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P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 1 P5 - SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO OBJETIVOS � DEFINIR DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GRAVIDEZ DHEG, identificando critérios diagnósticos para hipertensão arterial isolada, pré-eclâmpsia, pré-eclâmpsia suprajuntada, eclâmpsia e síndrome HELLP. � Estudar a fisiopatologia da doença hipertensiva específica da gravidez DHEG P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 2 � Descrever os protocolos terapêuticos atuais no manejo da DHEG, com enfoque no tratamento da eclampsia � Estudar as drogas mais utilizadas para o tratamento das convulsões e hipertensão arterial na DHEG. Os distúrbios hipertensivos apresentam elevada incidência na gestação e representam uma causa importante de morbimortalidade perinatal. São a maior causa de morte materna no Brasil, segundo o MS, sendo responsáveis por cerca de 30% das mortes maternas diretas. → CLASSIFICAÇÃO A nomenclatura atual é baseada em um consenso proposto em 2013 por uma força-tarefa sobre hipertensão na gravidez do Amerin College of Obstreticians and Gynecologists ACOG Pré-eclâmpsia/eclampsia; Hipertensão cronica de qualquer etiologia; Hipertensão crônica com pré-eclampsia sobreposta; Hipertensão gestacional De forma geral, sabemos que a gravidez pode induzir HA em uma mulher previamente normotensa ou agravar uma hipertensão preexistente. Então, nos distúrbios hipertensivos induzidos pela gravidez temos a hipertensão gestacional (transitória), a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia. Já nos distúrbios agravados pela gravidez temos a pré-eclampsia sobreposta. → CONCEITOS PRÉ-ECLÂMPSIA É definida pelo aparecimento de hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação em gestante previamente normotensa. É uma desordem multissistêmica, idiopática, específica da gravidez humana e do puerpério. Trata-se de um distúrbio placentário. O acometimento de diversos orgaos e sistemas pela pré-eclampsia fez com que diversos autores passassem a classificá-la como uma síndrome e não P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 3 mais como uma Doença Hipertensiva Exclusiva da Gravidez DHEG, como era chamada antigamente. O quadro clássico da pré-eclampsia é caracterizado por hipertensão e proteinuria. Essas manifestações aparecem na segunda metade da gestação (a partir de 20 semanas), sendo mais frequentes no terceiro trimeste. O edema, atualmente, não faz mais parte dos critérios diagnósticos da síndrome. ECLÂMPSIA É a ocorrência de crises convulsivas, seguidas ou não de coma, em uma paciente com pré-eclâmpsia, descartando-se outras causas. São geralmente do tipo tônico-clônicas generalizadas e podem aparecer antes, durantes ou após o parto, sendo mais raras após 48h de puerpério, embora possam ocorrer até o 10 dia. Pode ter como causas o vasoespasmo cerebral com isquemia local, enefalopatia hipertensiva, edema vasogênico e dano endotelial. Geralmente, as convulsões são autolimitadas, durando de 2 a 3 minutos. São precedidas de sinais como cefaleia, alterações visuais, epigastralgia e dor no quadrante superior direito do abdome. Após a convulsão, sobrevém um estado comatoso (chamado de periodo pós- ical), seguido de alterações respiratorias, taquicardia, hipertermia e acidose lactica; É comum bradicardia fetal com duração de 3 a 5 minutos durante e logo após o episodio convulsivo, devido ao quadro de hipoxia e hipercapnia materna, e não requer parto de emergencia. A estabilização da PA materna, terapia anticonvulsivante e oxigenoterapia em geral são suficientes para a recuperação fetal. Quando as convulsões surgem 4872h após o parto, deve-se considerar outro diagnostico. Na RNM, o achado mais comum é o edema cerebral; na necropsia, hemorragia inracraniana e petéquias podem ser observadas. HIPERTENSÃO GESTACIONAL OU TRANSITÓRIA É definida pelo surgimento de nova hipertensão na segunda metade da gravidez, mas sem o desenvolvimento de proteinúria. É importante ressaltar que quase metade destas pacientes irá desenvolver pré-eclampsia posteriormente. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 4 A pressão retorna aos niveis normais dentro das primeiras 12 semanas de puerperio e recorre em 80% dos casos nas gestações subsequentes. O diagnóstico conclusivo, portanto, é apenas retrospectivo, visto que neste grupo também podem estar incluidas pacientes que irão desenvolver pré- eclampsia e pacientes hipertensas cronicas que não foram reconhecidas na primeira metade da gestação. O diagnóstico de hipertensao cronica deve ser considerado quando não há normalização da PA após 12 semanas do parto. HIPERTENSÃO CRÔNICA COM PRÉ-ECLAMPSIA SUPERAJUNTADA A hipertensão cronica preexistente se agrava em algumas gestantes, caracteristicamente após 24 semanas. Essa elevação pode ser acompanhada de proteinuria, o que define a pré eclampsia sobreposta e piora muito o prognóstico materno-fetal. Em comparação com a pre-eclampsia