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<p>Nome(s):</p><p>2º TVC – Trabalho (conteúdo dos deveres contratuais e sanções ao inadimplemento).</p><p>Considere os fatos do seguinte caso:</p><p>Laird v. Scribner Coop, 237 Neb. 532, 466 N.W.2d 798 (Neb. 1991). O autor da ação (Donald Laird) havia comprado aproximadamente 33 toneladas de milho da empresa ré (Scribner Coop), por meio de um contrato de compra e venda celebrado em março de 1986, para ser utilizado como parte da ração para alimentação dos seus porcos. O comprador conduzia a sua própria operação de criação e venda de porcos em todas as suas etapas: desde a gestação, nascimento, desmame, crescimento e engorda até o alcance do peso para o abate (em torno de 100 a 135 kg). Durante as negociações para a celebração do contrato, o funcionário da empresa vendedora, o senhor Gary Ruwe, disse ao comprador que havia um problema com o armazenamento do milho. Ele disse que um dos silos de armazenamento tinha um “cume” que estava “aquecendo”. A palavra “cume” é uma referência à forma de cone assumida pelos grãos de milho que se encontram no topo do silo causada pelo preenchimento do referido silo pela sua parte de cima. Se o cume não for vigiado cuidadosamente, ele poderá absorver umidade. Na hipótese de acumulação dessa umidade no cume, o silo terá maior dificuldade para dissipar o calor. Tal processo é chamado de “aquecimento”. A combinação do calor e da umidade faz com que os grãos armazenados fiquem mofados, bem como acumulem insetos. Além disso, por causa do aquecimento, os grãos de milho abaixo do cume perdem a sua coloração. Se o processo de aquecimento não for interrompido, o milho irá eventualmente ficar preto ou o silo poderá pegar fogo.	Comment by christian andersen: Partes da Ação	Comment by christian andersen: Problema com o armazenamento do milho</p><p>O comprador concordou em adquirir quatro carregamentos de milho (aproximadamente 33 toneladas), desde que os grãos a serem adquiridos fossem retirados do centro do silo, com exclusão dos grãos danificados e daqueles grãos que estivessem esfarelados em partículas minúsculas. A vendedora deu um desconto no preço para o comprador por conta da umidade, mas sem qualquer abatimento por conta da eventual existência de grãos danificados e esfarelados. O milho foi entregue ao comprador em quatro entregas separadas. A primeira entrega ocorreu no início de abril de 1986. O comprador inspecionou o milho depois que ele foi entregue na sua fazenda. Ao fazer a inspeção, tal comprador percebeu a existência de grãos danificados entre aqueles que foram entregues, bem como um odor decorrente do armazenamento. Tal odor é produzido por um processo de fermentação causado pelo aquecimento. O odor geralmente é um indício de que o milho pode estar mofado. O comprador manifestou a sua insatisfação com a vendedora, mas não chegou a rejeitar o milho. A segunda entrega foi similar à primeira, com a existência de alguns grãos danificados e a presença de odor.	Comment by christian andersen: Celebração do Contrato	Comment by christian andersen: Primeira entrega	Comment by christian andersen: Segunda entrega</p><p>Aproximadamente uma semana após a realização da entrega do primeiro carregamento, o comprador começou a alimentar os seus porcos com o milho fornecido pela vendedora. Nessa ocasião, os suínos desenvolveram “pneumonia” ou “sintomas parecidos com os da gripe”. O comprador afirmou que os porcos vomitavam e não comiam regularmente. Quando chegava a ocasião de as porcas parirem, o comprador percebia um número anormalmente elevado de abortos espontâneos prematuros, “múmias” (porcos que não se desenvolviam plenamente que haviam morrido no útero), natimortos, assim como casos da “síndrome do porco evanescente” (que se refere aos porcos que nascem normais, mas que logo em seguida ficam prostrados e morrem após a primeira amamentação).	Comment by christian andersen: O comprador começa a alimentar os porcos com o milho;</p><p>Os porcos começam a passar mal.