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Do original em língua inglesa
PRACTICAL KABBALAH — A GUIDE TO JEWISH WISDOM FOR EVERYDAY
LIFE
© Direitos para a língua portuguesa adquiridos pela Editora Maayanot que se reserva
a propriedade desta tradução.
 
 
Tradução:
Sergio M. Cernea
Revisão dos originais:
Miriam Pomeroy
Revisão de conteúdo:
Rabino Aharon Chamovitz
Apoio:
Cia. Suzano de Papel e Celulose
Cyrela Empreendimentos Imobiliários — Brazil Realty
Produção do e-book:
Schaffer Editorial
 
 
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia, por escrito, da
Editora.
1ª edição versão digital (formato ePub)
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Wolf, Laibl
 Cabalá Prática : um guia da sabedoria judaica para o dia-a-dia / Laibl Wolf ;
tradução Sergio M. Cernea. — S. Paulo : Maayanot, 2003.
 recurso digital
 
 Formato: ePub
 Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions
 Modo de acesso: World Wide Web
 Título original: Practical Kabbalah : a guide to jewish wisdom for everyday life
 
 ISBN 978-85-7903-088-8
 
 1. Cabala 2. Judeus — Gênero de vida 3. Sefirot (Cabala) I.Título.
 
03-4550 CDD-296.712
http://www.studioschaffer.com
Índices para catálogo sistemático:
1. Cabala : Sabedoria judaica para o dia-a-dia : Judaísmo 296.712
 
 
 
 
EDITORA MAAYANOT
Presidente
Elie Horn
Editor Responsável
Rab. Y. David Weitman
Editor Adjunto
Rab. Levi Weitman
Produção Editorial
Michoel Regen
Coordenação
Ina Brugnara
Rua Talmud Torá, 119 - CEP 01126-020
Tel.: 3334-2976
Bom Retiro - São Paulo, SP
contato@maayanot.com.br
www.maayanot.com.br
mailto:contato@maayanot.com.br
http://www.maayanot.com.br
À minha mãe, Pearl Rivka (Regina) Wolf — que a sua
alma siga sempre se elevando no Éden a alturas cada
vez maiores.
E ao meu pai, Pinchos Wolf — que ele possa continuar
em sua liderança e aprendizado judaico até os 120
anos, e mais.
Índice
Agradecimentos
Prefácio da Edição Brasileira
Introdução
Primeira Parte: O MOVIMENTO DO ESPÍRITO
1. Abraão — O Místico Rebelde
2. A Planta do Cosmos
3. Quem São os Cabalistas?
Segunda Parte: OS FLUXOS DA MENTE E EMOÇÃO
4. As Dez Sefirot
5. Chochmá: A Varinha Mágica
6. Biná: Mudando o Padrão do Pensamento
7. Daat: A Mente Crente
8. Chéssed: Destrancando o Fluxo do Amor
9. Guevurá: Aumentando a Força Interior
10. Tiféret: Desenvolvendo um Coração Sábio
11. Netsach: Iniciando Relacionamentos Significativos
12. Hod: Criando Empatia
13. Yessod: Encontrando Uma Verdadeira União
14. Malchut: Dentro do Mundo
Conclusão
Glossário
Sobre o Autor
Agradecimentos
São inúmeras as pessoas que contribuíram para a realização desta
obra, e às quais sou muitíssimo grato. Ainda assim, seria imperdoável se
eu não externasse, publicamente, o meu particular agradecimento às
seguintes pessoas, cujo apoio e incentivo sempre foram uma verdadeira
fonte de inspiração. Àqueles que ajudaram na construção dos alicerces
da minha fé: meu mestre e professor: o Lubavitcher Rebe, Rabi
Menachem M. Schneerson, de abençoada memória; meu mentor
espiritual, Rabi Shneur Zalman Serebryanski, de abençoada memória;
meus pais — Reb Pinchos e Regina Wolf –, que possam ambos viver
por muitos anos e em saúde plena; meu irmão, Don, cuja perspicácia e
sensibilidade sempre me foram de grande ajuda. Meus sinceros
agradecimentos a Emanuel Althaus, Morry Fraid, Efrem Harkham,
Lynette e Menachem Joel, Eric Kornhauser, Moni Liberman, Garth
Symond e Jeffrey Weiss, que, através de sua bondade e generosidade,
tornaram possível e viabilizaram a existência deste livro. A Adrienne
Weis, da Adrienne Weiss Corporation, que sempre se empenhou em
dedicar-me os seus conselhos e a sua amizade; e a Julie Frank, da Fifty
Plus Expo, que foi quem tirou este projeto do papel e foi de
indispensável ajuda, tanto quanto foi a energia e a exuberância de
Roselyn Consentino. Meu agradecimento ao meu agente literário, Frank
Waiman, do The Literary Group, sem o qual este livro não teria sido
publicado. Meu sincero agradecimento à especial equipe da Random
House: Laura Wood, que foi tão paciente com um autor debutante; e
Doug Pepper, com quem, graças a uma pronta simbiose, imbuiu-me da
confiança numa grande editora; Jéssica Schulte, que conduziu a obra
até a sua conclusão; Brian Belfiglio e Ari Gersen, cujos dotes de
conseguir transformar o desconhecido em conhecido, também foram de
grande importância para a realização desta obra; e Jim Walsh, por seu
esmero e cuidado na estética e no estilo deste livro. Igualmente, o meu
agradecimento a Judith Estrine, cujo talento em reformular as minhas
freqüentemente confusas sentenças e precária gramática em algo que o
leitor pudesse ler com lucidez e facilidade foi de muita importância.
Quero, também, agradecer a alguns amigos especiais — amigos estes
tão preciosos quanto pérolas — Nachman e Ilana Guriel, que
mantiveram a minha forma física; e a uma pessoa muito especial, cuja
amizade tenho apreciado desde o primeiro ano de escola quando nos
encontramos pela primeira vez — Arnold Rosenbaum. A administração
do The Human Development Institute, que eu fundei, tem estado nas
competentes mãos de um talentoso e esperto australiano, Rabi Moshe
Raitman, que tem sido o principal responsável pelo sucesso de minhas
diversas viagens de palestras, habilmente assistido pelo muito especial
Mordechai Smith. Em tempos em que a informação se torna cada vez
mais democrática e acessível, os gerenciadores de páginas na Web
(Internet) têm uma particular importância em “espalhar as palavras”.
Minha gratidão a Moshe Merwitz e Isroel Meyer, por sua generosidade e
experiência.
Acharon acharon chaviv — por fim, o mais querido de todos. A
minha querida esposa Leah e aos meus filhos, Olamit, e meu genro Eli,
Yaakov e minha nora Daniella, Devorah e meu genro Abba, Moshe,
Menachem, Chaya, e Yisroel. Algumas vezes vocês tiveram um marido
e um pai ausente. E, por isso, a vossa grandeza individual é um tributo
aos vossos próprios dons. Minha gratidão por vossa compreensão e por
serem tão adoráveis.
Ao Criador, por proporcionar-me uma vida plena de realizações e
tantas oportunidades maravilhosas de crescer, de descobrir, e de
compartilhar com os outros.
Prefácio da Edição Brasileira
A Cabalá é o conhecimento esotérico da Torá. De acordo com a
tradição judaica, D’us outorgou o conhecimento Divino (a Torá) no
Monte Sinai, há mais de 3.300 anos, juntamente com as diversas
formas de interpretação. Enquanto que as interpretações literais (Pshat),
homiléticas (Midrash) e legislativas (Halachá) eram de domínio de todos
os judeus — inclusive os mais simples —, a interpretação mística (Sod,
Chochmat Hanistar, Cabalá) só pertencia a uma elite. E assim ela foi
transmitida de geração em geração para alguns justos eruditos e
privilegiados. Uma grande mudança ocorreu a partir do Arizal (Rabi
Yitschak Luria, 1534-1572 d.e.c.), que afirmou: “Hoje é mitsvá revelar
a sabedoria da Cabalá”. Na prática, isso ocorreu por intermédio do Baal
Shem Tov e de seus discípulos, os mestres chassídicos, que
consideraram ter chegado o momento de revelar esta “gema que está
na coroa do Rei”.
Todavia, não é qualquer um que pode estudar e ensinar os
princípios da Cabalá. Somente alguém de estatura espiritual elevada e
comportamento adequado saberá explanar as alegorias contidas nesta
ciência.
Ultimamente, porém, assistimos a uma corrida desenfreada a tudo
que seja (ou pretenda ser) esotérico. Infelizmente, traduções baratas e
literais de obras antigas e profundas, bem como professores inaptos e
não-iniciados nessa sabedoria, estão proliferando, aproveitando-se da
sede do público pelo lado espiritual da vida. Porque aprofundar-se nos
mistérios da Cabalá sem o preparo necessário ou o mestre adequado
acaba por confundir o aluno, tornando-se prejudicial.
Como forma de remediar esse triste fenômeno, a Editora Maayanot
publica este livro, cujo objetivo é expor a origem verdadeira da Cabalá.
E nada mais apropriado que esta obra seja de autoria do Rabino Laibl
Wolf, especialista na matéria, discípulo degrandes eruditos, que
reverencia os ensinamentos no dia-a-dia. Criador de um fenômeno
denominado “MindYoga”, Laibl Wolf é um pioneiro e um visionário
extraordinário. Nos últimos 32 anos obteve amplo reconhecimento
como mentor espiritual e místico de fama internacional.
“Cabalá Prática” é uma obra extremamente valiosa, pelo fato de o
autor, com sua habilidade, conseguir captar uma ciência tão espiritual e
abstrata e extrair os ensinamentos corretos e práticos para a nossa vida
cotidiana, permitindo ao leitor usar esta ciência tão antiga em suas
realizações diárias.
Digno de louvor é o trabalho de Laibl Wolf, que além de rabino,
escritor, advogado e psicólogo, é um grande orador, que vem obtendo
grande êxito em mostrar a relevância do milenar conhecimento
esotérico no controle da mente e das emoções e no aperfeiçoamento
do ser humano neste mundo terreno.
É com grande satisfação que apresentamos ao leitor esta magnífica
obra, desejando que desfrute de uma boa e proveitosa leitura.
20 de Menachem Av, 5763.
18 de agosto de ’003
Y. David Weitman
Introdução
A Cabalá é uma antiga sabedoria judaica que explica as eternas leis
de como se comporta a energia espiritual no Cosmos. Ao longo de
muitos séculos, homens santos passaram as suas vidas inteiras
envolvidos no estudo de seus místicos ensinamentos. As prateleiras das
bibliotecas estão repletas de grossos volumes cheios de misteriosos
comentários Cabalísticos, que iluminam minúsculos elementos
pertencentes às suas miríades de níveis de profunda verdade.
Para poder entender, verdadeiramente, a Cabalá, a pessoa deve
passar a vida inteira comprometida ao estudo e à prece. Mesmo sem se
aprofundar na investigação de suas profundezas esotéricas, a sabedoria
que ela traz consigo pode enriquecer as nossas vidas de muitas
maneiras. Na presente obra, embarcaremos numa aventura espiritual, a
qual tem como destino este nosso mundo.
Todos nós procuramos imbuir nossas vidas com significado e
propósito. Procuramos conseguir uma visão clara e uma força de
convicção. Infelizmente, são muito poucos aqueles que nascem com a
capacidade de agir instintivamente em relação ao nosso propósito inato.
Eu escrevi este livro para tornar os ensinamentos básicos da Cabalá
relevantes à nossa vida cotidiana, enquanto que, ao mesmo tempo, seja
possível proporcionar ao leitor um certo sabor do objetivo original,
quais sejam, a autocompreensão e o domínio pessoal. Com este
propósito, examinaremos o que é que a Cabalá tem a nos dizer acerca
da natureza da Mente e do Coração. Envolveremo-nos em simples
exercícios de imagem e usaremos como guia os princípios da psicologia
Chassídica, tal como expressos na escola do Chassidismo Chabad
Lubavitch.
Esta obra está dividida em duas seções. A primeira proporciona
uma introdução genérica à tradição da Cabalá. Estudaremos alguns
conceitos e abordaremos algumas personalidades, e teremos a
oportunidade de explorar fascinantes paralelos existentes entre a Cabalá
e outras tradições espirituais. Na segunda seção, estudaremos os dez
fluxos espirituais conhecidos como Sefirot, as quais constituem o
fundamento básico da Cabalá. Utilizando uma variedade de exercícios
de meditação e de criativas visualizações, nós aprenderemos a moldar o
profundo conhecimento desta antiga sabedoria, de forma a satisfazer os
nossos anseios modernos.
Muitos viajantes espirituais têm seguido os caminhos da Cabalá. Ela
sustentou o povo judeu ao longo de um exílio geográfico de dois mil
anos. Até mesmo o Dalai Lama consultou os seus mestres em busca de
pistas que pudessem causar a sobrevivência de sua própria nação,
recentemente exilada.
Até pouco tempo atrás, os profundos e complexos ensinamentos
da Cabalá eram inacessíveis à sociedade Ocidental. Eles foram escritos
em idiomas antigos, como o hebraico e o Aramaico, e codificados de
forma a ocultar os seus meandros dos olhos não-autorizados. Apesar
disso, algumas informações permearam e encontraram seus caminhos
em outras culturas e tradições religiosas, tanto no Oriente quanto no
Ocidente. Ao ler este livro, você poderá reconhecer alguns aspectos da
Cabalá que acabaram sendo adotados em outros credos.
Hoje retornamos àqueles antigos preceitos. Num mundo que
carece de autoconfiança e de propósito espiritual, nós ansiamos por um
sistema que pode nos conduzir à realização. Se nos for dado
sobrevivermos como seres humanos sensitivos, conscientes e
empenhados, nós devemos nos submeter a uma revolução em nossa
percepção acerca do significado da vida. Nós devemos estudar as
histórias que relatam o sucesso daqueles que sobreviveram aos severos
desafios pessoais e às violências sociais.
Quatro Chaves Para o Crescimento
O estudo de um caso aparece entre as páginas antigas da Cabalá
— a sobrevivência dos judeus no exílio. Historicamente, nenhum outro
povo sofreu tão prolongada adversidade e, ainda assim, desfrutou de
tão desproporcional sucesso entre as sociedades anfitriãs. Qual é a
chave para esta extraordinária história?
Os estudiosos que estudam as escrituras místicas deste antigo povo
apuraram quatro princípios básicos que possibilitaram aos judeus
sobreviverem e florescerem. A partir destes, podemos projetar as
nossas próprias chaves com as quais alimentaremos as sementes da
mudança e do crescimento pessoal.
AS QUATRO CHAVES PARA A MUDANÇA
Emuná: Você deve acreditar que você pode mudar.
Ratson: Você deve extrair forças da sua própria vontade.
Avodá: Você deve praticar um programa de introspecção.
Oneg: Você deve sentir a alegria do sucesso.
A Cabalá explora os misteriosos labirintos dos estados alterados e
dos elevados domínios espirituais. No seio de seus ensinamentos
encontram-se as ferramentas para domar a mente do ego e pôr rédeas
nas emoções casuais. Neste livro, interpretaremos princípios esotéricos
e os aplicaremos às nossas vidas cotidianas.
Aprenderemos que a chave para a felicidade está ligada à nossa
capacidade de sacar de nosso lado positivo quando quisermos. Mesmo
as aparentes adversidades têm um lado positivo, a bênção proverbial
disfarçada. Porém, será somente através do exercício da escolha sensata
que a bênção se revelará.
Todos os eventos e acontecimentos possuem virtudes remissivas —
se escolhermos sabiamente. Tudo o que acontece em nossas vidas serve
de lição a ser aprendida. Podemos escolher entre interpretar a
“realidade” com ênfase, ou fazê-lo sob um estreito e egocêntrico ponto
de vista.
O processo da auto-observação e da auto-análise (Avodá) é descrita
na psicologia Chassídica como cheshbon Nefesh, que, literalmente,
significa tornar-se um “contabilista da alma”. A arena para o cheshbon
Nefesh é o ordinário: o mundano e terreno domínio da existência
humana. Tal como estabelece uma conhecida instrução mística do
Talmud, o ensinamento da vida “não está mais no céu”, mas está, sim,
neste momento, aqui na terra.
Nós descobrimos na Cabalá que o mundo não muda por sua
própria vontade. A nossa transformação pessoal é que altera a forma
do Cosmos, e não a recíproca. Nós é que somos responsáveis em fazer
mudanças no Cosmos, e é profundamente significativo quando a pessoa
chega a verdadeiramente entender que o Cosmos busca o nosso bem-
estar.
Está escrito que, antes de virmos para este mundo, tudo sabíamos e
conhecíamos. Por ocasião de nosso nascimento, chega um anjo e
“arquiva” as nossas percepções em nossa mente subconsciente. Ora, o
propósito de nossa jornada da vida é extrair estas percepções intuitivas
e enriquecer o mundo com as suas expressões. O Cosmos evoca de
nosso interior estas verdades internas ao nos oferecer desafios, através
dos quais nos é possível crescer em sabedoria. Os místicos da Cabalá
ensinam que, assim como a uva, quando pressionada ou comprimida,
produz o vinho, tal como acontece com a azeitona para produzir o
azeite, igualmente nós, quando desafiados, nos adiantamos com
sabedoria. Porém, a sabedoria requer que abordemos a vida com fé,
com disciplina e com mente aberta.
Muitas vezes a vida parece ser como uma viagem por um deserto
cheio de ganância, insegurançae medo. No entanto, podemos escolher
aquilo que vemos: no deserto aparentemente inerte, a vida fervilha sob
as áridas areias. Espere o cair da noite e você haverá de descobrir a
fauna noturna. Olhe para os lugares certos e você poderá ver
determinadas floras. E sob a superfície correm riachos subterrâneos que
conduzem vivas águas. Da mesma forma, as mesmas pessoas que
agarram, que negam, e que ameaçam, também possuem um cerne de
bondade que busca a luz do dia. Cada um de nós possui o potencial de
repartir a nossa percepção e orientação, bem como a de obtê-las de
outrem. No entanto, devemos, primeiramente, encontrar a sabedoria
dentro de nós mesmos.
A Caverna
Rabi Shimon bar Yochai, o estudioso que compilou o Zohar (o
“Livro do Esplendor” — o repositório dos mais importantes
ensinamentos Cabalísticos), foi forçado a se esconder dos poderosos
inquisidores Romanos, os quais estavam tão temerosos de seus
ensinamentos Cabalísticos que viam nele uma séria ameaça a todo
Império Romano. Finalmente, Shimon bar Yochai saiu da caverna onde
viveu durante muitos anos, e concentrou a luz dos ensinamentos do
Zohar nas gerações que se seguiram.
Cada um de nós deve descobrir como sair de nossa caverna pessoal
de acachapante escuridão e fazer com que a nossa individualidade
ilumine as vidas daqueles destinados a partilhar de nossa viagem. É
somente o ego que se interpõe no caminho da partilha dos nossos
dons, expressando compaixão e descobrindo o lado positivo da
adversidade.
A Cabalá nos diz que quanto mais damos de nós, mais repletas
ficam as nossas reservas interiores — com calor, com felicidade e com
paz interior. Tudo isto aparece espontaneamente, por si só, de forma
que nós não precisamos brigar pelas doces coisas da vida. Quando
damos aos outros, nós criamos espaço interior para que um beneficente
Cosmos nos reabasteça.
Neste livro, eu tento proporcionar-lhe as ferramentas e
instrumentos com os quais você pode re-interpretar a realidade.
Descobriremos como remodelar o nosso mundo criando uma revolução
em nossos relacionamentos. O nosso objetivo é o de alcançar os
objetivos universais de:
REALIZAÇÃO: O equilíbrio entre a mente e a emoção.
SEGURANÇA E PAZ INTERIOR: A fé com a qual se vence o temor. A
capacidade de abraçar a força interior, a integridade e a
serenidade.
AMOR E COMPAIXÃO: As conexões emocionais que unem as pessoas
com calor, empatia e relacionamentos responsáveis.
EXPRESSÃO HONESTA E CONFIDENTE: O domínio das palavras, do
comportamento e do pensamento, de forma tal que eles se tornem
uma expressão de nossa verdade e singularidade interiores.
Se estes objetivos são universais, por que é que tantos de nós
deixam de alcançá-los, seja em nossas vidas pessoais, seja em nossas
vidas profissionais?
A resposta está em nossa compreensão acerca da verdadeira
natureza da Mente e da Emoção.
De acordo com a Cabalá, a Mente consiste de uma série de três
energias espirituais mediadas pelo cérebro físico. Estas energias criam o
esclarecimento e a compreensão. Já a Emoção consiste de sete
energias que se manifestam através do coração. Juntas, elas compõem
as dez Sefirot, as energias espirituais que fluem ao longo do corpo.
Uma Nota Pessoal
Sempre que eu leio um livro, especialmente se for um livro que
tenta ensinar aspectos espirituais, eu sempre tenho a curiosidade de
saber mais sobre o autor. Qual é a experiência de vida daquele autor?
Onde foi que aquele autor estudou, e com quem? Quais são as razões
que levaram aquele autor a escrever aquele livro? Assim sendo, permita-
me apresentar-lhe um pouco da minha vida.
Eu sou filho e genro de sobreviventes do Holocausto. Assim como
todos os filhos de sobreviventes, eu tenho a consciência de estar vivo.
Tenho a plena e profunda convicção de que eu poderia jamais ter
nascido — ao menos não daqueles pais que me trouxeram ao mundo.
Ainda quando criança, eu encontrei um livro que descrevia os indizíveis
horrores da vida nos campos de concentração. Naquela noite, deitado
em minha cama, eu recriava em minha mente as cenas daqueles textos.
Mais traumatizantes ainda eram os gritos angustiantes durante os
pesadelos que os meus pais tinham ao reviver o Holocausto em seus
sonhos.
Aquilo que me aterrorizava, quando ainda criança, continua a me
aterrorizar hoje. Será que eu teria tido aquela mesma determinação de
sobreviver? Ou será que a covardia teria me conduzido a uma saída
muito mais simples — desistir e morrer?
O destino pregou uma peça cruel em meus pais. Eles
sobreviveram; mas os seus pais, avós, irmãos e irmãs foram
assassinados nas câmaras de gás. Apesar disso tudo, estes sobreviventes
encontraram forças e convicção em recônditas fontes — uma fonte
interior de vida. Eles não se insurgiram contra D’us que,
silenciosamente, testemunhou a absoluta degradação da humanidade;
nem se revoltaram contra o Cosmos, que criou cultuados monstros,
Doutores com gosto pela boa música e pela tortura, amáveis com os
animais e bestiais com os humanos.
Ao invés, os meus pais e os meus sogros tiveram filhos, e com
audácia incluíram-se na sociedade Ocidental. E mais, eles partiram com
tenacidade em busca do sucesso econômico e social. De forma
inacreditável eles continuaram fiéis ao D’us que, junto com eles,
também sofreu em Auschwitz, Bergen-Belsen e Treblinka. Como foi
que eles recompuseram seus corpos quebrados, suas mentes quebradas,
e os seus corações partidos? De onde foi que eles conseguiram reunir
tanta vontade e determinação para viver, e onde foi que eles
conseguiram encontrar a audácia de trazer novas vidas a um mundo tão
incerto?
Façamos uma breve pausa. Procure se lembrar de um momento de
sua vida em que você esteve verdadeiramente aterrorizado. Pode ser um
momento que de fato você passou, ou um que você experimentou em
seus sonhos. Reviva aquele momento. Tente sair de dentro de você e
observe a sua mente. Onde é que estão os seus pensamentos — aqueles
“pensamentos fugazes” que afloram ao bel-prazer de suas emoções?
Onde estão os seus sentimentos? Você pode admitir para si próprio
que, em meio ao terror daquele momento, você perdeu o controle. O
seu equilíbrio interior se dissolveu. Uma descomunal força pareceu
imobilizá-lo em suas garras. Agora feche os olhos e revivencie aquela
experiência.
Agora pense um pouco sobre as centenas de milhares de
sobreviventes de uma extrema violência e terror sem sentido, em todo o
mundo, e que convivem, todas as noites, com a lembrança dos
horrendos demônios dominando-os, e que ainda, apesar disso tudo, de
alguma forma, quase que impossível, continuam em suas vidas
convencionais, mantendo um relativo equilíbrio, disciplina e, até
mesmo, fé.
Aí está o segredo que eu queria compartilhar e explorar com vocês:
a vontade e a determinação de sobreviver e da busca pelo significado —
o maior de todos os mistérios da vida. Através de meus estudos da
Cabalá, eu consegui obter profundas percepções acerca da natureza da
motivação humana, e posso agora entender como foi que os meus pais
conseguiram continuar vivendo na esteira de uma calamidade sem
precedentes.
Há cerca de vinte e oito anos, fui levado sob a asa de um homem
sábio. O seu nome era Reb Zalman Serebryanski, de abençoada
memória. Também ele foi um sobrevivente do Holocausto e um
imigrante na Austrália. Ele era um famoso e cultíssimo estudioso, além
de um extraordinário professor. Além disso, ele era um Chassid, e,
como vim a aprender, o Chassidismo detém a chave da compreensão
da Cabalá. Ele me ensinou muitas coisas, porém a fonte que me
direcionou em minha jornada foi o seu ensinamento da psicologia
Chassídica. A sua perspicácia, perspectiva e sabedoria semearam o meu
próprio crescimento e desenvolvimento. Foi ele que me apresentou ao
professor que viria a ser o meu mestre, o Lubavitcher Rebe, de
abençoada memória.
Foram muitos anos de estudos intensos e de enérgica disciplina,
lutando para experimentar a alegria do esclarecimento. Durante todos
aqueles anos, eu estudei as leis e graduei-me em psicologia educacional.
Fui professor em colégio e em universidade, tornando-meum
conselheiro e capelão para estudantes universitários, nos Estados
Unidos e na Austrália. Tornei-me um palestrante e líder seminarista,
viajando mais de um milhão de milhas ao redor do globo. Neste ínterim,
contribuí para trazer ao mundo sete filhos — uma realização que foi
possível graças aos dotes e à tolerância e paciência de uma mulher
muito especial, Leah, minha esposa há vinte e nove anos.
Ao longo de minhas viagens, eu desenvolvi relacionamentos muito
próximos com pessoas de todas as culturas, religiões e modos de vida.
Tive a honra de encontrar-me com professores espirituais,
pesquisadores espirituais, tanto orientais como ocidentais, com
empertigados empresários, psiquiatras e psicólogos, profissionais
envolvidos com crianças, e muitos outros, todos tentando montar o
quebra-cabeças da vida.
Foram eles que, originalmente, deram-me a idéia de escrever um
livro. Inicialmente, eu estava hesitante; porém, recebi um grande
incentivo de meu mestre, o Lubavitcher Rebe, Menachem M.
Schneerson, de abençoada memória. Ele me persuadiu a aproveitar a
oportunidade de contribuir com alguma direção à busca espiritual da
humanidade com a chegada do novo milênio.
Você está no limiar de um novo caminho. Seja corajoso. Invoque o
compromisso que você precisa para realizá-lo. Você está prestes a
embarcar numa viagem ao longo de uma antiga estrada. Trata-se da
estrada percorrida pelo Povo do Livro, através de incontáveis gerações.
Foi ela que, também, proporcionou o ímpeto espiritual às principais
religiões do mundo. Apesar disso tudo, a Cabalá ainda continua envolta
em mistério, e as suas contribuições não são prontamente aparentes.
Você descobrirá como integrar a percepção e a sabedoria contida
na Cabalá em sua vida. O resultado será um equilibrado e
profundamente ligado relacionamento. Você terá uma efetiva vida, uma
vida de alegria e serenidade.
Que a minha humilde contribuição possa pavimentar o caminho
para que todos nós possamos cantar uma nova canção de redenção
pessoal e mundial.
Uma Palavra Sobre o Chassidismo Chabad
O Chassidismo Chabad — a teologia e a psicologia transpessoal
que explica e decodifica a antiga Cabalá, que busca o nosso bem-estar
físico, emocional e mental. Ele demonstra que a pessoa e o Cosmos se
complementam e são aspectos cinegéticos de um Todo maior. Ele
ensina que tudo aquilo que pensamos, que falamos, ou que fazemos,
deixa uma marca no Universo. E que o Universo alterado se
“comunica” conosco na nova “linguagem” que já inclui a nossa
contribuição.
A Cabalá é profundamente mística; porém, as suas explicações
Chassídicas proporcionam surpreendentes abordagens práticas aos
desafios da vida cotidiana. Em tempos em que a sociedade moderna
busca caminhos para se libertar da discordância e da alienação pessoal,
esta antiga tradição provê respostas contemporâneas.
P R I M E I R A P A R T E
O MOVIMENTO
DO ESPÍRITO
1
Abraão — O Místico Rebelde
Você pode ter lido em algum lugar que a Cabalá é um fenômeno
místico que emergiu do período medieval da História, uma criação do
Século XIII. Esta é apenas parte da história. Os textos acadêmicos nos
dão conta de que Moses de Lyon foi quem publicou o texto principal da
Cabalá, conhecido como o Zohar (a Luz Interior), na época medieval.
No entanto, Rabi Shimon bar Yochai já havia manuscrito este trabalho,
mil anos antes, na antiga Israel. E mais, ele o escreveu com base na
tradição oral, a qual remonta a outros setecentos anos.
A Cabalá da Torá (o compêndio da lei e instrução que compõe a
estrutura da sociedade judaica e as disciplinas espirituais pessoais para
seus membros) é incrivelmente antiga e pode ser atribuída a Abraão, a
quem se atribui a composição de trabalhos Cabalísticos. Porém, mesmo
muito antes, sabemos que Noé e Adão estavam bem familiarizados com
os seus ensinamentos.
A Cabalá está envolta em mistério. Os acadêmicos ainda hoje
discutem, tentando saber como foi que ela evoluiu e como foi que o seu
espírito atravessou os séculos. Eu não me dispus a escrever um livro de
história ou de análise de textos teológicos. Porém, é necessário
apresentar um breve retrospecto para que o leitor possa melhor
entender as origens e raízes da Cabalá. A interpretação que segue foi
colhida a partir de textos místicos. Alguns doutos acadêmicos poderão
discordar deste enfoque, porém os meus professores me asseguraram
de que o seguinte está consoante com as verdades Cósmicas contidas
nos textos sagrados.
Abraão era um homem de porte alto e magro. As areias do deserto
afinaram os seus traços faciais com grossos contornos. Uma figura
imponente e estóica, Abraão impressionava todos ao seu redor com o
seu régio porte e a clareza de sua visão. Ele era o mais festejado líder do
Oriente Médio.
Apesar dos aparatos característicos do poder e conforto, Abraão
vivia uma vida espartana. Ele era extremamente meticuloso e cuidadoso
com o seu rebanho de ovelhas, e mais ainda com os seus pastores;
afinal de contas, ele próprio era um pastor. Apelidado de Ivri (o
Hebreu), Abraão era como uma lenda viva em toda a terra. Ele era um
pastor-rei e um renomado guerreiro. Mas, acima de tudo, ele era
conhecido como um sábio místico que tinha uma abrangente e estranha
noção de uma só Deidade. Ele era capaz de invocar poderes das Alturas
para dizimar um exército inteiro, ou para curar uma criança enferma, e
tinha a capacidade de ver coisas que os outros não podiam ver. Forças
angelicais sussurravam em seus ouvidos. Era sabido que ele recebia
instruções do misterioso D’us.
Imaginemos Abraão em pé, no alto de um monte de areia — o
deserto Tel —, meditando acerca dos dias passados. Ele pode lembrar a
Rebeldia de sua juventude; de como ele havia desafiado os modos
idólatras do politeísmo da Mesopotâmia; de como ele fora atirado à
abrasadora fornalha pelo rei da Mesopotâmia e como havia desafiado
todas as leis da natureza ao sobreviver ileso àquele intenso calor. Então,
eis que das Alturas chegam-lhe as instruções; foi quando D’us ordenou a
Abraão que deixasse a sua terra natal e fosse para uma terra
estrangeira.
Podemos vê-lo agora, de pé naquela nova terra, uma sagrada
energia vibrando por todo o seu corpo. Aquela terra receberia, um dia,
o nome de seu neto — Israel. Até o final dos tempos, ela será a
encruzilhada para exércitos em guerra que buscam o domínio de seu
credo.
Quando Abraão obedeceu à ordem de D’us, ele já estava bastante
familiarizado com aquilo que, mais tarde, seria conhecido como Cabalá.
Inclusive, ele foi o autor de um importante texto Cabalístico — o Sêfer
HaYetsirá (o Livro da Formação Criativa). Ele foi um aclamado
astrólogo e um conhecedor da mágica e da bruxaria do Leste. Em sua
juventude, Abraão virou as costas para as forças negativas da tumá
(defeitos ou nódoas espirituais) e adotou o caminho do monoteísmo
espiritual. Esta sua postura Rebelde originou o seu apelido — o Ivri, que
significa “o do outro lado”, ou “o forasteiro”. A palavra Ivri acabou
sendo traduzida como “Hebreu”.
Os acadêmicos discutem as origens da palavra Ivri. Ela pode ter
sido adotada a partir de seu famoso ancestral, Eiver, o bisneto de Noé.
Ou, poderia, simplesmente, denotar que as suas origens eram de além
do Rio Eufrates, o outro lado das trilhas proverbiais, e daí “o do outro
lado”. Talvez pudesse, simplesmente, tratar-se de um sórdido epíteto
que lhe foi atribuído pela classe dominante, para demonstrar o seu
desconforto com a crescente popularidade daquele “novo rico”.
Quaisquer que tenham sido as suas origens, o fato é que o seu nome
ficou gravado para a posteridade.
Os sonhos de Abraão para o sucesso das gerações vindouras foram
inculcados em seu filho Isaac, nascido de sua esposa Sara. O futuro da
dinastia dependia de seu leal e modesto filho. Ele pôde sentir em Isaac
as qualidades que viriam a guiar os agora emergentes hebreus através
dos acidentados caminhos espirituais do Ocidente. Foi para
salvaguardar Isaac que Abraão teve que rejeitar seus outros filhos — os
filhos nascidos de sua segunda esposa, Hagar. Estes jovens exerciam
má influênciasobre Isaac, por estarem tão emaranhados nas crenças
dos cultos então prevalecentes, que envolviam o politeísmo e a bruxaria.
Podemos imaginar a tristeza de Abraão ao lembrar de sua amarga
partida, e as suas preces ao lembrar dos dotes que lhes havia conferido
— percepções e poderes espirituais com os quais podiam navegar pelos
reinos superiores. Se os seus filhos tivessem que lidar com o fogo da
idolatria, eles teriam, ao menos, uma bússola moral para guiá-los na
direção certa. Os dotes dados por Abraão haveria de permitir-lhes
enxergar a natureza do mal — shem hatumá, o lado escuro da
realidade superior. Será que eles usariam sabiamente os seus
conhecimentos? Isto era algo que ele não sabia. Ele podia apenas
esperar que aqueles ensinamentos os manteria em boa forma ao
partirem para as terras do Leste — o codinome bíblico de Hodu —
Índia.
É aqui que podemos encontrar os primórdios do grande conflito
entre o Oriente e o futuro Ocidente. Tornam-se inteligíveis os notáveis
paralelos existentes entre o Judaísmo místico e os caminhos do
Budismo e do Hinduismo.
O Oriente Encontra o Novo Ocidente
Supomos que ao chegarem à antiga Índia — Hodu — os filhos de
Abraão começaram a compartilhar suas percepções com os nativos que
até chegaram a dar ao grande rio, o Rio Indus, o nome do pai que para
lá os mandara. Em Brâmane, a palavra Indus significa “o do outro
lado” — o Ivri! Além disso, a sua Divindade — BRAHMAN — é,
simplesmente, uma combinação das letras que compõem o nome de
seu pai — ABRAHAM. Diz-se que o bisneto de Abraão, ashurim, foi
quem criou a comunidade espiritual conhecida como o ashram. É
interessante notar que a tradução da Bíblia, o Targum Onkelos, traduz
a palavra ashurim como “campos” ou “comunidades”. Outros
conceitos hebraicos começaram a transparecer entre os sistemas de
credo dos Orientais. Ram, uma elevada deidade no Leste, em hebraico
significa ”elevado”. Veydá está, etimologicamente, relacionado à
palavra Hebraica deyá, que significa “sabedoria” e “percepção”. A
palavra tamas, que em Hindu significa “impureza”, obviamente equivale
à palavra tamê, que, em hebraico, tem o mesmo significado.
Além das semelhanças terminológicas, podemos nitidamente
observar diversos paralelos conceituais. Por exemplo, um conceito
como o da reencarnação, toku, no Oriente, é o ensinamento hebraico
do guilgul HaNefesh, a reencarnação cíclica da peregrinação da alma.
O karma, a “bagagem” trazida das vidas anteriores, lembra a
hashgachá pratit, a específica relação entre causa e efeito, determinada
por vidas anteriores. As provas e aberturas que constituem os
momentos de oportunidade para mudar o destino de reencarnação da
pessoa são chamados de bardos no Oriente, e de nissyonot em
hebraico.
Paral el os ent re Terminol ogia e Conceit o
HEBRAIC LESTE SIGNIFICADO
Ivri Indus Forasteiro (o do outro lado)
Avraham Brahman Pai da nação
Deyá Veydá Sabedoria
Ashurim Ashram Poder Espiritual
Ram Ram Elevado
Tamê Tames Impureza Espiritual
Guilgul Tulku Reencarnação
Hashgachá Karma “Bagagem” para a vida futura
Nissayon Bardo Prova, teste, oportunidade
A Natureza da Respiração
Uma interessante e significativa abordagem Oriental sobre a
meditação se concentra na ciência da respiração. Coincidentemente a
isto está a associação antropomórfica da respiração com a criação, tal
como está descrita na Bíblia Hebraica: “E Ele soprou a alma viva em
suas (de Adão) narinas”. A palavra Hebraica que significa “sopro” é
neshimá, enquanto que a palavra que significa “alma” é neshamá. A
relação é óbvia. A concentração na respiração é a concentração na
própria força de vida. Os mestres Chassídicos da Cabalá ofereceram as
imagens meditacionais da investidura de D’us no mundo como o
processo de memale — o “preenchimento” do mundo com a Presença
Divina, tal como a respiração “preenche” os pulmões.
O “esvaziamento” da mente, que constitui um outro ensinamento
meditacional Oriental, é parecido ao ensinamento Cabalístico de que o
mundo é derivado de um vazio, um vazio conhecido como chalal. (Seria
esta a origem de hylé Grego, que significa “o material básico com o
qual o Cosmos foi esculpido?”). O esvaziamento da mente cria a base
para o processo de preenchimento contemplativo, memale, conhecido
na meditação Chassídica como hitbonenut.
A Cabalá não ensina que a “ciência da respiração” é, por si, um
fim, e nem que o esvaziamento da mente seja, por si, uma virtude.
Tratam-se de disciplinas que levam a uma maior introspecção, e são
instruídas por práticas devocionais bem definidas.
Os Primeiros Cabal istas
Abraão era proficiente naquilo que, muito mais tarde, viria a ser
conhecido como Cabalá. Freqüentemente ele invocava seus poderes
místicos e sua sabedoria prática. O pastor-rei estudara no grande centro
de ensinamento espiritual, conhecido como a Academia de Shem e
Eiver, criado pelo filho de Noé, Shem (o pai dos Shemitas, ou povos
Semitas), e o neto do próprio Shem, Eiver, de quem descendia Abraão.
