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SEMANA 03
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA PLUS
SEMANA 03/30
Sumário
META 1 .............................................................................................................................................................. 8
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL (PARTE I) ...................................................................................... 8
1. PRETENSÃO PUNITIVA ................................................................................................................................... 9
2. AÇÃO PENAL ................................................................................................................................................ 10
2.1 Direito de Ação ....................................................................................................................................................... 10
2.2 Condições da Ação ................................................................................................................................................. 12
2.2.1 Conceito ........................................................................................................................................................... 12
2.2.2 Condições genéricas ........................................................................................................................................ 13
2.2.3 Condições Específicas da Ação ......................................................................................................................... 20
3. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL ....................................................................................................................... 26
3.1 Princípios Comuns da Ação Penal Pública e Privada .............................................................................................. 26
3.2 Princípios da Ação Penal Pública ............................................................................................................................ 26
3.3 Princípios da Ação Penal Privada ............................................................................................................................ 32
4. AÇÃO PENAL PÚBLICA ................................................................................................................................. 36
4.1 Ação Penal Pública Incondicionada ........................................................................................................................ 36
4.2 Ação Penal Pública Condicionada ........................................................................................................................... 37
4.2.1 Ação Penal Pública Condicionada à Representação do Ofendido ................................................................... 37
4.2.2 Ação Penal Pública Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça ........................................................... 41
4.2.3 Ação Penal Pública Subsidiária da Pública ....................................................................................................... 42
5. AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA ......................................................................................................... 43
5.1 Ação Penal Privada Personalíssima ........................................................................................................................ 44
5.2 Ação Penal Privada Exclusiva ou Propriamente Dita .............................................................................................. 45
5.3 Ação Penal Privada Subsidiária da Pública ou Acidentalmente Privada ou Supletiva ............................................ 45
6. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DA AÇÃO PENAL ................................................................................................. 49
6.1 Ação Penal Adesiva ................................................................................................................................................. 49
6.2 Ação Penal Popular ................................................................................................................................................. 49
6.3 Ação Penal Secundária ........................................................................................................................................... 50
6.4 Ação de Prevenção Penal ....................................................................................................................................... 51
7. DENÚNCIA E QUEIXA CRIME ........................................................................................................................ 51
META 2 ............................................................................................................................................................ 62
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL (PARTE I) .................................................................................... 62
8. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (Lei 13.964/19) ............................................................................. 62
8.1 Conceito ................................................................................................................................................................. 62
8.2 Requisitos, Condições e Vedações ......................................................................................................................... 64
8.3 Procedimento do Acordo de Não Persecução Penal .............................................................................................. 68
9. AÇÃO CIVIL EX DELICTO ............................................................................................................................... 72
9.1 Execução Civil ex delicto (art. 63, CPP) X Ação Civil ex delicto (art. 64, CPP).......................................................... 73
9.2 Legitimados ativos para propor a ação civil ........................................................................................................... 73
9.3 Indenização na sentença condenatória .................................................................................................................. 74
9.4 Efeitos civis da sentença absolutória ..................................................................................................................... 75
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DIREITO PENAL: A LEI PENAL E SUA APLICAÇÃO ............................................................................................. 79
1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL ............................................................................................................................ 79
1.1. Classificação das Leis Penais .................................................................................................................................. 80
1.1.1 Leis Penais em Branco ..................................................................................................................................... 81
1.2 Características da Lei Penal .................................................................................................................................... 83
2. LEI PENAL NO TEMPO .................................................................................................................................. 83
2.1. Teorias sobre a Eficácia da Lei Penal no Tempo .................................................................................................... 84
2.2. Abolitio Criminis .................................................................................................................................................... 85
2.3. Crime continuado, Crime permanente, Sucessão de leis penais .......................................................................... 88
2.4. Lei Excepcionale Temporária ................................................................................................................................ 90
2.5. Lei Intermediária ................................................................................................................................................... 91
3. LEI PENAL NO ESPAÇO ................................................................................................................................. 92
3.1. Princípios ............................................................................................................................................................... 92
3.2. Extraterritorialidade .............................................................................................................................................. 94
3.3. Lugar Do Crime ...................................................................................................................................................... 98
4. EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS (IMUNIDADES) ............................................................ 99
4.1 Introdução .............................................................................................................................................................. 99
4.2 Imunidades Diplomáticas ....................................................................................................................................... 99
4.3 Imunidades Parlamentares .................................................................................................................................. 102
4.3.1 Imunidade Parlamentar Absoluta / Material / Real / Substancial ou Inviolabilidade / Indenidade .............. 102
4.3.2 Imunidade Parlamentar Relativa / Formal ..................................................................................................... 103
4.3.3 Imunidade relativa ao processo ..................................................................................................................... 103
4.3.4 Imunidade relativa à condição de testemunha ............................................................................................. 104
4.3.5 Imunidades dos Parlamentares dos Estados (Deputados Estaduais) ............................................................ 105
4.3.6 Imunidades dos Parlamentares dos Municípios (Vereadores) ...................................................................... 106
5. EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA .................................................................................................... 106
6. CONTAGEM DO PRAZO E FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA .......................................................... 107
7. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL ................................................................................................................. 107
7.1 Espécies de Interpretação .................................................................................................................................... 108
7.2. Interpretação Extensiva X Interpretação Analógica X Analogia .......................................................................... 109
8. CONFLITO APARENTE DE NORMAS ........................................................................................................... 111
META 3 .......................................................................................................................................................... 116
DIREITO ADMINISTRATIVO: ENTES DA ADMINISTRAÇÃO (PARTE I) .............................................................. 116
1. PRINCÍPIOS INERENTES À ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA (art. 6, DL 200/67) ..................................... 117
2. DESCENTRALIZAÇÃO X DESCONCENTRAÇÃO ............................................................................................ 118
2.1 Espécies de Descentralização ............................................................................................................................... 120
3. ÓRGÃOS PÚBLICOS .................................................................................................................................... 122
3.1 Teorias .................................................................................................................................................................. 125
3.2 Criação e Extinção de Órgãos Públicos ................................................................................................................. 126
3.3 Classificação dos Órgãos ...................................................................................................................................... 127
4. DESCENTRALIZAÇÃO .................................................................................................................................. 130
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5. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA ....................................................................................................................... 130
5.1. Características ..................................................................................................................................................... 130
5.2 Entes da Administração Indireta .......................................................................................................................... 132
5.2.1 Autarquias ...................................................................................................................................................... 132
5.2.2 Agências Reguladoras .................................................................................................................................... 142
5.2.3 Agências Executivas ....................................................................................................................................... 148
5.2.4 Fundações Públicas ................................................................................................................................... 149
5.3 Empresas Estatais (Lei 13.303/2016) ................................................................................................................... 151
META 4 .......................................................................................................................................................... 156
DIREITO ADMINISTRATIVO: ENTES DA ADMINISTRAÇÃO (PARTE II) ............................................................. 156
6. ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR .............................................................................................................. 164
6.1 Serviço Social Autônomo - Sistema “S” ................................................................................................................ 169
6.2 Entidades ou Fundações de Apoio ....................................................................................................................... 171
6.3 Organizações Sociais - OS (Lei 9637/98) ............................................................................................................... 171
6.4 Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP (Lei 9790/99) ....................................................... 175
6.5 Organização Social da Sociedade Civil - OSC (Lei 13.019/14) ............................................................................... 181
META 5 .......................................................................................................................................................... 196
DIREITO CIVIL: CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL E LINDB ........................................................... 196
1. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO BRASILEIRO .................................................................................. 196
1.1 Conceito ...............................................................................................................................................................196
1.2 A Codificação Do Direito Civil ............................................................................................................................... 197
1.3 O Código Civil De 2002 ......................................................................................................................................... 197
1.4 Princípios Norteadores Do Novo Código: Eticidade, Sociabilidade E Operabilidade ........................................... 198
1.5 Do Direito Civil-Constitucional ............................................................................................................................. 201
1.6 Da Eficácia Horizontal Dos Direitos Fundamentais .............................................................................................. 203
1.8 A Eficácia Diagonal Dos Direitos Fundamentais ................................................................................................... 204
2. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO ..................................................................... 204
2.1 Vigência, aplicação, obrigatoriedade, interpretação e integração das leis .......................................................... 204
2.2 Antinomias ........................................................................................................................................................... 208
2.3 Aplicação temporal das normas ........................................................................................................................... 209
2.4 Aplicação do direito público ................................................................................................................................. 211
DIREITOS HUMANOS: INTRODUÇÃO E TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS ....................................... 218
1. INTRODUÇÃO E TEORIA GERAL ................................................................................................................. 218
1.1 Conceito ............................................................................................................................................................... 218
1.2 Direitos Humanos X Direitos do Homem X Direitos Fundamentais ..................................................................... 220
2. FONTES DOS DIREITOS HUMANOS ............................................................................................................ 220
3. FUNDAMENTAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS .......................................................................................... 220
3.1 Jusnaturalismo...................................................................................................................................................... 220
3.2 Positivismo ........................................................................................................................................................... 221
3.3 Jusinternacionalista .............................................................................................................................................. 222
Os direitos humanos se fundamentam em uma ordem superior, universal, imutável e inderrogável. ................. 222
4. MARCOS FUNDAMENTAIS DOS DIREITOS HUMANOS ............................................................................... 222
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5. INTERNACIONALIZAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS .................................. 224
6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS ............................................................................................ 225
6.1 Historicidade ........................................................................................................................................................ 225
6.2 Universalidade ...................................................................................................................................................... 225
6.3 Limitabilidade ou Relatividade ............................................................................................................................. 225
6.4 Irrenunciabilidade ................................................................................................................................................ 225
6.5 Inalienabilidade ou Indisponibilidade .................................................................................................................. 226
6.6 Imprescritibilidade................................................................................................................................................ 226
6.7 Vedação ao retrocesso ......................................................................................................................................... 226
6.8 Essencialidade ...................................................................................................................................................... 227
6.9 Inerência ou Essencialidade ................................................................................................................................. 227
6.10 Interdependência ou Inter-relação ou Complementariedade ........................................................................... 228
6.11 Inexauribilidade .................................................................................................................................................. 228
7. UNIVERSALISMO CULTURAL X RELATIVISMO CULTURAL (PIOVESAN, 2019) ............................................ 228
8. DIMENSÕES DOS DIREITOS HUMANOS ..................................................................................................... 230
8.1 Introdução ............................................................................................................................................................ 230
8.2 1ª Dimensão (Liberdade) ...................................................................................................................................... 231
8.3 2ª Dimensão (Igualdade) ...................................................................................................................................... 231
8.4 3ª Dimensão (Fraternidade ou Solidariedade) ..................................................................................................... 232
8.5 4ª Dimensão ......................................................................................................................................................... 232
8.6 5ª Dimensão ......................................................................................................................................................... 232
8.7 6ª Dimensão ......................................................................................................................................................... 233
8.8 Quadro sinóptico – Segundo Paulo Bonavides ..................................................................................................... 233
9. A TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINEK ........................................................................................... 233
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 235
Direito Processual Penal: Ação Penal ......................................................................................................................... 235
Direito Penal: A Lei Penal E Sua Aplicação ................................................................................................................. 237
Direito Administrativo: Entes Da Administração ........................................................................................................ 238
Direito Civil: Constitucionalização Do Direito Civil e LINDB .......................................................................................240
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 03
META DIA ASSUNTO
1 SEG DIREITO PROCESSUAL PENAL: Ação Penal (Parte I)
2 TER
DIREITO PROCESSUAL PENAL: Ação Penal (Parte II)
DIREITO PENAL: A Lei Penal e sua Aplicação
3 QUA DIREITO ADMINISTRATIVO: Entes da Administração (Parte I)
4 QUI DIREITO ADMINISTRATIVO: Entes da Administração (Parte II)
5 SEX
DIREITO CIVIL: Constitucionalização do Direito Civil e LINDB
DIREITOS HUMANOS: Introdução e Teoria Geral dos Direitos Humanos
6 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL]
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META 1
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL (PARTE I)
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
⦁ Art. 129, I
⦁ Art. 5º, LIX
CPP
⦁ Art. 3º-B, IV
⦁ Art. 5º, §4º
⦁ Art. 24 a 68
⦁ Art. 384 e 385
⦁ Art. 395
Outros Diplomas Legais
⦁ Art. 76 e 88 a 91, Lei 9099/95
⦁ Art. 2º, § 1º, Lei n. 9.613/98
⦁ Art. 83, § 2º, Lei n. 9.430/96
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
CPP:
⦁ Art. 3º-B, IV
⦁ Art. 24 e 25
⦁ Art. 28 (cuidado com a nova redação trazida pelo Pacote Anticrime que ainda NÃO está produzindo
efeitos!)
⦁ Art. 28-A (importantíssimo!!!)
⦁ Art. 29
⦁ Art. 38, 41, 42, 46, 48, 49 e 51
⦁ Art. 60 (alto índice de cobrança em prova objetiva!)
⦁ Art. 65, 66 e 67 (alto índice de cobrança em prova objetiva!)
⦁ Art. 396
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SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA
Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a
mulher é pública incondicionada.
Súmula 714-STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público
em razão do exercício de suas funções.
Súmula 234-STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta
o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.
Súmula 594-STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo
ofendido ou por seu representante legal.
1. PRETENSÃO PUNITIVA
Possui o jus puniendi como seu elemento intersubjetivo, e é composta pelo próprio direito de punir
(poder/dever de punir), situado dentro da relação jurídico-penal que se forma após a prática do crime.
A legislação, a exemplo do Código Penal, prevê a conduta de matar alguém, com pena de 6 a 20 anos
(art. 121, CP). O tipo penal incriminador até então encontra-se no plano abstrato. Porém, no momento em
que o sujeito pratica a conduta, in casu, o delito, o direito de punir, que estava no plano abstrato, passa para
o plano concreto, ocasião em que, surge o ius puniendi do Estado.
Assim, a partir do momento em que alguém pratica a conduta delituosa prevista no tipo penal, este
direito de punir desce do plano abstrato e se transforma no ius puniendi in concreto.
PLANO ABSTRATO REALIZAÇÃO DA CONDUTA PRETENSÃO PUNITIVA
A norma penal no plano
abstrato prevê a conduta e
comina sanção.
Quando o sujeito pratica a
conduta, inobstante esteja
prevista como fato típico,
nasce para o Estado a
possibilidade de exercício do
seu jus puniendi.
A pretensão punitiva foi
materializada/surgiu, sob a
perspectiva do mundo
concreto.
Pretensão punitiva x Ação penal:
● Pretensão punitiva: Verifica-se quando se imputa ao réu, mediante a ação penal, a prática de crime,
para que ele seja sujeito às sanções previstas na legislação penal.
● Ação penal: É instrumento utilizado pelo Estado para obter o exercício da pretensão punitiva, uma
vez que, a partir da ação penal o Estado-acusação (ou o ofendido) ingressam em juízo para solicitar
a aplicação das normas de direito penal ao caso concreto, exercendo a pretensão punitiva.
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Nesse sentido, preleciona Renato Brasileiro:
O Estado, por intermédio do Poder Legislativo, elabora as leis penais, cominando
sanções àqueles que vierem a praticar a conduta delituosa, surge para ele o direito
de punir os infratores num plano abstrato e, para o particular, o dever de se abster
de praticar a infração penal. No entanto, a partir do momento em que alguém
pratica a conduta delituosa prevista no tipo penal, este direito de punir desce do
plano abstrato e se transforma no jus puniendi in concreto. O Estado, que até então
tinha um poder abstrato, genérico e impessoal, passa a ter uma pretensão concreta
de punir o suposto autor do fato delituoso (Manual de Processo Penal, Renato
Brasileiro, 2017, p. 37).
Pergunta-se: Em que consiste a pretensão punitiva?
A pretensão punitiva, pode ser compreendida como o poder do Estado de exigir de quem comete
um delito a submissão à sanção penal. Através da pretensão punitiva, o Estado procura tornar efetivo o jus
puniendi, exigindo do autor do delito, que está obrigado a sujeitar-se à sanção penal, o cumprimento dessa
obrigação, que consiste em sofrer as consequências do crime e se concretiza no dever de abster-se ele de
qualquer resistência contra os órgãos estatais a que cumpre executar a pena. (Manual de Processo Penal,
Renato Brasileiro, 2017, p. 37).
2. AÇÃO PENAL
2.1 Direito de Ação
a) Conceito
O Estado trouxe para si o exercício da função jurisdicional, de modo que ele deverá fornecer ao
cidadão a tutela jurisdicional. Esse instrumento encontra-se solidificado no direito de ação.
Nesse sentido, o direito de ação é o direito público subjetivo consagrado na CF/88, de se exigir do
Estado-Juiz a aplicação do direito objetivo ao caso concreto, para a solução da demanda penal.
A partir dele a parte acusadora – Ministério Público ou ofendido (querelante) – tem a possibilidade
de, mediante o devido processo legal, provocar o Estado-Juiz a dizer o direito objetivo no caso concreto.
(Renato Brasileiro).
b) Fundamento Constitucional
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O direito de ação é extraído da própria Constituição Federal, art. 5º, XXXV: “a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
O dispositivo constitucional consagra o chamado princípio da inafastabilidade de jurisdição. Assim,
se não exclui a apreciação, significa dizer que há o dever de prestá-la.
DICA: não confundir direito de ação com ação propriamente dita
Direito de ação Ação
É o direito de ingressar em juízo, na busca da
tutela jurisdicional. Tem natureza jurídica de um
direito público, subjetivo, abstrato, autônomo e
instrumental (meio para se permitir o exercício
do direito de punir do Estado).
É a materialização do Direito de ação, razão
pela qual denomina-se de ação propriamente
dita. É o ato, por meio do qual, instrumentaliza-
se o direito de ação assegurado
constitucionalmente.
Conforme leciona Renato Brasileiro:
De acordo com a doutrina majoritária, o direito de ação penal é o direito público
subjetivo de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo a um caso
concreto. Funciona, portanto, como o direito que a parte acusadora – Ministério
Público ou o ofendido (querelante) – tem de, mediante o devido processo legal,
provocar o Estado a dizer o direito objetivo no caso concreto(2017, p. 199).
ATENÇÃO: não se pode confundir o direito de ação com o direito que se afirma ter quando se exercita o
direito de ação, o qual pode ser designado como o direito material deduzido em juízo. O direito de ação é
abstrato, pois independe do conteúdo que se afirma quando se provoca a jurisdição.
Características do direito de ação penal:
● Direito público: A ação é proposta contra o Estado, pois trata-se do direito de provocar o Estado-juiz
para o exercício da atividade jurisdicional, cuja natureza é pública, sendo função típica do Poder
Judiciário.
OBS.: A ação penal privada também apresenta a mesma característica, visto que há transferência apenas
da iniciativa da ação, mas NÃO da titularidade, visto que o poder punitivo pertence ao Estado.
● Direito subjetivo: O titular do direito de ação penal pode exigir do Estado-Juiz a prestação
jurisdicional, sendo essa titularidade conferida a um sujeito específico, conforme a legitimidade
conferida pela lei.
OBS.: Nos ensinamentos de Aury Lopes Jr. existe um direito potestativo em relação ao acusado – aliado
ao direito subjetivo em relação ao Estado-jurisdição. Isso porque, uma vez exercitado o direito de ação,
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o réu se sujeita ao processo, bem como à eventuais consequências que dele decorram (como a pena
imposta em uma sentença penal condenatória).
● Direito autônomo: Não se confunde com o direito material que se pretende tutelar. O direito de
ação é o instrumento que viabiliza o pedido de condenação em relação a determinado fato, imputado
a certo indivíduo.
● Direito abstrato: Existe e será exercido mesmo quando a demanda for julgada improcedente, uma
vez que independe do resultado (característica relacionada a autonomia do direito de ação).
● Direito específico: Apresenta um conteúdo, que é o objeto da imputação. Ou seja, apesar de
abstrato, desenvolve-se a partir de um caso concreto.
2.2 Condições da Ação
2.2.1 Conceito
São requisitos mínimos indispensáveis ao julgamento da causa. Segundo Nestor Távora:
São os requisitos necessários e condicionantes ao exercício do direito de ação.
Como se depreende, o exercício do direito de ação não se pode traduzir numa
aventura desmedida. É certo que a deflagração da ação implica sérias
consequências ao réu, exigindo-se do demandante o preenchimento de certas
condições, para que o pleito jurisdicional possa ser exercido de forma legítima
(2017, p. 156).
Como o direito de ação é autônomo e abstrato, pode ser exercido mesmo que as condições não
estejam presentes. O direito de invocar a tutela estatal é constitucional e incondicionado. Assim as condições
da ação são analisadas no âmbito do processo penal, uma vez que, na sua ausência, o processo não se
desenvolve, ou seja, não será objeto de análise meritória do Estado. O direito de ação é exercido com a
propositura de inicial e a análise das condições é feita em seguida, pelo juiz, que pode rejeitas a peça
acusatória.
A análise das condições da ação observa a Teoria da Asserção, segundo a qual é realizada com base
nos elementos fornecidos na inicial acusatória, conforme narrado pelo demandante, sem adentrar em
aspectos probatórios. Assim, há um juízo superficial / precário de admissibilidade, sendo possível que, no
curso do processo, seja demonstrada a ausência de uma dessas condições, dando azo à absolvição do réu.
Historicamente, a doutrina se valia do Processo Civil para estabelecer as condições da ação:
legitimidade da parte, interesse de agir e possibilidade jurídica do pedido. O CPC 15 suprimiu a
“possibilidade jurídica do pedido” e, diversos doutrinadores (como Aury Lopes Jr.) defendem que não é
possível importar institutos do processo civil para o processo penal, sem qualquer adaptação. Nesse sentido,
doutrina moderna aponta condições próprias da ação para o processo penal, como será visto adiante.
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A doutrina trabalha com duas espécies de condições da ação: condições genéricas e as condições
específicas (condições de procedibilidade).
a) Condições Genéricas:
São aquelas condições que deve estar presente em toda e qualquer ação penal, independentemente
da natureza do crime, da pessoa processada, e do procedimento a ser seguido.
São elas:
1) Legitimidade para agir;
2) Interesse de agir;
3) Possibilidade jurídica do pedido + Justa Causa (lastro probatório mínimo de suporte para
início da ação penal).
b) Condições Específicas
São necessárias apenas em relação a determinadas infrações penais, ou ainda, em alguns
procedimentos específicos.
Ex.1: representação nos crimes de ação penal pública condicionada.
Ex.2: autorização de assembleia para que determinados agentes políticos sejam criminalmente
processados.
2.2.2 Condições genéricas
a) Legitimatio ad causam (Ativa/Passiva): é a pertinência subjetiva da ação.
● Legitimidade ativa:
Nessa esteira, segundo Renato Brasileiro, é a situação prevista em lei que permite a um determinado
sujeito propor a demanda judicial e a um determinado sujeito ocupar o polo passivo dessa mesma demanda.
Há legitimidade de partes quando o autor afirma ser titular do direito subjetivo material demandado
(legitimidade ativa) e pede a tutela em face do titular da obrigação correspondente àquele direito
(legitimidade passiva).
DICA: A espécie da ação penal definirá o seu legitimado.
▪ Na ação penal pública: A legitimidade ativa é, em regra, do Ministério Público.
▪ Na ação penal privada: A legitimidade ativa é do ofendido ou de seu representante legal.
Lembre-se que, ainda que de ação penal pública, se verificada a inércia do MP, surge para o ofendido a
possibilidade de propor queixa-crime subsidiária (ação penal privada subsidiária da pública).
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● Legitimidade passiva:
A ação penal pode ser proposta em face apenas do suposto autor do fato delituoso, com 18 anos
completos ou mais.
ATENÇÃO!
(1) Legitimidade ad causam ativa e passiva da Pessoa Jurídica
A pessoa jurídica é dotada de legitimidade ativa (pode oferecer ação penal pública, se restar
caracterizada a inércia do MP, ou privada). Nesse sentido, a disciplina do art. 37, CPP.
Art. 37. As fundações, associações ou sociedades legalmente constituídas poderão
exercer a ação penal, devendo ser representadas por quem os respectivos
contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou
sócios-gerentes.
Também é admitida a legitimidade passiva (pode ser o provável autor do delito), porém adstrita aos
crimes ambientais. O art. 173, CF permite que a pessoa jurídica seja responsabilizada criminalmente quanto
aos crimes ambientais, e também quanto aos crimes contra a ordem econômica, financeira e contra a
economia popular, na forma da lei. Contudo, não há lei ordinária regulando a responsabilidade penal da
pessoa jurídica no que diz respeito aos crimes contra a ordem econômica, financeira e contra a economia
popular.
Lei 9.605/98 – Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa,
civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja
cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão
colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
Teoria da Dupla Imputação: Até pouco tempo atrás trabalhava-se com a adoção da teoria da dupla
imputação, segundo a qual a imputação da pessoa jurídica deveria ter por consequência a imputação
também da pessoa física. Em outras palavras: a pessoa jurídica só poderia ser denunciada pela prática de
crimes ambientais se a pessoa física também fosse.
Contudo, esse não é o entendimento que prevaleceatualmente. Assim, é possível dizer que a pessoa
jurídica figurar como polo passivo da ação penal, independentemente da responsabilização concomitante
das pessoas físicas, pois os Tribunais Superiores não mais adotam a Teoria da Dupla Imputação.
STJ: “(...). Conforme orientação da 1ª Turma do STF, ‘O art. 225, § 3º, da
Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica
por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese
responsável no âmbito da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária
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dupla imputação. (RE 548181). Tem-se, assim, que é possível a responsabilização
penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da
responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome.
Precedentes desta Corte. 3. A personalidade fictícia atribuída à pessoa jurídica não
pode servir de artifício para a prática de condutas espúrias por parte das pessoas
naturais responsáveis pela sua condução. 4. Recurso ordinário a que se nega
provimento”. (STJ, 5ª Turma, RMS 39.173/BA, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, j. 06/08/2015, Dje 13/08/2015).
(2) Legitimidade ad causam ativa de Ente Sem Personalidade Jurídica
O CDC possibilita que certas entidades e órgãos da administração pública, direta e indireta, ainda que
sem personalidade jurídica, atuem como assistentes do Ministério Público e, também ajuízem a queixa-crime
em caso de inércia do órgão ministerial. Trata-se da denominada ação penal privada subsidiária da pública.
Art. 80. No processo penal atinente aos crimes previstos neste código, bem como
a outros crimes e contravenções que envolvam relações de consumo, poderão
intervir, como assistentes do Ministério Público, os legitimados indicados no art.
82, inciso III e IV, aos quais também é facultado propor ação penal subsidiária, se a
denúncia não for oferecida no prazo legal.
Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
(...)
III – as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que
sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e
direitos protegidos por este
código;
IV – as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam
entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este
código, dispensada a autorização assemblear.
(3) Legitimidade Ordinária x Extraordinária (Substituição Processual) x Sucessão Processual x
Representação Processual (Legitimidade Ad Processum)
Na legitimação ordinária, alguém pleiteia, em seu próprio nome, um direito também próprio. Essa é
a regra: defender em juízo um direito seu. É o caso da legitimação do Ministério Público para iniciar a ação
penal pública.
Já na legitimação extraordinária (substituição processual), há a defesa de direito alheio em nome
próprio. Essa é a hipótese da ação penal privada: o ofendido vai a juízo, mediante transferência do Estado da
legitimidade para iniciar a ação. A vítima tem legitimidade para estar em juízo, enquanto o Estado é o titular
da pretensão punitiva.
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Situação diversa é a de sucessão processual, que decorre da morte ou ausência do ofendido, quando
o seu direito de queixa ou de prosseguir na ação passará aos legitimados do art. 31, CPP.
Por fim, a representação processual (legitimidade ad processum) se opera quando alguém vai em
juízo, atuando em nome e na defesa de direito alheio. O sujeito não é parte, mas apenas confere capacidade
para que o legitimado ingresse em juízo. Ex.: vítima de crime de ação penal privada menor de 18 anos, cuja
legitimidade pode ser conferida a curador especial nos termos do art. 33, CPP, na ausência de representante
legal ou na hipótese de colisão de interesses.
b) Interesse de Agir: Composto pelo trinômio (necessidade, adequação e utilidade)
b.1) Necessidade: No processo penal a necessidade é presumida, pois “nulla poena sine judicio”.
Desse modo, NÃO é possível a imposição de pena sem existência de um processo penal.
Exceções:
1. Transação Penal (Lei 9.099/95);
2. Acordo de não persecução penal (art. 28-A, CPP – inserido pelo Pacote Anticrime);
3. Colaboração premiada (Lei 12.850/13).
Art. 76. É possível o cumprimento imediato de pena, sem que haja sequer processo,
pois a pena negociada é anterior mesmo ao oferecimento da peça acusatória.
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado
formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave
ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá
propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas
cumulativa e alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir
em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva
de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a
investigação e com o processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um
ou mais dos seguintes resultados
OBS.: Todas as exceções elencadas são mitigações do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública
(presentes as condições da ação, o MP é obrigado a denunciar, art. 24 CPP).
b.2) Adequação: É preciso pleitear-se uma medida adequada para buscar seus interesses.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
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Atenção: Essa adequação NÃO tem importância para as ações penais condenatórias. Tem relevância nas
ações penais não condenatórias, por exemplo, Habeas Corpus.
Ex.: HC nas hipóteses que não é cabível.
SUM 693, STF: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de
multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária
seja a única cominada.
SUM 694, STF: Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de
militar ou de perda de patente ou de função pública.
SUM 695, STF: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de
liberdade.
b.3) Utilidade: Consiste na eficácia da atividade jurisdicional para satisfazer a tutela do direito do
autor.
Atenção: A prescrição em perspectiva (virtual/hipotética) consiste no reconhecimento antecipado da
prescrição em virtude da constatação de que, no caso de possível condenação, eventual pena que venha a
ser imposta ao acusado estaria fulminada pela prescrição da pretensão punitiva retroativa, tornando inútil
a instauração do processo penal.
STF e STJ NÃO admitem a prescrição virtual.
Súmula 438, STJ. É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da
existência ou sorte do processo penal.
c) Justa Causa: Podemos conceituar justa causa como sendo o lastro probatório mínimo indispensável para
a instauração de um processo penal.
Assim, deve a acusação ser portadora de elementos de informação que justifiquem a admissão da
acusação e o custo que representa o processo penal em termos de estigmatização e penas processuais.
Funciona, pois, como uma condição de garantia contra o uso abusivo de direito de acusar, evitando a
instauração de processos levianos ou temerários.
A natureza jurídica da justa causa é alvo de divergência doutrinária, no entanto, prevalece que o CPP
insere a justa causa como condição genérica da ação, em razão do art. 395, III, CPP:PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008).
I - for manifestamente inepta;
I - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
ATENÇÃO! Justa causa duplicada na lavagem de capitais.
A expressão “justa causa duplicada” refere-se à condição para que seja iniciada uma ação penal para
julgar um crime de lavagem de capitais, previsto na Lei nº. 9.613/98.
Segundo Renato Brasileiro:
Em se tratando de crime de lavagem de capitais, porém, não basta demonstrar a
presença de lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos ou valores,
sendo indispensável que a denúncia também seja instruída com suporte probatório
demonstrado que tais valores são provenientes, direta ou indiretamente, de
infração penal (Lei 9.613/98, art. 1º, caput, com redação dada pela Lei 12.683/12).
Tem-se aí o que a doutrina chama de justa causa duplicada, ou seja, lastro
probatório mínimo quanto à lavagem e quanto à infração precedente. A propósito,
o art. 2º, § 1º, da Lei 9.613/98, estabelece que a denúncia será instruída com
indícios suficientes da existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os
fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou
extinta a punibilidade da infração penal antecedente.
Lei n. 9.613/98, art. 2º, § 1º: A denúncia será instruída com indícios suficientes da
existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta
Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade
da infração penal antecedente.
Justa causa triplicada: A doutrina aponta ainda para a existência de uma justa causa triplicada que ocorre
quando a infração penal antecedente à lavagem de capitais também possui uma infração penal antecedente
para a sua configuração. É o exemplo do crime de lavagem que tem como infração penal antecedente o crime
de receptação, o qual, por sua vez, tem como infração penal antecedente o crime de roubo.
Assim, quando do oferecimento da denúncia, cabe ao Parquet revelar o suporte probatório mínimo
em relação a estes três delitos, daí porque a justa causa se apresenta, de fato, triplicada.
ATENÇÃO (Súmula aprovada em 2021)
Súmula 648-STJ: A superveniência da sentença condenatória prejudica o pedido de trancamento da ação
penal por falta de justa causa feito em habeas corpus.
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Imagine a seguinte situação hipotética: O Ministério Público ajuizou ação penal contra João
acusando-o da prática de determinado crime. O juiz recebeu a denúncia e determinou a citação do réu para
responder à acusação. João apresentou resposta escrita alegando que não havia justa causa e que, portanto,
ele deveria ser absolvido sumariamente. O magistrado, contudo, rejeitou o pedido de absolvição sumária e
determinou o início da instrução penal.
Diante desse cenário, existe algum recurso que João possa interpor? Cabe algum recurso contra a
decisão do juiz que rejeita o pedido de absolvição sumária?
NÃO. Não existe recurso cabível na legislação para esse caso. Nesse contexto, contudo, a
jurisprudência admite a impetração de habeas corpus sob o argumento de que existe risco à liberdade de
locomoção. Desse modo, em nosso exemplo, a defesa de João impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça
pedindo o trancamento da ação penal por falta de justa causa. O Desembargador negou o pedido de liminar
e designou o dia 15/08 para o julgamento do habeas corpus pela Câmara Criminal do TJ. Ocorre que, antes
disso, no dia 08/08, o juiz proferiu sentença condenando o réu.
Diante desse cenário, o que acontece com o julgamento do habeas corpus? O Tribunal de Justiça irá
apreciar o mérito do habeas corpus?
NÃO. A superveniência de sentença condenatória torna prejudicado o pedido feito no habeas
corpus se buscava o trancamento da ação penal sob a alegação de falta de justa causa. A sentença
condenatória analisa a existência de justa causa de forma mais aprofundada, após a instrução penal com
contraditório e ampla defesa. Logo, não faz mais sentido o Tribunal examinar a decisão de rejeição da
absolvição sumária se já há uma nova decisão mais aprofundada. Será essa nova manifestação (sentença)
que precisará ser analisada.
Logo, o réu terá que interpor apelação contra a sentença condenatória, recurso de cognição ampla
por meio do qual toda a matéria será devolvida ao Tribunal, que terá a possibilidade de examinar se a
condenação foi acertada, ou não.
E se a sentença tivesse sido absolutória? Se o juiz tivesse absolvido João, o HC também ficaria
prejudicado?
SIM. Com maior razão, o habeas corpus estaria prejudicado, mas agora por outro motivo: falta de
interesse processual já que a providência buscada pela defesa foi alcançada em 1ª instância. Nesse sentido:
A superveniência de sentença absolutória, na linha da orientação firmada nesta
Corte, torna prejudicado o pedido que buscava o trancamento da ação penal sob a
alegação de falta de justa causa. STJ. 6ª Turma. AgInt no RHC 31.478/SP, Rel. Min.
Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 26/03/2019.
d) Originalidade
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E, por fim, como uma condição da ação (mas que não está em qualquer manual de processo penal),
tem-se a ORIGINALIDADE. Segundo Afrânio Silva Jardim, a “originalidade” como condição genérica para o
regular exercício de qualquer ação. O autor sustenta que os tradicionais pressupostos objetivos extrínsecos
denominados “litispendência” e “coisa julgada” são, em verdade, condições da ação, porquanto não são
sanáveis, sem viabilidade de renovação da demanda com correção do vício. Em outros termos, a ação (penal)
tem que ser original, não se admitindo reproduções, em face da vedação de dupla persecução penal.
Nos ensinamentos dos professores, André Luiz Nicolitt e Afrânio Silva Jardim:
A maior parte da doutrina não considera a originalidade uma condição da ação,
classificando-a como pressuposto processual negativo. A originalidade consiste na
ausência de litispendência e coisa julgada, isto é, a demanda deve ser original,
porquanto o ordenamento jurídico veda o exercício mais de uma vez da mesma
ação.
2.2.3 Condições Específicas da Ação
Também chamadas de condições de procedibilidade. Vejamos alguns exemplos:
1) Representação do ofendido;
2) Requisição do Ministro da Justiça;
3) Sentença anulatória de casamento, no crime do art. 236, do CP;
4) Ingresso no país do autor do crime praticado no estrangeiro;
5) Declaração de procedência da acusação pela Câmara dos Deputados, no julgamento do
Presidente da República;
6) Sentença que decreta a falência, nas ações falimentares.
CUIDADO! NÃO confundir condição de procedibilidade com condição de prosseguibilidade:
● Condição de procedibilidade: é aquela necessária para dar início à ação penal.
Ex.: nos crimes contra a honra, em regra, a representação é uma condição de procedibilidade, pois, sem
ela, a ação penal não pode ser iniciada.
● Condição de prosseguibilidade: é aquela necessária para dar prosseguimento à ação penal. Trata-
se da situação na qual a ação penal já está em curso, mas uma lei posterior altera a natureza da ação
penal para aquele crime. Ou seja: o crime que antes era de ação penal pública incondicionada (e, por
isso, não exigia representação), passou a ser de ação penal pública condicionada, de modo que essa
representação passa a ser condição necessária para dar prosseguimento na ação penal.
Ex.: A lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9099/95) passou a exigir representação para os crimes de lesão
corporal levee lesão corporal culposa. Ou seja, tais crimes, que antes eram de ação penal pública
incondicionada, passaram a exigir a representação tanto para dar início à ação penal (hipótese em que a
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representação funciona como condição de procedibilidade), como para dar continuidade à ação que já
estava em andamento (hipótese em que funciona como condição de prosseguibilidade).
Nesse sentido, qual a natureza da representação quando se tratar de lesão corporal leve ou culposa
no âmbito dos Juizados Especiais? R.: Depende!
▪ Processos relativos à lesão corporal leve e culposa ainda não iniciados: exige representação para
dar início à ação penal → condição de procedibilidade (art. 88, Lei 9.099/95).
▪ Processos relativos à lesão corporal leve e culposa que já estavam em andamento: exige
representação para dar continuidade à ação penal → condição de prosseguibilidade (art. 91, Lei
9099/95).
Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de
representação a ação penal relativa aos crimes de lesão corporais leve e lesões
culposas. (CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE)
Art. 91. Nos casos em que esta Lei passa a exigir representação para a propositura
da ação penal pública, o ofendido ou seu representante legal será intimada para
oferecê-la no prazo de 30 dias, sob pena de decadência. (CONDIÇÃO DE
PROSSEGUIBILIDADE)
OBS.: É certo que sem a representação não se pode nem iniciar a persecutio criminis, conforme preconiza o
artigo 5º, §4º, do CPP. Nesse caso, a representação é condição especial de persequibilidade, porque sem a
representação não há como deflagrar a persecutio criminis, que antecede a ação penal.