</p><p>Depois de inúmeras tentativas feitas por veterinários para diagnosticar o problema, inclusive por meio da submissão de amostras de tecido celular do rebanho, chegou-se à conclusão – em outubro de 1986 – de que o problema poderia estar relacionado ao milho. Por isso, foi enviada uma amostra do milho para a Universidade do Nebraska no dia 31 de outubro de 1986 para a realização de exames laboratoriais. O resultado dos exames comprovou que o milho continha traços de “vômitoxina” (também conhecida como desoxinivalenol), que é um tipo específico de micotoxina (substância química tóxica produzida por fungos microscópicos, como o encontrado no “mofo”, capaz de causar mortes e doenças nos animais que a consomem). Os resultados dos exames laboratoriais foram recebidos pelo comprador por volta do dia 14 de novembro de 1986. O comprador então parou imediatamente de incluir o milho contaminado na ração dos seus porcos; informou a vendedora a respeito disso; e devolveu o restante do milho que ainda não havia sido utilizado. A vendedora substituiu o milho. As porcas do comprador voltaram a parir ninhadas saudáveis.	Comment by christian andersen: Resultado dos Exames: presença de toxina no milho.	Comment by christian andersen: A compradora interrompe o uso do milho e o devolve.	Comment by christian andersen: A vendedora substitui o milho.</p><p>A corte que julgou o caso observou que embora seja possível atribuir ao comprador a responsabilidade pela secagem do milho que ele havia adquirido da vendedora com ciência da presença de umidade, não havia nenhuma prova ou indício no sentido de que a micotoxina se proliferou no milho por causa da falha do comprador em tomar as medidas adequadas de precaução. Foi provado que o comprador seguiu o seu procedimento usual para a secagem dos grãos por meio da aeragem do milho. Também ficou provado que, em maio de 1987, dos 09 silos de armazenagem da vendedora, 06 testaram positivo para a presença da micotoxina. De acordo com a opinião do doutor Busch, um dos veterinários que cuidou do rebanho de porcos do comprador, os problemas de produção enfrentados por tal comprador resultaram do fato de os animais terem sido alimentados com milho que continha vômitoxinas.	Comment by christian andersen: Provas no processo a favor do comprador.</p><p>O comprador ajuizou uma ação para cobrar indenização dos danos sofridos. Tal comprador alegou que a vendedora tinha a obrigação de entregar grãos de milho sem a presença de substâncias tóxicas nocivas e que, portanto, ela deveria reparar os danos causados pelo seu inadimplemento (consistente na entrega de grãos de milho defeituosos). Em sua defesa, a vendedora alegou que não havia prova suficiente de que os problemas do comprador foram causados pela presença das toxinas no milho; que a presença de traços da toxina não significava necessariamente a presença de um defeito e que o comprador tinha o ônus de provar o nível de toxinas, de acordo com os padrões da indústria, a partir do qual a coisa alienada se tornaria imprópria ao uso a que se destina; que o comprador não notificou tempestivamente a vendedora a respeito da presença das toxinas no milho; que os danos sofridos pelo comprador eram imprevisíveis, de maneira que a vendedora não deveria se responsabilizar por tais danos.	Comment by christian andersen: Ajuizamento de ação (compradora) de indenização de danos.	Comment by christian andersen: Defesa da vendedora.</p><p>CARACTERIZAÇÃO DO DEFEITO</p><p>(1) Em sua opinião, os problemas (como, por exemplo, o odor, a presença de umidade, a existência de alguns grãos esfarelados e a presença de toxinas) encontrados nos grãos de milho entregues pela vendedora poderiam se enquadrar no conceito jurídico de vício (ou defeito) adotado pela legislação?</p><p>Atenção: a pergunta não é sobre o âmbito de aplicação do regime jurídico (se ele é aplicável tão somente aos contratos comutativos ou não); nem sobre se o vício (defeito) era preexistente ao contrato; e muito menos sobre a classificação do tipo de vício (ou defeito), se oculto ou aparente, pois isso pressupõe a existência de tal vício (ou defeito).</p><p>A pergunta é voltada para</p><p>a análise de uma etapa anterior à etapa da classificação: antes de tudo, quero saber se existiu um – ou mais de um – vício (ou defeito) no milho, ou se não existiu nenhum, considerando-se o conceito jurídico de vício (ou defeito) e os problemas encontrados em tais grãos, independentemente da posterior classificação de eventual vício (ou defeito) porventura existente em oculto ou aparente.