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1 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO Dst ou Ist’s CONCEITO • A terminologia IST passou a ser adotada em substituição a expressão DST porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem apresentar sinais e sintomas. O que são, afinal, doenças ou infecções sexualmente transmissíveis? • São doenças transmitidas de uma pessoa a outra através de relação sexual; o Vaginal; o Anal; o Oral. Os principais sintomas das DST’S: • Corrimento vaginal ou uretral; • Prurido genital; • Dor durante a relação sexual; • Lesão / bolhas ou vesículas no pênis ou na vagina; • Verrugas genitais; • Ardor ao urinar; • Linfonodos na região inguinal. Os assintomáticos: • São aqueles indivíduos que não apresenta sintomas e tem DST; 1. DST’A causada por vírus: Sida (já visto) ou HIV: AS FORMAS DE TRANSMISSÃO HIV: Herpes genital ou simples; O vírus herpes simples (HSV) é um DNA-VÍRUS. Pertence a família dos herpes vírus humanos (herpesviridae); São conhecidos 2 tipos de vírus herpes simples que se assemelham na estrutura, mas diferem na antigenicidade. Herpes genital ou herpes simples, a epidemiologia: • É uma das doenças mais prevalentes do mundo; • Estudos epidemiológicos de soroprevalencia mostram que até 90% dos adultos têm anticorpos circulantes contra HSV-1; • No Brasil, estima-se que >600 mil novos casos de herpes genital sejam diagnosticados anualmente. A transmissão: • A transmissão ocorre por contato com individuo transmissor do vírus a partir da lesão infectante, sendo raras outras formas do contágio; • O vírus infecta por meio de escoriações na pele ou por contato direto com cérvix uterina, uretra, orofaringe ou conjuntiva; • Pessoas assintomáticas também podem transmitir o vírus; • O HSV-2 é disseminado por lesões genitais; o No entanto os dois tipos de vírus podem acometer qualquer parte da pele e da mucosa; o Geralmente o HSV-1 é contraído na infância e na adolescência. As lesões podem ficar úmidas ou evoluir com crostas, formando uma cicatriz após 2-4 semanas que não costuma deixar marcas. 2 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO O quadro clínico mostra uma queixa de ardência, vermelhidão, bolhas agrupadas que se rompem e formam feridas dolorosas nos genitais. Além disso as feridas perduram 1-3 semanas desaparecendo sem tratamento. Mesmo após o desaparecimento das férias o indivíduo continua infectado. • O diagnóstico: o A história do paciente e o exame físico são determinantes para o diagnóstico; o Tratamento é com aciclovir, 200 mg, VO, a cada 4 horas, 5 vezes por dia, 7- 10 dias. Condiloma acuminado (HPV); • Agente etiológico: papilomavírus humano: HPV; • Período de incubação: não é possível estabelecer, variando de semanas a décadas; • Apresentação: a maioria das infecções é assintomática ou inaparente. As lesões exofíticas podem ser únicas ou múltiplas, restritas ou difusas, de tamanha variável, frequentemente em glande, região perianal, vagina e colo, ou até em áreas extragenitais, como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea. • Dependendo do tamanho e da localização anatômica, podem ser dolorosas, friáveis e/ou pruriginosas. • Algumas pessoas podem estar infectadas e não apresentar verrugas; • Os tipos 6, 11, 42, 43 e 44 do vírus são mais associados aos condilomas e as lesões intraepiteliais de baixo grau. O diagnóstico é basicamente clínico. A biópsia está indicada quando existir dúvida diagnóstica/suspeita de neoplasia (lesões pigmentadas, endurecidas, fixas e ulceradas), ausência de resposta ao tratamento convencional, aumento de tamanho durante ou após o tratamento e em pacientes com imunodeficiência. O tratamento: • Podofilina; • Ácido tricloroacético; • Exérese cirúrgica. 