A Academia de Shem e Eiver não era um centro público de ensino.
O seus portais eram restritos aos recém-iniciados — aqueles
encarregados de levar os ensinamentos espirituais de uma futura Torá
em seus primeiros caminhos pelo deserto. Os patriarcas hebreus,
Abraão, Isaac e Jacob, foram instruídos nesta academia. Supõe-se que
Jacob estudou estas disciplinas espirituais durante quarenta anos. Os
arquitetos da nação judaica adquiriram, assim, uma disciplina espiritual
que se tornaria a marca patente do Povo do Livro. O filho de Jacob,
Judá, reabriu a academia exatamente no coração do antigo Egito, onde
continuou funcionando em segredo durante os quatrocentos anos de
exílio e escravidão no Egito, até mesmo na presença do próprio faraó
Ramsés II.
Ainda assim, Abraão não foi o primeiro Cabalista. As forças
espirituais que constituem o Cosmos e que mantêm a sua integridade
física e espiritual, já eram conhecidas pelo primeiro Homem — Adão. E
aqui temos alguns fascinantes ensinamentos.
Assim, deixemos Abraão, o primeiro hebreu, e visitemos a aurora
do primeiro milênio, na pessoa de Adão, também conhecido como
Harishon (“o Primeiro”).
As Letras da Criação
Quem foi aquele bípede humanóide que se sobressaía a todas as
demais criaturas? Era ele/ela humano? A Cabalá nos diz que Adão, a
primeira Pessoa, foi, inicialmente, uma mistura de homem e mulher —
um ser andrógino. Foi somente mais tarde que Adão foi separado em
dois: o componente predominante masculino em Adão, e o feminino
em Eva. Ainda hoje, o homem possui uma feminilidade latente, e a
mulher, uma masculinidade latente. A dualidade masculino-feminina
abrange toda a criação. Mesmo as letras hebraicas, sobre as quais
estaremos meditando, contribuem para a essência dos componentes
masculino e feminino da linguagem. Principalmente, estas letras se
relacionam às forças espirituais, masculinas e femininas.
Na tradição mística da Cabalá, o componente feminino de um
indivíduo é mais profético, previdente e dotado nos talentos espirituais.
Eis porque as esposas dos patriarcas, Sara, Rebeca, Raquel e Lea, eram
espiritualmente dotadas. Mesmo a Presença Divina que envolve o
profeta tem uma denominação feminina, Shechiná (morada Divina
interior).
Ainda assim, os conceitos de masculinidade e de feminilidade não
são absolutos. Tanto o homem como a mulher podem exibir expressões
tanto masculinas como femininas. Esta dualidade se manifesta em toda
a natureza. A terra é feminina e aceita a atividade masculina das
pessoas — ambos, homens e mulheres — de semear o solo e alimentar
a semente, dando a luz à prole — a colheita.
As energias espirituais que definem a Mente e a Emoção possuem
propriedades masculinas e femininas, e, em toda a Cabalá, é possível
encontrar imagens do gênero. Isto será apresentado com mais detalhes
na segunda parte deste livro.
Na verdade, Adão não era, realmente, um humano como você e
eu. A sua relação com a natureza da criação estava, literalmente, “fora
deste mundo”. Ele conhecia intuitivamente as vinte e duas forças
criativas que formam o universo, e entendiaos diferentes caminhos que
elas tomavam ao adentrar o reino do “aqui e agora”. Com esta
compreensão, ele transpôs os caminhos místicos, e podia ver em vinte
e duas formas distintas. Cada uma delas se transformou numa letra do
alfabeto hebraico.
Adão pôde, também, entender as energias associadas com cada
uma destas letras. Ele replicou as energias individuais delas através da
respiração, quando ela saía de seus pulmões, através de sua laringe —
e, assim, formando aquele sopro em sons, articulados através das cinco
características de sua boca: os lábios, a língua, os dentes, o palato e a
garganta. Isto resultou em vinte e dois tipos de som — os vários sons do
alfabeto hebraico. Adão utilizou a articulação dos sons para expressar a
profundidade e a beleza da vida.
Cada letra da linguagem Hebraica é uma janela que se abre para
uma realidade superior. As letras constituem uma linguagem conhecida
como Lashon HaCodesh — “a Língua Sagrada” –, o hebraico. É por
isso que a Cabalá enfatiza, sobremaneira, a análise das letras e das
palavras, a sua equivalência e valor numérico, formas, e as letras finais
das palavras. Cada nuance abre um panorama de significado espiritual,
muito mais complexo do que qualquer estrutura gramatical possa vir a
sugerir.
Vejamos um exercício bastante simples. A palavra, em hebraico,
que designa “querer”, ou “desejar” — ratsá –, é composta por três
consoantes do alfabeto hebraico, que têm o som de R-TS-H. Estas
mesmas três consoantes formam, também, a base da palavra que
significa “adversário” — hatsar –, H-TS-R. Além desta, ainda uma
outra palavra composta pelas mesmas três consoantes — tsohar –, TS-
H-R, que significa “claridade”, “clareza” ou “esclarecimento”. Ainda
uma quarta combinação destas três consoantes é TS-R-H — tsará –,
que significa “problema” ou “constrangimento”. Em nosso idioma, estas
palavras parecem não ter nenhuma relação entre si; mas na Cabalá, o
fato de estas palavras terem a mesma raiz significa que elas têm alguma
inerente relação.
Assim, podemos aprender que a nossa “vontade” e “desejo” cria,
incorretamente, uma “adversidade” interna — isto é, um “problema” –,
dentro e fora. O seu correto direcionamento traz “esclarecimento” e
“clareza” ao espírito.
Se as letras do alfabeto hebraico são símbolos que representam os
componentes espirituais básicos da criação, então a combinação delas,
tal como na Torá, fornece uma completa planta da criação. Exploremos
esta planta e aprenderemos um pouco mais acerca dos aspectos
espirituais da criação.
2
A Planta do Cosmos
A Torá nos dá conta de que milhões de pessoas acamparam ao pé
do Monte Sinai — o que equivale à população de uma moderna
metrópole. Cada uma daquelas pessoas testemunhou algo que,
verdadeiramente, transformou o mundo. Aquilo marcou o início da
tradição judaica, donde surgiram ramificações como o Cristianismo e o
Islã, e também foi responsável pelo nascimento da tradição da Cabalá.
Naquela pequena montanha, Moshé Rabeinu (Moisés) dirigiu-se aos
cidadãos de uma nova nação — a nação de Israel. Ele ensinou-lhes a
Torá. A Torá era uma constituição nacional e um manual pessoal.
Porém, a sua importância principal era que ela continha em seu bojo a
planta da criação, e fornecia a corda que amarrava D’us ao Povo do
Livro.
Tal como qualquer constituição ou código legal, ela tinha que ser
interpretada. Moisés educou seu povo em quatro níveis — cada nível
decifrando um outro nível. Cada pessoa aprendia o significado básico
das leis e regras que governavam o comportamento pessoal, a
consciência social, o código de ética e o estilo de vida, bem como o
relacionamento com o seu Criador. Este nível de instrução ficou
conhecido como Peshat, o que significa “Puro, Limpo, Sóbrio, Isento
de Complicação”.
A segunda série de “aulas” se limitava àqueles cujas capacidades
possibilitava-lhes sondar e aprofundar as implicações implícitas do nível
Peshat. Este nível investigava as alusões de maior profundidade, das
quais só se denotavam algumas pistas ao longo do texto. Conhecido
como o nível Remez, ele alude a uma camada mais profunda da
intenção contida na informação básica.
A terceira seção era altamente restrita, e os pré-requisitos para dela
participar eram muito exigentes. A este seleto grupo foi ensinado um
nível mais profundo, Derush (“Inferido”), da mesma Torá. Por exemplo,
algumas vezes você pode estar tentando raciocinar sobre um
determinado conceito; mas, devido a sua complexidade e profundidade,
é provável que a sua expressão literal lhe seja impossível. É possível que
você tenha que recorrer a uma apropriada analogia, ou a algum tipo de
metáfora, ou, talvez, a uma alegoria. Embora imperfeita, uma analogia
inteligente e brilhante compreende a essência que deve ser reunida.
Enquanto ela pode trazer luz, uma analogia obscurece, pois ela é
enunciada baseada num exemplo que, normalmente, é bastante
diferente da informação pretendida. Ironicamente, quando você
“esconde” a informação numa analogia, você está, na verdade,
“revelando” a sua essência. É isto o que faz o Derush. Ele faz com que
a essência da Torá seja conhecida através de metáforas e contos. Para
os sábios, isto se tornou como chaves que conduzem aos significados
ocultos. Todo o corpo de uma obra da literatura da Torá, conhecido por
Midrash, é dedicado à forma Derush de ensinamento.
E nem chegamos, sequer, ao nível Cabalá. Este aconteceu quando
Moisés escolheu um punhado de futuros nistarim (literalmente, “os
ocultos”), e ensinou-lhes o nível Sod (“Secreto”) da Torá. Neste nível, a
realidade tangível fica reduzida ao simbolismo, à numerologia e às
forças espirituais — aquela energia etérea que suporta a criação. Este
ensinamento foi “recebido” (kibel) de geração em geração — daí o
nome de Cabalá (o processo de recebimento).
PARDES — O POMAR DO MISTICISMO DA CABALÁ
P Peshat Pleno Significado
R Remez Pista, Alusão
D Derush Derivação através de Analogia ou Metáfora
S Sod Segredo, a Cabalá
O Código Genético Espiritual
A abordagem tradicional ao estudo da história pressupõe que o
processo histórico é o produto dos eventos que influenciaram uma
determinada época, ou de carismáticos líderes que deixaram as suas
marcas na sociedade. O meu mentor espiritual, o Rebe de Lubavitch, de
abençoada memória, ofereceu uma perspectiva espiritual mais
profunda. Ele observou que a história também é afetada pela dimensão
vertical — a dimensão da espiritualidade. Ou seja, em outras palavras, a
dinâmica espiritual afeta a história.
Veja o seguinte exemplo dramático. A Revolução Industrial, os
primórdios dos métodos científicos, a ascensão do nascente
nacionalismo na Europa, o crescimento do Puritanismo na Inglaterra e
o surgimento do Chassidismo evoluíram, todos, num
extraordinariamente breve período de tempo. Isto poderia parecer uma
coincidência histórica. Apesar disso, o desenvolvimento social,
econômico e religioso nas respectivas regiões do mundo Ocidental,
onde estes fenômenos aconteceram, estavam longe de refletir o
mesmo. Poderia parecer como se alguma força interior comum
estivesse a impulsionar cada um destes geograficamente disparatados
desenvolvimentos históricos no mundo.
Além do mais, a data para a ocorrência de uma transformação
histórica estava prevista no Zohar, cujo texto fora primeiramente
registrado cerca de mil e quinhentos anos antes. O Zohar assinalava
que chegaria um tempo em que “fontes de sabedoria” irromperiam,
vindas de cima e de baixo, mudando para sempre a paisagem do
mundo. Em outras palavras, além das forças sociais e econômicas
vigentes, existe uma dinâmica espiritual universal que une e mescla estes
fatores isolados num todo integrado.
Assim como os genes mudam a criança para adulto, de uma
desajeitada infância à maturidade, igualmente os eventos históricos
freqüentemente surgem como uma inevitável conseqüência de uma
dupla helicóide cósmica.O progresso próprio de uma pessoa ao longo
de sua vida não é somente um resultado da iniciativa pessoal ou de um
treinamento. Mesmo esta própria iniciativa já é o resultadode uma aura
espiritual definida — a alma. Basta notar como os anos sessenta e os
primeiros anos setenta mostraram ser o resultado de um jovem cuidado
reformista, buscando a transformação da sociedade e a expressão
pessoal. Tudo em flagrante contraste com os últimos anos setenta e os
anos oitenta, durante os quais foi possível observar um importante
incremento no egoísmo, na autocentralidade, na ganância e na cobiça.
Foi possível, nos anos noventa, novamente notar uma nova guinada
espiritual, mais uma volta para o interior. Estas transições não são
fáceis de ser explicadas. Parece que uma profunda dinâmica espiritual
vigora, codificada na Torá — a planta da criação.
Trabalhos recentemente publicados, baseados em elaborações
matemáticas, apontam para um “código espiritual oculto” no âmago da
Torá. Sob um ponto de vista Cabalístico, mesmo estes trabalhos estão
muito longe de explicar a dinâmica espiritual vigente no Cosmos.
O Beijo Cósmico
A metáfora da respiração é largamente usada na explicação da
Torá sobre a criação. Por exemplo, ela descreve como Adão foi criado
em dois estágios. Inicialmente, o Criador formou o corpo físico de Adão
e somente depois é que “soprou” a vida para dentro dele. A Cabalá fala
do sopro de D’us como sendo a força vital que sustenta todos os níveis
da existência: o inanimado, os vegetais, os animais, os humanos, tanto
quanto os etéreos seres angelicais e as almas. O Criador é íntimo com
Suas criaturas. Ele as ama e busca por seu completo e absoluto
benefício. O “Sopro Cósmico” é tratado como o processo de memale
(preenchimento do vazio), assim, animando-o. Quando o Criador
encontra Suas criaturas, cara a cara, o Seu sopro passa por entre elas
através de um “beijo”.
Quando a sua alma se funde ao fluxo Divino da história, a Cabalá a
descreve como um “Beijo Cósmico”. O Criador e as Suas criaturas
compartilham o “Sopro Cósmico”. A respiração consciente, feita com
introspecção, pode se
tornar uma poderosa ferramenta para recuperar o equilíbrio interior e
pessoal. Ela, igualmente, pode induzir estados de consciência alterados,
os quais facilitam uma auto-realização mais profunda e imprimem
transformações comportamentais.
Quem Sou Eu?
Nem o seu corpo, nem a sua mente e seu coração são a essência
daquilo que você é. Na Cabalá, o centro espiritual é chamado de
neshamá. A neshamá é o cordão umbilical, transcendental e espiritual,
que conduz a força vital que o anima. Você pode chamar isto de
“alma”; porém, não é aquela alma que foi formulada pela percepção
Cristianológica. É provável que você imagine a alma como algum ponto
existente nas profundezas de seu interior. Tal conceito é totalmente
estranho aos ensinamentos da mística judaica.
Na Cabalá, a alma transcende quatro mundos (ou planos) paralelos,
conhecidos como Olamot (vide ilustração). A nossa consciência localiza-
se onde o fluxo da neshamá intersecta o plano mais inferior — o plano
Assiyá. Este é o plano do tempo, do espaço e da consciência. A viagem
da alma através destes quatro planos a imbui de propriedade
transcendentais. Olhando para ela sob uma perspectiva psicológica,
poderíamos dizer que o fluxo da neshamá através destes planos
superiores constitui o subconsciente.
Na realidade, nós somos uma dualidade composta de alma e corpo.
Quando nos sentimos bem, plenamente vivos e brilhando dos pés à
cabeça, as nossas dimensões espirituais e físicas estão totalmente
integradas. Quando estamos enfermos, a mente fica enevoada e os
nossos movimentos se tornam mais lentos. Espiritualmente, isto denota
uma leve desintegração das nossas características espirituais e físicas.
Quando dormimos, podemos sentir um deslocamento mais
profundo e uma desintegração de nossa dualidade interior. É como se
perdêssemos a consciência, e a nossa alma ficasse ainda mais deslocada
do corpo. Em nossos sonhos, nos tornamos, embora imperfeitamente,
conscientes dos planos superiores e da nossa presença neles.
Se caíssemos num verdadeiro estado de inconsciência, o
deslocamento da alma em relação ao corpo seria ainda maior, ao ponto
em que a alma passaria a ter uma expressão bastante limitada sobre o
corpo.
A mais profunda desintegração da dualidade alma-corpo ocorre por
ocasião da morte. Neste caso, o deslocamento da alma em relação ao
corpo é tão intenso que apenas uma tênue relação é mantida. Porém, a
Cabalá ensina que, até mesmo na morte, um nível básico de integração
ainda existe, e o corpo retém a sua forma física. A progressiva
decomposição é, na verdade, a perda desta ligação final.
Registros de experiências com pessoas à beira da morte nos
proporcionaram uma janela à natureza da dualidade alma-corpo. Sob
certos aspectos, o fenômeno da proximidade da morte é similar a
alguns estados meditativos e experiências extracorpóreas descritas na
literatura Cabalística. O fundador do movimento Chassídico, Rabi
Yisrael Baal Shem Tov (literalmente, “Mestre do Bom Nome”), registra
numa carta endereçada ao seu cunhado, Rabi Gershon Kittiver, como
foi que, certa vez, ele praticara um estado alterado, conhecido como
Aliyat Haneshamá — a ascensão da alma através dos planos
superiores Olamot. Ele descreve uma ascensão em meio à luz e
esplendor, passando através de uma série de câmaras, até que,
finalmente, encontra a Criatura-Mor conhecida como Mashiach
(Messias), que o instrui a espalhar e difundir os ensinamentos
Chassídicos da Cabalá como um meio de trazer a realização final da
criação. Ao retornar a este plano do aqui e agora, ele vê-se tomado de
um grande fervor, e inicia a difusão das perspectivas Cabalísticas através
do surgimento do movimento Chassídico. Durante aquela experiência, o
seu corpo permaneceu deitado, inerte, e aparentemente sem vida.
O fenômeno da proximidade da morte levanta a questão de quem é
que faz o ato de ouvir e de ver. Certamente, não pode ser o corpo que
jaz sobre uma mesa de operação, mostrando nos instrumentos de
monitoração nada além de uma linha reta e inativa. Igualmente, não foi
o corpo do Baal Shem Tov que viu ou que falou com Mashiach. A
Cabalá ensina que o “eu”, a essência da personalidade e da consciência,
é a neshamá que “vê e ouve”. Ela permanece espiritualmente
consciente e alerta.
Aí reside uma importante diferença entre muitas das crenças do
Leste e a tradição da mística judaica. Enquanto que a Cabalá reconhece
que há muito a ser obtido dos planos superiores, induzido por estados
alterados, o nosso verdadeiro propósito é o de controlar o processo da
consciência e do livre pensar, falar e agir, aqui mesmo, no plano
terreno de Assiyá. A Cabalá nos ensina a integrar o corpo e a alma,
vivendo plenamente no mundo “real”, impregnando-nos com uma
profunda consciência de nosso papel como co-criadores de um
inacabado Cosmos. É somente através deste esforço que nos será
possível encontrar o verdadeiro “eu”.
Considere os grandes personagens de nossos tempos: Gandhi,
Schweitzer, Madre Teresa, Einstein. A sua grandiosidade não se
manifestava através de gloriosos devaneios espirituais, mas na fusão de
seus elevados egos com o trabalho de suas próprias mãos.
A grandiosidade do Rebe de Lubavitch, de abençoada memória,
não está somente em seus muitos milagres. O seu legado inclui as
inúmeras instâncias de preocupação que ele demonstrava em relação ao
bem-estar material de um carente, ou de um desconhecido, situado no
outro lado do globo.
Eis a verdadeira mensagem da Cabalá. Não é necessário que a
pessoa seja, permanentemente, um santo para alcançar a
grandiosidade. A grandiosidade pode ser conseguida através da
comunicação de empatia ou de uma palavra sábia. Entre os
ensinamentos Chassídicos, aprendemos que o propósito da descida a
este plano de uma determinada alma pode ser simplesmente para
praticar um único ato de benevolência para uma outra pessoa. Após ter
a alma realizado este determinado ato, o motivo pelo qual veio a este
plano terreno poderá ter sido plenamente cumprido. Pode acontecer
que pratiquemos durante toda a vida para poder encontrar o desafio de
uma única provação — e que será determinantesobre a jornada
daquela alma em sua próxima vida. Isto lhe parece um tanto quanto
Oriental? Pois saiba que se trata de um antigo ensinamento Cabalístico.
Vidas comuns podem transformar a própria criação.
3
Quem São os Cabalistas?
Muitas pessoas me perguntam qual a aparência de um Cabalista. O
que, realmente, faz um Cabalista? Muitos poderão se surpreender ao
tomar conhecimento de que o termo é uma invenção dos círculos
acadêmicos, que encaravam a tradição da mística judaica do lado de
fora. A palavra correta para descrever aquele que dedica a sua vida à
Cabalá é mekubal, que significa “aquele que foi recebido”. Atualmente,
o termo “Cabalista” parece estar sendo usado de forma liberal para
descrever alguém que alega ter estudado um pouco de Cabalá, a partir
de um trabalho de pouca importância, e aspira ou alega ser um
professor.
Não existem muitos mekubalim (plural de mekubal) no mundo. Os
poucos que recebem pessoas e que dão assistência moram em Israel ou
em Nova Iorque, os principais centros da vida judaica.
Alguns mestres Chassídicos, chamados Rebes, também são
competentes em Cabalá e são possuidores de um considerável poder.
Os Rebes, os mestres espirituais Chassídicos, devem ser diferenciados
dos Rabis. Os primeiros são líderes de movimentos Chassídicos e,
freqüentemente, são, também, Cabalistas. Os segundos — os Rabis –,
geralmente, são líderes religiosos comunitários e funcionários
contratados por uma Sinagoga ou Comunidade, e raramente são
Cabalistas.
O que deve ser entendido é que a Cabalá não é um movimento,
mas um domínio espiritual. Por outro lado, o Chassidismo é um
movimento, e ele difunde os ensinamentos da Cabalá, freqüentemente
usando uma abordagem comportamental, tal como faz o Chassidismo
Chabad-Lubavitch, para assistir as pessoas em suas vidas cotidianas.
O Chassidismo surgiu na Europa, no Século XVIII, em meio a uma
miserável pobreza e um crescente anti-semitismo. Naqueles tempos, a
sociedade judaica estava dividida: uma elite estudiosa e a vasta maioria
dos judeus, que tinha um limitado acesso à sua herança literária. Foi um
período triste, caracterizado por um fervor religioso exterior e que,
muitas vezes, carecia de uma verdadeira consistência espiritual. O
Chassidismo surgiu como um movimento espiritual, democratizando a
sociedade judaica, fazendo com que os iletrados artesãos se sentissem
tão próximos de D’us quanto o mais conceituado dos estudiosos,
instilando alegria na expressão religiosa.
A principal contribuição do Chassidismo continua sendo a adoção
de uma abordagem comportamental à Cabalá. Ele ensina as aplicações
dos ensinamentos profundamente místicos para o benefício das pessoas
em suas vidas cotidianas.
A Cabalá também oferece aconselhamento espiritual, de forma
bastante independente de quaisquer intervenções dos Cabalistas, na
manutenção do bem-estar e da recuperação. Aí se incluem o
aconselhamento para certificar-se de que todas as mezuzot (plural de
mezuzá— invólucro que contém um trecho da Torá e que é manuscrita,
em hebraico, sobre um pergaminho, e colocada nas soleiras das portas),
ou os tefilin (filactérios que são usados diariamente por um homem
judeu adulto durante as preces matinais), sejam conferidos, procurando
por erros de escrita, ou para verificação de integridade após um
desgaste por uso. Muitas destas medida profiláticas espirituais estão
codificadas na Lei Judaica convencional. A maioria das pessoas
desconhece a sua origem na Cabalá.
Infelizmente, no presente “mercado” espiritual, podem ser
encontrados muitos que se autodenominam Cabalistas, e que sequer
estão familiarizados ou possuem alguma experiência com os aspectos
básicos da Lei Judaica, ou com seus costumes e tradições, e que podem
muito bem nem praticar as tradicionais mitsvot (plural de mitsvá —
literalmente, “mandamentos”; usado, coloquialmente, para denotar atos
de bondade e benevolência e boas ações), bem como existem alguns
que nem sabem ler hebraico ou Aramaico, as línguas nas quais foi
escrita a Cabalá.
A Cabalá não é apenas conhecimento e sabedoria. Ela deve ser
acompanhada de um estilo de vida específico e altamente disciplinado
de um judeu religioso, vivendo conforme a Torá. É uma vida que imbui
o cotidiano com intensa espiritualidade. A pessoa não pode aspirar ser
um Cabalista. Isto será um resultado de um prolongado aprendizado
espiritual e um processo que invoca no estudante tanto um sentido de
apreensão, como um sentido de temor e de responsabilidade espiritual.
Mesmo no final deste árduo processo, um dom deve ser-lhe outorgado,
a partir das Alturas, para investir a pessoa com poderes sobrenaturais.
As ferramentas são forjadas no fogo espiritual. Portanto, a aproximação
a um Rebe Chassídico, ou a um Cabalista, pode vir a ser uma
experiência espantosa e assombrosa. O Rebe poderá enxergar
diretamente o interior da sua alma. Não haverá segredos.
As pessoas têm um conceito um tanto quanto deformado acerca
dos Cabalistas. Elas vêm os Cabalistas envergando longos e pesados
casacos pretos, variadamente chamados de capotes ou bekeshes,
deixam crescer longas costeletas, usam meias brancas compridas e
ostentam uma variedade de chapéus, que vão desde os streimels de
pele ou spoticks, aos “capuzes” de largas abas. Tal estereotipo não é
apenas enganoso, mas é freqüentemente atribuído exclusivamente a
uma categoria, inspirada pela mídia, denominada de judeus ultra-
ortodoxos. Mesmo este termo é, também, enganoso e simplista. O
termo ultra-ortodoxo é, por si, o resultado de uma abordagem de
julgamento que infere uma noção de excessivo fervor religioso, como
se, de alguma forma, isto pudesse ser objetivamente estabelecido. A
maneira com que uma pessoa se veste é sempre menos uma expressão
de sua prática religiosa do que uma expressão dos usos específicos e
tradicionais na história. Trata-se, apenas, de uma questão de costumes.
Estes costumes de vestimentas aplicam-se, quase que igualmente, a
praticantes Chassídicos e não-Chassídicos, sendo que a maioria usa este
tradicional tipo de vestimentas somente no Shabes (Shabat). Inúmeros
grupos muito religiosos vestem roupas convencionais durante a semana.
Alguns judeus religiosos do Oriente Médio envergam as tradicionais
túnicas e os turbantes, embora este seja apenas um pequeno e quase
extinto setor da sociedade israelense. O mesmo é válido quanto aos
Cabalistas do Oriente Médio. No entanto, a maioria dos Rebes, bem
como alguns de seus seguidores, vestem os trajes tradicionais durante
toda a semana.
O que é que fazem os Cabalistas para se sustentar?
Tradicionalmente, muitos eram artesãos e comerciantes, especialmente
na Europa, nos Séculos XVIII e XIX. Alguns expoentes no Oriente
Médio ainda continuam, nos dias de hoje, esta tradição.
Hoje em dia, um punhado de Cabalistas e Rebes Chassídicos são
acessíveis publicamente, e, o dia inteiro, recebem pessoas que buscam
seu aconselhamento e sua assistência. Eles são sustentados por seus
seguidores e graças a generosos donativos e contribuições de
agradecimento pelas consultas concedidas. O seu estilo de vida é
rigoroso — muitos dormem apenas algumas poucas horas por noite,
usando as horas noturnas para um intenso estudo da Torá, em todos os
seus níveis, particularmente, o nível esotérico. Eles são respeitados e
reverenciados, e, em se tratando de Rebes Chassídicos, a sua palavra é
lei e instrução.
Muitas pessoas se dirigem a estes “milagreiros” buscando cura,
sendo que cada Cabalista tem a sua própria modalidade individual.
Freqüentemente, o conselho trivial e comum que ele dá encobre a
verdadeira fonte da cura. Por exemplo, alguns Cabalistas aconselham a
pessoa a comer uma certa fruta, ou a acender uma vela. O que não fica
evidente àquele que recebe o aconselhamento é que o Cabalista está, na
verdade, concentrando energia espiritual Divina. A fruta, ou a vela,
torna-se o condutor físico através do qual a energia espiritual pode fluir.
Se aquela fruta não fosse ingerida, ou aquela vela não fosse acesa, a
bênção do Cabalista deixaria de ter qualquer efeito. Isto é denominado“construir um kelí” (um recipiente para abrigar a bênção). Há os
Cabalistas que “lêem as mezuzot”. Estes Cabalistas conseguem
perceber todos os aspectos concernentes à vida da pessoa através da
mezuzá, e oferecem-lhe aconselhamento com base naquilo que
encontraram. Outros reconhecem a alma através do nome da pessoa e
do nome de sua mãe. Outros, ainda, poderão pedir que a pessoa abra,
aleatoriamente, uma página em Salmos.
Muitos Rebes Chassídicos ocultam o miraculoso no ordinário. O
último Rebe de Lubavitch, de abençoada memória, freqüentemente
camuflava seus miraculosos dotes em conselhos “triviais”. Ele podia
aconselhar uma pessoa em sofrimento a consultar um determinado
médico, ou a submeter-se a uma específica terapia domiciliar. De
alguma forma, o seu aconselhamento resultava numa espontânea
remissão de uma séria enfermidade. Em outras ocasiões, o Rebe
simplesmente invocava que a pessoa seria curada — e isto bastava. Em
outras oportunidades, ainda, ele instruía a pessoa a “fazer um le’chaim”
— um brinde (tomar um trago, normalmente um gole de vodka,
desejando à pessoa le’chaim — “à vida”), e isto já seria suficiente para
efetuar a cura. Às vezes, ele levava o nome da pessoa e o nome de sua
mãe ao túmulo de seu santo sogro (seu antecessor espiritual), pedindo
uma intervenção Celestial.
O famoso Cabalista do Oriente Médio, conhecido como Baba Sali,
de abençoada memória, que morreu há poucas décadas, operou
milagrosas curas em pacientes hospitalizados e portadores de
seriíssimas doenças. Sob os atentos olhos de médicos, ele pedia que o
paciente engolisse um pouco d’água. As reações de assombro e
admiração por parte dos médicos estão registradas.
Alguns Cabalistas, e a maioria dos Rebes Chassídicos, ouvem os
casos, e regras de etiqueta norteiam o relacionamento entre eles e os
seus seguidores ou visitantes. O protocolo pode envolver tempos
específicos para as instruções públicas ou para as reuniões cerimoniais,
além de determinar os estilos de comunicação, se orais ou escritos. O
protocolo também enseja um sentido de majestade e santidade. Em
certos casos, a pessoa não toca o Rebe sequer para dar-lhe a mão ao se
encontrarem, e a pessoa deve, sempre, postar-se de pé em sua
presença.
O Cabalista está num outro nível — literalmente fora deste mundo
–, e aquele mundo é, geralmente, desconhecido a quaisquer pessoas,
exceto a seus seguidores. Se, algum dia, você tiver a oportunidade de
conseguir uma audiência com um Cabalista, isto poderá,
verdadeiramente, mudar a sua vida.
Embora este livro não seja um manual para que leigos se tornem
um mekubal, os ensinamentos básicos da Cabalá, tal como difundidos
pelos ensinamentos Chassídicos, contém percepções e aplicações
práticas que podem ser acessadas por todos nós, independentemente
de nossa condição de vida ou de nossos desafios cotidianos. Enquanto a
Cabalá explora as atordoantes alturas dos mundos superiores, os reinos
angelicais e as forças que formam o Cosmos, nos proporciona a
dinâmica para a vida cá em baixo. O mundo físico é uma imagem finita
dos reinos infinitos. Conseqüentemente, as percepções dos trabalhos
espirituais “lá em cima” proporcionam percepções paralelas em nossos
trabalhos “cá em baixo”. A benéfica natureza da criação torna-se o
gabarito para o pensamento positivo e um modelo para a nossa própria
fé e otimismo. A principal união das forças no Cosmos torna-a ideal
para os relacionamentos significativos e amorosos, e o equilíbrio cá em
baixo, na terra.
S E G U N DA P A R T E
OS FLUXOS DA MENTE E A
EMOÇÃO
4
As Dez Sefirot
Certa vez, o Baal Shem Tov contou a seus discípulos uma história sobre
um lindo pássaro que voou para dentro do jardim do rei e pousou no galho
mais alto de uma árvore. Todos os dias, o pássaro cantava seu trinado, e
aquela linda melodia acabou cativando de tal forma o rei que ele mandou
apanhar aquele pássaro, trazendo-o para dentro do castelo para que o
pássaro cantasse só para ele. O rei reuniu os seus servos e instruiu-os a
construir uma escada humana, pela qual subiria até o topo daquela árvore.
Eles cumpriram rigorosamente as ordens dadas pelo rei, e tudo saiu muito
bem, conforme preconizado pelo rei, até o ponto em que ele se esticou para
agarrar o pássaro. Foi exatamente naquele momento que o homem que
estava na base da escada se cansou e saiu de seu posto. O resultado: a escada
inteira desmoronou.
O que é que esta história nos transmite? Em um nível, trata-se de
uma parábola que pode apontar a tolice de tentar capturar, para o
prazer pessoal de um só indivíduo, aquilo que deveria se prestar ao
deleite de todos. Porém, nos foi dito que o Baal Shem Tov tinha em
mente uma lição mais profunda. Era seu intuito que nós entendêssemos
que o amor de D’us somente pode descer à terra quando nós
sustentarmos uns aos outros — o mais forte ajudando o mais fraco, e o
mais fraco desejoso de ser forte. Quando uma só pessoa desistir e se
render à fraqueza — à ganância, ou à crueldade –, a estrutura inteira
desmorona. Assim, o universo depende dos esforços de cada um de
nós.
A Cabalá nos diz que a criação não está completa. Nós criamos o
ambiente e as condições através das quais o universo pode ser
aperfeiçoado. As ferramentas e instrumentos que nos foram dados são
as dez Sefirot. Elas são as energias espirituais da Mente e da Emoção.
A Estrela de David
Ao longo deste livro, nos envolveremos em diversos exercícios
imaginativos que envolvem a imagem da Estrela de David. A Estrela de
David é composta de dois triângulos sobrepostos, formando seis pontas.
A Cabalá se refere a estas pontas como “asas”. Estas asas simbolizam
seis Sefirot da Emoção, os fluxos de energia que nos permitem imbuir-
nos de pura atividade cerebral, com calor e graça. Tal como as asas de
um pássaro, elas nos impulsionam espiritualmente para o alto.
Os dois triângulos sobrepostos criam doze linhas. Elas representam
as doze tribos de Israel, cada qual com a sua própria Emoção
característica.
A Cabalá alude às seis pontas como representantes da dimensão de
seis cúbitos quadrados de cada uma das duas Tábuas dos Dez
Mandamentos. Maimônides sustenta que cada uma das Tábuas era
um quadrado perfeito, e que cada quadrado tinha a dimensão de
seis cúbitos de largura por seis cúbitos de altura.
Iniciaremos, agora, as nossas explorações acerca de como é que as
dez Sefirot podem nos orientar para que possamos alcançar o nosso
pleno potencial.
Leia cada um dos exercícios várias vezes e em voz alta. Quando
você se sentir bem ouvindo a sua própria voz, tente gravá-la num
gravador. Se você tiver uma fita para cada exercício, você terá um fácil
acesso, especificamente, a cada um dos exercícios imaginativos ou
meditações contidos neste livro.
Encontre um lugar tranqüilo e sossegado. Sente-se numa posição
confortável. Concentre-se em seu estado mental. Você está se sentindo
agitado ou triste? Você está tranqüilo ou um pouco preguiçoso? Os seus
pensamentos estão fluindo bem ou você está distraído? Relaxe. Você
não está aqui para julgar ou para ser julgado.
Cada um de nós é um turbilhão em redemoinho de energias
espirituais camadas de Sefirot — fluxos espirituais. As dez Sefirot são
as matérias-primas do Cosmos. Elas são a base do mundo do tempo e
do espaço, da energia e da matéria. As Sefirot são, também, os tijolos
de nossas personalidades individuais. Embora espirituais, na natureza
elas, principalmente, se tornam Mente (Sechel) e Emoções (Midot). A
Alma (neshamá) é a trilha pela qual a energia destas fontes flui para
animar e estimular o nosso ser. Onde é que elas se originam? Estas dez
Sefirot fluem da fonte infinita do Ein Sof (literalmente ”Sem Fim”),
através de quatro planos (ou mundos) espirituais paralelos. Básica e
principalmente, as suas manifestações humanas se realizam no plano
final de Assiyá. A pessoa que você é é determinada pelas Sefirot no
plano Assiyá.
Olamot: Os Mundos Paralelos
A palavra Olamot significa, em hebraico, “Mundos”. Embora o
nosso diagrama exiba quatro planos básicos, na verdade esta quantidade
é infinita.Imagine-as como dimensões que refratam a luz da criação. A
ordem Sefirótica ilustrada no diagrama ao lado pode ser vista como um
feixe de fonte energética, com dez diferentes comprimentos de onda. À
medida que estas dez ondas de luz criativa atravessam cada um destes
planos, as suas qualidades vão se tornando “criaturas” naquele plano
(ou mundo), ocupando o espaço espiritual. Algumas vezes, elas são
percebidas em formas angelicais, como os Serafim (“anjos de fogo”),
chayot hacodesh (“animais sagrados”), ofanim (“rodas”), e anjos como
Michael, Gabriel, Uriel e Rafael. Existem muitos outros, todos
influenciando as atividades no finito mundo físico.
O plano Atsilut é o mais próximo da Fonte Divina. Ele é
indistinguível da luz do infinito, Or Ein Sof (literalmente “Luz do
Infinito”). O Or Ein Sof é uma metáfora para representar D’us — a luz
Daquele que é Infinito. Muito pouco pode ser dito acerca desta Fonte
que é ininteligível às nossas mentes finitas.
Beriyá (“Distinta Criação”) é o primeiro plano no qual é possível
discernir identidades separadas, embora seja altamente espiritualizado.
Beriyá é dominado pela inata natureza da Mente.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o
seu paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e
de baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está
penetre em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua
consciência? O que é que os seus dedos estão tocando? Em que
estão focalizados os seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os
seus pensamentos o atravessem suavemente, sem pressa ou
urgência. Você está seguro. Ainda com os olhos fechados,
vislumbre um lindo gramado em formato de uma grande
Estrela de David. Imagine-se caminhando por sobre a grama.
Você pode sentir a sua suavidade e maciez. O mundo inteiro é
verde, tranqüilo e pacífico. O ar é fresco e de suave aroma.
Seja bem-vindo ao primeiro dia de sua nova vida. Abra os seus
olhos. Nós voltaremos a visitar este maravilhoso lugar que
existe somente para você, fora do tempo. Com o passar do
tempo, nós estaremos adicionando outras imagens. Por ora,
basta saber que este lugar existe, e que você pode retornar a
ele sempre e quando quiser.
Yetsirá (“Forma e Qualidade”) é o plano da Emoção.
Assiyá (“Realização”) é onde vivemos. É o mundo do tempo, do
espaço e da consciência terrena.
Atsilut A Vontade Divina
Beriyá A inata natureza da Mente
Yetsirá O plano da Emoção
Assiyá Tempo, espaço e consciência terrena
A neshamá (Alma)
A neshamá (“alma”) é algo como um cordão umbilical espiritual
que transcende estes quatro planos, com uma das extremidades
conectadas à Fonte Infinita e a outra, ao interior de seu ser espiritual e
físico. A neshamá é o conduíte para o fluxo das dez Sefirot, que,
então, individualizam-se como dez qualidades da personalidade — os
fluxos de nossa Mente e Emoção. As dez Sefirot podem ser divididas
em dois grupos:
1. Sechel representa os três fluxos Sefiróticos da Mente,
conhecidos como: Chochmá, Biná, e Daat. Estes se expressam mais
plenamente no plano de Beriyá.
