), isso leva os indivíduos a buscar meios e ferra- mentas de gerenciamento do tempo de que dispõem. Conforme Sita e Rizzi (2011), o tempo é o recurso mais valioso, exa- tamente por ser finito e não renovável. Desse modo, desperdiçá-lo é, de certa forma, desperdiçar a própria vida. As ferramentas, os modelos e os processos de gestão do tempo estão, na sua grande maioria, focados no processo de planejamento e organiza- ção de agenda, com o objetivo de otimizar o uso do tempo. Covey (2017) define três pilares para essa gestão: o primeiro refere-se à decisão conscien- te sobre o controle do tempo; o segundo relaciona-se à organização das ati- Relacionar os conceitos de disciplina, rotina e gestão do tempo. Objetivo de aprendizagem Um dos mais importantes pensadores romanos, fundador da linha filosó- fica chamada estoicismo, Lucius Annaeus Sêneca viveu nos primeiros anos da era cristã. Foi senador em Roma e conselheiro do Imperador Nero, que lhe causou decepção com a política e o levou ao abandono da vida públi- ca. Uma de suas obras é Sobre a brevidade da vida, escrita em formato de carta, na qual o filósofo discorre sobre a vida, o tempo, a moral e a ética, tanto no meio público quanto no privado. Trata-se de um livro ainda atual, mesmo após quase dois milênios de sua publicação original. SÊNECA, L. A. São Paulo: Penguin, 2017. Livro 24 Gestão do tempo e produtividade vidades com base nas prioridades; e o terceiro trata da disciplina necessária para dar prosseguimento ao planejamento definido. Contudo, para que os planos sejam colocados em prática, uma com- petência é fundamental: a disciplina. A palavra disciplina remete, inicialmente, às ideias de ordem e comandos a serem realizados, mas também à falta de liberdade. Po- rém, conforme Tiba (2017) avalia, o conceito não deve ser encarado negativamente, como forma de imposição. A disciplina é aprendida e desenvolvida por meio de exemplos e do reforço positivo recebido pelo indivíduo quando ele nota os resultados obtidos por meio da sua conduta disciplinada. Como diz a letra da música Há Tempos, da banda Legião Urbana: “disciplina é liberdade” (HÁ TEMPOS, 1989). A disciplina pode ser entendida como a firmeza e a determinação mental para se seguir cada um dos passos definidos no planejamento, bem como a força de motivação que não permite ao indivíduo procrastinar. A procrastinação – ou seja, o ato de adiar ou deixar a rea- lização de uma atividade para o futuro – é um dos grandes problemas no gerenciamento do tempo. Ti m ot hy H od gk in so n/ Sh ut te rs to ck PARA FAZER FEITO Segundo Tiba (2017), a disciplina pode ser desenvolvida por meio de estudo e dedicação, sendo imprescindível ao gerenciamento do tempo e à construção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 1.5 Ócio criativo Vídeo Os momentos de lazer ou aqueles não direcionados ao labor e às interações sociais são vistos negativamente. O mundo dos negócios, por exemplo, é caracterizado pelo ritmo acelerado e a convivência frag- mentada ou, muitas vezes, forçada. O ócio, por sua vez, é confundido O best-seller Os 7 hábitos das pessoas altamente efi- cazes é leitura fundamen- tal para quem deseja en- tender a importância da gestão do tempo no al- cance dos seus objetivos. As práticas listadas pelo autor podem ser aplica- das tanto no contexto empresarial quanto no pessoal. O livro é escrito em linguagem simples e direta e traz exemplos de como executar os seus ensinamentos. COVEY, S. R. 60. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2017. Livro A letra da música Há tempos é tema do artigo publicado na rede social LinkedIn pelo profes- sor Fabiano Caxito. Na pesquisa, o autor utiliza a canção para exempli- ficar como a disciplina é fundamental no alcance de objetivos pessoais e profissionais. CAXITO, F. Disciplina é liberdade! LinkedIn Pulse, 13 abr. 2017. Disponível em: https://www.linkedin.com/ pulse/o-que-aprendi-com- renato-russo-disciplina%C3%A9- liberdade-fabiano- caxito/?originalSubdomain=pt. Acesso em: 8 dez. 2021. Leitura https://www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-com-renato-russo-disciplina%C3%A9-liberdade-fabiano-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-com-renato-russo-disciplina%C3%A9-liberdade-fabiano-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-com-renato-russo-disciplina%C3%A9-liberdade-fabiano-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-com-renato-russo-disciplina%C3%A9-liberdade-fabiano-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-com-renato-russo-disciplina%C3%A9-liberdade-fabiano-caxito/?originalSubdomain=pt O que é o tempo 25 com a preguiça e considerado como algo a ser evitado. A própria ori- gem da palavra negócio é ilustrativa, pois o ócio não tem lugar nos es- paços profissionais, conforme explica Almeida (2018, p. 58): “trabalho vem do Latim, Tripalium, que significa instrumento de tortura usado contra escravos e pobres, enquanto ócio veio do Latim otium, inativi- dade. Negócio, palavra comumente usada no capitalismo, significa a negação do ócio”. Para a autora, o fato de a interpretação atual sobre o ócio ser algo ruim é diametralmente oposto aos valores das antigas culturas grega e romana, nas quais o trabalho manual era pouco valorizado por ser rea- lizado pelos povos escravizados, enquanto os cidadãos e intelectuais podiam praticar o ócio. Essas características podem ser observadas ainda segundo Almeida (2018), na sociedade brasileira durante o pe- ríodo da escravidão. O filósofo Sêneca também dedicou uma de suas obras ao tema. Em Sobre o ócio, escrito por volta de 65 d.C., é discutido o uso do tempo livre e do ócio. Mais do que um período de relaxamento ou descanso, o ócio possibilitaria ao sujeito poder refletir sobre questões amplas, relacionadas à vida e à sociedade (SÊNECA, 2020). Por isso, Sêneca via o ócio como importante à vida das pessoas. Já Bertrand Russel, importante filósofo do século XX, publicou, em 1935, a obra Elogio ao ócio, na qual afirma que o trabalho não deve- ria ser a parte mais importante da vida, nem a carreira profissional, o objetivo maior das pessoas. O ócio, para Russel, deveria ser usado, para além do lazer, como meio de desenvolvimento e aprendizagem (RUSSEL, 2002). Porém, é Domenico De Masi, sociólogo italiano, quem trazo ócio como tema central a ser discutido no mundo contemporâneo, tecnológico e acelerado. Em O ócio criativo (2001), o autor define o ócio como o momento no qual o indivíduo se encontra consigo, e o difere dos períodos dedicados ao trabalho, ao estudo e aos jogos. De Masi considera que o trabalho não deve ser visto apenas como obrigação, e os momentos de ócio são importantes, pois é neles que uma pessoa se recupera e pensa sobre sua vida, bem como sobre suas atividades profissionais; é nesses períodos que se desenvolve a criatividade, a ca- pacidade de reconhecer as conexões entre assuntos, pontos de vista e conhecimentos. Conhecer o conceito de ócio criativo e sua importância no equilíbrio do tempo pessoal e profissional. Objetivo de aprendizagem Em Por dentro da mente de um mestre na procrasti- nação, palestra proferida no evento TED Global de 2016, Tim Urban falou sobre como a procrasti- nação afeta o modo de realizar atividades. Ao assumir-se um procrasti- nador, Urban revelou as suas estratégias para lidar com prazos e gerenciar o seu tempo. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=su42HCVDPNk. Acesso em: 8 dez. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=su42HCVDPNk https://www.youtube.com/watch?v=su42HCVDPNk https://www.youtube.com/watch?v=su42HCVDPNk 26 Gestão do tempo e produtividade A teoria desenvolvida por De Masi preconiza que o ócio criativo está inserido nas atividades de trabalho, de aprendizado e de lazer, e todas estão interligadas. Assim, as empresas precisam oferecer condições para o incentivo da criatividade dos seus funcionários e os momentos adequados para que isso aconteça. Valverde (2018) discorda dos conceitos apresentados por De Masi e diferencia o ócio dos momentos de lazer. Para Valverde, o verdadeiro ócio não envolve a diversão, os jogos ou o aprendizado intencional, mas sim a busca pelo encontro de si mesmo, o cultivo das amizades e a assi- milação de conhecimentos de modo natural, por meio de experiências. In es Ba zd ar /S hu tte rs to ck Como ponto convergente entre os filósofos e autores analisados está a ideia de ócio como parte significativa do tempo e que deve es- tar presente no gerenciamento de planos e na prática cotidiana das pessoas. Assim, os estudos desenvolvidos ao longo da história da civi- lização humana abordam o ócio como questão presente em diversos períodos, espaços e culturas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O tempo é o recurso mais valioso aos indivíduos e às organizações para o alcance dos seus objetivos. Entretanto, nem sempre o seu ge- renciamento é feito adequadamente. Tempo de trabalho, tempo social, tempo pessoal, para aprendizado e de ócio: o tempo é fragmentado em diversas partes. Contudo, as pessoas dispõem apenas de uma linha tem- poral, e nela procuram alocar todas as suas atividades. Dessa forma, en- tender o tempo é o primeiro passo para aprender a gerenciá-lo. Cada vez mais as empre- sas permitem que os fun- cionários dediquem parte do tempo de trabalho a projetos pessoais e, para isso, oferecem espaços para a prática do ócio criativo. Esta reportagem da revista Você RH aborda alguns exemplos de empresas que adotaram essa política. GÓMEZ, N. Para estas empresas, seus projetos pessoais valem na hora de promover. Revista Você RH, 7 mar. 2020. Disponível em: https://vocerh.abril.com.br/ melhores-empresas/para-estas- empresas-seus-projetos-pessoais- valem-na-hora-de-promover/. Acesso em: 8 dez. 2021. Leitura O que é o tempo 27 ATIVIDADES Atividade 1 Explique os tipos de recursos que empresas e pessoas utilizam para atingir os seus objetivos e diferencie o tempo dos demais recursos. Atividade 2 O aumento significativo do teletrabalho nos últimos anos trouxe mudanças na gestão do tempo dedicado ao trabalho e à vida pessoal. Explique essas transformações. Atividade 3 Explique por que o ócio, na sociedade atual, é muitas vezes visto como algo negativo. REFERÊNCIAS ALMEIDA, R. C. P. Ócio e trabalho: dimensões compartilhadas: sentido do ócio redefinindo tempos e espaços organizacionais. Revista Científica Multidisciplinar ICGAP, v. 1, n. 1, p. 32-47, 2018. Disponível em: http://revistaicgap.com.br/index.php/icgap/article/view/14. Acesso em: 7 dez. 2021. AZEVEDO, A. Você sabe qual é a quantidade de dados gerados a cada minuto? Aunica, 25 ago. 2020. Disponível em: https://aunica.com/artigos/domo/infografico-dados-gerados- domo/. Acesso em: 7 dez. 2021. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm. Acesso em: 7 dez. 2021. BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 14 jul. 2017. 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Dessa forma, a primeira parte deste capítulo abordará o conceito de gestão do tempo e discutirá a importância de se conhecer os pro- cessos e as ferramentas de gestão em um contexto mais amplo da gestão empresarial para, então, relacionar essas ferramentas e meto- dologias à gestão do recurso tempo. O planejamento, a implantação e o acompanhamento dos processos de gestão do tempo são temas para a segunda parte do capítulo, que apresenta um modelo prático de metodologia de gestão do tempo, com exemplos e exercícios úteis à compreensão das etapas do processo. Já a relação entre a gestão do tempo, a produtividade, a eficiência e a eficácia serão discutidas na terceira parte do capítulo. No ambiente concorrencial contemporâneo, em que a produtividade é um fator de sobrevivência para as empresas e relevante aos profissionais, gerir o tempo torna-se fundamental. Entretanto, com o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, as quais aumentam a quantidade de conhecimentos, competências e inovações que impac- tam o cotidiano pessoal e profissional dos indivíduos, o desperdício de tempo com atividadespouco importantes passa a ser um desafio. Logo, entender o conceito de desperdício de tempo e saber como lidar com os fatores que consomem o tempo desnecessariamente é uma competência crucial. Uma das formas de organizar o tempo e focar em atividades estra- tégicas é fazer uso da delegação de tarefas, tema da última parte do capítulo. Delegar não significa renunciar ou se abster de responsabili- dades; o processo de delegação deve ser implementado para garantir a realização das atividades e a concretização dos objetivos. Gestão do tempo 31 2.1 Conceito de gestão do tempo Vídeo Para entender o conceito de gestão do tempo, é necessário discutir o seu processo. Segundo Maximiano (2015), a atividade de gestão está relacionada à tomada de decisão sobre o uso dos recursos disponíveis para que os objetivos buscados sejam atingidos. Após identificar quais recursos estão disponíveis e definir os objeti- vos, inicia-se o processo de gestão com a definição de um plano. Este será composto por uma sequência de passos, atividades, ações e me- didas que serão colocados em prática. O processo de gestão envolve, ainda, o acompanhamento da implantação dos passos e atividades por meio de indicadores que mostrem a correta utilização dos recursos e a execução das ações. A figura a seguir demonstra a relação entre os elementos que compõem o processo de gestão. Figura 1 Relação entre as variáveis na administração Fonte: Adaptada de Maximiano, p. 11, 2015. Recursos Pessoas, informação e conhecimento, espaço Objetivos Resultado Decisões Planejamento Organização Execução e direção Entre os modelos de gestão presentes na administração das empre- sas, um dos mais utilizados é o ciclo PDCA, por ser simples e eficiente. A metodologia, desenvolvida por Walter Shewhart, tornou-se mundial- mente conhecida e empregada a partir do trabalho de William Deming. Os professores e consultores são considerados os fundadores da área Conhecer o conceito de gestão do tempo e a sua relação com a gestão estratégica das organizações. Objetivo de aprendizagem Objetivo é o que o indivíduo ou a organiza- ção deseja alcançar em um momento futuro. Por exemplo, o aluno define como objetivo se graduar em um curso superior com uma determinada idade. Já uma empresa pode determinar como objetivo alcançar uma participação específica de mercado ou atingir um dado valor de faturamen- to. Os recursos, por sua vez, representam aquilo que se usa para atingir os objetivos, como os recur- sos naturais, humanos, financeiros e o tempo. Lembrete 32 Gestão do tempo e produtividade de gestão da qualidade e tidos como os mais influentes pesquisadores em ciência da administração. Por isso, o ciclo PDCA, segundo Campos (2014), é conhecido como ciclo de Shewhart, ciclo de Deming, ciclo da gestão ou ciclo da qualidade total. A sigla PDCA é composta dos termos que dão nome à metodologia. O pla- nejamento (P), a execução (do inglês Do; em português, fazer), a checa- gem ou controle (C) e a fase da ação (A), como mostra a figura a seguir. Figura 2 Ciclo PDCA Ve ct or Oz /S hu tte rs to ck >>> >>> >>>>> > A C P D • Definição de meta • Análise do problema • Análise das causas • Elaboração dos planos de ação. • Treinamento • Execução dos planos de ação • Verificação dos resultados • Padronização dos resultados positivos • Tratamento dos desvios Fonte: Elaborada pelo autor. A fase de planejamento (P) diz respeito aos objetivos. Assim, a situa- ção em que se encontra a empresa é analisada para que sejam iden- tificadas oportunidades e ameaças. Depois de definidos os objetivos e identificados os recursos disponíveis, são estabelecidos os planos de ação que serão implementados na fase de execução (D). Na fase de execução (D), são colocados em prática os planos de ação desenvolvidos na fase de planejamento. Para a execução dos planos, é necessário que as pessoas responsáveis passem pelos processos de preparação e treinamento a fim de entenderem os motivos e as razões de cada ação e, assim, desenvolverem as competências e capacidades necessárias. Então, os planos de ação são colocados em prática, utili- zando recursos de acordo com os processos determinados. A terceira etapa do ciclo é o controle ou checagem (C). Trata-se de uma das principais atividades dos profissionais que trabalham com a gestão; é válido acompanhar e controlar os recursos para utilizá-los corretamente, bem como observar se os planos estão sendo executa- dos como o pretendido. Vicente Falconi Campos é considerado um dos maiores especialistas em gestão da qualidade do Brasil. Trabalhou durante anos no Japão em proje- tos da Union of Japanese Scientists and Engineers (JUSE), organização que congrega engenheiros ligados à gestão da pro- dução. Foi responsável por implantar no Brasil os conceitos de gestão da qualidade. Em seu livro TQC: controle da qualidade total no estilo japonês, Falconi apresenta os prin- cipais conceitos da gestão da qualidade, entre eles o ciclo PDCA. CAMPOS, V. F. 9. ed. Nova Lima: Falconi, 2014. Livro Gestão do tempo 33 A terceira fase é fundamental ao processo de gestão, pois os resulta- dos obtidos por indicadores podem apontar problemas ou a necessidade de realinhamento dos planos. Caso os resultados não estejam sendo alcançados, identificar a origem do desalinhamento entre planejamen- to e resultado é indispensável. Nesse sentido, os planos podem ter sido desenvolvidos de modo equivocado, ou as metas, mal dimensionadas. Há, também, a chance de os planos serem coerentes e as metas, ade- quadas, mas a prática do plano na fase de execução pode ter sido feita de maneira equivocada por despreparo das pessoas envolvidas. Existe, inclusive, a possibilidade de terem ocorrido mudanças em fatores ex- ternos à empresa e que impactam os objetivos desejados. Após as análises da fase de controle (C), devem ser tomadas de- cisões e desenhados novos planos para a etapa de ação (A). Nesse momento, pode ser necessário ajustar os planos originais ou mesmo redesenhá-los. Outra possibilidade é a redefinição dos objetivos a fim de adequá-los à realidade. A metodologia é chamada de ciclo por ter como característica as constantes revisões e recomeços. Após as ações tomadas na quarta fase (A), um novo planejamento se inicia. As diversas etapas são inter- ligadas, podendo ocorrer simultaneamente, especialmente as fases de execução (D) e de controle (C), que são concomitantes. O conhecimento sobre os processos e modelos de gestão é funda- mental à compreensão do conceito de gestão do tempo. Diversos au- tores procuraram conceituá-la. Segundo Covey (2017), os conceitos de gestão do tempo evoluíram em diversas ondas, e os primeiros modelos eram baseados na simples organização de listas de atividades a serem cumpridas. Por meio das listas, observou-se que algumas atividades eram mais importantes e relacionadas aos objetivos pretendidos. Assim, uma das evoluções no conceito de gestão do tempo foi a priorização de ativida- des e a sua organização referente ao futuro, ou seja, a determinação de um cronograma a ser concluído em determinada sequência. As metodologias de gestão do tempo passaram a levar em con- sideração as metas e os objetivos de curto, médio e longo prazos. Rodrigues et al. (2018, p. 4) afirmam: “A gestão do tempo pode ser com- preendida como uma série de comportamentos que envolvem seu uso efetivo para auxiliar na produtividade e na qualidade de vida. O geren- O filme Click é uma comédia que, à primeira vista, parece simples e di- vertida, mas aborda ques- tões como a gestão do tempo e o controle entre o tempo dedicado ao trabalho e à vida pessoal. O personagem Michael Newman é um arquiteto viciado em trabalho e praticamente sem tempo para a família. Quando re- cebe um controle remoto, ele passa a controlar diversos aspectos da sua vida, principalmente a passagem do tempo, e decide, então, pular todos os momentos que não se relacionamao seu tra- balho. Quando percebe, está velho e doente, sem ter aproveitado os bons momentos da vida. O fil- me é uma crítica a como a maioria das pessoas gerencia o seu tempo. Direção: Frank Coraci. EUA: Columbia Pictures; Revolution Studios; Happy Madison; Original Film, 2006. Filme 34 Gestão do tempo e produtividade ciamento pode ser aprendido através de experiência de vida, treina- mentos ou da prática”. Estrada, Flores e Schimith (2011) apontam que, apesar de o proces- so de gestão ter sido desenvolvido no contexto da administração das empresas e organizações, é possível utilizar as suas metodologias e ferramentas no contexto pessoal. As pessoas, assim como as em- presas, definem objetivos e metas e, dessa forma, precisam utilizar os recursos de que dispõem para alcançá-los. Entre esses recursos está o tempo. Por sua característica de finitude e escassez, é o que deve ser mais atentamente gerenciado. A gestão do tempo é fundamental àqueles que querem alcançar objetivos pessoais de curto, médio e longo prazo, tanto no contexto profissional quanto nas de- mais áreas da vida, como educação, saúde, relações familiares e sociais. Como destacam Guerreiro e Soutes (2013), o gerenciamento do tempo não se resume a planejar e controlar o tempo dedicado a cada atividade; significa entender a importância de cada uma delas e definir prioridades para a organização do uso do recurso tempo. Alguns autores discutem o próprio uso da gestão do tempo. Segun- do Montenegro et al. (2020), na realidade, não se gerencia o tempo, já que ele é igual, regular e constante. O que pode ser gerenciado é a for- ma como o indivíduo o utiliza. Para os autores, fatores como estresse, cobranças e ansiedade são indicadores da má gestão do recurso tempo pelas pessoas. Já Covey (2017) acredita que a administração do tempo é um termo inadequado, pois o que a pessoa realmente gerencia são os seus esforços e atividades. A gestão do tempo, em contexto individual, relaciona-se à busca pelo equilíbrio entre as diversas áreas da vida. As pessoas desempe- nham diversos papéis nas esferas profissional, pessoal, familiar, edu- cacional, comunitária e social. O planejamento individual pode ser amplo, como os planos de vida ou de carreira que envolvem objetivos de longo prazo, ou específico, como cursar uma faculdade para alcançar uma promoção na carreira ou mesmo realizar um sonho pessoal. O tempo dedicado a cada uma das áreas da vida pode se alterar de acordo com o momento de vida no qual a pessoa está. Um jovem adul- to e solteiro pode considerar que grande parte do seu tempo deve ser O planejamento de carrei- ra, ou o planejamento das carreiras que cada pessoa desenvolverá durante sua vida, é o foco do artigo publicado na rede social LinkedIn. Muitos profissio- nais, ao atingirem deter- minado ponto da carreira, acomodam-se e passam a dedicar cada vez menos tempo ao desenvolvimen- to pessoal. Porém, as rápi- das e intensas mudanças tecnológicas e comporta- mentais que têm alterado a forma como o mercado de trabalho se organiza obrigam o profissional a reinventar a própria carreira ou mesmo buscar um novo caminho. CAXITO, F. Para que planejamento de carreira, se já tenho uma? Eu já estou planejando minha quarta carreira. e ainda acho pouco!. LinkedIn, abr. 2017. Disponível em: https://www. linkedin.com/pulse/para-que- planejamento-de-carreira-se- j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou- caxito/?originalSubdomain=pt. Acesso em: 10 dez. 2021. Leitura https://www.linkedin.com/pulse/para-que-planejamento-de-carreira-se-j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/para-que-planejamento-de-carreira-se-j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/para-que-planejamento-de-carreira-se-j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/para-que-planejamento-de-carreira-se-j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou-caxito/?originalSubdomain=pt https://www.linkedin.com/pulse/para-que-planejamento-de-carreira-se-j%C3%A1-tenho-uma-eu-estou-caxito/?originalSubdomain=pt Gestão do tempo 35 dedicado à carreira e ao desenvolvimento profissional. Já uma pessoa ca- sada, com filhos pequenos, pode optar por dedicar mais tempo à convi- vência familiar. Por fim, alguém que se aposentou pode considerar que seu tempo deve ser direcionado à ajuda filantrópica ou à comunidade. 