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Gerenciamento de Construção Civil Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Paulo Renato Pakes Revisão Textual: Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas • Gerenciamento da Integração do projeto; • Gerenciamento das Partes Interessadas. • A importância e os passos do gerenciamento da integração do projeto; • Apresentar os passos para a gestão do relacionamento com as partes interessadas. OBJETIVO DE APRENDIZADO Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Gerenciamento da Integração do Projeto O gerenciamento da integração consiste em administrar os processos e ativida- des referentes a identificação, definição, combinação, unificação e coordenação de diversos processos (PMI, 2017). Esta etapa é importante pois é a partir dela que se cria um ambiente adequado para o desenvolvimento do projeto (CARVALHO; RABECHINI JR. 2015). O gerenciamento da integração do projeto é de responsabilidade do gerente do projeto, não podendo de forma alguma ser delegado a outros membros da equipe. Como o próprio nome diz, a integração é a responsável por concatenar todas as áreas do conhecimento, dando o aporte necessário para a análise e a tomada de decisão por parte do gerente. Dentro dos grupos de processos de gerenciamento de projetos, são sete as ati- vidades do conhecimento administradas por esse grupo. Detalharemos cada uma dessas atividades no decorrer do capítulo. Processos de Integração na Etapa de Iniciação Desenvolver o Termo de Abertura do Projeto A integração deve estar presente desde a concepção do projeto. Nesta etapa deve ser desenvolvido o termo de abertura do projeto. A importância do estabele- cimento formal do início do projeto é para que as pessoas envolvidas, os interes- sados, tenham o mesmo referencial de início. Em outras palavras, o início formal serve para que seja registrado o ponto de partida, recursos necessários, premissas e restrições, para que seja estabelecido um elo entre executores e solicitantes (PMI, 2017; CARVALHO; RABECHINI JR., 2015). Neste documento devem conter informações relevantes para o projeto refe- rentes a: título; objetivos; gerente designado; patrocinadores; benefícios; prazo de execução; riscos identificados; orçamento do projeto; escopo macro; estrutura de equipe e aprovadores. Antes de prosseguirmos, vamos definir os conceitos de patrocinadores. Patro- cinadores, geralmente, são os investidores, diretores, supervisores e membros em geral da alta gerência das empresas. Estes possuem um papel direto na busca e oferta de recursos e na solução de problemas que fogem do alcance do gerente de projetos. Adiante se apresenta o exemplo de um termo de abertura. O projeto que toma- remos como referência é a construção de apartamentos em um novo loteamento residencial na cidade de Cruzeirolândia (Tabela 1). 8 9 Tabela 1 – Termo de Abertura de Projeto Nome do Projeto: Residencial Parque das Araras Gerente: Eng. Mariana Cavalcante Data do documento: 15/04/2018 Patrocinadores: Imobiliária Novo Morar, PDCA Investimentos LTDA. Objetivo: Construir 10 prédios residenciais com quatro andares e quatro apartamentos por andar, em 24 meses, com um orçamento de R$4.000.000,00. Benefícios: possibilidade de 160 famílias adquirirem um imóvel próprio, geração de empregos para o setor de construção civil, movimentação do comercio local com a mudança dessas novas famílias.... Prazo: 24 meses a partir da data estabelecida para início. Custo: R$4.000.000,00. Premissas: Ter um terreno de no mínimo 2000m². Restrições: Prazos e custos Escopo Macro: obtenção da documentação legal para a construção; limpeza e terraplanagem; construção das bases, paredes e cômodos; acabamento e pintura e gerenciamento do projeto. Estrutura básica da equipe: patrocinadores, gerente do projeto e Construtora DoLar LTDA Riscos Identificados: aumentos abusivos dos insumos necessários, mudanças nas políticas de financiamento de construção e aquisição de imóveis Fonte: Acervo do Conteudista Podemos perceber que o termo de abertura deste projeto busca