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NÃO PODE FALTAR A CULTURA DEVOPS Carlos Wagner de Queiroz Imprimir CONVITE AO ESTUDO A cultura digital moldou nossas práticas, costumes e formas de interação social. Era esperado que o mundo dos negócios sofreria também um grande impacto com as transformações oriundas do digital. Para atender a toda essa demanda de interação homem-máquina, houve um crescimento exponencial no desenvolvimento de sistemas computacionais, sobretudo em aplicativos simples, que atendam a demandas pontuais do cotidiano. Esse crescimento exigiu maior agilidade e qualidade, já que a concorrência também aumentou e a exigência por melhores experiências. O que se percebia era uma estrutura apartada, na qual os pro�ssionais responsáveis pela operação desconheciam os processos da engenharia de software, e os desenvolvedores, por sua vez, não tinham real noção das nuances envolvidas na implementação de uma solução. Sendo assim, o mercado de desenvolvimento de software passou a ter uma mentalidade diferenciada, focada no usuário e em práticas ágeis que satis�zessem a vontade imediata do cliente sem perder a qualidade. Para que essa carência fosse suprida, movimentos oriundos da infraestrutura ágil desenvolveram uma organização de trabalho, a qual, de tão complexa, passou a ser chamada de cultura, o DevOps. Esta unidade lhe ajudará a conhecer os fundamentos da cultura DevOps e da Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? Áudio disponível no material digital. 0 V e r a n o ta çõ e s infraestrutura ágil: conceitos, ferramentas, evolução e importância no desenvolvimento de softwares na atualidade, e a entender e fundamentar como a DevOps mudou a forma de pensar softwares, a padronização da infraestrutura ágil e as formas de monitoramento e otimização de diferentes SO (sistemas operacionais) e servidores. Você está convidado a conhecer essa cultura, as técnicas e as práticas que enfatizam o trabalho cooperativo das equipes de desenvolvimento e operações. Essa envolvente “�loso�a”, que está ganhando o mundo e vem se fortalecendo como método nas maiores empresas de desenvolvimento do mundo. PRATICAR PARA APRENDER Caro aluno, o conjunto de práticas, costumes e formas de interação social realizadas por meio da tecnologia nos possibilitou uma nova forma de nos relacionarmos com o mundo. A interação homem-máquina (IHC) é, hoje, uma realidade. Atividades rotineiras, como planejar uma viagem, fazer uma compra, ler um livro, pensar um lazer com a família, dirigir-se até um determinado destino, por exemplo, já são comumente facilitadas pelo uso de programas e/ou sistemas computacionais. Software é o termo genérico usado para descrever esses programas. Com uma cultura cada vez mais voltada para o digital, as empresas tiveram que se adequar às novas realidades e passaram a produzir softwares para tratar de problemas diversos. Existem softwares para analisar desempenho de setor, faturamento, �uxo de caixa, funcionários, investimentos, etc. É de se esperar que, com tanta demanda, a área de desenvolvimento tenha crescido exponencialmente. O problema é que esse processo acontecia de forma desregrada e, muitas vezes, os desenvolvedores não conseguiam dar conta de tanto trabalho. A entrega de softwares tornou-se um problema em diversas empresas, e grande parte disso ocorre por conta da má distribuição de funções entre as equipes. A DevOps surge para automatizar os processos de desenvolvimento e de infraestrutura, criando uma nova cultura de trabalho que facilita a capacidade de uma empresa em desenvolver e distribuir aplicativos ou serviços de qualidade e em alta velocidade. Focando em automação, pode-se criar uma política de trabalho colaborativo, de compartilhamento de ferramentas e conhecimentos, que facilita o trabalho em equipe e cria uma cultura de cooperação mútua. Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você é um trainee em uma empresa de desenvolvimento de software com padrões tradicionais de modelo de desenvolvimento em cascata e hierarquia Top Down. A empresa trabalha com processos sequenciais, um longo período para o planejamento, todos os custos e os cronogramas são bem de�nidos desde o começo, tarefas são distribuídas e as equipes fazem todo o trabalho para que outra equipe o complete até que a produção seja feita. 0 V e r a n o ta çõ e s Há algum tempo, você tenta sugerir a mudança de mindset. Já argumentou que o mercado e as transformações digitais pedem uma abordagem mais ágil, mas, como a empresa ainda é um sucesso no mercado, o presidente, seu chefe, ainda não viu a necessidade de mudança. No entanto, surgiu um projeto longo e complexo, que sofreu impactos nos prazos, nos custos e até na qualidade. O feedback do cliente foi o pior possível e, para completar, ele questionou o porquê de a empresa não trabalhar com DevOps e foi procurar uma outra empresa que trabalha dessa forma. O seu chefe, lembrando as inúmeras conversas que teve com você, convidou-lhe para uma reunião e pediu para que você montasse uma proposta de reestruturação de trabalho da empresa para apresentar aos superiores em uma reunião. A ideia é que a proposta possa ser analisada e, se viável, ser incorporada na organização inteira. Agora, você está com a oportunidade que esperava para mostrar os seus conhecimentos e quem sabe até ganhar uma promoção e se tornar o gerente de projetos. Então, seu desa�o será planejar e apresentar para os seniores da empresa as vantagens da cultura DevOps. Aponte todas as questões pertinentes, use sua criatividade e organização e, para impressionar, cite o exemplo de uma grande empresa que adotou o DevOps e como isso impactou nas suas práticas e resoluções de problemas. Chegou a hora de conhecermos a cultura DevOps, seus conceitos, sua história e o impacto da transformação digital a partir da união de ferramentas e da mudança de mentalidade na produção de softwares, propondo uma entrega mais adaptável, com pronta resposta às mudanças. Conheceremos o per�l do pro�ssional inserido nessa cultura e como ele se adequa ao mercado de trabalho. Esta unidade disponibilizará uma base para que você possa ser inserido num “universo” de práticas, disciplinas e processos na área de serviços de softwares e infraestrutura. CONCEITO-CHAVE INTRODUÇÃO À DEVOPS Empresas focadas em desenvolvimento procuram constantemente técnicas de gestão que melhorem o desempenho das entregas de suas aplicações informatizadas (softwares). O DevOps surge como um movimento cultural e pro�ssional que trata a colaboração entre as equipes de desenvolvimento e operações, a �m de proporcionar uma nova abordagem automatizada e assertiva. Através da cultura DevOps, busca-se integrar todo o ciclo de produção, que vai desde a análise de requisitos até a sua produção. A ideia é que essa integração seja feita por processos sistematizados, com testes constantes, para garantir que o software satisfaça os requisitos de qualidade. Assim, qualquer erro encontrado é facilmente corrigido pela equipe de desenvolvimento, e uma nova versão do 0 V e r a n o ta çõ e s software passa a ser desenvolvida (HUMBLE; FARLEY, 2014). Com a DevOps, qualquer alteração pode ser feita em qualquer fase do desenvolvimento, de acordo com a avaliação feita pelo cliente. Esses testes acontecem seguindo a operacionalidade do controle de qualidade, métricas criadas para validar os requisitos do software. O termo surge da junção das palavras Dev (Development) e Ops (Operations), ou seja, desenvolvimento e operações. Algumas empresas de TI têm equipes distintas, as quais, embora trabalhem sempre juntas, organizam-se para criar novos produtos e aplicações (desenvolvimento) e para cuidar desses produtos e aplicações em produção (operação). Um preza pela inovação, e o outro, pela estabilidade. Dito isso, a grande vantagem da metodologia de desenvolvimento ágil está na velocidade das entregas. Os produtos desenvolvidos são facilmente adaptados. Essa característica,em um mercado