simples, a sobreposta normalmente se apresenta mais precocemente, tende a ser mais agressiva e é frequentemente acompanhada de crescimento intrauterino restrito. Diferenciar entre pré-eclampsia, hipertensão essencial ou secundaria anterior a gravidez e pré-eclampsia sobreposta é uma das tarefas mais dificeis no manejo da hipertensão na gestação. Uma anamnese bem colhida por vezes é suficiente para esclarecimento dessas dúvidas. Durante o exame clínico, a avaliação da PA antes de 20 semanas é fundamental para esta diferenciação. A fundoscopia releva, nos casos de hipertensao de longa duração, alterações caracteristicas, como estreitamento de arteríolas, cruzamentos arteriovenosos, exsudatos, etc. Outras evidencias sugerem o diagnostico de pre eclampsia sobreposta, como o aparecimento recente de proteinuria, trombocitopenia e elevação das enzimas hepáticas. Existem alguns parametros laboratoriais que se alteram caracteristicamente na pré-eclampsia e, comumente, se encontram normais na hipertensao cronica. Um deles é a elevação do ácido urico, devido a uma diminuição de sua excreção por reabsorção tubular aumentada e clearance diminuido, o que resulta em niveis elevados. Além disso, outros achados podem ser de grande auxilio, como a atividade de antitrombina III diminuida, que se correlaciona com a endoteliose glomerular P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 5 capilar e a hipocalciuria 100mg em 24h), que sugere pré-eclampsia, enquanto a calciuria 100mg fala a favor de hipertensao cronica. HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA A hipertensão cronica na gravidez é definida como um estado hipertensivo PA maior ou igual a 14090 mmHg) presente antes do inicio da gestação ou diagnosticado antes de 20 semanas. Esta condição não está associada a edema e proteinuria, salvo se já houver dano renal antes da gravidez, e persiste decorridas 12 semanas de pós parto. Vale lembrar que a PA sofre queda durante a gestação deocrrente do relaxamento vascular fisiológico, mais significativamente no segundo trimestre, o que pode tornar normal uma PA antes elevada e comprometer o diagnostico de hipertensao cronica. A hipertensao arterial cronica se associa com uma alta taxa de implicações maternas e fetais, principalmente nas hipertensas graves, em paceintes com lesao de orgao alvo e nas pacientes nao aderentes as visitas de pre natal. Esse risco é ainda maior quando há sobreposição de pre eclampsia. SÍNDROME HELLP É um acrônimo que significa Hemolisys, Elevated Liver enzimes e Low Platelets (hemólise, aumento de transaminases e trombocitopenia). Provavelmente, representa uma forma grave de pré-eclampsia, mas ainda não há um consenso a respeito dessa relação pois cerca de 15% das pacientes não apresentam antecedentes de hipertensão ou proteinúria. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 6 Ocorre em aproximadamente 1 a cada 1.000 gestações e em cerca de 20% das pacientes com pré-eclampsia grave ou eclampsia. Em 30% dos casos, a sindrome HELLP se expressa ou progride após o parto. A hemólise é definida pela presençade anemia hemolitica microangiopatica, sendo a alteração mais importante da triade. O diagnostico pode ser fornecido por um esfregaço periferico, que identifica esquizocitos, equinocitos e burn cells. Outros dados laboratoriais incluem aumento da BI, haptoglobina diminuida 25mg/dl), LDH aumentado e diminuição da hemoglobina. OUTROS SINTOMAS INCLUEM dor no quadrante superior direito ou epigástrica 80% dos casos), aumento excessivo do peso e piora do edema 50 a 60%, hipertensão 85%, proteinuria 87%, nausea e vomito 50%, cefaleia 40%, alterações visuais 15%, ictericia 5%. A mortalidade da síndrome HELLP é muito maior do que na pré-eclampsia isolada, variando de 0 a 24% enre os estudos, geralmente ocorrendo por rotura hepática, falencia renal, CIVD, edema pulmonar, trombose e AVE. A morte perinatal ocorre por prematuridade, crescimento intrauterino restrito ou DPP. FATORES DE RISCO As complicações hipertensivas da gravidez são mais comuns entre as nulíparas e nos extremos da vida reprodutiva. Uma gestante com hipertensão arterial prévia pode ter sua evolução complicada por uma sindrome de pré-eclampsia sobreposta. A maior incidência deste disturbio entre as mulheres negras está provavelmente relacionada à maior prevalencia de hipertensão arterial essencial em individuos desta raça. A história familiar de pre eclampsia é tambem um importante fator de risco, com uma herança provavelmente monogênica, embora um modelo multifatorial P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 7 tambem tenha sido proposto. Outros fatores de risco incluem: pré-eclampsia previa, gravidez gemelar, gestação molar, DM, obesidade, trombofilias, hipertensão cronica, doença renal e hidropsia fetal. ETIOLOGIA A etiologia da pré-eclampsia ainda é desconhecida e motivo de investigação. Muitas teorias tem sido propostas para explicar o seu desenvolvimento. Atualmente, há quatro teorias mais aceitas, acreditando-se que devem