2. Midot representa os sete fluxos Sefiróticos da Emoção:
Chéssed, Guevurá, Tiféret, Netsach, Hod, Yessod e Malchut. Estes se
expressam mais plenamente no plano de Yetsirá.
Os planos superiores das Sefirot são, literalmente, Mente e
Emoção desincorporadas.
A alma incorporada, o humano, é o “curinga” da criação. Neste
plano, os seres humanos assumem a consciência — com a capacidade
de exercer a escolha.
Cada um de nós canaliza diferentes quantidades de fluxos de Mente
e Emoção, em função de nosso nível de sabedoria ou tolice.
Sechel: Os Três Fluxos Sefiróticos da Mente
CHOCHMÁ: Chochmá é o fluxo espiritual responsável pela inspiração e
pela criatividade. A Cabalá nos ensina que Chochmá é o catalisador que
arranca os poderes de nossa alma das profundas e insondáveis “águas”
do subconsciente, trazendo-os à luz da consciência. Sempre que
começamos a pensar, a Sefirá de Chochmá é a centelha que dá a
partida no processo.
Chochmá funciona quando você percebe que está prestes a
resolver um espinhoso problema. Chochmá significa, literalmente,
“Sabedoria”; porém, também pode ser a fonte de uma pobre
“Inspiração”, que conduz a interpretações erradas ou falsas.
BINÁ: A “centelha do pensamento consciente” inicial da Chochmá é
tanto disforme quanto momentânea. É um “embrião da Mente”, que
seria natimorto, não fosse o fluxo da segunda Sefirá da Mente — a
Biná. A Biná é feminina em relação ao masculino Chochmá. Ela
alimenta a centelha do pensamento consciente, torna-o tangível, e dá-
lhe direção. A linha de pensamento está, agora, estabelecida. O
pensamento torna-se analítico, desenvolvido, cristalizado.
DAAT: Chochmá e Biná são atividades cerebrais da Mente. As
informações foram interpretadas através da Chochmá e da Biná;
porém, o clima emocional intrínseco ainda não foi estabelecido. Este
hiato momentâneo, que antecede o estabelecimento de uma sensação
ou sentimento, pode ter a duração de, apenas, frações de um segundo.
Ou poderia ser o resultado de meses de luta, levando a um novo fluxo
de Emoções pertencente ao mesmo grupo de pensamentos. A Sefirá
de Daat permite que a Mente e as Emoções se conectem. O Daat
funde as energias espirituais da Mente com as da Emoção. Daat
significa, literalmente, “Saber”, “Cognição”. “Saber” algo é juntar-se
àquele algo — tornar-se um com aquele algo. Consideremos, ainda, um
outro aspecto do Daat. É ele quem proporciona a força de atração
entre a Chochmá e a Biná, ensejando, assim, o pensamento, a
criatividade e o processo de desenvolvimento do pensamento, fazendo
com que ele se inclua numa seqüência coerente de pensamento.
Midot: Os Sete Fluxos Sefiróticos da Emoção
Nós possuímos sete Sefirot de Emoção, que estão divididas em
dois grupos: emoções internalizadas e emoções externalizadas.
Emoções Int ernal izadas
CHÉSSED: Quando as Sefirot são incorporadas nas sete Emoções
humanas, elas são chamadas de Midot — que significa “Fluxos
Mensurados”. A Emoção mais básica e elementar, a de dar e repartir, é
chamada de Chéssed. Quando estendemos a mão a uma pessoa
necessitada, estamos canalizando o nosso fluxo de Chéssed. Ele aciona
o desejo de repartir, tanto materialmente como emocionalmente. Ele
também é o fluxo básico do Cosmos com o qual a criação está imbuída.
Mas Chéssed é um “sentimento”, uma “sensação”; e sentimentos
inatos não possuem direção. A direção é uma edificação da Mente, e é
importante que o fluxo do Chéssed seja guiado com sabedoria e juízo,
caso contrário, ele pode se tornar destrutivo. Por exemplo, uma pessoa
generosa e benemérita, que não exerce um sensato controle, corre o
risco de esgotar as suas reservas e recursos, tornando-se,
emocionalmente (e, até, financeiramente) esgotada. O Chéssed deve ser
guiado e orientado pelas Sefirot da Mente — isto é, da sabedoria.
GUEVURÁ: O fluxo da dação do Chéssed é balanceado pela
aparentemente oposta natureza da Guevurá. A característica da
Guevurá é a retenção, a concentração e a limitação. Por exemplo, ela
restringe o fluxo do Chéssed àquilo que é sensato e sábio naquele
determinado momento. É importante notar que nem o Chéssed e nem
a Guevurá são, por si, bons ou maus. A maneira pela qual a nossa
Mente superior exerce a escolha determina se a emoção está
corretamente equilibrada. Algumas vezes dar é bom. Outras vezes, reter
é bom. Enquanto o Chéssed é expansivo, para fora, afastando-se do
ego, a Guevurá é focalizada, orientada para dentro, e concentrada.
Por exemplo, a Guevurá é indispensável à prática do karatê, onde
a retenção da dissipação de energia e a focalização daquela energia
num estreito “facho” proporcionam à concentração uma espantosa
força e potência. Por outro lado, o Chéssed é essencial à prontidão e
percepção de 360 graus com a qual um guerreiro samurai foi treinado,
ou se manifesta na amplidão da compaixão. Ambos sentimentos podem
tanto ser intensos como fracos, dependendo da quantidade de fluxo que
é gerado.
TIFÉRET: O Chéssed e a Guevurásão fluxos independentes. Eles
devem ser integrados para que seja possível conseguir-se equilíbrio. O
fluxo do Tiféret facilita esta união. Por exemplo, o que acontece
quando queremos ajudar um amigo que está, cronicamente, no
vermelho? O nosso impulso instintivo de preencher um cheque pode ser
atenuado ao nos conscientizarmos que se, desta vez, abrirmos mão,
poderemos, na verdade, estar perpetuando um problema que tem
atormentado o nosso amigo já há algum tempo. Chegamos à conclusão
de que seria melhor e de mais ajuda se sugeríssemos àquela pessoa que
procurasse os serviços de um conselheiro financeiro e assumisse o
controle da situação. A nossa resolução poderia ser a de exercer a
compaixão e dar um pouco mais do que, inicialmente, tencionávamos,
ao mesmo tempo em que também sugeriríamos uma solução a longo
prazo. A compaixão se torna a força de integração entre Chéssed e
Guevurá. A função do Tiféret é a de organizar a combinação, uma vez
que a Mente tenha determinado como é que os sentimentos devem ser
mesclados.
Estas três Sefirot da Emoção são os sentimentos internalizados.
Eles são experimentados internamente, antes que sejam expressos no
mundo real. Para “externalizar” tais sentimentos, um outro conjunto de
três Sefirot deve ser iniciado. Sem elas, os sentimentos ficariam para
sempre emocionais; porém relacionamento algum resultaria devido ao
fato de não virem à tona, de serem exteriorizados.
Emoções Ext ernal izadas
NETSACH: Quando o clima emocional interior se estabelece, as
Emoções buscam realizar-se através dos relacionamentos. O primeiro
destes fluxos expressivos é o Netsach. Este é a Sefirá responsável pelo
desejo, pelo impulso de sair e entrar no mundo de uma outra pessoa.
Isto pode acontecer entrando numa conversa com alguém, ou
estendendo-lhe a mão, ou praticando ações que venham a tocar outrem
numa infinidade de maneiras. O Netsach nos permite atravessar os
limites e fronteiras interpessoais. Netsach significa, literalmente,
“Vitória” — o sucesso de cruzar o limiar do ego e adentrar o espaço de
outrem.
HOD: Os relacionamentos bem-sucedidos não são somente o resultado
da exteriorização. Eles também dependem da nossa capacidade de criar
um espaço interior para aceitar o fluxo de Netsach oferecido pelos
outros. Se nos entregarmos a outrem com grande entusiasmo e
sentimos o clima emocional frio, é sinal de que nós não criamos um
relacionamento.
O fluxo de Hod detém a confiança do Netsach de forma que não
venhamos a ser dominados, ou excessivamente efusivos, criando medo,
temor ou sufocamento emocional. A maneira pela qual Hod restringe
Netsach no mundo da expressão não é diferente da maneira que a
Guevurá atua sobre o Chéssed no mundo das emoções interiores.
YESSOD: A essência do Yessod consiste na nossa capacidade de nos
concentrarmos na pessoa com a qual estamos nos comunicando. É o
funil através do qual todas as Sefirot da Mente e da Emoção vertem
num relacionamento. A palavra Yessod significa, literalmente,
“Fundação”, “Alicerce”. E a Cabalá nos ensina que Yessod denota a
intensidade, a fusão e a força da comunicação que existe entre duas
pessoas.
MALCHUT: Assim como um canto define o encontro de duas ou mais
linhas, o Malchut torna-se o ponto de encontro de todos os fluxos
Sefiróticos — sua expressão final. Porém, assim como um canto não é
nada sem as linhas que o criam, Malchut é a junção onde as “linhas”
das Sefirot Mentais e das Sefirot Emocionais se intersectam. Ele
representa a coesão final num relacionamento. Ele é o terreno fértil no
qual as Sefirot são plantadas, e é o ápice da feminilidade entre as
Sefirot.
As três ferramentas: Chochmá, Biná e Daat são básicas e
imprescindíveis ao domínio dos processos da Mente. Passaremos agora
a abordar, em separado, cada uma delas e a aprender como é que elas
agem.
5
Chochmá: A Varinha Mágica
Como é que você rastreia um pensamento até as suas origens
subconscientes? Como é que você cria um fluxo mais positivo a partir
do mesmo catalisador subconsciente? A Mente não grava ou registra de
forma objetiva. Ela interpreta, e sempre possui uma propensão. Dentro
de um raio de possíveis interpretações, nós devemos treinar a nossa
Chochmá para sacar de nosso subconsciente interpretações positivas e
benevolentes.
Por exemplo, a flor que se desenvolve num jardim não é,
meramente, uma coleção de moléculas configuradas numa complexa
maneira e, sujeitas a uma descrição através de fórmulas matemáticas e
químicas. A delicada flor que se aquece ao calor do sol é um jogo de luz
e sombra. Ela evoca sensações e memórias. Ela pode transcender o
tempo e nos remeter de volta à nossa infância. Ela pode inundar e
preencher a nossa mente com a visão de uma pessoa querida. Ela pode
nos crivar de assombro com a sua espantosa beleza. Mas esta
interpretação é rara. A maioria das pessoas passa pela vida com as suas
inspirações natimortas. Não seria maravilhoso cultivar um clima criativo
que nos inspirasse com esta mágica?
A Sefirá de Chochmá pode agir como uma varinha mágica. Ela
nos permite invocar um pensamento e imbuí-lo com o multicolorido da
consciência.
“Você está onde os seus pensamentos estão”.
— Mestre Chassídico
Pescando Os Seus Pensamentos
Imagine-se sendo um profundo lago alimentado pelas caudalosas
águas das cachoeiras das Sefirot. Imagine, também, que você é um dos
pescadores que pescam naquele lago. A sua disposição natural pode ser
comparada a uma carretilha de pesca. As suas mais profundas
querências e desejos são a isca. A maneira como você busca a alegria e
o alívio à dor é representada pela área do lago onde você prefere
pescar. Os seus pensamentos são os peixes a serem fisgados. A maioria
de nós costuma pescar da mesma maneira, exatamente na mesma área
do lago, e nós sempre pegamos o mesmo peixe. Geralmente, nós
respondemos da mesma maneira aos mesmos estímulos.
Se persistirmos em interpretar um evento da mesma forma
negativa — carregada de medo e dor — então o nosso cérebro
persistirá em destilar a sua característica carga de excessivo estresse,
liberando hormônios que deflagram uma reação em cadeia de eventos
bioquímicos.
Os cientistas constataram que a memória que o corpo tem do
medo é a emoção mais profundamente gravada nos bancos de memória
do cérebro. Ou seja, quando você lembra de uma traumatizante
entrevista para um emprego, na qual o seu entrevistador tentou
desacreditá-lo ou diminuí-lo, aquela lembrança passará a fazer parte da
informação gravada que o seu cérebro liberará ao seu corpo cada vez
que você entrar numa sala para ser entrevistado. Só pelo simples fato
de pensar naquele evento, você poderá sentir as suas mãos suando, o
seu rosto refletindo aquele desconforto, e as batidas de seu coração
mais fortes em seu peito.
É possível reinterpretar, conscientemente, circunstâncias negativas
como resultados positivos? Poderia a vida em negação invocar os seus
próprios perigos? A verdade é que, na vida, muito pouco é,
categoricamente, positivo ou negativo. A maioria das circunstâncias e
situações que enfrentamos, mesmo aquelas que nos parecem obstáculos
intransponíveis e insuportáveis, é produto de interpretações subjetivas.
Será que podemos saber que aquele belo negócio que perdemos não
acabaria sendo uma pedra no caminho de um outro negócio ainda
melhor? Será que estamos em posição de determinar se por termos
sido rejeitados por um amor não poderíamos ser finalmente levados a
uma felicidade permanente com outra pessoa? Seria possível que uma
enfermidade qualquer pudesse provar não ser a verdadeira provação
que fortaleceria o nosso vigor e disposição numa outra área de nossa
vida?
Algumas pessoas acordam e saem do lado errado da cama,
batendo com a cabeça na parede do medo e da dúvida, e, com
ansiedade, tropeçam durante o dia todo. Outros enfrentam as mesmas
atribulações e interpretam a mesma realidade como sendo uma
oportunidade. Será que uns estão certos e os outros errados?
Empiricamente, não; porém, se o critério for saúde e bem-estar,
obviamente a segunda atitude está muito à frente.
A Cabalásustenta que a tranqüilidade espiritual pode ser treinada e
dominada. Você pode aprender a reinterpretar a realidade. Você pode
extrair, e manter, uma disposição positiva fisgando um “peixe diferente”
— mudando, metaforicamente, o seu estilo de pesca. Você pode se
tornar uma pessoa mais feliz e mais amável, e, também, alterar
profundamente a química de seu corpo. Você pode tampar as antigas
ranhuras do medo e formar novas trilhas, com novas interpretações de
antigas lembranças. A Cabalá vai, ainda, um passo adiante. A alegria e
a felicidade são as expressões da alma acerca de sua navegação pelos
mares do corpo. As terminações nervosas, as células receptoras, e os
bilhões de microscópicos acontecimentos que ocorrem ao nível celular
são os canais para a viagem da alma.
UM EXERCÍCIO DO PENSAMENTO
Você precisará de um relógio digital com alarme ou um pequeno
relógio despertador. Você também precisará de um bloco de notas. No
começo de uma semana que não esteja tão cheio de compromissos,
ajuste o alarme do relógio para que dispare a cada duas horas. No
decorrer da semana, sempre que o alarme disparar, resuma os seus
pensamentos em algumas poucas palavras:
Descrição do pensamento — Uma sentença será suficiente.
Origem do pensamento — O que disparou o pensamento?
Avaliação do pensamento — Ele foi bom, útil, doloroso, ou
irritante?
Substituição do pensamento — Se você estiver infeliz ou
insatisfeito com o pensamento, como é que você poderia pensá-lo de
forma diferente?
Você se surpreenderá com o quão fascinante este exercício pode
ser; e bastarão um ou dois minutos para que você rabisque as suas
respostas. Ajuste os intervalos de tempo quando assim for necessário.
Obviamente, se você estiver num importante compromisso, você
poderá muito bem não querer, ou não poder, despender tempo algum
para anotar os seus pensamentos. É mais importante que você
conheça, com o tempo, os seus padrões de pensamento do que, de
forma escrava ou cativa, observe a programação. No final daquela
semana, estude as suas observações anotadas, e veja se você consegue
identificar ou detectar alguma tendência. Como foi que você reagiu a
uma situação estressante, ou a um acontecimento inesperado? Os seus
pensamentos foram raivosos ou irados? Alegres? Desapontados ou
frustrantes? Dolorosos? Rancorosos ou malévolos? Ou você pensou
diretamente sobre as coisas e trabalhou para uma abordagem racional e
equilibrada dos acontecimentos?
Este exercício o ajudará a descobrir o seu perfil Chochmá — o seu
“piloto automático”. Observar como você pode ter substituído
pensamentos diferentes, fará com que aprenda, gradativamente, a
modificar o seu ajuste.
A Lâmpada Megawatt
Imagine uma poderosa lâmpada megawatt. Acenda-a e você ficará
cego pelo seu brilho radiante. Tente cobri-la com um protetor; porém,
ela é forte demais. Coloque mais um protetor por cima; ainda de nada
adianta. Continue sobrepondo sobre a lâmpada outros protetores, até
chegar ao ponto de sentir-se confortável. Somente depois de ter
encoberto a lâmpada diversas vezes com protetores translúcidos é que
você foi capaz de ver e enxergar. Ora, isto não é irônico? Para que lhe
fosse possível abrir os olhos de forma indolor, você teve que ocultar a
fonte da luz.
Os Cabalistas chamam a Sefirá de Chochmá de mochá setumá —
o “cérebro oculto”. Trata-se de uma metáfora para o estado
subconsciente. Os Rebes Chassídicos rearranjaram as letras Hebraicas
da palavra Chochmá para ler koach má, que significa “potencial”. Ele
representa os elementos básicos de nossa personalidade. Chochmá nos
permite extrair de nosso subconsciente, sendo, também, a substância
básica de nossos pensamentos e sentimentos. Chochmá é o alicerce
sobre o qual nós construímos e edificamos. Cosmicamente, Chochmá
se refere à inspiração espiritual primordial da qual evoluiu o Cosmos. É
a raiz dos quatro elementos espirituais: fogo, água, terra e ar.
A Natureza Efêmera do Chochmá
A Sefirá de Chochmá, tal como as demais Sefirot, é uma luz
espiritual imensamente brilhante. Se a sua luz tivesse que ficar sem
atenuação, ela seria espiritualmente ofuscante. Simplesmente, o finito
corpo seria incapaz de conter tamanho e tão intenso fluxo de energia.
Assim, o seu brilho é atenuado através de tapas protetoras, “coberturas
translúcidas” dos Olamot — os mundos paralelos. Uma vez que a
Sefirá de Chochmá “viajou até cá em baixo”, atravessando os quatro
mundos, ela já está suficientemente amortecida para nos permitir extrair
uma só centelha de cada vez a partir do mundo subconsciente interior.
Esta centelha de consciência não passa de uma minúscula faceta de
nosso conjunto psico-espiritual.
Através do “oculto semblante do Criador”, tal como a Cabalá
descreve este fenômeno, nos é dada a consciência, um mundo físico, a
escolha e, até mesmo, o exercício da escolha pobre, até o ponto em
que o mal possa existir.
A um nível Cabalístico, as cores são reflexos das Sefirot básicas da
Emoção. Existem sete cores no arco-íris, e existem Sefirot da Emoção.
O exercício a seguir utiliza um “biofeedback” para nos ajudar a
monitorar as cores de nossos sentimentos para melhor controlar nossos
fluxos de Emoção. A Emoção é um produto da interpretação da Mente,
e, ao dominarmos este exercício, poderemos, efetivamente, dominar a
maneira pela qual extraímos do lago do subconsciente — a Chochmá.
UM EXERCÍCIO DE FLUXO DA CHOCHMÁ
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o seu
paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e de baixo.
Deixe que o cheiro do ambiente em que você está penetre em seu ser.
Quais os sons que estão entrando em sua consciência? Onde os seus
dedos estão tocando? Em que estão focalizados os seus olhos? Feche os
olhos. Deixe que os seus pensamentos o atravessem suavemente, sem
pressa ou urgência. Você está seguro.
Está muito escuro. Deixe que os olhos de sua mente se adaptem à
condição ambiental. É uma escuridão cheia de paz e quietude. Você
está envolto por uma grande calma. Você pode ver uma grande e
cintilante tela de um monitor de televisão, a qual não parece muito
sólida. Ela possui uma aparência fluida. Concentre-se na tela. Fixe o seu
olhar na sua trêmula translucidez. Envolva-se em seu sereno brilho.
Imagine cores que começam a fulgurar para fora da tela.
Inicialmente, elas poderão amedrontá-lo. Porém, esteja consciente de
que você tem absoluto controle sobre elas. Sinta a presença das cores
na sala em que você se encontra. As primeiras cores são o vermelho, o
laranja e o amarelo. Veja como elas fulguram. Elas são cores de
retração — cores devidas ao medo. Lembre-se: você tem completo
controle sobre as cores. Observe-as calmamente. Veja como elas se
transformam em sombras esverdeadas e, a seguir, azuladas. Finalmente,
quando você estiver completamente relaxado, elas tornam-se incolores.
Medite sobre a “não-cor”.
Pense num acontecimento que lhe ocorreu hoje e que lhe deixou
uma forte impressão. Despenda alguns momentos sobre este
acontecimento. Que cor este evento suscitou em você? Olhe para a
tela. Observe as cores que dela fluem para dentro da sala. Se elas forem
avermelhadas, volte a pensar naquele seu evento e veja-o de uma forma
isolada. Encare-o como se fosse uma força estranha e objetiva. Quais
são as três características mais distintas do evento? Como foi que você
reagiu? A sua reação foi apropriada? Sua reação poderia ter sido mais
bem elaborada? Volte a olhar para a tela. É possível que você veja as
cores se transformando para tons esverdeados e azulados. Talvez elas
fiquem ainda mais pálidos. Conscientize-se de seu clima interior. Ele já
está mais sereno e calmo. Reflita em sua mente. Ele se desvaneceu. A
“cor” está incolor.
Repita este exercício tantas vezes quanto precisar para evocar
sombras azuladas até torná-las incolores.
A Dual idade Interior
De tempos em tempos todos nós nos surpreendemos ao nos
flagramos pensando: Não me parece ser eu que estou fazendo isto. Eu
não sou assim. Por que eu estou me esforçando tanto para
impressionar? Por que eu estou fazendo isto? Oque está acontecendo?
Naquele momento de lucidez, uma parte mais verdadeira de nós
assume, trazendo uma honestidade ímpar à nossa visão interior. O
nosso ser interior olha para a nossa manifestação exterior. Mas, por
que o nosso “interior” não pode ser o nosso “exterior” — todo o
tempo? Por que todos nós somos tão distraídos e desatentos em relação
aos nossos mais verdadeiros “eus”?
O nosso objetivo é aprender a usar, sensata e sabiamente, a
centelha da Chochmá. Se a centelha for retirada da sabedoria, ela
funcionará verdadeiramente. Se, no entanto, permitirmos que o ego e a
insegurança penetre na Chochmá, o fogo assim criado estará sendo
alimentado por uma falsa imagem de nós mesmos. Esta dualidade
interior do ego e do altruísmo é denominada, em termos Chassídicos,
Nefesh Behamit e Nefesh Elokit. Estes termos, traduzidos, significam a
“Alma Animal” e a “Alma Divina” — a fonte do desafio e do conflito
interior.
A natureza da motivação humana tem tudo a ver com a busca por
tornar-se uno — tanto interiormente quanto com o outro. Nós somos
sempre defrontados com um bifurcamento na estrada à medida que
lutamos com duas inclinações espirituais competitivas. A primeira é a
busca pela sobrevivência física, sustento e auto-importância. A segunda
é a compreensão de que existem outras coisas na vida, além da
subsistência e da autoglorificação — o significado mais profundo do
relacionamento.
O Nefesh Behamit, o lado “animal” da alma, é responsável pelo
instinto da autopreservação. Inicialmente é a busca por alimento e
abrigo. Uma vez que estas necessidades são atendidas, ele emprega
uma perpétua busca de maiores confortos e de auto-enaltecimento. Por
outro lado, o Nefesh Elokit, o lado “Divino” da alma, nos conecta a
aspirações mais elevadas e nos une a uma outra alma.
Os interesses competitivos destas duas tendências afloram em face
de um desafio ou uma adversidade. Por exemplo, isto ocorre quando
um amigo o acusa de insensibilidade. Você poderia se sentir ofendido,
pois a acusação, de alguma maneira, o diminui. Você poderia querer
negar o comentário lançando dúvidas acerca dos motivos de seu amigo.
Uma outra possível reação seria o de levar em conta a afirmação feita e
tentar imaginar como foi que aquela impressão pôde ocorrer ao seu
amigo, e o quanto ela poderia ser considerada procedente. A primeira
reação é típica e clássica do Nefesh Behamit. A centelha do
pensamento, o Chochmá, conseguiu a sua força a partir do seu sentido
de insegurança — uma diminuição do seu valor. De certa forma, a
acusação de insensibilidade fez com que você se sentisse diminuído aos
seus próprios olhos. A segunda reação obteve a sua força a partir do
Nefesh Elokit. Ele busca uma verdadeira conexão aos outros e usa a
empatia como sua luz-guia.
O Nefesh Behamit não é de todo mau. Ele abastece os nossos
instintos pela autopreservação e, sem eles, nós não nos engajaríamos
em empenhos mais elevados. Porém, agindo sozinho, o Nefesh
Behamit nos forçaria a permanecer fixo em nós mesmos por muito
tempo depois que tivéssemos satisfeito as nossas necessidades básicas.
Um equilíbrio interno se manifesta quando os nossos requisitos físicos
são satisfeitos. O Nefesh Elokit neutraliza o Nefesh Behamit, e
empenha a nossa atenção e nossa consciência superior em prol do
trabalho do relacionamento.
O Nefesh Behamit é egocêntrico.
O Nefesh Elokit é altruísta.
É desta arena interna desta dualidade interior que aparece a
centelha de consciência do Chochmá. Quando o Nefesh Behamit
continua em ascendência, a centelha do pensamento é colorida pelas
considerações do ego. A seqüência de pensamentos resultante e a
emoção seguem, igualmente, a orientação do ego. O resultado disto é a
desarmonia com os outros, e uma fragmentação interior. A interação
entre o Nefesh Elokit e o Nefesh Behamit será alvo de nossas
considerações adicionais quando discutirmos a dinâmica da escolha e da
tomada de decisão. A esta altura, é suficiente notar que a Chochmá não
atua num vácuo.
Podemos agora entender aquele momento em que nos flagramos
agindo de uma forma que não nos é peculiar.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA ALEF
O valor numérico da letra alef é “um”. Ela
representa o D’us eterno. Sua energia independe do
tempo e da medida; ela é infinita.
O alef é composto de três elementos: o braço
superior, o braço inferior e o conector diagonal. O alef
é a letra da integração pessoal. Ela nos ensina que, quando
somos verdadeiramente completos, ambas as dimensões
existem em equilíbrio dentro de nosso ser. O transformador
diagonal redireciona o egocentrismo a uma postura de positiva
auto-estima — o reconhecimento de seus dotes, predicados e
singularidade. O “eu” da ordem-superior direciona o seu
comportamento de forma que o seu dote possa ser conferido a
outrem, levando a relacionamentos próximos, de paz e
harmonia.
Olhe para o braço superior da letra. Este se refere ao seu
“eu” da ordem-superior, denominado Nefesh Elokit (o
componente Divino da alma). Sinta-se como se estivesse
inalando o hálito de D’us. Sinta a sua conexão com a Presença
Divina. Agora olhe para a parte inferior da letra. O braço
inferior se refere ao seu “eu” da ordem-inferior, o Nefesh
Behamit (a latente tendência “animal” da alma). Mais uma vez,
inale o hálito de D’us. Medite durante um minuto inteiro
acerca de como estes dois traços coexistem dentro de você.
Agora olhe para o traço diagonal conector que equilibra os
outros dois. Medite sobre o Nefesh Elokit e o Nefesh Behamit:
o “eu” da ordem-inferior, e o “eu” da ordem-superior
representando a generosidade, o altruísmo e a humildade.
Quando você aborda esta meditação pela primeira vez,
deseja, simplesmente, tomar conhecimento das questões
colocadas. Você não está competindo com você mesmo. Você
está procurando entender.
As respostas surgirão com o tempo:
- Os seus Nefesh Elokit (alma Divina) e Nefesh Behamit
(alma animal) estão em equilíbrio?
- Como é a manifestação do seu Nefesh Behamit?
- Quais são os aspectos que o mantém fora de equilíbrio?
- Se você estivesse em perfeito sincronismo com o
universo, como seria o seu comportamento?
O conhecimento interno foi a percepção do Nefesh Elokit — o
“eu” da ordem-superior. O “mau comportamento” foi o fruto do
domínio, naquele momento, do Nefesh Behamit.
Dizem que, certa vez, Sócrates foi flagrado por seus discípulos num
ato que destoava daquele grande filósofo. A sua resposta teria sido a
seguinte: “Neste momento eu não sou Sócrates”. O desafio do
autodomínio é sermos o nosso verdadeiro “eu” durante todo o tempo.
As mudanças da Chochmá mudam a vida. Ele pega o momento
em questão e transforma aquilo que poderia ser, inicialmente,
interpretado como uma adversidade numa oportunidade — enxergar o
momento através de uma nova lente e de uma nova verdade.
6
Biná: Mudando o Padrão do
Pensamento
De acordo com o reconhecido autor e doutor Deepak Chopra, nós
temos cerca de cem mil pensamentos por dia. Porém, 95% destes são
repetidos a cada dia. O clima de nossa mente parece ser enfadonho,
invariável e inflexível. Não é de se admirar que nos sintamos como que
ouvindo o mesmo disco de novo e de novo.
Você reage da mesma forma cada vez que se defronta com uma
pessoa de quem não gosta? Você sente a raiva subir por dentro de você
quando vem à sua cabeça uma ocasião em que se sentiu humilhado?
Quando assuntos ligados a orçamento e finanças aparecem, você fica
sempre ansioso? Vemos, com freqüência, pessoas repetindo e
reincidindo nos mesmos erros, no trabalho e em casa. Medo e
insegurança vão esculpindo ranhuras de hábito. A chave para criar
mudanças está em, primeiramente, reconhecer estes hábitos da mente.
A função da Sefirá de Biná é a de pegar a centelha criativa da
reinterpretação (Chochmá) e redirecioná-la segundo uma nova maneira
de pensar.
O processo de mudança de reações fixas, de erros repetitivos e
reincidentes, e da inflexibilidade da mente, requer o nosso envolvimento
consciente na transição da centelha do pensamento da Chochmá para
a maturidade do fluxo da Biná. Se a Chochmá é o meiopelo qual
extraímos de nossa fonte de inspiração e de criatividade mental, a Biná
é o meio pelo qual aquela centelha de inspiração se torna uma coerente
seqüência de idéias. A Chochmá “pescou” aquele pensamento, e a
Biná é quem “assa” aquele “peixe”.
Quando você aprende a imbuir o seu processo de pensamento da
Chochmá com Biná, os pensamentos tornam-se analíticos,
desenvolvidos e cristalizados, e o processo do auto-refinamento fica
ainda mais poderoso. A compreensão substitui a impaciência.
Estratégias energéticas para mudanças substituem a raiva. Ao invés de
lutar para controlar a vida, você pratica a fé, a tolerância e a aceitação.
A literatura da Cabalá chama estas realizações de re’iyat halêv — “a
percepção do coração”.
A Corda Multicolorida
Isto poderá ser útil para um melhor entendimento da diferença
entre Chochmá e Biná. Lembre-se de que dez fluxos espirituais
expressam a nossa personalidade. Eles constituem a nossa Mente e
Coração. A Chochmá e a Biná se referem à Mente. A Chochmá é
criativa, e a Biná é desenvolvimentista. Ambas são expressões da alma
e se manifestam através dos labirintos da Mente. Mesmo a mais sutil das
atividades cerebrais, chegando aos níveis moleculares ou, até mesmo,
subatômicos, são “roupagens” psicológicas com as quais a alma se
“veste”. O processo de “vestir” é o que chamamos Mente.
Todos os dez fluxos espirituais Sefiróticos se inter-relacionam e se
entrelaçam. Na verdade, cada Sefirá tem as outras nove contidas em si.
Imagine as Sefirot como cordas compostas de dez fios, cada um de
uma cor diferente. A característica individual de cada Sefirá é
determinada pela dominação de uma destas cores. Se fôssemos atribuir
cores a cada Sefirá, daríamos a cor azul para Chochmá e a amarela
para Biná; assim, a corda Chochmá poderia ter uma coloração azulada,
porém, mantendo a presença, também, das outras nove cores,
enquanto que a corda Biná teria uma coloração amarelada, com todas
as outras nove cores também presentes.
Permita-me, agora, agregar mais uma qualidade a esta metáfora.
Cada um dos fios coloridos que compõem a corda tem a sua própria
força magnética, atraindo o fio da mesma cor existente nas outras
Sefirot. Se jogássemos estas dez cordas numa trouxa, cada cor atrairia
as suas cores iguais das outras Sefirot. A forma resultante deste monte
de dez cordas dependeria de como estas forças de atração se
conectaram. A forma dependeria de como nós as jogamos juntas
naquela trouxa.
É exatamente isto o que acontece quando temos um pensamento
que produz um sentimento. As dez cordas de Sefirot se “juntam”,
resultando numa “forma” — os atributos da
Mente/Emoção/Comportamento daquele momento. A “forma” da
minha reação dependerá do equilíbrio e do direcionamento de minha
Mente, e do grau de energia que canalizo a uma ou mais Emoções. Eu
poderia fazer com que o fio azul atraísse todos os outros fios azuis mais
intensamente do que a força dos amarelos, resultando, assim, numa
maior inspiração e criatividade. Ou os amarelos poderiam estar mais
fortemente relacionados com os outros amarelos, levando-me a me
engajar numa atividade mais cognitiva.
As pessoas são imbuídas com orientações específicas. Algumas
pessoas, por natureza, são dotadas de uma inclinação mais criativa.
Estas são os artistas, os arquitetos, os poetas. Outras têm uma
inclinação mais tecnológica, tais como os engenheiros, os
programadores de informática e os pedreiros. Isto não quer dizer que
um artista não possa ser um pensador lúcido, ou que um pedreiro não
seja criativo. Porém, cada um de nós possui uma certa constelação de
fluxos Sefiróticos interiores que definem a nossa personalidade. Através
da amplitude de forças de atração que canalizamos a cada um dos fios,
podemos alterar, radicalmente, os reais resultados de nossa seqüência
Mente/Emoção/Comportamento. Nós podemos, de fato, intervir
conscientemente, alterando a direção e o empuxo dos fluxos
Sefiróticos. Se formos conscientes e atentos num padrão de
intervenção, isto acabará se tornando parte de nossa personalidade
refinada. A quantidade correta de Chochmá (a criatividade, a
inspiração, o afloramento do subconsciente) ou de Biná (o raciocínio
desenvolvimentista, seqüenciado, ordenado e silogístico) dependerá de
nossa disciplina e de nossa sabedoria.
Macho e Fêmea
A dualidade caracteriza o Cosmos. Até mesmo a forma humana
reflete isto. Somos dotados de duas mãos, dois olhos, duas narinas e o
nosso cérebro é composto de dois hemisférios. Existe o macho e a
fêmea. O mesmo vale para a natureza do mundo. Existe a dualidade em
cima/em baixo, direita/esquerda, positivo/negativo, próton/elétron,
partícula/onda, certo/errado.
A Cabalá reflete esta dualidade atribuindo qualidades masculinas e
femininas a todas as coisas existentes. Até mesmo as Sefirot são
dotadas de qualidades masculinas e femininas. Assim, embora a
Chochmá seja masculina quando comparada à Biná feminina, ambas —
Chochmá e Biná — são masculinas frente às sete Sefirot da Emoção. E
as nove Sefirot, desde Chochmá até Yessod, são masculinas em
relação à décima Sefirá — Malchut.
A Cabalá também utiliza a imagem sexual para descrever estes
relacionamentos. O Zohar estabelece que a Chochmá deposita as suas
sementes no ventre da Biná, engravidando-a. Esta união cria a
concepção, o trabalho de parto e, finalmente, o nascimento de sete
filhos — as Sefirot da Emoção. Desta forma, a Cabalá representa a
característica da Chochmá como masculino em relação a Biná. A
dualidade também é refletida nas características destas duas Sefirot. Da
mesma maneira que o homem é tido como aquele que procura e que
conquista, também a Chochmá “procura” dentro do subconsciente e
“conquista”, ao aflorar o que “encontra” em nossa consciência.
Por outro lado, a Biná, através de sua natureza feminina, nutre a
centelha Chochmá, a semente, até que ela amadureça. A Biná alimenta
o ponto de inspiração e faz com que ele amadureça, tornando-se uma
expressão adequada no mundo da consciência. A idéia seminal da
“concepção” se torna uma seqüência de pensamento desenvolvida.
Sem estereotipar a dicotomia masculina/feminina, a Cabalá atribui
a “alimentação” à natureza feminina, e a “conquista” à natureza
masculina. Isto não quer dizer que todas as mulheres são “nutridoras”, e
que todos os homens são “conquistadores”. A Cabalá também ensina
que ambos — homens e mulheres — possuem as propriedades uns dos
outros; os homens possuindo características femininas latentes, e vice-
versa. Esta dualidade dentro de ambos — homens e mulheres — são
atribuídas à primeira Pessoa, Adão, que, inerentemente, possuía ambos
conjuntos de características. Tal como já vimos na primeira parte deste
livro, Adão era um composto de homem e mulher, até que foi dividido
em Adão e Eva. Porém, os primeiros homem e mulher retiveram, cada
um, características um do outro; é por isso que você e eu possuímos
tanto traços masculinos como femininos. Um homem pode utilizar os
seus traços femininos quando nutre o seu filho. Igualmente, uma mãe
pode expressar uma certa vocação, firmeza e agressividade no mundo
dos negócios.
A Chochmá é, por natureza, um procurador, direcionado para
fora, enquanto que a Biná é direcionada para dentro. A Chochmá é um
iniciador, e a Biná é uma nutriz. A Chochmá é o “pensamento-feto”
que se desenvolve no ventre da Biná. Ele amadurece até chegar num
fluxo de pensamento, e fica pronto para deixar o ventre, chegando a
uma realidade concreta composta de palavras e ações.
Quando a Chochmá não é consciente e cuidadosamente
alimentada no jardim da Biná, o mato dos pensamentos doentios e as
ervas daninhas da inveja, da cobiça e do ego grassarão. O resultado
disto tudo é uma selvageria espiritual que leva à incerteza e, assim, a um
comportamento egocêntrico e defensivo. Estabelece-se, então, um
padrão, e a liberdade de escolher o caminho certo fica comprometida.
Perde-se o significado de vida; e tudo isto porque a transição da
Chochmá para a Biná não foi nem entendida, nem praticada.
Atividade do Cérebro Direito e do Cérebro
EsquerdoÉ interessante comparar Chochmá e Biná com os resultados que
advêm das buscas dos lados direito e esquerdo do cérebro. O Dr. Elmer
Green, da Clínica Menninger em Topeka, Kansas, é um destacado
cientista nesta área. Ele notou que a criatividade está associada com o
cérebro direito. A atividade do cérebro esquerdo deve ser silenciada se
quisermos encorajar e estimular a criatividade. O cérebro esquerdo é o
córtex racional, do desenvolvimento lógico, do raciocínio, da dedução e
do julgamento. É parecido e associado com a atividade da Biná. O
cérebro direito tende a “ver a situação como um todo”. Ele produz uma
reação “intuitiva”, proporcionando inspiração e criatividade, o que
parece ser algo muito próximo da natureza do Chochmá. De fato,
Green desenvolveu um processo de bio-informação no treinamento de
pessoas para invocar e estimular ondas “tetas” — sinais de que o lado
esquerdo do cérebro está em relaxamento –, permitindo que aqueles
processos menos definidos do cérebro esquerdo trabalhem num
determinado problema. É possível que técnicas parecidas com esta
possam ser usadas para a identificação dos fluxos espirituais da
Chochmá e da Biná.
