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<p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Diana Lemos</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Desenho de observação</p><p>e de memória</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Descrever as técnicas de desenho de linhas a mão livre com grafite,</p><p>dos elementos da forma de objetos e da arquitetura.</p><p>� Identificar as técnicas de proporções de desenho de observação e</p><p>a mão livre.</p><p>� Listar as aplicações dos métodos de projeções cônica e paralela.</p><p>Introdução</p><p>O desenho a mão livre é uma ferramenta valiosa para os arquitetos ur-</p><p>banistas, pois permite expressar a maioria das suas ideias rapidamente</p><p>e de forma eficaz. Algumas pessoas criativas possuem essa habilidade,</p><p>outras, contudo, podem desenvolvê-la. O desenho de observação e de</p><p>memória é uma forma extraordinária de expandir essa habilidade, pois</p><p>fortalecer a capacidade de ver e de representar, como você irá perceber.</p><p>Neste texto, você irá assimilar as técnicas de desenho de linhas, for-</p><p>matos e proporções e os métodos de projeção, para esboçar a figura</p><p>humana e os elementos naturais e arquitetônicos.</p><p>Técnicas de desenho de linhas e de formatos</p><p>A vantagem do desenho a mão livre é que você vai precisar de poucos ins-</p><p>trumentos (papel, lápis grafite e borracha). Objetivos mais elaborados podem</p><p>requerer de você outras técnicas, como a utilização do carvão vegetal e dos</p><p>creions. Contudo, aprender a desenhar uma variedade de técnicas mecânicas</p><p>e suas teorias não é uma tarefa simples. Portanto, para começar, neste tópico,</p><p>você vai aprender a técnica do lápis grafite e os elementos da forma e do</p><p>espaço, apresentados não como um fim em si mesmo, mas como significado</p><p>DA_U1_C03.indd 49 01/12/2017 16:51:45</p><p>para trazer subsídios para o desenho da observação, conforme a estrutura de</p><p>conhecimento a seguir:</p><p>1. Escolher o tipo de lápis, borracha e papel para atender aos seus objetivos.</p><p>2. Aprender a desenhar linhas a mão livre.</p><p>3. Identificar os elementos da forma.</p><p>Tipos de lápis, borracha e papel</p><p>“A efetividade geral de um desenho é determinada, acima de tudo, pela quali-</p><p>dade, variedade e sensibilidade dos traços que o compõem.” (CURTIS, 2015,</p><p>p. 3). Esta qualidade está diretamente relacionada à escolha do lápis e do papel</p><p>e em como você aplica as técnicas de desenho de observação.</p><p>Os grafites de lápis e de lapiseiras são classificados como dura, média e</p><p>macia e suas aplicações podem ser observadas na Tabela 1.</p><p>Fonte: Adaptada de Giesecke et al. (2002).</p><p>Classificação Grafite Quando aplicar</p><p>Dura 9H/8H/7H/6H/5H/4H/ Usar quando for necessária extrema</p><p>precisão em desenhos técnicos, pois</p><p>as linhas tendem a ser muito claras.</p><p>Média 3H/2H/H/F/HB/B/ Usar para esboços técnicos</p><p>e letreiros. HB e B são usados</p><p>para desenhos a mão livre,</p><p>para desenhar linhas finas.</p><p>Macia 2B/3B/4B/5B/6B/7B/ Usar, essencialmente, para</p><p>desenhos a mão livre, trabalhos</p><p>artísticos de vários tipos e para</p><p>detalhes em tamanho natural</p><p>do desenho arquitetônico.</p><p>Tabela 1. Classificação dos grafites.</p><p>As lapiseiras automáticas são fabricadas para grafites de 0,3 mm, 0,5 mm,</p><p>0,7 mm e 0,9 mm. A primeira é adequada ao desenho técnico fino; a segunda,</p><p>para escrever e traçar linhas finas no desenho técnico e a mão livre; a terceira,</p><p>para uso geral no desenho a mão livre; e a de 0,9 mm, para executar linhas</p><p>Desenho de observação e de memória50</p><p>DA_U1_C03.indd 50 01/12/2017 16:51:46</p><p>grossas. Associado ao lápis, você vai precisar de uma borracha macia, que é</p><p>a borracha plástica. Por deixar muitos resíduos, você poderá precisar de um</p><p>bigode, espanador especial para desenho, para limpar a sua superfície.</p><p>Você vai encontrar uma grande variedade de tamanhos, pesos e superfícies</p><p>de papel. O tamanho varia segundo os formatos técnicos (A4, A3, A2, A1 e</p><p>A0), podendo ser folhas soltas ou blocos de desenho, inclusive quadriculados.</p><p>Você pode até mesmo criar as folhas com moldes ou grades no AutoCad e</p><p>colocar embaixo do seu desenho, para facilitar no processo de aprendizado.</p><p>O peso do papel está relacionado a sua constituição, por exemplo, cartolina,</p><p>papel duplex ou tríplex, entre outros. A sua superfície perpassa do liso ao</p><p>extremamente áspero (mais granulado), abrangendo muitas variações. Você</p><p>deve usar a superfície lisa para o lápis grafite e a mais granulada para técnicas</p><p>que utilizem tinta, pastel e carvão vegetal. Uma visita à papelaria pode ser</p><p>mais elucidativa do que qualquer outra fonte de conhecimento sobre assunto.</p><p>No desenho de observação, o ideal é investir em um cavalete de artista</p><p>durável, ainda que nem sempre seja possível carregá-lo. A correta posição</p><p>para o desenho de observação é 90º, com o observador em pé.</p><p>Com uma simples alteração na sua posição em relação ao objeto, você pode renovar</p><p>o seu olhar e descansar um pouco, mas é preciso retornar à posição original, ao voltar</p><p>a desenhar.</p><p>Desenho de linhas a mão livre</p><p>Segundo Curtis (2015), uma linha pode variar entre grossa e fina, clara e escura,</p><p>angular e orgânica, de contornos duros e suaves, gerando uma centelha de</p><p>energia a um desenho realizado com sensibilidade. Assim, um desenho esbo-</p><p>çado a mão livre, além de expressar um sentimento, também deve demostrar</p><p>preocupação com a clareza e a espessura correta das linhas.</p><p>Para esboçar linhas longas, marque suas extremidades e desenhe a linha</p><p>mantendo o olhar na direção da marca para a qual você está movendo o lá-</p><p>pis. Repita vários traços até encontrar a precisão da linha. Se a linha estiver</p><p>ondulada demais, você pode estar empunhando de forma equivocada o lápis</p><p>ou estar segurando-o com muita força. Contudo, são permitidas pequenas</p><p>51Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 51 01/12/2017 16:51:46</p><p>ondulações e eventuais intervalos, desde que a linha fique em um traçado reto,</p><p>mas não precisamente reto como no AutoCAD. Desenhe sempre as linhas</p><p>horizontais da esquerda da direita, com um movimento natural do pulso e do</p><p>braço e nas linhas verticais, de cima para baixo com movimentos do dedo e</p><p>do pulso (CURTIS, 2015).</p><p>A variação da espessura da linha representa um assunto chave no desenho</p><p>de observação. Dada à timidez do traçado no início do aprendizado, você pode</p><p>se esquivar de variar mais a sua espessura, mas é muito importante desenhar</p><p>com variedade e liberdade, conforme as orientações a seguir.</p><p>Você deve utilizar linhas finas quando forem:</p><p>� Linhas de construção: estas devem ser muito claras, de modo que</p><p>fiquem pouco visíveis.</p><p>� Linhas de centro: estas devem ser nítidas.</p><p>� Linhas de prolongamento de um objeto: estas devem ser nítidas e</p><p>escuras.</p><p>Você pode aumentar a espessura da linha, quando:</p><p>� estiver comparativamente muito mais próxima do observador;</p><p>� estiver embaixo do objeto, para indicar peso.</p><p>“Os contornos dominam a nossa percepção do mundo visual. [...] Algumas</p><p>destas arestas são claras, outras se perdem no plano de fundo, conforme mudam</p><p>de cor ou de tonalidade. [...] No processo de observação, a mente acentua estas</p><p>arestas e as vê como contornos.” (CHING, 2012, p. 17).</p><p>Você vai tender a variar a espessura da linha do contorno, mas tente ter</p><p>em mente que seu desenho com uma linha grossa deve ser utilizado no caso</p><p>de incidência de sombra, ou quando representa a aresta de um objeto que se</p><p>sobrepõe a outro ou quando as arestas do objeto, de fato, variam em espessura.</p><p>Em geral, a linha do contorno</p><p>Neste</p><p>caso, o recomendado é utilizar lápis mais macios, como 6B ou 8B, por exemplo,</p><p>ou então os blocos de carvão comprimido. Observe um exemplo de croqui</p><p>rápido na Figura 9.</p><p>Figura 9. Exemplo de croqui rápido para demonstrar volumetria da casa.</p><p>Fonte: Slavo Valigursky/Shutterstock.com.</p><p>Neste tipo de desenho, que requer menos refinamento, a opção de papel</p><p>a ser utilizado é muito ampla. Pode ser realizado em papel jornal, sulfite,</p><p>73Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 73 01/12/2017 16:52:07</p><p>canson ou até mesmo papel manteiga. Sempre lembrando que os papéis finos</p><p>são mais frágeis, rasgam com mais facilidade e o desenho fica com uma</p><p>aparência mais simples.</p><p>Se você for colorir um desenho feito desta forma, deverá ter mais cuidado</p><p>na escolha do papel. Normalmente, os arquitetos, neste tipo de croqui rápido,</p><p>quando é o caso de colorir, optam por pincelar cores em apenas alguns pontos</p><p>de realce do desenho. Para isso, podem ser utilizadas as canetas hidrocor, que</p><p>dão um efeito translúcido se passadas levemente sobre o papel. Outra opção é</p><p>trabalhar com focos de aquarela no croqui, que podem ser gerados utilizando</p><p>lápis aquarelável.</p><p>Nestes dois casos de desenho a cores, o mais indicado é utilizar um papel</p><p>com maior capacidade de absorção de tinta, como o canson. Se o objetivo é um</p><p>desenho em papel manteiga ou vegetal, a caneta hidrocor pode ser aplicada no</p><p>verso da folha, gerando um efeito interessante ao desenho. Veja um exemplo</p><p>de croqui colorido na Figura 10.</p><p>Figura 10. Exemplo de croqui com traços e coloração simplificada.</p><p>Fonte: Mike Demidov/Shutterstock.com.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos74</p><p>DA_U2_C04.indd 74 01/12/2017 16:52:09</p><p>Já em um croqui mais detalhado, o mais adequado é utilizar grafites um</p><p>pouco menos macios ou então caneta nanquim, que são muito usadas nessas</p><p>situações. A importância de ter uma ponta mais firme se deve à precisão neces-</p><p>sária para trabalhar nos detalhes, conforme você pode observar na Figura 11.</p><p>Figura 11. Exemplo de croqui com bastante detalhamento.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 44)</p><p>Neste tipo de desenho, quando colorido, o efeito também pode ser mais</p><p>trabalhado. A utilização de lápis de cor sempre é uma boa opção, pois possui</p><p>uma variedade muito grande de cores permite pintar elementos menores, como</p><p>você pode ver na Figura 12. As canetas hidrocor também são adequadas, porém</p><p>como muitas vezes possuem pontas mais largas, deve-se ter mais cuidado na</p><p>hora de preencher o desenho.</p><p>Sobre o papel, o ideal é utilizar um material mais resistente, como um sulfite</p><p>de maior gramatura ou papel canson. Existem também outras variações de</p><p>papéis especiais para desenho e aquarela, de diversas composições e valores.</p><p>75Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 75 01/12/2017 16:52:10</p><p>Figura 12. Croqui à lápis com valorização da área a ser reformada da fachada.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 44)</p><p>Confira mais informações sobre técnicas de desenho a cores no livro Desenho a Cores</p><p>(DOYLE, 2002).</p><p>Os croquis são ferramentas essenciais para testar soluções de projeto e</p><p>apresentar propostas aos clientes. Eles representam uma expressão muito</p><p>particular do arquiteto, portanto, o resultado final varia muito de pessoa para</p><p>pessoa. Os materiais a serem utilizados também dependem totalmente da</p><p>impressão que o desenho pretende passar, além da afinidade que o arquiteto</p><p>possui com os materiais escolhidos.</p><p>A dica é testar técnicas e materiais para encontrar o que funciona melhor</p><p>para você, em cada situação. Pratique bastante!</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos76</p><p>DA_U2_C04.indd 76 01/12/2017 16:52:13</p><p>1. Os croquis representam:</p><p>a) a versão final do projeto,</p><p>contendo bastante expressão</p><p>e precisão métrica.</p><p>b) a escala humana a partir</p><p>do qual formulamos toda</p><p>proporção urbana.</p><p>c) o partido geral do projeto,</p><p>em que o objetivo é gerar</p><p>a representação inicial</p><p>das ideias dentro das</p><p>proporções adequadas.</p><p>d) um esboço feito em</p><p>três dimensões, sem as</p><p>proporções exatas, utilizando</p><p>softwares como Autocad.</p><p>e) a linha horizontal que simula</p><p>todas as medidas a partir do</p><p>qual o desenho é feito.</p><p>2. Podemos considerar que a proporção</p><p>e os componentes juntos compõem:</p><p>a) os elementos básicos que</p><p>queremos representar no croqui.</p><p>b) elementos inseridos</p><p>exclusivamente por programas</p><p>de projeção em três</p><p>dimensões, inseridos somente</p><p>na finalização do projeto.</p><p>c) a representação de tamanho</p><p>das edificações em relação aos</p><p>demais componentes urbanos.</p><p>d) as linhas base a partir do</p><p>qual podemos fazer todos</p><p>os elementos do croqui.</p><p>e) um conjunto opcional de</p><p>objetos utilizados com o</p><p>objetivo de adornar o croqui.</p><p>3. Sobre como os croquis são criados,</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>a) Com o auxílio de instrumentos</p><p>de desenho técnico, que depois</p><p>irá compor a edificação com</p><p>elementos que representem</p><p>as devidas dimensões</p><p>da edificação criada.</p><p>b) Com objetivo único de esboçar o</p><p>entorno a volta do qual a futura</p><p>edificação será construída.</p><p>c) Quando é necessário fazer um</p><p>levantamento dos modelos</p><p>de edificação que teremos a</p><p>volta do local onde a futura</p><p>edificação será construída.</p><p>d) Quando o projeto ainda não</p><p>está em fase de execução</p><p>e queremos acompanhar a</p><p>evolução da edificação.</p><p>e) À mão livre, quando é necessário</p><p>representar as ideias iniciais</p><p>dentro da proporcionalidade</p><p>adequada da futura edificação</p><p>em relação ao ambiente</p><p>onde será alocada.</p><p>4. Complete a frase</p><p>___________________</p><p>são considerados modos de</p><p>________________. Assinale</p><p>a alternativa que apresenta</p><p>a resposta correta.</p><p>a) Crianças e árvores – auxiliar no</p><p>entendimento da proporção</p><p>das edificações em relação</p><p>aos demais objetos presentes</p><p>no espaço urbano.</p><p>b) Carros e nuvens – complementar</p><p>os espaços livres do projeto.</p><p>c) Pessoas e animais – deixar a</p><p>representação gráfica correta</p><p>aos olhos dos profissionais</p><p>da área de arquitetura.</p><p>d) Semáforos e animais –</p><p>representar o impacto que</p><p>77Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 77 01/12/2017 16:52:21</p><p>uma edificação tem no</p><p>trânsito e na natureza.</p><p>e) Crianças e árvores – deixar a</p><p>representação gráfica mais</p><p>próxima dos parâmetros</p><p>estéticos preconizados a partir</p><p>da técnica de ornamentação.</p><p>5. Quando falamos em ponto de fuga</p><p>em um croqui, é preciso lembrar que:</p><p>a) é importante que, no croqui,</p><p>pelo menos um ponto de fuga</p><p>seja inserido, pois desse modo</p><p>é possível inserir o desenho</p><p>na perspectiva correta.</p><p>b) é necessário inserir, no mínimo,</p><p>três pontos de fuga para</p><p>que o desenho apresente</p><p>representação adequadas</p><p>dos elementos criados.</p><p>c) deve ser sempre a primeira</p><p>linha desenhada, pois é</p><p>ela que delimita a</p><p>visão horizontal.</p><p>d) é a representação final</p><p>do vetor das oito linhas</p><p>que sempre devem ser</p><p>traçadas quando precisamos</p><p>centralizar o desenho.</p><p>e) só é necessário inseri-la</p><p>quando estamos</p><p>representando edificações</p><p>de grande porte.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-</p><p>gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2004.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>GOUVEIA, A. P. S. O croqui do arquiteto e o ensino do desenho. 1998. Tese (Doutorado)–</p><p>Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.</p><p>PAIXÃO, L. 10 dicas para criar bons croquis. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://</p><p>www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/>. Acesso</p><p>em: 20 out 2017.</p><p>PEREIRA, A. P. M.; GOMES, M.; FONSECA, G. A. O croqui e suas técnicas. In: INTERNA-</p><p>TIONAL CONFERENCE ON GRAPHICS ENGINEERING FOR ARTS AND DESIGN, 6., 2005,</p><p>Recife. Anais... Recife: ABEG, 2005. Disponível em: <http://www.lematec.net.br/CDS/</p><p>GRAPHICA05/artigos/pereiragomesfonseca.pdf>. Acesso em: 18 out. 2017.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos78</p><p>DA_U2_C04.indd 78 01/12/2017 16:52:27</p><p>http://www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/</p><p>http://www.lematec.net.br/CDS/</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Luz e sombra</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro-</p><p>duzir volumetria</p><p>� Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos</p><p>� Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra</p><p>nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito</p><p>de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen-</p><p>sionalidade nos desenhos.</p><p>A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo-</p><p>dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam</p><p>até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos</p><p>que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses</p><p>elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos</p><p>arquitetônicos.</p><p>Conceito de luz e sombra</p><p>Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen-</p><p>sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como</p><p>quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir</p><p>as dimensões de profundidade.</p><p>Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente</p><p>iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará</p><p>completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria.</p><p>Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre</p><p>as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de</p><p>DA_U2_C06.indd 95 01/12/2017 16:59:27</p><p>material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz.</p><p>As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz.</p><p>A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical-</p><p>mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura</p><p>1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto,</p><p>o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com</p><p>aparência pouco realista.</p><p>Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e</p><p>variação de tons sombreados na técnica utilizada.</p><p>Fonte: Vectomart/Shutterstock.com.</p><p>No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da</p><p>Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta</p><p>época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano.</p><p>Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas</p><p>Luz e sombra96</p><p>DA_U2_C06.indd 96 01/12/2017 16:59:27</p><p>obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato,</p><p>que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma</p><p>de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das</p><p>sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades</p><p>em rostos. Você pode observar isso na Figura 2.</p><p>Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando</p><p>a técnica sfumato.</p><p>Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com.</p><p>Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási-</p><p>cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz</p><p>para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses</p><p>efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo,</p><p>com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraram cenas</p><p>97Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 97 01/12/2017 16:59:28</p><p>muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o</p><p>uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604).</p><p>Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com.</p><p>Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar</p><p>um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a</p><p>volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais.</p><p>Luz</p><p>O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini-</p><p>ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz</p><p>Luz e sombra98</p><p>DA_U2_C06.indd 98 01/12/2017 16:59:29</p><p>natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma</p><p>combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas.</p><p>Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras</p><p>ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso</p><p>de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no</p><p>ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação</p><p>casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito</p><p>pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode</p><p>observar exemplos de luz forte e luz difusa.</p><p>Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 52).</p><p>A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz</p><p>artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes.</p><p>A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de</p><p>luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos.</p><p>Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre</p><p>objetos.</p><p>99Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 99 01/12/2017 16:59:30</p><p>Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 53).</p><p>Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é</p><p>importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho,</p><p>mais iluminada seja a parte clara.</p><p>Luz e sombra100</p><p>DA_U2_C06.indd 100 01/12/2017 16:59:31</p><p>Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de</p><p>luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção</p><p>que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos</p><p>que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente.</p><p>Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado.</p><p>Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para</p><p>valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a</p><p>borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6.</p><p>Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais</p><p>claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo</p><p>de iluminação.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 122).</p><p>101Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 101 01/12/2017 16:59:33</p><p>Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão</p><p>gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super-</p><p>fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão</p><p>da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está</p><p>iluminada por um degrade feito com lápis.</p><p>Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior</p><p>e à esquerda do objeto.</p><p>Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com.</p><p>Sombras</p><p>As</p><p>sombras são a representação do efeito que a iluminação gera sobre os</p><p>objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação</p><p>de profundidade.</p><p>Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as</p><p>sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias</p><p>faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos.</p><p>As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras</p><p>faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes.</p><p>Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como</p><p>reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência</p><p>de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe</p><p>a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho.</p><p>Luz e sombra102</p><p>DA_U2_C06.indd 102 01/12/2017 16:59:35</p><p>Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas</p><p>são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta</p><p>deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a</p><p>zona clara e a sombra própria do objeto.</p><p>A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena,</p><p>os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser</p><p>avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode</p><p>ver exemplos de luz e sombra.</p><p>Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de</p><p>desenho para reprodução).</p><p>Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge-</p><p>ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso.</p><p>Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação</p><p>das sombras.</p><p>103Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 103 01/12/2017 16:59:36</p><p>Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção</p><p>da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos</p><p>e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento</p><p>das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será</p><p>uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos</p><p>e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível</p><p>analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos.</p><p>As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas</p><p>e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também</p><p>ser feitas com movimentos circulares contínuos.</p><p>Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam</p><p>rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os</p><p>dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar</p><p>auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize</p><p>algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo</p><p>da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total.</p><p>Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o</p><p>desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man-</p><p>chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias</p><p>tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve</p><p>ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas</p><p>Figuras 9, 10 e 11.</p><p>Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra</p><p>própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas</p><p>para uma maior uniformidade.</p><p>Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com.</p><p>Luz e sombra104</p><p>DA_U2_C06.indd 104 01/12/2017 16:59:37</p><p>Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos</p><p>encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra,</p><p>pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz.</p><p>Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de</p><p>hachuras.</p><p>Fonte: Risovanna/Shutterstock.com.</p><p>Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho</p><p>bastante expressivo.</p><p>Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com.</p><p>105Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 105 01/12/2017 16:59:38</p><p>A utilização de luz e sombra nos desenhos de arquitetura é indispensável,</p><p>pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades,</p><p>além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem</p><p>como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre</p><p>claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais</p><p>adequados para cada um.</p><p>1. Luz e sombra são elementos</p><p>considerados técnicas:</p><p>a) opcionais, inseridos conforme</p><p>a necessidade estética da</p><p>imagem a ser construída.</p><p>b) estruturais, pois é a partir do seu</p><p>uso que a ideia inicial do projeto</p><p>é representada graficamente.</p><p>c) essenciais, uma vez que é a</p><p>partir de seu uso que é possível</p><p>simular profundidade e compor</p><p>as imagens de modo realista.</p><p>d) ultrapassadas, pois não</p><p>permitem que os objetos</p><p>sejam dimensionados.</p><p>e) opcionais, pois é a partir de seu</p><p>uso que a ideia inicial do projeto</p><p>é representada graficamente.</p><p>2. Ao iniciar a representação</p><p>da luz em uma imagem,</p><p>devemos iniciar pela:</p><p>a) representação da claridade,</p><p>utilizando a borracha para</p><p>intensificar a clareza do foco de luz.</p><p>b) definição dos pontos de origem</p><p>da fonte de luz, possibilitando</p><p>definir os ângulos de</p><p>representação da luminosidade.</p><p>c) representação das sombras</p><p>entorno dos objetos.</p><p>d) definição de intensidade e</p><p>tonalidades escuras, que serão</p><p>utilizadas na representação</p><p>da luminosidade.</p><p>e) escolha da escala de</p><p>representação das sombras e</p><p>definição do único foco de luz.</p><p>3. Preencha as lacunas da seguinte</p><p>frase: A luminosidade natural</p><p>é representada __________,</p><p>enquanto a luminosidade</p><p>artificial é _____________.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>as opções corretas.</p><p>a) de modo difuso – representada</p><p>também de modo difuso,</p><p>porém com mais suavidade.</p><p>b) de modo focado – de</p><p>modo difuso.</p><p>c) de modo predominantemente</p><p>focado – de modo</p><p>completamente focal.</p><p>d) de modo focado –</p><p>representada também de</p><p>modo difuso, porém com</p><p>maior intensidade.</p><p>e) de modo predominantemente</p><p>difuso – de modo focado.</p><p>4. Sobre o sombreamento, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) É a técnica considerada</p><p>padrão-ouro para</p><p>representação fidedigna das</p><p>dimensões do desenho.</p><p>Luz e sombra106</p><p>DA_U2_C06.indd 106 01/12/2017 16:59:38</p><p>b) É o resultado da incidência da</p><p>luz sobre os objetos, sendo</p><p>representado pela luminosidade</p><p>a partir do uso da cor branca.</p><p>c) É a única técnica existente</p><p>para representar volumetrias</p><p>e dimensões em uma figura.</p><p>d) É uma técnica que pode</p><p>ser expressa tanto pela</p><p>sombra projetada como pela</p><p>sombra própria do objeto.</p><p>e) É a região de transição do</p><p>desenho, em que são</p><p>utilizados os tons mais</p><p>escuros.</p><p>5. A sombra pode ser representada por</p><p>quais tipos de técnicas?</p><p>a) Hachuras e esfumados.</p><p>b) Uso da borracha nas zonas claras,</p><p>destacando a luminosidade</p><p>que se deseja representar.</p><p>c) Pontilhismo hachurado.</p><p>d) Sobreposição de manchas</p><p>com uso de lápis coloridos</p><p>aquareláveis.</p><p>e) Pontilhamento paralelo.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-</p><p>gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http://</p><p>lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-</p><p>-cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017.</p><p>PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www.</p><p>infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>107Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 107 01/12/2017 16:59:38</p><p>http://lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-</p><p>http://infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Composição: noções básicas</p><p>e conceitos fundamentais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Interpretar uma composição por meio dos elementos compositivos</p><p>linha, superfície e volume.</p><p>� Diferenciar as relações formais ao analisar uma composição.</p><p>� Identificar as relações espaço-formais na leitura de composições.</p><p>Introdução</p><p>Os elementos compositivos visuais e formais, ou simplesmente formas, estão</p><p>presentes em composições de qualquer natureza, seja arquitetônica, artística</p><p>ou de design. A escolha dos elementos visuais e sua ordenação no espaço</p><p>compositivo qualificam uma boa composição do ponto de vista formal.</p><p>Neste capítulo, você irá estudar o que é uma composição e seus</p><p>aspectos construtivos, por meio dos elementos compositivos da lin-</p><p>guagem visual.</p><p>Composição e elementos compositivos</p><p>Você sabe o que é uma composição? Composição, segundo o dicionário Pri-</p><p>beram, é o todo, proveniente da reunião de partes ou o modo de reunir partes</p><p>para formar um todo (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013).</p><p>A Figura 1 ilustrando uma paisagem nevada, com um chalé e árvores, é</p><p>uma composição, é o todo. Esse todo é composto pelo chão nevado, pelo céu,</p><p>pelas árvores e pelo chalé. O chão, o céu, as árvores e o chalé são os elementos</p><p>que compõe o todo da paisagem.</p><p>DA_U3_C07.indd 109 01/12/2017 16:59:56</p><p>Figura 1. Paisagem nevada.</p><p>Fonte: Dmitry Savin/Shutterstock.com.</p><p>Ao transcrever elementos que compõe a paisagem para elementos de</p><p>uma composição artística, cada parte que compõe o todo é chamada de ele-</p><p>mento compositivo ou forma ou, ainda, elemento visual. Na Figura 2, você</p><p>pode observar a tradução das partes que formam a paisagem em elementos</p><p>compositivos.</p><p>Figura 2. Elementos compositivos da paisagem.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais110</p><p>DA_U3_C07.indd 110 01/12/2017 17:00:03</p><p>O tronco das árvores são as linhas, o chalé é um volume e as paredes e o</p><p>telhado do chalé são as superfícies. Na verdade, pode-se dizer que os elementos</p><p>compositivos compõem todas as coisas e, se observarmos bem, eles podem</p><p>ser percebidos em tudo aquilo que nos rodeia!</p><p>Linha, superfície e volume</p><p>Segundo a autora Fayga Ostrower (2003) os elementos compositivos da lin-</p><p>guagem visual (veja a Figura 3) são cinco:</p><p>� linha;</p><p>� superfície;</p><p>� volume;</p><p>� luz;</p><p>� cor.