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GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ ELMANO de FREITAS da Costa GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL - SSPDS SAMUEL ELÂNIO de Oliveira Júnior - DPF SECRETÁRIO DA SSPDS ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE LEONARDO D`Almeida Couto BARRETO - DPC DIRETOR-GERAL DA AESP|CE KAMILLY Távora CAMPOS - DPC DIRETORA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO INTERNA DA AESP|CE EVANDRO Queiroz de Assunção – Cel PM COORDENADOR DE ENSINO E INSTRUÇÃO DA AESP|CE José ROBERTO de Moura Correia – TC PM COORDENADOR ACADÊMICO PEDAGÓGICO DA AESP|CE Francisca ADEIRLA Freitas da Silva – MAJ PM SECRETÁRIA ACADÊMICA DA AESP|CE MÔNICA Pontes Rodrigues ORIENTADORA DA CÉLULA DE ENSINO A DISTÂNCIA DA AESP|CE CURSO DE CONDUTORES DE VEÍCULOS DE EMERGÊNCIA - CCVE/2023 DISCIPLINA Direção Defensiva CONTEUDISTA Saulo Daniel Leite da Silva REVISÃO Bruno Henrique Carvalho Lopes FORMATAÇÃO Joelson Pimentel da Silva • 2023 • SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 1 Objetivos ............................................................................................................................ 2 Estrutura ............................................................................................................................ 2 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 3 Aula 01: A importância da direção defensiva...................................................................... 4 1.1 Conceito de Direção Defensiva ................................................................................... 4 1.2 Dados do Trânsito ...................................................................................................... 5 1.3 Sinistro de Trânsito .................................................................................................... 5 1.4 Elementos Básicos da Direção Defensiva ................................................................... 7 1.5 Erros que devem ser evitados no trânsito ................................................................ 10 Aula 02: Como reduzir os riscos das condições adversas .................................................. 12 2.1 Condições Adversas ................................................................................................. 12 2.2 Definindo o Sinistro de Trânsito ............................................................................... 18 2.3 Principais causas de sinistros de trânsito ................................................................. 18 2.4 Visão Periférica ........................................................................................................ 19 2.5 Ultrapassagens ......................................................................................................... 20 2.6 Como Evitar Sinistros com Outros Veículos .............................................................. 20 2.7 Principais Colisões .................................................................................................... 21 2.8 Como evitar sinistros com pedestres e outros integrantes do trânsito (motociclista, ciclista) ........................................................................................................................... 25 Aula 03: A Importância do Comportamento seguro na Condução dos Veículos de emergência ...................................................................................................................... 28 3.1 O comportamento seguro no trânsito ...................................................................... 28 3.2 Comportamento de Risco no Trânsito ...................................................................... 30 3.3 Estado físico e mental do condutor, consequências da ingestão e consumo de bebida alcoólica e substâncias psicoativas ................................................................................. 32 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................... 35 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 39 1 APRESENTAÇÃO O Código de Trânsito Brasileiro, juntamente com suas legislações complementares, estabelecem diretrizes importantes para a condução e circulação de veículos de emergência, sendo necessária a correta observância às regras estabelecidas no que se refere às normas de circulação e conduta desses veículos, mesmo em situação de emergência, para a redução dos riscos de sinistros de trânsito. Com a ampliação de seus conhecimentos, você pode refletir e analisar as graves consequências às quais a condução do veículo de emergência, de forma agressiva e desmedida, pode levar, seja pelo cometimento de infrações de trânsito ou até mesmo pela responsabilização em sinistros ou por crimes de trânsito na esfera penal, principalmente quando se trata de agentes públicos de serviço. Bem sabemos que com o aumento da interatividade das pessoas por intermédio de aplicativos de troca de mensagens instantâneas e redes sociais, a difusão de informações, vídeos, fotos e etc., leva questão de segundos, e em poucos minutos qualquer pessoa pode estar sendo manchete no noticiário, você como um motorista profissional qualificado e especializado certamente não tem interesse em fazer parte da próxima notícia como sendo um motorista irresponsável ou despreparado. Neste módulo, veremos alguns dados estatísticos que apresentam um grande crescimento da frota de veículos. A partir do estudo desses, você será capaz de fazer uma análise mais consciente de seu papel neste contexto. A partir do conhecimento dos riscos das condições adversas, técnicas de condução segura, cuidados com ultrapassagens e análise da preferência relativa dos veículos de emergência sobre os demais veículos, dinâmica dos sinistros de trânsito, dentre outros pontos, você acrescentará a sua experiência ferramentas e ações importantes para evitar sinistros de trânsito, bem como ter uma convivência mais harmoniosa, focando o respeito e a preservação da vida! Vamos nessa! 2 Objetivos Ao final do estudo deste módulo, você deverá ser capaz de: Analisar o atual cenário do trânsito brasileiro e sobre a atuação dos agentes de segurança pública neste contexto. Reconhecer a importância da direção defensiva na condução de veículos de emergência, para evitar se envolver em sinistros. Diferenciar procedimentos de comportamento seguro em relação às ações de comportamento de risco, na condução de veículos especializados. Identificar as principais condições adversas para a condução veicular, tais como: sinais de alteração física e mental do condutor, sob o efeito de bebida alcoólica e de substâncias psicoativas. Listar os procedimentos para uma ultrapassagem segura. Compreender os principais fatores de sinistros de difícil identificação da causa. Estrutura Aula 01: A importância da direção defensiva. Aula 02: Como reduzir os riscos das condições adversas. Aula 03: O comportamento seguro na condução dos veículos de emergência. Dentro dessas Aulas Veremos: Sinistro evitável ou não evitável; Como ultrapassar e ser ultrapassado; O sinistro de difícil identificação da causa; Como evitar sinistros com outros veículos; Como evitar sinistros com pedestres e outros integrantes do trânsito (motociclista, ciclista); A importância de ver e ser visto; A importância do comportamento seguro na condução de veículos especializados. 3 Comportamento seguro e comportamento de risco – diferença que pode pouparvidas. Estado físico e mental do condutor, consequências da ingestão e consumo de bebida alcoólica e substâncias psicoativas; Lista de Siglas e Abreviaturas: ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas Art.: Artigo CONTRAN: Conselho Nacional de Trânsito CTB: Código de Trânsito Brasileiro SENATRAN: Secretaria Nacional de Trânsito DETRAN: Departamento Estadual de Trânsito OMS: Organização Mundial de Saúde. ONG: Organização Não Governamental NBR: Normas Técnicas Brasileiras RENAVAM: Registro Nacional de Veículos Automotores. 1. INTRODUÇÃO A Direção Defensiva busca capacitar você a utilizar o veículo de emergência como um instrumento de cidadania e conscientização, valorizando o comportamento necessário para a segurança no trânsito. Neste módulo, você terá a oportunidade de refletir e reconhecer seu compromisso com a sociedade e usuários sobre seu verdadeiro papel quanto à segurança no trânsito, mesmo enfrentando várias condições adversas, aprenderá a ter um comportamento preventivo e de modo a evitar sinistros. 