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DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO E ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO Adriana Vaz Efisio Emanuel Uniube EAD Adriana Vaz Efisio Emanuel DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO E ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE Emanuel, Adriana Vaz Efísio. E11d Deficiência intelectual, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação [livro eletrônico] / Adriana Vaz Efísio Emanuel. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2017. 98 p. : il. color. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7777-617-7 1. Inclusão em educação. 2. Interação social – Distúrbios. 3. Deficientes. 4. Rett – Síndrome de. I. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. II. Título. CDD 371.9046 © 2017 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão André Luís Teixeira Fernandes Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Coordenação de Pós-Graduação a Distância Renata Maria de Almeida e Borges Editoração e Arte Produção de Materiais Didáticos-Uniube Preparação dos originais Márcia Regina Pires Revisão ortográfica, gramatical, textual e de estilos Erika Fabiana Mendes Salvador Raul Sérgio Reis Rezende Stela Maria Queiroz Dias Editoração eletrônica Rafael Jesus do Prado Projeto da capa Roberto Silva Araújo Assis Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Adriana Vaz Efísio Emanuel Mestre em Educação, pela Universidade de Uberaba (Uniube). Especialista em Psicopedagogia Institucional, pela Faculdade de Educação de Uberaba (FEU). Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia, pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC). Atualmente é Analista Educacional-Pedagoga na Superintendência Regional de Ensino de Uberaba. Docente e coordenadora do curso de Especialização em Supervisão Educacional, Gestão Educacional e Educação Especial na Universidade de Uberaba (Uniube), modalidade de Educação a Distância. Sobre a autora Sumário Apresentação ......................................................................................VII Capítulo 1 A inclusão do Deficiente Intelectual ................................ 1 1.1 Conversando sobre o preconceito ........................................................................... 3 1.2 Terminologia ............................................................................................................. 5 1.3 A Deficiência Intelectual ........................................................................................... 6 1.4 O que é mesmo Deficiência Intelectual? ................................................................. 7 1.5 A escola e o DI ...................................................................................................... 12 1.6 O professor e o DI .................................................................................................. 13 1.7 Refletindo sobre este capítulo ............................................................................... 15 1.8 Eu e meus alunos DI.............................................................................................. 17 1.9 Referências ............................................................................................................ 18 Capítulo 2 Os Transtornos Globais do Desenvolvimento – a Síndrome de Rett .............................................................21 2.1 Diferenças e unicidade dos sujeitos ...................................................................... 23 2.2 Transtornos Globais do Desenvolvimento............................................................. 24 2.3 Síndrome de Rett ................................................................................................... 33 2.4 Aprendizagem e escolarização ............................................................................. 36 2.5 Reflexão ................................................................................................................. 40 2.6 Referências ............................................................................................................ 41 Capítulo 3 Os Transtornos Globais do Desenvolvimento – o Autismo, a Síndrome de Asperger ................................. 43 3.1 Introdução .............................................................................................................. 45 3.2 Autismo .................................................................................................................. 46 3.3 O professor e a criança autista .............................................................................. 57 3.4 Para enriquecimento do assunto... ........................................................................ 61 3.5 Síndrome de Asperger ........................................................................................... 64 3.6 Asperger: como lidar? ............................................................................................ 67 3.7 O Professor e o aluno TGD ................................................................................... 69 3.8 Para aprofundamento... ......................................................................................... 73 3.9 Reflexão ................................................................................................................. 74 3.10 Referências .......................................................................................................... 74 Capítulo 4 Altas Habilidades/Superdotação .................................... 77 4.1 Superdotado = superinteligente? ........................................................................... 79 4.2 A pessoa com Altas Habilidades/Superdotação .................................................... 81 4.3 Conhecendo a pessoa com Altas Habilidades/Superdotação .............................. 84 4.4 Características da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação ........................ 85 4.5 Identificando AH/SD ............................................................................................... 88 4.6 A família, a escola, o professor e o aluno com Altas Habilidades/ Superdotação ........................................................................................................ 91 4.7 Para aprofundamento... ......................................................................................... 93 4.8 Referências ............................................................................................................ 97 Prezado(a) aluno(a). O processo de inclusão escolar apresenta desafios para o atendimento a alunos com Deficiência Intelectual, Transtornos Globais do Desenvolvimento e Altas Habilidades, especialmente em relação à concretização do processo inclusivo e a sugestões para viabilizá-lo. As leituras, o diálogo com professores e a observação do trabalho pedagógico nos permitem inferir que as principais dificuldades indicadaspara a realização da inclusão dizem respeito à falta de diagnóstico do aluno, à modesta formação dos profissionais da educação e, ainda, à perceptível ausência do trabalho colaborativo nas instituições de ensino. Nosso estudo está contemplado em quatro capítulos, nos quais trataremos dos seguintes assuntos: No capítulo 1 – “A Inclusão do Deficiente Intelectual”. No capítulo 2 – “Os Transtornos Globais do Desenvolvimento – A Síndrome de Rett”. No capítulo 3 – “Os Transtornos Globais do Desenvolvimento - o Autismo, a Síndrome de Asperger”. No capítulo 4 – “Altas Habilidades/Superdotação”. Apresentação Portanto, neste módulo, nossa proposta se ancora no estudo dos diferentes aspectos pedagógicos que envolvem a Deficiência Intelectual, os Transtornos Globais do Desenvolvimento e as Altas Habilidades. Ressaltamos a importância de se considerar que cada aluno, cada pessoa, deve ser tratada com base no seu potencial, e não nas suas dificuldades. Com a expectativa de que é possível desenvolver potencialidades, é que nos propomos, neste módulo, a dialogar sobre as possibilidades que se apresentam em nossa prática. Convido-o(a) a viver essa experiência e transpô-la para a sua prática pedagógica. A dedicação será fundamental em nosso estudo. Conto com você! Profa. Adriana Vaz Efísio Emanuel Agradecimento Agradecemos a Profa. Me. Marianna Centeno Martins de Gouvea pela gravação das videoaulas constantes deste ebook. 1 A inclusão do Deficiente Intelectual Uniube 3 Figura 1 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Conversando sobre o preconceito1.1 Vivemos tempos de profundas mudanças, de constantes transformações e construções e, por isso mesmo, novos paradigmas estão, a todo momento, desafiando-nos. Convivemos ainda com o preconceito de toda natureza. E o preconceito produz estereótipos em todos os segmentos sociais. Não é diferente com as pessoas deficientes, sejam elas deficientes intelectuais, físicos ou acometidos de qualquer outra patologia. Os estereótipos produzem uma diferenciação: a exclusão, simplesmente porque algumas pessoas situam-se fora de um padrão considerado normal, conceito esse construído socialmente por uma norma e muitas vezes disseminado de forma inconsciente. IndIcação de leItura Maria Teresa Mantoan, pesquisadora do assunto, apresenta-nos um texto bastante esclarecedor a respeito da diferença e inclusão: Os sentidos da diferença. Clique no título e acesse o texto. http://revista.ibict.br/inclusao/article/view/1660/1866 4 Uniube Observando o cartoon a seguir, qual ideia lhe vem imediatamente à cabeça? Figura 2 Fonte: Acervo - EAD –Uniube. Isso mesmo! O cadeirante foi considerado incapaz pela pessoa que o interpelou, ou seja, por ser deficiente físico, houve uma interpretação estereotipada e preconceituosa sobre sua capacidade mental. Tais equívocos não são diferentes na educação especial, principalmente em relação à Deficiência Intelectual. Neste capítulo, propomo-nos a discutir os aspectos relacionados à Deficiência Intelectual, refletindo sobre as possibilidades de atuar em situações que envolvam esses sujeitos, lançando mão de práticas inclusivas mais humanistas, que se comprometam a promover mudanças nos ambientes onde atuamos. Concepções diversas têm orientado os estudos e o conhecimento acerca do assunto, trazendo novas formas de compreensão, que, por sua vez, apontam também novas formas de intervenção e atuação docentes. Uniube 5 Terminologia1.2 Ao longo dos anos, a Deficiência Intelectual recebeu muitas classificações como: excepcional, retardado mental, deficiente, entre outras, mas a Declaração de Salamanca (1994) trouxe uma nova maneira de referenciar a deficiência e o sujeito, além da adoção da outra nomenclatura por institutos internacionais como a American Association of Mental Retardation (AAMR) e American Asoociation on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD), assim passou a ser ‘pessoa com deficiência intelectual’. IndIcação de leItura Para enriquecimento de seu estudo, clique no título e leia o texto TERMINOLOGIA SOBRE DEFICIÊNCIA NA ERA DA INCLUSÃO, de Romeu Kazumi Sassaki. Até a adoção dessa terminologia, há um percurso iniciado por Binet, na França, no final do século XIX, quando avaliava as crianças em idade escolar a fim de classificá-las quanto ao baixo desenvolvimento das faculdades intelectuais, nomeado à época de “idiotismo”. Um dos seus discípulos, Jean Etiene Esquirol, alterou esse termo para “idiota”, caracterizando aquele sujeito que apresenta um déficit de inteligência generalizado e perene, que o impossibilitava à educação formal. Por isso mesmo, González aponta os usos e os abusos terminológicos (2007, p. 65) conforme apresentamos a seguir. https://acessibilidadecultural.wordpress.com/2011/09/07/terminologia-sobre-deficiencia-na-era-da-inclusao/ https://acessibilidadecultural.wordpress.com/2011/09/07/terminologia-sobre-deficiencia-na-era-da-inclusao/ 6 Uniube Incapacitado versus mi- nus válido (dificultado)1 O significado literal indica que uma pessoa seria menos válida que os ditos “normais” ou os “su- perdotados”. Deficiência mental versus retardo mental O retardo mental é frequentemente utilizado pe- los autores norte-americanos e ingleses, muitas vezes utilizado também como termo descritivo global, designando pessoa inferior ao que se es- pera dela. Outras terminologias Débil mental, agrupando diversas categorias de DI, utilizado nos Estados Unidos até a década de 1940 e abolido pelas conotações indesejáveis. Na Espanha, esse termo indicava indivíduos com capacidade mental reduzida. Na Rússia, o termo usado era oligofrenia. Quadro 1 Fonte: Adaptado de González (2007, p. 65 - 67). 