Sem representação a autoridade policial não pode instaurar o inquérito e assim dar início à persecutio
(condição especial de persequibilidade), sem a representação não se procede em Juízo, isto é, não se deflagra
ação penal (condição especial de procedibilidade) e sem a representação não se pode dar sequência ao feito
(condição especial de prosseguibilidade).
Considerações Importantes:
1) A lei que altera a natureza jurídica de uma ação penal é considerada norma penal mista ou híbrida.
Vamos relembrar os tipos de norma penal e processual?
● Normas penais: Cuidam do crime, da pena, da medida de segurança, dos efeitos da condenação e do
direito de punir do Estado (ex.: causas extintivas da punibilidade).
● Normas processuais penais: Versam sobre o processo desde o seu início até o final da execução ou
extinção da punibilidade. Lembre-se que, à luz do art. 2º do CPP, a lei processual penal possui
aplicação imediata:
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Art. 2º - A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos
atos realizados sob a vigência da lei anterior.
As normas processuais penais podem ser:
a) Norma genuinamente processual: Cuidam de procedimentos, atos processuais, técnicas de
processo.
b) Norma processual material (ou norma mista ou híbrida): Versam sobre o processo desde o seu início
até o final da execução ou extinção da punibilidade. Assim, se um dispositivo legal, embora inserido
em lei processual, versa sobre regra penal, de direito material, a ele serão aplicáveis os princípios
que regem a lei penal, de ultratividade e retroatividade da lei mais benigna. (Renato Brasileiro,
Manual de Processo Penal, 2017).
Em outras palavras: quando se tratar de norma penal mista, o critério a ser aplicado é o mesmo do
direito penal, ou seja, irretroatividade da lei maléfica e retroatividade da lei benigna.
As normas que alteram a natureza jurídica de uma ação penal são consideradas normas híbridas porque,
embora inseridas em diploma processual penal, possuem reflexos diretos em institutos de direito penal,
como, por exemplo, a extinção da punibilidade. Isso porque, o crime que antes era de ação penal pública
incondicionada e se torna de ação penal pública condicionada, passa a admitir uma nova hipótese de extinção
da punibilidade, qual seja, a decadência pela ausência de representação).
2) Considerando que a norma sobre a natureza jurídica da ação penal é uma norma híbrida e que as
normas híbridas devem seguir as regras das normas penais, é possível dizer que, em regra, caberá a
retroatividade da lei em benefício do réu.
ATENÇÃO! Essa retroatividade nem sempre será possível! Não basta analisar o instituto apenas de acordo
com a lei penal no tempo, sendo necessário também analisar se se trata de uma condição de procedibilidade
ou prosseguibilidade.
Vamos exemplificar para uma melhor compreensão:
A Lei 13.964/2019 alterou a natureza jurídica da ação penal referente ao crime de estelionato. Antes,
o crime de estelionato era sempre de ação penal pública incondicionada. Com a vigência da lei, o crime
passou a ser de ação penal pública condicionada à representação, salvo algumas hipóteses expressamente
previstas. Veja:
Art. 171, § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima
for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
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I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
II - criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
Logo, temos que:
● Antes da Lei 13.964/2019: o crime era de ação penal pública incondicionada
● Após a Lei 13.964/2019: o crime passou a ser tratado, em regra, como crime de ação penal pública
condicionada à representação.
Regra: ação penal pública condicionada à representação.
Exceção: ação penal pública incondicionada quando o estelionato for perpetrado em face de:
✔ Administração Pública, direta ou indireta;
✔ Criança ou adolescente;
✔ Pessoa com deficiência mental;
✔ Maior de 70 (setenta) anos de idade;
✔ Incapaz.
Inicialmente, pergunta-se: Trata-se de alteração de ordem penal ou de ordem processual?
Essa pergunta é relevante já que definimos que se a norma é penal e for considerada benéfica, terá
retroatividade e deverá ser aplicada as ações penais em curso. Assim, aquelas pessoas que se encontram
processadas pelo delito de estelionato deverão ter em seus processos a aplicação da referida norma,
havendo a necessidade de ocorrer a representação como condição de prosseguibilidade do processo.
Por outro lado, se entendermos que a norma possui caráter processual, a aplicação será imediata e
sem retroatividade, somente se aplicando aos delitos de estelionato ocorridos após a entrada em vigor da
referida legislação.
Assim, respondendo ao questionamento, a referida norma possui caráter híbrido, penal e
processual, e, nesses casos, há de prevalecer a sua vertente penal.
E como se posiciona a jurisprudência?
Considerando a alteração promovida pela Lei 13.964/2019, os Tribunais Superiores foram instados a
se manifestar acerca da retroatividade da sua aplicação e, consequentemente, necessidade de oferecimento
ou não da representação aos processos em curso.
A discussão teve início no STJ (HC 573.093) e, no curso dos anos de 2020 e 2021 foi objeto de uma
série de divergências. Veja a evolução jurisprudencial:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
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(1) Em 14/04/2020, no HC 573.093, a 5ª Turma do STJ decidiu que a retroatividade da representação deve
se restringir à fase policial, pois do contrário estar-se-ia transformando uma condição de
procedibilidade em prosseguibilidade.
(2) Em 04/08/2020, no Julgado HC 583.837, a decisão da 6ª Turma do STJ foi no sentido de que, por ser lei
mais benéfica, deve retroagir.
(3) Em 21/09/2020, a 5ª Turma reiterou o entendimento de que a retroatividade da representação no crime
de estelionato deve se restringir à fase policial (ato jurídico perfeito).
(4) Em 14/10/2020, a 1ª Turma do STF reconheceu não ser cabível a aplicação retroativa do parágrafo 5º
do artigo 171 do CP, uma vez que no momento do oferecimento da denúncia a ação era incondicionada
e não se exigia representação (HC 187.341/SP).
(5) Em 13/04/2021, a Terceira Seção consolidou o entendimento das turmas criminais do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) ao definir que a exigência de representação da vítima como pré-requisito para a ação
penal por estelionato – introduzida pelo Pacote Anticrime– não pode ser aplicada retroativamente para
beneficiar o réu nos processos que já estavam em curso (Info 691).
(6) Em 22/06/2021, A 2ª Turma do STF decidiu que a alteração promovida pela Lei nº 13.964/2019, que
introduziu o § 5º ao art. 171 do Código Penal, ao condicionar o exercício da pretensão punitiva do Estado
à representação da pessoa ofendida, deve ser aplicada de forma retroativa a abranger tanto as ações
penais não iniciadas quanto as ações penais em curso até o trânsito em julgado (Info 1023).
Logo, no cenário atual acerca da matéria, temos o entendimento pacificado do STJ no sentido de que
deve ser observada a retroatividade, respeitando-se a limitação do ato jurídico perfeito e acabado
materializado com o oferecimento da denúncia. No STF, contudo, permanece a divergência, uma vez que a
1ª Turma acompanha do entendimento do STJ, porém, a 2ª Turma, segundo decisão mais recente, admite a
extensão da retroatividade para todas as ações penais em curso que ainda não tenham transitado em
julgado.
E como se posiciona a doutrina?
Quanto ao tema, explica Rogério Sanches:
Tendo em vista que a necessidade de representação traz consigo institutos
extintivos da punibilidade, a regra do art. 171, §5º deve ser analisada sob a
perspectiva da aplicação da lei penal no tempo. Vamos diferenciar duas hipóteses:
a) Se a denúncia já foi ofertada, trata-se de ato jurídico perfeito, não sendo
alcançado pela mudança. Não nos parece correto o entendimento de que a vítima
deve ser chamada para manifestar seu interesse em ver prosseguir o processo. Essa
lição transforma a natureza jurídica da representação de condição de
procedibilidade em condição de prosseguibilidade. A lei nova (Lei 13.964/2019)
NÃO EXIGIU ESSA MANIFESTAÇÃO, AO CONTRÁRIO DO QUE FEZ A LEI 9.099/95, que
a exigiu de forma expressa no art. 91).
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b) Se a incoativa ainda não foi oferecida, deve o MP aguardar a oportuna
representação da vítima ou o decurso do prazo decadencial, cujo termo inicial, para
fatos pretéritos, é o da vigência da novel lei.
OBS.: Para o professor Aury Lopes Jr, como dissemos alhures, o processo penal não poderia se valer da teoria
geral do processo civil para conferir das mesmas condições da ação. Para o processualista penal, são
condições da ação penal:
1) Prática de fato aparentemente criminoso;
2) Punibilidade concreta;
3) Legitimidade da parte;
4) Justa Causa.
a) Prática de fato aparentemente criminoso (fumus comissi delicti): O fato penalmente relevante praticado
em tese, deve ser típico, ilícito e culpável, não se admitiria uma ação penal por um fato que não fosse crime.
Ex.: denúncia por incesto, furto de coisa própria.
b) Punibilidade concreta: Deve o juiz rejeitar a peça acusatória quando houver prova de extinção da
punibilidade. Quando presente a causa de extinção de punibilidade, como prescrição, decadência, renúncia,
a denúncia ou queixa deverá ser rejeitada e o réu absolvido sumariamente, conforme o momento em que
seja reconhecida.
As outras duas condições para o professor Aury são idênticas as já exauridas acima e, por uma
questão de economia nos estudos, não abordaremos.
Sobre o tema Condições da Ação, confira a dica do professor Tiago Dantas:
https://youtu.be/iB6yH8kLH0g
https://youtu.be/iB6yH8kLH0g
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3. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL
3.1 Princípios Comuns da Ação Penal Pública e Privada
1) PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA OU PESSOALIDADE:
A denúncia ou queixa só podem ser oferecidas contra o provável autor do fato delituoso. Esse
princípio funciona como evidente desdobramento do princípio da pessoalidade da pena (art. 5, XXXXV, CF).
2) PRINCÍPIO DA OFICIOSIDADE:
O MP, titular da ação penal, pode agir de ofício, não dependendo da autorização de ninguém, da
mesma forma que o ofendido também pode agir de ofício quando legitimado.
OBS.: O juiz não pode dar início ao processo de ofício, uma vez que a ação penal é de iniciativa do
MP, nos crimes de ação penal pública, ou do ofendido ou seu representante legal, nos crimes de ação penal
privada.
OBS.2: O juiz pode conceder habeas corpus de ofício (art. 654, §2º, CPP), visto que a restrição se
limita a atuação de ofício em ação penal condenatória. Ademais, a execução tem início de ofício.
3) PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM
Trata da inadmissibilidade da persecução penal múltipla. Nesse sentido, ninguém pode ser
processado duas vezes pela mesma imputação.
3.2 Princípios da Ação Penal Pública
1) PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE OU LEGALIDADE:
O princípio da obrigatoriedade está previsto no art. 24 do CPP. Com isso, diferentemente do que
ocorre com os demais princípios que possuem status constitucional ou convencional, possui status de lei
ordinária. Consequentemente, pode ser excepcionado por outra lei ordinária.
Art. 24: Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do
Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro
da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para
representá-lo.
O MP, titular da ação penal pública, está OBRIGADO a oferecê-la, sempre que constatar a presença
de prova da materialidade e indícios de autoria ou participação.
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Assim, se presentes as condições da ação penal e havendo justa causa, o MP está obrigado a
oferecer denúncia. Em outras palavras: não se reserva ao MP qualquer juízo de discricionariedade quando
constatada a presença de conduta delituosa e das condições da ação penal.
“Se o legislador incriminou determinada conduta, dando relevância social ao bem
jurídico afetado ou posto em risco pelo comportamento do agente, não pode o
membro do Ministério Público afirmar que a ação delituosa não tem relevância,
que o interesse público ficaria atendido diante de sua inércia, deixando de
manifestar em juízo a pretensão punitiva estatal” (Afrânio Silva Jardim. Ação penal
pública: princípio da obrigatoriedade. 4ª Edição. Forense, 2001. p. 53).
A doutrina aponta dois mecanismos de fiscalização do princípio da obrigatoriedade:
a) Princípio da devolução (art. 28, CPP - redação ainda em vigor em razão da suspensão da nova
redação trazida pelo Pacote Anticrime);
b) Ação penal privada subsidiária da pública.
ATENÇÃO: Obrigatoriedade da ação penal x Pedido de absolvição peloMP:
De acordo com o art. 385 do CPP, fica claro que o MP poderá opinar pela absolvição. Isso porque (i)
trata-se da garantia da independência funcional do promotor, e (ii) ao MP incumbe zelar por interesses
individuais indisponíveis, a exemplo da liberdade de locomoção.
Nesse sentido, tem-se que o princípio da obrigatoriedade NÃO é incompatível com o pedido da
absolvição.
Ressalta-se, ainda, que o juiz pode condenar o acusado, mesmo com o pedido de absolvição feito
pelo MP.
Art. 385: Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória,
ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como
reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.
APROFUNDANDO PARA PROVAS DISCURSIVAS / ORAIS:
Alguns doutrinadores (como Aury Lopes Jr.) sustentam que, havendo o pedido de absolvição, o juiz
seria obrigado a absolver, já que o MP estaria retirando sua pretensão acusatória. Com isso, caso o juiz
condenasse, estaria agindo de ofício, em um verdadeiro processo judicialiforme*, incompatível com o
princípio da inércia da jurisdição.
Contudo, a maioria da doutrina, e principalmente a jurisprudência, compreendem que, a partir do
momento em que a denúncia foi oferecida, o juízo foi provocado. Por isso, mesmo que o MP tenha pedido a
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absolvição, o juiz continua livre para condenar ou para absolver, já que a pretensão punitiva já teria sido
deduzida em juízo.
*O procedimento judicialiforme, ocorria na hipótese em que a ação penal, quando envolvesse
contravenções penais, seria iniciada com o auto de prisão em flagrante ou com portaria expedida pela
autoridade policial ou judicial, conforme previsão no art. 26, CPP. Ocorre que referido artigo NÃO foi
recepcionado pela CF/88. O art. 129, CF traz as funções institucionais do Ministério Público, dentre estas
“promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei”.
Exceções ao princípio da obrigatoriedade:
Como visto acima, o princípio da obrigatoriedade possui status de lei ordinária. Por isso, é possível
que uma lei ordinária crie exceções ao princípio.
1. Transação Penal (art. 76 da Lei 9.099/95):
Lei n. 9.099/95, art. 76: Havendo representação ou tratando-se de crime de ação
penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas,
a ser especificada na proposta.
Trata-se de um acordo celebrado entre o MP e o autor do delito, objetivando o cumprimento
imediato de pena restritiva de direito ou pena de multa.
É uma exceção, já que, se cabível, ao invés de oferecer uma denúncia o MP irá oferecer um acordo.
Alguns autores chamam de discricionariedade regrada1. Contudo, para Renato Brasileiro, o correto
seria obrigatoriedade mitigada:
Transação penal: em se tratando de infrações penais de menor potencial ofensivo,
ainda que haja lastro probatório suficiente para o oferecimento de denúncia, desde
que o autor do fato delituoso preencha os requisitos objetivos e subjetivos do art.
76 da Lei nº 9.099/95, ao invés de o Ministério Público oferecer denúncia, deve
propor a transação penal, com a aplicação imediata de penas restritivas de direitos
e multa. Nessa hipótese, há uma mitigação do princípio da obrigatoriedade,
comumente chamada pela doutrina de princípio da discricionariedade regrada ou
princípio da obrigatoriedade mitigada (BRASILEIRO, Renato).
1 Obviamente que o MP, por mandamento constitucional, já que o artigo 129, VIII, 2ª parte, da CR, diz que todas as
manifestações processuais do MP hão de ser fundamentadas – TEM que fundamentar. Por isso que é REGRADA!
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2. Acordo de Não Persecução Penal (art. 28-A, CPP)
É um acordo celebrado entre o MP e o autor do delito, devidamente assistido por seu defensor, por
meio do qual sujeita-se a determinadas condições. Após o cumprimento, o MP irá requerer o arquivamento.
O acordo de não persecução penal, introduzido pelo Pacote Anticrime, também é um exemplo de
exceção ao princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, haja vista que, presentes os requisitos e as
condições dispostas em lei, o MP pode deixar de oferecer denúncia.
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado
formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave
ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá
propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas
cumulativa e alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-
lo; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público
como instrumentos, produto ou proveito do crime; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período
correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços,
em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei
nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de
interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha,
preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos
aparentemente lesados pelo delito; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério
Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal
imputada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste
artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso
concreto. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes
hipóteses: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais,
nos termos da lei; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art46
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art46
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art45
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art45
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
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II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que
indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, excetose
insignificantes as infrações penais pretéritas; (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da
infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão
condicional do processo; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou
praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do
agressor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
3. Acordo de Leniência nos crimes contra a ordem econômica:
É uma espécie de colaboração premiada.
O parcelamento do crédito tributário quando feito antes do recebimento da denúncia, fica suspensa
a pretensão punitiva.
Lei n. 9.430/96, art. 83, § 2º: É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente
aos crimes previstos no caput, durante o período em que a pessoa física ou a pessoa
jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no
parcelamento, desde que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes
do recebimento da denúncia criminal (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011)
4. Termo de ajustamento de conduta em crimes ambientais:
Em relação ao tema, há controvérsias. Parte da doutrina entende que o termo de ajustamento de
conduta (TAC) em crimes ambientais é uma exceção ao princípio da obrigatoriedade. Já que, pelo menos
enquanto o indivíduo cumpre o TAC, o MP está impedido de oferecer denúncia (falta interesse de agir do
órgão ministerial).
Contudo, o STJ entende que o TAC produz reflexos no âmbito administrativo, mas não representa
óbice a persecução penal.
STJ: “(...) A assinatura de termo de ajustamento de conduta, com a reparação do
dano ambiental são circunstâncias que possuem relevo para a seara penal, a serem
consideradas na hipótese de eventual condenação, não se prestando para elidir a
tipicidade penal”. (STJ, 6ª Turma, HC 187.043/RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, j. 22/03/2011, Dje 11/04/2011)
5. Acordo de colaboração premiada na Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/13):
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
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§ 4º § 4º Nas mesmas hipóteses do caput deste artigo, o Ministério Público poderá
deixar de oferecer denúncia se a proposta de acordo de colaboração referir-se a
infração de cuja existência não tenha prévio conhecimento e o
colaborador: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - não for o líder da organização criminosa;
II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo.
§ 4º-A. Considera-se existente o conhecimento prévio da infração quando o
Ministério Público ou a autoridade policial competente tenha instaurado inquérito
ou procedimento investigatório para apuração dos fatos apresentados pelo
colaborador. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
2) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE:
De acordo com o princípio da indisponibilidade, o MP NÃO pode desistir da ação penal após o
oferecimento da denúncia.
Exceções ao princípio da indisponibilidade:
1. Suspensão condicional do processo (art. 89, Lei 9.099/95):
Cabe em crimes cuja pena mínima seja igual ou inferior a um ano (não só nos juizados).
Lei n. 9.099/95, art. 89: Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou
inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer
a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde
que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por
outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão
condicional da pena (art. 77 do Código Penal).
2. Transação penal (art. 79, Lei 9.099/95):
Mesmo após o oferecimento da denúncia, no caso de IMPO.
3) PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE:
O titular da ação é o órgão oficial do Estado.
4) PRINCÍPIO DA (IN)DIVISIBILIDADE:
Há controvérsia sobre o caráter divisível da ação penal pública.
1ª Corrente (majoritária na doutrina): Entende que a ação penal pública é indivisível.
2ª Corrente (Tribunais Superiores): A ação penal pública admite a divisibilidade. Ou seja: o MP pode
oferecer denúncia em face de alguns investigados, sem prejuízo do prosseguimento das
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
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investigações dos demais autores. Nesse contexto, até a sentença final, o MP pode incluir novas
pessoas no polo passivo, por meio do aditamento da denúncia. (é a corrente que deve ser adotada
em provas objetivas!)
Na ação penal pública não vigora o princípio da indivisibilidade. Assim, o MP não
está obrigado a denunciar todos os envolvidos no fato tido por delituoso, não se
podendo falar em arquivamento implícito em relação a quem não foi denunciado.
Isso porque o Parquet é livre para formar sua convicção, incluindo na denúncia as
pessoas que ele entenda terem praticado o crime, mediante a constatação de
indícios de autoria e materialidade. STJ. 6ª Turma. RHC 34233-SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 6/5/2014 (Info 540).
3.3 Princípios da Ação Penal Privada
1) PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA:
Compete à vítima ou ao seu representante analisar a conveniência e oportunidade para o exercício
da ação. Ou seja: o titular da ação penal tem a FACULDADE de decidir se tem ou não interesse em dar início
ao processo criminal, visando à responsabilização do autor do delito.
Há 2 mecanismos através dos quais a vítima pode optar por NÃO exercer seu direito de ação:
a) Decadência: A vítima dispõe do prazo decadencial de 06 (seis) meses para o exercício da ação
privada, contados do conhecimento do responsável pelo delito, sob pena de extinção da
punibilidade (art. 107, IV, CP)
b) Renúncia: É ato unilateral do ofendido, e ocorre quando a vítima se recusa a tomar providência
contra o seu agressor.
⋅ Se opera até o oferecimento da ação penal;
⋅ É irretratável;
⋅ A renúncia feita para um agressor necessariamente beneficia os demais (art. 49, do CPP);
⋅ Pode ser expressa ou tácita (atos do ofendido incompatíveis com o desejo de processar o
agressor);
⋅ Enseja a extinção da punibilidade.
OBS.1: Tanto a decadência como a renúncia ocorrem antes de iniciada a ação penal com o
oferecimento da queixa crime.
OBS.2: O prazo decadencial para a queixa-crime é improrrogável e NÃO se sujeita a nenhuma forma
de suspensão ou interrupção.
OBS.3: O princípio se aplica também a ação penal pública condicionada, no que tange à
representação ou à requisição (e APENAS nesse ponto, visto que uma vez presentes as demais elementos
para o oferecimento da ação, o MP é obrigado a agir).
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2) PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE:
Após iniciada a queixa crime, o querelante pode dispor do seu direito de dar continuidade à queixa-
crime através de 2 institutos:
a) Perdão: Ato de liberalidade, e requer a aceitação pelo réu (ato bilateral). Trata-se de causa extintiva
de punibilidade e só é admissível até o trânsito em julgado;
OBS.1: Cuidado para não confundir a renúncia com o perdão.
OBS.2: Não cabe o instituto do perdão judicial na ação penal privada subsidiária da pública.
RENÚNCIA PERDÃO
Instituto pré-processual. Instituto processual.
Ato unilateral. Ato bilateral.
A renúnciafeita a um dos agentes
se estende aos demais (art. 49, CP).
O perdão concedido a apenas um dos
agentes delitivos não
necessariamente se estende aos
demais.
b) Perempção: É sanção processual pela desídia do querelante na ação privada (art. 60, CPP)
Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á
perempta a ação penal:
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do
processo durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36;
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer
ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de
condenação nas alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar
sucessor.
CONCLUSÃO: Independentemente do momento em que o querelante decide abrir mão do seu direito de
queixa, antes mesmo de oferecida a queixa (através da decadência ou renúncia), ou após o oferecimento
desta (através do perdão ou perempção), a consequência será a mesma: extinção da punibilidade.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art36
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Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade,
deverá declará-lo de ofício.
OBS. A perempção é uma sanção processual pela desídia do querelante na ação privada (art. 60, CPP). Assim,
conforme entendimento da jurisprudência, descabe o seu reconhecimento em sede de ação penal privada
subsidiária da pública, uma vez que, originariamente, trata-se de hipótese de ação penal pública.
Impossível reconhecer a extinção da punibilidade pela perempção em ação penal
privada subsidiária de ação penal pública. (RHC 26.530/SC, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, DJe 21/11/2011)
c) Conciliação nos crimes contra a honra de competência do juiz singular (art. 522, CPP)
Art. 522. No caso de reconciliação, depois de assinado pelo querelante o termo da
desistência, a queixa será arquivada.
OBS.: Esse princípio NÃO se aplica a ação penal privada subsidiária da pública, pois, eventual
manifestação do querelante no sentido de dispor da ação penal já em curso importa na retomada, pelo
Ministério Público, da titularidade da ação penal. Trata-se da chamada ação penal indireta.
Vamos esquematizar?
● Antes de iniciada a queixa crime:
(a) Decadência Princípio da Conveniência e Oportunidade
(b) Renúncia
● Após iniciada a queixa crime
(a) Perdão Princípio da Disponibilidade
(b) Perempção
3) PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE:
Proposta ação penal privada, o querelante deve promovê-la contra TODOS os que contribuíram para
o delito, NÃO podendo deixar de processar os que sabidamente concorreram para a prática do crime.
Nesse sentido, a ação penal deve se estender a todos aqueles que praticaram a infração penal.
CPP - Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo
de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade.
É nesse sentido a jurisprudência do STF:
Highlight
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Não oferecida a queixa-crime contra todos os supostos autores ou partícipes da
prática delituosa, há afronta ao princípio da indivisibilidade da ação penal, a
implicar renúncia tácita ao direito de querela, cuja eficácia extintiva da punibilidade
estende-se a todos quantos alegadamente hajam intervindo no cometimento da
infração penal. STF. 1ª Turma. Inq 3526/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
2/2/2016 (Info 813).
Em razão do princípio da indivisibilidade, a renúncia e o perdão concedidos a um dos coautores
estendem-se ao demais (no perdão, caso um dos coautores não aceite, continuará correndo contra ele o
processo).
Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores
do crime, a todos se estenderá.
Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que
produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.
É nesse sentido a jurisprudência do STJ:
STJ: “(...) O reconhecimento da renúncia tácita ao direito de queixa exige a
demonstração de que a não inclusão de determinados autores ou partícipes na
queixa-crime se deu de forma deliberada pelo querelante” (STJ, HC 186.405/RJ,
Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 11/12/2014).
ATENÇÃO: Princípio da indivisibilidade da ação penal privada: omissão voluntária e involuntária.
O princípio da indivisibilidade significa que a ação penal deve ser proposta contra todos os autores e
partícipes do delito. Segundo a posição da jurisprudência, o princípio da indivisibilidade SÓ se aplica para a
ação pena privada (art. 48 do CPP). O que acontece se a ação penal privada não for proposta contra todos?
O que ocorre se um dos autores ou partícipes, podendo ser processado pelo querelante, ficar de fora? Qual
é a consequência do desrespeito ao princípio da indivisibilidade?
● Se a omissão foi VOLUNTÁRIA (DELIBERADA): O juiz deverá rejeitar a queixa e declarar a extinção
da punibilidade para todos (arts. 104 e 107, V, do CP).
● Se a omissão foi INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a intimação do querelante para que ele faça
o aditamento da queixa-crime e inclua os demais coautores ou partícipes que ficaram de fora.
Assim, conclui-se que a não inclusão de eventuais suspeitos na queixa-crime não configura, por si só,
renúncia tácita ao direito de queixa. Para o reconhecimento da renúncia tácita ao direito de queixa,
exige-se a demonstração de que a não inclusão de determinados autores ou partícipes na queixa-
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crime se deu de forma deliberada pelo querelante. STJ. 5ª Turma. RHC 55142-MG, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 12/5/2015 (Info 562).
OBS.1: Cabe ao MP fiscalizar o princípio da indivisibilidade na ação penal privada. Contudo, o MP
NÃO pode aditar a queixa para incluir coautores, pois NÃO tem legitimidade ativa. Deve, portanto, pedir a
intimação do querelante para que adite a queixa, sob a pena de a renúncia concedida a um dos coautores
ser estendida aos demais (quando a omissão for involuntária).
OBS.2: Há doutrina em sentido contrário, segundo a qual à luz do dever do MP de zelar pela
indivisibilidade da ação penal privada, caberia ao representante do órgão acusatório aditar a queixa-crime.
4. AÇÃO PENAL PÚBLICA
A ação penal pública pode ser:
1) Ação penal pública incondicionada;
2) Ação penal pública condicionada à representação;
3) Ação penal pública subsidiária da pública.
4.1 Ação Penal Pública Incondicionada
A ação penal pública incondicionada é a regra, de modo que, no silêncio da lei, o crime será de ação
penal pública incondicionada.
a) Titular: Ministério Público, cuja atribuição é privativa, conforme a CF (art. 129, I, CF).
b) Peça inicial: A denúncia é a peça privativa do Ministério Público que dá início à ação penal pública.
c) Prazos para oferecimento da denúncia:
REGRA DO CPP ● Réu preso: 05 dias.
● Réu solto: 15 dias.
CRIMES ELEITORAL 10 dias.
TRÁFICO DE DROGAS 10 dias.
CRIMES CONTRA A ECONOMIA
POPULAR
2 dias.
LEI DE FALÊNCIAS ● Réu preso: 05 dias.
● Réu solto: 15 dias.
d) Exemplos de crimes que são deação penal pública incondicionada:
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1) Crimes de lesões corporais leves e culposas no contexto da Lei Maria da Penha.
Súmula 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.
2) Todos os crimes contra a dignidade sexual, em virtude da alteração promovida pela Lei nº
13.718/2018:
Art. 1º Esta Lei tipifica os crimes de importunação sexual e de divulgação de cena
de estupro, torna pública incondicionada a natureza da ação penal dos crimes
contra a liberdade sexual e dos crimes sexuais contra vulnerável, estabelece causas
de aumento de pena para esses crimes e define como causas de aumento de pena
o estupro coletivo e o estupro corretivo.
3) Crimes na Lei de Abuso de Autoridade (art. 3º, Lei 13.869/2019).
Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada.
4.2 Ação Penal Pública Condicionada
A ação penal pública condicionada é aquela que depende da manifestação de vontade do legítimo
interessado para que a persecução penal possa se iniciar.
A ação penal pública pode ser condicionada à:
a) Representação do ofendido;
b) Requisição do Ministro da Justiça.
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do
Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro
da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para
representá-lo.
4.2.1 Ação Penal Pública Condicionada à Representação do Ofendido
A representação do ofendido é o pedido e a autorização que condiciona o início da persecução penal.
Sem ela inexiste processo, IP e até mesmo lavratura de flagrante.
Highlight
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Art. 5ª, § 4o , CPP O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.
● Natureza jurídica: É uma condição de procedibilidade.
Lembrando que pode ser condição de prosseguibilidade (como vimos anteriormente), a exemplo da Lei
9.099/95 quando passou a exigir representação para as lesões corporais leves e culposas.
● Prazo decadencial: 6 meses, contados do conhecimento da autoria (art. 38, CPP)
OBS.: Na sucessão processual, o prazo não é renovado, mas contínuo, de modo que são possíveis duas
situações:
1) Se o sucessor toma conhecimento da autoria no mesmo momento que a vítima, tem direito ao prazo
restante;
2) Se o sucessor não tinha conhecimento da autoria, o prazo restante será contado no momento em
que atingir esse conhecimento.
O prazo é uno para os sucessores, de modo que basta que um deles tenha conhecimento da autoria,
para que tenha início o prazo decadencial para todos.
Pergunta-se: A decadência do direito do representante legal atinge a do menor? R.: Há divergência
na doutrina.
1ª Corrente (Renato Brasileiro): O prazo é único, razão pela qual a decadência para o representante
legal acarreta desde logo a extinção da punibilidade, ainda que o menor não tenha completado 18 anos.
2ª Corrente (Nucci e Mirabete): O direito não pode ser exercido pelo menor, de modo que, cuidando-
se de incapaz, NÃO se pode falar em decadência.
OBS.: O mesmo entendimento se aplica ao exercício do direito de queixa (ação penal privada).
● Legitimidade para receber a representação:
a) Delegado;
b) MP;
c) Juiz.
● Legitimidade para oferecer a representação:
1) Vítima ou seu representante legal: A representação pode ser feita pessoalmente pelo ofendido
com 18 anos completos ou mais OU por procurador, desde que possua poderes especiais.
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2) Diante de menor, mentalmente enfermo ou retardo mental, que NÃO tenha representante
legal, ou cujos interesses colidirem com os do representante, será nomeado curador especial
(art. 33, CPP).
3) Diante da morte ou da declaração judicial de ausência da vítima teremos como sucessores o
cônjuge/companheiros, ascendentes, descendentes e irmãos (CADI) (art. 24, §2º, CPP).
OBS.1: Trata-se de rol preferencial e taxativo.
OBS.2: Deve-se respeitar a ordem preferencial (CADI) quando houver morte, declaração judicial de
ausência ou incapacidade civil superveniente. Por outro lado, em caso de abandono ou desistência da ação,
o art. 36 preconiza que qualquer dessas pessoas do CADI poderá prosseguir com a ação, independentemente
de obedecer à ordem preferencial!
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do
Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro
da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para
representá-lo.
§ 1o No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão
judicial, o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente
ou irmão.
Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência
o cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração
constante do art. 31, podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação,
caso o querelante desista da instância ou a abandone.
💣 FIQUE ATENTO!
O STJ (Info 654) estendeu o direito à representação ao companheiro:
A companheira, em união estável homoafetiva reconhecida, goza do mesmo
status de cônjuge para o processo penal, possuindo legitimidade para ajuizar a
ação penal privada.
No caso, trata-se de crime de calúnia contra pessoa morta, o que aponta que os
querelantes – mãe, pai, irmã e companheira em união estável da vítima falecida –
são partes legítimas para ajuizar a ação penal privada, nos termos do art. 24, § 1º,
do CPP. Cumpre anotar que a companheira, em união estável reconhecida, goza do
mesmo status de cônjuge para o processo penal, podendo figurar como legítima
representante da falecida. Vale ressaltar que a interpretação extensiva da norma
processual penal tem autorização expressa do art. 3º do CPP ("a lei processual penal
admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art31
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dos princípios gerais de direito"). Ademais, o STF, ao apreciar o tema 498 da
repercussão geral, reconheceu a "inexistência de hierarquia ou diferença de
qualidade jurídica entre as duas formas de constituição de um novo e
autonomizado núcleo doméstico, aplicando-se à união estável entre pessoas do
mesmo sexo as mesmas regras e mesmas consequências da união estável
heteroafetiva" (RE 646.721, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. Acd. Min. Roberto
Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2017, DJe 11/09/2017).
Apesar do entendimento do STJ, parte da doutrina, por outros Renato Brasileiro critica a extensão
por ferir a legalidade devido à utilização de analogia prejudicial ao réu.
ATENÇÃO! Pessoas jurídicas vítimas de infrações penais, podem oferecer representação por quem
os respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-
gerentes.
● Forma da representação: De acordo com o STJ/STF, ela tem forma livre, podendo ser oral ou por
escrito. Ou seja: NÃO precisa ser através de peça formal.
● Prazo para a representação: 6 (seis) meses contados do conhecimento da autoria. Não interessa a
data do fato.
OBS.: O prazo para oferecimento da representação tem natureza decadencial, não se admite
suspensão, prorrogação ou interrupção.
💣 RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO:
Regra: a retratação da representação é possível até antes do oferecimento da denúncia.
Art. 25. A representação seráirretratável, depois de oferecida a denúncia.
Exceção: Na Lei Maria da Penha, a retratação é possível até o recebimento da denúncia, em
audiência perante o juiz designada especialmente para esse fim.
Lei 11.340/06. Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da
ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante
o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.
ATENÇÃO: Há divergência doutrinária acerca da possibilidade de retratação da retratação. Para
parte da doutrina, a vítima poderá se arrepender da retratação e renovar a representação, desde que esteja
dentro do prazo decadencial.
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Porém, mesmo para os que admitem a retratação da retratação, há DUAS EXCEÇÕES, dois
microssistemas que fatalmente a retratação da representação por lei extingue a punibilidade: Juizado da
Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Juizado Especial Criminal.
● Eficácia objetiva da representação: A representação é feita para cada crime e abrange todos os
possíveis coautores e participes.
Por eficácia objetiva da representação, entende-se o seguinte: se oferecida a representação contra
um dos partícipes ou coautores do crime, o MP deve oferecer a denúncia contra todos aqueles que
praticaram o delito. Porém a representação só é válida para aquele delito.
Assim, se a vítima representou apenas pelo delito de injúria, NÃO é possível o MP amplie a
representação para abranger os crimes de calúnia e difamação, em face da eficácia objetiva da
representação. Não abrange outros crimes, envolvendo apenas todos os coautores.
STF: HC 98.237/SP. STF, “(...) O fato que constitui objeto da representação oferecida
pelo ofendido (ou, quando for o caso, por seu representante legal) traduz limitação
material ao poder persecutório do Ministério Público, que não poderá, agindo
"ultra vires", proceder a uma indevida ampliação objetiva da "delatio criminis"
postulatória, para, desse modo, incluir, na denúncia, outros delitos cuja
perseguibilidade, embora dependente de representação, não foi nesta pleiteada
por aquele que a formulou. Precedentes. – A existência de divórcio ideológico
resultante da inobservância, pelo Ministério Público, da necessária correlação
entre os termos da representação e o fato dela objeto, de um lado, e o conteúdo
ampliado da denúncia oferecida pelo órgão da acusação estatal, de outro, constitui
desrespeito aos limites previamente delineados pelo autor da delação postulatória
e representa fator de deslegitimação da atuação processual do "Parquet". Hipótese
em que o Ministério Público ofereceu denúncia por suposta prática dos crimes de
calúnia, difamação e injúria, não obstante pleiteada, unicamente, pelo magistrado
autor da delação postulatória (representação), instauração de "persecutio criminis"
pelo delito de injúria. Inadmissibilidade dessa ampliação objetiva da acusação
penal”. (STF, 2ª Turma, HC 98.237, SP. Ministro Celso de Mello, j. 15/12/2009).
4.2.2 Ação Penal Pública Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça
É ato de conveniência política, autorizando a persecução penal em alguns crimes.
● Prazo: A lei é omissa. Logo, pode ocorrer a qualquer tempo, enquanto não for extinta a punibilidade. Ao
contrário da representação, que deve ser oferecida no prazo decadencial de 6 meses, contados do
conhecimento da autoria, a lei silenciou acerca de eventual prazo para o oferecimento da requisição.
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Entende-se, portanto, que a requisição NÃO está sujeita ao prazo decadencial, podendo ser oferecida a
qualquer tempo, desde que não tenha havido a extinção da punibilidade pelo advento da prescrição.
● Destinatário: MP (PGJ).
☞ Há discricionariedade do Ministro da Justiça
☞ A requisição NÃO vincula o MP. Ou seja: o MP não está obrigado a oferecer denúncia.
● Hipóteses:
a) Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil;
b) Crimes contra a honra praticados contra o Presidente ou Chefe de Governo Estrangeiro.
4.2.3 Ação Penal Pública Subsidiária da Pública
Para alguns doutrinadores, essa subespécie de ação penal pode ser vislumbrada quando ocorre a
atuação de um órgão do MP diante da inércia de outro órgão do MP.
Alguns exemplos dessa espécie “sui generis” de ação penal pública subsidiária da pública podem ser
apresentados:
a) Nos Crimes de Responsabilidade de Prefeitos, em caso de inércia do PGJ (lembrando que os Prefeitos
têm prerrogativa de função e são julgados pelos Tribunais de Justiça), a ação poderá este ser proposta
pelo PGR (art. 2º., § 2º, do Decreto-Lei 201/67)
b) Nos casos de deslocamento de competência como aqueles que ocorrem quando há “grave violação
dos direitos humanos” e inércia dos órgãos estaduais, podendo então o caso, mediante
representação do PGR perante o STJ, ser deslocado para a Justiça Federal, isso com o fim de “assegurar
o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais
o Brasil seja parte” (art. 109, § 5º., CF). Também é mencionável a possibilidade de deslocamento de
competência para o Tribunal Penal Internacional (TPI), no caso de inércia dos órgãos internos
brasileiros envolvendo crimes contra a humanidade (artigo 5º., § 4º., CF).
