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<p>Aula 16</p><p>Reformas Administrativa (Evolução da</p><p>administração pública no Brasil)</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para</p><p>Técnico - Administração do MPU</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Prof. Marga...</p><p>Sumário</p><p>.......................................................................................................................................................................................</p><p>MODELOS TEÓRICOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.....................................................................................</p><p>MODELO PATRIMONIALISTA.........................................................................................................................</p><p>MODELO BUROCRÁTICO...............................................................................................................................</p><p>PARADIGMA PÓS-BUROCRÁTICO..................................................................................................................</p><p>ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO MODELO RACIONAL-LEGAL A</p><p>1.ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO MODELO RACIONAL-LEGAL AO PARADIGMA PÓS-BUROCRÁTICO...............</p><p>1.1.O ESTADO OLIGÁRQUICO E PATRIMONIAL....................................................................................................................................................</p><p>1.2O ESTADO AUTORITÁRIO E BUROCRÁTICO....................................................................................................................................................</p><p>1.3.MAX WEBER E A BUROCRACIA........................................................................................................................................................................</p><p>1.4.O ESTADO DO BEM ESTAR..............................................................................................................................................................................</p><p>1.5.O ESTADO REGULADOR..................................................................................................................................................................................</p><p>2. AS REFORMAS ADMINISTRATIVAS E A REDEFINIÇÃO DO PAPEL DO ESTADO.............................................</p><p>2.1 REFORMA DO APARELHO DO ESTADO...........................................................................................................................................................</p><p>2.2 PROJETOS DA REFORMA................................................................................................................................................................................</p><p>2.3 REFORMA DO SERVIÇO CIVIL (MÉRITO, FLEXIBILIDADE E RESPONSABILIZAÇÃO).......................................................................................</p><p>REFORMAS ADMINISTRATIVAS.....................................................................................................................</p><p>ATÉ 1930.......................................................................................................................................................</p><p>REFORMA ADMINISTRATIVA DE 1930............................................................................................................</p><p>DECRETO-LEI 200/67.....................................................................................................................................</p><p>CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.................................................................................................................</p><p>PLANO DIRETOR DA REFORMA DO APARELHO DO ESTADO (1995)................................................................</p><p>QUESTÕES DE PROVA COMENTADAS...........................................................................................................</p><p>RESUMO DIRECIONADO................................................................................................................................</p><p>TIPOS DE DOMINAÇÃO (MAX WEBER)...........................................................................................................</p><p>DISFUNÇÕES DA BUROCRACIA (ROBERT MERTON).......................................................................................</p><p>QUESTÕES COMENTADAS............................................................................................................................</p><p>LISTA DE QUESTÕES.....................................................................................................................................</p><p>GABARITO....................................................................................................................................................</p><p>3</p><p>3</p><p>4</p><p>9</p><p>18</p><p>18</p><p>20</p><p>21</p><p>23</p><p>25</p><p>26</p><p>27</p><p>28</p><p>28</p><p>29</p><p>33</p><p>33</p><p>33</p><p>34</p><p>35</p><p>35</p><p>39</p><p>63</p><p>63</p><p>63</p><p>66</p><p>73</p><p>77</p><p>2 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Modelos teóricos de Administração Pública</p><p>Os modelos teóricos de Administração Pública são modelos que explicam o funcionamento da Administração</p><p>Pública. Eu gosto mais de chamá-los de “modelos de gestão do Estado”, pois representam a forma como o Estado é</p><p>gerenciado.</p><p>Quando abordamos os tipos de Estados que existem falamos em “modelos de Estado” (Liberal, Bem-Estar</p><p>Social, etc), mas, para organizar os recursos, pessoas e funções da Administração Pública é necessária uma forma de</p><p>gerenciar, que são os modelos teóricos de Administração Pública: patrimonialista, burocrático e o paradigma pós-</p><p>burocrático. As transições entre esses modelos não são claras, sendo que coexistem resquícios de todos estes modelos</p><p>até hoje. Nenhum dos modelos foi extinto ou totalmente superado. Ainda encontramos práticas clientelistas ou</p><p>excessos burocráticos no nosso dia a dia. Vamos avaliar cada um deles!</p><p>Modelo Patrimonialista</p><p>O patrimonialismo é o modelo teórico predominante nos Estados Absolutistas onde o aparelho estatal</p><p>(administração pública) funciona como uma extensão do poder do soberano e não há distinção entre bens públicos e</p><p>privados. O Estado Absolutista é aquele que concentra o poder nas mãos do soberano, na figura do rei.</p><p>O modelo patrimonialista foi introduzido no Brasil durante a colonização portuguesa. Como Portugal era uma</p><p>monarquia, todo o Estado era patrimônio da família real. Quando Dom João VI chegou aqui, em 1808, vindo fugido</p><p>dos exércitos de Napoleão, trouxe grande parte da máquina administrativa portuguesa consigo. Desta forma,</p><p>herdamos o modo de administrar português e o adaptamos à nossa realidade durante o período imperial.</p><p>De acordo com o modelo patrimonialista, a Administração Pública deve atender aos interesses do governante,</p><p>que faz uso do poder para o seu favorecimento. O aparelho de Estado é uma espécie de extensão do poder do</p><p>soberano, não havendo distinção entre a res publica (bens públicos) e a res principis (bens privados), ou seja, a coisa</p><p>pública se confunde com a propriedade do governante. Existe uma confusão entre os bens públicos e particulares, pois</p><p>o soberano não diferencia o que é o seu patrimônio particular e o que é o patrimônio estatal.</p><p>Segundo Max Weber, no patrimonialismo, o senhor tem um relacionamento de “troca” com seus súditos, pois</p><p>depende da boa vontade deles para manter sua capacidade de prestar serviços e manter seu poder político. Seus</p><p>súditos seriam sua “família”, tendo como característica o nepotismo (favorecimento de parentes). Nesta troca, o</p><p>senhor passa a “dever” também uma atenção especial a seus súditos, como proteção a perigos externos e auxílio em</p><p>momentos difíceis.</p><p>A posse em cargos públicos acontecia por livre escolha do soberano e estes cargos eram direcionados a</p><p>amigos, parentes e apoiadores dos grupos dominantes. Não existiam carreiras organizadas e profissionalizadas no</p><p>estado patrimonialista. Os cargos públicos são usados como “moeda de troca” de favores ao soberano.</p><p>O poder, no modelo patrimonialista, se baseia na dominação tradicional, deriva dos costumes, da tradição. Na</p><p>história do patrimonialismo</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>alusão, como dizem os autores, “ao esforço nacional para resgatar as tropas britânicas encurraladas em uma faixa cada</p><p>vez mais estreita na região de Dunquerque, na costa francesa” (GURGEL; JUSTEN, 2021). Para uma melhor</p><p>compreensão de uma taxonomia do estado de bem-estar social, Esping-Andersen (1991) e Titmuss (1963), citados por</p><p>Fiori, oferecem um debate para explanar melhor. Essa tipologia é usada por Fiori no contexto para iniciar a</p><p>apresentação dos autores que compreendem a possibilidade do welfare state no Brasil seja a solução mais econômica</p><p>que se nos apresenta.</p><p>i. "The residual welfare model of social policy", o padrão ou modelo residual, "onde a política social intervém ex-post. e</p><p>possui o caráter temporalmente limitado". Seria o caso contemporâneo dos Estados Unidos.</p><p>ii. "The industrial achievement performance model of social policy", em geral traduzido como modelo ou</p><p>padrão maritocratico-particularista, onde a política social intervém apenas para corrigir a ação do mercado. “O sistema</p><p>de welfare”, nestes casos, é tão-somente complementar às instituições de mercado.</p><p>iii. "The redistributive model of social policy", ou padrão institucionalredistributivo, "voltado para a produção e</p><p>distribuição de bens e serviços sociais ‘extramercado’ os quais são garantidos a todos os cidadãos universalmente</p><p>cobertos e protegidos".</p><p>Essa mesma tipologia também pode ser analisada no quadro a seguir:</p><p>The residual welfare model of</p><p>social policy</p><p>O padrão ou modelo residual, "onde a política social intervém ex-post. e possui o</p><p>caráter temporalmente limitado". Seria o caso contemporâneo dos Estados</p><p>Unidos.</p><p>The industrial achievement</p><p>performance model of</p><p>social policy</p><p>Em geral traduzido como modelo ou padrão maritocratico-particularista, onde a</p><p>política social intervém apenas para corrigir a ação do mercado. “O sistema</p><p>de welfare”, nestes casos, é tão-somente complementar às instituições de</p><p>mercado.</p><p>The redistributive model of</p><p>social policy</p><p>ou padrão institucionalredistributivo, "voltado para a produção e distribuição de</p><p>bens e serviços sociais ‘extramercado’ os quais são garantidos a todos os cidadãos</p><p>universalmente cobertos e protegidos".</p><p>A verdade é que a construção e expansão do Estado de Bem-Estar Social, conforme Fiori, tem como vertentes a</p><p>natureza, forma e ritmo do desenvolvimento econômico; o grau, intensidade e organicidade da mobilização da classe</p><p>operária; o grau de avanço do desenvolvimento político-institucional; a extensão ou impacto do efeito de difusão das</p><p>inovações ocorridas nos países paradigmáticos; a forma peculiar e a intensidade em que se desenvolve a luta política</p><p>envolvendo os partidos que tradicionalmente representaram o mundo do trabalho.</p><p>Por fim, Fiori esclarece que é possível prever uma “transição” dos welfare states, situadas em algum ponto entre os</p><p>diferentes modelos liberais. Além disso, é esclarecido que o próprio processo de reorganização da economia mundial</p><p>afeta as estruturas dos modelos liberais dos países. Frisa-se que as crises fiscais e financeiras dos Estados vêm sendo</p><p>enfrentadas com propostas de cortes cada vez mais profundos no gasto público, sobretudo o de natureza social.</p><p>É necessário encontrar uma solução de modelo que seja capaz de dar a devida assistência às pessoas ao mesmo tempo</p><p>sem entrar em colapso. Nesse contexto, o Estado regulador surge como solução, já que é o “meio termo” entre o</p><p>modelo liberal e o modelo do bem-estar social.</p><p>26 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>No mesmo sentido evolutivo e de relação de antítese que ocorreram as transições entre os modelos anteriores, o</p><p>Estado Regulador tem origem justamente no fato que causou a decadência do Estado do Bem-Estar social. Nesse</p><p>sentido, não há como sustentar uma nação em todos os seus anseios e necessidades. O modelo Regulador é</p><p>considerado o mais atual e veremos no próximo tópico.</p><p>1.5.O Estado regulador</p><p>Para Matias-Pereira (2018), o Estado, entendido como poder político, que possui uma estrutura organizacional e</p><p>política, é o garantidor da existência dos contratos e da propriedade, essenciais para a sobrevivência do sistema</p><p>capitalista. Nesse sentido, pode-se afirmar que a capacidade regulatória do Estado, intervindo quando necessário na</p><p>vida econômica e social, é inerente ao próprio Estado, desde o início da sua existência.</p><p>A regulação, tendo como referência as suas finalidades, pode ser econômica, social ou administrativa (MATIAS-</p><p>PEREIRA, 2018).</p><p>•A regulação econômica visa permitir a criação de uma estrutura institucional para agentes econômicos, empresas e</p><p>mercados. Tem como objetivo principal facilitar, limitar ou intensificar os fluxos e trocas de mercado, por meio de</p><p>políticas tarifárias, princípios de confiabilidade do serviço público e regras de entrada e saída do mercado.</p><p>•A regulação social é a que atua na provisão dos bens públicos e na proteção do interesse público, estabelecendo</p><p>parâmetros para saúde, segurança e meio ambiente e os mecanismos de oferta dos mencionados bens.</p><p>•A regulação administrativa refere-se à intervenção nos procedimentos administrativos e burocráticos, bem como aos</p><p>procedimentos administrativos adotados pelo Poder Público em sua relação com os administrados.</p><p>2. As reformas administrativas e a redefinição do papel do</p><p>Estado</p><p>27 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>No tocante a esse assunto constata-se que todos os Estados modernos se dedicam à redistribuição da renda, à gestão</p><p>macroeconômica e à regulação de mercados. A diferença está nas prioridades dadas por cada país na utilização dessas</p><p>funções, que tendem a variar ao longo da história. É oportuno recordar que, as teorias político-econômicas modernas</p><p>do Estado identificam três formas de intervenção pública na economia: redistribuição de renda, estabilização</p><p>macroeconômica e regulação de mercados. O processo de redistribuição de renda abrange todas as transferências de</p><p>recursos de um grupo de indivíduos, regiões ou países, para um outro grupo, bem como o atendimento de setores</p><p>específicos e especiais, como, por exemplo, educação primária, seguro social, entre outros, que os governos obrigam os</p><p>cidadãos a consumir ou a utilizar.</p><p>2.1 Reforma do aparelho do Estado</p><p>Alinhada com os princípios da nova gestão pública, a reforma de 1995 foi uma reforma do aparelho do Estado, não do</p><p>Estado. O documento que sintetiza os objetivos da reforma denomina-se Plano Diretor de Reforma do Aparelho do</p><p>Estado (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>Entende-se por aparelho do Estado a Administração Pública em sentido amplo, ou seja, a estrutura organizacional do</p><p>Estado, em seus três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e três níveis (União, Estados-membros e Municípios).</p><p>O aparelho do Estado é constituído pelo governo, isto é, pela cúpula dirigente nos Três Poderes, por um corpo de</p><p>funcionários, e pela força militar (MAXIMIANO; NOHARA, 2017). Dessa maneira, o Estado é mais abrangente que o</p><p>aparelho porque compreende adicionalmente o sistema constitucional-legal, que regula a população nos limites de um</p><p>território.</p><p>O Estado é a organização burocrática que tem o monopólio da violência legal, é o aparelho que tem o poder de legislar</p><p>e tributar a população de determinado território. Estes conceitos permitem distinguir a reforma do Estado da reforma</p><p>do aparelho do Estado. A reforma do Estado é um projeto amplo que diz respeito às várias áreas do governo e, ainda, ao</p><p>conjunto da sociedade brasileira, enquanto a reforma do aparelho do Estado tem um escopo mais restrito: está</p><p>orientada para tornar a Administração Pública mais eficiente e mais voltada para a cidadania. Este Plano Diretor</p><p>focaliza sua atenção na Administração Pública Federal, mas muitas das suas diretrizes e propostas podem também ser</p><p>aplicadas nos níveis estadual e municipal (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>2.2 Projetos da Reforma</p><p>A reforma de 1995 fez-se por meio de projetos e outras iniciativas. Entre os principais projetos estão os seguintes,</p><p>conforme Maximiano e Nohara (2017):</p><p>1.Projeto Cidadão. Este projeto tem como objetivo aperfeiçoar as relações entre os órgãos da Administração Pública e</p><p>os cidadãos, atuando nas seguintes áreas: simplificação de obrigações de natureza burocrática instituídas,</p><p>implementação de sistema de recebimento de reclamações e sugestões do cidadão sobre a qualidade e a eficácia dos</p><p>serviços públicos, implementação de sistema de informação ao cidadão a respeito do funcionamento e acesso aos</p><p>serviços públicos, e quaisquer outros esclarecimentos porventura solicitados; definição da qualidade do serviço, que</p><p>deverá constar dos indicadores de desempenho. Um elemento fundamental será o tempo de espera do cidadão para</p><p>ser atendido.</p><p>2. Indicadores de Desempenho. Esforço sistemático e amplo para definir indicadores de desempenho quantitativos</p><p>para as atividades exclusivas do Estado.</p><p>3. Qualidade e Participação. Este projeto tem como objetivo a introdução de novos conceitos e técnicas de gestão</p><p>pública, baseados no desempenho, na redução ao mínimo dos erros e na participação dos funcionários na definição dos</p><p>processos de trabalho.</p><p>4. Nova Política de Recursos Humanos. Profissionalização e valorização do servidor público.</p><p>5. Valorização do Servidor para a Cidadania. Este projeto tem como objetivo resgatar os talentos individuais e promover</p><p>sinergia dos grupos e organizações que constituem a Administração Pública Federal, visando oferecer ao cidadão</p><p>brasileiro serviços de melhor qualidade e maior prontidão às suas demandas.</p><p>28 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>6. Desenvolvimento de Recursos Humanos. Este projeto deverá ser implementado pelas diversas escolas de</p><p>Administração Pública do Estado; tem como objetivo a formação e capacitação dos servidores públicos para o</p><p>desenvolvimento de uma Administração Pública ágil e eficiente.</p><p>7. Sistemas de Gestão Pública (Controle e Informações Gerenciais). Processamento do orçamento fiscal e da seguridade</p><p>social, o registro dos gastos efetuados pelo Tesouro Nacional (Siafi), a folha de pagamento e os dados cadastrais dos</p><p>servidores civis federais (Siape), o orçamento de investimentos (Sidor), a movimentação do cadastro de fornecedores,</p><p>de preços e do catálogo de materiais e serviços (Siasg) e o fornecimento de informações sobre a organização</p><p>governamental e suas macro-atribuições (Siorg).</p><p>Em suma, os principais projetos da Reforma de 1995 foram:</p><p>2.3 Reforma do serviço civil (mérito, flexibilidade e responsabilização)</p><p>O consenso que se formou em relação à necessidade de reformar o Estado fica evidenciado na pauta de objetivos</p><p>definidos para a reforma (PDRAE/MARE, 1995). Nesse contexto, podemos identificar dois importantes paradigmas: o</p><p>novo gerencialismo e a perspectiva democratizante. É perceptível que o denominado novo gerencialismo contém um</p><p>paradigma hegemônico, e que a perspectiva democratizante é menos formalizada conceitualmente. Não devemos</p><p>desconsiderar, entretanto, que dela resultam diversas experiências locais de inovação gerencial e de democratização do</p><p>Estado.</p><p>Registre-se que a reforma do Estado brasileiro de 1995 foi dividida em dois estágios. No primeiro estágio, foram</p><p>realizadas a privatização, descentralização, desregulamentação, entre outras medidas. No segundo, foi feita a</p><p>estruturação de capacidade administrativa institucional.</p><p>Os efeitos decorrentes das disfunções da Constituição de 1988 começaram a ser percebidos de forma imediata no</p><p>funcionamento da Administração Pública. Na busca de soluções para melhorar a performance do setor público, o</p><p>governo Collor (1990-1992), entre outras medidas, propõe-se a reduzir o tamanho e o número de servidores da máquina</p><p>governamental. O desmonte do setor público e o enfraquecimento do papel do Estado, feitos de forma inadequada por</p><p>esse governo, agravaram ainda mais os problemas existentes. Após o impedimento do presidente Collor no poder,</p><p>assume o vice-presidente, Itamar Franco. Em seu mandato procurou promover a recomposição dos salários dos</p><p>servidores, que haviam sido violentamente reduzidos. Registre-se que foi no governo Itamar Franco que foi lançado o</p><p>Plano Real.</p><p>29 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Podemos verificar que a questão da reforma administrativa somente volta a entrar na agenda de discussão política do</p><p>país a partir de 1994. Com a deflagração da campanha presidencial, o tema é novamente introduzido nos programas da</p><p>maioria dos candidatos, em particular, a intenção de implantação da Administração Pública gerencial. Com a eleição do</p><p>presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-1998/1999-2002), reinicia-se o processo de mudança organizacional e</p><p>cultural da Administração Pública. A preocupação com a revitalização do Estado, em que pese as suas dificuldades,</p><p>também está presente na agenda política do governo Lula (2003-2006/2007-2010).</p><p>Para uma melhor visão da trajetória das reformas administrativas, modernização administrativa e reforma do Estado</p><p>no Brasil, veja o Quadro a seguir:</p><p>Ações Casos Medidas orientadoras Processos adotados</p><p>Reforma</p><p>administrativa</p><p>DASP</p><p>O problema está nos meios.</p><p>Reforça o papel da burocracia.</p><p>Princípios – centralização e</p><p>padronização.</p><p>Soluções (a burocracia</p><p>ortodoxa); busca de problemas</p><p>(burocracia patrimonial).</p><p>Modernização</p><p>Administrativa</p><p>Administração</p><p>paralela (Governo</p><p>JK)</p><p>Administração</p><p>para o</p><p>Desenvolvimento</p><p>(regime militar)</p><p>O problema está na adequação</p><p>entre meios e fins – necessidade de</p><p>uma burocracia flexibilizada para os</p><p>fins de desenvolvimento (Plano de</p><p>Metas e Planos Nacionais</p><p>de Desenvolvimento,</p><p>respectivamente).</p><p>Problemas (rigidez e</p><p>incapacidade) em busca de</p><p>soluções (grupos executivos e</p><p>Decreto-lei nº 200,</p><p>respectivamente).</p><p>•Elabora-se</p><p>diagnóstico (Comissão de</p><p>Simplificação Burocrática –</p><p>COSB; e Comissão Amaral</p><p>Peixoto, respectivamente);</p><p>proposições legais; e</p><p>implementa-se mediante forte</p><p>liderança top-down (grupos</p><p>executivos) ou de forma</p><p>autoritária (Decreto-lei nº 200).</p><p>Reforma do</p><p>Estado</p><p>Governo Collor –</p><p>1990/1991</p><p>Princípios – descentralização e</p><p>flexibilização.</p><p>O Estado como problema.</p><p>Soluções (desmonte e</p><p>enfraquecimento do papel do</p><p>Estado).</p><p>Reforma do</p><p>Estado</p><p>Governos FHC –</p><p>1995/2002</p><p>O Estado como problema (a crise</p><p>do Estado e da administração</p><p>Soluções (nova gestão pública;</p><p>“administração gerencial”) em</p><p>30 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>burocrática segundo a</p><p>visão neoinstitucionalista</p><p>econômica).</p><p>Construção do Estado regulador.</p><p>Descolamento entre planejamento</p><p>e gestão – um plano de adequação</p><p>do Estado (Plano Diretor) não</p><p>atrelado a metas de</p><p>desenvolvimento; e um plano de</p><p>desenvolvimento (PPA 2000-2003)</p><p>sem um modelo de adequação do</p><p>Estado para sua implementação.</p><p>Orientação dominante do ajuste</p><p>fiscal obstruiu tanto o Plano Diretor</p><p>quanto o PPA.</p><p>Princípios – desestatização,</p><p>flexibilidade, foco no cliente,</p><p>orientação para resultados,</p><p>controle social.</p><p>busca de problemas (a</p><p>“administração burocrática”).</p><p>Elaboram-se planos (PD, PPA)</p><p>com baixo envolvimento e</p><p>participação dos atores</p><p>envolvidos, o que gera baixo</p><p>grau de implementação.