</p><p>Figura 3. Elementos compositivos.</p><p>Você vai conhecer, a seguir, três desses elementos: a linha, a superfície</p><p>e o volume.</p><p>Linha</p><p>Conforme Ostrower (2003), a linha é um elemento unidirecional, ou seja,</p><p>possui uma só dimensão: o comprimento. Observe o exemplo da Figura 4.</p><p>111Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 111 01/12/2017 17:00:04</p><p>Figura 4. Linha.</p><p>De acordo com o autor Wucius Wong (2010), as formas enquanto linhas podem</p><p>ser classificadas em: geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras:</p><p>� Geométricas: construídas matematicamente.</p><p>� Orgânicas: com curvas livres e fluidas.</p><p>� Retilíneas: linhas retas que não se relacionam matematicamente.</p><p>� Irregulares: associação de linhas retas e curvas que não se relacionam</p><p>matematicamente.</p><p>Observe os modelos de classificação das linhas na Figura 5.</p><p>Figura 5. Tipos de linhas.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais112</p><p>DA_U3_C07.indd 112 01/12/2017 17:00:05</p><p>Superfície</p><p>Conforme Ostrower (2003), a superfície é um elemento determinado pela</p><p>junção de diferentes linhas ou pela mudança de direção de uma linha reta ou</p><p>curva, conforme apresentado na Figura 6. A superfície possui duas dimensões,</p><p>a altura e o comprimento.</p><p>Figura 6. Superfície.</p><p>Segundo Wong (2010), as formas enquanto superfícies também podem ser</p><p>classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas e irregulares, entre outras,</p><p>como você pode ver na Figura 7.</p><p>Figura 7. Tipos de superfície.</p><p>113Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 113 01/12/2017 17:00:07</p><p>Ostrower (2003), por sua vez, classifica as superfícies de acordo com o as-</p><p>pecto de suas margens em fechadas ou abertas, como representado na Figura 8.</p><p>Figura 8. Classificação das superfícies de acordo com as margens.</p><p>Volume</p><p>O volume é um elemento formado pelo agrupamento das superfícies, de acordo</p><p>com o autor Christian Leborg (2015), e caracteriza-se por três dimensões:</p><p>largura, altura e profundidade. Observe o exemplo na Figura 9.</p><p>Figura 9. Volume.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais114</p><p>DA_U3_C07.indd 114 01/12/2017 17:00:08</p><p>Segundo Wong (2010), as formas enquanto volumes também podem ser</p><p>classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras, como</p><p>demonstrado na Figura 10.</p><p>Figura 10. Classificação do volume.</p><p>Relações formais</p><p>As relações formais descrevem as características dos elementos compositivos</p><p>presentes, dispostos e combinados na composição: quantos são, quais são, são</p><p>grandes ou pequenos, e assim por diante.</p><p>Semelhanças e diferenças</p><p>Ostrower (2003) observa a relação entre os elementos de composição por</p><p>meio de semelhanças e diferenças de forma, tamanho, proporção, orientação</p><p>e posição, como representado na Figura 11. Algumas diferenças são mais</p><p>facilmente identificadas, como as de forma e tamanho.</p><p>115Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 115 01/12/2017 17:00:08</p><p>Figura 11. Relações formais.</p><p>Ritmo e contraste</p><p>Ostrower (2003) também indica que as semelhanças entre os elementos com-</p><p>positivos podem originar os ritmos, e as diferenças, os contrastes.</p><p>Os ritmos são constituídos por semelhanças repetidas e organizadas. Já os</p><p>contrastes se encontram em grandes diferenças, conforme você pode observar</p><p>na Figura 12.</p><p>Figura 12. Ritmo e contraste.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais116</p><p>DA_U3_C07.indd 116 01/12/2017 17:00:09</p><p>Para haver ritmo em uma composição você precisa se imaginar “dançando” ela. Em</p><p>um ritmo de repetição você dançaria um passo para a direita e outro para a esquerda,</p><p>conforme representação da Figura 13.</p><p>Figura 13. Exemplo de ritmo de repetição.</p><p>Em um ritmo alternado, você poderia dançar um passo atrás e dois para frente,</p><p>como exemplificado na Figura 14.</p><p>Figura 14. Exemplo de ritmo alternado.</p><p>Em um ritmo decrescente, você pode se imaginar dançando cada vez mais len-</p><p>tamente, até a música acabar, como representado na Figura 15. No ritmo crescente,</p><p>acontece o contrário.</p><p>Figura 15. Exemplo de ritmo decrescente.</p><p>Já para haver contraste em uma composição, ela deve ter o efeito “uau” no espec-</p><p>tador, como se ele levasse um susto. Uma pequena diferença não impacta, mas uma</p><p>grande, sim (veja a Figura 16).</p><p>(a) (b)</p><p>Figura 16. (a) Pequena diferença. (b) Contraste.</p><p>Fonte: Eric Isselee/Shutterstock.com.</p><p>117Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 117 01/12/2017 17:00:12</p><p>Relações espaço-formais</p><p>São as relações entre os elementos compositivos e o espaço de composição</p><p>em que estão inseridos.</p><p>Orientação espacial</p><p>A orientação espacial refere-se ao peso visual dos elementos de composição</p><p>no espaço. Ostrower (2003) entende que linhas</p><p>pesam menos que superfícies,</p><p>superfícies pesam menos que volumes, assim como formas orgânicas pesam</p><p>menos que formas geométricas.</p><p>Segundo o autor Rudolph Arnheim (2000), a parte inferior do espaço de</p><p>composição recebe melhor os elementos compositivos mais pesados, assim</p><p>como a lateral esquerda. Por isso, o peso visual dos elementos compositivos</p><p>define a orientação espacial. Observe a ilustração da Figura 17.</p><p>Figura 17. Relação espaço-formais.</p><p>Equilíbrio de simetria</p><p>Conforme Ostrower (2003), a simetria ocorre quando em um eixo imaginário</p><p>horizontal, vertical ou diagonal pode-se observar o efeito de espelhamento</p><p>entre os elementos da composição. No equilíbrio de simetria, a orientação</p><p>espacial também é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja</p><p>a exemplificação disso na Figura 18.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais118</p><p>DA_U3_C07.indd 118 01/12/2017 17:00:14</p><p>Figura 18. Equilíbrio de simetria.</p><p>A simetria perfeita, continua a autora, acontece quando nos três eixos</p><p>imaginários (horizontal, vertical e diagonal) pode-se observar o efeito de</p><p>espelhamento entre os elementos de composição. Na simetria perfeita, quando</p><p>os elementos compositivos estão centralizados no espaço, pode-se usar qualquer</p><p>orientação espacial, como você pode ver na Figura 19.</p><p>Figura 19. Simetria perfeita.</p><p>119Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 119 01/12/2017 17:00:15</p><p>Equilíbrio de assimetria</p><p>A assimetria ocorre quando em nenhum dos eixos imaginários (horizontal,</p><p>vertical e diagonal) é possível observar o efeito de espelhamento entre os</p><p>elementos de composição. No equilíbrio de assimetria, a orientação espacial</p><p>sempre é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja o exemplo</p><p>da Figura 20.</p><p>Figura 20. Equilíbrio de assimetria.</p><p>Movimento visual</p><p>Movimento visual, de acordo com a definição de Ostrower (2003), é a capa-</p><p>cidade que os elementos visuais obtêm, pela sua ordenação, de fazer com que</p><p>os olhos do espectador percorram uma grande parte do espaço compositivo.</p><p>Observe um exemplo na Figura 21.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais120</p><p>DA_U3_C07.indd 120 01/12/2017 17:00:16</p><p>Figura 21. Movimento visual.</p><p>Os elementos compositivos, suas relações formais e espaço-formais nos dão</p><p>uma compreensão racional e material de composição. Eles tornam o espaço</p><p>compositivo organizado, formalmente rico e atraente aos olhos, prendendo a</p><p>atenção do espectador.</p><p>121Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 121 01/12/2017 17:00:16</p><p>ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. 13. ed. São Paulo: Pioneira, 2000.</p><p>LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: GG BRASIL, 2015.</p><p>OSTROWER, F. Universos da arte. 32. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.</p><p>PRIBERAM DICIONÁRIO. Com.po.si.ção. [S.l.]: Priberam Informática, c2013. Disponível</p><p>em: <https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 28</p><p>nov. 2017.</p><p>WONG, W. Princípios de forma e desenho. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.</p><p>ZATTERA, I. G. Comunicação visual e ilustração: análise da imagem na capa de livro</p><p>de literatura de fantasia. 2016. Monografia (Bacharelado)–Universidade de Caxias do</p><p>Sul, Caxias do Sul, 2016.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CHING, F. Arquitetura: forma, espaço e ordem. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CHING, F.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais124</p><p>DA_U3_C07.indd 124 01/12/2017 17:00:36</p><p>https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o</p><p>DESENHO DE</p><p>PERSPECTIVA</p><p>Gabriela Cortes</p><p>Austria</p><p>Desenho em perspectiva:</p><p>principais técnicas utilizadas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer os principais tipos de representação no desenho em</p><p>perspectivas.</p><p>� Identificar as técnicas e os métodos de desenho utilizados para re-</p><p>presentar as perspectivas.</p><p>� Analisar a aplicabilidade de cada tipo de perspectiva.</p><p>Introdução</p><p>Para melhor representar os espaços, muitas técnicas foram desenvolvidas</p><p>no desenho ao longo do tempo, sendo a perspectiva uma delas, a qual</p><p>pode ser entendida como a representação de um espaço ou um objeto</p><p>de forma tridimensional. O desenho em perspectiva permite que as três</p><p>dimensões (largura, altura e profundidade) possam ser reproduzidas em</p><p>apenas duas dimensões, por exemplo, quando desenhadas em uma</p><p>folha de papel. Assim, o desenho possibilita a percepção e compreensão</p><p>tridimensional da realidade.</p><p>Neste capítulo, você conhecerá as possibilidades de representação</p><p>de perspectivas, os diferentes métodos utilizados e quando podem ser</p><p>aplicadas essas técnicas.</p><p>Tipos de representação no desenho em</p><p>perspectivas</p><p>Os tipos de representação no desenho em perspectivas estão relacionados</p><p>aos métodos de projeção utilizados, os quais resultam em diferentes efeitos.</p><p>Dependendo do tipo de representação, é possível exaltar ou ocultar caracte-</p><p>rísticas do desenho — seja este um espaço, edifício ou objeto —, pois cada</p><p>perspectiva contém as suas particularidades. A sua escolha está atrelada à</p><p>intenção visual que se deseja passar ao observador do desenho.</p><p>A diferença entre os diversos métodos de projeção depende da forma</p><p>como o objeto tridimensional está projetado em relação a um plano de pro-</p><p>jeção (bidimensional), um plano imaginário que também pode ser chamado</p><p>de plano do desenho. Para projetar o objeto em relação a esse plano, Ching</p><p>(2012, p. 119) define que o seu processo de representação deve ser realizado</p><p>“por meio da extensão de todos os seus pontos nas retas, chamadas de linhas</p><p>de projeção, a um plano do desenho”. Para que você compreenda melhor esse</p><p>processo de projeção de um objeto em um plano, veja a Figura 1.</p><p>Figura 1. Exemplo de um objeto sendo projetado por meio das linhas de projeção em um</p><p>plano de projeção (ou plano do desenho).</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002, p. 157).</p><p>Portanto, se o objeto estiver rotacionado ou posicionado de uma forma</p><p>diferente da que você viu na Figura 1, a perspectiva terá um tipo de classifica-</p><p>ção diferente. Para compreender os tipos de posicionamento desse objeto em</p><p>relação ao plano de projeção, é necessário conhecer os métodos de projeção</p><p>existentes, os quais estão separados em dois grandes grupos: projeção paralela</p><p>(ou cilíndrica) e projeção cônica (GIESECKE et al., 2002). Observe, a seguir,</p><p>a definição de cada um desses métodos.</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas2</p><p>Projeção paralela (ou cilíndrica)</p><p>As linhas de projeção (ou retas projetivas) estão paralelas entre si, partem</p><p>de um observador que está localizado no infinito e podem estar oblíquas ou</p><p>perpendiculares ao plano de projeção. Dentro desse grupo, estão a projeção</p><p>ortogonal e a oblíqua (CHING, 2017), as quais você verá a seguir.</p><p>Projeção ortogonal</p><p>As linhas de projeção estão paralelas entre si, mas perpendiculares em relação</p><p>ao plano de projeção. Pertencem a esse grupo os desenhos de vistas múltiplas,</p><p>nos quais uma das faces é paralela ao plano de projeção (Figura 2), gerando</p><p>as vistas ortográficas (porém, esse assunto não será abordado); e as projeções</p><p>axonométricas, que podem ser isométrica, dimétrica ou trimétrica — como</p><p>você visualizará na Figura 3 (CHING, 2012).</p><p>Figura 2. Exemplo de projeção ortogonal em relação ao plano de projeção (ou plano do</p><p>desenho).</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 30).</p><p>Segundo Ching (2017, p. 30), “[...] a projeção axonométrica é um caso especial de</p><p>projeção ortogonal”.</p><p>3Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>� Isométrica: representa as três faces do objeto com a mesma importância</p><p>e proporções, pois sofrem a mesma redução e contam com três ângulos</p><p>iguais entre si em relação ao plano de projeção (120º) (CHING, 2012).</p><p>Esse tipo de perspectiva é mais utilizado em desenhos de arquitetura</p><p>em comparação aos dois seguintes.</p><p>� Dimétrica: é representada</p><p>com dois ângulos iguais e um diferente em</p><p>relação ao plano de projeção, o qual pode ser maior ou menor que os</p><p>demais ângulos (CHING, 2012).</p><p>� Trimétrica: é representada com três ângulos diferentes entre si em</p><p>relação ao plano de projeção (CHING, 2012).</p><p>Figura 3. Projeções ortogonais axonométricas. a) Isométrica. b) Dimétrica. c) Trimétrica.</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2011, p. 157).</p><p>Projeção oblíqua</p><p>As linhas de projeção estão paralelas entre si, mas oblíquas em relação ao</p><p>plano de projeção. Pertencem a esse grupo as perspectivas cavaleira (elevação</p><p>oblíqua) e militar (planta oblíqua) (CHING, 2012). Observe um exemplo de</p><p>projeção oblíqua na Figura 4.</p><p>Figura 4. Exemplo de projeção oblíqua em relação ao plano de projeção (ou plano do</p><p>desenho).</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 30).</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas4</p><p>� Cavaleira (elevação oblíqua): uma das faces do objeto está paralela</p><p>ao plano de projeção e, geralmente, tem mais importância. Ela deve</p><p>ser uma das elevações (face vertical) e é representada em verdadeira</p><p>grandeza (VG). Esse tipo de perspectiva não é tão realístico, pois a</p><p>profundidade está distorcida, sendo representada por meio de linhas</p><p>paralelas entre si, com determinado ângulo em relação a uma linha</p><p>horizontal (GIESECKE et al., 2011). Na profundidade, é utilizado um</p><p>fator de redução para que a perspectiva não pareça tão distorcida, o qual</p><p>dependerá do ângulo — que pode ser variado, em geral de 30º, 45º e 60º</p><p>(facilmente encontrados nos esquadros), e demonstrar diferentes faces</p><p>do objeto (por exemplo, face superior e lateral direita, face inferior e</p><p>lateral esquerda) (GIESECKE et al., 2002). Na Figura 5, você visualizará</p><p>um exemplo da perspectiva cavaleira.</p><p>Figura 5. Exemplo de perspectiva cavaleira (face frontal paralela ao plano de projeção).</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 206).</p><p>� Militar (planta oblíqua): uma das faces está paralela ao plano de</p><p>projeção, porém, trata-se de uma face do plano horizontal (planta ou</p><p>cobertura). Ela também estará representada em VG, e as demais ficarão</p><p>distorcidas (CHING, 2012). Você verá um exemplo dessa perspectiva</p><p>na Figura 6.</p><p>5Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Figura 6. Exemplo de perspectiva militar (planta paralela ao plano de projeção).</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 208).</p><p>Projeções cônicas</p><p>Referem-se a um tipo de projeção em formato de cone (observe na Figura 7).</p><p>Nesse tipo de projeção, as linhas de projeção (ou retas projetivas) convergem</p><p>a partir dos olhos de um observador que está localizado em um ponto finito,</p><p>passando pelo objeto até o plano de projeção (desde o olho do observador até</p><p>o plano de projeção forma-se um cone) (GIESECKE et al., 2002).</p><p>Essas projeções são as que mais se aproximam da visão do olho humano e</p><p>sempre conterão pontos de fuga (PF), podendo gerar perspectivas cônicas de</p><p>um, dois ou três PF, como você verá na Figura 8 (CHING, 2017). Os elementos</p><p>existentes em toda e qualquer perspectiva cônica são: linha do horizonte (LH)</p><p>(representa uma linha horizontal do nível dos olhos do observador); linhas de</p><p>fuga (todas as linhas da imagem que convergem para os PF); e PF (posicionados</p><p>na LH, nos quais todas as linhas paralelas de um objeto convergem quando</p><p>vistas em perspectiva).</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas6</p><p>Figura 7. Exemplo de projeção cônica em relação ao plano de projeção (ou plano do</p><p>desenho).</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 30).</p><p>■ Um PF: vê-se uma face frontal, já as demais convergem em direção</p><p>ao PF (CHING, 2017).</p><p>■ Dois PF: não se vê nenhuma face exatamente de frente, em geral,</p><p>são colocadas nas extremidades da LH. Apenas a altura aparece</p><p>com linhas verticais no desenho, as demais são linhas de fuga que</p><p>convergem para os PF (CHING, 2017).</p><p>■ Três PF: não há nenhuma linha vertical ou horizontal, todas são</p><p>linhas de fuga, inclusive a que está relacionada à altura dos objetos</p><p>(CHING, 2017).</p><p>Figura 8. Exemplo de projeção cônica. a) Um ponto de fuga. b) Dois pontos de fuga. c)</p><p>Três pontos de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 31).</p><p>7Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Agora que você já estudou os métodos de projeção e os tipos de perspectiva</p><p>geradas por eles, veja o esquema simplificado dessas relações na Figura 9.</p><p>Figura 9. Esquema que relaciona os métodos de projeção aos tipos de perspectiva.</p><p>Técnicas e métodos de desenho em perspectivas</p><p>Para utilizar as diferentes técnicas do desenho em perspectiva, é importante</p><p>compreender o seu processo e as suas etapas. Nem todas as técnicas serão</p><p>abordadas neste capítulo, porém, você estudará os tipos de perspectiva mais</p><p>utilizados na arquitetura.</p><p>Isométrica</p><p>Inicia-se o desenho a partir de uma linha horizontal sobre um plano e, em</p><p>seguida, traça-se um eixo vertical, formando um ângulo de 90º com essa</p><p>linha. A partir desse cruzamento, o esquadro com ângulo de 30º será apoiado</p><p>na régua paralela, traçando uma reta com esse ângulo para o lado direito, e</p><p>outra para o esquerdo. Você verá o exemplo de como iniciar uma perspectiva</p><p>isométrica com os ângulos corretos na Figura 10.</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas8</p><p>Figura 10. Como iniciar uma perspectiva isométrica com o uso de esquadros.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 94).</p><p>Perceba que os ângulos de 120º, característicos desse tipo de perspectiva, já</p><p>estão presentes. Para desenhá-la, é preciso compreender os três eixos existentes,</p><p>nos quais o ângulo de 30º formado com a linha horizontal fornece uma face</p><p>lateral ou frontal da futura perspectiva, e o eixo vertical está relacionado à</p><p>sua altura. Depois, risca-se em escala os comprimentos das linhas paralelas</p><p>em cima dos três eixos principais e desenha-se nessa escala (CHING, 2017).</p><p>Veja a Figura 11 para compreender esse processo.</p><p>Figura 11. Marcação dos comprimentos das linhas paralelas aos eixos principais na pers-</p><p>pectiva isométrica.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 94).</p><p>9Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Um método utilizado para facilitar o desenho de um objeto em perspectiva isométrica</p><p>é criar uma caixa envolvente isométrica e desenhar o objeto e seus detalhes dentro</p><p>dessa caixa (GIESECKE et al., 2002).</p><p>Cavaleira (elevação oblíqua)</p><p>Inicia-se o desenho a partir da vista frontal, de maior importância, que deverá</p><p>ser desenhada em VG (ver Figura 12a). Em seguida, define-se as faces que</p><p>aparecerão na profundidade (lateral esquerda e superior, lateral direita e</p><p>superior, lateral esquerda e inferior ou lateral direita e inferior) — você verá</p><p>na Figura 13 todas as suas possibilidades de composição. Então, desenha-se a</p><p>profundidade no ângulo desejado de 30º, 45º ou 60º (ângulos dos esquadros)</p><p>(ver Figura 12b), com o devido fator de redução para que a composição da</p><p>perspectiva fique mais “agradável”, perceptível aos olhos e menos deformada</p><p>(ver Figura 14). Por fim, as linhas de contorno do desenho são reforçadas; e a</p><p>perspectiva cavaleira, finalizada — como você verá na Figura 12c (GIESECKE</p><p>et al., 2002). Em geral, quanto maior for o ângulo de inclinação utilizado nessa</p><p>perspectiva, maior será a redução da sua profundidade, tornando o desenho</p><p>mais proporcional.</p><p>Figura 12. Perspectiva cavaleira e seu processo de construção. a) Vista frontal. b) Profun-</p><p>didade com face lateral direita e superior. c) Desenho finalizado.</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002, p. 170).</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas10</p><p>Figura 13. Perspectiva cavaleira e suas diferentes faces que podem ser apresentadas.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 170).</p><p>Figura 14. Perspectiva cavaleira com sequência de reduções da profundidade.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 170).</p><p>Na perspectiva cavaleira, os objetos que contêm formas circulares ou outros detalhes</p><p>são facilmente desenhados quando estão paralelos à vista frontal (GIESECKE et al., 2002).</p><p>11Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Militar (planta oblíqua)</p><p>Antes de iniciar o desenho, é necessário selecionar a</p><p>face horizontal de maior</p><p>importância (da planta ou da cobertura) que será desenhada em VG — di-</p><p>mensões reais. Em um segundo momento, define-se uma linha horizontal</p><p>sobre a qual será definido o ângulo de rotação do desenho, 45º e 45º ou 30º</p><p>e 60º, você verá um exemplo na Figura 15a. Depois, são elevadas as linhas</p><p>referentes à altura da perspectiva, porém, aplica-se o fator de redução de 1/3,</p><p>independentemente do ângulo de rotação utilizado (ver Figura 15b). Por fim,</p><p>são traçadas as linhas da altura e as demais linhas para completar o desenho</p><p>da perspectiva, como você verá na Figura 15c.</p><p>Figura 15. Perspectiva militar e seu processo de construção. a) Base em verdadeira grandeza.</p><p>b) Altura com redução de 1/3. c) Desenho finalizado.</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002, p. 170).</p><p>Um ponto de fuga</p><p>Cria-se a LH e define-se a localização do PF sobre ela, o qual é, geralmente,</p><p>mais centralizado. Em seguida, define-se a face frontal que será visualizada</p><p>pelo observador. Linhas verticais demonstram a altura, já linhas horizontais</p><p>demonstram a largura, sendo que o comprimento deve convergir para o PF</p><p>com linhas de fuga. Você verá um exemplo na Figura 16.</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas12</p><p>Figura 16. Exemplo de perspectiva com um ponto de fuga e os demais elementos.</p><p>Fonte: adaptada de Ching (2017, p. 31).</p><p>Dois pontos de fuga</p><p>É criada a LH e define-se a localização dos PF 1 e PF 2 sobre ela, que, nesse</p><p>caso, são colocados em pontos extremos um em relação ao outro, pois a pers-</p><p>pectiva será desenhada entre eles (o mais comum de ocorrer). Em seguida,</p><p>inicia-se o desenho da perspectiva no qual linhas verticais demonstram largura</p><p>e comprimento, convergindo para os PF por meio de linhas de fuga. Veja um</p><p>exemplo dessa perspectiva na Figura 17.</p><p>Figura 17. Exemplo de perspectiva com dois pontos de fuga e os demais elementos.</p><p>Fonte: adaptada de Ching (2017, p. 31).</p><p>Três pontos de fuga</p><p>Inicialmente, é criada a LH e define-se a localização dos PF 1 e PF 2 sobre</p><p>ela, que, em geral, são colocados em pontos extremos um em relação ao outro.</p><p>Em seguida, define-se o PF 3, no qual convergirão as linhas referentes à altura</p><p>da perspectiva, bem acima da LH ou bem abaixo dela, para que não sofram</p><p>tanta deformação. Por fim, inicia-se o desenho da perspectiva no qual linhas</p><p>de altura convergirão para o PF 2, já largura e comprimento deverão convergir</p><p>para os PF 1 e 2. Você verá um exemplo na Figura 18.</p><p>13Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Figura 18. Exemplo de perspectiva com três pontos de fuga (P, Q e R).</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 174).</p><p>Aplicação dos diferentes tipos de perspectivas</p><p>Há inúmeras aplicabilidades das perspectivas no dia a dia, e sua principal</p><p>ideia é comunicar algo por meio do desenho. Cada tipo de perspectiva for-</p><p>nece informações diferentes, mas igualmente importantes, por isso, torna-se</p><p>importante compreender todas elas e suas possíveis aplicações.</p><p>Cada sistema pictórico de representação fornece um modo alternativo de</p><p>representar e pensar sobre o que vemos à nossa frente ou imaginamos em</p><p>nossas mentes. A escolha de um sistema de desenho específico influencia</p><p>como vemos a imagem gráfica final, estabelece quais questões de projeto</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas14</p><p>estão visíveis para avaliação e estudo, e indica como tendemos a pensar</p><p>sobre o tema do desenho. Portanto, ao escolhermos um sistema de desenho,</p><p>estamos fazendo escolhas conscientes e inconscientes sobre o que mostrar e</p><p>o que ocultar (CHING, 2017, p. 40).</p><p>As perspectivas de esboço realizadas à mão podem comunicar ideias de</p><p>projeto a um cliente e iniciar o seu processo de pensamento. Elas também</p><p>podem servir de estudo de um contexto em que se está pensando em inserir um</p><p>objeto ou projeto, no qual faz-se o desenho da ambientação ou espacialidade</p><p>do lugar. Esse tipo de perspectiva rápida é de grande utilidade para momentos</p><p>de expressão de ideias de projeto que vêm à mente e para a tomada de decisão</p><p>de um partido de projeto. Veja um exemplo na Figura 19.</p><p>Figura 19. Exemplo de perspectiva de estudo de espacialidade com um ponto de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 239).</p><p>As perspectivas paralelas são de maior simplicidade e fáceis de compre-</p><p>ender. Segundo Ching (2017, p. 40), “essas vistas combinam a representação</p><p>em escala de desenhos de vista múltipla com a natureza pictórica e fácil de</p><p>entender das perspectivas”. Em geral, esse tipo de perspectiva é utilizado em</p><p>manuais técnicos de montagem de móveis (ver Figura 20), por exemplo, nos</p><p>quais é necessário passar as informações de forma bastante clara e precisa,</p><p>além de um desenho simples e acessível a qualquer usuário. A perspectiva</p><p>isométrica demonstra todas as faces igualmente, o que faz o processo de</p><p>montagem ser compreendido como um todo.</p><p>15Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Figura 20. Exemplo de perspectiva paralela utilizada em manuais técnicos de montagem</p><p>de móveis.</p><p>Fonte: Picture Store/Shutterstock.com.</p><p>Já as perspectivas cavaleiras são excelentes para demonstrar algum detalhe</p><p>construtivo, no qual a face frontal é muito importante, ocorrendo todos os</p><p>tipos de encaixes, e a profundidade é apenas representada para dar noção</p><p>do espaço, lugar e ambiente no qual está o desenho. Veja um exemplo na</p><p>Figura 21.</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas16</p><p>Figura 21. Exemplo de perspectiva cavaleira demonstrando um corte perspectivado, utili-</p><p>zada para representar os detalhes construtivos e dar noção do ambiente em que se insere.</p><p>As ferramentas digitais conseguem reproduzir ideias em perspectivas</p><p>rapidamente, além de ser possível visualizar as ideias de projeto com diferentes</p><p>pontos de vista. Apesar de ser fácil modificar seus pontos de vista e compre-</p><p>ender a espacialidade, leva-se bastante tempo para montar a ambientação do</p><p>projeto, como você verá na Figura 22.</p><p>17Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>Figura 22. Exemplo de perspectiva cônica criada a partir de software, no qual é possível</p><p>variar os pontos de vista do observador facilmente.</p><p>Os softwares 3d conseguem reproduzir perspectivas em diferentes tipos de projeção,</p><p>como o SketchUp, um dos mais utilizados pelos estudantes de arquitetura e engenharia,</p><p>que pode ser trabalhado com projeções cilíndricas (paralelas) ou perspectivas cônicas.</p><p>1. Os jogos e as animações utilizam</p><p>perspectivas para que os seus</p><p>elementos fiquem mais realísticos</p><p>e interessantes aos usuários. Na</p><p>imagem, é possível visualizar quatro</p><p>delas, cada uma de um ambiente</p><p>diferente de uma casa, como se</p><p>fosse um jogo, sendo que todos</p><p>eles utilizam o mesmo tipo de</p><p>perspectiva. Você consegue dizer</p><p>qual a perspectiva presente nestes</p><p>desenhos? Relacione qual tipo de</p><p>método de projeção pode gerar</p><p>o correto tipo de perspectiva.</p><p>Fonte: Borodatch/Shutterstock.com</p><p>a) Perspectiva cônica de um</p><p>ponto de fuga (PF).</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas18</p><p>b) Perspectiva cavaleira.</p><p>c) Perspectiva isométrica.</p><p>d) Perspectiva cônica de dois PF.</p><p>e) Perspectiva militar.</p><p>2. Os métodos de projeção no</p><p>desenho podem gerar diferentes</p><p>tipos de perspectivas, as quais são</p><p>utilizadas em situações distintas,</p><p>dependendo da intenção do</p><p>projetista ou da informação que se</p><p>deseja passar. Relacione qual tipo</p><p>de método de projeção pode gerar</p><p>o correto tipo de perspectiva.</p><p>a) Projeção paralela,</p><p>perspectiva de dois PF.</p><p>b) Projeção cônica,</p><p>perspectiva isométrica.</p><p>c) Projeção cônica,</p><p>perspectiva militar.</p><p>d) Projeção paralela,</p><p>perspectiva dimétrica.</p><p>e) Projeção cônica,</p><p>perspectiva cavaleira.</p><p>3. Diariamente, é possível observar</p><p>perspectivas nos ambientes em que</p><p>vivemos, e sabe-se que as cônicas são</p><p>as que mais se aproximam da visão</p><p>humana. A partir das duas fotografias a</p><p>seguir, analise as linhas que convergem</p><p>para os PF e diga quantos PF você</p><p>enxerga nas fotos, respectivamente</p><p>(imagem 1: vista de edifício de</p><p>esquina; imagem 2: vista do</p><p>teto de</p><p>uma edificação, a partir de baixo).</p><p>(1)</p><p>Fonte: Davesimon/Shutterstock.com</p><p>(2)</p><p>Fonte: ESB Professional/Shutterstock.com</p><p>a) Imagem 1: um PF;</p><p>imagem 2: dois PF.</p><p>b) Imagem 1: três PF;</p><p>imagem 2: um PF.</p><p>c) Imagem 1: dois PF;</p><p>imagem 2: três PF.</p><p>d) Imagem 1: três PF;</p><p>imagem 2: dois PF.</p><p>e) Imagem 1: dois PF;</p><p>imagem 2: um PF.</p><p>4. A perspectiva da imagem</p><p>apresentada é gerada a partir de</p><p>uma projeção paralela oblíqua</p><p>do tipo cavaleira (ou elevação</p><p>oblíqua) e, conforme a imagem,</p><p>ela está caracterizada por:</p><p>Fonte: Shmitt Maria/Shutterstock.com; Vector</p><p>FX/Shutterstock.com</p><p>a) uma das faces é paralela ao plano</p><p>de projeção e a profundidade</p><p>tem linhas que convergem</p><p>para um ponto de fuga.</p><p>19Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>b) a planta é paralela ao plano</p><p>de projeção e a profundidade</p><p>também tem linhas paralelas entre</p><p>si, todas com o mesmo ângulo em</p><p>relação a uma linha horizontal.</p><p>c) uma das faces é paralela ao plano</p><p>de projeção e a profundidade</p><p>tem linhas paralelas entre si,</p><p>todas com o mesmo ângulo em</p><p>relação a uma linha horizontal.</p><p>d) as três faces do objeto têm</p><p>a mesma importância, a</p><p>mesma proporção e o mesmo</p><p>ângulo interno de 120º.</p><p>e) as três faces do objeto têm a</p><p>mesma importância e mesma</p><p>proporção, mas têm apenas</p><p>dois ângulos internos iguais.</p><p>5. As perspectivas podem demonstrar</p><p>diferentes faces de um objeto,</p><p>dependendo do posicionamento que</p><p>ele está em um determinado espaço.</p><p>Veja a imagem que demonstra</p><p>como um cubo pode ter diversos</p><p>posicionamentos para enxergar</p><p>suas diferentes faces. Selecione</p><p>a alternativa que representa o</p><p>mesmo método de projeção e o</p><p>tipo de perspectiva do enunciado.</p><p>Fonte: Shmitt Maria/Shutterstock.com; Vector FX/</p><p>Shutterstock.com.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas20</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para Arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CHING, F. D. K. Representação Gráfica em Arquitetura. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>GIESECKE, F. E. et al. Comunicação Gráfica Moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>21Desenho em perspectiva: principais técnicas utilizadas</p><p>GEOMETRIA</p><p>Cristiane da Silva</p><p>Revisão técnica</p><p>Rute Henrique da Silva Ferreira</p><p>Licenciada em Matemática</p><p>Mestre em Educação Matemática</p><p>Doutora em Sensoriamento Remoto</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB -10/2147</p><p>C586g Silva, Cristiane da.</p><p>Geometria / Cristiane da Silva, Viviane Garrido, Aline</p><p>Bento; [revisão técnica: Rute Henrique da Silva Ferreira]. – 2.</p><p>ed. – Porto Alegre: SAGAH, 2018.</p><p>233 p. : il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-346-8</p><p>1. Geometria. I. Garrido, Viviane. II. Bento, Aline. III.Título.</p><p>CDU 514</p><p>NOTA</p><p>As Normas ABNT são protegidas pelos direitos autorais por força da</p><p>legislação nacional e dos acordos, convenções e tratados em vigor, não</p><p>podendo ser reproduzidas no todo ou em parte sem a autorização prévia da</p><p>ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. As Normas ABNT citadas</p><p>nesta obra foram reproduzidas mediante autorização especial da ABNT.</p><p>Perspectivas a sentimento:</p><p>volumes à mão livre</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Determinar a importância do desenho à mão livre.</p><p>Identificar técnicas de desenho.</p><p>Definir proporções e dimensões nos desenhos.</p><p>Introdução</p><p>Neste texto, você vai aprender a importância do desenho à mão livre</p><p>nas mais diversas áreas. Além disso, vai conhecer as técnicas de desenho,</p><p>alguns cuidados importantes ao realizar os trabalhos e, por fim, adquirir</p><p>noções de proporção e dimensões nos desenhos.</p><p>Desenho à mão livre</p><p>-</p><p>Figura 1. Esboço de um projeto de engenharia.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre38</p><p>Figura 2. Fases de construção de um desenho à mão livre.</p><p>Fonte: Silva et al. (2006, p. 62).</p><p>39Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre</p><p>Para você ver mais um exemplo de representação de peças à mão livre, veja a figura</p><p>a seguir:</p><p>Figura 3. Representação de peças à mão livre usando vistas auxiliares.</p><p>Fonte: Silva et al. (2006, p. 62).</p><p>Técnicas de desenho</p><p>linhas</p><p>de construção</p><p>-</p><p>Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre40</p><p>Figura 4. Linhas de construção e desenho em linhas mais fortes.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>Figura 5. Tipos de linhas mais utilizadas em Engenharia.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>41Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre</p><p>Figura 6. Traçando uma linha reta.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>-</p><p>Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre42</p><p>Figura 7. Método da tramela para traçar circunferências.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>-</p><p>Figura 8. Método do quadrado para traçar circunferências.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>-</p><p>43Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre</p><p>Figura 9. Método do retângulo para traçar elipses.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>Proporção e dimensão</p><p>Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre44</p><p>Figura 10. Uso de tramela para auxiliar nas proporções.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>-</p><p>45Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre</p><p>Figura 11. Uso de esquadros para desenhos.</p><p>Fonte: Leake e Borgerson (2015).</p><p>-</p><p>e propor algo inicial.</p><p>Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre46</p><p>Para que você tenha mais próxima a ideia de proporção e dimensão em projetos de</p><p>arquitetura, veja a figura abaixo. Este resultado não seria possível se não levasse em</p><p>consideração essas noções tão importantes que tratamos aqui.</p><p>Fonte: Artazum/Shutterstock.com</p><p>47Perspectivas a sentimento: volumes à mão livre</p><p>Perspectiva com um</p><p>ponto de fuga</p><p>Gabriel Lima Giambastiani</p><p>Perspectiva com um</p><p>ponto de fuga</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir perspectivas cônicas.</p><p> Explicar o funcionamento da perspectiva com um ponto de fuga.</p><p> Construir um desenho em perspectiva com um ponto de fuga.</p><p>Introdução</p><p>No século XV, grandes mestres do Renascimento italiano desenvolve-</p><p>ram e sistematizaram uma técnica de representação da realidade que</p><p>revolucionou a produção artística e técnica a partir de então. Nascia a</p><p>perspectiva cônica, ferramenta utilizada para criar em duas dimensões</p><p>a ilusão das três dimensões que compõem o espaço físico.</p><p>Neste capítulo, você vai conhecer o conceito de perspectiva cônica</p><p>e se aprofundar no estudo de uma delas: a perspectiva cônica com um</p><p>ponto de fuga. Além disso, vai ver o funcionamento da perspectiva com</p><p>um ponto de fuga e os passos necessários para a construção desse tipo</p><p>de desenho.</p><p>1 Perspectivas cônicas</p><p>O desenho é a linguagem dos arquitetos por excelência: é a partir dos registros</p><p>gráfi cos que é expressa tanto a organização diagramática de uma edifi cação</p><p>quanto seu aspecto formal e as relações proporcionais entre os elementos</p><p>arquitetônicos. No entanto, a existência do desenho como ferramenta de tra-</p><p>balho pressupõe a existência e a difusão de técnicas de representação gráfi ca</p><p>que permitam aos profi ssionais a elaboração de tais peças.</p><p>Embora hoje a existência de desenhos arquitetônicos seja vista com natura-</p><p>lidade por todos, foi necessário que, em algum momento, essa linguagem fosse</p><p>inventada. Alfonso Corona Martinez (2000) atribui aos renascentistas, a partir</p><p>do século XV, a separação entre o projeto e a construção, o que levaria, mais</p><p>adiante, ao fato de que, a partir daquele século, o “[...] desenvolvimento da ideia</p><p>do que será projetado se dá através do desenho, utilizando os códigos próprios</p><p>da representação arquitetônica” (GONZAGA, 2017, p. 1). Tal separação entre</p><p>construção e projeto trouxe à arquitetura uma “[...] dignidade intelectual que</p><p>aparece pela primeira vez no livro de Alberti” (MARTINEZ, 2000, p. 15) por</p><p>volta de 1450, possibilitando que os arquitetos renascentistas conquistassem a</p><p>sua independência e dominância sobre os tradicionais grupos de construtores</p><p>(LEFAIVRE; TZONIS, 1984). Sobre a noção de técnica de representação</p><p>e</p><p>autoria de projetos, Pellegrini (2011, p. 42) defende que:</p><p>Ainda que se tenha notícia de registros gráficos [...] desde a Antiguidade, o</p><p>projeto enquanto tradição de representação que conhecemos hoje, começa sua</p><p>história no Renascimento. Até então [...] as edificações iam em boa parte sendo</p><p>definidas durante a construção, em função das determinações de um grande</p><p>grupo de pessoas, que assumiam [...] a sua autoria (PELLEGRINI, 2011, p. 42).</p><p>Dentre as inovações na representação gráfica surgidas no Renascimento,</p><p>cabe destacar a criação de técnicas de representação perspectivada. Segundo</p><p>Mário Gonzaga (2017, p. 2) “O desenvolvimento da perspectiva com pontos de</p><p>fuga, outro produto do Renascimento, permitiu aos arquitetos a visualização</p><p>dos objetos imaginados da maneira que estes seriam percebidos após a constru-</p><p>ção”. Até então, os desenhos que simulavam espaços tridimensionais só eram</p><p>possíveis de serem traçados utilizando elaborados sistemas de grelhas, como</p><p>é possível ver na Figura 1, que apresenta uma gravura do gravador alemão</p><p>Albrecht Dürer (1471–1528), impossibilitando a representação de elementos</p><p>ainda não construídos.</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga2</p><p>Figura 1. A tela do desenhista (1525) — Albrecht Dürer.</p><p>Fonte: Dürer (1525, documento on-line).</p><p>O desenho em perspectiva ou, mais precisamente, em perspectiva cônica,</p><p>pode ser definido como “[...] a arte e ciência de descrever volumes e relações</p><p>espaciais tridimensionais em uma superfície bidimensional por meio de linhas</p><p>que convergem conforme retrocedem na profundidade do desenho” (CHING,</p><p>2012, p. 223). Analisando a definição apresentada por Ching, podemos extrair</p><p>as seguintes informações:</p><p> a perspectiva é ao mesmo tempo arte e ciência, ou uma arte apoiada</p><p>pela ciência;</p><p> a perspectiva trata das relações espaciais entre objetos volumétricos</p><p>no espaço tridimensional;</p><p> a perspectiva permite que tais objetos espaciais sejam descritos por</p><p>meio do desenho para um meio bidimensional, geralmente o papel;</p><p> para criar tal representação, as linhas dos objetos convergem para um</p><p>ou mais pontos conforme ficam mais afastadas do observador.</p><p>Observe na Figura 2 uma foto da Avenida dos Campos Elísios, em Paris,</p><p>onde o ambiente foi projetado de modo a ressaltar o efeito da perspectiva.</p><p>Observe como a linha de luminárias e árvores convergem em direção ao</p><p>arco do triunfo.</p><p>3Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>Figura 2. Avenida dos Campos Elísios, Paris.</p><p>Fonte: Ciclo Vivo (2020, documento on-line).</p><p>O nome “perspectiva cônica” se deve ao funcionamento da visão humana, que percebe</p><p>o espaço ao redor através de um cone de visão, cujo vértice está no olho do observador</p><p>e se abre em direção ao horizonte, ampliando o campo de visão.</p><p>A Figura 3 ilustra o funcionamento desse fenômeno; observe como o campo</p><p>de visão se amplia ao se afastar do observador.</p><p>Figura 3. Cone de visão.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 224).</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga4</p><p>Uma das características que definem a perspectiva cônica, segundo Ching</p><p>(2012), aquela que permite a simulação de objetos tridimensionais em suportes</p><p>bidimensionais, é a diminuição aparente dos objetos afastados. A Figura 4</p><p>demonstra como esse efeito ocorre naturalmente pela sobreposição do cone</p><p>de visão com objetos posicionados em diferentes distâncias. Observe como os</p><p>objetos afastados ocupam proporcionalmente menos espaço no cone de visão</p><p>do observador conforme são afastados.</p><p>Figura 4. Efeito de diminuição dos objetos afastados.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 230).</p><p>Por último, um efeito pictórico inerente à representação perspectivada é o</p><p>escorço, “[...] mudança aparente de forma que ocorre em um objeto à medida</p><p>que ele se afasta do plano do desenho” (CHING, 2012, p. 231). Esse efeito está</p><p>diretamente ligado ao efeito da diminuição aparente dos objetos afastados, uma</p><p>vez que a distorção do escorço se deve justamente ao fato de que as partes mais</p><p>afastadas dos objetos são representadas em tamanho menor. Veja na Figura</p><p>5 como o mesmo conjunto de objetos é representado com uma vista superior,</p><p>duas perspectivas e uma elevação.</p><p>5Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>Figura 5. Demonstração do escorço.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 231).</p><p>Agora que você conhece o conceito de perspectiva cônica, vamos avançar</p><p>para entender como são traçadas as perspectivas de um ponto de fuga e, então,</p><p>construir o passo a passo para um desenho desse tipo.</p><p>2 Funcionamento da perspectiva</p><p>com um ponto de fuga</p><p>A tentativa de representar a realidade de uma maneira gráfi ca remonta a es-</p><p>tágios primitivos de civilização, e se atribui a Filippo Brunelleschi a criação</p><p>de um método efetivo para representá-la — a perspectiva cônica —, e a Leon</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga6</p><p>Battista Alberti sua popularização por meio do livro Della Pittura (ALBERTI,</p><p>2014). A partir do século XV, a perspectiva como uma ferramenta para criação</p><p>da ilusão de espaço tridimensional em uma superfície bidimensional passa a</p><p>integrar o currículo de universidades renascentistas (CURTIS, 2015).</p><p>No sistema de Brunelleschi, há dois princípios básicos: o plano de desenho</p><p>e o ponto de fixação, que é estabelecido ao se olhar diretamente para a frente,</p><p>sendo a linha de visão paralela ao plano base; o plano de desenho é um plano</p><p>imaginário perpendicular ao ponto de fixação (Figura 6). As categorias de</p><p>perspectivas cônicas variam de acordo com a relação dos eixos principais do</p><p>objeto observado com o plano de desenho (CURTIS, 2015).</p><p>Figura 6. Plano de desenho imaginário e ponto de fixação.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 250).</p><p>O sistema pictórico das perspectivas cônicas se subdivide em três cate-</p><p>gorias: perspectivas com um, dois e três pontos de fuga. No primeiro deles,</p><p>e tema deste estudo, um dos eixos horizontais e o eixo vertical são paralelos</p><p>ao plano do desenho, enquanto o outro eixo horizontal é perpendicular a</p><p>esse plano. Na perspectiva com dois pontos de fuga, enquanto o eixo vertical</p><p>é paralelo ao plano do desenho, os dois eixos horizontais são oblíquos em</p><p>relação ao plano de desenho. Já na perspectiva com três pontos de fuga, os</p><p>três principais planos de um volume retangular são obliquos em relação ao</p><p>plano de desenho (CURTIS, 2015).</p><p>7Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>Essa divisão pode parecer confusa, mas é bastante simples distinguir entre</p><p>as três observando exemplos simplificados. Observe na Figura 7 um exemplo</p><p>de cada um dos três tipos de perspectiva cônica. A linha pontilhada indica os</p><p>eixos que são paralelos ao plano de desenho. Na figura A, um ponto de fuga,</p><p>há dois eixos paralelos; na figura B, com dois pontos de fuga, apenas um; e</p><p>na figura C, com três pontos de fuga, nenhum dos eixos principais do volume</p><p>é paralelo ao plano de desenho.</p><p>Figura 7. Exemplos de perspectivas cônicas: (A) um ponto de fuga; (B) dois pontos de fuga;</p><p>(C) três pontos de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 121).</p><p>A característica fundamental da perspectiva com um ponto de fuga é o</p><p>paralelismo de dois dos eixos principais (um vertical e um horizontal). As</p><p>retas que são paralelas a esses dois eixos são igualmente paralelas ao plano de</p><p>desenho e, portanto, permanecem com sua orientação real, isto é, sem convergir</p><p>para o ponto de fuga. As arestas do objeto que forem paralelas ao plano base</p><p>serão representadas por linhas horizontais; as que forem perpendiculares, por</p><p>linhas verticais. O terceiro eixo principal — horizontal — é perpendicular ao</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga8</p><p>plano de desenho. Todas as retas paralelas a esse eixo convergem para o centro</p><p>de visão em um único ponto de fuga; por essa razão, esse tipo de perspectiva</p><p>cônica também é conhecido como perspectiva paralela (CHING, 2012). A</p><p>presença de um único ponto de fuga confere a esse tipo de representação</p><p>uma ideia de centralidade, de ponto focal. Em função disso, é bastante útil na</p><p>representação de eixos de simetria, pontos focais e espaços internos. Observe</p><p>na Figura 8 como a perspectiva de um ponto de fuga pode ser utilizada para</p><p>representação</p><p>na arquitetura de interiores.</p><p>Figura 8. Perspectiva com um ponto de fuga para um banheiro.</p><p>9Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>A ideia de centralidade pode levar à confusão de que, para termos uma</p><p>perspectiva com um ponto de fuga, precisamos ter o objeto centralizado no</p><p>ponto de fixação, o que não é verdade. Segundo Curtis (2015), o objeto pode</p><p>estar à esquerda, à direita, acima ou abaixo do ponto de fixação, desde que</p><p>permaneça dentro do cone de visão e que obedeça ao critério geral da pers-</p><p>pectiva com um ponto de fuga, isto é, que dois dos eixos principais do objeto</p><p>sejam paralelos ao plano de desenho (Figura 9).</p><p>Figura 9. Objetos deslocados em relação ao ponto de fixação.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 256).</p><p>Outro uso interessante da perspectiva com um ponto de fuga é na repre-</p><p>sentação de plantas. Usualmente, esses desenhos são apresentados como</p><p>vistas ortográficas, tipo de representação em que apenas duas dimensões são</p><p>representadas sem distorções. Ao acrescentarmos uma terceira dimensão,</p><p>ainda que distorcida, adicionamos a noção de profundidade, criando um</p><p>efeito interesante. Por ser uma vista “aérea”, esse tipo de perspectiva também</p><p>é conhecido como vista de pássaro (Figura 10).</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga10</p><p>Figura 10. Vista de pássaro de um consultório, perspectiva com</p><p>um ponto de fuga.</p><p>Agora que você já conhece as principais características da perspectiva</p><p>com um ponto de fuga, assim como alguns dos seus usos dentro do desenho</p><p>arquitetônico, vamos ver como construir esse tipo de perspectiva cônica.</p><p>3 Construção de um desenho em perspectiva</p><p>com um ponto de fuga</p><p>Sabendo o que é uma perspectiva cônica e como funcionam as perspectivas</p><p>com um ponto de fuga, podemos explorar a montagem de um desenho em</p><p>perspectiva com um ponto de fuga utilizando um método simples e interessante.</p><p>Para isso, é importante iniciar estabelecendo a nomenclatura das diferentes</p><p>partes do desenho.</p><p>11Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>Na Figura 11, uma síntese da montagem de perspectiva com um ponto de</p><p>fuga produzida por Ching (2012, p. 250), você pode ver um esboço de pers-</p><p>pectiva na qual é possível encontrar o PD, ou plano do desenho, e as linhas</p><p>paralelas a ele, que se mantêm perpendiculares entre si, e as linhas que são</p><p>perpendiculares ao PD e que convergem para o CV, centro de visão, ou ponto</p><p>de fuga da perspectiva com um ponto de fuga. Observe também a linha do</p><p>horizonte (LH), definida pela altura do observador.</p><p>Figura 11. Elementos da perspectiva com um ponto de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 250).</p><p>Montagem da perspectiva</p><p>Para traçar uma perspectiva com um ponto de fuga, o método mais efi ciente é o</p><p>do ponto diagonal, que permite “[...] obter uma medição de profundidade precisa</p><p>diretamente do interior da perspectiva, sem que seja preciso fazer projeções de</p><p>uma planta” (CHING, 2012, p. 251). Esse método envolve a criação de uma linha</p><p>a 45° do plano de desenho que será utilizada como medida para a profundidade.</p><p>Para estabelecer essa linha, a partir do ponto de fuga, criamos uma linha com</p><p>o “[...] comprimento igual à profundidade da perspectiva desejada” para cada</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga12</p><p>lado do desenho (CHING, 2012, p. 251). Nos pontos extremos das linhas, são</p><p>traçadas — em planta baixa — as linhas a 45°. Sobre a linha do horizonte,</p><p>marcamos os dois pontos diagonais (PDD, direita, e PDE, esquerda). É preciso,</p><p>então, desenhar uma elevação ou um corte do que será desenhado, levando em</p><p>consideração a altura do observador. Para defi nir a profundidade, basta ligar</p><p>os PDD e PDE aos pontos relevantes da elevação na distância que está sendo</p><p>desenhada. A Figura 12, a seguir, ilustra esse procedimento.</p><p>Figura 12. Traçado de perspectiva com um ponto de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 252).</p><p>13Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>Para traçar pontos em outras profundidades, basta repetir o processo,</p><p>definindo, paralelamente à linha do horizonte, as marcações da distância em</p><p>que o observador se encontra do objeto desenhado e iniciando as marcações</p><p>sobre a aresta da elevação que se desenhou. A partir da ligação dos PDD ou</p><p>PDE às marcações de distância, estabelece-se a profundidade na linha que</p><p>converge para o ponto de fuga. Veja, na Figura 13, essa marcação.</p><p>Figura 13. Traçado de profundidade.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 254).</p><p>Agora que você já conhece o funcionamento do método dos pontos dia-</p><p>gonais, vamos seguir um passo a passo para que não reste dúvida na hora de</p><p>desenhar as suas perspectivas.</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga14</p><p>1. O primeiro passo é desenhar a elevação do objeto que será representado,</p><p>sempre atentando para a posição e altura do observador — lembrando</p><p>que a linha do horizonte tem a mesma altura do observador.</p><p>2. Estabeleça, sobre sua linha do horizonte, o centro de visão — ou ponto</p><p>de fuga — para o qual as linhas convergem.</p><p>3. Partindo de sua elevação, trace retas de todas as arestas em direção ao</p><p>ponto de fuga; “[...] isto representa as retas horizontais retrocedentes</p><p>do objeto ou edifício, que são paralelas ao eixo central de visão e que</p><p>convergem ao centro de visão” (CHING, 2012, p. 253).</p><p>4. Estabeleça o seu ponto diagonal à direita (PDD) ou à esquerda (PDE)</p><p>do ponto de fuga.</p><p>5. Desenhe a sua linha métrica (Figura 14), paralela à linha do horizonte, a</p><p>partir da qual serão traçados os marcadores de profundidade. Ching (2012,</p><p>p. 253) sugere que “Esta linha de medida é geralmente a linha de terra,</p><p>mas, se ela está muito próxima da linha do horizonte, posicione a linha</p><p>métrica abaixo da linha de terra ou bem acima da linha do horizonte”.</p><p>Figura 14. Desenho da linha métrica.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 253).</p><p>6. Para efetivamente marcar a profundidade, é preciso definir uma linha</p><p>de solo perpendicular ao plano do desenho que aponte para o ponto de</p><p>fuga. Ching (2012, p. 253) ressalta que, embora geralmente seja uma</p><p>15Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>das arestas inferiores de uma parede lateral importante, a linha de</p><p>solo “pode ser qualquer reta perpendicular ao plano do desenho que</p><p>evidencie uma convergência ao centro de visão”.</p><p>7. Sobre a linha métrica, basta marcar as distâncias, atentando para a escala</p><p>da elevação desenhada. Preste atenção, no entanto, à seguinte dica de</p><p>Ching (2012, p. 253): “Usando um ponto diagonal à esquerda, meça à</p><p>direita do ponto zero para profundidades atrás do plano do desenho e, para</p><p>pontos em frente ao plano do desenho, meça à esquerda do ponto zero”.</p><p>8. Para transferir as medidas da linha métrica para o seu desenho, é preciso,</p><p>primeiro, ligar os pontos da linha métrica ao ponto diagonal. A partir do</p><p>ponto zero, trace uma linha auxiliar que aponte para o ponto de fuga.</p><p>9. A interseção entre as linhas que ligam os pontos da linha métrica ao</p><p>ponto diagonal e a linha entre o ponto zero e o ponto de fuga é o que</p><p>define a profundidade (Figura 15) de sua linha de solo.</p><p>10. A partir das interseções do passo 9, trace linhas verticais que passem</p><p>pela linha do solo. Esses pontos são equivalentes às distâncias marcadas</p><p>na linha métrica.</p><p>Figura 15. Estabelecendo as profundidades.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 253).</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga16</p><p>11. Com as profundidades básicas estabelecidas, o desenho pode ser com-</p><p>pletado (Figura 16).</p><p>Figura 16. Perspectiva completa.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 253).</p><p>Agora você já sabe como traçar perspectivas de um ponto de fuga com</p><p>precisão e facilidade. Nas primeiras tentativas, é normal que você tenha</p><p>dificuldade, mas, com alguma prática, você produzirá desenhos com essa</p><p>técnica com facilidade e, ao longo do tempo, dominará os métodos e criará</p><p>seus próprios desenhos de maneira intuitiva.</p><p>17Perspectiva com um ponto de fuga</p><p>ALBERTI, L. B. Da pintura. 4. ed. São Paulo: Unicamp, 2014.</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CICLO VIVO. Paris, Champs-Elysees at night. 2020. Disponível em: https://ciclovivo.com.</p><p>br/planeta/desenvolvimento/franca-vai-banir-veiculos-movidos-a-diesel-e-petroleo-</p><p>-ate-2040/attachment/paris-champs-elysees-at-night/.</p><p>deve variar de forma uniforme em relação a</p><p>todo desenho. Definir de três a quatro variações de linha no desenho poderá</p><p>ajudar você a manter o equilíbrio na intensidade de utilização das linhas.</p><p>Desenho de observação e de memória52</p><p>DA_U1_C03.indd 52 01/12/2017 16:51:46</p><p>No capítulo “A mecânica de desenhar”, do livro Desenho de Observação, de Curtis</p><p>(2015), você pode aprender mais sobre as técnicas de empunhadura de desenho e</p><p>de variação de traço.</p><p>Elementos da forma de objetos e da arquitetura</p><p>Os elementos da forma são o ponto, a linha, o plano e o volume. O ponto, o</p><p>primeiro gerador da forma, indica uma posição no espaço, e você pode adotá-</p><p>-lo para estabilizar, dominar e organizar os elementos ao seu redor, quando</p><p>este for o elemento central da composição. Quando localizado fora do centro,</p><p>transmite agressividade e sugere um eixo para organizar formas construídas</p><p>por meio do estabelecimento de dois pontos (CHING, 1979).</p><p>Segundo os conceitos de Ching (1979), enquanto o ponto é estático, a linha</p><p>descreve o caminho de um ponto em movimento, expressando uma direção ou</p><p>um crescimento. Permite unir, circundar ou descrever arestas. A linha vertical</p><p>expressa um estado de equilíbrio, com a força da gravidade; a linha horizontal</p><p>representa estabilidade, o horizonte ou um corpo que repousa; e linha oblíqua</p><p>expressa dinamismo ou uma atividade visual, como um nascer do sol.</p><p>Ainda que o espaço arquitetônico disponha de quatro dimensões, sua</p><p>forma tridimensional e a experiência da arquitetura, segundo o conceito de</p><p>Zevi (1996), a sua forma pode ser linear, quando acomoda um movimento</p><p>de percurso, como nas pontes. Elementos verticais lineares, como colunas,</p><p>obeliscos e torres vêm sendo utilizados em larga escala na história grega,</p><p>romana e, mais recentemente, no neoclassicismo, para comemorar eventos,</p><p>por exemplo.</p><p>A sua percepção do plano é sempre distorcida pela perspectiva cônica. A</p><p>definição dos limites e as fronteiras de um volume é função do plano, sendo</p><p>este um elemento chave no vocabulário arquitetônico, pois seu tamanho,</p><p>sua forma, sua cor, sua textura e a relação espacial entre eles determinam</p><p>as propriedades visuais da forma e a qualidade do espaço que ele encerra.</p><p>Um elemento de desenho pode ser neutro ou visualmente ativo, opaco ou</p><p>transparente e fonte de luz e de observação. Portanto, a forma da edificação</p><p>pode ser planar, pela diferenciação dos planos verticais e horizontais, como</p><p>projetado na Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, ou com variações no</p><p>material, na cor e na textura (CHING, 1979).</p><p>53Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 53 01/12/2017 16:51:46</p><p>Um plano estendido ou a adição de planos compreende um volume, ele-</p><p>mento tridimensional do vocabulário arquitetônico, cujas propriedades são</p><p>comprimento, largura e profundidade. Os principais volumes do vocabulário</p><p>arquitetônico são a esfera, o cilindro, o cone, a pirâmide e o cubo.</p><p>A esfera representa uma forma centralizada, concentrada e estável. O</p><p>cilindro pode ser facilmente estendido através do seu eixo e assume uma forma</p><p>estável, se repousa sobre uma de suas faces circulares, mas pode, também,</p><p>se tornar instável, quando seu eixo central é inclinado. O cone, assim como</p><p>o cilindro, é estável se apoiado sobre sua face circular e instável quando seu</p><p>eixo é descolado. Pode indicar balanço, se apoiado sobre o seu eixo vertical. A</p><p>pirâmide possui propriedades de estabilidade e de balanço como a do cilindro,</p><p>porém é estável se apoiada sobre qualquer uma de suas faces. Por fim, o cubo</p><p>dispõe de seis faces quadradas iguais, representando uma forma estática sem</p><p>aparente direção (CHING, 1979).</p><p>Para compreender seu significado na prática, busque objetos reais forma-</p><p>dos por esses elementos, buscando perceber os significados de estabilidade,</p><p>instabilidade e balanço enunciados por Ching (1979).</p><p>Acessando o link ou o código a seguir, do site Ar-</p><p>chDaily (FRACALOSSI, 2012, você pode visualizar</p><p>as imagens da Casa da Cascata, de Frank Lloyd</p><p>Wright.</p><p>https://goo.gl/LtkNhV</p><p>Desenho de observação e de memória54</p><p>DA_U1_C03.indd 54 01/12/2017 16:51:47</p><p>https://goo.gl/LtkNhV</p><p>Veja na Figura 1 três exemplos da aplicação do volume em projetos e obras arquite-</p><p>tônicas com a utilização da esfera, do cilindro e do cone.</p><p>Figura 1. Utilização da esfera, do cilindro e do cone na arquitetura.</p><p>Fonte: Ching (1979, p. 60).</p><p>Técnicas de proporções</p><p>A proporção é a relação do tamanho relativo, utilizada para comparar as di-</p><p>mensões de largura e de altura. Observar as proporções dos objetos cotidianos</p><p>é a melhor forma de começar a desenvolver a sensibilidade à proporção. “A</p><p>regra mais importante no desenho de observação é manter as suas proporções.”</p><p>(GIESECKE et al., 2002, p. 60).</p><p>Você pode desenhar a mão livre circunferências, com base em técnicas</p><p>de proporções, apresentadas na Figura 2. Os desenhos de arcos e de elipses</p><p>são similares ao desenho de circunferências, e o uso de gabaritos facilita o</p><p>desenho de circunferências, arcos e de elipses de tamanhos variados.</p><p>Você deve usar, no desenho de observação, um objeto com arestas retas e</p><p>paralelas (uma régua ou, ainda um lápis), também chamado de instrumento</p><p>mondriano, para estabelecer uma unidade básica de medida e uma grade</p><p>perceptual, aproximando-se do objeto para verificar as proporções, quando</p><p>55Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 55 01/12/2017 16:51:48</p><p>necessário. Uma vez estabelecida esta unidade, você pode girar o instrumento</p><p>em 90°, mantendo-o perpendicular a sua linha de visão e exatamente na mesma</p><p>distância dos olhos (CURTIS, 2015).</p><p>Se preferir, você pode utilizar o objeto mondriano como mira. A tendên-</p><p>cia de você alinhar a orientação dos objetos do campo de visão pelos eixos</p><p>cartesianos (x e y) por meio da mira é tão forte, no desenho de observação,</p><p>que você deve alinhar seu instrumento em frente a uma parede vazia, para</p><p>não perder o prumo. Ao realinha-lo, você evita que as suas percepções diretas</p><p>sejam influenciadas pelo conhecimento da sua mente (CURTIS, 2015).</p><p>Figura 2. Três técnicas para desenhar circunferências.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 60).</p><p>Enquanto as técnicas de proporção são estimadas pelo seu campo de visão,</p><p>as técnicas do sistema de medição modular vêm evoluindo ao longo dos sé-</p><p>culos, até se tornarem o sistema de medida métrico com o módulo de 10 cm,</p><p>utilizado hoje como o principal sistema de medição mundial. Esse sistema foi</p><p>adotado pela maioria dos países, já no final do século XX.</p><p>Desenho de observação e de memória56</p><p>DA_U1_C03.indd 56 01/12/2017 16:51:50</p><p>O sistema de escala teve origem no dimensionamento modular grego e</p><p>romano. As formas geométricas de Platão e Virtrúvio (o círculo, o triângulo e</p><p>o quadrado) eram, em tempos remotos, um sistema de medição que auxiliava</p><p>medir outras formas poligonais. Apesar de terem tido pouca aplicação para</p><p>projeto e construção, a partir deles foi desenvolvida a dimensão do pentágono</p><p>ideal, que embasou a relação matemática “áurea”. Posteriormente, o arquiteto Le</p><p>Corbusier desenvolveu uma teoria das proporções do corpo humano baseado nas</p><p>dimensões estéticas da relação “áurea”. O raio, a corda e a altura do triângulo</p><p>compuseram, também, um sistema geométrico de medição utilizado para a</p><p>construção de edificações redondas no período romano (NEUFERT, 2004).</p><p>Um dos principais desafios que você vai enfrentar é o esboço da figura</p><p>humana completa. Ao compreender as relações da teoria de Le Corbusier sobre</p><p>as proporções do corpo humano, você poderá se beneficiar delas na elaboração</p><p>de croquis. Você pode utilizar, também, o cânone grego de proporções que</p><p>subdivide o corpo em oito cabeças.</p><p>No século XX, com a industrialização, os arquitetos desenvolveram estudos</p><p>de coordenação modular para auxiliar na construção pré-fabricada. O módulo</p><p>era um sistema de medição para reger as superfícies e os volumes. Em 1932,</p><p>Walter Groupius projetou uma casa modular cuja planta podia crescer por adição</p><p>de novos volumes. A França, a</p><p>Acesso em: 17 mar. 2020.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação: uma introdução ao desenho. Porto Alegre: AMGH,</p><p>2015.</p><p>DÜRER, A. Draftsman's Net. 1525. Wikipédia, a enciclopédia livre, 4 mar. 2012. Disponível</p><p>em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Durer_-_Draftsman%27s_Net.jpg. Acesso</p><p>em: 17 mar. 2020.</p><p>GONZAGA, M. G. Novos desenhos velhos: a representação da arquitetura e a mudança</p><p>da tecnologia. In: SEMINÁRIO IBERO-AMERICANO ARQUITETURA E DOCUMENTAÇÃO,</p><p>5., Belo Horizonte, 2017.