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<p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Vulvovaginites</p><p>Vaginose Bacteriana</p><p>Definição: A vaginose bacteriana (VB) é uma síndrome polimicrobiana caracterizada</p><p>pelo aumento maciço de germes anaeróbios, particularmente a Gardnerella vaginalis e</p><p>outras espécies em substituição dos Lactobacillus produtores de peróxido de</p><p>hidrogênio</p><p>Quadro clínico: A queixa mais frequentemente encontrada na VB é a de odor</p><p>desagradável, que piora após o coito e no período perimenstrual. O corrimento</p><p>vaginal, no entanto, costuma ser discreto, homogêneo e escasso, podendo ainda</p><p>apresentar colorações variadas: esbranquiçado, acinzentado ou amarelado (perguntar</p><p>à Dra. Luciene sobre qual a coloração correta ela irá aceitar).</p><p> O odor fétido é mais acentuado após as relações sexuais e ao final da</p><p>menstruação, pois a alcalinização da vagina pelo esperma ou sangue menstrual</p><p>reage com substâncias produzidas pelos anaeróbios liberando aminas voláteis</p><p>(putrescina, cadaverina e trimetilamina) com odor semelhante a “peixe podre”</p><p> O prurido estará ausente em quase todos os casos em que não houver outra</p><p>infecção concomitante.</p><p>Diagnóstico: Critérios de Amsel</p><p>Considerar pelo menos três dos relacionados a seguir:</p><p>• Corrimento vaginal branco-acinzentado.</p><p>• pH . 4,5.</p><p>• Teste de aminas (Whiff) positivo (desprendimento de aminas aromáticas com</p><p>odor semelhante a “peixe podre” ao se adicionar duas gotas de KOH a 10% ao</p><p>conteúdo vaginal).</p><p>• Presença ao exame bacterioscópico de clue cells (células epiteliais superficiais</p><p>recobertas por cocobacilos Gram lábeis)</p><p>Tratamento: Metronidazol é um antibiótico e antiparasitário de primeira linha da família dos</p><p>nitroimidazólicos que erradica praticamente todos os anaeróbios. A dose recomendada para a</p><p>vaginose bacteriana é de 400 mg, de 12 em 12 horas, durante 7 dias, ou 2 g em dose única</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Candidíase</p><p>Definição: Processo descamativo e transudativo, que acomete o epitélio vulvovaginal</p><p>causado pela presença de fungos, associado invariavelmente a quadro inflamatório</p><p>local de maior ou menor intensidade.</p><p>Quadro clínico: Queixa de corrimento branco leitoso, em quantidade variável, cheiro</p><p>agridoce que acompanha o quadro de fluxo vaginal. Prurido e queimação nos genitais</p><p>são as principais reclamações das mulheres. O exame ginecológico pode demonstrar</p><p>uma vulvite importante, com hiperemia, edema, escoriação e fissuras. O exame</p><p>especular pode evidenciar também edema e hiperemia da parede vaginal e colpite</p><p>difusa, além da presença do corrimento. O fluxo vaginal, quando típico, mostrará um</p><p>conteúdo pastoso, flocular, branco-esverdeado, aderente à mucosa, assemelhando-se</p><p>a “leite coalhado” ou “ricota</p><p>• A candidíase costuma iniciar seus sintomas na fase que antecede o período</p><p>menstrual, provavelmente por aumento concomitante nos níveis estrogênicos</p><p>e progesterônicos.</p><p>Diagnóstico: O exame de medida de pH vaginal, quase sempre abaixo de 4,5, e o teste</p><p>de Whiff negativo ajudarão a afastar a presença da vaginose bacteriana. O exame a</p><p>fresco informa se os fungos estão na forma de hifas (mais agressivas) ou se estão na</p><p>forma de blastoconídeos (menos agressiva), fato que também pode sugerir o grau de</p><p>atividade fúngica e, eventualmente, a espécie envolvida no processo.</p><p>Tratamento: Tratamento tópico (vaginal): terconazol a 0,8% por 5 dias ou miconazol a</p><p>2% por 10 dias, ou outro imidazólico tópico.</p><p>Tratamento sistêmico: fluconazol, 150 mg em dose única VO ou itraconazol 200 mg</p><p>VO, de 12 em 12 horas, por 1 dia.</p><p>Tricomoníase</p><p>Definição: é a doença sexualmente transmissível curável de etiologia não viral mais</p><p>frequente em todo o mundo. Pode estar envolvida com infecções no pós-operatório,</p><p>doença inflamatória pélvica atípica e esterilidade. Em gestantes, predispõe à ruptura</p><p>prematura de membranas, trabalho de parto prematuro e ao nascimento de bebês de</p><p>baixo peso.