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31
FACUMINAS - FACULDADES DE MINAS
CRISTIANE FERREIRA CHAVES
CPF 817.989.032-53
O AUTISMO E A ADOLESCÊNCIA
CORONEL FABRICIANO MG
2021
FACUMINAS –FACULDADES DE MINAS
O AUTISMO E A ADOLESCÊNCIA
Trabalho de Conclusão de Curso em Educação Especial e Inclusão apresentado à FACUMINAS de Coronel Fabriciano – MG como requisito para obtenção do certificado em Pósgraduação em Neuropsipedagogia Institucional e Clínica sob orientação das Profªs Tâmmilla Duarte Ribeiro Lisboa e Carolina da Silva Arruda. 
CORONEL FABRICIANO MG
2021
FOLHA DE APROVAÇÃO 
CRISTIANE FERREIRA CHAVES
O AUTISMO E A ADOLESCÊNCIA
BANCA EXAMINADORA
Profª. Lucélia Silva Ribeiro
Prof. (a) Nome do Professor (a)
 CORONEL FABRICIANO, MG 
 2021
 
 FICHA CATALOGRÁFICA
	
	Título Trabalho*: O autismo e a adolescência 
Cristiane Ferreira 
 Chaves. 2021
Páginas 32 f.: il.; 31 cm.
Orientador: Profª Tâmmilla Duarte Ribeiro Lisboa 
Orientador: Nome do segundo Orientador: Carolina da Silva Arruda.
TCC de PÓS (Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica) – FACUMINAS
Faculdades de Minas
1. palavra chave Autismo. 2. palavra-Chave Estudo Estruturado. 3. palavra-chave. Adolescência.
 Orientador: Lucélia Silva Ribeiro
.
FACUMINAS- Faculdades de Minas
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...............................................................................................07
1.1 Objetivos
1.2 Justificativa
1.3 Metodologia
1.4 Resultado e Discussão
2 REFERENCIAL TEÓRICO..........................................................................11
2.1 Descoberta do primeiro caso constatado de autismo
2.2 Característica do autismo
2.3 O recebimento do autista na escola.
3 O AUTISMO E A ADOLESCÊNCIA............................................................23
3.1 O autista adolescente e o mercado de trabalho
3.2 O autista adolescente e a questão social
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................28
REFERÊNCIAS..................................................................................................32
RESUMO 
O objetivo básico deste trabalho foi refletir sobre a Síndrome de Asperger, comumente chamada de Autismo, apontando os aspectos gerais relacionados ao tema, bem como as manifstações do autista na adolescência. Os estudos feitos na área da neurociência explicam que o Autismo é um quadro de transtorno, que causa um grande impacto na vida da criança. Ele atinge áreas importantes do desenvolvimento, das quais as mais importantes são as áreas da interação social e as habilidades de comunicação, a capacidade de criar, de imaginar, de abstrair. Seus sintomas são percebidos até os três anos de idade como resultado de alterações neurológicas que afetam o funcionamento do cérebro. A criança comprometida demonstra atraso em sua vida escolar e seu procedimento é diferente das demais crianças da mesma faixa etária. Este transtorno do desenvolvimento é complexo e a criança com autismo tem as mesmas características no processo de aprendizagem daquelas que possuem necessidades educacionais especiais. Enfocando a LDBEN, Lei nº 9394/96 e a Lei nº 12.764/12 como leis que favoreceram a inclusão do autista na escola, o artigo indica que ainda não ocorre a inclusão do autista, pois os professores têm dificuldade de trabalhar. Assim, mostra a importância do ensino baseado na Zona de Desenvolvimento Proximal apontada por Vygotsky, que é a Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) para uma ação decisiva com o autista. Para uma real intervenção com as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) há necessidade de professor e escola, trazerem os pais para serem colaboradores e apresentar o ensino estruturado desde os primeiros dias da criança na escola, possibilitando seu avanço no conhecimento e na integração. Considerando que o autista apresenta na adolescência as mesmas expectativas de todos os indivíduos, destacou-se neste trabalho a importância de uma atenção especial para o aprendizado da adolescência como sua possível inserção no mercado de trabalho.
Palavras-chave: Autismo. Ensino Estruturado. Adolescência.
1. INTRODUÇÃO 
 Neste estudo é abordado o autismo para indicar como é possível ao docente, mesmo não sendo especialista realizar a inclusão do autista na sala de aula e na sociedade. O assunto inclusão das pessoas que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA) na escola regular não é um tema abordado com facilidade nas escolas porque geralmente o professor não é preparado para iniciar esse processo.
 Nesta perspectiva, construiu-se as questões que nortearam este trabalho:
· Quais os aspectos gerais do autismo e formas de aprendizado?
· Como orientar e inserir na sociedade o autista na adolescência?
 Indica-se que o autismo é um transtorno incapacitante, que a pessoa apresenta cujas origens ainda são investigadas. O objetivo geral é explicar o que é o TEA (Transtorno do Espectro Autista) e a importância de uma escola que inclua. Os objetivos específicos são mostrar que esse problema impede que a pessoa possa se comunicar com familiares e com professores. O estudo mostra que embora essa seja uma síndrome incapacitante, que impede ao aluno autista de externar seus sentimentos e emoções, com a metodologia específica e a experiência da aprendizagem mediada ela é instada para que o autista venha conhecer seus limites e superar suas dificuldades Com a LDBEN Lei nº 9394/96 houve uma abertura maior das escolas para as crianças com necessidades especiais, porém no caso dos autistas o amparo surgiu através da Lei nº 12. 764/2012. 
 Neste trabalho são apresentadas as legislações que dão suporte à inclusão das crianças com necessidades especiais na escola, mais especificamente abordando a lei favorável ao autista. Verifica-se que através da compreensão de suas limitações e com a ajuda de colegas e professores o autista consegue superar os seus limites. A metodologia está assentada na pesquisa bibliográfica. Após analisar como é desenvolvimento da criança autista, como a criança procede em contato com as pessoas e com as coisas e com a Experiência de Aprendizagem Mediada, que têm sido muita importância em escolas onde estudam autistas e que ajudam a criança a superar suas limitações e encontrar equilíbrio cognitivo. 
1.1 Objetivos 
 Após pesquisas bibliográficas foi possível constatar que o autismo é um transtorno incapacitante, que a pessoa apresenta, cujas origens ainda são investigadas.
 O objetivo geral deste estudo é avaliar o que é o TEA (Transtorno do Espectro Autista), a escola inclusiva e os aspectos do autista na adolescência.
 Os objetivos específicos são: 
 Elaborar estratégias específicas para obter o desempenho escolar de autistas.
 Promover o atendimento especializado para crianças e adolescentes.
Incluir o aluno no sistema educacional e no mercado de trabalho
Obter resultados positivos através de métodos diferenciados.