1 Livre tradução do espanhol pela autora. Não há, portanto, uma única terminologia para descrever o DI, assim como não há um único diagnóstico, tendo em vista a diversidade de comprometimento ou não que a pessoa pode apresentar. Somente médicos, preferencialmente Psiquiatras, Neurologistas e Psicólogos Clínicos, são habilitados para fazer o diagnóstico de DI. Outros profissionais podem levantar hipóteses diagnósticas e solicitar o encaminhamento para o diagnóstico. Muita atenção A Deficiência Intelectual1.3 Antes de definir a Deficiência Intelectual propriamente dita, é importante destacar que o próprio conceito de deficiência tem sido mundialmente discutido. Se anteriormente predominava uma visão médico-organicista, centrada nos déficits da pessoa, atualmente a deficiência passa a ser Uniube 7 concebida em uma perspectiva ecológica, ou seja, em relação ao meio. A limitação deixa de ser vista somente como dificuldade exclusiva da pessoa, passando a ser observada como limitação da sociedade em oferecer condições que possibilitem à pessoa superação de barreiras físicas, econômicas e sociais. O que é mesmo Deficiência Intelectual?1.4 Sobre a Deficiência Intelectual, Honora e Franco (2008, p.103) afirmam que “[...] não é considerada uma doença ou um transtorno psiquiátrico, e sim um ou mais fatores que causam prejuízo das funções cognitivas que acompanham o desenvolvimento diferente do cérebro”. Atualmente a medicina tem concebido a deficiência intelectual como um transtorno mental ou de comportamento, de acordo com as definições contidas na Classificação Internacional de Doenças – CID 10 (OMS, 1993) e também no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV (APA, 2002). No Brasil, prevalece o modelo médico que norteia o funcionamento das diversas instâncias sociais. Como resultado, as propostas de inserção social da pessoa com deficiência, entre nós, nem sempre se mostram inclusivas. Pois, como assevera Dias e Oliveira (2013), o diagnóstico médico, que deveria se prestar a garantir adequado atendimento à saúde dos indivíduos, desloca-se para tomada de decisões em outros setores da vida social. Em decorrência, essa abrangência social do diagnóstico médicodesloca-se para a garantia de direitos previdenciários ou ainda para o encaminhamento escolar às salas de Atendimento Educacional Especializado e/ou validação do atendimento psicopedagógico. 8 Uniube Ressaltamos a importância do diagnóstico médico, mas há que se atentar para a sua correta utilização, evitando-se, dessa maneira, os rótulos, os preconceitos e a desinformação sobre o assunto. Figura 3: Diagnóstico médico. O diagnóstico, realizado por equipe multiprofissional, presta-se a garantir direitos como atendimento educacional especializado, benefícios previdenciários, acesso a cotas especiais em universidades e vagas de trabalho. Entre as causas a que se atribui a Deficiência Intelectual, encontram- se as genéticas, congênitas ou adquiridas, entretanto um grande percentual de situações de D.I. são desconhecidas para os especialistas. A Síndrome de Down, a Síndrome de Rett, a Síndrome Alcoólica Fetal, a má formação fetal, a desnutrição, entre outras, são as principais causas conhecidas da D.I. IndIcação de leItura Aprofundando conceitos, clique no título e leia o texto “Deficiência Intelectual”, de Xiaoyan Ke e Jing Liu, páginas de 16 a 22. Os autores elucidam com riqueza o diagnóstico da D.I. Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/75/C.1-Intelectual-disabilities-PORTUGUESE-2015.pdf http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/75/C.1-Intelectual-disabilities-PORTUGUESE-2015.pdf Uniube 9 Segundo dados da Organização das Nações Unidas, a D.I. pode ser atribuída a causas ambientais e genéticas. Figura 3 Fonte: Honora & Frizanco, 2008, p.104. No quadro a seguir, relacionamos as causas da Deficiência Intelectual. PRÉ-NATAIS PERINATAIS PÓS NATAIS Desnutrição ma- terna. Má assistência à gestante Doenças infeccio- sas: sífilis, rubéo- la, toxoplasmose. Má assistência ao parto e traumas de parto. Hipóxia e anóxia (oxigena- ção cerebral insuficiente). Prematuridade e baixo peso (peso de nascimento menor ou igual a 1.500g ou com idade gestacional menor ou igual a 33 se- manas). Hiperbilurribinemia (ic- terícia) com níveis para transfusão. Desnutrição, desidratação grave, carência de estimu- lação global. Infecções: meningoence- falites, sarampo, outras. Intoxicações exógenas (envenenamento): remé- dios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercú- rio, outros). Acidentes: trânsito, afo- gamento, choque elétrico, asfixia, queda, outros. Infestações: neurocisti- circose (larva da Taenia solium). Quadro 2 Fonte: Caderno Projeto Incluir (2006, p. 49) Causas da Deficiência Intelectual 10 Uniube Ao analisarmos o quadro com as causas da DI, é possível verificar que muitas situações são ambientais e que podem ser evitadas a partir da adoção de políticas públicas eficientes na saúde, saneamento básico, entre outras. É possível prevenir? Entre os aspectos que integram o diagnóstico da pessoa com Deficiência Intelectual, relacionamos a seguir os mais relevantes de acordo com a American Psychiatric Association, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (2014): Desempenho intelectual inferior à média: QI de aproximadamente 70 ou abaixo Déficits ou prejuízos concomitantes no funcionamento adaptativo atual, em pelo menos duas das seguintes áreas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, habilidades sociais/ interpessoais, uso de recursos comunitários, independência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. Início anterior aos 18 anos Uniube 11 IndIcação de leItura Agora, acesse a Revista Educação Pública e leia a entrevista com a profa. Marina Almeida, que desmitifica alguns conceitos, tabus e rótulos sobre a pessoa com Deficiência Intelectual. Até este momento, estamos elucidando os principais aspectos referentes à Deficiência Intelectual e, para refletirmos melhor sobre o que já estudamos, assista ao vídeo a seguir. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0450.html 12 Uniube A escola e o DI 1.5 Uma proposta pedagógica que acolha e inclua a pessoa com DI deve contemplar atividades que lhe permitam desenvolver os conteúdos curriculares, não a privando do acesso ao conhecimento, situação que comumente ocorre pela falta de compreensão de que esses sujeitos têm direito à aprendizagem e ao conhecimento. Quanto à aprendizagem, é preciso ter claro que cada sujeito terá o seu modo e tempo próprio para se apropriar do conhecimento que lhe é oferecido, em condições próprias e acessíveis. Figura 5 A escola e a sociedade devem caminhar juntas a fim de buscar mecanismos que garantam a inclusão dos DI, aprimorando o atendimento nas escolas de ensino regular e abandonando definitivamente as instituições de educação especial, evitando-se assim a segregação, os rótulos e o preconceito. Portanto a escola deve promover a inserção cultural do aluno DI, buscando significar suas atitudes, sua fala, seu desenho, suas produções e sua aprendizagem. Não se trata de ler e escrever, do uso que se faz da leitura e da escrita no mundo letrado, mas do sentido que pode ser apropriado por alunos com Deficiência intelectual desta prática social. (HONORA; FRIZANCO 2008, p.25). Fonte: Acervo Freepik/EAD Uniube. Uniube 13 Vídeo Clique no título e assista ao vídeo “Deficiência intelectual e a escola do século XXI”. O professor e o DI1.6 Compreender que todos os alunos aprendem, aqueles sem deficiência e aqueles com deficiência, requer conhecimento de práticas pedagógicas inclusivas, que vislumbram as oportunidades em cada situação de aprendizagem. As barreiras da deficiência intelectual diferem das barreiras encontradas nas demais deficiências. Trata-se de barreiras referentes à maneira de lidar com o saber em geral, fato que reflete preponderantemente na construção do conhecimento escolar. (BRASIL, 2006, p. 13). Por isso é importante que o professor tenha em mente que a aprendizagem não é algo fácil e natural, nem mesmo para as crianças que não apresentam nenhum tipo de deficiência. Imaginemos então o professor que, em sua trajetória, recebe em sua sala de aula aluno(s) com DI. Ao trabalhar com alunos com outras deficiências, como a surdez e a cegueira, os referenciais para a prática pedagógica estão mais explícitos, ou seja, há um caminho já traçado: libras, braile, intérpretes de língua de sinais, enfim já dispomos de referenciais teóricos e metodológicos, mas como deve ser o trabalho com o DI? Onde se pautar? Como vimos, há diferentes tipos de comprometimento nos sujeitos DI, portanto não há uma linearidade nos referenciais teóricos e nem metodológicos. https://www.youtube.com/watch?v=3Hj0NEGH2Zg https://www.youtube.com/watch?v=3Hj0NEGH2Zg 14 Uniube Entretanto podemos afirmar que o primeiro passo para o sucesso é não se prender apenas a laudos médicos, mas sim buscar compreender quais são as dificuldades dos alunos com DI e buscar estratégias pedagógicas para superá-las. Entre essas estratégias, podemos ressaltar: No vídeo a seguir, você poderá compreender de maneira mais clara os aspectos referentes às possibilidades de lançar mão de estratégias pedagógicas a fim de proporcionar ao aluno DI reais oportunidades de desenvolvimento. . . . . . Uniube 15 Refletindo sobre este capítulo1.7 Até o momento, vimos que a DI, apesar de se configurar como uma limitação, ao mesmo tempo pode servir de estímulo para o desenvolvimento de vias de inclusão, como uma nova ordem na constituição da diferença, sem rótulos, mas como um espaço de um outro saber, um saber construído a partir das possibilidades de cada sujeito. Por isso finalizamos este momento com algumas orientações aos professores e à equipe gestora das instituições de ensino. • O aluno pode aprender, acredite! Acreditar faz a diferença para a aprendizagem. • É importante criar estratégias de inclusão do aluno DI: como fazer com que ele perceba que é bem-vindo e que a escolae o professor acreditam em sua aprendizagem. • Conhecer os conhecimentos prévios do aluno e suas experiências de natureza pessoal, social e cultural, a fim de ampliá-los. • Focar em suas potencialidades. Tomar como norteador o conceito 16 Uniube da Zona de Desenvolvimento Proximal (Vigostsky), na perspectiva de que o sujeito realiza algumas atividades somente com a ajuda de pessoas mais experientes que ele, solucionando problemas por meio do diálogo, da colaboração, da imitação, da experiência compartilhada e das pistas que lhe são fornecidas. • Propiciar aos alunos o compartilhamento do saber, dos sentidos das diferentes coisas, das emoções, do estímulo à discussão e as trocas de ponto de vista. • Estimular o desenvolvimento do espírito crítico, a observação e o reconhecimento do outro em todas as suas dimensões. • Difundir o conhecimento universal, mas com o compromisso de saber lidar com a particularidade de cada aluno na construção desse conhecimento. • Refrear a criação de rótulos em todo o âmbito escolar. • Evitar infantilizar a relação com os alunos com deficiência mental. • Rejeitar as descrições quantitativas em termos de traços psicológicos. • Preferir as avaliações descritivas que abordem aspectos qualitativos dos comportamentos dos alunos. • Realizar atividades que tenham sentido para a vida do aluno, relacionadas aos jogos, ao trabalho, ao desejo, à vivência de uma linguagem viva, para que o ato de aprender e de ensinar tenha sentido e significado. Considerar que a aprendizagem deve estar voltada para o desenvolvimento de funções que ajudem o aluno a superar suas limitações, a construir uma concepção de mundo, para que, a partir dela, possa construir conhecimentos para o entendimento das suas relações com a vida. Uniube 17 IndIcação de leItura Clique nos títulos e confira o material indicado. 1. Sonia Regina Correa Mafra apresenta a publicação “O lúdico e o desenvolvimento da criança intelectual deficiente”, de 2008. Nesse material, a autora discute os principais aspectos da Deficiência Intelectual e, a partir deles, traz uma proposta interessante para a atividade pedagógica de maneira lúdica, privilegiando os jogos. 2. Atendimento Educacional Especializado – deficiência mental – é uma publicação do MEC, elaborada para a formação continuada de professores a distância. Material rico e com uma abordagem significativa da DI e das possibilidades de atendimento educacional especializado. 3. Educação Inclusiva – Atendimento Educacional Especializado para a deficiência mental, 2006 – discute o papel da escola inclusiva, do AEE e da formação de professores. Eu e meus alunos DI1.8 Após a leitura e estudo do material, faça uma reflexão sobre as seguintes indagações: “O que eu, professor(a), conheço sobre DI? E o que posso fazer por meus alunos? ” Espero que essa reflexão lhe permita se conhecer em relação à sua prática na Educação Especial. http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2444-6.pdf http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2444-6.pdf http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2444-6.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_ead.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_ead.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/defmental.