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<p>Nome(s):</p><p>Christian Andersen de Andrade - 202034500</p><p>Gabriel de Souza Freitas - 202134076</p><p>Gustavo Silva Barbosa - 202134060</p><p>Livia Brigolini de Oliveira - 202134065</p><p>Milena Santos da Cruz - 202134068</p><p>Robson Soares de oliveira - 201634115</p><p>3º TVC – Teoria geral dos contratos</p><p>Considere os fatos do seguinte caso:</p><p>Neri v. Retail Marine Corp., 285 N.E.2d 311 (N.Y. 1972). Neri comprou um novo barco, de um modelo específico, da concessionária Retail Marine pelo preço de $ 12.587,40. Neri pagou o valor de $ 40 de entrada. Pouco tempo depois, Neri aumentou o valor do pagamento de entrada para $ 4.250 para que a concessionária tomasse providências junto ao fabricante para agilizar a entrega da embarcação, de modo que tal entrega fosse feita de maneira imediata, ao invés das aproximadamente 4 a 6 semanas originalmente estabelecidas. Entretanto, apenas 6 dias após a celebração do contrato, o advogado de Neri enviou uma carta para a vendedora rescindindo o contrato por causa do fato de que o seu cliente estava na iminência de ser hospitalizado para se submeter a uma cirurgia. Foi afirmado na carta que, como consequência desses eventos, seria “impossível a realização de quaisquer pagamentos pelo senhor Neri”. A embarcação já havia sido pedida perante o fabricante e foi entregue para a concessionária vendedora na mesma ocasião em que a carta do advogado de Neri foi recebida. A concessionária se recusou a desfazer o negócio e a devolver a entrada já recebida. Neri ajuizou uma ação para recuperar o valor que ele havia dado de entrada ($ 4.250). A concessionária vendedora, Retail Marine, contestou a ação e ajuizou ela própria uma ação reconvencional na qual alegou o inadimplemento do contrato por parte do comprador.</p><p>Durante o curso do processo, foi demonstrado que o barco adquirido do fabricante e recebido pela Retail Marine – como parte das medidas tomadas para o cumprimento do contrato de compra e venda celebrado com o comprador Neri – foi revendido aproximadamente quatro meses mais tarde para outro comprador pelo mesmo preço que havia sido combinado no contrato inadimplido. Com base nessa prova, Neri argumentou que a perda sofrida pela Retail Marine deixou de existir. Por sua vez, a concessionária replicou que, não fosse pelo inadimplemento de Neri, ela teria vendido dois barcos e teria, assim, obtido lucro em dois contratos ao invés de apenas um. A concessionária provou que o lucro que ela teria obtido no contrato inadimplido equivalia a $ 2.579 e que, durante o período que o barco permaneceu em sua posse, ela teve despesas (para o armazenamento do barco, pagamento de taxas de financiamento e seguro) no montante de $ 674. Ela requereu a indenização desses danos, que deveriam ser deduzidos da parcela do preço que o comprador já havia pago de entrada. Obviamente, a indenização de ao menos um desses itens de dano (aquele referente à perda do lucro que ela esperava obter no contrato inadimplido) pressupunha a ocorrência da resolução do contrato.</p><p>IMPORTÂNCIA DO INADIMPLEMENTO E RESOLUÇÃO DO CONTRATO</p><p>(vide o material didático da aula 18, normas sobre os remédios cabíveis ao credor, especialmente a parte que lida com os requisitos para o cabimento da resolução)</p><p>Observe-se que Neri não merecia proteção em virtude do seu erro quanto à impossibilidade temporária de uso da embarcação no futuro próximo por motivo de doença pessoal. Esse é um tipo de risco normalmente atribuível ao adquirente. Por isso, não resta dúvida de que, chegado o momento apropriado, a recusa em receber a embarcação e o não pagamento do restante do preço iriam constituir um descumprimento do contrato. O ponto controverso era a questão de se a declaração de Neri de que não iria receber a embarcação e nem pagar o restante do preço, antes mesmo do vencimento dessas obrigações, poderia ser caracterizada como um inadimplemento e, podendo ser caracterizada como tal, se esse inadimplemento poderia (ou não poderia) ser considerado importante o suficiente de modo a permitir o exercício da resolução do contrato por parte da Retail Marine.