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➔ LESÕES CELULARES ➢ Lesões/ alterações que ocorrem dentro da célula devido a algum agente nocivo. ➢ A base da maioria dos processos patológicos está nas lesões celulares. ➢ Causada pela perda da homeostasia celular (equilíbrio de funcionamento de células). → a célula consegue se manter em uma situação de equilíbrio até certos limites. Se ela sofrer alguma lesão / estímulos nocivos, ela pode tentar se adaptar a essa nova condição, se ela não consegue se adaptar, ela sofre uma lesão celular, ➢ As lesões celulares são causadas por agente agressores que provocam modificações moleculares nas moléculas da célula, que vão se aglomerando/somando e muitas vezes resultam em alterações morfológicas (na forma e na função das células – perde sua função). ➢ Ocorre quando o limite aceitável de normalidade é extrapolado (variável). ➢ É um processo progressivo. * Saúde: corpo está em homeostase (funções e a anatomia estão preservadas – tanto o funcionamento do organismo, como a sua forma (tecidos, órgãos) estão em condições normais anatomicamente e funcionalmente (fisiologicamente)). A situação de saúde de um indivíduo, reflete a saúde de suas células (unidade básica do ser vivo). * A perda da homeostase da célula resulta em desequilíbrio nas funções orgânicas e consequentemente em doenças. ● Doenças → originadas de agressões que desequilibram as funções das células dos tecidos, dos tecidos, dos órgãos, quebrando a homeostasia. ● O QUE pode provocar a doença? → Diversos estímulos. ➢ Causas Gerais de Lesão Celular: → AGENTES EXÓGENOS: ✗ Agentes físicos: Traumas mecânicos, extremos de temperatura, variações de pressões atmosféricas, radiação e choque elétrico. ✗ Agentes químicos e drogas: Glicose e sal em concentrações hipertônicas, aumento da [Oxigênio] (aumenta a produção de radicais livres), venenos, toxinas bacterianas, poluentes do ar, inseticidas, álcool, drogas. → AGENTES ENDÓGENOS: ✗ Hipóxia: redução de oxigênio na circulação sanguínea, levando a diminuição da respiração aeróbia celular e consequentemente uma quebra na produção de ATP. (≠ isquemia). ✗ Agentes infecciosos: Desde vírus à grandes vermes como a Taenia sp. ✗ Reações imunológicas: Processos inflamatórios, reações anafiláticas e doenças auto - imunes. ✗ Distúrbios genéticos: Má formações congênitas ex: síndrome de Down, erros inatos do metabolismo. ✗ Desequilíbrios nutricionais: Deficiências proteico – calóricas e vitaminas, distúrbios como anorexia nervosa, inanição, obesidade, aterosclerose. Exemplo: Uma célula deficiente de nutrientes: Não consegue produzir energia para suas funções, logo, para ela se manter viável mesmo recebendo pouco nutriente, ela realiza autofagia (consumir suas próprias moléculas – organelas e proteínas-) gerando atrofia da célula → metabolismo reduzido, síntese proteica não está acontecendo normalmente! A célula está tentando se adaptar a uma situação de privação. Se essa privação for muito prolongada, começa a ter disfunções/alterações morfológicas e fisiológicas que levam a uma lesão. Inicialmente, se o estímulo for leve e transitório, essa lesão será reversível, ou seja, cessando o estímulo/removendo a causa (nesse caso, retomando a nutrição da célula) ela volta ao normal (Agressão persistente). Porém se esse estímulo continuar progressivamente/ persistentemente ou se for muito intenso, a célula pode não aguentar e entrar em lesão irreversível (quando ultrapassa o ponto de não retorno) entrando em morte celular (necrose ou apoptose) (Agressão aguda). * Hipóxia: insuficiência respiratória (menos oxigênio que deveria no sangue e os tecidos recebem menos oxigênio do que deveria), situação sub – letal, ou seja, não leva a morte imediata, não causa lesão irreversível. Essa situação pode levar a uma situação de adaptação celular. ➢ As lesões celulares dependem de: → Incapacidade de se adaptar. → Duração do estímulo/tempo de agressão. → Intensidade do estímulo. → Natureza do estímulo lesivo. ➢ A resposta aos estímulos dependem: → Tipo de injúria. → Duração e gravidade da injúria. → Tipo de célula e seu estado metabólico. Exemplo: existem diferentes respostas a isquemia (falta de atp) nos diferentes tecidos do corpo: O cérebro é mais sensível a falta de atp do que músculo cardíaco! O neurônio não possui reserva de glicogênio como no músculo, ele produz atp por meio da via glicolítica. Se acaba a oxigênio no músculo, ele consegue consumir sua reserva de glicogênio, aguenta mais tempo sem suprimento sanguíneo, já o cérebro em pouco tempo sofre morte celular. COMO? (mecanismo, como o processo surge): O que as causas de lesão provocam na célula para perder a homeostase? ➢ 4 sistemas são particularmente vulneráveis na célula (são muito sensíveis na célula e as lesões podem induzir): 1. Respiração aeróbica, envolvendo fosforilação oxidativa e produção de ATP (principal causa de lesão celular). 2. Alterações da integridade das membranas celulares (permeabilidade seletiva). 3. Influência na síntese de proteínas enzimáticas e estruturais. 4. Preservação da integridade do conteúdo genético da célula (dna). Como os agentes lesivos provocam alterações nessas 4 situações? MECANISMO DAS LESÕES: lesão celular é originada de múltiplos mecanismos inter - correlacionados e ao mesmo tempo: 1. Depleção de ATP → 2. Danos mitocondriais → 3. Acúmulo de íons Ca++ → 4. Acúmulo de radicais livres → 5. Danos às membranas → 6. Danos ao DNA e às proteínas. 1. DEPLEÇÃO DE ATP (FALTA DE ATP): ➔ O ATP é um dos fatores primordiais para o funcionamento da célula, para a manutenção da homeostasia celular. Sem ATP várias funções celulares ficam comprometidas. Ex: síntese de proteínas, bombas de íons ATP dependentes (primeiro que falha com deficiência de atp). • Depleção de 5 a 10 % de ATP compromete: ➔ Atividade da bomba de sódio e potássio (potencial hidroeletrolítico da membrana). ➔ Glicólise anaeróbica: diminui a quebra da glicose, fazendo com que o glicogênio seja degradado/consumido a partir da via anaeróbica com acúmulo de ácido lático, fazendo com que pH caia → pois sem ATP a fosforilação oxidativa fica comprometida. ➔ Falência da bomba de Ca 2+: O Ca 2+ fica no meio extracelular, altos níveis de Ca 2+ no citosol na célula desencadeiam uma série de mecanismos danosos para a célula. → Desprendimento dos ribossomos. → Dano irreversível às mitocôndrias e ao RE. ➔ O que pode causar depleção de ATP? → ↓ [oxigênio] = interrompe a fosforilação oxidativa, para produzir ATP é necessário do oxigênio na cadeia respiratória na mitocôndria. → ↓ nutrientes = sem glicose a produção de ATP diminui. → Danos às mitocôndrias, mitocondriais, substâncias tóxicas (ex. cianeto: inativa a citocromo – oxidase das mitocôndrias). Vaso com trombo obstruindo o fluxo sanguíneo↳ provocando isquemia. O tecido que está sem receber