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/defmental.pdf 18 Uniube Referências1.9 ALMEIDA, Marina. Desvendando a deficiência intelectual. RJ: Jornal Educação Pública, s/d. Disponível em: <http://www.educacaopublica. rj.gov.br/jornal/materias/0450.html>. Acesso em: 08 jun. 2017. AMERICAN PSICHIATRIC ASSOCIATION (APA). DSM-IV Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5 ed. Porto Alegre – RS: Artmed, 2014. BRASIL, SEESP/SEED/MEC. Educação inclusiva: atendimento educacional especializado para a deficiência mental. Brasília/DF, 2006. ______, SEESP/SEED/MEC. Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado – Deficiência Mental. Brasília/DF, 2007. ______. Deficiência mental - o desafio da escola - Educação Especial. MEC- Secretaria de Educação Especial, 2012. Disponível em: <https://www. youtube.com/watch?v=hygBOYjnCo4>. Acesso em: 08 Jun. 2017. DIAS, Sueli de Souza; OLIVEIRA, Maria Cláudia Santos Lopes de. Deficiência intelectual na perspectiva histórico-cultural: contribuições ao estudo do desenvolvimento adulto. Rev. bras. educ. espec. vol.19 no.2 Marília Apr./ June 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex t&pid=S1413-65382013000200003>. Acesso em: 08 jun. 2017. DSM-IV-TRTM. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Trad. Cláudia Dornelles.4.ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2002. GONZÁLEZ, Eugenio. Necessidades Educacionais Específicas: intervenção psicoeducacional. Porto Alegre: Artmed, 2007. HONORA M., FRIZANCO M. L. Esclarecendo as deficiências: Aspectos teóricos e práticos para contribuir com uma sociedade inclusiva. Ciranda Cultural, 2008. KE, Xiaoyan Ke; LIU, Jing. Deficiência Intelectual. Tratado de Saúde Mental da Infância e Adolescência da IACAPAP. Disponível em: <http://iacapap.org/wp-content/uploads/C.1-Intelectual-disabilities- PORTUGUESE-2015.pdf>. 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Por isso é necessário conhecer/estudar sobre o ser humano, seu desenvolvimento, tendo em mente que não há material ou metodologia que atenda especificamente a todas as necessidades de aprendizagem, sejam elas por um aspecto do desenvolvimento, ou por se tratar de uma pessoa deficiente. As pessoas com deficiência possuem tantas diferenças entre si como todos os demais, o que torna necessário a especial percepção de que a escola tem a função social de ensinar e o aluno tem direito de aprender, Diferenças e unicidade dos sujeitos2.1 24 Uniube seja ele deficiente ou não. E nós, professores, como sujeitos ativos e comprometidos com a aprendizagem de todos os nossos alunos, devemos ter o compromisso de ensinar e ensinar de diferentes maneiras justamente por compreendermos a unicidade dos sujeitos. Essa constatação nos remete a um compromisso em relação a concepções, a estratégias de ensino, ao envolvimento com os alunos e suas famílias, a fim de conhecê-los e conhecer também as suas reais necessidades, assim como as suas dificuldades, limitações e potencialidades. Essas implicações remetem a uma necessidade de “efetiva preparação de profissionais de educação, que proporcione um contínuo desenvolvimento pedagógico e educacional, que resulte numa nova maneira de perceber e atuar com as diferenças de todos os alunos”. (MARTINS, 2008, p. 20). Por isso mesmo, neste capítulo, vamos conhecer sobre os Transtornos Globais do Desenvolvimento, caracterizando-os e buscando identificá- los. Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 2 Transtornos Globais do Desenvolvimento2.2 Uniube 25 Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são distúrbios caracterizados por modificações na habilidade de estabelecer interações sociais recíprocas, o que diz respeito às relações de duas ou mais pessoas interagindo da mesma maneira, por exemplo, em um jogo, na elaboração de um trabalho em grupo ou em um debate. Os TGD manifestam-se prioritariamente nos primeiros cinco anos de vida e são caracterizados por um repertório de interesse e atividade bastante restritos. A comunicação apresenta-se estereotipada e repetitiva, constituindo-se como característica global dos sujeitos em todas as situações. IndIcação de leItura Clique no título e acesse agora o livro “A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar Transtornos Globais do Desenvolvimento” e faça a leitura das páginas de 8 a 13. Nas páginas indicadas, são discutidas as diferentes compreensões do autismo – da identificação aos dias de hoje. Por meio dessa leitura, aprendemos um pouco mais sobre os Transtornos Globais do Desenvolvimento. Os TGD englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett. https://central3.to.gov.br/arquivo/299634/ https://central3.to.gov.br/arquivo/299634/ https://central3.to.gov.br/arquivo/299634/ 26 Uniube IndIcação de leItura Para que você tenha ainda mais clareza no entendimento dos conceitos, clique no título e leia a matéria “O que são os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)?” No vídeo apresentado a seguir, será abordada a inclusão de crianças com TGD – Transtornos Globais do Desenvolvimento no ensino regular – um dos maiores desafios da educação inclusiva. No programa, a psicóloga Marise Bastos explica o que é o transtorno e como a escola pode ajudar no tratamento dos alunos. Vídeo Após assistir ao vídeo “Eixo Articulador – TGD: Transtornos Globais do Desenvolvimento”, relacione os aspectos que mais lhe chamaram a atenção. Adquira o hábito de registrar suas observações! No Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-5), todos os distúrbios do autismo, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger, fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA. https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os-transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os-transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd https://youtu.be/tqEUEKC8MOc https://youtu.be/tqEUEKC8MOc Uniube 27 IndIcação de leItura Para ampliar seus conhecimentos, leia o texto “Psicologia e educação inclusiva: ensino, aprendizagem e desenvolvimento de alunos com transtornos”, de Nerli Nonato Ribeiro Mori, da Universidade Estadual de Maringá. atenção E por que espectro autista? Buscamos a resposta com o Dr. Dráuzio Varella (2014), veja. ESPECTRO AUTISTA • O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes síndromes marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. • Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA ou ASD em inglês), recebe o nome de espectro (spectrum), porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leve à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau, estão relacionadas com as dificuldades de comunicação e relacionamento social. (VARELLA, 2014, p.1). https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/transtornos_do_espectro_autista.pdf https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/transtornos_do_espectro_autista.pdf https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/transtornos_do_espectro_autista.pdf 28 Uniube Portanto nosso estudo se concentra nesse espectro, buscando compreender as diferentes manifestações em cada síndrome e também de indivíduo para indivíduo. Fonte: Acervo DepositPhotos/ EAD – Uniube. Figura 3: Espectro autista. Os Transtornos Globais do Desenvolvimento são classificados sob o CID-10 F84 (DATASUS, 2017, p.1), como veremos a seguir. Uniube 29 b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno é acompanhado comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo: fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (autoagressividade). a) desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos. Transtorno global do desenvolvimento caracterizado por: F84.0 Autismo Infantil Transtorno global do desenvolvimento, ocorrendo após a idade de três anos e que não responde a todos os três grupos de critérios diagnósticos do autismo infantil. Esta categoria deve ser utilizada para classificar um desenvolvimento anormal ou alterado, aparecendo após a idade de três anos e não apresentando manifestações patológicas suficientes em um ou dois dos três domínios psicopatológicos (interações sociais recíprocas, comunicação, comportamentos limitados, estereotipados ou repetitivos) implicados no autismo infantil; existem sempre anomalias características em um ou em vários destes domínios. O autismo atípico ocorre habitualmente em crianças que apresentam um retardo mental profundo ou um transtorno específico grave do desenvolvimento de linguagem do tipo receptivo. F84.1 Autismo Atípico 30 Uniube Transtorno descrito até o momento unicamente em meninas, caracterizado por um desenvolvimento inicial aparentemente normal, seguido de uma perda parcial ou completa de linguagem, da marcha e do uso das mãos, associado a um retardo do desenvolvimentocraniano e ocorrendo habitualmente entre 7 e 24 meses. A perda dos movimentos propositais das mãos, a torsão estereotipada das mãos e a hiperventilação são características deste transtorno. O desenvolvimento social e o desenvolvimento lúdico estão detidos enquanto o interesse social continua em geral conservado. A partir da idade de quatro anos, manifesta-se uma ataxia do tronco e uma apraxia, seguidas frequentemente por movimentos coreoatetósicos. O transtorno leva quase sempre a um retardo mental grave. F84.2 Síndrome de Rett Transtorno global do desenvolvimento caracterizado pela presença de um período de desenvolvimento completamente normal antes da ocorrência do transtorno, sendo que este período é seguido de uma perda manifesta das habilidades anteriormente adquiridas em vários domínios do desenvolvimento no período de alguns meses. Estas manifestações são acompanhadas tipicamente de uma perda global do interesse com relação ao ambiente, condutas motoras estereotipadas, repetitivas e maneirismos e de uma alteração do tipo autístico da interação social e da comunicação. Em alguns casos, a ocorrência do transtorno pode ser relacionada com uma encefalopatia; o diagnóstico, contudo, deve tomar por base as evidências de anomalias do comportamento. F84.3 Outros transtornos desintegrativos da infância Uniube 31 Transtorno mal definido cuja validade nosológica permanece incerta. Esta categoria se relaciona a crianças com retardo mental grave (QI abaixo de 34) associado à hiperatividade importante, a grande perturbação da atenção e comportamentos estereotipados. Os medicamentos estimulantes são habitualmente ineficazes (diferentemente daquelas com QI dentro dos limites normais) e podem provocar uma reação disfórica grave (acompanhada por vezes de um retardo psicomotor). Na adolescência, a hiperatividade dá lugar em geral a uma hipoatividade (o que não é habitualmente o caso de crianças hipercinéticas de inteligência normal). Esta síndrome é acompanhada, além disto, com frequência, de diversos retardos do desenvolvimento, específicos ou globais. Não se sabe em que medida a síndrome comportamental é a consequência do retardo mental ou de uma lesão cerebral orgânica. F84.4 Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não é acompanhado de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno é acompanhado por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta. F84.5 Síndrome de Asperger 32 Uniube IndIcação de leItura F84.8 Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento F84.9 Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento Vamos recapitular alguns conceitos estudados até agora assistindo ao vídeo a seguir. http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f80_f89.htm Uniube 33 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 4 Para o Dr. Dráuzio Varella, “há estranhos experimentos da natureza e a Síndrome de Rett é um deles”.Trata-se de uma doença que se apresenta na criança por volta de um ano de idade e não é herdada geneticamente, mas fruto de um defeito: uma mutação no gene MECP2, localizado no cromossomo X. A doença se desenvolve apenas em meninas, pois os meninos têm apenas uma cópia do cromossomo X. A partir dos dois anos de idade, as crianças apresentam uma regressão das funções cognitivas e motoras, geralmente graves que podem impedir uma vida autônoma. Para compreendermos com maior clareza os conceitos dessa síndrome, buscamos subsídios na Associação Brasileira de Síndrome de Rett – Abre-te –, que pesquisa e compartilha informações e dados preciosos para o nosso estudo. Síndrome de Rett2.3 34 Uniube Figura 5: Recado. Fonte: Acervo DepositPhotos/ EAD Uniube. A CADA 5 HORAS, NASCE UMA MENINA COM SÍNDROME DE RETT NO MUNDO! SaIba maIS CONCEITO A Síndrome de Rett é definida como uma desordem do desenvolvimento neurológico relativamente rara, tendo sido reconhecida pelo mundo no início da década de 1980. Desde então diversos estudos já apontaram que ela pode ocorrer em qualquer grupo étnico com aproximadamente a mesma incidência. A prevalência da Síndrome de Rett é de uma em cada 10.000-20.000 pessoas do sexo feminino. Desde que foi identificada, sempre foi vislumbrada a natureza genética dessa desordem, primeiro por afetar predominantemente o sexo feminino e segundo pelos raros casos familiares, embora se trate de síndrome de ocorrência esporádica em 95,5% dos casos e o risco de casos familiares seja