</p><p>(1) Em sua opinião, a declaração de Neri – de que ele não mais tinha interesse no recebimento da embarcação e que, por isso, ele não tinha a intenção de finalizar o pagamento do preço – poderia ser considerada (ou equiparada a) um inadimplemento substancial, de forma a permitir que a Retail Marine pudesse obter a resolução do contrato?</p><p>Observação: preste atenção no que foi perguntado! A pergunta é a respeito da possibilidade, ou não, de caracterizar a declaração de Neri como um inadimplemento substancial para permitir a resolução do contrato. Lembre-se que, no momento da declaração, Neri ainda não havia descumprido as suas obrigações contratuais.</p><p>Resposta:</p><p>_____________________________________</p><p>ESCOLHA DA MELHOR FÓRMULA PARA O CÁLCULO DA INDENIZAÇÃO</p><p>Observe-se que no artigo escrito pelo professor a respeito da indenização cabível na hipótese de inadimplemento do contrato, foi afirmado que a indenização da perda do lucro esperado pelo alienante no contrato inadimplido pelo adquirente somente é permitida na hipótese de ser inviável a realização de uma transação substituta por parte do alienante (vide o caso 02). Sendo possível tal transação (vide o caso 01), deve-se, em princípio, aplicar a fórmula da perda sofrida com essa transação para o cálculo da indenização devida ao credor alienante.</p><p>Entretanto, em algumas situações, mesmo que exista uma elevada probabilidade de realização dessa transação, não é possível o emprego da fórmula da perda sofrida com uma eventual transação substituta, dada a dificuldade de se identificar qual é a transação substituta efetivamente realizada nas circunstâncias do caso concreto. Isso acontece especialmente naqueles casos em que o alienante comercializa bens ou serviços fungíveis produzidos em massa para o mercado e em que tal alienante consegue aumentar imediatamente a sua produção e/ou volume de vendas, mesmo diante de um aumento repentino na demanda pelos seus bens ou serviços. Em tais situações, há um dilema: o emprego da fórmula da perda sofrida com a transação substituta é difícil de ser feito, mas também não é razoável, em muitas ocasiões, permitirmos a cobrança de indenização com base no critério da perda do lucro esperado pelo alienante no contrato inadimplido, especialmente se o inadimplemento do adquirente não tiver causado uma perturbação significativa nas atividades produtivas e planejamento do alienante (vide o caso 05). Existindo tal perturbação, talvez caiba uma indenização reduzida e limitada ao prejuízo causado pela perturbação do planejamento do alienante (como, por exemplo, perda sofrida pelo alienante com despesas que ele incorreu para cumprir a sua própria prestação ou para receber o cumprimento da prestação alheia no contrato inadimplido). Inexistindo tal perturbação, deveria ser negada qualquer indenização.</p><p>Em suma, sendo viável uma transação substituta e sendo possível identificá-la claramente, a indenização deve ser medida pela perda, se alguma, sofrida com a transação substituta (vide o caso 01). Na hipótese de ser inviável a transação substituta ou na hipótese de não ser possível identificar claramente tal transação (ainda que ela seja viável e altamente provável), a indenização deve ser medida com base no montante da perda do lucro esperado no contrato inadimplido ou com base no custo de eventuais despesas incorridas pelo alienante, se alguma, por ter confiado no adimplemento do contrato.</p><p>No caso 02, o motivo pelo qual a realização de uma transação substituta era inviável era o fato de que o alienante não deveria ser obrigado a encontrar um mercado para os seus refrigeradores, que eram customizados e fabricados sob encomenda. Por outro lado, no caso 05, os serviços de yoga poderiam ser prestados para qualquer cliente. O motivo pelo qual era impossível identificar claramente uma transação substituta era o fato de que, mesmo que não houvesse a desistência da cliente inadimplente (Elizabeth), a escola de yoga poderia alienar os seus serviços para outros clientes. Portanto,</p><p>não havia como identificar um contrato específico que pudesse substituir o contrato inadimplido por Elizabeth. No caso 02, o alienante poderia ter tido significativos custos de oportunidade, talvez tendo deixado de contratar com terceiros para poder construir os refrigeradores para o adquirente, dadas eventuais limitações da sua capacidade produtiva. Por outro lado, no caso 05, a celebração do contrato com Elizabeth certamente não teria impedido a escola de yoga de celebrar outros contratos com outros clientes, o que em tese implicaria na inexistência de um custo de oportunidade.