atuar, provavelmente, de forma conjunta. Uma das mais aceitas tem como base a implantação anormal da placenta no leito uterino devido à ausencia da segunda onda de invasao trofoblastica, que ocorre no segundo trimestre. As outras teorias incluem uma má adaptação imune, ativação endotelial e suscetibilidade genética. TEORIA DA PLACENTAÇÃO ANORMAL A placenta desenvolve-se primariamente de células chamadas trofoblastos, que se diferenciam inicialmente em dois tipos: o sinciciotrofoblasto, que é responsável pelas trocas materno-fetais e produção hormonal, e o citotrofoblasto, que é o responsável pela invasão da decídua e das artérias espiraladas. A invasão dessas artérias leva a um alargamneto do diametro do vaso de 4 a 6 vezes; o resultado é um aumento do fluxo sanguíneo, que desenvolverá o feto e a placenta. Na pré-eclampsia, a invasão trofoblastica e o remodelamento das arterias espiraladas é deficiente, resultando em diametros 50% menores que na gravidez normal. A consequencia é uma isquemia placentária, alteração observada em mulheres que desenvolverão sinais de pré-eclampsia. Na gestação sem anormalidades, a migração trofoblastica acontece em duas ondas, no primeiro e no segundo trimestres. Na primeira onda ocorre a destruição da capa musculoelasrica das arterias espiradas no seu segmento decidual. E na segunda onda, o segmento miometrial é consumido. Essas ondas acabam convertendo as artérias em vasos de baixa resistencia, uma caracteristica fisiologica da circulação uteroplacentaria. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 8 Acredita-se que em gravidas que desenvolverao pré-eclampsia, a segunda onda de migração trofoblastica ocorre de forma incompleta. Assim, a resistencia arterial não cai adequadamente, os vasos permanecem estreitos e desenvolve-se isquemia placentaria. A hipoperfusão placentaria se torna mais pronunciada com a progressao da gestação, uma vez que a vascularização uterina anormal é incapaz de acomodar o crescimento do fluxo sanguineo para o feto e placenta que ocorre com o progredir da gestação. Esse evento isquemico acaba levando à injuria do endotelio vascular por mecanismos pouco compreendidos, mas provavelmente relacionads a radicais livres e outras substancias liberadas pla placenta. A sindrome entao passa a ter expressao clinica sistemica, resultante de alterações generalizadas na função da célula endotelial. TEORIA DA MÁ ADAPTAÇÃO Baseia-se na perda da tolerância materna aos antígenos paternos, que parece ser regulada pelo sistema HLA SISTEMA DE ANTÍGENOS LEUCOCITÁRIOS HUMANOS e apresenta achados histologicos similares ao de rejeição de órgãos transplantados. Mulheres que irão desenvolver pré-eclampsia apresentam redução do HLAG não clássico, que é imunossupressor e mais frequente em pacientes negras. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 9 Outro dado relacionado é uma maior resposta Th1 em pacientes com pré- eclampsia em comparação com gesantes normotensas, que possuem um desvio preferencialmente para Th2. Essa teoria é apoiada por uma diminuição na ocorrencia de pre eclampsia após a primeira gravidez normal com o mesmo parceiro, enquanto uma maior exposição aos antigenos paternos, como na mola e gestação gemelar, ou uma nova exposição, como na troca de parceiro, aumentam o risco. ATIVAÇÃO ENDOTELIAL Acredita-se que as alterações inflamaorias que levam à ativação endotelial sao consequencias da isquemia já falada. Isso levaria a uma cascata de eventos com liberação de fatores antiangiogenicos e metabolicos e mediadores inflamatorios leucocitarios que provocariam lesao endotelial distemica. Citocinas como o TNFa e interleucinas contribuem para o estresse oxidativo sistemico associado coma pré-eclampsia. Isso gera radicais livres derivados do oxigenio e induz a formação de peróxidos, que são altamente agressivos às células endoteliais vasculares. O endotelio agredido diminui sua producao de oxido nitrico (vasodilatador) e interfere no balanço de prostaglandina. Há tambem a produçao de macrofagos espumosos, ativação da coagulação microvascular e aumento da permeabilidade capilar sistemica. TEORIA DA SUSCETIBILIDADE GENÉTICA A pré-eclampsia é mais observada em mulheres com historia familiar, em gemeas e na raça negra, o que nos faz considerar um possivel fator genetico implicado. É uma doença multifatorial poligenica. Não há, portanto, um gene especifico que seja considerado responsavel pelo desenvolvimento da doença. O risco de ter pré-eclampsia aumenta em até 40% caso a mãe da paciente tenha apresentado a doença, em torno de 35% se a irmã já teve esse diagnostico e entre 22 a 47% para gemeas. Fatores etnicos também são importantes, já que há maior incidencia em gestantes negras. FISIOPATOLOGIA VASOESPASMO P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 10 A ativação endotelial sistemica resulta em vasoespasmo, com consequente aumento da resistencia vascular periférica e hipertensão arterial. Além disso, ocorre aumento da permeabilidade vascular, perda de volume