No interior da Chochmá está a “alma” da idéia. Daí, as pessoas
“cérebro direito” tendem a ver um problema de forma geral, ao invés de
esmiuçar os seus componentes individualmente. Alguns cientistas e
artistas empregam processos não-analíticos para resolver problemas.
Eles andam, ou meditam, ou divagam, ou até mesmo “dormem sobre
eles”. Isto enseja que a atividade do cérebro direito emirja — a infusão
de um fluxo Chochmá.
Embora tenha se tornado possível estimular a atividade do cérebro
direito como uma solução para todos os problemas, a verdade é que
ambos os hemisférios do cérebro são absolutamente necessários para as
suas respectivas capacidades. Mesmo aquelas pessoas mais criativas
precisam de disciplina e de dedicação se quiserem produzir algo valioso.
Isto deriva da atividade do cérebro esquerdo. Usando um ponto de
referência Cabalístico, as centelhas da Chochmá devem ser
subordinadas à qualidade de formação da Biná, que dosa a energia da
Chochmá e a põe em condição de uso certo e adequado. Enquanto
Biná é disciplina e orientação definida, ela é, contudo, um caminho
para a liberdade criativa. Muito freqüentemente gênios da criatividade
ficam sem ser descobertos por faltar-lhes a capacidade de canalizar a
criatividade de uma forma significativa e expressiva. Pablo Picasso
dominava o fluxo mente-corpo a ponto de que as formas cúbicas e a
justaposição de cores capturavam uma dimensão do objeto que, de
outra forma, teria ficado oculto. Para o célebre violinista Yehudi
Menuhin, a madeira inanimada e as cordas tornaram-se extensões de
seus próprios membros, coração e alma. Esta síntese entre pintor e tela,
entre maestro e instrumento, é o resultado de práticas repetitivas e
autodisciplinadas. Cada um destes gênios criativos subordinou a
centelha criativa da Chochmá e nutriram-na através da disciplina e da
prática, através do fluxo Biná.
Biná e Plasticidade da Mente
Cada uma das Sefirot utiliza várias partes do corpo para manifestar
as expressões da alma. Na verdade, a tradição Cabalística assinala 613
“extremidades e tendões” que correspondem às 613 atividades da
mente-corpo. Por sua vez, este número corresponde ao sistema judaico
das mitsvot (mandamentos e leis). A intenção é a de infundir a
experiência humana com as 613 capacidades exibidas pela alma.
A alma emprega o cérebro para, principalmente, distribuir as suas
capacidades e os seus atributos. O estímulo do fluxo da alma através do
cérebro fortalece sua perícia psicológica. Ele exercita os “músculos
cerebrais”. Tal como decorre de todos o exercício, estes “músculos” do
cérebro se desenvolvem, produzindo um maior “poder cerebral”.
Eis que chegamos a uma importante interface entre o espiritual e o
físico. Há muito já suspeita-se que as pessoas que exercitam,
regularmente, o seu cérebro, conseguem, de fato, alterar as suas
capacidades mentais. Isto foi verificado, cientificamente, através de
experiências feitas sob os auspícios do Instituto Nacional de Saúde
Mental — o “National Institute of Mental Health”. Os Drs. Karni e
Underleider pediram para que voluntários realizassem determinada
tarefa de forma repetitiva. Os seus cérebros foram escaneados por meio
de aparelhagem de ressonância magnética (MRI — Magnetic
Resonance Imaging), possibilitando aos pesquisadores identificar as
partes do cérebro que estavam sendo usadas. Os cientistas descobriram
que quanto maior era o tempo empregado na “prática” e na repetição
daquela atividade, mais freqüente era o acionamento das células
nervosas do cérebro ligadas à mente, e mais pronunciadas e ampliadas
ficavam as conexões neurais. Ou seja, em outras palavras, a capacidade
cerebral parecia aumentar. O fluxo aumentado de Biná criou reais
mudanças no cérebro através do aumento daquelas conexões neurais.
Parece não haver dúvida de que nós temos a capacidade de
aumentar o nosso poder cerebral. A prática da Biná é capital para este
propósito; pois a Biná é o fluxo espiritual que, conscientemente, pega
os pensamentos e dá-lhes a direção através dos objetivos, o alcance
através da elasticidade, e o vigor através da energia emocional.
A Capacidade Para Mudanças
Nós podemos perceber o nosso potencial e, até mesmo, aumentá-
lo, ao permitirmos que a centelha inicial da criatividade desabroche
através do fluxo da Biná. O Rebe de Lubavitch insistia que, tanto você
como eu, temos a capacidade de mudar as nossas naturezas. Isto requer
uma introspecção sistemática, auto-análise e coragem. Os humanos são
uma expressão artística do Artista Divino; porém, nós também
desfrutamos de uma parceria com D’us em completar o trabalho de arte
da criação.
Colorindo a Sua Paisagem Interna — Sinestesia
Espiritual
Os cientistas vêem as sete cores do arco-íris como comprimento de ondas. A Cabalá
vê as cores do arco-íris como reflexos das sete Sefirot básicas da Emoção.
Já temos disponíveis, agora, muitos dados neurológicos de como o
cérebro “rotula” as percepções. Um pequeno grupo de pessoas
experimenta um fenômeno conhecido como sinestesia. Estas pessoas,
que, estimativamente, são algo em torno de dez a cada dez milhões de
indivíduos, identificam sensações de forma diferente dos demais. Elas
conseguem descrever gostos como, por exemplo, sendo redondos ou
amarelos; ou descrever visões como altas ou rosadas, e assim por
diante. Um neurologista Americano, Dr. Richard E. Cytowic, descreve
este fenômeno em seu livro The Man Who Tasted Shapes: A Bizarre
Medical Mystery Offers Revolutionary Insights Into Emotions,
Reasoning and Consciousness.
Pesquisas têm demonstrado que os sinestésicos, aqueles que têm a
capacidade de perceber as suas sensações de uma maneira indexada,
são, na verdade, conscientes dos processos normais de seus cérebros e,
até mesmo, dos seus sistemas de processamento pré-conscientes. Eles
são capazes de acompanhar a seqüência do processo de escolha que
ocorrem, naturalmente, no cérebro, enquanto que a maioria de nós
somente tem consciência do sinal dominante que a mente escolhe para
ser identificado — o som é ouvido, ou a visão é vista, e assim por
diante.
Enquanto a ciência está decodificando os processos da mente, a
psicologia Chassídica tomou a dianteira e nos ensinou a como fazer uso
deste fenômeno. A Torá nos informa que há três mil e quinhentos anos,
no Monte Sinai, alguns milhões de pessoas experimentaram uma
modalidade de sinestesia em grupo. Em Êxodo (20:15), o versículo
assinala que “as pessoas viram os sons”. A psicologia Chassídica explica
que, num estado elevado, as capacidades da alma fluem através do
corpo com extraordinário poder, resultando numa maior percepção
interior. O estado elevado da alma no corpo produz o efeito em massa
da sinestesia.
Nós devemos tirar proveito de nossa capacidade de mudar,
redirecionando o nosso fluxo de Biná, de forma que nos seja possível
experimentar a verdadeira liberdade criativa e pessoal. O exercício
seguinteserve para nos ajudar a ter acesso aos nossos estados
emocionais, traduzindo, sinestesicamente, sensações em outros
sentidos. Você começará a identificar emoções e pensamentos como
cores e formas. Diferentemente dos sentimentos ou dos pensamentos,
que são amorfos e de difícil controle, estes objetos sensoriais não
carregam julgamento algum. Ao, conscientemente, alterar as formas e
as cores, os pensamentos e as sensações também podem ser mudados.
UM EXERCÍCIO DE FLUXO DA BINÁ
Escolha um momento de quietude e um ambiente confortável.
Concentre-se. Relaxe. Suavemente feche seus olhos e concentre-se, por
alguns minutos, em sua respiração. Deixe que o seu olho interior
escaneie, lenta e detalhadamente, o seu corpo, da cabeça aos pés —
seus pés, joelhos, abdome, peito, ombros, pescoço, rosto e cabeça.
Concentre-se em seus sentidos, um a um. Ouça os sons ao seu redor,
identificando cada um deles. Sinta a textura do material sobre o qual as
suas mãos repousam. Passeie com a sua língua por seus dentes. Sinta
qualquer cheiro ou olor ao seu redor. Agora, relaxe ainda mais e deixe
que pensamentos entrem e saiam à vontade. Deixe que o fluxo da
consciência interna venha para frente. Permita que a sua mente divague
livremente. Da forma mais casual possível, tome consciência de sua
seqüência e de suas possíveis conexões. Agora, mude o seu foco para
as suas sensações e sentimentos. Recrie as imagens de sua mente, sem
esquecer de notar a sensação que cada imagem produz. Não é
necessário descrever ou verbalizar mentalmente. Experimente as várias
sensações. Não se envolva; apenas sinta-se como um visitante.
Permita que um pensamento aflore. Não julgue. Apenas observe.
Sinta-se confortável com ele. Atribua àquele pensamento uma forma
qualquer. Ele tem a forma circular ou oblonga? Ele tem cantos e aresta,
ou é arredondado? Este seu pensamento tem um formato amorfo?
Quando você já tiver fixado a sua forma em sua mente, atribua-lhe uma
cor. Não importa qual seja a cor — é o seu pensamento, e, assim, pode
ser da cor que você quiser. O importante é que seja uma representação
honesta. Leve o tempo que quiser.
O seu pensamento, agora expressado por uma forma colorida, é
leve como uma pluma. Ele se move lenta e suavemente pelo espaço,
um pouco acima do chão. Imagine uma paisagem. De alguma forma a
paisagem criada está relacionada ao pensamento. Continue junto ao
pensamento. Deixe que ele viaje sobre variadas paisagens de formas,
cores e formatos. Não analise as formas da paisagem. Apenas deixe
que elas existam. Quando você tiver concluído a viagem para aquele
pensamento, traga-o de volta para a terra. Relaxe.
Agora, deixe que um outro pensamento inicie a sua viagem. Repita
o exercício. Apenas acompanhe-o. Deixe que a paisagem apareça
organicamente, sem ser forçada. Volte ao primeiro pensamento. Desta
vez, conscientemente, elimine uma parte da paisagem e substitua-a por
uma paisagem que você ache ser mais apropriada. É possível que você
descubra que determinados símbolos lhe trazem algum desconforto, e
que você pode trocá-los por outros com os quais você se sente mais
confortável.
No decorrer do tempo, volte ao pensamento. Direcione o seu
destino. Tenha mais orientação em suas viagens. Crie ambientes
paisagísticos e atalhos que tornem a viagem mais direta e menos
desviadas.
Cada vez que você completar este exercício, registre, sucintamente,
as viagens, as paisagens, a sua duração e as suas sensações —
especialmente os símbolos repetitivos. Mantenha um registro de suas
viagens. Repita este exercício diariamente, durante uma semana.
À medida que você despende mais tempo e freqüência praticando
este exercício, você irá se tornando cada vez mais consciente de seus
fluxos de pensamento, quais são os seus objetivos ocultos, e as energias
associadas a cada um deles. O objetivo do exercício é fazer com que
você fique cada vez mais experiente em direcionar seu pensamento e
dotá-lo de flexibilidade e conforto. Por exemplo, você poderia achar que
um determinado pensamento sempre o deixa ansioso. Fazendo este
pensamento viajar, e observando o cenário que você criou, você poderá
encontrar meios de redirecionar o pensamento, fazendo com que as
paisagens se tornem mais fáceis de manipular.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA BET
O bet é a segunda letra do alfabeto hebraico. O
seu significado, literalmente, em hebraico é “casa”. É
o aspecto feminino, em comparação ao alef, que é
masculino. O bet é a primeira letra da primeira
palavra da Torá — Bereshit (No princípio...).
Note a forma desta letra; ela se parece a uma casa. Medite
acerca de seu significado. Imagine o mundo todo numa casa.
Note que um dos lados está aberto para D’us, e os outros
três são fechados. Da mesma forma, o conhecimento do
princípio é fechado para nós — ele nos é inconcebível. Bet é a
segunda letra, correspondente ao segundo dia da criação,
quando D’us dividiu as águas em dois reinos. Pense sobre os
dois reinos da consciência — o superior e o inferior.
A palavra hebraica para “bênção” começa com a letra bet
— Brachá. Medite acerca de como o mundo está construído
sobre o benéfico fluxo da bênção, apesar de seus muitos
desafios e adversidades.
O domínio sobre a Biná é uma habilidade técnica da Mente. Este
último exercício, bem como os que seguem abaixo, traduzir-se-ão numa
maior consciência de seus processos pensantes nas circunstancias
triviais e cotidianas de sua vida, fazendo com que os seus pensamentos
sejam mais construtivos, objetivos, positivos e confortáveis.
Os dois exercícios seguintes mostrar-lhe-ão como dosar e canalizar
o seu potencial para a concentração da Mente — um importante
elemento do fluxo Biná. Tente praticar um deles todos os dias, durante
uma semana.
EXERCÍCIOS DE VISUALIZAÇÃO:
TORNANDO-SE UM BOM “NUTRIDOR DE CENTELHA”
EXERCÍCIO 1.
Sente-se numa confortável cadeira ou poltrona e feche seus olhos.
Profundamente inspire algumas vezes e visualize alguém que você ama.
Começando pelo topo da cabeça, concentre-se, sistematicamente, em
cada uma das características, descendo do cabelo para a testa, o resto
da face, pescoço, ombros, braços e mãos. Depois, faça o caminho
inverso, seguindo o mesmo trajeto, das suas mãos para a sua face, até
chegar ao topo de sua cabeça. Repita todo o processo. Caso alguma
das características não esteja clara e nítida, ou seja difícil de imaginar,
volte à característica imediatamente anterior e, quando a tiver
perfeitamente nítida na mente, prossiga à característica seguinte.
EXERCÍCIO 2.
Imagine o sol nascendo sobre um lago. Primeiramente, concentre-
se na superfície da água conforme a luz vai mudando; daí, observe o sol
nascendo na linha do horizonte, movendo-se lentamente para um
ângulo de quarenta e cinco graus, e, depois, até chegar a pino, sobre a
sua cabeça. Depois, leve o sol para trás, até que ele mergulhe nas águas
do lago, num maravilhoso pôr-do-sol.
A verdadeira integração da Chochmá e da Biná é o trabalho da
Sefirá de Daat, a terceira Sefirá, e aquela que completa a tríade das
Sefirot da Mente. O Daat não somente ocasiona a união masculino-
feminina da Chochmá e da Biná, permitindo-lhes que se “apaixonem”;
ele também permite que o empuxo de energia conhecido por Emoção
ative e dê energia aos processos da Mente, possibilitando que as suas
traduções venham a ser expressões ativas.
7
Daat: A Mente Crente
Madre Teresa e Joseph Stalin tinham, ambos, fortes propensões.
Madre Teresa salvou vidas; Stalin assassinou milhões de inocentes.
Obviamente, é muito melhor para o mundo quando as propensões,
tendências e impulsos da pessoa são acompanhados e combinados de
uma disposição generosa e altruísta. No entanto, uma propensão é
neutra. O arbítrio (a escolha) humano a impregna de significado, seja
ele bom ou mau.
Nós precisamos de propensão para projetarmos os nossos dons ao
Cosmos. Porém, a sabedoria é quem assegura que o nosso legado
possua direção e valor. As propensões positivas precisam tanto da
sabedoria da Mente como do poder das Emoções. Somente, então, é
que a nossa propensão pode serusada para objetivos válidos.
Este equilíbrio entre sabedoria e sentimento é conseguido através
da Sefirá de Daat. Daat é a Sefirá que cria o saber.
Uma propensão é neutra.
O arbítrio humano a impregna de valor.
Dois Tipos de Daat
Em seu clássico trabalho sobre o Chassidismo, o Tanya, Rabi
Shneur Zalman de Liadi nota a existência de dois aspectos do Daat. O
Daat Tachton cria a ligação entre a Mente e a Emoção. O Daat Elyon
une Chochmá e Biná.
Já lhe aconteceu de entrar numa sala e, então, perguntar-se o que
é que você fazia ali? Durante um breve momento de perplexidade, o
fluxo Biná perdeu sua centelha — sua alma de Chochmá. Paira uma
ausência momentânea. No entanto, quando você retoma a sua
seqüência de pensamentos, você se lembra porque estava ali, naquele
lugar. Em outras palavras, você reintegra a Chochmá e a Biná. O Daat
Elyon volta a juntá-las.
De fato, o Daat Elyon é superior tanto à Chochmá quanto à Biná,
isoladamente. Nos ensinamentos Cabalísticos, este nível do Daat extrai
sua força da Sefirá de Keter. Nós não discutiremos esta Sefirá agora,
pois ela é tão efêmera que muito pouco nos ajudará a conseguir uma
mudança consciente. Ela está associada com a nossa vontade mais
elevada, mas o Daat Elyon, o Daat superior, extrai daquela Sefirá e,
assim, é possuidor das propriedades superiores de ambos: criatividade e
entendimento, e mais. O processo é dinâmico.
Daat é uma aptidão que flui da alma. As capacidades da alma
incluem o potencial intelectual, sendo que ambos, criatividade e
entendimento, são expressos através dos processos da Mente. O Daat
reúne as informações e refina as pessoas-Mente que somos. Quando
nos conscientizamos de seus processos, podemos realizar as nossas
percepções e virtudes positivas em nossa vida cotidiana.
Vejamos, agora, a forma inferior do Daat, conhecido como Daat
Tachton. Este fluxo do Daat permite que a Mente seja impregnada com
a energia do Coração. Ele advém do entusiasmo no aprendizado e da
alegria na descoberta. Além disso, ele também alarga, aprofunda e
integra o saber com o “eu”. Quanto maior a impregnação da Emoção
na Mente, mais integrado será o saber com aquilo que é conhecido, e
com o processo do conhecimento.
Por exemplo, algumas crianças conhecem as suas tabuadas tão
bem que as respostas, quando a elas solicitadas, saem sem maiores
dificuldades. A informação está totalmente integrada em seu ser, e elas
nem sequer têm que pensar antes de dar a resposta correta. Por outro
lado, outras crianças lutam para encontrar a resposta. Se lhes
pedíssemos estatísticas sobre os seus times esportivos prediletos, elas
poderiam, facilmente, matraquear com grande alarido e descrever em
detalhe quantos gols foram marcados por seu time em vários
campeonatos. Estas crianças também são dotadas de aptidão
matemática. Qual seria, então, a diferença entre aquelas crianças que
acham fácil a operação de multiplicação, e aquelas para quem isto é
uma tarefa desagradável? Isto se deve à presença da Sefirá do Daat. O
Daat é o adesivo que combina a alegria do objetivo com o pensamento
que acompanha a lembrança. Ele une a inspiração (Chochmá) e o
entendimento (Biná) com as nossas emoções (as Sefirot da Emoção).
Assim, as crianças que apreciam o significado existente por trás dos
números são capazes de assimilar melhor a matemática, enquanto que
para aquelas para quem isto é uma tarefa mecânica tendem a ter maior
dificuldade.
Quando eu era veterano no colégio, a minha professora de
matemática nos ensinou que a única maneira para, realmente, se
conhecer um determinado assunto, é escrevendo um texto sobre ele.
Aquilo soou-me como uma tarefa terrível; porém, eu segui a sua
sugestão e acabei descobrindo que aquilo realmente funcionava.
Embora eu já tivesse compreendido a matéria antes, foi somente após
trabalhar na composição de um livro inteiro sobre aquele assunto que
senti que ele fazia, de fato, parte de meu ser. Eu sabia tão bem
matemática que era como se ela tivesse se fundido comigo, e eu com
ela.
O “saber” acontece quando vemos uma propaganda que nos
envolve num nível emocional. Nós achamos aquela publicidade
engraçada, excitante, ou provocante. Nós sabemos em nossas
entranhas o que aquele anúncio está nos dizendo. Igualmente, um bom
livro cativará o leitor num nível emocional quando as palavras nele
grafadas saltarem por sobre o abismo existente entre a compreensão
intelectual passiva e chegar em seu coração. Nós não entendemos,
simplesmente, o livro ou a propaganda. Nós sabemos que ele se dirige a
nós de uma maneira pessoal, e nós nos sentimos tocados.
Conhecer (Daat) e entender (Biná) são processos distintos. Tal
como diz o grande mágico Michael Moschen no livro de Joan Ame,
Mastery — Interviews with 30 Remarkable People: “Quando você
realmente se aplica numa técnica ou numa disciplina, e você consegue
algo, aquilo não será algo separado de quem você é!”
Um Eufemismo Para o Amor
O Tanya nos diz que o verbo hebraico “conhecer” é, também, um
eufemismo para união sexual. O Rabi Shneur Zalman explica que a
união entre um homem e uma mulher é um dos mais profundos atos de
união na criação — são dois unindo-se como se fossem um. De fato,
quando a Torá fala do primeiro acasalamento entre Adão e Eva, a frase
é: “... e Adão conheceu Eva”.
Todo “conhecimento” é um estado de intimidade. “Conhecer” algo
é unir-se, fundir-se a ele. Quando você conhece profundamente algo,
aquele algo acaba fazendo parte de você, e você faz parte dele. Não
existe uma união maior. Rabi Shneur Zalman chama isto de “prodigiosa
união”, incomparável a qualquer outra experiência. E ele continua,
aplicando este estado de união a um indivisível com o Todo — o estado
místico da perda do distintivo “eu”, fundindo-se com o estado
experiencial do Divino.
No Tanya, o conceito de Daat é aplicado à tarefa da humanidade
da singularidade mística. No entanto, isto também se aplica, igualmente,
a todas as áreas do aprendizado. O Tanya assinala que quanto mais
profunda for a percepção, mais profundo será o sentimento
concomitante. Quando conhecemos algo numa forma meramente
superficial, estamos menos propensos a nos entusiasmar por aquilo. O
Daat permite que a Mente seja revigorada pelo Coração. Certamente,
como veremos, há ocasiões em que o Coração “captura” a Mente, e
ficamos imprudentemente revigorados. O resultado é o que,
geralmente, chamamos de racionalização. No entanto, quanto mais
profundamente entendermos, maior será o fluxo emocional, mais
fundamentados estaremos, e mais forte será a nossa crença.
Conhecimento Interior
A crença é um acúmulo de informações, somado a uma disposição
inata que cria um conhecimento interior. Quando dizemos que cremos
em algo, geralmente queremos dizer que integramos “conhecedor”,
“conhecimento” e “conhecido” a um ponto tal que chegam a ser
inseparáveis. Os “conhecedor”, “conhecimento” e “conhecido” tornam-
se uno. Nós apenas “conhecemos”. A informação é “colada” pelo Daat
superior na unidade da Chochmá e Biná. O Daat fica impregnado com
a essência de ambas, Biná e Chochmá, tornado a união mais poderosa
do que cada uma delas, em separado. Trata-se de algo supra-racional e,
portanto, não sujeito a desvios ordinários ou racionais. Quando isto
ocorre, tão forte é a união interna que temos entre Mente e Emoção,
que a Mente de qualquer outro, por si, não nos pode influenciar.
Se você tentasse, no Século XII, convencer uma pessoa de que o
mundo é redondo, ela, certamente, haveria de dar gargalhadas na sua
cara. A sua experiência cotidiana gravara nela a crença de que o mundo
era plano. Ela simplesmente “sabia” que o mundo era plano, tal como a
maioria dos outros carolas daqueles dias. Foi somente quando a
informação mudou, graças às primeiras circunavegações do mundo, e
continuou sendo repetida, que a nova informação pode deslocar a
anterior e, com o passar do tempo, criar uma nova crença acerca da
natureza da terra. A nova informação criou um conhecimento interior
maior, e uma crença mais poderosa.
Hoje em dia você pode perguntar a qualquer um se é a terra quegira ao redor do sol, ou vice versa; você receberá a resposta de que,
desde Copérnico, a informação é clara — o sol está ao centro do
sistema solar. Mesmo que você tentasse explicar que, uma vez que a
Teoria da Relatividade de Einstein provou ser impossível determinar,
com certeza, num sistema composto por dois ou mais corpos, num
movimento relativo entre eles, qual deles é o foco e o fulcro, e qual é o
“seguidor”, é muito provável que aquela mesma pessoa não conseguirá
entendê-lo. A crença na centralidade do sol é por demais forte para a
nova informação da relatividade para que possa sobrepujá-la. As
crenças são fortes e poderosas. Em nosso mundo, serão necessárias
mais informações e experiências mais elevadas para que seja possível
deslocar a crença na centralidade do sol.
Assim, vemos que existem dois processos distintos no
“conhecimento”:
* A reunião das informações pela Mente.
* A integração das informações com o “eu”, através da fusão entre
Mente e Coração.
Enquanto a simples reunião de informações pode não afetar a
expressão e o comportamento, a crença pode exercer um profundo
efeito. De fato, a crença é uma poderosíssima ferramenta que molda
não apenas as nossas escolhas, a nossa expressão, e o nosso
comportamento; mas pode afetar a nossa saúde e o nosso bem-estar.
O Poder da Crença
Em seu livro, Timeless Healing: The Power and Biology of
Belief, o Dr. Herbert Benson assinala que, durante muito tempo o
tratamento padrão para angina incluía injeções de veneno de cobras, ou
a remoção cirúrgica da tireóide ou de partes do pâncreas. Porquanto
não temos razões para acreditar que nenhum destes remédios tivesse
funcionado, nós sabemos que, contrariando qualquer lógica científica,
eles tinham entre 70% e 90% de sucesso. É interessante destacar que,
quando a profissão médica começou a pôr em dúvida a validade destes
tratamentos, a sua eficácia caiu para 30% ou 40%. Ou seja, em outras
palavras, o poder do efeito do placebo provou ser duas vezes mais
eficiente “sob condições de expectativa elevada”.
Em 1950, o Dr. Stewart Wolf estudou mulheres que sofriam de
persistentes e recorrentes náuseas e vômitos durante a gravidez. Ele
administrou às mulheres uma certa substância que induz o vômito,
xarope de ipecacuanha (Cephaelis Ipecacuanha), porém, dizendo
àquelas pacientes que se tratava de um medicamento que curaria o seu
problema. Surpreendentemente, ele funcionou.
Um estudo, publicado em 1995 na conceituada revista médica
Annals of Internal Medicine, mostrou que pacientes portadores de
artrite reumatóide experimentaram um declínio de 50% em suas
inchações pela simples administração de placebos.
Outros estudos mostram que falsos tratamentos por ultra-som na
odontologia reduziram a dor e produziram 30% menos inflamações; e
que os sintomas da asma, do herpes simplex, das úlceras duodenais, e
uma porção de outros males, foram aliviados através de tratamentos
com placebo.
A forma como a informação é dada aos pacientes tem um efeito
substancial em sua recuperação. O Dr. K. B. Thomas escreveu, num
conhecido jornal médico da Inglaterra, que 64% dos pacientes que
tiveram “boas-novas” foram curados num espaço de duas semanas após
a consulta, comparados aos 39% que receberam informações negativas.
As pessoas que receberam informações de uma forma neutra tiveram
uma média de 53% de recuperação.
Eu me lembro dos aborígines australianos, que puniam os seus
piores criminosos através de um ritual tribal chamado “apontamento do
osso”. Administrado por um ancião da tribo, ao apontar um osso para
o acusado, causava-lhe uma morte quase que imediata. Alguns médicos
também tendem a “apontar o osso”.
Uma quantidade de outros estudos médicos relatados demonstra o
incrível poder que a crença exerce sobre as funções do corpo:
* Mulheres que acreditam estar grávidas freqüentemente sentem
sintomas pseudo-gestacionais.
* Placebos ministrados para reduzir as taxas de colesterol mudaram
a saúde de um grupo de homens que tinham sofrido ataques cardíacos.
* O gosto, a cor e a quantidade de cápsulas afetam o sucesso de
determinados tratamentos.
* O placebo pode ter a capacidade de reduzir a subjetiva sensação
de dor.
* A surdez pode ser auto-induzida em função de uma tragédia
associada com barulho, tal como foi descoberto em Kobe, Japão, após
o terremoto de 1995.
Estes exemplos contradizem a antiga separação Cartesiana de
mente e corpo. A conclusão de Descartes, apontando que corpo e
mente têm uma “fiação” independente, certamente, foi deixada de lado
quando reconhecemos o poder que a mente possui para moldar as
funções do corpo.
UM EXERCÍCIO DE CONSCIÊNCIA
Repita este exercícios diariamente por uns dois minutos. Encontre
um lugar tranqüilo. Desligue o telefone.
Pergunte-se: O que eu sei? O que, de fato, eu sei?
Eu sei voar? Eu sei com o que se parece nadar? Eu sei com o que
se parece sorrir? Eu sei com o que se parece respirar?
Certamente você sabe. Mas você, realmente, sabe?
Respire. O que você sabe sobre a respiração? Você sabe como o ar
entra? O ar passando por sua traquéia, chegando a seus pulmões? Você
sabe sobre a consciência resultante de sua respiração? Você sabe a
inconsciência que resulta da sua não-respiração? Você conhece a
respiração Cósmica que mantém o Cosmos vivo? Você sabe quem
respira aquela respiração? Você respira em ritmo com a respiração da
vida?
Agora pergunte-se novamente: O que eu sei? O que, de fato, eu
sei?
Viva com mais profundidade. Deixe que o Daat flua para fazer a
conexão, a fusão, o conhecimento.
O conhecimento e a crença interiores da Sefirá de Daat tornam-se
uma poderosa ferramenta com a qual podemos expandir a mente e
obter boa saúde e bem-estar. Através da Cabalá nós aprendemos como
é que podemos usar o nosso poder de crença para mudar não apenas a
química de nosso corpo, mas, mais significativamente, as conexões e
ligamentos espirituais de nosso “eu” superior. Quando dominamos as
Sefirot do Daat, podemos desenvolver novos meios de interpretar a
natureza da realidade. Podemos aprender a equilibrar a nossa mente-
corpo, e, ainda, conseguir também uma boa saúde.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA GUIMEL
O guimel é a terceira letra do alfabeto, e seu valor
numérico é três. Assim como o Daat estabiliza e equilibra
a Chochmá e a Biná, o guimel proporciona uma
“terceira perna” às letras que a precedem. Veja a base da
letra guimel e perceba como ela proporciona uma fundação firme
para uma haste delicada. Medite acerca da natureza essencial do
guímel como sendo a ponte entre o indivíduo e a casa. O nome
desta letra deriva da palavra aramaica gamia, que significa
“ponte”.
O Daat é uma aptidão espiritual que flui da alma. As capacidades
da alma incluem os potenciais intelectuais. Estes são expressos através
da psicologia do cérebro, através dos processos da Mente. O processo
do Daat reúne informações e continua refinando o tipo de Mente-
pessoa que você é. Se pudermos nos conscientizar de seus processos,
então estaremos aptos a acelerar a nossa autoconsciência e deixar que
as nossas percepções pessoais e as nossas virtudes positivas se realizem
na arena da vida cotidiana.
Através de nossas análises da Chochmá, da Biná e do Daat
chegamos a uma compreensão do que se passa em nossa cabeça.
Agora voltemos para o entendimento do que acontece no coração.
Como é que você aprende a modular as emoções? Na verdade, o que
são as emoções? O “fluxo das sensações” será o assunto da próxima
seção.
8
Chéssed: Destrancando o Fluxo do
Amor
Mente e Emoção
Mente e Emoção são as vias pelas quais nós tocamos o Cosmos.
Enquanto que as palavras são veículos da expressão da Mente, elas não
expressam, tão facilmente, o fluxo da Emoção. Eis porque eu não
consigo “dizer”, exatamente, para você como eu me “sinto”. Eu
somente posso usar metáforas e analogias para transferir os meus
sentimentos e sensações. Enquanto os pensamentos proporcionam uma
estrutura que torna o universo inteligível, os sentimentos expressam a
amplitude, a freqüência e a profundidade de nossos relacionamentos
com o ambienteespiritual e físico. Os sentimentos não “falam” conosco
— eles emocionam dentro de nós. Eles nos proporcionam uma
estrutura dentro da qual vivenciamos a nossa realidade.
Tanto as palavras quanto os sentimentos são expressões da alma.
Quando nós tocamos o Cosmos através da Emoção, estamos
estabelecendo uma conexão numa maneira pessoal. Ninguém, além de
você mesmo, experimenta os prazeres e dores da vida exatamente da
mesma maneira que você. Os nossos sentimentos e sensações são
completamente nossos. A nossa singularidade individual garante que
cada um de nós tenha uma leitura diferente da vida. Eis porque é tão
estimulante encontrar alguém cujas experiências se coadunam com as
nossas. Isto não é corriqueiro, e é um indício de que estamos próximos
através de meios que são espirituais.
* MENTE é o meio de a ALMA se expressar através da psicologia
do CÉREBRO.
* EMOÇÃO é o meio de a ALMA se expressar através do
CORAÇÃO metafórico.
O que queremos dizer com “Coração metafórico”, e por que a
alma tem uma necessidade de se expressar de alguma forma?
A Natureza das Emoções
Pense na alma como o cordão umbilical espiritual que canaliza as
forças criativas naturais do Cosmos através de cada um de nós. Agora
pense no corpo físico como o “recipiente” e um “conduíte” para a
expressão daquelas forças no plano do tempo e espaço.
A alma possui as capacidades espirituais de comunicação que você
e eu usamos quando pensamos, falamos e agimos. Mas é somente por
intermédio do corpo que estas capacidades são expressas. De forma
latente, dentro destes três processos de expressão está o potencial da
Mente e Emoção.
A Mente consciente expressa a capacidade da alma para a
inteligência. Ela o faz através de um específico meio psicológico,
conhecido por cérebro. Independentemente do quão requintado,
complexo e sutil seja a composição e configuração do cérebro, ele
continua sendo um maquinário finito, no qual acontecem as
transferências de energia. As suas funções podem até ser observadas
com o auxílio de um microscópio ou um escaner.
O trabalho de nossa Emoção é algo muito mais difícil de ser
detectado. Ela não tem nenhum órgão convenientemente localizado tal
como o cérebro. Trata-se de uma expressão geral da alma e não está
localizada em nenhum lugar determinado — por isso, denominamos
este “lugar” como um metafórico “Coração”.
A Emoção está espalhada por todo o nosso corpo. Ela reflete um
fluxo generalizado da alma, em comparação com o fluxo particular da
Mente. Quando você se sente alegre ou triste, você não tem este
sentimento no dedão do pé ou nos seus dentes — você o sente de
forma generalizada e espalhada em todo o seu ser. Referimo-nos aqui
às emoções, e não às sensações táteis. Por serem mais difusas, as
emoções são mais difíceis de serem definidas, localizadas, ou de serem
mudadas através de intervenções conscientes.
A Ciência da Emoção
Embora tenhamos uma boa idéia de como a alma se manifesta
através do cérebro, a maneira como a alma se manifesta através da
Emoção desafia uma fácil definição. A ciência da Emoção está apenas
começando a aflorar. Nos recentes anos, a ciência começou a examinar
e investigar com mais profundidade a interação que existe entre a
Mente, a Emoção e o corpo. É interessante notar que a natureza
descentralizada das Emoções, descrita pela psicologia Chassídica, se
correlaciona muito bem com a pesquisa moderna.
A Professora Candace Pert é uma das líderes entre os
pesquisadores no campo da natureza psicológica da Emoção. Em seu
livro Molecules of Emotion: Why You Feel the Way You Feel, ela
apresenta uma base científica para a psicologia da Emoção, e as razões
pelas quais ela se irradia por todo o corpo. É possível que você já esteja
familiarizado com o modelo de “sistema de comunicação” do cérebro,
como sendo uma gigantesca rede, formada por trilhões de quilômetros
de “fiação” do sistema nervoso central. Sem contradizer este modelo,
ela o ressalta criando, de forma hipotética, um modelo químico de
agregados moleculares e receptores, com cada célula possuindo uma
enorme leque de receptores com “convites quimicamente projetados”
em sua superfície. Ela sugere que as imaginemos como “painéis
químicos” que atraem “clientes químicos”, viajantes carregados de
proteína — os agregados moleculares. Cada receptor atrai o seu cliente
particular. Esta comunicação celular ocorre através dos sistemas
endócrino, neurológico, gastrintestinal e imunológico. Em outras
palavras, cada célula “conversa” com todo o corpo numa linguagem
química. Pressupõe-se, até, que cada célula possui uma “mente” de
todo o ser.
É interessante notar que a área do cérebro que acreditamos conter
a maior parte das funções da Emoção, o sistema límbico, contém 95%
dos receptores neuropeptídeos. Assim, as Emoções são produto não
apenas de estimulação elétrica, mas, também, de estimulação química.
Mente e Emoções podem ser imaginadas como os fluxos de
informações movendo-se por entre as células. Atualmente, acredita-se
que cada célula do corpo tem uma lembrança, e que estas memórias
são armazenadas em todo o corpo. Em suma, o corpo se lembra de
sensações e sentimentos passados! Quando experimentamos uma
sensação que já tínhamos sentido, um circuito neural é ativado. Ele gera
uma reação do corpo inteiro, aflorando todo um conjunto de mudanças
e alterações corpóreas, inclusive no aspecto das expressões faciais.
Uma simples mudança num pensamento pode induzir tais mudanças.
Um interessante experimento foi, recentemente, relatado no
British Psychological Society Journal, informando que o mero pensar
em exercício físico já exerce um fortalecimento muscular. As
implicações para a recuperação de músculos machucados são enormes
e podem, geralmente, melhorar também o seu desempenho.
Enquanto que o cérebro evita que sejamos bombardeados por
estímulos sensoriais, filtrando tudo aquilo que experimentamos
conscientemente, o nosso corpo, como um todo, continua reagindo e
respondendo subconscientemente às sutilezas das Emoções não-
filtradas. Assim, a intervenção consciente através da meditação é capaz
de redirecionar as reações do corpo. Por exemplo, se a profundamente
arraigada raiva de uma pessoa está lhe causando um estresse que afeta
o seu sistema imunológico, cuidar daquela raiva, pode desestressar o
seu corpo e impedir que ela fique “emperrada” numa ranhura
psicológica.
A Dra. Margaret Kemeny, da Universidade da Califórnia, fez um
estudo dos atores “MetHod”. Ela descobriu que, quando um ator
estimulava a tristeza, isto fazia aumentar o número das células
“matadoras” que caçam as anormalidades celulares de seu corpo.
A quiroprática chama esta consciência global do corpo de
“inteligência inata”, e outros a denominam de “sabedoria do corpo”. A
Cabalá a chama de “expressão unificada da alma”. A Cabalá explica
que quando você pratica uma mitsvá (uma boa ação), é um
comportamento Mente-Emoção-Corpo que, por definição, cria um
ótimo caminho para a expressão da alma. Não somente passamos a
ficar mais fundidos com o fluxo Cósmico, mas, de fato, melhoramos o
Cosmos existente. Ainda mais especificamente, os nossos atos de
bondade podem fluir para difusas Emoções e reorientá-las, fazendo com
que o resultado seja o bem-estar e a boa saúde.
Quando praticamos uma mitsvá, nós desempenhamos um importante papel na
complementação do inacabado ato da criação.