4 Aula 01: A importância da direção defensiva 1.1 Conceito de Direção Defensiva Segundo a definição constante no manual de Direção Defensiva do Departamento Nacional de Trânsito, “é a forma de dirigir, que permite a você reconhecer antecipadamente as situações de perigo e prever o que pode acontecer com você, com seus acompanhantes, com o seu veículo e com os outros usuários da via.” (DENATRAN, 2005). Em outras palavras, a Direção Defensiva, também chamada de Condução Defensiva, é o conjunto de técnicas e procedimentos utilizados, pelo motorista, com o objetivo de prevenir ou minimizar os sinistros de trânsito e suas consequências. Para isso, você precisa aprender os conceitos de direção defensiva e usar esse conhecimento com eficiência. Dirigir sempre com atenção, para poder prever o que fazer com antecedência e tomar as decisões certas para evitar sinistros. A Direção Defensiva pode ser dividida em: PREVENTIVA: Deve ser a atitude permanente do motorista para evitar sinistros. CORRETIVA: É a atitude que o motorista deverá adotar ao se defrontar com a possibilidade de sinistro, corrigindo situações não previstas. A sociedade espera que os motoristas de veículos especializados (Ambulância, Viaturas de Polícia, Bombeiros e Órgãos de Trânsito), quando estejam exercendo sua atividade sejam sempre defensivos, por conta de sua capacitação, não admitindo qualquer conduta que represente perigo para os demais condutores/veículos e pedestres. Por isso, é fundamental a sua capacitação para o comportamento seguro no trânsito, atendendo à diretriz da “preservação da vida, da saúde e do meio ambiente” da Política Nacional de Trânsito. Trânsito seguro é um direito de todos! 5 1.2 Dados do Trânsito O governo brasileiro fez uma opção pelo desenvolvimento através do modal rodoviário a partir da década de 1950. Hoje temos uma frota circulante de cerca de 116 milhões de veículos, entre caminhões, ônibus, automóveis, motocicletas, dentre outros, segundo dados do Ministério dos transportes, SENATRAN - Secretaria Nacional de Trânsito, RENAVAM - Registro Nacional de Veículos Automotores. No decorrer do tempo a nossa estrutura viária não acompanhou o aumento da frota, gerando congestionamentos, sérios problemas para a circulação viária, principalmente nas áreas urbanas. A disputa por espaço, o desrespeito às regras de circulação e conduta, aliados ao estresse dos motoristas têm acarretado muitos conflitos e graves sinistros. Figura 1 - Transito congestionado. Fonte: opiniaoenoticia.com.br 1.3 Sinistro de Trânsito Conforme a NBR/ABNT 10.697/20 e Lei 14.599/23, que alterou o CTB, Sinistro de Trânsito é todo evento que resulta em dano ao veículo ou à sua carga e/ou em lesões a pessoas ou animais e que pode trazer dano material ou prejuízo ao trânsito, à via ou ao meio ambiente, em que pelo menos uma das partes está em movimento nas vias terrestres ou em áreas abertas ao público. Todo sinistro pode ser evitável, seja por você motorista, entidade ou órgãos que cuidam do trânsito, escolas, centro de formação, entre outros. SINISTRO EVITÁVEL é aquele em que você deixou de fazer tudo o que razoavelmente poderia ter feito para evitá-lo. Já o SINISTRO INEVITÁVEL é aquele em que, apesar do condutor fazer tudo para evitar o sinistro, ele ocorre. O importante não é saber quem é o culpado, mas sim o que poderia ter sido feito para evitar determinado sinistro. 6 Um estudo feito pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) indica que, de 1998 até o final de 2017, aproximadamente R$ 36 bilhões por ano foram gastos com sinistros de trânsito no Brasil, ou seja, R$ 720 bilhões acumulados durante esses 20 anos. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, morreram 662.219 pessoas de 1998 a 2015 em decorrência dos sinistros de trânsito. As lesões causadas pelo trânsito constituem um problema de saúde pública. No Brasil, os sinistros de trânsito apresentam um alto custo social, cultural e intelectual. Profissionais no auge de sua capacidade produtiva e jovens promissores encontram-se entre os que mais morrem no trânsito. Além de um prejuízo emocional, cada sinistro traz também um prejuízo econômico difícil de quantificar. Cada sinistro tem custos com socorro, combustível, seguro, leito de hospital, medicamentos, afastamento de trabalho, indenizações, custo com Previdência e etc. O Brasil terminou o ano de 2017 com 35.375 mortes, valor que custou aos cofres nacionais cerca de 62 bilhões de reais. Com a queda no número de mortos em sinistros de trânsito que se iniciou em 2015, a projeção para a próxima década é uma redução de custos percentual de 18%, chegando à casa de 50 bilhões de reais gastos com mortes em sinistros de trânsito. Ainda assim, no total, a projeção do Observatório Nacional de Segurança Viária - ONSV - é que os gastos com sinistros de trânsito até 2027 resultem em um acumulado na casa de 640 bilhões de reais. Para refletir... Como profissional de segurança pública, reflita acerca do seu papel nesta ação e a contribuição que você pode dar em relação à segurança do trânsito em sua cidade e em seu local de trabalho. Dentre as vítimas do trânsito, atualmente, há um grande número de policiais, agentes penitenciários, bombeiros e guardas municipais, que estavam a serviço, na maioria das situações. Figura 2 - Sinistro Ambulância Bombeiros. Fonte: G1.com 7 1.4 Elementos Básicos da Direção Defensiva Para que um condutor possa praticar a direção defensiva, ele precisa de certos elementos básicos e conhecimentos, não só de legislação de trânsito, mas também de comportamentos que devem ser praticados no dia a dia, no uso do veículo de emergência. São elementos da direção defensiva: Conhecimento; Atenção; Previsão; Decisão; Habilidade. Estude a seguir sobre cada um deles! CONHECIMENTO: É fundamental conhecer as leis e normas que regem o trânsito. Este conhecimento é repassado através do Código de Trânsito Brasileiro, suas legislações complementares e do aprendizado na prática. É necessário conhecer seus direitos e deveres em qualquer situação de trânsito, como condutor ou pedestre, para evitar tomar atitudes que possam causar sinistros ou danos aos usuários da via. Conheça seu veículo. Leia o manual do proprietário Aplique suas experiências vivenciadas em situações anteriores; Tenha o domínio básico da legislação de trânsito; Identifique os riscos causados por condições adversas (chuva, neblina etc.); Conheça as características de segurança, dirigibilidade e utilização dos controles do veículo que está conduzindo; Conheça os limites de sua habilidade (autoconhecimento). ATENÇÃO: Deve ser direcionada a todos os elementos da via etambém às condições físicas e mentais do condutor, aos cuidados e à manutenção do veículo, tempo de deslocamento e conhecimento prévio do percurso, sinalização da via, entre outros. 8 Figura 3 - Via Interditada. Fonte: www.flexeirasonline.com Mantenha-se atento à sinalização; Perceba seu posicionamento em relação aos demais veículos; Observe as ações dos pedestres para protegê-lo; Perceba as condições do pavimento (buracos, ondulações, objetos etc.). IMPORTANTE! Atenção difusa, ou seja, aquela em que é necessário utilizar todos os meios para ter uma visão completa do cenário, é a mais adequada para a condução veicular. Você deve estar sempre com a mente alerta, olhar à frente, à retaguarda, para todos os lados e até mesmo à frente do veículo que desloca na dianteira. Os condutores de veículos não devem dirigir com atenção fixa ou dispersiva. (Cartilha – DETRAN/RJ). PREVISÃO: É a antecipação de uma situação de risco e pode ser desenvolvida e treinada no uso do seu veículo. São exercidas numa ação próxima (curto prazo, EX: o condutor vendo que está na iminência de ultrapassar um ciclista, prevê um possível movimento lateral brusco, comum entre os ciclistas) ou distante (longo prazo, EX: revisão do veículo; abastecimento; verificação de equipamentos obrigatórios.), dependendo sempre do seu bom senso e conhecimento. Essa previsão pode ser mediata ou imediata. PREVISÃO MEDIATA (antes de iniciar os deslocamentos) EX.: Planeje os deslocamentos (itinerário principal e alternativo). PREVISÃO IMEDIATA (após iniciar os deslocamentos) EX.: Reduza a velocidade ao passar/ultrapassar um ciclista; 9 DECISÃO: Dependerá da situação que se apresenta e do seu conhecimento das possibilidades do veículo, das leis e normas relacionadas ao trânsito, do tempo e do espaço que você