</p><p>(2) Em sua opinião, para efeitos do cálculo da indenização cabível, o litígio entre Neri (adquirente) e Retail Marine (alienante) se assemelha mais às circunstâncias do:</p><p>(a) caso 01, em que deve ser empregada a fórmula da perda resultante da realização de uma transação substituta (no caso litigado houve uma venda subsequente daquele modelo de embarcação pelo mesmo preço originalmente devido por Neri, o que poderia em tese caracterizar a inexistência de dano);</p><p>(b) caso 02, em que deve ser empregada a fórmula da perda do lucro esperado pelo alienante no contrato inadimplido pelo adquirente (calculado em $ 2.579,00 dólares, que corresponde à diferença entre o preço que a Retail Marine pagaria ao fabricante pela embarcação e o preço de venda para Neri);</p><p>(c) caso 05, em que deve ser observada a questão de se houve ou não houve perturbação nas atividades produtivas e planejamento da Retail Marine, para efeitos do eventual cabimento de indenização e estipulação do seu montante.</p><p>Resposta:</p><p>_____________________________________</p><p>DANOS CABÍVEIS AO ALIENANTE EM SUA POSIÇÃO DE CREDOR E DEVEDOR</p><p>Retail Marine foi prejudicada em sua posição de credora porque ela não recebeu o restante do preço (e, consequentemente, não pôde gozar do lucro que ela esperava obter com a venda da embarcação), inadimplemento de Neri enquanto devedor do preço, bem como foi prejudicada em sua posição de devedora porque permaneceu com a embarcação por mais tempo do que inicialmente imaginado, diante da recusa de Neri em receber a embarcação, sendo tal recusa possivelmente caracterizada como um inadimplemento de Neri enquanto credor da embarcação (para uma explicação da controvérsia a respeito da possibilidade de o credor "descumprir" o contrato, vide a exposição do caso 12).</p><p>Existem certos tipos de danos cuja indenização, embora tipicamente cabível para proteger o contratante em sua posição de credor, por causa do inadimplemento do devedor, também deve ser cabível para proteger tal contratante em sua posição de devedor, quando o credor é a parte inadimplente e o devedor consegue obter a resolução do contrato (para uma ilustração, vide o caso 12). Na última hipótese, o devedor receberia uma indenização tipicamente concedida ao credor.</p><p>Além da indenização mencionada na questão anterior (lucro que ela iria obter no contrato inadimplido), a Retail Marine também cobrou uma indenização no montante de $ 674,00 dólares para ressarcir os gastos que ela teve com a manutenção, armazenamento, taxas de financiamento e seguro da embarcação. Foi fixado como termo inicial do período de tempo coberto pela indenização desses gastos a data do inadimplemento do contrato, e como termo final a data em que a Retail Marine conseguiu alienar a embarcação para um terceiro. Ela também cobrou a indenização dos gastos que ela teve com a contratação de advogados que cuidaram do litígio entre as partes.</p><p>Para sabermos quais seriam os danos que a Retail Marine iria tipicamente sofrer como credora deveríamos nos fazer a seguinte pergunta: se a Retail Marine tivesse entregado a embarcação na data combinada, mas Neri não tivesse pagado o preço, ela iria sofrer esse tipo específico de dano?</p><p>Para sabermos quais seriam os danos que a Retail Marine iria tipicamente sofrer como devedora deveríamos nos fazer a seguinte pergunta: se Neri tivesse pagado todo o preço conforme o combinado, mas tivesse injustificadamente se recusado a receber a embarcação na data programada, ela iria sofrer esse tipo específico de dano?</p><p>Em resumo, temos as seguintes possibilidades: (i) danos tipicamente sofridos pelo credor (cuja indenização pode eventualmente também ser concedida ao devedor, na hipótese de resolução do contrato por causa do "inadimplemento", por parte do credor, do seu "dever" de receber a prestação devida pelo devedor); (ii) danos tipicamente sofridos pelo devedor; (iii) danos tipicamente sofridos tanto pelo credor quanto pelo devedor.