Encarando isto sob um outro ponto de vista — o do crescimento
espiritual –, podemos projetar que os nossos sentimentos podem
alterar, fisicamente, os caminhos através dos quais os nossos fluxos
espirituais ganham expressão. Na verdade, nós somos um “caldeirão
fervente” de fluxos Sefiróticos espirituais, que são influenciados pelos
processos conscientes e inconscientes do corpo. A maneira que
escolhemos para interpretar o momento (Mente), deflagra um conjunto
de sentimentos ou sensações (Emoção), o qual pode, eventualmente,
resultar num dano ao corpo, ou no seu conserto e bem-estar.
A Sua Natureza de Dar
O Chéssed é a emoção de dar e de repartir. Quando estendemos a
mão a umapessoa necessitada, estamos abordando o fluxo de Chéssed.
Trata-se do fluxo básico com o qual a criação está imbuída. De fato,
podemos dizer que a Sefirá de Chéssed está no âmago do desejo da
humanidade de fazer uma significativa contribuição ao mundo. Na
Cabalá, o Chéssed está descrito através da metáfora da água. Assim
como a água flui de lugares mais altos, o Chéssed flui a partir da união
da Chochmá e da Biná, através do ato do Daat. Tal como a água, o
Chéssed é associado com a pureza e o prazer. Banhamo-nos e ficamos
limpos. Bebemos água e nos refrescamos.
Subjacente a todas as alegrias espirituais está a qualidade de dar,
contribuir e servir. Eis porque muitos caminhos espirituais possuem
como um princípio central de seu ensinamento o conceito do serviço.
Rabi Shlomo Yitschaki de Troyes (conhecido pelo acrônimo de
Rashi) destaca que o Chéssed está por detrás da motivação de D’us
para a criação do mundo. A Cabalá ensina que o ser humano é um
microcosmo do universo. Mesmo quando nós não o imaginamos
conscientemente, cada um de nós é motivado a contribuir para o
aprimoramento do mundo. Isto é central à natureza da criação, sendo a
nossa própria natureza humana.
Muitas vezes temos aprendido comportamentos que frustram um
fluxo saudável do Chéssed. Eu tenho três amigos que chamarei, aqui,
de David, Sara e Greg. Cada um deles encara a vida de uma maneira
diferente.
DAVID
David leva sua vida a “todo vapor”. A vida é por demais curta, e
parece não haver nada suficiente. Ele tem que avançar, vencer prazos e
barreiras, superar objetivos pessoais e conseguir mais manifestações
físicas do valor pessoal. Ele não tem tempo para cultivar e desenvolver
os seus relacionamentos. Conseqüentemente, o seu fluxo de Chéssed
fica represado.
SARA
Muitas vezes Sara colore o momento presente com as tonalidades
de suas experiências passadas. Ela perde o frescor do “agora” ao
reviver, constantemente, os seus momentos perdidos. Sara sofre de
ataques de culpa, acordando para a repetitiva ladainha do “e se...”. O
que está acontecendo com o seu Chéssed? Ele foi redirecionado pelo
prisma de seu ego. O Chéssed flui, mas fica preso. Sara precisa
desenvolver interesses que a tirem de si mesma.
GREG
Já vimos como David reprime o seu fluxo de Chéssed. E como
Sara o aprisiona. Por outro lado, Greg despertou o seu fluxo de
Chéssed direcionando-o somente para grandes assuntos sociais. Ele se
apresenta como voluntário para uma agência internacional sem fins
lucrativos, por estar comprometido com a justiça social. Porquanto seja
este um louvável objetivo, ele exauriu tanto o seu fluxo de Chéssed que
sofre de esgotamento.
Está claro que cada um destes meus três amigos precisa
redirecionar o fluxo de Chéssed para que este possa nutri-lo. Quando
repartimos o nosso fluxo de Chéssed com outrem, seja ele um parente,
um amigo ou membro da comunidade, estamos restabelecendo o
adequado equilíbrio de energias.
Por exemplo, David poderia se beneficiar com a intimidade do
casamento. Os compromissos e o dar/receber de um relacionamento
estável e duradouro expressariam a sua energia Chéssed.
Por outro lado, Sara precisa sair ao mundo e dar aos outros, sem,
para tanto, envolver o seu ego. Se ela dispusesse de seu tempo para
assistir a um doente terminal internado num hospital, ou a uma mulher
que estivesse num abrigo, ela conseguiria libertar o seu Chéssed.
Greg deveria afastar-se temporariamente de suas atividades como
voluntário e curtir os seus amigos e familiares. Por exemplo, se ele se
comprometesse a cuidar de seu sobrinho predileto uma noite por
semana, ele poderia descobrir as alegrias do fluxo de Chéssed
concentrado e direcionado.
Por eu gostar de meus amigos, eu tento influenciá-los a mudar as
suas vidas. Mas eu devo policiar-me para não correr o risco de me
impor sobre eles, ainda que isto fosse em seu próprio benefício. Em
outras palavras, eu devo administrar o meu próprio fluxo de Chéssed.
A negação do ego é o que distingue o desejo de controlar e dominar do genuíno
fluxo do Chéssed.
Um genuíno fluxo de Chéssed é sempre “exocentrado”, jamais
“egocentrado”; e isto inclui dar aconselhamento a nossos amigos e
parentes. Uma das maneira pela qual podemos nos testar é perguntar:
“Com o que eu estou mais preocupado neste momento: com o meu
orgulho, afetado por meu conselho não ter sido aceito, ou com o bem-
estar de meu amigo?”
Um fluxo de Chéssed genuíno evoca o mesmo nos outros.
A Cabalá nos ensina a identificar o fluxo de Chéssed repartindo-
nos com os outros através de um processo natural de auto-revelação.
Apesar disso, nos sentimos temerosos de nos revelarmos. Mas, do que
temos medo? Dor, rejeição e humilhação.
Nós devemos nos lembrar que o Criador Se revelou no processo da
criação. O fluxo espiritual de Chéssed é o fator oculto básico da
criação. Ou seja, em outras palavras, D’us não estava Se contendo
quando criou o universo, e, conseqüentemente, o nosso impulso
primordial é o de nos conectarmos e nos relacionarmos. Quando
tocamos o mundo através de um contato verbal, através de nossa
capacidade de ver e de ouvir, e através de nossa capacidade de contato
físico, estamos manifestando o nosso fluxo de Chéssed natural. Parece
que todos os aspectos de nossas vidas são exemplos do potencial para a
conexão espiritual.
Chéssed é o fluxo dominante que nos impulsiona a um estado de
unicidade e união. A solidão é um alto preço a ser pago por retermos a
nossa qualidade natural de Chéssed.
O que os meus três amigos mais procuravam era a alegria da
conexão. Quando eles chegarem a entender a natureza do fluxo de
Chéssed, os seus bens e dons poderão criar uniões e conexões. Eles
têm ao seu alcance os meios para criar uma realização pessoal e uma
proximidade com os outros.
UM EXERCÍCIO DE CHÉSSED
Antes de iniciar este exercício, familiarize-se com a ilustração
apresentada a seguir.
Sente-se numa cadeira confortável, ou numa poltrona. Feche seus
olhos e tranqüilize-se. Fique calmo. Você está seguro. Abra a porta para
uma sala em penumbra. Sinta uma porção de emoções juntas num
espaço. Não tente entender como é possível que sentimentos e
sensações possam ser acomodadas numa sala. Apenas sinta-se
confortável com a sensação e aproxime-se. Sinta a emoção do amor.
Dê alguns passos e sinta ela dar lugar a uma intensa e concentrada
retenção de sentimentos. Deixe-se experimentar quaisquer sensações
que você for encontrando enquanto caminha.
Enquanto você vai em direção à parede da direita da sala, perceba
como as suas sensações vão se transformando em dação, amor,
contribuição, compartilhamento e serviço. Fique neste lado da sala. Este
é o lado do Chéssed.
Agora, olhe para esta parede da direita. Ela tem uma cor impecável
e cintilantemente clara. A rigor, é difícil de descrever a cor por ser ela
clara como a água. Apesar disso, ela é opaca. Você não pode ver
através dela. Fixe sua visão atentamente à parede e você poderá
vislumbrar as letras do tetragrama que denota o nome de D’us. O nome
atribuído ao amor do Criador e à auto-revelação. Os formatos das letras
sugerem uma seqüência. A primeira letra, o pequeno “ponto”,
chamado de “yud”, é a impenetrável Vontade Divina interna. Ela é a
alma existente em cada uma das letras Hebraicas. A segunda letra, o
“hei”, a letra do sopro, da respiração, pode ser ouvida como o som do
ar sendo exalado dos pulmões. Diferentemente do “ponto”, esta letra
possui forma e dimensão definidas. É a letra que dá existência à sua
forma. É o sopro da existência. A terceira letra é o “vav”. Ela tem o
formato de um gancho, e nos permite “enganchar” na impenetrável
Vontade Divina e ganhar direção. Ela permite que o fluxo da criação
flua para o plano da dimensão, a forma espiritual, o paralelo espiritual
para o mundo físico e finito. Ela funciona como um funil para a
Vontade Divina. A letra final é, novamente, a letra “hei”. Desta vez, ela
descreve o dimensionado mundo físico. Ela representa a energia que
mantém a integridade de todos os estados físicos.
Concentre-se na palavra e em suas quatro letras.À medida que
você vai se aproximando desta parede, sinta um profundo amor e um
desejo de dar e de dividir. Deixe que a seqüência das letras direcione o
seu fluxo de dação. Perceba a fonte de seu amor. Pode ser um sentido
interno abstrato. Sinta a fonte em seu cerne. Concentre-se nela — em
seu yud. Agora concentre-se em seu hei. Deixe que o seu amor e dação
se tornem discerníveis. Pergunte-se como é que o seu amor se sente.
Reflita como é que você expressa a dação incondicional. Pense em
quão maravilhosa é a sensação de ter alguém ou algo com quem
repartir a sua natureza de dar. Agora, concentre-se no vav — enganche
o fluxo numa pessoa, alguém que você ame, trazendo esta pessoa sob
nítido foco e vendo a sua natureza de dação no mundo real. Como é
que você pode realizar o seu amor? Quais são as ações e meios verbais
com os quais você pode expressar o seu amor? Veja-se colocando tudo
isto em prática, e observando as reações do outro. Lentamente, afaste-
se da parede à direita. Sinta o irresistível poder de seu amor começar a
diminuir em intensidade. Pare de se concentrar nas letras na parede e
deixe que elas se dissolvam na clara translucidez da parede.
Conscientize-se de si mesmo movimentando as suas mãos e os seus
pés. Volte para este mundo.
O mundo tem um coração. Os sentimentos fluem do coração
cósmico e tornam-se os sentimentos e sensações que você e eu
sentimos no mundo terreno. O Criador usou o atributo de Chéssed
como “ferramenta” primordial no processo da criação. Assim, a mais
normal abordagem à qual podemos dar vida é sermos indivíduos
doadores. Quando facilitamos o fluxo de Chéssed, nós nos alinhamos
com o coração do Cosmos.
Os fluxos Chéssed dos meus amigos David, Sara e Greg não estão
alinhados com os fluxos do Cosmos. Ainda assim, os três têm a
capacidade de corrigir o seu “registro” emocional. Todos nós temos.
Mas precisamos descobrir um caminho, precisamos de um professor
que nos ajude. Eu espero que, ao ler este livro, você possa encontrar
este caminho.
A Cabalá ensina que através do ato de dar, o doador e o receptor
são unidos. As mãos se tocam e os corações se unem.
Chéssed e Guevurá são as chaves para a autoconsciência emocional.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o seu
paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e de
baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está penetre
em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua consciência?
O que os seus dedos estão tocando? Em que estão focalizados os
seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus pensamentos o
atravessem suavemente, sem pressa ou urgência. Você está
seguro. Ainda com os olhos fechados, vislumbre um lindo
gramado em formato de uma grande Estrela de David. Imagine-se
caminhando por sobre a grama. Você pode sentir a sua suavidade
e maciez. Veja-se caminhando sobre um quebra-mar, admirando o
profundo oceano azul. Identifique-se com as turbulências do
oceano, respirando em conjunto com a respiração de suas grossas
ondas. Deixe sentir sua imensa profundidade e força. Identifique-
se com aquele poder de propósito. Tome algum tempo para
contemplar a imagem do oceano. Respire a sua fresca, pura e
forte essência.
Abraão Como um Paradigma de Chéssed
Abraão, o primeiro hebreu, era um indivíduo dotado de enorme
amor e dação. Ele expressava o seu amor a D’us desafiando e
enfrentando os líderes e a comunidade da poderosa Mesopotâmia. Ele
se manteve em guerra contra um exército muito mais forte para salvar o
seu sobrinho Lot, que, segundo nos relata a Bíblia, não era merecedor
de seu amor. Ele fundou um grande acampamento, uma cidade de
tendas e barracas, em pleno deserto, que ficou famosa pela sua
hospitalidade. Os viajantes do deserto sabiam que seriam sempre bem-
vindos. Sabemos que Abraão tinha um enorme prazer quando
compartilhava a sua casa com estranhos e cobria-os com a sua
generosidade. Tudo o que pedia em troca era o reconhecimento de que
a fonte de toda aquela sua bondade era o Cosmos doador — um
Criador beneficente.
Três dias depois que Abraão foi circuncidado, ele se postou à
entrada de sua tenda, procurando no horizonte a chegada de visitantes.
Era um dia particularmente quente, e os viajantes ficavam no interior de
suas tendas para evitar o sol do meio-dia, que tornava o deserto um
verdadeiro forno. Não obstante o calor e a sua grande dor física,
Abraão estava desolado por não ter convidados com quem pudesse
repartir sua generosidade. Ele fitava o horizonte como se aquilo fizesse
com que os seus hóspedes chegassem. D’us apiedou-Se dele e enviou
anjos disfarçados de viajantes do deserto. Abraão alimentou-os e sentiu-
se confortado.
A grande força de Abraão era o seu coração amoroso, o qual
buscava expressão através de atos de bondade. Assim, o seu grande
teste foi quando D’us pediu-lhe que oferecesse em sacrifício aquilo que
estava mais perto de seu coração — o seu amado filho Isaac. Nós todos
sabemos que aquele sacrifício não chegou a acontecer; D’us enviou um
anjo para, no último instante, deter o seu braço.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA HEI
O mais profundo ato de dação realizado por D’us
foi quando Ele soprou a vida nas narinas das criaturas
por Ele criadas.
A letra hei significa sopro. Pronuncie suavemente
o nome desta letra. O som que você ouve é o som do
sopro, do hálito. Medite sobre este som. Pense na profunda
beleza que existe no simples ato de respirar.
Agora olhe para o pequeno intervalo na haste lateral
esquerda da letra. Ele representa o espaço através do qual a
luz de D’us pode entrar, não importando o quão escura a vida
pode parecer. Medite sobre a luz do Criador chegando aos
lugares escuros interiores.
Foi uma provação; porém, o fato tem muito a nos dizer acerca da
disciplina e do autodomínio de Abraão. Ele obedeceu ao mandamento
de D’us, apesar de que aquilo contrariava o seu próprio fluxo de
Chéssed de bondade e generosidade.
Os nossos Patriarcas e Matriarcas bíblicos não estavam acima das
emoções humanas. Não se trata de serem eles e elas perfeitos; longe
disto. Eles lutavam com as suas emoções, compreendiam as suas
fraquezas e as sobrepujavam ao comando de D’us.
Os Patriarcas Abraão, Isaac e Jacob personificam as emoções interiores do
Chéssed, Guevurá e Tiféret.
Um genuíno fluxo de Chéssed é “exocentrado” (centrado em
direção aos outros), jamais egocentrado (centrado em direção ao
próprio “eu”). No entanto, sem a capacidade de equilibrar uma natureza
doadora com uma sensata auto-retenção, a capacidade de dar pode se
esgotar ou ficar distorcida. A Sefirá de Guevurá é o contraponto da
Chéssed. Este será o tema de nosso próximo capítulo.
9
Guevurá: Aumentando a Força
Interior
A força assume variadas formas. Alguns de nós somos fisicamente
fortes; ou a nossa força pode estar em nossa força de vontade.
Podemos ser fortes mentalmente, ou podemos deixar que os nossos
sentimentos e sensações fluam fortemente. É possível que tenhamos
fortes convicções. A nossa fé pode ser inabalável. A Cabalá nos dá
conta de que cada uma destas modalidades de força é conectada a um
fluxo comum — o fluxo de Guevurá. Quando erguemos uma carga do
porta-malas de um carro, a mente se concentra e os músculos se
contraem. Porém, além do empenho da mente e do corpo, está a
capacidade de subordinar os nossos recursos interiores. Este é o
domínio da Guevurá, o contraponto do Chéssed.
A Sefirá de Guevurá direciona a energia espiritual para uma forma
definida, para que possa, assim, alcançar um objetivo. Ela atrela e
molda energias dispersas, aplicando-as num acurado relevo. As suas
propriedades incluem: concentração, disciplina e foco.
A concentração limita o fluxo de idéias. Por exemplo, bons
professores limitam o fluxo de informações para adequá-lo à capacidade
de seus alunos. A Guevurá subordina uma tendência natural do
professor a dar e repartir, adaptando-a à capacidade do aluno de
entender e absorver. Quando nos restringimos para que outros tenham
a oportunidade de se expressar, nós estamos utilizando o nosso fluxode
Guevurá. Nestas ocasiões, nós peneiramos a informação ou, até
mesmo, retemos todo o seu fluxo. O fluxo peneira entradas estranhas e
cria o estreito canal através do qual a força interior pode fluir e
disciplinar temporariamente os limites de alcance da atividade.
Todos nós já vimos a força direcionada pela Mente. Quando uma
mãe, repentinamente, descobre que tem a força suficiente para erguer
um carro que mantém imobilizado o seu filho sob suas rodas; ou quando
um soldado consegue carregar em seus ombros um companheiro ferido,
por muitos quilômetros, para somente descobrir muito tempo depois
que ele próprio está seriamente ferido; quando um hábil praticante de
caratê quebra um sólido bloco com um único golpe de sua mão; ou
quando um tenista iniciante consegue vencer um campeão, pouco se
lembrando de como conseguiu a façanha — estamos vendo, nestes
casos, o fluxo de Guevurá em ação.
Ocultando Para Poder Revelar
A Cabalá descreve a Sefirá de Guevurá como uma tela que
mascara a realidade superior: No princípio, o Criador Se contraiu num
Não-Espaço para poder criar o espaço para a criação. Nós
denominamos este processo de tsimtsum, que significa
“autocontração” ou “encobrimento”. Em seu sentido místico, isto se
refere ao processo do Criador em limitar e contrair de forma tal que a
existência pudesse ser realizada. Esta contração é conhecida como o
“tsimtsum original”. No entanto, uma pequena quantidade de luz
criativa filtrou-se através do véu, e o Criador tomou esta ofuscante luz,
chamada kav, e enviou-a através de um outro plano de filtragem,
conhecido como “tsimtsum menor”, até que somente um estreitíssimo
feixe de luz pudesse ser visto. A partir desta luz, o Criador formou uma
criação finita. Estes processos de tsimtsum eram a expressão original e
cósmica da Guevurá Divina.
Da mesma forma que D’us reteve tudo, exceto o mais pálido e
tênue brilho da energia criativa, para que a criação finita pudesse existir,
igualmente, ao mascararmos a informação com uma analogia ou
metáfora, nós podemos, ironicamente, estar é revelando a sua essência.
Isto faz com que o cerne de um conceito se esgueire, tornando-se
aparente. O tsimtsum cósmico fez o mesmo. Tivesse D’us preenchido
todo o espaço e tempo, o universo não poderia ter sido criado. Foi
necessário que, primeiramente, o Criador Se ocultasse num Não-
Espaço espiritual. Igualmente, quando o fluxo da Guevurá retém um
excesso de informação, ela faz com que o fluxo de Chéssed de dar seja
mais apropriado — numa forma que seja aceitável.
Sem o equilíbrio do Chéssed, a Guevurá pode ser negativa e
dolorosa. Ela pode ser a base da mesquinhez, do egotismo, do medo e
da continência emocional. Se somos medrosos, a nossa Guevurá pode
ser dolorosa. A mágoa e a dor precoce na vida pode atrofiar ou tolher o
fluxo de Chéssed. Em seu lugar, o ego inseguro adota uma postura
ávida e cobiçosa — tomando em vez de dar, retendo em vez de repartir.
Mesmo a “dação” se torna ”tomar” — uma estratégia manipulativa. A
Guevurá destas pessoas flui através do “eu” inferior — o Nefesh
Behamit; no entanto, no serviço do “eu” superior, o Nefesh Elokit,
isto representa um apropriado contraponto ao irrestrito e implacável
fluxo de Chéssed.
Como em todo o nosso comportamento, o equilíbrio é a chave.
Equil íbrio Entre Chéssed e Guevurá
A nossa tendência natural é termos uma orientação para Chéssed;
mas, algumas vezes, é necessário sermos altamente objetivos, com
idéias fixas, e autocontidos para que consigamos atingir um
determinado objetivo. Nestas ocasiões, o equilíbrio deve tender
preferencialmente para o lado da Guevurá ao invés de tender para o
lado do Chéssed.
As pessoas bem-sucedidas sabem como regular isto. Elas sabem
que o muito “muito”, o muito “freqüente”, pode resultar num
esgotamento. Elas sabem que o sucesso não significa, necessariamente,
velocidade. Significa reter quando apropriado e incrementar o ritmo,
apertar o passo quando for mais necessário. A sua Guevurá e o seu
Chéssed estão em harmonia. A sua habilidade e perícia de equilíbrio
são primordiais ao autodomínio emocional. A Sefirá de Chéssed, o
nosso “eu” doador, deve ser equilibrada e temperada por uma
capacidade de conter e dosar o seu fluxo. Deixar que os nossos
sentimentos fluam de forma inadvertida acabará por exauri-los; a
retenção constante é insalubre e anormal. O Chéssed deve ser
balanceado pela Guevurá, e esta deve ser liberada através do Chéssed.
Nós devemos dosar o nosso fluxo de emoções.
Guevurá, Discipl ina e o Obstáculo do Ego
A Sefirá de Guevurá é a fonte da disciplina da mente e do corpo,
envolvendo autocontenção, autocontrole, e autodomínio. O objetivo é
uma verdadeira liberdade de expressão. Janos Starker, um renomado
músico do Século XX, atribui o seu domínio à disciplina e ao
autocontrole. “Você deve disciplinar-se a aprender, estudar e praticar,
praticar, praticar”, enfatiza ele no livro de Joan Ame, Mastery —
Interviews with 30 Remarkable People.
Como é que podemos discernir entre um domínio que se origina na
humildade — um saudável fluxo da Guevurá — e um que se origina no
ego? Uma das maneiras para entender esta diferença, é olhar para um
artesão. Um artesão bem-sucedido sempre diz ter um grande respeito
pelos materiais. Isto está em marcante contraste com a percepção de
que, para dominar uma determinada arte, nós devemos ter o “poder”
sobre os materiais que utilizamos. A diferença está em nosso foco.
Estamos focados na conquista, ou na obtenção de uma união com o
Cosmos através de nossos feitos?
Para que a Guevurá possua o atributo da generosidade, ela tem
que ser “exocentrada”, dirigida aos outros. Um empenho espiritual puro
deve ter a mesma qualidade. Pesquisadores espirituais podem passar
anos à procura de esclarecimento e, ainda assim, continuarem
intocados. Eles se preocupam com o “eu”, e o trabalho espiritual acaba
se tornando uma ferramenta com a qual inflam a si próprios. Todos nós
já encontramos pessoas que são proficientes numa determinada
disciplina, que conseguiram domínio de algumas das ferramentas do
esclarecimento, mas que não conseguiram domínio sobre si mesmas.
Podemos ver aqui o Nefesh Behamit, o “eu” da ordem inferior, em
ação, onde, infelizmente, a disciplina da Guevurá se torna um fim em si
mesma.
Como é que podemos saber se a nossa Guevurá provém da
elevada dimensão do Nefesh Elokit? O indício está em nosso foco.
Devemos nos perguntar: “Estou me concentrando no quão bom eu sou?
Estou preocupado com o que eu pareço ao mundo?” Se estes forem os
objetivos principais, então isto será um sinal de que a Guevurá está
manchada. Se procuramos conseguir a autoconsciência e pôr em
prática uma transformação que não seja baseada no ego, mas que se
origine na alegria e na felicidade de dar e de contribuir, então a
Guevurá filtra através do “eu” da ordem superior — o Nefesh Elokit —
e é pura. Não existe nada intrinsecamente egoístico em ser feliz, alegre
e realizado — quando isto for um meio, e não uma finalidade.
O Valor e a Dor da Contenção
Nós todos já aprendemos a sabedoria da contenção seletiva. O
fluxo da Guevurá é sadio quando ele nos protege de cair de costas no
lado mais fundo da piscina, ou quando nos protege de pôr a nossa mão
no fogo, ou de atravessar por entre o perigoso tráfego de uma
movimentada rua. Igualmente, nós contemos os nossos sentimentos
quando há uma falta de confiança, ou quando sentimos a dor ou a
mágoa de termos sido alvo de deboche, ou quando alguém tira
vantagem ou se aproveita de nós. Nos afastamos das transações
comerciais obscuras, dos negócios perigosos e das práticas duvidosas
porque sabemos que, em algum lugar ao longo da linha, o resultado
poderá ser uma dor espiritual ou emocional.
Porém, algumas vezes, a dor é demasiadamente grande, donde
passamos a desconfiar e temer o mundo. Nós deixamos que a nossa
Guevurá flua muito rapidamente, muito intensamente, muito
habitualmente. Passamos a sentir, constantemente, a necessidade de
nos sentir seguros e de exercer controle sobre os outros. Podemos
tentar dominar e bajular. Abordamosa vida já antecipando dor, mágoa
e sofrimento a cada encontro.
Este desencaminhado fluxo de Guevurá pode nos aprisionar e nos
isolar da possibilidade da auto-realização.
A Cabalá nos ensina que o medo é o oposto do amor. Assim como
o amor é o produto do Chéssed, o medo é fruto da Guevurá. Tanto o
amor como o medo podem ser expressos de uma maneira sensata ou
insensata. Um amor desequilibrado pode sufocar. Um medo doentio
produz preocupação e incerteza. Isto cria uma necessidade de controle
e uma perceptível vulnerabilidade. Isto pode, ainda, infligir dor,
sofrimento e mágoa.
Não devemos confundir o medo com a raiva. A raiva pode ser uma
forma corrompida da conexão. Ter raiva equivale a estar ligado a uma
pessoa da pior maneira possível. No entanto, o medo sempre
desconecta. Quando sentimos medo, nós fugimos ou buscamos
segurança através do controle e da dominação. As pessoas que são,
costumeiramente, medrosas podem se tornar controladoras para, assim,
assegurar-se que têm acesso, em todas as instâncias, a uma rota de
escape.
Podemos ver que o fluxo de Guevurá pode ser complicado e
enganoso. Devemos nos sentir confortáveis com ele, tanto intelectual
como experimentalmente, para poder conseguir o equilíbrio interior e
manter saudáveis relacionamentos.
O Trabalho da Avodá — o Domínio Espiritual
É ensinado a todo jovem Chassid em desenvolvimento que o
mundo de nada serve sem a Avodá. “Avodá” significa, literalmente,
“trabalho”. Consiste no trabalho de mudar a pessoa. O mestre
Chassídico é a personificação da pessoa realizada. A Avodá é o meio
pelo qual o estudante treina os fluxos e os comportamentos da Mente e
da Emoção para incorporar os atributos que o mestre demonstra em
sua vida.
A base da Avodá é a autocontenção (auto-suficiência) e a modéstia.
Isto requer um forte fluxo de Guevurá — contenção. Nascidos com um
leque de inclinações, impulsos, necessidades, naturezas, desejos,
querências e anseios, nós, como crianças, buscamos, naturalmente,
meios de expressão que, normalmente, são autogratificações básicas. É
por isso que uma criança quer, e quer, e quer. Nós denominamos esta
tendência infantil “mochin dekatnut” — ou seja, “cérebro-pequeno”. A
alma já está completa por ocasião do nascimento; porém o corpo — e
mais especificamente o cérebro — ainda não está totalmente
desenvolvido. Eis porque a alma é imperfeitamente expressa através do
cérebro. As aptidões espirituais da Mente e da Emoção não podem
ainda funcionar com perfeição. À medida que vamos amadurecendo,
nós aprendemos a parar de querer indiscriminadamente. Aprendemos a
controlar os nossos apetites e a transformar as nossas necessidades
primitivas em uma postura doadora.
Na tradição Cabalista nos é ensinado que o corpo completa o seu
crescimento orgânico por ocasião do bar-mitsvá (13º aniversário) do
menino, ou bat-mitsvá (12º aniversário) da menina. É então que a
maturidade e o equilíbrio interior se estabelecem. Neste estágio da vida,
meninos e meninas assumem plena responsabilidade por seus atos e
comportamentos. Neste estágio, a Avodá pode começar a ser
praticada, pois, aí, a psicologia chegou à plenitude da alma. Esta é a
idade quando a gratificação atrasada e os demais comportamentos que
assinalam a maturidade podem começar a funcionar. Porém, nada disto
pode funcionar se nós assim não o permitirmos — se nós não
“crescermos” e ficarmos mais “sábios”. E a ferramenta principal para a
maturidade através da Guevurá é a contenção, a criação de espaço
para que a sabedoria e a sensatez aflorem, contendo e refreando
querências e vontades egoístas, domando-as e orientando-as em direção
a fins mais elevados. O principal trabalho básico, a Avodá, é o do
domínio do fluxo de Guevurá.
O Rebe, o mestre Chassídico, que pode enxergar dentro da
dinâmica da alma no corpo, pode aconselhar, a quem o procura, que
práticas da Avodá são as mais adequadas para o total desenvolvimento
do autodomínio. Ele poderia enfatizar o treinamento mental através do
estudo da Torá, ou o treinamento emocional através da prática da
doação. Ao aceitar o conselho do mestre, e o resultante treinamento
disciplinar, cria-se um vínculo que leva a abnegação do ego. Isto, uma
vez mais, é conseguido através do dominante fluxo da Guevurá.
Isaac, Um Paradigma da Guevurá
Se Abraão é o paradigma do Chéssed, o seu filho Isaac é,
certamente, o paradigma da Guevurá. A Bíblia nos dá conta de que, tal
como o seu pai, Isaac era um habitante do deserto; porém,
diferentemente de seu pai, Abraão, ele não se Rebelou contra os usos e
costumes da sociedade, não deflagrou guerras, ou anexou novos
territórios. A Torá o descreve como um “poceiro” (um cavador de
poços). Esta descrição contradiz a sua verdadeira contribuição. Isaac foi
o grande fortalecedor. Ele recuperou os poços que o seu pai havia
descoberto e que os Filisteus tinham, neste ínterim, coberto. Ele
trabalhava à sombra de seu carismático pai, silenciosamente
consolidando aquilo que Abraão tinha iniciado. Podemos tão somente
imaginar o seu nível de autocontenção, dedicação e disciplina — marca
patente da Sefirá de Guevurá. Conta-se uma história que bem ilustra o
poderoso equilíbrio entre Chéssed e Guevurá. As noras de Isaac eram
idólatras. Ele decidiu ignorar esta condição para poder manter a paz em
sua casa, embora isto lhe causasse uma enorme mágoa. D’us apiedou-
se de Isaac e cegou-o para que não pudesse testemunhar aquelas
práticas hereges. A sua força interior fez com que ele adquirisse uma
visão de maior alcance e que tolerasse o intolerável, ao invés de usar a
sua autoridade como patriarca e expulsar as suas noras de sua casa.
EXERCÍCIO DE VISUALIZAÇÃO DE GUEVURÁ
Sente-se numa cadeira confortável ou numa poltrona. Feche os
seus olhos e tranqüilize-se. Fique calmo. Você está seguro.
Entre naquela sala onde você experimentou e praticou o fluxo de
Chéssed. Agora dirija-se à parede do lado esquerdo da sala. Sinta-se
contrito. Você sentirá uma sensação de continência — uma contenção.
Enquanto você vai se aproximando da parede, a sensação se torna cada
vez mais intensa. Não chega a ser algo assustador ou desagradável. É
curioso.
Na parede, você verá um outro nome do Criador — Elokim. Em
hebraico, o valor numérico das letras que compõem esta palavra
somam oitenta e seis, que é o mesmo total aritmético da palavra que,
em hebraico, significa “natureza”. Este nome de D’us ilustra a mais
elevada realidade da criação e cria a ilusão de um mundo material finito.
Este mundo, tal como você o vê, é a “pele exterior”. Tudo que existe
no mundo tem uma pele — uma camada exterior que oculta e protege
a fruta viva em seu interior.
Dentro de você também existe uma fruta viva — a centelha da
alma. Porém, a alma está envolta pela “pele” da Mente e da Emoção.
Agora, toque a parede esquerda e você sentirá a contração interna da
alma, restringindo, limitando, segurando, contendo.
Em seu olho mental, segure-se na parede esquerda e sinta o poder
do nome de Elokim. Recorde uma ocasião em que você tenha falado
algo, ao invés de ter guardado um sensato silêncio. Volte àquele
momento. Reviva-o, porém deixe que a sua continência interior
discipline a sua língua. Ao reviver aquele momento, veja-se praticando o
sensato e sábio silêncio, mesmo diante da provocação. Deixe que
aquele momento do passado volte a transcorrer; mas, desta vez,
incluindo a prática da Guevurá. Detenha. Crie espaço para que a
sabedoria e a sensatez fluam. Deixe a sua Guevurá formar um fluxo de
Chéssed curador. Cuidadosa e atentamente analise o resultado. Perceba
as virtudes da retenção quando a sabedoria dita o silêncio. Toque,
novamente, a parede esquerda da sala e sinta fluir o poder da Guevurá.
Lembre-se de alguma outra ocasião em que você poderia ter se contido,
e que por não ter assim feito, sentiu-se magoado. Novamente, recrie a
situação; porém, desta vez, deixando que a sua sabedoria dirija o seu
fluxo de Guevurá. Veja o novo resultado.
Lentamente, afaste-se da parede esquerda da sala. Você já pode
sentir o poder do fluxo de Guevurá desvanecer-se. Vocênão sente algo
parecido com um vazio. Isto apenas provê um espaço para que outras
emoções entrem. Mexa os dedos de suas mãos e pés, e volte ao mundo
“real”.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA MEM SOFIT
O mem sofit representa a perfeição e a conclusão.
O seu formato é fechado e, tal como a Guevurá, ele é
contenedor. Medite sobre os aspectos positivos da
continência, aquela da força interior e da auto-
retenção. O mem sofit produz um murmurante som
de “m”. Ele retém o sopro, a respiração. Medite acerca
do som silencioso.
Quando Chéssed e Guevurá estão em equilíbrio, o resultado é uma
beleza espiritual que resplandece como uma realização interior e uma
harmonia interna — uma harmonia descrita na próxima Sefirá, a Sefirá
de Tiféret — a beleza do equilíbrio.
10
Tiféret: Desenvolvendo um Coração
Sábio
O grande médico e filósofo do Século XII, Moshé Maimônides,
aconselhava os seus discípulos a procurarem sempre o caminho do
meio. O interessante é que ele aconselhava as pessoas raivosas e
mesquinhas a ir a extremos. Ele dizia a uma pessoa irada para se tornar
um pacifista, mesmo quando isto parecia contradizer a lógica; e ele
aconselhava um miserável a combater os seus instintos e dar mais do
que o quanto poderia suportar normalmente. Como já vimos nos dois
capítulos anteriores, a raiva e a mesquinhez são as verdadeiras antíteses
da natureza doadora do Cosmos.
O conto Chassídico relatado a seguir ilustra este preceito:
Era uma vez um rei que tinha dois bons amigos que se Rebelaram
contra o reino. Neste caso, não restava outra opção ao rei senão a de
aplicar a lei — a pena de morte. Mas ele não se sentia em condições de
executar os seus amigos. Assim, ao invés disto, ele erigiu uma corda
bamba por sobre o pátio, estendida a uma altura razoável. Cada
prisioneiro deveria atravessar para o outro lado da corda bamba para
alcançar a liberdade. As chances eram escassas, mas, miraculosamente,
o primeiro prisioneiro conseguiu atravessar e ganhar a sua liberdade. O
segundo prisioneiro pedia orientação ao companheiro agora livre e
grato. Este respondeu-lhe à distância: “Todas as vezes que eu me sentia
desequilibrado, começando a pender para um lado, eu não esperava até
que todo o meu peso pendesse para aquele lado; eu imediatamente
compensava com o oposto!”
Este é o conselho de Maimônides. Não espere até que as suas
palavras e comportamento revelem um desequilíbrio emocional.
Compense, mesmo antes de as expressões se tornarem visíveis. Este é
o caminho indicado para o equilíbrio da emoção conseguido através da
Sefirá de Tiféret.
Equil íbrio Interior Para o Bem-estar
Todos os caminhos espirituais intimam o equilíbrio interior.
Também é a postura subjacente da abordagem médica da Ayurvéda
Oriental que Deepak Chopra tornou acessível.
A abordagem Ayurvéda do bem-estar vê a nossa natureza básica
em termos de três tipos corporais principais, chamados de “doshas”,
que se combinam de dez diferentes maneiras. As combinações resultam
em dez subconjuntos tipológicos pelos quais, individualmente, podemos
ser acessados. Estas tipologias são herdadas, resultando num “pacote de
assinaturas” da mente, do corpo e do comportamento. Generalizações
podem ser feitas sobre cada tipologia. Por exemplo, os do tipo “vata”
tendem a ser esbeltos, lépidos, com sono leve, irritáveis, preocupantes,
e propensos a repentinas explosões energéticas. Os do tipo “pitta”
tendem a ter um porte corporal médio, são portadores de um aguçado
juízo e intelecto, são mais facilmente enraivecidos, articulados, e são
ordenados quanto às refeições. Já os do tipo “kapha” tendem a ter uma
constituição física mais forte, são mais relaxados, têm uma
compreensão mais vagarosa, são mais tolerantes, e dormem por
períodos mais longos.
Uma grande parte do tratamento Ayurvéda centraliza-se na
restauração de cada dosha ao seu “eu”. Mais ênfase é dada ao
restabelecimento de um saudável equilíbrio naquele indivíduo, cujo
equilíbrio natural foi perturbado em decorrência de um deslocamento no
seu estilo de vida e em sua Mente-Emoção. Um excelente livro, que faz
uma apresentação destes conceitos kapha Ayurvéda, é o Perfect
Health: The Complete Mind/Body Guide, de Deepak Chopra.
O interessante paralelo existente com a psicologia Chassídica e
com a Cabalá é a idéia de que todos nós temos o poder de
conscientemente intervir e alterar o estado de equilíbrio. Ambos
ensinam que a Mente tem uma poderosa influência em nosso equilíbrio
espiritual e físico.
A tradição Ayurvéda chama o equilíbrio natural original da pessoa
de “prakriti” — aquele existente por ocasião do nascimento. A tradição
Cabalística fala de um complexo critério onde o equilíbrio original
remonta ao momento da concepção. Em ambas tradições, entende-se
que a condição própria da vida pode alterar este equilíbrio natural,
requerendo práticas e abordagens reparadoras. O Chassidismo ensina
que tudo aquilo que se refere à nossa dinâmica interior e ao
comportamento exterior pode ser mudado através da intervenção
consciente da Mente — através da reinterpretação dos momentos da
vida.