plasmatico para o terceiro espaço e deposito subendotelial de plaquetas e fibrinogenio. A redução do fluxo sanguineo por essas alterações resulta em isquemia dos tecidos adjacentes, podendo evoluir para necrose, hemorragia e outras alterações de orgao-alvo caracteristicas da doença. DANO ENDOTELIAL Atualmente, considera-se o dano endotelial como a base fisiopatológica da pré-eclapmsia. Durante a gravidez, o endotelio placentario intacto produz quantidades equilibradas de substancias vasodilatadores e anticoagulantes, como a prostaciclina PGI2 e o óxido nitrico, e substancias vasoconstritoras e pró coagulantes, como o tromboxano TXA2. Esse equilibrio faz com que a reatividade vascular seja controlada, não ocorrendo, dessa forma, o espasmo arteriolar. O endotelio lesado, em decorrencia de isquemia, promove a coagulaçao e aumenta sua sensibilidade aos agentes vasopressores. Esse dano é resultante de citocinas, provavelmente de origem placentária, que são secretadas na circulaçãomaterna e provocam ativação e disfunção endotelial. Diversos estudos mostram que, comparado com a gestação normal, a produção placentária de prostaciclina está significativamente reduzida e a de tromboxano está amentada no curo da pre eclampsia. Esse aumento do tromboxano em relação a prostaciclina promove vasoconstrição e agregação plaquetaria e sensibiliza os vasos à ação da angiotensia II e da noradrenalina. Como consequencia disso, temos o espasmo arteriolar placentario e sistemico. A lesao endotelial, alem de aumentar a reatividade vascular e causar o desenvolvimento da HA, tambem favorece a deposição de fibrina nos leitos vasculares, deflagrando eventos de CIVD responsavel por grande parte das lesoes organicas e da morbidade de gestantes com disturbios hipertensivos. A permeabilidade vascular tambem se encontra aumentada secundariamente à lesao endotelial. Esse fato é o principal responsavel pelo P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 11 edema periferico generalizado observado na pre eclampsia e na eclampsia, sendo exacerbado pela hipertensao e favorecido pela menor pressao coloidosm´tica do plasma. Õ Ê P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 12 REPERCUSSÕES SISTÊMICAS ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES A hemoconcentração, com elevação do hematócrito, é ocasionada por vasoconstrição e pelo aumento de permeabilidade vascular, sendo uma característica marcante do distúrbio hipertensivo. Uma mulher de peso mediano tem um volume plasmático de cerca de 5L ao final da gravidez, comparando com os 3,5L pré-gravídicos. Em pacientes com disturbio hipertensivo nao se observa esse ganho de 1,5L e a paciente chega ao final da gestação com o mesmo volume plasmatico de antes da gravidez. Esse volume é insuficiente para os padroes gravidicos, resultando em hemoconcentração. Não há, entretanto, hipovolemia, pois o vasoespasmo diminui o leito vascular a ser preenchido. Por isso, o volume plasmatico nao deve ser corrigido (pode agravar a hipertensao e precipitar um edema agudo de pulmao). ALTERAÇOES HEMATOLOGICAS As plaquetas, em geral, se encontram diminuidas por aumento da agregação e ativação plaquetaria. É marcador de gravidade, devendo ser dosada de forma seriada. A anormalidade hematologica mais comum é a trombocitopenia decorrente da formação de microtrombos. O tempo de protrombina, tromboplastina parcial e concentração de fibrinogenio não são afetados, exceto na ocorrencia de complicações, como síndrome HELLP e DPP. A hemólise microangiopática tambem pode ocorer e ser detectada pelo exame de esfregaço periferico ou elevação da concentração da desidrogenase láctica e queda do hematócrito. ALTERAÇÕES CEREBRAIS Existem duas teorias que tentam justificar as anormalidades cerebrais identificadas na eclampsia, ambas relacionadas com disfunção endotelial. Na primeira teoria, a regulação cerebrovascular responde a HA grave com um vasoespasmo exacerbado, que resulta em isquemia, edema citotóxico e infarto tecidual. Já a segunda teoria proõe que a elevação súbita da PA excede a autorregulação decebrovascular, levando a areas de vasoconstrição e outras de vasodilatação. Isso gera um aumento da pressão hidrostatica nos capilares P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 13 arteriais e extravasamento de plasma e hemácias, culminando em um edema vasogenico. As manifestações neurologicas são caracteristicas da pré-eclampsia e denotam gravidade. As mais comuns são cefaleia, turvação visual, escotomas e amaurose (perda da visão), que geralmente regride dentro de uma semana após o parto. A convulsão define o diagnóstico de eclampsia e é causada por uma liberação excessiva de neurotransmissores excitatórios, especialmente o glutamato; despolarização maciça da rede de neuronios; e liberação excessiva de potenciais de ação. Um achado tomográfico frequente em pacientes que convulsionaram é a presença de edema cerebral, além de áreas hipodensas sugestivas de hemorragis petequiais. Uma causa frequente de morte 60% dos óbitos) em