Confira a dica do Professor Tiago Dantas:
https://youtu.be/h4n0S8kJ-Pw
https://youtu.be/h4n0S8kJ-Pw
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5. AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA
Ocorre quando o Estado legitima o ofendido ou seu representante legal a ingressar com ação penal,
pleiteando a condenação do agressor, em hipóteses excepcionais.
O particular, portanto, passa a ter o direito de ação, a legitimidade para o oferecimento da ação penal
privada, embora a titularidade da ação penal permaneça com o Estado. Trata-se, como já visto, de hipótese
de legitimação extraordinária.
● Titularidade: Ofendido ou representante legal.
A queixa pode ser proposta por procurador, desde que seja mediante procuração com poderes
especiais. Deve constar da procuração com poderes especiais o nome do querelante e a menção ao fato
criminoso. No entanto, os Tribunais Superiores divergem quanto ao significado de “menção ao fato
criminoso”:
Para o STF: na procuração, deverá ser individualizado o evento delituoso, não bastando apenas a
menção do nomen iuris do crime.
Para o STJ: basta mencionar o tipo penal ou nomen iuris, sendo desnecessário pormenorizar a
descrição da conduta.
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais,
devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção
do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências
que devem ser previamente requeridas no juízo criminal.
● Peça inicial: Queixa crime.
° Vítima é chamada de querelante.
° Réu é chamado de querelado.
● Prazo para interpor a queixa crime: 6 meses, contados a partir do conhecimento da autoria.
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Lembre-se que se trata de prazo decadencial!
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal,
decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo
de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no
caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.
● Espécies:
1) Ação penal privada personalíssima;
2) Ação penal privada propriamente dita ou exclusiva;
3) Ação penal privada subsidiária da pública.
CAIU EM PROVA:(Delegado de PCRN 2021): Ao sair de sua casa, em 17/05/2020, Miriam foi surpreendida por faixa anônima
estendida na via pública com diversas ofensas à sua honra. Diante da humilhação sofrida, Miriam deixou o
país e foi morar no exterior sem se interessar em descobrir o responsável pelos fatos. Em 03/01/2021, Miriam
recebeu mensagem de Sandra, sua antiga vizinha, confessando ser ela a autora das ofensas, bem como
esclarecendo que informou os fatos ao delegado de polícia, em razão de seu arrependimento. Miriam entrou
em contato com seu advogado, em 25/01/2021, para esclarecimentos jurídicos, informando que permanece
no exterior. O advogado deverá esclarecer naquela data que o crime praticado seria de injúria, de ação penal
privada, logo a queixa-crime poderá ser oferecida por Miriam, mas, se através de procurador, exigem-se
poderes especiais. (item considerado correto).
5.1 Ação Penal Privada Personalíssima
Somente o ofendido pode ingressar em juízo, ou seja, o direito NÃO é transmitido ao representante
legal e nem haverá sucessão processual.
Aqui, a morte da vítima extingue a punibilidade do autor do delito.
Na atual legislação brasileira, há apenas um exemplo de crime dessa espécie. Vejamos:
Art. 236, CP - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente,
ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não
pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por
motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art29
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5.2 Ação Penal Privada Exclusiva ou Propriamente Dita
É aquela que pode ser proposta pelo ofendido ou seu representante legal. Na hipótese de ser
proposta pelo representante legal, há sucessão processual.
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão
judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge,
ascendente, descendente ou irmão.
É a regra nos crimes contra a honra.
Art. 145, CP - Nos crimes previstos neste Capítulo (DOS CRIMES CONTRA HONRA)
somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da
violência resulta lesão corporal.
Atenção: A diferença entre a ação penal exclusivamente privada e a ação privada personalíssima é que, na
ação penal exclusivamente privada, admite-se a sucessão processual, ao passo que na ação penal privada
personalíssima, somente o próprio ofendido pode ajuizar queixa crime.
5.3 Ação Penal Privada Subsidiária da Pública ou Acidentalmente Privada ou Supletiva
● Conceito:
A ação penal privada subsidiária da pública também é chamada de ação penal acidentalmente
privada/supletiva e será admitida quando estiver caracterizada a inércia do MP.
Assim, em havendo inércia do órgão ministerial, a ação penal privada subsidiária da pública será
exercida pela vítima ou por seu representante na condição de substituição processual, já que ela atua em
nome próprio pleiteando a punição que será exercida pelo estado.
● Fundamento legal e constitucional:
CF Art. 5º, LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não
for intentada no prazo legal;
CPP - Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não
for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa,
repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do
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processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso
de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.
Trata-se de forma de controle da obrigatoriedade da ação penal pública, bem como da inafastabilidade
da jurisdição.
● Pressupostos:
Há dois requisitos:
i. Só é cabível em face da inércia do MP;
Ex.: Se o promotor recebe o inquérito e em 15 dias (acusado solto) não faz nada, a partir do 16º dia
cabe ação penal privada. Se pedir arquivamento ou diligência não se trata de inércia, nem de ação subsidiária.
OBS: no HC n. 74.276, o STF, considerou procrastinatórias diligências solicitadas pelo MP.
Consequentemente, o Tribunal entendeu ser possível o ajuizamento de uma ação penal privada subsidiária
da pública.
OBS 2. Veja o julgado:
Ementa: Recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral. Constitucional.
Penal e processual penal. 2. Habeas corpus. Intervenção de terceiros. Os
querelantes têm legitimidade e interesse para intervir em ação de habeas corpus
buscando o trancamento da ação penal privada e recorrer da decisão que concede
a ordem. 3. A promoção do arquivamento do inquérito, posterior à propositura da
ação penal privada, não afeta o andamento desta. 4. Os fatos, tal como admitidos
na instância recorrida, são suficientes para análise da questão constitucional.
Provimento do agravo de instrumento, para análise do recurso extraordinário. 5.
Direito a mover ação penal privada subsidiária da pública. Art. 5º, LIX, da
Constituição Federal. Direito da vítima e sua família à aplicação da lei penal,
inclusive tomando as rédeas da ação criminal, se o Ministério Público não agir em
tempo. Relevância jurídica. Repercussão geral reconhecida. 6. Inquérito policial
relatado remetido ao Ministério Público. Ausência de movimentação externa ao
Parquet por prazo superior ao legal (art. 46 do Código de Processo Penal).
Surgimento do direito potestativo a propor ação penal privada. 7. Questão
constitucional resolvida no sentido de que: (i) o ajuizamento da ação penal privada
pode ocorrer após o decurso do prazo legal, sem que seja oferecida denúncia, ou
promovido o arquivamento, ou requisitadas diligências externas ao Ministério
Público. Diligências internas à instituição são irrelevantes; (ii) a conduta do
Ministério Público posterior ao surgimento do direito de queixa não prejudica sua
propositura. Assim, o oferecimento de denúncia, a promoção do arquivamento ou
a requisição de diligências externas ao Ministério Público, posterior ao decurso do
prazo legal para a propositura da ação penal, não afastam o direito de queixa. Nem
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mesmo a ciência da vítima ou da família quanto a tais diligências afasta esse direito,
por não representar concordância com a falta de iniciativa da ação penal pública
(STF, RG no REXT com Ag no RG ARE 859251 DF, Dje 21/05/2015).
ii. O crime deve possuir um ofendido individualizado.
Ex.: Em crimes de perigo (incolumidade pública posta em risco) não cabe essa ação subsidiária. Assim,
tráfico de drogas, quem ofereceria a ação? Não existe.
Exceção: Há 2 hipóteses em que, mesmo que a coletividade seja o sujeito passivo, será possível
interpor ação penal privada subsidiária da pública:
1) Crimes contra as relações de consumo (art. 80 e 82, CDC): nessa hipótese, os legitimados para
propor a queixa substitutiva serão as associações de defesa do consumidor e os Procon’s.
2) Crimes falimentares (art. 184, Lei 11.101/05): nessa hipótese, os legitimados para propor a queixa
substitutiva serão o administrador judicial ou qualquer credor habilitado.
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
Conselho indigenista não pode ajuizar queixa-crime subsidiária por delito contra
índios
Determinado indivíduo teria proferido discurso racista contra um grupo de índios
que teria invadido uma fazenda em certa região. O Ministério Público não ofereceu
denúncia nem instaurou qualquer procedimento. Em virtude disso, o Conselho dos
Povos Indígenas (organização não-governamental indígena)ajuizou uma queixa-
crime subsidiária (art. 5º, LIX, da CF/88) contra o indivíduo, imputando-lhe a prática
dos crimes de racismo (art. 20 da Lei 9.459/97) e incitação à violência e ódio contra
os povos indígenas (arts. 286 e 287 do CP). Essa queixa-crime deverá ser rejeitada,
porque os conselhos indigenistas não possuem legitimidade ativa em matéria
penal. Na ação penal privada (mesmo sendo a subsidiária da pública), a queixa-
crime somente pode ser promovida pelo ofendido ou por quem tenha qualidade
para representá-lo (art. 100, § 2º do CP e art. 30 do CPP). A suposta vítima dos
crimes não foi o conselho indigenista, mas sim os próprios índios que
participaram da invasão. STF. 1ª Turma. Inq 3862 ED/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 18/11/2014 (Info 768).
Fonte: Dizer o Direito
● Prazo: 6 meses, contados a partir da inércia do MP.
Pergunta-se: Esgotado o prazo opera-se a decadência e, consequentemente, a extinção da
punibilidade? R.: NÃO. Trata-se da denominada decadência imprópria, visto que embora não seja mais
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possível a queixa subsidiária, uma vez transcorrido o prazo decadencial, permanece a possibilidade de o MP
oferecer denúncia, enquanto o crime não estiver prescrito.
● Poderes do Ministério Público:
Conforme lição de Fernando da Costa Tourinho Filho, o Ministério Público, em face da queixa
substitutiva, assume a posição de um litisconsorte, porém de natureza sui generis, na medida em que não há
cumulação de ações contra o mesmo réu. A doutrina fala que o MP atua como uma espécie de “assistente
litisconsorcial” (já caiu em prova!)
Pode-se, ainda, “falar em ‘interveniente adesivo obrigatório’, porquanto, oferecida a queixa, o
Ministério Público é obrigado a intervir em todos os termos do processo”. Nessa linha, é a lição de Nestor
Távora, para quem o Ministério Público, “na ação privada subsidiária, figura como interveniente adesivo
obrigatório, atuando em todos os termos do processo, sob pena de nulidade (art. 564, III, d, CPP), tendo
amplos poderes”.
Assim, o MP pode:
(1) Repudiar a queixa, oferecendo denúncia substitutiva
Esclarece o Nestor Távora que quando a vítima “ingressa com a ação penal privada subsidiária, a
petição inicial é a queixa-crime SUBSIDIÁRIA da denúncia que não foi apresentada. Por sua vez, quando o MP
repudia a queixa, por entender que não houve omissão, a denúncia é SUBSTITUTIVA” da queixa repudiada.
(2) Aditar a queixa, tanto em seus aspectos formais, como materiais
Prazo para o MP aditar a queixa: 3 dias.
Art. 46, § 2o O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias, contado da data
em que o órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar
dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos
demais termos do processo.
OBS.: Na ação exclusivamente privada, NÃO pode o MP incluir coautor ou fato que o ofendido
não incluiu, sob pena de violação ao princípio da oportunidade. Contudo, em atenção ao princípio da
indivisibilidade, verificada omissão involuntária, o MP poderá oficiar o querelante para que promova o
aditamento.
(3) Intervir em todo os termos do processo
O MP pode, a qualquer momento:
● Fornecer elementos de prova;
● Interpor recurso;
● Opinar pela rejeição da queixa.
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Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser
aditada pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos
subseqüentes do processo.
OBS.: o MP NÃO pode recorrer da decisão absolutória proferida em ação penal
privada!
(4) Se o querelante for negligente, o MP reassume o polo ativo da ação penal
É a chamada ação penal indireta.
6. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DA AÇÃO PENAL
6.1 Ação Penal Adesiva
Para o professor Nestor Távora, seria o litisconsórcio ativo entre o MP (no crime de ação penal
pública) e o querelante (nas hipóteses de ação penal privada).
Ex.: Estupro antes de 2009 (ação penal privada) conexo com tentativa de homicídio (ação penal
pública incondicionada), de modo que o MP oferece denúncia e vítima queixa e as ações correriam juntas
pela conexão.
Para o professor Luiz Flávio Gomes, só existe na Alemanha, onde é possível que MP ingresse com a
ação penal pública e, em seguida, a vítima ingresse de maneira adesiva, porém com objetivos indenizatórios.
Nesse contexto, há uma espécie de intervenção adesiva facultativa, relacionada à satisfação do dano
decorrente do crime.
Para Tourinho Filho/Denilson Feitoza, o instituto verificado na Alemanha, também é possível nos
crimes de ação penal privada, quando o MP promove a ação penal, mediante constatação de um interesse
público. Nesse caso, faculta-se ao ofendido ou seu representante legal intervir no processo como assistente.
OBS: NÃO confundir com a atuação obrigatória adesiva do MP (“interveniente adesivo obrigatório”)
na ação penal privada subsidiária da pública.
6.2 Ação Penal Popular
A doutrina que defende a possibilidade cita dois exemplos:
1) Habeas Corpus
2) Faculdade de qualquer cidadão oferecer “denúncia” (notitia criminis) por crime de responsabilidade
praticado por agentes políticos (art. 14, Lei 1.079/50).
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Críticas:
● Habeas corpus NÃO se trata de uma ação penal por excelência (ação penal propriamente
dita), mas sim de uma ação libertária, um meio de impugnação autônomo.
● A “denúncia” mencionada no art. 41, Lei 1.079/50, em verdade, compreende com incorreção
técnica do legislador, que confunde o termo “denúncia” com “notícia crime”. Além disso, os
ilícitos da Lei 1.079/50 não são crimes propriamente ditos, uma vez que sequer prevê sanções
penais em razão da prática das condutas ali previstas, mas sanções político-administrativas.
CONCLUSÃO: Em razão das críticas apresentadas, a doutrina majoritária entende NÃO existir no Brasil ação
penal popular (Noberto Avena). Contudo, há doutrina em sentido contrário (Tourinho Filho).
6.3 Ação Penal Secundária
Ocorre quando as circunstâncias do caso concreto modificam a modalidade de ação penal a ser
ajuizada.
Ex.1: Crimes contra o patrimônio, no contexto do art. 182 do CP (escusas absolutórias relativas),
quando cometidos sem violência ou grave ameaça podem depender de representação (ação penal pública
condicionada), sendo que a regra geral é a ação penal pública incondicionada.
Ex.2: Crimes contra a honra, em regra, são de ação penal privada, contudo, há algumas exceções.
Vejamos:
1. Injúria real mediante vias de fato
· Injúria real mediante lesão corporal GRAVE ou GRAVÍSSIMA: ação penal pública
incondicionada.
· Injúria real mediante lesão corporal LEVE: ação penal pública condicionada à representação
(art. 140, §2º, CP c/c 9.099/95).
· Injúria qualificada / “injúria-preconceito” / “racismo impróprio” (art. 140, §3º, CP após a Lei
12.033/09): antes da nova lei, a ação era privada e, com a alteração, passou a ser de ação penal
pública condicionada à representação.
OBS.: O crime de injúria racial, espécie do gênero racismo, é imprescritível. STF. Plenário. HC
154248/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/10/2021 (Info 1036).
2. Crime contra a honra do presidente da república: ação penal pública condicionada à requisição do
Ministro da Justiça.
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3. Crime contra a honra deservidor público em razão de suas funções: duas possibilidades → ação
penal pública condicionada à representação OU ação penal privada, sendo hipótese de legitimidade
concorrente ALTERNATIVA (oferece denúncia ou queixa-crime).
Súmula 714, STF - É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal
por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.
No entendimento de Renato Brasileiro, a palavra "concorrente" foi uma imprecisão técnica. Na
verdade, o termo correto seria legitimidade "alternativa", uma vez que ao ser oferecida representação pelo
ofendido, autorizando o MP a agir, não seria mais possível o oferecimento da queixa-crime. Portanto, cabe
ao ofendido escolher a via eleita, ou representação ou queixa-crime.
6.4 Ação de Prevenção Penal
Ação a ser proposta contra o inimputável do art. 26, caput, pois é uma denúncia que NÃO pede
condenação, mas medida de segurança, a chamada absolvição imprópria.
Art. 26, CP - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.
7. DENÚNCIA E QUEIXA CRIME
● Denúncia: É a peça privativa do Ministério Público que dá início à ação penal pública.
● Queixa-crime: É a peça privativa do ofendido, de seu representante legal, seu sucessor ou ainda seu
curador que dá início à ação penal privada.
OBS.: É possível o litisconsórcio ativo entre o MP e o querelante, na hipótese de conexão entre crime de
ação penal pública e outro de ação penal privada. Nesse contexto, uma única ação penal contará com uma
denúncia e uma queixa.
Sendo as duas peças de início da ação penal, serão analisadas em conjunto, com as necessárias distinções
quando necessário.
a) Requisitos formais da denúncia ou queixa crime:
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Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as
suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se
possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das
testemunhas.
OBS.: Em regra, devem ser feitas por escrito, salvo na hipótese de infração de menor potencial ofensivo
que, nos termos da Lei 9.099/95, admite o oferecimento de denúncia ou queixa oral, desde que
posteriormente seja reduzida a termo.
I. Exposição do fato criminoso e suas circunstâncias
Consiste na narrativa do fato delituoso, com todas as suas circunstâncias, de maneira clara, precisa,
simples e objetiva, sob a pena de inviabilizar o direito de defesa, pois, no processo penal, o acusado se
defende dos fatos que lhe são imputados.
Salienta-se que a narrativa deve responder questionamentos básicos: Como? Quando? Quem? O
que? Por quê? Contra quem?
Segundo Renato Brasileiro, imputação “é a atribuição a alguém da prática de determinada infração
penal, funcionando como o ato processual por meio do qual se formula a pretensão penal”.
Cuidado! Quando se tratar de crime culposo, é imprescindível que o titular da ação penal (MP ou
querelante) descreva em que consistiu a imprudência, negligência ou imperícia.
A inobservância deste requisito acarreta a inépcia da peça acusatória, pois viola o princípio da ampla
defesa (inépcia formal), razão pela qual a peça deve ser rejeitada pelo juiz.
CPP Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I - for manifestamente inepta;
OBS.: Caso não haja a rejeição da peça acusatória, prevalece o entendimento que deve ser arguida
pela defesa até a sentença. Os tribunais entendem que se não foi arguida essa inépcia até a sentença, o
indivíduo conseguiu defender-se, portanto não teria por que alegar isso em esfera recursal (teoricamente
teria ocorrido preclusão).
Para o reconhecimento ou não da inépcia da inicial, a doutrina diferencia elementos necessários e
secundários. Vejamos:
● Elementos NECESSÁRIOS (essenciais): São aqueles necessários para identificar o fato típico. A
ausência destes elementos causa evidente prejuízo à defesa e, portanto, nulidade absoluta. Não se
pode imaginar uma denúncia sem esses elementos essenciais, uma denúncia que não os têm, não
narra um fato criminoso.
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● Elementos SECUNDÁRIOS (acidentais): São aqueles ligados às circunstâncias de tempo ou de espaço
cuja ausência nem sempre prejudica a ampla defesa, portanto, eventual vício pode produzir, no
máximo, uma nulidade relativa, devendo ser comprovado o prejuízo.
O que é “CRIPTOIMPUTAÇÃO”?
É a imputação contaminada por grave deficiência na narrativa do fato delituoso. Espécie de denúncia
criptografada, em códigos. Quando NÃO contém os elementos mínimos de sua identificação como crime,
sendo “gravemente inepta”. "(...) Expressão de Scarance, trata-se de uma imputação confusa,
incompreensível, que dificulta o exercício da defesa. O neologismo criptoimputação deriva de criptografia,
técnica de comunicação confidencial, com linguagem inacessível, que bem representa a qualificação de
inépcia que recebe a petição inicial". (TÁVORA, Nestor e Rosmar Rodrigues. Direito processual penal, p. 285).
Para complementar jurisprudência pertinente ao tema;
O Supremo Tribunal Federal compreendeu cabível Habeas Corpus para
trancamento de ação penal por falta ou deficiência na exposição do fato:
HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSUAL PENAL. DENÚNCIA. INÉPCIA.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL.
[ … ]
4. O Código de Processo Penal, no artigo 41, prescreve que a denúncia deverá
conter a exposição do fato criminoso, com todas as circunstâncias, a qualificação
do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do
crime (indicação de rol de testemunhas, se houver), exigências que encontram
fundamento na necessidade de o representante do Ministério Público precisar os
limites da imputação, possibilitando ao acusado, prima facie, o conhecimento da
alegação de infringência à norma incriminadora e o exercício da ampla defesa.
5. O artigo 41 do Código de Processo Penal é de necessária observância, posto que
a inépcia da denúncia baseada em descrição do fato delituoso, viola as garantias
constitucionais do devido processo legal e do contraditório, integrantes do núcleo
essencial do due process of Law. (STF, HC 110015, Rei. Min. Luiz Fux, Primeira
Turma, julgado em 19/03/2013, DJe 11/04/2013)
Por conseguinte, com o escopo de evitar a criptoimputação, o Ministério Público
deve fazer constar da denúncia, de forma precisa e minuciosa, a descrição dos
elementos estruturais que integram o tipo penal, prestigiando o princípio da
presunção de inocência e o exercício da ampla defesa.
O que é “DENÚNCIA GENÉRICA”? Tem sido aceita?
É a denúncia que não individualiza a conduta do agente, imputa fato a agente sem descrever a
conduta ou diversos fatos a agentes indistintamente.
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A discussão ganha relevo quando se trata de crimes societários (crimes de gabinete), no qual uma PJ
é utilizada como “manto protetivo”. A denúncia genérica, aqui, é aquela que inclui o diretor, o gerente, o
preposto da pessoa jurídica na ação apenas por ele ostentar essa qualidade, entretanto não descreve qual
foi a conduta criminosa dessa pessoa. Não estabelece o mínimo de vínculo entre o comportamento dessa
pessoa e o crime. Por isso, a denúncia genérica é inepta, devendo ser rejeitada por impedir o exercício do
contraditório e da ampla defesa.
A partir do momento que o STF começou a afastar a denúncia genérica, surgea doutrina de Pacelli
diferenciando acusação GERAL e acusação GENÉRICA:
● Acusação GERAL: Ocorre quando o órgão da acusação imputa a todos os acusados, o mesmo fato
delituoso, independentemente das funções exercidas por eles na empresa. Como se trata de UM SÓ
FATO, não há inépcia, não viola o princípio da ampla defesa, o indivíduo como integrante da
sociedade sabe de qual fato típico tem de se defender.
● Acusação GENÉRICA: ocorre quando a acusação imputa vários fatos típicos, imputando-os
genericamente a todos os integrantes da sociedade. Como envolve VÁRIOS fatos típicos, há inépcia.
“De qual deles irei me defender?” Verifica-se uma clara violação da ampla defesa, gerando nulidade
absoluta.
AGRAVANTES devem constar da denúncia?
Para a jurisprudência, agravantes NÃO precisam constar da peça acusatória, uma vez que podem ser
reconhecidas de ofício pelo juiz, mesmo que não tenham constado na denúncia (art. 385 CPP). Para parte da
doutrina, isso viola a ampla defesa e o contraditório.
CPP Art. 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença
condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem
como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.
Norberto Avena afirma que ao contrário do que ocorre com as qualificadoras, a inclusão de
agravantes na denúncia é uma faculdade do MP. Esta conclusão, inclusive depreende-se dos próprios termos
do art. 385 do CPP, quando reza que o juiz pode reconhecer agravantes na sentença, “embora nenhuma
tenha sido alegada”.
E as MAJORANTES devem constar da denúncia?
Tratando-se de majorantes previstas na PARTE ESPECIAL do CP, exigem, para o fim de serem
reconhecidas, a explicitação na denúncia ou queixa.
Todavia, se forem as da PARTE GERAL do CP, não é imprescindível que tenham sido expressamente
mencionadas na peça acusatória. Ex.: concurso formal próprio e crime continuado, podendo ser
reconhecidos pelo juiz na sentença caso exsurjam do contexto imputado ao réu.
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II. Qualificação do acusado e demais esclarecimentos de identificação
Caso não se tenha a qualificação do acusado e não seja possível a identificação criminal, a denúncia
ou queixa deve indicar esclarecimentos pelos quais se possa identificar o acusado (art. 259, CPP).
III. Classificação da infração:
É o enquadramento típico. NÃO é requisito obrigatório. No processo penal, o acusado não se defende
da classificação e sim dos fatos que lhe são imputados. Isto porque o juiz, na hora da sentença, pode realizar
a mutatio libelli ou emendatio libelli. Veja:
● Emendatio libelli: NÃO há alteração em relação ao FATO delituoso, limitando-se o juiz a modificar a
CLASSIFICAÇÃO formulada na peça acusatória, ainda que tenha que aplicar pena mais grave. Ex.: MP
oferece denúncia descrevendo um furto, mas classifica de maneira errada, como estelionato, razão
pela qual na hora da sentença, o juiz a corrige.
● Mutatio libelli: Ocorre quando o FATO que se comprovou pela instrução é diverso daquele narrado
na peça acusatória (surge no curso da instrução prova de ELEMENTAR ou CIRCUNSTÂNCIA não
contida na peça acusatória). O MP deve aditar a denúncia e, em seguida, abre-se prazo para a defesa
se manifestar.
CPP - Art. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição
jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos de elemento ou
circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público
deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta
houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo
o aditamento, quando feito oralmente.
Segundo entendimento dos Tribunais Superiores, o momento adequado para a emendatio libelli é a
sentença. Contudo, admite-se a correção da capitulação já no recebimento da inicial quando ocorrer em
benefício do réu, permitindo a incidência de instituto despenalizador; quando acarretar a modificação do
juízo competente; quando necessária para determinação do procedimento aplicável; quando repercutir em
matérias de ordem pública, como a prescrição.
IV. Rol de testemunhas e demais diligências
● O número de testemunhas é por fato delituoso imputado.
● O rol de informantes e vítimas não entra nessa contagem.
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STJ: “(...) O limite máximo de 8 (oito) testemunhas descrito no art. 401, do Código
de Processo Penal, deve ser interpretado em consonância com a norma
constitucional que garante a ampla defesa no processo penal (art. 5º, LV, da CF/88).
Para cada fato delituoso imputado ao acusado, não só a defesa, mas também a
acusação, poderá arrolar até 8 (oito) testemunhas, levando-se em conta o princípio
da razoabilidade e proporcionalidade”. (STJ, 5ª Turma, HC 55.702/ES, Rel. Min.
Honildo Amaral de Mello Castro, j. 05/10/2010).
NÃO é obrigatório apresentação de rol de testemunhas. A consequência do não oferecimento de
testemunhas é a preclusão.
O STJ possui julgado (NÃO é entendimento pacífico) permitindo a intimação do MP para a emenda
da inicial e inclusão do rol de testemunhas, desde que ocorra antes da formação da relação processual, ou
seja, antes da citação do réu (Info 577).
PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 8 testemunhas
PROCEDIMENTO SUMÁRIO 5 testemunhas
PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO 3 testemunhas
1ª FASE DO JÚRI 8 testemunhas
2ª FASE DO JÚRI 5 testemunhas
LEI DE DROGAS 5 testemunhas
V. Nome e assinatura da parte acusadora
Sob pena de que a peça seja tida como inexistente.
b) Requisitos da Queixa-Crime
O art. 44, CPP prevê como requisito específico da queixa procuração com poderes especiais.
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo
constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato
criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que
devem ser previamente requeridas no juízo criminal.
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O vício na procuração pode ser sanado, sendo que há duas correntes sobre o momento em que pode
ocorrer.
1ª Corrente: prazo decadencial, ou seja, 6 meses do conhecimento da autoria.
2ª Corrente (majoritária): antes da sentença, em observância ao art. 569, CPP, mesmo que escoado
o prazo decadencial.
c) Não preenchimento dos requisitos formais
Se não preenchidos os requisitos formais da denúncia ou da queixa e isso implicar prejuízo à ampla
defesa (vício insanável), deverá ocorrer a rejeição da inicial acusatória (art. 395, I, CPP), bem como se faltar
alguma condição da ação ou pressuposto processual ou se faltar justa causa à ação penal.
Contra a decisão de rejeição da denúncia ou queixa cabe recurso em sentido estrito (prazo de 05
dias).
d) Prazos para oferecer a denúncia
Trata-se de prazo impróprio, ou seja, caso não seja observado, não enseja a perda do direito de
oferecer a denúncia!
REGRA DO CPP ● Réu preso: 05 dias;
● Réu solto: 15 dias.
CRIMES ELEITORAL 10 dias
TRÁFICO DE DROGAS 10 dias
CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR 2 dias
LEI DE FALÊNCIAS ● Réu preso: 05 dias;
● Réu solto: 15 dias.
Se queixa crime: Prazo de 6 (seis) meses, contados a partir do conhecimento da autoria (art. 38, CPP).
e) Imputação cumulativa e alternativa
A denúncia pode ter cumulação de imputações. Pode tanto trazer mais de um fato, hipótese em que
temos cumulação objetiva, quanto mais de um sujeito, situação que incorre em cumulação subjetiva.
Não é possível, contudo, a imputação alternativa, ou seja, diante da ausência de elementos
suficientes de prova da materialidade, trazer mais de um fato (como na imputação cumulativa),deixando
explícito que apenas um deles ocorreu.
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f) Aditamento da denúncia
Ocorre quando, no curso da instrução, são descobertos novos fatos, pessoas ou elementos de prova,
de modo que o MP deverá complementar a peça acusatória, diante das novas informações.
O aditamento se justifica no princípio da correlação entre denúncia e sentença, pois, se o juiz só
pode condenar quem foi denunciado e em relação aos fatos que foram narrados na denúncia, caso surjam
novos elementos no curso da ação, o aditamento será necessário.
Poderá ser feito até o momento imediatamente anterior à sentença.
A doutrina classifica em:
● Aditamento próprio: Acréscimo de fatos (real) ou sujeitos (pessoal).
● Aditamento impróprio: Correção de alguma falha na denúncia (ex.: data de nascimento do réu, hora
e data do fato).
● Aditamento espontâneo: O próprio MP constata a necessidade do aditamento.
● Aditamento provocado: O juiz provoca a atuação do MP, zelando pelo princípio da obrigatoriedade
da ação penal.
Pergunta-se: O aditamento interrompe a prescrição (uma vez que o recebimento da denúncia ou
queixa é causa interruptiva)? DEPENDE. O aditamento impróprio, bem como o aditamento próprio pessoal
NÃO interrompem a prescrição, contudo, o aditamento próprio real interrompe a prescrição quanto ao novo
fato.
Pergunta-se: É possível o aditamento da queixa? O aditamento impróprio é possível. Há divergência
acerca do aditamento próprio. Parte da doutrina sustenta a inviabilidade, pois a não imputação implica na
renúncia ao direito de queixa. Lado outro há quem sustente posterior aditamento, quando no momento do
oferecimento da queixa, não se tinha ciência de certo fato e/ou pessoa.
Entendimentos jurisprudenciais pertinentes:
Inexistindo a demonstração do mínimo vínculo entre o acusado e o delito a ele
imputado, impossibilitado está o exercício do contraditório e da ampla defesa.
STJ. 6ª Turma. RHC 154.162-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
22/03/2022 (Info 730)
O eventual trancamento de inquérito policial por excesso de prazo não impede,
sempre e de forma automática, o oferecimento da denúncia. STF. 2ª Turma. HC
194023 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/09/2021.
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No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro societate. STF. 1ª
Turma. Inq 4506/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 17/04/2018 (Info 898).
Promotor de Justiça que passa a atuar no processo decorrente de
desmembramento oriundo do TJ está livre para alterar a denúncia anteriormente
oferecida pelo PGJ. É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo antes
da sentença final, garantidos o devido processo legal, a ampla defesa e o
contraditório, especialmente quando a inicial ainda não tenha sido sequer recebida
originariamente pelo juízo competente, como ocorreu no caso concreto. O membro
do MP possui total liberdade na formação de seu convencimento (opinio delicti).
Assim, a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às conclusões
jurídicas que o outro membro do MP chegou, mesmo que este atue em uma
instância superior. Em outras palavras, o Promotor de Justiça que passou a ter
atribuição para atuar no caso não está vinculado às conclusões do Procurador-Geral
de Justiça que estava anteriormente funcionando no processo. Desse modo, é
irrelevante que outros membros do Ministério Público com atribuição para atuar
em instância superior, em virtude da análise dos mesmos fatos, tenham,
anteriormente, oferecido denúncia de diferente teor em face do réu, uma vez que,
conforme ficou reconhecido pelo STJ e pelo TJDFT, a competência para o processo
criminal era da 1ª instância, de forma que o promotor natural do caso era o
Promotor de Justiça que atua na 1ª instância. STF. 1ª Turma. HC 137637/DF, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
A denúncia contra Prefeito por crime em licitação municipal deve indicar sua
participação ou conhecimento acerca dos fatos. A denúncia contra Prefeito por
crime ocorrido em licitação municipal deve indicar, ao menos minimamente, que o
acusado tenha tido participação ou conhecimento dos fatos supostamente ilícitos.
O Prefeito não pode ser incluído entre os acusados unicamente em razão da função
pública que ocupa, sob pena de violação à responsabilidade penal subjetiva, na qual
não se admite a responsabilidade presumida. STF. 1ª Turma. AP 912/PB, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
Inépcia caso a denúncia se baseie apenas no fato de que o réu era Diretor-
Presidente da empresa. Não há óbice para que a denúncia invoque a teoria do
domínio do fato para dar suporte à imputação penal, sendo necessário, contudo,
que, além disso, ela aponte indícios convergentes no sentido de que o Presidente
da empresa não só teve conhecimento do crime de evasão de divisas, como dirigiu
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finalisticamente a atuação dos demais acusados. Assim, não basta que o acusado
se encontre em posição hierarquicamente superior. Isso porque o próprio estatuto
da empresa prevê que haja divisão de responsabilidades e, em grandes
corporações, empresas ou bancos há controles e auditorias exatamente porque
nem mesmo os sócios têm como saber tudo o que se passa. STF. 2ª Turma. HC
127397/BA, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/12/2016 (Info 850)
Cabe a condenação do querelante em honorários advocatícios quando houver a
rejeição da queixa-crime, por aplicação subsidiária do CPC. Deste modo, o
princípio geral da sucumbência é aplicável no âmbito do processo penal quando se
tratar de ação penal privada STJ. Corte Especial. EDcl na Apn 881/DF, julgado em
03/10/2018.
Não oferecida a queixa-crime contra todos os supostos autores ou partícipes da
prática delituosa, há afronta ao princípio da indivisibilidade da ação penal, a
implicar renúncia tácita ao direito de querela, cuja eficácia extintiva da
punibilidade estende-se a todos quantos alegadamente hajam intervindo no
cometimento da infração penal. STF. 1ª Turma. Inq 3526/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 2/2/2016 (Info 813).
Enunciado 6 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ - É possível
aditar a denúncia para requerer a perda de bens cujo conhecimento se der após
iniciada a ação penal, caso em que, recebido o aditamento, deverão ser ouvidos os
interessados e propiciada a dilação probatória.
Enunciado 11 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ - O
pronunciamento jurisdicional do art. 396 do CPP, que recebe a denúncia, tem
natureza jurídica de decisão interlocutória, portanto necessita de fundamentação,
conforme art. 93, IX, da CF.
Súmulas importantes sobre o tema:
Súmula 714/STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal
por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.
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Súmula 234/STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase
investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o
oferecimento da denúncia.
Súmula 542/STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra amulher é pública incondicionada.
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META 2
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL (PARTE I)
8. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (Lei 13.964/19)
8.1 Conceito
Inicialmente, vale destacar uma crítica à nomenclatura, visto que o mais adequado seria acordo de
não deflagração da ação penal, pois já temos inquérito instaurado, ou seja, já há persecução penal em
andamento.
Trata-se de instituto de natureza mista (penal e processual) que possibilita uma solução negociada
no processo penal (justiça negociada) ao acusado que confessar a prática do crime e que, a partir disso,
sofrerá as sanções propostas pelo Ministério Público. Ao final, caso cumprido o acordo, há a extinção da
punibilidade.
Sobre a natureza mista do acordo de não persecução penal
Em 10.11.2020, a 1T do STF (AR no HC 191.464/SC), reconheceu a natureza mista (penal e processual) do
acordo de não persecução penal, tendo em vista que o seu cumprimento acarreta a extinção da punibilidade
– admitindo, portanto, sua aplicação retroativa. Nesse sentido, fixou a tese no sentido de que “o acordo de
não persecução penal aplica-se a fatos ocorridos ANTES DA LEI 13.964/2019, desde que NÃO RECEBIDA A
DENÚNCIA”.
Por que até o recebimento da denúncia? R.: Estabeleceu o marco temporal do recebimento da denúncia pois
o acordo de não persecução penal é um negócio PRÉ-PROCESSUAL que busca evitar a deflagração da ação
penal. Nesse sentido, caso a denúncia já tenha sido admitida judicialmente, o instituto perde sua razão de
ser.
Ressalta-se que a tese fixada pelo STF modifica a decisão proferida anteriormente pelo STJ (HC 575.395/RN).
O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei
nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. A Lei nº 13.964/2019
(“Pacote Anticrime”) inseriu o art. 28-A ao CPP, criando, no ordenamento jurídico
pátrio, o instituto do acordo de não persecução penal (ANPP). A Lei nº 13.964/2019,
no ponto em que institui o ANPP, é considerada lei penal de natureza híbrida,
admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit
actum. O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a
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consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é
inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento da denúncia. O recebimento da
denúncia encerra a etapa pré-processual, devendo ser considerados válidos os atos
praticados em conformidade com a lei então vigente. Dessa forma, a retroatividade
penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja viabilizado a fatos anteriores à
Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. Assim, mostra-se
impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data anterior à
entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019. STJ. 5ª Turma. HC 607003-SC, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/11/2020 (Info 683). STF. 1ª Turma. HC
191464 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.
Segundo a doutrina2, é a adoção pelo sistema brasileiro do chamado “plea bargaining” Norte-
Americano:
“No plea bargaining norte-americano, o imputado manifesta perante o Ministério
Público sua decisão de declarar-se culpado, aceitando as imputações acordadas,
assim como a pena pactuada, ao mesmo tempo em que renuncia a certas garantias
processuais. Como explica Luiz Flávio Gomes, "uma vez que se dá conhecimento da
acusação - qualquer que seja o crime - para o imputado, pede-se o pleading, isto é,
para se pronunciar sobre a culpabilidade; se se declara culpado (pleads guilty) - se
confessa - opera-se o plea, é dizer, a resposta da defesa e então pode o juiz, uma
vez comprovada a voluntariedade da declaração, fixar a data da sentença
(sentencing), ocasião em que se aplicará a pena (geralmente 'reduzida' - ou porque
menos grave ou porque abrangerá menos crimes -, em razão do acordo entre as
partes), sem necessidade de processo ou veredito (trial ou veredict); em caso
contrário, abre-se ou continua o processo e entra em ação o jurado".