Uma pessoa criativa, um chacham, pode expressar a característica
da impulsividade e pode precisar equilibrar o fluxo de criatividade da
Chochmá com a prática reparadora da meditação (Biná). Um
convincente pensador, um mevin, pode se tornar frio e calculista, e
precisar de um re-equilíbrio do fluxo de Biná através de maiores
expressões emocionais — que podem ser obtidas através da prática do
Daat. Um indivíduo prático, um Daatan, corre o perigo de se tornar um
desalmado tecnocrata e, neste caso, precisaria de um reequilíbrio do
fluxo de Daat através da atividade de dação — o fluxo de Chéssed.
Maimônides nos ensina que, muitas vezes, um equilíbrio pede um
deliberado comportamento em direção ao seu oposto.
Moshé Maimônides foi um brilhante médico da época medieval. Dentre as suas
medicações estava a hidroterapia, específicas combinações de alimentos,
exercícios, ambientes agradáveis, meditação, frutas da estação, e, até mesmo, a
direção em que deve estar a cabeceira da cama (um toque de feng shui?).
O Fluxo da Compaixão
Se nós não pudéssemos conseguir a harmonia entre as nossas
naturezas de dar e de reter, o nosso clima emocional interior seria,
simplesmente, caótico. Estaríamos, constantemente, num estado de
guerra interna. Sem o equilíbrio, nós acharíamos o nosso fluxo de
Chéssed sobrepujando a nossa Guevurá, e vice-versa. Certamente,
todos nós já sentimos um certo nível de indecisão emocional e a
exaustão física que a acompanha. A grande maioria de nós é capaz de
resolver este dilema através do fluxo de Tiféret. Nos indivíduos que
carecem do fluxo do Tiféret, ou que não têm este fluxo bem treinado,
esta questão acaba se tornando um verdadeiro problema emocional que
requer orientação e aconselhamento.
A Sefirá de Tiféret proporciona uma influência harmonizadora.
Ela mescla o Chéssed e a Guevurá, tal como o Daat o faz com a
Chochmá e a Biná. O Daat resulta na harmonia e na criatividade do
desenvolvimento do pensamento. O Tiféret resulta na compaixão. A
compaixão não é um sentimento simples; é um composto de muitos
elementos. A compaixão aflora quando escolhemos “dar”, apesar das
circunstâncias que poderiam não justificá-lo. Por exemplo, um juiz pode
ponderar as circunstâncias e escolher a compaixão em vez de um
severo julgamento. Pais que compreendem que o comportamento
inadequado de seu filho é resultado de um desarranjo emocional podem
preferir ser compassivos em vez de punitivos. Um benfeitor pode
demonstrar a sua compaixão através de sua contribuição a alguém que
não tem grandes dotes em lidar com finanças, mas que luta para
sobrepujar as suas limitações.
Em cada um destes casos, podemos perceber um elemento de
contenção. O juiz entende que um crime foi cometido; o pai entende
que o filho tem sido rude ou grosseiro; e o benfeitor entende que uma
má administração de fundos ocorreu. Porém, ao mesmo tempo, esta
continência de Guevurá do comportamento inaceitável encontra uma
compensação através da união do Chéssed daconexão e da empatia. O
Tiféret funde os dois fluxos. Idealmente, ele favorece o Chéssed e a
bondade, resultando num novo amálgama. Assim como um pintor
combina as cores primárias do azul e do amarelo para obter uma nova
cor, o verde, também a compaixão é um resultado da necessidade e do
gerenciamento, suavizado e dosado pela bondade e pelo coração
aberto. Se tirássemos a Guevurá da mistura, nos restaria a “doação”
que foi mal-direcionada ou indisciplinada, fazendo-nos “dar” sem o
sentido de equilíbrio. Por outro lado, se eliminássemos o Chéssed, nos
restaria uma mistura amarga de severa disciplina e uma rígida
contenção.
Compaixão não significa fraqueza; ao contrário, significa força. O Tiféret
proporciona a oportunidade de criar um equilíbrio emocional no momento.
UM EXERCÍCIO DE TIFÉRET
Entre novamente na sala. Dirija-se à parede da direita e sinta o
fluxo da “dação” — o Chéssed. Deixe que, durante algum tempo, você
sinta, novamente, este fluxo livre. Vá agora em direção à parede da
esquerda e sinta a sensação da contenção, da retenção, da continência
em seu âmago emocional. Permita-se a oportunidade de familiarizar-se
com uma sensação voltada para dentro em vez de voltada para fora.
Dirija-se, agora, para o centro da sala. Ali, no meio, você tem a
percepção dos dois fluxos, o vindo da direita e o vindo da esquerda.
Sinta o fluxo de Chéssed que vem de sua direita, através de uma força
angelical que suavemente o empurra — o anjo Michael. Observe o seu
fluxo “doador” sendo adulado por Michael. Sinta o poder de Michael
com a suavidade da água e associe-o com a cor azul.
Sinta, agora, o fluxo de Guevurá que vem do seu lado esquerdo,
através de uma força angelical que suavemente o puxa — o anjo
Gabriel. Sinta a força de Gabriel como um fogo e associe-o com a cor
amarelo-alaranjada. Você acolhe ambos em seu interior.
Agora, deixe que a água e o fogo se encontrem dentro de você. O
fogo da Guevurá vai se amainando, e a água do Chéssed vai se
aquecendo. Você pode, a partir daí, sentir um estado geral de ameno
calor em todo o seu corpo. Sinta esta candura se espalhando a partir de
seu centro, o seu coração, e irradiando-se por seu torso, seus membros,
até as suas extremidades. O calor suave faz você sentir-se confiante e
aconchegado. Aprecie durante alguns momentos o prazer do calor do
Tiféret.
Invoque em sua mente alguém a quem você tenha censurado ou
repreendido recentemente. Pode ser que tenha sido um parente, ou
algum colega de trabalho, ou, quem sabe, um amigo. Ao fazê-lo, você
sentirá, momentaneamente, o fogo da Guevurá. Porém, volte
imediatamente ao seu centro — o prazeroso calor do Tiféret. Tente
encontrar uma razão plausível para o comportamento ou postura
inadequada daquela pessoa. Deixe que a razão se aloje em seu coração.
Enquanto você focaliza a pessoa em sua mente, veja-se projetando o
seu calor como ondas de compaixão. Deixe que o calor da compaixão
subjugue a dor egocêntrica que você sentiu. Veja a pessoa sentindo o
seu compassivo calor. Permita que um sorriso surja no semblante
daquela pessoa. Deixe que um sorriso também apareça em seu próprio
interior.
Repita o exercício com um outro incidente, uma outra pessoa —
uma outra ocasião.
Agora olhe para o seu coração espiritual. Aprecie a beleza de sua
cor — o verde suave e claro da grama recém-plantada. A inocente
beleza de suas tenras folhas pode ser sentida por quase todo o seu ser.
Deixe-se alimentar pela suavidade do toque e da cor. Prepare-se para
deixar a sala. Comece a mexer os seus dedos das mãos e dos pés. Volte
para o aqui e agora.
Descobrindo a Suavidade do Coração
A palavra “rachamim” significa, literalmente, “compaixão”.
rachamim está relacionado com a palavra que, em hebraico, é
empregada para “ventre” — “rechem”. Apesar das dores do parto,
uma mãe estabelece uma invencível ligação com sua cria, que supera o
desencanto e raiva que a criação de um filho freqüentemente traz.
(Certamente, respostas relacionadas ao sexo vêm se tornando cada vez
menos significantes, a medida que os homens aprendem a honrar o seu
lado feminino).
Como sabemos, a compaixão é o mais belo sentimento, e Tiféret
significa, literalmente, “beleza”. Em seu livro, Kitchen Table Wisdom,
Rachel Naomi Remen recorda o trabalho de cura que fez com um
sobrevivente do Holocausto, cuja reação à enormidade da dor espiritual
com a qual ele convivera foi a de encarcerar os sentimentos em relação
a outrem e de ser “cauteloso com o seu coração”. A Dra. Remen relata
que ele a procurou numa fuga, depois de ter sido diagnosticado com
câncer. Inicialmente, ele era beligerante, agressivo e refratário a
estranhos; porém, através de exercícios de paz interior e de
introspecção, ele passou por uma experiência transformacional. Certo
dia, enquanto meditava, ele sentiu uma profunda luz rosada emanando
de seu peito. Ele se sentiu como que envolvido por uma belíssima rosa.
Tocado por aquela experiência, ele foi fazer uma caminhada pela praia
e iniciou um silencioso diálogo com D’us. Ele perguntava ao Criador se
estava certo amar estranhos. A resposta de D’us sacudiu-o: “É você
quem faz os estranhos, não Eu!” Naquele instante, o sentimento de
distanciamento das pessoas daquele sobrevivente do Holocausto
começou a se desvanecer. Os estranhos deixaram de ser estranhos.
Estava tudo bem em amar um estranho.
A Cabalá nos diz que o fluxo de Chéssed é branco e que o fluxo da
Guevurá é vermelho. Ambas as cores produzem a cor rosa. Talvez
tenha sido a cor rosa do Tiféret que brilhou a partir do coração daquele
homem. Estendendo esta imagem, notamos que a rosa tem treze
pétalas. Na Cabalá, a compaixão de D’us é expressa por uma seqüência
de treze palavras, a qual faz parte da prece judaica recitada nos dias
santificados. As treze pétalas envolveram o enfermo sobrevivente do
Holocausto num casulo rosa.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o seu
paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e de
baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está penetre
em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua consciência?
Em que os seus dedos estão tocando? Em que estão focalizados os
seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus pensamentos o
atravessem suavemente, sem pressa ou urgência. Você está
seguro. Ainda com os olhos fechados, vislumbre um lindo
gramado em formato de uma grande Estrela de David. Imagine-se
caminhando por sobre a grama. Você pode sentir a sua suavidade
e maciez. Você está sendo alçado por uma suave brisa. Veja-se
pousado numa enorme pétala de rosa. Sinta a sua suavidade e
maciez. A brisa balança levemente a pétala, e você pode sentir a
sensação de sua vida interior — a sua simbólica relação com a
natureza. Sinta o seu poder de crescer, de desabrochar e de se
fechar. Perceba o seu próprio poder de desenvolvimento, de
crescimento e de amadurecimento espiritual. Identifique-se com a
flor. Você é a flor.
Dançando um “pas-de-deux” da Emoção
Qual é a sua percepção da beleza? Uma pintura de Matisse, com a
sua vívida mescla de cores profundas e curtas pinceladas, mexe com
você? Ou será um brilhante ocaso num deserto que o toca? Pode ser
que você conheça alguém, maior do que a vida, cuja fé face a uma
adversidade e cuja dedicação ao bem-estar de seu semelhante o inspire.
Ou, talvez, ainda, seja a elegância de uma simples fórmula científica. As
nossas emoções procuram o equilíbrio.
Nós aspiramos à bondade, à pose e à graça, a uma beleza interior
e exterior — uma fluida Sefirá de Tiféret. Os mestres Chassídicos nos
ensinam que qualquer coisa que os nossos olhos vêem é uma deliberada
ferramenta de ensino do Cosmos. Eis, a seguir, um ensinamento:
O ocaso é o momento final em que o sol se põe em reverência,
curvando-se em homenagem ao seu Criador. A passagem do sol no
firmamento ao longo do dia é uma imagem de sua genuflexão. Os últimos
momentos de sua expressão de humildade são simbólicos de toda a natureza.
Os insetos começam a entoar em canto as suas preces de alegria. Os
pássaros alegrementeesvoaçam de uma árvore para outra, gorjeando em
uníssono. Um ar de expectativa permeia aquele momento. A brisa pára.
Enquanto isto, o azul de um céu de verão mescla-se de tons de rosa que, de
forma mágica, se transformam num intenso púrpura. Tão logo o sol mergulha
no oceano, os púrpuras e negros começam a anunciar a saída real. Tal como
o ego do sol deixa de existir, é-lhe garantido o renascimento. Trilhões de suas
filhas-estrelas, cintilando por toda a aveludada abóbada azul-escura, envolvem
a nossa visão. O dia e a noite fluem, um para o outro, da mesma maneira
como o Chéssed e a Guevurá se misturam na beleza do Tiféret — tudo na
alma da humanidade.
Quando nos pomos a meditar sobre como é que a natureza presta
a sua homenagem ao Criador, nós criamos a mesma beleza interior. O
“pas-de-deux” do Chéssed e da Guevurá, dançando em perfeita
harmonia, transforma-se no novo equilíbrio do Tiféret.
A sensata e sábia escolha de ações e palavras também expressa a
beleza do fluxo de Tiféret. A nossa inclinação de amar a “dação” deve
ser equilibrada pela força da contenção, para ajustá-la à capacidade do
receptor. Palavras por demais efusivas, fortes e prolixas podem criar um
desconforto, ao invés de aproximação. O entusiasmo deve ser
combinado com a cautela, ou poderemos afugentar os passarinhos que
estamos tentando alimentar. Quando o equilíbrio ideal é atingido,
passamos a ter uma expressão da beleza por meio do Tiféret. O
equilíbrio interior se reflete em nossa beleza física exterior. O nariz pode
ser um pouco mais comprido, os olhos um pouco pequenos demais, e
as orelhas maiores do que gostaríamos, mas a aparência geral pode ser
de marcante beleza. A beleza não está nos componentes individuais,
mas em seu somatório geral. E a percepção de quem vê é apenas parte
da verdade. Conexão (Chéssed) e objetividade ( Guevurá) resultam
numa nova percepção. Eis aí a beleza do Tiféret.
Beleza e Verdade
O Chassidismo também explica o Tiféret como sendo a qualidade
da verdade. Conforme nos é ensinado, a “verdade” é a imagem que
emerge quando todas as peças que a compõe são juntadas. Nós
olhamos para uma pessoa e, algumas vezes, notamos dissonâncias
complicadas e desconcertantes. A pessoa é boa, gentil e atenciosa na
vida profissional, enquanto que, por outro lado, é vil, explosiva e
insensível em sua vida privada. Por que será que isto acontece? É
quando descobrimos aquela verdade da pessoa, a razão para a
dissonância, que a cura pode ser iniciada.
Lembro-me de alguém me dizendo que todo comportamento é,
sem exceção, razoável, no sentido de que uma razão se esconde por
trás de todos eles. Todas as combinações de comportamento e
expressão revelam a verdade interior. De fato, a palavra “emet”, em
hebraico, significa “verdade”. A primeira letra da palavra é “alef”, que
também é a primeira letra do alfabeto hebraico. A letra final desta
palavra é “tav”, a última letra do alfabeto. A letra central da palavra, a
que está bem no meio, é o “mem”. Nós aprendemos a partir dos
ensinamentos Chassídicos que, porquanto nem todas as coisas são,
separadamente, verdadeiras, a verdade pode estar na integração de
todos os seus componentes do começo ao fim, incluindo-se os
elementos do meio.
A natureza possui muitas verdades. Os doutos se empenham em
tarefas científicas, especulações filosóficas e estudos históricos — tudo
em busca das verdades eternas. O Criador oculta estas verdades,
mantendo-as fora do alcance da compreensão humana, tirando de nós
a eterna busca — o jogo Cósmico do esconde-esconde. Quando nós
brincamos de esconde-esconde, gostamos do jogo somente porque
sabemos que existe alguém que está à nossa procura. Não faria sentido
esconder-se se soubéssemos que ninguém está à nossa procura. Quanto
mais esperto for o nosso esconderijo, maior será o desafio. O Cosmos
joga este mesmo jogo. Quanto mais procuramos a beleza da vida, maior
é a alegria da descoberta. Quanto mais profunda a verdade, maior a
alegria do Criador ao ser encontrado. O momento da descoberta é o
mais doce e belo de todos. Uma união é conseguida, e uma nova face
da verdade é revelada.
Chéssed procura. Guevurá esconde. Tiféret encontra.
O Paradigma do Tiféret
O Patriarca Jacob é associado com o paradigma do Tiféret.
Lembre-se de que foi Jacob quem enganou o seu pai, Isaac, que era
cego, ao obter a sua bênção como primogênito em lugar de seu irmão
mais velho, Esaú. A Bíblia nos dá conta de que ele compareceu perante
seu pai envergando uma roupa especial, que vinha sendo passada ao
longo do tempo, de geração em geração, desde o seu portador original,
um caçador, Caim. Quem quer que envergasse aquela roupa tinha o
domínio do reino animal. As vestes eram incrivelmente belas e cobertas
de vívidas ilustrações das feras criadas por D’us.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA VAV
A letra vav representa o número 6. Note como ela
parece um anzol. Medite sobre como Tiféret pode
fisgar você para que revele seu ser interior para o
mundo exterior. Medite sobre como esta abertura em
cima o torna completo.
Perceba como a letra vav parece como um pilar. Do
mesmo modo, Tiféret é chamada de o “Pilar da Verdade”.
Vemos que Jacob, um homem ligado ao estudo e à contemplação,
usou uma roupa de caçador — representando a sua antítese — com
intuito de atingir o seu objetivo. Jacob combinava as qualidades de seu
pai, pessoa prática e amante da paz, Isaac, com as qualidades de seu
carismático avô, Abraão, fazendo com que possuísse o espírito criativo
de Abraão e a dedicação de Isaac. Foi Jacob quem criou as Doze Tribos
de Israel e se tornou o progenitor do Povo de Israel.
Da mesma maneira, o Tiféret transpõe as Emoções interiores em
reais relacionamentos. O Tanya observa que Jacob personaliza a
natureza da verdade — isto é, a transposição daquilo que é “potencial”
em “realidade”. Como vimos, o Tiféret também representa a
“verdade”.
Jacob é o ponto focal da linhagem judaica. Precederam-no os
pioneiros formativos, seu pai e seu avô. Sucederam-no as Doze Tribos.
Os sábios da tradição mística chamam Jacob de “eixo do meio”.
Na expressão da tábua Sefirótica de três pilares, Tiféret está ao
centro, alinhado com Keter, Yessod e Malchut — “o eixo do meio”.
Até aqui, temos analisado as disposições emocionais. Chéssed,
Guevurá e Tiféret não “estendem a mão”. São todas Emoções
internas. Elas somente podem ser manifestadas no mundo real através
dos relacionamentos, e com a ajuda da tríade de fluxos Sefiróticos
seguintes: Netsach, Hod e Yessod. Os três próximos capítulos
exploram a natureza dos relacionamentos e a clara e evidente
manifestação da combinação Mente/Coração.
Comecemos com Netsach e exploremos a busca pelo início de um
relacionamento com outro.
11
Netsach: Iniciando
Relacionamentos Significativos
Real izando Sentimentos
Certa vez, um jovem abordou Albert Einstein e pediu que o
cientista lhe explicasse a Teoria da Relatividade. Em resposta, Einstein
perguntou-lhe se ele tinha noções de Matemática. A resposta foi não.
Einstein perguntou-lhe, então, se ele sabia algo sobre Física. Novamente
a resposta foi não. Destemidamente, Einstein reduziu toda a teoria à
seguinte sentença: “Se você estiver sentado num sofá com a sua
namorada, durante uma hora inteira, este tempo poderá parecer-lhe
não mais do que alguns minutos; porém, se você sentar-se sobre um
forno quente durante poucos minutos, este tempo lhe parecerá como
uma hora inteira!”
Para que possamos nos comunicar efetivamente, a informação
deve ser transmitida de uma forma acessível. Devemos negociar ao
longo de diferenças de experiências, culturas e valores. Como é que eu
posso fazer alguém entender e sentir a minha perspectiva? Por que
certas pessoas conseguem deixar maiores impactos do que outras?
Como é que podemos proteger a compaixão do Tiféret para que não
seja mal-interpretado? As repostas para estas perguntas podem ser
encontradas no fluxo Sefirótico de Netsach.
Netsach representa o nosso sincero desejo de vencer as barreiras
existentes entre os indivíduos.
As Ferramentas dos Relacionamentos
Já estamosfamiliarizados com seis ferramentas espirituais.
Chochmá se refere à nossa criatividade e à nossa inspiração. Biná
permite que elas sejam configuradas em modelos convincentes e
racionais de pensamento. Daat combina os dois, mas permite-lhes dar à
luz a Emoção. Estas três, Chochmá, Biná e Daat, são as ferramentas da
Mente.
Já vimos, também, as ferramentas da Emoção. Chéssed promove
o poderoso sentimento do “dar” e do “repartir”. Guevurá contém e
dosa este fluxo. Tiféret mistura ambos num sentimento total e coerente
que, daí, pode ser expresso sem a tensão da dualidade interior.
Em suma, nós temos fluxos de Mente e fluxos de Emoção. Os
fluxos de Mente podem afetar, diretamente, os fluxos de Emoção.
Pense de uma determinada maneira, e você se sentirá daquela maneira.
Isto também pode acontecer no sentido inverso — sinta-se de uma certa
maneira, e os seus pensamentos o seguirão, tal como com a
racionalização.
Quatro fluxos Sefiróticos expressam o equilíbrio Mente/Emoção
como comportamento e ação. A Cabalá, freqüentemente, utiliza a
metáfora da forma humanóide para ilustrar os centros Sefiróticos.
Diferentemente dos Chakras Orientais, estes não são verdadeiros
centros psicológicos; eles são centros simbólicos, e o corpo é apenas
uma metáfora. Chochmá-Biná-Daat (que, abreviado, resulta em
Chabad) são, respectivamente, o cérebro direito, esquerdo e central —
a Mente. Chéssed, Guevurá e Tiféret são, respectivamente, o braço
direito, o braço esquerdo e o torso — as Emoções. Na metáfora
Cabalística, a coxa direita, a coxa esquerda, os genitais e a boca
representam, respectivamente, as quatro Sefirot seguintes: Netsach,
Hod, Yessod e Malchut. Reunidas, estas quatro representam
“Expressão”. Tal como os pés carregam a cabeça e os sentimentos ao
seus lugares de destino, as coxas, Netsach e Hod, levam a Mente e as
Emoções a seus objetivos. Netsach e Hod são os criadores do
relacionamento.
Estas Sefirot não beneficiam tão diretamente um relacionamento
com a Mente como acontece com as Sefirot da Emoção interna. Elas
são mais automáticas, sendo baseadas no equilíbrio Mente-Emoção
localizado no Tiféret. Por exemplo, os pés levam a cabeça para onde a
cabeça quer ir. Sendo automáticas, estas Sefirot são um pouco mais
difíceis de serem dominadas. Por exemplo, é mais difícil controlar e
mudar um comportamento não-verbal do que os pensamentos ou
sentimentos conscientes, e, como você já deve ter experimentado, os
hábitos do corpo são, notoriamente, difíceis de serem alterados.
Um outro ponto interessante é que o Netsach, o Hod e o Yessod
também se relacionam com o Chéssed, a Guevurá e o Tiféret. Tal
como o Chéssed é a Sefirá da “doação”, o Netsach é a Sefirá do
“estender a mão”, do “oferecer”. Tal como a Guevurá é o fluxo que
“contém” e “disciplina”, o Hod é o fluxo que limita o processo de
“estender a mão”. Da mesma forma que o Tiféret cria um equilíbrio
entre o Chéssed e a Guevurá, o Yessod cria um equilíbrio entre o
Netsach e o Hod. Embora fosse incorreto ver Netsach como um
conduinte direto para o Chéssed, ou como uma extensão daquele, eles
possuem algumas semelhanças, e, na coluna das Sefirot, o Netsach
situa-se abaixo do Chéssed, e Hod situa-se abaixo da Guevurá.
A palavra “Netsach”, traduzida do hebraico, significa “Vitória” ou
“Duradouro” — a idéia de ser vitorioso na travessia das fronteiras
interpessoais, estendendo a mão e dando início a um novo
relacionamento. É “duradouro” no sentido de que ele, com sucesso,
vence a nossa resistência natural a abrirmo-nos a outrem.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o seu
paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e de
baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está penetre
em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua consciência?
Onde os seus dedos estão tocando? Em que estão focalizados os
seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus pensamentos o
atravessem suavemente, sem pressa ou urgência. Você está
seguro. Ainda com os olhos fechados, vislumbre um lindo
gramado em formato de uma grande Estrela de David. Imagine-se
caminhando por sobre a grama. À distância, você pode vislumbrar
um leão. Veja a sua majestade e porte real. Ele anda
languidamente, sem dar-lhe atenção alguma. Reconheça a
coragem que ele possui. Identifique-se com o leão. Conscientize-se
de sua própria majestade, sua própria realeza no domínio do reino
de sua Mente e Coração. Você também pode ser o rei de sua
selva espiritual. Medite sobre isto por alguns momentos.
O “Estender a Mão” Requer
Confiança Espiritual
Quando acordamos numa fria manhã, nos é exigida força de
vontade para que consigamos sair de debaixo das cobertas e pôr os pés
no chão. Mas, uma vez que conseguimos sair da cama, o resto fica
muito mais fácil.
Da mesma forma, estender a mão e estabelecer uma conexão é
algo que requer esforço e coragem. Nós nos sentimos seguros em nosso
casulo emocional, e a decisão de abri-lo e compartilhá-lo requer uma
boa dose de coragem. É algo que pode ser trabalhoso, árduo, cansativo,
aterrador e, algumas vezes, até doloroso. Porém, tal como acontece
quando deixamos o conforto de uma cama quente e segura, uma vez
feito o esforço, mundos se abrem para nós.
Muitos relacionamentos fracassam simplesmente porque nós não
nos conscientizamos de nossa dinâmica interna. Por exemplo, a
velocidade e o crescimento de um relacionamento depende do quão
aberto é o nosso comportamento em relação ao outro. Nós devemos
aprender como iniciar o fluxo de sentimentos. Devemos aprender como
negociar as fronteiras e os limites de nossas diferenças. Isto exige que
abordemos a natureza da Sefirá de Netsach.
O principal é não ter medo
— REB NACHMAN DE BRESLAV
A Ansiedade do Medo
O mestre Chassídico Reb Nachman de Breslav costumava
comparar a vida a uma ponte estreita. Para que seja possível cruzar a
ponte com sucesso, devemos deixar de lado os nossos medos e receios.
Devemos manter os nossos olhos firmemente fixos no outro lado da
ponte e devemos continuar andando, sem parar. O Netsach é a nossa
capacidade de vencer as barreiras que existem entre nós. Netsach é a
nossa capacidade de aceitar desafios. O Netsach permite que os
sentimentos continuem a se mover. O Netsach leva em conta as
condições para um dueto, uma sociedade, uma parceria, uma amizade e
uma expressão de amor.
Algumas vezes, nós temos medo de fazer uma transição dos nossos
sentimentos internos para uma expressão externa. Talvez tivéssemos,
no passado, experimentado uma rejeição em resposta a nossa confissão
de sentimentos íntimos. A dor e a mágoa fizeram com que
contivéssemos os nossos sentimentos e aprisionássemos o nosso
Netsach potencial. Todos nós já vimos crianças naturalmente
exuberantes se transformarem em adolescentes retraídos e em adultos
incomunicáveis.
O medo deprime o fluxo de Netsach.
Os relacionamentos não podem florescer em sua ausência.
Eu e Tu
Martin Buber era um judeu assimilado que ficou encantado e
cativado pelas histórias dos mestres Chassídicos e seus seguidores
espirituais. A filosofia do Chassidismo se tornou sua busca vitalícia e,
depois de imigrar para Israel, vindo da Europa pós-guerra, ele se tornou
um professor na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Buber baseou a sua filosofia nos mestres Chassídicos, e os seus
livros atraíram uma audiência mundial de leitores judeus e não-judeus.
Em um de seus principais trabalhos, intitulado “I and Thou” (“Eu e
Tu”), ele discute dois tipos de relacionamentos. Ele chama um deles de
relacionamento “Eu-Ele”, representando um relacionamento no qual
uma pessoa vê a outra como um meio para chegar a um fim. O
relacionamento pode ser amigável, mas também é orientado ao
“usuário”.
Buber denomina um segundo tipo de relacionamento “Eu-Tu”. Este
relacionamento é um de aceitação e respeito mútuos. Neste tipo de
relacionamento, vemos o outro como um todo infinitamente valioso. O
relacionamento “Eu-Tu” trata de fazer o leigo ficar sacro, e de santificar
os nossos relacionamentos.
O meio de relacionar-seotimamente com uma pessoa é “também como um fim,
mas nunca como um meio”.
— EMMANUEL KANT
A percepção “Eu-Tu” nos informa que, para atravessar os limites e
fronteiras interpessoais, nós temos que aceitar “onde” aquela pessoa
está, e “como” aquela pessoa é. Devemos atribuir o respeito individual
através da humildade.
Buber conseguiu captar a essência do fluxo de Netsach através de
sua filosofia “Eu-Tu”. O Netsach procura tocar o ser do outro, através
de um relacionamento de profundo respeito e de mútuo envolvimento.
É um relacionamento de “compartilhamento”, de “repartição”, ao invés
de “conseguir”, de “obter”, às custas do outro.
A Cabalá pode traduzir a idéia de “Eu-Tu” como sendo o
reconhecimento de que cada pessoa é possuidora de uma centelha
Divina — uma alma. Quando reconhecemos a essencial santidade e o
infinito valor que todos nós possuímos, somos naturalmente impelidos a
um profundo respeito. Usar uma outra pessoa para os nossos próprios
fins torna-se algo não somente desprezível e desrespeitoso, mas
também sacrílego.
Assim, enquanto o Netsach representa envolvimento com o
espaço do outro, ele deve ser canalizado através do “eu” da ordem
superior, o Nefesh Elokit, para que possa ser do tipo “Eu-Tu”, em vez
de ser o da ordem inferior, uma manipulativa expressão do “Eu-Ele”.
Além dos Limites do Ego
A psicologia nos fala muito a respeito da natureza dos
relacionamentos. Aprendemos que, ao nascer, nós não distinguimos o
“eu” e o “outro”. O quarto, o rosto de nossa mãe, o lençol do berço —
tudo isto é percebido como uma extensão de nós mesmos. Mas, ao
chegarmos à idade de um ano, começamos a descobrir os nossos
primeiros limites e fronteiras. Somos uma entidade em separado. O
conhecimento do “onde começamos” e do “onde terminamos” é
denominado “os limites do ego”. Mas, alguns aspectos ainda continuam
embaralhados. E obscuros. Mesmo aos dois anos de idade, ainda não
temos consciência de limites. Fazemos constantes exigências e
procuramos controlar tudo — o “terrível dois”. A partir dos três anos de
idade, passamos a desenvolver uma compreensão de nossos
incapacidades e limitações no mundo real, embora continuemos a
fantasiar em nossos jogos e brincadeiras a nossa condição de todo-
poderosos.
Em seu livro The Road Less Traveled, M. Scott Peck destaca que
somos solitários por detrás dos limites e fronteiras do nosso ego.
Ansiamos por escapar e explorar o mundo dos outros. Queremos sair
de nossos limites pessoais. Aí está a busca por relacionamentos. Todos
os relacionamentos expressam o impulso do Netsach de sair à procura
de um mundo além de nossas cercanias. Mesmo em nossas primeiras
experiências, o nosso sentido de ansiedade ou conforto varia. Se as
tentativas iniciais se mostrarem dolorosas, o fluxo de Netsach pode ser
inibido, o que nos fará engajar em fantasias.
Quando o Netsach flui com força e energia através do funil de um
Tiféret equilibrado, o Netsach valida o fluxo estendendo as cercanias do
ego para envolver o outro. Em outras palavras, você sente pela outra
pessoa o mesmo quanto você sente por você mesmo. A isto chamamos
de verdadeiro amor.
Este amor, o relacionamento “Eu-Tu”, pode ser expresso de várias
maneiras. Por exemplo, nós podemos amar um jardim com um cuidado
e devoção palpáveis e reais. Podemos tratar as semeaduras com a
ternura e a delicadeza que são, normalmente, dedicadas a recém-
nascidos, e alimentar o solo com a mesma meiguice e mansidão que um
pai ou mãe tem ao alimentar uma criança. Nós podemos nos sentir tão
protetores das pequenas e tenras árvores como seríamos em relação
aos nossos próprios filhos. O Netsach flui livremente quando carpimos,
aparamos e podamos. O amor fará com que o jardineiro e o jardim se
unam. Os limites e fronteiras abrangerão a ambos.
Quando o objetivo da jardinagem for o de simplesmente criar um
lugar para impressionar os outros, haverá de existir uma menor ternura
e ligação. Sob tais circunstância, os limites e as fronteiras do ego não se
estenderam para abranger o jardim, e aí estará representado o
relacionamento “Eu-Ele” de Buber — o uso do jardim como uma
ferramenta para motivos ulteriores. Neste caso, o Netsach flui, porém é
um fluxo que é direcionado àqueles que devem ser impressionados
— e não ao próprio jardim. Este também flui através do “eu” da ordem
inferior, o Nefesh Behamit, buscando escorar alguma inadequação ou
uma perceptível deficiência que resulta na necessidade de impressionar
a outrem.
O fluxo de Netsach é a chave espiritual para o sucesso de nossas
explorações além dos limites e fronteiras do ego; porém, como qualquer
ferramenta, ela pode ser usada para o bem e para o mal. Um professor
pode, inadvertidamente, dominar a classe em resultado a um
exacerbado entusiasmo. Um parceiro pode ser tão efusivo que o seu
relacionamento se deteriora por uma incapacidade de ouvir. O Netsach
é como uma faca de dois gumes. Ele proporciona o impulso de tornar
real um sentimento. No entanto, numa pessoa menos equilibrada, ele
pode também levar à dominação e à busca do controle e do poder.
Por que será que o poder e o controle são tão atraentes para
muitas pessoas? Com uma carência de auto-estima e de autovaloração,
algumas pessoas tentam preencher este seu “buraco negro” de
inadequação através de um auto-enaltecimento artificial. Elas têm medo
de suas perceptíveis deficiências e sentem uma profunda falta de
integridade. O potencial do Tiféret (um sentimento de contribuição
equilibrada) não está sendo utilizado e, daí, o fluxo de Netsach perverte-
se em sua pressa de compensar. Em seu desejo de conectar e unir, o
Netsach flui com muita intensidade e vigor, de forma inexorável,
insensível ao outro, lutando para preencher o vazio interior. Este
comportamento se torna subjugante e dominante.
O Paradigma do Netsach
A Cabalá ensina que Moisés representa a Sefirá de Netsach.
Moisés foi o intermediário no relacionamento dos hebreus com D’us.
De fato, o relacionamento foi o cerne de sua liderança espiritual e de
seu próprio ser. Quando ainda era um príncipe no Egito, Moisés
chegou a acorrer em defesa de um hebreu que estava sendo atacado
por seu algoz egípcio. Mais tarde, ele superou o poder do Faraó e,
agressivamente, liderou a população de mais de quatro milhões de
pessoas durante quarenta anos. Ao observarmos a trajetória de sua
vida, podemos ver que Moisés era a energia do Netsach personificada.
EXERCÍCIOS DE NETSACH
EXERCÍCIO 1:
Saia para um lugar por onde você possa caminhar livremente.
Ache um objeto inanimado a, pelo menos, uns vinte metros e que tenha
atraído a sua atenção. Comece a caminhar, lentamente, em sua direção
— levando de quatro a cinco segundos entre um passo e outro. À
medida que você vai assim caminhando, conscientize-se de seus
pensamentos e de seus sentimentos à medida que eles vão se
relacionando com os movimentos de suas coxas, pernas e pés, e:
* Focalize-se em seus pensamentos. Para onde você está indo? Por
que você está indo? Qual é a fonte da atração? O que isto diz sobre
você mesmo?
* Focalize-se em seus sentimentos: Como você se sente em relação
ao objeto? Quando foi que este sentimento veio-lhe pela primeira vez?
Você pode fortalecer e intensificar este sentimento?
* Focalize-se em seus pés: O que faz os seus pés se moverem tal
como se movem? Por que os seus pés o estão levando em direção
àquele objeto em particular? Você é capaz de mudar o seu jeito de
andar, fazendo com que o seu passo seja um reflexo do caráter daquele
determinado objeto?
* Enquanto segue caminhando lentamente, conscientize-se de
como uma parte de você está se estendendo ao objeto. Esta parte de
você está, de alguma forma, intrinsecamente entrelaçada com a sua
Mente e com as suas Emoções. Enquanto isto, os seus pés continuam
se movendo sem ter uma óbvia consciência deste processo de “estender
a mão”.
* Deixe que a sua consciência penetre, se infiltre em seu modo de
se mover. Exagere-a um pouco apenas para que a sua percepção
consciente fique discernível no caminho que você segue.
* Assim, você começa a dominar oseu fluxo de Netsach.
Repita o exercício tendo em mente um outro objeto, e com uma
outra parte, diferente, de seu corpo — as suas mãos. Identifique algo
que você gostaria de tocar, de segurar ou de sentir. Muito lentamente,
não mais do que um ou dois centímetros por segundo, comece a
estender a sua mão para tocar ou para segurar aquele objeto. Enquanto
faz isto, repita os três conjuntos de perguntas que você formulou
enquanto movia os seus pés; porém, desta vez, aplique-os ao
movimento de suas mãos. Quando você alcançar o seu objeto, permita-
se alguns momentos para reconhecer algo acerca do seu fluxo de
Netsach — a maneira como você estendeu a mão.
Faço o exercício duas ou três vezes por dia, durante uns quinze
minutos a cada dia, por uma semana. Você fará algumas
importantíssimas descobertas sobre o fluxo de Netsach: você descobrirá
como você alcança os seus objetivos, como você se oferece às pessoas,
e como você se inter-relaciona, em geral, com a vida.
Outras variações com este tema incluem: como é que você vê com
os seus olhos; como é que você sente o gosto com o seu paladar; ou
como é que você ouve com os seus ouvidos. Sinta-se à vontade para
criar exercícios parecidos para eles.
Depois de algumas sessões, você descobrirá que está se
familiarizando muito bem com o seu fluxo de Netsach, a ponto de
poder, de fato, mudar o mecanismo de seu fluxo para algo com o qual
se sinta mais confortável, ou que mais deseje.
EXERCÍCIO 2:
Sente-se numa cadeira confortável ou numa poltrona e relaxe.
Você está seguro. Feche os seus olhos e visualize uma sala que
acomoda muitas emoções. Ao entrar, sinta aquelas emoções espirituais
fluírem livremente. Dirija-se para o lado direito da sala. Você sentirá um
profundo desejo de alcançar, de dizer, ou de fazer algo com uma outra
pessoa, ou com uma outra coisa. Relaxe. Lembre-se do exercício que
você fez lá fora. Sinta um forte fluxo de Netsach que existe do lado
direito desta sala, e reviva, lentamente, cada exercício em sua mente.
Tente recordar cada simples nuance do movimento de seus pés ou de
suas mãos. Tente reviver tudo aquilo que você experimentou lá fora,
porém, desta vez, do lado direito da sala onde o seu Netsach flui
livremente. Deixe que as mais sutis das sensações sejam notadas.
Observe a sua Mente e as suas Emoções à medida que elas interagem
em cada um dos momentos do processo de “estender-se”. Passe uns
dez minutos em tranqüila contemplação. Depois, comece a movimentar
os dedos de suas mãos e de seus pés. A seguir, volte para o aqui e
agora.