 
1.2 Justificativa
Justifica-se este estudo pelas pesquisas realizadas sobre o tema, e pela necessidade de identificar os aspectos gerais da Síndrome, bem como apresentar as referências de autores conceituados, que reafirmam o alto significado da inclusão escolar de crianças autistas, pelas quais o educador irá exercer suas práticas como elemento de inserção social e de exercício da cidadania.
No Brasil, a garantia de uma educação inclusiva para todas as crianças, na rede pública e privada, consta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº. 9394/96 (BRASIL, 1996). O capítulo V da Lei nº 9394/96 afirma que a educação para alunos com deficiência deve ser oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, assegurando ainda, a flexibilização de currículo, o uso dediferentes métodos, técnicas, recursos educativos específicos para atender às necessidades que a criança autista demonstra ter.
 Com essa legislação ampliada a preocupação com os autistas, principalmente após ter acontecido uma abertura das escolas para atender integralmente as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista). O ingresso das crianças iniciado com a promulgação da LDBEN, Lei nº 9394/96 com sua colocação incisiva sobre a inclusão, mostrou que a inclusão do autista deve começar com ações efetivas na escola e na sociedade, solicitando uma avaliação diferenciada para esses indivíduos. 
1.3 Metodologia 
		
 A pesquisa através de bancos de dados on-line forneceu as informações e artigos para a confecção desta revisão bibliográfica, podendo ser acessados a qualquer tempo para pesquisa e atualização. A revisão de literatura foi conduzida com foco nas publicações nos últimos 13 anos (2007 A 2020), elucidando sobre a Sindrome de Asperger para identificar, analisar e classificar artigos científicos que tratam do tema relacionado à importância do entendimento sobre o autismo e especificamente a importância da inclusão na sala de aula e os aspectos da Síndrome na adolescência, em seguida para o procedimento de identificação foram utilizados dados coletados e específicos com citações de autores para associar com o tema escolhido. 
Segundo o autor Beuren (2006)
A pesquisa descritiva possui como finalidade observar os fatos, descrever as características de determinada população, registrá-las, analisá-las, classificá-las e compreendê-las ou ainda estabelecer relações entre as variáveis em estudo (BEUREN, 2006).
 As fontes de pesquisa utilizadas foram: Scielo (Scientific Eletronic Library Online), Google Acadêmico, sites governamentais e revistas especializadas. Quando vários artigos foram identificados foram selecionados os mais abrangentes para a revisão bibliográfica. 
 A estratégia de busca excluiu artigos que dificultavam a compreensão. Inicialmente, foram encontrados 23 artigos para a realização do estudo, tendo sido excluídos que não abordavam o tema com clareza, resultando em uma seleção de 10 artigos, 10 revisões de literatura e leis governamentais relacionadas ao autismo.
1.4 Resultado e discussões 
 A escolha do tema Educação Especial e Autismo é de grande importância, pois a cada dia percebe-se um aumento significativo de casos de crianças com dificuldades, os quais são matriculados pelos pais no ensino regular.
 
 Considerando que as crianças com autismo têm potencial para aprender, sendo necessário um atendimento especializado afim de assegurar o desempenho no aluno em questão. Com a LDBEN Lei nº 9394/96 houve uma abertura maior das escolas para as crianças com necessidades especiais, porém no caso dos autistas o amparo surgiu através da Lei nº 12. 764/2012. 
 Após analisar como é desenvolvimento da criança autista, como a criança procede em contato com as pessoas e com as coisas, há o estudo do método da Experiência de Aprendizagem Mediada, que tem sido produtivo em escolas onde estudam autistas e que ajudam a criança a superar suas limitações e encontrar equilíbrio cognitivo. Experiências na prática mostram, que através da compreensão de suas limitações e com a ajuda de colegas e professores o autista consegue superar os seus limites. 
 Vygotsky, em seus estudos, já afirmava os benefícios da inserção de crianças com deficiência mental em grupos homogêneos, podendo as crianças mais capazes atuarem como mediadoras no processo de aprendizagem. 
 Tais trocas remetem ao conceito de mediação, que, segundo Vygotsky (2007), desempenha um papel fundamental, em que a criança estabelece com outras crianças e com os adultos exercem funções importantes para o desenvolvimento e a aprendizagem.
 Em concordância com autores (BAPTISTA; BOSA, 2002; FIAES; BICHARA, 2009; HÖHER CAMARGO; BOSA, 2012;), parte-se da ideia de que, embora seja uma prática difícil, é também realizável e possível, considerando os benefícios das vivências escolares tanto em termos de interações sociais quanto do desenvolvimento de habilidades cognitivas nas crianças e jovens do espectro autista.
 Os autores Kernier; Cupa (2012) afirmam que é fundamental superar dificuldades a fim de proporcionar a autonomia na vida do adolescente, o que de certa forma pode ocasionar distanciamento das figuras parentais e gerar conflitos ou impedimentos ante o processo. Todavia, o incentivo à autonomia não deve ser subestimado pelos pais, pois configura-se um importante pilar na construção da identidade (KERNIER; CUPA, 2012).
 Os Programas sociais oferecem suportes de atenção aos pais e responsáveis e mostram-se importantes ferramentas para a superação das fragilidades familiares diante da presença de um membro com Transtorno do Espectro Autista Considerando barreiras e fatores que limitam parte desta população, é importante lembrar a necessidade de apoiar pais, responsáveis e familiares no que se refere à dimensão psicossocial e suas repercussões no cuidado à pessoa com TEA, pressupondo fortalecimento da rede de atenção (DANTAS 2019).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
 Desde a Declaração de Salamanca assinada pelo Brasil na década de 90 já havia uma preocupação com a inclusão como um fato a ser assumido pelas escolas e pela sociedade como um todo. Essa premissa embora tenha sido imputada às escolas, não recebeu a contrapartida de incentivos para se tornar uma realidade assumida por toda sociedade. Hoje, com o amparo legal os autistas estão indo para a escola e o problema da inclusão se repete com maior gravidade, pois professores não sabem como trabalhar com o autista e mesmo com a presença do mediador a criança é relegada à própria sorte. Essa situação de descaso continuou até que pais buscaram a justiça para fazer valer o socorro de um professor especializado para trabalhar com seus filhos nas escolas
 Assim, a LDBEN (Lei 9394/96) em seu artigo 8º pontua: 
( ) As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns: III- flexibilização e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumentados conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória. LDBEN nº 9394/96
 Esse cuidado se fortaleceu com outras leis favoráveis à inclusão e mais especificamente, no caso do autista, após o surgimento da lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas Autistas e, veio ao encontro do grande desafio que é a inclusão educativa dessas crianças.