2.2 Planejamento e controle do tempo Vídeo O conhecimento das metodologias de gestão, em especial o ciclo PDCA, é fundamental para entender e usar as metodologias de gestão do tempo propostas por variados autores. Estrada, Flores e Schimith (2011), por exemplo, propõem um modelo de gestão do tempo semelhante ao ciclo PDCA. O modelo dos autores é composto por duas fases, o pla- nejamento e o gerenciamento, e cada uma comporta etapas distintas, como mostra a figura a seguir. Fonte: Adaptada de Estrada, Flores; Schimith, 2011, p. 320. Figura 3 Modelo de gestão do tempo de Estrada, Flores e Schimith (2011). PLANEJAMENTO Situação do uso do tempo semanal Situação de alocação do tempo semanal Planejamento semanal AUDITORIA DO TEMPO ALAVANCAGEM DO TEMPO ENQUADRAMENTO DO TEMPO Planejamento diário Priorização GERENCIAMENTO Organização de ambientes e informações EXECUÇÃO Delegação de tarefas Negação de tarefas Outras técnicas e atitudes para superar obstáculos Monitoramento diário CONTROLE Avaliação semanal Compreender como a capacidade de planeja- mento auxilia na gestão do tempo. Objetivo de aprendizagem 36 Gestão do tempo e produtividade A fase de planejamento do modelo de Estrada, Flores e Schimith (2011) pode ser relacionada à fase do planejamento (P) do ciclo PDCA e se inicia com o processo de auditoria do tempo, no qual os autores sugerem o levantamento de como o indivíduo utiliza o tempo antes de aplicar o modelo. Esse processo de auditoria é realizado por meio da anotação de todas as atividades feitas durante determinado período – em geral, uma semana –, com os respectivos tempos, finalidades e características, bem como em que área da vida do sujeito essas ativi- dades se inserem. Os autores propõem um modelo de planilha a ser usada no registro das atividades nessa fase do processo: Semana Papel individual Papel familiar Papel profissional Papel empresarial Papel social Total de horas/dia Segunda-feira 10h 2h 10h 2h - 24h Terça-feira 13h 1h 8h 2h - 24h Quarta-feira 11h 3h 8h 2h - 24h Quinta-feira 11h 1h 9h 3h - 24h Sexta-feira 11h 1,5h 8h 2h 1,5h 24h Sábado 13h 2h 5h 1h 3h 24h Domingo 15h 1,5h - - 7,5h 24h Total de horas por papel 84h 12h 48h 12h 12h 168h % do tempo 50% 7,14% 28,58% 7,14% 7,14% 100% Tabela 1 Modelo de auditoria do tempo Fonte: Estrada; Flores; Schimith, 2011, p. 321. É importante destacar que, no conceito de contagem de tempo, em cada papel desempenhado, o tempo de sono ou descanso é compu- tado no papel individual. Ao registrar o tempo dedicado a cada tipo de atividade, o modelo possibilita a identificação de desequilíbrios e desalinhamentos no uso efetivo do tempo em relação aos objetivos almejados. No exemplo em questão, é possível identificar que o tempo dedicado ao papel profissional é o dobro da soma do tempo dedicado aos papéis familiares e sociais. Gestão do tempo 37 Pensando na prática – parte 1 Que tal colocar em prática o modelo dos autores? Durante a próxima semana, registre o uso que você faz do tempo em cada um dos papéis que desempenha. Lembre-se de dividir as atividades conforme as ações no seu cotidiano, como tempo familiar, tempo profissional, tempo social e descanso. Semana Papel individual (inclui tempo de sono) Papel familiar Papel profissio- nal Papel empre- sarial Papel social Total de horas/dia (soma do tempo dedicado a cada papel por dia) Segunda-feira 24 h Terça-feira 24 h Quarta-feira 24 h Quinta-feira 24 h Sexta-feira 24 h Sábado 24 h Domingo 24 h Total de horas por papel (somado tempo dedicado ao papel durante a semana) 168 horas % do tempo (divida o tem- po dedicado ao papel pelo total de horas da semana) 100% Essa etapa é seguida pela identificação de possíveis melhorias no uso do tempo disponível, o que os autores chamam de alavancagem do tempo. Cada atividade identificada na primeira etapa é analisada, com o objetivo de desenvolver um planejamento que considere as atividades indispensáveis e que não podem ser abandonadas e aquelas às quais o indivíduo deseja dedicar mais tempo. A seguir, a Tabela 2 apresenta um exemplo. 38 Gestão do tempo e produtividade Tabela 2 Alavancagem do tempo Papéis Metas e projetos anuais Principais ações de referência Horas %tempo Individual • Implementar saúde preventiva, rea- lizando exames regulares. • Melhorar o condicionamento físico. • Reduzir o peso em 5 kg e mantê-lo. • Investir na espiritualidade. • Investir no desenvolvimento pessoal. • Fazer refeições saudáveis. • Dormir 8 horas por noite. • Fazer exercícios físicos no míni- mo 3 vezes por semana. • Fazer yoga 2 vezes por semana. • Ler no mínimo 10 páginas de um livro por dia. 75 44,64% Familiar • Aumentar o contato com familiares e amigos. • Dar maior atenção ao cônjuge e fazer programas regulares. • Estreitar a relação com os filhos fazendo programas regulares. • Fazer duas visitas semanais a parentes e amigos. • Realizar programas semanais com cônjuge e providenciar via- gem de bodas. • Reservar no mínimo 7 horas semanais para programas com os filhos. 16 9,52% Profissional • Fazer cursos de aperfeiçoamento e capacitação profissional. • Aperfeiçoar a língua inglesa. • Participar de cursos de capaci- tação. • Fazer aulas de inglês 2 vezes por semana. 40 23,81% Empresarial • Aumentar as vendas em 10% am- pliando a carteira de clientes. • Reduzir os custos em 10%. • Melhorar o processo administrativo. • Realizar duas reuniões semanais com a equipe de vendas. • Pesquisar e contatar, semanal- mente, possíveis novos clientes. • Criar e implantar software de gestão administrativa e controle de custos. 11 6,55% Social • Participar como palestrante volun- tário na própria comunidade. • Participar mais de eventos sociocul- turais e ambientais. • Fazer uma palestra semanal, em média. • Participar semanalmente de eventos socioculturais e am- bientais. 10 5,95% Tempo de contingências 16 9,52% Total do tempo 168 100,00% Fonte: Adaptada de Estrada; Flores; Schimith, 2011, p. 322. Gestão do tempo 39 Pensando na prática – parte 2 Utilize o conceito de alavancagem do tempo e desenvolva um plano de ação pessoal. Para isso, use os dados que você anotar ao realizar a auditoria do seu tempo. Lembre-se de que a auditoria de tempo se refere a pelo menos uma semana de observação sobre o tempo dedicado a cada papel social desempenhado, como tempo familiar, tempo profissional, tempo social e descanso. Papéis Metas e pro- jetos anuais Principais ações de referência Horas % tempo Individual Familiar Profissional Empresarial Social Tempo para contingências Total do tempo 168 100,00% Ainda na fase de planejamento, a etapa de enquadramento do tem- po envolve a elaboração de um plano semanal e diário, baseado na priorização de atividades identificadas e definidas nas etapas anterio- res. Para tanto, podem ser utilizadas ferramentas como uma simples agenda ou sistemas e aplicativos desenvolvidos especialmente para essa tarefa. O planejamento semanal ajuda tanto a organizar as tarefas quanto a criar o senso de disciplina e responsabilidade relativos à utilização individual do tempo. A tabela a seguir traz o exemplo sugerido por Estrada, Flores e Schimith (2011): 40 Gestão do tempo e produtividade Tabela 3 Planejamento semanal Fonte: Adaptada de Estrada; Flores; Schimith, 2011, p. 322. Papéis Atividades/tarefas Dia Tempo Individual • Comprar livro sobre meditação. • Fazer inscrição para aulas de yoga. • Pesquisar e contratar nutricionista para definição de cardápio. • Marcar consulta para check-up anual. 6ª 3ª 3ª 3ª 30 min 15 min 30 min 10 min Familiar • Ligar para agência de turismo e marcar visita para 4ª feira. • Visitar agência de turismo para definir viagem. • Comprar presente de aniversário da mãe. • Ir ao aniversário da mãe. • Visitar o tio Orlando. • Ir ao jogo de futebol com Rafael. • Comprar ingresso para show na companhia do cônjuge. 2ª 4ª 2ª Sáb 6ª Dom 3ª 2ª 4ª 2ª Sáb 6ª Dom 3ª Profissional • Preparar reunião do conselho. • Verificar relatórios de vendas de meses anteriores. • Preparar reuniões com equipes de vendas. • Fazer ligações da semana para clientes definidos como potenciais. • Fazer inscrição no curso “vendas on-line”. 2ª 2ª 2ª a 6ª 2ª a 6ª 3ª e 5ª 1h30 30 min 1h 1h 1h Empresarial • Elaborar projeto de expansão de vendas. • Elaborar projeto de redução de custos. 2ª a 6ª 3ª a 6ª 5h 4h Social • Preparar palestra. • Falar com Enrique sobre novo projeto comunitário. • Realizar palestra. Sáb Sáb 4ª 2h 1h 1h De acordo com o quadro, cada uma das metas e projetos anuais dá origem a uma lista de atividades a serem realizadas, que são organiza- das em uma agenda semanal, a qual, por sua vez, determina as datas e o tempo a ser dedicado a cada uma dessas atividades. Pensando na prática – parte 3 Dê sequência ao seu processo de planejamento. Para isso, organize sua agenda semanal anotando as atividades referentes a cada dia e o tempo necessário para realizá-las. Papéis Atividades/tarefas Dia Tempo Individual Familiar (Continua) Gestão do tempo 41 Papéis Atividades/tarefas Dia Tempo Profissional Empresarial Social Após a programação desenvolvida no planejamento semanal, o passo seguinte do modelo proposto pelos autores é desenvolver o pla- nejamento de cada dia da semana. O planejamento diário é preparado no início da semana, mas deve ser revisto ao final de cada dia. Caso alguma atividade não tenha sido realizada conforme o previsto, ela deve ser reagendada para o próximo momento disponível. Enquanto o planejamento anual define as metas de longo prazo, o pla- nejamento semanal organiza as atividades a serem realizadas. O objetivo do planejamento diário é listar as tarefas da maneira mais simples possível, com todas as informações necessárias para a sua execução. A tabela a seguir mostra um exemplo de organização da agenda diária: Tabela 4 Planejamento diário P Tarefas Horas Tarefas e compromissos Tempo 6 Projeto de expansão de vendas 8h-9h Preparar reunião do conselho 1h30 2 Falar com Mário sobre projeto comunitário 9h-10h 7 Comprar presente para mãe 10h-11h Ligar para Mário e falar sobre projeto: outras ligações e atendimentos 1h30 4 Ir à reunião com a equipe de vendas 11h-12h Ir à reunião do conselho: plano de redução de custos 1h 3 Ligar para agência de turismo: marcar visita 12h-13h Almoçar 45min 1 Preparar reunião do conselho 13h-14h Verificar correspondência, leituras e e-mails 1h15 5 Ver relatórios de venda ante- riores 14h-15h Ligar para agência de turismo, ligações e aten- dimento 30min 15h-16h Ir à reunião com equipe de vendas 1h 15h-17h Ver relatório de vendas; começar projeto de ex- pansão 1h15 17-18h Avaliar o dia e planejar o próximo; presente da mãe 1h15 18-19h Ir à academia de ginástica 1h15 19-20h Ir à aula de inglês 1h 20h-22h Jantar e conversar com a família 2h Anotações: convocação da reunião da equipe (secretaria); CPF da Lúcia: 000.111.222-33. Fonte: Adaptada de Estrada; Flores; Schimith, 2011, p. 324. 42 Gestão do tempo e produtividade Como observado no quadro, o planejamento diário divide-se em uma lista de tarefas a serem realizadas e suas prioridades). A prioriza- ção (coluna à esquerda) mostra qual é a relevância de cada tarefa, ou, ainda, uma informação importante no caso da ocorrência de algum im- previsto que ocupe parte do tempo do dia. Assim, é possível postergar as atividades menos urgentes para o próximodia. A priorização é uma das etapas sugeridas no modelo de Estrada, Flores e Schimith (2011) e ocorre concomitantemente ao planejamento diário. Priorizar é fazer escolhas sobre a melhor forma de utilizar o recurso tempo, definindo quais atividades são mais importantes para os objetivos pretendidos. A segunda parte do planejamento é uma agenda (coluna à direita) or- ganizada de acordo com horários, na qual cada tarefa está relacionada a uma previsão de tempo para sua execução. Após realizar todas as etapas da fase de planejamento do modelo de gestão de tempo de Estrada, Flores e Schimith (2011), inicia-se a fase do gerenciamento, que é composta por duas etapas. A execução pode ser relacionada ao Fazer (Do) do ciclo PDCA. A fase de execução inicia-se com a organização dos recursos neces- sários para realizar as tarefas determinadas para o dia. Analisando o quadro de planejamento diário, é possível identificar o que é passível de delegação, ou seja, qual execução pode ser transferida a outra pes- soa, ficando sob a responsabilidade daquele que incumbiu a gestão e a conferência da execução do que foi solicitado. Dessa forma, podem também ser identificadas as tarefas passíveis de serem excluídas do planejamento ou postergadas caso seja necessário dedicar mais tempo do que o planejado a uma tarefa prioritária. Assim como na fase de execução do ciclo PDCA, nem sempre o que foi planejado é praticado como foi pensado. Interferências externas po- dem impactar o planejamento – como uma pessoa com reunião agen- dada desmarcar o compromisso. Também podem ocorrer problemas internos, como falta de motivação, medos, anseios e perda de foco. A etapa de controle, simultânea à etapa de execução, tem por fina- lidade o monitoramento das atividades e a análise das melhorias que podem ser implantadas nos planejamentos futuros. Essa etapa pode ser relacionada às fases da checagem (C) e ação (A) do ciclo PDCA. Os autores sugerem que sejam feitas avaliações diárias e semanais da agenda para identificar pontos de melhoria. Gestão do tempo 43 O modelo proposto por Estrada, Flores e Schimith (2011) não é o úni- co para a gestão do tempo, mas trata-se de uma metodologia simples e prática que pode ser implementada por quem busca gerenciar seu recurso mais precioso: o tempo. 2.3 Gestão do tempo e produtividade Vídeo Segundo Correia, Mendes e Silva (2019), a produtividade está rela- cionada aos conceitos de eficiência e eficácia. Como explicam os auto- res, a eficiência é a medida dos resultados obtidos por um processo em relação aos recursos utilizados. Já a eficácia é obtida por meio da comparação entre os resultados obtidos e o objetivo a ser alcançado. Para exemplificar os conceitos de eficácia e eficiência, imagine dois alunos que determinam como objetivo ler um livro até o final. O principal recurso de que dispõem é o tempo. O primeiro aluno decide dedicar seu tempo in- tegralmente à leitura. Já o segundo para diversas vezes, abandona a leitura por algum tempo, navega pelas redes sociais e fica alguns dias sem retornar ao livro. Após alguns dias, o primeiro aluno atinge o seu objetivo e conclui a leitura. O segundo aluno, porém, leva algumas semanas para atingir o seu objetivo, mas, por fim, termina a leitura. Ambos são eficazes, pois atingiram o objetivo de ler totalmente o livro. Contudo, o primeiro aluno foi mais eficiente, pois utilizou melhor o recurso tempo. Como pode ser visto no exemplo, os conceitos de gestão do tem- po e produtividade, no contexto organizacional, estão interligados. Se- gundo Cunha et al. (2013), a produtividade é medida pelas entradas (conhecidas também por recursos) e as saídas (que são os resultados de um processo de transformação), sendo o tempo um dos recursos mais importantes desse processo. Já Correia, Mendes e Silva (2019) re- lacionam os conceitos de produtividade e desempenho: para que uma empresa atinja os seus objetivos, os colaboradores precisam realizar as suas atividades e utilizar os recursos de que dispõem com eficiência e eficácia, de modo a atingir um nível de desempenho suficiente para agregar valor ao processo de transformação. Após extensa revisão bibliográfica sobre as pesquisas feitas no Brasil acerca do conceito de gestão do tempo, Rodrigues et al. (2018) concluem que os termos produtividade e desempenho são os que apare- cem com maior frequência relacionados à gestão do tempo. Os autores destacam que, dentre as 16 obras pesquisadas e consideradas as mais Entender a relação entre gestão do tempo e pro- dutividade no ambiente profissional. Objetivo de aprendizagem 44 Gestão do tempo e produtividade relevantes, 14 delas relacionam a gestão do tempo ao desempenho e à produtividade. Segundo os autores, “o termo desempenho predomi- nante nas publicações se refere ao alto engajamento na atividade e na profissão, possuindo senso de responsabilidade por tarefas assumidas e a vontade de estar e se manter atualizado e em constante desenvol- vimento” (RODRIGUES et al., 2018, p. 12). Os autores chamam atenção para o fato de o próximo termo mais citado ser qualidade de vida, o que mostra a importância da gestão do tempo como ferramenta para garantir o equilíbrio entre a vida profissio- nal e pessoal. O tema gestão do tempo é foco de vários estudos acadêmicos que buscam identificar a relação do conceito com outros aspectos da administração, como a produtividade, o desempenho, a eficiência e a eficácia. No artigo Ges- tão do tempo aplicada à produtividade, qualidade de vida e desempenho: análise de publicações do banco de dados da CAPES e do Google Acadêmico, Rodrigues et al. analisam dezenas de pesquisas publicadas em revistas e congressos de destaque no Brasil e que abordam a gestão do tempo. Acesso em: 13 dez. 2021. https://admpg.com.br/2019/anais/2018/arquivos/06022018_190629_5b131a853d259.pdf Artigo Um dos objetivos da implementação de ferramentas de gestão do tempo é aumentar o desempenho e a produtividade. Para Bernhoeft (2009), os métodos, as ferramentas e técnicas de gestão aumentam a produ- tividade ao alocarem, de modo mais eficiente, o recurso tempo. Nesse sentido, como destaca Araújo (2019), o desenvolvimento tecnológico, em especial o relacionado às tecnologias da informação e da comunica- ção, propiciou o desenvolvimento de novas ferramentas para melhorar a gestão do tempo, entretanto promoveu a diminuição da produtivida- de por ocupar o tempo das pessoas e gerar distrações. É comum con- fundir estar ocupado durante todo o tempo com produtividade. O excesso de ocupação do tempo pode significar exatamente o contrário: que o indivíduo não está gerenciando adequadamente o seu tempo. A utiliza- ção de metodologias pode ajudar no gerenciamento de atividades a se- rem executadas, em como diminuir a ociosidade e, consequentemente, a melhorar a produtividade. Para que se possa gerenciar o tempo adequadamente, tanto no contexto pessoal quanto no profissional, o treinamento, o desenvolvi- mento de competências e o conhecimento sobre metodologias, ferra- Com uma linguagem simples e exemplos prá- ticos, a obra Faça tempo: 4 passos para definir suas prioridades e não adiar mais nada é um guia de como adotar alguns hábitos que aumentam a produtividade e, por outro lado, abandonar hábitos que consomem tempo por não estarem relacionados aos obje- tivos que se pretende alcançar. KNAPP, J.; ZERATSKY, J. São Paulo: Intrínseca, 2019. Livro Gestão do tempo 45 mentas e programas de gestão do tempo são fundamentais. Alguém que conhece a importância da gestão do tempo e compreende que esse recurso é finito, escasso e insubstituível apresenta maior consciên- cia ao utilizá-lo, evitando desperdícios e buscando aumentar constan- temente o seu desempenho e sua produtividade. 2.4 Desperdício de tempo Vídeo No contexto da administração, Rodrigues et al. (2018) conceituam como desperdício qualquer tipo de atividade ou uso de recursos que não geram valor a um produto ou serviço. Logo,consideram como cus- tos desnecessários aqueles que diminuem o lucro final, principal objeti- vo das empresas. Werkema (2012) aponta que, na gestão da produção industrial, sete tipos de desperdício podem ser identificados nos pro- cessos de transformação de recursos em produtos. O primeiro refere-se à superprodução, ou seja, quando a quantida- de de produtos é superior à demanda em determinado período. A produção excessiva é considerada um desperdício, pois os recursos – matérias- -primas, aporte financeiro, mão de obra e tempo necessário para de- senvolver as atividades – são empregados em um produto que ficará estocado por período indeterminado, gerando o segundo tipo de des- perdício, o excesso de estoque. O desperdício do tipo defeitos é gerado pela fabricação de produ- tos avariados que pode ocorrer por erros no processo de fabricação, nos equipamentos, nas matérias-primas ou pela falta de conhecimen- tos, competências e preparo da mão de obra. Os defeitos geram tam- bém o desperdício de tempo, uma vez que os produtos precisarão ser consertados ou refeitos para atingirem os padrões de qualidade ne- cessários à comercialização. Já o desperdício de espera relaciona-se à gestão do tempo. Ocorre em todos os momentos de um processo em que os colaboradores ficam ociosos e não desempenham atividades que gerem valor à empresa. O desperdício de transporte diz respeito a qualquer movimenta- ção desnecessária que produtos, pessoas ou matérias-primas realizam durante o processo produtivo. Normalmente acontecem por erros no planejamento dos processos ou por problemas na execução das atividades. Compreender como os fatores que desperdiçam tempo podem impactar o planejamento. Objetivo de aprendizagem 46 Gestão do tempo e produtividade Outro tipo de desperdício são os movimentos desnecessários. Trata-se de atividades ou ações realizadas que não agregam valor a um produto, por exemplo: uma peça que é movimentada do estoque para a área de vendas de uma empresa e, posteriormente, volta ao estoque. Os dois tipos de desperdício – de transporte e de movimentos desnecessários – representam o desperdício de tempo, pois os deslo- camentos consomem o tempo que poderia ser utilizado em uma ativi- dade que gera valor. Por último, o desperdício de superprocessamento acontece quan- do são realizadas atividades de modo repetitivo ou excessivo e que não geram benefícios ou valor. Um exemplo são os relatórios desenvolvi- dos por áreas administrativas, que não são usados pelos gestores para que eles tomem suas decisões. Os tipos de desperdício apontados por Werkema (2012) estão re- lacionados à gestão do tempo, pois esse recurso é utilizado em todos os modelos de processos, bem como em atividades realizadas nos contextos profissional e pessoal. No contexto pessoal, o desperdício de tempo refere-se às atividades que não estão ligadas ao planejamento e aos objetivos buscados. No mundo contemporâneo, a internet, as redes sociais e, principalmente, as tecnologias da comunicação dificultam a manutenção do foco nas atividades diárias, o que leva o indivíduo a despender tempo em ativi- dades que não foram planejadas e não contribuem para o alcance dos objetivos pessoais. Para Araújo (2019), os smartphones disponibilizam uma série de aplicativos – como redes sociais, jogos, e-mails e de troca de mensa- gens – e criam distrações que afastam o indivíduo das suas atividades. Entretanto, como destaca Goleman (2014), a perda da atenção e foco nas atividades a serem realizadas e, consequentemente, o desperdício de tempo não estão relacionados apenas aos fatores externos. Ques- tões emocionais, como ansiedade, necessidade de aceitação pelo gru- po social e estresse, aumentam a propensão das pessoas a desviar o foco para atividades que as fazem desperdiçar o seu tempo. Por exemplo, várias pessoas, ao organizarem suas agendas, incluem entre as primeiras atividades do dia a verificação da caixa de entrada do e-mail profissional. Caso existam muitas mensagens que precisam Gestão do tempo 47 ser respondidas ou exijam a realização de outros processos para serem resolvidas, a atividade pode tomar mais tempo do que o planejado, levando a pessoa a postergar as demais atividades previstas para o dia. Outro exemplo muito comum é manter os aplicativos de troca de mensagens constantemente ativados e com as notificações sonoras li- gadas. A cada mensagem recebida, seja ela urgente ou não, o indivíduo gasta alguns segundos ou minutos apenas no processo de destravar o smartphone, acessar o aplicativo, abrir a mensagem, ler o conteúdo e bloquear novamente o aparelho. Uma pesquisa global realizada em 2021 pela consultoria App Annie mostra que o Brasil é o país onde as pessoas passam mais tempo em aplicativos de celular, como mostra a figura a seguir. Figura 4 Horas gastas por dia em aplicativos - 2021 Fonte: Kristianto, 2021. 