dinâmico, como o de softwares, é essencial. A velocidade de entrega e atualização representa uma grande vantagem competitiva. A outra grande vantagem é que, com o sistema de entregas contínuas, é possível oferecer mais produtos por preços mais competitivos. A entrega contínua é uma premissa do manifesto ágil, que possibilita pequenos ciclos de entrega de softwares. Ao invés de entregar uma aplicação complexa de funções, são disponibilizadas versões do produto ou serviço em tempos curtos. Parece óbvio que as empresas só têm ganhos apostando nessa nova cultura de trabalho, mas a migração para uma gestão nesses moldes não é tão simples. A maioria das empresas já traz em suas estruturas uma organização setorial. A divisão em equipes por departamentos facilita a fragmentação do trabalho, mas prejudica o trabalho quando é preciso pensar de forma integrada e uni�cada. Muitas vezes, essa divisão gera um tipo de competição e rixas que di�cultam a produção. Para melhor sintetizar os processos de DevOps, Jez Humble criou o acrônimo CALMS, que passou a ser usado a partir de 2008, no livro O Manual DevOps, no qual ele é coautor. O acrônimo signi�ca Culture (Cultura), Automation (Automação), LeanIT (Metodologia Lean), Measurement (Mensuração) e Sharing (Compartilhamento) (GAEA, 2020). Entender o signi�cado dos conceitos apresentados neste acrônimo ajuda a de�nir melhor a organização dos processos DevOps. Essa estrutura de�ne as entregas e como a equipe implanta e se integra coletivamente, dando sentido aos negócios. CULTURA (CULTURE) DevOps não é um processo ou uma ferramenta, mas uma mudança de pensamento, que se concentra na colaboração entre equipes separadas em uma organização. O foco principal do desenvolvimento não é mais na produção de uma tecnologia por si só, e sim no atendimento de uma demanda do mercado. Cultura, 0 V e r a n o ta çõ e s portanto, visa tratar o relacionamento interpessoal das equipes. Os agentes envolvidos no processo precisam ter disposição para aprender, experimentar e con�ar na organização e na capacitação do seu pessoal. AUTOMAÇÃO (AUTOMATION) Existem processos que exigem criatividade e intuição humana; outros podem ser feitos mais facilmente por computadores. A ideia da automação é que esses processos rotineiros, possíveis de serem programados computacionalmente, sejam feitos de forma automatizada. A automatização, quando bem feita, evita erros humanos, traz economia �nanceira e agiliza etapas do �uxo de criação, documentando e padronizando etapas do processo. É comum, nessa etapa, o uso da técnica de pipeline (segmentação de instruções). O DevOps usa implantações automatizadas para enviar código totalmente testado para ambientes provisionados de forma idêntica. PENSAMENTO ENXUTO (LEAN IT) O Lean It ajuda a melhorar as etapas de entrega. Mapeando os processos, é possível entender e apontar os pontos que estão levando mais tempo para serem concluídos, assim como aqueles que estão exigindo que se faça novamente o mesmo trabalho. Com esses entendimentos, é possível eliminar desperdícios, melhorar o aprendizado e facilitar a tomada de decisão e a entrega rápida com qualidade. Um processo enxuto faz pouca diferença na experiência do cliente �nal, já na produção tem um grande valor. Uma mentalidade DevOps sempre identi�ca oportunidades de melhoria contínua. ASSIMILE O conceito de Lean surgiu no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, com a �nalidade de reconstrução da indústria automobilística da Toyota. Com o nome de Lean Manufacturing (manufatura enxuta), o engenheiro Taiichi Ohno apresentou o mesmo conceito usado hoje pela cultura DevOps. A empresa criou um conjunto de ferramentas que identi�cava e eliminava o desperdício. Percebeu-se que essa técnica de gestão melhorou a qualidade e reduziu tempo e custo da produção. Observando o status da Toyota atualmente, podemos facilmente concluir que as modi�cações foram pertinentes ao sucesso, e o método mostrou-se comprovadamente e�caz (COUTINHO, 2020). MEDIÇÃO (MEASUREMENT) As medições devem permitir que os erros sejam identi�cados rapidamente durante o estágio de pós-implantação para correção do código, se necessário, com mais agilidade. A mensuração do ambiente gera feedbacks importantes para saber 0 V e r a n o ta çõ e s o que acontece no software. É possível que esse conhecimento auxilie na previsão de incidentes ou desastres, analisando falhas e gerando melhoria. O ideal é que se meça tudo o que for possível: desempenho, processo, negócios, etc. A medição é o melhor suporte para a avaliação. Dentre o que pode ser medido, temos: usuários afetados por bugs, tempo médio de resposta do sistema, com que frequência estão acontecendo bugs recorrentes e classi�car quais bugs são resolvidos e quais são novos. COMPARTILHAMENTO (SHARING) Um dos objetivos principais do DevOps é o trabalho compartilhado com equipes distintas, e esse é também um dos maiores desa�os, já que todo o trabalho deve ser pensado como um todo. Nessa etapa, avaliam-se as equipes que estão trabalhando juntas e se comunicando de forma e�ciente. O trabalho compartilhado ajuda para que os processos sejam autossustentáveis, dessa forma, a ausência de um colaborador não atrapalha o �uxo do processo. Esse pensamento sugere a nivelação do conhecimento em detrimento da descentralização. Os membros de uma equipe aprendem com as experiências de outros membros, isso faz com que todos trabalhem com o pensamento voltado a uma única direção. Todos esses pontos se comunicam e são tratados de forma única. É isso que faz com que a DevOps se sustente e traga essa característica transformadora. Portanto, embora muitos a identi�quem como sendo uma metodologia de desenvolvimento de software ou um método para a gestão de projetos, percebe-se claramente que se trata de uma mudança de cultura. E como toda mudança, exige paciência, conhecimento e comprovações para a aceitação. Existem várias práticas quando levamos em conta a cultura DevOps, tais como: Continuous Integration (CI), Continuous Delivery e Continuous Deployment (CD) (SHAHIN; BABAR; ZHU, 2017). • Continuous Integration (CI): integra o trabalho de forma que toda a equipe tenha um feedback constante do desenvolvimento. Toda a equipe tem acesso a um repositório de códigos, logo, quando é identi�cada alguma alteração em um determinado ciclo, é gerado um código compilado, que pode ou não passar por uma etapa de teste. • Continuous Delivery: quando o código compilado está em um estágio de disponibilidade para outros ambientes, essa prática só acontece depois de se veri�car o sucesso nos ambientes anteriores. Você pode decidir como fará os lançamentos de acordo com os requisitos de negócios. • Continuous Deployment: é mais ampla que a entrega contínua, pois, com essa prática, todas as mudanças que passam por todos os estágios de seu pipeline de produção já são liberadas para o cliente. Não há mais intervenção humana, testes de falha impedirão que uma nova mudança seja implantada na produção. 0 V e r a n o ta çõ e s Resumindo, CI e CD lançam novas versões de softwares com mais agilidade e frequência, assim sendo, os obstáculos que existem entre o desenvolvimento e a produção são superados (SOUSA; TRIGO; VARAJÃO, 2019). O ciclo DevOps integra várias ferramentas que podem ser utilizadas em diferentes fases, as mais conhecidas são: • Jira: é uma ferramenta muito usada em gestão ágil, em que é possível fazer o planejamento, acompanhamento e gerenciamento de vários projetos usando apenas uma ferramenta. • Jenkins: é uma ferramenta poderosa, que automatiza as etapas de produção e teste, implementa e serve de suporte à integração das equipes e aos processos de entregas contínuas. • Docker: essa ferramenta usa recursos do kernel do Linux, como Cgroups e namespace, para segregar processos em ambientes isolados para trabalhar de forma independente algumas aplicações especí�cas. Issoé feito através de pacotes chamados de contêineres. A ferramenta tem suas próprias aplicações, bibliotecas