sangue sofre necrose, pois a mitocôndria que está sem receber sangue, diminui a fosforilação oxidativa, o processo de síntese de ATP fica comprometido. Então lesão isquêmica ou química tóxica na célula produz baixa fosforilação oxidativa, baixa produção de ATP! Sem ATP a primeira coisa que para são as↳ bombas de Na + e de Ca 2+ . Com a bomba de Na + sem funcionar, aumenta o influxo de Ca 2+ , água e Na + para dentro da célula, e o efluxo do K + para fora da célula. O excesso de íons na célula provoca alteração osmótica, muitos íons atrai água, deixando a célula inchada (tumefação celular). Outra ação da falta de ATP é o aumento da glicose anaeróbica, pois já que não tem oxigênio, ocorre a produção de ATP pela quebra da glicose por via anaeróbia por fermentação, formando ácido lático. O excesso de ácido lático faz cair o pH, fazendo com que a cromatina nuclearse condense. Devido a inchação celular (edema) o retículo endoplasmático que também é uma organela membranosa onde ocorre a síntese proteica, fica tumefeito onde os ribossomos se destacam (desprendem) no retículo e se rompem, comprometendo a síntese proteica. Com isso, temos como consequência: mal dobramento de proteínas e dano irreversível às mitocôndrias. Se esse processo for prolongado, leva a uma↳ lesão irreversível, passa o ponto de não retorno e culmina na morte celular. 2. INFLUXO DE ÍONS CÁLCIO: → O Ca 2+ deve ficar no meio extracelular. Dentro da célula o Ca 2+ fica nas membranas mitocondriais e no retículo, pois ali ele é cofator * enzimático, auxiliando na função de várias enzimas. Porém Ca 2+ NÃO pode ficar no citosol (é danoso). *cofator: quando a enzima está na sua forma inativa, e se acopla ao cofator, ela fica em uma forma mais ativa e acelera a função enzimática. → O excesso de Ca 2+ no citosol ativas enzimas fosfolipases, que quebram/degrada fosfolipídios, esses encontrados nas membranas, provocando dano. → Ele também ativa as proteases, quebrando proteínas do citoesqueleto, perdendo sua sustentação → dano à membrana. → Quebra endonucleases→ dano ao DNA. → Quebra ATP → aumenta mais o consumo de ATP e diminui o ATP dentro da célula. → Na membrana da mitocôndria ficam as proteínas da cadeia respiratória, onde ocorre a síntese de ATP e fosforilação oxidativa. Se ocorre fosfolipase quebrando lipídio, degrada a membrana da mitocôndria e vai consumir/danificar a membrana da mitocôndria, aumentando a permeabilidade da membrana da mitocôndria. Isso causa poros de transição, permitindo com que substâncias que não deveriam atravessam a membrana, e isso faz com que o funcionamento da mitocôndria na produção de ATP também fique comprometido. A falha na produção de ATP, induz falha na bomba de cálcio, aumentando cálcio citosólico, e acaba reduzindo mais ainda o ATP. 3. GERAÇÃO DE RADICAIS LIVRES DE OXIGÊNIO: → Radicais livres: é uma molécula que geralmente é originada de um processo metabólico, da quebra de alguma molécula orgânica. Na degradação da proteína, glicose ou mesmo na fosforilação oxidativa, produz moléculas que ficam com 1 elétron a mais, Ex. Radical superóxido (oxigênio com 1 elétron a mais), um elétron altamente reativo (fica circulando na última camada do átomo e onde encostar ele faz uma reação de óxido - redução). → Por serem altamente reativos, reagem com os componentes celulares provocando danos, especialmente ao DNA (alteram as bases nitrogenadas e provocam ligações alteradas no DNA, nas proteínas, quebram lipídio). → O próprio metabolismo normal da célula, com a degradação e síntese de produtos celulares produz radicais livres. → Por que os radicais livres não são tóxicos para todo mundo? Nós temos mecanismos naturais de combate aos radicais livres (neutralização). As nossas células possuem a enzima superóxido desmutase, que quebra a água oxigenada, produzindo o radical hidroxila, entre outras enzimas. → Suco detox: possuem vitamina A, B e C que são antioxidantes, onde vão neutralizar radicais livres. → Em algumas situações os radicais livres de oxigênio podem ter efeitos patológicos: danificar os lipídios de membrana, produzem modificações nas proteínas produzindo quebra ou mal dobramento de proteínas (os elétrons se ligam aos polos positivos das proteínas, provocando alterações nos aminoácidos) e danos ao DNA e induzem mutações (uma das causas de câncer). → Quando que os efeitos dos radicais livres são danosos para o organismo? quando a produção de radicais livres é maior do que o efeito antioxidante natural (nutrição inadequada, poucas vitaminas antioxidantes e as células com algum desequilíbrio), stress oxidativo. ➔ Caso L10 – Necrose de coagulação: → Paciente portador de cardiopatia chagásica. → Óbito por arritmia cardíaca. → 3 dias antes do óbito, apresentou forte dor lombar com hematúria (urina com sangue). indicativo de hemorragia no rim (lesão renal).↳ → O que pode ter causado essa lesão renal? ● Macroscopia: → Rim Pesando 150 g:↳ Peso normal do rim = 120 a 180 g↳ → Na região cortical apresentou-se uma área triangular com vértice voltado para a medula: Área que↳ ocorreu a necrose; Rim: artéria↳ renal se ramifica (circulação única terminal – somente 1 vaso trazendo sangue). → Se ocorrer obstrução em um domínio da artéria renal, toda a área que está irrigada por esse ramo sofre isquemia (falta de suprimento sanguíneo). As células sem receber o suprimento sanguíneo entram em lesão (ocorrem vários mecanismos, como falta de ATP, falha das bombas, células incham) onde se for uma lesão intensa ou progressiva, iram culminar na necrose (morte celular causada por autólise – ruptura de lisossomos que possuem enzimas digestivas). → Região cortical alargada e pálida, e área triangular: ↳ INFARTO: necrose causada por isquemia. → Área triangular branca e amarelada: Tecido está se digerindo (autólise)↳ → Halo hemorrágico em volta da área hemorrágica: O sangue chega, mas como a passagem está↳ obstruída, ele começa a congestionar os vasos da periferia e tem-se uma ruptura de vasos (hemorragia) → Rima amarelada: Devido ao extravasamento de conteúdo celular,↳ ocorre um processo inflamatório. Como não tem sangue para chegar na área necrótica, os leucócitos se acumulam na periferia e fagocita as bordas. Isso ocasiona em inflamação crônica, tendo a formação de tecido de granulação, angiogênese, a medida que novos vasos vão surgindo, essa área sofre reparo (fibrose – cicatrização). Na fase crônica da doença de chagas, pode ocorrer destruição (lesão) das fibras nervosas e musculares do coração, afetando a função cardíaca e, consequentemente gera cardiopatia inflamatória e fibrosante que leva a arritmias cardíacas. Essa lesão favorece a trombose porque acaba alterando a liberação de fatores pró e anticoagulantes, ou seja, altera a cascata de coagulação e o sistema fibrinolítico, formando um trombo mural na cavidade cardíaca. O