</p><p>(3) Em sua opinião:</p><p>(a) Como deveriam ser categorizados cada um dos gastos anteriormente mencionados – manutenção, armazenamento, taxas de financiamento e seguro, contratação de advogados – dentre as seguintes opções: (i) como danos tipicamente sofridos pelo credor, (ii) como danos tipicamente sofridos pelo devedor, (iii) como danos tipicamente sofridos tanto pelo credor quanto pelo devedor?</p><p>(b) Em relação aos gastos com manutenção, armazenamento, taxas de financiamento e seguro; houve uma fixação correta dos termos inicial e final do período de tempo coberto pela indenização?</p><p>(c) Todos esses gastos (incluindo os gastos com advogados) deveriam ser indenizados; ou a indenização de alguns deles deveria ser afastada ou limitada?</p><p>Resposta:</p><p>_____________________________________</p><p>Considere os fatos do seguinte caso:</p><p>Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Apelação cível nº 2010.008821-8. Relator: Monteiro Rocha. Julgado: 20/06/2013.</p><p>O instrumento contratual continha alguns pontos omissos. Apesar dessas omissões, foi possível inferir que em 14 de dezembro de 2004, Didi Motos Ltda vendeu um jipe Pajero para Frank Gomes. O preço do Pajero foi fixado em R$90.000,00. Ficou combinado entre as partes que o comprador, Frank Gomes, realizaria o pagamento da seguinte maneira: pagamento de R$50.000,00 à vista (pela entrega do Kia Sportage pertencente a Frank Gomes, avaliado em R$43.000,00, e pelo pagamento de R$7.000,00 em dinheiro); enquanto os R$40.000,00 restantes seriam financiados, perante a credora, através do pagamento de 24 parcelas mensais de R$2.450,00 (totalizando R$58.800,00). O preço total, incluído o financiamento, ficou em R$108.800,00. Foi incluída uma cláusula de reserva de domínio em favor da vendedora. De acordo com a referida cláusula, a vendedora iria reter a propriedade sobre o carro alienado (jipe Pajero) até o pagamento integral do preço, ocasião na qual a propriedade seria transferida para o comprador Frank Gomes. O contrato também estipulou que, na hipótese de atraso no pagamento das parcelas remanescentes do preço, o comprador deveria arcar com multa moratória de 2% e juros moratórios de 1% ao mês. No próprio dia 14 de dezembro de 2004, data da celebração do contrato, a vendedora Didi Motos Ltda transferiu a posse do Pajero para o comprador Frank Gomes; enquanto este transferiu para a vendedora a posse e a propriedade do seu veículo Kia Sportage, além de realizar o pagamento da quantia de R$7.000,00 em dinheiro. Em relação ao pagamento do restante do preço, o comprador pagou 11 das 24 parcelas combinadas. Ele ficou inadimplente a partir da 12ª parcela, vencida em 14 de dezembro de 2005, um ano após a celebração do contrato entre as partes. Em 13 de outubro de 2006, Frank Gomes ajuizou uma ação revisional para obter uma modificação da taxa de juros estipulada, com pedido de restituição da quantia paga a mais. Por sua vez, a vendedora Didi Motos Ltda tomou providências para fazer um protesto em Cartório, exigindo o pagamento da quantia que lhe era devida. Passados mais de três meses após o ajuizamento da ação revisional por Frank Gomes (em outubro de 2006), a vendedora ajuizou uma ação de apreensão e depósito contra o comprador, regulada pelo art. 1071 do antigo CPC, pedindo: (a) a restituição da posse do Pajero, em caráter liminar; e, na sentença, (b) a decretação da rescisão do contrato, com a produção de todas as suas consequências; e (c) a condenação do devedor a indenizar os danos sofridos pela credora. Entre as consequências da rescisão, além</p><p>da restituição das prestações respectivamente recebidas pelas partes, foi solicitada a condenação do devedor a restituir o enriquecimento obtido com o uso gratuito do Pajero (valor de locação durante o período da posse exercida pelo devedor). Em virtude da sua conexão, ambas as ações (revisional movida pelo comprador e ação de apreensão e depósito movida pela vendedora) foram processadas em conjunto. Foi