</p><p>As políticas de gestão se</p><p>fragmentam e prevalece a</p><p>orientação do ajuste fiscal.</p><p>Revitalização</p><p>do Estado</p><p>O Plano de Gestão</p><p>Pública do</p><p>Governo Lula</p><p>–2003/2006</p><p>–2007/2010</p><p>O Plano de Gestão</p><p>Pública do</p><p>Governo Dilma</p><p>–2011/2014</p><p>O Estado como solução – papel</p><p>ativo na redução das desigualdades</p><p>e promoção do desenvolvimento.</p><p>A Administração Pública pode e</p><p>deve ser otimizada para aumentar</p><p>a capacidade de governo.</p><p>Princípios – redução do déficit</p><p>institucional; fortalecimento da</p><p>capacidade de formular e</p><p>implementar políticas; otimização</p><p>de recursos; participação,</p><p>transparência e ética.</p><p>Problemas (diagnóstico</p><p>institucional da APF) em busca</p><p>de soluções (um plano de gestão</p><p>pública).</p><p>O Plano de Gestão como uma</p><p>agenda positiva –</p><p>implementação dos PPAs –</p><p>2004-2007 e 2008-2011,</p><p>inovações gerenciais e</p><p>equacionamento de problemas</p><p>estruturais da administração</p><p>federal.</p><p>31 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>O Estado como solução – papel</p><p>ativo na redução das desigualdades</p><p>e promoção do desenvolvimento.</p><p>Continuidade das ações e</p><p>princípios adotados no governo</p><p>Lula (2003/2010).</p><p>Busca-se elaborar um</p><p>diagnóstico participativo;</p><p>debatem-se os problemas;</p><p>elabora-se um plano coletivo de</p><p>governo; constrói-se uma rede</p><p>de implementação com ampla</p><p>sustentação.</p><p>Os resultados do primeiro</p><p>mandato (2003-2006) ficam</p><p>abaixo do esperado, em termos</p><p>de eficiência, eficácia e</p><p>efetividade, bem como na</p><p>transparência e ética.</p><p>Pretende-se no período 2007-</p><p>2011 reforçar a governança, com</p><p>a superação das dificuldades</p><p>encontradas para se</p><p>implantarem as políticas</p><p>públicas, devido à rigidez e</p><p>ineficiência da máquina</p><p>administrativa.</p><p>Continuidade e aperfeiçoamento</p><p>dos processos adotados no</p><p>governo Lula.</p><p>Fonte: adaptado de Presidência da República (2004) e Matias-Pereira (2016).</p><p>32 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Reformas Administrativas</p><p>A evolução da Administração Pública brasileira passou por três grandes reformas administrativas. A primeira,</p><p>em 1930, durante o governo Getúlio Vargas, cujo objetivo era superar os desmandos patrimonialistas e adotar a</p><p>burocracia como forma de gestão. Em 1967, com a publicação do Decreto-Lei nº 200/67 durante os governos militares,</p><p>que buscou flexibilizar a rigidez burocrática e, por fim, em 1995, durante o governo do Presidente Fernando Henrique</p><p>Cardoso, cujo Plano Diretor do Aparelho da Reforma do Estado (PDRAE) adotou as premissas do gerencialismo.</p><p>Vamos abordar cada período para compreender os principais marcos.</p><p>Até 1930</p><p>No período colonial, o Brasil não se constituía em uma unidade, para efeitos de administração. É só com a</p><p>chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, que foram constituídas as bases do Estado Nacional. Foram criadas</p><p>leis, instituições e uma base administrativa. O Estado Oligárquico brasileiro existente até 1889 estava nas mãos de uma</p><p>pequena elite de senhores de terra e de políticos patrimonialistas que dominavam amplamente o país. A base da</p><p>economia pré-capitalista era baseada na economia primária exportadora.</p><p>Entre 1889 e 1930 (República Velha), houve maior autonomia nos Estados, porém não houve grandes reformas</p><p>administrativas. O momento é marcado pelo surgimento de uma nova classe média, formada por estamentos de</p><p>políticos e burocratas patrimonialistas.</p><p>Segundo Raymundo Faoro em sua obra “Os donos do poder” (1958), os estamentos burocráticos eram um</p><p>quadro administrativo formado das forças armadas, altos funcionários públicos e tecnocratas, letrados e juristas que</p><p>viviam dos cargos públicos ou da magistratura. Eles dominavam a estrutura administrativa e política do Estado com o</p><p>objetivo de atender seus interesses pessoais e sem preocupação com a eficiência administrativa. Importante dizer que</p><p>todo este período foi marcado pelo modelo patrimonialista.</p><p>Estamento: quadro administrativo do Estado que dominava o poder político e administrativo.</p><p>A insatisfação diante de todo cenário conduziu a várias convulsões sociais. Conforme apresentado por Elisabete Abreu</p><p>e Lima Moreira (2016), foi a crise econômica de 1929, associada ao descontentamento de algumas oligarquias</p><p>regionais, em razão da derrota de Getúlio Vargas pela eleição de Júlio Prestes, que desencadeou a intervenção do</p><p>exército e a Revolução de 1930, que fez emergir um novo discurso modernizante.</p><p>O cenário econômico demandava a superação da política de agroexportação, ocorrendo uma intensa industrialização e</p><p>o surgimento de uma nova classe que ocupou os espaços da elite oligárquica, permitindo a quebra da hegemonia</p><p>política instalada até então no país.</p><p>Reforma Administrativa de 1930</p><p>Iniciada em 1889, a República Velha favorecia a existência das elites oligárquicas que ainda atuavam em</p><p>conformidade com os preceitos patrimonialistas e clientelistas. Porém, a partir de 1930, começam a ocorrer mudanças</p><p>na condução do Estado brasileiro, impulsionadas por fatores políticos, econômicos e sociais. A primeira reforma</p><p>administrativa do Estado republicano brasileiro é marcada por um cenário de transição econômica e política,</p><p>destacando-se a adoção do modelo burocrático para gerenciar a Administração Pública.</p><p>O Estado assumiu um papel central, de promotor do desenvolvimento e de instaurador da ordem moderna. A</p><p>atuação do Estado desenvolvimentista e centralizador, através da estruturação e expansão estatal, criou uma demanda</p><p>por capacidade de gestão, instalando-se, na perspectiva institucional, o Estado Administrativo. O componente</p><p>político do ato de governar era ignorado, e o conceito predominante na época era de que “governar é administrar”.</p><p>33 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>A partir desse momento iniciou-se a transição do patrimonialismo para um modelo de gestão racional, baseado</p><p>na burocracia weberiana, de caráter racional-legal, calcada na separação entre o público e o privado, na</p><p>impessoalidade, na hierarquia e em normas procedimentais rígidas e universais, com observância de regras claras de</p><p>competência.</p><p>A racionalização da administração pública na área de gestão de pessoas se baseou no princípio do mérito</p><p>profissional, refletindo-se no surgimento das primeiras carreiras burocráticas e na adoção do concurso como forma de</p><p>acesso ao serviço público. A proposta era criar uma estrutura hierárquica de cargos orientados por normas técnicas e</p><p>com atuação regulamentada, composta por servidores tecnicamente qualificados e nomeados, por mérito, em virtude</p><p>da participação em concursos públicos.</p><p>Para conduzir as reformas, foi instituído, em 1938, o Departamento Administrativo do Serviço Público –</p><p>DASP, através do Decreto-Lei n° 579/1938. O órgão foi incumbido de organizar, orientar e racionalizar o serviço</p><p>público no país. O Departamento foi responsável pela seleção e aperfeiçoamento de servidores públicos, pela adoção</p><p>do sistema de mérito na seleção, pelo aperfeiçoamento do pessoal administrativo, pela criação da categoria de Técnico</p><p>de Administração e pela regulamentação dos cursos de aperfeiçoamento e de especialização dos servidores públicos.</p><p>Principais características da Reforma Administrativa de 1930:</p><p>Instituição de carreiras organizadas;</p><p>Adoção do sistema de mérito na seleção (adoção de concursos);</p><p>Edição do primeiro Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União (Decreto-lei nº. 1.713).</p><p>Ao término do Estado Novo (1945), muitas práticas clientelistas retomaram seu lugar nas instituições públicas.</p><p>No entanto, o DASP já havia criado um embrião de práticas administrativas burocráticas que se perpetuaram ao longo</p><p>do tempo. O DASP existiu até 1986 e foi a base para o surgimento da ENAP – Escola Nacional de Administração</p><p>Pública que existe até hoje!</p><p>Com o passar do tempo, percebe-se que a burocracia, se exacerbada em suas características, revela-se em um</p><p>modelo pouco flexível, inadequado</p><p>em cenários dinâmicos, que exigem agilidade. Idalberto Chiavenato (2009)</p><p>esclarece que, a partir da Reforma de 1930, é possível identificar algumas tentativas de desburocratizar a máquina,</p><p>como: a criação do COSB (Comitê de Simplificação da Burocracia), a criação da SEMOR (Secretaria de Modernização</p><p>da Reforma Administrativa), a edição do Decreto-Lei nº 200, de 1967, a elaboração do PND (Programa Nacional de</p><p>Desburocratização) e ainda outros de menor vulto que, infelizmente, não tiveram o sucesso desejado. Até que, em</p><p>1995, com a edição do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, começa a implantação, no Brasil, do</p><p>chamado modelo gerencial. Porém, o Decreto-Lei nº 200/67 foi a primeira experiência gerencialista brasileira.</p><p>Decreto-Lei 200/67</p><p>No ciclo militar, durante o período de transição entre os governos dos presidentes Castello Branco (1964-1967)</p><p>e Costa e Silva (1967-1969), realizou-se uma tentativa de modernizar a administração pública, promovendo a</p><p>descentralização da gestão através da criação de entidades vinculadas, de forma indireta, à administração do Estado</p><p>(autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista).</p><p>Se na década de 1930 buscava-se a superação das práticas patrimonialistas com a adoção da gestão racional,</p><p>na reforma de 1967 intentou-se superar a suposta rigidez da gestão burocrática, através de maior flexibilidade na</p><p>condução do aparato estatal.</p><p>Esse período foi marcado fortemente pela ideologia desenvolvimentista na coordenação das relações entre as</p><p>políticas de desenvolvimento e os agentes econômicos. O Estado, interventor e centralizador, pautou-se na perspectiva</p><p>da “Administração para o Desenvolvimento”, com a preocupação de desenvolver a capacidade técnica no</p><p>gerenciamento de recursos, estruturas e instituições para lidar com a formulação e execução de planos, programas e</p><p>projetos para o estágio de desenvolvimento econômico em que o país se encontrava.</p><p>34 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>O Decreto-Lei n° 200, de 1967 representou o estatuto básico da reforma administrativa do governo militar,</p><p>reafirmou a importância do planejamento (entendido sob uma ótica tecnicista), promoveu a expansão das empresas</p><p>estatais e centralizou o controle na Secretaria de Planejamento (SEPLAN).</p><p>Este Decreto é considerado o primeiro movimento de reforma gerencial no Brasil!</p><p>Através do Decreto, foram criadas fundações, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista.</p><p>Nos termos do art. 6º, as atividades da Administração Federal observaram cinco princípios fundamentais:</p><p>Planejamento: a ação governamental obedecerá ao planejamento, que vise a promover o desenvolvimento</p><p>econômico e social do país e a segurança, voltado para a expansão das empresas estatais;</p><p>Coordenação: na execução dos planos e programas e exercida em todos os níveis da administração;</p><p>Descentralização: atividades amplamente descentralizadas através de três planos: 1. Quadros da</p><p>administração federal, distinguindo-se o nível de direção do de execução; 2. Da administração federal para</p><p>as unidades federadas, quando estejam devidamente aparelhadas e mediante convênio; 3. Da administração</p><p>federal para a órbita privada, mediante contratos e concessões (com a disseminação das fundações e</p><p>autarquias).</p><p>Delegação de Competência: com objetivo de assegurar maior rapidez às decisões;</p><p>Controle: exercido em todos os níveis e em todos os órgãos.</p><p>Características da reforma do Decreto-Lei nº 200/67:</p><p>Primeiro movimento gerencial no Brasil;</p><p>Cinco princípios: Planejamento, Coordenação, Descentralização, Delegação de Competência e Controle;</p><p>Criação de fundações, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista (expansão da</p><p>administração indireta).</p><p>Racionalidade administrativa;</p><p>Planejamento e o orçamento;</p><p>Descongestionamento das chefias executivas superiores, através de desconcentração e descentralização;</p><p>Tentativa de reunir competência e informação no processo decisório;</p><p>Sistematização, coordenação e controle;</p><p>Orientação pelo ideário de gestão privada nas compras governamentais, na execução orçamentária e na</p><p>gestão de pessoal.</p><p>Em uma análise interessante sobre o período, Bresser-Pereira (1995) faz a ressalva de que as reformas operadas</p><p>pelo Decreto-Lei nº 200/67 não desencadearam mudanças no âmbito da administração burocrática central,</p><p>permitindo a coexistência de núcleos de eficiência e competência na administração indireta e formas arcaicas e</p><p>ineficientes no plano da administração direta ou central. Na opinião do autor, o núcleo burocrático foi enfraquecido</p><p>indevidamente através de uma estratégia oportunista do regime militar, que não desenvolveu carreiras de</p><p>administradores públicos de alto nível, preferindo, ao invés, contratar os escalões superiores da administração através</p><p>das empresas estatais.</p><p>Constituição Federal de 1988</p><p>35 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>A Constituição Federal de 1988 foi considerada um retrocesso burocrático quando se pensa na questão</p><p>administrativa do Estado. Por que um retrocesso burocrático? Porque vários pontos da CF/88 indicaram uma volta ao</p><p>modelo burocrático de gerenciar o Estado.</p><p>Como exemplo, podemos citar:</p><p>As empresas estatais passaram a seguir praticamente as mesmas regras burocráticas e rígidas adotadas pela</p><p>Administração Direta;</p><p>Houve perda de autonomia do Poder Executivo para estruturar os órgãos públicos;</p><p>O regime jurídico único foi adotado de maneira obrigatória para os servidores civis, e</p><p>Atribuiu às fundações e autarquias públicas, normas idênticas às que regem a administração direta.</p><p>Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995)</p><p>Em 1994, com a ocorrência do Plano Real e a retomada da estabilidade econômica do país, ocorreu uma nova</p><p>Reforma do Estado, modificando a maneira da intervenção estatal na economia e as formas de prestação de serviços</p><p>públicos. O Estado não atuaria mais como produtor de bens e serviços, concedendo a realização destes à iniciativa</p><p>privada. Assumiu a função principal de regular os serviços públicos delegados e as atividades de interesse público,</p><p>passando de um Estado Desenvolvimentista para um Estado Regulador.</p><p>A reforma gerencial do Estado, executada no âmbito federal, teve início em 1995, no Ministério da</p><p>Administração Federal e Reforma do Estado – MARE, tendo à sua frente o ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.</p><p>A administração pública gerencial é caracterizada pela orientação ao cidadão, voltada à obtenção de</p><p>resultados, ao grau limitado de confiança, à descentralização, ao incentivo, à criatividade, à inovação e à utilização do</p><p>contrato de gestão como instrumento de controle dos gastos públicos. As formas de controle deixam de basear-se nos</p><p>processos para se concentrarem nos resultados.</p><p>A Reforma compreendia três dimensões: institucional-legal, gestão e cultural.</p><p>Institucional-legal: visava à descentralização da estrutura organizacional do aparelho do Estado através da</p><p>criação de novos formatos organizacionais, como as agências executivas, regulatórias e as organizações</p><p>sociais;</p><p>Gestão: era definida pela maior autonomia e a introdução de três novas formas de responsabilização dos</p><p>gestores, como a administração por resultados, a competição administrada por excelência e o controle</p><p>social, em substituição parcial dos regulamentos rígidos, da supervisão e da auditoria, que caracterizavam a</p><p>administração burocrática;</p><p>Cultural: apregoava uma mudança de mentalidade, passando da desconfiança generalizada que</p><p>caracterizava a administração burocrática para uma confiança maior, ainda que limitada, própria da</p><p>administração gerencial.</p><p>A dimensão institucional-legal buscava superar obstáculos de ordem legal para alcançar maior eficiência,</p><p>tais</p><p>como regime jurídico único e estabilidade para todos os cargos, entre outros. Os desafios da dimensão cultural eram</p><p>superar os valores patrimonialistas e, principalmente, valores burocráticos. Os problemas a serem superados pela</p><p>dimensão de gestão eram relacionados às práticas administrativas.</p><p>O respaldo jurídico para as ações de modernização do Estado brasileiro foi substanciado pela edição da</p><p>Emenda Constitucional nº 19, de 04 de junho de 1998, a qual implementou a reforma administrativa e reforçou a</p><p>ideologia da administração pública gerencial.</p><p>Segundo Bresser-Pereira (1998), os Estados modernos contam com quatro setores.</p><p>36 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Núcleo estratégico: é o centro no qual se definem as leis, as políticas e como, em última instância, as fazer</p><p>cumprir. É o próprio governo. Exemplos: Poder Executivo, Judiciário e Legislativo, Ministério Público,</p><p>Presidência da República e Ministros, etc.</p><p>Atividades exclusivas: são aquelas que envolvem o poder do Estado, garantindo diretamente que as leis e</p><p>as políticas públicas sejam cumpridas e financiadas. São os serviços que somente o Estado pode prestar e</p><p>envolvem ações de fiscalizar, controlar e fomentar. Exemplos: forças armadas, polícia, arrecadadores de</p><p>impostos e, também, as agências reguladoras, as agências de financiamento, fomento e controle dos</p><p>serviços sociais e da seguridade social.</p><p>Serviços não exclusivos: são todos aqueles que o Estado provê, mas que, como não envolvem o exercício</p><p>do poder extroverso do Estado, podem ser também oferecidos pelo setor privado e pelo setor público não</p><p>estatal (não governamental). A oferta de serviços públicos não exclusivos pelas organizações não estatais</p><p>seria considerada mais eficiente e este ato foi denominado de “publicização”. Exemplos: educação, saúde,</p><p>atividades culturais e de pesquisa científica.</p><p>Setor de produção de bens e serviços para o mercado: é formado pelas empresas estatais e o repasse das</p><p>atividades lucrativas do setor público para o setor privado consiste no processo de privatização. São as</p><p>atividades econômicas voltadas ao lucro e que ainda permanecem no aparato do Estado.</p><p>Figura 02. Evolução das Reformas Administrativas</p><p>FGV - Órgão: IMBEL - Cargo: Supervisor - Administrador – Reaplicação - Ano: 2021</p><p>A reforma de 1967 é considerada por muitos especialistas como o primeiro momento da administração gerencial no</p><p>Brasil, uma vez que adotou um conjunto de medidas com a finalidade de superar a rigidez do modelo burocrático.</p><p>Com base nisso, assinale a opção que apresenta uma das ações que marcaram essa tentativa.</p><p>a) O estabelecimento de contratos de publicização, em que atribuições de órgãos públicos eram repassadas às</p><p>organizações sociais.</p><p>b) A privatização em massa de estatais ineficientes, repassando as atividades com fins lucrativos para a iniciativa</p><p>privada.</p><p>c) A criação de agências reguladoras para atuar em setores de interesse nacional.</p><p>37 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>d) A transferência de atividades para autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.</p><p>e) O desmantelamento de monopólios naturais com políticas monetárias expansionistas.</p><p>Comentário:Foi o Decreto-Lei nº 200/67 que instituiu a administração indireta, com a criação de fundações,</p><p>autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista. As outras alternativas não têm relação com a reforma</p><p>de 1697.</p><p>Resposta: D</p><p>FGV - Órgão: TCE-TO - Cargo: Analista Técnico - Ano: 2022</p><p>No Brasil, a partir de 1995, a administração gerencial visou a substituição da administração burocrática em diferentes</p><p>dimensões. Dentre as evoluções trazidas pela administração gerencial, a partir de 1995, destaca(m)-se:</p><p>a) carreiras estruturadas e com exigência de concursos públicos para todas as atividades e cargos correspondentes;</p><p>b) criação do TCU e da estrutura de controle externo à administração pública;</p><p>c) estabelecimento de novas figuras institucionais para serviços não exclusivos de Estado, como organizações sociais;</p><p>d) exigência de procedimentos estruturados de licitações e tomadas formais de preços para compras governamentais;</p><p>e) implantação do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) com foco na gestão de pessoal e</p><p>desempenho.</p><p>Comentário: As alternativas A, D e E estão incorretas e fazem referência à reforma administrativa de 1930, durante o</p><p>governo Getúlio Vargas. O foco estava no modelo burocrático. Na alternativa B, também errada, a criação do TCU</p><p>ocorre em 1890, antes mesmo das reformas de 1930. A alternativa correta é a C, já que as organizações sociais são</p><p>criadas na lógica da publicização (transferência de atividades não exclusivas do estado para organizações públicas não</p><p>estatais) e da contratualização de resultados.</p><p>Resposta: C</p><p>38 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Questões de prova comentadas</p><p>1. FGV - Senado Federal - Analista Legislativo - 2022</p><p>A evolução dos modelos de Administração Pública reflete as mudanças no ambiente social e econômico e a tentativa</p><p>de superação dos limites dos modelos precedentes. Esta evolução pode ser caracterizada pelo surgimento de um</p><p>modelo racional-legal, também conhecido como modelo burocrático, em oposição ao chamado patrimonialismo, e sua</p><p>evolução em direção a modelos pós-burocráticos.</p><p>No caso brasileiro, a principal iniciativa de introdução de modelo pós-burocrático remonta à chamada reforma</p><p>gerencial, uma aplicação dos princípios da nova Administração Pública que foi apresentada de forma estruturada no</p><p>plano diretor de reforma do estado, proposto por Bresser-Pereira em 1995.</p><p>Mesmo associados a períodos históricos específicos e a princípios administrativos distintos, traços desses modelos</p><p>coexistem e essa situação configura boa parte das peculiaridades e dos desafios ainda colocados ao gestor público</p><p>brasileiro.</p><p>Considerando a Administração Pública brasileira, relacione o Modelo Burocrático (racional-legal) e o Modelo Gerencial</p><p>(pós-burocrático) às características listadas a seguir.</p><p>1. Modelo Burocrático</p><p>2. Modelo Gerencial</p><p>( ) foco em uma gestão flexível com ênfase nos resultados.</p><p>( ) foco em serviços públicos mais qualificados e com custo menor para o cidadão visto como um cliente.</p><p>( ) divisão do trabalho, especialização e profissionalização dos servidores públicos.</p><p>( ) foco no papel regulador do Estado com descentralização da gestão de atividades consideradas não exclusivas do</p><p>Estado e adoção de práticas de gestão oriundas da iniciativa privada.</p><p>( ) rotinas e procedimentos baseados em normas e impessoalidade nas relações profissionais.</p><p>Assinale a opção que indica a relação correta, na ordem apresentada.</p><p>a. 2, 2, 2, 1 e 1.</p><p>b. 1, 2, 2, 1 e 2.</p><p>c. 1, 1, 1, 2 e 2.</p><p>d. 2, 1, 2, 2 e 1.</p><p>e. 2, 2, 1, 2 e 1.</p><p>Comentário: O modelo burocrático tem como características a racionalidade, a estruturação das carreiras, a</p><p>padronização das normas, o formalismo, a impessoalidade, entre outras. Assim, as características vinculadas a este</p><p>modelo são o item relativo à “divisão do trabalho, especialização e profissionalização de servidores públicos” e “rotinas</p><p>e procedimentos baseados em normas e impessoalidade nas relações profissionais”.</p><p>39 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Já o modelo gerencial é caracterizado pela flexibilidade da gestão, autonomia do trabalho. O foco da atuação está no</p><p>cliente-cidadão e não mais voltado às estruturas estatais, como era no modelo burocrático (autorreferente). O Estado</p><p>assume função principal de regular os serviços públicos delegados e as atividades de interesse público, passando de um</p><p>Estado Desenvolvimentista para um Estado Regulador e descentraliza as atividades não exclusivas para o setor público</p><p>não estatal (publicização).