dispõe para tomar uma atitude correta. É ser ágil nas suas ações, mas não esquecendo o bom senso e sua experiência. Considere o tempo de reação para executar a manobra; Evite a hesitação (você tem frações de segundos para agir); Escolha a ação que esteja alinhada à sua habilidade ao volante e às características do veículo que está conduzindo (estabilidade, freios, peso e dimensões). HABILIDADE: Ser um condutor hábil significa que você seja capaz de manusear os controles de um veículo e executar com perícia e sucesso qualquer manobra necessária no trânsito. Além desses elementos é preciso conhecer e aplicar as três medidas básicas para a prevenção de sinistros: CONSIDERAR O RISCO CONHECER E APLICAR A DEFESA AGIR NO MOMENTO CERTO Realize treinamentos de condução veicular; Desenvolva os automatismos corretos; Efetue as manobras necessárias, em situações de risco, para evitar sinistros; Não exceda os limites do veículo, da via e os seus próprios, durante a execução das manobras. IMPORTANTE! Com os conhecimentos necessários, dedicando toda a atenção possível ao ato de dirigir, você poderá prever situações de risco. Estando devidamente treinado, terá habilidade para decidir e agir defensivamente, de modo a evitar sinistros, preservando a sua segurança e a dos demais participantes do trânsito. O Condutor Defensivo: É aquele que preserva a sua vida e a de todos que estão à sua volta através do emprego racional e sensato dos conhecimentos teóricos e de uma postura na condução do veículo procurando evitar sinistros. É importante lembrar que 10 pesquisas realizadas por entidades especializadas na área apontam que a maioria dos sinistros de trânsito tem como principal causa problemas com o condutor do veículo, seguidos de problemas mecânicos e problemas com a via, respectivamente. Dentre esses problemas com o condutor, temos: NEGLIGÊNCIA: Pressupõe um ato omissivo, ou seja, deixar de fazer algo do qual o condutor deveria realizar Ex.: Não realizar a manutenção preventiva no veículo e conduzi- lo em mal estado de conservação. IMPRUDÊNCIA: Ocorre quando o condutor tem conhecimento das leis e regras de trânsito e mesmo assim deixa de respeitá-las. Ex.: trafegar com velocidade inadequada para a via, avançar sinal vermelho, entre outras. IMPERÍCIA: É a falta de habilidade ou inexperiência. Ocorre quando o condutor é imperito na prática da direção, ou seja: não possui conhecimentos técnicos ou habilidade para realizar as manobras necessárias ao ato de dirigir. Ex.: Não conseguir manter o veículo parado em um aclive. 1.5 Erros que devem ser evitados no trânsito Veja alguns erros que você não deve cometer no trânsito, principalmente sendo um condutor de emergência: • Infrações de trânsito; • Abuso do veículo; • Atraso de horário. • Descortesia. Estude a seguir cada um deles. 11 INFRAÇÕES DE TRÂNSITO: Você, como condutor habilitado e que conduz veículo de emergência deve conhecer e obedecer à legislação de trânsito (cumprir e fazer cumprir). Contudo, há razões maiores para você respeitar as regras, pois: • Foram feitas com vistas a segurança de todos e; • Você deve ser exemplo positivo para a sociedade e será cobrado em caso de desrespeito. IMPORTANTE! Leia o CTB, aprofunde-se nas normas gerais de circulação e conduta, saiba o que não é permitido quando se conduz um veículo, evitando assim o cometimento de infrações de trânsito: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9503.htm ABUSO DO VEÍCULO: Em decorrência das características da sua atividade de emergência em muitas situações você necessita executar manobras que exigem mais do veículo. As mais comuns são: o uso indevido da embreagem; do freio, arrancadas e manobras bruscas que prejudicam partes vitais do veículo, reduzindo a vida útil do equipamento e comprometendo a segurança. ATRASO DE HORÁRIO: Evite recuperar o tempo de atraso e as situações inesperadas (congestionamento, problemas no veículo, etc.) empreendendo velocidade que ponha em risco a sua vida e a dos demais. DESCORTESIA: Em condições normais, você deve desenvolver atitudes de cortesia, ou seja, respeitar os outros condutores de veículos e os pedestres. Ao demonstrar cortesia você evita um ambiente de animosidade e descrédito, portanto, “cortesia gera cortesia”, diminuindo a possibilidade de envolvimento em sinistro. IMPORTANTE! Lembre-se: o mais importante em uma ocorrência de emergência é você conseguir chegar ao seu destino em segurança, pois caso se envolva em sinistro no percurso, de nada terá adiantado a pressa, além da impossibilidade de socorrer quem necessita de auxílio, já que Viatura/ambulância quebrada não vai para lugar nenhum! 12 Aula 02: Como reduzir os riscos das condições adversas 2.1 Condições Adversas São todos aqueles fatores que podem prejudicar o seu real desempenho no ato de conduzir, tornando maior a possibilidade de um sinistro de trânsito. O condutor de veículo de emergência, em muitas situações, tem de trafegar sem as condições ideais de segurança para atender as mais diversas ocorrências, independente das condições climáticas, luminosidade, trânsito e qualidade da via. É importante que você seja capaz de identificar esses riscos rapidamente e agir corretamente diante dessas situações, adotando os procedimentos adequados para cada uma delas. Luz – As condições de iluminação são muito importantes na Direção Defensiva. A intensidade da luz natural ou artificial, em dado momento, pode afetar a capacidade do motorista de ver e de ser visto. O excesso de claridade pode provocar ofuscamentos e a falta de luz ocasiona penumbra, podendo provocar condições favoráveis a um sinistro. Para não se envolver em um sinistro, o condutor precisa se adaptar a essas circunstâncias. Figura 4 - Ofuscamento por Farol Alto. Fonte: http://blog.inbep.com.br O ofuscamento também pode acontecer devido: Ao farol alto de um veículo vindoem sentido contrário; Ao reflexo da luz solar em espelhos ou para-brisas; À passagem de um trecho muito iluminado para um trecho escuro, ou vice- versa, como acontece nas entradas ou saídas de túneis. 13 Assim sendo, siga as seguintes orientações: Em vias iluminadas, use farol baixo; À noite, ao perceber veículo em sentido contrário, seja o primeiro a baixar o farol. Nas rodovias, use sempre faróis acesos em luz baixa, independente da hora do dia. Assim, você pode ser visto mais facilmente. Lembre-se: Ver e ser visto por todos torna o trânsito mais seguro! Nas vias não iluminadas use a luz alta, exceto ao cruzar com outro veículo ou ao segui-lo; Quando há ofuscamento de sua visão pelos faróis do veículo que vem em sentido contrário, suas pupilas levam de 4 a 7 segundos para restabelecerem a visão normal. Portanto, em um tempo razoável, procure diminuir a velocidade e alertar o motorista que vem em sua direção, alternando a luz baixa e alta, de forma intermitente por um curto período de tempo. Caso a situação persista, ao se aproximar do outro veículo procure se guiar pela faixa branca da margem direita da via e não olhe na direção dos faróis do veículo que transita em sentido contrário. Quando a luz solar incidir diretamente nos seus olhos, proteja-os utilizando a pala interna de proteção ou óculos protetores a fim de evitar o ofuscamento. b) Tempo/Clima – Estas condições adversas estão ligadas às condições atmosféricas: frio, calor, vento, chuva, e neblina e etc. Todos esses fenômenos reduzem a capacidade visual do motorista, tornando mais difícil a visualização de outros veículos. Tais condições podem tornar-se tão extremas que o impossibilitam de ver a margem de estradas ou as faixas divisórias. A grande maioria dos sinistros ocorridos em condições climáticas adversas deve-se à falta de adaptação de alguns motoristas que continuam a dirigir o veículo em velocidade incompatível. Chuva: Reduz a visibilidade, diminui a aderência dos pneus, principalmente nas curvas, aumenta o espaço percorrido nas frenagens e dificulta as manobras de emergência. Você sabe o que fazer em caso de condução sob chuva? Compare as alternativas relacionadas às suas atitudes na condução de veículo de emergência. 