inferior a 0,5%. Desde 1999, já se sabe que a grande maioria das meninas e mulheres que preenchem os critérios para a Síndrome de Rett apresenta mutações no gene MECP2. Uniube 35 Durante os últimos 25 anos, os conhecimentos sobre as características clínicas e a história natural da Síndrome de Rett evoluíram de maneira surpreendente. Entretanto ainda se trata de condição muito desconhecida para segmentos sociais e científicos importantes: ainda há muitos médicos, terapeutas e educadores que não fazem ideia do que seja a Síndrome de Rett, e muitos dos que já ouviram falar sobre ela permanecem relativamente desinformados sobre os avanços no conhecimento clínico e terapêutico adquiridos especialmente nesta última década. (ABRETE, 2017, p.1). Clique nos títulos e fique conhecendo... - O histórico - A causa Saiba mais, acessando o endereço: http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php Figura 6 Recado. Fonte: Acervo DepositPhotos/ EAD Uniube. A SOBREVIDA DE PACIENTES COM A SÍNDROME DE RETT Grande parte das pacientes com Síndrome de Rett vivem até a quinta ou sexta década de vida e geralmente com deficiências bastante graves. As taxas de sobrevida podem declinar em pacientes com Síndrome de Rett com mais de 10 anos de idade, embora 70% delas atinjam os 35 anos de idade (uma sobrevida http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php#02 http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php#02a http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php 36 Uniube muito maior do que em outros pacientes com deficiência mental profunda, dos quais apenas 27% atingem os 35 anos de idade). A morte dessas pacientes geralmente é secundária a um quadro de pneumonia, e não são raras as mortes súbitas. (ABRETE, 2017, p.1). Na perspectiva de que todos os alunos podem aprender, priorizando estratégias e metodologias adequadas para cada situação, é importante compreender os comprometimentos e possibilidades da aprendizagem, como veremos a seguir. Aprendizagem e escolarização Ainda se têm poucos dados objetivos sobre como se desenvolve a aprendizagem nas crianças com Síndrome de Rett, embora se conheçam todos os aspectos que podem interferir, prejudicar ou auxiliar esse processo. Alguns estudos brasileiros desenvolvidos a partir de 2002/2003 e recentemente replicados em outros países têm enfatizado o uso da tecnologia de rastreamento de olhar (Eye Gaze Technologies) tanto para a avaliação quanto para a intervenção das habilidades cognitivas nas pacientes com Síndrome de Rett. Aprendizagem e escolarização2.4 Uniube 37 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 7 Esses estudos já apontaram que há intencionalidade no olhar de meninas com Síndrome de Rett, que a aquisição de conceitos básicos é bastante prejudicada e ainda de difícil avaliação, equivalendoao desempenho de crianças normais de 36 meses de idade, mesmo quando a pessoa com Síndrome de Rett já está em idade mais avançada. Desse modo, se considerarmos o quanto uma criança com 36 meses pode aprender, ainda que levando em conta suas possibilidades e seus limites, fica fácil entender o quanto uma pessoa com Síndrome de Rett também pode aprender. Até os 5-6 anos de idade, recomenda-se que a criança com Síndrome de Rett, desde que apresente boas condições de saúde, frequente escolas que ofereçam a Educação Infantil. Esse espaço, mais do que acadêmico, é um espaço para o desenvolvimento e para a aprendizagem de habilidades básicas da criança e para a sua socialização. 38 Uniube Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 8 A partir dos 7 anos, a família deverá fazer a opção por mantê-la no Ensino Fundamental regular ou por buscar Atendimento Educacional Especializado. No caso de mantê-la na escola regular, deverá ser estabelecida forte aliança entre a família, a escola , os professores e a equipe terapêutica que acompanha a criança ou jovem, além dos sistemas de suporte municipais ou estaduais, de modo que essa escolarização interfira positivamente no desenvolvimento e na qualidade de vida da pessoa com Síndrome de Rett. De toda forma, a escolarização de crianças e jovens com Síndrome de Rett deve obedecer a critérios de decisão da família e considerar, sobretudo, os objetivos efetivos desse processo, já que, por ora, ainda não existem meios de avaliar objetivamente, mas apenas subjetivamente, o rendimento escolar desse alunado. (Texto disponível em: http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php#10). http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php#10 Uniube 39 Como vimos escola e família devem decidir juntas sobre a escolarização da criança Rett, buscando as maneiras mais adequadas às suas necessidades de aprendizagem. IndIcação de leItura Aprofundando os conhecimentos sobre a escolarização de jovens e crianças com Síndrome de Rett, clique nos títulos a seguir e leia os textos indicados: 1. Caminhos para a aprendizagem na Síndrome de Rett – as autoras Jackie Lewis e Debbie Wilson apresentam os fatores que interferem na aprendizagem dos sujeitos. 2. A criança com Síndrome de Rett na sala de aula – A autora Silvana Santos apresenta uma coletânea de relatos pessoais e situações envolvendo crianças e jovens com Síndrome de Rett, focando a educação escolar deste aluno. Vamos aprender mais um pouquinho sobre essa síndrome assistindo ao vídeo a seguir. http://www.abrete.org.br/PDF%25204%2520-%2520Caminhos%2520para%2520a%2520aprendizagem%2520na%2520S%25EDndrome%2520de%2520Rett.pdf http://www.abrete.org.br/A%20crian%E7a%20com%20SR%20na%20sala%20de%20aula.pdf 40 Uniube Leia com atenção e reflita, com base no material estudado, o excerto de César Cool et al: A escolarização das crianças com TGD precisa estar lastreada no desejo do professor, pois este, ao apontar seu desejo para o aprendizado da criança, supõe nela um sujeito também desejante, portanto, capaz de aprender. Desta disposição da subjetividade é que poderão surgir as curiosidades que abrirão acesso ao sujeito em aprendizagem. (COOL et al. 1996, p. 40). Mantenha seus estudos em dia! Reflexão2.5 Uniube 41 ABRETE - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA SÍNDROME DE RETT. Síndrome de Rett. Disponível em: <http://www.abrete.org.br/sindrome_rett.php>. Acesso em: 21 ago. 2017. BELISÁRIO FILHO, José Ferreira. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: transtornos globais do desenvolvimento. Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. Fortaleza. Universidade Fede- ral do Ceará, 2010. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Brasília – DF 2014. ______. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial. Educação Inclusiva. Direito à Diversidade. Curso de Formação de Gestores e Educado- res. Brasília: MEC/SEESP, 2004. COLL, C., PALACIOS, J. E. MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico e Educação. Psicologia e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. DATASUS. F80-F89 Transtornos do desenvolvimento psicológico. Disponível em: <http://www.datasus.gov.br>. Acesso em: 08 jun. 2017. LEWIS, Jackie. WILSON, Debbie. Caminhos para a aprendizagem na sín- drome de Rett. Disponível em: <http://www.abrete.org.br/PDF%204%20-%20 Caminhos%20para%20a%20aprendizagem%20na%20S%EDndrome%20 de%20Rett.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2017. MARTINS, L.A. R. et al. (Org.). Inclusão: compartilhando saberes. Rio de Ja- neiro: Vozes, 2008. NADAL, Paula. O que são os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)? Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os- transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd>. Acesso em: 21 ago. 2017. SAMPAIO, Mariana; MIURA, Regina Keiko Kato. Concepções de professores sobre pessoas com espectro do autismo. Revista Diálogos e Perspecti- vas em Educação Especial. V. 02, n. 02, 2015. Disponível em: <http://www2. marilia.unesp.br/revistas/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/5762>. Acesso em: 21 ago. 2017. Referências2.6 https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os-transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os-transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd 42 Uniube SANTOS, Silvana. A criança com Síndrome de Rett na sala de aula. Temas sobre Desenvolvimento 2013; 19(104). Disponível em: <http://www.abrete. org.br/A%20crian%E7a%20com%20SR%20na%20sala%20de%20aula.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2017. VARELLA, Antonio Drauzio. TEA – Transtorno do Especto Autista. 2014. Dis- ponível em:<https://drauziovarella.com.br/crianca-2/tea-transtorno-do-espectro- -autista-ii/>. Acesso em: 21 ago. 2017. 3 Os Transtornos Globais do Desenvolvimento – o Autismo, a Síndrome de Asperger Uniube 45 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 1 Introdução3.1 Até agora caminhamos no sentido de compreender os Transtornos Globais do Desenvolvimento como deficiências e, como vimos no Capítulo 2, esses transtornos são apresentados no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM-5, que é um guia de classificação diagnóstica, compreendendo-os como parte do espectro autista. Convido-o(a) a desvelarmos, juntos, os principais aspectos da pessoa autista. Vamos lá? 46 Uniube IndIcação de leItura Para ampliar seus conhecimentos, sugerimos a leitura do texto “Concepções de Professores sobre Pessoas com Espectro do Autismo”, de Mariana Sampaio e Regina Keiko Kato Miura. Clique AQUI e leia o texto. Autismo3.2 É bem recente o histórico de alunos com espectro autista nas salas de aula de ensino regular nas escolas do Brasil. Por se tratar de um assunto relativamente novo e dada a formação dos profissionais da educação de maneira “en passant”, esse assunto gera polêmicas entre escolas, famílias e saúde pública. Apesar das pesquisas que tentam descobrir as causas do espectro autista, ainda não há dados suficientes para garantir a eficiência dessa ou daquela terapia e assim há poucas pesquisas e informações sobre a metodologia mais adequada para o atendimento ao autista. Apesar das habilidades de comunicação de jovens e crianças autistas serem afetadas, segundo os especialistas o tratamento mais efetivo é a educação. https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/espectro_autista.pdf Uniube 47 Autismo – o que é? O autismo é uma condição permanente: a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo. Assim como qualquer ser humano, cada pessoa com autismo é única e todas podem aprender. As pessoas com autismo podem ter alguma forma de sensibilidade sensorial. Isto pode ocorrer em um ou em mais dos cinco sentidos – visão, audição, olfato, tato e paladar – que podem ser mais ou menos intensificados. Por exemplo, uma pessoa com autismo pode achar determinados sons de fundo - que outras pessoasignorariam - insuportavelmente barulhentos. Isto pode causar ansiedade ou mesmo dor física. Alguns indivíduos que são subsensíveis podem não sentir dor ou temperaturas extremas. Alguns podem balançar, rodar ou agitar as mãos para criar sensação, ou para ajudar com o balanço e postura ou para lidar com o stress ou ainda para demonstrar alegria. As pessoas com sensibilidade sensorial podem ter mais dificuldade no conhecimento adequado de seu próprio corpo. Consciência corporal é a forma como o corpo se comunica consigo mesmo ou com o meio. Um bom desenvolvimento do esquema corporal pressupõe uma boa evolução da motricidade, das percepções espaciais e temporais e da afetividade. As pessoas com TEA podem se destacar em habilidades visuais, musicais, artísticas e matemáticas. 48 Uniube Ainda: • a maioria das pessoas com autismo é boa em aprender visualmente; • algumas pessoas com autismo são muito atentas aos detalhes e à exatidão; • geralmente possuem capacidade de memória muito acima da média; • é provável que as informações, rotinas ou processos, uma vez aprendidos, sejam retidos; • algumas pessoas conseguem concentrar-se na sua área de interesse específico durante muito tempo e podem optar por estudar ou trabalhar em áreas afins; • a paixão pela rotina pode ser fator favorável na execução de um trabalho; • indivíduos com autismo são funcionários leais e de confiança. (Texto na íntegra, disponível em http://autismoerealidade.org/informe- se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/) SaIba maIS Clique AQUI e veja como funciona o cérebro do autista. http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/ http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/ https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/cerebro_autista.jpg Uniube 49 Figura 2 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Na sequência, faça a leitura do histórico do Autismo, a partir da ótica do Instituto Pensi, que tem se dedicado a estudar e divulgar as informações sobre o assunto. Histórico 1908 – Eugen Bleuler, psiquiatra suíço, usa pela primeira vez o termo “autismo” para descrever um grupo de sintomas que se relaciona à esquizofrenia. A palavra tem raízes no grego “autos” (eu). 