</p><p>Resposta: E</p><p>2. FGV – SEFAZ (BA) - Agente de Tributos Estaduais - Administração e Finanças - 2022</p><p>Considerando os modelos típicos da Administração Pública, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. O gerencialismo puro foi criticado por usar uma abordagem puramente economicista, sem considerar especificidades</p><p>do setor público.</p><p>II. O modelo burocrático tinha como prioridades a segregação de funções e a profissionalização, aspectos de grande</p><p>relevância na Administração Pública atual.</p><p>III. O Public Service Orientation é um modelo que prioriza a competividade estatal, direcionando suas ações para a</p><p>satisfação do usuário-cliente.</p><p>Assinale a opção que indica as afirmativas em que a definição está em conformidade com o modelo apresentado.</p><p>a. I, somente.</p><p>b. II, somente.</p><p>c. III, somente.</p><p>d. I e II, somente.</p><p>e. I e III, somente.</p><p>Comentário:</p><p>I. A crítica ao gerencialismo puro foi focar demasiadamente na produtividade e na economia e relegar a segundo plano</p><p>outros valores importantes da Administração Pública. Certa.</p><p>II. Estes são dois aspectos que são importantes ainda hoje e foram adotados na transição para o modelo gerencialista.</p><p>Lembrando que a proposta do PDRAE era conservar, embora flexibilizando, alguns dos princípios fundamentais da</p><p>burocracia, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, a existência de um sistema estruturado e universal de</p><p>remuneração, as carreiras, entre outros aspectos. Certa</p><p>III. A satisfação do usuário-cliente é uma característica do consumerismo. Errada.</p><p>Resposta: D</p><p>3.FGV - Prefeitura de Niterói (RJ) - Auditor Municipal de Controle Interno - Auditoria Governamental - Ano: 2018</p><p>Relacione as formas de Administração Pública às suas respectivas características.</p><p>40 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>I. Patrimonialista</p><p>II. Burocrática</p><p>III. Gerencial</p><p>( ) Rigidez nos procedimentos e na hierarquia.</p><p>( ) Não existe uma distinção clara entre o público e o privado.</p><p>( ) Promove a descentralização política.</p><p>Assinale a opção que indica a relação correta, segundo a ordem apresentada.</p><p>a. I – II – III.</p><p>b. I – III – II.</p><p>c. III – I – II.</p><p>d. II – III – I.</p><p>e. II – I – III.</p><p>Comentário: A rigidez nos procedimentos e na hierarquia é característica do modelo burocrático (II). No</p><p>patrimonialismo não existe distinção entre patrimônio público e privado (I); A descentralização política ocorre no</p><p>gerencialismo (III).</p><p>Resposta: E</p><p>4.FGV - TJ-SC - Analista Administrativo - 2018</p><p>O chefe de departamento da secretaria de educação do município “X”, temendo a reprovação de seu filho na disciplina</p><p>de matemática na escola, oferece ao professor um cargo em comissão na secretaria em troca de uma “ajudinha” na</p><p>prova.</p><p>No contexto dos paradigmas da administração pública, essa atitude do chefe de departamento, que percebe o</p><p>aparelho estatal como instrumento do detentor do poder, pode ser considerada típica do modelo:</p><p>a. patrimonialista;</p><p>b. consumerista;</p><p>c. social-democrata;</p><p>d. burocrático;</p><p>e. contingencial.</p><p>Comentário: A atitude do chefe é uma atitude caracterizada pela troca de favores pessoais entre ele e o professor do</p><p>seu filho. Esta é uma característica do modelo patrimonialista, que era baseado em corrupção e nepotismo.</p><p>Resposta: A</p><p>41 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>5.FGV - IMBEL - Supervisor – Administrador - 2021</p><p>A Teoria da Burocracia, desenvolvida por Weber, é frequentemente associada a um conceito negativo, de lentidão e</p><p>excesso de formalismo e regras, mas ela foi responsável por trazer propostas e ideias importantes para a administração,</p><p>principalmente no âmbito estatal. Assinale a opção que indica uma dessas propostas.</p><p>a. Redução da meritocracia.</p><p>b. Flexibilidade no processo decisório.</p><p>c. Descentralização da cadeia de comando.</p><p>d. Formalização das competências técnicas.</p><p>e. Evolução dos aspectos subjetivos organizacionais.</p><p>Comentário: A redução da meritocracia (A) e evolução de aspectos subjetivos organizacionais são características que</p><p>podem ser atribuídas a uma gestão sem aspectos formais e burocráticos. Então, estão erradas. Já a flexibilidade no</p><p>processo decisório (B) e descentralização da cadeia de comando (E), vinculam-se ao gerencialismo.</p><p>A profissionalização é uma característica da burocracia onde as pessoas são nomeadas por seus conhecimentos e</p><p>habilidades, não por seus laços familiares ou de amizade. Desta forma, o que se busca é a profissionalização do servidor</p><p>público, sua especialização.</p><p>Resposta: D</p><p>6.FGV - FUNSAÚDE (CE) - Analista Administrativo – Suprimentos - 2021</p><p>Adelina dos Santos, recém pós-graduada em Administração, foi alocada como presidente de uma agência de turismo</p><p>no estado do Ceará. Ao assumir, ela determinou a implantação do modelo burocrático na estrutura da organização.</p><p>Assinale a opção que apresenta uma característica que a organização passou a ter.</p><p>a. Aumento da pessoalidade nas relações entre os funcionários.</p><p>b. Estabelecimento de rotinas padronizadas e bem definidas.</p><p>c. Dualidade de comando entre os chefes e os subordinados.</p><p>d. Foco em contratações de profissionais generalistas e com visão macro.</p><p>e. Fortalecimento dos aspectos de informalidade nos canais de comunicação utilizados.</p><p>Comentário:</p><p>a) A burocracia caracteriza-se pela impessoalidade e não pela pessoalidade. Errada.</p><p>b) Uma das principais características da burocracia é a padronização de rotinas e procedimentos. Certa.</p><p>42 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>c) Na burocracia, a hierarquia é bem definida e estruturada, onde a estrutura é verticalizada. Errada.</p><p>d) Atendendo ao aspecto da profissionalização, os profissionais são especialistas e não generalistas. Errada.</p><p>e) A burocracia se caracteriza pela formalidade das comunicações. Errada.</p><p>Resposta: B</p><p>7.FGV - TCE-TO - Auditor de Controle Externo - 2022</p><p>Dentre as origens conceituais da administração pública, o modelo racional-legal inspirou e ainda inspira a atuação</p><p>pública em diversos países ao redor do mundo. Dentre elas, destaca-se o foco no cargo e na norma, e não na pessoa</p><p>em sua subjetividade. Assim, carreiras são estruturadas em bases objetivas. Essa origem conceitual fundamenta-se no</p><p>princípio de:</p><p>a. controle de meios;</p><p>b. formalismo;</p><p>c. impessoalidade;</p><p>d. hierarquização;</p><p>e. publicidade.</p><p>Comentário: Estes são os elementos que compõem a característica da impessoalidade, do modelo burocrático. A</p><p>impessoalidade está calcada na isonomia no tratamento, na meritocracia, na racionalidade e em um sistema legal e</p><p>econômico previsível.</p><p>Resposta: C</p><p>8.FGV - DPE-RJ - Técnico Superior Especializado - Administração de Empresas - 2019</p><p>A Administração Pública Burocrática ganha força no Brasil em 1938, com a criação do Departamento Administrativo</p><p>do Serviço Público (DASP), que tinha entre seus objetivos o implemento dos princípios da estrutura burocrática à</p><p>Administração Pública do país, em particular do Governo Federal. Esse modelo de administração burocrática surge</p><p>com o intuito de eliminar os aspectos patrimonialistas da Administração Pública brasileira, por meio de uma lógica</p><p>racional-legal, com o objetivo de reduzir a corrupção.</p><p>Embora tenha sido responsável por mudanças positivas para a Administração Pública brasileira, o modelo de</p><p>Administração Pública Burocrática trouxe consigo algumas disfunções, a exemplo de:</p><p>a. preocupação excessiva com o resultado, deixando as regras</p><p>procedimentais em segundo plano;</p><p>b. perda de controle sobre a comunicação e do controle decisório, em função da autoridade horizontal;</p><p>c. dificuldade de respostas às mudanças do meio externo, dando prioridade às questões internas do sistema;</p><p>43 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>d. baixa profissionalização, decorrente do favorecimento de promoção por antiguidade em detrimento do</p><p>merecimento;</p><p>e. aumento das práticas clientelistas, resultante da restrição de tratamentos isonômicos apenas aos indivíduos</p><p>pertencentes à estrutura pública ou política.</p><p>Comentário: O enunciado trata das disfunções do modelo burocrático, ou seja, dos excessos produzidos pela</p><p>burocracia. A alternativa A está errada, pois a disfunção é justamente focar nos procedimentos deixando os resultados</p><p>de lado. Na burocracia a autoridade é vertical e existe uma hierarquia, portanto, a alternativa B esta incorreta.</p><p>A alternativa C traz o aspecto da burocracia de ser autorreferente, ou seja, estar voltada para si mesma e não se</p><p>preocupar com as demandas do ambiente externo. Está correta. A alternativa D está incorreta, pois aponta uma baixa</p><p>profissionalização e, na burocracia, o pressuposto é a existência de especialização do trabalho. A alternativa E é</p><p>incorreta pois, buscando combater as práticas clientelistas, o caráter impessoal da burocracia leva a uma diminuição</p><p>das relações personalizadas entre os membros da organização.</p><p>Resposta: C</p><p>9.FGV - MPE-AL - Analista do Ministério Público - Gestão Pública - 2018</p><p>Leia o trecho a seguir retirado do site da revista VEJA. “A linha de sucessão é definida de acordo com a descendência da</p><p>atual monarca. Portanto, após a rainha Elizabeth II, quem deve assumir o trono é seu filho primogênito, seguido pelos</p><p>filhos dele. Por isso, os filhos do príncipe William vêm antes do príncipe Harry. A sucessão só vai diretamente para o</p><p>irmão em caso de não existência de filhos do atual monarca.” Tendo como referência os tipos de dominação</p><p>preconizados por Weber, a família real britânica se caracteriza como um modelo de dominação</p><p>a. carismática.</p><p>b. racional-legal.</p><p>c. tradicional.</p><p>d. maquiavélica.</p><p>e. científica.</p><p>Comentário: Na burocracia existem três tipos de dominação: tradicional, baseia-se na tradição, nos costumes</p><p>arraigados, nos relacionamentos construídos por gerações; carismática, baseada no carisma do governante e em suas</p><p>qualidades e características extraordinárias; e racional-legal, baseada nas leis e normas. A família real britânica se</p><p>caracteriza pelo tipo de dominação tradicional.</p><p>Resposta: C</p><p>10.FGV - TJ-RO - Analista Judiciário – Administrador - 2021</p><p>O modelo de administração pública gerencial introduziu no setor público cultura e técnicas gerenciais modernas</p><p>oriundas da iniciativa privada. Embora não se tenha eliminado por completo os modelos patrimonialista e burocrático,</p><p>o gerencial trouxe significativas mudanças no atuar da administração pública.</p><p>Nesse contexto, é característica do modelo gerencial haver:</p><p>44 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a. cargos denominados prebendas e sinecuras;</p><p>b. impermeabilidade à participação social-privada;</p><p>c. ênfase no controle dos resultados por meio de contratos de gestão;</p><p>d. rotinas e procedimentos padronizados, com vistas ao alcance dos objetivos definidos pela organização;</p><p>e. impessoalidade nas relações, com pessoas consideradas pelos cargos ou funções que exercem.</p><p>Comentário: Uma das características do modelo gerencialista é a contratualização de resultados através da adoção do</p><p>contrato de gestão (alternativa C). O contrato de gestão é estabelecido por meio de metas pré-acordadas entre as</p><p>partes, a serem alcançadas pela entidade prestadora do serviço em troca de algum grau maior de flexibilidade ou</p><p>apenas de previsibilidade.</p><p>A alternativa A faz referência ao modelo patrimonialistas e as demais alternativas (B, D e E) são vinculadas ao modelo</p><p>burocrático.</p><p>Resposta: C</p><p>11.FGV - Câmara de Taubaté - SP - Técnico Legislativo de Administração - 2022</p><p>A Nova Gestão Pública (NGP) representou uma corrente de ideias que teve origem na crise do estado de bem-estar</p><p>social ocorrida em diversos países no século passado.</p><p>Essa corrente foi desenvolvida por uma série de fases, que abordavam os problemas de diferentes formas, tendo como</p><p>exemplo o gerencialismo puro, que visava</p><p>a. à redução de cargos públicos como forma de promover a eficiência estatal.</p><p>b. ao incentivo à participação popular para resolver problemas de accountability.</p><p>c. ao tratamento dos usuários de serviços públicas mediante uma filosofia de equidade, garantindo o</p><p>surgimento de concorrentes.</p><p>d. ao aumento da competitividade interna, viabilizando mecanismos de transparência.</p><p>e. à identificação dos usuários dos serviços públicos como cidadãos, abandonando a ideia de mero pagador de</p><p>imposto.</p><p>Comentário: A perspectiva central é o foco na economia e na eficiência, ou seja, é fazer mais com menos. A estratégia</p><p>adotada era a de reposicionar o papel do Estado na sociedade, reduzindo o número de atividades que eram exercidas e,</p><p>por consequência, reduzindo a quantidade de cargos públicos em busca da redução de custos.</p><p>a) Gerencialismo Puro. Certa.</p><p>b) Public Service Orientation. Errada.</p><p>c) Consumerismo. Errada.</p><p>d) Consumerismo. Errada.</p><p>e) Public Service Orientation. Errada.</p><p>45 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Resposta: A</p><p>12.FGV - Prefeitura de Angra dos Reis (RJ) - Especialista em Desportos - 2019</p><p>Um conceito frequentemente enfatizado no modelo gerencial, promovido pela Nova Gestão Pública, é o paradigma do</p><p>cliente na gestão pública.</p><p>Com base no entendimento trazido por essa ideia, assinale a afirmativa correta.</p><p>a. O cidadão não deve mais ser visto como cliente pela Administração Pública, eliminando, dessa forma,</p><p>aspectos defasados da gestão burocrática.</p><p>b. A Administração Pública deve criar ações para atender efetivamente a todos os cidadãos, valorizando-os</p><p>como clientes.</p><p>c. A privatização deve ser incentivada para que possa haver a segmentação adequada do cliente público,</p><p>permitindo a adoção de práticas patrimonialistas.</p><p>d. A liderança racional-legal precisa ser sedimentada nos governos modernos, fato que só será viabilizado com</p><p>o apoio tanto dos clientes como das empresas de um país.</p><p>e. Os governos democráticos devem priorizar seus clientes-alvo, a exemplo dos poderes Legislativo e</p><p>Judiciário, excluindo aqueles grupos de menor influência.</p><p>Comentário: O paradigma do cliente na Administração Pública surge junto ao modelo gerencialista conhecido como</p><p>“Consumerismo”. Nesta perspectiva, tinha-se a visão de que os serviços deveriam ser prestados com qualidade e com</p><p>foco nas necessidades dos “clientes”. O foco estava na satisfação do consumidor e os usuários do serviço público eram</p><p>vistos como clientes.</p><p>Uma das características desta teoria é a competitividade dentro do setor público. A intenção era gerar alternativas de</p><p>atendimento para o “cliente”. É preciso que haja opções caso determinada política pública não esteja funcionando a</p><p>contento. Portanto, a alternativa B está correta.</p><p>Resposta: B</p><p>13.FGV - Prefeitura de Salvador (BA) - Fiscal de Serviços Municipais - 2019</p><p>A crise do Estado brasileiro, na década de 80, ensejou a adoção de novas práticas para a Administração Pública. Um</p><p>conjunto de experiências internacionais bem-sucedidas foi, então, identificado como formando um novo movimento</p><p>da atuação estatal, posteriormente denominado como Nova Gestão Pública (New Public Management).</p><p>Assinale a opção que apresenta uma característica importante desse movimento.</p><p>a. Foco em Resultados, caracterizado pela mudança paradigmática</p><p>de ênfase em metodologias de controle a</p><p>posteriori para a utilização sistêmica do controle a priori.</p><p>b. Controle Social, instituindo a orientação administrativa voltada para o sigilo de informações públicas,</p><p>fundamentais para inibir conflitos societários.</p><p>c. Valorização do Serviço Público, adotando a filosofia do Estado empreendedor e realizando a estatização de</p><p>serviços considerados estratégicos para a economia do país.</p><p>46 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>d. Trabalho em Rede, por meio do desenvolvimento da força de trabalho do setor público, reduzindo a</p><p>necessidade de informatização e automatização dos processos, e garantindo a empregabilidade.</p><p>e. Flexibilidade Administrativa, oferecendo uma maior autonomia aos gestores públicos para a tomada de</p><p>decisões, vinculando-a ao alcance das metas.</p><p>Comentário: O erro da alternativa A é dizer que o controle passou a ser a priori e é justamente o contrário. O controle</p><p>passou a ser a posteriori, ou seja, para avaliar o desempenho gerado. Na alternativa B o erro é dizer que há sigilo</p><p>quando o que foi preconizado foi a transparência. O erro da alternativa C é dizer que houve estatização, quando, na</p><p>verdade, houve maior ênfase na privatização dos serviços, pois o papel do Estado mudou de prestador de serviços para</p><p>regulador. A alternativa D erra ao dizer que o modelo reduz a necessidade de informatização e automatização dos</p><p>processos.</p><p>A alternativa E é a correta, já que neste modelo o foco está no controle a posteriori e, para isso, utiliza-se do contrato</p><p>de gestão e da contratualização de resultados. Além disso, há maior autonomia (confiança limitada).</p><p>Resposta: E</p><p>14.FGV - DPE-RJ - Técnico Superior Especializado – Administração - 2014</p><p>A Nova Gestão Pública, ou New Public Management, que representa uma importante mudança de paradigma na</p><p>administração pública internacional, tem como características</p><p>a. utilização de modelos colegiados de deliberação e participação da sociedade.</p><p>b. fortalecimento nas leis e normativos para separação do público e do privado.</p><p>c. utilização de ferramentas de controle de custos, eficiência e gestão por resultados.</p><p>d. utilização de políticas para redução das desigualdades sociais.</p><p>e. utilização de redes interorganizacionais e contratos relacionais.</p><p>Comentário: Um dos grandes diferenciais da Nova Gestão Pública com o modelo anterior (burocrático) é a forma de</p><p>controle. No modelo burocrático, o foco está nos processos e procedimentos. Nos modelos gerencialistas, como a</p><p>Nova Gestão Pública, o foco está na eficiência administrativa, na eficiência dos gastos e no desempenho. Portanto, o</p><p>controle é feito nos custos e a gestão é estabelecida através de metas, na contratualização de resultados, que serão</p><p>auferidos e controlados por seus resultados.</p><p>Resposta: C</p><p>15.FGV - TJ-RO - Analista Judiciário – Administrador - 2021</p><p>A Constituição da República de 1988 (CRFB/1988) é reconhecida pelo seu caráter democrático e protetivo, e</p><p>promoveu ampliação no rol de direitos e garantias individuais e sociais. Em termos de reforma administrativa, contudo,</p><p>a doutrina especializada aponta a ocorrência de retrocessos, tornando a administração pública mais burocrática.</p><p>Nesse sentido, é exemplo de retrocesso trazido pela CRFB/1988:</p><p>a. o incentivo à descentralização político-administrativa;</p><p>47 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>b. o apoio ao clientelismo e ao fisiologismo como política de Estado;</p><p>c. a institucionalização de mecanismos de democracia direta, favorecendo o controle social e a accountability;</p><p>d. a extensão às entidades da administração indireta de procedimentos e mecanismos de controle aplicáveis à</p><p>administração direta;</p><p>e. a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), para comandar as reformas</p><p>administrativas e implementar as políticas de governo.</p><p>Comentário: A crítica à CF/88 é a adoção de práticas burocráticas de gestão, anteriores às reformas propostas pelo</p><p>Decreto-Lei nº 200/67. Portanto, promover mecanismos de controle da administração direta às instituições da</p><p>administração indireta foi considerado um grande retrocesso.</p><p>Resposta: D</p><p>16.FGV - TJ-RO - Analista Judiciário – Administrador - 2021</p><p>A administração pública gerencial no Brasil foi implantada por meio do PDRAE, que reestruturou o aparelho do Estado</p><p>em núcleos que contariam com diferentes tipos de gestão, formas de propriedade e objetivos.</p><p>A esse respeito, considerando o definido no PDRAE para o núcleo de decisões estratégicas do Estado, um profissional</p><p>atuaria no(a):</p><p>a. Poder Judiciário;</p><p>b. serviço de saúde;</p><p>c. setor de educação;</p><p>d. fiscalização de impostos;</p><p>e. geração de energia elétrica.</p><p>Comentário: Segundo Bresser-Pereira (1998), os Estados modernos contam com quatro setores: Núcleo estratégico, é</p><p>o centro no qual se definem as leis como, por exemplo, o Poder Judiciário (alternativa A, correta). Atividades</p><p>exclusivas: somente o Estado pode prestar e envolvem ações de fiscalizar, controlar e fomentar. Exemplo: fiscalização</p><p>de impostos (D). Serviços não exclusivos: o Estado provê e podem ser também oferecidos pelo setor privado e pelo</p><p>setor público não estatal (não governamental). Exemplos: saúde (B) e educação (C). Setor de produção de bens e</p><p>serviços para o mercado: são as atividades econômicas voltadas ao lucro e que ainda permanecem no aparato do</p><p>Estado. Exemplo: geração de energia elétrica (E).</p><p>Resposta: A</p><p>17.FGV - TJ-RO - Analista Judiciário - Administrador – 2021</p><p>A reforma gerencial, implantada no Brasil a partir de meados dos anos 90, contrapunha-se aos princípios burocráticos</p><p>weberianos.</p><p>Nesse sentido, a reforma gerencial assentava-se no(s) princípio(s) de:</p><p>48 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a. centralização decisória e administrativa;</p><p>b. flexibilização, publicização e desestatização;</p><p>c. funcionários públicos estáveis e apolíticos;</p><p>d. hierarquias e regras bem definidas;</p><p>e. especialização, imparcialidade e neutralidade.</p><p>Comentário: São características a flexibilização, publicização e desestatização.</p><p>Resposta: B</p><p>18.FGV - TJ-GO - Analista Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo - 2014</p><p>O modelo burocrático weberiano é um modelo organizacional que desfrutou notável disseminação nas administrações</p><p>públicas durante o século XX em todo o mundo. O modelo burocrático é atribuído a Max Weber, porque o sociólogo</p><p>alemão analisou e sintetizou suas principais características (Secchi, 2009, p. 350). Ao tratar do modelo burocrático</p><p>weberiano, é possível afirmar que ele:</p><p>a. apoia-se na autoridade carismática como fonte de poder dentro das organizações;</p><p>b. valoriza remunerações diferenciadas para empregados que desempenham tarefas semelhantes;</p><p>c. utiliza a separação entre planejamento e execução das atividades no contexto organizacional;</p><p>d. volta seu foco às necessidades dos cidadãos para construção das políticas públicas;</p><p>e. alcança alto grau de personalismo e clientelismo devido às suas características teóricas.</p><p>Comentário: O enunciado aborda o modelo burocrático, então vamos avaliar cada alternativa.</p><p>a) A autoridade carismática é característica do modelo patrimonialista. No modelo burocrático, o tipo de dominação é</p><p>o racional-legal. Errada.</p><p>b) Uma das características da burocracia é a impessoalidade, assim, há uma padronização de tarefas e procedimentos e</p><p>quem é remunerado é o cargo e não as pessoas. Errada.</p><p>c) Na burocracia, a especialização do trabalho pressupõe a separação entre o planejamento e a execução,</p><p>demonstrando claramente a separação entre a política e a administração. O lema da reforma administrativa em 1930</p><p>era “Governar</p><p>é administrar”, baseando-se na divisão de tarefas de Taylor (Administração Científica). A política é</p><p>responsável pela elaboração de objetivos e a administração pública responsável por transformar as decisões em ações</p><p>concretas. Certa.</p><p>d) No modelo burocrático o foco é o atendimento aos processos, ou seja, a organização funciona de forma</p><p>autorreferente e está preocupada em cumprir normas e regulamentos. Errada.</p><p>e) Personalismo e clientelismo são características do modelo patrimonialista. A impessoalidade é característica da</p><p>burocracia.</p><p>Resposta: C</p><p>49 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>19.FGV - DPE-MT - Assistente Administrativo - 2015</p><p>As opções a seguir apresentam pontos fundamentais do modelo de administração pública gerencial, à exceção de uma.</p><p>Assinale-a.