A importação do instituto norte-americano não é imune às críticas. Segundo Jacinto Nelson de
Miranda Coutinho3, a importação de institutos de outros sistemas é prejudicial diante da realidade brasileira:
“Na prática, o plea bargainig visa lutar contra o acúmulo de trabalho (e isso, pelo
menos, desde o Século XIX, nos E.U.A.), mas sem deixar de lado os direitos e
garantias individuais, dos quais eles não abririam mão, ainda que muita gente
reclame e afirme que é justo isso que estão fazendo.
2 (Lima, 2017, p. 260)
3 (Coutinho, 2019)
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Eis, então, que, fundados em um modelo de pensamento (Francis Bacon como
principal corifeu) utilitarista (Jeremy Bentham e John Stuart Mill), empiricamente
não se incomodam, em tantas passagens, de operar com uma ética na qual os fins
justifiquem os meios, desde que se almeje o bem-estar de todos.
De certa forma, isso justifica, para eles, a negociação de um acordo sobre o crime
e a pena; o próprio acordo ainda na esfera material ou mesmo naquela processual
em face dos lugares ocupados pelos atores; e o lugar do juiz como aquele de –
quase que – tão só controlar o que se fez, para não permitir que se vilipendiem
direitos e garantias individuais.
[...]
Tudo leva a crer, enfim, que um plea bargaining metido em um processo do sistema
inquisitório como o brasileiro seja um desastre, retirando ainda mais o pouco de
democracia processual que restou depois da americanização à brasileira promovida
nos últimos anos, tudo sem o devido controle por quem de direito, seja lá por qual
motivo for.
Ter plea bargaining é inevitável se o processo penal brasileiro vier a ser acusatório.
Mas para isso é preciso, antes, importar o sistema todo, com ônus e bônus. Do jeito
que se está tentando impor, os ônus ficarão para os cidadãos
investigados/acusados; e os bônus – tudo indica – ficarão para o Estado e seus
órgãos. Em tempos neoliberais, tudo é contra o cidadão, quem sabe em nome
daquela ética utilitarista precitada, embora se saiba que ela é só discurso fácil para
iludir os incautos. Os de sempre serão os beneficiados, como sempre foi. É como se
existissem cidadãos e... cidadãos. O problema em uma sociedade assim é que tudo
se faz em nome do bem comum e da democracia, nem que seja contra a
Constituição. Um dia – ahimé, como dizem os italianos – a vida revida. ”
8.2 Requisitos, Condições e Vedações
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado
formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave
ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá
propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas
cumulativa e alternativamente:
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público
como instrumentos, produto ou proveito do crime;
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III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período
correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços,
em local a ser indicado pelojuízo da execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei
nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal);
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de
interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha,
preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos
aparentemente lesados pelo delito; ou
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério
Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada.
§ 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste
artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso
concreto.
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses:
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais,
nos termos da lei;
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que
indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se
insignificantes as infrações penais pretéritas;
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da
infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão
condicional do processo; e
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou
praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do
agressor.
Conforme a previsão legal, poderá o Ministério Público propor ao investigado o acordo de não
persecução penal obedecidos os seguintes REQUISITOS:
a) Confissão formal e circunstancial do investigado;
b) Infração penal sem violência ou grave ameaça;
c) Infração penal com a pena mínima inferior a 4 anos;
d) Acordo necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.
Pergunta-se: O acordo de persecução penal é um direito subjetivo do investigado OU uma
faculdade para o Ministério Público?
1ª Corrente: Direito subjetivo do investigado, pois a expressão “poderá” deve ser interpretada como
um “poder-dever”, de modo que, preenchidos os requisitos objetivos estabelecidos em lei, o investigado
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passa a ter o direito subjetivo ao acordo. Da mesma forma, o art. 76 da Lei 9099/95 prevê que o Ministério
Público “poderá” propor a transação penal, e o dispositivo é interpretado pela doutrina como direito
subjetivo do acusado, sendo assim, onde há a mesma razão, deverá ser aplicado o mesmo direito (ubi eadem
ratio ibi idem jus).
Nesse sentido, Renato Brasileiro4:
“Sob o argumento de se tratar de direito público subjetivo do autor do fato
delituoso, não se defere ao juiz a possibilidade de conceder de ofício a transação
penal contra a vontade do Ministério Público ou do querelante. Não cabe ao juiz,
que não é titular da ação penal, substituir-se ao órgão ministerial ou ao querelante
para formar de ofício a proposta de transação penal, sob pena de evidente violação
ao art. 129, inciso I, da Constituição Federal.
Diante da recusa injustificada do órgão do Ministério Público em oferecer a
proposta de transação penal, ou se o juiz discordar de seu conteúdo, o caminho a
ser seguido pelo juiz passa pela aplicação subsidiária do art. 28 do CPP, com a
consequente remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça (ou, na esfera
federal, às Câmaras de Coordenação e Revisão do MPF), que terá como opções
designar outro Promotor de Justiça para formular a proposta, alterar o conteúdo
daquela que tiver sido formulada ou ratificar a postura do órgão ministerial de
primeiro grau, caso em que a autoridade judiciária estará obrigada a homologar a
transação.
Apesar de dispor sobre a suspensão condicional do processo, o verbete da súmula
696 do Supremo também pode ser aplicado à transação penal: "Reunidos os
pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se
recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão
ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo
Penal".
Nas hipóteses de ação penal privada, recai sobre o querelante a legitimidade para
o oferecimento da proposta de transação penal. Assim, na fase preliminar, deve o
magistrado questionar o ofendido ou seu representante legal acerca do
oferecimento da proposta de transação. Como o juiz não pode conceder o benefício
de ofício, nem tampouco se admite a formulação de proposta pelo MP, a recusa do
4 (Lima, 2017, p. 234)
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querelante em oferecer a proposta inviabiliza por completo a concessão do referido
benefício.”
O raciocínio acima merece ser interpretado à luz do art. 28-A do CPP, incluído pela L.13964/19, que
retirou do juiz a função de fiscal do princípio da obrigatoriedade da ação penal e retirou de suas mãos
qualquer atividade que, por natureza, pertença à acusação. Portanto, diante da negativa de proposta do
acordo de não persecução penal, poderá o investigado suscitar a manifestação do órgão de revisão
ministerial, em solução próxima à que foi dada no tocante à transação penal.
2ª Corrente: Faculdade do Ministério Público, com base em interpretação literal do art. 28-A, uma
vez que, ainda que preenchidos os requisitos legais, o promotor pode, fundamentadamente, deixar de
oferecer o acordo.
Esse é o entendimento que vem sendo adotado pelo STJ (RHC 161.251, 2021) e STF (HC 191124 AgR,
2022).
Segundo o STJ "O acordo de não persecução penal - ANPP não constitui direito
subjetivo do investigado, assim pode ser proposto pelo Ministério Público
conforme as peculiaridades do caso concreto, quando considerado necessário e
suficiente para reprovar e prevenir infrações penais." (Agravo Regimental no
Recurso Especial nº 1.948.350/RS, STJ, 5ª Turma, unânime, rel. min. Jesuíno Rissato,
julgado em 9/11/2021, publicado no Dj em 17/11/2021)
Importante destacar, que segundo o §1º, para fins de aferição da pena mínima, serão consideradas
as causas de aumento e diminuição de pena.
Cumpridos os requisitos, o acordo será oferecido mediante as seguintes CONDIÇÕES, que poderão
ser ajustadas cumulativamente ou alternativamente:
a) Reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
b) Renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como
instrumentos, produto ou proveito do crime;
c) Prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima
cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução,
na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal);
d) Pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7
de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo
juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou
semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou
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e) Cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.
Por fim, há VEDAÇÃO à celebração do acordo:
a) Se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da
lei; (Cuidado! Não confundir com suspensão condicional do processo)
b) Se o investigado for reincidente (genérica ou não) ou se houver elementos probatórios que
indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes asinfrações penais pretéritas;
c) Ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da infração, em
acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo;
(Cuidado! Não confundir com suspensão condicional da pena) e
d) Nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor. (Cuidado! Na violência
doméstica ou familiar contra homens também se aplica essa vedação).
8.3 Procedimento do Acordo de Não Persecução Penal
Art. 28-A.
[...]
§ 3º O acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será firmado
pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e por seu defensor.
§ 4º Para a homologação do acordo de não persecução penal, será realizada
audiência na qual o juiz deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da oitiva
do investigado na presença do seu defensor, e sua legalidade.
§ 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições
dispostas no acordo de não persecução penal, devolverá os autos ao Ministério
Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do
investigado e seu defensor.
§ 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz
devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o
juízo de execução penal.
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos
legais ou quando não for realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo.
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para
a análise da necessidade de complementação das investigações ou o oferecimento
da denúncia.
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§ 9º A vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução penal
e de seu descumprimento.
§ 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não
persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua
rescisão e posterior oferecimento de denúncia.
§ 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado
também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o
eventual não oferecimento de suspensão condicional do processo.
§ 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não
constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no
inciso III do § 2º deste artigo.
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo
competente decretará a extinção de punibilidade.
§ 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de
não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão
superior, na forma do art. 28 deste Código.
O procedimento é bem simples. Cumpridos os requisitos legais, o Membro do Ministério Público
proporá o acordo com as condições previstas em lei (de forma isolada ou cumulativa), na forma escrita e na
presença do defensor (§3º).
Recebido o acordo, será realizada audiência para verificar sua legalidade e a voluntariedade.
Após, o juiz poderá homologar ou não o acordo de não persecução penal. Nas duas hipóteses os
autos retornam ao Ministério Público.
Caso homologue o acordo (§6º), os autos retornarão para que o Ministério Público inicie sua
execução perante o juízo da execução. ATENÇÃO! Cabe ao Ministério Público fiscalizar o cumprimento das
condições (penas antecipadas) e, caso sejam cumpridas, informará ao juiz para que seja declarada EXTINTA
A PUNIBILIDADE.
No caso de quebra do acordo, o Ministério Público comunicará ao juiz que o RESCINDIRÁ, podendo
o Ministério Público determinar o prosseguimento das investigações ou denunciar o investigado.
Caso o acordo não seja homologado pelo juiz, os autos igualmente retornam ao Ministério Público,
para complementação das investigações ou oferecimento da denúncia.
Em ambas as soluções, a vítima será intimada (§9º).
OBS.: No caso de desclassificação do crime no curso da ação penal, será possível oferecer o acordo
de não persecução penal. Isso porque, embora a finalidade processual do acordo de não persecução penal
já esteja preclusa – tendo em vista que a ação penal foi deflagrada – a sua finalidade material, qual seja, a
finalidade de preservar o estado de inocência do indivíduo ainda permanece.
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Ex.: O indivíduo foi denunciado por um crime de maior gravidade que, a princípio, não caberia acordo
de não persecução penal, caso haja a desclassificação do crime para um crime de menor gravidade, será
possível oferecer o acordo de não persecução penal (da mesma forma que é possível o oferecimento da
transação penal e suspensão condicional do processo).
CAIU EM PROVA
(Delegado da PCPR 2021): Sobre o acordo de não persecução penal (ANPP), considere as seguintes
afirmativas:
1. Aplica-se ao acordo de não persecução penal a mesma lógica da transação penal, sendo dispensável a
confissão do crime para a realização do acordo. (item incorreto)
2. Se o agente tiver sido beneficiado nos 5 anos anteriores ao cometimento da infração com uma transação
penal, tal agente não poderá realizar o acordo de não persecução penal. (item correto)
3. A reincidência genérica não impede a realização do acordo de não persecução penal, mas apenas a
reincidência específica. (item incorreto)
4. Não é cabível a realização do acordo de não persecução penal em favor do agressor nos crimes praticados
no âmbito de violência doméstica e familiar, ou praticados contra a mulher, por razões da condição de sexo
feminino. (item correto)
(Delegado da PCRN 2021): Concluídas investigações de inquérito policial, a autoridade policial indiciou
Francisco, sem envolvimento anterior com o aparato policial ou judicial pela prática de crimes, como incurso
nas sanções penais do delito de lesão corporal de natureza gravíssima (Art. 129, §2º, CP –pena: reclusão de
2 a 8 anos). Tendo Francisco confessado formal e circunstancialmente a prática da infração penal na
delegacia, o acordo de não persecução penal, no caso em tela não poderá ser proposto, diante da natureza
do delito imputado. (item correto).
Destaque: Ocorreu a I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ (10 a 14 de agosto de 2020). Veja
os enunciados atinentes sobre tema em estudo:
Enunciado 10 - Recomenda-se a realização de práticas restaurativas nos acordos de
não persecução penal, observada a principiologia das Resoluções n. 225 do CNJ e
118/2014 do CNMP.
Enunciado 12 - A proposta de acordo de não persecução penal representa um
poder-dever do Ministério Público, com exclusividade, desde que cumpridos os
requisitos do art. 28-A do CPP, cuja recusa deve ser fundamentada, para propiciar
o controle previsto no § 14 do mesmo artigo.
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Enunciado 13 - A inexistência de confissão do investigado antes da formação da
opinio delicti do Ministério Público não pode ser interpretada como desinteresse
em entabular eventual acordo de não persecução penal.
Enunciado 17 - É possível aditar a denúncia para requerer a perda de bens cujo
conhecimento se der após iniciada a ação penal, caso em que, recebido o
aditamento, deverão ser ouvidos os interessados e propiciada a dilação probatória.
Jurisprudências pertinentes:
O Poder Judiciário não pode impor ao MinistérioPúblico a obrigação de ofertar
acordo de não persecução penal (ANPP). Não cabe ao Poder Judiciário, que não
detém atribuição para participar de negociações na seara investigatória, impor ao
MP a celebração de acordos.STF. 2ª Turma. HC 194677/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 11/5/2021 (Info 1017).
É vedada a substituição da figura do Ministério Público pela do juiz na celebração
do acordo de não persecução penal, instrumento jurídico extrajudicial
concretizador da política criminal exercida pelo titular da ação penal pública cuja
homologação judicial tem natureza meramente declaratória. (AgRg no HC
685.200/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado
em 24/08/2021, DJe 30/08/2021).
Esta Corte Superior sedimentou a compreensão de que a possibilidade de
oferecimento do acordo de não persecução penal, previsto no artigo 28-A do
Código de Processo Penal, inserido pela Lei n. 13.964/2019, é restrita aos processos
em curso até o recebimento da denúncia, o que não se enquadra na hipótese em
apreço (AgRg no AREsp 1909408/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA
TURMA, julgado em 05/10/2021, DJe 13/10/2021).
A Lei n. 13.964/2019, ao incluir o § 14 no art. 28-A do Código de Processo Penal,
garantiu a possibilidade de o investigado requerer a remessa dos autos ao Órgão
Superior do Ministério Público nas hipóteses em que a acusação tenha se recusado
a oferecer a proposta de acordo de não persecução penal na origem. Nada
obstante, tal requerimento, por si só, não impõe ao Juízo de primeiro grau a
remessa automática do processo ao órgão máximo do Ministério Público,
considerando-se que o controle do Poder Judiciário quanto à remessa dos autos ao
órgão superior do Ministério Público deve se limitar a questões relacionadas aos
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requisitos objetivos, não sendo legítimo o exame do mérito a fim de impedir a
remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público (HC 668.520/SP, de
minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 10/8/2021, DJe de 16/8/2021).
Muito embora seja possível a rescisão do acordo de não persecução penal (§10 do
art. 28-A do CPP), necessário, para preservação dos princípios constitucionais do
contraditório e da ampla defesa, oportunizar à defesa a manifestação acerca do
pedido formulado pelo Ministério Público. (...) Ordem concedida de ofício para
reconhecer a nulidade da decisão que rescindiu o acordo de não persecução penal,
devendo outra ser proferida, intimando-se, previamente, a defesa do paciente, em
respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório” (HC
615.384/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 09/02/2021, DJe 11/02/2021).
9. AÇÃO CIVIL EX DELICTO
O Ordenamento Jurídico Brasileiro adota o sistema da independência acerca da relação entre ação
penal e a ação civil decorrente de uma infração penal.
Por esse sistema, ambas as ações podem ser propostas de maneira independente, pois versam sofre
direitos diferentes (direito privado de cunho patrimonial e direito do Estado de punir).
Renato Brasileiro assevera que há um certo grau de mitigação no Sistema da Independência, haja
vista que o próprio juiz pode fixar, na sentença condenatória, um quantum a título de reparação pelos danos
causados (indenização mínima), à luz do art. 387, IV, CPP.
Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;
São 2 as formas de obter a indenização civil por danos decorrentes da infração penal:
1) Execução civil ex delicto (art. 63, CPP)
2) Ação civil ex delicto (art. 64, CPP)
Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a
execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu
representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução
poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso iv do caput do art. 387
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1930-1949/Ret/RetDel3689-41.doc#art387iv
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deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente
sofrido.
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do
dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso,
contra o responsável civil.
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o
curso desta, até o julgamento definitivo daquela.
9.1 Execução Civil ex delicto (art. 63, CPP) X Ação Civil ex delicto (art. 64, CPP)
EXECUÇÃO CIVIL EX DELICTO AÇÃO CIVIL EX DELICTO
Fundamento legal: art. 63, CPP
Fundamento legal: art. 64, CPP
Exige o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória, visto que a sentença penal
funciona como um título executivo judicial.
Pode ser proposta a qualquer momento.
Logo, não exige o trânsito em julgado da
sentença penal condenatória e pode ser
proposta ao mesmo tempo que a ação
penal.
Deve ser proposta exclusivamente em face do
condenado.
Pode ser proposta em face do condenado
ou do responsável civil (ex.: tutor,
curador, empregador, pais – em caso de
filhos menores).
O juiz pode suspender o curso da ação
civil até o julgamento definitivo da ação
penal.
9.2 Legitimados ativos para propor a ação civil
● Ofendido;
● Representante legal;
● Herdeiro;
No caso de vítimas hipossuficientes:
● Ministério Público (art. 68) x Defensoria Pública
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1930-1949/Ret/RetDel3689-41.doc#art387iv
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Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e
2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será
promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.
O art. 68 prevê que, na hipótese de vítimas hipossuficientes, a legitimidade para propor a ação civil
será do Ministério Público. No entanto, não podemos perder de vista que este dispositivo está passando por
uma inconstitucionalidade progressiva (dispositivo que era constitucional e está se tornando, com o decorrer
do tempo, inconstitucional). Isso porque, a partir do momento em que a Defensoria pública estiver
devidamente estruturada em todos estados, a legitimidade ativa será da Defensoria Pública, e não mais do
Ministério Público.
Veja a jurisprudência sobre o tema:
O reconhecimento da ilegitimidade ativa do Ministério Público para, na qualidade
de substituto processual de menores carentes, propor ação civil pública ex delicto,
sem a anterior intimação da Defensoria Pública para tomar ciência da ação e, sendo
o caso, assumir o polo ativo da demanda, configura violação ao art. 68 do CPP.
Antes de o magistrado reconhecer a ilegitimidade ativa do Ministério Público para
propor ação civil ex delicto, é indispensável que a Defensoria Pública seja intimada
para tomar ciência da demanda e, sendo o caso, assumir o polo ativo da ação. STJ.
4ª Turma. REsp 888081-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15/9/2016 (Info
592).
9.3 Indenização na sentença condenatória
O art. 387, IV, CPP, prevê que o juiz deve fixar um VALOR MÍNIMO a título de reparação de danos
causados pela infração penal.
Essa indenização abrange qualquer tipo de dano sofrido pelo crime. Portanto, inclui:
● Danos materiais;
● Lucros cessantes;● Danos morais;
● Danos estéticos.
Existe divergência sobre a necessidade de haver pedido expresso acerca da indenização na inicial
acusatória (denúncia/queixa crime).
1ª Corrente (doutrina majoritária): NÃO há necessidade de pedido expresso pelo ofendido ou MP,
uma vez que se trata de um EFEITO GENÉRICO da sentença penal condenatória.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art32
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art63
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art64
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2ª Corrente (Tribunais Superiores): SIM. Para que seja fixado um valor mínimo a título de reparação
de dano, deve haver pedido expresso do MP ou do ofendido, sendo necessário oportunizar o contraditório
do réu.
9.4 Efeitos civis da sentença absolutória
Para descobrirmos quais são os efeitos civis de uma sentença absolutória, devemos conjugar alguns
artigos do CPP com Código Civil. Vejamos:
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato
praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento
de dever legal ou no exercício regular de direito
Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá
ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência
material do fato
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.
CC, Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo
questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando
estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
1) Decisão que faz coisa julgada no cível
NÃO pode mais propor ação penal no cível quando:
a) Reconhecido categoricamente a inexistência material do fato (leitura a contrario sensu do art. 66,
CPP).
b) Absolvição com base na negativa de autoria (art. 935, CPP).
c) Se provada a existência de causa excludente de ilicitude penal (art. 65).
→ A causa excludente de ilicitude deve ser PROVADA, uma vez que, se houver DÚVIDAS, a decisão NÃO
irá fazer coisa julgada.
→ Não confundir excludentes de ilicitude com as excludentes de culpabilidade, uma vez que estas
(excludentes de culpabilidade) NÃO fazem coisa julgada no cível.
→ Se se tratar de uma excludente de ilicitude putativa (descriminantes putativas), também NÃO fará
coisa julgada.
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(...) O STJ pacificou entendimento no sentido de que a absolvição na esfera criminal,
por ausência de prova nos autos relativa ao fato de ter o acusado concorrido para
a infração penal, não tem o condão de excluir a condenação administrativa. Recurso
especial a que se nega provimento. (STJ, 5ª Turma, REsp 1.028.436/SP, Rel. Min.
Adilson Vieira Macabu, DJe 17/11/2011).
APROFUNDANDO PARA PROVAS DISCURSIVAS:
A existência de excludente de ilicitude só fará coisa julgada no juízo cível se o ofendido tiver dado causa à
excludente. Ex.: Se o ofendido for o autor da agressão injusta (no caso de uma legítima defesa), ou tiver
provocado a situação perigo atual (no caso do estado de necessidade), nessa hipótese não poderá pleitear
indenização no juízo cível.
Por outro lado, se o fato praticado com amparo em uma excludente de ilicitude tiver atingido terceiro
inocente (como, por exemplo, no estado de necessidade agressivo, em que o bem jurídico sacrificado é de
terceiro não causador do perigo), ainda que o estado de necessidade seja reconhecido no âmbito criminal,
essa absolvição NÃO fará coisa julgada no juízo cível, de modo que a vítima atingida pode buscar a devida
reparação.
2) Decisão que não faz coisa julgada no cível
É possível propor a ação penal no cível, ainda que seja absolvido na seara criminal.
a) Se não reconhecida a inexistência material do fato (art. 66).
b) Decisão que julgar extinta a punibilidade (art. 67, II).
→ Se for extinta a punibilidade em virtude da prescrição da pretensão punitiva abstrata, retroativa ou
intercorrente, como não haverá trânsito em julgado da sentença penal condenatória, NÃO será
possível a EXECUÇÃO civil ex delicto. No entanto, nada impede o ajuizamento da AÇÃO CIVIL ex
delicto.
c) Atipicidade material ou formal do fato (decisão no sentido de que o fato não constitui crime,
conforme o art. 67, III).
d) Despacho de arquivamento do inquérito policial ou peças de informação (art. 67, I).
e) Causa excludente da culpabilidade.
f) Se NÃO houver provas suficientes para a condenação.
INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
EXCLUDENTE DE ILICITUDE (REAL) FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
NEGATIVA DE AUTORIA FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
ATIPICIDADE FORMAL OU MATERIAL DA NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
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CONDUTA
EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
EXCLUDENTE DE PUNIBILIDADE NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
EXCLUDENTE DE ILICITUDE PUTATIVA NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
DECISÃO DE ARQUIVAMENTO DO IP NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS ACERCA DA
MATERIALIDADE OU AUTORIA DO FATO
NÃO FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL
Ainda em relação aos efeitos cíveis de possíveis decisões proferidas em sede processual penal, há de
se ficar atento às seguintes hipóteses5:
a) Sentença absolutória imprópria: É dominante o entendimento no sentido de que, por mais que haja a
imposição de internação ou de tratamento ambulatorial, como tal sentença não tem natureza
condenatória, é INCAPAZ de gerar o dever de reparação do dano, além de não funcionar como título
executivo. Isso, todavia, não impede o ajuizamento de ação civil contra a pessoa a quem competia a
guarda do inimputável.
b) Sentença absolutória proferida pelo Tribunal do Júri: diante do sigilo das votações e da adoção do
sistema da íntima convicção inerente ao Tribunal do Júri, resta impossível precisar o exato motivo que
deu ensejo à decisão dos jurados. Logo, é de se concluir que eventual sentença absolutória NÃO deve
fazer coisa julgada no cível.
c) Transação penal: esta decisão NÃO repercute no âmbito cível, vez que o art. 76, § 6º, da Lei nº 9.099/95,
dispõe expressamente que a imposição imediata de pena restritiva de direitos ou de multa não terá
efeitos civis, cabendo ao interessado propor a ação cabível no juízo cível;
d) Anistia: tem o condão de extinguir todos os efeitos penais decorrentes da prática do crime, sejam eles
principais, sejam eles secundários, mas não acarreta qualquer repercussão em relação aos efeitos
extrapenais. Logo, se concedida após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, nada
impede que o título obtido pelo ofendido seja executado perante o juízo cível.
e) Graça e indulto: Especificamente em relação aos reflexos cíveis, prevalece o entendimento de que
repercutem apenas em relação ao cumprimento da pena, subsistindo todos os efeitos penais
secundários e extrapenais, como a obrigação de reparar o dano. Logo, nada impede a execução da
sentença condenatória irrecorrível no âmbito cível.
Súmula 631 - O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão
executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais.
5 Manual de Processo Penal Volume Único. Renato Brasileiro de Lima. 8ª edição. 2020. Pg. 403
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f) Perdão judicial: Embora haja certa controvérsia quanto à natureza jurídica da decisãoconcessiva do
perdão judicial, prevalece que se trata de uma decisão declaratória que NÃO produz qualquer efeito,
penal ou extrapenal. Veja a súmula nº 18 do STJ:
Súmula 18 - A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
Jurisprudência pertinente:
O réu que praticou corrupção passiva pode ser condenado, no âmbito do próprio
processo penal, a pagar danos morais coletivos. O ordenamento jurídico tutela, no
âmbito da responsabilidade, o dano moral não apenas na esfera individual como
também na coletiva, conforme previsto no inciso X do art. 5º da Constituição
Federal e no art. 186 do Código Civil. Destaque-se ainda a previsão do inciso VIII do
art. 1º da Lei n.º 7.347/85 (Lei de Ação Civil Pública). STF. 2ª Turma. AP 1002/DF,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2020 (Info 981)
Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e
familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral,
desde que haja pedido expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não
especificada a quantia, e independentemente de instrução probatória. STJ. 3ª
Seção. REsp 1.643.051- MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 28/02/2018
(recurso repetitivo) (Info 621)
A posterior reconciliação entre a vítima e o agressor não é fundamento suficiente
para afastar a necessidade de fixação do valor mínimo previsto no art. 387, inciso
IV, do CPP, seja porque não há previsão legal nesse sentido, seja porque compete
à própria vítima decidir se irá promover a execução ou não do título executivo,
sendo vedado ao Poder Judiciário omitir-se na aplicação da legislação processual
penal que determina a fixação do valor mínimo em favor da ofendida. STJ. 6ª
Turma. REsp 1.819.504-MS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 10/09/2019 (Info 657)
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DIREITO PENAL: A LEI PENAL E SUA APLICAÇÃO
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
⦁ Art. 1º ao 12º, CP
⦁ Art. 71, CP
⦁ Art. 107, III, CP
⦁ Art. 70, CPP (análise comparativa com o art. 6º, CP)
⦁ Art. 2°, Lei 9.455/97
⦁ Art. 53, CF/88
⦁ Decreto. 56.435/65
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
⦁ Art 1º ao 7º, CP (leitura indispensável)
⦁ Art. 70, CPP (análise comparativa com o art. 6º, CP)
⦁ Art. 53, CF/88
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA
Súmula 611-STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a
aplicação de lei mais benigna.
Súmula 711-STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente se a sua
vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
Súmula 501-STJ: É cabível a aplicação retroativa da lei n. 11.343/06, desde que o resultado da incidência
de suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.360/76,
sendo vedada a combinação de leis.
Súmula 245-STF: A imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa.
Súmula 420-STF: Não se homologa sentença proferida no estrangeiro sem prova do trânsito em julgado.
1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL
A lei penal é fonte formal imediata do direito penal e detém o monopólio para a criação de infrações
penais e cominação de penas.
No tocante à lei penal incriminadora, ela é formada por duas partes:
• Preceito primário: descrição da conduta típica (ex.: “matar alguém”);
• Preceito secundário: cominação da pena em abstrato (“reclusão de 6 a 20 anos”).
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O Brasil optou pelo sistema da proibição indireta, criado por Binding, segundo o qual a lei penal é
descritiva e não proibitiva. A lei não diz “não matar”, “não furtar”, ela apenas descreve as condutas proibidas.
O autor diferencia lei de norma.
A norma apresenta um comando, mandamental ou proibitivo. A exemplo, enquanto a lei descreve
como crime “matar alguém”, a norma que se extrai dela é “não matar”. Assim, quando o agente mata alguém,
ele realiza a lei e viola a norma. Logo, a lei é a forma de exteriorização da norma, como ela se apresenta para
a sociedade, e a norma precede à lei.
OBS.: A doutrina, na linguagem usual, mistura os conceitos, de modo que, embora seja necessário
conhecer a distinção, não se deve ficar adstrito ao sentido exato dos termos. Cuidado: Em uma prova, não
considere como errada uma alternativa na qual o termo “norma” é utilizado no sentido de “lei” e vice-versa.
1.1. Classificação das Leis Penais
De acordo com a doutrina, as leis penais podem ser classificadas da seguinte maneira:
A) INCRIMINADORAS: Criam crimes e cominam penas. Estão na Parte Especial do Código Penal e na
Legislação Penal Especial.
B) NÃO INCRIMINADORAS: Não criam crimes nem cominam penas, podendo ser subdividas em:
b.1) Justificantes: Autorizam a prática de condutas típicas em determinadas hipóteses, excluindo a
ilicitude. Em regra, estão previstas na Parte Geral do Código Penal (art. 23), mas algumas estão na
Parte Especial (art. 128 do CP) ou na Legislação Extravagante.
b.2) Exculpantes: Afastam a culpabilidade do agente ou estabelecem a impunidade de determinados
delitos. São exemplos: doença mental, menoridade, prescrição e perdão judicial.
Art. 25, parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo,
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de
crimes. Redação trazida pelo Pacote Anticrime.
OBS.: Parte da doutrina (Rogério Greco) classifica como normas permissivas as normas que afastam
a ilicitude (justificantes) e as que afastam a culpabilidade (exculpantes). Por sua vez, outra parte da
doutrina (Fernando Capez, Luiz Flávio Gomes) inclui nas normas permissivas apenas aquelas que
afastam a ilicitude do ato.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art25p
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b.3) Interpretativas: São normas que esclarecem o conteúdo e o significado de outras normas penais.
É o caso, por exemplo, do conceito de funcionário público para fins penais, previsto no art. 327 do
CP.
b.4) Finais (Complementares): Delimitam o campo de validade das leis incriminadoras, como os art.
2º e 5º do CP.
b.5) Diretivas: Estabelecem princípios, como o art. 1º do CP, que trata da reserva legal.
b.6) Integrativas (de Extensão): Complementam a tipicidade no tocante ao nexo causal em crimes
omissivos impróprios, à tentativa e à participação (arts. 13, §2º, 14, II e 29, caput, do CP,
respectivamente).
c) COMPLETAS / PERFEITAS: Apresentam todos os elementos da conduta criminosa.
d) INCOMPLETAS / IMPERFEITAS: São normas que reservam a complementação da definição da conduta
criminosa a uma outra lei, a um ato da Administração Pública ou a análise do julgador. São leis penais em
branco, nos dois primeiros casos, e tipos penais abertos, no último.
1.1.1 Leis Penais em Branco
“A lei penal em branco é também denominada de cega ou aberta, e pode ser
definida como a espécie de lei penal cuja definição da conduta criminosa reclama
complementação, seja por outra lei, seja por ato da Administração Pública. O seu
preceito secundário é completo, o que não se verifica no tocante ao primário,
carente de implementação” (MASSON, 2017, p. 127).
Franz Von Liszt diz que “são corpos errantes em busca de alma”.
ESPÉCIES DE LEI PENAL EM BRANCO:
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I – Lei penal em branco EM SENTIDO LATO / HOMOGÊNEA / IMPRÓPRIA: O complemento tem a mesma
natureza jurídica e deriva do mesmo órgãoque elaborou a lei incriminadora, ou seja, é outra lei. Ex.: art. 169,
§ único, I, do Código Penal, complementado pelo art. 1.264 do Código Civil. Podem ser de duas espécies:
a) Lei penal em branco em sentido lato HOMOVITELINA: A lei incriminadora e o complemento
estão no mesmo diploma legislativo. Ex.: Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados
ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302.
b) Lei penal em branco em sentido lato HETEROVITELINA: A lei incriminadora e o complemento
estão em diplomas normativos diversos. Ex.: art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro
essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior.
É complementado pelo CC.
II – Lei penal em branco EM SENTIDO ESTRITO / HETEROGÊNEA / FRAGMENTÁRIA / PRÓPRIA: O
complemento tem natureza jurídica diversa e emana de órgão distinto do que elaborou a norma
incriminadora. Ex.: Lei de drogas e Portaria 344/98.
III – Lei penal em branco INVERSA ou AO AVESSO: O preceito primário é completo, mas o preceito
secundário (pena) depende de complementação. O complemento, nesse caso, deve ser uma lei, tendo em
vista o princípio da reserva legal. Ex.: genocídio.
IV – Lei penal em branco DE FUNDO CONSTITUCIONAL: O complemento do preceito primário é uma norma
constitucional. É o caso, de acordo com Cleber Masson (2017, p. 128), do crime de abandono intelectual,
definido no art. 246 do CP, uma vez que o conceito de “instrução primária” está previsto no art. 208, I, da CF.
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V – Lei penal em branco AO QUADRADO: É a norma cujo complemento também depende de
complementação. Ex.: art. 38 da Lei 9.605/98, que pune as condutas de destruir ou danificar florestas de
preservação permanente. O conceito de "floresta de preservação permanente" é dado pelo Código Florestal,
que, dentre várias hipóteses, previu um caso em que a área de preservação permanente será assim
considerada após declaração de interesse social por parte do Chefe do Poder Executivo.
1.2 Características da Lei Penal
a) Exclusividade: Somente a lei pode criar delitos e as penas correspondentes (art. 5º, XXXIX, da CF).
b) Imperatividade: Caso seja descumprida haverá a imposição de sanção (pena ou de uma medida).
c) Generalidade: Direciona-se a todas as pessoas, indistintamente, até mesmo aos inimputáveis.
d) Impessoalidade: Seus efeitos são projetados a fatos futuros, incidindo sobre qualquer pessoa que venha
a praticá-los, ressalvadas duas exceções: as leis de anistia e a abolitio criminis, as quais alcançam fatos
concretos.
e) Anterioridade: Somente pode ser aplicada se estava em vigor no momento da prática da infração penal,
ressalvado o caso da retroatividade benéfica.
2. LEI PENAL NO TEMPO
Em decorrência do princípio da legalidade, aplica-se, em regra, a lei penal vigente ao tempo da
realização do fato criminoso (tempus regit actum).
Excepcionalmente, será permitida a retroatividade da lei penal para alcançar os fatos passados,
desde que benéfica ao réu, de modo que NÃO há, no direito penal, irretroatividade maléfica ao réu.
Nesse contexto, a lei benéfica poderá retroagir mesmo que já tenha havido o trânsito em julgado da
sentença penal condenatória.
Essa sistemática se aplica a norma que tenha caráter material (direito penal) ou misto (direito penal
e processual penal). Apenas as normas de natureza processual (puras) NÃO se submetem à retroatividade
benéfica.
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória.
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Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente,
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado.
Ressalta-se que NÃO se pode dizer o mesmo acerca da jurisprudência, tendo em vista que, de acordo
com o entendimento dos Tribunais Superiores, é possível a aplicação de novo entendimento jurisprudencial
para fatos ocorridos antes da mudança. Em outras palavras: a irretroatividade maléfica da norma não se
aplica aos entendimentos jurisprudenciais. Veja:
Não há se falar em irretroatividade de interpretação jurisprudencial, uma vez que
o ordenamento jurídico proíbe apenas a retroatividade da lei penal mais gravosa.
Os preceitos constitucionais relativos à aplicação retroativa da norma penal
benéfica, bem como à irretroatividade da norma mais grave ao acusado (art. 5º, XL,
da Constituição Federal), são inaplicáveis aos precedentes jurisprudenciais. STF. 1ª
Turma. HC 161452 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2020. STJ. 5ª Turma.
AgRg nos EDcl no AREsp 1361814/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 19/05/2020.
2.1. Teorias sobre a Eficácia da Lei Penal no Tempo
● Teoria da Atividade: Considera-se praticado o crime no momento da conduta, ou seja, no momento
da ação ou da omissão.
● Teoria do Resultado (do Evento): Considera-se praticado o crime no momento do resultado.
● Teoria da Ubiquidade (Mista): Considera-se praticado o crime no momento da conduta OU do
resultado.
ATENÇÃO: O CP adotou a TEORIA DA ATIVIDADE, conforme artigo 4º, CP:
Art. 4º, CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado.
Essa definição só tem relevância em relação aos delitos materiais/causais, que demandam a
produção de resultado naturalístico, uma vez que, somente nestes, a consumação pode se dar em momento
diferente do da prática da conduta, qual seja, com a produção do resultado. Nos crimes formais e de mera
conduta, a consumação ocorre conjuntamente com a prática da ação ou omissão, não importando o
momento do resultado, por isso dispensa essa teoria.
Consequências da adoção da Teoria da Atividade:
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● Aplica-se a lei penal que estava em vigor no momento da conduta, salvo se a lei penal posterior for
mais favorável (irretroatividade maléfica ou retroatividade benéfica);
● A imputabilidade do agente deve ser analisada no tempo da conduta.
ATENÇÃO! Quanto ao termo inicial da prescrição da pretensão punitiva, o Código Penal adota a
TEORIA DO RESULTADO (art. 111, I, CP): A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa
a correr: I - do dia em que o crime se consumou.