6 5 4 3 2 1 0 5,4 5,3 4,9 4,8 4,7 4,5 4,4 4,1 3,9 3,8 3,7 3,6 3,6 3,5 3,5 3,1 Brasil Indonésia Índia Coreia do Sul México Canadá Rússia Argentina Austrália França Alemanha ChinaTurquia Estados Unidos Japão Reino Unido Quem busca utilizar as metodologias e ferramentas de gestão do tempo para aumentar a produtividade e alcançar os seus objetivos pre- cisa entender quais são os fatores que levam a perder o foco nas ativi- dades agendadas e, assim, buscar formas de evitar esses elementos de desperdício de tempo em seu cotidiano. 2.5 Delegação de tarefas Vídeo Ao analisar as tarefas e atividades a serem realizadas, é possível identificar aquelas que não precisam ser desenvolvidas necessaria- mente por uma pessoa e podem ser executadas por outras. Porém, a possibilidade de transferir a tarefa não significa que ela não seja 48 Gestão do tempo e produtividade importante ou que não haja responsabilidade sobre ela. Na realida- de, as tarefas e atividades não podem ser simplesmente transferi- das para outras pessoas: elas são delegadas. Betim, Reis e Kovaleski (2004) definem o termo delegação de tarefas como o ato de solicitar a outras pessoas que realizem a operação da tarefa ou da atividade sem, contudo, renunciar à autoridade de tomar decisões e à respon- sabilidade pelo resultado obtido. Apesar de o conceito parecer de fácil entendimento e aplicação, os autores destacam a delegação como um princípio de gestão, que embora apre- sente um conceito simples e lógico como uma forma eficaz de aumentar a produtividade e administração do tempo, na prática percebe-se que as atitudes corretas quanto a delegar incluem segurança pessoal, disposição de assumir riscos, dis- posição de confiar nos membros da equipe, adoção de uma perspectiva e, sobretudo, muita paciência a ser desenvolvida ao longo do tempo. (BETIM; REIS; KOVALESKI, 2004, p. 1-2) O processo de delegação inicia-se com a definição sobre quais tarefas e atividades podem ser delegadas. Em diversos modelos e metodologias de gestão do tempo, uma das etapas principais con- siste em realizar a listagem de tarefas e atividades que precisam ser desenvolvidas e classificá-las de acordo com algum critério, por exemplo: grau de importância, alinhamento aos objetivos, urgên- cia, tempo necessário à execução ou complexidade. As tarefas que, em geral, podem ser delegadas são aquelas voltadas à rotina ou às atividades operacionais que não envolvem a tomada de decisões complexas. Por outro lado, existem as tarefas e atividades que não devem ou não podem ser delegadas, em especial aquelas relacionadas aos objetivos e metas ou que envolvem a tomada de decisões baseadas em conhecimentos e competências individuais, bem como as tarefas cuja execução inadequada possa trazer algum risco ou comprome- ter os objetivos. Coates (2000) propõe um modelo simples de quadro que pode ajudar no processo de definição das tarefas passíveis de delegação e as que devem ser mantidas sob a responsabilidade individual. Analisar os benefícios da delegação de tarefas na gestão do tempo dedica- do à atuação profissional.Objetivo de aprendizagem Apesar de ter sido lançado há mais de duas décadas, o livro Delegar tarefas com segurança é um manual prático e atemporal sobre como implantar processos de delegação de tarefas. A obra apresenta um passo a passo e é com- plementado por exercí- cios, tabelas e materiais de auxílio na delegação de tarefas no cotidiano empresarial. É uma leitura indispensável para quem busca desenvolver a competência de delegar tarefas e busca gerenciar o próprio tempo. COATES, J.; BREEZE, C. São Paulo: Nobel, 2000. Livro Gestão do tempo 49 Quadro 1 Lista de tarefas a delegar Tarefa Preciso fazer isto sozinho Tarefas essenciais que precisam ser feitas corretamente Gosto de fazer isto Por que outra pessoa deveria fazer isto? Tarefas que posso delegar Fonte: Coates, 2000, p. 16. Segundo Meneghetti (2013), podem ser identificadas quatro fases durante o processo de delegação de tarefas. Na fase de abertura, tan- to o indivíduo que delega a tarefa (chamado pelo autor de delegante) quanto aquele que a recebe (chamado pelo autor de delegado) estão motivados e abertos à colaboração. Para o delegante, o processo de de- legação é interessante, pois possibilita que ele se dedique a outras ativi- dades. Já para o delegado a chance de aprender novas competências e assumir responsabilidades é causa de motivação e comprometimento. Na segunda fase, chamada de aquisição, as informações e os pro- cessos necessários à correta realização das atividades são transmitidos pelo delegante ao delegado. Essa fase é fundamental para o êxito do processo de delegação, pois, se as tarefas, as atividades e os processos não forem bem compreendidos pelo delegado, a probabilidade de sur- girem problemas futuros é grande. É preciso, também, ter cuidado com o sigilo das informações compartilhadas. A terceira fase é a da estabilização, momento no qual o delegado passa a realizar a tarefa com mais segurança e o processo passa a fa- zer parte da sua rotina de trabalho. Nesse momento, o delegante deve acompanhar os indicadores relacionados à atividade ou tarefa delega- da para garantir que os resultados sejam alcançados. A última fase do processo de delegação apontado por Meneghetti (2013) é a pretensão ou chantagem. Nesse momento, segundo o autor, o delegado, sente-se cada vez mais responsável pela atividade e pode passar a se ver como indispensável ou mais importante que o próprio delegante no sucesso dos resultados. Nessa fase, a presença e a orien- tação constantes do delegante são fundamentais para que o delegado entenda que a atividade realizada por ele faz parte de um contexto maior e que ambos são importantes no processo. 50 Gestão do tempo e produtividade Há, ainda, as atividades que podem ser totalmente abandonadas por não estarem relacionadas aos objetivos ou por não trazerem ne- nhum tipo de ganho ou benefício e que, portanto, podem ser consi- deradas desperdício de tempo. Araújo (2019) chama esse processo de negação de atividades e salienta que vários profissionais desperdiçam muito de seu tempo em tarefas inúteis simplesmente por não saberem se posicionar e decidir por não fazer algumas tarefas. Isso é especial- mente comum em empresas burocráticas, nas quais diversos processos e atividades continuam sendo realizados por tradição ou inércia, mas já não fazem sentido. Um exemplo são os tipos de documentos que, muitas vezes, precisam ser preenchidos manualmente em diversas vias nas repartições públicas e são posteriormente descartados. Como destaca Covey (2017), o ato de negar algumas tarefas não significa falta de comprometimento; ao contrário: ao definir quais tare- fas e atividades realmente precisam ser realizadas, o indivíduo diminui a pressão e a sobrecarga de trabalho, o que lhe possibilita maior pro- dutividade, eficiência e eficácia. Quando o processo de delegação ocorre de maneira organizada e os resultados obtidos são positivos, todos os lados ganham. Os pro- fissionais que receberam as delegações sentem-se mais comprometi- dos com o trabalho e também motivados por terem a sua contribuição reconhecida. Já o profissional delegante pode direcionar o seu tempo e seus esforços às atividades mais estratégicas. Com isso, a empresa aumenta a produtividade, a eficiência e a eficácia ao utilizar seus re- cursos humanos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que se possa implantar metodologias ou ferramentas de gestão do tempo, é necessário entender diversos conceitos. O uso dos recur- sos disponíveis, o planejamento estratégico, a definição de objetivos e as metodologias de gestão, conceitos usados nas mais diversas áreas de uma empresa, são conhecimentos que estão na base das metodologias de gestão do tempo. É válido, também, conhecer a relação da gestão do tempo – recurso fundamental utilizado em todas as tarefas, atividades e processos que são desenvolvidos tanto no contexto empresarial quanto no pessoal – com outros conceitos importantes, como produtividade, efi- ciência e eficácia. Gestão do tempo 51 Mais do que realizar o máximo de atividades e tarefas, a gestão do tempo envolve a capacidade de entender quais tarefas podem ser aban- donadas por representarem mero desperdício de tempo, quais podem ser delegadas e quais merecem atenção e foco do indivíduo. De posse desses conhecimentos, é possível começar a utilizar as metodologias e as ferramentas de gerenciamento do tempo. ATIVIDADES Atividade 1 Explique a relação entre gestão do tempo, produtividade, eficiên- cia e eficácia. Atividade 2 Estar ocupado o tempo todo significa ser produtivo? Explique a sua resposta. Atividade 3 Na gestão das operações de produção industrial, diversos tipos de desperdício podem ser identificados. Relacione os tipos de desperdício à gestão do tempo. REFERÊNCIAS ARAÚJO, T. O. Administração do tempo e produtividade pessoal. Revista Pesquisa & Edu- cação a Distância, São Paulo, n. 18, 2019. Disponível em: http://revista.universo.edu. br/index.php?journal=2013EAD1&page=article&op=view&path%5B%5D=8714&pa- th%5B%5D=4341. Acesso em: 10 dez. 2021. BERNHOEFT, R. Administração do tempo. São Paulo: Nobel, 2009. BETIM, L. M.; REIS, D. R.; KOVALESKI, J. L. 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Somente após essa classificação é possível começar a organização das atividades em listas de verificação ou checklists, que serão a base do planejamento da agen- da a ser seguida, tema para a segunda parte do capítulo. Por mais que se tente prever e planejar todas as atividades, podem ocorrer distrações ou interrupções inesperadas. Por isso, as formas de se lidar com even- tos não planejados serão discutidas na terceira parte deste capítulo, que mostra também como a tecnologia da comunicação pode ser tanto uma aliada quanto uma vilã na gestão do tempo. Na quarta parte do capítulo, o tema abordado é a procrastinação, ou seja, a atitude de postergar ou adiar as atividades e tarefas que podem ser adiadas. Em um ambiente corporativo, no qual são cobradas produtividade e eficiência, a pro- crastinação é vista como um malefício que pode impedir as pessoas de atingirem os seus objetivos. De posse do conhecimento sobre como hierarquizar as atividades pela sua im- portância e com a capacidade de entender como os eventos externos e algumas atitudes podem impedir sua realização, as pessoas têm a capacidade de utilizar as ferramentas de acompanhamento e gestão de agenda, tema trazido na última parte do capítulo. 54 Gestão do tempo e produtividade 3.1 Priorização: importante, urgente, circunstancialVídeo Para que se possa gerenciar o tempo dedicado às atividades e tare- fas que precisam ser realizadas, as metodologias de gestão do tempo se valem de diferentes formas de classificação, como meios de priori- zar o que é considerado mais importante. Stephen Covey (2017) propõe uma matriz em que as atividades são classificadas com base em duas dimensões: a importância e a urgên- cia. Assim, é possível dividir as atividades em quatro tipos: atividades urgentes e importantes, aquelas não urgentes e importantes, as que são urgentes e não importantes, e, por fim, as atividades não urgentes e não importantes. A relação entre os tipos está presente na figura a seguir. Figura 1 Matriz do tempo de Covey URGENTE NÃO URGENTE IM PO RT AN TE I ATIVIDADES II ATIVIDADES • Crises • Problemas urgentes • Projetos com data marcada • Prevenção, atividades CP (capacidade de produção), • Desenvolvimento de relacionamentos • Identificação de novas oportunidades • Planejamento, recreação Nà O IM PO RT AN TE III ATIVIDADES IV ATIVIDADES • Interrupções, telefone • Relatórios e correspondência • Questões urgentes próximas • Atividades populares • Detalhes, pequenas tarefas • Correspondência, • Perda de tempo • Atividades agradáveis Fonte: Covey, 2017, p. 194. O modelo de Covey (2017) apresenta-se como uma ferramenta prá- tica para a classificação de atividades, pois esclarece como deve-se li- dar com cada tipo delas. Segundo Souza Junior (2021, p. 64): Entender os conceitos de atividades urgentes, importantes e circunstan- ciais, bem como o tempo que deve ser dedicado a cada um desses tipos. Objetivo de aprendizagem Gestão da agenda 55 a aplicação de uma categorização das ocupações é um com- ponente primordial na gestão do tempo e é capaz de gerar a atenuação ou a abolição de impedimentos no progresso do tra- balho, como o exagero de atividades, o acúmulo, as paralisações, as chamadas, reuniões e a predisposição à procrastinação. Para que se compreenda corretamente a matriz apresentada no Quadro 1, o autor define como urgentes as atividades e tarefas que precisam ser feitas imediatamente; já as atividades importantes são as que estão relacionadas aos objetivos e às metas a serem alcançados. As atividades classificadas no primeiro quadrante da matriz são ur- gentes e importantes e, portanto, devem ser feitas imediatamente. No segundo quadrante estão as atividades importantes, apesar de não ne- cessariamente urgentes, pois não precisam ser realizadas de imediato, mas devem constar no planejamento de curto prazo. O terceiro quadrante é composto por atividades não importantes, mas sim urgentes. De acordo com a lista apresentada pelo autor, es- ses tipos de atividades são inesperadas e de difícil previsão, mas ti- ram a atenção daquelas importantes e urgentes listadas no primeiro quadrante. Por fim, no quarto quadrante estão as atividades não importantes e não urgentes que podem ser postergadas, abandonadas ou delegadas a outras pessoas. O modelo de classificação das atividades proposto por Covey em seu livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes (COVEY, 2017) é um dos mais conhecidos e utilizados. Entretanto, mesmo apresentando resultados bastante consistentes aos que buscam gerenciar o seu tempo, o modelo também recebe críticas, entre elas a de que nem sempre é possível classificar as atividades apenas como urgentes ou importantes. Conforme afirma Barbosa (2018), esses conceitos podem ser mal compreendidos, pois a palavra urgente traz a conotação de algo que deve ser feito de maneira rápida e imediata, enquanto a palavra importante pode ser interpretada como o que gera valor, mas que deve ser realizado com cuidado e atenção. Segundo o autor, também, uma atividade importante pode acabar tornando-se urgentecaso não seja realizada no momento certo. 56 Gestão do tempo e produtividade O trabalho de conclusão de curso de um aluno de pós-graduação, por exemplo, é uma atividade importante, pois está relacionado ao objetivo de melhorar a formação acadêmica. Logo, deve ser feito com cuidado e atenção, sem pressa, para que a qualidade do trabalho e o aprendizado sejam de alto nível. Porém, se o aluno posterga e passa a ser pressionado pelo prazo de entrega, o trabalho torna-se urgente e será realizado apressadamente e sob pressão, o que pode trazer impactos relativos ao aprendizado e à qualidade do material. Barbosa (2018) propõe um novo modelo, chamado tríade do tempo, no qual as atividades são classificadas como importantes, urgentes e circunstanciais. No modelo de Covey (2017), as atividades são classifica- das segundo o cruzamento entre duas categorias. Na tríade do tempo, por sua vez, as classificações são excludentes, ou seja, as atividades só podem receber um dos três tipos de classificação. Essa característica fica clara na figura a seguir, em que o autor apresenta a organização das três classificações. Figura 2 Tríade do tempo IMPORTANTE URGENTE CIRCUNSTANCIAL Fonte: Barbosa, 2018, p. 37. Para classificar as atividades em cada categoria, o autor define al- guns critérios. As atividades importantes são aquelas relacionadas aos objetivos de curto, médio ou longo prazos e contam com data definida para serem cumpridas. Normalmente, são pessoais e intransferíveis, Gestão da agenda 57 ou seja, não podem ser delegadas ou abandonadas. O autor também destaca que estão incluídas nessa classificação as atividades que dão prazer e satisfação ao indivíduo. Já as atividades urgentes devem ser feitas imediatamente e não podem ser postergadas, pois podem trazer problemas ou consequên- cias negativas se não forem executadas. Como afirma Cockerell (2016), diversas atividades tornam-se urgentes devido à falta de organização do indivíduo que não as realizou no momento adequado. Incluem-se, então, tanto as atividades importantes e não realizadas no prazo ade- quado quanto as tarefas inesperadas surgidas no cotidiano, mas que precisam receber atenção. Por fim, as atividades circunstanciais são aquelas que não estão relacionadas aos objetivos do indivíduo e, portanto, não geram resul- tado positivo considerável. Compreendem-se aí as atividades feitas de modo excessivo e que levam ao desperdício de tempo, fazendo com que a pessoa se sinta insatisfeita ou ansiosa ao perceber que po- deria utilizar o tempo de modo mais produtivo. Para Rocha e Haas (2019), as atividades circunstanciais não colaboram para que a pessoa atinja os seus objetivos. Barbosa (2018) também aponta, nessa categoria, as atividades reali- zadas por pressão social ou solicitação de terceiros, que são executadas por educação ou porque a pessoa a quem elas foram solicitadas não soube negar. No ambiente corporativo incluem-se, ainda, as atividades impostas por outros profissionais, em especial chefes e superiores, que não são abrangidas pela descrição do cargo. O equilíbrio entre as três categorias mencionadas pode se apresen- tar de variadas formas a cada pessoa, a depender da sua capacidade de gerenciamento de tempo. Barbosa (2018) afirma que, no cotidia- no acelerado dos ambientes profissional e social contemporâneos, as atividades circunstanciais ocupam uma parcela significativa do tempo das pessoas, e a falta de planejamento e controle sobre as atividades leva muitas delas a se concentrar em atividades urgentes. Para tanto, o autor criou nomes para representar as formas de equilíbrio (ou dese- quilíbrio) entre cada categoria. O primeiro nome é tríade do Superman, em que o indivíduo concen- tra-se quase que totalmente em atividades urgentes, o que denota a incapacidade de discernir sobre quais delas são realmente importan- 58 Gestão do tempo e produtividade tes, ou sugere a falta de clareza quanto aos seus objetivos. O foco em atividades urgentes também pode ter origem na postergação do que era importante, chegando-se ao ponto de urgência e necessidade de execução imediata. Dessa forma, a pessoa se sente sob constante pressão e estresse e dificilmente atinge os seus objetivos. A figura a seguir mos- tra essa configuração. Figura 3 Composição da tríade de Superman URGENTE CIRCUNSTANCIAL IMPORTANTE Fonte: Barbosa, 2018, p. 47. A pesquisa realizada por Oliveira et al. (2016) com alunos de uma oficina de gestão do tempo mostra que a procrastinação, o adiamento de atividades até o momento final do prazo, a dificuldade de conciliar as atividades com a vida pessoal e, em especial, o uso excessivo das redes sociais e da internet fazem com que a grande maioria dos pes- quisados apresente esse tipo de configuração da gestão do tempo (a tríade do tempo Superman). O segundo tipo de configuração apresentado por Barbosa (2018) é caracterizado pelo foco na realização de atividades circunstanciais. O au- tor chama essa configuração de Homer Simpson, mesmo nome dado a um dos personagens da série Os Simpsons e que tem como característi- ca a falta de foco e objetivos. O tipo de configuração mencionado é muito comum entre as pessoas que não definiram claramente os seus objetivos e metas de longo pra- zo ou se encontram em um momento de estagnação pessoal ou de car- reira e não buscam o desenvolvimento ou a evolução. A figura a seguir ilustra essa configuração. Sendo a série de anima- ção mais longa já produ- zida, com mais de 700 episódios e há décadas em exibição, Os Simpsons trata do cotidiano de uma família americana e tem como personagem prin- cipal o pai da família, Ho- mer Simpson. O desenho aborda com criticidade a cultura e a sociedade estadunidenses, além de mostrar como uma pessoa de pouca ambição e parcas competências acadêmicas, profissionais e sociais convive em uma sociedade marcada por futilidade, preconceitos e divisão de classes. Homer Simpson representa o in- divíduo que emprega boa parte da sua vida apenas às atividades circunstan- ciais à medida que elas o acometem. Direção: Matt Groening. EUA: Fox Broadcasting Company, 1989. Série Gestão da agenda 59 Figura 4 Composição da tríade Homer Simpson CIRCUNSTANCIAL URGENTE IMPORTANTE Fonte: Barbosa, 2018, p. 48. O terceiro tipo de composição do tempo é chamado por Barbosa (2018) de equilibrista e é caracterizado pela divisão do tempo entre os três tipos de categorias, de modo mais ou menos igual. Nota-se que o tem- po gasto em atividades circunstanciais faz com que muitas atividades importantes tornem-se urgentes. Em uma pesquisa realizada por Bo- guslawski e Oliveira (2012), utilizando o conceito de tríade do tempo, essa configuração é demonstrada na prática. Os dados identificados na pesquisa apontam que 31,6% do tempo dos respondentes foram dedicados às atividades circunstanciais, e 28,8%, às urgentes. A figura a seguir traz a composição. Figura 5 Tríade do tempo CIRCUNSTANCIAL URGENTE IMPORTANTE Fonte: Barbosa, 2018, p. 49. 