</p><p>Resposta:</p><p>ASSUNÇÃO DO RISCO DO DEFEITO</p><p>(2) Suponha que o vício (defeito) foi suficientemente caracterizado. Em sua opinião, o fato de o comprador ter comprado o milho sabendo da existência de umidade, e obtido um desconto no preço, significa que ele teria assumido o risco de os grãos poderem eventualmente apresentar toxinas decorrentes do mofo? Justifique a sua resposta.</p><p>Resposta:</p><p>PRAZO PARA O EXERCÍCIO DE SANÇÕES EM VIRTUDE DO INADIMPLEMENTO</p><p>No caso apresentado, o único remédio perseguido pelo comprador (de forma judicial) foi o remédio da indenização. Extrajudicialmente, o comprador conseguiu convencer a vendedora a realizar a substituição do milho não consumido restante por outro milho sem toxinas, que é uma modalidade de cumprimento específico do contrato. Suponha, no entanto, que ao invés de exigir a substituição do milho supostamente defeituoso, tal comprador quisesse exercer outros remédios tais como a resolução do contrato, além da indenização exigida.</p><p>(3) Em tal hipótese, o prazo (ou prazos) que ele teria para sancionar a vendedora, de acordo com o código civil brasileiro e o código de defesa do consumidor brasileiro, iria variar de acordo com o tipo de sanção a ser exercida (como a resolução, redução do preço, indenização, etc.) ou tal prazo (ou prazos) não sofreria qualquer alteração por esse motivo?</p><p>Resposta:</p><p>INÍCIO DO CORRIMENTO DO PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL</p><p>No caso apresentado, o comprador inspecionou o milho depois que ele foi entregue na sua fazenda. Ao fazer a inspeção, tal comprador percebeu a existência de grãos danificados entre aqueles que foram entregues, bem como um odor decorrente do armazenamento. Tal odor é produzido por um processo de fermentação causado pelo aquecimento. O odor geralmente é um indício de que o milho pode estar mofado. O comprador manifestou a sua insatisfação com a vendedora, mas não chegou a rejeitar o milho.</p><p>(4) Em sua opinião, de acordo com as normas do código civil e do código de defesa do consumidor, qual deveria ser considerado o marco inicial do corrimento do(s) prazo(s) para o exercício das sanções contra a vendedora:</p><p>(a)	a data da celebração do contrato (março de 1986);</p><p>(b)	a data da realização da entrega do primeiro carregamento e concomitante inspeção feita pelo comprador (início de abril de 1986), bem como data da realização da entrega dos demais carregamentos e correspondentes inspeções;</p><p>(c) 	a data em que o comprador começou a alimentar os seus porcos com o milho contaminado e em que começaram a aparecer os primeiros sintomas (aproximadamente uma semana após a realização da entrega do primeiro carregamento);</p><p>(d)	a data em que os veterinários contratados pelo comprador começaram a desconfiar que o milho poderia ser a causa dos problemas com o rebanho (outubro de 1986); ou</p><p>(e)	a data em que o comprador tomou ciência do resultado dos exames laboratoriais que comprovaram a existência de traços de micotoxina no milho (14 de novembro de 1986)?</p><p>Resposta:</p><p>EXERCÍCIO DOS REMÉDIOS DENTRO DO PRAZO</p><p>(5) Em sua opinião, tendo em vista o início do corrimento do(s) prazo(s) e a sua duração, de acordo com as normas do código civil e do código de defesa do consumidor, o comprador teria pedido a troca do milho defeituoso (ocorrida pouco depois do dia 14 de novembro de 1986) ainda dentro do prazo para o exercício de tal remédio? O pedido da indenização (por meio da ação judicial, ajuizada no início do ano de 1987) foi formulado ainda dentro do prazo para o exercício de tal remédio?</p><p>Resposta:</p><p>REQUISITOS PARA O CABIMENTO DA RESOLUÇÃO</p><p>No caso apresentado, o credor comprador não obteve a resolução do contrato. O remédio da resolução somente é permitido na hipótese de o inadimplemento ser caracterizado como substancial. Suponha que o comprador do caso apresentado quisesse obter a resolução do contrato.</p><p>(6) Em sua opinião, o alegado inadimplemento da vendedora (entrega de milho defeituoso) poderia ser caracterizado como substancial nas circunstâncias do caso? Justifique a sua resposta mostrando como as circunstâncias do caso apresentado se enquadram (ou não se enquadram) no conceito de inadimplemento substancial.	