Dica DD: Mnemônico LUTA
Lugar do crime = Ubiquidade
Tempo do crime = Atividade
2.2. Abolitio Criminis
É a supressão da figura criminosa, abolir do ordenamento a figura de um tipo penal incriminador,
aplicando-se a retroatividade benéfica. Assim, prevê o art. 2º, do CP:
Art. 2º, CP - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória (ou seja, permanecem apenas os efeitos extrapenais – como civis,
administrativos, eleitorais etc).
ATENÇÃO! Se a lei descriminalizadora surgir na fase do inquérito policial já instaurado, os autos serão
relatados encaminhados ao Ministério Público (distribuição direta) ou ao judiciário (para envio ao Ministério
Público). E, conforme a sistemática atualmente vigente (à luz da suspensão da eficácia dos dispositivos
decorrentes da Lei 13.964/19 pelo STF), após a promoção de arquivamento pelo Ministério Público, o juiz
homologará e, se não concordar com o arquivamento, deverá aplicar a sistemática do artigo 28 do CPP.
a) Natureza jurídica
1ª Corrente: Causa de extinção da punibilidade. Parece ter sido a adotada pelo CP, conforme art.107,
III, CP. Prevalece na doutrina.
Extinção da punibilidadeArt. 107, CP - Extingue-se a punibilidade:
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
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2ª Corrente: Causa de exclusão de tipicidade gerando, por conseguinte, a extinção da punibilidade.
Só se extingue a punibilidade porque o fato deixou de ser típico (Flávio Monteiro de Barros). É uma crítica à
1ª corrente, pelo fato de que a extinção da punibilidade apenas tira o direito de punir do Estado, enquanto
o que ocorre aqui, na verdade, é a inexistência de crime. Não prevalece na doutrina.
O que é abolitio criminis temporária?
Com o Estatuto do Desarmamento, foi previsto um prazo para que proprietários de arma de fogo
entregassem ou regularizassem o registro da arma. Durante esse prazo, não incidiu o tipo penal respectivo,
o crime de posse irregular de arma de fogo ficaria “suspenso” por algum tempo. Esse prazo foi chamado de
“abolitio criminis temporária”.
Sobre o tema: Súmula 513 STJ: "A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao
crime de posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de
identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005."
Essa abolitio criminis temporária se aplica a fatos praticados entre 23/12/2003 a 23/10/2005 para os crimes
de posse de arma de uso permitido e restrito, bem como as condutas equiparadas. Porém, a partir de
23/10/2005 a 31/12/2009, passou a incidir somente sobre a conduta de posse de uso permitido.
b) Abolitio Criminis X Princípio da continuidade normativo-típica
Na abolitio criminis há supressão da figura criminosa, pois a intenção do legislador é não mais
considerar o fato criminoso.
Já no princípio da continuidade normativo-típica há a migração do conteúdo criminoso para outro
tipo penal incriminador, pois a intenção é manter a natureza criminosa do fato. O STF também já utilizou o
termo transmudação geográfica do tipo penal.
ABOLITIO CRIMINIS PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA
Supressão formal e material da figura criminosa. Supressão formal do tipo.
O fato deixa de ser criminoso. A intenção do legislador é manter a natureza
criminosa do fato, mas com outra roupagem, em
outro tipo penal.
A intenção é não mais considerar o fato criminoso Migração do conteúdo criminoso para outro tipo
penal incriminador.
Ex.: art. 210 – Adultério. Houve supressão tanto
material, quanto formal da conduta do campo de
incidência do direito penal, deixando de ser crime.
Ex.: art. 214 - Atentado violento ao pudor. O que
antes era este crime, agora é estupro. Não houve
abolitio.
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Outros exemplos que sofreram a continuidade típica normativa:
1. Apropriação indébita previdenciária - Desde a lei 9.983/00, essa conduta está prevista no art. 168-
A do CP. Porém, antes de 2000, tínhamos o art. 95 da Lei 8.212/91. O STF entendeu que a lei
9.983/00, ao alterar essa figura típica de posição (da Lei 8212 para o art. 168-A), o fez com o intuito
de ter uma continuidade típico normativa, de modo que, a rigor, não há sucessão de leis no tempo,
mas sim o princípio da CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA.
2. Rapto violento era previsto no art. 219, 220, 221 e 222 no CP - Essa figura do rapto foi revogada pela
Lei 11.106/05. No entanto, essa mesma Lei inclui o inciso V no art. 148, §1º do CP – sequestro e
cárcere qualificado se o crime for praticado com fins libidinosos. O STF decidiu que houve uma
CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA.
Esse exemplo já foi cobrado na prova
de Delegado de Polícia Federal.
3. Corrupção de menores prevista na Lei 2.252/54 (art. 1°) - Essa lei também foi revogada pela Lei
12.015/08, incluindo no ECA o art. 224-B. STF e STJ entenderam que não houve abolitio criminis e
consequente extinção da punibilidade. Pois essa conduta apenas migrou de tipo penal, havendo o
princípio da CONTINUIDADE TÍPICO NORMATIVA.
c) Abolitio Criminis x Novatio Legis in Mellius (“lex mitior”)
A novatio legis in mellius é a nova lei que de qualquer modo favoreça o agente (art. 2°, §único, CP):
A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos
por sentença condenatória transitada em julgado.
Sobre o tema em estudo, destaca-se trecho do livro do Prof. Cléber Masson, cobrado na última
prova de Delegado de Polícia do Paraná (2021):
Lei penal benéfica, também conhecida como lex mitior ou novatio legis in mellius,
é a que se verifica quando, ocorrendo sucessão de leis penais no tempo, o fato
previsto como crime ou contravenção penal tenha sido praticado na vigência da
lei anterior, e o novel instrumento legislativo seja mais vantajoso ao agente,
favorecendo-o de qualquer modo. A lei mais favorável deve ser obtida no caso
concreto, aplicando-se a que produzir o resultado mais vantajoso ao agente
(teoria da ponderação concreta).
CAIU EM PROVA:
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(Delegado de PCPR 2021): O que determina se a lei é mais favorável ao réu e com isso pode retroagir é a sua
aplicação ao caso concreto (e não a análise da norma em abstrato). (Item correto)
Semelhanças entre abolitio criminis e novatio legis:
● A retroatividade benéfica é automática, independente de cláusula expressa;
● Pode ser aplicada de ofício pelo juiz ou, ainda, mediante provocação das partes;
● Alcança, inclusive, fatos já definitivamente julgados, visto que a coisa julgada não é oponível à
retroatividade benéfica.
Juízo competente para a aplicação: Depende do momento em que se encontra a persecução penal.
a) Se estiver na fase do inquérito ou na ação penal de 1ª instância quem aplica é o juiz de 1ª grau.
b) Se estiver no Tribunal (recurso ou competência originária), será aplicada por ele.
c) Se a condenação já transitou em julgado, cabe ao juízo da execução, pouco importando a origem da
condenação.
Súmula 611 do STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao
JUÍZO DAS EXECUÇÕES a aplicação da lei mais benigna.
ATENÇÃO! A lei penal benéfica possui ULTRATIVIDADE, ou seja, pode ser aplicada mesmo após a sua
revogação, caso o fato tenha sido praticado durante a sua vigência.
2.3. Crime continuado, Crime permanente, Sucessão de leis penais
● Crime continuado: Previsto no art. 71 do CP, que assim o define:
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, prática dois
ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou
a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
A título de exemplo, imagine que o agente pratica 03 furtos, nas mesmas circunstâncias de tempo,
local e modo de execução. Quando começou a cadeia criminosa, o furto era punido pela lei “A”, com pena
de 1 a 4 anos. No meio da cadeia criminosa, veio a lei “B”, que previa a pena de 1 a 5 anos. No crime
continuado, por uma ficção jurídica, considera-se a ocorrência de um crime só.
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● Crime permanente: Trata-se de crime cuja consumação é prolongada no tempo pela vontade do
agente. Ex.: extorsão mediante sequestro - a consumação já se deu com a privação da liberdade, mas
enquanto a vítima não é libertada o crime continua se consumando.
Nestes dois casos, considerando que o agente deu continuidade às condutas por opção, aplica-se
sempre a última lei vigente, mesmo que mais grave, conforme entendimento sumulado.
Súmula711, do STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao
crime permanente se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da
permanência.
CRIME PERMANENTE CRIME CONTINUADO
É aquele cuja consumação se prolonga no
tempo, por vontade do agente.
Ex.: art. 159, CP (extorsão mediante sequestro).
O crime se consuma no momento em que o
agente priva a liberdade da vítima, mas continua
se consumando até a libertação do ofendido.
Se a vítima foi sequestrada enquanto estava em
vigor a lei menos gravosa, mas no período em
que ficou sob o poder do agente entrou em vigor
lei mais gravosa, aplica-se a última.
É aquele em que o agente pratica, mediante mais
de uma ação ou omissão, dois ou mais delitos
da mesma espécie, e pelas condições de tempo,
lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subsequentes ser
havidos como continuação do primeiro. Trata-
se de uma ficção jurídica.
Ex.: Caso o agente pratique cinco crimes, porém
os quatro primeiros estavam sob a regência da
lei menos gravosa, enquanto que o quinto é
praticado na vigência da lei mais gravosa, aplica-
se a última.
É possível a combinação de leis penais para favorecer o réu (lex tertia)?
1ª Corrente: Não é possível, pois o juiz, assim agindo, transforma-se em legislador, criando uma terceira lei.
(Nelson Hungria). Prevalece no STF e STJ. Nesse sentido, a Súmula 501, STJ: “É cabível a aplicação retroativa
da lei n. 11.343/06, desde que o resultado da incidência de suas disposições, na íntegra, seja mais favorável
ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.360/76, sendo vedada a combinação de leis”.
2ª Corrente: É possível, visando atender os princípios constitucionais da ultratividade e retroatividade
benéfica. Não se trata de criação, mas combinação de leis (Luiz Flávio Gomes). Se o juiz pode aplicar o “todo”
de uma lei ou de outra para favorecer o agente, ele pode escolher “parte” de uma e de outra para o mesmo
fim. (Basileu Garcia).
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Embora prevaleça a 1ª Corrente nas Cortes Superiores, não se pode ignorar que o próprio STJ tem
precedentes combinando leis. É o caso do art. 273 do CP e art. 33, Lei 11.343/06. Com alicerce no princípio
da proporcionalidade o STJ entendeu pela substituição do preceito secundário do art. 273, CP pelo do art.
33, Lei 11.343/06 (AgRg no REsp 1509051/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado
em 03/09/2019, DJe 10/09/2019).
Em contraponto, julgado mais recente do STF vedou essa aplicação, conforme se verifica no Tema 1003 (RE
979962), cuja tese aprovada foi: “É inconstitucional a aplicação do preceito secundário do art. 273 do Código
Penal, com redação dada pela Lei nº 9.677/98 (reclusão, de 10 a 15 anos, e multa), à hipótese prevista no
seu § 1º-B, I, que versa sobre a importação de medicamento sem registro no órgão de vigilância sanitária.
Para esta situação específica, fica repristinado o preceito secundário do art. 273, na redação originária
(reclusão, de 1 a 3 anos, e multa).” (aprovada em 24/03/2021).
2.4. Lei Excepcional e Temporária
● Lei temporária: É aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência. Logo, possui prazo
determinado na lei. Ex.: Lei 12.663/12 (Lei da FIFA).
● Lei excepcional: É a que atende a transitórias necessidades estatais, tais como guerra, epidemias,
calamidades. Perdura por todo o tempo excepcional, que não é preestabelecido na lei. É editada em
função de algum evento transitório, sendo que perdura enquanto persistir o estado de emergência.
Art. 3º, CP: A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua
duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.
Características:
. Autorrevogabilidade: Consideram-se revogadas assim que encerrado o prazo fixado (lei
temporária) ou cessada a situação de anormalidade (lei excepcional).
. Ultratividade: Os fatos praticados durante sua vigência continuam sendo punidos ainda que
revogadas as leis temporária ou excepcional.
ATENÇÃO! Estas leis NÃO se sujeitam aos efeitos da abolitio criminis, salvo se lei posterior for
expressa nesse sentido.
A alteração de complemento de norma penal em branco, retroage?
Segundo o STF, depende. Em se tratando de norma penal em branco homogênea (imprópria), cujo
complemento será outra lei, deve retroagir para beneficiar o réu.
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Já nos casos de norma penal em branco heterogênea, cuja complementação normalmente é feita por ato
administrativo, só retroagirá caso o ato não se dê em situação de excepcionalidade, ou seja, se for proferido
em situação de normalidade. Assim, temos as seguintes hipóteses:
- Ato não visa proteger situação excepcional, ou seja, proferido em situações de normalidade: Há
retroatividade da lei penal benéfica, a exemplo da retirada do cloreto de etila da lista da Portaria da Anvisa
que complementa a Lei de Drogas.
- Ato que visa proteger situação excepcional: Não retroage. Por exemplo, portarias que fazem tabelamento
de preços, para reger, por exemplo, crimes contra a ordem econômica. Nestas hipóteses, se não foi
obedecido o tabelamento daquela data, mas posteriormente houve a correção da tabela para um patamar
superior, não haverá a retroatividade da lei penal, vez que o que se buscava era tutelar aquela situação de
caráter excepcional.
2.5. Lei Intermediária
Vamos exemplificar para ficar mais fácil.
Fulano praticou um delito durante a vigência da Lei 1, que cominou para tal conduta a pena de 6 anos
de reclusão. Durante o processo, entra em vigor a Lei 2, modificando a respectiva pena para 3 anos. Por fim,
quando da sentença, já está em vigor a Lei 3, que pune a mesma conduta com 4 anos de reclusão.
Assim, podemos facilmente verificar que a lei mais benéfica a ele é a 2ª, certo? Porém, ela não estava
em vigor nem na data do fato, nem na data da sentença, sendo uma lei intermediária. E aí, será que ela pode
ser aplicada?
Tanto a doutrina, como o STF entendem que SIM, é possível aplicar a lei intermediária, desde que
seja a mais benéfica entre as 3 na sua integralidade. E esta é uma lei possui duplo-efeito: retroatividade -
retroage para alcançar o fato; e ultratividade - possui força para alcançar a sentença ou o julgamento.
Confira a dica do professor Marcelo Veiga:
https://youtu.be/QIi7-MlfCjk
https://youtu.be/QIi7-MlfCjk
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3. LEI PENAL NO ESPAÇO
Eventualmente, um fato criminoso pode atingir os interesses de dois ou mais Estados igualmente
soberanos. Assim, o estudo da lei penal no espaço visa a delimitar qual é o âmbito territorial de aplicação da
lei penal brasileira.
Vetores fundamentais para essa definição:
● Territorialidade (art. 5º, CP): Aplicação da lei penal brasileira aos crimes cometidos no
território brasileiro. REGRA GERAL.
● Extraterritorialidade (art. 7º, CP): Aplicação da lei penal brasileira aos crimes cometidos do
exterior. EXCEÇÃO.
● Intraterritorialidade: Aplicação da lei estrangeira a crimes cometidos no Brasil. EXCEÇÃO.
Ex.: imunidades diplomáticas.
No ordenamento jurídico brasileiro, portanto, aplica-se a regra da TERRITORIALIDADE MITIGADA
(RELATIVIZADA / TEMPERADA).
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional
as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do
governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantesou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves
ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em
pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas
em porto ou mar territorial do Brasil.
Cuidado: De forma diversa, no processo penal é adotado o princípio da territorialidade absoluta.
3.1. Princípios
● Princípio da Nacionalidade / Personalidade Ativa: Aplica-se a lei penal da nacionalidade do agente,
não importando o local do crime, a nacionalidade da vítima ou dos bens jurídicos lesados. Ou seja, a
lei brasileira é aplicada em razão da nacionalidade do sujeito ativo - art. 7º, II, b, CP.
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● Princípio da Nacionalidade / Personalidade Passiva: Aplica-se a lei penal da nacionalidade do sujeito
passivo. Ou seja, a lei brasileira é aplicada ao crime praticado por estrangeiro contra brasileiro - art.
7º, § 3º, CP.
● Princípio da Defesa Real / da Proteção / Real: Aplica-se a lei da nacionalidade do bem jurídico
violado, não importando o local ou nacionalidade do agente. Ou seja, a lei brasileira é aplicada ao
crime cometido fora do Brasil, que afete interesse nacional - art. 7º, I, a, b, c, CP.
● Princípio da Justiça Universal / Universalidade / Justiça Cosmopolita: O agente fica sujeito à lei do
país em que for capturado, não importa o local do crime, nem a nacionalidade do agente ou da
vítima. Este princípio está normalmente presente nos tratados internacionais de cooperação de
repressão a determinados delitos de alcance transnacional. É pautado no direito de todos os países
em punir qualquer crime - art. 7º, I, d e II, a, CP (obs.: em relação ao inciso I, d, existem autores que
dizem que se trata do princípio do domicílio, mas a doutrina majoritária entende como justiça
universal).
● Princípio da Representação / da Bandeira / Subsidiário: A lei brasileira será aplicada aos crimes
cometidos no estrangeiro em aeronaves e embarcações privadas brasileiras, desde que não sejam
julgados no local do crime - art. 7º, II, c, CP.
O que é o território nacional para fins de limite de aplicação da lei?
Território é o espaço que o país exerce sua soberania política.
O território brasileiro abrange a superfície terrestre (solo e subsolo), as águas interiores, o mar
territorial (12 milhas marítimas a partir da baixa-mar do litoral continental e insular - Lei n° 8.617/93, art. 1°)
e o espaço aéreo correspondente (teoria da soberania sobre a coluna atmosférica). No caso de território
neutro, aplica-se a lei do país do agente.
O conceito de território nacional abrange não apenas o espaço físico, mas, também, um espaço
jurídico por ficção, equiparação ou extensão, previsto no art. 5º, § 1º, CP.
Para aeronaves e navios:
⋅ Se públicos ou a serviço do Brasil: considera-se território brasileiro onde quer que se encontre;
⋅ Se privada ou mercante: somente se tiver em alto-mar (aplica-se a bandeira).
EMBARCAÇÕES E AERONAVES SERÁ APLICADA A LEI BRASILEIRA
Públicas ou a serviço do governo estrangeiro. Quer se encontre em território nacional ou
estrangeiro.
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Mercantes ou particulares brasileiras. Se estiverem em alto-mar ou no espaço aéreo
correspondente.
Estrangeiras. Apenas quando privadas em território nacional.
OBS.1: Princípio da reciprocidade
As embarcações e aeronaves estrangeiras, de natureza pública ou a serviço do governo estrangeiro,
são consideradas extensão do território estrangeiro, mesmo se estiverem em território brasileiro.
OBS.2: Embaixada é território nacional. NÃO é extensão do território que representa. No entanto, é
inviolável.
3.2. Extraterritorialidade
É a aplicação da lei brasileira ao CRIME praticado no estrangeiro.
ATENÇÃO! Não se aplica a lei brasileira às CONTRAVENÇÕES PENAIS praticadas no exterior (art. 2°,
DL 3.688/41).
A extraterritorialidade pode ser:
A) INCONDICIONADA: A simples prática do crime no exterior já autoriza a incidência da lei brasileira,
independentemente de qualquer requisito. As hipóteses estão previstas no art. 7°, I, CP:
● Crimes praticados contra a vida ou a liberdade do Presidente da República (ATENÇÃO! NÃO é honra,
ou patrimônio. É apenas vida ou liberdade do PR);
∘ Princípio da defesa real ou proteção.
● Crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território,
de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída
pelo Poder Público;
∘ Princípio da defesa real ou proteção.
● Crimes praticados contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
∘ Princípio da defesa real ou proteção.
● Crimes de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
∘ Princípios: cosmopolita ou universalidade (genocídio), personalidade ativa (agente
brasileiro), domicílio (domiciliado no Brasil).
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A Lei de Tortura prevê mais uma hipótese de extraterritorialidade incondicionada.
Art. 2°, Lei 9.455/97: (...) o disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não
tenha sido cometido no território nacional, sendo a vítima brasileira ou
encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.
B) CONDICIONADA: Admissível nos crimes previstos no art. 7°, II, CP. É preciso respeitar as condições
cumulativas previstas no Código Penal.
● Crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
∘ Princípio da justiça universal.
● Crimes praticados por brasileiro;
∘ Princípio da personalidade / nacionalidade ativa.
● Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
∘ Princípio da representação / bandeira / pavilhão.
CONDIÇÕES (CUMULATIVAS):
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (PRINCÍPIO DA DUPLA TIPICIDADE)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável.
C) HIPERCONDICIONADA: Conforme previsão no art. 7°, §3°, CP, a lei brasileira aplica-se também ao
crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil - princípio da personalidade passiva -, se,
além de reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não tiver sido pedida ou foi negada a extradição;
b) ter havido requisição do Ministro da Justiça.
Parte da doutrina chama esse parágrafo de territorialidade hipercondicionada, tendo em vista que
além das condições previstas para a modalidade condicionada, precisa preencher uma dessas outras duas.
COMPETÊNCIA
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Via de regra, a competência para julgar o indivíduo que praticou o crime fora do território nacional,
mas que está sujeito à aplicação da lei brasileira, será da Justiça Estadual. Contudo, excepcionalmente, se
estiver presente alguma das hipóteses do art. 109 da Constituição Federal, a competência será da Justiça
Federal.
Vale também a leitura do art. 88 do CPP, que determina que:
No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o
juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca
tiver residido no Brasil,será competente o juízo da Capital da República.
Ainda, conforme o art. 8º, do CP, a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil
pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. Sobre o tema, a jurisprudência:
O agente não pode responder a ação penal no Brasil se já foi processado
criminalmente, pelos mesmos fatos, em um Estado estrangeiro
O agente não pode responder à ação penal no Brasil se já foi processado
criminalmente, pelos mesmos fatos, em um Estado estrangeiro. O art. 5º do Código
Penal afirma que a lei brasileira se aplica ao crime cometido no território nacional,
mas ressalva aquilo que for previsto em “convenções, tratados e regras de direito
internacional”. A Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e o Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP) proíbem de forma expressa a
dupla persecução penal pelos mesmos fatos. Desse modo, o art. 8º do CP deve
ser lido em conformidade com os preceitos convencionais e a jurisprudência da
Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vedando-se a dupla
persecução penal por idênticos fatos. Vale, por fim, fazer um importante alerta: a
proibição de dupla persecução penal em âmbito internacional deve ser ponderada
com a soberania dos Estados e com as obrigações processuais positivas impostas
pela CIDH. Isso significa que, se ficar demonstrado que o Estado que “processou” o
autor do fato violou os deveres de investigação e de persecução efetiva, o
julgamento realizado no país estrangeiro pode ser considerado ilegítimo. Portanto,
se houver a devida comprovação de que o julgamento em outro país sobre os
mesmos fatos não se realizou de modo justo e legítimo, desrespeitando
obrigações processuais positivas, a vedação de dupla persecução pode ser
eventualmente ponderada para complementação em persecução interna. STF. 2ª
Turma. HC 171118/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 12/11/2019 (Info 959).
Explicação Dizer o Direito:
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O STF já teve a oportunidade de se manifestar a respeito dessas regras, e, ao fazê-
lo obstou o prosseguimento de processo penal quanto a fatos já julgados por
jurisdição diversa: (...) Ninguém pode expor-se, em tema de liberdade individual, a
situação de duplo risco. Essa é a razão pela qual a existência de hipótese
configuradora de “double jeopardy” atua como insuperável obstáculo à
instauração, em nosso País, de procedimento penal contra o agente que tenha sido
condenado ou absolvido, no Brasil ou no exterior, pelo mesmo fato delituoso.
A cláusula do Artigo 14, n. 7, inscrita no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e
Políticos, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, qualquer que seja a
natureza jurídica que se lhe atribua (a de instrumento normativo impregnado de
caráter supralegal ou a de ato revestido de índole constitucional), inibe, em
decorrência de sua própria superioridade hierárquico-normativa, a possibilidade
de o Brasil instaurar, contra quem já foi absolvido ou condenado no exterior, com
trânsito em julgado, nova persecução penal motivada pelos mesmos fatos
subjacentes à sentença penal estrangeira. STF. 2ª Turma. Ext 1223, Rel. Min. Celso
de Mello, julgado em 22/11/2011.
Cuidado: O STJ já decidiu que: A pendência de julgamento de litígio no exterior não
impede, por si só, o processamento da ação penal no Brasil, não configurando bis
in idem. STJ. 6ª Turma. RHC 104.123-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
17/09/2019 (Info 656). Embora o caso concreto julgado pelo STJ tivesse algumas
peculiaridades, existe a dúvida se esse entendimento irá permanecer a partir
daquilo que decidiu o STF no HC 171118/SP.
Veja a dica do professor Marcelo Veiga:
https://youtu.be/QXy87jzOj8o
https://youtu.be/QXy87jzOj8o
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3.3. Lugar Do Crime
Pelo art. 6º, CP, adota-se a teoria da ubiquidade ou mista:
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão,
no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado. (Aplica-se a crimes à distância).
OBS.1: Lugar do delito x Locus comissi delicti
Cuidado para não confundir o lugar do delito para o Código Penal (teoria da ubiquidade) com locus
comissi deliciti para o código de Processo Penal (teoria do resultado):
● Lugar do delito: serve para os crimes à distância (crimes que perpassam mais de um país).
. Tema de direito penal (art. 6º, CP);
. Adota a Teoria da Ubiquidade.
● Locus comissi delicti: lugar onde se consuma o crime.
. Tema de direito processual penal (art. 70, CPP);
. Adota a Teoria do Resultado.
OBS.2: Crime à distância x Crime plurilocal
● Crime à distância (espaço máximo): percorre territórios de dois Estados soberanos. Envolve
conflito internacional de jurisdição que se resolve com base no art. 6º, CP (teoria da
ubiquidade).
● Crime plurilocal: Percorre pluralidade de locais de um mesmo Estado Soberano. Aplica-se o
art. 70, do CPP (teoria do resultado).
DICA DD: De acordo com o CP o crime cometido dentro do território nacional, a bordo de navio que apenas
passava pelo mar territorial brasileiro aplica-se a lei nacional, porque o crime tocou o nosso território.
Atualmente, aplica-se a chamada PASSAGEM INOCENTE, dispondo que quando um navio passa no território
nacional somente como passagem necessária para chegar ao seu destino, não há necessidade de autorização
do Governo Brasileiro para tanto, hipótese em que NÃO se aplica a lei brasileira. A passagem inocente
somente se refere a navio, segundo Rogério Sanches os aviões não desfrutam da passagem inocente (art. 3º
da Lei nº 8.617/93).
DICA DD: Mnemônico LUTA
Lugar do crime = Ubiquidade
Tempo do crime = Atividade
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4. EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS (IMUNIDADES)
4.1 Introdução
Vejamos o artigo 5º, caput e inciso I, CF:
Art. 5º, CF - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;
Imunidade diplomática/parlamentar x Artigo 5º, caput, e inciso I, da CF:
Nesse ponto, deve-se analisar que a isonomia garantida constitucionalmente é substancial,
permitindo tratar os desiguais de forma desigual, na medida de sua desigualdade. Além disso, a imunidade
leva em conta dados objetivos e não subjetivos do agente, haja vista que a imunidade é uma prerrogativa
funcional, e não um privilégio da pessoa. Nesse sentido, é possível dizer que a lei penal se aplica a todos,
nacionais ou estrangeiros, por igual, não existindo privilégios pessoais.
Há, no entanto, pessoas que, em virtude de suas funções, ou em razão de regras internacionais,
desfrutam de imunidades. Logo, longe de ser uma garantia pessoal, trata-se de necessária PRERROGATIVA
FUNCIONAL, proteção ao cargo ou função desempenhada pelo seu titular. Por isso, a doutrina entende que
NÃO se deve falar em “foro privilegiado”, mas sim em “foro por prerrogativa de função”.
PRIVILÉGIO PRERROGATIVA
É uma exceção da lei comum deduzida da
situação de superioridade das pessoas que a
desfrutam. O privilégio trabalha com a ideia de
que há pessoas superiores a outras.
É o conjunto de precauções que rodeiam a função.
Servem para o exercício da função.
É subjetivo e anterior à lei. É objetiva e deriva da lei.
Tem uma essência pessoal. É um anexo à qualidade do órgão.
É poder frente à lei. É conduto para quea lei se cumpra.
É próprio da aristocracia das ordens sociais
(nobreza, clero).
É próprio das aristocracias das instituições
governamentais.
4.2 Imunidades Diplomáticas
São imunidades de direito público internacional de que desfrutam:
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i. Chefes de governo ou de Estado estrangeiro, sua família e membros de sua comitiva;
ii. Embaixador e sua família;
iii. Funcionários do corpo diplomático e suas respectivas famílias;
iv. Funcionários das organizações internacionais, quando em serviço (ex. funcionários da ONU).
A imunidade diplomática garante o que? O diplomata deve obediência à nossa lei?
Por força da característica da generalidade da lei penal, os agentes diplomáticos devem obediência
ao preceito primário do país em que se encontram. Escapam, no entanto, da sua competência jurídica, ou
seja, da punição (preceito secundário), permanecendo sob a eficácia da lei penal do Estado a que pertencem
(INTRATERRITORIALIDADE).
Primeiramente, é importante observar que a lei penal é formada pelo preceito primário (que possui
o conteúdo criminoso) e pelo preceito secundário (que traz a consequência jurídica, a sanção penal).
O diplomata deve sim obedecer ao preceito primário. O que a imunidade lhe garante é exatamente
escapar das consequências jurídicas, ficando sujeito às consequências do seu país de origem. Então, o
diplomata que mata alguém comete crime sim. O que fica diferente é a consequência jurídica.
E se no país de origem da diplomata não houver punição? Haverá, então, um conflito de direito
internacional, que, ao ser resolvido pelas imunidades, pode levar ao fato de o diplomata não ser punido.
OBS.: Por disposição expressa, o agente diplomático NÃO poderá ser objeto de nenhuma forma de
detenção ou prisão. Veja o art. 29 do Decreto 56.435:
A pessoa do agente diplomático é inviolável. Não poderá ser objeto de nenhuma
forma de detenção ou prisão. O Estado acreditado tratá-lo-á com o devido respeito
e adotará todas as medidas adequadas para impedir qualquer ofensa à sua pessoa,
liberdade ou dignidade.
Note, ainda, que esta inviolabilidade a que estão sujeitos se estende à sua residência particular,
documentos, correspondências e bens (art. 30, Decreto 56.435)
A residência particular do agente diplomático goza da mesma inviolabilidade e
proteção que os locais da missão.
2. Seus documentos, sua correspondência e, sob reserva do disposto no parágrafo
3 do artigo 31, seus bens gozarão igualmente de inviolabilidade.
OBS.: A imunidade diplomática NÃO impede a investigação policial!
Qual a natureza jurídica da imunidade diplomática? Existem duas correntes discutindo esse assunto.
1ª Corrente (majoritária): causa pessoal de isenção de pena.
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2ª Corrente: causa impeditiva de punibilidade.
É possível renunciar à imunidade?
O diplomata NÃO pode renunciar à sua imunidade, pois é uma prerrogativa do cargo. Contudo, o
país de origem pode renunciar a imunidade do seu diplomata.
Ex. caso nos EUA em que um diplomata da Geórgia dirigindo embriagado atropelou a brasileira. O
país renunciou a imunidade do diplomata e ele respondeu de acordo com uma lei americana.
Em resumo: A imunidade é irrenunciável. É vedado ao seu destinatário abdicar da prerrogativa (pois
esta é do cargo e não da pessoa). Poderá haver renúncia por parte do Estado de origem, ficando o diplomata
sujeito à lei do país em que ocorreu o crime (art. 32, Dec. 56.435/65):
1. O Estado acreditante pode renunciar à imunidade de jurisdição dos seus agentes
diplomáticos e das pessoas que gozam de imunidade nos termos do artigo 37.
2. A renuncia será sempre expressa.
3. Se um agente diplomático ou uma pessoa que goza de imunidade de jurisdição
nos termos do artigo 37 inicia uma ação judicial, não lhe será permitido invocar a
imunidade de jurisdição no tocante a uma reconvenção ligada à ação principal.
4. A renuncia à imunidade de jurisdição no tocante às ações civis ou administrativas
não implica renúncia a imunidade quanto as medidas de execução da sentença para
as quais nova renúncia é necessária.
Os agentes consulares desfrutam de imunidade?
O agente consular possui imunidade somente nos delitos praticados em razão da função, NÃO
abrangendo os crimes praticados fora da função.
EMBAIXADOR AGENTE CONSULAR
Possui imunidade:
a) Nos crimes comuns;
b) Nos crimes praticados em razão da
função.
Possui imunidade somente nos delitos
praticados em razão da função.
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCRJ 2022): Em viagem ao Rio de Janeiro, Paolo, italiano, filho do embaixador da Itália no Brasil,
registrado como dependente deste, com quem vive, foi à Lapa, onde se embriagou. Com a capacidade
psicomotora comprometida, assumiu a direção de um veículo e, em seguida, devido à embriaguez, atropelou
e matou uma pessoa. Nessa situação hipotética: Paolo não poderá ser punido pela lei brasileira, pois, salvo
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em caso de renúncia, possui imunidade diplomática, embora possa ser punido pelas leis do Estado
acreditante. (Item correto)
A embaixada é extensão do território que representa?
Quanto à territorialidade das embaixadas, mesmo havendo divergências entre alguns doutrinadores,
decidiu o STF que as mesmas NÃO FAZEM parte do território do país que representam, tendo em vista que
as sedes diplomáticas, de acordo com a Convenção de Viena, possuem apenas inviolabilidade. Então, a
embaixada não é extensão do território, mas é inviolável. Diante disso, para se cumprir a lei do país no
interior da embaixada, deve primeiro se passar pelas regras de direito internacional, NÃO se podendo
cumprir a lei do país nem mesmo se houver mandado judicial, ou flagrante delito.
4.3 Imunidades Parlamentares
4.3.1 Imunidade Parlamentar Absoluta / Material / Real / Substancial ou Inviolabilidade / Indenidade
Art. 53, caput, CF - Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e
penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.
Há diversas correntes acerca da natureza jurídica da imunidade parlamentar absoluta:
1ª Corrente: É causa excludente de crime (Pontes de Miranda).
2ª Corrente: É causa que se opõe à formação do crime (Basileu Garcia).
3ª Corrente: É causa pessoal de exclusão de pena (Aníbal Bruno).
4ª Corrente: É causa de irresponsabilidade (Magalhães Noronha).
5ª Corrente: É incapacidade pessoal penal por razões políticas (Frederico Marques).
6ª Corrente: É causa de atipicidade (Luis Flávio Gomes e STF).
Súmula 245, STF: A imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa
prerrogativa.
ATENÇÃO! A súmula só se aplica no caso de imunidade parlamentar relativa (NÃO se aplica para a imunidade
parlamentar absoluta).
A imunidade só se aplica quando verificado o nexo causal com o exercício da função parlamentar.
OBS.: Segundo a jurisprudência dominante, nas dependências do parlamento, o nexo causal é
presumido. Fora das dependências do parlamento, o nexo deve ser comprovado.
Logo, os deputados e senadores não são imunes somente nas dependências do parlamento. São
imunes dentro e fora do parlamento. Ocorre que, dentro do parlamento, o nexo causal entre a prática do
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delito e o exercício da função é presumido (facilitando a incidência da imunidade) e fora do parlamento, esse
nexo deve ser comprovado.
Não obstante, há jurisprudência do STF na qual foi afastada a incidência da imunidade por fato
ocorrido na Casa Legislativa. Isso porque a 1ª Turma salientou que o fato de o parlamentar estar na Casa
legislativa no momentoem que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes
contra a honra, nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio parlamentar na Internet:
O Parlamento é o local por excelência para o livre mercado de ideias – não para o
livre mercado de ofensas. A liberdade de expressão política dos parlamentares,
ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da civilidade. Ninguém pode se
escudar na inviolabilidade parlamentar para, sem vinculação com a função, agredir
a dignidade alheia ou difundir discursos de ódio, violência e discriminação.
PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio,
julgamento em 10.3.2020. (PET-7174)
4.3.2 Imunidade Parlamentar Relativa / Formal
Art.53, §2º, CF - Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional
não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os
autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que,
pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela
EC nº 35, de 2001)
O termo inicial dessa imunidade é desde a expedição do diploma e a garantia por ela prevista é a de
que o parlamentar só pode ser preso em flagrante delito de crime inafiançável. Em todos os demais casos,
NÃO é cabível a prisão, pois incide a imunidade!
No caso de flagrante em crime inafiançável, a Casa Legislativa faz um juízo político da prisão. O juízo
NÃO é jurídico, mas político, ou seja, conforme a conveniência e oportunidade de se manter o parlamentar
preso.
4.3.3 Imunidade relativa ao processo
Art.53, CF, §3º - Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime
ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto
da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da
ação. (Redação pela EC nº 35, de 2001)
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=7174&classe=PET&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=7174&classe=PET&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
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§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo
improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
(Redação pela EC nº 35, de 2001)
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
(Redação pela EC nº 35, de 2001)
A garantia funcional consiste no fato de a Casa Legislativa respectiva (Câmara ou Senado) poder
sustar o andamento do processo, o que também suspende a prescrição.
Cuidado: A imunidade NÃO impede a instauração de Inquérito Policial e nem a realização de
investigação penal (STF).
4.3.4 Imunidade relativa à condição de testemunha
Art.53, §6º, CF - Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar
sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem
sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. (Redação
dada pela EC nº 35, de 2001)
Os deputados e senadores, quando arrolados, são obrigados a servir como testemunha. Eles prestam
o compromisso de dizer a verdade. Contudo, NÃO estão obrigados a testemunhar sobre as informações
recebidas ou prestadas em razão do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam
as informações.
Ressalta-se que os Congressistas serão inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados entre
eles e o juiz, nos termos do art.221, do CPP.
Art. 221, CPP - O Presidente e o Vice-Presidente da República, os senadores e
deputados federais, os ministros de Estado, os governadores de Estados e
Territórios, os secretários de Estado, os prefeitos do Distrito Federal e dos
Municípios, os deputados às Assembleias Legislativas Estaduais, os membros do
Poder Judiciário, os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União, dos
Estados, do Distrito Federal, bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos
em local, dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz.
OBS.1: O parlamentar indiciado (sujeito à investigação policial) NÃO tem a prerrogativa a que se
refere o art. 221, do CPP. Essa prerrogativa é apenas para testemunha.