e itens de con�guração. • Zabbix ou Nagios: ferramentas de software de monitoramento de código aberto que possibilitam o feedback. EXEMPLIFICANDO Um exemplo de ferramenta fácil de usar e de integrar com outras tecnologias é o Git, que conta com suporte ao controle de versão, aplicações de integração e gerenciamento de código fonte. Com o uso do Github, um serviço web de hospedagem de arquivos, você tem dezenas de bibliotecas, frameworks e projetos, que pode acompanhar em suas versões. O Git é um exemplo de DVCS, um servidor de repositório central que contém todos os arquivos do projeto. A partir do repositório principal, pode-se selecionar em qual versão do repositório trabalharemos em um determinado momento — essa operação é conhecida como “check-out”. No entanto, os desenvolvedores não fazem check-out de arquivos individuais do repositório. Em vez disso, todo o projeto é veri�cado, permitindo que o desenvolvedor trabalhe no conjunto completo de arquivos, em vez de apenas em arquivos individuais. COMO SURGIU TUDO ISSO? Damon Edwards, cofundador da Rundeck, popular aplicação Java de código aberto, narra, no vídeo The History of DevOps, disponível no YouTube, um panorama geral dos eventos que destacam os fatores motivadores que originaram a cultura DevOps. Segundo Edwards (2012), Patrick Debois, consultor de TI entusiasta pelas técnicas Agile, observou, enquanto fazia um trabalho para o governo belga, que havia 0 V e r a n o ta çõ e s vários con�itos entre desenvolvedores e administradores de sistema. Em agosto de 2008, Debois assistiu a uma palestra numa conferência de Toronto sobre infraestrutura ágil, ministrada por Andrew Shafer. Após a palestra, Debois e Shafer tiveram uma longa conversa, que originou o Grupo de Administração de Sistemas Agile. Em junho de 2009, na conferência O'Reilly Velocity 09, John Allspaw e Paul Hammond apresentaram um estudo intitulado 10+ Deploys Per Day: Dev and Ops Cooperation at Flickr. Na palestra, provaram como o trabalho integrado entre as equipes de desenvolvimento e operações mostrou-se e�caz em termos de agilidade e escalabilidade. Patrick Debois assistiu à palestra remotamente e, ao lamentar o fato de não poder ter comparecido, Allspaw e Hammond sugeriram que ele criasse um próprio evento para discutir os processos ágeis. Eis que, em outubro de 2009, Debois organizou um evento e o intitulou de DevOps Day (pegando as três primeiras letras de “desenvolvimento” e “operações” e acrescentando a palavra “dias”). Após a convenção, a discussão foi para o Twitter com a #DevOps. O movimento é conhecido como DevOps desde então. Debois, no entanto, não defendeu um manifesto DevOps, mas sugeriu que os pro�ssionais se baseassem no Manifesto Ágil (uma declaração de valores e princípios, determinados por 17 pro�ssionais em 2001, com o intuito de sistematizar métodos ágeis no desenvolvimento de software). Todavia, enquanto grande parte da energia DevOps parece vir de suas raízes Agile, o lado intelectual do movimento está mais enraizado no Lean. O Lean e o Agile são focados nas pessoas primeiro; depois, nos sistemas, e intensamente em treinamento cruzado ou trabalho em equipes multifuncionais. Eles também enfatizam a melhoria contínua (kaizen) por meio de abordagens como retrospectivas (CONTRIBUIDOR, 2015). TRANSFORMAÇÃO E MINDSET DIGITAL Quando falamos de transformação digital, logo associamos às invenções digitais que surgiram e evoluíram para facilitar a nossa vida. Muitas vezes, nem paramos para pensar como era antes do digital, mas está implícito como a era digital modi�cou a nossa sociedade e nossas interações e criou uma cultura voltada para a adequação a essas tecnologias. Então, ao apontarmos as transformações digitais, não podemos simplesmente citar a infraestrutura, a tecnologia e os aplicativos de TI, é preciso que se fale também de pessoas e do impacto que essa transformação tem na vida delas. Se a cultura digital mudou os padrões de conduta da sociedade, é natural que se tenha uma outra mentalidade que seja capaz de integrar a tecnologia em seu cotidiano e extrair valor. Nos processos de desenvolvimento de software, é necessário que se tenha uma mudança de mentalidade para que as organizações criem e implementem estratégias focadas nas transformações digitais. 