</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Quadro clínico: Pode variar de quadros praticamente assintomáticos (cerca de um</p><p>terço) a vulvites exuberantes acompanhadas de corrimento profuso. Esses sintomas</p><p>são cíclicos e se acentuam durante o período menstrual. No exame ginecológico,</p><p>observam-se sinais de irritação vulvar com edema, hiperemia, calor local, com ou sem</p><p>escoriações e/ou erosões. As paredes vaginais e a ectocérvice uterina apresentam-se</p><p>avermelhadas com pontilhados hemorrágicos. Essas alterações em colo uterino são</p><p>denominadas colpite em framboesa e, na realização do exame colposcópico, se traduz</p><p>como um Schiller malhado ou tigroide. Nas infecções crônicas, os sintomas</p><p>predominantes são o prurido e a dispareunia.</p><p>Diagnóstico: Os sintomas sozinhos ou em conjunto com os aspectos clínicos não são</p><p>suficientes para a instituição de tratamentos medicamentosos, sendo necessário</p><p>confirmar a presença do parasita, o que geralmente é feito por meio do exame a</p><p>fresco do conteúdo vaginal.</p><p>Tratamento: Metronidazol, 250 mg VO, 3 vezes ao dia durante 7 dias, ou 2 g em dose única.</p><p>O parceiro da paciente, mesmo que assintomático, deve ser tratado para prevenir a</p><p>reinfecção.</p><p>Cervicites</p><p>Definição: Cervicite ou endocervicite é uma inflamação, geralmente de causa</p><p>infeciosa, da mucosa endocervical (epitélio colunar do colo uterino).</p><p>Principais agentes etiológicos: Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e outros</p><p>agentes incomuns: Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealiticum e infecção</p><p>secundária (bactérias anaeróbias e Gramnegativas).</p><p>Clamídia</p><p>Quadro clínico: Em sua maioria, as cervicites por Chlamyidia são assintomáticas.</p><p>Quando tem quadro clínico, se apresenta como: colo edemaciado (volume</p><p>aumentado), hiperemiado, mucorreia (eventualmente purulenta), friável (sangra fácil</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>ao toque). Dor no ato sexual e à mobilização do colo (!!!) uterino ao exame</p><p>ginecológico. Corrimento de coloração amarelo claro-esbranquiçado.</p><p>Diagnóstico: Imunofluorescência direta – a coleta deve ser realizada com swab endocervical</p><p>e/ou uretral. Sua sensibilidade e especificidade dependem diretamente da forma de coleta.</p><p>Tratamento: Considerando-se a possibilidade da associação da N. gonorrhoeae e C.</p><p>trachomatis e a dificuldade prática do diagnóstico, recomenda-se o tratamento de</p><p>ambos: Ciprofloxacino 500 mg, VO, DU, + azitromicina 500 mg, dois comprimidos, VO,</p><p>DU;</p><p>Gonorreia</p><p>* Apresenta prevalência muito menor que a Chlamydia, mas acomete cerca de 1% a</p><p>2% da população feminina.</p><p>Quadro clínico: Exsudato purulento ou mucopurulenta endocervical visível no canal</p><p>endocervical ou em uma amostra de swab endocervical. Sangramento endocervical facilmente</p><p>induzido pela passagem suave de um cotonete ou escovinha através do orifício endocervical. O</p><p>colo fica edemaciado e aumenta seu volume, ficando com aspecto congesto. Corrimento e/ou</p><p>sangramento vaginal irregular no período intermenstrual e sangramento pós-coito. Fluxo</p><p>vaginal anormal ou disúria, bartholinite e Doença inflamatória pélvica (consequência da</p><p>infecção).</p><p>Diagnóstico: Bacterioscopia de secreção endocervical: swab endocervical disposto em</p><p>esfregaço corado pelo Gram. Procurar diplococos intracelulares (polimorfomuncleares</p><p>neutrófilos, PMN)</p><p>Tratamento: Considerando-se a possibilidade da associação da N. gonorrhoeae e C.</p><p>trachomatis e a dificuldade prática do diagnóstico, recomenda-se o tratamento de</p><p>ambos: Ciprofloxacino 500 mg, VO, DU, + azitromicina 500 mg, dois comprimidos, VO,</p><p>DU;</p><p>Outras infecções</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Herpes Genital</p><p>Quadro clínico: O herpes simples vírus (HSV) pode provocar lesões na pele e nas</p><p>mucosas dos órgãos genitais masculinos e femininos. O HG manifesta-se por pequenas</p><p>vesículas que se agrupam nos genitais masculinos e femininos. Às vezes, elas estão</p><p>presentes dentro do meato uretral ou, por contiguidade,</p><p>podem atingir a região anal e</p><p>perianal, de onde se disseminam se não houver bom controle por meio do sistema</p><p>imunológico de cada indivíduo.</p><p>As lesões do HG costumam regredir espontaneamente, mesmo sem tratamento, nos</p><p>indivíduos imunocompetentes. Nos imunodeprimidos, incluindo os infectados pelo HIV,</p><p>porém, elas podem adquirir dimensões extraordinárias.</p><p>Caracterizam-se por apresentar ardor, prurido, formigamento e adenomegalia, que</p><p>podem anteceder a erupção cutânea. Hiperemia aparece alguns dias após e depois</p><p>evoluem para vesículas agrupadas, que, depois, se rompem formando exulceração</p><p>dolorosa seguida de cicatrização.