OBS.2: O STF, na AP 421, mitigou a prerrogativa do art.221, do CPP, pois utilizada para procrastinar
intencionalmente o regular andamento e desfecho do processo (caso concreto: o parlamentar ficou
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc35.htm#art53
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marcando e desmarcando o horário e data da inquirição, então, o juiz designou dia e horário e determinou a
inquirição no dia e horário e local por ele determinados):
QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO PENAL. DEPUTADO FEDERAL ARROLADO COMO
TESTEMUNHA. NÃO INDICAÇÃO DE DIA, HORA E LOCAL PARA A OITIVA OU
NÃO COMPARECIMENTO NA DATA JÁ INDICADA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA
PARA O NÃO ATENDIMENTO AO CHAMADO JUDICIAL. DECURSO DE MAIS DE
TRINTA DIAS. PERDA DA PRERROGATIVA PREVISTA NO ART. 221, CAPUT, DO
CPP. Passados mais de trinta dias sem que a autoridade que goza da
prerrogativa prevista no caput do art. 221 do CPP tenha indicado dia, hora e
local para a sua inquirição ou, simplesmente, não tenha comparecido na data,
hora e local por ela mesma indicados, como se dá na hipótese, impõe-se a
perda dessa especial prerrogativa, sob pena de admitir-se que a autoridade
arrolada como testemunha possa, na prática, frustrar a sua oitiva,
indefinidamente e sem justa causa. Questão de ordem resolvida no sentido de
declarar a perda da prerrogativa prevista no caput do art. 221 do CPP, em
relação ao parlamentar arrolado como testemunha que, sem justa causa, não
atendeu ao chamado da justiça, por mais de trinta dias.
4.3.5 Imunidades dos Parlamentares dos Estados (Deputados Estaduais)
Art. 27, §1º, da CF: Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais,
aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral,
inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença,
impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
Os parlamentares dos Estados possuem as mesmas imunidades dos deputados federais, em razão do
princípio da simetria. Vejamos o entendimento do STF sobre o tema:
Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais previstas para os
parlamentares federais no art. 53 da CF/88. São constitucionais dispositivos da
Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais as imunidades
formais previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e
Senadores. A leitura da Constituição da República revela, sob os ângulos literal e
sistemático, que os Deputados Estaduais também têm direito às imunidades formal
e material e à inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos
congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso porque tais imunidades
foram expressamente estendidas aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4e369c0a468d3aeeda0593ba90b5e55?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4e369c0a468d3aeeda0593ba90b5e55?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
4.3.6 Imunidades dos Parlamentares dos Municípios (Vereadores)
Eles só possuem imunidade material, limitada aos atos praticados no exercício do mandato e dentro
da circunscrição do município. Então, essa é uma imunidade material limitada. Os vereadores NÃO possuem
imunidade formal ou relativa.
Cabe prisão cível alimentícia contra Congressista devedor de alimentos?
Há três correntes:
1ª Corrente: A imunidade abarca qualquer ato de privação da liberdade (Gilmar Mendes).
2ª Corrente: Há que se fazer distinção entre a natureza provisória dos alimentos e definitiva, cabendo a prisão
somente para o último caso tendo em vista que, quanto aos provisórios, ainda não se exauriu a prova (Rogério
Sanhes).
3ª Corrente: Cabível a prisão cível por dívida de alimentos independente da natureza observando o interesse do
alimentando (Novelino).
5. EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA
Dispõe o art. 9º, do CP: A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie
as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para:
I -
Obrigar o condenado à:
● Reparação de danos civis;
● Restituições;
● Outros efeitos civis.
Depende de requerimento da parte interessada
II - ● Sujeitar o condenado à medida
de segurança.
Depende da existência de tratado de extradição entre o BR
e o país de origem OU requisição do MJ.
OBS.: Efeitos incondicionados
● Reincidência;
● Detração.
INDEPENDEM de homologação.
Em regra, a sentença estrangeira NÃO precisa ser homologada no Brasil para gerar efeitos, bastando
prova legal da existência de condenação. No entanto, a sentença estrangeira necessita ser homologada no
Brasil pelo STJ (art. 105, I, “i”, da CF/88) para gerar:
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● Efeitos civis, a exemplo da reparação de danos, dependendo, ainda, de pedido da parte interessada;
● Sujeição à medida de segurança:
∘ Se existir tratado de extradição: mediante requisição do PGR;
∘ Se inexistir tratado de extradição: mediante requisição do Ministro de Justiça.
ATENÇÃO! A súmula 420 do STF diz o seguinte: “Não se homologa sentença proferida no estrangeiro
sem prova do trânsito em julgado”.
Porém, com a entrada em vigor do CPC/2015, que trouxe previsão dos requisitos para a homologação
da sentença estrangeira, foi tacitamente revogado o art. 216-D, III, do RISTJ, que exigia o trânsito em julgado.
Agora, basta apenas que ela seja eficaz em seu país de origem. (Info 626 do STJ).
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCMS 2021): A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as
mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil, para obrigar o condenado à reparação do dano, a
restituições e a outros efeitos civis e, ainda, sujeitá-lo à medida de segurança. (Item correto)
6. CONTAGEM DO PRAZO E FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA
Contagem de prazo
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum.
Ao contrário dos prazos processuais, os prazos penais são improrrogáveis e, na sua contagem, o dia
de início se inclui no cálculo.
Frações não computáveis da pena
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de
direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.
7. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
Interpretar é identificar a vontade da lei, definir seu conteúdo, seu significado, seu alcance.
Na atividade interpretativa deve-se buscar sempre a mens legis, ou seja, a vontade da lei e não a
mens legislatoris, que é a vontade do legislador.
É de cunho obrigatório, ainda que a lei pareça clara.
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7.1 Espécies de Interpretação
A) QUANTO AO SUJEITO (ORIGEM):
● Autêntica / Legislativa: Dada pela própria lei, ou seja, realizada pelo legislador, que edita uma lei
com a finalidade de explicar o significado de outra norma. É de aplicação obrigatória e RETROAGE,
mesmo que em prejuízo do réu, vez que não cria novo crime ou comina pena, apenas interpreta (só
não se aplica fatos transitados em julgado). Ex.: art. 327 do CP - conceito de funcionário público.
Divide-se em contextual (quando a norma interpretativa é editada no momento da norma
interpretada) e posterior (quando é criada depois da norma interpretada).
● Doutrinária / Científica: Dada pelos estudiosos, doutrinadores do direito penal. Ex.: exposição de
motivos do Código Penal, vez que dada pelos doutrinadores que elaboraram o projeto. (OBS.: a do
CPP é autêntica).
● Judicial / Jurisprudencial: Realizada pelos magistrados na decisão das causas que lhes são
submetidas ou fruto das decisões reiteradas dos tribunais, como regra não vinculantes. Exceção (são
vinculantes): sentença de caso concreto após o trânsito em julgado e súmulas vinculantes editadas
pelo STF.
B) QUANTO AO MODO ou MEIOS E MÉTODOS:
● Literal / Gramatical: Considera o sentido literal das palavras.
● Teleológica: Considera à vontade ou intenção objetivada na lei, sua finalidade, utilizando-se de vários
elementos (é a sugerida pelo artigo 5º da LINDB).
● Histórica: Busca a origem da lei, o fundamento de sua criação.
● Sistemática: Conjunto da legislação e dos princípios gerais de direito, sistema em que a norma está
inserida como um todo.
● Progressiva: A lei é interpretada de acordo com o progresso da ciência que está progredindo.
C) QUANTO AO RESULTADO:
● Declarativa: A letra da lei corresponde aquilo que o legislador quis dizer.
● Extensiva: Amplia o alcance das palavras da lei para corresponder ao alcance/vontade do texto.
Corrige a lei tímida, visto que ela disse menos do que gostaria.
● Restritiva: Reduz o alcance das palavras da lei para corresponder ao alcance/vontade do texto. A lei
disse mais do que desejava.
● Progressiva / Adaptativa / Evolutiva: Busca amoldar a lei à realidade atual, de acordo com os
progressos da cultura, da sociedade, da tecnologia, das ciências etc. O fundamento está no princípio
dinâmico.
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OBS.: A interpretação progressiva decorre de um modelo mais recente de interpretação,
desvinculado da Escola da Exegese, fundada em um raciocínio puramente silogista, mas valendo-se de uma
abertura do sistema jurídico e uso de recursos axiológicos.
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCBA 2022): Relativamente aos métodos de interpretação da lei penal, assinale a alternativa
incorreta:
a) Interpretação contextual é realizada dentro do próprio texto elaborado, como no caso do art. 327 do
Código Penal, que explica o conceito de funcionário público para fins penais
b) A interpretação evolutiva é a forma de interpretação que, ao longo do tempo, vai se adaptando às
mudanças político-sociais e às necessidades do momento, como no caso da aplicação do crime de ato
obsceno, previsto no art. 233 do Código Penal, em que no passado se entendia que condutas como o beijo
lascivo se enquadravam em tal delito, mas, no presente, devido à maior “liberdade sexual”, entende-se que
o beijo lascivo, por si só, ainda que praticado em via pública, não configura o crime
c) A interpretação doutrinária paralela é aquela que surge simultaneamente a um texto legal. Em resumo, o
legislador edita determinada norma e, junto a ela, traz ensinamentos doutrinários sobre a sua matéria.
Exemplo nítido de interpretação doutrinária simultânea é a Exposição de Motivos do Código Penal
d) A interpretação teleológica-objetivabusca a vontade da lei em si, por meio da análise da exposição de
motivos da lei, por exemplo
e) A interpretação lógico-sistemática procura o sentido da lei, através da função gramatical dos vocábulos.
Trata-se da primeira etapa do processo interpretativo, pois as palavras podem ser equívocas, não espelhando
com fidelidade a vontade da lei
GABARITO: E - a interpretação sistemática conjunto da legislação e dos princípios gerais de direito, sistema
em que a norma está inserida como um todo.
7.2. Interpretação Extensiva X Interpretação Analógica X Analogia
● Interpretação Extensiva: Existe norma para o caso concreto, mas amplia-se o alcance da norma,
podendo ser feita até mesmo in malam partem.
Ex.: antigo art. 157, §2º, II, CP, hoje revogado, que utilizava o termo “arma” e a interpretação era de
que qualquer arma estaria abarcada;
ATENÇÃO! Esse entendimento, embora prevaleça em parte da doutrina, encontra precedente em
sentido contrário no STJ, entendendo pela proibição da interpretação extensiva in malam partem.
STJ entende que em direito penal, não é permitida a interpretação extensiva para
prejudicar o réu, impondo-se a integração da norma mediante a analogia in bonam
https://canalcienciascriminais.com.br/tag/stj/
https://canalcienciascriminais.com.br/tag/direito-penal/
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partem, devendo a lei penal ser interpretada restritivamente quando prejudicial ao
réu e extensivamente quando a ele favorável. (EDcl no AgRg no HC 651.765/SP, Rel.
Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 07/12/2021,
DJe 14/12/2021).
● Interpretação Analógica: Existe norma para o caso, mas o legislador previu uma fórmula casuística
seguida de uma genérica, permitindo ao juiz encontrar outros casos similares. Também pode ser in
malam partem
Ex.: art.121, §2º, I, CP
“Paga, promessa de recompensa” – fórmula casuística
“Ou outro motivo torpe” – fórmula genérica
As duas opções citadas acima, são FORMAS DE INTERPRETAÇÃO.
● Analogia: NÃO existe norma para o caso concreto, e o juiz aplica a lei prevista para outro caso quando
verificada lacuna legislativa. Não é forma de interpretação, é FORMA DE INTEGRAÇÃO, de suprir
lacunas. Só é possível em benefício do réu.
Características:
∘ Não é forma de interpretação, mas de integração;
∘ Pressupõe lacuna;
∘ Parte-se do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto, motivo
pelo qual é preciso socorrer-se de previsão legal empregada à outra situação similar.
Pressupostos para aplicar a analogia:
∘ Certeza de que sua aplicação é favorável ao réu (analogia in bonan partem);
∘ Existência de uma efetiva lacuna legal a ser preenchida.
Para finalizarmos o assunto, vamos a uma tabelinha excelente para revisão, elaborada pelo professor
Rogério Sanches.
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA
É forma de interpretação
Existe norma para o caso
concreto.
É forma de interpretação
Existe norma para o caso
concreto.
É forma de integração do direito.
Não existe norma para o caso
concreto.
Amplia-se o alcance da palavra
(não importa no surgimento de
uma nova norma).
Utilizam-se exemplos seguidos de
uma forma genérica para alcançar
outras hipóteses.
Cria-se uma nova norma a partir de
outra (analogia legis) ou do todo do
ordenamento jurídico (analogia iuris)
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Prevalece ser possível sua
aplicação no Direito Penal in
bonam ou in malam partem.
É possível sua aplicação no Direito
Penal in bonam ou in malam
partem.
É possível sua aplicação no Direito
Penal somente in bonam partem.
Ex.: a antiga expressão “arma” no
crime de roubo majorado (art.
157, §2º, II, CP – hoje revogado).
Ex.: Homicídio mediante paga ou
promessa de recompensa, ou por
outro motivo torpe (art. 121, §2º,
I, III e IV do CP)
Ex.: isenção de pena, prevista nos
crimes contra o patrimônio, para
cônjuge e, analogicamente, para o
companheiro (art. 181, I do CP).
8. CONFLITO APARENTE DE NORMAS
Verifica-se quando há um só fato e, aparentemente, duas ou mais normas vigentes são aplicáveis a
ele.
ATENÇÃO! Trata-se de tema com alta incidência em provas.
a) Requisitos:
● Unidade de fato (fato único);
● Pluralidade de normas;
● Vigência simultânea de todas elas.
Cuidado: Aqui NÃO se trata de sucessão de leis penais no tempo, mas de duas leis penais que estão em vigor
simultaneamente. Se NÃO estão vigentes, aí sim o assunto é o conflito de leis penais no tempo, que se
resolverá, em regra, pela posterioridade; e, excepcionalmente, pela lei penal mais benéfica (art. 4º do CP).
b) Princípios Orientadores:
● PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE:
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Como explica Cleber Masson, há subsidiariedade entre duas leis penais quando ambas tratam de
estágios ou graus diversos de ofensa a um mesmo bem jurídico, de forma que a ofensa mais ampla e dotada
de maior gravidade, descrita pela lei primária, engloba a menos ampla, contida na subsidiária, ficando a
aplicabilidade desta condicionada à não incidência da outra.
A norma subsidiária só se aplica quando não houver subsunção do fato à norma mais grave, que é a
norma principal, devendo então ser aplicada a norma subsidiária, que segundo Hungria funciona como
“soldado de reserva”.
A subsidiariedade pode ser:
∘ Expressa: Ocorre quando o próprio tipo penal traz a fórmula “se não houver crime mais
grave”, como por exemplo, temos o crime de dano qualificado, previsto no art. 163, p. único,
II do CP (...) “se o crime é cometido com emprego de substância inflamável ou explosiva, se
o fato não constitui crime mais grave”.
∘ Tácita: Ocorre quando o tipo penal não traz a fórmula, mas é possível perceber o caráter de
subsidiariedade da norma. Ex.: roubo e furto, a depender de haver ou não a violência ou
grave ameaça.
ATENÇÃO: No contexto da incidência do princípio da subsidiariedade o delito menos grave funcionará como
CRIME DE PASSAGEM ou TIPO PENAL DE PASSAGEM.
Crime de Passagem ou Ubi Major Mino Cessati: O delito de menor gravidade é subsidiário diante de um
delito de maior gravidade. É o crime que eu pratico quando quero praticar um crime mais grave.
Ex.: Crime de dano é subsidiário ao crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. Ora, para o
indivíduo praticar o furto pelo rompimento de obstáculo, ele necessariamente tem que praticar um dano.
Assim, o dano é um elemento qualificador da figura típica do furto qualificado. Pelo princípio da
subsidiariedade, o indivíduo responde apenas pelo furto qualificado. Se, eventualmente faltar uma
elementar para o crime de furto, há o soldado de reserva: crime de dano.
● PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE:
A lei especial derroga a lei geral. O princípio da especialidade é de utilização obrigatória e prevalece
sobre os demais. Destaque-se que se exclui a aplicação da lei geral no caso concreto, mas não há revogação.
É a soma dos elementos da lei geral com elementos especializantes. Pode estar no mesmo diploma
legislativo ou diversos. Ex.: homicídio e infanticídio; omissão de socorro do CP e omissão de socorro de idoso
e vários outros.
ATENÇÃO! O princípio da especialidade é o único que se aplica sempre de maneira abstrata. Ou seja: a
comparação entre a norma geral e a norma especial é feita no plano abstrato. Todos os outros princípios
são aplicados em concreto (comparação em concreto)
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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● PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO:
Verifica-se quando o crime previsto por uma norma (consumida) não passa de uma fase de realização
do crime previsto em outra norma (consuntiva)ou é uma norma de transição para o último (crime
progressivo). A consunção pressupõe que esses crimes protejam o mesmo bem jurídico. Aplica-se às
seguintes hipóteses:
∘ Crime progressivo: Quando o agente, para alcançar um resultado ou crime mais grave,
precisa passar por um crime menos grave. Ex.: Para o homicídio, passa-se pela lesão corporal.
∘ Progressão criminosa: Há alteração do dolo. O agente pretende inicialmente produzir um
resultado e, depois de alcançá-lo opta por prosseguir na prática ilícita e reinicia outra
conduta, produzindo um evento mais grave. É uma nova vontade que surge na execução. O
fato inicial fica absorvido só respondendo pelo último.
∘ Fato anterior impunível (ante factum impunível): São fatos anteriores que estão na linha de
desdobramento da ofensa mais grave. A diferença é que no crime progressivo o crime
anterior era obrigatório; aqui o crime anterior (meio) foi o escolhido dentre os possíveis. Ex.:
Súmula 17, STJ: “quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é
por este absorvido”. O agente pratica falsidade documental, visando cometer um
estelionato. A falsidade foi um crime-meio para prática do estelionato, desse modo, é um
ante factum impunível.
∘ Fato simultâneo impunível: Também chamado de concomitante impunível, é aquele
praticado no mesmo momento em que é praticado o fato principal. Ex.: estupro em via
pública (o ato obsceno é um meio para prática do estupro).
∘ Fato posterior impunível (post factum impunível): O fato posterior impunível retrata o
exaurimento do crime principal praticado pelo agente, por ele não podendo ser punido. Aqui
se absorve o crime praticado, após exaurido o crime querido. Ex.: falsificação de documento
e uso de documento falso – quando praticados pelo mesmo agente, ele só responde pela
falsificação.
Hipóteses casuísticas de incidência do princípio da consunção ou absorção:
(1): O crime consumado (delito perfeito) absorve o crime tentado (delito imperfeito).
(2): O crime de dano absorve o crime de perigo.
(3): Porte ilegal de arma e receptação dolosa - NÃO SE APLICA (Info 433 STJ).
A receptação e o porte ilegal de arma de fogo configuram crimes de natureza autônoma, com
objetividade jurídica e momento consumativo diversos. Tribunais vêm afirmando que os crimes de porte
ilegal de arma e receptação dolosa possuem bens jurídicos distintos, vítimas distintas, momentos de
consumação diferentes, motivo pelo qual NÃO há consunção entre eles.
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Não há o que se falar em esgotamento de potencialidade lesiva da receptação no crime de porte
(como um crime de dano será absorvido pelo crime de perigo, embora de menor gravidade?)
Embora haja uma relação de meio-fim e múnus-plus, não há o respeito ao esgotamento da
potencialidade lesiva.
(4): Legítima defesa e uso de arma de fogo (Info 775 STF)
Contexto fático: Indivíduo pratica um fato típico, mas não ilícito (amparado por uma excludente de
ilicitude da legítima defesa). Ocorre que, o meio pelo qual ele utilizou para repelir a injusta agressão era uma
arma de fogo com numeração raspada, do qual ele não tinha o devido registro.
A discussão era: O delito de porte/posse de arma de fogo com numeração raspada resta absorvido
pelo crime de homicídio? Se sim, como o homicídio fora praticado em legítima defesa, a excludente de
ilicitude atingiria também o crime de porte de arma de fogo com numeração raspada?
A jurisprudência do STJ e STF sempre tiveram a posição de que seria possível a absorção, pelo
homicídio, de eventual porte de arma, se aquela arma for usada exclusivamente para a prática do homicídio,
ou seja, se a potencialidade lesiva daquela arma se esgotasse no homicídio.
Nesse julgado específico, o STF entendeu que a consunção NÃO alcançaria a posse ilegal de arma de
fogo com numeração raspada. Isso porque, nesse caso, o indivíduo efetivamente não teria “portado aquela
arma de fogo exclusivamente para repelir a agressão”. A rigor, o indivíduo já portava a arma com a
numeração raspada, e então utilizou a arma para repelir a injusta agressão, de modo que a potencialidade
lesiva da arma não se esgotou no ato de legítima defesa.
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCRO 2022): O cotejo se dá entre fatos concretos, de modo que o mais completo, o inteiro,
prevalece sobre a fração. Não há um único fato buscando se abrigar em uma ou outra lei penal caracterizada
por notas especializantes, mas uma sucessão de fatos, todos penalmente tipificados, na qual o mais amplo
consome o menos amplo, evitando-se que este seja duplamente punido, como parte de um todo e como
crime autônomo. Cleber Masson (com adaptações). No conflito aparente de normas, o trecho apresentado
explica o princípio da consunção. (item correto)
● PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE:
a) Própria: Tem aplicação nos crimes plurinucleares, ou seja, crimes de ação múltipla ou conteúdo
variado, que são crimes compostos de pluralidade de verbos nucleares (ações típicas). Nesse caso, o
crime permanece único, não desnatura a unidade do crime. Ex.: art. 33 da Lei de Drogas. Ex.:
importar, guardar, transportar e vender a droga.
b) Imprópria: Quando duas ou mais normas penais disciplinam o mesmo fato.
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Este último princípio não é unânime, não sendo aceito por relevante parcela da doutrina. Na
alternatividade própria não haveria conflito, não havendo pluralidade de normas aplicáveis, vez que a
conduta está no mesmo tipo penal. Na imprópria, se há duas leis tratando do mesmo fato, haveria, na
verdade, um conflito de leis penais no tempo, em que a segunda revogou a primeira.
DICA DD: Mnemônico SECA
S ubsidiariedade
E specialidade
C onsunção
A lternatividade
Os 3 primeiros são unânimes na doutrina e o 4º não. Então na hora de marcar, fique atento ao
comando da questão.
O objetivo do instituto é evitar o bis in idem e manter a unidade lógica e a coerência do sistema
penal. Pode até haver conflitos entre normas, mas o sistema é único, perfeito e apresenta ele próprio meios
para solucioná-los.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Direito Penal – Parte Geral – Volume 1 – 13ª edição – Cleber Masson;
- Sinopse nº1 – Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo;
- Manual de Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Rogério Sanches Cunha;
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META 3
DIREITO ADMINISTRATIVO: ENTES DA ADMINISTRAÇÃO (PARTE I)
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
⦁ Art. 33
⦁ Art. 37, XIX, XX e XXI
⦁ Art. 37, §§ 6º, 8º
⦁ Art. 48, XI
⦁ Art. 51, IV e 52, XIII, da CF
⦁ Art. 61 § 1º, II, "e".
⦁ Art. 84, IV, VI, "a"
⦁ Art. 173, §1º e §2º e 174
Outros Diplomas Legais
⦁ Art. 51 da Lei nº 9.649/98
⦁ Art. 1º, §2º, I Lei 9.784/99
⦁ Lei 9637/98
⦁ Lei 13.303/16
⦁ Lei 13.019/14
⦁ Lei 9986/2000
⦁ Lei 13.848/2019
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
CF/88
⦁ Art. 37, XIX, XX e XXI, CF/88
⦁ Art. 37, §§ 6º, 8º, CF/88
⦁ Art. 48, XI, CF/88 (criação de ministérios deve ser por lei)
⦁ Art. 84, IV, VI, "a", CF/88
Lei 13.303/16 (lei das empresas públicas e sociedades de economia mista)
⦁ Art. 1º, caput e §§5º e 6º
⦁ Art. 2º, §§1º e 2º
⦁ Art. 3º, 4º e 5º
⦁ Art. 8º
⦁ Art. 27 a 30
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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⦁ Art. 47 e 49
⦁ Art. 85 e 86
Lei 9637/98 (lei das organizações sociais - OS)
⦁ Art. 1º e 2º
⦁ Art. 5º, 6º, 7º e 9º
⦁ Art. 11º e 12º
⦁ Art. 14 e 17
Lei 9.790/99 (lei das organizações da sociedade civil de interesse público - OSCIP)
⦁ Art. 1º e 2º (atenção ao §únicodo art. 2º)
⦁ Art. 3º
⦁ Art. 10, §1º
⦁ Art. 11, 14 e 16
Lei 13.019/2014 (lei das organizações da sociedade civil - OSC)
⦁ Art. 1º
⦁ Art. 2º, inc. I, II, VII, VIII e VIII-A.
⦁ Art. 3º
⦁ Art. 16 a 21
⦁ Art. 30, 31 e 35-A
⦁ Art. 39, 40 e 42, XX
⦁ Art. 69 e 73
⦁ Art. 84-B
Lei 13.848/2019 (lei das agências reguladoras)
⦁ Art. 3º e 5º
⦁ Art. 10, 14 e 15
⦁ Art. 34 e 35
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA
Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade
judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.
Súmula 8-STF: Diretor de sociedade de economia mista pode ser destituído no curso do mandato.
1. PRINCÍPIOS INERENTES À ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA (art. 6, DL 200/67)
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• Planejamento: compreende a elaboração e atualização de planos de governo, bem como previsão
de gastos em orçamento;
• Coordenação: vinculada diretamente à hierarquia, visa a garantir uma maior eficiência na execução
das atividades públicas;
• Descentralização administrativa: consiste na transferência da prestação de serviços do ente
federativo para outras pessoas jurídicas especializadas na execução dessas atividades;
• Delegação de competência: extensão de uma competência administrativa entre agentes públicos,
dentro de uma mesma estrutura hierárquica de forma expressa e transitória;
• Controle: exercido em todos os níveis e órgãos do governo.
2. DESCENTRALIZAÇÃO X DESCONCENTRAÇÃO
É importante relembrar que Administração Pública é uma expressão plurissignificativa. Possui dois
sentidos:
• Subjetivo / Formal / Orgânico: conjunto de órgãos e entidades que integram a estrutura do Estado
e tem como função satisfazer o interesse público, a vontade política governamental. Nesse sentido,
é grafada com letras maiúsculas, pois refere-se aos sujeitos.
• Objetivo / Material / Funcional: é o conjunto de atividades que esses órgãos e entidades
desempenham. Nesse sentido, é grafada com letras minúsculas, pois refere-se às funções. Ex.:
fomentar iniciativa privada, prestar serviço público, exercer poder de polícia.
Assim, o exercício das atividades administrativas pode se dar tanto de forma centralizada quanto de
forma descentralizada.
a) Desconcentração:
Na desconcentração, o que o Estado faz é distribuir, dentro da sua estrutura, as atividades estatais.
Há uma especialização de funções dentro da mesma pessoa jurídica. Haverá a criação dos órgãos
públicos/órgãos estatais, sem que haja a criação de uma nova pessoa jurídica, pois se trata de mera divisão
interna.
Cada órgão tem sua atribuição específica, para garantir eficiência. Ex.: Ministério da Saúde, Secretaria
Estadual de Segurança Pública (não são pessoas jurídicas, mas sim órgãos criados a partir de um
procedimento de desconcentração). Portanto, tenha em mente que a desconcentração dá origem aos órgãos
públicos.
Características da Desconcentração que é preciso saber:
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• Consiste na distribuição de competência dentro da mesma pessoa jurídica (criam centros de
competência em seu interior);
• A desconcentração administrativa pode ocorrer tanto na Administração Direta quanto na
Administração Indireta (uma autarquia pode desconcentrar parte de sua atribuição através de
criação de órgãos);
• A desconcentração decorre do poder hierárquico (relação de subordinação).
• Teoria Da Institucionalização (Marçal Justen): os órgãos públicos, embora NÃO contem com
personalidade jurídica, podem adquirir “vida” própria. Ex.: Exército brasileiro.
Veremos as principais características dos órgãos mais a
frente!
b) Descentralização:
Na descentralização, o Estado vai transferir a execução da atividade para outra pessoa, seja física
ou jurídica, integrante ou não da Administração.
O Estado pode criar a pessoa jurídica para transferir a atividade (administração indireta) ou pode
realizar um contrato de concessão (com pessoa jurídica já existente) ou permissão de serviço público (com
pessoa jurídica ou pessoa física). Em outras palavras: Enquanto a desconcentração ocorre dentro de apenas
uma pessoa jurídica, na descentralização há mais de uma pessoa envolvida.
Características da Descentralização que é preciso saber:
• Deslocamento para uma nova pessoa (física ou jurídica);
• Transferência para pessoa da Administração indireta ou particulares;
• NÃO existe hierarquia, mas há controle e fiscalização (relação de vinculação, mas NÃO de
subordinação).
STF: É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão
para esse fim na própria lei que instituiu a empresa estatal, visto que a lei criadora é a própria medida
autorizadora. Vejamos o último julgado do STF em 2021 nesse sentido:
É dispensável a autorização legislativa para a alienação de controle acionário de
empresas subsidiárias (1). No julgamento da ADI 5624 MC-Ref/DF, prevaleceu o
entendimento de que a lei que autoriza a criação da empresa estatal matriz é
suficiente para viabilizar a criação de empresas controladas e subsidiárias, não
havendo se falar em necessidade de autorização legal específica para essa
finalidade. Assim, se é compatível com a CF a possibilidade de criação de
subsidiárias quando houver previsão na lei que cria a respectiva empresa estatal,
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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por paralelismo, não há como obstar, por suposta falta de autorização legislativa, a
alienação de ações da empresa subsidiária, ainda que tal medida envolva a perda
do controle acionário do Estado. Com base nesse entendimento, o Plenário, por
unanimidade, conheceu em parte da arguição de descumprimento de preceito
fundamental e, na parte conhecida, julgou improcedente o pedido formulado
contra o Edital de Leilão 1/2020 da Companhia Energética de Brasília (CEB), que se
destina a alienação de cem por cento do controle acionário da CEB-Distribuição S.A.
(1) Precedentes: ADI 5624 MC-Ref/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski (DJe de
28.11.2019); Rcl 42.576/DF, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes (DJe de
25.3.2021).
ADPF 794/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em
21.5.2021 (sexta-feira), às 23:59.
OBS.: A centralização consiste na execução das tarefas administrativas pelo próprio Estado, por meio
de órgãos internos integrantes da administração direta.
2.1 Espécies de Descentralização
a) Outorga (descentralização legal, por serviços ou funcional)
⦁ Transfere a execução e a titularidade (doutrina majoritária);
⦁ Destina-se às pessoas jurídicas de direito público especializadas;
⦁ Requer lei específica;
⦁ Dá origem às entidades da Administração Indireta.
b) Delegação (descentralização por colaboração):
⦁ Só transfere a execução (e não a titularidade);
⦁ Entidades de direito privado;
⦁ Formalizada por ato unilateral ou contrato;
⦁ Dá origem às concessionárias e permissionárias.
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ATENÇÃO!
Descentralização Territorial ou Geográfica: Ocorre com entidade geograficamente delimitada, dotada
de personalidade jurídica própria de direito público, com capacidade de administração e possibilidade de
execução das atividades estatais.
Típica da França e Itália → NÃO admitida no Brasil desde a Proclamação da República.
Alguns doutrinadores (Maria Sylvia Zanella de Pietro) aplicam para os territórios federais.
Descentralização Social (Diogo Figueiredo Moreira Neto): Consiste em aliviar do Estado a execução direta
ou indireta de atividades de relevância coletiva que possam serconvenientemente cometidas por
credenciamentos ou reconhecimentos a unidades sociais personalizadas.
Em outras palavras: consiste em formalizar parcerias (ou atos de reconhecimento) com entidades do 3º
Setor, com o intuito de criar condições favoráveis para o alcance de metas socialmente adequadas.
Com relação a este ponto, é importante que o estudante conheça as formas de controles
administrativos: Tutela x Hierarquia.
TUTELA ADMINISTRATIVA HIERARQUIA ADMINISTRATIVA
▪ NÃO se presume. Depende de Lei.
▪ Inerente à organização interna dos entes
federativos. NÃO depende de previsão legal.
▪ Pressupõe a existência de duas pessoas
jurídicas, onde uma exerce controle sobre
a outra (fruto da descentralização).
▪ Existe no interior de uma mesma pessoa (fruto
da desconcentração).
Descentralização
Por serviços ou
outorga
Transfere a
titularidade
Transfere Execução
Por meio de lei Só a entidades da AP
Por colaboração ou
delegação
Transfere só
execução
Por meio de Negócio
Jurídico ou ato
unilateral
Ex.: contrato de
concessão de
serviços públicos
À particulares (NJ) e
a própria AP (lei).
Territorial
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▪ Condicionada pela lei. ▪ Incondicionada, sendo-lhe inerente uma série
de poderes administrativos.
Vamos esquematizar?
DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO
Transferência da atividade administrativa para
outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou não
do aparelho estatal.
Distribuição interna de atividade dentro de uma
mesma pessoa jurídica, resultando na criação de
centros de competências, denominados órgãos
públicos, dentro de uma mesma estrutura
hierárquica.
Há mais de uma pessoa jurídica. Ocorre dentro da mesma pessoa jurídica.
Não há hierarquia, apenas controle e fiscalização. Há hierárquica e decorre do Poder Hierárquico.
Há uma relação de vinculação. Há uma relação de subordinação.
Pode ser:
1) Descentralização por outorga, que dá origem às
entidades da Administração Indireta;
2) Descentralização por colaboração, na qual há
delegação à pessoa já existente, através de
concessão ou permissão.
Dá origem aos órgaos públicos.
3. ÓRGÃOS PÚBLICOS
Órgãos públicos são centros de atribuições que resultam da desconcentração administrativa. Sua
criação se justifica pela necessidade de especializar as funções, com o intuito de tornar a atuação estatal mais
eficiente. A principal característica dos órgãos é que eles NÃO possuem personalidade jurídica própria.
Outras características:
• Órgãos são centros especializados de competências.
• Criação e extinção devem ser feitas por meio de lei.
• Competência do órgão é intransferível e irrenunciável, mas pode ser delegada ou avocada.
• Presentes tanto na Administração direta como na Administração indireta.
Art. 1º, §2º, I, Lei 9.784/99 - Para os fins desta Lei, consideram-se: I - órgão - a
unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura
da Administração indireta.
• NÃO possuem patrimônio próprio.
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• NÃO podem ser sujeitos de direitos ou de obrigações (uma vez que não possuem personalidade
jurídica). Ex.: uma morte ocorrida dentro de escola pública municipal será de responsabilidade
do Município, pois a escola e a prefeitura são órgãos públicos e, portanto, não são sujeitos de
obrigações.
• NÃO celebram contrato, contudo, o órgão realiza licitação, gestão e exercício do contrato,
ficando a cargo do ente personalizado a celebração do contrato.
Exceção: Contrato de gestão/de desempenho.
Embora os órgãos públicos não possam celebrar contratos por não possuírem personalidade jurídica
e, consequentemente, capacidade contratual, o art. 37, §8º da CF/88 admite a celebração de
“contrato de gestão” ou “contrato de desempenho” entre órgãos públicos e administradores ou
entes federativos, que tem como objetivo ampliar a autonomia gerencial orçamentária e financeira
dos órgãos, que deverão, em contrapartida, cumprir determinadas metas de desempenho.
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da
administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser
firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a
fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor
sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
Considerações importantes sobre o contrato de gestão/desempenho:
• Natureza jurídica: embora a doutrina seja pacífica no sentido de que o contrato de gestão NÃO
tem natureza de contrato administrativo, há divergência quanto à sua natureza jurídica:
∘ 1ª C (Rafael Oliveira e Maria Silva Di Pietro) - O contrato de gestão tem natureza de convênio
administrativo, sendo constitucional sua celebração. Para esses autores, o convênio
administrativo é sinônimo de ato administrativo complexo.
∘ 2ª C (Diogo Figueiredo Moreira Neto – minoritário): O contrato de gestão tem natureza
jurídica de ato administrativo complexo. Para ele, ato administrativo complexo não é
sinônimo de convênio administrativo.
• Classificação: O contrato de gestão é classificado pela doutrina em:
∘ Endógeno: Celebrado dentro da Administração Pública direta ou indireta (art. 37, §8º, CF). O
contrato de gestão será considerado endógeno quando celebrado, por exemplo, entre o
Estado e a Secretaria de Segurança Pública ou uma Autarquia.
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∘ Exógeno: Celebrado entre a Administração Pública e os particulares em colaboração com o
Estado (3º Setor) (art. 5º, Lei 9.637/98).
• Inconstitucionalidade: Parte da doutrina afirma que o contrato de gestão é inconstitucional, por
2 fundamentos principais:
i. O Direito Brasileiro o não permite o autocontrato;
ii. Violação ao princípio da reserva legal, pois, se a criação do órgão se dá por lei, o aumento da
sua autonomia também deveria ocorrer mediante previsão legal.
Veja o enunciado aprovado na I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ sobre o contrato de
desempenho:
Enunciado 11 – O contrato de desempenho previsto na Lei 13.934/2019, quando
celebrado entre órgãos que mantêm entre si relação hierárquica, significa a
suspensão da hierarquia administrativa, por autovinculação do órgão superior, em
relação ao objeto acordado, para substituí-la por uma regulação contratual, nos
termos do art. 3º da referida Lei.
Além disso, destaca-se a regulamentação pela Lei 13.934/19.
Art. 3º O contrato de desempenho constitui, para o supervisor, forma de
autovinculação e, para o supervisionado, condição para a fruição das flexibilidades
ou autonomias especiais.
ATENÇÃO: Em regra, os órgãos, por NÃO terem personalidade jurídica, NÃO têm capacidade
processual.
Exceções:
1) Previsão legal. Ex.: Órgão público na defesa dos consumidores (art. 82, inc. III, CDC).
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá
ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo.
Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
III – as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que
sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e
direitos protegidos por este código;
2) Órgãos titulares de direitos subjetivos, o que lhes conferem capacidade processual para a
defesa das prerrogativas, bem como competências para defesa de atribuições institucionais.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/21c2c25487b9f30af6c4a9f6f10b09b2?categoria=2&subcategoria=15&ano=2020PREPARAÇÃO EXTENSIVA
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Ex: Órgãos independentes e autônomos podem figurar em juízo, desde que (i) sejam órgãos de
cúpula de hierarquia administrativa; (ii) atuem na defesa de suas prerrogativas institucionais.
Fique atento à súmula e jurisprudência sobre o tema!
Súmula 525-STJ: A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os
seus direitos institucionais.
Obs.: STJ já reconheceu a capacidade processual para a Câmara dos Vereadores
impetrar MS, quando caracterizada inércia do Município, na defesa de suas
prerrogativas institucionais.
Associação de Municípios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para tutelar em
juízo direitos e interesses das pessoas jurídicas de direito público. STJ. 1ª Seção.
Resp 1503007-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/6/2017 (Info 610).
#DD EXPLICA: O município é um órgão político e, portanto, dotado de
personalidade jurídica própria, podendo figurar no polo das ações judiciais. A
Associação dos Municípios, por sua vez, possui natureza jurídica de direito privado,
não podendo, portanto, representar uma pessoa de direito público em juízo.
Legitimidade do TJ para impetrar mandado de segurança em defesa de sua
autonomia institucional. O Tribunal de Justiça, mesmo não possuindo
personalidade jurídica própria, detém legitimidade autônoma para ajuizar
mandado de segurança contra ato do Governador do Estado em defesa de sua
autonomia institucional. Ex: mandado de segurança contra ato do Governador que
está atrasando o repasse dos duodécimos devidos ao Poder Judiciário. STF. 1ª
Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
3.1 Teorias
1. Teoria do Mandato: O agente público é mandatário da pessoa jurídica, sendo a relação construída
em função de um contrato de mandato.