60 Gestão do tempo e produtividade As configurações demonstram formas desequilibradas de gerenciar o tempo entre os três tipos de tarefas. Por isso, Barbosa (2018) chama essa configuração de uso do tempo de nefasta, pois ela traz consequên- cias negativas a curto, médio e longo prazos. A configuração tida pelo autor como ideal é aquela em que a maior parte do tempo é dedicada às atividades importantes, relacionadas aos objetivos de longo prazo, e que estão de acordo com um planejamento que possibilita a sua realização com atenção e qualidade. A figura a seguir exemplifica esse tipo de configuração do tempo. Figura 6 Configuração do tempo ideal IMPORTANTE 70% URGENTE 20% CIRCUNS- TANCIAL 10% Fonte: Barbosa, 2018, p. 51. As atividades urgentes não podem ser totalmente eliminadas, pois consistem em situações inesperadas e atividades não planejadas, mas que precisam ser realizadas. Já as atividades importantes, como não podem ser postergadas, nãose transformam em atividades urgentes. Por fim, as atividades circunstanciais são reduzidas ao mínimo possível – algumas podem ser delegadas e outras, negadas ou abandonadas. Passo 1 – Leia cada uma das afirmações apresentadas no quadro e marque a pontuação que representa com maior fidelidade as suas ações. Utilize a escala a seguir para escolher o número que exprime a sua autopercepção. (Continua) Desafio Gestão da agenda 61 1. Nunca 2. Raramente 3. Às vezes 4. Quase sempre 5. Sempre PERGUNTAS PARA COMPOSIÇÃO DA TRÍADE DO TEMPO PONTUAÇÃO 1 Costumo ir a eventos, festas ou cursos para agradar ao chefe, aos amigos ou à família mesmo sem ter muita vontade. 1 2 3 4 5 2 Não consigo realizar tudo o que me proponho a fazer no dia e preciso cumprir hora extra ou levar trabalho para casa. 1 2 3 4 5 3 Quando recebo um e-mail, costumo dar uma olhada para checar o conteúdo. 1 2 3 4 5 4 Visito com regularidade as pessoas relevantes em minha vida: amigos, parentes e filhos. 1 2 3 4 5 5 É comum aparecerem problemas inesperados no meu dia a dia. 1 2 3 4 5 6 Assumo compromissos com outras pessoas ou aceito novas posições na empresa mesmo que não goste muito da nova ati- vidade se for para aumentar meus rendimentos ou obter uma promoção. 1 2 3 4 5 7 Tenho um tempo definido para dedicar a mim, e nele posso fazer o que quiser. 1 2 3 4 5 8 Costumo fazer relatórios, imposto de renda, compras de Natal, estudar para provas e outras tarefas perto do prazo limite. 1 2 3 4 5 9 Nos dias de descanso, costumo passar boa parte do tempo assis- tindo à televisão, jogando videogame ou acessando a internet. 1 2 3 4 5 10 Faço um planejamento por escrito de tudo o que preciso fazer durante a semana. 1 2 3 4 5 11 Posso afirmar que estou conseguindo realizar tudo o que gosta- ria e que o tempo está passando na velocidade correta. 1 2 3 4 5 12 Costumo participar de reuniões sem saber direito o conteúdo, o porquê da minha presença ou a qual resultado aquele encontro pode levar. 1 2 3 4 5 13 Consigo melhores resultados e me sinto mais produtivo quando estou sob pressão ou quando o prazo é curto, 1 2 3 4 5 14 Quando quero alguma coisa, defino o objetivo por escrito, esta- beleço prazos em minha agenda, monitoro os resultados obtidos e os comparo com os esperados. 1 2 3 4 5 15 Leio muitos e-mails desnecessários, contendo piadas, correntes, propagandas, apresentações, produtos etc. 1 2 3 4 5 16 Estive atrasado com minhas tarefas ou reuniões nas últimas se- manas. 1 2 3 4 5 17 Faço exercícios com regularidade, alimento-me adequadamente e desfruto de horas suficientes de lazer. 1 2 3 4 5 18 É comum que eu reduza meu horário de almoço ou até coma enquanto trabalho para concluir um projeto ou uma tarefa. 1 2 3 4 5 (Continua) 62 Gestão do tempo e produtividade Passo 2 – Some os pontos de cada coluna de acordo com o número de cada pergunta. CONJUNTO A CONJUNTO B CONJUNTO C N. da pergunta Valor N. da pergunta Valor N. da pergunta Valor 1 7 13 2 8 14 3 9 15 4 10 16 5 11 17 6 12 18 TOTAL A B C Passo 3 – Calcule o percentual de tempo empregado em cada uma das esferas. Esfera da Importância: TOTAL B X 100 Total Geral Esfera da Urgência: TOTAL C X 100 Total Geral Esfera das Circunstâncias: TOTAL A X 100 Total Geral Analise os resultados: Como você gerencia o seu tempo? Você considera que gerencia bem o seu tempo? O que pode ser feito para melhorar a sua capacidade de gestão do tempo? 3.2 Checklists Vídeo O cotidiano pessoal e profissional é composto por uma série de atividades, compromissos e responsabilidades que precisam ser realizados, alguns com prazos definidos e outros que devem seguir determinada sequência para serem concluídos. Para Rodrigues et al. (2018), a falta de controle sobre as ativi- dades e os prazos ou a sua realização em sequência inadequada pode trazer resultados negativos, como atrasos, erros, desperdício de tempo ou falta de foco na realização das tarefas rotineiras. Uma ferramenta que pode ser utilizada para organizar as atividades é o Compreender o uso de listas de atividades no planejamento da agenda. Objetivo de aprendizagem Gestão da agenda 63 checklist, termo que pode ser traduzido como lista de checagem ou lista de verificação. O uso de checklist na gestão das empresas tem a sua origem na gestão dos processos produtivos. Carpinetti (2012) explica que as listas de verificação podem ser formulários, tabelas ou planilhas usados tanto para planejar as atividades quanto para acompanhar a execução de tarefas. Almeida (2014) complementa o conceito ao afirmar que checklist é uma lista em que tarefas e ações a serem fei- tas são identificadas e programadas de acordo com uma sequência de execução. A autora destaca também que o checklist possibilita o acompanhamento, a comparação, a análise e a gestão das ativida- des durante e após a execução. Ao listar todas as atividades que precisam ser realizadas em um determinado período – seja ele diário, semanal, mensal ou anual –, o checklist possibilita identificar as atividades que se repetem e os processos compostos por tarefas que devem seguir uma sequên- cia lógica. Assim, o checklist também auxilia na organização dos recursos a serem utilizados e pode especificar atividades passíveis de automatização, fazendo uso de ferramentas como programas e aplicativos, o que aumenta a agilidade de execução e proporciona ganhos significativos de tempo. À medida que as tarefas vão sendo realizadas, são marcadas no checklist como executadas. Podem ser incluídos comentários e observações sobre as condições de realização e alterações de da- tas ou de escopo de cada tarefa. Segundo Pacheco et al. (2020), o checklist revela-se uma poderosa ferramenta de gestão das ativida- des por melhorar o processo de planejamento dos períodos futuros e por reduzir a ocorrência de falhas, esquecimentos ou postergação de tarefas. Em processos realizados a médio e longo prazo e que envol- vem mais de uma pessoa, o checklist é ainda mais relevante, pois proporciona a coordenação do trabalho e o acompanhamento das diversas fases e etapas do processo. Variados tipos de checklists po- dem ser usados conjuntamente para potencializar os resultados da ferramenta. Para desenvolver um checklist, o primeiro passo é definir o pe- ríodo em que as atividades serão realizadas. É comum que, nas pri- meiras tentativas de criá-lo, sejam misturadas atividades que serão O clássico O Pequeno Prín- cipe é a inspiração para o filme lançado em 2015 sob o mesmo título. Em uma dada cena, explo- ra-se como a busca pelo controle do tempo e pela produtividade podem se tornar obsessões. A mãe de uma garota tem como objetivo preparar a filha para ser uma executiva, e para isso desenvolve um plano de vida no qual cada minuto está projetado. Porém, não são levados em conta os desejos e as necessida- des da menina. Direção: Mark Osborne. França: Onyx Films, 2015. Filme 64 Gestão do tempo e produtividade feitas em curto prazo – no geral, em um dia – com outras que preci- sam de mais tempo, como as atividades semanais, mensais ou aque- las que não contam com prazo específico. Uma abordagem possível é a listagem de todas as atividades que precisam ser feitas, sem levar em conta características como frequência, prazos, períodos, tempo de dedicação ou a área da vida (se pessoal ou profissional). Em um segundo momento, cada atividade ou tarefa pode ser classificada de acordo com as suas peculiaridades. O uso de checklist na gestão é bastante difundido em razão da sua simplicidade, tanto para organizá-lo quanto para acompanhar a execução das tarefas. A ferramenta pode ser utilizada em diversos formatos, seja em uma simples folha de papel ou agenda até por meio de aplicativos, programas e sistemas que utilizam tecnologias da informação. Há, ainda, a possibilidade de acompanhamento das tarefas a serem realizadas por uma pessoa ou equipe, facilitando o trabalhode gestão. 3.3 Interrupções e distrações Vídeo Para que se possa discutir o impacto das distrações e interrup- ções sobre a gestão do tempo, é válido conceituar os dois termos. Segundo Ribeiro et al. (2018), a distração pode ser explicada como um desvio da atenção e do foco de um indivíduo durante a realiza- ção de uma atividade, o que não o impede totalmente na execução, mas aumenta a probabilidade de ocorrência de erros ou a diminui- ção dos resultados e da produtividade. Já a interrupção é um evento que gera a paralisação total da atividade, provocando atrasos e o aumento considerável do risco de a tarefa não ser concluída. Inhuma, Santiago e Sigrist (2017) afirmam que tanto a distração quanto a interrupção atrapalham e podem impedir totalmente a realização das atividades conforme o planejado, ocasionando insa- tisfação, estresse e desperdício de tempo. Os autores, em pesquisa realizada com aproximadamente 400 respondentes no ano de 2016, buscaram identificar quais eram os principais motivos de distração e interrupção das atividades na opinião dos participantes. A tabela e o gráfico a seguir apresentam os resultados obtidos. Entender como as interrupções, atividades não planejadas e frustra- ções comprometem a rea- lização do planejamento da agenda. Objetivo de aprendizagem Gestão da agenda 65 Tabela 1 Motivos causadores de distrações e interrupções As alternativas abaixo servem de motivo para você interromper uma tarefa no trabalho? Pergunta Opções % Ligações telefônicas Sim 55,50 Às vezes 21,75 Não 22,75 Mensagens de aplicativos de comunicação Sim 43,75 Às vezes 14,00 Não 42,25 Mensagens em redes sociais Sim 39,25 Às vezes 16,75 Não 44,00 Conversas com colegas Sim 49,00 Às vezes 29,25 Não 21,75 Reuniões com superiores Sim 39,50 Às vezes 30,00 Não 30,50 Pausas para lanches Sim 42,75 Às vezes 29,25 Não 28,00 Figura 7 Motivos causadores de distrações e interrupções 60 50 40 30 20 10 0 Ligações telefônicas Mensagens em redes sociais Sim NãoÀs vezes Conversas com colegas Reuniões com superiores Pausas para lanches Mensagens de aplicativos de comunicação Fonte: Inhuma; Santiago; Sigrist, p 39, 2017. 66 Gestão do tempo e produtividade A pesquisa mostra que as ligações telefônicas e as mensagens de aplicativos de comunicação representam os motivos mais comuns de interrupção e distrações no cotidiano das pessoas. Os resultados ob- tidos por Inhuma, Santiago e Sigrist (2017) são confirmados por outra pesquisa, esta realizada por Santos Rocha e Hass (2019). Nesta, os au- tores identificaram que o tempo médio de uso do celular entre os res- pondentes alcançava 216 minutos. Considerando que o dia é composto por 1440 minutos, o tempo ocupado pelo uso do celular chega a 15% do total. Se for computado o tempo que uma pessoa permanece acor- dada e descontando a média de 8 horas de sono, restam disponíveis 960 minutos por dia. Portando, os 216 minutos ocupados pelo uso do celular representam 22,5% do tempo de um indivíduo. Seja qual for o motivo da distração ou do evento que interrompe o pro- cesso de realização de uma atividade, é fundamental saber lidar com es- sas situações para que se consiga retomar a atividade assim que possível. A inclusão de momentos livres ao planejamento da agenda para a resolução de questões inesperadas, a desativação de notificações de aplicativos, sair da internet e organizar o espaço de trabalho evitando as intervenções externas são estratégias para diminuir as interrupções e distrações. 3.4 Procrastinação Vídeo No mundo profissional contemporâneo, no qual a produtividade, a eficiência e a eficácia são cobranças cotidianas, a procrastinação torna- -se um problema grave àqueles que não conseguem realizar as suas atividades dentro de prazos determinados. Combs (2012) define a procrastinação como o ato de adiar uma ação ou atividade que precisa ser realizada. O procrastinador evita ou adia a realização das tarefas sob sua responsabilidade, mesmo que elas se- jam importantes aos seus objetivos. Marcílio et al. (2021, p. 8) afirmam que “a procrastinação pode ser definida como o adiamento voluntário e desnecessário de alguma atividade pretendida, mesmo sabendo das potenciais consequências negativas desse atraso”. A acomodação à zona de conforto e a falta de disciplina afetam a capacidade de o indivíduo realizar as suas tarefas e afazeres. Para Marcílio et al. (2021), ao perceber as consequências negativas de ter Baseado em uma história real, o filme À procura da felicidade conta a vida de Chris Gardner, um ho- mem que passa por um momento ruim e, para ter uma oportunidade, aceita o cargo de estagiário em uma empresa. Chris passa a dedicar cada minuto do seu tempo a atender o máximo de clientes. Por isso, evita qualquer interrupção, deixando até mesmo de beber água e ir ao banheiro. Apesar de se tratar de uma situação extrema, o filme mostra como a disciplina e o foco podem ser usados para evitar que as interrup- ções atrapalhem a reali- zação de atividades. Direção: Gabriele Muccino. Estados Unidos: Columbia Pictures, 2006. Livro Compreender os impactos da procrastina- ção sobre a qualidade das atividades realizadas. Objetivo de aprendizagem Gestão da agenda 67 postergado as suas atividades, há maior desmotivação individual, de- sencadeando, assim, um círculo vicioso no qual são adotadas mais ati- tudes procrastinadoras. Para Combs (2012), níveis controlados de procrastinação podem ser aceitos e toleráveis, desde que não comprometam a capacidade de o indivíduo realizar as suas atividades e atingir os seus objetivos. A partir do momento que a procrastinação torna-se crônica e re- corrente, devido à ansiedade causada pelos prazos não cumpridos, podem surgir graves problemas não só relacionados ao trabalho, mas também psicológicos e fisiológicos. O estresse, por sua vez, é causa- do pela cobrança para executar as atividades, seja por parte de outras pessoas ou do próprio sujeito. Combs (2012) estudou as características dos procrastinadores e criou uma classificação na qual divide-os em seis tipos, conforme mos- tra o quadro a seguir. Quadro 1 Os seis tipos de procrastinadores Tipo Características Como evoluir O perfeccionista neurótico São críticos com si mesmos e com os ou- tros Buscar sair da zona de conforto Querem tudo de maneira impecável Estar disposto a se arriscar São ansiosos e tendem à depressão Organizar as atividades Não aceitam o fracasso Ter objetividade e foco nas tarefas Adiam o início o quanto podem Preferem trabalhar a sós Não entregam no prazo Não conseguem iniciar a tarefa Gostam de ter a razão em discussão e conflitos São difíceis de conviver O caçador de grandes chances Tem muita energia Tornar-se um ser producente Tem baixa autoestima Sentir a dor interior por ser um protelador Sonha grande e é idealista Dedicar-se e ter disciplina diariamente Não tem um plano de ações para realizar os sonhos Concentrar-se na produção e em realizar re- sultados Abandona os projetos antes do fim Transformar a grande meta em submetas Não quer se sacrificar Fica só na vontade, na idealização do sonho (Continua) Petr Ludwig é consultor especialista no estudo dos impactos da procras- tinação sobre a gestão do tempo e fundador do site procrastination.com, em que oferece conteúdos que abordam o tema. Em O fim da procrastinação, Ludwig discute a relação entre a motivação, a disciplina e a procrastina- ção e dá dicas de como lidar com o problema. Trata-se de leitura sim- ples para quem acredita que procrastinar pode estar atrapalhando a sua capacidade de gerenciar o próprio tempo. LUDWIG, P. Rio de Janeiro: Sextante, 2020. Livro 68 Gestão do tempo e produtividade Tipo Características Como evoluir O apreensivo crônico Preocupa-se muito Mudar sua filosofia de vida Busca falar a coisa certa, não magoar e não errar Considerar-se suficiente e capaz Fica na zona de confortoSer comprometido Inseguro, ansioso, indeciso e inquieto Deixar de racionalizar Gosta do que é seguro e familiar e teme tudo o que é novo Buscar viver no presente Nunca se considera totalmente pronto Ser agente modificador de mudanças Desperdiça muito tempo com aleatoriedade Crescer de modo gradativo Necessita da opinião dos outros Confia em quem tem mais autoestima O procrastina- dor rebelde Possui um comportamento passivo-agressivo Descobrir como canalizar a raiva Age por impulso Usar a energia para a produtividade Gosta de conflitos e confusões Transformar a rebeldia acumulada em energia po- sitiva Atrapalha mais do que ajuda Rever excesso de raiva, rancores e ressentimentos Quer chamar a atenção dos outros Identifica-se ao criar conflitos, confusões, provo- cações Mascara a baixa autoestima com a forte auto- confiança O viciado em drama Acredita que trabalha melhor no último minuto Buscar equilíbrio, harmonia, espiritualidade, realida- de e objetividade Gosta da pressão e provoca a situação de atraso Explorar a criatividade É grande sonhador e extremamente idealista Buscar realizar as atividades em tempo normal e sem sofrimento Deixa tudo para o momento final Reinventar-se Espera para agir quando realmente não dá mais para adiar Ser objetivo e produtivo em suas atividades diárias Um dos mais destrutivos de todos os tipos de procrastinadores Vitimiza-se para ter a atenção dos outros O doador furioso Tem dificuldades para receber e fazer cobranças Dedicar a energia onde ela é merecida Doa-se totalmente ao outro Dedicar tempo à produção Decepciona-se porque o outro não agradeceu o suficiente Ter hobbies e fazer bom uso do seu tempo Fazer bom uso do tempo para o descanso, lazer, viajar Não tem equilíbrio algum entre os setores da sua vida Ter hobbies e fazer bom uso do seu tempo Saber o que é melhor para si próprio Busca ser aprovado e reconhecido pelos outros Fica sobrecarregado e não produz Faz mais do que o solicitado Fonte: Elaborado pelo autor com base em Combs, 2012. Gestão da agenda 69 Apesar de cada tipo de procrastinador apresentar características distintas, há os pontos comuns. Segundo Geara, Hauck Filho e Teixeira (2017), os procrastinadores são ansiosos e tornam-se cada vez mais pressionados e inseguros, chegando à incapacidade de ação, à medida que o prazo limite para a execução das suas atividades se apro- xima. O medo do fracasso e a certeza de que haverá consequências por não ter realizado a atividade aumentam a insegurança e a indecisão. Conforme Combs (2012), sejam quais forem as características pessoais e os motivos que levam alguém a se tornar um procrastinador, é possível modificar essa postura e atitude e romper com a estagnação ou a paralisação que dificultam a capacidade de ação do indivíduo. Após a constatação do problema e a compreensão dos impactos negativos trazidos pela atitude procrastinadora, a pessoa pode traba- lhar as causas de ela acontecer. Nesse sentido, as ferramentas e me- todologias de gestão do tempo podem ser úteis à construção de uma nova postura e no desenvolvimento da disciplina necessária para que o procrastinador vença a desmotivação e se torne um agente produtivo. Veiculada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, a reportagem Especialista explica que o ato de “adiar” decisões tem solução; entenda a procrastinação explica o conceito de pro- crastinação em linguagem simples e com exemplos da vida pessoal e profis- sional dos entrevistados. A reportagem também ouviu especialistas das áreas de psicologia e ad- ministração que mostram formas de se lidar com a procrastinação. Disponível em: https:// g1.globo.com/fantastico/ noticia/2019/12/29/ especialista-explica-que-o-ato- de-adiar-decisoes-tem-solucao- entenda-a-procrastinacao.ghtml. Acesso em: 21 jan. 2022. Dica 3.5 Monitoramento e avaliação da agenda Vídeo Para Marcílio et al. (2021), o processo de gestão da agenda, que se inicia no planejamento, inclui também as etapas de monitoramento da realização das atividades e a posterior avaliação dos resultados obtidos. Além de garantir que nenhuma atividade deixe de ser realizada, o monitoramento e a avaliação geram importantes aprendizados sobre a qualidade do planejamento e o impacto de situações inesperadas e não planejadas sobre os resultados, conforme afirmam Oliveira et al. (2016). Essa aprendizagem é fundamental para que, a cada novo ciclo de plane- jamento, a agenda contribua para uma gestão do tempo mais efetiva e traga ganhos significativos em termos de tempo e produtividade. Estrada, Flores e Schimith (2011), ao proporem um modelo de gestão do tempo, apontam que o monitoramento deve ser diário, e a avaliação da agenda deve ser semanal. Os autores sugerem essas frequências por acreditarem que o monitoramento acontece simultaneamente à execução, que se dá no dia a dia. Conhecer os processos de monitoramento e avaliação da agenda como forma de desenvolvi- mento da capacidade de gestão do tempo. Objetivos de aprendizagem https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2019/12/29/especialista-explica-que-o-ato-de-adiar-decisoes-tem-solucao-entenda-a-procrastinacao.ghtml 70 Gestão do tempo e produtividade Cada item, ação ou processo concluído deve ser registrado na agen- da como realizado, apresentando anotações e observações sobre ações, interferências, mudanças de prazo ou uso de recursos que ocorreram de modo diferente do planejado, caso seja necessário. As atividades que não foram realizadas ou que precisaram ser postergadas também devem ser registradas, incluindo-se os motivos para o atraso ou a exclusão na agenda. É igualmente importante, para Rodrigues et al. (2018), registrar se a ação realizada já gerou resultados passíveis de mensuração, pois essa informação confirma que as ativida- des foram concluídas, além de gerar motivação pelos resultados obtidos. O tempo gasto na realização de atividades é uma das mais im- portantes informações a serem registradas no processo de moni- toramento. Ao identificar a quantidade efetiva de tempo necessário à realização de uma atividade, em especial no caso das que se re- petem cotidianamente, é possível realizar planejamentos cada vez mais alinhados com a realidade individual. Quanto mais completas e detalhadas forem as observações regis- tradas, mais informações serão usadas na concepção de novos conhe- cimentos e ideias para que sejam incorporadas às próximas versões da agenda. Estrada, Flores e Schimith (2011, p. 15) sugerem utilizar algumas perguntas durante o monitoramento, ao final de cada dia, para extrair o máximo de percepções, aprendizados e experiências: Para facilitar o monitoramento diário, recomenda-se responder a si mesmo algumas perguntas, tais como: a) o que fiz hoje para contribuir com a consecução dos objetivos? b) o que aprendi hoje? c) algumas tarefas poderiam ter sido negadas ou delega- das? d) anotei ideias e lembretes? e) o que poderia fazer para melhorar minhas ações? No que diz respeito à avaliação, esta deve ser semanal, a fim de analisar os impactos de cada atividade sobre as demais tarefas e objeti- vos. Em muitos casos, diversas atividades estão entrelaçadas e seguem uma sequência lógica, que se estende por vários dias. Por exemplo, uma reunião com clienteserá realizada em uma quinta-feira e pode exigir a inclusão em agenda, nos dias anteriores, de uma série de ta- refas, como preparar a apresentação, reservar a sala e providenciar os equipamentos de projeção de slides. O planejamento do tem- po e o uso de checklists e agendas são hábitos que levam algum tempo para serem adquiridos, mas, depois de desenvolvidos, ajudam o indivíduo a gerenciar o tempo e a au- mentar a produtividade. Charles Duhigg aborda em sua obra O poder do hábito a importância da disciplina para criar hábitos saudáveis que vão colaborar para o alcance de objetivos. Com dicas práticas e de fácil compreensão, o livro é um manual para quem busca mudar a sua forma de lidar com o tempo. DUHIGG, C. São Paulo: Objetiva, 2012. Livro Gestão da agenda 71 O objetivo da avaliação semanal é aprofundar as análises dos tempos dedicados a cada tipo de atividade, o equilíbrio entre o tem- po reservado à vida profissional e pessoal, a divisão do tempo entre atividades importantes, urgentes e circunstanciais e a identificação de pontos de melhoria que possam ser implementados para otimi- zar a gestão do tempo. Os aprendizados e as experiências oriundos da análise semanal serão usados para, junto dos objetivos de médio e longo prazos e das atividades ainda não realizadas, orientar o planejamento da agenda da próxima semana. CONSIDERAÇÕES FINAIS Planejar a agenda de atividades a serem realizadas a curto, médio e longo prazos é uma das atividades mais importantes para quem busca desenvolver a competência de gerenciar o próprio tempo. Apesar de pa- recer uma tarefa simples, o planejamento envolve diversos tipos de co- nhecimentos e ferramentas para que efetivamente possa ser colocado em prática. Além das atividades que precisam ser realizadas, deve-se con- siderar tudo aquilo que pode gerar atrasos ou representar empecilhos – sejam os eventos de origem externa, as distrações e as interrupções ou as atitudes internas e pessoais que podem impactar a capacidade de execução das tarefas. A habilidade de gestão da agenda não é uma com- petência simples de ser desenvolvida, mas, para aqueles que a dominam, torna-se uma poderosa ferramenta para ajudar a atingir objetivos. ATIVIDADES Atividade 1 Explique a diferença entre atividades importantes, urgentes e circunstanciais. Atividade 2 Diferencie os conceitos de distração e interrupção. 