</p><p>LEFAIVRE, L.; TZONIS, A. The question of autonomy in architecture. Harvard Architecture</p><p>Review, Cambridge, v. 3, p. 27–43, 1984.</p><p>MARTÍ NEZ, A. C. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora UNB, 2000.</p><p>PELLEGRINI, A. C. S. Quando o projeto é patrimônio: a modernidade póstuma em ques-</p><p>tão. 2011. 273 f. Tese (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto</p><p>Alegre, 2011.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas</p><p>e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2008.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Perspectiva com um ponto de fuga18</p><p>DESENHO</p><p>E PLASTICO</p><p>Gabriel Lima Giambastiani</p><p>Perspectiva com dois</p><p>pontos de fuga</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Explicar o funcionamento da perspectiva com dois pontos de fuga.</p><p> Diferenciar as perspectivas com um e dois pontos de fuga.</p><p> Construir um desenho em perspectiva com dois pontos de fuga.</p><p>Introdução</p><p>A perspectiva é a representação de objetos tridimensionais no plano e,</p><p>para conseguir a façanha de simplificar um volume tridimensional em uma</p><p>superfície bidimensional, foram desenvolvidas técnicas de desenho a partir</p><p>de ferramentas simples. O que, na época de sua criação e sistematização,</p><p>significou uma verdadeira revolução na maneira como os projetos eram</p><p>representados, hoje está à disposição dos projetistas de maneira bastante</p><p>desenvolvida, de modo que se pode criar representações bastante fiéis</p><p>com agilidade e precisão.</p><p>Neste capítulo, você verá o que é uma perspectiva com dois pontos</p><p>de fuga e como esses desenhos se diferenciam das perspectivas cônicas</p><p>com apenas um ponto de fuga. Além disso, conhecerá uma técnica de</p><p>desenho perspectivado que torna o traçado de perspectivas com dois</p><p>pontos de fuga bastante simples.</p><p>1 Funcionamento da perspectiva</p><p>com dois pontos de fuga</p><p>As perspectivas são representações bidimensionais de objetos espaciais, ou</p><p>seja, são técnicas de desenho que simulam um objeto tridimensional em um</p><p>plano, como o papel. Tais técnicas permitem que os arquitetos desenhem</p><p>os seus edifícios e espaços internos de modo que possam ser simuladas es-</p><p>pacialidades e relações volumétricas. As perspectivas podem ser separadas</p><p>em duas categorias básicas: as perspectivas com linhas paralelas, como as</p><p>axonométricas, isométricas e cavaleiras, e as perspectivas cônicas, com um</p><p>ou mais pontos de fuga.</p><p>Nas perspectivas com linhas paralelas, ou projeções oblíquas, “[...] as linhas</p><p>projetadas são paralelas entre si e oblíquas ao plano do desenho” (CHING,</p><p>2017, p. 30), gerando desenhos adequados para a medição de elementos, uma</p><p>vez que existe pouca ou nenhuma distorção no tamanho dos objetos projetados,</p><p>como você pode ver na Figura 1.</p><p>Figura 1. Perspectivas de linhas paralelas.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 31).</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga2</p><p>Por outro lado, as perspectivas cônicas, como o próprio nome ja diz, são</p><p>resultado da simulação do cone de visão humano, simulando com bastante</p><p>precisão a maneira como as pessoas enxergam o espaço. Nesste tipo de pers-</p><p>pectiva, “[...] as linhas projetadas ou linhas de visão convergem de um ponto</p><p>central, que representa um único olho do observador” (CHING, 2017, p. 31).</p><p>Na Figura 2, você pode ver os três tipos mais comuns de perspectivas cônicas,</p><p>de acordo com o número de pontos de fuga presentes.</p><p>Figura 2.  Perspectivas cônicas.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 31).</p><p>Nas perspectivas com dois pontos de fuga, as únicas linhas que per-</p><p>manecem paralelas são as verticais, simulando um observador que olha</p><p>para um objeto com seu olhar paralelo ao chão. Desse modo, não existe a</p><p>presença do terceiro ponto de fuga, existente quando inclinamos nosso olhar</p><p>verticalmente, como pode ser visto na Figura 3, que demonstra o observador</p><p>e a simulação sua visão.</p><p>3Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>Figura 3. Observador e perspectiva de dois pontos de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 37).</p><p>Assim como na perspectiva com um ponto de fuga, os desenhos com</p><p>dois pontos de fuga se baseiam na simulação de um cone de visão de 45°,</p><p>amplitude grande o suficiente para representar o espaço sem as distorções</p><p>excessivas presentes em ângulos maiores, como os quase 180° da visão</p><p>periférica humana. Curtis (2015, p. 251) justifica essa escolha da seguinte</p><p>forma: “Esse cone foi escolhido porque gera uma quantidade mínima de</p><p>distorção no tamanho, no formato, na proporção e no aspecto retilíneo dos</p><p>objetos representados quando a informação de perspectiva é transferida para</p><p>uma superfície bidimensional”.</p><p>A perspectiva com dois pontos de fuga é, portanto, uma maneira de re-</p><p>presentar bidimensionalmente um objeto tridimensional. Como é o caso de</p><p>toda representação, a perspectiva nada mais é que uma aproximação do objeto</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga4</p><p>retratado, trazendo consigo adaptações, distorções e simplificações para tornar</p><p>viável tanto a produção quanto o entendimento do desenho.</p><p>Agora que vimos como a perspectiva com dois pontos de fuga se insere</p><p>no vocabulário de ferramentas de representação arquitetônica, avançaremos</p><p>para compará-la às perspectivas com apenas um ponto de fuga.</p><p>2 Diferenças entre perspectivas com</p><p>um e dois pontos de fuga</p><p>Para entender a diferença entre perspectivas com um e dois pontos de fuga, é</p><p>preciso, inicialmente, contextualizar os termos perspectiva e ponto de fuga.</p><p>Perspectiva, como você já sabe, é um termo empregado para a representação</p><p>de objetos tridimensionais no plano bidimensional. Porém, é preciso considerar</p><p>que, quando apresentado somente como “perspectiva”, geralmente se trata da</p><p>perspectiva cônica, aquela cujas linhas apontam para um ou mais pontos de</p><p>fuga, termo que Ching (2012, p. 228) defi ne como: “Ponto em direção ao qual</p><p>um conjunto de retas paralelas parece convergir numa perspectiva cônica. O</p><p>ponto de fuga de qualquer conjunto de retas paralelas é o ponto no qual uma</p><p>linha traçada paralelamente ao conjunto intercepta o plano do desenho”.</p><p>A perspectiva com um ponto de fuga só é possível quando o observador</p><p>se encontra em um ponto específico do espaço e todos os objetos do entorno</p><p>estão posicionados perpendicularmente entre si, em uma situação que é pouco</p><p>comum na realidade. Alguns arquitetos e artistas tomam partido deste estra-</p><p>nhamento para produzir imagens com bastante impacto visual.</p><p>O cineasta Stanley Kubrick utilizou as perspectivas com um ponto de fuga para criar</p><p>cenas dramáticas, atestando a não naturalidade desse ponto de vista. Digite no bus-</p><p>cador do YouTube “Stanley Kubrick's One-Point Perspective” e veja exemplos dessa</p><p>utilização do cineasta.</p><p>Para que a perspectiva tenha um ponto de fuga, é preciso que “[...] o plano</p><p>do desenho [seja] paralelo a dois pares de arestas frontais de um objeto retilí-</p><p>neo (ou nivelado com a superfície frontal)” (CURTIS, 2015, p. 254), quando</p><p>5Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>o observador se move de modo que “[...] apenas um par de arestas frontais</p><p>(geralmente verticais)</p><p>[seja] paralelo ao plano do desenho, a relação é de uma</p><p>perspectiva com dois pontos de fuga” (CURTIS, 2015, p. 254). No entanto, a</p><p>visão humana e a fotografia geralmente captam perspectivas nas quais, desse</p><p>modo, “[...] não há pares de arestas paralelas ao plano do desenho, [gerando]</p><p>uma perspectiva com três pontos de fuga em relação ao objeto” (CURTIS,</p><p>2015, p. 254). Observe a Figura 4, que apresenta essas três situações descritas.</p><p>Figura 4. Perspectiva com um, dois e três pontos de fuga.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 255).</p><p>Na perspectiva com um ou dois pontos de fuga, é possível observar diversos</p><p>efeitos pictóricos, que são os responsáveis pela ilusão tridimensional do desenho.</p><p>Entre eles, cabe destacar a convergência de linhas, a diminuição do tamanho dos</p><p>objetos conforme se afastam do observador, e o escorço, aparente distorção da</p><p>forma dos planos. A seguir, observaremos como esses três efeitos pictóricos se</p><p>manifestam de maneiras diferentes nas perspectivas de um e dois pontos de fuga.</p><p>Convergência</p><p>A convergência nos desenhos de perspectiva cônica “[...] consiste no movimento</p><p>aparente de retas paralelas em direção a um ponto de fuga comum, à medida que</p><p>se afastam do observador” (CHING, 2017, p. 112). Enquanto nas perspectivas</p><p>com um ponto de fuga as linhas perpendiculares ao observador convergem para</p><p>um único ponto, nas perspectivas com dois pontos de fuga, a inexistência de</p><p>planos perpendiculares ao observador faz com que as linhas apontem para dois</p><p>pontos, cada qual de um lado do observador, como você pode ver na Figura 5.</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga6</p><p>Figura 5. Demonstração da convergência em perspectiva com dois pontos de fuga.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 112).</p><p>Assim, a convergência pode ser resumida da seguinte maneira: “A primeira</p><p>regra de convergência é que cada conjunto de retas paralelas tem seu próprio</p><p>ponto de fuga. Um conjunto de retas paralelas consiste, apenas, naquelas que</p><p>são paralelas entre si” (CHING, 2017, p. 112).</p><p>7Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>Diminuição de tamanho</p><p>Resultado direto da convergência das linhas em direção ao ponto de fuga, a</p><p>diminuição aparente do tamanho dos objetos conforme seu afastamento do</p><p>observador é uma das características mais marcantes da perspectiva cônica.</p><p>Como você deve estar imaginando, enquanto nas perspectivas com um ponto</p><p>de fuga a diminuição ocorre em um sentido, nas perspectivas com dois pontos</p><p>de fuga, os objetos parecem fi car menores conforme se afastam em todas as</p><p>direções. Na Figura 6, você pode observar como os objetos mais próximos ao</p><p>ponto de fuga são representados com tamanho menor, enquanto os alinhados</p><p>verticais não sofrem esta distorção entre si.</p><p>Figura 6. Diminuição aparente do tamanho</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 115).</p><p>Escorço</p><p>O escorço trata da distorção das formas e relações dimensionais entre os</p><p>elementos retratados em razão da posição desses em relação ao observador.</p><p>Esse efeito pode ser encarado como resultado direto da diminuição aparente</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga8</p><p>do tamanho dos objetos conforme sua proximidade aos pontos de fuga. Na</p><p>Figura 7, você pode ver como as faces de um mesmo objeto são desenhadas</p><p>com formas diferentes de acordo com a posição do observador.</p><p>Figura 7. Demonstração do escorço.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 117).</p><p>Nas perspectivas com dois pontos de fuga, as linhas são representadas</p><p>convergindo para dois pontos posicionados sobre a linha do horizonte, oca-</p><p>sionando a diminuição aparente dos objetos em duas direções. Nos desenhos</p><p>com um ponto de fuga, as linhas convergem apenas para um ponto, geralmente</p><p>central, levando à diminuição em apenas uma direção, como em um túnel.</p><p>Agora que você sabe como funcionam as perspectivas com dois pontos</p><p>de fuga e como essas se diferenciam dos desenhos com um ponto de fuga,</p><p>veremos, a seguir, um passo a passo da construção de uma perspectiva cônica</p><p>com dois pontos de fuga.</p><p>9Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>Segundo Kubba (2014), os desenhos produzidos nas fases iniciais do projeto não são</p><p>feitos com intuito de orientar a execução do objeto. Esse material tem, essencialmente,</p><p>duas funções: 1) a exploratória, isto é, meio próprio de investigação projetual; e 2)</p><p>o método de comunicação/ persuasão das pessoas que encomendaram o objeto</p><p>(cliente, incorporador, por exemplo). O mesmo autor diferencia esses desenhos iniciais</p><p>dos desenhos de projeto executivo, que têm o objetivo de informar um profissional</p><p>responsável pela construção do objeto (pedreiro, marceneiro, serralheiro, etc.). Perceba</p><p>que os desenhos em arquitetura têm sempre um destinatário duplo: o projetista, que</p><p>o utiliza como ferramenta para desenvolver o seu ofício; e um terceiro, o cliente ou</p><p>profissional da construção. Tenha isso em mente na hora de elaborar seus desenhos</p><p>para adequar a representação ao seu destinatário.</p><p>3 Construção de um desenho em perspectiva</p><p>com dois pontos de fuga</p><p>Você já conhece a teoria das perspectivas com dois pontos de fuga e</p><p>sabe que, por serem representações de objetos tridimensionais no plano</p><p>bidimensional, esses desenhos exigem uma série de simplifi cações e abs-</p><p>trações. Para facilitar a criação dessas perspectivas, existem técnicas que</p><p>tornam o processo menos traumático. A seguir, você conhecerá o método</p><p>do ponto de medição, apresentado por Francis Ching (2017) em seu livro</p><p>Representação Gráfi ca em Arquitetura, método que facilita o traçado de</p><p>uma malha horizontal perspectivada a partir da qual é possível desenhar</p><p>os elementos no espaço.</p><p>Esquema em planta baixa</p><p>O primeiro passo para desenhar a sua malha perspectivada é estabelecer, em</p><p>planta baixa, o plano de desenho (PD), o cone de visão (que deve ser igual ou</p><p>menor a 60° para evitar distorções) e os pontos de fuga à esquerda (PDE) e à</p><p>direita (PFD). Uma linha perpendicular entre o PD e o observador gerará o</p><p>centro de visão (CV). Ching (2017, p. 17) alerta que “[...] geralmente, é con-</p><p>veniente que o plano do desenho intercepte um elemento principal vertical do</p><p>espaço, para que ele possa ser usado como linha de medição vertical (LMV)”.</p><p>Na Figura 8, você pode ver o esquema de planta baixa.</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga10</p><p>Figura 8. Esquema de planta baixa.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 130).</p><p>Uma vez que o esquema em planta baixa está finalizado, é hora de traçar</p><p>os pontos de medição, que ajudarão na construção da perspectiva.</p><p>Pontos de medição</p><p>Os pontos de medição (PM) são pontos de fuga complementares que auxiliam</p><p>na “[...] transferência de dimensões reais de uma linha de medição (LM) no</p><p>PD a uma linha em perspectiva” (CHING, 2017, p. 131). Embora nem os</p><p>pontos de medição nem as linhas auxiliares de transferência de dimensões</p><p>permaneçam visíveis no desenho fi nalizado, são essenciais para estabelecer</p><p>as relações dimensionais entre os objetos desenhados.</p><p>Na Figura 9, você pode ver os pontos e medição direito (PMD) e o ponto</p><p>de medição esquerdo (PME). Sua posição sobre o PD é obtida por meio de um</p><p>arco cujo centro está localizado sobre o ponto de fuga do lado oposto e com</p><p>raio igual à distância entre esse ponto de fuga e o ponto do observador. Para</p><p>isso, basta posicionar a ponta seca de um compasso sobre o ponto de fuga e o</p><p>grafite sobre o ponto do observador, traçando o arco até o PD. Esse processo</p><p>deve ser repetido com ambos os pontos de fuga.</p><p>11Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>Figura 9. Traçado dos pontos de medição.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 131).</p><p>Tendo os elementos suficientes para iniciar o traçado da perspectiva, a</p><p>partir de agora, não é necessário desenhar mais em planta baixa.</p><p>Construção da malha perspectivada</p><p>Você pode iniciar o seu desenho perspectivado abaixo da planta que você</p><p>desenhou nos passos anteriores; dessa maneira, você aproveita as dimensões</p><p>já estabelecidas. O primeiro passo é traçar a linha do horizonte (LH) e a linha</p><p>do solo (LS) — a distância entre essas linhas guiará a altura do observador.</p><p>A seguir, “[...] transfi ra as posições dos principais pontos de fuga esquerdo</p><p>e</p><p>direito (PFE e PFD) e dos pontos de medição esquerdo e direito (PME e PMD)</p><p>do esquema em planta” (CHING, 2017, p. 132).</p><p>Com as duas linhas traçadas, faça marcações de distância sobre a linha do</p><p>solo e, após isso, trace uma linha de medida vertical (LMV) e marque distâncias</p><p>na mesma escala da linha do solo. A seguir, trace as linhas de solo principais,</p><p>ligando os pontos de fuga direito e esquerdo ao encontro da LS com a LMV.</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga12</p><p>O próximo passo, segundo Ching (2017, p. 132), é o traçado das “[...] linhas</p><p>de construção utilizadas apenas para transferir medidas em escala na linha</p><p>de solo (LS) para as principais linhas de solo horizontais em perspectiva”.</p><p>Para isso, basta ligar os pontos de medição esquerdo (PME) e direito (PMD)</p><p>às marcações de distância sobre a linha do solo (LS). Você pode usar uma</p><p>régua para isso, o que vai facilitar o trabalho. Atente para os pontos em que</p><p>essas linhas cruzam as linhas de solo principais, que você ja traçou. Nesses</p><p>pontos, estão as subdivisões de sua malha perspectivada. Observe na Figura</p><p>10 como esse desenho vai tomando forma.</p><p>Figura 10.  Traçado das linhas de medição.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 132).</p><p>O próximo passo já deve estar bem claro, que é a finalização de sua malha</p><p>a partir da ligação dos pontos de interseção com os pontos de fuga.</p><p>Finalização da malha</p><p>Finalmente, basta ligar os pontos de interseção entre as linhas de solo principais</p><p>e as linhas de medição auxiliares para obter uma malha corretamente propor-</p><p>cionada, a partir da qual podem ser desenhados os objetos tridimensionais</p><p>posicionados no espaço. Para traçar as alturas perspectivadas, basta ligar os</p><p>13Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>pontos de medição sobre a LMV e os pontos de fuga, obedecendo, assim, ao</p><p>princípio da diminuição aparente do tamanho dos objetos mais afastados.</p><p>Na Figura 11, você pode ver que basta transferir os pontos da malha posi-</p><p>cionada sobre o solo para outra elevada com linhas verticais para obter planos</p><p>horizontais em alturas distintas.</p><p>Figura 11. Malhas perspectivadas.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 133).</p><p>Uma vez que você tem sua malha perspectivada, pode tirar partido dela</p><p>para desenhar as mais variadas formas, desde que você consiga transferi-</p><p>-las para uma malha. A dica que facilita esse trabalho é desenhar o objeto</p><p>inicialmente em planta baixa, sobreposto a uma malha quadrada, e entender</p><p>as relações entre objeto e grelha para então transferi-las para sua malha</p><p>perspectivada. Na Figura 12, você pode ver como linhas diagonais e até</p><p>mesmo círculos podem ser desenhados utilizando a malha da técnica dos</p><p>pontos de medição.</p><p>Perspectiva com dois pontos de fuga14</p><p>Figura 12. Formas complexas desenhadas sobre a malha.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 134).</p><p>A construção de perspectivas com dois pontos de fuga não é tão complicado</p><p>quanto parece. As técnicas de desenho permitem que os arquitetos realizem seus</p><p>desenhos partindo de simplificações desenvolvidas ao longo dos anos para faci-</p><p>litar o processo de transposição de objetos tridimensionais para meios planares.</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.</p><p>KUBBA, S. A. A. Desenho técnico para construção. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas</p><p>e designers de interiores. São Paulo: Bookman, 2006.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2008.</p><p>15Perspectiva com dois pontos de fuga</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Texturas – hachuras,</p><p>pontilhismo, manchas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Aplicar hachuras para preenchimento de desenhos.</p><p>� Praticar o pontilhismo como técnica de desenho.</p><p>� Utilizar manchas para realçar volumes e formas.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar a utilização de técnicas de desenho</p><p>chamadas de texturas. As texturas servem para trazer mais expressão ao</p><p>desenho. Podem gerar efeitos de volumetria, sombreamento e acaba-</p><p>mentos variados no desenho. Ao traçarmos as linhas bases do desenho,</p><p>gerarmos os contornos das formas, contudo, mesmo existindo técnicas</p><p>que tornam o desenho mais interessante nos contornos, o preenchimento</p><p>é muito importante para o efeito de percepção geral dos elementos.</p><p>A variação de tonalidades comunica luz e sombra, além de realçar</p><p>as formas. Portanto, você verá algumas das técnicas de combinação de</p><p>traços que atribuem essa aparência tátil, que conhecemos como textura.</p><p>Hachuras</p><p>As hachuras são uma técnica de desenho utilizada para realçar volumes e</p><p>sombras dos objetos, mas também podem ser usadas para criar diferentes</p><p>tonalidades entre as faces. A aplicação é baseada em linhas paralelas ou</p><p>cruzadas, que são desenhadas com distâncias, direções e espessuras variadas.</p><p>Além disso, você pode trabalhar com hachuras de movimentos circulares.</p><p>O conceito da hachura é o de trabalhar na variação de espessura, quantidade</p><p>e espaçamento das linhas que, dependendo de como forem lançadas, resultarão</p><p>DA_U2_C05.indd 79 01/12/2017 16:59:14</p><p>em diferentes efeitos de tonalidade e sombras, enfatizando partes específicas</p><p>das formas. As linhas devem seguir o formato do objeto para limitar a forma.</p><p>Hachuras paralelas</p><p>As hachuras paralelas consistem em linhas traçadas em uma direção constante,</p><p>buscando o paralelismo entre as linhas. Os traços podem ser muito variados,</p><p>sendo curtos ou longos, mais espessos ou finos, feitos à mão ou com o auxílio</p><p>de uma régua, conforme você pode observar na Figura 1. O desenho pode</p><p>ser feito utilizando lápis ou canetas, como a nanquim por exemplo. Os papéis</p><p>podem ser tanto os mais lisos (sulfite e manteiga) como os mais ásperos,</p><p>gerando efeitos diferentes.</p><p>Figura 1. Exemplos de hachuras paralelas em diferentes direções, densidades e espessuras.</p><p>Fonte: stasia_ch/Shutterstock.com.</p><p>Durante o traçado, o ideal é tentar controlar a velocidade e o peso da mão</p><p>para que as linhas fiquem com a mesma tonalidade, gerando uma hachura</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas80</p><p>DA_U2_C05.indd 80 01/12/2017 16:59:15</p><p>mais uniforme. Quanto mais peso se destinar à mão na hora de desenhar, mais</p><p>fortes ficarão as linhas. Observe os exemplos da Figura 2.</p><p>Figura 2. Desenho de edificação com a técnica de hachura. Ao lado, exemplos de hachuras.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 43).</p><p>Quando a intenção for deixar as arestas bem marcadas, uma maneira de</p><p>fazer isso é posicionando o lápis ou a caneta nesta aresta, fazendo uma leve</p><p>pressão ao iniciar a linha e, depois, traçando rapidamente. Dessa forma, a linha</p><p>ficará mais forte no início e irá suavizando em direção ao final.</p><p>81Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 81 01/12/2017 16:59:16</p><p>Para ter mais informações a respeito dessas técnicas, consulte o livro Desenho para</p><p>Arquitetos, de Francis D. K. Ching (2012).</p><p>Hachuras cruzadas</p><p>As hachuras cruzadas consistem na utilização de linhas em duas ou mais</p><p>direções, sobrepostas, para criar variações de tonalidades. As linhas podem</p><p>ser em direções diagonais ou ortogonais, conforme demostrado na Figura</p><p>3.</p><p>Figura 3. Exemplos de aplicação de hachuras cruzadas. Nos cubos, você pode ver que</p><p>a hachura cruzada gerou tons bem mais escuros, demonstrando sombreamento. Nos</p><p>estudos ao lado, é possível observar hachuras cruzadas em diagonal, ortogonais e com</p><p>sobreposição de direções.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 44).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas82</p><p>DA_U2_C05.indd 82 01/12/2017 16:59:16</p><p>As hachuras são utilizadas também nos desenhos técnicos de arquitetura, aplicadas</p><p>especialmente nos cortes das edificações para demonstrar paredes e seções que estão</p><p>cortadas no desenho. Este uso facilita a compreensão dos materiais e a diferenciação</p><p>dos elementos que estão sendo apresentados em vista ou em corte.</p><p>A principal diferença da hachura cruzada em relação à paralela é que esta</p><p>permite uma variação bem maior de tonalidades, uma vez que podem ser</p><p>feitas sobreposições em diversas direções e camadas, o que torna a variação</p><p>de tonalidades infinita, como demonstrado na Figura 4.</p><p>Figura 4. Desenho de mobiliários com sombreamento em hachuras.</p><p>Fonte: Katunina/Shutterstock.com.</p><p>83Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 83 01/12/2017 16:59:17</p><p>Hachuras com movimentos circulares</p><p>As hachuras circulares seguem as mesmas premissas das técnicas de hachuras</p><p>apresentadas anteriormente, porém, consistem em traços mais orgânicos e</p><p>aleatórios. Os traços são feitos em ondas para preencher os espaços, gerando</p><p>um desenho com mais movimento.</p><p>Assim como nos demais tipos de hachuras, você deve observar a pressão</p><p>do lápis ou caneta no papel e a densidade das linhas, sempre cuidando para</p><p>não pesar demais o desenho. Os locais com ondas mais próximas ficarão</p><p>mais escuros, e ondas maiores e mais espaçadas apresentarão um efeito mais</p><p>iluminado. Observe os exemplos da Figura 5.</p><p>Figura 5. Alguns tipos de hachuras com movimentos circulares.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 45).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas84</p><p>DA_U2_C05.indd 84 01/12/2017 16:59:18</p><p>Esta técnica pode ter inúmeras aplicações na arquitetura, conforme de-</p><p>monstrado na Figura 6. Nos desenhos de edificação, pode gerar um desenho</p><p>bastante autoral, com variações próprias do arquiteto. Uma utilização interes-</p><p>sante é para o desenho de vegetação, pois as formas das árvores ficam bem</p><p>representadas usando esses tipos de hachuras orgânicas.</p><p>Figura 6. Exemplos de aplicação de hachura com movimento circular na arquitetura e</p><p>vegetação.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 45).</p><p>Pontilhismo</p><p>O pontilhismo é uma técnica que consiste na utilização de pequenos pontos ou</p><p>manchas arredondadas que, aplicadas justapostas no papel, geram um efeito</p><p>visual de preenchimento. Essa técnica ficou conhecida por meio dos pintores</p><p>franceses Paul Signac e Georges Seurat, no século XIX.</p><p>O efeito é uma espécie de ilusão, pois o olho humano tende a fundir os</p><p>pontos isolados da figura, formando um desenho único.</p><p>85Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 85 01/12/2017 16:59:18</p><p>A variação do efeito é gerada pela mudança de espessura e espaçamento dos</p><p>pontos. Quanto maior for a densidade, mais escuro e fechado ficará o desenho.</p><p>Em uma densidade menor de pontos, teremos um efeito mais iluminado e mais</p><p>difuso. Observe essas diferenças na Figura 7.</p><p>Uma opção interessante, e a mais utilizada, que o pontilhismo gera é o</p><p>desenvolvimento do desenho sem a utilização de linhas de contorno. As bordas</p><p>das figuras ficam definidas pela configuração dos pontos nas extremidades,</p><p>delimitando as formas.</p><p>Figura 7. Exemplo de aplicações do pontilhismo com variações de densidade.</p><p>Fonte: Artishok/Shutterstock.com.</p><p>O pontilhismo pode ser aplicado utilizando graficação na cor preta, o que</p><p>gera variações simulando tons de cinza. Outra forma de aplicar a técnica é</p><p>por meio do uso de cores. Os pintores impressionistas utilizavam o recurso</p><p>de aplicar duas cores diferentes justapostas nos pontos, gerando, em ilusão</p><p>de ótica, uma terceira cor.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas86</p><p>DA_U2_C05.indd 86 01/12/2017 16:59:19</p><p>Assim, o espectro de cor ampliava, infinitamente, sem depender apenas</p><p>dos pigmentos disponíveis.</p><p>Aplicação</p><p>Para iniciar a aplicação de pontilhismo nos desenhos, você pode seguir um</p><p>passo a passo básico, conforme os itens a seguir:</p><p>� Desenhe sobre um papel, utilizando lápis, o contorno base do objeto</p><p>para servir de linha guia. O objetivo de usar lápis é para que possa ser</p><p>apagado no final.</p><p>� Lance pontos sobre o contorno feito a lápis, espaçados e com distância</p><p>regular. Os materiais mais adequados para fazer os pontos são canetas</p><p>como nanquim ou hidrocor, pois o importante é que transfira facilmente</p><p>a tinta para o papel, não tornando o processo mais trabalhoso.</p><p>� Avalie quais os trechos do desenho que devem receber um maior som-</p><p>breamento, já pensando onde seria a posição da fonte de luz. Dessa</p><p>forma, você pode estudar os locais que, sombreados ou iluminados,</p><p>reforçarão a ideia de volume dos objetos. Por exemplo, em um objeto</p><p>posicionado sobre uma superfície, se considerarmos que temos uma</p><p>fonte de luz superior, a parte do objeto que fica próxima à superfície de</p><p>apoio deverá ficar mais sombreada. Nesse caso, esses locais sombreados</p><p>devem receber uma densidade bem maior de pontos do que na parte</p><p>superior do objeto.</p><p>� Preencha os locais que foram definidos a serem sombreados com mais</p><p>pontos, escurecendo essas zonas. Aumente a densidade de pontos aos</p><p>poucos, gerando, assim, as zonas escurecidas. Isso trará volumetria</p><p>ao desenho.</p><p>� Apague as linhas de base feitas a lápis após a secagem da tinta.</p><p>� Veja um exemplo do uso da técnica de pontilhismo na Figura 8.</p><p>87Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 87 01/12/2017 16:59:19</p><p>Figura 8. Representação de cubos em pontilhismo, em que é possível avaliar como a</p><p>densidade de pontos gera efeitos muito variados nas faces dos cubos, trazendo a sensação</p><p>de volumetria.</p><p>Fonte: Login/Shutterstock.com.</p><p>Esta técnica é utilizada para criar desenhos bastante expressivos, portanto</p><p>o arquiteto pode utilizar este meio para apresentar propostas impactantes e</p><p>lúdicas ao cliente, conforme exemplo da Figura 9.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas88</p><p>DA_U2_C05.indd 88 01/12/2017 16:59:20</p><p>Figura 9. Colunas de edifício com iluminação representadas em pontilhismo. Nesta ilustração,</p><p>a técnica gerou um efeito quase realista.</p><p>Fonte: ESB Essentials/Shutterstock.com.</p><p>O pontilhismo é uma técnica bastante utilizada para a ilustração científica</p><p>na biologia. Como os desenhos de animais e plantas precisam ser bastante</p><p>detalhados e precisos, o pontilhismo permite que a ilustração não fique tão</p><p>carregada, com linhas duras, suavizando contornos e preenchimentos, con-</p><p>forme apresentado na Figura 10.</p><p>89Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 89 01/12/2017 16:59:21</p><p>Figura 10. Desenho de um peixe com a utilização da técnica de pontilhismo.</p><p>Fonte: arvitalyaa/Shutterstock.com.</p><p>Manchas</p><p>As manchas no desenho são utilizadas basicamente para desenvolver a</p><p>volumetria dos objetos na imagem. Por meio do sombreamento, você pode</p><p>definir as partes da figura que estão mais profundas, mais próximas, mais</p><p>escuras, etc.</p><p>O sombreamento faz o desenho feito com linhas se transformar de uma</p><p>figura bidimensional para uma tridimensional. A técnica para utilização de</p><p>manchas é bastante variada, e pode ser feita com a utilização de lápis, de</p><p>preferência com grafites macios, canetas, além de outros instrumentos.</p><p>O mais importante para a aplicação da técnica, assim como nas demais</p><p>técnicas de texturas, é a compreensão das zonas dos objetos que devem ser</p><p>escurecidas ou mantidas claras. Em uma cena com diversos objetos, a ten-</p><p>dência é que os trechos mais escuros sejam percebidos como mais distantes,</p><p>e os mais claros, como mais próximos. A diferença de tonalidade é utilizada</p><p>também para estabelecer limites entre uma forma e outra, criando arestas</p><p>visuais. Observe exemplos de manchas na Figura 11.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo,</p><p>manchas90</p><p>DA_U2_C05.indd 90 01/12/2017 16:59:23</p><p>Figura 11. Modelagem de formas básicas por meio de sombreamento.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 48).</p><p>As manchas podem ser aplicadas em diversas direções e com diversas</p><p>técnicas. Podem ser lançadas de forma mais marcada, com linhas e riscos,</p><p>ou ser mais difusas. Uma forma de aplicar manchas mais difusas é com o uso</p><p>de grafites macios, esfumaçando levemente com os dedos ou com o auxílio</p><p>de um esfuminho.</p><p>Observe os exemplos das Figuras 12 e 13 para perceber a variedade de</p><p>aplicações nos desenhos de formas e arquitetura.</p><p>Figura 12. Croqui de cidade com a utilização da técnica de manchas para preenchimento</p><p>dos desenhos.</p><p>Fonte: Canicula/Shutterstock.com.