concedida a liminar solicitada na ação de apreensão e depósito. Em 02 de março de 2007, a vendedora recuperou a posse do Pajero. Na sentença que apreciou ambos os feitos, alguns pedidos formulados pela vendedora foram atendidos. O tribunal que julgou o recurso de apelação interposto pela vendedora também acolheu parcialmente os pedidos formulados pela vendedora. Ficou provado no processo que, em 14 de dezembro de 2004 (data da celebração do contrato), o jipe Pajero, segundo a tabela Fipe, tinha o valor médio de R$82.382,00 (sendo que o preço estipulado, ignorando o financiamento, foi de R$90.000,00). Em 02 de março de 2007, data da apreensão do veículo pela credora vendedora, mas antes da sentença que decretou a rescisão do contrato, tal veículo valia, segundo a tabela Fipe, R$68.573,00. O Kia Sportage, dado pelo comprador em pagamento parcial do preço, não tinha como ser restituído; pois já havia sido alienado para terceiros. Preço total que havia sido pago pelo comprador no valor de R$76.950,00 (R$7.000,00 em dinheiro + Kia Sportage avaliado em R$43.000,00 + 11 parcelas mensais de R$2.450,00).</p><p>CONSEQUÊNCIAS DA RESOLUÇÃO</p><p>Restituição das prestações recebidas por cada uma das partes</p><p>Restituição das prestações recebidas pela credora vendedora: a vendedora, Didi Motos Ltda, recebeu, como pagamento do preço, a quantia de R$50.000,00 à vista (R$7.000,00 em dinheiro e um veículo Kia Sportage avaliado em R$43.000,00), entregues no dia da celebração do contrato (04 de dezembro de 2004), e mais 11 parcelas mensais de R$2.450,00 (ou seja, R$26.950,00). Diante da impossibilidade de restituição do Kia Sportage, a credora deveria restituir o seu valor. Assim, o valor total a ser restituído pela vendedora seria de R$76.950,00. Cada parcela desse valor deveria receber correção monetária a partir da data do seu pagamento por parte do devedor, Frank Gomes.</p><p>Restituição das prestações recebidas pelo devedor comprador: o comprador, Frank Gomes, recebeu um jipe Pajero. Ele deveria restituir o carro recebido.</p><p>Restituição dos benefícios auferidos pelo comprador com o uso de graça do carro recebido</p><p>A vendedora pleiteou a restituição do valor de locação do veículo Pajero, como medida do enriquecimento obtido pelo comprador com o uso gratuito do veículo durante o período em que tal veículo esteve sob a sua posse (a partir de dezembro de 2004 até março de 2007). Observe-se que tal restituição é usualmente concedida na hipótese de desfazimento de contratos para a compra e venda de imóveis. No entanto, segundo o tribunal que decidiu o caso concreto apresentado, na hipótese de desfazimento de contratos para a compra e venda de veículos, tal restituição somente deve ser concedida quando há algum indício de que o vendedor sofreu prejuízos por não gozar da posse do veículo alienado. Como não havia tais indícios, o TJSC negou a restituição do enriquecimento obtido pelo comprador Frank Gomes com o uso do veículo.</p><p>DANOS SOFRIDOS PELA CREDORA ALIENANTE</p><p>A vendedora, Didi Motos, sofreu os seguintes danos: (a) perda resultante do não recebimento do dinheiro na data do vencimento (em relação às parcelas do preço que não foram pagas pelo comprador Frank Gomes); (b) perda com a cobrança extrajudicial e judicial daquelas parcelas do preço que não haviam sido pagas e, posteriormente, com as despesas da ação judicial para a recuperação do veículo vendido e a obtenção da resolução do contrato; (c) perda resultante de uma eventual transação substituta, ao revender o Pajero para terceiros por um valor menor do que aquele que deveria ter sido pago pelo comprador inadimplente.</p><p>Observe-se que, com a resolução do contrato, a vendedora desistiu de exigir o pagamento do restante do preço. Entretanto, isso não a impediu de exigir a indenização do prejuízo sofrido na letra “a”, que é um prejuízo decorrente do atraso, ressarcido por meio da condenação de Frank Gomes ao pagamento de juros.</p><p>CÁLCULO DA PERDA SOFRIDA COM A TRANSAÇÃO SUBSTITUTA</p><p>No caso decidido pelo TJSC, o tribunal comparou o valor de mercado do Pajero em 02 de março de 2007 (R$68.573,00), data da apreensão do veículo, com o valor de mercado que o Pajero possuía – segundo a tabela FIPE – em 14 de dezembro de 2004 (R$82.382,00), data da celebração do contrato. Isso resultou numa indenização equivalente a R$13.809,00.