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Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Unidade 1 Introdução à Gestão de Pessoas: Começando a entender de pessoas Aula 1 Introdução e importância da atuação estratégica da área de gestão de pessoas Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, seja bem-vindo ao curso de Gestão de Pessoas. Para entendermos o que atualmente as organizações realizam em termos de processos e práticas de Recursos Humanos (RH), é necessário entendermos como se formaram os diferentes modelos de Gestão de Pessoas ao longo das décadas. Isso porque muitas organizações ainda transitam entre esses diferentes modelos, dependendo do seu grau de maturidade, tamanho e setor onde estão inseridas. Contudo, com o advento da globalização, independentemente dos modelos de Gestão de Pessoas adotados pelas diferentes organizações, a necessidade de aprender e de se adaptar à mudança são fatores-chave para que as organizações consigam prosperar. Desta forma, em maior ou menor grau, toda e qualquer organização depende do desempenho humano para seu sucesso. Venha se aventurar e descobrir o que faz com que as pessoas entrem e permaneçam nas organizações, e como estas estimulam e motivam seus colaboradores para realizarem entregas signi�cativas, criando valor para elas. O histórico da Gestão de Pessoas e como seus modelos foram cuidando das pessoas ao longo do tempo Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Para melhor entender a importância da atuação estratégica da área de Gestão de Pessoas nas organizações e como funciona o modelo articulado por competências, é preciso voltar um pouco no tempo e vislumbrar como as organizações foram evoluindo ao longo dos anos. Não chegamos aonde estamos por acaso, houve uma construção e evolução do pensamento ao longo das décadas. O histórico da Gestão de Pessoas é classi�cado em quatro grandes correntes, que são: 1) Departamento Pessoal, 2) Gestão do Comportamento, 3) Gestão Estratégica, e 4) Gestão por Competências (FISCHER, 2002). A administração tradicional foi construída sob a ideia de otimizar os recursos. Nessa época, as pessoas também eram consideradas recursos (tal qual máquinas, equipamentos, matéria-prima e materiais diversos), vistas como fatores de produção, ou seja, deveriam ser administradas como custos, assim como os demais recursos. As prescrições do departamento de pessoas eram genéricas e serviam para todas as organizações. Não existia uma preocupação legítima com a natureza da atividade de cada organização e muito menos com o ser humano, pois administrar recursos humanos signi�cava otimizar a sua produtividade. Esse modelo �cou conhecido como o Departamento Pessoal. Com a introdução dos estudos da Psicologia nas organizações, novas descobertas acerca do ser humano foram realizadas e deixou-se de focalizar apenas a realização das tarefas, custos e resultados para entender e atuar sobre o comportamento das pessoas. Inicia aqui a Gestão do Comportamento, conhecida também como a Escola das Relações Humanas. Isso se dá pelo surgimento do Behaviorismo e de seus instrumentos de avaliação baseados na psicometria, em teorias motivacionais como a conhecida Hierarquia das Necessidades de Maslow, e a Matriz do Conhecimento em Gestão, que ressalta a importância dos gestores de linha para o sucesso Disciplina GESTÃO DE PESSOAS organizacional. Motivação e liderança são conceitos-chave nessa abordagem e o foco passa a ser nas relações interpessoais com estímulo ao desenvolvimento e treinamento gerencial. Surge a ideia de valorização dos ativos: capital intelectual. É apenas quando o modelo da Gestão Estratégica entra em voga que as organizações passam a entender que as estratégias corporativas devem não apenas in�uenciar, mas também ser in�uenciadas pelas ações de Gestão de Pessoas, interagindo com elas. O modelo torna-se cada vez menos prescritivo e genérico e mais diferenciado para cada organização, ligado ao negócio e à estratégia organizacional; ou seja, as políticas, práticas e processos de Gestão de Pessoas passam a ser orientados para as ações estratégicas da organização. Por �m, é possível identi�carmos hoje em muitas organizações a Gestão por Competências. Inicialmente, esse movimento parte da competitividade e da agregação de valor para o negócio e clientes. Por meio da visão de Porter (1989), que acreditava que a gerência de recursos humanos afetava a vantagem competitiva de qualquer organização, as competências passaram a fazer parte do repertório de Gestão de Pessoas. Uma vez que os detentores das competências são os colaboradores, cabe às organizações desenvolver e estimular as competências humanas necessárias para gerar as competências organizacionais, ou core competences (HAMEL; PRAHALAD, 1994). Além da transição de modelos com o advento da globalização, em que as organizações não atuam mais unicamente em seus mercados locais, pois há uma interligação econômica, política, social e cultural em âmbito planetário, cuidar das pessoas tornou- se muito mais complexo. As transformações na Gestão de Pessoas Disciplina GESTÃO DE PESSOAS As transições identi�cadas em cada momento histórico ocorrem a partir das alterações no ambiente, no mundo e nas próprias relações de trabalho. Aquilo que funcionava nas organizações de antigamente já não funciona mais hoje em dia, uma vez que o mundo está em constante transformação. É interessante perceber, porém, que o desa�o da atualidade não está nas mudanças em si, mas na velocidade com que elas acontecem. Antigamente, as invenções também ocorriam, mas demoravam muito mais tempo entre um ciclo e outro, pois as organizações não conseguiam rapidamente copiar seus concorrentes. Hoje, a velocidade da mudança é frenética. Se pararmos para pensar na velocidade com que um celular ou um computador �cam obsoletos, conseguiremos vislumbrar com mais facilidade essa aceleração. No início da Revolução Industrial, o que se observava eram mulheres e crianças trabalhando mais de 17 horas por dia, sem nenhuma condição de segurança no ambiente de trabalho. Não era raro que crianças tivessem seus membros amputados nos grandes teares. Hoje, seria inadmissível observar tais condições de trabalho (ainda que, vez ou outra, condições análogas sejam relatadas pela mídia). Tratar o ser humano como um mero recurso era muito comum e aceito; não era dado a ele o direito de pensar, mas apenas de executar e, assim, eram comparados com máquinas. Na passagem para a Escola das Relações Humanas, essa visão do ser humano como recurso não mudou muito. A motivação e a satisfação eram, sim, estudadas, mas não para a realização e integralidade do indivíduo, e sim com o intuito de fazê-lo produzir mais. Como motivar o ser humano para que ele seja mais produtivo? Essa era a grande questão desse período. Todavia, com o Experimento de Hawthorne, �cou evidente que as relações construídas pelos colaboradores no ambiente de trabalho são extremamente importantes para seu desempenho. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Nesse período, apesar de as organizações ainda estarem preocupadas com a produtividade, em detrimento do ser humano, um passo foi dado em direção ao que hoje entendemos como coerente e desejável no tratamento do indivíduo dentro das organizações. Outro grande salto ocorreu com a ruptura do modelo comportamental, pois não existe uma motivação genérica, que possa ser aplicada de forma indiscriminada a todos os colaboradores. Possuir colaboradores satisfeitos é sem dúvida muito importante para as organizações; contudo, isso pode não signi�car muita coisa para as diretrizes organizacionais. Ou seja, os colaboradores estão felizes nos seus ambientes de trabalho, mas não estão entregando para a organização aquilo que ela de fato necessita para alcançar os seus objetivos. Desta forma, �cou evidente que a Gestão de Pessoas precisaria interagir com a estratégia da organização e não apenas segui-la de maneirade Gestão de Pessoas. Fonte: elaborado pelo autor. Referências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS EDVINSSON, L.; MALONE, M. Capital Intelectual: Descobrindo o valor real de sua empresa pela identi�cação de seus valores internos. São Paulo: Makron Books, 1998. FISCHER, A. L. Um resgate conceitual e histórico dos modelos de gestão de pessoas. In: As pessoas na organização (p. 11-34). São Paulo: Editora Gente, 2002. FLEURY, M. T. L.; SAMPAIO, J. D. R. Uma discussão sobre cultura organizacional. 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São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. , Unidade 2 Plano de Recrutamento e Seleção Aula 1 Fundamentos e o Planejamento do Recrutamento Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Agora que você já entende o que é Gestão de Pessoas e para qual �nalidade ela existe dentro das organizações, podemos efetivamente entrar nos principais processos de RH. O primeiro e grande processo é o recrutamento. Ao identi�car uma posição em aberto na organização, o gestor da área, juntamente com o RH, irá trabalhar para recrutar a melhor pessoa para ocupar essa posição. Esse processo pode parecer simples, mas existem muitas variáveis e nem sempre a Disciplina GESTÃO DE PESSOAS tomada de decisão será simples. Você já sabe quais conjuntos de conhecimentos, habilidades e atitudes a posição requer? Qual o propósito desta vaga e se ela traz crescimento para a organização? Seria melhor abrir essa posição internamente, para que os atuais colaboradores apliquem para ela, ou trazer alguém de fora seria a opção mais acertada? Nesta aula vamos falar sobre todas estas e outras variáveis e você se tornará um expert em recrutamento! Vamos lá? Recrutamento estratégico A competição está presente em todas as organizações e isso não acontece apenas na disputa por clientes e recursos, mas também se re�ete na concorrência por pro�ssionais que agreguem valor e sejam determinantes no diferencial competitivo e de qualidade nas empresas. Por um lado, competem as organizações e, por outro, os pro�ssionais. As organizações competem em termos salariais, condições de trabalho, cultura, benefícios oferecidos e planos de desenvolvimento. Já os candidatos competem em termos de quali�cação pessoal, personalidade, network e as competências requeridas pela vaga em questão. Uma variável importante para as organizações é a imagem ou reputação que a empresa projeta no mercado de trabalho. O próprio processo de recrutamento pode in�uenciar na imagem que a organização transmite, pois expõe o grau de pro�ssionalismo com que trata seus colaboradores. Assim, se o processo for mal conduzido poderá projetar uma imagem negativa (LIMONGI-FRANÇA; ARELLANO, 2002). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Já ressaltamos a importância de a Gestão de Pessoas estar integrada com as estratégias e negócios da organização, a �m de atingir seus objetivos. Utilizar uma abordagem estratégica para contratar talvez demore mais, mas, a longo prazo, o tempo será bem gasto se você contratar um talento. Contratar estrategicamente envolve saber o que determinará o sucesso da nova contratação, ou seja, quais competências, habilidades e qualidades tiveram as pessoas que já foram bem-sucedidas nesta posição e o que as fez ser bem-sucedidas. Por outro lado, um entrevistador treinado nesta posição, clareza na cultura organizacional e o entendimento das qualidades dos colaboradores que vão bem na organização também é essencial (MITCHELL; GAMLAM, 2017). O recrutamento é a fase inicial do preenchimento de uma vaga em aberto. Ele começa no momento em que uma posição é desocupada, ou quando se veri�ca a necessidade de criação de uma nova vaga, que pode ainda não existir na organização. Alguns motivos para existir uma vaga em aberto são: desligamento de um colaborador, aposentadoria, transferência para outra unidade de negócio ou a necessidade de aumentar o número de pessoas em uma equipe. Segundo Oliveira (2018, p. 98), “o recrutamento se trata da procura pelo pro�ssional desejado e da de�nição e divulgação de uma vaga”. Para Maximiano (2014, p. 278), “recrutamento é o processo de buscar, encontrar e atrair pessoas com o potencial para ocupar cargos na estrutura de trabalho da organização”. De acordo com Maximiano (2014), o processo de recrutamento é composto por cinco etapas (ou componentes) principais: (1) de�nir os objetivos, (2) de�nir o per�l do cargo e os requisitos dos candidatos, (3) escolher as fontes e (4) os meios de comunicação e (5) planejar e executar as atividades de recrutamento, integradas com as do processo de seleção. Estas cinco etapas podem ser identi�cadas na Figura 1, a seguir relacionada, e devem ser vistas de baixo para cima. Figura 1 | Principais etapas do processo de recrutamento. Fonte: Maximiano (2014, p. 286). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Aprofundando nas etapas de recrutamento A primeira etapa do processo de recrutamento consiste em de�nir os objetivos, ou seja, quais posições serão preenchidas e os motivos para preenchê-las. Em seguida, se não houver a descrição do espaço organizacional, já realizada pelo RH, é importante pesquisar e de�nir o job description. A descrição do cargo começa com uma análise do trabalho, que é um estudo sistemático das posições para avaliar quais atividades o posto em questão deve conter e como cada posição na organização se relaciona com as outras. A análise do trabalho olha quais quali�cações são necessárias para ser bem-sucedido na posição e as condições em que o trabalho é realizado. É fundamental destacar que a análise do trabalho não é uma análise da pessoa que o está realizando. Existem três elementos na descrição do trabalho: conhecimento, habilidade e atitude. Outras informações coletadas são: propósito do trabalho, ambiente do trabalho, onde essa posição se encaixa na estrutura organizacional, deveres e responsabilidades e o critério de resultados (MITCHELL; GAMLAM, 2017). A análise do trabalho pode ser realizada por meio de aplicação de questionário aos colaboradores que ocupam a posição e seus gestores. Essa é uma maneira rápida de coletar informações e, se o questionário estiver bem estruturado, uma forma rápida de coletar os dados necessários. Além dos questionários, outra maneira de coletar os dados para descrever os cargos é realizar entrevistas utilizando um roteiro com questões pré-de�nidas. As entrevistas podem despender mais tempo que os questionários e criar expectativas nos respondentes, porém, com este método é possível fazer questionamentos mais profundos para aumentar o Disciplina GESTÃO DE PESSOAS aprendizado. A observação é também uma possível metodologia, e pode ser combinada com o questionário ou a entrevista (MITCHELL; GAMLAM, 2017). Após a elaboração do job description é necessário escolher a fonte, ou as fontes, de recrutamento; ou seja, podem ocorrer dentro da organização, com os atuais colaboradores, ou fora, com novos candidatos. A fonte interna de recrutamento permite que os colaboradores da organização possam se candidatar às posições abertas – muitas organizações priorizamo recrutamento interno ao externo. Geralmente estas organizações possuem um sistema, uma intranet, onde disponibilizam estas vagas. A vantagem de realizar uma contratação interna é que já se conhece o colaborador, do que ele é capaz, ele já está imerso na cultura da organização e isso reduz os riscos e incertezas que traria uma nova contratação. Existe ainda a vantagem de economizar com anúncios externos e com o processo de onboarding que não será necessário, a�nal, ele já conhece a organização. O recrutamento interno aumenta a satisfação do colaborador e pode se tornar uma excelente ferramenta de retenção (MITCHELL; GAMLAM, 2017). Na utilização da fonte de recrutamento externa, a organização busca preencher as vagas em aberto com pessoas que estão fora da organização. As vantagens de contratar novos colaboradores é trazer novas ideias e vivências, novos talentos e competências para a organização. Isso pode trazer um conhecimento de outros competidores e aumentar a diversidade organizacional. Contudo, os custos e o tempo de recrutamento podem aumentar com esta escolha, seja por meio dos anúncios ou pela realização do onboarding. O fato de o colaborador ser uma pessoa nova na organização também pode trazer algum risco de a organização não conhecer realmente o aplicante. A seguir, a comunicação é essencial para o recrutamento, pois transmite as informações sobre o processo para os potenciais candidatos. Essa informação deve atrair e manter a atenção dos potenciais candidatos e motivá-los a se inscreverem no processo de recrutamento. Há muitos meios de comunicação: imprensa, internet e agências de recrutamento, com variedades. Após o término do processo de recrutamento, a organização poderá seguir para o processo de seleção (MITCHELL; GAMLAM, 2017). Tornando-se um expert em recrutamento Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quando uma posição �ca disponível, seja porque a organização está crescendo ou para substituir um colaborador que saiu da posição por alguma razão, é importante parar e determinar o que é necessário para que essa contratação seja bem-sucedida. Muitas vezes, quando é uma reposição, é comum que os gestores decidam contratar alguém muito parecido com quem ocupava a vaga previamente. Contudo, talvez essa seja uma boa hora de repensar as responsabilidades e os requisitos para a vaga. Com a alta velocidade da mudança, as coisas raramente se mantêm iguais. Assim, faça uma revisão do job description para saber se ele descreve de maneira acurada a posição e se os fatores de sucesso para a posição estão escritos da melhor forma. Identi�que se outros colaboradores podem assumir algumas das responsabilidades desta posição e se, de fato, preenchê-la irá ajudar a organização a atingir sua missão ou contribuir para crescer de alguma maneira. Observe o orçamento e se existe recurso su�ciente para preencher a posição considerada. Talvez outras opções possam ser levadas em conta, como colaboradores part-time, consultores, trabalhadores temporários ou até mesmo terceirizados. Colaboradores contratados de maneira part-time são contratados CLT pelas organizações, porém, possuem uma carga horária menor que os full-time (40 horas). Esse tipo de contratação pode ocorrer porque o colaborador não deseja trabalhar no modelo full-time, talvez porque já se aposentou, porque tem �lhos pequenos, pais com cuidados especiais, muitos são os motivos. Com esta contratação, tanto a organização mantém um talento fundamental, quanto o colaborador consegue realizar todos os seus papéis. Atualmente, muitas pessoas não almejam trabalhar em uma empresa em tempo integral, elas querem mais controle sobre o seu tempo e onde gastam sua energia (LIMONGI-FRANÇA; ARELLANO, 2002). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Os consultores são normalmente pessoas especializadas que não se encontram na força de trabalho da organização. Possuem um contrato diferenciado, normalmente como pessoa jurídica (PJ), e comumente atuam em projetos especí�cos. Os trabalhadores temporários são aqueles contratados por períodos de tempo, em geral, quando existe uma demanda sazonal. Os trabalhadores terceirizados são contratados via outras organizações e, em geral, não participam das atividades principais da organização. Após considerar todas estas opções, a gestão de pessoas irá decidir se o recrutamento se dará via fonte interna ou externa. A organização sempre poderá considerar o recrutamento interno para alavancar um efeito dominó que resultará em muitos movimentos internos, o que poderá ser altamente motivacional para os colaboradores. Recrutar externamente implica na escolha do meio de comunicação que será utilizado. A maior parte das formas de recrutar externamente são por meio da internet: pode ser pelas mídias sociais, como LinkedIn ou Facebook, ou utilizando plataformas como Indeed, Monster.com, InfoJobs, Vagas.com, Catho, entre tantas outras, ou pela própria página – website – da organização. Contudo, a internet não é a única maneira de encontrar os aplicantes quali�cados. Uma grande rede ajuda muito encontrar a pessoa mais quali�cada, como o network. Uma indicação de um atual colaborador tem sempre um grande peso para a contratação. A�nal, implica indicar alguém que já é conhecido pelo colaborador e, de alguma forma, ele está “garantindo” que esta indicação é alguém con�ável. Algumas organizações chegam até a boni�car os colaboradores cujas indicações são efetivadas. Ex-colaboradores que pediram demissão também podem ser excelentes opções para preencher novas posições. No processo de desligamento, a organização identi�ca os colaboradores que por algum motivo saíram da organização, porém, eram excelentes funcionários. Se você deseja tê-los de volta, mantenha contato com eles. O mesmo vale para os colaboradores que se aposentaram – muitas organizações os mantêm como consultores, assim, não perdem seu conhecimento e expertise, e eles podem ter uma carga horária mais reduzida e gozar da sua aposentadoria. Outra maneira de utilizar a fonte externa é procurando empresas que realizam outplacement, que enviarão oportunidades a seus clientes. Manter boas relações com estas empresas pode ser uma fonte, uma vez que elas podem encaminhar os melhores candidatos para sua organização (MITCHELL; GAMLAM, 2017). Videoaula: Fundamentos e o planejamento do recrutamento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Recrutar não é tão simples quanto comumente pensamos, não é mesmo? Para realizar um recrutamento estratégico precisamos pensar em muitas variáveis para tomarmos as decisões de Disciplina GESTÃO DE PESSOAS maneira mais assertiva. Se você se interessou no conteúdo, então venha assistir à videoaula que preparamos com muita pesquisa e atenção nos detalhes para você Saiba mais Outras interessantes fontes que abordam o tema do recrutamento e que você pode consultar são os livros: ARAÚJO, L. C. G. D.; GARCIA, A. A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2014. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/10%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml4%5d!/4/38/1:0%5b%2CGes Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ARAÚJO, L. C. G. D.; GARCIA, A. A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/0. Acesso em: 26 out. 2022. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. Disponível em Minha Biblioteca: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubc�/6/10[%3Bvnd.v st.idref%3Dhtml4]!/4/38/1:0[%2CGes.Acesso em: 26 out. 2022. LIMONGI-FRANÇA, A. C.; ARELLANO, E. B. Os processos de recrutamento e seleção. In: As pessoas na organização (p. 63-86). São Paulo: Editora Gente, 2002. MAXIMIANO, A. C. A. Recursos humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global. Rio de Janeiro: LTC, 2014. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. Wayne: The Career Press, 2017. OLIVEIRA, L. Y. M. D. et al. Gestão de pessoas. Porto Alegre: SAGAH, 2018. Aula 2 Selecionando as pessoas certas Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/10%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml4%5d!/4/38/1:0%5b%2CGes https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/10%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml4%5d!/4/38/1:0%5b%2CGes Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Ao �nal do processo de recrutamento, espera-se que muitos candidatos estejam participando do processo seletivo. Esse processo funciona como um grande funil em seu início e, com grande número de candidatos, o RH precisará de estratégias, ou técnicas de seleção que ajudem a diminuir esse número, como análise de currículo e testes, permanecendo no processo as pessoas que estejam mais alinhadas com a vaga. Após diminuir o número de candidatos, outras técnicas, como a dinâmica de grupo, poderão ser utilizadas para estreitar ainda mais a quantidade de candidatos, culminando �nalmente nas entrevistas. Após estas, �nalmente poderão ser escolhidos os candidatos ideais para a posição em aberto e, a partir daí, novos processos de gestão de pessoas entrarão em prática, como veremos nas próximas aulas. Critérios e etapas do processo de seleção Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Depois de entender o processo de recrutamento e termos captado muitas pessoas adequadas à posição que está em aberto, chegou a hora de realizar outro importante processo de gestão de pessoas: a seleção. Dentre todos os processos da área, o de seleção é o mais desenvolvido nas organizações, tanto pelo seu uso prematuro nas organizações industriais que estavam surgindo na passagem do século XX, quanto na sua utilização nas grandes guerras. Já nessa época foram criados testes de inteligência e aptidão. Em 1940, o teste de personalidade MBTI, por exemplo, foi criado pelas Myers (mãe e �lha) para alocar os soldados em funções mais apropriadas, de acordo com suas características. Segundo Maximiano (2014, p. 285), “seleção é o processo de escolher, entre os candidatos, os que têm probabilidade mais elevada de preencher os requisitos dos postos para os quais o recrutamento foi feito”. Ainda para o autor, o processo de seleção consiste em quatro etapas principais, como destacado na Figura 1, a seguir: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Etapas do processo de seleção. Fonte: Maximiano (2014, p. 286). O processo de seleção, de acordo com Maximiano (2014), possui quatro etapas principais: (1) de�nir os critérios de seleção; (2) escolher os procedimentos e técnicas de seleção; (3) executar o processo de seleção, de forma integrada com as etapas do processo de recrutamento, vistos na aula anterior; (4) avaliar e comparar os candidatos aptos de acordo com o resultado da seleção. Ao �nal desse processo, há um grupo de candidatos que são convidados a ingressar na empresa. Antes mesmo de começar a olhar os currículos é preciso estar claro o que realmente se está procurando. O primeiro passo é revisar o job description que já havia sido elaborado na etapa de recrutamento e buscar identi�car os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para o sucesso da posição. Ter claro quais competências são fundamentais para quem irá ocupar a posição irá auxiliar na busca pelo melhor candidato, porém, hoje, a seleção não passa apenas pelo crivo das competências, mas também pelo crivo dos valores. As organizações buscam o �t cultural, ou seja, o candidato que possui os mesmos valores que a organização ao qual ele está aplicando. “O �t cultural é a probabilidade de alguém re�etir e/ou ser capaz de se adaptar às principais crenças, atitudes e comportamentos centrais que compõem a organização” (BOUTON, 2015, [s. p.]). O �t cultural é, portanto, a cola que mantém a organização unida. Mas ,antes que a equipe de contratação comece a medir os valores dos candidatos, eles precisam ser capazes de de�nir e articular a cultura da organização – seus valores, objetivos e práticas – e, em seguida, tecer esse entendimento no processo de contratação, como discutido na aula de cultura organizacional. Ainda na de�nição dos critérios de seleção, alguns pré-requisitos podem ser necessários para a posição, como cursos e credenciamentos especí�cos (inscrições em conselhos de classe, como psicólogos, médicos, ou exame da Ordem no caso de advogados, CPA-10 para o mundo das �nanças). Domínio de idiomas, diplomas de pós-graduação, habilitações para conduzir veículos especiais ou para operar equipamentos. É importante também identi�car a disposição e Disciplina GESTÃO DE PESSOAS disponibilidade para atender a demandas da posição como viagens, horas extras, trabalho noturno ou aos �nais de semana. Por dentro de cada etapa do processo de seleção Com os critérios de�nidos é possível passar para a próxima etapa do processo de seleção: a escolha das ferramentas para a avaliação dos candidatos. As técnicas e procedimentos de seleção são escolhidos em função dos critérios que serão avaliados, uma vez que re�etem o job description da posição. Cada organização utiliza uma combinação particular de técnicas de seleção, aplicadas ao longo de um período, que pode variar de dias até meses. Geralmente, no início da seleção, a organização possui muitos candidatos e precisa pensar num grande funil, para que cheguem nas últimas etapas apenas os candidatos mais quali�cados e aderentes à vaga. A ordem em que são aplicados os procedimentos e técnicas que descreveremos a seguir depende da decisão de cada empresa. Apesar de as empresas ainda receberem currículos, enviados por e-mail ou por meio de colaboradores que desejam indicar algum conhecido, a maior parte do recrutamento ocorre de maneira online, como visto na aula passada. Então, neste momento, é necessário escolher as palavras-chave que você deseja encontrar nas aplicações online, para que o algoritmo selecione, dentre centenas de currículos, aqueles que estejam mais alinhados com a posição em aberto. É fundamental que os recrutadores tenham a mente aberta no que tange às experiências dos candidatos, pois é comum que aqueles oriundos das mesmas universidades que eles tenham mais visibilidade e preferência, por exemplo. Muitos processos chamam de blind review quando essas informações não são vistas ou não são levadas em conta neste momento da seleção. A�nal, existe um estereótipo de que as universidades de ponta formam melhores candidatos. Trazer diversidade para as organizações é também fugir destes padrões e estar aberto às distintas experiências que os candidatos trazem. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quando um candidato aplica para uma organização, ele espera que ela, ao menos, indique que seu currículo foi recebido. Por meio online, é mais fácil preparar a plataforma para indicar ao candidato que a sua aplicação foi recebida com sucesso e está em análise. Mesmo que este candidato não preencha os critérios para esta posição, ele pode concorrer futuramente para outra vaga, ou ele pode ser um cliente da organização. Tratar bem todos os candidatos e deixá- los a par do que está acontecendo no processo é um gesto de respeito, que ajuda com que a pessoa por trás do processo tenha admiração pela organização. Esta fase é chamada de etapa preliminar por Maximiano (2014), que podemos imaginar como a boca do funil (o lugar mais largo, onde todos os aplicantes estão juntos). Após esta fase preliminar, alguns candidatos passarão para a próxima etapa e outros não serão chamados, pois não tiveram os critérios preenchidos. Quanto mais candidatos uma organização possui nesta fase,possivelmente melhores serão as chances de encontrar um candidato adequado para preencher a posição. Dentre as ferramentas mais utilizadas pelas organizações, encontram-se testes, dinâmicas de grupo, jogos e entrevistas. Existem inúmeros tipos de testes que podem avaliar desde conhecimentos especí�cos do candidato, como aptidões, interesses pro�ssionais, valores (para identi�car o �t cultural) e personalidade. Os testes de conhecimento podem avaliar o grau de conhecimento geral dos candidatos, por meio de uma redação ou por provas com questões de múltipla escolha, por exemplo. Os testes podem ainda medir um conhecimento especí�co que seja essencial para a posição (aqui cabem conhecimentos de matemática �nanceira, leis, até conhecimento em mecânica, por exemplo). Os testes psicológicos tentam predizer o comportamento do candidato, por meio da identi�cação de sua personalidade (OLIVEIRA, 2018). Encontrando o candidato certo para a posição Disciplina GESTÃO DE PESSOAS As dinâmicas de grupo são exercícios em que os candidatos vivenciam situações de interação com outros candidatos e são avaliados quanto à sua capacidade de trabalhar em grupo e outras competências (pré-selecionadas) que se evidenciam em situações de interação. Já os jogos, ou gami�cação como também são chamados, são utilizados para observar comportamentos e tomadas de decisões que os candidatos realizam. Os jogos são mais estratégicos que a dinâmica de grupo, pois conseguem aprofundar mais no conteúdo e na simulação dos cenários aos quais os participantes estão sendo expostos. Como os jogos são aplicados ainda no início do funil, com muitos candidatos, isso agiliza o processo, tira um pouco da pressão sobre o candidato e ajuda na experiência que a pessoa tem com a organização (SUTTO, 2019). Depois que o número de candidatos diminuiu, após passar pelo funil, chega a hora de se encontrar com eles. Esse encontro pode ser online ou presencial, e a técnica a ser utilizada será a entrevista. Na entrevista, tanto a organização entrevista o candidato, quanto o candidato entrevista a empresa, a �m de conhecê-la melhor. Além das informações já destacadas no currículo, o entrevistador vai buscar identi�car se o candidato de fato possui o conjunto de competências que a posição demanda. Se a entrevista for presencial, seria interessante levar o candidato para conhecer a organização. Para Bouton (2015) é fundamental expor os candidatos a uma visão ampla de como seria trabalhar ali. Fazer um tour pelo escritório, mostrar o ambiente e os colaboradores de todos os níveis interagindo uns com os outros. Isso permite não apenas que o candidato tenha maior contato com a organização e descubra se deseja mesmo trabalhar ali, mas também permite que você consiga identi�car o grau de conforto e animação do candidato. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Uma contratação pode ser vista como assertiva quando a pessoa contratada, no exercício de suas atribuições e responsabilidades, é efetiva. O outro indicador é a permanência da pessoa escolhida na organização (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Os funcionários que se encaixam bem com sua organização, colegas de trabalho e supervisor, possuem maior satisfação no trabalho, são mais propensos a permanecer com sua organização e mostram desempenho superior no trabalho (BOUTON, 2015). Assim, permanecer na organização é também escolher a pessoa certa, com as competências, valores, crenças e desejo de pertencer a esta organização. Essas pessoas que desejam ingressar na organização são facilmente identi�cadas, pois a conhecem bem, possuem uma ligação emocional com ela, e normalmente realizam perguntas coerentes sobre aquilo que não conseguiram descobrir por meio do site ou do contato com colaboradores que atuam na organização. O candidato cujo comportamento e valores são consistentes com a organização naturalmente chegará ao topo do processo seletivo. Porém, é sempre bom ter em mente que o fato de a pessoa não ser a escolhida pela organização ou o fato de a organização não ser escolhida pela pessoa não signi�cam que a pessoa seja incompetente ou que a organização seja uma opção ruim de trabalho. O mais provável é que não haja uma compatibilidade entre ambas. Desse modo, cada processo seletivo pelo qual a pessoa passa é um grande aprendizado para seu autoconhecimento e uma oportunidade para conhecer a organização à qual se candidatou (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Videoaula: Selecionando as pessoas certas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Se você deseja encontrar o candidato ideal, ou ser o candidato escolhido para uma posição, venha assistir ao vídeo que preparamos para ampliar seu conhecimento. Entender sobre os processos de seleção e estar preparado é essencial para o sucesso, tanto do processo de seleção, como da participação em processos seletivos. Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Para �car antenado nas novidades dos processos seletivos, separamos dois sites que trazem informações importantes para você se preparar. STANGENELLI, M. Jogos e Dinâmicas para R&S: processo seletivo assertivo e com foco em competências. Leme Consultoria, 2021. SUTTO, G. Gami�cação: recrutadores adotam processo seletivo baseado em jogos; conheça. Infomoney, 2019. Referências https://www.lemeconsultoria.com.br/artigos/jogos-e-dinamicas-rs/ https://www.infomoney.com.br/carreira/gamificacao-recrutadores-adotam-processo-seletivo-baseado-em-jogos-conheca/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS BOUTON, K. Recruiting for Cultural Fit. Harvard Business Review, 2015. Disponível em: https://hbr.org/2015/07/recruiting-for-cultural-�t?language=pt. Acesso em: 24 ago. 2022. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. MAXIMIANO, A. C. M. Recursos humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global. Rio de Janeiro: LTC, 2014. OLIVEIRA, L. Y. M. D. et al. Gestão de pessoas. Porto Alegre: SAGAH, 2018. STANGENELLI, M. Jogos e Dinâmicas para R&S: processo seletivo assertivo e com foco em competências. Leme Consultoria, 2021. Disponível em: https://www.lemeconsultoria.com.br/artigos/jogos-e-dinamicas-rs/. Acesso em: 25 ago. 2022: SUTTO, G. Gami�cação: recrutadores adotam processo seletivo baseado em jogos; conheça. Infomoney, 2019. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/carreira/gami�cacao- recrutadores-adotam-processo-seletivo-baseado-em-jogos-conheca/. Acesso em: 25 ago. 2022.’ Aula 3 Como selecionar ou ser selecionado Introdução https://hbr.org/2015/07/recruiting-for-cultural-fit?language=pt https://www.lemeconsultoria.com.br/artigos/jogos-e-dinamicas-rs/ https://www.infomoney.com.br/carreira/gamificacao-recrutadores-adotam-processo-seletivo-baseado-em-jogos-conheca/ https://www.infomoney.com.br/carreira/gamificacao-recrutadores-adotam-processo-seletivo-baseado-em-jogos-conheca/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Agora que �cou claro o processo de seleção que as organizações vivenciam e as diferentes técnicas, vamos nos aprofundar em três importantes e mais corriqueiras delas: testes, dinâmicas de grupo e entrevistas. Esta aula vai te ajudar a estar ao lado das organizações auxiliando nos processos seletivos, mas também trará muitos ensinamentos sobre como você deve se comportar e o que é esperado de você enquanto candidato. Não existem fórmulas mágicas, mas o autoconhecimento é a ferramenta que mais te ajudará. Saber das suas experiências, como elas demonstram as competências avaliadas e como contar a sua história faz total diferença na hora de participar de um processo seletivo. Entendendo o funil do processo seletivo Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Como vimos na aula anterior, o processo de seleção é como um grande funil. Isso porque, inicialmente, o processo de recrutamento, quando bem realizado, angaria muitos candidatos. Esse funil, que é o processo de seleção,realiza, segundo Dutra, Dutra e Dutra (2017), atividades iniciais, intermediárias e �nais de triagem para, a cada etapa, reduzir signi�cativamente o número de candidatos. Na triagem inicial, as atividades mais comuns são aquelas que apresentam um menor custo, pois a massa de candidatos é muito grande. Nesta etapa, é possível combinar a análise de currículo com os testes ou jogos, e até mesmo um pequeno vídeo do candidato. Os testes podem ser de conhecimento, comportamentais, de personalidade, entre outros, normalmente ocorrem de maneira online e, para facilitar a análise, as organizações podem utilizar a inteligência arti�cial (IA). A IA utiliza dados, probabilidades, habilidades e competências para recomendar os candidatos com os per�s mais compatíveis com a vaga (GUIMARÃES, 2022). Na triagem intermediária, a quantidade de candidatos diminuiu, mas ainda é grande, em torno de 10 a 30 candidatos, segundo Dutra, Dutra e Dutra (2017). As atividades desta etapa estão, geralmente, mais conectadas com os aspectos comportamentais dos candidatos e, por este motivo, a técnica mais utilizada é a dinâmica em grupo. Com esta técnica é possível avaliar como os candidatos se comportam em situações especí�cas, que simulam o contexto de trabalho que eles vivenciarão na organização. Algumas competências como o trabalho em equipe e valores como respeito e aceitação da diversidade são praxe, ou seja, são sempre Disciplina GESTÃO DE PESSOAS avaliadas. Porém, outras competências ligadas à vaga em questão também podem estar em avaliação. “Durante a dinâmica, os candidatos são observados em seu relacionamento, conduta, expressão corporal, tom de voz etc. Reforçando, essas análises devem estar coerentes com as das demais atividades” (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017, p. 98). A atividade realizada na etapa �nal da triagem é comumente a entrevista, que pode ocorrer individualmente ou em grupo. Em geral, os candidatos �cam mais à vontade em realizá-la de maneira individual. As entrevistas são uma excelente técnica para se aprofundar nas competências investigadas e conhecer melhor o candidato. Contudo, é a fase mais custosa, já que implica na utilização do tempo dos entrevistadores e dos gestores. É importante salientar que nesse processo há uma escolha mútua. A pessoa está escolhendo a organização e a sua che�a. Finalizadas as triagens, ou o afunilamento, �nalmente é possível avaliar e comparar os candidatos para escolher aquele que melhor se encaixa na posição e na organização. Um cuidado muito importante que deve ser tomado durante todo o processo de recrutamento e seleção são os vieses inconscientes. Como já mencionado sobre o blind review, de os recrutadores não se atentarem apenas às suas próprias universidades de origem, existem outros vieses que podem se apresentar no decorrer do processo. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), a maior parte das decisões tomadas em relação ao candidato muda pouco depois de quatro ou cinco minutos de entrevista, e um bom candidato é caracterizado mais pela ausência de características desfavoráveis do que pela presença de características favoráveis. Estes dois pontos apresentados pelos autores mostram vieses inconscientes em ação. Primeiro, devemos estar atentos ao candidato até o último minuto da entrevista, sempre buscando identi�car as competências requeridas pela posição; e segundo, porque são justamente os critérios pré- de�nidos para o recrutamento que permitem que o processo seja mais objetivo e justo. Arrasando nos testes, dinâmicas de grupo e entrevistas por competências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS São muitos os testes que podem ser aplicados pelas organizações. A escolha vai depender dos critérios de�nidos, aquilo que é importante avaliar nos candidatos. Os testes podem avaliar conhecimentos especí�cos do candidato, aptidões, interesses pro�ssionais, valores (para identi�car o �t cultural) e personalidade. O candidato deve se preparar para os testes de conhecimento e ter em mente que, mais à frente do processo, estes conhecimentos podem novamente ser questionados. Escolher um local adequado para se concentrar e não sofrer interrupções pode in�uenciar positivamente em seu resultado. Outra técnica que tem aparecido bastante nos processos seletivos é a gravação de um vídeo, no qual o candidato se apresenta. Junto com a apresentação, pode também haver a realização de alguma tarefa. O candidato precisa sempre realizar a entrega completa do que está sendo solicitado, para não ser eliminado do processo. A apresentação pessoal pode ocorrer por meio de vídeo ou pessoalmente na organização. Essas apresentações são conhecidas como Pitch pessoal. Os responsáveis pela vaga avisam com antecedência que você fará uma apresentação pessoal em um determinado tempo – normalmente são alguns minutos, pela quantidade de candidatos que estão participando. O Pitch é muito utilizado em start-ups para vender uma ideia e conseguir captar recursos. Inspirado nesta ideia, o Pitch pessoal é uma técnica para se apresentar de maneira objetiva e autêntica (pode ser criativa também, ainda mais se essa for umas das competências desejadas), para mostrar quem é você e contar um pouco da sua história. Essa apresentação pode ocorrer por meio da gravação do vídeo ou pessoalmente. Algumas organizações podem pedir informações especí�cas que desejam ver/ouvir na apresentação, outras deixam mais livre para que o candidato de�na. De toda forma, o que os entrevistadores desejam é conhecê-lo. Informações básicas como nome, idade, curso e Disciplina GESTÃO DE PESSOAS faculdade, mais um pouco da história, que pode ser mostrada numa linha do tempo, com fotos, mostrando o que aconteceu de mais importante, motivações, diferenciais e curiosidades. Levar uma apresentação no Power Point® ou no Prezi® com certeza ajuda a mostrar visualmente aquilo que está sendo contado e mostra que o candidato se preparou. Depois de se apresentar, é muito interessante que ele mostre que estudou a organização e sinalize como pode contribuir para ela, bem como de que forma a empresa pode contribuir na construção da sua carreira, e por qual motivo ele está concorrendo àquela vaga. Na dinâmica em grupo, os candidatos são separados em times e precisam trabalhar conjuntamente para realizar alguma entrega. Esta entrega pode ser um produto, uma apresentação, alguma atividade que foi preparada para que os candidatos em conjunto consigam solucionar ou criar. Pode ser por meio de um estudo de caso, que os participantes precisarão ler e tomar decisões para solucioná-lo. Pode ser a montagem de bicicletas, cubos de papel ou qualquer outro elemento. Além dos comportamentos já mencionados, a dinâmica em grupo é capaz de mostrar aos avaliadores muitos elementos da personalidade de cada candidato, uma vez que �ca evidente quem planeja, quem executa, quem ouve ou não a ideia dos demais, quais ideias traz para o grupo, como se comporta se a sua ideia é ou não aceita, en�m, todos esses comportamentos são analisados e �cam muito evidentes. Quando um candidato decide não fazer muito, isso atrapalha na observação de suas características e competências, logo, este não consegue demonstrar as competências necessárias e acaba não permanecendo no processo. A entrevista por competências é a mais utilizada pelas organizações, pois ela torna o processo mais objetivo e deixa todos os avaliadores com o mesmo olhar. Porém, é preciso tomar cuidado, pois uma competência pode ter o mesmo nome com indicadores diferentes. Assim, é preciso �car claro, para todos os avaliadores, o que cada competência signi�ca para aquela organização e as evidências para aquela posição. Em uma entrevista por competências o entrevistador busca saber do passado do candidato, das suas experiências, busca identi�car atitudes que ele já tenha demonstrado, pois comportamentos passados geralmente predizem comportamentos futuros (MITCHELL; GAMLEM, 2017). A entrevista também pode ter um enfoque situacional e, neste caso, pede-se ao candidato que se imagine em situações hipotéticas e descrevao que acredita que faria. Encontrando o candidato ideal Disciplina GESTÃO DE PESSOAS No enfoque situacional, não se está avaliando a competência em si, porque o candidato não está demonstrando que a possui. Ele está apenas falando o que ele acredita que faria ou, em pior hipótese, o que o avaliador gostaria de ouvir. As questões situacionais são mais utilizadas quando a perspectiva é a cultural, para identi�car comportamentos e condutas que o candidato teria em situações do trabalho, mas, ainda assim, sem garantias de que o candidato se comportaria de acordo com sua resposta. As metodologias, como o CAR e o STAR, direcionam as entrevistas por competências. Na metodologia CAR (contexto, ação e resultado) o entrevistador pergunta sobre alguma experiência já vivida pelo candidato. O candidato precisa relatar onde, em que contexto, aconteceu a situação, o que ele fez para resolver aquilo que ele está narrando e qual o resultado decorrente de sua ação. Na metodologia STAR (situação, tarefa, ação e resultado) a maneira de identi�car se o candidato possui ou não a competência é muito parecida. Além das questões para coletar informações do candidato, a organização deve compartilhar informações sobre a organização e a vaga e, por �m, o candidato poderá realizar as perguntas que tiver interesse. A grande questão é que todas essas técnicas do processo de seleção existem para que os avaliadores consigam conhecer melhor os candidatos e tomar a decisão mais acertada para preencher a vaga. Os bons avaliadores estão desejosos de encontrar em cada candidato a pessoa ideal e realizam perguntas assertivas para dar oportunidade ao candidato mostrar a que veio. Já ouvimos falar em avaliadores que destroem o candidato com sua indelicadeza e rispidez, mas esses avaliadores mostram apenas por que o candidato não deve almejar trabalhar em suas organizações. A�nal, o processo seletivo já faz parte da experiência de employer branding, que é uma estratégia de marketing que cria uma concepção positiva sobre uma empresa. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Todo candidato deve ser tratado como VIP (very important person), seja ele contratado ou não. Ele pode não ser o candidato ideal para esta posição, mas pode voltar a aplicar para uma diferente posição no futuro, ou ser cliente da organização. Além disso, com as mídias sociais os candidatos trocam informações uns com os outros. Para Mitchell e Gamlem (2017, p.75, tradução livre) “não é difícil tratar bem as pessoas, diga o que você deseja e faça o que você diz”. Se o RH diz que ligará para um candidato em determinado dia e hora, cumpra. Os candidatos esperam por respostas dos recrutadores, por isso é importante manter contato. Outro importante cuidado no processo de recrutamento e seleção é a vigilância para que não ocorra discriminação. A organização deve explicitar sua posição em relação à diversidade e, embora a diversidade esteja pautada principalmente em relação a gênero, raça e opção sexual, vemos outros processos discriminatórios surgindo em nossa sociedade que são mais difíceis de trabalhar, como faixa etária, peso, condições de saúde, maternidade, etc. Assim como os vieses inconscientes devem ser evitados, a discriminação deve permanecer constantemente na pauta das discussões organizacionais para que não ocorra. Videoaula: Como selecionar ou ser selecionado Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Está próximo de realizar um processo seletivo? Seja atuando como avaliador ou no papel do candidato, preparamos um vídeo que vai te deixar por dentro das principais técnicas utilizadas nos processos seletivos de grandes empresas. Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se você se interessou pelo tema e deseja saber mais sobre as técnicas utilizadas nos processos seletivos e como se preparar, seja no papel do avaliador ou no papel do candidato, procure pelas páginas de empresas que realizam esses processos para outras grandes empresas, como Cia. De Talentos, Gupy, Cia. Do Estágio, entre outras. Nunca deixe de se preparar para um processo seletivo! Cia de Talentos: QUAIS são os tipos de processo seletivo? Canal Conecta, [s.d.]. Gupy: GUIMARÃES, B. Fit Cultural: descubra o que é e como avaliar o candidato. Gupy Blog, 2022 Referências https://canalconecta.com.br/quais-sao-os-tipos-de-processo-seletivo https://www.gupy.io/blog/fit-cultural Disciplina GESTÃO DE PESSOAS DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. GUIMARÃES, B. Fit Cultural: descubra o que é e como avaliar o candidato. Gupy Blog, 2022. Disponível em: https://www.gupy.io/blog/�t-cultural. Acesso em: 14 set. 2022. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. Wayne: The Career Press, 2017. QUAIS são os tipos de processo seletivo? Canal Conecta, [s.d.]. Disponível em: https://canalconecta.com.br/quais-sao-os-tipos-de-processo-seletivo. Acesso em: 14 set. 2022. ROBBINS, S. P; JUDGE, T. A.; SOBRAL, F. Comportamento Organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. 14a ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. Aula 4 Entrevista de desligamento Introdução https://www.gupy.io/blog/fit-cultural https://canalconecta.com.br/quais-sao-os-tipos-de-processo-seletivo Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Algum turnover pode ser positivo para a organização quando, por exemplo, um colaborador percebe que a cultura da organização não tem um bom �t com seus valores pessoais e isso o faz pedir demissão. Essa saída permite que a organização preencha a vaga com uma pessoa que tenha �t cultural e que, possivelmente, �cará mais tempo. O turnover permite que novas pessoas, com diferentes ideias, talentos, forças, ingressem na organização. Contudo, é possível que a organização precise demitir um colaborador que não desejaria deixar a empresa. Nesta aula, vamos estudar como as organizações devem encarar os pedidos de demissão e quais processos podem realizar para tornar menos impactante e mais respeitoso o momento de demitir alguém. Preparados? Vamos lá! O desligamento do colaborador Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A disciplina está seguindo um curso dos processos de gestão de pessoas; contudo, como falamos sobre a técnica de entrevista, vamos fazer um pequeno desvio na ordem natural de contratação para estudarmos sobre o desligamento na organização, ou seja, quando uma pessoa se desvincula da empresa. Muitos são os motivos para que alguém decida interromper sua jornada de trabalho em determinada organização e peça demissão, como um novo trabalho, mudança de cidade ou retorno aos estudos. Mas também pode acontecer de o colaborador ser desligado da organização por interesse da última. Os motivos de uma organização desejar rescindir o contrato de trabalho também são inúmeros: o colaborador pode não atender às expectativas de forma reincidente, a empresa pode passar por um processo de fusão ou aquisição e os colaboradores �cam em cargos duplicados, o faturamento da organização já não possibilita o número de colaboradores ora existentes, a �nalização de um contrato de trabalho temporário, entre tantos outros. É importante que a relação entre colaborador e organização termine da mesma maneira que começou, com o mesmo nível de cuidado. O processo deve ser realizado de forma leve para a saída do colaborador. A gestão de pessoas deve comunicar às outras áreas, como TI, segurança e funções administrativas, para que os pertences da organização, como computador, telefone, cartão de acesso, chaves e outras propriedades, sejam retornados. Muitas organizações realizam uma entrevista de desligamento, ou um formulário, que permite que o colaborador expresse suas opiniões e ideias sobre a sua experiência como empregado. Outras organizações conduzem entrevistas de desligamento dentro de três a seis meses após a saída do colaborador, como uma maneira de acompanhare garantir insights adicionais (MITCHELL; GAMLEM, 2017). Outro cuidado que a organização pode oferecer ao colaborador que está em processo de desligamento é o outplacement. Esse é um processo que procura ajudar o pro�ssional demitido Disciplina GESTÃO DE PESSOAS a se recolocar mais rapidamente no mercado de trabalho, orientando esse pro�ssional neste período. No processo de outplacement podem ser realizados treinamentos, direcionamentos, workshops, palestras, análise de currículo, dicas para um melhor desempenho e a rede�nição de metas para a carreira. Para Cavalieri e Donair (2004), o outplacement é um programa que tem por objetivo conduzir e capacitar o indivíduo no processo de desligamento da organização. Por meio do outplacement o pro�ssional é auxiliado a se recolocar no mercado de trabalho, preferencialmente em cargos de mesmo nível ou até mesmo como empreendedor, a depender da sua intenção. O outplacement pode ser conduzido interna ou externamente. Quando ocorre internamente, signi�ca que a organização que está demitindo o colaborador vai conduzir as técnicas de aconselhamento; na maioria das vezes, o próprio RH. Uma vantagem de ser realizado internamente é o prévio conhecimento dos colaboradores, que facilita a adaptação às necessidades de cada pro�ssional. Já o outplacement externo é conduzido por empresas contratadas para esta �nalidade. Neste modelo o custo tende a ser maior e os vínculos com os pro�ssionais ainda não estão estabelecidos, porém, são os mais utilizados pelas organizações (PARENTE; ROCHA, 2017). Um importante checklist Antes de demitir um colaborador, existe um checklist proposto pelas autoras Mitchell e Gamlem (2017, p. 335, tradução livre) para auxiliar no processo. Primeiro, nenhum colaborador deve ser Disciplina GESTÃO DE PESSOAS sumariamente demitido, principalmente sem ter consciência do motivo pelo qual a demissão ocorreu. Com isso em mente, as autoras consideram que um gestor deve fazer as seguintes perguntas a si mesmo: Quadro 1 | Checklist de demissão. Fonte: Mitchell e Gamlem (2017, p. 335, tradução livre). Apenas depois de ter coletado e revisado todas as informações relevantes o gestor poderá partir para a demissão. Muitas organizações, ao demitir os colaboradores, até realizam a entrevista de demissão, porém acabam prestando mais atenção àquilo que os que pediram demissão reportam nessas entrevistas. Estas organizações entendem que, se o colaborador foi demitido, o peso daquilo que ele está reportando é menor, pois pode estar chateado ou com raiva da organização por ter sido desligado. Porém, muitas vezes, estes colaboradores possuem algo importante a dizer, e podem não ter expressado antes com medo de retaliação. Uma escuta atenta se faz necessária nos dois casos, de pedido de demissão ou desligamento pela organização. Depois de ter certeza de que a demissão é o caminho a ser tomado, a organização já começa a se preparar para o processo, principalmente quando ele ocorre internamente. O processo interno de outplacement possui algumas etapas: 1. Planejamento do processo: esta é uma etapa de preparação para o processo de desligamento em que planeja-se como ele será conduzido e a sua duração. Os motivos da demissão precisam estar claros para que ela ocorra de maneira amistosa e o mais branda possível. 2. Anúncio da demissão: o gestor se reúne com o responsável de RH e anuncia o desligamento do colaborador. Neste momento informa os valores a receber, o colaborador Disciplina GESTÃO DE PESSOAS assina a demissão e já é informado sobre o processo de outplacement que a organização irá ofertar. 3. Realização da orientação pro�ssional: nesta etapa o outplacement acontece de fato. É feita uma análise do currículo do pro�ssional, identi�ca-se seu network e demonstra-se como melhor utilizá-lo para a recolocação. Podem ser realizados testes comportamentais e apoio psicológico, ou coach para ajudar na rede�nição das metas de recolocação. A entrevista de desligamento pode ser realizada quando ocorre a demissão do colaborador ou em um momento posterior, quando o colaborador vai ao RH realizar a entrega dos equipamentos e pertences da empresa e tem um último contato físico obrigatório com a organização. O escopo da entrevista de desligamento é identi�car o nível de satisfação do pro�ssional com as práticas e políticas da organização, com o ambiente de trabalho, entender como foi o relacionamento com os colegas e superiores, se existia alguma questão que o colaborador vivia na organização, mas que por algum motivo não explicitava. A entrevista pode ser realizada pessoalmente, pelo RH, online ou ser aplicada em forma de questionário, com questões descritivas. Na entrevista é possível ainda sanar dúvidas sobre as informações que foram respondidas nos questionários. Com a informação coletada pela organização, os dados são repassados para RH, gestores, membros da equipe, a quem possa interessar ou a quem seja necessário tomar alguma ação. Muitas vezes, nessas entrevistas, são constatadas diversas irregularidades nos processos internos da empresa, e a primeira ação a ser realizada é averiguar a veracidade do fato e tentar ajustá-lo para não gerar insatisfação nos colaboradores que permanecem na organização (MARRAS, 2009). Algo mais a não perder de vista Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Mitchell e Gamlem (2017, p. 336, tradução livre) exempli�cam algumas questões a serem realizadas na entrevista de desligamento que as organizações podem incorporar em seus processos: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quadro 2 | Questões para a entrevista de desligamento. Fonte: Mitchell e Gamlem (2017, p. 336, tradução livre). O objetivo �nal do outplacement é a reintegração do pro�ssional no mercado de trabalho, mas também a redução dos impactos causados pelo desligamento. A intenção é tornar a perda do emprego menos desgastante e aumentar as chances de uma recolocação mais rápida (PARENTE; ROCHA, 2017). Entretanto, não é apenas o pro�ssional que se bene�cia com o outplacement; ao oferecê-lo a organização também se favorece. Primeiro, quando um colaborador é demitido, isso acaba gerando um desconforto e até medo nos colaboradores que permanecem na organização. Oferecer o outplacement mostra uma real preocupação com a pessoa e torna o clima mais amistoso. Segundo, auxilia na humanização do processo de desligamento, o pro�ssional se sente acolhido e gera uma imagem positiva da organização ao comentar o processo vivido com outros pro�ssionais do seu network. Por último, o outplacement auxilia na manutenção do bom relacionamento da empresa com seus stakeholders. A demissão pode ser o término de uma relação formal com o colaborador, porém, não deve ser o �m do contato com a pessoa. É bené�co para as organizações manter linhas de comunicação abertas com o colaborador que saiu, pois podem ser a fonte de novos recrutamentos, referências e talvez decidam voltar para a organização em outro momento da sua carreira. Colaboradores que se aposentam, por exemplo, podem ser mantidos na organização como consultores, uma vez que possuem amplo conhecimento sobre a organização e seu trabalho. Como já vimos, outros formatos mais �exíveis do contrato de trabalho podem ser interessantes, como: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS colaboradores part-time, consultores, contrato temporário, contrato pessoa jurídica; vale avaliar cada caso. Videoaula: Entrevista de desligamento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O processo de demissão não é fácil e, quanto mais humanizado for, melhor para o pro�ssional e para a organização. Para auxiliar neste processo, existem algumas ferramentas, como um checklist para ter certeza de que a demissão é a decisão correta, uma entrevista de desligamento e o oferecimento do processo de outplacement. Se você �cou interessado neste delicado assunto, venha conferir a videoaulaque preparamos! Saiba mais Se deseja saber mais sobre o processo demissional, acesse a página 191 do livro: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS OLIVEIRA, L. Y. M. D. et al. Gestão de pessoas. Porto Alegre: SAGAH, 2018. Se �cou curioso e deseja saber mais sobre o processo de outplacement, dê uma olhada no que encontramos para você: SOFFNER,S. O que é outplacement, como funciona e quais seus benefícios para empresa e colaborador. Pipefy Blog, 2022. Referências CAVALIERI, R.; DONAIR, D. Uma Investigação Sobre a Contribuição do Outplacement Para as Empresas e Para os Funcionários. Revista Administração OnLine, v. 5, n. 1, 2004. p. 10-26. LACOMBE, F. Recursos humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2011. MACEDO, G. D. Outplacement – a arte e a ciência da recolocação. São Paulo: Maltese, 1994. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. Wayne: The Career Press, 2017. OLIVEIRA, L. Y. M. D. et al. Gestão de pessoas. Porto Alegre: SAGAH, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595023901/pageid/0. Acesso em: 26 out. 2022. PARENTE C.; ROCHA, V. O outplacement em Portugal: Vivências e experiências. Recape Revista de Carreiras e Pessoas São Paulo. V. 7, n. 2, 2017. p 590-605. SOFFNER,S. O que é outplacement, como funciona e quais seus benefícios para empresa e colaborador. Pipefy Blog, 2022. Disponível em: https://www.pipefy.com/pt- br/blog/outplacement/. Acesso em: 14 set. 2022 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595023901/pageid/0 https://www.pipefy.com/pt-br/blog/outplacement/ https://www.pipefy.com/pt-br/blog/outplacement/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595023901/pageid/0 https://www.pipefy.com/pt-br/blog/outplacement/ https://www.pipefy.com/pt-br/blog/outplacement/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Aula 5 Revisão da unidade Recrutamento, seleção e o processo de desligamento Na unidade anterior �cou clara a importância das pessoas nas organizações; o quanto suas competências, conhecimentos, atitudes e valores são extremamente importantes para o contexto organizacional. Vimos que a diversidade, estrategicamente trabalhada, traz consigo a inovação, e essa diversidade se encontra nas pessoas. Nesta unidade, fomos um passo além, pois começamos a estudar os processos de gestão de pessoas, ou seja, o que fazer para que essas pessoas queiram trabalhar na nossa organização e, uma vez lá, desejem permanecer. Para encontrar as pessoas certas para cada organização, o primeiro processo a ser realizado é o recrutamento, que é a fase inicial do preenchimento de uma vaga em aberto, de um espaço ocupacional vacante. Contratar estrategicamente envolve saber o que determinará o sucesso da nova contratação, ou seja, quais competências, habilidades e qualidades tiveram as pessoas que já foram bem-sucedidas nesta posição e o que as fez ser bem-sucedidas. Para tanto, é necessário que a organização tenha o job description, ou seja, uma descrição acurada da posição e dos fatores de sucesso para a posição (é a análise do trabalho e não da pessoa que o está realizando). Após a elaboração do job description é necessário escolher a fonte, ou as Disciplina GESTÃO DE PESSOAS fontes de recrutamento: interna (dentro da própria organização) ou externa (novos candidatos). Recrutar externamente implica na escolha do meio de comunicação que será utilizado. A maior parte das formas de recrutar externamente envolvem a utilização da internet. Após o processo de recrutamento, espera-se que a organização tenha captado muitos candidatos interessados em ocupar a vaga, e outro processo se inicia: a seleção. Chegou a hora de escolher quem, dentre tantos candidatos, possui o per�l mais adequado para a vaga – tanto as competências esperadas, quanto os valores. O �t cultural é o candidato possuir os mesmos valores que a organização para o qual ele está aplicando. Para que a seleção seja assertiva, os critérios e as ferramentas precisam ser escolhidos. É necessário de�nir a quais critérios o candidato precisa atender, como sua formação, experiência pregressa, algum certi�cado especí�co, o que pode ser examinado por meio do currículo; escolher as ferramentas que a organização utilizará para selecionar – testes, jogos (gami�cation), dinâmica de grupo e entrevistas –; e planejar como e quando elas serão realizadas. Uma vez que a Gestão de Pessoas é baseada na gestão por competências, todos os processos de RH são direcionados para elas; assim, o recrutamento e a seleção não são diferentes. Nesta unidade, tratamos ainda sobre o processo demissional, pois a saída do colaborador da organização é tão importante quanto sua entrada e, por isso, o processo precisa ser realizado com o mesmo cuidado que ocorre nos processos de recrutamento e seleção. Na saída do colaborador, a organização pode, por meio da entrevista de desligamento ou questionários, coletar informações importantes sobre o andamento da empresa, os gestores, seus pares e suas políticas. Também é importante não fechar as portas para os colaboradores que saíram por motivos próprios, pois eles podem, em algum momento, regressar à organização ou indicar outras pessoas. Por �m, outro cuidado que se pode ter com os pro�ssionais demitidos é oferecer o outplacement, que os auxilia na recolocação no mercado de trabalho. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Deseja saber mais sobre os processos de recrutamento e seleção? Tanto para ser um pro�ssional expert em RH, quanto para arrasar nos seus próprios processos seletivos, preparamos um vídeo que vai trazer estes conteúdos de maneira integrada e dinâmica. Venha assistir com a gente! Estudo de caso Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Sabendo do seu interesse em começar um trabalho numa empresa, Juliana ligou para você e avisou que a empresa Contato está com o processo de recrutamento e seleção aberto. Você entrou no site da empresa e se interessou pela seguinte vaga: DESCRIÇÃO DA VAGA: Se você gosta de possibilidades de desenvolvimento pessoal e pro�ssional, além de simpli�car e impulsionar negócios por meio de oportunidades na empresa líder de segmento de pagamentos eletrônicos na América Latina, seu lugar é junto ao #TimeContato SEU DESAFIO: Buscamos pessoas que gostem de trabalhar com muita autonomia e colaboração. A�nal, é apenas juntos que conseguimos entender ao máximo a necessidade do cliente e entregar os melhores resultados. O pro�ssional irá atuar no nosso Hub de Inovação, nas frentes de cultura e governança, contribuindo com a evolução e maturidade da companhia e de seus colaboradores, sobre o tema de inovação. Contribuirá na ideação e orquestração de iniciativas internas, como programas e palestras, assim como eventos de engajamento (internos e externos), além de realizar um trabalho de acompanhamento de métricas para tomadas de decisões que visam a solidi�cação de um plano de estratégia de inovação para a companhia. Vamos juntos fazer acontecer? Vem pro #TimeContato. RESPONSABILIDADES E ATRIBUIÇÕES: O dia a dia será fazendo o seguinte: Contribuir com as métricas de desenvolvidas, que auxiliam na tomada de decisões estratégicas de inovação da companhia. Idealizar e orquestrar programas que engajem colaboradores no tema de inovação. Executar as ações planejadas para a área. Atuar de ponta a ponta, desde o planejamento até a execução e mensuração das ações programadas. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Auxiliar no atingimento de um NPS de excelência para todas as iniciativas do Hub de Inovação. ESPERAMOS ENCONTRAR NO SEU PERFIL: Capacidade de execução. Mão na massa. Trabalho em time. Conexão com pessoas. Postura Hands-on. Facilidade para aprender e colocar em prática. Capacidadede mobilizar. Caráter questionador. Multiplicador de conhecimento. Você encaminhou seu currículo e foi chamado para a entrevista. Para chegar mais preparado para ela, você começou a identi�car as competências esperadas pela vaga e imaginar as perguntas que os entrevistadores fariam e as respostas que você daria a cada uma delas. _______ Re�ita Lembrando que a entrevista por competências utiliza a metodologia CAR – contexto, ação e resultados, selecione quatro competências destacadas na vaga, escreva a pergunta que seria realizada para identi�car essa competência e como você responderia (pensando na sua experiência de vida e nas situações que você já vivenciou, dentro do CAR, conte o contexto que viveu, qual ação você tomou e qual o resultado que sua ação trouxe a esse contexto). Você precisa escrever quatro perguntas (das competências identi�cadas na vaga) e sua resposta para cada uma delas. Lembrando que, para identi�car competências, as perguntas se referem ao passado, algo que o candidato já tenha vivido. Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Competências identi�cadas na vaga: Autonomia Colaboração / Trabalho em Equipe / Conexão com as pessoas Hands-on / Mão na Massa / Executor Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Facilidade em aprender e colocar em prática Capacidade de mobilizar Questionador Multiplicador de Conhecimento Inovador Dentre essas competências, o estudante deverá selecionar quatro e elaborar questões que abordam o passado, como: Conte-me uma situação que você já viveu, na qual você precisou de autonomia para resolver um problema. Resposta: o estudante deverá contar uma situação em que, sozinho ou por iniciativa dele, precisou fazer algo que resolveu uma situação e contar qual foi o resultado de sua ação. Como são quatro competências, ele ou ela deverá escrever quatro perguntas com quatro respostas. Resumo visual Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Recrutamento, seleção e o processo de desligamento Fonte: elaborada pelo autor. Referências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ARAÚJO, L. C. G. D.; GARCIA, A. A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/0. Acesso em: 26 out. 2022. BOUTON, K. Recruiting for Cultural Fit. Harvard Business Review, 2015. Disponível em: https://hbr.org/2015/07/recruiting-for-cultural-�t?language=pt. Acesso em: 24 ago. 2022. CAVALIERI, R.; DONAIR, D. Uma Investigação Sobre a Contribuição do Outplacement Para as Empresas e Para os Funcionários. Revista Administração OnLine, v. 5, n. 1, 2004. p. 10-26. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. 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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Após a realização dos processos de Recrutamento e Seleção e ter de�nido o candidato adequado para ingressar na organização, a proposta é formalmente apresentada ao pro�ssional. Assim que ele aceita ingressar na organização, inicia-se o processo de Integração (Onboarding). O novo colaborador possui muitas expectativas e o desejo de trabalhar para a organização, mas também se sente inseguro por não conhecer completamente o contexto sobre ele. Desde o primeiro contato da organização a relação já vai se construindo e planejar e executar o processo de integração é vital para o sucesso ou fracasso desta relação. Uma integração bem realizada fornece ao colaborador recém-chegado não apenas informações importantes sobre a organização, mas o insere dentro da Cultura Organizacional. Já escolhemos o candidato, e agora? Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Depois de tomar a decisão sobre o candidato que está apto a ingressar na organização, realizar a proposta formal e ele aceitar o trabalho, o processo de onboarding começa. Onboarding é o processo de integração que visa introduzir o colaborador na organização, reforçando a missão, a visão e seus valores, bem como apresentá-lo aos departamentos e seus times. Seu objetivo é transmitir os conhecimentos e ferramentas necessárias para o bom desempenho de uma nova função. Aos recém-chegados, será o momento da socialização, capacitação e aculturação (ARINS, 2022). Machado (2007, p. 79) aborda que: o período de adaptação de um novo funcionário em determinada organização dá início ao seu processode socialização. Esse processo é contínuo, pois acontece ao longo do tempo em que o indivíduo permanece na organização. Durante esse período o novo funcionário recebe uma série de informações referentes à organização, como normas, valores, principais pressupostos, en�m, são transmitidos a ele, os componentes básicos da cultura da organização. Estudando os diversos autores que tratam do onboarding, identi�ca-se que muitas são as maneiras de denominar este processo. Machado chama este período de adaptação de processo de socialização. Já Gil (2001) se refere ao onboarding como integração, ao qual de�ne como um processo educacional em curto prazo que amplia a capacidade do indivíduo para exercer suas atividades relacionadas ao espaço ocupacional a ser ocupado na empresa. Para Van Maanen (1976) a socialização organizacional é o processo pelo qual a pessoa aprende valores, normas e comportamentos esperados, que lhe permitem participar de um processo contínuo durante sua carreira dentro de uma organização. De acordo com Marras (2003) a Disciplina GESTÃO DE PESSOAS integração é o elo entre políticas, diretrizes e ações formais e informais que regem as relações organizacionais enquanto indicadores da cultura organizacional. Segundo Scatena (2010, p. 175) a integração é vista como um treinamento introdutório e que pode ser de�nido como parte inicial do processo de socialização: o treinamento introdutório ocorre logo após a contratação do pro�ssional e é através dele que o novo funcionário conhecerá a empresa. Nessa fase serão apresentadas para ele as normas e condutas da empresa, a equipe com qual irá trabalhar e as suas funções, os produtos e os serviços e o ambiente em geral da empresa. Esse treinamento tem a função de fazer com que a pessoa se sinta integrada ao todo. Onboarding, integração, socialização, iniciação, orientação, adaptação, treinamento inicial, adequação e processamento de pessoas são nomes atribuídos por autores de diversas correntes, se referindo então a um mesmo conjunto de práticas as quais fazem parte ou se referem a um processo maior que é o de socializar o novo colaborador a organização onde ele inicia a trabalhar (RUBENICK, 2016). Segundo Giddens (2005, p. 43) “através do processo de socialização, os indivíduos aprendem sobre os papéis sociais, expectativas socialmente de�nidas que uma pessoa segue numa determinada posição social”. Assim, o papel pode ser visto como o comportamento esperado de um indivíduo em determinado contexto social (neste caso a organização) e a socialização então é formada por um conjunto de tarefas ou papéis aprendidos. Alguns autores entendem que a ambientação é parte inicial do processo de integração; pois a ambientação seria um processo menor e mais rápido, realizado normalmente pela área de gestão de pessoas, para um prévio conhecimento da organização, a área ou os setores especí�cos que ele vai trabalhar e exercer as atividades do seu job description; e dessa maneira que o colaborador ingressa na organização. Integrando o novo colaborador Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O programa de ambientação deve apresentar ao novo colaborador os aspectos mais relevantes da organização, como histórico da empresa, produtos, tecnologia, objetivos estratégicos, processos, valores e crenças principais, políticas, ética e conduta esperada das pessoas, benefícios oferecidos, possibilidades de crescimento pro�ssional e política salarial. Pode ser complementada com a visita às instalações da empresa e a apresentação a seus novos colegas de trabalho. A ambientação seria o processo inicial da integração. A integração, na prática, ocorre quando o novo membro passa a conhecer a cultura da organização, os colegas de trabalho e os processos internos; é um processo mais amplo. Em geral é conduzido pelo gestor, porém, as diretrizes gerais são traçadas e acompanhadas pela área de gestão de pessoas. A integração de novos colaboradores tem em vista a preocupação com a sua inserção no novo contexto organizacional. Assim, visa facilitar a interação do novo membro com a equipe de trabalho, facilitar o entendimento da cultura organizacional, dos objetivos estratégicos da empresa e da unidade. A integração ainda oferece um conhecimento mais profundo das normas, das políticas e dos programas, do processo de trabalho, entre outros aspectos relevantes, para que o novo colaborador se sinta de fato pertencente à organização. As práticas mais comuns encontradas nas empresas, de acordo com Dutra (2002, p. 100) são: Integração – são ações que procuram aclimatar a pessoa em seu ambiente de trabalho, informar sobre a organização e seu negócio, estabelecer ligação com pessoas importantes para o trabalho, oferecer orientação sobre normas e procedimentos etc. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Orientador – é designado para orientar a pessoa nos contatos iniciais com a organização e servir de elo entre as expectativas da organização e da pessoa. Divulgação da organização – são ações que visam criar uma imagem positiva da organização em seu mercado de trabalho. Negociação de expectativas – são ações desenvolvidas durante os contatos preliminares com a organização onde são avaliadas as expectativas entre a pessoa e a organização, tais como: condições de trabalho, possibilidades de desenvolvimento e carreira, formas de recompensa, ambiente e clima de trabalho etc. Robbins (2005) observa a existência de três estágios do processo de socialização: Pré-chegada é o primeiro estágio, o momento de aprendizado do novo membro antes que ele se junte à organização. Abrange conhecimentos, hábitos, culturas e valores que o colaborador aprendeu antes de ingressar na organização. Encontro é o segundo estágio, que consiste quando o novo colaborador visualiza a verdadeira imagem da empresa, o que pode ocasionar con�ito entre as suas expectativas e a realidade da organização. Quando o colaborador se depara com a organização que está adentrando, a descobre e inicia a sua socialização. Metamorfose é o terceiro estágio, aqui as mudanças ocorrem, ou seja, o colaborador nesta fase já compreende e domina as habilidades necessárias para executar as tarefas de seu espaço ocupacional, consegue se ajustar aos valores e comportamentos da organização, sente-se aceito pelo grupo de trabalho e con�ante para desempenhar suas tarefas. A socialização foi concluída, pois já está imerso na cultura e possui os mesmos valores e as crenças, além de respeitar as normas. Estabelecendo as expectativas Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Tanto o RH quanto o gestor do novo colaborador executam um papel no processo de onboarding. O RH encaminha a lista com a documentação necessária para a contratação, informações sobre os planos de benefícios e o gestor pode considerar encaminhar uma carta, ou um e-mail, assim que o aceite for recebido. Também pode ser bom realizar uma ligação telefônica dando as boas- vindas e respondendo qualquer dúvida que ainda possa existir. A partir do primeiro contato até o momento em que a pessoa ingressa na organização, vão sendo construídas expectativas mútuas, entre a organização e o colaborador, ao que Dutra (2002, p. 6) chama de contrato psicológico. O contrato psicológico é um contrato tácito, ou seja, ele está presente mesmo que não esteja formalizado ou que as partes tenham consciência dele. O contrato psicológico entre as pessoas e a organização está sempre presente e de�ne as expectativas na relação entre ambos. Para criar um bom clima e atender as expectativas iniciais, algumas empresas encaminham kits para o novo colaborador, com copos, cadernos, canetas, petiscos ou bebidas, mochila. En�m, um kit de boas-vindas. Principalmente se o trabalho será realizado de maneira on-line. Se o trabalho for presencial, é possível decorar o escritório do novo membro com plantas, �ores e chocolates e também oferecer um café ou almoço de boas-vindas, introduzindo o novo colaborador. Anunciá- lo no website da organização. Também pode ser interessante criar uma força tarefa e incluí-lo parapassiva, buscando orientação estratégica para suas políticas, práticas e processos. Essa rápida velocidade das mudanças trouxe consigo o advento da globalização, que também exige uma rápida mudança na Gestão de Pessoas, de várias maneiras, como recrutar globalmente e gerenciar em diferentes culturas. Para isso, os pro�ssionais de RH precisam cada vez mais ser �exíveis e adaptativos. Lembrando que, muitas vezes, os gestores de RH lideram pessoas que nunca viram pessoalmente, apenas pelas telas do computador. Assim, é essencial o entendimento da cultura organizacional, bem como da subcultura do time em que se está inserido. A importância de cuidar de pessoas e da atuação estratégica em Gestão de Pessoas Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se hoje falamos que a velocidade da mudança é alta e vivemos em um mundo globalizado, estamos falando que o pro�ssional que atua dentro das organizações precisa pensar, imaginar, criar, inovar. O ser humano, cada vez menos, está presente nas organizações para realizar o trabalho repetitivo, pois este, com o avanço tecnológico, foi tomado pelas máquinas (como era pregado no modelo de Departamento Pessoal). Para isso, a máxima “pessoas certas, nos lugares certos, com as competências certas para carregar as organizações” (MITCHELL; GAMLEM, 2017, p. 23, tradução livre) se faz fundamental para que as organizações consigam atuar de maneira estratégica, a �m de alcançar a missão, a visão e os objetivos determinados por cada organização (modelo estratégico e modelo de gestão por competências). Finalmente, entendeu- se que as pessoas são os agentes do processo de mudança estratégica dentro das organizações. Os colaboradores passam a ser vistos como o maior ativo que as organizações possuem. Cuidar de cada um deles torna-se fundamental para que a organização seja saudável e alcance seus objetivos. Cada vez mais, o papel da Gestão de Pessoas passa a ser conhecer seus colaboradores e, na medida do possível, conciliar seu crescimento pro�ssional e seus objetivos pessoais com os objetivos organizacionais. Quanto mais esses dois objetivos estiverem apontando para a mesma direção, mais engajado o colaborador estará e mais efetiva será sua entrega para organização, pois estarão caminhando juntos ao encontro do sucesso. Para tanto, é necessário que a Gestão de Pessoas possua uma clara política de reconhecimento e valorização das pessoas, sendo capaz de orientá-las quanto às suas atribuições, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS responsabilidades e papéis. É preciso cuidar da saúde física e mental de seus colaboradores, uma vez que o futuro depende da energia emocional e intelectual de cada um. Esse cuidado se dá dentro de cada processo realizado pela Gestão de Pessoas em parceria com os gestores. Processos como recrutamento, seleção, treinamento, desenvolvimento, pesquisa de clima organizacional, avaliação de desempenho; planejados e realizados sempre com a intenção de valorizar os pro�ssionais que ali trabalham. Outra maneira pela qual os colaboradores se sentem valorizados é por meio das políticas de benefícios implementadas nas diversas organizações, uma vez que, por meio destes eles podem se alimentar bem, realizar atividades físicas e manter cuidados físicos e mentais. Apesar de este ser o novo cenário da Gestão de Pessoas, culminando no modelo de gestão por competências, nem todas as empresas estão preparadas para vivê-lo. Ainda é possível encontrar muitas organizações adotando os outros modelos de Recursos Humanos. Nestas organizações é mais fácil encontrar colaboradores insatisfeitos, desengajados e muitas vezes doentes. Por isso, estudar Gestão de Pessoas é tão fundamental, para ser um bom gestor, mas também para entender o que adoece as organizações e as pessoas que estão lá inseridas. É importante lembrar que cada ser humano é único em sua personalidade, competências e maneiras de se relacionar. Logo, quando falamos de Gestão de Pessoas, não existe uma forma única e garantida de lidar com todas as pessoas e todos os tipos de organização e, por esta razão, as aulas que seguem são fundamentais. Videoaula: Introdução e importância da atuação estratégica da área de gestão de pessoas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você deseja saber mais sobre o histórico da área de Gestão de Pessoas e de que forma cada modelo contribuiu na construção do que hoje as organizações realizam de mais avançado nos cuidados com seus colaboradores, dentro do cenário de globalização? Então assista à aula que preparamos com carinho para você! Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se você �cou curioso e deseja estudar mais acerca da importância e do histórico de Gestão de Pessoas, que tal dar uma lida no Capítulo 1 do livro Gestão de Pessoas: enfoque nos papéis estratégicos, do autor Antônio Carlos Gil, que você encontra na Minha Biblioteca? GIL, A. C. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis estratégicos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597009064/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml1%5d!/4/2/2%4051:38 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597009064/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml1%5d!/4/2/2%4051:38 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS FISCHER, A. L. Um resgate conceitual e histórico dos modelos de gestão de pessoas. In: As pessoas na organização (p. 11-34). São Paulo: Editora Gente, 2002. GIL, A. C. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis estratégicos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597009064/epubc�/6/2[%3Bvnd.vs t.idref%3Dhtml1]!/4/2/2%4051:38. Acesso em: 24 out. 2022. HAMEL, G.; PRAHALAD, C. K. Competing for the future: what drives your company’s agenda. Harvard Business Review, jul./ago., 1994. Disponível em: https://hbr.org/1994/07/competing-for- the-future. Acesso em: 15 set. 2022. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. 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Todavia, é importante se atentar para o fato de que organizações que atuam em diferentes setores e contextos históricos precisarão de distintos modelos de Gestão de Pessoas, como veremos a seguir. Atualmente, o modelo de Gestão de Pessoas é pautado nas competências, pois, mais que transformar a organização pensando no ambiente, é preciso pensar em transformar o próprio ambiente onde as organizações estão inseridas – seu setor – estabelecendo uma nova referência para todos que nele atuam: concorrentes, fornecedores, clientes, en�m, todos os stakeholders. Assim, as pessoas passam a ser estratégicas nas organizações em que o ser humano é visto e tratado como fonte de vantagem competitiva. O que são competências e a importância das hard skills e soft skills na Gestão por Competências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Ao entender a importância da Gestão por Competências, as organizações passam a direcionar o planejamento e a implantação da forçaque conheça os demais membros da equipe e crie laços com eles. A forma como as organizações trazem o novo pro�ssional para seu contexto é crítico para o sucesso e contribuição do crescimento da empresa. O objetivo de qualquer processo de onboarding é assegurar que a nova contratação seja tão produtiva possível no curto período e que ele (a) fez uma grande escolha ao ingressar na organização. Processos de onboarding Disciplina GESTÃO DE PESSOAS inovativos possuem maior impacto na retenção e no engajamento, se comparados com férias competitivas ou benefícios. Embora as organizações não existam para criar uma vida social para seus colaboradores, pesquisas têm demonstrado que ter amigos no trabalho é uma excelente maneira de realizar um onboarding e reter talentos (MITCHELL & GAMLEM, 2012). Novos colaboradores são normalmente animados com o novo trabalho, mas não há nenhuma pista do que os espera. Geralmente eles sabem bastante sobre a organização, por meio das pesquisas e da entrevista. Nas suas primeiras abordagens, os novos colaboradores querem trabalhar com a organização e para a organização, mas ainda possuem muitas questões e preocupações. As pessoas quando ingressam em uma nova organização se sentem naturalmente inseguras e tendem a ter di�culdades para ler as demandas do contexto sobre elas. Por isso, um onboarding bem planejado e executado pode fazer uma boa relação, ou quebrá-la (MITCHELL & GAMLEM, 2012). Existem muitas vantagens na realização do processo de integração, pois o novo colaborador é instruído de acordo com os requisitos de�nidos na descrição do espaço ocupacional que irá ocupar, tendo como propósito fornecer a este colaborador recém-chegado informações importantíssimas sobre a organização que facilitará o seu ajuste mais rapidamente. A ausência da integração pode comprometer o processo de recrutamento e seleção, mesmo quando muito bem realizado. Porém, um cuidado na socialização deve ser tomado, pois a integração não deve ser utilizada na tentativa de padronizar ou reprimir as pessoas e suas relações com a organização; este não deve ser visto como um processo de adestramento comportamental. Fazer com que os colaboradores percam sua identidade e sua espontaneidade é destruir toda a riqueza da diversidade e a criatividade oferecidas pelas diferenças individuais (DUTRA, 2002). Videoaula: Programa de Integração (Onboarding) Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Se ainda �cou alguma dúvida sobre os termos: integração, socialização, treinamento introdutório e ambientação, assista à videoaula que foi preparada com muitas informações sobre o tema de onboarding. Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Deseja saber mais sobre o processo de onboarding? Então acesse o site da Great Place to Work (GPTW) e entenda o que as organizações estão fazendo. ARINS, B. Programa de Onboarding: como a integração impacta o colaborador. GPTW, 2019. Referências https://gptw.com.br/conteudo/artigos/programa-de-onboarding-impactos/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ARINS, B. Programa de Onboarding: como a integração impacta o colaborador. GPTW, 2022. Disponível em: https://gptw.com.br/conteudo/artigos/programa-de-onboarding- impactos/#:~:text=Onboarding%20%C3%A9%20o%20processo%20de%20integra%C3%A7%C3%A 3o%20que%20visa,para%20o%20bom%20desempenho%20de%20uma%20nova%20fun%C3%A7% C3%A3o. Acesso em: 10 set. 2022. DECENZO, D. A.; ROBBINS, S. P. Administração de recursos humanos. 6. ed. Tradução: Alfredo Barcellos Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: LCT- S. A., 2001. DUTRA, J. S. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas. 2004. GIDDENS, A.; Sociologia. 6. Ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008, p. 43. GIL, A. C. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis pro�ssionais. São Paulo: Atlas, 2001. MACHADO, R. M. Relacionamento interpessoal. 1. ed. Curitiba: Ippex, 2007. 134 p. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. The Millennium Group International, 2012. MARRAS, J. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Saraiva, 2003. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. RUBENICK, C. E. A socialização organizacional de novos colaboradores: um estudo de caso na cooperativa de crédito UNICRED Santa Maria – RS. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnólogo em Gestão de Cooperativas) – Universidade Federal de Santa Maria Colégio Politécnico da UFSM, Santa Maria, 2008. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/488/2019/06/Channa-Escobar-Rubenick.pdf. Acesso em: 12 set. 2022. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial – Teoria, implementação e prática. Série: Administração Estratégica. 1. ed. Curitiba: IBPEX, 2010. VAN MAANEN, J. Breaking. In: Socialization to work. In: R. Dublin (Ed.), Handbook of Work, Organization and Society (pp. 67-130). 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Os novos colaboradores chegam de diferentes formas à organização e sua entrega nem sempre está alinhada com o esperado. O treinamento vai prepará-los para realizar as tarefas e cumprir suas entregas, de maneira operacional e prática. O desenvolvimento possui um caráter de longo prazo e, mesmo que a organização se bene�cie, o colaborador também cresce e carrega consigo os benefícios do desenvolvimento. A organização precisa consolidar o ciclo de processos da gestão de treinamento e desenvolvimento, a �m de identi�car as necessidades de T&D, planejar, executar e avaliá-lo. T&D: planejamento, execução e avaliação Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O novo colaborador agora já aculturado à organização, possui um conjunto de atribuições que precisa cumprir. Muitas vezes, esse colaborador chega sem o nível de entrega esperado e cabe à gestão de pessoas auxiliá-lo para que sua produtividade �que dentro ou acima da expectativa. Com o escopo de manter os colaboradores motivados e capacitados, objetivando a efetividade, a gestão de pessoas possui uma área que se chama Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Uma organização pautada pela gestão de competências, entende que as pessoas atuam como agentes de transformação de conhecimentos, habilidades e atitudes em competência entregue para a organização. Essa competência entregue, pode ser caracterizada como agregação de valor ao patrimônio de conhecimentos da organização, ou seja, essa entrega permanece na organização mesmo quando a pessoa não trabalha mais ali. Agregar valor não é atingir uma meta, mas a melhoria de um processo ou a introdução de uma novatecnologia (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Com este entendimento, Dutra; Dutra; Dutra (2017, p. 160) a�rmam que “o desenvolvimento pro�ssional pode ser entendido como o aumento da capacidade da pessoa em agregar valor para a organização”. Para os autores, lidar com atribuições e responsabilidades mais complexas faz com que o colaborador agregue mais valor à organização. A este nível crescente de complexidade na entrega os autores atribuem o grau de desenvolvimento que cada colaborador demonstra. Assim, falar de desenvolvimento é falar não apenas de competências, mas também dos seus diferentes níveis de complexidade, que permitem acompanhar o processo evolutivo das pessoas. Apesar de estarem em treinamento e desenvolvimento, sob um mesmo guarda-chuvas na área de gestão de pessoas, possuem dimensões diferentes. O desenvolvimento, como abordado, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS possui um carácter mais longevo e agrega valor para a organização e para a carreira do colaborador; pois o desenvolvimento da pessoa é permanente. Já o treinamento possui um caráter de curto prazo, são procedimentos mais metódicos, atividades que têm o intuito de treinar para o espaço ocupacional, para a realização de uma tarefa especí�ca, ou um conjunto de atividades (MARRAS, 2009). De acordo com Maximiano (2014, p. 305), treinamento: Compreende atividades que promovem a aprendizagem das competências relacionadas ao desempenho das tarefas do cargo. Em outras culturas, usam-se outras palavras (como adaptação, capacitação ou formação) para indicar o mesmo tipo de atividade. O treinamento tem caráter operacional e prático – é orientado para o trabalho e para o domínio de técnicas e ferramentas, sem preocupação com a teoria. Seus resultados podem ser mensurados de forma imediata e objetiva. De acordo com Marras (2009, p. 167), “o treinamento prepara o homem para a realização de tarefas especí�cas, enquanto um programa de desenvolvimento gerencial oferece ao treinando uma macrovisão do business, preparando-o para voos mais altos, a médio e longo prazo”. Para que o processo de T&D seja bem-sucedido é necessário que haja seu gerenciamento. Maximiano (2014) considera o processo de T&D como um ciclo de quatro etapas: (1) de�nição e análise de necessidades, (2) planejamento de atividades educacionais, (3) execução das atividades e (4) avaliação e revisão das atividades. Nesta última etapa de avaliação, será introduzido o modelo de avaliação Kirkpatrick (1994) que utiliza quatro níveis de avaliação: reação, aprendizado, comportamento e resultados. Ciclo de processos de gestão de T&D Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A gestão dos processos de T&D começa pela identi�cação e análise de necessidades, que se originam da organização, dos cargos e dos indivíduos. Das necessidades da organização podem ser destacadas a formação continuada de quadros técnicos e liderança, tanto para a sucessão, quanto para o preenchimento de uma vaga, para as promoções, as transferências e para outras movimentações; assim como programas regulares de trainee em grandes empresas. No que tange às necessidades dos cargos, a formação de pessoas para determinados espaços na estrutura organizacional (existentes ou em processo de criação), implantação de novas tecnologias produtivas e gerenciais, mudanças tecnológicas, nas normas ou nos procedimentos, novas exigências legais (situações que possam alterar o conteúdo e as competências dos cargos). Já as necessidades dos indivíduos podem ser vistas como atividades para suprir lacunas entre o desempenho real e o desejado; preparação para assumir outras posições; licenças remuneradas para atividades de desenvolvimento; ou programas de outplacement (MAXIMIANO, 2014). Depois de identi�car as necessidades organizacionais, do cargo ou individuais, é chegada a hora de a gestão de pessoas (2) planejar as atividades de T&D. Existe um planejamento mais amplo de todos os programas da organização, no qual ocorre a de�nição de quais programas serão realizados, em que momento, qual o custo e se contará com parceiros externos. Neste planejamento global elabora-se o calendário e o orçamento estimado de T&D com o horizonte de um ano (geralmente). Depois de planejar globalmente, é necessário planejar de maneira individual, cada um dos programas de T&D, que podem possuir os mais diversos formatos: cursos presenciais, on-line, congressos, workshops, atividades práticas orientadas; dependendo do objetivo de aprendizagem de cada programa. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Após planejar, ocorre a (3) execução dos programas de T&D, que envolve a aquisição, mobilização e ativação de recursos como instalações, materiais didáticos, facilitadores, pessoal de apoio e equipamentos (estrutura técnica). A execução pode variar muito, a depender da quantidade de pessoas, do formato escolhido (on-line ou presencial), do tamanho do orçamento, entre outros fatores. Para não haver maiores contratempos, tudo deve estar previsto no planejamento dos programas de T&D e contar com uma coordenação de qualidade. Como parte �nal do ciclo, chegou o momento da (4) avaliação e revisão das atividades e dos papéis desempenhados pelos membros que executaram o programa. Ou seja, além de avaliar se o programa cumpriu seu papel no treinamento dos colaboradores e se atingiu seu objetivo, cumpre também avaliar se o time que planejou e executou o programa o realizou da melhor forma. A avaliação e revisão dos programas deve ocorrer continuamente, pois retroalimentam o ciclo de gestão, que deve se repetir inde�nidamente. Maximiano (2014) sugere a �gura a seguir para a visualização grá�ca deste ciclo do processo de T&D: Figura 1 | Ciclo de processos da gestão de T&D. Fonte: Maximiano (2014, p. 307). O modelo Kirkpatrick de avaliação de treinamento Disciplina GESTÃO DE PESSOAS No que tange a avaliação da e�cácia do treinamento, o modelo mais amplamente utilizado pelas organizações é o Kirkpatrick (1994). Este modelo de avaliação foi criado pelo professor Donald Kirkpatrick para medir o impacto em programas tradicionais de treinamento. Seu método utiliza quatro níveis de avaliação: reação, aprendizado, comportamento e resultados. Reação: o quão favoráveis os participantes reagiram à instrução; o quanto eles gostaram de um programa em particular. Este nível de avaliação é comumente utilizado em seminários ou cursos em que o desempenho dos organizadores no �nal do evento é avaliado por meio de pesquisas. As perguntas são a respeito das habilidades do facilitador para realizar o processo, a utilidade do curso, o estado das instalações onde foi realizado, entre outros questionamentos. Aprendizado: o quão bem os participantes aprenderam os conhecimentos, as habilidades ou as atitudes durante a instrução; inclui os indicadores quanti�cáveis do aprendizado utilizados durante o curso ou treinamento. Para realizar a medição da aprendizagem, é preciso medir o conhecimento antes e depois do treinamento, que pode ser por meio de um teste escrito, e comparar um grupo que não recebeu o treinamento com um que fez, o chamado grupo de controle. Comportamento: em que grau os novos conhecimentos e as novas habilidades adquiridos no treinamento são aplicados no trabalho ou resultam em melhora do seu desempenho. Esta avaliação pode ser realizada por meio de entrevista, para identi�car se o participante está colocando em prática o conhecimento que adquiriu no treinamento. Resultados: consiste em avaliar as vantagens que os participantes obtiveram durante o treinamento, ou seja, até que ponto a instrução atinge o impacto pretendido no resultado do trabalho; qual o impacto do treinamento sobre os objetivos e as metas organizacionais (KIRKPATRICK, 1994). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O modelo de avaliação Kirkpatrick utiliza alguns parâmetros de desempenho, como: Avaliar antes e depois do treinamento. Oferecer um determinado intervalo para re�etir a mudança de atitude. Entrevistar a pessoa treinada, seu gestor, colaboradores e outros especialistas em observar seu contexto.Conseguir a totalidade das respostas. Repetir e avaliar quando necessário. Utilizar uma equipe de controle para avaliação. Considerar se a avaliação é lucrativa em comparação com os benefícios. Os dois primeiros níveis do modelo são os mais amplamente utilizados pelas organizações, muitas vezes, focando-se apenas no nível da reação (ÉBOLI, 2015), isso porque são mais fáceis de avaliar. No Brasil, enquanto 73% das empresas que possuem programas de educação corporativa avaliam sempre seus treinamentos em relação ao primeiro nível, 18% sempre avaliam o segundo e apenas 6% e 4% sempre avaliam os níveis 3 e 4, respectivamente (ÉBOLI, 2015). Os dois últimos níveis são mais difíceis de avaliar, muitas vezes pela ausência de suporte da gestão, tempo, alto custo e falta de conhecimento e de expertise dos pro�ssionais de treinamento sobre como avaliá-los. Mesmo com o processo de T&D estruturado, é importante não esquecer que as pessoas entregam o que a organização necessita de formas diferentes, porque são diferentes na maneira de articular seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes, no contexto organizacional. Assim, cada pessoa vai entregar a competência exigida pela organização de um jeito bem particular. Logo, não há uma forma padrão para o desenvolvimento de determinada competência e se deve respeitar a individualidade de cada pessoa. Pensar em T&D signi�ca dialogar com o colaborador e entender quais são as ações que podem ajudá-lo a entregar a competência requerida. Desta forma, é possível ajudar os colaboradores a se desenvolverem a partir deles mesmos e valorizar as pessoas como elas são, preservando a sua identidade e criando um comprometimento deles com seu próprio desenvolvimento (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Videoaula: Treinamento e desenvolvimento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Agora que você entendeu a importância de um programa estruturado detTreinamento e desenvolvimento na gestão por competências, que tal assistir a videoaula que preparamos com muito carinho para você aprender mais e tirar quaisquer dúvidas que possam ter �cado pelo caminho? Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Saiba mais Ficou curioso para entender melhor o conceito de complexidade cunhado por Dutra; Dutra e Dutra (2017)? Acesse Minha Biblioteca e descubra mais como é possível se desenvolver por meio do aumento de complexidade: Minha Biblioteca: Gestão de Pessoas Caso queira aprofundar no planejamento dos programas de T&D, acesse Maximiano (2014, p. 308), disponível em Minha Biblioteca: Minha Biblioteca: Recursos Humanos: Estratégia e Gestão de Pessoas na Sociedade Global Sobre o modelo Kirkpatrick (1994), acesse: Modelo Kirkpatrick: o que é e como usar para fazer avaliação? (micropowerglobal.com) Modelo de avaliação Kirkpatrick: conheça as principais características (questionpro.com) Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/38%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml18%5d!/4/46/1:423%5biza%2C%C3%A7%C3%A3o%5d https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2593-3/epubcfi/6/60%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter14%5d!/4/108/1:414%5b%20an%2Co.%5d https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2593-3/epubcfi/6/60%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter14%5d!/4/108/1:414%5b%20an%2Co.%5d https://micropowerglobal.com/modelo-kirkpatrick/ https://www.questionpro.com/blog/pt-br/modelo-de-avaliacao-kirkpatrick/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Aula 3 Desenvolvimento Introdução Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Tornar-se uma organização atrativa e desejada não é algo simples, mas cada vez mais, as organizações estão apostando em programas de desenvolvimento. O desenvolvimento auxilia na atração e retenção de talentos na organização. Reter um colaborador quali�cado é um desa�o para a maioria das empresas. Outro desa�o é engajar os colaboradores e algumas estratégias como treinamento, coach, mentoria, treinamento on-the-job e job rotation vem sendo aplicado com sucesso pelas organizações. O código de ética, que vincula o colaborador aos valores e crenças, são outra aposta das organizações para engajar e reter os colaboradores; pois mais que apenas um documento, assegura que as regras e os princípios de�nam a conduta dos colaboradores. A importância do desenvolvimento Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Na aula passada, vimos a diferença entre desenvolvimento e treinamento e �cou explícito que o desenvolvimento é a capacidade da pessoa em agregar valor para a organização (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Ainda segundo os autores, o processo de desenvolvimento de cada pessoa pode ser acompanhado pelo nível de complexidade em que o colaborador se encontra. Pois, um maior nível de complexidade implica em agregar mais valor para a organização. Quanto maior a capacidade de uma pessoa de compreender as demandas do contexto que ela vive, maior será sua capacidade em lidar com situações complexas. A esse fenômeno de compreender o contexto, Dutra; Dutra; Dutra (2017) denominam ‘nível de abstração’: Caso uma pessoa seja desa�ada a enfrentar uma situação mais exigente e mais complexa, só conseguirá seu intento se passar a compreender o contexto com maior profundidade. Ao fazê-lo habilita-se a lidar com maior complexidade. Portanto, se uma pessoa lida com um determinado nível de complexidade, ela tem um nível de abstração correspondente. Os autores apontam que é possível desenvolver o nível de abstração por meio da experiência e da formação. Ao investir em formação, o pro�ssional acelera seu desenvolvimento por meio da experiência, ou seja, ela permite que o aprendizado seja potencializado ao colocá-lo em prática. Assim, a experiência e a formação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento pessoal. O desenvolvimento dos colaboradores não é crítico apenas para o crescimento da organização, mas ainda mais crucial para a atração, para o engajamento e para a retenção dos talentos que a organização já possua, ou ainda deseja contratar. De acordo com Mitchell & Gamlem (2017) as Disciplina GESTÃO DE PESSOAS organizações possuem algumas opções para prover o desenvolvimento para seus colaboradores, como: treinamento, coaching (processo de realizar perguntas poderosas que extraiam as respostas do próprio colaborador), mentoria (a mentoria, diferente do coaching, pode expor ideias e contar sobre situações do passado que possam auxiliar o mentee), treinamento on-the- job (na prática do trabalho) e job rotation. O job rotation é uma das maneiras que as organizações utilizam para desenvolver os colaboradores, por meio da prática de rotação em postos ou áreas de trabalho horizontalmente. Lacombe a�rma que (2020, p. 131): Novas funções sempre representam oportunidades de novos aprendizados, mas existem limitações a essa rotação, pois ela deve manter as pessoas em posições compatíveis com a sua formação básica. Em alguns casos, a rotação é feita com a intenção de preparar o pessoal para novas funções, de acordo com um planejamento de recursos humanos. Em outros, com o propósito de proporcionar novos conhecimentos sem objetivo predeterminado. Outra importante forma de reter e engajar os colaboradores é por meio da cultura, pois é fundamental que os colaboradores estejam alinhados com os valores e o propósito da organização, como já vimos, aqui trataremos mais especi�camente sobre o Código de Ética. O Código de Ética é apresentado como um documento formal, com os valores básicos e as regras éticas da organização que os colaboradores devem seguir (ROBBINS; DECENZO; WOLTER, 2021). O código deve ser bastante especí�co para guiar os colaboradores, mas ele é mais do que isso, também busca engajar e inspirar os colaboradores a serem melhores pro�ssionais e pessoas, se dedicarem ao trabalho, entregarem um resultado excepcional e gerar con�ança. Job rotation e Código de Ética para engajar e reter colaboradoresDisciplina GESTÃO DE PESSOAS Para Aguilar (1996), quando a empresa desenvolve o senso ético ela preserva as relações internas incentivando naturalmente os colaboradores a agirem de maneira íntegra e serem empáticos na tomada de decisões. Ele ressalta ainda que “empresas conhecidas por conduta honrada provavelmente atrairão pessoas que adotam fortes valores morais” (AGUILAR, 1996, p. 114). Possuir um código de ética e aplicá-lo na prática, potencializa os princípios éticos da organização, desestimula os desvios morais e fortalece a cultura da organização. Uma organização ética tem maior probabilidade de atrair e reter colaboradores de bom caráter. De acordo com Jordano; Uemura; Guedes (2020) job rotation são transferências horizontais ou laterais de colaboradores entre postos de trabalho. O job rotation não é o mesmo que a promoção, que se refere a uma mudança para um degrau acima na hierarquia organizacional, com mudança de status, responsabilidades e grau de comando, além do aumento de salário e/ou benefícios. Os autores identi�caram os benefícios do job rotation para o desenvolvimento dos colaboradores, os mecanismos pelos quais a prática desenvolve as competências. Dos benefícios: Aquisição de novos conhecimentos técnicos/práticos relevantes para a realização das tarefas. Ganhos em e�ciência na realização das atividades. Aumento do senso crítico do colaborador; obtenção de uma visão global, ou uma visão mais completa do negócio. Aumento da capacidade de comunicação e relacionamento. Além disso, os autores identi�caram que o job rotation é um método de aprendizado mais e�caz do que treinamentos formais, por tratar do aprendizado na prática (JORDANO; UEMURA; GUEDES, 2020). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O desenvolvimento do colaborador leva a um maior engajamento com a organização. O engajamento é o comprometimento emocional que o colaborador possui com a organização e seus objetivos. Altos níveis de engajamento têm um impacto direto na produtividade da organização, na satisfação do cliente e no valor dos acionistas. Qualquer processo de desenvolvimento precisa ter o suporte do topo da organização. Os gestores possuem um papel fundamental para aumentar o engajamento dos colaboradores, pois estes esperam que os gestores: sejam amigáveis e acessíveis, comuniquem claramente suas expectativas, estejam abertos a novas ideias, trabalhem tão duro quanto eles esperam dos seus colaboradores, ajudem a encontrar soluções conjuntamente, se preocupem com cada colaborador enquanto indivíduo, valorizem o equilíbrio da vida pessoal e pro�ssional e avaliem de forma acurada a performance e o potencial de cada membro da equipe (MITCHELL; GAMLEM, 2017). Os gestores são vistos como exemplos no modo de conduta para os colaboradores, e precisam agir de forma a deixar os membros orgulhosos. Algumas ações que podem realizar com a �nalidade de aumentar o engajamento é: focar na carreira o no crescimento do colaborador; promover treinamento de liderança para todos que supervisionam alguém, reforçar a missão e visão continuamente e deixar que os colaboradores o enxerguem como ser humano (MITCHELL; GAMLEM, 2017). O desenvolvimento é para sempre! Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Segundo Dutra; Dutra; Dutra (2017) as pessoas se desenvolvem mobilizando seus pontos, ou seja, desenvolvendo o que elas já têm facilidade em realizar. Ao investir nos pontos fortes, os resultados de desenvolvimento são melhores do que quando se resolve investir nos pontos fracos, que são regiões de desconforto pro�ssional. Quando se investe no ponto fraco além de os resultados serem medíocres, a pessoa opera com grande sacrifício. Desta forma, o autoconhecimento é fundamental para que o pro�ssional saiba onde opera com facilidade e quais são os seus pontos fortes, assim ele mesmo consegue proporcionar desenvolvimento nestes pontos e auxilia a organização a desenvolvê-lo. Os pontos fracos devem ser objeto de atenção quando eles atrapalham os pontos fortes, mas não devem ser a prioridade de desenvolvimento. É crítico que os colaboradores saibam que eles são responsáveis pelo seu próprio desenvolvimento. Certamente as organizações podem ajudá-los, promovendo oportunidades para aprender e crescer, mas os colaboradores que devem estar em busca constante de desenvolver suas competências. Na medida em que seu desenvolvimento é sustentado e explicado por seu nível de abstração, a pessoa não retrocede no seu nível de compreensão do contexto e nem em sua capacidade de lidar com determinado nível de complexidade. Ou seja, o desenvolvimento da pessoa passa a se constituir em um patrimônio que a mesma levará para onde for (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Para aumentar o grau de abstração e se desenvolver é necessário sair da zona de conforto e se colocar à prova, em situações de desa�o. Uma pessoa que seja continuamente desa�ada no limite de sua capacidade, terá um desenvolvimento contínuo e consistente. Lembra dos talentos ou high potencials? Eles sentem constantemente essa necessidade de se desenvolver e por isso, se sentem atraídos em ambientes com desa�os constantes (pois sabem que estes desa�os é o que os desenvolve). Se, por um lado, desenvolver o colaborador é entregar mais valor para a organização, por outro, o colaborador também está se tornando um melhor pro�ssional, cidadão, membro de família e melhor pessoa, pois ao compreender o contexto, está compreendendo sua relação nas várias dimensões de sua vida. Além desses dois aspectos que já são extremamente importantes, o desenvolvimento ainda é capaz de aumentar o engajamento e a retenção, diminuindo o turnover. O custo de perder um bom colaborador é alto, mais do que apenas o �nanceiro. Pense no impacto que perder um colaborador valioso tem sobre os membros de uma equipe, a produtividade irá sofrer até ajustar um novo membro; além, dos custos de contratar uma nova pessoa e treiná-la para a posição. Assim, faz muito sentido pensar no desenvolvimento como uma forma de retenção estratégica. Sabe-se que é impossível ter alguém em uma organização para sempre, principalmente os Millennials, mas o esforço de mantê-los o máximo possível compensa. Videoaula: Desenvolvimento Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O desenvolvimento é o maior recurso que uma organização pode contar para atrair, reter e engajar um colaborador, e depende muito da postura dos gestores. Preparamos uma videoaula especial para você continuar se aprofundando no tema de desenvolvimento. Vem assistir? Saiba mais Ficou interessado em saber como se desa�ar? Ou por que você não curte tanto um desa�o? Uma leitura muito interessante que trata desse tema é sobre mindset. Fica a sugestão o livro da Carol Dweck, que explica sobre os dois diferentes tipos de mindset: �xo e de crescimento. Pessoas com o mindset de crescimento aceitam os desa�os e sabem que a nossa quantidade de inteligência não é limitada. Caso não tenha acesso ao livro, segue um resumo, acessível em: APRIMORESUAMENTE. Carol Dweck: Um Resumo Sobre o Mindset e o Poder De Acreditar Que Você Pode Melhorar. 2019. https://www.aprimoresuamente.com/carol-dweck-mindset/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Referências AGUILAR, F. J. A ética nas empresas / Francis j. Aguilar; tradução Ruy Jung Mann. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. JORDANO, P. I. S.; UEMURA, M. R. B.; GUEDES, L. V. O job rotation como mecanismo para desenvolver competências. R. Adm. FACES Journal, Belo Horizonte v. 19, n. 4, p. 55-73, out./dez. 2020. ISSN 1984-6975 (online). LACOMBE, F. J. M. Recursos humanos. 3. ed. Editora Saraiva, 2020. Disponível em: Minha Biblioteca: Recursos humanos. Acesso em: 27 set. 2022. MITCHELL, B.; GAMLAM, C. The Big Book of HR. Wayne:The Career Press, 2017. ROBBINS, S. P.; DECENZO, D. A.; WOLTER, R. M. A nova administração. 2. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021. Aula 4 Educação corporativa Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788571441262/epubcfi/6/38%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcap9.xhtml%5d!/4/2/2%4049:8 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788571441262/epubcfi/6/38%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcap9.xhtml%5d!/4/2/2%4049:8 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A educação corporativa é uma prática que agrega a gestão por competências com a gestão do conhecimento. Esta integração é voltada para estratégias de longo prazo que vão muito além de um simples treinamento corporativo de rotina. As universidades corporativas são derivadas dos conceitos de educação corporativa, consideradas o braço educacional das organizações que planejam e executam o desenvolvimento dos colaboradores, com foco nas competências individuais necessárias para assegurar as competências essenciais do negócio. Das principais tendências da educação corporativa é possível identi�car: microlearning, gami�cation, mobile learning, big data, trilhas de aprendizagem, aprendizagem social, treinamento personalizado e inteligência arti�cial. Educação corporativa Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Pesquisas comprovam a relação entre as melhores práticas de gestão de pessoas adotadas pelas organizações para atrair, manter e desenvolver os pro�ssionais mais talentosos com os melhores resultados no desempenho das equipes e consequentemente auferir mais lucro. O treinamento, desenvolvimento e educação ganharam força em relação às outras práticas de RH, pois é absolutamente necessário que as organizações desenvolvam seus talentos, suas competências para serem mais competitivas e obtenham mais resultados nos negócios. Por estes motivos, mais e mais empresas criam um sistema diferenciado de desenvolvimento de pessoas dentro do conceito de educação corporativa (ÉBOLI, 2002). Na Figura 1, é possível identi�car de maneira visual, como a educação corporativa conecta a organização em sua cultura, suas competências e em seus resultados, e gera maior competitividade. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Educação corporativa: conectividade para competitividade. Fonte: Éboli (2002, p. 189). Segundo Éboli (2008) a educação corporativa é um sistema de formação de pessoas pautado por uma gestão de pessoas com base em competências, devendo instalar e desenvolver nos colaboradores (internos e externos) as competências consideradas críticas para a viabilização das estratégias do negócio, promovendo um processo de aprendizagem ativo e permanente, vinculado aos propósitos, valores e objetivos organizacionais. A educação corporativa possui como principal objetivo a promoção, disseminação e manutenção do processo de aprendizagem dos colaboradores e da organização, para promover o desenvolvimento dos colaboradores e o crescimento da organização. É importante ressaltar que a educação corporativa é mais do que simplesmente ações de treinamento, pois são ações que estimulam o desenvolvimento dos colaboradores aliadas às estratégias e aos objetivos organizacionais; que acabam por incentivar processos de inovação e melhoria contínua. As universidades corporativas são derivadas dos conceitos de educação corporativa, consideradas o braço educacional das organizações que planejam e executam o desenvolvimento dos colaboradores, com foco nas competências individuais necessárias para assegurar as competências essenciais do negócio – core competences. Para Araújo e Garcia (2014), universidade corporativa: [...] é um conceito inspirado no tradicional conceito de universidade e abrigado pelo ambiente empresarial e diz respeito ao desenvolvimento de pessoas da organização, clientes, consumidores, fornecedores, franqueados, terceirizados e até́ mesmo a comunidade. No mesmo tocante, Ribeiro (2018, p. 33) declara que: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Universidade corporativa, ou universidade empresarial, é uma instituição empresarial, dedicada ao ensino e à capacitação pro�ssional de nível técnico e superior e que pode incluir a realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento relevantes à empresa mantenedora. A universidade corporativa está intimamente relacionada com a gestão do conhecimento, uma vez que ela procura atender a necessidade do desenvolvimento contínuo. A gestão do conhecimento é a capacidade de a empresa converter o conhecimento adquirido em qualidade, produtividade e inovação, gerando um diferencial competitivo sustentável. Assim, inclui identi�car e mapear os ativos intelectuais ligados à organização; gerar novos conhecimentos (para aumentar a vantagem competitiva); tornar acessíveis grandes quantidades de informações organizacionais e compartilhar melhores práticas e tecnologia (que torna a gestão do conhecimento possível). Das principais tendências da educação corporativa é possível identi�car: microlearning, gami�cation, mobile learning, big data, trilhas de aprendizagem, aprendizagem social, treinamento personalizado e inteligência arti�cial. Educação corporativa = gestão por competências + gestão do conhecimento Segundo Ribeiro (2018) o objetivo da universidade corporativa é oferecer programas e cursos para os colaboradores da corporação, clientes, fornecedores e certos públicos de interesse. A ideia é customizar cursos e programas exatamente de acordo com as políticas e estratégias da Disciplina GESTÃO DE PESSOAS organização. O diferencial de uma universidade corporativa está na compreensão de assuntos pertinentes a segmentos especí�cos, setor ou segmento na empresa. A ação da universidade corporativa é bem especí�ca e alinhada com os negócios da empresa que a cria e mantém. A universidade corporativa é mais comumente encontrada em grandes empresas e não necessita de registro, nem reconhecimento e é muito menos burocrática que a escola tradicional. Contudo, não deve haver con�ito entre as formas de ensino corporativo e acadêmico, que devem ser vistas como mutuamente importantes ao colaborador. O reconhecimento da qualidade da universidade corporativa é assegurado pelo respeito que ela alcança no mercado (RIBEIRO, 2018). Segundo a professora Marisa Éboli, as universidades corporativas foram concebidas com alguns objetivos: 1) difundir a ideia de que o capital intelectual é um fator de diferenciação das empresas; 2) despertar nos talentos humanos a vocação para o aprendizado constante; 3) incentivar e estruturar atividades de autodesenvolvimento; 4) motivar e reter os melhores talentos criando um clima organizacional saudável. Araújo e Garcia (2014) justi�cam a presença da universidade corporativa nas organizações por meio da a�rmação seguinte: O desenvolvimento das pessoas precisa estar fortemente alinhado aos propósitos da empresa. Neste sentido, universidades corporativas têm caráter doutrinário, a despeito de o discurso organizacional mencionar a capacidade de pensar diferente, de inovar, de romper paradigmas, como a principal competência hoje exigida e, portanto, privilegiada na universidade corporativa. (VERGARA; DAVEL apud ARAÚJO; GARCIA, 2018, p. 85) As organizações interessadas em projetos de educação corporativa são aquelas que realizam esforços mais intensos para mapear suas competências críticas e investem em gestão do conhecimento. Com a gestão do conhecimento é possível construir as competências essenciais – aquelas que irão diferenciar a organização estrategicamente. De acordo com Éboli (2002) três questões devem ser respondidas pelas organizações: 1) Por que implementar um sistema de educação corporativa? 2) O que fazer para implementar um sistema de educação corporativa? 3) Como fazer? Na Figura 2 as ideias por trás destas perguntas sobre as relações entre competências, gestão do conhecimento, aprendizagem e sistema de educação corporativa �cam mais evidentes. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 2 | Educação coorporativa: articulação dos conceitos de competência, gestão do conhecimento eaprendizagem. Fonte: Éboli (2002, p. 193). No questionamento primeiro, de por que implementar a educação corporativa, a autora expõe o fato de elevar o patamar de competitividade organizacional por meio do desenvolvimento, da instalação e da consolidação das competências essenciais. Para implementar a educação corporativa – questão dois – Éboli (2002) argumenta que para que o sistema de educação corporativa seja e�caz é necessário aumentar a inteligência da organização por meio da implementação de um modelo de gestão do conhecimento e de gestão de pessoas. Por �m, a resposta de como fazer é mais completa, uma vez que depende das pessoas envolvidas no processo de implementação, em que estas precisam ser motivadas, envolvidas e comprometidas. É fundamental a criação de um ambiente e uma cultura cujos valores e princípios sejam disseminados e propícios a processos de aprendizagem ativa e contínua, estimulando posturas de autodesenvolvimento e a formação de lideranças educadoras. Principais tendências da educação corporativa Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Em linhas gerais, a educação corporativa é uma prática que agrega a gestão por competências com a gestão do conhecimento. Esta integração é voltada para estratégias de longo prazo que vão muito além de um simples treinamento corporativo de rotina. Das principais tendências da educação corporativa, é possível identi�car algumas práticas. O microlearning é uma das principais tendências na educação corporativa, envolve o uso de conteúdos de curta duração e busca reduzir a quantidade de informações disseminadas; uma vez que o foco humano e a sua capacidade de concentração são limitados. Uma estratégia é transmitir pequenos trechos (que podem ser por vídeos ou textos) intercalados com questionários que ajudam no envolvimento do estudante e na retenção de informações, pois permite que os colaboradores tenham acesso ao conteúdo aos poucos e tenham tempo para re�etir e assimilá-lo. O gami�cation é outra forte tendência na gestão de pessoas e gestão do conhecimento, pois é uma técnica capaz de tornar a aprendizagem mais atrativa e divertida. O gami�cation pode estar presente nas atividades do dia a dia com pontuações, desa�os e missões a serem cumpridas ou estar presente nos esforços de e-Learning, por meio de um jogo, por exemplo. Com o gami�cation os colaboradores percebem sua evolução no desbloqueio de conquistas e recebimento de um crachá ou botom na conclusão bem-sucedida. É possível ainda incorporar certa concorrência ao segmento, com uma tabela de classi�cação pública (aqui é preciso cuidado para que a competição não extrapole a cooperação). Mobile learning, como o nome já diz, é o aprendizado por meio da utilização de smartphones e tablets. Permite que o colaborador acesse em qualquer lugar e pode se tornar mais atrativo, apresentar o conteúdo por meio de aplicativos, além de estar sempre com o material dos treinamentos consigo. A big data envolve a geração de índices e indicadores de resultados obtidos no ambiente de trabalho para auxiliar na análise especí�ca do que a organização necessita e, por conseguinte, direcionar os cursos de maneira mais especí�ca. Após analisar as lacunas entre as competências reais dos colaboradores e as desejadas pela organização, são criadas as trilhas de aprendizagem, para que o colaborador desenvolva novas habilidades e Disciplina GESTÃO DE PESSOAS aplique as já existentes no seu dia a dia. A aprendizagem social é uma novidade na educação corporativa, pois é possível aprender com blogs, fóruns de discussão, vídeos e outras mídias sociais, aumentar o engajamento e desempenhar um papel fundamental na quali�cação dos colaboradores. Os treinamentos personalizados são aqueles que não ocorrem de forma indiscriminada, mas de maneira direcionada para os colaboradores, de acordo com suas necessidades especí�cas de desenvolvimento. Podem ocorrer presencialmente ou por meio do EAD (educação a distância), sempre com o foco no ritmo de aprendizado e nas competências a serem desenvolvidas por cada colaborador. Por �m, a utilização da Inteligência Arti�cial (IA) vem sendo cada vez mais difundida nas organizações, pois permite o oferecimento de conteúdos que atendam aos interesses dos colaboradores com base em seu histórico de pesquisas. A IA possibilita a criação de materiais interativos, respeita o ritmo de aprendizagem individual e aumenta o engajamento dos participantes ao fornecer indicações de materiais ligados ao interesse de cada pessoa. A universidade corporativa busca atender o desenvolvimento contínuo e não é uma substituta da educação formal, mas, eventualmente, pode agir em complemento à educação formal, suprindo certas lacunas do processo educativo. A universidade corporativa não deve ser vista como mais um departamento da organização, mas deve estar integrada à gestão de pessoas ou à pesquisa e desenvolvimento e permear toda a organização, como um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar colaboradores, clientes, fornecedores e comunidade. Videoaula: Educação corporativa Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A educação corporativa é mais do que simplesmente um nome diferenciado para T&D. Educação corporativa está ligada à estratégia organizacional e visa o desenvolvimento dos colaboradores para alcançar os objetivos. Se você se interessou pelo tema, venha assistir a videoaula que preparamos com muito carinho! Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se você deseja se aprofundar mais na gestão do conhecimento, sugerimos a leitura de Nonaka & Takeushi (2008), disponível em Minha Biblioteca: Minha Biblioteca: Gestão do Conhecimento Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788577802296/pageid/164 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ARAÚJO, L. C. G.; GARCIA, A. A. Gestão de pessoas: estratégias e integração organizacional. Edição Compacta, 2. ed. Grupo GEN, 2014. EBOLI, M. Educação corporativa no Brasil: da prática à teoria. In: XXVI Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro: ANPAD, 2004 EBOLI, M. P. Educação corporativa e desenvolvimento de competências. In: DUTRA, J. S.; FLEURY, M. T. L.; RUAS, R. (Org). Competências, conceitos, métodos e experiências. São Paulo: Editora Atlas, 2008, v.1, p. 172-197. EBOLI, M. P. O desenvolvimento das pessoas e a educação corporativa. In: FISCHER, A. L; et al. As pessoas na organização. São Paulo: Editora Gente, 2002. PANZA, A. C. Gestão do conhecimento: uma ferramenta para a administração de empresas. I Congresso de Administração da Faculdade Anchieta. São Bernardo do Campo, abril de 2008. RIBEIRO, A. D. L. Gestão de treinamento de pessoas. Editora Saraiva, 2018 Aula 5 Revisão da unidade Integração, treinamento e desenvolvimento Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Depois de todo o processo de atrair e selecionar, �nalmente a organização encontrou o candidato ideal para a vaga em aberto. Após realizar a oferta de trabalho e receber o aceite do pro�ssional, começa mais um importante processo de gestão de pessoas: a integração. Outros possíveis nomes ao processo de integração são: socialização, onboarding, etc. A integração do colaborador inicia logo após o seu aceite e toda a atenção que será despendida com o novo colaborador será crucial para a formação do contrato psicológico. O novo membro chega cheio de expectativas na organização e ao mesmo tempo receoso com novo cenário que se apresenta. O onboarding visa introduzir o colaborador na organização, reforçando a missão, a visão e os valores, inserindo-o na cultura organizacional e no departamento e time que irá trabalhar. Uma vez inserido no ambiente de trabalho, o colaborador precisa desempenhar suas atribuições. Com o escopo de manter os colaboradores motivados e capacitados, objetivando a efetividade, a gestão de pessoas possui uma área que se chama Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Apesar deestarem em treinamento e desenvolvimento, sob um mesmo guarda-chuvas na área de gestão de pessoas, possuem dimensões diferentes. O treinamento normalmente se refere a instruções fornecidas para uma determinada posição e possui um foco, normalmente menor. O desenvolvimento é comumente maior em escopo e pode ou não ser focado na posição do colaborador, porém é necessária para o sucesso da organização. Em outras palavras, Dutra, Dutra e Dutra (2017) de�ne o desenvolvimento como o aumento da capacidade do pro�ssional em agregar valor para a organização e entende que é possível identi�car o grau de desenvolvimento de cada colaborador por meio do nível de complexidade que ele se encontra. O ciclo de T&D está pautado na de�nição das necessidades de treinamento, o planejamento, a execução e por �m, a Disciplina GESTÃO DE PESSOAS avaliação, que usualmente ocorre por meio do modelo Kirkpatrick. Este modelo é utilizado para avaliar a e�cácia do treinamento. O desenvolvimento auxilia na atração e retenção de talentos na organização. Reter um colaborador quali�cado vem sendo um desa�o para a maioria das empresas. Outro desa�o é engajar os colaboradores e algumas estratégias como treinamento, coach, mentoria, treinamento on-the-job e job rotation vem sendo aplicado com sucesso pelas organizações. O código de ética, que vincula o colaborador aos valores e às crenças, é uma outra aposta das organizações para engajar e reter os colaboradores; pois mais que apenas um documento, assegura que as regras e os princípios de�nem a conduta dos colaboradores. Grandes organizações, que possuem esforços voltados para o desenvolvimento dos colaboradores possuem universidades corporativas. A educação corporativa é uma prática que agrega a gestão por competências com a gestão do conhecimento. Esta integração é voltada para estratégias de longo prazo que vão muito além de um simples treinamento corporativo de rotina. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Deseja saber mais sobre integração, treinamento, desenvolvimento e educação corporativa, seja para aplicar na sua empresa ou para entender o processo natural de desenvolvimento e subir no patamar de complexidade e abstração?! Preparamos um vídeo que vai trazer estes conteúdos de maneira integrada e dinâmica. Vem assistir com a gente! Estudo de caso Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Rafaela entrou na organização em que você é gestor da área de vendas há seis meses. Ela disse que gostaria de ter uma conversa de carreira com você. Por conta disso, uma conversa foi agendada e se encontraram. Nessa reunião Rafaela falou que está muito feliz em fazer parte da empresa e que já está se relacionando bem com os membros de sua equipe e com os colaboradores de outras áreas, mas gostaria de saber o que deveria fazer para subir na carreira. Assim como qualquer jovem da idade de Rafaela, eles desejam rapidamente subir para posições mais estratégicas, e perguntou se a empresa possui um plano de carreira. Você a elogiou por sua iniciativa e explicou que cada vez menos as organizações possuem planos estruturados de carreira, e hoje as carreiras vistas como modernas, possuem um autogerenciamento muito grande do colaborador, mas que você como líder dela, gostaria de ajudá-la a pensar estrategicamente em como ela pode se desenvolver e galgar novos percursos dentro da empresa. Rafaela é recém-formada em administração de empresas e nunca cursou uma pós- graduação, pois assim que se formou foi contratada para trabalhar na sua empresa. Você sugeriu que esse poderia ser um dos caminhos de desenvolvimento, ingressar na educação formal. Sugeriu ainda que ela poderia realizar um job rotation, a�nal a empresa é grande e possui muitas áreas que ela poderia aprender e ter outros gestores com per�s diferentes, que também agregaria conhecimento e novas relações interpessoais. Você também mencionou que juntos, poderiam pensar em uma trilha de aprendizagem e acionar a educação corporativa da organização para que conteúdos de vendas, dos produtos e outros conteúdos pertinentes possam ser liberados e inseridos em uma trilha personalizada para a Rafaela. Você até contou que essa trilha, atualmente, é realizada por mobile learning. _______ Re�ita Rafaela �cou muito animada ao perceber que foi bem recebida por você em sua demanda, mas �cou um pouco confusa. Como ela ainda é jovem e possui pouco tempo de casa, gostaria que Disciplina GESTÃO DE PESSOAS você explicasse como cada uma dessas ações sugeridas funcionam e podem auxiliar em seu desenvolvimento. Explique o que é a pós-graduação e como a educação formal auxilia no desenvolvimento do pro�ssional e seus benefícios. Faça o mesmo para o job rotation e a trilha de aprendizagem e explique o que é mobile learning e quais seus benefícios. Um modelo para diálogos de desenvolvimento: BONAVITO, C. Um modelo para diálogos de desenvolvimento. OIPÉ, 2020. Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Uma pós-graduação, assim como um MBA, são ações de educação formal que auxiliam no desenvolvimento pro�ssional e pessoal, pois é possível desenvolver o nível de abstração por meio da experiência e da formação. Ao investir em formação, o pro�ssional acelera seu desenvolvimento por meio da experiência, ou seja, esta permite que o aprendizado seja potencializado ao colocá-lo em prática. Assim, a experiência e a formação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento pessoal. Aprender diferentes conteúdos na educação formal permite que o colaborador leve um novo repertório para o ambiente de trabalho e consiga colocar em prática novas atividades e realizar sugestões valiosas para a organização. O job rotation é uma prática que as organizações utilizam para desenvolver os colaboradores por meio da rotação do pro�ssional em postos ou áreas de trabalho horizontalmente. Novas funções representam oportunidades de novos aprendizados, que podem ser tanto do trabalho em si, como da organização, proporcionando uma visão mais sistêmica, ou de aprendizagem de relacionamento interpessoal, uma vez que o colaborador terá um novo gestor e novos membros diretos em sua equipe. Dos benefícios proporcionados pelo job rotation é possível identi�car: Aquisição de novos conhecimentos técnicos/práticos relevantes para a realização das tarefas. Ganhos em e�ciência na realização das atividades. Aumento do senso crítico do colaborador. Obtenção de uma visão global, ou uma visão mais completa do negócio. Aumento da capacidade de comunicação e relacionamento. O job rotation é um método de aprendizado mais e�caz do que treinamentos formais, por tratar do aprendizado na prática. As trilhas de aprendizagem são caminhos que de aprendizagem que o colaborador irá percorrer, após serem analisadas as lacunas entre as competências reais dos colaboradores e as https://blog.oipe.com.br/um-modelo-para-dialogos-de-desenvolvimento/ Disciplina GESTÃO DE PESSOAS desejadas pela organização, para que o colaborador desenvolva novas habilidades e aplique as já existentes no seu dia a dia. Mobile learning, como o nome já diz, é o aprendizado por meio da utilização de smartphones e tablets. Permite que o colaborador acesse em qualquer lugar e pode se tornar mais atrativo apresentar o conteúdo por meio de aplicativos, além de estar sempre com o material dos treinamentos consigo. Sempre com o foco no ritmo de aprendizado e nas competências a serem desenvolvidas por cada colaborador. Resumo visual Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Integração, treinamento e desenvolvimento. Fonte: elaborado pelo autor. Referências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS DUTRA, J. S.; DUTRA,T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. KIRKPATRICK, D.L. Evaluating training programs: the four levels. San Francisco: Berret-Koehler, 1994. , Unidade 4 Pesquisa de Clima Organizacional (PCO) Aula 1 A importância da pesquisa de clima organizacional Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Caro estudante, O envolvimento com o trabalho, os valores organizacionais e a entrega de um colaborador estão intimamente ligados a sua satisfação no ambiente, uma vez que afetam seus sentimentos e disposições futuras. Os níveis de satisfação no trabalho podem ser investigados por meio da pesquisa de clima organizacional. Contudo, essa pesquisa vai além de simplesmente mediar a satisfação do colaborador, entrando em outras importantes searas como a compreensão de como as políticas e práticas afetam os colaboradores, a concordância (ou não) com o direcionamento estratégico do negócio, aspectos de liderança, entre outros. A pesquisa de clima organizacional é importante não apenas como um termômetro das percepções dos colaboradores, mas por auxiliar na tomada de decisões em relação a problemas e divergências que podem estar ocorrendo na organização. O que é “clima organizacional”? Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Em um contexto em que as mudanças ocorrem com uma alta velocidade é fundamental que as organizações tenham a capacidade de manter um clima positivo e ajudem seus colaboradores a focar nos objetivos organizacionais, traduzindo-os a partir dessas mudanças. A �m de manter o clima positivo, é necessário que, de tempos em tempos, ocorra uma pesquisa sobre a percepção dos colaboradores em relação ao ambiente no qual estão inseridos, para corrigir disfunções e manter uma atmosfera harmoniosa na organização, permitindo que eles realizem seu trabalho com efetividade (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). O clima organizacional pode ser desenvolvido por três fontes distintas: 1) exposição dos colaboradores à estrutura; 2) os processos e práticas organizacionais; 3) o compartilhamento de signi�cados por meio da interação social. A pesquisa de clima organizacional é um levantamento que se faz sobre a opinião dos colaboradores sobre aspectos do ambiente de trabalho. Segundo Coda (2016, p. 92): Pesquisa de Clima Organizacional é uma ferramenta estratégica de Gestão de Pessoas que mensura os níveis de satisfação no trabalho de colaboradores e que permite de�nir ações que contribuam para o crescimento e desenvolvimento das pessoas e também para alavancar ou sustentar a produtividade e a qualidade das atividades realizadas. É uma forma de mapear o ambiente interno da empresa para corrigir problemas, melhorando, assim esse ambiente. Para Fischer (1996, in: DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017), o objetivo da pesquisa de clima organizacional consiste em compreender como estão as relações entre a organização e seus Disciplina GESTÃO DE PESSOAS membros, não apenas do ponto de vista da satisfação e da motivação, mas também de aspectos relacionados à compreensão das políticas, concordância com o direcionamento estratégico do negócio, entre outros. Assim, é possível a�rmar que o clima organizacional é formado por meio dos sentimentos compartilhados pelos colaboradores, em relação à organização em que atuam. Esses sentimentos podem ser positivos ou negativos e in�uenciam no comportamento das pessoas e, por conseguinte, em seus desempenhos (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Em algum momento, é possível que haja uma confusão entre cultura e clima. Já estudamos cultura organizacional e sua importância, e vimos que a cultura é formada por valores, crenças, códigos e regras de natureza coletiva que determinam as normas comportamentais das organizações e são compartilhadas por todos os colaboradores. A cultura, comparada ao clima, possui um caráter mais estável, enquanto o clima possui uma natureza mais temporária. A pesquisa de clima retrata, como uma fotogra�a, o que as pessoas acreditam que está acontecendo, ou não, no ambiente de trabalho em um determinado momento. Assim, é um mapeamento das percepções dos colaboradores e ajuda a diagnosticar uma situação para levantar problemas que mereçam ser corrigidos (CODA, 2016). Segundo Dutra (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017, p. 350): “tanto o Clima quanto a Cultura Organizacional referem-se à forma pela qual os membros de uma organização atribuem sentido ao ambiente em que atuam”. A pesquisa de clima organizacional deve ser constantemente realizada nas organizações para que se possa identi�car como os colaboradores estão se sentindo e compreender os seus comportamentos no ambiente de trabalho. É possível que os gestores estejam enxergando uma realidade diferente daquela vivenciada e sentida pelos demais membros da organização. A pesquisa de clima pode ser realizada pela Gestão de Pessoas da própria organização, desde a elaboração e a aplicação do questionário, ou pode-se contratar uma empresa terceira para realizá-la. Como e por que medir o clima organizacional? Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A pesquisa de clima é uma ferramenta valiosa para que os gestores possam identi�car aspectos estruturais importantes a serem considerados no planejamento e desenvolvimento de estratégias organizacionais, uma vez que fornece apoio às decisões que devem ser tomadas considerando políticas de valorização e retenção dos colaboradores. Desta forma, �ca clara a importância de os gestores cuidarem do ambiente de trabalho, das políticas vigentes de gestão de pessoas e oportunidades de carreira, comprovando na prática o discurso de valorização do capital humano. A base conceitual para estruturar uma pesquisa de clima, segundo Coda (2016), envolve três pontos básicos: 1. As atitudes dos colaboradores em relação a seus cargos e organização. 2. As formas pelas quais é possível obter informações a respeito dessas atitudes. 3. A forma de utilizar essas informações efetivamente. As atitudes, ainda segundo o autor, exercem um impacto sobre o modo pelo qual os integrantes de uma organização percebem e julgam seu ambiente de trabalho. Atitudes positivas podem ser vistas como o resultado da contínua construção do clima, que apoia e valoriza os colaboradores como diferenciais competitivos. A pesquisa de clima, assim como qualquer outra pesquisa, precisa de indicadores de validade e con�abilidade. A con�abilidade é de�nida como a capacidade de produzir resultados consistentes. Ela permite que as variações nos resultados sejam vistas como reais, e não oriundas de diferenças na aplicação. Já a validade é a pesquisa conseguir medir aquilo a que se propõe. Contudo, os construtos presentes na pesquisa de clima são complexos e di�cultam a criação de indicadores que sejam respondidos com precisão. Segundo Coda (2016, p. 97), para aumentar a con�abilidade e validade da pesquisa, são necessários alguns cuidados antes do início do levantamento dos dados: Participação voluntária na pesquisa e não obrigatória. Amplitude de consulta, envolvendo a maior quantidade possível de colaboradores para garantir a representatividade. Garantia do anonimato das respostas, ainda que a realização seja por meio eletrônico. Comparação com resultados de levantamentos anteriores. Estipulação de prazo para responder ao questionário. Garantia de devolutiva da pesquisa, para que todos tenham acesso aos resultados. Compromisso em implantar um plano de ação para melhoria de pontos que sejam identi�cados como necessários; indicação das medidas, prazos, responsáveis e custos envolvidos. Quando a pesquisa é desenvolvida e aplicada pela própria organização, além destes cuidados especi�cados, é necessário também levar em consideração a elaboração do construto. Realizar uma pesquisa de clima não é apenas fazer um conjunto de perguntas que os responsáveis pela Gestão de Pessoas consideram importantes. A pesquisa,como já mencionado, é estratégica para a organização e, como tal, deve ser tratada com muita seriedade, dentro dos aspectos metodológicos válidos. Assim, os objetivos da criação de um instrumento de pesquisa de clima devem: Incluir dimensões representativas do clima. Fornecer indicadores válidos para cada dimensão. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Garantir o maior grau de comparação entre resultados de outras organizações (utilizar indicadores efetivamente comuns e generalizáveis) (CODA, 2016, p. 99). IMCO – Instrumento Multidimensional de Clima Organizacional Como construir um questionário validado de pesquisa vai além do escopo da presente aula, vamos trazer um instrumento já validado para melhor entender como se dá a pesquisa de clima e quais dimensões são pesquisadas. O IMCO – Instrumento Multidimensional de Clima Organizacional (Coda, 2016) é composto por quinze dimensões divididas em cinco vetores: Motivação, Liderança, Filoso�a de Gestão, Gestão de Pessoas e Natureza do Trabalho. As dimensões são: Reconhecimento, Comprometimento, Desenvolvimento Pro�ssional, Estilo Gerencial, Competição no Trabalho, Clareza Organizacional, Comunicação, Estruturas, Regras e Conformidade, Compensação, Imagem da área de RH, Perspectiva de Carreira, Treinamento e Desenvolvimento, Conteúdo do Trabalho e Volume do Trabalho. Esses vetores e dimensões podem ser melhor identi�cados no quadro que segue: Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quadro 1 | Vetores e Dimensões do Modelo IMCO. Fonte: Coda (2016, p. 103). De acordo com Coda (2016), esses vetores fornecem um importante subsídio para a melhoria da satisfação dos colaboradores, pois ajudam a caracterizar variáveis efetivamente intervenientes no clima da organização. Cada uma destas 15 dimensões apresenta 84 questões (indicadores) para os colaboradores responderem, que são aderentes à teoria de clima organizacional. Estas questões devem ser utilizadas pelos pro�ssionais de Gestão de Pessoas não apenas na aplicação da pesquisa, mas também para criar um plano de ação voltado para a melhoria de aspectos identi�cados como necessários a serem corrigidos. Os resultados da pesquisa de clima organizacional são analisados objetivamente, apesar de, segundo Dutra, Dutra e Dutra (2017), serem mais intuitivos do que necessariamente empíricos. Vale registrar que realizar uma pesquisa de clima pode parecer algo simples, porém, na prática, vai além de convidar os colaboradores para participarem. Podem ocorrer muitos erros desde o planejamento da pesquisa, a execução e a tabulação dos resultados, limitando ou até mesmo invalidando a pesquisa. A vantagem de utilizar empresas terceiras para a execução da pesquisa de clima é que os colaboradores podem se sentir mais confortáveis com o sigilo de suas respostas e, consequentemente, ser mais honestos em suas respostas, pois entendem que não serão pessoalmente implicados por elas. Isso porque muitas organizações utilizam esta ferramenta para realizar o que chamamos de “caça às bruxas”, ou seja, para saber o que cada colaborador pensa e eliminar aqueles que se manifestam contrários ao que acontece na organização. Por outro lado, existem empresas especializadas que, além de aplicar a pesquisa de clima, também certi�cam a organização como um bom lugar para se trabalhar, o que pode ser visto como mais um ponto vantajoso da contratação de terceiros para a aplicação da pesquisa de clima organizacional. Seja pela realização interna da pesquisa de clima, ou por meio de contratação de empresas terceiras, segundo Dutra, Dutra e Dutra (2017), é comprovada a relação entre o clima organizacional e os resultados do negócio. O conceito de clima é um fenômeno complexo e em Disciplina GESTÃO DE PESSOAS múltiplos níveis, como observado no Quadro 1. Cabe à Gestão de Pessoas, pesquisadores e consultores, que utilizem das pesquisas de clima para acumular mais conhecimento e compreensão da função do clima nas organizações e suas implicações nos resultados organizacionais (CODA, 2016). Videoaula: A importância da pesquisa de clima organizacional Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A pesquisa de clima é fundamental dentro das organizações para medir as percepções dos colaboradores, assim como o termômetro é essencial na prática médica. Quer saber mais sobre essa importante prática de Gestão de Pessoas? Venha assistir à videoaula que preparamos para você! Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se você se interessou pela pesquisa de clima organizacional e deseja saber mais sobre as 84 questões que compõem o IMCO, no livro Competências Comportamentais, do professor Roberto Coda, você encontra o instrumento na íntegra (p. 111). CODA, R. Competências Comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas, 2016 Referências CODA, R. Competências Comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas, 2016. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. Aula 2 Análise, apresentação e ações referentes aos resultados encontrados na pesquisa de clima organizacional Introdução Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Caro estudante, Depois de entender os diferentes tipos de pesquisa de clima, que variam de acordo com a frequência com que a organização deseja implementar a pesquisa e escolher os temas que serão abordados, chegou a hora de aplicar a pesquisa. Para que o engajamento seja alto, é preciso que haja uma boa comunicação com os colaboradores sobre a importância da pesquisa, o que ela é e o que será feito com ela. Deixar claro o prazo para responder a pesquisa, colocar-se à disposição para eventuais dúvidas ou ansiedades também fazem parte da rotina do RH. Após a aplicação da pesquisa e com os dados em mãos, chegou a hora de realizar a análise dos resultados. As análises podem ser feitas com o auxílio de tabelas e grá�cos que ajudam na exposição dos resultados, primeiramente aos gestores e depois para todos os colaboradores. A comunicação e o planejamento dos planos de ações, das mudanças que a pesquisa indica que são necessários, são fundamentais para haja ciclicidade no processo de pesquisa de clima e implantação das ações. Os diferentes tipos de pesquisa de clima organizacional Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Existem diferentes tipos de pesquisa de clima organizacional. A principal diferença entre elas é em relação à frequência com a qual são aplicadas, que pode ser: anual, semestral, trimestral ou contínua. Escolher o tipo de pesquisa a ser aplicado em cada organização sempre traz um tradeoff entre frequência e a quantidade de perguntas. Quando a pesquisa é realizada com maior frequência na organização, a quantidade de perguntas precisa ser menor. Já se ela é realizada anualmente, é possível inserir mais assertivas. Isso acontece porque existe um limite de tempo durante o qual o ser humano é capaz de se concentrar nas perguntas e respondê-las com seriedade e con�abilidade. Segundo Dutra, Dutra e Dutra (2017), há um consenso de que, após 15 minutos respondendo a um questionário, as pessoas passam a perder sua concentração. Assim, a quantidade de questões deve variar entre 50 e 65, se pensarmos nos questionários de pesquisa anual. A pesquisa de clima pode ser realizada anualmente, semestralmente, trimestralmente ou de forma contínua. A escolha da frequência vai variar de organização para organização. As informações oriundas da pesquisa de clima são um importante insumo para o direcionamento das tomadas de decisões da gestão de pessoas, já que a organização tem uma ideia de como é vista pelos colaboradores em diferentes perspectivas. Normalmente, o que se deseja investigar é de�nido previamente, uma vez que não é possível perguntar tudo, pois a quantidade de questões é limitada. Os temas escolhidos pelaorganização são aqueles ligados às preocupações existentes em relação aos colaboradores (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Diante da limitação de questões, é importante determinar previamente aquilo que é mais relevante para a organização por meio do levantamento dos temas com a direção e depois validar com o conjunto de gestores. Essa validação é necessária para que os resultados sejam posteriormente discutidos com os gestores (dentro dos temas que foram priorizados na pesquisa). Na aula anterior, vimos o instrumento de pesquisa de clima denominado IMCO. O IMCO foi estatisticamente validado como um construto capaz de medir e identi�car as dimensões a que se propõe do clima organizacional. Entretanto, nem toda organização consegue Disciplina GESTÃO DE PESSOAS operacionalizar uma pesquisa com 84 assertivas (questões), uma vez que isso pode deixar o questionário muito extenso. É possível que nem todas as dimensões sejam relevantes para a organização, e um desmembramento do questionário com escolha das dimensões relevantes seja necessário, contribuindo para facilitar a logística do levantamento e a redução de tempo de coleta de dados. Outro ponto é a proposição de dimensões não abordadas no IMCO; contudo, se a organização optar por abarcar novas dimensões, o cuidado estatístico e metodológico se fará necessário para que a pesquisa mantenha sua validade e con�abilidade. Após a realização da pesquisa, com os dados em mãos, chega a vez de realizar a análise dos resultados obtidos. Essa análise deve gerar um plano de ação para trabalhar nos pontos que foram identi�cados como insatisfatórios pelos colaboradores. É possível que, após as questões quantitativas, sejam deixados espaços para que o colaborador possa se manifestar qualitativamente sobre os pontos com os quais não está satisfeito, respondendo, assim, o porquê de não estar satisfeito. As ações gerenciais para melhorar o clima devem ser manejadas por meio de consultas aos colaboradores – podem ser por reuniões, questionários de follow-up e criação de indicadores das ações implantadas. Com as ações implantadas, nas novas pesquisas de clima o resultado já deve aparecer. Escolhendo o tipo de pesquisa de clima A pesquisa anual tem a vantagem de poder entrar nos detalhes, por conter uma maior quantidade de assertivas; porém, como a validade das percepções coletadas na pesquisa varia Disciplina GESTÃO DE PESSOAS entre três e quatro meses, ela acaba �cando obsoleta. Depois desse tempo, as informações captadas já não possuem validade e precisam ser atualizadas com uma nova pesquisa, uma vez que a organização �ca descoberta no restante do tempo. Optar por realizar a pesquisa semestralmente implica em diminuir um pouco o número de questões abordadas, mas as vantagens e desvantagens se parecem com as das pesquisas anuais, pois ambas proporcionam profundidade, porém pecam no prazo de validade dos dados coletados, devido ao tempo de aplicação entre uma rodada e outra. Na pesquisa trimestral, a quantidade de perguntas diminui, mas existem perguntas que não vencem mais, uma vez que o tempo de aplicação entre uma pesquisa e outra está no prazo em que as percepções dos colaboradores estão atuais. Com a quantidade de assertivas da pesquisa trimestral, os colaboradores não gastam muito tempo para responder ao questionário e, ainda assim, a pesquisa possui uma boa profundidade (não como a pesquisa anual, mas compatível com os temas mais relevantes). Com a frequência de quatro pesquisas por ano, é possível manter o banco de dados atualizado com informações que não perdem mais a validade no tempo. Esta seria a frequência mais adequada para as organizações que desejam constantemente avaliar a percepção de seus colaboradores, sem que elas �quem obsoletas; como uma prática orgânica. As pesquisas contínuas acontecem na frequência que varia entre uma vez por semana e uma vez por mês. Sua grande vantagem é o feedback, que é recebido constantemente; contudo, não é possível se aprofundar com essa frequência. Com a pesquisa contínua, não se podem abordar todos os temas de uma vez; é preciso escolher qual tema será abordado em cada semana e rotacioná-los. Em uma semana pode-se abordar a liderança, em outra o ambiente de trabalho, em outra as políticas... e assim sucessivamente. A vantagem é que a organização está sempre dialogando com os colaboradores; a desvantagem é que, como as perguntas são sempre sobre temas diferentes, não é possível realizar comparações sobre os dados coletados, uma vez que estão alternando. O engajamento também diminui quando o tempo de aplicação �ca menor entre as pesquisas. Existem ainda as pesquisas ditas de censo, realizadas independentemente da área e da função do colaborador. Já as pesquisas de follow-up são aquelas realizadas para identi�car se as ações determinadas nos planos de ação de pesquisas anteriores estão sendo tomadas e se os colaboradores percebem as mudanças indicadas como necessárias. Essas pesquisas não precisam ser realizadas com