1943 – Leo Kanner, psiquiatra austríaco, radicado nos Estados Unidos e diretor de psiquiatria infantil do Johns Hopkins Hospital, publica a obra “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”. Nela, descreveu casos de onze crianças que tinham em comum “um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da mesmice, denominando-as autistas”, e usou o termo “autismo infantil precoce”, pois sintomas já apareciam na primeira infância. Leo Kanner contextualiza essas observações no 50 Uniube desenvolvimento assim como enfatiza a predominância dos déficits de relacionamento social e dos comportamentos incomuns. 1944 – Hans Asperger, psiquiatra e pesquisador austríaco, quase ao mesmo tempo que Leo Kanner, escreve o artigo “A psicopatia autista na infância”, que, um ano depois, é publicado. Ele observou que o padrão de comportamento e habilidades que descreveu ocorria preferencialmente em meninos e que essas crianças apresentavam deficiências sociais graves – falta de empatia, baixa capacidade de fazer amizades, conversação unilateral, intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados. Apesar da aparente precocidade verbal de seus assuntos, Asperger chamava as crianças de pequenos professores, devido à habilidade de discorrer sobre um tema de maneira detalhada. 1952 – DSM-I – A Associação Americana de Psiquiatria publica a primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais. Esse Manual fornece uma nomenclatura e critérios-padrão para o diagnóstico de transtorno mental. Na primeira edição desse material, sintomas autísticos semelhantes eram classificados como um subgrupo da esquizofrenia infantil. Autismo não era considerado como um diagnóstico separado. 1950/1960 – Durante os anos 50, houve muita confusão sobre a natureza do autismo e sua etimologia. A crença mais comum era de que o autismo era causado por pais não emocionalmente responsivos a seus filhos – a hipótese da “mãe geladeira” – e atribuíam a causa à falta de calor maternal. Leo Kanner cunhou o termo, mas foi o psicanalista Bruno Bettelheim que o popularizou. Após a 2ª Guerra Mundial, havia vários trabalhos psicanalíticos Uniube 51 sobre autismo. Os pesquisadores analisavam apenas o impacto na vida das pessoas. “Eles não consideraram o papel da biologia ou genética, que agora entendemos ser a causa principal” – Fred Volkmar. No início dos anos 60, um crescente corpo de evidências começou a se acumular, sugerindo que o autismo era um transtorno cerebral presente desde a infância e encontrado em todos os países e grupos socioeconômicos e étnico-raciais investigados. 1965 – Temple Grandin, jovem americana que nasceu com autismo, cria a “Máquina do Abraço”, um aparelho para lhe pressionar como se estivesse sendo abraçada e que a acalmava, assim como a outras pessoas com autismo. 1968 – DSM-II – É publicada a segunda edição do Manual Doenças Mentais, que refletia a predominância da psicodinâmica psiquiátrica. Sintomas não eram especificados com detalhes em determinadas desordens. Eram vistos como reflexos de grandes conflitos subjacentes ou reações de má adaptação aos problemas da vida, enraizados em uma distinção entre neurose e psicose. 1978 – Michael Rutter classifica o autismo e propõe sua definição com base em quatro critérios: 1) atraso e desvio sociais não só como deficiência intelectual; 2) problemas de comunicação e, novamente, não só em função de deficiência intelectual associada; 3) comportamentos incomuns, tais como movimentos estereotipados e maneirismos e 4) início antes dos 30 meses de idade. Ao classificar o autismo, Michael Rutter cria um marco divisor na compreensão desse transtorno mental. 52 Uniube 1980 – DSM-III – a definição de Rutter e a crescente produção de trabalhos sobre o autismo influenciaram a definição desta condição no DSM-III, quando o autismo, pela primeira vez, foi reconhecido e colocado em uma nova classe de transtornos: os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento – TIDs. Esse termo foi escolhido para refletir o fato de que múltiplas áreas de funcionamento do cérebro eram afetadas no autismo e nas condições a ele relacionadas. – CID-10 – na época do DSM-III-R, o termo TID foi instaurado e utilizado também na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-10. 1981 – Lorna Wing, psiquiatra inglesa, desenvolve o conceito de autismo como um espectro de condições na década de 1970 e, posteriormente, cunhou o termo Síndrome de Asperger, numa referência à pesquisa de Hans Asperger. Seu trabalho revolucionou a forma como o autismo era considerado e sua influência foi sentida em todo o mundo. Como pesquisadora e clínica, bem como mãe de uma criança com autismo, ela sempre defendeu uma melhor compreensão e serviços para pessoas com autismo e suas famílias. Fundou a National Autistic Society – NAS, juntamente com Judith Gold, e o Centro Lorna Wing. Foi uma das maiores e mais importantes figuras do mundo do autismo. 1988 – Rain Man torna-se um dos primeiros filmes comerciais a caracterizar um personagem com autismo. 1994 – DSM-IV – novos critérios potenciais para o autismo, bem como as várias condições candidatas a serem incluídas na categoria TID, foram avaliados em um estudo internacional, multicêntrico, que incluiu mais de mil casos avaliados por mais de Uniube 53 100 avaliadores clínicos. Os sistemas de avaliação do DSM-IV e da CID-10 tornaram-se equivalentes para evitar uma possível confusão entre pesquisadores e clínicos, que trabalhavam em diferentes partes do mundo guiados por um ou por outro sistema nosológico. A definiçãodos critérios foi decidida com base em dados empíricos revelados em trabalhos de campo. A Síndrome de Asperger é adicionada ao DSM, ampliando o espectro do autismo, que passa a incluir casos mais leves, em que os indivíduos tendem a ser mais funcionais. O DSM-IV-TR foi acompanhado de textos atualizados sobre autismo, Síndrome de Asperger e outros TIDs. Os critérios diagnósticos permaneceram os mesmos que os do DSM-IV. 2007 – 02 de ABRIL – “Dia Mundial da Conscientização do Autismo”. Para chamar a atenção para esse transtorno e despertar o interesse da sociedade, em 2007, a ONU institui o dia 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Veio como um alerta necessário para que os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID), antes considerados raros, fossem vistos com maior responsabilidade. Pesquisas e interesse pelo TID, no qual o autismo aparece como o mais prevalente, têm aumentado ano a ano, produzindo mais conhecimento, desmitificando crenças e afastando o que não é científico. ” explicou Ricardo Halpern. 2013 – DSM-V – Com o lançamento da 5ª edição do DSM, os subtipos dos transtornos do espectro do autismo são eliminados. Os indivíduos são agora diagnosticados em um único espectro com diferentes níveis de gravidade. O DSM-V passa a abrigar todas as subcategorias da condição em um único diagnóstico guarda-chuva denominado Transtorno do Espectro Autista – TEA. A Síndrome de Asperger não é mais considerada uma condição 54 Uniube separada e o diagnóstico para autismo passa a ser definido em duas categorias: alteração da comunicação social e presença de comportamentos repetitivos e estereotipados. 2014 – Prevalência – Estima-se que o autismo atinja 1% da população, 70 milhões de pessoas no mundo, sendo 2 milhões no Brasil. O relatório de março de 2014 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças – CDC– alertou para os novos dados sobre a prevalência de autismo nos Estados Unidos. Esse estudo de vigilância identificou 1 em 68 crianças (1 em cada 42 meninos e 1 em cada 189 meninas) com Transtorno do Espectro Autista. “Os critérios diagnósticos se ampliaram e o olhar sobre o Autismo fez com que um número maior de casos fosse diagnosticado”, disse Ricardo Halpern. No Brasil, não há estudos completos de prevalência. 2014 – Causas – Um amplo estudo realizado na Suécia mostra que fatores ambientais são tão importantes quanto a genética como causa do autismo. Estes fatores – não analisados pelo estudo – poderiam incluir, segundo os autores, o nível socioeconômico da família, complicações no parto, infecções sofridas pela mãe e o uso de drogas antes e durante a gravidez. Os autores da pesquisa trabalham no King’s College de Londres e no Instituto Karolinska de Estocolmo. Eles se disseram surpresos ao descobrirem que a genética tem um peso de cerca de 50%, muito menor do que as estimativas anteriores, de 80% a 90%, segundo o artigo publicado no Journal of the American Medical Association – JAMA. O resultado partiu da análise de dados de Uniube 55 mais de 2 milhões de pessoas na Suécia entre 1982 e 2006 e é o maior estudo já realizado sobre as origens genéticas do autismo. Fonte: Adaptado de ‘Hístória do Autismo’, disponível em http://autismo.institutopensi. org.br/informe-se/sobre-o-autismo/historia-do-autismo/ Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 3 Há diferentes concepções sobre o Autismo e hoje temos conhecimento de que o estudo do cérebro humano ainda está muito aquém do que desejamos saber sobre o seu funcionamento. Mas vale a pena conhecer algumas dessas ideias. CAUSAS As causas do autismo são desconhecidas. Acredita-se que a origem do autismo esteja em anormalidades em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva e, provavelmente, de origem genética. Além disso, admite-se que possa ser causado por problemas relacionados a fatos ocorridos durante a gestação 56 Uniube ou no momento do parto. A hipótese de uma origem relacionada à frieza ou rejeição materna já foi descartada, relegada à categoria de mito há décadas. Porém, a despeito de todos os indícios e da retratação pública dos primeiros defensores dessa teoria, persistem adeptos dessa corrente que ainda a defendem ou defendem teorias aparentemente diferentes, mas derivadas dessa. Já que as causas não são totalmente conhecidas, o que pode ser recomendado em termos de prevenção do autismo são os cuidados gerais a todas as gestantes, especialmente cuidados com ingestão de produtos químicos, tais como remédios, álcool ou fumo. Adaptado de “Causas do Autisimo”, disponível em: http://autismoerealidade.org/ informe-se/sobre-o-autismo/causa-do-autismo/ Assista ao vídeo a seguir, para aprofundar os conhecimentos sobre o espectro autista. http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/causa-do-autismo/ http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/causa-do-autismo/ Uniube 57 O professor e a criança autista3.3 Figura 4 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. A escolarização da criança autista apresenta as mesmas demandas de uma criança sem essas características, pois ela também aprende espontaneamente por meio da observação e da experiência. Assim é muito importante o olhar atento e afetivo do professor aos principais aspectos que caracterizam uma criança autista. IndIcação de leItura No livro “Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA)”, da Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, você encontra os Indicadores do desenvolvimento e sinais de alerta, das páginas de 17 a 31, que apontam como identificar os primeiros sinais. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf 58 Uniube O Ministério da Educação (BRASIL, 2004, p.15) aponta que, ao receber as crianças na creche/educação infantil, a recepção deve ser planejada para atender às suas necessidades, pois três aspectos devem ser observados. A criança tem problemas de interação social que não se resolvem simplesmente por estar cercada de outras crianças. As crianças não aprendem por exploração do ambiente ou por observação voluntária. O tempo é um elemento crucial e irreversível. As escolas e seus professores devem estar preparados para oferecer experiências variadas e enriquecedoras para alunos com TEA. Devem estabelecer um vínculo positivo com essa criança, compreendendo que devem estimular a sua participação em todas as atividades do cotidiano escolar, que incluem o brincar, a interação social, as atividades de escolarização. As interações sociais devem ocorrer também com as outras crianças, respeitando o limite da criança autista e as suas possibilidades naquele momento. Por isso a educação de crianças TEA configura-se como um desafio não só para a escola, mas para a sociedade como um todo, sendo necessário que se observem as questões relacionadas a seguir: Uniube 59 Capacidade de receber a criança sem qualquer tipo de preconceito, lembrando mais uma vez que cada criança é uma criança com diferentes graus de comprometimento. Proposição da escola e corpo docente em valorizar os professores e promover a formação continuada em serviço, contando com o apoio de gestores, supervisores e professores, trabalhando coletivamente. Promover oportunidades de ensino e aprendizagem a essas crianças, com adequações curriculares, metodologia e avaliação pertinentes à sua condição de aprendizagem. Atitudes positivas e seguras ao lidar com condutas autoestimulatórias e autoagressivas, mesmo não sendo características comuns em crianças TEA, evitando o stress e a perda de controle da sala de aula, a fim de não afetar as outras crianças e o trabalho pedagógico. Evidentemente que todos esses itens são essenciais para a inserção e manutenção da criança TEA na escola, especialmente no que dizrespeito a reconhecer as suas características, como assegura Menezes (2013, p.123): Outro ponto que merece ser destacado é que conhecer e estudar as características comuns dos alunos com autismo e, sobretudo, as particularidades do aluno com autismo atendido pelo professor em formação é imprescindível para que o trabalho de inclusão seja delineado. O professor deve observar atentamente seu aluno, perceber seus interesses e que tipo de evento ou situação desencadeia comportamentos incompatíveis com o ambiente da escola. 