movimento do fluxo sanguíneo emboliza o trombo formado, que segue até a artéria renal e acaba obstruindo a passagem da artéria, ocasionando isquemia e consequentemente um infarto branco (área de necrose de coagulação provocada por obstrução arterial). O infarto renal causou uma sobrecarga do coração gerando uma arritmia cardíaca levando a óbito. A isquemia provoca um colapso na célula devido a falta de oxigênio, provocando a dor lombar e apesar de ter ocorrido o infarto, o rim continua recebendo sangue na área infartada, formando um halo hemorrágico que causa extravasamento de sangue, justificando o sintoma de hematúria ( sangue na urina). → Por que a doença de Chagas é um fator de risco da trombose? Pois ela envolve fatores da tríade de virchow: → Dentro do coração temos: Lesão:↳ pela presença do protozoário e pelo processo inflamatório lesionando a parede do coração. Estase:↳ Ocorre a tentativa de reparo, e um coração com fibrose não bombeia o sangue normalmente, tendo um fluxo sanguíneo lento (estase), congestão (o sangue fica acumulado no coração). * Essa destruição de miocardiócitos provoca insuficiência cardíaca (não tem contração adequada). → É um trombo mural. O fluxo sanguíneo no trombo faz nebulizar e ao cair na circulação arterial foi para a artéria renal (pode ir para outros lugares também). • Dano à membrana: Indicativo de que lesão já está no estado irreversível e passou no ponto de não-retorno. → NECROSE: morte celular por autólise. É uma consequência da morte celular sendo↳ precedida pela autólise (degradação enzimática dos componentes celulares por enzimas da própria célula liberada por lisossomos apósa morte celular – responsável pelas alterações morfológicas. A morte celular já aconteceu, mas a necrose só↳ é visível e aparente ~ 24 h depois. A Necrose também pode ocorrer por↳ HETERÓLISE: enzimas extracelulares provindas de macrófagos e leucócitos. • Alterações morfológicas na célula necrótica: → NECROSE DE COAGULAÇÃO: Citoplasma:↳ muito eosinofílico (meio ácido – glicólise anaeróbia),→ desnaturação das proteínas do citoplasma (proteínas se aglutinam – perdem sua conformação). Isso deixa o citoplasma fortemente corado pela eosina (Rosa) A deposição de massas de fosfolipídios↳ resultante das organelas digeridas formam as figuras de mielina. → Núcleo: Picnose:↳ condensação/digestão da cromatina. Cariorrexe:↳ fragmentação do núcleo picnótico. Cariolise:↳ total digestão do DNA-lise pelas enzimas (coloração nuclear pálida e fraca. * Diferenças entre necrose e apoptose: Uma das principais lesões celulares que desencadeia processo de apoptose é lesão ao DNA. A causa da lesão irreversível por apoptose envolve processos internos dentro da célula altamente programados. Morte celular programada ou suicídio celular, a célula tem algum erro grave, principalmente em proteínas, no DNA, que atrapalha o funcionamento da célula, ela mesmo se mata para evitar danos maior ao hospedeiro. Ela faz isso por meio de um processo altamente regulado, coordenado por enzimas nucleares chamadas de caspases que vão induzir a formação de corpos apoptóticos. Essas enzimas fazem com que alguns vacúolos são formados na célula, envolvendo as organelas e DNA e formar corpos apoptóticos (se fragmentam em pequenas frações dentro de vesículas, não ocorrendo extravasamento de conteúdo celular). Esses corpos apoptóticos são fagocitados por macrófagos teciduais, não estimulando processo inflamatório. * Principais diferenças: A célula da apoptose em vez de inchar, ela diminui pois tem processo de autofagia (digestão dentro da célula). Em vez de extravasar o conteúdo celular, ela forma corpos apoptóticos. DEPENDENDO DA CAUSA DA MORTE E DO TIPO DE TECIDO AS ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DA NECROSE PODEM SER DIFERENTES. → TIPOS DE NECROSE: • Coagulativa: → Macroscopicamente: infarto em cunha, área esbranquiçada, consistência amolecida diferente do tecido normal; é possível visualizar o contorno/arquitetura das células. → Microscopicamente: túbulos renais eosinofílicos, sem núcleo. → Tipo de tecido: denso, parenquimatosos e rico em proteína (ex. Músculos). → Causas: principal isquemia ou hipóxia prolongada. • Liquefação: → Macroscopicamente: região com consistência mole, semifluida ou liquefeita. → Microscopicamente: falhas no tecido. → Tipos de tecido: Tecido nervoso. Ex. Cérebro, rico em lipídio (muita bainha de mielina, membranas lipídicas, barreira hematoencefálica). Em ph baixo derrete, perde a consistência. Pode ser em outros tecidos dependendo da causa, por ex, no rim causado por bactérias e na pele por bactérias (abscesso). → Causas: Comum após anóxia do sistema nervoso, supra-renal ou mucosa gástrica. Ex. AVC (derrame): falta de suprimento sanguíneo em uma parte do cérebro e essa área morre. Sem tecido conjuntivo, mas tem as células da glia como preenchimento, logo, em volta da área necrótica forma-se uma pseudocápsula pelo crescimento de células da glia, os astrócitos começam a se proliferar e secretar gliose, e preenche o tecido. • Caseosa: → Macroscopicamente: Aspecto de massa de queijo, friável. → Microscopicamente: massa homogênea, acidófila, contendo alguns núcleos picnóticos e núcleos fragmentados na periferia (cariorrexe); as células perdem totalmente os seus contornos e os detalhes estruturais. → Tipos de tecido: não necessariamente no pulmão, a bactéria da tuberculose pode se espalhar, principalmente em imunocomprometidas, podendo ir para o rim, linfonodo. → Causas: característica da necrose causada pelo bacilo da tuberculose. Os macrófagos fagocitam a bactéria e não conseguem digerir o agente, e os macrófagos formam células gigantes e acabam morrendo. Tem-se o núcleo necrótico com um granuloma ao redor (infiltrado inflamatório de linfócitos, depois fibrose), com aspecto de queijo (não é líquida nem coagulativa). • Gordurosa: ≠ liquefação: → Macroscopicamente: → Microscopicamente: → Tipos de tecido: tecido adiposo (células adipócitos) → Causas: Com a morte do adipócito que armazena gordura, tem-se uma deposição de gordura. Essa gordura calcifica formando pingos, com aspecto de pingo de vela. Isso acontece nos casos de: pancreatite aguda (o contato das enzimas pancreáticas com a gordura do mesentério das vísceras, provoca necrose do adipócitos) ou trauma mecânico de tecido adiposo. • Gomosa: → Variedade de necrose por coagulação na qual o tecido necrosado assume aspecto compacto e elástico como borracha (goma), ou fluido e viscoso como a goma-arábica. É encontrada na sífilis tardia (goma sifilítica). • Gangrenosa: → Necrose de coagulação em áreas que têm contato com o ambiente (mãos, pés). → Gangrena seca: necrose coagulativa, principalmente em extremidades (artelhos, ponta do nariz). Ocorre desidratação da região atingida pelo contato com o ar. → Gangrena úmida: resulta de invasão da