0 V e r a n o ta çõ e s O primeiro impedimento que se apresenta à transformação digital é a resistência em adotar práticas tradicionais que eram sucesso em organizações no período pré-internet. Não se pode usar as mesmas ferramentas e esperar resultados diferentes. Se antes da era digital havia um modelo de produção linear em que cada colaborador era responsável por cumprir bem determinada tarefa e passá-la adiante para a continuidade do processo, com a tecnologia esse pensamento linear deixa de existir. O mindset digital precisa conhecer as tecnologias que se consolidaram com o digital e saber usá-la, compreendendo suas abordagens comportamentais e projetando possiblidades mais centradas em conexões. Dentre as tecnologias digitais que merecem destaque, temos: mídias sociais, Big Data, Mobilidade e Computação Responsiva, Cloud e Inteligência Arti�cial. PERFIL DO PROFISSIONAL DEVOPS Num artigo intitulado As 5 chaves para uma mentalidade digital, a revista Forbes reforça que a verdadeira liderança digital requer uma mentalidade totalmente nova. Com base em conversas com executivos e análise de casos, traça o per�l da mentalidade digital (IESE BUSINESS SCHOOL, 2014). As cinco chaves para uma mentalidade digital, segundo a Revista Forbes, são: 1. Fornecer visão e capacitação É importante que o líder de�na a visão de como a empresa espera evoluir na transformação digital, promovendo um ambiente organizacional, em que os funcionários se sintam seguros para experimentar suas ideias e os aprendizados de suas experimentações são sistematicamente capturados, analisados e postos em prática. 2. Descentralizar o poder hierárquico, tornando-se “arquiteto de escolha” Descentralizar o poder na tomada de decisões não signi�ca deixar de estar no comando, mas, ao invés de se ater a regras rígidas, os líderes devem procurar in�uenciar mais os resultados por meio da maneira como elaboram e apresentam as escolhas aos mais adequados para tomar as decisões e realizar as tarefas, ou seja, as escolhas são tomadas a partir da interação com a equipe. 3. Sustentar, mas interromper Mesmo com uma abordagem nova, o líder deve sustentar algumas práticas antigas que trazem a sensação de estabilidade e ajudam os funcionários a lidar com a incerteza à medida que começam a desenvolver novas habilidades e capacidades. As novas práticas devem ser protegidas e valorizadas e adicionadas aos poucos, até que se tenha o cenário ideal. 4. Con�ar nos dados, mas também na intuição Para ajudar na tomada de decisão, os dados são importantes, porém uma mentalidade digital não exclui o julgamento e a intuição. Em ambientes que mudam rapidamente, os dados não são muito con�áveis. Muitas vezes, é preciso 0 V e r a n o ta çõ e s con�ar na intuição, ajudando os líderes a formular hipóteses e de�nir novas premissas. 5. Seja cético, mas tenha a mente aberta O líder deve incentivar a experimentação. Mesmo quando não descon�ar de uma prática ou de uma nova tendência digital que pode não funcionar para a sua organização, permita-se às experiências e engaje um exercício de criação ativa de sentidos. REFLITA Numa abordagem mindset digital, como um líder deveria lidar com o uso das mídias sociais em ambiente de trabalho? Leve em consideração que a empresa tem políticas de segurança e deve se pautar na redução de riscos, mas também gerar valor para ela. Como o líder deve conduzir essa questão? Analisando a mudança de mindset, as características da liderança com pensamento digital e entendendo o que propõe acultura DevOps, podemos traçar o per�l do pro�ssional de DevOps no mercado de trabalho. Na área de desenvolvimento, é exigida proatividade do pro�ssional. Para trabalhar as práticas DevOps, precisa