pacientes com pré- eclampsia é a hemorragia cerebral. Ela é geralmente petequial ou assume a forma de grandes hematomas; Ela tem como causa inicial um aumento da permeabilidade vascular, sguida por rotura da parede do vaso. ALTERAÇÕES HEPÁTICAS A lesão endotelial hepática pelo vasoespasmo e depósito de fibrina leva à hemorragia periportal, lesoes isquemicas e depositos de gordura. Esse acmetimento se manifesta clinicamente por dor em QSD, epigastralgia, elevações das transaminases e, em casos mais graves, hemorragia subcapsular ou rotura hepática. ALTERAÇÕES UTEROPLACENTÁRIAS O vasoespasmo generalizado e a ausencia da segunda onda de migração trofoblastica aumentam a resistencia vascular no leito placentario e diminuem a circulação uteroplacentaria, o que explica a expressiva incidencia de grandes infartos placentarios, crescimento restrito da placenta e o seu desenvolvimento prematuro. Esses fenomenos determinam sofrimento fetal cronico e são responsaveis pela elevada mortalidade perinatal. QUADRO CLINICO E DIAGNÓSTICO → PRÉ-ECLÂMPSIA O diagnóstico da pré eclampsia tem como base o aparecimento de hipertensao e proteinuria. Por definição, surge após a 20 semanas de gravidez. O registro P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 14 de uma PA normal antes da gravidez fala muito a favor da existencia desse disturbio. PROTEINÚRIA Pode ser pesquisada através dos seguintes exames: � Proteinúria de 24h: presença de 300mg ou mais de proteína em urina de 24h. É o exame mais acurado para quantificação da proteinuria. Inicia-se a coleta ao despertar da paciente. Nesse momento, a primeira micção é descartada e a hora exata anotada. A seguir, todas as micções são coletadas e a ultima deve ser realizada no mesmo horario da primeira que foi descartada. � Proteína em fita: 1 ou 2 em duas amostras quaisquer colhidas com um intervalo mínimo de 4h. Só deve ser utilizada para diagnóstico se não houver condições de se coletar urina de 24h. Nesses casos, devem-se colher 2 amostras, visando confirmar a proteinuria persistente. Podem haver falso-positivos. 💡 O American College of Obstetricians and Gynecologists, em 2013, publicou uma nova diretriz para o diagnóstico de pré-eclampsia que inclui pacientes com novo quadro hipertensivo mas SEM proteinuria, desde que tenha alguns desses achados: trombocitopenia 100.000/mm³), alteração da função hepática (elevação de transaminases 2x o valor normal), piora da função renal (duplicação do valor da creatinina na ausencia de outras doenças renais), edema agudo de pulmão, sintomas visuais ou cerebrais. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 15 Nos casos leves, a conduta deve ser conservadora até que o feto atinja o termo (37s). O acompanhamento maternofetal deve ser rigoroso com avaliação periodica clinicolaboratorial da gestante e da vitalidade fetal. EDEMA Não é mais considerado como integrante das manifestações clinicas devido a sua baixa sensibilidade e valores preditivos. O rapido e repentino ganho de peso e edema facial frequentemente ocorrem em mulheres que desenvolvem pre eclampsia, mas tambem podem ocorrer em gestantes saudáveis. CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLAMPSIA PRÉECLAMSPIA LEVE a paciente possui um novo quadro de hipertensão e proteinúria, porem não há sinais de gravidade nem qualquer tipo de orgao- alvo. É importante ressaltar que muitas pacientes com diagnostico inicial de pre eclampsia leve progridem para forma grave da doença ao longo de dias ou semanas, o que justifica o acompanhamento minucioso destes casos. PRÉECLAMPSIA GRAVE a presença de qualquer um dos seguintes sinais indica gravidade da doença � PA maior ou igual a 160110mmHg � Elevação da creatina (maior ou igual a 1,2mg/dL; � Complicações respiratorias (edema agudo de pulmao e cianose); � Síndrome HELLP (hemólise/anemia hemolítica microangiopática), fragmentação eritrocitária (esquizócitos), BT maior ou igual a 1,2mg/dL, LDH 600UI/L; ezimashepáticas elevadas AST maior ou igual a 70UI/L, trombocitopenia). � Iminência de eclampsia (disturbios cerebrais como cefaleia frontoocciptal, torpor e obnubilação, disturbios visuais como turvação da visão, escotomas, diplopia e amaurose, dor epigástrica). OBS Alguns autores também consideram a elevação do acido urico 6mg/dL e a oliguria 400500mL/24h) como sinais de gravidade. PREDIÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA Vários testes com intuito de identificar as pacientes que irão desenvolver pre eclampsia ja foram desenvolvidos, mas eles apresentam baixo valor preditivo positivo em populações de baixo risco, o que resultaria em um grande numro P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 16 de intervenções desnecessarais em pacientes que não irão desenvolver a doença. Uma das formas propostas de rastreamento é atraves da dopplerfluxometria da artéria uterina, com o intuito de identificar a invasão adequada das arterias espiraladas e consequente aumento da resistencia vascular. Essa avaliação pode ser feita no primeiro