Crítica: NÃO se admite que um Estado, que NÃO tem vontade própria e nem tem como
125xterioriza-la, possa assinar um contrato, instrumento que depende da autonomia da vontade.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/41a6fd31aa2e75c3c6d427db3d17ea80?categoria=2&subcategoria=15&assunto=68
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2. Teoria da Representação: O agente público seria representante do Estado por força de lei,
equiparando-se ao tutor ou curador, representando os incapazes.
Crítica: A pessoa jurídica ficaria equiparada a um incapaz, sendo absurda a ideia de que o incapaz
confere representante de si mesmo. Além disso, o incapaz NÃO pode ser civilmente
responsabilizado, o que NÃO ocorre com o Estado.
3. Teoria do Órgão (Teoria da Imputação Volitiva) – Otto Von Gierke – Por essa teoria, a manifestação
do órgão público é atribuída à pessoa jurídica ao qual ele pertence. Ou seja: quando um agente
público, integrante de um órgão público, manifesta a sua vontade, na realidade, é a própria pessoa
estatal que está agindo. Por esse motivo, é possível imputar, ao Estado, os danos causados por seus
agentes.
Explica a teoria do funcionário de fato putativo, que é aquele cuja investidura foi irregular ou
viciada, mas cuja situação tem aparência de legalidade. Para a Teoria, consideram-se válidos os atos
praticados por um funcionário de fato putativo, em nome da boa-fé dos administrados, segurança jurídica e
legalidade dos atos, pois o ato é do órgão (e, consequentemente, da pessoa jurídica ao qual pertence), não
do agente.
3.2 Criação e Extinção de Órgãos Públicos
A regra é que os órgãos públicos sejam criados e extintos por lei ordinária. E, em regra, a lei será de
iniciativa do chefe do Executivo. Essa exigência aparece na CF em alguns momentos:
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro
ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso
Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais
Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
II – disponham sobre:
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado
o disposto no art. 84, VI;
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
5) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
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Existem algumas exceções em relação à iniciativa da lei. Vejamos:
1) Iniciativa do Congresso Nacional (art. 48, XI)
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não
exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias
de competência da União, especialmente sobre: XI – criação e extinção de
Ministérios e órgãos da administração pública;
2) Para a criação de órgãos no Poder Judiciário, a iniciativa será do presidente do próprio TJ (art. 96,
II, “c” e “d”).
Art. 96. Compete privativamente:
II – ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça
propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;
3) No âmbito do MP, a iniciativa para a criação de órgãos será do chefe da instituição, ou seja, PGJ ou
PGR (art. 127, §2º).
Art. 127. § 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e
administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder
Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os
por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e
os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento.
É possível criar órgãos por ato administrativo? R.: Parte da doutrina (Carvalho Filho, Rafael Oliveira,
Fernando Barbalho) entende que a CF/88 admite, excepcionalmente, no âmbito do Senado Federal e Câmara
dos Deputados (art. 51, IV, e art. 52, XIII, da CF), que a própria casa disponha sobre a sua organização
administrativa, como a criação de órgãos. Em outras palavras: a criação de órgãos dentro da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal pode ser feita mediante resolução das respectivas casas, não se exigindo a
sanção presidencial, pois não se trata de lei. Por simetria, isso pode ser levado para os Estados e Municípios.
3.3 Classificação dos Órgãos
a) Quanto à hierarquia:
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▪ Independentes: NÃO estão hierarquicamente subordinados a nenhum outro órgão, se
sujeitando apenas ao controle dos poderes estruturais do Estado (sistema de freios e
contrapesos). Têm origem na CF. Ex.: Presidência da República, Congresso Nacional, STF.
CUIDADO!
. O MP e TCU são considerados órgãos independentes, embora não façam parte de
nenhum poder!
. Embora sejam órgãos independentes, o Ministério Público Militar e o Ministério
Público do Trabalho não possuem legitimidade para demandar diretamente nos
Tribunais Superiores, por serem vinculados ao Ministério Público da União. Confira
os julgados abaixo:
O Ministério Público do Trabalho não tem legitimidade para atuar no âmbito do
Superior Tribunal de Justiça na condição de parte. STJ. 1ª Seção. AgRg no CC
122940-MS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em07/04/2020 (Info 670).
MPM não tem legitimidade para atuar diretamente no STF. STF. 2ª Turma. HC
155245 AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 11/11/2019.
▪ Autônomos: órgãos imediatamente subordinados aos órgãos independentes. São órgãos
diretivos que desempenham funções de coordenação, planejamento, supervisão e controle.
Possuem autonomia administrativa e financeira (NÃO possuem autonomia política). Ex.:
Ministério da Fazenda, Secretaria do Estado, AGU.
▪ Superiores: NÃO possuem autonomia e independência, embora conservem o poder de decisão.
Ou seja: possuem apenas poder de decisão e controle sobre assuntos específicos de sua
competência. Ex.: Secretaria da Receita Federal, Polícias, Procuradorias.
▪ Subalternos: órgãos com reduzido poder de decisão, destinado à mera execução de atividades
administrativas. Ex..: zeladoria, almoxarifado, etc.
b) Quanto à atuação funcional/manifestação de vontade:
▪ Singular: atua pela manifestação de vontade de um único agente. Ex.: Prefeitura, juízo de 1º
grau, presidência.
▪ Colegiado (ou pluripessoais): a tomada de decisão é feita de forma coletiva. Ex.: casas
legislativas, STF.
c) Quanto à estrutura:
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/358c850b3836ae02b1d8b319d86d435f?categoria=1&subcategoria=10
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▪ Simples (ou unitário): atua sozinho (um único centro de competência), sem subdivisões em seu
interior. Ex.: Gabinete.
▪ Composto: há mais de um órgão atuando em sua estrutura. Ex.: Congresso Nacional é formado
pela Câmara dos Deputados e Senado Federal.
d) Quanto às funções:
▪ Ativos: execução de atividades administrativas.
▪ Consultivos: assessoramento.
▪ De controle: fiscalização.
e) Quanto ao âmbito de atuação:
▪ Central: atribuição em toda a área da pessoa jurídica que integram (federal, estadual e
municipal).
▪ Local: atribuição para atuar em determinado local.
Resumindo...
QUANTO À
HIERARQUIA
INDEPENDENTES
NÃO estão hierarquicamente subordinados a
nenhum outro órgão, se sujeitando apenas ao
controle dos poderes estruturais do Estado
(Sistema de freios e contrapesos). Têm origem
na CF.
AUTÔNOMOS:
Órgãos imediatamente subordinados aos
órgãos independentes. São órgãos diretivos que
desempenham funções de coordenação,
planejamento, supervisão e controle. Possuem
autonomia administrativa e financeira (NÃO
possuem autonomia política).
SUPERIORES
NÃO possuem autonomia e independência,
embora conservem o Poder de decisão. Ou seja:
possuem apenas poder de decisão e controle
sobre assuntos específicos de sua competência.
SUBALTERNOS Órgão com reduzido poder de decisão,
destinado à mera execução de atividades
administrativas.
QUANTO À
ATUAÇÃO
SINGULAR
Atua pela manifestação de vontade de um único
agente.
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FUNCIONAL/MANIF
ESTAÇÃO DE
VONTADE
COLEGIADO (OU
PLURIPESSOAIS)
A tomada de decisão é feita de forma coletiva.
QUANTO À
ESTRUTURA
SIMPLES OU UNITÁRIO Atuam sozinhos (um único centro de
competência), sem subdivisões em seu interior.
COMPOSTO Há mais de um órgão atuando em sua estrutura.
QUANTO ÀS
FUNÇÕES
ATIVOS Responsáveis pela execução de atividades
administrativas.
CONSULTIVOS Exercem função de assessoramento.
DE CONTROLE Exercem função de fiscalização.
QUANTO AO
ÂMBITO DE
ATUAÇÃO
CENTRAL
Têm atribuição em toda a área da pessoa
jurídica que integram (federal, estadual e
municipal)
LOCAL
têm atribuição para atuar em determinado
local.
4. DESCENTRALIZAÇÃO
a) Descentralização Política: Feita pela CF, ao dividir a competência entre os entes federativos;
b) Descentralização Administrativa: Feita aos entes da administração indireta (descentralização
por outorga) e a particulares (descentralização por delegação).
Controle Finalístico (Vinculação/ Tutela administrativa/ Supervisão ministerial): É o controle pela
Administração Direta à pessoa política a qual é vinculada a Administração Indireta.
5. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA
5.1. Características
• Gozam de personalidade jurídica própria.
• Possuem patrimônio próprio. No momento da sua criação, a entidade responsável transfere parte de seu
patrimônio ao novo ente, o qual terá liberdade para usá-lo.
• Possuem capacidade de autoadministração (autonomia técnica + administrativa). Cuidado! Essa
capacidade de autoadministração NÃO significa que elas podem definir regras para se organizarem
(matéria já foi objeto de questão do CESPE).
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• Devem ter finalidade pública. NÃO poderão ter finalidade lucrativa, mas o lucro poderá ser uma
consequência da atividade.
• Sujeitas à supervisão ministerial (e NÃO ao poder hierárquico). Forma de controle que pode ocorrer por
meio de 3 hipóteses:
1) Controle Finalístico: deve-se assegurar que as entidades da Administração Indireta não estão
se desviando dos fins previstos nas leis instituidoras;
2) Controle Político: a Administração Direta pode nomear e exonerar livremente os dirigentes das
entidades administrativas. Exceção: dirigentes das agências reguladoras;
3) Controle Financeiro: exercido pelo Poder Legislativo com auxílio do TCU. Para a doutrina, além
das autarquias e fundações públicas, as estatais também se submetem ao controle financeiro,
desde que prestem serviço público.
• Necessidade de lei específica para criação das autarquias e autorização para criação dos demais entes da
administração indireta, neste caso, sendo imprescindível o registro dos atos constitutivos no cartório de
pessoas jurídicas ou na junta comercial para empresas estatais.
Art. 37, XIX - Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação,
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
OBS.: Criação de subsidiárias também exige lei.
⦁ NÃO precisa ser lei específica. A própria lei que institui a entidade pode autorizar.
⦁ A lei deve ser minuciosa, trazendo todas as áreas de atuação da entidade de forma específica
(princípio da especialidade). Já a organização pode ser feita através de ato administrativo.
CF, Art. 37, XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de
subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a
participação de qualquer delas em empresa privada;
Petrobrás pode criar subsidiárias e, em seguida, alienar o controle acionário delas
sem licitação e sem autorização legislativa específica. Caso concreto: a Petrobrás
elaborou um plano de desinvestimento por meio do qual ela decidiu vender 8
refinarias. Para isso, a Petrobrás criou subsidiárias que passaram a ser as
proprietárias dessas refinarias e, em seguida, o controle acionário dessas
subsidiárias será alienado, sem licitação e sem prévia autorização legislativa. Desse
modo, na prática, é como se a Petrobrás estivesse alienando as refinarias. O STF
afirmou que essa prática é legítima. A específica autorização legislativa somente é
obrigatória na hipótese de alienação do controle acionário de sociedade de
economia mista (empresa-mãe). Não há necessidade dessa prévia e específica
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anuência para a criação e posterior alienação de ativos da empresa subsidiária,
dentro de um elaborado plano de gestão de desinvestimento, voltado para
garantir maiores investimentos e, consequentemente, maior eficiência e eficácia
da empresa-mãe. Isso porque a inexistência de expressa proibição ou limitação de
alienação societária em relação à autorização legislativa genérica para a criação de
subsidiárias corresponde à concessão, pelo Congresso Nacional ao Poder Executivo,
de um importante instrumento de gestão empresarial, para garantir a eficiência e
a eficácia da sociedade de economia mista no cumprimento de suas finalidades
societárias. Portanto, na criação ou extinção de subsidiárias, o preceito maior de
gestão empresarial que deve ser seguido é garantir a melhor atuação, eficiência e
eficácia da empresa-mãe. STF. Plenário. Rcl 42576 MC/DF, rel. orig. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 30/9 e 1º/10/2020 (Info
993).
É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia
mista ou de empresa pública em programa de desestatização STF. Plenário. ADI
6241/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/2/2021 (Info 1004).
5.2 Entes da Administração Indireta
5.2.1 Autarquias
a) Conceito: São pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Indireta,
criadas por lei específica para o exercício de atividades típicas, próprias do Estado (ou seja: atividades que
só podem ser desempenhadas por pessoas jurídicas de direito público). Possuem regime muito semelhante
aos dos entes da Administração Direta. Ex.: INSS, INCRA, conselhos de classe, UF, IBAMA, BANCO CENTRAL,
autarquias territoriais, agências reguladoras, associações públicas de regime público (lei 11.107/05).
b) Características:
• NÃO possuem autonomia política, mas possuem autonomia financeira e de autorregulação.
• Possuem regime jurídico de Direito Público.
• São CRIADAS por lei específica (competência do chefe do Poder Executivo), através da
descentralização por outorga ou descentralização legal. (art. 37, XIX da CF).
Art. 37. (...) XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;
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• Possuem personalidade jurídica própria.
• Possuem patrimônio próprio.
• Bens autárquicos são bens públicos que, portanto, sujeitam-se à impenhorabilidade,
imprescritibilidade e inalienabilidade relativa.
• Praticam atos administrativos.
• Precisam fazer licitação quando firmarem contratos administrativos, podendo haver a
previsão de cláusulas exorbitantes.
• Sujeitas a controle financeiro do Tribunal de Contas.
• Sujeitas ao regime estatutário, razão pela qual NÃO se admite o ingresso de servidores
celetistas para a prestação dos serviços nos entes da administração direta, autárquica e
fundacional.
• Submetem-se ao regime de precatórios, SALVO os conselhos profissionais.
• Possuem imunidade tributária recíproca em relação aos IMPOSTOS.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda
e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
Atenção! A imunidade tributária recíproca das autarquias é chamada de
condicionada porque se limita aos patrimônios, rendas ou serviços que estejam
vinculados às suas finalidades essenciais ou sejam delas decorrentes.
• Possuem prerrogativas processuais. Ex.: prazo em dobro, reexame necessário.
Súmula 644, STF - Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a
apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo.
c) Responsabilidade Civil: As autarquias possuem responsabilidade civil objetiva, com fundamento
na Teoria do Risco Administrativo (art. 37, §6º, CF/88).
As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
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causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.
Por possuírem personalidade jurídica própria e patrimônio próprio, as autarquias respondem
diretamente com o seu patrimônio. No entanto, caso não consigam arcar, o Estado responde
subsidiariamente. Ou seja: há responsabilidade subsidiária do ente criador.
d) Regime Jurídico: Estatutário (art. 39, CF/88).
• Na promulgação da CF/88: Obrigatoriedade do regime jurídico único.
• Com a Reforma Administrativa (EC 19/98): Fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único.
• Decisão liminar do STF em ADI: Retorno da obrigatoriedade do RJU, liminar com efeitos ex
nunc.
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito
de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores
da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide
ADIN nº 2.135-4)
CONCLUSÃO:
Regime deve ser estatutário, SALVO contratações celetistas antes da decisão do STF e após a reforma
administrativa.
NÃO se admite o ingresso de servidores celetistas para a prestação dos serviços nos entes da administração
direta, autárquica e fundacional, pois são regidos pela Lei 8.112/90.
Consequências da adoção do regime estatutário:
• Exige concurso público;
• Submetem-se ao teto remuneratório;
• Submetem à proibição de cumulação de cargos.
e) Controle da Administração Indireta: A Administração indireta se submete a um controle
meramente finalístico, tendo em vista que NÃO HÁ SUBORDINAÇÃO ENTRE OS ENTES DA ADMINISTRAÇÃO
INDIRETA E A ADMINISTRAÇÃO DIRETA.
Estão sujeitas também ao controle financeiro do Tribunal de Contas.
f) Espécies de autarquias:
1. Autarquias profissionais (autarquias corporativas, corporações profissionais, conselhos
profissionais): Exercem atividade tipicamente pública de fiscalização sobre determinadas
categorias profissionais.
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▪ As anuidades são tributos.
▪ Atenção à jurisprudência sobre o tema (destacada abaixo).
2. Autarquias territoriais (art. 33 CF/88): É a manifestação da descentralização política com a
criação de territórios, razão pela qual, no Brasil, NÃO ostentam a qualidade de entes da
Administração indireta.
▪ Trata-se de desmembramento político.
3. Autarquias em regime especial
Subdividem-se nas seguintes espécies:
a. Autarquias culturais: Universidades Públicas.
▪ Autonomia pedagógica, didático-científica, administrativa e de gestão financeira e
patrimonial;
▪ Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;
▪ Escolha do reitor pelos docentes/ discentes;
▪ Mandato certo dos dirigentes.
b. Agências reguladoras: Criadas para controlar e fiscalizar as atividades de interesse da
sociedade e executadas por particulares ou até mesmo por entidades privadas da
Administração Indireta.Obs.: Parte da doutrina ainda menciona as Agências executivas e Associações públicas como espécies de
autarquia:
• Agências executivas: São as autarquias e fundações públicas que celebram contrato de gestão
com o intuito de melhorar sua eficiência e reduzir custos (art. 51 e 52 da Lei 9649/98).
• Associações públicas: Os consórcios públicos (art. 241, CF/88), quando se constituem na forma
de pessoa jurídica de direito público, assumem a forma de autarquia integrante da
Administração Indireta dos entes federativos consorciados.
Consórcio público de direito público: Assume a forma de ASSOCIAÇÃO PÚBLICA,
adquirindo a personalidade jurídica com a subscrição de protocolo de
intenções. Nesta hipótese, ele integra a Administração Pública Indireta de todos os
entes da federação que formam o consórcio.
Consórcio público de direito privado: Terá a forma de ASSOCIAÇÃO CIVIL e
será regido pelas normas do direito privado. Sua constituição depende, portanto,
da inscrição do ato constitutivo no registro civil de pessoas jurídicas.
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CESPE/CEBRASPE (2021): Se entes da federação celebrarem consórcio público para realização de
determinado objetivo de interesse comum, esse consórcio passará a integrar a administração indireta dos
entes envolvidos, seja qual for a personalidade jurídica adquirida. Item incorreto.
Fique atento às principais jurisprudências sobre o tema:
É inconstitucional a suspensão do exercício profissional em razão do
inadimplemento de anuidades devidas à entidade de classe. O Estatuto da OAB
(Lei nº 8.906/94) prevê que o advogado que deixar de pagar as contribuições
devidas à OAB (anuidades) pratica infração disciplinar (art. 34, XXIII, da Lei nº
8.906/94) e pode ser suspenso do exercício, ficando proibido de exercer a
advocacia enquanto não pagar integralmente a dívida, com correção monetária
(art. 37, § 2º). O STF entendeu que esses dispositivos são inconstitucionais porque
representam medida desproporcional que caracteriza sanção política, além de
ofender a livre iniciativa e a liberdade profissional. É inconstitucional a suspensão
realizada por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus
inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em sanção
política em matéria tributária. STF. Plenário. RE 647885, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 27/04/2020 (Repercussão Geral – Tema 732) (Info 978). (MUITO
IMPORTANTE!)
É inconstitucional lei estadual que obrigue a participação de representante da
seccional da OAB em órgão colegiado da Administração Pública estadual. É
possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB,
um representante da Ordem para integrar órgão da Administração. Isso é válido.
No entanto, a lei não pode impor a presença de representante da OAB (“autarquia
federal”) em órgão da Administração Pública local. STF. Plenário. ADI 4579/RJ, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 13/2/2020 (Info 966).
Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios. Os
pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de
Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de
precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861). (MUITO
IMPORTANTE!)
Anuidade da OAB tem natureza tributária? Os Tribunais Superiores divergem
sobre o tema: STJ: NÃO. Os créditos decorrentes da relação jurídica travada entre
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a OAB e os advogados não compõem o erário e, consequentemente, não têm
natureza tributária. STJ. 1ª Turma. REsp 1574642/SC, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 16/02/2016. STF: SIM. As anuidades cobradas pelos conselhos
profissionais caracterizam-se como tributos da espécie contribuições de interesse
das categorias profissionais, nos termos do art. 149 da Constituição da República.
STF. Plenário. RE 647885, Rel. Edson Fachin, julgado em 27/04/2020. (MUITO
IMPORTANTE!)
Os conselhos profissionais gozam das prerrogativas processuais da Fazenda
Pública. Os Conselhos de Fiscalização Profissional detêm natureza jurídica de
autarquias e, dessa forma, possuem as prerrogativas processuais conferidas à
Fazenda Pública. STJ. 2a Turma. AgRg no Ag 1388776/RJ, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 07/06/2011. Exceção: Os pagamentos devidos, em razão de
pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN,
CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel.
orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017
(repercussão geral) (Info 861).
Para que o Conselho Profissional demita um servidor seu, é necessário processo
administrativo? SIM. Como os Conselhos de Fiscalização Profissional têm natureza
jurídica de autarquia, devem ser aplicados aos seus servidores os art. 41 da CF/88
e 19 do ADCT, razão pela qual não podem ser demitidos sem a prévia instauração
de processo administrativo. Assim, o servidor de órgão de fiscalização profissional
não pode ser demitido sem a prévia instauração de processo administrativo
disciplinar. STF. 2ª Turma. RE 838648 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
07/04/2015. Exceção: OAB (STF ADI 3026).
Os Conselhos Profissionais, para contratarem "funcionários", precisam fazer
concurso público? SIM. Como os Conselhos Profissionais são autarquias exercendo
uma atividade tipicamente pública (fiscalização do exercício profissional), precisam
respeitar a regra do art. 37, II, da CF/88, que exige concurso público para a
contratação de servidores. Assim, quando os Conselhos de Fiscalização Profissional
vão fazer a contratação de seu pessoal é imprescindível a realização de concurso
público. STF. 1ª Turma. MS 28469, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/06/2015. STF.
2ª Turma. RE 758168 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/06/2014.
Exceção: OAB. O STF decidiu que a OAB, quando vai contratar seus empregados,
não precisa realizar concurso público (STF ADI 3026).
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Contratação de empregados de conselhos profissionais pela CLT é constitucional.
O art. 58, § 3º da Lei nº 9.649/98 prevê o seguinte: § 3º Os empregados dos
conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são regidos pela legislação
trabalhista, sendo vedada qualquer forma de transposição, transferência ou
deslocamento para o quadro da Administração Pública direta ou indireta. Essa
previsão é constitucional. Os Conselhos Profissionais, enquanto autarquias
corporativas criadas por lei com outorga para o exercício de atividade típica do
Estado, tem maior grau de autonomia administrativa e financeira, constituindo
espécie sui generis de pessoa jurídica de direito público não estatal, a qual não se
aplica a obrigatoriedade do regime jurídico único preconizado pelo art. 39 da CF/88
(regime jurídico único). Em razão da natureza peculiar dos Conselhos Profissionais,
permite-se o afastamento de algumas das regras ordinárias impostas às pessoas
jurídicas de direito público. STF. Plenário. ADC 36, Rel. Cármen Lúcia, Rel. p/
Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em 08/09/2020. (MUITO IMPORTANTE!)
Os Conselhos Profissionais estão submetidos à fiscalização do Tribunal de Contas?
SIM. Por serem autarquias federais, os Conselhos Profissionais têm o dever de
prestar contas ao Tribunal de Contas da União (art. 71, II, CF/88). STF. MS 28469
AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Luiz Fux, julgado
em 19/02/2013. Exceção: OAB (STF ADI 3026). (MUITO IMPORTANTE!)
Treinador ou instrutor de tênis não precisaser inscrito no Conselho Regional de
Educação Física. O exercício da atividade de treinador ou de instrutor de tênis não
exige o registro no Conselho Regional de Educação Física. STJ. 2ª Turma. AgInt no
REsp 1767702-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 29/06/2020 (Info 677).
Jurisprudência em Teses do STJ
EDIÇÃO N. 135: CONSELHOS PROFISSIONAIS - I
1) Os conselhos de fiscalização profissionais possuem natureza jurídica de
autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime jurídico de direito público.
2) Com a suspensão da redação dada pela Emenda Constitucional n. 19/1998
ao caput do art. 39 da Constituição Federal de 1988, no julgamento da Medida
Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 2.135/DF, o regime jurídico
dos conselhos profissionais deve ser, obrigatoriamente, o estatutário
(ATENÇÃO! Verifique a conclusão do STF no julgamento da ADC 36).
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139
3) Os servidores dos conselhos de fiscalização profissional submetem-se ao
regime jurídico único, de modo que a aposentadoria ocorrida após a publicação
das decisões proferidas nas ADI n. 1.717/DF e ADI n. 2.135/DF, esta última em
sede de liminar, segue o regime estatutário.
4) Os conselhos de fiscalização profissionais não podem registrar seus veículos
como oficiais porque compõem a administração pública indireta e o §1º do art.
120 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB autoriza apenas o registro de veículos
oficiais da administração direta.
5) Os conselhos profissionais têm poder de polícia para fiscalizar as profissões
regulamentadas, inclusive no que concerne à cobrança de anuidades e à
aplicação de sanções.
6) A partir da vigência da Lei n. 12.514/2011, o fato gerador para a cobrança de
anuidades de órgão de fiscalização profissional é o registro no conselho e não
mais o efetivo exercício da profissão.
7) As anuidades devidas aos conselhos profissionais constituem contribuição de
interesse das categorias profissionais, de natureza tributária, sujeita a
lançamento de ofício.
8) O prazo prescricional para cobrança de anuidades pagas aos conselhos
profissionais tem início somente quando o total da dívida inscrita atingir o valor
mínimo correspondente a 4 (quatro) anuidades, conforme disposto no art. 8º da
Lei n. 12.514/2011.
9) A Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, embora possua natureza jurídica
especialíssima, submete-se ao disposto no art. 8º da Lei n. 12.514/2011, que
determina que os conselhos de classe somente executarão dívida de anuidade
quando o total do valor inscrito atingir o montante mínimo correspondente a 4
(quatro) anuidades.
10) Compete a Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por
Conselho de Fiscalização Profissional. (Súmula n. 66/STJ)
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11) Não se aplica o art. 20 da Lei n. 10.552/2002, que determina o arquivamento
provisório das execuções de pequeno valor, às execuções fiscais propostas pelos
conselhos regionais de fiscalização profissional.
12) Em execução fiscal ajuizada por conselho de fiscalização profissional, seu
representante judicial possui a prerrogativa de ser pessoalmente intimado.
(Recurso Repetitivo - Tema 580)
Jurisprudência em Teses do STJ
EDIÇÃO N. 136: CONSELHOS PROFISSIONAIS - II
1) O registro no conselho de fiscalização profissional está vinculado à atividade
básica ou à natureza dos serviços prestados pela empresa, por força do que
dispõe o art. 1º da Lei n. 6.839/1980.
2) A atividade fiscalizatória exercida pelos conselhos profissionais, decorrente
da delegação do poder de polícia, está inserida no âmbito do direito
administrativo, não podendo ser considerada relação de trabalho e, de
consequência, não está incluída na esfera de competência da Justiça Trabalhista.
3) O benefício da isenção do preparo, conferido aos entes públicos previstos no
art. 4º, caput, da Lei n. 9.289/1996, é inaplicável aos conselhos de fiscalização
profissional. (Recurso Repetitivo - Tema 625).
4) A atividade de músico é manifestação artística protegida pela garantia da
liberdade de expressão, de modo que a exigência de inscrição na Ordem dos
Músicos do Brasil - OMB, bem como de pagamento de anuidade para o exercício
de tal profissão, torna-se incompatível com a Constituição Federal de 1988.
5) As empresas de factoring convencional não precisam ser registradas nos
conselhos regionais de administração, visto que suas atividades são de natureza
eminentemente mercantil, ou seja, não envolvem gestões estratégicas, técnicas
e programas de execução voltados a um objetivo e ao desenvolvimento de
empresa.
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6) O exame de suficiência instituído pela Lei n. 12.249/2010, que alterou o art.
12, § 2º, do Decreto-Lei n. 9.295/1946, será exigido de contadores e de técnicos
em contabilidade que completarem o curso após a vigência daquela lei.
7) O ato do Conselho de Contabilidade, que requisita dos contadores e dos
técnicos livros e fichas contábeis de seus clientes, não viola os princípios da
privacidade e do sigilo profissional, já que visa à fiscalização da atividade
contábil dos profissionais nele inscritos.
8) Os Conselhos Regionais de Farmácia possuem atribuição para fiscalizar e
autuar as farmácias e as drogarias quanto ao cumprimento da exigência de
manter profissional legalmente habilitado (farmacêutico) durante todo o
período de funcionamento dos respectivos estabelecimentos. (Súmula n.
561/STJ) (Recurso Repetitivo - Tema 715)
9) É facultado aos técnicos de farmácia, regularmente inscritos no Conselho
Regional de Farmácia, a assunção de responsabilidade técnica por drogaria,
independentemente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 15, § 3º,
da Lei n. 5.991/1973, c/c o art. 28 do Decreto n. 74.170/1974, entendimento
que deve ser aplicado até a entrada em vigor da Lei n. 13.021/2014. (Recurso
Repetitivo - Tema 727)
10) Não estão sujeitas a registro perante o respectivo Conselho Regional de
Medicina Veterinária, nem à contratação de profissionais nele inscritos como
responsáveis técnicos, as pessoas jurídicas que explorem as atividades de
comercialização de animais vivos e de venda de medicamentos veterinários,
pois não são atividades reservadas à atuação privativa de médico veterinário.
11) Não há comando normativo que obrigue a inscrição de professores e de
mestres de artes marciais, ou mesmo de danças, de capoeira e de ioga, nos
Conselhos de Educação Física, porquanto, à luz do que dispõe o art. 3º da Lei n.
9.696/1998, essas atividades não são próprias dos profissionais de educação
física.
12) O registro de restaurantes e de bares no Conselho Regional de Nutrição e a
presença de profissional técnico (nutricionista) não são obrigatórios, pois a
atividade básica desses estabelecimentos não é a fabricação de alimentos
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142
destinados ao consumo humano (art. 18 do Decreto n. 84. 444/1980), nem se
aproxima do conceito de saúde trazido pela legislação específica.
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCPR 2021): Os Conselhos de Fiscalização Profissional detêm natureza jurídica de autarquias,
cabendo-lhes prazo em dobro para recorrer em processos judiciais (item considerado correto).
5.2.2 Agências Reguladoras
a) Origem: De inspiração norte-americana, foram instituídas no Brasil a partir da década de 90, para
estabelecer novo modelo regulatório brasileiro.
b) Definição: São autarquias com regime jurídico especial, dotadas de autonomia reforçada em relação
ao ente central, com base em dois fundamentos:• Despolitização (desgovernamentalização): busca retirar do âmbito político e conferir um
tratamento técnico ao setor regulado (o que acarreta, consequentemente, maior segurança
jurídica).
• Necessidade de celeridade na regulação de determinadas atividades técnicas: teoricamente,
a agência reguladora, quando baixa normas para o setor, teria maior velocidade para se
adaptar à realidade econômica e tecnológica do setor, o que muda rapidamente.
c) Funções: Exercem funções executivas, normativas e judicantes de Estado, NÃO desempenhando
funções de governo. Podem exercer as seguintes atividades:
∘ Administrativas clássicas. Ex: Poder de Polícia;
∘ Poder normativo;
∘ Judicante, resolvendo conflitos entre os judicados.
d) Características:
✓ AUTONOMIA ADMINISTRATIVA:
∘ Nomeação diferenciada dos dirigentes – Nomeados pelo Presidente da República após
aprovação prévia do Senado para cumprir mandato certo (demais autarquias: demissíveis
ad nutum e comissionados);
▪ Obs.1: NÃO é possível exigir a aprovação prévia do Senado para a exoneração dos
dirigentes.
▪ Obs.2: NÃO se submetem à exoneração ad nutum.
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∘ Período de quarentena dos dirigentes (art. 8º da Lei 9986/2000, com redação dada pela
Lei 13.848/2019) – Durante o prazo de 6 meses ficam impedidos de exercer atividade no
setor regulado, contados da exoneração ou término do mandato, sendo assegurada
remuneração compensatória.
▪ Lei específica pode estabelecer prazo diferenciado. Ex.: 01 ano para ANEEL, ANS,
ANP. Nesse período, ficará o antigo dirigente vinculado à agência, fazendo jus à
remuneração compensatória equivalente à do cargo que exerceu.
Art. 8º Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada ficam impedidos
de exercer atividade ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela
respectiva agência, por período de 6 (seis) meses, contados da exoneração ou do
término de seu mandato, assegurada a remuneração compensatória.
∘ Estabilidade forçada dos dirigentes - É estabilidade diferenciada. Possuem mandato
certo de 5 anos, vedada a recondução. (Art. 6º, Lei 9986/2000)
▪ Obs.: Antes da Lei 13.848/2019, que alterou a redação do art. 6º da Lei 9986, o
mandato dos dirigentes não poderia ultrapassar o mandato do presidente. Com
a novel lei, o mandato passou a ter prazo certo de 5 anos, não coincidindo mais
com mandato presidencial, justamente para conferir mais autonomia técnica à
agência.
Art. 6º O mandato dos membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada das
agências reguladoras será de 5 (cinco) anos, vedada a recondução, ressalvada a
hipótese do § 7º do art. 5º. (Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019) Vigência
Parágrafo único. Em caso de vacância no curso do mandato, este será completado
por sucessor investido na forma prevista no art. 5o.
✓ AUTONOMIA DECISÓRIA:
∘ Impossibilidade de manejar recurso hierárquico impróprio - O objetivo é assegurar que
a decisão final na esfera administrativa seja da autarquia, em razão da sua autonomia
decisória. Ressalta-se que a impossibilidade de manejar recurso hierárquico impróprio
não afasta a apreciação pelo Poder Judiciário.
Enunciado 25 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ - A ausência de tutela
a que se refere o art. 3º, caput, da Lei 13.848/2019 impede a interposição de
recurso hierárquico impróprio contra decisões finais proferidas pela diretoria
colegiada das agências reguladoras, ressalvados os casos de previsão legal expressa
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9986.htm#art8..
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13848.htm#art42
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13848.htm#art53
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/142536b9b535b78e681c11b0195d962f?categoria=2&subcategoria=15&ano=2020
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e assegurada, em todo caso, a apreciação judicial, em atenção ao disposto no art.
5º, XXXV, da Constituição Federal.
✓ AUTONOMIA FINANCEIRA:
∘ Possuem recursos próprios e recebem dotações orçamentárias:
▪ Recursos próprios - Podem instituir as taxas regulatórias;
▪ Recebimento de dotações orçamentárias - Enviam proposta orçamentária ao
Ministério ao qual estão vinculadas, para receber recursos que serão geridos pela
própria agência reguladora.
APROFUNDANDO PARA PROVAS DISCURSIVAS:
Qual a natureza jurídica das taxas regulatórias?
1ª Corrente (JSCF): É uma espécie de tributo. Assim, será criada por lei (pela lei da agência), tem
compulsoriedade e tem fato gerador da taxa de poder de polícia. A agência reguladora exerce poder de
polícia nesse setor. Não é taxa de serviço, pois quem presta o serviço é o particular.
2ª corrente (Alexandre de Aragão): Depende da natureza da agência. Se for uma agência que regula a
atividade econômica (ex. ANCINE), a taxa tem natureza tributária. Se a agência regula o serviço público
concedido, ela apenas fiscaliza o cumprimento de um contrato administrativo (energia, telecomunicações),
haverá um poder disciplinar e terá natureza jurídica de um preço contratual/preço público.
✓ AUTONOMIA NORMATIVA: Gozam de poder normativo/regulatório.
∘ O fundamento do poder normativo das agências reguladoras baseia-se na técnica da
deslegalização ou delegificação, segundo a qual o próprio legislador retira
determinadas matérias do âmbito da lei e as passa para o âmbito do regulamento. Nesse
caso, por se tratarem de matérias tão específicas de ordem técnica, elas não poderiam
ser disciplinadas pela lei.
∘ NÃO é poder legislativo, devendo se ater a aspectos técnicos, subalternos à lei.
∘ As agências reguladoras NÃO inovam no ordenamento jurídico, ou seja, NÃO expedem
atos normativos primários.
∘ O Poder Normativo só obriga o prestador de serviços, jamais o particular.
CUIDADO: não se trata de poder regulamentar!
Vamos aprofundar um pouco?
Podemos fazer a distinção entre atos regulatórios e atos regulamentares. Nem todos os autores fazem
essa distinção. Para Rafael Oliveira, temos 03 diferenças entre os dois termos.
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A primeira diferença se refere ao fundamento normativo. Quando a CRFB/88 fala em regulação, ela traz o
art. 174. Não é a única norma, claro! Contudo, o art. 174 fala do Estado regulador (aparece também no art.
21, inc. XI e art. 177). Já a expressão regulamentação aparece no art. 84, inc. IV, da CRFB/88 (competências
privativas do chefe do executivo). Assim, compete privativamente ao chefe do executivo editar decretos e
regulamentos para a fiel execução da lei.
A segunda diferença se refere ao responsável pela atividade. Na regulação, a grande protagonista é a
agência reguladora. Claro que não é apenas a agência reguladora que regula. Pois, o art. 174 da CRFB/88
diz que o Estado tem que regular a economia e essa regulação vai ser definida na forma da lei. Logo, não diz
que a regulação é feita apenas e exclusivamente por agências reguladoras. Todavia, pelo cenário normativo
de hoje e pelas diversas agências reguladoras que foram criadas, basicamente, a regulação será exercida
por agências reguladoras. Claro que há outras entidades parecidas com as agências reguladoras que vão
exercer atividade similar à regulação. Ex. CVM, Bacen, que são autarquias, mas são muito parecidas com as
agências reguladoras. Por outro lado, em relação à regulamentação, esta trata-se de competência privativa
do chefe do executivo (presidente, governadores de Estado e prefeitos). Assim, os atos regulamentares são
exercidos pelo chefe do executivo. Só o chefe do executivo pode baixar decreto regulamentar.
A terceira diferença é o caráter. Na regulação, a atividade regulatóriatem caráter predominantemente
técnico. A regulação é exercida especialmente por agências reguladoras. Logo, é uma autarquia composta
por agentes públicos (concursados ou por cargos em comissão) que teoricamente possuem maior expertise
naquele setor regulado. Dessa forma, é uma atividade predominantemente técnica, sendo exercida por
pessoas que tem conhecimento naquele setor regulado. Já a regulamentação seria uma atividade
essencialmente política, visto ser exercida privativamente pelo chefe do executivo.
Diferenças REGULAÇÃO REGULAMENTAÇÃO
Fundamento normativo O art. 174 da CRFB/88 fala do
Estado regulador.
Aparece no art. 84, inc. IV, da
CRFB/88.
Responsável pela atividade A grande protagonista é a agência
reguladora.
É de competência privativa do
chefe do executivo.
Caráter A atividade regulatória tem
caráter predominantemente
técnico.