 Na atualidade, há grande número de pesquisas e estudos feitos na área de neuropsiquiatria abordando o problema do autismo. O autismo é uma síndrome que afeta o desenvolvimento de três importantes áreas do organismo: a comunicação, a sociabilização e o comportamento. Os avanços para descobrir as implicações que as pessoas afetadas por essa síndrome estão submetidas, ainda são pequenos e, as diferentes gradações que o autismo apresenta confundem os médicos e estudiosos. Dentro das desordens do espectro autista (DEA) a síndrome se manifesta em um leque que a conduz de leve a severa e, normalmente as alterações comportamentais que ela acarreta para as pessoas, são percebidas nos primeiros anos de vida.
 Além disso, os casos de autismo leve não são de fácil diagnóstico. Ainda não existem exames de imagem ou de laboratórios que comprovem os problemas cerebrais relativos ao transtorno do espectro autista. Para um diagnóstico mais preciso os médicos concordam na necessidade da observação clínica, no conhecimento do comportamento da criança, baseado em relatos de pais e professores, na fala dos cuidadores e da escola, para confirmar ou descartar a presença de autismo.
 Os pesquisadoresainda não conseguem definir e diagnosticar com precisão qual a razão que leva uma criança a manifestar o autismo, sendo que no Brasil não existe uma estatística oficial do número de pessoas com o espectro autista. Pesquisadores acreditam que a proporção seja de uma criança acometida pela síndrome em cerca de cinquenta crianças examinadas. Esse dado foi encontrado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.
 O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943 pelo Dr. Leo Kanner (médico austríaco, residente em Baltimore, nos EUA) em seu histórico artigo escrito originalmente em inglês: Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo. Nesse artigo, disponível em português no site da AMA, Kanner descreve 11 casos, dos quais o primeiro, Donald T., chegou até ele em 1938. Em 1944, Hans Asperger, um médico também austríaco e formado na Universidade de Viena, a mesma em que estudou Leo Kanner, escreve outro artigo com o título Psicopatologia Autística da Infância, descrevendo crianças bastante semelhantes às descritas por Kanner.
 O espectro autista segundo, Cunha (2011) aparece nos primeiros anos de vida, e pode acontecer devido a causas genéticas ou por uma síndrome ocorrida durante o período do desenvolvimento da criança. O autismo possui no seu espectro muitas incertezas que dificultam um diagnóstico precoce, “permanecendo ainda desconhecido de grande parte dos educadores e não acontece segundo um padrão fixo porque seus sintomas variam muito”. 
 Sendo uma incógnita para a medicina, ainda há incerteza se, o uso de determinados alimentos, o uso de drogas e elementos pesados ampliam a incidência dessa síndrome, que é um desafio para os pais e educadores. Pais e educadores devem ser bem esclarecidos quanto à síndrome, pois o êxito no tratamento garante que criança tenha uma boa qualidade de vida, com aprendizado. Atualmente, graças aos tratamentos precoces e metodologias criadas para a criança autista, ela fica inserida no mundo social e do trabalho, podendo ter continuidade em seus estudos.
 O termo autismo é derivado do grego autós, que significa “de si mesmo”. [...] O autismo compreende a observação de um conjunto de comportamentos agrupados em:
a) Comprometimentos na comunicação; 
b) Dificuldades na interação social;
c) Atividades restrito- repetitivas. (CUNHA, 2011, p. 19-20)
 Para Luckasson (1997) o autismo deve ser visto como uma síndrome que compromete o desenvolvimento normal de uma criança e precisa ser entendido como um espectro amplo denominado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), que lesa e diminui o ritmo do desenvolvimento psiconeurológico, social e linguístico da pessoa. Esse autor enfatiza que as pessoas autistas apresentam reações anormais, frente às sensações diversas como: ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e degustar, pois têm atraso de linguagem e muitas vezes não desenvolvem a linguagem oral e escrita no mesmo padrão temporal de seus pares. O relacionamento com as pessoas, objetos ou eventos acontecem de uma forma diferenciada e os médicos acreditam que crianças TEA tenham um comprometimento orgânico do Sistema Nervoso Central. Na atualidade, as evidências demonstram que o autismo é adquirido e as descobertas da bioquímica do cérebro humano, permitiram que outras teorias fossem levantadas e, um diagnóstico melhor, se tornou possível. Alguns estudos na área de neuropsiquiatria e na área de neurologia realizados nos Estados Unidos demonstram que a síndrome autista prevalece em casos de meninos, e não existe uma frequência maior segundo a condição sociocultural, de raça e de etnia. (LUCKASSON, 1997)
 O transtorno ocorre em qualquer família e, não há meios de conhecer nos exames pré-natais, se a criança será ou não autista. Os estudos garantem um aprimoramento das investigações psiconeurológicas e neuropsiquiátricas na atualidade permitindo melhor qualidade nos cuidados dispensados aos autistas. O que se tem hoje é que o autismo é uma doença grave, crônica, incapacitante, que compromete o desenvolvimento normal de uma criança e essa síndrome se manifesta, até o terceiro ano de vida. Ela lesa e diminui o ritmo do desenvolvimento psiconeurológico, social e linguístico da pessoa. Visto como uma síndrome cujo diagnóstico confunde médicos e professores o quadro de estereotipias e problemas é muito amplo e considera-se que,
 ( ) O Espectro Autista é um contínuo, não uma categoria única, e apresenta-se em diferentes graus. Há, nesse contínuo, os Transtornos Globais do Desenvolvimento e outros que não podem ser considerados como Autismo, ou outro TGD, mas que apresentam características no desenvolvimento correspondentes aos traços presentes no autismo. São as crianças com Espectro Autista. (BELISÁRIO FILHO, 2010, p. 17).
 Alguns autistas, realmente, não conseguem responder ao que é solicitado pelo professor, enquanto outras crianças autistas ainda têm uma limitação maior, e não conseguem aprender, conhecer e usufruir do ambiente, tal como fazem os alunos de igual idade, que sendo consideradas “normais” desenvolvem o conhecimento e se relacionam socialmente. Compete à escola incluir a criança autista da melhor forma possível no ambiente escolar. Esse autor explica que, muito do que se desvendar e conhecer sobre o comportamento autista, muitas dificuldades são encontradas por familiares e educadores, mas, a maior delas ainda é o preconceito. (BELISÁRIO FILHO, 2010).
 É possível constatar autismo na criança quando ela apresenta os traços descritos abaixo com maior ou menor intensidade. Assim a criança pode ser autista se ela demonstra: Dificuldade de estabelecer contato visual, não aceita carinho ou afago, mantém choro constante ou apatia na fase lactente, tem dificuldade de manter uma interação social, constante alteração comportamental, tem falhas na comunicação.
 Não existe necessidade de estarem presentes todos os quadros relatados, porque o transtorno transparece em diferentes graus no portador de autismo. Assim, basta que um ou dois sintomas sejam identificados, e o médico tem condições de diagnosticar um caso de autismo leve.