ou no segundo trimestre. SEGUIMENTO E TRATAMENTO Até o momento, o único tratamento possivel para pré-eclampsia é a interrupção da gestação, que tem como objetivo um menor trauma para a gestante e para o feto, o parto de um RN saudavel com grandes chances de vida e a restauração completa da saude materna. → PRÉ-ECLÂMSPIA LEVE/HIPERTENSÃO GESTACIONAL Atingido o termo, a recomendação é pela interrupção da gestação. Mesmo com a PA controlada e com edema e proteinuria não tão significativos, o feto está em risco, pois o suprimento sanguineo placentario está diminuido em cerca de 50%. A gestante que se apresenta na consulta pré-natal com uma HA em niveis menores que 160110mmHg e que não apresenta qualquer sinal de gravidade pode ser acomapnhada ambulatorialmente, apesar de não haver um protocolo bem definido para esse tipo de acmpanhamento. De um modo geral, recomendam-se consultas semanais para aferição da PA e pesquisa de sinais de gravidade da doença, como cefaleia, alterações visuais ou epigastralgia. A paciente deve ser orientada sobre estes sinais e procurar a emergencia caso algum deles seja identificado. Se possivel, ela deverá aferir a PA pelo menos 2x por semana ambulatorialmente. Medidas restritivas, como repouso no leito, não foram cientificamente comprovadas como beneficas no controle da PA na gestação e ainda podem aumentar o risco de eventos tromboembólicos. Além disso, tambem nao houve beneficio na restrição da ingestao de sodio e esta conduta tambem não é recomendada. O tratamento anti-hipertensivo não altera o curso da pre-eclampsia, nao previne a evolução para eclampsia e nao reduz a morbimortalidade perinatal. Ele pode mascarar um aumento da PA, que é uma medida sensivel da piora da doença, e ainda piorar o fluxo uteroplacentário, aumentando a incidencia de P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 17 crescimento intrauterino restrito. Dessa forma, o tratamento anti-hipertensivo nas formas leves da doença não está indicado. Considerando o baixo risco de evolução para eclampsia em pacientes com pre-eclamspia e hipertensao egstacional sem sinais de gravidade, o sulfato de magnesio tambem não está recomendado neste contexto. A corticoterapia para maturação pulmonar fetal deve ser considerada, visto que há um risco de progressao da doença e consequente interrupção prematura da gestação. AVALIAÇÃO DO BEMESTAR MATERNO Deve-se avaliar periodicamente a gestante do ponto de vista clinicolaboratorial para detectar a progressao da doença, analisando: ganho ponderal, PA, hemograma e contagem de plaquetas, ureia, creatinina e acido urico serico, transaminases hepáticas e LDH, EAS e proteinuria de 24h. As pacientes com diagnostico de hipertensao gestacional deverao repetir a proteinuria semanalmente. AVALIAÇÃO DO BEMESTAR FETAL MOVIMENTAÇÃO FETAL orientar a paciente quanto ao sinal de alerta da redução da movimentação fetal; Rastreamento de cescimento intrauterino restriro e oligodramnia (volume do liquido amniotico); Solicitar cardiotocografia semanalmente a partir de 3032s; Solicitar ECG e dopplervelocimetria na epoca do diagnostico e repetir, se normal, a cada 3 ou 4 semanas; SE O CONTROLE DA PA for satisfatorio 160110 deve-se continuar com o acompanhamento da gestação até 37s, quando esta deve ser interrompida, de preferencia por via vaginal, mesmo que seja necessario realizar sua indução, desde que as condições fetais permitam. Se houver, entretando, HA grave 160110 nas consultas ambulatoriais subsequentes ou durante a internação, presença de sinais clinicos de agravamento (cefaleia, nauseas, vomitos,e scotomas cintilantes, diplopia, visao turva, amaurose, dor epigatrica e agitação psicomotora) ou evidencias de sofrimento fetal, deve ser planejada a interrupção imediata da gestação. → PRÉ-ECLAMPSIA GRAVE/ECLÂMPSIA P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 18 O surgimento de sinais que indiquem uma pré-eclampsia grave ou o aparecimento de convulsoes justificam a internação imediata da paciente para avaliação da gravidade do caso. O parto nestas situações sempre será benefico para a gestante, considerando os riscos relacionados com a hipertensao. No entanto, a conduta conservadora poderá ser considerada nos casos de pre eclampsia grave em que a gestante está estavel e o feto é bastante prematuro. A conduta conservadora não é permitida na eclampsia. Antes de se interromper a gestaão, algumas medidas devem ser tomadas por pelo menos 4h para estabilização do quadro clinico e prevenção e/ou tratamento das crises convulsivas. Na vigencia dessas crises, se atentar para a manutenção das vias aereas livres e prevenção da aspiração, adotar o decúbito lateral esquerdo e oxigenoterapia suplementar 8 A 10L/min); SULFATO DE MAGNÉSIO É a medicação de escolha para prevenir ou controlar as convulsões, mas não tem ação anti-hipertensiva. Em estudos comparativos, ele foi superior a fenitoína, diazepam e nimodipina. É importante ressaltar que a terapia anticonvulsivante não previne a progressão da doença. Parece agir