Nós devemos aprender a guiar o fluxo de Netsach, ou ele poderá
ser direcionado erradamente. O resultado, então, será um desequilíbrio
em nossos relacionamentos, ou pior ainda, não existirão
relacionamentos. A nossa disposição para nos revelarmos e repartir
com os outros deve ser temperada e bem dosada. Devemos saber
quando falar e quando calar. Devemos arranjar tempo e espaço para
nós para que seja possível avaliar, exatamente, como é que devemos
temperar e dosar o fluxo de Netsach. A próxima Sefirá — a Sefirá de
Hod, a Sefirá da empatia e da “exocentralização” (centralização dirigida
aos outros) —, é o contraponto de equilíbrio do Netsach.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA ZAYIN
O zayin representa o número sete. Sete é o número da
conclusão, do acabamento, e também é o número da união —
os sete dias da semana, as sete luzes da menorá, o ano
Sabático. Medite sobre a idéia de conclusão, de
acabamento. A palavra zayin, literalmente, significa
“arma”.
Tal como o Netsach proporciona a coragem para
estender a mão e iniciar um relacionamento, a letra
zayin representa o conceito de expandir-se para fora, além da
sua zona de conforto. Medite sobre a sua coragem de estender-
se além de si mesmo. Pense no zayin e no Netsach como parte
de sua armadura espiritual.
12
Hod: Criando Empatia
Que Tamanho de Sapatos Você Usa?
A Mishná nos diz para não julgar os outros até que tenhamos
calçado os seus sapatos. Porém, uma vez que cada um de nós nasce
com diferentes “sapatos” espirituais, genéticos e ambientais, nos é
impossível calçá-los.
O fluxo da Sefirá de Hod é responsável pela criação de espaço nos
relacionamentos. Ele proporciona a oportunidade para que o ouvinte
pause e enfatize. Ele proporciona a oportunidade para que o ouvinte e
o iniciante do relacionamento se encontrem num território “seguro” e
isento de julgamentos. Tal espaço facilita a fé e a confiança, fazendo
com que um cliente, um amigo, um cônjuge ou uma criança se revelem
de uma maneira amorosa. Praticar o Hod é ser magnânimo, altruísta
(centrado em direção aos outros) e humilde num relacionamento.
Significa resistir a todas as tentações humanas para forçar que os
sapatos do outro calcem, confortavelmente, os nossos pés.
O Hod é o contraponto do Netsach. Enquanto o Netsach se
esforça para conectar, o Hod assegura que o poder e a energia daquele
esforço seja apropriado e aceitável. Como já dissemos anteriormente,
não faz sentido forçar um aluno se a informação é por demais difícil de
ser assimilada. O Hod monta a informação para ajustá-la à capacidade
do receptor.
O Hod tempera e dosa a força do Netsach, a qual, caso não seja
verificada, pode criar uma distância ao invés de uma aproximação.
Todos nós já passamos pela experiência de ter um colega tão efusivo
acerca de uma proposta sua, que as pessoas, simplesmente, já não lhe
dão ouvidos. Já vimos, muitas vezes, boas idéias sendo ignoradas
porque um empático coração deixou de equilibrar a exuberância do
Netsach.
A empatia está no cerne de um relacionamento querido.
Um Bom Comunicador
O Hod é chave para a boa comunicação. Um eficiente
comunicador não tem apenas o dom da boa oratória e da boa dicção
ele deve ter, também, habilidades de empatia. Um espirituoso e
divertido animador pode ser, em sua vida privada, uma pessoa chata e
enfadonha. A pessoa pode ter um bom desempenho enquanto faz um
monólogo, porém, em sua vida pessoal, o dom do verdadeiro diálogo
pode estar ausente. Um bom orador público está sempre ciente de que
está, de fato, se envolvendo com a sua audiência, e ao longo de toda a
sua apresentação demonstra uma empatia pelas pessoas a quem está se
dirigindo.
Eu aprendi esta lição durante uma viagem de palestras. Eu havia
feito uma reserva para um vôo matinal que ia de New Jersey para a
Flórida, onde eu deveria dar uma palestra naquela noite. Eu havia
programado um razoável tempo de folga entre o vôo e o compromisso
assumido, de forma que, quando a neblina fechou o aeroporto, eu não
fiquei muito preocupado. Mesmo quando eu tomei conhecimento de
que o vôo vindo de Chicago também havia sido cancelado, resignei-me
a permanecer na sala de espera do aeroporto um pouco mais. Mas, as
horas iam se passando, e eu sabia que estava começando a ter
problemas. Finalmente, consegui tomar um vôo depois das seis da
tarde, chegando ao auditório onde prestaria a minha palestra com uma
hora e meia de atraso.
Os organizadores do evento tinham sido suficientemente
perspicazes para improvisar uma atividade que mantivesse a audiência
em seus lugares. Assim, quando eu cheguei ao auditório, a minha
audiência estava ali — mas eles não estavam felizes. Eu lhes disse o
quão maravilhosos eram por terem ficado ali, sentados em seus
respectivos lugares, e que, se fosse eu, já teria ido para casa. Ainda
assim, eles não acharam graça alguma. Eu tentei cumprimentá-los e
fazer uma pequena anedota — mas de nada adiantou.
Eis que, de repente, recebi um clarão de inspiração Divina. Eu
parei de continuar tentando ganhá-los, e comecei a repartir-me com
eles. Eu contei-lhes o quão desconfortável eu me sentia. Reparti com
eles os pensamentos que me tinham acometido durante aquele longo
dia — a minha ansiedade ao pensar que eu poderia falhar em meu
compromisso com aquela platéia. Eu até consegui um sorriso quando
mencionei que, por ter vivido na Austrália, encontro dificuldades em
consertar as coisas com rapidez. Os rostos na audiência começaram a
mudar. Eu pude sentir como as pessoas, paulatinamente, começavam a
bandear-separa o meu lado. Finalmente, a noite acabou sendo um
grande sucesso.
Em retrospecto, o ponto de virada veio no momento em que eu
parei de tentar, tão vigorosamente, me conectar (Netsach) e ganhar a
sua aprovação. Ao invés, me reparti (Hod) com aquelas pessoas. A
empatia que eu pude, finalmente, receber da audiência foi o mesmo
fluxo de Hod que eu estava enviando para aquelas mesmas pessoas.
O Hod é a chave para as comunicações empáticas. Em seu livro
The Seven Habits of Highly Effective People, Stephen Covey chama
esta experiência de “a habilidade da escuta empática”. Ele aponta a
importante contradição observada naquela pessoa que quer ser
entendida, enquanto ignora o que vai dentro de seu interlocutor. A
maioria das pessoas avalia, testa, aconselha e interpreta, mas com o
único fim de atingir os seus próprios propósitos. Falta-lhes a empatia do
Hod. Falta um verdadeiro diálogo.
Covey discute a filosofia Grega do Ethos, Pathos e Logos. Logos
representa a lógica, Pathos, os sentimentos, e Ethos, o caráter e o
relacionamento. Nas comunicações, todos estes três têm um papel
importante. Os três termos levantam algumas intrínsecas perguntas. O
orador faz sentido (Logos)? Como é que aquilo que está sendo dito faz o
ouvinte se sentir (Pathos)? Qual é a credibilidade que o orador tem
comigo (Ethos)? O Ethos é o de maior peso na comunicação, é o fator
da credibilidade. Quando acreditamos na pessoa, nós a escutamos com
mais atenção. Daí vêm os sentimentos (Pathos). Se sentirmos algo por
aquilo que o orador diz, o nosso envolvimento na comunicação é
elevado. Se aquilo faz ou não sentido, isto será surpreendentemente
sem importância (Logos).
O nosso modelo Chassídico tem óbvios paralelos. Os fluxos
Sefiróticos da Mente são inerentes em Logos. Os fluxos da Emoção
interna são o Pathos. E a tríade dos fluxos Sefiróticos que facilitam os
relacionamentos confluem para se tornar o Ethos. Assim, Netsach,
Hod e Yessod, o fator Ethos, são centrais à comunicação eficiente.
O Hod se torna o mais importante fluxo Sefirótico isolado que nós
possuímos para a audição empática. Eu consegui cativar aquela minha
audiência não pela minha razão (Logos); nem por mexer com os seus
sentimentos (Pathos). Nós finalmente conseguimos nos comunicar por
causa do fluxo empático que eu iniciei ao ser honesto e aberto sobre
mim mesmo — Ethos.
A maneira mais eficiente de demonstrar o Ethos do Hod é criar um
espaço seguro no qual o outro possa entrar. Quando ficamos quietos e
silenciosos, estamos permitindo que o outro seja ouvido, demonstrando-
lhe, assim, que nos importamos com ele. Naturalmente, o
comportamento não-verbalizado deve acompanhar os sinais verbais. Os
olhos devem se encontrar e a postura permanecer aberta e receptiva.
Um bom ouvinte faz mais do que, simplesmente, permanecer calado,
limitando-se a murmurar algumas banalidades nos lugares apropriados.
O verdadeiro Hod é tanto não-verbal quanto comportamental.
Apenas Dizer “Obrigado”
Como é possível aprender a criar espaço para o Hod?
Quando tive a oportunidade de me encontrar com o Dalai Lama,
ele me presenteou com uma porção de livros, entre os quais um
intitulado Kindness, Clarity, and Insight: The Fourteenth Dalai Lama,
traduzido e editado por Jeffrey Hopkins. Naquele livro, ele fala sobre as
pré-condições e pré-requisitos práticos para a empatia — assunto, este,
que discutimos durante todo o nosso encontro. Assim escreve ele: “Para
que seja possível sentir uma forte consideração e respeito pela felicidade
e pelo bem-estar do outro, é necessário adotar uma postura e uma
atitude especialmente altruísta, na qual você assume o fardo de ajudar
os outros”.
Este altruísmo forma a base de uma afirmação que se inicia a cada
dia na tradição judaica. É a base de uma prática que imbui o praticante
com humildade e com abnegação do ego. A Cabalá explica que esta
afirmação matinal, conhecida como “Modé Ani”, proporciona o espaço
para entrar naqueles mágicos momentos caracterizados pela transição
do sono inconsciente na luz do dia. As palavras “Modé Ani” são
pronunciadas como a primeira coisa pela manhã. Elas significam: “eu
aceito”, “eu submeto-me”, “eu reconheço”, “curvo-me em reverência”.
Os termos estão etimologicamente ligados à palavra “obrigado”, que,
em hebraico, é “todá”.
Esta afirmação contemplativa reconhece a admiração e o assombro
por ter retornado ao estado da consciência, do aqui e agora. Ela afirma
a oportunidade que o novo dia oferece para elevar aquilo que é terreno,
e para elevar a consciência Cósmica. Ela se rende à responsabilidade
que o despertar nos confere. Ela convida o Criador para dentro do
nosso espaço. A raiz do verbo tem ambos os sentidos: o de submeter e
o de agradecer; e também é a raiz da palavra “Hod”. A qualidade
espiritual do Hod sublinha os atributos da humildade e do
reconhecimento.
Apropriadamente direcionado, o Hod flui através de nós e despe as
nossas fachadas e projeções. O Hod remove as nossas camuflagens de
postura e promove a empatia. Ele tempera o nosso ego e facilita a
descoberta de nosso verdadeiro valor. Ele nos permite externar o nosso
agradecimento e dizer “obrigado” — uma expressão de humildade.
Quando dizemos “obrigado”, estamos resgatando e criando uma
zona de conforto para outra pessoa. Tocamos a sua essência e a
atraímos para nós. O “obrigado” é uma verbalização do fluxo de Hod.
Eis porque é tão importante ensinar os jovens a agradecer e a dizer
“obrigado”, mesmo que o seu significado mais profundo ainda não
esteja totalmente entendido por eles. Isto treina os jovens a expressar a
humildade e um reconhecimento dos outros.
As pessoas que mostram humildade ensejam mais relacionamentos
em suas vidas. Tudo começa com um “obrigado”.
Auto-Estima e Auto-Respeito
Não existem duas pessoas que sejam idênticas, assim como dois
flocos de neve jamais caem com a mesma estrutura geométrica. Cada
pessoa é uma trama distinta na tapeçaria da vida. Cada um de nós tem
uma função e um propósito verdadeiramente individual, e que
complementa, plenamente, a natureza da sociedade e da vida.
A maior parte das dificuldades que uma pessoa experimenta vem
de uma cegueira quanto à sua própria beleza individual. Cada um de
nós é um componente indispensável da criação. Cada um de nós é
plenamente merecedor de viver neste momento e neste lugar.
Por que será que tantas pessoas se consideram tão pouco
importantes, desinteressantes e sem valor? Elas acreditam que a dor é o
preço por não se ocultarem suficientemente bem. Elas não reconhecem
a sua verdadeira condição de serem indispensáveis no Cosmos.
Honestamente, eu acredito que se a Sefirá de Hod fosse
conscientemente adotada na sociedade, se cada um de nós praticasse o
nosso fluxo interior de Hod, o comportamento anti-social poderia ser
atenuado. O Hod nos permite dar um passo atrás e reconhecer a
essencial e distintiva beleza que existe dentro de nós e dentro dos
outros.
Eu acredito que a raiva e a dor de não sermos reconhecidos ou
queridos são coisas que estão no coração de todos os males sociais. O
fluxo de Hod da efetiva audição pode produzir um crescimento saudável
e uma autodescoberta em todos nós.
Tratando da Adversidade
Algumas pessoas parecem planar suavemente através das
adversidades, enquanto que outras se afundam nelas e se afogam. Por
quê? Todos nós sentimos dor e mágoa, apesar de que duas pessoas
podem sentir a mesma dor de maneira bastante diferente. É muito mais
um produto da expectativa do que da realidade objetiva. As pessoas que
passam a vida esperando a dor não ficarão desapontadas. Quando
somos otimistas, o quociente de dor é atenuado. Quando a dor da vida
é filtrada através do prisma da fé, ela é sentida de uma maneira mais
equilibrada.
A aceitação da adversidade ou da dor é um aspecto de retenção —
um traço característico do Hod. Ao invés de sentir raiva, ou de nos
sentirmos ludibriados, enganados e trapaceados, chafurdando em nossa
angústia e aflição, o Hod nos permite recuar e moldar a experiência,
transformando-a numa essência mais positiva e significativa.Submetendo-se ao Fluxo
O Chassidismo nos ensina que duas diretrizes básicas afetam o
curso de nossas vidas. A primeira diz respeito aos nossos dotes —
aquelas qualidades especiais que distinguem cada um de nós dos
demais. A segunda é a constelação de eventos que nos cerca, sobre os
quais não temos nenhum controle. O Baal Shem Tov, o fundador do
Chassidismo, nos ensina que estes eventos são Divinamente ordenados
de forma a nos proporcionar o melhor palco sobre o qual
desempenhamos o nosso papel na vida. No entanto, nós combatemos
estes eventos. Procuramos controlá-los através de nossa limitada
sabedoria, embora possamos estar, de fato, fazendo um grave
desserviço para nós mesmos.
Ao combatermos as nossas aparentes adversidades, o processo
Cósmico de reequilíbrio resulta, invariavelmente, no aparecimento de
circunstâncias ainda mais influentes que são, na verdade, um
mecanismo corretivo do Criador. E eis que então o conflito eclode
numa outra frente — até que aprendamos a lição da aceitação. É muito
mais importante para as nossas vidas que submetamos a nossa vontade,
não através de uma resignação passiva, mas de uma humilde aceitação
das oportunidades à medida que elas vão surgindo.
O Hod molda uma aceitação significativa. O Hod nos abre para as
oportunidades trazidas pelas adversidades. Isto não deve ser confundido
com a passividade.
Será que nós sabemos o que está ali na esquina? Podemos decidir
em antecipação se uma determinada ocorrência haverá de nos trazer
benefício ou nos causar dor? A nossa única alternativa real é ficarmos
curiosos e abertos, aceitando o momento à medida que for surgindo, e
acompanhando o seu desenvolvimento. Adotar uma postura de natural
curiosidade e visualizar um resultado positivo são aspectos que
despertam a nossa tolerância ao desconforto. A base do Hod permite a
criação de uma postura neutra e receptiva, bem como a manifestação
de uma disposição mais positiva.
Render-se à exigências da vida não significa que a pessoa deva,
mansamente e de forma submissa, oferecer o outro lado da face. Ao
contrário, isto significa que devemos nos engajar plenamente na vida,
assumindo os ritmos da vida e cantando aos ventos Cósmicos. Ao
escolhermos, cuidadosa e criteriosamente, as nossas batalhas, nós
conseguiremos ver tanto a floresta como as árvores. Tornamo-nos
abertos às pistas que direcionam os nossos próprios hesitantes passos.
O segredo da Sefirá de Hod está na aceitação. Ela compreende
um sincero obrigado e uma rendição ao Outro, ativando uma submissão
à sabedoria maior do Criador. Isto também exige coragem.
UM EXERCÍCIO DE HOD
Pegue um livro com o qual esteja familiarizado. Abra a página
inicial do primeiro capítulo e leia para si mesmo alguns parágrafos.
Agora repita a leitura, desta vez em voz alta e lentamente, levando em
média cinco segundos para ler cada palavra. Na primeira vez que você
fizer a leitura em voz alta, concentre-se, principalmente, nos sons
produzidos pela leitura destes poucos parágrafos. Repita o exercício,
porém, desta vez, concentrando-se no significado da palavra —
somente daquela palavra que você está lendo, uma de cada vez.
Repita mais uma vez o exercício, concentrando-se, agora, no
sentido de toda a passagem, à medida que você vai lendo as palavras.
Se você fizer este exercício uma vez por dia, durante dez ou quinze
minutos, você poderá encontrar surpreendentes aspectos, tanto em
termos de conteúdo como dentro de si mesmo. Detendo-se na
inclinação natural de “adiantar-se”, você permite que a porta ao
profundo significado se abra. Usando a capacidade do Hod, este
caminho pode ajudar a mudar também o seu estilo de comunicação
interpessoal. Depois de fazer este exercício por uma semana, é possível
que você queira continuá-lo com um outro.
Faça com que um parceiro ou um amigo passe dez minutos por dia
conversando com você. Escolha um assunto qualquer e, simplesmente,
conversem sobre ele. Porém, detenha-se numa pausa de três segundos
antes de iniciar qualquer conversação ou de responder a qualquer
comentário. Mas esta restrição deve ser observada por você apenas e
não pelo seu parceiro. Você descobrirá um novo nível de percepção
através da audiência empática.
Reviva a experiência da leitura do livro. Tente recordar os três
estágios da leitura e as experiências e percepções obtidas através do
exercício. Concentre-se no valor dos mecanismos de retardo das
respostas, e no quanto isto aprofundou a sua apreciação das coisas.
Mais uma vez, tente gravar em sua mente a importância de deter-se
como um meio de aprofundar o seu entendimento sobre outras
pessoas. Ponha em foco a oportunidade que você criou para que o seu
Hod flua com mais liberdade. Comprometa-se consigo mesmo a deixar
que o espaço de oportunidade que você criou continue por toda a sua
vida.
Meu Próprio Mestre e a Prática do Hod
O Rebe de Lubavitch foi a personificação da humildade e da
audiência empática. Ao longo de todos os seus cinqüenta anos de
liderança espiritual, ele devotou um espantoso período de vinte horas
diárias de serviço à humanidade. Ele não observava nenhum relógio
externo — somente a bússola cósmica interna é que o orientava.
Freqüentemente, ele dava audiências pessoais durante a noite toda.
Certa ocasião, minha família e eu tivemos a honra de sermos recebidos
pelo Rebe às duas horas da madrugada, e, em outras ocasiões, quase
ao alvorecer. Em seus últimos anos, o Rebe estava fragilizado; havia
sofrido dois ataques cardíacos, além de outras doenças. Apesar disso,
ele ficava de pé durante seis horas todos os domingos, sem se mover da
sacada que era montada do lado de fora de sua sala. Milhares de
pessoas se aproximavam dele, uma a uma, para aliviarem-se, para
buscar uma bênção ou a solução de algum problema.
Ele respondia pessoalmente a cada indivíduo, e, naquele momento
de profunda conexão, a pessoa sentia como se o tempo tivesse parado.
Eu me lembrarei para sempre do momento em que os seus olhos
encontraram os meus, bem como a empatia e carinho que tocaram a
minha mente e o meu coração. O fluxo de Hod era petrificante. Fazia-
me sentir como se, no universo inteiro, houvesse apenas, e tão-
somente, ele e eu. O Rebe absorveu a essência e a importância de meu
assunto particular e, com uma extraordinária percepção, respondeu
imediatamente. Eu sabia que os meus mais profundos e recônditos
pensamentos tinham sido esmiuçados através da própria Mente e
Emoções do Rebe.
Aprendemos que um Rebe pode aconselhar em virtude de, no
processo de escutar o seu interlocutor, ele consegue assumir, sobre si
mesmo, a sua dor e experiências. Está registrado que muitos Rebes
realmente sofreram problemas de saúde — que reconheceram ser
oriundos deste supremo nível de empatia. Pode ser que nós não
sejamos dotados a tal ponto. Porém, nós temos a capacidade de treinar
o nosso Hod para que flua livremente em cada encontro, em cada
relacionamento, em cada conversa.
O Paradigma do Hod
O irmão de Moisés, Aarão, é o grande mediador da história
judaica. A palavra “paz”, em hebraico, é “shalom”, e significa,
literalmente, “o estado de plenitude através do perfeito equilíbrio”. O
tradicional cumprimento em hebraico “shalom Aleichem” significa, de
fato, “Que entre num estado de completo equilíbrio interior”. Trata-se
de um singular cumprimento, que fortalece e reforça o maior e principal
ápice da tradição espiritual da Cabalá — o autodomínio.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o
seu paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e
de baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está
penetre em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua
consciência? O que os seus dedos estão tocando? Em que estão
focalizados os seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus
pensamentos o atravessem suavemente, sem pressa ou
urgência. Você está seguro. Ainda com os olhos fechados,
vislumbre um lindo gramado em formato de uma grande
Estrela de David. Imagine-se caminhando por sobre a grama.
Enquanto caminha, pense nos arcanjos.Você pode sentir
Michael andando à sua direita, cobrindo-o de compaixão.
Gabriel caminha ao seu lado esquerdo, proporcionando-lhe
direção e propósito. O arcanjo Uriel caminha à sua frente,
trazendo-lhe um esclarecimento interior. Rafael caminha atrás
de você, fortalecendo suas próprias capacidades saneadoras.
Passe um minuto sentindo as forças angelicais imbuindo-o com
suas benesses e dádivas.
A chave para a meditação é a empatia — aquilo que Stephen
Covey chama de “audição empática”. É impossível criar a paz entre as
pessoas sem ser capaz de realmente escutar e ouvir o que cada uma das
partes está dizendo. Paz significa equilíbrio; e era equilíbrio o que Aarão
mais procurava nos relacionamentos interpessoais. Diz-se que Moisés
era afligido de uma limitação da fala, o que dificultava bastante uma
clara dicção. O seu irmão, no entanto, não apenas tinha a capacidade
de ouvir com o seu coração aquilo que as pessoas falavam, mas também
era um experiente comunicador. Por tudo isso, Aarão é considerado a
personificação da Sefirá de Hod.
A aceitação mútua é um princípio básico em qualquer
relacionamento. Se as partes não se aceitarem mutuamente, elas não
podem se unir. No entanto, também deve existir o “desejo” de se unir.
A Mente e as Emoções devem penetrar a máscara que cada um de nós
veste. Tal união é conseguida através da Sefirá seguinte, conhecida
como o fluxo de Yessod.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA NUN
O nun é a décima quarta letra do alfabeto
hebraico. O seu significado duplo é o da regeneração e
o da desintegração. A mediação dos eternos ciclos da
vida: nascimento, crescimento, florescimento, auge e
declínio.
Pense sobre a sua verdadeira identidade. O nun nos ensina
que a nossa verdadeira identidade está além dos ciclos. Ele
está na Divindade interior.
13
Yessod: Encontrando Uma
Verdadeira União
A palavra “Yessod” significa, literalmente, “fundação”, “alicerce”.
A Cabalá nos ensina que o Yessod denota a intensidade, a união e a
força da comunicação entre duas pessoas. Eu me lembro de ter ficado
entusiasmado com uma aula que seria dada no colégio. Não somente
por abordar um cativante assunto, mas também porque seria
administrada por um especialista no assunto. Imaginem como fiquei
desapontado ao descobrir que aquele apreciado especialista era um
orador pouco inspirado, que afundava o seu nariz em suas anotações,
matraqueando durante uma hora.
Talvez você possa lembrar de uma ocasião em que ficou
gratamente surpreso ao descobrir que um palestrante pouco dotado e
falando de improviso conseguiu inspirar uma audiência inteira. No
primeiro caso, faltava o fluxo de Yessod — independentemente da
erudição do professor. No outro, o Yessod fluiu livremente, apesar de
faltar-lhe a fama acadêmica. Somente este segundo orador foi o que
deixou uma impressão duradoura. É esta Sefirá que cria as fundações
sobre as quais repousa a união humana.
Quantos dentre nós podem realmente dizer que se unem com
profundidade a outras pessoas? A maioria de nós continua a dedicar-se
a assuntos inacabados e raivas não resolvidas. Fugimos da insegurança
e dos traumas deixados por relacionamentos passados. O foco e a
dedicação que precisamos para buscar os relacionamentos mais
profundos e mais significativos se dissipam. A mente é inundada por
uma miríade de preocupações, angústias, inquietações e outros
interesses, deixando pouco espaço para o Yessod.
Ao invés, nós nos afastamos, levamos vidas separadas e perdemos
contato uns com os outros. A chave está em estreitarmos o nosso cerne
de plenitude e de bem-estar. Daí, então, poderemos nos focalizar em
outrem — no amigo, no parceiro, no cônjuge e em nossos filhos.
Os indivíduos que mais profundamente nos influenciam são aqueles
que estabelecem uma união Yessod conosco. Quando nos
comunicamos com tais pessoas, sentimos que somos a pessoa mais
importante em seu universo. Sentimos uma proximidade, uma
reciprocidade e o poder da verdadeira comunicação.
Ao mesmo tempo, estas fundações do Yessod também formam o
princípio que une Netsach e Hod. Quando o poderoso impulso do
Netsach sai de uma solidão e se transforma num relacionamento
temperado pela retenção do Hod, impedindo o domínio e a
dependência, então, a profundidade do Yessod pode fluir livremente. É
a procura pelo fundamento e pela dedicação num relacionamento que
proporciona as propriedades de equilíbrio do Netsach e do Hod.
No entanto, nem toda comunicação é visível ou expressa
verbalmente. As palavras nem sempre manifestam Yessod. As
qualidades não-verbais também criam a união.
Qual é a natureza desta qualidade? Em seu cerne está a Mente e a
nossa capacidade de nos focalizarmos na pessoa com quem estamos
nos comunicando. Quando pensamos em focalizar, naturalmente
estamos pensando em nosso sentido de visão. No entanto, o foco com
o qual nos empreendemos na criação de relacionamentos significativos
vai além do visual. Ele inclui a nossa intenção — o que o Chassidismo
chama de “cavaná”.
Na realidade, cavaná representa mais do que “intenção”. Ela inclui
qualidades de dedicação, resolução, propósito, orientação quanto aos
objetivos e conexão. Adjacente a esta qualidade da Mente em Yessod,
existe, ainda, uma outra qualidade emocional. Trata-se da nossa
capacidade de dar e de contribuir, sentir e experimentar empatia, e
equilibrar. Assim, o Yessod é um funil para todas as Sefirot da Mente e
da Emoção que já vimos anteriormente.
Podemos transmitir este foco sem o uso de palavras. Os mestres de
Lubavitch, os Rebes, falam muito sobre o poder do pensamento. Eles
observaram que os pensamentos profundamente focalizados podem,
literalmente, alcançar os outros. Quando pensamos bem sobre uma
pessoa, nós exercemos um efeito terapêutico. Infelizmente, quando
pensamos doentiamente sobre uma pessoa, igualmente nós deixamos a
nossa marca. Na literatura Cabalística e Chassídica isto é conhecido
como “áyin hará” — o “mau-olhado”.
Até pouco tempo atrás, era moda entre os intelectuais zombar da
capacidade da mente humana de fazer mudanças sem usar a palavra. O
médico Larry Dossey descreve em seu livro Be Careful What You Pray
For ... You Might Just Get It, uma série de interessantes experiências,
entre elas, uma que foi realizada por Jacobo Grinberg-Zylberbaum, na
Universidade Nacional Autônoma do México. Este grupo examinou
eletroencefalogramas (mapeamento das ondas cerebrais) de pessoas
afastadas, umas das outras, a grandes distâncias. Eles descobriram que
quando as pessoas deixavam que um sentimento de proximidade e
consciência fluísse entre elas, os traçados do EEG sobrepunham-se,
registrando notáveis correlações. Desafiando as leis da redução de
efeitos conforme o aumento da distância, eles descobriram que estes
padrões não sofreram alteração com o incremento da distância. Alguns
cientistas denominaram este efeito de “correlação remota”.
Anos antes, Einstein foi quem primeiro propôs a noção de que
partículas subatômicas se co-relacionam entre si, independentemente da
distância que as separa. Experiências provaram que a hipótese proposta
por Einstein é verdadeira, e está agora sendo estendida aos seres
humanos.
As experiências com seres humanos mostraram que os EEG se
correlacionavam somente quando havia uma tentativa deliberada entre
as partes para que tivessem uma percepção consciente um do outro —
eles deviam se focalizar uns nos outros. As conexões remotas ocorriam
somente quando havia a concentração, o foco — quando uma
determinada tentativa era feita para se comunicar com o outro através
da mente.
Yessod também é a qualidade da comunicação profundamente
carinhosa. Não é de se admirar que o principal exemplo deste fluxo,
aquele entre pais e filhos, deixe um efeito tão poderoso na criança,
mesmo quando eles estão separados geograficamente.
Os fenômenos remotos têm sido estudados cientificamente através
das observações de mestres qijong, que podem fazer com que seus
oponentes, a vários metros de distância, recuem rapidamente sem,
sequer, tocá-los. Numa das experiências, o oponente era colocado
numa sala distantee isolada, observando-se a sincronização das ondas
cerebrais do emissor e do receptor quando o mestre exercia a sua
concentração mental.
Dossey também destaca os resultados de experiências realizadas na
McGill University, os quais mostraram que o estado de depressão
mental de um jardineiro pode ter um efeito negativo sobre o
crescimento das plantas. Um outro conjunto de experiências, conduzido
pelo médico ginecologista Leonard Laskow, demonstrou a sua
capacidade de retardar o crescimento de células cancerosas através da
concentração mental. Numa outra experiência, Gene Barry, um
médico-pesquisador em Bordeaux, França, obteve sucesso ao mensurar
o retardamento de um destrutivo fungo, simplesmente através da
intenção negativa que era focalizada sobre o fungo a uma distância de
um metro e meio.
Está claro que a nossa intenção — cavaná — é um fator bastante
real em nossos relacionamentos com as pessoas e com o Cosmos em
geral. A maneira como nos concentramos através do fluxo de Yessod
pode ter uma influência substancial sobre aqueles que estão em nossa
mente ou sobre aqueles com quem estamos nos comunicando naquele
momento. Um pensamento negativo pode redirecionar o fluxo de
Yessod, tornando-o um meio potencialmente destrutivo (tanto quanto,
também, autodestrutivo). Sabedores disto, nós devemos procurar
exercer ambos: força e sensibilidade, de forma a podermos navegar
através das fronteiras interpessoais. Devemos aspirar a uma disposição
positiva para a vida, para as pessoas e para a adversidade.
O Laço de União do Amor
O amor tornou-se um clichê. A linguagem Ocidental abusa,
distorce e faz um mau uso do termo. Isto faz com que seja passado um
conceito de banalização, de ser o mais fácil dos relacionamentos —
promíscuo e abusivo. A mídia nos incentiva a aceitar as “relações
amorosas” como as ligações emocionais mais superficiais e mutuamente
destrutivas. Somos encorajados a aceitar os atributos menos atraentes
do Nefesh Behamit como sendo a realidade do amor humano, em vez
de sua distorção. Devido ao verdadeiro terror que sentimos em assumir
compromissos, nós preferimos nos concentrar inteiramente nos
prazeres passageiros, em vez de nos comprometermos às fundações
Yessod do amor.
O cadinho que forja o verdadeiro amor é o compromisso e a
dedicação ao bem-estar espiritual, intelectual, emocional e material do
outro. O amor induz a união. O Yessod produz a união. A Sefirá de
Yessod flui através de todas as pessoas. Não importa o quão reprimida
ela possa vir a ser, um relacionamento amoroso deixará que o processo
de união surja e se solidifique.
O fluxo de Yessod abrange tanto amigos quanto pessoas
estranhas. A maneira como tratamos uma garçonete, um motorista de
ônibus ou um mecânico de carros não é uma declaração de nossa
capacidade de relacionamento menor do que a maneira como
expressamos o nosso amor por nossa família, por nosso cônjuge ou por
um amigo íntimo. A Cabalá nos ensina que devemos nos dirigir às
pessoas com todo o nosso ser — a nossa total cavaná. É uma indicação
de para onde está sendo direcionado o nosso fluxo de Yessod.
É importante notar que, enquanto o amor é derivado do nosso
“eu” doador, o Chéssed, ele se torna manifesto na maneira com que
nos dedicamos aos outros — o trabalho do compromisso do Yessod.
Em seu maravilhoso livro Beyond the Best Interests os the Child,
Joseph Goldstein mostra a diferença entre a paternidade biológica e a
paternidade psicológica. A diferença está no elemento do compromisso,
do comprometimento. O mesmo é verdadeiro no que se refere ao
amor. A diferença entre o amor biológico — a atração sexual — e o
amor psicológico, que provém do comprometimento profundo, é o
fluxo de Yessod. Quando nos comprometemos ao verdadeiro ser
daquele a quem amamos, nós realizamos as nossas naturezas de doação
e de compaixão.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o seu
paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e de
baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está penetre
em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua consciência?
O que os seus dedos estão tocando? Em que estão focalizados os
seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus pensamentos o
atravessem suavemente, sem pressa ou urgência. Você está
seguro. Ainda com os olhos fechados, vislumbre um lindo
gramado em formato de uma grande Estrela de David. Imagine-se
caminhando por sobre a grama. Você vê o seu melhor amigo
sorrindo e acenando-lhe. Imediatamente você sente uma grande
empatia com a abertura e o calor de seu amigo. Comece a refletir
sobre as suas próprias capacidades de ser um amigo que dá e que
gosta. Reconheça as suas capacidades humanas de fundir a sua
compaixão com a sabedoria da Mente e a energia da Emoção.
Passe alguns segundos contemplando isto.
UM EXERCÍCIO DE YESSOD
1. Quando realizar uma tarefa cotidiana, conscientize-se de seus
cinco sentidos. Por exemplo, lavar os pratos: Qual é o som produzido
pelos pratos quando você os coloca sob a torneira? Com que se parece
o cheiro do detergente limpador de pratos?
2. Conscientize-se de seu corpo enquanto realiza aquela
determinada tarefa. O seu corpo está tenso? Você sente alguma dor?
Como se sentem os dedos de suas mãos? Faça um levantamento de seu
corpo e tome conhecimento de como é que você está vivendo este
momento da vida.
3. Conscientize-se das distrações. Pergunte-se: “Por que estou me
distraindo? Como é que eu estou interpretando um momento
essencialmente neutro? Como é que eu estou filtrando este momento?”
4. Pergunte-se: “Qual é a minha reação emocional à distração?
Sinto algum ressentimento? Algum aborrecimento ou irritação? Sinto-
me cansado?”
5. Pergunte-se: “Como posso reverter este subjetivo momento?”
Por exemplo: “Estarei distraído por causa do vizinho que está tocando
música em alto volume? Como posso reverter esta situação para evitar
que isto afete a minha concentração e minha apreciação do momento?
O que posso fazer para aprimorar o meu momento de Yessod?”.
O Laço de União da Atenção
Estamos familiarizados com a idéia de viver o momento conforme
os ensinamentos de filósofos como Thich Nhat Hanh. Existem infinitos
momentos no espectro do tempo. Nós corremos, tentando agarrar uma
experiência cá e um momento acolá. Em nosso frenesi de experimentar
tudo aquilo que a vida nos oferece, experimentamos, na verdade,
pouquíssimas preciosidades dentre a diversidade e riqueza do universo.
Quando aprendemos a viver no momento, nós nos fundimos com
aquele momento. Pense nisto. Em qualquer dado momento, nós
ocupamos algum espaço. O nosso corpo, mente e emoções jamais
estão num “não-espaço”. Porém, estamos desatentos ao momento.
Quando conseguimos ter consciência da maneira como nos conectamos
com aquele momento, naquele espaço, podemos apreciar a sua
singularidade. O momento jamais se repetirá. Temos uma oportunidade
de criar uma ocasião única deste momento único.
Quando estamos presentes no “agora”, nos tornamos
espiritualmente engrandecidos e enriquecidos. Nos tornamos cônscios
da absoluta santidade que aquele momento possui. Nós devemos nos
treinar para sermos conscientes, pois, na realidade, nós estamos onde
está a nossa mente. Mais uma vez, é a faculdade do Yessod, a
dedicação, que nos permite tocar a singularidade do momento e abrir
perspectivas de oportunidade que, de outra forma, teriam nos fugido.
O Chassidismo nos ensina que todos os momentos são especiais.
No momento presente está o segredo de ambos: passado e futuro.
Este momento singular é tanto uma expressão da maneira que
vivemos no passado, como uma indicação do futuro. A maneira como
nos engajamos no presente determina o resultado no futuro.
O Paradigma do Yessod
Os fluxos Sefiróticos se combinam e se fundem numa realidade
consciente por meio do Yessod. Da mesma forma, os legados de
Abraão, Isaac, Jacob, Moisés e Aarão são direcionados através da
qualidade espiritual do filho de Jacob, José.
José é chamado de “mestre perfeito” — o tsadic. O Tanya ensina
que, num determinadomomento, somente existe um único tsadic
especial no mundo — o alicerce espiritual do mundo.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA LAMED
O lamed é a décima segunda letra do alfabeto
Hebraico, e a mais alta de todas as letras. O lamed
representa o estudo, o ensinamento, o propósito. A
sua energia traz exaltados valores à nossa vida
cotidiana. Pense em seu significado.
A Bíblia nos diz que Jacob deu a seu amado filho um casaco
multicolorido. Este casaco representa a Sefirótica gama de cores que
José estava destinado a canalizar para o mundo. A Bíblia também
revela que José salvou seu pai e seus irmãos da fome. A Cabalá nos diz
que isto é uma alusão à manifestação de outras Sefirot por meio do
Yessod.
José era um interpretador de sonhos, e um sonho é uma conexão
entre o consciente e o subconsciente. Yessod é o ponto de conexão
entre Mente-Emoções interiores e a sua principal expressão através da
Sefirá de Malchut.
José, o paradigma de Yessod, tornou-se o alicerce da
sobrevivência dos Hebreus. Da mesma forma, Yessod permite que o
fluxo Sefirótico sobreviva na realidade consciente.
14
Malchut: Dentro do Mundo
Completando o Ciclo
Malchut completa o ciclo. É o último elemento numa cadeia de
eventos que se inicia com um momento de inspiração e encontra a sua
realização no mundo real — o mundo do finito. Sem o fluxo de
Malchut, nós possuiríamos pensamentos e sentimentos, porém, jamais
os materializaríamos.
Imagine-se planejando uma viagem de férias de verão. Você faz a
reserva de passagens aéreas, compra as roupas necessárias e transpira
num intenso programa de condicionamento físico. Então, quando está
prestes a partir para a viagem, você descobre que os controladores de
tráfego aéreo entraram em greve. Da mesma maneira, o Cosmos
experimenta o nosso comportamento quando falhamos em nossas boas
intenções. O Criador deve, então, re-equilibrar o Cosmos para
proporcionar novas oportunidades para o nosso prosseguimento.