sintetizar in- formações macro para que todos os envolvidos iniciem do mesmo ponto, com o mesmo conhecimento referente a tais informações. Após a confecção do termo de abertura, deve-se formalizar também a existên- cia do projeto através de uma reunião de abertura e documentações. O objetivo de uma reunião de abertura é mostrar as partes interessadas os cuidados que a administração do projeto terá durante a condução do empreendimento, além do próprio termo de abertura, do escopo preliminar e dos próximos passos do pro- jeto (PMI, 2017). Processos de Integração na Fase de Planejamento Desenvolver o Plano de Gerenciamento do Projeto Nesta etapa a integração é a responsável por desenvolver o plano de gerencia- mento do projeto. É no desenvolvimento deste plano que são realizadas as defini- ções, é feita a preparação e coordenação de todos os componentes do plano e se consolida um plano integrado de gerenciamento do projeto. (PMI, 2017) É com base nas informações do plano de gerenciamento do projeto que se é definido como o projeto será executado, monitorado, controlado e encerrado. As particularidades entre um projeto e outro é o que define o nível de detalhe do plano de gerenciamento. 9 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Mas quais são as informações que devem compor um plano de gerenciamento de projeto? É importante fixarmos desde já que um plano de gerenciamento é com- posto de diversas informações originadas por todas as áreas de conhecimento, po- rém neste plano elas estão expressadas em um único documento, sendo que estas informações devem estar dispostas de forma coerente e consistente (CARVALHO; RABECHINI JR., 2015). Para a obtenção de tais informações na forma solicitada, o desenvolvimento da EAP é essencial, pois é através desta que as primeiras res- ponsabilidades são associadas, os primeiros prazos são estimados e se fornece a visão global do projeto para o gerente. E o que é necessário para se elaborar o plano degerenciamento? Primeiramente devemos ter pronto o TAP em mãos. É a partir deste documento que se tem as primeiras definições para que estas sejam “desbravadas” pelos demais processos e áreas do conhecimento. Mas o que seriam estas definições? Estas definições são referentes a prazos, custos, riscos, recursos etc. É baseado nestas definições que são gerados os planos de ação que posteriormente serão integrados. Outros recursos necessários para se gerar um plano de gerenciamento consistente seriam: reuniões, entrevistas, consultas com especialistas e brainstormings. Essas informações, depois de desenvolvidas nesses processos através dessas áre- as, servem como entradas para este plano. Conforme as mudanças necessárias são feitas, elas são atualizadas no plano integrado. Porém, essas mudanças (que não necessitam de procedimentos formais de mudança) tem um limite: podem ocorrer até as definições das linhas de base do projeto. Depois de definidas as linhas de base, toda e qualquer mudança do plano de gerenciamento necessita seguir um procedimento formal. No desenvolvimento do plano de gerenciamento integrado deve se considerar também os fatores referentes ao ambiente no qual o projeto está inserido. Questões pertinentes, por exemplo, a fatores organizacionais da empresa, sustentabilidade, requisitos legais, infraestrutura disponível e necessária, devem ser consideradas. Processos de Gerenciamento da Integração na Fase de Execução Orientar e Gerenciar o Trabalho do Projeto Este é o processo responsável por liderar e executar o trabalho definido no plano do projeto e é responsável também pela implementação das mudanças apro- vadas para atingir os objetivos definidos para o mesmo (PMI, 2017). Este processo ocorre durante todo o projeto O gerente de projetos, juntamente com a equipe de gerenciamento, conduz a execução das atividades, intermedeia os conflitos entre as diferentes interfaces e analisa e implanta as mudanças solicitadas (PMI, 2017). 