através de uma vasodilatação seletiva da vascularização cerebral, protegendo células endoteliais de danos pelos radicais livres. Outros mecanismos propostos de ação incluem prevenção da entrada de calcio nas celulas isquemicas, inibição da agregação plaquetaria e antagonismo competitivo da glutamato-N-metil-D-aspartato, que é uma substancia epileptogenica. Deve ser prontamente administrado em todo caso de eclampsia ou pre eclampsia grave e mantido por 24h apos o parto, quando o risco de crises convulsivas se torna baixo. Caso a conduta seja conservadora, sem parto imediato, ele deverá ser mantido por pelo menos 24h e posteriormente suspenso, devendo ser reiniciado caso P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 19 alguma situaçãi de risco para eclampsia surja posteriormente. Recomenda-se, ainda, que tambem seja administrado no inicio do trabalho de parto ou indução e previamente à cesariana em pacientes com quadros graves, mas que tiveram a medicação suspensa anteriormente. Os esquemas citados na literatura são: Zuspan (preferencial): a dose é de 4g, IV lento, que deve ser infundida em 20 min, seguida de 12g/h, também IV (solução a 50%, até 24h após o parto, em bomba de infusão. Sibai: dose de ataque de 6g, IV lento, seguida de dose de manutenção de 23g/h, em bomba de infusão; Pritchard: dose de ataque com 4g, IV lento, associada a 10g, IM, seguida por dose de manutenção com 5g, IM, a cada 4h (quando não se dispõe de bomba de infusão). Esse tratamento é contraindicado em caso de miastenia gravis (pode precipitar crise) e o uso associado a utilização de bloqueadores do canal de calcio deve ser cauteloso. Alguns cuidados devem ser tomados para se evitar a intoxicação pelo magnesio, que pode causar depressao muscular, respiratoria e parada cardiaca. Assim, os seguintes parametros devem ser analisados a cada 4h em toda gestante que esteja em tratamentoanticonvulsivante: � MAGNÉSIO quando disponivel, a magnesemia deve ser solicitada, de forma a manter seus niveis sericos entre 59mg/dL. � REFLEXOS TENDINOSOS PROFUNDOS ESPECIALMENTE O PATELAR: devem estar presentes, embora possam estar hipoativos. O seu desaparecimento é sinal de intoxicação pelo magnezio. A elevacao dos niveis sericos de magnesio relaciona-se ao aparecimento de sinais clinicos de intoxicação. � DIURESE P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 20 Uma diurese 25ml/h 100ml a cada 4 horas) indica um reajuste na dose do sulfato de magnesio para evitar intoxicação pela medicação, uma vez que o rim é sua principal via de eliminação. A velocidade de infusao deve ser diminuida pela metade e os parametros de intoxicação e niveis sericos de magnesio acessados periodicamente. � RESPIRAÇÃO Qualquer sinal de intoxicação indica imediata suspensão da medicação e administração de gluconato de calcio 1g IV lento em 3 a 5 minutos. Outros efeitos colaterais incluem rubor, sudorese intensa, sensação de calor (provavelmente por seu efeito vasodilatador), nauseas, vomitos, cefaleia, disturbios visuais e palpitações. Uma FR 12irpm é sugestiva de intoxicação. Em casos de recorrencias das crises convulsivas, nova dose venosa de 1g IV lento deve ser administrada, sempre lembrando da monitorização da toxicidade pelo magnésio. Gliconato de calcio a 10% é antídoto do sulfato de magnésio. TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO AGUDA Medicamentos anti-hipertensivos devem ser administrados sempre que a PAS for maior ou igual a 160 ou a PAD maior ou igual a 110 por um periodo maior que 15min, com o objetivo de reduzir a incidencia de insuficiencia cardiaca, isquemia miocardica, insuficiencia renal e AVE. O objetivo do tratamento medicamentoso é manter a PAS entre 140155 e a PAD entre 90105, visando proteger as condições maternas, apesar de que isso pode prejudicar o bem estar fetal, devido ao agravamento da perfusao placentaria ja prejudicada. O tratamento agudo para crise hipertensiva da pre eclampsia pode ser feito com as seguintes medicações: METILDOPA O tratamento farmacológico inicial de escolha para hipertensão na gestação é feito com Metildopa, pois é a droga mais estudada e sem efeitos adversos P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 21 para o feto. A dose inicial é de 250 mg, 2 a 3 vezes ao dia, aumentando a cada 2 dias conforme necessário, utilizar até de 6 em 6 horas (dose máxima de 3000 mg/dia). HIDRALAZINA É um vasodilatador arteriolar e o antihipertensivo de escolha em muitos centros. A dose é de 5mg IV drepetida e 20 a 40min até uma dose cumulativa maxima de 20mg. Também é possivel a infusao continua venosa na dose de 0,510mg/hg. Leva a diminuição da PA após 1020min e sua duração é de cerca de 24h. Seus efeitos colaterais incluem hipotensao materna, cefaleia e alterações no traçado da cardiotoco. LABETALOL Medicação considerada de escolha pela literatura americana, deve ser utilizada na dose de 20mg IV a cada 10min, com aumentos graduais na dose, ate a dose maxima cumulativa de 300mg. Apresenta efeito após 510min da infusao e