60 Uniube Figura 5 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008 apresenta um enfoque Para além de um documento orientador, a Política passa a se constituir um marco na organização do sistema educacional inclusivo [...] fortalecendo o conceito de educação especial que não concebe, nem em caráter extraordinário, a utilização desse atendimento em substituição à escolarização realizada no ensino regular. (GRIBOSKI, 2008, p. 57). E é dessa maneira que deve se constituir a escolarização dos alunos autistas, garantindo-lhes o acesso e a permanência na escolar regular, assim como o Atendimento Educacional Especializado, preferencialmente no contraturno do horário escolar. Assim voltamos nosso olhar para o processo de ensino e aprendizagem desses sujeitos, que deve ser construído no encontro entre sujeitos e escola, não havendo, portanto, uma receita pronta, e sim uma proposta a ser elaborada no dia a dia. Uniube 61 IndIcação de leItura Agora, faça a leitura da Cartilha Autismo e Realidade, Capítulo II – Estratégias Acadêmicas, páginas de 24 a 44. As autoras apresentam um rico material para o trabalho pedagógico. Para enriquecimento do assunto...3.4 Há uma extensa produção cinematográfica que trata do autismo sob diversas ópticas. Esses filmes retratam a realidade do autista, a partir do olhar de seus produtores, buscando retratar os personagens em suas dificuldades e avanços. SaIba maIS Apresentamos, como sugestão, algumas resenhas de diferentes sites de indicações de filmes que tratam do autismo. 1. A Lenda do Pianista do mar (La Leggenda del pianista sull’oceano) – 1998 Um garoto nasce em pleno alto-mar, ganhando o nome do ano em que nasceu: 1900. A criança cresce num mundo encantado de fortes ventos tempestuosos e cobertas balançando, conhecendo toda a existência disponível a seu toque nos confins do transatlântico em que nasceu. Já crescido, seu talento natural no piano chama a atenção da lenda do jazz, Jelly Roll Morton, que http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_civel/aa_ppdeficiencia/aa_ppd_autismo/aut_diversos/Cartilha-AR-Out-2013%2520-%2520autista%2520na%2520escola.pdf 62 Uniube sobe a bordo para desafiar 1900 para um duelo. Indiferente com sua súbita notoriedade, 1900 mantém uma fixação pelo mar, sendo sempre seduzido pelos sons do oceano. (Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/filme-22168/. Acesso em: 21 ago. 2017). 2. A Mother’s Courage: Talking Back to Autism (Sólskinsdrengurinn) – 2009 Narrado por Kate Winslet, este inspirado filme mostra a busca de uma mulher para desbloquear a mente de seu filho autista. Margret, cujo filho de dez anos de idade, Keli, é autista, começa sua jornada em sua Islândia natal, mas rapidamente se expande para os Estados Unidos e Europa. Ao longo do caminho, ela encontra os principais especialistas em autismo e advogados e se conecta com várias outras famílias tocadas pelo autismo. Como ela se depara com terapias inovadoras com potencial para quebrar as barreiras do autismo, Margret encontra esperança de que seu filho possa ser capaz de expressar-se em um nível que nunca pensou ser possível. (Fonte: <http://fonoaudiologia1.webnode.com/news/curiosidades-filmes/>. Acesso em: 21 ago 2017). 3. À Sombra do Piano (Under the Piano) – 1996 Franny luta por mais de trinta anos para dar apoio e respeito a Rosetta, sua irmã mais nova, que é autista. Ela acredita que Rosetta tenha uma intensa vida emocional e intelectual escondida sob o seu rosto impassível. O principal obstáculo é a mãe, Regina, uma cantora lírica que abandonou a carreira para http://www.adorocinema.com/filmes/filme-22168/ http://fonoaudiologia1.webnode.com/news/curiosidades-filmes/ Uniube 63 se dedicar à família e agora, amarga e ressentida, é obcecada por controle e carente de adulação. (Fonte:<http://www.conlubra.com.br/VisualizarNoticia/26/19-filmes- imperdiveis-sobre-autismo-(e-asperger)-.aspx#.WZsQ1iiGOM8>. Acesso em: 21 ago 2017). 4. Ocean Heaven (Haiyang tiantang) – 2010 A história do amor incansável de um pai pelo seu filho autista. Uma pessoa em cada mil nasce com autismo. Como consequência, a China tem 1 milhão de pacientes autistas. Dafu é um deles: parece distraído, repete o que as pessoas lhe dizem, nada com maestria, mantém tudo em casa em lugares determinados e talvez não esteja totalmente ciente da morte de sua mãe, ocorrida há alguns anos. Trabalhando em um aquário, Sam Wong mostra extremo cuidado e carinho com seu filho de 22 anos. Com a generosa ajuda de seus vizinhos, os dois vivem prosperamente. Porém Wong compreende muito bem que um dia deixará o mundo e seu filho ficará sozinho. O que ele ainda não descobriu é que esse dia pode estar mais perto do que imagina. (Fonte: <https://filmow.com/ocean-heaven-t26728/ficha-tecnica/>. Acesso em: 21 ago 2017). https://filmow.com/ocean-heaven-t26728/ficha-tecnica/ 64 Uniube Síndrome de Asperger3.5 Figura 6 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. A Síndrome de Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) resultante de uma desordem genética e que apresenta muitas semelhanças com relação ao autismo e, tal como o autismo, as pesquisas ainda não apontam as suas causas. Mas, diferentemente da criança autista, as crianças com Asperger apresentam, com menor frequência, atrasos no desenvolvimento da fala ou comprometimento cognitivo grave. Em contrapartida, na infância apresentam déficits no desenvolvimento motor, tendo dificuldades para manusear objetos que exigem o trabalho dos pequenos músculos, como colorir ou escrever, por exemplo. Esse aspecto interfere também na realização de atividades que não fazem parte de suas rotinas, pois apegam-se a rituais. Apresentam-se com pensamento concreto o que lhes dificulta a interpretação de metáforas e ironias, interferindo nas interações e no processo de comunicação, impedindo-as de usar os movimentos corporais e os gestos na comunicação não verbal. As crianças com Síndrome de Asperger (SA) não costumam fazer contato visual ao falar com alguém, mantendo os olhos baixos ou olhando em outra direção. Uniube 65 A SA é mais comuns em meninos do que em meninas e a causa é desconhecida assim como a própria síndrome. Histórico Em 1944, Hans Asperger, um pediatra austríaco com interesse em educação especial, descreveu quatro crianças que tinham dificuldade em se integrar socialmente em grupos. Desconhecendo a descrição de Kanner do autismo infantil precoce, publicado só um ano antes, Asperger denominou a condição por ele descrita como “psicopatia autística”, indicando um transtorno estável de personalidade marcado pelo isolamento social. Apesar de ter as habilidades intelectuais preservadas, as crianças apresentaram uma notável pobreza na comunicação não verbal, que envolvia tanto gestos como tom afetivo de voz, empatia pobre e uma tendência a intelectualizar as emoções, uma inclinação a ter uma fala prolixa, em monólogo, e, às vezes, incoerente, uma linguagem tendendo ao formalismo (ele as denominou “pequenos professores”), interesses que ocupavam totalmente o foco da atenção envolvendo tópicos não usuais que dominavam sua conversação e incoordenação motora. Essas crianças não eram tão retraídas ou alheias; elas também desenvolviam, às vezes, precocemente, uma linguagem altamente correta do ponto de vista gramaticale não poderiam, de fato, ser diagnosticadas nos primeiros anos de vida. Descartando a possibilidade de origem psicogênica, Asperger salientou a natureza familiar da condição e, inclusive, levantou a 66 Uniube hipótese de que os traços de personalidade fossem de transmissão ligada ao sexo masculino. O trabalho de Asperger, publicado originalmente em alemão, tornou-se amplamente conhecido no mundo anglófono somente em 1981. (Adaptado de: Autismo e Síndrome de Asperger: uma visão geral, Almir Klin. Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28s1/a02v28s1.pdf) Até que novas pesquisas e estudos lançassem luz sobre esta síndrome, os pais e professores encontravam-se em situação de incompreensão sobre a terminologia correta, pois de acordo com Oliveira (2005, p.11) Síndrome de Asperger é o termo aplicado ao mais suave e de alta funcionalidade daquilo que é conhecido como o espectro de desordens pervasivas (presentes e perceptíveis a todo o tempo) de desenvolvimento (espectro do Autismo). Em seu artigo, “Síndrome de Asperger”, Teixeira (s/d, p.2) postula que: Esta síndrome parece representar uma desordem neurobiológica que é muitas vezes classificada como uma Pervasive Developmental Disorders (PDD). É caracterizada por desvios e anormalidades em três amplos aspectos do desenvolvimento: interação social, uso da linguagem para a comunicação e certas características repetitivas ou perseverantes sobre um número limitado, porém intenso de interesses. E contribui para a nossa compreensão quando afirma que: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28s1/a02v28s1.pdf Uniube 67 Apesar de existirem algumas semelhanças com o Autismo, as pessoas com Síndrome de Asperger geralmente têm elevadas habilidades cognitivas (pelo menos Q.I. normal, às vezes indo até às faixas mais altas) e por funções de linguagem normais, se comparadas a outras desordenas ao longo do espectro. (TEIXEIRA, 2005, p.2). Asperger: como lidar?3.7 Figura 7 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. A grande angústia de pais e professores, diante de uma criança asperger, é sobre as formas mais indicadas de lidar com esses indivíduos, por isso toda contribuição é importante nesse estudo. 68 Uniube Como lidar? A criança com Síndrome de Asperger pode apresentar talentos específicos. “De uma maneira geral, os pais costumam incentivar uma aptidão que reconhecem nos filhos, o que chamamos de ilhas de habilidades. No caso da Síndrome de Asperger, esta atitude acaba intensificando o interesse restrito do paciente, piorando a clausura comportamental do indivíduo, tornando-o menos flexível a novos temas”, explica Iara Brandão Pereira, neurologista infantil. Pensando em auxiliar no desenvolvimento das capacidades múltiplas da criança, a Dra. Iara Pereira, neurologista infantil, listou alguns itens importantes para quem convive com uma pessoa que apresenta este Transtorno do Espectro Autista (TEA). • É importante buscar uma interação muito boa entre a escola, a família e o profissional que acompanha o paciente no sentido de desenvolver a reciprocidade social do indivíduo. • Diversificar seus focos de interesse para que o paciente dê importância para outros assuntos e desenvolva novas habilidades, diminuindo assim comportamentos repetitivos e restritivos. • Estimular o ‘falar olhando’, desenvolver a cultura do olhar direcionado, com intencionalidade comunicativa. • Estimular a criança, por meio de treinos, a reconhecer e compartilhar emoções e expressões faciais, assim como buscar Treino de Habilidades Sociais (THS), como possibilidade de melhoria no seu prognóstico social. • Dialogar sempre! Esta é a maneira mais preciosa de desenvolver a inteligência de qualquer criança, com ou sem diagnóstico de TEA. • Não criticar o interesse restrito da criança, apresentar outras opções e compartilhar estas ofertas com o filho. Utilize o interesse preferencial da criança como porta de entrada para a interação com ele. Uniube 69 Ainda de acordo com a Dra. Iara Pereira, o paciente com Síndrome de Asperger é habitualmente mal interpretado pelos seus pares, não sendo raros os frequentes desentendimentos nos relacionamentos interpessoais, levando-o ao isolamento social ou a quadros depressivos. Agressividade, crises de birra, fobias e outras perturbações são manifestações inespecíficas e reacionais que podem estar presentes nesses pacientes, daí a importância do diagnóstico precoce a fim de minimizar disfunções adaptativas significativas”, afirma a neurologista infantil. (Fonte: http://psicologiaautoestimaebeleza.blogspot.com.br/2013/08/entendendo- sindrome-de-asperger.html) O Professor e o aluno TGD3.7 Figura 8 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Como destacou Teixeira (s/d), a criança com Síndrome de Asperger apresenta comprometimentos em três grandes aspectos do desenvolvimento: http://psicologiaautoestimaebeleza.blogspot.com.br/2013/08/entendendo-sindrome-de-asperger.html http://psicologiaautoestimaebeleza.blogspot.com.br/2013/08/entendendo-sindrome-de-asperger.html 70 