</p><p>91Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 91 01/12/2017 16:59:24</p><p>As texturas são elementos altamente recomendáveis para os desenhos, pois</p><p>representam de forma expressiva a volumetria dos objetos. O ideal é descobrir</p><p>a técnica com a qual você tenha mais afinidade, lembrando que a aplicação</p><p>requer paciência e atenção ao desenho.</p><p>Figura 13. Exemplo de desenho de rosto com e sem aplicação de textura de manchas.</p><p>Neste exemplo, fica bastante clara a diferença entre o desenho somente com o traçado de</p><p>linhas e após o sombreamento. A face ganhou volumetria, ressaltando os pontos iluminados</p><p>e escurecendo as partes mais profundas do rosto e do tecido.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 48).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas92</p><p>DA_U2_C05.indd 92 01/12/2017 16:59:25</p><p>1. Observe a figura a seguir e assinale</p><p>a alternativa que apresenta</p><p>o tipo de técnica de texturas</p><p>para desenho utilizada.</p><p>Fonte: fatbob/Shutterstock.com.</p><p>a) Hachuras circulares.</p><p>b) Pontilhismo.</p><p>c) Hachuras paralelas.</p><p>d) Hachuras cruzadas.</p><p>e) Manchas.</p><p>2. Nas hachuras com movimentos</p><p>circulares, os desenhos são feitos</p><p>utilizando-se ondas para preencher</p><p>o espaço. Qual o efeito obtido por</p><p>meio dessa técnica?</p><p>a) Profundidade.</p><p>b) Movimento.</p><p>c) Densidade.</p><p>d) Ondulação.</p><p>e) Detalhes.</p><p>3. O pontilhismo é uma técnica que</p><p>pode ser usada em desenhos</p><p>arquitetônicos com o intuito</p><p>de impressionar o cliente</p><p>com propostas impactantes</p><p>e lúdicas. Para variar o efeito</p><p>de preenchimento entre mais</p><p>escuro e mais difuso nessa</p><p>técnica, é necessário:</p><p>a) mudar a cor do grafite</p><p>utilizado nos pontos.</p><p>b) intensificar a pressão</p><p>aplicada sobre o lápis.</p><p>c) variar o espaçamento</p><p>entre os pontos.</p><p>d) seguir à risca o contorno</p><p>inicial.</p><p>e) esfumar os traços</p><p>com um instrumento</p><p>chamado esfuminho.</p><p>4. Para representar, de forma</p><p>expressiva, a volumetria</p><p>dos objetos em desenhos</p><p>arquitetônicos, ressaltando os</p><p>pontos iluminados e escurecendo</p><p>as partes mais profundas do</p><p>objeto, qual das seguintes</p><p>técnicas é recomenda?</p><p>a) Pontilhismo.</p><p>b) Manchas.</p><p>c) Hachuras paralelas e</p><p>cruzadas.</p><p>d) Hachuras circulares.</p><p>e) Impressionismo.</p><p>5. Com a técnica de pontilhismo,</p><p>é possível criar desenhos sem</p><p>utilizar as linhas de contorno.</p><p>Entre os materiais citados a</p><p>seguir, qual é o instrumento</p><p>de desenho mais indicado para</p><p>graficar os pontos nesta</p><p>técnica?</p><p>a) Régua.</p><p>b) Esfuminho.</p><p>c) Caneta.</p><p>d) Borracha.</p><p>e) Papel.</p><p>93Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 93 01/12/2017 16:59:26</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ARQUITETURA E DESENHO. Aula 03: desenho de hachura e degradês - fundamentos</p><p>do desenho para arquitetura e design. [S.l.]: YouTube, 2017. 1 vídeo. Disponível em:</p><p><https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc>. Acesso em: 07 nov. 2017.</p><p>DESENHEIROS. Hachura. [S.l.], 2013. Disponível em: <https://desenheirosofficial.wor-</p><p>dpress.com/2013/07/04/hachura/>. Acesso em: 08 nov. 2017.</p><p>DESIGN CULTURE. Pontilhismo: uma técnica de vários estilos. [S.l.], 2014. Disponível</p><p>em: <https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos>.</p><p>Acesso em: 10 nov. 2017.</p><p>PORTAL SÃO FRANCISCO. Pontilhismo. [S.l.], c2017. Disponível em: <http://www.por-</p><p>talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo>. Acesso em: 10 nov. 2017.</p><p>SOUSA, R. Um pouco sobre hachura. Campinas: Desenho Artístico & Arquitetura, 2014.</p><p>Disponível em: <http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um-</p><p>-pouco-sobre-hachura.html>. Acesso em: 06 nov. 2017.</p><p>Referência</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas94</p><p>DA_U2_C05.indd 94 01/12/2017 16:59:26</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc</p><p>https://desenheirosofficial.wor/</p><p>http://dpress.com/2013/07/04/hachura/</p><p>https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos</p><p>http://www.por/</p><p>http://talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo</p><p>http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um-</p><p>DESENHO E</p><p>PLÁSTICAS</p><p>Marina Otte</p><p>Técnicas de preenchimento:</p><p>escala de cinzas,</p><p>luz e sombra</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir tonalidade localizada, luz e sombra, hachura e textura.</p><p> Diferenciar as técnicas de aplicação de luz e sombra.</p><p> Construir um desenho preenchido.</p><p>Introdução</p><p>O preenchimento de um desenho é um item essencial para o entendi-</p><p>mento da representação. Esse recurso complementa o desenho, que, via</p><p>de regra, é iniciado pelo contorno das formas, mas aspectos de volume</p><p>e textura não podem ser representados somente com esse tipo de linha.</p><p>Utilizar recursos de preenchimento como tonalidades, luz e sombra,</p><p>sombreados, hachuras e texturas dá ao desenho aspectos mais realísti-</p><p>cos. Aproximar a representação à sua essência ajuda a quem observa o</p><p>desenho a entendê-lo melhor e facilmente reconhecer do que se trata.</p><p>Por isso, neste capítulo, você vai ser apresentado ao significado de</p><p>conceitos como tonalidades, luz e sombra, hachura e textura. A partir</p><p>dessas definições, vai conhecer técnicas específicas para a aplicação de</p><p>luz e sombra e vai ver como produzir seu próprio desenho preenchido.</p><p>1 Elementos de preenchimento do objeto</p><p>Para a realização de um bom desenho, são necessários diversos aspectos que</p><p>aumentam a capacidade de percepção e o entendimento das formas repre-</p><p>sentadas. O elemento mais primário é a linha: “Uma linha contínua ou um</p><p>conjunto de linhas pode representar um formato. Esse formato, por sua vez,</p><p>pode indicar um plano. E as áreas em quedois planos se tocam, as arestas,</p><p>também são indicadas por linha” (BAJZEK, 2019, p. 16).</p><p>A partir do formato, são necessários outros elementos que auxiliam no</p><p>entendimento das formas e de suas características. Nesse sentido, a nossa</p><p>percepção é capaz de entender imagens que estimularão os nossos sentidos,</p><p>como, por exemplo, o tato, mesmo que o espectador do desenho não encoste</p><p>nele — isso é possível a partir do uso de sombras, que são capazes de conferir</p><p>um aspecto de materialidade ao desenho (BAJZEK, 2019).</p><p>Por meio de técnicas de preenchimento, é possível perceber elementos como</p><p>luz e sombra, que definirão aspectos como volumes e texturas do objeto. O</p><p>preenchimento é composto por tonalidades, luz e sombra e texturas, que são</p><p>resultado das hachuras presentes na representação.</p><p>Na tonalidade localizada, é possível identificar as partes mais claras e mais</p><p>escuras do objeto: “Cada objeto tem uma claridade ou obscuridade intrínseca,</p><p>independentemente de sua iluminação. Este fenômeno é conhecido como tom</p><p>local” (DOYLE, 2007, p. 16). Uma superfície de laca branca e um tijolo de</p><p>adobe, sob a mesma fonte luminosa, terão tonalidades localizadas diferentes</p><p>— no tijolo, as partes iluminadas serão mais escuras que as da laca.</p><p>O sombreado de claro e escuro é capaz de dar a sensação de volume ao objeto</p><p>e ele é tão importante ao longo da história da pintura que inclusive recebeu</p><p>um nome específico: chiaroscuro, que significa a variação que aparece em</p><p>um sombreado, variando de tons claros até tons escuros, resultando em uma</p><p>sensação de tridimensionalidade do desenho (DOYLE, 2007).</p><p>Essa técnica de luz e sombra pode ser feita tanto no preto e branco, usando</p><p>grafites, quanto com a cores, com materiais como lápis de cor, hidrocores,</p><p>giz pastel, entre</p><p>outros. Para preto e branco, o ideal é treinar as escalas de</p><p>cinza capazes de serem produzidas pelos variados tipos de grafites (Figura</p><p>1a) — lembrando que eles podem variar de 9H (mais duro e a cor fica mais</p><p>cinza) até 9B (mais mole de cor mais escura, quase preto).</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra2</p><p>Em relação às cores, é importante salientar que elas variam sutilmente na</p><p>produção de partes claras e escuras sobre um objeto. Essa variação pode ser</p><p>observada em um círculo cromático (Figura 1b). O matiz, a cor propriamente</p><p>dita, recebe a variação de sua tonalidade acrescentando o branco, cor mais</p><p>luminosa, ou acrescentando preto, cor mais sóbria. A cor vai depender da</p><p>tonalidade local de cada superfície e a incidência de luz.</p><p>Figura 1. (a) Escala tonal dos vários lápis disponíveis no mercado. (b) Círculo cromático e a</p><p>variação dos matizes mais iluminados (centro) e mais sóbrios (borda).</p><p>Fonte: Militaru (2012, documento on-line); PicoStudio/Shutterstock.com.</p><p>Escolhido o material, a luz e a sombra podem ser alcançadas com hachuras</p><p>ou esfumados. O esfumado é uma técnica que consiste em misturar os tons de</p><p>modo que não se note a passagem de uma tonalidade para a outra, mas, sim,</p><p>uma espécie de mancha em degrade. O material que aplicado sobre o papel é</p><p>borrado em busca dos valores tonais (CURTIS, 2015).</p><p>Esfumar pode ser mais fácil com carvão (Figura 2) ou grafites, mas também é</p><p>possível com lápis de cor macios e giz pastel. Para “espalhar” o material, pode-se</p><p>usar um papel toalha, algodão, limpa-tipos, esfuminhos ou até mesmo o dedo.</p><p>3Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>Figura 2. Carvão aplicado sobre papel e esfumado.</p><p>Fonte: Anastasiia Firsova/Shutterstock.com.</p><p>Hachurar é criar tons de cinza por meio de linhas; os diversos tons</p><p>aparecem conforme a proximidade ou a distância entre as linhas é exe-</p><p>cutada. Linhas próximas formam tons mais escuros, enquanto linhas</p><p>mais distantes formam tons mais claros. “Um método alternativo para a</p><p>criação de tom que pode ser empregado em qualquer superfície é criar tons</p><p>de cinza por meio de linhas paralelas (hachuras ou hachuras cruzadas)”</p><p>(CURTIS, 2015, p. 226).</p><p>As hachuras também podem variar de intensidade quando se aperta mais</p><p>ou menos o material para conseguir a variação tonal, e a direção da hachura</p><p>também pode identificar a direção da luz ou indicar uma textura ou plano</p><p>(Figura 3).</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra4</p><p>Figura 3. Hachuras variadas que podem ser usadas para indicação</p><p>de luz e sombra e ao mesmo tempo indicam texturas.</p><p>Fonte: Kovalov Anatolii/Shutterstock.com.</p><p>Nesse ponto, vale ressaltar que as hachuras também podem ser feitas com</p><p>pontos e linhas irregulares (Figura 4). Essas variações acabam por gerar</p><p>texturas sobre uma superfície, ajudando a representar outras qualidades dos</p><p>objetos. Com as texturas, é possível perceber se o objeto é mais liso ou rugoso,</p><p>mais duro ou macio; além disso, as texturas em um desenho podem ser táteis,</p><p>com relevos no papel, ou apenas visuais, com a aplicação do preenchimento.</p><p>5Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>Figura 4. Pontilhado para indicar texturas e variação tonal.</p><p>Fonte: DarkPlatypus/Shutterstock.com.</p><p>Tonalidade, luz e sombra, hachura e textura são os elementos básicos de</p><p>preenchimento e dão todo o diferencial no desenho. Ao utilizá-los, a represen-</p><p>tação caminha na busca do realismo das formas. Por isso, para usufruir desses</p><p>princípios, algumas técnicas de aplicação de luz e sombra são necessárias, o</p><p>que você confere a seguir.</p><p>2 Procedimentos para a aplicação</p><p>da luz e sombra</p><p>Observar é procedimento básico para o início de qualquer desenho, espe-</p><p>cialmente no que se refere à aplicação de luz e sombra. Assim, é necessário</p><p>analisar detalhadamente cada objeto, cada material e como a luz incide sobre</p><p>eles para reproduzi-la.</p><p>Para desenhos em preto e branco, a base é a variação tonal produzida com</p><p>os grafites. Nos primeiros desenhos, pode-se trabalhar com uma gama em</p><p>torno de seis lápis diferentes para conseguir uma boa variação. Com o tempo,</p><p>é possível conseguir boas variações com apenas alguns lápis ou até mesmo</p><p>com apenas um.</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra6</p><p>O exercício de escala tonal é aparentemente muito simples, mas essencial para repre-</p><p>sentar sombras, visto que elas precisam dessa variação de tons de cinza para serem</p><p>executadas.</p><p>Para realizar o esfumado, começa-se pintando uma camada de grafite sobre</p><p>o papel. Depois, usa-se algum meio para unificar o grafite e, em seguida,</p><p>pode-se ir puxando o grafite para as áreas brancas a fim de criar meios tons.</p><p>Outra forma é já fazer o degradê nos grafites e depois ir misturando com o</p><p>meio escolhido, como dedo, papel, algodão, esfuminho — muitos profissio-</p><p>nais preferem utilizar o esfuminho por ser mais preciso e limpo, visto que o</p><p>desenhista tem mais controle sobre o material e não suja as mãos.</p><p>O esfuminho nada mais é que um papel enrolado bem firme em um formato cilín-</p><p>drico similar a um lápis que pode ser comprado pronto ou ser confeccionado pelo</p><p>desenhista. Veja a Figura 5.</p><p>Figura 5. Esfuminhos.</p><p>Fonte: Poli (2018, documento on-line).</p><p>7Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>O ideal é passar levemente o esfuminho, ou outro meio para esfumar, sobre o</p><p>grafite, cuidando para não machucar o papel, em função de muitas vezes o grafite</p><p>“encerrar” o papel dificultando seu borrado. O segredo do esfumado é ser sutil —</p><p>inclusive, pode-se, em uma evolução do desenho, eliminar as linhas de contorno</p><p>usando apenas a variação tonal para perceber os limites do objeto (Figura 6).</p><p>Figura 6. Variação tonal de luz e sombra com esfumado — note</p><p>que em algumas partes os contornos foram eliminados.</p><p>Fonte: JONG23/Shutterstock.com.</p><p>É importante salientar que as cores ou escalas de cinza não são visualizados</p><p>de forma isolada. Para aplicar luz e sombra, deve-se considerar sobre qual</p><p>outra cor está aplicada a variação tonal: “Cores claras e cores fortes e vivas</p><p>parecem iluminadas ou brilhantes quandocercadas por valores mais escuros,</p><p>aplicadas sobre fundos tonalizados ou vistas contra eles” (DOYLE, 2007, p. 22).</p><p>A base da aplicação da técnica de luz e sombra e suas variações é que ocorram</p><p>contrastes. Nos desenhos conhecidos como PB (preto e branco), o efeito sombre-</p><p>ado varia de cinza claro até preto. Todavia, para um desenho colorido, o uso de</p><p>sombreados nesses tons deixará o desenho sem brilho, sem vida (DOYLE, 2007).</p><p>Por isso, quando o desenho for colorido, deve-se atentar para a composição</p><p>cromática do matiz. A sombra de desenhos coloridos não é preta ou cinza, mas,</p><p>sim, a variação tonal da cor. Uma cor com um fundo mais sóbrio representará</p><p>partes sombreadas, enquanto nas áreas iluminadas o matiz será mais claro.</p><p>Para conseguir essa variação para o claro em tintas, é só acrescentar o</p><p>branco. Já sobre o papel branco, é mais fácil: pode-se deixar cada vez mais</p><p>aparecer o fundo, que é claro e dará a sensação de matiz mais iluminado. Note</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra8</p><p>que o exercício de escala tonal também vale para as cores, e o domínio de</p><p>controlar a pressão do lápis sobre o papel é essencial para essa representação.</p><p>Há uma diferença sutil entre os matizes que representarão o claro e o escuro,</p><p>e muitas caixas de lápis de cor já trazem essa variação pronta. Entender a</p><p>mistura das cores também é essencial para luzes e sombras e, mais uma vez,</p><p>o círculo cromático pode ajudar nessa visualização.</p><p>Podemos pesnar no exemplo do verde das plantas, que é uma cor secundária,</p><p>ou seja, originária da mistura do azul com amarelo, duas cores primárias. Para</p><p>representar a luz e a sombra em uma árvore, pode-se usar mais amarelo na</p><p>área iluminada e mais azul na parte sombreada (Figura 7).</p><p>Figura 7. Verdes podem ser mais iluminados com acréscimo</p><p>de branco ou com o uso de mais amarelo; já para as áreas de</p><p>sombras, acrescenta-se</p><p>azul.</p><p>Fonte: Scott E. Feuer/Shutterstock.com.</p><p>As hachuras, segundo Ching (2017), podem variar entre: hachuras paralelas,</p><p>hachuras cruzadas, hachuras com movimentos circulares e pontilhados (Figura</p><p>8). Independentemente da técnica escolhida, o foco sempre deve ser o tom que</p><p>ser quer representar. Já o efeito visual de cada uma pode variar especialmente</p><p>se analisada a textura que se quer representar.</p><p>9Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>Figura 8. Tipos variados de hachuras.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 149).</p><p>Ching (2017) também estabelece alguns procedimentos de execução para cada</p><p>hachura. No caso das hachuras paralelas, os traços, relativamente paralelos uns</p><p>aos outros, podem ser curtos ou longos e executados à mão livre ou com régua.</p><p>Quando executados à mão livre, recomenda-se traços mais curtos e diagonais,</p><p>considerando que por esse meio o desenho é mais flexível. A direção da hachura</p><p>pode seguir alguma linha existente no desenho ou no plano. Já para representar</p><p>superfícies curvas, pode-se diminuir a pressão do traçado nas suas bordas.</p><p>Além disso, deve-se tomar cuidado com grafites muitos duros, que podem</p><p>rasgar o papel, bem como cuidar quando a hachura for feita à caneta, pois com</p><p>esse material não é possível variar a pressão, somente aproximar ou afastar</p><p>os traços para conseguir valores tonais diferenciados.</p><p>Para as hachuras cruzadas, são utilizadas séries de traços em duas ou mais</p><p>direções e que também podem ser curtos ou longos, feitos com lápis ou caneta,</p><p>à mão livre ou com o uso de régua. Utilizando-se dois sentidos, a sombra fica</p><p>mais dura e mecânica, mas facilita a descrição de certos tipos de texturas.</p><p>No conjunto de três ou mais camadas de hachuras, gera-se mais flexibilidade</p><p>na representação, sendo mais fácil representar orientação e curvatura das</p><p>superfícies. Na prática, é comum utilizar em um mesmo desenho dois tipos</p><p>de hachuras, até para diferenciar os materiais e suas texturas.</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra10</p><p>Nas hachuras circulares, os movimentos dos traços são aleatórios e</p><p>multidirecionais, e esse tipo de hachura é executado apenas à mão livre:</p><p>“Podemos variar a forma, a densidade e a direção dos traços para atingir</p><p>gamas mais amplas de valores tonais, texturas e expressividade visual”</p><p>(CHING, 2017, p. 152). Os traços podem ser interrompidos ou contínuos</p><p>e facilitam a representação de diferentes materiais, como os veios de uma</p><p>madeira.</p><p>Por fim, o pontilhado faz uso de uma série de pontos muito pequenos para</p><p>representar a variação tonal e a luz e a sombra. É um trabalho mais lento e</p><p>minucioso, sendo recomendado para esse desenho o uso de canetas nanquim</p><p>de ponta fina. Além disso, essa técnica é ideal para uso em desenho no qual</p><p>não se tem os contornos dos objetos.</p><p>A sequência de pontos é que definirá a silhueta das formas. Para um bom</p><p>resultado, recomenda-se, primeiro, cobrir as áreas sombreadas com pontos</p><p>distribuídos de maneira uniforme. Somente depois são acrescentados novos</p><p>elementos para formar a variação tonal desejada — o importante é não variar</p><p>o tamanho dos pontos, somente a sua quantidade.</p><p>Vimos, portanto, que existem variadas formas de representar a ação da</p><p>luz sobre os objetos que serão desenhados e que cada elemento possui uma</p><p>tonalidade própria que também deve ser representada. A seguir, você verá</p><p>como iniciar seu próprio desenho preenchido.</p><p>3 O desenvolvimento do desenho preenchido</p><p>O desenho é uma aptidão que é aprimorada conforme se pratica. Por isso, para</p><p>criar o próprio desenho de preenchimento, é preciso ter em mente o estágio</p><p>em que se encontra e considerar que, quanto mais exercício é feito, mais se</p><p>evolui nas representações.</p><p>Dessa forma, começa-se desenvolvendo formas unitárias mais simples para</p><p>depois chegar ao desenho de uma cena toda. Inicia-se, então, escolhendo um</p><p>papel sulfite A4 e uma gama de alguns grafites e, em um segundo momento,</p><p>treina-se com canetas e materiais coloridos.</p><p>11Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>Começa-se desenhando formas geométricas simples e planas, como um</p><p>triângulo, um quadrado, um círculo e um retângulo (Figura 9a). Uma das funções</p><p>do preenchimento, além de dar luz, sombra e textura, é representar os volumes;</p><p>então, a partir dos desenhos planos, preenche-se com tonalidades de grafite a</p><p>fim de transformar os objetos bidimensionais em tridimensionais (Figura 9).</p><p>Observa-se, assim, como a luz funciona sobre as formas: “será mais fácil se você</p><p>semicerrar os olhos, pois isso anula as diferenças sutis de valor e permite a você que</p><p>enxergue as relações tonais genéricas do ‘macrocenário’” (CURTIS, 2015, p. 224).</p><p>Conforme destaca Hallawel (1999), a incidência da luz sobre os objetos</p><p>causa alguns efeitos, dentre eles (Figura 9b):</p><p> destaques de luz (A): superfície diretamente iluminada pela fonte</p><p>luminosa;</p><p> sombras próprias (B): áreas ainda sobre o objeto que não recebem</p><p>diretamente a luz e estão sombreadas;</p><p> zonas de luz refletidas (C): áreas sombreadas, mas que sofrem certa</p><p>influência das áreas iluminadas — dessa forma, possuem uma sombra</p><p>não tão intensa e que pode ser representada com um tom médio;</p><p> sombras projetadas (D): valores tonais escuros que se formam sobre uma</p><p>superfície que receberia luz caso o objeto não estivesse naquele local.</p><p>Figura 9. (a) Formas geométricas simples bidimensionais. (b) Preenchimento transfor-</p><p>mando as formas em elementos tridimensionais.</p><p>Fonte: Oana_Unciuleanu/Shutterstock.com.</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra12</p><p>A luz e a sombra também podem ser representadas com hachuras. Começa-</p><p>-se treinando hachuras mais simples: linhas paralelas. Primeiro, desenha-se o</p><p>contorno dos objetos da cena, escolhendo algo mais simples. Depois, faz-se o</p><p>processo de observação das partes mais e menos iluminadas.</p><p>A partir do entendimento das sobras, preenche-se as áreas escuras. Então,</p><p>passa-se a diferenciar áreas mais e menos escuras, como, por exemplo, as sombras</p><p>no próprio objeto e as sombras projetadas no chão. Para as áreas com uma tona-</p><p>lidade média, as linhas são mais afastadas. Para as sombras projetadas, as linhas</p><p>são aproximadas para dar a sensação de uma tonalidade mais escura (Figura 10).</p><p>Figura 10. Desenho com hachuras paralelas: mais distantes nos objetos (tons médios), mais</p><p>próximas nas sombras projetadas (tons escuros).</p><p>Fonte: Jackie Irkovich/Shutterstock.com.</p><p>Quando se domina o desenho individual e depois de hachuras mais sim-</p><p>ples, começa-se a treinar com cenas mais complexas. Aproveita-se, então,</p><p>para escolher algo que retrate seu dia a dia profissional. O ideal é realizar o</p><p>desenho in loco para conseguir observar bem as tonalidades localizadas, a</p><p>luz, a sombra, bem como as texturas.</p><p>13Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>Separa-se um papel A4 — ou A3, caso se trate de uma cena maior — e se</p><p>começa, por um desenho de observação, a delimitar os objetos principais. É</p><p>importante lembrar de semicerrar os olhos para observar a incidência de luz</p><p>e, a partir daí, começar a sombrear.</p><p>Pode-se aproveitar para começar a retratar as texturas, percebendo as rugosas,</p><p>nas quais se pode usar linhas mais irregulares; metais, que se representa com uma</p><p>espécie de brilho na parte central; lisas, com linhas mais limpas; tramas com</p><p>hachuras cruzadas,; superfícies curvas; vidros com transparência, ou seja, mesmo</p><p>com hachura, aparece o que está por trás do vidro, e assim por diante (Figura 11).</p><p>Figura 11. Desenho com hachuras representando luz e sombra, texturas, volumes.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 34).</p><p>Neste capítulo, vimos a importância do preenchimento em um desenho.</p><p>Com essa técnica, podemos compreender e representar a tonalidade localizada,</p><p>a luz e a sombra que podem ser efetuadas com esfumados ou hachuras.</p><p>Com o uso de hachuras, sejam elas paralelas, cruzadas, circulares ou</p><p>pontilhadas, é possível representar as diferentes texturas dos objetos. Esses</p><p>recursos engrandecem a representação</p><p>e a trazem para mais perto da realidade</p><p>do mundo que nos cerca.</p><p>Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra14</p><p>BAJZEK, E. Técnicas da ilustração à mão livre: do ambiente construído à paisagem urbana.</p><p>Osasco: Gustavo Gili, 2019.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas</p><p>e designers de interiores. Porto Alegre: Bookman, 2007.</p><p>HALLAWELL, P. C. À mão livre: a linguagem do desenho. 11. ed. São Paulo: Melhora-</p><p>mentos, 1999.</p><p>MILITARU, A. Cumparand materiale pentru desen. Aleg As Desenez, 3 nov. 2012. Dis-</p><p>ponível em: http://alegsadesenez.com/cumparand-materiale-pentru-desen/. Acesso</p><p>em: 12 mar. 2020.</p><p>POLI, M. Esfuminho: estou usando ele da forma correta? Desenhos Realistas, 11 abr. 2018.</p><p>Disponível em: https://desenhosrealistas.com.br/esfuminho/. Acesso em: 12 mar. 2020.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>15Técnicas de preenchimento: escala de cinzas, luz e sombra</p><p>PERSPECTIVA</p><p>DE INTERIORES</p><p>Marcos Antonio Leite</p><p>Frandoloso</p><p>Representação gráfica</p><p>dos métodos específicos</p><p>do desenho tridimensional</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Distinguir desenho tridimensional de desenho bidimensional.</p><p>� Identificar os métodos dos desenhos tridimensionais.</p><p>� Explicar a relevância da representação gráfica em desenhos</p><p>tridimensionais.</p><p>Introdução</p><p>A maneira como as pessoas se relacionam com os objetos e os espaços</p><p>abertos ou fechados está intimamente ligada ao sentido da visão, pois as</p><p>coisas do mundo têm altura, largura e profundidade, as três dimensões.</p><p>Neste capítulo, você vai ver as diferentes formas de representar o</p><p>processo de criação do projeto de design de interiores. A escolha de uma</p><p>representação depende do que você pretende informar ao seu cliente e</p><p>às equipes de execução de elementos, como mobiliário e revestimentos.</p><p>Como você vai ver, é possível desenvolver desenhos em duas dimen-</p><p>sões — altura e largura (bidimensionais) — ou aliar a profundidade para</p><p>compor desenhos tridimensionais.</p><p>U N I D A D E 3</p><p>Desenho tridimensional × desenho</p><p>bidimensional</p><p>As diferentes formas de representação do design de interiores geram aborda-</p><p>gens distintas de cada um dos elementos do ambiente a ser projetado. Nesse</p><p>sentido, as projeções em duas dimensões (bidimensionais) permitem apresentar</p><p>informações para atender a objetivos relacionados com a execução. Isso ocorre</p><p>pois essas projeções podem apresentar ao cliente e às equipes de execução</p><p>medidas de alturas e larguras, por meio de especificações constantes em</p><p>plantas baixas, cortes ou secções e vistas ou elevações.</p><p>Por outro lado, os desenhos tridimensionais permitem a visualização desses</p><p>ambientes aliando a terceira dimensão, que é a profundidade. Assim, as pers-</p><p>pectivas (uma das formas de se fazer essa representação) mostram um edifício</p><p>ou um espaço interno de modo mais aproximado daquilo que é percebido pelo</p><p>olho humano a partir de determinado ângulo (LEGGIT, 2008, p. 44).</p><p>Na Figura 1, você pode ver as diferentes formas de representação bidi-</p><p>mensionais e tridimensionais. A tarefa central da arquitetura e do design de</p><p>interiores é mostrar as formas, construções e ambientes — que por natureza</p><p>são tridimensionais — em uma superfície bidimensional, como o papel ou a</p><p>tela de um computador. Autores como Ching (2017, p. 37) e Ching e Bingelli</p><p>(2013, p. 71) reforçam essa relação com desenhos de múltiplas vistas, paraline</p><p>ou em linhas paralelas e perspectivas, constituindo uma linguagem gráfica</p><p>que é governada por um conjunto de regras e princípios.</p><p>A forma de desenvolvimento das perspectivas pode ser bastante variada.</p><p>Você pode fazer desenhos à mão livre ou croquis, com ou sem o auxílio</p><p>de instrumentos como esquadros e escalímetros, ou mesmo por meio de</p><p>programas computacionais. A simulação do ambiente poderia ser simpli-</p><p>ficada, assemelhando-se a uma fotografia desse ambiente ainda nas etapas</p><p>de concepção e projeto, a fim de que se possa mostrar uma aproximação do</p><p>resultado ao cliente.</p><p>Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional2</p><p>Figura 1. Representações bidimensionais e tridimensionais.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 31).</p><p>Métodos de desenho tridimensional</p><p>De acordo com as necessidades de representação dos objetos e dos ambientes</p><p>internos ou externos, são empregadas distintas maneiras de apresentação</p><p>gráfica tridimensional. Conforme a classificação de Ching e Bingelli (2013),</p><p>além dos desenhos de múltiplas vistas ortogonais, que são as plantas baixas,</p><p>cortes e vistas ou elevações, os desenhos tridimensionais do tipo paraline</p><p>3Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional</p><p>ou de linhas paralelas utilizam as projeções axonométricas ou oblíquas. Já</p><p>as perspectivas adotam um ou mais pontos de fuga. Você pode ver essas</p><p>projeções na Figura 2.</p><p>Figura 2. Projeções ortogonais, oblíquas e em perspectiva.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 30).</p><p>Nas projeções ortogonais, as linhas são projetadas paralelamente entre si</p><p>e perpendicularmente ao plano do desenho. É necessário preservar o que se</p><p>chama de verdadeira grandeza, pois a relação de dimensões em todos os</p><p>planos é a mesma, sem apresentar distorções ou escorço.</p><p>Nas projeções oblíquas, as linhas projetadas são paralelas entre si, porém</p><p>oblíquas ao plano de desenho, como você também pode ver na Figura 1. As</p><p>diferenças entre cada um dos sistemas se devem aos distintos ângulos entre</p><p>as faces e o plano de desenho:</p><p>Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional4</p><p>� isométricas, em que os três eixos principais são representados com</p><p>ângulos iguais ao do plano de desenho;</p><p>� dimétricas, em que dois dos três eixos principais estão em ângulos</p><p>iguais ao do plano de desenho;</p><p>� trimétricas, em que os três eixos estão em ângulos diferentes.</p><p>Dependendo de cada uma das metodologias e tipos de representações</p><p>oblíquas, são aplicados fatores de redução de algumas das projeções. A mais</p><p>comum dessas representações axonométricas é a isométrica, pois é uma re-</p><p>presentação com todos os ângulos iguais e com a igualdade de medidas. Na</p><p>Figura 3, você pode perceber essa aplicação em um conjunto de edifícios e</p><p>em uma visão “explodida” ou expandida de elementos de um desses edifícios,</p><p>que serve para a identificação de cada um dos componentes do ambiente.</p><p>Figura 3. Perspectiva isométrica de uma propriedade rural.</p><p>Fonte: Yee (2016, p. 185).</p><p>Por outro lado, nas projeções em perspectiva, também chamadas de</p><p>perspectivas cônicas, as linhas projetadas convergem de um ponto central</p><p>que coincide com o olho do observador. Dessa maneira, elas são uma forma</p><p>mais realista de se representar o ambiente construído e a paisagem urbana.</p><p>Nelas são aplicados métodos para a redução de dimensões de acordo com as</p><p>5Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional</p><p>linhas convergentes. Yee (2016, p. 225) apresenta as vantagens de adotar as</p><p>perspectivas de projetos preliminares e croquis à mão livre para demonstrar</p><p>forma, escala, textura, iluminação, contornos e sombras, além da organização</p><p>espacial. Como representação final, a perspectiva é uma aproximação bastante</p><p>fiel do resultado proposto.</p><p>A escolha do sistema de representação a ser adotado depende do que você</p><p>pretende demostrar no seu projeto. A representação é um ponto de vista, mas</p><p>é por meio dela que o cliente pode compreender suas propostas de forma mais</p><p>clara e direta.</p><p>A importância da representação</p><p>gráfica em</p><p>desenhos tridimensionais</p><p>As representações tridimensionais podem ser um recurso valioso para os</p><p>profissionais do design de interiores. Elas permitem uma apresentação mais</p><p>rápida das intenções projetuais por meio de croquis. Nelas, são perceptíveis</p><p>as noções de escala e as proporções do projeto. Afinal, sempre são observadas</p><p>relações geométricas nos desenhos e seus componentes, como paredes, pisos</p><p>e tetos, no caso de ambientes internos.