Comment by christian andersen: Questão 6</p><p>Resposta:</p><p>Para caracterizar o inadimplemento como sendo substancial, deve-se levar em conta a proporção entre os prejuízos causados ao credor em virtude do inadimplemento em comparação com os benefícios trazidos pelo contrato ao referido credor. Neste caso, houve, por parte do comprador, a devolução ao vendedor do restante do milho defeituoso não consumido, que, por sua vez, foi substituído, prontamente pelo vendedor, por milho saudável (as porcas do comprador voltaram a parir ninhadas saudáveis). Infere-se, do contexto do caso apresentado, que parte do milho da primeira e segunda remessas foi substituído por milho saudável e que, possivelmente, as remessas subsequentes manteriam o mesmo padrão. Dessa forma, pode-se considerar que os benefícios trazidos pelo contrato, no que diz respeito a fornecimento do milho, superaram os prejuízos causados pelo inadimplemento, sendo desnecessário a resolução do contrato em prol da preservação da avença. No entanto, os danos causados pelas primeiras remessas de milho contaminado devem ser indenizados pelo vendedor.</p><p>CONSEQUÊNCIAS DA RESOLUÇÃO</p><p>Caso o credor comprador tivesse obtido a resolução do contrato, ele teria o direito de receber de volta o preço pago e teria de devolver o milho recebido. Como parte do milho já havia sido consumida, ele não teria condições de devolver em espécie todo o milho recebido. Em tese, as consequências da resolução seriam reguladas pelo art. 128 do código civil brasileiro. Entretanto, tal norma é bastante problemática, não esclarecendo adequadamente quais seriam as consequências da resolução do contrato. Suponha que o comprador do caso apresentado tivesse validamente obtido a resolução do contrato pouco depois de ter tomado ciência do resultado dos exames laboratoriais.</p><p>(7) Em sua opinião, como seriam confeccionadas as medidas de restituição das partes? Em especial, explique de forma mais detalhada como seria feita a restituição – pelo comprador – do milho por ele recebido durante a vigência da relação contratual. Explique também a questão de como seria feita – pela vendedora – a restituição do preço por ela recebido durante a vigência da relação contratual.	Comment by christian andersen: Questão 7</p><p>Resposta:</p><p>Como dito acima, caso o credor comprador tivesse obtido a resolução do contrato, ele teria o direito de receber o preço pago e teria de devolver o milho recebido. A princípio, como parte do milho já havia sido consumida, o credor comprador, na impossibilidade do retorno a prestação em espécie, ou seja, devolução do milho, teria que restituir o seu valor monetário. Ocorre que, neste caso, o perecimento da prestação a ser restituída ocorreu em virtude de um defeito preexistente, qual seja, a comprovada existência de toxina no milho fornecido. Dessa forma, o risco correria por conta do devedor vendedor, e o credor comprador não seria obrigado a restituir o valor monetário da prestação recebida.</p><p>Para o devedor vendedor, permaneceria a obrigação de devolver o preço pago, tanto em relação ao produto perecido, quanto em relação ao produto devolvido. Além disso, como ao credor comprador não foi possível gozar da contraprestação que lhe deveria ter sido conferida (milho saudável para a criação e venda de porcos), o devedor vendedor poderá ser cobrado a restituir o enriquecimento obtido em virtude do uso e gozo das prestações recebidas, incluindo-se o valor de uso das próprias prestações em si mesmas e eventuais frutos e produtos delas derivados.</p><p>REQUISITOS E FORMA DE EXERCÍCIO DA EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO</p><p>No caso apresentado, o credor comprador não teve a oportunidade de exercer a exceção de contrato não cumprido, pois – na ocasião em que tal credor chegou à conclusão de que houve a ocorrência do inadimplemento da vendedora – ele já havia pagado integralmente o preço. Suponha que o vencimento da obrigação do credor comprador de pagar o preço fosse no dia 15 de novembro de 1986 e que, por isso, tal preço ainda não tivesse sido pago no momento em que tal credor tomou ciência do inadimplemento da vendedora.</p><p>(8) Em sua opinião, o comprador poderia ter exercido a exceção de contrato não cumprido, retendo o pagamento do preço até a data em que a vendedora tomasse providências para substituir o milho defeituoso? Caso você entenda que sim, então diga se o remédio poderia ser exercido de maneira integral, com a retenção de todo o preço, ou se ele deveria ser exercido de maneira parcial (de forma proporcional ao inadimplemento), com a retenção de apenas uma parte do preço.