10 11 As saídas relacionadas com este processo são as entregas das atividades do es- copo, os indicadores referentes a desempenho do trabalho, o registro de questões referentes a lacunas, inconsistências e conflitos e propostas formais de solicitações de mudanças. A solicitação de mudança é uma proposta formal para a modificação de qual- quer documento, entrega ou linha de base ao encontrar problemas para a execu- ção de um trabalho, sendo que tais solicitações serão processadas no processo de realizar o controle integrado de mudanças. Uma solicitação de mudança pode ter tais objetivos centrais, de acordo com o PMI (2017): Ações corretivas: atividade intencional para realinhar o cumprimento das atividades com os objetivos do projeto. Ações preventivas: atividade intencional para garantir no futuro que os obje- tivos do projeto sejam devidamente cumpridos. Reparo de defeito: atividade intencional para modificar um produto ou com- ponente de produto não conforme. Atualizações: mudanças em documentações, planos, etc., do projeto, com o objetivo de acrescentar ou modificar conteúdo. Gerenciar o Conhecimento do Projeto Este processo basicamente se trata da utilização de conhecimentos existentes e da criação (aprendizado) de novos conhecimentos para o alcance dos objetivos do projeto (PMI, 2017). O conhecimento pode ser definido como explícito (codificável através de pala- vras e números) ou tácito (não pode ser expressado por códigos, está embutido no ser humano via crenças, experiências, interpretações do meio etc.). O gerente e a equipe de projetos lidam com essas duas modalidades de conhecimento o tempo todo para atingir os objetivos do projeto (PMI, 2017). É a partir dessa interação de conhecimentos que nasce o conhecimento organizacional que é transmitido às pessoas (BARBOSA, 2018). Tal conhecimento deve ser usado antes (no planeja- mento), durante (na execução) e depois (nas lições aprendidas) do projeto. Cabe ao gerente do projeto criar condições para que o conhecimento seja dis- seminado e absorvido, afinal, por se tratar de um processo que envolve pessoas, não se pode obrigá-las a compartilhar o que sabem, porém, se elas se sentirem motivadas a dividir seus saberes, elas o farão (PMI, 2017). Nesta fase podem ser utilizadas ferramentas para o gerenciamento do conhe- cimento. Essas técnicas tem o objetivo de conectar as pessoas para trabalharem juntas e compartilharem o que sabem (PMI, 2017). Ainda de acordo com o PMI (2017), nem todas as técnicas são compatíveis com todos os tipos de projeto, 11 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas dependendo de aspectos como a natureza e complexidade destes. São exemplos de técnicas de gerenciamento de conhecimento: seminários, redes de relacionamento (incluindo redes sociais e fóruns de internet), reuniões interativas, aprendizagem por observações, treinamentos interativos, oficinas práticas, feiras, entre outras. Com base nos conhecimentos anteriores e adquiridos, deve ser gerado um re- gistro de lições aprendidas. Neste registro devem ser contextualizadas todas as situações que foram percebidas no projeto, tais como: dificuldades, riscos, opor- tunidades e outras situações percebidas que foram fontes de aprendizados e que podem ser melhor exploradas em outras atividades ou projetos (PMI, 2017). É com base nessas lições aprendidas que são feitas as revisões, que são desenvolvidos novos procedimentos de trabalho e tomadas medidas preventivas futuras. Convém que o arquivamento destas seja feito em um repositório documental (PMI, 2017). Processos de Integração na Fase de Monitoramento e Controle Monitorar e Controlar o Trabalho do Projeto Este processo é o responsável pelo acompanhamento, análise e relato do pro- gresso geral para que os trabalhos atendam os objetivos de desempenho definidos no plano de gerenciamento do projeto (PMI, 2017). O monitoramento contínuo fornece à equipe de projeto uma visão clara de como ele está se comportando em todas as suas áreas, apontando as dificuldades e desafios dele, enquanto o controle determina quais as ações de ordem preven- tiva ou corretiva que serão tomadas para resolver os problemas detectados (PMI, 2017). Em outras palavras, podemos