14 Figura 05 - Dirigindo na Chuva. Fonte: http://blog.inbep.com.br • Acione o limpador do para-brisa e mantenha as palhetas em bom estado; • Reduza a velocidade, de acordo com as condições de segurança, parando o veículo, se for o caso ; • Acenda os faróis de luz baixa; • Aumente a distância do veículo que segue à frente; • Redobre a atenção; Aquaplanagem ou Hidroplanagem: É a falta de aderência dos pneus à via. Ocorre em função da formação de uma “camada” de água entre a pista e o pneu do veículo, levando o condutor à perda do controle do veículo. Figura 6 - Aquaplanagem. Fonte: http://blog.inbep.com.br Veja os fatores que propiciam a aquaplanagem: Velocidade incompatível; Grande quantidade de água na via; Pneus desgastados (lisos), com ausência de sulcos. Calibragem inadequada dos pneus. 15 Você sabe o que deve ser feito quando o veículo aquaplanar? Compare suas respostas. Tire o pé do acelerador até retomar o controle completo da direção; Não freie, pois se as rodas estiverem travadas no momento que voltar o contato dos pneus com a pista, você poderá perder o controle do veículo. Segure o volante com firmeza, mantendo-o alinhado. E o que deve ser evitado? Frear bruscamente; Movimentar a direção de forma brusca. IMPORTANTE! A possibilidade do veículo mais leve aquaplanar é maior que dos veículos mais pesados. Portanto, procure controlar sua estabilidade através da velocidade, que deverá ser menor nos pisos molhados. c) Via - Antes de iniciar um percurso curto ou longo, você deve procurar informações sobre as condições das vias que vai percorrer para planejar melhor seu itinerário, assim como o tempo que vai precisar para chegar ao destino desejado. Figura 7 - Buracos na Via. Fonte: http://blog.inbep.com.br Você deve ajustar-se às condições da via, reconhecendo o seu estado de conservação, largura, acostamento, fluxo de veículos, para poder se preparar melhor para aquilo que vai enfrentar e tomar os cuidados indispensáveis à segurança e ao uso de equipamentos que auxiliem no percurso. 16 São muitas as condições adversas das vias de trânsito, vejamos: Curvas; Desvios; Aclives e declives; Tipo de pavimento; Largura da via; Desníveis; Ausência de acostamento; Trechos escorregadios (areia, óleo na pista, poças de água); Buracos; Obras na pista; Saliência ou lombada; Depressão; Pista irregular; Desmoronamento; Excesso de vegetação prejudicando a visibilidade da sinalização e da margem da via. d) Trânsito – As condições de trânsito envolvem a presença de outros usuários da via, interferindo no comportamento do motorista. Com o trânsito fluindo facilmente ou estando congestionado, a velocidade desenvolvida poderá ser alta ou baixa. Existem períodos do dia que afetam sobremaneira o tráfego na via tais como os horários de pico, durante os quais a movimentação de pessoas e veículos é mais intensa. e) Veículo– A condição em que se encontra o veículo é outro fator muito importante a ser considerado para evitar sinistros. Antes de assumir a direção, todo motorista defensivo deve cuidar da manutenção do seu carro e verificar se o mesmo encontra-se em condições de circulação. Os defeitos mais comuns que podem causar sinistros são, dentre outros: Pneus desgastados; Freios desregulados; Lâmpadas queimadas; Limpadores de para-brisa ineficientes ou inoperantes 17 Buzina inoperante; Espelhos retrovisores ineficientes; Cintos de segurança defeituosos; Amortecedores em mau estado/defeituosos; Figura 8 Figura 8 - Ambulância sendo empurrada. Fonte: G1.globo.com f) Condutor/Motorista – É preciso considerar o estado em que o motorista se encontra, isto é, se ele está física e mentalmente em condições de dirigir um veículo. Em muitas ocasiões a jornada de trabalho extenuante do condutor de veículo de emergência pode interferir na maneabilidade, aumentando os riscos de envolvimento em sinistros de trânsito. Por conta disso, é considerada uma das situações adversas mais perigosas, pois os aspectos físicos e psicológicos influenciam diretamente na atuação do condutor. Como exemplos, temos: 1. Condições físicas 2. Condições mentais 3. Fadiga 4. Perturbação física 5. Sono 6. Estresse 7. Visão deficiente 8. Audição deficiente 9. Estado alcoólico 18 Figura 9 - Teste etilômetro. Fonte:paraiba.com.br IMPORTANTE! Conduzir, quando sentir-se sem condições físicas ou emocionais, põe em risco não só sua vida, mas a de todos os usuários do trânsito. ATENÇÃO: Não existe fórmula mágica para passar o sono (café, lavar o rosto, energético etc). 2.2 Definindo o Sinistro de Trânsito Como já vimos, Sinistro de Trânsito é evento que resulta em dano ao veículo ou à sua carga e/ou em lesões a pessoas ou animais e que pode trazer dano material ou prejuízo ao trânsito, à via ou ao meio ambiente, em que pelo menos uma das partes está em movimento nas vias terrestres ou em áreas abertas ao público. O sinistro é desencadeado por uma sequência de fatos críticos e circunstâncias que, cumulativamente, vão agravando perigos inerentes ao cotidiano do trânsito. Lembramos também que o importante não é saber quem é o culpado, mas sim o que poderia ter sido feito para evitar determinado sinistro. 2.3 Principais causas de sinistros de trânsito Excesso de velocidade; Dirigir sob efeito de álcool; Ultrapassagens mal realizadas; Não manter distância de segurança do veículo da frente; Desrespeito à sinalização 19 Figura 10 - Velocímetro em alta velocidade. Fonte: quatrorodas.com.br Aproximadamente 90% dos sinistros têm como causa a falha humana, e que, normalmente, recaí sobre três aspectos jurídicos que caracterizam a culpabilidade: Negligência, Imprudência e Imperícia, que já estudamos anteriormente. 2.4 Visão Periférica Observe a figura e veja a diferença que ocorre na redução da visão periférica quando você se desloca em alta velocidade. Quanto mais veloz, mais seu campo de visão reduz, entrando num efeito túnel, deixando de perceber, por exemplo, a presença de ciclistas e pedestres que trafegam pelas margens da via. Quanto maior for a velocidade, menor o campo de visão do condutor, trazendo, como consequência, sérios riscos à segurança. Figura 11 - Visão periférica x Velocidade. Fonte:ecribeiro.com 20 2.5 Ultrapassagens Figura 12 - Ultrapassagem proibida Fonte: G1.globo.com.br Onde houver sinalização proibindo a ultrapassagem, não ultrapasse! A sinalização é a representação da lei e foi implantada após estudos técnicos, que concluiu que naquele trecho não é possível a ultrapassagem, pois há perigo de sinistro. Para ultrapassar com segurança, antes de efetuar uma ultrapassagem, certificar-se de que nenhum condutor que venha atrás haja começado uma manobra para ultrapassá- lo, quem o precede na mesma faixa de trânsito não haja indicado o propósito de ultrapassar um terceiro e que a faixa de trânsito que vai tomar esteja livre numa extensão suficiente para que sua manobra não ponha em perigo ou obstrua o trânsito que venha em sentido contrário, indique com antecedência a manobra pretendida, acionando a luz indicadora de direção do veículo ou por meio de gesto convencional de braço. Nos declives, as velocidades de todos os veículos são maiores. Para ultrapassar, tome cuidado adicional com a velocidade necessária para a ultrapassagem. Outros veículos podem querer ultrapassá-lo, não dificulte a ultrapassagem, mantenha a velocidade do seu veículo, ou até mesmo reduza-a ligeiramente, se necessário. 2.6 Como Evitar Sinistros com Outros Veículos Existem procedimentos que, quando praticados conscientemente, ajudam a prevenir ou evitar sinistros. Você deve estar preparado em todos os momentos, para atitudes que ajudem na prevenção. Ver, pensar e agir com conhecimento, rapidez e responsabilidade, são princípios básicos de qualquer método de prevenção de sinistros. 21 2.7 Principais Colisões Colisão: Sinistro de trânsito em que um veículo em movimento sofre o impacto de outro veículo, também em movimento. (NBR/ABNT – 10697/20). 