</p><p>a. Foco nos cidadãos, como beneficiários da administração.</p><p>b. Avaliação do desempenho, como instrumento efetivo de gestão.</p><p>c. Ênfase na inovação, como característica básica de gestão.</p><p>d. Foco em processos, como instrumento de controle.</p><p>e. Busca de resultados, como fator determinante de gestão.</p><p>Comentário: A única característica que não pertence à administração pública gerencial é a alternativa D “Foco em</p><p>processos, como instrumento de controle”. No gerencialmente o foco está nos resultados, e os instrumentos de</p><p>controle avaliam o desempenho a posteriori.</p><p>O foco em processos e procedimentos (a priori) é uma característica do modelo burocrático.</p><p>Resposta: D</p><p>20.FGV - DPE-MT - Assistente Administrativo - 2015</p><p>O modelo de administração pública gerencial pressupõe que o Estado é dividido em quatro setores: núcleo estratégico,</p><p>atividades exclusivas, atividades não exclusivas e produção de bens e serviços.</p><p>Assinale a opção que indica uma atividade não exclusiva do Estado.</p><p>a. As atividades de arrecadação de impostos.</p><p>b. A elaboração e a fiscalização do cumprimento de leis.</p><p>c. A garantia da segurança pública</p><p>d. A promoção da seguridade social básica.</p><p>e. A prestação de serviços de educação.</p><p>Comentário: Segundo Bresser-Pereira (1998), os Estados modernos contam com quatro setores: Núcleo estratégico,</p><p>é o centro no qual se definem as leis como, por exemplo, o Poder Judiciário. Atividades exclusivas: somente o Estado</p><p>pode prestar e envolvem ações de fiscalizar, controlar e fomentar. Exemplo: fiscalização de impostos. Serviços não</p><p>exclusivos: o Estado provê e podem ser também oferecidos pelo setor privado e pelo setor público não estatal (não</p><p>governamental). Exemplos: saúde e educação. Setor de produção de bens e serviços para o mercado: são as</p><p>atividades econômicas voltadas ao lucro e que ainda permanecem no aparato do Estado. Exemplo: geração de energia</p><p>elétrica.</p><p>As alternativas A, B, C e D são atividades exclusivas do Estado, portanto, a única atividade não exclusiva são os serviços</p><p>de educação (alternativa E).</p><p>50 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Resposta: E</p><p>21.FGV - TCM-SP - Agente de Fiscalização – Administração - 2015</p><p>A transição de um modelo burocrático de gestão para um modelo gerencial pode gerar um hibridismo de práticas de</p><p>gestão que vão desde o excesso até a escassez de burocratização, trazendo consequências capazes de levar à</p><p>desordem. É um exemplo de escassez de burocratização:</p><p>a. formalização das comunicações em documentos.</p><p>b. superespecialização e responsabilização;</p><p>c. destaque aos cargos e às exigências;</p><p>d. foco nas disciplinas com base em regras;</p><p>e. ênfase nas pessoas e na liberdade de ação;</p><p>Comentário: Na teoria da burocracia, quando temos um excesso e exacerbação de suas características chamamos de</p><p>Disfunções da Burocracia. Porém, pode ocorrer o contrário e haver uma escassez de burocracia. Quando isso ocorre,</p><p>denota-se que faltam os aspectos que caracterizam este modelo.</p><p>Nas alternativas A a D estão apresentadas características referentes ao modelo burocrático. Na alternativa E, a ênfase</p><p>da burocracia não é nas pessoas e, sim, nos procedimentos. Além disso, não há liberdade de ação já que o formalismo</p><p>prevê a atuação através do cumprimento de normas e regras.</p><p>Resposta: E</p><p>22.VUNESP - SES - PB - Auxiliar Administrativo - 2021</p><p>A burocracia é uma organização que se baseia na separação entre a propriedade e a administração. Os membros do</p><p>corpo administrativo estão separados da propriedade dos meios de produção. Em outros termos, os administradores</p><p>da burocracia não são seus donos, acionistas ou proprietários. O dirigente não é necessariamente o dono do negócio</p><p>ou grande acionista da organização. Com a burocracia, surge o profissional. Os meios de produção, isto é, os recursos</p><p>necessários para desempenhar as tarefas da organização, não são propriedade dos burocratas. É correto dizer que esse</p><p>modelo de separação indica a seguinte característica da burocracia:</p><p>a. caráter racional e divisão do trabalho.</p><p>b. impessoalidade nas relações.</p><p>c. hierarquia de autoridade.</p><p>d. competência técnica e meritocracia.</p><p>e. especialização da administração.</p><p>51 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Comentário: A característica da burocracia que se baseia na separação entre a propriedade e a administração é a</p><p>especialização do trabalho. O enunciado traz vários exemplos de especialização do trabalho, como a separação do</p><p>funcionário dos meios de produção. A especialização do trabalho está vinculada ao profissionalismo da gestão</p><p>burocrática.</p><p>Resposta: E</p><p>23.VUNESP - Prefeitura de Ilhabela (SP) - Analista - Administração Pública - Gestão Pública - 2020</p><p>O modelo de administração pública baseado em regras e normas é denominado como modelo burocrático. Após</p><p>diversas experiências em diferentes países e como reação a esse modelo, foram propostas novas linhas de ação pública.</p><p>Por resultado disso, a gestão pública contemporânea busca orientar-se, dentre outros elementos, por</p><p>a. rigor no cumprimento da lei e na defesa do estado de direito.</p><p>b. maior controle interno para potencializar a dinâmica produtiva.</p><p>c. inserção de grupos de interesse nos processos decisórios.</p><p>d. maior foco em resultados e nos ganhos para usuários.</p><p>e. aumento do aparato estatal com diversificação de ações.</p><p>Comentário: Houve uma transição do modelo burocrático (rígido, impessoal, focado em normas e procedimentos)</p><p>para um modelo gerencialista (flexível, focado no cidadão, controle baseado em resultados, etc).</p><p>Portanto, quando se fala em foco em resultados, ganho dos usuários, foco no cidadão, estamos falando de</p><p>características do paradigma pós-burocrático. A alternativa correta é a letra D.</p><p>Resposta: D</p><p>24.VUNESP - Prefeitura de Ilhabela (SP) - Analista - Administração de Empresas - Gestão Pública - 2020</p><p>Há um modelo de autoridade que parte da crença na legalidade para impor padrões e regras normativas, abstratas,</p><p>intencionalmente estabelecidas e universais, ele tem sua origem na burocracia e é o mais conhecido e o mais difundido</p><p>pelo efeito de padronização.</p><p>Esse modelo de autoridade é :</p><p>a. a carismática.</p><p>b. a neocarismática.</p><p>c. o racional legal.</p><p>d. a comportamental.</p><p>e. o tradicional.</p><p>52 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Comentário: Segundo Max Weber, há três tipo de dominação: Dominação Tradicional: baseia-se na tradição, nos</p><p>costumes arraigados, nos relacionamentos construídos por gerações; dominação Carismática: baseada no carisma</p><p>do governante. Acredita-se que um indivíduo específico possui qualidades e características extraordinárias, fora do</p><p>comum, que o credenciam a liderar; e dominação Racional-legal: baseada na lei. A obediência é devida não</p><p>a um</p><p>indivíduo, mas a uma série de normas e regulamentos.</p><p>O modelo que se baseia na crença na legalidade e tem origem na burocracia é a dominação racional-legal.</p><p>Resposta: C</p><p>25.VUNESP - Câmara de Boituva (SP) - Agente Administrativo - 2020</p><p>As três características mais relevantes da teoria burocrática em administração são:</p><p>a. formalidade; autoridade; e controle.</p><p>b. formalidade; impessoalidade; e profissionalismo.</p><p>c. centralização; participação; e padronização.</p><p>d. informalidade; padronização; e eficiência.</p><p>e. informalidade; impessoalidade; e racionalidade.</p><p>Comentário: A teoria da burocracia está composta sob o tripé: formalidade, impessoalidade e profissionalismo. A</p><p>formalidade diz respeito à imposição de deveres e responsabilidades aos servidores públicos, à existência de uma</p><p>hierarquia administrativa, aos procedimentos administrativos (documentados de forma escrita), à formalização de</p><p>processos decisórios e das comunicações internas e externas.</p><p>No tocante à impessoalidade, os cargos pertencem à organização, e não às pessoas que os estão ocupando. Como</p><p>consequência, evita-se a apropriação individual do poder, a obtenção de benefícios em função da posição ocupada</p><p>pelo profissional.</p><p>Quanto à profissionalização, é atribuído um grande valor ao mérito do funcionário (meritocracia), sendo que os</p><p>funcionários chegam a um cargo por meio de competição justa (concurso) e sua ascensão profissional se baseia em</p><p>critérios de experiência (antiguidade) e desempenho. São ainda atributos do profissionalismo o trabalho remunerado e</p><p>a divisão racional de tarefas.</p><p>Resposta: B</p><p>26.FCC - DPE-AM - Assistente Técnico de Defensoria - Assistente Técnico Administrativo - 2019</p><p>A Administração pública pode ser definida de forma resumida como o conjunto das atividades relacionadas de forma</p><p>direta à execução das tarefas ou obrigações de interesse público. Sob o ponto de vista de sua evolução, ela costuma ser</p><p>classificada por meio de três modelos: patrimonialista, burocrático e gerencial.</p><p>A Administração pública gerencial</p><p>53 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a. surgiu no Brasil a partir de meados do século XX, baseada na racionalidade por meio da criação e</p><p>cumprimento de leis e regras para combater o nepotismo.</p><p>b. tem como objetivo tornar a Administração pública pessoal, por isso o foco não é o controle de resultados.</p><p>c. enfatiza aspectos formais e estabelece hierarquias rígidas.</p><p>d. leva em conta aspectos de eficiência, eficácia e aumento da qualidade dos serviços públicos.</p><p>e. confunde res publica (coisa do povo) com res principis (coisa do príncipe).</p><p>Comentário:</p><p>a) A Administração pública gerencial não estava baseada na racionalidade, esta era uma característica da burocracia.</p><p>Errada.</p><p>b) O foco do gerencialismo era no controle de resultados. Errada.</p><p>c) O gerencialismo busca flexibilizar as estruturas promovendo a descentralização. Errada.</p><p>d) O controle voltado a resultados e o foco no desempenho leva à preocupação com a qualidade na prestação de</p><p>serviços públicos e a mensuração através de indicadores de eficiência e eficácia. Certa.</p><p>e) Esta é uma característica do patrimonialismo.</p><p>Resposta: D</p><p>27.VUNESP - Prefeitura de Campinas - SP - Agente Administrativo - 2019</p><p>Surgiu basicamente com o advento do Estado Liberal, buscando romper com o modelo anterior, pois separava os</p><p>interesses pessoais do detentor do poder e os instrumentos colocados à disposição do Poder Público para garantir a</p><p>satisfação do interesse público. Tinha como objetivo defender a sociedade contra o poder arbitrário do soberano.</p><p>O enunciado se refere corretamente ao modelo de administração denominado:</p><p>a. gerencial.</p><p>b. misto.</p><p>c. democrático.</p><p>d. burocrático.</p><p>e. patrimonialista.</p><p>Comentário: O modelo teórico de administração pública que surge junto com o Estado Liberal é o burocrático</p><p>(alternativa D). O objetivo era superar os desmandos patrimonialistas, caracterizada pela pessoalidade nas relações</p><p>(troca de favores), corrupção e nepotismo. A burocracia busca superar a lógica de que o Estado é uma extensão do</p><p>governante, separando os interesses pessoais dos interesses estatais.</p><p>Resposta: D</p><p>54 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>28. VUNESP - UFABC - Administrador - 2019</p><p>No sentido popular ou leigo, a burocracia pública é quase um sinônimo de lentidão, carimbos, excesso de autoridade,</p><p>ou seja, algo que tende a “não funcionar direito”. Entretanto, no seu sentido técnico e acadêmico, a burocracia pública</p><p>tem como sinônimo:</p><p>a. eficácia, ou seja, trabalha-se pelo resultado esperado pelos cidadãos e menos preocupado com os</p><p>processos.</p><p>b. efetividade, ou seja, independentemente dos processos, busca-se avaliar o alcance dos resultados e dos seus</p><p>efeitos positivos.</p><p>c. eficiência, ou seja, busca-se um serviço público célere, com os menores custos e os melhores resultados.</p><p>d. entropia, ou seja, o sistema público deve ser retroalimentado pelos impostos, e os cidadãos, por sua vez,</p><p>devem receber bons serviços dos governos.</p><p>e. excelência, ou seja, o nível de qualidade dos serviços públicos deve estar de acordo com as expectativas dos</p><p>cidadãos.</p><p>Comentário: O sentido popular a que o enunciado se refere é o que Robert Morton chamou de “disfunções da</p><p>burocracia”. Em seu tipo puro, a burocracia apresenta diversos benefícios e vantagens. Dentre elas, está a eficiência na</p><p>prestação de serviços. A preocupação da burocracia é prestar um bom serviço, com melhores resultados e menores</p><p>custos. Está focada se o processo está adequado e não se preocupa se está fazendo a coisa certa (eficácia) ou se está</p><p>produzindo impactos positivos para a sociedade e cidadãos (efetividade).</p><p>Resposta: C</p><p>29.FGV - TCU - Auditor Federal de Controle Externo - 2022</p><p>A gestão burocrática baseada no marco teórico de Weber caracteriza-se pelo exercício hierárquico da autoridade, com</p><p>ênfase na aplicação impessoal de regras racionais e formais. Dentre os diversos problemas advindos desse modelo</p><p>estão a rigidez do comportamento institucional, a adesão literal às regras e o cumprimento acrítico de ordens</p><p>ignorando a razoabilidade e os possíveis efeitos adversos. Em resposta a esse modelo surge o paradigma pós-</p><p>burocrático da New Public Management (NPM).</p><p>A NPM busca soluções para os problemas da burocracia weberiana, dentre essas soluções estão a quebra da opacidade</p><p>burocrática por meio da:</p><p>a. centralização decisória de gestão e a substituição progressiva do foco em procedimentos pelo accountability</p><p>de resultados;</p><p>b. descentralização da gestão e o reforço progressivo do foco em procedimentos apoiado no accountability de</p><p>resultados;</p><p>c. delegação de responsabilidades e o aumento da autonomia de alocação de recursos, substituindo o controle</p><p>ex post pelo controle ex ante;</p><p>d. reforço de relações contratuais e a substituição do controle ex ante pelo controle ex post focado no</p><p>accountability de resultados;</p><p>e. descentralização da gestão e a substituição progressiva do foco em procedimentos pelo accountability de</p><p>resultados.</p><p>Comentário: São características a flexibilização, publicização e desestatização.</p><p>55 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a) a NGP busca a descentralização decisória, dando maior autonomia para os gestores através da confiança limitada,</p><p>ou seja, os resultados serão posteriormente auferidos e o gestor pode ser responsabilizado. Errada.</p><p>b) o foco da NGP não está nos procedimentos (foco da burocracia) e sim nos resultados. Errada.</p><p>c) é o contrário. A NGP substitui o controle ex ante (de procedimentos) pelo controle ex post (de resultados) Errada.</p><p>d) Não há o reforço das relações contratuais e, sim, a contratualização</p><p>brasileiro, o personagem característico é o “coronel”, oligarca do interior que dominava o</p><p>cenário da política regional através da utilização do poder econômico e da “troca de favores” entre seus partidários</p><p>(coronelismo). Neste contexto, as eleições (quando ocorriam) eram fraudadas para beneficiar o grupo dominante para</p><p>que ele continuasse no poder e os recursos públicos fossem desviados de sua finalidade.</p><p>O patrimônio público deixa de servir à coletividade para passar a servir aos interesses do grupo dominante. A</p><p>corrupção (apropriação de bens públicos) também caracteriza o patrimonialismo brasileiro pois, neste modelo, a</p><p>relação era baseada na entrega de prebendas e sinecuras.</p><p>3 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Sinecura: emprego ou função que não requer muito trabalho e sem muita responsabilidade.</p><p>Prebenda: pagamento em espécie, através de bens ou favores a agentes públicos em troca de lealdade.</p><p>Você já ouvir a frase: “Para os amigos tudo, para os inimigos a lei”? Isso significa que, se você é amigo de quem</p><p>manda, você pode “quebrar” algumas regrinhas! Caso não seja conhecido de ninguém importante, terá que se</p><p>comportar exemplarmente, caso contrário, pode sofrer o rigor da lei!</p><p>No modelo patrimonialista, o soberano está acima das regras. A racionalidade é subjetiva, ou seja, depende da</p><p>opinião, da discricionariedade (e das arbitrariedades) do senhor no momento, inclusive nas decisões da Justiça.</p><p>São características do modelo patrimonialista:</p><p>Tendência à corrupção e ao nepotismo;</p><p>Clientelismo;</p><p>Dificuldade de diferenciar a esfera pública da esfera privada;</p><p>Estado é uma extensão do governante;</p><p>Sistema fiscal injusto e irracional;</p><p>Falta de profissionalização;</p><p>Inexistência de carreiras organizadas.</p><p>Aos poucos, as monarquias absolutistas foram sendo substituídas por Estados modernos e emergiu a</p><p>necessidade da separação entre os bens públicos e privados, bem como a profissionalização da Administração Pública.</p><p>Com as demandas de uma sociedade cada vez mais complexa, o Estado necessitava de se capacitar e de se</p><p>profissionalizar. O modelo patrimonialista passou a ser visto como um problema e um limitador ao desenvolvimento e o</p><p>modelo burocrático foi a solução adotada.</p><p>FGV - Órgão: TJ-RO - Cargo: Analista Judiciário – Administrador - Ano: 2021</p><p>As origens históricas dos conceitos associados à administração pública remontam ao período “da descoberta do Brasil</p><p>[...] até a Revolução de 1930, em que o Estado brasileiro pode facilmente ser descrito como a grande instituição</p><p>garantidora dos privilégios sociais e econômicos de uma elite rural, aristocrática e parasita”. Fonte: Torres, Marcelo</p><p>Douglas de Figueiredo. (2004) Estado, democracia e administração pública no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, p.143.</p><p>O período histórico descrito faz referência à administração pública:</p><p>a) burocrática;</p><p>b) gerencial;</p><p>c) patrimonialista;</p><p>d) publicizada;</p><p>e) terceirizada.</p><p>4 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Comentário: O Estado que garante privilégios sociais e econômicos à elite parasita é o modelo patrimonialista, que tem</p><p>a tendência à troca de favores e à corrupção.</p><p>Resposta: C</p><p>Modelo Burocrático</p><p>A revolução industrial e o surgimento do Estado Liberal contribuíram para uma nova ótica sobre o papel do</p><p>Estado, dando espaço ao surgimento do modelo burocrático, baseado na impessoalidade, no profissionalismo e na</p><p>racionalidade. Com o objetivo de combater o nepotismo e a corrupção, o modelo burocrático buscou suprir a demanda</p><p>de uma administração adequada aos novos desafios do Estado moderno. Ele foi uma resposta aos abusos e demais</p><p>vícios experimentados durante o modelo patrimonialista.</p><p>O modelo burocrático foi analisado e sintetizado por Max Weber, com a publicação do livro Economia e</p><p>Sociedade, em 1922. Para Weber, a burocracia é uma forma ideal de organização humana que se baseia na adequação</p><p>dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos.</p><p>Com a sociedade mais complexa, a Administração Pública não podia mais depender do arbítrio de um só</p><p>indivíduo. Os administradores públicos passaram a ser tratados com desconfiança e os abusos cometidos no modelo</p><p>anterior buscaram ser contidos.</p><p>As regras deveriam estar claras para todos e as decisões deveriam ser tomadas com base em uma lógica</p><p>racional. Adotou-se um tipo de domínio baseado na autoridade racional-legal (baseado na razão e na lei). O objetivo</p><p>era proteger e blindar a coisa pública do interesse dos seus próprios governantes. No modelo burocrático existe uma</p><p>desconfiança extrema em relação às pessoas, portanto são desenvolvidos controles dos processos e dos</p><p>procedimentos, de forma a evitar os desvios.</p><p>Os funcionários têm pouca discricionariedade, ou liberdade de escolha da melhor estratégia, para atuar na</p><p>Administração Pública. A burocracia se preocupa em criar critérios e processos que estabeleçam o método correto de</p><p>se agir. Todos os processos e atividades são padronizados, são manualizados. Com isso, os servidores passam a se</p><p>preocupar mais em seguir regulamentos e normas do que em atingir bons resultados. É realizado um controle rígido</p><p>dos processos a priori.</p><p>As organizações burocráticas são estruturadas em vários níveis hierárquicos, em que o nível de cima controla o</p><p>de baixo. É o que se chama de estrutura verticalizada, na qual as decisões são tomadas na cúpula (topo da hierarquia</p><p>ou nível estratégico). A estrutura hierárquica gera maior demora na tomada de decisões e no fluxo de informações</p><p>dentro da organização. O fluxo de informações não é livre, dificultando a troca de informações com outros setores.</p><p>Existem três princípios basilares na burocracia: a profissionalização, a impessoalidade e o formalismo.</p><p>Quanto à profissionalização, é atribuído um grande valor ao mérito do funcionário (meritocracia), sendo que</p><p>os funcionários chegam a um cargo por meio de competição justa (concurso) e sua ascensão profissional se baseia em</p><p>critérios de experiência (antiguidade) e desempenho. São ainda atributos do profissionalismo o trabalho remunerado e</p><p>a divisão racional de tarefas.</p><p>O modelo burocrático, que se caracterizou pela meritocracia na forma de ingresso nas carreiras públicas,</p><p>mediante concursos públicos, buscou eliminar o hábito arraigado do modelo patrimonialista de ocupar espaço no</p><p>aparelho do Estado através de trocas de cargos públicos por favores pessoais ao soberano.</p><p>Na burocracia, as pessoas são nomeadas por seus conhecimentos e habilidades, não por seus laços familiares</p><p>ou de amizade. Desta forma, o que se busca é a profissionalização do servidor público, sua especialização. De acordo</p><p>com Weber, o quadro administrativo em uma burocracia de modelo “puro” se compõe de funcionários individuais, os</p><p>quais:</p><p>5 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>São pessoalmente livres e obedecem somente às obrigações objetivas de seu cargo;</p><p>São nomeados (e não eleitos) numa hierarquia rigorosa dos cargos;</p><p>Têm competências funcionais fixas, em virtude de um contrato;</p><p>São remunerados com salários fixos em dinheiro;</p><p>Exercem seu cargo como profissão única ou principal;</p><p>Têm a perspectiva de uma carreira: “progressão” por tempo de serviço ou eficiência, ou ambas as coisas,</p><p>dependendo do critério dos superiores;</p><p>Trabalham em “separação absoluta dos meios administrativos” e sem apropriação do cargo;</p><p>Estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina e controle do serviço.</p><p>Uma característica que diz respeito tanto ao princípio da profissionalização como ao da impessoalidade é a</p><p>de resultados através da descentralização das</p><p>atividades. Errada.</p><p>e) Esta é a alternativa correta, pois a NGP promove a contratualização de resultados, através do estabelecimento de</p><p>contratos de gestão e substitui o controle ex ante (de procedimentos) pelo controle ex post (de resultados). Certa.</p><p>Resposta: E</p><p>30.FGV - PGE-RO - Analista da Procuradoria – Administrador - 2015</p><p>A respeito de uma administração pública que segue o modelo racional-legal, é correto afirmar que:</p><p>a. define as organizações públicas como voltadas para descobrir os meios mais eficientes para os fins</p><p>politicamente dados;</p><p>b. foca nos processos de mudança que buscam lograr os valores societários publicamente definidos;</p><p>c. opera organizações públicas visando alcançar objetivos políticos internamente definidos;</p><p>d. possui um entendimento fenomenológico do comportamento humano reconhecendo o caráter de</p><p>imprevisibilidade;</p><p>e. reconhece valores humanos, como liberdade, justiça e igualdade como critérios de julgamento para a ação</p><p>pública.</p><p>Comentário: O modelo racional-legal, ou modelo burocrático de administração pública tem como característica a</p><p>separação entre planejamento e execução do trabalho, onde a política seria responsável pelas decisões estratégicas e a</p><p>Administração Pública seria responsável pela implementação das ações. Portanto, as organizações buscam definir o</p><p>meio mais eficiente para os fins politicamente dados (alternativa A). Neste modelo, não é a sociedade, o aparato</p><p>interno ou os valores que orientam as finalidades.