 Em casa ou na escola, a criança pode ser vista como uma pessoa que manifesta apenas timidez, ou demonstra falta de atenção ou excentricidade, e nesse caso, embora ali resida um quadro de autismo, pode ser imperceptível e, confundir professores e pais. Essa manifestação é comum em caso da síndrome de Asperger e no autismo de alto funcionamento, porque a criança tem um desempenho quase normal, consegue acompanhar as aulas, porém demonstra possuir alguns traços autistas, pois se isola e permanece calada.
 Entretanto, o diagnóstico de autismo, quando há suspeita que a criança pode ter TEA, precisa ser feito pelo médico, pediatra assessorado pelo neurologista. Só eles podem emitir um juízo de valor sobre o quadro clínico que a criança apresenta. A família relata suas suspeitas e dúvidas quanto ao desenvolvimento da criança, os médicos analisam pontos ligados ao caso e estão capacitados para emitir sua posição sobre o desenvolvimento e o comportamento da criança. 
 Professores especialistas com conhecimento assentado em novos métodos estão utilizando em algumas escolas, trabalhos na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), na Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) tem apresentado bons resultados. Para isso, eles buscam dar novo significado para os pais e qual o papel da família e da escola na ampliação do conhecimento da criança com TEA.
 O estudo de Vygotsky (1993), ao relatar os conceitos da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) demonstra que o desenvolvimento humano é resultado da interação estabelecida entre pessoas durante sua vida em ambientes sociais. Indicam que a interação se dá entre a criança e o adulto e, entre uma criança e outra e são potencializados na aprendizagem. Esse conhecimento serviu de base para os estudos de Feuerstein (1991). Feuerstein (1991) explica que criou um modeloteórico que integra diferentes conceitos assentados na zona proximal e ajudam na compreensão das características necessárias para que o ambiente social promova o desenvolvimento humano. Portanto, é preciso intervir na atuação dos profissionais tanto da escola comum, como do Atendimento Educacional Especializado, para que esse planejamento se concretize de forma mais idônea, com a qual o professor e os demais educadores, que compõem a escola, sejam pesquisadores constantes de suas práticas, refletindo sobre o fazer e propondo alternativas de mudança.
 No Brasil, a garantia de uma educação inclusiva para todas as crianças, na rede pública e privada, consta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº. 9394/96 (BRASIL, 1996). O capítulo V da Lei nº 9394/96 afirma que a educação para alunos com deficiência deve ser oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, assegurando ainda, a flexibilização de currículo, o uso de diferentes métodos, técnicas, recursos educativos específicos para atender às necessidades que a criança autista demonstra ter.
 Com essa legislação foi ampliada a preocupação com os autistas, principalmente após ter acontecido uma abertura das escolas para atender integralmente as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista). O ingresso das crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) iniciado com a promulgação da LDBEN, Lei nº 9394/96 com sua colocação incisiva sobre a inclusão, mostrou que a inclusão do autista deve começar com ações efetivas na escola e na sociedade, solicitando uma avaliação diferenciada para esses indivíduos. 
 Esse cuidado se fortaleceu com outras leis favoráveis à inclusão e mais especificamente, no caso do autista, após o surgimento da lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas Autistas e, veio ao encontro do grande desafio que é a inclusão educativa dessas crianças. 
 Embora o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não tenha cura, o tratamento, deve começar o mais cedo possível e, para ter sucesso, deve ser realizado corretamente. O cuidado com a criança será facilitado, e quando ela demonstra ter traços leves de autismo, muitas vezes não há necessidade de uso de medicação. Com autismo leve a pessoa consegue levar uma vida normal, com plena participação na escola e com inserção no mundo do trabalho.
2.1 Descoberta do primeiro caso constatado de autismo
 Em 1933, nasceu nos Estados Unidos, Donald Triplett, que morava com seus pais na cidade de Forest. Quando seus pais perceberam que o filho manifestava um comportamento diferente daquele que era comum nas crianças de sua idade, iniciaram uma jornada frustrante e cansativa, pelos consultórios médicos para descobrir o que estava acontecendo com ele. Os pais haviam notado que Donald Triplet não fixava o olhar nos familiares, ou em qualquer outra pessoa, não aceitava carinhos ou afagos e ficava repetindo, de forma monótona as palavras que ouvia. Não havia expressão em seu rosto, mas Donald mostrava uma inteligência fora do comum para música, conseguindo tocar ao piano escalas e músicas que sua mãe cantava. Além disso, ele mostrava interesse em classificar, por cor ou tamanho, contas coloridas, lápis e mesmo pedaços de madeira. Sua fixação eram os objetos que faziam movimentos circulares. Com esses apontamentos em mãos, os pais buscaram auxílio junto aos médicos, que não conseguiram realizar um diagnóstico para o quadro que a criança apresentava. Após deixa-la internada em uma instituição para doentes mentais a mãe continuou a buscar um médico que oferecesse meios de curar seu filho. Ao ouvir falar de um médico na Áustria, chamado Leo Kanner, os pais retiraram o filho da instituição e o levaram para consulta. LUCKASSON (1997. Foi o Dr Kanner quem fez o primeiro diagnóstico do autismo em 1938 e criou um sistema de tratamento que possibilitou ao menino ingressar na escola comum e conseguir seguir os estudos tendo se formado em Francês e Matemática, levando uma vida absolutamente normal. Ao ser entrevistado pelo Dr Luckasson (1997) ele creditou seu desenvolvimento ao apoio e cuidado de seus pais, ao diagnóstico bem feito da neuropsiquiatria e, à sua integração à sociedade, na pequena cidade de Forest, que sempre o aceitou como uma criança normal. LUCKASSON (1997).
 Quando o Dr Kanner publicou em 1943, suas conclusões sobre o autismo, ele declarou que não encontrara uma causa específica para esse problema, ainda que, muitas outras crianças tivessem participado de sua pesquisa. Sua conclusão foi que, embora alguns traços do problema fossem semelhantes, surgiam outras e múltiplas variáveis, dificultando fechar o diagnóstico. O que esse neurologista concluiu é que encontrara uma síndrome diferente e incapacitante, de difícil tratamento para a qual não havia encontrado a cura. LUCKASSON (1997). Em 1944, outro médico, chamado Hans Asperger publicou seus primeiros trabalhos sobre o transtorno do autismo e contribuiu com suas descobertas para elucidar mais facetas desconhecidas sobre o problema da síndrome que o Dr Kanner havia descoberto. Ele demonstrou com seus estudos que a síndrome variava de intensidade, havendo casos brandos e severos. Mostrou em sua publicação que muitas pessoas podem possuir traços leves de autismo sem que a doença se manifestasse, enquanto outros portadores se feriam e se mutilavam, havendo casos de agressão a pais e professores.