área necrosada por microrganismos anaeróbios produtores de enzimas que tendem a liquefazer os tecidos mortos. Comum no tubo digestivo, dos pulmões e da pele. → Gangrena gasosa: secundária à contaminação por bactérias do gênero Clostridium que produzem enzimas proteolíticas e lipolíticas e grande quantidade de gás, formando bolhas gasosas. Fatores de risco: DM, Aterosclerose, Câncer de cólon secundária a traumas, feridas cirúrgicas. → Evolução da Necrose: • Regeneração: Tecidos com capacidade regenerativa, quando o estroma é pouco alterado. Restos celulares são reabsorvidos pela resposta inflamatória. Liberação de fatores de crescimento por células vizinhas e por leucócitos. Ex. Fígado. • Cicatrização: O tecido necrosado é substituído por tecido conjuntivo cicatricial. Lesão extensa e células que não têm capacidade regenerativa. • Eliminação: pode ser eliminado pela via de canalização, que se comunica com o meio externo originando cavidades. Ex: espinha, tuberculose (pessoa expectora material necrótico). Pode ser: → DIRETA: leva à formação de uma úlcera; Ex: necrose da pele → espinha (foliculite). → ATRAVÉS DE CONDUTOS NATURAIS: ocorre quando a zona de necrose atinge uma estrutura canalicular que se comunica com o meio externo, ex: necrose caseosa → tuberculose. → ATRAVÉS DE TRAJETOS NEOFORMADOS: chamados fístulas (quando o próprio tecido faz uma drenagem natural para eliminar o material necrótico), geralmente de causa infecciosa. ex., um abscesso no subcutâneo provoca a formação de um trato fistuloso que se abre na pele. → ATRAVÉS DE FAGOCITOSE: ocorre a partir da periferia por células fagocitárias que são eliminadas por vasos linfáticos ou sanguíneos (ex., no cérebro, onde não há linfáticos.) • Se não for possível eliminar o material necrótico pode acontecer a calcificação, que é a deposição de cálcio no material necrótico e fica uma massa endurecida. • Outro processo é o Encistamento (pseudocápsula): Material necrótico não é absorvido por ser muito volumoso, a reação inflamatória com exsudação de fagócitos desenvolve-se somente na periferia da lesão com proliferação conjuntiva ao redor. Ex: cérebro. ➔ LESÃO REVERSÍVEL → Degeneração: ➢ É quando se tem um mal funcionamento, onde tem-se acúmulos e algumas substâncias ficam retidas dentro da célula em decorrência do metabolismo perturbado. ➢ Existem vários tipos de degeneração: ● Degeneração hidrópica: acúmulo de água e eletrólitos. → Conceito: entrada de água na célulae o acúmulo, tornando a célula tumefeita (inchada). → Causa: O que faz a água entrar na célula? - gradiente osmótico, acúmulo de eletrólitos dentro da célula (desequilíbrio iônico). O que provoca desequilíbrio iônico? - qualquer alteração na bomba de Na + e K + , seja por falta de ATP (ex. hipóxia, Insuficiência cardíaca, hipoglicemia, desnutrição grave - falta de substrato para produzir ATP), por falta de íons, alteração no controle da concentração de íons (uso de soluções hipertônicas), agressão direta à membrana (destroem as proteínas), perda de eletrólitos (vômito e diarreia). → É uma lesão celular reversível (se tirar a causa volta ao normal). → Qualquer tecido pode ser acometido, principalmente fígado e rim. → Microscopicamente: citoplasma branco/pálido, mitocôndrias inchadas e ribossomos destacados, aparência de vacúolos claros, pequenos grânulos. → Macroscopicamente: órgão aumentado de volume e peso, com aspecto pálido e esbranquiçado, com perda do brilho (aspecto turvo). ● Degeneração gordurosa ou Esteatose: acúmulo de lipídios; → Muito comum no fígado, pois é o principal órgão metabolizador de gorduras, mas pode ocorrer em outros também como por ex, no músculo esquelético, cardíaco, rim. → Causas: é uma lesão reversível; todas as causas que envolvem um mal funcionamento do hepatócito: toxinas, falta de ATP, hormônios, diabetes, excesso de gordura na alimentação. Ex: Etanol (mais comum): 1. O álcool é metabolizado em acetaldeído pela enzima álcool desidrogenase, onde é convertido em acetil-Coa. No entanto, o acetaldeído é tóxico (responsável pelos efeitos no SNC), o que faz com que o fígado deixe de metabolizar gordura. 2. Outro fator é que para o álcool para ser metabolizado usa um complexo de enzimas do citocromo P450 (mesmo complexo enzimático responsável por metabolizar muitas coisas, inclusive a gordura), se as enzimas estão ocupada em metabolizar o componente tóxico, deixará de metabolizar a gordura, resultando em acúmulo. 3. Como o metabolismo do álcool gera acetil- Coa, que é utilizado no ciclo de krebs, produz energia na forma de NAD. No entanto, tem-se um limite, ao consumir todo NAD, para o ciclo de Krebs e acumula acetil-Coa. O excesso de acetil- Coa converte em gordura. Como os hepatócitos têm um limite de armazenamento, os ácidos graxos são enviados para os adipócitos pelas lipoproteínas (lipídios + apoproteínas); Outro ex: desnutrição: leva ao acúmulo de gordura no fígado pois não consegue transformar a gordura em lipoproteína para ser transportada. → Circulação hepática: tudo que ingere por via oral é absorvido primeiramente no intestino pela circulação mesentérica, onde a mesentérica drena para a veia porta e vai para o fígado. No fígado a área do lóbulo hepático que recebe o sangue é a tríade portal e sai pela centro lobular, logo, o acúmulo de gordura será maior na tríade portal • Macroscopicamente: cor pálida, esbranquiçado e amarelado, e aspecto untuoso/brilhoso, aumento de volume, peso e de tamanho, bordas rombas (perde o contorno). • Microscopicamente: hepatócitos cheios de vacúolos de gordura (começam com vacúolos pequenos, que vão coalescendo, um vai encostando no outro e vai se fundindo até formar vacúolos maiores). → Degeneração hialina (claro/transparente): acúmulo de proteínas. → Degeneração mucóide: a cúmulo de muco. Ex: células que produzem muco não conseguem secretá-lo ou produz em excesso. → Degeneração glicogênica: acúmulo de carboidratos. ➔ ADAPTAÇÕES CELULARES: ➢ Modificações no funcionamento e na morfologia da célula em resposta a uma injúria subletal persistente/alterações ambientais/estímulos que levam a mudanças no padrão de expressão gênica, ou seja, os genes que vão passar a ser expressos na célula mudarão, mas não significa que teve mudança/alteração genética. Os genes permanecem os mesmos, a genética da célula não muda, mas muda como ela expressa seus genes. ➢ São alterações fenotípicas nas células, são adaptações funcionais e morfológicas dependendo do estímulo externo. Tentativa da célula de manter uma homeostasia. ➢ Alterações genotípicas, mudanças no DNA por mutações são NEOPLASIAS. ➢ São reversíveis! ➢ Tipos de respostas adaptativas a diferentes categorias de estímulos: ➢ Se a célula não tem capacidade de se adaptar ou o estímulo for muito prolongado, perde a capacidade de se adaptar → DEGENERAÇÃO OU NECROSE. ● Adaptações