</p><p>Resposta: A</p><p>31.FGV - PGE-RO - Analista da Procuradoria – Administrador - 2015</p><p>A reforma do Estado no Brasil na implantação do modelo gerencial, durante a década de 90, envidou esforços no</p><p>sentido de:</p><p>a. definir racionalmente funções e responsabilidades por leis ou regulamentos;</p><p>b. aumentar os custos da máquina administrativa contratando novos servidores civis;</p><p>c. estabelecer rotinas e procedimentos padronizados, visando previsibilidade e formalismo;</p><p>56 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>d. instituir um novo desenho de estruturas descentralizadas, buscando eficiência e profissionalização;</p><p>e. organizar o trabalho de forma estável e duradoura em funções especializadas.</p><p>Comentário: A reforma administrativa proposta pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, em 1995, tinha</p><p>como objetivos A reforma preconizada no PDRAE (1995) tinha como objetivos: redefinir os objetivos da administração</p><p>pública que passaria a estar voltada para o cidadão-cliente; aperfeiçoar as funções e instrumentos de coordenação,</p><p>formulação, implementação e avaliação de políticas públicas; flexibilizar as normas e simplificar os procedimentos;</p><p>instituir um novo desenho das estruturas descentralizadas; e aprofundar a profissionalização dos funcionários</p><p>(alternativa D).</p><p>Resposta: D</p><p>32.FGV - TJ-RO - Administrador - 2015</p><p>As transformações nas práticas da administração pública brasileira estão em grande parte relacionadas aos novos</p><p>modelos de gestão desenvolvidos ao longo de sua história e os pressupostos de ação de cada modelo. Nesse sentido, é</p><p>possível afirmar que o primeiro plano de classificação de cargos e o órgão central de pessoal e material foram</p><p>instituídos quando da implementação do modelo:</p><p>a. burocrático;</p><p>b. gerencial;</p><p>c. patrimonialista;</p><p>d. pós-burocrático;</p><p>e. societal.</p><p>Comentário: A primeira grande reforma administrativa do Estado brasileiro aconteceu nos anos 1930. O seu grande</p><p>marco foi a instituição do DASP – Departamento Administrativo do Serviço Público, em 1938. A orientação da gestão</p><p>era o modelo burocrático.</p><p>A racionalização da administração pública na área de gestão de pessoas se baseou no princípio do mérito profissional,</p><p>refletindo-se no surgimento das primeiras carreiras burocráticas e na adoção do concurso como forma de acesso ao</p><p>serviço público. A proposta era criar uma estrutura hierárquica de cargos orientados por normas técnicas e com</p><p>atuação regulamentada, composta por servidores tecnicamente qualificados e nomeados, por mérito, em virtude da</p><p>participação em concursos públicos.</p><p>Resposta: A</p><p>33.FGV - Prefeitura de Florianópolis (SC) - Administrador - 2014</p><p>Na opinião de Luiz Carlos Bresser Pereira (1998), um estado norteado por uma cultura burocrática não está a serviço</p><p>dos cidadãos. É possível compreender essa afirmação do autor se considerarmos que a reforma gerencial da</p><p>Administração Pública no Brasil e a Nova Administração Pública advogam que:</p><p>a. os serviços prestados ao Estado precisam ser realizados de forma competitiva;</p><p>57 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>b. a estabilidade dos servidores públicos precisa ser preservada e ampliada;</p><p>c. as contratações por meio de concurso público precisam ser ampliadas;</p><p>d. as empresas serão mais eficientes se administradas publicamente;</p><p>e. os serviços de educação e saúde precisam pertencer ao núcleo estratégico do Estado.</p><p>Comentário:</p><p>a) Na perspectiva da Nova Administração Pública, busca-se criar competição entre órgãos/entidades e entre o setor</p><p>público e o setor privado como forma de aumentar a eficiência das atividades. Certa.</p><p>b) Não é o objetivo da Nova Administração a ampliação da estabilidade dos servidores públicos. Errada.</p><p>c) A reforma gerencial prevê a publicização, ou seja, transferência das atividades não exclusivas do Estado para</p><p>organizações públicas não estatais. Desta forma, não busca ampliação de concursos. Errada.</p><p>d) A Nova Administração Pública preconiza que o modelo de gestão privado é mais eficiente do que o modo estatal de</p><p>gerenciar. Errada.</p><p>e) Os serviços de educação e saúde estão inseridos no grupo de atividades não exclusivas do estado. Errada.</p><p>Resposta: A</p><p>34.FGV - Prefeitura de Florianópolis (SC) - Administrador - 2014</p><p>Sobre os contornos e propostas da Nova Administração Pública (Bresser Pereira, 1998), é possível incluir:</p><p>a. a centralização do ponto de vista político, reduzindo a transferência de recursos e atribuições para os níveis</p><p>regionais e locais;</p><p>b. o controle por resultados, a posteriori, em vez de um controle passo a passo dos processos administrativos;</p><p>c. a progressiva substituição da competição administrada pela colaboração como valor orientador das</p><p>organizações;</p><p>d. a centralização administrativa, com a ampliação da autoridade central;</p><p>e. o estímulo a organizações unitárias e monolíticas, nas quais a ideia de multiplicidade tenha lugar.</p><p>Comentário:</p><p>a) O objetivo é ampliar, e não reduzir, a descentralização e a transferência de recursos e atribuições. Errada.</p><p>b) Exatamente. O gerencialismo está pautado no controle de resultados a posteriori. Certa.</p><p>c) Não há a substituição, mas o incentivo à competição administrada. Errada.</p><p>d) A Nova Administração Pública tem como pressuposto a descentralização administrativa. Errada.</p><p>e) Não já o estímulo este tipo de organização, pois o pressuposto é a flexibilidade das organizações. Errada.</p><p>58 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Resposta: B</p><p>35.FGV - Prefeitura de Florianópolis – SC – Administrador - 2014</p><p>No que concerne à reforma da função pública, em diversos países há um discurso no qual se enfatiza a necessidade de</p><p>motivar os funcionários, transformar a sua cultura, promover as suas qualificações, promover a liderança e procurar o</p><p>envolvimento e o comprometimento dos funcionários com os serviços públicos. Simultaneamente, algumas iniciativas</p><p>de reforma da função pública caracterizaram-se por um ataque ao estatuto dos funcionários no que diz respeito à</p><p>segurança de emprego e à remuneração. Ao mesmo tempo em que se diz que os funcionários públicos representam</p><p>um valor importante</p><p>da Administração Pública, se faz o downsizing (Araújo, 2004, p. 6).</p><p>O trecho citado aponta algumas contradições que ocorrem, dentre outros fatores, devido ao fato de a Nova</p><p>Administração Pública:</p><p>a. estimular o comprometimento em troca de maior segurança no emprego;</p><p>b. importar valores oriundos do setor privado para o setor público;</p><p>c. aumentar os gastos com pessoal na Administração Pública;</p><p>d. rejeitar contratações de funcionários fora do Regime Jurídico Único;</p><p>e. incorporar gratificações por tempo de serviço aos funcionários públicos federais.</p><p>Comentário: O enunciado apresenta uma das contradições da Nova Administração Pública vinculada aos valores</p><p>importados do setor privado e adotados pelo setor público (alternativa B). Isto porque foi crescendo uma insatisfação</p><p>em relação à administração pública burocrática. Isso se juntou ao pensamento de que o setor privado possuía o modelo</p><p>ideal de gestão. Por isso, o uso do termo gerencialismo tem uma ligação estreita com a adoção de práticas da</p><p>administração privada na gestão das organizações públicas.</p><p>Resposta: B</p><p>36.FGV - AL-BA - Técnico de Nível Médio – Administrativa - 2014</p><p>A eficiência e a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços públicos, tendo o cidadão como</p><p>beneficiário, são características próprias da Administração Pública:</p><p>a. Patrimonialista.</p><p>b. Gerencial.</p><p>c. Burocrática.</p><p>d. Organizacional.</p><p>e. Oligárquica.</p><p>59 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Comentário: O enunciado apresenta três características marcantes do modelo gerencialista de administração pública:</p><p>1. Busca pela redução de custos; 2. Aumento da qualidade dos serviços públicos; e 3. Foco no cidadão como</p><p>beneficiário dos serviços prestados (alternativa B). Diferente deste modelo, a burocracia tem o foco nas normas e</p><p>regulamentos e preocupa-se com a realização de tarefas e procedimentos (alternativa C). O patrimonialismo tem o</p><p>foco nas trocas de favores e nos interesses pessoais (alternativa A).</p><p>Resposta: B</p><p>37.FCC - Prefeitura de Recife – PE - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão - 2019</p><p>O modelo burocrático de Administração pública costuma ser criticado pelo excesso de rigidez; contudo, um outro</p><p>aspecto deste que costuma ser ressaltado pela literatura consiste na :</p><p>a. substituição de controles formais da atividade administrativa por controles de resultados, com foco na</p><p>eficiência administrativa.</p><p>b. resistência à atuação direta do Estado na exploração de atividades econômicas, que somente foi introduzida</p><p>a partir do subsequente modelo gerencial.</p><p>c. meritocracia, buscando a superação do clientelismo e nepotismo próprios do antecedente modelo</p><p>patrimonialista.</p><p>d. profissionalização e avaliação dos servidores, com introdução de mecanismos de planejamento estratégico e</p><p>remuneração por resultados.</p><p>e. transparência da atuação da Administração, com a introdução de mecanismos de participação popular até</p><p>então inexistentes.</p><p>Comentário: O enunciado busca identificar um dos aspectos positivos do modelo burocrático.</p><p>a) A adoção do controle por resultados é característica do gerencialismo. Errada.</p><p>b) A exploração da atividade econômica é objetivo de privatização pelo modelo gerencialista e começou muito antes da</p><p>adoção deste modelo, que aconteceu em 1995, como a criação da Petrobrás, em 1953. Errada.</p><p>c) Esta é uma característica da burocracia considerada positiva, que buscou superar o modelo patrimonialista. Certa.</p><p>d) A remuneração por resultados é característica do modelo gerencialista (gestão por resultados). Errada.</p><p>e) A participação popular é incentivada com a adoção do modelo gerencialista. Errada.</p><p>Resposta: C</p><p>38.FCC - Prefeitura de Recife (PE) - Analista de Gestão Administrativa – 2019</p><p>Os modelos de Administração pública que se sucederam apresentam características próprias, que distinguem cada</p><p>qual dos demais, entre elas :</p><p>a. a gestão horizontal do modelo burocrático, que substituiu a verticalização de estruturas própria do</p><p>patrimonialista.</p><p>60 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>b. a ênfase na preservação do patrimônio público, própria do modelo patrimonialista, com clara separação do</p><p>patrimônio do governante, o que perdeu força no modelo gerencial a partir das privatizações.</p><p>c. a prevalência de controles a priori da atuação pública, de natureza formal, característica do modelo gerencial</p><p>e considerada uma evolução em relação ao burocrático, que apenas realiza controles a posteriori.</p><p>d. o critério técnico de seleção dos servidores, ausente no modelo burocrático e introduzido pelo gerencial, que</p><p>passou a valorizar a estrutura funcional da Administração.</p><p>e. o formalismo e a estrutura hierárquica rígida, próprios do modelo burocrático, aliados à meritocracia, esta</p><p>também presente no modelo gerencial.</p><p>Comentário:</p><p>a) O modelo burocrático era verticalizado. Errada.</p><p>b) No modelo patrimonialista não havia separação entre propriedade pública e estatal. Errado.</p><p>c) No gerencialismo os controles são a posteriori. Errada.</p><p>d) A seleção de profissionais por critérios técnicos é vinculada à profissionalização e impessoalidade, características</p><p>importantes do modelo burocrático. Errada.</p><p>e) Isso mesmo! São características burocráticas a formalidade, a estrutura hierárquica rígida e a meritocracia, entre</p><p>outros. Certa.</p><p>Resposta: E</p><p>39.FGV - CGE-MA - Auditor - Conhecimentos Básicos - 2014</p><p>Por meio do paradigma pós-burocrático foi possível identificar algumas vantagens da burocracia como:</p><p>a. a meritocracia.</p><p>b. a rigidez.</p><p>c. a resistência a mudanças.</p><p>d. o apego às regras.</p><p>e. o formalismo.</p><p>Comentário: Segundo o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (MARE, 1995), a administração pública</p><p>gerencial substitui a administração burocrática, porém conserva, embora flexibilizando, alguns dos princípios</p><p>fundamentais, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, a existência de um sistema estruturado e universal</p><p>de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho e o treinamento sistemático. A diferença</p><p>fundamental entre os dois modelos está na forma de controle, que deixa de se basear nos processos para se concentrar</p><p>nos resultados.</p><p>Resposta: A</p><p>61 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>40.FCC - SEGEP-MA - Analista Executivo - Recursos Humanos - 2018</p><p>A adoção do modelo gerencial para a Administração pública no Brasil sofreu influência de movimentos estrangeiros</p><p>como o managerialism e o consumerism, sendo:</p><p>a. o primeiro voltado às boas práticas no âmbito da Administração e o segundo no financiamento público por</p><p>meio de privatizações.</p><p>b. ambos focados nos conceitos de cidadania, equidade e accountability, com a participação dos cidadãos na</p><p>tomada de decisões.</p><p>c. apenas o segundo representativo do gerencialismo propriamente dito e o primeiro um movimento precursor</p><p>desse modelo.</p><p>d. o primeiro consistente no gerencialismo puro pautado pela busca de eficiência com redução de custos e o</p><p>segundo com foco no cliente-usuário e na qualidade.</p><p>e. que o primeiro preconizava uma desestatização intensiva, que levou a uma falha na prestação de serviços</p><p>públicos, a qual o segundo buscou corrigir com o conceito de parcerias.</p><p>Comentário: O managerialism (ou Gerencialismo Puro) tinha a intenção de ser usado no setor público para diminuir</p><p>gastos em uma era de escassez e para aumentar a eficiência governamental. O consumerismo pode ser traduzido</p><p>como “satisfação do consumidor”. Ele introduziu a perspectiva da qualidade como uma estratégia voltada para a</p><p>satisfação do cliente-consumidor, através de medidas que visavam tornar o poder público mais leve, ágil e competitivo.</p><p>Assim,</p><p>a alternativa A está incorreta, pois ocorre o contrário. O erro da alternativa B é dizer que o foco está nas práticas</p><p>de cidadania, equidade e accountability, com a participação dos cidadãos na tomada de decisão. Estas são</p><p>características do Public Service Orietantion – PSO. O erro da C é que a ordem de surgimento foi primeiro o</p><p>managerialism e depois o consumerism. A alternativa D está correta, conforme descrição de cada modelo. O erro da</p><p>alternativa E é que, apesar da busca pela desestatização pelo managerialism, o modelo que veio em seguida não busco</p><p>corrigir este tipo de falhas e, sim, acrescentar um olhar voltado à qualidade e produtividade do serviço.</p><p>Resposta: D</p><p>62 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Resumo direcionado</p><p>Existem três modelos teóricos de Administração Pública: patrimonialismo, burocracia e gerencialismo.</p><p>Quadro 01. Características do modelo burocrático</p><p>FORMALIDADE IMPESSOALIDADE PROFISSIONALIZAÇÃO</p><p>• Autoridade é expressa em</p><p>leis;</p><p>• Comunicação é</p><p>padronizada;</p><p>• Controle de</p><p>Procedimentos.</p><p>• Isonomia no tratamento;</p><p>• Meritocracia;</p><p>• Racionalidade;</p><p>• Sistema legal e econômico</p><p>previsível.</p><p>• Comando é dos especialistas;</p><p>• Remuneração em dinheiro;</p><p>• Administrador é especialista - noção de</p><p>carreira;</p><p>• Hierarquia.</p><p>Tipos de Dominação (Max Weber)</p><p>Dominação Tradicional: baseia-se na tradição, nos costumes arraigados, nos relacionamentos construídos</p><p>por gerações;</p><p>Dominação Carismática: baseada no carisma do governante. Acredita-se que um indivíduo específico</p><p>possui qualidades e características extraordinárias, fora do comum, que o credenciam a liderar;</p><p>Dominação Racional-legal: baseada na lei. A obediência é devida não a um indivíduo, mas a uma série de</p><p>normas e regulamentos.</p><p>Disfunções da Burocracia (Robert Merton)</p><p>Internalização das regras e apego aos regulamentos: as normas e regulamentos passam a se transformar</p><p>de meios em objetivos. Os regulamentos passam a ser os principais objetivos do burocrata, que passa a</p><p>trabalhar em função deles;</p><p>Excesso de formalismo e de papelório: necessidade de documentar e de formalizar todas as comunicações</p><p>dentro da organização;</p><p>Resistência às mudanças: como na burocracia o trabalho é rotinizado, padronizado e previsto com</p><p>antecipação, o servidor se acostuma a uma estabilidade e repetição daquilo que faz;</p><p>Despersonalização do relacionamento: o caráter impessoal da burocracia leva a uma diminuição das</p><p>relações personalizadas entre os membros da organização;</p><p>Categorização como base do processo decisorial: como a burocracia está vinculada a uma rígida</p><p>hierarquização da autoridade, quem toma decisões em qualquer situação é aquele está no alto escalão,</p><p>independentemente do seu conhecimento sobre o assunto;</p><p>Conformidade às rotinas e aos procedimentos: as regras e rotinas tornam-se sagradas para o servidor à</p><p>medida que o tempo passa. Isso provoca limitação em sua liberdade e espontaneidade pessoal;</p><p>63 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Exibição de sinais de autoridade: tendência à utilização intensa de símbolo de status para demonstrar a</p><p>posição hierárquica dos funcionários, como uniforme, mesa, etc;</p><p>Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público: o funcionário está voltado para os</p><p>processos internos da organização. Os usuários são atendidos de forma padronizada, de acordo com</p><p>regulamentos e rotinas internos, desconsiderando-se as demandas pessoais e exclusivas;</p><p>Figura 01. Características dos modelos teóricos de Administração Pública</p><p>Quadro 02. Características dos modelos gerencialistas</p><p>CARACTERÍSTICAS DOS MODELOS GERENCIALISTAS</p><p>GERENCIALISMO</p><p>PURO</p><p>CONSUMERISMO PUBLIC SERVICE ORIENTATION</p><p>Redução de</p><p>custos;</p><p>Valorização</p><p>dos recursos</p><p>públicos;</p><p>Corte dos</p><p>gastos de</p><p>pessoal;</p><p>Privatização</p><p>em massa;</p><p>Adoção</p><p>maciça de</p><p>técnicas</p><p>oriundas da</p><p>Foco na qualidade e no</p><p>cliente/consumidor;</p><p>Descentralização como instrumento</p><p>de fomento à competitividade</p><p>(confere direito de escolha aos</p><p>consumidores);</p><p>Aumento da competição entre as</p><p>unidades governamentais;</p><p>Novas formas de parceria com o setor</p><p>privado;</p><p>Usuários são clientes.</p><p>Princípios:</p><p>accountability,</p><p>transparência,</p><p>participação política,</p><p>equidade e justiça;</p><p>Usuário como cidadão;</p><p>Cidadão com direitos e</p><p>deveres;</p><p>Descentralização como</p><p>participação política.</p><p>64 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>gestão</p><p>privada;</p><p>Usuários</p><p>como</p><p>contribuintes</p><p>(pagadores de</p><p>impostos);</p><p>Figura 02. Evolução das Reformas Administrativas</p><p>65 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>QUESTÕES COMENTADAS</p><p>1. CEBRASPE - Sefin Fortaleza - 2023</p><p>Julgue o item subsequente, a respeito dos modelos de governança e dos aspectos da administração pública burocrática</p><p>e gerencial.</p><p>A administração pública gerencial é caracterizada por formas modernas de gestão, com ênfase na qualidade e na</p><p>eficiência, sendo suas técnicas administrativas muito diferentes das empregadas no setor privado.</p><p>Comentário:</p><p>A administração pública gerencial é caracterizada pelo foco no cidadão, na busca pela eficiência, eficácia, no</p><p>resultado/qualidade do serviço ou produto. Tem como características:</p><p>* Competitividade;</p><p>* Transparência;</p><p>* Descentralização;</p><p>* Foco no resultado;</p><p>* Foco na qualidade e no cliente/consumidor;</p><p>* Redução de custos.</p><p>As características aplicadas nesse modelo não são diferentes do setor privado, pelo contrário, são muito similares.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>2. CEBRASPE - AGER - Mato Grosso - 2023</p><p>Assinale a opção que indica as características da administração pública quanto aos modelos pós-burocráticos,</p><p>ancorados nos padrões gerenciais contemporâneos.</p><p>a) Controles rígidos dos processos administrativos.</p><p>b) Autorreferência e ineficiência no atendimento ao cidadão.</p><p>c) Caráter arbitrário das decisões.</p><p>d) Formas flexíveis de gestão e incentivos à criatividade.</p><p>e) Ausência de carreiras administrativas.</p><p>Comentário:</p><p>O paradigma pós-burocrático corresponde a um conjunto de ideias voltadas para as práticas do gerencialismo, isto é:</p><p>descentralização; maior participação do cidadão/transparência; flexibilidade nos processos e incentivo a</p><p>criatividade; foco para o cidadão; busca por resultados, eficiência, eficácia e qualidade do serviço prestado.</p><p>66 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a) Errado, o controle rígido é uma característica da administração burocrática.</p><p>b) Errado, pelo contrário no modelo pós burocrático o foco é o atendimento do cidadão da maneira mais eficiente</p><p>possível.</p><p>c) Errado, as decisões não são arbitrárias, são planejadas e focadas no resultado.</p><p>d) Certo! O modelo pós burocrático tem uma visão descentralizada, flexibilidade nos processos e incentivo a</p><p>criatividade.</p><p>e) Errado, as carreiras administrativas não deixaram de existir no modelo gerencial.</p><p>Gabarito: alternativa "d"</p><p>3. CEBRASPE - AGER - Mato Grosso - 2023</p><p>Em relação aos objetivos estratégicos da reforma do aparelho do Estado, ocorrida em 1995, julgue os itens a seguir.</p><p>I Promover a melhoria da efetividade, de maneira que os objetivos democraticamente acordados sejam adequados e</p><p>realmente alcançados.</p><p>II Modernizar a administração burocrática mediante adoção de uma política de profissionalização do serviço público.</p><p>III Prover capacidade gerencial apta a definir e supervisionar os contratos de gestão com as agências autônomas,</p><p>responsáveis pelas atividades exclusivas de Estado.</p><p>Assinale</p><p>a opção correta.</p><p>a) Apenas o item I está certo.</p><p>b) Apenas os itens I e II estão certos.</p><p>c) Apenas os itens I e III estão certos.</p><p>d) Apenas os itens II e III estão certos.</p><p>e) Todos os itens estão certos.</p><p>Comentário:</p><p>O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE) tem como características:</p><p>* Foco na modernização da Administração Pública;</p><p>* Busca eficiência + eficácia + efetividade;</p><p>* Foco no cidadão;</p><p>* Descentralização e maior autonomia;</p><p>* Ênfase nos resultados;</p><p>* Marca a administração gerencial</p><p>67 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>I. Certo! Busca-se melhorar a efetividade, o impacto gerado para o cidadão, de modo a atender as necessidades deles.</p><p>II. Certo! Com a ênfase nos resultados o PDRAE focava em modernizar a administração, profissionalizar o serviço</p><p>público para uma atuação mais eficaz.</p><p>III. Certo! Isso mesmo, o PDRAE foi um marco do modelo gerencial, o qual além de buscar eficácia nas ações, também</p><p>atuava de maneira eficiente no controle e transparência dos recursos públicos.</p><p>Assim, conforme as características citadas percebe-se que todos os itens estão corretos!</p><p>Gabarito: alternativa "e"</p><p>4. CEBRASPE - CGDF - 2023</p><p>Na administração pública, adoção do modelo gerencial é caracterizada</p><p>a) pela fundamentação na ideia de ordenamento e dominação legitimada pela existência de normas bem definidas.</p><p>b) pela utilização de ferramentas para aprimoramento da atuação dos órgãos governamentais em busca de eficiência e</p><p>avanços na gestão econômico-financeira.</p><p>c) pelo consentimento da apropriação de recursos estatais por grupos políticos e segmentos privados.</p><p>d) pela hierarquização de cargos altamente especificada, com remuneração fixa baseada nessa hierarquização.</p><p>Comentário:</p><p>Vamos analisar as alternativas a fim de classificar conforme cada modelo de gestão</p><p>a) Errado, a dominação legitimada por normas bem definidas é uma característica do modelo burocrático.