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Giovanna Claudino de Almeida Silva — Nº USP: 12656474 21/04/2024 Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Sociológico — Professora Fabiana Jardim Comentário referente à aula 6 No artigo “Nota introdutória sobre a sociedade com alvos direcionados - Uma breve história dos corpos esquemáticos”, de Grégoire Chamayou, somos apresentados ao conceito de sociedade de direcionamento de alvos. Esse modelo de sociedade utiliza a cronogeografia, que tem por princípio tratar cada vida humana individual como uma trajetória que pode ser pontuada no espaço-tempo ao longo do seu desenvolvimento, como instrumento para exercer o poder. Esse poder não é exercido com o objetivo de impor uma disciplina ao sujeito ou de regulamentar a vida societária, com intuito de controlar e normatizar os indivíduos. O seu intuito é usar essas individualidades-trajetórias propostas pela cronogeografia como dados para ser possível quantitativamente generalizar o que seria o comportamento normal que um indivíduo deveria assumir, e assim encontrar os indivíduos que demonstram um comportamento atípico e tomá-los como ameaça ao controle. Os esquemas cronoespaciais, portanto, servem para filtrar o comportamento e encontrar qualquer variação do padrão que demonstre um algo desconhecido, que será tomado como alvo por fugir de normalização — que, no caso, não se baseia em critérios morais, e sim no que é mais comum e geral aos indivíduos, e que consequentemente é mais fácil de ser controlado por ser tão abrangente. Para ser possível realizar uma normalização baseada no que é mais generalizado entre a vida dos indivíduos, é necessário haver um grande banco de dados sobre todos os aspectos da vida de muitos indivíduos. A cronogeografia cria as trajetórias individuais a partir de uma vigilância constante dos indivíduos, que é não só permeada através das redes sociais, como também só é possível justamente pela existência dessas redes sociais. No documentário “O dilema das redes sociais”, vemos como as redes sociais já não funcionam mais como instrumentos para os indivíduos utilizarem, e sim como mecanismos para manipular os indivíduos. O que gera lucro para as redes sociais é a capacidade que elas possuem de mudar o comportamento do indivíduo, e essa capacidade é então manipulada de acordo com os interesses financeiros — ou seja, essa capacidade é vendida para os anunciantes. E para as redes sociais terem essa capacidade, é necessário que elas tenham muita certeza de que o algoritmo irá te influenciar, e essa certeza vem através do conhecimento intensivo do indivíduo através de todo o tipo de dado possível sobre ele. Isso é feito moldando o algoritmo a partir de todo o seu comportamento individual na rede social, como por exemplo por quantos segundos você ficou parado em cada publicação, o que você pesquisou em outra rede social, quais são os horários que você entra com mais frequência; e também a partir dos conhecimentos sobre psicologia humana, sabendo como tornar a rede social mais viciante para coletar mais dados, ou saber quais sentimentos geram mais engajamentos em publicações. REFERÊNCIAS: Gregóire Chamayou. Nota introdutória sobre sociedades com alvos direcionados: uma breve história dos corpos esquemáticos. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, n.102, pp.107-127, julho 2015. O dilema das redes sociais. (Dir.: Jeff Orlowski-Yang, 2020, EUA, 94min.).