72 Gestão do tempo e produtividade Atividade 3 Uma pessoa com a característica procrastinadora pode mudar a sua atitude e se tornar alguém que executa as suas atividades de acordo com o planejado? Explique sua resposta. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. S. Condideração dos fatores humanos na elaboração e uso do checklist. Air Science, v. 1, 2014. 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Entre as técnicas de geren- ciamento, algumas foram especialmente desenvolvidas para a gestão do tempo, como a técnica pomodoro. Já outras foram pensadas para demais contextos, mas trazem resultados expressivos na gestão do recurso de tempo; entre elas, pode-se destacar as ferramentas 5W2H e a matriz GUT, empregadas na gestão da qualidade e adaptadas à gestão do tempo. Essas ferramentas serão abordadas na primeira seção deste capítulo. Com o desenvolvimento tecnológico, algumas ferramentas foram aperfeiçoadas e melhoradas, valendo-se das tecnologias da informa- ção e comunicação. Outras foram criadas para aproveitar as possi- bilidades de interação e gestão da informação proporcionadas pela tecnologia. Os principais aplicativos e programas empregados na ges- tão do tempo e de projetos e que envolvem atividades de várias pessoas, coordenadamente, serão o tema da segunda parte do capítulo. Tão importante quanto contar com metodologias de auxílio à ges- tão do tempo é dispor de um ambiente de trabalho para realizar as atividades. Um espaço desorganizado pode causar distrações e interrup- ções e gerar desperdício de tempo. Por isso, as metodologias de or- ganização do espaço de trabalho serão discutidas na terceira parte do capítulo. Já na parte final, o tema será o impacto das tecnologias da informação e comunicação (TIC), bem como a importância da ges- tão da informação no uso do recurso tempo de modo mais produtivo e eficiente. Modelos de gestão de tempo 75 4.1 Ferramentas e técnicas de gestão do tempo Vídeo Como a gestão do tempo é uma necessidade no cotidiano de di- versos profissionais e no de quem busca ter maior produtividade e atingir os seus objetivos, várias metodologias, ferramentas e técnicas foram criadas com o intuito de facilitar o gerenciamento de atividades e objetivos. Como destacam Maiczuk e Andrade Júnior (2013), as ferra- mentas de gestão do tempo possibilitam a visualização clara das ativi- dades e orientam as decisões a serem tomadas. Para os autores Estrada, Flores e Schimith (2011), cada ferramenta e cada metodologia apresentam pontos positivos e negativos e são mais ou menos adequadas de acordo com os objetivos, o tipo de atividade e as características da organização ou da pessoa que está utilizando. Dessa maneira, não se pode julgar a qualidade das metodologias ou ferramentas, e sim apenas a sua adequação à necessidade que se apre- senta. Entre as metodologias existentes, Goulart e Bernegozzi (2010) tratam de algumas que se originaram na gestão da qualidade, mas que proporcionam excelentes resultados no contexto da gestão do tempo. Assim, destacam-se a técnica pomodoro, o 5W2H e a matriz GUT, que serão detalhados a seguir. 4.1.1 A técnica pomodoro Desenvolvida por Francesco Cirillo em 1987, a técnica pomodoro é uma ferramenta simples e poderosa para a gestão do tempo. Cirillo (2019) explica que a criou para atender a uma demanda pessoal: manter o foco nos estudos. A forma encontrada pelo autor de melhorar a pro- dutividade e manter a atenção foi alternar o seu tempo de períodos de foco total e intensa atividade com breves momentos de descanso. Para organizar os tempos de trabalho e descanso, Cirillo utilizou o instrumento que estava à disposição: um cronômetro em formato de tomate (pomodoro, em italiano), usado na cozinha para acompanhar o tempo de preparo das refeições. Para aplicar a técnica, divide-se o tempo em intervalos de 25 minu- tos, chamados de pomodoros. Durante esse tempo, o foco na atividade deve ser total, sem intervalos, interrupções ou distrações. Esse perío- Conhecer as ferramentas e técnicas que podem ser utilizadas na gestão do tempo. Objetivo de aprendizagem Escrito pelo inven- tor dessa técnica Francisco Cirillo, o livro A técnica pomodoro expli- ca as origens da técnica e aponta os conceitos e as regras de uso do sistema de gestão do tempo, que, por sua simplicidade e facilidade de implementa- ção, está entre os mais utilizados nos contextos profissional e pessoal. A obra é fundamental para conhecer em detalhes a técnica, que proporciona significativos resultados em termos de foco, produtividade e ganho de tempo. CIRILLO, F. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. Livro 76 Gestão do tempo e produtividade do não pode ser subdividido ou alterado e deve haver um cronômetro para o acompanhamento do tempo. Quando o alarme anuncia o fim dos 25 minutos, o indivíduo deve fazer um intervalo (que pode ser de 3 a 10 minutos), que o autor sugere que seja de 5 minutos. Durante esse período, é aconselhável não fazer nada que exija atenção ou esforço, o tempo deve ser de descanso mental. Após esse descanso, inicia-se um novo período de 25 minutos, ou seja, um novo pomodoro. A cada quatro ciclos de 25 minutos de trabalho, divididos por 5 minutos de descanso, a pausa deve ser maior, por volta de 30 minutos. O ciclo de foco e descanso é um dos métodos presentes na técnica. O Quadro 1 traz as cinco etapas da técnica pomodoro que, segundo Cirillo (2019, p. 10), devem ser praticadas diariamente. Quadro 1 Etapas da técnica pomodoro O que Quando Porque Planejamento No início do dia. Para decidir sobre as atividades do dia. Rastreamento Durante todo o dia. Para coletar dados brutos sobre o esforço despendido e outras métricas de interesse. Registros No final do dia. Para compilar um arquivo de observações diárias. Processamento No final do dia. Para transformar dados brutos em informações. Visualização No final do dia. Para apresentar as informações em um formato que facilite entendimento e esclareça os caminhos para a melhoria. Fonte: Cirillo, 2019, p. 10. A técnica pomodoro é especialmente efetiva para a realização de ta- refas individuais, que não dependem de interação ou não demandam o uso de recursos indisponíveis, como o estudo, as atividades criativas e os projetos. 4.1.2 5W2H Desenvolvida para o contexto da gestão da qualidade, a ferramenta 5W2H permite a organização de tarefas a serem realizadas (VENTURA; SUQUISAQUI, 2019). Nessa esteira, cada atividade, ação ou tarefa é observada por meio de sete perguntas, que servem de parâmetro para desenvolver o planejamento de tempo. A sigla está definida a seguir, conforme a Figura 1. Modelos de gestão de tempo 77 Figura 1 Perguntas do 5W2H Why (por que?) Essa pergunta tem por objetivo identificar as necessidades e os motivos que levam à necessidade de incluir o item no planejamento; o porquê essa atividade deve ser realizada. da vo od a/ Sh ut te rs to ck What (o quê?) Essa pergunta busca identificar, claramente, o passo ou item do processo que precisa ser alvo de um planejamento, de uma melhoria ou de uma revisão. bl an -k /S hu tte rs to ck Where (onde?) Essa pergunta, o último dos “W”, busca identificar o local no qual a atividade será realizada. da dd y.i co n/ Sh ut te rs to ck How much (quanto?) Remete aos custos de realização da atividade ou do processo. Id ris al fa th /S hu tte rs to ck How (como?) Busca identificar se a forma e o método usados para cada etapa do processo estão corretos. Ed ita bl e lin e ic on s/ Sh ut te rs to ck Who (quem?) Essa pergunta busca identificar os responsáveis, os níveis de autoridade, a delegação de poderes e as alçadas de decisão de cada um dos envolvidos no processo. Ra ul Al m u/ Sh ut te rs to ck When (quando?) Essa pergunta busca identificar a sequência de cada uma das etapas dentro do processo como um todo, além de verificar se as etapas estão sequenciadas corretamente. Ni kW B/ Sh ut te rs to ck Fonte: Adaptada de Caxito; Gonçalves, 2021, p. 68- 69. Apesar de parecer complexa, a ferramenta 5W2H propicia adefinição clara de prazos, recursos, ações e responsabilidades re- lacionadas às atividades. O período dedicado ao planejamento da ferramenta promove a elevação da eficiência e da eficácia no uso do tempo, além de melhorar a produtividade e aumentar as chances de os objetivos serem alcançados. Freitas et al. (2013, p. 54) exemplifi- cam o uso da ferramenta na tabela a seguir. 78 Gestão do tempo e produtividade Tabela 1 Plano de ação 5W2H Seq. What (o que) Why (por que) Where (onde) Who (quem) When (quando) How (como) How much (quanto) 1 Projetar layout Para evitar que os aparelhos fiquem expostos ao vento No setor de solda da metalúrgica Paulo Viana 01/07/2014 Solide Works R$ 600,00 2 Fazer manu- tenção na máquina de solda e instalar amperímetro Para evitar ampe- ragens incorretas Irmãos Priebe Santa Rosa Getúlio Viana 01/02/2013 Por ordem de serviço R$ 300,00 3 Treinar operadores responsáveis Para evitar não conformidades No setor de solda da metalúrgica Getúlio Viana 01/11/2012 Com vídeos do telecurso e apostilas R$ 10,00 4 Contratar mais uma pessoa Para vencer a demanda Metalúrgica Viana Getúlio Viana 01/10/2012 Pela análise de currículos R$ 800,00 ao mês Fonte: Adaptado de Freitas et al., 2013, p. 54. Conforme o Quadro 2, cada atividade a ser realizada tem a sua re- presentação. Por primeiro, o what (o que) se trata da descrição deta- lhada da atividade a ser realizada. A pergunta why (por que) se refere à importância dessa atividade e pode indicar aquelas passíveis de abando- no, caso não sejam importantes ou não se relacionem com os objetivos. Além disso, o local onde a atividade deve ser realizada é atribuído à pergunta where (onde) e pode indicar a necessidade de deslocamentos e adaptações de ambiente. Já as atividades que devem ser realizadas pelo próprio indivíduo e aquelas que podem ser delegadas bem como para quem devem ser transferidas é o foco da pergunta who (quem). O questionamento when (quando) pode indicar a data limite, o prazo ou o momento exato em que uma atividade deve ser realizada, assim como o tempo necessário à execução. A pergunta how (como) esclarece as ações, os processos, os procedimentos e as formas de se realizar uma atividade. Por fim, how much (quanto) mostra o custo ou os recursos que precisam ser empregados na conclusão de uma atividade. No Quadro 2, essa pergunta é respondida com os valores monetários, mas pode incluir as ferramentas, as máquinas e outros recursos despendidos. Desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Mi- cro e Pequenas Empresas (Sebrae), 5W2H: plano de ação para empreendedores é um manual simples que aborda o uso dessa ferramenta no contexto do empreendedorismo. Explica, ainda, como utilizá-la e dá dicas de implementação. O mate- rial é bastante indicado para quem quer conhecer mais sobre o assunto. Disponível em: https://www.sebrae. com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/ Anexos/5W2H.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. Leitura https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/5W2H.pdf https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/5W2H.pdf https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/5W2H.pdf Modelos de gestão de tempo 79 Com o detalhamento do 5W2H, é possível desenvolver checklists mais específicos, de acordo com as datas, os responsáveis, os moti- vos ou os locais de realização das atividades. Segundo Pereira (2017), a ferramenta também auxilia no processo de gestão das ativida- des, pois há como verificá-las diariamente e saber se foram feitas conforme o planejado. 4.1.3 Matriz GUT Desenvolvida também como ferramenta para a gestão da quali- dade, a matriz GUT é utilizada, por diversas vezes, em conjunto com a 5W2H. Segundo Pestana et al. (2016), o objetivo da matriz é ana- lisar as atividades a fazer e orientar a tomada de decisão sobre as prioridades e a sequência com que cada tarefa deve ser executada. O nome da matriz é formado pelas iniciais das palavras gravidade (G), urgência (U) e tendência (T). Como explica Aragão (2021), ao ana- lisar cada atividade, é atribuída uma nota que vai de 1 a 5 em uma escala de critérios. O critério gravidade está relacionado ao impacto de uma ativida- de sobre os objetivos almejados ou à chance de ocorrerem problemas caso ela não seja concluída. Para tanto, devem ser considerados os efeitos de cada atividade a curto, médio e longo prazos. A nota 1 é atri- buída às atividades de pouca gravidade, enquanto a nota 5 representa alta gravidade e alto impacto da atividade sobre os resultados. Ainda, o critério urgência aponta para o tempo disponível, o prazo a ser cumprido ou a necessidade de uma atividade ser feita com brevida- de. Quanto mais urgente for, maior deve ser a nota atribuída. Já o critério tendência tem por objetivo analisar se a atividade está relacionada a um problema cada vez mais grave ou que possa impactar, acentuadamente, os objetivos. É importante, também, avaliar se a postergação da atividade pode trazer impactos que ainda não foram observados. Esse critério aponta as mudanças externas que podem se tornar problemas no futuro, caso não sejam resolvidas. A tabela a seguir, de Baptista et al. (2018), traz um exemplo de apli- cação da matriz GUT para definir as prioridades de ação na gestão de um parque de conservação ambiental. 80 Gestão do tempo e produtividade Tabela 2 Exemplo de matriz GUT n. Problema Gr av id ad e Ur gê nc ia Te nd ên cia Pr io rid ad e 1 Sinalização das áreas 5 5 5 125 2 Falta de informativo sobre as atividade e parcerias realizadas pela Amah 5 5 5 125 3 Capim-colonião 5 5 5 125 4 Trilhas 5 5 5 125 5 Caramujos 5 4 5 100 6 Drenagem da água da chuva (parquinho) 5 5 4 100 7 Sensação de não pertencimento dos usuários do parque 5 5 3 75 8 Termo de cooperação Parque do Martelo + Unirio 4 4 4 64 9 Falta de interesse dos associados nas assembleias da Amah 4 4 4 64 10 Manutenção do parquinho 4 3 4 48 11 Acesso ao parque para idosos 3 3 3 27 12 Falta de logomarca do projeto Pólen 3 3 3 27 13 Memória e documentação da área do parque 2 3 4 24 14 Interação com o recanto familiar 3 2 3 18 15 Captação da água da chuva 3 2 2 12 16 Coleta e remoção de entulhos e resíduos 2 2 3 12 Fonte: Baptista et al., 2018, p. 63. De acordo com a Tabela 2, para a utilização da ferramenta, o primeiro passo é listar as atividades, as ações, as tarefas ou os processos que pre- cisam ser cumpridos. Em seguida, cada atividade é analisada segundo os critérios GUT e são atribuídas as notas de relevância. Multiplica-se, então, cada uma das três notas, de modo a obter a pontuação da ativi- dade. Por fim, as atividades são ordenadas de acordo com a nota, sendo que aquelas com maior pontuação devem ser as priorizadas. Como destaca Aragão (2021), apesar de se tratar de uma ferramenta desenvolvida para a gestão da qualidade, a matriz GUT se mostra bastante adequada à gestão do tempo e traz resultados efetivos, por facilitar a definição das prioridades. A metodologia é de fácil aplicação e pode ser associada a outras ferramentas, como os checklists, usa- dos para dar origem à lista de atividades que serão analisadas. Já a ferramenta 5W2H, aplicada posteriormente à matriz GUT, serve para o desenvolvimento dos planos de ação. No vídeo Vamos Fazer uma Matriz GUT Juntos!, do canal TV Kaizen, são mostrados um exemplo prático de aplicação da matriz GUT e um passo a passo para a sua exe- cução. O vídeo também aborda a utilização das ferramentas de gestão da qualidade e explora o uso do progra- ma Microsoft Excel para calcular a pontuação de cada atividade da matriz, o que facilita a visualiza- ção das prioridades. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=9wPCs5qd38c. Acesso em: 15 dez. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=9wPCs5qd38c https://www.youtube.com/watch?v=9wPCs5qd38c https://www.youtube.com/watch?v=9wPCs5qd38c Modelos de gestão de tempo 81 4.2 Software para gestão do tempo VídeoCom o desenvolvimento das TIC, tanto as atividades profissionais quanto as pessoais passaram a ser cada vez mais dependentes de computadores, sistemas de gestão da informação e transmissão de dados. A enorme quantidade de informações geradas cotidianamente possibilitou às empresas melhorarem os seus processos de negócios e facilitou o acesso das pessoas a conhecimentos, experiências e entrete- nimento. Contudo, aumentou também a pressão por produtividade e a sensação de que o tempo disponível não é suficiente para desenvolver todas as tarefas e atividades profissionais e pessoais. O desenvolvimento tecnológico permitiu, ainda, que os processos, as metodologias e as ferramentas de gestão passassem por uma rá- pida evolução em todas as áreas da administração. Nesse contexto, programas, sistemas e aplicativos de gestão do tempo são constante- mente desenvolvidos e lançados no mercado. Algumas dessas ferra- mentas atingem o sucesso e passam a ser utilizadas por milhões de pessoas. Martino, Goulart e Godinho (2020), em levantamento sobre os diversos aplicativos e programas de gestão do tempo, identificaram que, no ano de 2020, os mais utilizados foram o Evernote, Todoist e Trello. O Quadro 2 traz um comparativo entre as ferramentas. Compreender o uso de programas, softwares e aplicativos de gestão do tempo. Objetivo de aprendizagem Quadro 2 Comparativo dos principais aplicativos de gestão do tempo Aplicativo Número de usuários Descrição Todoist 10 milhões (09/2019) Você vai aprender como usar Todoist para: • manter o controle de tudo o que você precisa fazer; • organizar e progredir em seus projetos mais importantes; • planejar o seu dia para ter foco e produtividade máximos. Trello 25 milhões (09/2019) “O Trello é o jeito fácil, grátis, flexível e atrativo de gerenciar seus projetos e organizar tudo. Milhões de pessoas de todo o mundo confiam no Trello”. Evernote 225 milhões (09/2019) “A Evernote foi fundada como uma extensão do cérebro. Começando com a missão de ‘Lembrar-se de Tudo’, a Evernote cresceu para atender às três necessidades que Pachikov identificou. Com 8 bilhões de notas criadas por 225 milhões de pessoas ao redor do mundo, é fácil ver por que os produtos Evernote se tornaram o local padrão para pessoas e equipes que querem se lembrar de tudo, transformar ideias em ação, e trabalhar melhor juntas”. Fonte: Adaptado de Martino; Goulart; Godinho, 2020, p. 39-40. 82 Gestão do tempo e produtividade Por serem os aplicativos mais conhecidos e utilizados, os programas apontados por Martino, Goulart e Godinho (2020) serão descritos a seguir. 4.2.1 Evernote Um dos aplicativos mais conhecidos para gestão de tarefas, o Evernote, foi lançado em 2008 e tem como principal característica a organização em forma de cadernos, que simulam o modo como normalmente são usadas as agendas físicas. Utilizado em smartphones e computadores, ele disponibiliza a inserção de observações e comentá- rios em cada atividade, com imagens, desenhos ou arquivos anexados. Há, inclusive, o conceito de etiquetas para destacar as tarefas importantes ou organizar as atividades por data, tema, sequência ou cronograma. Permite, ainda, que as tarefas sejam transferidas de um caderno (ou seja, uma lista de atividades) para outro. As opções de usar cores distintas em cada etiqueta e de criar palavras-chave para os compromissos facilitam o processo de busca e localização no aplicativo e permitem, também, a criação de listas e cronogramas diários. O Evernote conta com uma versão gratuita, na qual algumas funcionalidades estão indisponíveis, e uma versão paga, mais comple- ta. Em ambas as versões, o aplicativo se destaca pela simplicidade de manuseio e pela utilização em diversos equipamentos, podendo ser integrado a outros aplicativos, programas e sites. Além disso, possibili- ta o uso por várias pessoas e a gestão de agendas de grupos e equipes, e a segurança de dados é outro ponto de destaque positivo. 