</p><p>b) Certo! A busca pela eficiência e também pela eficácia dos serviços prestados, assim como melhor qualidade com</p><p>foco nas necessidades do cidadão remetem ao gerencialismo.</p><p>c) Errado, a ideia de apropriação de recursos estatais por grupos políticos e segmentos privados é uma característica</p><p>do patrimonialismo, no qual o Estado funciona como uma extensão do poder do soberano.</p><p>d) Errado, a hierarquização de cargos e meritocracia são características do modelo burocrático.</p><p>Gabarito: alternativa "b"</p><p>5. CEBRASPE - CGDF - 2023</p><p>O modelo burocrático de administração pública caracteriza-se por</p><p>a) flexibilidade e orientação para clientes e resultados.</p><p>b) técnicas de administração similares às da iniciativa privada com vistas à eficiência do sistema.</p><p>68 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>c) hierarquia de cargos bem definida, regramento de condutas e formalização documental de processos</p><p>administrativos.</p><p>d) descentralização administrativa e estruturas funcionais horizontalizadas.</p><p>Comentário:</p><p>São características do modelo burocrático:</p><p>* Especialização e profissionalização;</p><p>* Muitos níveis hierárquicos;</p><p>* Centralização das decisões;</p><p>* Controle rígido e realizado a priori;</p><p>* Separação entre planejamento e execução.</p><p>Então...</p><p>a) Errado, flexibilidade e orientação para clientes e resultados, características do modelo gerencial.</p><p>b) Errado, técnicas de administração similares às da iniciativa privada com vistas à eficiência do sistema, características</p><p>do modelo gerencial.</p><p>c) Certo! Conforme características citadas acima, o modelo burocrático tem hierarquia bem definida, regras e</p><p>formalização.</p><p>d) Errado, descentralização administrativa e estruturas funcionais horizontalizadas. Na realidade as estruturas eram</p><p>verticalizadas.</p><p>Gabarito: alternativa "c"</p><p>6. CEBRASPE - TJ ES - 2023</p><p>Considerando a ética, a moral, os princípios e os valores relacionados à função pública e ao setor público, bem como o</p><p>exercício da cidadania, julgue o item a seguir.</p><p>O modelo ideal burocrático de administração pública, que se fundamenta na compreensão da centralidade e da</p><p>obediência às regras como principal valor, pode se aproximar da teoria ética de Kant fundada no imperativo categórico.</p><p>Comentário:</p><p>Vamos precisar analisar por partes, primeiro é preciso saber que o modelo burocrático é caracterizado pelo poder</p><p>racional-legal, ou seja, devem ser seguidos princípios/leis no estabelecimento da autoridade, ela é reconhecida e</p><p>legitimada por meio de leis que definem as relações entre chefias e empregados nas organizações.</p><p>Outra informação que precisamos ter para responder essa questão é o entendimento da teoria ética de Kant, segundo</p><p>a qual só devemos agir de acordo com os princípios universais, sem entrar em contradição.</p><p>Percebem a similaridade em um modelo que orienta seguirmos normas, regras, leis e a teoria de Kant, na qual devemos</p><p>utilizar princípios norteadores universais. A obediência a regras do modelo burocrático é alinhada com a teoria de</p><p>Kant.</p><p>69 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Gabarito: Certo</p><p>7. CEBRASPE - SECONT-ES - 2022</p><p>Em relação à estrutura e estratégia organizacional pública, julgue o item seguinte.</p><p>O modelo gerencial contemporâneo caracteriza-se pela ideologia do formalismo e pelo rigor técnico da burocracia</p><p>tradicional.</p><p>Comentário:</p><p>Pessoal, se vocês verem a associação de gerencialismo com formalidade e rigor, pode fugir, pegadinha na certa!</p><p>Brincadeiras à parte, essas são características do modelo burocrático, o gerencialismo é flexível, tem o controle</p><p>focado nos resultados, na busca pela eficiência, eficácia, qualidade dos serviços prestados.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>8. CEBRASPE - FUB - 2022</p><p>Acerca das trajetórias gerais da administração, julgue o item a seguir.</p><p>A primeira reforma administrativa brasileira, de 1930, visava combater a estrutura burocrática vigente à época,</p><p>inspirada nos ideais weberianos.</p><p>Comentário:</p><p>A primeira reforma administrativa na época de 1930 visava migrar da estrutura patrimonialista para a burocrática,</p><p>baseada no modelo de Weber, de caráter racional-legal, calcada na separação entre o público e o privado, na</p><p>impessoalidade, na hierarquia e em normas procedimentais rígidas e universais, com observância de regras claras</p><p>de competência.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>9. CEBRASPE - FUB - 2022</p><p>Acerca das trajetórias gerais da administração, julgue o item a seguir.</p><p>A reforma gerencialista foi implementada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, espelhando-se em</p><p>experiências adotadas na Inglaterra.</p><p>Comentário:</p><p>Exatamente! Em 1994, com a ocorrência do Plano Real e a retomada da estabilidade econômica do país, ocorreu uma</p><p>nova Reforma do Estado, modificando a maneira da intervenção estatal na economia e as formas de prestação de</p><p>serviços públicos. O Estado não atuaria mais como produtor de bens e serviços, concedendo a realização destes à</p><p>70 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>iniciativa privada. Assumiu a função principal de regular os serviços públicos delegados e as atividades de interesse</p><p>público, passando de um Estado Desenvolvimentista para um Estado Regulador.</p><p>A reforma gerencial do Estado, executada no âmbito federal, teve início em 1995, no Ministério da Administração</p><p>Federal e Reforma do Estado – MARE, tendo à sua frente o ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Migramos então de</p><p>um modelo burocrático, rígido, focado na formalização de processos, para um modelo flexível, voltado para resultados.</p><p>Gabarito: Certo</p><p>10. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Julgue o próximo item, a respeito das práticas na administração pública</p><p>brasileira.</p><p>Para tornar a administração pública mais orientada a resultados, na primeira década dos anos 2000, adotou-se reforma</p><p>administrativa fundamentada na centralização das agências e na redução do número de servidores.</p><p>Comentário:</p><p>Essa questão apresenta dois erros. O primeiro deles é que a reforma gerencialista, tornando a administração mais</p><p>voltada para resultados aconteceu no início dos anos 90, em 1995, no Ministério da Administração Federal e Reforma</p><p>do Estado – MARE, tendo à sua frente o ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.</p><p>Além disso, houve a criação das agências reguladoras criadas para acompanhar as delegações feitas através de</p><p>concessões, defender os interesses do consumidor, assegurar o cumprimento dos contratos, estimular níveis</p><p>adequados de investimento e zelar pela qualidade do serviço.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>11. CEBRASPE - TCE SC - 2023</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>O patrimonialismo tem como característica a indistinção entre os domínios público e privado dos agentes públicos.</p><p>Comentário:</p><p>Isso mesmo! De acordo com o modelo patrimonialista, a Administração Pública deve atender aos interesses do</p><p>governante, que faz uso do poder para o seu favorecimento. O aparelho de Estado é uma espécie de extensão do poder</p><p>do soberano, não havendo distinção entre a res pública (bens públicos) e a res principis (bens privados), ou seja, a</p><p>coisa pública se confunde com a propriedade do governante. Existe uma confusão entre os bens públicos e particulares,</p><p>pois o soberano não diferencia o que é o seu patrimônio particular e o que é o patrimônio estatal.</p><p>Gabarito: Certo</p><p>12. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>71 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Antes da reforma administrativa de 1930, o Brasil se caracterizava como um Estado mercantil-senhorial e</p><p>patrimonialista.</p><p>Comentário:</p><p>A reforma de 1930 veio para implantar o modelo burocrático, uma vez que o modelo que vigorava na época era o</p><p>patrimonialista. Com a necessidade da separação entre os bens públicos e privados, bem como a profissionalização</p><p>da Administração Pública. Com as demandas de uma sociedade cada vez mais complexa, o Estado necessitava de se</p><p>capacitar e de se profissionalizar. O modelo patrimonialista passou a ser visto como um problema e um limitador ao</p><p>desenvolvimento e o modelo burocrático foi a solução adotada.</p><p>Gabarito: Certo</p><p>13. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A terceira reforma da administração pública brasileira foi orientada a redefinir o papel de atuação dos órgãos e das</p><p>entidades estatais, para promover a eficiência.</p><p>Comentário:</p><p>O terceiro momento citado no enunciado é o gerencialismo. O modelo burocrático funcionou para controlar a</p><p>corrupção, porém, algumas características, como a extrema racionalidade e o excesso de regulamentos do sistema</p><p>acabaram por ocasionar efeitos negativos, como a lentidão de processos e a redução de eficiência.</p><p>Desde o final dos anos 60 crescia uma insatisfação em relação à administração pública burocrática. Isso se juntava ao</p><p>pensamento de que o setor privado possuía o modelo ideal de gestão. Por isso, o uso do termo gerencialismo tem uma</p><p>ligação estreita com a adoção de práticas da administração privada na gestão das organizações públicas.</p><p>A adoção de modelos de gestão mais flexíveis, como a nova gestão pública, foi uma resposta à ampliação das funções</p><p>econômicas e sociais do Estado, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização. O modelo rígido e inflexível da</p><p>burocracia foi substituído pela gestão flexível e descentralizada da nova gestão pública voltado para os resultados,</p><p>eficiência e eficácia.</p><p>Gabarito: Certo</p><p>14. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A primeira reforma da administração pública brasileira ocorreu em 1930, e seu principal objetivo era instituir o</p><p>liberalismo nas ações do Estado.</p><p>Comentário:</p><p>72 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Não mesmo, o seu objetivo era implantar o modelo burocrático, saindo do patrimonialismo. A adoção de modelos</p><p>de gestão mais flexíveis, como a nova gestão pública, só aconteceu nos anos 90 com o gerencialismo.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>15. CEBRASPE - DPE DF - 2022</p><p>Considerando a trajetória da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A reforma gerencial de 1995 buscou estabelecer parâmetros de eficiência nas organizações públicas, já que as</p><p>disfunções burocráticas já se encontravam superadas à época.</p><p>Comentário:</p><p>O erro da questão está em afirmar que as disfunções burocráticas já estavam superadas, elas começaram a ser</p><p>superadas com o gerencialismo, por volta dos anos 90.</p><p>Desde o final dos anos 60 crescia uma insatisfação em relação à administração pública burocrática. Isso se juntava ao</p><p>pensamento de que o setor privado possuía o modelo ideal de gestão. Por isso, o uso do termo gerencialismo tem uma</p><p>ligação estreita com a adoção de práticas da administração privada na gestão das organizações públicas.</p><p>A adoção de modelos de gestão mais flexíveis, como a nova gestão pública, foi uma resposta à ampliação das funções</p><p>econômicas e sociais do Estado, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização. O modelo rígido e inflexível da</p><p>burocracia foi substituído pela gestão flexível e descentralizada da nova gestão pública.</p><p>Gabarito: Errado</p><p>LISTA DE QUESTÕES</p><p>1. CEBRASPE - Sefin Fortaleza - 2023</p><p>Julgue o item subsequente, a respeito dos modelos de governança e dos aspectos da administração pública burocrática</p><p>e gerencial.</p><p>A administração pública gerencial é caracterizada por formas modernas de gestão, com ênfase na qualidade e na</p><p>eficiência, sendo suas técnicas administrativas muito diferentes das empregadas no setor privado.</p><p>2. CEBRASPE - AGER - Mato Grosso - 2023</p><p>Assinale a opção que indica as características da administração pública quanto aos modelos pós-burocráticos,</p><p>ancorados nos padrões gerenciais contemporâneos.</p><p>a) Controles rígidos dos processos administrativos.</p><p>b) Autorreferência e ineficiência no atendimento ao cidadão.</p><p>73 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>c) Caráter arbitrário das decisões.</p><p>d) Formas flexíveis de gestão e incentivos à criatividade.</p><p>e) Ausência de carreiras administrativas.</p><p>3. CEBRASPE - AGER - Mato Grosso - 2023</p><p>Em relação aos objetivos estratégicos da reforma do aparelho do Estado, ocorrida em 1995, julgue os itens a seguir.</p><p>I Promover a melhoria da efetividade, de maneira que os objetivos democraticamente acordados sejam adequados e</p><p>realmente alcançados.</p><p>II Modernizar a administração burocrática mediante adoção de uma política de profissionalização do serviço público.</p><p>III Prover capacidade gerencial apta a definir e supervisionar os contratos de gestão com as agências autônomas,</p><p>responsáveis pelas atividades exclusivas de Estado.</p><p>Assinale a opção correta.</p><p>a) Apenas o item I está certo.</p><p>b) Apenas os itens I e II estão certos.</p><p>c) Apenas os itens I e III estão certos.</p><p>d) Apenas os itens II e III estão certos.</p><p>e) Todos os itens estão certos.</p><p>4. CEBRASPE - CGDF - 2023</p><p>Na administração pública, adoção do modelo gerencial é caracterizada</p><p>a) pela fundamentação na ideia de ordenamento e dominação legitimada pela existência de normas bem definidas.</p><p>b) pela utilização de ferramentas para aprimoramento da atuação dos órgãos governamentais em busca de eficiência e</p><p>avanços na gestão econômico-financeira.</p><p>c) pelo consentimento da apropriação de recursos estatais por grupos políticos e segmentos privados.</p><p>d) pela hierarquização de cargos</p><p>altamente especificada, com remuneração fixa baseada nessa hierarquização.</p><p>5. CEBRASPE - CGDF - 2023</p><p>O modelo burocrático de administração pública caracteriza-se por</p><p>74 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a) flexibilidade e orientação para clientes e resultados.</p><p>b) técnicas de administração similares às da iniciativa privada com vistas à eficiência do sistema.</p><p>c) hierarquia de cargos bem definida, regramento de condutas e formalização documental de processos</p><p>administrativos.</p><p>d) descentralização administrativa e estruturas funcionais horizontalizadas.</p><p>6. CEBRASPE - TJ ES - 2023</p><p>Considerando a ética, a moral, os princípios e os valores relacionados à função pública e ao setor público, bem como o</p><p>exercício da cidadania, julgue o item a seguir.</p><p>O modelo ideal burocrático de administração pública, que se fundamenta na compreensão da centralidade e da</p><p>obediência às regras como principal valor, pode se aproximar da teoria ética de Kant fundada no imperativo categórico.</p><p>7. CEBRASPE - SECONT-ES - 2022</p><p>Em relação à estrutura e estratégia organizacional pública, julgue o item seguinte.</p><p>O modelo gerencial contemporâneo caracteriza-se pela ideologia do formalismo e pelo rigor técnico da burocracia</p><p>tradicional.</p><p>8. CEBRASPE - FUB - 2022</p><p>Acerca das trajetórias gerais da administração, julgue o item a seguir.</p><p>A primeira reforma administrativa brasileira, de 1930, visava combater a estrutura burocrática vigente à época,</p><p>inspirada nos ideais weberianos.</p><p>9. CEBRASPE - FUB - 2022</p><p>Acerca das trajetórias gerais da administração, julgue o item a seguir.</p><p>A reforma gerencialista foi implementada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, espelhando-se em</p><p>experiências adotadas na Inglaterra.</p><p>10. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>75 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Julgue o próximo item, a respeito das práticas na administração pública brasileira.</p><p>Para tornar a administração pública mais orientada a resultados, na primeira década dos anos 2000, adotou-se reforma</p><p>administrativa fundamentada na centralização das agências e na redução do número de servidores.</p><p>11. CEBRASPE - TCE SC - 2023</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>O patrimonialismo tem como característica a indistinção entre os domínios público e privado dos agentes públicos.</p><p>12. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>Antes da reforma administrativa de 1930, o Brasil se caracterizava como um Estado mercantil-senhorial e</p><p>patrimonialista.</p><p>13. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A terceira reforma da administração pública brasileira foi orientada a redefinir o papel de atuação dos órgãos e das</p><p>entidades estatais, para promover a eficiência.</p><p>14. CEBRASPE - TCE SC - 2022</p><p>Acerca da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A primeira reforma da administração pública brasileira ocorreu em 1930, e seu principal objetivo era instituir o</p><p>liberalismo nas ações do Estado.</p><p>15. CEBRASPE - DPE DF - 2022</p><p>Considerando a trajetória da administração pública brasileira, julgue o item a seguir.</p><p>A reforma gerencial de 1995 buscou estabelecer parâmetros de eficiência nas organizações públicas, já que as</p><p>disfunções burocráticas já se encontravam superadas à época.</p><p>76 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>GABARITO</p><p>1. Errado</p><p>2. D</p><p>3. E</p><p>4. B</p><p>5. C</p><p>6. Certo</p><p>7. Errado</p><p>8. Errado</p><p>9. Certo</p><p>10. Errado</p><p>11. Certo</p><p>12. Certo</p><p>13. Certo</p><p>14. Errado</p><p>15. Errado</p><p>77 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>separação das propriedades pública e privada, e dos ambientes de vida pessoal e de trabalho.</p><p>No tocante à impessoalidade, os cargos pertencem à organização, e não às pessoas que os estão ocupando.</p><p>Como consequência, evita-se a apropriação individual do poder, a obtenção de benefícios em função da posição</p><p>ocupada pelo profissional.</p><p>A formalidade diz respeito à imposição de deveres e responsabilidades aos servidores públicos, à existência de</p><p>uma hierarquia administrativa, aos procedimentos administrativos (documentados de forma escrita), à formalização de</p><p>processos decisórios e das comunicações internas e externas.</p><p>O objetivo da formalidade é garantir a continuidade do trabalho e a padronização dos serviços prestados,</p><p>evitando a discricionariedade. O modelo burocrático caracteriza-se pela ideia de Administração Pública submissa à lei.</p><p>Quadro 01. Características do modelo burocrático</p><p>FORMALIDADE IMPESSOALIDADE PROFISSIONALIZAÇÃO</p><p>• Autoridade é expressa em</p><p>leis;</p><p>• Comunicação é</p><p>padronizada;</p><p>• Controle de</p><p>Procedimentos.</p><p>• Isonomia no tratamento;</p><p>• Meritocracia;</p><p>• Racionalidade;</p><p>• Sistema legal e econômico</p><p>previsível.</p><p>• Comando é dos especialistas;</p><p>• Remuneração em dinheiro;</p><p>• Administrador é especialista - noção de</p><p>carreira;</p><p>• Hierarquia.</p><p>Tipos de Dominação</p><p>Segundo Max Weber: “Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado</p><p>conteúdo entre determinadas pessoas indicáveis”.</p><p>A dominação não é simplesmente o exercício do “poder”, mas também a sua aceitação – que leva à obediência!</p><p>Portanto, se diz que a dominação é o somatório do poder com a legitimidade. Para Weber, existem três tipos de</p><p>dominação:</p><p>6 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Dominação Tradicional: baseia-se na tradição, nos costumes arraigados, nos relacionamentos construídos</p><p>por gerações. O “senhor” ou chefe governa não porque tenha algum mérito ou competência específica, mas</p><p>porque seu pai governava antes dele, e antes dele seu avô etc. Esta dominação ocorre porque “sempre foi</p><p>assim”;</p><p>Dominação Carismática: baseada no carisma do governante. Acredita-se que um indivíduo específico</p><p>possui qualidades e características extraordinárias, fora do comum, que o credenciam a liderar seus</p><p>“súditos” ou “seguidores”. Estes lhe conferem um afeto e uma lealdade, muitas vezes, “cegos”;</p><p>Dominação Racional-legal: baseada na lei. A obediência é devida não a um indivíduo, mas a uma série de</p><p>normas e regulamentos. O funcionário obedece ao seu chefe porque as regras estabelecem que este chefe</p><p>possui o poder de lhe comandar e dar ordens. A Burocracia baseia-se na dominação racional-legal.</p><p>Disfunções da Burocracia</p><p>Muitas pessoas, ao ouvirem a palavra “burocracia” já pensam em “gargalos” e lentidão de procedimentos. É</p><p>importante não confundir a Teoria da Burocracia, ou seu modelo “puro”, com os problemas que a burocracia causou –</p><p>chamados de disfunções da burocracia. A banca pode citar uma “disfunção” da burocracia como se fosse uma</p><p>característica da Teoria da Burocracia. Não caia nesta pegadinha!</p><p>Vamos entender melhor o que são estas disfunções. O modelo burocrático funcionou para controlar a</p><p>corrupção, porém, algumas características, como a extrema racionalidade e o excesso de regulamentos do sistema</p><p>acabaram por ocasionar efeitos negativos, como a lentidão de processos e a redução de eficiência.</p><p>Em seus estudos, Robert Merton chamou estas características de disfunções burocráticas, isto é, as</p><p>características de uma organização burocrática e os fatores que desvirtuam as regras estabelecidas, transformando a</p><p>organização numa escrava de suas próprias normas.</p><p>São disfunções da burocracia, segundo Merton:</p><p>Internalização das regras e apego aos regulamentos: as normas e regulamentos passam a se transformar</p><p>de meios em objetivos. Os regulamentos passam a ser os principais objetivos do burocrata, que passa a</p><p>trabalhar em função deles;</p><p>Excesso de formalismo e de papelório: necessidade de documentar e de formalizar todas as comunicações</p><p>dentro da organização;</p><p>Resistência às mudanças: como na burocracia o trabalho é rotinizado, padronizado e previsto com</p><p>antecipação, o servidor se acostuma a uma estabilidade e repetição daquilo que faz;</p><p>Despersonalização do relacionamento: o caráter impessoal da burocracia leva a uma diminuição das</p><p>relações personalizadas entre os membros da organização;</p><p>Categorização como base do processo decisorial: como a burocracia está vinculada a uma rígida</p><p>hierarquização da autoridade, quem toma decisões em qualquer situação é aquele que está no alto escalão,</p><p>independentemente do seu conhecimento sobre o assunto;</p><p>Conformidade às rotinas e aos procedimentos: as regras e rotinas tornam-se sagradas para o servidor à</p><p>medida que o tempo passa. Isso provoca limitação em sua liberdade e espontaneidade pessoal;</p><p>Exibição de sinais de autoridade: tendência à utilização intensa de símbolo de status para demonstrar a</p><p>posição hierárquica dos funcionários, como uniforme, mesa, etc;</p><p>Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público: o funcionário está voltado para os</p><p>processos internos da organização. Os usuários são atendidos de forma padronizada, de acordo com</p><p>regulamentos e rotinas internos, desconsiderando-se as demandas pessoais e exclusivas;</p><p>Características da burocracia que decorrem das disfunções:</p><p>7 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Autorreferente: visão voltada excessivamente para as questões internas (sistema fechado, ou seja,</p><p>autorreferente), gerando dificuldades de resposta às mudanças no meio externos.</p><p>Rigidez: existe um apreço extremo às regras. O controle é sobre procedimentos e não sobre resultados,</p><p>levando à falta de criatividade e ineficiências.</p><p>Perda da visão global da organização: a divisão de trabalho leva os servidores a não compreenderem mais</p><p>a compreensão da importância de seu trabalho nem quais são as necessidades dos usuários ou dos outros</p><p>órgãos.</p><p>Lentidão no processo decisório: hierarquia, formalidade, centralização e falta de confiança nos servidores</p><p>levam a uma demora na tomada de decisões importantes.</p><p>Excessiva formalização: em um ambiente de mudanças rápidas, não se consegue padronizar e formalizar</p><p>todos os procedimentos e tarefas, gerando uma dificuldade da organização de se adaptar a novas</p><p>demandas.</p><p>Insulamento burocrático: os técnicos dentro da organização burocrática passam a ser “blindados” contra a</p><p>interferência do público, em geral, e de outros órgãos do governo. Isso dificulta o controle social sobre o</p><p>trabalho dos servidores, pois estes estariam protegidos das demandas e desejos da sociedade civil.