Uniube Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 2: Áreas de comprometimento. Para o trabalho pedagógico com a criança SA, é necessário que o sujeito seja visto como um ser capaz de aprender, que produz conhecimento, que se desenvolve, independentemente dos seus comprometimentos. Isso nos leva a afirmar que o vínculo positivo com a escola e o professor é primordial para que se estabeleça uma relação de respeito e confiança, permitindo-os conhecer melhor as dificuldades que esse aluno apresenta em relação à aprendizagem, especialmente no que diz respeito à interação social e ao uso adequado da linguagem, com suas figuras e ironias, permitindo-lhe fazer inferências e compreender o mundo em suas múltiplas linguagens. Uniube 71 Os alunos com Síndrome de Asperger frequentemente escolhem temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo – quando gostam do tema "super-heróis", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Além disso, são capazes de memorizar sequências matemáticas, contos e histórias, lugares e nomes. A partir dessas características, o professor deverá estar atento para promover atividades envolvendo esses sujeitos e contemplando suas áreas de interesse, compreendendo suas especificidades comportamentais e cognitivas. Por outro lado, faz-se necessário, no âmbito escolar, uma reflexão acerca da visão de criança e de aprendizagem e de currículo e proposta pedagógica que a escola privilegia para os seus alunos, pois, sendo uma perspectiva inclusiva, terá subsídios para desenvolver o trabalho pedagógico com crianças Asperger. As possibilidades de desenvolvimento se tornarão mais expressivas em turmas com um número menor de alunos e, sempre que possível, que possa contar com um professor de apoio para acompanhar individualizadamente os alunos que necessitam de apoio específico. Mas voltamos a ressaltar a importância da qualidade da relação do professor com a criança, considerando-a como sujeito de aprendizagem, dedicando-lhe atenção diferenciada, buscando principalmente obter mudanças comportamentais para a sua inserção no meio social. 72 Uniube Vídeo Finalizando nossa aula, acesse o link a seguir e assista ao vídeo “Em minha mente Asperger” – Veja o depoimento de um garoto portador da Síndrome de Asperger. No vídeo, um adolescente, Alex, faz um depoimento sobre seu modo de ver, compreender e interagir com o mundo. Uma interessante maneira de conhecer a síndrome por meio do próprio indivíduo. Vamos recapitular os principais pontos da Síndrome de Asperger no vídeo a seguir. https://youtu.be/j3-yzfAC06g https://youtu.be/j3-yzfAC06g Uniube 73 Para aprofundamento...3.8 A seguir, apresentamos, como sugestão, algumas indicações de filmes que tratam da Síndrome de Asperger. Essas sugestões trazem características importantes sobre os sujeitos com síndrome de Asperger. Vale a pena assistir! SaIba maIS 1.Adam – 2009 Adam é um rapaz com Síndrome de Asperger apaixonado por astronomia e que passa a morar sozinho após a morte do pai. Tem um único amigo para apoiá-lo, Harlan. O filme trata do seu relacionamento com uma nova vizinha, a professora Beth. (Fonte: https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados- para-assistir/. Acesso 04 jan. 2019). 2. Ben X – A Fase Final (Ben X) – 2007 Ben é um jovem que sofre da Síndrome de Asperger – uma espécie mais leve de autismo – e que se isola em sua própria realidade no mundo de Archlord, um jogo virtual. Seu modo de vida causa estranheza a seus colegas de classe, que o julgam e não o aceitam. (Fonte: https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados- para-assistir/. Acesso em: 04 jan. 2019). 3. Loucos de Amor (Mozart and the Whale) – 2005 Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) sofrem da Síndrome de Asperger. Donald trabalha como https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ 74 Uniube motorista de táxi, adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto, ao conhecer Isabelle, em seu grupo de ajuda, tudo muda em sua vida, por estar apaixonado por ela. (Fonte: https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger- preparados-para-assistir/ . Acesso em: 04 jan. 2019). Outras indicações de filmes, você terá no site a seguir: https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o- asperger-preparados-para-assistir/ Reflexão3.9 Estamos terminando nosso capítulo, mas a reflexão e a aprendizagem continuam por meio dos estudos e aprofundamento. Nesse sentido, deixo a seguinte pergunta: “Quais aspectos são mais importantes para se trabalhar com os alunos do TEA?” Referências3.10 ASSIS Clínica Médica. Síndrome de Asperger. Disponível em: http://www. clinicamedicaassis.com.br/asperger. Acesso em: 04 jan 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ https://www.reab.me/28-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/ http://www.clinicamedicaassis.com.br/asperger http://www.clinicamedicaassis.com.br/asperger Uniube 75 ______. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial. Educação Inclusiva. Direito à Diversidade. Curso de Formação de Gestores e Educado- res. Brasília: MEC/SEESP, 2004. CARTILHA Autismo e Realidade. São Paulo: Autismo e Realidade, 2013. Dispo- nível em: <http://autismoerealidade.org/noticias/cartilha-da-inclusao-escolar/>. Acesso em 22 fev. 2016. GRIBOSKI, Claudia. Opinião. Inclusão. 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Na verdade, é um assunto muito controverso, porque as pessoas superdotadas enfrentam esse estigma em suas vidas e, de maneira equivocada, são julgadas e avaliadas como se possuíssem superpoderes, quase como o Superman. 80 Uniube Além disso, muitas vezes são vistas como PRIVILEGIADAS, relacionando-as a excelentes resultados acadêmicos, o que dispensaria qualquer forma de atendimento educacional especializado. Esses equívocos levam à segregação e/ou evasão escolar, o que muitas vezes gera problemas comportamentais ou de completo desinteresse pela vida acadêmica. Conheça alguns exemplos bem interessantes. Fonte: Virgulim (2007, p.39). Uniube 81 Neste capítulo vamos desmitificar dois aspectos: 1) os superdotados não são gênios – mesmo que às vezes desenvolvam muitas e diferentes habilidades; 2) os alunos superdotados precisam menos do professor – muito pelo contrário, esses sujeitos precisam de mais estímulos para se manterem interessados e desenvolver suas habilidades. A pessoa com Altas Habilidades/Superdotação4.2 Figura 2 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Há uma literatura expressiva sobre os superdotados, pois Alfred Binet mudou todo o percurso de se conhecer a inteligência quando propôs quantificar atributos da inteligência. Desde então a discussão foi intensificada em torno do que é inteligência, de quem é mais inteligente e de quais benefícios essa inteligência traz aos indivíduos. Clique no título a seguir e leia o capítulo “Referências conceituais”, contido no livreto Projeto Escola Viva, - Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola - Alunos com necessidadeshttps://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/hist_altas_hab.pdf 82 Uniube educacionais especiais. Nesse documento, conheceremos o percurso e as pesquisas a esse respeito. Como vimos nas Referências Conceituais, muitos outros estudiosos percorrem o caminho desbravado por Binet e, atualmente, destaca-se o trabalho de Gardner sobre a concepção de inteligência, que provocou profundas alterações em relação à sua quantificação e também apresentou uma nova percepção sobre os diferentes tipos de inteligência. Neste momento, você deverá fazer a leitura do texto “Teoria das múltiplas inteligências, de Howard Gardner: breve resenha e reflexões críticas”, de Letícia Strehl, páginas de 1 a 8, que trata das múltiplas inteligências, segundo Gardner. Clique no título para acessar o texto. Como em outras áreas que envolvem o ser humano e o seu desenvolvimento, há diferentes visões sobre o AH/Superdotação, discussão que perpassa a hipótese da herança genética e do estímulo do meio em que o sujeito está inserido. Da mesma forma que nos demais casos, é muito difícil apontar com exatidão quanto de determinação cabe a um e a outro. Entretanto pode-se afirmar, com razoável segurança, que ambos contribuem para o processo de desenvolvimento de uma pessoa dotada de Altas Habilidades/Superdotação e que um ambiente estimulador favorece a manifestação de suas características. ++ ++ Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 3 https://chasqueweb.ufrgs.br/~leticiastrehl/HowardGardner.pdf https://chasqueweb.ufrgs.br/~leticiastrehl/HowardGardner.pdf https://chasqueweb.ufrgs.br/~leticiastrehl/HowardGardner.pdf Uniube 83 De acordo com Virgolim (2007, p. 11), As pessoas com Altas Habilidades formam um grupo heterogêneo, com características diferentes e habilidades diversificadas; diferem uns dos outros também por seus interesses, estilos de aprendizagem, níveis de motivação e de autoconceito, características de personalidade e principalmente por suas necessidades educacionais. Portanto, quando falamos em pessoas com Altas Habilidades/ Superdotação, devemos primeiramente compreender que esses sujeitos precisam, tanto quanto os demais alunos, da presença da escola e do professor para desenvolver plenamente o seu potencial, como afirma Cupertino (2008, p. 51), É um engano pensarmos que esses indivíduos têm recursos suficientes para sempre desenvolverem sozinhos suas habilidades. Alunos com Altas Habilidades/Superdotação necessitam de uma variedade de experiências de aprendizagem enriquecedoras que estimulem seu potencial. Portanto Os alunos com Altas Habilidades/Superdotação são aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes; também apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. (MEC, 2008). 84 Uniube 4.3 Conhecendo a pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação Diferentemente da deficiência intelectual e dos TGD, não há causas para AH/SD e o principal traço da personalidade desse grupo é o interesse fora do comum em determinados assuntos e o envolvimento durante longos períodos de tempo com apenas um tipo de tarefa. Independentemente disso, baseando-se no fato de que as qualidades apresentadas pelos "talentosos" não são uma regra e nem são exclusivas dessas pessoas, Gabriela Toscanini, gestora de projetos sociais da Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD), afirma que "as características são sempre extremas. Por exemplo: ou eles são muito agitados e não conseguem se acalmar, ou são muito resguardados". Ainda de acordo com Toscanini (2007, p.3) o importante é entender que as Altas Habilidades não são uma patologia, tampouco uma condição que transforma as crianças em super-heróis imunes ao erro, e sim uma capacidade individual de desenvolver-se de forma mais intensa em uma área. IndIcação de leItura Para ilustrar a nossa discussão, observe essas características no exemplo de Stephen Hawking, físico inglês. Clique no nome do cientista para conhecer um pouco sobre ele. Figura 4 Fonte: Acervo DepositPhotos/ EAD Uniube. https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/stephen.pdf Uniube 85 Considerado como superdotado, Stephen possui também outras características muito importantes para desenvolver as suas habilidades, ou seja, uma série de fatores contribuíram e ainda contribuem para que ele tenha se configurado como a personalidade que é hoje. SaIba maIS A especialista Jane Chagas, doutora em processos de desenvolvimento humano e saúde, explica que identificar um aluno com Altas Habilidades não depende apenas de o professor conhecer todas as características próprias desse grupo. O principal, alerta Jane, é que o educador tenha informações que permitam, ao observar um comportamento diferente do esperado do estudante, levantar a possibilidade de que ele possa ter Altas Habilidades e conversar com os responsáveis. Extraído de http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/161/artigo234836-1.asp, acesso em 15/02/2016. 