2.7.1 Colisão com o veículo da frente Acontece quando o condutor colide com o veículo que está imediatamente à sua frente, no mesmo sentido de direção. Você precisa ter tempo e espaço suficientes para realizar as manobras. Veja algumas dicas para você evitar a colisão com o veículo da frente: Esteja atento: Nunca desvie a atenção do que está acontecendo em volta e observe os sinais do condutor da frente, tais como luz de freio, luz indicadora de direção, sinalização com os braços, pois indicam o que ele pretende fazer. Cuidados com as distrações: manusear celular, multimídia etc. Controle da Situação: Procure ver além do veículo da frente para identificar situações que podem obrigá-lo a manobras bruscas sem sinalizar, verifique a distância e deslocamento também do veículo de trás e ao seu lado para poder tomar a decisão mais adequada, se necessário, numa emergência. Mantenha distância: Deve-se manter uma distância segura do veículo da frente, adotando - sempre que possível - a regra dos dois segundos ou do referencial fixo (que será visto a seguir). Lembre-se de que com a chuva ou pista escorregadia essa distância deve ser maior que em condições normais. Comece a parar antes: Se necessário, pise no freio imediatamente ao avistar algum tipo de perigo, mas pise aos poucos para evitar derrapagens ou parada brusca, pondo em risco os outros condutores na via. 22 2.7.2 Colisão com veículo de trás Uma das principais causas dessa colisão é motivada por motoristas que dirigem "colados" ao veículo da frente e que nem sempre se pode escapar dessa situação, principalmente em uma emergência. Outras causas são: Freadas bruscas; Falta de sinalização; Manobras inesperadas dos condutores do veículo da frente. A sua primeira atitude é livrar-se do condutor que o segue à curta distância, reduzindo a velocidade ou deslocando-se para outra faixa de trânsito mais à direita ou acostamento, levando-o a ultrapassá-lo com segurança. Veja algumas dicas para você evitar esse tipo de colisão: Planeje o que fazer: Não fique indeciso quanto ao percurso, entradas ou saídas que irá usar. Planeje antes o seu trajeto para não confundir o condutor que vem atrás com manobras bruscas. Sinalize suas atitudes: Informe através de sinalização correta (luzes do veiculo ou gestos do condutor) e dentro do tempo necessário o que você pretende fazer, para que os outros condutores também possam planejar suas atitudes. Certifique-se de que todos entenderam e viram sua sinalização. O condutor deve ficar atento aos retrovisores, para ter noção do comportamento do motorista de trás, que poderá estar muitas vezes no ponto cego do veículo. Pare aos poucos: Alguns condutores só lembram de frear após o cruzamento onde deveriam entrar. Isto é muito perigoso, pois obriga os outros condutores a frear bruscamente e nem sempre é possível evitar a colisão. Livre-se dos colados à sua traseira: Use o princípio da cortesia e favoreça a ultrapassagem dos "apressadinhos", mantendo sempre as distâncias recomendadas para sua segurança. 23 2.7.3 Colisão Frontal Figura 13 - Colisão frontal com viatura. Fonte: https://www.opopular.com.br Esse tipo de colisão é considerado um dos sinistros mais graves, pois o impacto sofrido é proporcional à soma das velocidades dos veículos envolvidos. A principal causa da colisão frontal é a ultrapassagem proibida, como em curvas e aclives. Em sua opinião quais as principais causas desse tipo de sinistro? Ultrapassagens feitas em desacordo com as medidas de segurança; Excesso de velocidade; Dormir ao volante; Problemas com o veículo; Distração do condutor; Ingestão de bebida alcoólica Veja algumas sugestões para evitá-las: Cuidado com as curvas: Velocidade, tipo de pavimento, ângulo da curva, condições do veículo e condutor são fatores que podem determinar a saída do seu veículo da sua faixa de direção, indo chocar-se com quem vem no sentido contrário, causando um sinistro grave. Em vias com duplo sentido de circulação e pista única, nos trechos em curvas e em aclives sem visibilidade suficiente, Não ultrapasse, (Art. 32 do CTB). mantenha-se atento. 24 Atenção nos cruzamentos: Estes sinistros também ocorrem nas conversões à direita ou esquerda, não observar o semáforo ou a preferência de passagem no local, assim como a travessia de pedestres pode ser determinante para o acontecimento do sinistro. Só realize a manobra de conversão com segurança e nos locais permitidos. Colisão nas ultrapassagens: São ocasionadas por ultrapassagens mal realizadas aliadas ao excesso de velocidade. Para evitar este tipo de colisão você deve: Ultrapasse apenas em locais permitidos, ficando atento às condições de segurança e visibilidade; A ultrapassagem deve ser realizada apenas pela esquerda, exceto quando o veículo a ser ultrapassado estiver sinalizando o propósito de entrar à esquerda (Art. 29, IX do CTB). Mantenha a distância do veículo da frente, para não perder o ângulo da visão. Checar os espelhos retrovisores, verificaros pontos cegos do veículo. Sempre sinalize, mostrando sua intenção. Evite ultrapassar em curvas, túneis, viadutos, aclives, declives, lombadas, cruzamentos e outros pontos que não ofereçam segurança na manobra. Colisão em cruzamentos: Nos cruzamentos, entradas e saídas de veículos são locais críticos onde também ocorrem sinistros. Para evitar este tipo de colisão, é necessário que você: Obedeça à sinalização. Respeite a preferência de quem transita por via preferencial, ou que já esteja transitando em rotatórias. Cuidado com as manobras de conversão, tanto à esquerda quanto à direita. Dê preferência aos pedestres e veículos não motorizados. 25 2.8 Como evitar sinistros com pedestres e outros integrantes do trânsito (motociclista, ciclista) 2.8.1 Atropelamento de Pedestre O pedestre é o usuário mais vulnerável da via, principalmente crianças, idosos e Pessoas com Deficiência. Como condutor defensivo a regra é ser cuidadoso com o pedestre e dar-lhe sempre o direito de passagem, principalmente nos locais adequados (faixa ou passagem, área de cruzamento, área escolar). Veja algumas ações preventivas para evitar atropelamentos: 1. Respeitar os limites de velocidade. 2. Obedecer aos sinais luminosos, principalmente não avance os sinais vermelhos. 3. Parar ou reduzir a velocidade antes das faixas de pedestres. 4. Reduzir a velocidade em locais com movimento de pedestres, mesmo que a via esteja livre. Mais atenção ainda ao passar por locais próximos a escolas, hospitais, praças, shopping centers, estacionamentos e áreas residenciais. 5. Ter atenção especial nas paradas de ônibus, pois o pedestre pode tentar atravessar a via pela frente do mesmo, repentinamente. 6. Fique atento! Pois o pedestre pode aparecer de forma repentina. Tenha atenção especial para com idosos e Pessoas com Deficiência. Lembrando que as crianças podem correr atrás de bolas, pipas ou animais de estimação. 7. Redobre o cuidado e manobre devagar caso seja preciso dar marcha à ré em garagens ou em locais com crianças, tais como praças, escolas, áreas residenciais. Por terem baixa estatura, as crianças ficam fora do campo visual e dos espelhos retrovisores. Considerar o ponto cego. IMPORTANTE: O dano causado ao pedestre sempre é maior por ele não ter o veículo para protegê-lo. O homicídio culposo na direção de veículo automotor (Art. 302 do CTB), lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (Art. 303 do CTB) ou deixando o condutor do veículo, na ocasião do sinistro, de prestar imediato socorro à vítima (Art. 304 do CTB) são configurados como crimes de trânsito. E ocorrendo o sinistro sobre faixa de 26 trânsito temporária ou permanentemente destinada a pedestres é uma circunstância que sempre agrava as penalidades dos crimes de trânsito (Art. 298 do CTB). 2.8.2 Atropelamento de Animais Figura 14 - Atropelamento de Animal. Fonte:tvmarioprata.com.br Os atropelamentos de animais estão entre as principais causas de morte de animais silvestres no Brasil, muitos condutores e/ou passageiros também são vítimas, inclusive fatais, em virtude desse tipo de sinistro, principalmente quando ocorre com animais de maior porte como o caso de bovinos, equinos, por exemplo. Fique atento e dirija com cuidado nas estradas e rodovias, principalmente à noite, pois podem surgir animais na via. Ocorre com mais frequência nas zonas rurais, pois os animais muitas vezes invadem a estrada ou rodovia. Portanto, assim que perceber qualquer animal na via, reduza a marcha até que o tenha ultrapassado e evite usar a buzina, pois poderá assustá-lo e fazer com que se volte contra o veículo. A luz, às vezes, cega momentaneamente o animal e o impede de sair da via para que você o passe. Mantenha sempre a calma, analise a situação e tome a melhor atitude para o momento. Se possível, auxilie na retirada destes, caso contrário, informe ao órgão competente. 2.8.3 Colisão com Ciclistas O ciclista com o seu veículo não motorizado é frágil e vulnerável. Além de que, tem a preferência sobre os veículos motorizados (Art. 29. XIII, § 2º do CTB). Para evitar que você se envolva nesse tipo de sinistro, fique atento, olhe constantemente para os retrovisores, tendo cuidado com os pontos cegos do veículo, anunciando sua presença com leves 27 toques na buzina. Ter especial atenção à noite, pois muitos não usam os refletivos previstos na legislação. Certifique-se de que o ciclista viu e entendeu sua sinalização, mantenha distância e cuidado ao efetuar manobras ou abrir a porta do veículo. Lembre-se que os veículos motorizados são responsáveis pelos não motorizados. 