4.2.2 Todoist Trata-se de uma ferramenta bastante simples, voltada à gestão de tarefas. O conceito do Todoist é o de ser um checklist que pode ser constantemente atualizado, ao incluir atividades recorrentes, bem como as que acontecem apenas uma vez. É possível, inclusive, de- senvolver planos de ação e realizar a análise das tarefas com os seus resultados e objetivos. Apesar de não ser tão completo quanto outras ferramentas, o Todoist é indicado às pessoas que querem organização rápida das atividades individuais, em especial aquelas relacionadas aos planos e objetivos pessoais. Pela própria natureza ino- vadora e pela constante evolução dos sistemas, dos programas e dos aplicativos baseados na tecnologia da informação e da comunicação, as ferramentas citadas po- dem passar por grandes alterações, ganhar novas versões e, até mesmo, ser descontinuadas. Caso você deseje utilizar um aplicativo de gestão do tempo, busque na internet por informações atualiza- das sobre programas. Dica O aplicativo Evernote pode ser baixado gratuitamente no site da empresa. É oferecida a versão em português, que pode ser instalada em smartphones. Como su- gestão, baixe o aplicativo e use as funcionalidades para a gestão de agenda e criação de cronogramas. Disponível em: https://evernote. com/intl/pt-br/download. Acesso em: 15 dez. 2021. Dica O aplicativo Todoist pode ser baixado gratuitamente no site da empresa e conta com versão gratuita, mas também são oferecidos serviços pagos, com mais funcionalida- des e ferramentas. Disponível em: https://todoist.com/ pt-BR/downloads. Acesso em: 25 out. 2021. Dica https://evernote.com/intl/pt-br/download https://evernote.com/intl/pt-br/download https://todoist.com/pt-BR/downloads https://todoist.com/pt-BR/downloads Modelos de gestão de tempo 83 4.2.3 Trello Segundo Hermogenes et al. (2020), com o crescimento do trabalho a distância e do home office, principalmente a partir de 2020, com a Pandemia de Covid-19, o Trello, semelhante a outros programas e apli- cativos para a gestão de projetos e gerenciamento remoto de equipes – por exemplo o Monday, Clickup e Proofhub – passou a ser intensa- mente utilizado. O Trello serve à gestão de projetos, mas pode ser aplicado à gestão do tempo. A possibilidade de integrar a agenda de diversas pessoas e gerenciar projetos complexos (que apresentam várias fases e usuários) faz desse aplicativo um dos mais usados em sistemas colaborativos de gestão. Ainda que não tenha sido pensado para a gestão do tempo, mas sim para a de projetos, ele possibilita a definição de tarefas e atividades, a criação de checklists e agendas e o acompanhamento dessas atividades. Todo projeto é representado por um cartão que é composto de outros cartões para cada uma das tarefas, ações e atividades a serem realizadas. Com base na definição das atividades, são geradas listas de afazeres, mostrando a relação entre as ações de cada pessoa da equipe e como as atividades se integram aos objetivos. O Trello apresenta, ainda, a possibilidade de os usuários de uma equipe se comunicarem dentro da ferramenta, trocarem arquivos e informações e agendarem reuniões ou atividades conjuntas. Há o re- gistro de cada acesso e o tempo de realização das atividades, o que facilita o processo de gestão. Os usuários também podem trabalhar em colaboração virtualmente durante a execução das tarefas. As atualiza- ções, mudanças ou alterações dos projetos e prazos são comunicadas automaticamente a todos os membros. 4.2.4 Runrun.it Outro programa que merece atenção é o Runrun.it. Desenvolvi- do por uma empresa de mesmo nome, é usado globalmente, pois conta com a facilidade de manuseio e várias outras funcionalidades. O Runrun.it foi criado em Nova Lima, Minas Gerais, onde fica a sede da empresa, e pode ser baixado gratuitamente. Oferece a versão tanto gratuita quanto a paga e segue o conceito de aplicativo para a gestão de projetos e de atividades por equipe, como o Trello. 84 Gestão dotempo e produtividade Após serem desenvolvidos o planejamento estratégico e os planos de ação que serão implantados pela equipe, o aplicativo permite dividir as tarefas e atividades entre os membros do time, por meio da atribui- ção de responsabilidades e da definição de prazos a serem cumpridos. O Runrun.it pode ser usado em diversos tipos de equipamentos, como computadores e smartphones, e oferece suporte imediato em português, o que o diferencia das demais ferramentas disponíveis no mercado. Por ter sido idealizado por uma empresa brasileira, que entende a cultura do país e a forma de trabalho das pessoas e equipes, é o mais adequado à realidade das empresas nacionais. Além dos aplicativos e programas citados, existem centenas de outras opções gratuitas e pagas para aqueles que buscam ferramentas de auxílio à gestão do tempo. Cada uma delas apresenta pontos po- sitivos e negativos, que se adequam mais ou menos às necessidades de cada usuário. As principais funcionali- dades do Runrun.it são apresentadas em seu ca- nal runrunittv, disponível no YouTube. Lá, constam as dicas de utilização e os diferenciais do aplicati- vo, todas informações disponibilizadas para a visualização. Para iniciar, sugere-se que assista ao vídeo Demonstração do Runrun.it. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=17dh3oM_ VSY. Acesso em: 16 dez. 2021. Vídeo 4.3 Organização do ambiente de trabalho Vídeo Em um mercado de trabalho que exige dos indivíduos cada vez mais produtividade e capacidade de realizar diversas atividades simulta- neamente, cada minuto desperdiçado pode trazer impactos negati- vos sobre a sua eficiência e eficácia. Nesse contexto, a organização do ambiente de trabalho onde as atividades são realizadas pode trazer ganhos significativos para a gestão do tempo. A relação entre a organização do espaço de trabalho e a produti- vidade é bastante estudada, tratando-se de um tema consolidado na administração. Frederick Taylor, tido como um dos pais da chamada administração científica, realizou uma série de estudos associando o ambiente onde as atividades são realizadas ao tempo gasto em cada tarefa e aos padrões de produtividade. Durante a segunda metade do século XX, conforme Slack, Brandon-Jones e Johnston (2018) pontuam, as indústrias japonesas im- plementaram uma série de metodologias de gestão, que tinham por objetivo a melhora da qualidade e o aumento da produtividade nas linhas de produção. Entre as ferramentas, uma das primeiras aplica- Entender como a organi- zação do ambiente de tra- balho facilita a realização das atividades agendadas. Objetivo de aprendizagem https://www.youtube.com/watch?v=17dh3oM_VSY https://www.youtube.com/watch?v=17dh3oM_VSY https://www.youtube.com/watch?v=17dh3oM_VSY Modelos de gestão de tempo 85 das foi a metodologia 5S. Ela tem por objetivo garantir ao ambiente de trabalho a organização para evitar desperdícios de tempo, distrações e interrupções no processo de trabalho. Como destaca Lobo (2011), o nome 5S foi criado de acordo com as iniciais das palavras (em japonês) que representam cada etapa da me- todologia. A Figura 2 traz a relação dos 5S: Figura 2 Os sensos do 5S Sh its uk e Seiri Seiton D is ci pl in a Utilização Organização Ka is or n/ Sh ut te rs to ck 5S Seiketsu SeisouSaúde Limpeza Fonte: Campos; Santos, 2018, p. 5. A seguir está descrita cada etapa desse método. 4.3.1 Seiri A palavra seiri (traduzida como senso de utilização ou de utilidade) define o primeiro passo do processo de organização do espaço de tra- balho. Nesse momento, cada um dos objetos, equipamentos, utensílios e documentos dispostos no ambiente é analisado para identificar a sua necessidade, para que as atividades e atribuições do cargo sejam rea- lizadas. O objetivo é descartar tudo aquilo que não tem utilidade e que pode representar desperdício ou trazer distrações ou perda de tempo. Vasconcelos, Goes e Cunha Neto (2021) apresentam a Figura 3 com re- lação à forma como cada item deve ser analisado. 86 Gestão do tempo e produtividade Figura 3 Análise a ser realizada na etapa seiri Item Utilizável Utilização improvável Não utilizável Sem condições de uso. Quantidade inadequada. Frequência de utilização inadequada. Parece desnecessário. Preferivelmente não usar. Perfeitas condições de uso. Quantidade adequada. Frequência de utilização adequada. el en as av ch in a2 /S hu tte rs to ck Fonte: Vasconcelos; Goes; Cunha Neto, 2021, p. 91. Um exemplo da importância do senso de utilidade é quando uma mesa de trabalho está repleta de documentos acumulados ou o computador está com a área de trabalho cheia de atalhos, ambos sem qualquer tipo de organização. Em um ambiente desorganizado, o indi- víduo pode desperdiçar muito tempo procurando um documento ou um arquivo de que precisa. Já em uma mesa organizada, apenas com os documentos úteis para realizar uma atividade, por exemplo, é mais fácil e rápido de se encontrar o que necessita. 4.3.2 Seiton A segunda etapa da metodologia é o seiton ou senso de organiza- ção. Após definir o que precisa ser mantido no ambiente de trabalho, é essencial colocar cada coisa em seu devido lugar. Assim, quando for necessário utilizar algum recurso, ele será rapidamente encontrado, o que reduz o desperdício de tempo. A etapa seiton é especialmente importante em relação a informa- ções, arquivos eletrônicos e documentos digitais, pois, como não são tangíveis e físicos, podem ser guardados em qualquer lugar. Com o uso Em uma sociedade baseada no consumo excessivo, na qual as pessoas acumulam sempre mais objetos e posses, o conceito de minimalismo vem sendo amplamente discutido. Ele pode ser entendi- do como a busca por uma vida mais simples, mantendo apenas o que é essencial, e represen- ta bem o conceito do seiri. O documentário Minimalismo: um docu- mentário sobre as coisas importantes apresenta os principais conceitos do minimalismo e mostra as vantagens e desvanta- gens de sua aplicação no cotidiano pessoal e profissional. Produção: Matt D’Avella. Estados Unidos: Netflix, 2016. Disponível em: https://www.netflix.com/br/ title/80114460. Acesso em: 16 dez. 2021. Documentário https://www.netflix.com/br/title/80114460 https://www.netflix.com/br/title/80114460 Modelos de gestão de tempo 87 mais expressivo de computadores, smartphones e notebooks – além da opção de salvar documentos em memórias internas, em dispositi- vos externos, nas redes de computadores ou “na nuvem” –, o contro- le referente ao local de armazenagem e às atualizações realizadas em cada documento se torna um grande desafio. 4.3.3 Seiso As duas primeiras etapas da metodologia 5S estão relacionadas à organização inicial do ambiente de trabalho. Já a terceira etapa é dedi- cada à manutenção, limpeza e higiene do ambiente. O seiso, ou senso de limpeza, além de estar ligado à preocupação com a limpeza física – fundamental para que as atividades sejam feitas com qualidade e sem desperdício de tempo por problemas causados por contaminação ou sujeira –, refere-se, também, à limpeza moral e às questões éticas. Uma empresa limpa não é apenas aquela onde não há sujeira, mas também onde os critérios de justiça, honestidade, equidade e respeito são seguidos por todos os colaboradores. Da mesma forma, um indiví- duo deve zelar pelos seus valores éticos e morais para atingir os seus objetivos pessoais. 4.3.4 Seiketsu O seiketsu (senso de disciplina), segundo Vasconcelos, Goes e Cunha Neto (2021), está relacionado à saúde e à organização e só pode ser alcançado após as três primeiras etapas terem sido adequadamente implementadas. O sentido do seiketsu é mais amplo do que apenas a manutenção da saúde física; estão envolvidas questões de qualidade de vida e de relacionamentos estabelecidos por meio das interações pessoais e pro- fissionais. Vieira Filho (2010) destaca que a saúde mental também é impactada pelo trabalho, principalmente em razão dascobranças por produtividade, eficiência e eficácia. O cumprimento de prazos aperta- dos e a pressão por realizar muitas atividades ao mesmo tempo são outras fontes de impacto na saúde mental. O desenvolvimento tecnológico, em especial da internet, possibilita a armazenagem de arquivos como textos, planilhas, imagens, fotos e vídeos virtualmente em servidores, ou seja, computadores e centrais de processamento de dados, que não estão fisicamente guardados no equipamento utilizado pelo usuário. O armazena- mento à distância reali- zado por empresas que disponibilizam espaços de arquivamento é conheci- do como armazenamento na nuvem. Saiba mais O senso de organização traz benefícios tanto com relação ao tempo quanto à qualidade de vida. Dessa forma, a série Ordem na casa mostra a especia- lista em organização Marie Kondo aplicando os conceitos do seiton para organizar ambientes de trabalho e de convivência. O programa se tornou um grande sucesso nas plataformas de streaming, com várias temporadas e dezenas de episódios. As dicas simples da apresentadora podem ser usadas por todos que buscam organizar os seus ambientes. Direção: Jade Sandberg Wallis. Estados Unidos: Netflix, 2019. Série 88 Gestão do tempo e produtividade 4.3.5 Shitsuke Por fim, o shitsuke, ou senso de disciplina, relaciona-se à necessi- dade de manter os processos e padrões de realização das atividades. A implementação da metodologia 5S depende de dedicação e responsa- bilidade de todos os envolvidos. Isso porque a disciplina é uma das competências essenciais para quem busca desenvolver a capacidade de gerenciar o seu tempo e instituir as metodologias e ferramentas ne- cessárias à realização de suas atividades e ao alcance de seus objetivos. A metodologia 5S, apesar de não ter sido desenvolvida especifi- camente para a gestão do tempo, revela a importância da organiza- ção nos ambientes de trabalho, para que os recursos disponíveis, como o tempo, possam ser usados de modo mais eficiente e eficaz, aumentando a produtividade. A implantação das etapas da metodo- logia, ainda que somente no contexto pessoal, traz grandes benefícios individuais, inclusive sobre a gestão do tempo. 4.4 Tecnologias da informação e gestão do tempo Vídeo O mundo contemporâneo é caracterizado pela imensa quantidade de informações gerada, organizada, analisada, compartilhada e consu- mida. Segundo Ribeiro, Franco e Soares (2018), a informação está pre- sente no cotidiano dos indivíduos nas esferas pessoal e profissional. Na sociedade, a informação envolve a compreensão sobre como se estabelecem as relações entre as pessoas e os grupos sociais, bem como sobre os aspectos econômicos, políticos e ambientais. Notícias, ideias, ideologias, opiniões e veracidade dos fatos estão intrinseca- mente ligadas à importância da informação no cotidiano social. Já no contexto de gestão das empresas, Soares, Cavalcante e Santos (2019) afirmam que a informação é, no ambiente corporativo, um dos recur- sos mais valiosos à disposição. Para os autores, é por meio da gestão de informações que as organizações podem compreender o mercado e desenvolver estratégias para atingirem os seus objetivos e desenvol- verem as suas atividades. O canal TV Kaizen, no YouTube, oferece vídeos sobre as etapas da metodologia 5S e conta com dicas para a sua implantação, bem como exemplos. Em linguagem simples e didática, mesmo quem não tem experiên- cia com a ferramenta, consegue compreender o seu funcionamento. Vale a pena conferir o vídeo Pro- grama 5S no link a seguir. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=E0igI_ QGujE. Acesso em: 16 nov. 2021. Vídeo Compreender como o excesso de informações pode gerar desperdí- cios de tempo e entender como gerenciar as informações. Objetivo de aprendizagem https://www.youtube.com/watch?v=E0igI_QGujE https://www.youtube.com/watch?v=E0igI_QGujE https://www.youtube.com/watch?v=E0igI_QGujE Modelos de gestão de tempo 89 Para as pessoas, a grande quantidade de informações com que são bombardeadas diariamente pode representar tanto a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional quanto o risco de perda do controle sobre o gerenciamento de tempo, causando o desequilíbrio entre as diversas áreas da vida. Conforme explicam Macedo e Caetano (2017), a capacidade de utili- zar as informações efetivamente é uma das bases do conceito de com- petência – ela é definida pelos autores como a capacidade de utilização das habilidades individuais, das experiências, dos conhecimentos e das informações disponíveis para executar atividades necessárias aos obje- tivos. A capacidade de gerenciar a informação está relacionada à pro- dutividade e ao desempenho do indivíduo em seus esforços. Tanto no meio pessoal quanto no profissional, um desafio na contemporaneidade é distinguir quais dados e informações à disposi- ção são relevantes, confiáveis e merecem atenção, pois o tempo para lidar com a grande quantidade de informações é um recurso finito. Como destacam Costa, Fernandes Júnior e Lopes (2015, p. 1): Considerando o avanço das inovações tecnológicas na atualida- de, um dos grandes desafios do mundo corporativo é a gestão do tempo para o alcance de produtividade, com a inserção dessas inovações nos ambientes organizacionais. Para o indivíduo que atua profissionalmente, o desafio é dupli- cado, pois é preciso saber como lidar com as informações relaciona- das ao cargo, às suas atividades e às funções e, ao mesmo tempo, no contexto pessoal, precisa se manter atualizado sobre economia, política, comportamento, entretenimento etc. É indispensável, ainda, aprender sobre novas tecnologias, competências e até novas formas de trabalhar. O uso das tecnologias de informação e comunicação nos meios empresarial e pessoal traz, concomitantemente, desafios e soluções relacionados à forma como as pessoas gerenciam o seu tempo. Entre os desafios que a tecnologia apresenta, destaca-se o impacto do excesso de informações e do uso desenfreado das tecnologias – especialmente a internet e as redes sociais – sobre o uso do tempo, atingindo, inclusive, a saúde mental das pessoas. Para Moromizato et al. (2017, p. 498), “paralelamente aos benefícios, emergem os efeitos prejudiciais do uso de forma desadaptativa e a adição por internet (AI), 90 Gestão do tempo e produtividade considerada uma epidemia do século XXI, digna de preocupação como um problema mundial de saúde mental”. Os autores pesquisaram o impacto do uso da internet sobre a saúde mental dos usuários e identificaram que a dependência do uso de tecno- logias da informação e da comunicação pode trazer graves problemas à saúde mental. A Figura 4 elenca alguns dos resultados obtidos. Figura 4 Porcentagem dos sintomas relatados na impossibilidade de estar conectado 4,6% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% Tri ste za Insô nia Apati a Irr ita bilid ad e Ansie dad e Perd a d e a peti te Aumen to do ap eti te Te nsã o Se nsa çã o de m orte Se nsa çã o de e sva zia men to Med o de p erd er am igo s Té dio Outro s Nen hum dos a nter iores 8,5% 3,3% 3,9% 19,1% 45,8% 55,6% 1,3% 3,9% 10,5% 0,7% 2,6% 6,5% 16,4% Fonte: Moromizato et al., 2017, p. 500. O estudo também apontou que o uso das tecnologias da informa- ção ocupa parte significativa do tempo dos indivíduos. Segundo os dados da pesquisa, 34% dos respondentes gastam entre três e cinco horas por dia na internet, 18% permanecem conectados de cinco a oito horas por dia e cerca de 18% dedicam mais de oito horas diárias. A ansiedade aparece na pesquisa como um dos principais sintomas do uso exagerado das tecnologias pelos indivíduos. Como destacam Rodrigues et al. (2018, p. 5): “uma das sensações é o tempo acelera- do para as pessoas que buscam cada vez mais meios velozes de obter informações, se comunicar e fazer negócios em uma sociedade que está em constante desenvolvimento”. Se, por um lado, o desenvolvimentotecnológico traz desafios àque- les que não conseguem utilizar as tecnologias para melhorar o uso do tempo, por outro, a criação de sistemas, aplicativos e metodologias de gestão do tempo – baseados nos avanços tecnológicos – pode conferir Modelos de gestão de tempo 91 grandes benefícios aos que utilizam adequadamente a tecnologia. Se- gundo Inhuma, Santiago e Sigrist (2017), o uso de aplicativos de gestão do tempo pode ser benéfico não só para o aumento de produtividade, eficiência e eficácia, mas também da motivação do indivíduo e do seu comprometimento com as suas atividades, as suas responsabilidades e, principalmente, com os seus objetivos pessoais e profissionais. CONSIDERAÇÕES FINAIS A capacidade de gerenciar o tempo é uma das competências funda- mentais ao profissional que busca realizar as suas atividades e tarefas pessoais e de trabalho com o intuito de atingir os seus objetivos. Conhecer as várias metodologias e ferramentas que podem ser apli- cadas à gestão do tempo – tanto as tradicionais quanto as baseadas em TIC – possibilita escolher a mais adequada às características e necessidades individuais. A capacidade de organizar o ambiente de trabalho e gerenciar as informações, conhecimentos e competências também auxilia no proces- so de gestão do tempo. ATIVIDADES Atividade 1 Explique por que a técnica pomodoro auxilia no foco e na discipli- na necessários para gerenciar o tempo. Atividade 2 Descreva quais são os benefícios da utilização da matriz GUT na gestão do tempo. Atividade 3 Explique a relação entre a organização dos ambientes de trabalho e a gestão do tempo. 92 Gestão do tempo e produtividade REFERÊNCIAS ARAGÃO, M. 