4.4 Características da pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação Como não se trata de uma patologia ou deficiência, muitas vezes a criança AH/SD não é reconhecida em seu potencial e não se desenvolve adequadamente. Família e escola frequentemente não têm o conhecimento necessário para identificar esse potencial. É importante que, não havendo o relato da família acerca das habilidades da criança, mas que ao ser observada pela escola, a criança desperte o interesse dos profissionais envolvidos, a fim de observarem atentamente esse potencial, a partir de alguns fatores que podem se apresentar, pois, para Virgulim (2007, p.11), http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/161/artigo234836-1.asp 86 Uniube [...] é tarefa dos educadores, sejam eles professores ou pais, compreender a Superdotação em seus aspectos mais básicos e assim se tornarem agentes na promoção do desenvolvimento dos potenciais, de forma a poder atender as necessidades especiais desta população. Ao identificar os alunos com Altas Habilidades/Superdotação, a escola passa a conhecer suas necessidades de aprendizagem, possibilitando o atendimento às suas necessidades específicas e individuais. Nesse sentido, a escola também deve estar atenta ao Currículo, pois é a partir de sua discussão e análise que se vislumbram as possibilidades de flexibilização em atenção a esses alunos, adequando- se o desenvolvimento de habilidades de acordo com as áreas em que demonstram maior desempenho. As ações depreendidas, como as sugeridas acima, evitam os indesejáveis “rótulos”e permitem à equipe pedagógica planejar com maior segurança os conteúdos e atividades. Entre as características mais comumente encontradas em crianças superdotadas em idade pré-escolar, destacam-se (Cline & Schwartz, 1999; Lewis & Louis, 1991): Figura 5 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. • Alto grau de curiosidade • Boa memória • Atenção concentrada • Persistência • Independência e autonomia • Interesse por áreas e tópicos diversos • Aprendizagem rápida Uniube 87 • Criatividade e imaginação • Iniciativa • Liderança • Vocabulário avançado para a sua idade cronológica • Riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de ideias) • Habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas Figura 6 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 7 Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. • Facilidade de interagir com crianças mais velhas ou com adultos • Habilidade para lidar com ideias abstratas • Habilidade para perceber discrepâncias entre ideias e pontos de vista • Interesse por livros e outras fontes de conhecimento • Alto nível de energia • Preferência por situações/objetos novos • Senso de humor • Originalidade para resolver problemas. Ressaltamosque não é necessário apresentar todos os itens da lista para que o aluno seja AH/SD, mas que a consistência dessas características indica a possibilidade de maneira bem distinta. Para aprofundar o tema, assista ao vídeo a seguir. 88 Uniube Identificando AH/SD4.5 Todas as características de um AH/ SD podem e devem ser observadas pela família e professores, entretanto a identificação da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação deve ser realizada por profissionais competentes e habilitados, com a utilização de instrumentos apropriados de avaliação. Qualquer pessoa pode identificar o aluno AH/SD? Contribuindo ainda para a compreensão desses alunos, Galbraith e Delisle (2002, p.53) reconhecem que “algumas características apresentadas por estes meninos e meninas podem dificultar o reconhecimento das características e a identificação da Superdotação” e relacionam atitudes e posturas que chamam a atenção. Uniube 89 Quadro 1 De acordo com os autores Comentários Alunos que ficam facilmente cansados e en- tediados com o trabalho rotineiro da sala de aula. Alguns podem reclamar frequentemente em alto e bom som. Outros podem se confor- mar e nada dizer. Pode ser causado pelo de- sinteresse, uma vez que as atividades desenvolvidas pe- los outros alunos estão muito aquém de sua capacidade. Alunos que podem trabalhar intensamente em uma área ou matéria, negligenciando o dever de casa e trabalho de sala de aula em outras áreas ou matérias. Esta é uma característica pe- culiar do AH/SD, pois como vimos seu talento pode se apresentar em áreas distintas. Alunos que podem usar seu vocabulário avançado como retaliação contra aqueles não tão bem dotados verbalmente. Alunos que podem ficar tão entusiasmados com uma área ou tópico de discussão que monopolizam a conversação, ou começam a ensinar o tópico, até mesmo para os profes- sores. Alunos que podem ficar inicialmente entu- siasmados com uma área ou tópico de dis- cussão, mas, uma vez que o interesse é sa- tisfeito, resistem a fazer trabalhos adicionais relacionados ao tópico ou concluí-los. Alunos que podem não gostar ou se ressentir de ter que trabalhar com colegas que não apresentam habilidades igualmente superio- res, podendo verbalizar ou apresentar sua insatisfação por meio de altos suspiros. Comumente se apresentam impacientes com os colegas que apresentam capacidade aquém da sua capacidade e conhecimento. Alunos que possuem vasto conhecimento de muitos tópicos e podem corrigir colegas e adultos quando percebem que estão dando informações incorretas. Como qualquer outro aluno, deve ser orientado quanto às relações com os pares. Alunos que podem usar seu senso de humor avançado e sagacidade para intimidar, mani- pular e humilhar os outros. Alunos que podem ser autoconfidentes e passionais sobre assuntos de cunho político, social ou moral e apresentar abertamente suas convicções, distanciando-se dos cole- gas que não compartilham ou não ligam para esses assuntos. Alunos que podem preferir trabalhar inde- pendentemente a se ressentir dos adultos que querem “colocá-los na linha”, fazendo-os seguir determinados procedimentos com os quais eles não concordam. Fonte: Galbraith e Delisle (2002, p.53) 90 Uniube Os autores argumentam ainda que alguns desses comportamentos indesejáveis podem advir das necessidades intelectuais e emocionais do superdotado que talvez não estejam sendo devidamente atendidas/ trabalhadas em casa ou na escola. Evidentemente que tais comportamentos não devem ser considerados aceitáveis, mas devem sim desencadear uma série de reflexão com/ sobre a criança, sobre a sua postura em relação aos pares, buscando promoção de atividades que lhe sejam de interesse e mudança de atitude em relação ao outro. Não cabe nessa situação relacionar a frustração intelectual com problemas emocionais. Por desconhecimento e/ou falta de interesse sobre tais atitudes do sujeito AH/SD, muitas vezes, esses alunos são encaminhados equivocadamente para o Atendimento Educacional Especializado, avaliados como Deficientes. Muita atenção Uniube 91 4.6 A família, a escola, o professor e o aluno com Altas Habilidades/Superdotação Fonte: Acervo DepositPhotos/EAD Uniube. Figura 8 Até aqui caminhamos no sentido de conhecer e reconhecer a pessoa com Altas Habilidades/Superdotação, assim como suas características, mas é fundamental discutir as possibilidades de atendimento às necessidades desse aluno. Criar estratégias de atendimento àquele(s) aluno(s) identificado(s) com Altas Habilidades/Superdotação, refletir sobre o encaminhamento adequado, definir com clareza as habilidades identificadas e planejar a prática pedagógica contemplando as atividades que lhe serão ofertadas, visando à sua formação ampla de acordo com suas potencialidades, deve ser o percurso para escolas e professores. Na cartilha elaborada pelo MEC, especialmente sobre a temática de Altas Habilidades/Superdotação, encontramos o percurso necessário para que alunos e professores se sintam encorajados a desbravar esse universo. 92 Uniube IndIcação de leItura Selecionamos para estudo as páginas de 25 a 35 da Cartilha Escola Viva, que trata da importância do papel da família, da escola e do professor na promoção do desenvolvimento das potencialidades dos sujeitos AH/SD. Acesse o link acima e faça uma leitura atenta, anotando os aspectos mais importantes. A videoaula a seguir irá ajudá-lo(a) a entender melhor o processo de inclusão desses alunos. Acesse! Ressaltamos que este material poderá ser consultado sempre que você tiver dúvida quanto ao assunto, na busca por orientação e sugestões. Lembramos que, no componente “Atendimento Educacional Especializado”, apresentaremos as práticas pedagógicas para o atendimento especializado e individualizado nas salas de recursos. https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/cartilha.pdf https://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/deficiencia_intelectual_t_d_a_h/cartilha.pdf Uniube 93 Estamos finalizando este módulo, que espero que tenha sido muito significativo para você. Agora, é hora de realizar a Avaliação on-line. Tenha em mão o material de estudo. Reserve um horário tranquilo e não deixe para a última hora! Para aprofundamento...4.7 A seguir, apresentamos, como sugestão, algumas indicações de filmes que tratam das Altas Habilidades/Superdotação. SaIba maIS Mentes que Brilham Gênero: Drama Garoto superdotado, com inteligência surpreendente, mas que tem dificuldade na comunicação. Sinopse: A história de Fred Tate (Adam Hann-Byrd), um garoto de sete anos com inteligência acima da média e sérias dificuldades de relacionamento. Tímido e solitário, o menino se vê afastado do convívio social, em parte por causa da superproteção de sua 94 Uniube mãe, a garçonete Dede (Jodie Foster). Como não consegue matriculá-lo em escolas comuns, ela procura por uma instituição especial para crianças superdotadas, onde o menino é inscrito numa espécie de olimpíada para pequenos gênios. Durante a competição, ele apresenta um desempenho notável, mas acaba agravando seu estado psicológico. (Fonte: http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2. Acesso em: 4 jan. 2019). Uma Mente Brilhante Gênero: Drama John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado. Sinopse: O filme retrata a história da dura vida do matemático John Nash, que no meio do século passado revolucionou as teorias econômicas com suas ideias originais, que ele tanto procurou. A história começa com sua vida na faculdade e vai até 1994, quando ganhou o prêmio Nobel. História de John Nash, homem considerado esquizofrênico pelos médicos, mas que chegou a ganhar um Prêmio Nobel graças à sua genialidade. (Fonte: http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2. Acesso em: 4 jan. 2019). Meu Pé Esquerdo Gênero: Biografia/Drama Data de Publicação: 23/06/2010 Filme baseadoem fatos reais. http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2 http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2 Uniube 95 Sinopse: O 10º filho de um total de 22 filhos de uma família pobre irlandesa, Christy, sofre de paralisia cerebral tão grave que por vários anos ele é considerado um “tonto”. Mas, em uma luta apaixonada, ele utiliza o único membro sobre o qual conseguiu algum controle – seu pé esquerdo – para escrever um apelo para a única pessoa que pode ajudá-lo a conseguir desenvolver seu potencial: “Mãe.” Essa é a primeira de muitas palavras–e trabalhos– que Christy irá utilizar para superar sua amarga solidão, raiva e sexualidade reprimida para assombrar o mundo com o talento sem paralelo – e felizmente revelado – de um verdadeiro artista. (Fonte: http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2. Acesso em: 04 jan. 2019). Amadeus Gênero: Biografia/Drama Data de Publicação: 23/06/2010 Drama biográfico retratando a vida, a obra e a morte do famoso compositor Wolfgang Amadeus Mozart a partir da sua chegada em Viena. Sinopse: Após tentar se suicidar, Salieri (F. Murray Abraham) confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente, mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus. (Fonte: http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2. Acesso em: 04 jan 2019). http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2 http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2 96 Uniube Academia de Gênios Gênero: Comédia Data de Publicação: 23/06/2010 Comédia na qual um grupo de superdotados alunos de uma prestigiosa faculdade de Física (inspirada no famoso M.I.T.) participam de um projeto de um laser de alta intensidade e precisão, sendo todos controlados por um professor hostil e invejoso que, secretamente, busca vender os resultados da pesquisa para os militares. Sinopse: Quando um grupo de loucos gênios universitários põem as cabeças para trabalhar ao mesmo tempo, quase tudo pode acontecer... Chris (Val Kilmer) é o ‘inteligente’ que só quer festa, Mitch (Gabe Jarrett) é o gênio precoce de 16 anos e Lazlo (Jonathan Gries) é o cérebro número um da América e vive literalmente num mundo só seu... o armário de Chris. Supostamente a trabalhar duro num projeto laboratorial, arranjam tempo para transformar o dormitório num ringue de patinação, para desmantelar o carro de um colega e para fazer uma festa na praia no interior do auditório. Quando estes gênios descobrem que o seu pouco escrupuloso mentor, o professor Hathaway (William Atherton), obrigou-os a trabalhar numa arma secreta para os militares, combinam uma elaborada vingança. O plano culmina num incrível esquema que consegue enganar os militares e convencer o professor de que não compensa meter-se com estes verdadeiros gênios! (Fonte: http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2. Acesso em: 04 jan. 2019). http://www.faders.rs.gov.br/filmes/2 Uniube 97 Referências4.8 BRASIL. 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Síndrome de Asperger Asperger: como lidar? O Professor e o aluno TGD Para aprofundamento... Reflexão Referências Altas Habilidades/Superdotação Superdotado = superinteligente? A pessoa com Altas Habilidades/Superdotação Conhecendo a pessoa com Altas Habilidades/Superdotação Características da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação Identificando AH/SD A família, a escola, o professor e o aluno com Altas Habilidades/Superdotação Para aprofundamento... Referências