</p><p>Durante a criação do projeto, desde a sua conceituação geral, as repre-</p><p>sentações tridimensionais contribuem para a sua viabilização. Contudo, em</p><p>um primeiro momento, não há a necessidade de utilizar muitos elementos ou</p><p>detalhes. A ideia é auxiliar eficazmente o processo de tomada de decisões,</p><p>inicialmente do(s) projetista(s). Com o avanço do processo projetual, o objetivo</p><p>é promover a comunicação com os clientes e usuários, geralmente leigos e</p><p>sem conhecimentos técnicos de visualização de esquemas e desenhos bidi-</p><p>mensionais, como plantas baixas e elevações.</p><p>Por meio de perspectivas, é possível desenvolver os elementos verticais e</p><p>horizontais e suas associações. Além disso, é possível estudar os efeitos de</p><p>cores no ambiente, ampliando ou reduzindo a percepção pelo usuário. Podem</p><p>ser feitas representações bidimensionais e tridimensionais para a concepção</p><p>de um ambiente e das relações entre espaços adjacentes.</p><p>Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional6</p><p>Na Figura 4, os projetistas exploram as relações internas e externas com</p><p>o objetivo de atrair os clientes até a loja, inserida em um edifício histórico</p><p>atrás de edifícios adjacentes.</p><p>Figura 4. Loja Katherine Hamnett em Londres, Foster + Partners, 1987.</p><p>Fonte: Higgins (2015, p. 31).</p><p>Na Figura 5, os projetistas utilizam a representação em perspectiva oblíqua</p><p>para definir a integração entre os elementos e o mobiliário em um dormitório.</p><p>7Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional</p><p>Figura 5. Dormitório infantil em Paris, h2O Architects, 2009.</p><p>Fonte: Higgins (2015, p. 44).</p><p>As imagens que ilustram este capítulo mostram diferentes empregos das represen-</p><p>tações tridimensionais. Cabe a você definir em que etapa do processo projetual é</p><p>mais importante usá-las e qual é o seu objetivo. Como você viu, é possível utilizá-las</p><p>de forma esquemática e manual, em forma de croquis, ou em representações finais,</p><p>com a adoção de instrumentos de desenho ou mesmo ferramentas computacionais.</p><p>Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional8</p><p>1. A representação axonométrica</p><p>do tipo isométrica é uma</p><p>das mais utilizadas no design</p><p>de interiores. Qual é a sua</p><p>principal característica?</p><p>a) Todos os ângulos são</p><p>diferentes uns dos outros.</p><p>b) Dois ângulos são iguais.</p><p>c) Todos os ângulos são iguais.</p><p>d) Apresenta a visão do observador</p><p>em um ponto de fuga.</p><p>e) Os três eixos são diferentes.</p><p>2. As representações expandidas</p><p>são também uma forma de</p><p>apresentar os componentes e</p><p>elementos do ambiente. Em qual</p><p>dos tipos elas podem ser melhor</p><p>classificadas e visualizadas?</p><p>a) Cônica com dois pontos de fuga.</p><p>b) Bidimensional ortogonal.</p><p>c) Perspectiva com um</p><p>ponto de fuga.</p><p>d) Oblíqua isométrica.</p><p>e) Obliqua trimétrica.</p><p>3. A representação gráfica é uma</p><p>excelente ferramenta para</p><p>auxiliá-lo no design de interiores.</p><p>Em qual das etapas de projeto</p><p>as perspectivas manuais podem</p><p>contribuir para demostrar as</p><p>intenções gerais do ambiente?</p><p>a) Na etapa de apresentação</p><p>para o cliente.</p><p>b) Na etapa de criação</p><p>e conceituação.</p><p>c) Nas etapas de criação e</p><p>desenvolvimento da proposta.</p><p>d) Em todas as etapas.</p><p>e) Apenas na conceituação inicial.</p><p>4. Os desenhos são uma simulação</p><p>dos objetos e ambientes</p><p>desenvolvidos pelos profissionais</p><p>de arquitetura e design de</p><p>interiores. Nesse sentido, o que</p><p>é verdadeira grandeza em uma</p><p>representação bidimensional</p><p>ou tridimensional?</p><p>a) É a aplicação de fatores de</p><p>redução das proporções e</p><p>medidas dos elementos.</p><p>b) Consiste em mostrar todos</p><p>os componentes com</p><p>suas dimensões reais.</p><p>c) É a projeção das proporções</p><p>do objeto de acordo com a</p><p>sua distância do observador.</p><p>d) Consiste em permitir que</p><p>o observador escolha seu</p><p>ponto de vista para perceber</p><p>o espaço desenhado.</p><p>e) São as medidas reais do objeto</p><p>representadas segundo a</p><p>escala de desenho adotada.</p><p>5. É importante compreender as</p><p>diferenças entre as características</p><p>de uma planta baixa e de uma</p><p>perspectiva. Qual é o principal</p><p>elemento para a diferenciação</p><p>entre os desenhos bidimensionais</p><p>e tridimensionais?</p><p>a) A localização do observador</p><p>em relação ao plano</p><p>de desenho.</p><p>b) As plantas baixas apresentam</p><p>distorções de proporções</p><p>entre os seus elementos,</p><p>enquanto as perspectivas</p><p>sempre são representadas</p><p>em verdadeira grandeza.</p><p>c) A etapa de desenvolvimento do</p><p>processo de projeto de design</p><p>de interiores a ser adotada.</p><p>9Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional</p><p>CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Book-</p><p>man, 2013.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>FERNANDO, P. H. L. et al. Desenho de perspectiva. Porto Alegre: Sagah, 2018.</p><p>HIGGINS, I. Planejar espaços para o design de interiores. São Paulo: GG, 2015.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam a tecnologia. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2008.</p><p>YEE, R. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. 4. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 2016.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>DOMINGUEZ, F. Croquis e perspectivas. Porto Alegre: Masquatro, 2011.</p><p>GALESSO, L. Como desenhar perspectiva: aprenda a desenhar #3. ABRA — Escola de</p><p>Arte, 17 maio 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=15RNlEtXuko>.</p><p>Acesso em: 11nov. 2018.</p><p>KUBBA, S. A. A. Desenho técnico para construção. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>QUADROS, E. S.; SANZI, G. Desenho de perspectiva. São Paulo: Érica, 2014.</p><p>d) A forma como as projeções</p><p>do objeto são representadas</p><p>no plano de desenho.</p><p>e) O modo como as linhas axiais</p><p>do objeto representado são</p><p>percebidas pelo observador.</p><p>Representação gráfica dos métodos específicos do desenho tridimensional10</p><p>DESENHO TÉCNICO</p><p>ARQUITETÔNICO</p><p>Aline Cristiane Scheibe</p><p>Atividades à mão livre</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar os desenhos à mão livre como ferramentas do processo</p><p>criativo.</p><p>� Reconhecer os princípios do desenho à mão livre.</p><p>� Reproduzir desenhos de linhas à mão livre.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai estudar como o desenho à mão livre pode auxiliar</p><p>na prática de representação gráfica, além de compreender que o desenho</p><p>não é apenas uma expressão artística, mas também uma ferramenta que</p><p>permite explorar e desenvolver ideias e projetos.</p><p>Relação entre desenho e processo criativo</p><p>Considerando todos os avanços constantes das tecnologias de representação</p><p>gráfica, o desenho à mão livre ainda é a forma mais intuitiva de registrar algo</p><p>que observamos, ideias ou experiências. O desenho não é apenas uma expressão</p><p>artística, é também uma ferramenta que permite explorar e desenvolver suas</p><p>ideias e projetos. Dessa forma, você pode perceber que existe uma relação</p><p>direta entre o desenho e o processo de criação (CHING, 2017).</p><p>Segundo Ching (2012), o desenho é um processo de ver, imaginar e re-</p><p>presentar imagens. Por meio do canal sensorial da visão, que é o sentido no</p><p>qual nos apoiamos para as atividades cotidianas, temos contato com o mundo.</p><p>O ver colabora na habilidade de desenhar, assim como o desenhar fortalece</p><p>nossa visão. Todos os dados que percebemos através dos olhos são processados</p><p>na nossa mente até encontrar um significado, criando, assim, as imagens que</p><p>representamos ao desenhar. Portanto, o desenhar é mais que uma habilidade,</p><p>é a construção das imagens que estimulam nossa imaginação, assim como o</p><p>imaginar alimenta</p><p>nosso desejo de desenhar. Por fim, o representar, no caso,</p><p>o desenho, é a forma gráfica que vemos a nossa frente ou imaginamos, um</p><p>meio natural de expressão. Sendo assim, podemos concluir que o desenhar</p><p>é um processo dinâmico e criativo capaz de exteriorizar as percepções do</p><p>mundo visual que nos cerca.</p><p>Na arquitetura e na engenharia, o desenho à mão livre, croqui ou esboço</p><p>é um dos mais importantes instrumentos para a habilidade de visualização,</p><p>pois permite, de maneira rápida, a troca ideias com outros membros da equipe</p><p>de projeto (GIESECKE et al., 2002).</p><p>Durante o projeto, o desenho pode ser utilizado tanto para mostrar algo</p><p>que já existe como para apresentar ou desenvolver uma ideia, desde o início</p><p>até a proposta final (CHING, 2012).</p><p>Fundamentos do desenho à mão livre</p><p>Para você aprender a desenhar e utilizar o desenho de forma eficiente em seus</p><p>projetos, são necessários alguns conhecimentos e habilidades fundamentais,</p><p>como traçar linhas de espessuras diferentes e desenhar formatos diversos.</p><p>Uma das informações que você precisa saber refere-se aos materiais exis-</p><p>tentes para desenho. A principal vantagem do desenho à mão livre é que ele</p><p>requer apenas lápis, papel e borracha, ou seja, folhas normais ou quadriculadas,</p><p>cadernos ou blocos são úteis para tarefas de campo. Existem também diversos</p><p>tipos de canetas esferográficas, hidrográficas e marcadores. É preciso que</p><p>você escolha o tipo ideal, que melhor se adapte ao seu objetivo.</p><p>As lapiseiras são as mais utilizadas, e são fabricadas para grafites de</p><p>0,3 mm, 0,5 mm, 0,7 mm e 0,9 mm. Cada espessura é utilizada para o tipo de</p><p>linha que você desejar fazer. Lápis comuns também são eficientes, baratos e</p><p>facilitam o traçado de linhas espessas ou finas, de acordo com o modo como</p><p>forem apontados (GIESECKE et al., 2002). Na Figura 1, você pode observar</p><p>alguns tipos de lápis e lapiseiras de desenho.</p><p>Atividades à mão livre2</p><p>Figura 1. Lapiseiras e lápis para desenho.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 55).</p><p>Na Figura 2, você pode ver a classificação dos grafites e seus usos. Para</p><p>esboços à mão livre, são indicados, na maioria das vezes, os tipos F, HB, B e</p><p>2B. (GIESECKE et al., 2002)</p><p>Figura 2. Classificação dos grafites.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 56).</p><p>Você pode experimentar diversos instrumentos para poder perceber que</p><p>cada um atribuirá características específicas ao seu desenho. Com uma caneta</p><p>ou lapiseira de ponta fina você será capaz de traçar linhas finas e detalhes,</p><p>3Atividades à mão livre</p><p>já com um lápis ou marcador de ponta grossa, o traço será mais abrangente</p><p>e tende a omitir os detalhes.</p><p>Você precisa saber também que a qualidade do traço à mão livre é</p><p>determinada pela dureza do grafite e pela quantidade de pressão aplicada</p><p>sobre o papel. Ao desenhar traços firmes e regulares, é interessante que</p><p>você não apoie a mão na superfície do desenho, o lápis deve ser segurado em</p><p>posição relaxada, se você segurar com muita força, causará fadiga nas mãos.</p><p>Com o movimento do pulso e braço você conseguirá traços mais longos e</p><p>contínuos, utilize o pulso, o cotovelo e o ombro como pontos de articulação</p><p>(YEE, 2016).</p><p>Desenhando linhas e formatos</p><p>Segundo Ching (2017), o desenho à mão livre é composto por linhas ou uma</p><p>combinação de linhas e tons. A linha, no entanto, é o elemento individual</p><p>principal, capaz de uma ampla variedade de expressões. Ela pode representar</p><p>uma diversidade de materiais (duros ou macios), além de ser leve ou pesada,</p><p>curva ou reta, marcante ou insegura.</p><p>A linha, em um desenho à mão livre ou mesmo em um desenho técnico,</p><p>tem sempre um significado próprio. Os desenhistas e arquitetos usam em</p><p>larguras e estilos diferentes para indicar seu significado. Assim, quando</p><p>a pessoa lê um desenho, de acordo com o estilo da linha, pode entender se</p><p>ela é visível ou invisível, se representa um eixo ou se serve para apresentar</p><p>informações dimensionais. Caso elas não tenham nenhuma distinção, os</p><p>desenhos podem se transformar em uma confusão de linhas. Para que</p><p>seus desenhos fiquem claros, faça o contraste entre larguras de linhas</p><p>distintas. Todas as linhas, exceto as de construção, devem ser nítidas e</p><p>escuras. As linhas de construção devem ser muito claras, de modo que</p><p>não sejam visíveis (ou fiquem pouco visíveis) em desenhos completos</p><p>ou acabados (GIESECKE et al., 2002). Na Figura 3 é possível observar</p><p>algumas variações de linhas.</p><p>Atividades à mão livre4</p><p>Figura 3. Tipos de linhas.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 57).</p><p>Tendo como elemento base a linha, é possível retratar as arestas e os con-</p><p>tornos dos objetos que observamos no espaço. Estabelecendo esses limites,</p><p>a linha define um formato, que estabelece a figura e organiza a composição</p><p>do desenho.</p><p>Os contornos são o que separam uma coisa da outra, criam as imagens no</p><p>espaço visual, circunscrevem os objetos e definem os seus limites externos,</p><p>descrevendo, assim, a sua forma (CHING, 2012).</p><p>Você pode utilizar o desenho de contornos como uma estratégia para dese-</p><p>nhar a partir da observação, e conseguirá uma correspondência mais precisa</p><p>entre o olho que segue as arestas de uma forma e sua mão, que desenha as</p><p>linhas que representam essas arestas.</p><p>5Atividades à mão livre</p><p>Na Figura 4 você pode observar o passo a passo, com três métodos, para a construção</p><p>de uma circunferência com base em pontos e linhas, essa circunferência poderia ser</p><p>o contorno de uma bola de futebol, por exemplo.</p><p>Figura 4. Desenho de circunferência.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 60).</p><p>Atividades à mão livre6</p><p>Desenhos de observação</p><p>De acordo com Ching (2012), apesar da percepção ser algo subjetivo, a visão</p><p>é o sentido mais importante para captarmos as informações do ambiente. A</p><p>observação nos permite perceber as superfícies, as texturas, traçar o contorno</p><p>dos objetos e explorar os espaços.</p><p>Os desenhos à mão livre não têm uma escala definida, pois são feitos por</p><p>meio das proporções a olho e com o uso de algumas técnicas que podem ser</p><p>utilizadas para facilitar o desenho, conhecidas como técnicas de visualização.</p><p>Para o desenho de observação, é possível construir uma espécie de visor,</p><p>em que se corta um retângulo de 8 x 10 cm no meio de uma folha de papelão</p><p>de 21 x 29,7 cm (formato A4) cinza escuro ou preta. Depois, divide-se esta</p><p>abertura ao meio, na vertical e na horizontal, com dois fios escuros fixos</p><p>com fita adesiva. Este visor pode ajudar você a compor uma vista, estimar</p><p>a posição e a direção dos contornos do seu desenho. Você deverá olhar por</p><p>meio da abertura apenas com um olho para visualizar efetivamente a imagem</p><p>(Figura 5) (CHING, 2012).</p><p>Outra técnica disponível é utilização do comprimento do lápis ou lapiseira</p><p>como dispositivo de observação e, principalmente, para definir a medida ou</p><p>proporção. Você deve segurar o lápis com o braço estendido, paralelamente</p><p>aos seus olhos e perpendicular à sua linha de visão, assim, você consegue</p><p>calcular distâncias relativas e o ângulo das linhas do ambiente observado</p><p>(Figura 5) (CHING, 2012).</p><p>7Atividades à mão livre</p><p>Figura 5. Técnicas de visualização.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 29).</p><p>Contudo, você não precisa se preocupar tanto com as técnicas, elas são</p><p>apenas dicas que podem facilitar seu aprendizado. Com tempo e prática, você</p><p>irá desenvolver a habilidade de medir uma forma e estimar relações com seus</p><p>próprios olhos, que guardará na mente como se fosse uma régua de medição</p><p>imaginária, com base em um dos aspectos da forma do ambiente ou objeto</p><p>a ser desenhado. Cada um desenvolve um estilo pessoal de desenhar, sem o</p><p>uso de dispositivos externos como o lápis e o visor.</p><p>Atividades à mão livre8</p><p>O desenho de observação ajuda sua capacidade de reter memórias visuais e ampliar</p><p>seu vocabulário de desenho. Desenhe algo do seu interesse, o desenho de obser-</p><p>vação é mais gratificante quando se desenha algo com algum significado pessoal.</p><p>Para desenhos de arquitetura é possível incluir temas relativos a espaços internos e</p><p>externos, públicos ou privados, sequências espaciais e</p><p>partir de 1942, passou a adotar o módulo-base</p><p>de 10 cm, ao passo que a Inglaterra, por exemplo, passou a adotar o sistema</p><p>de quatro polegadas, a partir de 1966 (SOUSA, 2011).</p><p>Ainda que técnicas de proporção e do sistema de escala estejam intrin-</p><p>sicamente relacionadas, é importante que você consiga, a partir desse breve</p><p>histórico, isolar o sistema de escala no momento do desenho de observação.</p><p>O arquiteto tende a usar o conhecimento disponível na memória para sua</p><p>elaboração, mas é preciso lembrar que no desenho de observação, você precisa</p><p>registrar a proporção que vê, e não a que sabe. O uso constante do instrumento</p><p>ajuda a preservar a precisão das proporções percebidas, com base no sistema</p><p>cartesiano.</p><p>As dimensões que você sabe de memória, pode aplicar em esboços de</p><p>projeção paralela, conforme apresentado no próximo tópico, embora não</p><p>representem a realidade observada.</p><p>Métodos de projeção cônica e paralela</p><p>O método de projeção envolve os olhos do observador ou o ponto de vista, o</p><p>objeto, o plano de projeção e as projetantes, também chamadas de raios visuais</p><p>57Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 57 01/12/2017 16:51:50</p><p>ou linhas de visada. Existem dois métodos de projeção: a projeção cônica e a</p><p>paralela, e suas respectivas perspectivas e vistas você pode observar na Tabela 2.</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002).</p><p>Projeção Perspectiva</p><p>Cônica Linear</p><p>Com 1 ponto de fuga</p><p>Com 2 pontos de fuga</p><p>Com 3 pontos de fuga</p><p>Aérea</p><p>Paralela</p><p>Ortogonal</p><p>1) Axonométrica Isométrica: todos os eixos se reduzem igualmente</p><p>Dimétrica: dois eixos se reduzem igualmente</p><p>Trimétrica: todos os três eixos se reduzem diferentemente</p><p>2) Oblíqua Cavaleira</p><p>Cabinet</p><p>Tabela 2. Classificação das projeções.</p><p>Nas vistas ortográficas (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si</p><p>e perpendiculares ao plano de projeção (GIESECKE et al., 2002). Você pode</p><p>utilizá-las para desenhar fachadas em esboços arquitetônicos a mão livre.</p><p>Na projeção axonométrica (Figura 3), os raios visuais também são paralelos</p><p>entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Quando uma superfície é</p><p>inclinada, em relação ao plano de projeção, aparecendo reduzida nas vistas</p><p>principais, a perspectiva é isométrica. Nessa perspectiva, você precisa manter</p><p>todo o desenho em proporção, mas não precisa trazer as medidas de forma</p><p>precisa para localizar cada elemento do desenho (GIESECKE et al., 2002).</p><p>Na projeção oblíqua (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si e</p><p>oblíquos ao plano de projeção. Na perspectiva cavaleira, a vista frontal do</p><p>Desenho de observação e de memória58</p><p>DA_U1_C03.indd 58 01/12/2017 16:51:50</p><p>objeto (largura e altura) é apresentada em verdadeira grandeza, porém as</p><p>outras superfícies aparecem em tamanho reduzido, sendo fáceis para elaborar</p><p>esboços de objetos e de arquitetura (GIESECKE et al., 2002). “Quando as</p><p>linhas fugantes são desenhadas com metade do seu tamanho, a perspectiva</p><p>cavaleira há a comumente conhecida como projeção cabinet (gabinete).”</p><p>(GIESECKE et al., 2002, p. 168).</p><p>Figura 3. Quatro tipos de representação por projeção.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 157).</p><p>Você vai utilizar, no desenho de observação, a perspectiva cônica (Figura</p><p>3), cujos raios visuais convergem para o observador. Porém, você pode adotar</p><p>a estrutura da projeção paralela em esboços a mão livre da arquitetura para</p><p>transmitir ideias ou para transmitir eventos específicos relacionados à ela,</p><p>como detalhes de telhados, de escadas e de esquadrias, pois refletem de forma</p><p>proporcional suas características. São muito utilizadas em relatórios técnicos,</p><p>para transmitir desenhos de formatos, de danos, para apoiar relatórios fotográ-</p><p>ficos, entre outros. Como você vai utilizar as técnicas de observação na sua</p><p>59Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 59 01/12/2017 16:51:51</p><p>elaboração para diferenciar do desenho de observação conceitual, você deve</p><p>chamar os esboços pelo seu nome técnico (por exemplo, fachada ou detalhe de</p><p>esquadria) e deve acrescentar o tipo de projeção adotada (vista ortográfica ou</p><p>perspectiva isométrica), para caracterizar de forma adequada o seu desenho.</p><p>No Capítulo 6 de Comunicação gráfica moderna, de Giesecke et al. (2002), você pode</p><p>aprender mais sobre as técnicas de desenho das perspectivas isométricas, cabinet e</p><p>cavaleira.</p><p>Perspectiva cônica</p><p>Os pontos de fuga das perspectivas cônicas dependem da posição do objeto</p><p>em relação ao plano de projeção, segundo Giesecke et al. (2002, p. 173):</p><p>Se o objeto está com uma face paralela ao plano de projeção, é necessário</p><p>somente um ponto de fuga. [...] Se o objeto está formando um ângulo</p><p>com o plano da perspectiva, mas com arestas verticais paralelas ao plano</p><p>da perspectiva, são necessários dois pontos de fuga [...]. Este é o tipo mais</p><p>comum de perspectiva cônica. Se o objeto está colocado de forma que</p><p>nenhum sistema de arestas paralelas seja paralelo ao plano do desenho,</p><p>são necessários três pontos de fuga.</p><p>A Figura 4 ilustra passo a passo como fazer uma perspectiva cônica com</p><p>um ponto de fuga, e a Figura 5 demonstra como realizar uma perspectiva</p><p>cônica com dois pontos de fuga.</p><p>Desenho de observação e de memória60</p><p>DA_U1_C03.indd 60 01/12/2017 16:51:51</p><p>Figura 4. Passo a passo para a perspectiva cônica com um ponto de fuga.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 173).</p><p>Figura 5. Passo a passo para a perspectiva cônica com dois pontos de fuga.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 175).</p><p>61Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 61 01/12/2017 16:51:55</p><p>Para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre as perspectivas cônicas com um e dois</p><p>pontos de fuga, leia o Capítulo 15 de Desenho de observação, de Curtis (2015).</p><p>1. Os elementos da forma – ponto,</p><p>linha, plano e volume – constituem</p><p>o alfabeto arquitetônico.</p><p>Analogamente, precisam ser</p><p>compreendidos, antes da palavra</p><p>ser formada ou de um vocabulário</p><p>desenvolvido. Seus significados</p><p>contêm soluções para os problemas</p><p>de função, de propósito e de</p><p>contexto a serem resolvidos no</p><p>partido arquitetônico. Assinale a</p><p>alternativa que apresenta a definição</p><p>e a expressão correta de cada um</p><p>destes elementos.</p><p>a) O “ponto” indica uma posição</p><p>no espaço, podendo expressar</p><p>estabilidade, domínio e</p><p>papel de organizador dos</p><p>elementos ao seu redor.</p><p>b) A definição de “linha” é um</p><p>ponto estendido, a linha defini</p><p>os limites e as fronteiras de</p><p>um volume e expressa um</p><p>estado de desequilíbrio.</p><p>c) A “linha” não representa um</p><p>formato arquitetônico, porque</p><p>a arquitetura é constituída</p><p>de quatro dimensões, sua</p><p>forma tridimensional (largura,</p><p>altura, profundidade) e a</p><p>experiência arquitetônica.</p><p>d) As propriedades do “plano”</p><p>são o comprimento, a largura</p><p>e a profundidade, e ele</p><p>determina como os elementos</p><p>visuais externos ou internos</p><p>à edificação podem ser</p><p>observados ou apreendidos.</p><p>e) O “volume” é constituído por um</p><p>plano estendido ou pela adição</p><p>de mais de um plano, consiste</p><p>em um elemento bidimensional</p><p>do vocabulário arquitetônico e</p><p>expressa estabilidade quando</p><p>está apoiado sobre uma de</p><p>suas faces, não podendo</p><p>expressar instabilidade.</p><p>2. Um desenho esboçado a mão livre</p><p>deve mostrar preocupação com</p><p>proporções, clareza e espessura</p><p>correta das linhas. Assinale a</p><p>alternativa apresenta o momento</p><p>em que você deve aumentar a</p><p>espessura e a intensidade da linha no</p><p>desenho de observação.</p><p>a) Quando representa uma</p><p>linha de construção.</p><p>b) Quando uma linha é</p><p>feita embaixo do objeto,</p><p>para indicar peso.</p><p>c) Quando representa uma</p><p>linha de centro do objeto.</p><p>d) Quando representa uma linha de</p><p>prolongamento de um objeto.</p><p>e) Quando representa uma linha</p><p>de contorno do objeto.</p><p>Desenho de observação e de memória62</p><p>DA_U1_C03.indd 62 01/12/2017 16:51:58</p><p>3. Os desenhos de observação e os</p><p>esboços a mão livre elaborados com</p><p>as técnicas de proporções ajudam a</p><p>organizar pensamentos e a registrar</p><p>ideias. Desde os gregos, o diâmetro</p><p>era utilizado com unidade básica</p><p>das dimensões. Assinale a alternativa</p><p>na qual</p><p>padrões urbanos. É possível,</p><p>também, incluir estudos de proporção, escala, iluminação e cor, além de inúmeras</p><p>outras características que contribuem para o caráter de um lugar. O mais importante,</p><p>porém, é observar a arquitetura em relação à paisagem onde está inserida (CHING, 2017).</p><p>1. O desenho à mão livre ainda é a</p><p>forma mais intuitiva de registrar</p><p>algo que observamos, ideias ou</p><p>experiências. Assim, o desenho não</p><p>é apenas uma expressão artística,</p><p>é também uma ferramenta que</p><p>permite explorar e desenvolver suas</p><p>ideias e projetos. Qual elemento</p><p>pode ser considerado essencial para</p><p>a construção de um desenho?</p><p>a) A forma.</p><p>b) O contorno.</p><p>c) O objeto.</p><p>d) A linha.</p><p>e) A representação gráfica.</p><p>2. Segundo Ching (2012), o desenho</p><p>é um processo de ver, imaginar e</p><p>representar imagens. Qual meio</p><p>utilizamos para perceber o objeto ou</p><p>ambiente a ser desenhado?</p><p>a) Imaginação.</p><p>b) Atividades cotidianas.</p><p>c) Visão.</p><p>d) Contato.</p><p>e) Habilidade de desenhar.</p><p>3. A principal vantagem do desenho à</p><p>mão livre é que ele requer materiais</p><p>simples, como lápis, lapiseira, caneta,</p><p>papel e borracha. É preciso apenas</p><p>que você escolha o tipo ideal, que</p><p>melhor se adapte ao seu objetivo.</p><p>Contudo, a qualidade do traço será</p><p>determinada pela:</p><p>a) superfície do desenho.</p><p>b) dureza do grafite e pressão</p><p>aplicada sobre o papel.</p><p>c) caneta ou lapiseira.</p><p>d) linha fina.</p><p>e) fadiga nas mãos.</p><p>4. A linha em um desenho à mão livre,</p><p>ou em um desenho técnico, tem</p><p>sempre um significado próprio,</p><p>para isso precisamos distinguir</p><p>uma em relação à outra, por</p><p>meio de contrastes de:</p><p>a) aresta e contorno.</p><p>b) linha e formato.</p><p>c) visível ou invisível.</p><p>d) largura e estilo.</p><p>e) observação.</p><p>9Atividades à mão livre</p><p>5. Para o desenho de observação,</p><p>é possível fazer uso de técnicas</p><p>de visualização que irão facilitar</p><p>a construção do desenho. Quais</p><p>são essas técnicas?</p><p>a) Habilidade de medir uma</p><p>forma com os próprios olhos.</p><p>b) Construir um visor e utilizar</p><p>o comprimento do lápis.</p><p>c) Régua de medição imaginária.</p><p>d) Tempo e prática.</p><p>e) Traçar o contorno dos</p><p>objetos.</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>GIESECKE, F. E. et al. Comunicação gráfica moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>YEE, R. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. 4. ed. Rio</p><p>de Janeiro: LTC, 2016.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BORNANCINI, J. C. M.; PETZOLD, N. I; ORLANDI JÚNIOR, H. Desenho Técnico Básico:</p><p>fundamentos teóricos e exercícios à mão livre. 4. ed. Porto Alegre: Sulina,1987.</p><p>BOWKETT, S. Archidoodle: o livro de esboços do arquiteto. São Paulo: GG Brasil, 2015.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2004.</p><p>Atividades à mão livre10</p><p>Conteúdo:</p><p>SEGUNDA EDIÇÃO</p><p>ARQUITETURA</p><p>www.grupoa.com.br</p><p>www.grupoa.com.br</p><p>0800 703 3444</p><p>Francis D. K. Ching, professor de arquitetura e escritor de renome internacional,</p><p>mais uma vez nos leva a uma fascinante viagem ao processo de criação por</p><p>meio de seu estilo de representação gráfi ca único. Em Desenho para Arquitetos,</p><p>segunda edição, ele revela os processos cognitivos básicos que governam a per-</p><p>cepção e a expressão visual, incluindo observação, memória e representação.</p><p>Esta obra une a visão imaginativa aos princípios de arquitetura fundamental para</p><p>abordar os aspectos básicos do desenho, examina os diferentes tipos de recur-</p><p>sos e estratégias de desenho técnico e mostra como eles podem ser aplicados</p><p>para obter resultados espetaculares. Além disso, Desenho para Arquitetos:</p><p>D</p><p>E</p><p>SE</p><p>N</p><p>H</p><p>O</p><p>PA</p><p>R</p><p>A</p><p>A</p><p>R</p><p>Q</p><p>U</p><p>ITE</p><p>TO</p><p>S</p><p>Addis, B.</p><p>Edifi cação: 3000 anos de projeto,</p><p>engenharia e construção</p><p>Charleson, A.</p><p>A estrutura aparente</p><p>Ching, F.</p><p>Desenho para arquitetos, 2.ed.</p><p>Ching, F.</p><p>Representação gráfi ca em arquitetura,</p><p>5.ed.</p><p>Ching, F.</p><p>Técnicas de construção ilustradas,</p><p>4.ed.</p><p>Ching & Binggeli</p><p>Arquitetura de interiores ilustrada,</p><p>2.ed.</p><p>Ching, Onouye & Zuberbuhler</p><p>Sistemas estruturais ilustrados</p><p>Chivelet & Solla</p><p>Técnicas de vedação fotovoltaica</p><p>na arquitetura</p><p>Curtis, W.</p><p>Arquitetura moderna desde 1900,</p><p>3.ed.</p><p>*Eastman & Cols.</p><p>BIM</p><p>Farrelly, L.</p><p>Fundamentos de arquitetura</p><p>Farelly, L.</p><p>Técnicas de representação</p><p>Fazio, Moffett & Wodehouse</p><p>A história da arquitetura mundial,</p><p>3.ed.</p><p>French, H.</p><p>Os + importantes conjuntos</p><p>habitacionais do século XX</p><p>Gregory, R.</p><p>As + importantes edifi cações</p><p>contemporâneas</p><p>Karlen, M.</p><p>Planejamento de espaços internos,</p><p>3.ed.</p><p>Keeler & Burke</p><p>Fundamentos de projeto</p><p>de edifi cações sustentáveis</p><p>Kwok & Grondzik</p><p>Manual de arquitetura ecológica, 2.ed.</p><p>Leite & Awad</p><p>Cidades sustentáveis, cidades</p><p>inteligentes</p><p>Littlefi eld, D.</p><p>Manual do arquiteto: planejamento,</p><p>dimensionamento e projeto, 3.ed.</p><p>McLeod, V.</p><p>Detalhes construtivos da arquitetura</p><p>residencial contemporânea</p><p>McLeod, V.</p><p>Detalhes construtivos da arquitetura</p><p>contemporânea com vidro</p><p>Pallasmaa, J.</p><p>Os olhos da pele: a arquitetura</p><p>e os sentidos</p><p>Pereira, J. R. A.</p><p>Introdução à história da arquitetura</p><p>*Phillips & Yamashita</p><p>Detalhes construtivos da arquitetura</p><p>contemporânea com concreto</p><p>Roaf, Crichton & Nicol</p><p>A adaptação de edifi cações e cidades</p><p>às mudanças climáticas</p><p>Roaf, Fuentes & Thomas</p><p>Ecohouse: a casa ambientalmente</p><p>sustentável, 3.ed.</p><p>Unwin, S.</p><p>A análise da arquitetura, 3.ed.</p><p>Wall & Waterman</p><p>Desenho urbano</p><p>Waterman, T.</p><p>Fundamentos de paisagismo</p><p>Weston, R.</p><p>As + importantes edifi cações</p><p>do século XX, 2.ed.</p><p>ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO</p><p>*Livros em produção no momento da impressão desta obra, mas que muito em breve estarão</p><p>à disposição dos leitores em língua portuguesa.</p><p>FRANCIS D. K. CHING</p><p>DESENHO</p><p>PARA ARQUITETOS</p><p>D</p><p>E</p><p>SE</p><p>N</p><p>H</p><p>O</p><p>PA</p><p>R</p><p>A</p><p>A</p><p>R</p><p>Q</p><p>U</p><p>ITE</p><p>TO</p><p>S</p><p>INCLUI CD-ROM</p><p>EM INGLÊS</p><p>FR</p><p>A</p><p>N</p><p>C</p><p>IS D</p><p>. K</p><p>.</p><p>C</p><p>H</p><p>IN</p><p>G</p><p>FR</p><p>A</p><p>N</p><p>C</p><p>IS D</p><p>. K</p><p>.</p><p>C</p><p>H</p><p>IN</p><p>G</p><p>Vai além dos manuais de desenho básicos – Ching não somente aborda os</p><p>princípios, os meios e as técnicas de desenho, como os insere no contexto</p><p>dos temas dos projetistas e das razões pelas quais eles desenham.</p><p>Apresenta mais de 1.500 desenhos feitos à mão – belas ilustrações que</p><p>reforçam os conceitos e as lições de cada capítulo.</p><p>Inclui um CD-ROM em inglês: animação, vídeos e maquetes eletrônicas,</p><p>além de 12 módulos com vídeos do autor demonstrando suas técnicas de</p><p>desenho à mão livre passo a passo complementam o conteúdo do livro.