definir que no monitoramento realiza-se um acompanhamento baseado em indicadores, evolução do escopo, observações e in- formações de campo. Já no controle, realiza-se a intervenção direta nos problemas apontados no monitoramento. Existem duas abordagens que os gerentes devem adotar nesta fase de acordo com Carvalho e Rabechini Jr. (2015). A primeira abordagem é baseada no anda- mento do trabalho do projeto, realizando análises nos indicadores e dados gerados por este trabalho. E com base nestas análises, as decisões do projeto são tomadas e devidamente comunicadas para as equipes. A segunda pauta-se nas relações humanas, em que os gerentes apostam nas relações interpessoais com os interessa- dos no projeto, conquistando gradualmente o que é necessário para os resultados. Um gerente experiente usa de forma equilibrada as duas abordagens aliadas às técnicas de gestão de projetos detalhadas neste material. É com base neste processo que são gerados os relatórios de desempenho. Ba- sicamente, um relatório de desempenho contém as informações referentes ao anda- mento do projeto e é avaliado para uma tomada de decisão de controle. Os relatórios podem ter em seus conteúdos textos, gráficos, imagens, linhas do tempo e qualquer outra informação ou recurso visual que apoie a tomada de decisão do gerente de projetos e dê o real status do projeto para as partes interessadas (PMI, 2017). 12 13 Realizar o Controle Integrado de Mudanças O controle integrado de mudanças tem por objetivo a revisão de todas as soli- citações de mudança feitas pela equipe de projeto (PMI, 2017). Ainda de acordo com o PMI (2017), este processo determina a aprovação, o gerenciamento das mudanças e documentos, as comunicações das mudanças e as alterações no planode gerenciamento do projeto. Cabe ao gerente do projeto conduzir tais demandas. É importante ressaltar que a necessidade de formalização das mudanças por este processo é obrigatória após a definição das linhas de base. Uma mudança solicitada pode impactar em prazos, custos e escopo. Portanto, o processo formal para se solicitar uma alteração é de grande valia para a tomada de decisão gerencial. Primeiramente, para gerir as mudanças solicitadas, é necessário a elaboração de um plano de gerenciamento de mudanças. Neste plano, estão estabelecidas as re- gras para solicitação das mudanças, o modelo do termo de solicitação e as respon- sabilidades atribuídas ao comitê de controle de mudanças (CCM) (PMI, 2017). Quanto ao conteúdo de uma solicitação de mudança, o PMI (2017) afirma que é importante o documento ter informações referentes a: que tipo de mudança está sendo solicitada, quanto ela irá custar, aonde ela irá impactar, quais as modificações que ela fará no cronograma, os recursos necessários e os riscos de execução desta. Importante! O comitê de controle de mudanças (CCM) deve ser uma equipe escolhida pelo gerente do projeto para a avaliação das mudanças solicitadas, cabendo a ele o papel de decidir quais mudanças são de caráter imediato, quais podem ser adiadas ou rejeitadas. O papel do CCM não é o de executar mudanças. Podem compor o CCM: membros das equipes técnicas, analistas, representantes das partes interessadas e o gerente de projetos. Importante! Recomenda-se a elaboração de um ciclo formal de tratativa de mudanças. A figu- ra 1 busca ilustrar tal conteúdo. Solicitar a mudança Avaliar impactos no projeto Aprovar ou reprovar solcitação Replanejar projeto para encaixar a solicitação Executar mudança Informar as partes interessadas Figura 1: Ciclo formal de execução de mudanças Fonte: Adaptado de Rodrigues, 2013 13 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Nota-se que o ciclo de execução de mudanças não permite que se pule etapas. Isso é importante, pois permite que a decisão de se fazer uma mudança seja bem avaliada e planejada antes de ser tomada no primeiro indício. Mudar sem comuni- car é desvio, e desvios são imperdoáveis na gestão de um projeto. Processos de Gerenciamento da Integração na Fase de Encerramento Encerrar o projeto ou fase Este é o processo responsável