2.8.4 Colisão com Motociclistas O motociclista conduz um veículo motorizado, possuindo direitos e deveres como qualquer outro condutor. Muitos Motociclistas costumam ter comportamentos que põem em risco a segurança do trânsito e dos usuários da via. É importante lembrar que os sinistros envolvendo motociclistas geralmente possuem consequências trágicas, devido à sua fragilidade. Por isso aumente a distância de seguimento, facilite a ultrapassagem e esteja atento aos pontos cegos do veículo. Para refletir... Leia a decisão judicial a seguir, proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, e reflita sobre a importância da direção defensiva na condução de veículos de emergência: TJ-RS – Apelação Cível AC 70065441719 RS (TJ-RS) Data da publicação: 02/03/2016 Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL EM ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE AUTOMÓVEL E VIATURA POLICIAL EM CRUZAMENTO SINALIZADO POR SEMÁFORO. Responsabilidade do ente público configurada, pois evidenciado que o sinistro ocorreu porque o condutor da viatura ingressou em cruzamento sinalizado por semáforo sem adotar as cautelas indispensáveis para a realização do intento. A prioridade de passagem conferida a automóveis em socorro não é absoluta, exigindo-se condutor cautela, em especial quando efetua cruzamentos sinalizados por semáforos (art. 29, VIII, d, do CTB). 28 Aula 03: A Importância do Comportamento seguro na Condução dos Veículos de emergência 3.1 O comportamento seguro no trânsito Como vimos, existem vários tipos de colisões que podem acontecer com o veículo, e os comportamentos perigosos dos condutores nas vias também são bem variados, mas o fator mais comum nos sinistros é não ter conseguido desviar ou parar a tempo o seu veículo, evitando a colisão. Já sabemos da importância fundamental do aprimoramento dos motoristas para o comportamento seguro no trânsito, então agora veremos algumas ações que tornam o trânsito mais seguro. Como parar: O condutor defensivo deve conhecer os tipos de paradas do veículo, tempo e distância necessários para cada uma delas a fim de evitar sinistros. Figura 15 - Imagem Distância de Seguimento. FONTE: DETRAN PR. Distância de Seguimento: é a distância entre seu veículo e o que segue à frente, de forma que você possa parar mesmo em uma emergência, sem colidir com a traseira do outro. Distância de reação: é aquela que seu veículo percorre desde a percepção do perigo até o momento em que pisa no freio. Distância de frenagem: é aquela que o veículo percorre a partir do momento em que o sistema de freio é acionado até a parada total do veículo. 29 Distância de parada total: é aquela que o seu veículo percorre desde a percepção do perigo até parar, ficando a uma distância segura do outro veículo, pedestre ou qualquer objeto na via. Distância de Reação + Distância de Frenagem = Distância de Parada Total. Distância Segura: Para você saber se está a uma distância segura dos outros veículos, vai depender do tempo (sol ou chuva), da velocidade, das condições da via, dos pneus e do freio do veículo, da visibilidade e da sua capacidade dereagir rapidamente, porém, para manter uma distância segura entre os veículos, você poderá utilizar a "Regra dos dois segundos ou a regra do referencial fixo". Procedimentos: Figura 16 - Imagem Regra dos Dois Segundos. FONTE: DETRAN PR. Observe a via à sua frente e escolha um ponto fixo de referência (à margem) como uma árvore, placa, poste, casa, etc. Quando o veículo que está à sua frente passar por este ponto, comece a contar pausadamente: “cinquenta e um, cinquenta e dois”. (mais ou menos dois segundos). Se o seu veículo passar pelo ponto de referência antes de terminar a contagem de dois segundos (cinquenta e um, cinquenta e dois), você deve diminuir a velocidade para aumentar a distância e ficar em segurança. Se o seu veículo passar pelo ponto de referência após você terminar a contagem dos dois segundos, significa que a sua distância é segura. Este procedimento ajuda você a manter-se longe o suficiente dos outros veículos em trânsito, possibilitando fazer manobras de emergência ou paradas bruscas necessárias, sem o perigo de uma colisão com o veículo da frente. Para veículos com mais de 06 metros de comprimento, ou sob chuva, aumente o tempo de contagem: “cinquenta e um, cinquenta e dois, cinquenta e três”. 30 IMPORTANTE: Evite colisões, mantendo distância segura. 3.1.1 Cinto de segurança Outro comportamento seguro no trânsito é a correta utilização do cinto de segurança, além de fazer parte dos equipamentos obrigatórios (Art. 105. I do CTB), é um dispositivo que garante a sua segurança em caso de sinistros. Seu uso nas vias urbanas e rurais é exigido a todos os ocupantes do veículo. Conforme o Art. 65 do CTB é obrigatório o uso do cinto de segurança para condutores e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações regulamentadas pela CONTRAN. 3.1.2 Encosto de cabeça Proteção obrigatória para os assentos do condutor e passageiros (Art. 105. I do CTB). Sua altura deve estar acima de seus olhos e a distância não deve ser maior do que 7 centímetros. É necessário para proteger o pescoço, em caso de colisões com veículos de trás. Deve ser regulado na altura das orelhas e não da nuca, prevenindo o condutor do chamado “Efeito Chicote”. 3.2 Comportamento de Risco no Trânsito Além de tudo que já vimos para evitar sinistros, ainda existem alguns comportamentos que são causadores de situações perigosas ao conduzir veículos nas vias. 3.2.1 Colisão em marcha à ré Por ser considerada uma manobra perigosa e uma infração de trânsito (Art. 194), deve ser evitada sempre que possível e muita atenção quando realizá-la, observando as medidas de segurança, principalmente em locais de grande movimentação ou onde circulem veículos e pedestres. 31 Devem-se tomar algumas precauções ao realizar manobras em marcha à ré, a fim de evitar colisões: A marcha à ré deve ser utilizada em pequenas manobras. Verificar o espaço da manobra e a ausência de qualquer tipo de obstáculo; Não dar ré em esquinas e outros lugares de pouca visibilidade; Evitar sair de ré de garagens e estacionamentos; Ter cuidado com crianças, animais e objetos. 3.2.2 Pontos Cegos As seis colunas de sustentação do teto do veículo encobrem a visão do motorista, quando ele vai realizar algumas manobras, diminuindo seu campo de visão, como por exemplo, a mudança de faixa na via. Os retrovisores externos, esquerdo e direito, devem ser ajustados de maneira que você, sentado na posição de direção, veja o limite traseiro do seu veículo e com isso reduza a possibilidade de “pontos cegos” ou sem alcance visual. Se não conseguir eliminar esses “pontos cegos”, antes de iniciar uma manobra, movimente a cabeça ou o corpo para encontrar outros ângulos de visão pelos espelhos externos, ou por meio da visão lateral. Fique atento também aos ruídos dos motores dos outros veículos e só faça a manobra se estiver seguro de que não irá gerar perigo ou ocasionar sinistros. Figura 17 - Ponto cego no veículo. Fonte: Idetran. 32 3.3 Estado físico e mental do condutor, consequências da ingestão e consumo de bebida alcoólica e substâncias psicoativas Ingerir bebida alcoólica ou usar drogas, além de reduzir a concentração, afeta a coordenação motora, muda o comportamento e diminui o desempenho, limitando a percepção de situações de perigo e reduzindo a capacidade de ação e reação. 