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Contudo, são poucas aquelas que transformam os sonhos em um pla- no claro, sejam eles pessoais ou profissionais. A falta de planejamento ocorre tanto devido à falta de conhecimento sobre os conceitos de sonhos, objetivos, metas e ferramentas de planejamento quanto pelo fato de que algumas pessoas não entendem claramente como os seus valores pessoais, crenças, sonhos e desejos relacionam-se à vida pro- fissional. Por isso, a primeira parte do capítulo abordará a importância de se desenvolver um plano de vida com base em valores e no legado que se deseja deixar. A segunda parte do capítulo discorrerá sobre o planejamento de carreira, associando-o ao plano de vida e às metodologias de plane- jamento estratégico, utilizadas pelas empresas na definição dos seus objetivos. Transformar sonhos e desejos em objetivos e metas bem definidos é fundamental aos planejamentos de vida e de carreira, e, caso não sejam realizados adequadamente, podem dificultar ou mesmo inviabili- zar a realização de planos. Um objetivo que não traduza perfeitamente determinado sonho ou meta pode levar à perda de tempo e ao desper- dício de recursos. Assim, as partes três e quatro do capítulo referem-se tanto às definições de objetivos e metas como à organização dos pla- nos de ação, usados para a realização e o controle de atividades. Na última parte do capítulo, serão relacionados os conceitos de pla- nejamento de vida e de carreira e a competência de gestão do tempo. Afinal, o tempo é o recurso mais importante que as pessoas possuem e deve ser usado de modo certo, para concretizar os seus sonhos. Gestão do tempo e qualidade de vida 95 5.1 Plano de vida Vídeo Segundo o psicólogo americano Daniel Gilbert, o ser humano ten- de a considerar as formas de pensar, agir e de se comportar como cristalizadas (GILBERT, 2006), ou seja, acha que será sempre como é no presente, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Nessa esteira, o autor sugere um pequeno exercício: que se faça uma análise sobre como o indivíduo pensava, agia e se comportava há dez anos e se compare com o momento atual. Na grande maioria dos casos, a pessoa mudou muito as suas características na última década. Porém, quando é solicitado ao indivíduo que pense sobre como será daqui a 10 anos, a maioria acredita que não mudará em nenhum aspecto. A percepção de que o indivíduo pode mudar e se desenvolver é fundamental para que se possa definir os planos de carreira e pes- soal. Caxito (2020) afirma que muitos profissionais, mesmo os bem- -sucedidos, questionam se o rumo das suas carreiras se alinha aos desejos e planos para a vida pessoal a médio e longo prazos. Para Carneiro, Alves e Silva (2021), o plano de vida está relacionado aos valores individuais, ao que é mais valorizado ou ao que se deseja construir no âmbito da vida pessoal, indo além da carreira e do traba- lho. Segundo Gomes (2019), os valores pessoais podem ser definidos como os princípios éticos e morais, as crenças e convicções que guiam atitudes, decisões e compromissos de uma pessoa em suas escolhas. Entre os diversos valores pessoais, podem ser citados o respeito, a amizade, a busca pela felicidade, a valorização do relacionamen- to familiar, a satisfação espiritual, a fraternidade e a caridade. Como destaca Caxito (2020), há uma pressão social para que as pessoas declarem como valores apenas aqueles socialmente aceitos. Valores pessoais como a busca por realização profissional, o reconhecimento público, o poder e a riqueza podem ser criticados, mas os valores de- vem fazer sentido individualmente. Compreender a relação entre o plano de vida e o plano de carreira. Objetivo de aprendizagem Dan Gilbert, em palestra no evento TED, falou a respeito da tendência de as pessoas acharem que não mudarão as formas de pensar e nem as suas condutas e pensarem que estão com a vida definida. O palestrante defende que a interpretação sobre o tempo é errada, pois as pessoas mudam constan- temente, e aceitar essa impermanência permite a evolução pessoal e o crescimento. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=XNbaR54Gpj4. Acesso em: 17 dez. 2021. Palestra https://www.youtube.com/watch?v=XNbaR54Gpj4 https://www.youtube.com/watch?v=XNbaR54Gpj4 https://www.youtube.com/watch?v=XNbaR54Gpj4 96 Gestão do tempo e produtividade O professor e pesquisador Robert Waldinger dirige, desde 1938, um estudo desenvolvido pela universidade de Harvard que já acom- panhou cerca de 700 participantes e que segue, atualmente, com os filhos e parentes dos voluntários originais. Segundo Vaillant (2008), o objetivo da pesquisa intitulada Study of Adult Development (Estudo sobre o desenvolvimento adulto) é identificar o que faz com que as pessoas tenham uma vida feliz, saudável e completa. Os pesquisadores acompanharam, por mais de sete décadas, a vida dos participantes nos contextos pessoal, profissional, acadêmico, bem como os registros médicos, e identificaram algumas características que levam à percepção de felicidade e de satisfação pessoais. Uma das con- clusões do estudo é sobre o cultivo dos bons relacionamentos, pois as pessoas que mantêm o contato constante com amigos e familiares sentem-se mais completas e seguras. Já a fama e o dinheiro não de- monstraram estar, segundo a pesquisa, diretamente relacionados aos níveis de felicidade relatados pelos participantes. Os bons relacionamentos, ainda para Vaillant (2008), trazem impactos positivos sobre a saúde física e mental. Os relacionamentos são especialmenteimportantes para a saúde mental durante o pro- cesso de envelhecimento, pois as conexões sociais fortalecem as me- mórias e o uso do cérebro, diminuindo, assim, o impacto das doenças mentais normalmente relacionadas à idade. Definir claramente quais são os valores pessoais é fundamental para desenvolver um planejamento de vida alinhado a tudo o que é considera- do importante. Os valores pessoais também influenciam no planejamento profissional, uma vez que grande parte da vida é dedicada ao trabalho. Pensando na prática Para definir o plano de vida e os objetivos pessoais que se deseja alcançar, é necessá- rio identificar os valores que guiam as suas decisões. Responda aos questionamen- tos a seguir e seja sincero nas suas respostas. O filme O feitiço do tempo conta a história de um repórter mal-humorado e depressivo que fica preso a um único dia que se repete indefinida- mente. De certa forma, a obra explora o modo como algumas pessoas se apegam à rotina, o que acaba massacrando os sonhos e desejos pessoais e profissionais. No filme, o protagonista só consegue se ver livre do feitiço da repetição do dia quando começa a se desenvolver e identifica quais são os seus reais valores pessoais. Direção: Harold Ramis. Estados Unidos: Columbia Pictures, 1993. Filme Gestão do tempo e qualidade de vida 97 Áreas da vida Pessoal Familiar Comunitária Social Escolar Profissional Pense nas suas realizações pessoais e profissionais conquis- tadas até o presente momento. Em cada área da vida, liste o que lhe dá orgulho por ter realizado. Propósito é o que está relacionado aos objetivos de vida. O legado, por sua vez, refere-se ao que será deixado, de negativo ou positivo, às pessoas próximas e à sociedade. Baseando-se nessas definições, reflita sobre o seu futuro em cada área da vida e tente definir qual é a sua razão de viver (propósito) e qual legado pretende deixar. Pessoal Familiar Comunitária Social Escolar Profissional Meu propósito Meu legado Pense, agora, sobre os seus valores reais. Bons indicadores acerca do que àquilo que você atribui valor são as conquistas que lhe dão orgulho. Assim, liste os valo- res que você crê guiarem as suas escolhas. Meus valores Por que esse é um valor importante para mim Como posso colocar esse valor em prática Lembrete: os quadros são apenas sugestões. Utilize quantas linhas forem necessárias. Com base nas respostas obtidas anteriormente (o propósito, o legado e os va- lores), defina pelo menos três sonhos que você pretende alcançar na sua vida pessoal, por exemplo: formar uma família, viajar pelo mundo, alcançar a fama. Sonho 1 Sonho 2 Sonho 3 Ao definir o plano de vida é importante lembrar que, como aponta Gilbert (2006), as pessoas mudam constantemente, e, a longo prazo, al- gumas características, desejos, crenças e até valores podem se alterar. O plano de vida aponta para uma direção, mas ele não é um mapa com cada passo a ser dado, como acontece com o planejamento de carreira. Por meio da definição do plano de vida, é possível definir os objetivos e as metas pessoais. Robert Waldinger, diretor do Estudo sobre o Desen- volvimento Adulto (Study of Adult Development), realizou, no evento TED, a palestra Do que é feita uma vida boa?, em que aponta as principais con- clusões obtidas pela pes- quisa desenvolvida desde 1938. Waldinger aborda as características das pessoas que se sentem felizes e realizadas em sua vida pessoal. A palestra é uma verdadeira lição para quem busca pensar sobre os planos de vida. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=2gYTG1KIcjg. Acesso em: 17 dez. 2021. Palestra https://www.youtube.com/watch?v=2gYTG1KIcjg https://www.youtube.com/watch?v=2gYTG1KIcjg https://www.youtube.com/watch?v=2gYTG1KIcjg 98 Gestão do tempo e produtividade 5.2 Plano de carreira Vídeo A carreira é parte fundamental da vida de um indivíduo e, por isso, deve estar alinhada ao plano de vida e aos valores pessoais. O mercado de trabalho – tanto no Brasil quanto no mundo – vem passando por mudanças bastante significativas na forma como o tra- balho é organizado e também na relação entre empresas e trabalha- dores. Como aponta Rosa (2020), algumas alterações são conjunturais, ou seja, estão ligadas aos aspectos econômico, político ou social que acontecem em determinado momento, mas que podem ser revertidos ou modificados a médio prazo. Um exemplo de condição conjuntural é a crise econômica causada pela Pandemia de Covid-19. Segundo Silveira et al. (2020), o cresci- mento econômico global foi muito afetado entre os anos de 2020 e 2021 por conta da necessidade de se diminuir o ritmo de trabalho e, em alguns casos, paralisar totalmente as indústrias, os comércios e a prestação de serviços, afetando as economias locais e as exportações e importações. Diversos países registraram taxa de crescimento muito baixa e até negativa do PIB (Produto Interno Bruto) e aumento signifi- cativo no número de desempregados, bem como no índice de fecha- mento de empresas. O desemprego e a precarização do trabalho causados por esse ce- nário, apesar de serem graves e afetarem milhões de pessoas, serão revertidos a médio e longo prazos, com o gradativo retorno aos níveis normais de produção e exportação, assim como de negócios – registra- dos antes da pandemia. Diferentemente do desemprego conjuntural, que tende a cair quan- do a economia de um país volta a crescer, o desemprego estrutural, de acordo com Assis (2020), surge com a implantação de novas tec- nologias e processos produtivos e o relacionamento com os clientes, impactando de modo definitivo as carreiras e os empregos. A pandemia, por exemplo, fez com que o modelo de trabalho a dis- tância, ou home office, se tornasse a realidade da grande maioria das empresas. Conforme Santana et al. (2021), várias delas também fecha- ram as suas linhas de produção e migraram as suas indústrias para outros países ou passaram a importar produtos de outros fabricantes. Conhecer o conceito de planejamento de carreira e como a gestão do tem- po pode ajudar a atingir os objetivos. Objetivo de aprendizagem Gestão do tempo e qualidade de vida 99 Outras empresas automatizaram os processos de trabalho, produção, atendimento aos clientes e entrega de produtos. Por outro lado, uma área que apresentou crescimento acelerado du- rante a pandemia foi o comércio eletrônico. Dados levantados por Fortes e Gambarato (2021) mostram que as empresas precisaram aumentar rapidamente as suas operações para manter o relacionamento com os clientes por meio das tecnologias da informação e de comunicação. Como explica Caxito (2020), esse tipo de alteração no mercado de trabalho, conhecido por mudanças estruturais, tem o caráter mais dura- douro e, muitas vezes, definitivo, representando as grandes transforma- ções na forma como o trabalho e as carreiras profissionais se organizam. O desenvolvimento tecnológico associado aos processos produtivos permite-nos observar a redução do emprego industrial em função das novas tecnologias e dos processos de produção. Santana et al. (2021) apontam que o conceito da Indústria 4.0 torna-se cada vez mais pre- sente, e as tecnologias de mecanização, automatização e robotização da produção substituem intensamente a mão de obra industrial. Os autores definem a Indústria 4.0 da seguinte maneira: Novas tecnologias permitem a criação de redes globais, os siste- mas ciber físicos, que incorporam máquinas, sistemas de arma- zenagem, instalações de produção, que compartilham e trocam informações de forma autônoma valendo-se da Internet das Coi- sas (IoT), que possibilita o controle de forma sincronizada e/ou independente. (SANTANA et al., 2021, p. 18) De modo semelhante, a mão de obra do setor primário da econo- mia, a agricultura, foi fortemente impactada nas últimas décadas pela mecanização da lavoura. Como aponta Mattei (2015), o uso intenso de máquinas e equipamentos nas lavouras fez crescer acentuadamentea competitividade do agronegócio brasileiro no mercado externo, mas, em contrapartida, diminuiu a oferta de empregos e provocou a mi- gração de trabalhadores rurais para as cidades. Le re m y/ Sh ut te rs to ck 100 Gestão do tempo e produtividade A migração de emprego dos setores agrícola e industrial para o co- mércio e os serviços esconde uma grande armadilha. Essas atividades e responsabilidades são mais sofisticadas, menos braçais e, por isso, exigem competências mais complexas. Pense, por exemplo, em um operário que atua na linha de produção de uma indústria. O modelo de divisão do trabalho adotado pela maio- ria das empresas industriais é baseado na especialização total, em que cada operário faz apenas uma pequena parte do processo para que este seja cada vez mais rápido e eficiente. Segundo Caxito (2020), esse mesmo trabalhador, caso não encon- tre mais ocupação na indústria, provavelmente buscará trabalho em outras áreas, como o comércio e os serviços. Entretanto, as atividades nesses setores envolvem, na maioria das vezes, a interação e o relacio- namento com clientes, o que exige do trabalhador uma série de com- petências, como a comunicação, os conhecimentos sobre produtos ou serviços vendidos, além das competências matemáticas etc. Em um país como o Brasil, no qual os níveis de escolaridade e de analfabetismo funcional ainda são elevados, o desenvolvimento de com- petências para a mão de obra pode representar um grande desafio. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), do IBGE, realizada em 2019, mais da metade das pessoas aci- ma de 25 anos não concluiu o Ensino Médio e 32,3% não concluíram o Ensino Fundamental (AGÊNCIA IBGE, 2020). Nesse contexto, a evolução tecnológica do mercado de trabalho pode dificultar a permanência ou o retorno ao trabalho de parte signi- ficativa dos desempregados, seja porque as suas profissões ou empre- gos simplesmente deixaram de existir, seja porque essas pessoas não dispõem das competências exigidas pelos novos empregos. A mudança estrutural pela qual o mercado vem passando é in- fluenciada também pelo fator demográfico. Segundo os dados do IBGE (AGÊNCIA IBGE, 2019), a expectativa de vida dos brasileiros em 1940 era de 42,9 anos entre os homens e 48,3 anos entre as mulheres. No ano 2000, o número havia saltado para 66 anos entre os homens e 73,9 entre as mulheres. Em 2018, atingiu os 72,8 para os homens e 79,9 para as mulheres. Nesse sentido, o aumento da expectativa de vida média do brasileiro provoca a postergação do período de aposentadoria. Gestão do tempo e qualidade de vida 101 A própria legislação do país reflete essa tendência. A Reforma da Previdência, como é conhecida a Emenda Constitucional n. 103, de 12 de novembro de 2019 (BRASIL, 2019), modificou a idade mí- nima para a aposentadoria. No caso dos trabalhadores urbanos, os homens passaram a se aposentar aos 65 anos e as mulheres, aos 62 anos. O prolongamento dos anos de trabalho faz com que os trabalha- dores maduros, acima dos 50 anos, precisem se reinventar profis- sionalmente. Porém, como aponta Felix (2016), as pessoas não têm as mesmas condições e competências para lidar com esse processo de reinvenção. Assim, o autor identifica três perfis de profissionais maduros. O primeiro é o frágil, que, de modo geral, desenvolveu uma carreira baseada em trabalhos braçais – em pro- cesso de substituição ou que já estão extintos – e dificil- mente será reintegrado ao mercado. O segundo tipo é o desatualizado, aquele que fez a sua carreira nos setores de comércio e serviços e cuja ativida- de sofreu alterações provocadas pelo desenvolvimento tecnológico e, para se manter relevante no mercado de trabalho, precisa desenvolver novas competências. O terceiro é o expert. Trata-se do profissional que baseou a sua carreira na evolução contínua de competências e está atualizado sobre o desenvolvimento tecnológico e as mudanças na forma de trabalho. Geralmente, esse profissional direciona a sua carreira a educação, consultoria ou empreendedorismo. po pc or n- ar ts / Sh ut te rs to ck Fo ur do ty / Sh ut te rs to ck ho wc ol ou r/ Sh ut te rs to ck Felix (2016) chama atenção, também, para a precarização nas rela- ções trabalhistas no segmento dos experts, especialmente, o processo de pejotização. Com o rápido surgimento de novas tecnologias, algumas profissões deixam de existir e novas são criadas. Assim, a carreira não se resu- me apenas a uma sequência de relações de trabalho com diferentes empresas, mas pode significar, inclusive, a mudança de área e o reco- meço em uma nova profissão, o que exige desenvolvimento e apren- dizado constantes. O preconceito do merca- do de trabalho direcio- nado aos profissionais seniores, aqueles com idade superior a 50 anos, é o tema de Um senhor estagiário. A personagem Jules Ostin é proprietária de um e-commerce de roupas e contrata um pro- fissional aposentado para atuar como estagiário de sua empresa. O filme mostra o choque entre as gerações relacionado ao trabalho e à carreira, bem como questiona o papel do trabalho na vida das pessoas. Direção: Nancy Meyers. EUA: Waverly Films, 2015. Filme 102 Gestão do tempo e produtividade Independentemente da área de atuação do indivíduo, o próprio conceito de carreira tem sofrido significativas transformações. Há al- gumas décadas, alguém que atuasse em várias empresas nem sem- pre era considerado um bom profissional. Valorizava-se, então, a constância e, em alguns casos, a permanência em um lugar durante toda a carreira. Caxito (2020) destaca que, no cenário de trabalho contemporâneo, a experiência em várias empresas – sejam de um mesmo mercado ou de áreas diferentes da economia – é valorizada, pois mostra que o profissional já conviveu com culturas organizacionais diversas e, por- tanto, tem a capacidade de se adaptar e aprender constantemente. Além das competências técnicas, relacionadas às atividades ine- rentes ao cargo ou à profissão que exerce, o profissional precisa de- senvolver as competências comportamentais e investir na construção da sua marca pessoal, assim como em uma rede de relacionamentos que possa ajudá-lo durante os períodos de transição que ocorrem com maior frequência nas carreiras. Use o quadro a seguir para definir onde você se enxerga profissionalmente daqui a 5 anos. Por exemplo, você pode definir frases como “meu sonho é ter minha empresa” ou “quero ser gerente na empresa onde trabalho”. Tente definir pelo menos três sonhos de carreira: Sonho 1 Sonho 2 Sonho 3 No contexto de mudanças tecnológicas e demográficas, o plane- jamento de carreira ganha ainda mais importância. Porém, a grande maioria dos indivíduos não sabe identificar com clareza os seus objeti- vos profissionais, logo a falta de um plano de carreira leva ao desper- dício de tempo e esforço. Muitos profissionais permitem às empresas que os contratam a definição das suas carreiras e o caminho que per- correrão. Por isso, é fundamental desenvolver um plano de vida e de carreira alinhados, pois os valores pessoais e os sonhos profissionais servem de base ao indivíduo na definição dos seus objetivos e metas. Pejotização é um termo criado para denominar a prática que tem se tornado comum no mercado de trabalho, na qual a empresa demite os funcionários que atuavam sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e exige que eles se registrem como empresa, que é contrata- da como prestadora de serviços. Assim, a relação de empregador-em- pregado passa a ser de contratante-prestador de serviço. Com a prática, o profissional perde grande parte dos seus benefícios trabalhistas garantidos pela CLT. Saiba mais Gestão do tempo e qualidade de vida 103 5.3 Objetivos e metas pessoais e profissionais Vídeo Como explicam Valente e Brasil (2019), em uma empresa, o pla- nejamento estratégico define os objetivos a serem alcançados a lon- go prazo.Para que isso aconteça, é preciso fazer um plano de ação que defina cada passo para desenvolver as competências e criar as oportunidades que levarão aos objetivos. O planejamento estratégico aplicado à gestão de carreira, para Pattas e Benevides (2018), cumpre o mesmo papel de definição dos objetivos que o indivíduo pretende alcançar e serve como base ao desenvolvimento do plano de ação a ser cumprido. No contexto do planejamento desenvolvido pelas pessoas, seja ele pessoal ou profissional, é comum que se confundam os concei- tos de sonhos, objetivos e metas. Os sonhos são os desejos, algo que se pretende alcançar em algum ponto do futuro. Dessa forma, eles não necessariamente geram uma ação e podem ficar meramente no campo das ideias e das vontades. Já os conceitos de objetivos e me- tas estão relacionados à ação que se pretende implantar. Costa (2018, p. 1) explica: Por objetivo entende-se aquilo que se deseja alcançar, ou seja, é o que você pretende realizar em sua vida, seja no âmbito pessoal ou profissional. É algo mais amplo que tem a ver com a nossa jornada evolutiva, ao longo do tempo. Meta, por sua vez, define o tempo e os meios que serão utilizados para con- quistar determinado objetivo sem perder o foco no meio do caminho. A definição do autor mostra uma diferença fundamental entre os conceitos de objetivos e metas. O objetivo tem um caráter de longo prazo, um lugar ou posição bem definidos a que se deseja chegar ou ocupar em um momento específico do futuro. A meta, por sua vez, está relacionada ao fazer, a um plano de ação que determina recur- sos, atividade e prazos a serem cumpridos. Entender como os objetivos e as metas pessoais direcionam o planejamento do tempo. Objetivo de aprendizagem 104 Gestão do tempo e produtividade Um sonho profissional ou pessoal é apenas um desejo. Para ser transformado em objetivo, o sonho precisa ter um tamanho e um prazo bem definidos. Assim, pense em objetivos como “viajar para os países Itália, França e Portugal ao com- pletar 30 anos de idade”. Tendo como base os sonhos pessoais previamente definidos, escreva seus objetivos pessoais. Objetivo pessoal 1 Objetivo pessoal 2 Objetivo pessoal 3 Faça o mesmo com os sonhos profissionais também já elencados. Assim, você pode definir o seguinte objetivo: “ser proprietário de uma empresa de prestação de serviços administrativos, com cinco funcionários e faturamento de R$ 100 mil no ano de 2030”. Este objetivo tem um tamanho (5 funcionários e faturamento de R$ 100 mil) e uma data (o ano de 2030). Seja específico quanto ao tamanho e à data de cada objetivo. Objetivo profissional 1 Objetivo profissional 2 Objetivo profissional 3 Agora, sim, você tem objetivos pessoais e de carreira bem definidos. Muitos desistem dos seus sonhos pessoais e profissionais por não conseguirem transformá-los em objetivos alcançáveis. Escobar, Pinto Junior e Martins (2021) afirmam que diversos obstáculos podem sur- gir no caminho em direção a um objetivo. Esses empecilhos podem ocorrer por serem definidos prazos muito longos para o alcance dos objetivos. Logo, quanto maior for a distância entre o momento atual e o prazo definido para o objetivo, maior será a possibilidade de aconte- cerem situações que dificultem ou impeçam o sucesso da empreitada. Caxito (2020) sugere que, no caso do plano de carreira, os objeti- vos devem ser definidos para um prazo de cinco anos. Uma data infe- rior pode não ser suficiente para o desenvolvimento de competências e atividades necessárias ao alcance do objetivo. Já um prazo superior a cinco anos pode sofrer com as mudanças tecnológicas (que impac- tam o mercado de trabalho), com uma nova forma de organização do mercado ou mesmo com uma nova tecnologia que venha a alterar o Gestão do tempo e qualidade de vida 105 ambiente externo no qual a carreira pretendida está inserida. Assim, a