por encerrar todas as atividades do projeto, da fase e do contrato (PMI, 2017). Nesta fase arquivam-se todos os documentos refe- rentes ao término da referida etapa, termina-se o trabalho planejado e liberam-se os recursos para o próximo empreendimento (PMI, 2017). Carvalho e Rabechini Jr. (2015) propõem um modelo de ciclo de encerramento para ser usado em projetos de diversas naturezas, conforme a figura 2. Preparar a documentação de encerramento Organização dos arquivos do projeto Encerrar os relatórios de controle de projeto: cronograma e �nanças Registrar a avaliação das Equipes e dos Indivíduos do Projeto Encerar as ordens de serviço, contratos e obrigações com fornecedores/clientes Avaliar o gerenciamento dos riscos Checar os indicadores(margens, �sícos, �nanceiros etc.) Organizar a documentação (atas, qualidade, registro de revisões etc.) Desenvolver relatório �nal Preparar a reunião de encerramento Realizar reunião de encerramento Desativar os sites do projeto Figura 2 – Processo de encerramento do projeto Fonte: Adaptado de Carvalho e Rabechini Jr., 2015 14 15 De acordo com o PMI (2017), existem dois grupos de procedimentos para o en- cerramento de projetos. O primeiro trata-se do fechamento de cada fase do proje- to. Nesta etapa deve-se arquivar as documentações, as lições aprendidas e divulgar os resultados para serem usados em projetos futuros, caso sejam úteis. Já o segundo grupo refere-se aos contratos firmados no projeto. Nesta etapa, encerram-se os termos após a quitação de todas as pendências de pagamento. Uma atividade de encerramento deve ser formalizada em um evento conduzido pelo gerente de projetos (CARVALHO, RABECHINI JR., 2015). Durante o encer- ramento do plano de projeto deve ser feita uma revisão no plano de projeto para verificar se todo o trabalho foi cumprido conforme o alinhado. (PMI, 2017) Na atividade de encerramento deve ser apresentado o relatório final do proje- to. Este documento deve conter um resumo do desempenho geral das atividades desenvolvidas. O PMI (2017) sugere que um relatório final de projeto deve conter: • Descrição resumida do projeto. • Objetivos do escopo e critérios de avaliação de cumprimento. • Objetivos da qualidade e critérios de avaliação desta, juntamente com as datas de verificação e reais entregas dos marcos. • Causa das variações nas datas de entrega dos marcos (caso existam). • Objetivos de custos e suas margens de variação permitidas e motivo das variações. • Resumo dos critérios de validação das entregas. • Resumo geral do atendimento ou não dos objetivos do projeto. Descrever se o pro- jeto atingiu os objetivos esperados pela organização, plenamente ou não. Se não atendidos plenamente, especificar até aonde estes objetivos foram alcançados. • Resumo dos riscos e problemas encontrados e como eles foram contornados. Importante! O encerramento do projeto é importante pois ele auxilia no fornecimento de infor- mações estratégicas para futuros projetos. Digamos que é nesta fase que é feita toda a “amarração” dos resultados com seus prós, contras e principalmente as oportunidades de se fazer melhor na próxima vez. Em Síntese 15 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Gerenciamento das Partes Interessadas O gerenciamento das partes interessadas trata dos processos relacionados com a identificação de todos que podem impactar ou ser impactados pelo projeto, com a análise das expectativas destas partes, o impacto que elas representam e o desenvol- vimento de estratégias de engajamento apropriadas para elas (PMI, 2017). As partes interessadas, também chamadas de stakeholders, são pessoas que nutrem uma ex- pectativa em relação aos resultados do projeto, representadas por órgãos governa- mentais, entidades de classe, moradores de uma determinada região, empresas, ou seja, qualquer membro da sociedade civil que possuam ou não uma ligação formal com o projeto (CARVALHO; RABECHINI JR., 2015). Um recente caso de ação de partes interessadas para impedir que um projeto aconteça foi registrado em 2010, onde moradores do bairro Higienópolis se