</p><p>O Estado foi assumindo cada vez mais atribuições e os profissionais burocráticos esqueceram-se dos objetivos</p><p>das normas. A maior preocupação tornou-se cumprir e seguir as normas, por isso se diz que que o modelo burocrático</p><p>é autorreferido, ou seja, voltado para si e não para o cidadão. O funcionário esquece o real motivo do trabalho.</p><p>Para finalizar a exposição do modelo burocrático, é preciso entender que nenhum modelo (patrimonialismo,</p><p>burocracia e gerencialismo) existiu isoladamente, mas que conviveram e convivem juntos. Atualmente, ainda temos</p><p>heranças do patrimonialismo (nepotismo), aspectos da teoria da burocracia (concursos públicos e noção de carreira) e</p><p>aspectos do modelo gerencial, que veremos a seguir.</p><p>Anote aí: o modelo “puro” da burocracia weberiana nunca foi aplicado.</p><p>Veja o texto abaixo do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de 1995:</p><p>“A administração pública brasileira, embora marcada pela cultura burocrática e regida pelo princípio do mérito</p><p>profissional, não chegou a se consolidar, no conjunto, como uma burocracia profissional nos moldes weberianos.</p><p>Formaram-se</p><p>grupos de reconhecida competência, (...) mas os concursos jamais foram rotinizados e o valor de sua</p><p>remuneração real variou intensamente em função de políticas salariais instáveis. Os instrumentos de seleção, avaliação,</p><p>promoção e treinamento que deram suporte a esse modelo estão superados.”</p><p>Principais características da burocracia:</p><p>Caráter legal das normas: as atividades dos servidores estão fortemente ligadas ao cumprimento das</p><p>normas.</p><p>Caráter formal das comunicações: as comunicações devem ser escritas, formatadas e encaminhadas de</p><p>acordo com as normas e procedimentos.</p><p>Rotinas e procedimentos padronizados: ter rotinas e procedimentos padronizados dentro da ideia de criar</p><p>previsibilidade.</p><p>Competência técnica e meritocracia: valorização do mérito e da competência técnica, ao invés de</p><p>contratar pessoas por conta do parentesco. Exemplo: concurso público.</p><p>Especialização e profissionalização: é a ideia de carreira pública, ou seja, existência de profissionais</p><p>especializados nas rotinas e procedimentos típicos da Administração e que tivessem dentro do trabalho na</p><p>área pública sua principal ocupação. A ideia subjacente da profissionalização é que a principal fonte de renda</p><p>do servidor decorra do cargo público não sendo necessárias outras ocupações.</p><p>8 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Previsibilidade e decisões constantes, rápidas: existe uma previsibilidade das situações que podem</p><p>ocorrer (situações padronizadas), o que torna o processo de decisão mais rápido e constante.</p><p>Centralização das decisões (organização linear) e hierarquia funcional: as organizações burocráticas</p><p>têm vários níveis hierárquicos (organizações lineares – organizações altas), sendo as decisões centralizadas</p><p>no topo da estrutura organizacional. A divisão de tarefas é realizada por atividades similares (hierarquia</p><p>funcional);</p><p>Controle de processos: controle rígido e realizado a priori. O controle está focado nos processos;</p><p>Impessoalidade: as atividades são distribuídas para os cargos e não para as pessoas;</p><p>Separação entre planejamento e execução: onde a política seria responsável pelas decisões estratégicas e</p><p>a Administração Pública seria responsável pela implementação das ações.</p><p>FGV - Órgão: AL-RO - Cargo: Analista Legislativo – Administração - Ano: 2018</p><p>O modelo burocrático teve papel fundamental na Administração Pública, estando até a atualidade presente em</p><p>diversas instituições brasileiras. Sobre o modelo burocrático, tem-se o entendimento de que ele foi idealizado a partir</p><p>dos tipos ideais de dominação legítima, propostos por Max Weber, estando relacionado com a dominação:</p><p>a) tradicional.</p><p>b) carismática.</p><p>c) personalista-mecânica.</p><p>d) patrimonialista.</p><p>e) racional-legal.</p><p>Comentário: Segundo Max Weber, há três tipos de dominação: 1. Tradicional (baseada na tradição e nos costumes) –</p><p>alternativa A; 2. Carismática (baseada no carisma e atributos especiais do governante) – alternativa B; e 3. Racional-</p><p>legal (baseada na legitimidade de governar devido à posição hierárquica da organização formal) – alternativa E. O</p><p>enunciado faz referência à dominação legítima, vinculada à racional-legal.</p><p>Resposta: E</p><p>FGV - Órgão: CGU - Cargo: Técnico Federal de Finanças e Controle - Ano: 2022</p><p>Veja a seguir a tirinha do cartunista argentino Quino. Nela, o termo “burocracia” está sendo usado com um sentido</p><p>negativo.</p><p>9 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Entretanto, conforme elucidado pelo sociólogo Robert Merton, o que é entendido como algo negativo na burocracia</p><p>são suas disfunções, e não o modelo em si.</p><p>Nesse sentido, uma das disfunções da burocracia identificada por Merton é a:</p><p>a) impessoalidade nas relações entre os funcionários;</p><p>b) instabilidade da ordem vigente;</p><p>c) perda da visão do conjunto dos objetivos organizacionais;</p><p>d) baixa conformidade com rotinas e procedimentos;</p><p>e) ausência de sinais de autoridade.</p><p>Comentário: Na alternativa A, a banca apresenta uma característica da burocracia tentando confundir você de que é</p><p>uma disfunção da burocracia. As alternativas A, D e E são características do modelo patrimonialista.</p><p>Resposta: C</p><p>Paradigma pós-burocrático</p><p>Desde o final dos anos 60 crescia uma insatisfação em relação à administração pública burocrática. Isso se</p><p>juntava ao pensamento de que o setor privado possuía o modelo ideal de gestão. Por isso, o uso do termo</p><p>gerencialismo tem uma ligação estreita com a adoção de práticas da administração privada na gestão das organizações</p><p>públicas.</p><p>A adoção de modelos de gestão mais flexíveis, como a nova gestão pública, foi uma resposta à ampliação das</p><p>funções econômicas e sociais do Estado, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização. O modelo rígido e inflexível</p><p>da burocracia foi substituído pela gestão flexível e descentralizada da nova gestão pública.</p><p>Com o novo modelo, o setor público se voltou para a modernização, a orientação para os clientes, a</p><p>flexibilidade, a estrutura enxuta e desburocratizada, e para as modernas ferramentas de gestão (qualidade total,</p><p>planejamento estratégico, reengenharia downsizing, benchmarking, terceirização, etc).</p><p>Atenção! Nenhum modelo de administração rompe totalmente com o modelo anterior, havendo sempre algum</p><p>grau de continuidade.</p><p>10 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>No caso da transição do modelo burocrático para o gerencial, ocorrida no Brasil durante o governo do</p><p>Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (MARE, 1995)</p><p>apresentou que a administração pública gerencial conservaria, embora flexibilizando, alguns dos princípios</p><p>fundamentais da burocracia, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, a existência de um sistema</p><p>estruturado e universal de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho e o treinamento</p><p>sistemático. A diferença fundamental entre os dois modelos está na forma de controle, que deixa de se basear nos</p><p>processos para se concentrar nos resultados.</p><p>Para Bresser Pereira, Ministro que conduziu a Reforma do Aparelho do Estado, o objetivo geral da reforma</p><p>administrativa seria transitar de uma administração pública burocrática para a gerencial e declarou: “não se trata de</p><p>fazer tábua rasa desta (burocracia), mas aproveitar suas conquistas, os aspectos positivos que ela contém, ao mesmo</p><p>tempo em que se vai eliminando o que já não serve”.</p><p>Características do modelo gerencial</p><p>Uma das principais mudanças em relação ao modelo burocrático é a forma de controle, que antes era</p><p>realizado a priori e focava-se nos processos, passando a concentrar-se nos resultados e a ser feito a posteriori. O</p><p>pressuposto é de que todo desempenho pode ser medido focando-se nos resultados e nos beneficiários. Os resultados</p><p>devem ser mensurados em comparação com as expectativas, utilizando-se critérios de eficiência, eficácia, qualidade e</p><p>desempenho.</p><p>A ideia de avaliação de desempenho, entre outros princípios norteadoras da Administração Pública gerencial,</p><p>teve como inspiração o uso de práticas de gestão provenientes da administração privada.</p><p>Há, também, uma evolução no sentido de interesse público. Enquanto no modelo burocrático o interesse</p><p>público acabava se misturando ao próprio interesse do aparato do Estado, no modelo gerencial o interesse público</p><p>passa a ter como foco o atendimento das necessidades do cidadão, contribuinte de impostos e destinatário de serviços.</p><p>No tocante à estrutura administrativa, o modelo gerencial promove uma flexibilização em relação ao modelo</p><p>burocrático. Antes, a estrutura administrativa configurava-se de forma mais rígida, sempre pautada na observância de</p><p>regulamentos, procedimentos e normas legais. O modelo gerencial propõe uma maior descentralização político-</p><p>administrativa, com transferência de funções para administrações locais, dotadas de maior autonomia (e, também,</p><p>responsabilidade). A proposta é de uma organização administrativa com menos níveis hierárquicos, com controle de</p><p>resultados e voltada para o atendimento das necessidades dos administrados.</p><p>No que se refere à autonomia (gerencial, orçamentária e financeira) dos órgãos e entidades públicas, esta é</p><p>maior no gerencialismo em virtude de um acordo firmado (contratualização) entre o Poder Executivo e seus dirigentes,</p><p>através do qual ficam estabelecidos metas e objetivos claros para o alcance de resultados.</p><p>Dessa forma, na Administração Pública gerencial definem-se os objetivos que devem ser atingidos através de</p><p>uma ação pública, atribuindo ao administrador autonomia na gestão dos recursos e propondo um controle a posteriori</p><p>do alcance dos resultados propostos (confiança limitada).</p><p>São características do modelo gerencial:</p><p>Competitividade: busca-se criar competição entre órgãos/entidades e entre o setor público e o setor</p><p>privado como forma de aumentar a eficiência das atividades;</p><p>Profissionalismo: a ocupação principal do servidor público deve ser seu cargo público de modo que ele deve</p><p>possuir competência e responsabilidade no exercício de suas atribuições;</p><p>Ética: a ação administrativa deve ser pautada por princípios éticos e morais;</p><p>Transparência: a administração pública deve tornar seus atos públicos e promover o acesso a todos os</p><p>cidadãos;</p><p>Controle social: controle da sociedade em relação aos atos da administração pública;</p><p>Controle finalístico: o controle está focado nos resultados, ou a posteiori;</p><p>11 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Accountability: os funcionários públicos devem agir de forma transparente e ética juntamente com a ideia</p><p>do dever de prestar contas. Devem ser responsabilizados por seus atos;</p><p>Desburocratização: busca sanar disfunções identificadas no modelo burocrático;</p><p>Descentralização: prestigia a autonomia e a descentralização das decisões;</p><p>Publicização: transferência dos serviços não exclusivos para o setor público não estatal;</p><p>Foco no cidadão: o objetivo da administração torna-se atender às necessidades do cidadão;</p><p>Confiança limitada: gestor tem autonomia, mas é avaliado por seus resultados;</p><p>Contratualização: estabelecer contrato de gestão em que a organização recebe recursos, desde que</p><p>cumpra os objetivos e gere os resultados combinados.</p><p>Abaixo, segue um resumo das principais características de cada modelo teórico: patrimonialismo, burocracia e</p><p>gerencialismo.</p><p>Figura 01. Características dos modelos teóricos de Administração Pública</p><p>Evolução dos modelos pós-burocráticos</p><p>A reforma gerencial foi adotada inicialmente na Grã-Bretanha, com Margareth Tatcher, e nos Estados Unidos,</p><p>com Ronald Reagan, e depois foi aplicada em diversos outros países. Na Grã-Bretanha o modelo ficou conhecido como</p><p>a Nova Gestão Pública (New Public Management).</p><p>As reformas gerenciais buscavam a reestruturação do Estado. No início, estas reformas tinha um caráter quase</p><p>que somente de redução de custos, enxugamento de pessoal e aumento da eficiência, com clara definição das</p><p>responsabilidades dos funcionários, dos objetivos organizacionais e maior consciência acerca do valor dos recursos</p><p>públicos. Este período ficou conhecido como gerencialismo puro, ou managerialism.</p><p>Veremos, então, que a Nova Administração Pública evoluiu por meio de três modelos: o Managerialism (ou</p><p>Gerencialismo Puro), o Consumerismo e o Public Service Orientation - PSO.</p><p>A divisão entre as teorias é utilizada apenas para facilitar a comparação entre elas já que, de forma prática,</p><p>existe um grau razoável de intercâmbio entre as mesmas. Embora haja diferenças entre as teorias, elas não são</p><p>mutuamente excludentes. Ao contrário, percebe-se que pode haver uma incorporação dos aspectos positivos de cada</p><p>teoria. Vamos avaliar cada uma delas.</p><p>Gerencialimo Puro (Managerialism)</p><p>12 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>O primeiro modelo é o do managerialism, ou “Gerencialismo Puro”. No início, as reformas gerenciais eram</p><p>bastante próximas das ideias neoliberais. Esta corrente teve como principais objetivos reduzir os gastos públicos e</p><p>aumentar sua produtividade. O modelo foi marcado pela privatização, desregulamentação, devolução de atividades</p><p>governamentais à iniciativa privada ou à comunidade e pelas constantes tentativas de reduzir os gastos públicos.</p><p>O managerialism tinha a intenção de ser usado no setor público para diminuir gastos em uma era de escassez</p><p>e para aumentar a eficiência governamental. Em suma, o gerencialismo puro tinha como eixo central o conceito de</p><p>produtividade. O objetivo era devolver ao Estado a condição de investir, através da redução de custos e do aumento da</p><p>eficiência.</p><p>É comum fazer referência ao gerencialismo puro como “a redução de custos a qualquer preço”.</p><p>A estratégia adotada era a de reposicionar o papel do Estado na sociedade, reduzindo o número de atividades</p><p>que eram exercidas. O primeiro impulso deste modelo, portanto, foi na direção de melhorar as finanças e a</p><p>produtividade dos órgãos públicos.</p><p>O problema foi que, ao dar muita importância para a estratégia de eficiência, o managerialism acabou</p><p>relegando a segundo plano outros valores importantes na atuação da administração pública. Nos referimos ao fato dele</p><p>olhar apenas para a relação custo e produção, sem olhar para o real impacto da ação governamental na sociedade.</p><p>A perspectiva central é o foco na economia e na eficiência, ou seja, é fazer mais com menos. O usuário dos</p><p>serviços públicos é visto como contribuinte (pagador de impostos), que não quer desperdício. Ao contrário, quer ver o</p><p>recurso arrecadado ser aplicado eficientemente.</p><p>Objetivos do managerialism:</p><p>Redução de custos;</p><p>Valorização dos recursos públicos;</p><p>Corte dos gastos de pessoal;</p><p>Privatização em massa;</p><p>Adoção maciça de técnicas oriundas da gestão de empresas;</p><p>Visão dos usuários dos serviços públicos como contribuintes (pagadores de impostos);</p><p>A discussão em torno do modelo gerencial tornou-se mais complexa e ganhou novos rumos a partir da metade</p><p>da década de 1980. A mais importante mudança foi a tentativa de se constituir serviços públicos voltados para os</p><p>anseios dos clientes/consumidores.</p><p>Consumerismo (consumerism)</p><p>O gerencialismo puro recebeu muitas críticas, pois a redução de custos e o aumento da eficiência não podiam</p><p>ser o único objetivo das reformas. Por outro lado, retornar à burocracia não era mais aceitável. O que faltava no</p><p>modelo era a visão de que os serviços deveriam ser prestados com qualidade e com foco nas necessidades dos</p><p>“clientes” e não com base nas necessidades da máquina pública.</p><p>Esta nova visão – consumerismo – não renegou os princípios do gerencialismo puro, mas acrescentou outras</p><p>variáveis e prioridades. Foi o início do “paradigma do cliente” na administração pública. A preocupação deixou</p><p>somente de ser os custos e a produtividade para ser voltada a “fazer melhor” – entregar serviços de qualidade para a</p><p>sociedade.</p><p>O consumerismo pode ser traduzido como “satisfação do consumidor”. Ele introduziu a perspectiva da</p><p>qualidade como uma estratégia voltada para a satisfação do cliente-consumidor, através de medidas que visavam</p><p>tornar o poder público mais leve, ágil e competitivo. São características desta teoria: a descentralização administrativa,</p><p>13 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>a criação de opções de atendimento</p><p>(competitividade) como incentivo à competição entre organizações públicas e a</p><p>adoção de um novo modelo contratual.</p><p>Uma das medidas adotadas foi a descentralização do processo decisório. A ideia aqui é que o servidor que</p><p>esteja mais próximo do usuário é quem deve tomar a decisão sobre o problema que está sendo tratado. Imagine se</p><p>cada servidor precisasse de uma consulta ao seu gestor sobre que atitude tomar!?!? As decisões eram muito mais</p><p>rápidas e o próprio cliente-consumidor poderia fiscalizar as decisões.</p><p>Outra característica desta teoria é a competitividade dentro do setor público. A intenção era gerar alternativas</p><p>de atendimento para o “cliente”. É preciso que haja opções caso determinada política pública não esteja funcionando a</p><p>contento. Neste sentido, procura-se incrementar a competição entre as organizações do setor público. Quando não há</p><p>competição entre os serviços, existe uma situação de monopólio e, portanto, os consumidores não têm alternativa de</p><p>escolha.</p><p>Outra característica é a adoção de um novo modelo contratual para os serviços públicos. A contratualização é</p><p>uma forma de gestão por resultados, em que é concedida maior autonomia para os administradores públicos em troca</p><p>de responsabilização por resultados.</p><p>Dentre os objetivos do consumerismo temos:</p><p>Foco na qualidade e no cliente/consumidor;</p><p>Descentralização como instrumento de fomento à competitividade (dá escolha aos consumidores);</p><p>Aumento da competição entre as unidades governamentais;</p><p>Novas formas de parceria com o setor privado;</p><p>Visão dos usuários dos serviços públicos como clientes.</p><p>As críticas ao consumerismo são direcionadas ao conceito de usuário como consumidor de serviços públicos e</p><p>de se considerar o cidadão como um simples cliente.</p><p>Public Service Orientation - PSO</p><p>Com a adoção do Public Service Orientation - PSO é incluída a noção de tratamento do usuário como cidadão</p><p>e não somente como “cliente”. Esta é uma noção mais ampla do que a de cliente, já que o cidadão possui direitos e</p><p>deveres. O cidadão não só pode como deve supervisionar a gestão dos recursos públicos e o funcionamento do Estado</p><p>como um todo.</p><p>Este modelo se baseia na noção de equidade, de resgate do conceito de esfera pública e de ampliação do dever</p><p>social de prestação de contas. Seus princípios são: accountability, transparência, participação política, equidade e</p><p>justiça.</p><p>O Public Service Orientation - PSO introduz uma nova visão sobre descentralização, valorizando-a como meio</p><p>de implementação de políticas públicas e muda o conceito de usuário dos serviços, de cliente para cidadão, com</p><p>direitos e deveres. No modelo Gerencial Puro, a descentralização era valorizada como meio de tornar mais eficazes as</p><p>políticas públicas. Já no Consumerismo, o processo de descentralização era saudável na medida em que ele aproximava</p><p>o centro de decisões dos serviços públicos dos consumidores, pensados como indivíduos que têm o direito de escolher</p><p>os programas sociais que lhes oferecer melhor qualidade. O Public Service Orientation vê a descentralização como uma</p><p>forma de promover a participação política, trazendo o cidadão para decidir a respeito dos temas que são de seu</p><p>interesse.</p><p>A cidadania está relacionada com o valor de accountability, que requer uma participação ativa na escolha</p><p>dos dirigentes, no momento da elaboração das políticas e na avaliação dos serviços públicos.</p><p>O consumidor é um cidadão passivo e o seu conceito não responde adequadamente ao problema da equidade,</p><p>valor fundamental na administração pública. A equidade é um conceito que nasceu ligado à noção de “justiça”. Ela</p><p>14 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>difere da igualdade porque defende que pessoas desiguais devem ser tratadas de forma desigual, além do tratamento</p><p>igualitário perante a lei.</p><p>Características do Public Service Orientation – PSO:</p><p>Princípios: accountability, transparência, participação política, equidade e justiça;</p><p>Usuário como cidadão;</p><p>Cidadão com direitos e deveres;</p><p>Descentralização como participação política.</p><p>Quadro 02. Características dos modelos gerencialistas</p><p>CARACTERÍSTICAS DOS MODELOS GERENCIALISTAS</p><p>GERENCIALISMO PURO CONSUMERISMO PUBLIC SERVICE ORIENTATION</p><p>· Redução de custos;</p><p>· Valorização dos</p><p>recursos públicos;</p><p>· Corte dos gastos de</p><p>pessoal;</p><p>· Privatização em</p><p>massa;</p><p>· Adoção maciça de</p><p>técnicas oriundas da</p><p>gestão privada;</p><p>· Usuários como</p><p>contribuintes (pagadores</p><p>de impostos);</p><p>· Foco na qualidade e no</p><p>cliente/consumidor;</p><p>· Descentralização como instrumento de</p><p>fomento à competitividade (dá escolha aos</p><p>consumidores);</p><p>· Aumento da competição entre as</p><p>unidades governamentais;</p><p>· Novas formas de parceria com o setor</p><p>privado;</p><p>· Usuários são clientes.</p><p>· Princípios: accountability,</p><p>transparência, participação política,</p><p>equidade e justiça;</p><p>· Usuário como cidadão;</p><p>· Cidadão com direitos e deveres;</p><p>· Descentralização como</p><p>participação política.</p><p>FGV - Órgão: TCM-SP - Cargo: Agente de Fiscalização – Administração - Ano: 2015</p><p>A administração pública gerencial surgida no final do século passado tem como fundamento o pressuposto de que:</p><p>a) atividades regulares necessárias aos objetivos da estrutura governada são distribuídas de forma fixa como deveres</p><p>oficiais;</p><p>b) princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridade significam um sistema ordenado de subordinação,</p><p>com supervisão dos postos inferiores pelos superiores;</p><p>15 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>c) autonomia na gestão de recursos humanos, materiais e financeiros é necessária para colocar foco na qualidade e</p><p>produtividade do serviço público;</p><p>d) autoridade se distribui de forma estável, sendo delimitada pelas normas relacionadas com os meios de coerção;</p><p>e) pessoas que atuam na administração pública têm qualificações previstas por um regulamento geral, e são</p><p>empregadas somente por meio de concurso público.</p><p>Comentário: Quando se fala em administração pública gerencial é preciso considerar os aspectos de flexibilidade e</p><p>autonomia da gestão. Ao falar em “forma fixa” das atividades, a alternativa A erra. As alternativas B, D e E apresentam</p><p>pressupostos do modelo burocrático. A alternativa C traz uma característica do modelo gerencial.</p><p>Resposta: C</p><p>FGV - Órgão: SEE-PE - Cargo: Professor de Administração - Ano: 2016</p><p>A estrutura administrativa do Estado é o conjunto de órgãos, princípios e práticas que o gerenciam. Desde a</p><p>arrecadação de recursos até a forma de aplicá-los, todos os momentos da gestão do Estado dependem de sua</p><p>estrutura administrativa. A reforma dessa estrutura, em geral, visa a substituir modelos de gestão ultrapassados e</p><p>ineficientes.</p><p>Nos anos 1990, um grande processo de reforma, comandado por Luiz Carlos Bresser-Pereira, buscou mudar os</p><p>paradigmas da Administração Pública no Brasil.</p><p>Assinale a opção que apresenta, respectivamente, o modelo até então instalado e o modelo pelo qual se tentou</p><p>substituí-lo durante essa reforma.</p><p>a) Clássico e Moderno.</p><p>b) Burocrático e Inovador.</p><p>c) Clássico e Meritocrático.</p><p>d) Burocrático e Gerencial.</p><p>e) Moderno e Burocrático.