</p><p>Resposta:</p><p>CARACTERIZAÇÃO DA CULPA DA VENDEDORA</p><p>Observe que, de acordo com o código de defesa do consumidor, não seria necessário a comprovação da culpa da vendedora como um pré-requisito para a cobrança de indenização por parte do credor comprador, já que a responsabilidade do devedor neste tipo de situação seria considerada objetiva (sendo afastada tão somente pela mora do credor). Por outro lado, o código civil, em seu art. 392, ainda trabalha com o critério da culpa.</p><p>(9) Em sua opinião, que tipo de precauções a vendedora poderia ter tomado para evitar o inadimplemento do contrato (consistente na entrega de milho com toxinas expelidas por fungos microscópicos)? Em sua opinião, seria razoável a adoção dessas precauções nas circunstâncias do caso concreto?</p><p>Resposta:</p><p>PROVA DA CULPA DA VENDEDORA</p><p>Em muitos casos, inclusive no caso apresentado, não há uma discussão profunda a respeito da comprovação da presença ou da ausência de culpa do devedor inadimplente. A presença da culpa do devedor é provada por meio da comprovação da não adoção das precauções exigíveis. Por outro lado, a ausência da culpa do devedor é provada por meio da comprovação da adoção das precauções exigíveis nas circunstâncias do caso, se alguma. Na maioria das vezes, não há comprovação dos elementos anteriormente mencionados. Por isso, os juízes normalmente decidem a questão da presença ou ausência da culpa do devedor de acordo com a distribuição do ônus da prova. Em caso de dúvida, o juiz julga em desfavor da parte a quem recai o ônus da prova.</p><p>(10) Em sua opinião, no caso apresentado, seria o credor comprador quem teria o ônus de provar a culpa da devedora, ou seria a devedora vendedora a parte que teria o ônus de provar a ausência da sua culpa?</p><p>Resposta:</p><p>CULPA CONCORRENTE DO CREDOR E MITIGAÇÃO DOS SEUS DANOS</p><p>Logo que o credor comprador ficou sabendo do resultado dos exames laboratoriais que comprovaram a existência de traços de micotoxina no milho, por volta do dia 14 de novembro de 1986, ele imediatamente parou de alimentar os seus porcos com tal milho. Isso é uma medida para a mitigação dos seus danos. Ele também notificou imediatamente a vendedora e a convenceu a substituir o milho contaminado. Isso também é uma medida de mitigação dos seus danos. Entretanto, poderíamos nos questionar se tal credor comprador também poderia, com emprego de maior diligência, ter desconfiado ou tomado ciência a respeito da origem dos problemas com o seu rebanho num momento anterior. Em tal hipótese, ele poderia ter reduzido ainda mais o montante dos seus danos ao tomar, num momento anterior, as providências que ele acabou posteriormente tomando ou, até mesmo, ao tomar, num momento anterior, outros tipos de providências alternativas (por exemplo, ele poderia ter resolvido o contrato, devolvido o milho contaminado à vendedora e comprado um milho de boa qualidade de um terceiro).</p><p>Observe que o credor tomou algumas medidas de precaução como a aeragem do milho comprado antes de incluí-lo na dieta dos porcos, bem como a contratação de veterinários após o aparecimento dos problemas com o rebanho.</p><p>(11) Em sua opinião, nas circunstâncias do caso concreto, o credor teve culpa em não ter percebido a origem dos problemas com o seu rebanho num momento anterior? Caso você entenda que ele teve culpa, então você acha que ele deveria ser punido com a redução do montante da indenização à qual ele teria direito?</p><p>Resposta:</p><p>PERDA COM UMA TRANSAÇÃO SUBSTITUTA</p><p>No caso apresentado, o credor comprador não obteve a resolução do contrato. Ao contrário, ele obteve uma forma de cumprimento específico por meio da troca – efetuada pela vendedora – do milho contaminado, que ainda não havia sido consumido quando chegaram os resultados dos exames laboratoriais, por um milho de boa qualidade. Por isso, o comprador não teve de comprar das mãos de um terceiro o milho restante. Suponha que o credor tivesse obtido a resolução do contrato pouco tempo depois de tomar ciência do resultado dos exames laboratoriais. Suponha que o credor tivesse então comprado de um terceiro uma grande quantidade de grãos de milho, em parte para cobrir a falta do milho não consumido no contrato inadimplido pela vendedora.