3.3.1 Bebida Alcoólica O álcool etílico é considerado uma substância psicoativa (droga) e, como tal, é a de maior consumo no Brasil. A bebida alcoólica é responsável por cerca de 75% dos sinistros com vítimas fatais. Figura 18 - Uso de Álcool e direção Fonte: http://portaldotransito.com.br A bebida alcoólica interfere, tumultua e destrói a organização funcional do corpo humano, de modo traiçoeiro e muitas vezes irreversível. Quando se está em jejum, a bebida alcoólica chega ao estômago sendo rapidamente absorvida e transportada para a corrente sanguínea. O processo é mais lento quando há ingestão de alimentos. (SENAI/ FIERGS, 1995) Esta dosagem alcoólica distribui-se uniformemente em todos os órgãos e líquidos orgânicos, mas, principalmente no cérebro, criando um falso senso de autoconfiança, reduzindo o campo de visão, alterando a audição, a fala e o senso de equilíbrio. (SENAI/FIERGS,1995). Quando chega ao estômago, o álcool é rapidamente absorvido e transportado para a corrente sanguínea. A dosagem alcoólica distribui-se por todos os órgãos e líquidos orgânicos, mas concentra-se elevadamente no cérebro. O processo de absorção do álcool no organismo é rápido (90% em 1 hora), porém a eliminação total é lenta, processo que 33 demanda de 6 a 8 horas e não pode ser acelerado por exercícios físicos, café forte, banho frio ou remédios. Esses recursos populares conseguem apenas transformar um ébrio sonolento num bêbado bem acordado. A atuação do álcool afeta completamente nossa capacidade de condução de veículos, pois deprime os centros de controle do cérebro, levando às seguintes consequências: Diminuição da Capacidade de Reação: causa depressão e pode levar o condutor a um estado de relaxamento com retardamento dos seus reflexos. Redução de Inibição: os efeitos do álcool tendem, em princípio, eliminar nossa inibição. Assim, a habilidade de controlar as más condições de trânsito torna-se quase inexistente. Debilitação do Controle Neuromuscular: o condutor não pode dividir sua atenção satisfatoriamente depois de uma pequena dose de bebida alcoólica. A habilidade de mudar a atenção de um acontecimento para outro, ou de fazer duas coisas de uma só vez (que é exigida para uma direção segura) torna-se, em grande parte, reduzida. Dificuldade de Visão: o motorista não pode julgar corretamente a velocidade de seu veículo ou dos outros, nem a que distância se encontra em relação a outros veículos. 3.3.2 Substâncias Químicas ou Remédios O consumo de algumas substâncias afeta negativamente o nosso estado físico e mental e nosso modo de dirigir. Alguns remédios usados, mesmo por recomendação médica, alteram nosso estado geral prejudicando nosso desempenho ao volante. Evite tomá-los, ou evite dirigir após o seu uso. EX.: Remédios para emagrecer; calmantes ou antialérgicos; Drogas para manter-se acordado (Rebite). Figura 19 - Substâncias químicas. Fonte: blogdocaminhoneiro 34 Todos os tipos de drogas são proibidos ao volante, inclusive o álcool, pois afetam o nosso raciocínio lógico e o desempenho normal de nossas funções físicas e mentais. Muitas drogas podem ser fatais, principalmente quando associadas a bebidas alcoólicas. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência é configurado crime de trânsito previsto no Art. 306. do CTB.3.3.3 O Estado físico e mental Preocupações, aborrecimentos e temperamento agressivo são causas frequentes dos sinistros de trânsito. Sob estado de tensão emocional do condutor, o veículo passa a ser manobrado e usado como arma pessoal, ampliando o perigo da velocidade e do peso para si e para os outros usuários da via. FINALIZANDO Neste módulo, você estudou que: • A estrutura viária brasileira não acompanhou o crescimento da frota de veículos e com isso grandes problemas, como congestionamentos e sinistros, surgiram. Como servidor público, condutor de veículo de emergência, e como cidadão, você pode contribuir para minimizar esse grave problema, sendo um exemplo de condutor e um multiplicador da prática da direção defensiva, visando tornar o trânsito de sua cidade mais seguro e humanizado. • Colocando em prática as técnicas de um condutor defensivo, você estará contribuindo para minimizar as chances de envolver-se em sinistros. Viu alguns erros que devem ser evitados no trânsito e como é importante aplicar os elementos da direção defensiva, pois é primordial para sua própria segurança e a de sua equipe, bem como para a sociedade em geral. • Que é necessário um cuidado especial para dirigir sob uma condição adversa. Você viu algumas medidas que podem ser adotadas para superar essa condição, e, certamente, você está mais confiante para enfrentar essas situações com segurança. • Que a prioridade no trânsito dos veículos de emergência é relativa e não absoluta, que as suas condutas na direção do veículo de emergência devem respeitar as mais elementares normas de trânsito. Você tem uma importante tarefa no desempenho de sua 35 profissão: servir à sociedade. Não coloque em risco a sua vida, a de sua equipe e as das demais pessoas no trânsito, lembre-se em casa tem uma família a sua espera! EXERCÍCIOS EXERCÍCIOS DE DIREÇÃO DEFENSIVA 01 - Dentre as principais causas de sinistros, podemos destacar as falhas humanas que são a imperícia, a imprudência e a negligência. O sinistro ocorre por imprudência quando o condutor: A - Avança o sinal vermelho. B - Desconhece as regras de circulação. C - Conduz o veículo que apresente equipamento obrigatório inoperante. D - Realiza a manutenção do veículo. E - Pratica direção defensiva. 02 - Com relação à direção defensiva, as condições adversas da via incluem. I ventos laterais. II ofuscamento causado pela luz solar. III queda de barreiras. IV buracos na pista. A quantidade de itens certos é igual a: A - 1. B - 2. C - 3. D - 4. E - 0. 03 - São elementos da direção defensiva, Exceto: A - Conhecimento; B- Atenção; C - Previsão; D - Decisão; E - Autoconfiança. 36 04 - Direção Defensiva é dirigir de modo a evitar sinistros apesar dos erros dos outros e das condições adversas enfrentadas, como os descritos abaixo: I - Luz. Exemplos: sol, farol alto. II - Tempo. Exemplos: neblina, chuva, sol, vento. III - Via. Exemplos: falta de acostamento, buraco, falta de sinalização. IV - Trânsito. Exemplos: sinistros, falta de transporte coletivo, reflexos. V - Veículo. Exemplos: amortecedores, pneus, freio. VI - Motorista. Exemplos: drogas, cerração, sono. Dentre as condições apresentadas, apenas: A - I, II, III, V e VI estão corretas. B - II, IV e VI estão incorretas. C - II, IV, V e VI estão corretas. D - III, V e VI estão incorretas. E - I, II, III e IV estão corretas. 05 - Dirigir defensivamente é reconhecer os possíveis imprevistos e procurar evitá-los a tempo de se proteger. Portanto, é melhor deixar que as condições mostrem como se deve dirigir. Das alternativas abaixo, assinale a alternativa que corresponde aos elementos da prevenção de sinistros: A - Conhecimento, Atenção, Previsão, Decisão e Habilidade. B - Homem, Via e Veículo. C - Imperícia, Imprudência e Negligência. D - Ergonomia, Automatismo e Atos inseguros do motorista. E - Atenção fixa, Dispersiva e Difusa. 06 - Em Direção Defensiva, a técnica de manter a regra dos dois segundos, (51, 52) ou (1001, 1002), é para evitar uma colisão. A - Misteriosa. B - Com o veículo na curva. C - Com o veículo da frente. D - Com o veículo em sentido contrário. E - No cruzamento. 37 07 - Ao analisar o desenvolvimento das condições de trânsito com bastante antecedência, e os riscos a que está sujeito, o condutor do veículo pratica a direção defensiva. A capacidade de manejar os controles do veículo e de executar perfeitamente as manobras necessárias corresponde ao seguinte aspecto da direção defensiva: A - Conhecimento B - Atenção C - Previsão D - Decisão E - Habilidade 08 - Dirigir defensivamente é evitar sinistros ou diminuir as consequências de um sinistro inevitável. Os sinistros geralmente são causados pela combinação de diversos fatores, como: I. Excesso de velocidade. II. Desrespeito à sinalização. III. Falta de habilidade para conduzir com segurança. IV. Negligência na avaliação das condições adversas. V. Erro na previsão das ações de outros motoristas. Estão corretas apenas as alternativas: A. I, II, III B. I, IV, V C. II, III, V D. I, II, III, IV E. I, II, III, IV, V 09 - A ultrapassagem é uma das causas mais comuns de sinistros graves em rodovias. Para evitar essa ocorrência, uma das ações defensivas a ser realizada pelo condutor do veículo que está sendo ultrapassado é: A - Acionar a seta para a esquerda, indicando ao veículo que está ultrapassando que deve fazê-lo, se o desejar, pelo lado direito. B - Aumentar a velocidade do seu veículo para evitar a ultrapassagem porque, à frente, há uma curva à esquerda. C - Colaborar com o condutor do veículo que está ultrapassando, facilitando-lhe a manobra e sinalizando para ajudá-lo. D - Diminuir a distância para o veículo da frente, de modo que o condutor que está ultrapassando entenda que não vai ser possível retornar à sua pista. E - Permitir a ultrapassagem sem intervir, deixando a cargo do condutor do veículo que está ultrapassando a responsabilidade pelo resultado da ação. 38 10 - Para transpor um trecho de rodovia alagado à sua frente o condutor deve: A - Engatar a primeira marcha, manter o carro acelerado e regular a velocidade com a embreagem. B - Acelerar fundo e ao chegar ao trecho alagado colocar o câmbio em ponto morto. C - Acelerar fundo e entrar no trecho alagado em alta velocidade. D - Reduzir para a segunda marcha e entrar no trecho alagado em alta velocidade. E - Entrar no trecho alagado com o carro acelerado, colocar o câmbio em ponto morto e em seguida frear bruscamente. 