duração de 36h. Possui menos efeitos adversos e a taquicardia é menos comum que nas outras medicações. Deve ser evitado em pacientes com asma, cardiopatia, bradicardia e bloqueio cardiaco. Não esta disponivel no Br na forma IV. NEFEDIPINA É um bloq de canal de calcio utilizado na dose de 10mg a cada meia hora. Seu inicio da ação ocorre após 10 a 20min e a duração é de 4 a 5 horas. O uso concominante com sulfato de magnesio deve ser evitado. NITROPRUSSIATO DE SÓDIO Deve ser utilizado apenas em casos refratarios a outras medidas antihipertensivas, pelo risco de intoxicação fetal por cianeto. A dose inicial deve ser de 2 a 10mg/kg/min. O inicio de ação é imediato e a duração extremamente curta. PARTO Em gestações pre eclampsia grave com idade gestacional maior ou igual a 34s, recomenda-se o parto após estabilização materna. Caso a IG seja 34s e existam condições maternas e fetais estaveis, pode-se considerar uma conduta expectante. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 22 O parto deve ser preferencialmente vaginal, mesmo nos casos de eclampsia, levando-se em conta fatores como IG, condições fetais, cesaria previa, condições do colo… Deve-se evitar periodos prolongados de indução, prodendo-se considerar a cesariana nos colos desfavoraveis. A chance de evolução pra cesariana tb aumenta quando maior for a distancia para o termo. Se o feto tem parametros desfavoraveis na cardiotoco e na dopplerfluxometria, tambem se opta pelo parto cesareo, já que este feto tem condições diminuidas de resistir a um parto vaginal. → TRATAMENTO CONSERVADOR A conduta conservadora na pre eclampsia grave deverá ser feita obrigatoriamente em ambiente hospitalar, com orientação para a gestante sobre os riscos maternofetais. Recomenda-se avaliação maternofetal seriada, muitas vezes ao dia. O parto deverá acontecer caso a paciente alcance 34s ou apresente sinais de deterioração materna ou fetal, como HA descontrolada e não responsiva ao tratamento medicamentoso, cefaleia persistente e refrataria, epigastralgia, disturbios visuais, IAM, AVE, HELLP, piora da função renal, edema agudo de pulmao, eclampsia ou suspeita de DPP ou sangramento vaginal. → SÍNDROME HELLP Da memsa forma que na eclampsia, o tratamento da sindrome HELLP consiste na interrupção da gestação após estabilização materna, independente da IG. As mesmas recomendações devem ser instituidas (terapia antihipertensiva e sulfato de magnesio). Vale ressaltar que o sulfato de magnesio deve ser P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 23 evitado por via IM, pelo risco aumentado de hematoma nos casos de sindrome HELLP complicadas com disturbios de coagulação e trombocitopenia. Na presença de fetos com IG 34s, a conduta inclui a estabilização do quadro materno e a interrupção da gravidez. Porem, o problema reside em fetos muito prematuros, para os quais a conduta é extremamente individualizada, devendo ser feita sempre em centros terciarios e com UTI neonatal de ponta. Em pacientes com menos de 34s, deve-se tentar estabilizar a paciente c o uso de sulfato de magnesio e antihipertensivos, fazer uso de glicocorticoides (para acelerar a maturação pulmonar fetal) e proceder a internação em centro terciario. A cesariana não é via de parto exclusiva. O parto vaginal é preferivel em gestantes em trabalho de parto e com feto em apresentacao cefalica, independente da IG. Pode-se considerar a indução do parto desde que nao ocorra por periodos prolongados. PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA ASPIRINA Diversos estudos sugerem a efetividade da administração de baixas doses de aspirina 60150mg ao dia) em diminuir a incidencia dos disturbios hipertensivos na gestação em pacientes de ALTO RISCO (hipertensas cronicas, diabeticas, pacientes com historia familiar ou obstetrica de pre eclampsia). P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 24 CÁLCIO Uma revisao mostrou que a ingesta de 1,5 a 2g de carbonato de calcio por dia a partir da 12 semana de gestação, em doses fracionadas, até o fim da mesma, parece diminuir o risco de pre eclampsia em pacientes com baixa ingesta ou fatores de risco. A OMS recomenda a suplementação de calcio para mulheres com alto risco de desenvolver pre eclampsia em areas que possuam baixa ingesta desse elemento. PROGNÓSTICO O progmóstico dos disturbios hipertensivos tem intima relação com a presença de crises convulsivas. Na eclampsia, a mortalidade materna é elevada 15%. A principal causa de morte é a hemorragia cerebral 60% dos casos), seguida pelo edema agudo de pulmão. Se a gestante sobrevive, não costuma apresentar sequelas permanentes, embora a recuperação total possa levar até 1 ano. Na pré eclampsia leve e grave, a mortalidade é rara, a não ser que desenvolva a sindrome HELLP. As principais complicações dos casos graves incluem: DPP, CIVD, IRA, LESÃO HEPATOCELULAR, ROTURAHEPÁTICA, HEMORRAGIA INTRACEREBRAL, PCR, PNEUMONIA DE ASPIRAÇÃO, EDEMA AGUDO DE PULMÃO E HEMORRAGIA PÓSPARTO. P5 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 25