mobilizaram contra a instalação de uma estação do metrô no bairro por razões diversas, mas principalmente técnicas e culturais. Os dois links a seguir contam um pouco desta história. Protestos: https://goo.gl/rJ1C6N Adiamento da obra e mudança de local: https://goo.gl/Zcqrb9 Ex pl or As partes interessadas podem se manifestar em qualquer ponto do projeto (CARVALHO, RABECHINI JR., 2015). É importante então para o projeto que todas estas partes estejam devidamente identificadas com a equipe do projeto, atu- ando em uma forma de engajá-las, ter conhecimento dos impactos que o projeto representa nessa parcela de interessados, entre outras atividades necessárias para manter esses interessados próximos de uma gestão (PMI, 2017). Processos de Gerenciamento das Partes Interessadas na Fase de Iniciação Identificar as Partes Interessadas Esta parte preocupa-se com a identificação das partes interessadas e com a aná- lise de seu perfil, documentando aspectos importantes sobre o seu papel no projeto (PMI, 2017). Este é um processo importante, visto que os interessados são uma das maiores fontes de preocupação do gerente de projetos (CARVALHO, RABECHINI JR., 2015). Conforme Carvalho e Rabechini Jr. (2015), as partes interessadas podem ser agrupadas em dois conjuntos. O primeiro refere-se aos interessados que estão diretamente ligados ao projeto e possuem uma ligação formal com o projeto. Es- tes são chamados de primários e geralmente possuem interesses positivos e são representadospelo gerente de projetos, patrocinadores, clientes e fornecedores. Já o segundo grupo é de pessoas que não possuem uma ligação direta, sendo 16 17 denominados secundários. Pertence a este grupo geralmente o governo, sindica- tos, associações de classe, mídia, as comunidades entorno do projeto e até mesmo a família dos envolvidos. A condução do processo de identificação de tais partes pode ser feita por reuni- ões do tipo brainstorming, entrevistas, questionários e outros meios que a equipe de projetos tenha disponíveis para este processo. (PMI, 2017) Processos de Gerenciamento das Partes Interessadas na Fase de Planejamento Planejar o Engajamento das Partes Interessadas Neste processo são desenvolvidas as abordagens para envolver as partes interes- sadas no projeto com base nas suas necessidades de informação (PMI, 2017). Ba- sicamente, aqui será identificado o impacto potencial (nível de influência) de cada parte e definida qual a ação que o gerente de projetos deve tomar em relação a ela (CAVALCANTI; SILVEIRA, 2014). São quatro as decisões que podem ser tomadas e elas podem ser classificadas em uma matriz, conforme a figura 3: Manter Satisfeito Gerenciar com Atenção Monitorar Baixo Alto Interesse Ba ixo Al to Po de r Manter InformadoC B A D E F Figura 3 – Matriz de Engajamento Interesse vs. Poder Adaptado de Carvalho e Rabechini Jr., 2015 Cada quadrante desta matriz representa um cuidado que o gerente deve tomar com a parte interessada que se encaixa nele. A seguir, segue uma explicação para cada quadrante, de acordo com Carvalho e Rabechini Jr. (2015). 17 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Monitorar: quando o interesse e o poder de influência são relativamente pe- quenos, o gerente de projetos deve apenas saber o interesse e acompanhar. Manter informado: quando o interesse é alto, mas o poder é baixo, o geren- te de projetos deve manter estas pessoas e instituições informadas das ações através dos canais de comunicação do projeto que devem ser estruturados para atender estas demandas. Manter satisfeito: quando o interesse é baixo, mas o poder exercido pela parte é grande, deve-se apenas manter essas partes satisfeitas com o projeto, sem causar preocupações as estas. Gerenciar com atenção: este grupo de interessados possui alto interesse e alto poder de influência. Este grupo precisa, além de ser inteiramente comuni- cado com o projeto, ter entregas determinadas em escopo. Definida a matriz de interesses, o gerente de projetos agora deve determinar o que cada interessado deverá receber como informação. Essas informações