</p><p>Observe-se que a apreensão do veículo (por meio da concessão de uma medida liminar) ocorreu um pouco antes da decretação da resolução do contrato na sentença do juiz de primeira instância. Observe-se também que o preço originalmente combinado no contrato inadimplido, no dia 14 de dezembro de 2004, ignorando-se os acréscimos decorrentes do financiamento, foi o de R$90.000,00.</p><p>(4) De acordo com o artigo do professor, o TJSC mensurou corretamente o montante do prejuízo sofrido pela credora alienante (Didi Motos)? Esclareça o assunto.</p><p>Resposta:</p><p>_____________________________________</p><p>Leiam o trecho do livro de Robert Joseph Pothier, anexado no Google sala de aula. O autor viveu durante o século XVIII (1699 - 1772) e é considerado o “pai intelectual” do código civil francês, pois os seus ensinamentos influenciaram os redatores do código, que entrou em vigor em 1804. O trecho reproduzido foi retirado do seu livro Traité des obligations, originalmente publicado no ano de 1761. Pothier influenciou o desenvolvimento não apenas dos ordenamentos de tradição romanista, dentre os quais o brasileiro, mas também influenciou o desenvolvimento do direito anglo-americano. No caso dos ordenamentos de tradição romanista, a influência foi indireta: por meio dos códigos que copiaram (parcial ou integralmente) o código civil francês, cujos redatores foram influenciados por Pothier. Por sua vez, no caso do direito anglo-americano, a influência de Pothier foi mais direta: por meio do acolhimento, em importantes decisões judiciais durante o curso do século XIX, das sugestões realizadas por Pothier no seu Traité des obligations, que havia sido traduzido para o inglês. O trecho reproduzido, entre as páginas 139 e 152, foi extraído de uma tradução em língua portuguesa da obra do autor (POTHIER, Robert Joseph. Tratado das obrigações. Tradução de Adrian Sotero de Witt Batista e Douglas Dias Ferreira. Campinas: Servanda, 2002. 787 p.).</p><p>Cuidado com a tradução! Infelizmente, os tradutores traduziram a palavra francesa “faute” como “falta”, sendo que a tradução mais apropriada, na maioria das vezes, teria sido “culpa”.</p><p>Observem que, no trecho reproduzido, Pothier discute a questão dos tipos de danos indenizáveis, na hipótese de inadimplemento do contrato, tendo-se em vista a alocação de riscos realizada pelas partes contratantes. Pothier distingue entre os danos “intrínsecos” ao objeto do contrato, ordinariamente indenizáveis, e aqueles “extrínsecos” ao contrato, que não são normalmente indenizáveis. Pothier discorre a respeito das circunstâncias em que tais danos “extrínsecos” seriam indenizáveis. É uma questão em aberto se o código civil francês e, por tabela, o código civil brasileiro acolheram essa distinção. Tais códigos utilizam outra linguagem: eles distinguem entre danos diretos e indiretos. O código civil brasileiro acolheu essa distinção no seu art. 403. Em meu artigo, “Classificação e regime dos danos por descumprimento do contrato”, eu mostro como o atual art. 403 do código civil brasileiro foi copiado do código civil francês. Eu mostro o contexto original dos dispositivos do código francês e as omissões do legislador brasileiro, que copiou parcialmente as normas do código francês, tornando mais difícil a compreensão do sentido das normas brasileiras, apresentadas fora de contexto.</p><p>As próprias normas</p><p>do código francês, por sua vez, devem ser contextualizadas e interpretadas à luz da doutrina de Pothier. O estudo de decisões judiciais estrangeiras, especialmente aquelas do direito anglo-americano, bem como da atual doutrina norte-americana, também é de grande valia, já que elas constituem uma continuação, refinamento e posterior desdobramento das lições originalmente sintetizadas por Pothier, com base em autores mais antigos como Pufendorf, Hugo Grócio, Charles du Moulin e vários outros.</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS DANOS SOFRIDOS PELO CREDOR</p><p>Leia com atenção todos os exemplos dados por Pothier para ilustrar os tipos de danos que o credor poderia sofrer com inadimplemento do contrato por parte do devedor.