toda a organização, mas em pequenos grupos, ou áreas organizacionais, para identi�car se as melhorias de fato estão surtindo o efeito desejado. Comunicando os resultados e implementando o plano de ação Disciplina GESTÃO DE PESSOAS De acordo com Dutra, Dutra e Dutra (2017), as pesquisas podem ser recortadas por unidade de negócio e por áreas, com o objetivo de localizar onde existem os maiores níveis de insatisfação. Elas também podem ser recortadas por faixa etária, tempo de casa, gênero, nível de instrução, etc. É importante, todavia, que as assertivas se mantenham ao longo do tempo, para que séries históricas sejam construídas e mostrem como a organização está evoluindo; ou seja, as perguntas serão sempre repetidas, em todas as pesquisas de clima que a organização realizar. Esses recortes ajudam a explicar os resultados da pesquisa e segmentos da organização que devem receber maior atenção. Existem duas linhas de análise principais: uma para entender, de maneira geral, onde a empresa pode ser vista, em quais categorias ela pode ter uma nota baixa e se existe um padrão; outra por meio das equipes, visualizando quais delas têm menor engajamento. Para divulgar os resultados de pesquisa, o ideal é que os líderes da organização – o CFO para a área de �nanças, o head de RH na área de Gestão de Pessoas e assim sucessivamente – apresentem os dados de suas áreas, primeiro com uma visão geral da área e depois podendo entrar em questões mais especí�cas. Após apresentar os dados coletados, cada gestor apresenta e/ou constrói junto com os colaboradores um plano de ação, visando minimizar ou resolver os problemas que foram apresentados. É mais difícil apresentar a pesquisa de clima considerando toda a empresa de uma vez, pois pode-se perder de vista a realidade de cada colaborador. Por outro lado, se a análise for segmentada por times muito especí�cos, como o “contas a pagar”, o recorte pode ser muito pequeno e não fazer sentido para o todo. O que traz mais valor é olhar para cada departamento/área para se ter mais insights e gerar mais ações. É fundamental que as respostas não sejam punidas e que os gestores não tirem satisfação com o seu time pelas respostas dadas. A gestão de pessoas precisa ser muito cautelosa na Disciplina GESTÃO DE PESSOAS apresentação dos resultados aos gestores, para que não �que evidente quem deu a resposta. Assim, é preciso muitas vezes tratar o assunto de maneira geral, preservando o colaborador que respondeu à pesquisa (que é sigilosa). Caso isso não aconteça, a con�ança será quebrada e os colaboradores não serão mais sinceros em suas respostas. Os resultados, além de serem apresentados aos gestores, precisam também ser apresentados aos colaboradores, que tiveram o trabalho e engajamento de responder à pesquisa (por melhores ou piores que tenham sido suas respostas) e gerar uma discussão saudável. Após a apresentação, é imprescindível apresentar os planos de ação que serão implementados e fazer um follow-up da implementação, caso contrário os colaboradores pensarãode trabalho com base em competências, ou seja, todos os processos de gestão de pessoas dentro da organização, como recrutamento, seleção, integração, treinamento, desenvolvimento, avaliação de desenvolvimento, sucessão, entre tantos outros, são planejados e executados com esse foco. A Gestão por Competências evidencia o que de fato é importante para que seus colaboradores atuem como bons pro�ssionais. Ao de�nir um conjunto de competências para ser a base de seu modelo, a organização será capaz de avaliar seus colaboradores e torná-los ainda mais produtivos, treinando-os e desenvolvendo-os nas habilidades necessárias. Desta forma, é importante que a organização mantenha um alinhamento entre as competências individuais e as organizacionais – ou core competences – para que os resultados sejam alcançados e a organização se mantenha competitiva no mercado em que atua. Le Boterf (2003) entende a competência como a capacidade de assumir responsabilidades frente a situações complexas, buscando lidar com eventos inéditos, surpreendentes, de natureza singular. Para Fleury (2002, p. 55), a competência é “um saber agir responsável e reconhecido que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agregue valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Como se vê, muitos são os conceitos de competência e não é possível veri�car unanimidade quanto a sua de�nição. O termo é utilizado em diversos sentidos, em diferentes contextos, e assume diferentes conotações, de acordo com os diversos autores da área. Na maioria das vezes, ele é relacionado a características pessoais. Segundo Dutra (2012), as teorias que incluem os traços de personalidade são as soft competencies, enquanto aquelas que se limitam a utilizar estes traços de personalidade são as Disciplina GESTÃO DE PESSOAS hard competencies, que se restringiriam a apontar as habilidades exigidas para um trabalho especí�co. Partindo deste conceito, surgiram o que atualmente se designou como hard skills e soft skills. Skills, em inglês, signi�ca habilidades, ou seja, numa tradução literal seriam as habilidades “duras” e as habilidades “macias” dos indivíduos. As hard skills, ou habilidades duras, são aquelas ligadas ao conhecimento técnico, facilmente mensurado por meio de testes ou avaliações de conhecimento. São habilidades adquiridas em cursos, treinamentos, livros, workshops, entre outros. São geralmente as competências que incluímos nos currículos e as que visivelmente são demandadas nas vagas de trabalho. Já as soft skills, ou habilidades macias, segundo Daniel Goleman (GOLEMAN; BOYATZIS, 2017), são as competências sociais, emocionais e mentais, ligadas à personalidade de cada indivíduo. As soft skills nada mais são do que habilidades comportamentais do indivíduo, que estão diretamente ligadas à forma e à qualidade das relações com o meio em que se está inserido e com as pessoas com quem se convive. Tais características interferem diretamente na produtividade, no desenvolvimento dos trabalhos e nos resultados alcançados, pois são essenciais para ter foco, motivação, e colaborar de maneira produtiva. As soft skills também são vistas como capacidades dos diversos tipos de Inteligência Emocional, comumente conhecidas como “QE” (Quociente Emocional). Para Goleman e Boyatzis (2017, [s. p.]), a Inteligência Emocional é de�nida como abrangendo quatro domínios: autoconhecimento, autogerenciamento, consciência social e gestão de relacionamento. Dentro destes quatro domínios, existem doze competências de Inteligência Emocional, que são, segundo os autores: “capacidades adquiridas e passíveis de serem aprendidas que permitem desempenhos excelentes no trabalho ou como um líder”. Esse conjunto de competências pode ser visualizado no quadro a seguir relacionado. Quadro 1 | Competências da Inteligência Emocional. Fonte: Goleman e Boyatzis (2017, [s. p.]). Como surgiu o debate de competências dentro das organizações Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O início do debate sobre competências se deu com a publicação do artigo Testing for competence rather than inteligence, escrito por McClelland e publicado em 1973. Neste artigo, McClelland traz importantes questionamentos sobre a forma como os estudantes eram submetidos a testes de inteligência para serem aprovados; contudo, a quantidade de inteligência que eles demonstravam não era um preditivo do sucesso que teriam em suas vidas pro�ssionais. Ou seja, o autor defende que apenas a quantidade de inteligência que uma pessoa possui não é su�ciente para garantir que sua vida pro�ssional seja bem-sucedida. Se essa era a maneira de selecionar as pessoas que estava sendo praticada nos EUA, mas não era a melhor forma, o debate trouxe à tona uma importante falha no processo. A partir desse artigo, o conceito “competência” surgiu, segundo McClelland, como uma característica pessoal que leva a uma performance superior na realização de determinada tarefa. Já na década de 1980, Richard Boyatzis, por meio de pesquisas sobre competências gerenciais, identi�cou um conjunto de traços e características que, segundo sua opinião, garantiam uma performance superior (FLEURY, 2002). Outros importantes autores americanos como Spencer e Spencer (1993), McLagan (1996) e Mirabile (1997) contribuíram com o debate sobre competências nos EUA. Contudo, a visão americana de competências �cou conhecida como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, também chamado de CHA (acrônimo das palavras citadas). Nesta visão, as competências são um conjunto de capacidades humanas que justi�cam a alta performance, e a referência que baliza o conceito de competência é o conjunto de tarefas prescritas num cargo. Todavia, Lawler (1994) se contrapõe à ideia de que trabalhar com um conjunto de habilidades e requisitos de�nidos com base no sistema de cargos, próprio do modelo Taylorista, não atende às demandas de uma organização complexa, inserida em um mundo globalizado, altamente mutável. Assim, é possível identi�car a falência do conceito de cargo e a emergência do “espaço Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ocupacional” cunhado por Dutra (2012), pois, cada vez menos, as organizações serão capazes de elencar um conjunto de distintas tarefas que cada colaborador precisará realizar em seu espaço ocupacional, uma vez que as próprias demandas de trabalho se alteram por conta de seu contexto. Dentro deste aspecto, a literatura francesa procura ir além do conceito de quali�cação e traz o conceito de competências ligado ao que Zari�an (2001) de�ne como “noção de evento”, ou seja, aquilo que ocorre de maneira imprevista e que vem a perturbar o �uxo “normal” do sistema de produção. Desta forma, a competência não pode estar contida nas precondições da tarefa; é preciso estar sempre mobilizando recursos para endereçar os novos problemas que surgem no ambiente de trabalho, cada vez mais mutável e complexo. De acordo com Dutra (2012), atualmente os autores procuram pensar a competência como o somatório das duas linhas – francesa e americana – , ou seja, como a entrega e as características da pessoa que a auxiliam a cooperar com a organização de forma mais facilitada. Quando Dutra (2012) se refere à entrega realizada pelos colaboradores para a organização, as pessoas atuam como agentes de transformação de conhecimentos, habilidades e atitudes. Assim ocorre a agregação de valor ao patrimônio de conhecimentos da organização (MARANGONI, 2014). A importância de pensar estrategicamente as competências Pensar em um plano estratégico de negócios requer obrigatoriamente pensar em recursos, que serão os mais variados dentro das organizações. Um primeiro recurso que sempre vem à mente Disciplina GESTÃO DE PESSOAS é o �nanceiro, pois sabemos que é praticamente impossível que uma organização sobreviva sem ele, seja com investimento próprio ou de terceiros. Contudo, para que a estratégia de uma organização sobreviva, ela precisa ir além do recurso �nanceiro: é fundamental que as pessoas com as competências adequadas estejamque de nada serviu responder à pesquisa de clima. A pesquisa de clima organizacional, se bem planejada, aplicada e analisada, gera uma riqueza de informações que permite ações da Gestão de Pessoas, atuando nas situações críticas em relação aos objetivos estratégicos da organização. A pesquisa é bené�ca para auxiliar na identi�cação de problemas que podem estar impactando diretamente no desempenho dos colaboradores e nas necessidades de treinamento e desenvolvimento. Assim, a pesquisa é fundamental para auxiliar na orientação de ações de desenvolvimento dos colaboradores e lideranças, sistemas de carreira, processos sucessórios, políticas e práticas de movimentação de pessoas e sistemas de remuneração e recompensas; ou seja, em todos os processos de RH. Videoaula: Análise, apresentação e ações referentes aos resultados encontrados na pesquisa de clima organizacional Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Ficou interessado em entender melhor sobre como decidir o tipo de pesquisa, analisar os resultados e comunicar e implementar o plano de ação? Venha assistir à videoaula que preparamos para você! Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quer saber mais sobre pesquisa de clima e sua importância no contexto organizacional? Sugerimos a leitura do Capítulo 17: Gestão do clima e satisfação das pessoas do livro do professor Joel Dutra, disponível em Minha Biblioteca: Minha Biblioteca: Gestão de Pessoas. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/62%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml30%5d!/4 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS CODA, R. Competências Comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas, 2016. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubc�/6/62%5b%3Bv nd.vst.idref%3Dhtml30%5d!/4. Acesso em:17 nov. 2022 Aula 3 Avaliação de desempenho Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/62%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml30%5d!/4 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013320/epubcfi/6/62%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml30%5d!/4 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Caro estudante, O propósito de toda gestão de desempenho deve ser assegurar que os colaboradores e a organização estão fazendo o seu melhor: seu melhor trabalho, seu melhor produto/serviço. Gerir a performance de cada colaborador é um processo que começa na clara de�nição dos papéis, responsabilidades, num job description documentado, com metas e objetivos que devem ser discutidos e estar claros e bem de�nidos. A avaliação de desempenho requer uma contínua atenção sobre cada colaborador, monitorando e avaliando sua performance em relação ao que foi acordado (expectativas). O feedback deve ser contínuo, pois permite que o colaborador saiba que está realizando uma contribuição valiosa para a organização, e é isso que retém e engaja as pessoas. A gestão de desempenho Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A gestão por competências, como estamos estudando, é um processo complexo, em que a Gestão de Pessoas pauta todas as suas ações em função das competências organizacionais e individuais para a efetiva entrega e atingimento de seus objetivos e metas. Ao falar em avaliação nas organizações, é muito comum associarmos o instrumento de avaliação por desempenho, cujo propósito é veri�car o quanto o colaborador se adapta aos objetivos da organização e às demandas e exigências do trabalho. Porém, pensar em avaliação é pensar em um processo, e não em um evento. Mesmo nos enfoques mais tradicionais, é um sistema que tem por objetivo a melhoria global do desempenho e da produtividade das pessoas no longo prazo. Desta forma, precisa se inter-relacionar com os demais processos de Gestão de Pessoas como: recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento, gestão de carreira, remuneração e assim por diante (HIPÓLITO; REIS, 2002). A gestão de desempenho é o processo de gestão de expectativas sobre a atuação e/ou resultados dos indivíduos, da organização e de suas unidades constituintes (MAILLARD et al, 2019; ORSI; SILVA, 2014). A avaliação, quando estruturada, oferece bases concretas e objetivas para a tomada de decisão gerencial sobre as pessoas, em assuntos como desenvolvimento, carreira, processo sucessório e remuneração, pois é a partir da avaliação que as demais ações podem ocorrer de forma equitativa dentro das organizações (DUTRA, 2014). De acordo com Pierro, Muniz e Lima (2017, p.13): [a] visão predominante é que a avaliação de desempenho não é apenas uma forma de mensuração dos resultados ou a veri�cação do quanto o pro�ssional se adapta aos objetivos da empresa e às exigências do trabalho, mas é também um processo que objetiva, principalmente, o desenvolvimento dos pro�ssionais e que promova o engajamento aos objetivos do negócio para o direcionamento e alcance dos resultados. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A avaliação pode investigar diferentes critérios, além das metas e resultados, como o desenvolvimento, o comportamento e o per�l/potencial. A clareza do propósito da avaliação é fundamental para que haja coerência na construção do instrumento que será utilizado pela organização: �uxo, escala, avaliadores, períodos, formatos etc. O processo de avaliação ocorre comumente de maneira anual nas organizações, mas, com a velocidade das mudanças, cada vez mais as organizações sentem necessidade de encurtar os ciclos avaliativos e muitas já praticam ciclos semestrais e até trimestrais. Isso ocorre porque é cada vez mais difícil de�nir metas e objetivos para um ano inteiro em organizações mais dinâmicas. A avaliação de desempenho é uma ferramenta de análise, porém, porém é também uma ferramenta de desenvolvimento. Para que o desenvolvimento do colaborador ocorra, é necessário que ele receba feedback do seu desempenho. O feedback de desempenho são “informações que deixam um funcionário saber como está fazendo seu trabalho; pode ser intrínseco (fornecido pelo próprio trabalho) ou extrínseco (fornecido por um superior ou outra fonte)” (ROBBINS; DECENZO; WOLTER, 2020, p. 400). O ideal é que o feedback seja contínuo dentro da organização e não apenas uma obrigação por fazer parte do ciclo avaliativo. Assim, é imprescindível que as lideranças estejam sempre atentas a seus colaboradores e preparadas para oferecer o feedback contínuo que, além de direcionar o colaborador, é muito importante para o seu desenvolvimento. Avaliação de desempenho – O processo Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O conteúdo da gestão de desempenho é um binômio como e o quê. O como realizar a avaliação de desempenho é respondido por meio das competências. Que conjunto de competências serão avaliadas, quais entregas elas propiciam para a organização? Há não muito tempo atrás, as organizações tinham em média de 11 a 12 competências para avaliar, porém, esse número vem diminuindo, chegando a cinco competências. Já o que avaliar está relacionado com as metas estabelecidas (e aqui vale lembrar que as metas devem ser SMART – Especí�cas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes e limitadas no Tempo). Quando a organização de�ne as competências, elas estão intimamente ligadas a propósito, missão e valores da empresa. As competências reforçam as metas estabelecidas, não apenas numa perspectiva quantitativa, mas também qualitativa, como veremos mais à frente. As etapas do processo de gestão de desempenho são o planejamento do desempenho que se espera do colaborador, o acompanhamento na realização daquilo que foi planejado, por meio de feedback constante, e a avaliação do que foi realizado/executado emrelação às expectativas planejadas (MAILLARD et al, 2019; ORSI; SILVA, 2014). Na Figura 1 a seguir, os elementos da gestão de desempenho �cam mais facilmente evidenciados. Figura 1 | Elementos da gestão de desempenho. Fonte: adaptada da aula Gestão de Desempenho do professor Cassiano Machado Silva (FIA). As �nalidades da gestão de desempenho podem ser vistas como: 1) básica, quando o escopo é a melhoria de desempenho; 2) estratégica, quando a intenção é direcionar esforços para a estratégia, meritocracia, reforçar e modelar a cultura organizacional, fazer gestão de talentos e embasar as decisões de gestão de pessoas; 3) integradora, quando de�ne as consequências das decisões e previne os possíveis vieses do processo de avaliação. É muito comum as pessoas entenderem que o feedback é dizer o que se pensa da performance dos outros, porém existem alguns problemas nesta abordagem. Para Buckingham e Goodall (2019), no artigo A falácia do feedback da revista Harvard Business Review, nós pensamos que somos bons avaliadores da performance alheia, mas não somos. Acabamos sendo muito subjetivos na nossa percepção. Como lidar com a subjetividade? Não é apenas uma avaliação, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS mas uma gestão de desempenho. Uma das formas clássicas de minimizar a parte qualitativa é esclarecendo as expectativas, pois as prioridades podem estar mudando nas empresas. O que a empresa e o líder esperam dos colaboradores e como estas expectativas vão sendo atendidas ao longo do tempo. Segundo, a crítica inibe a habilidade do cérebro de aprender. Neurologicamente, nós crescemos mais nas áreas em que temos grandes habilidades, e isso está relacionado com o que já vimos, de apostar nosso desenvolvimento naquilo em que naturalmente somos bons e temos facilidade, pois o cérebro continua se desenvolvendo ao longo da vida. As pessoas se sentem motivadas pelas coisas que fazem bem. Gradativamente também aprendem a evitar as coisas que não fazem bem; mas, sem um feedback claro, podem agarrar-se a ilusões sobre si mesmas que podem levá-las a constantes fracassos. Novos desa�os são importantes para que os colaboradores se desenvolvam, mas precisam estar acompanhados de feedbacks constantes. Novos desa�os são importantes tanto para a organização, pois podem revelar talentos latentes ou ocultos que simplesmente não tiveram a oportunidade de se manifestar mais cedo, quanto para o desenvolvimento do pro�ssional (GREENBERG; MCKONE- SWEET; WILSON, 2011). Por �m, a excelência não pode ser de�nida com antecedência, e não é oposta ao fracasso. A excelência não é única, ela é algo bastante pessoal, pois é a expressão da personalidade individual de cada um (BUCKINGHAM; GOODALL, 2019). As etapas e os fatores condicionantes Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A etapa das expectativas do desempenho (base do processo de avaliação de desempenho e das ações decorrentes) de um colaborador na organização está intimamente ligada a seu grau de desenvolvimento. Existem algumas dimensões para avaliar a contribuição do pro�ssional à organização e, dessa forma, devem ser monitoradas: avaliação de metas e resultados, análise comportamental, análise do per�l/potencial e desenvolvimento. A avaliação de metas e resultados aufere os resultados individuais e coletivos em relação ao esperado, de maneira quantitativa e, para atuarem como um referencial de mensuração, recomenda-se que as metas devam apresentar características SMART. Nessa avaliação, a recompensa ocorre sobretudo por meio de práticas de remuneração variável, já que o esforço pode ser circunstancial e oscilar com o tempo (HIPÓLITO; REIS, 2002). Os colaboradores de uma organização se encontram em diferentes níveis de desenvolvimento: aqueles que estão mais acima na hierarquia possuem um desenvolvimento maior do que os seus subordinados. Mas quais parâmetros as organizações podem utilizar para avaliar essas diferenças? A avaliação de desempenho identi�ca o grau de maturidade e desenvolvimento em que o colaborador se encontra. Assim, pressupõe-se haver uma relação direta entre a complexidade do trabalho executado e seu estágio de desenvolvimento (capacidade de tomar decisões corretas no grau de complexidade ao qual está submetido) e seu reconhecimento na organização. Muitas empresas utilizam o modelo sugerido por Dutra (1996; 2017) em que as competências são descritas em níveis de complexidade e que permite a distinção dos diferentes padrões de entrega e agregação de valor de cada colaborador. A análise comportamental é mais aplicada aos líderes da organização, visando estimular e traduzir os objetivos e valores para seus líderes em comportamentos esperados. Esses comportamentos são observáveis no ambiente de trabalho, e um deles é a prática de fornecer feedbacks sistemáticos aos membros de sua equipe. O inventário de comportamentos é a base dos questionários de avaliação e autoavaliação e pode ser realizado por múltiplas fontes, como na avaliação 360º. Avaliação 360º ou feedback 360º é uma técnica na qual pessoas situadas em diferentes posições ao redor de um indivíduo o avaliam (superior imediato, pares, subordinados, clientes e outros stakeholders). Por �m, a avaliação de per�l/potencial é utilizada pelas organizações que buscam encontrar high potencials, ou potenciais que provavelmente ocuparão cargos-chave em suas organizações. A análise de per�l também pode ocorrer para respaldar promoções. Neste tipo de avaliação identi�ca-se o per�l psicológico para traçar possibilidades de atuação, com maior ou menor aderência do per�l (HIPÓLITO; REIS, 2002). Pensar em desempenho não é apenas apontar o dedo para as lacunas do colaborador e culpá-lo por tudo aquilo que não foi conquistado em termos das expectativas pactuadas com o gestor. A organização é um sistema aberto, e pensar em desempenho é pensar também em outros fatores condicionantes do desempenho como: capacidade/desenvolvimento, esforço/motivação e ambiente/oportunidade. Gerenciar o desempenho é também gerar um ambiente propício para que o protagonismo do colaborador seja aceito e incentivado. A capacidade do colaborador também deve ser desenvolvida e estimulada pela organização que aprende e cria oportunidades de aprendizagem, permitindo assim que o colaborador cresça e se motive. O gestor está agindo de maneira incorreta quando culpa apenas o pro�ssional pelo problema. Muitas vezes a ação a ser tomada não é apenas um treinamento, mas um processo de feedbacks mais regulares, por exemplo. Videoaula: Avaliação de desempenho Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Quer conhecer mais sobre a gestão de desempenho e como fornecer um feedback poderoso dentro da sua organização? Venha assistir à aula que preparamos com muito carinho para você! Saiba mais Para saber mais sobre a gestão de desempenho, estude o Capítulo 6 do livro: ARAÚJO, L. C. G. de; GARCIA, A. A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. Edição Compacta, 2ª edição. São Paulo: Atlas, 2014. Disponível em Minha Biblioteca: Minha Biblioteca: Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional - Edição Compacta, 2ª edição Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/134 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522491292/pageid/134 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS ARAÚJO, L. C. G. de; GARCIA, A. A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. Edição Compacta, 2ª edição. São Paulo: Atlas, 2014. BUCKINGHAM, M.; GOODALL, A. A Falácia do Feedback. Harvard Business Review Brasil. Março 2019. DUTRA, J. S. Avaliação de Pessoas na Empresa Contemporânea. São Paulo: Atlas, 2014. DUTRA, J. S. Competências - Conceitos, Instrumentos e Experiências. São Paulo: Atlas, 2017. GREENBERG, D; MCKONE-SWEET, K; WILSON, H. J. The New Entrepreneurial Leader. Berrett-Koehler: 2011. HIPÓLITO, J. A. M.; REIS, G. G. A avaliação como instrumento de gestão. In: FLEURY, M. T. L. (coord.) As pessoas na organização. São Paulo: Editora Gente, 2002.MAILLARD, N. P. G. D. et al. Gestão de Desempenho: um estudo sobre instrumentos de avaliação e sua utilização em decisões de Gestão de Pessoas. XLIII Encontro da ANPAD – EnANPAD 2019. São Paulo. ORSI, A.; SILVA, C. Gestão do desempenho no setor público: um panorama das di�culdades e alternativas para seu tratamento. In: TEIXEIRA, H. J.; BASSOTTI, I. M.; SANTOS, T. S. Mérito, Desempenho e Resultados: ensaios sobre gestão de pessoas para o setor público. São Paulo: FIA/USP, 2014. PIERRO, M.P.; MUNIZ, R.A.U.; LIMA, L.C. Identi�cação de Tendências sobre Avaliação de Desempenho Pro�ssional. XX SEMEAD. Seminários em Administração, 2017. ROBBINS, S. P.; DECENZO, D. A.; WOLTER, R. M. A nova administração. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Aula 4 Crescendo dentro da organização Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Introdução Caro estudante, A sucessão é um acontecimento que está sempre presente nas organizações, estando ele estruturado em processos ou não. Cada vez mais, as organizações percebem que não podem colocar o negócio ou a estratégia em risco por falta de pessoas preparadas para assumir posições de liderança. Assim, tem-se conscientizado sobre o assunto e organizado os processos de sucessão, uma vez que sabe-se que os líderes não nascem prontos, mas são desenvolvidos pelas organizações. As lideranças são essenciais para engajar e reter os talentos, uma vez que mais de 80% dos pro�ssionais que pedem demissão estão se demitindo do seu gestor, e não necessariamente da organização. Entender as características necessárias a um ótimo líder é o primeiro passo para se tornar um Preparando o processo sucessório de lideranças Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O processo sucessório dentro das organizações é de suma importância, para que não ocorra a falta de pro�ssionais preparados para assumir posições críticas. Acontece que, na maior parte dos casos, a sucessão é administrada de maneira intuitiva sem o conhecimento dos colaboradores. Com o ambiente extremamente competitivo, as organizações tomam consciência de que não podem colocar o seu negócio ou a estratégia em risco por não contarem com pessoas quali�cadas no momento certo. A gestão de competências é o grande alicerce que sustenta os programas de processos sucessórios e de desenvolvimento de lideranças. Pensar nas competências é também investigar como as organizações estão escolhendo e preparando suas futuras lideranças e quais critérios são utilizados (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). De acordo com DUTRA; DUTRA; DUTRA (2017, p. 413), as organizações brasileiras pesquisadas trabalham o processo de sucessão em duas partes, como se fossem dois processos dialógicos: o mapa sucessório e o desenvolvimento de talentos (pessoas capazes de assumir posições de maior nível de complexidade). O mapa sucessório é um exercício estratégico que auxilia a organização a enxergar sua capacidade de repor pessoas em posições críticas para o negócio. Por conter um conjunto de informações e posicionamentos que podem se alterar no decorrer do tempo, esse processo é con�dencial. Imagine que três colaboradores estão prontos para determinada posição e já existe uma ordem estabelecida entre eles; porém, no momento da sucessão ocorreram mudanças no contexto e os critérios que haviam sido utilizados anteriormente no mapa sucessório precisaram ser alterados. Caso os colaboradores soubessem de suas posições no mapa, isso geraria frustração naquele que deixou de ser indicado. Assim, é muito importante trabalhar com esse sigilo (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se, por um lado, o mapa sucessório deve permanecer con�dencial, os programas de desenvolvimento, como já vimos, devem ser negociados com os colaboradores e bastante transparentes. Como já estudamos, o foco do desenvolvimento não está ligado ao aumento da e�ciência na posição corrente do colaborador, mas sim na preparação para posições de maior complexidade dentro da organização (num futuro). A transparência do processo de desenvolvimento deve ocorrer, pois é muito importante que o colaborador saiba para que está sendo preparado (uma posição de maior nível de complexidade, que será de�nida em função das necessidades da organização) e que construa junto à organização uma cumplicidade (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Para identi�car se um colaborador está apto a ingressar na nova posição é necessário colocá-lo, antes de promovê-lo, para lidar com as situações mais complexas requeridas nesta nova posição, e acompanhá-lo no decorrer de um determinado período. Uma posição de liderança é uma posição na qual o grau de complexidade e nível de abstração são maiores do que os de seus subordinados. Segundo Robbins, DeCenzo e Wolter (2020, p. 291), liderança é a “habilidade que um indivíduo demonstra para in�uenciar outros a agir de maneira particular por meio de direção, encorajamento, sensibilidade, consideração e apoio”. Como líder, você é alguém que busca o melhor de cada colaborador e os auxilia a entregar o seu melhor. A liderança vai além de posições formais, das posições hierárquicas. Conhecendo a liderança A discussão sobre liderança começou no início dos anos 1900, quando Stogdill observou por mais de 40 anos (1904-1948) um grupo de crianças na escola primária, durante seu recreio. Nesta época, acreditava-se que o líder possuía um conjunto de traços de personalidade especiais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS e nascia com elas. Era um retrato estático do líder e�caz. Por falta de evidência empírica, esta teoria não resistiu; a�nal, é possível encontrar os mesmos traços dos ditos líderes em pessoas que não estavam em posição de liderança, ou diferentes traços em diferentes líderes. Olhar apenas para os traços de personalidade é uma visão míope, pois deixa de considerar importantes dimensões como a tarefa, o subordinado, o contexto, entre outras. Surge então a teoria dos estilos de liderança, que é considerada um prolongamento da personalidade de cada líder e retrata as diferenças comportamentais entre cada pessoa. As diferenças de estilos são retratadas pelas características intelectuais, experiências vividas, expectativas pessoais, emocionais e motivação. Segundo a teoria dos estilos, as pessoas podem ser treinadas, pois aprendem a ser líderes. Nas décadas de 50 e 60, começa �nalmente a aparecer a �gura do subordinado como parte importante do processo de liderança. Por meio de estudos pioneiros realizados por Ohio State University e Michigan University, foram identi�cados dois tipos de vínculos entre os líderes e seus subordinados: tarefas e pessoas. O líder centrado em tarefas tem uma forte tendência a enfatizar os aspectos técnicos e as tarefas do trabalho, enquanto o líder centrado nas pessoas enfatiza as relações interpessoais com aqueles que lidera (ROBBINS; DECENZO; WOLTER, 2020, p. 304). Para melhor entender essas dimensões, os autores elaboraram a �gura a seguir relacionada. Figura 1 | Comportamentos da Liderança. Fonte: Robbins, DeCenzo e Wolter (2020, p. 304). Um estilo de liderança participativa permite que os colaboradores participem do estabelecimento de planos, da resolução de problemas e da tomada de decisões. Quando a decisão �nal �ca a cargo do líder, esta é chamada de liderança consultivo-participativa, porém, se os colaboradores tomam as decisões pelo grupo, então é a liderança democrático-participativa. O líder autocrático é aquele que deixa claro quem está no controle e quem tem a autoridade e o poder no grupo. O líder liberal dá aos seus subordinados a autonomia total para a tomada de decisão que afetará o grupo (ROBBIN; DECENZO; WOLTER, 2020). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Hersey e Blanchart (1988) propõem que o estilo de liderança deva “mudar” conforme o nível de maturidade e autodeterminação do grupo que esteja liderando, ou seja, deve se ajustar a situações especí�cas. A liderança situacional,segundo os autores, é a capacidade de re�etir as necessidades dos subordinados. O líder deve estar mais próximo dos seus seguidores, favorecendo seu livre acesso a ele, por meio de portas abertas e notória informalidade. Principais características da liderança Apesar de os esforços acadêmicos não terem sidos su�cientes para conseguir isolar os traços de liderança, existe um conjunto de características, segundo Kirkpatrick e Locke (1991), que estão presentes nas pessoas bem-sucedidas em in�uenciar as demais. De acordo com os autores, são oito: impulso, desejo de in�uenciar os outros, propensão à extroversão, honestidade e caráter moral, autocon�ança, inteligência, propensão a sentir culpa e conhecimento relevante. Em 2008, o Google começou uma pesquisa interna para entender se os gestores eram importantes dentro da organização, ao que chamaram de Project Oxygen. Por ser uma empresa composta em sua maioria por engenheiros, a dúvida era se, de fato, os gestores faziam diferença em um time. Pautados em dados do People Analytics, foi possível demonstrar a relação entre os indicadores de desempenho, satisfação e retenção de pessoas e a qualidade dos gestores. Assim, como já vimos, se o colaborador não entrega o esperado, nem sempre a culpa é apenas dele. A�nal, a liderança ruim desengaja os colaboradores e prejudica a produtividade, aumentando o turnover. Partindo desta pesquisa, o Google elencou os dez “oxigênios” necessários para que um líder seja ótimo (isso para o contexto do Google; vale considerar as diferentes organizações, mas já é uma excelente pesquisa para entendermos mais sobre liderança): Disciplina GESTÃO DE PESSOAS 1. São bons coaches. 2. Empoderam (empower) seus times e não praticam microgerenciamento. 3. Criam um ambiente de time inclusivo, demonstrando preocupação com o sucesso e bem- estar. 4. São produtivos e orientados para resultados. 5. Comunicam-se bem – ouvem e compartilham informações. �. Apoiam o desenvolvimento de carreira e discutem o desempenho. 7. Têm uma visão/estratégia clara para seu time. �. São tecnicamente competentes, de modo a ajudar e direcionar seus times. 9. Colaboram por meio da organização. 10. São bons tomadores de decisão. O estudo, além de concluir que os líderes fazem a diferença em um time, elaborou um mapa para identi�car quais colaboradores são mais aptos a exercer a função, que exige uma combinação de competências comportamentais (softskills) e competências técnicas (hardskills). O mapa sucessório é um exercício estratégico que visa veri�car: 1) quais pessoas estão prontas para assumir atribuições e responsabilidades em maiores níveis de complexidade; 2) a capacidade da organização de desenvolver as pessoas para subir de nível; e 3) possíveis fragilidades no processo de sucessão para posições críticas da organização. A base para a construção do mapa sucessório é a clareza sobre as competências exigidas e os critérios de valorização das futuras lideranças pela organização (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). A essa altura, já compreendemos que os processos de Gestão de Pessoas estão todos interligados. Para pensar o processo sucessório, o processo de avaliação de desempenho se faz necessário, pois auxilia na indicação de sucessores. Assim, ambos os processos – sucessão e avaliação – se in�uenciam mutuamente, criando um círculo virtuoso. O desenvolvimento também precisa estar alinhado a estes processos, em uma discussão contínua sobre a necessidade do aprimoramento do per�l dos futuros líderes da organização, sob uma análise mais profunda dos aspectos a serem desenvolvidos nas pessoas (DUTRA; DUTRA; DUTRA, 2017). Organizar uma gestão por competências, em que todos os processos estejam integrados entre si e alinhados com as estratégias organizacionais, é fundamental para que qualquer organização prospere. Videoaula: Crescendo dentro da organização Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O processo de sucessão é fundamental dentro das organizações para que não ocorra um apagão de talentos, e faltem líderes capazes de assumir determinada posição. Quer saber um pouco Disciplina GESTÃO DE PESSOAS mais? Venha assistir à videoaula que preparamos sobre o tema para você! Saiba mais Você se interessou pelo tema da liderança e deseja aprender ainda mais? Que tal apreciar uma leitura inspiradora sobre a trajetória de Renan Dal Zotto? Ele escreveu um livro sobre sua carreira e te ensina a construir uma trajetória de sucesso com liderança, por meio de seis princípios. ZOTTO, R. D. Ninguém é campeão por acaso: os 6 princípios inegociáveis para o alto rendimento. São Paulo: Benvirá, 2019 Referências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS DUTRA, J.S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas: realidade atual e desa�os futuros. São Paulo: Atlas, 2017. HERSEY, P.; BLANCHARD, K. Management of organization behavior: utilizing human resources. 5 ed. Upper Saddle River, NJ: Prenticfe Hall, 1988. JUDGE, T. A. et al. Personality and leadership: a qualitative e quantitative review. Journal of Applied Psychology, ago. 2002, p. 765-780. KIRKPATRICK, S. A.; LOCKE, E. A. Leardership: do traits matter? Academy of Management Executive, v.5, n.2, maio 1991, p. 48-60. ROBBINS, S. P.; DECENZO, D. A.; WOLTER, R. M. A nova administração. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020. STODGILL, R. M.; COONS, A. E. Leader behavior: its description and measerument. Research Monograph, n. 88, Columbus, OH, Ohio State University, Bureau of Business Research, 1951. ZOTTO, R. D. Ninguém é campeão por acaso: os 6 princípios inegociáveis para o alto rendimento. São Paulo: Benvirá, 2019. Aula 5 Revisão da unidade Competência desenvolvida na Unidade – Pesquisa de clima organizacional Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A pesquisa de clima possui um impacto direto no engajamento dos colaboradores e permite identi�car, por meio do seu feedback, as percepções deles em relação a sua satisfação, ao ambiente de trabalho, às políticas e práticas organizacionais. Essa ferramenta fornece informações relevantes para a tomada de decisão nas organizações e alinhamento estratégico. Antes de aplicar a pesquisa com os colaboradores é fundamental realizar um planejamento estratégico, saber qual o melhor momento para aplicar a pesquisa, qual sua periodicidade, conhecer a fundo a cultura da empresa, estabelecer os principais temas a serem investigados e comunicar os colaboradores da importância da pesquisa e seu prazo para respostas. A conscientização dos colaboradores, transparência sobre as consequências da pesquisa e garantia de que as informações são sigilosas aumenta o engajamento das respostas. A pesquisa precisa ser elaborada em consonância com os objetivos de Gestão de Pessoas e da empresa como um todo. As perguntas precisam ser claras e respeitar a escala escolhida. Após a aplicação da pesquisa, as informações são reunidas para a análise. Grá�cos e tabelas podem auxiliar na apresentação dos resultados, uma vez que facilitam a visualização das informações. Inicialmente os resultados são revelados para os gestores, sempre com o cuidado de não expor nenhum colaborador, devendo ser apresentados de uma maneira geral. Assim que os gestores souberem os resultados e tiverem elaborado um plano de ação, contemplando as mudanças necessárias, os resultados devem ser apresentados para todos os colaboradores e o plano de ação precisa ser acompanhado de perto, para se ter certeza de que está sendo executado. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Por um lado, é importante entender as percepções dos colaboradores para melhor gerir o ambiente de trabalho, a �m de gerar maior satisfação; por outro, avaliar o desempenho do colaborador também é estritamente necessário. A gestão de desempenho é o processo de gestão de expectativas sobre a atuação e/ou resultados dos indivíduos, da organização e de suas unidades constituintes e dos indivíduos.Existem algumas dimensões para avaliar a contribuição do pro�ssional à organização e, dessa forma, devem ser monitoradas: avaliação de metas e resultados, análise comportamental, análise do per�l/potencial e desenvolvimento. O feedback é uma ferramenta importante quando se trata de desempenho e desenvolvimento. Pensar em desempenho é pensar também em seus outros fatores condicionantes como: capacidade/desenvolvimento, esforço/motivação e ambiente/oportunidade. Gerenciar o desempenho é também gerar um ambiente propício para que o protagonismo do colaborador seja aceito e incentivado. O ambiente organizacional é in�uenciado principalmente por seus líderes. As lideranças são essenciais para engajar e reter os talentos, uma vez que mais de 80% dos pro�ssionais que pedem demissão estão se demitindo do seu gestor, e não necessariamente da organização. Desenvolver líderes nas organizações é fundamental para a manutenção das entregas almejadas. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Agora que já passamos pelos importantes conteúdos de clima organizacional, pesquisa de clima, avaliação de desempenho e liderança, que tal assistir à videoaula que preparamos com todos esses conteúdos? Estudo de caso Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Mariana foi recentemente contratada para ser gestora da área de marketing da empresa Cactus. Ela nunca havia assumido uma posição de liderança antes, mas aceitou o desa�o pois entendia que poderia facilmente assumir esta posição na nova organização, a�nal, passou anos na posição de analista vendo o que seus chefes faziam, e era muito boa nas entregas técnicas da área de MKT. Ela pensava: “eu sei fazer bem, vou saber ajudar os outros a fazerem bem também”. No primeiro ciclo avaliativo anual da empresa Cactus, Mariana precisou avaliar seus subordinados. Preencheu a avaliação, conversou com a Gestão de Pessoas, passou pelo processo de calibração e encaminhou a avaliação por e-mail, para cada um dos seus liderados. Muitos deles, após o recebimento do e-mail, vieram por iniciativa própria conversar com Mariana, mas a especialista Fernanda não fez esse movimento. Mariana foi percebendo que sua relação com Fernanda era diferente, mais estranha do que o habitual. Com receio de que Fernanda estivesse com algum problema, passou a acompanhar mais de perto o trabalho de Fernanda e até microgerenciá-la, para ter certeza de que ela estava fazendo o trabalho da maneira certa e conseguiria entregar no prazo estipulado. Fernanda comentou com seus pares que nunca havia passado por aquela situação, pois não fazia ideia de como Mariana se sentia com o trabalho dela e que a pouca relação que elas tinham, assim que Mariana assumiu a área, havia esfriado. Fernanda adorava a empresa Cactus, não gostaria de sair de lá, mas também não estava feliz no ambiente de trabalho, pois sentia que não estava se desenvolvendo. Um dos colegas, Rodrigo, disse que se sentia da mesma forma, estava desmotivado para trabalhar na empresa, uma vez que, nas demais companhias em que já havia trabalhado, a área de MKT era bem diferente. Rodrigo levantou a hipótese de que o grande problema deles fosse o estilo de liderança de Mariana e sugeriu a Fernanda que fossem conversar com o gestor da área de pessoas. ________ Re�ita Você é o gestor da área de pessoas da empresa Cactus e �cou surpreso quando Fernanda e Rodrigo bateram juntos na sua porta e perguntaram se poderiam conversar. Você disse que sim, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS que poderiam entrar e se sentar. Você serviu um café para eles, que puderam contar tudo o que estava acontecendo e seu mal estar em relação à liderança de Mariana. Compreendendo a situação, você disse que conversaria com Mariana e passaria a mentorá-la em suas ações. Na qualidade de gestor da área de RH, você chamou Mariana para uma conversa e explicou sobre o mal estar presente na área de MKT. Percebeu que Mariana tinha pouco repertório como liderança e disse que a ajudaria a conduzir melhor a sua área. Diante do exposto por Rodrigo e Fernanda, que ações você sugere para que Mariana possa performar melhor como líder? 1. Sobre uma pesquisa de clima focada na área de MKT, para que serviria? Como realizar? Quais temas parecem ser mais relevantes? 2. Faltou feedback da parte de Mariana quando da avaliação de desempenho. O que você explicaria para ela sobre a avaliação e forma de conduzir o feedback? Qual o melhor tipo de feedback? 3. A pesquisa Google Oxigênio traz grandes insights sobre como ser um melhor líder. Traga quatro pontos para analisar com Mariana que melhor se encaixem na vivência dela com seus subordinados. Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. É muito comum as organizações pensarem que a transição para um cargo de liderança é natural. Mas de natural ela não tem nada. A liderança precisa ser desenvolvida pelas organizações, pensando no processo sucessório. Mariana veio de outra empresa e nunca havia vivenciado uma posição de liderança. Apesar de entender que teria facilidade de executá-la por ser boa tecnicamente, desatentou-se de que uma posição de liderança vai muito além das capacidades técnicas de qualquer área. Liderar é in�uenciar, e fazer com que os outros executem, tão bem ou até melhor do ela mesma era capaz de executar. Ser líder é ter uma escuta ativa, empatia, ser coach. Retomando o que vimos na pesquisa Google Oxigênio, bons líderes: 1. São bons coaches. Ser coach, conforme o primeiro “oxigênio” do Google, é ser capaz de estar sempre fazendo as perguntas corretas, levar seu liderado a chegar sozinho nas melhores respostas, e não simplesmente fornecer as respostas que ele busca. 2. Empoderam (empower) seus times e não praticam microgerenciamento. Empoderar seu time é permitir que ele tome decisões e não microgerenciar é não �car em cima do colaborador a todo momento para veri�car o que ele está fazendo e como está fazendo, sem liberdade e con�ança. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS 3. Criam um ambiente de time inclusivo, demonstrando preocupação com o sucesso e bem- estar. Um ambiente onde as pessoas se sintam à vontade para propor novas ideias, práticas, possam questionar decisões e sugerir novos rumos. 4. São produtivos e orientados para resultados. Mais do que simplesmente cobrar dos subordinados, os líderes colocam a mão-na-massa para ajudar os colaboradores a realizar as entregas; mais do que estabelecer metas, mostram o caminho para atingir os resultados, criam uma cultura em que todos podem prosperar. 5. Se comunicam bem – ouvem e compartilham informações. Acima de tudo, o líder precisa ter uma escuta empática, entender com clareza o que seu time está trazendo. �. Apoiam o desenvolvimento de carreira e discutem o desempenho. Demonstram genuína preocupação com o desenvolvimento de cada colaborador e o ajuda a traçar trilhas de desenvolvimento; discutem o desempenho com verdade e amor, trazendo feedbacks poderosos. 7. Têm uma visão/estratégia clara para seu time. O líder precisa ter uma visão clara da estratégia da organização e, assim, conduzir uma estratégia coerente para seu time, auxiliando-o a chegar na visão desenhada (em grupo e individualmente). �. São tecnicamente competentes, de modo a ajudar e direcionar seus times. Ou seja, são tecnicamente capacitados para auxiliar os colaboradores no dia a dia. 9. Colaboram através da organização. Fazem conexão entre as diversas áreas da empresa e possuem a percepção do local de encontro dos projetos. 10. São bons tomadores de decisão. A equipe precisa enxergar em seus gestores a capacidade de tomar boas decisões. A pesquisa de clima, dentro do contexto acima relacionado,seria importante para se ter uma visão mais ampla daquilo que os subordinados de Mariana estão sentindo em relação à sua forma de liderar, ao ambiente de trabalho e até ao trabalho em si. Estas podem ser importantes dimensões para serem questionadas na pesquisa de clima. A partir dos resultados, é possível estabelecer planos de ação condizentes com as demandas apresentadas. Você ainda precisa explicar melhor para a Mariana sobre a avaliação de desempenho e como dar feedback para os seus subordinados. O feedback é fundamental para que o colaborador entenda como está sendo visto pela organização, para repactuar as expectativas de ambas as partes. O feedback deve ser constante e não apenas uma etapa da avaliação de desempenho. Você deve explicar para Mariana a importância das conversas individuais com seus colaboradores. Resumo visual Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Clima Organizacional. Fonte: elaborado pelo autor. Referências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS HARRELL, M; BARBATO, L. Great managers still matter: the evolution of Google’s Project Oxygen. Re:work, 2018. Disponível em: https://rework.withgoogle.com/blog/the-evolution-of-project- oxygen/. Acesso em: 8 nov. 2022. https://rework.withgoogle.com/blog/the-evolution-of-project-oxygen/ https://rework.withgoogle.com/blog/the-evolution-of-project-oxygen/disponíveis na organização para realizar as metas e objetivos estabelecidos. As organizações bem-sucedidas incluem a Gestão de Pessoas no processo de planejamento da estratégia organizacional, pois, desta forma, ocorre de maneira mais �uida a transição para o planejamento da força de trabalho (MITCHELL; GAMLEM, 2017). É muito importante ter em mente que o planejamento da força de trabalho só será passível de ser implementado/realizado se os diretores derem apoio a esse plano, por isso a importância de cascatearem do planejamento estratégico da organização. Sendo assim, o planejamento da força de trabalho é o próximo passo lógico, depois que o planejamento estratégico for desenvolvido. Como visto na aula passada, atualmente as organizações se estruturam por meio da Gestão por Competências. Isso implica que o mapeamento e a conscientização sobre competências auxiliam no gerenciamento da força de trabalho das organizações, contribuindo na contratação e alocação das pessoas certas, com as competências adequadas nos lugares certos e orientando, por meio destas competências, o treinamento e o desenvolvimento (MITCHELL; GAMLEM, 2017). Os modelos com foco em competências se enquadram no conceito de RH Estratégico e nasceram num contexto de competitividade crescente como uma maneira inovadora e inteligente de atender às novas demandas das organizações e dos ambientes onde estão inseridos (CODA, 2016). Segundo célebre frase de Peter Drucker, as pessoas são contratadas pelas suas habilidades técnicas, porém, são demitidas pelos seus comportamentos. Em artigo do portal G1 (9 EM CADA..., 2018), informa-se que nove em cada dez pro�ssionais são contratados pelo per�l técnico e demitidos pelo comportamento, segundo levantamento da Page Personnel. Ou seja, 90% dos colaboradores são desligados por condutas inadequadas ou inesperadas. Não é difícil encontrar candidatos com os currículos repletos de hard skills que, contudo, quando vão realizar a entrevista, acabam não sendo admitidos na vaga em questão. É importante que o candidato tenha uma forte inteligência emocional e esteja em constante aprimoramento das soft skills ligadas a relacionamento e comunicação com as pessoas, trabalho em equipe, entre outras. Não estamos aqui dizendo que as hard skills não sejam importantes; pelo contrário, elas são importantíssimas para a realização das tarefas associadas a cada espaço ocupacional. Contudo, é muito mais fácil para as organizações treinar e preparar as pessoas para as hard skills, por meio de cursos, do que desenvolver as soft skills, que são as competências comportamentais e demoram mais para ser assimiladas. Assim, faz todo sentido contratar as pessoas com as soft skills necessárias e, caso as hard skills não estejam latentes, constar no plano de treinamento desta pessoa para que, assim que ingressar na organização, possa aprender. De acordo com Coda (2016), uma abordagem de Gestão de Pessoas com base em competências deve ser transparente e deixar claro o que é preciso ser feito e como é esperado o resultado, para que o desempenho seja considerado de excelência. Assim, as relações entre os colaboradores e seus gestores serão mais transparentes, diminuindo tensões e fomentando o pro�ssionalismo. Uma vez que o colaborador consiga realizar seu pleno potencial na organização, vai contribuir para a implementação das estratégias, garantindo o alcance da missão e visão no longo prazo. Videoaula: Alinhando estratégia com Gestão por Competências Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Gostou do conteúdo sobre competências e espera saber mais sobre como você pode melhor desenvolver suas habilidades hard e soft? Então con�ra a videoaula que preparamos para você! Saiba mais Se você deseja saber mais sobre o desenvolvimento de competências, não deixe de ler o Capítulo 14 do livro Recursos Humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global, de Antonio Cesar Amaru Maximiano. MAXIMIANO, A. C. A. Recursos humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2593-3/pages/recent Disciplina GESTÃO DE PESSOAS 9 EM CADA 10 pro�ssionais são contratados pelo per�l técnico e demitidos pelo comportamental. Portal G1, 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/concursos-e- emprego/noticia/2018/09/18/9-em-cada-10-pro�ssionais-sao-contratados-pelo-per�l-tecnico-e- demitidos-pelo-comportamental.ghtml. Acesso em: 14 set. 2022. CODA, R. Competências Comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas, 2016. DUTRA, J. S. Competências: Conceitos e Instrumentos para a Gestão de Pessoas na Empresa Moderna. São Paulo: Atlas, 2012. FLEURY, M. T. L. A gestão de competência e a estratégia organizacional. In: As pessoas na organização (p. 51-61). São Paulo: Editora Gente, 2002. GOLEMAN, D; BOYATZIS, R. E. Emotional Intelligence Has 12 Elements. Which Do You Need to Work On? Harvard Business Review, 2017. Disponível em: https://hbr.org/2017/02/emotional- intelligence-has-12-elements-which-do-you-need-to-work-on?autocomplete=true. Acesso em: 18 ago. 2022. LAWLER E. From job-based to competency-based organizations. Journal of Organizational Behavior, V. 15, n. 1, jan. 1994. p. 3–15. LE BOTERF, G. Desenvolvendo a competência dos pro�ssionais. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2003. MARANGONI, F. M. S. Os pro�ssionais de administração: entre as competências desenvolvidas nos cursos de graduação e as competências requeridas pelo mundo do trabalho. 2014. Tese (Doutorado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-04122014- 140954/publico/FabiolaMacielSarubbiMarangoniVC.pdf. Acesso em: 15 set. 2022. MAXIMIANO, A. C. A. Recursos humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/002467172. Acesso https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/09/18/9-em-cada-10-profissionais-sao-contratados-pelo-perfil-tecnico-e-demitidos-pelo-comportamental.ghtml https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/09/18/9-em-cada-10-profissionais-sao-contratados-pelo-perfil-tecnico-e-demitidos-pelo-comportamental.ghtml https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/09/18/9-em-cada-10-profissionais-sao-contratados-pelo-perfil-tecnico-e-demitidos-pelo-comportamental.ghtml https://hbr.org/2017/02/emotional-intelligence-has-12-elements-which-do-you-need-to-work-on?autocomplete=true https://hbr.org/2017/02/emotional-intelligence-has-12-elements-which-do-you-need-to-work-on?autocomplete=true https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-04122014-140954/publico/FabiolaMacielSarubbiMarangoniVC.pdf https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-04122014-140954/publico/FabiolaMacielSarubbiMarangoniVC.pdf https://repositorio.usp.br/item/002467172 Disciplina GESTÃO DE PESSOAS em: 19 ago. 2022. MCCLELLAND, D. C. Testing for Competence Rather than ‘Intelligence’. American Psychologist, jan. 1973. p. 1-14. Disponível em: https://www.therapiebreve.be/documents/mcclelland-1973.pdf. Acesso em: 15 set. 2022. McLAGAN, P. Great ideas revisited: competency models. Training and Development, v. 50, n.1, jan. 1996. p. 60-64. MIRABILE, R. J.. Everything you wanted to know about competency modeling. Training and Development, v. 51, n. 8, ago. 1997. p. 73-77. MITCHELL, B.; GAMLEM, C. The Big Book of HR. Wayne: The Career Press, 2017. SPENCER L.; SPENCER S. Competence at Work: Model for Superior Performance. New York: John Wiley & Sons, 1993. ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo:Atlas, 2001 Aula 3 Administração de talentos e capital intelectual nas organizações Introdução É muito estranho, quase inconcebível, pensar que, durante muito tempo, a contabilidade das organizações só considerava os recursos materiais como passíveis de serem valorados. Ou seja, as pessoas, que hoje são vistas como o bem mais importante de qualquer organização, não eram levadas em consideração nesse cálculo. Atualmente, sabe-se que a informação e o https://www.therapiebreve.be/documents/mcclelland-1973.pdf Disciplina GESTÃO DE PESSOAS conhecimento são fundamentais para a sobrevivência das organizações, e que os detentores de conhecimento dentro das empresas são seus colaboradores. Assim, todos os colaboradores de uma organização devem ser valorizados e incentivados. Porém, existe um conjunto de colaboradores que demonstram um nível de entrega maior que os demais. Esses colaboradores também possuem uma alta capacidade de aprendizagem e normalmente estão envolvidos com aspectos de inovação dentro das organizações. Eles são chamados de talentos. Os talentos, por serem colaboradores que se destacam por sua capacidade de raciocínio associativo e grande perseverança, acabam necessitando de uma gestão diferenciada para que continuem motivados e permaneçam na organização. Na presente aula, �cará claro o que você deve ser e fazer para ser considerado um talento e o que as organizações precisam realizar em termos de processos e atitudes para manter esses pro�ssionais em seu pool de talentos. Capital intelectual e talentos, o valor que não tem preço Durante muito tempo, a contabilidade determinava o valor de uma organização apenas considerando seus bens tangíveis e, assim, calculava seus Balanços Patrimoniais. Esse cálculo era pautado apenas no que era possível “pegar”, como tijolos, argamassa, estoques... tudo aquilo que a empresa possuía de natureza material. Contudo, começou-se a questionar se, de fato, apenas o que é material deveria ser avaliado como aquilo que traz valor para uma organização. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Neste sentido, para Prahalad e Hamel (1990), um ativo é, na verdade, apenas a percepção de uma oportunidade a respeito da qual a maioria das pessoas concorda. Com a valorização do conhecimento dentro das organizações e o entendimento de que a inteligência humana e os recursos intelectuais constituem presentemente os ativos mais valiosos de qualquer empresa (KARLGAARD apud EDVINSSON; MALONE, 1998, p. 2), muitos autores começaram a questionar se essa maneira de avaliar e contabilizar apenas os ativos tangíveis de uma organização seria a forma correta de valorar uma empresa. Em 1998, Sveiby conceituou o que chamamos de ativos intangíveis, de maneira muito similar ao que Stewart (1998, p.XIII) chamou de capital intelectual: “o Capital Intelectual constitui a matéria intelectual – conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência – que pode ser utilizada para gerar riqueza”. Para Sveiby (1998), teórico da organização baseada em conhecimento, a economia da Era do Conhecimento oferece recursos ilimitados, pois a capacidade humana de criar conhecimentos é in�nita. Sob esta ótica, os colaboradores são as pessoas-chave no que tange o capital intelectual; porém, é possível observar diferentes performances dos distintos colaboradores dentro das organizações. Reconhecer esses talentos é crucial para que as empresas possam identi�car os potenciais futuros líderes e pensar na melhor forma de implementar a sucessão. Mas a�nal, o que são talentos ou high potencials nas organizações? Talentos são, geralmente, de�nidos como aqueles colaboradores que demonstram alto nível de contribuições aos valores organizacionais e têm potencial para subir para uma posição previamente identi�cada dentro de um determinado prazo. Os talentos, ou high potencials, são colaboradores capazes de assumir maiores responsabilidades, pois apresentam alto grau de entrega para a organização e liderança. Para Stewart (1998), os talentos se diferenciam dos demais colaboradores por desenvolverem atividades que contribuem para os resultados organizacionais. É uma pessoa que desempenha papel-chave na organização, por meio de suas competências, e é comprometida com a entrega dos resultados. Segundo Ready, Conger e Hill (2010, p. 1, tradução livre), os high potencials: “superam seus grupos de pares, de forma consistente e signi�cativa, em uma variedade de con�gurações e circunstâncias. Ao atingirem esses níveis superiores de desempenho, exibem comportamentos que re�etem a cultura e os valores de suas empresas de forma exemplar. Além disso, eles mostram uma forte capacidade de crescer e ter sucesso ao longo de suas carreiras dentro de uma organização — mais rapidamente e efetivamente do que seus grupos de pares fazem." Como saber se sou um talento e meu papel no capital intelectual das organizações Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Apesar de, contabilmente, esse ativo intangível ou capital intelectual não ser corriqueiramente incluído nos Balanços Patrimoniais, era muito comum que, quando uma empresa fosse vendida, o valor da negociação fosse maior do que aquele apontado nos Balanços. Para Stewart (1998), que foi o primeiro autor a de�nir capital intelectual, quando o mercado avalia uma empresa com um valor superior ao valor contábil de seus ativos, essa diferença é entendida como o capital intelectual. Esse capital diz respeito aos ativos intangíveis que, em um ambiente de elevada complexidade e mudanças descontínuas, serão os principais responsáveis pelo desempenho �nanceiro da empresa no futuro. “O Capital Intelectual, em especial, valoriza atividades como a lealdade dos clientes ou o desenvolvimento da competência dos empregados, que podem não in�uir na lucratividade de uma empresa durante anos” (EDVINSSON; MALONE, 1998, p. 10). O capital intelectual também pode ser identi�cado por meio de fatores como liderança tecnológica, treinamento constante dos colaboradores e rapidez de atendimento de pedidos de clientes, uma vez que ele é visto como a peça central da competitividade. E se, como já vimos, a velocidade das mudanças está cada vez mais acelerada, o capital intelectual também é visto como a importante capacidade de uma organização de aprender e se adaptar. É ele que mantém uma empresa atrativa e sustentável em sua criação de valor. Mas o que é valor? Segundo Edvinsson e Malone (1998), o valor está nos ativos e, para eles, os ativos se apresentam sob quatro perspectivas distintas. Três delas são mensuráveis e a quarta é essencialmente não- mensurável (pelo menos, até que a organização seja vendida e possamos evidenciar essa diferença no valor contábil). Esta quarta categoria de ativos é mais complicada, uma vez que representa os ativos intangíveis (aqueles que não possuem uma representação física, porém, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS trazem valor para a empresa). Neste sentido, as pessoas são o principal ativo intangível de uma organização. De acordo com os autores Ready, Conger e Hill (2010), um talento sempre entrega fortes resultados, domina novas expertises e reconhece que o comportamento é muito importante. Contudo, aquilo que realmente o distingue dos demais colaboradores é o fato de sempre buscar se destacar na realização de uma tarefa (busca da excelência), possuir uma forte capacidade de aprendizagem, ter espírito empreendedor e, �nalmente, identi�car oportunidades e se adaptar a mudanças. Essas características, os autores denominam como os “fatores X” e ressaltam que, infelizmente, esses fatores são um pouco intangíveis e geralmente não aparecem em listas de competências de liderança ou em formulários de avaliação de desempenho. Mas, se as competências e comportamentos das pessoas consideradas talentos nas organizações não são fáceis de serem colocadas nos formulários, como é possível me tornar um talento, ou ser identi�cado como um? De acordo com Coda (2016), talento é mais que a junção de conhecimentos e habilidades: são os comportamentos exibidos na realização do seu trabalho.A partir do modelo de gestão de competências adotado pela organização, é possível identi�car quais competências foram consideradas reveladoras de talentos (porém, as diferentes organizações avaliam seus talentos de maneiras distintas). Assim, para que uma pessoa seja de fato um talento dentro da organização, esta precisa ter um alinhamento do gerenciamento de impulsionadores relacionados ao modelo organizacional, da cultura e do clima, dos sistemas da direção, da gestão do conhecimento... En�m, de muitos subsistemas que contribuam para que este talento possa ser visto e reconhecido como tal. Como conquistar e manter os talentos dentro da organização. A minha empresa é uma “fábrica de talentos”? Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Uma conversa com o gestor é sempre bem-vinda para entender como a organização em que você atua identi�ca talentos e se ela possui algum programa de desenvolvimento. Porém, é importante ter em mente que nem todas as empresas deixam claro para os seus colaboradores quem é visto como um talento. Atualmente, muitas organizações entendem a importância de gerenciar e aprimorar os talentos que possuem, uma vez que não desejam passar por nenhum “apagão de talentos” (quando faltam pessoas quali�cadas para assumir posições de liderança, que podem vagar por um líder se aposentar ou trocar de empresa, ou por surgirem novas oportunidades de negócio e não existir ninguém dentro da organização preparado para assumir esse novo desa�o). Ready e Conger (2007), em artigo da Harvard Business Review, identi�caram empresas que enfrentam o futuro com con�ança, não apenas gerenciando talentos, mas construindo verdadeiras “fábricas de talentos”. Os autores identi�caram que as fábricas de talentos são capazes de desenvolver e reter colaboradores-chave e, desta forma, conseguem preencher rapidamente as posições de liderança para atender às necessidades de negócios em evolução e os processos sucessórios. Se, por um lado, estas organizações possuem processos de talentos rigorosos que suportam objetivos estratégicos e culturais, por outro, existe um comprometimento emocional por parte da gerência que é identi�cado nas ações diárias da empresa. A estes dois aspectos destacados, os autores dão o nome de “funcionalidade” e “vitalidade”, respectivamente. A funcionalidade “refere- se aos processos em si, às ferramentas e sistemas que permitem que uma empresa coloque as pessoas certas com as habilidades certas no lugar certo, na hora certa (...) e vincular claramente os processos aos objetivos da empresa é igualmente importante” (READY; CONGER, 2007, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS tradução livre). Todos os processos de gestão de talentos precisam ajudar a impulsionar o desempenho e auxiliar na criação de um clima organizacional e�caz. A vitalidade corporativa é manifestada por meio da paixão pela gestão de talentos. Os processos são passíveis de serem copiados por outras organizações, mas a paixão, essa é pessoal e faz com que os gestores se entreguem àquilo que realmente acreditam. A vitalidade é sobre atitudes e mentalidades dos responsáveis por esses processos, que permeiam toda a organização – não apenas na gestão de pessoas, mas em toda a estrutura organizacional, até o topo. A vitalidade, diferente dos processos, não é tão simples de ser implementada, por se tratar de pessoas apaixonadas; contudo, Ready e Conger (2007) ressaltam que a vitalidade é um produto de três características: compromisso, engajamento e responsabilidade. Uma atitude vinda do gestor, que parece ser simples, mas que muitas empresas acabam não tomando, é conversar com seus talentos e entender onde eles desejam chegar dentro da organização. Muitas vezes, sem essas conversas francas para especular o que os colaboradores almejam, os gestores acabam assumindo erroneamente o que eles querem. Sem a clara noção de onde os talentos desejam chegar, qualquer plano de carreira �ca inviável e não permite que o colaborador vislumbre o que precisa aprender e realizar dentro da organização para ter o sucesso almejado. Os high potencials são colaboradores que adoram desa�os e, quando não se sentem desa�ados, rapidamente perdem o interesse na organização e partem para outra. Por isso, reter um talento é tão complicado (CAST, 2016). Videoaula: Administração de talentos e capital intelectual nas organizações Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Temos uma videoaula muito especial abordando o capital intelectual e sua importância nas organizações. Nele, re�etimos sobre o que é um talento, como se tornar um e como as organizações podem realizar processos para reter esses high potencials dentro das suas organizações e não os perder para o mercado. Vem com a gente? Saiba mais Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Se você se identi�cou com o conteúdo e gostaria de saber mais sobre como se tornar um talento ou gerir os talentos de uma organização, dê uma olhada neste artigo que selecionamos: CAST, C. Como estimular os seus funcionários excepcionais. Kellogg Insights, 2016. Referências https://insight.kellogg.northwestern.edu/pt/article/how-to-nurture-high-potential-employees Disciplina GESTÃO DE PESSOAS CAST, C. Como estimular os seus funcionários excepcionais. Kellogg Insights, 2016. Disponível em: https://insight.kellogg.northwestern.edu/pt/article/how-to-nurture-high-potential-employees. Acesso em: 11 ago 2022. CODA, R. Competências Comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas, 2016. Corporate Leadership Council (CLC). The metrics standard: capability measures. Corporate Executive Board, 2005. EDVINSSON, L.; MALONE, M. Capital Intelectual: Descobrindo o valor real de sua empresa pela identi�cação de seus valores internos. São Paulo: Makron Books, 1998. PRAHALAD, C.K.; HAMEL, G. The core competence of the corporation. Harvard Business Review, Boston, Mass., May/June, 1990. READY, D. A.; CONGER, J. A. Making your company a talent factory. Harvard Business Review, v. 85, n. 6, 2007. p. 68-77. READY, D. A.; CONGER, J. A.; HILL, L. A. Are you a high potencial? Harvard Business Review, v. 88, n. 6, jun. 2010. p. 1-16. STEWART, T. A. Capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998. SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1998. Aula 4 Compreendendo a cultura organizacional Introdução https://insight.kellogg.northwestern.edu/pt/article/how-to-nurture-high-potential-employees Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Hoje a nossa aula abordará um tema muito importante quando falamos de organizações e pessoas. Entender a cultura organizacional é fundamental para entender como as coisas são realizadas dentro das organizações, por que as pessoas pensam como pensam ou se comportam de tal forma. Os valores organizacionais são centrais quando observamos e estudamos a cultura de qualquer organização; porém, existem outras formas de observarmos a cultura: desde aspectos visíveis, como o ambiente, a linguagem dos colaboradores e os produtos ou serviços ofertados, até aspectos menos visíveis como os rituais, os símbolos e as histórias contadas nessas organizações. Os valores podem ser traduzidos em um conjunto de diretrizes, componentes mais formais, como um conjunto de princípios, políticas e processos de Gestão de Pessoas que interferem nas relações humanas dentro das organizações. Por meio da cultura organizacional, ocorre também o gerenciamento da diversidade nas organizações, deixando transparecer aos colaboradores o que a organização preza e valoriza nas pessoas que lá se encontram. A cultura organizacional, os componentes formais de Gestão de Pessoas e a diversidade Disciplina GESTÃO DE PESSOAS O conceito de cultura é antigo e já era discutido na sociedade romana. Para a antropologia, o termo busca integrar todos os aspectos da prática social. Em 1951, no livro The Changing Cultureof a Factory, de Elliot Jaques, aparece a primeira utilização do termo “cultura” no âmbito da administração, mas foi apenas com Edgard Schein que a palavra se consolidou na área. Schein elaborou o conceito de cultura de maneira dinâmica, da forma como ela é apreendida, transmitida e modi�cada (FLEURY; SAMPAIO, 2002). Assim, para Schein (2001, p.7), cultura organizacional: “É um conjunto de pressupostos básicos compartilhados, que o grupo aprendeu para lidar com seus problemas de adaptação externa e integração interna, que tem funcionado bem o su�ciente para ser considerado válido, e são ensinados para os Disciplina GESTÃO DE PESSOAS novos membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas”. Mas o que são pressupostos básicos? São ideias que os membros de um grupo consideram tão óbvias e certas (certezas profundas) que utilizam e di�cilmente se questionam se estão agindo de acordo com determinado paradigma (FLEURY; SAMPAIO, 2002). Falar de cultura organizacional é falar de valores. Valores têm sido um conceito central nas Ciências Sociais, pois são cruciais para explicar as organizações e as transformações sociais e pessoais. De acordo com Schwartz (2012, p. 63, tradução livre) “os valores são usados para caracterizar grupos culturais, sociedades e indivíduos, para identi�car transformações ao longo do tempo e para explicar as bases motivacionais de atitudes e comportamentos”. De maneira geral, podemos dizer que os valores organizacionais são as formas de demonstrar a identidade da organização, seja para os colaboradores, para seus clientes, mercado e demais stakeholders. Os princípios são fundamentais na de�nição da cultura de uma organização. De acordo com Fischer (2002, p. 17), princípios são “orientações de valor e crenças básicas que determinam o modelo e são adotadas pela empresa”, assim, o modelo de gestão deverá não só segui-los e respeitá-los como também reforçar esses valores na cultura da organização (FISCHER, 2002). Já as políticas estabelecem diretrizes de atuação, são orientadoras e integradoras dos processos especi�camente voltados para a Gestão de Pessoas. Segundo Fischer (2002, p17), as políticas “estabelecem diretrizes de atuação que buscam objetivos de médio e longo prazo para as relações organizacionais”. Por �m, os processos são os elementos mais visíveis do modelo de Gestão de Pessoas, são aqueles mais estudados e amplamente divulgados. Exemplos de processos são as ações de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho, pesquisa salarial e de clima, diagnóstico de cultura, entre vários outros. Ainda segundo Fischer (2002, p 17), processos são “cursos de ação previamente determinados, não podem ultrapassar os princípios e são orientados por políticas”. Um assunto que está em voga, atualmente, e que deve andar de “mãos dadas” com os valores organizacionais, é a diversidade. Diversidade signi�ca criar um ambiente de trabalho que abarque todos os colaboradores, nos mais variados sentidos, desde questões étnicas, culturais, de gênero, sociais, de necessidades especiais, de orientação sexual, além de formas de pensar e per�l (entre tantas outras); que favoreça o clima e a convivência entre todos. Assim, não há como haver diversidade dentro uma organização se isso não for um real valor dela. Níveis da diversidade e diagnóstico da cultura organizacional Disciplina GESTÃO DE PESSOAS A diversidade pode ser vista em dois níveis distintos. O nível super�cial é chamado de “bio- demográ�co” por Horwitz e Horwitz (2007), e contempla todas as características observáveis de um indivíduo, como o gênero, a etnia, a orientação sexual, sua posição social, entre outros. Por este ser um nível de fácil observação, é nele que normalmente as pessoas acabam se comparando e ao qual atribuem um maior peso. Contudo, é no nível mais profundo que o ser humano realmente se encontra e se conecta com o próximo. O nível profundo, ainda de acordo com os autores, aborda características pessoais como a cultura, os valores, a educação e a personalidade. Para que ocorra uma real conexão e identi�cação nos níveis mais profundos, é fundamental romper com a primeira barreira de preconceito que o nível super�cial pode gerar (principalmente quando há diferenças). Incluir a diversidade nas organizações não é uma tarefa simples. É fundamental que ações sejam implementadas no sentido de conscientizar os colaboradores. Apenas quando uma cultura de diversidade for fomentada por meio de estratégias organizacionais, a diversidade de fato será aceita e bem-vinda. Um diagnóstico da cultura organizacional é muito importante, e uma das formas de realizá-lo é como se mostra na Figura 1, a seguir relacionada. Fleury e Sampaio (2002, p. 291) destacam as diversas camadas na cultura: começam por fora, com os elementos visíveis da organização, como o ambiente, os hábitos, os artefatos, a linguagem utilizada pelos colaboradores e os produtos ou serviços oferecidos pela organização; seguem com uma camada mais intermediária com os rituais, mitos, histórias, heróis e símbolos; até chegarem à camada mais profunda, que são os valores e crenças da organização. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Níveis de apreensão da cultura organizacional. Fonte: adaptada de Fleury e Sampaio (2002, p. 291). Quanto ao ambiente, quando entramos na organização, como se encontram dispostos os mobiliários? Existe uma sala ampla onde todos trabalham juntos, de maneira colaborativa, ou podemos ver diversas “baias”, com altas divisórias que impossibilitam aos colaboradores se enxergarem? As salas dos gestores são separadas e acabam não sendo convidativas para os demais entrarem, ou esses gestores se sentam junto aos seus times e �cam disponíveis? O ambiente de uma organização é uma camada super�cial e visível a qualquer pessoa que adentra a organização, mas já fala muito sobre a sua cultura. Todos os elementos que constituem esta camada mais externa são fáceis de ser identi�cados, como a linguagem. Como os colaboradores se comunicam entre si? De que forma se dá a comunicação dos gestores com seus liderados? Eles mandam muitos e-mails, adotam uma comunicação mais formal? Quando pensamos em hábitos, é um hábito da equipe tomar um cafezinho juntos? Para um leigo, um cafezinho na hora do trabalho pode parecer perda de tempo, mas para nós que estamos virando experts em Gestão de Pessoas, tomar um cafezinho representa que esta equipe está sintonizada, resolvendo problemas em momentos informais e ampliando suas relações. Quais outros hábitos é possível identi�car nesta organização? Essa primeira camada já ajuda a realizar um diagnóstico da cultura de uma organização. Mas apenas ela não é su�ciente. É preciso aprofundar mais essa análise, e vamos para a próxima camada. Na camada intermediária, encontramos as maneiras como a cultura é transmitida aos colaboradores de uma organização. As mais poderosas são as histórias contadas, os rituais realizados, os símbolos e a linguagem (que, apesar de estar na camada de cima, por ser mais visível, também é poderosa na transmissão da cultura). As histórias contadas são narrativas que vinculam o presente ao passado da organização e oferecem explicações e legitimidade às Disciplina GESTÃO DE PESSOAS práticas vigentes. Os rituais são sequências repetitivas de atividades que expressam e reforçam os valores fundamentais da organização. Um exemplo de ritual nas organizações são as confraternizações de �nal de ano, nas quais os colaboradores se encontram e festejam juntos. Outro ritual pode ser um jantar de comemoração por metas ou resultados atingidos. Já os símbolos são objetos, ações ou eventos que transmitem signi�cados aos membros organizacionais. Esses símbolos estão presentes, por exemplo, no logotipo da marca. O que a marca de uma empresa passa aos seus clientes? Ela traz orgulho ao colaborador por fazer parte daquela organização? (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Por �m, é possível observar os valores exercendo um papel bastantecentral na cultura. De onde surge a cultura e como mantê-la forte Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Os princípios, políticas e processos de Gestão de Pessoas devem estar sempre alinhados à cultura da organização e, por isso, são retratados na Figura 1 como a ponta de uma �echa que atravessa todas as camadas da cultura. Mas de onde surge a cultura? Como são determinados os valores que uma organização irá seguir? Todo esse processo inicia-se com a �loso�a dos seus fundadores. É a partir dos seus valores pessoais e da maneira como eles encaram o mundo que os valores organizacionais vão se solidi�cando. Contudo, uma empresa não é constituída apenas pelo seu fundador. Conforme ela cresce, ela precisa de novos colaboradores e, à medida que novos colaboradores são contratados, eles passam pelo crivo dos fundadores, que contratam as pessoas que eles percebem que estão sintonizadas com os seus valores e com as expectativas dessa organização. Assim, os fundadores só contratam e mantêm colaboradores que pensam e sentem da mesma forma que eles. Uma vez inseridos na organização, esses novos colaboradores são doutrinados e socializados de acordo com os valores dos fundadores. Por �m, o comportamento dos fundadores estimula os colaboradores a se identi�carem com eles e a internalizarem os seus valores, convicções e premissas (aqueles que por algum motivo não se identi�cam acabam não permanecendo na organização) (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Quanto mais pessoas compartilham os mesmos valores, mais a cultura dessa organização vai se consolidando, e estes passam a fazer parte dos pressupostos básicos compartilhados. Além dos valores, outros elementos que podem ser identi�cados na cultura de qualquer organização são: inovação, atenção aos detalhes, orientação para os resultados, foco na pessoa, foco na equipe, agressividade e estabilidade. Identi�car os elementos da cultura não é apenas perceber se eles se fazem ou não presentes na organização, mas identi�car em que grau eles podem ser observados. A organização que avalia estes sete elementos enxerga uma ilustração complexa da sua cultura, permitindo que se tenha uma base dos sentimentos e compreensão compartilhados pelos membros e de como eles devem se comportar. No Quadro 1, a seguir relacionado, é possível entender cada um dos elementos da cultura de uma organização (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 501). Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Quadro 1 | Elementos da cultura organizacional. Fonte: adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 501). O elemento inovação está em voga e, cada vez mais, as organizações buscam construir uma cultura voltada para isso. Se, por um lado, a inovação está ligada à capacidade de assumir riscos e permitir o erro dentro da organização, sem que ele seja punido; por outro, ela está ligada à capacidade de assegurar que pessoas diferentes, com diferentes repertórios, façam parte desta organização (e tenham prazer em trabalhar lá). A diversidade traz consigo os diferentes olhares e repertórios que, juntos, são capazes de gerar inovação dentro das organizações. Cabe à cultura organizacional nortear o entendimento da diversidade, que é visto como um fenômeno recente nas organizações e que tem ganhado cada vez mais força. Desta forma, as políticas organizacionais devem ser adaptadas às mais diversas realidades (NISHII; ÖZBILGIN, 2007) e norteadas para o entendimento da diversidade, criando sistemas �exíveis de conduta para seu entendimento para conseguir lidar com as diferenças (KOPYTOVA, 2018). Videoaula: Compreendendo a cultura organizacional Este conteúdo é um vídeo! Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Após essa leitura sobre o que é cultura organizacional e diversidade, e por que ambas são tão importantes de serem entendidas e gerenciadas dentro das organizações, venha assistir a uma videoaula que preparamos com muito carinho para você! Esses dois temas são essenciais para a nossa jornada de aprendizagem em Gestão de Pessoas. Saiba mais Você se interessou pelo tema da cultura organizacional? Que tal ler Edgar H. Schein, o grande autor do assunto? Nossa sugestão é o livro Cultura Organizacional e Liderança, disponível em Minha Biblioteca: SCHEIN, E. H. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas, 2017. Boa leitura! Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597019827/pages/recent Disciplina GESTÃO DE PESSOAS FISCHER, A. L. Um resgate conceitual e histórico dos modelos de gestão de pessoas. In: As pessoas na organização (p. 11-34). São Paulo: Editora Gente, 2002. FLEURY, M. T. L.; SAMPAIO, J. D. R. Uma discussão sobre cultura organizacional. In: As pessoas na organização (p. 283-294). São Paulo: Editora Gente, 2002. HORWITZ, S. K.; HORWITZ, I. B. The Effects of Team Diversity on Team Outcomes: A Meta Analytic Review of Team Demography. Journal Of Management, Houston, v. 33, n. 6, dez. 2007. p. 987-1015. JAQUES, E. The changing culture of a factory. New York: The Dryden Press, 1952. KOPYTOVA, I. Managemente potencial of organizational culture in resolving business con�icts. Agricultural And Resource Economics: International Scienti�c E-Journal, v. 4, n.1, 2018. p. 77-90. NISHII, L. H.; ÖZBILGIN, M. F. Global diversity management: towards a conceptual framework. The International Journal of Human Resource Management, v. 18, n. 11, nov. 2007. p. 1.883-1.894. ROBBINS, Stephen P; JUDGE, Timothy A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. 14a edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SCHEIN, E. H. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597019827/pages/recent. Acesso em: 18 ago. 2022. SCHEIN, E. H. Guia de sobrevivência da cultura corporativa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. SCHWARTZ, S. H. Basic individual values: sources and consequences. In: Brosch, Tobias; Sander, David (eds.). Handbook of value. Perspectives from economics, neuroscience, psychology, and sociology. Oxford: Oxford University Press, 2016. p. 63-84. SCHWARTZ, S. H. An Overview of the Schwartz Theory of Basic Values. Online Readings in Psychology and Culture, 2(1), 2012. Disponível em: https://scholarworks.gvsu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1116&context=orpc. Acesso em: 15 set. 2022. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597019827/pages/recent https://scholarworks.gvsu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1116&context=orpc Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Aula 5 Revisão da unidade A base fundamental para entender de Gestão de Pessoas Nossa jornada no mundo da Gestão de Pessoas está apenas começando, mas já temos um alicerce sólido. Sobrevoamos o histórico da área e descobrimos que nem sempre o ser humano foi valorizado e visto/tratado como o elemento principal das organizações, muito pelo contrário. Quando o RH era visto apenas como RH, os colaboradores eram tratados como recursos, como maquinário, mais uma parte do sistema produtivo. Com estudos e novas descobertas, entendeu- se a importância das relações no ambiente de trabalho, mas estas ainda eram vistas como possíveis maximizadoras da produção e, consequentemente, do lucro das organizações. Avançou-se um pouco mais, ao entender que a gestão de pessoas não deveria apenas seguir a estratégia organizacional, mas in�uenciá-la; a�nal, saber do negócio da organização, sua missão e valores é indispensável para ter as pessoas certas no lugar certo. Nesta ótica da valorização da importância do ser humano, surgiu um novo conceito, o de capital intelectual. As organizações passaram a valer mais que o simples somatório dos seus bens tangíveis, pois entendeu-se que o maior valor das organizações está justamente naquilo que é intangível: as pessoas. São elas que detêm conhecimento, habilidades e atitudesem ação, que Disciplina GESTÃO DE PESSOAS geram os resultados organizacionais. Se as pessoas são o bem mais valioso das organizações, como gerir essa força de trabalho? A gestão por competências surge para abarcar os diversos processos de RH, como: seleção, treinamento, desenvolvimento, avaliação de desempenho, entre tantos outros. São as competências, individuais e organizacionais, que permitem que as organizações alcancem suas missões e visões. Atualmente, é muito comum aparecerem os termos soft skills e hard skills. Skills são habilidades em inglês, mas comumente são utilizadas como sinônimo de competências no mundo do trabalho. As hard skills, ou competências técnicas, são desejáveis para a realização de tarefas especí�cas, ou técnicas; porém, são as soft skills as habilidades mais difíceis de serem mobilizadas e encontradas nos colaboradores, como: trabalho em equipe, liderança, comunicação. E, se não é fácil encontrar um colaborador com todas as competências necessárias a seu espaço ocupacional, quem dirá encontrar e reter um talento dentro das organizações. Os talentos, ou high potencials, são pessoas que entregam mais que seus parceiros nas organizações, que aprendem rápido e possuem o potencial de subir mais que dois níveis por sua capacidade de adaptação e entrega. Os talentos são pessoas que constantemente buscam desa�os e querem ser desenvolvidos numa velocidade maior que a maioria dos colaboradores. Por isso, não é tão simples retê-los na organização. É fundamental que a gestão de pessoas crie um ambiente propício ao seu desenvolvimento. Outro importante ponto de atenção na Gestão de Pessoas está ligado à gestão da diversidade. Sabe-se que a diversidade é responsável por criar ambientes mais inovadores e �exíveis, se culturalmente ela for desejada e viabilizada. A cultura organizacional é a grande teia invisível que liga os colaboradores aos valores de cada organização. Essa cultura é normalmente iniciada por seu fundador, e vai se ampliando à medida que os novos membros compartilham desses valores, da forma de pensar e agir, criando os pressupostos básicos compartilhados. A Gestão de Pessoas identi�ca os valores e crenças organizacionais, elabora seus princípios, políticas e processos (as práticas de RH) e auxilia na manutenção dessa cultura, permitindo, assim, que a organização esteja alinhada com as estratégias estabelecidas para, por meio de sua missão, chegar à sua visão. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Que tal agora consolidar todo o conhecimento que você aprendeu nesta Unidade 1 de Gestão de Pessoas? Preparamos um vídeo que vai trazer esses conteúdos de maneira integrada e dinâmica. Venha assistir com a gente! Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Estudo de caso Roberto encontrou você na academia e estava muito contente querendo falar sobre o estágio que está fazendo na empresa Solis. Ele disse que nunca imaginou que poderia aprender tanto num ambiente com pessoas tão legais e solícitas: “É incrível com as pessoas são verdadeiras e transparentes na empresa, existe um clima de con�ança!”, comentou. Desde o primeiro dia trabalho, Márcia, do RH, fez questão de levá-lo a um tour pela organização, e ele contou que as pessoas �cam em suas próprias mesas, mas numa sala gigante, onde todos conseguem interagir, o que o ajuda muito, pois, no dia a dia, ele consegue sempre tirar suas dúvidas com alguém que está próximo. Assim, Robero não se sente só nem desamparado na organização. “Sabe o que é mais interessante? ”, falou. “Como essa sala é ampla e dá para ver todos os colaboradores, você percebe que as pessoas lá são bastante diferentes umas das outras. Tem jovens, pessoas mais velhas, pessoas brancas, negras; até um indiano, o Kabir, trabalha lá com a gente. E todo mundo se trata com muito respeito”. Outro detalhe que Roberto contou com orgulho foi que, nesta mesma sala onde eles �cam trabalhando, mais ao canto, existe um uma espécie de cafeteria, com “comidinhas” saudáveis, chá, café e outros alimentos que os colaboradores podem livremente consumir. Frequentemente, ele percebe que grupos de colegas estão lá conversando e tomando um café juntos. Uma vez, Roberto disse: “Fui para a empresa com o carro do meu pai, achei que as vagas dos diretores seriam separadas e próximas à entrada, mas que nada! Não existem lugares �xos. Chegou, parou! E consegui uma vaga maneira, bem pertinho da entrada”. Roberto estava todo animado em ser estagiário na Solis, não acreditava que uma organização pudesse ser tão bacana. No �m do mês, quando averiguaram que as metas haviam sido batidas, foram todos do time convidados para jantar num bom restaurante, a empresa pagou a conta, e todos comemoraram muito os esforços e resultados atingidos. Roberto achava interessante que, Disciplina GESTÃO DE PESSOAS apesar de realizar tarefas mais burocráticas, sabia exatamente o que seu trabalho implicava na entrega do seu time. Tinha a certeza de que seu trabalho era muito importante, apesar de estar apenas começando por lá. Roberto contou que o fundador de sua empresa, Sr. Armando, tinha uma história de superação muito inspiradora, e que, assim como ele, gostaria de alcançar grandes feitos em sua vida. Achava o logo da Solis, um grande sol brilhante, muito encorajador, pois sentia que todos os dias eram iluminados e sentia orgulho em trabalhar naquela empresa. ________ Re�ita Roberto acabou de contar a você sobre sua nova experiência como estagiário na Solis. Como é possível relacionar esses aspectos de cultura organizacional com o que você está aprendendo? Identi�que na fala de Roberto e relate os aspectos visíveis da cultura, como ambiente, os hábitos; os aspectos mais intermediários, como histórias, rituais, símbolos e heróis; e os aspectos mais profundos, como os valores. Na fala de Roberto, também é possível identi�car sinais da presença ou não da diversidade nessa organização. Pontue esses sinais. Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Vamos correlacionar os pontos levantados do estágio de Roberto com o que você aprendeu em Gestão de Pessoas: Elementos visíveis da cultura Ambiente: Roberto destaca que o ambiente da sua empresa é aberto, tanto no sentido do diálogo (os colaboradores possuem acesso uns aos outros), quanto �sicamente (as mesas são próximas, em um ambiente amplo, com fácil acesso e visualização dos membros).” Hábitos: as pessoas podem desfrutar de um ambiente onde podem tomar juntas um café e socializar. Outro hábito que Roberto destacou é a acessibilidade às pessoas e a interação entre elas. Elementos intermediários da cultura Histórias: as histórias contadas sobre como Seu Armando fundou a organização trazem aspectos compartilhados importantes sobre a cultura da Solis. Heróis: o próprio Seu Armando é um herói nessa organização. Símbolos: O logotipo destacado por Roberto, como um sol, que brilha e é intenso, faz com ele sinta identi�cação e tenha orgulho em pertencer a essa organização. Rituais: Roberto identi�ca em sua fala um dos rituais de comemorar as metas alcançadas, saindo para jantar com seus parceiros do time de trabalho. Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Elementos profundos da cultura: Valores: logo no início do texto, Roberto destaca a verdade, a transparência e a con�ança como importantes valores vividos dentro da Solis. Diversidade: No que tange à diversidade, é possível identi�car que a organização não apenas a possui, mas que culturalmente ela é aceita e incentivada. As pessoas vivem a diversidade dentro da empresa em um clima amistoso e de respeito. Resumo visual Disciplina GESTÃO DE PESSOAS Figura 1 | Esquema