2.2 Características do comportamento autista.
 O espectro autista segundo, Cunha (2011) aparece nos primeiros anos de vida, e pode acontecer devido a causas genéticas ou por uma síndrome ocorrida durante o período do desenvolvimento da criança. O autismo possui no seu espectro muitas incertezas que dificultam um diagnóstico precoce, “permanecendo ainda desconhecido de grande parte dos educadores e não acontece segundo um padrão fixo porque seus sintomas variam muito”. (CUNHA, 2011, p. 19-20). Sendo uma incógnita para a medicina, ainda há incerteza se, o uso de determinados alimentos, o uso de drogas e elementos pesados ampliam a incidência dessa síndrome, que é um desafio para os pais e educadores. Pais e educadores devem ser bem esclarecidos quanto à síndrome, pois o êxito no tratamento garante que criança tenha uma boa qualidade de vida, com aprendizado. Atualmente, graças aos tratamentos precoces e metodologias criadas para a criança autista, ela fica inserida no mundo social e do trabalho, podendo ter continuidade em seus estudos. (CUNHA, 2011)
 Para Luckasson (1997) o autismo deve ser visto como uma síndrome que compromete o desenvolvimento normal de uma criança e precisa ser entendido como um espectro amplo denominado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), que lesa e diminui o ritmo do desenvolvimento psiconeurológico, social e linguístico da pessoa. LUCKASSON (1997). Esse autor enfatiza que as pessoas autistas apresentam reações anormais, frente às sensações diversas como: ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e degustar, pois têm atraso de linguagem e muitas vezes não desenvolvem a linguagem oral e escrita no mesmo padrão temporal de seus pares. O relacionamento com as pessoas, objetos ou eventos acontecem de uma forma diferenciada e os médicos acreditam que crianças TEA tenham um comprometimento orgânico do Sistema Nervoso Central. LUCKASSON (1997. 
 Na atualidade, as evidências demonstram que o autismo é adquirido e as descobertas da bioquímica do cérebro humano, permitiram que outras teorias fossem levantadas e, um diagnóstico melhor, se tornou possível. Alguns estudos na área de neuropsiquiatria e na área de neurologia realizados nos Estados Unidos demonstram que a síndrome autista prevalece em casos de meninos, e não existe uma frequência maior segundo a condição sociocultural, de raça e de etnia. O transtorno ocorre em qualquer família e, não há meios de conhecer nos exames pré-natais, se a criança será ou não autista. Os estudos garantem um aprimoramento das investigações psiconeurológicas e neuropsiquiátricas na atualidadepermitindo melhor qualidade nos cuidados dispensados aos autistas. RITVO E FEEDMAN (1978).
 De acordo com Dorneles, (2002) alguns autistas, realmente, não conseguem responder ao que é solicitado pelo professor, enquanto outras crianças autistas ainda têm uma limitação maior, e não conseguem aprender, conhecer e usufruir do ambiente, tal como fazem os alunos de igual idade, que sendo consideradas “normais” desenvolvem o conhecimento e se relacionam socialmente. Compete à escola incluir a criança autista da melhor forma possível no ambiente escolar. Esse autor explica que, muito do que se desvendar e conhecer sobre o comportamento autista, muitas dificuldades são encontradas por familiares e educadores, mas, a maior delas ainda é o preconceito.
 Após determinar o tipo de autismo que a criança possui e qual o grau de comprometimento é possível dar início ao tratamento da criança autista e caso o diagnóstico aponte a necessidade de medicamentos, o tratamento pode utilizar:
· Remédios prescritos pelo médico;
· Sessões de fonoaudiologia para melhorar a fala e a comunicação;
· Terapia comportamental para facilitar as atividades diárias;
· Terapia de grupo para melhorar a socialização da criança LUCKASSON (1997, p. 57). 
 De acordo com Luckasson (1997) hoje é possível reconhecer que existe tratamento para o TEA. Esses tratamentos estão evoluindo e melhorando a cada ano que passa, não só na área escolar como também na área médica. Segundo esse autor, a abordagem das crianças com TEA é igual ao tratamento utilizado com o deficiente mental grave e qual também apresenta bons resultados. 
 São utilizadas técnicas comportamentais com a finalidade de induzir uma normalização de seu desenvolvimento. Em seguida, as lições têm o objetivo de ensinar ao autista as noções básicas de funcionamento, também denominadas de AVD (atividades da vida diária) como, ensinar a se vestir, comer, a fazer sua higiene diária. Mostrar a hora do banho, como realizar suas tarefas diárias, o que é esperado dela. Lembrando que o autista não gosta de mudanças de rotinas e nem de ambiente muito claro e barulhento. 
 Os professores e especialistas usam as técnicas especiais de educação e em alguns casos fazem uso de medicamentos para normalizar os processos mentais básicos que estão comprometidos, como é o caso do uso do “fluramine”. Esse medicamento tem ação sintomática, não causa efeitos colaterais, e está sendo usado para controlar o comportamento das crianças autistas. Ele melhora o temperamento tornando a criança calma e controlada, possibilitando a introdução de técnicas escolares e comportamentais. LUCKASSON, (1997, p. 59)
2.3 O recebimento do autista na escola
 No contexto educacional, atualmente, existe um movimento para inserção das crianças autistas em escolas regulares, tanto pela legislação, como pelos familiares. Por isso, cada vez mais, a escola deve se adequar para proporcionar à criança com autismo as habilidades sociais que melhorem seu desempenho no âmbito educacional, social e ocupacional (STAINBACK; STAINBACK, 1999).
 Também, Kupfer (2004) ressalta a importância da inclusão educacional, porque entende que este é o principal instrumento de inserção social e, é a partir da evidência do TEA na criança que o tratamento para a criança deve ser priorizado, respeitando-se o tempo do aluno. Assim, a inclusão escolar é um fator diferencial no desenvolvimento de pessoas com transtornos globais do desenvolvimento e as experiências de sucesso no processo educacional para autistas ainda são pouco observadas, pela ausência e precariedade de serviços de atendimento aos indivíduos com autismo, principalmente no que se refere à esfera educacional (OLIVEIRA, 2002).
 Geralmente são colocados muitos obstáculos referentes à inclusão educacional do aluno com autismo, seja em classe regular ou mesmo em classe especial, porque muitos profissionais, segundo Bridi, Fortes e Bridi Filho (2006), ainda demonstram certo medo em trabalhar com o aluno com autismo. Essa angústia demonstrada pelo docente, e também pelos gestores e funcionários é resultante do desconhecimento das condições que o autista experimenta em sua vida. Entretanto, como o professor é cobrado pelos resultados conseguidos pelo aluno e segue um currículo pronto para a classe e para o ano ele se angustia ao se deparar diariamente, com a possibilidade de não obter respostas nas intervenções pedagógicas. O professor é o adulto importante na relação criança/professor e considerado o mais experiente porque tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança, principalmente no caso da criança com TEA. Compete a ele facilitar a apreensão dos diferentes aspectos do contexto onde ela está inserida.