Alguns chamam isto de “karma” ou “kismet”. A Cabalá chama isto de
“hashgachá pratit” — a oportunidade designada para se combinar às
nossas necessidades espirituais.
A Natureza de Malchut
A Malchut é uma Sefirá incomum. Ela tem dois aspectos
espirituais. Tal como Biná, a Malchut é feminina na natureza. Ela
carrega em seu ventre todas as Sefirot, inclusive Biná, durante todo o
tempo. Malchut é o fim que aparece no começo. É o ventre no qual os
fluxos espirituais, de Chochmá a Yessod, se aninham antes de
nascerem no mundo real.
A Cabalá chama Malchut de “Ima Tata’á” — a “Mãe Inferior”.
Malchut nutre as nove Sefirot superiores até o momento de sua
manifestação — sob a forma de uma palavra ou comportamento. É a
Mãe Inferior em contraste à Biná, a “Ima Ila’á” — a “Mãe Superior” —,
em cujo ventre as Sefirot superiores de Chochmá e Biná foram
nutridas.
Malchut também é “Alma De’Itgália” — o “Mundo Revelado”.
Aqui, o nosso potencial latente é materializado através do
comportamento e da expressão. Por outro lado, a Biná é chamada de
“Alma De’Itkássia” — o “Mundo Oculto” —, pois a união de
Chochmá e Biná produzem apenas um comportamento “potencial”,
um estado da Mente. Na metáfora da forma humanóide, Malchut
representa a boca; uma vez que a boca fala, ela revela o que está
dentro.
Até aqui, nós temos explorado as Sefirot em termos de
comportamento humano para que nos seja possível compreender estas
complexas noções com maior facilidade. Porém, as Sefirot fluem
através de todo o Cosmos; portanto, a idéia de Malchut materializando
pensamentos e emoções inspiradas é, também, numa escala Cósmica,
descritiva. De fato, Malchut é sinônimo de Shechiná, a feminina
presença de D’us no mundo. É a Shechiná que canaliza as ondas da
criatividade potencial para um mundo finito, revelado. Note o relato
antropomórfico da criação; ele começa com as palavras: “E disse D’us:
‘Haja luz’!” A Shechiná é uma manifestação através de um mundo
criado.
Malchut é a mais elevada fonte espiritual das almas e dos anjos.
Embora os anjos e as almas humanas sejam diferentes entre si, eles
evoluem do processo criativo que flui através da Sefirá de Malchut no
mundo superior de Atsilut.
Aqui na Terra
A Cabalá ensina à Humanidade como se envolver nos detalhes da
vida. Aprendemos a não permanecermos distantes e indiferentes. Uma
vida passada em profunda contemplação, afastada dos aspectos
materiais, representará um mau uso de nossa existência.
Os mestres Chassídicos nos ensinam que a mais simples das
palavras, ou atos, pode criar uma mudança de imensas proporções nos
Mundos Superiores (Olamot). Assim sendo, cada um de nós tem uma
real responsabilidade de pensar, falar e se comportar de uma maneira
ética. As mitsvot universais, as Sete Leis de Noé, são princípios de guia
para uma sociedade moral e justa. Nós fazemos mudanças no mundo
através de ação, e não simplesmente de pensamentos gentis.
O Judaísmo tem uma completa disciplina, composta de 613 mitsvot — boas
ações —, para nos guiar através dos desafios da vida.
O mundo tem um complexo sistema de 7 mitsvot — boas ações — para realizar o
potencial Divino.
Malchut — O Estado Soberano
A tradução literal de Malchut significa “soberania”, “supremacia”.
A palavra Malchut deriva da palavra Hebraica usada para “rei” —
“melech”. Muitas pessoas podem jamais vir a ter, na vida real, algo
mais do que um vislumbre de seu rei; porém, elas podem sentir a
presença real através das leis e da maneira como a ele se faz referência,
e como é obedecido. Da mesma forma, Malchut é um passivo, porém
poderoso, estado de existência, bem como um ativo e final estado de
realização. A Cabalá ensina que Malchut nos permite vislumbrar a
soberania Divina no mundo.
Muitas metáforas são usadas para descrever Malchut. Ela é vista
como o receptáculo no interior do qual fluem todas as demais Sefirot. É
a integração final de nossa atividade Mente-Emoção. Malchut é o
estado soberano que existe dentro de cada um de nós. Através de
nossas palavras e comportamentos, os outros podem vislumbrar o
poder soberano que nos governa.
Quem somos está revelado naquilo que fazemos.
A Real ização Custa Menos do que Você Pensa
Um dos verdadeiramente maiores mestres Chassídicos de Chabad,
Rebe Yossef Yitschak (conhecido na escola Chassídica Lubavitch como
o “Rebe Anterior”), destacou que as coisas realmente necessárias na
vida são inversamente proporcionais ao seu custo. Segundo ele, uma
jóia pode ser imensamente cara; o seu valor pode ser equivalente ao de
várias casas. Eis porque as jóias não são essenciais à manutenção da
vida. Por outro lado, uma morada é algo muito mais necessário e, assim
sendo, consideravelmente mais barato do que as melhores jóias. As
roupas, sendo ainda mais necessárias, são mais acessíveis. A comida,
sendo algo essencial, é mais barata ainda do que as roupas. A água é
ainda mais básica à vida e, portanto, custa ainda mais barato do que a
comida. E aquilo que vem de forma totalmente gratuita é, de tudo, o
mais essencial — o ar que respiramos.
Esta simples orientação nos proporciona um importante
instrumento. Muitas pessoas passam anos vagando pelo mundo em
busca da felicidade e realização. Porém, é possível que elas estejam
procurando nos lugares errados. A gratificante recompensa está no
simples e no barato: alguém a quem amar, alguém com quem
compartilhar a vida, alguém a quem cuidar, alguém a quem ajudar a
suportar os dolorosos momentos da vida, e alguém em quem podemos
confiar e acreditar.
Quando dominamos a Malchut, nós conseguimos nos realizar.
Stephen Covey assim diz: “Nós tratamos daquilo que nos parece ser
urgente, porém nunca conseguimos alcançar aquilo que é
verdadeiramente importante”. A Cabalá nos diz para deixar que a
mistura correta flua para dentro de nosso receptáculo de Malchut.
PERGUNTAS A SEREM FORMULADAS AO FINAL DE CADA DIA
1. Fiz hoje aquilo que eu acreditava ser realmente importante?
2. Trabalhei hoje para a realização de meus objetivos?
3. Estou realizando minhas verdadeiras aspirações?
4. (Caso a resposta a qualquer uma destas perguntas seja “não”)
Por que eunão o fiz?
Vivendo na Área
Recentemente, muitos livros têm explorado o fenômeno conhecido
como “jogar na área”. Os jogadores de tênis descrevem jogos em que o
seu corpo reage perfeitamente em sintonia com suas intenções.
Escritores mencionam ter trabalhado por horas a fio em eufórico
esquecimento e abstinência. Cientistas contam terem estado tão
profundamente envolvidos com as suas experiências que chegaram a
perder seu sentido de tempo, perdendo os horários de refeição, alheios
ao barulho e interrupções. Estes representam extraordinários estados
nos quais o fluxo da vontade configura as Sefirot — de forma a que se
manifestem através da Malchut numa consciência superior. Uma vez
experimentado, este fenômeno jamais é esquecido. Alguns de nós
podem experimentar isto, interpretando-o como um sentimento místico
de unicidade e união, quando tudo e todos parecem parte de um todo
orgânico.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTRELA DE DAVID
Inspire. Tome consciência de seus sentidos. Reconheça o
seu paladar esfregando a sua língua por seus dentes de cima e
de baixo. Deixe que o cheiro do ambiente em que você está
penetre em seu ser. Quais os sons que estão entrando em sua
consciência? O que os seus dedos estão tocando? Em que estão
focalizados os seus olhos? Feche os olhos. Deixe que os seus
pensamentos o atravessem suavemente, sem pressa ou
urgência. Você está seguro. Ainda com os olhos fechados,
vislumbre um lindo gramado em formato de uma grande
Estrela de David. Imagine-se caminhando por sobre a grama.
Sinta a sua suavidade e maciez. Veja-se caminhando sobre um
quebra-mar, admirando o profundo oceano azul. Identifique-se
com as turbulências do oceano, respirando em conjunto com a
respiração de suas grossas ondas. Sinta sua imensa
profundidade e força. Identifique-se com aquele poder de
propósito. Tome algum tempo para contemplar a imagem do
oceano. Respire a sua fresca, pura e forte essência.
Você está sendo alçado por uma suave brisa. Veja-se
pousado numa enorme pétala de rosa. Sinta a sua suavidade e
maciez. A brisa balança levemente a pétala, e você pode sentir
a sensação de sua vida interior — a sua simbólica relação com
a natureza. Sinta o seu poder de crescer, de desabrochar e de
se fechar. Perceba o seu próprio poder de desenvolvimento, de
crescimento e de amadurecimento espiritual. Identifique-se
com a flor. Você é a flor.
Continue a sua caminhada. À distância, você pode
vislumbrar um leão. Veja a sua majestade e porte real. Ele
anda languidamente, sem dar-lhe atenção alguma. Reconheça
a coragem que ele possui. Identifique-se com o leão.
Conscientize-se de sua própria majestade, sua própria realeza
no domínio do reino de sua Mente e Emoções. Você também
pode ser o rei de sua selva espiritual. Medite sobre isto por
alguns momentos. Enquanto anda pelo lindo gramado, você vê
o seu melhor amigo sorrindo e acenando-lhe. Imediatamente,
você sente uma grande empatia com a abertura e o calor de
seu amigo. Comece a refletir sobre as suas próprias
capacidades de ser um amigo que dá e que gosta. Reconheça as
suas capacidades humanas de fundir a sua compaixão com a
sabedoria da Mente e a energia da Emoção. Passe alguns
segundos contemplando isto. Enquanto caminha, pense nos
arcanjos. Você pode sentir Michael andando à sua direita,
cobrindo-o de compaixão. Gabriel caminha ao seu lado
esquerdo, proporcionando-lhe direção e propósito. O arcanjo
Uriel caminha à sua frente, trazendo-lhe um esclarecimento
interior. Rafael caminha atrás de você, fortalecendo suas pró-
prias capacidades saneadoras. Passe um minuto sentindo as
forças angelicais imbuindo-o com suas benesses e dádivas.
Agora comece a se dirigir para o último canto — o canto da
Shechiná. Deixe você unir-se com a Estrela de David. Você
percebe que é a Estrela, e ela também é você. Reconheça a sua
alma como o cordão umbilical espiritual que conecta você ao
coração da Estrela — ao seu núcleo e essência — uma projeção
do valor infinito dentro da tela do tempo e do espaço. Você é
um com o Todo. Passe alguns segundos conectando-se com o
Todo.
Quando Chegarmos ao Fim,
Descobriremos o Começo
Gandhi dizia que nós devemos “nos tornar” a mudança que
buscamos no mundo. Isto ecoa o ensinamento Cabalístico de que cada
um de nós é um reflexo de todo o Cosmos. Iniciamos cada vida onde
terminamos; e terminamos onde iniciaremos. A Sefirá de Malchut é o
término. É também o início. As dez Sefirot fluem em cada um dos
quatro mundos paralelos de Atsilut, Beriyá, Yetsirá e Assiyá. A Sefirá
mais inferior em Atsilut é Malchut; mas Malchut se torna Keter, o nível
mais elevado das Sefirot no mundo seguinte de Beriyá, e assim por
diante. Imagine quatro escadas, uma colocada em cima da outra; o pé
de cada uma apoiado no alto da outra. A base da escada de cima se
torna o topo da escada que está abaixo dela.
O principal propósito do engajamento no crescimento e
desenvolvimento pessoal é o de nos possibilitar dizer a palavra certa no
lugar certo, e de nos envolvermos na ação apropriada quando somos
convocados. O nosso sangue, suor e lágrimas; as nossas horas de
introspecção; a manutenção de nosso diário, nossa meditação, nossas
técnicas respiratórias, nossos exercícios — tudo isso para que possamos
pronunciar corretamente o som e fazer o gesto certo. Este delicado
procedimento requer uma vida inteira de melhoramentos e a prática do
autodomínio. Desta forma, nós mudamos o mundo.
O círculo está completo. A nossa razão de ser, a nossa busca de
união é completada em Malchut — o ato final da conexão. Porém, o
nosso sentido de união dá lugar à vida física da separação e à realidade
da existência cotidiana e diária. Esta maré e fluxo de vida, conhecidos
no pensamento Chassídico por “ratso” e “shuv”, é inevitável. Os
elementos de um momento de união alcançada se tornam uma dádiva
no momento seguinte de separação. As sementes do fim são plantadas
no começo; e no começo está o germe do fim.
UMA MEDITAÇÃO SOBRE A LETRA TAV
O tav é a vigésima segunda letra do alfabeto
Hebraico. É o arquétipo da existência física projetada
no Cosmos. O tav representa o resultado final. Medite
sobre o tav ao contemplar o significado do término,
da conclusão, do acabamento, da realização, da
integridade e da plenitude.
Conclusão
Eu me propus a escreve um livro que serviria de ponte entre a
antiga e mística sabedoria da Cabalá e a investigação contemporânea.
Uma ponte só tem utilidade quando ela liga dois lados. Quanto a isto,
estou ciente de que estas antigas percepções devem transcender o
tempo e lugar, estendendo-se às Emoções e à Mente do leitor de hoje.
O resultado, espero, é um “caminho central” que não é nem
demasiado técnico, e nem simplista demais. Este livro não foi escrito
para os doutos ou aspirantes a sábios; a obra se destina a pessoas como
eu mesmo, que procuram melhorar a sua experiência cotidiana de viver
verdadeira e honestamente.
Diariamente, cada um de nós deve se comprometer a um padrão
de palavras e ações. Num nível, a nossa escolha tem um impacto sobre
o Cosmos. Num outro nível, mais próximo e imediato, as nossas
decisões determinam os padrões de nossas vidas. Antes de encerrar este
trabalho, eu gostaria de partilhar com você um ensinamento da Cabalá
que pode nos ajudar de uma forma prática e terrena. Refiro-me ao
ensinamento concernente à raiva.
Os conselheiros freqüentemente orientam os seus clientes a
“liberar” a sua raiva, como se isto fosse um animal enjaulado que
precisa ser exorcizado. Por outro lado, eles também destacam que a
raiva é um sentimento perfeitamente natural. As explicações
Chassídicas da Cabalá ensinam que a raiva não é algo nem “trancado”,
nem natural. Liberá-la somente a torna ainda mais forte e intensa. De
fato, os sábios ensinam que a raiva não possui quaisquer qualidades
redentoras.
As antigas tradições espirituais do Hinduísmo, do Budismo e do
Judaísmo encaram a raiva como algo destrutivo e condenável. Ora, se
estamos preparados para absorver destas tradições tantos e tantos
outros caminhos, por que haveríamos de ignorar os ensinamentos
referentesà raiva?
Maimônides nos aconselha a sempre escolhermos o “caminho do
meio” e evitar os extremos; uma das exceções que ele cita é no que diz
respeito à raiva. Neste caso, ele aconselha aos raivosos praticar o
oposto virtual — a passividade face à provocação. Em seu Código da
Lei Judaica, chamado Mishnê Torá (Hilchot Deot, cap. 3), ele assim
escreve: “A raiva é um sentimento extremamente ruim, e a pessoa
deveria evitá-la a todo custo. A pessoa deveria treinar-se a não sentir
raiva, mesmo quando esta fosse justificada”.
O Tanya vai mais longe ainda e afirma que qualquer pessoa que
expresse uma forte raiva, estará praticamente cometendo idolatria, pois
no momento da raiva, da ira, a sua fé o abandona completamente.
Na parte 2 deste livro, nós exploramos as Emoções em termos de
sete Sefirot básicas e sucintas. A raiva não está nesta lista. A Cabalá vê
a raiva como um “híbrido” — é um produto, não uma matéria-prima
espiritual. Para que a raiva seja expressa, os fluxos da Mente de
Chochmá e Biná devem interpretar uma situação através da atividade
do ego — o Nefesh Behamit. O fator Daat tem que evocar as
emoções, com o predomínio de uma emoção controladora de Guevurá,
resultando numa postura defensiva ou ofensiva. O fluxo de Yessod deve
comprometer um Netsach dominante para conter a ameaça detectada.
Finalmente, Malchut deve expressar as palavras ou atos de raiva.
Nós podemos controlar a nossa raiva se entendermos a sua base de
ego e medo, se aprendermos a intervir, e se praticarmos para
compensar as suas manifestações. Porém, devemos, primeiramente,
entender o quão indesejável ela realmente é. Psicologicamente, a
expressão da raiva está correlacionada com insalubres efeitos colaterais.
Pessoas raivosas são associadas com um comportamento do tipo “A”,
que pode resultar em problemas cardíacos. A raiva aumenta a pulsação
e os batimentos cardíacos. Os órgãos de nosso corpo funcionam mal
sob um contínuo clima de raiva. A raiva inibe o sistema imunológico,
aumentando a suscetibilidade às infecções e doenças.
A raiva também é socialmente destrutiva. Ela deteriora uniões e
ligações interpessoais, além de desgastar os relacionamentos. Ela é
usada como uma arma de controle e domínio. Ela precipita o
distanciamento e os medos. As pessoas raivosas perdem os amigos e
têm apenas uma pequena influência sobre as pessoas.
Freqüentemente você ouvirá pessoas dizendo que a raiva é
motivacional. Elas contarão a sua história preferida sobre alguém que
conhecem e que estava tão motivado pela ira, que esta acabou
estimulando-os a grandes conquistas. Porém, o ódio também é
motivacional. Igualmente motivacionais são: a inveja, a desconfiança, a
inferioridade e os sacrifícios tribais para satisfazer os deuses. A
motivação, por si, não é um valor.
Isto nos deixa com o argumento de que a expressão da raiva
permite-nos “desabafar” insalubres emoções “reprimidas”. Mas, será
que a raiva alguma vez é “reprimida” e, de alguma forma,
“enclausurada” em nosso corpo?
Já vimos que as Emoções são sete fluxos espirituais dirigidos pelos
três fluxos da Mente. Nada fica reprimido ou encarcerado — trata-se,
simplesmente, de um mau gerenciamento pessoal, onde existe uma
carência de sabedoria e de autodomínio. Ainda assim, algumas pessoas
poderão jurar que bater cem vezes na cama com uma vassoura lhes traz
um grande alívio — ou, melhor ainda, dar um soco na boca de alguém.
Estas pessoas lhe dirão que foram “tiradas do sério”.
Nós temos a capacidade de criar as nossas próprias realidades. Já
vimos alguns estudos sobre mente-corpo que bem ilustram como o
nosso sistema de fé e convicção produz reais alterações na química de
nosso corpo, chegando a ponto de afetar até o nosso sistema
imunológico. Convicções também formam imagens mentais.
Se acreditarmos que a raiva está “trancada” no receptáculo do
corpo, então isto haverá de criar um sentimento de pressão interna.
Bater cem vezes numa cama com uma vassoura pode “aliviar” aquela
pressão porque nós, em nossa imaginação, acreditamos e, assim,
criamos aquela realidade.
Da mesma forma, socar a cara de alguém que tenha sido
inconveniente também trará algum “alívio”. Porém, o preço será,
socialmente, exorbitante. E é baseado numa convicção sem fundamento
— que a pessoa se livra da raiva.
As pessoas raivosas continuam a externar a sua ira ainda durante
muito tempo depois de terem se “aliviado”. Decorrido pouco tempo de
seu alívio, a única realidade que resta é que aquela vassoura deverá ser
substituída, depois de ter sido quebrada ao bater na cama, ou que
aquele sujeito que apanhou com um soco na cara está tentando pôr o
agressor na cadeia.
Aliviar a raiva reprimida é uma crença baseada na ficção. O alívio é
uma miragem temporária, que já a próxima situação de raiva haverá de
prontamente atestar. A única maneira de erradicar a raiva é entender a
sua dinâmica espiritual e aprender, pacientemente e com a prática, a
mudar esta dinâmica, fazendo com que o resultado seja mais
apropriado, mais pacífico e mais pertinente ao espírito de união e de
conexão. Isto resultará numa mudança interior verdadeira e
permanente, pois os fluxos Sefiróticos assumirão novos e melhores
padrões. Um clima interior pode ser criado quando a Mente guia as
Emoções.
Para conseguir este resultado, as crenças sobre a raiva devem ser
mudadas. Não podemos imaginar um “inimigo” encarcerado em nosso
interior. Isto deve ser transformado numa imagem dos fluxos da Mente
e da Emoção. Devemos nos tornar tão familiarizados com a natureza
destes fluxos Sefiróticos, a ponto de construir uma imagem de
Chochmá reformulando o fluxo de Biná, e Chéssed se mesclando mais
intensamente com Guevurá. Estas imagens haverão de criar poderosas
mudanças na Emoção, neutralizando as reações de raiva.
O Chassidismo define este processo segundo o princípio de
“Moach shalit al halêv” — “a Mente molda e define o Coração”. Para
compreender totalmente como praticar este princípio, é necessário um
outro livro. Esperemos para ver.
A Cabalá é prática, e a sua sabedoria é universal. As percepções
proporcionam um modelo que é tanto confortável na psicologia
Ocidental e no misticismo Oriental, quanto o é na prática espiritual
judaica. A Cabalá não exclui ninguém pela religião, pelo caminho
religioso ou pela crença. Ela fala à alma, e cada alma reagirá em
conformidade à sua orientação apropriada.
Sinceramente, espero que este livro seja de alguma ajuda em sua
vida cotidiana. Com muita alegria eu apreciaria receber os seus
comentários e sugestões. Sinta-se à vontade para contatar-me.
Eu gostei desta viagem que acabo de fazer com você. Você foi um
excelente companheiro.
Glossário
Um asterisco indica referências cruzadas neste glossário.
A
Ahavá: A Emoção do amor, um subconjunto da Sefirá* de Chéssed*.
Alma De’Itgália (literalmente: o “Mundo Revelado”): Um sinônimo
Cabalístico para a Sefirá* de Malchut*, onde o potencial latente nas
Sefirot* superiores é ativado em Malchut*.
Alma De’Itkássia (lit.: o “Mundo Oculto”): Um sinônimo Cabalístico
para a Sefirá* de Biná*, assim chamado porque as Sefirot* de
Chochmá* e Biná* produzem um sentimento e uma expressão apenas
potencial, que não é ativado até que Malchut* comece a atuar.
Anivut: A qualidade da humildade.
Assiyá (lit.: “Fazer”): O quarto plano, ou Olam*; o reino do tempo, do
espaço e da consciência humana.
Atsilut (lit.: “Emanação”): O primeiro dos quatro planos, ou Olamot*,
o qual, para todos os efeitos práticos, é indistinguível da Fonte, da luz
do Ein Sof*.
Avodá (lit.: “trabalho”): Esforço e prática do refinamento espiritual.
B
Baal Shem Tov (lit.: “Mestre do Bom Nome”): Fundador do
Chassidismo* (1698-1760, Europa Central); avô “espiritual” do
fundador do Movimento Chassídico Chabad* Lubavitch*.
Baal teshuvá (lit.: “possuidor do caminho” ou retorno): Uma pessoa
que tenha retornado ao caminho da prática da Torá*.
Bar-mitsvá (lit.: “o Filho dos Sagrados Mandamentos da Torá*): A
idade da potencial maturidade espiritual para um menino com treze
anos de idade; um ano a mais do que a idade da maturidadeespiritual
(doze anos) para uma menina, chamado Bat-mitsvá*.
Beinoni (lit.: “no meio”): Uma pessoa que domina as suas ações e
expressões exteriores, enquanto consciente de distúrbios ou tentações
internas ocasionais; espiritualmente posicionada entre um mestre e um
perverso.
Beriyá (lit.: “Criação”): O segundo dos quatro planos, ou Olamot*; o
reino da individualidade e distinção espiritual.
Biná (lit.: “Compreensão”): A segunda das dez Sefirot*; a aptidão
espiritual para desenvolver a fonte de pensamento num convincente
fluxo de pensamento.
Bitul (lit.: “anulação”): O processo de abnegação do ego.
C
Cabalá (lit.: “Receber”): O corpo dos ensinamentos da mística judaica;
o quarto nível de compreensão da Torá*.
Casher: Alimentos que são assimiláveis pelo sistema da alma judaica,
tal como definido na Torá* e no Talmud*.
Cavaná (lit.: “intenção direcionada”): Intenção focalizada associada
com o foco dos poderes da Mente e da Emoção.
Chabad: Acrônimo formado pelas letras iniciais das três primeiras
Sefirot*, através das quais realiza-se a atividade intelectual; o nome do
Movimento Chassídico*, também conhecido por Movimento Lubavitch*.
Chassid (lit.: “aquele que é pio”): Um seguidor do Chassidismo.
Chassidismo (lit.: “Devoção”): Movimento da Torá*, fundado pelo
Baal Shem Tov*, que popularizou os ensinamentos da Cabalá, bem
como da mescla da devoção com a alegria e o fervor; abordagem
comportamental da Cabalá
Chéssed (lit.: “bondade”): O primeiro dos sete fluxos Sefiróticos da
Emoção; Chéssed representa a doação empática.
Chochmá (lit.: “Sabedoria”): Primeira das dez Sefirot*; a aptidão
espiritual de canalizar o pensamento seminal a partir do subconsciente.
D
Daat (lit.: “Conhecimento”): Terceira das dez Sefirot*; a aptidão
espiritual de canalizar Emoção no fluxo da Mente — chamado Daat
Tachton; a aptidão espiritual que permite que o pensamento criativo e
a seqüência de pensamentos se unam e se equilibrem — chamado Daat
Elyon.
Derush: O terceiro nível de entendimento da Torá*; o nível derivativo
do entendimento dos textos da Torá*.
E
Ein Sof (lit.: “Sem Fim, Infinito”): A infinita fonte da criação; D’us.
Elokim: O Nome de D’us que está associado com o atributo Divino da
autocontenção na natureza e no mundo corpóreo.
Emuná: Fé na beneficência e propósito da criação; fé em D’us.
G
Guevurá (lit.: “Força, Heroísmo”): A quinta das dez Sefirot*; o
atributo espiritual da restrição e da autocontenção.
Guilgul (lit.: “ciclo”): O processo de reencarnação da alma.
H
hashgachá pratit (lit.: “supervisão personalizada”): O ensinamento
espiritual de que o Criador está especificamente ciente e envolvido em
cada evento finito e em cada vida, criando situações sempre em prol do
benefício maior.
Hitbonenut (lit.: “autocompreensão”): Meditação contemplativa muito
usada pelos membros do Movimento Chassídico Chabad-Lubavitch*.
Hod (lit.: “Glória, Eco”): A oitava das dez Sefirot*; o atributo espiritual
da empatia e da provisão de conforto.
I
Ima Ila’á (lit.: “a Mãe Superior”): O nome Cabalista para a Sefirá* de
Biná*, em cujo ventre amadurecem as Sefirot* subseqüentes.
Ima Tata’á (lit.: “a Mãe Inferior”): O nome Cabalista para a Sefirá* de
Malchut*, em cujo ventre são nutridas as nove Sefirot* superiores.
Ivri (lit.: “Hebreu”): Nome dado aos descendentes de Abraão; o “do
outro lado”.
K
kav (lit.: “Linha”): A entrada inicial de um raio de energia Divina, após
a inicial contração Divina, conhecida por tsimtsum*.
kelí (plural: keilim); (lit.: “utensílio”): O receptáculo espiritual que
contém o Or* - a energia espiritual ou “luz”.
Keter (lit.: “Coroa”): O antecedente a todos os fluxos Sefiróticos;
também referido como a mais alta de todas as Sefirot*; fonte dos fluxos
da vontade e do prazer.
L
le’chaim (lit.: “à vida”): Brinde à saúde e ao bem-estar de outrem;
normalmente pronunciada em alto e bom tom durante o processo de
ingestão de bebida alcoólica.
Levushim (lit.: “roupas”): As “vestimentas” exteriores das emanações
Divinas, através das quais a emanação pode se tornar manifesta no
reino (plano)*, ou Olam*, pelo qual passa.
Lubavitch (lit.: “Cidade do Amor”; Rússia): Cidadezinha na Rússia que
foi o centro do Movimento Chassídico* Chabad*, de 1813 a 1915;
nome alternativo do Movimento Chassídico* Chabad*.
M
Malchut (lit.: “Soberania”): A décima e última Sefirá*, a qual
concretiza, no plano de Assiyá, os processos de interação das nove
anteriores na expressão humana.
Mazal: O fluxo de específica energia espiritual que anima a alma de
toda matéria, vegetação, animais e gênero humano; muito usado como
uma expressão de congratulação, tal como em mazal tov (lit. “bom
mazal”).
mekubal (plural: mekubalim); (lit.: “aquele que foi recebido”).
memale (lit.: “enchimento”): A descrição da energia espiritual
ocupando o “espaço” de seu recipiente espiritual, tal como o
pensamento ocupa a palavra pronunciada.
Merirut (lit.: “amargor”): Prática Chassídica de auto-reflexão,
focalizando-se nas próprias falhas, mas com a intenção de
automelhoria.
mezuzá: O pergaminho manuscrito e enrolado, que contém um trecho
de uma passagem da Torá*, normalmente acondicionado numa
caixinha enfeitada, a qual é afixada nas soleiras de todas as portas de
uma casa judaica.
Midot (lit.: “Medidas, Traços de Personalidade”): As sete Sefirot* da
Emoção.
Midrash: Literatura do terceiro nível, Derush*, dos quatro níveis de
entendimento da Torá*.
Mishná (lit.: “aprendizado, repetição”): A primeira transcrição da Lei
Oral antes de sua elucidação nas desenvolvidas discussões conhecidas
como Guemará, e que, juntamente com a Mishná, é conhecida como
Talmud*.
mitsvá (lit.: “mandamento”): Um preceito da Torá* que, quando
praticado, conecta a alma ao Criador de uma forma mais profunda.
mochin dekatnut (lit.: “pequenez cerebral”): Ter a mente pequena
ou ser imaturo na maneira de exercer a escolha.
Moshé Rabeinu (lit.: “Moisés, Nosso Professor”): Moisés, que aceitou
e ensinou a Torá* no Monte Sinai, diante de milhões de judeus e outros
exilados da escravidão no Egito.
Mashiach (lit.: “o Ungido”): O Messias que trará a paz e a harmonia
ao mundo, reconstruirá o Templo e conduzirá todos os judeus no exílio
de volta a Israel.
N
Nefesh (veja também: Nefesh Elokit e Nefesh Behamit): O nível da
alma que está mais integrado ao corpo físico, e o último nível a partir
após a morte.
Nefesh Behamit (lit.: “a Alma Animal”): A dimensão da alma que
busca a realização do corpo físico e deflagra os impulsos e instintos em
prol dos prazeres físicos.
Nefesh Elokit (lit.: “a Alma Divina”): A dimensão do sistema da alma
que está total e completamente unida com a “cabeça” de D’us.
neshamá: Termo genérico para “alma”; o terceiro nível da alma*, a
fonte espiritual para a atividade da Mente.
Netsach (lit.: “Permanência, Vitória): A sétima das dez Sefirot*; o
atributo espiritual de estender-se a outrem e estabelecer um
relacionamento.
Nigun: Canção Chassídica*, normalmente uma melodia sem palavras,
utilizada pelos Chassidim* para o crescimento e fortalecimento
intelectual, emocional e espiritual.
O
Or (lit.: “Luz”): Uma metáfora para o fluxo de energia ou emanação
vinda do Criador ou Fonte.
Olam: singular de Olamot.
Olamot (lit.: “Mundos”): Os quatro principais planos, dotados de
crescente tsimtsum*, nos quais as emanações Divinas tornam-se
crescentemente ocultas em mais externamente definidos formatos, ou
levushim*.
Oneg (lit.: “prazer”): A mais elevada fonte da motivação humana,
expressa como o fluxo primário do relacionamento.
P
Pardes (lit.: “Pomar”): Termo usado para o misticismo Judaico e, mais
especificamente, para a Cabalá; os quatro níveis de entendimento da
Torá*.
Peshat: O significado literal de uma palavra ou de uma passagem de
texto; o primeiro nível de entendimento da Torá*.
R
rachamim: A qualidade da misericórdia e da compaixão; identificada
com a Sefirá* de Tif’eret*.
Rambam (acrônimo de Rabi Moshé ben Maimon; 1135-1204):
Maimônides; um estudioso, filósofo, médico, matemático e Talmudista
do estilo Renascentista; autor da mais completa e definitiva codificaçãoda Lei Judaica, conhecida como Mishnê Torá.
Ratso v’shuv (lit.: “correr para” e “voltar”): O padrão cíclico da
Mente e Emoções humanas, que oscila entre intensidade e relaxamento,
normalmente aplicada à intensa atividade da consciente conexão com
D’us e, daí, precisando retornar a uma norma mais relaxada antes de
novamente se aproximar.
Reino(s): Os quatro Olamot*, ou mundos, que crescentemente se
contraem e condensam as emanações Divinas, ocultando seus
verdadeiros aspectos.
Rebe: Mestre Chassídico; líder espiritual da dinastia Chassídica; em
nossos tempos o Rebe de Lubavitch, Rabi Menachem M. Schneerson,
era normalmente chamado de, simplesmente, “o Rebe”.
Remez (lit.: “Pista”, “dica”): O segundo nível de entendimento da
Torá*; o nível alusivo.
Ruach (lit.: “vento, espírito”): O segundo nível do sistema da alma; o
nível manifestado através da Emoção humana.
S
Sefirá (singular de Sefirot): Vide Sefirot*.
Sefirot (lit.: “Emanações”): Os dez atributos Divinos que se manifestam
através dos quatro “mundos”, ou “reinos”, chamados Olamot*, e que se
realizam no Olam inferior como os dez aspectos da personalidade,
compostos de Mente e Emoção.
Sechel: A tríade das Sefirot* da Mente: Chochmá*, Biná*, e Daat*; a
natureza da Mente.
Shechiná (lit.: “restituição”): O nível da Presença Divina que é
manifestada no plano corporal; a qualidade feminina da “cabeça” de
D’us.
Sod (lit.: “Segredo”): O quarto nível de entendimento da Torá*,
associado ao nível da Cabalá*.
T
Talmud (lit.: “o Aprendizado”): Os ensinamentos da Torá* no Monte
Sinai que foram mantidos sob a forma de tradição oral, até a sua
redação sob a forma escrita, conhecida como Talmud, entre os anos
200 a.e.c. e 300 a.e.c., nas grandes academias Talmúdicas do Oriente
Médio.
Tanya (lit.: “Foi Ensinado”, em Aramaico): O nome do principal e
mais sistemático texto Chassídico que explica as naturezas do Cosmos e
do ser humano, conforme a Cabalá de autoria do fundador da
Chassidismo* Chabad-Lubavitch*, conhecido como o Alter Rebe; o
Tanya também é conhecido como Sêfer Shel Beinonim (o Livro dos
Aspirantes Intermediários) e como Likutei Amarim (Coleção de
Discursos).
tefilin: Filactérios que são, diariamente, usados na cabeça e no braço,
por um homem judeu adulto, durante as preces matinais; composto de
duas “caixinhas” pretas que acondicionam um pergaminho manuscrito
com determinados trechos da Torá*.
Teshuvá (lit.: “retorno”): O processo de retornar às normas da Torá*;
veja, também, Baal teshuvá*.
Tiféret (lit.: “Beleza”): A sexta das dez Sefirot* que mescla a Emoção
espiritual de dar — Chéssed* — com o atributo da contenção —
Guevurá* —, culminando com um equilíbrio de ambas.
Torá (lit.: “o Ensinamento da Luz”): O modo de vida judaico,
governado pelos Cinco Livros de Moisés e a Lei Oral que os esclarece;
o corpo da lei dada e ensinada por Moshé Rabeinu* no Monte Sinai; as
plantas espirituais da criação.
Tumá: Estado espiritual de negatividade e impureza.
Tsadic (lit.: “o Justo”): O mestre Chassídico; uma pessoa muito justa.
tsimtsum (lit.: “contração, ocultação”): O processo Divino de
progressiva autolimitação, tornando possível que os vários estágios de
entidades independentes se realizem; auge nas variadas existências do
ser humano no mundo finito.
Y
Yessod (lit.: “Base”): A nona Sefirá*; o atributo espiritual da
determinação e dedicação.
Yetsirá (lit.: “Formação”): O terceiro Olam*, ou “plano”, ou “mundo”,
ou “reino”, no qual a forma espiritual do quarto mundo de Assiyá* é
determinado; nome do mais antigo trabalho da Cabalá* ainda existente
— Sefer HaYetsirá, escrito por Abraão.
Z
Zohar (lit.: “o Brilho”): O principal texto da Cabalá*, redigido na forma
escrita pelo Rabi Shimon bar Yochai, no Século II.
Sobre o Autor
LAIBL WOLF (Rabino), Bacharel em Psicologia, é um palestrante
de fama internacional em assuntos ligados às áreas do domínio da
mente e das emoções e do crescimento pessoal. Foi convidado a
proferir palestras em 165 cidades, somente nos últimos cinco anos, o
que indica a sua reputação e a sua rica experiência — isto sem nada
dizer da força e vigor que possui. Ele fundou o Human Development
Institute, uma Fundação dedicada ao progresso da humanidade através
de percepções, introspecções e domínio pessoal. Rabi Laibl Wolf é um
dos poucos expoentes tradicionais dos ensinamentos Cabalísticos; tendo
estudado, também, Direito e Psicologia, ele consegue combinar a
sabedoria do passado com uma moderna e progressista visão do
presente.
Tem aparecido bastante na mídia e tem sido o principal orador em
conferências internacionais, entre as quais se incluem as realizadas na
International Psychological Association, na International Transpersonal
Association, na International Mind/Body/Immunity Conference e na
American Ortodox Union of Rabbis.
Ele produziu inúmeros conjuntos de materiais audiovisuais
destinados ao autodomínio e à meditação, os quais estão disponíveis
nos quatro continentes. Estes materiais exploram os ensinamentos de
uma maneira mais experimental, e têm, também, a vantagem das
ênfases do autor.
Rabi Laibl Wolf reside em Melbourne, Austrália, com sua esposa,
Leah, e seus três jovens filhos.
	Folha de rosto
	Créditos
	Índice
	Agradecimentos
	Prefácio da Edição Brasileira
	Introdução
	Primeira Parte: O MOVIMENTO DO ESPÍRITO
	1. Abraão — O Místico Rebelde
	2. A Planta do Cosmos
	3. Quem São os Cabalistas?
	Segunda Parte: OS FLUXOS DA MENTE E EMOÇÃO
	4. As Dez Sefirot
	5. Chochmá: A Varinha Mágica
	6. Biná: Mudando o Padrão do Pensamento
	7. Daat: A Mente Crente
	8. Chéssed: Destrancando o Fluxo do Amor
	9. Guevurá: Aumentando a Força Interior
	10. Tiféret: Desenvolvendo um Coração Sábio
	11. Netsach: Iniciando Relacionamentos Significativos
	12. Hod: Criando Empatia
	13. Yessod: Encontrando Uma Verdadeira União
	14. Malchut: Dentro do Mundo
	Conclusão
	Glossário
	Sobre o Autor

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