</p><p>Diagnóstico: O diagnóstico é essencialmente clínico (anamnese e exame físico). A</p><p>cultura e a biópsia são raramente utilizadas, pois sua sensibilidade diminui com a</p><p>duração da lesão. A pesquisa de HSV por técnicas de biologia molecular – PCR – pode</p><p>ser útil, mas é desnecessária na prática.</p><p>Tratamento: Não existe ainda tratamento eficaz para a cura da doença.</p><p>O tratamento tem por objetivo diminuir as manifestações da doença ou aumentar o</p><p>intervalo entre as crises. Inibe a síntese de DNA, possui ação na fase aguda e não atua</p><p>na latente.</p><p>• Aciclovir 400 mg, três vezes ao dia (7 a 14 dias);</p><p>Sífilis</p><p>Quadro clínico: Na sífilis recente, observa-se a presença de lesão única (podendo ser</p><p>múltipla em raros casos), com bordas endurecidas pelo processo inflamatório</p><p>linfoplasmocitário (cancro duro ou cancro de inoculação). O cancro duro, se não for</p><p>tratado, pode persistir por 30 a 90 dias, involuindo espontaneamente. Na mulher, muito</p><p>raramente se observa lesão em vulva. O cancro duro desaparece em 21 a 30 dias. Além</p><p>dele, adenopatia satélite ocorre e é bilateral (inguinal), indolor e não inflamatória.</p><p>Ambos são conhecidos como sífilis primária.</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Diagnóstico: Em todas as fases da sífilis, pode-se usar a sorologia para fazer o</p><p>diagnóstico. Existem sorologias treponêmicas (FTA-Abs; MHA-TP, teste rápido) e a não</p><p>treponêmica (VDRL, mais usado, RPR, Elisa). O VDRL reator com título igual ou superior</p><p>a 1/8 é entendido como doença e o paciente deve ser tratado.</p><p>A sífilis adquirida é confirmada quando o indivíduo apresenta evidência clínica da</p><p>doença (presença de cancro duro ou cancro plano, roséolas, madarose etc.) e testes não</p><p>treponêmico etreponêmicos reagentes.</p><p>O VDRL com titulação baixa pode indicar um falso-positivo, devido à possibilidade de</p><p>reações cruzadas ou um falso-negativo, no início da fase primária ou mesmo na fase</p><p>latente tardia. O mesmo pode ocorrer com exames treponêmicos, porém com menor</p><p>frequência. Os testes treponêmicos costumam ficar positivos por toda a vida do</p><p>indivíduo.</p><p>Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, caso suspeito em grávida ocorre quando</p><p>existem evidências clínicas de sífilis ou teste não treponêmico reagente (qualquer</p><p>titulação). O caso é considerado confirmado quando a gestante apresenta teste não</p><p>treponêmico reagente (qualquer titulação) e teste treponêmico reagente.</p><p>Gestantes com teste treponêmico reagente e teste não treponêmico não reagente (ou</p><p>não realizado) também devem ser consideradas positivas.</p><p>Tratamento: Sífilis primária, sífilis secundária e latente recente (até um ano de duração):</p><p>Penicilina G benzatina, 2,4 milhões UI, intramuscular (IM), dose única (1,2 milhão UI em</p><p>cada glúteo).</p><p>Sífilis latente tardia (mais de um ano de duração) ou latente com duração ignorada e</p><p>sífilis terciária:</p><p>Penicilina G benzatina, 2,4 milhões UI, IM (1,2 milhão UI em cada glúteo), semanal, por</p><p>três semanas. Dose total de 7,2 milhões UI.</p><p>*Critério de cura: VDRL 3, 6 e 12 meses após o tratamento. Deverá haver queda de</p><p>quatro títulos da sorologia ou sua negativação em seis meses a um ano. O esperado é a</p><p>diminuição de um título por mês.</p><p>Cancroide (cancro mole)</p><p>Quadro clínico: Pode estar associado à adenopatia inguinal uni ou bilateral. O período</p><p>de incubação é de três a sete dias. Pequenas pápulas dolorosas rapidamente se rompem</p><p>para formar úlceras rasas, com bordas irregulares. Logo depois, ocorre erosão</p><p>fagedênica, que ocasionalmente leva à destruição tecidual acentuada. Os linfonodos</p><p>inguinais se tornam dolorosos, aumentados e aderidos entre si e podem formar um</p><p>abscesso com flutuação (bubão) na virilha.</p><p>Leonardo Menk de Carvalho – Monitoria SDM</p><p>Diagnóstico: O diagnóstico deve ser feito pelo exame bacterioscópico após limpeza da</p><p>lesão com soro fisiológico, coletando-se, com alça de platina ou espátula, exsudato</p><p>purulento do fundo da lesão, preferencialmente sob as bordas.</p><p>A cultura para H. ducreyi e a biópsia da UG podem ser úteis no diagnóstico diferencial</p><p>ou em casos não responsivos à terapia empregada.</p><p>Tratamento: Os regimes de tratamento recomendados pelo Ministério da Saúde são</p><p>1. azitromicina 500 mg, dois comprimidos, VO, em dose única.</p><p>2. ou ceftriaxona 500 mg, IM, em dose única.</p>