 O TEA (Transtorno do Espectro Autista) impede a interação da criança com os colegas e prejudica sua socialização e a comunicação social. Se a escola ou a sala de aula são barulhentas e há muita movimentação é possível que a criança demonstre desconforto e sofrimento. A criança com transtorno autista não consegue acompanhar a aula em uma sala barulhenta. Os professores devem providenciar condições de essas crianças estarem em ambientes separados e mais tranquilos com o professor da sala de recursos ou com um cuidador, pois isso lhes é garantido por lei. (MANTOAN 1997)
 Quando a família, a equipe médica e também a equipe multidisciplinar se juntam para garantir ambiente melhor e mais tranquilo há um ganho perceptível na criança e ela tem melhora em todo seu desenvolvimento. Mantoan (1997) explica que o caminho compensa, pois existem diversos relatos que constatam uma melhoria na integração social da criança.
( ) Durante os primeiros anos da infância, as crianças autistas adquirem pouca ou nenhuma fala comunicativa e apresentam prejuízos substantivos no desenvolvimento sensório-motor. Elas se beneficiam da estimulação multissensorial, requerendo ambientes estruturados, favoráveis ao seu desenvolvimento e aprendizagem com apoio e acompanhamento constantes. MANTOAN, (1997, p. 89) 
Não existe uma receita única para cuidar do autista, cada criança tem sua maneira para responder ao que lhe é apresentado. Por isso, compete ao professor dar condições da criança com TEA desenvolver as suas funções cognitivas superiores, e a sua capacidade de abstração. Porém, o que funciona para uma criança com TEA pode não funcionar para outra e que cada criança com autismo representa um desafio para a família e para a escola, mas é essencial, de acordo com Mantoan (1997), que elas sejam consideradas em suas especificidades. Essa autora enfatiza que para ensinar, o docente não precisa ser especialista no transtorno. Ela afirma que é preciso que o professor conheça seus alunos de modo individual, que ele decodifique o caminho trilhado pela criança para aprender sabendo como cada um aprende. Mantoan (1997) explica que não é essencial que o professor seja detentor de um conhecimento específico, para promover a inclusão das crianças e adolescentes com TEA. 
 A educação inclusiva acontece com a criança autista quando há uma mudança na forma como a escola pensa e faz educação. Nesse contexto, é essencial um repensar na proposta pedagógica. A Proposta Pedagógica precisa contemplar toda ação que será desenvolvida pelos professores que têm alunos de inclusão, e se a criança for autista é preciso encarar com seriedade forma de educação a ser trabalhada por toda escola. (DORNELES, 2002).
 Em relação ao quadro de autismo nas crianças matriculadas nas escolas, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, explica que compete aos professores ficarem atentos às mudanças comportamentais como: comprometimento na interação social e na comunicação, além da manifestação de interesses restritos e repetitivos. Ao perceberem que a criança manifesta esses sinais, os estudiosos afirmam que há necessidade de emitir um sinal de alerta aos psicopedagogos e psicólogos, ligados à instituição escolare solicitar aos pais o encaminhamento da criança ao neuropediatra e ao neurologista para estudos do quadro demonstrado.
 Porém, para Dorneles, (2002) a escola não tem o compromisso de fazer o diagnóstico da criança. Esse autor alerta que é essencial que o professor ao perceber alterações comportamentais e sociais na criança transmita o caso também ao Coordenador Pedagógico, pois, muitas escolas não contam com a figura do psicopedagogo, e o diagnóstico deve ser providenciado com presteza, pois quanto mais cedo começarem as intervenções maiores as possibilidades de auxiliar a criança em sua vida. A Coordenação Pedagógica procura ir ao encontro da família e, em conjunto com ela, solicitar avaliações profissionais que devem ser realizadas através de exames genéticos, neurológicos, psicológicos, pedagógicos, fonoaudiológicos e outros mais que a equipe multidisciplinar julgar necessários. 
 O surgimento de lei específica favoreceu a situação da inclusão do autista. Essa Lei n° 12.764/2012 instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e assegurou o direito à educação, em todos os níveis do ensino para toda pessoa que comprovar possuir o Transtorno do Espectro Autista. Essa garantia, porém, fica comprometida, na atualidade, porque faltam profissionais habilitados para acompanhar essas pessoas nos diferentes níveis de ensino. Uma educação inclusiva tem como pressuposto a educação para todos, garantindo que, independentemente de possuir alguma limitação, as crianças terão acesso a uma educação de qualidade. Na escola, os alunos têm a garantia do acesso ao conhecimento científico. É na instituição escolar que as crianças aprendem formas e possibilidades de empregarem esses conhecimentos, na elaboração de novas produções, e ampliam seu conhecimento do mundo e o horizonte social e criativo. A escola inclusiva, portanto, não se limita a mudar suas características apenas para atender os alunos com dificuldade de aprendizagem, ela flexibiliza projetos e planos para que todos os alunos aprendam. Por isso, a escola inclusiva é uma instituição que entende que a relação escola e família são importantes na adaptação e permanência da criança em um espaço coletivo. Estimula a participação da família, para que a adaptação da criança autista seja efetiva e ela possa, através das atividades propostas pelo professor, desenvolver os aspectos físico, cognitivo, psicológico e emocional de sua personalidade.
 Portanto, a escola inclusiva torna-se o local privilegiado onde através de aulas bem planejadas o professor favorece o desenvolvimento da criança. Isso é enfatizado pela integração entre os protagonistas alunos, professores e gestores colaborando para a formação de conceitos e valores. O professor da classe onde há o autista promove um trabalho constante em suas aulas, motivando-as através de atividades bem elaboradas, buscando a aceitação e o desenvolvimento sócio - emocional, da criança autista junto aos seus pares.
3 O AUTISMO E A ADOLESCÊNCIA
 Autismo e adolescência se apresentam como grandes desafios sendo temas que enchem de preocupação os pais e os profissionais das mais diferentes áreas, surgindo o questionamento: 
· Como uma pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrenta a adolescência?
· Como prepará-la para essa fase tão complicada e cheia de desafios?
 Observou-se que a família, ao se deparar com o TEA, tende a buscar e coletar mais informações sobre o tratamento adequado. É de fundamental importância que a família participe, aumentando o estímulo ao desenvolvimento do jovem, além de proporcionar a desconstrução de rótulos e inverdades sobre o transtorno. Embora todos os portadores de TEA partilhem estas dificuldades, cada uma delas será afetada em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.