</p><p>Destinado a arquitetos e projetistas, desenhistas, artistas em geral, ilustradores,</p><p>professores e estudantes, Desenho para Arquitetos é uma ferramenta efi caz e de</p><p>valor inestimável, demonstrando conceitos e técnicas por meio de um formato</p><p>visualmente estimulante.</p><p>FRANCIS D. K. CHING</p><p>com STEVEN P. JUROSZEK</p><p>DESENHO</p><p>PARA ARQUITETOS</p><p>SEGUNDA EDIÇÃO</p><p>A Bookman Editora é parte do Grupo A, uma</p><p>empresa que engloba diversos selos editoriais e</p><p>várias plataformas de distribuição de conteúdo</p><p>técnico, científi co e profi ssional, disponibilizando-o</p><p>como, onde e quando você precisar.</p><p>033786_Desenho_para_Arquitetos.indd 2 05/07/2012 15:26:26</p><p>Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à</p><p>BOOKMAN COMPANHIA EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A.</p><p>Av. Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana</p><p>90040-340 – Porto Alegre – RS</p><p>Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070</p><p>É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer</p><p>formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web</p><p>e outros), sem permissão expressa da Editora.</p><p>Unidade São Paulo</p><p>Av. Embaixador Macedo Soares, 10.735 – Pavilhão 5 – Cond. Espace Center</p><p>Vila Anastácio – 05095-035 – São Paulo – SP</p><p>Fone: (11) 3665-1100 Fax: (11) 3667-1333</p><p>SAC 0800 703-3444 – www.grupoa.com.br</p><p>IMPRESSO NO BRASIL</p><p>PRINTED IN BRAZIL</p><p>Obra originalmente publicada sob o título</p><p>Design Drawing, 2nd Edtion</p><p>ISBN 9780470533697 / 0470533692</p><p>copyright © 2010 by John Wiley & Sons, Inc.</p><p>All Rights Reserved. This translation published under license with the original publisher John</p><p>Wiley & Sons, Inc.</p><p>Capa: VS Digital (arte sobre capa original)</p><p>Preparação de original: Maria Eduarda Fett Tabajara</p><p>Coordenadora editorial: Denise Weber Nowaczyk</p><p>Editora responsável por esta obra: Verônica de Abreu Amaral</p><p>Projeto e editoração: Techbooks</p><p>Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen – CRB 10/2150</p><p>C539d Ching, Francis D. K.</p><p>Desenho para arquitetos [recurso eletrônico] / Francis D. K.</p><p>Ching, Steven P. Juroszek; tradução técnica: Alexandre</p><p>Salvaterra. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :</p><p>Bookman, 2012.</p><p>Editado também como livro impresso em 2012.</p><p>ISBN 978-85-407-0191-5</p><p>1. Arquitetura – Representação gráfica. 2. Arquitetura –</p><p>Desenho. I. Juroszek, Steven P. II. Título.</p><p>CDU 72.012</p><p>7</p><p>Vistas de Linhas</p><p>Paralelas</p><p>As vistas de linhas paralelas (também chamadas de paralines ou pers-</p><p>pectivas paralelas) incluem o subconjunto de projeções ortogonais co-</p><p>nhecidas como perspectivas ou projeções axonométricas – as perspec-</p><p>tivas ou projeções isométricas, dimétricas e trimétricas –, bem como</p><p>a classe completa de projeções oblíquas. Cada tipo oferece um ponto</p><p>de observação levemente distinto e enfatiza diferentes aspectos do</p><p>objeto ou tema sendo representado. Todas elas, no entanto, combinam</p><p>a precisão das medidas e do uso das escalas dos desenhos de vistas</p><p>múltiplas e a natureza pictórica das perspectivas cônicas.</p><p>As vistas de linhas paralelas exprimem a natureza tridimensional de</p><p>um objeto ou relação espacial em uma única imagem. Por isso, também</p><p>são denominadas desenhos com vista única, para diferenciá-las das</p><p>vistas múltiplas relacionadas de planta, corte e elevação. Distinguem-</p><p>-se também de outro tipo de desenho com vista única, a perspectiva</p><p>cônica, pelo seguinte efeito pictórico: as retas paralelas, independen-</p><p>temente de sua orientação com referência ao tema, se mantêm para-</p><p>lelas na vista desenhada e não convergem a pontos de fuga, como na</p><p>perspectiva cônica – esta é a razão pela qual são chamadas vistas de</p><p>linhas paralelas. Além disso, qualquer medida linear paralela aos três</p><p>eixos principais pode ser identificada e desenhada em escala.</p><p>Por causa de sua natureza pictórica e relativa facilidade de constru-</p><p>ção, as vistas de linhas paralelas são adequadas para a visualização</p><p>em três dimensões de uma ideia emergente logo no início de um projeto.</p><p>São capazes de fundir plantas, elevações e cortes, e ilustrar padrões</p><p>tridimensionais e composições espaciais. Porções dos desenhos de</p><p>linhas paralelas podem ser cortadas e removidas ou se tornar trans-</p><p>parentes, para que se visualize o interior e através de suas partes.</p><p>Estas perspectivas também podem ser explodidas para ilustrar as</p><p>relações espaciais entre as partes de um todo. Às vezes, as vistas de</p><p>linhas paralelas podem até servir como substitutos razoáveis para as</p><p>perspectivas aéreas.</p><p>Todavia, as vistas paralelas não estão no nível do observador nem pos-</p><p>suem a natureza pictórica das perspectivas cônicas. Por outro lado,</p><p>elas têm a flexibilidade de apresentar tanto a vista aérea de um objeto</p><p>ou de uma cena vista de cima quanto de baixo para cima. Em ambos</p><p>os casos, o desenho pode ser ampliado até incluir um campo visual</p><p>ilimitado e inespecífico, ao contrário das perspectivas cônicas, que são</p><p>estritamente limitadas em escopo pelo ângulo visual. Elas revelam a</p><p>visão de um conjunto infinito de posições, em vez de um ponto específi-</p><p>co no espaço. O observador pode se mover em uma parte específica do</p><p>desenho, ou se afastar, para ter uma vista mais ampla.</p><p>Ching_Manual_07.indd 191Ching_Manual_07.indd 191 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>192 VISTAS DE LINHAS PARALELAS</p><p>Construindo vistas de linhas paralelas</p><p>O princípio fundamental que orienta a construção de</p><p>todas as vistas de linhas paralelas é que as retas</p><p>que são paralelas no espaço permanecem paralelas</p><p>na vista desenhada. Consequentemente, há três as-</p><p>pectos básicos para se construir qualquer classe de</p><p>vistas paralelas. Ao construí-las, lembre-se de que</p><p>elas são mais fáceis de ser entendidas quando as</p><p>linhas verticais no espaço também estão orientadas</p><p>verticalmente na superfície de desenho.</p><p>• A primeira abordagem, em grau de complexidade, é</p><p>a subtração de formas relativamente simples. Ela</p><p>se baseia na construção da vista com linhas para-</p><p>lelas a partir de uma caixa retangular que envolva</p><p>todo o volume do objeto, a qual é escavada.</p><p>• A segunda estratégia, apropriada para composi-</p><p>ções de formas simples, é o inverso da abordagem</p><p>subtrativa. Ela requer que primeiramente se dese-</p><p>nhe a vista com linhas paralelas e, então, se adicio-</p><p>ne as formas subordinadas.</p><p>• A última abordagem é apropriada para formas irre-</p><p>gulares. Começamos com uma vista de linhas para-</p><p>lelas de um plano horizontal do objeto ou do perfil</p><p>de um corte vertical. Podemos alongar o formato</p><p>verticalmente ou estendê-lo para trás, em direção</p><p>ao fundo do desenho.</p><p>Ching_Manual_07.indd 192Ching_Manual_07.indd 192 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>193VISTAS DE LINHAS PARALELAS</p><p>HorizontalProfundidade</p><p>Hori</p><p>zo</p><p>nt</p><p>al</p><p>La</p><p>rgu</p><p>ra</p><p>Ve</p><p>rt</p><p>ic</p><p>al</p><p>A</p><p>lt</p><p>ur</p><p>a</p><p>Reta não axial</p><p>Reta não axial</p><p>Reta não axial</p><p>Re</p><p>ta</p><p>n</p><p>ão</p><p>a</p><p>xia</p><p>l</p><p>Retas axiais</p><p>Retas axiais são aquelas linhas paralelas a qual-</p><p>quer um dos três eixos cartesianos. Não importa</p><p>qual abordagem adotemos para a construção de</p><p>uma vista de linhas paralelas, somente podemos</p><p>medir as dimensões e desenhá-las em escala ao</p><p>longo das retas axiais. As retas axiais formam na-</p><p>turalmente uma malha retangular de coordenadas</p><p>que utilizamos para encontrar qualquer ponto no</p><p>espaço tridimensional.</p><p>Retas não axiais</p><p>As retas não axiais se referem às retas que não</p><p>são paralelas a um dos eixos cartesianos. Não po-</p><p>demos medir dimensões ao longo destas retas nem</p><p>podemos desenhá-las em escala. Para desenhar</p><p>retas não axiais, devemos antes localizar suas ex-</p><p>tremidades e depois uni-las. Uma vez determinada</p><p>uma reta não axial, podemos desenhar qualquer</p><p>reta paralela a ela, já que as retas paralelas no ob-</p><p>jeto permanecem paralelas no desenho.</p><p>Ching_Manual_07.indd 193Ching_Manual_07.indd 193 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>194 VISTAS DE LINHAS PARALELAS</p><p>Círculos</p><p>Qualquer círculo oblíquo ao plano do desenho apa-</p><p>rece como uma elipse. Para desenhar este círculo</p><p>em uma vista de linhas paralelas, em primeiro lugar</p><p>devemos desenhar uma vista de linhas paralelas de</p><p>um quadrado que circunscreva o círculo. Depois, po-</p><p>demos usar qualquer um dos métodos abaixo para</p><p>desenhar o círculo dentro do quadrado.</p><p>• Ao dividir o quadrado em quadrantes e desenhar</p><p>diagonais entre as quinas e os pontos médios</p><p>das laterais dos quadrantes, conseguimos esta-</p><p>belecer oito pontos na circunferência do círculo.</p><p>• O método dos quatro centros utiliza dois conjun-</p><p>tos de raios e um compasso ou um gabarito de</p><p>círculos. Primeiro desenhamos a vista de linhas</p><p>paralelas do quadrado que circunscreve o círculo.</p><p>Dos pontos médios das laterais do quadrado em</p><p>vista de linhas paralelas, estendemos perpendi-</p><p>culares até que se interceptem. Com os quatro</p><p>pontos de interseção como centros e com os</p><p>raios r1 e r2, construímos dois pares de arcos</p><p>iguais com extremidades entre os pontos de ori-</p><p>gem das retas perpendiculares.</p><p>Curvas</p><p>Podemos desenhar uma vista de linhas paralelas de</p><p>qualquer linha ou superfície curva usando medidas</p><p>tomadas a partir de perpendiculares aos pontos</p><p>originais, para demarcar as posições de pontos sig-</p><p>nificativos ao longo da linha ou da superfície.</p><p>Formatos livres</p><p>Para desenhar formatos livres em uma vista de li-</p><p>nhas paralelas, em primeiro lugar construímos uma</p><p>malha sobre uma planta ou elevação do formato.</p><p>Esta malha pode ser uniforme ou corresponder</p><p>aos pontos mais importantes do formato. Quanto</p><p>mais complexo for o formato, menores deverão ser</p><p>as divisões da malha. Em seguida, construímos a</p><p>mesma malha na vista de linhas paralelas. Depois,</p><p>localizamos os pontos de interseção entre a malha</p><p>e o formato livre e reproduzimos estas coordenadas</p><p>na vista de linhas paralelas. Por</p><p>fim, conectamos os</p><p>pontos transferidos para a vista de linhas paralelas.</p><p>Ching_Manual_07.indd 194Ching_Manual_07.indd 194 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>195VISTAS DE LINHAS PARALELAS</p><p>Exercício 7.1</p><p>Use três cubos como guias para desenhar vistas</p><p>de linhas paralelas de um cilindro, de um cone e de</p><p>uma pirâmide.</p><p>Exercício 7.2</p><p>Construa uma vista de linhas paralelas da forma</p><p>descrita pelo conjunto de desenhos de vistas múl-</p><p>tiplas. Utilize as principais arestas indicadas e</p><p>dobre a escala.</p><p>Exercício 7.3</p><p>Empregando as mesmas arestas principais, cons-</p><p>trua uma vista de linhas paralelas da forma como</p><p>se ela fosse vista da direção oposta.</p><p>Ching_Manual_07.indd 195Ching_Manual_07.indd 195 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>196 PERSPECTIVAS AXONOMÉTRICAS</p><p>Isométrica</p><p>Dimétrica Dimétrica Dimétrica Trimétrica</p><p>Etimologicamente, o vocábulo axonométrica com-</p><p>bina os conceitos de “eixo” (“axono”) e “medida”</p><p>(“métrica”). O termo axonométricas é frequente-</p><p>mente empregado para descrever vistas de linhas</p><p>paralelas de projeções oblíquas ou toda uma classe</p><p>de vistas de linhas paralelas. A rigor, entretanto, a</p><p>projeção axonométrica é a forma de projeção orto-</p><p>gonal na qual as linhas de projeção são paralelas</p><p>entre si e perpendiculares ao plano do desenho. A</p><p>diferença entre desenhos de vistas múltiplas orto-</p><p>gonais e uma perspectiva axonométrica é simples-</p><p>mente a orientação do objeto no plano do desenho.</p><p>Projeção axonométrica</p><p>A projeção axonométrica é a projeção ortogonal</p><p>de um objeto tridimensional inclinado no plano do</p><p>desenho de tal modo que seus três eixos principais</p><p>(os cartesianos) sofram escorço. A família das</p><p>axonométricas inclui as projeções isométricas,</p><p>dimétricas e trimétricas. Elas se diferenciam con-</p><p>forme a orientação dos três eixos principais de um</p><p>objeto no plano do desenho.</p><p>Há uma diferença significativa entre a projeção axo-</p><p>nométrica e o desenho desta projeção. Em uma pro-</p><p>jeção axonométrica verdadeira, os três eixos prin-</p><p>cipais são reduzidos em vários graus, dependendo</p><p>de sua orientação em relação ao plano do desenho.</p><p>Contudo, em uma axonométrica, também podemos</p><p>desenhar o comprimento real de um ou mais eixos</p><p>ou arestas na escala real. Perspectivas axonométri-</p><p>cas são, portanto, ligeiramente maiores que suas</p><p>projeções axonométricas correspondentes.</p><p>Ching_Manual_07.indd 196Ching_Manual_07.indd 196 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>197PROJEÇÃO ISOMÉTRICA</p><p>Vista de XY, como um ponto</p><p>PROJEÇÃO ISOMÉTRICA</p><p>Uma projeção isométrica é a projeção axonométri-</p><p>ca de um objeto tridimensional inclinado em relação</p><p>ao plano do desenho de maneira que os três eixos</p><p>principais tenham ângulos iguais no plano do de-</p><p>senho e sofram o mesmo escorço, isto é, a mesma</p><p>redução aparente.</p><p>Para melhor visualizar, construa a projeção isomé-</p><p>trica de um cubo da seguinte maneira:</p><p>• Estabeleça um eixo paralelo à diagonal do cubo</p><p>visto em planta ou elevação.</p><p>• Projete o cubo na vista auxiliar.</p><p>• Construa um segundo eixo perpendicular à diago-</p><p>nal na vista auxiliar do cubo.</p><p>• Projete o cubo na segunda vista auxiliar.</p><p>Ao desenvolver a projeção isométrica de um cubo,</p><p>notamos que os três principais eixos estão separa-</p><p>dos em 120° no plano do desenho e que foram redu-</p><p>zidos a 0,816 de seu comprimento real. A diagonal</p><p>do cubo, sendo perpendicular ao plano do desenho,</p><p>é vista como um ponto; as três faces visíveis são</p><p>equivalentes em formato e proporção.</p><p>Ching_Manual_07.indd 197Ching_Manual_07.indd 197 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>198 PERSPECTIVAS ISOMÉTRICAS</p><p>Isométrica Dimétrica</p><p>Em vez de se desenvolver a projeção isométrica a</p><p>partir de um conjunto de plantas, elevações e vistas</p><p>auxiliares, é comum construir uma perspectiva isomé-</p><p>trica de maneira mais direta. Antes de tudo, esta-</p><p>belecemos a direção dos três eixos ou arestas prin-</p><p>cipais. Como eles estão separados em 120° no plano</p><p>do desenho, se desenharmos um eixo na vertical, os</p><p>outros formarão um ângulo de 30° com a horizontal</p><p>na superfície do desenho.</p><p>Para economizar tempo, desconsideramos o escorço</p><p>habitual dos eixos principais. Em vez disso, desenha-</p><p>mos em verdadeira grandeza todas as retas paralelas</p><p>aos três eixos principais e os desenhamos em mesma</p><p>escala. Assim, a perspectiva isométrica sempre será</p><p>ligeiramente maior que a projeção isométrica do mes-</p><p>mo objeto.</p><p>A perspectiva isométrica apresenta um ângulo de</p><p>visão menor que uma planta oblíqua e dá a mesma</p><p>ênfase aos três principais conjuntos de planos. Ela</p><p>preserva as proporções relativas do objeto sem</p><p>sujeitá-lo às distorções inerentes às vistas oblíquas.</p><p>Perspectivas isométricas de formas baseadas em</p><p>um quadrado, porém, podem criar uma ilusão ótica</p><p>e estar sujeitas a múltiplas interpretações. Esta</p><p>ambiguidade resulta do alinhamento das linhas do</p><p>primeiro plano com aquelas do plano de fundo. Nestes</p><p>casos, uma vista dimétrica ou oblíqua pode ser a me-</p><p>lhor escolha.</p><p>Ching_Manual_07.indd 198Ching_Manual_07.indd 198 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>199PERSPECTIVAS ISOMÉTRICAS</p><p>Exercício 7.4</p><p>Construa a perspectiva isométrica da construção</p><p>descrita na vista de linhas paralelas à direita.</p><p>Exercício 7.5</p><p>Construa a perspectiva isométrica da estrutura</p><p>descrita por este conjunto de desenhos de vistas</p><p>múltiplas.</p><p>Exercício 7.6</p><p>Construa uma perspectiva isométrica de como</p><p>este objeto seria visto a partir da direção indicada.</p><p>Ching_Manual_07.indd 199Ching_Manual_07.indd 199 10/07/12 09:4710/07/12 09:47</p><p>DA_U1_C03</p><p>DA_U2_C04</p><p>DA_U2_C06</p><p>DA_U3_C07</p><p>DA_U2_C05</p><p>estão apresentadas as</p><p>técnicas corretas de proporção e</p><p>as técnicas do sistema de medição</p><p>modular de um objeto.</p><p>a) A proporção é baseada nas</p><p>formas geométricas, o círculo,</p><p>o triângulo e o quadrado e</p><p>no sistema de medição, você</p><p>pode comparar várias distâncias</p><p>usando o l��pis como mira.</p><p>b) A proporção é medida</p><p>por raio, corda e altura do</p><p>triângulo, e o sistema de</p><p>medição modular é baseado</p><p>no instrumento mondriano.</p><p>c) A proporção está baseada</p><p>nas normas de coordenação</p><p>modular de 4 polegadas, e</p><p>a escala pode ser estimada</p><p>pelo nosso campo de visão.</p><p>d) A proporção é o módulo</p><p>base de 10 cm, e o sistema</p><p>de medição por escala pode</p><p>ser realizado por qualquer</p><p>instrumento reto segurado.</p><p>e) A proporção está baseada na</p><p>referência dos eixos cartesianos</p><p>x/y, e o sistema de medição</p><p>por escala está baseado no</p><p>sistema de medida métrico,</p><p>com o módulo de 10 cm.</p><p>4. Os desenhos de perspectiva</p><p>podem ser criados usando tanto a</p><p>projeção cônica como a paralela.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>o tipo de perspectiva adotada</p><p>neste esboço arquitetônico.</p><p>a) Perspectiva cavaleira.</p><p>b) Perspectiva aérea.</p><p>c) Perspectiva isométrica.</p><p>d) Perspectiva cônica com</p><p>um ponto de fuga.</p><p>e) Perspectiva cônica com</p><p>dois pontos de fuga.</p><p>5. Desenhos com vistas ortográficas</p><p>tornam possível representar objetos</p><p>complexos com precisão. Desenhos</p><p>de perspectiva são usados para</p><p>comunicar suas ideias, podendo ser</p><p>usados em catálogos, publicações</p><p>e em projetos de arquitetura.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>a definição correta de cada um</p><p>destes métodos de projeção.</p><p>a) As vistas ortográficas são</p><p>tipos de perspectivas, já que</p><p>mostram vários lados dos</p><p>objetos em uma única vista.</p><p>b) Na projeção axonométrica, os</p><p>raios visuais são paralelos entre si</p><p>e oblíquos ao plano de projeção.</p><p>c) Na perspectiva isométrica, as</p><p>superfícies de um objeto tem</p><p>um tamanho reduzido, porque</p><p>as projeções são oblíquas.</p><p>d) Somente na projeção cônica as</p><p>retas projetantes convergem</p><p>para um ou mais pontos de fuga,</p><p>já a vista ortográfica, a projeção</p><p>axonométrica e a projeção</p><p>oblíqua usam projeção paralela.</p><p>e) Na projeção oblíqua, os raios</p><p>visuais convergem para um</p><p>ou mais pontos de fuga,</p><p>para gerar a visão oblíqua.</p><p>63Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 63 01/12/2017 16:52:00</p><p>CHING, F. Architecture: form, space and order. New York: Van Nostrand Reinhold, 1979.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.</p><p>FRACALOSSI, I. Clássicos da arquitetura: Casa da Cascata / Frank Lloyd Wright. Santiago:</p><p>ArchDaily, 2012. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-</p><p>-da-arquitetura-casa-da-cascata-frank-lloyd-wright>. Acesso em: 29 out. 2017.</p><p>GIESECKE, F. E. et al. Comunicação gráfica moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura: princípios, normas, regulamentos sobre</p><p>projeto, construção, forma, necessidades e relações espaciais, dimensões de edifícios,</p><p>ambientes, mobiliário, objetos. 17. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2004.</p><p>SOUSA, V. H. B. de. Arquitectura, sustentabilidade e coordenação modular: desen-</p><p>volvimento de sistema construtivo modular. 2011. Dissertação (Mestrado em</p><p>Engenharia Civil e Arquitetura)–Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2011. Dis-</p><p>ponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_</p><p>Disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 09 set. 2017.</p><p>ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.</p><p>Desenho de observação e de memória64</p><p>DA_U1_C03.indd 64 01/12/2017 16:52:00</p><p>http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-</p><p>https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_</p><p>DESENHO</p><p>TÉCNICO</p><p>MECÂNICO</p><p>Abel José Vilseke</p><p>Regras básicas para</p><p>desenho à mão livre</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Organizar as ideias de projeto em desenhos do tipo esboço.</p><p>� Construir as ideias de projeto em desenho do tipo croquis.</p><p>� Sintetizar o projeto com desenhos em nível de anteprojeto.</p><p>Introdução</p><p>A necessidade de representar elementos tangíveis é tão antiga quanto a</p><p>humanidade civilizada, porém deve-se diferenciar as formas de expressão</p><p>técnicas das artísticas, mesmo que se encontre precisão em ambas. O</p><p>desenho técnico feito à mão livre é a evolução de uma linguagem gráfica</p><p>(observa-se nas criações de Leonardo da Vinci, por exemplo) que assumiu</p><p>padronização de técnicas e estilos para transmitir, a engenheiros, arquite-</p><p>tos, construtores e comerciantes, informações de comum compreensão.</p><p>Na engenharia, o desenho técnico é uma parte do projeto de extrema</p><p>importância, pois nele se expressam muitas informações fundamentais</p><p>para a confecção das peças e características dos elementos cruciais para</p><p>montagem de conjuntos, pois graficamente fornecem uma compreensão</p><p>rápida e simples por meio da visualização dos detalhes, sendo assim</p><p>um elo entre concepção e execução em um projeto e, por isso, merece</p><p>nossa atenção.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar uma das primeiras etapas do projeto</p><p>gráfico: os traçados à mão livre. Além disso, vai entender a necessidade e</p><p>importância dos desenhos tipo esboço e croqui, bem como orientações</p><p>e técnicas para a elaboração e concepção de um anteprojeto.</p><p>Esboço de desenho técnico</p><p>Hoje, você ouve falar em projetos de engenharia e logo imagina uma tela de</p><p>computador onde a imagem de um sólido rodopia enquanto partes aproximam-</p><p>-se e são conectadas? Ou uma projeção holográfica repleta de linhas colori-</p><p>das onde o autor acresce ou subtrai detalhes e altera a escala com o simples</p><p>movimento de um dedo?</p><p>Para quem responder positivamente ou até já vivenciou essa realidade, o</p><p>assunto esboço à mão livre pode parecer inapropriado por associar o desenho</p><p>técnico aos recursos computacionais ou, mesmo, aos instrumentos manuais.</p><p>No entanto, o engenheiro ou arquiteto, ao imaginar um uma criação (inova-</p><p>ção, alternativa a um problema, renovação estética ou funcional de algo já</p><p>existente), precisa representar essas ideias de forma significativamente rápida</p><p>e precisa. O esboço feito à mão livre tem essa finalidade, possibilitando ao</p><p>profissional expressar-se enquanto ainda implementa mentalmente alterações</p><p>na concepção que será descrita.</p><p>Um esboço (do grego antigo “temporário”) é qualquer obra (literária, visual,</p><p>audiovisual, musical...) em estado inicial, que se encontre inacabada porque</p><p>ainda possui muito pouca informação. É o conjunto dos objetos iniciais, mais</p><p>gerais e elementares da obra a ser composta. Também se denomina esboço</p><p>qualquer rascunho ou delineamento inicial elaborado com o propósito de faci-</p><p>litar uma análise preliminar a respeito da realização de uma obra. Por exemplo:</p><p>antes de fazer um desenho, uma pessoa pode querer elaborar um modelo</p><p>simplificado dele. Tal modelo facilitará a consecução de projetos ou ideias,</p><p>além de poder ser útil na hora de definir onde serão necessárias modificações</p><p>ou adaptações. (INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2016)</p><p>Nessa fase de projeto, empregam-se apenas lápis, papel e borracha, e,</p><p>mesmo assim, bons desenhistas conseguem expressar eficientemente sua</p><p>ideia, pois desenvolvem habilidade nas técnicas de desenho, aperfeiçoadas com</p><p>treinamento. O esboço não deve parecer um conjunto de rabiscos aleatórios,</p><p>mas, sim, apresentar linhas sólidas e bem posicionadas, traçados de contornos</p><p>que remetam com grande proximidade ao objeto imaginado.</p><p>Veja, agora, algumas dicas para você desenvolver sua habilidade em de-</p><p>senho à mão livre:</p><p>� Utilize inicialmente uma folha em branco, sem margem e nem pautas</p><p>ou grades de qualquer tipo.</p><p>Regras básicas para desenho à mão livre2</p><p>� Com a ajuda de instrumentos, divida a folha em quatro quadrantes,</p><p>trace uma figura geométrica regular qualquer (círculo, retângulo, etc.)</p><p>em um dos quadrantes, tente reproduzir a figura nos demais espaços,</p><p>reproduzindo seu contorno dentro de</p><p>cada cópia com espaçamentos</p><p>regulares até o total preenchimento da forma.</p><p>� Evolua para formas mais complexas, associando traçados curvos e</p><p>retilíneos.</p><p>Repita quantas vezes puder — isso aprimora a percepção de linearidade</p><p>e simetria.</p><p>O material disponível no link a seguir é uma boa opção para desenvolver a habilidade</p><p>de traçados manuais.</p><p>https://youtu.be/hZ11Uf7Es_c</p><p>Acompanhe o raciocínio das etapas para realizar um esboço:</p><p>� Atente para a dimensão geométrica e o formato do objeto a ser projetado</p><p>com relação ao papel, bem como o posicionamento do desenho.</p><p>� Se, por exemplo, você idealizou um aeromodelo como um todo, deverá</p><p>manter em mente que alguns detalhes pequenos nem se quer aparecerão.</p><p>Se desejar visualizar partes superiores das asas, a cauda e o trem de</p><p>pouso ao mesmo tempo, você deve imaginar o seu pequeno avião em</p><p>uma posição em que isso seja possível.</p><p>� Você pode traçar algumas linhas de referência que possam distinguir</p><p>e limitar os planos de trabalho ou indicar a sua inclinação.</p><p>� Cuide da proporcionalidade dos elementos – largura, altura, com-</p><p>primento de cada setor inter-relacionados – para evitar distorções de</p><p>imagem que possam comprometer a compreensão da ideia que se deseja</p><p>expressar.</p><p>� Alguns detalhes podem ser omitidos por questão de escala e ser tratados</p><p>à parte, se forem pertinentes ao desenvolvimento da ideia.</p><p>3Regras básicas para desenho à mão livre</p><p>� Reforce as linhas de contorno, pois são elas que darão ênfase ao objeto</p><p>como tangível, realístico.</p><p>� Aplique o sistema de contagem apropriado ou insira informações com-</p><p>plementares, se necessário.</p><p>Figura 1. Esboço de um aeromodelo</p><p>Muitos profissionais mantêm em seus escritórios e até levam consigo folhas de papel</p><p>milimetrado para elaboração rápida de esboços. É uma ferramenta simples e muito</p><p>eficiente quando você estiver traçando contornos de um objeto ou tentando repre-</p><p>sentar graficamente a ideia de um cliente que está descrevendo os detalhes daquilo</p><p>que deseja. Assim, fica muito mais fácil manter simetria e proporcionalidade no esboço,</p><p>inclusive com projeções ortogonais, além das malhas de 120, para você elaborar</p><p>desenhos de perspectiva. Papel milimetrado pode ser encontrado em vários tamanhos</p><p>padronizados (ABNT), e malhas podem ser impressas de modelos na Internet.</p><p>Regras básicas para desenho à mão livre4</p><p>Desenho de croqui</p><p>Um croqui também é o tipo de desenho onde se dispensam instrumentos, além</p><p>de lápis, papel e borracha. Aliás, comece contemplando, na Figura 2, um dos</p><p>muitos desenhos de projeto do grande inventor Leonardo da Vinci.</p><p>Figura 2. Desenho de Leonardo da Vinci.</p><p>Fonte: Everett Historical/Shutterstock.com.</p><p>O termo croqui é uma adequação da palavra francesa croquis, que poderia</p><p>ser traduzida como esboço. No entanto, usa-se a palavra croqui justamente para</p><p>diferenciar do esboço, que se refere a desenhos mais simplificados e menos</p><p>importantes dentro da documentação do projeto ou que nem fazem parte</p><p>dela. Enquanto um evolui na elaboração das ideias e é contextualizado como</p><p>uma etapa do desenvolvimento do projeto, aproximando-se gradativamente</p><p>do objetivo, o outro pode apenas surgir na transcrição inicial de uma ideia</p><p>qualquer e dar espaço a outras tentativas de expressão ou ser substituído por</p><p>desenhos melhor elaborados, embora na prática encontram-se profissionais</p><p>atribuindo o mesmo significado às duas palavras, principalmente em projetos</p><p>mecânicos. O croqui normalmente é a reformulação de um esboço, mas não</p><p>necessariamente um depende do outro para existir.</p><p>5Regras básicas para desenho à mão livre</p><p>Um croqui é utilizado, muitas vezes, para validar junto ao cliente algumas</p><p>ideias fundamentais de estética ou funcionalidade ou discutir adequações no</p><p>item conforme os recursos de fabricação e montagem. Mesmo não exigindo</p><p>muita perfeição ou precisão nos traçados, pode conter símbolos e outras</p><p>informações normatizadas, como textos, cálculos preliminares e algumas</p><p>referências externas que auxiliem na sua interpretação, tornando-se logo uma</p><p>ferramenta importante de comunicação nas primeiras etapas de um projeto.</p><p>Segundo a norma técnica de desenho aplicada no Brasil, a ABNT NBR 8402:1994, existem</p><p>condições para a inserção de qualquer elemento textual em desenhos técnicos, a fim</p><p>de assegurar:</p><p>� legibilidade;</p><p>� uniformidade;</p><p>� adequação à microfilmagem e a outros processos de reprodução.</p><p>Por isso, é bom praticar sua caligrafia técnica, pois, toda vez que você precisar escrever</p><p>algo em um desenho, deve fazer isso da maneira correta.</p><p>Veja algumas dicas importantes extraídas da norma, no vídeo do Youtube:</p><p>https://youtu.be/ScdF8_M-5aA</p><p>Você pode empregar, nos croquis, tanto projeções ortogonais como pers-</p><p>pectivas, ou ambas, dependendo da necessidade de expressar com clareza as</p><p>ideias. Pode-se lançar mão de efeitos como sombreado, por exemplo, para</p><p>caracterizar melhor saliências ou reentrâncias. Ampliar ou reduzir a escala</p><p>também é válido quando se enfatiza um detalhe da peça ou se busca uma</p><p>visão mais ampla do ambiente.</p><p>Um exemplo de croqui é representado pela Figura 3, onde há um setor</p><p>de estoque sendo projetado. Observe que existem informações sobre layout,</p><p>estrutura e detalhes de seu funcionamento.</p><p>Regras básicas para desenho à mão livre6</p><p>Figura 3. Exemplo de croqui.</p><p>SketchUp</p><p>Esse software é uma ferramenta de desenho muito popular entre profissionais e leigos,</p><p>assumindo a função do conjunto lápis-papel-borracha. Necessita apenas um dispositivo,</p><p>como computador, tablet ou smartphone. Permite tanto a criação rápida de objetos e</p><p>ambientes 3D, como alterações nos modelos ou substituição dos mesmos.</p><p>Muitos profissionais já abandonaram seus blocos de papel e empregam a tecnologia</p><p>do software para elaborar croquis e esboços, principalmente na área de arquitetura e</p><p>engenharia civil, mas a ferramenta é usada até por desenvolvedores de games.</p><p>O que é anteprojeto?</p><p>Se você precisa realizar uma estimativa de custos ou o prosseguimento das</p><p>atividades depende de um parecer do seu cliente, provavelmente necessitará</p><p>organizar desenhos, listas de materiais, cotações de serviços e outros elemen-</p><p>7Regras básicas para desenho à mão livre</p><p>tos pertinentes. Isso permite caracterizar mais precisamente a realização do</p><p>projetado, ainda que em fase preliminar, com estimativas de tempo e custo</p><p>para diversas ações necessárias.</p><p>No anteprojeto é que a ideia do elemento que se pretende realizar torna-se</p><p>mais definida, pois trata-se de um conjunto de documentos que você reunirá</p><p>de forma organizada para fomentar tomadas de decisão importantes como</p><p>alterações de parâmetros que até então não foram avaliados.</p><p>Segundo Pahl et al (2005), nessa etapa preliminar do projeto devem ser</p><p>detalhados o suficiente de forma que se permita avaliar desde os atributos</p><p>essenciais como funcionalidade, confiabilidade, obediência à legislação em</p><p>segurança e meio ambiente, atributos de vida útil como durabilidade, meios</p><p>de fabricação, descarte pós uso, e outros como tipos de materiais, fonte de</p><p>energia, geometria, etc.</p><p>Os desenhos técnicos são parte essencial e demandam atenção extra, como</p><p>elaboração em folha de tamanho compatível com a escala e sequenciamento</p><p>ordenado para conjuntos de detalhes ou lista decomponentes relacionados.</p><p>Nesses desenhos a observância das normas é mais criteriosa pois pode ser</p><p>atribuída a eles a condição de documentação técnica, motivo este que leva os</p><p>projetistas a empregarem ferramentas de desenho instrumental ou computa-</p><p>cional de forma a assegurar que esses desenhos fiquem seguramente dentro</p><p>dos critérios de análises que o projeto requer.