ser generalista, sabendo atuar tanto no time de desenvolvimento como no de operações e infraestrutura. Uma outra característica recomendável é que tenha conhecimento de negócios, sabendo dialogar com o cliente, conhecer as melhores práticas e metodologias e a gestão de projetos (GAEA, 2020). Um pro�ssional DevOps deve ter a mentalidade plural, colaborativa e cooperativa; prezar continuamente pelo crescimento; ter a compreensão da abordagem ágil; entender que os consumidores são também produtores; possuir a natureza exploratória e curiosidade nata; abraçar a diversidade e ir além do óbvio, envolvendo-se em diálogos e abraçando ideias, mesmo que radicalmente diferentes de seus valores e padrões. Como vimos, não dá para ignorarmos a força da cultura DevOps, seus benefícios falam por si. A velocidade, a adaptabilidade e a entrega contínua potencializam a ideia central de “mais por menos” e lançam no mercado de desenvolvimento de software uma vertente da infraestrutura ágil que trata os processos de forma colaborativa em setores antes vistos como independentes (desenvolvimento e operação). Um movimento que começou com os estudos de Patrick Debois e se sustenta na transformação digital e na mudança de pensamento, provocando uma reformulação em toda a indústria de software e, consequentemente, exigindo uma adequação no per�l dos pro�ssionais da área de TI. FAÇA A VALER A PENA Questão 1 0 V e r a n o ta çõ e s Várias empresas estão optando por incorporarem as práticas DevOps em suas rotinas de produção. Essas práticas estão possibilitando ganhos reais relacionados à e�ciência operacional, �uidez na comunicação, redução de custos e satisfação dos clientes. Esses ganhos são notórios por conta de uma característica que é fundamental na cultura DevOps. Assinale a alternativa correta. a. O ciclo de desenvolvimento dividido em fases. b. A preparação dos requisitos antes do início do projeto. c. O processo de produção é sequencial. d. Seguir uma abordagem incremental. e. A presença do gerente de projetos em todas as etapas. Questão 2 As forças do digital impactam de forma signi�cativa todos os setores da sociedade moderna. O modo como as pessoas consomem e se relacionam com os produtos e serviços também mudou, por conta do feedback quase que imediato proporcionado pela transformação digital. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a característica principal que um gestor de DevOps deve ter para entender essa mudança. a. Conhecimento sólido no negócio. b. Entender o consumidor como agente na produção. c. Abraçar a diversidade e ir além do óbvio. d. Ter um conhecimento generalista. e. Ter a compreensão da abordagem ágil. Questão 3 O DevOps se fundamenta numa cadeia de ferramentas que se completam e são fundamentais para o alcance dos resultados positivos. Essas ferramentas mapeiam os controles de versões, a entrega contínua, o controle de logs, entre outras funções. Dentre as ferramentas apresentadas, qual tem a função de tornar a integração de código mais e�ciente, através de builds e testes automatizados? Assinale a alternativa correta. a. Cerberon. b. TeamCity. c. Flume. d. Nagios. e. Puppet. 0 V e r a n o ta çõ e s REFERÊNCIAS COUTINHO, T. Lean Manufacturing: por que adotar o sistema toyota de produção? Por que adotar o Sistema Toyota de Produção?. Voitto, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3iOxelP. Acesso em: 23 mar. 2021. CONTRIBUIDOR. Surpresa! Amplo acordo sobre a de�nição de DevOps. DevOps, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3xLMfc9. Acesso em: 23 mar. 2021. CRITES, A. What devops means to me. Medium, 2016. Disponível em: https://bit.ly/3AJECF7. Acesso em: 23 mar. 2021. GAEA. O guia completo sobre CALMS em DevOps. GAEA, 2020. Disponível em: https://bit.ly/2VWqeKG. Acesso em: 18 abr. 2021. GAEA. Quais são as características dos pro�ssionais especialistas em DevOps. GAEA, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3sdm0tW. 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