 Sendo a adolescência é uma fase cheia de desafios para todas as pessoas acredita-se que para os autistas ela seja mais exacerbada, pois esses desafios se tornam mais frequentes. Há uma forte demanda de habilidades sociais, como a parte da sexualidade, autoestima, responsabilidades, depressão, ansiedade e comportamentos muito rígidos. São muitas decisões a serem tomadas e, no caso do adolescente leve ou moderado, há uma dificuldade de entender o que está acontecendo e ele começa a perceber que há algo diferente com ele.
As dificuldades demandam maior envolvimento da família a fim de impactar no preparo da pessoa com TEA (PEREIRA; RODRIGUES, 2018). No entanto, dentre os inúmeros aspectos das famílias no convívio com um membro com TEA, observa-se a dificuldade da família e da própria pessoa com TEA em desprender-se da identidade infantil para a aquisição da identidade adolescente, repercutindo na privação de vivências inerentes a esta nova etapa de vida (KERNIER; CUPA,2012).
 O apoio familiar, os grupos sociais também são espaços de transição entre o universo infantil e o adulto, porém podem ser um meio pelo qual os adolescentes possam proteger-se das muitas exigências e críticas e fortalecer a autoestima através da imagem remetidas pelos outros, além de proporcionarem uma comparação e um meio para obterem informações que ultrapassam o contexto familiar. (BARROS, 2002; SANTROCK, 2014).
 No contexto psicossocial da adolescência, é comum deparar-se com a desconstrução do universo infantil, favorecendo para a estruturação de si mesmo, rumo ao universo adulto. Nesta nova fase, o adolescente vivencia experiências com o corpo e com a sexualidade, além de transformações relacionadas com o psicológico, de uma identidade em transformação, com novas representações de si mesmo (MARTY; KERNIER, 2010).
 Destacam-se os conflitos desta etapa de vida quando associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mostram-se mais complexos, pincipalmente por ser caracterizado por prejuízos sociocomunicativos, comportamentos estereotipados e repertório restrito de atividades e interesses (ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 2014). 
 O jovem autista começa a ver que os colegas estão evoluindo, fazendo escolhas, namorando, e a dificuldade na área social é uma característica do autista. Ele geralmente não consegue se inserir de forma adequada. Há uma vontade, mas, ao mesmo tempo, o adolescente autista não se encaixa nos grupos. Portanto, é extremamente essencial que esses adolescentes autistas estejam bem acompanhados por especialistas e por tratamentos adequados, para que as questões típicas dessa fase não se tornem mais problemas a serem resolvidos.
as mudanças biológicas e hormonais acontecem da mesma forma que para os demais adolescentes e existe um desafio maior para se expressar, de entender essas mudanças, principalmente biológicas.
 Cabe à escola ter uma preparação teórica e prática de como incluir esses adolescentes de forma eficiente na grade do ensino e como adaptar o material. E os professores precisam ter formação e condições para lidarem com esse público diferenciado. Os autistas conseguem aprender, é um cérebro que funciona de uma forma diferente. Portanto, eles aprendem de uma forma diferente e a escola não está preparada para ensinar dessa forma diferente, mas sim para ensinar a média. No entanto, a escola sempre pode influenciar, não só na fase da adolescência quanto em qualquer fase, porque é um local onde o indivíduo passa a maior parte do tempo e, com certeza, a aprendizagem acadêmica e social está muito ligada a esse período.
 Por outro lado, o diagnóstico de TEA pode ser acompanhado de habilidades impressionantes, como facilidade para aprender visualmente, muita atenção aos detalhes e à exatidão; capacidade de memória acima da média e grande concentração em uma área de interesse específica durante um longo período de tempo.
 Conforme o autor Mundy Peter em Centro para Autismo e Deficiências Relacionadas, Universidade de Miami, EUA, cita o autor Charman(2005): 
 “Nos últimos 20 anos, uma melhor compreensão sobre algumas das características sociais do autismo e de distúrbios relacionados levou a progressos na identificação e no diagnóstico precoces. Os tratamentos mais frequentemente recomendados para o autismo são comportamentais, psicológicos e educacionais”. (CHARMAN, 2005)
 Há autores que chamam a atenção para as contradições em relação ao diagnóstico em si quanto ao encaminhamento para tratamento. Segundo a autora, BOSA, é importante
“Estimular o desenvolvimento social e comunicativo; aprimorar o aprendizado e a capacidade de solucionar problemas; diminuir comportamentos que interferem com o aprendizado e com o acesso às oportunidades de experiências do cotidiano; ajudar as famílias a lidarem com o autismo”. (BOSA, www.scielo.br)
 
 Nesse sentido, destaca-se a escola como um dos espaços que favorecem o desenvolvimento, tanto pela oportunidade de convivência com outras pessoas quanto pelo importante papel do professor, cujas mediações favorecem a aquisição de diferentes habilidades.
 De acordo com Höher Camargo e Bosa (2012), o contexto escolar oportuniza contatos sociais, favorecendo o desenvolvimento do autista, assim como as demais na medida em que convivem e aprendem com as diferenças. 
 Silva e Facion (2008) afirmam que os demais alunos irão se enriquecer por terem a oportunidade de conviver com o diferente. Já Fiaes e Bichara (2009) pontuam a escola regular como um contexto no qual a criança com dificuldades encontra modelos mais avançados de comportamentos para seguir.
 O papel dos pais na vida de um adolescente autista é fundamental, independentemente do grau de autismo. Essas pessoas precisam da presença dos pais, que terão a missão de educar. O comportamento adolescente é um período mais difícil, os hormônios estão à flor da pele e há uma tendência de rebeldia do autoquestionamento. Essas questões são naturais para todo mundo e para os adolescentes autistas, vão se potencializar. Sendo assim, o papel dos pais para qualquer adolescente seja de extrema importância para que essa transição seja o mais agradável e o menos conflituoso possível, para que o adolescente passe por essa fase com autoestima, responsabilidade e autoconfiança.
3.1 O autista adolescente e o mercado de trabalho
 Outro grande desafio é a escolha profissional para o autista uma vez que aspectos como a formação de identidade, o conhecimento sobre os gostos pessoais e as dificuldades em fazer escolhas estão direcionadas unicamente para a deficiência apresentada. O adolescente beneficia-se com oportunidades profissionais voltadas para as suas potencialidades, criatividade e expressão de sua identidade, favorecendo para o desenvolvimento de um futuro profissional (TALARICO; PEREIRA; GOYOS, 2019).
 As transformações na fase da adolescência afetam tanto a pessoa com deficiência, quanto o ambiente em que ela está envolvida. Deste modo, a experiência com o mercado de trabalho auxilia o adolescente no desenvolvimento de seu pensamento sobre o mundo e sobre as pessoas (SANTOS; XAVIER; NUNES, 2009).