11 - Distâncias que devem ser observadas ao trafegar em uma rodovia são denominadas: A - Rolamento, segurança, preventiva e reação. B - Seguimento, parada, reação e frenagem. C - Segurança, cautela, freada e parada. D - Seguimento, segurança, frenagem e ação. E - Rolamento, segurança, cautelosa e preventiva. 12 - Antes de iniciar uma ultrapassagem todo conduto deverá se certificar que: I - Nenhum condutor que venha atrás haja começado uma manobra para ultrapassá-lo; II - Quem o precede na mesma faixa de trânsito não haja indicado o propósito de ultrapassar um terceiro; III - A faixa de trânsito que vai tomar esteja livre numa extensão suficiente para que sua manobra não ponha em perigo ou obstrua o trânsito que venha em sentido contrário; Está Correto os Itens em: A - Apenas em I. B - Apenas em I e III. C - Apenas em II e III. D - Todas estão corretas. E - Todas estão incorretas. 13 - Pode-se afirmar que a "Aquaplanagem" ou "Hidroplanagem", muito discutida em Direção Defensiva é: A - A falta de contato do pneu com o solo, em dia de chuva. B - A forma correta de dirigir, aumentando a velocidade. C - O aumento de contato do pneu com o solo, quando a velocidade aumenta. D - O acúmulo de ar no sistema de freio hidráulico dos veículos equipados com freio "ABS". E -A falta de estabilidade quando a pista está muito seca. 39 14 - São exemplos de erros que devem ser evitados no trânsito, EXCETO: A - Infrações de trânsito. B - Abuso do veículo. C - Atenção difusa. D - Atraso de horário. E - Descortesia. 15 - Quando dizemos que, “Apesar do condutor fazer tudo para evitar o sinistro, ele ocorre”. Ocorreu um(a): A – Sinistro de Trânsito. B – Sinistro evitável. C - Infração de trânsito. D – Sinistro inevitável. E – Sinistro de percurso. GABARITO 01 02 03 04 05 A B E B A 06 07 08 09 10 C E E C A 11 12 13 14 15 B D A C D REFERÊNCIAS BRASIL. LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9503.htm. Acesso em: 13/07/2023 BRASIL. Resoluções – CONTRAN - Ministério dos Transportes. Disponível em: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/transito/conteudo-Senatran/resolucoes- contran. Acesso em: 15/07/2023 BRASIL. SENASP-MJ – Secretaria Nacional de Segurança Pública – Ministério da Justiça. Curso de Condutores de Veículo de Emergência, Módulo II, Ciclo 41, 2017. Acesso em: 01/11/2017. 40 CEARÁ. DETRAN CE - Departamento Estadual de Trânsito do Ceará. Disponível em: portal.detran.ce.gov.br/. Acesso em: 01/11/2017. PARANÁ. DETRAN PR - Departamento Estadual de Trânsito do Paraná. Disponível em: http://www.detran.pr.gov.br/arquivos/File/habilitacao/manualdehabilitacao/manualdeha bparte6.pdf. Acesso em: 01/11/2017. PERNAMBUCO. DETRAN PE - Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco. Disponível em: http://www.detran.pe.gov.br/index.php?option=com_content&id=374. Acesso em: 01/11/2017. SÃO PAULO. DETRAN SP - Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo. Disponível em: https://www.detran.sp.gov.br/wps/wcm/connect/5b1f94c7-ee70-43a2-9789- 5cd219e6f895/DIRECAO_DEFENSIVA16112010+e+detran.pdf?MOD=AJPERES&CVID=klHe dCU. Acesso em: 01/11/2017. SILVA, Fábio G. Sobreira, CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO COMENTADO E ANOTADO, São Paulo: Clube de Autores, 2ª Edição, 2017, pág. 80. NEVES, Afrânio; SILVA, Saulo. SINISTRO DE TRÂNSITO O manual do policial rodoviário no atendimento a ocorrência de acidente de trânsito. Fortaleza: DINCE, 2021. REFERÊNCIAS NA WEB. ABRAMET. Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. Disponível em: <https://www.abramet.com.br/noticias/abnt-muda-terminologia-e-adota-a-expressao- sinistro-de-transito-para-qualificar-incidentes-no-trafego/>. Acesso em: 13 jul. 2023 ONSV. Observatório Nacional de Segurança Viária. Estimativa dos custos associados aos acidentes de trânsito - projeção 2018-2027. Disponível em: <https://www.flipsnack.com/observatorio/relat-rio-custos-da-mortalidade.html> Acesso em: 13 jul. 2023 ONSV. Observatório Nacional de Segurança Viária. 20 anos do CTB - Acidentes de Trânsito custam R$ 36 Bilhões/ano. Disponível em: <https://www.flipsnack.com/observatorio/release_20_anos_ctb.html> Acesso em: 13 jul. 2023 41 SEPARATA Revisão da apostila disciplina de Direção Defensiva (15h/a) para o Curso de Condutores de Veículo de Emergência - CCVE/AESP- CE/2023. A revisão da presente apostila atende o disposto no Item 6.4.3.2, Módulo II - Direção Defensiva - 15 horas-aula, do ANEXO II da RESOLUÇÃO Nº 789/20 do CONTRAN que consolida normas sobre o processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos. Em conformidade com a NBR/ABNT 10.697/20 que define os termos técnicos utilizados na preparação e execução de pesquisas relativas a sinistros de trânsito e na elaboração de relatórios estatísticos e operacionais. LEI Nº 9.503/97 que Institui o Código de Trânsito Brasileiro, atualizada até Julho de 2023. Foi realizada a substituição de todas as expressões "acidente de trânsito" por "sinistro de trânsito", em conformidade com a NBR/ABNT 10.697/20 e Lei 14.599/23, que alterou o CTB. Até então a expressão era inexistente no Código de Trânsito Brasileiro, porém com a alteração do CTB passou a incorporar a definição já prevista na Norma Brasileira da Associação Brasileira de Normas Técnicas n. 10.697/20, ao todo foram alteradas/corrigidas 94 expressões na apostila. SINISTRO DE TRÂNSITO - evento que resulta em dano ao veículo ou à sua carga e/ou em lesões a pessoas ou animais e que pode trazer dano material ou prejuízo ao trânsito, à via ou ao meio ambiente, em que pelo menos uma das partes está em movimento nas vias terrestres ou em áreas abertas ao público. Atualizações/Correções: Na Lista de Siglas e Abreviaturas: Foi atualizado o Órgão "DENATRAN" para SENATRAN - Secretaria Nacional de Trânsito, conforme Decreto Nº 10.788/21. pág. 06 42 O Sistema Nacional de Trânsito agora integra o Ministério dos Transportes, não mais o Ministério das Cidades; DENATRAN foi corrigido para SENATRAN (Decreto Nº 10.788/21); Atualizado os dados da frota de veículos no Brasil (Primeiro semestre 2023); Foi substituída a expressão "acidente de trânsito" por "sinistro de trânsito" e corrigida sua definição (NBR/ABNT 10.697/20 e Lei 14.599/23). Pág. 08 - (Item 1.3) Realizada a atualização dos dados dos números de sinistros de trânsito no Brasil e dos gastos deles decorrentes. Pág. 09 - (Item 1.3) Realizado ajustes nas definições dos elementos Básicos da Direção Defensiva. Pág. 10. - (Item 1.4) Realizado ajustes nas orientações para evitar o ofuscamento. Pág. 16 - (Item 2.1) Realizado ajustes nas orientações para evitar a aquaplanagem; Retirado o link para vídeo sobre aquaplanagem; Realizado ajustes nas condições adversas das vias de trânsito; Realizado ajustes nas condições adversas do veículo. Pág. 18 - (Item 2.1) Corrigida a definição de Sinistro de Trânsito. Pág. 21 - (Item 2.2) Realizado ajustes nas orientações para realizar uma ultrapassagem (Art. 29, XI, a, do CTB) (Item 2.5); Atualização na definição de Colisão (NBR/ABNT – 10697/20) (Item 2.7); Ajustes nas orientações para evitar Colisão com o veículo da frente (Item 2.7.1). Págs. 23 e 24 Realizado ajustes em Colisão frontal (Art. 32 do CTB) (Item 2.7.3); Ajustes em Cuidado com as curvas. Pág. 26 Realizado ajustes em Colisão nas ultrapassagens (Art. 29, IX do CTB); Colisão em cruzamentos; Retirada da definição de colisão misteriosa (Desacordo com NBR/ABNT 10697/20); Realizado ajustes em Atropelamento de Pedestre (Item 2.8.1); Realizado ajustes em Atropelamento de Animais (Item 2.8.2). Págs. 28 e 29 43 Realizado ajustes em Colisão com Ciclistas (Item 2.8.3); Realizado ajustes em Colisão com Motociclistas (Item 2.8.4). Pág.30 Realizado ajustes em Item 3.1.1 Cinto de segurança; Realizado ajustes em Item 3.1.2 Encosto de cabeça; Realizado ajustes em Item 3.2.1 Colisão em marcha à ré. Pág.33 Realizado ajustes em Item 3.2.2 Pontos Cegos; Item 3.3.1 Bebida Alcoólica. Pág.34 Realizado ajustes em Item 3.3.2 Substâncias Químicas ou Remédios; Retirado o link do vídeo Pateta no Trânsito do Item 3.3.3; Realizado ajustes em O Estado físico e mental. Pág. 34 Realizada atualização nas Referências Bibliográficas.