</p><p>Uma aplicação de desenhos em anteprojeto é para a realização de análises de elementos</p><p>finitos. Essa técnica consiste em dividir o desenho do objeto em pequenos segmentos</p><p>interligados que constituem uma malha. Cada traço dessa estrutura, segundo sua</p><p>dimensão e outros fatores como tipo de material é considerado como um corpo</p><p>sujeito a uma fração proporcional da solicitação a qual o objeto</p><p>se sujeitará. Assim</p><p>é possível simular por meio de cálculos quais regiões da peça estarão suscetíveis a</p><p>falhas mecânicas. A parte boa dessa história é que essa metodologia é realizada por</p><p>computador, então não é necessário calcular os esforços em cada segmento, apenas</p><p>desenhar corretamente a peça.</p><p>Imagine que se tem que partir se um esboço e chegar em um modelo tridimensional</p><p>muito bem elaborado para então simular sua resistência mecânica, só depois o item</p><p>poderá compor o conjunto de componentes para o qual está sendo projetado.</p><p>Regras básicas para desenho à mão livre8</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6492:1994. Representação</p><p>de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1994.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 8402:1994. Execução de</p><p>caracter para escrita em desenho técnico. Rio de Janeiro: ABNT, 1994.</p><p>ENSUS. Elementos finitos. O que é? Quando utilizar? Quais são os benefícios? 2015. Dis-</p><p>ponível em: <http://ensus.com.br/elementos-finitos-quais-os-beneficios/>. Acesso</p><p>em: 16 fev. 2018.</p><p>INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA. Croqui ou esboço. Chapecó: IFSC, 2016.</p><p>Disponível em: <http://professores.chapeco.ifsc.edu.br/renato/files/2016/08/4.Croqui-</p><p>-ou-Esboço.pdf>. Acesso em: 01 fev. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10067:1995. Princípios</p><p>gerais representação desenho técnico. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.</p><p>CATAPAN, M. F. Apostila de desenho técnico. Curitiba: UFPR, 2015. Disponível em: <http://</p><p>www.exatas.ufpr.br/portal/degraf_marcio/wp-content/uploads/sites/13/2014/09/</p><p>Apostila-DT-com-DM.pdf>. Acesso em: 01 fev. 2018.</p><p>Fonte: Ensus, 2015, documento on-line.</p><p>9Regras básicas para desenho à mão livre</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>FRENCH, T. E.; VIERCK, C. J. Desenho técnico e tecnologia gráfica. 8. ed. São Paulo: Globo,</p><p>2005.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DE AUDITORIA DE ENGENHARIA. Elementos mínimos para</p><p>anteprojetos de engenharia: Orientação técnica OT-002/2014-IBRAENG. Fortaleza:</p><p>IBRAENG, 2014.</p><p>KUBBA, S. A. A. Desenho técnico para construção. Porto Alegre: Bookman, 2015. (Série</p><p>Tekne).</p><p>SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Leitura e interpretação de desenho</p><p>mecânico. Curitiba: SENAI, 2001.</p><p>Regras básicas para desenho à mão livre10</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Técnicas do desenho a mão</p><p>livre e expressão artística</p><p>do objeto construído:</p><p>desenho de imitação</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer as cinco habilidades básicas para desenhar.</p><p>� Compor um grid para auxiliar em seus desenhos de imitação.</p><p>� Construir um desenho de imitação.</p><p>Introdução</p><p>O desenho de imitação consiste na observação direta de uma imagem</p><p>bidimensional. Nesta técnica, as linhas não são traçadas sobre a imagem,</p><p>mas reproduzidas por meio da observação da imagem. Neste texto, você</p><p>irá conhecer a técnica do desenho de imitação e as cinco habilidades</p><p>básicas para desenhar, além de exercícios e dicas para aprimorar seus</p><p>desenhos.</p><p>Habilidades básicas para o desenho</p><p>É comum pensar que para desenhar é necessário ter um talento natural, um</p><p>dom para este tipo de arte. Existem, porém, diversas habilidades que podem ser</p><p>desenvolvidas. De acordo com Betty Edwards (2000), no livro “Desenhando</p><p>com o lado direito do cérebro”, desenhar é “[...] uma habilidade que pode</p><p>ser aprendida por qualquer pessoa normal com visão e coordenação motora</p><p>medianas.”. Segundo a autora, a habilidade manual não é um fator primordial</p><p>para o desenho, o segredo é a prática de certas habilidades, e quanto maior</p><p>for a prática melhor serão os resultados dos desenhos.</p><p>DA_U1_C02.indd 31 01/12/2017 16:51:12</p><p>lburtet</p><p>Group</p><p>lburtet</p><p>Group</p><p>Podemos elencar cinco componentes básicos que resultam na habilidade</p><p>de desenhar um objeto. Esses componentes são formas de percepção do objeto</p><p>observado e tratam-se das habilidades listadas a seguir.</p><p>Percepção das bordas</p><p>Na percepção das bordas, você deve avaliar o contorno dos objetos. A percepção</p><p>parte da geometria básica que forma o objeto e, também, da delimitação entre</p><p>os demais elementos da cena. Essa observação é essencial para a composição</p><p>básica da cena e do lançamento dos primeiros traços dos objetos no desenho.</p><p>Por exemplo, ao avaliar uma paisagem de praia, você deve observar as linhas</p><p>que limitam a área da areia em relação ao mar, o contorno da vegetação e o</p><p>contraste das linhas das nuvens em relação ao céu. Observe essas relações</p><p>na Figura 1.</p><p>Figura 1. Exemplo de desenho para observar as relações de bordas.</p><p>Fonte: Roman Art/Shutterstock.com.</p><p>Percepção dos espaços</p><p>A percepção dos espaços trata-se de analisar as partes positivas e negativas</p><p>do objeto. O objeto é formado por alguns espaços preenchidos e outros vazios,</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído32</p><p>DA_U1_C02.indd 32 01/12/2017 16:51:13</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>e esta composição é que gera o volume da peça. Essa relação deve ser muito</p><p>bem avaliada para formar a imagem correta do desenho. Em um cenário de</p><p>natureza morta, por exemplo, são avaliadas as diferenças de preenchimento</p><p>na curvatura dos vasos e os espaços vazios entre as flores, como você pode</p><p>observar na Figura 2.</p><p>Figura 2. Exemplo de desenho para visualização da relação de espaços cheios e vazios.</p><p>Fonte: Nadezhda Molkentin/Shutterstock.com.</p><p>Percepção dos relacionamentos</p><p>Os relacionamentos se dão entre os objetos da cena como um todo e também</p><p>entre as diferentes formas existentes em cada um dos objetos. Trata-se, basica-</p><p>mente, do conceito de proporções e perspectivas das figuras. Essa habilidade</p><p>é fundamental para que o desenho reproduza a relação correta de dimensões</p><p>entre os objetos e suas partes componentes. Ao reproduzir a imagem de um</p><p>conjunto de edifícios, como o exemplo da Figura 3, é importante analisar as</p><p>relações entre distanciamento e proporções dos diversos elementos, como</p><p>33Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 33 01/12/2017 16:51:24</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>portas, janelas, elementos decorativos, etc. Além disso, devem ser percebidas</p><p>as reduções de dimensões nos locais onde a perspectiva da imagem atua. As</p><p>diferenças de proporção entre os prédios e os elementos mais próximos, que</p><p>ficam maiores, e os mais distantes, que são representados em tamanho menor,</p><p>precisam ser observadas.</p><p>Figura 3. Exemplo de relação entre elementos compositivos e influência da perspectiva</p><p>na dimensão dos edifícios no desenho.</p><p>Fonte: DianaFinch/Shutterstock.com.</p><p>Percepção de luzes e sombras</p><p>A percepção de luzes e sombras da imagem é essencial para que o desenho</p><p>reproduza os volumes das formas. Você pode perceber esse volume por meio do</p><p>efeito tridimensional que os contrastes entre as áreas iluminadas e as sombras</p><p>geram nas figuras. As zonas mais claras dos objetos podem ser representadas</p><p>pela ausência de cor, ao passo que as zonas mais escuras e as sombras pro-</p><p>jetadas podem ser representadas por diferentes técnicas de sombreamento e</p><p>esfumaçados no desenho. Observe as luzes e sombras na Figura 4.</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do</p><p>objeto construído34</p><p>DA_U1_C02.indd 34 01/12/2017 16:51:29</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 4. Croqui de residência com relação entre luz e sombra.</p><p>Fontes: ANRIR/Shutterstock.com.</p><p>Percepção do todo ou Gestalt</p><p>A quinta habilidade consiste na percepção do conjunto como um todo, que é,</p><p>de certa forma, uma união de todas as outras habilidades juntas, resultando</p><p>nesse entendimento. Essa teoria deriva da psicologia da Gestalt, que fala</p><p>sobre a capacidade da mente de perceber o todo, em vez de partes fragmen-</p><p>tadas. Após o desenvolvimento das demais habilidades, através da prática,</p><p>essa habilidade resulta naturalmente. A inserção de uma figura geométrica</p><p>circundando a composição completa do desenho, conforme você pode ver na</p><p>Figura 5, auxilia na percepção do todo, permitindo avaliar as relações entre</p><p>os componentes e espaços.</p><p>35Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 35 01/12/2017 16:51:30</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 5. Esquema da habilidade global para desenhar, segundo Edwards.</p><p>Fonte: Edwards (2000).</p><p>Para saber mais sobre o aprendizado das habilidades de desenho consulte o livro</p><p>Desenhando com o lado direito do cérebro (EDWARDS, 2000).</p><p>Técnica da grade ou grid</p><p>A técnica de grade, ou técnica de grid, é um método para auxiliar o desenho</p><p>de imitação, permitindo que se busque um melhor resultado na reprodução</p><p>das proporções do desenho ou do objeto.</p><p>Esse método consiste em traçar uma grade para que o objeto possa ser</p><p>desmembrado e compreendido em pedaços menores. A grade pode ser lançada</p><p>diretamente sobre o desenho a ser copiado. Na folha a ser feita o desenho, será</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído36</p><p>DA_U1_C02.indd 36 01/12/2017 16:51:36</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>feita outra grade, com o mesmo número de linhas e colunas. Caso o tamanho</p><p>dos quadrados seja o mesmo no desenho original e na reprodução, a figura</p><p>terá as mesmas dimensões. Se o tamanho dos quadrados for alterado, a figura</p><p>será ampliada ou reduzida em relação à figura original.</p><p>Essa técnica foi desenvolvida na época do Renascimento e foi muito uti-</p><p>lizada por Albercht Dürer para sua arte nos desenhos de observação. Dürer</p><p>utilizava uma “máquina”, como você pode observar na Figura 6, que consistia</p><p>simplesmente em uma grade enquadrada posicionada à frente da paisagem ou</p><p>do objeto a ser reproduzido. Era especialmente útil para a redução ou amplia-</p><p>ção de objetos para que ficassem de acordo com o local a ser feita a gravura.</p><p>Figura 6. Método de desenho de Albercht Dürer.</p><p>Fonte: Damasceno (c2017).</p><p>Aplicação da técnica de grade</p><p>O método mais simples para que você faça um desenho utilizando a técnica</p><p>de grade se divide nos seguintes passos:</p><p>1. Selecione a imagem a ser reproduzida, e com a ajuda de uma régua e</p><p>um lápis trace linhas no sentido vertical e horizontal, formando uma</p><p>grade com espaçamentos iguais. Utilize a régua para medir a distância</p><p>entre as linhas de forma que a figura fique fracionada em pedaços</p><p>pequenos. Se não quiser desenhar diretamente por cima da figura a ser</p><p>imitada, a grade pode ser desenhada em um papel vegetal ou lâmina</p><p>transparente por cima da imagem.</p><p>2. No papel a ser realizado o esboço, faça o mesmo procedimento das linhas</p><p>no passo anterior. Caso queira aumentar a figura original, os quadrados</p><p>37Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 37 01/12/2017 16:51:37</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>devem ser ampliados em relação à grade feita na figura base. Caso o</p><p>resultado desejado seja uma imagem reduzida, os quadrados devem</p><p>ser feitos em uma dimensão menor. Por exemplo, se a grade na figura</p><p>original for de 1 cm por 1 cm e a pessoa quiser duplicar o tamanho do</p><p>desenho, deve fazer a grade com 2 × 2 cm no papel a ser transcrito. Se</p><p>quiser que seja a metade do tamanho, deve fazer quadrados com 0,5 ×</p><p>0,5 cm. Ao fazer o grid com as mesmas dimensões da figura original,</p><p>teremos uma com a proporção mais semelhante.</p><p>3. Escolha um dos cantos da imagem e inicie o traçado, reproduzindo o</p><p>conteúdo do primeiro quadrado feito na imagem original. Faça isso com</p><p>cada um dos quadrados, preencha todos os espaços gerados pelas linhas.</p><p>Essa técnica, além de facilitar a transcrição com uma proporção mais adequada,</p><p>também auxilia na percepção de detalhes a serem analisados na figura. Isto</p><p>ocorre porque a atenção da pessoa fica voltada a um pequeno trecho da imagem</p><p>de cada vez, quebrando a tendência de vermos a imagem sempre como um</p><p>todo. A Figura 7 apresenta um modelo de grid.</p><p>Figura 7. Exemplo de utilização de grid para reprodução de figura na mesma dimensão e</p><p>duas possibilidades de ampliações.</p><p>Fonte: Happy Dragon/Shutterstock.com.</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído38</p><p>DA_U1_C02.indd 38 01/12/2017 16:51:38</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Acesse o link ou o código a seguir para assistir a um</p><p>tutorial sobre como fazer um esboço utilizando o</p><p>método grid (APARECIDA, 2016).</p><p>https://goo.gl/vMwk5M</p><p>Como construir um desenho de imitação</p><p>Existem diversas formas de construir um desenho de imitação de um objeto.</p><p>Você verá, agora, alguns métodos básicos e eficazes para praticar esse tipo</p><p>de desenho. Primeiramente, após uma avaliação da figura a ser reproduzida,</p><p>deve ser estudado o posicionamento no qual o objeto será inserido na folha.</p><p>A posição dos objetos é importante para que o conjunto da composição fique</p><p>equilibrado.</p><p>O próximo passo é a definição da proporção da figura, para poder trans-</p><p>crever as dimensões da forma mais aproximada possível. Segundo Hallawell</p><p>(2006), uma maneira eficaz de calcular as proporções é por meio da medição,</p><p>com o auxílio de um lápis. Para medir dessa forma, você deve segurar na ponta</p><p>do grafite, com o braço estendido em frente aos olhos, em seguida, feche um</p><p>dos olhos, posicione a extremidade do lápis em uma das extremidades do</p><p>objeto e marque com o dedo a outra extremidade local que está sendo vista,</p><p>conforme demonstrado na Figura 8.</p><p>O ideal é que as medidas sejam tomadas tanto no sentido vertical como no</p><p>horizontal, quando possível. O resultado dessa medição gerará uma proporção</p><p>entre as diversas partes do objeto, sendo transferidas para o papel na medida</p><p>desejada. Esse método também é bastante útil em desenhos de observação de</p><p>paisagens e edifícios, que possuem elementos em dimensões muito variadas.</p><p>Observe a ilustração da Figura 9.</p><p>39Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 39 01/12/2017 16:51:40</p><p>https://goo.gl/vMwk5M</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 8. Método de medição utilizando lápis.</p><p>Fonte: Hallawell (2006).</p><p>Figura 9. Exemplos de eixos em objetos geométricos.</p><p>Utilização de figuras geométricas</p><p>A utilização de formas geométricas básicas é uma maneira simples e abrangente</p><p>para compor a imagem no desenho de imitação. Para isso, após a identificação</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído40</p><p>DA_U1_C02.indd 40 01/12/2017 16:51:41</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>das proporções, você deve observar o objeto com a visão de separar o todo</p><p>em formas simples, como quadrados, cilindros e círculos. Uma garrafa, por</p><p>exemplo, pode ser formada por um cilindro, um cone cortado e outro cilindro</p><p>superior. Além disso, a boca da garrafa pode ser visualizada como argolas</p><p>sobrepostas. Observe os exemplos nas Figuras 10 e 11.</p><p>Figura 10. Garrafa desmembrada em figuras geométricas básicas.</p><p>Fonte: Hallawell (2006).</p><p>41Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 41 01/12/2017 16:51:42</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 11. Croqui de barco demonstrando a formação em geometrias básicas.</p><p>Após a transcrição das formas básicas que compõem a figura, o desenho</p><p>pode ser finalizado com a complementação de formas mais detalhadas,</p><p>som-</p><p>bras, etc.</p><p>Desenhando letras e números</p><p>O exercício de desenhar letras e números é interessante no desenho de imitação</p><p>bidimensional, pois essas figuras permitem colocar em prática diversas técnicas</p><p>de desenho, como o uso de grid e a utilização de formas geométricas básicas.</p><p>Adicionado a isso, são trabalhadas formas como curvas, inclinações, variação</p><p>de espessuras. Nesses exercícios, você pode testar métodos de acabamentos</p><p>e sombreamento dos desenhos. Observe a Figura 12.</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído42</p><p>DA_U1_C02.indd 42 01/12/2017 16:51:44</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 12. Desenho de números utilizando os estudos de proporção e formas geométricas.</p><p>Fonte: FStockLuk/Shutterstock.com.</p><p>Luz e sombra</p><p>Após a montagem formal dos desenhos, um passo muito importante para a qua-</p><p>lidade do trabalho é o acabamento das figuras, utilizando as variáveis de luz e</p><p>sombra. O contraste entre arestas e planos é essencial na compreensão das formas.</p><p>A figura deve ser estudada para a correta aplicação das sombras, pois elas</p><p>diferenciam as partes mais próximas e distantes da composição, conforme</p><p>visto anteriormente. A demonstração dos vazios, por meio de áreas claras, é</p><p>tão importante quanto a demarcação dos espaços cheios.</p><p>As áreas cheias, ou sombreadas, podem ser demarcadas com diversas</p><p>técnicas, seja pelo preenchimento com grafite, esfumado, com o uso de linhas</p><p>ou até pontilhados.</p><p>Os vazios podem ser demarcados através da ausência de cor ou preenchi-</p><p>mento. Outra maneira de ressaltar as zonas claras das figuras é com o uso</p><p>de borracha para apagar trechos pontuais do desenho, gerando pontos de luz.</p><p>Essa solução é bastante utilizada em detalhes como fios de cabelo, pétalas,</p><p>gramas. Pode-se atingir, dessa forma, diversas tonalidades de claros e escuros</p><p>para uma maior riqueza de detalhes.</p><p>Ao realizar o desenho de imitação de uma imagem colorida para a técnica</p><p>de grafite, por exemplo, a utilização de degrade de tons é a melhor maneira</p><p>de reproduzir a variedade de cores da imagem original.</p><p>Quando se tratam de desenhos arquitetônicos, os contrastes e efeitos de</p><p>luz e sombra são essenciais para o entendimento das formas e conexões entre</p><p>os elementos, conforme você pode observar nas Figuras 13 e 14.</p><p>43Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 43 01/12/2017 16:51:45</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>Figura 13. Desenho de cidade com utilização de grafite definindo áreas claras e escuras.</p><p>Fonte: Danussa/Shutterstock.com.</p><p>Figura 14. Croqui de cidade com degrade em tons de cinza.</p><p>Fonte: Svjatoslav Andreichyn /Shutterstock.com.0</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído44</p><p>DA_U1_C02.indd 44 01/12/2017 16:51:47</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>1. Você verá, a seguir, três desenhos</p><p>de imitação do número cinco.</p><p>Com base nas cinco habilidades</p><p>básicas para desenhar, avalie o</p><p>desenho que mais se aproxima</p><p>da imagem de referência e</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>a) O número cinco mais</p><p>próximo da referência é o 3,</p><p>apesar de apresentar uma</p><p>linha curvada que deveria</p><p>ser reta, na borda interna da</p><p>parte inferior do número.</p><p>b) O número cinco mais próximo</p><p>da referência é o 3, pois não</p><p>apresenta nenhuma deficiência</p><p>em sua reprodução.</p><p>c) O número cinco mais próximo</p><p>da referência é o 2, não</p><p>apresentando nenhuma</p><p>deficiência em sua reprodução.</p><p>d) O número mais próximo</p><p>da referência é o 1, sem</p><p>apresentar nenhuma deficiência</p><p>em sua reprodução.</p><p>e) O número mais próximo da</p><p>referência é o 1, apesar de</p><p>não reproduzir a pequena</p><p>inclinação da única linha</p><p>reta vertical do número.</p><p>2. Aponte no desenho de imitação</p><p>da letra G o único ponto</p><p>correspondente em relação</p><p>à imagem de referência.</p><p>a) As bordas da parte</p><p>inferior da letra.</p><p>b) As passagens no corpo da letra</p><p>do mais espesso para o mais fino.</p><p>c) A proporção da letra.</p><p>d) Os espaços da parte</p><p>inferior da letra.</p><p>e) As bordas da parte</p><p>superior da letra.</p><p>3. Para construirmos um desenho</p><p>de observação de qualidade, são</p><p>necessárias algumas habilidades.</p><p>Sobre essas habilidades, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) Seguir tutoriais de desenho</p><p>de observação.</p><p>b) Treinar a percepção das</p><p>bordas, dos espaços, dos</p><p>relacionamentos, de luz e</p><p>sombra e do todo do objeto.</p><p>c) Captar no objeto todos os seus</p><p>elementos de composição</p><p>e passa-los para o papel.</p><p>d) Observar os elementos de</p><p>composição do objeto, somente.</p><p>e) Elaborar seu próprio roteiro</p><p>de desenho de observação.</p><p>45Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 45 01/12/2017 16:51:49</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>4. Sobre fazer um desenho de</p><p>imitação com grafite da imagem</p><p>colorida, apresentada a seguir,</p><p>é correto afirmar que:</p><p>a) não se produzem desenhos</p><p>de imitação a partir de</p><p>imagens coloridas.</p><p>b) é preciso transformar</p><p>a imagem colorida em</p><p>imagem preta e branca.</p><p>c) não é possível obter um</p><p>desenho em tons de</p><p>cinza partindo de uma</p><p>imagem colorida.</p><p>d) são necessários vários tipos</p><p>de grafite para construir um</p><p>desenho de imitação que parte</p><p>de uma imagem colorida.</p><p>e) pode-se substituir as cores</p><p>pelas tonalidades usando</p><p>o mesmo grafite.</p><p>5. Além da observação direta da</p><p>imagem, o desenho de imitação</p><p>pode ser obtido com o auxílio do</p><p>grid, conforme imagem a seguir.</p><p>Qual das alternativas a seguir</p><p>informa corretamente a</p><p>imagem em destaque?</p><p>a) 4,a.</p><p>b) 6,f.</p><p>c) 3,f.</p><p>d) 6,d.</p><p>e) 5,g.</p><p>Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído46</p><p>DA_U1_C02.indd 46 01/12/2017 16:51:51</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>APARECIDA, T. Tutorial: esboço com técnica grid. [S.l.]: YouTube, 2016. 1 vídeo. Dispo-</p><p>nível em: <https://youtu.be/8nuciPJXWIs>. Acesso em: 28 out 2017.</p><p>DAMASCENO, C. Método de ampliação por grade. [S.l.]: Carlos Damasceno Desenhos,</p><p>c2017. Disponível em: <http://carlosdamascenodesenhos.com.br/metodo-de-am-</p><p>pliacao-por-grade/>. Acesso em: 28 set. 2017.</p><p>EDWARDS, B. Desenhando com o lado direito do cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.</p><p>HALLAWELL, P. À mão livre: a linguagem e as técnicas do desenho. São Paulo: Me-</p><p>lhoramentos, 2006.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>AZEVEDO, T. Psicologia da Gestalt. [S.l.]: Psicoativo, 2015. Disponível em: <http://psico-</p><p>ativo.com/2015/12/psicologia-da-gestalt.html>. Acesso em: 01 out. 2017.</p><p>POLI, M. Desenvolvendo a percepção. [S.l.]: Desenhos Realistas, 2017. Disponível em:</p><p><http://desenhosrealistas.com.br/desenvolvendo-a-percepcao/>. Acesso em: 01</p><p>out. 2017.</p><p>47Técnicas do desenho a mão livre e expressão artística do objeto construído</p><p>DA_U1_C02.indd 47 01/12/2017 16:51:51</p><p>https://youtu.be/8nuciPJXWIs</p><p>http://carlosdamascenodesenhos.com.br/metodo-de-am-</p><p>http://ativo.com/2015/12/psicologia-da-gestalt.html</p><p>http://desenhosrealistas.com.br/desenvolvendo-a-percepcao/</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>lburtet</p><p>Text Box</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Croquis – técnicas e</p><p>materiais diversos</p><p>Introdução</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Aplicar proporções e componentes para as cenas.</p><p>� Praticar a técnica de croqui em perspectivas com pontos de fuga.</p><p>� Identificar os materiais mais adequados para a produção de croquis.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar</p><p>sobre técnicas e materiais para a produção</p><p>de croquis.</p><p>A palavra croqui, do francês croquis, significa esboço. Os croquis são</p><p>uma forma de desenho muito utilizadas pelos arquitetos, pois tratam-se</p><p>de formas rápidas de desenho para representar ideias gerais sobre algum</p><p>conceito de projeto. São desenhos normalmente com bastante expressão</p><p>e pouco refinamento, apesar de alguns serem extremamente detalhados.</p><p>O principal objetivo é utilizar-se da liberdade do desenho à mão</p><p>para gerar formas que, futuramente, serão desenvolvidas de maneira</p><p>mais técnica.</p><p>São muito úteis para expor propostas de conceito para aprovação do</p><p>cliente, para posteriormente seguir aos detalhamentos. Nessas situações,</p><p>são muito importantes em razão de sua característica visual e por ser de</p><p>fácil entendimento para maioria das pessoas.</p><p>DA_U2_C04.indd 65 01/12/2017 16:51:57</p><p>Proporções e componentes</p><p>Os croquis são desenhos de expressão livre, que servem para representar</p><p>ideias. Para a correta compreensão do desenho, é importante você considerar</p><p>alguns elementos que compõem a cena. Além disso, existem pontos a avaliar</p><p>na hora de produzir o desenho para que ele seja harmônico e equilibrado.</p><p>Proporção</p><p>É imprescindível que o desenho tenha proporções adequadas, mesmo que a</p><p>produção do croqui seja feita sem a utilização de uma escala e medidas exatas.</p><p>Para isso, é importante estabelecer a proporção entre os volumes da cena, de</p><p>forma a não prejudicar o entendimento do conjunto.</p><p>Uma maneira bastante simples de fazer isso é definindo uma medida</p><p>base, logo no início do desenho, que será replicada em todo o restante. Por</p><p>exemplo, marcar um ponto que você deseja que represente 1 metro de altura.</p><p>Se o volume a ser representado tiver uma altura de 3 metros, você replicará 3</p><p>vezes este mesmo trecho de marcação estipulado. Na largura, faça o mesmo</p><p>procedimento, por exemplo, se a parede tiver 4 metros, replique 4 vezes a</p><p>marcação. Veja um exemplo desse conceito de proporção na Figura 1.</p><p>A proporção no desenho é essencial para que seja o mais semelhante possível ao que</p><p>será desenvolvido no projeto detalhado, mantendo assim uma coerência com entre</p><p>o croqui e o projeto final.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos66</p><p>DA_U2_C04.indd 66 01/12/2017 16:51:58</p><p>Figura 1. Exemplo de marcação simulada de medidas – 3 na altura e 4 na largura.</p><p>Componentes</p><p>Os componentes especiais da cena também são uma maneira de representar</p><p>a proporção do conjunto. Esses componentes podem se tratar de mobiliários</p><p>urbanos, pessoas, carros, árvores, etc.</p><p>Esses elementos servem de referência para as dimensões das edificações</p><p>representadas. Como croquis possuem pouco detalhamento, é importante</p><p>inserir componentes de conhecimento comum.</p><p>Por exemplo, se temos um volume de um prédio graficado da mesma forma</p><p>em dois desenhos distintos, a maneira mais simples de compreender o quanto</p><p>esse prédio impacta no espaço urbano é utilizando a inserção de pessoas,</p><p>árvores e carros, entre outros, conforme você pode observar na Figura 2.</p><p>67Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 67 01/12/2017 16:52:00</p><p>Figura 2. Exemplo de dois prédios desenhados de forma similar; o que difere a proporção</p><p>entre eles são as árvores e a escala humana do croqui.</p><p>A escala humana no croqui auxilia em outras questões. Quando tratamos</p><p>de desenho urbano, o posicionamento das pessoas na cena demonstra os</p><p>locais de público e circulações, por exemplo, conforme apresentado na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Croqui com elementos de paisagismo e componentes, auxiliando na percepção</p><p>do espaço.</p><p>Fonte: Leggitt (2004, p. 13).</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos68</p><p>DA_U2_C04.indd 68 01/12/2017 16:52:04</p><p>Ao incluir vegetação em seus croquis, tome cuidado para que as árvores não cubram</p><p>as edificações (a não ser que seja esta sua intenção). Quando o objetivo é valorizar</p><p>os prédios que estão por trás, o ideal é desenhar as árvores de modo que fiquem o</p><p>mais “transparentes” possível. Uma maneira de fazer isso é desenhando a copa com</p><p>folhagem rala, trabalhando mais o tronco e os galhos. Pode ser feito também somente</p><p>o contorno da copa, deixando a parte central sem preenchimento. No caso de colorir,</p><p>a sugestão é utilizar canetas hidrocor que fiquem translúcidas.</p><p>Perspectiva com pontos de fuga</p><p>Existem diversas técnicas para desenhar um croqui em perspectiva. Na técnica</p><p>que utiliza pontos de fuga, é possível usar um, dois, três ou até mais pontos de</p><p>fuga. Para iniciantes, entretanto, é recomendado começar pela utilização de</p><p>apenas um ponto, até dominar bem a técnica. Você pode começar a praticar</p><p>com base nos seguintes passos:</p><p>� Definir a linha do horizonte: um dos primeiros passos é definir a li-</p><p>nha base do horizonte, conforme Figura 4. Esta linha será a base de</p><p>referência do desenho.</p><p>Figura 4. Definição da linha do horizonte do desenho.</p><p>69Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 69 01/12/2017 16:52:04</p><p>� Marcar a altura do observador e o ponto de fuga: a altura do observador</p><p>se trata do alinhamento que será a visualização do desenho, a altura</p><p>que estamos enxergando a cena. Pode ficar sobre a linha do horizonte.</p><p>� O próximo passo é escolher o local do ponto de fuga. Esse ponto é</p><p>fundamental, pois será o local para onde todas as linhas da perspectiva</p><p>irão convergir. Caso o ponto fique centralizado no desenho, ambos os</p><p>lados da perspectiva terão a mesma visualização, observe a Figura 5.</p><p>Caso você posicione mais para algum dos lados, a lateral mais próxima</p><p>ao ponto de fuga ficará mais acumulada na perspectiva, e a outra terá</p><p>melhor visualização. Esta escolha depende do que se deseja valorizar</p><p>no croqui.</p><p>Figura 5. Definição da altura do observador e do ponto de fuga.</p><p>� Traçar as linhas de perspectiva: uma maneira simples de iniciar o de-</p><p>senho é traçando as linhas bases da perspectiva, todas migrando para o</p><p>ponto de fuga, conforme demonstrado na Figura 6. Conforme o número</p><p>de elementos que tiver na cena, podem ser utilizadas inúmeras linhas</p><p>de apoio.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos70</p><p>DA_U2_C04.indd 70 01/12/2017 16:52:04</p><p>Figura 6. Traçado base das linhas iniciais de perspectiva.</p><p>� Lançar as linhas do croqui: após o lançamento das linhas base, você</p><p>pode iniciar o traçado dos elementos do desenho. O importante é sem-</p><p>pre analisar se as faces serão paralelas ou perpendiculares à linha do</p><p>horizonte. No caso das faces paralelas, elas devem ser desenhadas</p><p>sempre horizontalmente ao papel, sem levar em direção ao ponto de</p><p>fuga. Já as faces perpendiculares devem ser desenhadas com as linhas</p><p>convergindo e encontrando o ponto de fuga.</p><p>Siga esta diretriz até completar as volumetrias do desenho. Após isso,</p><p>finalize o desenho como desejar. Observe o exemplo nas Figuras 7 e 8.</p><p>71Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 71 01/12/2017 16:52:05</p><p>Figura 7. Traçado dos elementos a serem representados no croqui, observando as faces</p><p>paralelas e perpendiculares à linha do horizonte.</p><p>Figura 8. Finalização do croqui.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos72</p><p>DA_U2_C04.indd 72 01/12/2017 16:52:06</p><p>Materiais para croqui</p><p>Os croquis são desenhos livres e com expressão própria de cada arquiteto. A</p><p>abstração necessária para desenvolver esse tipo de desenho também reflete</p><p>na escolha de materiais. Conforme o tipo de impressão que o arquiteto deseja</p><p>expor no trabalho, ele deve optar por determinado material que atenda a</p><p>essas necessidades. O croqui pode ser feito tanto em um guardanapo como</p><p>em um papel nobre. O que importa, na realidade, é que o desenho transmita</p><p>a informação almejada.</p><p>Um material de graficação que é muito utilizado para fazer croquis é o</p><p>lápis. Sua diversidade de graduações de grafite varia conforme a maciez.</p><p>Outros materiais adequados para este uso são as canetas nanquim, de várias</p><p>espessuras, e o carvão comprimido.</p><p>Em algumas situações, a intenção do arquiteto é fazer um lançamento</p><p>inicial de volumetria, rápido, sem preocupações com detalhamentos.</p>

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