</p><p>(12) Em tal hipótese, como seria calculado o montante do dano sofrido pelo credor comprador com a realização do contrato com o terceiro (contrato esse que, em princípio, não precisaria de ser realizado se a vendedora tivesse entregue grãos de milho de boa qualidade)?</p><p>Resposta:</p><p>REDUÇÃO DO PREÇO</p><p>No caso apresentado, o credor comprador pediu à vendedora a troca do milho contaminado por outro de boa qualidade. Por outro lado, suponha que – ao invés de ter feito tal pedido, mantendo o contrato, ou ao invés de ter obtido a resolução do contrato, desfazendo o contrato – o credor tivesse optado por manter o contrato, desde que a vendedora lhe compensasse com um abatimento significativo no preço que ele havia pagado por todo o milho recebido (consumido ou não) durante a vigência da relação contratual. Isso consistiria numa indenização pela perda sofrida com a diminuição do valor de mercado da prestação recebida, que é implicitamente concedida no remédio da “redução” ou “abatimento” do preço previsto em algumas normas contratuais. Caso o credor tivesse exercido tal remédio de forma bem sucedida, então ele teria o direito de receber uma restituição da quantia do preço que ele pagou a mais, depois de ser estabelecido o montante do preço ideal dos grãos de milho com toxinas.</p><p>(13) Em tal hipótese, como seria calculado o montante do dano sofrido pelo credor com a diminuição do valor da prestação recebida (grãos de milho) por conta da sua contaminação com toxinas, de maneira a calcular adequadamente o montante da redução do preço?</p><p>Resposta:</p><p>MENSURAÇÃO DOS DANOS SOFRIDOS PELO CREDOR</p><p>No caso apresentado, os principais danos alegadamente sofridos pelo credor comprador estavam relacionados com a morte dos embriões e dos animais recém-nascidos. Os animais adultos, embora pudessem apresentar sintomas gripais e perda de apetite, aparentemente não chegaram a morrer. A explicação para essa diferença é o fato de que as toxinas produzidas pelo mofo afetavam de forma mais severa o sistema imune dos animais mais jovens, que ainda não estava plenamente desenvolvido. O dano com a morte dos animais poderia ser categorizado ou como um lucro cessante (típico ou atípico) ou, eventualmente, como um dano emergente (provavelmente atípico). Existe algum grau de incerteza quanto à categorização precisa desses danos. Não foi ressaltada, no texto do acórdão, a questão da perda de peso dos animais adultos ou a maior dificuldade ou demora no ganho de peso. Presumivelmente, o credor comprador também sofreu esse tipo de dano, que se enquadraria na categoria dos lucros cessantes por causa da redução do volume de vendas do comprador e ou por causa da redução da sua margem de lucro. Por sua vez, os gastos com a contratação de veterinários, medicamentos e exames laboratoriais certamente</p><p>seriam considerados danos emergentes atípicos. O montante total dos danos sofridos pelo credor certamente foi bastante elevado (a corte de última instância confirmou o valor que havia sido fixado em cortes inferiores: $ 52.330,85; embora não tenha esclarecido qual foi a metodologia empregada em seu cálculo).</p><p>(14) Descreva como deveriam ser calculados os danos sofridos pelo credor em cada uma das três situações mencionadas abaixo:</p><p>(a)	danos com a morte dos animais (por exemplo: estimativa do lucro cessante ou, alternativamente, valor de mercado dos animais mortos);</p><p>(b)	danos com a demora ou a falha no ganho do peso ideal para o abate;</p><p>(c) 	danos com os demais gastos (veterinários, medicamentos, exames, etc.).</p><p>Resposta:</p><p>CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE É RAZOÁVEL ATRIBUIR AO DEVEDOR O RISCO DE PAGAR UMA INDENIZAÇÃO ELEVADA</p><p>(15) Em sua opinião, considerando-se o montante elevado dos danos e o fato de alguns deles serem caracterizados como atípicos, existiriam (ou não) razões para um maior comedimento judicial no estabelecimento do montante total da indenização devida, de maneira que os juízes pudessem reduzir equitativamente tal montante dada a alocação tácita ou hipotética de riscos no contrato?</p><p>Leve em conta, ao responder, todos os fatores relevantes discriminados pelo professor no texto didático da aula 19, conectando-os às circunstâncias do caso concreto apresentado.</p><p>Resposta:</p>

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