É uma atividade essencialmente
política.
e) Poder normativo e deslegalização: A legislação confere autonomia às agências reguladoras para
editar atos administrativos normativos, dotados de conteúdo técnico e respeitados os parâmetros
legais no setor regulado. Há controvérsias em relação à constitucionalidade, existindo duas
correntes:
• 1ª Corrente: Inconstitucionalidade do poder normativo amplo das agências reguladoras, por
violar a separação de poderes e a legalidade, sendo vedada a criação de direito e obrigações
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por meio de atos regulatórios editados com fundamento em delegação legislativa inominada.
Celso Antônio e Di Pietro (Di Pietro só excepciona dessa vedação a ANATEL e ANP, por possuir
previsão constitucional)
• 2ª Corrente: Constitucionalidade do poder normativo técnico ampliado reconhecido às
agências reguladoras que poderão editar atos normativos, em razão da deslegalização, que
constitui o fundamento normativo desse poder. José dos Santos, Diogo de Figueiredo.
DESLEGALIZAÇÃO (DELEGIFICAÇÃO) /DESLEGIFERAÇÃO/ REBAIXAMENTO DO GRAU HIERÁRQUICO
LEGISLATIVO
É a retirada, pelo próprio legislador, de certas matérias do domínio da lei, passando-as ao domínio do
regulamento.
Com a deslegalização, opera-se uma degradação da hierarquia normativa de determinada matéria que, por
opção do legislador, deixa de ser regulada por lei e passa para a seara do ato administrativo normativo.
A lei deslegalizadora NÃO chega a determinar o conteúdo material da futura normatização administrativa,
limitando-se a estabelecer standards e princípios a ser respeitados na atividade administrativo- normativa.
Limites constitucionais à deslegalização:
a) Casos de reserva legislativa específica previstos na CF, que devem ser veiculados por lei formal;
b) Matérias a serem reguladas por lei complementar NÃO admitem deslegalização, pois são reservas
legislativas específicas.
Agências Reguladoras Estaduais → Na ADI 1949/RS, entendeu o STF:
Constitucional a nomeação de dirigentes, possuindo como etapas prévias a
indicação do Governador do Estado e aprovação pela Assembleia Legislativa =>
Modelo simétrico ao previsto na CF/88;
Inconstitucionalidade da exoneração dos dirigentes ANTES do termo final, por
decisão da Assembleia Legislativa, por alijar a participação do executivo.
ATENÇÃO! FENÔMENO DA CAPTURA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
A "captura" descreve a situação em que o ente regulador passa a atuar sem imparcialidade, favorecendo
sistematicamente uma das partes envolvidas com a atividade regulada ou passa a ser uma estrutura
inoperante, meramente figurativa. Pode significar o risco de concussão (corrupção dos dirigentes), como
também, a captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores e
interesses do regulado, como se fossem interesses da coletividade, a captura por insuficiência de meios, que
ocorre quando a atuação do agente regulador é inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos
e a captura pelo poder político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de
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assegurar a efetiva autonomia da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente dos interesses
políticos-partidários dos governantes.
Fique de olho nas jurisprudências mais importantes sobre o tema:
É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e insumos em
caso de violação da legislação ou de risco iminente à saúde, inclusive cigarros com
sabor e aroma. É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem
que compete à ANVISA: III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as
políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; XV - proibir a fabricação, a
importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e
insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde;
Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta agência
reguladora, sendo importante instrumento para a implementação das diretrizes,
finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação setorial.
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC
14/2012-ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e
aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante.
Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com
ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e
pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e
Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a
Resolução e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido
e que continuam valendo. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 1º/2/2018 (Info 889).
Multas previstas em resoluções criadas por agências reguladoras. Não há violação
do princípio da legalidade na aplicação de multa previstas em resoluções criadas
por agências reguladoras, haja vista que elas foram criadas no intuito de regular,
em sentido amplo, os serviços públicos, havendo previsão na legislação ordinária
delegando à agência reguladora competência para a edição de normas e
regulamentos no seu âmbito de atuação. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 825776/SC,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/04/2016.
Nomeação e destituição de dirigentes de agências reguladoras e prévia aprovação
da ALE. É CONSTITUCIONAL lei estadual que prevê que os dirigentes de
determinada agência reguladora somente poderão ser nomeados após
previamente aprovados pela Assembleia Legislativa. Por outro lado, é
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INCONSTITUCIONAL a lei estadual que estabelece que os dirigentes de agência
reguladora somente poderão ser destituídos de seus cargos por decisão exclusiva
da Assembleia Legislativa, sem qualquer participação do Governador do Estado.
Essa previsão viola o princípio da separação dos poderes (at. 2º da CF/88). STF.
Plenário. ADI 1949/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/9/2014 (Info 759).
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCBA 2022): A agência reguladora, por decisão colegiada, poderá convocar audiência pública
para
formaçãode juízo e tomada de decisão sobre matéria considerada relevante (item considerado correto).
5.2.3 Agências Executivas
a) Conceito: É uma autarquia ou fundação que recebeu esta qualificação por ter celebrado um contrato
de gestão com a Administração Pública (art. 37, §8º, CF/88) e por possuir um plano de reestruturação
(art. 51 da Lei nº 9.649/98).
Art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e
entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante
contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha
por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo
à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Atenção! A Lei 13.934/2019 regulamenta o contrato de desempenho, previsto
no § 8º do art. 37 da Constituição Federal.
Há muitas autarquias e fundações ineficientes, de modo que o contrato de gestão é uma tentativa
de modernização.
São exemplos de agências executivas: INMETRO e SUDENE.
b) Requisitos:
i. Autarquia ou fundação ter plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento em
andamento;
ii. Celebração de contrato de gestão com Ministério Supervisor com periodicidade mínima de 01
ano.
Obs.1: O Presidente da República expede decreto, concedendo a qualidade de agência executiva.
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Obs.2: A desqualificação da fundação como agência executiva é realizada por decreto, por iniciativa
do Ministério Supervisor.
c) Características
• Gozam de dispensa de licitação para celebração de contratos nos limites de valor estabelecidos
no art. 75, I e II c/c §2º, Lei 14.133/21.
• Pode ter natureza de autarquia ou de fundação pública.
• É uma autarquia ou fundação que temporariamente será agência executiva, enquanto durar o
contrato de gestão. É apenas um status temporário. Não se pode falar em conversão, mas mera
qualificação (José dos Santos).
• Busca mais eficiência e redução de custos.
5.2.4 Fundações Públicas
a) Definição: Pessoas jurídicas sem fins lucrativos, cujo elemento essencial é a utilização do patrimônio
para a satisfação de objetivos sociais, definidos pelo instituidor.
Em outras palavras: a fundação é um patrimônio afetado (destinado) à realização de um fim,
possuindo, por essa razão, personalidade jurídica própria distinta de seu instituidor. Desse modo, o
instituidor da fundação separa (destaca) um determinado patrimônio (dinheiro, imóveis, créditos etc.)
declarando que esses bens serão utilizados para a realização de um objetivo específico.
b) Criação:
• Fundações públicas de direito público - são criadas por lei ordinária específica, mas seu objeto
de atuação deve ser definido por lei complementar.
• Fundações públicas de direito privado - a criação é autorizada por lei ordinária específica, sendo
criadas após o registro no cartório competente, mas seu objeto de atuação deve ser definido
por lei complementar.
Art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação,
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
c) Possuem regime híbrido ou misto:
• Direito Público: Autarquias fundacionais cuja criação ocorre por lei específica.
• Direito Privado: Fundações governamentais (regime híbrido ou misto) cuja criação é autorizada
por lei.
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OBS.1: Para Celso Antônio as fundações são pura e simplesmente autarquias.
OBS.2: Para Rafael Oliveira a ausência de lucro NÃO afasta a necessidade de eficiência por parte da
entidade. Na hipótese de resultados financeiros positivos, quando os créditos superam as despesas, os
valores, considerados superávit (e não lucro), deverão ser reinvestidos nas finalidades da entidade, não
sendo permitida a sua distribuição ou repartição entre seus administradores.
Quadro via @DizeroDireito:
FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PÚBLICO FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PRIVADO
Estão sujeitas ao regime público. Estão sujeitas ao regime privado.
São criadas por lei específica (são uma espécie de
autarquia, por isso também chamadas de
“fundações autárquicas”).
Deve ser editada uma lei específica autorizando que
o Poder Público crie a fundação. Em seguida, será
necessário fazer a inscrição do estatuto dessa
fundação no Registro Civil de Pessoas Jurídicas,
quando, então, ela adquire personalidade jurídica.
d) Atividade:
• Fundação Pública de Direito Público: atividades típicas de Estado;
• Fundação Pública de Direito Privado: atividades de conteúdo econômico passíveis de
delegação.
e) Patrimônio:
• Fundação Pública de Direito Público: bens públicos;
• Fundação Pública de Direito Privado: bens privados (em regra).
Obs.: Bens privados afetados ao serviço público, ou seja, empregados diretamente na
prestação de serviços públicos, sujeitam-se às regras de direito público.
f) Regime de pessoal:
• Fundação Pública de Direito Público: Estatutário;
• Fundação Pública de Direito Privado: Celetista.
Obs.: Ambas se sujeitam à vedação ao acúmulo de cargos; necessidade de realizar concurso
público; teto remuneratório previsto na CF/88.
Fundação pública com personalidade jurídica de direito privado pode adotar o
regime celetista para contratação de seus empregados. É constitucional a
legislação estadual que determina que o regime jurídico celetista incide sobre as
relações de trabalho estabelecidas no âmbito de fundações públicas, com
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personalidade jurídica de direito privado, destinadas à prestação de serviços de
saúde. STF. Plenário. ADI 4247/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 3/11/2020
(Info 997).
Observações importantes:
▪ Tanto as fundações públicas de direito público quanto as de direito privado possuem imunidade
tributária de impostos sobre rendas, bens ou serviços, conforme dispõe o artigo 150, inciso VI, alínea
“a” e §2º, da Constituição Federal.
▪ Somente as fundações públicas de direito público:
Possuem prerrogativas processuais;
Submetem-se ao regime de precatório.
▪ As fundações estatais NÃO se submetem ao controle do MP, pois a previsão do art. 66 do CC refere-
se, exclusivamente, às fundações privadas, instituídas por particulares, bem como o DL 200/67 afasta
a aplicação do CC às fundações estatais.
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime público ou
privado, a depender do estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas.
A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime
público ou privado depende: i) do estatuto de sua criação ou autorização e ii) das
atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis
de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa
seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime
jurídico de direito privado. STF. Plenário.RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).
As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas
processuais. A isenção das custas processuais somente se aplica para as entidades
com personalidade de direito público. Dessa forma, para as Fundações Públicas
receberem tratamento semelhante ao conferidoaos entes da Administração Direta
é necessário que tenham natureza jurídica de direito público, que se adquire no
momento de sua criação, decorrente da própria lei. STJ. 4ª Turma. REsp 1.409.199-
SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/03/2020 (Info 676)
5.3 Empresas Estatais (Lei 13.303/2016)
a) Conceito
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As Empresas Públicas (EP) e Sociedades de Economia Mista (SEM) são pessoas jurídicas de direito
privado integrantes da Administração Pública Indireta.
São regidas por um regime predominantemente privado, chamado por alguns de regime híbrido, sui
generis. Isso porque, por mais que sejam influenciadas pelo regime privado, possuem características do
regime de direito público.
Obs.: NÃO serão titulares de serviço, recebendo apenas sua descentralização para a execução (NÃO há
outorga do serviço).
A Lei 13.303/16 estabelece o estatuto jurídico das empresas estatais (empresas públicas, SEM e suas
subsidiárias e demais empresas privadas controladas pelo Estado). O diploma normativo regulamenta o art.
173, §1º, da CRFB/88, que impõe a fixação, por meio de estatuto (lei ordinária), de regras sobre licitações e
contratos, questões societárias, a função social das estatais e sua fiscalização pelo poder público e pela
sociedade civil, aplicação das mesmas normas de direito privado às empresas estatais, no que couber. Assim,
foi editada a Lei 13.303/16.
Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito
privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social
é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios.
Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em
propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será
admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas
de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica
de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos
Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração
indireta.
§1º A pessoa jurídica que controla a sociedade de economia mista tem os deveres
e as responsabilidades do acionista controlador, estabelecidos na Lei nº 6.404, de
15 de dezembro de 1976, e deverá exercer o poder de controle no interesse da
companhia, respeitado o interesse público que justificou sua criação.
§2º Além das normas previstas nesta Lei, a sociedade de economia mista com
registro na Comissão de Valores Mobiliários sujeita-se às disposições da Lei no
6.385, de 7 de dezembro de 1976.
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b) Criação das Estatais
Em regra, a estatal precisa de lei autorizativa para a sua criação, bem como para a criação de suas
subsidiárias e participação em outras empresas privadas. Há algumas exceções previstas no §3º. Isso é
basicamente uma repetição do art. 37, XIX e XX, da CRFB/88.
Art. 37, XIX, CRFB/88 - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e
de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de
sua atuação;
O art. 37, XIX, da CRFB/88 define que somente por lei específica poderá ser autorizada a instituição
de estatais. Havia uma controvérsia quanto à parte final desse inciso, que determina que “cabe à Lei
Complementar definir as áreas de sua atuação”. Nunca houve polêmica que lei ordinária específica vai criar
autarquia. Em regra, a lei vai autorizar a criação de estatais.
Contudo, o que significa “neste último caso”? Parte da doutrina entendia que essa ressalva apenas
se aplicaria às fundações e outros entendiam que a lei complementar também definiria área de atuação das
empresas estatais, além das fundações.
A tese majoritária sempre foi no sentido que a expressão “neste último caso” apenas se refere às
fundações (Rafael Oliveira). Logo, a própria lei ordinária que autoriza a criação da estatal já define qual vai
ser a sua área de atuação, não necessitando de lei complementar. A própria Lei 13.303/16 não exige lei
complementar, apenas lei.
Ressalta-se que, quanto às empresas subsidiárias, o STF entende pacificamente que não seria
necessária uma lei específica autorizando a criação de cada subsidiária, bastando uma autorização legal
genérica. Vale lembrar, contudo, que é necessária uma lei específica para a criação de cada estatal
(“empresa-mãe”).
(...) 2. É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas
subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a
empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria
medida autorizadora. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente.
STF. Plenário. ADI 1649, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgado em 24/03/2004.
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia
mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige
autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias e
controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de
licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da
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administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeitada, sempre, a exigência
de necessária competitividade. STF. Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943).
Petrobrás pode criar subsidiárias e, em seguida, alienar o controle acionário delas
sem licitação e sem autorização legislativa específica. (...) A específica autorização
legislativa somente é obrigatória na hipótese de alienação do controle acionário de
sociedade de economia mista (empresa-mãe). Não há necessidade dessa prévia e
específica anuência para a criação e posterior alienação de ativos da empresa
subsidiária, dentro de um elaborado plano de gestão de desinvestimento, voltado
para garantir maiores investimentos e, consequentemente, maior eficiência e
eficácia da empresa-mãe. (Info 993)
É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia
mista ou de empresa pública em programa de desestatização. O art. 37, XIX, da
CF/88 afirma que é necessária a edição de uma lei específica para se autorizar a
instituição de uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. Para que
ocorra a desestatização da empresa estatal também necessária lei específica ou
basta uma autorização genérica prevista em lei que veicule programa de
desestatização? A Lei nº 9.491/97 tratou sobre o Programa Nacional de
Desestatização e autorizou a desestatização de empresas estatais. Essa lei genérica
é suficiente? Em regra, sim. É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão
de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de
desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em
alguns casos a lei que autorizou a criação da empresa estatal afirmou
expressamente que seria necessária lei específica para sua extinção ou
privatização. Nesses casos,obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não
basta a Lei nº 9.491/97), sendo necessária lei específica. STF. Plenário. ADI 6241/DF,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/2/2021 (Info 1004).
c) Finalidades: Pode ter duas finalidades:
1) Prestadora de serviço público;
2) Exploradora de atividade econômica.
Enunciado 8 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ - O exercício da função
social das empresas estatais é condicionado ao atendimento da sua finalidade
pública específica e deve levar em conta os padrões de eficiência exigidos das
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sociedades empresárias atuantes no mercado, conforme delimitações e
orientações dos §§ 1º a 3º do art. 27 da Lei 13.303/2016.
d) Capital:
• Empresas Públicas: capital 100% público;
• Sociedade de Economia Mista: capital misto (maior parte público).
e) Forma Societária:
• Empresas Públicas: Qualquer forma societária. Há a possibilidade, inclusive, de empresas com um
único sócio, a exemplo da CEF (exceção à regra geral de direito societário, que exige a presença
de pelo menos dois sócios para instituir a sociedade), assim como na forma de sociedade
anônima.
• Sociedade de Economia Mista: Somente sociedade anônima.
Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica
de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos
Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração
indireta.
Art. 5º A sociedade de economia mista será constituída sob a forma de sociedade
anônima e, ressalvado o disposto nesta Lei, estará sujeita ao regime previsto na Lei
nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.
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META 4
DIREITO ADMINISTRATIVO: ENTES DA ADMINISTRAÇÃO (PARTE II)
f) Competência:
• Empresa Pública Federal: Justiça Federal;
• Sociedade de Economia Mista Federal: Justiça Estadual.
Exceções (serão processadas na Justiça Federal):
▪ Se a União intervier como assistente ou opoente;
▪ Para processar e julgar MS contra ato ou omissão do dirigente da sociedade de economia mista
federal, investido em função administrativa.
Súmula 517, STF: As sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal,
quando a união intervém como assistente ou opoente.
Súmula 556 do STF: É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é
parte sociedade de economia mista.
g) Regime de pessoal: Celetista (CLT), mas, por possuírem um regime jurídico híbrido, se sujeitam a
algumas prerrogativas e regras da Administração Pública:
• Concurso público;
• Teto remuneratório;
• Regras de cumulação de empregos públicos;
• Lei de improbidade administrativa;
• Obediência aos princípios administrativos.
OBS.: O regime varia e acordo com a finalidade da empresa estatal. Se for empresa pública que presta
serviço público, o regime se aproxima mais daqueles das pessoas jurídicas de direito público. Se for
exploradora de atividade econômica, se aproxima das empresas privadas que estão fora da Administração.
h) Administradores: Os administradores das SEM e EP devem ser:
• Cidadãos de reputação ilibada e notório conhecimento;
• Tempo mínimo de experiência profissional;
• Formação acadêmica compatível;
• Não ser inelegível.
Hipóteses de inelegibilidade dos administradores - É vedada a indicação de:
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▪ Representante do órgão regulador ao qual a estatal está sujeita, de Ministro de Estado, de
Secretário de Estado, de Secretário Municipal, de titular de cargo, sem vínculo permanente
com o serviço público, de natureza especial ou de DAS na Administração, ainda que
licenciados do cargo;
▪ Dirigente estatutário de partido político e de titular de mandato no Poder Legislativo de
qualquer ente da federação, ainda que licenciados;
▪ Pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de
partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de
campanha eleitoral;
▪ Pessoa que exerça cargo em organização sindical;
▪ Pessoa que tenha firmado contrato ou parceria, como fornecedor ou comprador,
demandante ou ofertante, de bens ou serviços de qualquer natureza, com a pessoa
políticoadministrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade em
período inferior a 3 anos antes da data de nomeação;
▪ Pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com a pessoa
político-administrativa controladora da estatal ou com a própria empresa ou sociedade.
CESPE/CEBRASPE (2021): No que se refere a compliance e à composição do conselho de administração e da
diretoria de empresas estatais, julgue o item subsequente. É vedada a indicação de dirigente estatutário de
partido político para atuar no conselho de administração ou na diretoria de uma estatal. Item correto.
i) Patrimônio: Bens privados, mas sofre modulações de direito público, especificamente no tocante à
alienação, que depende do cumprimento das exigências do art. 17 da Lei 8.666/93.
j) Controle:
Sujeição ao controle do Tribunal de Contas. O STF entendeu existir esse controle, pois na instituição
das empresas estatais haveria contribuição do erário (patrimônio público).
Se há empresas estatais com mais de um Ente Federado participando, o controle será exercido
apenas pelo Tribunal de Contas responsável pelo controle das contas do ente federado administrador da
estatal, conforme decidiu o STF.
k) Licitação e contratos:
A Lei das Estatais passou a disciplinar a realização de licitações e contratos no âmbito das empresas
públicas e sociedades de economia mista, independentemente da natureza da atividade desempenhada
(prestadora de serviço ou exploradora de atividade econômica).
Nesse sentido, a Lei 8.666/93 deixou de ser aplicada a essas entidades, salvo nos casos
expressamente descritos na própria Lei 13.303/16 (normas penais e parte dos critérios de desempate). Além
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disso, com o advento da Lei 14.133/21, que revogou a Lei 8.666/93 (art. 193, Lei 14.133/21), a disciplina
especial da Lei 13.303/16 permanece em vigor.
Os contratos terão prazo máximo de 5 anos. Salvo:
i. Projetos contemplados no plano de negócios e investimentos;
ii. Prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize ou onere excessivamente o
negócio.
l) Imunidade tributária:
• Se atuam em regime concorrencial: NÃO gozam de imunidade;
• Se prestadoras de serviços públicos não remunerados por preços públicos ou tarifas OU se estatais
que exercem atividades monopolizadas: Gozam de imunidade.
Art. 173 § 2º - As empresas públicas e as sociedades de economia mista não
poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado – só podem
ter privilégios que a iniciativa privada também tenha.
Art. 150, §3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam
ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades
econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em
que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário,nem
exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao
bem imóvel.
ATENÇÃO: O art. 173 da CF, § 2º, assim dispõe: § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista
não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.
Entretanto, segundo a doutrina majoritária, no que pese não haver menção expressa ou distinção entre as
empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas e prestadoras
de serviços públicos, tal vedação se aplica somente às empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividades econômicas.
Vejamos o que diz Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo sobre o tema: “(...) é amplamente majoritário o
entendimento de que a vedação alcança somente as empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividades econômicas – e não as prestadoras de serviço públicos.” (Direito Administrativo
Descomplicado. 24ª Edição. Pág. 87).
Ressalta-se, por fim, que essa concessão de benefício fiscal exclusivo deve obedecer a natural observância
dos princípios constitucionais pertinentes.
ATENÇÃO! ECT, embora seja empresa pública, possui tratamento diferenciado, uma vez que:
• Submetem-se ao regime de Fazenda Pública;
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• Possuem imunidade tributária;
• Submetem-se ao regime de precatório;
• Seus bens são impenhoráveis.
Obs.1: NÃO configura irregularidade a transferência de atividades auxiliares da atividade postal. Ex: Entrega
de encomendas e impressos podem ser delegados, por NÃO serem considerados serviços postais
propriamente dito.
Obs.2: Se as empresas estatais e subsidiárias NÃO receberem recursos dos entes federativos para custeio e
manutenção de pessoal, pode haver pagamentos acima do teto remuneratório.
Obs.3: É necessário motivar a dispensa de seus empregados.
m) Precatório: Somente as empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços
públicos submetem-se ao regime de precatórios!
É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista? É
aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras
de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário.
ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de
sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em regime não
concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de
economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao
regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer
constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da
legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos
poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas? Não se
submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de
personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia
administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com
finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de
Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910). Ex: a
Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA ostenta personalidade
jurídica de direito privado, exerce atividade econômica em regime concorrencial,
sem monopólio e com vista a auferir lucro (Lei nº 17.895/2013, do Estado do
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Paraná). Sujeita-se, portanto, ao regime jurídico das empresas privadas (art. 173,
§§ 1º, II, e 2º, da CF/88), a ela não se aplicando o regime de precatórios previsto no
art. 100 da CF/88.
n) Falência: A lei de falências exclui as estatais, mas a doutrina é divergente:
1ª Corrente: Sujeitam-se à falência, tendo em vista o disposto no art. 173, §1º, II da CF, sendo
inconstitucional o dispositivo da lei de falências.
2ª Corrente: Interpretação conforme a Constituição, para compatibilizar a lei de falências com o
art. 173 CF, de modo que apenas empresas estatais prestadoras de serviços públicos são
afastadas da falência. Celso Antônio, José dos Santos, Diógenes Gasparini e Di Pietro.
3ª Corrente: Não se sujeitam à falência. Rafael Oliveira.
ATENÇÃO: Excluem-se da Administração Indireta e do conceito de empresas estatais as entidades
privadas que possuem participação minoritária do Estado, ainda que recebam influência estatal em
razão de classe especial (GOLDEN SHARES).
GOLDEN SHARE: Prevista expressamente na lei do PND – sempre que houver razões que justifiquem, a
União deterá, direta ou indiretamente, ação de classe especial do capital social da empresa ou
instituição financeira objeto de desestatização, que lhe confira poderes especiais em determinadas
matérias, as quais deverão ser caracterizadas nos seus estatutos sociais. Ex: EMBRAER e VALE.
Julgados importantes sobre o tema:
É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e
aprovação da Assembleia Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os
dirigentes das autarquias e fundações públicas, os presidentes das empresas de
economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem como os
titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário.
ADI 2167/RR, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 3/6/2020 (Info 980).
Obs: No caso das autarquias, vale ressaltar que é possível exigir sabatina
prévia para os membros das agências reguladoras, que são autarquias
especiais. Pela legislação, os conselheiros, no modelo federal, são
submetidos à aprovação do Poder Legislativo.
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de
economia mista exige autorização legislativa e licitação. A alienação do controle
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acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização
legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a
alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação
pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos
que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88,
respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF. Plenário. ADI
5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info
943).
A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) não está
submetida ao regime constitucional dos precatórios. O Metrô-DF é empresa
pública, regida pelo direito privado. Embora preste serviço de utilidade pública, a
empresa não desempenha serviço público essencial em sentido típico ou de caráter
monopolístico. O Metrô-DF desenvolve atividade econômica com a exploração
comercial de marcas, patentes, tecnologia e serviços técnicos especializados, com
a distribuição de dividendos, o que permite a penhora de seus bens. Vale ressaltar
ainda que há distribuição de lucros entre os acionistas da empresa. Diante desse
contexto, não há como se aplicar o regime de precatório para o Metrô-DF. STF. 1ª
Turma. Rcl 29637 AgR/DF, rel. orig.Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 30/6/2020 (Info 984).
Veja, ainda, os enunciados aprovados na I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ sobre as
estatais.
Enunciado 13 - As empresas estatais são organizações públicas pela sua finalidade,
portanto, submetem-se à aplicabilidade da Lei 12.527/2011 “Lei de Acesso à
Informação “, de acordo com o art. 1º, parágrafo único, inc. II, não cabendo a
decretos e outras normas infralegais estabelecer outras restrições de acesso a
informações não previstas na Lei.
Enunciado 14 - A demonstração da existência de relevante interesse coletivo ou de
imperativo de segurança nacional, descrita no § 1º do art. 2º da Lei 13.303/2016,
será atendida por meio do envio ao órgão legislativo competente de
estudos/documentos (anexos à exposição de motivos) com dados objetivos que
justifiquem a decisão pela criação de empresa pública ou de sociedade de
economia mista cujo objeto é a exploração de atividade econômica.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8f91c9c261bfa0650898a921928d0950?categoria=2&subcategoria=15&ano=2020
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Enunciado 22 - A participação de empresa estatal no capital de empresa privada
que não integra a Administração Pública enquadra-se dentre as hipóteses de
“oportunidades de negócio” prevista no art. 28, § 4º, da Lei 13.303/2016, devendo
a decisão pela referida participação observar os ditames legais e os regulamentos
editados pela empresa estatal a respeito desta possibilidade.
Enunciado 24 - Viola a legalidade o regulamento interno de licitações e contratos
editado por empresa estatal de qualquer ente da federação que estabelece prazo
inferior ao previsto no art. 83, § 2º, da Lei n. 13.303/2016, referente à apresentação
de defesa prévia no âmbito de processo administrativo sancionador.
Enunciado 27 - A contratação para celebração de oportunidade de negócios,
conforme prevista pelo art. 28, § 3º, II, e § 4º da Lei n. 13.303/2016 deverá ser
avaliada de acordo com as práticas do setor de atuação da empresa estatal. A
menção à inviabilidade de competição para concretização da oportunidade de
negócios deve ser entendida como impossibilidade de comparação objetiva, no
caso das propostas de parceria e de reestruturação societária e como
desnecessidade de procedimento competitivo, quando a oportunidade puder ser
ofertada a todos os interessados.
Enunciado 30 - A "inviabilidade de procedimento competitivo" prevista no art. 28,
§ 3º, inc. II, da Lei n. 13.303/2016 não significa que, para a configuração de uma
oportunidade de negócio, somente poderá haver um interessado em estabelecer
uma parceria com a empresa estatal. É possível que, mesmo diante de mais de um
interessado, esteja configurada a inviabilidade de procedimento competitivo.
Jurisprudência em teses do STJ – ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
INDIRETA – Edição nº 79
1) Aplica-se a prescrição quinquenal do Decreto n. 20.910/32 às empresas públicas
e às sociedades de economia mista responsáveis pela prestação de serviços
públicos próprios do Estado e que não exploram atividade econômica.
2) Inexiste direito à incorporação de vantagens decorrentes do exercício de cargo
em comissão ou função de confiança na administração pública indireta.
3) As autarquias possuem autonomia administrativa, financeira e personalidade
jurídica própria, distinta da entidade política à qual estão vinculadas, razão pela
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qual seus dirigentes têm legitimidade passiva para figurar como autoridades
coatoras em Mandados de Segurança.
4) As empresas públicas e as sociedades de economia mista prestadoras de serviços
públicos possuem legitimidade ativa ad causam para a propositura de pedido de
suspensão, quando na defesa de interesse público primário.
5) A universidade federal, organizada sob o regime autárquico, não possui
legitimidade para figurar no polo passivo de demanda que visa à repetição de
indébito de valores relativos à contribuição previdenciária por ela recolhidos e
repassados à União.
6) Os Conselhos de Fiscalização Profissionais possuem natureza jurídica de
autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime jurídico de direito público.
Exceção: a OAB que, segundo a concepção majoritária, é um serviço público
independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes
no direito brasileiro (STF. Plenário. ADI 3026, Rel. Min. Eros Grau, julgado em
08/06/2006).
7) O benefício da isenção do preparo, conferido aos entes públicos previstos no art.
4º, caput, da Lei n. 9.289/1996, é inaplicável aos Conselhos de Fiscalização
Profissional. (Recurso Repetitivo - Tema 625)
8) O arquivamento provisório previsto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, dirigido aos
débitos inscritos como dívida ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional ou por ela cobrados, não se aplica às execuções fiscais movidas pelos
conselhos de fiscalização profissional ou pelas autarquias federais. (Súmula n.
583/STJ) (Recurso Repetitivo - Temas 636 e 612)
9) Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual
desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem. (Súmula n. 497/STJ) (Recurso
Repetitivo - Tema 393)
10) As agências reguladoras podem editar normas e regulamentos no seu âmbito
de atuação quando autorizadas por lei.
11) Não é possível a aplicação de sanções pecuniárias por sociedade de economia
mista, facultado o exercício do poder de polícia fiscalizatório.
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12) Compete à justiça federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas.
(Súmula n. 150/STJ)
13) Compete à justiça comum estadual processar e julgar as causas cíveis em que é
parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.
(Súmula n. 42/STJ)
14) Compete à Justiça ordinária estadual o processo e o julgamento, em ambas as
instâncias, das causas de acidente do trabalho, ainda que promovidas contra a
União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista.
(Súmula n. 501/STF)
CAIU EM PROVA:
(Delegado de PCMG 2021): As sociedades de economia mista e as empresas públicas, pessoas jurídicas
integrantes da Administração Pública Indireta, se assemelham em vários aspectos, ao ponto de serem
abordadas em conjunto por grande parte dos doutrinadores, e, inclusive, intituladas por alguns deles como
“empresas estatais”.
Com base nessa informação, marque com V (verdadeiro) ou com F (falso) as seguintes afirmações:
( ) As sociedades de economia mista e as empresas públicas são criadas com o objetivo de permitir ao Estado
a exploração de atividades econômicas, em sentido estrito, admitindo-se, contudo, que tenham por objeto
a prestação de serviços públicos.
( ) Os bens pertencentes às sociedades de economia mista e às empresas públicas são suscetíveis de penhora
em sede de ação de execução municiada com título judicial ou extrajudicial.
( ) As empresas públicas e as sociedades de economia mista sempre têm personalidade jurídica de direito
privado, qualquer que seja o seu objeto, mas à vista da natureza híbrida, estão sujeitas às normas de direito
privado e também de direito público.
( ) Pelo princípio da simetria, a criação e a extinção das sociedades deeconomia mista e das empresas
públicas dependem de lei específica que autorize.
Gabarito: V V V F.
6. ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR
Em direito administrativo, além da clássica divisão entre Administração direta e indireta, os autores
dividem o Estado em setores:
a) Primeiro setor: composto pela administração direta e indireta;
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b) Segundo setor: para a professora Di Pietro, seria o mercado, o qual é formado pelas concessionárias
e permissionárias de serviço público;
c) Terceiro setor: composto pelo que a doutrina coloca como particulares em colaboração com o
Estado.
São subdivisões do Terceiro Setor:
• Sistema ‘S’: Serviços sociais autônomos, tais como o SESI, SESC, SENAI e SENAC;
• Sistema ‘OS’: Organizações sociais, regidas pela Lei 9.637/98;
• OSCIP’s: Organizações da sociedade civil de interesse público, regidas pela Lei 9.790/99;
• OSC’s: Organizações da sociedade civil, regidas pela Lei 13.019/14;
• Fundações de apoio.
a) Introdução:
As entidades do 3º Setor são particulares em colaboração, sem fins lucrativos, que atuam ao lado
do Estado na prestação de serviços públicos e atividades de interesse social, mediante vínculo formal de
parceria com o Estado. Em outras palavras: são entidades privadas que não integram a estrutura da
Administração Pública Direta ou Indireta!
Tais entidades recebem incentivos do Poder Público, mediante dotação orçamentária, cessão de
bens públicos, e se submetem, consequentemente, às restrições de controle impostas ao ente estatal,
sujeitos ao controle do Tribunais de Contas.
Características principais:
• São criadas pela iniciativa privada (“particulares em colaboração”);
• Não integram formalmente a Administração Pública;
• A criação depende de lei autorizativa;
• Possuem vínculo legal ou negocial com o Estado;
• Não possuem finalidade lucrativa;
• Recebem benefícios públicos;
• Possuem regime jurídico de direito privado;
• Adquirem personalidade jurídica com a inscrição do estatuto em cartório próprio;
• Prestam atividades privadas de interesse social (serviços não exclusivos de Estado).
Principais consequências por serem pessoas entidades privadas (pessoa jurídica de direito privado):
• Bens privados;
• Regime CLT;
• NÃO exige concurso público;
• NÃO possuem prerrogativas processuais;
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• NÃO se submetem a precatórios;
• NÃO se submetem ao teto remuneratório previsto na CF/88;
• NÃO precisam fazer licitação (doutrina majoritária);
• NÃO precisam ter a remuneração fixada por lei.
CESPE/CEBRASPE (2021): Serviços sociais autônomos são pessoas jurídicas de direito privado, com ou sem
fim econômico, criadas por lei para desempenhar certas atividades, integrando a administração pública
indireta. Item incorreto, pois não pode ter fim econômico!
b) Espécies:
1) Sistema S - Serviço Social Autônomo;
2) Sistema OS - Organização Social
3) Sistema OSCIP - Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público;
4) Sistema OSC - Organizações da Sociedade Civil;
5) Fundações de apoio.
c) Foro processual:
• É a Justiça Estadual, inclusive para as entidades que formalizam parcerias com a União.
• Serviços Sociais autônomos que recebem recursos federais: Justiça Estadual (SUM 516 STF).
Súmula 516 - O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito à jurisdição da Justiça
estadual.
De quem é a competência para julgar as causas envolvendo os serviços sociais
autônomos? Em regra, a competência é da Justiça Comum Estadual. STF. RE
414375/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31/10/2006.
d) Controle: Para a doutrina amplamente majoritária, sujeitam-se ao controle do TCU.
Nas palavras do professor Rafael Oliveira:
“As entidades do Terceiro Setor, que formalizam parcerias com o Poder Público,
12.4.3 12.4.4 são fiscalizadas pelo respectivo Ente federativo parceiro, pelo
Ministério Público e pelo Tribunal de Contas, na forma do art. 70, parágrafo único,
da CRFB. Da mesma forma, admite-se o controle social, especialmente por meio
da propositura da ação popular.”
Cuidado com o entendimento do STF sobre o tema:
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Os recursos geridos pelos serviços sociais autônomos não são considerados
recursos públicos. Os recursos geridos pelos serviços sociais autônomos são
considerados recursos públicos? NÃO. Segundo entende o STF, os serviços sociais
autônomos do denominado sistema “S”, embora compreendidos na expressão de
entidade paraestatal, são pessoas jurídicas de direito privado, definidos como entes
de colaboração, mas não integrantes da Administração Pública. Assim, quando o
produto das contribuições ingressa nos cofres dos Serviços Sociais Autônomos,
perde o caráter de recurso público. STF. Plenário. ACO 1953 AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 18/12/2013.
e) Regime de Pessoal: Empregados celetistas (submetem-se à CLT).
NÃO se aplica as regras de concurso público. No entanto, doutrina majoritária e STF entendem que
deve haver um processo seletivo público, objetivo e impessoal, de modo que a contratação obedeça aos
princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade.
Os serviços sociais autônomos não precisam realizar concurso público para
contratar seu pessoal. Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso
público para contratar seu pessoal? NÃO. Os serviços sociais autônomos, por
possuírem natureza jurídica de direito privado e não integrarem a Administração
Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público em cooperação
com o ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso público
(art. 37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal. Obs.: vale ressaltar, no
entanto, que o fato de as entidades do Sistema “S” não estarem submetidas aos
ditames constitucionais do art. 37, não as exime de manterem um padrão de
objetividade e eficiência na contratação e nos gastos com seu pessoal. STF.
Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014
(repercussão geral) (Info 759).
f) Patrimônio: Bens privados.
No entanto, os bens privados adquiridos com recursos públicos sofrerão influxos do regime de direito
público. Ex.: Em determinadas hipóteses, podem ser considerados impenhoráveis, em razão da necessidade
de continuidade das atividades sociais. Ou, ainda, após o término da parceria, os bens devem ser transferidos
ao patrimônio de outra entidade similar ou ao patrimônio do Estado, sob a alegação de necessidade de
continuidade das atividades sociais.
g) Licitação
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• Licitação entre o Estado e as entidades do 3º setor: Embora haja divergência, a doutrina majoritária
entende que não há necessidade de licitação. Isso porque, os contratos de gestão e termos de
parceria firmados entre o 3º Setor e a Administração possuem natureza jurídica de convênio (que
busca o interesse comum entre os partícipes), e não de contrato administrativo que exige licitação.
• Licitação entre o 3º setor e a contratação com terceiros utilizado dinheiro público: Há