definição de metas é fundamental para os planos de carreira e profissio- nais, pois são os passos que conduzem ao objetivo. Entre as ferramentas e metodologias que podem ser utilizadas para definir metas, destaca-se, pela sua relevância e uso, o modelo de me- tas Smart. O nome, em tradução literal do inglês, significa “inteligente” (DICIONÁRIO CAMBRIDGE, 2021) e é formado pelas iniciais das palavras specific (específica), measurable (mensurável), attainable (atingível), rele- vant (relevante) e time (em tempo), que representam as características que as metas devem ter, segundo Peter Drucker em seu livro The prati- ce of Management, lançado em 1954 (DRUCKER, 2010). Figura 1 Metas Smart METAS SPECIFIC MEASURABLE ATTAINABLE RELEVANT TIME (específica) (mensurável) (atingível) (relevante) (tempo) pa nd as to ck ar t/ Sh ut te rs to ck Para que uma meta seja específica, segundo Cardoso et al. (2018), a sua definição deve ser clara sobre o que se deseja alcançar e o re- sultado a ser obtido. Uma meta pessoal não especificada, por exem- plo, pode ser descrita assim: realizar cursos para desenvolver novas competências. Já a descrição específica dessa mesma meta pode ser: realizar o curso de gestão do tempo, com duração de 40 horas, para desenvolver a capacidade de controlar o recurso tempo. Cada meta representa um passo em direção ao objetivo final. Dessa forma, é fundamental verificar se os passos estão sendo realizados conforme o planejado. Drucker (2010) explica que uma meta mensurável precisa ser facil- mente medida e acompanhada. Assim, é importante definir os indica- dores de gestão para medir a execução da meta. Usando novamente a meta de realizar um curso de gestão, os indicadores a serem acom- panhados podem ser descritos assim: realizar a inscrição no curso de Com linguagem simplifi- cada e exemplos práticos, o livro Como construir objetivos e metas atingíveis apresenta a metodologia para definição de metas criada por Cláudio Zanu- tim, além de disponibili- zar as ferramentas e os documentos necessários para colocá-la em prática. ZANUTIM, C. São Paulo: DVS, 2018. Livro 106 Gestão do tempo e produtividade gestão do tempo da escola X; obter a nota nove na avaliação final do curso de gestão do tempo. O primeiro indicador é qualitativo, ou seja, pode ser medido sem usar um valor numérico. Nesse caso, existem duas possibilidades de resposta: sim (a tarefa foi cumprida) ou não (ainda é preciso realizar a atividade). Já o segundo indicador é quantitativo, pois a sua mensuração de- pende de um valor numérico para ser validada. Caso o indivíduo receba a nota oito na avaliação final, pode até ser aprovado no curso e receber o certificado, mas o padrão de avaliação que definiu não foi atingido. Estipular metas que sejam ao mesmo tempo desafiadoras e atingíveis é uma grande dificuldade. Segundo Taveira e Camargos (2021), uma meta pouco desafiadora pode ser facilmente realizada e, assim, não garantir que os objetivos sejam alcançados. Por outro lado, uma meta muito alta ou irreal pode desmotivar o indivíduo. Nesse sentido, a definição deve estar de acordo com o nível de competências e recursos à disposição. No exemplo trazido sobre o curso de gestão do tempo, se a pessoa não apresenta conhecimento prévio sobre o assunto e estabelece a meta de “realizar um curso avançado de gestão do tempo com o uso de ferra- mentas de inteligência artificial”, pode soar inadequado, pois trata-se de um nível avançado, pressupondo o conhecimento prévio sobre temas básicos envolvidos. Desse modo, ao perceber o desconhecimento sobre termos e palavras pertinentes ao curso, o aluno pode se desmotivar. Para ilustrar, tem-se um exemplo de meta atingível: realizar um cur- so introdutório de gestão do tempo e, após finalizá-lo, inscrever-se em um curso avançado no mesmo campo de conhecimento. Dessa forma, vemos que as metas precisam também ser relevantes em relação ao objetivo que se pretende alcançar. No exemplo, aprender a gerenciar o tempo é uma competência importante. Porém, se ela não estiver ligada ao objetivodo indivíduo, pode significar a perda de recursos como tem- po e dinheiro. De acordo com o modelo Smart (DRUCKER, 2010), a última caracte- rística das metas é a definição de prazo ou o tempo para a execução. Sem uma data a ser seguida, a meta pode ser postergada ou aban- donada, dificultando que os objetivos sejam atingidos. Ainda segundo o exemplo, a meta poderia ser descrita da seguinte forma: realizar a inscrição no curso de gestão do tempo até o dia 30 de novembro e finalizar o curso até o dia 31 de dezembro. Gestão do tempo e qualidade de vida 107 O Quadro 1 apresenta um exemplo prático de determinação de me- tas Smart: Quadro 1 Exemplos de metas Smart 1ª Meta 2ª Meta 3ª Meta Específico Específico Específico Realizar manutenção pre- ventiva nos veículos da frota. Elaborar plano logístico em médio prazo, aplicando ro- teirização de veículos. Aplicar o uso de novas ferra- mentas tecnológicas de lo- calização (GPS). Mensurável Mensurável Mensurável A cada seis meses, iniciando no mês de maio de 2017. Em um período de um ano, iniciando no mês de junho de 2017. Em um período de seis me- ses, iniciando no mês de maio de 2017. Atingível Atingível Atingível Pretendendo reduzir em 40% o número de produtos entregues com avarias em um período de 20 meses. Almejando minimizar o atra- so das entregas em 25%. Pretendendo diminuir em 20% o número de entregas em locais errados. Relevante Relevante Relevante Almejando maior satisfação dos clientes quanto ao servi- ço prestado, fazendo a orga- nização maximizar o núme- ro de clientes fidelizados. Objetivando eliminar falhas no processo de encaminha- mento dos produtos. Visando minimizar custos com movimentação e retra- balho nas entregas, além de diminuir movimentações adicionais com os produtos. Tempo Tempo Tempo Iniciando em maio de 2017 e finalizando em janeiro de 2019. Iniciando no mês de junho de 2017 e finalizando no mês de junho de 2018. Iniciando no mês de maio de 2017 e finalizando no mês de julho de 2017. Fonte: Adaptado de Cardoso et al., 2018, p. 19. Uma forma de identificar quais competências precisam ser desen- volvidas e incluídas no plano de ação é escrever um currículo atuali- zado, no qual estejam listadas as experiências, os conhecimentos, as habilidades e vivências já desenvolvidas e, então, escrever outro cur- rículo – do que será preciso desenvolver, dentro da data definida no objetivo profissional. Caxito (2020) aponta que, ao comparar os dois currículos – o atual e o que se deseja ter no futuro –, é possível identifi- car as competências que precisam ser desenvolvidas em determinado período e que devem constar no plano de ação a ser seguido. De modo semelhante, quanto às metas pessoais, é possível descre- ver a situação presente em relação a cada objetivo almejado e dese- nhar um perfil de competências, recursos e experiências para atingir os objetivos de vida. 108 Gestão do tempo e produtividade 5.4 Planos de ação e gestão do tempo Vídeo Após a definição de competências, conhecimentos, experiências e relacionamentos necessários aos objetivos de carreira buscados, o plano de ação permite detalhar cada atividade de modo cronológico, abrangendo desde o início e chegando até a data limite. Criar, implementar e acompanhar um plano de ação nada mais é do que colocar em prática as metodologias de gestão do processo ad- ministrativo, como o ciclo PDCA (CAMPOS, 2014), e as ferramentas de gestão de processos, como o 5W2H (VENTURA; SUQUISAQUI, 2019) e a matriz GUT (PESTANA et al., 2016). O plano de ação pode ser entendido tanto como mapa quanto como cronograma que visa atingir os objeti- vos estipulados nos planos de vida e de carreira e que foram traduzidos em metas e objetivos específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazo fixado. As atividades a serem realizadas, as competências ainda não desen- volvidas e as experiências a serem adquiridas, em muitos casos, devem seguir determinada sequência lógica. Caxito (2020) sugere que, para cada objetivo de longo prazo, o plano de ação seja pensado segundo a data final e, então, retroagido ano a ano até chegar à data presente. Essa sugestão é válida porque algumas atividades e competências são pré-requisitos para outras. Um indivíduo pode definir como um de seus objetivos, por exem- plo, a conclusão do mestrado em cinco anos. No geral, um curso de pós-graduação strictu senso leva de dois a três anos para ser concluído. Porém, como são poucas as instituições que oferecem essa modalida- de de curso no Brasil, a competição pelas vagas é bastante acirrada. Assim, a pessoa pode concluir que será preciso fazer um curso pre- paratório de um ano para participar do processo seletivo da instituição escolhida. Partindo da data final do objetivo – que é concluir o mestra- do em cinco anos –, o cronograma para o planejamento apresenta-se conforme o quadro a seguir. Compreender a relação entre planejamento, planos de ação, ativi- dades e metas a serem alcançadas. Objetivo de aprendizagem Gestão do tempo e qualidade de vida 109 Quadro 2 Cronograma do objetivo: concluir o mestrado em cinco anos. Ano atual Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Buscar informações sobre curso preparatório Realizar curso preparatório Iniciar o mestrado Iniciar a escrita da dissertação Concluir o mestrado Realizar inscri- ção no curso preparatório Realizar pro- cesso seletivo do mestrado É válido, ainda, identificar as atividades e ações passíveis de execu- ção em um momento específico do plano de ação, bem como as demais que precisam ser realizadas ao longo do processo. Um profissional pode definir como objetivo, por exemplo, estabelecer um relaciona- mento de trabalho com alguém de destaque em sua área. Para isso, precisa identificar as formas possíveis de fazer o contato. Pensando na prática Os formulários a seguir vão ajudá-lo a definir um plano de ação para atingir os seus objetivos. Desse modo, faça um formulário para cada uma de suas metas e lembre-se de que, quanto mais detalhada for a sua meta, mais fácil será determi- nar o plano de ação. Objetivo 1 Objetivo 2 Objetivo 3 Meu cargo Salário Minha formação Competências que preciso desenvolver para alcançar os objetivos O respeitado autor contemporâneo Simon Sinek apresenta, no best seller Encontre seu porquê, o conceito do Círculo Dourado, que correspon- de a uma nova forma de se pensar as definições de visão, missão e valores – tanto de uma empresa quanto de uma pessoa. Por meio de exemplos corporativos, como a Apple, e de figuras de liderança, como Martin Luther King Jr., Sinek mostra que as pessoas consomem marcas e seguem líderes com os quais se identificam pelos valores éticos e suas práticas. SINEK, S. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. Livro 110 Gestão do tempo e produtividade Plano de ação Atividades recorrentes De cis õe s a se - re m to m ad as At iv id ad es a re al iza r Di ár ia s Se m an ai s M en sa is Mês atual Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Nos próximos três meses Até o final do ano No próximo ano No ano anterior à data limite do objetivo Lembrete: As planilhas devem ter quantas linhas forem necessárias para descre- ver todas as ações, atividades e eventos definidos no plano de ação. Após ter sido completamente desenvolvido, com as atividades, tare- fas e ações necessárias aos objetivos pretendidos – elencando os recur- sos, prazos e especificando as métricas de acompanhamento –, o plano de ação servirá como guia de acompanhamento para a gestão do tempo e das decisões pessoais. Por isso, ele deve ser constantemente revisado e melhorado a fim de garantir o alcance dos objetivos a longo prazo. Nesse contexto, as metodologias e técnicas de gestão do tempo de- sempenham um papel fundamental, pois cada atividade oriunda dos pla- nos de vida e de carreira depende do uso de recursos, como o tempo (talvez o mais importante entre os demais),que não pode ser reposto ou estendido, conforme apontam Estrada, Flores e Schimith (2011). Decidir pela implementação de um planejamento para atingir os seus objetivos pessoais ou profissionais e realizar os seus sonhos, ape- sar de parecer ser algo desejado por todos, não é assim tão comum. Entretanto, para aqueles que se propõem a perseguir os seus sonhos e objetivos, a decisão de planejar o caminho pode significar uma grande mudança pessoal e profissional, e, nesse trajeto, a competência da ges- tão do tempo é fundamental. Gestão do tempo e qualidade de vida 111 CONSIDERAÇÕES FINAIS Vida pessoal e profissional não são dois lados de uma mesma pessoa. A vida é uma só, e nela são desempenhados diversos papéis que se rela- cionam e entrelaçam. Entender essas relações e definir claramente como os objetivos pessoais e profissionais dialogam é o primeiro passo para o desenvolvimento de planos e a realização de sonhos. Nesse sentido, a gestão do tempo tem um papel indispensável, pois o tempo é o recurso mais precioso que há para a realização de planos. ATIVIDADES Atividade 1 Comente sobre os diferentes perfis de profissionais maduros e explique quais são os desafios que cada um deles encontra para se manter no mercado de trabalho. Atividade 2 Qual é a relação entre as metodologias de planejamento estratégi- co (desenvolvidas pelas empresas) e o plano de vida e carreira dos indivíduos? Atividade 3 Cinco anos é o prazo sugerido para que se cumpram os objetivos de carreira. Explique a razão para que esses objetivos não sejam planejados para a conclusão em períodos mais longos. REFERÊNCIAS AGÊNCIA IBGE. Em 2018, expectativa de vida era de 76,3 anos. Brasília, 2019. 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Explique os tipos de recursos que empresas e pessoas utilizam para atingir os seus objetivos e diferencie o tempo dos demais recursos. Para atingir os seus objetivos, empresas e pessoas podem utilizar recursos materiais, como a terra, os metais, os elementos químicos, o petróleo, as plantas; recursos humanos, como o trabalho, o conhecimento, a criatividade, a tecnologia, os relacionamentos, a liderança; recursos financeiros, que envolvem o capital necessário ao desenvolvimento de atividades; e o tempo, que se difere dos demais recursos por ser finito e não renovável. 2. O aumento significativo do teletrabalho nos últimos anos trouxe mudanças na gestão do tempo dedicado ao trabalho e à vida pessoal. Explique essas transformações. Com o advento do teletrabalho e seu rápido crescimento, principalmente com a Pandemia de Covid-19, os trabalhadores tiveram como benefícios a diminuição do tempo de deslocamento entre a residência e o trabalho, a possibilidade de fazer as refeições em casa e o aumento do tempo livre. Em contrapartida, passou a ser mais difícil separar a vida profissional da pessoal. A flexibilidade de horário trazida pelo teletrabalho pode embutir, na verdade, uma armadilha, na qual o trabalhador realiza as atividades profissionais fora dos horários definidos pelo contrato de trabalho. 3. Explique por que o ócio, na sociedade atual, é muitas vezes visto como algo negativo. Em uma sociedade na qual o trabalho ocupa parte central da vida dos indivíduos, momentos de lazer ou não direcionados ao trabalho e às relações sociais são interpretados negativamente. O mundo dos negócios é caracterizado pelo ritmo acelerado e pela convivência fragmentada e, frequentemente, forçada. O ócio é confundido com a preguiça e considerado como algo a se evitar. 114 Gestão do tempo e produtividade 2 Gestão do tempo 1. Explique a relação entre gestão do tempo, produtividade, eficiência e eficácia. Os conceitos de gestão do tempo e produtividade estão interligados. A produtividade é medida por meio das entradas (recursos) e das saídas (resultados de um processo de transformação), sendo o tempo um dos recursos mais importantes desse processo. Os colaboradores precisam realizar as suas atividades e utilizar os recursos de que dispõem com eficiência e eficácia, de modo a atingir um nível de desempenho suficiente para agregar valor ao processo de transformação. A eficiência é a medida dos resultados obtidos por um processo em relação aos recursos utilizados, e a eficácia é obtida por meio da comparação entre os resultados obtidos e o objetivo a ser alcançado. 2. Estar ocupado o tempo todo significa ser produtivo? Explique a sua resposta. Estar constantemente ocupado e correndo contra o tempo não significa, necessariamente, ser produtivo. O excesso de ocupação do tempo pode significar exatamente o contrário: que o indivíduo não está gerenciando adequadamente o seu tempo. A utilização de metodologias de gestão do tempo pode ajudar no gerenciamento das atividades a serem realizadas, diminuir a ociosidade e, consequentemente, melhorar a produtividade. 3. Na gestão das operações de produção industrial, diversos tipos de desperdício podem ser identificados. Relacione os tipos de desperdício à gestão do tempo. Entre os diversos tipos de desperdício identificados nos processos produtivos, destaca-se a superprodução, que gera o segundo tipo de desperdício, o excesso de estoque, pois são produzidas mais unidades de um produto do que é necessário para atender à demanda em determinado período. Tanto o desperdício de defeitos como os de espera, transporte e de movimentos desnecessários podem ser originados em processos mal dimensionados ou incorretamente desenhados. Já o desperdício de superprocessamento ocorre quando são realizadas atividades repetitivas, excessivas ou que não geram benefícios ou valor. Todos esses tipos de desperdício estão relacionados à gestão do tempo, pois esse recurso é utilizado em todos os processos e as atividades realizadas no contexto profissional e no pessoal. Resolução das atividades 115 3 Gestão da agenda 1. Explique a diferença entreatividades importantes, urgentes e circunstanciais. As atividades importantes são aquelas relacionadas aos objetivos de curto, médio ou longo prazos e contam com data definida para serem cumpridas. Normalmente são atividades pessoais e intransferíveis. Já as atividades urgentes são as que devem ser realizadas imediatamente e não podem ser postergadas. Por fim, as atividades circunstanciais são as que não estão relacionadas aos objetivos do indivíduo e, portanto, não geram resultado positivo considerável. 2. Diferencie os conceitos de distração e interrupção. A distração pode ser conceituada como o desvio da atenção e do foco enquanto uma pessoa está realizando uma atividade, contudo isso não a impede totalmente de executar a tarefa. A interrupção, por sua vez, é um evento que gera a paralisação completa na realização de uma atividade, gerando atrasos e aumentando consideravelmente o risco de a tarefa não ser concluída. 3. Uma pessoa com a característica procrastinadora pode mudar a sua atitude e se tornar alguém que executa as suas atividades de acordo com o planejado? Explique sua resposta. Sejam quais forem as características e os motivos que levam um indivíduo a se tornar um procrastinador, é possível modificar a sua postura e atitude e, assim, romper com a estagnação ou a paralisação que dificultam a capacidade de agir. Após constatado o problema e compreendidos os impactos negativos que a procrastinação traz, é possível trabalhar as suas causas e o comportamento da pessoa. 4 Modelos de gestão de tempo 1. Explique por que a técnica pomodoro auxilia no foco e na disciplina necessários para gerenciar o tempo. Ao alternar os momentos de foco total na execução de uma atividade com os períodos de descanso, regular e organizadamente, a técnica pomodoro possibilita ao indivíduo momentos de descanso fundamentais para manter o foco e a criatividade. Assim, a gestão do tempo é facilitada, pois desenvolve a atenção e a disciplina. 116 Gestão do tempo e produtividade 2. Descreva quais são os benefícios da utilização da matriz GUT na gestão do tempo. A matriz GUT traz ótimos resultados na gestão do tempo, pois facilita a definição sobre quais atividades são prioritárias e devem ser realizadas brevemente. A metodologia é de fácil aplicação e pode ser associada a tantas outas, como os checklists e a ferramenta 5W2H. 3. Explique a relação entre a organização dos ambientes de trabalho e a gestão do tempo. A relação entre a organização do ambiente de trabalho e a produtividade é bastante estudada, tratando-se de tema estabelecido na ciência da administração. Entre as diversas ferramentas, a metodologia 5S, apesar de não ter sido desenvolvida especificamente para a gestão do tempo, mostra a importância da organização dos ambientes de trabalho para que os recursos disponíveis, como o tempo, possam ser usados de modo mais eficiente e eficaz. 5 Gestão do tempo e qualidade de vida 1. Comente sobre os diferentes perfis de profissionais maduros e explique quais são os desafios que cada um deles encontra para se manter no mercado de trabalho. Com o aumento da expectativa de vida, a carreira também passou a ocupar mais anos da vida útil das pessoas. Os profissionais maduros, que antes se aposentavam mais cedo, atualmente precisam se reinventar para continuarem relevantes no mercado de trabalho. Entre os tipos de profissionais maduros estão: os frágeis, aqueles que executam os trabalhos braçais e estão sendo substituídos ou já foram extintos e, por isso, dificilmente serão reabsorvidos pelo mercado; os desatualizados, que atuam em profissões atualmente impactadas pelo desenvolvimento tecnológico e, por essa razão, precisam desenvolver novas competências; por fim, há o expert, que representa aquele que desenvolveu a carreira baseando-se no desenvolvimento contínuo de competências e está atualizado com o avanço tecnológico. 2. Qual é a relação entre as metodologias de planejamento estratégico (desenvolvidas pelas empresas) e o plano de vida e carreira dos indivíduos? Em uma empresa, o planejamento estratégico define os objetivos a serem alcançados a longo prazo e que servem de base para os planos de Resolução das atividades 117 ação que levarão aos objetivos. No contexto pessoal, o planejamento estratégico cumpre o mesmo papel de definição dos objetivos que o indivíduo pretende alcançar e serve como base para o desenvolvimento do plano de ação a ser cumprido. 3. Cinco anos é o prazo sugerido para que se cumpram os objetivos de carreira. Explique a razão para que os objetivos não sejam planejados para a conclusão em períodos mais longos. Um prazo inferior a cinco anos pode não ser suficiente para desenvolver as atividades e competências necessárias ao objetivo, pois algumas competências levam diversos anos para o seu aperfeiçoamento, como no caso da realização de um curso superior. Já um prazo superior a cinco anos pode ser inadequado, porque a rapidez das mudanças tecnológicas que impactam o mercado de trabalho, o surgimento de uma nova forma de organização do mercado ou mesmo a criação de uma nova tecnologia pode alterar completamente o ambiente externo no qual a carreira está inserida. 118 Gestão do tempo e produtividade GESTÃO DO TEMPO E PRODUTIVIDADE Fabiano Caxito Fabiano Caxito Gestão do tempo e produtividade ISBN 978-65-5821-101-3 9 786558 211013 Código Logístico I000550 Página em branco Página em branco