são as que o próprio gerenciamento de projetos disponibiliza como andamento do crono- grama, linha de base, status de atividades, entre outras. Processos de Gerenciamento das Comunicações na Fase de Execução Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas Esta etapa representa o ato de se comunicar e trabalhar com as partes interessa- das para que elas atendam as expectativas, administram as questões e promovam a participação das partes interessadas e adequadas para o projeto. (PMI, 2017) Aqui, o plano de engajamento é posto em prática, de forma que o gerente de projetos precisa estreitar os canais com as partes interessadas para ganhar a con- fiança destas, sendo necessário para isso o uso dos canais de comunicações ade- quados e a realização de reuniões periódicas para a administração desses interesses (CARVALHO; RABECHINI JR., 2015). O real engajamento de uma parte interessada pode ser medido por uma matriz de avaliação em que o gerente pode classificar o engajamento em cinco níveis, conforme a tabela 2. Tabela 2 – Matriz de Avaliação de Nível de Engajamento Parte interessada Alheio Resistente Neutro Solidário Direcionador 1 C D 2 C D 3 CD Legenda: C = engajamento atual - D = engajamento desejável Fonte: Baseado em PMI,2017 e Carvalho e Rabechini Jr., 2015 18 19 O PMI (2017) define cada um dos níveis de engajamento. Um alheio não possui conhecimento nenhum do projeto e seus impactos. Já o resistente possui conheci- mentos sobre o projeto e o impacto, mas não apoiam as mudanças causadas pelo resultado do projeto. Um neutro tem ciência do projeto, mas este fato para ele é indiferente. Um solidário tem ciência do projeto, seus impactos e o apoiam e um di- recionador além do conhecimento do projeto trabalha ativamente para seu sucesso. Processos de gerenciamento das Partes Interessadas na Fase de Monitoramento e Controle Monitorar o Engajamento das Partes Interessadas O monitoramento do engajamento prevê o acompanhamento do engajamento das partes interessadas e realizam algum ajuste necessário (PMI, 2017). De acordo com Carvalho e Rabechini Jr. (2015), este processo tem como prin- cipais benefícios: identificação de novas partes interessadas, entendimento do an- damento de escopo e comunicação para tais partes, registro de informações con- solidadas, registros de lições aprendidas sobre as partes interessadas, agregação da informação do projeto que será endereçado às partes interessadas. 19 UNIDADE Gerenciamento da Integração e Partes Interessadas Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Modelos preenchidos - Projeto Exemplo - EasyHome Este site apresenta modelos de documentos para diversas áreas gerencias do projeto. https://goo.gl/5dnPvv Vídeos Integração de Projetos à Toda Operação - Demonstração prática Demostração de um softwere de integração de projetos (conteudo em espanhol). https://youtu.be/buIbLFOE4So Não Cometa o Mesmo Erro que Eu - Gerenciamento das partes interessadas Para compreender melhor a importância do gerenciamento das partes interessadas. https://youtu.be/uMrczmQYy54 Leitura O que são e como identificar os stakeholders-chave de um projeto? Para aprofundar os conhecimentos em identificação das partes interessadas. https://goo.gl/ghJK4U 20 21 Referências BARBOSA, L. C. P. Gestão do conhecimento aplicada à gestão de projetos. Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_arti- go/1842>. Acesso em: 06/06/2018. CARVALHO, Marly Monteiro de; RABECHINI JR, Roque. Fundamentos em Gestão de Projetos: Construindo Competências Para Gerenciar Projetos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2015. 504 p. CAVALCANTI, Francisco Rodrigo P.; SILVEIRA, Jarbas A. N. Fundamentos de Gestão de Projetos: Gestão de Riscos. São Paulo: Atlas, 2016. 365 p. PMI, Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). — Sexta edição. Project Management Institute, Inc. 2017. Sites visitados RODRIGUES, E. Como fazer o Controle Integrado de Mudanças. 2013. Disponível em: <https://www.elirodrigues.com/2013/09/27/como-fazer-o-con- trole-integrado-de-mudancas/>. Acesso em: 06/06/2018. 21