</p><p>(5) Como seriam enquadrados, dentro do esquema classificatório introduzido no artigo do professor, cada um dos exemplos fornecidos por Pothier?</p><p>Não se esqueça de apontar se o credor prejudicado, num dado exemplo fornecido por Pothier, é um credor adquirente ou um credor alienante. Não se esqueça de apontar se o dano ilustrado por Pothier é um dano que, no esquema do artigo do professor, seria considerado um dano típico ou atípico. Finalmente, não se esqueça de apontar, na hipótese de o dano em questão ser considerado típico, qual seria o seu enquadramento no esquema classificatório introduzido pelo professor.</p><p>Resposta:</p><p>Exemplo de Pothier</p><p>Tipo de Credor</p><p>Classificação do Professor</p><p>Dano</p><p>Venda do Cavalo (hipótese 1)</p><p>Adquirente</p><p>Perda resultante de uma transação substituta</p><p>Típico</p><p>Despejo de Inquilino (hipótese 1)</p><p>Adquirente</p><p>Perda resultante de uma transação substituta</p><p>Típico</p><p>Venda do Cavalo</p><p>(hipótese 2)</p><p>Adquirente</p><p>-</p><p>Atípico</p><p>Despejo de Inquilino (hipótese 2)</p><p>Adquirente</p><p>Perda resultante de uma transação substituta e Lucros cessantes</p><p>Típico</p><p>Venda de Madeira (Hipótese 1)</p><p>Adquirente</p><p>-</p><p>Atípico</p><p>Venda de Madeira (Hipótese 2)</p><p>Adquirente</p><p>-</p><p>Atípico</p><p>Propriedade Vinícola</p><p>Adquirente</p><p>Perda resultante de uma transação substituta</p><p>Típico</p><p>Tonéis de Vinho</p><p>Adquirente</p><p>-</p><p>Atípico</p><p>Vaca Doente</p><p>Adquirente</p><p>-</p><p>Atípico</p><p>_____________________________________</p><p>FORMA DE CALCULAR O DANO</p><p>(6) Existem semelhanças entre a forma como Pothier sugere que deva ser feito o cálculo do montante da indenização de certos danos típicos e a forma sugerida pelo professor para o cálculo desses danos? Aponte eventuais lacunas, semelhanças e diferenças de abordagem do assunto entre Pothier e o professor.</p><p>Resposta:</p><p>_____________________________________</p><p>ALOCAÇÃO DE RISCOS E RESTRIÇÕES À INDENIZAÇÃO</p><p>Em meu artigo, “Classificação e regime dos danos por descumprimento do contrato”, eu sugiro que há, ao menos, duas circunstâncias em que o credor não poderia cobrar uma indenização integral, que pudesse cobrir todo e qualquer tipo de dano sofrido em virtude do inadimplemento e em qualquer montante. Eu sugiro que, salvo certas exceções, identificadas no artigo, o credor normalmente não teria o direito de cobrar indenização dos danos considerados atípicos. Eu também sugiro que, mesmo no caso dos danos típicos, o credor também não poderia, na maioria dos casos, cobrar indenização daqueles danos cujo montante fosse extremamente elevado, quando comparado com o preço cobrado pelo devedor para cumprir o contrato. Obviamente, em ambas as circunstâncias (danos atípicos e danos exorbitantes), que não são mutuamente excludentes e que, por vezes, se confundem, a imposição de restrições à indenização cabível ao credor é justificada pela ausência de assunção do risco por parte do devedor.</p><p>Em meu artigo, eu sugiro que o juiz leve em conta uma série de fatores que seriam potencialmente relevantes para a análise da alocação de riscos (expressa ou tacitamente) efetuada entre as partes. Eu cito, por exemplo, algumas distinções realizadas pelo jurista norte-americano Melvin Aron Eisenberg, bem como pelo jurista James Gordley. Os fatores que eu cito nos ajudariam a inferir qual teria sido a vontade hipotética das partes contratantes a respeito da alocação do risco do pagamento de indenização em determinadas circunstâncias, na ausência de uma cláusula contratual expressa dispondo sobre o assunto.</p><p>(7) Compare a análise da alocação de riscos entre as partes contratantes feita no artigo do professor com a análise efetuada por Pothier para efeitos de imposição de restrições à indenização cabível ao credor. Descreva quais foram os fatores que o professor considerou relevantes, bem como quais foram os fatores que Pothier considerou relevantes.</p><p>Resposta:</p>

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