2. DSTS CAUSADAS POR BACTÉRIAS: A. GONORRÉIA: O agente etiológico é o Neisseria gonorrhoeae; O período de incubação: • 2-5 dias; • Ocasionalmente 24 horas; No homem, o prurido inicia-se na fossa navicular que se estende pela uretra. Ocorre uma descarga uretral mucoide que se torna abundante e purulenta. A maioria das mulheres são assintomáticas, e podem apresentar em alguns casos corrimento vaginal, dor pélvica, dispareunia, sangramento irregular, hiperemia vaginal, disúria, polaciúria, hiperemia vaginal e outros achados podem estar presentes. • O diagnóstico é por coloração pelo gram de amostra de secreção uretral ou swab (coletar após a saída de descarga inicial) endocervical ou mesmo cervical, com visualização de diplococos gram-negativos intracelulares. • O tratamento: o Primeira opção é o ciprofloxacino; o Outra opção é a cefriaxona. 3 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO O risco de transmissão de gonorreia é de 50% em atos sexuais. Pode haver manifestações sistêmicas. B. Cancro Mole: • Agente etiológico: heaemophilus ducryi; • Período de incubação é de 2-5 dias até 2 semanas; • Apresentação: o Pápula ou vesícula que progride para úlcera única ou múltipla, dolorosa, de base amolecida, fundo purulento e fétido; o Adenopatia: aparecimento de gânglios (bubão) unilaterais em até 2/3 dos casos, principalmente em homens; o É doloroso, podendo haver liquefação e fistulizacao com saída de material purulento. Diagnóstico: • Coloração de gram em esfregaço de material de base ulcerada ou aspirado do bubão, com bacilos gram-negativos intracelulares; • PCR é o padrão-ouro, mas cultura é o método mais sensível. O tratamento: • Azitromicina 1g por via oral, dose única; • Ceftriaxona 250 mg intramuscular, dose única. C. Linfogranuloma venéreo: • Agente etiológico: o Chlamydia tracomatis, sorotipos L1, L2 e L3; • Período de incubação: 7-21 dias; • Apresentação: a lesão de inoculação é uma pápula, pústula ou exulcerarão indolor e fugaz. O paciente pode apresentar adenopatia: • Disseminação regional em 1-6 semanas após a lesão; o No homem, é inguinal, unilateral em 70% dos casos, evoluindo para supuração e fistulizacao múltipla. o Na mulher, frequentemente é perirretal. O diagnóstico na maioria dos casos é clínico, utilizando- se coloração giemsa ou ácido periódico de Schiff e lugol de tecido, ou aspirado do bubão. O tratamento é feito com doxiciclina 100 mg, VO, a cada 12 horas, por 21 dias. D. SÍFILIS: • A sífilis é uma doença infecciosa, causada pelo treponema pallidum; • O modo de transmissão mais comum é o contato sexual com lesões infecciosas, tendo como principal meio de transmissão o não uso de preservativos durante as relações sexuais. A sífilis também pode ser adquirida por contato pessoal não sexual, transmissão vertical e transfusão sanguínea. 1. Sífilis primária: • A manifestação clínica depende do número de treponemas inoculados e do estado imunológico do paciente; o Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, após um intervalo de 10- 90 dias da infecção (média 21 dias); • Corresponde a uma lesão ulcerada, geralmente única e indolor, medindo 1-2cm, com bordas bem delimitadas, endurecidas e elevadas, geralmente acompanhada de 4 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO linfadenopatia inguinal, móvel, indolor e sem sinais flogisticos. Esse estágio pode durar de 2-6 semanas e desaparecer de forma espontânea, independente do tratamento. 2. Sífilis secundário: • Quadro clínico geralmente surge entre 6 semanas e 6 meses após a infecção e duram, em média, entre 4-12 semanas; • Podem ocorrer erupções cutâneas em forma de máculas e ou pápulas, principalmente no troco, lesões eritematosas escamosas palmos plantares; • Nesse estágio há presença significativa de resposta imune com intensa produção de anticorpos contra o treponema. 