relativas ao crescimento celular (volume da célula): ➢ Atrofia: Adaptação a precariedade → Diminuição no tamanho do tamanho (volume) e função da célula. → Uma vez restaurada a normalidade, as células atróficas podem reassumir suas funções. → Causas: Quando a célula está em situação de estresse (insuficiência vascular Ex. arteriosclerose- falta de suprimento sanguíneo),inflamações crônicas, desuso, desnervação. > Mecanismos (COMO) – para reduzir de tamanho pode ocorrer: → Alteração no balanço entre a síntese e degradação de proteínas → DEGRADAÇÃO → síntese. → Proteólise (Aumento da degradação protéica): → Autofagia: digestão das próprias organelas: Os estímulos fazem com que a célula tenda a economizar energia. Para economizar energia, ela diminui sua maquinaria e ficam inativadas para ser convertida em nutrientes para a célula. Para isso, ela envolve as organelas com autofagossoma (vacúolo), onde se funde com o lisossoma e as enzimas lisossomais são despejadas para dentro e degradam as organelas. ➢ Hipertrofia: → Aumento do volume da célula: órgão aumenta de volume e peso. → Causas: aumento dos estímulos. > Mecanismos: Aumenta a síntese proteica, de organelas… (+síntese do que degradação - contrária a atrofia) → Todas as células possuem receptores em sua superfície que reconhecem estímulos externos. Esses receptores podem por ex, ser sensores que identificam o aumento da carga de trabalho, o estiramento maior da fibra… É o aumento estrutural da célula, precisa aumentar suas organelas e suas proteínas, logo, necessita de: nutrição adequada, oxigenação (suprimento sanguíneo adequado p ara a chegada de nutrientes) e inervação adequada. Tendo essas 3 condições, a célula vai responder ao estímulo e gera um sinal de transdução dentro da célula e a proteína receptora do sinal, manda o sinal para outras proteínas dentro da célula, que vão chegar no núcleo da célula e “avisar” para o núcleo que precisa sintetizar mais proteínas. ● Adaptações relativas a proliferação e diferenciação celular: Não é mais tamanho da célula, mas quantidade de células. ➢ Hiperplasia: tecidos que ao receber estímulo, as células se multiplicam/proliferam. → Aumento do número de células que geram como consequência o aumento de peso e volume. → Potencial regenerativo dos tecidos: • A adaptação celular é diferente dependendo do tipo de tecido. • Temos 3 tipos de tecidos, quanto a capacidade de regeneração: 1. Tecidos Lábeis: em constante divisão celular, e constantemente expostos a estímulos lesivos. Ex: pele, mucosas, TGI, boca e útero. 2. Tecidos Estáveis: estão em uma condição de repouso ou baixo nível de replicação, mas quando estimulados, podem voltar a se dividir, as células voltam a se multiplicar em resposta a algumas lesões para fazer regeneração. Ex: Fígado, rins, músculo liso e pâncreas. 3. Tecidos não-divisores (permanentes): aqueles que depois que se desenvolvem no período embrionário e amadurecem e se tornam células diferenciados, eles não se dividem mais. → A morte celular, em geral, leva a substituição por tecido conjuntivo, não regenera. Ex: células nervosas, músculo esquelético e cardíaco. O que faz com que um tecido seja lábel, estável ou permanente? - a quantidade de células-tronco somáticas (células imaturasque não amadureceram e não sofrem diferenciação completa, mas que tem a capacidade de voltar a entrar em mitose , não tem capacidade de se diferenciar em vários tecidos diferentes) presentes em tecidos presentes em cada tecido. → Causas: estimulação hormonal excessiva (hiperplasia do endométrio, hiperplasia prostática benigna) ou ação excessiva de fatores de crescimento sobre células-alvo. → É um processo controlado e regride quando retirado o estímulo. → Importante na cicatrização. > Mecanismos: ➢ Hipoplasia: diminuem o número de células por apoptose. ● Adaptação relativa a proliferação celular e diferenciação celular: ➢ Conceito: conversão de um tecido maduro e diferenciado em outro tipo de tecido igualmente maduro e diferenciado com características diferentes do primeiro, porém de mesma origem” → mesma origem embrionária. ➢ Causa: agressão continuada ou ambiente hostil, ex: → Irritação por calor prolongado→ chimarrão quente, haste do cachimbo na mucosa da boca. → Agressões mecânicas repetidas → prótese mal ajustadas, cálculos nas vias biliares ou pancreáticas. → Irritação química persistente → fumaça do cigarro na mucosa respiratória, pH vaginal. → Inflamações crônicas colo uterino por infecções, HPV, eversão (mulheres multíparas). ➢ É um processo adaptativo que visa tornar o tecido mais resistente a agressão. ➢ Em primeiro momento ela é benéfica, pois protege o epitélio, embora, ao longo do tempo, se persistir por muito tempo traz consequências. ➢ Como surge a metaplasia? É um processo inativação de genes responsáveis pela diferenciação do tecido e desrepressão de outros que vão condicionar um novo tipo de tecido → É uma mudança da expressão gênica nas células basais. ➢ Tipo de tecido: tecidos que se proliferam, pois precisa da célula basal para se proliferar e dar origem ao novo tecido → Tecidos epiteliais e em algumas situações tecidos mesenquimais (preenchimento, sustentação e nutrição). ➢ Mecanismo: Toda célula lesionada quando expõe suas partículas, funcionam como alarminas que estimulam o processo inflamatório. O processo inflamatório libera então citocinas e a lesão celular faz com que o tecido conjuntivo da matriz extracelular comece a produzir fatores de crescimento. ➢ O estímulo agressivo e ambiente hostil, quando lesa o epitélio faz com que as células basais sofram uma reprogramação, alguns sinais são liberados por citocinas, fatores de crescimento, componentes da matriz extracelular. Esses sinais alteram a atividade de fatores de transcrição nas células basais. ➢ Tipos: 1. Metaplasia Epitelial: Escamosa: mais comum → Epitélio colunar transformado em epitélio escamoso. → Ocorre em epitélios de revestimento mucoso. → Ex: brônquios, Colo do útero, endométrio, urotélio. a) Epitélio colunar ciliado mucossecretor → epitélio estratificado pavimentoso. Ex: Mucosa brônquica b) Epitélio colunar mucossecretor do colo uterino→ epitélio estratificado pavimentoso escamoso. No colo uterino tem-se a ectocérvice e a endocérvice (dentro do canal do útero). No endocérvice é cheio de glândulas que têm como revestimento um epitélio cilíndrico escamoso. → Causas: resposta fisiológica a hormônios e à exposição do ambiente ácido vaginal, inflamações, infecções, mulheres multíparas (exposição da endocérvice - eversão do colo), traumas e irritações crônicas a agentes químicos, físicos ou mecânica - coito). → Quando a menina entra na puberdade, por ação hormonal, ou alguma desregulagem hormonal (produção maior de hormônio natural, fisiológica ou uso de anticoncepcional onde os níveis de estrógenos aumentam) pode acontecer