</p><p>Comentário: O modelo apresentado por Bresser Pereira na Reforma do Aparelho do Estado em 1995 é o modelo</p><p>Gerencial. Ele buscou substituir o modelo burocrático de gestão, vigente a partir da reforma de 1930.</p><p>Resposta: D</p><p>VUNESP - Órgão: Prefeitura de Morro Agudo - SP - Cargo: Auditor de Controle Interno - Ano: 2020</p><p>Os funcionários públicos de uma prefeitura acompanharam, com atenção, a eleição de um candidato que defende um</p><p>modelo de administração pública gerencialista inspirado, sobretudo, no modelo proposto por Bresser-Pereira.</p><p>Tal</p><p>concepção difere do modelo burocrático de gestão. Diante disso, espera-se que o prefeito recém-eleito fomente e</p><p>implemente</p><p>a) uma gestão pública baseada em leis racionais e controles baseados em normas e procedimentos padrão.</p><p>b) projetos de inovação, com eficiência e eficácia, em consonância com as leis e costumes locais.</p><p>16 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>c) iniciativas efetivas de gestão, com conselhos de notáveis e estruturada com base no conjunto de costumes.</p><p>d) órgãos de controle, com a participação social e pautados pela transparência pública.</p><p>e) procedimentos baseados em indicadores de qualidade, pautados pela transparência e calcados nos costumes.</p><p>Comentário: A alternativa A traz uma característica do modelo burocrático, ao apresentar uma gestão racional e</p><p>baseada em controles procedimentais. As alternativas B, C e E misturam características do modelo gerencialista,</p><p>vinculadas à qualidade na prestação de serviços e gestão inovadora, com características patrimonialistas como a</p><p>estrutura baseada em costumes. Assim, é preciso atenção para não cair na pegadinha da banca.</p><p>A alternativa D traz características fundamentais do modelo gerencial, vinculadas ao controle. São mecanismos de</p><p>controle no modelo gerencialista a participação social e os mecanismos de transparência pública.</p><p>Resposta: D</p><p>17 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Administração Pública do modelo racional-legal ao</p><p>paradigma pós-burocrático; o Estado oligárquico e</p><p>patrimonial, o Estado autoritário e burocrático, o Estado</p><p>do bem-estar, o Estado regulador</p><p>1.Administração pública do modelo racional-legal ao</p><p>paradigma pós-burocrático</p><p>A Administração Pública tem como premissa visar a satisfação das necessidades da população e tem como função</p><p>executar serviços. Nesse sentido, de acordo com Maximiano e Nohara (2017), a Administração Pública se apresenta</p><p>como uma organização que tem o objetivo de pôr em prática funções políticas e serviços realizados pelo governo. Em</p><p>outras palavras, as atividades que se destinam à execução de obras e serviços, comissionados ao governo para o</p><p>interesse da sociedade são chamadas de Administração Pública.</p><p>Existem na trajetória da Administração Pública – a partir do surgimento do Estado moderno – três diferentes formas de</p><p>atuação: Administração Pública patrimonialista, a burocrática e a gerencial. A Administração Pública tem por finalidade</p><p>a operacionalização das funções políticas e serviços que o governo deseja realizar a favor da sociedade. Disso você já</p><p>sabe, né? O que você ainda não sabe é que a Administração Pública passou por alguns modelos teóricos, que nada mais</p><p>são do que formas de atuação. São elas: patrimonialista, burocrática e gerencial. São esses os modelos que iremos</p><p>nos debruçar na presente aula.</p><p>Vale ressaltar que nenhum dos modelos teóricos foi totalmente superado, em algum contexto histórico e social algum</p><p>desse modelo volta a ser prevalecido, por isso é importante ter em mente para a sua prova os três modelos de</p><p>18 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Administração Pública. Para melhorar a contextualização, primeiramente o modelo a ser estudado é o Patrimonialista,</p><p>seguido pelo modelo Burocrático e, posteriormente, o modelo do Gerencialismo (o mais recente). Não se podem</p><p>entender esses três momentos como uma cronologia evolutiva porque os traços de patrimonialismo nunca</p><p>desapareceram da Administração Pública no Brasil. Além disso, a reforma gerencial almejada em 1995 também não</p><p>alcançou plenamente seus objetivos, em grande parte devido à resistência do funcionalismo.</p><p>Em se tratando da Administração Pública, observa-se que o Estado se apresenta concomitantemente como um sistema</p><p>político e uma organização. Ele nasce com um sistema político absoluto, passa a ter um sistema político liberal ao longo</p><p>do século XIX, e adota a democracia no século XX. Por sua vez, como organização, o Estado nasce como uma</p><p>organização patrimonial, atravessa o século XIX e chega quase até o final do século XX como burocrático. No final do</p><p>século XX, passa a ser uma organização gerencial (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>Encontra-se na Administração Pública patrimonialista, o Estado atuando como uma extensão do poder do monarca. Os</p><p>servidores públicos possuem status de nobreza real. Os cargos funcionam como recompensas, o que gera o nepotismo</p><p>(MAXIMIANO; NOHARA, 2017). Em outras palavras, a Administração Pública patrimonialista contribui para a prática de</p><p>corrupção e do controle do órgão público por parte dos soberanos.</p><p>No que concerne à Administração Pública burocrática, apoia-se em normas rígidas e com o tempo tornou-se</p><p>inadequada aos interesses da população, uma vez que suas regras passaram a se sobrepor aos interesses da sociedade</p><p>(MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>Conforme Maximiano e Nohara (2017), a Administração Pública gerencial é orientada para o cidadão, voltada para o</p><p>consumidor, e se concentra nas necessidades e perspectivas desse consumidor, o cliente-cidadão. No gerencialismo, o</p><p>administrador público preocupa-se em oferecer serviços, e não em gerir programas; visa atender aos cidadãos, e não às</p><p>necessidades da burocracia.</p><p>Registre-se que o modelo de Administração Pública que está sendo superado na atualidade foi a solução encontrada</p><p>para administrar um Estado burocrático. A gestão pública, por seu turno, foi a forma encontrada para administrar os</p><p>Estados que estão adotando o modelo gerencial. Constata-se, nesse sentido, que na trajetória histórica do Estado</p><p>moderno ocorreram apenas duas reformas administrativas significativas: Reforma burocrática e a Reforma da gestão</p><p>pública. No tocante à reforma burocrática, que teve início na segunda metade do século XIX, tratou do processo de</p><p>transição do Estado patrimonial para o Estado burocrático weberiano. Enquanto que a reforma da gestão pública,</p><p>busca orientar a transição do Estado burocrático para o Estado gerencial.</p><p>Veja um esquema-resumo do que trataremos durante essa aula:</p><p>19 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>1.1.O Estado oligárquico e patrimonial</p><p>Observa-se que as reformas que ocorreram no Brasil não se deram por meio de uma imposição autoritária, mas sim</p><p>serem reformas necessárias com o intuito de gerir e organizar o Estado por meio de um sistema político. Nesse sentido,</p><p>na vigência do Estado absoluto, a administração podia ser patrimonial, visto que não havia nenhuma necessidade de os</p><p>monarcas separarem o seu patrimônio do patrimônio público (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>No Estado liberal, entretanto, com as conquistas políticas e sociais da população, essa mudança se fez necessária. A</p><p>separação entre o patrimônio dos governantes e dos cidadãos – que pagam impostos e passam exigir garantias das</p><p>suas liberdades – se tornou uma imposição. Dessa maneira, conforme Maximiano e Nohara (2017), a Administração</p><p>Pública patrimonialista, o aparelho de Estado atua como uma extensão do poder do monarca. O modelo de</p><p>administração pública patrimonialista era própria das monarquias absolutas, em que o patrimônio do rei se confundia</p><p>com o patrimônio público. O Estado era considerado propriedade do rei. O Tesouro Real seria o tesouro público, numa</p><p>clara confusão de público e privado. Uma visão religiosa do exercício da autoridade real associava o rei, investido de</p><p>poder pela providência divina, à imagem de protetor e proprietário de seus súditos que deveriam lealdade a ele, não à</p><p>nação. O regicídio, ou qualquer ameaça ao poder do rei, seria, nesse contexto, um sacrilégio (COSTIN,</p><p>2020).</p><p>Essa forma de administração associou-se, nas democracias representativas incipientes, ao clientelismo e ao</p><p>fisiologismo, mas com o seu amadurecimento, mostrou-se incompatível com a lógica e as demandas de uma sociedade</p><p>civil estruturada, urbana e uma economia de mercado. Bresser-Pereira (1966) procura esclarecer por que esse modelo</p><p>de administração não convive com a sociedade industrial moderna: “É essencial para o capitalismo a clara separação</p><p>entre o Estado e o mercado; a democracia só pode existir quando a sociedade civil, formada por cidadãos, distingue-se</p><p>do Estado ao mesmo tempo em que o controla”.</p><p>Nesse contexto, conforme Costin (2020), a evolução do capitalismo industrial tende a tornar obsoleta e insustentável</p><p>essa forma de administração e a buscar a constituição de outra forma de administração pública que partisse de uma</p><p>separação entre o espaço público e o privado (sem, contudo, eliminar a possibilidade de influências) e o domínio do</p><p>político e do técnico.</p><p>Após a concepção da Administração Pública patrimonialista, surge a administração burocrática, associada ao tipo ideal</p><p>de dominação racional-legal de Max Weber. Essa concepção de Administração Pública burocrática, conforme Costin</p><p>(2020), busca estabelecer o comportamento esperado pelo servidor ou administrador público na forma de</p><p>regulamentos exaustivos, enfatizar a impessoalidade, seja na forma de acesso ao serviço público, seja na progressão na</p><p>20 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>carreira (o que, no fim das contas, leva a tornar quase impossível a premiação do desempenho diferenciado) e torna o</p><p>conhecimento das regras um recurso de poder (o que decorre do poder racional-legal de Weber).</p><p>São consideradas características da Administração Pública patrimonialista:</p><p>1.Confusão Patrimonial: não há uma separação entre o patrimônio público e o patrimônio dos reis;</p><p>2.Extensão do Poder Soberano: os monarcas faziam uso dela em benefício próprio e é dessa forma que a Administração</p><p>Pública é tratada no Patrimonialismo;</p><p>3. Nepotismo: essa característica prevalece aspectos pessoais como parentesco e amizade.Dessa maneira, as pessoas</p><p>assumem os cargos públicos por indicação, sem qualquer tipo de meritocracia.</p><p>4. Clientelismo: em consequência do nepotismo, os cargos eram negociados, segundo a velha ideia do “toma lá, dá cá”.</p><p>5. Dominação tradicional: esse é o tipo de dominação presente no modelo Patrimonialista.</p><p>Esse modelo de Administração Pública está pautado, dentro outros aspectos, na confusão patrimonial, na extensão do</p><p>Poder Soberano, no nepotismo, no clientelismo e na dominação tradicional. Para José Matias-Pereira (2018), na</p><p>transição para o Estado liberal e com o advento das reformas administrativas, a mudança se tornou imperiosa. Como</p><p>consequência disso, a característica que reinava na administração patrimonialista que era a confusão patrimonial se</p><p>tornou urgentemente de uma mudança.</p><p>Só frisando mais uma vez, o modelo de Administração Pública patrimonialista deixou de existir completamente até</p><p>hoje e é exatamente isso que eu preciso que você se atente ao fato de que algumas das características da Administração</p><p>Patrimonialista podem ser observadas até hoje, infelizmente, inclusive em sua prova.</p><p>Para você não mais esquecer as características do modelo da Administração Pública patrimonialista:</p><p>1.2O Estado autoritário e burocrático</p><p>A Administração Pública burocrática nasce na segunda metade do século XIX, com o objetivo de combater a corrupção</p><p>e o nepotismo patrimonialista (MAXIMIANO; NOHARA, 2017). Essa concepção de administração pública, pregava os</p><p>princípios do desenvolvimento, da profissionalização, ideia de carreira pública, hierarquia funcional, impessoalidade,</p><p>formalismo; tudo cominava no poder legal, colocando a priori as metas de acabar com o nepotismo e com a corrupção</p><p>(MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>Enquanto o Estado desempenhava um papel restrito a pouco mais que a proteção de contratos, segurança interna e</p><p>externa da população e arbitragem de seus conflitos, esse modelo de administração pública pareceu ser suficiente,</p><p>naturalmente com algumas contaminações do modelo anterior. A complexidade das novas tarefas atribuídas ao poder</p><p>público no Estado Social — como a prestação de diversos serviços públicos, como educação e saúde, a regulação de</p><p>21 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>atividades passíveis de externalidades, como a vigilância sanitária, a proteção do meio ambiente, as diferentes políticas</p><p>sociais voltadas ao combate às desigualdades — tornou indispensável a ideia da eficiência da máquina pública, a qual,</p><p>para tanto, deveria levar em conta seus custos, ter uma administração menos hierárquica e mais flexível e, sobretudo,</p><p>buscar a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao cidadão (COSTIN, 2020).</p><p>Ao observar que um dos princípios que norteiam a administração pública burocrática diz respeito à impessoalidade das</p><p>normas, destaca que não há espaço para a informalidade e o desenvolvimento de noções mais flexíveis de</p><p>gerenciamento, em que o elemento humano termina por ser desconsiderado na organização (MERTON, 1966). Dessa</p><p>maneira, a rigidez burocrática tenderia a produzir desajustes, fontes de conflitos potenciais entre o público e o</p><p>funcionário, visto que os objetivos formais se tornariam dogmas imutáveis, pois derivam da norma burocrática, e esta</p><p>enrijece qualquer tentativa de reformulação (MATIAS-PEREIRA, 2018).</p><p>Um outro aspecto interessante da Administração Pública burocrática diz respeito ao necessário controle rígido dos</p><p>processos e do ingresso à carreira pública, com regras na admissão, controle nas compras, visando evitar abusos,</p><p>ineficiência e incapacidade. A administração burocrática tornou-se inadequada aos interesses da população, visto que</p><p>suas regras passaram a se sobrepor aos interesses da sociedade (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>São características da Administração Pública burocrática</p><p>1.Caráter legal das normas: a atuação da Administração Pública se restringe ao cumprimento dessas normas;</p><p>2.Caráter formal das comunicações: todo o processo de comunicação baseia-se nas normas;</p><p>3. Rotinas e procedimentos padronizados: todas as decisões são estruturadas, padronizadas e baseadas procedimentos</p><p>descritos e padronizados;</p><p>4. Competência técnica e meritocracia: com o intuito de combater o nepotismo, a competência técnica e a</p><p>meritocracia, prevalecem na Administração Pública burocrática.</p><p>5. Previsibilidade e decisões constantes, rápidas: é uma consequência das rotinas e dos procedimentos.</p><p>6. Centralização das decisões (organização linear) e hierarquia funcional: as tarefas são realizadas através da divisão</p><p>funcional, ou hierarquia funcional.</p><p>Assim, tendo em vista a adoção do modelo de Estado burocrático, impõe-se a reforma do serviço público para tornar</p><p>efetiva a ação da organização estatal. Nesse contexto, quando o Estado passa a ser democrático (século XX), e tem</p><p>como responsabilidade gerar o bem comum, por meio do atendimento adequado das crescentes demandas da</p><p>população. O modelo de Administração Pública burocrática era funcional para responder às demandas de um Estado</p><p>pequeno como era o caso do Estado liberal. Apoiava-se em normas rígidas, o que não exigia um sistema</p><p>descentralizado de gestão. Nesse modelo burocrático, o Estado – cujas funções são mínimas – não tem dificuldade de</p><p>executar diretamente os serviços sob sua responsabilidade (MATIAS-PEREIRA, 2018).</p><p>Com o tempo, o aumento dessas pressões e a incapacidade do Estado burocrático de atendê-las de maneira satisfatória</p><p>colocam em xeque o Estado burocrático. Tem-se, portanto, o início do processo de transformações, com a introdução</p><p>da reforma da gestão pública, que busca transformar o modelo de Estado burocrático em Estado gerencial.</p><p>Para</p><p>você não mais esquecer as características do modelo da Administração Pública burocrática:</p><p>22 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>1.3.Max Weber e a burocracia</p><p>Com papel tão importante na sociedade, as organizações atraíram a atenção de inúmeros estudiosos. O principal foi</p><p>Max Weber. De acordo com ele, qualquer sociedade, organização ou grupo que se baseie em leis racionais é uma</p><p>burocracia. Para Weber, a burocracia viabilizou o desenvolvimento do capitalismo, que, diante do crescimento e da</p><p>maior complexidade das instituições, passou a exigir modelos mais bem definidos de organizações (MAXIMIANO;</p><p>NOHARA, 2017).</p><p>Apesar de a burocracia ter adquirido um sentido pejorativo nos dias atuais, apontando para distanciamento, frieza e</p><p>ineficiência organizacional, este não foi o sentido que Weber trabalhou em sua obra. Outro ponto digno de menção é</p><p>que atualmente se fala em burocracia com associação à Administração Pública, mas Weber não restringiu sua análise à</p><p>burocracia estatal, tendo focado a burocracia estabelecida em variadas organizações. Burocracias são todas as</p><p>organizações formais modernas, públicas e privadas. Como você fará uma prova de administração pública, é</p><p>importante que você saiba disso.</p><p>Entre os conceitos fundamentais de Weber que permitem entender as organizações e a burocracia estão a dominação e</p><p>a racionalidade.</p><p>Dessa maneira, a dominação é a “probabilidade de um mandato (ordem ou comando), de determinado conteúdo, entre</p><p>pessoas, ser obedecido. Uma associação se chama associação de dominação quando seus membros estão submetidos a</p><p>relações de dominação em virtude da ordem vigente” (MAXIMIANO; NOHARA, 2017).</p><p>Existem três tipos puros de dominação legítima, segundo Weber. A de caráter racional, a primeira em sua análise,</p><p>“repousa sobre a crença na legalidade de ordenações estatuídas e dos direitos de mando dos que foram chamados por</p><p>essas ordenações a exercer a autoridade (autoridade legal). No caso da autoridade legal, as pessoas seguem</p><p>ordenações impessoais e objetivas, legalmente estatuídas, e as pessoas por elas designadas, por causa da legalidade</p><p>formal de suas disposições dentro do círculo de sua competência”.</p><p>A autoridade impessoal da lei contrasta com a autoridade tradicional, em que se obedece à pessoa que representa as</p><p>tradições, e com a autoridade carismática, em que se obedece à pessoa que representa revelação, heroísmo ou</p><p>exemplo.</p><p>23 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>Na abordagem weberiana, o domínio legítimo se subdivide em três formas: carismático, tradicional e legal-burocrático</p><p>(MAXIMIANO; NOHARA, 2017). Preste atenção, pois vez ou outra as bancas de concursos públicos costumam cobrar</p><p>essas formas de dominação, principalmente a racional-legal.</p><p>1. o domínio carismático é legitimado com base na suposição de que o líder detém poderes e qualidades excepcionais, o</p><p>que justifica a presença de discípulos no aparelho administrativo. Estes são indivíduos escolhidos pelo chefe por</p><p>cultivarem devoção afetiva pela pessoa do senhor, sendo o reconhecimento dessas qualidades visto quase como dever,</p><p>numa relação pessoal e autoritária. Para atuação dessa dominação nos quadros administrativos é necessário que haja</p><p>ordens proclamadas de forma pessoal e geralmente não dialogada;</p><p>2. o domínio tradicional é constituído pela crença de regras e poderes antigos, considerados imutáveis. O tipo do que</p><p>ordena é o senhor e os que obedecem são vistos como súditos. O quadro administrativo é formado por servidores.</p><p>Trata-se de uma área em que imperam o arbítrio e a graça, em que o patriarca age de acordo com simpatias e</p><p>antipatias, isto é, de forma pessoal, sendo a administração preenchida por dependentes pessoais, amigos e pessoas</p><p>ligadas por fidelidade ao senhor;</p><p>3. o domínio racional-legal se baseia na regra estatuída, que submete também quem ordena. Os estatutos contemplam</p><p>regras de competência determinadas por utilidade objetiva e especialização nas atividades. A base de funcionamento</p><p>técnico é alicerçada na hierarquia, a ser realizada de forma impessoal, segundo regras racionais, afastando-se do</p><p>arbítrio. Admite-se, no máximo, a conveniência objetiva com base em direito de representação regulamentado.</p><p>Em síntese, as características da Administração Pública burocrática são:</p><p>As pessoas que integram as organizações modernas aceitam a autoridade legal como forma racional e legítima de</p><p>convivência. Também aceitam que algumas pessoas representem a autoridade da lei: guardas de trânsito, juízes,</p><p>prefeitos e gerentes.</p><p>A autoridade é contrapartida da responsabilidade que têm essas pessoas de zelar pelo cumprimento da lei e pelos</p><p>interesses da comunidade. A obediência é devida às leis, formalmente definidas, e às pessoas que as representam, que</p><p>24 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Administração (Gestão de Pessoas) para Técnico - Administraç...</p><p>Prof. Milena de Senne Ranzini</p><p>Aula 16: Reformas Administrativa (Evolução...</p><p>agem dentro de uma jurisdição. Qualquer sociedade, organização ou grupo que se baseie em leis racionais é uma</p><p>burocracia. Essa é a interpretação ideal da burocracia, que Weber consolidou no seu tipo ideal.</p><p>Em suma, o modelo racional-legal ao paradigma pós-burocrático pode ser explanado da seguinte forma:</p><p>1.4.O Estado do bem estar</p><p>O Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), é considerada a forma moderna mais avançada de exercício público da</p><p>proteção social, também chamada de o New Deal norteamericano de Roosevelt. Essa concepção tem como</p><p>característica a intervenção do Estado na vida social e econômica. Dessa maneira, o Estado busca intervir na economia</p><p>com a intenção de garantir oportunidades iguais para todos os cidadãos optando pela distribuição de renda e a</p><p>prestação de serviços públicos, como por exemplo, saúde e educação.</p><p>O Estado do Bem-Estar social é considerado assistencialista, uma vez que busca auxiliar a população do mínimo</p><p>existencial, de serviços e itens com os quais não havia preocupação no Estado Liberal. Dessa maneira, para Norberto</p><p>Bobbio (2007), “o Estado de Bem-Estar Social (welfare state) ou Estado Assistencial” é compreendido como aquele que</p><p>satisfaz o cidadão com direitos essenciais, como mínimos de renda, alimentação, saúde, habitação, educação,</p><p>assegurados a todo cidadão, não como caridade, mas como direito político”.</p><p>Augustinho Paludo (2013) chama atenção ao fato de que a luta de classes é considerada por muitos autores como a</p><p>principal causa do surgimento do Estado de Bem-Estar Social. Importante frisar que o Estado de Bem-estar social</p><p>defende que o cidadão ficou desprotegido e vulnerável. Com isso, percebeu-se que o Estado Liberal, que teve seu</p><p>apogeu durante o Estado Absolutista, deixou a sociedade em uma situação de carência de vários serviços essenciais,</p><p>como saúde, segurança, educação, saneamento, habitação, dentre outros.</p><p>Conforme Andersen (1991), o Welfare State não pode ser compreendido apenas em termos de direitos e garantias.</p><p>Também precisamos considerar de que forma as atividades estatais se entrelaçam com o papel do mercado e da família</p><p>em termos de provisão social. As ações sociais são representadas nos planos de aperfeiçoamento das “falhas do</p><p>mercado”. Com isso, o campo de preocupação da economia é reconhecer a incapacidade do mercado para garantir o</p><p>pleno-emprego, como também reconhecer a desigual distribuição da riqueza e dos rendimentos (KEYNES, 1964).</p><p>O estado de bem-estar social é, conforme Gurgel e Justen (2021), o produto de uma época em que se tentou construir a</p><p>eternidade do capitalismo, sem crises e sem guerra. A premissa que levou a isso remete ao contexto que Wolff e Oliveira</p><p>se referem em seu artigo “O ‘espírito de Dunquerque’ e o NHS inglês: teoria, história e evidências”. O texto é uma</p><p>25 de 77 | www.direcaoconcursos.com.br</p>