3. Sífilis latente: Se caracteriza pela ausência de manifestações clínicas e pode durar de 3 a 20 anos; • O diagnóstico só pode ser feito por teste sorológico;• A sífilis latente é dividida em recente e tardia, a última quando a evolução é maior que 1 ano. 4. Sífilis terciaria: • Ocorre em aproximadamente 30% das infecções não tratadas, após um longo período de latência, podendo surgir entre 2-40 anos depois do início da infecção; • A sífilis nesse estágio se manifesta na forma de inflamação e destruição tecidual. As principais lesões são as seguintes: • Cutâneas; • Ósseas; • Cardiovasculares; • Neurológicas; o Meningite aguda, goma do cérebro ou da medula, atrofia do nervo óptico, lesão do VII par, paralisia geral, tabes dorsalis e demência. Pesquisa direta: • Pode ser feita através de microscopia de campo escuro; o Sensibilidade de 74 a 86%; • Imunoflorescencia direta, exame de material corado, biópsias; o Testes imunológicos: são os mais utilizados na prática, para o diagnóstico devem ser utilizados testes treponemicos mais os testes não treponemicos. • Testes treponêmicos: detectam anticorpos específicos produzidos contra os antígenos do pallidum. O tratamento: • Sífilis primária, secundária e latente recente: o Escolha: penicilina G benzatina; o Alternativa: doxiciclina. 5 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO • Sífilis latente tarda ou de duração desconhecida e terciária: o Penicilina G benzatina em maior dose; o Alternativa: doxiciclina. • Neurossífilis: o Penicilina cristalina; o Alternativa: ceftriaxona. 3. DSTS CAUSADAS POR FUNGOS: 1. Candidíase: • A candidíase é uma das principais causas de corrimento vaginal, que por sua vez é uma queixa ginecológica muito frequente na atenção básica; • A cândida é um gênero de fungo que sua colonização e transmissão podem se dar de maneira assintomática; • Cerca de 75% das mulheres irão apresentar pelo menos um episódio de candidíase na sai vida; • Cerca de 85% das espécies de candida presente na microbiota vaginal são da espécie C.albicans. Os fatores de risco: • Uso de hormônios; • Uso de antibióticos; • Pré-disposição genética; • Gestação; • O tipo de vestuário. Quadro clínico: • A maioria dos casos são assintomáticos; • Prurido intenso; • Corrimentos: o Pastoso ou grumoso aderido as paredes vaginais, de coloração branca, amarela ou esverdeada; • Odor: normalmente, sem odor característico, mas pode estar presente e ser desagradável; • No exame físico: o Vulvite com fissuras, irritação, escoriações e exame especular evidenciando o corrimento brando, grumoso, aderido as paredes vaginais e do colo; ▪ Aspecto de leite coalho. • O diagnóstico é eminentemente clínico, porém alguns exames auxiliam em casos de dúvida, já que ela pode vir acompanhada de outra vulvovaginite; • Análise pH vaginal: ph abaixo de 4,5; • Exame a fresco de gram: o Visualização de hifas e esporos. O objetivo do tratamento é o alívio dos sintomas. Em caso de pacientes assintomáticas, o tratamento não é realizado: • O tratamento não medicamentoso: o Maior cuidado com a higiene íntima; o Uso de roupas intimas de algodão; o Evitar calças apertadas; o Retirar roupa íntima para dormir; o Reduzir o uso de protetores diários. 2. Tricomoníase: • O agente etiológico é o Trichomonas vaginalis; • Apresentação: excepcionalmente, causada descarga uretral masculina, disúria, polaciúria e estrangúria; • Na mulher, observa-se secreção abundante, amarelada ou amarelo-esverdeada, Bolhosa, prurido, hiperemiada; • Corrimento amarelado ou esverdeado; • Dor no ato sexual; • Os parceiros mesmo assintomáticos necessitam fazer tratamento. • O diagnóstico: o Exame direto (a fresco) de conteúdo vaginal ou esfregaço de material uretral, observa-se parasita flagelado em movimento; o O pH vaginal frequentemente tem valores >4,5; 6 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO o A cultura é valiosa em crianças, em casos suspeitos e com exame a fresco e esfregaço negativos; o PCR é o padrão-ouro para diagnóstico. • O tratamento: o Primeira opção: metronidazol, 2g, VO, em dose única; o Segunda opção: secnidazol. 2g, vo, em dose única; o Observações: pode permanecer assintomática no homem e na mulher, principalmente na pós menopausa. O risco de transmissão por cada ato sexual é de 60 a 80%.