que o epitélio da endocérvice se exterioriza, essas células migram para fora. Isso acontece pois o estrogênio provoca uma certa abertura do colo. Essa migração de células da endocérvice para a ectocérvice, expõem essas células a um ambiente ácido vaginal (~ 4), sendo lesivo para uma célula colunar. Então pelo estímulo da acidez vaginal nessas células que migraram para fora, temos a metaplasia escamosa do colo do útero, um processo adaptativo fisiológico normal. → Normalmente internamente do colo do útero temos o epitélio do tipo simples colunar (uma única célula), já no no orifício, a medida que o colo se exterioriza e passa ficar a parte externa no colo, temos a ectocérvice com o epitélio do tipo escamoso. A junção do epitélio colunar simples e epitélio escamoso, chamamos de junção escamo colunar (JEC). É o JEC que se faz a coleta para o exame de papanicolau. → Quando se tem células metaplásicas nesta região, aumentam a susceptibilidade de infecção por HPV , principal vírus causador de displasia e câncer de colo de útero, ou seja, em mulheres de vida sexual ativa, que trocam frequentemente de parceiros, o risco da mulher ter contato com o vírus HPV de alta carcinogênese é alto. → Microscopicamente: vacúolos brancos de glicogênio, as bactérias da microbiota normal da vaigina fermentam esse glicogênio produzindo ácido; devido ao fato das células escamosas obstruírem a saída das glândulas forma-se os cistos de Naboth (glândulas obstruídas cheias de secreção de muco); na camada basal células com halo claro ao redor do núcleo (coilócito- alteração celular morfológica devido a infecção por hpv). → Intestinal: Epitélio escamoso é substituído por um epitélio mucossecretor, idêntico ao do intestino, com células caliciformes. → Ocorre em gastrites crônicas, colecistites crônicas, esôfago de Barrett. c) Metaplasia intestinal no esôfago (esôfago de Barrett – risco de câncer). Substituição do epitélio estratificado pavimentoso da superfície do epitélio esofágico para epitélio mucíparo (cheio de glândulas – células caliciformes). d) Leucoplasia: transformação do epitélio estratificado pavimentoso escamoso não ceratinizado, em epitélio ceratinizado composto de várias camadas. Ex. Placas brancas na mucosa bucal após agressão por próteses mal ajustadas, chimarrão, haste do cachimbo. 2. Metaplasia mesenquimal: 1. Cartilaginosa: cicatrizes, tecidos de pseudoartrose 2. Óssea: depósito de cálcio sobre cartilagem – Fibroblastos transformação para osteoclastos e osteoblastos; Lesões cicatriciais da tuberculose, cicatrizes de tecidos moles após trauma, pancreatite crônica. ➢ Consequências: é reversível; perda de função e maior tendência a trasformação maligna. ➢ As metaplasias escamosas em alguns casos podem evoluir para Displasia: ➢ DISPLASIA: → Quando se tem tanto um problema na proliferação, e diminuição ou ausência de diferenciação celular. → Possui muitas características das células malignas, (inclusive alterações genômicas), exceto a invasão. → Ocorre principalmente em nível epitelial. → São alterações simultâneas na proliferação e diferenciação das células → crescimento desordenado. → Como as células estão se proliferando muito rápido, elas perdem a capacidade de se tornarem maduras e se diferenciar > células se tornam imaturas e atípicas. → Características: elevada taxa de divisão celular; presença de células pouco diferenciadas (não conseguem executar a diferenciação pois estão constantemente se dividindo). → São lesões pré cancerosas. → Causas: agressão crônica estimula localmente as células-tronco teciduais, essas células passam a se proliferar e expostas a proliferação constante começam a sofrer alterações morfológicas. → Não ocorre o amadurecimento, fica com característica de célula imatura→ cariomegalia (núcleo maior); Hipercromasia (basofilia nuclear); pleomorfismo (diferentes tamanhos, número e formato de núcleo) ; células imaturas não restritas a camada basal. → Está associada ou origina-se de tecido metaplásico, mas nem sempre progride para a neoplasia. → Quando nãoafeta toda espessura epitelial é facilmente reversível. Quando afeta toda espessura epitelial é denominada carcinoma in situ. → Displasias mais comuns: colo uterino, mucosa gástrica, epitélio brônquico, epitélio glandular da próstata, epitélio vulvar, esôfago de Barrett, Displasia Gástrica. PRÁTICA - LESÕES E ADAPTAÇÕES CELULARES ➔ L 121/2: 1) RIM – NORMAL 2) RIM – DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA (REVERSÍVEL). → Resumo clínico: Paciente hipertenso, com acidente vascular cerebral (AVC) deu entrada no hospital e foi tratado com manitol. Antes do óbito teve vômitos (pode ser causada pelo medicamento, lesão do AVC, contribuiu para o aumento da diurese, perdendo ainda mais K+) e os exames laboratoriais demonstrando hipocalemia (baixa concentração de potássio no sangue, que pode ser causado tanto pelo vomito como desequilíbrio hidreletrolítico que pode levar a degeneração hidrópica, que é quando o sódio fica retido no meio intracelular e o potássio no extracelular, que faz a água entrar dentro da célula). → CAUSA DA MORTE: AVC. Macroscopia: Rim pesando 190 gramas (normal 125 a 170 g), pálido, de volume aumentado, com a superfície de corte mostrando o córtex alargado → Degeneração hidrópica. Estude sua lâmina do seguinte modo: • Identifique os constituintes normais do órgão (L121) com a objetiva de pequeno ou médio aumento: glomérulo, túbulos proximais, medular e vasos. • Observe na lâmina 122, que os túbulos proximais estão aumentados de volume em função do aumento do volume das células que os compõem. • As células são grandes e possuem um citoplasma finamente vacuolizado de aspecto rendilhado claro. O núcleo, que é normal, geralmente é deslocado do centro para a base da célula, apresentando cromatina delicada. • Os limites celulares são mantidos, porém algumas células apresentam o ápice rompido com material róseo granular na luz do túbulo. O lúmen da grande maioria dos túbulos está diminuído em função do “inchamento” da célula. Os túbulos coletores são preservados. → O que é o manitol? É um açúcar, hipertônico, que provoca diurese, muito utilizado para minimizar o edema cerebral. → Processo patológico: degeneração (acumulo de substâncias dentro da célula) hidrópica. → Etiologia: a degeneração hidrópica é o acumulo de água na célula, devido à incapacidade da célula em manter o equilíbrio iônico e a homeostasia de fluido devido a falha na bomba Na+/K+, que pode ser causada por hipoxia, faltando nutriente, ATP, congestão (baixo fluxo sanguíneo). → Faixa etária: pode ocorrer em qualquer indivíduo e faixa etária. → Patogenia: a relação entre o AVC e a degeneração foi devido ao manitol, usado para o tratamento de AVC, que pode alterar o equilíbrio osmótico, levando a degeneração. ➔ L13 – FIGADO – ESTEATOSE Resumo clínico: Um paciente de 40 anos, alcoólatra de muitos anos, depois de mais uma bebedeira teve uma queda e bateu a cabeça. Este paciente foi a óbito momentos depois de dar entrada no PS. Macroscopia: Durante a autópsia para estabelecer a causa da morte, encontrou-se o fígado aumentado de volume e peso, amolecido e de cor amarelada com as bordas rombas (arredondadas). Observe sua lâmina do seguinte modo: • Estudar novamente a lâmia do fígado normal e relembrar que no fígado normal há os espaços porta delimitados, os lóbulos hepáticos onde há no centro veia centrolobular. Os hepatócitos na periferia do espaço porta é zona 1, em torno da veia centrolobular é a zona 3 e entre as duas é a zona 2. • No corte do fígado com esteatose observa- se vacúolos gordurosos na zona 1 caracterizando esteatose (degeneração gordurosa). • No corte corado com Sudan Black os pontos representam gordura. → Processo patológico: esteatose hepática. → Etiologia: a esteatose (degeneração gordurosa) pode ser causada muitas vezes por abuso de álcool, diabetes, obesidade, etc., como o paciente era alcoólatra, provavelmente foi a principal causa do caso clínico. → Faixa etária: atinge principalmente adultos, devido a ingestão de bebida alcoólica e hábitos de vida poucos saudáveis, sedentarismo, obesidade, etc. Em relação ao sexo, mulheres são mais susceptíveis devido a ação hormonal (estrógeno), que propicia ao acumulo de gordura no fígado. → Patogenia: a degeneração gordurosa ocorre principalmente no fígado pois é o órgão principal de metabolismo de lipídios, que por se acumularem demais, acaba por causar defeitos nas funções hepáticas, como na metabolização de outras substâncias. O álcool, sendo uma substância hepatotóxica, que altera as funções mitocondriais e microssômicas, aumentando a síntese de lipídios e diminuindo sua degradação. ➔L18 MIOCÁRDIO – HIPERTRÓFICO, NORMAL E ATRÓFICO. → Resumo clínico: ➔ → Paciente (A) com 54 anos com hipertensão (resistência dos vasos cardíacos, maior força do VE) de 18x10 há 10 anos e com tratamento irregular. Faleceu por hemorragia cerebral (AVC) → hipertrofia. ➔ → Paciente (B) de 34 anos falecido em consequência de traumatismo abdominal em acidente automobilístico → normal. ➔ → Paciente (C) de sexo masculino, com 93 anos apresentou enterocolite e faleceu por distúrbios hidreletrolíticos → atrofia. ➔ → Macroscopia: ➔ O coração do paciente (A) pesava 650 gramas apresentando miocárdio do V.E. com 2,8 cm de espessura e com áreas focais irregulares esbranquiçadas (infartos – fibrose). Os músculos papilares eram proeminentes. O coração do paciente (B) pesava 350 gramas sem anormalidades. O coração do paciente (C) pesava 210 gramas, tinha as coronárias tortuosas e o miocárdio de cor marrom havana (autofagia, deposito de lipofucsina). A espessura do miocárdio do V.E. era de 1,0 cm (causa principal é o envelhecimento). ➔ → Observe sua lâmina do seguinte modo: • Há três fragmentos de miocárdio na lâmina. O fragmento maior é do coração hipertrófico do paciente (A). O do meio é normal (B) e o menor fragmento é do coração atrófico do paciente (C). • A diferença fundamental entre o miocárdio normal e o hipertrófico é o aumento do diâmetro da fibras. O núcleo de muitas fibras são maiores, irregulares, às vezes em forma de chifre de veado. Ao contrário o miocárdio atrófico tem o diâmetro menor das fibras e de modo geral apresenta um pigmento acastanhado em torno do núcleo (lipofucsina). → Processo patológico: hipertrofia (atrofia) do miocárdio. → Etiologia: a hipertrofia muscular é o aumento da carga de trabalho. No coração, o estímulo para a hipertrofia é geralmente uma sobrecarga hemodinâmica cronica, neste caso devido a hipertensão muscular. → Faixa etária: pode acometer com qualquer pessoa e qualquer idade desde que seja exposta aos estímulos causadores. Quando associado a hipertensão, normalmente esta relacionada com indivíduos acima dos 50 anos. A atrofia afeta principalmente idosos devido ao envelhecimento. → Patogenia: ➔ → Paciente (A): paciente assintomático, hipertenso cronico, o tratamento irregular da hipertensão pode ter contribuído para o quadro de hipertrofia do miocárdio, uma vez que o aumento da pressão sanguínea leva ao estreitamento das fibras musculares cardíacas, onde os miócitos tendem a realizar maior trabalho para manter o fluxo sanguíneo. Na hipertrofia, ações conjuntas de sensores mecânicos, junto a fatores de crescimento e agentes vasoativos, atuam coordenadamente para aumentar a síntese de proteínas musculares que são responsáveis pelo aumento de volume do órgão. Ainda que seja um tipo de adaptação reversível, o estímulo, no caso a hipertensão, apresentada pelo paciente, foi mantido. Em caso de sobrecarga do miocárdio, as células hipertrofiadas sofrem apoptose, o que podem contribuir para a insuficiência do órgão.A insuficiência cardíaca por sua vez, pode levar ao desenvolvimento de trombo mural que, ao embolizar-se atinge o cérebro, obstruindo o fluxo sanguíneo e gerando um AVC. ➔ → Paciente (B): paciente normal, morreu devido ao traumatismo. ➔ → Paciente (C): paciente com atrofia, teve uma hipoxia generalizada. ➔ → CAUSAS: as principais causas de atrofia é a redução da carga de trabalho (atrofia de desuso), perda da inervação, diminuição do suprimento sanguíneo, nutrição inadequada, perda da estimulação endócrina e compreensão tecidual. Neste caso, a atrofia apresentada pelo paciente foi causada pela diminuição do suprimento sanguíneo. ➔ ➔ L19 COLO UTERINO – METAPLASIA ESCAMOSA E CERVICITE CRÔNICA. Resumo clínico: Paciente com 45 anos apresentou durante exame ginecológico a mucosa endocervical exposta (paciente multigesta de partos normais) com colpite de repetição. Observe sua lâmina do seguinte modo: Localize na lâmina a mucosa do colo uterino e em uma das bordas (extremidades) observe a endocérvix normal que é revestida por pregas mucosas longitudinais compostas por eixos fibrovasculares revestidos por uma única camada de células colunares mucinosas. Na outra extremidade observar a ectocérvix que é recoberta por epitélio escamoso. Acompanhando a borda do corte no sentido da ectocérvix para a endocérvix (observe a Junção Escamocelular – JEC), note que as células da ectocérvix aos poucos substitui as da endocérvix e o epitélio se torna espessado, podendo obliterar as glândulas endocervicais (formação dos cistos de Naboth). Você vai observar também numerosas células linfocitárias (defesa), o que nos dá um diagnóstico de cervicite crônica. → Processo patológico: metaplasia escamosa e cervicite crônica. → Etiologia: a metaplasia é um tipo de adaptação celular, que são sensíveis ao estresse e algumas condições como irritações contínuas por calor prolongado, agressões mecânicas repetidas (coito), irritações químicas ou inflamações crônicas. A cervicite crônica pode ser causada por