 A Organização das Nações Unidas - ONU, por exemplo, declarou o ano de 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, obtendo importantes resultados nesse período, com seu Programa de Ação, adotado pela Assembleia Geral através de sua resolução 37/82, de 3 de dezembro de 1982. Em nível nacional, o Decreto nº. 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, em seu inciso II, adverte que a educação especial como modalidade de educação escolar faz parte do sistema educacional e permeia transversalmente todos os níveis e as modalidades de ensino. 
Para a verdadeira inclusão em uma sociedade de mercado, onde o poder de compra é fator de inclusão, além de ser o trabalho o principal espaço de convivência social, é imprescindível que o deficiente possa conquistar seu emprego. A Constituição trouxe, em seu art. 203, incisos IV e V, que a assistência social tem como objetivo promover a inclusão dos indivíduos com necessidades especiais na sociedade e no mercado de trabalho. Ainda neste procedimento, no dia 6 de julho de 1988, foi sancionada a lei 13.146, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). O objetivo da lei é assegurar os direitos das pessoas com deficiência, promover a equiparação de oportunidades, dar autonomia a elas e garantir acessibilidade. Entre outros direitos, criou o auxílio-inclusão, que se refere ao pagamento de uma ajuda de custo para o deficiente que exercer atividade remunerada, ou seja, que ingressar no mercado de trabalho.
3.2 O autista e a adolescência e a questão social
 As relações sociais, no caso de pessoas com o TEA, também podem ocorrer por meio de vivências em instituições de tratamento com outros jovens (SCHMIDT; BOSA, 2007). As Instituições de tratamento podem constituir uma rede de apoio à família, realizando suporte emocional para as mães ou responsáveis, considerando que estes mantêm contato diário com o adolescente. (MORALES; SILVA; CUVERO, 2010). 
 Atividades esportivas e de lazer mostram-se como importantes alternativas: (Camping, ir ao cinema, cantar em um coral, jogar Tênis, jogar Xadrez, ouvir música, dançar) para a ampliação das habilidades sociais, promoção de saúde e principalmente, prevenção de incapacidades e inclusão social. Além de constituir um direito, possibilita ao adolescente maior contato com outras pessoas, favorece a autonomia e a reabilitação psicossocial (BRASIL, 2013; LIRA JUNIOR, 2018; PHEBO; ROBIM, 2012). 
 A uma educação inclusiva pode ser caracterizada como uma grande utopia por parte dos educadores, das pessoas com deficiência e dos seus familiares, que devem estar todos comprometidos com uma educação de qualidade. No entanto, faz-se necessário que se produzam propostas com efeitos reais no processo de inclusão. Deste modo, é possível que mesmo estas propostas utópicas tenham grande potencial de gerar futuras práticas, no sentido de ajudar efetivamente o processo de transformação das instituições educacionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Diante do exposto a partir de pesquisas bibliográficas e observações de autores conceituados, foi possível identificar os aspectos diversos do Transtorno do Espectro Autista, suas limitações e comportamentos para apontar a importância da Inclusão de alunos, portadores da Síndrome, em sala de aula e ao buscar conhecimento para compreender fenômenos também na adolescência e buscar alternativas pedagógicas especiais.
 Através dessas pesquisas foi possível identificar que embora a educação do aluno com necessidades especiais ainda seja encarada como um desafio, as políticas de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, permeadas por documentos legais e orientadores que dizem respeito à inclusão de todos os alunos na escola e na sociedade, vem chamar as escolas a se adequarem a essa realidade e atendê-los satisfatoriamente. No decorrer desse processo foi válido salientar Métodos Específicos de acompanhamento e as práticas pedagógicas desenvolvidas na sala de aula regular frente ao processo de inclusão do aluno com autismo e investigar a oferta do Atendimento Especializado, como elemento que viabiliza a inclusão desse público no contexto escolar. Dessa maneira compreender como está organizado o ensino para atender a inclusão do aluno com TEA e qual a relação entre o professor da sala de aula regular e o professor do Atendimento Educacional Especializado, bem como relatar possíveis atividades pedagógicas motivadoras. 
 Apresenta-se também a necessidade de formação dos professores, levando em consideração a importância do conhecimento real e aprofundado sobre o TEA. É pertinente, todavia, salientar que a concretização da interação entre os profissionais da escola regular e da escola que oferta o AEE, tem caráter de urgência e que essa
realidadepossa ser modificada, por exemplo, através de reuniões coletivas com profissionais, configurando-se momentos de interação e troca de conhecimentos, onde se planejem estratégias e formas de inclusão desse aluno no espaço escolar e que, viabilizem uma inclusão efetiva e que os alunos consigam ganhar sua independência escolar, familiar e social.
 A necessidade de ampliar as pesquisas em relação aos adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista, para compreender as habilidades pessoais, oportunizar o contato com atividades coerentes com a fase de desenvolvimento, incluindo a inserção no mercado de trabalho, atividades de lazer e esportivas, são estratégias ampliam as oportunidades de convívio dos adolescentes e favorecem experiências coerentes com esta fase da vida, minimizando a exclusão social e promovendo a ruptura de rótulos acerca da deficiência.
 Portanto, é preciso intervir na atuação dos profissionais tanto da escola comum, como do Atendimento Educacional Especializado, para que esse planejamento se concretize de forma idônea, com a qual o professor e os demais educadores, que compõem a escola, sejam pesquisadores constantes de suas práticas, refletindo sobre o fazer e propondo alternativas de mudança.
 Na expectativa de minimizar os desafios da inclusão dos alunos com transtorno do Espectro Autista, o estudo tornou-se um exercício de ampliação de conhecimentos que potencializam as possibilidades de uma leitura ainda mais crítica da situação real do cotidiano escolar, principalmente, sobre a inclusão.
 A investigação contribuiu para reconhecer as implicações presentes e futuras para a inclusão de alunos que necessitam de adaptações nas escolas e que devem ser levadas em consideração por aqueles que acreditam na inclusão do aluno com necessidades especiais, seja no contexto escolar, social e familiar. Vale ressaltar que atualmente, com uma melhor compreensão sobre o TEA, é viável planejar intervenções mais eficazes para o desenvolvimento do aluno com autismo, visando o apoio a famílias de pessoas com deficiência, e a intervenção profissional no âmbito escolar.
 Neste sentido, o presente estudo buscou caracterizar o desenvolvimento psicossocial de adolescentes com TEA, destacando peculiaridades frente às relações familiares (família nuclear), relações pessoais (amizades e namoro), integração social (lazer e trabalho), escolar e institucional.
 A expectativa é que esse artigo elucide as dúvidas de professores e gestores relativas ao cuidado com as crianças e jovens que tem TEA. Através do emprego da Experiência de Aprendizagem Mediada que têm dado bons resultados quando são utilizados em escolas da rede particular e da rede regular de ensino.
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