traumas na relação sexual, reações alérgicas a absorventes, preservativos, e outros produtos íntimos. → Faixa etária: mulheres, principalmente após inicio da vida sexual. → Patogenia: fatores como a puberdade, estímulos hormonais e a gravidez como no caso clínico, que é uma mulher multigesta (várias gestações), é natural que o epitélio colunar do colo do uterino acabe ficando exposto, entrando em contato com o canal vaginal. Exposições a esse epitélio, como pH ácido, microrganismos e agressões mecânicas, induzem a metaplasia, que é uma proteção do organismo contra esses tipos de agressões, ou seja, é uma adaptação celular contra ambientes hostis. O mecanismo de metaplasia envolve citosinas, fatores de crescimento e componentes da matriz extracelular, geram sinais para a diferenciação de células-tronco para uma linhagem em particular, ou seja, ocorre uma conversão de um tecido maduro e diferenciado em outro igualmente maduro e diferenciado, ou seja, mesma origem embrionaria porém características diferentes. A colpite de repetição pode ser considerada um agente agressivo ao epitélio colunar do colo uterino, que foi substituído por epitélio escamoso, para suportar tal ambiente hostil. Início de HPV ^ NEOPLASIAS ➔ L21 FARINGE (EPITÉLIO AMIGDALIANO) - PAPILOMA Resumo clínico: Paciente fumante crônico com 52 anos de idade, apresentando ao exame uma vegetação friável, mole, semelhante à amora, sobre o epitélio da superfície da amígdala. Papilomas iguais a este também são encontrados na laringe, sobre as cordas vocais, provocando rouquidão. Estude sua lâmina do seguinte modo: • A olho nu, note que há uma formação papilífera que se projeta da amígdala (tecido linfoide azulado). • Com o aumento pequeno do microscópio note que a formação tem origem no epitélio pavimentoso estratificado mucoso que recobre a amígdala. • Este crescimento epitelial ordenado faz-se em forma de dedos de luva, tendo como suporte um eixo conjuntivo vascular (estroma). • Note que o crescimento do epitélio formando papilas por vezes é cortado transversalmente de modo que você vê massas arredondadas tendo na periferia epitélio pavimentoso estratificado e no centro o eixo conjuntivo de suporte. • Observe que as células epiteliais proliferadas são normais, existe uma relação núcleo/citoplasma mantida, há ordenação da disposição dos núcleos. → Processo patológico: Papiloma de epitélio amigdaliano na faringe. → Etiologia: as neoplasias podem ter origem natural ou adquirida, sendo a adquirida geralmente causada por fatores ambientais, exposição a agentes cancerígenos, etc, que induzem a proliferação celular desordenada. O papiloma está associado a infecção pelo vírus HPV. Fatores como fumo cronico, idade (tempo de exposição), alcoolismo, etc, podem induzir o desenvolvimento de neoplasias. → Faixa etária: afeta normalmente pessoas com vida sexual ativa, principalmente pessoas que possuem HPV (18 aos 40 anos), devido a transmissão do vírus. → Patogenia: Normalmente esse processo patológico é assintomático. Praticamente todos os processos de neoplasias benignas crescem como uma massa coesa e bem localizada em seu local de origem, e não possuem poder de invasão para outros tecidos. Seu crescimento epitelial é ordenado, assim como dito na microscopia em que o papiloma caracteriza-se pela forma de “dedos de luva”. Acredita-se que o paciente era portador de HPV, que é o agente causador do papiloma na região oral, em que, nessa neoplasia benigna, teve como fator de risco o fumo, na qual a composição química do cigarro pode ter sido determinante para a formação do papiloma. As neoplasias benignas normalmente possuem uma capsula fibrosa, composta por tecido conjuntivo, que delimita o local da neoplasia. ➔ L25 MAMA – CARCINOMA DUCTAL INVASIVO Resumo clínico: Paciente feminino, 37 anos, de cor branca apresentou um nódulo no quadrante superior direito da mama esquerda. Realizou a quadrantectomia (retirada de parte da mama) e esvaziamento axilar esquerdo (retirada de nódulos linfáticos da axila (linfonodos). Macroscopia: O material de biópsia (espécime cirúrgico representado pelo quadrante superior direito da mama esquerda) foi encaminhado para análise em formalina. Foi observado uma massa tumoral medindo 3 cm de coloração brancacenta e consistência firme, mal delimitada na periferia. Foram dissecados 11 linfonodos, observando-se metástase em apenas um. Observe sua lâmina do seguinte modo: • Corte 1 (redondo): mama não neoplásica com estruturas e ductos lobulares sem atipias. Observar a presença de ductos dilatados (ectasia) contendo secreção, linfócitos e plasmócitos no interstício. • Corte 2 (próximo ao rótulo): observar o tecido adiposo, algumas estruturas ducto- lobulares normais outras com dilatação ductal, artérias e veias, faixa de tecido muscular esquelético, além de área de tecido fibroso associado à neoplasia. • A neoplasia consiste de estruturas ductolares forradas por células de núcleos irregulares (anisocarióticas e chanfraduras nucleares) e blocos sólidos e amplos de células, além de pequenos agrupamentos neoplásicos enfileirados em meio ao tecido fibrótico. → Processo patológico: carcinoma ductal invasivo na mama. → Etiologia: o câncer de mama pode ser causado por diversos fatores, dentre eles a idade, devido a exposição prolongada de fatores ambientais, hormonais, comportamentais, gravidez tardia, genética, herança familiar, etc., mas, o principal fator é a questão hormonal, devido ao tempo prolongada a exposição do estrógeno, pois ele estimula a proliferação celular, ou seja, promovea expansão clonal (fase de promoção), que é a fase principal para iniciar a proliferação de um câncer. → Faixa etária: mulheres a partir dos 50 anos, principalmente as propensas a doença. → Patogenia: a paciente apresentou um nódulo no quadrante superior direito da mama esquerda, que é um sintoma comum da doença, que normalmente é indolor, rígido e irregular. A idade da paciente não é comum, porém pode estar relacionada ao estilo de vida ligado aos hábitos como sedentarismo, fumo, alcoolismo, gravidez tardia, menarca precoce ou menopausa tardia. Um tumor é formado pela expansão clonal de uma única célula precursora que sofreu lesão genética, na qual, essa lesão ou mutação pode ser causado por agentes ambientais como substâncias químicas, radioativas, virais, ou geneticamente adquirida. Os genes BRCA 1 e 2 são envolvidos com o câncer pois, naturalmente, possuem a função de impedir o surgimento de tumores por meio da reparação de moléculas de DNA danificadas em que, ao sofrer mutação, esses genes perdem a capacidade protetora e torna o indivíduo mais susceptível ao desenvolvimento de tumores malignos. Neoplasias malignas normalmente apresentam invasão tecidual, infiltração progressiva, destruição dos tecidos ao redor, são pouco demarcados, não são encapsulados.